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Língua portuguesa - Livro 3-0053

Conjunto de questões de vestibular e ENEM sobre poemas de Manuel Bandeira (trechos de "Camelô", "Estrada" e "Noite morta"), com alternativas e explicações sobre Modernismo, cotidiano, imagens poéticas, personificação e temas como morte e infância.

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F
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 2
157
23 Enem 2014
Camelô
Abençoado seja o camelô dos brinquedos de tostão:
O que vende balõezinhos de cor
O macaquinho que trepa no coqueiro
O cachorrinho que bate com o rabo
Os homenzinhos que jogam boxe
A perereca verde que de repente dá um pulo que
engraçado
E as canetinhas-tinteiro que jamais escreverão coisa
alguma.
Alegria das calçadas
Uns falam pelos cotovelos:
— “O cavalheiro chega em casa e diz: Meu filho, vai
 buscar um
pedaço de banana para eu acender o charuto.
Naturalmente o menino pensará: Papai está malu...”
Outros, coitados, têm a língua atada
Todos porém sabem mexer nos cordéis como o tino
ingênuo de
demiurgos de inutilidades.
E ensinam no tumulto das ruas os mitos heroicos da
meninice.
E dão aos homens que passam preocupados ou tristes
uma lição de infância.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Riode Janeiro:
Nova Fronteira, 2007
Uma das diretrizes do Modernismo foi a percepção de
elementos do cotidiano como matéria de inspiração
poética O poema de Manuel Bandeira exemplica
essa tendência e alcança expressividade porque
a realiza um inventário dos elementos lúdicos tradi
cionais da criança brasileira.
b promove uma reflexão sobre a realidade de pobre-
za dos centros urbanos.
c traduz em linguagem lírica o mosaico de elementos
de significação corriqueira.
d introduz a interlocução como mecanismo de cons-
trução de uma poética nova.
e constata a condição melancólica dos homens dis
tantes da simplicidade infantil
24 Enem 2011
Estrada
Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,
Interessa mais que uma avenida urbana.
Nas cidades todas as pessoas se parecem.
Todo mundo é igual. Todo mundo é toda a gente.
Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.
Cada criatura é única.
Até os cães.
Estes cães da roça parecem homens de negócios:
Andam sempre preocupados.
E quanta gente vem e vai!
E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:
Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um
bodezinho manhoso.
Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz
dos símbolos,
Que a vida passa! que a vida passa!
E que a mocidade vai acabar.
BANDEIRA, Manuel O ritmo dissoluto Rio de Janeiro: Aguilar, 1967
A lírica de Manuel Bandeira é pautada na apreensão
de signicados profundos a partir de elementos do
cotidiano. No poema “Estrada”, o lirismo presente no
contraste entre campo e cidade aponta para
a o desejo do eu lírico de resgatar a movimentação
dos centros urbanos, o que revela sua nostalgia
com relação à cidade.
b a percepção do caráter efêmero da vida, possibilitada
pela observação da aparente inércia da vida rural
c a opção do eu lírico pelo espaço bucólico como
possibilidade de meditação sobre a sua juventude
d a visão negativa da passagem do tempo, visto que
esta gera insegurança
e a profunda sensação de medo gerada pela refle-
xão acerca da morte.
25 UEM 2016 Assinale o que for orrto sobre o poema
abaixo e sobre o seu autor, Manuel Bandeira.
NOITE MORTA
Noite morta.
Junto ao poste de iluminação
Os sapos engolem mosquitos.
Ninguém passa na estrada.
Nem um bêbado.
No entanto há seguramente por ela uma procissão
de sombras.
Sombras de todos os que passaram
Os que ainda vivem e os que já morreram.
O córrego chora.
A voz da noite.
(Não desta noite, mas de outra maior.)
Petrópolis, 1921.
(BANDEIRA, Manuel. Melhores poemas. 16. ed.
São Paulo: Global, 2013, p 79)
01 Embora a noite esteja iluminada pelo poste de luz,
o silêncio e as sombras criam um ambiente gótico e
triste Os bêbados e os sapos são os únicos seres
alegres em um espaço desolado.
02 “O córrego chora” é uma expressão que se configura
como uma personificação A ideia criada pelo texto
consiste em atribuir ao córrego um atributo humano,
o choro. O eu do poema associa o barulho emitido
pelo correr das águas a um lamento dentro da noite
04 O verso final refere-se a uma noite especial que
pode ser a véspera do Natal ou do Ano Novo na
qual impera o mundo espiritual, de onde vêm as
sombras dos mortos para trilhar o caminho dos vivos.
08 O poema é composto de versos com métrica
regular. Com exceção das rimas emparelhadas
LÍNGUa PORTUGUeSa Capítulo 12 O Modernismo no Brasil: primeira geração158
(“passaram” e “morreram”), o texto apresenta rimas
interpoladas A regularidade métrica e o equilíbrio
formal mostram que, apesar da tristeza, a camada
racional se sobressai à emocional
16 A morte é tema fortemente marcado na obra do
poeta No poema, ela se faz presente nos versos
“Os que ainda vivem e os que já morreram / [ ]
(Não desta noite, mas de outra maior.)”
Soma:
26 PUC-RS 2013
Teu corpo claro e perfeito,
 Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha
(...)
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama
(...)
Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira…
Rosa, flor de laranjeira…
I O poema apresenta forte densidade erótica atra
vés da utilização de imagens da natureza, tais
como fontes, água clara, rosa, flor de laranjeira.
II O eu lírico idealiza um corpo desprovido de má
culas e imperfeições
III. O eu lírico não cobiça carnalmente um corpo, pois
o amor é sublimado fora dos desejos terrenais.
A(s) armativa(s) correta(s) é/são
a I, apenas
b III, apenas
c I e II, apenas
d II e III, apenas.
e I, II e III
Textos para a próxima questão.
Texto 1
O Último Poema
Manuel Bandeira
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e me-
nos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diaman-
tes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Disponível em: <http://www.releituras.com/mbandeira_ultimo.asp>.
Acesso em: 07 nov 2016
Texto 2
AMAR E SER AMADO
Castro Alves
Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sentimento
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano,
Beijar teus lábios em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante, amado
Como um anjo feliz... que pensamento!?
Disponível em: <https://pensador.uol.com.br/frase/ NTU2MTQw/>.
Acesso em: 07 nov. 2016
Texto 3
Livre
Cruz e Sousa
Livre! Ser livre da matéria escrava,
arrancar os grilhões que nos flagelam
e livre penetrar nos Dons que selam
a alma e lhe emprestam toda a etérea lava.
Livre da humana, da terrestre bava
dos corações daninhos que regelam,
quando os nossos sentidos se rebelam
contra a Infâmia bifronte que deprava.
Livre! bem livre para andar mais puro,
mais junto à Natureza e mais seguro
do seu Amor, de todas as justiças.
Livre! para sentir a Natureza,
para gozar, na universal Grandeza,
Fecundas e arcangélicas preguiças.
Disponível em: <http:/www.poesiaspoemaseversos.com.br/
 cruz-e-sousa-poemas/> Acesso em: 07 nov. 2016
27 UCPel 2017 Sobre o(s) texto(s) é correto afirmar que:
a O texto 3 demonstra a temática presente nas poe-
sias românticas da segunda geração, ou seja, o
desejo pela liberdade
b O texto 2 é um soneto que representa o valor mé-
trico atribuído ao parnasianismo.
c Os textos 1 e 3 demonstram a liberdade representa-
da ora na escrita e ora no tema, algo representativo
para o romantismo
d O texto 2 demonstra a preocupação do eu-lírico
com a questão da efemeridade da vida e a busca
pelo prazer, algo representativo na primeira gera-
ção do romantismo.
e O texto 1 demonstra a liberdade de expressão
e criação poética, sem preocupação com a lin-
guagem, característica presente nas produções
literárias do modernismo.
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28 Uncisal 2014
Poema só para Jaime Ovalle
Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhãjá estivesse avançada)
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei,
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei
[pensando...
— Humildemente pensando na vida e nas mulheres
que amei
BANDEIRA, Manuel. Bandeira de bolso: uma antologiapoética.
Porto Alegre: L&PM, 2009. p. 113.
A partir da leitura do poema, pode-se inferir que
A é um texto característico do Modernismo, pelo uso
do verso livre e pela incorporação de aspectos do
cotidiano na poesia, tais como os eventos banais
narrados pelo poema em questão
b pertence à fase final da poesia de Manuel Bandeira,
quando o poeta, desiludido com as propostas do
Modernismo, retorna ao uso das formas poéticas
fixas.
 é representativo do Modernismo, fato que se com-
prova pela liberdade que toma o poeta ao incluir o
nome de um amigo seu no título do poema
d é um típico poema da geração de 45, da qual
Manuel Bandeira foi o principal representante.
E é representativo da poesia simbolista, estética que
esteve presente em Cinza das Horas, primeiro livro
de poemas de Manuel Bandeira.
29 PUC RS 2014 Leia o poema “Elegia de agosto”, de
Manuel Bandeira
A nação elegeu-o seu Presidente
Certo de que jamais ele a decepcionaria
De fato,
Durante seis meses,
O eleito governou com honestidade,
Com desvelo,
Com bravura.
Mas um dia,
De repente,
Lhe deu a louca
E ele renunciou
Renunciou sem ouvir ninguém
Renunciou sacrificando o seu país e os seus amigos.
Renunciou carismaticamente, falando nos pobres e
humildes que é tão difícil ajudar
Explicou: “Não nasci presidente.
Nasci com a minha consciência.
Quero ficar em paz com a minha consciência”
Agora vai viajar.
Vai viajar longamente no exterior.
Está em paz com a sua consciência.
Ouviram bem?
ESTÁ EM PAZ COM A SUA CONSCIÊNCIA
E que se danem os pobres e humildes que é tão difícil
ajudar.
Com base no poema, armam-se:
I Os versos abordam uma temática prosaica, de
aparente simplicidade, muito presente na totali-
dade da obra de Manuel Bandeira.
II. Certa melancolia, associada ao sentimento de
conformismo diante da realidade, é perceptível
ao longo do poema.
III. O poema apresenta um traço narrativo, trazendo,
inclusive, uma fala registrada em discurso direto.
IV. As marcas de oralidade e a presença de adjetivos
evidenciam o lirismo exacerbado que caracteriza
o sentimento de mundo do poeta
A(s) armativa(s) correta(s) é/são
A I, apenas.
b II, apenas.
 I e III, apenas
d II e III, apenas.
E I, II e III.
30 Uepa 2012 [...] veremos, na sua poesia madura, o coti-
diano tratado com um relevo que sublima a sua verdade
simbólica e, inversamente, o mistério tratado com uma
familiaridade minuciosa e objetiva que o aproxima da
sensibilidade cotidiana – porque o poeta conquistou a
posição-chave que lhe permite compor o espaço poético
de maneira a exprimir a realidade do mundo e as mais
desvairadas projeções.
SOUZA, Gilda Mello e; CANDIDO, Antonio. 1991.
Com base no texto, analise os versos de Manuel
Bandeira transcritos a seguir e marque aqueles que de-
monstram a projeção da poesia nos espaços cotidianos
A E ainda que tudo em mim murchado houvera,
Teu olhar saberia, senão quando,
Tudo alertar em nova primavera.
b  — Eh, carvoeiro!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados
A madrugada ingênua parece feita para eles...
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se
brincásseis!
  Mas a noite é nua
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite
d  Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma
E  Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis.

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