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Questões resolvidas

Qual é o marco inicial do Romantismo português e do Romantismo brasileiro, respectivamente?

a) Camões, de Almeida Garret; Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães
b) Obras poéticas, de Cláudio Manuel da Costa; Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães
c) Obras poéticas, de Cláudio Manuel da Costa; Camões, de Almeida Garret

Qual é o termo que passou a designar as academias literárias que surgiram na Europa?

a) Arcadismo.
b) Barroco.
c) Classicismo.

Dentre os temas presentes na poesia de Gonzaga, destaca-se, nesse texto, a:
a) idealização da natureza pastoril grega.
b) antecipação da felicidade conjugal.
c) influência do poema Camões, de Garret.
d) presença do medievalismo europeu.
e) dominação de Portugal sobre o Brasil colônia.

Dentre as atividades econômicas de Vila Rica, na época do poeta, o poema menciona:
a) a mineração e o cultivo do milho.
b) o cultivo do fumo e a produção de livros.
c) a cana-de-açúcar e a mineração.
d) a mineração e a criação de gado.
e) a criação de gado e o cultivo do fumo.

Minada serra, no contexto do poema, significa montanhas:
a) escavadas pela busca do ouro.
b) cheias de fonte de água mineral.
c) repletas de artefatos explosivos.
d) habitadas por negros-minas da África.
e) atingidas pela erosão pluvial.

Entre as características de estilo presentes no poema, destaca-se:
a) o emprego de rimas paralelas.
b) o uso excessivo de metáforas.
c) a predominância de versos de sete sílabas.
d) a omissão dos artigos definidos.
e) a anteposição dos adjetivos.

9. Quaisquer elementos do trecho: “eles estão num vale muito verde onde chove muito, as árvores são muito compridas e os rios são grandes feito o mar. Tem tanta riqueza lá, que ninguém precisa trabalhar. Os velhos não morrem nunca e os jovens não perdem sua força. É uma terra tão verde”.

a) Quaisquer elementos do trecho: “eles estão num vale muito verde onde chove muito, as árvores são muito compridas e os rios são grandes feito o mar. Tem tanta riqueza lá, que ninguém precisa trabalhar. Os velhos não morrem nunca e os jovens não perdem sua força.
b) “Deixa louvar da corte a vã grandeza”.

10. Já se afastou de nós o Inverno agreste / Envolto nos seus úmidos vapores: O inverno agreste, envolto em seus úmidos vapores, já se afastou de nós. A fértil Primavera, a mãe das flores, / O prado ameno de boninas veste: A fértil Primavera, a mãe das flores, veste o prado ameno de boninas.

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Questões resolvidas

Qual é o marco inicial do Romantismo português e do Romantismo brasileiro, respectivamente?

a) Camões, de Almeida Garret; Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães
b) Obras poéticas, de Cláudio Manuel da Costa; Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães
c) Obras poéticas, de Cláudio Manuel da Costa; Camões, de Almeida Garret

Qual é o termo que passou a designar as academias literárias que surgiram na Europa?

a) Arcadismo.
b) Barroco.
c) Classicismo.

Dentre os temas presentes na poesia de Gonzaga, destaca-se, nesse texto, a:
a) idealização da natureza pastoril grega.
b) antecipação da felicidade conjugal.
c) influência do poema Camões, de Garret.
d) presença do medievalismo europeu.
e) dominação de Portugal sobre o Brasil colônia.

Dentre as atividades econômicas de Vila Rica, na época do poeta, o poema menciona:
a) a mineração e o cultivo do milho.
b) o cultivo do fumo e a produção de livros.
c) a cana-de-açúcar e a mineração.
d) a mineração e a criação de gado.
e) a criação de gado e o cultivo do fumo.

Minada serra, no contexto do poema, significa montanhas:
a) escavadas pela busca do ouro.
b) cheias de fonte de água mineral.
c) repletas de artefatos explosivos.
d) habitadas por negros-minas da África.
e) atingidas pela erosão pluvial.

Entre as características de estilo presentes no poema, destaca-se:
a) o emprego de rimas paralelas.
b) o uso excessivo de metáforas.
c) a predominância de versos de sete sílabas.
d) a omissão dos artigos definidos.
e) a anteposição dos adjetivos.

9. Quaisquer elementos do trecho: “eles estão num vale muito verde onde chove muito, as árvores são muito compridas e os rios são grandes feito o mar. Tem tanta riqueza lá, que ninguém precisa trabalhar. Os velhos não morrem nunca e os jovens não perdem sua força. É uma terra tão verde”.

a) Quaisquer elementos do trecho: “eles estão num vale muito verde onde chove muito, as árvores são muito compridas e os rios são grandes feito o mar. Tem tanta riqueza lá, que ninguém precisa trabalhar. Os velhos não morrem nunca e os jovens não perdem sua força.
b) “Deixa louvar da corte a vã grandeza”.

10. Já se afastou de nós o Inverno agreste / Envolto nos seus úmidos vapores: O inverno agreste, envolto em seus úmidos vapores, já se afastou de nós. A fértil Primavera, a mãe das flores, / O prado ameno de boninas veste: A fértil Primavera, a mãe das flores, veste o prado ameno de boninas.

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Profª. Cristiane 
 Literatura 
 
Página 1 de 8 
O Arcadismo e a retomada da razão clássica 
 
 Um conceito que não é justo, nem fundado sobre a natureza 
das coisas, não pode ser belo, porque o fundamento de todo conceito 
engenhoso é a verdade. Verney citado por Alfredo Bosi 
 
Em Portugal, o Arcadismo começa em 1756, com a 
fundação da Arcádia Lusitana, e termina em 1825, com a 
publicação do poema Camões, de Almeida Garret – marco 
inicial do Romantismo português. No Brasil, começa em 1768, 
com a publicação das Obras poéticas de Cláudio Manuel da 
Costa, e termina em 1836, com a publicação de Suspiros 
poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães, marco 
inicial do Romantismo brasileiro. 
 
Arcadismo início fim 
Brasil 
1768 
publicação de 
Obras poéticas, 
de Cláudio 
Manuel da Costa 
1836 
publicação de Suspiros 
poéticos e saudades, 
de Gonçalves de 
Magalhães 
Portugal 
1756 
fundação da 
Arcádia Lusitana 
1825 
publicação de Camões, 
de Almeida Garret 
 
 
Jean Auguste Ingres, A aopoteose de Homero. 1827. Museu do Louvre. 
 
Texto I 
 
Poema de circunstância 
Onde estão os meus verdes? 
Os meus azuis? 
O arranha-céu comeu! 
E ainda falam nos mastodontes, nos brotossauros, 
..................................................nos tiranossauros, 
Que mais sei eu... 
Os verdadeiros monstros, os papões, são eles,os 
.......................................................arranha-céus! 
Daqui 
Do fundo 
Das suas goelas, 
Só vemos o céu, estreitamente, através de suas 
Empinadas gargantas ressecas. 
Para que lhes serviu beberem tanta luz? 
De fronte 
À janela aonde trabalho... 
Há uma grande árvore... 
Mas já estão gestando um monstro de permeio! 
Sim, uma grande árvore muito verde... Ah, 
Todos os meus olhares são de adeus 
Como o último olhar de um condenado! 
Mário Quintana 
Fonte: http://jpoliveirabueno.multiply.com/journal/item/120/120 
Texto II 
 
O que sobrou do céu 
Faltou luz mas era dia, o sol invadiu a sala 
Fez da TV um espelho refletindo o que a gente 
.............................................................esquecia 
Faltou luz mas era dia... di-ia 
Faltou luz mas era dia, dia, dia 
O som das crianças brincando nas ruas 
Como se fosse um quintal 
A cerveja gelada na esquina 
Como se espantasse o mal 
O chá pra curar esta azia 
Um bom chá pra curar esta azia 
Todas as ciências de baixa tecnologia 
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina 
Pra gente ver... por entre prédios e nós... 
Pra gente ver... o que sobrou do céu... 
 
O Rappa 
composição: Marcelo Yuka 
Fonte: http://www.cifraclub.com.br/o-rappa/o-que-sobrou-do-ceu/ 
 
 Os dois textos tratam da mesma questão: a dificuldade 
de se ver o céu (e, por extensão, a natureza) por trás dos 
prédios, dos arranha-céus; a dor do ser humano que se sente 
engolido pelo cinza da grande cidade. Ainda atual, esse tema 
preenche o imaginário do homem ocidental pelo menos desde 
o século XVIII, momento de marcantes transformações na 
Europa. Procure transportar-se para um século recém-saído da 
angustiante cisão barroca entre a salvação da alma e os 
prazeres da carne; para um momento em que o homem, 
cansado de sofrer, busca na ciência e na razão as explicações 
para seus dramas existenciais. É um período de intenso 
progresso científico (Newton formula a lei da gravidade, a 
psicologia já aborda as leis das sensações, a biologia se ocupa 
de classificar os seres vivos etc.), da publicação da 
Enciclopédia (por D’Alembert, Diderot e Voltaire, em 1751), do 
desenvolvimento da burguesia e, consequentemente, das 
grandes cidades (lembre-se de que a Revolução Francesa 
ocorreria em 1789, ou seja, já havia uma burguesia bastante 
organizada) e, muito importante para entendermos os 
fenômenos literários, da retomada dos valores clássicos. O 
desenvolvimento econômico, financeiro e industrial gerou um 
progresso notável, e a agitada vida urbana começava a suscitar 
no homem a necessidade de se voltar para aquilo que parecia 
estar gradativamente perdendo: a vida simples, o contato com 
a natureza. Esse é o período que estudaremos nestas duas 
aulas, e começaremos por entender o nome da escola – 
Arcadismo. 
 
Jacques-Louis David, O amor de Helena e Páris. 1788. Department of Paintings, 
Denon Wing. 
 
 
 
 Profª. Cristiane 
 Literatura 
 
Página 2 de 8 
 
Arcadismo, Neoclassicismo e Ilustração 
 
 Alguns teóricos usam o termo Arcadismo como 
sinônimo de Neoclassicismo, nome que se dá à época que 
agora estudamos. Se pensarmos que, em História, esse 
período se chama Ilustração (ou Iluminismo), podemos nos 
confundir: afinal, qual é a diferença entre os termos e a que eles 
se referem? 
 Neoclassicismo é termo relativamente novo em nossa 
crítica, nesse contexto, e nos veio dos portugueses, que por sua 
vez o tomaram aos espanhóis. Estes e os ingleses costumavam 
designar assim a imitação do Classicismo francês, verificada 
em toda a Europa no século XVIII. Na literatura comum 
(brasileira e portuguesa), seu emprego é útil, se levarmos em 
conta que o movimento da Arcádia Lusitana [...] teve por ideia-
força o combate ao Cultismo. [...] 
 Por Ilustração entende-se o conjunto das tendências 
ideológicas próprias do século XVIII, de fonte inglesa e francesa 
na maior parte: exaltação da natureza, divulgação apaixonada 
do saber, crença na melhoria da sociedade por seu intermédio, 
confiança na ação governamental para promover a civilização 
e o bem-estar coletivo. Sob o aspecto filosófico, fundem-se nela 
racionalismo e empirismo1; nas letras, pendor didático e ético, 
visando empenhá-la na propagação das Luzes2. [...] 
 A designação Arcadismo é menos rica e significativa, 
devendo-se à influência dos italianos, que reagiram contra o 
maneirismo nas agremiações denominadas Arcádias3. [...] Na 
literatura comum, sua fórmula seria mais ou menos a seguinte: 
Arcadismo = Classicismo francês + herança greco-latina + 
tendências setecentistas. Estas variam de país para país, mas 
compreendem, em geral, o culto da sensibilidade, a fé na razão 
e na ciência, o interesse pelos problemas sociais, podendo-se 
talvez reduzi-las à seguinte expressão: o verdadeiro é o natural, 
o natural é o racional. A literatura seria, consequentemente, a 
expressão racional da natureza, para assim manifestar a 
verdade, buscando, à luz do espírito moderno, uma última 
encarnação da mimesis aristotélica. 
 
Antonio Candido. Formação da literatura brasileira, v. 1. 8 ed. Belo Horizonte/Rio 
de Janeiro: Itatiaia/Humanitas, 1997, p. 41-42. 
 
 
 Assim, chamaremos de Arcadismo, escola que se 
iniciou na literatura, o período estético-literário que agora 
estudamos. 
 
Literatura árcade 
 
Imagem do Deus Pan 
 
 
1 Doutrina ou atitude que admite, quanto á origem do conhecimento, que 
este provenha unicamente da experiência, seja negando a existência de 
princípios puramente racionais, seja negando que tais princípios existentes, 
embora possam, independentemente da experiência, levar ao conhecimento 
da verdade. (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Novo Aurélio sec. XXI. 3 
ed, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999). 
2Daí o termo Iluminismo, também muito utilizado em português. 
3Arcádia é uma região da Grécia onde viviam pastores e poetas que, sob a 
influência do deus Pan, viviam em harmonia com a natureza. No século XVIII, 
 Diferentemente do barroco, o homem árcade busca a 
racionalidade, a clareza, a simplicidade, a ordem lógica e a 
verossimilhança4. O conceito de mimesis, que já aparecera no 
Classicismo, aqui retorna com grande força: não é a busca da 
imitação da natureza apenas, mas também dos modelos 
clássicos greco-romanos, de seus grandes autores e obras 
consagradas – porque equilibradas e ditadas por normas que 
visavam a regularidade estética. Assim, é notória a presença da 
mitologia da AntiguidadeClássica nas obras desse período. 
Mais uma vez, a literatura busca a transcendência da condição 
individual para alcançar o universal e pretende, agora, ser um 
instrumento de comunicação entre os homens. 
 
 
Jacques-Louis David. Cupido e Psiquê. 1817. 
 
 O herói literário por excelência é o homem natural, um 
herói “cuja bondade inata é posta à prova pelas vicissitudes da 
vida social, e sabe, não obstante, triunfar delas pela fidelidade 
com que segue a voz das disposições profundas”5. O 
interessante é que a busca do ideal do homem natural conduz 
necessariamente ao da espontaneidade – que abriria as portas 
para o sentimentalismo: aí está, portanto, o germe do 
Romantismo. Por enquanto, basta ver que a naturalidade marca 
os gêneros pastorais. A poesia passa a ser habitada por luz, 
pastores, água, montes, árvores, animais etc., e os poetas, 
transfigurados em pastores elegantes, discretos e comedidos, 
adotam pseudônimos pastoris. Mas não se trata da realidade 
inteira – os poemas não mencionam, por exemplo, o esforço 
que demanda o cuidado desses animais. O que se canta é 
apenas a ideia da tranquilidade, daí a natureza ser diurna, 
brilhante e idealizada. Seria esse um fingimento árcade? 
 
Olha, Marília, as flautas dos pastores 
Que bem que soam, como estão cadentes! 
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes 
Os Zéfiros brincar por entre as flores? 
 
Vê como ali beijando-se os Amores 
Incitam nossos ósculos ardentes! 
Ei-las de planta em planta as inocentes, 
As vagas borboletas de mil cores. 
 
Naquele arbusto o rouxinol suspira, 
Ora nas folhas a abelhinha para, 
Ora nos ares sussurrando gira. 
 
Que alegre campo! Que manhã tão clara! 
o termo também passou a designar as academias literárias que surgiram na 
Europa. “A primeira Arcádia foi fundada em Roma, em 1690, por alguns 
poetas e críticos antimarinistas que já antes costumavam reunir-se nos 
salões da ex-rainha Cristina da Suécia. O programa comum era ‘exterminar o 
mau gosto, onde quer que se aninhasse’; o emblema, a flauta de Pã coroada 
de louros e de pinheiros. Os sócios tomavam nomes de pastores gregos ou 
romanos” (Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira. 3 ed. São 
Paulo: Cultrix, p. 61). 
4 Verossímil: aquilo que aparenta ser verdadeiro. 
5Antonio Candido, op. cit., p. 56. 
 
 Profª. Cristiane 
 Literatura 
 
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Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira, 
Mais tristeza que a noite me causara. 
Manuel Maria Barbosa du Bocage, Poemas Escolhidos. Álvaro Cardoso Gomes 
(Org.). 10 ed. São Paulo: Cultrix, 1997. 
 
Tópicas da poesia árcade 
 
 Há alguns temas recorrentes na poesia setecentista, 
retiradas de textos da Antiguidade Clássica, principalmente do 
poeta romano Virgílio (70 a.C.-19 a.C.), e todos buscam a 
simplicidade: 
1. Inutilia truncat (cortar as inutilidades): representa o repúdio 
às coisas inúteis que adornavam, na opinião dos árcades, a 
poesia barroca. 
2. Fugere urbem (fuga da cidade, foco de mal-estar, 
corrupção, riqueza e ambição, para o campo): é o elogio de uma 
vida serena e da superação das coisas pequenas. 
3. Locus amoenus (lugar ameno): ambiente bucólico que pode 
levar à verdadeira felicidade. 
4. Aurea mediocritas (o meio termo é áureo): busca do 
equilíbrio através de comportamentos comedidos e discretos. 
5. Carpe diem (colher o dia): aproveitar o momento presente, 
sem preocupações com o que há de vir; desfrutar o hoje sem 
pensar no amanhã. Esse é um tema que já aparecera no 
Barroco, mas sob outro viés: no século XVII, vinha 
acompanhado de culpa e arrependimento 
 
O Arcadismo em língua portuguesa 
 
Houve dois grandes momentos na literatura 
setecentista: no primeiro, a tradição clássica busca uma vida 
bucólica6 e equilibrada pelo retorno à natureza; no segundo, um 
engajamento político que mediaria o que anteciparia o ideário 
do Romantismo. Embora nos atenhamos à literatura brasileira 
para entender melhor esses momentos e como a história neles 
se refletiu, o maior nome da literatura árcade em Portugal foi 
Manuel Maria du Bocage, o Elmano Sadino. 
 
Texto I 
A uma mulher de nariz grande 
Nariz, nariz, nariz, 
Nariz, que nunca se acaba; 
Nariz, que se ele desaba, 
Fará o mundo infeliz; 
Nariz que Newton não quis 
Descrever-lhe a diagonal; 
Nariz de massa infernal, 
Que, se o cálculo não erra, 
Posto entre o Sol e a Terra, 
Faria eclipse total. 
Bocage, op. cit. 
 
 
Texto II 
 
Amar dentro do peito uma donzela; 
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura; 
Falar-lhe, conseguindo alta ventura, 
Depois da meia-noite na janela: 
 
Fazê-la vir abaixo, e com cautela 
Sentir a abrir a porta, que murmura; 
Entrar pé ante pé, e com ternura 
Apertá-la nos braços casta e bela: 
 
Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos, 
E a boca, com prazer o mais jucundo, 
 
6Relativo à vida e aos costumes do campo e dos pastores (Aurélio Buarque de Holanda 
Ferreira, Novo Aurélio Século XXI. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999). 
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos: 
 
Vê-la rendida enfim a Amor fecundo; 
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos; 
É este o maior gosto que há no mundo. 
Fonte:www.casadacultura.org 
Aventureiro, rebelde e boêmio, mestre na poesia 
pornográfica, alcançou grande popularidade com sua obra 
obscena e satírica, que é agressiva e impulsiva, mas não 
supera em qualidade sua lírica. Ultrapassando, numa segunda 
fase de sua vida, as regras arcádicas, Bocage construiu uma 
obra pessoal soturna e calcada na autoanálise, podendo ser 
considerado pré-romântico. Veja exemplares, respectivamente, 
da primeira e da segunda fases bocagianas. 
 
Texto I 
Mote: 
“Nada se pode comparar contigo” 
 
O ledo passarinho que gorjeia 
D’alma exprimindo a cândida ternura; 
O rio transparente, que murmura, 
E por entre pedrinhas serpenteia; 
 
O Sol, que o céu diáfano passeia, 
A Lua, que lhe deve a formosura, 
O sorriso da Aurora, alegre e pura, 
A rosa, que entre os Zéfiros ondeia; 
 
A serena, amorosa Primavera, 
O doce autor das glórias consigo, 
A Deusa das paixões e de Citera7; 
 
Quanto digo, meu bem, quanto não digo, 
Tudo em tua presença degenera, 
Nada pode se comparar contigo. 
Bocage, op. cit. 
 
Texto II 
 
Sobre estas duras, cavernosas fragas, 
Que o marinho furor vai carcomendo, 
Me estão negras paixões n’alma fervendo 
Como fervem no pego as crespas vagas. 
 
Razão feroz, o coração me indagas, 
De meus erros a sombra esclarecendo, 
E vás nele (ai de mim!) palpando e vendo 
De agudas ânsias venenosas chagas. 
 
Cego a meus males, surdo a teu reclamo, 
Mil objetos de horror co’a ideia eu corro, 
Solto gemidos, lágrimas derramo. 
 
Razão, de que me serve o teu socorro? 
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo; 
Dizes-me que sossegue, eu peno, eu morro. 
Bocage, op. cit. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7Ilha mitológica da deusa Vênus (deusa do amor). 
 
 Profª. Cristiane 
 Literatura 
 
Página 4 de 8 
O Brasil dos inconfidentes 
 
 
Vista de Ouro Preto; foto: Eduardo Trópia 
 
 No século XVIII, o eixo econômico e cultural se desloca 
da Bahia para o Rio de Janeiro, porto de escoamento do país e 
capital desde 1763, e para Minas Gerais, centro de extração de 
minério. Porque Portugal precisava contrabalançar seu déficit 
comercial, aumentava os impostos cada vez mais, gerando 
uma crescente insatisfação entre os brasileiros. A essa 
insatisfação somaram-se as ideias iluministas vindas da Europa 
e o estímulo da independência dos Estados Unidos em 1776. 
Nascia aqui um sentimento nativista suficientemente forte para 
criar um movimento que tinha como objetivo romper a 
subordinação brasileira à Coroa portuguesa. Em abril de 1792, 
como reação à dominação portuguesa, estourou a Conjuração 
Mineira (ou Inconfidência Mineira), tema que será estudado 
posteriormente em História do Brasil. Alguns dosinconfidentes 
foram poetas árcades brasileiros. Cláudio Manoel da Costa, por 
exemplo, chegou a ser preso por esse motivo e morreu 
enforcado na prisão. Até hoje se especula que esse 
enforcamento pode não ter sido suicídio... 
 A literatura brasileira como sistema começa a se 
configurar a partir do surgimento da consciência nacional. 
Segundo Antonio Candido, quatro temas presidem essa 
configuração: o conhecimento da realidade local, a valorização 
das populações aborígenes, o desejo de contribuir para o 
progresso do país e a incorporação de padrões europeus. Isso 
também nos ajudará a entender o Romantismo, nas próximas 
aulas: 
 Quando falamos em servilismo à tradição clássica, ou 
em imitação estrangeira, devemos considerar que a literatura 
colonial era um aspecto da literatura portuguesa, da qual não 
pode ser destacada: o cenário americano serviria para lhe dar 
sabor exótico, nunca para lhe dar autonomia, pois o cenário não 
basta se não corresponder à visão do mundo, ao sentimento 
especial que transforma a natureza física numa vivência – e a 
vivência neoclássica em relação à natureza física tendia a 
imprimir-lhe, qualquer que ela fosse, uma impessoalidade que 
se obtinha pelo desprezo do detalhe em prol da lei. [...] 
Talvez seja possível, mesmo, afirmar que a vituperada 
quinquilharia clássica tenha sido, no Brasil, excelente e 
proveitoso fator de integração cultural, estreitando com a 
cultura do Ocidente a nossa comunhão de coloniais 
mestiçados, atirados na aventura de plasmar no trópico uma 
sociedade no molde europeu. O poeta olhava pela janela, via o 
monstruoso jequitibá, suspirava ante “a grosseria das gentes” e 
punha resolutamente um freixo no poema: e fazia bem, porque 
a estética segundo a qual compunha exigia a imitação da 
Antiguidade, graças à qual, dentre as brenhas mineiras, 
comunicava espiritualmente com o Velho Mundo e dava 
categoria literária à produção bruxuleante da sua terra. 
Antonio Candido, op. cit., p. 68. 
 
 Para entender os poetas que contribuíram para 
sistematizar a literatura brasileira, vamos nos aprofundar em 
dois contemporâneos companheiros: Cláudio Manoel da Costa 
e Tomás Antônio Gonzaga. 
Cláudio Manoel da Costa (pseudônimo: Glauceste 
Satúrnio) 
 
 
 
 No limiar de um novo estilo, a disciplina para alcançar 
padrões estéticos europeus não o impediu de demonstrar 
raízes autênticas: a natureza, que nos árcades europeus é 
marcada por prados e ribeiros, nos poemas de Cláudio Manuel 
da Costa aparece muitas vezes em montes e vales. Nota-se um 
certo dilaceramento interior causado pelos anos vividos na 
metrópole, quando ele se desculpa por ser “grosseiro” como a 
gente de sua terra. Assim, exprime uma ambivalência colonial 
bairrista, pelo contraste natureza versus cultura. 
 Como esteta, parte do cultista barroco para alcançar o 
neoclássico. Candido o considera um “neoquinhentista filtrado 
através do Barroco”. Seus cem sonetos compõem um 
cancioneiro bucólico de raízes camonianas repleto de figuras 
femininas, pastoras das mais diversas. Sua obra é das mais 
altas da literatura brasileira e serve de modelo a Dirceu. 
 
Já rompe, Nise, a matutina Aurora 
O negro manto, com que a noite escura, 
Sufocando do Sol a face pura, 
Tinha escondido a chama brilhadora. 
 
Que alegre, que suave, que sonora 
Aquela fontezinha aqui murmura! 
E estes campos cheios de verdura 
Que avultado o prazer tanto melhora! 
 
Só a minha alma em fatal melancolia, 
Por te não poder ver, Nise adorada, 
Não sabe ainda que coisa é alegria; 
 
E a suavidade do prazer trocada 
Tanto mais aborrece a luz do dia, 
Quanto a sombra da noite mais lhe agrada. 
Claúdio Manuel da Costa, in Clássicos da poesia brasileira. São Paulo: Klick 
Editora, 1997. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Profª. Cristiane 
 Literatura 
 
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Tomás Antônio Gonzaga (pseudônimo: Dirceu) 
 
 
 
É difícil falar na obra de Gonzaga sem falar em Maria 
Doroteia Joaquina de Seixas, a jovem Marília cantada em seus 
versos, em que se nota desde sua presença física até o mero 
pretexto poético da pastora árcade. O amor maduro de um 
quarentão por uma menina de dezessete anos guiou, de certa 
forma, a celebração do lar e os sonhos da vida conjugal do 
pastor Dirceu. Marília é uma reunião de poemas, em duas 
partes. Na primeira, Dirceu mostra a docilidade da conquista 
amorosa, num primeiro momento e traz, num segundo, imagens 
mais fortes e vigorosas da paixão; por fim, evoca a saudades e 
o sofrimento experimentados no cárcere, com a expectativa do 
exílio, momento considerado pela crítica como pré-romântico: 
Doroteia se desindividualizou para ser absorvida na 
convenção arcádica: é a pastora Marília, objeto ideal de poesia, 
sem existência concreta. Por isso mesmo, ora é loura, ora 
morena; ora compassiva, ora cruel: em qualquer caso, sem 
nervo nem sangue. É um biscuit arrebicado que o poeta envolve 
na revoada de cupidos, rosas e abelhas. 
Antonio Candido, op. cit., p. 112. 
 
 Marília é, na maioria das vezes, apenas a interlocutora 
do eu lírico. Assim, percebe-se o próprio poeta, suas dores e 
amores, como a figura central da obra. Acompanhe dois 
momentos de Marília (1792): o primeiro excerto mostra o veio 
bucólico do autor e o segundo, sua dor e o medo da morte, que 
o aproxima do Romantismo. 
 
Parte I: à sombra do alto cedro na campina 
Lira I 
 
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, 
que viva de guardar alheio gado, 
de tosco trato, de expressões grosseiro, 
dos frios gelos e dos sóis queimado. 
Tenho próprio casal e nele assisto; 
dá-me vinho, legume, fruta, azeite; 
das brancas ovelhinhas tiro o leite 
............e mais as finas lãs, de que me visto. 
...........Graças, Marília bela, graças à minha estrela! 
 
Eu vi o meu semblante numa fonte: 
dos anos inda não está cortado; 
os pastores que habitam este monte 
respeitam o poder do meu cajado. 
Com tal destreza toco a sanfoninha, 
que inveja até me tem o próprio Alceste: 
ao som dela concerto a voz celeste, 
nem canto letra que não seja minha. 
..................................Graças, Marília bela, 
.................................graças à minha estrela! 
 
Mas tendo tantos dotes da ventura, 
só apreço lhes dou, gentil pastora, 
depois que o teu afeto me segura 
que queres do que tenho ser senhora. 
E bom, minha Marília, é bom ser dono 
de um rebanho, que cubra monte e prado; 
porém, gentil pastora, o teu agrado 
vale mais que um rebanho e mais que um trono. 
................................Graças, Marília bela, 
................................graças à minha estrela! 
 
Parte II: Nesta cruel masmorra tenebrosa 
Lira IX 
 
Sucede, Marília bela, 
à medonha noite o dia; 
a estação chuvosa e fria 
à quente seca estação. 
...............Muda-se a sorte dos tempos; 
...............só a minha sorte não? 
 
Os troncos, nas Primaveras, 
brotam em flores viçosos; 
nos Invernos escabrosos 
largam as folhas no chão. 
..............Muda-se a sorte dos troncos; 
..............só a minha sorte não? 
 
Aos brutos, Marília, cortam 
armadas redes os passos; 
rompem depois os seus laços, 
fogem da dura prisão 
.............Muda-se a sorte dos brutoss; 
.............só a minha sorte não? 
 
Nenhum dos homens conserva 
alegre sempre o seu rosto; 
depois das penas vem gosto, 
depois do gosto aflição. 
............Muda-se a sorte dos homens; 
............só a minha sorte não? 
 
Aos altos deuses moveram 
soberbos gigantes guerra; 
no mais tempo o Céu e a Terra 
lhes tributa adoração. 
.............Muda-se a sorte dos deuses; 
.............só a minha sorte não? 
 
Há-de, Marília, mudar-se 
do Destino a inclemência; 
tenho por mim a inocência, 
tenho por mim a razão. 
..............Muda-se a sorte dos tudo; 
..............só a minha sorte não? 
 
O tempo, ó bela, que gasta 
os troncos, pedras e o cobre, 
o véu rompe, com que encobre 
à verdade a vil traição. 
..............Muda-sea sorte de tudo; 
..............só a minha sorte não? 
 
Qual eu sou, verá o mundo; 
mais me dará do que eu tinha, 
tornarei a ver-te minha: 
que feliz consolação! 
..............Não há de tudo mudar-se; 
 
 Profª. Cristiane 
 Literatura 
 
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..............só a minha sorte não! 
Tomás Antônio Gonzaga in Os melhores Poemas. Alexandre Eulálio (Sel.). 4 ed, 
São Paulo: Global, 1983, p. 157-159. 
 
Gonzaga tinha em Cláudio Manuel da Costa seu 
mestre. Além de tê-lo como inspiração de sua lírica, é ele o 
Doroteu, destinatário de suas célebres Cartas Chilenas. Poema 
satírico inacabado assinado por Critilo (pseudônimo), é uma 
crítica aos desmandos do governador das Minas Gerais, Luís 
da Cunha Pacheco e Menezes, dito nas cartas Fanfarrão 
Minésio. As cartas chilenas são, na verdade, mineiras, e 
durante muitos anos discutiu-se inclusive sua autoria, que hoje 
já se sabe ser de Gonzaga. Aqui, o tom panfletário prevalece 
sobre o poético: os versos se concentram no ataque e no ódio 
e, assim, dão a conhecer antes Critilo do que o tal Fanfarrão. É 
notável o fato de não haver a menor crítica ao regime 
governamental metropolitano, mas, pelo contrário, elogios, o 
que sugere um tom de desafeto pessoal perpassando a obra. 
Leia um excerto da décima carta, em que se contam 
as desordens maiores do governo de Fanfarrão. 
 
10 Na passagem que fez ao Ponto Euxínio 
Encontro aqueles versos que descrevem 
As ondas decumanas; de repente 
Me sobe ao pensamento que estas eram 
Do nosso Fanfarrão imagem viva. 
15 Os mares, Doroteu, jamais descansam; 
Agitam sem cessar as verdes águas, 
E, depois que levantam ondas nove, 
Com menos fortidão, despedem outra, 
Que corre mais ligeira e que se quebra 
20 Nos musgosos rochedos com mais força. 
Assim o nosso chefe não descansa 
De fazer, Doroteu, no seu governo, 
Asneiras sobre asneiras e, entre as muitas, 
Que menos violentas nos parecem, 
25 Pratica outras que excedem muito e muito 
As raias dos humanos desconcertos. 
Perdoa, minha Nise, que eu desista 
Do intento começado. Tu mil vezes 
Nos meus olhos já leste os meus afetos, 
30 Não careces de os ler nos meus escritos. 
Perdoa, pois, que eu gaste as breves horas 
A contar as asneiras desumanas 
Do nosso Fanfarrão ao caro amigo. 
E tu, meu Doroteu, antes que leias 
35 O que vou a contar-te, jurar deves 
Pelos olhos da tua amada esposa, 
Por seu louro cabelo, e pelo dia 
Em que viste, na sua alegre boca, 
O primeiro sorriso, que não hás-de 
40 Duvidar do que leres, bem que sejam 
Desordens que pareçam impossíveis. 
Tomás Antônio Gonzaga in 
http://www.ufrgs.br/proin/versao_1/cartas/index98.html 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exercícios 
 
1. (UNIFESP) As próximas duas questões baseiam-se no texto 
a seguir, extraído de Formação da literatura brasileira, de 
Antonio Candido. 
 Nos Brasil, o homem de estudo, de ambição e de sala, 
que provavelmente era, encontrou condições inteiramente 
novas. Ficou talvez mais disponível, e o amor por Doreteia de 
Seixas o iniciou em ordem nova de sentimentos: o clássico 
florescimento da primavera no outono. 
 Foi um acaso feliz para a nossa literatura essa 
conjunção de um poeta de meia idade com a menina de 
dezessete anos. O quarentão é o amoroso refinado, capaz de 
sentir poesia onde o adolescente só vê o embaraçoso cotidiano; 
e a proximidade da velhice intensifica, em relação à moça em 
flor, um encantamento que mais se apura pela fuga do tempo e 
a previsão da morte: 
 Ah! enquanto os destinos impiedosos 
não voltam contra nós a face irada, 
façamos, sim, façamos, doce amada, 
os nossos breves dias mais ditosos. 
Em seu texto, Antonio Candido refere-se ao poeta _______, 
que tornou _______ como tema de sua lírica. 
Os espaços em branco devem ser preenchidos com: 
a) renascentista Luís Vaz de Camões – Inês de Castro 
b) árcade Tomás Antônio Gonzaga – Marília 
c) romântico Gonçalves Dias – a natureza 
d) romântico Álvares de Azevedo – a morte 
e) árcade Bocage – Marília 
 
2. Nos versos apresentados por Antonio Candido, fica evidente 
que o eu lírico: 
a) reconhece a amada como única forma de não sofrer pela 
morte. 
b) se mostra frustrado e angustiado pela possibilidade de 
morrer. 
c) considera o presente desagradável, tanto quanto a morte 
iminente. 
d) se entrega ao amor da amada para burlar o tempo e atrasar 
a morte. 
e) convida a amada a aproveitar o presente, já que a morte é 
inevitável. 
 
(UFSCar) Leia o texto a seguir para responder às próximas 
cinco questões. 
 
Lira III 
Tu não verás, Marília, cem cativos 
tirarem o cascalho e a rica terra, 
ou dos cercos dos rios caudalosos, 
ou da minada serra. 
 
Não verás separar ao hábil negro 
do pesado esmeril a grossa areia, 
e já brilharem os granetes de oiro 
no fundo da bateia. 
 
Não verás derrubar os virgens matos, 
queimar as capoeiras inda novas, 
servir de adubo à terra a fértil cinza, 
lançar os grãos nas covas. 
 
Não verás enrolar negros pacotes 
das secas folhas do cheiroso fumo; 
nem espremer entre as dentadas rodas 
da doce cana o sumo. 
 
 Profª. Cristiane 
 Literatura 
 
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Verás em cima da espaçosa mesa 
altos volumes de enredados feitos; 
ver-me-ás folhear os grandes livros, 
e decidir os pleitos. 
 
Enquanto revolver os meus consultos, 
tu me farás gostosa companhia, 
lendo os fastos da sábia, mestra História, 
e os cantos da poesia. 
 
Lerás em alta voz, a imagem bela; 
eu, vendo que lhe dás o justo apreço, 
gostoso tornarei a ler de novo 
o cansado processo. 
 
Se encontrares louvada uma beleza, 
Marília, não lhe invejes a ventura, 
que tens quem leve à mais remota idade 
a tua formosura. 
 
3. Esse poema de Gonzaga foi escrito em estilo: 
a) barroco. 
b) clássico. 
c) simbolista. 
d) romântico. 
e) arcádico. 
 
4. Dentre os temas presentes na poesia de Gonzaga, destaca-
se, nesse texto, a: 
a) idealização da natureza pastoril grega. 
b) antecipação da felicidade conjugal. 
c) influência do poema Camões, de Garret. 
d) presença do medievalismo europeu. 
e) dominação de Portugal sobre o Brasil colônia. 
 
5. Dentre as atividades econômicas de Vila Rica, na época do 
poeta, o poema menciona: 
a) a mineração e o cultivo do milho. 
b) o cultivo do fumo e a produção de livros. 
c) a cana-de-açúcar e a mineração. 
d) a mineração e a criação de gado. 
e) a criação de gado e o cultivo do fumo. 
 
6. Minada serra, no contexto do poema, significa montanhas: 
a) escavadas pela busca do ouro. 
b) cheias de fonte de água mineral. 
c) repletas de artefatos explosivos. 
d) habitadas por negros-minas da África. 
e) atingidas pela erosão pluvial. 
 
7. Entre as características de estilo presentes no poema, 
destaca-se: 
a) o emprego de rimas paralelas. 
b) o uso excessivo de metáforas. 
c) a predominância de versos de sete sílabas. 
d) a omissão dos artigos definidos. 
e) a anteposição dos adjetivos. 
 
8. (UFRGS) Com base nos fragmentos a seguir, extraídos da 
Lira II, da obra Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, 
assinale com V (verdadeira) ou F (falsa) as afirmações que se 
seguem. 
Pintam, Marília, os poetas 
a um menino vendado, 
com uma aljava de setas, 
arco empunhado na mão; 
ligeiras asas nos ombros, 
o tenro corpo despido, 
e de Amor ou de Cupido 
são os nomes que lhe dão. 
[...] 
Tu, Marília, agora vendo 
de Amor o lindo retrato, 
contigo estarás dizendo 
que é este o retrato teu. 
Sim, Marília, a copia é tua, 
que Cupido é deus suposto: 
se há Cupido, é só teu rosto, 
que ele foi quem me venceu. 
( ) Na primeira estrofe, o poeta descreve uma figura 
representativa do amor na mitologia clássica. 
( ) Na primeira estrofe, a amada Marília é alertada sobre a 
violência que se esconde por trás da superfície do amor. 
( ) Na segunda estrofe, o poeta transfere o retrato de Cupido 
para o rosto vencedorde Marília. 
( ) Na segunda estrofe, o poeta confessa à amada sua rendição 
em relação aos poderes do amor. 
A sequência correta do preenchimento dos parênteses, de cima 
para baixo, é: 
a) V – V – F – F 
b) V – F – V – V 
c) F – F – V – V 
d) V – F – F – V 
e) F – V – F – F 
 
Os exercícios a seguir foram adaptados do vestibular VUNESP. 
 
Convite a Marília 
 
Já se afastou de nós o Inverno agreste 
Envolto nos seus úmidos vapores; 
A fértil Primavera, a mãe das flores, 
O prado ameno de boninas veste. 
 
Varrendo os ares, o sutil Nordeste 
Os torna azuis; as aves de mil cores 
Adejam entre Zéfiros e Amores, 
E toma o fresco Tejo a cor celeste. 
 
Vem, ó Marília, vem lograr comigo 
Destes alegres campos a beleza, 
Destas copadas árvores o abrigo. 
 
Deixa louvar da corte a vã grandeza: 
Quanto me agrada mais estar contigo, 
Notando as perfeições da Natureza! 
 
Bocage, Obras de Bocage. Porto: Lello & Irmão, 1968, p. 142. 
 
Bye Bye Brasil 
 
Mulher Nordestina: Meu Santo, minha família foi embora, meu 
santo. Filho, nora, neto..., 
Fiquei só com o meu velho que morreu na semana passada. 
Agora, quero ver o meu povo. Meu santo, me diga, onde é que 
eles foram, meu santo? 
Lord Cigano: E eu sei lá? Como é que eu vô saber? Quer dizer... 
eu sei... eu... Eu tô vendo. Eu estou vendo a sua família, eles 
estão a muitas léguas daqui. 
Mulher Nordestina: Vivos? 
Lord Cigano: É, vivos, se acostumando ao lugar novo. 
Mulher Nordestina: A gente se acostuma com tudo... Onde é 
que eles estão agora, meu santo? 
Lord Cigano: Ah, pera aí, deixa eu ver! Eu tô vendo: eles estão 
num vale muito verde onde chove muito, as árvores são muito 
compridas e os rios são grandes feito o mar. Tem tanta riqueza 
lá, que ninguém precisa trabalhar. Os velhos não morrem nunca 
 
 Profª. Cristiane 
 Literatura 
 
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e os jovens não perdem sua força. É uma terra tão verde... 
Altamira! 
Diálogo do filme Bye Bye Brasil (1979). Produzido por Lucy Barreto. Escrito e 
dirigido por Carlos Diegues. 
 
 
9. Os escritores clássicos gregos e latinos produziram 
certas fórmulas de expressão que, retomadas ao longo dos 
tempos, chegaram até nossa modernidade. Uma dessas 
fórmulas é a chamada tópica do lugar ameno, ou seja, a 
evocação literária de um recanto ideal, delicado, geralmente 
bucólico, cujas paz e tranquilidade servem de palco ao idílio dos 
amantes e ao sossego da vida. Simboliza o porto almejado ou 
o retorno à felicidade perdida. Tomando por base este 
comentário, releia os textos em pauta e, a seguir, 
 
a) aponte, na sequência de Bye Bye Brasil, dois elementos da 
paisagem descrita por Lord Cigano que caracterizam Altamira 
como um lugar ameno; 
 
b) localize, no segundo terceto de Bocage, o verso em que se 
estabelece relação opositiva com a tópica do lugar ameno. 
 
10. O estilo neoclássico, do qual Bocage foi um dos 
grandes expoentes em Língua Portuguesa, caracteriza-se, 
entre outros aspectos, pelo uso de hipérbatos, isto é, de 
inversões da ordem formal das palavras na oração ou da ordem 
das orações no período. Levando em conta esta informação, 
releia o soneto Convite a Marília e, a seguir, apresente dois 
versos em que ocorrem hipérbatos e os reescreva na ordem 
sintática normal. 
 
 
 
Leitura complementar 
A épica árcade brasileira 
A épica é um gênero ainda cultivado no último período da Era 
Clássica é a épica. Vamos brevemente dois grandes autores 
brasileiros desse período. 
 
1. Basílio da Gama (1741-1795) 
Representando uma quebra com a épica tradicional, o poema 
O Uraguai (1769) canta a luta entre índios, jesuítas e 
expedicionários portugueses e espanhóis nos Sete Povos das 
Missões, no Rio Grande do Sul. 
Seu O Uraguai (1769), poemeto épico, tenta conciliar a 
louvação de Pombal e o heroísmo do indígena; e o jeito foi fazer 
recair sobre o jesuíta a pecha de vilão, inimigo de um, 
enganador do outro. 
O Uraguai lê-se ainda hoje com agrado, pois Basílio era poeta 
de veia fácil, que aprendeu na Arcádia menos o artifício dos 
temas que o desempenho da linguagem e do metro. O verso 
branco e o balanço entre os decassílabos heroicos e sáficos 
aligeiram a estrutura do poema, que melhor se diria lírico-
narrativo do que épico. 
Nada há no Uraguai que lembre as rígidas divisões do poema 
heroico. O princípio, ex-abrupto, traz ao leitor a matéria mesma 
do canto. [...] 
É o aqui-e-agora que urge sobre a sensibilidade de Basílio. O 
que ainda se sente e se sabe, a luta que mal terminara entre os 
lusos-castelhanos e os missionários dos Sete Povos. A quase 
contemporaneidade dos sucessos cantados retira ao poema a 
aura de mito que cerca a epopeia tradicional, mas dá-lhe a garra 
do moderno, imergindo o leitor do tempo nos motivos mais 
candentes: o jesuitismo, a ação de Pombal, os litígios de 
fronteiras, a altivez guerreira do índio... 
Basílio da Gama, sustentando abertamente o Marquês contra 
os religiosos, cai, em mais de um passo, no laudatório e no 
caricato. [...] No entanto, o que escapa ao programa ex-inaciano 
ocupado em não deixar rastro, constitui poesia de boa 
qualidade, ágil e expressiva, e no conjunto, a melhor que se fez 
na época entre nós. 
Alfredo Bosi, op. cit., p. 72. 
 
 
2. Santa Rita Durão (1722-1784) 
Poema épico dividido em dez cantos, Caramuru (1781) canta a 
história de Diogo Álvares Correia, náufrago português que 
passou a vida entre os índios brasileiros. É um tributo ao Brasil, 
terra natal de Durão. 
 Também no Caramuru, de Frei José de Santa Rita 
Durão, o índio é matéria-prima para exemplificar certos padrões 
ideológicos. Mas será uma corrente oposta à de Basílio, voltada 
para o passado jesuítico e colonial, e em aberta polêmica com 
o século das luzes. [...] 
 Se, pela cópia de alusões à flora e à fauna brasílica e 
aos costumes indígenas, o Caramuru parece dotado de índole 
mais nativista do que O Uraguai, no cerne das intenções e da 
estrutura, a epopeia de Durão está muito mais distante do 
homem americano do que o poemeto de Basílio. O frade 
Agostinho via os Tupinambás [...] como almas capazes de 
ilustrar para os libertinos europeus a verdade dos dogmas 
católicos. 
O índio, como o outro, objeto de idealização e catequese, perde 
no Caramuru toda autenticidade étnica e regride ao marco zero 
de espanto (quando antropófago), ou a exemplo de edificação 
(quando religioso). [...] 
A poética que presidiu a feitura do poema era híbrida. De um 
lado, esquemas camonianos, “corrigidos” pela presença 
exclusiva do maravilhoso cristão. De outro, a tradição colonial-
barroca que se reflete no gosto das enumerações profusas da 
flora tropical [...]. O uso do maravilhoso cristão e o desejo de 
superar em coerência Os Lusíadas explicam-se nesse 
passadista renitente por uma tendência nova na cultura do 
século XVIII: a crítica aos hibridismos da Renascença em 
matéria de mitologia. 
Alfredo Bosi, op. cit., p. 75-76. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gabarito 
 
1 B 2 E 3 E 4 B 
5 C 6 A 7 E 8 B 
 
9 
a) Quaisquer elementos do trecho: “eles estão num vale 
muito verde onde chove muito, as árvores são muito 
compridas e os rios são grandes feito o mar. Tem tanta 
riqueza lá, que ninguém precisa trabalhar. Os velhos não 
morrem nunca e os jovens não perdem sua força. É uma terra 
tão verde”. 
b) “Deixa louvar da corte a vã grandeza”. 
 
10 
Já se afastou de nós o Inverno agreste / Envolto nos seus 
úmidos vapores: O inverno agreste, envolto em seus úmidos 
vapores, já se afastou de nós. 
A fértil Primavera, a mãe das flores, / O prado ameno de 
boninas veste: A fértil Primavera, a mãe das flores, veste o 
prado ameno de boninas.

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