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Esse	pequeno	livro	tem	o	potencial	de	exercer	um	grande	impacto.	Absorva	seu
conteúdo	e	sinta	seus	efeitos	pelos	próximos	anos.
Constantine	R.	Campbell,	professor	associado	de	Novo	Testamento	na
Trinity	Evangelical	Divinity	School
A	pregação	e	o	ensino	fiéis	não	focam	apenas	em	um	texto	particular,	mas
ampliam	o	foco	e	consideram	o	enredo	de	toda	a	Bíblia.	Nick	Roark	e	Robert
Cline	mostram	como	a	teologia	bíblica	é	essencial	para	a	igreja,	para	a	pregação
e	para	a	vida.	Eles	examinam	o	quadro	geral	das	Escrituras	e	nos	mostram
alguns	desvios	cometidos	com	frequência.	Esse	é	um	recurso	muito	útil	para
pastores,	professores	e	leigos.
Thomas	R.	Schreiner,	professor	da	cátedra	James	Buchanan	Harrison	de
Interpretação	do	Novo	Testamento,	professor	de	Teologia	Bíblica	no
Southern	Baptist	Theological	Seminary	e	autor	de	Teologia	de	Paulo	(Vida
Nova)
Eu	amo	teologia	bíblica,	mas	nem	sempre	amo	os	livros	de	teologia	bíblica.	Não
poucas	vezes,	eles	são	escritos	de	maneira	tão	técnica	que	acabam	perdendo	a
maioria	dos	crentes	como	leitores.	Esse	livro	é	uma	exceção.	Os	autores	não
apenas	definem,	defendem	e	descrevem	a	teologia	bíblica,	mas	também	o	fazem
de	modo	acessível	a	todos	os	crentes.	Esse	breve	livro	é	simples,	embora	trate	de
ideias	complexas,	é	breve,	mas	rico	em	informações,	e	é	teórico,	ainda	que	cheio
de	exemplos	práticos	de	como	fazer	teologia	bíblica.	É	tanto	um	chamado	para
fazer	teologia	bíblica	quanto	um	manual	para	fazê-la	bem.	Concluí	a	leitura	com
um	desejo	mais	profundo	de	ver	Jesus	na	Palavra	e	ajudar	os	membros	de	minha
igreja	a	fazer	o	mesmo.
Chuck	Lawless,	deão	do	programa	de	doutorado	e	vice-presidente	de
formação	espiritual	no	Southeastern	Baptist	Theological	Seminary,	e	autor
de	Spiritual	warfare:	biblical	truth	for	victory	e	Putting	on	the	armor
Não	há	hoje	um	único	expositor	bíblico	eficaz	que	não	se	valha	de	teologia
bíblica	para	dar	sentido	ao	seu	texto	e	entregar	uma	mensagem	cristocêntrica.
Roark	e	Cline	explicam	de	modo	bem	claro	e	direto	como	a	teologia	bíblica
ajuda	a	igreja	e	os	pastores	a	entender	e	proclamar	a	grande	história	das
Escrituras.
Augustus	Nicodemus	Lopes,	pastor	auxiliar	na	Primeira	Igreja
Presbiteriana	do	Recife	e	autor	de	A	conquista	da	Terra	Prometida,	A
compaixão	de	Deus,	Livres	em	Cristo,	A	supremacia	e	a	suficiência	de
Cristo	e	O	culto	segundo	Deus	(Vida	Nova)
Uau!	Esse	pequeno	livro	reúne	uma	biblioteca	de	sabedoria	para	compreender	o
enredo	bíblico	de	Deus	e	ensinar	a	Palavra	com	fidelidade!	Os	autores	nos
fizeram	um	grande	favor	ao	destilar	conceitos	bíblicos	pesados,	tornando-os
simples,	acessíveis	e	comunicáveis.	Esse	é	o	tipo	de	livro	que	você	quer	dar	a
um	professor	de	escola	bíblica	dominical,	um	pastor	aspirante	ou	um	candidato	a
missionário.	Com	frequência,	professores	bem-intencionados	da	Bíblia	tomam	o
caminho	fácil	dos	textos	fora	de	contexto	para	fazer	uma	“aula	prática”,	mas
perdem	de	vista	o	tema	maior,	o	glorioso	sentido	principal	da	passagem.	Sendo
uma	ferramenta	maravilhosa	para	me	manter	no	caminho	como	um	missionário	e
para	ensinar	novos	convertidos	a	estudar	e	ensinar	a	Palavra,	esse	pequeno	livro
deveria	ser	traduzido	para	muitas	línguas!
David	L.	Frazier,	diretor	executivo	da	Equipping	Servants	International	e
autor	de	Mission	smart
Esse	breve	livro	explica	conceitos	teológicos	importantes	de	modo	claro,	fiel	e
simples.	Ele	é	perfeito	para	os	membros	de	igreja	que	veem	um	livro	acadêmico
como	um	desafio,	mas	que	querem	entender	a	boa	teologia	e	compreender	os
conceitos	bíblicos	necessários	para	ensinar	bem	o	evangelho.	Esse	é	um
excelente	recurso,	e	eu	mal	posso	esperar	para	recomendá-lo	a	minha	equipe	de
ministério	de	mulheres.
Abi	Byrd,	ex-missionária	nos	Bálcãs,	instrutora	bíblica	no	Simeon	Trust	e
diaconisa	do	ministério	de	mulheres	na	igreja	Loudoun	Valley	Baptist
Church,	em	Purcellville,	na	Virginia
Um	crente	é	avaliado	por	sua	fidelidade,	e	é	imperativo	que	saibamos	como	ser
fiéis	à	Palavra	de	Deus,	nossa	única	autoridade	atemporal.	Por	meio	de
explicações	e	exemplos,	o	livro	de	Nick	e	Robert	instrui	os	crentes,	de	uma
maneira	simples	e	útil,	sobre	como	entender	corretamente	passagens	bíblicas,
mantendo	sempre	em	vista	a	perspectiva	maior,	em	que	Cristo	é	o	objetivo	e	o
fim	de	toda	a	Escritura.	Recomendo	enfaticamente	esse	livro	como	um
companheiro	inestimável	para	qualquer	cristão	desejoso	de	ouvir	as	palavras
“Muito	bem,	servo	bom	e	fiel”.
Ndagi	Job	Goshi,	plantador	de	igreja	internacional	bivocacionado
A	teologia	bíblica	é	um	assunto	frequentemente	ignorado,	apesar	de	ser
indispensável	ao	entendimento	de	toda	a	Bíblia.	Os	autores	desse	excelente	livro
constatam	a	importância	desse	assunto	para	a	compreensão	do	enredo	da	história
redentiva.	Se	você	está	procurando	um	recurso	que	explique	e	aplique	bem	a
teologia	bíblica,	esse	livro	é	para	você.	Ele	é	bíblico,	bem	escrito,	fácil	de
entender,	prático,	breve	(embora	não	superficial),	cheio	de	informações	e
extremamente	útil	para	a	pregação	e	o	ministério	pastoral.	Estou	maravilhado
com	tanta	instrução	sólida	colocada	em	um	livro	tão	pequeno.
Miguel	Núñez,	pastor	titular	da	Iglesia	Bautista	International	de	Santo
Domingo,	presidente	e	fundador	dos	ministérios	Wisdom	and	Integrity
Ministries
Como	presbítero	de	uma	igreja	localizada	em	um	dos	maiores	centros
cosmopolitas	do	mundo,	anseio	por	capacitar	cristãos	que	retornarão	a	lugares
desafiadores	onde,	com	frequência,	enfrentarão	a	perseguição	e	o	falso	ensino.	A
teologia	bíblica	é	uma	ferramenta	fundamental	para	ajudar	os	cristãos	a	proteger
e	a	proclamar	o	evangelho.	Sou	imensamente	grato	por	esse	livro	e	estou
animado	para	vê-lo	sendo	usado	para	fortalecer	a	igreja	global.	Ele	alcança	o
perfeito	equilíbrio	entre	abrangência	e	profundidade,	transita	com	facilidade	em
contextos	culturais	e	idiomáticos	diversos	e	ajudará	todos	os	cristãos	a	enxergar,
celebrar	e	comunicar	melhor	o	evangelho.
Andrew	Gizinski,	presbítero	da	igreja	RAK	Evangelical	Church,	em	Ras	Al
Khaimah,	Emirados	Árabes	Unidos
Roark	e	Cline	conseguiram	algo	raro	em	um	campo	tão	extenso.	De	modo
sucinto,	tornaram	mais	claro	o	núcleo	da	teologia	bíblica	sem	simplificar	demais
o	processo.	Todo	cristão	se	beneficiará	dos	vários	exemplos	de	como	uma
teologia	bíblica	bem	embasada	transforma	nossa	maneira	de	ler,	aplicar	e	ensinar
a	Bíblia.	Esse	é	um	mapa	confiável	no	caminho	para	Emaús,	onde	a	descoberta
de	Cristo	em	toda	a	Escritura	satisfaz	o	coração.
Chip	Bugnar,	autor	de	Grace	beyond	the	veil
Nesse	livro	cheio	de	ilustrações	poderosas	e	esclarecedoras,	Roark	e	Cline
argumentam	convicentemente	que	enxergar	toda	a	Bíblia	como	uma	história
sobre	Jesus	capacita	os	crentes	a	servir	a	Cristo	alinhados	com	o	propósito	de
Deus.	Leia	esse	livro	e	veja	por	você	mesmo!	A	expressão	teologia	bíblica	pode
passar	a	impressão	de	que	esse	é	um	livro	didático	para	seminaristas	ou	para	um
treinamento	pastoral.	Aqui,	porém,	está	uma	leitura	obrigatória	para	todo	cristão,
pois	todos	nós	devemos	ser	despenseiros	da	igreja	de	Cristo.
Conrad	Mbewe,	pastor	da	igreja	Kabwata	Baptist	Church	e	chanceler	da
The	African	Christian	University,	em	Lusaka,	Zâmbia
A	tentativa	de	reunir	em	um	todo	coerente	os	diversos	períodos	históricos	e
gêneros	literários	dos	66	livros	da	Escritura	pode	ser	uma	tarefa	assustadora.
Nesse	livro	extraordinariamente	acessível	e	prático,	Roark	e	Cline	nos	ajudam	a
ver	que	essa	tarefa	difícil	pode	não	ser	tão	difícil	assim;	pois,	como	Jesus	diz,
toda	a	Escritura	aponta	para	ele.	Os	autores	devem	ser	elogiados	por	escrever	um
livro	para	ajudar	tanto	o	professor	quanto	o	estudante	da	Bíblia	a	entender	o
sentido	da	Palavra	de	Deus	e	nos	guardar	de	aplicá-la	de	modo	errado	à	nossa
vida	e	às	nossas	igrejas.
Shawn	D.	Wright,	professor	de	História	da	Igreja	no	Southern	Baptist
Theological	Seminary	e	pastor	de	desenvolvimento	de	líderes	na	igreja
Clifton	Baptist	Church,	em	Louisville
Com	frequência,	como	pastor,	perguntam-me	sobre	um	livro	que	apresente	o
enredo	e	a	unidade	da	Bíblia	centrados	no	Senhor	Jesus	Cristo	crucificado	e
ressurreto.A	partir	de	agora,	esse	livro	é	a	minha	resposta.	Essa	obra,	porém,	faz
mais	do	que	descrever	a	teologia	bíblica;	ela	mostra	ao	leitor	como	essa
disciplina	negligenciada	com	frequência	pode	nos	proteger	de	vários	erros,	tanto
na	interpretação	da	Escritura	quanto	na	prática	da	igreja.
Lee	Tankersley,	pastor	da	igreja	Cornerstone	Community	Church,	em
Jackson,	no	Tennessee
Eu	procurava	um	livro	sobre	teologia	bíblica	que	pudesse	dar	com	confiança	a
qualquer	pessoa	da	minha	igreja.	Finalmente	o	encontrei.	Esse	livro	é	resposta	de
oração.
Jason	Meyer,	pastor	de	pregação	e	visão	na	igreja	Bethlehem	Baptist
Church,	em	Minneapolis
Série	9Marcas:	Construindo	Igrejas	Saudáveis
MARK	DEVER	E	JONATHAN	LEEMAN,	organizadores
Pregação	expositiva	(David	Helm)
O	evangelho	(Ray	Ortlund)
Evangelização	(J.	Mack	Stiles)
Membresia	na	igreja	(Jonathan	Leeman)
Disciplina	na	igreja	(Jonathan	Leeman)
Discipulado	(Mark	Dever)
Presbíteros	(Jeramie	Rinne)
Sã	doutrina	(Bobby	Jamieson)
Conversão	(Michael	Lawrence)
Missões	(Andy	Johnson)
Dados	Internacionais	de	Catalogação	na	Publicação	(CIP)
Angélica	Ilacqua	CRB-8/7057
Roark,	Nick
Teologia	bíblica	:	como	a	igreja	ensina	o	evangelho	com	fidelidade	/	Nick	Roark
e	Robert	Cline	;	tradução	de	Abner	Arrais.	--	São	Paulo	:	Vida	Nova,	2018.
176	p.	(Série	9Marcas)
ISBN	978-85-275-0867-4
Título	original:	Biblical	theology:	how	the	church	faithfully	teaches	the	gospel
1.	Bíblia	-	Teologia	2.	Igreja	I.	Título	II.	Cline,	Robert	III.	Arrais,	Abner
18-1304
CDD	230.041
Índices	para	catálogo	sistemático:
1.	Bíblia	–	Teologia
©2018,	de	Nick	Roark	e	Robert	Cline
Título	do	original:	Biblical	theology:	how	the	church	faithfully	teaches	the
gospel,	edição	publicada	por	CROSSWAY	(Wheaton,	Illinois,	EUA).
Todos	os	direitos	em	língua	portuguesa	reservados	por
SOCIEDADE	RELIGIOSA	EDIÇÕES	VIDA	NOVA
Rua	Antônio	Carlos	Tacconi,	63,	São	Paulo,	SP,	04810-020
vidanova.com.br	|	vidanova@vidanova.com.br
1.a	edição:	2018
Proibida	a	reprodução	por	quaisquer	meios,
salvo	em	citações	breves,	com	indicação	da	fonte.
Impresso	no	Brasil	/	Printed	in	Brazil
Todas	as	citações	bíblicas	foram	traduzidas	diretamente	da	English	Standard
http://vidanova.com.br
Version.
DIREÇÃO	EXECUTIVA
Kenneth	Lee	Davis
GERÊNCIA	EDITORIAL
Fabiano	Silveira	Medeiros
EDIÇÃO	DE	TEXTO
Fernando	Mauro	S.	Pires
Guilherme	Lorenzetti
PREPARAÇÃO	DE	TEXTO
Victória	Cardoso
REVISÃO	DE	PROVAS
Gustavo	N.	Bonifácio
GERÊNCIA	DE	PRODUÇÃO
Sérgio	Siqueira	Moura
DIAGRAMAÇÃO
Sandra	Reis	Oliveira
CAPA
Darren	Welch
Vania	Carvalho	(adaptação)
Imagem:	Wayne	Brezinka,	para	brezinkadesign.com
Para	os	santos
da	igreja	Franconia	Baptist	Church.
Que,	pela	graça	de	Deus,	possamos	adorar	e	proclamar
Cristo	por	meio	de	toda	a	Escritura.
SUMÁRIO
Prefácio	da	Série	9Marcas
1A	necessidade	de	teologia	bíblica
2O	que	é	teologia	bíblica?
3Qual	é	a	grande	história	da	Bíblia?
(primeira	parte)
4Qual	é	a	grande	história	da	Bíblia?
(segunda	parte)
5A	teologia	bíblica	molda	o	ensino	da	igreja
6A	teologia	bíblica	molda	a	missão	da	igreja
Conclusão
Apêndice:	Outros	exemplos	bíblico-teológicos
Recursos	recomendados
Índice	de	passagens	bíblicas
PREFÁCIO	DA
SÉRIE	9MARCAS
Você	acredita	ser	sua	responsabilidade	ajudar	a	construir	uma	igreja	saudável?
Se	você	é	cristão,	cremos	que	é	o	que	deve	fazer.
Jesus	ordena	que	você	faça	discípulos	(Mt	28.18-20).	Judas	manda	que	você	se
edifique	na	fé	(Jd	20,21).	Pedro	o	conclama	ao	uso	de	seus	dons	para	servir	às
pessoas	(1Pe	4.10).	Paulo	o	chama	a	dizer	a	verdade	em	amor,	a	fim	de	que	sua
igreja	amadureça	(Ef	4.13,15).	Percebe	aonde	estamos	chegando?
Seja	você	membro	ou	líder	da	igreja,	a	Série	9Marcas:	Construindo	Igrejas
Saudáveis	tem	como	alvo	ajudá-lo	a	cumprir	esses	mandamentos	bíblicos	e,
assim,	desempenhar	sua	parte	na	construção	de	uma	igreja	saudável.	Em	outras
palavras:	esperamos	que	esses	livros	o	ajudem	a	crescer	em	amor	por	sua	igreja,
assim	como	Jesus	a	ama.
O	Ministério	9Marcas	planeja	produzir	um	livro	pequeno	e	de	fácil	leitura	sobre
cada	uma	das	características	que	Mark	Dever	chamou	“as	nove	marcas	da	igreja
saudável”	(pregação	expositiva,	teologia	bíblica,	o	evangelho,	conversão,
evangelização,	membresia	na	igreja,	disciplina	na	igreja,	discipulado	e	liderança
bíblica	na	igreja	[presbíteros]),	além	de	um	volume	extra	sobre	a	sã	doutrina,
outro	sobre	oração	e	outro	sobre	missões.
As	igrejas	locais	existem	para	demonstrar	a	glória	de	Deus	às	nações.	Fazemos
isso	ao	fixar	os	olhos	no	evangelho	de	Jesus	Cristo,	confiando	nele	para	sermos
salvos	e	amando	uns	aos	outros	com	a	santidade,	a	unidade	e	o	amor	de	Deus.
Oramos	para	que	este	livro	o	ajude.
Cheios	de	esperança,
MARK	DEVER	E	JONATHAN	LEEMAN,
organizadores	da	série.
1
A	NECESSIDADE	DE
TEOLOGIA	BÍBLICA
CAPTANDO	A	IDEIA	CENTRAL
Quando	eu	(Nick)	estava	na	escola	primária,	um	dos	meus	colegas	de	sala	fez
uma	apresentação	sobre	uma	história	escrita	por	C.	S.	Lewis	que	retratava	quatro
crianças,	um	rei	leão,	uma	feiticeira	branca	e	uma	secreta	terra	encantada,	a	qual
era	acessada	por	um	guarda-roupa.	Fiquei	fascinado.	Então	eu	mesmo	comprei
um	exemplar	da	obra	As	crônicas	de	Nárnia¹	e	o	li	com	alegria.	Anos	mais	tarde,
porém,	depois	de	minha	conversão	a	Cristo,	percebi	que	havia	deixado	de
perceber	as	intenções	evidentes	do	autor,	a	saber,	o	intuito	de	dirigir	o	olhar	de
seus	leitores	para	Jesus.
É	possível	ler	uma	história,	achá-la	interessante	e	ainda	assim	deixar	escapar
completamente	sua	mensagem	principal.	Você	pode	distrair-se	demais	com	o
cenário	ou	personagens	menos	importantes.	Pode	ler	apenas	poucos	parágrafos
de	cada	vez	ou	pular	aleatoriamente	de	um	lugar	para	outro.	Pode	até	mesmo
tentar	remendar,	umas	nas	outras,	as	tramas	ou	as	visões	de	mundo	a	partir	de
várias	seções	sem	nenhuma	conexão	entre	si.	Se	você	fizer	qualquer	uma	dessas
coisas,	é	bem	provável	que	entenderá	mal	a	história,	tanto	seu	herói	quanto	seus
temas	principais.
A	Bíblia	é	uma	história	divinamente	inspirada.	Ela	conta	essa	história	por	meio
de	uma	coleção	de	narrativas,	canções,	poesias,	provérbios	de	sabedoria,
Evangelhos,	epístolas	e	literatura	apocalíptica.	Juntas,	essas	formas	diversas
contam	uma	verdadeira	história	sobre	a	obra	salvífica	de	Deus	desde	o	início	dos
tempos.	A	Bíblia	contém	66	livros	escritos	por	vários	autores.	Esses	autores
foram	inspirados	pelo	Espírito	Santo,	que	usou	as	personalidades	e	os	contextos
de	vida	de	cada	um	deles	para	criar	o	cânon	da	Escritura	para	nós,	com	sua
mensagem	principal	única	e	seu	enredo.
Os	cristãos	reconhecem	a	autoridade	divina	da	Bíblia.	Eles	até	mesmo	a	leem	e	a
estudam	diariamente	por	anos.	Ainda	assim,	muitos	continuam	deixando	passar	a
mensagem	principal.	Em	João	5.39,40,	Jesus	se	dirige	assim	a	algumas	pessoas:
“Vocês	buscam	as	Escrituras	porque	consideram	que	nela	há	vida	eterna,	e	é	ela
que	dá	testemunho	a	meu	respeito;	ainda	assim,	vocês	se	recusam	a	vir	a	mim
para	que	possam	ter	vida”.
É	possível	honrar	as	Escrituras	e	mesmo	assim	lê-las	e	usá-las	equivocadamente,
deixando	de	ver	o	grande	quadro	que	Deus	concebeu.	Contudo,	felizmente,	o
autor	da	Bíblia	nos	deixou	pistas	claras	sobre	a	mensagem	principal	da	história
dele.	Esta	é	uma	das	principais	pistas	dadas	pelo	próprio	Jesus	Cristo:
Então	lhes	disse:	“Essas	são	as	minhas	palavras	que	lhes	falei	enquanto	ainda
estava	com	vocês,	que	tudo	escrito	sobre	mim	na	Lei	de	Moisés,	nos	Profetas	e
nos	Salmos	deveria	se	cumprir”.	Então	abriu	a	mente	deles	para	entenderem	as
Escrituras	e	lhes	disse:	“Assim	está	escrito,	que	o	Cristo	deveria	sofrer	e	no
terceiro	dia	ressuscitar	dos	mortos,	e	que	em	seu	nome	o	arrependimento	para	o
perdão	dos	pecados	deveria	ser	proclamado	para	todas	as	nações,	começando	de
Jerusalém.	Vocês	são	testemunhas	dessas	coisas.	E	vejam,	estou	enviando	sobre
vocês	a	promessa	do	meu	Pai.	Mas	fiquem	na	cidade	até	que	vocês	sejam
revestidos	com	o	poder	do	alto”	(Lc	24.44-49).
Jesus	explica	duas	coisas	nesse	texto.	Primeiro,	faz	a	chocante	declaração	de	quetodo	o	Antigo	Testamento,	do	Pentateuco	aos	Profetas	e	Salmos,	foi	escrito,	na
realidade,	sobre	ele.	Em	outras	palavras,	Jesus	se	identifica	como	o	Messias
prometido.	Segundo,	ele	diz	que	os	seus	seguidores	serão	testemunhas	dessas
coisas	para	todas	as	nações,	isto	é,	para	todos	os	povos,	em	todos	os	lugares.
Dito	de	modo	simples,	você	não	entenderá	a	história	da	Bíblia	a	não	ser	que
perceba	que	ela	é	toda	sobre	Jesus!	De	Gênesis	a	Apocalipse,	Jesus	é	o	herói	e	o
sentido	da	história.	Mais	que	isso,	você	não	entenderá	quem	é	Jesus	a	não	ser
que	entenda	a	história	maior,	que	é	inteiramente	sobre	ele!	Jesus	é	a	chave
interpretativa	da	Bíblia,	o	que	significa	que	um	leitor	atencioso	vai	encontrá-lo
no	começo,	no	meio	e	no	fim	dessa	história.
Na	Bíblia,	Deus	nos	revelou	os	propósitos,	os	planos	e	as	promessas	do	Rei.
Uma	vez	que	essas	coisas	se	desenvolveram	na	história,	precisamos	prestar
atenção	a	toda	essa	narrativa	bíblica,	lendo-a	como	Jesus	diz	que	a	devemos	ler.
A	história	de	Deus	é	uma	grande	história	—	de	fato,	é	a	maior	de	todas	—	e	ela	é
centrada	em	seu	plano	de	redenção	na	Pessoa	e	na	obra	de	Jesus	Cristo.
Para	ler	a	Bíblia	fielmente,	porém,	precisamos	das	ferramentas	adequadas.	A
disciplina	da	teologia	bíblica	é	uma	dessas	ferramentas.
1.	A	teologia	bíblica	ajuda	a	tornar	mais	claro	o	principal	propósito	da	Bíblia.
Algumas	pessoas	abordam	a	Palavra	de	Deus	como	se	ela	fosse	uma	coleção	de
histórias	independentes,	ou	uma	coleção	de	recomendações	e	conselhos,	ou	até
mesmo	um	livro	universal	de	receitas	com	algumas	dicas	para	“a	boa	vida”
espalhadas	pelos	seus	66	livros.	Essas	abordagens,	porém,	fracassam	em	trazer	à
luz	o	propósito	central	da	Escritura.
Na	Bíblia,	o	Deus	triúno	explica	quem	ele	é,	como	ele	é,	como	está	trabalhando
ao	longo	da	história	por	meio	do	seu	Espírito	e	do	seu	Filho,	Jesus	Cristo,	o	Rei,
e	como	nós	devemos	glorificá-lo	neste	mundo.	A	teologia	bíblica	nos	ajuda	a
compreender	esse	propósito	principal	ao	olhar	para	cada	passagem	da	Escritura	à
luz	de	toda	a	Bíblia,	a	fim	de	que	entendamos	como	cada	parte	da	Escritura	está
relacionada	com	Jesus.
2.	A	teologia	bíblica	ajuda	a	proteger	e	a	guiar	a	igreja.	Ler	corretamente	a
Escritura	significa	saber	onde	cada	livro	se	encaixa	em	seu	enredo	geral.	Saber
esse	enredo,	por	sua	vez,	ajuda-nos	a	ler	e	a	entender	apropriadamente	cada
acontecimento,	personagem	ou	ensinamento	que	nos	é	dado	como	parte	da
Palavra	de	Deus	progressivamente	revelada.	Entender	toda	a	história	da
Escritura	esclarece	quem	é	Jesus	Cristo	e	o	que	é	seu	evangelho.
Deus	prometeu	resgatar	um	povo	de	cada	tribo,	língua	e	nação	para	a	sua	própria
glória	por	meio	de	seu	Filho	e	pelo	seu	Espírito.	Essas	pessoas	redimidas	são
membros	do	corpo	de	Cristo,	a	igreja.	O	que	a	igreja	de	Jesus	Cristo	deveria	ser
e	fazer?	Jesus	falou	aos	seus	seguidores	—	os	quais	se	arrependeram	de	seus
pecados	e	confiaram	somente	nele	—	a	respeito	de	as	Escrituras	testificarem	que
“…	o	arrependimento	para	o	perdão	dos	pecados	deveria	ser	proclamado,	em	seu
nome,	a	todas	as	nações,	começando	por	Jerusalém”	(Lc	24.47).	Assim,	a
proclamação	de	Jesus	Cristo	dever	estar	no	centro	da	missão	da	igreja	de
discipular	as	nações.	Desse	modo,	a	teologia	bíblica	protege	a	igreja	do	erro	fatal
de	proclamar	um	falso	evangelho	e	conduz	a	igreja	a	guardar	a	proclamação	do
verdadeiro	evangelho	como	o	ponto	central	de	sua	missão	ao	mundo,	para	o
louvor	da	glória	de	Deus.
3.	A	teologia	bíblica	nos	ajuda	em	nosso	alcance	evangelístico.	Compartilhar	as
boas-novas	com	os	que	não	estão	familiarizados	com	o	cristianismo	exige
explicar	muito	mais	do	que	As	quatro	leis	espirituais²	ou	a	“Estrada	de
Romanos”.³	As	pessoas	precisam	primeiro	entender	que	a	cosmovisão	cristã
acompanha	uma	completa	transformação	de	mente.	Em	nosso	evangelismo,
devemos	começar	com	Deus	e	a	Criação	para	ver	o	que	deu	errado.	A	partir	daí,
temos	condição	de	acompanhar	o	que	Deus	tem	feito	ao	longo	da	história,	e	isso
nos	ajudará	a	descobrir	por	que	ele	enviou	Jesus	e	por	que	esse	fato	importa
hoje.	A	não	ser	que	entendamos	corretamente	esses	acontecimentos	passados	em
seus	devidos	contextos,	não	estaremos	preparados	para	descobrir	o	que	Deus	está
fazendo	agora	mesmo	e	o	que	ele	fará	no	futuro.
4.	A	teologia	bíblica	ajuda	a	ler,	entender	e	ensinar	a	Bíblia	como	Jesus	mandou.
O	próprio	Jesus	é	quem	diz,	em	Lucas	24,	que	ele	é	a	chave	interpretativa	da
Escritura.	Assim,	se	falharmos	em	ler	e	entender	a	Bíblia	de	um	modo	que	ela
nos	leve	a	Jesus,	então	teremos	perdido	sua	mensagem	principal	e,	em
consequência	disso,	ensinaremos	os	outros	a	cometerem	o	mesmo	erro.
QUANDO	AS	IGREJAS	PERDEM	A	MENSAGEM	PRINCIPAL
A	conclusão	é	esta:	perder	o	sentido	principal	da	história	da	Bíblia	produz	falsos
evangelhos	e	falsas	igrejas.	Vamos	considerar	a	seguir	alguns	exemplos	desse
tipo	de	erro	que	a	teologia	bíblica	nos	ajuda	a	evitar.
A	igreja	do	evangelho	da	prosperidade
Deixe-me	apresentar	a	você	o	Jonathan.	Ele	ora	com	frequência	e	lê	a	Bíblia
diariamente,	mas	nunca	leu	um	livro	dela	por	completo.	Abra	a	Bíblia	dele	e
você	encontrará	versículos	circulados	no	Antigo	Testamento	e	páginas	com
trechos	sublinhados	no	Novo	Testamento.
A	esposa	dele,	Rebeca,	memorizou	uma	quantidade	bem	impressionante	de
versículos	bíblicos	e	está	ensinando	esses	versículos,	um	por	um,	aos	filhos.
Jonathan,	Rebeca	e	sua	jovem	família	são	parte	de	uma	igreja	local	em	uma
cidade	da	África	(embora,	nessa	questão,	pudesse	ser	na	Ásia,	na	Europa	ou	na
América).	Quando	pedi	para	ouvir	alguns	dos	versículos	que	Rebeca	memorizou,
ela	recitou	Marcos	11.24:	“Portanto,	eu	lhes	digo:	Seja	o	que	for	que	vocês
pedirem	em	oração,	creiam	que	o	receberam,	e	isso	será	de	vocês”.	Então	ela
disse:	“Isso	é	o	que	Abraão	fez,	então	é	isso	que	eu	faço”.
Um	pouco	incomodado,	eu	(Robert)	decidi	procurar	um	dos	pastores	dela.
Quando	lhe	perguntei	qual	era,	em	sua	opinião,	a	mensagem	principal	da	Bíblia,
ele	respondeu:	“Ah,	isso	é	fácil!	Deus	enviou	Jesus	para	dar	vida	abundante	pela
fé	a	todos	os	que	creem.	Se	tão	somente	tivermos	fé,	Deus	nos	dará	essa	vida
agora	com	todas	as	riquezas	e	bênçãos	que	Jesus	tem	direito.	Podemos	gerar
nossas	próprias	bênçãos	quando	oramos	com	fé	como	fez	Abraão”.
A	igreja	do	evangelho	civil
Ao	visitar	alguns	crentes	em	outra	cidade,	dessa	vez	nos	Estados	Unidos,	eu
(Robert)	lhes	pedi	que	me	dissessem	qual	é	a	mensagem	da	Bíblia.	As	respostas
que	deram	foram	mais	ou	menos	assim:
Bem,	a	América	é	uma	nação	cristã,	uma	nação	escolhida	por	Deus	como	Israel,
uma	cidade	no	monte.	Deus	abençoou	essa	nação,	mas	como	diz	2Crônicas	7.14:
“Se	meu	povo,	que	é	chamado	pelo	meu	nome,	se	humilhar,	e	orar,	e	buscar	a
minha	face,	e	se	apartar	de	seus	caminhos	ímpios,	então	eu	os	ouvirei	do	céu	e
perdoarei	seus	pecados	e	curarei	sua	terra”.
Eles	continuaram:
Deus	e	o	país,	esses	são	os	pilares	que	formam	a	essência	da	minha	igreja.	Esta	é
supostamente	uma	nação	cristã,	mas	agora	nos	dizem	que	não	podemos	ter	os
Dez	Mandamentos	nas	paredes	de	nossas	escolas	públicas!	Se	os	americanos
fossem	apenas	pessoas	boas	e	morais	como	Abraão,	Moisés	ou	Davi,	então	nós
teríamos	toda	a	prosperidade	e	desfrutaríamos	da	segurança	e	do	conforto
provenientes	das	bênçãos	de	Deus.
A	igreja	do	sopão
João	recentemente	se	mudou	para	a	cidade	e	é	parte	de	uma	rede	de	igrejas
voltadas	a	servir	ao	pobre.	Seu	trabalho	principal	é	administrar	um	banco
alimentar.	A	igreja	de	João	deseja	obedecer	ao	mandamento	da	Bíblia	de	buscar
a	justiça,	amar	a	misericórdia	e	andar	com	Deus	humildemente	(Mq	6.8).	João
admite	que	a	ênfase	do	ensino	de	sua	igreja	recai	inegavelmente	mais	sobre	a
mobilização	para	o	que	nós	devemos	fazer	por	Deus	do	que	sobre	a	mensagem
do	que	Deus	fez	por	nós	em	Cristo.	João	diz:	“Deveríamos	nos	preocupar
completamente	com	aliviar	o	sofrimento,	onde	quer	que	estejamos.	Alimentar	‘o
menor	desses’	é	o	que	nos	faz	conhecidos	como	uma	igreja.	O	que	poderia	estar
errado	com	isso?”.
A	igreja	da	imoralidade	declarada
Fundamentalmente,	a	teologia	bíblica	ajuda	os	seguidoresfiéis	de	Cristo	a
reconhecer	e	refutar	interpretações	equivocadas	que	conflitem	com	o	enredo
geral	da	Escritura.	Cíntia	é	uma	jovem	estudante	nascida	em	um	lar	cristão.	A
Bíblia	sempre	lhe	foi	ensinada,	e	ela	conhece	muito	bem	o	quadro	geral	da
história	bíblica.	Ela	até	mesmo	teve	o	mérito	de	completar	um	ano	de	estudos	de
grego	do	Novo	Testamento.	Sua	visão	de	mundo	é	solidamente	cristã,	mas
ultimamente	Cíntia	tem	ficado	confusa	ao	conhecer	cristãos	professos	que	são
abertamente	gays	e	que	também	são	muito	gentis,	generosos	e	amorosos.
Ela	se	pergunta:	“Como	a	Bíblia	poderia	se	opor	a	essas	pessoas?”.
Ela	lê	artigos	de	especialistas	bíblicos	que	questionam	a	tradução	de	textos-
chave	tradicionalmente	usados	para	explicar	por	que	a	prática	homossexual	é
pecaminosa.	A	essa	altura,	ela	não	pode	fazer	nada	a	não	ser	perguntar:	“Uma
vez	que	não	há	versículos	na	Bíblia	que	proíbam	explicitamente	o	casamento
entre	pessoas	do	mesmo	sexo,	qual	é	o	problema	se	duas	mulheres	se	amam
realmente?”.
CONCLUSÃO
Esses	são	apenas	alguns	problemas	com	os	quais	a	teologia	bíblica	ajudará	os
cristãos	e	as	igrejas	locais	a	lidarem.	Há	outros	além	desses.	À	medida	que	esse
livro	avançar,	veremos	como	a	teologia	bíblica	nos	ajuda	a	ir	direto	ao	ponto	ao
colocar	o	Rei	Jesus	no	início,	no	centro	e	no	fim	da	única	e	verdadeira	história
da	Bíblia.
No	entanto,	estamos	nos	adiantando.	Vamos	começar	pela	pergunta:	“O	que	é
teologia	bíblica?”.
1	São	Paulo:	Martins	Fontes,	2009.
2	Forma	sucinta	de	apresentação	do	evangelho	elaborada	pelo	evangelista	Bill
Bright	(1921-2003),	fundador	do	movimento	Campus	Crusade	for	Christ
[Cruzada	Estudantil	e	Profissional	para	Cristo,	atual	CRV	Brasil].	Em	linhas
gerais,	as	quatro	leis	afirmam	que	(1)	Deus	nos	ama	e	tem	um	plano	maravilhoso
para	nossa	vida,	(2)	todos	somos	pecadores	e	estamos	afastados	de	Deus,	(3)
Jesus	Cristo	é	a	única	solução	oferecida	por	Deus	ao	homem	pecador	e	(4)
precisamos	aceitar	Jesus	Cristo	como	Senhor	e	Salvador.	(N.	do	E.)
3	Seleção	de	passagens	extraídas	do	livro	de	Romanos	que	delineiam	o	plano	de
salvação	por	meio	da	fé	em	Jesus	Cristo.	Entre	os	versículos	comumente
utilizados	estão:	3.23;	3.10;	5.12;	6.23;	1.20;	5.8;	10.9,10;	10.13;	5.1;	8.1;
8.38,39.	A	ordem	dos	versículos	ilustra	o	desenrolar	do	plano	redentor	de	Deus.
(N.	do	E.)
2
O	QUE	É	TEOLOGIA	BÍBLICA?
SEGUINDO	O	MAPA	DA	ESCRITURA	ATÉ	JESUS
Posso	dizer	com	segurança	que	me	localizar	geograficamente	é	um	pouco
desafiador	para	mim	(Nick).	Meus	amigos	e	minha	família	podem	testemunhar
que	o	senso	de	direção	não	figura	na	lista	das	minhas	maiores	qualidades.	Por
causa	dessa	deficiência	direcional,	é	um	alívio	saber	que	tudo	o	que	preciso	fazer
para	chegar	ao	destino	desejado	é	seguir	corretamente	um	mapa.
Já	vimos,	no	capítulo	anterior,	como	perder	de	vista	a	mensagem	principal	da
história	da	Bíblia	produz	falsos	evangelhos	e	falsas	igrejas.	Agora	precisamos	de
um	enquadramento	adequado	para	entender	toda	a	Bíblia.	A	teologia	bíblica
provê	esse	enquadramento	porque	ela	guia	nossa	leitura	e,	portanto,	protege-nos
da	má	interpretação.	A	teologia	bíblica	é	uma	abordagem	para	ler	toda	a	história
da	Bíblia	enquanto	mantemos	nosso	foco	na	mensagem	principal	da	Escritura,
Jesus	Cristo.	Em	outras	palavras,	teologia	bíblica	é	o	mapa	bíblico	que	nos	leva	a
Jesus.
Como,	porém,	sabemos	que	Jesus	é	o	tema	principal	de	toda	a	Bíblia?	Sabemos
porque	ela	nos	diz	isso.
O	MAIOR	ESTUDO	BÍBLICO	DE	TODOS	OS	TEMPOS
Imagine	como	seria	estar	com	os	discípulos	quando	eles	encontraram	o	Jesus
ressurreto	na	estrada	para	Emaús.	Essa	cena	incrível	está	registrada	em	Lucas	24.
O	que	se	desenrolou	ali	foi	praticamente	o	maior	estudo	da	Bíblia	já	feito.
Dois	discípulos	estavam	caminhando	pela	estrada	em	direção	a	um	povoado	que
ficava	a	cerca	de	onze	quilômetros	de	Jerusalém.	Lucas	nos	diz	que,	“enquanto
eles	estavam	conversando	e	discutindo,	o	próprio	Jesus	aproximou-se	e
prosseguiu	com	eles.	Mas	seus	olhos	estavam	impedidos	de	reconhecê-lo”
(24.15,16).	Os	discípulos,	então,	compartilharam	com	Jesus	as	incríveis	coisas
que	tinham	acabado	de	acontecer	em	Jerusalém.	Coisas	que
…	dizem	respeito	a	Jesus	de	Nazaré,	um	homem	que	foi	um	profeta	poderoso
em	obras	e	em	palavras	diante	de	Deus	e	de	todo	o	povo,	e	como	nossos
principais	sacerdotes	e	governadores	o	entregaram	para	ser	condenado	à	morte	e
o	crucificaram.	Mas	nós	tínhamos	esperança	de	que	ele	fosse	aquele	que
redimiria	Israel.	Sim,	e	agora	é	o	terceiro	dia	desde	que	essas	coisas
aconteceram.	Além	disso,	algumas	mulheres	do	nosso	meio	nos	assustaram.	Elas
foram	ao	sepulcro	logo	de	manhã	e,	quando	não	encontraram	o	corpo	dele,
voltaram	dizendo	que	haviam	tido	uma	visão	de	anjos,	os	quais	disseram	que	ele
estava	vivo.	Alguns	dos	que	estavam	conosco	foram	ao	sepulcro	e	encontraram
tudo	como	as	mulheres	haviam	dito,	mas	não	o	viram	(Lc	24.19-24).
Jesus	respondeu:
“…	Ó	tolos	e	lentos	de	coração	para	entender	tudo	o	que	os	profetas	falaram!
Não	era	necessário	que	o	Cristo	sofresse	essas	coisas	e	entrasse	na	sua	glória?”.
E,	começando	com	Moisés	e	todos	os	profetas,	ele	lhes	explicou	em	todas	as
Escrituras	as	coisas	que	constavam	a	respeito	dele	(Lc	24.25-27).
Mais	tarde,	Jesus	disse	aos	seus	discípulos:
“…	Essas	são	as	minhas	palavras	que	lhes	falei	enquanto	ainda	estava	com
vocês,	que	tudo	escrito	sobre	mim	na	Lei	de	Moisés,	nos	Profetas	e	nos	Salmos
deveria	se	cumprir”.	Então	abriu	a	mente	deles	para	entenderem	as	Escrituras	e
lhes	disse:	“Assim	está	escrito,	que	o	Cristo	deveria	sofrer	e	no	terceiro	dia
ressuscitar	dos	mortos,	e	que	em	seu	nome	o	arrependimento	para	o	perdão	dos
pecados	deveria	ser	proclamado	para	todas	as	nações,	começando	de	Jerusalém”
(Lc	24.44-47).
Em	outras	palavras,	quando	Jesus	examinava	o	Antigo	Testamento	—	o	Livro	de
Moisés,	os	Profetas	e	os	Salmos,	ou	Escritos	—,	ele	pretendia	que	seus
seguidores	entendessem	que	todos	esses	livros	foram	escritos	acerca	dele.	É
assim	que	Lucas	nos	diz	isso:	“Ele	lhes	explicou	em	todas	as	Escrituras	as	coisas
que	constavam	a	respeito	dele”.
Jesus	é	claro	como	o	cristal.	É	tolice	ler	o	Antigo	Testamento	e	não	entender	que
Jesus	é	sua	mensagem	principal.	Toda	a	história	da	Bíblia	fala	a	respeito	dele.	O
Antigo	Testamento	promete	e	aponta	para	o	Messias	e	sua	missão,	enquanto	o
Novo	Testamento	descortina	o	cumprimento	das	gloriosas	promessas	em	Cristo.
A	história	da	Escritura,	então,	é	inteiramente	sobre	o	Rei	de	Deus	e	seu	gracioso
governo	e	reino;	é	inteiramente	sobre	o	perdão	dos	pecados	que	o	Rei	conquistou
para	o	seu	povo,	o	qual	é	chamado	de	cada	tribo,	língua,	povo	e	nação.	Toda	a
história	das	Escrituras,	entendida	corretamente,	enfatiza	Jesus	Cristo	do	começo
ao	fim.
O	QUE	É	TEOLOGIA	BÍBLICA?
Precisamos	explicar	brevemente	o	que	queremos	dizer	com	a	expressão
“teologia	bíblica”.	Se	acreditamos	que	a	Bíblia	é	a	Palavra	de	Deus	inspirada	e
inerrante,	não	devemos	aspirar	que	toda	a	nossa	teologia	seja	“bíblica”?	Sim,	é
claro.	Contudo,	quando	usamos	a	expressão	“teologia	bíblica”	neste	livro,
estamos	nos	referindo	a	algo	mais	específico.
Por	um	lado,	a	teologia	sistemática	começa	com	um	tópico	chave	(Deus,
homem,	pecado,	Cristo,	salvação	etc.)	e,	então,	examina	as	Escrituras	para	ver	o
que	elas	ensinam	sobre	esse	tópico.	Por	outro	lado,	a	teologia	bíblica	tenta	ler
toda	a	história	da	Bíblia	e	pergunta	como	cada	parte	se	relaciona	com	o	todo.
Teologia	bíblica	é	um	modo	de	ler	a	Bíblia	como	uma	única	história	de	um	único
autor	divino,	que	culmina	em	quem	Jesus	Cristo	é	e	o	que	ele	fez;	então,	cada
parte	da	Escritura	é	entendida	em	relação	a	ele.	A	teologia	bíblica	nos	ajuda	a
entender	a	Bíblia	como	um	grande	livro	constituído	de	vários	livros	menores	que
contam	uma	única	grande	história.	O	herói	e	o	ponto	central	dessa	história,	de
capa	a	capa,	é	Jesus	Cristo.
A	teologia	bíblica	é	para	a	igreja,	ela	começa	com	a	Bíblia	e	termina	com	o	Rei
Jesus	e	sua	igreja.
A	teologia	bíblica	é	para	a	igreja
Embora	a	disciplina	da	teologia	bíblica	possa	alcançar	níveis	altamente	técnicos
e	avançados,	atémesmo	os	primeiros	cristãos	valorizavam	a	teologia	bíblica	e
entendiam	sua	utilidade	para	a	igreja.
Em	Atos	17,	lemos	que	Paulo	e	Silas	compartilharam	o	evangelho	em
Tessalônica	e,	então,	passaram	algum	tempo	proclamando	a	Palavra	de	Deus	na
sinagoga	judaica	em	Bereia.	Paulo	“…	argumentou	com	eles	com	base	nas
Escrituras,	explicando	e	demonstrando	que	era	necessário	que	o	Cristo	sofresse	e
ressuscitasse	dos	mortos,	e	dizendo:	‘Esse	Jesus,	que	eu	proclamo	a	vocês,	é	o
Cristo’”	(At	17.2,3).	O	que	aconteceu?	Muitos	desses	judeus	creram,	junto	de
“…	não	poucas	mulheres	gregas	de	alta	posição,	bem	como	homens”	(At	17.12).
Os	bereianos	ouviram	a	fundamentação	de	Paulo,	suas	explicações	e	as	provas
que	apresentava	com	base	no	Antigo	Testamento.	Eles	o	ouviram	proclamar	que
era	necessário	que	o	Rei	prometido	de	Deus,	Jesus	Cristo,	“…	sofresse	e
ressuscitasse	dos	mortos…”	(At	17.3).	O	apóstolo	Paulo	ajudou	seus	ouvintes	a
entender	como	o	enredo	da	Escritura	centralizava-se	e	culminava	em	Jesus.	Ele
forneceu	um	mapa	da	Escritura	que	os	guiava	até	Cristo.	E,	pela	graça	de	Deus,
muitos	bereianos	creram.
Observe,	porém,	que	os	bereianos	não	simplesmente	aceitaram	a	palavra	de
Paulo.	Lucas,	o	autor	do	livro	de	Atos,	diz:	“Ora,	esses	judeus	eram	mais	nobres
do	que	os	de	Tessalônica;	eles	receberam	a	palavra	com	todo	o	interesse,
examinando	as	Escrituras	diariamente	para	ver	se	as	coisas	eram	de	fato	assim”
(At	17.11).	Os	bereianos	recebiam	a	palavra	com	interesse	e	todos	os	dias
examinavam	as	Escrituras	para	confirmar	o	que	tinham	aprendido.
Os	primeiros	cristãos	não	entendiam	o	trabalho	da	teologia	bíblica	como	algo
exclusivo	dos	apóstolos.	Eles	não	pensavam	que	ela	estava	reservada	para	os
acadêmicos	profissionais	nos	seminários	conceituados.	Em	vez	disso,	entendiam
que	era	responsabilidade	deles	se	debruçarem	sobre	as	Escrituras	e
desenvolverem	um	enquadramento	fiel	para	entender	como	a	história	da	Bíblia
está	centrada	e	culmina	em	Jesus.
Eles	entendiam	que	a	teologia	bíblica	é	para	a	igreja.	Se	você	está	em	Cristo,
então	a	teologia	bíblica	é	para	você.
A	teologia	bíblica	começa	com	a	Bíblia
A	teologia	bíblica	começa	com	uma	leitura	cuidadosa	da	Bíblia,	em	oração.
Vamos	à	Bíblia	com	humildade,	buscando	entender	sua	grande	história	como	ela
mesma	a	apresenta.
A	Bíblia	é	incrivelmente	variada.	É	um	livro	formado	por	muitos	livros	menores
de	vários	autores,	que	escreveram	em	diferentes	épocas,	valendo-se	de	diversos
gêneros.	Então,	quando	lemos	a	Bíblia,	descobrimos	todo	tipo	de	diversidade:
narrativa,	poesia,	lei,	literatura	sapiencial,	profecia,	epístolas	e	Evangelhos.
Tentar	amarrar	toda	essa	diversidade	de	livros,	escritos	em	diferentes	épocas	e
lugares	para	públicos	variados,	pode	parecer	uma	tarefa	intimidadora.	E	de	fato	é
mesmo!
Ainda	assim,	não	deveríamos	sentir	como	se	essa	tarefa	fosse	impossível.	A
teologia	bíblica	é	de	fato	possível	porque	toda	a	Bíblia	é	um	único	livro
inspirado	por	Deus:	“Toda	Escritura	é	inpirada	por	Deus…”	(2Tm	3.16).	A
unidade	da	história	da	Bíblia	está	fundamentada	em	seu	autor	supremo:	o	próprio
Deus.
Veja	o	que	o	apóstolo	Pedro	diz	sobre	a	Bíblia:	“…	nenhuma	profecia	da
Escritura	vem	da	interpretação	própria	de	alguém.	Pois	nenhuma	profecia	jamais
foi	produzida	pela	vontade	de	homem,	mas	os	homens	falaram	da	parte	de	Deus
conforme	eram	conduzidos	pelo	Espírito	Santo”	(2Pe	1.20,21).	Se	o	próprio
Senhor	inspirou	esses	livros,	então	deveríamos	lê-los	com	cuidado	e	oração,
buscando	entender	seu	grande	propósito	e	plano.
Imagine	que	cada	livro	da	Bíblia	brilhe	como	uma	estrela.	Todavia,	apenas
quando	você	consegue	ter	uma	boa	visão	do	todo	começa	a	ver	que	essas	estrelas
formam	uma	gloriosa	e	imensa	constelação.	A	teologia	bíblica	analisa	e	integra
cada	estrela	e,	então,	busca	o	todo	para	ter	uma	visão	de	tirar	o	fôlego	da
panorâmica	constelação	da	glória	divina.
E	o	que	está	no	centro	dessa	gloriosa	constelação?	Deus,	o	Pai,	enviando	seu
Filho	por	meio	do	Espírito	para	conquistar	um	povo	para	a	sua	própria	glória.
A	teologia	bíblica	termina	com	o	Rei	Jesus	e	sua	igreja
A	igreja	inteira	tem	o	privilégio	de	praticar	a	teologia	bíblica.	Devemos	ler	com
cuidado	e	oração	todas	as	partes	da	Bíblia	para	que	façam	sentido	como	um
todo.	À	medida	que	lemos	e	relemos	toda	a	história	da	Bíblia,	fica	claro	que	o
foco	da	Escritura	está	em	Jesus.
Escute	as	palavras	de	Paulo:	“E	ele	é	antes	de	todas	as	coisas,	e	nele	todas	as
coisas	se	mantêm	juntas”	(Cl	1.17).	O	próprio	Cristo,	o	Rei	prometido,	é	aquele
que	mantém	tudo	unido,	incluindo	a	grande	história	da	própria	Escritura.	O
Antigo	Testamento	aponta	e	prepara	o	caminho,	por	assim	dizer,	para	a	vinda	do
Rei.	O	Novo	Testamento	proclama	a	chegada	do	Rei	e	sua	missão	para	todas	as
nações.	A	teologia	bíblica,	portanto,	termina	com	o	Rei	Jesus	e	o	cumprimento
de	suas	promessas	de	resgatar	e	redimir	para	ele	mesmo	um	povo	para	o	seu
louvor.
CONCLUSÃO
A	teologia	bíblica	nos	ajuda	a	entender	como	o	glorioso	mapa	da	Escritura
aponta	e	converge	para	o	Rei	ressurreto	e	reinante,	Jesus	Cristo,	bem	como	para
o	povo	comprado	com	sangue.	Tal	como	aconteceu	com	os	discípulos	na	estrada
de	Emaús,	queremos	que	nossos	olhos	e	mentes	sejam	abertos	(Lc	24.31,45)
para	reconhecer	Jesus	em	todas	as	Escrituras,	a	fim	de	que	possamos	amá-lo	com
todo	o	nosso	coração	a	partir	delas	(Lc	24.32).	Se	estamos	lendo	o	mapa	da
Escritura	corretamente,	isso	deveria	sempre	nos	levar	a	Jesus	e	a	quem	nós
somos	como	seu	povo.	Agora	nos	dedicaremos	a	estudar	juntos	o	mapa	da	Bíblia
e	ver	como	tudo	o	que	está	escrito	nela	é	sobre	o	Rei	e	seus	propósitos	de	ser
glorificado	ao	redimir	um	povo	para	ele	mesmo.
3
QUAL	É	A	GRANDE	HISTÓRIA	DA	BÍBLIA?
(primeira	parte)
A	história	da	Escritura	é	a	história	de	Deus.	É	a	história	de	Deus,	o	Rei.	A	Bíblia
começa	e	se	encerra	com	um	Deus	glorioso,	que	é	criador	e	governador	soberano
de	todas	as	coisas	(Gn	1;	Ap	20—22),	o	qual	existe	por	toda	a	eternidade	como
Pai,	Filho	e	Espírito	Santo.	Deus,	e	apenas	Deus,	governa	e	reina	sobre	sua
criação.	Este	mundo,	o	nosso	mundo,	é	um	mundo	que	ele	criou	bom.	É	o	seu
mundo,	e	ele	governa	sobre	tudo.	A	história	da	Escritura	é	a	história	do	Rei.	Ela
é	por	inteiro	sobre	ele	e	sobre	sua	glória.
E	essa	história	se	inicia	com	o	começo	de	tudo.
O	REI	CRIA	E	ESTABELECE	UMA	ALIANÇA
A	história	de	Deus	começa	com	uma	declaração	da	Criação:	“No	começo	Deus
criou	os	céus	e	a	terra”	(Gn	1.1).	Deus	criou	tudo	o	que	existe,	e,	como	o	Criador
de	todas	as	coisas,	ele	reina	sobre	tudo.
O	Senhor	estabeleceu	seu	trono	nos	céus,
e	seu	reino	domina	sobre	tudo	(Sl	103.19).
Ao	simplesmente	proferir	suas	palavras	poderosas,	o	Rei	moldou	e	preencheu
sua	criação	com	terras,	mares,	plantas	e	criaturas,	preparando	um	bom	lugar	para
que	o	ápice	de	sua	criação	habitasse	com	ele.	Gênesis	registra	isso	deste	modo:
Então	Deus	criou	o	homem	à	sua	própria	imagem,
à	imagem	de	Deus	o	criou;
homem	e	mulher	os	criou	(Gn	1.27).
Diferentemente	das	outras	criaturas,	os	seres	humanos	são	criados	por	Deus	para
um	relacionamento	singular	com	ele.	Como	a	coroa	da	criação	do	Rei,	Adão	e
Eva	foram	criados	à	sua	imagem,	e	eles	desfrutavam	do	privilégio	de	habitar	na
abundante	presença	de	seu	Rei.	Deus	pretendia	que,	por	meio	deles,	sua	imagem
fosse	disseminada	por	toda	a	terra:	“…	Sejam	frutíferos,	multipliquem-se,
encham	a	terra	e	a	dominem,	e	dominem	sobre	os	peixes	do	mar,	sobre	os
pássaros	nos	céus	e	sobre	cada	coisa	viva	que	se	move	sobre	a	terra”	(Gn	1.28).
Adão,	em	especial,	deveria	servir	como	um	superintendente	de	Deus	ao	exercer
domínio,	começando	no	jardim	e	estendendo	seu	governo	por	toda	a	terra.	A
descrição	de	seu	trabalho	está	em	Gênesis	2.15:	“O	SENHOR	Deus	tomou	o
homem	e	o	colocou	no	jardim	do	Éden	para	o	cultivar	e	o	guardar”.	Assim	como
um	sacerdote	posteriormente	guardaria	o	tabernáculo	de	Deus,	Adão	adorava	e
servia	a	Deus	ao	proteger	o	jardim	(Nm	3.8).	Ele	deveria	impedir	que	qualquer
coisa	impura	entrasse	no	santo	lugar	de	Deus.
Juntos,	Adão	e	Eva	foram	criados	para	desfrutar	da	boacriação	de	Deus	de
acordo	com	a	palavra	dele.	Desde	o	primeiro	momento,	vemos	o	relacionamento
de	aliança	entre	Deus	e	seu	povo.	Ainda	que	a	palavra	aliança	não	apareça	em
Gênesis	1	e	2,	vários	indícios	indicam	que	Deus	criou	a	humanidade	para	se
relacionar	com	ele	por	meio	de	alianças	(veja	Rm	5.12-21).
Isso	parece	bom,	mas	o	que	exatamente	é	uma	aliança?	Essa	não	é	uma	palavra
que	usamos	muito	hoje	em	dia.	Dito	de	maneira	simples,	uma	aliança	é	“um
compromisso	solene,	garantindo	promessas	ou	obrigações	assumidas	por	uma	ou
ambas	as	partes	pactuantes,	selado	com	um	juramento”.¹	As	instruções	de	Deus
para	Adão	foram	muito	claras:	“E	o	Senhor	Deus	ordenou	ao	homem:
‘Certamente	você	pode	comer	de	toda	árvore	do	jardim,	mas	da	árvore	do
conhecimento	do	bem	e	do	mal	você	não	deve	comer,	pois,	no	dia	em	que	comer
dela,	certamente	morrerá”	(Gn	2.16-17).	Deus	deu	a	Adão	uma	lista	de	deveres	e
compromissos	e	prometeu	benção	para	a	obediência	e	maldição	para	a
desobediência.
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Quando	se	prega	ou	ensina	Gênesis	1,	é	fácil	perder	o	foco	do	que	é	mais
importante.	Considere	fazer	essas	conexões:
•O	Deus	eterno,	que	criou	todas	as	coisas	(Gn	1.1),	um	dia	fará	novas	todas	as
coisas	(Is	65.17;	Ap	21.5).
•Pregar	e	ensinar	sobre	Adão	está	essencialmente	conectado	com	o	Último	Adão,
Jesus	Cristo	(Rm	5).
•O	Filho	de	Deus	é	aquele	por	meio	de	quem	Deus	criou	todas	as	coisas	(Cl
1.15-20;	Hb	1.1-3).
O	Senhor	se	vincula	a	seu	povo	pelo	seu	compromisso	verbal,	seu	voto,	sua
aliança.	Adiante	na	história	da	Bíblia,	descobrimos	que	as	alianças	são
concebidas	para	posteriormente	estabelecerem	e	expandirem	o	governo	e	o	reino
de	Deus.	Todavia,	quando	a	história	da	Bíblia	começa,	tudo	é	maravilhoso	no
mundo	do	Rei.
O	REI	AMALDIÇOA
A	história	da	Escritura	começou	como	uma	história	feliz.	No	entanto,	a	bênção
de	Gênesis	1	e	2	foi	aniquilada	em	Gênesis	3.	Em	vez	de	guardar	e	proteger	o
lugar	e	o	povo	de	Deus,	Adão	falhou.	Ao	invés	de	obedecerem	à	voz	de	seu	bom
Criador	e	Rei,	Adão	e	Eva	obedecem	com	insensatez	às	palavras	enganosas	de
uma	criatura.	Pela	primeira	vez	em	nossa	história,	encontramos	o	vilão,	a
Serpente,	que	mais	tarde	será	conhecida	como	Satanás,	o	Diabo,	o	Maligno	e	o
Enganador.	A	Serpente	enganou	Eva	ao	perguntar:	“…	Deus	realmente	disse
‘Vocês	não	devem	comer	de	nenhuma	árvore	no	jardim’?”	(3.1).
Até	esse	ponto	da	história,	apenas	Deus,	em	sua	múltipla	sabedoria,	determinou
o	que	era	bom	em	sua	criação	(Gn	1.4,10,12,21,25,31;	2.17,18).	A	Serpente,
porém,	enganou	Eva	ao	negar	a	palavra	de	Deus	e	ao	duvidar	da	bondade	dele.	A
Serpente	tentou	Eva	a	se	rebelar	contra	o	seu	bom	e	sábio	Rei:
Então,	quando	a	mulher	viu	que	a	árvore	era	boa	para	dela	comer	e	que	era
agradável	aos	olhos,	e	que	a	árvore	era	desejável	para	tornar	alguém	sábio,	ela
tomou	do	seu	fruto	e	o	comeu,	e	também	o	deu	a	seu	marido	que	estava	com	ela,
e	ele	o	comeu	(Gn	3.6).
Em	vez	de	confiar	sabiamente	na	boa	palavra	de	seu	bom	Rei,	Adão	e	Eva	se
rebelaram	contra	ele	e	ouviram	a	voz	da	Serpente.
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Conecte	a	maldição	cósmica	de	Gênesis	3	à	semente	de	Eva	que	esmaga	a
Serpente.	Essa	semente	nos	redime	da	maldição	ao	se	tornar	uma	maldição	em
nosso	favor	(Gl	3.13),	e,	por	causa	disso,	“…	a	própria	criação	deseja	ser	livre
do	cativeiro	da	corrupção	e	obter	a	liberdade	da	glória	dos	filhos	de	Deus”	(Rm
8.21).	Como	diz	o	hino	clássico,	Jesus	fará	com	que	suas	bênçãos	fluam	“onde	a
maldição	se	encontra”.¹
É	fácil	pregar	um	sermão	em	Gênesis	3	e	fazê-lo	todo	sobre	resistir	à	tentação:
“Adão	foi	tentado	e	falhou.	Como	podemos	encarar	a	tentação	e	não	falhar	como
Adão?”.	Isso	é	uma	pregação	moralista	que	equivale	a	dizer:	“Adão	era	mau.
Não	seja	como	Adão”.	A	verdade,	de	acordo	com	Romanos	5,	é	que	nós,	de	fato,
caímos	em	Adão.	Ele	foi	nosso	representante	na	aliança	e	falhou,	e	nós,	portanto,
somos	culpados	nele.	Precisamos	de	um	Adão	fiel,	alguém	que	é	tentado	e	prova
ser	um	Filho	fiel.	O	Filho	fiel,	é	claro,	é	Jesus	(Lc	4.1-13).
¹Isaac	Watts,	Joy	to	the	world!	The	Lord	is	come	(1719).
As	consequências	do	pecado	de	Adão	e	Eva	foram	completamente	catastróficas.
A	tentativa	de	transferir	a	culpa	logo	surgiu:	“…	A	mulher	que	tu	me	deste	para
estar	comigo,	ela	me	deu	o	fruto	da	árvore	e	eu	o	comi”	(Gn	3.12).	A	maldição
previu	que	haveria	contendas	entre	homem	e	mulher.	Além	disso,	os	frutos
amargos	de	sua	rebelião	cósmica	seriam	a	morte,	o	julgamento	e	o	exílio.	Em
vez	de	abençoar,	Deus	os	amaldiçoou	por	causa	de	sua	rebelião	(Gn	3.14-19).
Ainda	assim,	mesmo	nesse	dia	sombrio,	restava	um	vislumbre	de	esperança
futura.	O	Senhor	prometeu	que	uma	semente	de	Eva	um	dia	esmagaria	a
Serpente.	O	Senhor	disse:
Eu	porei	inimizade	entre	você	e	a	mulher,
e	entre	sua	descendência	e	a	descendência	dela;
ele	esmagará	sua	cabeça,
e	você	ferirá	o	calcanhar	dele	(Gn	3.15).
Essa	guerra	entre	a	Serpente	e	a	semente	de	Eva	continuaria	a	se	acirrar	até	o	fim
da	história	bíblica.	Nesse	meio	tempo,	por	causa	de	sua	rebelião,	Adão	e	Eva
foram	banidos	do	jardim	e	exilados	para	longe	da	presença	do	Rei.	A	vida	sob	a
maldição	não	era	como	a	vida	no	bom	mundo	que	Deus	havia	planejado.
O	REI	JULGA
A	vida	a	leste	do	Éden,	infelizmente,	ia	de	mal	a	pior.	Com	a	entrada	do	pecado
no	mundo,	as	coisas	seguiam	terrivelmente	erradas	no	bom	mundo	do	Rei.
Apenas	alguns	capítulos	depois	da	Criação,	nós	lemos:	“O	SENHOR	viu	que	a
maldade	do	homem	era	grande	na	terra	e	que	cada	intenção	dos	pensamentos	de
seu	coração	era	continuamente	má”	(Gn	6.5).	As	inclinações	do	coração	humano
não	buscavam	mais	honrar	a	Deus;	em	vez	disso,	homens	e	mulheres	desejavam
seguir	o	mal	“continuamente”.
Porém,	um	homem	chamado	Noé	encontrou	graça	aos	olhos	de	Deus	(Gn	6.8).	O
Senhor	determinou	que	julgaria	o	mundo	por	meio	de	um	dilúvio	e	que	mostraria
misericórdia	para	com	Noé	e	sua	família	(Gn	6—8).	Por	meio	de	um	homem,	um
povo	foi	salvo.	Depois	disso,	Deus	fez	uma	aliança	com	Noé,	prometendo	nunca
mais	destruir	o	mundo	dessa	forma.	O	Senhor	disse:	“Eu	estabeleci	minha
aliança	com	você,	que	nunca	mais	toda	carne	será	eliminada	por	meio	das	águas
do	dilúvio,	e	nunca	mais	haverá	um	dilúvio	para	destruir	a	terra”	(Gn	9.11).
Contudo,	mesmo	depois	do	Dilúvio,	a	rebelião	global	contra	o	Rei	continuou	e	o
problema	do	coração	humano	permaneceu.	Em	vez	de	honrar,	refletir	e
engrandecer	o	nome	do	Rei,	as	pessoas	buscaram	engrandecer	seu	próprio	nome
(Gn	11.4).	Deus	então	as	espalhou,	pois	tinha	outros	planos.	Ele	faria	o	seu
próprio	nome	conhecido	por	todo	o	mundo,	e	faria	isso	por	meio	de	seu
escolhido:	Abraão.
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Mesmo	ao	julgar,	Deus	demonstra	misericórdia.	O	resgate	de	Noé	e	sua	família
do	Dilúvio	ensina	claramente	que	Deus	salva	aqueles	que	confiam	nele,	mesmo
que	sejam	poucos	(1Pe	3.20;	2Pe	2.5).	Deus	preserva	um	remanescente	de	seu
povo	mesmo	quando	parece	que	todos	se	afastaram	dele	(Rm	11.2-6).
O	REI	ABENÇOA
O	plano	de	Deus	de	espalhar	sua	glória	por	todo	o	mundo	parecia	ter	sido
frustrado	pela	Serpente	e	pelo	pecado.	Ainda	assim,	o	Rei	não	apenas	julgava.
Ele	também	abençoava.	O	Senhor	chamou	e	abençoou	um	homem	de	Ur	dos
caldeus,	cujo	nome	era	Abrão	(depois	conhecido	como	Abraão).	Deus	prometeu
engrandecer	o	nome	desse	homem	e	abençoar	o	mundo	por	meio	dele	e	de	sua
descendência.	Deus	planejou	criar	um	povo	por	meio	de	Abraão,	um	povo
especial	e	uma	nação	santa.	Além	disso,	planejou	abençoar	o	mundo	por	meio	da
semente	de	Abraão.
Farei	de	você	uma	grande	nação	e	o	abençoarei	e	engrandecerei	seu	nome,	para
que	você	seja	uma	bênção.	Abençoarei	os	que	o	abençoarem,	e	aqueles	que	o
desonrarem	eu	os	amaldiçoarei,	e	em	você	todas	as	famílias	da	terra	serão
abençoadas	(Gn	12.2,3).
Até	mesmo	reis,	disse	o	Senhor,	procederiam	da	família	de	Abraão	(Gn	17.6,16).
O	Senhor	prometeu	abençoar	Abraão	e	sua	família	com	domínio	e	uma	dinastia.
Ele	também	selou	essas	promessas	solenemente	com	Abraão	por	meio	de	outra
aliança	(Gn	15).
Havia,	porém,	um	problema	gritante	em	tudo	isso:	Abraão	era	velho	e	suaesposa,	Sarai	(depois	chamada	de	Sara),	era	estéril.	De	uma	perspectiva	humana,
qualquer	possibilidade	de	Abraão	ter	um	filho	parecia,	na	melhor	das	hipóteses,
duvidosa.	Abraão,	contudo,	creu	em	Deus,	e	isso	lhe	foi	imputado	como	justiça
(Gn	15.6).
Deus	manteve	sua	promessa	e	uma	criança	nasceu	como	um	milagre	para
Abraão	e	Sara,	ambos	em	idade	avançada.	A	partir	desse	ponto	no	Antigo
Testamento,	o	restante	da	história	foca	na	família	de	Abraão:	Isaque	(Gn
22.17,18),	Jacó	(Gn	35.11)	e	os	doze	filhos	de	Jacó	(Gn	49).	Ainda	que	Gênesis
se	encerre	com	a	família	de	Abraão	fora	da	Terra	Prometida,	o	futuro	era
radiante.	Jacó,	o	neto	de	Abraão,	também	conhecido	como	Israel,	profetizou	que
nos	últimos	dias	um	“rei	leão”	viria	da	linhagem	de	seu	filho,	Judá.	Ele	falou
sobre	esse	rei:
O	cetro	não	se	apartará	de	Judá,
nem	o	bastão	de	autoridade	do	meio	de	seus	pés,
até	que	os	tributos	cheguem	a	ele;
e	a	ele	os	povos	obedecerão	(Gn	49.10).
Esse	futuro	Rei	seria	aquele	que	esmagaria	a	Serpente,	restauraria	a	bênção	de
Deus	ao	mundo	e	reinaria	sobre	um	povo	para	a	Glória	de	Deus?
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Quando	você	pregar	ou	ensinar	em	Gênesis	12,	tenha	certeza	de	que	está
enfatizando	o	plano	salvífico	de	Deus	para	todo	o	mundo,	para	todos	os	povos,
por	meio	da	fé	em	Jesus	Cristo.	A	disposição	de	Deus	de	abençoar	“todas	as
nações”	não	começou	na	Grande	Comissão	em	Mateus	28.	O	plano	de	Deus
desde	o	princípio	foi	abençoar	o	mundo	e,	por	meio	de	Adão	e	Eva,	enchê-lo
com	seres	à	sua	imagem	que	se	multiplicariam	e	manifestariam	a	glória	de	Deus.
Em	Abraão	e	por	meio	dele,	Deus	engrandeceria	um	nome	para	sua	própria
causa,	e	Abraão	se	tornaria	o	pai	de	todos	os	que	creem	(Gl	3.7-9).	Deus
prometeu	a	Jacó,	descendente	de	Abraão,	que	“…	uma	nação	e	uma	multidão	de
nações	virão	de	ti,	e	reis	procederão	de	seu	próprio	corpo”	(Gn	35.11).	Deus
cumpriria	completamente	suas	promessas	a	Abraão	na	semente	do	próprio
Abraão,	Jesus	Cristo	(Gl	3.16).
O	REI	RESGATA
Deus	prometeu	abençoar	Abraão	e	sua	família.	Ele	prometeu	fazer	deles	muito
mais	numerosos	que	as	estrelas	dos	céus.	Essa	promessa	começou	a	ser
cumprida	conforme	Israel	se	multiplicava	no	Egito:	“…	o	povo	de	Israel	era
frutífero	e	crescia	grandemente;	eles	se	multiplicavam	e	cresciam	extremamente
fortes,	de	modo	que	a	terra	se	encheu	deles”	(Êx	1.7).	Entretanto,	assim	como	no
Éden,	o	plano	de	Deus	era	outro.	O	povo	de	Israel	foi	escravizado	por	faraó	e
sofria	sob	o	governo	de	um	rei	cruel	(Êx	1	e	2).	Eles	clamaram	a	seu	verdadeiro
Rei	para	resgatá-los	da	servidão,	e	Deus	“…	se	lembrou…”	das	promessas	da
aliança	(Êx	2.23,24).
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
O	Êxodo	de	Israel	da	servidão	no	Egito	aponta	para	um	êxodo	ainda	maior	do
povo	de	Deus	por	meio	da	cruz	de	Cristo	(Cl	1.12-14).	O	cordeiro	da	Páscoa
aponta	para	o	Cordeiro	de	Deus,	perfeito	e	imaculado,	que	tira	o	pecado	do
mundo	(Jo	1.29).	Tim	Keller	diz:
Imagine	que	você	estivesse	no	Egito	pouco	depois	da	primeira	Páscoa.	Se	você
perguntasse	aos	israelitas	nesses	dias:	“Quem	são	vocês	e	o	que	está	acontecendo
aqui?”,	eles	responderiam:	“Eu	era	um	escravo,	sob	uma	sentença	de	morte,	mas
me	refugiei	no	sangue	do	cordeiro	e	escapei	da	escravidão,	e	agora	Deus	vive	no
nosso	meio	e	estamos	o	seguindo	até	a	Terra	Prometida”.	É	exatamente	isso	que
os	cristãos	dizem	hoje.¹
¹Timothy	Keller,	King’s	cross:	the	story	of	the	world	in	the	life	of	Jesus	(New
York:	Dutton,	2011),	p.	172	[edição	em	português:	A	cruz	do	rei:	a	história	do
mundo	na	vida	de	Jesus,	tradução	de	Marisa	K.	A.	de	Siqueira	Lopes	(São	Paulo:
Vida	Nova:	2012)].
Assim,	o	Senhor	se	revelou	a	Moisés	(Êx	3)	e	o	designou	para	libertar	os
israelitas.	E,	por	meio	dele,	Deus	resgatou	seu	povo	do	Egito	pela	sua	mão
poderosa	e	pelo	sangue	de	um	cordeiro	imaculado	(Êx	12).	A	libertação
culminante	de	Israel	no	mar	Vermelho	fez	com	que	todo	o	povo	celebrasse	seu
resgate	(Êx	14).	Em	resposta	a	essa	poderosa	obra	de	salvação,	Moisés	liderou	o
povo	de	Israel	em	uma	canção	de	louvor	ao	seu	poderoso	Rei:
Quem	é	como	tu,	ó	SENHOR,	entre	os	deuses?
Quem	é	como	tu,	majestoso	em	santidade,
maravilhoso	em	feitos	gloriosos,	realizando	maravilhas?
[…]
O	SENHOR	reinará	para	sempre	e	sempre	(Êx	15.11,18).
O	resgate	do	povo	de	Deus	de	sua	servidão	no	Egito	demonstra	a	todo	o	mundo
que	não	há	ninguém	como	o	Senhor.	Ele	é	Rei	e	reinará	para	sempre.
O	REI	ORDENA
Depois	de	resgatar	o	seu	povo	do	Egito,	o	Senhor	os	trouxe	ao	monte	Sinai,
assim	como	havia	prometido.	Quando	se	revelou	a	Moisés,	o	Senhor	disse:	“…
eu	estarei	com	você,	e	este	será	o	sinal	de	que	eu	o	enviei:	quando	você	tirar	o
povo	do	Egito,	vocês	prestarão	culto	a	Deus	nesta	montanha”	(Êx	3.12).	Antes
de	levá-los	à	boa	terra	que	o	Senhor	havia	prometido	a	Abraão,	Deus	revelou	no
Sinai	suas	boas	palavras	ao	seu	povo.
Israel,	que	Deus	chamou	de	seu	primogênito	(Êx	4.22),	deveria	ser	um	tipo	de
representante	sacerdotal	para	o	mundo,	assim	como	Adão.	Veja	o	que	o	Senhor
disse	a	eles:	“…	se	vocês	verdadeiramente	obedecerem	a	minha	voz	e	guardarem
minha	aliança,	serão	minha	propriedade	preciosa	entre	todos	os	povos,	pois	toda
a	terra	é	minha;	e	vocês	serão	para	mim	um	reino	de	sacerdotes	e	uma	nação
santa…”	(Êx	19.5-6).	Deus	pretendia	que	a	santidade	de	Israel	refletisse	a
santidade	de	seu	Rei:	“…	Vocês	serão	santos,	pois	eu,	o	SENHOR	seu	Deus,	sou
santo”	(Lv	19.2).	Ao	confiar	nas	boas	palavras	de	Deus	e	obedecer	a	elas,	Israel
seria	um	povo	único,	que	manifestaria	a	sabedoria	de	seu	Rei	a	todos	os	povos
da	terra.	Ao	guardar	e	praticar	os	mandamentos	do	Rei,	o	povo	de	Israel
manifestaria	a	sabedoria	de	Deus	a	um	mundo	atento	(Dt	4.4-6).
No	entanto,	assim	como	Adão,	Israel	provou	ser	um	filho	infiel	que	desobedecia
às	boas	palavras	de	Deus.	Mesmo	enquanto	Moisés	estava	recebendo	a	revelação
de	Deus	no	topo	do	monte	Sinai,	o	povo	estava	muito	ocupado	fazendo	ídolos
para	si	no	pé	da	montanha	(Êx	32).	O	Rei	fez	uma	aliança	com	o	povo	e	este	a
violou.
Moisés	desejava	que	a	presença	de	Deus	acompanhasse	Israel	até	a	Terra
Prometida,	então	ele	intercedeu	em	favor	do	povo	(Êx	34).	Deus	prometeu	que
sua	presença	não	se	apartaria	de	Israel,	mas	ele	ainda	julgaria	aquela	geração
ímpia.	Eles	estavam	destinados	a	vaguear	pelo	deserto	por	quarenta	anos	antes
de	pôr	os	pés	na	Terra	da	Promessa.
Durante	esse	período	de	peregrinação,	o	Rei	habitou	no	meio	do	povo,	no
Tabernáculo,	e,	pacientemente,	providenciou	o	necessário	a	cada	passo	do
caminho.	Uma	vez	mais,	porém,	em	contraste	com	Abraão,	Israel	se	recusou	a
caminhar	pela	fé	(Nm	14.11;	Dt	1.32;	9.23;	Sl	95),	de	modo	que,	conforme
Moisés	se	aproximava	do	fim	de	sua	vida,	ele	não	tinha	mais	esperança	de	que
Israel	obedeceria	ao	Senhor	depois	que	ele	se	fosse	(Dt	31.29).
Nesse	ponto	da	história,	está	claro	que	o	problema	do	coração	que	atormentava	a
humanidade	desde	a	rebelião	de	Adão	ainda	permanecia	(Dt	31.20,21).	Também
está	claro	que,	se	nada	jamais	fosse	mudar,	deveria	haver	expiação	pela
incredulidade	do	povo	de	Deus	e	que	seu	coração	deveria	ser	transformado.
Mas	como?	A	esperança	por	essa	mudança	reside	no	futuro.	Os	sacrifícios
expiatórios	repetitivos,	ordenados	pelo	Senhor	no	Sinai,	apontavam	para	um
futuro	sacrifício,	necessário	e	definitivo.	E	mesmo	Moisés	contemplava	um	dia
em	que	o	Rei	circuncidaria	o	coração	de	seu	povo	(Dt	30.6),	quando	o	Espírito
de	Deus	seria	derramado	sobre	todos	(Nm	11.29).
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
O	sistema	sacrificial	descrito	na	lei	mosaica	apresenta	uma	trajetória	na	história
bíblica	que	aponta	inteiramente	para	Jesus,	o	sacrifício	sem	pecado	que	fez
propiciação	pelos	pecados	de	seu	povo	(Rm	3.25;	Hb	2.17;	1Jo	2.2;	4.10).
Quando	ensinar	nas	passagens	que	explicam	o	Tabernáculo	em	detalhes	(Êx	25),
tente	fazer	conexões	cristocêntricas	com	outras	passagens	da	Escritura	que	lidam
com	a	habitação	de	Deus	entre	seu	povo.	Esse	tema	percorre	toda	a	história
bíblica,	começando	com	o	Éden.	Você	pode	traçar	esse	tema	do	Tabernáculo	até
o	Templo	de	Jerusalém	e,	então,	até	o	próprio	Deus,	que	“tabernaculou”entre
seu	povo	em	Jesus	Cristo,	a	Palavra	eterna	que	se	fez	carne	(Jo	1.14).
Em	Cristo,	a	igreja	se	tornou	o	novo	templo	de	Deus	(1Co	3.16,17;	2Co	6.16;
1Pe	2.4,5).	Um	dia,	Deus	habitará	com	seu	povo	na	Nova	Jerusalém	(Ap	21	e
22).	O	Santo	dos	Santos,	a	sala	em	forma	de	cubo	no	templo,	dará	lugar	a	uma
cidade	que	tem	a	forma	de	um	cubo	(Ap	21.16).	Toda	a	cidade	será	como	um
Santo	dos	Santos	e	será	aberta	a	todas	as	pessoas	do	povo	de	Deus,	“…	pois	seu
templo	é	o	Senhor	Deus	todo-poderoso	e	o	Cordeiro”	(Ap	21.22).
O	REI	GUIA
Depois	de	quarenta	anos	de	peregrinação	no	deserto,	o	povo	é	finalmente
conduzido	por	Deus	à	terra	que	ele	lhe	prometeu,	por	meio	de	seu	servo	Josué
(Gn	13.15;	Êx	3.8).	O	Senhor	disse	a	Josué:	“…	levante-se,	percorra	o	Jordão,
você	e	todo	esse	povo,	até	a	terra	que	eu	estou	dando	a	eles,	o	povo	de	Israel.
Cada	lugar	que	a	sola	de	seus	pés	pisar	eu	já	lhes	dei,	assim	como	eu	prometi	a
Moisés”	(Js	1.2,3).	Deus	demonstrou	ao	seu	povo	que	ele	é	um	rei	totalmente
confiável:
Assim	o	SENHOR	deu	a	Israel	toda	a	terra	que	ele	jurou	dar	a	seus	pais.	E	eles
tomaram	posse	dela	e	se	estabeleceram	ali.	[…]	Nenhuma	palavra	de	todas	as
boas	promessas	que	o	SENHOR	fez	a	casa	de	Israel	falhou;	todas	se	cumpriram
(Js	21.43-45;	cf.	23.14).
Contudo,	conforme	a	história	se	desenrola	no	livro	de	Josué,	torna-se	mais	claro
que,	ainda	que	Israel	estivesse	na	Terra	Prometida,	o	coração	do	povo
permanecia	no	mundo.	Durante	a	conquista	de	Canaã,	a	ameaça	de	juízo	e	exílio
sobrevém	a	Israel.	Os	israelitas	sabiam	que,	se	transgredissem	a	aliança	de	Deus,
seriam	punidos.
Depois	da	morte	de	Josué,	em	vez	de	considerar	seu	aviso	e	obedecer	às	palavras
de	Deus,	Israel	fez	o	que	parecia	certo	aos	seus	próprios	olhos,	e	a	maldade
transbordou.	O	escritor	de	Juízes	resumiu	a	situação	desse	modo:
E	o	povo	de	Israel	fez	o	que	era	mal	aos	olhos	do	SENHOR	e	cultuou	os	baalins.
Eles	abandonaram	o	SENHOR,	o	Deus	de	seus	pais,	que	os	trouxe	da	terra	do
Egito.	Seguiram	outros	deuses,	entre	os	deuses	dos	povos	que	estavam	ao	redor
deles,	e	se	curvaram	perante	eles.	E	os	israelitas	provocaram	a	ira	do	SENHOR
(Jz	2.11-12).
Ainda	que	soubesse	que	o	Senhor	era	o	seu	Rei,	Israel	o	rejeitou	e	desejou	um
rei	como	o	das	nações	vizinhas	(Jz	17.6;	18.1;	19.1;	21.25).	Como	era	de	esperar,
a	escolha	dos	israelitas,	isto	é,	Saul,	não	foi	a	escolha	de	Deus.	O	Senhor
desejava	um	rei	segundo	o	seu	próprio	coração	(1Sm	13.14;	At	13.22),	então
escolheu	alguém	da	linhagem	de	Judá	(lembre-se	da	profecia	de	Jacó	em	Gn
49.9-12).	Seu	nome	era	Davi,	o	filho	de	Jessé.
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Em	vez	de	pregar	ou	ensinar	sobre	“ser	forte	e	corajoso	como	Josué	foi”,	foque
no	Deus	fiel	de	Josué.	O	nome	Josué	significa	“YAHWEH	salva!”.	Foi	somente
por	causa	da	maravilhosa	graça	de	Deus	e	de	seu	poder	que	Israel	entrou	na
Terra	Prometida	(Js	1—5),	tomou	a	terra	(Js	6—12),	dividiu	a	terra	(Js	13—21)	e
cultuou	na	terra	(Js	22—24).	Todas	essas	ações	demonstram	a	fidelidade	de	Deus
às	promessas	de	sua	aliança.	O	herói	desse	livro	é	Deus,	não	Josué.
O	REI	GOVERNA
Então	o	Senhor	fez	uma	aliança	com	Davi,	que	desejava	construir	uma	casa	para
Deus,	uma	tarefa	que	caberia,	por	fim,	a	Salomão,	filho	de	Davi.	De	modo
maravilhoso,	Deus	prometeu	construir	uma	casa	para	Davi,	uma	dinastia:
…	o	SENHOR	lhe	declara	que	ele	fará	uma	casa	para	você.	Quando	seus	dias	se
completarem	e	você	descansar	com	seus	pais,	levantarei	sua	descendência	depois
de	você,	que	virá	do	seu	corpo,	e	estabelecerei	seu	reino.	Ele	construirá	uma	casa
para	o	meu	nome,	e	estabelecerei	o	trono	de	seu	reino	para	sempre	(2Sm	7.11-
13).
Deus	planejou	que	o	reinado	de	Davi	em	Israel	manifestasse	ao	mundo	atento	a
sabedoria	e	o	governo	maravilhoso	de	Deus.	A	esperança	de	um	reino	justo	de
um	Rei	eterno	em	um	trono	eterno	está	vinculada	a	Davi	e	à	linhagem	de	sua
família.	O	doce	som	dessas	promessas	divinas	que	foram	dadas	a	Davi,
suscitando	plena	esperança,	ecoa	por	todo	o	restante	do	Antigo	Testamento.
Deus	fez	prosperar	abundantemente	Davi	e	o	povo	de	Israel	(1Cr	29).	Tal	rei,	tal
reino.
Salomão,	o	filho	de	Davi,	tornou-se	rei	de	Israel	depois	de	seu	pai	e	construiu
uma	impressionante	casa	para	o	Senhor,	o	Templo	de	Jerusalém.	Mais	uma	vez,
Deus	manifestou	sua	gloriosa	presença	entre	seu	povo.	Isso	levou	Salomão	a
dizer:	“Mas	Deus	habitará	verdadeiramente	na	terra?	Eis	que	o	céu	e	o	mais	alto
céu	não	podem	conter-te;	muito	menos	essa	casa	que	eu	construí!”	(1Rs	8.27).	O
templo	concluído	era	glorioso	(Sl	48.1-3,9-11),	e	a	fama	e	a	riqueza	de	Salomão
eram	grandes	(1Rs	10).	“…	O	rei	Salomão	excedeu	todos	os	reis	da	terra	em
riquezas	e	em	sabedoria.	E	toda	a	terra	buscava	a	presença	de	Salomão	para
ouvir	sua	sabedoria,	que	Deus	havia	colocado	em	sua	mente”	(1Rs	10.23,24).
As	promessas	de	Deus	a	Davi,	e	mesmo	as	promessas	feitas	a	Moisés,	pareciam
estar	se	cumprindo:	“Bendito	seja	o	SENHOR	que	deu	descanso	ao	seu	povo
Israel,	de	acordo	com	tudo	o	que	ele	prometeu.	Não	falhou	nenhuma	palavra	de
toda	a	sua	boa	promessa,	que	ele	falou	por	meio	de	seu	servo	Moisés”	(1Rs
8.56).	Ainda	assim,	a	catástrofe	se	avizinhava,	pois	o	sábio	rei	Salomão	falhou
tolamente	em	acatar	as	advertências	de	Deus.
A	literatura	bíblica	de	sabedoria	(Jó,	Salmos,	Provérbios,	Eclesiastes,	Cântico
dos	cânticos)	representa	a	sabedoria	de	Davi	e	Salomão,	entre	outros,	em	seu
auge.	Esses	livros	oferecem	um	panorama	de	como	é	a	vida	vivida	com
sabedoria,	em	temor	ao	Senhor,	neste	mundo	caído,	imprevisível,	por	vezes
injusto	e	ainda	condenado.	Eles	se	voltam	para	a	Criação	e	para	o	que	Deus
planejou,	assim	como	apontam	para	Cristo	e	para	o	que	Deus	promete.
Em	vez	de	governar	e	guiar	o	povo	de	Deus	de	acordo	com	a	boa	Palavra	de
Deus,	Salomão	juntou	para	si	muito	ouro	(2Cr	9.13-21),	cavalos	e	carruagens
poderosos	(2Cr	9.25-28)	e	várias	esposas	(1Rs	11.3).	Essa	foi	a	receita	para	o
desastre,	tal	como	Deus	havia	advertido	(Dt	17.14-20).	Para	piorar,	Salomão	não
apenas	falhou	em	remover	os	altares	onde	os	ídolos	eram	adorados,	mas	o
próprio	rei,	em	idade	avançada,	não	seguiu	completamente	ao	Senhor	(1Rs	11.5-
10).	O	brilhante	começo	do	reinado	de	Salomão	agora	se	dirigia	ao	desastre,	pois
tal	rei,	tal	reino.
Como	Deus	responderia?	O	Senhor	disse	a	Salomão:	“…	Uma	vez	que	essa	tem
sido	a	sua	prática	e	você	não	tem	guardado	minha	aliança	e	meus	estatutos	que
eu	ordenei	a	você,	eu	certamente	tomarei	o	reino	de	você…”	(1Rs	11.11-13).
Salomão	reinou	como	rei	sobre	Israel	por	quarenta	anos.	Depois	de	sua	morte,
porém,	o	reino	foi	dividido	em	dois,	assim	como	Deus	havia	prometido	(1Rs
12.16-20).	Israel	se	dividiu	entre	o	Reino	do	Norte	(Israel)	e	o	Reino	do	Sul
(Judá).	Cada	futuro	rei	em	Israel	e	em	Judá	(com	exceção	de	Ezequias	e	Josias)
falhou	em	destruir	os	altares	idólatras.	Os	reis	pecaram,	assim	como	o	povo
pecou.	Eles	“…	temeram	outros	deuses	e	seguiram	os	costumes	das	nações	que	o
SENHOR	havia	expulsado	da	presença	de	Israel,	os	costumes	que	os	reis	de
Israel	haviam	praticado”	(2Rs	17.7,8).	Tal	rei,	tal	reino.
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Não	foque	um	sermão	ou	uma	aula	simplesmente	na	coragem	de	Davi	ou	em
“como	lidar	com	os	gigantes	de	sua	vida”.	Em	vez	disso,	trate	da	escolha	de
Davi,	um	homem	segundo	o	coração	de	Deus,	para	reinar	como	rei	sobre	o	povo
de	Deus	como	um	modo	de	Deus	restaurar	seu	governo	na	terra	(1Sm	16.1-13).
Deus	promete	a	Davi	que	um	rei	eterno	de	sua	família	reinaria	em	um	trono
eterno	(2Sm	7).	Torne	explícita	para	seus	ouvintes	essa	conexão	com	Jesus.
Ajude-os	a	ver	que	esse	futuro	filho	de	Davi	também	seria	seu	Senhor	(Sl	110;	Is
9.6,7;	Ez	34.22,23;	Mt	22.45).
O	rei	Davi	é	até	mesmo	descrito	no	Novo	Testamento	como	um	profeta.	Sobre	o
que	Davi	profetizou?	Sobre	Jesus,	é	claro:	“Sendo,	portanto,	um	profeta,	e
sabendo	que	Deus	lhe	havia	jurado	com	um	voto	que	colocaria	um	de	seus
descendentes	em	seu	trono,	ele	previu	isso	e	falou	sobre	a	ressurreição	de	Cristo”
(At	2.30-31;	veja	Sl	16).
O	REI	EXPULSA
Assim	como	aconteceu	com	Adão,	a	desleal	rebelião	do	povo	de	Deus	os	levouao	Exílio	no	Oriente,	quando	Israel	e	Judá	foram	expulsos	da	boa	terra	de	Deus
(Gn	3.24;	2Rs	17.18,23).	O	Reino	do	Norte	foi	exilado	para	a	Assíria,	em	722
a.C.,	e	o	Reino	do	Sul,	para	a	Babilônia,	em	586	a.C.	Assim	como	no	Éden,
Deus	advertiu	seu	povo	a	respeito	das	consequências	dessa	rebelião.	Em	sua
misericórdia	e	paciência,	ele	levantou	profeta	após	profeta	para	anunciar	uma
mensagem	de	arrependimento	ao	povo	desobediente	(1Rs	14.15).	Elias,	Eliseu	e
muitos	outros	confrontaram	e	desafiaram	o	infiel	povo	de	Deus.	Contudo,	o	povo
foi	obstinado	e	se	recusou	a	acatar	os	repetidos	avisos	de	Deus:
O	SENHOR	avisou	Israel	e	Judá,	por	meio	de	cada	profeta	e	vidente,	dizendo:
“Apartem-se	de	seus	maus	caminhos	e	guardem	meus	mandamentos	e	meus
estatutos,	de	acordo	com	toda	a	Lei	que	eu	ordenei	aos	seus	pais	e	que	dei	a
vocês	por	meio	dos	meus	servos,	os	profetas”.
Mas	eles	não	quiseram	ouvir	e	foram	obstinados	como	seus	pais,	que	não	creram
no	SENHOR	o	Deus	deles.	Eles	desprezaram	seus	estatutos	e	sua	aliança,	que
ele	fez	com	os	seus	pais,	e	os	avisos	que	ele	lhes	deu.	Foram	atrás	de	falsos
ídolos	e	se	tornaram	falsos…	(2Rs	17.13-15).
Em	vez	de	adorar	o	verdadeiro	Deus,	eles	adoraram	o	que	era	falso,	por	isso	se
tornaram	falsos.	Em	vez	de	se	prostrarem	a	Deus	somente,	fizeram	ídolos	para
si,	e	até	mesmo	sacrificaram	seus	próprios	filhos	e	filhas	aos	seus	deuses	falsos
(2Rs	17.17).	Deus,	o	Rei,	portanto,	expulsou	o	seu	povo	assim	como	ele	havia
advertido	(Lv	26.33;	Dt	28.63-67).
O	impacto	do	juízo	do	Exílio	foi	imenso:	sem	rei,	sem	terra,	sem	templo,	apenas
lágrimas:
Junto	aos	rios	da	Babilônia,
ali	nos	sentamos	e	choramos,
quando	nos	lembrávamos	de	Sião.
Lá	nos	salgueiros
penduramos	nossas	liras.
Pois	lá	os	nossos	captores
pediam-nos	canções,
e	nossos	atormentadores	exigiam	alegria,	dizendo:
“Cantem	para	nós	uma	das	canções	de	Sião!”
Como	cantaremos	a	canção	do	SENHOR
em	uma	terra	estrangeira?	(Sl	137.1-4)
O	exílio	do	povo	de	Deus	para	a	Assíria	e	para	a	Babilônia	demonstrou	mais
uma	vez	a	santidade	de	Deus	e	as	consequências	mortais	de	se	rebelar	contra	ele.
Parecia	que	as	esperanças	e	os	sonhos	do	antigo	povo	de	Deus	prosperando	sob
seu	governo	real	tinham	se	extinguido.
Nós	transgredimos	e	nos	rebelamos,
e	tu	não	nos	perdoaste.
Tu	te	envolveste	em	ira	e	nos	perseguiste,
matando-nos	sem	piedade;
tu	te	envolveste	com	uma	nuvem
para	que	nenhuma	oração	pudesse	atravessá-la.
Fizeste	de	nós	escória	e	lixo
entre	os	povos.
Todos	os	nossos	inimigos
abrem	suas	bocas	contra	nós;
pânico	e	armadilha	vieram	sobre	nós,
devastação	e	destruição	(Lm	3.42-47).
O	Rei	os	expulsou.	Suas	misericórdias,	porém,	são	novas	a	cada	manhã,	pois
grande	é	sua	fidelidade	(Lm	3.23).
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Na	Escritura,	os	grandes	atos	de	salvação	e	juízo	geralmente	são	imagens	dos
grandes	atos	de	salvação	e	juízo	de	Deus	que	estão	por	vir.	Do	exílio	de	Adão	e
Eva	do	Éden	ao	juízo	do	Dilúvio	nos	dias	de	Noé,	vemos	claramente	que	“o
salário	do	pecado	é	a	morte…”	(Rm	6.23).	Não	perca	de	vista	essa	grave
realidade	quando	pregar	ou	ensinar	nos	livros	proféticos	do	Antigo	Testamento
sobre	o	juízo	de	Deus	na	forma	do	Exílio.
A	destruição	de	Jerusalém	e	a	deportação	para	a	Babilônia	são	descritas	pelos
profetas	como	o	horror	de	morar	em	completas	trevas	(Lm	3.1,2),	que	antecipam
os	horrores	de	ser	expulso	para	as	trevas	eternas	do	inferno,	o	lugar	de	trevas
exteriores	definitivas,	o	lugar	de	choro	e	ranger	de	dentes	(Mt	8.12;	22.13;
25.30).
Certifique-se	também	de	realçar	a	condição	de	exílio	do	povo	de	Deus.	Uma	vez
que	Adão	e	Eva	foram	exilados	do	Paraíso,	o	povo	de	Deus	tem	sido	sempre	um
povo	de	“…	peregrinos…”	(1Pe	2.11),	“…	estrangeiros	e	exilados…”	(Hb
11.13),	pois	“…	nossa	cidadania	está	no	céu…”	(Fp	3.20).	“Pois	aqui	não	temos
cidade	permanente,	mas	buscamos	a	que	está	por	vir”	(Hb	13.14).
O	REI	PROMETE
Ainda	assim,	mesmo	em	meio	aos	horrores	do	Exílio,	os	servos	de	Deus,	os
profetas,	acenderam	a	esperança	e	a	mantiveram	revigorada	no	coração	do	povo
de	Deus.	A	atormentadora	realidade	do	Exílio	foi	mesclada	com	a	promessa	do
incrível	retorno	para	a	terra	dos	pais:
Portanto,	eu	os	lançarei	fora	desta	terra	para	uma	terra	que	nem	vocês	nem	seus
pais	conheceram,	e	lá	vocês	cultuarão	dia	e	noite	outros	deuses,	pois	não
mostrarei	nenhum	favor	a	vocês.
Assim,	eis	que	estão	chegando	os	dias,	diz	o	SENHOR,	em	que	não	se	dirá	mais:
“Assim	como	vive	o	SENHOR	que	trouxe	o	povo	de	Israel	do	Egito”,	mas
“Assim	como	vive	o	SENHOR	que	trouxe	o	povo	de	Israel	da	terra	do	norte	e	de
todas	as	terras	para	onde	os	havia	levado”.	Pois	eu	os	trarei	de	volta	para	sua
própria	terra,	que	dei	para	os	seus	pais	(Jr	16.13-15).
Insistentemente,	os	profetas	lembravam	Israel	das	promessas	de	Deus	aos	seus
antepassados,	Abraão	e	Davi.	Eles	apontavam	para	uma	nova	obra	que	o	Senhor
faria	nos	últimos	dias.	Essas	promessas	do	passado	e	as	esperanças	dos	últimos
dias	ofereciam	a	perspectiva	de	um	futuro	glorioso.	Os	profetas	olhavam	pela	fé
para	uma	futura	obra	de	Deus	(Hc	1.5;	3.2),	e	essa	esperança	produzia	alegria	no
Senhor.
Ainda	que	a	figueira	não	floresça,
nem	haja	fruto	nas	videiras,
o	produto	da	oliveira	falhe
e	os	campos	não	produzam	comida,
as	ovelhas	sejam	levadas	do	aprisco
e	não	haja	gado	nos	currais,
ainda	assim	eu	me	alegrarei	no	SENHOR;
eu	me	alegrarei	no	Deus	da	minha	salvação	(Hc	3.17,18).
Essa	esperança	profética	olhava	para	além	das	devastações	do	Exílio	e	focava	na
chegada	de	um	futuro	rei	como	Davi	(Ez	34.23).	O	próprio	Deus	prometeu	vir	e
pastorear	seu	povo,	e	prometeu	que	Davi	seria	seu	pastor.	Deus	também
prometeu	fazer	algo	surpreendente:	estabelecer	uma	nova	aliança.	Ele	disse	a
Jeremias,	um	de	seus	profetas:
Pois	esta	é	a	aliança	que	eu	farei	com	a	casa	de	Israel	depois	daqueles	dias,	diz	o
SENHOR:	colocarei	a	minha	lei	no	íntimo	deles	e	a	escreverei	em	seu	coração.
E	eu	serei	o	Deus	deles,	e	eles	serão	o	meu	povo.	E	ninguém	mais	ensinará	seu
vizinho	e	cada	irmão	dizendo	“Conheçam	o	SENHOR”,	pois	todos	eles	me
conhecerão,	do	menor	ao	maior,	diz	o	SENHOR.	Pois	eu	perdoarei	a	iniquidade
deles	e	não	me	lembrarei	mais	de	seus	pecados	(Jr	31.33,34).
Em	outro	lugar,	o	Senhor	diz	que	essa	nova	aliança	envolverá	uma	reunião	de
seu	povo	por	meio	de	um	tipo	de	novo	êxodo	(Ez	36.26-28;	cf.	Dt	30.3,4)	e	um
derramamento	de	seu	Espírito	de	uma	maneira	nova,	de	tal	forma	que	todo	o
povo	de	Deus	receberá	novos	corações	para	confiar	em	seu	Rei	e	lhe	obedecer
(Jl	2.28,29).	Os	profetas	até	mesmo	sustentam	a	esperança	de	que	o	Rei	da
criação	suscitará	uma	nova	criação,	um	novo	céu	e	uma	nova	terra	em	que	as
nações	adorarão	o	Senhor	(Is	65.17;	66.22,23).
Todas	essas	incríveis	esperanças,	no	entanto,	foram	mescladas	com	a	chegada	de
uma	figura	misteriosa,	o	Servo	do	Senhor.	Ele	seria	da	genealogia	de	Davi	e
ungido	pelo	Espírito	de	Deus	(Is	11.1-3).	Esse	servo	seria	de	Israel	e	traria	o
povo	de	Deus	de	volta	para	o	Senhor	(Is	49.5).
A	obra	desse	servo,	porém,	criaria	um	povo	de	todo	o	mundo.	O	Senhor	disse	a
respeito	desse	servo:
Não	basta	que	você	seja	meu	servo
para	restaurar	as	tribos	de	Jacó
e	trazer	de	volta	os	remanescentes	de	Israel;
eu	farei	de	você	uma	luz	para	as	nações,
para	que	minha	salvação	alcance	os	confins	da	terra
(Is	49.6;	cf.	At	13.47).
O	plano	do	Rei	de	abençoar	o	mundo	e	cumprir	a	promessa	feita	a	Abraão	estava
conectado	com	essa	figura	davídica	futura.	Os	profetas	aguardavam	sua	vinda	e
ansiavam	pela	chegada	de	seu	reino	eterno	(Is	9.6,7).	Quando	esse	rei	finalmente
viesse,	ele	traria	salvação	para	seu	povo.
…	todos	os	confins	da	terra	verão
a	salvação	de	nosso	Deus	(Is	52.10).
Entretanto,	como	esse	futuro	Rei	misterioso	e	exaltado,	da	linhagem	de	Davi,
resgataria	seu	povo	de	seus	pecados?	Surpreendentemente,	os	profetas	dizem
que	o	rei	seria	esmagado	e	morto,	não	pelas	próprias	transgressões	dele,	mas
pelas	de	seu	povo.	Escute	estas	palavras	de	Isaías:
…	ele	foi	ferido	por	causa	de	nossas	transgressões;
foi	esmagado	por	causa	de	nossas	iniquidades;sobre	ele	estava	o	castigo	que	nos	trouxe	paz,
e	com	suas	feridas	somos	curados	(Is	53.5).
Portanto,	não	surpreende	que,	séculos	depois,	o	apóstolo	Pedro	escrevesse	sobre
os	profetas	como	pessoas	por	meio	das	quais	o	Espírito	de	Cristo	estava
indicando	“…	os	sofrimentos	de	Cristo	e	as	glórias	subsequentes…”	(1Pe	1.10-
12).	Essas	gloriosas	promessas,	escritas	pelos	profetas,	alimentavam	grande
expectativa.
Ainda	assim,	a	esperança	pareceu	fracassar	quando	o	povo	de	Israel	finalmente
voltou	de	seu	Exílio	(veja	Esdras	e	Neemias).	Na	verdade,	por	centenas	de	anos,
essas	preciosas	esperanças	proféticas	pareceram	adormecer,	esperando	pelo	dia
em	que	todas	as	promessas	de	Deus	finalmente	se	cumpririam.
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Quando	pregar	ou	ensinar	a	partir	dos	profetas	do	Antigo	Testamento,	certifique-
se	de	proclamar	fielmente	a	mensagem	do	livro	inspirada	pelo	Espírito	Santo,
em	vez	de	focar	no	próprio	profeta.¹	O	livro	de	Isaías	não	é	sobre	o	profeta
Isaías.	O	livro	de	Daniel	não	é	sobre	Daniel.	O	livro	de	Jeremias	não	é
principalmente	sobre	o	profeta	Jeremias.	Então,	à	medida	que	você	percorrer	os
livros	proféticos,	pergunte:	Qual	é	a	mensagem	deste	livro	como	um	todo?
Depois	de	compreender	o	sentido	do	livro,	você	pode	começar	a	buscar
conexões,	ao	longo	do	cânon,	até	chegar	a	Cristo	(Mt	5.17;	Lc	24.25,27,44).
Os	livros	proféticos	do	Antigo	Testamento	não	estão	na	Bíblia	para	que
coloquemos	nossa	atenção	nas	lições	de	moral	que	podem	ser	extraídas	das	vidas
de	vários	indivíduos.	Em	vez	de	fixar	a	atenção	neles,	ajude	seus	ouvintes	a
focar	no	que	os	próprios	profetas	focaram,	a	saber,	a	grande	salvação	de	Deus
por	meio	do	Messias	por	vir!
A	respeito	dessa	salvação,	os	profetas	que	profetizaram	sobre	a	graça	que	seria
de	vocês	examinaram	e	investigaram	cuidadosamente,	indagando	que	pessoa	ou
época	o	Espírito	de	Cristo	neles	estava	indicando	ao	predizer	os	sofrimentos	de
Cristo	e	as	glórias	subsequentes.	A	eles	foi	revelado	que	estavam	servindo	não	a
si	mesmos,	mas	a	vocês,	nas	coisas	que	agora	lhes	foram	anunciadas	por	meio
desses	que	pregaram	as	boas-novas	pelo	Espírito	Santo	enviado	do	céu,	coisas
que	os	anjos	anseiam	observar	(1Pe	1.10-12).
¹Veja	John	Sailhamer,	“Preaching	from	the	prophets”,	in:	Scott	M.	Gibson,	org.,
Preaching	the	Old	Testament	(Grand	Rapids:	Baker,	2006),	p.	115-36.
1	Paul	R.	Williamson,	Sealed	with	an	oath:	covenant	in	God’s	unfolding
purpose,	New	Studies	in	Biblical	Theology	(Downers	Grove:	InterVarsity,	2007),
p.	43.
4
QUAL	É	A	GRANDE	HISTÓRIA	DA	BÍBLIA?
(segunda	parte)
CHEGA	O	REI
E,	finalmente,	o	tão	aguardado	Rei	chega.
O	próprio	Rei	dos	reis	veio	resgatar	um	povo	para	o	seu	louvor	e	redimir
rebeldes	que	estavam	perdidos.	Depois	de	anos	de	trevas,	a	Luz	do	mundo,	a
verdadeira	Luz,	finalmente	veio	ao	mundo	(Jo	1.9).	Depois	de	um	longo	período
de	silêncio,	a	Palavra	eterna,	que	estava	com	Deus	e	que	era	Deus,	se	tornou
carne	e	habitou	entre	nós	para	fazer	Deus,	o	Pai,	conhecido	(Jo	1.14,18).	Assim
como	Deus	havia	prometido,	o	Rei	era	verdadeiramente	o	filho	de	Davi	e	de
Abraão	(Mt	1.1).	No	entanto,	ao	mesmo	tempo,	o	Rei	seria	Deus	em	carne,	Deus
conosco,	assim	como	os	profetas	disseram	anteriormente:
Tudo	isso	aconteceu	para	cumprir-se	o	que	o	Senhor	falou	pelo	profeta:
“Eis	que	a	virgem	conceberá	e	dará	à	luz	um	filho,
a	quem	chamarão	de	Emanuel”
(que	significa	“Deus	conosco”)	(Mt	1.22,23).
O	infinito	filho	de	Deus	se	tornou	uma	criança.	O	eterno	filho	de	Deus	se	tornou
um	homem.	E	esse	homem,	esse	rei,	seria	chamado	Jesus,	“…	pois	ele	salvará
seu	povo	de	seus	pecados”	(Mt	1.21).	Em	Jesus,	a	eterna	Palavra	feita	carne,	o
próprio	Senhor	veio	estar	presente	entre	seu	povo	para	cumprir	a	missão	que	seu
Pai	lhe	deu.	Jesus	é	o	filho	amado	de	Deus,	aquele	em	quem	o	pai	se	agrada	(Lc
3.22).	Diferentemente	de	Adão	e	de	Israel,	Jesus	sempre	vive	para	agradar	e
honrar	a	seu	Pai.	Assim,	depois	de	passar	pelas	águas	do	batismo,	dotado	com	o
Espírito	de	Deus,	o	Filho	de	Deus	foi	levado	ao	deserto	para	batalhar	com
Satanás,	o	arqui-inimigo	de	Deus	e	de	seu	povo	(Lc	4.1,2).
O	Diabo,	a	antiga	Serpente,	buscou	parar	Jesus	no	início	de	seu	ministério.
Contudo,	onde	Adão,	Abraão,	Moisés,	Davi,	Salomão	e	Israel	falharam,	Jesus
venceu	ao	confiar	na	boa	Palavra	de	Deus.	Jesus	demonstrou	a	todos	que	ele	é	o
verdadeiro	e	fiel	Filho	de	Deus	(Lc	4.1-13).	Depois	de	sua	vitória	no	deserto,
Jesus	começou	a	proclamar	o	evangelho	de	Deus,	anunciando:	“…	Cumpriu-se	o
tempo	e	o	reino	de	Deus	está	próximo;	arrependam-se	e	creiam	no	evangelho”
(Mc	1.15).	Ele	reúne	seus	seguidores	e	os	ensina	sobre	seu	reino	(Mt	13).	O
governo	e	o	reino	de	Deus	se	manifestam	poderosamente	por	meio	do	ministério
terreno	de	Jesus.
Como	profeta	semelhante	a	Moisés,	Jesus	realizou	todo	tipo	de	sinais	e
maravilhas	no	meio	de	Israel,	mostrando	todo	o	grande	poder	de	Deus	(Dt	18.15;
34.10-12).	Jesus	curou	os	doentes,	alimentou	milhares	com	o	pão	do	céu	e	até
mesmo	ressuscitou	os	mortos.	Ainda	assim,	Jesus	não	era	o	tipo	de	rei	que	o
mundo	esperava.	O	reino	que	Jesus	anunciava	não	seria	estabelecido	pelos	meios
terrenos.	Ele	disse:	“…	Meu	reino	não	é	deste	mundo.	Se	meu	reino	fosse	deste
mundo,	meus	servos	estariam	lutando…”	(Jo	18.36).
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Os	Evangelhos	são	a	respeito	de	Jesus.	Ainda	assim	é	fácil	perder	isso	de	vista	e
focar	nossos	sermões	ou	lições	em	algo	que	não	é	realmente	de	importância
primeira.	Se,	por	exemplo,	você	estivesse	ensinando	no	Evangelho	de	Mateus	e
chegasse	a	8.23—9.8,	como	você	lidaria	com	essa	passagem?	Há	três	descrições
de	Jesus	realizando	uma	variedade	de	milagres,	e	é	muito	fácil	perder	a
mensagem	principal,	pois	os	três	acontecimentos	registrados	nessa	seção	da
Escritura	são	de	tirar	o	fôlego:	Jesus	acalmou	uma	tempestade	(8.23-27),	curou
um	homem	possuído	por	um	demônio	(8.28-34)	e	curou	e	perdoou	um	pecador
paralítico	(9.1-8).	Qual	é	a	mensagem	principal?	Jesus	é	aquele	que	tem
autoridade!	Ele	tem	autoridade	sobre	a	criação,	sobre	demônios,	sobre	o	pecado
e	sobre	as	doenças.	Quando	pregar	ou	ensinar	a	partir	dos	Evangelhos,
certifique-se	de	que	você	está	evidenciando	muito	mais	Jesus	do	que	qualquer
outra	coisa.
Mais	que	isso,	Jesus	não	era	nem	mesmo	o	tipo	de	rei	que	seu	próprio	povo
esperava.	“Ele	veio	para	os	seus	e	o	seu	próprio	povo	não	o	recebeu”	(Jo	1.11).
Mesmo	os	discípulos	de	Jesus	ficaram	confusos	em	um	primeiro	momento	sobre
a	natureza	de	sua	missão	e	o	que	ele	pretendia	realizar.	Jesus	insistentemente
declarou	a	seus	seguidores	que,	ao	invés	de	ser	abraçado	e	celebrado,	ele	seria
rejeitado.	Em	vez	de	ser	honrado	e	venerado,	ele	seria	o	primeiro	a	ser	traído	e
levado	à	morte	como	um	criminoso	em	uma	cruz	romana.
Esse	tão	aguardado	Rei	seria	crucificado.
O	REI	SOFRE	E	SALVA
O	caminho	diante	do	Rei	Jesus	o	levava	diretamente	para	a	cruz.	Assim	como	o
Senhor	havia	prometido	por	intermédio	de	seus	profetas,	o	servo	do	Senhor
traria	salvação	por	meio	de	seu	sofrimento	no	lugar	dos	rebeldes.	E,	assim	como
o	Senhor	prometera	em	Gênesis	3.15,	a	semente	de	Eva	um	dia	esmagaria	a
cabeça	da	Serpente,	mas	seu	calcanhar	seria	ferido.	Na	cruz,	Jesus	sofreu	a
terrível	maldição	do	pecado	e	foi	sacrificado	como	um	substituto	em	favor	dos
pecadores.	Na	cruz,	ele	clamou	em	alta	voz:	“…	Meu	Deus,	meu	Deus,	por	que
tu	me	abandonaste?”	(Mt	27.46).	Na	cruz,	Jesus	derramou	seu	sangue	como	um
sacrifício	pelos	pecadores	e	estabeleceu	a	nova	aliança	prometida	(Lc	22.20).	Na
cruz,	o	sangue	do	Rei	“…	é	derramado	em	favor	de	muitos	para	o	perdão	dos
pecados”	(Mt	26.28).
Jesus	deu	sua	vida	como	um	resgate	por	muitos	(Mc	10.45).	E
…	embora	ele	estivesse	na	forma	de	Deus,	[Jesus]	não	considerou	ser	igual	a
Deus	uma	coisa	a	se	prender,	mas	esvaziou-se	a	si	mesmo,	ao	tomar	a	forma	de
um	servo,	tendo	nascido	à	semelhança	dos	homens.	E,	encontrando-se	em	forma
humana,	ele	se	humilhou	ao	se	tornar	obediente	até	a	morte,	mesmo	a	morte	em
uma	cruz	(Fp	2.6-8).
Jesus	se	tornou	a	perfeição	substitutiva	e	a	punição	substitutiva	da	qual	seu	povo
precisavadesesperadamente.
Tudo	o	que	o	sistema	sacrificial	previa	foi	cumprido	no	“…	Cordeiro	de	Deus,
que	tira	o	pecado	do	mundo”	(Jo	1.29).	Paulo	também	escreveu	sobre	isso	à
igreja	de	Corinto:	“…	todas	as	promessas	de	Deus	encontram	o	seu	sim	nele…”
(2Co	1.20).	Os	autores	dos	Evangelhos	demonstram	que	Jesus	é	o	verdadeiro	e
imaculado	Cordeiro	Pascal,	sacrificado	para	cobrir	os	pecados	de	seu	povo	e
resgatá-lo	do	juízo	ao	decretar	um	êxodo	novo	e	superior	(Lc	9.31;	Jo	19.36).
Nada	pode	impedir	Jesus	de	redimir	o	seu	povo.	Nem	mesmo	a	morte.	Seu	amor
se	provou	ser	mais	forte	do	que	a	morte	e	mais	profundo	do	que	o	inferno.
Depois	de	três	dias,	Jesus	ressuscitou	dos	mortos.	As	primeiras	visitantes	de	seu
túmulo	já	vazio	foram	recebidas	por	anjos	que	deram	as	notícias	espantosas:	“…
Não	temam,	pois	sei	que	vocês	procuram	o	Jesus	que	foi	crucificado.	Ele	não
está	aqui,	pois	ressuscitou,	como	ele	mesmo	disse.	Venham,	vejam	o	lugar	onde
ele	jazia.	Agora	vão	depressa	e	digam	aos	seus	discípulos	que	ele	ressuscitou	dos
mortos…”	(Mt	28.5-7).
Ao	ressurgir	dos	mortos,	o	Rei	Jesus	começou	a	obra	da	nova	criação,	a	qual	foi
primeiro	prometida	no	Antigo	Testamento.	Por	meio	da	ressurreição	de	Cristo,
essa	realidade	do	fim	dos	tempos	passou	a	invadir	a	era	presente.	Nem	mesmo	a
maldição	do	pecado	e	o	poder	da	morte	poderiam	manter	o	Rei	dos	reis	na
sepultura.	Jesus	ressuscitou	e	demonstrou	que	era	exatamente	quem	ele	disse	ser
durante	seu	ministério	terreno.
Agora,	dois	mil	anos	depois,	o	Senhor	Jesus	convoca	todos	os	rebeldes	a
abandonarem	seus	pecados	e	crerem	nele.	A	resposta	que	Jesus	requer	de	todos	é
que	creiam	nele	ou	serão	condenados	(Jo	3.16-18).	O	Rei	ressurreto	promete
salvar	todos	os	que,	judeus	ou	gentios,	creem	nele.
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Cerca	de	um	terço	dos	Evangelhos	concentram-se	na	última	semana	da	vida	de
Jesus,	aquela	que	antecedeu	sua	crucificação	e	ressurreição.	Os	outros	dois
terços	dos	Evangelhos	nos	preparam	para	entender	aquele	que	vai	a	Jerusalém,	é
entregue	aos	principais	sacerdotes	e	aos	escribas,	é	condenado	à	morte	e
entregue	aos	gentios	para	ser	ridicularizado,	cuspido,	açoitado	e	crucificado	(Mc
10.33,34).
Esse	Jesus,	aquele	que	tem	autoridade,	dirige-se	à	cruz	com	humildade	e	morre
para	redimir	um	povo	rebelde	que	rejeitou	sua	autoridade	(Mt	20.25-28).	Esse
mesmo	Jesus,	que	ressuscitou	no	terceiro	dia	e	que	tem	“…	toda	autoridade	no
céu	e	na	terra…”,	é	digno	de	toda	a	nossa	adoração	(Mt	28.17,18).	Na	verdade,
ele	requer	e	merece	a	adoração	de	todo	o	mundo	(Mt	28.18-20).	Certamente,
todos	os	nossos	sermões	a	partir	dos	Evangelhos	devem	ter	o	foco	nele!
Quando	proclamamos	o	Cristo	com	base	nos	Evangelhos,	devemos	seguir	o
sábio	conselho	de	Sinclair	Ferguson	e	“gastar	nossas	energias	admirando,
examinando,	expondo	e	exaltando	Jesus	Cristo”.¹
¹“An	interview	with	Sinclair	Ferguson”,	por	C.	J.	Mahaney,	citada	em	Mahaney,
Living	the	cross	centered	life:	keeping	the	gospel	the	main	thing	(Sisters:
Multnomah,	2002),	p.	51.
O	REI	ENVIA
Ao	ressuscitar	dos	mortos,	Jesus	manifestou	ao	céu	e	à	terra	que	ele	é	o	Rei
todo-poderoso.	Nem	mesmo	a	morte	poderia	pará-lo.	O	Cristo	ressurreto	disse
aos	seus	discípulos:
…	Toda	a	autoridade	no	céu	e	na	terra	me	foi	dada.	Vão,	portanto,	e	façam
discípulos	de	todas	as	nações,	batizando-os	em	nome	do	Pai,	do	Filho	e	do
Espírito	Santo,	ensinando-os	a	observarem	tudo	o	que	ordenei	a	vocês.	E	eu
estou	com	vocês	para	sempre,	até	o	fim	dos	tempos	(Mt	28.18-20).
Jesus	convoca	seus	discípulos	para	irem	e	fazerem	mais	discípulos.	Seguir	o	Rei
significa	ajudar	outros	a	também	o	seguirem.	Assim,	Jesus	comissiona	seus
seguidores	para	irem	por	todo	o	mundo	e	fazerem	discípulos	de	todas	as	nações.
Este	Filho	de	Davi	pretende	exercer	seu	governo	sobre	todas	as	nações,	e	o	Filho
de	Abraão	pretende	abençoar	todas	as	nações	por	meio	de	seu	evangelho.
A	importante	comissão	de	Cristo	seria	totalmente	impossível	de	ser	realizada
sem	ajuda.	Sendo	assim,	o	Rei	Jesus	lembrou	os	seguidores	de	sua	extraordinária
autoridade	e	da	promessa	consoladora	de	sua	presença	até	o	fim	da	era.	Para	que
estivesse	com	os	discípulos	para	sempre,	Jesus	os	deixou	para	trás.	Ele	levou
seus	discípulos	“…	até	as	proximidades	de	Betânia	e,	erguendo	suas	mãos,	os
abençoou.	Enquanto	os	abençoava,	se	afastava	deles	e	era	levado	ao	céu”	(Lc
24.50,51).
Jesus	já	tinha	deixado	claro	que	ele	precisaria	ir	e	retornar	ao	céu	para	que
enviasse	aquele	que	ajudaria	a	capacitar	os	discípulos	tanto	a	seguirem	a	ele
quanto	a	serem	testemunhas	dele	a	todo	o	mundo.	Também	já	tinha	deixado
claro	que	ele	deixaria	para	trás	igrejas	que	teriam	a	autoridade	de	ligar	e	desligar
na	terra	o	que	é	ligado	e	desligado	no	céu	(Mt	16.19;	18.18).	Jesus	planejava
deixar	embaixadas	ou	postos	avançados	de	seu	governo	soberano.
Um	pouco	antes	de	subir	ao	céu,	Jesus	disse	aos	seus	discípulos:	“…	vocês
receberão	poder	quando	o	Espírito	Santo	vier	sobre	vocês,	e	serão	minhas
testemunhas	em	Jerusalém	e	em	toda	a	Judeia	e	Samaria,	e	até	os	confins	da
terra”	(At	1.8).	De	acordo	com	Jesus,	a	vinda	do	Espírito	Santo	convenceria	o
mundo	(Jo	16.7-11).
Assim,	Jesus	ascendeu	ao	céu,	e	ele	e	Deus	Pai	derramaram	sobre	a	igreja,	no
Pentecostes,	o	Espírito	Santo	prometido	(At	2.1-41).	E	como	ele	havia
prometido,	vemos	o	Espírito	de	Deus	dando	coragem	aos	crentes	para
proclamarem	o	evangelho	e	convencendo	pecadores	de	sua	necessidade	gritante
de	se	arrependerem	e	crerem.
Eis	um	bom	exemplo	disso:	Pedro,	o	outrora	medroso	que	havia	covardemente
negado	o	Senhor	Jesus	três	vezes	na	noite	em	que	este	foi	traído,	depois	de	ser
cheio	com	o	Espírito,	proclamou	que	Jesus	morreu	de	acordo	com	o	plano	de
Deus,	ressuscitou	em	poder	e	agora	foi	exaltado	ao	céu.	Pedro	continuou	sua
pregação:	“Que	toda	a	casa	de	Israel,	portanto,	saiba	que	Deus	o	fez	Senhor	e
Cristo,	esse	Jesus	que	vocês	crucificaram”	(At	2.36;	veja	2.22-24,33-36).
A	mensagem	de	Pedro	no	Pentecostes	era	clara:	Jesus	morreu	e	ressuscitou,	e
somente	ele	é	o	Rei	soberano	e	ressurreto.	Apenas	Jesus	foi	exaltado	à	destra	da
majestade	do	Pai.	Assim,	três	mil	rebeldes	se	arrependeram	de	seus	pecados	e
creram	no	Rei	Jesus	(At	2.41).	Eles	receberam	a	palavra	da	verdade	e	foram
batizados,	da	forma	que	Jesus	havia	ordenado.
O	que	começou	naquele	dia	em	Jerusalém,	em	certo	momento,	propagou-se	não
apenas	entre	os	judeus,	mas	também	entre	os	gentios.	O	plano	de	Deus	para
abençoar	todas	as	nações	por	meio	da	semente	de	Abraão	estava	se	cumprindo.
Igrejas	locais	eram	constituídas,	e	essas	igrejas	plantavam	mais	igrejas.	Para	ser
mais	preciso,	essas	igrejas	enfrentaram	muitos	obstáculos.	Ainda	assim,	mesmo
diante	da	perseguição	e	confrontadas	com	problemas	internos	e	externos,	nada
podia	impedir	o	avanço	do	evangelho.
Em	uma	poderosa	manifestação	de	poder	e	graça,	o	Jesus	ressurreto	chamou
Saulo,	um	homem	que	“…	respirava	ameaças	e	assassinatos	contra	os	discípulos
do	Senhor…”,	para	ser	seu	instrumento	eleito	que	levaria	seu	nome	aos	gentios,
a	reis	e	aos	filhos	de	Israel	(At	9.1,15).	O	Senhor	escolheu	um	perseguidor	de
sua	igreja	e	o	transformou	pela	graça	em	um	apóstolo	que	testemunharia	do	Rei
Jesus	por	todo	o	mundo	romano.
Assim,	por	meio	do	testemunho	e	da	obra	dos	apóstolos,	liderados	por	Pedro	e
Paulo	(antes	chamado	de	Saulo),	e	por	meio	de	milhares	de	cristãos	anônimos,	o
evangelho	avançou	em	poder.	“Assim	a	igreja	tinha	paz	por	toda	a	Judeia,
Galileia	e	Samaria,	e	era	edificada.	E,	caminhando	no	temor	do	Senhor	e	no
conforto	do	Espírito	Santo,	ela	se	multiplicava”	(At	9.31).	Lucas	registra	essa
marcha	desimpedida	ao	prover	uma	série	de	declarações	sumárias	por	todo	o
livro	de	Atos.	Cada	uma	dessas	declarações	manifesta	que	Jesus	é	Rei	e	que	seu
reino	se	estabelecerá	completa	e	definitivamente	(At	6.7;	12.24;	16.5;	19.20).
Antes	de	sua	ascensão,	Jesus	falou	aos	seus	discípulos	sobre	o	reino	de	Deus	(At
1.3).	No	final	do	livro	de	Atos,	encontramos	Paulo	fazendo	a	mesma	coisa	em
Roma:	“…	De	manhã	até	o	anoitecer,	ele	lhes	deu	explicações	testemunhando	o
reino	de	Deuse	tentando	convencê-los	a	respeito	de	Jesus	a	partir	da	Lei	de
Moisés	e	dos	Profetas”	(At	28.23;	veja	também	28.31).	As	gloriosas	boas-novas
acerca	do	que	o	Rei	Jesus	tinha	feito	e	estava	fazendo	se	espalharam	—	de
Jerusalém	para	a	Judeia	e	Samaria,	e,	finalmente,	para	os	confins	da	terra.	Assim
como	o	Rei	havia	prometido	(At	1.8).
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Quando	pregar	ou	ensinar	a	partir	do	livro	de	Atos,	certifique-se	de	acompanhar
as	ênfases	de	Lucas	no	cumprimento	das	promessas	salvadoras	de	Deus	por	meio
de	seu	plano	revelado	em	Cristo.	Há	vários	temas	bíblico-teológicos	dos	quais
Lucas	se	vale:	a	chegada	dos	“últimos	dias”,	a	esperança	da	ressurreição	dos
mortos,	a	restauração	do	reino,	a	inclusão	dos	gentios,	o	derramamento	do
Espírito	Santo	prometido	e	a	pregação	do	evangelho,	começando	em	Jerusalém	e
avançando	a	todas	as	nações.	O	livro	de	Atos	não	é	apenas	sobre	os	“atos	dos
apóstolos”;	é	sobre	os	atos	do	Senhor	Jesus	ressurreto.¹
¹Veja	Alan.	J.	Thompson,	The	acts	of	the	risen	Lord	Jesus:	Luke’s	account	of
God’s	unfolding	plan	(Downers	Grove:	InterVarsity,	2011).
O	REI	REINA
No	Antigo	Testamento,	vemos	os	profetas	convocando	o	povo	de	Deus	a	confiar
no	Senhor	e	a	viver	fielmente,	em	amor	e	obediência,	sob	o	governo	e	o	reinado
dele.	Do	mesmo	modo,	as	cartas	do	Novo	Testamento	explicam	e	aplicam	o	que
significa	viver	como	povo	de	Deus	sob	o	reino	do	Rei	Jesus	ressurreto	e
exaltado.
Desse	modo,	todas	as	Escrituras	podem	tornar	os	crentes	sábios	para	a	salvação
por	meio	da	fé	em	Cristo	Jesus.	Paulo	escreve:	“Toda	a	Escritura	é	inspirada	por
Deus	e	proveitosa	para	o	ensino,	a	repreensão,	a	correção	e	a	instrução	na
justiça,	a	fim	de	que	o	homem	de	Deus	seja	completo,	equipado	para	toda	boa
obra”	(2Tm	3.16,17).
Por	todas	as	cartas	do	Novo	Testamento,	os	autores	bíblicos	seguem	um	padrão
constante.	Eles	destacam	e	revelam	quem	é	o	Rei	Jesus	e	o	que	ele	fez	com	graça
em	favor	dos	pecadores	indignos.	E,	então,	convocam	seus	leitores	a	seguirem
Jesus	em	confiança	e	obediência,	tudo	para	sua	glória.
Quando	escreve	à	igreja	de	Colossos,	Paulo	começa	sua	carta	descrevendo	a
magnificência	do	Senhor	Jesus,	aquele	que	é	soberano	sobre	toda	a	criação	e
sobre	a	nova	criação:
Ele	é	a	imagem	do	Deus	invisível,	o	primogênito	da	criação.	Pois	por	ele	todas
as	coisas	foram	criadas,	no	céu	e	na	terra,	as	visíveis	e	as	invisíveis,	sejam	tronos
ou	domínios,	governos	ou	autoridades;	todas	as	coisas	foram	criadas	por	meio
dele	e	para	ele.	E	ele	é	antes	de	todas	as	coisas,	e	nele	todas	as	coisas	se	mantêm
juntas	(Cl	1.15-17).
Como	o	Senhor	de	toda	a	criação,	ele	é	preeminente.	Esse	Senhor	também	é,	de
modo	maravilhoso,	aquele	que	fez	paz	“…	pelo	sangue	de	sua	cruz”	(Cl	1.20).
Esse	é	o	Senhor	Jesus.	Esse	é	aquele	em	quem	todos	os	crentes	colocaram	sua
eterna	esperança	e	confiança.	Esse	é	o	que	morreu	e	ressuscitou,	cumprindo	a
promessa	da	nova	aliança	e	proporcionando	um	vislumbre	da	nova	criação.
E	é	isso	que	a	igreja	representa:	um	povo	comprado	pelo	sangue	de	Cristo,
enchido	e	congregado	pelo	Espírito,	unido	pela	fé	no	evangelho,	governado	pela
Palavra	de	Cristo,	manifestando	a	múltipla	sabedoria	de	Deus	aos	governos	e
autoridades	nas	regiões	celestiais	(Ef	3.10).	A	igreja	é	uma	raça	eleita,	um
sacerdócio	real,	uma	nação	santa	e	um	povo	de	propriedade	exclusiva	de	Deus
(1Pe	2.9).
Qual	é,	então,	a	resposta	apropriada	do	povo	de	Deus,	a	igreja,	a	esse	Rei
glorioso?	“Portanto,	assim	como	vocês	receberam	Cristo	Jesus,	o	Senhor,
também	caminhem	nele,	enraizados	e	edificados	nele,	como	vocês	foram
instruídos,	abundando	em	ações	de	graça”	(Cl	2.6,7).	Paulo	passa	o	restante	da
Carta	aos	Colossenses	revelando	com	sabedoria	o	que	significa	para	seguidores
de	Cristo	viver	para	a	glória	dele	no	meio	de	uma	geração	corrompida	e
perversa,	em	um	mundo	em	inimizade	com	Deus.
Ainda	que	Jesus	esteja	ressurreto	e	já	esteja	reinando,	seus	seguidores	vivem	em
uma	tensão	entre	o	já	e	o	ainda	não.	O	Rei	Jesus	já	está	edificando	sua	igreja
agora,	mas	seu	reino	ainda	não	foi	estabelecido	em	glória	de	modo	definitivo.
Jesus	sofreu	e,	então,	entrou	na	glória;	os	que	o	seguem	devem	fazer	o	mesmo.
Pedro	escreve	a	um	grupo	de	crentes	espalhados	pelo	Império	Romano	e	enfatiza
tanto	as	bênçãos	presentes	quanto	a	herança	futura	garantida	pela	misericórdia
de	Deus	em	Cristo:	“Bendito	seja	o	Deus	e	Pai	de	nosso	Senhor	Jesus	Cristo!	De
acordo	com	sua	grande	misericórdia,	ele	nos	fez	nascer	de	novo	para	uma
esperança	viva	pela	ressurreição	de	Jesus	Cristo	dos	mortos…”	(1Pe	1.3-9).
Os	seguidores	do	Rei	Jesus	têm	uma	esperança	viva.	Os	crentes	já	experimentam
essa	esperança;	ainda	assim,	há	mais	por	vir.	Os	crentes	sofrem	agora,	mas	serão
glorificados	em	Cristo	quando	ele	voltar.	Essa	gloriosa	esperança,	mesmo	em
meio	às	difíceis	provações	e	perseguições,	inspira	vidas	de	entrega	e	obediência
ao	nosso	Senhor	e	Rei.
Observe	como	Pedro	fala	sobre	a	vida	cristã:
Portanto,	preparem	suas	mentes	para	a	ação,	e	sejam	sóbrios,	coloquem	sua
esperança	completamente	na	graça	que	lhes	será	dada	na	revelação	de	Jesus
Cristo.	Como	filhos	obedientes,	não	se	conformem	às	paixões	de	sua	antiga
ignorância,	mas,	uma	vez	que	aquele	que	os	chamou	é	santo,	sejam	também
vocês	santos	em	toda	a	sua	conduta,	como	está	escrito:	“Sejam	santos,	porque	eu
sou	santo”	(1Pe	1.13-16).
Mais	uma	vez,	a	verdade	de	quem	é	o	Rei	Jesus	e	o	que	ele	fez	instrui	e	inspira
obediência	a	ele,	tudo	para	sua	glória.
A	missão	que	Jesus	deu	às	suas	igrejas	é	difícil	e	dispendiosa.	Segui-lo	em	fé	e
obediência	certamente	acarretará	grande	perseguição	e	sofrimento	pela	causa	do
evangelho.	Entretanto,	assim	como	os	que	creem	aguardam	ansiosamente	na
esperança	da	volta	de	Jesus,	assim	também	eles	olham	para	trás	e	se	lembram	de
que	aquele	que	agora	é	ressurreto	e	exaltado	nas	alturas	também	foi	o	servo	que
sofreu	e	morreu.
Jesus	disse	aos	seus	seguidores:	“Bem-aventurados	são	vocês	quando	outros	os
insultarem	e	os	perseguirem	e	proferirem	todo	tipo	de	maldade	contra	vocês	por
minha	causa.	Alegrem-se	e	exultem,	pois	a	recompensa	de	vocês	é	grande	no
céu,	pois	assim	também	perseguiram	os	profetas	que	vieram	antes	de	vocês”	(Mt
5.11,12).	Paulo	mais	tarde	escreveria:	“De	fato,	todos	os	que	desejam	viver	uma
vida	piedosa	em	Cristo	Jesus	serão	perseguidos”	(2Tm	3.12).	Os	que	creem
sofrem	em	um	mundo	caído,	assim	como	todas	as	pessoas.	Contudo,
diferentemente	dos	que	ainda	estão	em	seus	pecados,	os	seguidores	do	Rei	Jesus
têm	a	promessa	de	sofrimentos	adicionais	por	terem	de	enfrentar	a	inimizade	de
um	mundo	que	odeia	o	Senhor	e	que	se	opõe	ao	seu	povo.
Sendo	assim,	o	que	os	seguidores	do	Rei	devem	fazer?	Mais	uma	vez,	a	igreja
deve	fixar	seus	olhos	em	seu	Rei	e	Salvador,	Cristo	Jesus.
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Ao	pregar	ou	ensinar	a	partir	das	cartas	do	Novo	Testamento,	certifique-se	de
conectar	as	ordenanças	apostólicas	às	verdades	apostólicas	do	evangelho.	Cerca
de	um	terço	de	todo	o	Novo	Testamento	é	constituído	de	epístolas,	ou	cartas.
Quando	explicá-las,	enfatize	como	as	coisas	que	devemos	fazer	estão	enraizadas
ou	fundamentadas	nas	coisas	que	são	verdadeiras.	Os	mandamentos	e	as
exortações	do	evangelho	(imperativos	do	tipo	“Vocês	devem	fazer	isso!”)
precisam	emergir	da	exposição	da	graça	de	Deus	nos	evangelhos	(indicativos	do
tipo	“Deus	já	realizou	isso”).
Pedro,	por	exemplo,	ordena	aos	seus	leitores:	“…	sejam	santos	em	toda	a	vossa
conduta”	(1Pe	1.15b).	Esse	é	o	imperativo.	Observe,	porém,	como	Pedro
fundamenta	esse	imperativo	à	santidade	no	glorioso	indicativo	do	chamado
salvador	de	Deus	e	de	sua	santidade:	“Como	filhos	obedientes,	não	se
conformem	às	paixões	de	sua	antiga	ignorância,	mas,	uma	vez	que	aquele	que	os
chamou	é	santo,	sejam	também	vocês	santos	em	toda	a	sua	conduta,	como	está
escrito:	“Sejam	santos,	porque	eu	sou	santo”	(1Pe	1.14-16).	Devemos	ser	santos
precisamente	porque	aquele	que	nos	trouxe	à	salvação	é	santo.	O	próprio	Deus	é
santo.	Nossa	busca	da	santidade	está	assentada	na	fundação	segura	da	santidade
de	Deus.	Se	somos	seus	filhos,devemos	aspirar	ser	como	ele	em	toda	a	nossa
conduta.
Esse	padrão	indicativo-imperativo	é	uma	estrutura	comum	em	todas	as	epístolas
do	Novo	Testamento.	Tanto	Romanos	quanto	Efésios	seguem,	em	geral,	esse
padrão.	Em	Efésios	1—3,	Paulo	expõe	as	riquezas	da	graça	de	Deus	para	nós	em
Jesus.	Esse	é	o	indicativo:	o	que	está	em	questão.	Então,	em	Efésios	4—6,	o
apóstolo	extrai	as	implicações	e	aplicações	dessas	verdades	e	exorta	seus	leitores
à	santidade.	Esse	é	o	imperativo:	o	que	devemos	seguir.	Do	mesmo	modo,	a
carta	de	Paulo	aos	romanos	é,	no	geral,	entendida	como	um	indicativo	(caps.	1—
11)	seguido	por	um	imperativo	(caps.	12—16).
Essa	estrutura	de	indicativo	e	imperativo	não	é	nova.	É	um	padrão	bíblico-
teológico	encontrado	no	Antigo	Testamento.	Por	exemplo:	“Eu	sou	o	SENHOR,
teu	Deus,	que	te	tirou	da	terra	do	Egito,	da	casa	da	escravidão.	Não	terás	outros
deuses	diante	de	mim”	(Êx	20.2,3).
Para	isso	vocês	foram	chamados,	porque	Cristo	também	sofreu	por	vocês,
deixando-lhes	um	exemplo,	para	que	sigam	os	seus	passos.	Ele	não	cometeu
pecado,	nem	engano	foi	encontrado	em	sua	boca.	Quando	foi	insultado,	não
revidou;	quando	sofreu,	não	ameaçou,	mas	continuou	se	entregando	àquele	que
julga	com	justiça.	Ele	mesmo	carregou	nossos	pecados	em	seu	corpo	sobre	o
madeiro,	para	que	pudéssemos	morrer	para	o	pecado	e	viver	para	a	justiça.	Por
suas	feridas,	vocês	foram	curados…	(1Pe	2.21-25;	veja	Is	52.12—53.12).
Os	seguidores	desse	Rei	o	contemplam	pela	fé	até	que	ele	retorne	e,	finalmente,
eles	o	vejam	face	a	face.
O	REI	RETORNA
A	história	da	Escritura	começa	com	Deus	governando	e	reinando	como	Rei	sobre
todas	as	coisas	e	com	um	povo	santo	que	deveria	viver	para	o	seu	louvor.	Assim,
é	coerente	que	a	Bíblia	se	encerre	com	a	promessa	de	Jesus,	aquele	que
ressuscitou	e	reina,	de	que	voltará,	reunirá,	julgará	e	fará	novas	todas	as	coisas,
entre	elas,	um	novo	povo	com	quem	Deus	outra	vez	se	agradará	em	habitar.
O	final	da	história	da	Bíblia,	registrada	por	João	no	livro	de	Apocalipse,	provê
um	vislumbre	de	como	a	história	acabará.	E	saber	o	fim	da	história	molda	o	que
significa	seguir	Jesus	aqui	e	agora,	desde	hoje	até	o	último	dia.	O	retorno	do	Rei
é	a	esperança	abençoada	de	todos	os	que	confiaram	em	Jesus.	Enquanto	esperam
por	esse	retorno	triunfante,	seus	seguidores	buscam	viver	de	maneira	moderada,
justa	e	piedosa,	capacitados	pela	graça	de	Deus	como	povo	“…	que	é	zeloso	por
boas	obras”	(Tt	2.14;	veja	2.11-14).
Contudo,	aqueles	que	se	recusam	a	obedecer	à	convocação	mundial	de	Cristo
para	o	arrependimento	enfrentarão	um	terrível	julgamento	“…	quando	o	Senhor
Jesus	se	revelar	do	céu	com	seus	poderosos	anjos	em	fogo	ardente,	infligindo
vingança	contra	os	que	não	conhecem	a	Deus	e	contra	os	que	não	obedecem	ao
evangelho	de	nosso	Senhor	Jesus”	(2Ts	1.7,8).	Quando	o	Rei	retornar,	a	rebelião
universal	contra	seu	reino	bom,	justo	e	santo	será	esmagada.	Jesus	declara	que,
para	“…	os	covardes,	os	incrédulos,	os	abomináveis,	assim	como	os	assassinos,
os	sexualmente	imorais,	os	feiticeiros,	os	idólatras	e	todos	os	mentirosos,	a
porção	deles	será	no	lago	que	queima	com	fogo	e	enxofre,	que	é	a	segunda
morte”	(Ap	21.8;	veja	21.6-8).	O	Diabo,	o	antigo	inimigo	de	Deus,	será	lançado
no	lago	de	fogo	para	ser	“…	atormentado	dia	e	noite	para	todo	o	sempre”	(Ap
20.10).
Mesmo	no	julgamento,	o	Rei	será	glorificado.	Todavia,	o	fim	da	história	também
manifesta	gloriosa	salvação,	pois	o	futuro	reino	de	Deus	inclui	crentes	em	Jesus
de	cada	tribo,	língua	e	nação.	Pecadores	redimidos	de	todas	as	nações	louvarão,
abençoarão	e	honrarão	ao	Leão	da	tribo	de	Judá,	Semente	de	Abraão,	Filho	de
Davi,	Cristo	Jesus,	o	Senhor.
Mas	por	quê?	Por	que	Jesus	é	digno	dessa	adoração?	João	nos	diz:
E	eles	cantavam	uma	nova	canção,	dizendo:
“Digno	és	tu	de	tomar	o	rolo
e	abrir	seus	selos,
pois	foste	morto	e	pelo	seu	sangue	resgataste
um	povo	para	Deus
de	toda	tribo,	língua,	povo	e	nação,
e	fizeste	deles	um	reino	de	sacerdotes	para
nosso	Deus,
e	eles	reinarão	sobre	a	terra”	(Ap	5.9,10).
Jesus	é	digno	porque	foi	morto.	Saber	que	ele	comprou	um	povo	de	todas	as
nações	por	causa	de	seu	nome	convida	os	crentes	à	obediência	fiel	ao
mandamento	de	proclamar	essas	boas-novas	a	todas	as	nações.	O	final	da
história	não	apenas	prevê	um	povo	redimido	dentre	todas	as	nações,	mas
também	contempla	a	chegada	de	um	mundo	completamente	renovado.	O	Rei
promete	fazer	novas	todas	as	coisas,	incluindo	novos	céus	e	uma	nova	terra:	“De
acordo	com	sua	promessa,	estamos	esperando	por	novos	céus	e	uma	nova	terra,
em	que	a	justiça	habita”	(2Pe	3.13).
Neste	mundo,	os	que	creem	andam	pela	fé,	buscando	cheios	de	expectativa	e
esperança	a	cidade	que	está	por	vir,	cujo	projetista	e	construtor	é	Deus.	João
descreve	esse	glorioso	futuro	no	livro	de	Apocalipse:	“Então	vi	um	novo	céu	e
uma	nova	terra,	pois	o	primeiro	céu	e	a	primeira	terra	já	passaram…”	(Ap	21.1).
Nessa	Nova	Jerusalém,	nessa	cidade	santa,	Deus,	o	Rei,	mais	uma	vez	habitará
com	seu	povo.	A	presença	do	pecado,	da	morte,	das	lágrimas	e	da	dor	serão
substituídas	pela	presença	de	Deus.	João	nos	diz:	“Ele	enxugará	cada	lágrima	de
seus	olhos,	e	não	existirá	mais	morte,	nem	haverá	lamento,	nem	choro,	nem	dor,
pois	as	coisas	antigas	já	passaram”	(Ap	21.4).
O	bom	mundo	de	Deus,	que	agora	está	manchado	pelo	pecado	e	pela	morte,	será
tornado	novo.	As	coisas	antigas	terão	passado.	Não	haverá	mais	morte,	dor	ou
lágrimas,	nem	pecado,	corrupção	ou	vergonha.	Além	disso,	e	o	melhor	de	tudo,
todos	os	que	pertencem	ao	povo	de	Deus	finalmente	estarão	juntos	na	gloriosa
presença	de	Deus,	na	presença	de	seu	Rei,	para	sempre.	Com	ternura,	ele
enxugará	cada	lágrima.	E	o	Criador	mais	uma	vez	habitará	com	suas	criaturas.	A
maldição	será	substituída	pela	permanente	bênção	de	Deus,	desfrutada	com
plenitude	e	liberdade	para	sempre.	Cristo,	o	Rei,	será	adorado	e	honrado	por
todos	os	que	ele	graciosamente	buscou	e	salvou.
O	verdadeiro	cerne	da	mensagem	bíblica	é	o	bom	e	justo	reino	de	Deus	sobre
todo	seu	povo	e	sobre	toda	a	sua	criação.¹	A	história	da	Escritura,	portanto,	é	a
história	de	Deus,	o	Rei,	e	de	seus	propósitos	amorosos	e	graciosos	de	salvar	um
povo	para	si	mesmo,	a	fim	de	que	esse	povo	se	deleite	em	sua	gloriosa	presença
para	sempre.	Entender	essa	história	nos	traz	ao	centro	de	toda	a	realidade.	Venha
logo,	Rei	Jesus!
Dica	para	o	ensino	e	a	pregação
Quando	ensinar	e	pregar	sobre	o	céu,	certifique-se	de	que	você	tenha	dissipado	a
noção	de	que	a	vida	após	a	morte	é	para	o	cristão	algum	tipo	de	eterna	existência
espiritual	desencarnada	“nas	nuvens”.	Esse	tipo	de	ênfase	perde	de	vista	a
esperança	da	ressurreição	do	corpo	e	da	renovação	de	todas	as	coisas.
O	Antigo	e	o	Novo	Testamentos	apresentam	a	eterna	casa	para	o	povo	de	Deus
em	um	novo	céu	e	em	uma	nova	terra:	“De	acordo	com	sua	promessa,	estamos
esperando	por	novos	céus	e	uma	nova	terra,	em	que	a	justiça	habita”	(2Pe	3.13;
veja	também	Is	65.17;	66.22).
1	Veja	Graeme	Goldsworthy,	“Kingdom	of	God”,	in:	T.	Desmond	Alexander;
Brian	S.	Rosner,	orgs.,	New	dictionary	of	biblical	theology	(Downers	Grove:
InterVarsity,	2000),	p.	618	[edição	em	português:	Novo	Dicionário	de	teologia
bíblica	(São	Paulo:	Vida,	s.d.)].
5
A	TEOLOGIA	BÍBLICA	MOLDA	O	ENSINO	DA	IGREJA
Se	a	história	da	Escritura	é	toda	sobre	Cristo,	o	Rei,	essa	realidade	deve	impactar
diretamente	os	ministérios	da	pregação	e	do	ensino	na	igreja	local.	Neste
capítulo,	queremos	destacar	brevemente	as	principais	maneiras	pelas	quais	a
teologia	bíblica	pode	ajudar	os	que	manuseiam	a	Palavra	de	Deus	em	benefício
do	povo	de	Deus.	Então,	ofereceremos	algumas	ferramentas	práticas	e	os
próximos	passos	para	ajudar	a	teologia	bíblica	a	funcionar	em	nossos	ministérios
de	ensino.
TEOLOGIA	BÍBLICA	COMO	PROTEÇÃO	E	GUIA
A	teologia	bíblica	é	uma	proteção	e	um	guia	útil	para	mestres	e	pregadores	da
Palavra	de	Deus.	Ela	é	um	recurso	contra	dois	inimigos	permanentes	dos	que
ensinam	a	Bíblia	com	regularidade:	o	texto	fora	de	contexto	e	o	moralismo.	Do
mesmo	modo,	a	teologia	bíblica	guia	pregadores	e	professores	para	uma
exposiçãobíblica	evangelística	e	cristocêntrica,	que	ressalta	o	glorioso	Herói	de
toda	a	história:	Jesus	Cristo.
PREGAR	CRISTO	E	NÃO	TEXTOS	FORA	DE	CONTEXTO
Primeiro,	a	teologia	bíblica	protege	o	pregador	da	abordagem	com	textos
descontextualizados	e	o	leva	a	proclamar	Cristo	em	toda	a	Escritura.
Quando	usamos	a	Bíblia	para	provar	nossa	própria	visão	sem	considerarmos	o
contexto	da	passagem,	estamos	usando	a	Bíblia	apenas	como	um	texto	para
confirmar	o	que	queremos.	A	leitura	para	confirmação	coloca	o	significado	em
uma	passagem,	em	vez	de	ler	o	significado	além	dela.	Esse	tipo	de	leitura	é	fácil,
porque	poupa	você	de	fazer	o	trabalho	sério,	cuidadoso	e	dependente	de	oração
para	entender	o	significado	pretendido	pelo	autor.	Esse	é	um	problema	sério,
pois	quem	ensina	a	Palavra	de	Deus	ao	povo	de	Deus	deveria	proclamá-la	como
“um	mensageiro	de	Deus”,	a	fim	de	que	Deus	receba	a	glória	por	meio	de	Cristo
Jesus	(1Pe	4.11).
Em	vez	de	aplicar-se	para	estudar	o	texto	e	acatar	com	humildade	o	contexto
divinamente	inspirado,	a	abordagem	que	usa	o	texto	sem	contexto	já	vai	ao	texto
com	um	significado	pré-concebido.	Os	pregadores,	pela	graça	de	Deus,	deveriam
lutar	para	manusear	corretamente	a	Palavra	de	Deus.	“Faça	o	seu	melhor	para	se
apresentar	a	Deus	como	aprovado,	um	obreiro	que	não	tem	do	que	se
envergonhar,	manejando	corretamente	a	palavra	da	verdade”	(2Tm	2.15).
A	busca	do	texto	fora	de	contexto	adultera	a	Palavra	de	Deus.	É	uma	prática	que
distorce	e	engana.	Paulo	escreveu	à	igreja	de	Corinto:	“…	renunciamos	aos
meios	desonrosos	e	ocultos.	Recusamo-nos	a	agir	com	astúcia	ou	a	distorcer	a
Palavra	de	Deus,	mas,	pela	declaração	aberta	da	verdade,	recomendamo-nos	à
consciência	de	todos	diante	dos	olhos	de	Deus”	(2Co	4.2).	Em	vez	de	revelar	o
que	uma	passagem	diz	em	seu	contexto,	na	“…	declaração	aberta	da	verdade…”,
a	busca	pelo	texto	sem	contexto	faz	com	que	a	passagem	diga	qualquer	coisa	que
o	pastor	ou	professor	desejar.
Paulo	exortou	Timóteo	a	“prega[r]	a	palavra…”	(2Tm	4.2).	Essa	“palavra”	é
definida	em	2Timóteo	3.16,17:	“Toda	a	Escritura	é	inspirada	por	Deus	e
proveitosa	para	o	ensino,	a	repreensão,	a	correção	e	a	instrução	na	justiça,	a	fim
de	que	o	homem	de	Deus	seja	completo,	equipado	para	toda	boa	obra”.	Toda	a
Escritura	é	proveitosa	ou	útil.	É	útil	“…	para	o	ensino,	a	repreensão,	a	correção	e
a	instrução…”.	A	tarefa	ordenada	por	Paulo	é	“pregar”,	“proclamar”	ou
“anunciar”	essa	Palavra	útil.
Em	vez	de	pregar	a	útil	e	inspirada	Palavra	de	Deus,	a	abordagem	do	texto
descontextualizado	utiliza	a	Palavra	de	Deus	para	sustentar	os	desejos	do	próprio
pregador.	É	uma	prática	que	bagunça	o	significado	de	uma	passagem	bíblica	e	a
faz	“dizer”	algo	que	ela	não	pretendia	dizer.	Em	vez	de	usar	a	Bíblia	dessa
maneira,	professores	e	pregadores	devem	expor	o	povo	de	Deus	à	Palavra	ao
revelar	com	fidelidade	o	significado	dos	textos.
Nossas	congregações	e	todos	aqueles	que	recebem	nosso	ensino	aprenderão	a
estudar	a	Bíblia,	em	larga	medida,	pela	observação	de	como	nós	a	ensinamos.
Um	ministério	de	ensino	que	se	apoia	na	prática	de	colher	versículos	aleatórios,
fora	de	seu	contexto,	para	servir	aos	caprichos	e	desejos	do	pregador	não	é	um
fundamento	seguro	para	uma	igreja	saudável.
Como,	porém,	a	teologia	bíblica	pode	nos	proteger	da	utilização	de	textos-
prova?	A	teologia	bíblica	guia	o	pregador	para	que	ele	proclame	Cristo	a	partir
de	toda	a	Escritura.	Conhecer	a	grande	história	da	Escritura	ajuda	os	professores
bíblicos	a	proclamar	Cristo	em	cada	parte	da	Bíblia.
Com	frequência,	a	abordagem	que	usa	o	texto	sem	levar	em	conta	o	contexto	é
resultado	da	falha	em	ver	como	toda	a	Bíblia,	especialmente	o	Antigo
Testamento,	está	conectada	com	Jesus.	Às	vezes,	ensinar	a	partir	do	Antigo
Testamento	pode	se	assemelhar	a	ser	observado	enquanto	se	destrincha	um
frango.	É	relativamente	fácil	começar	bem,	mas	não	vai	demorar	até	que	você
tenha	de	tomar	algumas	decisões	difíceis	(sobre	as	quais	todos	têm	uma
opinião),	e	é	muito	fácil	terminar	a	tarefa	com	um	amontoado	de	sobras	que
ninguém	sabe	como	aproveitar.¹	Infelizmente,	muitos	pregadores	e	professores
recorrem	ao	Antigo	Testamento	como	texto-prova,	fora	do	contexto,	em	vez	de
pregar	Cristo	a	partir	dele.
Se	você	não	conhece	toda	a	história	da	Bíblia,	é	provável	que	evite	as	partes	com
as	quais	esteja	menos	familiarizado.	No	entanto,	ter	uma	boa	compreensão	do
enredo	da	Escritura,	que	culmina	em	Jesus	Cristo,	o	tornará	apto	a	pregar	e
ensinar	até	mesmo	a	partir	das	passagens	mais	inexploradas.
Por	exemplo,	como	a	teologia	bíblica	guiaria	o	pregador	que	está	ensinando	o
livro	de	Levítico?	Digamos	que	você	tenha	chegado	aos	capítulos	13—15,	que
tratam	das	leis	para	purificação	dos	leprosos	e	de	outras	impurezas.	Quando	nos
aproximamos	desses	capítulos	com	mais	atenção,	descobrimos	que	eles
compõem	uma	seção	maior,	chamada	com	frequência	de	código	da	pureza	(Lv
11—15),	isto	é,	leis	que	lidam	com	a	distinção	entre	o	puro	e	o	impuro.
Em	linhas	gerais,	o	livro	de	Levítico	pretende	responder	à	questão:	“Como	um
povo	impuro	pode	habitar	na	presença	de	um	Deus	santo?”.	As	ênfases	na	lepra
e	nos	fluidos	corporais	nesses	capítulos	destacam	como	as	impurezas	levam	à
profanação.
Uma	pessoa	doente,	por	exemplo,	deveria	gritar	“…	Impuro!	Impuro!”	(Lv
13.45).	A	impureza	do	leproso	levava	à	profanação,	e	isso	exigia	isolamento	e
exílio.	“Ele	permanecerá	impuro	por	todo	o	tempo	que	tiver	a	doença.	Ele	é
impuro.	Viverá	sozinho.	Sua	morada	deve	ser	fora	do	acampamento”	(Lv	13.46).
Os	israelitas	que	estivessem	ritualmente	impuros	tinham	de	deixar	a	presença	de
Deus	e	sair	do	acampamento.	Ser	mandado	para	fora	do	acampamento	de	Israel
era	estar	temporariamente	separado	de	Deus,	cuja	presença	gloriosa	habitava	no
Tabernáculo.
Os	que	entrassem	em	contato	físico	com	um	leproso	ou	com	alguém	com	alguma
secreção	patológica	também	se	tornariam	impuros	e	deveriam	ser	purificados.	O
Senhor	disse	a	Moisés	que	essas	leis	de	pureza	deveriam	ser	respeitadas	a	fim	de
manter	o	acampamento	como	um	ambiente	santo.	“Assim,	mantereis	o	povo	de
Israel	separado	de	suas	impurezas,	para	que	eles	não	morram	em	sua	impureza
ao	profanar	meu	Tabernáculo	que	está	no	meio	deles”	(Lv	15.31).
Como,	então,	a	teologia	bíblica	nos	ajuda	a	entender	e	pregar	esses	três	capítulos
de	Levítico	com	fidelidade?
Como	veremos	depois,	o	fundamento	da	teologia	bíblica	é	o	estudo	atento	e	em
oração	do	texto	bíblico,	deixando	a	Escritura	interpretar	a	Escritura.	Isso	exige
que	os	pregadores	estudem	a	passagem	detalhadamente	em	seu	contexto	original
e,	então,	que	ampliem	o	foco	para	perceber	como	ela	se	encaixa	na	grande
história	da	Escritura,	que	culmina	em	Jesus.	Depois	de	expor	com	fidelidade	o
significado	desses	capítulos	em	seu	contexto	histórico,	devemos	nos	perguntar:
“O	que	o	enredo	da	Escritura	nos	diz	sobre	Levítico	13—15?”.	Há	várias
conexões	notáveis	registradas	nos	Evangelhos	entre	essas	leis	de	pureza	e	o
ministério	de	Jesus.
Por	exemplo,	é	significativo	que,	ao	entrar	em	contato	físico	com	um	leproso	e
uma	mulher	que	sofria	de	um	fluxo	de	sangue,	Jesus	não	se	tornou	impuro.	Em
vez	disso,	ele	os	santificou.	Lucas	registra	os	dois	encontros:
Enquanto	ele	estava	em	uma	das	cidades,	veio	um	homem	cheio	de	lepra.	E,
quando	ele	viu	Jesus,	caiu	com	o	rosto	em	terra	e	lhe	suplicou:	“Senhor,	se
quiseres,	podes	me	tornar	puro”.	E	Jesus	estendeu	sua	mão	e	o	tocou,	dizendo:
“Eu	quero;	fique	puro”.	Então,	imediatamente,	a	lepra	o	deixou	(Lc	5.12,13).
E	havia	uma	mulher	que	tinha	um	fluxo	de	sangue	por	doze	anos,	e	ainda	que	ela
tivesse	gastado	todos	os	seus	bens	com	os	médicos,	não	podia	ser	curada	por
ninguém.	Ela	veio	por	trás	de	Jesus	e	tocou	a	borda	do	manto	dele,	e
imediatamente	seu	fluxo	de	sangue	cessou	(Lc	8.43,44).
As	duas	passagens	ressaltam	que	Jesus	tocou	ou	foi	tocado	por	pessoas	que
sofriam	de	males	físicos	que	as	baniam	do	convívio	por	causa	de	sua	impureza
ritual.	Ainda	assim,	tocar	um	leproso	não	contaminou	Jesus.	Tocar	uma	mulher
com	um	fluxo	de	sangue	não	contaminou	Jesus.	Como	o	Santo	de	Israel,Jesus
pode	até	mesmo	tornar	puro	o	impuro.	Mas	os	Evangelhos	não	acabam	aqui.
Cada	um	dos	Evangelhos	se	encerra	com	a	morte	e	a	ressurreição	de	Cristo.
Jesus	acabaria	indo	para	a	cruz,	onde	levaria	sobre	si	a	maldição	do	pecado.
Enquanto	estava	na	cruz,	o	próprio	Jesus	sofreu	fora	do	acampamento,
carregando	o	opróbio	de	seu	povo	ao	ser	separado	da	presença	do	Pai	e	sofrendo
na	cruz	a	maldição	do	Deus	todo-poderoso.	Na	cruz,	Jesus	garantiu	a	purificação
definitiva	do	seu	povo.	Como	nos	diz	o	autor	de	Hebreus,	“…	Jesus	também
sofreu	fora	dos	portões	a	fim	de	santificar	o	povo	por	meio	de	seu	próprio
sangue”	(Hb	13.12).
A	teologia	bíblica,	então,	ajuda	o	pregador	ao	guiá-lo	nesse	tipo	de	exposição
evangelística	e	cristocêntrica	de	passagens	como	Levítico	13—15.	Em	vez	de
procurar	textos	de	confirmação,	devemos	nos	esforçar	para	proclamar	Cristo,
com	fidelidade,	a	partir	de	toda	a	Escritura.
Pregar	Jesus	e	não	moralismo
Segundo,	a	teologia	bíblica	tanto	protege	o	pregador	contra	o	moralismo	quanto
o	direciona	a	mostrar	como	Jesus	é	o	Herói	da	história	toda.
A	pregação	impregnada	de	moralismo	apenas	ressalta	as	qualidades	positivas	ou
negativas	do	caráter	de	determinada	figura	bíblica	com	o	propósito	de
proporcionar	uma	mudança	de	comportamento.	O	moralismo	motiva	os	ouvintes
a	melhorar	o	comportamento,	mas	o	faz	minimizando	o	evangelho.	Isso	é	um
problema,	pois,	como	temos	visto,	a	Escritura	não	é	prioritariamente	um
programa	de	mudança	de	comportamento.	As	boas-novas	do	evangelho	não	são
um	autoaperfeiçoamento	moral.	Pastores	e	professores	são	chamados	a
proclamar	Cristo	(Cl	1.28).	Toda	a	Escritura	é	capaz	de	nos	tornar	sábios	para	a
salvação	por	meio	da	fé	em	Cristo	Jesus	(2Tm	3.15).	Assim,	não	importa	qual
passagem	esteja	ensinando,	você	não	terá	terminado	até	que	tenha	deixado	claro
como	essa	passagem	aponta	para	Jesus	e	o	exalta.
A	teologia	bíblica	também	nos	ajuda	a	ensinar	com	fidelidade	um	texto	como
1Samuel	17,	a	história	de	Davi	e	Golias.	Essa	passagem	não	deve	servir
meramente	de	lição	sobre	como	encarar	os	“gigantes”	das	nossas	vidas.	O	foco
principal	da	passagem	não	é	simplesmente	ressaltar	a	coragem	de	Davi.	Para	ser
justo,	Davi	certamente	mostrou	grande	coragem	em	sua	disposição	para
enfrentar	o	poderoso	Golias.	Contudo,	se	nós	ensinarmos	nossas	congregações,
com	base	nessa	passagem,	que	“Davi	foi	realmente	corajoso;	portanto,
precisamos	trabalhar	duro	para	sermos	corajosos	como	ele”,	então,	teremos
falhado	completamente	e	desonrado	Cristo,	que	merece	toda	glória	e	louvor.
A	teologia	bíblica	nos	protege	do	moralismo	ao	nos	afastar	desse	tipo	de
pregação.	Davi	pode	ser	o	herói	dessa	história,	mas	Jesus	é	o	Herói	de	toda	a
história	bíblica.
Com	frequência,	a	Escritura	oferece	indivíduos	como	exemplo.	Hebreus	11
ressalta	heróis	da	fé,	incluindo	Davi	(Hb	11.32-34).	É	verdade,	portanto,	que
Davi	serve	de	exemplo	positivo	para	os	crentes.	Porém,	quando	estudamos
1Samuel	17	com	atenção	e	em	oração,	começamos	a	perceber	que	ali	está
alguém	que	é	maior	que	Davi!	Quando	ampliamos	o	foco	e	posicionamos	essa
passagem	no	enredo	da	Escritura,	começamos	a	descobrir	inúmeras	conexões
impressionantes	com	um	Rei	ainda	maior.
Considere	que	Davi	era	um	rei	ungido	pelo	Espírito	(1Sm	16.13),	da	tribo	de
Judá	(1Sm	16.1;	cf.	Gn	49.10)	e	da	cidade	de	Belém	(1Sm	16.4),	que	por	meio
de	sua	fé	fervorosa	e	relacionamento	com	Deus	(17.26,36,45,46)	agiu
bravamente	(17.48-51)	como	o	campeão	representante	de	seu	povo,	a	fim	de
derrotar	um	inimigo	poderoso	(17.4-7)	e	imputar	os	gloriosos	benefícios	da
vitória	dele	(17.8,9,52-54)	a	um	povo	acovardado,	infiel	e	sem	nenhum
merecimento	(17.24).	Ao	ensinar	essa	passagem	através	das	lentes	da	teologia
bíblica,	somos	capazes	de	ver	como	seus	contornos	canônicos	apontam	para	um
Davi	ainda	maior,	aquele	que	é	filho	de	Davi	e	Senhor	de	Davi	(Lc	20.41-44),	o
campeão	que	representou	definitivamente	o	povo	de	Deus.	Esse	tipo	de	pregação
examina	atentamente	a	passagem	em	si,	mas	também	considera	o	contexto
canônico	que	nos	leva	a	Cristo.
Veja	como	a	teologia	bíblica	também	nos	protege	contra	o	moralismo	na	história
de	Sansão,	em	Juízes	13—16.	A	mensagem	principal	extraída	da	vida	de	Sansão
não	é	como	evitar	relacionamentos	com	não	crentes.	Sansão,	de	modo	tolo,	foi
atrás	de	relacionamentos	pecaminosos	com	mulheres	(14.3;	16.4,5),	incluindo
uma	prostituta	(16.1).	Ao	fazê-lo,	ele	imitou	a	prostituição	espiritual	de	Israel,
que	buscava	esposas	e	deuses	estrangeiros	(Êx	34.15,16;	Dt	7.3,4;	Jz	3.6;	Jr
3.1,2).	Contudo,	se	reduzirmos	o	significado	desse	texto	a	“Sansão	se	envolveu
com	as	mulheres	erradas;	portanto,	não	seja	como	ele”,	então	caímos	no
moralismo.
A	vida	e	a	morte	de	Sansão	constituem	uma	espécie	de	microcosmo	da	gravidade
do	pecado	de	Israel	como	nação.	Os	líderes	depravados	da	nação	representam	a
depravação	da	nação.	O	livro	de	Juízes,	e	particularmente	o	ministério	de
Sansão,	ressalta	a	desesperadora	necessidade	de	um	Rei	bom,	justo	e	santo	(Jz
17.6;	18.1;	19.1;	21.25).
Uma	vez	que	observamos	esse	contexto	específico	do	livro	de	Juízes,	podemos
ampliar	o	foco	e	conectar	a	narrativa	a	respeito	de	Sansão	com	a	história	maior
da	Escritura.	Descobrimos,	então,	que	muitas	alusões	textuais	fornecem
comparações	e	contrastes	evangélicos	entre	Sansão	e	Jesus.	Basta	considerar
que,	na	história	de	Sansão,	um	anjo	anunciou	a	uma	mulher	estéril	que	ela
conceberia	e	daria	à	luz	aquele	que	seria	salvador	de	seu	povo	(2.16,18;	13.1-5).
Esse	salvador	cresceu	em	força	e	o	Senhor	o	abençoou	(Jz	13.24).	O	Espírito	do
Senhor	estava	sobre	ele	e	capacitava	seu	poderoso	ministério	(13.25;	14.6,19;
15.14).	Ainda	assim,	esse	libertador	designado	por	Deus	acabou	sendo	traído,
em	troca	de	prata,	por	alguém	próximo	o	suficiente	para	beijá-lo	(16.5).	Ele	foi
preso	e	levado	à	morte	(16.21),	cercado	por	seus	inimigos	escarnecedores
(16.23-25).	Com	os	braços	estendidos	(16.29),	Sansão	orou	ao	Senhor	por	força
para	se	vingar	de	seus	inimigos	(16.28)	por	meio	de	sua	própria	morte	(16.30).
Essa	oração	final,	contudo,	foi	por	vingança,	não	por	misericórdia	(cf.	Lc	23.34).
A	teologia	bíblica	nos	ajuda	a	ver	como	Jesus,	e	não	Sansão,	deve	ser
proclamado	como	o	salvador,	juiz	e	herói	definitivo	da	Escritura.
Contudo,	o	moralismo	pode	ser	um	problema	também	quando	ensinamos	a	partir
do	Novo	Testamento.	Até	mesmo	em	nosso	ensino	a	partir	dos	Evangelhos,	a
teologia	bíblica	nos	protege	desse	mal	e	nos	leva	a	manter	nossos	olhos	fixos	em
Jesus.
O	Novo	Testamento	começa	com	os	quatro	Evangelhos,	narrativas	históricas	de
um	tipo	particular,	que	não	são	exatamente	biografias	de	Jesus.	Eles	são
intencionalmente	moldados	para	ressaltar	a	vida,	o	ensino,	a	morte	e	a
ressurreição	de	Jesus.	Sinclair	Ferguson	nos	lembra	de	um	princípio	básico	—
mas	não	poucas	vezes	negligenciado	—	que	devemos	manter	fixo	em	nossas
mentes	quando	lemos	Mateus,	Marcos,	Lucas	e	João:	“não	perca	Jesus	de	vista;
mantenha	seus	olhos	fixos	nele”.²
Esse	princípio	nos	protege	de	ler	uma	passagem	e	perguntar	primeiro:	“O	que
essa	passagem	diz	a	meu	respeito?”.	Ou	podemos	ser	tentados	a	perguntar
imediatamente:	“Com	quem	eu	me	pareço	nessa	história?”.	Em	vez	disso,
deveríamos	perguntar	primeiro	e	principalmente:	“O	que	essa	passagem	me	diz
sobre	o	Senhor	Jesus?”.
Como	exemplo,	veja	no	Evangelho	de	Lucas	o	relato	da	tentação	de	Jesus	pelo
Diabo	no	deserto,	logo	no	início	de	seu	ministério	(Lc	4.1-13):
E	Jesus,	cheio	do	Espírito,	retornou	do	Jordão	e	foi	levado	pelo	Espírito	ao
deserto	por	quarenta	dias,	tendo	sido	tentado	pelo	Diabo.	E	ele	não	comeu	nada
durante	esses	dias.	E	quando	os	dias	acabaram,	ele	estava	faminto.	O	Diabo	lhe
disse:	“Se	você	é	o	Filho	de	Deus,	ordene	que	essa	pedra	se	transforme	em	pão”.
E	Jesus	lhe	respondeu:
“Está	escrito:
‘O	homem	não	viverá	somente	de	pão’”.
E	o	Diabo	levou-o	e	mostrou-lhe	em	um	relance	todos	os	reinos	do	mundo,	e
disse:	“A	você	darei	toda	essa	autoridade	e	a	glória	deles,	pois	isso	me	foi	dado,
e	eu	o	darei	a	quem	eu	quiser.	Se	você,	portanto,	me	adorar,	tudo	será	seu”.	E
Jesuslhe	respondeu:
“Está	escrito:
‘Adore	o	Senhor,	o	seu	Deus,
e	somente	a	ele	preste	culto’”.
E	ele	levou	Jesus	a	Jerusalém	e	o	colocou	no	pináculo	do	templo,	e	lhe	disse:
“Se	você	é	o	Filho	de	Deus,	jogue-se	daqui,	pois	está	escrito:
‘Ele	ordenará	aos	seus	anjos	a	seu	respeito,
para	que	o	guardem’,
e
‘Em	suas	mãos	eles	o	sustentarão,
para	que	você	não	tropece	em	nenhuma	pedra’”.
E	Jesus	respondeu-lhe:	“Dito	está:	‘Não	ponha	o	Senhor,	seu	Deus,	à	prova’”.	E
quando	o	Diabo	terminou	todas	as	tentações,	afastou-se	dele	até	um	tempo
oportuno.
A	verdade	principal	ensinada	nessa	passagem	não	é	“Como	lutar	contra	a
tentação	como	Jesus”.	Certamente,	conhecer	a	Escritura	para	que	você	possa
lutar	contra	a	tentação	é	uma	implicação	secundária	desse	texto.	Devemos
guardar	a	Palavra	de	Deus	em	nosso	coração	para	não	pecarmos	contra	Deus
quando	somos	tentados.
Todavia,	se	reduzimos	o	significado	da	passagem	a	“Jesus	foi	tentado;	é	assim
que	ele	lutou	contra	a	tentação;	portanto,	vamos	apenas	ser	como	Jesus”,
perdemos	o	sentido	principal.	Há	mais	coisas	acontecendo	nessa	passagem,	e	a
teologia	bíblica	nos	oferece	as	lentes	para	percebê-las.
No	contexto,	Lucas	já	havia	apresentado	Jesus	como	o	filho	amado	de	Deus.	No
batismo	dele,	“…	uma	voz	veio	do	céu:	‘Tu	és	meu	Filho	amado;	em	ti	me
agrado’”	(Lc	3.22).	Lucas,	então,	registra	a	genealogia	de	Jesus,	que	culmina
com	“…	Adão,	o	filho	de	Deus”	(Lc	3.38).	E	quando	lemos	o	relato	da	tentação,
observamos	que	as	passagens	das	Escrituras	que	Jesus	citou	em	sua	batalha
contra	o	Diabo	estão	todas	conectadas	com	as	provações	de	Israel	no	deserto	(Dt
8.3;	6.13,16).	Israel	foi	chamado	de	“primogênito”	de	Deus	em	Êxodo	4.22;	eles
foram	provados	no	deserto	e	falharam	miseravelmente.
Ao	ampliar	o	foco,	começamos	a	perceber	várias	conexões	entre	a	provação	de
Jesus	e	a	provação	de	Israel	no	deserto,	registrada	em	Deuteronômio	8.2,3:
Lembrem-se	de	todo	o	caminho	pelo	qual	o	SENHOR,	seu	Deus,	os	guiou
durante	quarenta	anos	no	deserto,	para	humilhá-los	e	prová-los,	a	fim	de	saber	o
que	está	no	coração	de	vocês,	se	guardariam	os	mandamentos	dele	ou	não.	E	ele
os	humilhou	e	os	deixou	passar	fome,	e	os	alimentou	com	maná,	que	vocês	não
conheciam,	nem	seus	pais,	para	que	soubessem	que	o	homem	não	vive	de	pão
somente,	mas	o	homem	vive	de	cada	palavra	que	vem	da	boca	do	SENHOR.
Como	a	teologia	bíblica	nos	protege	do	moralismo	e	nos	ajuda	a	ressaltar	Jesus
como	o	Herói	da	Escritura	a	partir	dessa	passagem?	Quando	mantemos	nossos
olhos	em	Jesus,	não	buscamos	ler	sobre	nós	mesmos	nas	passagens.	Lucas	está
ressaltando	como	Jesus	é	diferente	de	Adão	e	de	Israel.	Adão,	o	filho	infiel	de
Deus,	foi	tentado	pela	Serpente	a	desconfiar	de	Deus	e	a	satisfazer	seus	próprios
desejos	(Gn	3.6)	no	Paraíso,	no	jardim	do	Éden	(Gn	3.1).	Adão	foi	infiel	e
falhou.	Jesus,	porém,	foi	fiel	e	não	cedeu	ao	Diabo	(Lc	4.3,4).
Israel,	o	filho	infiel	de	Deus	(Êx	4.22),	atravessou	as	águas	(Êx	14.21-31)	e	foi
imediatamente	conduzido	pelo	Senhor	ao	deserto,	onde	passou	por	provações
por	quarenta	anos	(Dt	8.2).	Israel	foi	infiel	e	falhou.	Por	sua	vez,	Jesus,	o	Filho
fiel	de	Deus,	atravessou	as	águas	(Lc	3.21)	e	foi	imediatamente	levado	pelo
Espírito	Santo	ao	deserto,	onde	foi	provado	por	quarenta	dias	(Lc	4.1,2).
Contudo,	onde	Adão	e	Israel	falharam,	Jesus	permaneceu	fiel.
Sendo	assim,	podemos	dizer	que	Lucas	4.1-13	diz	respeito,	principalmente,	a
como	devemos	lutar	contra	a	tentação?	Ou	essa	passagem	diz	respeito,
principalmente,	a	Jesus,	aquele	que	é	o	Filho	fiel	e	obediente	de	Deus	(Fp	2.8;
Hb	4.14,15;	1Pe	2.22,23)?
A	teologia	bíblica	nos	ajuda	a	perceber	que	todos	nós	temos	sido	infiéis	e
desobedientes,	assim	como	Adão	e	Israel.	Todos	temos	cedido	à	tentação	e	ao
pecado	contra	Deus.	Jesus,	porém,	é	o	Filho	de	Deus	perfeitamente	fiel	e
obediente,	que	é	digno	de	toda	adoração	e	louvor.
Portanto,	nesse	texto,	a	teologia	bíblica	nos	ajuda	a	manter	nossos	olhos	em
Jesus,	o	Herói	da	história.	Em	vez	de	apenas	extrair	aplicações	de	como
podemos	lutar	contra	a	tentação,	descobrimos	ainda	mais	razões	para	glorificá-lo
como	o	Filho	obediente	e	fiel,	que	desde	o	início	de	seu	ministério	suportou	a
tentação	e	não	pecou.	Nós,	assim	como	Adão	e	Israel,	desobedecemos	e
falhamos.	Naquilo,	em	que,	fomos	tentados	e	cedemos	ao	pecado,	Jesus,	o	Filho
de	Deus	obediente	e	amado,	não	cedeu.
De	modo	evidente,	a	teologia	bíblica	molda	o	ministério	de	ensino	da	igreja
local.	Ainda	assim,	deveríamos	perguntar:	Como	fazer	isso?	Como	alguém	põe	a
teologia	bíblica	para	funcionar?
No	restante	deste	capítulo,	vamos	oferecer	uma	visão	geral	de	várias	ferramentas
que	os	professores	de	Bíblia	podem	usar	para	conectar	cada	passagem	com
fidelidade	ao	enredo	principal	da	Escritura.	(Para	ver	como	aplicar	a	teologia
bíblica	a	seis	textos	de	exemplo,	veja	o	apêndice	“Outros	exemplos	bíblico-
teológicos”.)
FERRAMENTAS	E	PASSOS	PARA	PREGAR	CRISTO
As	ferramentas	descritas	a	seguir	dividem-se	em	duas	categorias:	ferramentas	de
estudo	e	ferramentas	de	enredo.	Em	outras	palavras,	algumas	das	ferramentas
lidam	principalmente	com	a	observação,	focando	nossa	interpretação	em
entender	cuidadosamente	um	texto	em	seu	contexto	e	a	intenção	original	do
autor.	Essas	ferramentas	exegéticas	nos	ajudam	a	extrair	o	significado	de	um
texto.	De	certo	modo,	elas	ressaltam	o	autor	humano	e	a	passagem	específica.
Fazer	bom	uso	das	ferramentas	de	estudo	começa	com	a	observação	cuidadosa	e
em	oração	do	texto	bíblico.	É	isso	que	queremos	dizer	com	fechar	o	foco.
Outras	ferramentas	estão	relacionadas	ao	enredo.	Elas	nos	ajudam	a	ver	onde	o
texto	se	encaixa	no	enredo	de	toda	a	Bíblia	e	como	contribui	para	a	culminação
desse	enredo	na	pessoa	e	obra	de	Jesus	Cristo.	De	certo	modo,	a	ênfase	dessas
ferramentas	está	no	autor	divino	e	em	toda	a	Bíblia.	É	isso	que	queremos	dizer
com	ampliar	o	foco.
Ao	“fazer”	teologia	bíblica,	há	pelo	menos	cinco	“lentes	interpretativas”	pelas
quais	podemos	examinar	com	humildade	e	interpretar	corretamente	as
passagens.	Essas	lentes,	como	as	sinalizações	em	uma	estrada,	ajudam-nos	a
ficar	no	caminho	certo.
Para	ajudar,	todas	essas	cinco	lentes	interpretativas	começam	com	a	letra	C:
1.	Contexto	histórico-literário
2.	Contexto	da	aliança
3.	Cânon
4.	Caráter	de	Deus
5.	Cristo
Contexto	histórico-literário
O	primeiro	passo	para	fazer	teologia	bíblica	é	ler	contextualmente.	O	contexto	é
a	primeira	lente	interpretativa	através	da	qual	devemos	examinar	e	entender
qualquer	texto	bíblico.	O	entendimento	de	qualquer	texto	bíblico	se	inicia	com	a
leitura	cuidadosa	do	texto	em	seu	contexto	ao	usar	o	método	histórico-gramatical
de	interpretação.
Esse	método	inclui	dois	contextos	que	são	essenciais	para	entender	os	textos
bíblicos:	o	histórico	e	o	literário.
1.	Contexto	histórico.	O	que	a	passagem	significa	para	o	público	original?	O
significado	primeiro	e	histórico	de	uma	passagem	fornece	o	único	critério
objetivo	que	nos	impede	de	derivar	todo	tipo	de	mensagens	subjetivas	e
arbitrárias	do	texto.	Sempre	que	esse	significado	é	abandonado,	o	controle	sobre
a	interpretação	desaparece,	e	a	Escritura	passa	a	significar	qualquer	coisa	que	o
intérprete	enxergar	nela.
Você	pode	determinar	com	fidelidade	o	contexto	histórico	de	uma	passagem	ao
fazer	perguntas	diversas:
•Quem	foi	o	autor?
•Quem	foi	o	público	original	do	autor?
•Quando	esse	texto	foi	escrito?	Há	qualquer	marcador	histórico	no	próprio	texto
bíblico	que	indica	isso?
•Com	quais	necessidades	de	sua	audiência	o	autor	tenta	lidar?
•Qual	foi	o	significado	pretendido	pelo	autor	para	o	público	original?
Considere,	por	exemplo,	o	valor	do	contexto	histórico	quando	estudar	o	livro	de
Lamentações.	Esses	poemas	de	lamento	foram	escritos	após	a	destruição
babilônica	de	Jerusalém	e	do	templo,	em	586	a.C.	(cf.	Jr	52).	Conhecer	o
contexto	histórico	é	fundamental	para	interpretar	e	aplicar	corretamente	esse
livro.
2.	Contexto	literário.	Uma	vez	que	o	devido	contexto	histórico	foi	estabelecido,
você	está	pronto	para	estudar	o	contexto	literário	da	passagem.	Primeiro
identifiqueque	tipo	de	texto	você	está	interpretando.
No	Antigo	Testamento,	você	precisa	constatar	se	a	passagem	que	você	está
estudando	é	uma	narrativa,	poesia,	profecia,	lei,	literatura	sapiencial	ou	literatura
apocalíptica.	O	Novo	Testamento,	por	sua	vez,	pode	ser	dividido	em	três
gêneros.	Os	Evangelhos	(Mateus,	Marcos,	Lucas	e	João)	são	relatos	históricos	da
vida	de	Jesus.	Cada	um	deles	apresenta	Jesus	como	o	cumprimento	das
promessas	de	Deus	no	Antigo	Testamento	de	enviar	um	salvador	para	seu	povo.
Depois	dos	Evangelhos,	encontramos	a	narrativa	histórica	da	fundação	e
expansão	da	igreja	no	livro	de	Atos.	Tanto	Atos	quanto	os	quatro	Evangelhos	são
um	tipo	de	história.
Na	sequência	desses	livros,	encontramos	as	Epístolas	(ou	Cartas).	Elas	foram
escritas	para	ensinar	aos	cristãos	o	que	significa	seguir	Cristo.
O	último	gênero	do	Novo	Testamento,	a	literatura	apocalíptica,	é	representado
por	um	único	livro:	Apocalipse.	João,	o	autor	do	livro,	apresenta-nos	uma	visão
do	fim	dos	tempos	com	o	intuito	de	preparar	e	encorajar	os	crentes	a	viverem	o
presente	para	Cristo.
Parte	do	que	significa	fazer	o	melhor	para	manejar	corretamente	a	palavra	da
verdade	é	reconhecer	o	gênero	do	livro	e	deixar	que	isso	molde	a	sua	maneira	de
ler,	interpretar	e	aplicar.	Uma	vez	que	você	identificou	o	gênero,	precisará
examinar	como	a	passagem	está	organizada.	Para	começar,	estude	as	palavras	e	a
gramática	da	passagem	em	si.	Procure	por	qualquer	marcador	claro	de	estrutura,
por	palavras	ou	frases	que	se	repetem,	e	tome	nota	do	tom	da	passagem	com
atenção.
Estudar	uma	passagem	no	contexto	exige	que	tenhamos	uma	percepção	clara	do
que	ela	significa	em	seu	contexto	literário	próximo	e	distante.	O	que	está	logo
antes	do	texto?	O	que	vem	logo	depois?	O	contexto	próximo	diz	respeito	ao	que
significa	o	versículo,	a	frase,	o	parágrafo	e	o	capítulo,	e	a	como	eles	se
relacionam	uns	com	os	outros.	O	contexto	distante	diz	respeito	ao	que	a
passagem	significa	à	luz	de	todo	o	livro.
O	contexto	é	o	rei.	Diz-se	que	um	texto	sem	um	contexto	é	um	pretexto	para	o
uso	de	um	texto	descontextualizado.	Portanto,	comece	sempre	olhando	o	texto
através	das	lentes	do	contexto	inspirado	pelo	Espírito	Santo,	tanto	histórico
quanto	literário.
Contexto	da	aliança
Após	analisar	a	passagem	em	seu	contexto	histórico-literário,	agora	você	precisa
fazer	sua	leitura	de	acordo	com	a	aliança.	As	alianças	de	Deus	são	chamadas	de
as	vigas	de	aço	que	sustentam	a	história	cristocêntrica	da	Escritura.	Portanto,	é
importante	observar	qualquer	estrutura	textual	que	marque	os	desenvolvimentos
da	aliança	no	plano	de	Deus.	Depois	de	ter	uma	noção	dos	contextos	histórico	e
literário,	você	precisa	estudar	o	texto	pelas	lentes	da	aliança.	O	plano	de	Deus	de
salvação	é	revelado	progressivamente	por	toda	a	Escritura,	culminando	em	Jesus
Cristo.	O	modo	pelo	qual	Deus	revela	esse	plano	se	desenvolve	como	uma
semente	crescendo	até	se	tornar	uma	árvore.	Reconhecer,	portanto,	em	que	ponto
do	desenvolvimento	da	aliança	a	passagem	que	você	está	estudando	se	encaixa	é
fundamental	para	a	interpretação	adequada.
Como	vimos	no	capítulo	3,	por	toda	a	Bíblia,	começando	no	livro	de	Gênesis,
Deus	estabeleceu	relações	com	pessoas	específicas	e	em	tempos	específicos	por
meio	de	alianças.	Entre	as	alianças	bíblicas,	estão:
•a	adâmica	(Gn	1	e	2;	Os	6.7);
•a	noaica	(Gn	9.8-17);
•a	abraâmica	(Gn	12.1-3;	15.1-21;	17.1-14);
•a	mosaica	(Êx	19—25);
•a	davídica	(2Sm	7);
•e	a	nova	aliança	(Jr	31.27-34;	Ez	36.24-28;	Mt	26.27-30).
Portanto,	quando	você	interpretar	uma	passagem	da	Escritura,	é	preciso
identificar	quais	alianças	governavam	o	povo	de	Deus	naquele	ponto	específico
da	história	bíblica.	Olhe	para	a	passagem	pelas	lentes	da	aliança.	Como	você,	por
exemplo,	interpretaria	e	aplicaria	as	seguintes	passagens	do	Antigo	Testamento?
•as	instruções	a	Noé	sobre	construir	a	arca;
•as	promessas	da	terra	a	Abraão;
•as	leis	alimentares	em	Levítico;
•as	promessas	da	proteção	divina	a	Davi.
Cada	um	desses	textos	está	claramente	relacionado	a	uma	aliança	bíblica.	Saber
em	que	ponto	do	enredo	da	aliança	determinada	passagem	da	Escritura	se
encaixa	é	fundamental	para	entendê-la	e	interpretá-la	corretamente.
Identificar	corretamente	a	aliança	bíblica	que	está	associada	a	qualquer	texto	do
Antigo	Testamento	também	o	ajudará	a	localizar	a	passagem	na	trama	histórico-
redentora	da	Bíblia:
Criação	⇨	Queda	⇨	Redenção	⇨	Nova	criação
Todos	os	eventos	na	Escritura	podem	ser	situados	nessa	trama	histórico-
redentora.	O	enredo	da	aliança	ajuda	você	a	percorrer	esses	eventos	e	localizar
não	apenas	onde	o	texto	se	encaixa,	mas	também	onde	você	está	no	plano
redentor	de	Deus.
Entender	o	contexto	da	aliança	também	é	particularmente	útil	na	aplicação	do
Antigo	Testamento.	Como	você	entenderia	e	aplicaria,	por	exemplo,	Levítico
19.19:	“…	Vocês	não	devem	[…]	vestir	roupas	feitas	de	dois	tipos	de	tecido”?
Não	podemos	aplicar	diretamente	esse	texto	às	nossas	vidas,	pela	simples	razão
de	que	não	vivemos	sob	a	aliança	mosaica	no	que	diz	respeito	ao	vestuário.	Essa
lei	foi	dada	sob	a	aliança	com	Moisés	e	aplicada	a	Israel	com	o	propósito	de
estabelecer	a	nação	como	um	povo	santo	e	separado.	De	modo	mais	amplo,	esse
mandamento	é	parte	de	um	grupo	de	mandamentos	em	Levítico	19	que	chamam
Israel	a	se	conformar	à	santidade	de	Deus	ao	imitar	as	separações	em	sua	criação
e	ao	se	manter	separado	das	práticas	pagãs	das	nações	vizinhas.
Como	crentes,	contudo,	sabemos	que	Cristo	veio	e	cumpriu	perfeitamente	a	lei
mosaica,	bem	como	inaugurou	a	nova	aliança	por	meio	de	sua	morte	sacrificial	e
ressurreição.	Ainda	assim,	a	igreja,	como	Israel,	é	chamada	a	ser	um	povo	santo
assim	como	Deus	é	santo	(1Pe	1.14-16).	Sob	a	nova	aliança,	o	que	nos	distingue
como	povo	escolhido	de	Deus,	um	povo	que	também	é	a	habitação	do	Espírito
Santo,	é	que	estamos	nos	tornando	puros	e	irrepreensíveis	no	meio	de	uma
geração	corrompida	e	perversa.
Quando	você	interpretar	qualquer	texto	bíblico,	portanto,	busque	a	resposta	à
seguinte	pergunta:	Onde	esta	passagem	se	encaixa	no	enredo	bíblico	da	aliança?
Cânon
A	próxima	lente	interpretativa	que	devemos	manter	em	mente	ao	fazer	teologia
bíblica	é	a	do	cânon.	Isso	significa	que	você	sempre	deverá	recordar	o	princípio
de	que	a	Escritura	é	a	melhor	intérprete	de	si	mesma.	Você	precisar	ler	a
passagem	e	procurar	por	conexões	textuais	com	outras	partes	da	Escritura.
O	melhor	meio	de	fazer	essas	conexões	é	usar	uma	Bíblia	com	um	sistema	de
referências	cruzadas.	Na	maioria	das	Bíblias,	as	referências	cruzadas	darão	pistas
de	citações,	alusões	e	conexões	importantes	de	outras	partes	da	Escritura.
Se	você	já	leu	o	Antigo	Testamento	(Gênesis	a	Malaquias),	então	deve	ter	notado
que	o	Antigo	Testamento	está	cheio	de	referências	a	ele	mesmo,	não	é?	O	que
queremos	dizer	é	que	os	autores	de	livros	mais	(cronologicamente)	avançados	do
Antigo	Testamento,	com	frequência,	aludem,	ecoam	ou	remetem	os	leitores	a
alguma	passagem	anterior	no	cânon.	Os	salmos,	por	exemplo,	referem-se	com
frequência	a	acontecimentos	registrados	no	Pentateuco	(veja	Sl	8	e	95).	A	última
parte	do	livro	de	Daniel	(caps.	9—12)	é	uma	visão	de	Daniel	que	ajuda	a
interpretar	uma	profecia	dada	primeiro	a	Jeremias	(Jr	25.1-12;	Dn	9.2).
Portanto,	quando	você	estiver	lendo	qualquer	texto	bíblico,	pergunte	a	si	mesmo:
“Que	conexões	o	autor	faz	com	o	resto	da	Bíblia?”.	Dê	uma	olhada	nas
referências	cruzadas	em	sua	Bíblia	e	use-as	para	compreender	o	que	a	passagem
significa	no	contexto	do	cânon	inteiro.
Mais	que	isso,	quando	você	estiver	interpretando	um	texto	do	Antigo	Testamento
que	é	citado	no	Novo	Testamento,	siga	a	orientação	do	Novo	Testamento	com
segurança.	Pergunte	a	si	mesmo:	“Como	o	entendimento	do	autor	do	Novo
Testamento	a	respeito	dessa	passagem	impacta	minha	própria	interpretação?”.
Ler	canonicamente	exige	uma	leitura	cuidadosa	de	nossa	parte.	Enquanto	a
fazemos,	há	cinco	coisas	que	devemos	procurar:
1.	Temas.	Identifique	de	que	modo	sua	passagem	se	encaixa	nos	principais	temas
bíblicos	que	vão	de	Gênesis	a	Apocalipse.	Temas	comorealeza,	Criação,
sacrifício,	Filho,	fé,	graça	e	glória	ajudarão	você	a	situar	o	seu	texto	em	seu
contexto	canônico	apropriado,	pois	esses	temas	se	estendem	por	todo	o	cânon.
2.	Profecia.	Olhe	pra	trás	e	olhe	pra	frente!	Tenha	em	mente	que	algumas
profecias	terão	vários	níveis	de	cumprimento.	Traçar	as	profecias	do	Antigo
Testamento	até	o	seu	cumprimento	em	Cristo	é	um	ótimo	modo	de	fazer
conexões	canônicas.
3.	Tipologia.	A	tipologia	analisa	os	padrões	na	Escritura.	Esses	padrões	podem
aparecer	em	um	acontecimento,	uma	pessoa	ou	uma	instituição	do	Antigo
Testamento	que	aponta	para	o	futuro	e	encontra	sua	realização	no	Novo
Testamento.	Os	padrões	históricos	da	Escritura	ensinam	verdades	sobre	o	Rei	e
seu	reino.
Adão,	por	exemplo,	foi	um	tipo	de	Cristo:	“No	entanto,	a	morte	reinou	de	Adão
a	Moisés,	mesmo	sobre	aqueles	cujo	pecado	não	foi	como	a	transgressão	de
Adão,	o	qual	era	um	tipo	daquele	que	estava	por	vir”	(Rm	5.14).	Quando	Paulo
descreve	para	a	igreja	de	Corinto	a	peregrinação	de	Israel	no	deserto,	ele	diz:
“Essas	coisas	lhes	aconteceram	como	um	exemplo,	mas	foram	escritas	como
instrução	para	nós,	sobre	quem	o	fim	das	eras	chegou”	(1Co	10.11).	O	cordeiro
da	Páscoa	foi	um	tipo	que	apontava	para	um	Cordeiro	imaculado	ainda	maior,	o
qual	seria	morto	para	resgatar	o	povo	de	Deus	por	meio	de	um	êxodo	ainda
maior	(Êx	12.1-13;	Jo	1.36;	19.36;	1Co	5.7,8;	1Pe	1.19;	Ap	5.6).
Tipologia	não	é	a	mesma	coisa	que	alegoria,	a	qual	faz	conexões	arbitrárias	e
apenas	semânticas	entre	um	símbolo	e	a	coisa	simbolizada.	O	cordão	escarlate,
por	exemplo,	que	foi	estirado	na	muralha	de	Jericó	por	Raabe,	a	prostituta,	não	é
uma	referência	ao	sangue	de	Cristo.	Uma	semelhança	superficial	entre	duas
coisas	na	Escritura	não	faz	disso	um	tipo.	Talvez	o	modo	mais	seguro	de
constatar	um	tipo	seja	permitir	que	os	autores	bíblicos	deem	sua	opinião	ao
enraizar	explicitamente	o	tipo	no	próprio	texto	bíblico.
4.	Promessa	e	cumprimento.	Deus	sempre	é	fiel	às	suas	promessas.	Muitas	das
promessas	de	Deus	no	Antigo	Testamento	se	cumprem	no	Novo.	Para	perceber	o
cumprimento	de	uma	promessa	no	Novo	Testamento,	você	deve	olhar	pra	trás	e
ver	a	promessa	original.	Ela	foi	parcialmente	cumprida	e	aguarda	um
cumprimento	definitivo?	Ou	a	promessa	já	foi	completamente	cumprida?	Esteja
atento	aos	aspectos	que	ressaltam	o	já	e	o	ainda	não	de	algumas	promessas
cumpridas	por	Cristo,	o	Rei.
5.	Continuidade	e	descontinuidade.	O	que	permanece	e	o	que	mudou?	O	autor
ressalta	diferenças	ou	similaridades	na	passagem?	Por	exemplo,	se	você	está
ensinando	Gênesis	17,	capítulo	em	que	Deus	ordena	a	circuncisão	a	Abraão,	o
contexto	canônico	leva	você	a	considerar	a	descontinuidade	encontrada	no	Novo
Testamento	em	uma	passagem	como	Gálatas	6.15:	“Pois	nem	a	circuncisão	vale
para	algo,	nem	a	incircuncisão,	mas	uma	nova	criação”.	O	que	mudou	entre
Gênesis	17	e	Gálatas	6?	O	que	permanece?	Considerar	essas	questões	ajudará
você	a	começar	a	perceber	as	conexões	canônicas	de	modo	mais	claro	e	o
direcionará	para	a	vinda	de	Cristo	como	o	centro	da	história	bíblica.
Caráter	de	Deus
Uma	coisa	que	não	muda	quando	lemos	a	Bíblia	é	o	caráter	de	Deus.	Portanto,
precisamos	ler	teologicamente.	Devemos	perguntar:
•O	que	essa	passagem	revela	sobre	Deus?
•Que	atributos	de	Deus	essa	passagem	ressalta?
•Que	temas	teológicos	se	encontram	nessa	passagem?
•O	que	esses	temas	teológicos	me	ensinam	sobre	Cristo,	o	Rei?
O	Deus	do	Antigo	Testamento	é	o	Deus	do	Novo	Testamento.	O	Deus	e	Pai	de
nosso	Senhor	Jesus	Cristo	é	o	Deus	de	Abraão,	Isaque	e	Jacó.	“Jesus	Cristo	é	o
mesmo	ontem,	hoje	e	para	sempre”	(Hb	13.8).	Devemos,	portanto,	ter	atenção
especial	ao	ler	os	textos	bíblicos	que	falam	de	quem	Deus	é	e	de	como	ele	é.
Pergunte:	“O	que	esse	texto	me	ensina	sobre	o	caráter	de	Deus?”.	Essa	lente	é
incrivelmente	útil	ao	estudar	os	Salmos.	Muito	do	salmo	90,	por	exemplo,	é
apenas	uma	meditação	de	Moisés	a	respeito	do	caráter	imutável	de	Deus.	Deus	é
permanente	e	eterno	(90.2,3);	como	poderoso	Criador,	ele	é	soberano	sobre	a
vida	e	a	morte	(90.2,3,5,6);	ele	é	um	Deus	de	ira	santa	(90.7,8,11);	e	ele	é	um
Deus	de	misericórdia,	compaixão	e	amor	inabalável	(90.13,14),	que	é
gloriosamente	poderoso	e	belo	(90.16,17).	Portanto,	observe	o	caráter	de	Deus	e
maravilhe-se	com	ele.
Cristo
Tudo	o	que	consideramos	até	aqui	culmina	com	essa	lente	interpretativa	final.
Deixamos	o	melhor,	por	assim	dizer,	para	o	final.
Devemos	ler	cristologicamente.	Não	importa	qual	passagem	esteja	ensinando,
você	deve	sempre	se	perguntar	sobre	como	ela	se	relaciona	com	a	pessoa	e	a
obra	de	Cristo.	Cada	vez	que	abrimos	a	Bíblia,	devemos	trabalhar	para	entender
onde	esse	texto	se	encaixa	na	grande	história.	Vimos	que	Jesus	é	o	Herói;
devemos,	portanto,	fazer	perguntas	como:
•O	que	essa	passagem	revela	sobre	Jesus	Cristo,	sua	vida	e	sua	obra?
•Esse	texto	aponta	para	a	primeira	vinda	de	Cristo?
•Ele	prediz	a	volta	de	Cristo?
•Como	o	evangelho	afeta	meu	entendimento	do	texto?
•Como	o	texto	antevê	o	evangelho	ou	reflete	a	respeito	dele?
Como	vimos	no	capítulo	2	(veja	especialmente	a	página	27ss.,	“O	maior	estudo
bíblico	de	todos	os	tempos”),	esse	modo	cristocêntrico	(ou	centrado	em	Cristo)
de	ler	a	Escritura,	particularmente	o	Antigo	Testamento,	foi	ensinado	pelo
próprio	Jesus.
CONCLUSÃO
A	Bíblia	é	a	coisa	mais	valiosa	deste	mundo.	Nela,	você	encontrará	sabedoria
celestial	e	a	mensagem	do	Deus	vivo.	Que	Deus	nos	faça	fiéis	em	aplicar	nossos
corações	para	estudar	a	Palavra	de	Deus,	colocá-la	em	prática	e	ensiná-la	aos
outros	(Ed	7.10).	Se	formos	intérpretes	fiéis	da	Palavra	de	Deus,	ajudaremos
nosso	povo	a	conhecer	e	amar	Jesus	a	partir	de	todas	as	Escrituras.
É	assim	que	a	teologia	bíblica	nos	ajuda.	É	assim	que	a	teologia	bíblica
transforma	o	ministério	de	ensino	da	igreja	local.
Isso,	porém,	não	é	tudo.
1	Essa	analogia	foi	adaptada	de	Andrew	Errington,	como	citado	em	Brian	S.
Rosner,	Paul	and	the	Law:	keeping	the	commandments	of	God,	New	Studies	in
Biblical	Theology	(Downers	Grove:	IVP	Academic,	2013),	p.	25.
2	Sinclair	Ferguson,	From	the	mouth	of	God	(Carlisle:	Banner	of	Truth,	2014),
p.	111.
6
A	TEOLOGIA	BÍBLICA	MOLDA	A	MISSÃO	DA	IGREJA
A	Bíblia	é	um	grande	e	glorioso	livro	inspirado	por	Deus.	O	propósito	deste
pequeno	livro	é	ajudar	você	a	entender	melhor	a	mensagem	principal	da
Escritura.	Isso	é	essencial	porque	perder	de	vista	a	mensagem	principal	da	Bíblia
produz	falsos	evangelhos	e	falsas	igrejas.	Além	disso,	distorce	a	missão	da
igreja.	Talvez	você	se	lembre	de	que	começamos	com	vários	estudos	de	caso,	e
agora	estamos	em	posição	de	avaliar	cada	um	deles	de	acordo	com	o	enredo	da
Escritura	delineado	nos	capítulos	3	e	4.
A	IGREJA	DO	EVANGELHO	DA	PROSPERIDADE
Igrejas	que	abraçam	um	evangelho	da	prosperidade	desonram	Cristo	e	diminuem
a	esperança	cristã.	De	muitos	modos,	Cristo	é	desonrado	por	esse	equívoco
mortal.	Em	vez	de	engrandecer	quem	Jesus	é	e	o	que	ele	fez,	os	proponentes
dessa	visão	herética	fazem	de	Jesus,	bem	como	a	confiança	nele,	o	meio	para	um
fim	mundano.	A	história	da	Escritura	torna	claro	que	o	maior	problema	com	que
os	pecadores	lidam	nesta	vida	não	é	desemprego,	desânimo	ou	câncer;	é	a	eterna
ira	de	um	Deus	bom	e	santo.	“Quem	crê	no	Filho	tem	vida	eterna;	quem	não
obedece	ao	Filho	não	verá	a	vida,	mas	a	ira	de	Deus	permanece	sobre	ele”	(Jo
3.36).
Deus,	o	Pai,	não	enviou	o	seu	filho	amado	ao	mundo	para	nos	tornar	ricos	nesta
vida,	mas	para	nos	reconciliar	com	ele	mesmo	para	sempre.	“…	Cristo	Jesus
veio	ao	mundo	para	salvar	pecadores…”	(1Tm	1.15).
Em	vez	de	anunciar	a	plena	satisfação	em	Jesus,	aquele	em	quem	são
encontrados	todos	os	tesouros	da	sabedoria	e	do	conhecimento	bem	como	todas
as	bênçãos	espirituais	nos	lugares	celestiais	(Ef	1.3;	Cl	2.3),	os	pregadores	do
evangelho	da	prosperidade	fazem	promessas	vazias	de	saúde,	riqueza	e
felicidade.	Eles	dizem	que	os	discípulos	de	Jesus	experimentarão	essas	bênçãos
em	abundância	neste	mundo.
O	Servo	Sofredor,	contudo,	fez	uma	promessa	muito	diferente	aos	seus
seguidores:	“…	Neste	mundo	vocês	terão	aflições…”(Jo	16.33).
A	teologia	bíblica	nos	ajuda	a	entender	que	Jesus	Cristo	deve	ser	fielmente
proclamado	como	o	fim,	o	propósito	e	a	mensagem	central	da	Escritura,	uma	vez
que	“…	todas	as	promessas	de	Deus	encontram	o	seu	sim	nele…”	(2Co	1.20).
Jesus	é	o	Herói,	que	nenhum	de	nós	é.
Como	a	semente	de	Abraão,	Jesus	Cristo	é	aquele	em	quem	Deus	cumpre	as
promessas	feitas	a	Abraão.	Paulo	nos	diz:	“As	promessas	foram	feitas	a	Abraão	e
ao	seu	descendente.	Não	diz	‘e	aos	seus	descendentes’,	referindo-se	a	muitos,
mas	referindo-se	a	um,	‘ao	seu	descendente’,	que	é	Cristo”	(Gl	3.16).	Jesus
Cristo,	a	semente	de	Abraão,	veio	para	criar	um	povo	de	todas	as	nações	para
seu	próprio	louvor	por	meio	de	sua	vida,	morte	e	ressurreição.	Além	disso,	ele	dá
o	seu	Espírito	Santo	a	todos	os	que	confiam	nele	como	o	penhor	e	o	selo	de	uma
herança	futura	prometida	(Ef	1.13,14).	Portanto,	não	é	a	incrível	força	de	nossa
fé,	mas	a	incrível	graça	de	nosso	Salvador	que	nos	assegura	essas	bênçãos.
Distorcer	isso	desonra	Jesus.
A	esperança	cristã	também	é	enfraquecida	pelo	evangelho	da	prosperidade	e
pelas	igrejas	locais	que	o	ensinam.	A	teologia	bíblica	nos	ajuda	a	entender	que	os
crentes	em	Jesus	vivem	nesta	era	como	aqueles	“…	sobre	quem	o	fim	das	eras
chegou”	(1Co	10.11).	Os	cristãos	vivem	entre	os	tempos,	na	tensão	entre	o	já	e	o
ainda	não.	Cristo	já	veio,	mas	ele	ainda	não	veio	novamente	para	estabelecer	por
completo	o	seu	reino	eterno.	Jesus	já	derrotou	a	morte	há	dois	mil	anos	pela	sua
morte	expiatória	e	pela	ressurreição	e	ascensão	triunfantes,	mas	ainda	estamos
esperando	o	dia	quando	não	haverá	mais	morte	(Ap	21.4).
Portanto,	uma	espera	sóbria	deve	caracterizar	a	postura	dos	servos	de	Cristo	que
anseiam	pelo	retorno	do	Mestre	(1Pe	1.14).	Essa	esperança	bíblica	nos	ajuda	a
enxergar	para	além	da	mentira	dos	pregadores	do	evangelho	da	prosperidade	e
das	igrejas	que	estão	prometendo	a	melhor	vida	agora.
A	melhor	vida	dos	crentes	não	é	agora.	Nossa	melhor	vida	chegará	quando	nossa
esperança	abençoada	aparecer.	Essa	esperança	não	é	encontrada	na	segurança
financeira	ou	em	um	atestado	de	saúde	de	um	médico.	Ela	não	é	encontrada	em
um	carro	novo	ou	em	uma	promoção	no	trabalho.
Nossa	esperança	abençoada	não	é	nada	menos	do	que	“…	o	aparecimento	da
glória	de	nosso	grande	Deus	e	Salvador	Jesus	Cristo,	que	se	entregou	por	nós
para	nos	redimir	de	toda	transgressão	e	para	purificar	para	si	um	povo	para	sua
posse	exclusiva	e	que	é	zeloso	por	boas	obras”	(Tt	2.13,14).
Sofremos	neste	mundo	caído,	esperando	pela	glória	que	será	revelada.
Lembramo-nos	disso	no	capítulo	4,	quando	dissemos:	“Os	crentes	sofrem	agora,
mas	serão	glorificados	em	Cristo	quando	ele	voltar.	Essa	gloriosa	esperança,
mesmo	em	meio	às	difíceis	provações	e	perseguições,	inspira	vidas	de	entrega	e
obediência	ao	nosso	Senhor	e	Rei”	(veja	a	página	73ss.,	“O	rei	reina”).	Quando
examinada	pela	teologia	bíblica,	a	esperança	do	evangelho	da	prosperidade	se
mostra	infrutífera.	A	esperança	dos	cristãos	está	em	Cristo,	e	essa	esperança
encontra	seu	cumprimento	quando	os	crentes	finalmente	estiverem	com	Cristo,
cuja	presença	é	plena	de	alegria	e	prazeres	eternos.¹
A	IGREJA	DO	EVANGELHO	CIVIL
Com	frequência,	os	cristãos	citam	“…	preciosas	e	grandiosas	promessas…”	(2Pe
1.4)	da	Bíblia	apenas	para	aplicá-las	da	maneira	errada.	Uma	dessas
interpretações	grosseiras	da	Escritura	ocorre	nas	igrejas	que	existem	para
proclamar	o	evangelho	civil,	uma	mensagem	preocupada	principalmente	com
“Deus	e	o	país”.	Essa	má	interpretação	das	promessas	da	Bíblia	se	origina	na
falha	em	entender	como	as	alianças	da	Bíblia	culminam	em	Cristo	e	em	sua
igreja.	E	essa	distorção	do	significado	da	Escritura	resulta	em	uma	distorção	da
missão	da	igreja.
Como	a	teologia	bíblica	nos	protege	do	evangelho	civil?	Veja,	por	exemplo,	a
muito	citada	promessa	de	2Crônicas	7.14.	Sabemos	de	cristãos	que	aplicam	essa
promessa	diretamente	aos	Estados	Unidos	da	América,	dando	pouca	atenção	ao
contexto	próximo	e	ao	contexto	distante	da	passagem	bíblica.	Salomão,	o	filho
de	Davi	e	rei	de	Israel,	acabara	de	concluir	o	projeto	de	edificação	do	templo:
“…	Tudo	o	que	Salomão	havia	planejado	fazer	na	casa	do	SENHOR	e	em	sua
própria	casa	ele	cumpriu	com	êxito”	(2Cr	7.11).	O	Senhor	apareceu	a	Salomão
durante	a	noite	e	conversou	com	ele	(2Cr	7.12).	Então,	lemos	o	que	se	sucedeu:
Quando	eu	fechar	os	céus	para	que	não	haja	chuvas,	ou	ordenar	que	os
gafanhotos	devorem	a	terra,	ou	enviar	a	peste	entre	meu	povo,	se	meu	povo	que
é	chamado	pelo	meu	nome	se	humilhar,	orar	e	buscar	minha	face,	e	se	converter
de	seus	caminhos	de	impiedade,	então	eu	os	ouvirei	do	céu	e	perdoarei	o	seu
pecado	e	curarei	a	terra	(2Cr	7.13,14).
Um	indício	de	que	essa	promessa	condicional	é	dada	por	Deus	apenas	para	o	seu
antigo	povo,	Israel,	é	encontrado	no	versículo	13.	O	rei	Salomão	havia
mencionado	o	mesmo	juízo	temporal	divino	pelo	pecado	de	Israel	(a	seca,	a
destruição	das	plantações	e	as	doenças	mortais)	em	sua	oração	de	dedicação	do
Templo	de	Jerusalém	(2Cr	6.26,28).	O	leitor	atento	do	Antigo	Testamento
também	reconhecerá	esse	conjunto	de	maldições	na	lista	de	advertências	de
Deus	dadas	a	Israel	antes	mesmo	de	os	israelitas	entrarem	na	Terra	Prometida
(Dt	28.20-24).
Deus	fez	muitas	promessas	e	advertências	ao	seu	antigo	povo,	condicionadas	à
obediência.	Se	Israel	confiasse	no	Senhor	e	fielmente	obedecesse	à	sua	voz,
então	as	bênçãos	de	Deus	alcançariam	a	nação.	Mas,	se	o	povo	agisse	com
incredulidade	e	falhasse	em	obedecer	à	sua	boa	palavra,	o	resultado	seria	juízo	e
Exílio	(Dt	28.63,64).	Apesar	dos	claros	alertas	de	Deus	a	Moisés,	Davi	e
Salomão,	Israel	pecou	gravemente	e,	em	certo	momento,	o	reino	se	dividiu,	o
templo	foi	destruído	e	o	povo	de	Deus	foi	exilado,	assim	como	Deus	havia
prometido.
Anteriormente,	observamos	o	papel	de	Israel	na	manifestação	do	plano	de
salvação	de	Deus.	Dissemos	no	capítulo	3:
Israel,	que	Deus	chamou	de	seu	primogênito	(Êx	4.22),	deveria	ser	um	tipo	de
representante	sacerdotal	ao	mundo,	assim	como	Adão.	Veja	o	que	o	Senhor	disse
a	eles:	“…	se	vocês	verdadeiramente	obedecerem	a	minha	voz	e	guardarem
minha	aliança,	serão	minha	propriedade	preciosa	entre	todos	os	povos,	pois	toda
a	terra	é	minha;	e	vocês	serão	para	mim	um	reino	de	sacerdotes	e	uma	nação
santa…”	(Êx	19.5-6).	Deus	pretendia	que	a	santidade	de	Israel	refletisse	a
santidade	de	seu	Rei:	“…	Vocês	serão	santos,	pois	eu,	o	SENHOR	seu	Deus,	sou
santo”	(Lv	19.2).	Ao	confiar	nas	boas	palavras	de	Deus	e	obedecer	a	elas,	Israel
seria	um	povo	único,	que	manifestaria	a	sabedoria	de	seu	Rei	a	todos	os	povos
da	terra.	Ao	guardar	e	praticar	os	mandamentos	do	Rei,	o	povo	de	Israel
manifestaria	a	sabedoria	de	Deus	a	um	mundo	atento	(Dt	4.4-6)	(veja	a	p.	46	ss.,
“O	rei	ordena”).
À	medida	que	a	história	bíblica	se	desenvolveu,	percebemos	que,	onde	Israel
falhou,	Jesus,	a	verdadeira	semente	de	Abraão,	provou	ser	o	fiel	Filho	de	Deus.
Ele	redimiu	um	povo	para	si	mesmo.	E	este	povo,	a	sua	igreja,	inclui	tanto
judeus	quanto	gentios,	unidos	pela	fé	no	evangelho	de	Cristo.	A	igreja	de	Deus
manifesta	para	o	céu	sua	multiforme	sabedoria	(Ef	3.10)	e	declara	para	o	mundo
seu	incomparável	valor.	O	apóstolo	Pedro	descreve	a	igreja	como
…	uma	raça	eleita,	um	sacerdócio	real,	uma	nação	santa,	um	povo	para	sua
propriedade	exclusiva,	a	fim	de	que	vocês	possam	proclamar	as	excelências
daquele	que	os	chamou	das	trevas	para	sua	maravilhosa	luz.	Antes,	vocês	não
eram	povo,	mas	agora	são	o	povo	de	Deus;	antes,	vocês	não	tinham	recebido
misericórdia,	mas	agora	receberam	misericórdia	(1Pe	2.9,10).
A	teologia	bíblica,	portanto,	ajuda-nos	a	entender	que	nem	os	Estados	Unidos
nem	qualquer	outra	nação	de	hoje	é	a	nação	santa	de	Deus.	Esse	título	cabe
exclusivamente	à	igreja.	Os	Estados	Unidos	não	são	uma	cidade	sobre	um
monte;	a	igreja	é	essa	cidade.
Isso	protege	a	igreja	contra	a	ideia	enganosa	de	que	sua	missão	é	promover	a
cura	dos	Estados	Unidos	ou	de	qualquer	nação	da	qual	os	cristãos	sejam	parte.
Em	vez	disso,	os	seguidores	de	Cristo	buscam	ser	uma	bênção	para	todas	as
nações	aoproclamar	as	boas-novas	(At	8.4)	e	ao	viver	como	servos	de	Deus
(1Pe	1.13-17),	não	importando	onde	eles	estejam	estabelecidos	pela	soberania	de
Deus	(At	17.26).
A	IGREJA	DO	SOPÃO
Manter	em	vista	toda	a	história	da	Escritura	pode	ajudar	as	igrejas	a	ressaltarem
o	que	Deus	enfatiza	no	que	diz	respeito	à	missão	da	igreja.	No	capítulo	1,	vimos
o	exemplo	da	“Igreja	do	Sopão”	(p.	24s.).	Por	que	seria	errado	alimentar	o
faminto,	cuidar	dos	sem-teto	ou	ministrar	aos	pobres?	Os	que	creem	em	Cristo
não	deveriam	buscar	amenizar	o	sofrimento	dos	que	estão	ao	seu	redor	e	buscar
fazer	o	bem	ao	seu	próximo	quando	e	onde	eles	puderem?
É	claro	que	sim!	E	as	igrejas	locais	podem	priorizar	esses	tipos	de	ministérios	de
misericórdia	e	mobilizar	os	membros	para	atenderem	a	essas	necessidades.	O
ministério	de	misericórdia	é	uma	bela	oportunidade	de	satisfazer	as	necessidades
imediatas	ao	mesmo	tempo	que	aponta	aos	pecadores	o	remédio	para	a
necessidade	mais	imediata	de	todas:	a	necessidade	de	serem	feitos	justos	diante
de	nosso	santo	Criador	por	meio	da	fé	em	Jesus	Cristo.
Vimos	isto	no	capítulo	4:
Contudo,	aqueles	que	se	recusam	a	obedecer	à	convocação	mundial	de	Cristo
para	o	arrependimento	enfrentarão	um	terrível	julgamento	“…	quando	o	Senhor
Jesus	se	revelar	do	céu	com	seus	poderosos	anjos	em	fogo	ardente,	infligindo
vingança	contra	os	que	não	conhecem	a	Deus	e	contra	os	que	não	obedecem	ao
evangelho	de	nosso	Senhor	Jesus”	(2Ts	1.7,8).	Quando	o	Rei	retornar,	a	rebelião
universal	contra	seu	reino	bom,	justo	e	santo	será	esmagada.	Jesus	declara	que,
para	“…	os	covardes,	os	incrédulos,	os	abomináveis,	assim	como	os	assassinos,
os	sexualmente	imorais,	os	feiticeiros,	os	idólatras	e	todos	os	mentirosos,	a
porção	deles	será	no	lago	que	queima	com	fogo	e	enxofre,	que	é	a	segunda
morte”	(Ap	21.8;	veja	21.6-8)	(veja	p.	79,	“O	rei	retorna”).
A	teologia	bíblica,	portanto,	pressiona-nos	a	avaliar	os	ministérios	de
misericórdia	das	igrejas	de	hoje	à	luz	do	último	dia.	Quando	alimentamos	o
faminto	e	vestimos	o	que	está	nu,	certamente	queremos	ouvir	do	Rei	naquele	dia:
“…	Verdadeiramente	eu	digo	a	vocês	que	do	mesmo	modo	que	fizerem	a	um	dos
menores	dos	meus	irmãos,	vocês	fizeram	a	mim”	(Mt	25.40).
Contudo,	também	queremos	nos	assegurar	de	que	nossas	igrejas	não	apenas
distribuem	sopão.	Somos	chamados	a	dar	gratuitamente	algo	que	pode	sustentar
e	satisfazer	por	toda	a	eternidade.
…	O	homem	não	viverá	somente	de	pão,
mas	de	cada	palavra	que	vem	da	boca	de	Deus.	(Mt	4.4)
Por	mais	maravilhosos	que	sejam	os	ministérios	de	misericórdia,	esses	esforços
que	honram	a	Cristo	não	podem	substituir	e	não	deveriam	diminuir	a	primazia	da
proclamação	do	evangelho	na	missão	da	igreja.	Apenas	o	evangelho	é	o	poder	de
Deus	para	a	salvação	de	todo	o	que	crê	(Rm	1.16).	E	apenas	o	evangelho	pode
afastar	a	horrível	ameaça	do	sofrimento	eterno.
A	teologia	bíblica	ajuda	a	igreja	a	manter	sempre	em	vista	essa	séria	realidade.
A	IGREJA	DA	IMORALIDADE	DECLARADA
A	Escritura	exorta	os	crentes	a	lutarem	insistentemente	pela	santidade,	sem	a
qual	não	veremos	o	Senhor	(Hb	12.14).	Contudo,	infelizmente,	hoje	muitas
igrejas	ao	redor	do	mundo	estão	insistentemente	afirmando	e	aprovando	ações
que	a	Palavra	de	Deus	condena	como	pecaminosas	(Rm	1.32;	1Co	6.9,10).
Em	vez	de	conformar-se	a	este	mundo,	o	povo	de	Deus	é	chamado	a	ser
transformado	pela	renovação	de	sua	mente	(Rm	12.2).	A	igreja	de	Jesus	Cristo	é
advertida:	“Não	amem	o	mundo	ou	as	coisas	do	mundo.	Se	alguém	ama	o
mundo,	o	amor	do	Pai	não	está	nele”	(1Jo	2.15).	Ainda	assim,	existem	muitas
igrejas	afirmadoras	da	imoralidade	que	parecem	estar	preocupadas
principalmente	em	receber	a	carinhosa	aprovação	do	mundo.
A	teologia	bíblica	nos	ajuda	a	lembrar	que	a	missão	da	igreja	sempre	estará	em
desacordo	com	o	mundo.	A	igreja	de	Jesus	Cristo	consiste	em	arrependimento,
em	crentes	batizados	em	Jesus	Cristo	que	foram	perdoados	de	todos	os	seus
pecados	e	lavados	no	sangue	do	Cordeiro	(Rm	6.1-4).	Ao	declarar	lealdade	ao
Rei	Jesus	por	meio	da	fé	no	evangelho,	os	crentes	enfrentam	a	oposição	do
mundo,	da	carne	e	do	Diabo.	Isso	significa	que	a	missão	da	igreja	não	será	fácil.
Fomos	lembrados	dessa	realidade	anteriormente,	no	capítulo	4:
A	missão	que	Jesus	deu	às	suas	igrejas	é	difícil	e	dispendiosa.	Segui-lo	em	fé	e
obediência	certamente	acarretará	grande	perseguição	e	sofrimento	pela	causa	do
evangelho.	Entretanto,	assim	como	os	que	creem	aguardam	ansiosamente	na
esperança	da	volta	de	Jesus,	assim	também	eles	olham	para	trás	e	se	lembram	de
que	aquele	que	agora	é	ressurreto	e	exaltado	nas	alturas	também	foi	o	servo	que
sofreu	e	morreu.
Jesus	disse	aos	seus	seguidores:	“Bem-aventurados	são	vocês	quando	outros	os
insultarem	e	os	perseguirem	e	proferirem	todo	tipo	de	maldade	contra	vocês	por
minha	causa.	Alegrem-se	e	exultem,	pois	a	recompensa	de	vocês	é	grande	no
céu,	pois	assim	também	perseguiram	os	profetas	que	vieram	antes	de	vocês”	(Mt
5.11-12).	Paulo	mais	tarde	escreveria:	“De	fato,	todos	os	que	desejam	viver	uma
vida	piedosa	em	Cristo	Jesus	serão	perseguidos”	(2Tm	3.12).	Os	que	creem
sofrem	em	um	mundo	caído,	assim	como	todas	as	pessoas.	Contudo,
diferentemente	dos	que	ainda	estão	em	seus	pecados,	os	seguidores	do	Rei	Jesus
têm	a	promessa	de	sofrimentos	adicionais	por	terem	de	enfrentar	a	inimizade	de
um	mundo	que	odeia	o	Senhor	e	que	se	opõe	ao	seu	povo.	(veja	p.	73ss.,	“O	rei
reina”).
Portanto,	a	finalidade	da	missão	da	igreja	não	é	assegurar	o	efêmero	aplauso
deste	mundo,	mas,	em	vez	disso,	ser	a	razão	de	grande	alegria	no	céu	(Lc
15.7,10).	Quando	o	céu	se	alegra?	Jesus	disse:	“Digo	a	vocês,	há	alegria	na
presença	dos	anjos	de	Deus	por	um	pecador	que	se	arrepende”	(Lc	15.10).
Arrependimento	significa	se	afastar	do	pecado,	em	virtude	da	misericórdia	de
Deus	em	Jesus.	Assim,	em	amor	e	humildade,	a	igreja	de	Cristo	se	posiciona
contra	o	mundo	pelo	bem	do	mundo,	convocando-o	a	abandonar	seus	pecados	e
a	crer	somente	em	Jesus	Cristo,	pois	ele	é	o	caminho,	a	verdade	e	a	vida,	e
ninguém	vai	ao	Pai	a	não	ser	por	meio	dele	(Jo	14.6).	A	primeira	exigência	de
Jesus	ao	mundo	foi	um	supremo	chamado	ao	arrependimento:	“…	O	tempo	se
cumpriu	e	o	reino	de	Deus	está	próximo;	arrependam-se	e	creiam	no	evangelho”
(Mc	1.15).	Cristo	veio	a	este	mundo	para	salvar	pecadores	e	para	chamá-los	ao
arrependimento.	“Eu	não	vim	chamar	os	justos…”,	disse	Jesus,	“…	mas
pecadores	ao	arrependimento”	(Lc	5.32).
Não	é	surpresa,	portanto,	que	ao	receber	o	Espírito	de	Cristo	no	Pentecostes,	a
reação	de	Pedro	e	do	restante	da	nascente	igreja	em	Jerusalém	foi	chamar	os
pecadores	ao	arrependimento	e	à	fé	(At	2.37-41;	veja	também	3.19;	8.22;	26.20).
Deus	agora	“…	ordena	a	todas	as	pessoas,	em	todos	os	lugares,	que	se
arrependam”	(At	17.30).	Como	embaixadores	de	Cristo,	rogamos	ao	mundo	em
nome	de	Cristo:	“…	reconciliem-se	com	Deus”	(2Co	5.20).
As	igrejas	locais	são	postos	avançados	e	embaixadas	do	evangelho.	Nossa
missão	deve	priorizar	a	proclamação	do	evangelho	e	chamar	pecadores	ao
arrependimento,	lembrando	com	humildade	que	nós	mesmos	somos	salvos
somente	pela	graça.	“E	assim	eram	alguns	de	vocês.	Mas	vocês	foram	lavados,
santificados,	justificados	no	nome	do	Senhor	Jesus	Cristo	e	pelo	Espírito	de
nosso	Deus”	(1Co	6.11).
A	CONEXÃO	ENTRE	A	TEOLOGIA	BÍBLICA	E	A	MISSÃO
Como	você	pode	perceber,	o	modo	pelo	qual	você	vê	o	enredo	da	Escritura	afeta
drasticamente	seu	modo	de	ver	a	missão	da	igreja.	Essa	é	uma	observação
importante,	pois	tem	impacto	na	forma	de	sua	igreja	pregar	a	Palavra	(veja	o
capítulo	5),	na	verba	da	igreja,	na	descrição	de	trabalho	do	seu	pastor	e	em	como
os	membros	da	igreja	são	exortados	a	viver	toda	semana.
Pensemos	novamente	sobre	o	enredo	que	vimos	nos	capítulos	3	e	4.	Com	base
nesse	enredo,	qual	você	diria	que	é	a	missão	da	igreja?	Podemos	responder	isso
de	dois	modos,	considerando	dois	momentos	diferentes	da	vida	da	igreja:	quando
a	igreja	se	reúne	e	quando	a	igreja	se	espalha.	Qual	é,	portanto,	a	missão	da
igreja?	Jesus	disse:
…	Toda	a	autoridade	no	céu	e	na	terra	me	foi	dada.	Vão,	portanto,e	façam
discípulos	de	todas	as	nações,	batizando-os	em	nome	do	Pai,	do	Filho	e	do
Espírito	Santo,	ensinando-os	a	observarem	tudo	o	que	ordenei	a	vocês.	E	eu
estou	com	vocês	para	sempre,	até	o	fim	dos	tempos.	(Mt	28.18-20).
Assim,	na	Grande	Comissão,	Jesus	chama	seus	discípulos	a	fazerem	discípulos	e
a	serem	discípulos.²
Em	primeiro	lugar	e	acima	de	tudo,	nossa	missão	é	fazer	discípulos.	Quando	a
igreja	está	reunida,	precisamos	priorizar	o	ministério	de	fazer	discípulos.
Quando	a	igreja	se	reúne,	a	assembleia	do	povo	de	Deus	está	centrada	na	Palavra
de	Deus.	Lemos	a	Palavra,	pregamos	a	Palavra,	oramos	a	Palavra,	cantamos	a
Palavra,	e	“vemos”	a	Palavra	nas	ordenanças	do	batismo	e	da	ceia	do	Senhor.³
Quando	nos	reunimos,	queremos	destacar	a	proclamação	de	Cristo	a	partir	de
toda	a	Escritura,	pois	“a	fé	vem	pelo	ouvir,	e	o	ouvir	pela	palavra	de	Cristo”	(Rm
10.17).	O	pastor	busca
equipar	os	santos	para	a	obra	do	ministério,	para	edificar	o	corpo	de	Cristo,	até
que	todos	nós	alcancemos	a	unidade	na	fé	e	no	conhecimento	do	Filho	de	Deus,
a	maturidade	perfeita,	a	medida	de	estatura	da	plenitude	de	Cristo,	para	que	não
sejamos	mais	crianças,	jogados	de	um	lado	para	outro	por	ondas	e	levados	por
todo	vento	de	doutrina,	pela	astúcia	humana,	pela	sua	esperteza	em	esquemas
enganosos	(Ef	4.12-14).
Quando	a	igreja	se	reúne,	precisamos	levar	a	membresia	da	igreja	a	sério.	Isso
implicará	em	obedecer	cuidadosamente	às	ordenanças	de	Cristo	relacionadas	ao
batismo	e	à	ceia	do	Senhor.	A	prática	fiel	das	ordenanças	bíblicas	está
intimamente	relacionada	à	responsabilidade	da	congregação	de	receber
membros,	assim	como	à	prática	da	disciplina	da	igreja	(Mt	18.15-17;	1Co	5.1-
13).	A	igreja	reunida,	distinta,	santa	e	separada	do	mundo,	manifesta	um	amor
sobrenatural	de	uns	pelos	outros,	alimentado	pelo	evangelho;	amor	que,	pela
graça	de	Deus,	conquista	o	mundo.	“Nisto	todas	as	pessoas	saberão	que	vocês
são	meus	discípulos,	se	amarem	uns	aos	outros”	(Jo	13.35).
Nossa	missão	é	fazer	discípulos	de	nosso	Rei	ressurreto,	por	meio	de	seu
evangelho	e	no	poder	de	seu	Espírito,	para	a	glória	de	Deus,	o	Pai.
Segundo,	nossa	missão	é	ser	discípulos.	É	isso	que	somos	chamados	a	fazer	toda
semana,	tanto	individualmente	quanto	com	outros	membros	da	igreja.
Quando	a	igreja	se	espalha,	buscamos	ser	discípulos	de	Jesus	que	propagam	a
mensagem	salvadora	de	sua	graça,	onde	quer	que	formos,	pois	“…	todo	aquele
que	invocar	o	nome	do	Senhor	será	salvo”	(Rm	10.13).	Oramos	ao	Senhor	para
que	resgate	nossa	família	perdida,	amigos,	vizinhos	e	colegas	de	trabalho	(Rm
10.1).	Compartilhamos	ousada	e	humildemente	a	palavra	da	verdade,	o
evangelho	de	nossa	salvação,	pois,	novamente,	“…	a	fé	vem	pelo	ouvir,	e	o	ouvir
pela	palavra	de	Cristo”	(Rm	10.17),	e	porque	somente	o	evangelho	é	“…	o	poder
de	Deus	para	a	salvação	de	todo	aquele	que	crê…”	(Rm	1.16).
Quando	a	igreja	se	espalha,	cumprimos	nossas	diversas	vocações	como	forma	de
honrar	ao	nosso	Rei.	Isso	significa	buscar	amar	o	Senhor	e	amar	nosso	próximo
em	cada	esfera	de	nossa	vida.	Ser	um	discípulo	do	Rei	significa	que,	onde	você
esteja,	estará	vivendo	para	a	glória	dele	e	trabalhando	para	ele.	“O	que	quer	que
vocês	fizerem,	trabalhem	de	coração,	como	para	o	Senhor	e	não	para	os	homens,
sabendo	que	do	Senhor	receberão	a	herança	como	recompensa.	Vocês	estão
servindo	o	Senhor	Cristo”	(Cl	3.23,24).	Esses	esforços	não	são	feitos	em
isolamento,	mas	como	parte	da	comunhão	e	da	comunidade	da	igreja	local.
Buscar	ser	discípulo	de	Cristo	significa	reconhecer	a	importância	da	família,	mas
sem	torná-la	um	ídolo.	Significa	abordar	as	questões	da	justiça	e	da	política	de
um	modo	fiel	e	criterioso,	a	fim	de	não	vincular	a	consciência	de	irmãos	e	irmãs
em	Cristo	a	questões	partidárias	e	estratégicas.
Em	todas	as	situações,	ser	discípulo	significa	buscar	glorificar	a	Deus	ao	fazer	o
bem,	com	o	objetivo	de	honrar	a	Cristo	em	tudo.	Pedro	escreve:
Mantenham	honrável	sua	conduta	entre	os	gentios,	para	que,	quando	eles
falarem	contra	vocês	como	malfeitores,	possam	ver	suas	boas	ações	e
glorifiquem	a	Deus	no	dia	da	visitação.
Sujeitem-se	por	causa	do	Senhor	a	toda	instituição	humana,	seja	ao	imperador
como	supremo,	seja	aos	governadores	como	enviados	por	ele	para	punir	os	que
praticam	o	mal	e	elogiar	os	que	fazem	o	bem.	Pois	esta	é	a	vontade	de	Deus,	que,
ao	fazer	o	bem,	vocês	possam	silenciar	a	ignorância	dos	tolos.	Vivam	como
pessoas	livres,	não	usando	a	liberdade	de	vocês	como	um	pretexto	para	o	mal,
mas	vivendo	como	servos	de	Deus.	Honrem	a	todos.	Amem	os	irmãos.	Temam	a
Deus.	Honrem	o	imperador	(1Pe	2.12-17).
Assim,	a	igreja	de	Cristo,	unida	e	espalhada,	busca	fazer	discípulos	e	ser
discípulos	até	que	ele	venha	e	a	terra	seja	cheia	do	conhecimento	de	sua	glória.
1	Para	um	tratamento	mais	completo	dos	erros	fatais	do	evangelho	da
prosperidade,	veja	David	W.	Jones;	Russell	S.	Woodbridge,	Health,	wealth,	and
hapiness:	how	the	prosperity	gospel	overshadows	the	gospel	of	Christ	(Grand
Rapids:	Kregel,	2011,	2017).
2	Para	um	tratamento	mais	completo	desse	paradigma,	veja	Jonathan	Leeman,
“The	soteriological	mission”,	in:	Jason	S.	Sexton,	org.,	Four	views	on	the
church’s	mission	(Grand	Rapids:	Zondervan,	2017).
3	Veja	Mark	Dever;	Paul	Alexander,	The	deliberate	church:	building	your
ministry	on	the	gospel	(Wheaton:	Crossway,	2005),	p.	81-6	[edição	em
português:	Deliberadamente	igreja,	tradução	de	Francisco	Wellington	Ferreira
(São	José	dos	Campos:	Fiel,	2008)].
CONCLUSÃO
Podemos	deixar	de	notar	o	que	é	gloriosamente	belo	mesmo	quando	está	bem
diante	de	nossos	olhos.
Em	12	de	janeiro	de	2007,	um	homem	surgiu	da	estação	de	metrô	na	praça
L’Enfant,	em	Washington,	DC,	e	se	colocou	próximo	a	uma	lixeira.	O	jovem
vestia	uma	camiseta,	uma	calça	jeans	e	um	boné	de	beisebol.	Ele	pegou	um
violino	de	uma	pequena	maleta	e	então	a	colocou	aberta	em	frente	dele,
encarando	o	tráfego	de	pedestres.	O	homem,	então,	começou	a	tocar.
Era	7h51	da	manhã	de	uma	sexta-feira,	bem	no	horário	de	pico.	Pelos	43
minutos	seguintes,	o	homem	executou	seis	peças	clássicas,	enquanto	cerca	de
1.100	pessoas	passavam	por	ele.	Será	que	alguma	dessas	pessoas	parou	para
apreciar	a	música?
O	violinista	de	pé	diante	da	parede	do	metrô	não	fazia	uma	performance	de	rua
comum.	Seu	nome	é	Joshua	Bell,	um	dos	melhores	músicos	clássicos	no	mundo.
Já	era	um	prodígio	musical	aos	4	anos	de	idade,	e	agora	é	aclamado	como
virtuose.	Bell	embala	salas	de	concerto	ao	redor	do	mundo.	A	música	que	tocava
naquela	manhã	estava	longe	de	ser	comum.
Por	43	minutos,	Bell	tocou	obras-primas	que	perduram	por	séculos,	algumas	das
músicas	mais	sofisticadas	já	escritas.	E	tocou	essas	lindas	músicas	em	um	dos
violinos	mais	valiosos	já	feito.	O	violino	de	Bell	é	um	Stradivarius,	feito	à	mão
em	1713,	valendo	cerca	de	3,5	milhões	de	dólares.
Naquela	sexta-feira	de	2007,	se	essas	mais	de	mil	pessoas	tivessem	olhos	para
ver	e	ouvidos	para	ouvir,	apreciariam,	de	camarote,	a	performance	de	um	dos
músicos	mais	famosos	do	mundo.	Um	privilégio	surpreendente.	E,	mesmo
assim,	apenas	algumas	daquelas	pessoas	pararam	naquela	manhã	para	ouvir	e
apreciar	a	gloriosa	música	de	Bell.¹
Todos	podemos	nos	identificar	com	isso.	As	agitações	da	vida,	que	nos	apressam
para	concluir	a	próxima	tarefa	e	nos	deixam	constantemente	ocupados	até	não
aguentarmos	mais,	têm	um	efeito	indesejado	de	nos	cegar	para	o	que	é	realmente
importante,	belo	e	precioso,	mesmo	se	acontecer	bem	diante	de	nossos	olhos.	A
vida	neste	mundo	caído	pode	facilmente	blindar	nossos	corações	e	nos	impedir
de	sentir	admiração	e	profundo	respeito,	mesmo	quando	temos	o	privilégio	de
contemplar	algo	que	é	verdadeiramente	maravilhoso,	impressionante	e
gloriosamente	belo.
Eu	(Nick)	algumas	vezes	experimento	isso	ao	ler	a	Bíblia.	Talvez	você	também
experimente.	Ainda	que	eu	saiba	que	a	Palavra	de	Deus	é	mais	agradável	que	o
mel	e	mais	preciosa	que	o	ouro	(Sl	19.10),	na	prática,	luto	com	frequência	para
crer	que	isso	se	aplica	para	mim.	Perco	de	vista	a	glória	que	está	bem	diante	de
mim.	Falho	em	parar	e,	pacientemente,	ouvirem	oração	a	sinfonia	das
Escrituras.
Ainda	assim,	temos	a	humilde	esperança	(essa	também	foi	a	nossa	oração	a
Deus)	de	que,	enquanto	lia	este	livro,	você	tenha	provado	e	visto	algo	do
maravilhoso,	espantoso	e	profundo	privilégio	de	ser	capaz	de	conhecer	e	amar
Jesus	Cristo	tal	como	ele	se	revelou	em	todas	as	Sagradas	Escrituras.	Esperamos,
e	oramos	por	isto,	que	você	entenda	de	modo	mais	completo	por	que	a	teologia
bíblica	é	tão	maravilhosa.	Jesus	Cristo	é	a	fonte	da	qual	todas	as	bênçãos	fluem,
e	a	teologia	bíblica	é	o	mapa	que	ajuda	a	nos	guiar	na	Escritura	para	essa	fonte
ininterrupta.	Aos	poucos,	o	Espírito	Santo	nos	ajuda	a	ver	como	o	glorioso	mapa
da	Escritura	nos	guia	ao	nosso	Rei	ressurreto	e	reinante,	e	ao	seu	plano	de
redimir	para	a	sua	própria	glória	e	louvor	um	povo	comprado	com	sangue.
Assim	como	os	discípulos	na	estrada	de	Emaús,	oramos	e	esperamos	que	nossas
mentes	e	nossos	olhos	sejam	completamente	abertos	(Lc	24.31,45)	para
reconhecer	Jesus	em	toda	a	Escritura,	a	fim	de	que	todos	nós	possamos	amá-lo
plenamente,	com	todo	o	nosso	coração,	a	partir	de	toda	a	Escritura	(Lc	24.32).
Nosso	Rei	não	merece	nada	menos	que	isso.
O	apóstolo	Pedro	escreveu	em	sua	primeira	carta:
A	respeito	dessa	salvação,	os	profetas	que	profetizaram	sobre	a	graça	que	seria
de	vocês	examinaram	e	investigaram	cuidadosamente,	indagando	que	pessoa	ou
época	o	Espírito	de	Cristo	neles	estava	indicando	ao	predizer	os	sofrimentos	de
Cristo	e	as	glórias	subsequentes.	A	eles	foi	revelado	que	estavam	servindo	não	a
si	mesmos,	mas	a	vocês,	nas	coisas	que	agora	lhes	foram	anunciadas	por	meio
dos	que	pregaram	as	boas-novas	pelo	Espírito	Santo	enviado	do	céu,	coisas	que
os	anjos	anseiam	observar	(1Pe	1.10-12).
A	gloriosa	salvação	que	temos	em	Cristo	foi	profetizada	e	prevista	pelos	profetas
de	Deus	no	Antigo	Testamento,	e	é	agora	objeto	do	intenso	desejo	dos	anjos	de
Deus.	Pense	sobre	a	posição	privilegiada	que	temos	em	Cristo!	E	então,	pelo
Espírito	de	Deus,	continue	a	se	humilhar	e	a	buscar	em	oração	a	bela	Palavra
dele	a	fim	de	descobrir	ainda	mais	das	riquezas	de	sua	gloriosa	graça	em	Jesus.
1	Gene	Weingarten,	“Pearls	before	breakfast”,	Washington	Post	Magazine,
April,	8,	2007.	Disponível	em:
https://www.washingtonpost.com/lifestyle/magazine/pearls-before-breakfast-
can-one-of-the-nations-great-musicians-cut-through-the-fog-of-a-dc-rush-hour-
lets-find-out/2014/09/23/8a6d46da-4331-11e4-b47c-f5889e061e5f_story.html?
noredirect=on&utm_term=.f7fd8cc90580;	acesso	em:	14	de	maio	de	2018.
APÊNDICE
OUTROS	EXEMPLOS	BÍBLICO-TEOLÓGICOS
Quando	eu	(Nick)	estou	aprendendo	algo	novo,	sempre	digo:	“Por	favor,	mostre-
me	como	se	faz;	não	adianta	apenas	me	falar”.	Você	encontrará	adiante	uma
coleção	de	exemplos	de	teologia	bíblica,	extraídos	de	diversos	gêneros	bíblicos.
Depois	de	situar	brevemente	cada	passagem	em	seu	contexto,	mostrarei	como	a
teologia	bíblica	ajuda	a	esclarecer	a	passagem	de	modo	cristocêntrico.
Primeiro	examinaremos	três	textos	do	Antigo	Testamento	e	depois	três	do	Novo
Testamento,	para	perceber	como	eles	podem	ser	lidos	e	entendidos	através	das
lentes	da	teologia	bíblica.
“VOCÊS	SERÃO	ABENÇOADOS	NA	CIDADE…”	(DT	28.1-6)
Vimos	que	um	texto	sem	contexto	é	um	pretexto	para	buscar	confirmação.	Em
outras	palavras,	se	interpretamos	um	texto	da	Escritura	sem	o	seu	contexto,
podemos	fazê-lo	dizer	algo	que	ele	não	queria	dizer	realmente.
Por	exemplo,	observe	estes	versículos	do	final	de	Deuteronômio:
E	se	vocês	obedecerem	fielmente	à	voz	do	SENHOR	seu	Deus,	tendo	o	cuidado
de	praticar	todos	os	seus	mandamentos	que	eu	lhes	ordeno	hoje,	o	SENHOR	seu
Deus	os	exaltará	acima	das	nações	da	terra.	E	todas	essas	bênçãos	virão	sobre
vocês	e	os	alcançarão,	se	obedecerem	à	voz	do	SENHOR	seu	Deus.	Vocês	serão
abençoados	na	cidade,	e	serão	abençoados	no	campo.	Bendito	será	o	fruto	de	seu
ventre,	o	fruto	de	seu	solo,	o	fruto	de	seu	gado	e	as	crias	de	suas	vacas	e	ovelhas.
Benditos	serão	o	seu	cesto	e	a	sua	vasilha	de	amassar	pão.	Benditos	serão	vocês
quando	entrarem	e	quando	saírem	(Dt	28.1-6).
Os	mestres	do	evangelho	da	prosperidade	deturpam	o	sentido	dessa	passagem	ao
dizerem	algo	do	tipo:	“Deus	promete	bênçãos	a	você!	O	Senhor	promete	exaltá-
lo.	Ele	promete	que	bênçãos	o	alcançarão.	Promete	que	você	será	abençoado	em
sua	cidade	e	em	seu	trabalho.	Promete	que	seus	filhos	serão	abençoados	e	sua
colheita,	seu	gado	e	seu	rebanho	também	serão	abençoados.	Tudo	o	que	você
precisa	fazer	é	obedecer	fielmente	ao	Senhor	e	aos	seus	mandamentos,	e,	então,
você	será	abençoado	de	todas	as	maneiras:	social,	fisica	e	financeiramente!	Você
pode	ter	essa	vida	abençoada	agora.	Basta	obedecer	ao	Senhor”.
Vale	observar	que	essa	passagem	claramente	faz	uma	ligação	indissociável	entre
a	obediência	e	a	bênção.	Sem	obediência,	sem	bênção.	Contudo,	à	medida	que	a
história	de	Israel	se	desenrola,	torna-se	óbvio	que	eles	não	obedeceram	ao
Senhor.	Basta	ler	o	restante	do	livro	de	Deuteronômio.	Qualquer	pregador	que
enxergue	um	evangelho	da	prosperidade	nessa	passagem	perdeu	de	vista	tanto	o
contexto	da	passagem	quanto	o	enredo	da	Bíblia.
Como	a	teologia	bíblica	nos	ajuda	a	interpretar	essa	passagem	com	fidelidade?
Vamos	começar	considerando	o	contexto	da	aliança	dessa	passagem.	Em
Deuteronômio	28,	Moisés	incumbe	Israel	de	obedecer	à	palavra	de	Deus	por
causa	da	aliança	que	Deus	fez	no	monte	Sinai.	Moisés	expõe	diante	deles	tanto
as	gloriosas	bênçãos	da	obediência	(28.1-14)	quanto	as	horríveis	maldições	da
desobediência	(28.15-68).
Observe	como	Moisés	passa	muito	mais	tempo	expondo	as	maldições	do	que	as
bênçãos.	Isso	nos	diz	que	o	próprio	Moisés	não	estava	confiante	de	que	Israel
obedeceria	ao	Senhor	depois	de	sua	morte,	e	muito	menos	depois	de	Josué	levá-
los	à	Terra	Prometida.	Na	verdade,	quando	Moisés	viu	o	futuro	próximo	de
Israel,	ele	viu	desobediência,	idolatria	e	exílio,	e	não	fidelidade,	bênçãos	e
prosperidade.
Israel	já	não	obedecia	ao	Senhor	enquanto	Moisés	ainda	estava	vivo.	Por	que
isso	mudaria	depois	de	sua	morte?	Até	mesmo	o	Senhor	disse	a	Moisés	que
Israel	logo	quebraria,	por	meio	de	desobediência	e	idolatria,	a	aliança	feita	com
eles	no	Sinai:	“E	o	SENHOR	disse	a	Moisés:	‘Eis	que	você	está	prestes	a
descansar	com	seus	pais.	Esse	povo,	então,	vai	se	levantar	e	se	prostituir	com	os
deuses	estrangeiros	entre	eles	na	terra	em	que	estão	entrando,	e	eles	esquecerão
de	mim	e	quebrarão	a	minha	aliança	que	fiz	com	eles	(Dt	31.16;	veja	também	Dt
31.24-29).
O	contexto	dessa	passagem	nos	ensina	claramente	que	os	israelitas	não
obedeceriam	nem	conseguiriam	ser	obedientes	à	aliança	de	Deus.
Tampouco	nós	podemos.	Como	eles,	merecemos	as	maldições	de	Deus,	não	as
suas	bênçãos.	A	lei	de	Deus	exige	perfeita	obediência,	mas	as	intenções	do
coração	dos	israelitas,	bem	como	as	de	nosso	próprio	coração,	são	pecaminosas	e
inclinadas	para	o	mal	(Gn	6.5;	8.21;	Dt	31.21).	Nossa	única	esperança	de	bênção
é	por	meio	de	alguém	que	obedeça	perfeitamente	onde	todos	nós	caímos,	por
meio	de	alguém	que	suporte	as	maldições	que	nós	merecemos	por	causa	da
nossa	desobediência,	por	meio	de	alguém	que	nos	dê	novos	corações	que
obedeçam	e	atendam	aos	mandamentos	de	Deus.
Moisés	entendeu	que	o	povo	de	Deus	precisava	desesperadamente	de	uma	nova
aliança.	E	é	precisamente	disso	que	Deuteronômio	29	e	30	tratam!	Moisés	viu	o
futuro	distante	em	esperança:	“E	o	SENHOR	seu	Deus	circuncidará	o	coração	de
vocês	e	o	coração	de	sua	descendência,	para	que	amem	o	SENHOR	seu	Deus
com	todo	o	coração	e	com	toda	a	alma,	para	que	possam	viver”	(Dt	30.6;	veja	Jr
31.33;	32.39,40;	Ez	11.19;	36.26,27;	Cl	2.11).	No	futuro,	Deus	estabeleceria	uma
nova	aliança	com	o	seu	povo.
Mas	espere:	há	ainda	mais	boas	notícias!	Alguém	viria,	um	profeta	como	Moisés
(Dt	18.15,18;	Lc	7.16),	que	obedeceria	a	Deus	perfeitamente	com	todo	o	seu
coração,	alma,	mente	e	força;	que	cumpriria	a	lei	(Mt	5.17);	que	asseguraria	as
bênçãos	da	nova	aliança	para	o	seu	povo	(Lc	22.20).	Seu	nome	é	Jesus.
Contudo,	a	fim	de	trazer	essas	bênçãos	a	seu	povo,	ele	teve	de	carregar	suas
maldições.	Paulo	cita	Deuteronômio27.26	em	sua	Carta	aos	Gálatas:	“Pois	todos
os	que	confiam	nas	obras	da	lei	estão	sob	maldição;	pois	está	escrito:	‘Maldito
seja	todo	o	que	não	permanece	em	todas	as	coisas	escritas	no	Livro	da	Lei	e	as
pratica’”	(Gl	3.10).
Portanto,	diz	Paulo,	Jesus	Cristo,	o	justo,	foi	condenado	em	nosso	lugar	na	cruz:
“Cristo	nos	redimiu	da	maldição	da	lei	ao	se	tornar	maldição	por	nós,	pois	está
escrito:	‘Maldito	é	todo	aquele	que	for	pendurado	em	um	madeiro’,	para	que	em
Cristo	Jesus	a	bênção	de	Abraão	chegasse	aos	gentios,	para	que	recebêssemos
pela	fé	o	Espírito	prometido”	(Gl	3.13,14).
O	evangelho	da	prosperidade	e	outras	mensagens	falsas	fazem	com	que	toda	a
Bíblia	seja	sobre	nós,	quando,	na	verdade,	ela	é	inteiramente	sobre	Jesus.
“…	DEUS	ESTÁ	ASSENTADO	EM	SEU	SANTO	TRONO”	(SL	47.8)
Nos	capítulos	3	e	4,	vimos	o	proeminente	tema	do	reino	de	Deus	por	toda	a
Escritura.	Veja,	por	exemplo,	o	seguinte	versículo	de	Salmos:
Deus	reina	sobre	as	nações;
Deus	está	assentado	em	seu	santo	trono	(Sl	47.8).
O	salmo	47	é	uma	convocação	ao	mundo,	a	“…	todos	os	povos…”,	para
alegremente	louvar	ao	Senhor	(Sl	47.1).	Por	quê?
Pois	o	SENHOR,	o	Altíssimo,	deve	ser	temido,
o	grande	rei	sobre	toda	a	terra	(Sl	47.2).
Toda	a	terra	deve	louvar	ao	Senhor	porque	somente	ele	é	o	grande	rei	sobre	toda
a	terra.	Encontramos	a	mesma	construção	em	Salmos	47.6,7.	O	versículo	6	é
uma	convocação	a	cantar	louvores	a	Deus,	e	o	versículo	7	apresenta	a	razão	para
isso:	“Pois	Deus	é	o	Rei	de	toda	a	terra…”.
Isso	nos	leva	ao	versículo	8:
Deus	reina	sobre	as	nações;
Deus	está	assentado	em	seu	santo	trono.
Esse	versículo	ensina	que	Deus	governa	todas	as	nações.	Apesar	de	sua	rebeldia,
Deus	reina	sobre	elas.	O	Santo	de	Israel	está	assentado	sobre	seu	santo	trono.
Deus	reina.	O	seu	governo	universal	é	um	dos	principais	temas	de	Salmos.	Na
verdade,	seções	inteiras	repetem	o	refrão	maravilhoso:	“o	SENHOR	reina!”
(veja	Sl	93.1;	97.1;	99.1).
O	SENHOR	é	o	grande	Deus,
e	o	grande	Rei	sobre	todos	os	deuses	(Sl	95.3).
Se	ampliarmos	um	pouco	o	foco,	percebemos	como	o	tema	do	reino	de	Deus
ressalta	o	problema	do	pecado.	De	Gênesis	3	em	diante,	a	Escritura	conta	a	triste
história	de	nações	se	rebelando	contra	Deus;	elas	não	louvam	o	Senhor	como
Rei.	Essa	rebelião	mundial	foi	claramente	manifestada	no	arrogante	plano	de
construir	a	Torre	de	Babel	(Gn	11.1-9):	“Então	eles	disseram:	‘Venham,	vamos
construir	uma	cidade	e	uma	torre	que	alcance	os	céus,	e	vamos	fazer	um	nome
para	nós,	a	fim	de	que	não	sejamos	espalhados	pela	face	de	toda	a	terra”	(Gn
11.4).	Deus	frustrou	os	esforços	pecaminosos	em	Babel	e,	em	vez	disso,
escolheu	Abrão,	prometendo	fazer	um	nome	para	si	mesmo	por	meio	dele	(Gn
12.1-3).	Em	consequência	disso,	todas	as	nações	da	terra	seriam	abençoadas	por
meio	da	família	de	Abrão	(Gn	17.4-6;	22.17,18).
De	modo	interessante,	o	salmo	47	faz	alusão	à	promessa	dada	a	Abrão	(Abraão)
em	seu	último	versículo:
Os	príncipes	dos	povos	se	reúnem
como	o	povo	do	Deus	de	Abraão.
Pois	os	escudos	da	terra	pertencem	a	Deus;
ele	é	soberanamente	exaltado	(Sl	47.9)!
Esse	salmo	aponta	para	um	dia	em	que	as	nações	reconhecerão	o	Deus	de	Israel
como	o	grande	rei	de	todas	as	nações.	Mais	que	isso,	as	próprias	nações,	aqui
representadas	por	“…	príncipes	dos	povos…”,	vão	se	reunir	como	“…	o	povo	do
Deus	de	Abraão…”.
O	livro	de	Salmos	começa	com	reis	se	enfurecendo	contra	Deus	e	contra	o	seu
ungido	(Sl	2.1,3).	Contudo,	Salmos	47.8,9	fala	a	respeito	de	um	dia	em	que	os
líderes	das	nações	adorarão	e	honrarão	ao	Senhor,	aquele	que	está	assentado	em
seu	trono.
E	é	precisamente	isso	que	encontramos	na	conclusão	da	Escritura,	na	visão	do
trono	de	Deus	em	Apocalipse	4	e	5.	João	vê	o	trono	de	Deus	no	céu,	o	trono	do
Santo,	o	Senhor	Deus	todo-poderoso,	“…	que	era,	é	e	há	de	vir”	(Ap	4.8).	Em
Apocalipse	5,	então,	João	escuta	uma	nova	canção	sobre	o	Leão	e	o	Cordeiro,
que	se	assenta	sobre	o	trono.	Ele	é	digno	de	louvor.	Por	quê?
…	pois	foste	morto	e	pelo	teu	sangue	resgataste	um	povo	para	Deus
de	toda	tribo,	língua,	povo	e	nação	(Ap	5.9).
A	adoração	das	nações	foi	comprada	pelo	sangue	do	Cordeiro,	que	reina	e	se
assenta	no	trono.
Qual	é,	portanto,	a	resposta	do	povo	a	tão	magnífico	ato	do	Altíssimo?
E	eu	ouvi	todas	as	criaturas	no	céu	e	na	terra,	e	debaixo	da	terra,	e	no	oceano,	e
tudo	o	que	nele	há,	dizendo:
“A	ele,	que	está	assentado	no	trono,	e	ao	Cordeiro
sejam	a	bênção,	a	honra,	a	glória	e	o	poder	para	sempre
e	sempre!”	(Ap	5.13).
Um	dia,	todas	as	nações	“…	aclamarão	a	Deus	com	cânticos	de	alegria”	(Sl
47.1),	por	causa	do	Cordeiro	que	foi	morto	em	favor	delas.	O	Cordeiro	de	Deus,
que	reina	e	se	assenta	no	trono	de	Deus,	receberá	a	recompensa	de	seu
sofrimento:	eterno	louvor	de	todos	os	povos,	adoração	jubilosa	de	todas	as
nações.
“MEU	FILHO,	SE	VOCÊ	ACEITAR	MINHAS	PALAVRAS…”	(PV	2.1-6)
Algumas	partes	do	Antigo	Testamento	parecem	mais	fáceis	de	conectar	a	Cristo
do	que	outras.	Podemos	achar	mais	fácil,	por	exemplo,	fazer	isso	com	uma
profecia	sobre	a	vinda	do	Messias	do	que	com	um	capítulo	de	Provérbios.
De	que	modo,	então,	os	livros	de	Sabedoria	conectam-se	a	Cristo?	Vamos
examinar	brevemente	Provérbios	2.1-6:
Meu	filho,	se	você	aceitar	minhas	palavras
e	entesourar	meus	mandamentos,
fazendo	o	seu	ouvido	atento	à	sabedoria
e	inclinando	o	seu	coração	ao	entendimento;
sim,	se	você	clamar	por	discernimento
e	levantar	sua	voz	por	entendimento,
se	você	buscar	isso	como	se	busca	prata,
e	procurar	por	isso	como	um	tesouro	escondido,
então	entenderá	o	temor	ao	SENHOR
e	encontrará	o	conhecimento	de	Deus.
Pois	o	SENHOR	dá	sabedoria;
da	boca	dele	vem	o	conhecimento	e	o	entendimento.
A	ideia	principal	desses	versículos	parece	ser	que,	se	você	buscar	sabedoria
diligentemente,	Deus	lhe	dará.	De	acordo	com	essa	passagem,	“sabedoria”	é
paralela	a	“…	conhecimento	e	entendimento”	(2.6),	“…	temor	do	SENHOR…”
e	“conhecimento	de	Deus”	(2.5).	Em	outras	palavras,	Provérbios	2.1-6	está
elaborando	o	que	foi	dito	em	Provérbios	1.7:	“O	temor	do	SENHOR	é	o	começo
do	conhecimento…”.	A	sabedoria	—	o	temor	do	Senhor	—	é	encontrada	quando
se	busca	intensamente	e	se	dá	ouvidos	às	“palavras”,	“mandamentos”	e
“discernimentos”	do	pai.
Vamos	ampliar	o	foco	e	considerar	em	que	ponto	do	enredo	da	Bíblia	esse
provérbio	se	situa.	Em	Provérbios	1.1,	descobrimos	que	o	rei	Salomão	escreveu
ao	menos	a	seção	de	abertura	do	livro.	Salomão,	filho	de	Davi,	foi	ungido	rei
sobre	Israel.	Deus	havia	prometido	a	Davi	que	um	filho	dele	intermediaria	o
governo	de	Deus	sobre	a	nação,	e,	por	meio	desta,	Deus	exerceria	seu	governo
sobre	as	nações	do	mundo.	As	nações	deveriam	buscar	Israel,	guiado	por	um	rei
sábio	que	meditava	na	Palavra	de	Deus	dia	e	noite	(Dt	17.18-20),	e	contemplar
um	povo	sábio	e	com	discernimento	(Dt	4.6).
Portanto,	em	Provérbios	vemos	Deus	usando	seu	filho	especialmente	designado,
o	rei	Salomão,	para	guiar	outros	filhos	no	caminho	da	sabedoria.	Veja	Provérbios
1.8:
Escute,	meu	filho,	a	instrução	de	seu	pai,
e	não	esqueça	o	ensinamento	de	sua	mãe.
Essa	sabedoria	paterna	é	encontrada	em	Provérbios	2.1-6,	que	começa	com
“Meu	filho…”.	Como,	porém,	essa	passagem	aponta	para	Cristo?
Primeiro,	nossa	passagem	aponta	para	Cristo	em	virtude	de	sua	autoria.
Salomão,	um	filho	de	Davi,	aponta	para	o	verdadeiro	filho	de	Davi	que	ainda
estava	por	vir.
Segundo,	considere	o	tema	bíblico	da	sabedoria	e	como	essa	qualidade
caracterizaria	a	vinda	do	Rei	da	linhagem	de	Davi.	Salomão,	é	claro,	era	bem
conhecido	por	sua	sabedoria.	“E	Deus	deu	a	Salomão	sabedoria	e	entendimento
extraordinários,	e	conhecimento	vasto	como	a	areia	do	mar,	de	modo	que	a
sabedoria	de	Salomão	ultrapassava	a	sabedoria	de	todos	os	povos	do	oriente	e
toda	a	sabedoria	do	Egito”	(1Rs	4.29,30).
O	Messias	prometido	também	seria	um	Filho	sábio,	cuja	sabedoria	ultrapassaria
até	mesmo	a	de	Salomão.	Esse	Filho	é	descrito	como	aquele	em	quem	o	Espírito
de	sabedoria	e	entendimento	repousaria:
Brotará	um	ramo	do	tronco	de	Jessé,
e	um	galho	de	suas	raízes	frutificará.
E	o	Espírito	do	SENHOR	repousará	nele,o	Espírito	de	sabedoria	e	entendimento,
o	Espírito	de	conselho	e	poder,
o	Espírito	de	conhecimento	e	o	temor	do	SENHOR
(Is	11.1,2;	veja	também	Is	50.4,5).
Quando,	então,	vamos	para	o	Novo	Testamento,	encontramos	descrições	de
Jesus	como	um	jovem	cheio	de	sabedoria:	“E	a	criança	crescia	e	se	tornava	forte,
cheia	de	sabedoria…”	(Lc	2.40).	Jesus	ansiava	por	estar	na	casa	do	seu	Pai	(Lc
2.49).	Posteriormente,	ele	tornaria	explícita	a	comparação	entre	ele	mesmo	e
Salomão	ao	dizer:	“A	rainha	do	sul	se	levantará	no	juízo	com	essa	geração	e	a
condenará,	pois	ela	veio	dos	confins	da	terra	para	ouvir	a	sabedoria	de	Salomão,
e	aqui	está	alguém	maior	do	que	Salomão”	(Mt	12.42;	veja	também	Lc	11.31).
Depois	que	Jesus	ensinou	na	sinagoga,	as	pessoas	reagiram	dizendo:	“…	Onde
esse	homem	obteve	essa	sabedoria	e	como	realiza	essas	obras	poderosas?”	(Mt
13.54).	O	apóstolo	Paulo	nos	diz	que	Cristo	é	tanto	o	poder	de	Deus	quanto	a
sabedoria	de	Deus	(1Co	1.24),	aquele	em	que	estão	ocultos	“…	todos	os	tesouros
da	sabedoria	e	do	conhecimento”	(Cl	2.3).
Todo	o	livro	de	Provérbios,	portanto,	deve	ser	lido	com	o	entendimento	que
apenas	a	teologia	bíblica	pode	trazer:	Jesus	cumpre	tanto	a	descendência	de
Salomão	quanto	a	sabedoria	de	Salomão.	Isso	se	evidencia	por	meio	da
passagem	que	lemos	porque	vimos	no	Novo	Testamento	o	menino	Jesus
buscando	essa	sabedoria	do	Pai	celestial:	“Depois	de	três	dias	o	encontraram	no
templo,	sentado	entre	os	mestres,	ouvindo-os	e	lhes	fazendo	perguntas.	E	todos
que	o	ouviam	ficavam	maravilhados	com	seu	entendimento	e	suas	respostas”	(Lc
2.46,47).	Até	mesmo	os	mestres	da	lei	ficaram	maravilhados	com	o
entendimento	desse	garoto	de	doze	anos	chamado	Jesus.
Se	estamos	em	Cristo,	então	sabemos	que	fomos	adotados	como	filhos.	Se
estamos	em	Cristo,	então	sabemos	que	o	livro	de	Provérbios	não	nos	dá	apenas
orientações	práticas	para	a	vida.	Ele	nos	ajuda	a	saber	o	que	significa	posicionar
nossa	vida	no	temor	do	Senhor	e,	então,	percorrer	seus	caminhos	como	filhos	de
Deus,	para	que	possamos	crescer	em	sabedoria,	estatura	e	graça,	assim	como
Cristo	cresceu.
A	sabedoria	de	Deus	é	preciosa.	Devemos	buscá-la	como	o	tesouro	que	ela
realmente	é	(Pv	2.1-5).	E,	se	encontrarmos	sabedoria,	devemos	dar	a	Deus	toda	a
glória,	porque	somente	ele	dá	sabedoria	(Pv	2.6).
Agora	vamos	nos	debruçar	sobre	duas	conhecidas	histórias	dos	Evangelhos	e
sobre	uma	passagem	da	Carta	de	Paulo	aos	Colossenses.
“…	ELE	VEIO	ATÉ	ELES	ANDANDO	SOBRE	O	MAR…”	(Mc	6.45-52)
Em	Marcos	6,	Jesus	realiza	diversos	milagres	que	ajudam	a	revelar	sua
identidade	como	Filho	do	Deus	vivo.	Ele	alimenta	cinco	mil	pessoas	(6.30-44)	e
cura	os	doentes	(6.53-56).	Entre	esses	episódios	de	milagres	está	o	de	Jesus
caminhando	sobre	as	águas	(6.45-52).	Nessa	seção,	há	uma	declaração	um	pouco
enigmática:	“E	ele	viu	que	eles	[os	discípulos]	estavam	remando	com
dificuldade,	porque	o	vento	estava	contra	eles.	E	pela	quarta	hora	da	noite	ele
veio	até	eles	andando	sobre	o	mar.	Ele	pretendia	passar	por	eles”	(6.48).
Jesus	anda	sobre	o	mar	em	direção	aos	seus	discípulos	que	estavam	passando	por
dificuldades,	e	eles	falham	em	reconhecê-lo.	Eles	pensaram	que	fosse	um
fantasma!	Mas	por	que	Marcos	dirige	nossa	atenção	ao	fato	de	que	Jesus,	aquele
que	“…	veio	até	eles	andando	sobre	o	mar…”,	também	“…	pretendia	passar	por
eles”?	A	teologia	bíblica	esclarece	a	resposta	a	essa	questão.
Marcos	faz	alusão	aos	textos	do	Antigo	Testamento	que	deixam	mais	explícita	a
identidade	de	Jesus	para	os	seus	leitores.	A	maioria	das	Bíblias	de	estudo
incluem	referências	cruzadas	que	ajudam	os	leitores	a	notar	as	alusões	ao	Antigo
Testamento;	portanto,	habitue-se	a	sempre	checar	essas	referências.	Vamos
examinar	brevemente	essas	conexões	canônicas.
O	mesmo	verbo	(“passar”)	é	usado	com	frequência	no	Antigo	Testamento	a	fim
de	descrever	uma	teofania,	isto	é,	uma	manifestação	da	presença	de	Deus	ao	seu
povo.	No	Monte	Sinai,	o	Senhor	respondeu	ao	pedido	de	Moisés	para	ver	a
glória	divina	“passando	por”	ele	(Êx	33.17-23;	34.6).	Deus	diz	que	vai	“passar
por”	Moisés	para	revelar	sua	glória	a	fim	de	revelá-la	indiretamente,	porque	“…
o	homem	não	me	verá	e	continuará	vivo”	(Êx	33.20).
O	Senhor	também	“passou”	pelo	profeta	Elias:	“…	E	eis	que	o	SENHOR
passou,	e	um	grande	e	forte	vento	partiu	os	montes	e	despedaçou	os	penhascos
diante	do	SENHOR…”	(1Rs	19.11).
Há	ainda	outra	conexão	canônica	com	Marcos	6.48	encontrada	no	livro	de	Jó:
				…	como	pode	um	homem	estar	certo	diante	de	Deus?
Se	alguém	quisesse	contender	com	ele,
não	poderia	lhe	responder	uma	vez	entre	mil.
Ele	é	sábio	no	coração	e	poderoso	em	força
—	quem	tentou	resistir-lhe	e	teve	êxito?	—
ele,	que	remove	montanhas,	e	elas	não	sabem	disso,
quando	ele	as	inverte	em	sua	ira,
que	sacode	a	terra	do	lugar,
e	seus	pilares	estremecem;
que	dá	ordens	ao	sol,	e	o	sol	não	se	levanta;
que	oculta	as	estrelas;
que	sozinho	estendeu	os	céus
e	andou	sobre	as	ondas	do	mar;
que	fez	a	Ursa	e	Órion,
as	Plêiades	e	as	constelações	do	sul;
que	fez	grandes	coisas	insondáveis,
e	maravilhas	imensuráveis.
Eis	que	ele	passa	por	mim,	e	eu	não	o	vejo;
segue	em	frente,	mas	eu	não	o	percebo	(Jó	9.2-11).
Veja	que	o	Deus	Criador	é	aquele
que	fez	grandes	coisas	insondáveis,
e	maravilhas	imensuráveis	(Jó	9.10).
Apenas	ele	dá	ordens	ao	sol	e	às	estrelas.	Além	disso,	curiosamente,	ele	também
é	aquele	que	caminha	sobre	as	ondas	do	mar.	Essa	gloriosa	descrição	de	Deus
conecta-se	a	uma	humilde	confissão	no	versículo	11:
Eis	que	ele	passa	por	mim,	e	eu	não	o	vejo;
segue	em	frente,	mas	eu	não	o	percebo.
Em	outras	palavras,	o	Deus	infinitamente	glorioso	está	além	da	compreensão
humana.	A	glória	de	Deus	é	misteriosamente	incompreensível.
O	que	essas	conexões	canônicas	significam	na	nossa	compreensão	de	Marcos
6.48?	Ainda	que	Jesus	caminhando	sobre	o	mar	seja	uma	manifestação	de	sua
glória	e	poder	divinos,	ele	permanece	além	da	plena	compreensão	de	seus
discípulos	(veja	Mc	6.51,52).	Contudo,	as	palavras	confortantes	de	Jesus	aos
seus	discípulos	—	“Sou	eu	[lit.,	“EU	SOU”].	Não	tenham	medo”	(Mc	6.50)	—
ecoam	o	divino	nome	do	Deus	de	Abraão,	Isaque	e	Jacó,	revelado	a	Moisés	na
sarça	ardente	de	Êxodo	3.14.
Marcos,	portanto,	está	identificando	Jesus	como	o	Filho	de	Deus,	o	SENHOR
encarnado.	Os	milagres	em	Marcos	6	apontam	para	sua	identidade	como	aquele
que	é	totalmente	glorioso,	que	faz	“…	maravilhas	imensuráveis”,	que	anda	“…
sobre	as	ondas	do	mar”.	E,	à	medida	que	prosseguimos	na	leitura	de	Marcos,
descobrimos	que	este	mesmo	Jesus	é	aquele	que	se	revela	definitivamente	em
toda	a	sua	glória	em	uma	cruz	romana	ensanguentada	(Mc	15.39).
“EU	SOU	O	BOM	PASTOR…”	(Jo	10)
Em	João	10,	vemos	Jesus	debatendo	com	os	fariseus	(Jo	9.40).	Ele	acabou	de
realizar	um	incrível	sinal	no	capítulo	9,	a	cura	de	um	cego	de	nascença,	e	agora
prossegue	ao	explicar	sua	identidade	aos	fariseus,	que	se	recusam	a	aceitar	suas
palavras.
Ao	longo	do	capítulo,	Jesus	usa	várias	imagens	do	Antigo	Testamento	para
pintar	seu	autorretrato	messiânico.	Diferente	dos	“ladrões”	e	“saqueadores”	que
vieram	antes,	Jesus	se	refere	a	si	mesmo	como	o	“bom	pastor”:
Eu	sou	o	bom	pastor.	O	bom	pastor	dá	a	sua	vida	pelas	suas	ovelhas.	Aquele	que
é	empregado,	e	não	um	pastor,	e	a	quem	as	ovelhas	não	pertencem,	vê	o	lobo
vindo	e	abandona	as	ovelhas	e	foge,	e	o	lobo	as	ataca	e	as	dispersa.	Ele	foge
porque	é	um	empregado	e	não	se	importa	com	as	ovelhas.	Eu	sou	o	bom	pastor.
Conheço	os	meus	e	os	meus	me	conhecem,	assim	como	o	Pai	me	conhece	e	eu
conheço	o	Pai;	e	dou	a	minha	vida	pelas	ovelhas.	Tenho	outras	ovelhas	que	não
são	desse	aprisco.	Eu	devo	trazê-las	também,	e	elas	escutarão	a	minha	voz.
Haverá,	então,	um	só	rebanho,	um	só	pastor	(Jo	10.11-16).
Enfim,	em	João	10.19-30,	Jesus	novamente	se	dirige	aos	judeus	e	retoma	as
imagens	da	ovelha	e	do	pastor,	declarando:
Minhas	ovelhas	escutam	a	minha	voz,	e	eu	as	conheço,	e	elas	me	seguem.	Eu
lhes	dou	vida	eterna,	e	elas	nunca	perecerão,	e	ninguém	as	arrancará	de	minha
mão.	Meu	Pai,	que	as	deu	para	mim,	é	maior	que	tudo,	e	ninguém	écapaz	de
arrancá-las	da	mão	do	Pai.	Eu	e	o	Pai	somos	um	(Jo	10.27-30).
Contudo,	é	a	declaração	final	(“Eu	e	o	Pai	somos	um”)	que	provoca	a	chocante
reação	de	seus	ouvintes:	“Os	judeus	pegaram	pedras	novamente	para	apedrejá-
lo”	(Jo	10.31).
Assim,	parecem	ser	duas	as	mensagens	principais	de	Jesus	nessa	seção:	“Eu	sou
o	bom	pastor…”	(Jo	10.11)	e	“…	Eu	e	o	Pai	somos	um”	(Jo	10.30).
Tanto	o	impacto	de	suas	reinvindicações	quanto	a	reação	de	seus	oponentes	são
esclarecidos	quando	vistos	pelas	lentes	da	teologia	bíblica.	Que	conexões,
portanto,	podem	ser	feitas	a	partir	de	João	10?
Ao	usar	as	referências	cruzadas,	rapidamente	descobrimos	as	várias	alusões	de
Jesus	à	profecia	de	Ezequiel	34.	Nessa	passagem,	o	Senhor	denuncia	os	falsos
pastores	e	líderes	espirituais	de	Israel.	Ele	diz	a	Ezequiel:	“…	profetiza	contra	os
pastores…”	(34.2).	O	próprio	Senhor	está	“…	contra	os	pastores…”	(Ez	34.10),
assim	como	Jesus	está	contra	os	fariseus.
Mais	duas	verdades	surgem	em	Ezequiel	34.	Primeiro,	o	próprio	Senhor	será	o
Bom	Pastor	de	seu	povo:	“Eu	mesmo	serei	o	pastor	do	meu	povo,	e	eu	as	farei
descansar,	diz	o	SENHOR	Deus”	(34.15).	O	próprio	Senhor	pastoreará	seu	povo
e	alimentará	suas	ovelhas	(34.14).
Segundo,	o	vindouro	rei	davídico	também	será	o	bom	pastor	de	seu	povo:	“E
colocarei	sobre	eles	um	pastor,	meu	servo	Davi,	e	ele	os	alimentará:	ele	os
alimentará	e	será	o	pastor	deles.	E	eu,	o	SENHOR,	serei	o	Deus	deles,	e	meu
servo	Davi	será	príncipe	entre	eles.	Eu	sou	o	SENHOR;	eu	falei”	(34.23,24).	O
Messias	vindouro	pastoreará	seu	povo	e	alimentará	suas	ovelhas.
A	profecia	de	Ezequiel	34,	então,	levanta	uma	questão	provocadora:	O	futuro
bom	pastor	do	povo	de	Deus	será	o	próprio	Senhor	ou	um	futuro	rei	davídico?
Jesus	responde	a	esse	mistério	em	João	10.	Jesus	é	o	Messias	prometido,	o	rei
davídico,	que	é	o	Bom	Pastor	de	seu	povo.	Mas	Jesus	também	é	“um	com	o	Pai”.
Ele	é	o	próprio	Deus.	Em	outras	palavras,	o	Senhor	e	o	rei	davídico	em	Ezequiel
34	são	a	mesma	pessoa.	Jesus	é	a	eterna	Palavra	feita	carne	(Jo	1.14),	que	estava
no	princípio	com	Deus	e	que	era	Deus	(Jo	1.1).
Em	Ezequiel	34,	o	Senhor	também	faz	uma	promessa:	“Eu	resgatarei	minhas
ovelhas…”	(34.22).	Como	esse	resgate	acontecerá?	Mais	uma	vez,	Jesus
responde	a	isso	em	João	10:	“Eu	sou	o	bom	pastor.	O	bom	pastor	dá	a	sua	vida
pelas	ovelhas…”	(10.11).	Em	Jesus,	a	Palavra	feita	carne	e	o	Messias	prometido,
a	esperança	de	Ezequiel	34	é	cumprida.	Em	Jesus,	o	povo	de	Deus	encontrou	seu
Bom	Pastor;	e,	sendo	o	bom	pastor,	Jesus	busca	e	alimenta	o	seu	povo.	E	o	mais
espantoso	de	tudo:	Jesus	resgata	seu	povo	ao	dar	sua	vida	por	ele	em	uma	cruz.
Jesus,	portanto,	é	o	Bom	Pastor	que	cuidará	do	seu	povo	para	sempre	(Ap	7.17).
“ELE	NOS	RESGATOU	DO	DOMÍNIO	DAS	TREVAS…”	(CL	1.12-14)
O	Êxodo	do	povo	de	Deus	do	Egito	é	o	maior	ato	de	libertação	divina	no	Antigo
Testamento,	o	exemplo	máximo	do	poder	salvador	do	Senhor.	Os	autores	do
Antigo	Testamento	fazem	alusões	frequentes	ao	Êxodo	como	um	meio	de
lembrar	o	povo	de	Deus	que	nada	é	impossível	para	Deus.
O	Êxodo	também	se	torna	uma	imagem	do	que	Deus	fará	por	seu	povo	no
futuro.	Você	pode	ler	esse	tema	do	“novo	êxodo”	nos	livros	proféticos,
especialmente	em	Isaías	(Is	11.11,15,16;	14.1,2;	62.11,12).	Eles	retratam	que
está	por	vir	uma	operação	de	resgate	ainda	maior.	Esse	é	um	fio	brilhante	na
tapeçaria	da	Escritura,	de	Gênesis	a	Apocalipse.
Isso	nos	leva	a	Colossenses	1.12-14.	Como	veremos,	o	apóstolo	Paulo	se	vale	do
tema	do	Êxodo	para	encorajar	os	seus	leitores	a	darem	graças	a	Deus,	o	Pai,	pelo
que	ele	realizou	por	meio	de	Jesus	Cristo,	seu	Filho	amado.	Esses	versículos	são
o	trecho	conclusivo	de	uma	oração	de	abertura	de	Paulo.
Embora	Paulo	não	tenha	iniciado	a	igreja	de	Colossos	(cf.	Cl	2.1-5),	ele	se
deleitava	na	obra	do	evangelho	que	Deus	estava	operando	no	meio	daquela
igreja.	Ele,	então,	começa	sua	carta,	como	sempre	faz,	agradecendo	a	Deus	(1.3-
8)	e	intercedendo	pela	congregação	(1.9-14).	Imediatamente	depois	de	sua
oração,	Paulo	faz	uma	transição	para	uma	gloriosa	explanação	sobre	a
preeminência	do	Filho	de	Deus,	aquele	que	é	Senhor	tanto	da	criação	(1.15-17)
quanto	da	nova	criação	(1.18-20).
Sua	oração	em	favor	dos	colossenses	transborda	ecos	do	Êxodo:
Assim,	desde	o	dia	em	que	o	escutamos,	não	cessamos	de	orar	por	vocês,
pedindo	que	sejam	cheios	do	conhecimento	da	vontade	dele	em	toda	sabedoria	e
entendimento	espiritual,	de	modo	que	possam	andar	de	maneira	digna	do	Senhor,
agradando	totalmente	a	ele:	frutificando	em	toda	boa	obra	e	crescendo	no
conhecimento	de	Deus;	sendo	fortalecidos	com	todo	poder,	de	acordo	com	o
glorioso	poder	dele,	para	toda	perseverança	e	paciência	com	alegria;	dando
graças	ao	Pai,	que	capacitou	vocês	a	compartilharem	da	herança	dos	santos	na
luz.	Ele	nos	libertou	do	domínio	das	trevas	e	nos	transportou	para	o	reino	do	seu
Filho	amado,	em	quem	temos	a	redenção,	o	perdão	dos	pecados	(Cl	1.9-14).
Vamos	examinar	as	várias	conexões	textuais	com	o	Êxodo	nessa	passagem.
No	versículo	12,	Paulo	diz	que	Deus	“…	capacitou	vocês	a	compartilharem	da
herança	dos	santos	[no	reino	da]	luz”.	Deus	“capacitou”	ou	“equipou”	um	povo
para	uma	herança.	Observe	o	“vocês”;	isso	é	importante,	porque	Paulo	muda
para	“nós”	no	versículo	seguinte.	No	versículo	12,	ele	parece	estar	falando	à	sua
primeira	audiência	de	gentios	em	Colossos	que	Deus	fez	de	“vocês”	—	até
mesmo	vocês	—	herdeiros	dele!	Em	Cristo,	Deus	fez	de	gentios,	herdeiros,
santos	no	reino	da	luz.
Essa	linguagem	de	“herdeiros”	e	“herança”	é	usada	no	Antigo	Testamento	para
se	referir	a	judeus	sob	a	antiga	aliança	(Nm	26.52-56).	Aqui,	porém,	Paulo	vale-
se	da	mesma	linguagem	para	se	referir	aos	crentes	gentios	sob	a	nova	aliança.	O
que	Deus	fez	para	cumprir	isso	para	seu	povo?	Paulo	responde:	“Ele	nos	libertou
do	domínio	das	trevas	e	nos	transportou	para	o	reino	do	seu	Filho	amado,	em
quem	temos	a	redenção,	o	perdão	dos	pecados”	(Cl	1.13,14).
Em	outras	palavras,	a	dádiva	de	Deus	de	uma	herança	para	o	povo	de	sua	nova
aliança	foi	garantida	por	um	êxodo	novo	e	maior.	Ele	resgatou	e	transportou	seu
povo	de	um	domínio	de	trevas	para	seu	glorioso	reino,	o	reino	do	seu	Filho
amado.
A	linguagem	do	versículo	13	lembra	o	que	Deus	disse	a	Moisés	em	Êxodo	6.6-8:
Diga,	portanto,	ao	povo	de	Israel:	“Eu	sou	o	SENHOR,	e	eu	os	tirarei	da
servidão	dos	egípcios,	e	os	livrarei	da	escravidão	deles,	e	os	redimirei	com	braço
estendido	e	com	grandes	atos	de	juízo.	Eu	os	tomarei	para	serem	meu	povo	e
serei	o	seu	Deus,	e	vocês	saberão	que	sou	o	SENHOR,	seu	Deus,	que	os	tirou	da
servidão	dos	egípcios.	Eu	os	trarei	para	a	terra	que	jurei	dar	a	Abraão,	Isaque	e
Jacó.	Darei	a	vocês	essa	terra	como	posse.	Eu	sou	o	SENHOR.
Israel	era	servo	de	um	senhor	cruel	no	Egito.	Eles	foram	escravizados.	Deus,
porém,	resgatou	Israel	da	servidão	por	meio	de	sua	mão	poderosa	(Êx	14.30).	E
agora,	diz	Paulo,	Deus	fez	em	Cristo	algo	que	é	ainda	maior.	Ele	agora	libertou
seu	povo	de	uma	servidão	ainda	maior	e	de	trevas	ainda	maiores	(At	26.18).
Como	ele	fez	isso?	Por	meio	da	cruz	de	Cristo:	“Ele	despojou	os	governos	e	as
autoridades,	e	os	expôs	à	vergonha	pública	ao,	nele,	triunfar	sobre	eles”	(Cl
2.15).	Em	Cristo,	o	povo	de	Deus	teve	“redenção”	(1.14).	Cristo	garantiu	a
libertação	de	seu	povo	da	servidão	ao	se	tornar	o	resgate	redentor	para	ele	na
cruz	(Mc	10.45).
Como	a	teologia	bíblica	nos	ajuda	a	estudar	Colossenses	1.12-14?	Paulo	quer
que	os	colossenses	(e	nós!)	deem	graças	a	Deus	por	essa	grande	salvação.	Com
esse	fim,	ele	se	vale	da	linguagem	de	Êxodo	para	descrever	um	novo	êxodo	que
Deus	realizou	por	meio	da	morte	de	Cristo	na	cruz.	Paulo	quer	que	seus	leitores
conectem	essas	duas	grandes	obras	salvadoras	de	Deus:	o	Êxodo	e	a	cruz.
Contudo,	o	apóstolo	também	quer	se	certificar	de	que	vemos	a	cruz	de	Cristo
como	maior	até	mesmo	que	o	Êxodo.	Isso	deve	encher	nossas	bocas	com	ações
de	graça	e	nossos	corações	com	louvor.	Jesus,	como	Filho	de	Deus,	entendia	a	si
mesmo	como	seguindo	as	pegadas	de	Israel,	o	primeiro	“filho”	de	Deus	no
Antigo	Testamento.	Assim	como	Israel,Jesus	saiu	do	Egito	(Mt	2.13-15).	Como
Israel,	Jesus	passou	pelas	águas.	Como	Israel,	Jesus	foi	testado	no	deserto.
No	Evangelho	de	Lucas,	a	obra	salvadora	de	Cristo	é	descrita	com	a	linguagem
do	Êxodo.	De	que	modo?	Em	Lucas	9.22,	Jesus	diz	aos	seus	discípulos	que	ele
está	indo	para	Jerusalém	para	sofrer	e	morrer,	e	ressuscitar	no	terceiro	dia,	a	fim
de	salvar	seu	povo.	Apenas	alguns	versículos	depois,	Lucas	se	refere	ao	que
Jesus	estava	pra	realizar	como	sua	“partida”,	o	seu	êxodo	(Lc	9.31).
Esse	êxodo	que	Jesus	estava	para	realizar	aconteceria	em	Jerusalém	durante	a
Páscoa.	Jesus	se	ofereceu	na	cruz	como	o	Cordeiro	de	Deus	sem	mancha,	que
tira	o	pecado	do	mundo	(Jo	1.29),	e	ele	cumpriu	todos	os	tipos	e	sombras	do
Êxodo	e	da	Páscoa.	Seu	sangue	foi	derramado	para	cobrir	os	pecados	de	seu
povo,	absorvendo	a	ira	que	eles	mereciam,	e	ainda	assim	nenhum	de	seus	ossos
foi	quebrado	(Êx	12.46;	Jo	19.36).	Cristo,	como	o	nosso	Cordeiro	pascal,	foi
sacrificado,	trazendo	um	êxodo	novo	e	maior	para	o	seu	povo	(1Co	5.7).
Cristão,	você	é	grato	por	essa	grande	salvação,	por	esse	êxodo	novo	e	maior	que
Deus	operou	por	meio	de	seu	Filho	em	seu	favor?	A	principal	aplicação	que
deveríamos	inferir	dessa	passagem	é	lembrar	e	agradecer.
Por	que	Paulo	usa	a	linguagem	do	Êxodo	no	contexto	de	uma	oração	de	ação	de
graças?	Em	parte,	é	por	causa	da	reação	de	Israel	ao	que	Deus	fez	por	eles.	Em
vez	de	dar	graças,	eles	resmungaram	contra	Deus;	esqueceram	sua	obra
salvadora.	As	alusões	de	Paulo	ao	êxodo	são	dadas	no	contexto	de	chamar	os
colossenses	a	dar	graças	pelo	novo	êxodo	que	eles	experimentaram	em	Cristo.
Israel	foi	redimido,	ainda	que	tenha	resmungado.	Em	Cristo,	somos	redimidos.
Daremos	graças	por	causa	disso,	ou	iremos	murmurar	e	reclamar?
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crescimento	no	estudo	da	teologia	bíblica.	Esses	recursos	estão	listados	do	mais
simples	ao	mais	avançado.
HELM,	David;	SCHOONMAKER,	Gail.	The	big	picture	story	Bible	(Wheaton:
Crossway,	2004).
ROBERTS,	Vaughan.	God’s	big	picture:	tracing	the	storyline	of	the	Bible
(Downers	Grove:	InterVarsity,	2002).
BRUNO,	Chris.	The	whole	story	of	the	Bible	in	16	verses	(Wheaton:	Crossway,
2015).
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Tradução	de:	New	dictionary	of	biblical	theology:	exploring	the	unity	and
diversity	of	Scripture.
ÍNDICE	DE	PASSAGENS
BÍBLICAS
Gênesis
1	35
1	e	2	37-8,	102
1.1	35-7
1.4	38
1.10	38
1.12	38
1.21	38
1.25	38
1.27	36
1.28	36
1.31	38
2.15	36
2.15-17	37
2.17,18	38
3	38-9,	136
3.1	38,	96
3.6	39,	96
3.12	40
3.14-19	40
3.15	40,	66
3.24	54
6—8	41
6.5	41,	134
6.8	41
8.21	134
9.8-17	102
9.11	41
11.1-9	136
11.4	41,	136
12	44
12.1-3	102-36
12.2,3	42
13.15	49
15	43
15.1-21	102
15.6	43
17	107
17.1-14	102
17.4-6	136
17.6	42
17.16	42
22.17,18	43,	136
35.11	43-4
49	43
49.9-12	50
49.10	43,	91
Êxodo
1	e	2	44
1.7	44
2.23,24	44
3	45
3.8	49
3.12	46
3.14	145
4.22	46,	95-6,	116
6.6-8	151
12	45
12.1-13	106
12.46	152
14	45
14.21-31	96
14.30	151
15.11	46
15.18	46
19—25	102
19.4-6	46,	116
20.2,3	78
25	48
32	47
33.17-23	143
33.20	143
34	47
34.6	143
34.15,16	91
Levítico
11—15	86
13—15	86-8,	89
13.45	87
13.46	87
15.31	87
19	104
19.2	46,	116
19.19	103
26.33	55
Números
3.8	36
11.29	48
14.11	47
26.52-56	150
Deuteronômio
1.32	47
4.4-6	47,	116
4.6	140
6.13	95
6.16	95
7.3,4	91
8.2	96
8.2,3	95
8.3	95
9.23	47
17.14-20	52
17.18-20	140
18.15	64,	134
18.18	134
27.26	134
28	133
28.1-6	131-2
28.1-14	133
28.15-68	133
28.20-24	115
28.63,64	116
28.63-67	55
29	e	30	134
30.3,4	59
30.6	48,	134
31.16	133
31.20,21	47
31.21	134
31.24-29	133
31.29	47
34.10-12	64
Josué
1—5	50
1.2,3	49
6—12	50
13—21	50
21.43-45	49
22—24	50
23.14	49
Juízes
2.11-13	50
2.16	92
2.18	92
3.6	91
13—16	91
13.1-5	92
13.24	92
13.25	92
14.3	91
14.6	92
14.19	92
15.14	92
16.1	91
16.4,5	91
16.5	92
16.21	92
16.23-25	92
16.28	92
16.29	92
16.30	92
17.6	50,92
18.1	50,	92
19.1	50,	92
21.25	50,	92
1Samuel
13.14	50
16.1	91
16.1-13	53
16.4	91
16.13	91
17	90
17.4-7	91
17.8,9	91
17.24	91
17.26	91
17.36	91
17.45,46	91
17.48-51	91
17.52-54	91
2Samuel
7	53,	102
7.11-13	51
1Reis
4.29,30	140
8.27	51
8.56	52
10	51
10.23,24	51
11.3	52
11.5-10	52
11.11-13	53
12.16-20	53
14.15	54
19.11	143
2Reis
17.7,8	53
17.13-15	54
17.17	55
17.18	54
17.23	54
1Crônicas
29	51
2Crônicas
6.26	115
6.28	115
7.11	115
7.12	115
7.13	115
7.13,14	115
7.14	24,	114
9.13-21	52
9.25-28	52
Esdras
7.10	110
Neemias
Jó
9.2-11	144
9.10	144
9.11	144
Salmos
2.1-3	137
8	105
16	53
19.10	128
47	135-7
47.1	135-8
47.2	135
47.6	135
47.6,7	135
47.7	135
47.8	136
47.8,9	137
47.9	137
48.1-3	51
48.9-11	51
90	108
90.2	108
90.2,3	108
90.4	108
90.5,6	108
90.7,8	108
90.11	108
90.13,14	108
90.16,17	108
93.1	136
95	47,	105
95.3	136
97.1	136
99.1	136
103.19	35
110	53
137.1-4	55
Provérbios
1.1	139
1.7	139
1.8	140
2.1-5	142
2.1-6	138-9
2.5	139
2.6	139-42
Isaías
9.6,7	53-9
11.1,2	141
11.1-3	59
11.11	148
11.15,16	148
14.1,2	148
49.5	59
49.6	59
50.4,5	141
52.10	59
52.12—53.12	78
53.5	60
62.11,12	148
65.17	37,	59,	82
66.22	82
66.22,23	59
Jeremias
3.1,2	91
16.13-15	57
25.1-12	105
31.27-34	102
31.33	134
31.33,34	58
32.39,40	134
52	100
Lamentações
3.1,2	56
3.23	56
3.42-47	56
Ezequiel
11.19	134
34	147-8
34.2	147
34.10	147
34.14	147
34.15	147
34.22	148
34.22,23	53
34.23	58
34.23,24	147
36.24-28	102
36.26,27	134
36.26-2859
Daniel
9—12	105
9.2	105
Oseias
6.7	102
Joel
2.28,29	59
Miqueias
6.8	24
Habacuque
1.5	58
3.2	58
3.17,18	58
Mateus
1.1	63
1.21	64
1.22,23	63
2.13-15	152
4.4	119
5.11,12	76,	121
5.17	61,	134
8.12	56
8.23-27	65
8.23—9.8	65
8.28-34	65
9.1-8	65
12.42	141
13	64
13.54	141
16.19	70
18.15-17	124
18.18	70
20.25-28	68
22.13	56
22.45	53
25.30	56
25.40	119
26.27-30	102
26.28	66
27.46	66
28	44
28.5-7	67
28.17,18	68
28.18-20	15,	68-9,	123
Marcos
1.15	64,	122
6	142-5
6.30-44	142
6.45-52	142
6.48	143-5
6.50	145
6.51,52	145
6.53-56	142
10.33,34	68
10.45	66,	151
11.24	23
15.39	145
Lucas
2.40	141
2.46,47	142
2.49	141
3.21	96
3.22	64,	95
3.38	95
4.1,2	64,	96
4.1-13	40,	64,	93,	96
4.3,4	96
5.12,13	88
5.32	122
7.16	134
8.43,44	88
9.22	152
9.31	67,	152
11.31	141
15.7	121
15.10	121
20.41-44	91
22.20	66,	134
23.34	92
24	22-8
24.15,16	28
24.19-24	28
24.25	61
24.25-27	29
24.27	61
24.31	34
24.32	34,	129
24.44	61
24.44-47	29
24.44-49	19
24.45	34
24.47	21
24.50,51	69
João
1.1	148
1.9	63
1.10,11	65
1.14	48,	63,	148
1.18	63
1.29	45,	67,	152
1.36	106
3.16-18	68
3.36	111
5.39,40	18
9	145
9.40	145
10	145-7,	148
10.11	147-8
10.11-16	146
10.19-30	146
10.27-30	146
10.30	147
10.31	146
13.35	125
14.6	122
16.7-11	70
16.33	112
18.36	65
19.36	67,	106-52
Atos	dos	Apóstolos
1.3	72
1.8	70-2
2.1-41	70
2.22-24	70
2.29-31	53
2.33-36	70
2.37-41	122
2.41	71
3.19	122
6.7	72
8.4	117
8.22	122
9.1	71
9.15	71
9.31	71
12.24	72
13.22	50
13.47	59
16.5	72
17	31
17.2,3	31
17.3	31
17.11	32
17.12	31
17.26	117
17.30	122
19.20	72
26.18	151
26.20	122
28.23	72
28.31	72
Romanos
1—11	77
1.16	119-25
1.32	120
3.25	48
5	38
5.12-21	37
5.14	106
6.1-4	120
6.23	56
8.21	39
10.1	125
10.13	125
10.17	124-5
11.2-6	42
12—16	77
12.2	120
1Coríntios
1.24	141
3.16,17	48
5.1-13	124
5.7	152
5.7,8	106
6.9,10	120
6.11	122
10.11	106-13
2Coríntios
1.20	67,	112
4.2	84
5.20	122
6.16	48
Gálatas
3.7-9	44
3.10	134
3.13	39
3.13,14	135
3.16	44,	112
6	107
6.15	107
Efésios
1—3	77
1.3	112
1.13,14	113
3.10	74,	117
4—6	77
4.12-14	124
4.13	15
4.15	15
Filipenses
2.6-8	66
2.8	96
3.20	57
Colossenses
1.3-8	149
1.9-14	149-50
1.12	150
1.12-14	45,	148-9
1.13	151
1.13,14	150
1.14	151
1.15-17	73,	149
1.15-20	38
1.17	34
1.18-20	149
1.20	74
1.28	90
2.1-5	149
2.3	112-41
2.6,7	74
2.11	134
2.15	151
3.23,24	125
2Tessalonicenses
1.7,8	79,	118
1Timóteo
1.15	112
2Timóteo
2.15	84
3.12	76,	121
3.15	90
3.16	33
3.16,17	73,	85
4.2	85
Tito
2.11-14	79
2.13,14	113
Hebreus
1.1-3	38
2.17	48
4.14,15	96
11	90
11.13	57
11.32-34	90
12.14	120
13.8	108
13.12	89
13.14	57
1Pedro
1.3-9	75
1.10-12	60-1,	129
1.13-16	75
1.13-17	117
1.14	113
1.14-16	77,	104
1.15b	77
1.19	106
2.4,5	48
2.9	74
2.9,10	117
2.11	57
2.12-17	126
2.21-25	78
2.22,23	96
3.20	42
4.10	15
4.11	84
2Pedro
1.4	114
1.20,21	33
2.5	42
3.13	80-2
1João
2.2	48
2.15	120
4.10	48
Judas
20-21	15
Apocalipse
4	e	5	137
4.8	137
5	137
5.6	106
5.9	137
5.9,10	80
5.13	138
7.17	148
20—22	35
20.10	79
21	e	22	48
21.1	81
21.4	81,	113
21.5	37
21.6-8	79,	119
21.16	48
21.22	48
9Marcas	existe	para	munir	os	líderes	da	igreja	com	uma	visão	bíblica	e	recursos
práticos,	a	fim	de	demonstrarem	a	glória	de	Deus	às	nações	por	meio	de	igrejas
saudáveis.
Com	esse	fim,	queremos	ver	as	igrejas	sendo	caracterizadas	por	estas	nove
marcas	de	saúde:
1Pregação	expositiva
2Teologia	bíblica
3Entendimento	bíblico	do	evangelho
4Entendimento	bíblico	da	conversão
5Entendimento	bíblico	da	evangelização
6Entendimento	bíblico	da	membresia	na	igreja
7Disciplina	na	igreja
8Discipulado	bíblico
9Liderança	bíblica	na	igreja
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	Cover Page
	Capa
	Citação
	Créditos
	Folha de rosto
	Dedicatória
	Sumário
	Prefácio da Série 9Marcas
	1 A necessidade de teologia bíblica
	2 O que é teologia bíblica?
	3 Qual é a grande história da Bíblia? (primeira parte)
	4 Qual é a grande história da Bíblia? (segunda parte)
	5 A teologia bíblica molda o ensino da igreja
	6 A teologia bíblica molda a missão da igreja
	Conclusão
	Apêndice: Outros exemplos bíblico-teológicos
	Recursos recomendados
	Índice de passagens bíblicas

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