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LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 13 O Modernismo no Brasil: segunda geração190 Texto para responder às questões 11 e 12 Leia o poema “Legado”, de Carlos Drummond de Andrade, a seguir. Que lembrança darei ao país que me deu tudo que lembro e sei, tudo quanto senti? Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu minha incerta medalha, e a meu nome se ri E mereço esperar mais do que os outros, eu? Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu, a vagar, taciturno, entre o talvez e o se Não deixarei de mim nenhum canto radioso, uma voz matinal palpitando na bruma e que arranque de alguém seu mais secreto espinho. De tudo quanto foi meu passo caprichoso na vida, restará, pois o resto se esfuma, uma pedra que havia em meio do caminho. 11 UFRGS 2014 Assinale a alternativa correta sobre o poema. A No primeiro quarteto, o poeta alimenta fortes dúvi- das sobre a permanência de sua incerta fama e/ou glória. No segundo quarteto, a pergunta do primeiro verso é apresentada ao público e ao mundo, que esque- ceram a obra do poeta. No segundo quarteto, a declaração de que o mun- do não pode enganar o poeta revela o quanto os leitores estão atentos. d No primeiro terceto, a ausência de canto radioso e da voz revelam que a inspiração poética esgotou- -se faz tempo. E No encerramento, o passo caprichoso do poeta pode revelar, apesar dos transtornos e da pedra, uma paisagem que se esfuma. 12 UFRGS 2014 Considere as seguintes afirmações so bre o poema I No primeiro quarteto, o poeta pergunta pelo lega do que deixará para o país a que deve tudo o que lhe é caro; no segundo quarteto, há uma invoca ção um tanto irônica do mundo, não se trata mais apenas do país: há uma ampliação da referência que atravessaria os limites geográficos para lidar com o mundo/realidade. II. A forma soneto e a referência a Orfeu, o mitoló- gico poeta grego capaz de encantar a todos com o som da sua lira, revelam que o Modernismo de Drummond agora se associa com o Parnasia nismo, o que permite ao poeta reivindicar uma posição fixa na tradição, em contraste com Orfeu, perplexo entre o “talvez” e o “se”. III. No último terceto, o poeta alega que, da sua tra- jetória um tanto instável, restará uma pedra que havia em meio do caminho, o que equivale a uma paráfrase, agora em registro formal e sério, dos versos do célebre poema do início de sua carreira modernista: No meio do caminho tinha uma pe- dra/tinha uma pedra no meio do caminho [ ]. Qual(is) está(ão) correta(s)? A Apenas II. Apenas III. Apenas I e II. d Apenas I e III. E I, II e III. Leia o texto para responder às questões de 13 a 17. Portão O portão fica bocejando, aberto para os alunos retardatários. Não há pressa em viver nem nas ladeiras duras de subir, 1quanto mais para estudar a insípida cartilha Mas se o pai do menino é da oposição, à 2ilustríssima autoridade municipal, prima por sua vez da 3sacratíssima autoridade nacional, 4ah, isso não: o vagabundo ficará mofando lá fora e leva no boletim uma galáxia de zeros. A gente aprende muito no portão fechado ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Carlos Drummond de Andrade: Poesia e Prosa. Nova Aguilar: 1988. p. 506-7. 13 Uece 2014 Observe a metáfora que inicia o poema “O portão fica bocejando” e o que se diz sobre ela I Essa metáfora empresta ao portão faculdades hu- manas, constituindo, também uma prosopopeia ou personificação Por outro lado, essa expres- são aceita, ainda, a seguinte leitura: o portão representa metonimicamente a escola, com seus valores criticáveis e seus preconceitos II O emprego da locução verbal de gerúndio “fica bocejando”, no lugar da forma simples “boceja”, dá à ação expressa pelo verbo “bocejar” um cará- ter de continuidade, de duração. III O gerúndio realça a própria semântica do verbo bocejar Está correto o que se arma em A I, II e III. I e III apenas. II e III apenas. d I e II apenas. 14 Uece 2014 Os dois superlativos (refs. 2 e 3) emprestam ao poema um tom de A ironia. seriedade. respeito. d espiritualidade. 15 Uece 2014 Considere as seguintes afirmações sobre os dois versos finais I A separação desses dois versos em uma estrofe é um recurso que enfatiza as ideias de exclusão, parcialidade e preconceito presentes no poema F R E N T E 2 191 II Os dois versos constituem um enunciado que ex pressa uma afirmação de valor individual ou particular III Esse enunciado apresenta a estrutura linguística do axioma (máxima, provérbio, anexim): é breve, expressa um conceito sobre a realidade, tem o objetivo de ensinar e emprega o presente do in dicativo. Está correto o que se arma apenas em A II. I e III. II e III. d I. 16 Uece 2014 Atente ao que é dito sobre o vocábulo “in- sípida” (ref. 1). I. Foi empregado na acepção de sem graça, desin- teressante, monótono. II. Foi empregado no seu sentido literal, não figura- do. III A mudança da posição desse adjetivo para de pois do substantivo não alteraria o significado do substantivo Está correto o que se arma somente em A I e II. III. I e III. d II. 17 Uece 2014 Atente para o que se afirma sobre os versos “ah, isso não: o vagabundo ficará mofando lá fora/e leva no boletim uma galáxia de zeros” (ref. 4). I. Eles são construídos sobre duas metáforas hiper- bólicas, isto é, metáforas que contêm um exagero. II. O pronome “isso” em “ah, isso não”, aponta para um referente na cena enunciativa. III O pronome “isso”, no poema, aponta para o que é dito nos dois primeiros versos, sintetizando-os Está correto o que se diz em A I e II. I, II e III II e III d I e III Leia os textos para responder às questões 18 e 19. Certas palavras Certas palavras não podem ser ditas em qualquer lugar e hora qualquer. Estritamente reservadas para companheiros de confiança, devem ser sacralmente pronunciadas em tom muito especial lá onde a polícia dos adultos não adivinha nem alcança. Entretanto são palavras simples: definem partes do corpo, movimentos, atos do viver que só os grandes se permitem e a nós é defendido por sentença dos séculos. E tudo é proibido. Então, falamos ANDRADE, Carlos Drummond de. “Certas palavras”. In: A palavra Mágica – Poesia. 10 ed. Rio de Janeiro: Record, 2003. p. 32. Diálogo final É tudo que tem a me dizer? perguntou ele — É – respondeu ela. — Você disse tão pouco. Disse o que tinha para dizer — Sempre se pode dizer mais alguma coisa. — Que coisa? — Sei lá. Alguma coisa. — Você queria que eu repetisse? Não Queria outra coisa — Que coisa é outra coisa? — Não sei. Você que devia saber. [ ] ANDRADE, Carlos Drummond de. Diálogo final (trecho). In: Histórias para o Rei Conto. 4 ed. Rio de Janeiro: Record, 1999. p. 42-3. 18 IFPE 2017 Os textos apresentados foram escritos por Carlos Drummond de Andrade, grande nome do Modernismo brasileiro Sobre os autores e as carac- terísticas das três fases do movimento modernista do Brasil, assinale a alternativa correta A Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e Cecília Meireles são os principais autores da segunda fase do Modernismo brasileiro e repre- sentam, através de textos exclusivamente poéticos, temas urbanos, intimistas e regionalistas. Assim como Drummond, fizeram parte da segunda geração modernista os escritores Clarice Lispector e Guimarães Rosa, os quais possuíam característi- cas bastante semelhantes, devido à tendência lírica da geração de 30. João Cabral de Melo Neto, grande poeta da tercei- ra fase do Modernismo brasileiro, ficou conhecido como “poeta engenheiro” e, assim como Drum- mond, tinha a inspiração como principal aliada na elaboração de seus poemas. d Enquanto a primeira geração modernista foi carac- terizada pela polêmica, pela originalidade e pelo deboche, a segunda mostrou-se mais amadurecida, lançou nomes como Carlos Drummond de Andrade e consolidou os ideais difundidos na fase anterior. E Além de Drummond, os escritores Oswald e Mário de Andrade também abrilhantaram a segunda geração do Modernismo. Conhecidos como “Os Andrades”, os autores introduziramem suas obras uma lingua- gem mais livre, semelhante à linguagem coloquial 19 IFPE 2017 O Modernismo brasileiro foi um movimento cultural, artístico e literário que teve seu início marca- do pela Semana de Arte Moderna, em 1922, e que buscou examinar e desconstruir os sistemas estéticos da arte tradicional. Com base na leitura dos textos apresentados e nos seus conhecimentos acerca das características das obras modernas, assinale a alternativa correta A Por fazer parte da segunda geração de moder nistas, Drummond usufrui de uma liberdade ainda maior do que a imaginada pelos participantes da LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 13 O Modernismo no Brasil: segunda geração192 Semana, o que o permite experimentar grande va riedade temática e estilística, conforme vemos nos textos apresentados Embora seja modernista, o poema “Certas palavras” faz clara oposição aos ideais defendidos por esse movimento, em que a vontade de quebrar os paradigmas da literatura tradicional não permitia a sobrevivência do eu lírico. A estrutura do conto “Diálogo final”, prosaica e com linguagem acessível, só foi possível a partir da ter- ceira geração do Modernismo brasileiro, quando os escritores conquistaram certa autonomia literá- ria e construíram a identidade da literatura nacional. d O poema “Certas palavras”, embora pareça um poema, está escrito em prosa, uma vez que o uso de sinais de pontuação é próprio de textos prosai cos. Em poemas, a organização dos versos e das estrofes dispensa o uso de sinais diacríticos, como a vírgula e os dois pontos. E Os textos, por romperem com ideais estéticos da literatura tradicional, foram escritos em uma va- riedade mais formal da língua portuguesa, não havendo, em sua composição, trechos em desa- cordo com a norma culta. 20 Fuvest 2015 Examine a figura http://www.quino.com.ar/. Os versos de Carlos Drummond de Andrade que mais adequadamente traduzem a principal mensagem da gura apresentada são: A Stop. A vida parou ou foi o automóvel? As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. Um silvo breve Atenção, siga. Dois silvos breves: Pare Um silvo breve à noite: Acenda a lanterna Um silvo longo: Diminua a marcha Um silvo longo e breve: Motoristas a postos. (A este sinal todos os motoristas tomam lugar nos seus veículos para movimentá-los imediatamente.) d proibido passear sentimentos ternos ou desesperados nesse museu do pardo indiferente E Sim, meu coração é muito pequeno Só agora vejo que nele não cabem os homens Os homens estão cá fora, estão na rua. 21 UFPR 2013 Leia atentamente este trecho de Romanceiro da Inconfidência: Romance LIV ou Do enxoval interrompido Aqui esteve o noivo, de agulha e dedal, bordando o vestido do seu enxoval. Em maio, era em maio, num maio fatal; feneciam rosas pelo seu quintal Por estrada e monte, neblina total. No perfil da lua, um nimbo mortal. (Mas quem lê na névoa o amargo sinal?) A noite da Vila é densa e glacial O sono, embuçado em cada beiral Quem não dorme, [sonha com seu enxoval. A agulha, de prata, e de ouro, o dedal Em haste de cera, ergue o castiçal para a turva noite lírio de cristal “Sabeis, ó pastora, daquele zagal que andava num prado sobrenatural? Teria inimigo? Teria rival?” O sono conversa em cada poial “Sabeis, ó pastora, quem seja o chacal que os passos arrasta de longe arraial? Eu vi sua língua é um negro punhal Que mortes fareja o imundo animal?” MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. São Paulo: Edusp/Imesp, 2004. p. 149. zagal: pastor; poial: assento de pedra na entrada de uma casa. Romanceiro da Incondência, de Cecília Meireles, vin- cula-se a uma tradição literária que prevê a mescla de gêneros No livro, a recriação de fatos históricos, as falas de personagens espalhadas por toda a peça e a linguagem repleta de recursos expressivos poéticos resultam em uma obra singular Com base nisso, con- sidere as seguintes armativas: 1 A primeira estrofe apresenta a personagem cen- tral e sua ação anterior a uma reviravolta 2 A segunda estrofe apresenta imagens líricas que podem ser associadas à poética da personagem retratada, como o carpe diem presente no verso “feneciam rosas” 3 A contraposição entre dormir e sonhar, na terceira estrofe, é desenvolvida no diálogo entre a pasto- ra e o sono, transcrito entre aspas. 4. O diálogo final atenua gradativamente a aflição inicial ao apresentar um conjunto de interroga- ções estruturadas em linguagem figurada