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LUANA SILVEIRA GOVERNANÇA NA PRÁTICA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE Dissertação de mestrado acadêmico submetida ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina para obtenção do título de Mestre em Enfermagem. Área de Concentração: Filosofia e Cuidado em Saúde e Enfermagem. Linha de Pesquisa: Políticas, Gestão e Avaliação do Cuidado em Saúde e Enfermagem. Orientador: Prof. Dr. José Luís Guedes dos Santos. FLORIANÓPOLIS 2019 Dedico este trabalho à minha família, por me ensinar os caminhos para o alcance dos meus sonhos. AGRADECIMENTOS À Universidade Federal de Santa Catarina, pela oportunidade de acesso a um ensino de excelência e por me acolher. Ao meu orientador, José Luís Guedes dos Santos, por ter acreditado em mim, compartilhar seus conhecimentos, guiar minha pesquisa, compreender minhas limitações e dificuldades e mesmo assim me incentivar a seguir em frente. Às professoras Selma Regina de Andrade e Alacoque Lorenzini Erdmann, que me oportunizaram ser aluna especial do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem desta Universidade, na disciplina de Gestão e Política em Serviços de Saúde e Enfermagem, quando despertei o interesse em continuar minha trajetória acadêmica e tomei a decisão de participar do processo de seleção para este mestrado. Aos colegas do Laboratório de Pesquisa, Tecnologia e Inovação em Políticas e Gestão do Cuidado e Educação de Enfermagem e Saúde (GEPADES), pelas trocas de experiência, parceria em artigos e momentos de dificuldades, em especial a Caroline Peiter Chechinel, Greici Capelari Fabrizio e Márcia Daniele Schmitt por terem sido, além de colegas, amigas. A Deus que me deu sabedoria e fortaleza para traçar diferentes caminhos nesta jornada. Obrigada por renovar a minha Fé. Ao meu marido João Augusto Brancher Fuck, que esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis, compreendeu minha ausência e me fez acreditar que era possível, quando nem eu acreditava. À minha família, que compreendeu minha ausência nos finais de semana, feriados e dias de festas, em especial meus pais, Fatima Maria Silveira, Jairo Luiz Silveira e Giancarlo Silveira. À Secretaria Municipal de Saúde de Canelinha/SC e à empresa Qualirede® que incentivaram minha formação durante o período de mestrado. A todos os participantes da pesquisa, que contribuíram para a efetivação deste trabalho e compartilharam comigo suas mais diversas vivências profissionais. Obrigada pela confiança! RESUMO No Brasil, a prática de enfermeiros que atuam na Atenção Primária à Saúde está pautada em atividades assistenciais e gerenciais desenvolvidas concomitantemente. Os enfermeiros neste contexto promovem a organização das atividades da Estratégia Saúde da Família, gerenciamento da unidade básica de saúde e a realização do cuidado. No exercício gerencial, de enfermeiros que atuam na Atenção Primária à Saúde têm-se desenvolvido estratégias próprias de governança. Esta pesquisa teve como objetivo compreender como vem ocorrendo a governança na prática de enfermagem na Atenção Primária à Saúde. Trata-se de um estudo qualitativo, com o referencial teórico- metodológico da Teoria Fundamentada nos Dados em sua vertente construtivista. O cenário de investigação foi a Atenção Primária à Saúde na microrregião de Tijucas/SC. A amostragem teórica foi composta por 22 participantes divididos em três grupos amostrais: O primeiro composto por 13 enfermeiros, o segundo composto por três agentes comunitários de saúde e três técnicos de enfermagem e o terceiro composto por três gestores municipais de saúde. A coleta de dados ocorreu entre abril e julho de 2018, por meio de entrevistas intensivas. A análise dos dados foi realizada concomitante à coleta, seguindo as etapas de codificação inicial e focalizada, com auxílio do software NVIVO®. Do processo de análise dos dados, surgiram seis categorias: “Desenvolvendo atividades assistenciais”, “Gerenciando a unidade básica de saúde”, “Conquistando autonomia profissional”, “Organizando a interação entre os profissionais de saúde por meio do diálogo e trabalho em equipe”, “Tomando decisões coletivamente com a equipe de saúde” e “Lidando com limitações do contexto político- organizacional”. A partir da inter-relação das categorias construiu-se o fenômeno: “Promovendo a funcionalidade da unidade básica de saúde”. Assim, evidenciou-se que a governança na prática de enfermagem na Atenção Primária à Saúde ocorre com a articulação de habilidades e competências do enfermeiro para a funcionalidade do ambiente de trabalho, em meio a limitações no contexto político-organizacional. Com a governança, o enfermeiro articula a realização do trabalho da equipe de saúde à realidade do contexto na busca de melhores resultados. Considera-se que a governança na prática de enfermagem tem impacto na integração dos profissionais e seu envolvimento nos processos decisórios que refletem na corresponsabilização para com o cuidado. Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde; Enfermagem; Gestão em Saúde; Teoria Fundamentada. ABSTRACT In Brazil, the practice of nurses working in Primary Health Care is based on assistential and managerial activities developed concomitantly. Nurses in this context promote the organization of Family Health Strategy activities, the management of the basic health unit and the implementation of care. In the management exercise of nurses who work in Primary Health Care, their own governance strategies have been developed. This research had as objective to understand how has been occurring the governance in the practice of nursing in Primary Attention to Health. This was a qualitative study, with theoretical-methodological reference anchored in the Constructivist Grounded Theory in its constructivist side. The research scenario was Primary Health Care in the Tijucas / SC micro-region. The theoretical sample consisted of 22 participants divided into three sample groups: The first group consisted of 13 nurses, the second was composed of three community health agents and three nursing technicians, and the third was composed of three municipal health managers. The data collection took place between April and July of 2018, through intensive interviews. The data analysis was carried out concomitantly with the collection, following the steps of initial and focused coding, with the aid of NVIVO® software. From the data analysis process, six categories emerged: "Developing care activities", "Managing the basic health unit", "Conquering professional autonomy", "Organizing the interaction between health professionals through dialogue and teamwork" , "Making decisions collectively with the health team" and "Dealing with limitations of the political- organizational context". From the interrelationship of the categories the phenomenon was created: "Promoting the functionality of the basic health unit". Thus, it was evidenced that the governance in nursing practice in Primary Health Care occurs through the articulation of nurses' skills and competences to the work environment functionality, amid limitations in the political-organizational context. With governance, the nurse articulates the accomplishment of the work of the health team to the reality of the contextin search of better results. It is considered that governance in nursing practice has an impact on the integration of professionals and their involvement in the decision- making processes that reflect in the responsibility for care. Palavras-chave: Primary Health Care; Nursing; Health Management; Grounded Theory. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Principais marcos da Atenção Primária à Saúde no Sistema Único de Saúde. Florianópolis, 2019................................................................................ 33 Figura 2 - Codificação Inicial Software NVIVO® 11. Florianópolis, 2019................................................................................ 53 Figura 3 - Codificação Focalizada Software NVIVO® 11. Florianópolis, 2019........................................................ 54 Figura 4 - Exemplo de memorando. Florianópolis, 2019................................................................................ 55 Figura 5 - Exemplo de diagrama. Florianópolis, 2019................................................................................ 56 Figura 6 - Modelo teórico. Florianópolis, 2019................................................................................ 84 Figura 7 - Representação gráfica da tomada de decisão coletiva como estratégia para governança de enfermagem na atenção primária à saúde. Florianópolis, 2019.............................................................................. 102 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Relação dos manuscritos elaborados a partir dos resultados da pesquisa. Florianópolis, 2019............. 59 Quadro 2 - Categorias e subcategorias do fenômeno. Florianópolis, 2019................................................... 64 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Distribuição de enfermeiros da Estratégia Saúde da Família na Microrregião de Tijucas/SC, 2018. Florianópolis, 2019........................................................ 50 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACS Agentes Comunitários de Saúde APS Atenção Primária à Saúde CAAE Certificado de Apresentação para Apreciação Ética CBO Classificação Brasileira de Ocupações CEPON Centro de Pesquisas Oncológicas CIAP Classificação Internacional de Atenção Primária CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde COREN Conselho Regional de Enfermagem DAB Departamento da Atenção Básica DATASUS Departamento de Informática do SUS DECS Descritores em Ciências da Saúde DST-AIDS Doenças Sexualmente Transmissíveis – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida ESF Estratégia Saúde da Família eSF Equipe de Saúde da Família E-SUS Sistema de Informação da Atenção Básica GEPADES Laboratório de Pesquisa Tecnologia e Inovação em Políticas e Gestão do Cuidado e da Educação em Enfermagem e Saúde GT Grounded Theory HGT Hemoglicoteste HIPERDIA Grupo de pessoas com Hipertensão e Diabetes Mellitus NASF Núcleo Ampliado de Saúde da Família PACS Programa dos Agentes Comunitários de Saúde PMAQ/ PMAQ- AB Programa de Melhoria do Acesso e Qualidade PNAB Política Nacional de Atenção Básica SAI Sistema de Informação Ambulatorial SIAB/ SISAB Sistema de Informação da Atenção Básica SUS Sistema Único de Saúde TFD Teoria Fundamentada nos Dados UBS Unidade Básica de Saúde UDESC Universidade do Estado de Santa Catarina UFSC Universidade Federal de Santa Catarina USF Unidade de Saúde da Família APRESENTAÇÃO O objetivo de pesquisa desta Dissertação é compreender como vem ocorrendo a governança na prática de enfermagem na atenção primária à saúde. Este estudo vincula-se à linha de pesquisa Políticas, Gestão e Avaliação do Cuidado em Saúde e Enfermagem do Programa de Pós- Graduação em Enfermagem (PEN) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Laboratório de Pesquisa, Tecnologia e Inovação em Políticas e Gestão do Cuidado e Educação de Enfermagem e Saúde (GEPADES). Esta Dissertação está estruturada da seguinte forma: Capítulo 1 – Consta da introdução, em que problematizo e justifico o objeto de pesquisa, bem como apresento a questão de pesquisa. Capítulo 2 – Apresenta o objetivo da pesquisa. Capítulo 3 – Traz a sustentação teórica da pesquisa, que está organizada em quatro eixos: o Sistema Único de Saúde e a Atenção Primária à Saúde; atuação do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde; Governança e enfermagem; e Complexidade organizacional. Capítulo 4 – Corresponde ao método empregado, um estudo qualitativo com o referencial teórico-metodológico da Teoria Fundamentada nos Dados. Capítulo 5 – Apresenta os resultados e a discussão, por meio do Manuscrito 1, intitulado “Governança na prática de enfermagem na Atenção Primaria à Saúde”, que corresponde ao modelo teórico sobre a temática; e do manuscrito 2, intitulado Tomando Decisões Coletivamente: estratégia de enfermeiros para a governança na prática de enfermagem na Atenção Primária à Saúde. Esse artigo é um recorte dos achados do estudo. Capítulo 6 – Nele está uma síntese dos principais resultados, sugestões, contribuições e limitações desta pesquisa. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................ 25 2 OBJETIVO ....................................................................................... 30 3 SUSTENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................... 31 3.1 O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE E A ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE ................................................................................................. 31 3.2 ATUAÇÃO DO ENFEMEIRO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE ................................................................................................. 35 3.3 GOVERNANÇA E ENFERMAGEM ............................................. 39 3.4 COMPLEXIDADE ORGANIZACIONAL..................................... 41 4 MÉTODO .......................................................................................... 46 4.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO .................................................. 46 4.2 CONTEXTO DO ESTUDO ............................................................ 48 4.3 PARTICIPANTES .......................................................................... 50 4.4 ANÁLISE COMPARATIVA CONSTANTE ................................. 52 4.5 USO DE MEMORANDOS E DIAGRAMAS ................................ 55 4.6 VALIDAÇÃO DO MODELO TEÓRICO ...................................... 56 4.7 PRINCÍPIOS ÉTICOS .................................................................... 57 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ..................................................... 59 5.1 MANUSCRITO 1 ........................................................................... 60 5.2 MANUSCRITO 2 ........................................................................... 98 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................ 116 REFERÊNCIAS ................................................................................ 118 APÊNDICE A – ROTEIRO DE ENTREVISTA INTENSIVA – PRIMEIRO GRUPO FOCAL .......................................................... 135 APÊNDICE B – ROTEIRO DE ENTREVISTA INTENSIVA – SEGUNDO GRUPO FOCAL ...........................................................137 APÊNDICE C – ROTEIRO DE ENTREVISTA INTENSIVA – TERCEIRO GRUPO FOCAL ......................................................... 138 APÊNDICE D – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ............................................................................... 139 ANEXO A – DECLARAÇÃO DE CIÊNCIA E CONCORDÂNCIA DA INSTITUIÇÃO ........................................................................... 142 ANEXO B – PARECER CONSUBSTNCIADO DO CEP ............. 143 25 1 INTRODUÇÃO A Atenção Primária à Saúde (APS), no Brasil, desenvolve-se por meio do exercício de práticas de cuidado e gestão, sendo estas democráticas e participativas, sob a forma de trabalho em equipes que compõem a Estratégia Saúde da Família (ESF), ponto central do modelo atual de saúde (BRASIL, 2017). Por meio da ESF, a organização do trabalho na APS é fundamentada para garantia da universalidade, do acesso e da integralidade (GALAVOTE et al., 2016). Caracteriza-se por ações de saúde em âmbito individual e coletivo, abarcando a promoção, proteção, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos e manutenção da saúde. Assim, tem como objetivo desenvolver uma atenção integral com impacto na saúde e autonomia das pessoas, além de influenciar nos determinantes e condicionantes de saúde das coletividades (BRASIL, 2012). No Brasil, a Política Nacional da Atenção Básica (PNAB), que estabelece a revisão de diretrizes e normas para a organização da atenção básica para a ESF e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), considera os termos Atenção Básica e Atenção Primária à Saúde como equivalentes (BRASIL, 2012a). O Descritor em Ciência da Saúde (DECS) aponta o termo Atenção Básica como sinônimo de Atenção Primária à Saúde e define como: A assistência sanitária essencial baseada em métodos e tecnologias práticas, cientificamente fundados e socialmente aceitáveis, postos ao alcance de todos os indivíduos e famílias da comunidade mediante a sua plena participação e a um custo que a comunidade e o país possam suportar, em todas e cada etapa do seu desenvolvimento, com um espírito de autorresponsabilidade e autodeterminação (DECS, 2019). No contexto da APS, o enfermeiro realiza ações de prevenção e tratamento de doenças e agravos, promoção da saúde para pessoas de todas as faixas etárias na forma de demandas espontâneas e programadas. Além disso, planeja, gerencia e avalia as ações desenvolvidas pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), técnicos de enfermagem e Agentes de Combate a Endemias (ACE), contribui com a educação permanente e gerencia insumos (BRASIL, 2017). Os dados do Conselho Federal de Enfermagem indicam que há, no Brasil, 511.458 enfermeiros (COFEN, 2019). Destes, 51.280 constam http://decs.bvs.br/cgi-bin/wxis1660.exe/decsserver/?IsisScript=../cgi-bin/decsserver/decsserver.xis&previous_page=homepage&task=exact_term&interface_language=p&search_language=p&search_exp=Assist%EAncia http://decs.bvs.br/cgi-bin/wxis1660.exe/decsserver/?IsisScript=../cgi-bin/decsserver/decsserver.xis&previous_page=homepage&task=exact_term&interface_language=p&search_language=p&search_exp=M%E9todos http://decs.bvs.br/cgi-bin/wxis1660.exe/decsserver/?IsisScript=../cgi-bin/decsserver/decsserver.xis&previous_page=homepage&task=exact_term&interface_language=p&search_language=p&search_exp=Crescimento%20e%20Desenvolvimento 26 no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES, 2019) como Enfermeiros da ESF. Na Região Sul do Brasil, estão cadastrados, com esta descrição, no mês de dezembro de 2018, 7.324 profissionais e no Estado de Santa Catarina, 1.888 enfermeiros vinculados às 1.777 Equipes de Saúde da Família (CNES, 2019). Ao encontro disso, a taxa de crescimento de enfermeiros entre 2008 e 2013 na APS no Brasil foi de 42% (CARVALHO et al., 2018). Esses números retratam a magnitude da inserção profissional dos enfermeiros no cenário de cuidado na APS. A inserção do enfermeiro e sua prática, tanto gerencial quanto assistencial, apontam destaque deste profissional nas equipes de saúde e na organização do trabalho no contexto mencionado (MATUMOTO et al., 2011; BACKES et al., 2012; FERNANDES; SILVA, 2013; HALCOMB et al., 2016; GALAVOTE et al., 2016). Estudos apontam que a atuação do enfermeiro na APS está pautada em duas vertentes: produção do cuidado e gestão, sendo esta última predominante. Dessa forma, além de competências técnicas, espera-se desses profissionais a execução de ações de acordo com as políticas públicas de saúde e gestão do trabalho. Estas ações referem-se, respectivamente, à busca pela universalidade, ampliação do acesso, integralidade, coordenação do cuidado e à liderança no processo de trabalho da equipe multidisciplinar (MATUMOTO et al., 2011; FERNANDES; SILVA, 2013; GALAVOTE et al., 2016). A Lei que regulamenta o exercício profissional do enfermeiro, publicada em 1986, também aponta para essa questão, ao estabelecer que o planejamento, organização, execução e avaliação dos serviços da assistência são privativos do enfermeiro, ou seja, estreita a relação da atuação do enfermeiro à prática gerencial (BRASIL, 1986). Em revisão integrativa da literatura, realizada por Halcomb et al. (2016), com o objetivo de relatar as habilidades dos enfermeiros que trabalham na Atenção Primária, foi identificado que, em países como Nova Zelândia, Austrália, Reino Unido, Tailândia, África do Sul, Brasil e Canadá, as práticas de enfermeiros neste contexto assemelham-se pelas suas habilidades clínicas e gerenciais, como: técnica de cuidado, boa comunicação, capacidade de resolutividade, trabalho em equipe, supervisão de equipes, educação continuada, orientações aos usuários e atuação no ensino de enfermagem, participação em pesquisas de avaliação e qualidade do trabalho de enfermagem, demonstrando domínio no uso de informações referentes à gestão, tecnologia e sistemas para informar cuidados clínicos (HALCOMB et al., 2016). Para Backes et al. (2012), o enfermeiro é considerado um profissional 27 fundamental como integrante da ESF, assumindo um papel cada vez mais autônomo e proativo no que se refere à identificação das necessidades de cuidado da população, bem como na promoção e proteção da saúde dos indivíduos. Diante da dimensão do caráter gerencial do enfermeiro, a governança é considerada um campo a ser explorado nas pesquisas relacionadas à gestão em enfermagem na América Latina, especialmente no contexto da APS (SANTOS et al., 2013a). Esse termo tem sido introduzido nas discussões que envolvem gestão/gerência de enfermagem, principalmente a partir dos anos 2000 (OLIVEIRA et al., 2014). Para tanto, faz-se necessária a compreensão da inter-relação dos termos “gestão”, “gerência” e “governança” em suas diferentes dimensões. Motta (2007) descreve gestão e gerência como sinônimos, que compreendem a ação, o pensar e a decisão, levando a compreendê- las como a arte de fazer acontecer e obter resultados que podem ser definidos, previstos, analisados e avaliados. Logo, gestão e gerência são tratadas como científicas e racionais, das quais procedem análises e relações de causa e efeito. Ainda que compreendidas como algo passível de imprevisibilidades e de interações humanas, o que lhes confere uma dimensão do intuitivo, do emocional e do espontâneo (MOTTA, 2007). Para Mororó et al. (2017), a gestão, ou gerenciamento, do cuidado é aplicada à articulação entre as dimensões gerencial e assistencial no processo de trabalho do enfermeiro. Assim, quando o enfermeiro atua na dimensão gerencial, ele desenvolve ações voltadas para a organização do trabalho e de recursos humanos cujo propósito é de viabilizar as condições adequadas tanto para a oferta do cuidado ao paciente, como para a atuação daequipe de enfermagem. No entanto, concluem que a articulação e integração da prática gerencial com o cuidado são características essenciais da gestão desse cuidado. Destacam ainda a liderança, o trabalho em equipe, a comunicação, a articulação e a cooperação exercida pelo enfermeiro com os integrantes da equipe de enfermagem, demais profissionais de saúde e usuário como características essenciais da gestão do cuidado (MORORÓ et al., 2017). A governança envolve as interações entre estruturas, processos e normas que determinam como o poder é exercido, como as decisões são tomadas e como os envolvidos têm responsabilidades sobre suas decisões (PLUMPTRE; GRAHAM, 1999). Um de seus princípios é a participação e a inclusão dos profissionais nos processos de gestão e tomada de decisão, nos quais estes devem estar tão comprometidos quanto os gestores com os resultados assistenciais a serem alcançados 28 (ANTHONY, 2004). Ao contrário de governabilidade, que sugere atividades sustentadas por uma autoridade formal, a governança refere- se a atividades apoiadas em objetivos comuns, que podem ou não derivar de responsabilidades legais e formais e que não dependem, necessariamente, do poder de autoridade para que sejam aceitas e vençam resistências (ANDRADE, 2012). Genericamente, governança é entendida como o estabelecimento, a aplicação e o cumprimento de regras. Apesar de o termo estar sendo equiparado por algumas organizações internacionais aos conceitos de diretoria, gestão e governabilidade, observam-se discrepâncias semânticas importantes entre elas (DÍAZ-CASTRO et al., 2017). Na área da saúde, a maioria das definições tratam a governança como sendo o conjunto de funções que se adaptam à realidade e políticas que norteiam o serviço de saúde, bem como os resultados que são desejados. (DÍAZ-CASTRO et al., 2017). Para Dodgson et al. (2002), apesar de o termo ser utilizado de maneiras diferentes, como governança corporativa, clínica e boa governança, seu aspecto central é a capacidade de uma sociedade de promover ações coletivas e fornecer soluções para objetivos comuns. Em revisão integrativa da literatura sobre governança em enfermagem, Santos et al. (2013a) encontraram somente um artigo sobre governança na APS dentre os 25 analisados. Os autores destacaram que os impactos advindos da adoção de modelos de governança nos serviços de saúde e enfermagem apontam para a necessidade de realização de estudos sobre a temática na América Latina, com o intuito de analisar e avaliar sua pertinência e aplicabilidade em diferentes contextos. Entre os impactos advindos da adoção de modelos de governança para os serviços de saúde destacam-se: melhoria da qualidade assistencial, criação e manutenção de uma rede de comunicação entre os gerentes e os profissionais, promoção da liderança do enfermeiro, maior autonomia dos enfermeiros nos processos decisórios, maior satisfação profissional com diminuição da rotatividade entre enfermeiros, maior reconhecimento e visibilidade profissional dos enfermeiros e diminuição dos custos assistenciais (SANTOS et al., 2013a). O Sistema Único de Saúde (SUS) tem como principais desafios a garantia da qualidade da atenção e a gestão eficiente. Logo, a produção do cuidado pelo enfermeiro e a sua inserção nos espaços de gestão deste sistema de saúde e de participação social assinalam para a pertinência da discussão sobre a temática da governança no contexto. 29 Além da importância das habilidades gerenciais pelos enfermeiros na APS e da lacuna sobre a relação da governança e a prática de enfermeiros na APS na literatura, o interesse por essa temática também está relacionado à minha trajetória acadêmica e profissional na enfermagem. Durante a Graduação em Enfermagem com ênfase em Saúde Pública, na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), percebia o trabalho do enfermeiro em Saúde da Família imerso na gestão do serviço, atuando como coordenador das equipes, do cuidado e também assumindo cargos de gestão de Secretarias Municipais de Saúde. Em 2011, iniciei minha vivência como enfermeira da ESF, desempenhando competências técnicas, atuando na coordenação do cuidado, sendo responsável pelo desenvolvimento dos instrumentos de planejamento e gestão municipais junto ao Ministério da Saúde (Plano Municipal de Saúde, Programação e Relatórios de Gestão). Inquietava- me o fato de a gestão municipal não cumprir com seu papel gerencial, acontecendo apenas em movimentos para provimento e manutenção de recursos. Percebia que os processos decisórios, de planejamento, de monitoramento e de avaliação não eram compartilhados com os enfermeiros e demais profissionais, o que remete a um modelo de gestão centralizado e verticalizado, sem comprometimento e motivação dos envolvidos. A partir dessa vivência profissional, busquei aperfeiçoar minha prática realizando uma especialização em Saúde da Família, na modalidade de residência e com objetivo de compreender como aconteciam os processos de gestão em enfermagem e saúde, e desafiei- me a ingressar no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina, como membro do Laboratório de Pesquisa, Tecnologia e Inovação em Políticas e Gestão do Cuidado e da Educação em Enfermagem e Saúde (GEPADES). A partir disso e da inserção nas discussões sobre governança, surgiu o interesse pelo tema em questão. Diante dessas considerações, delineou-se como questão de pesquisa: Como vem ocorrendo a governança na prática profissional de enfermagem no contexto da Atenção Primária à Saúde? 30 2 OBJETIVO Este estudo teve como objetivos: Compreender como vem ocorrendo a governança na prática profissional de enfermagem no contexto da Atenção Primária à Saúde; Elaborar um modelo teórico sobre a governança na prática do profissional de enfermagem no contexto da Atenção Primária à Saúde. 31 3 SUSTENTAÇÃO TEÓRICA Esta seção apresenta alguns conceitos e eixos de pensamento que dão sustentação teórica à problemática investigada. Para tanto, organizou-se o texto em quatro tópicos: 1) O Sistema Único de Saúde e a Atenção Primária à Saúde; 2) Atuação do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde; 3) Governança e Enfermagem; e 4) Complexidade Organizacional. 3.1 O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE E A ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE A Constituição Federal de 1988 considera a saúde como direito social da população e estabelece competências comuns para seu alcance entre as três esferas do governo (municipal, estadual e federal) para legislar sobre a proteção e defesa da saúde (BRASIL, 2016). A Constituição instituiu o SUS para operacionalizar essas determinações, sendo a Lei 8.080/1990 o marco legal que determina as Políticas do SUS no Brasil. A Lei surgiu com a busca de reformulação do sistema de saúde a partir das considerações da 8ª Conferência Nacional de Saúde em 1986, frente à situação de deterioração das condições de saúde pública, como epidemias de febre amarela, varíola, cólera, a mortalidade crescente e constante pela tísica (doença associada às condições de pobreza da população pelos médicos da época). Além de contribuir para a criação do SUS, foi ponto de partida para a participação popular com o intuito de avaliar a situação de saúde da população e propor diretrizes posteriormente consolidadas na Lei 8.142/90 (BRASIL, 2012). A Lei 8.080/1990 “Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências”. Regula as ações e serviços de saúde, em todo o território nacional, sejam elas executadas isoladamente ou conjuntamente, de caráter temporário ou permanente, por pessoas naturais ou jurídicasde direito público ou privado. Considera a saúde como direito fundamental do ser humano, cabendo ao Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício. No entanto, não exclui o dever das pessoas e famílias, das empresas e sociedade para com a saúde (BRASIL, 1990). Como forma de orientar os serviços de saúde, a legislação em questão adota princípios doutrinários fundamentais e organizacionais para o SUS, sendo a universalidade, integralidade e equidade os estruturantes da institucionalidade do sistema. Entre os organizacionais 32 destaca-se a descentralização de meios e responsabilidades, com prioridade municipal de execução, além da participação social na elaboração e controle da política nacional. Estabelece como fatores determinantes e condicionantes da saúde: alimentação, moradia, saneamento básico, meio ambiente, trabalho, renda, transporte, lazer, acesso aos bens e serviços essenciais. Dessa forma, os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do país (BRASIL, 1990). Após 21 anos da sua promulgação, em 2011, o Decreto 7.508 regulamenta a Lei 8.080/1990. Dispõe sobre a organização do SUS por meio das Regiões de Saúde, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, e dá outras providências. Nesse sentido, as Regiões de Saúde devem ser compostas por municípios limítrofes, por ato conjunto dos respectivos estados em articulação com os municípios. Sendo referência para as transferências de recursos entre os entes federativos. Para ser instituída, a Região de Saúde deve conter, no mínimo, ações e serviços de: atenção primária; urgência e emergência; atenção psicossocial; atenção ambulatorial especializada e hospitalar; e vigilância em saúde. A porta de entrada para as ações e serviços de saúde nas Redes de Atenção à Saúde deve dispor dos serviços de atenção primária; de atenção de urgência e emergência; atenção psicossocial; e especiais de acesso aberto. Sendo o acesso a estes serviços universal, igualitário, completando-se na rede regionalizada e hierarquizada, de acordo com a complexidade do serviço (BRASIL, 2011). As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são consideradas arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades tecnológicas que, integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado (BRASIL, 2011). A APS desenvolve-se com o mais alto grau de descentralização e capilaridade da rede, sendo considerada principal porta de entrada no sistema e centro de comunicação da RAS, coordenadora do cuidado e ordenadora das ações e serviços disponibilizados na rede (BRASIL, 2017). Em âmbito internacional, as conferências sobre cuidados primários em saúde vêm sendo realizadas desde o final dos anos de 1970. Em 1978 a primeira conferência internacional de saúde é chamada de conferência de Alma-Ata, que adotou o seguinte conceito de saúde: Estado de completo bem-estar físico, mental e social e não simplesmente a ausência de doença 33 ou enfermidade, é um direito humano fundamental e que a consecução do mais alto nível possível de saúde é a mais importante meta social mundial, cuja realização requer a ação de muitos outros setores sociais e econômicos, além do setor saúde (Declaração de Alma-Ata, 1978, p.1). A Atenção Primária, nessa conferência, foi entendida como ponto- chave para alcançar essa meta e, para que fosse idealizada, este serviço deveria ser levado o mais próximo do local onde as pessoas vivem e trabalham (Declaração de Alma-Ata, 1978). No Brasil, o SUS é tido como uma conquista da sociedade civil, descrita anteriormente pelos marcos legais, que modifica os paradigmas até então utilizados para pensar a saúde da população, e busca-se representar na Figura 1 os principais marcos da APS neste sistema. Figura 1 - Principais marcos da Atenção Primária à Saúde no Sistema Único de Saúde. Florianópolis, 2019 Fonte: elaborado pela autora (2019). Considerando a necessidade de revisar e adequar as normas da APS, para a ESF e PACS relacionado ao contexto social e econômico em constante transformação no Brasil, a Portaria 2.488, de 21 de outubro de 2011, aprova a Política Nacional da Atenção Básica (BRASIL, 2012). Em setembro de 2017, a Portaria 2.436 revoga a portaria anterior e aprova a Política Nacional da Atenção Básica com vistas à revisão da regulamentação de implantação e operacionalização 34 vigentes, no âmbito do SUS, estabelecendo-se as diretrizes para a organização do componente Atenção Básica, na Rede de Atenção à Saúde (BRASIL, 2017). As principais alterações revisadas na atual portaria estão relacionadas com a integração da Vigilância em Saúde à APS, inclusão do Agente de Combate à Endemias nas equipes de saúde da família, mesmo que este esteja submetido à vigilância em saúde, a recomendação de um gerente de atenção primária, dados de cobertura e financiamento da APS (BRASIL, 2017). Nessa portaria está descrito que a APS tem como princípios: universalidade, equidade e integralidade. E como diretrizes: regionalização e hierarquização, territorialização, população adscrita, cuidado centrado na pessoa, resolutividade, longitudinalidade do cuidado, coordenação do cuidado, ordenação da rede e a participação da comunidade (BRASIL, 2017). A APS organiza-se em Unidades Básicas de Saúde (UBS), compostas por equipes nas modalidades de equipes de saúde da família, equipe de atenção básica, equipe de saúde bucal e núcleo ampliado de saúde da família e atenção básica. As equipes multiprofissionais são compostas por médicos e enfermeiros, preferencialmente especialistas em saúde da família, cirurgiões- dentistas, auxiliar ou técnico em saúde bucal, auxiliar de enfermagem ou técnico de enfermagem, agentes comunitários de saúde, agentes de combate a endemias, entre outros profissionais em função da realidade epidemiológica, institucional e das necessidades de saúde da população. Indica-se que cada equipe seja responsável por 2.000 mil a 3.500 pessoas, e que cada ACS não ultrapasse o acompanhamento de 750 pessoas (BRASIL, 2017). Para Galavote et al. (2016), a APS deve utilizar tecnologias de cuidado complexas e variadas para auxiliar no manejo das demandas e necessidades de saúde de maior frequência e relevância em seu território, observando critérios de risco, vulnerabilidade e resiliência e o imperativo ético de que toda demanda, necessidade de saúde ou sofrimento devem ser acolhidos. Ao encontro do modelo de saúde brasileiro, encontra-se o modelo de saúde português. Em 2005 iniciou-se a reforma dos cuidados de saúde primários portugueses considerada uma das mais bem-sucedidas reformas de serviços públicos em Portugal nas últimas décadas. Este sistema organiza-se em Unidades de Saúde Familiar (USFs) compostas por equipes multidisciplinares (médicos, enfermeiros e secretários clínicos) de constituição voluntária e auto- organizadas, estas operam em centros de saúde geridos pelo Estado e que dão resposta com autonomia e de um modo flexível às necessidades 35 de saúde de um conjunto de pessoas, com especial foco nos cuidados médicos e de enfermagem personalizados (BISCAIA; HELENO, 2017). Ainda para os autores Biscaia e Heleno (2017), o processo de mudança dessa reforma envolveu a governança clínica para dar consistência e sustentabilidade, procurando obter ganhos em saúde através da melhoria da qualidade e da participação e responsabilização de todos. Dessa forma, a reforma portuguesa foi considerada moderna e inovadora. Moderna, pois se aliou à tecnologia e inovadora, principalmente para um sistema público, porque quebrou com o modelo vertical e hierarquizado tradicional e apostou em equipes autosselecionadas e auto-organizadas, com autonomia funcional e responsabilização,que podiam concentrar-se nas pessoas e comunidades que serviam e focar-se nas suas atividades nucleares. Sendo assim, percebe-se que a APS, como principal ponto de atenção, porta de entrada no sistema de saúde brasileiro e ordenadora do cuidado, tem sido campo de atuação para enfermeiros tanto com competências assistenciais, como gerenciais. Descrevem-se a seguir exemplos de estudos que envolveram enfermeiros no contexto estudado. 3.2 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE No Brasil, o enfermeiro inserido na APS cada vez mais incorpora atividades administrativas às práticas de assistência direta ao usuário, apontando para a ampliação dos seus limites. Exemplo disto é que, além da coordenação da equipe de enfermagem e supervisão dos agentes comunitários de saúde, inúmeras atividades de manutenção e controle dos serviços estão sob a gestão desse profissional. No contexto do cuidado integral, espera-se que as atividades de gestão façam parte da prática do cuidado de forma que sejam práticas complementares e não excludentes. As atividades gerenciais apontam para uma diversificação das possibilidades do mercado de trabalho, exigências do capital, desenvolvimento de políticas e capacitação pelos enfermeiros para atuação com qualidade neste contexto (GALAVOTE et al., 2016). Para Lanzoni, Meirelles e Cummings (2016), em um estudo sobre a prática de liderança do enfermeiro na APS, este profissional é considerado diferenciado nos serviços de APS, pois possui um conjunto de habilidades único, incorporando ações de promoção da saúde e de prevenção de doenças, além de articular as atividades de vários outros trabalhadores de saúde. Descrevem como um desafio a organização de lideranças clínicas e gerenciais pelos enfermeiros. No entanto, os 36 reconhecem como líderes, devido às suas características naturais e/ou formação profissional, destacando sua forte influência no complexo sistema de saúde brasileiro. Nesse mesmo estudo, os participantes, enfermeiros, apontaram as condições inadequadas de trabalho, o número insuficiente de trabalhadores e a presença de profissionais com orientações diferentes das preconizadas pelas políticas públicas como influências negativas no exercício da liderança. Embora existam fragilidades no trabalho em equipe na APS, as melhores práticas de saúde estão associadas a esse método, sendo os enfermeiros especialistas em promover este trabalho (LANZONI; MEIRELLES; CUMMINGS, 2016). Ashley, Halcomb e Brown (2016) apontam que o ambiente de saúde em que os enfermeiros atuam está em constante mutação para atender às necessidades sociais, como, por exemplo, o envelhecimento populacional e aumento das doenças crônicas. Isso fornece desafios contínuos para garantir que os trabalhadores estejam habilitados com os conhecimentos e aptidão adequada para atender essas mudanças. Em uma revisão integrativa da literatura, os autores identificaram um número limitado de estudos com o tema da transição de cuidados agudos para os cuidados de saúde primários pelos enfermeiros. Escrevem que estes precisam ser preparados para a mudança, para sentirem-se seguros e aptos e identificaram a limitação do enfoque de enfermagem em APS nos programas de graduação. Concluem que os impactos de incluir a teoria e prática de enfermagem em APS nesse aprendizado têm impacto positivo no cuidado e que os enfermeiros que prestam cuidados primários foram identificados como satisfeitos em sua revisão. Ao explorar e descrever as percepções dos enfermeiros de APS sobre suas necessidades motivacionais para adquirir liderança nos locais de trabalho, Jooste e Hamani (2017) consideram que os enfermeiros precisam ter reconhecimento, responsabilidade organizacional, planejamento estratégico e promoção, bem como apoio por membros da equipe e gerentes. Segundo as autoras, um padrão de motivação particular, que denominam de motivação de liderança, é necessário para que os indivíduos sejam gerentes eficazes. Com objetivo de identificar os fatores que influenciam a carga de trabalho, a produtividade e o tamanho da agenda dos profissionais de enfermagem em ambientes de cuidados de saúde primários de base comunitária no Canadá e internacionalmente, Martin-Misener et al. (2016) destacam que: o número médio de pacientes atendidos por profissionais de enfermagem varia entre os países, os profissionais atendem em média 9-15 paciente por dia, as características dos pacientes 37 e suas condições de saúde parecem influenciar o número de pacientes atendidos por dia e que existem poucos sistemas para rastrear e medir as atividades de enfermeiros em ambientes de cuidado de saúde primários de base comunitária. Diante do exposto, considera-se que os profissionais de enfermagem são fundamentais na composição da equipe de saúde na APS e na gestão desse serviço. Esta afirmativa baseia-se no perfil de liderança, gestão da equipe e do serviço, supervisão dos agentes comunitários de saúde, além de destacarem-se como atores na produção/promoção de cuidado e saúde no Brasil e no mundo. Conclui- se que os estudos recentes, discutidos por pesquisadores dedicados à compreensão da enfermagem e sua relação com a governança, assinalam para a necessidade de identificar como os profissionais entendem seu papel, as estruturas de saúde, os processos contemporâneos que permeiam as transformações nos estilos ou modelos da profissão. A lei que regulamenta o exercício profissional do enfermeiro considera que a enfermagem é exercida privativamente pelo enfermeiro, pelo técnico de enfermagem, pelo auxiliar de enfermagem, e pela parteira, respeitados os respectivos graus de habilitação. Suas práticas estão presentes nas instituições que prestam serviços de saúde e representam, geralmente, o maior percentual dos profissionais de saúde dentro de um estabelecimento (BRASIL, 1986). Desde a segunda metade do século XIX, quando ocorre a institucionalização da enfermagem por meio do trabalho de Florence Nightingale, na guerra da Crimeia, surgem contextualizações do gerenciamento de enfermagem (FORMIGA; GERMANO, 2005). As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem (DCN/ENF), que direcionam a formulação do currículo de enfermeiros nas instituições de educação superior no Brasil, demonstram a relação do ensino de enfermagem com a administração e gerência dos serviços de saúde, considerando os mais diversos contextos de atuação. Exemplo disso é o estabelecimento da Administração de Enfermagem como conteúdo curricular. Espera-se que o egresso do curso de enfermagem esteja apto a fazer o gerenciamento e administração tanto da força de trabalho, como dos recursos físicos e materiais e de informação, da mesma forma que devem estar aptos a serem gestores, empregadores ou lideranças na equipe de saúde (BRASIL, 2001). Mororó et al. (2017) corrobora que investir no componente de gestão durante o processo de formação dos enfermeiros pode instrumentalizá-los para o desenvolvimento da liderança, trabalho em 38 equipe, comunicação, relacionamento interpessoal, tomada de decisão, planejamento e organização, dentre outras competências necessárias ao seu perfil profissional. Os atributos essenciais à gestão do cuidado em enfermagem devem ser trabalhados e desenvolvidos durante o processo de formação do enfermeiro através da aproximação entre o conhecimento teórico e a prática (MORORÓ et al., 2017). Diferentes autores descrevem a ação gerencial do enfermeiro no contexto da APS (MATUMOTO et al., 2011; FERNANDES; SILVA, 2013; GALAVOTE et al., 2016). Para Fernandes e Silva (2013), entre as ações de gerenciamento do enfermeiro na APS destacam-se a participação na elaboração, coordenação e articulação do planejamento da unidade de saúde. Os mesmos autores exemplificam essas práticas quandodescrevem que: O enfermeiro é capaz de identificar os recursos (estrutura física, sistema de informação, localização de documentos da unidade) e os fatores (perfil demográfico e epidemiológico da população descrita) relacionados com o planejamento da ESF; O enfermeiro promove a integração e o bom relacionamento das equipes de saúde sob sua responsabilidade, investe nas relações interpessoais, valorizando o desempenho dos profissionais, almejando com isso a qualidade do cuidado prestado (FERNANDES; SILVA, 2013). Santos et al. (2013b) escreve que, a partir da década de 1990, com as novas demandas exigidas pelo exercício de cuidar do ser humano, o advento do SUS e as transformações no mundo do trabalho, é preciso intensificar o debate acerca das mudanças necessárias na gestão, gerência e organização do trabalho em saúde. Para Sousa e Bernardino (2015) os recentes modelos gerenciais recomendam a participação de todos no processo decisório e a modificação dos organogramas tradicionais, criando unidades de produção, excluindo departamentos e seções organizados por profissões e substituindo por unidades conforme a lógica de trabalho, compostas por equipes multiprofissionais. Nesse sentido, Fernandes e Silva (2013) apontam que as ações gerenciais do enfermeiro na APS sofrem influências do modelo tradicional (diálogo vertical e exclusão da participação dos usuários na construção das atividades gerenciais). Os autores escrevem que essas ações tradicionais do gerenciamento são pautadas nos modelos tayloristas, fordistas e weberianos. As ações gerenciais do enfermeiro, como ferramenta essencial para a organização do ambiente de trabalho, planejamento das técnicas de cuidado e coordenação dos membros da 39 equipe de saúde da ESF, não são implementadas com eficiência e eficácia, uma vez que os modelos administrativos tradicionais são frequentes, conforme as discussões dos autores, sendo fator limitante para a integralidade das práticas do enfermeiro no âmbito da Atenção Básica (FERNANDES; SILVA, 2013). Santos et al. (2013b) destacam oito ações principais de gerência do cuidado do enfermeiro:1) Dimensionar a equipe de enfermagem; 2) Exercer liderança no ambiente de trabalho; 3) Planejar a assistência de enfermagem; 4) Educar/Capacitar a equipe de enfermagem; 5) Gerenciar os recursos materiais; 6) Coordenar o processo de realização do cuidado; 7) Realizar o cuidado e/ou procedimentos mais complexos; e 8) Avaliar o resultado das ações de enfermagem. Diante das necessidades assentadas nas mudanças nos modelos gerenciais na atualidade e nas práticas gerenciais do enfermeiro, considera-se que a compreensão de governança na prática do enfermeiro no contexto estudado possa trazer contribuições para o sistema de saúde. 3.3 GOVERNANÇA E ENFERMAGEM Para que os enfermeiros possam gerenciar o cuidado, devem ter autonomia e participar dos processos de decisão que envolvem os processos de governança no ambiente de trabalho. Esse tema representa uma possibilidade a ser explorada no campo das pesquisas de gestão e gerenciamento em enfermagem (SANTOS et al., 2013a). Em uma revisão integrativa da literatura, Santos (2013a) identifica três tipos de governança na enfermagem: compartilhada, clínica e pública. O primeiro modelo de gestão é projetado para promover o controle dos enfermeiros sobre a sua prática e o ambiente no qual ela é realizada. No segundo, os padrões elevados de atendimento são esperados pelas organizações nacionais de serviços de saúde. No terceiro, a administração do estado regula o serviço de saúde (SANTOS et al., 2013a; SANTOS; OLIVEIRA, 2016). Relatada pela primeira vez em 1980, a governança compartilhada é considerada um modelo que tem influência sobre a prática de enfermagem atual. E a complexidade do sistema de saúde evidencia a necessidade de que o enfermeiro esteja pronto para a tomada de decisões. Neste sentido, a governança compartilhada tem sido adotada por muitas organizações como um veículo para capacitar os enfermeiros. Este modelo de envolvimento dos trabalhadores aumenta o controle dos profissionais sobre sua prática e é um componente integral 40 para os hospitais que atingiram a acreditação pela sua excelência assistencial (GERARD; OWENS; OLIVER, 2016). Com objetivo de avaliar os resultados de mudanças (abordagem generalista para uma abordagem baseada em equipes, semelhante à do Reino Unido) ocorridas na enfermagem em saúde pública, na Irlanda, em relação à qualidade, segurança, risco, governança clínica, supervisão por duas equipes de enfermeiros e supervisão clínica, gestão ativa do número de casos e efeito financeiro, Hanafin e O’reilly (2015) apontam como positivas as mudanças ocorridas. Alguns exemplos dessas mudanças são: poder compartilhar o atendimento aos clientes, maior transparência e distribuição mais equitativa da carga de trabalho, benefícios aos cuidados clínicos de enfermagem devido à partilha de informações e apoio a visitas conjuntas (HANAFIN; O’REILLY, 2015). O estudo citado anteriormente descreveu mudanças semelhantes ao modelo de governança clínica. Recentemente, Hess (2017) escreveu uma crítica sobre outro novo conceito de governança profissional, considerando esta terminologia já existente há mais de 30 anos e muito próxima do modelo de governo tradicional. Dessa forma, não valoriza a necessidade de explorar este novo conceito. Destaca que a governança compartilhada é entendida como um componente de um conceito maior de governança profissional. Porter-O’Grady (2017) corrobora com o editorial de Hees (2017) do ponto de vista conceitual de governança profissional e compartilhada. Além disso, compartilha ideias adicionais como a de que o termo “governança compartilhada” refere-se ao mesmo que o termo “governança profissional”, e passou a ser utilizado apenas por conveniência. Compartilha a ideia de que a governança profissional se distingue das funções gerenciais como um mecanismo para que as profissões não sejam controladas ou gerenciadas por organizações ou fora da profissão. Uma das características únicas das profissões é que elas são autogeridas e têm controle exclusivo sobre sua própria prática e trabalham como parceiros de organizações e outros para atender às necessidades daqueles a quem servem. Seu relacionamento é um acordo, não uma hierarquia. A liderança de enfermagem, quando envolve um bom relacionamento com a equipe, é considerada essencial na promoção e manutenção de um ambiente de governança compartilhada que capacita outros enfermeiros para assumir um papel ativo no processo de mudança. A parceria, a responsabilização, a propriedade e a equidade, que são a base da governança compartilhada, refletem-se no sucesso de implementação e sustentabilidade das diretrizes de dimensionamento da 41 equipe. Uma instituição que investe na governança compartilhada como um componente importante de sua estrutura organizacional promove a colaboração entre a liderança de enfermagem e todos os enfermeiros, o que resulta em maior satisfação do paciente, satisfação do pessoal e num ambiente de trabalho saudável (BIEBER; JOACHIM, 2016). A governança compartilhada fornece uma oportunidade para promover a liderança dos enfermeiros assistenciais por meio do envolvimento e do controle sobre as decisões de prática. Este modelo tem sido empiricamente associado a melhores resultados de cuidados aos pacientes (GERARD; OWENS; OLIVER, 2016). Para Hess (2017), o modelo burocrático de organizações domina a área da saúde e grupos profissionais lutam constantemente junto a seus gerentes e administradores profissionais com a finalidade de alcançar as fontes necessárias para prover assistência ao paciente. Enquanto mudanças não ocorrem, deve-se destacar o sucesso da enfermagem como um exemplo de um poderoso grupo profissionalque trabalha em equipe para melhorar a prática e os resultados dos pacientes dentro de ambientes burocráticos e continuar a aprimorar o sucesso em oferecer um serviço inclusivo modelo de governo compartilhado. Aponta que as pesquisas futuras irão apurar a governança compartilhada e os resultados dos pacientes. 3.4 COMPLEXIDADE ORGANIZACIONAL Neste estudo, adota-se como perspectiva teórica a complexidade organizacional. A lógica da gestão é representada predominantemente pelo planejamento, controle, direção, ordem, normas, hierarquia, competitividade e sobrevivência. No entanto, em meio a instabilidades, pode-se questionar como a Teoria da Complexidade contribui para novos modelos organizacionais que demandam as gestões ou organizações atuais (BAUER, 2009). O advento do pensamento complexo, desde os anos 1970, tem influenciado as lentes de estudos sobre organizações contemporâneas. Nesse sentido, é importante destacar o trabalho de Morin (2006, p. 83), que “não renuncia a ideia sobre clareza, a ordem, o determinismo. Ele as considera insuficientes, ou seja, que não se pode programar a descoberta, o conhecimento, nem a ação”. Pondera, então, que a realidade é mutante, inconstante e que o novo vai surgir. Ao longo dos anos a função gerencial e a organização do trabalho produziam a ideia de que o dirigente poderia ser capaz de comandar e coordenar um trabalho coletivo. A visão ordenada do 42 mundo organizacional implícita na própria ideia de “organização” induzia a pensar a realidade administrativa como racional, controlável e passível de ser uniformizada (MOTTA, 2007). No entanto, com a velocidade com que as mudanças acontecem, é inevitável que gestores estejam abertos para considerar a complexidade encontrada na “desordem” (SILVA, SERRALVO, 2015). Leone, Dussault e Lapão (2014) consideram as organizações de saúde as mais complexas, pela diversidade dos seus serviços, variedade de profissionais com competências distintas, vários processos ocorrendo simultaneamente e pela necessidade de uma abordagem holística. Ao encontro disso, o setor da saúde responde a uma pluralidade de necessidades e especificidades, sejam elas relativas às mudanças demográficas, às condições sociais, às mudanças epidemiológicas e às epidemias, quer sejam de caráter individual ou coletivo, o que demanda a união de esforços para fins mais resolutivos (ERDMANN; SCHLINDWEIN; SOUSA, 2006). Diante disso, a crescente complexidade dos desafios do setor da saúde implica um aumento das responsabilidades para aqueles que nele assumem funções de gestão. Nesse sentido, considera-se que a cultura organizacional pode ser um fator relevante no desempenho de organizações na saúde (LEONE; DUSSAULT; LAPÃO, 2014). Ao exemplo do sistema de saúde português, o funcionamento de uma administração pública com tendência centralista, com décadas de funcionamento, passou por um processo de reforma. Esse processo aumentou a complexidade, pois o sistema precisou adaptar-se às novas forças intrínsecas à mudança, ao mesmo tempo em que procura diferentes soluções para responder às mais recentes exigências da saúde. Com as mudanças, o sistema de saúde português pretende transitar de uma velha lógica de funcionamento hierárquico e vertical, para uma dinâmica alicerçada na contratualização e em redes de serviços partilhados. Essa dinâmica depende, em grande parte, do contexto da situação, da natureza e extensão do processo de mudança e da forma como este foi iniciado ou implementado (LEONE; DUSSAULT; LAPÃO, 2014). Ao encontro disso, nas décadas de 70 e 80, importantes mudanças sociais, econômicas, estruturais aconteceram no mundo e, simultaneamente, a ortodoxia da teoria das organizações, pautada no paradigma funcionalista, cartesiano, apontou para revoluções 43 paradigmáticas 1 , pouco questionadas até os anos 80 (SERVA; DIAS; ALPERSTEDT, 2010). Ao interrogar o enfoque tradicional, do até então progresso científico, Thomas Kuhn (1987) revela que a ciência está em constante estado de evolução. Diante dessas mudanças, organizações “mecanicistas” presas a velhos paradigmas não são capazes de acompanhar as mudanças no ambiente (SILVA; SERRALVO, 2015). Portanto, a visão sistêmica, globalização, multiplicidade de variáveis e critérios, falta de informações e a diversificação de objetivos levam os gestores a rever práticas gerenciais, não sendo possível elaborar planos baseados em uma única ordem. Para Bauer (2009), é na constante desorganização e reorganização dos ambientes de trabalho que acontecem a evolução e o aprendizado. É preciso que os filósofos contemporâneos leiam-se uns aos outros e discutam entre si. O ruído dessa discussão, dessa desordem, é que leva a uma nova ordem, a um conhecimento novo (SERVA; DIAS; ALPERSTEDT, 2010). Nesse contexto de desordem, o advento da adoção dos princípios da complexidade parece ter fomentado profundas transformações no desenvolvimento científico dos últimos 40 anos, tanto nas ciências da vida, como a biologia e a fisiologia, como nas ciências mais tradicionais, como a física e a química, e também nas ciências humanas (SERVA; DIAS; ALPERSTEDT, 2010). Complexidade não , de forma alguma, completude; ao contrário, ela diz respeito impossibilidade de se chegar a qualquer conhecimento completo . Assim, a complexidade não traz certezas sobre o que incerto, ela pode apenas propor-se a reconhecer a incerteza, e a dialogar com ela (BAUER, 2009 p.19). Ainda para o autor, a complexidade difere-se de um sistema linear onde é permitida somente uma solução, no sistema complexo são permitidas várias leituras de um mesmo fenômeno. Para Etkin (2003) a complexidade é um enfoque que considera a organização como um espaço no qual coexistem ordem e desordem, motivo e sem motivo, harmonia e dissonâncias. As relações entre essas 1 O conceito de paradigma, remete ideia de “caracterização e definição de uma visão de mundo e ao compartilhamento de uma linguagem conceitual comum, na busca de fundar um edifício conceitual comum” (BEZERRA; SILVA 2011). Ou ainda, uma premissa fundamental entre os pesquisadores que o compartilham (KUHN, 1987). A revolução paradigmática inicia-se quando o paradigma instaurado já não consegue dar explicações acerca dos fenômenos estudados (KUHN, 1987). 44 forças operam em um sentido de complementaridade, mas também de divergência e indiferença. O complexo também se refere a ambientes incertos e variantes, em que a inovação tecnológica leva ao encurtamento dos ciclos de renovação de métodos e equipamentos de produção, como também de bens e serviços finais. As organizações são consideradas sistemas complexos, de base social, política e técnica, não mecanismos (programado) ou organismos (natural). São complexos porque no sistema operam múltiplas lógicas e forças diversas que não se conjugam para a estabilidade. O sistema tem um método e um acordo constitutivo que apresentam a capacidade de se redefinir e se adaptar através da reflexão e dos processos de aprendizagem. Suas mudanças nem sempre resultam da autoridade e decisão política, mas do diálogo, do debate e interação social cotidiana (ETKIN, 2003). A mesma incerteza que comprometia ou inviabilizava as antigas explicações simplificadoras torna-se agora parte indissociável da explicação complexa, reconhecendo-se que a desordem concorre para a produção da ordem (order from noise) (BAUER, 2009, p.174). Segundo Etkin (2003), apesar de a desordem estar ligada às incertezas, comportamentos, variáveis internas e externas nas organizações, a criatividade e inovação têm a ver com atitudes espontâneas, emergentes dos integrantes que se afastam do caminho estabelecido (ordem), que questionam as políticas e avançam para além do que é programado. A desordemé considerada a expressão de uma visão inovadora, de uma a sabedoria disponível nos indivíduos ou grupos que lutam contra os processos burocráticos e uniformes que também operam os sistemas. Para exemplificar a intenção da desordem (complexidade) dos sistemas, Bauer (2009, p.53) relaciona a ela que “são os choques aleatórios e a agitação deles decorrente que produzem tanto os átomos quanto as estrelas, e que produziram o primeiro ser vivo”. E, claro, a desordem concorre tamb m para a destruição da ordem, tanto externamente (destruição por acidente) quanto internamente (aumento da entropia, degeneração). A auto-organização , pois, simultaneamente desorganização e reorganização, ordem e desordem. Se tudo fosse desordem no universo, certamente haveria muita criação e inovação, mas nenhuma organização delas decorrente e, portanto, nenhuma evolução. E, se tudo fosse ordem, não haveria criação ou inovação e, tampouco, evolução (BAUER, 2009). As mudanças apontam para construir organizações que se caracterizem por serem democráticas, transparentes e participativas. Isso depende das formas de governo e dos espaços de que os grupos dispõem 45 para expressar e sustentar suas ideias sobre o estado e a marca das organizações. Depende também da possibilidade de criar ambientes de trabalho equitativos e motivadores (ETKIN, 2003). No que diz respeito à vida e saúde, a ótica da totalidade nos exige um pensamento complexo, capaz de conceber o que nos une, contextualizando o pensamento no sentido de que todo acontecimento, informação ou conhecimento seja considerado na relação da inseparabilidade com seu meio ambiente, seja cultural, social, econômico, político ou natural (ERDMANN; SCHLINDWEIN; SOUSA, 2006). Logo, faz-se necessário um pensamento que considere o tempo, espaço e contexto (social, ético, político, econômico e outros) que constituem o real, num movimento dialético, complexo e de múltiplas determinações (ERDMANN; SCHLINDWEIN; SOUSA, 2006). Portanto, considera-se possível compreender as relações humanas, estratégias organizacionais, movimentos internos e externos das organizações com a perspectiva teórica da complexidade organizacional. A complexidade das organizações, no setor da saúde, requerem uma visão multidimensional (do todo) e das partes que compõem o todo, da ordem e da desordem, das relações e interações, das estratégias e habilidades que fazem com que este setor inove para abarcar as necessidades de saúde em constantes transformações. 46 4 MÉTODO Esta seção apresenta o percurso metodológico trilhado buscando a compreensão da problemática da governança na prática de enfermagem na Atenção Primária à Saúde. 4.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO Realizou-se uma investigação de abordagem qualitativa, com referencial metodológico da Teoria Fundamentada nos Dados (TFD) ou Grounded Theory (GT). A pesquisa qualitativa procura entender e interpretar os significados e percepções que as pessoas constroem sobre fenômenos alocados em contextos naturais. Para apreender a variedade de significados que podem ser atribuídos a fatos ou experiências, a coleta de dados acontece por meio do contato direto com os participantes que vivenciam o problema em estudo (MINAYO, 2014). A TFD, como uma estratégia qualitativa de investigação, paulatinamente destaca-se na enfermagem pela possibilidade de construção de conhecimento com maior cientificidade a partir de suas características sistemáticas e complexas (DANTAS et al., 2009; GOMES et al., 2015; SILVA et al., 2018). Para contrapor o paradigma positivista predominante na década de 60, Barney G. Glaser e Anselm L. Strauss desenvolveram a TFD como uma alternativa à tradição hipotético-dedutiva da época durante estudos relacionados ao processo de morte em hospitais americanos. Em 1967, publicaram o livro The discovery of Grounded Theory (CHARMAZ, 2009). Com o decorrer do tempo, Glaser e Strauss adotaram caminhos diferentes, discordando quanto ao significado e percurso metodológico da TFD, ainda que o método tenha se consolidado como exitoso. Enquanto Glaser manteve-se em uma posição inflexível quanto à TFD, Strauss incorporou novas formas de análise, como a codificação axial, bem como empregou recursos de informática para a coleta e análise dos dados (CHARMAZ, 2009). Strauss escreveu como se o propósito da teoria fundamentada fosse reconfigurado, porque os fenômenos sociais são tão complexos que gerar conceitos explicativos únicos que transcendem todo o contexto impossível (APRA IAN et al., 2016). Em conjunto com Juliet Corbin, por meio do livro Basics of Qualitative Research: Techniques and Procedures for Developing Grounded Theory, Strauss seguiu seus trabalhos e a sua linha de TFD. Ambos tratam a TFD como um método científico subsidiado por novos 47 instrumentos, concluindo que a construção da teoria ocorre a partir da relação colaborativa entre pesquisadores e participantes do estudo, o que futuramente dá margem à perspectiva construtivista do método (CHARMAZ, 2009). Kathy Charmaz, no ano 2000, introduziu a Teoria Fundamentada Construtivista. Charmaz não se opõe às origens da TFD de Glaser, Strauss e Corbin, pois considera que a TFD “alia duas tradições opostas e concorrentes” que intermediam o pensamento positivista e inflexível de Glaser e a flexibilidade relativista e subjetivista de Strauss e posteriormente Corbin (CHARMAZ, 2009). Ela valoriza as representações autênticas das palavras, ações e histórias em que a teoria fundamentada pode ser usada para "revelar vínculos entre experiências concretas de sofrimento e estrutura social, cultura e práticas ou políticas sociais” (APRA IAN et al., 2016). Diferentemente da vertente objetivista clássica de Glaser, no enquadramento da Grounded Theory de Charmaz, entre as suas próprias características, reconhece que as realidades e os fenômenos estudados são construções coletivas, que seus preceitos respondem fortemente à tradição interpretativa e afastam-se das bases objetivistas da abordagem de seus fundadores. Em outras palavras, Charmaz (2009) descreve que somos parte do mundo o qual estudamos e dos dados que coletamos, construímos as nossas teorias a partir de nossa interação e envolvimento com as pessoas, as perspectivas e práticas no processo da pesquisa. Nesse sentido, o proceder de suas investigações propõe um olhar atento ao movimento que parte do raciocínio indutivo ao abdutivo (LEITE, 2015). Entre os m todos de pesquisa qualitativa, a TFD “viabiliza a construção de uma teoria assentada em dados que podem ser provenientes de diferentes fontes e é elaborada a partir de uma dada vivência social” (GO ES et al., 2015, p.473). O m todo permite, ainda, a compreensão do fenômeno a partir da realidade na qual ele se insere pela identificação, desenvolvimento e relação de conceitos, por meio de uma minuciosa análise comparativa, estritamente relacionada com a coleta de dados, processo que não parte de pressupostos, assim como não tem a finalidade de testar seus achados, porém que possa acrescentar novas perspectivas de atuação (GOMES et al., 2015). A TFD possibilita a compreensão das experiências e interações de indivíduos que compõem um mesmo contexto social, buscando evidenciar estratégias diante de situações vivenciadas gerando conhecimentos, aumentando a compreensão e proporcionando um guia significativo para a ação (DANTAS et al., 2009; SANTOS et al., 2016). 48 O método potencializa a expansão do conhecimento em enfermagem, administração, odontologia e de áreas como psicologia, sociologia e outras (DANTAS et al., 2009; GOMES et al., 2015; TORRES et al., 2015; SILVA et al., 2018). A TFD pode apresentar fases e características variadas, de acordo com a vertente utilizada. Entre ascaracterísticas centrais do método destacam-se: o processo de indução e dedução, análise comparativa constante, circularidade de dados, sensibilidade teórica, saturação teórica dos dados, uso de memorandos e diagramas (DANTAS et al., 2009; DIAS DO NASCIMENTO et al., 2016; SILVA et al., 2018). Além dessas, vale ressaltar que a TFD permeia e suporta todo processo da pesquisa (GOMES et al., 2015). Diante da crença de que é a vertente metodológica mais adequada para responder ao objetivo deste estudo, optou-se por utilizar a vertente construtivista da TFD, representada por Kathy Charmaz. Espera-se que a intimidade com o tema de pesquisa e a bibliografia com ele relacionada intensifiquem a compreensão do contexto a ser estudado, além disso, que permitam à pesquisadora estar aberta à sensibilidade dos dados que emergem. Para elucidar como desenvolveu-se esta pesquisa, descreve-se a seguir o contexto em que ela foi realizada e as principais características da TFD. 4.2 CONTEXTO DO ESTUDO O contexto do estudo foi a Atenção Primária à Saúde na microrregião de Tijucas/SC, que tem a Estratégia Saúde da Família como modelo de organização exclusivo. Para compreender a conformação da Rede de Atenção à Saúde desta microrregião apresentam-se na sequência dados da APS no Brasil, Estado de Santa Catarina e contexto investigado. Além disso, características demográficas e a inserção/distribuição dos enfermeiros que atuam na APS nesta microrregião. No Brasil, a cobertura populacional da APS é de 62,5%, sendo representada por 39.228 equipes de saúde da família (BRASIL, 2017). No Estado de Santa Catarina (SC), os serviços de APS estão sendo oferecidos por 1.846 equipes, distribuídos em 1.468 centros de saúde com gestão da esfera municipal e 18 centros de saúde com gestão municipal e estadual (DATASUS, 2019). O estado apresenta cobertura de Atenção Primária à Saúde de 84,26%, considerando a Estratégia Saúde Família em 83,57% dos municípios (DAB, 2019). Visando à 49 operacionalização do modelo de gestão regionalizado, foram criadas nove macrorregiões e 16 regiões de saúde, estabelecendo, dessa forma, um sistema de referência e contrarreferência, respeitando os diversos níveis de complexidade da assistência. Com a regulamentação da Lei nº. 8.080/90 por meio do Decreto nº. 7.508/11, criou-se o Contrato Organizativo de Ação Pública (COAP), que deverá organizar e integrar as ações e serviços de saúde dos entes federativos em uma Região de Saúde, com a finalidade de garantir a integralidade da assistência aos usuários. Nesse sentido, o planejamento em saúde deve ser realizado de forma regionalizada, expressando o desenho das regiões de saúde instituídas e das redes de atenção em saúde existentes no território (SANTA CATARINA, 2012). As Regiões de Saúde são compostas por macrorregiões de saúde. Para análise espacial de informações de saúde por meio de malhas municipais, o Departamento de Informática do SUS (DATASUS) realizou recortes de municípios em microrregiões. No Estado de SC a microrregião de Tijucas é formada por sete municípios, cada qual com responsabilidade exclusiva de garantir a Atenção Primária à Saúde local. Os municípios que compõem esta microrregião são: Angelina, Canelinha, Leoberto Leal, Major Gercino, Nova Trento, São João Batista e Tijucas (DATASUS, 2019). A população residente nesta microrregião, conforme o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE, 2010), é de 95.238 pessoas, com cobertura de 100% dos serviços da APS, com modelo de organização orientado pela Estratégia Saúde da Família. Sobre esta população, 67.248 pessoas são alfabetizadas e a taxa de analfabetismo é de 5,4%. A renda média domiciliar per capita é de R$763,39, 50.064 pessoas têm 16 anos ou mais, são economicamente ativas, 1.009 delas desocupadas e 14,9% da população com renda menor que ½ salário mínimo. O abastecimento de água, instalações sanitárias e coleta de lixo estão disponíveis para 95,8% desta população (IBGE, 2010). Diante disso, destaca-se que o estado de saúde de um indivíduo ou uma população é determinado por sua combinação genética, porém “grandemente modificado pelo ambiente social e físico, por comportamentos que são cultural ou socialmente determinados e pela natureza da atenção saúde oferecida” (STARFIELD, 2002, p.23). A microrregião conta com 47 estabelecimentos de saúde denominados centro de saúde, unidade básica de saúde, posto de saúde e unidade de saúde da família (DATASUS, 2019). Entre os profissionais que atuam nesses estabelecimentos, o padrão de referência é de no mínimo um trabalhador de cada categoria (médico, enfermeiro, cirurgião 50 dentista, técnico ou auxiliar de enfermagem, técnico ou auxiliar de saúde bucal e agente comunitário de saúde), com exceção do agente comunitário de saúde, em que é considerado o mínimo de quatro profissionais em cada equipe (BOUSQUAT et al., 2017). Dados do Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA), informados no Plano Nacional de Saúde em 2016, demonstram destaque para o aumento (número de vezes) do número de atendimentos do enfermeiro na APS de 2014 em relação a 2002, sendo 4,65 milhões de vezes mais (BRASIL, 2016). Enfatiza-se que o trabalho do enfermeiro, na APS, além das atividades assistenciais, agrega as atividades administrativas; de 1.041 enfermeiros no Estado de Santa Catarina, 94% destes desempenham a função de coordenação ou gerência (GALAVOTE et al., 2016). Na microrregião em questão, conforme a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), encontram-se 44 Enfermeiros da Saúde da Família. A distribuição destes profissionais por municípios que compõem a microrregião está representada na Tabela 1. Tabela 1 - Distribuição de enfermeiros da Saúde da Família na Microrregião de Tijucas/SC, 2019. Florianópolis, 2019 Município Quantidade de enfermeiros da Saúde da Família Angelina 2 Major Gercino 2 Leoberto Leal 3 Canelinha 5 Nova Trento 6 São Joao Batista 10 Tijucas 16 Total 44 Fonte: Ministério da Saúde - Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, 2019. O detalhamento do rigor metodológico da Teoria Fundamentada nos Dados pelo paradigma construtivista, de acordo com o contexto exposto, está descrito nos tópicos em sequência. 4.3 PARTICIPANTES Considerando que na TFD a amostragem teórica é dirigida à construção da teoria e não visando à representação populacional, primeiramente foram entrevistados enfermeiros que atuavam na APS. A 51 partir da análise dos dados das entrevistas iniciais, foram incluídos profissionais da equipe de enfermagem, agentes comunitários de saúde e gestores. Ressalta-se que o foco da análise não está no indivíduo, mas em suas ações, experiências, eventos e questões, ou seja, nos dados a serem fornecidos para a construção da teoria (CHARMAZ, 2009). Os participantes foram provenientes de UBS de cinco municípios (Angelina, Canelinha, Major Gercino, São João Batista e Tijucas) que fazem parte da microrregião de Tijucas/SC e pertencem à Macrorregional de saúde da Grande Florianópolis/SC, conforme termo de autorização institucional (ANEXO A). Os entrevistados foram escolhidos de forma intencional e subsidiaram a amostragem teórica. Ou seja, orientaram os caminhos conceituais explorados até a conquista suficiente de dados que apoiaram a explicação de suas categorias, resultando, assim na “saturação teórica”, ou tamb m entendida como “suficiência teórica” (CHAR AZ, 2009, p. 158). Para a amostragem teórica, foram construídos três grupos amostrais, totalizando 22 participantes, selecionados pelo seguinte critério de inclusão: compor uma Equipe de Saúde da Família (eFS) vinculada às Secretarias Municipais de Saúde da microrregião de Tijucas/SC e com experiência de no mínimo um ano na APS. Esse período foi definidoporque acredita-se que, para compreender suas devidas funções, os participantes precisavam ter vivido, no mínimo, este período de experiência em ESF na APS. Foram excluídos da pesquisa os profissionais que estavam afastados do serviço por motivo de férias ou licenças de qualquer natureza. O primeiro grupo amostral foi formado por13 enfermeiros (P1-P13) provenientes dos municípios: Canelinha, São João Batista, Nova Trento, Major Gercino e Tijucas. O segundo grupo amostral ficou constituído por três técnicos de enfermagem e três agentes comunitários de saúde (P14-P19) provenientes dos mesmos municípios do primeiro grupo amostral. A hipótese que deu origem a este grupo relaciona-se à atribuição do enfermeiro de planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas por estes grupos de profissionais de acordo com a Política Nacional de Atenção Básica. Além disso, os dados das entrevistas iniciais indicaram que na prática de governança o enfermeiro organiza a interação dos profissionais na APS. O terceiro grupo amostral foi formado por três gestores, secretários municipais de saúde (P20-P22) dos municípios que estavam vinculados ao primeiro e segundo grupos amostrais. A hipótese que deu 52 origem a este grupo refere-se à influência político-organizacional no ambiente de trabalho, identificado nos dados das entrevistas anteriores O fechamento amostral aconteceu por meio da saturação teórica e por este motivo não foram incluídos participantes dos municípios de Leoberto Leal e Angelina, bem como outras classes de profissionais. Para Leite (2015), o fechamento amostral por saturação teórica é operacionalmente definido como a suspensão de inclusão de novos participantes quando os dados obtidos passam a apresentar, na avaliação do pesquisador, uma redundância ou repetição, não sendo considerado relevante persistir na coleta de dados. Noutras palavras, as informações fornecidas pelos novos participantes da pesquisa pouco acrescentariam ao material já obtido, não mais contribuindo significativamente para o aperfeiçoamento da reflexão teórica fundamentada nos dados que estão sendo coletados. Sendo assim, os três grupos amostrais foram determinados até o alcance da saturação teórica dos dados. 4.4 ANÁLISE COMPARATIVA CONSTANTE Para explorar os dados sobre a governança na APS, foram realizadas entrevistas individuais e intensivas pela pesquisadora. O roteiro das entrevistas previa a leitura do conceito de Governança que norteou as perguntas subsequentes (APÊNDICES A, B e C). A coleta de dados aconteceu entre os meses de abril e julho de 2018. A entrevista qualitativa intensiva adapta-se de forma positiva aos métodos da Teoria Fundamentada e promove o esclarecimento da interpretação de cada participante sobre a sua própria experiência. (CHARMAZ, 2009). Realizou-se contato telefônico com os participantes e foram preestabelecidos horários de acordo com a disponibilidade dos entrevistados, na perspectiva de evitar interrupções e solicitar detalhes e explicações sobre as informações a estes. As entrevistas foram audiogravadas, com tempo médio de duração de uma hora e oito minutos. As gravações foram armazenadas e transcritas na íntegra também pela pesquisadora, utilizando o Microsoft® Office Word e inseridas no software NVIVO® 11, para realização do processo de codificação e organização dos dados. Uma das características fundamentais da TFD é a análise comparativa constante, o que remete ao processo de análise e codificação produzido do conjunto de dados. A literatura indica que não é admissível coletar todos os dados e somente depois iniciar as etapas de codificação e análise, devendo, então, acontecer simultaneamente. Essa característica da TFD é fundamental para sua investigação (SANTOS et 53 al., 2016). “Em toda a literatura da teoria fundamentada, os pesquisadores são orientados a evitar forçar os seus dados em códigos e categorias preconcebidos, sendo que, entre esses estão, em primeiro lugar, as teorias existentes” (CHAR AZ, 2009, p.98). Para Charmaz (2009), codificar significa categorizar segmentos de dados com uma denominação concisa, que simultaneamente resume e representa cada parte dos dados. É o elo fundamental entre a coleta de dados e o desenvolvimento de uma teoria (CHARMAZ, 2009). Esse exercício, além de favorecer nossa compreensão do que está sendo estudado, nos orienta para a coleta de dados subsequentes (CHARMAZ, 2009). Foram realizadas duas etapas de codificação dos dados, inicial e focalizada, conforme preconiza a corrente de Charmaz. Na primeira, o pesquisador estuda rigorosamente seus dados e conceitua suas ideias por meio de códigos que podem ser estabelecidos palavra por palavra, linha a linha ou incidente por incidente. Nesta etapa, a codificação das transcrições foi realizada incidente por incidente, a fim de gerar códigos provisórios, comparativos e fundamentados nos dados (FIGURA 2). Figura 2 - Codificação inicial software NVIVO® 11. Florianópolis, 2019 Fonte: Pesquisa de campo/NVIVO® (2018). 54 A segunda permite ao pesquisador separar, classificar, sintetizar, integrar e organizar grandes quantidades de dados, com base nos códigos mais significativos e/ou frequentes, visando conceituação do material empírico. “A codificação focalizada significa utilizar os códigos anteriores mais significativos e/ou frequentes para analisar minuciosamente grandes montantes de dados” (CHAR AZ, 2009). Nesta fase, os códigos mais significativos e/ou frequentes foram agrupados por similaridade e diferenças conceituais, formando categorias que sintetizam e explicam um segmento maior de dados até a obtenção de uma categoria central que explica o fenômeno investigado (FIGURA 3). Figura 3 - Codificação focalizada software NVIVO® 11. Florianópolis, 2019 Fonte: Pesquisa de campo/NVIVO® (2018). Para realização do processo de análise, dois critérios foram considerados: o ajuste (identifica se a teoria se ajusta às experiências dos participantes) e a relevância (para avaliar se a teoria tem relevância como esquema analítico que interpreta as relações entre os processos) (FONTANELLA; RICAS; TURATO, 2008). A codificação na perspectiva construtivista recomenda a utilização de termos no gerúndio. Pondera que o gerúndio transforma o exercício de categorização em uma interpretação do desempenho social, 55 posicionando para identificar o significado implícito e ações de uma rede maior de suposições (APRAMIAN et al., 2016). Para dar suporte à codificação, organização e armazenagem dos dados, incentiva o uso de softwares, bem como a construção de diagramas e mapas conceituais que também colaboram com o gerenciamento e a manipulação dos dados coletados (LEITE, 2015). No entanto, enfatiza que o processo de reflexão não depende do software, é feito exclusivamente pelo pesquisador (DIAS DO NASCIMENTO et al., 2016). Neste processo de organização, codificação e categorização foi utilizado, conforme já mencionado, o software NVIVO®, o que permitiu maior dinamicidade para trabalhar com os dados textuais, no entanto, mantendo a sensibilidade teórica da pesquisadora. 4.5 USO DE MEMORANDOS E DIAGRAMAS Foram utilizados memorandos e diagramas durante a coleta, análise e validação dos dados com objetivo de apoiar a integração e os relatos (FIGURAS 4 e 5). Estes foram redigidos ao longo processo de construção dos dados e foram fundamentais para direcionar a redação final da teoria emersa. O retorno à literatura que dê suporte a conexões estimula interpretações e desdobramentos conceituais acerca das perspectivas construídas pela Grounded Theory e pode também ocorrer com mais densidade neste momento (LEITE, 2015). Figura 4 - Exemplo de memorando. Florianópolis, 2019 Memorando 13 Enfermeira, coordenadora da Atenção Primária à Saúde, paralelamentevinculada a uma equipe de saúde da família. No dia da entrevista estava realizando atividades assistenciais em uma UBS que não tem equipe de saúde da família, na área rural. Se desloca com carro da saúde para fazer atendimento juntamente com o médico da equipe. Tem função gratificada. Destaca a autonomia como ponto forte da governança. Destaca como estratégias de governança: desenvolver comunicação entre as equipes e a rede de saúde municipal; articulação e conversa com as equipes; análise de dados do e-sus para desenvolver ações estratégicas; feedback dos usuários. Para o gerenciamento do cuidado utiliza como ferramentas o e-sus e protocolos municipais. Tem discurso político. Tem discurso político-partidário. Traz dado novo sobre a ampliação de acesso à APS com o programa 56 Mais Médicos e a prescrição de medicamentos pelas enfermeiras. Fonte: elaborado pela autora (2019). Figura 5 - Exemplo de diagrama. Florianópolis, 2019 Fonte: elaborado pela autora (2019). Segundo Santos et al. (2016), os diagramas e memorandos são uma estratégia para orientar o pesquisador ao longo de sua pesquisa. Os memorandos e diagramas contribuem para representar as categorias e suas conexões também no processo de pesquisa. Dias do Nascimento et al. (2016) referem que os memorando e diagramas possuem aspectos positivos como: ferramentas que ajudam na construção da teoria, permitem ao investigador enxergar nos dados brutos a abstração das ideias, apontam a codificação que permite a visualização das relações entre os conceitos emergentes dos dados. 4.6 VALIDAÇÃO DO MODELO TEÓRICO 57 É na etapa de validação que, segundo Tarozzi (2011, p. 154), a construção das categorias alcança plenitude e “a teorização procede para a identificação das categorias centrais, os conceitos chave em torno dos quais se organizará a teoria”. Ainda nesta dinâmica, parte-se, finalmente, para a etapa de classificação teórica dessas categorias, com o objetivo de encontrar a categoria principal que tenha a potencialidade de “integrar a teoria e desenvolvê-la em torno de seus eixos conceituais, emersos empiricamente”. Ainda de acordo com Tarozzi (2011), a categoria central é densa, saturada, integra a teoria, é completa, relevante e funcional. Para encontrá-la, são úteis dispositivos como diagramas e narrações da história da pesquisa, que possam oferecer uma leitura integrada dos conceitos expressos pelas várias categorias até então muito fragmentadas (TAROZZI, 2011, p. 81). Neste ponto, com a identificação desta categoria central, é viável a produção da representação gráfica (com diagramas ou mapas situacionais) da GT que ilustre a sua integração (LEITE, 2015). A etapa de validação pode ser realizada por profissionais experts no método ou na temática em estudo e/ou pelo grupo ou parte do grupo de participantes da pesquisa e consiste em apresentar a teoria, ou modelo teórico, matriz teórica “construída” com as categorias e suas relações até atingir o fenômeno ou categoria central (SANTOS et al., 2016; SILVA et al., 2018). Para validação das entrevistas, enviaram-se as suas transcrições aos participantes correspondentes por meio de correio eletrônico, no entanto, nem todos responderam. A validação do modelo teórico aconteceu em dezembro de 2018, contando com quatro pesquisadores com experiência no método, sendo dois deles também com experiência prática em APS. Nesse processo, os validadores contribuíram com a redação e disposição das categorias e subcategorias, bem como sua interconexão com o fenômeno, possibilitando a conclusão da etapa de representação gráfica do modelo teórico. 4.7 PRINCÍPIOS ÉTICOS Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com o Parecer número 2.537.128 e Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE): 80346917.4.0000.0121 na data de 11 de março de 2018 (ANEXO B). Durante a pesquisa, para atender aos aspectos éticos, foram seguidas as recomendações da Resolução nº 466/12, do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 2012b). Os 58 participantes da pesquisa foram esclarecidos sobre os objetivos e o método do estudo, bem como assegurados seus direitos de acesso aos dados. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi explicado e assinado em duas vias por todos os participantes, garantindo a confidencialidade da identidade dos mesmos e das informações colhidas (APÊNDICE D). Para eles, garantiu-se liberdade de participar, como também deixar de participar da pesquisa a qualquer momento, caso fosse o seu desejo. A confidencialidade da identidade dos participantes da pesquisa foi preservada por meio da adoção da letra “P” de participante, seguida por códigos numéricos contínuos para identificação dos seus depoimentos no relatório final da pesquisa. As gravações das entrevistas foram eliminadas depois de transcritas, e as transcrições dos depoimentos ficarão com a pesquisadora por cinco anos e depois serão destruídas. Diante disso, o consentimento das gravações foi solicitado aos participantes por escrito, junto ao TCLE. Quanto aos riscos e benefícios do estudo, o estudo não apresentou riscos de natureza física, exceto a possibilidade de mobilização emocional, cansaço e aborrecimento relacionados à reflexão sobre a teoria e prática durante o exercício de sua atividade. Esta pesquisa não trouxe benefícios diretos ao participante, porém, contribuirá na construção de modelos de governança de enfermagem na APS. 59 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO Neste capítulo, os resultados da pesquisa serão apresentados no formato de dois manuscritos científicos, conforme estabelece a instrução normativa 10/PEN/2011 do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC, que dispõe sobre os critérios para elaboração e formato de apresentação dos trabalhos de conclusão dos cursos de Mestrado e Doutorado. O Quadro 1 apresenta a relação dos manuscritos com o título e objetivo elencados para cada um deles. Quadro 1 - Relação dos manuscritos elaborados a partir dos resultados da pesquisa. Florianópolis, 2019 Manuscrito Título Objetivo Manuscrito 1 Governança na prática de enfermagem na atenção primaria à saúde Compreender a governança na prática de enfermagem na Atenção Primária à Saúde e elaborar um modelo teórico sobre a governança na prática do profissional de enfermagem no contexto da Atenção Primária à Saúde. Manuscrito 2 Tomando decisões coletivamente: estratégia de enfermeiros para a governança na prática de enfermagem na Atenção Primária à Saúde Compreender a tomada de decisão de enfermeiros no contexto da governança na prática de enfermagem na Atenção Primária à Saúde. Fonte: elaborado pela autora (2019). 60 5.1 MANUSCRITO 1 GOVERNANÇA NA PRÁTICA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO PRIMARIA À SAÚDE RESUMO Objetivo: compreender como vem ocorrendo a governança na prática profissional de enfermagem no contexto da Atenção Primária à Saúde. Método: trata-se de um estudo qualitativo, com referencial metodológico embasado na vertente construtivista da Teoria Fundamentada nos Dados, desenvolvido na Atenção Primária à Saúde da microrregião de Tijucas/Santa Catarina. A coleta e análise dos dados ocorreu de forma concomitante entre os meses de abril e julho de 2018. A amostra foi composta por 22 participantes distribuídos em três grupos amostrais. Resultados: o fenômeno “Promovendo a funcionalidade da Unidade Básica de Saúde” ancorado em 6 categorias: Desenvolvendo atividades assistenciais; gerenciando a unidade básica de saúde; Conquistando autonomia profissional; Organizando a interação entre os profissionais de saúde por meio do diálogo e trabalho em equipe; Tomandodecisões coletivamente com a equipe de saúde e Lidando com limitações no contexto político-organizacional. Conclusão: a governança de enfermagem no contexto pesquisado tem como centralidade promover a funcionalidade da unidade básica de saúde com a articulação de competências e habilidades próprias do enfermeiro. Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde; Enfermagem; Gestão em Saúde; Teoria Fundamentada. INTRODUÇÃO No Brasil, a organização do modelo atual de saúde pública tem a Atenção Primária à Saúde (APS) como porta de entrada principal para rede de atenção à saúde. As práticas de cuidado e gestão desenvolvidas no cerne desta rede são democráticas e participativas, sob forma de trabalho em equipes que compõe a Estratégia Saúde da Família (ESF) (ARANTES; SHIMIZU; MERCHÁN-HAMANN, 2016). Na organização do trabalho na APS, o exercício de gestão do cuidado envolve, paralelamente, a realização do cuidado e gerenciamento, apontando destaque do enfermeiro na composição das Equipes de Saúde da Família (eSF). O enfermeiro é o profissional que desenvolve ações por meio de saber específico, articulado com os demais membros da equipe e historicamente relevante no contexto político e social 61 (HALCOMB et al., 2016; GALAVOTE et al., 2016; FERREIRA; PÉRICO; DIAS, 2018). A atuação do enfermeiro na APS brasileira vem respondendo à proposta de um novo modelo assistencial, que não está centrado exclusivamente na clínica e na cura, mas sobretudo, na integração de práticas assistenciais específicas de diferentes categorias profissionais e compartilhadas que buscam o cuidado integral e de qualidade (FERREIRA; PÉRICO; DIAS, 2018; KAHL et al., 2018). Diante disso, a articulação de práticas assistenciais e gerenciais e a compreensão de que isso constitui a gestão do cuidado, envolvendo atividades que não devem ser dissociadas e sim pensadas e desenvolvidas em todas as suas dimensões (FERREIRA; PÉRICO; DIAS, 2018; SIEWERT et al., 2017). Em resposta a esses desafios, a governança pode ser um modelo de gestão eficiente. O conceito do tema permeia diferentes áreas do conhecimento, apresentando um caráter multidisciplinar e multifacetado. No entanto, a centralidade da sua definição diz respeito às normas formais e informais, por meio das quais os atores de uma sociedade ou instituição estabelecem objetivos, tomam decisões e implementam suas ações (DÍAZ-CASTRO et al., 2017; COUTO, 2018). Na prática de enfermagem, a governança é considerada um modelo de gestão pautado no compartilhamento de tomada de decisão, com base nos princípios interacionais, participação ativa e corresponsabilização das decisões (SANTOS; OLIVEIRA, 2016). Uma revisão integrativa que incluiu estudos entre 2007 e 2011 identificou que a governança de enfermagem é temática em discussão principalmente nos Estados Unidos e Inglaterra. Além disso, vem sendo investigada com predominância em ambientes hospitalares, concentrando 20 dos 25 estudos incluídos na revisão e apenas uma no contexto de APS. Considerando os impactos positivos de modelos de governança na prática de enfermeiros e nos serviços, a investigação sugere o investimento em pesquisas sobre governança na América Latina e na APS (SANTOS et al., 2013). Diante do exposto, acredita-se que os enfermeiros que atuam na APS têm desenvolvido mecanismos e estratégias próprias para o alcance da governança na sua prática. Com isso, este estudo buscou compreender a governança na prática de enfermagem na APS em municípios de uma microrregião de saúde do Sul do Brasil. MÉTODO 62 Estudo qualitativo, com referencial teórico-metodológico embasado na vertente construtivista da Teoria Fundamentada nos Dados (TFD) (CHARMAZ, 2009). O contexto do estudo foi a Atenção Primária à Saúde, organizada exclusivamente pelo modelo de Estratégia Saúde da Família, da microrregião de Tijucas, estado de Santa Catarina, Brasil, composta por 7 municípios: Angelina, Canelinha, Leoberto Leal, Major Gercino, Nova Trento, São João Batista e Tijucas. Para cobrir 100% da população residente de 95.238 pessoas com os serviços da APS, a microrregião conta com 47 estabelecimentos de saúde e atuação de 44 enfermeiros vinculados às eSF (DATASUS, 2019). Os participantes foram escolhidos de forma intencional. A partir da análise dos dados do primeiro grupo amostral definiu-se os subsequentes (CHARMAZ, 2009). Como critério de inclusão, estabeleceu-se que os participantes tivessem experiência mínima de um ano na APS das Secretarias Municipais de Saúde da microrregião de Tijucas/SC. Acredita-se que este período é necessário para compreender suas devidas funções na área de atuação. Excluíram-se da pesquisa profissionais que estavam afastados do serviço por motivo de férias ou licenças de outra natureza. As hipóteses que deram origem ao segundo e terceiro grupo amostral estão relacionadas, respectivamente, a competência do enfermeiro em planejar e avaliar as ações desenvolvidas pelos técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde e, que o ambiente de trabalho na APS é fortemente influenciado pelo contexto político-organizacional. O fechamento amostral aconteceu por meio da saturação teórica, que foi atingida com 22 participantes (BUTLER; COPNELL; HALL, 2018). A amostragem teórica constituiu-se por três grupos amostrais. O primeiro grupo foi composto por treze enfermeiros que atuam na atenção primária à saúde da microrregião de Tijucas/SC, vinculados à eSF. O segundo grupo amostral foi definido com três técnicos de enfermagem e três agentes comunitários de saúde em que os enfermeiros do primeiro grupo amostral estavam lotados. No terceiro grupo amostral participaram três gestores, secretários municipais de saúde dos municípios onde os dois primeiros grupos amostrais estavam lotados. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas intensivas, realizadas individualmente entre os meses de abril e julho de 2018, no local de trabalho dos participantes, em horário pré-estabelecido por eles. As entrevistas foram gravadas, com tempo médio de duração de uma hora e oito minutos, sendo transcritas na íntegra. A coleta e análise dos dados aconteceu simultaneamente, por meio da codificação inicial e focalizada. Na primeira etapa, realizou-se a codificação incidente por 63 incidente, a fim de gerar códigos provisórios, comparativos e fundamentados nos dados. Na segunda, foram agrupados códigos por similaridade e diferenças conceituais formando categorias que sintetizam e explicam um segmento maior de dados, conforme preconiza Charmaz (2009). O processo de análise evidenciou seis categorias formadas por 21 subcategorias. A validação dos dados ocorreu durante as entrevistas e a construção do fenômeno. Primeiramente a transcrição das entrevistas foram validadas pelos participantes e, em um segundo momento, o modelo teórico foi apresentado para quatro pessoas experts no método, sendo que duas delas também apresentavam expertise sobre a APS. As sugestões destes profissionais contribuíram com a redação e disposição das categorias e subcategorias bem como sua interconexão com o fenômeno. Respeitando-se as considerações éticas da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil, obteve-se aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com o parecer número 2.537.128 e CAAE: 80346917.4.0000.0121. Para garantir a confidencialidade, adotou-se, como pseudônimo, a letra “P”, seguida de códigos num ricos contínuos para identificação dos participantes. RESULTADOS Os participantes da pesquisa tinham média de idade de 39 anos, 19 eram do sexo feminino e três do sexo masculino. O tempo de atuação na área da saúde variou de um ano a 25 anos. Na APS, a média foi de 11 anos e na gestão dos serviços de saúde foi de oito anos.No primeiro grupo amostral, dos 13 enfermeiros, 11 tinham especialização em diferentes áreas: cinco em gestão dos serviços de saúde, cinco em saúde coletiva e um na área de saúde mental. Dos profissionais no segundo grupo amostral, um havia concluído o ensino fundamental, quatro o ensino médio e um a especialização técnica em enfermagem. Estes apresentaram em média 14 anos de atuação na área da APS e dois anos de experiência na área de coordenação de equipes. Entre os gestores que compuseram o terceiro grupo amostral, um era especialista na área de saúde mental e dois tinham ensino médico completo, com média de 20 anos de atuação na área da saúde e quatro anos de experiência em gestão de saúde. 64 A análise dos dados evidenciou o fenômeno “Promovendo a funcionalidade da unidade básica de saúde”, sustentado em 6 categorias e 21 subcategorias apresentadas no Quadro 1. Quadro 2 - Categorias e subcategorias do fenômeno: “Promovendo a funcionalidade da unidade básica de saúde”. Florianópolis, 2018 Categorias Subcategorias Desenvolvendo atividades assistenciais Fortalecendo vínculo com os usuários Fazendo consulta de enfermagem Atendendo no domicílio Realizando atividades de promoção da saúde para os usuários da comunidade Gerenciando a unidade básica de saúde Organizando o funcionamento da unidade como “um todo” Utilizando sistemas de informação para o planejamento em saúde Promovendo capacitação para a equipe de trabalho Conquistando autonomia profissional Ocupando uma posição central na organização do trabalho na unidade básica de saúde Adaptando a realização do trabalho aos recursos disponíveis na unidade de saúde Remanejando profissionais entre os setores para suprir a falta de pessoal Exercendo uma autonomia condicionada as decisões da gestão municipal Organizando a interação entre os profissionais de saúde por meio do diálogo e trabalho em equipe Fazendo “elo” entre os profissionais de saúde Valorizando o diálogo como estratégia para resolução dos problemas Compartilhando o cuidado com a equipe de saúde Tomando decisões coletivamente com a equipe de saúde Realizando reuniões periódicas Planejando junto com a equipe de saúde 65 Discutindo casos de usuários com a equipe de saúde Lidando com limitações do contexto político- organizacional Identificando a importância de formação e atualização profissional Vendo a rotatividade de enfermeiros como problema Recebendo solicitação de atendimento de pessoas com influência político partidária Fonte: elaborado pela autora (2019). A categoria “Desenvolvendo atividades assistenciais” representa diferentes estratégias do enfermeiro para realização do cuidado. Estes dados indicam que a prática de enfermagem inicia-se pelo contato do enfermeiro com o usuário onde ocorre o fortalecimento de vínculo com o usuário para a realização de consultas, atendimentos domiciliares e ações de promoção da saúde. A subcategoria “Fortalecendo vínculo com os usuários” evidencia que o enfermeiro vem acolhendo, demonstrando empatia e estabelecendo uma relação de confiança por meio de sua aproximação afetiva, respeito às condições individuais do usuário, sigilo e ética profissional. No cenário onde a pesquisa foi realizada, há um maior número de UBS localizadas na área rural e periurbana, onde os atendimentos são predominantemente agendados e os usuários aguardam na sala de espera. Este momento é considerado oportuno pelo enfermeiro para estreitar vínculos com os usuários, por meio do acolhimento, empatia e relação de confiança. Eu acho muito importante o acolhimento nas unidades porque como a gente trabalha em unidades externas e do interior, bem distante da unidade central, as consultas são agendadas, e o acolhimento que você faz com a comunidade é no momento que ela está à espera do tratamento tanto odontológico como de saúde (P2). Então o teu caso é somente teu, o que eu discuto com você, é com você e ninguém mais. Porque se o paciente vier atrás de você para um atendimento, ele precisa de você uma parte ética, está confiando em você e se esta ética não funciona não tem porque estar aqui (P2). 66 Na subcategoria “Fazendo consultas de enfermagem”, o enfermeiro realiza o cuidado para diversas condições de saúde e demonstra para a população outra face de um modelo assistencial de saúde médico centrado. Entretanto, ficou evidente nas entrevistas, que o grupo mais atendido pelos enfermeiros são as gestantes e mulheres, pelo respaldo dado por protocolos municipais, que permitem a prescrição de medicamentos e solicitações de exames. Tais protocolos e portarias municipais que tem como base os cadernos de atenção básica do Ministério da Saúde. O que eu tenho a nível de enfermagem é o protocolo de pré-natal de baixo risco, que foi desenvolvido pelas enfermeiras do município, passando pelo COREN [Conselho Regional de Enfermagem]. Ele é baseado no caderno da atenção básica. Temos os protocolos de ginecologia, de saúde da mulher [...] tem uma portaria que nós podemos prescrever as medicações e exames de acordo com os cadernos de atenção básica, que cada especialidade tem um caderno, tem vários (P13). Aqui no município, por exemplo, para a gestante começar o pré-natal com o médico que vai fazer o pré-natal dela, tem que fazer a consulta com o enfermeiro antes, tem protocolo. A gente faz todos os exames, prescrição das medicações de início no pré-natal. Tudo tem que passar pelo enfermeiro antes (P7). Além do enfermeiro prestar cuidado aos usuários na UBS, ele vem “Atendendo no domicílio” aqueles que tem dificuldade de locomoção, seja por idade ou condição de saúde. Na visita domiciliar, o enfermeiro realiza a verificação de pressão arterial, glicemia capilar, curativo, orienta sobre alimentação, uso adequado das medicações e avalia as necessidades individuais do usuário. Além disso, identifica quais profissionais podem contribuir com o cuidado do usuário, como o médico e os profissionais que compõe o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). [...] a nossa atual [enfermeira], trabalha da forma que eu gostaria que o enfermeiro trabalhasse, que 67 é fazer saúde lá na comunidade, não ficar somente no posto de saúde (P15). Com o público que tem mais dificuldade de locomoção seja por idade ou problema de saúde a gente faz acompanhamento por meio de visitas domiciliares (P11). [...] a gente [enfermeiras] faz a visita, identifica o problema, se tem a necessidade do acompanhamento médico e depois também se há necessidade de acompanhamento da equipe do NASF, no caso o fisioterapeuta, o nutricionista, o psicólogo (P8). O enfermeiro orienta o paciente como um todo, não adianta ir lá [no domicílio] só fazer um curativo, ele também orienta da alimentação, medicamento (P14). A subcategoria “Realizando atividades de promoção da saúde para os usuários da comunidade” representa ações coletivas realizadas pelos enfermeiros, como trabalhos artesanais e jogos com os grupos de saúde mental, grupo de tabagismo, palestras e reuniões com as gestantes, pessoas com hipertensão e diabetes mellitus. As ações coletivas vêm sendo compartilhadas com os profissionais do NASF como, por exemplo, o grupo de atividade física, que é realizado juntamente com os educadores físicos, o grupo de gestantes que tem a participação de fonoaudiólogo e o grupo “emagreça saudável”, em conjunto com a nutricionista. As estratégias que a gente usa são o calendário do Ministério da Saúde que são as ações de cada mês, tem meses que acontece de ter até duas, saúde da mulher, do homem, hepatite, DST-AIDS [doença sexualmente transmissível – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida], além de seguir o calendário do Ministério da Saúde a gentetenta fazer reuniões mensais com gestantes, que é muito importante e com grupo de saúde que são hipertensos e diabéticos (P3). Com o NASF a gente senta organiza, tem agora uma atividade que a gente faz, que é atividade 68 física, daí eles procuram esse tempo de estarem presentes em nosso grupo, daí tem gestantes que vem, principalmente a fonoaudióloga, na segunda e na quarta eles tem grupo de atividade física para idosos aqui no centro, a gente participa e vai lá também aferir pressão, para ficar junto mesmo com os idosos (P10). A categoria “Gerenciando a Unidade Básica de Saúde” constatou que o enfermeiro organiza o local onde o cuidado de enfermagem e saúde é realizado para torná-lo efetivo. Para isso, ele organiza a unidade básica de saúde como um todo, capacita a equipe de trabalho e utiliza estratégias de planejamento para realização do serviço. O enfermeiro utiliza a escuta como estratégia para acolher as reivindicações dos usuários, sejam elas sugestões ou críticas. [...] que a gente ouve a população, as reivindicações deles, as sugestões, as críticas (P6). A subcategoria “Organizando o funcionamento da unidade como um todo” esclarece que o enfermeiro gerencia a manutenção da estrutura física, disponibilidade de insumos e medicamentos, e dimensiona o trabalho para efetivação do cuidado de saúde e enfermagem. Ele organiza as rotinas da UBS de acordo com as demandas da população. delega funções para a equipe de trabalho, define a quantidade de atendimentos realizados no dia, circula entre os setores para supervisionar os serviços e coordena a equipe de saúde da família. Eu acho que na organização da unidade como um todo, a funcionalidade de todo sistema depende do enfermeiro. Eu acho que a organização, tanto de consultas, como a funcionalidade de uma unidade é responsabilidade do enfermeiro. [...] (P1). A gente elenca quais são as prioridades, as necessidades, as urgências, até mesmo as emergências, o que é rotina dentro do que cada um pode fazer, até o seu limite de fazer, dentro da lei, claro o que tange à responsabilidade de cada um, isso dentro da minha equipe [...] tudo que eu deleguei e pedi na reunião sempre fizeram [a equipe] prontamente (P7). 69 Para a organização do trabalho na UBS, o enfermeiro utiliza também ferramentas como escalas e cronogramas. Estes instrumentos norteiam a agenda de reuniões, o uso de computadores para digitação da produção dos ACS e a utilização do carro para as visitas domiciliares. O enfermeiro demonstra flexibilidade para ajustar o seu planejamento de acordo com a necessidade do serviço. Temos escalas e cronogramas que nos norteiam, eles são abertos, se tiver alguma solicitação [de alteração] a gente vai imediatamente também. E a gente segue aquela escala de visitas, reuniões de equipe, reuniões com agente de saúde, outro dia reunião com as técnicas (P12). Elas [agentes comunitárias de saúde] têm escala para digitar [a produção]. Se elas não aparecerem no dia da escala para digitar eu mando mensagem e ligo. Geralmente elas me dão satisfação. Aí eu remarco para outro dia e ela tem que apresentar a folha daquela semana. Eu não deixo passar muitos dias de digitar (P7). A partir do momento que a unidade de saúde é organizada pelo enfermeiro, que é feito o cronograma, é muito mais fácil de você [enfermeiro] gerenciar, não que tudo vai sair conforme o cronograma, por que a vida é assim, a gente faz planos e nem sempre as coisas saem como a gente planejou (P3). A subcategoria “Utilizando os sistemas de informação para o planejamento em saúde” evidenciou que o enfermeiro utiliza como ferramentas de planejamento os relatórios do Sistema de Informação da Atenção Básica (E-SUS) e os registros de atas e reuniões. Estes, por sua vez, permitem a obtenção de dados como a cobertura populacional do ACS e o perfil de demandas atendidas em determinado local e período, fornecendo subsídios para a supervisão da atividade do ACS e a realização de ações coletivas. Na sigla do CIAP [Classificação Internacional de Atenção Primária] tem o motivo da consulta para preencher a demanda que o paciente trouxe, febre, 70 vômito. Isso a gente precisa saber, porque no final do ano eu preciso saber [relatório] quem atendeu para planejar os grupos (P13). Tanto é que a gente faz reuniões semanais, trabalha com atas, registra no E-SUS [sistema de informação utilizado na APS]. Tudo registradinho. Sempre vendo o trabalho que foi feito durante a semana, na área, os pacientes mais críticos, os domiciliados, as visitas com médico, com ACS e o enfermeiro, sempre direcionando do mais grave para o menos grave (P2). Eu tenho uma relação de todas as famílias que cada uma [ACS] tem. Eu somo cada semana e no final do mês e vejo se ela [ACS] conseguiu atingir todas, se não conseguiu eu faço reunião e pergunto (P7). Como estratégia de gerenciamento da UBS, o enfermeiro tamb m vem “Promovendo capacitações para a equipe de trabalho”, aprimorando as habilidades dos profissionais de sua equipe de trabalho que consequentemente refletem no funcionamento da UBS. Isso envolve a capacitação da equipe para atender o usuário de acordo com seu perfil e treinamentos sobre a utilização do sistema de informação da atenção básica (E-SUS). Ele [enfermeiro] tem um objetivo que é comum, que é ajudar a população que está carente, que está doente, a ver a vida e a saúde de uma outra forma, como é que a gente[enfermeiro] faz isso? Incentivando a equipe, capacitando a equipe, trabalhando com a equipe, principalmente com nossos ACS que são nossos olhos e ouvidos, eles estão dentro da casa das pessoas nos trazendo informações para que a gente possa reformular a atenção necessária, promoção e prevenção da saúde de acordo com cada perfil da comunidade. A estratégia é conhecer o perfil da população, capacito a equipe para lidar com esse usuário (P3). Eu acho que nunca foi uma dificuldade interagir com a equipe, com o todo, por que cada um sabe 71 sua função e quando não sabe a gente tenta capacitar, conversar da maneira mais adequada possível, mas nunca foi dificultoso (P3). Além disso, o enfermeiro preocupa-se em orientar o auxiliar de limpeza sobre quais ambientes da UBS ele deve priorizar para evitar a contaminação cruzada. Eu estava conversando com a auxiliar de limpeza, explicando algumas situações para ela, ela não tem a nossa visão [de profissional da saúde] o nosso entendimento. Eu expliquei, a partir de agora, primeiro de tudo você limpa a sala de vacina, que é o primeiro lugar que precisa limpar (P1). A realização da assistência de enfermagem e o gerenciamento da UBS descrito nas categorias anteriores, refletem na conquista e reconhecimento do espaço estratégico do enfermeiro no cenário da APS. Por conseguinte, emergiu a categoria “Conquistando autonomia profissional”. A autonomia do enfermeiro no contexto é representada pelo desenvolvimento de ações para adequação às necessidades da realidade condicionada a decisão do gestor municipal de saúde. A subcategoria “Ocupando uma posição central na organização do trabalho na unidade de básica saúde” evidenciou que o enfermeiro o profissional de referência e assume o posicionamento de ser o “norte” para a equipe, ou seja, direciona a equipe nas suas atividades assistenciais e de gerenciamento da UBS. Diante disso, ele procura ser um exemplo, prezando pela assiduidade e cordialidade com os usuários. A equipe vê a gente como algu m que o “norte” para eles seguirem [...] Eu acredito que a gente é o espelho da nossa equipe. A gente tem que ser correto, não pode faltar, estar sempre sorrindo, tratar os pacientes sempre bem (P7). A gente é bem referência, tudo na unidade é chamado nosso nome, é perguntadopara a gente (P11). 72 O enfermeiro é o profissional que o médico, o técnico de enfermagem e o ACS procuram para resolver os problemas dentro da UBS. Então isso influencia muito no trabalho, por que o enfermeiro é quem a gente pode recorrer quando precisa [...] o médico quando precisa de alguma coisa é no enfermeiro que ele vai, o agente, o técnico é no enfermeiro que ele vai [procura] [...] Quando a gente fica sem, fica perdido, não sabe para onde ir, porque é o enfermeiro que vai na casa, o enfermeiro que coordena a equipe, faz reuniões (P15). O trabalho do enfermeiro é reconhecido como importante na APS, pois ele conquistou um espaço profissional fundamental na visão de gestores e por seu auto reconhecimento. Ele demonstra habilidades para gerenciar a equipe e a unidade básica de saúde, elaborar instrumentos de gestão e tomar decisões levando em consideração a coletividade, no sentido da assistência e do trabalho. Essas ações conferem ao enfermeiro a conquista de um espaço estratégico de atuação profissional na composição da equipe de saúde na APS. O enfermeiro ele é muito importante na atenção básica. Trinta e um anos que trabalho na saúde e enquanto diretora do hospital, que eu também fui, secretária de saúde, eu vejo que ele faz um trabalho importante tanto na organização da equipe quanto da unidade [...] agora eu estou gerenciando a atenção básica, eu tenho enfermeiras que têm uma capacidade imensa (P20). Tinha o SISPACTO [instrumento de pactuação de prioridades, metas, objetivos e indicadores interfederal], o relatório anual de gestão, o plano municipal de saúde anual e o plano municipal de saúde dos quatro anos e sempre o enfermeiro teve participação, por isso o enfermeiro é fundamental. Eu digo para você que o enfermeiro é uma pessoa que tem total visão dentro de uma atenção básica (P21). 73 Com a conquista da autonomia, a subcategoria “Adaptando a realização do trabalho aos recursos disponíveis na unidade de saúde” representa que o enfermeiro adequa as ações de acordo com a realidade. Entre as condições que necessitam de adaptações, destacam-se a ausência de consultório exclusivo para o enfermeiro e dificuldade de acesso à veículo para deslocamento das atividades externas a UBS. Para manutenção das atividades, o enfermeiro utiliza cartazes para identificação dos setores de serviço dentro da UBS e quais pacientes têm prioridade na realização de curativos de troca diária nos domicílios, visando o dimensionamento do uso do carro pelas técnicas de enfermagem. Hoje eu precisaria de uma estrutura melhor, porque assim a gente conseguiria fazer um trabalho melhor, sem dúvida. Mas, eu sempre parto do princípio que a gente tem que trabalhar com aquilo que tem e não deixar de não fazer por conta disso, se acomodar “eu não tenho uma sala para isso, aquilo, então eu não vou fazer”. A gente sempre dá um jeitinho! (P4). É simples assim, a nossa estrutura é muito pequena, mas eu já coloquei um cartaz na parede, já fui mexendo em algumas coisas e com isso as meninas viram e já fizeram mudanças, elas mesmo mudaram (P9). Constatou-se que os enfermeiros vêm “Remanejando profissionais entre os setores para suprir a falta de pessoal”. Para não paralisar o serviço, ele redimensiona profissionais entre os setores de uma mesma UBS e solicita profissionais de outras UBS. Na falta de ACS em número suficiente para atender a área de abrangência, o enfermeiro redesenha o território de cobertura dos ACS. Além disso, auxilia no setor da recepção e mantém os atendimentos ao usuário na ausência de outros profissionais. Eu [enfermeiro] acabo tendo que pedir ajuda para outros setores quando falta profissional. Não chego a fechar setor. Eu peço, vai lá faz a tua função. Por exemplo, a menina do eletrocardiograma e dermatoscopia, ela faz só isso, mas se faltou um funcionário aqui na frente eu digo: - Vai lá! Atende os pacientes, se 74 conseguir o mais rápido possível e vem dar uma mão aqui na frente. Ou as vezes, tento falar com o secretário adjunto ver se ele consegue um profissional de outra unidade que tenha menos movimento do que aqui (P7). Hoje a gente se reveza para não ficar sem ninguém ao meio dia. E todas as outras unidades fecham ao meio dia (P9). Até porquê a gente trabalha com pouco funcionário, por isso que eu e ela [enfermeiras] a gente está atuando muito na assistência, até no atendimento na própria recepção. A gente tem nossos horários de atendimento que faz pré-natal, preventivo, grupos, mas a gente acaba atuando junto pela falta de funcionários (P8). Apesar do enfermeiro ter seu trabalho reconhecido no contexto organizacional, encontra barreiras para tomar algumas decisões no cotidiano do serviço na UBS, deparando-se com ambiguidades sobre sua autonomia profissional. Os gestores reconhecem que o enfermeiro precisa ter autonomia para tomar decisões sobre a organização do trabalho na UBS. Por isso formalizaram essa atribuição em portaria que garantiu também um acréscimo na remuneração salarial. Diante disso, o enfermeiro identifica que consegue ter autonomia na UBS, mas por vezes, deparam-se com situações em que não tem “carta branca” para tomar decisões, dependem da autorização do gestor municipal ou precisa rever sua decisão por que foi contraditória a do gestor. Tais achados estão representados na subcategoria “Exercendo uma autonomia condicionada s decisões da gestão municipal”. A gente [gestores] via uma desmotivação de todos os profissionais, principalmente dos enfermeiros, na tomada de decisão e a gente ficou preocupada por que eles ficavam de mãos atadas para tomar decisão no seu trabalho. Primeiramente a gente pensou como organizar isso [autonomia, tomada de decisão]. Hoje, cada enfermeiro, independente de quantas equipes tem em cada unidade, eles são responsáveis formalmente e recebem uma gratificação por isso, para ter autonomia (P22). 75 A gente [enfermeiro] poderia ter mais colaboração da gestão para questão de organização na unidade. Tem várias coisas que a gente poderia ter mudado aqui dentro e a gente não pode mudar por que não tem autorização da gestão. É coisa que eles esquecem, que é importante para nós, mas para eles [gestor municipal] não é tão importante e acaba passando e a gente fica nesse aguardo e não acontece. A equipe nos cobra, a gente fala que estamos esperando uma resposta do gestor. Eles perguntam o que isso vai interferir? mas a gente precisa dessa autorização (P11). Pode ser que eu não consiga ter autonomia de colocar o dentista, contratar um agente de saúde, uma faxineira. Eu não tenho governança sobre esses assuntos. Mas a governança de como minha unidade de saúde vai funcionar, eu consigo [...] (P6). Precisa mais “carta branca”, o enfermeiro decidiu, está decidido. Muitas vezes a gente vai lá toma uma atitude. A pessoa [profissional da equipe] procura o fulano de tal [político], que passa a mão na cabeça, diz não e acaba quebrando com a nossa autonomia (P3). O enfermeiro vem “Organizando a interação entre os profissionais de saúde por meio do diálogo e trabalho em equipe”. Essa categoria demonstra que ele promove o relacionamento entre os profissionais para a realização do trabalho em equipe, o diálogo e a comunicação com uso de tecnologias. Na subcategoria “Fazendo o elo entre os profissionais da equipe de saúde” o enfermeiro desenvolve o trabalho em equipe. O profissional entende que está uma de suas atribuições, essenciais para “a equipe pegar junto e alavancar”. A gente já viveu várias gestões muito boas onde conseguiu interagir com a equipe para que ela pegasse junto para alavancar [...] Alguém tem que fazer esse “elo” e eu acho que já nos incumbido indiretamente (P6). 76A partir da relação interpessoal com a equipe o enfermeiro desempenha um “bom trabalho”, na visão dos enfermeiros e das equipes de saúde. Junto com o ACS ele participa do acompanhamento de pessoas com doenças crônicas, puericultura, auxilia no cadastro de famílias, realiza visita domiciliar para os acamados e coloca-se atento à população do bairro. Eu consigo fazer um trabalho muito bom com a minha equipe relacionado a minha relação interpessoal com a equipe e a nossa relação com os pacientes que daí foram os vínculos que a gente formou (P13). Nós nos identificamos bem. O enfermeiro participa junto conosco. Eu vejo que o enfermeiro atua bem, faz um bom trabalho e que nós como todo fizemos um bom trabalho, somos uma equipe e trabalhamos juntos. Ele participa das atividades dentro do trabalho do agente de saúde, acompanhando os diabéticos e hipertensos, as crianças até os cinco anos, e fazer o cadastro da família, olhar os acamados, fazer visita domiciliar nos acamados e dar uma atenção para o povo onde a gente atua, do bairro (P18). Ainda para a organização da interação entre os profissionais, evidenciou-se a subcategoria “Valorizando o diálogo como estratégia para resolução dos problemas” que demonstra que o enfermeiro conversa com gestores ou profissionais da equipe de trabalho, individualmente, em reuniões ou por meio de contato telefônico para solucionar problemas relacionados à unidade e assistência. Eu sou muito do dia a dia. As dificuldades que tem eu chamo e já converso, o que tem que estar mudando, o que está acontecendo de errado. Então, eu uso através da conversa no dia a dia. Não gosto de esperar para resolver em reunião, então, aconteceu eu já chamo para a gente já estar resolvendo (P8). Tem as reuniões semanais que são todas as quartas-feiras, a gente conversa, relata tudo o que tem que relatar e vê tudo o que está faltando, vê o 77 que está precisando mudar, conversa e entramos todos em um consenso para a gente sempre inovar e fazer as coisas melhores, por que é vivendo e aprendendo (P6). Graças a Deus agora entrou o secretário adjunto que ele é como se fosse nosso coordenador. Então muitas coisas eu tento resolver da minha maneira ou tento conversar com ele e ver o que ele me autoriza fazer [...] Falo com a assistente social, às vezes é um exame que [o usuário] não tem condições de pagar e vai demorar pelo posto (P7). Além disso, o enfermeiro utiliza aplicativos de mensagens instantâneas, como o WhatsApp ® , e-mail e telefone para se comunicar e trocar informações com a equipe de saúde e gestores. Isso ocorre para busca ativa de usuários em exames e consultas, no compartilhamento de notas técnicas sobre a prática de enfermagem, como por exemplo, a da campanha de vacinação e para recados à equipe. É tanto agente de saúde, imagina se a gente vai dar conta de mandar mensagem para cada um. Eu montei um grupo no WhatsApp®, o grupo é tanto para besteira, quanto para passar recados da saúde mesmo (P7). Então se eu quero localizar o paciente, na nossa área não funciona telefone, a gente aciona pelo WhatsApp® um ACS desse da área e ele vai na casa do familiar e fala, olha tem exame tal dia (P10). Quando eles [gestão] mandavam e-mail, mandavam para o enfermeiro dar o recado para toda equipe (P7). O meu telefone está sempre disponível para resolver as coisas (P22). Evidenciou-se que o enfermeiro vem “Compartilhando o cuidado com a equipe de saúde” a partir da troca de conhecimento pelas diferentes áreas de formação ou atuação. Estas práticas potencializam as 78 interações profissionais, provisão de recursos necessários para o cuidado e ação educadora do enfermeiro com o familiar cuidador. Exemplos disso são percebidos quando o enfermeiro identifica uma doença infectocontagiosa, e tem sua prática de cuidado compartilhada com profissionais da vigilância epidemiológica. Médicos e técnicos de enfermagem também fazem um acompanhamento juntamente com o enfermeiro buscando o cuidado e a recuperação do paciente. Isso ocorre quando decidem atender no mesmo dia uma gestante que está com dor, mas não estava na agenda ou na realização de uma troca de sonda uretral conjuntamente. Além disso, quando o usuário não tem instrução para fazer um agendamento de exame, que pode comprometer seu tratamento, o enfermeiro procura o gestor municipal com o intuito de agilizar este processo. O cuidado é gerenciado sempre em parceria, quando o estado está mais agravado, se é uma doença infectocontagiosa como a tuberculose, você vai trabalhar junto com a vigilância epidemiológica, se é um paciente com câncer, você vai tentar ver todos os cuidados que ele está tendo no CEPON [Centro de Pesquisas Oncológicas] e fazer os cuidados paliativos junto com a família (P3). A médica também faz um acompanhamento, então primeiro vai a médica com a enfermeira [no atendimento domiciliar] e depois a gente reveza, um dia vai uma, outro dia vai a outra [técnica de enfermagem], mas todos com o mesmo objetivo, que é a cura do paciente, o cuidado (P17). A categoria “Tomando decisões coletivamente com a equipe de saúde” revela que a tomada de decisões coletivas acontece por meio de reuniões periódicas, planejamento conjunto e discussão de casos de usuários. A subcategoria “Realizando reuniões periódicas” evidencia que uma das estratégias para participação de todos os profissionais envolvidos com o serviço, nas decisões sobre a dinâmica que permeia o cotidiano das UBS, é a realização de reunião periódica com a equipe de saúde. Conferir voz aos envolvidos é considerado pelo enfermeiro uma prática para inovar e melhorar considerando as experiências anteriormente vivenciadas por todos. 79 Nesse sentido, o enfermeiro vem “Planejando junto com a equipe de saúde” a dinâmica da organização do serviço na UBS. Esta subcategoria representa que o planejamento em conjunto com a equipe é uma ferramenta que promove o estabelecimento de metas racionalizadas a partir da interação de diferentes ideias e o fortalecimento dos vínculos neste contexto. Como exemplo de ações que foram planejadas junto com a equipe destacam-se: o fluxo de agendamento de consultas, marcação de exames, horários de reuniões e atividades vinculadas o Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ). Na minha equipe, tudo o que eu posso tomar de decisão conjunta para transformar em uma ideia melhor eu tento fazer. Pensando em processo de trabalho, dinâmica, eficácia e eficiência, tudo! [...] a gente tenta planejar o máximo, todo mundo junto, porque eu penso de um jeito, tu de outro, ela de outro, e a junção destas ideias vai dar um todo que talvez seja o melhor para aquela situação do que só a minha ideia (P5). A decisão nunca é tomada sozinha, a gente faz reuniões periódicas e tenta decidir o máximo das coisas em conjunto com todos os profissionais que atuam aqui dentro na unidade, a organização do serviço geral, para decidir reuniões, horários, agendamentos e marcações é tudo (P11). A gente [duas enfermeiras] reúne a equipe. Você não trabalha sozinha, tens a tua equipe, onde as decisões são tomadas e as ações colocadas em prática (P8). Quanto a tomada de decisão, tudo em conjunto. A nossa parte na época do PMAQ foi tudo muito unido, todo mundo se uniu, vamos buscar, fazer acontecer e a gente conseguiu, só que claro que pela parte do governo a gente não conseguiu nada (P15). A gente mesmo desenvolve os nossos [objetivos e planejamento] dentro das nossas possibilidades, o que nós conseguimos e damos conta de fazer (P6). 80 Para mim conseguir fazer com que esta equipe trabalhe a gente tem reuniões e eu tento fazer com que a equipe defina as coisas junto comigo, não eu colocar para elas o que eu quero, oque eu penso (P4). A subcategoria “Discutindo casos de usuários com a equipe de saúde” demonstra que o enfermeiro discute com a equipe casos de usuários para tomar decisões que atendam a integralidade da assistência. Os profissionais planejam ações de cuidado em saúde e enfermagem e decidem o plano terapêutico em conjunto. Exemplos de discussão de caso envolvem: como fazer um curativo, que tipo de medicamento será utilizado e matriciamento pelo NASF. Assim com a discussão de caso entre a equipe, para que todos saibam o que está acontecendo e possam assistir o paciente como um todo (P1). A gente se reúne com a enfermeira, normalmente eu e a outra técnica, quando é a questão por exemplo de um curativo, quando é na casa de um paciente, como é que a gente vai trabalhar com aquele paciente, que tipo de medicação a gente vai utilizar (P17). Então esses pacientes, quando há necessidade é feito acompanhamento por toda a equipe e uma vez por mês a gente se reúne para estar discutindo o caso do paciente (P8). [...] cada profissional olha para a pessoa com o conhecimento que ela tem, eu vou olhar de um jeito, o enfermeiro vai olhar de outro (P14). Isso é muito importante, porque na reunião de equipe a gente passava os nossos dados epidemiológicos, o que tinha atendido no mês, discutia algum caso de paciente que precisava matriciar com o NASF (P13). Assim a gente consegue discutir mais específico os cuidados de cada paciente, levantar os problemas de cada paciente (P11). 81 A categoria “Lidando com limitações do contexto político- organizacional” emergiu da vivência dos enfermeiros com aquilo que consideram limitações no ambiente de trabalho e que interferem na qualificação do serviço de saúde e enfermagem e a governança na sua prática. A subcategoria “Identificando a importância de formação e atualização profissional” demonstra que os enfermeiros percebem a necessidade de estarem atualizados, qualificados para responder às diferentes demandas pelas quais os usuários procuram o serviço na APS e, a necessidade dos gestores (secretários municipais de saúde) terem formação na área da saúde. O enfermeiro reconhece a falta de investimento em educação continuada, mas procura informação sobre as dúvidas que aparecem no cotidiano em sites oficiais do departamento de atenção básica. Uma coisa muito importante, capacitação, não adianta eu estar aqui [trabalhando na APS], chegar nua e crua e de repente nesse tempo todo, nunca fui chamada para uma capacitação do que é o enfermeiro do ESF o que precisa ser feito. Não é só capacitar o enfermeiro, eu vejo isso para o técnico, para os agentes principalmente (P2). Em relação a capacitação, eu volto te falar que é importante, até para nós que somos enfermeiros [...] A comunidade sempre aparece com dúvidas e o enfermeiro tem que estar sempre por dentro do que é mudado, o que é priorizado para estar sempre pronto para responder a comunidade (P2). Eu vejo que os profissionais são colocados nos seus locais de trabalho e nem sempre são orientados, é o que acontece com os agentes comunitários, são colocados, a gente faz uma orientação rápida. Não há uma capacitação, nenhuma orientação e fica por isso mesmo. A educação continuada é muito importante (P1). Além disso, o enfermeiro aponta que os gestores de saúde nas diferentes esferas de atuação devem ter formação técnica na área. Os profissionais esperam que tendo conhecimento técnico na área da saúde, a posição hierárquica ocupada pelo gestor, direcione de forma qualificada os seus serviços. 82 Eu acho que poderia contribuir consequentemente é os nossos superiores, a nossa chefia ter maior conhecimento da área. Realmente ser da área da saúde. Porque às vezes a gente se depara com profissionais que têm boa vontade, mas que não tem conhecimento necessário e consequentemente as coisas não acontecem por essa falta (P1). Você tem que ter uma gestão que funcione e uma hierarquia que leve adiante isso, através do estado, do município, dos gestores que estão atuando dentro do município. O conhecimento do gestor tem que ser no mínimo técnico, direcionado à saúde, sem essa direção eu acredito que não tem como ir para frente [...] Existe uma hierarquia e eu acredito que esta hierarquia tem que ser cumprida em todos os sentidos, você tem um gestor de saúde, mas este gestor tem que saber exatamente a que ele veio, qual é o propósito, ele tem que entender da área para estar presente neste setor. Na verdade, ele é, se é um trabalho hierárquico ele tem que saber direcionar todos os setores (P2). Porque para parte burocrática a gente tem pouco estudo, segundo grau. A gente não tinha orientação para esta parte burocrática (P20). Outra limitação identificada no contexto pesquisado é a rotatividade de enfermeiros, seja pelo pouco tempo de permanência no emprego ou pela sua movimentação entre os postos de trabalho. Estas condições estão relacionadas com o vínculo empregatício, ou seja, a contratação temporária e a cultura organizacional adotada pelo gestor de que os enfermeiros experenciem o trabalho em diferentes UBS. Ambas as situações são consideradas como dificuldades na criação de vínculo com os usuários, e por isso, os profissionais enfatizam a necessidade de evitá-las. Sendo assim, surge a subcategoria “Vendo a rotatividade de enfermeiros como problema”. Outra coisa que eu vejo de problema é a rotatividade de enfermeiros. Nós estamos em junho, eu já estou com a terceira enfermeira este ano. Isso prejudica porque a população tem que criar vínculo, ter alguém de referência, então eles não têm [...]eles [gestão municipal de saúde] 83 deveriam fazer um concurso para efetivar estes enfermeiros e não ficar essa rotatividade, por que eles [usuários] têm que pegar confiança na pessoa, se abrir mais para falar alguma coisa (P14). É muito importante o vínculo do enfermeiro na atenção básica, o que tem que ser mantido. Os gestores gostam muito de fazer rotação dos funcionários, um dia você [enfermeiro] está aqui, outro dia lá e se perde este vínculo, muitas vezes a gente sabe de detalhes do paciente que são importantes, da vida, da história (P12). O enfermeiro vivencia conflitos com os gestores relacionados às articulações políticas e o acesso dos usuários aos serviços de saúde a ele solicitados. Neste contexto, os gestores municipais têm uma proximidade com os partidos políticos, seja por que foram indicados por eles ao cargo ou porque de fato é uma figura política no município. Diante disso, evidenciou-se a subcategoria “Recebendo solicitação de atendimento de pessoas com influência política partidária” para o acesso a exames e consultas, consideradas por eles, situações difíceis de acordar com o gestor municipal e que podem gerar iniquidades. Só que o município que tem uma questão política muito forte, as vezes eu ainda tenho uma certa dificuldade de chegar em alguns acordos em relação a isso, por exemplo, o nosso secretário de saúde é vereador do município, tem muita coisa, muito favor político que pedem para ele, ele como favor político não consegue dizer “não” e vem pedir para nós. As vezes a gente tenta dizer não porque eu sou muito chata com isso, se é para ti é para mim também. Às vezes o marido do ciclano, o filho da beltrana está precisando, eu sei que o médico está aí, principalmente quando tem algum especialista atendendo aqui, pois as vezes vem o psiquiatra atender aqui, o psicólogo. Eu sou da ideia que se eu já mandei alguém embora por que não tinha encaixe, como que vai atender outra (P9). Como eu estou enfrentando barra, as minhas enfermeiras também, os enfermeiros que eu tenho também enfrentam o imediatismo, porque a 84 população foi acostumada a vereador prometerfavor, deputado fazer favor na saúde (P20). A articulação das categorias originou o fenômeno: Promovendo a funcionalidade da unidade básica de saúde. A forma como o enfermeiro conduz a assistência e o gerenciamento da unidade refletem na conquista da autonomia profissional, mesmo que, por vezes, condicionadas a decisão do gestor municipal, o que permite a ele adaptar o serviço de acordo com os recursos humanos e materiais disponíveis na realidade. Para isso, além de suas competências técnicas, o enfermeiro organiza a interação entre os profissionais de saúde por meio do diálogo e do trabalho em equipe. A interação profissional leva à tomada de decisões coletivamente sobre o trabalho. Com a experiência de trabalho e consequentemente o desenvolvimento de senso crítico sobre o gerenciamento do cuidado na UBS, o enfermeiro lida com limitações no contexto político-organizacional, as quais não dependem dele para modificá-las. Esta articulação está representada no modelo teórico ilustrado na Figura 6. Figura 6 - Modelo teórico Fonte: elaborado pela autora (2019). 85 DISCUSSÃO Os resultados mostram que o enfermeiro vem “Promovendo a funcionalidade da Unidade Básica de Saúde”, articulando de forma contínua e interdependente competências e habilidades, por meio de estratégias, como: assistência, gerenciamento da UBS, autonomia, interação com a equipe de saúde, tomada de decisões coletivas e a identificação de limitações do contexto político-organizacional. Tais resultados corroboram com um estudo que aponta que a autonomia e a participação nos processos de decisão, que envolvem a governança no ambiente de trabalho, são necessárias para que os enfermeiros possam gerenciar o cuidado (SANTOS et al., 2013). Inversamente, a governança da prática profissional de enfermagem pode ser potencializada pela gestão do cuidado (COPELLI et al., 2017). Em relação s categorias “Realizando atividades assistenciais” e “Gerenciando a unidade básica de saúde”, os resultados deste estudo vão ao encontro das atividades previstas ao enfermeiro na APS, que envolvem a realização de atividades clínicas diretas e indiretas (MATUMOTO et al., 2011). Considera-se necessária a realização das atividades assistenciais do enfermeiro em conjunto com as atividades de gestão, para que avalie e realize as estratégias de governança de acordo com as necessidades locais. Dentre as atividades clínicas diretas assemelham-se: a realização do acolhimento, consulta de enfermagem (relacionada à coleta do exame de Papanicolau, pré-natal e puerpério, planejamento familiar, atendimento de puericultura, hipertensos e diabéticos, saúde mental), visita domiciliar/atendimento domiciliar e trabalho em grupo (MATUMOTO et al., 2011; CAÇADOR et al., 2015). E, entre as atividades clínicas indiretas do enfermeiro na realização do cuidado, assemelham-se as competências de supervisão, coordenação da equipe e gerenciamento dos serviços evidenciados na categoria “Gerenciando a unidade básica de saúde (MATUMOTO et al., 2011). No que concerne ao gerenciamento da UBS, o enfermeiro vem levando em consideração as reivindicações dos usuários, sejam elas sugestões ou críticas, valorizando a escuta como ferramenta. Destacam- se, neste sentido, a aproximação das atividades de gerenciamento do enfermeiro no cenário estudado, com o que as políticas de saúde consideram relevante para qualificar o serviço de saúde na APS. A avaliação da satisfação do usuário na APS fortalece a participação da comunidade nos processos de planejamento e avaliação, e pode subsidiar a gestão no desenvolvimento de ações que promovam melhor 86 oferta de cuidado e consequentemente sua maior satisfação (PROTASIO et al., 2017). O Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB), executado desde 2011 no Brasil, tem entre suas diretrizes estimular a orientação dos serviços em função das necessidades e da satisfação dos usuários (BRASIL, 2011). Por meio da análise de dados secundários de avaliação do PMAQ-AB 65.392 usuários declararam sentir-se satisfeitos quando resolvem os seus problemas na UBS e são respeitados pelos profissionais de saúde em todas as regiões do Brasil (PROTASIO et al., 2017). Ademais, na região Sul, o fato de “ser escutado sem ter hora marcada”, que corrobora com nossos resultados, foi destaque na avaliação da satisfação dos usuários (PROTASIO et al., 2017). Os enfermeiros mostraram-se atuantes na gerência da provisão de recursos humanos e materiais, utilização de sistemas de informação para o planejamento em saúde e capacitação da equipe de trabalho. A PNAB, após a revisão de suas diretrizes, recomenda a inclusão do Gerente da Atenção Básica no organograma de trabalho na APS, com função técnico-gerencial objetivando contribuir com o aprimoramento e qualificação do trabalho nas UBS. A PNAB orienta que este profissional deve ter preferencialmente nível superior e não compor nenhuma equipe de atenção básica (BRASIL, 2017). Apesar da PNAB não fazer menção ao enfermeiro como gerente da APS, descreve como atribuições do enfermeiro que compõe a equipe de saúde da família, além das competências específicas da profissão, atividades gerenciais como: implementar e manter atualizados rotinas, protocolos e fluxos relacionados a sua área de competência na UBS e planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos técnicos/auxiliares de enfermagem, agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias em conjunto com os outros membros da equipe (BRASIL, 2017). Ao encontro disso, dentre os profissionais da saúde, o enfermeiro é o que demonstram maior interesse, vocação e preparo para assumir funções de gestor da UBS (FERNANDES; CORDEIRO, 2018). Os relatórios do e-SUS, destacaram-se como ferramentas para o planejamento em saúde. Nesse sentido, o Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB), atual SISAB que tem o e-SUS como banco de dados, também é utilizado para o reconhecimento da realidade local de saúde e planejamento por mais da metade dos gestores, enfermeiros, entrevistados nas UBS no interior da Bahia (OLIVEIRA; LOPES, 2017). Considera-se que o planejamento cria condições necessárias para 87 que o enfermeiro tenha governança de sua prática (COPELLI et al., 2017). Em relação a atividades de educação continuada e capacitação para a equipe de trabalho, os enfermeiros gerentes das UBS também denotam realizá-la (OLIVEIRA; LOPES, 2017). Ressalta-se que a conquista da autonomia do enfermeiro acontece com a ocupação de uma posição central na UBS e o reconhecimento profissional. Com isso, ele realiza adequações às necessidades locais no ambiente de trabalho, entre elas o remanejamento de profissionais e adaptação do trabalho aos recursos disponíveis. Contudo, evidencia-se ambiguidades relacionadas à autonomia, pois apesar de exercê-la nas situações anteriormente mencionadas, está condicionada as decisões do gestor municipal de saúde. Discute-se que a ampliação da autonomia pelo enfermeiro confere valorização e reconhecimento social sobre seu trabalho, profissão e consolidação de mudanças no modelo de assistência à saúde (MELO et al., 2016; FERREIRA; PÉRICO; DIAS, 2018). E, para alcançar a governança sobre a prática profissional, ao ampliarem suas margens de autonomia, os enfermeiros têm maiores condições de gerenciar o cuidado (COPELLI et al., 2017). De forma similar, gerentes de UBS de municípios de pequeno porte no estado do Paraná, Brasil, também identificam ter autonomia para o remanejamento e alocação dos trabalhadores (BAZZO-ROMAGNOLLI; GIMENEZ-CARVALHO; ALMEIDA- NUNES, 2014). A falta de autonomia está relacionada à não ter respaldo para a tomada de decisões, o que dificulta o desenvolvimento das atividades e a execução de mudanças para amelhoria nas unidades de saúde (FERNANDES; CORDEIRO, 2018). No contexto pesquisado, o cuidado é objeto de trabalho compartilhado por diferentes categorias profissionais. Este é um dos motivos pelos quais as organizações de saúde são consideradas as mais complexas, pela diversidade dos seus serviços, variedade de profissionais com competências distintas, vários processos ocorrendo simultaneamente e pela necessidade de uma abordagem holística (LEONE, DUSSAULT E LAPÃO, 2014) Nesse processo, embora o enfermeiro tenha conquistado autonomia para adaptar o serviço à realidade, ele tem o desafio de ampliá-la levando em consideração a formação e prática de diferentes profissionais para integralidade do cuidado. A autonomia é fundamental para o desenvolvimento do trabalho, especialmente no campo da saúde, no qual o trabalho é coletivo e desenvolvido de forma compartilhada ou complementar por diferentes categorias profissionais e trabalhadores que têm formação e práticas distintas (MELO et al., 2016). 88 A organização da interação entre os profissionais é uma estratégia de governança do enfermeiro no intuito de reunir saberes e técnicas almejando a integralidade do cuidado, qualificação da assistência, alcance de metas e objetivos. Nossos resultados mostraram que isso vem acontecendo por meio do diálogo e do trabalho em equipe. Tais ações sustentam-se com a ideia de que a complexidade dos problemas de saúde requer uma lógica de colaboração, articulação e interação entre os profissionais de saúde (BAZZO ROMAGNOLLI; GIMENEZ-CARVALHO; ALMEIDA- NUNES, 2014). A comunicação aparece como um importante instrumento entre os membros da equipe para se ter uma relação interpessoal interativa, efetiva e auxiliar na assistência. (BROCA; FERREIRA, 2015). Com isso, o ambiente de trabalho torna-se produtivo, saudável e satisfatório (CAÇADOR et al., 2015; SMOLOWITZ et al., 2015). A enfermagem destaca-se como um exemplo de um poderoso grupo profissional que trabalha com em equipe para melhorar a prática e os resultados dos pacientes dentro de ambientes burocráticos e continuar aprimorar o sucesso em oferecer um serviço inclusivo modelo de governo compartilhado (HESS, 2017). Em relação à tomada de decisões coletivas, a reunião de equipe vem sendo o espaço estratégico para o planejamento conjunto e a discussão de casos de usuários. Refere-se a isso mecanismos de governança que favorecem a implementação de ações relacionadas a gestão do cuidado. Dessa forma, profissionais que podem se comunicar e usar a "abordagem de tomada de decisão em equipe" têm maior probabilidade de promover uma assistência efetiva (SMOLOWITZ et al., 2015). Nessa lógica, gerentes de UBS promovem a realização de reuniões com a equipe multiprofissional procurando estabelecer metas e indicadores de saúde, discutir informações com colaboradores e executar ações de planejamento e avaliação das atividades (OLIVEIRA; LOPES, 2017). A PNAB define como atribuição comum à equipe multiprofissional, a participação em reuniões de equipes a fim de acompanhar e discutir em conjunto o planejamento e avaliação sistemática das ações e discutir casos de usuários (BRASIL, 2017). As limitações vividas pelos enfermeiros no contexto político- organizacional influenciam a governança na prática de enfermagem e, por conseguinte o serviço de saúde na APS. Nesse sentido, a cultura organizacional pode ser um fator relevante no desempenho de organizações na saúde (LEONE; DUSSAULT; LAPÃO, 2014). No entanto, as possibilidades de mudanças advém da gestão municipal de saúde, implicando um aumento das responsabilidades por àqueles que assumem o papel de gestor (LEONE; DUSSAULT; LAPÃO, 2014). 89 Sobre o contexto político-organizacional, um estudo de caso realizado em município brasileiro de grande porte também destacou desafios a serem enfrentados pelos gestores municipais. Entre estes, destacam-se a adoção efetiva de políticas de valorização dos profissionais que envolvem vínculos trabalhistas estáveis; políticas de qualificação profissional e a reorganização e a programação do atendimento das unidades de saúde da família, de acordo com as necessidades da comunidade, a fim de melhorar o acesso e potencializar a capacidade das equipes resolverem os problemas de saúde da população (SOUZA; MACHADO; NORONHA, 2015). Identificou-se que os enfermeiros vivenciam a falta de incentivo a educação continuada e almejando serem resolutivos buscam informações em sites oficiais do Ministério da Saúde. A garantia de educação permanente e continuada para os profissionais da APS é uma responsabilidade comum para todas as esferas do governo (BRASIL, 2017). Entre as dificuldades que impedem a melhor resolutividade de enfermeiros na APS está a falta de capacitação desses profissionais para assimilar o conhecimento com a experiência vivenciada (LOPES; OLIVEIRA, 2017). A rotatividade de enfermeiros é considerada um problema para a criação de vínculo com os usuários. Isso interfere na qualidade do atendimento e na produtividade da equipe, acarretando dificuldades no gerenciamento de recursos humanos, uma constante preocupação das organizações de saúde (TIRONI et al., 2014). A falta de conhecimento técnico do gestor municipal de saúde e a solicitação de atendimentos de enfermagem por políticos são consideradas limitações para a funcionalidade da UBS. Em consonância ao encontrado nesta pesquisa, um estudo sobre gestão de UBS de pequeno porte evidenciou que algumas vezes os secretários de saúde são despreparados e muitos de seus interesses destoam da finalidade que os serviços de saúde deveriam atingir (BAZZO ROMAGNOLLI; GIMENEZ-CARVALHO; ALMEIDA- NUNES, 2014). Além disso, os gerentes de UBS têm dificuldades de lidar com atitudes populistas dos gestores (secretários e prefeitos) na área da saúde com intuito de conseguirem retorno político (BAZZO-ROMAGNOLLI; GIMENEZ- CARVALHO; ALMEIDA- NUNES, 2014). Considera-se que a forma como o enfermeiro vem desenvolvendo suas habilidades, competências e estratégias para promover a funcionalidade da UBS relaciona-se com características de governança. A tomada de decisão compartilhadas e interação entre os atores nesse processo, aproximam-se de uma das classificações que se 90 atribui ao termo de governança, a governança compartilhada descrito em outros estudos, porém estes relatados em ambientes hospitalares e em outros países que não o Brasil (SANTOS et al., 2013; LOTT, 2016; JOSEPH; BOGUE, 2016). A governança compartilhada é uma estratégia para adoção de modelos democráticos de gestão que possibilitam ao enfermeiro maior controle e autonomia sobre a prática profissional (SANTOS et al., 2013). Estruturas de governança compartilhada em enfermagem existentes em outros países têm impacto significativo em melhores resultados na assistência ao paciente, empoderamento dos enfermeiros na tomada de decisão e maior envolvimento da equipe, bem como sua satisfação e responsabilidade profissional na assistência (SANTOS et al., 2013; KUTNEY-LEE et al., 2016; LOTT, 2016). Ademais, impactam na diminuição da rotatividade, maior reconhecimento e visibilidade dos enfermeiros e diminuição dos custos assistenciais (SANTOS et al., 2013). Portanto, ao estudar a governança da prática de enfermagem na APS foi possível elaborar um modelo teórico explicativo que congrega as múltiplas atividades desenvolvidas pelos enfermeiros, bem como as interações que ele estabelece na sua prática profissional. Ressalta-se o empenho e a contribuição do enfermeiro para a promoção da “funcionalidade da Unidade Básica de Saúde”, visando resolutividade e integralidade do cuidado com práticas que se aproximam das características de governança. CONSIDERAÇÕES FINAIS A governança na prática de enfermagem na APS ocorre com a utilização de estratégias próprias doprofissional, que articula suas habilidades e competências representadas de forma intrínseca no modelo teórico sendo elas: assistência, gerenciamento da UBS, autonomia, tomada de decisão coletiva e identificação de limitações do contexto político-organizacional. É possível evidenciar a colaboração dos profissionais de saúde na efetivação do cuidado por meio da interação profissional, que se refere ao trabalho em equipe e diálogo, e participação na tomada de decisões. Com práticas características de governança, o enfermeiro mostra-se competente para guiar e manter a funcionalidade da UBS adequando o serviço às limitações e contornando as fragilidades na busca de melhores resultados para gestão do cuidado. Neste sentido, a 91 funcionalidade é entendida como a adequação das práticas para obtenção do resultado, o “cuidado”. Considerando estruturas que tem como prerrogativa a governança apontam para melhorias organizacionais e um destaque para a gestão de enfermagem, sugere-se a necessidade de ampliar os estudos sobre a temática no modelo de saúde pautado na APS. Por se tratar de um estudo com recorte de uma microrregião brasileira e não existir nenhum outro estudo sobre governança na prática de enfermagem na APS no Brasil, deve-se ter cautela ao generalizar os resultados desta pesquisa. REFERÊNCIAS ARANTES, Luciano José; SHIMIZU, Helena Eri; MERCHÁN- HAMANN, Edgar. Contribuições e desafios da Estratégia Saúde da Família na Atenção Primária à Saúde no Brasil: revisão da literatura. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 21, n. 5, p.1499-1510. https://doi.org/10.1590/1413-81232015215.19602015. Disponível em: <https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1413- 81232016000501499&script=sci_arttext&tlng=en>. Acesso em 30 jan. 2019. 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Método: Pesquisa com abordagem qualitativa com referencial teórico metodológico da Teoria Fundamentada nos Dados construtivista. A amostragem foi composta por 22 participantes, entre enfermeiros, agentes comunitários de saúde, técnicos de enfermagem e gestores municipais de saúde inseridos no contexto da Atenção Primária à Saúde da microrregião de Tijucas/Santa Catarina. Os dados foram coletados por meio de entrevistas intensivas e codificados a partir de codificação inicial e focalizada. Resultados: Obteve-se a categoria “Tomando decisões coletivamente com a equipe de saúde” que subdivide-se em três subcategorias: realizando reuniões periódicas com a equipe de saúde, planejando junto com a equipe de saúde e discutindo casos de usuárioscom a equipe de saúde. Considerações finais: A tomada de decisões coletivas com a equipe de saúde é uma estratégia de governança na prática de enfermeiros na atenção primária à saúde e representa novas possibilidades de práticas de gestão para a categoria profissional. Descritores: Tomada de decisões. Enfermagem. Gestão em saúde. Atenção Primária à Saúde. INTRODUÇÃO A governança está relacionada aos processos, regras (formais ou informais) e interações que interferem o modo pelo qual os poderes são exercidos e como os envolvidos tem responsabilidade sobre suas decisões no contexto organizacional (A HERRERA et al., 2017). Sob essa perspectiva, a governança na prática profissional dos enfermeiros pode ser entendida como conjunto de estratégias de atuação proativa em busca de objetivos da profissão e da instituição para o alcance da excelência assistencial e efetividade nas práticas de gestão (COPELLI et al., 2015). 99 Os arranjos de governança incluem a participação de diferentes atores dos mais distintos cenários na articulação de seus interesses e responsabilidades para a tomada de decisões (A HERRERA et al., 2017; PYONE; SMITH; BROEK, 2017). Compreende-se por tomada de decisão a transformação de um pensamento vigente construído pela rede de atores envolvidos em um problema. Ela é subsidiada pelo conhecimento e julgamento existente, podendo ser facilitada com a disponibilidade de informações de saúde. Além disso, precisam ser pensadas levando em consideração várias dimensões do ser humano (PINHEIRO et al., 2016). A tomada de uma decisão implica no processo de escolher entre diferentes alternativas de ações, selecionando-se aquelas entendidas como mais eficientes para o alcance dos resultados esperados (MOSQUEDA-DÍAZ; MENDOZA-PARRA; JOFRÉ- ARAVENA, 2014). Nesse sentido, no Brasil, as diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em enfermagem estabelecem que a prática do enfermeiro deve estar fundamentada na capacidade de tomar decisões visando o uso apropriado, eficácia e custo-efetividade, da força de trabalho, de medicamentos, de equipamentos, de procedimentos e de práticas. A tomada de decisão é uma competência de enfermagem e para este fim, os enfermeiros devem possuir habilidades para avaliar, sistematizar e decidir sobre condutas mais apropriada (BRASIL, 2001). Diante das transformações no âmbito da gestão organizacional e das políticas públicas no século XX, a governança vem ganhando notoriedade como um novo modelo de gestão que tem se mostrado responsivo às mudanças (PLUMPTRE; GRAHAM, 1999; SANTOS et al., 2013; MEADS; RUSSELL; LEES, 2016). Os modelos contemporâneos de gestão têm apontado para a necessidade de intensificar a comunicação, flexibilizar o processo decisório e o poder (HAYASHIDA et al., 2014). No entanto, no século XXI, ainda se observa a predominância de modelos tradicionais de gestão com tendência à hierarquização e centralidade de tomada de decisões por gestores nas organizações de saúde (PENEDO; GONÇALO; QUELUZ, 2019). Na enfermagem, identificam-se três modelos de governança: clínica, pública e compartilhada, que têm em comum a busca da excelência assistencial. Está ultima propõe a reconfiguração das práticas de gestão de modo a possibilitar maior poder de decisão aos enfermeiros (SANTOS et al., 2013). A tomada de decisão compartilhada é um resultado importante de modelos bem-sucedidos de governança 100 compartilhada que enfatizam a propriedade de tomada de decisões por parte da enfermagem (CLAVELLE et al., 2016; FIORE et al., 2018). No Brasil, na Atenção Primária à Saúde (APS), o enfermeiro é protagonista na organização do trabalho bem como na assistência prestada por meio da articulação de competências gerenciais e assistenciais (HALCOMB et al., 2016; GALAVOTE et al., 2016). Neste contexto, o cuidado de usuários em território definido é compartilhado pela Equipe de Saúde da Família (eSF). A eSF é composta, minimamente, por enfermeiro, técnico de enfermagem, médico e agentes comunitários de saúde, com possibilidade de integração de odontólogos e auxiliares de saúde bucal (BRASIL, 2017). As equipes multiprofissionais deparam-se com desafio diário de vivenciar processos de gestão no trabalho e participar da tomada decisões para melhoria da assistência à saúde do usuário (PENEDO; GONÇALO; QUELUZ, 2019). Devido a responsabilidade dos profissionais da eSF sobre um mesmo território e de sua população faz-se necessário promover a sua integração na tomada de decisão sobre as ações de saúde ao usuário e o ambiente de trabalho. Nesse sentido, entre as habilidades gerenciais do enfermeiro na APS, destaca-se a promoção da integração e do bom relacionamento das equipes de saúde sob sua responsabilidade, almejando com isso, qualidade do serviço prestado (FERNANDES; SILVA, 2013). Diante destas considerações, definiu-se a seguinte questão de pesquisa: como os enfermeiros que atuam na APS vem tomando decisões no contexto da governança de enfermagem? Assim, o objetivo deste estudo é compreender a tomada de decisão de enfermeiros no contexto da governança na prática de enfermagem na APS. MÉTODO Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com o parecer número 2.537.128 e CAAE: 80346917.4.0000.0121 na data de 11 de março de 2018. Para o desenvolvimento deste estudo, consideraram-se as recomendações da Resolução nº 466/12, do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 2012). Trata-se de uma pesquisa qualitativa que adotou como referencial metodológico a Teoria Fundamentada nos Dados (TFD), conforme a perspectiva construtivista (CHARMAZ, 2009). O cenário 101 da pesquisa foi a APS da microrregião de Tijucas/SC, composta por 6 municípios, entre eles: Angelina, Canelinha, Leoberto Leal, Major Gercino, Nova Trento, São João Batista e Tijucas. Estes municípios têm cobertura populacional de 100% dos serviços de saúde da Atenção Primária, com 47 estabelecimentos de saúde e 44 enfermeiros da Estratégia de Saúde da Família (BRASIL, 2019). Participaram da pesquisa 22 pessoas. Entre elas, 13 enfermeiros que constituíram o primeiro grupo amostral. O segundo grupo amostral foi composto por três técnicos de enfermagem e três agentes comunitários de saúde lotados nas mesmas UBS que os enfermeiros do primeiro grupo amostral. O terceiro grupo amostral foi composto por três secretários municipais de saúde, de municípios onde os grupos anteriores foram amostrados. O número de participantes não foi predeterminado, visto que na TFD o fechamento amostral deve ocorrer por meio da saturação teórica (LEITE, 2015). Os participantes foram escolhidos de forma intencional. A partir da análise dos dados do primeiro grupo amostral definiu-se os subsequentes (CHARMAZ, 2009). Como critério de inclusão, definiu- se que os participantes tivessem experiência mínima de um ano na APS das Secretarias Municipais de Saúde da microrregião de Tijucas/SC. Acredita-se que este período é necessário para compreender suas devidas funções na área de atuação. Excluíram-se da pesquisa profissionais que estavam afastados do serviço por motivo de férias ou licenças de outra natureza. Para preservar a confidencialidade dos participantes, utilizou-se a letra “P”, seguida de ordem num rica crescente. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista intensiva, no local de trabalho dos participantes, com duração média de uma hora e oito minutos, nos meses de abril a julho de 2018. As entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra. A análise dos dados aconteceu de forma concomitante à coleta por meio da codificação inicial e focalizada. Primeiramente, codificou-se incidente por incidente, para gerar códigos provisórios, comparativos e fundamentados nos dados. Na etapa seguinte,esses códigos foram agrupados por similaridade e diferenças conceituais formando categorias, até a obtenção de um fenômeno ou categoria central (CHARMAZ, 2009). Utilizou-se o software NVIVO® para organização dos dados e o processo de codificação. A partir deste processo obteve-se como fenômeno “Promovendo a funcionalidade da unidade básica de saúde”, ancorado em seis categorias e 21 subcategorias. Neste estudo, focalizam-se os 102 resultados da categoria: “Tomando decisões coletivamente com a equipe de saúde”, tendo em vista a sua importância para o desenvolvimento do fenômeno. RESULTADOS A categoria “Tomando decisões coletivamente com a equipe de saúde” representa uma estrat gia de governança na prática de enfermagem encontrada na pesquisa e subdivide-se em três subcategorias: realizando reuniões periódicas com a equipe de saúde, planejando junto com a equipe de saúde e discutindo casos de usuários com a equipe de saúde. A relação entre a categoria e suas subcategorias está ilustrada na Figura 7. Figura 7 - Representação gráfica da tomada de decisão coletiva como estratégia para governança de enfermagem na atenção primária à saúde. Florianópolis, 2019 Fonte: elaborado pela autora (2019). Realizando reuniões periódicas com a equipe de saúde A realização de reuniões periódicas do enfermeiro com a equipe de saúde é uma ferramenta para tomada de decisão coletiva. Nesses espaços, acontece o diálogo e a articulação entre os profissionais, favorecendo a prática gerencial do enfermeiro. Governança na prática de enfermagem na Atenção Primária à Saúde 103 Eu trabalho deste jeito na minha unidade, é a ferramenta que eu mais utilizo, realmente a reunião (P5). Quando eu vim para cá [UBS] a primeira coisa que eu fiz foi fazer uma reunião para todo mundo se conhecer (P7). E eu acho que a questão de reuniões, a gente precisa dessa comunicação, isso faz toda diferença dentro do processo de gerência [...] (P11). Os enfermeiros relatam ter “batalhado” para a conquista de horários para reunião, pois este momento não é entendido como produtivo por todos os profissionais. A partir da proatividade do enfermeiro na organização destes momentos, as reuniões acontecem mensalmente com a participação das equipes de uma mesma Unidade Básica de Saúde (UBS) e dos profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) e, semanalmente com os profissionais de uma mesma equipe. Com o favorecimento da comunicação nestes espaços, diferentes categorias profissionais discutem sobre os problemas da equipe e buscam sempre tomar decisões para melhorar a qualidade do serviço. [...] tem as reuniões da unidade, que a gente batalhou por esses momentos [...] eu prezo muito por esses momentos de reunião e tento passar isso para toda equipe que nem todo mundo acha e consegue fazer este momento produtivo [...] faz um ano que a gente faz reuniões periódicas com toda equipe, que é uma vez por mês e fora isso a gente faz as reuniões de equipe, só do enfermeiro da equipe, os técnicos, o médico e os agentes comunitários ali da equipe do território (P11) Se a equipe tem reclamação elas [equipe] colocam o ponto de vista delas e a gente abre este debate. Durante o mês a gente tem uma reunião de toda unidade e daí vai participar todos os profissionais que são da rede e estão aqui com a gente (P10). Tem as reuniões semanais que são todas as quartas-feiras, a gente conversa [...] entramos 104 todos em um consenso para a gente sempre inovar e fazer as coisas melhores [...] (P19). Planejando junto com a equipe de saúde Nas reuniões, ocorre o planejamento em conjunto com a equipe de saúde, ferramenta que promove o estabelecimento de metas racionalizadas a partir da interação de diferentes ideias. Com isso, ocorre a tomada de decisão para adaptação de mudanças na organização do trabalho e intervenções para o alcance de objetivos propostos por programas do Ministério da Saúde, dentro das condições e peculiaridades de cada equipe. Como exemplo de ações que foram planejadas com a equipe multiprofissional destacaram-se: o fluxo de agendamento de consultas e marcação de exames, horários de reuniões e atividades vinculadas o Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ). Na minha equipe, tudo o que eu posso tomar de decisão conjunta para transformar em uma ideia melhor eu tento fazer. Pensando em processo de trabalho, dinâmica, eficácia e eficiência, tudo! [...] a gente tenta planejar o máximo, todo mundo junto, porque eu penso de um jeito, tu de outro, ela de outro, e a junção destas ideias vai dar um todo que talvez seja o melhor para aquela situação do que só a minha ideia (P5). A decisão nunca é tomada sozinha, a gente faz reuniões periódicas e tenta decidir o máximo das coisas em conjunto com todos os profissionais que atuam aqui dentro na unidade, a organização do serviço geral, para decidir reuniões, horários, agendamentos e marcações é tudo (P11). Quanto a tomada de decisão, tudo em conjunto. A nossa parte na época do PMAQ foi tudo muito unido, todo mundo se uniu, vamos buscar, fazer acontecer e a gente conseguiu, só que claro que pela parte do governo a gente não conseguiu nada (P15). 105 A gente mesmo desenvolve os nossos [objetivos e planejamento] dentro das nossas possibilidades, o que nós conseguimos e damos conta de fazer (P6). Discutindo casos de usuários com a equipe de saúde Na busca da integralidade e singularidade do cuidado, o enfermeiro também toma decisões conjuntas com a equipe de saúde a partir da discussão de casos de usuários. Os profissionais de diferentes áreas planejam ações de cuidado em saúde e decidem o plano terapêutico dos usuários com maior complexidade. Exemplos de discussão de caso envolvem: técnicas de realização de curativo, definição de tratamento com uso de fármacos e matriciamento com o NASF. [...] com a discussão de caso entre a equipe, para que todos saibam o que está acontecendo e possam assistir o paciente como um todo (P1). [...] cada profissional olha para a pessoa com o conhecimento que ela tem, eu vou olhar de um jeito, o enfermeiro vai olhar de outro (P14). A gente se reúne com a enfermeira, normalmente eu e a outra técnica, quando é a questão por exemplo de um curativo, quando é na casa de um paciente, como é que a gente vai trabalhar com aquele paciente, que tipo de medicação a gente vai utilizar (P17). Isso é muito importante, porque na reunião de equipe a gente passava os nossos dados epidemiológicos, o que tinha atendido no mês, discutia algum caso de paciente que precisava matriciar com o NASF (P13). Assim a gente consegue discutir mais específico os cuidados de cada paciente, levantar os problemas de cada paciente [...] se tem gestante nova, paciente novo, se paciente foi a óbito, se aconteceu alguma coisa na área é repassado neste dia [reunião de equipe] (P10). 106 DISCUSSÃO O enfermeiro, no contexto da governança na prática na APS, vem tomando decisões com a participação da equipe multiprofissional em espaços de reuniões periódicas. Neles acontecem o planejamento de ações em saúde e discussões de casos que representam estratégias de governança para a funcionalidade da UBS, implicando em melhorias assistenciais. De modo semelhante, pesquisa sobre governança de enfermagem em um cento obstétrico, aponta que um de seus pressupostos é a inserção dos profissionais envolvidos na assistência na tomada de decisão (COPELLI et al., 2015). Modelos gerenciais contemporâneos recomendam a participação de todos os profissionais de uma instituição no processo decisório e a modificação dos organogramas tradicionais, criando unidades de produção, excluindo departamentos e seções organizados por profissões esubstituindo por unidades conforme a lógica de trabalho, composta por equipes multiprofissionais (SOUSA; BERNARDINO, 2015). Contrapondo nossos resultados, em um município no estado paulista, o enfermeiro coordenador da eSF percebe que há exposição de diferentes opiniões, ocasionada pelo envolvimento dos demais membros da equipe nas decisões, apesar de aliviar sua sobrecarga de trabalho, favorece atritos no ambiente de trabalho (PENEDO; GONÇALO; QUELUZ, 2019). Por outro lado, essa mesma pesquisa, aponta que o modelo de gestão compartilhada, em que o líder compartilhar as decisões a serem tomadas com a sua equipe, torna o ambiente de trabalho melhor, o que é essencial para o trabalho em equipe (PENEDO; GONÇALO; QUELUZ, 2019). Diante disso, entende-se que a prática gerencial de enfermeiros na atenção primária à saúde diverge de acordo com a sua perspectiva de modelo de gestão. Essas diferenças podem implicar na qualidade da assistência prestada e na harmonia/interação das equipes de saúde no ambiente organizacional (LEONE; DUSSAULT; LAPÃO, 2014). A tomada de decisões compartilhada em modelos de governança compartilhada tem efeito positivo tanto o para os pacientes quanto para as organizações, de modo que influenciam os padrões de prática de enfermagem, desenvolvimento profissional, processos organizacionais internos, pesquisas e resultados e clínicos (JOSEPH; BOGUE, 2016). Um estudo realizado no sul da Califórnia (Estados Unidos), com objetivo de analisar se a tomada de decisão compartilhada apresentava melhores resultados quanto a satisfação profissional, 107 participação, controle sobre a prática profissional, habilidade para resolução de objetivos e conflitos e acesso a informação nesse modelo de gestão, demonstrou resultados significativos após 2 a 5 anos de implementação do modelo (DECHAIRO-MARINO et al., 2018). Os dados desta pesquisa demonstraram que a reunião é realizada pela proatividade do enfermeiro na organização desses espaços. Isso ocorre pois, nem todos os profissionais de saúde entendem como um espaço produtivo. Mesmo assim, o enfermeiro vem buscando articular os profissionais que compartilham o mesmo local de trabalho por meio do favorecimento do diálogo. Em relação a proatividade do enfermeiro, estudo que avaliou as suas repercussões no gerenciamento do cuidado, evidenciou que ser proativo favorece a troca de saberes na equipe, traduzindo-se em oportunidades potenciais de (inter)agir com os diversos profissionais, fortalecendo a elaboração e implementação de melhores práticas no cuidado (FERREIRA; DALLAGNOL; PORTO, 2016). Nessa lógica, a integração de diferentes categorias profissionais e especialidades aumentam a quantidade e diversidade das informações, gerando maior número de alternativas na tomada de decisões (HAYASHIDA ET AL., 2014; SANTOS ET AL., 2016). Quando não há incentivo para reunião de equipe, ocorre a falta de planejamento coletivo do trabalho realizado e um ambiente propício para prestação da assistência individual, sem integração entre os diferentes profissionais (SANTOS et al., 2016). A participação de todos os profissionais nos debates durante as reuniões teve destaque nos resultados. A reunião de equipe pode constituir-se um espaço participativo-comunicativo ou apenas informativo. No primeiro, a interação busca o entendimento entre os sujeitos, como prática comunicativa, voltada para a produção coletiva do cuidado. No segundo, o espaço é utilizado instrumentalmente para garantir a funcionalidade do serviço, desconsiderando as especificidades do trabalho em saúde e os debates necessários sobre os resultados a serem produzidos no cuidado aos usuários (CARVALHO et al., 2014). Neste estudo, as reuniões entre profissionais de uma mesma equipe acontecem semanalmente e entre as equipes que atuam em uma mesma UBS ocorrem mensalmente. De modo semelhante, em uma capital do Brasil, as reuniões de equipe fazem parte do cotidiano das equipes de saúde da família tendo como resultado: o favorecimento do trabalho integrado, planejamento, divisão de tarefas, diálogo horizontal com troca de informações (FARIAS et al., 2017). 108 A interação de diferentes ideias sobre a implementação de ações que respondam às adequações do ambiente de trabalho, objetivos e metas propostos por programas do Ministério da Saúde, vem ocorrendo nos momentos das reuniões de equipe. O planejamento é considerado uma ferramenta que integra o desenvolvimento das organizações e visa à condução da ação para o alcance de resultados e efetivação das metas estabelecidas (CARVALHO et al., 2014). Enfermeiros que atuam na APS apontaram que a reunião auxilia o planejamento e organização da sua prática de forma mais reflexiva, fugindo do “apaga incêndio”, situação em que as ações de enfermagem são realizadas conforme acontecem, sem tempo para reflexão (OLIVEIRA et al., 2017). A necessidade de discutir casos de usuários sob a responsabilidade de uma mesma equipe, leva ao entendimento que a articulação entre os profissionais e integração de conhecimentos, apesar de distintos, se complementam. Os resultados mostram que isso também vem acontecendo em espaços de reunião de equipe semanais, das quais, por vezes participam profissionais do NASF, onde são determinadas ações estratégicas de cuidado que consideram a multidisciplinaridade. Um estudo que analisou a influência do trabalho em equipe no atendimento realizado na APS corrobora esse dado ao apontar que a articulação entre os profissionais, frequentemente acontece para o esclarecimento de dúvidas ou pela necessidade de avaliação em conjunto de um caso (SANTOS et al., 2016). Sendo assim, o desenvolvimento de ideias que são discutidas por diferentes visões técnicas implica na qualidade da assistência prestada (ARANTES; CHIMIZU; MERCHÁN-HAMANN, 2016). Além disso, apesar do termo Projeto Terapêutico Singular (PTS) não ter sido mencionado dessa forma pelos participantes, entende-se que as discussões e tomada de decisões sobre a condução de melhores práticas de cuidado ao usuário, aproximam-se da definição proposta pelas políticas públicas de saúde no Brasil. Trata-se de um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas, para um sujeito individual ou coletivo, resultado da discussão de uma equipe interdisciplinar, que pode ser apoiada pela equipe do Núcleo de Apoio à Saúde da Família. É uma variação da discussão de “caso clínico” e geralmente é dedicado às situações mais complexas (BRASIL, 2014). O PTS é essencial para o compartilhamento de casos clínicos, o que envolve a presença de todos os profissionais e é realizada quando se torna necessário compreender de forma multidimensional a situação, caracterizando assim a colaboração interprofissional (FARIAS et al., 2017). 109 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que a proatividade do enfermeiro na realização da reunião de equipe tem destaque na forma como ocorre a tomada de decisão coletiva no contexto da governança de enfermagem. A reunião viabiliza o planejamento e discussão de casos, em que as decisões são tomadas de forma coletiva. Dentro desta lógica, considera-se relevante que todos os profissionais participem da implementação de ações tanto quanto do estabelecimento de suas normas. Comparando os resultados com a literatura existente, considera- se que as reuniões de equipe são práticas de trabalho existentes em outros cenários de atenção primária a saúde para a discussão de casos de usuários e planejamento. Os resultados diferem das pesquisas realizadas no contexto da APS, que fizeram parte da discussão deste estudo, no que tange a tomada de decisões coletivas sob a ótica da governança na prática de enfermagem na atenção primária à saúde no Brasil. Sendo assim, entende-se que enfermeiros vem tomando decisões coletivamente com a equipe de saúde comoestratégias de governança na busca de melhores resultados e, explorando novos modelos gerenciais sem a implantação formalizada destes. Quanto a prática gerencial de enfermeiros que atuam na atenção primária à saúde entende-se que não há definição do modelo de gestão utilizado. No entanto, as práticas aproximam-se de modelos de governança de enfermagem já identificados em outros estudos. Sobre a temática deste estudo, considera-se que a habilidade do enfermeiro em integrar a equipe por meio da reunião é relevante no contexto do trabalho da gestão. Ainda, pela relevância desta temática, que permite uma possibilidade de gestão horizontalizada, democrática e descentralizada com a governança, sugere-se o investimento em novas pesquisas e a inclusão do tema na formação dos enfermeiros. As limitações desta pesquisa relacionam-se ao fato de não ter incluído os demais profissionais da equipe de saúde da família, como médico e odontólogos, e profissionais que compõe o NASF na amostragem. Dessa forma, sugere-se que novas pesquisas sejam desenvolvidas buscando ampliar a abordagem do fenômeno sob investigação, por meio da escolha de outros cenários de investigação e participantes. REFERÊNCIAS 110 A HERRERA, Cristian et al. Governance arrangements for health systems in low-income countries: an overview of systematic reviews. Base de Dados Cochrane Syst Rev, v. 9, n. 12, p.1-21, 2017. http://dx.doi.org/10.1002/14651858.cd011085.pub2. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5618451/>. Acesso em 26 jan. 2019. ARANTES, Luciano José; SHIMIZU, Helena Eri; MERCHÁN- HAMANN, Edgar. Contribuições e desafios da Estratégia Saúde da Família na Atenção Primária à Saúde no Brasil: revisão da literatura. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 21, n. 5, p.1499-1510. https://doi.org/10.1590/1413-81232015215.19602015. Disponível em: <https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1413- 81232016000501499&script=sci_arttext&tlng=en>. Acesso em 30 jan. 2019. BRASIL. 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Com a articulação dessas categorias, construiu-se o fenômeno: “Promovendo a funcionalidade da unidade básica de saúde”. Com isso, conclui-se que a governança na prática de enfermagem na atenção primária a saúde ocorre com a articulação de habilidades e competências do enfermeiro para a funcionalidade do ambiente de trabalho. A funcionalidade, neste contexto, é compreendida pela efetividade das ações e práticas adaptadas para a obtenção do cuidado. Entende-se que com a governança o enfermeiro promove a adequação do serviço de saúde frente à realidade vivenciada, buscando superar limitações no contexto político-organizacional. Considera-se que a governança de enfermagem tem impacto na integração dos profissionais e seu envolvimento nos processos decisórios que influenciam na corresponssabilização para com o cuidado. Os resultados deste estudo não são passíveis de generalização, considerando as características da metodologia utilizada. Além disso, referem-se especificamente a um contexto de prática profissional cujos atores são enfermeiros, agentes comunitários de saúde, técnicos de enfermagem e gestores municipais de saúde de cinco municípios que compõe a microrregião de Tijucas/SC. Outra limitação diz respeito à discussão com a literatura. Como a produção cientifica sobre o assunto no contexto estudado é incipiente no Brasil e em outros países, as percepções acerca dos resultados são interpretativas pela relação com modelos de governança em outros cenários de estudo. Por outro lado, esse fato implica na recomendação de explorar a temática, visando à proposição de práticas de governança para gestão de enfermagem na 117 atenção primária à saúde e mensuração de seus resultados na busca de inovação de melhores práticas gerenciais. 118 REFERÊNCIAS A HERRERA, Cristian et al. Governance arrangements for health systems in low-income countries: an overview of systematic reviews. 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Carga horária semanal de trabalho incluindo o outro vínculo empregatício: ________ 8. Experiência na gestão/coordenação: ( ) Sim ( ) Não, Se sim, quanto tempo (anos):_______ Questões: Governança é o processo de ação coletiva que organiza a interação entre os atores, a dinâmica, os processos e as regras formais e informais por meio das quais um grupo toma e implementa suas decisões e determina suas condutas (SANTOS et al., 2013) A governança está relacionada ao exercício da autoridade política, econômica e administrativa para gerir os serviços de saúde (RONDINELLI, 2006). 136 1. Quais relações e/ou aproximações você percebe entre o conceito de governança e a sua prática como enfermeiro na APS? 2. O que seria para você “governança da prática de enfermagem na APS”? 3. Quais as estratégias que você utiliza para exercer governança sobre a sua prática profissional? E sobre o cuidado de enfermagem? 4. O que poderia contribuir para que você tivesse maior governança sobre a sua prática profissional/prática profissional de enfermagem? 5. Conte-me sobre suas experiências em relação: • Ao gerenciamento da unidade básica de saúde • Ao gerenciamento do cuidado • Ao gerenciamento da equipe de enfermagem e dos agentes comunitários de saúde • À sua atuação na conexão/articulação entre os profissionais de saúde e enfermagem • A sua autonomia na APS • A tomada de decisão no seu trabalho como enfermeiro 137 APÊNDICE B - ROTEIRO DE ENTREVISTA INTENSIVA – SEGUNDO GRUPO AMOSTRAL ENTREVISTA nº______ Dados profissionais: 1. Idade (anos):____ 2. Sexo: ( )F ( ) M 3. Tempo (anos) de atuação (somente para profissionais e gestores da saúde): 4. Escolaridade: ( ) Ensino fundamental, ( ) Ensino médio, ( ) Ensino superior, ( ) Especialista, ( ) Mestre, ( ) Doutor Em caso de formação em nível de ensino superior e pós- graduação, especificar a área:_________________________________________________ ______ 5. Turno de trabalho: (1) Manhã (2) Tarde 6. Possui outro vínculo empregatício? (1) Sim (2) Não 7. Carga horária semanal de trabalho incluindo o outro vínculo empregatício: ________ Questões: 1.Atuação no trabalho da equipe atenção primária à saúde Governança é o processo de ação coletiva que organiza a interação entre os atores, a dinâmica, os processos e as regras formais e informais por meio das quais um grupo toma e implementa suas decisões e determina suas condutas (SANTOS et al., 2013) A governança está relacionada ao exercício da autoridade política, econômica e administrativa para gerir os serviços de saúde (RONDINELLI, 2006). 2.Como você percebe a atuação da governança do enfermeiro na APS 3. Como você percebe a articulação do enfermeiro com a equipe de saúde da família 4. Fale-me sobre a tomada de decisões pelo enfermeiro 5. Fale-me sobre a autonomia do enfermeiro na APS 6. O que você entende por gestão do cuidado 138 APÊNDICE C - ROTEIRO DE ENTREVISTA INTENSIVA – TERCEIRO GRUPO AMOSTRAL ENTREVISTA nº______ Dados profissionais: 9. Idade (anos):____ 10. Sexo: ( )F ( ) M 11. Tempo (anos) de atuação (somente para profissionais e gestores da saúde): 12. Escolaridade: ( ) Ensino fundamental, ( ) Ensino médio, ( ) Ensino superior, ( ) Especialista, ( ) Mestre, ( ) Doutor Em caso de formação em nível de ensino superior e pós- graduação, especificar a área:_________________________________________________ ______ 13. Turno de trabalho: (1) Manhã (2) Tarde 14. Possui outro vínculo empregatício? (1) Sim (2) Não 15. Carga horária semanal de trabalho incluindo o outro vínculo empregatício: ________ Questões: 1. Fale-me sobre a sua atuação da secretaria municipal de saúde/ atenção primária à saúde. Governança é o processo de ação coletiva que organiza a interação entre os atores, a dinâmica, os processos e as regras formais e informais por meio das quais um grupo toma e implementa suas decisões e determina suas condutas (SANTOS et al., 2013) A governança está relacionada ao exercício da autoridade política, econômica e administrativa para gerir os serviços de saúde (RONDINELLI, 2006). 2. Como você percebe a atuação da governança do enfermeiro na APS 3. Como você percebe a articulação do enfermeiro com a equipe de saúde da família 4. Fale-me sobre a tomada de decisões pelo enfermeiro 5. Fale-me sobre a autonomia do enfermeiro na APS 139 APÊNDICE D - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM FLORIANÓPOLIS - SANTA CATARINA TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) Eu, Prof. Dr. José Luis Guedes dos Santos (pesquisadora responsável), juntamente com a pesquisadora Luana Silveira, mestranda em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC estamos desenvolvendo a pesquisa intitulada “Governança na prática de enfermagem na atenção primária Saúde”, que tem como objetivo: Compreender como vem ocorrendo a governança na prática profissional de enfermagem no contexto da Atenção Primária à Saúde. E, elaborar um modelo teórico sobre a governança na prática do profissional de enfermagem no contexto da Atenção Primária à Saúde. Este projeto foi enviado ao Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humano da Universidade Federal de Santa Catarina (CEPSH- UFSC) para aprovação. Gostaríamos de convidá-lo (a) a participar do referido estudo por meio deste termo de consentimento. Sua participação na pesquisa ocorrerá por meio de respostas a uma entrevista previamente agendada, queserá áudio gravada, com duração de aproximadamente 40 minutos. Posteriormente a entrevista será transcrita, sem que você seja identificado (a) em qualquer tempo do estudo). Justifica-se realizar esta pesquisa porque poderá contribuir com reflexões a respeito da governança na prática do enfermeiro no contexto da atenção primária à saúde, sendo este um tema ainda pouco explorado na enfermagem. De modo indireto, este estudo contribuirá para identificação das estratégias de governança utilizadas por enfermeiros na atenção primária e poderá subsidiar discussões futuras entre gestores, enfermeiros e usuários nas instituições sobre o tema. O estudo não apresenta riscos de natureza física, exceto a possibilidade de mobilização emocional, cansaço e aborrecimento relacionados à reflexão sobre a teoria e prática durante o exercício de sua atividade. Contudo, os pesquisadores, compreendendo este potencial risco, estão dispostos a ouvi-los (as), interromper a entrevista, 140 retornando a coletar os dados sob a sua anuência, tão logo você esteja à vontade para continuá-la ou desistir. O material coletado durante as entrevistas e a observação poderá ser consultado sempre que você desejar, mediante solicitação. Porém, acrescentamos que, apesar dos esforços e das providências necessárias tomadas pelos pesquisadores, sempre existe a remota possibilidade de quebra de sigilo, ainda que involuntária e não intencional. Os resultados deste trabalho mostrarão apenas os resultados como um todo, sem revelar seu nome, instituição ou qualquer informação relacionada à sua privacidade, e poderão ser apresentados em eventos ou periódicos científicos. A legislação brasileira não permite que você tenha qualquer compensação financeira pela sua participação em pesquisa. Para este estudo você não terá nenhuma despesa advinda da sua participação, mas você será ressarcido caso alguma despesa extraordinária venha ocorrer, que serão cobertas pelo orçamento da pesquisa, mediante apresentação de comprovante. Caso você tenha algum prejuízo material ou imaterial em decorrência da pesquisa poderá solicitar indenização, de acordo com a legislação vigente e amplamente consubstanciada. Este documento está redigido em duas vias, assinadas e rubricadas em todas as suas páginas por você e pelo pesquisador responsável. Uma das vias ficará com você, guarde-a cuidadosamente, pois é um documento que traz importantes informações de contato e garante os seus direitos como participante da pesquisa. Você tem a liberdade de recusar participar do estudo, ou caso aceite, retirar o seu consentimento a qualquer momento, uma vez que sua participação é voluntária. A recusa ou desistência da participação do estudo não implicará em nenhuma sanção, prejuízo, dano ou desconforto. Todas as etapas desta pesquisa, os aspectos éticos e a confidencialidade das informações fornecidas, relativos às pesquisas com seres humanos, serão respeitados de acordo com as diretrizes e normas regulamentadoras da Resolução N° 466, de 12 de dezembro de 2012, aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde. Estaremos disponíveis para quaisquer esclarecimentos no decorrer do estudo. Você poderá entrar em contato com o pesquisador Dr. José Luis Guedes dos Santos (48) 3721-2763, e mail joseenfermagem@gmail.com ou pessoalmente no endereço Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, Bloco I, 4° andar, sala 401. Universidade Federal de Santa Catarina, Campus 141 universitário Reitor João David Ferreira Lima, Bairro Trindade, em Florianópolis (SC), CEP 88.040-900. Poderá entrar em contato com a pesquisadora Luana Silveira pelo telefone (48) 991495868, e-mail luanasilveira2@gmail.com, ou pessoalmente no endereço Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, Bloco I, 4° andar, sala 401. Universidade Federal de Santa Catarina, Campus universitário Reitor João David Ferreira Lima, Bairro Trindade, em Florianópolis (SC), CEP 88.040-900. Você também poderá entrar em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFSC pelo telefone (48) 37216094, e-mail CEP.propesq@contato.ufsc.br ou pelo endereço Pró- Reitoria de Pesquisa, Prédio Reitoria II, Rua Des. Vitor Lima, sala 401. Universidade Federal de Santa Catarina, Campus universitário Reitor João David Ferreira Lima, Bairro Trindade, em Florianópolis (SC), CEP 88.040-400. ________________________ _______________________ José Luis Guedes dos Santos Luana Silveira Pesquisador responsável Pesquisadora principal Nesses termos e considerando-me livre e esclarecido (a) sobre a natureza e objetivo do estudo proposto, consinto minha participação voluntária, resguardando a autora do projeto a propriedade intelectual das informações geradas e expressando a concordância com a divulgação pública dos resultados, garantido o anonimato. Nome do participante: ________________________________________________________ RG: ______________________________ CPF: _____________________________ Assinatura do participante: _______________________________________ Assinatura do pesquisador: _______________________________________ Data: ____ / _____ /____ 142 ANEXO A - DECLARAÇÃO DE CIÊNCIA E CONCORDÂNCIA DA INSTITUIÇÃO 143 ANEXO B – PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP 144 145