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1ª Geração Modernista 
 
Profº Mari Neto 
 
 
Página 1 de 2 
A semana de 1922 
11-18 de fevereiro 
• Sarau, exposição e orquestra – Teatro Municipal de São Paulo 
Tônica do grupo: 
- Modernização da linguagem e da inteligência brasileira 
- Destruição da república das velhas letras 
- Influência vanguardista 
- Inimigos: parnasianos 
 
Os escândalos da semana: 
1) Declamação do poema “Os sapos”, de Manuel Bandeira 
2) Vaia para as composições de Villa-Lobos 
3) Heitor Villa-Lobos de chinelos 
 
Futurismo, Cubismo, Primitivismo 
 
Primitivismo 
Buscar a arte dos povos originais (ditos primitivos) como modelo a ser 
seguido. Para isso os modernistas exploravam as coleções etnográficas 
de museus de todo mundo em busca de inspiração. Arte primitiva 
representava para os modernistas que a buscavam, o oposto de tudo 
aquilo que estava sendo valorizado como arte e dominado pelo gosto 
convencional, como a arte acadêmica. 
 
 
 
 
 
 
Futurismo X Primitivismo 
 
 Compreensão do Brasil = a produção de uma literatura 
genuinamente nossa, sem cópia da Europa. Para tanto vai se 
conjugar o ideal vanguardista à cultura popular. 
 O erudito modernista exige a cultura popular. 
 O Primitivo, no Brasil, estava próximo 
 
Saldo da Semana de 1922 
• Revista Klaxon – porta voz dos ideais da semana. 
• “Paulicéia desvairada”, 1922, Mário de Andrade. 
 
A divisão do Modernismo: 
1ª Fase – 1922-1930 
2ª Fase – 1930-1945 
3ª Fase – 1945 - (?) 
 
Os artistas se preocupavam em fazer vigorar as novas proposições 
estéticas. Momento combativo que ansiava pelas transformações. 
 
Autores: 
• Mário de Andrade 
• Oswald de Andrade 
• Manuel Bandeira 
 
Mário de Andrade 
1893-1945 
• “Pauliceia desvairada”, 1922 
• Figuras de linguagem: elisão, parataxe (justaposição) e 
rupturas sintáticas. 
• Poema-telegrama/ poema-piada e criação de neologismos. 
• São Paulo uma cidade arlequinal 
Macunaíma (1928) – o primitivo na cidade. A questão da 
metamorfose. Composição de estilos: lenda + cômico + paródia. 
Rapsódia = composição a partir de fragmentos. Procura pela 
identidade brasileira, que termina indeterminada. 
 
• Projeto de Brasil – unidade do país, pesquisa folclórica 
(relação com o romantismo), pesquisa linguística 
• São Paulo = a cidade modernista, lugar do afeto. 
 
Eu-lírico fragmentado: 
“Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cinquenta, 
As sensações renascem de si mesmas [sem repouso, 
Ôh espelhos, ôh! Pirineus! ôh caiçaras! 
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!” 
 
Triângulo 
Há navios de vela para os meus naufrágios! 
E os cantares da uiara rua de São Bento... 
Entre estas duas ondas plúmbeas de casas plúmbeas, 
as minhas delícias das asfixias da alma! 
Há leilão. Há feira de carnes brancas. Pobres arrozais! 
A cainçalha... A Bolsa... As jogatinas... 
Não tenho mais navios de vela para naufrágios! 
Faltam-se as forças! Falta-me o ar! 
[...] 
(Paulicéia desvairada, “Rua de São Bento”) 
 
Oswald de Andrade 1890-1954 
• Através deste autor podemos entender o melhor e o pior do 
legado do Modernismo de 22: convencionalismo e 
simplificações + poder de sátira. 
• Memórias sentimentais de João Miramar (1924) – “capítulos-
instantes”. 
• Grande influência para a composição: Manifesto futurista e o 
cinema. 
• Tentativa de junção entre o modernismo e o primitivismo, mas 
caindo em estereótipos – Pau Brasil 
• Busca por uma literatura social (Pagu) 
 
Bananeiras 
O sol 
O cansaço da ilusão 
Igrejas 
O ouro as serras de pedra 
A decadência 
(“São José Del Rei) 
 
 
 
 
 
 
Manuel Bandeira 
1886-1968 
 
As questões biográficas: tuberculoso desde jovem, viveu esperando 
a morte. Contudo, morreu velho e experimentou a perda de todos os 
entes amados. Esta condição, o fez refletir muito sobre a morte, a 
família, a origem e lhe fez chegar à conclusões quase otimistas sobre 
a beleza da vida e da morte 
 
 
 
 
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• Questões relativas à brasilidade + Família enquanto lugar 
mítico original (Recife) 
• “Poeta menor” – atitude intimista, lirismo confidencial, auto 
irônico. Incapaz de emprenhar-se num projeto histórico. 
• Dos melhores poetas do verso-livre em língua portuguesa. 
• Nunca abriu mão, totalmente, das influências da tradição 
literária, nunca se deixou levar por padrões estéticos (futurismo, 
surrealismo etc.), ainda que sofresse influências. 
• Enfoque na representação do Brasil popular 
• Poesia do cotidiano, numa linguagem cotidiana (simples) 
• Poesia que reflete sobre o sofrimento humano, a morte, a 
alegria 
• A tuberculose = dedicado reflexão sobre a morte 
• Infância = lugar mítico 
 
Profundamente 
 
Quando ontem adormeci 
Na noite de São João 
Havia alegria e rumor 
Estrondos de bombas luzes de Bengala 
Vozes, cantigas e risos 
Ao pé das fogueiras acesas. 
 
No meio da noite despertei 
Não ouvi mais vozes nem risos 
Apenas balões 
Passavam, errantes 
 
Silenciosamente 
Apenas de vez em quando 
O ruído de um bonde 
Cortava o silêncio 
Como um túnel. 
Onde estavam os que há pouco 
Dançavam 
Cantavam 
E riam 
Ao pé das fogueiras acesas? 
 
— Estavam todos dormindo 
Estavam todos deitados 
Dormindo 
Profundamente. 
 
* 
 
Quando eu tinha seis anos 
Não pude ver o fim da festa de São João 
Porque adormeci 
 
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo 
Minha avó 
Meu avô 
Totônio Rodrigues 
Tomásia 
Rosa 
Onde estão todos eles? 
 
— Estão todos dormindo 
Estão todos deitados 
Dormindo 
Profundamente. 
 
 
1. (Unesp 2019) 
 
Indo às consequências finais da posição de José de Alencar no 
Romantismo, esse autor adotou como base da sua obra o esforço de 
escrever numa língua inspirada pela fala corrente e os modismos 
populares, não hesitando em usar formas consideradas incorretas, 
desde que legitimadas pelo uso brasileiro. Com isso, foi o maior 
demolidor da “pureza vernácula” e do “culto da forma”. 
(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.) 
 
O texto refere-se a 
a) Olavo Bilac. 
b) Machado de Assis. 
c) Mário de Andrade. 
d) Aluísio Azevedo. 
e) Euclides da Cunha. 
 
2. (Unicamp 2016) 
 
Pobre alimária 
O cavalo e a carroça 
Estavam atravancados no trilho 
E como o motorneiro se impacientasse 
Porque levava os advogados para os escritórios 
Desatravancaram o veículo 
E o animal disparou 
Mas o lesto carroceiro 
Trepou na boleia 
E castigou o fugitivo atrelado 
Com um grandioso chicote 
 
(Oswald de Andrade, Pau Brasil. São Paulo: Globo, 2003, p.159.) 
 
A imagem e o poema revelam a dinâmica do espaço na cidade de 
São Paulo na primeira metade do século XX. 
 
Qual alternativa abaixo formula corretamente essa dinâmica? 
a) Trata-se da ascensão de um moderno mundo urbano, onde 
coexistiam harmonicamente diferentes temporalidades, funções 
urbanas, sistemas técnicos e formas de trabalho, viabilizando-se, 
desse modo, a coesão entre o espaço da cidade e o tecido social. 
b) Trata-se de um espaço agrário e acomodado, num período em que 
a urbanização não tinha se estabelecido, mas que abrigava em seu 
interstício alguns vetores da modernização industrial. 
c) Trata-se de um espaço onde coexistiam distintas temporalidades: 
uma atrelada ao ritmo lento de um passado agrário e, outra, atrelada 
ao ritmo acelerado que caracteriza a modernidade urbana. 
d) Trata-se de uma paisagem urbana e uma divisão do trabalho 
típicas do período colonial, pois a metropolização é um processo 
desencadeado a partir da segunda metade do século XX.

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