Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

GEOGRAFIA Capítulo 6 Redes de transporte e de comunicação268
Brasil: malha ferroviária – 2017
Fonte: elaborado com base em MINISTÉRIO DA INFRAESTRUTURA. Mapa ferroviário. Disponível em: https://antigo.infraestrutura.gov.br/images/
BIT TESTE/Mapas/map_ferro.pdf. Acesso em: 31 out. 2020.
No mapa: O traçado da malha ferroviária brasileira explicita sua finalidade de escoar a produção até os portos para a
exportação, deixando, assim, de exercer um importante papel de integração regional e nacional
Porto Alegre
URUGUAI
MT
MS
TO
GO
DF
SP
MG
ES
RJ
PR
SC
RS
MAPAAM
RR
RO
AC
AP
PI
RN
CE
PB
PE
AL
SE
BA
Convenção para ferrovias
Estações de carga e descarga
Em operação
Desativada
Como corolário das reformas neoliberais do final do século XX, as empresas ferroviárias brasileiras – Fepasa, CVRD,
RFFSA – foram privatizadas em 1996, seguindo o modelo de concessão por 30 anos.
Atualmente, o Brasil dispõe de aproximadamente 30 mil quilômetros de ferrovias, uma densidade muito baixa, de
apenas 3,1 m/km2. Para efeito de comparação, a Argentina, que também apresenta grande extensão territorial, tem uma
densidade de 15 m/km2, e os Estados Unidos, de 150 m/km2. Além disso, a malha ferroviária brasileira é mal distribuída
pelo território, quase metade dela está na região Sudeste e apenas 8% nas regiões Centro-Oeste e Norte.
Região UF Estado Implantada (em km) Planejada (em km) Coincidente
1
 (em km) Total (em km)
Norte
RO Rondônia 0 690 0 690
AC Acre 0 0 0 0
AM Amazonas 0 0 0 0
RR Roraima 0 0 0 0
PA Pará 454 1 060 0 1 514
AP Amapá 180 14 0 194
TO Tocantins 0 1 266 0 1 266
Subtotal 634 3 030 0 3 664
F
R
E
N
T
E
 2
269
Região UF Estado Implantada (em km) Planejada (em km) Coincidente
1
 (em km) Total (em km)
Nordeste
MA Maranhão 1 822 476 –600 1 698
PI Piauí 506 878 0 1 384
CE Ceará 1 248 502 –130 1 620
RN Rio Grande do Norte 370 286 0 656
PB Paraíba 632 89 –39 682
PE Pernambuco 792 508 0 1 300
AL Alagoas 375 0 0 375
SE Sergipe 229 0 0 229
BA Bahia 1 370 2 305 –471 3 204
Subtotal 7 344 5 044 –1 240 11 148
Sudeste
MG Minas Gerais 5 296 1 588 –744 6 140
ES Espírito Santo 394 0 0 394
RJ Rio de Janeiro 1 321 255 0 1 576
SP São Paulo 6 121 332 –756 5 697
Subtotal 13 132 2 175 –1 500 13 807
Sul
PR Paraná 1 782 1 731 –154 3 359
SC Santa Catarina 1 366 1 204 –120 2 450
RS Rio Grande do Sul 3 533 501 –370 3 664
Subtotal 6 681 3 436 –644 9 473
Centro-Oeste
MT Mato Grosso 90 1 692 0 1 782
MS Mato Grosso do Sul 1 635 301 0 1 936
GO Goiás 1 009 1 350 –485 1 874
DF Distrito Federal 96 163 –48 211
Subtotal 2 830 3 506 –533 5 803
Brasil 30 621 17 191 –3 917 43 895
 1Coincidente: quando trechos ferroviários seguem o mesmo traçado.
Fonte: NORONHA, Maria C. P. Infraestrutura federal de transportes: malha ferroviária. dados.gov, 5 jan. 2018. Disponível em: http://dados.gov.br/dataset/infraestrutura-federal-de-transportes-malha-
ferroviaria. Acesso em: 31 out. 2020
Tab. 1 Malha ferroviária federal, por UF – 2016.
Ferrovias
Vantagens Desvantagens
• Baixo custo de manutenção, valor operacional pequeno em
relação ao peso total transportado;
• Transporte de grandes lotes de mercadorias;
• Fretes baixos, de acordo com o volume transportado;
• Pequeno consumo energético;
• Adaptação ferro-rodoviária;
• Provimento de estoques em trânsito;
• Pouca poluição.
• Alto custo de instalação, com elevados investimentos em
infraestrutura, em decorrência da necessidade de qualidade e
resistência das vias permanentes, sobretudo devido ao peso dos
trens;
• Tempo médio de dez anos entre a concepção e a conclusão de um
projeto ferroviário;
• Instalações fixas, com baixa flexibilidade de rotas;
• Dependência da disponibilidade de material rodante e de tração;
• Pouca flexibilidade de horários;
• Inadequação para curtas distâncias;
• Custo elevado nos casos em que há necessidade de transbordos;
• Pouca disponibilidade de malha ferroviária (caso brasileiro).
Tab. 2 Comparativo entre as vantagens e desvantagens do transporte ferroviário. Apesar dos pontos negativos, em muitos países a opção pela ferrovia tem se mostrado
mais vantajosa a longo prazo.
GEOGRAFIA Capítulo 6 Redes de transporte e de comunicação270
Os demais problemas do setor ferroviário nacional são: concessões desatualizadas, falta de compartilhamento de
trilhos, entraves de interconexão das ferrovias e abandono de cerca de um terço da malha ferroviária.
Rodovias
As modernas rodovias datam do fim do século XIX, quando passaram a substituir as antigas estradas construídas para
a passagem de carruagens e demais veículos de baixa velocidade.
Com o desenvolvimento da indústria automobilística no século XX e a oferta de veículos particulares, caminhões e
ônibus movidos por combustíveis derivados do petróleo, até então baratos, as rodovias ganharam escala. Atualmente,
elas são tão importantes economicamente quanto as ferrovias.
Uma amostra concreta de quanto o Brasil depende desse modal foi vivida pela população em maio de 2018, com a
paralisação dos caminhoneiros e donos de transportadoras e a consequente crise de abastecimento de diversos produtos
em boa parte do país. A paralisação, que durou dez dias, provocou a falta de combustíveis nos postos de abastecimento
e de alimentos frescos, como frutas, legumes e carnes nos mercados.
As rodovias apresentam como grande vantagem a rapidez de instalação de infraestrutura a um baixo custo, se com-
paradas às ferrovias, aos portos e aos aeroportos – valor que permanece baixo durante sua manutenção.
Também possibilitam rapidez e flexibilidade, sendo ideais para curtas distâncias dentro dos sítios urbanos e para
atender áreas rurais sem outras vias de transporte instaladas.
Transporte rodoviário: infraestrutura existente e operando
Fonte: DNIT; ANTT. In: MTPA; EPL. Anuário estatístico de transportes 2010 2016. Brasília: MTPA/EPL, 2017. p. 18. Disponível em: www.transportes.gov.br/images/2017/Sum%C3%A1rio_Executivo_
AET_ _2010_ _2016.pdf. Acesso em: 31 out. 2020.
Fig. 9 Dados do transporte rodoviário nacional.
A rodovia costuma ser o modal de transporte mais expressivo nos países mais pobres e em desenvolvimento, re-
sultado da industrialização tardia ou fraca, diferente do que ocorreu nos países que se industrializaram pioneiramente e
promoveram a instalação de hidrovias, portos e ferrovias.
Os impactos ambientais são grandes desvantagens do sistema rodoviário, causados tanto na abertura das estradas
quanto diariamente com a queima dos combustíveis. Além disso, muitos recursos naturais e energéticos são mobilizados
para atender a todo o parque industrial automobilístico.
Como já estudamos, no Brasil, a rodovia é o principal modal de transporte, responsável por cerca de 60% da carga
transportada. Esse contrassenso, conforme também já vimos, é resultado do papel do país na DIT e das políticas econô-
micas e de desenvolvimento promovidas pelos governos brasileiros.
Ademais, a malha rodoviária brasileira está entre as maiores do mundo. Há, aproximadamente, 165 mil quilômetros
de rodovias pavimentadas no país e cerca de 1,5 milhão de outras não pavimentadas. Inicialmente, as estradas eram de
responsabilidade da União e dos estados, mas, a partir dos anos de 1990, muitas rodovias passaram por processos de privatização,
no modelo de concessão em troca da exploração dos pedágios. A maioria dessas estradas teve melhora em seu pavimento,
bem como nos serviços de apoio ao motorista; por outro lado, os custos para trafegar por elas se elevaram. Além disso, rodovias
avaliadas como inviáveis, do ponto de vista econômico, poderiam não receber ofertas nos leilões organizados pelo governo,
o que levou o Estado a elaborar editais que compreendessem conjuntos de rodovias, e não apenas aquelas mais rentáveis.

Mais conteúdos dessa disciplina