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Professor Fernando Andrade – 
Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
1 
U 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNESP 
Exasiu 
Prof. Fernando Andrade 
Aula 01 – Linguagem 
Recursos Linguísticos; correção gramatical; estilo 
 
 
estretegiavestibulares.com.br 
EXTENSIVO 
2023 
Exasiu 
t.me/CursosDesignTelegramhub
Professor Fernando Andrade – 
Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
2 
 
Sumário 
INTRODUÇÃO 4 
1. TEMA E ATITUDE 6 
1.1 Tema deste pdf: linguagem 7 
1.2 Secção Atitude inicial 8 
2. A LINGUAGEM NA DISSERTAÇÃO 10 
2.1 Grau zero da linguagem 11 
2.2 Objetividade 12 
3. O ERRO NO VESTIBULAR 16 
4. ESTILÍSTICA 18 
4.1 A forma altera o conteúdo 19 
4.2 O estilo na dissertação 20 
5. RECURSOS DISCURSIVOS 22 
5.1 Descrição, relato e caracterização como recursos argumentativos 23 
6. RECURSOS SINTÁTICOS E SEMÂNTICOS 29 
6.1 Período 30 
6.2 Interrupção da ordem direta 36 
6.3 Indefinidos 39 
6.4 Paralelismo 40 
6.5 Ênfase 44 
6.6 Escolha de palavras 46 
6.7 Retomada da ideia e implícitos 48 
7. RECURSOS QUE PREJUDICAM O ESTILO 49 
7.1 O verbo “ser” e o verbo “ter” 49 
7.2 Queísmo 50 
t.me/CursosDesignTelegramhub
Professor Fernando Andrade – 
Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
3 
7.3 Gerundismo 50 
8. ERROS GRAMATICAIS 51 
8.1 Concordância 51 
8.2 Vírgula: dicas de sobrevivência 54 
8.3 Crase 57 
9. PROPOSTAS DE REDAÇÃO 59 
9.1. Possibilidades de Encaminhamento das Propostas 66 
10.CONSIDERAÇÕES FINAIS 77 
11. REFERÊNCIAS 78 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
t.me/CursosDesignTelegramhub
Professor Fernando Andrade – 
Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
4 
 
 
 
Introdução 
Querido aluno, 
 Este pdf sobre linguagem deveria ser o último de redação, afinal, acredito que a revisão linguística do 
texto se faz no final de todo processo. Contudo, muitos alunos ficam bastante preocupados com questões 
relacionadas à linguagem, então resolvi lançar o pdf logo no começo do curso, mas deixando a indicação de 
que o olhar clínico em relação à colocação de vírgulas, crase e outras “cositas” mais deve estar no final do 
processo. 
 Há um outro aspecto relacionado à linguagem que é extremamente relevante: o domínio do 
vocabulário. Contudo, nesse quesito, este pdf dá algumas indicações, poucas na verdade, pois a apreensão 
de um vocabulário mais preciso e mais expressivo se faz pelo processo de escrita, leitura e observação dos 
erros cometidos. Ou seja, é a famosa prática que irá ser o guia didático. Escreva. 
 Antes de mergulhar no que eu preparei para vocês nesse pdf, vou relembrar e revisar a proposta 
feita no pdf anterior, indicando o que você deve esperar desse material. Você deve se lembrar de que os 
pdfs são temáticos. O tema deste é a própria linguagem: qual o papel que a linguagem tem na nossa vida? A 
representação através da linguagem altera a percepção da realidade? Até que ponto? Há formas corretas e 
incorretas de expressar ideias? Comece a estudar pensando nessas questões. 
 Outra coisa, lembre-se de que as propostas estão escalonadas por nível de dificuldade. Saiba usar 
isso a seu favor. 
Prometi, quando possível inserir, no pdf, algumas secções. Segue o quadro. 
 
 
 
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Professor Fernando Andrade – 
Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
5 
 
 Neste pdf, não considerarei a “Secção linguagem”, uma vez que o pdf inteiro é sobre isso e o de 
análise de uma redação exemplar. Outras duas não serão consideradas também: “exercitando a reflexão 
para uma boa escrita” e “análise de uma redação exemplar”. 
 
Então bora lá, mergulhar na Língua Portuguesa e seus recursos. 
Boa aula e boa escrita. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Secção Atitude inicial: parte motivacional com alguma dica de como 
encarar a dificuldade de escrever. 
Secção linguagem: uma parte para discutir algo da linguagem 
importante para o que se discute no tópico do pdf. 
Secção Exercitando a reflexão para uma boa escrita: parte dedicada 
ao desenvolvimento do pensamento lateral 
Secção análise de uma redação exemplar: análise de um bom texto 
ou um texto sofrível a partir dos parâmetros estudados em aula 
Secção conexões: sugestão de repertório de filosofia ou sociologia . 
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Professor Fernando Andrade – 
Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. Tema e atitude 
 
Outros-outros
Política; 
questão social
Política
Questão social
Eu-eu
Projeto de vida Ética (viver bem)
Subjetividade; 
identidade
Psicologia 
Eu-outros
Ética (viver bem com os 
outros)
Eu-conhecimento
Representação do 
mundo 
*Epistemologia
Ciência
Eu-meio ambiente
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Professor Fernando Andrade – 
Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
7 
1.1 Tema deste pdf: linguagem 
Esse não é um tema muito frequente nos vestibulares, mas isso não significa que não apareça de vez 
em quando. A questão mais óbvia gira em torno da discussão sobre o padrão culto e o uso coloquial da 
linguagem. Mas já houve outras abordagens paralelas, como a do uso de estrangeirismo em Língua 
Portuguesa e como lidar com textos racistas de grandes autores da literatura como, por exemplo, Monteiro 
Lobato. 
Mas gostaria de aproveitar essa questão para discutir a base do que chamamos de representação da 
realidade. Já se perguntou o que aconteceria se não tivéssemos palavras para um objeto? Ele existiria? Só 
para citar um exemplo, os índios não tem palavra para selva ou floresta, eles têm palavras específicas para 
cada trecho da mata. Eles conseguem ver a “floresta”? 
Observe o poema abaixo. 
O Montepio (fragmentos) 
 
o pai dá ao filho 
o ninho vazio achado no bosque 
e a raposa morta 
por sua espingarda. 
Dá-lhe a sua anônima 
grandeza do nada. 
Sua herança é o frio 
que sentiu rapaz 
quando impaludado. 
 
Ser pai é ensinar 
ao filho curioso 
o nome de tudo: 
bicho e pé de pau. 
Que o pai, quando morre, 
deixa para o filho 
o seu montepio 
- tudo o que juntou 
de manhã à noite 
no batente, dando 
duro no trabalho. 
Deixa-lhe palavras. 
Lêdo Ivo 
 Esse texto é maravilhoso. O que as gerações passadas deixam para as novas? Linguagem. Através 
dela, uma visão de mundo é transmitida. Isso é o que chamamos de representação do mundo. O homem não 
é capaz de captar o mundo tal como ele é, de forma imediata. Ele capta e forma uma imagem, que vem 
carregada de significados culturais. Um par de tênis, para um animal, é um objeto sem qualquer valor 
agregado. Para um jovem, um tênis pode significar status, para alguém mais velho que se veste de maneira 
formal, o tênis significa descontração, para alguém que não tem dinheiro para comprá-lo, ele é um luxo. 
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Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
8 
 Isso é representação e, nesse sentido, toda linguagem, como a visual, também é representação, aliás, 
tema que merece um pdf. 
 
Secção conexões 
Na filosofia, a discussão sobre a linguagem começa com uma questão interessante: as palavras revelam 
algo do mundo ou são totalmente arbitrárias? Durante muito tempo pensou-se que a língua guardaria 
algo de verdadeiro sobre o mundo. Bastaria formular bem uma definição que encontraríamos uma 
verdade. Ou seja, uma representação cuidadosa do mundo poderia revelar sua verdade. 
Mas daí chegou o século XX, e vários autores postularam a total arbitrariedade da língua. O que isso 
significa? Observe como um autor define isso. 
“Quando a gente nasce, a gente é apenas homo sapiens, nível biológico, só depois quando a gente é 
banhado nas águas da cultura é que a gente vira ser humano, porque o homem faz o símbolo mas são os 
símbolos que fazem o homem homem, e isto, a cultura, é feita de símbolos, símbolos. Não parece porque 
ficoutão natural tudo isso para nós, porque um cavalo é um cavalo? Quando a gente é criança e a gente 
sabe que cavalo em inglês é horse, a gente acha isso uma espécie de perversão. Então os ingleses não 
sabiam que um cavalo é um cavalo? Depois a gente aprende a relativizar (Di Giorgi, Flávio. “Os caminhos 
do desejo. In Novaes, Adauto (coord). O desejo. São Paulo: Cia. Das Letras, p.130). 
 
A arbitrariedade radical levou os pensadores a desconfiarem de todo código discursivo. O que é a língua? 
Um arranjo cultural que enquadra o pensamento dos falantes num determinado momento. 
Roland Barthes (1915-1980), filósofo e semiólogo afirmava que o discurso, a teia de ideias expressas em 
linguagem escrita ou falada, criava um sistema de supervisão que dominava a todos. Em um texto 
surpreendente, Fragmentos de um discurso amoroso, o autor inverte a perspectiva do leitor sobre o 
amor. Acreditamos que primeiro nos apaixonamos e depois criamos a linguagem para expressar o amor. 
Ele dá exemplos de fragmentos amoroso, como o do ciúme, que são preexistentes ao homem ciumento. 
Não é o ciumento que cria uma linguagem, é a linguagem que cria o ciumento. 
Pense um pouco na capacidade das linguagens de produzir a realidade humana. 
 
 
 
1.2 Secção Atitude inicial 
 Em relação à linguagem, uma atitude para o desenvolvimento da escrita é muito importante para quem deseja 
avançar na escrita do texto. Na escrita não vale aquela frase com a qual você tentava convencer seu professor a dar 
uma nota mais alta: Professor, o senhor não entendeu? Se entendeu, então por que me deu essa nota? 
 Na Redação, o diabo mora nos detalhes. Definir com detalhes o que se quer dizer “vale um caminhão”. E pode 
parar com a balela de que você é direto e objetivo, ou que não gosta de enrolação. Sendo sincero, escrever de 
qualquer jeito é preguiça mental. Então, deixe de lado as desculpas e tenha uma atitude pró-ativa em relação à 
linguagem. Deseje e queira ser mais preciso e especifico. 
 Observe o texto abaixo. 
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Professor Fernando Andrade – 
Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
9 
 
O texto 
Definindo teoria 
 
A palavra "teoria" vem aparecendo bastante na mídia, em parte devido ao debate entre criacionismo e 
ciência. Existem usos diferentes do termo, que acabam criando confusão. No seu uso popular, o termo 
descreve um corpo de ideias ainda incerto, baseado em especulações não demonstradas. Teoria, para 
muitos, significa um corpo de hipóteses esperando ainda por confirmação. Às vezes, o uso popular do 
termo distancia-se ainda mais do científico, significando ideias que são meio absurdas, fora da realidade: 
"Ah, esse cara sempre foi um inventor de teorias, não sabe do que está falando", ou "isso aí não passa de 
uma teoria, provavelmente é besteira". 
Teoria em ciência significa algo completamente diferente. O termo mais apropriado para uma ideia de 
caráter especulativo é hipótese, e não teoria. Uma hipótese é justamente uma suposição ainda não 
provada, aceita provisoriamente como base para investigações futuras. Por exemplo, a panspermia é 
uma hipótese que sugere que a vida na Terra veio de outras partes do cosmo. Não sabemos se está certa 
ou errada, mas podemos tentar comprová-la ou refutá-la. Já uma teoria consiste na formulação de 
relações ou princípios descrevendo fenômenos observados que já foi verificada, ao menos em parte. Ou 
seja, uma teoria não é mais uma mera hipótese, tendo já passado por testes que confirmam suas 
premissas. 
Quando cientistas falam de uma teoria, falam de um corpo de ideias aceitas pela comunidade científica 
como descrições adequadas para fenômenos observados. A confirmação é por meio de observações e 
experimentos, o que cientistas chamam de método de validação empírica. Quanto mais sucesso tem 
uma teoria, maior o número de fenômenos que pode descrever. Quanto mais elegante, mais simples é. 
Uma teoria de enorme sucesso em física é a teoria da gravitação universal de Newton. Ao propor que 
objetos com massa exercem uma força de atração mútua cuja intensidade cai com o inverso do 
quadrado da distância entre as massas, Newton e seus sucessores foram capazes de explicar as órbitas 
planetárias em torno do Sol, o fenômeno das marés, a forma oblata da Terra (achatada nos polos), o 
movimento de projéteis na Terra e no espaço etc. Quando a Nasa lança um foguete da Terra ou o faz 
colidir com um cometa, a teoria usada no planejamento das missões é a de Newton. Testes em 
laboratórios e observações astronômicas mostram que a teoria funciona extremamente bem em 
distâncias que variam de décimos de milímetros até milhões de trilhões de quilômetros, a escala em que 
galáxias formam aglomerados atraídas por sua gravidade mútua. 
Isso não significa que a teoria (ou qualquer outra) seja perfeita. Sabemos que ela deixa de ser válida 
quando objetos estão muito próximos de estrelas como o Sol. Correções são necessárias, no caso 
fornecidas pela teoria da relatividade geral de Einstein, que, em 1916, generalizou a teoria de Newton. O 
fato de teorias não serem perfeitas é fundamental para o progresso da ciência. Caso contrário, não nos 
restaria nada a fazer. E é justamente aqui o lugar da hipótese em ciência, tentando, através de ideias 
ainda não demonstradas, alavancar o conhecimento, desenvolver ainda mais nossas teorias. Para 
construir a teoria da relatividade, Einstein supôs que a velocidade da luz é sempre constante e que a 
matéria curva o espaço. Quando isso foi confirmado, a formulação ganhou o título de teoria. A pesquisa 
agora gira em torno dos limites dessa teoria e de como pode ser melhorada. 
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Professor Fernando Andrade – 
Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
10 
(GLEISER, Marcelo. Folha de S. Paulo, Mais!, 02 out. 2005.) 
 
 
 Você já sabe o que vou perguntar: gostou do texto? 
 Eu o achei muito bom. Veja, o autor simplesmente ao definir a palavra teoria, consegue derrubar os 
argumentos daqueles que insistem em dizer que criacionismo é uma teoria. 
 Sacou? O uso preciso e bem esclarecido das palavras faz toda a diferença entre uma redação acima da média 
e a abaixo da média. 
 Uma redação bem escrita, com termos precisos, dificilmente será uma redação senso comum. Será talvez de 
bom senso. A linguagem por si, junto com uma boa interpretação de texto, faz com que o texto já se situe acima da 
média. 
 
 
 Há anos atrás, trabalhei num cursinho de expressão aqui de São Paulo. 
Tinha uma ótima relação com Cely, minha coordenadora, que era também 
responsável pelos corretores. Um dia cheguei mais cedo, e presenciei uma 
cena, no mínimo, hilária. Minha coordenadora estava se escondendo na 
sala dos professores de uma aluna que ela chamava de “a japonesinha”. A menina escrevia de forma 
impecável e com muita precisão, mas os argumentos dela eram todos do senso comum. A menina queria 
saber de um jeito ou de outro porque a nota não era a máxima. A Cely já tinha dado todas as explicações 
possíveis e não dava o braço a torcer, 10 jamais. Ela tinha que ficar ajustando as notas na grade, tirando 
pontos mínimos para diminuir a nota dela. Era um trabalho dos diabos. E ela me perguntava aflita, como 
dizer para ela que a redação não estava cem por cento, se a linguagem era muito bem elaborada? 
 Eu ria, afinal, linguagem precisa na correção dos outros é diversão para quem não precisa corrigir o 
texto. 
 
2. A linguagem na dissertação 
Em alguns momentos em nossas vidas, precisamos emitir opiniões sobre determinados fatos ou 
mesmo justificar determinadas ações que têm a ver com o que acreditamos ser verdade. As crenças ou 
opiniões são juízos, julgamentos, que fazemos da realidade e que devem ter como traço principal a 
generalização. 
A partir da experiência, vamos formando princípios gerais para podermos agir com segurança no 
futuro. Quando falamos que a água fervendo provoca queimaduras, esse juízo nãoé particular, restrito 
somente ao dia em que alguém queimou a mão, mas serve como princípio para que qualquer pessoa não se 
aproxime de uma caneca de água que está no fogão, por exemplo. 
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Professor Fernando Andrade – 
Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
11 
Dessa forma, durante a vida vamos acumulando uma série de princípios que norteiam nosso 
comportamento. Em alguns momentos, somos chamados a expor esses princípios, é aí que mudamos nossa 
organização linguística para dissertar, ou seja, para expor uma ideia. Ora, ao fazermos isso, estamos 
aceitando o risco de sermos contrariados. O receptor pode achar que nossa crença é infundada, julgando-
nos imaturos ou incapazes de entender o mundo que nos cerca. Esse grave risco nos leva a ser cuidadosos 
quando emitimos uma opinião que vai contra a ideia geral. Com medo do julgamento alheio, tomamos 
certos cuidados: expressar com máxima clareza o que vamos dizer; usar um vocabulário diferenciado para 
poder dar seriedade ao que é dito; fundamentar a ideia, procurando provar com fatos, raciocínios ou 
apelando para outras pessoas mais influentes como forma de convencer o interlocutor de que estamos 
certos. 
2.1 Grau zero da linguagem 
 Qual é o sonho da ciência e da filosofia? A captação da realidade tal 
como ela é. Há uma dificuldade intransponível, pois a realidade é 
apreendida pelos nossos 5 sentidos e é representada na nossa mente como 
se fosse um filme. Ora, nesse processo, algo se perde. Nossas percepções 
são extremamente limitadas. Mas o pior está por vir. 
 Para se produzir conhecimento é preciso generalizar e transpor 
aquilo que foi vivenciado para a linguagem. Quando expressamos aquilo 
que testemunhamos, a nossa forma de encarar o mundo contamina o que 
descrevemos. O sonho dos filósofos era depurar a linguagem para que ela 
pudesse expressar o mundo tal qual ele seria de fato. 
 E se pudéssemos ter uma linguagem puramente referencial, ou seja, 
se pudéssemos ter palavras e combinações de palavras que pudessem 
representar o real da forma como ele se apresenta, como seria essa linguagem? Seria um discurso 
construído por denotações, com gramaticalidade lógica, uso perfeito de conectivos, palavras precisas sem 
ambiguidades e ordem direta dos termos. Um discurso desse tipo seria um meio tão perfeito para a 
transmissão da ideia que nem perceberíamos a linguagem. 
Como exemplo, considere essa definição de estrela: 
As Estrelas são corpos celestes que têm luz própria. Elas são, na verdade, esferas gigantes compostas de 
gases que produzem reações nucleares, mas, graças à gravidade, podem se manter vivas (sem se explodir) 
por trilhões de anos. 
 Parece um bom texto de caracterização do que seria uma estrela, certo? Não exatamente. Observe 
que duas palavras não podem ser lidas de forma literal, “corpos” e “vivas”. Rigorosamente, os dois atributos 
pertencem a seres vivos, o que não é o caso de uma estrela. Além disso, o uso da palavra esfera é impreciso. 
Impossível que gases que se aglutinam pela gravidade sejam capazes de produzir uma esfera perfeita. 
 
Nossa, escrever no grau zero é quase impossível...
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Professor Fernando Andrade – 
Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
12 
 Você tem toda razão, corujinha cética. Trata-se de um modelo de linguagem. Embora, não passe de 
um ideal, o modelo serve como meta a ser alcançada. Cada vez que o escritor se aproxima desse paradigma, 
seu texto tende a ser lido como “confiável”. 
 Como ficaria o texto acima numa linguagem mais precisa? 
O que chamamos de “estrela” são formas materiais celestes que emitem luz. Essas formas, na verdade, se 
apresentam num campo esférico irregular. São compostas por gases em fusão nuclear que, devido, 
principalmente, à gravidade mantêm-se nesse processo por trilhões de anos. 
 Seu texto dissertativo pode, obviamente, se afastar de ideal de grau zero. Numa introdução, a 
referencialidade é média, você deve apresentar o tema. No desenvolvimento, um estilo pautado na 
objetividade angaria maior credibilidade. Já na conclusão, o uso de figuras de linguagem é bem-vindo. 
 Em todo caso, é importante que você compreenda bem o que vem a ser essa linguagem de grau zero 
para ter consciência de como se valer dos expedientes linguísticos e assim produzir os efeitos que deseja. 
Digamos que o grau zero, numa dissertação, deva ser o esqueleto do seu texto assim como a haste de uma 
árvore de natal. A partir disso, você pode ir jogando com os enfeites que vão compor esse texto ou essa 
árvore. 
2.2 Objetividade 
 
 Objetividade se refere a um estilo pautado por recursos linguísticos cujos efeitos levem o leitor a 
acreditar que aquela opinião tem caráter geral e não particular, individual. Normalmente, quando dizem que 
o texto deve ser mais objetivo, entende-se que ele deve ser direto. Não é bem isso que o termo significa. 
 Objetividade vem da palavra “objeto” e se refere à forma analítica e impessoal com que tratamos 
determinado assunto. Se tivermos que fazer um texto sobre, por exemplo, uma cadeira, adotaremos uma 
linguagem com poucos adjetivos valorativos, poucos advérbios e faremos uma enumeração de traços que 
não despertaria qualquer emoção. Essa situação mudaria de figura se alguém pedisse que você descrevesse 
a cadeira onde seu avô, de quem você tem muitas saudades, sentava-se regularmente. Um jornalista que 
cobre uma tragédia, por mais emocionado que esteja, deve adequar a linguagem para que ela seja 
informativa, não emotiva. 
 Quais são os recursos que se usam e quais os que devem ser evitados para conseguir o efeito de 
subjetividade? 
 
✓ Utilize... ✓ 
Linguagem técnica quando possível. O ir e vir de carro e ônibus na cidade tá cada vez mais 
difícil. 
A mobilidade urbana tornou-se um problema nos 
grandes centros. 
 Conceitos, defina-os e dê exemplos que se Mobilidade urbana é um termo que se refere à 
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Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
13 
adequem ao seu tema. facilidade de deslocamento de pessoas e bens em 
uma cidade... 
Conectivos de forma apropriada. 
 
Apesar da gravidade do problema relacionado à 
quase imobilidade urbana, poucas ações efetivas 
foram tomadas com sucesso comprovado. 
Subdivisões típicas da linguagem analítica: “esse 
problema pode ser analisado de duas formas”, 
“três características definem essa ideia”, “dois 
fatores concorrem para isso”, etc. 
A mobilidade urbana deve ser encarada sob duas 
perspectivas: a do prejuízo econômico para o país e a 
da qualidade de vida para o cidadão. 
 
 Evite... 
 
Exemplos 
O uso da primeira pessoa do singular “eu” e 
verbos conjugados nessa pessoa. 
Eu acredito que a questão de mobilidade urbana 
tem a ver com o planejamento da cidade. 
Esse expediente do qual estou abusando, dirigir-
me a você, ou seja, conversar com o leitor. 
Nas cidades grandes, provavelmente, te irrita o 
tempo perdido nos congestionamentos. 
Expressões com forte carga valorativa, emotiva 
ou mesmo perguntas retóricas. 
Até quando continuaremos a gastar parte de 
nossas vidas parados no trânsito? Isso é um 
absurdo! 
Palavras/expressões inespecíficas ou que 
revelem uma certa visão ingênua do mundo 
como 
Muitas coisas estão envolvidas nessa coisa de 
mobilidade urbana e nem sempre são boas. 
 
 
 Abaixo você encontrará trechos dissertativos, com palavras destacadas que distanciam o texto do 
grau zero da linguagem e da objetividade. Reescreva o texto alterando o que você achar necessário para que 
o texto passe a impressão de tecnicidade. 
 
Q.1 O ambiente digital é muito mais dinâmico: basta tomar como exemplo as redes sociais. A 
empresa cria uma ação específica — ou se posiciona de determinada forma diante de 
algum acontecimento — e tem o feedback dos consumidores em tempo real. E isso pode 
ser usado como termômetro paramedir como será a aceitação de determinado conteúdo. 
Falando em medir, fazer a mensuração dos resultados das estratégias adotadas em âmbito 
digital também é muito mais fácil e preciso. É possível, inclusive, ajustar determinadas 
ações durante sua execução. É simples: se você percebeu que os resultados não estão 
atendendo sua expectativa, basta adotar novos rumos. 
 
Q.2 Os grandes veículos de informação da era digital não têm interesse em provocar uma 
reflexão por parte dos usuários sobre as informações que lhe são transmitidas; tornando-o 
X 
t.me/CursosDesignTelegramhub
https://www.organicadigital.com/blog/dicas-para-gerar-leads-qualificados-usando-as-redes-sociais/
https://www.organicadigital.com/blog/inovacao-digital-como-posicionamento-estrategico/
https://www.organicadigital.com/blog/como-saber-se-sua-estrategia-de-marketing-digital-e-eficiente/
Professor Fernando Andrade – 
Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
14 
um indivíduo incapaz de formular uma opinião própria. 
 
Q.3 O conceito da autopromoção está implícito nas mais variadas esferas da vida e costuma ser 
confundido com ostentação e atitude de “gente metida”. São coisas diferentes. A 
autopromoção é uma ferramenta de vendas, enquanto ostentação e ser metido são 
reflexos de falta de valores e desvios de caráter (tem gente que se perde na correria do dia 
a dia também e não tem tempo para aprender a se vender). 
Sabe aquele sujeito que gosta de mostrar suas habilidades e talentos nas reuniões de 
equipe da empresa? Esta pessoa não é “metida”. Ao contrário, ela compreende que para 
crescer na hierarquia e alcançar seus objetivos de carreira, ela precisa “vender” suas 
competências para seus superiores. Pense também nas crianças e em como elas são 
mestres na arte de chamar nossa atenção. (https://dinheirama.com/autopromocao-
vender-bem-si-mesmo-nao-e-sinonimo-ser-metido/) 
 
Q.4 No contexto contemporâneo, o maior tipo de entretenimento dos jovens e até mesmo das 
crianças encontra-se na internet, mais precisamente nas redes sociais. Sendo assim, esses 
indivíduos passam a maior parte do seu tempo concentrados em todas as informações que 
esses mecanismos têm a oferecer, sempre ávidos por mais informações sobre os mais 
variados assuntos. Entretanto, essas pessoas podem se tornar vítimas do universo digital, 
estando sujeitos a sofrer agressões, exposições e ameaças que impactam de modo 
assustador a vida de qualquer um. 
 
 
Q.5 Por que chegamos a esse ponto de banalização do coaching? 
Primeiro porque coaching realmente funciona e faz a diferença. Quando é bem-sucedido, 
muda o clima da empresa, e muita gente começou a achar isso mágico. Mas isso demora, 
leva tempo e as organizações passaram a querer tudo muito rápido. E sempre vai ter gente 
na outra ponta que acha que pode fazer em cinco, quatro meses. Quanto menos formação 
você tem, mais mágico você se acha. O processo, nesse caso, pode até causar mudanças 
fantásticas, mas não se sustenta. Segundo porque que quem olha de fora e vê quanto um 
coach recebe por hora acha isso um ótimo negócio. 
(https://exame.abril.com.br/negocios/a-banalizacao-do-coaching/) 
 
 
 
 
Q.1 O espaço digital se altera rapidamente e permite interação : basta tomar como exemplo 
as redes sociais. A empresa cria uma ação específica — ou se posiciona de determinada 
forma diante de algum acontecimento — e tem o feedback dos consumidores em tempo 
real. E isso pode ser usado como parâmetro para avaliar como será a aceitação de 
Resolução exemplificativa 
Incoerên-
cia 
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https://dinheirama.com/blog/2015/07/16/correria-desculpa-desperdicar-tempo-dinheiro/
https://dinheirama.com/blog/2015/07/16/correria-desculpa-desperdicar-tempo-dinheiro/
https://dinheirama.com/autopromocao-vender-bem-si-mesmo-nao-e-sinonimo-ser-metido/
https://dinheirama.com/autopromocao-vender-bem-si-mesmo-nao-e-sinonimo-ser-metido/
https://exame.abril.com.br/negocios/a-banalizacao-do-coaching/
https://www.organicadigital.com/blog/dicas-para-gerar-leads-qualificados-usando-as-redes-sociais/
https://www.organicadigital.com/blog/inovacao-digital-como-posicionamento-estrategico/
https://www.organicadigital.com/blog/inovacao-digital-como-posicionamento-estrategico/
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 AULA 1 – Linguagem 
 
15 
determinado conteúdo. 
Falando em métodos de averiguação das estratégias adotadas, eles são mais precisos e 
mais rapidamente aplicáveis. É possível, inclusive, ajustar determinadas ações durante a 
sua execução. É simples: se o gestor percebeu que os resultados não estão atendendo sua 
expectativa, basta adotar novos rumos... 
 
 
Q.2 Os grandes veículos de informação da era digital não têm como finalidade comercial 
proporcionar elementos para a reflexão por parte dos usuários sobre as informações que 
lhe são transmitidas; isso pode levar o indivíduo a formar opiniões precárias e imprecisas. 
 
Q.3 O conceito da autopromoção está implícito nas mais variadas esferas da vida e costuma 
ser confundido com ostentação e atitude de “gente metida”. São coisas diferentes. A 
autopromoção faz parte da metodologia de vendas, enquanto ostentação é reflexo de 
falta de valores e formação deficiente dos padrões morais (tem gente que se perde na 
correria do dia a dia também e não tem tempo para aprender a expressar seu potencial). 
Sabe aquele sujeito que gosta de mostrar suas habilidades e talentos nas reuniões de 
equipe da empresa? Esta pessoa não é “metida”. Ao contrário, ela compreende que para 
ocupar uma posição acima na hierarquia empresarial e alcançar seus objetivos de carreira, 
ela precisa convencer seus superiores de suas competências são adequadas para uma 
nova posição. Pense também nas crianças e em como elas são hábeis na arte de chamar 
nossa atenção. (https://dinheirama.com/autopromocao-vender-bem-si-mesmo-nao-e-
sinonimo-ser-metido/. 
 
Q.4 No contexto contemporâneo, o maior tipo de entretenimento dos jovens e até mesmo das 
crianças encontra-se na internet, mais precisamente nas redes sociais. Sendo assim, esses 
indivíduos passam a maior parte do seu tempo concentrados em todo tipo de dado que as 
plataformas têm a oferecer. Os usuários estão sempre ávidos por mais entretenimento. 
Entretanto, essas pessoas podem ser prejudicadas pelo espaço virtual. O anonimato é um 
fator que dá mais liberdade para que agressões e ameaças possam ser veiculadas por esse 
canal. Além disso, a quantidade de informações próprias e impróprias podem impactar 
negativamente o usuário. 
 
Q.5 Por que chegamos a esse ponto de banalização do coaching? 
Primeiro porque coaching realmente funciona e faz a diferença. Quando é bem-sucedido, 
muda as relações pessoais na empresa, e muita gente começou a achar isso admirável. 
Mas isso demora, leva tempo e as organizações passaram a querer tudo muito rápido. E 
sempre vai existir gente pragmática que se preocupa mais com os resultados do que como 
o processo. Tais pessoas acham que se pode fazer mudanças em cinco, quatro meses. 
Quanto menos formação o coach tem, mais ele demonstra crença em sua capacidade em 
operar mudanças rapidamente no processo, nesse caso, pode até causar mudanças 
prodigiosas mas elas não são perenes. Segundo porque que quem não pertence a essa 
área profissional e vê quanto um coach recebe por hora acha isso um ótimo negócio. 
 
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https://dinheirama.com/blog/2015/07/16/correria-desculpa-desperdicar-tempo-dinheiro/
https://dinheirama.com/blog/2015/07/16/correria-desculpa-desperdicar-tempo-dinheiro/
https://dinheirama.com/autopromocao-vender-bem-si-mesmo-nao-e-sinonimo-ser-metido/
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16 
3. O Erro no Vestibular 
 A diferença mais importante entre fala e escrita se dá 
pelo fato de que a primeira é imediata e mais perceptivadiante 
do contexto de comunicação. A escrita é precária e deve suprir 
ausências. Quando você está diante do receptor, um amigo, por 
exemplo, recebe sinais de como sua mensagem está sendo 
recebida de várias formas: ele interrompe se não estiver 
entendendo a informação, faz perguntas, faz caretas e assume 
uma postura corporal que revela o efeito de sua fala sobre ele. 
 Além disso, você também usa vários outros recursos: 
modulação da voz, gestos, movimento corporal etc. Tudo isso 
falta à escrita, cuja estrutura é linear e monolítica, você escreve 
uma ideia de cada vez e não existe qualquer outro recurso de 
correção ou de ênfase. 
 Desse fato decorre a necessidade de maior cuidado ao se expressar através da escrita. Se você redigir 
seu texto de forma descuidada, deixando traços da fala se infiltrarem na redação - prolixidade, 
coloquialismos, expressões genéricas etc -, o texto se tornará confuso para seu leitor. Isso ultrapassa a 
simples questão gramatical. 
 Segundo o senso comum, o grande problema da escrita se concentra na parte gramatical: se um 
texto não contiver erros segundo o padrão culto, será um bom texto. Isso não é verdade, tanto que, em 
algumas redações publicadas pela FUVEST como exemplo de melhores produções, era possível encontrar 
pequenos “cochilos” gramaticais. 
 Você se vale da língua falada o tempo todo, por isso, é muito mais fácil falar do que escrever. Mas 
isso não significa que você não domine a língua, por isso, este pdf não é sobre ortografia e regras básicas. A 
ortografia é um problema porque não escrevemos como falamos por um motivo básico, a escrita é gráfica e 
a fala é sonora, nunca haverá correspondência perfeita entre esses dois códigos. Como você faz para não 
errar em ortografia? Escreva, escreva e escreva. Você será corrigido ou procurará no Google ou no dicionário 
como se escreve e vai fixar essa forma na sua memória. Ortografia é hábito. 
 Outra preocupação dos alunos é com a vírgula. Nesse ponto é importante saber um pouco de teoria, 
e ela será apresentada nesta aula. Mas atenção, a Banca não se preocupa com “cochilos” gramaticais 
relacionados à vírgula e crase. O corretor não vai ficar tirando 0,2 a cada erro relacionado a esses tópicos 
gramaticais. 
 Por outro lado, há dois tipos de erros que tiram a credibilidade do texto: erros de concordância e uso 
inadequado do conectivo. No primeiro caso, isso se deve ao fato de que tal erro denuncia que o candidato 
não tem intimidade com o texto escrito. Na fala, a concordância é mais econômica, quando alguém diz “isso 
custa dez real”, tal falante entende que já marcou o plural no numeral “dez”. Na escrita, exige-se que todos 
os termos sofram flexão. 
 No segundo caso, o conectivo mal empregado torna o texto incoerente, tema que estudamos na aula 
passada. 
 
 Versus 
 
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17 
 Fiz uma tabela dos erros mais comuns e sua importância na dissertação. 
 
Tipo de erro Efeito Gravidade Como resolver 
Ortografia Tira a 
credibilidade do 
escritor 
Se forem palavras pouco utilizadas, e for 
um ou outro erro, o corretor releva, 
entende com um “cochilo”. Se forem 
palavras de uso corrente e houver mais de 
3 de erros desse tipo, compromete-se a 
ideia 
Prática 
Vírgula Provoca ruídos 
na leitura 
Prejudica pouco a exposição das ideias Conhecer as regras e 
fazer exercícios 
Uso da crase Quase nulo Não prejudica em nada, apenas revela que 
o escritor não é atento em relação ao 
padrão culto da linguagem 
Conhecer as regras e 
fazer exercícios 
Conectivo Torna o 
fragmento 
incoerente 
O candidato perde pontos em linguagem e 
em coerência. 
Melhorar a prática de 
interpretação 
Colocação 
pronominal 
Coloquialismo Não prejudica muito a exposição da ideia, o 
texto torna-se um pouco impreciso, e 
revela um certo descaso com o padrão 
culto da linguagem 
Conhecer as regras e 
fazer exercícios 
Concordância Provoca aversão 
ao texto 
A falha na concordância passa a impressão 
de falha no letramento; fere o status da 
escrita 
Exercícios 
 Como, dito, uma vez que você é falante da língua, esses erros, se cometidos, não devem 
comprometer o seu texto. Por isso, você encontrará no final deste pdf algumas questões gramaticais para 
que você se exercite. 
 Vou considerar no próximo tópico algo realmente relevante para a boa escrita do texto, a estilística. 
Nós já vimos em pdfs anteriores a importância de uma mensagem bem redigida. O senso comum, os ditados, 
clichês e generalizações, muitas vezes, são apresentados sem erros gramaticais, mas são recursos que 
empobrecem sua argumentação e fazem com que você perca preciosos pontos. 
 E o senso comum é uma questão de linguagem...Uma frase mais elaborada com uso de termos 
precisos coloca seu texto em um outro patamar, mesmo que você esteja dizendo o óbvio. 
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18 
4. Estilística 
 O que é estilo? Segundo o dicionário on line , significa “modo pelo qual um indivíduo usa os recursos 
da língua para expressar, verbalmente ou por escrito, pensamentos, sentimentos, ou para fazer declarações, 
pronunciamentos etc”. 
 Diante disso, muitas corujinhas se espantam, não há só um jeito, o jeito certo de escrever? Claro que 
não. É verdade, que a dissertação define muitos traços do que seria o estilo pessoal, mas mesmo assim, é 
possível usar recursos linguísticos de maneira autoral. 
 Paulo Mendes Campos, escreveu uma crônica, bastante curiosa, em que ele explicita o que 
chamamos de estilo. Ele considera o seguinte fato: o corpo de um homem com cerca de quarenta anos foi 
encontrado às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, não existindo sinais de morte violenta. A partir daí, ele 
imagina estilos diferentes para contar essa história. Selecionei alguns. 
 
(...) 
Estilo interjetivo 
 
Um cadáver! Encontrado em plena madrugada! Em pleno bairro de Ipanema! Um 
homem desconhecido! Coitado! Menos de quarenta anos! Um que morreu quando 
a cidade acordava! Que pena! 
(...) 
Estilo reacionário 
 
Os moradores da Lagoa Rodrigo de Freitas tiveram nesta manhã de hoje o 
profundo desagrado de deparar com o cadáver de um vagabundo que foi logo 
escolher para morrer (de bêbado) um dos bairros mais elegantes desta cidade, 
como se já sabe não bastasse para enfear aquele local uma sórdida favela que nos 
envergonha aos olhos dos americanos que nos visitam ou que nos dão a hora de 
residir no Rio. 
(...) 
Estilo preciosista 
 
No crepúsculo matutino de hoje, quando fulgia solitária e longínqua da Estrela-
d´Alva, o atalaia de uma construção civil, que perambulava insone pela orla 
sinuosa e murmurante de uma lagoa serena, deparou com a atra e lúrida visão de 
um ignoto e gélido ser humano, já eternamente sem o hausto que vivifica. 
 
(...) 
Estilo didático 
 
 Podemos encarar a morte do desconhecido encontrado morto à margem da 
Lagoa em três aspectos: a) policial; b) humano; c) teológico. Policial:o homem em 
sociedade; humano: o homem em si mesmo; teológico: o homem em Deus. Policia 
e homem: fenômeno; alma e Deus: epifenômeno. Muito simples, como os senhores 
veem. 
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19 
(Campos, Paulo Mendes. Os diferentes estilos. In: Para gostar de ler. São Paulo: 
Ática, 1979, v.4, p. 39-42) 
 
4.1 A forma altera o conteúdo 
A música abaixo foi composta dor Edu Lobo e Guarnieri e interpretada por Elis Regina. Basicamente, os 
autores se valem de um estilo mais coloquial para expressa uma realidade típica do morro, das 
comunidades. 
Upa neguinho na estrada 
Upa pra lá e pra cá 
Virgem que coisa mais linda 
Upa nequinho começando a andar 
E já começa a apanhar 
(“Upa Neguinho”- Edu Lobo e Guarnieri) 
O eu lírico descreve uma cena cotidiana no morro,de uma criança que mal começa a andar também já 
conhece a violência, já começa a apanhar. 
Mas vamos supor que fizéssemos a transposição dessa linguagem para outra, com traços parnasianos, 
aquele movimento literário que procurava representar a realidade através de uma linguagem sublime, 
empolada e dentro do que convenciona chama de padrão culto. Como ficaria a mesma canção? 
Evoé negro infante na senda 
Evoé para aqui e para acolá 
Imaculada que coisa maravilhosa 
Evoé negro infante começando a caminhar 
E já o látego a sofrer 
 Veja que a transformação é grande. Só para citar o elemento mais significativo, observe a expressão 
“negro infante”. Ela é sinônimo de “negrinho”. Contudo, “infante” era uma palavra que designava criança 
pertencente à nobreza. “Negro infante” faz imaginar uma criança negra, bem vestida, asseada e 
bochechuda. Deve exalar “nobreza”. Por outro lado, “negrinho” traz outra imagem a memória: uma criança 
magra, não tão asseada e vestida de forma simples. Uma criança típica do morro. 
Qual seria a linguagem mais apropriada? Depende. Se você quisesse “dourar” a pílula do que significa ser 
negro no Brasil, deveria valer-se do segundo texto, do texto com traços parnasianos. Se você quisesse 
refletir a situação a que o negro está submetido. Até mesmo a discussão em relação ao preconceito 
embutido na palavra “negrinho” importa na construção do texto. 
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20 
A música de Edu Lobo tinha como propósito protestar contra a pobreza e a diferença social no Brasil, nesse 
caso, usar uma palavra com traços de preconceitos seria apropriado, pois a música não reforça o 
preconceito, usa-o como forma de protesto. 
O mais notável é que as palavras escolhidas, a organização textual e as conexões feitas produzem um efeito 
textual que muda a recepção da informação, apesar de, no fundo, os dois textos desenvolverem a mesma 
ideia. 
4.2 O estilo na dissertação 
Em 2008, a UNICAMP propôs que o candidato fizesse um texto dissertativo-argumentativo sobre o uso de 
animais em experimentação científica. No ano seguinte, a Banca publicou e comentou uma redação acima 
da média e outra abaixo da média. Tente adivinhar qual é qual. 
 
Texto I 
Infelizmente os animais ainda serão alvos de experimentos científico por muito tempo. O homem é 
muito egoísta para se deixar fazer experiências no seu corpo. Por isso que animais como camundongos 
são usados, não porque são os menos importantes, mas são eles os que mais se parecem com o corpo 
humano em termos de quantidade e volume do animal. 
Texto II 
Tão antiga quanto a relação homem-homem é a relação entre homens e animais. Envolveu, ao longo 
da história, vários aspectos: desde o antagonismo caça/predador até uma afetividade exagerada em 
relação aos bichinhos criados em casa. O ponto mais polêmico dessa relação, contudo, surgiu 
recentemente, com o uso de animais em experimentações científicas. 
 
 Façam as suas apostas, qual fragmento deve ser o classificado como acima da média? Acertou quem 
disse: o texto II. Ambos são trechos introdutórios. Observa-se que a própria linguagem passa a ser sinônimo 
de recurso argumentativo. O leitor do texto I não espera bom desenvolvimento textual, pois o autor se 
distanciou do grau zero da linguagem, aproximou-se do coloquialismo e valeu-se do senso comum (“o 
homem é muito egoísta”). Já o texto 2, pelo estilo, deixa claro que se segue um texto analítico, pelo fato de o 
autor se valer expressões como “vários aspectos”, ou de comparações com a do primeiro período. 
 
 
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21 
 Para entender o que significa estilo, nada melhor do que escrever, não é mesmo. Tome como 
exemplo a introdução que se segue sobre o tema gênero neutro 
 É provável que o leitor já tenha se deparado com textos em redes sociais 
ou discursos em que a vogal "e" ou o "x" são utilizados no final de algumas 
palavras, como as que ilustram o título desta reportagem. O recurso tem sido 
utilizado por pessoas que não se veem representadas e acolhidas pela língua da 
forma como ela se manifesta hoje, a partir do sistema binário masculino-feminino. 
Disponível em https://www.jcnet.com.br/noticias/geral/2021/11/781056-todos--todas--todes-ou- todxs--genero-
neutro-provoca-polemica-e-discussoes.html , acessado em 16.12.2021. 
 
O estilo desse texto é do artigo de opinião. Observa-se isso pelo uso da diálogo com o leitor. Vou 
transformá-lo a partir de dois estilos diferentes: um dramático ou enfático; outro analítico. 
Dramático ou enfático 
 Nos dias de hoje, um leitor desavisado pode ter se deparado com uma situação inusual. Vagando 
pelas páginas das redes sociais, ele pode ter se deparado como discursos em que a vogal “a” ou o “x” são 
utilizados no final de algumas palavras. Tomou um susto, pensou que algo deveria estar errado, até 
descobrir que essa seria uma nova forma de expressar gêneros não binários. De fato, esse recurso estranho 
e, para alguns desnatural, tem sido usado por pessoas que infelizmente não sentem representadas, nem 
acolhidas pelas língua, que se limitaria a expressar o mundo a partir de uma forma empobrecida reduzida a 
masculino- feminino. 
 Estilo analítico 
 Nas redes sociais, um usuário pode se deparar com redes sociais nas quais observa-se o uso do “e” ou 
do “x” no final de algumas palavras. Trata-se do gênero neutro. O recurso tem sido utilizado por dois 
motivos: (1) as pessoas não se sentem representadas pela língua, e (2) acreditam que o uso dessas palavras 
pode mudar a situação de invisibilidade a que elas estão renegadas. 
 Você pode ter reparado que no primeiro, fiz uso de muitos adjetivos e fui mais descritivo na tentativa 
se sensibilizar o leitor. No caso do segundo, ele é mais objetivo e é analítico pois enumera dois motivos. 
 Faça o mesmo. 
 Observe o texto abaixo, sobre o mesmo tema. 
A nova novela das 19h da TV Globo, Cara e Coragem, que deve fazer sua estreia em maio de 2022, fará uso 
dos pronomes neutros em sua trama, de acordo com a criadora do enredo Claudia Souto: “O público de 
novelas é apresentado todos os dias a novos sotaques, gírias e palavras. Não é diferente com o gênero 
neutro. Logo se darão conta de que é uma nova forma de expressão. Acho relevante que seja mostrada 
numa obra de tanto alcance”, disse Cláudia, em entrevista recente à Folha de São Paulo. A abordagem de 
gênero neutro representa um importante ponto na indústria do audiovisual, que começa a caminhar em 
alguma direção na importante discussão sobre assuntos como inclusão e representatividade. 
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http://www.jcnet.com.br/noticias/geral/2021/11/781056-todos--todas--todes-ou-
http://www.jcnet.com.br/noticias/geral/2021/11/781056-todos--todas--todes-ou-
https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-810406/
https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-155938/
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22 
Resulução ilustrativa 
Estilo analítico 
Cara e coragem, a nova que deve estrear em 2022, fará uso dos pronomes neutros em sua 
trama. A autora, Claudia Souto afirmou em entrevista à Folha de São Paulo que o gênero 
neutro pode ser comparado às gírias, ou seja, logo as pessoas perceberão que se trata de 
uma forma de expressão. Esse tipo de abordagem no audiovisual é importante devido a 2 
fatores: (1) promove a discussão sobre inclusão; (2) deixa evidente a falta de 
representatividade linguística para o grupo LGBT+. 
Q.2 
 
 
 
Q.1 
 
A partir desse texto, faça um parágrafo dramatico ou enfático. 
 
 
 
Q.2 
A partir desse texto, faça um parágrafo analítico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Q.1 
Estilo dramático ou enfático 
Como não podia deixar de ocorrer, uma nova novela rede Globo, Cara e Coragem, que deve fazer 
sua estreia já provocandoimpacto em 2022, fará uso dos polêmicos pronomes neutros na trama. A 
criadora, Claudia Souto acredita que o gênero neutro tem a mesma categoria das gírias, trata-se de 
uma nova e expressiva forma de se comunicar. Esse tipo de abordagem será um ponto de virada no 
áudio visual , que mesmo de maneira tímida, começa a provocar a necessária discussão sobre o 
longo caminho para inclusão e representatividade para uma parcela da população que se sente 
excluída. 
 
 
 
 
5. Recursos discursivos 
 
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23 
 Especificamente, neste caso, chamo de recursos discursivos sequências textuais que podem ser 
utilizadas para deixar o texto mais preciso, característica que implica apresentar mais detalhes do objeto 
apresentado para o leitor. 
5.1 Descrição, relato e caracterização como recursos argumentativos 
 O que é um bom texto? Você já deve ter ouvido a seguinte resposta vaga: é aquele bem 
desenvolvido. Tentei mostrar no pdf sobre conclusão que é aquele em se observa uma progressão lenta da 
ideia. Isso vale também para o desenvolvimento frasal, linguístico. 
 Então vou refazer a pergunta, o que é um texto bem escrito? É aquele em que há progressão 
detalhada de uma frase inicial. Vamos partir da seguinte frase: “ela é mulher independente”. Dito dessa 
maneira, o autor da frase não impressiona o leitor. A frase é curta e o receptor da mensagem tende a pensar 
“bem, essa é a opinião do escritor, eu nem a conheço”. 
Mas se o autor do texto disser o seguinte... 
Ela tem nome de mulher guerreira 
E se veste de um jeito que só ela 
(...) 
Ela tem um tribal no tornozelo 
E na nuca adormece uma serpente 
(...) 
Ela fala num celular vermelho 
Com amigos e com seu namorado 
Ela tem perto dela o mundo inteiro 
E à volta outro mundo, admirado 
 Agora a situação mudou, porque obviamente o escritor do texto quer que você chegue à mesma 
conclusão que a dele e passa a detalhar os traços dessa mulher para que você também a admire. 
 Ao descrever, o autor vai escolhendo traços que devem reforçar o ponto de vista da tese, dando 
unidade ao texto. Isso tem a ver com estilística, pois o autor pode escolher entre fazer uma frase mais 
sucinta ou um trecho longo com detalhes e, no último caso, a tarefa depende da competência linguística, 
pois o autor deve ter um vocabulário amplo e capacidade de encadear os detalhes de maneira lógica. 
 No caso de uma dissertação, o expediente de dar detalhes de uma determinada ideia é um recurso 
linguístico que vale pontos. No caso de uma ideia, trata-se de caracterização; descrição, no caso de 
especificar um objeto, um lugar ou uma pessoa; ou relato no caso de especificação de um fato ou de uma 
história. 
 
 Não é um recurso tão usado, mas é ótimo para introduções e para treinar a linguagem. A descrição é 
um gênero que tem como alvo um objeto, uma pessoa ou um lugar. Você deve enumerar traços 
significativos do objeto até que o leitor consiga criar na sua mente uma imagem daquilo que você está 
Descrição 
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24 
descrevendo. Supondo que você tenha que desenvolver um tema sobre a influência das redes sociais na 
nossa vida, você poderia se valer da descrição de uma das redes, escolhendo elementos que já indicam sua 
opinião sobre o assunto. 
 Objeto a ser descrito: uma página do Facebook 
 Finalidade: destacar a quantidade de informações até desnecessárias na plataforma. 
 Elementos: quantidade de amigos sugeridos; quantidade de imagens que são oferecidas ao usuário; 
possibilidades de links que podem ser feitos. 
 Descrição 
 Ao abrir sua página do Facebook, o usuário se depara com uma 
quantidade de informações requeridas, sugeridas ou apresentadas que 
ultrapassam a possibilidade de acompanhar seriamente o que se passa. 
Na página inicial, o indivíduo se depara com as abas “linha do tempo”, 
“amigos” e “fotos”. No primeiro caso, o sistema quase exige que você 
preencha muitas informações sobre você. A segunda aba, realmente, é 
a mais importante. Quando se abre essa janela, uma série de amigos 
são sugeridos a partir do seu perfil. Mas esse processo não para. Cada 
vez que você aceita ou adiciona um amigo, uma série de outros são 
sugeridos. Isso é só começo, pois há ainda as imagens ou textos que 
são compartilhados... 
 
 Normalmente, “narrativa” se refere a um texto ficcional em que se desenvolve uma história. No 
caso, de um texto factual, faz-se um relato. Em um relato, o escritor deseja simplesmente enumerar ações 
para que o leitor tenha detalhes (1) do fato que está sendo elencado como prova do argumento ou (2) da 
história que está sendo rememorada, uma vez que é comum em dissertações o uso de resenhas de filmes, 
romances etc. 
 Há uma técnica para isso. Você deve responder às seguintes questões: Quando? Onde? Quem? O 
quê? De que forma? E depois você deve aplicar o que foi dito ao seu argumento. Observe como o 
argumento dessa redação sobre o tema das redes sociais é desenvolvido. 
 
 
No livro "1984 ", George Orwell descreve um mundo distópico em que 
um "big brother" vigia e controla a população através de ministérios, 
hoje, esses departamentos seriam nossas contas no facebook. O 
escritor inglês, não imaginaria um futuro no qual não haveria a 
necessidade de o Estado impor uma vigilância, pois isso seria 
voluntário. A aflição de se sentir vigiado, exposta no livro, se 
transformou no desejo de ter sua vida compartilhada, em troca do 
maior número possível de likes. 
Narrativa factual (relato) 
Tópico frasal 
Descrição do Facebook 
Quem? Onde? O quê? 
Novamente se 
responde: Quem? Faz 
o quê? 
Relaciona-se o relato 
à tese 
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25 
 Nesse caso, o autor se valeu de um argumento retórico por analogia. Mas vamos supor que ele 
quisesse argumentar baseando-se em fatos. Vamos retomar o tema geral do uso dados não autorizados 
por parte de usuários de redes sociais. Imagine um argumento como o abaixo. 
 Vivemos em uma sociedade sem escrúpulos nas qual as pessoas 
que detém o poder valem-se de meios tecnológicos para influenciar os 
cidadãos e tirar proveito disso. Observou-se isso na última eleição 
americana, quando uma empresa roubou dados para favorecer o 
candidato Trump. Isso mostra a que ponto nós chegamos no uso de 
informações. 
 As informações, nesse caso, são vagas. Não dão segurança ao leitor, nem despertam interesse. Se o 
escritor tiver dados sobre esse caso, poderia apresentá-los. O texto ganha outra qualidade. Observe. 
Vivemos em uma sociedade na qual é possível valer-se de meios 
tecnológicos para influenciar os cidadãos e tirar proveito disso. Na 
última eleição presidencial americana, os responsáveis pela campanha 
de Trump contrataram uma empresa inglesa, a Analytica, que 
conseguiu, através do Facebook, roubar informações para montar um 
cadastro de eleitores indecisos. Esse cadastro foi utilizado 
posteriormente para que esses eleitores fossem bombardeados por 
propagandas políticas. Note que isso aconteceu à revelia da vontade 
dos usuários e sem que eles soubessem. Esse é um dos grandes riscos 
que a tecnologia da informação representa. 
 Percebeu a diferença linguística? 
 
 No pdf de introdução, discuti qual era a essência de uma dissertação. Trata-se de um texto que gira 
em torno de uma abstração. Decorre daí a grande dificuldade de se desenvolver esse gênero, afinal toda 
generalização representa um risco de se afirmar algo que não se verifica na realidade. Mas há ainda um 
outro problema. 
 Uma generalização, uma ideia, uma abstração são representadas por palavras imprecisas. O que é 
honestidade? E moralidade pública? E povo? O que um político quer dizer com a frase: eu represento o 
povo? 
 O autor J.R. WhitakerPenteado fez algumas considerações bem pertinentes em relação ao uso que 
fazemos desse tipo de palavra. 
Como a palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a escuta, definindo as 
palavras abstratas, antes de utilizá-las, damos um passo no caminho do entendimento 
entre os homens. A grande maioria dos conflitos humanos nasce efetivamente do 
emprego descuidado de palavras abstratas. 
Caracterização de uma ideia
 Cadê o: Quando? 
Onde? Quem? O quê? 
De que forma? 
Tópico frasal 
Quando, quem, qual 
empresa, o que ela 
fez 
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26 
De que adianta reunir-se a Associação Comercial para estabelecer um lucro razoável nas 
operações mercantis, antes de chegar-se a um acordo sobre o que venha a ser lucro 
razoável? 
(...) 
Atrás de uma palavra nem sempre está uma coisa. Palavras não são coisas; são 
representações de coisas, quase sempre específicas, e por isso difíceis de serem 
transmitidas, com fidelidade, de uma cabeça para outra. 
Não resolveremos nossos problemas com palavras, ou modificando seus nomes. Antes de 
morrermos por uma palavra, será útil procurar saber o que ela significa. Definindo as 
palavras, antes de discuti-las, percebermos que, ou estamos de acordo, ou pensamos em 
coisas diferentes, embora lhes emprestemos a mesma forma.”1 
 
 
 
 
 Há pelo menos três técnicas que você pode usar para definir uma palavra: uso de aposto explicativo, 
caracterização e definição pelas 4 causas. 
Aposto 
 Aposto é um termo que se junta a outro para explicá-lo melhor, geralmente separado por vírgulas. 
Muitas vezes, ao utilizar um termo abstrato, procure defini-lo um pouco melhor. Pergunte-se: meu leitor 
entende esse termo? Ele sabe qual o significado estou atribuindo a ele? 
 Observe alguns exemplos, considerando termos bastante complexos. 
 A liberdade, entendida como escolha entre duas possibilidades, não é algo que seja experimentado 
pelo homem a todo momento. 
 A Democracia, cujos radicais significam governo do povo, foi assumindo várias formas desde que foi 
inventada na Grécia. 
 A justiça, compreendida como gozo de direitos iguais entre duas pessoas, precisa de todo um sistema 
para que seja garantida. 
Caracterização 
 O aposto é curto e serve como aperitivo para a nossa brincadeira de aprender a definir termos. Em 
alguns casos é preciso especificar melhor ainda o objeto que está sendo discutido. Tome como exemplo a 
frase: “Esportes fazem mal à saúde”. Obviamente, ela diz uma besteira. Mas poderíamos acrescentar 
caracterizações e apostos de tal forma que tornasse tal frase verdadeira. Considere. 
• Esportes fazem mal a saúde; 
 
1 Penteado, J.R. Whitaker. A técnica da comunicação humana. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1982, p. 106. 
Mas como definir uma palavra abstrata?
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27 
• Esportes violentos fazem mal a saúde; 
• Esportes violentos, tais como os que envolvem artes marciais, fazem mal à a saúde de pessoas 
fisicamente mal preparadas. 
• Esportes violentos, entre outros, os associados às artes marciais, tais como boxe, jiu-jítsu, vale tudo, 
podem provocar sérios traumas musculares a pessoas que não estejam condicionadas fisicamente. 
As 4 causas 
 A verdade é que definir uma ideia não é coisa para amadores. Mesmo os expedientes acima ainda 
não resolvem seu problema quando você precisa definir melhor um termo para que ele sirva de premissa 
(base) para um argumento. Na Grécia, Aristóteles já tinha enfrentando esse problema, e ele encontrou uma 
resposta metodológica razoável. Para dizer o que uma coisa era, o indivíduo deveria aplicar 4 perguntas: do 
que isso é feito? Para que ele serve? Como ele foi feito? Qual é o seu formato? 
 Por exemplo, suponha que você precise dizer para um E.T. o que é uma cadeira sem que ele veja o 
objeto. 
 Do que ela é feita? Uma cadeira normalmente é feita de um material sólido: 
madeira, plástico ou ferro. 
 Qual sua finalidade? Serve para uma pessoa se sentar com um pouco de 
conforto. 
 Como foi feita? Depende do material, a resposta pode ser variada. 
 Qual o seu formato? Uma base sustentada por pés que serve de assento; a 
base deve ficar a 50 cm do chão; além disso deve ter um espaldar para apoio das 
costas. 
 A definição ficaria da seguinte forma: cadeira é um objeto cuja finalidade é sentar-se, normalmente 
construída de um material sólido, tendo espaldar e pés que sustentam uma base que servirá de assento para 
uma pessoa. 
 
 
 
 Claro que não, corujinha impaciente. Mas, em alguns casos, definir um termo abstrato ajuda 
bastante. Vamos supor que você tenha que falar de democracia. “Bora lá”, fazer o exercício das 4 causas. 
 Do que ela é feita? Do voto das pessoas participantes no processo de decisão. 
 Qual sua finalidade? Evitar que uma pessoa imponha sua vontade aos outros. 
 Como foi feita? Os gregos a inventaram. 
 Qual o seu formato? Atualmente, ela funciona apoiada em 3 poderes: legislativo, executivo e 
judiciário, sendo que, para os dois primeiros, há eleição na qual as pessoas votam para seus representantes 
ou governantes diretos. 
Eu vou ter que definir cadeira numa dissertação?
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28 
 A partir daí, você seleciona as informações mais relevantes e escreve seu texto. 
 
 No Enem de 2018, a Banca deu a seguinte instrução: 
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua 
formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa 
sobre o tema "Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet", 
apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de 
forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 
 Esse tema poderia ser bem desenvolvido se o candidato explorasse o que é um algoritmo e a Banca 
até forneceu dados para que o candidato elaborasse uma definição própria. 
Q
.1 
Considere os dois textos de apoio abaixo e elabore uma definição do que seria 
algoritmo valendo-se das 4 causas. Lembre-se de que você não precisa 
responder a todas elas, mas deve fazer, a partir desse estímulo, escrever um 
fragmento de caracterização. 
TEXTOS MOTIVADORES 
TEXTO I 
Às segundas-feiras pela manhã, os usuários de um serviço de música digital recebem uma lista personalizada 
de músicas que lhes permite descobrir novidades. Assim como os sistemas de outros aplicativos e redes 
sociais, este cérebro artificial consegue traçar um retrato automatizado do gosto de seus assinantes e 
constrói uma máquina de sugestões que não costuma falhar. O sistema se baseia em um algoritmo cuja 
evolução e usos aplicados ao consumo cultural são infinitos. De fato, plataformas de transmissão de 
vídeo on-line começam a desenhar suas séries de sucesso rastreando o banco de dados gerado por todos os 
movimentos dos usuários para analisar o que os satisfaz. O algoritmo constrói assim um universo cultural 
adequado e complacente com o gosto do consumidor, que pode avançar até chegar sempre a lugares 
reconhecíveis. Dessa forma, a filtragem de informação feita pelas redes sociais ou pelos sistemas de busca 
pode moldar nossa maneira de pensar. E esse é o problema principal: a ilusão de liberdade de escolha que 
muitas vezes é gerada pelos algoritmos. 
VERDCI. Daniel. O gosto na era do algoritmo. Osponivel em. Mtps.libiasitelpals.corn. Acesso em. 11 Jun. 2018 (adaptado). 
TEXTO II 
Nos sistemas dos gigantes da intemet, a filtragem de dados é transferida para um exército de moderadores 
em empresas localizadas do Oriente Médio ao Sul da Ásia, que têm um papel importante no controle daquilo 
que deve ser eliminadoda rede social, a partir de sinalizações dos usuários. Mas a informação é então 
processada por um algoritmo, que tem a decisão final. Os algoritmos são literais. Em poucas palavras, são 
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29 
uma opinião embrulhada em código. E estamos caminhando para um estágio em que é a máquina que 
decide qual notícia deve ou não ser lida. 
PEPE ESCOBAR. A silenciosa ditadura do algoritmo. Disponível em' Ntoficutraspalavrasnet. Acesso em: 5 Jun. 2017 (adaptado). 
 
 
 
Q.1 Selecionei os trechos em que o autor se expressa em relação ao algoritmo. 
“ um algoritmo (...)rastreando o banco de dados gerado por todos os movimentos dos 
usuários para analisar o que os satisfaz. O algoritmo constrói assim um universo cultural 
adequado e complacente com o gosto do consumidor” 
“filtragem de informação” 
“Os algoritmos são literais. Em poucas palavras, são uma opinião embrulhada em código” 
A partir dessas informações vamos as 4 causas. 
Do que ele é feito? De códigos (uma opinião embrulhada em código> 
Qual sua finalidade? Considerar o gosto de consumidor para que isso possa ser utilizado 
para oferecer produtos de acordo com seu universo cultural. 
Qual seu formato? Como age? Filtra a informação dos movimentos dos usuários para a 
analisar o que os satisfaz. 
Qual sua origem? Não sei. 
A definição ficaria da seguinte forma: 
O algoritmo é um código de filtragem, capaz e captar os movimentos dos usuários e 
fornecer uma análise do que os satisfaz; tem como finalidade oferecer informações que 
podem ser utilizadas para fomentar o consumo. 
 
6. Recursos sintáticos e semânticos 
 
Resolução 
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30 
 Além dos trechos discursivos, a estrutura da frase pode ser utilizada para provocar diferentes efeitos, 
assim como escolha de palavras e uso de algumas expressões que valorizam ou diminuem o valor do seu 
texto para o leitor. 
6.1 Período 
 
O que você acha desse texto? 
 Há necessidade de amigos para viver bem, pois uma vida 
solitária e sem reconhecimento, onde não era comum na antiguidade, e 
pode ser vazia de sentido, embora os amigos muitas vezes podem ser 
possessivos e interesseiros, já que vive-se numa época em que os 
valores acabam por influenciar a forma de as pessoas reagirem ao 
mundo. 
 Esse texto contém muita informação hierarquizada por 
conectivos lógicos de tal modo que do meio em diante, seu leitor já 
deve ter abandonado a tentativa de compreender seu texto. Fazer 
isso com seu leitor é como obrigá-lo a comer um lanche grande 
demais para sua degustação. O contrário também seria complicado. 
Observe. 
 
Há necessidade de amigos para viver bem. Uma vida solitária e 
sem reconhecimento não era comum na antiguidade. Ela pode ser 
vazia de sentido. Os amigos podem ser possessivos e interesseiros. 
Vive-se em uma época em que os valores acabam por influenciar a 
forma das pessoas reagirem. 
 
 Períodos longos são armadilhas comuns. Para alongar uma ideia, o escritor precisa de muitos 
conectivos, o que muitas vezes leva à utilização inadequada de um deles. Óbvio que isso tem impacto na 
coerência do texto. Sem mencionar a possibilidade de se cometer um erro de concordância. Como o sujeito 
do parágrafo é retomado várias vezes em algumas delas, pode-se deixar de fazer a flexão de número 
necessária. 
 O ideal é que um parágrafo médio tenha entre 2 e três períodos por parágrafo. Assim você divide a 
informação e utiliza um pronome de retomada que permite ao seu leitor recuperar o fôlego para novas 
informações. Vamos tentar mais uma vez.... 
 Há necessidade de amigos para viver bem. Desde a antiguidade 
se postulava isso, época em que uma vida solitária e vazia era 
considerada sem sentido. Apesar disso é preciso cautela, pois os 
Há um período 
 (espaço entre letra maiúscula 
 e ponto final) e 5 conectivos. 
 Você entendeu a matéria? 
 Agora vemos um 
 parágrafo e 5 períodos 
 e somente um conectivo. 
 As informações estão jogadas. O 
 leitor deve se virar 
 para entendê-las. 
O uso do pronome 
“isso” permite a quebra 
do período. Há menos 
conectivos. O texto 
ficou mais claro. 
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31 
amigos podem ser possessivos e interesseiros, reflexo de uma 
sociedade competitiva. 
 
 
 
 
 
 Ao escrever, muitas vezes, escrevemos uma oração subordinada sem que haja oração principal. 
Observe este texto curto: “Em segundo lugar, devemos considerar as causas desse problema. A 
desigualdade, que manifesta-se como diferença gritante entre periferia e o centro da cidade, e a 
indiferença.” Observe que a segunda oração começa com sujeito “a desigualdade”, segue-se uma oração 
subordinada que começa com “que”, deveria seguir-se um verbo que completaria a oração principal, mas 
isso não ocorreu. O exercício a seguir consiste em perceber onde está o erro, explica-lo e reescrever a frase. 
Siga o modelo 
 
Explique onde está o erro e o corrija. 
Em segundo lugar, devemos considerar as causas desse problema. A desigualdade, que manifesta-se como 
diferença gritante entre periferia e o centro da cidade, e a indiferença.” 
Explicação: Na segunda oração não se continua o que se devia dizer sobre a desigualdade. 
Correção: A desigualdade, que se manifesta de maneira gritante entre periferia e o centro da cidade, é 
prejudicial, assim como a indiferença. 
Correção 
Correção 2: Em segundo lugar, devemos considerar as causas desse problema. Trata-se da desigualdade, que 
manifesta-se como diferença gritante entre periferia e o centro da cidade, e a indiferença. 
Correção 3: Em segundo lugar, devemos considerar as causas desse problema: trata-se da desigualdade, que 
manifesta-se como diferença gritante entre periferia e o centro da cidade, e a indiferença. 
 
 
 
 
Q.1 
Explique onde está o erro e o corrija. 
Visto que a balança econômica do Brasil está desiquilibrada. É preciso agir. 
 
 
 
 
Q.2 
Explique onde está o erro e o corrija. 
Considerando as evidências, a pobreza normatizada que atinge o mundo moderno. 
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Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
32 
Repostas exemplificativas 
Explique onde está o erro e o corrija. 
Considerando as evidências, a pobreza normatizada que atinge o mundo moderno. 
Explicação: O verbo no gerúndio configura uma oração subordinada. Contudo essa oração só tem 
um verbo, ou seja, seria necessária uma oração principal. 
Outra forma de explicar pode se dar através do sentido. Essa frase que começa com 
“considerando” dá ideia de circunstância, mas não se diz em relação ao quê, falta algo. 
Resolução: 
1) Considerando as evidências, pode-se dizer que a pobreza que atinge o mundo moderno foi 
normatizada. 
2) A pobreza normatizada atinge o mundo moderno, segundo evidências. 
Q.2 
 
 
 
 
Q.3 
Explique onde está o erro e o corrija. 
Não somente a Covid-9, afetando a recuperação econômica. Muitos fatores, alguns políticos foram 
essenciais. 
 
 
 
 
Q.4 
Explique onde está o erro e o corrija. 
Observando que fiscais estão colocando em risco vidas de pedestres, motoristas e passageiros, 
justificando os atos de perueiros clandestinos que cometem infrações gravíssimas, concluindo-se que 
esta ação não é cabível. 
 
 
 
Explique onde está o erro e o corrija. 
Visto que a balança econômica do Brasil está desiquilibrada. É 
preciso agir. Explicação: “Visto que” apresenta uma causa, mas não se diz 
para o quê. Resolução: É preciso agir, visto que a balança commercial está 
desiquilibrada. 
 
 
 
 
 
Q.1 
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Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem33 
 
 
Explique onde está o erro e o corrija. 
Não somente a Covid-19, afetando a recuperação econômica. Muitos fatores, alguns 
políticos foram essenciais. 
Explicação: Na primeira frase, só há um verbo, que está no gerúndio, ou seja , não 
há oração principal. 
Resolução: Não somente a Covid-19 afetou a recuperação econômica, mas outros 
fatos, alguns políticos, foram essenciais para a crise. 
 
 
 
Explique onde está o erro e o corrija. 
Observando que fiscais estão colocando em risco vidas de pedestres, motoristas e 
passageiros, justificando os atos de perueiros clandestinos que cometem infrações 
gravíssimas, concluindo-se que esta ação não é cabível. 
Explicação: Há um uso execssivo de verbos no gerúndio, ou seja, há muitas orações 
subordinadas mas nenhuma principal. 
Resolução: Observamos que os fiscais estão colocando em risco vidas de pedestres, 
motoristas e passageiros, pois justificam a ação de perueiros clandestinos que cometem 
infrações gravíssimas, logo, esta ação dos fiscais é incabível. 
 
 
 
 
 
 A seguir você encontrará parágrafos de redações nota 1000 do ENEM sobre o tema do uso de dados 
da internet. Eles foram modificados. Apresentam períodos longos. Reescreva o texto fazendo as adaptações 
necessárias para que o texto fique claro. 
Q.1 Presencia-se um forte poder de influência desses algoritmos no comportamento da coletividade 
cibernética, pois ao observar somente o que lhe interessa e o que foi escolhido para ele, o 
Q.4 
 
Q.3 
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Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
34 
indivíduo tende a continuar consumindo as mesmas coisas e fechar os olhos para a diversidade 
de opções disponíveis, fato exemplificado em um episódio da série televisiva Black Mirror, no 
qual, um aplicativo pareava pessoas para relacionamentos com base em estatísticas e restringia 
as possibilidades para apenas as que a máquina indicava – tornando o usuário passivo na escolha. 
 
Q.2 É notável que o acesso a esse meio de comunicação ocorre de maneira, cada vez mais, precoce 
segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, no ano de 2011, quando apenas 35% dos entrevistados, 
que apresentavam idade igual ou superior a 10 anos, nunca haviam utilizado a internet, pois 
desde cedo a criança tem contato com aparelhos tecnológicos que necessitam da disponibilidade 
de uma rede de navegação, que memoriza cada passo que esse jovem indivíduo dá para traçar 
um perfil de interesse dele e, assim, fornecer assuntos e produtos que tendem a agradar ao 
usuário, por isso , o uso da internet torna-se uma imposição viciosa para relações 
socioeconômicas. 
 
Q.3 Conforme o conceito de “Mortificação do Eu”, do sociólogo Erving Goffman, é possível entender 
o que ocorre na internet que induz o indivíduo a ter um comportamento alienado, que afirma 
que, por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a 
uma massa coletiva pela internet, na qual o usuário, sem perceber, é induzido a entrar em 
determinados sites devido a um “bombardeio” de propagandas que aparece em seu dispositivo 
conectado. 
 
Q.4 A estruturação do meio cibernético fomenta a conjuntura regida pela denominada pós-verdade, 
traduzida na sobreposição do conhecimento fundamentado por conotações subjetivas de teor 
apelativo, na qual, os algoritmos como ferramentas de busca fornecem fontes correspondentes 
às preferências de cada usuário, cria-se uma assimilação unilateral, contendo exclusivamente 
aquilo que promove segurança emocional ao indivíduo e favorece a reprodução automatizada de 
pensamento, tendo como consequência, o sujeito ser manipulado de forma alienante, mitigando 
do seu senso crítico e capacidade de compreender a pluralidade de opiniões. 
 
 
Resolução 
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 AULA 1 – Linguagem 
 
35 
Você encontra abaixo, os fragmentos originais, como conferência ou curiosidade. Lógico que não era 
necessário que você chegasse a esta redação textual. 
 
Q.1 Presencia-se um forte poder de influência desses algoritmos no comportamento da 
coletividade cibernética: ao observar somente o que lhe interessa e o que foi escolhido 
para ele, o indivíduo tende a continuar consumindo as mesmas coisas e fechar os olhos 
para a diversidade de opções disponíveis. Em um episódio da série televisiva Black Mirror, 
por exemplo, um aplicativo pareava pessoas para relacionamentos com base em 
estatísticas e restringia as possibilidades para apenas as que a máquina indicava – 
tornando o usuário passivo na escolha. 
 
 
Q.2 É notável que o acesso a esse meio de comunicação ocorre de maneira, cada vez mais, 
precoce. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, no ano de 2011, apenas 35% dos 
entrevistados, que apresentavam idade igual ou superior a 10 anos, nunca haviam 
utilizado a internet. Isso acontece porque desde cedo a criança tem contato com 
aparelhos tecnológicos que necessitam da disponibilidade de uma rede de navegação, que 
memoriza cada passo que esse jovem indivíduo dá para traçar um perfil de interesse dele 
e, assim, fornecer assuntos e produtos que tendem a agradar ao usuário. Dessa forma, o 
uso da internet torna-se uma imposição viciosa para relações socioeconômicas. 
 
Q.3 Conforme o conceito de “Mortificação do Eu”, do sociólogo Erving Goffman, é possível 
entender o que ocorre na internet que induz o indivíduo a ter um comportamento 
alienado. Tal preceito afirma que, por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde 
seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva. Dentro do contexto da 
internet, o usuário, sem perceber, é induzido a entrar em determinados sites devido a um 
“bombardeio” de propagandas que aparece em seu dispositivo conectado. 
 
Q.4 A estruturação do meio cibernético fomenta a conjuntura regida pela denominada pós-
verdade, traduzida na sobreposição do conhecimento fundamentado por conotações 
subjetivas de teor apelativo. Nesse contexto, como os algoritmos das ferramentas de 
busca fornecem fontes correspondentes às preferências de cada usuário, cria-se uma 
assimilação unilateral, contendo exclusivamente aquilo que promove segurança 
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 AULA 1 – Linguagem 
 
36 
emocional ao indivíduo e favorece a reprodução automatizada de pensamentos. Desse 
modo, o sujeito é manipulado de forma alienante, mitigando do seu senso crítico e 
capacidade de compreender a pluralidade de opiniões. 
 
6.2 Interrupção da ordem direta 
 Para você entender melhor o que significa isso, que tal um pouco de poesia? Como figura de 
linguagem, a inversão chama-se hipérbato. Inversão do quê? Observe os primeiros versos de um poema de 
Camões. 
“Sete anos de pastor Jacob servia 
Labão...” 
 Essa frase está torcida. Em português, a ordem natural da frase segue a seguinte equação: Sujeito + 
verbo + objeto direto ou indireto + adjunto adverbial. Usando esse esquema, a frase ficaria da seguinte 
forma: Jacó (sujeito) servia (verbo) Labão (objeto direto) por sete anos de pastor. Mas por que o poeta 
inverteu os termos da frase? 
 A vida de poeta não é fácil. Para conseguir cumprir a métrica, para conseguir rimar uma palavra com 
outra, ou mesmo para dar ênfase, muitas vezes ele troca palavras de lugar. No caso desses versos, observe 
que ao trazer o advérbio para o início do poema, o eu lírico dá destaque à questão do tempo, algo primordial 
na construção do sentido do poema. 
 Mas você não é poeta, então por que motivos você torce o período ou enche a frase de termos 
intercalados de tal forma que o texto fica confuso? 
Tomemos um exemplo. Observe a frase abaixo. 
 
 Pode-se notar, no cotidiano das grandes cidades, que as 
pessoas, sempre envolvidas com seus afazeres, não podem, ou não 
querem, prestar atenção, nem que seja por um minuto, no ser, como 
muitosse referem a quem não teria qualquer identidade, à sua frente. 
 Tente descobrir qual a frase simples que serve de base para esse monte de penduricalhos que estão 
colocados no meio dela. 
Essa investigação não é complicada. Procure o verbo que seja o centro do sentido do 
texto. A partir dele você procura restabelecer o sujeito depois os complementos. No 
caso do texto acima, há dois verbos importantes, “notar” e “não podem ou não 
querem”. No caso do verbo “notar”, o sujeito é a oração que se segue, então basta 
dizer: “pode-se notar que”. A outra oração é que está toda enfeitada parecendo mula 
de cigano. O verbo “não podem” se refere às pessoas; e ao se perguntar o que as 
pessoas não podem ou não querem, rapidamente chegamos à frase básica. 
Note a quantidade de 
termos intercalados. 
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 AULA 1 – Linguagem 
 
37 
Pode-se notar que as pessoas não podem ou não querem prestar atenção no ser a sua frente. 
 Que tal escrever dessa forma? Talvez, você ache que, desse jeito, o texto perdeu a definição dos 
termos, afinal os comentários servem para tornar a informação mais precisa, como já vimos. Há duas 
possibilidades: tente colocar os termos em outra ordem ou retome as outras informações em outro período. 
Vamos reescrever esse texto. 
 
 
 
No cotidiano das grandes cidades, pode-se notar que as pessoas não 
podem ou não querem prestar atenção no ser, como muitos se referem a 
quem não é reconhecido, à sua frente, pois estão sempre envolvidas em 
seus afazeres 
nem que seja por um minuto, 
 
 
 
Um outra opção seria... 
 
 
 
Pode-se notar pessoas que não podem prestar atenção ao indivíduos à 
sua frente um minuto sequer. Isso ocorre devido ao cotidiano das grandes 
cidades, onde os cidadãos estão atarefados com seus afazeres sem poder 
dedicar um minuto ao outro. 
 Sacou corujinha? Sua vez de brincar. 
Há trechos como esse estudado nos exercícios que se seguem. Sua tarefa é tornar os períodos mais claros. 
Utilize qualquer uma das técnicas vistas acima. 
 
 
A seguir você encontrará frases com muitos termos intercalados ou invertidos. Reescreva a frase fazendo as 
adaptações necessárias para que o texto fique claro. 
Q.1 Nos dias atuais, com o auxílio da internet, o meio de conexão que está se tornando universal, as 
pessoas estão mais expostas, uma vez que as plataformas possuem o acesso aos dados e 
históricos de navegação, ao controle em potencial já que, em algum momento, essa informação 
Termo deslocado 
Ordem direta 
Termo suprimido 
Trecho deslocado, 
introduzido por 
um conectivo 
A informação foi 
dividida em dois 
períodos 
Ordem direta 
Pronome que permite 
 a retomada da ideia 
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38 
pode ser acessada por algum ator social. 
 
Q.2 A manipulação do comportamento do usuário ocorre, nos dias de hoje, pelo controle, de certa 
forma indireto devido à falha de políticas públicas efetivas, como inclusão dessa informação no 
currículo básico, que auxiliem o indivíduo a “navegar”, de forma correta, na internet, e à ausência 
de consciência, da grande parte da população, sobre a importância de saber utilizar 
adequadamente o meio virtual. 
 
Q.3 Atualmente, é possível traçar um paralelo entre essa circunstância , visto que milhões de pessoas 
no mundo são influenciadas e, até mesmo, manipuladas, todos os dias pelo meio virtual, por meio 
de sistemas de busca ou de redes sociais, sendo direcionadas a produtos específicos, o que 
aumenta, de maneira significativa, o consumismo exacerbado, e a ideia de mundo administrado 
exposta pelos filósofos da Escola de Frankfut. 
 
Q.4 E importante destacar que grande parte da população, sem consciência da importância da 
utilização, de forma correta, da internet, visto que as instituições formadoras de conceitos morais 
não têm preconizado, como deveriam, o ensino de uma ética virtual tem se deixado abater pelos 
interesses de quem deseja se aproveitar desse meio. 
 
 
Você encontra abaixo, uma possível resolução, obviamente há outras possibilidades. 
 
Q.1 As pessoas estão mais expostas ao controle potencial já que a informação colhida por 
plataformas digitais pode ser acessada por algum ator social. Isso ocorre com o auxilia da 
internet, meio de conexão que está se tornando universal. 
 
Resolução 
Ordem direta 
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Q.2 A manipulação do comportamento do usuário ocorre devido à falha de políticas públicas e 
a ausência de conscientização. No primeiro caso, quase não há ações efetivas como a 
inclusão de informação sobre a questão no currículo escolar, isso auxiliaria o usuário a 
navegar de forma correta. Quanto à conscientização, grande parte da população não é 
consciente sobre a importância de saber utilizar adequadamente o meio virtual. 
 
Q.3 Atualmente, milhões de pessoas no mundo são influenciadas e manipuladas por meio de 
sistemas de busca ou de redes sociais que as direcionam para produtos específicos, o que 
aumenta o consumismo exacerbado. É possível traçar um paralelo entre esse fenômeno e 
a ideia de mundo administrado exposta pelos filósofos da Escola de Frankfurt. 
 
 
Q.4 E importante destacar que grande parte da população tem se deixado abater pelos 
interesses de quem deseja se aproveitar desse meio, pois não tem consciência do uso 
adequado da internet, já que as instituições formadoras de conceitos morais não tem 
preconizado, como deveriam, o ensino de uma ética virtual. 
 
6.3 Indefinidos 
Imagine um texto da seguinte forma: 
 
Muitos cariocas se vestem mal, com um desleixo considerável. Sempre 
foram muito displicentes nas coisas que usam como adereços. 
Ultimamente, então esse jeito de ser tornou-se ainda mais lamentável. 
É verdade que algumas mulheres se vestem um pouquinho melhor, 
mas, mesmo assim, revelam um gosto duvidoso. 
 
Calma corujinha carioca, não tenho nada contra cariocas. O texto é exemplificativo e, na verdade, considerei 
esse tema porque poderia apresentar um contraexemplo de um cronista que, na década de 60, fez uma 
crítica sobre o modo de vestir dos cariocas. Você entendeu a crítica que o texto anterior faz ao carioca? Teve 
alguma ideia de como ele se veste? Claro que não...a não ser que estivesse escrito de outra maneira. 
Observe. 
Ordem direta 
Ordem direta 
Ordem direta 
O que as palavras 
grifadas têm em 
comum? 
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O carioca veste-se como a cara dele, que não é primorosa, e é vício 
antigo que ele tem e provado pelos visitantes estrangeiros, coloniais ou 
imperiais. Tempo houve em que o terno branco e o sapato de verniz 
preto constituíam o supremo chique popular — o traje a rigor para os 
saraus. Ultimamente adota o indigente refinamento do cabelo grande, 
da blusa colorida, do sapato cambaio e sem meias, e da calça de pescar 
siri com uma irritante etiqueta nos fundilhos. 
Do ponto de vista do estilo de escrita, o primeiro texto é recheado de expressões que o tornam vago, 
indistinto. Basicamente, o escritor se valeu de pronomes e artigos indefinidos, além de advérbios como 
“muito” e “pouco”, que determinam imprecisamente a informação. 
Portanto, vamos a algumas recomendações: 
 
 
6.4 Paralelismo 
 
 Dias atrás, eu estava ouvindo um podcast de Clovis Barros Filho, professor de filosofia da USP, 
falando sobre Mikhail Bakthin (1895-1975), linguista e filósofo, no qual ele fez referência à grande obra do 
pensador Marxismo e filosofia da Linguagem e destacou seu triste fim, pois foi considerado dissidente na 
União Soviética. Terminava sua exposição sobre o autor com a bela frase: 
“O seu marxismo não era ortodoxo,por isso você deve ter entendido por que a Sibéria foi seu 
espaço, e a pneumonia, o seu fim”. 
Por que esse final é impactante? Ele se vale do paralelismo linguístico. Ele poderia ter dito “você pode 
entender por que o pensador morreu na Sibéria de pneumonia”, mas isso não teria o mesmo efeito. 
Evite pronomes indefinidos: eles não colaboram com a clareza, dão a impressão de 
falta de domínio sobre o assunto. Pronomes indefinidos são aqueles que se referem à 
3ª pessoa do discurso de modo genérico: muitos, poucos, alguns, toda etc. 
Evite artigos indefinidos um, uma, uns, umas. Eles indeterminam o substantivo. 
Evite ou seja cuidadoso com palavras vagas como "coisas", "algo", "substâncias" , 
"produtos", "objetos" etc
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O que é paralelismo? Observe: 
 
A Sibéria foi seu espaço 
A pneumonia foi o seu fim 
 
 
 
 O paralelismo consiste na apresentação de ideias similares, coordenadas, equivalentes, numa 
estrutura sintática idêntica. Assim, pode-se dizer que há quebra de paralelismo quando associamos 
elementos que não são equivalentes quanto à forma ou ao conteúdo. 
 Nesse caso, é importante conhecer um pouco o que é paralelismo não exatamente para usá-lo no seu 
texto, embora isso fosse bem legal. Mas também para evitar erros. É comum, em frases não tão elaboradas, 
que o escritor cometa erros que trazem ruídos para o seu texto. Veja essa frase: 
Para minha ex-namorada, homem tem que ser gentil, culto, e não fumar. 
Onde está o paralelismo? 
 
 
Para minha ex-namorada, homem tem que ser 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Além dessa situação comum, o erro ocorre, também, quando você usa dois verbos com regências 
diferentes. O verbo gostar pede a preposição “de”, mas o verbo “conhecer”, não. Vamos supor que você 
dissesse: Conheci e gostei muito de Maria. Essa frase apresenta erro e de paralelismo, basta você observar o 
esquema. 
 
 
 
 
 
 
 
 Em outros casos, o erro de concordância se dá em relação ao verbo. Na frase, “recomendou-se aos 
Ministérios economizar energia e que elaborassem planos de redução de despesas” os verbos que são 
dependentes de “recomendou-se” estão conjugados de forma diferente, “economizar” está no infinitivo e 
Sujeito verbo Predicativo 
do sujeito 
gentil 
culto 
NÃO FUMAR Tirando os outros 
dois atributos, a frase 
ficaria assim: o homem 
tem que ser não fumar. 
 Isso não tem sentido. 
Conheci 
Gostei 
de Maria 
Mesma estrutura 
sintática, 
informações 
contrárias. 
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“elaborassem” está no subjuntivo. O mais adequado seria escrever “recomendou-se aos Ministérios 
economizar energia e elaborar planos de redução de despesas” ou “recomendou-se aos Ministérios que 
economizassem energia e que elaborassem planos de redução de despesas” 
 Há outro tipo de erro, que lembra erro de concordância. Uma enumeração deve seguir uma ordem 
reconhecida pelo leitor. Toda vez que você colocar um elemento que não segue os mesmos parâmetros das 
palavras anteriores, haverá erro de paralelismo. Observe a seguinte oração: Na África visitei o Egito, 
Moçambique, Marrocos e Pretória. Nessa enumeração, as três palavras referiam-se a países; já a última, a 
uma cidade. 
 Trata-se de uma questão semântica e gramatical, mas que raramente é pedida em vestibular. Às 
vezes, observa-se alguma referência a isso em questões de interpretação de texto relacionadas à literatura. 
Apesar disso, como é algo a se observar na hora da escrita, escolhi dois exercícios de concursos que cobram 
esse tipo de conhecimento. Exercício como fixação mesmo. 
 
 
 
 
1. Q(TRT – 12ª Região / Adaptada) 
Reconheça a quebra do paralelismo sintático e reescreva a frase. 
Mais do que isso, o Brasil recebeu menção elogiosa do relatório não só por seu modelo de maços com fotos 
ilustrativas das moléstias associadas ao fumo, mas também por oferecer na rede pública de saúde terapias 
de interrupção do tabagismo. 
2. Q.(autoral) 
Explique em que consiste o erro de paralelismo semântico da frase a seguir: “A seleção portuguesa vai 
enfrentar a Alemanha na final dos jogos olímpicos.” 
3. (ANP – 2008) 
Observe as sentenças abaixo, retiradas de uma reclamação, feita por uma secretária, sobre um móvel 
enviado com defeitos. Qual delas não tem erro de paralelismo? 
a) O produto logo no início mostrou má-qualidade no acabamento e que tinha as gavetas emperradas. 
b) O novo móvel deve estar dentro dos critérios previamente combinados, e que seja enviado o mais 
rapidamente possível. 
c) Além disso, o manual de instalação tem mais de 150 páginas e pouca clareza. 
d) Assim, gostaríamos de pedir a troca do móvel enviado, que não foi aprovado pela gerência e por outros 
interessados. 
e) Recomendamos a V.S. retirar o móvel inadequado e que envie outro, de melhor qualidade, para substituí-
lo. 
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1. Q(TRT – 12ª Região / Adaptada) 
Reconheça a quebra do paralelismo sintático e reescreva a frase. 
Mais do que isso, o Brasil recebeu menção elogiosa do relatório não só por seu modelo de maços com fotos 
ilustrativas das moléstias associadas ao fumo, mas também por oferecer na rede pública de saúde terapias 
de interrupção do tabagismo. 
Comentário. 
a) Depois do verbo “receber” há uma enumeração de motivos que levaram o Brasil a receber a menção 
honrosa. Um dos motivos é exposto tem como núcleo o substantivo “modelo”, enquanto o outro, tem como 
núcleo um verbo “oferecer”. Ou se usam somente substantivos ou somente verbos. 
1ª opção: (...)não só por obrigar as empresas a colocar nos maços fotos ilustrativas da moléstias associadas 
ao fumo, mas também por oferecer pela rede pública de saúde terapias de interrupção do tabagismo. 
2. Q.(autoral) 
Explique em que consiste o erro de paralelismo semântico da frase a seguir: “A seleção portuguesa vai 
enfrentar a Alemanha na final dos jogos olímpicos.” 
Comentário. 
A seleção portuguesa só poderia enfrentar outra seleção, no texto, a seleção enfrenta o país, Alemanha. 
3. (ANP – 2008) 
Observe as sentenças abaixo, retiradas de uma reclamação, feita por uma secretária, sobre um móvel 
enviado com defeitos. Qual delas não tem erro de paralelismo? 
a) O produto logo no início mostrou má-qualidade no acabamento e que tinha as gavetas emperradas. 
b) O novo móvel deve estar dentro dos critérios previamente combinados, e que seja enviado o mais 
rapidamente possível. 
c) Além disso, o manual de instalação tem mais de 150 páginas e pouca clareza. 
d) Assim, gostaríamos de pedir a troca do móvel enviado, que não foi aprovado pela gerência e por outros 
interessados. 
e) Recomendamos a V.S. retirar o móvel inadequado e que envie outro, de melhor qualidade, para substituí-
lo. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. Para haver paralelismo não poderia se seguir um “que” depois da conjunção 
“e”; além disso, no texto a expressão “má-qualidade no acabamento” teria que ter um equivalente, algo 
como “emperramento nas gavetas”. 
Alternativa "b" está incorreta. O verbo está no infinitivo na primeira parte da frase “deve estar” e está 
conjugado na segunda “que seja”. A frase deveria ser escrita da seguinte forma: O novo móvel deve estar 
dentro dos critérios previamente combinados, e ser enviado o mais rapidamente possível. 
Alternativa "c" está incorreta. “Páginas” é um termo material, “clareza” um substantivo abstrato; além disso 
e “mais” teria como contraponto o “menos” e não o “pouca”. 
Resolução 
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 Respondeu 
 bem quemobservou 
o efeito dos 
dois pontos.., mas não 
 é só isso. 
Alternativa "d" está correta. O conectivo “por” é equivalente a “pela” e ambos estão ligados à expressão 
“não foi aprovado”. 
Alternativa "e" está incorreta. O verbo “retirar” está no infinitivo; o verbo paralelo “envie” está conjugado, 
deveria também estar no infinitivo, o que dispensaria o “que”. 
 
6.5 Ênfase 
 Bom, agora que consideramos vários elementos da sintaxe e da construção frasal, fica mais fácil 
começar a produzir outros efeitos com os termos da frase. Um deles é a ênfase. Um texto objetivo demais, 
ou seja, naquele grau zero, conquista a confiança do leitor, mas não envolve. Além disso, na exposição da 
tese ou mesmo na conclusão, vale a pena realçar aquilo que você deseja que fique gravado na cabeça do 
leitor. 
 No trecho abaixo, tente identificar o que provoca o efeito de ênfase. 
 
Enfrentamos a violência que, às vezes, parece sem controle. Isso leva 
muitas pessoas a acreditarem em saídas mais fáceis: a licença para 
desrespeitar os direitos humanos. Isso é perigoso. 
 
Além da pontuação, o uso do período curto é um outro recurso possível e bastante usado. Se você está 
escrevendo um texto com períodos medianos, o período extremamente curto chamará a atenção do seu 
leitor. 
 Já que falei em período, lembre-se daquele papo de termos da oração. Para conseguir ênfase muitas 
vezes, basta trazer para o começo do período, a informação para a qual você deseja dar destaque. No 
exemplo a seguir, a frase é a mesma, mas o termo deslocado muda, produzindo efeitos diferentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Reconhecer o direito de cada um, essa é 
maneira de se aprender a respeitar a 
constituição (o direito de cada um). 
 
Respeitar a constituição, isso é o que se faz 
quando se aprende a reconhecer o direito de 
cada um. 
 
A maneira de se aprender a respeitar a 
constituição é reconhecendo do direito de 
cada um. 
 
Sentido neutro 
Ênfase na 
constituição 
Ênfase no 
direito 
constituição 
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 Essas são formas sutis de enfatizar o que se diz e envolver o leitor. Há outras técnicas menos 
discretas: uso do aposto, de advérbios ou expressões enfáticas e a repetição. 
 O aposto alonga chama atenção para o termo que se quer enfatizar, pois o leitor é obrigado a prestar 
mais atenção àquela palavra. Nesta frase “a maneira de se aprender a respeitar o direito do outro, preceito 
legal legítimo na sociedade de direito, é aceitando o direito de cada um”, o aposto tem somente a função 
de chamar a atenção para o termo “direito do outro”. Mas há ainda, nela outro recurso. O uso do adjetivo 
“legítimo” deixa claro o posicionamento de quem escreve. 
 Além dos adjetivos, os advérbios de intensidade “muito”,” suficientemente”, “raramente” e vários 
outros não deixam dúvidas em relação a intensão de se intensificar o que se diz. O mesmo vale para 
expressões inteiras como “Isso não se justifica”, “esse fato não deixa dúvidas”, “trata-se de um equívoco” 
etc. 
 Por fim, vale destacar as figuras de linguagem que conferem sempre grande expressividade ao que se 
diz. Lembre-se apenas que é preciso tomar cuidado com tais recursos, porque tendem a conferir 
subjetividade a escrita. Um texto bom é aquele que anda no fio da navalha, tem que ser equilibrado. Dentre 
todas as figuras, vou dar um exemplo relacionado à estrutura linguística, a anáfora. Trata-se de repetição de 
palavras no início de uma frase, oração, ou pequeno trecho descritivo. Note como esse recurso coube bem 
nesse parágrafo de conclusão: 
 
 Pode-se dizer que respeitar “bandidos”, ou seja, pessoas mal-
intencionadas é uma ação que prejudica o cidadão comum. E isso é 
verdade. Contudo, julgar sem provas a intenção das pessoas significa 
vitimar o direito, direito de ir e vir, direito à vida, direito a ter a 
condição social respeitada, enfim os direitos que deveriam ser 
assegurados a todos os seres humanos. 
 
 
 Para resumir, aí vai um quadro como os recursos mais comuns para dar ênfase a uma ideia. 
Frase de ênfase 
 
Uso da anáfora, 
repetição no 
começo da 
enumeração da 
palavra “direito” 
 
Metáfora entre aspas 
 
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6.6 Escolha de palavras 
 Nos primeiros exercícios, aquele em que propus que você alterasse o texto para aproximá-lo do grau 
zero da escrita de um texto referencial, você já deve ter sentido o drama de ter que trocar palavras. Aliás, 
dominando as palavras você domina o jogo inclusive o jogo de enganar. Gosto muito de um comentário que 
encontrei numa crônica em um jornal, infelizmente não anotei o nome do escritor, mas observe o 
comentário bem-humorado que ele fez sobre a escolha das palavras entre os comentadores de futebol. 
Entre o que diz o locutor de futebol e a realidade não é que haja propriamente uma disparidade mas, 
de qualquer forma, o telespectador tem de ter em mente que a linguagem da mídia baseia-se em 
toda uma série de arquétipos. A seguir, damos uma pequena tabela para que o fã de futebol não se 
perca nas transmissões. 
O QUE É DITO O QUE É 
 
Pontuação, sobretudo os dois pontos
Período curto 
Uso de adjetivos, advérbios ou expressões enfáticas
Aposto
Deslocamento do termo na oração
Figuras de linguagem: anáfora, repetição de uma 
palavra no começo da frase
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O Brasil estuda o jogo Faz hora, ganha tempo, faz cera. 
O Brasil sente o gramado pesado Não acerta um passe 
O Brasil espera o momento certo para atacar Não consegue furar a retranca adversária 
A intenção foi boa Passe errado 
O goleiro faz golpe de vista Quase gol 
O adversário marca sob pressão O Brasil não consegue sair da intermediária 
Pesou a tradição O juiz roubou pro Brasil 
 Você já entendeu a diferença que faz um domínio lexical razoável. Para isso, prezada corujinha, eu 
não tenho receita nem remédio. Você deve ampliar seu vocabulário lendo e escrevendo. 
 Um exercício muito bom é fazer resumos. Ao estudar faça resumos e mapas mentais. O resumo exige 
que você preste atenção ao vocabulário do autor e utilize sinônimos para expressar o texto lido. O que farei 
nessa parte da aula é destacar o efeito da escolha de palavras e dar uma dica em relação ao uso dos verbos 
“ser” e “ter”. 
Para se ter uma ideia da importância da escolha das palavras como forma de 
expressar melhor ideias, tente fazer o exercício abaixo, no qual você deve preencher as 
lacunas com palavras adequadas aos novos contextos. 
 
1) O turista ficou alegre com a feliz notícia. 
 
2) O turista ficou com a repentina notícia. 
 
3) O turista ficou com a trágica notícia. 
 
4) O turista ficou com a misteriosa notícia. 
 
 Considere a segunda oração. Você poderia escrever o turista ficou assustado com a repentina notícia, 
mas “susto” tem um conotação negativa, de algo ruim, e aquilo que é repentino não necessariamente é 
ruim, portando o mais adequado seria “surpreso”. No caso da 3 ou 4, as melhores expressões seriam 
“chocado” e “confuso”. 
Além disso, é preciso prestar atenção à combinação de palavras. As palavras são ariscas não aceitam 
ficar do lado de qualquer outra palavra. Tome como exemplo o seguinte trecho: 
 
Em primeiro lugar, o estilo de vida altamente consumista moderno exige uma 
exponencial subtração de matérias primas. À vista disso, a partir das grandes 
guerras mundiais, o capitalismo desenvolveu-se, dentre outros fatores, com 
base no empoderamento econômico dos consumidores 
 
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Como eu vou aprender a usar bem 
as palavras? Há algumadica? 
 Vamos começar pela primeira marcação em negrito. O núcleo desse sujeito é “estilo” as outras 
palavras qualificam essa palavra, mas são muitos atributos que fazem esse trecho soar estranho para o leito. 
No caso de “exponencial subtração” a pergunta que o leitor faz é: por que usar uma frase tão rebuscada 
quando se quer dizer que há uma “extração crescente” de matérias primas? No próximo trecho, há dois 
conectivos, o que dá um nó na cabeça do leitor, além de um deles não ser apropriado, pois o que se segue 
ao primeiro período é uma explicação e “a vista” é um conectivo para consequência. 
 
 Por último, a palavra “empoderamento” é usada em contexto específico de grupos sociais que 
sempre foram marginalizados e agora conseguiram exercer seus direitos, portanto, a expressão é um pouco 
forçada no que diz respeito aos consumidores. Observe a reescrita; 
 
 Em primeiro lugar, o estilo de vida consumista exige crescente extração de matérias primas. Isso se 
deve ao fato de o capitalismo, depois das grandes guerras mundiais, ter se desenvolvido, dentre outros 
fatores, com base no poder econômico dos consumidores. 
 
 
 
 
 
 
 
Isso vem da prática de leitura e escrita. Não deixe de escrever e reescreve textos. A constância no 
exercício da escrita é chave para o aprimoramento da capacidade expressiva. 
 
6.7 Retomada da ideia e implícitos 
 Como nós vimos na parte sobre progressão, para se manter a unidade do texto, há uma grande dose 
de repetição que pode inclusive ser observada no número de vezes que você repete a palavra-tema. Isso 
abre também a oportunidade para você escolher palavras, entre sinônimos, expressões de paráfrase ou 
comentários que, implicitamente, apresentem seu ponto de vista. 
 Vamos considerar como exemplo esse artigo de crítica da Folha de São Paulo e que serviu de texto 
base para a prova de redação da UNESP em 2006. 
A brincadeira de mandar um astronauta ao espaço custou ao Brasil 10 milhões de dólares. Foi uma 
“carona paga”, segundo o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Ennio 
Candotti. Nos meios científicos, o ufanismo não pegou. “O vôo de Marcos Pontes é na realidade uma 
grande jogada eleitoreira do governo”, escreveu o astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão. O 
biólogo Fernando Reinach, em artigo no jornal O Estado de S.Paulo, calculou que, com 10 milhões de 
dólares, o Brasil poderia formar 290 novos doutores, em universidades do país, ou 150, em 
universidades estrangeiras. 
(Veja, 12.04.2006.) 
Nesse texto, o cronista está dando sua opinião sobre o primeiro astronauta brasileiro. A missão de 
lançamento, tema central, foi retomada no texto várias vezes em negrito. Em cada expressão observa-se a 
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crítica do escritor. No primeiro trecho isso é “uma brincadeira”, no segundo “é carona paga”, no terceiro, 
não se trata de uma viagem espacial, mas de um voo, ou seja, ele desqualificou a missão. Finalmente, o 
julgamento aparece com todas as letras, isso seria uma grande jogada eleitoreira. 
 É claro que você vai precisar repetir palavras, mas você pode pensar em sinônimos ou expressões 
qualificativas. Esteja atento a essa possibilidade. 
7. Recursos que prejudicam o estilo 
 Vale considerar agora, alguns usos comuns que desvalorizam o estilo. 
7.1 O verbo “ser” e o verbo “ter” 
 O uso excessivo do verbo de ligação empobrece a expressão textual. Um verbo dá ação ao sujeito. 
Note as duas frases a seguir. 
 
 Nesse caso, é muito simples. Basta transformar o adjetivo “prejudicial” em verbo. Às vezes, torna-se 
impossível. Terminado um parágrafo sempre verifico se eu não abusei no uso do verbo “ser”. 
 Já o uso do verbo “ter”, na verdade, dize respeito ao não uso. Raramente, você utilizara o verbo “ter” 
a não ser como auxiliar, como na expressão “o uso do “ter” tem sido frequente”. No padrão coloquial 
utilizamos esse verbo como sinônimo de existir. Quem já não cometeu a frase: Tem um homem aí fora que 
deseja falar com você”? 
 Na verdade, você quer dizer: existe alguém aí fora. A gramática não reconhece esse uso do “ter” ele 
deve ser substituído pelo verbo “existir” ou “haver”. Dentre eles, o mais comum nos textos dissertativos é o 
verbo haver, e posso dizer com propriedade que ele “quebra um galho” em alguns momentos. 
 Vamos supor que eu tenha feito um esboço e nele tenha associado a Facebook vários subtemas: 
controle, possibilidade de conexão e entretenimento. Talvez eu até consiga estabelecer uma relação entre 
os dois primeiros, mas o último me parece difícil de ligar ao que vinha desenvolvendo, como posso fazer? O 
verbo haver junto com um conectivo resolve o problema. 
 Veja o que você acha dessa escrita: 
O Facebook possibilita conexões com amigos e parentes além de ser um canal de entretenimento. 
Contudo, há um risco no uso da rede social: o controle. 
Uso exclusivo do Facebook como meio de manter relações 
sociais é prejudicial ao indivíduo. 
O uso exclusivo do Facebook como meio de manter relações 
sociais prejudica o indivíduo. 
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Advertência: lembre-se de que o verbo haver com sentido de existir tem um regime de conjugação próprio. 
Ele é impessoal, ou seja, não vai para o plural. Você deve usá-lo sempre no singular, se ele acompanhar a 
palavra “riscos”, ele continua conjugado da mesma maneira: há riscos no uso da rede social. 
7.2 Queísmo 
 Vamos para a primeira praga da escrita, o uso excessivo do “que”. Todo mundo algum dia já cometeu 
essa heresia porque é mais fácil ir colocando verbos seguidos de “que” para acrescentar uma outra oração. 
Além de você cair no pecado capital do período longo, o texto fica insuportável pela repetição do “que”. 
Parece que existe uma galinha cacarejando dentro do seu texto. 
 Primeira dica: procure não deixar um período com mais de um “que”. Depois de escrever um texto 
tente reduzir o número de “ques”, corte alguns. O texto fica mais elegante. 
 Mas como cortar? 
1. Simplesmente omita e repita o sujeito 
Você deve observar que alguns são desnecessário. Basta tirar o “que”, colocar o sujeito e transformar aquela 
frase em principal. Vamos considerar a seguinte frase: 
 A sociedade se vale de novos meios de comunicação que estão transformando a realidade. 
 Observe a mágica do desaparecimento do “que”. 
A sociedade se vale de novos meios de informação. Essas mídias estão transformando a realidade. 
2. Use o infinitivo 
A rede social foi feita para que houvesse interação entre as pessoas. 
A rede social foi feita para haver interação entre as pessoas. 
3. Transforme o verbo da segunda oração em substantivo. 
O usuários querem que possibilidades ilimitadas sejam oferecidas. 
Os usuários querem oferta de possibilidades ilimitadas. 
7.3 Gerundismo 
 O gerúndio é aquela forma verbal marcada pela nasalização, você acrescenta “-ndo”, corre, correndo; 
escrever, escrevendo; errar; errando. O gerúndio é uma fora fácil de fazer ligações lógicas. Você quer 
relacionar dois fenômenos, “o aumento da influência da internet” e “a queda no número de leitores de 
livro”, basta usar um gerúndio, nem precisa escolher o conectivo: a internet tem ampliado o número de 
usurário, diminuindo o número de leitores de livros. 
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 Qual a relação entre essas duas ideias? De causa/consequência? De concomitância (ao mesmo 
tempo que)? Pois é, fica-se sem saber. 
 Mas o que é o gerúndio mesmo? “uma das formas nominais do verbo que apresenta o processo 
verbal em curso e que desempenha a função de adjetivo ou advérbio". O gerúndio introduz sempre uma 
oração subordinada e expressa uma ação que ocorre ao mesmo tempo que outra. No campo das ideias,seu 
emprego acaba por estabelecer relações entre ideias. 
 Na fala, alastrou-se uma mania de se falar utilizando um gerúndio e mais dois verbos, “estarei 
enviando ao senhor esse documento, algo que poderia ser resolvido com uma frase mais simples “vou enviar” 
ou “enviarei”. No caso da escrita, quem faz uma redação não comete esse erro, mas muitas vezes enche o 
texto de gerúndio. O excesso de gerúndio no texto, torna-o monótono e impreciso no que diz respeito as 
relações entre as ideias. Por conta disso, não use mais do que um ou dois gerúndios em um parágrafo. Não é 
difícil transformar um gerúndio numa outra frase, basta desenvolver o verbo e restabelecer a relação lógica 
apropriada. 
 Observe a mágica. 
 A internet tem ampliado o número de usuários, diminuindo o número de leitores de livros. 
 A internet tem ampliado o número de usuários. Isso, de certa fora, colaborou para que o número de 
leitores de livros diminuísse. 
8. Erros gramaticais 
 Essa parte é dedicada a algumas dicas para você não fazer vergonha. Não se trata de um estudo 
aprofundado do assunto. Vou considerar 3 tópicos: concordância, uso da virgula e crase; 
8.1 Concordância 
 Me dá dez real... 
 Rapidamente, você percebe o erro dessa frase, não? Esqueça o fato de que não é muito ético o 
professor pedir dinheiro para o aluno. Concentre-se na falta de flexão do “real”. O correto, segundo o 
padrão culto seria : “dê-me dez reais”. 
 Há erro de concordância. Isso ocorre quando as flexões de gênero e número que deveriam ser 
uniformes, não são. Se houver um número na frente de um substantivo e for maior que 1, o substantivo, o 
verbo e o adjetivos devem ir para o plural. 
 Mas qual o problema dessa expressão, se qualquer um consegue entender o tal pedido? 
 Linguisticamente: nenhum problema, a língua está caminhando para a economia linguística: o “dez” 
marca o plural, nada mais é necessário para a compreensão. 
 Socialmente: esse tipo de linguagem que está associada a um indivíduo não letrado ou que foi 
precariamente alfabetizado; há, portanto, um julgamento negativo sobre quem não aplica bem a regra de 
concordância na fala, que dirá na escrita. 
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52 
 
 Em relação à frase dos dez reais, acredito que isso não ocorreria mesmo, corujinha aplicada, mas o 
problema ocorre quando o verbo vem antes do sujeito. 
 Quem já não cometeu um erro assim? 
 Saiu os resultados (ao invés de “saíram os resultados”) 
Foi inaugurado as usinas (ao invés de “foram inauguradas as usinas”) 
Apareceu cinquenta pessoas (ao invés de “apareceram cinquenta pessoas”). 
 Isso acontece porque começamos a escrever a frase no singular, mas o sujeito que aparece depois 
está no plural. Ainda assim, creio que você não cometeria esse erro no vestibular, pois sujeito e verbo estão 
muito próximos. O problema surge mesmo quando há períodos longos com termos intercalados. 
 Em um texto como o abaixo, manter a concordância é um verdadeiro desafio. 
Foi anunciada na semana passada uma descoberta que pode lançar novas luzes sobre as origens da 
língua escrita. Arqueólogos chineses encontraram nas escavações de um antigo altar usado para 
sacrifícios, na província de Shandong, leste da China, dois pedaços de ossos de cordeiro onde foram 
esculpidos oito caracteres, considerados uma forma primitiva de chinês. Junto com os ossos, 
desenterraram-se 360 peças de cerâmica pertencente à cultura yueshi, que viveu em Shandong 
3.500 anos atrás. 
 
1.Passe para o plural 
a) Ainda há esperança. 
b) Vai haver novo encontro. 
c)Se houver comprador interessado, existirá grande possibilidade de lucro. 
d)Poderá haver sério incidente automobilístico, caso não exista autoridade competente para fiscalizar a 
rodovia. 
2. Siga o modelo: 
Foi estabelecida nova ordem política. 
Foram estabelecidas novas ordens políticas 
Estabeleceram-se novas ordens políticas. 
Eu nunca faria 
isso! 
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a) Foi montada programação mais específica. 
b) Amanhã, será discutido o incremento à agricultura 
c) Ainda que fosse homologada a decisão, não haveria muito tempo para a prática. 
d) Foi muito criticado o esforço de segurança no espaço público. 
 
 
 
1.Passe para o plural 
a) Ainda há esperança. 
b) Vai haver novo encontro. 
c)Se houver comprador interessado, existirá grande possibilidade de lucro. 
d)Poderá haver sério incidente automobilístico, caso não exista autoridade competente para fiscalizar a 
rodovia. 
Comentário. 
No caso desse exercício, você deveria prestar atenção ao verbo “haver” que é impessoal quando assume o 
sentido de existir. 
a) Ainda há esperanças. 
b) Vai haver novos encontros. 
c) Se houver compradores interessados, existirão grandes possibilidades de lucro. 
d) Poderá haver sérios incidentes automobilísticos, caso não existam autoridades competentes para 
fiscalizar a rodovia. 
Nesse último exercício (d), observe que a impessoalidade do verbo haver contamina o verbo auxiliar. Como o 
verbo haver é impessoal, o verbo auxiliar também não vai para o plural. 
2. Siga o modelo: 
Foi estabelecida nova ordem política. 
Foram estabelecidas novas ordens políticas 
Estabeleceram-se novas ordens políticas. 
 
a) Foi montada programação mais específica. 
b) Amanhã, será discutido o incremento à agricultura 
c) Ainda que fosse homologada a decisão, não haveria muito tempo para a prática. 
d) Foi muito criticado o esforço de segurança no espaço público. 
Resolução 
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54 
Comentário. 
a)Foram montadas programações mais específicas. 
Montaram-se programações mais específicas 
b) Amanhã, serão discutidos os incrementos à agricultura. 
Amanhã, discutir-se-ão os incrementos à agricultura. 
c)Ainda que fossem homologadas as decisões, não haveria muito tempo para as práticas. 
Ainda que se homologassem as decisões, não haveria muito tempo para as práticas. 
d) Foram muito criticados os esforços de segurança no espaço público. 
Criticaram-se muito os esforços de segurança no espaço público. 
 
8.2 Vírgula: dicas de sobrevivência 
 Como a virgula não é tão importante do ponto de vista da Banca, vou considerar aqui o básico do 
básico. 
 Primeiramente, você deve entender o que é a vírgula, sinal gráfico que marca....a pausa? Não, a 
virgula não tem nada a ver com o fôlego do cidadão que está lendo o texto. Trata-se de um sinal gramatical 
de marcação sintática e, às vezes, de ênfase. 
 O que ela registra? A alteração na mudança dos termos de uma oração. Lembre-se de que 
discutimos, pelos menos em dois momentos diferentes a questão da inversão de uma frase. A famosa ordem 
direta do português é aquela em que aparece primeiro o sujeito, depois o verbo e daí os complementos, de 
forma geral. 
 Vamos supor que você, corujinha, disse, para a alegria do seu professor, no caso, eu, o seguinte: 
 
 
 Eu estudo redação escrevendo todo dia. 
 Nessa frase não há vírgula obrigatória, porque os termos da oração estão na ordem, costumeira do 
português. Vamos supor que você quisesse dar ênfase em um outro termo e trocasse algum termo de lugar. 
Nesse caso, você deveria assinalar isso com uma vírgula. 
 
Eu estudo redação escrevendo todo dia. 
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55 
 
 
 
 
 
 Boa pergunta, corujinha antenada. Por que estamos falando de duas orações. Nesse caso pode-se 
colocar a vírgula para separá-las. Você deve considerar cada oração como se fosse um trecho sintático para 
saber se você deve ou não colocar uma vírgula. Por exemplo, um aposto sempre aparece entre vírgulas,pois ele interrompe a ordem da frase. Sendo assim, uma oração com função de aposto, aparecerá entre 
vírgulas e assim por diante. 
 
A desigualdade social, uma chaga social, tem aumentado nos últimos anos. 
A desigualdade social, que é uma chaga social, tema aumentado nos últimos anos. 
 
 O “pois” introduz, normalmente, uma oração coordenada sindética explicativa. A virgula separa essas 
duas orações. 
 Com essas informações e sua prática, tenho certeza de que você não passará vexame. Quer dizer, 
para isso seria bom você levar em consideração realmente duas regras que deveriam ser obedecidas: 
 - Não separe sujeito de verbo a não ser por aposto ou por alguma frase 
intercalada, mas daí ela deve aparecer entre 2 vírgulas; 
 - Sempre que você for começar uma oração com adjunto adverbial de tempo ou 
espaço, use vírgula: 
 
Na última reunião da ONU, os fatores mais importantes foram pesquisados. 
Todo dia, eu estudo redação escrevendo. 
Redação, eu estudo escrevendo todo dia. 
Escrevendo, eu estudo redação todo dia. 
Então por que se coloca vírgula antes do "pois"?
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56 
 
 
 Leve em consideração as regras abaixo. 
O uso dapontuação nas orações subordinada depende do tipo de subordinada: 
* Substantivas 
Apenas a apositiva recebe pontuação, normalmente dois pontos. 
 
Ex: Só desejo uma coisa: que as férias cheguem logo. 
 
* Adjetivas 
Neste caso, a pontuação distingue a restritiva (sem pontuação) da explicativa (com vírgulas) e isso interfere 
na interpretação. 
 
Ex: Só os rapazes que têm carros vermelhos estão livres do rodízio hoje. (restritiva) = Apenas um grupo de 
rapazes tem carros vermelhos e apenas eles estão livres do rodízio. 
Só os rapazes, que têm carros vermelhos, estão livres do rodízio hoje (explicativa) = Todos os rapazes têm 
carros vermelhos, portanto todos estão livres do rodízio hoje. 
 
* Adverbiais 
Caso a subordinada adverbial vier depois da oração principal, não há vírgula: 
 
Ex. Faça o almoço se chegar mais cedo. 
 
Já se a subordinada adverbial vier antes da oração principal, a vírgula é obrigatória. 
 
Se chegar mais cedo, faça o almoço. 
 
 
Justifique o uso das virgulas nas frases a seguir, de acordo com o código proposto 
 
(A) separar elementos ou frases intercalados 
(B) separar aposto ou vocativo 
(C) separar elementos de mesma função sintática (enumeração) 
(D) anteceder conjunções coordenativas (exceções: e, nem) 
E quando se usa vírgula para separar orações?
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Gabarito 
(E) enfatizar termos e expressões explicativas 
(F) separar, nas datas, o nome do lugar 
(G) separar o numeral que vem depois do nome da rua 
(H) marcar a omissão do verbo 
(I) separar elementos antepostos (Exemplo: em casa, eu cheguei). 
1. A língua têm seus recursos, expressivos. ( ) 
2. A gramática, sistema de regras da língua, mantém uma certa uniformidade. ( ) 
3. Gente, sejamos tolerantes com os ditos “erros gramaticais”! ( ) 
4. Dominar o padrão culto é trabalho árduo; expressar-se de forma coloquial, descontração. ( ) 
5. A gíria também é expressiva, claro! ( ) 
6. Uma poesia sem figuras de linguagem é, por assim dizer, um corpo sem alma. ( ) 
7. O que a leitura proporciona, nenhuma outra atividade pode dar. ( ) 
8. De todas as palavras de nichos semânticos, nenhuma desperta mais interesse que as de cunho 
sexual. ( ) 
9. O verbo é o centro da frase composta por outras classes gramaticais como substantivos, 
adjetivos, advérbios etc. ( ) 
10. Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2021. ( ) 
11. Ao contrário dos bêbados, é durante a ressaca que o mar se mostra mais furioso. ( ) 
12. Quando Tarzã veio para a cidade, não se adaptava a nenhum emprego. Ficou pulando de 
galho em galho. ( ) 
13. Repolho não pensa, logo não existe! ( ) 
14. Mora na Rua Sá Ferreira, 119. ( ) 
 
 
 
 
 
1.E; 2.B; 3.B; 4.H; 5.E; 6.A; 7.I; 8.I; 9.C; 10.F; 11.E; 12.I; 13.D; 14.G. 
 
8.3 Crase 
 
 “Crase foi feita para humilhar o escritor”. Foi isso que ouvi do meu orientador que estava na banca 
do meu mestrado. Falou porque encontrou uns 3 erros de crase no meu trabalho de 200 páginas. Ele falou 
para me chamar a atenção para o erro, mas também para aliviar a barra, já que se trata de um detalhe 
linguístico que muitas vezes passa despercebido. E em minha defesa, posso justificar dizendo que se trata 
de um requisito da língua escrita muito específico e totalmente desnatural. 
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 Ela lembra o acento, mas o acento tem uma relação com a sílaba tônica, com o som; a crase está 
longe disso. Ela é um sinal gráfico que indica que houve uma elisão entre a preposição “a” e o artigo ou 
pronome “a”. 
 Exemplo: Eu fui a a adega (aliás, quanto “a” nessa frase!). 
 
 
 
 
 
 
 
 Já pensou escrever desse jeito “Eu fui a a”? Então, os gramáticos resolveram adotar a crase para 
indicar que naquele único “à”, há dois, na verdade. Pode parecer picuinha, afinal, qual seria o problema em 
colocar um “a” apenas sem marcação nenhuma. 
 Bom, a questão tem a ver com o seu par masculino. E se você colocasse uma palavra masculina 
depois da preposição, ficaria só uma vogal ou duas? Fizemos o teste para você, veja que coisa curiosa, são 
mesmo duas vogais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exemplo: Eu fui a o supermercado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Se você não pode suprimir uma vogal em “ir ao supermercado”, não se pode suprimir um dos dois 
“as”, quando está diante de um substantivo feminino 
 Diante dessa rega meio aleijão, a gente acaba por esquecer de colocar o maldito acento grave para 
indicar crase. 
 Bom vamos às regras. 
Artigo feminino “a” 
Preposição exigida pelo verbo ir, quem vai, vai a 
Artigo feminino “a” 
Preposição exigida pelo verbo ir, quem vai, vai a 
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 Primeira: 
 NUNCA haverá crase na frente de um termo masculino. 
 Segunda: 
 Faça o teste rápido. Troque a palavra que vem a seguir por um substantivo masculino, veja como se 
comporta a frase. Se a frase exigir “ao” no jogo com o masculino, exigirá “à” diante de uma palavra 
feminina. 
 Terceira: 
 Na indicação de horas, dias de semana, por exemplo: às segundas, às 10 horas. 
 Quarta: 
 Em locuções adverbias em que se seguem palavras femininas (à direita, à escolha etc), no equivalente 
masculino não ocorrerá crase (a jato, a olho nu etc). 
 Quinta: 
 Nas expressões “à maneira” ou “à moda” mesmo que subtendidas (lagosta à thermidor, caso 
bastante raro). 
 
 
9. Propostas de Redação 
 
 
As propostas estão escalonadas da seguinte forma: 
A Proposta 1, da UFPR, pede que candidato faça o exercício de passar um discurso direito para o indireto. 
Esse tipo de exercício mexe com algumas habilidades: tentativa de evitar a repetição do ver “disse”, 
adaptação dos verbos, capacidade de paráfrase. Trata-se de um exercício muito bom para quem tem muita 
dificuldade de escrita. 
A Proposta 2, da UFPR, pede que o candidato faça um texto curto opinativo sobre o tema da escrita. Bom 
exercício para quem ainda não consegue elaborar argumentos muitos longos. 
A proposta 3 é completa e sobre o tema da linguagem. 
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Proposta 1 
 
UFPR /2016 
 
Proposta 1 
Leia abaixo um trecho da entrevista do físico Marcelo Gleiser ao jornal Zero Hora. 
Zero Hora — O senhor veio a Porto Alegre para falar sobre “ética na ciência”. Curiosamente, uma recente 
coluna sua sobre o tema está repleta de pontos de interrogação. O texto é uma sucessão de perguntas 
difíceis. O senhorjá chegou a alguma resposta? 
Gleiser — Nessa coluna, comecei tratando do romance Frankenstein, um dos símbolos mais poderosos sobre 
a questão da ética na ciência. Esse romance, de força mítica profunda, diz que existem certas questões 
científicas que estão além do que os humanos podem controlar. Mesmo que tecnologicamente possamos 
fazer algo — caso do doutor Victor Frankenstein, ao ressuscitar um cadáver usando eletricidade — não 
significa que moralmente estejamos prontos para fazê-lo. Você me pergunta se eu tenho respostas. O que a 
gente está tentando é começar a fazer as perguntas certas. Porque só quando se faz as perguntas certas é 
possível começar a encontrar algumas respostas. 
ZH — E estamos prontos para chegar a essas respostas? 
Gleiser — A questão em que você está interessado é se temos maturidade moral para decidir. E a resposta é 
simplesmente a seguinte: não. Não temos maturidade moral para certas questões. Mas isso não significa 
que a gente não deva fazer a pesquisa. Existe a ideia da Caixa de Pandora, onde estão guardados todos os 
males do mundo, e se você abre a Caixa de Pandora tudo escapa. As pessoas veem a ciência como um tipo 
de Caixa de Pandora: “Ah, esses cientistas ficam fuxicando, descobrem problemas sérios e depois a 
sociedade fica à mercê de avanços sobre os quais não temos controle”. Na verdade, não é nada disso. A 
ciência tem de ter total liberdade de pesquisa, contanto que certas questões sejam controladas ou pelo 
menos monitoradas por corpos especiais. Por exemplo, a questão da clonagem humana. Para mim, essa é 
uma das áreas que deveriam ser controladas com muito cuidado. 
ZH — Quem deveria decidir as regras sobre o que se pode fazer? 
Gleiser — Essa é a grande questão. Quem decide o que pode e o que não pode? Quem tem o direito de 
decidir por todas as pessoas? Acho que deveria haver uma aliança entre o Judiciário e um corpo de cientistas 
escolhido por órgãos do governo para estabelecer regras. Mas, infelizmente, qualquer tecnologia que possa 
ser desenvolvida mais cedo ou mais tarde vai ser desenvolvida. 
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61 
(Zero Hora.13 out 2013.) 
 
Exponha as principais ideias de Marcelo Gleiser num texto de 8 a 10 linhas, totalmente em discurso indireto. 
 
 
Proposta 2 
 
UFPR/ 2014 
Texto 1: 
Sem Tempo para as Palavras 
O tempo da comunicação por e-mails e mensagens de texto pode, em breve, ficar tão ultrapassado quanto o 
das cartas manuscritas enviadas pelo correio tradicional ou o das conversas ao telefone. E o longo post de 
140 caracteres no Twitter? Esqueça! Estamos nos aproximando do dia em que tudo será dito com imagens, 
segundo o New York Times. “As fotos estão rapidamente se convertendo em um tipo de diálogo 
inteiramente novo”, escreveu Nick Bilton no jornal. “A turma de vanguarda está descobrindo que se 
comunicar com uma simples imagem, quer seja uma foto do que vai haver para o jantar ou uma imagem de 
uma placa de rua indicando ao amigo ‘Ei, estou esperando por você aqui’, é mais fácil que se dar ao trabalho 
de usar as palavras.” 
No passado, álbuns de fotos de família ocupavam espaço em estantes, repletos de imagens de casamentos, 
formaturas, férias memoráveis e poses desajeitadas em volta da árvore de Natal. Agora, com o clicar de um 
botão, podemos postar uma foto online, poupando-nos do trabalho de usar nossos dedos ou de digitar com 
os polegares num teclado pequeno. “Este é um momento divisor de águas. Estamos nos afastando da 
fotografia como maneira de registrar ou armazenar um momento passado e convertendo-a num meio de 
comunicação”, disse ao NYT Robin Kelsey, professor de fotografia da Universidade de Harvard. [...] 
(Tom Brady, Observatório da Imprensa, 23/07/2013.) 
 
Texto 2 
Procura da Poesia 
[...] Penetra surdamente no reino das palavras. 
Lá estão os poemas que esperam ser escritos. 
Estão paralisados, mas não há desespero, 
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 AULA 1 – Linguagem 
 
62 
há calma e frescura na superfície intata. 
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário. 
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los. 
Tem paciência se obscuros. 
Calma, se te provocam. 
Espera que cada um se realize e consume 
com seu poder de palavra e seu poder de silêncio. 
Não forces o poema a desprender-se do limbo. 
Não colhas no chão o poema que se perdeu. 
Não adules o poema. Aceita-o 
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada 
no espaço. 
 
Chega mais perto e contempla as palavras. 
Cada uma 
tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, 
sem interesse pela resposta, 
pobre ou terrível, que lhe deres: 
Trouxeste a chave? [...] 
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética. 8a ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1975. p. 
175-177) 
 
Confronte os textos 1 e 2 e dê sua opinião sobre a utilização da palavra escrita: que prognósticos podemos 
fazer quanto ao seu uso na comunicação e na vida em geral? 
Seu texto deve: 
 Apresentar uma opinião clara sobre o assunto e argumentos para sustentá-la, pautados nos textos; 
 Ter entre 10 e 12 linhas. 
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63 
 
Proposta 3 
 
 
UFGD 2020 
Motivador 1 - VARIAÇÃO LINGUÍSTICA 
 O termo variação se aplica a uma característica das línguas humanas que faz parte de sua própria 
natureza: a heterogeneidade. A palavra língua nos dá uma ilusão de uniformidade, de homogeneidade, que 
não corresponde aos fatos. Quando nos referimos ao português, ao francês, ao chinês, ao árabe, etc., 
usamos um rótulo único para designar uma multiplicidade de modos de falar decorrente da multiplicidade 
das sociedades e das culturas em que as línguas são faladas. Cada um desses modos de falar recebe o nome 
de variedade linguística. Por isso, muitos autores definem língua como “um conjunto de variedades” e 
substituem a noção da língua como um sistema pela noção da língua como um polissistema, formado por 
essas múltiplas variedades. 
 A variação linguística se manifesta desde o nível mais elevado e coletivo – quando comparamos, por 
exemplo, o português falado em dois países diferentes (Brasil e Angola) – até o nível mais baixo e individual, 
quando observamos o modo de falar de uma única pessoa, a tal ponto que é possível dizer que o número de 
“línguas” num país é o mesmo de habitantes de seu território. Entre esses dois níveis extremos, a variação é 
observada em diversos outros níveis: grandes regiões, estados, regiões dentro dos estados, classes sociais, 
faixas etárias, níveis de renda, graus de escolarização, profissões, acesso às tecnologias de informação, usos 
escritos e usos falados. 
Disponível em: <http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/variacao-linguistica>. Acesso em: 25 set. 2019 
 
Motivador 2 - REGISTRO LINGUÍSTICO PODE VARIAR DE ACORDO COM A SITUAÇÃO E O ASSUNTO 
 “Me avisaram do meu gabinete que eu ‘tava com uma marca de batom, um beijo, no rosto. É o único 
problema que eu não preciso nessa altura da minha vida.” A frase foi dita pelo ministro Luís Roberto 
Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), durante a votação do pedido de habeas corpus para o ex-
presidente Lula no último dia 4 de abril. Antes de retomar a leitura de seu voto, depois de aparte do ministro 
Dias Toffoli, Barroso permitiu-se um momento de descontração. Não paira dúvida acerca da formalidade do 
ambiente nem se questiona o grau de conhecimento da língua portuguesa do magistrado, mas o fato é que 
ele não disse “Avisaram-me”, “estava” ou “problema de que eu não preciso nesta altura”. Será que o 
ministro errou? Segundo o sociolinguista Carlos Alberto Faraco, professor titular aposentado e ex-reitor da 
Universidade Federal do Paraná, não há cortes rígidosentre formal e informal, entre oral e escrito, entre 
“certo” e “errado”. “A mudança estilística do ministro está ligada ao assunto; as pessoas modulam a língua 
de acordo com interlocutores, ambiente, assunto, gênero do discurso, etc. O mais importante é fugir sempre 
das dicotomias. Dicotomizar a realidade linguística é falseá-la; a língua varia muito seja na fala, seja na 
escrita”, afirma. 
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http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/variacao-linguistica
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Redação/ Aula 01 
 
 
 AULA 1 – Linguagem 
 
64 
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/04/registro-linguistico-pode-variar-de-acordo-com-a-situacao-e-o-assunto.shtmlAcesso em: 25 
set. 2019 
 
 Motivador 3 - LÍNGUA E IDENTIDADE: FIOS QUE SE ENTRELAÇAM MUNDO AFORA 
 Muitos tons, muitas cores, muitos ritmos. Política, cultura, história. A língua é uma das manifestações 
culturais que fundamentam a identidade de um povo. É também um dos elementos essenciais na construção 
da subjetividade, possibilitando o elo das novas gerações com a herança cultural da comunidade a que 
pertencem. 
 A oralidade, em especial, é a manifestação da língua viva e, como tal, é dinâmica, variando de 
acordo com o uso que fazem dela. Assim, é pela oralidade que a identidade de um povo se mostra com mais 
força, revelando a diversidade, os conflitos, as tendências presentes em sua sociedade. 
Disponível em: http://www.plataformadoletramento.org.br/em-revista-reportagem/738/lingua-e-identidade-fios-que-se-entrelacam-mundo-
afora.html. Acesso em: 25 set. 2019 
 
Motivador 4 - NORMA CULTA 
 
 
 Motivador 5 - A DIVERSIDADE LINGUÍSTICA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL 
 A diversidade linguística encontra-se ameaçada. Estima-se que entre um terço e metade das línguas 
ainda faladas no mundo estarão extintas até o ano de 2050. As consequências da extinção das línguas são 
diversas e irreparáveis, tanto para as comunidades locais de falantes, quanto para a humanidade. Essa 
percepção se encontra na Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, elaborada na cidade de Barcelona, 
Espanha, em 1996, sob os auspícios da Organização das Nações Unidas Para Educação e Cultura (Unesco) e 
com a participação de representantes de comunidades linguísticas de diversas regiões do planeta. Segundo 
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https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/04/registro-linguistico-pode-variar-de-acordo-com-a-situacao-e-o-assunto.shtml
http://www.plataformadoletramento.org.br/em-revista-reportagem/738/lingua-e-identidade-fios-que-se-entrelacam-mundo-afora.html
http://www.plataformadoletramento.org.br/em-revista-reportagem/738/lingua-e-identidade-fios-que-se-entrelacam-mundo-afora.html
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65 
este documento, a situação de cada língua é o resultado da confluência e da interação de múltiplos fatores 
político-jurídicos, ideológicos e históricos, demográficos e territoriais; econômicos e sociais. Salienta que, 
nesse sentido, existe uma tendência unificadora por parte da maioria dos Estados em reduzir a diversidade 
e, assim, favorecer atitudes adversas à pluralidade cultural e ao pluralismo linguístico. 
 O Brasil figura entre os países de maior diversidade linguística. Estima-se que, atualmente, são 
faladas mais de 200 línguas. A partir dos dados levantados pelo Censo IBGE de 2010, especialistas calculam a 
existência de pelo menos 170 línguas ainda faladas por populações indígenas. Embora não contabilizadas 
pelo Censo, pesquisas na área de linguística também apontam para outras línguas historicamente “situadas” 
e amplamente utilizadas no Brasil, além das indígenas: línguas de imigração, de sinais, de comunidades afro-
brasileiras e línguas crioulas. Esse patrimônio cultural é desconhecido ou mesmo ignorado por grande parte 
da população brasileira. 
Disponível em: http://desafios.ipea.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3053&catid=28&Itemid=39. Aceso em: 25 set. 
2019. 
 
Motivador 6 – LÍNGUA 
 Flor do Lácio Sambódromo 
Lusamérica latim em pó 
O que quer 
o que pode 
Esta língua 
Vamos atentar para a sintaxe paulista 
E o falso inglês relax dos surfistas 
Sejamos imperialistas 
Cadê? Sejamos imperialistas 
Vamos na velô da dicção choo de Carmem Miranda 
E que o Chico Buarque de Hollanda nos resgate 
E xeque-mate, explique-nos Luanda 
VELOSO, Caetano. Velô. Polygram, CD,1984 
 
Após a leitura dos textos motivadores apresentados e com base nos conhecimentos construídos ao 
longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua 
portuguesa com, no mínimo, 15 e, no máximo, 30 linhas, sobre o tema “A LÍNGUA E SEUS USOS NAS 
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INTERAÇÕES SOCIAIS”. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e informações para constituição 
de seu texto. 
Proposta 4 
FUVEST 1997 
Redija uma DISSERTAÇÃO em prosa, relacionando os três textos abaixo. 
Texto 1 
Na prova de Redação dos vestibulares, talvez a verdadeira questão seja sempre a mesma: 
"Conseguirei?". Cada candidato aplica-se às reflexões e às frases na difícil tarefa de falar de um 
tema A proposto, com a preocupação em B – "Conseguirei?" –, para convencer um leitor X. 
Texto 2 
Ao escrever "Lutar com palavras / é a luta mais vã. / Entanto lutamos / mal rompe a manhã", Carlos 
Drummond de Andrade já era um poeta maior da nossa língua. 
Texto 3 
É difícil defender, 
só com palavras, a vida 
[João Cabral de Melo Neto] 
 
 
 
9.1. Possibilidades de Encaminhamento das Propostas 
 
Proposta 1 
 
Encaminhamentos 
A questão pedia ao candidato para sintetizar as ideias centrais do texto. Portanto, é uma espécie de resumo 
do texto, sendo necessário destacar as respostas dadas pelo autor ao tema, destacando seu ponto de vista. 
Para facilitar a escrita, você deve, primeiramente, destacar as respostas do autor ao tema. Veja como se faz 
isso: 
 
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Zero Hora — O senhor veio a Porto Alegre para falar sobre “ética na ciência”. 
Curiosamente, uma recente coluna sua sobre o tema está repleta de pontos de 
interrogação. O texto é uma sucessão de perguntas difíceis. O senhor já chegou a 
alguma resposta? 
Gleiser — Nessa coluna, comecei tratando do romance Frankenstein, um dos 
símbolos mais poderosos sobre a questão da ética na ciência. Esse romance, de força 
mítica profunda, diz que existem certas questões científicas que estão além do que 
os humanos podem controlar. Mesmo que tecnologicamente possamos fazer algo — 
caso do doutor Victor Frankenstein, ao ressuscitar um cadáver usando eletricidade — 
não significa que moralmente estejamos prontos para fazê-lo. Você me pergunta se 
eu tenho respostas. O que a gente está tentando é começar a fazer as perguntas 
certas. Porque só quando se faz as perguntas certas é possível começar a encontrar 
algumas respostas. 
ZH — E estamos prontos para chegar a essas respostas? 
Gleiser — A questão em que você está interessado é se temos maturidade moral para 
decidir. E a resposta é simplesmente a seguinte: não. Não temos maturidade moral 
para certas questões. Mas isso não significa que a gente não deva fazer a pesquisa. 
Existe a ideia da Caixa de Pandora, onde estão guardados todos os males do mundo, 
e se você abre a Caixa de Pandora tudo escapa. As pessoas veem a ciência como um 
tipo de Caixa de Pandora: “Ah, esses cientistas ficam fuxicando, descobrem 
problemas sérios e depois a sociedade fica à mercê de avanços sobre os quais não 
temos controle”. Na verdade, não é nada disso. A ciênciatem de ter total liberdade 
de pesquisa, contanto que certas questões sejam controladas ou pelo menos 
monitoradas por corpos especiais. Por exemplo, a questão da clonagem humana. 
Para mim, essa é uma das áreas que deveriam ser controladas com muito cuidado. 
ZH — Quem deveria decidir as regras sobre o que se pode fazer? 
Gleiser — Essa é a grande questão. Quem decide o que pode e o que não pode? 
Quem tem o direito de decidir por todas as pessoas? Acho que deveria haver uma 
aliança entre o Judiciário e um corpo de cientistas escolhido por órgãos do governo 
para estabelecer regras. Mas, infelizmente, qualquer tecnologia que possa ser 
desenvolvida mais cedo ou mais tarde vai ser desenvolvida. 
(Zero Hora.13 out 2013.) 
 
Após sinalizar as ideias centrais do texto requeridas na questão, você deveria escrever seu texto autoral, 
explicitando as ideias do autor. Para isso, deveria utilizar o discurso indireto, ou seja, utilizar as próprias 
palavras para descrever o que é falado no texto. Ex: 
Na entrevista, o físico Marcelo Gleiser discute a ética na ciência. 
Resposta I: Deve-se 
começar a fazer 
perguntas certas, para 
se chegar a uma 
resposta. 
Resposta II: Não 
estamos preparados 
para decidir, mas 
deve-se fazer 
pesquisa. 
Resposta IV: Judiciário 
e corpo de cientistas 
escolhidos por órgãos 
do governo deveriam 
decidir. 
Conclusão: Não haverá 
impedimento para o 
desenvolvimento 
tecnológico 
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Estruturalmente, seu texto pode ser escrito com um único parágrafo, em vista da extensão, 08 a 10 linhas, 
mas apresentando começo, meio e fim! 
 
 
 
 
 
Proposta 2 
 
Encaminhamentos 
Após a leitura dos textos da coletânea, a questão requeria do candidato a escrita de um texto que 
confrontava as ideias presentes nos textos motivadores. 
Assim, o primeiro passo a seguir reconhecer de que se trata cada um dos textos. Observe: 
 
Texto I A tendência da palavra escrita ser substituída pela imagem. 
Texto II A resistência da escrita. 
 
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Compreendido isso, é importante observar, inicialmente, que algo aproxima os dois textos: no texto I, fala-se 
da substituição da escrita pela fotografia; no texto II, a forma como é exposto o poema, leva a perceber, 
também, uma visão imagética. 
Por sua vez, frente as ideias textuais, você precisa construir uma argumentação. Uma opção seria discutir 
que: 
• O mundo imagético não vai substituir a palavra; 
• Por sua vez, você afirmar que a imagem pode, sim, substituir a palavra. 
 
No desenvolvimento de sua argumentação, lembre-se que, com a ascensão tecnológica, dizia-se que 
haveria a extinção do livro, mas vivemos época em que, cada vez mais, se produz e vende livros, o que pode 
ser uma possível resposta ao texto I. 
 
Reconhecendo o problema a ser retratado, em um texto de 10 a 12 linhas, você deve discutir o futuro da 
escrita. Para isso, sugerimos a escrita de apenas um parágrafo, mas nele você deve apontar as seguintes 
partes: 
 
Introdução Apresente o tema e exponha a tese. 
Desenvolvimento Discuta a tese por meio de argumentos consistentes. 
Conclusão Conclua as informações de seu texto. 
 
 
Proposta 3 
Análise da proposta 
Tema e proposta 
O tema “A LÍNGUA E SEUS USOS NAS INTERAÇÕES SOCIAIS” nos convida a pensar a língua para além 
de um mecanismo imutável de comunicação. Quando focalizamos no tema a palavra “usos”, somos levados 
a pensar na heterogeneidade desse mecanismo comunicacional, que faz com que as pessoas, em diferentes 
ambientes interacionais, de diferentes culturas, classes sociais diversas façam uso de uma modalidade 
diferenciada, como é o caso da linguagem utilizada no ambiente familiar e no ambiente de trabalho, na 
mesma situação estão os falares de diferentes regiões, diferentes idades. Frente a essas considerações, 
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• Predomina-se nas sociedades a crença em uma única forma de 
manifestação da língua, a padrão, desvalorizando outras 
variedades; 
• Procura-se, em um mesmo território, criar uma homogeneidade 
linguística; 
• Há uma tendência à desvalorização de certas culturas e 
isolamento de sua língua; 
• Existe a tentativa de manutenção de uma língua como 
perpetuação da cultura de um povo. 
podemos perceber a pluralidade de perspectivas que o tema pode ser abordado dentro de uma redação. 
Vejamos, a seguir, possibilidades de se trabalhar o tema. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A partir das informações elencadas no quadro, observem que o tema pode ser trabalho a partir de 
variadas perspectivas. Assim, percebemos que o preconceito é um dos maiores implicadores no que 
concerne à utilização da língua, o que resulta no desrespeito à diversidade linguística. Portanto, esse pode 
ser um argumento que possibilite um desenvolvimento textual mais consistente, apresentando mais 
possibilidades de ideias a serem desenvolvidas. 
Diante disso, esperamos que você, em sua redação, focalize uma das posições seguintes: ou você fale 
sobre a problemática que envolve a heterogeneidade linguística, pontuando os preconceitos incrustados 
socialmente; por outro lado, você pode falar também da importância da língua para a manutenção de sua 
cultura. Observe que você pode se apropriar desses dois argumentos na composição de seu texto, uma vez 
que há possibilidade de contrapor ideias, demonstrando que, apesar de haver muito preconceito com 
relação às variedades apresentadas pela língua, existe a luta de grupos específicos para a manutenção de 
suas línguas enquanto registro cultural. Portanto, você tem caminhos variados para está desenvolvendo seu 
texto, basta se apropriar de um deles e escolher as ideias que melhor se articulem para desenvolver uma 
argumentação consistente. 
Pensando no exame, o texto Dissertativo-Argumentativo, utilizado pela UFGD, compõe-se de três 
partes essenciais: 
 
 
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Na elaboração do texto dissertativo-argumentativo, deve-se apontar uma tese clara e consistente 
para que você, ao longo de seu texto, consiga argumentar com facilidade, sem necessitar recorrer a ideias 
que possam enfraquecer sua argumentação. 
Assim, em sua introdução, você deverá delimitar o seu tema, visto que, como comentamos acima, é 
amplo, e apresentar a sua tese. A partir disso, você estará construindo seu projeto de texto, elemento 
fundamental na escrita de uma redação. Quando uma produção apresenta um projeto de texto, o leitor, na 
introdução, já focaliza o assunto que está sendo abordado e o seu ponto de vista sobre ele, o que você irá 
defender sobre esse tema. Logo, com o projeto de texto, mostra-se, antes de argumentar, qual o caminho 
opinativo, ou seja, qual a tese que você apresentará em seu texto. Pense que o seu leitor, ainda que seja um 
corretor, não “conhece” o seu tema. É como se estivesse entrando em contato com ele pela primeira vez. 
Tudo caminha para que ele compreenda o tema a partir do seu texto. Se, por acaso, você costuma se perder 
na argumentação, principalmente quando tratamos da organização dos argumentos na cabeça, indique, logo 
na introdução, os argumentos que irá trabalhar ao longo da sua redação. Isso facilita a coerência de suas 
ideias. 
Por sua vez, no desenvolvimento, você deverá apresentar seus argumentos. Comumente, 
recomendamos dois argumentos pela extensão da redação. Pode parecer muito, mas 30 linhas, para um 
texto bem desenvolvido, acaba sendo pouco. Assim, com dois argumentos, fica um pouco mais fácil de 
desenvolver as ideias como deve. É importante destacar que o repertório deve estar presente, 
fundamentandoseus argumentos de forma clara e produtiva. Sempre coloque repertório em seus 
argumentos e apresente, claramente, a ligação entre as duas partes: a sua afirmação e o repertório. 
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Por fim, você deve concluir as ideias desenvolvidas ao longo do texto. Retome aos argumentos 
explanados para poder dar um fechamento geral no texto, sempre articulando ao tema de sua redação. 
 
Coletânea de textos 
Os textos motivadores são suportes para a compreensão do tema. Assim, não se pode utilizar seus 
argumentos e nem parte desses textos na produção textual. Busque utilizar os textos como direcionadores 
dos seus pensamentos. Muitas vezes, vocês apresentam a ideia de que não podem ler os textos motivadores 
porque ocorrem essencialmente dois problemas: ou vocês descobrem que todos os argumentos que têm 
estão colocados nos textos; ou sentem uma incontrolável necessidade de usar aqueles argumentos que 
ficam fixos no seu inconsciente. Para resolver isso, só treinando muito a produção textual. Treine e treine e, 
quando cansar de treinar, treine mais um pouco. Escrever nós realmente aprendemos escrevendo. 
A seguir, apresentamos uma pequena análise de cada um dos textos constantes da proposta. 
 
TEXTO I TEXTO II 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEXTO III TEXTO V 
 
• Variação linguística como 
característica humana. 
• A heterogeneidade da língua. 
• A ilusão da uniformidade 
linguística. 
• A variação linguística se 
manifesta desde o nível mais 
elevado e coletivo ao mais 
baixo e individual. 
 
• Não há cortes rígidos entre formal e 
informal, entre oral e escrito, entre 
“certo” e “errado”. “A mudança 
estilística do ministro está ligada ao 
assunto; as pessoas modulam a 
língua de acordo com interlocutores, 
ambiente, assunto, gênero do 
discurso, etc. O mais importante é 
fugir sempre das dicotomias. 
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Apresento, a seguir, algumas palavras interessantes retiradas dos estudos da sociolinguística, ramo 
da ciência linguística que estuda as variações linguística. 
 
 
 
Tese e argumentos possíveis 
Como observamos ao longo dessa descrição, é possível pensar, sem se desligar do tema, em 
diferentes argumentos para o desenvolvimento textual. Buscamos sinalizar que encontrar um problema para 
dá solução ao assunto é um dos caminhos mais fáceis para o desenvolvimento de seu texto, desviando da 
possibilidade de sua redação ficar muito descritiva. Assim, o processo argumentativo, que inclui defender 
• Língua como construção de 
identidade; 
• A língua contribui para a 
construção da subjetividade; 
• A oralidade é a língua viva. 
 
• Diversidade linguística ameaçada. 
• A grande extinção da língua no mundo. 
• Há uma tendência da redução da diversidade 
linguística no mundo. 
• O Brasil tem uma das maiores diversidades 
linguísticas do mundo. 
• Grande parte da população desconhece a 
existência das línguas indígenas. 
 
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um posicionamento acerca de uma temática específica, fica facilitado quando se enxerga problemas, sendo 
possível, assim, argumentar sobre a razão da existência desses problemas. 
Dessa forma, a tese de seu texto pode problematizar tanto a diversidade de usos da língua, quanto 
pode apresentar um problema no uso dessa língua. Quando você utiliza o argumento de tese como um 
problema, existe a possibilidade de se descrever o porquê desse problema, o que possibilita articular causas 
de consequências. É, literalmente, construir a motivação da existência do problema e, a partir disso, 
apresentar argumentamos em favor de comprovar essa existência. 
Proposta 4 
Tema e proposta 
Esta proposta de redação tem como diferencial não explicitar o tema. Então, caberia ao candidato ler os 
textos que compõem a coletânea e identificar que se pedia para ele dissertar sobre os limites e as 
possibilidades da comunicação, ou seja, sobre a expressão linguística por meio de palavras. Esse 
normalmente é um tema tratado pela disciplina de língua portuguesa direta e indiretamente, então o 
conteúdo não deveria causar tanta estranheza ao candidato. Também se trata de uma preocupação 
constante na vida das pessoas, porque é por meio da linguagem que precisamos realizar uma série de 
atividades no nosso dia a dia e o seu resultado impacta diretamente em nossa vida de forma geral. 
Trata-se de um tema interessante para o candidato, porque remete diretamente para a situação de prova 
em que ele se encontra, porque é exatamente através da expressão por meio da linguagem escrita que ele 
realiza a prova do vestibular e dela depende a conquista de uma vaga na universidade, o que não é pouca 
coisa. Assim, entende-se que o candidato poderia refletir acerca da própria experiência para discutir de 
forma abrangente o tema proposto. 
O candidato também poderia lançar mão de referências literárias ao tema, pois além das duas citadas na 
coletânea, ele estaria apto a usar outras que tenha em seu repertório, pois trata-se de um tema que 
costuma ser objeto de reflexão por escritores e poetas. 
Diante dessas informações, vejamos a seguir algumas possibilidades de se trabalhar o tema. 
 
 
A partir das informações elencadas no quadro, percebe-se que você pode abordar o tema por diferentes e 
variadas perspectivas. Segundo as ideias apresentadas no quadro anterior, o tema não se circunscreve 
apenas à ideia de falta de experiência com a escrita, o que poderia caracterizar a situação de um estudante 
• A linguagem nos serve para resolver inúmeros problemas, como fazer uma 
reclamação, e o nível de efetividade de seu uso pode determinar o nosso sucesso ou 
fracasso em nossa demanda. 
• Concursos e vestibulares são exemplos de situações em que o uso habilidoso da 
linguagem pode fazer diferença em nossa vida, pois é através dela que iremos 
demonstrar todo o nosso conhecimento. 
• A tarefa do escritor profissional é uma constante batalha entre os limites e as 
possibilidades que a linguagem oferece para a expressão de suas ideias. Isso 
independe de sua experiência e de sua habilidade profissional. 
• Ocasionalmente, as pessoas reconhecem a dificuldade de defender certas causas 
apenas com palavras, principalmente se seus oponentes fazem uso de outras armas 
de defesa. 
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ou de um vestibulando, visto que ele também é uma questão para escritores experimentados, como Carlos 
Drummond de Andrade. Pode-se, então, entender que as possibilidades e os limites da expressão linguística 
é um tema de caráter atual e que afeta globalmente as pessoas, não se restringindo apenas a certos grupos 
ou faixas etárias e nem a populações de certos países. No entanto, entende-se que naqueles países cuja 
educação básica enfrenta maiores desafios quanto à sua efetividade, essas dificuldades são ampliadas. Esse 
é o caso do Brasil, pois no exame do PISA, nossos estudantes não atingem o conhecimento mínimo 
necessário em leitura, por exemplo, o que revela que o domínio do idioma não é pleno. 
A mesma reflexão cabe aos países em que a população lê menos, portanto exercita menos a sua capacidade 
de adquirir informação por meio escrito e de interpretá-la, sendo menos desafiada nesse exercício de 
expressão linguística e de repertório. Consequentemente, ela é menos exposta a novas construções 
linguísticas e vocabulário, o que pode afetar a sua competência no uso do idioma. 
Ao se falar em competência,é necessário pensar que existe uma competência linguística para a linguagem 
falada e outra para a linguagem escrita. Muitas vezes um indivíduo fala muito bem, mas tem dificuldades 
com escrever; outros, por sua vez, têm mais facilidade em escrever, mas dificuldades com a expressão oral. 
Também é essencial considerar que nem sempre podemos escolher o tipo de expressão que iremos usar 
conforme a nossa maior habilidade em uma delas. As situações de comunicação são quem determina se 
usaremos a linguagem oral ou escrita, não havendo possibilidade de escolha de uma delas. 
Como você deve ter percebido, existem muitos caminhos para a reflexão sobre esse tema, então caberá a 
você escolher um deles. Escolhido o caminho, o próximo passo é elaborar o projeto do seu texto. Nele você 
delineia brevemente o esqueleto do texto, definindo qual será a sua tese e quais serão os argumentos que 
você irá usar para defendê-la. Considere em seu projeto que se trata de um texto de 30 linhas, o que deve 
ser suficiente para elaborar quatro ou cinco parágrafos. O primeiro é a introdução; os centrais são o 
desenvolvimento da sua argumentação; o último é a conclusão. Na introdução, espera-se que você 
apresente e contextualize o tema e já defina a sua tese. Também é possível já dar algum indício do seu 
percurso argumentativo, o que orienta muito bem a leitura do seu texto e dificulta que você se perca 
durante a escrita, porque já ficou explicitado o que você irá abordar na sua argumentação. 
A argumentação ocupa o centro do texto e cada argumento deve ocupar um parágrafo. Procure usar 
repertório – exemplos, dados estatísticos, citações, fatos históricos – para enriquecer seu argumento e 
auxiliar a sua defesa da tese. No entanto, não basta apenas citá-los, é preciso estabelecer a conexão entre a 
informação trazida e o tema que está sendo discutido. É preciso que o repertório traga luz ao que está sendo 
exposto, que contribua para a tarefa de justificar a sua tese e evidenciar por que ela é defensável e legítima 
em relação ao que está sendo debatido. 
O último parágrafo é a conclusão, e nela espera-se que você reafirme sua tese e retome seus argumentos 
brevemente, fechando o raciocínio elaborado no texto. No vestibular da FUVEST não se espera que você 
elabore uma proposta de intervenção, como no ENEM, e nem isso é aconselhável, porque muitas vezes o 
tema nem permite que se construa uma. Assim, a conclusão por síntese é a mais indicada. 
 
Coletânea de textos 
O primeiro texto remete à própria situação do vestibulando que está produzindo a sua redação, mostrando 
que o texto é um meio para se atingir um fim específico. Caso obtenha sucesso, atinge-se o objetivo, que é a 
vaga na universidade. Ele identifica especificamente os elementos desse ato de comunicação: a situação de 
comunicação - escrever um texto sobre um tema A -, o destinatário – um leitor X -; com a preocupação B – 
Conseguirei?. 
O segundo texto traz alguns versos de Carlos Dummond de Andrade que remetem à ideia da escrita como 
tarefa árdua, mas o fato de ela ser árdua não nos faz esmorecer. O texto esclarece que o escritor escreve 
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isso quando já é um escritor consagrado, portanto não se pode entender tal posicionamento como provindo 
de um escritor inexperiente. 
O terceiro texto, de João Cabral de Melo Neto remete aos limites da escrita na defesa da vida, referindo-se 
especificamente aos casos em que existe grande discrepância de recursos entre as partes. Um exemplo disso 
é quando alguém precisa se defender, mas conta apenas com o discurso, enquanto a outra parte conta com 
uma arma, com poder político. 
 
Tese e argumentos possíveis 
De acordo com o posicionamento escolhido em relação ao tema, você irá compor uma tese que explicite esse 
posicionamento. Uma vez escolhida e redigida a tese, é hora de escolher quais são os melhores argumentos 
para defendê-la. Na primeira seção do comentário desta proposta, foram dadas algumas sugestões de 
encaminhamentos que poderiam ser escolhidos, o que não esgota as suas possibilidades. Lembre-se de que a 
ideia chave nessa escolha é o fato de que as informações selecionadas de fato comprovem a sua tese, 
mostrem por que ela se justifica no mundo atual, por que ela se legitima em nossa sociedade. 
São elencadas a seguir algumas ideias que podem ser usadas como base para os seus argumentos. 
 
 
Para enriquecer sua argumentação, é interessante que você utilize repertórios. Esses podem ser 
compostos de exemplos, dados estatísticos, citações de especialistas ou escritores, podem ser referências de 
séries, filmes, livros que você tenha lido e que se articulem à ideia que você está desenvolvendo. Lembre-se 
que, desde que seja bem articulada ao que você está desenvolvendo, as possibilidades de referências 
externas são muitas, e o uso produtivo dessas referências vai enriquecer sua argumentação e possibilitar uma 
nota mais alta. 
• O exercício diligente e constante pode ser uma forma de aprimorar as capacidades 
de comunicação das pessoas, de modo que elas sejam mais efetivas em seus atos de 
comunicação, com maior probabilidade de serem bem sucedidas em suas 
realizações. 
• Ainda que a defesa de convicções com palavras seja árdua quando a outra parte 
conta com outros dispositivos ao seu favor, ela ainda é empregada em muitos 
contextos, como no Congresso. É pela palavra que os congressistas defendem os seus 
pontos de vista. 
• A defesa de convicções por meio do discurso tem tido relativo sucesso no mundo em 
que vivemos, sobretudo para alertar para causas relevantes, como a da defesa do 
meio ambiente, o direito das minorias. 
• Com o uso cada vez mais disseminado das redes sociais, nas quais é pela linguagem 
que as pessoas se comunicam, ficam consequentemente mais evidentes os limites e 
as possibilidades da expressão verbal. Por um lado, é possível se comunicar com 
pessoas que estejam fisicamente distantes, mas, ao mesmo tempo, as redes sociais 
têm sido palco de muitos conflitos decorrentes da má interpretação do que é dito. 
• Em situações de grande impacto emocional, as palavras podem ser insuficientes para 
expressar uma emoção, como afeto, raiva, indignação. 
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10.Considerações finais 
 
 Esta foi a aula sobre linguagem. 
Foi teórica. A intenção era dar a você algumas dicas de escrita e uma noção de como uma boa 
linguagem faz diferença. Terminada a aula, você pode ter ficado com a sensação de que ainda não 
alcançou o patamar linguístico desejado. Bobagem, até porque a gente nunca alcança mesmo. O 
importante é que, a cada redação, você vá aprimorando sua capacidade linguística. 
Com certeza, você consegue fazer uma redação acima da média com o seu vocabulário, tomando 
alguns cuidados e estruturando bem o seu texto. Não se esqueça de brincar com os termos da oração, 
você consegue milagres de clareza fazendo isso. 
Bons estudos e boa prova. 
 
 
 
 
 
 
 
 
@filosofia.do.portuga 
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Versão Data Modificações 
1 05/01/2022 Primeira versão do texto. 
 
 
11. Referências 
 
Figura 1: 
Disponível em https://pixabay.com/pt/illustrations/columbo-detetive-homem-masculino-268641/ , acessado 
em 24.12.2019. 
Disponível em https://pixabay.com/pt/illustrations/lanche-gula-obesos-brinde-vintage-1785883/, acessado 
em 24.12.2019. 
 
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https://www.outrasvias.com/
https://pixabay.com/pt/illustrations/columbo-detetive-homem-masculino-268641/
https://pixabay.com/pt/illustrations/lanche-gula-obesos-brinde-vintage-1785883/
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