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II As Délficas irmãs chamar não quero, que tal invocação é vão estudo; Aquele chamo só, de quem espero A vida que se espera em fim de tudo. Ele fará meu Verso tão sincero, Quanto fora sem ele tosco e rudo, Que per rezão negar não deve o menos Quem deu o mais a míseros terrenos. III E vós, sublime Jorge, em quem se esmalta A Estirpe d’Albuquerques excelente, E cujo eco da fama corre e salta Do Cauro Glacial à Zona ardente, Suspendei por agora a mente alta Dos casos vários da Olindesa gente, E vereis vosso irmão e vós supremo No valor abater Querino e Remo. IV Vereis um sinil ânimo arriscado A trances e conflictos temerosos, E seu raro valor executado Em corpos Luteranos vigurosos. Vereis seu Estandarte derribado Aos Católicos pés victoriosos, Vereis em fim o garbo e alto brio Do famoso Albuquerque vosso Tio. V Mas em quanto Talia no se atreve, No Mar do valor vosso, abrir entrada, Aspirai com favor a Barca leve De minha Musa inculta e mal limada. Invocar vossa graça mais se deve Que toda a dos antigos celebrada, Porque ela me fará que participe Doutro licor milhor que o de Aganipe. Bento Teixeira. Sobre tais produções e seus autores, analise as pro- posições a seguir. I. Em geral, a produção de José de Anchieta tem como finalidade prestar serviço à Companhia de Jesus; assim, é intencional o caráter estético-dou- trinário e pedagógico de suas obras. II. O Auto de São Lourenço é dotado de técnica to- mada de empréstimo de Gil Vicente e possui forte influência barroca, como imaginação exaltada, ideia abstrata e valorização dos sentidos. III. Prosopopeia é um poemeto épico com a finali- dade de louvar o Governador de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho. IV. Pode-se dizer que o Texto 12 distancia-se tan- to na forma como no estilo de Os Lusíadas, de Camões. V. Bento Teixeira compromete o valor estético de sua Prosopopeia, quando emprega um tom bajulatório no poemeto, apresentando pobre motivo histórico e inconsistência nos recursos nele utilizados. Estão corretas apenas: A I, II e IV. B II, III e V. C I, III e IV. IV e V. E I, II, III e V. 8 UFSM 2015 Em 2014, o jesuíta José de Anchieta foi canonizado pelo Papa Francisco I, tornando-se o ter ceiro santo brasileiro. Muito embora tenha nascido nas Ilhas Canárias, Anchieta ficou conhecido como o “Apóstolo do Brasil”, legando-nos importantes tex- tos, os quais dão a tônica da função da literatura no início do período colonial brasileiro. Entre seus poe- mas, destaca-se “A Santa Inês”. No poema, nota-se o emprego figurativo e religioso do mais básico dos alimentos da época: o pão. A Santa Inês Na Vinda de sua Imagem Cordeirinha linda, Como folga o povo Porque vossa vinda Lhe dá lume novo! […] Também padeirinha Sois de nosso povo, Pois, com vossa vinda, Lhe dais trigo novo. Não é de Alentejo Este vosso trigo, Mas Jesus amigo É vosso desejo. [...] O pão que amassastes Dentro em vosso peito, É o amor perfeito Com que a Deus amastes. Deste vos fartastes, Deste dais ao povo, Porque deixe o velho Pelo trigo novo. […] Alentejo: região de Portugal. Composto de versos de sílabas métricas, “A Santa Inês” celebra a chegada da imagem da santa a um povoado. Para homenageá-la, o eu lírico chama-lhe de “padeirinha”, pois traria um “trigo novo” para “alimentar” o povo: o exemplo do amor a Cristo. Esse uso figurativo da linguagem carac- teriza uma . Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas. A seis – metonímia. B cinco – metáfora. C seis – antonomásia. cinco – prosopopeia. E seis – analogia. F R E N T E 2 319 9 Udesc 2012 O movimento literário que retrata as ma- nifestações literárias produzidas no Brasil à época de seu descobrimento, e durante o século XVI, é conhe- cido como Quinhentismo ou Literatura de Informação. Analise as proposições em relação a este período. I. A produção literária no Brasil, no século XVI, era restrita às literaturas de viagens e jesuíticas de ca- ráter religioso. II. A obra literária jesuítica, relacionada às atividades catequéticas e pedagógicas, raramente assume um caráter apenas artístico. O nome mais desta- cado é o do padre José de Anchieta. III. O nome Quinhentismo está ligado a um referen- cial cronológico – as manifestações literárias no Brasil tiveram início em 1500, época da coloniza- ção portuguesa – e não a um referencial estético. IV. As produções literárias neste período prendem- -se à literatura portuguesa, integrando o conjunto das chamadas literaturas de viagens ultramarinas, e aos valores da cultura greco-latina. V. As produções literárias deste período constituem um painel da vida dos anos iniciais do Brasil co- lônia, retratando os primeiros contatos entre os europeus e a realidade da nova terra. Assinale a alternativa correta. A Somente as afirmativas I, IV e V são verdadeiras. B Somente a afirmativa II é verdadeira. C Somente as afirmativas I, II, III e V são verdadeiras. Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras. E Todas as afirmativas são verdadeiras. Considere as imagens e o texto, para responder à próxima questão. Fachada da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto. h tt p :/ /g o o g le .c o m .b r Perspectiva da nave da mesma igreja. II/São Francisco de Assis* Senhor, não mereço isto. Não creio em vós para vos amar. Trouxestes-me a São Francisco e me fazeis vosso escravo. Não entrarei, senhor, no templo, seu frontispício me basta. Vossas flores e querubins são matéria de muito amar. Dai-me, senhor, a só beleza destes ornatos. E não a alma. Pressente-se dor de homem, paralela à das cinco chagas. Mas entro e, senhor, me perco na rósea nave triunfal. Por que tanto baixa o céu? por que esta nova cilada? Senhor, os púlpitos mudos entretanto me sorriem. Mais que vossa igreja, esta sabe a voz de me bem embalar. Perdão, senhor, por não amar-vos. Carlos Drummond de Andrade *O texto faz parte do conjunto de poemas “Estampas de Vila Rica”, que integra a edição crítica de Claro enigma. São Paulo: Cosac Naify, 2012. 10 Fuvest 2017 Analise as seguintes afirmações relativas à arquitetura das igrejas sob a estética do Barroco: I. Unem-se, no edifício, diferentes artes, para assaltar de uma vez os sentidos, de modo que o público não possa escapar. II. O arquiteto procurava surpreender o observador, suscitando nele uma reação forte de maravilhamento. III. A arquitetura e a ornamentação dos templos de- viam encenar, entre outras coisas, a preeminência da Igreja. A experiência que se expressa no poema de Drummond registra, em boa medida, as reações do eu lírico ao que se encontra registrado em A I, apenas. B II, apenas. C II e III, apenas. I e III, apenas. E I, II e III. h tt p :/ /g o o g le .c o m .b r LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 3 Literatura Colonial: Quinhentismo, Barroco e Arcadismo320 11 ESPM-SP 2014 Será porventura o estilo que hoje se usa nos púlpitos? Um estilo tão empeçado, um estilo tão dificulto- so, um estilo tão afetado, um estilo tão encontrado toda a arte e a toda a natureza? Boa razão é também essa. O estilo há de ser muito fácil e muito natural. Por isso Cristo com- parou o pregar ao semear, porque o semear é uma arte que tem mais de natureza que de arte [...] Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregadores fazem o ser- mão em xadrez de palavras. Se uma parte está branco, da outra há de estar negro [...] Como hão de ser as palavras? Como as estrelas. As estrelas são muito distintas e muito claras. Assim há de ser o estilo da pregação, muito distinto e muito claro. ANTÔNIO VIEIRA, Padre. “Sermão da Sexagésima.” empeçado: com obstáculo, com empecilho. Assinale a incorreta sobre o texto de Padre Vieira: vale-se do estilo conceptista do Barroco, voltando- -se para a argumentação e raciocínio lógicos. b ataca duramente os pregadores cultistas, devido ao estilo pomposo, de difícil acesso, e aos exage- ros da ornamentação. critica o sermão que está preocupado com a sun- tuosidade linguística e estilística. d defende a pregação que tenha naturalidade, clare- za e distinção. mostraque, seguindo o exemplo de Cristo, pregar e semear afetam o estilo, porque ambas são práti- cas da natureza. 12 Fuvest 2012 Leia atentamente este texto: “Dos púlpitos dessa igreja, o padre Antônio Vieira pro- nunciara com sua voz de fogo os sermões mais célebres de sua carreira”, escreveu Jorge Amado, protestando [contra o projeto de demolição da igreja da Sé]. Conta Jorge que correu na época [decênio de 1930] a notícia de que o arcebispo embolsou gorjeta grande para permitir que a Companhia Linha Circular de Carris da Bahia abatesse o templo. Não há provas do suborno, é certo, mas o fato é que o arcebispo, em documento assinado por ele mesmo, deu a sua “inteira aquiescência” à obra destrutiva. A irrita- ção anticlerical de Jorge Amado subiu então ao ponto de ele fazer o elogio dos “índios patriotas” que, nos primeiros dias coloniais, haviam realizado uma “experiência culi- nária” com o bispo Sardinha. Acrescentando ainda que, naquela década de 1930, baiano já não gostava de bispo nem como alimento. RISÉRIO, Antonio. Uma história da cidade da Bahia. (Adapt.). a) As expressões “inteira aquiescência” e “índios pa- triotas”, citadas no texto, procedem, ambas, da mesma fonte (autor que utilizou tais expressões)? Justifique sua resposta. ) Tendo em vista o contexto, é correto afirmar que a expressão “experiência culinária” é usada com sentido irônico? 13 Unicamp 2011 A arte colonial mineira seguia as pro- posições do Concílio de Trento (1545-1553), dando visibilidade ao catolicismo reformado. O artífice deveria representar passagens sacras. Não era, portanto, plena- mente livre na definição dos traços e temas das obras. Sua função era criar, segundo os padrões da Igreja, as peças encomendadas pelas confrarias, grandes mecenas das artes em Minas Gerais. Adaptado de Camila F. G. Santiago, “Traços europeus, cores mineiras: três pinturas coloniais inspiradas em uma gravura de Joaquim Carneiro da Silva”, em Junia Furtado (org.), Sons, formas, cores e movimentos na modernidade atlântica. Europa, Américas e África. São Paulo: Annablume, 2008, p. 385. Considerando as informações do enunciado, a arte colonial mineira pode ser denida como renascentista, pois criava na colônia uma arte sacra própria do catolicismo reformado, resgatando os ideais clássicos, segundo os padrões do Concílio de Trento. b barroca, já que seguia os preceitos da Contrar- reforma. Era financiada e encomendada pelas confrarias e criada pelos artífices locais. escolástica, porque seguia as proposições do Con- cílio de Trento. Os artífices locais, financiados pela Igreja, apenas reproduziam as obras de arte sacra europeias. d popular, por ser criada por artífices locais, que in- cluíam escravos, libertos, mulatos e brancos pobres que se colocavam sob a proteção das confrarias. 14 UFRGS 2016 Assinale a alternativa correta sobre os três sermões do Padre Antônio Vieira. Estão repletos de exemplos do equilíbrio e da sim- plicidade, típicos do homem barroco. b São peças exemplares de retórica, com a finalidade de despertar a consciência moral dos fiéis. São bastante abstratos, pois se dirigiam a uma pla- teia letrada, que dispensava exemplos. d São escritos em linguagem culta com palavras difí- ceis, dirigidos à plateia sofisticada que frequentava a igreja. Apresentam perguntas retóricas, que geravam um caloroso debate durante as pregações. 15 IFSP 2016 Considerando o Barroco, assinale a alterna- tiva correta. Padre Antônio Vieira caracterizou-se por sua poesia satírica, sendo os sermões obras de insignificativa importância. b Gregório de Matos é reconhecido por seus ser- mões religiosos, nos quais pregava a importância da fé e da manutenção das práticas da burguesia, uma classe verdadeira e honesta. Um aspecto central da vida de Gregório de Matos era o equilíbrio. O amor nunca foi tema de suas poesias, já que era casado e extremamente fiel à esposa. d Padre Antônio Vieira e Gregório de Matos foram importantes autores do Barroco. Padre Antônio Vieira nunca se envolveu com a po- lítica, uma vez que acreditava que seu trabalho era exclusivamente clerical e o sofrimento da popula ção não despertava seu interesse. F R E N T E 2 321