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Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 1 U UNESP Exasiu Prof. Fernando Andrade Aula 01 – Linguagem Recursos Linguísticos; correção gramatical; estilo estretegiavestibulares.com.br EXTENSIVO 2023 Exasiu t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 2 Sumário INTRODUÇÃO 4 1. TEMA E ATITUDE 6 1.1 Tema deste pdf: linguagem 7 1.2 Secção Atitude inicial 8 2. A LINGUAGEM NA DISSERTAÇÃO 10 2.1 Grau zero da linguagem 11 2.2 Objetividade 12 3. O ERRO NO VESTIBULAR 16 4. ESTILÍSTICA 18 4.1 A forma altera o conteúdo 19 4.2 O estilo na dissertação 20 5. RECURSOS DISCURSIVOS 22 5.1 Descrição, relato e caracterização como recursos argumentativos 23 6. RECURSOS SINTÁTICOS E SEMÂNTICOS 29 6.1 Período 30 6.2 Interrupção da ordem direta 36 6.3 Indefinidos 39 6.4 Paralelismo 40 6.5 Ênfase 44 6.6 Escolha de palavras 46 6.7 Retomada da ideia e implícitos 48 7. RECURSOS QUE PREJUDICAM O ESTILO 49 7.1 O verbo “ser” e o verbo “ter” 49 7.2 Queísmo 50 t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 3 7.3 Gerundismo 50 8. ERROS GRAMATICAIS 51 8.1 Concordância 51 8.2 Vírgula: dicas de sobrevivência 54 8.3 Crase 57 9. PROPOSTAS DE REDAÇÃO 59 9.1. Possibilidades de Encaminhamento das Propostas 66 10.CONSIDERAÇÕES FINAIS 77 11. REFERÊNCIAS 78 t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 4 Introdução Querido aluno, Este pdf sobre linguagem deveria ser o último de redação, afinal, acredito que a revisão linguística do texto se faz no final de todo processo. Contudo, muitos alunos ficam bastante preocupados com questões relacionadas à linguagem, então resolvi lançar o pdf logo no começo do curso, mas deixando a indicação de que o olhar clínico em relação à colocação de vírgulas, crase e outras “cositas” mais deve estar no final do processo. Há um outro aspecto relacionado à linguagem que é extremamente relevante: o domínio do vocabulário. Contudo, nesse quesito, este pdf dá algumas indicações, poucas na verdade, pois a apreensão de um vocabulário mais preciso e mais expressivo se faz pelo processo de escrita, leitura e observação dos erros cometidos. Ou seja, é a famosa prática que irá ser o guia didático. Escreva. Antes de mergulhar no que eu preparei para vocês nesse pdf, vou relembrar e revisar a proposta feita no pdf anterior, indicando o que você deve esperar desse material. Você deve se lembrar de que os pdfs são temáticos. O tema deste é a própria linguagem: qual o papel que a linguagem tem na nossa vida? A representação através da linguagem altera a percepção da realidade? Até que ponto? Há formas corretas e incorretas de expressar ideias? Comece a estudar pensando nessas questões. Outra coisa, lembre-se de que as propostas estão escalonadas por nível de dificuldade. Saiba usar isso a seu favor. Prometi, quando possível inserir, no pdf, algumas secções. Segue o quadro. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 5 Neste pdf, não considerarei a “Secção linguagem”, uma vez que o pdf inteiro é sobre isso e o de análise de uma redação exemplar. Outras duas não serão consideradas também: “exercitando a reflexão para uma boa escrita” e “análise de uma redação exemplar”. Então bora lá, mergulhar na Língua Portuguesa e seus recursos. Boa aula e boa escrita. Secção Atitude inicial: parte motivacional com alguma dica de como encarar a dificuldade de escrever. Secção linguagem: uma parte para discutir algo da linguagem importante para o que se discute no tópico do pdf. Secção Exercitando a reflexão para uma boa escrita: parte dedicada ao desenvolvimento do pensamento lateral Secção análise de uma redação exemplar: análise de um bom texto ou um texto sofrível a partir dos parâmetros estudados em aula Secção conexões: sugestão de repertório de filosofia ou sociologia . t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 6 1. Tema e atitude Outros-outros Política; questão social Política Questão social Eu-eu Projeto de vida Ética (viver bem) Subjetividade; identidade Psicologia Eu-outros Ética (viver bem com os outros) Eu-conhecimento Representação do mundo *Epistemologia Ciência Eu-meio ambiente t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 7 1.1 Tema deste pdf: linguagem Esse não é um tema muito frequente nos vestibulares, mas isso não significa que não apareça de vez em quando. A questão mais óbvia gira em torno da discussão sobre o padrão culto e o uso coloquial da linguagem. Mas já houve outras abordagens paralelas, como a do uso de estrangeirismo em Língua Portuguesa e como lidar com textos racistas de grandes autores da literatura como, por exemplo, Monteiro Lobato. Mas gostaria de aproveitar essa questão para discutir a base do que chamamos de representação da realidade. Já se perguntou o que aconteceria se não tivéssemos palavras para um objeto? Ele existiria? Só para citar um exemplo, os índios não tem palavra para selva ou floresta, eles têm palavras específicas para cada trecho da mata. Eles conseguem ver a “floresta”? Observe o poema abaixo. O Montepio (fragmentos) o pai dá ao filho o ninho vazio achado no bosque e a raposa morta por sua espingarda. Dá-lhe a sua anônima grandeza do nada. Sua herança é o frio que sentiu rapaz quando impaludado. Ser pai é ensinar ao filho curioso o nome de tudo: bicho e pé de pau. Que o pai, quando morre, deixa para o filho o seu montepio - tudo o que juntou de manhã à noite no batente, dando duro no trabalho. Deixa-lhe palavras. Lêdo Ivo Esse texto é maravilhoso. O que as gerações passadas deixam para as novas? Linguagem. Através dela, uma visão de mundo é transmitida. Isso é o que chamamos de representação do mundo. O homem não é capaz de captar o mundo tal como ele é, de forma imediata. Ele capta e forma uma imagem, que vem carregada de significados culturais. Um par de tênis, para um animal, é um objeto sem qualquer valor agregado. Para um jovem, um tênis pode significar status, para alguém mais velho que se veste de maneira formal, o tênis significa descontração, para alguém que não tem dinheiro para comprá-lo, ele é um luxo. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 8 Isso é representação e, nesse sentido, toda linguagem, como a visual, também é representação, aliás, tema que merece um pdf. Secção conexões Na filosofia, a discussão sobre a linguagem começa com uma questão interessante: as palavras revelam algo do mundo ou são totalmente arbitrárias? Durante muito tempo pensou-se que a língua guardaria algo de verdadeiro sobre o mundo. Bastaria formular bem uma definição que encontraríamos uma verdade. Ou seja, uma representação cuidadosa do mundo poderia revelar sua verdade. Mas daí chegou o século XX, e vários autores postularam a total arbitrariedade da língua. O que isso significa? Observe como um autor define isso. “Quando a gente nasce, a gente é apenas homo sapiens, nível biológico, só depois quando a gente é banhado nas águas da cultura é que a gente vira ser humano, porque o homem faz o símbolo mas são os símbolos que fazem o homem homem, e isto, a cultura, é feita de símbolos, símbolos. Não parece porque ficoutão natural tudo isso para nós, porque um cavalo é um cavalo? Quando a gente é criança e a gente sabe que cavalo em inglês é horse, a gente acha isso uma espécie de perversão. Então os ingleses não sabiam que um cavalo é um cavalo? Depois a gente aprende a relativizar (Di Giorgi, Flávio. “Os caminhos do desejo. In Novaes, Adauto (coord). O desejo. São Paulo: Cia. Das Letras, p.130). A arbitrariedade radical levou os pensadores a desconfiarem de todo código discursivo. O que é a língua? Um arranjo cultural que enquadra o pensamento dos falantes num determinado momento. Roland Barthes (1915-1980), filósofo e semiólogo afirmava que o discurso, a teia de ideias expressas em linguagem escrita ou falada, criava um sistema de supervisão que dominava a todos. Em um texto surpreendente, Fragmentos de um discurso amoroso, o autor inverte a perspectiva do leitor sobre o amor. Acreditamos que primeiro nos apaixonamos e depois criamos a linguagem para expressar o amor. Ele dá exemplos de fragmentos amoroso, como o do ciúme, que são preexistentes ao homem ciumento. Não é o ciumento que cria uma linguagem, é a linguagem que cria o ciumento. Pense um pouco na capacidade das linguagens de produzir a realidade humana. 1.2 Secção Atitude inicial Em relação à linguagem, uma atitude para o desenvolvimento da escrita é muito importante para quem deseja avançar na escrita do texto. Na escrita não vale aquela frase com a qual você tentava convencer seu professor a dar uma nota mais alta: Professor, o senhor não entendeu? Se entendeu, então por que me deu essa nota? Na Redação, o diabo mora nos detalhes. Definir com detalhes o que se quer dizer “vale um caminhão”. E pode parar com a balela de que você é direto e objetivo, ou que não gosta de enrolação. Sendo sincero, escrever de qualquer jeito é preguiça mental. Então, deixe de lado as desculpas e tenha uma atitude pró-ativa em relação à linguagem. Deseje e queira ser mais preciso e especifico. Observe o texto abaixo. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 9 O texto Definindo teoria A palavra "teoria" vem aparecendo bastante na mídia, em parte devido ao debate entre criacionismo e ciência. Existem usos diferentes do termo, que acabam criando confusão. No seu uso popular, o termo descreve um corpo de ideias ainda incerto, baseado em especulações não demonstradas. Teoria, para muitos, significa um corpo de hipóteses esperando ainda por confirmação. Às vezes, o uso popular do termo distancia-se ainda mais do científico, significando ideias que são meio absurdas, fora da realidade: "Ah, esse cara sempre foi um inventor de teorias, não sabe do que está falando", ou "isso aí não passa de uma teoria, provavelmente é besteira". Teoria em ciência significa algo completamente diferente. O termo mais apropriado para uma ideia de caráter especulativo é hipótese, e não teoria. Uma hipótese é justamente uma suposição ainda não provada, aceita provisoriamente como base para investigações futuras. Por exemplo, a panspermia é uma hipótese que sugere que a vida na Terra veio de outras partes do cosmo. Não sabemos se está certa ou errada, mas podemos tentar comprová-la ou refutá-la. Já uma teoria consiste na formulação de relações ou princípios descrevendo fenômenos observados que já foi verificada, ao menos em parte. Ou seja, uma teoria não é mais uma mera hipótese, tendo já passado por testes que confirmam suas premissas. Quando cientistas falam de uma teoria, falam de um corpo de ideias aceitas pela comunidade científica como descrições adequadas para fenômenos observados. A confirmação é por meio de observações e experimentos, o que cientistas chamam de método de validação empírica. Quanto mais sucesso tem uma teoria, maior o número de fenômenos que pode descrever. Quanto mais elegante, mais simples é. Uma teoria de enorme sucesso em física é a teoria da gravitação universal de Newton. Ao propor que objetos com massa exercem uma força de atração mútua cuja intensidade cai com o inverso do quadrado da distância entre as massas, Newton e seus sucessores foram capazes de explicar as órbitas planetárias em torno do Sol, o fenômeno das marés, a forma oblata da Terra (achatada nos polos), o movimento de projéteis na Terra e no espaço etc. Quando a Nasa lança um foguete da Terra ou o faz colidir com um cometa, a teoria usada no planejamento das missões é a de Newton. Testes em laboratórios e observações astronômicas mostram que a teoria funciona extremamente bem em distâncias que variam de décimos de milímetros até milhões de trilhões de quilômetros, a escala em que galáxias formam aglomerados atraídas por sua gravidade mútua. Isso não significa que a teoria (ou qualquer outra) seja perfeita. Sabemos que ela deixa de ser válida quando objetos estão muito próximos de estrelas como o Sol. Correções são necessárias, no caso fornecidas pela teoria da relatividade geral de Einstein, que, em 1916, generalizou a teoria de Newton. O fato de teorias não serem perfeitas é fundamental para o progresso da ciência. Caso contrário, não nos restaria nada a fazer. E é justamente aqui o lugar da hipótese em ciência, tentando, através de ideias ainda não demonstradas, alavancar o conhecimento, desenvolver ainda mais nossas teorias. Para construir a teoria da relatividade, Einstein supôs que a velocidade da luz é sempre constante e que a matéria curva o espaço. Quando isso foi confirmado, a formulação ganhou o título de teoria. A pesquisa agora gira em torno dos limites dessa teoria e de como pode ser melhorada. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 10 (GLEISER, Marcelo. Folha de S. Paulo, Mais!, 02 out. 2005.) Você já sabe o que vou perguntar: gostou do texto? Eu o achei muito bom. Veja, o autor simplesmente ao definir a palavra teoria, consegue derrubar os argumentos daqueles que insistem em dizer que criacionismo é uma teoria. Sacou? O uso preciso e bem esclarecido das palavras faz toda a diferença entre uma redação acima da média e a abaixo da média. Uma redação bem escrita, com termos precisos, dificilmente será uma redação senso comum. Será talvez de bom senso. A linguagem por si, junto com uma boa interpretação de texto, faz com que o texto já se situe acima da média. Há anos atrás, trabalhei num cursinho de expressão aqui de São Paulo. Tinha uma ótima relação com Cely, minha coordenadora, que era também responsável pelos corretores. Um dia cheguei mais cedo, e presenciei uma cena, no mínimo, hilária. Minha coordenadora estava se escondendo na sala dos professores de uma aluna que ela chamava de “a japonesinha”. A menina escrevia de forma impecável e com muita precisão, mas os argumentos dela eram todos do senso comum. A menina queria saber de um jeito ou de outro porque a nota não era a máxima. A Cely já tinha dado todas as explicações possíveis e não dava o braço a torcer, 10 jamais. Ela tinha que ficar ajustando as notas na grade, tirando pontos mínimos para diminuir a nota dela. Era um trabalho dos diabos. E ela me perguntava aflita, como dizer para ela que a redação não estava cem por cento, se a linguagem era muito bem elaborada? Eu ria, afinal, linguagem precisa na correção dos outros é diversão para quem não precisa corrigir o texto. 2. A linguagem na dissertação Em alguns momentos em nossas vidas, precisamos emitir opiniões sobre determinados fatos ou mesmo justificar determinadas ações que têm a ver com o que acreditamos ser verdade. As crenças ou opiniões são juízos, julgamentos, que fazemos da realidade e que devem ter como traço principal a generalização. A partir da experiência, vamos formando princípios gerais para podermos agir com segurança no futuro. Quando falamos que a água fervendo provoca queimaduras, esse juízo nãoé particular, restrito somente ao dia em que alguém queimou a mão, mas serve como princípio para que qualquer pessoa não se aproxime de uma caneca de água que está no fogão, por exemplo. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 11 Dessa forma, durante a vida vamos acumulando uma série de princípios que norteiam nosso comportamento. Em alguns momentos, somos chamados a expor esses princípios, é aí que mudamos nossa organização linguística para dissertar, ou seja, para expor uma ideia. Ora, ao fazermos isso, estamos aceitando o risco de sermos contrariados. O receptor pode achar que nossa crença é infundada, julgando- nos imaturos ou incapazes de entender o mundo que nos cerca. Esse grave risco nos leva a ser cuidadosos quando emitimos uma opinião que vai contra a ideia geral. Com medo do julgamento alheio, tomamos certos cuidados: expressar com máxima clareza o que vamos dizer; usar um vocabulário diferenciado para poder dar seriedade ao que é dito; fundamentar a ideia, procurando provar com fatos, raciocínios ou apelando para outras pessoas mais influentes como forma de convencer o interlocutor de que estamos certos. 2.1 Grau zero da linguagem Qual é o sonho da ciência e da filosofia? A captação da realidade tal como ela é. Há uma dificuldade intransponível, pois a realidade é apreendida pelos nossos 5 sentidos e é representada na nossa mente como se fosse um filme. Ora, nesse processo, algo se perde. Nossas percepções são extremamente limitadas. Mas o pior está por vir. Para se produzir conhecimento é preciso generalizar e transpor aquilo que foi vivenciado para a linguagem. Quando expressamos aquilo que testemunhamos, a nossa forma de encarar o mundo contamina o que descrevemos. O sonho dos filósofos era depurar a linguagem para que ela pudesse expressar o mundo tal qual ele seria de fato. E se pudéssemos ter uma linguagem puramente referencial, ou seja, se pudéssemos ter palavras e combinações de palavras que pudessem representar o real da forma como ele se apresenta, como seria essa linguagem? Seria um discurso construído por denotações, com gramaticalidade lógica, uso perfeito de conectivos, palavras precisas sem ambiguidades e ordem direta dos termos. Um discurso desse tipo seria um meio tão perfeito para a transmissão da ideia que nem perceberíamos a linguagem. Como exemplo, considere essa definição de estrela: As Estrelas são corpos celestes que têm luz própria. Elas são, na verdade, esferas gigantes compostas de gases que produzem reações nucleares, mas, graças à gravidade, podem se manter vivas (sem se explodir) por trilhões de anos. Parece um bom texto de caracterização do que seria uma estrela, certo? Não exatamente. Observe que duas palavras não podem ser lidas de forma literal, “corpos” e “vivas”. Rigorosamente, os dois atributos pertencem a seres vivos, o que não é o caso de uma estrela. Além disso, o uso da palavra esfera é impreciso. Impossível que gases que se aglutinam pela gravidade sejam capazes de produzir uma esfera perfeita. Nossa, escrever no grau zero é quase impossível... t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 12 Você tem toda razão, corujinha cética. Trata-se de um modelo de linguagem. Embora, não passe de um ideal, o modelo serve como meta a ser alcançada. Cada vez que o escritor se aproxima desse paradigma, seu texto tende a ser lido como “confiável”. Como ficaria o texto acima numa linguagem mais precisa? O que chamamos de “estrela” são formas materiais celestes que emitem luz. Essas formas, na verdade, se apresentam num campo esférico irregular. São compostas por gases em fusão nuclear que, devido, principalmente, à gravidade mantêm-se nesse processo por trilhões de anos. Seu texto dissertativo pode, obviamente, se afastar de ideal de grau zero. Numa introdução, a referencialidade é média, você deve apresentar o tema. No desenvolvimento, um estilo pautado na objetividade angaria maior credibilidade. Já na conclusão, o uso de figuras de linguagem é bem-vindo. Em todo caso, é importante que você compreenda bem o que vem a ser essa linguagem de grau zero para ter consciência de como se valer dos expedientes linguísticos e assim produzir os efeitos que deseja. Digamos que o grau zero, numa dissertação, deva ser o esqueleto do seu texto assim como a haste de uma árvore de natal. A partir disso, você pode ir jogando com os enfeites que vão compor esse texto ou essa árvore. 2.2 Objetividade Objetividade se refere a um estilo pautado por recursos linguísticos cujos efeitos levem o leitor a acreditar que aquela opinião tem caráter geral e não particular, individual. Normalmente, quando dizem que o texto deve ser mais objetivo, entende-se que ele deve ser direto. Não é bem isso que o termo significa. Objetividade vem da palavra “objeto” e se refere à forma analítica e impessoal com que tratamos determinado assunto. Se tivermos que fazer um texto sobre, por exemplo, uma cadeira, adotaremos uma linguagem com poucos adjetivos valorativos, poucos advérbios e faremos uma enumeração de traços que não despertaria qualquer emoção. Essa situação mudaria de figura se alguém pedisse que você descrevesse a cadeira onde seu avô, de quem você tem muitas saudades, sentava-se regularmente. Um jornalista que cobre uma tragédia, por mais emocionado que esteja, deve adequar a linguagem para que ela seja informativa, não emotiva. Quais são os recursos que se usam e quais os que devem ser evitados para conseguir o efeito de subjetividade? ✓ Utilize... ✓ Linguagem técnica quando possível. O ir e vir de carro e ônibus na cidade tá cada vez mais difícil. A mobilidade urbana tornou-se um problema nos grandes centros. Conceitos, defina-os e dê exemplos que se Mobilidade urbana é um termo que se refere à t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 13 adequem ao seu tema. facilidade de deslocamento de pessoas e bens em uma cidade... Conectivos de forma apropriada. Apesar da gravidade do problema relacionado à quase imobilidade urbana, poucas ações efetivas foram tomadas com sucesso comprovado. Subdivisões típicas da linguagem analítica: “esse problema pode ser analisado de duas formas”, “três características definem essa ideia”, “dois fatores concorrem para isso”, etc. A mobilidade urbana deve ser encarada sob duas perspectivas: a do prejuízo econômico para o país e a da qualidade de vida para o cidadão. Evite... Exemplos O uso da primeira pessoa do singular “eu” e verbos conjugados nessa pessoa. Eu acredito que a questão de mobilidade urbana tem a ver com o planejamento da cidade. Esse expediente do qual estou abusando, dirigir- me a você, ou seja, conversar com o leitor. Nas cidades grandes, provavelmente, te irrita o tempo perdido nos congestionamentos. Expressões com forte carga valorativa, emotiva ou mesmo perguntas retóricas. Até quando continuaremos a gastar parte de nossas vidas parados no trânsito? Isso é um absurdo! Palavras/expressões inespecíficas ou que revelem uma certa visão ingênua do mundo como Muitas coisas estão envolvidas nessa coisa de mobilidade urbana e nem sempre são boas. Abaixo você encontrará trechos dissertativos, com palavras destacadas que distanciam o texto do grau zero da linguagem e da objetividade. Reescreva o texto alterando o que você achar necessário para que o texto passe a impressão de tecnicidade. Q.1 O ambiente digital é muito mais dinâmico: basta tomar como exemplo as redes sociais. A empresa cria uma ação específica — ou se posiciona de determinada forma diante de algum acontecimento — e tem o feedback dos consumidores em tempo real. E isso pode ser usado como termômetro paramedir como será a aceitação de determinado conteúdo. Falando em medir, fazer a mensuração dos resultados das estratégias adotadas em âmbito digital também é muito mais fácil e preciso. É possível, inclusive, ajustar determinadas ações durante sua execução. É simples: se você percebeu que os resultados não estão atendendo sua expectativa, basta adotar novos rumos. Q.2 Os grandes veículos de informação da era digital não têm interesse em provocar uma reflexão por parte dos usuários sobre as informações que lhe são transmitidas; tornando-o X t.me/CursosDesignTelegramhub https://www.organicadigital.com/blog/dicas-para-gerar-leads-qualificados-usando-as-redes-sociais/ https://www.organicadigital.com/blog/inovacao-digital-como-posicionamento-estrategico/ https://www.organicadigital.com/blog/como-saber-se-sua-estrategia-de-marketing-digital-e-eficiente/ Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 14 um indivíduo incapaz de formular uma opinião própria. Q.3 O conceito da autopromoção está implícito nas mais variadas esferas da vida e costuma ser confundido com ostentação e atitude de “gente metida”. São coisas diferentes. A autopromoção é uma ferramenta de vendas, enquanto ostentação e ser metido são reflexos de falta de valores e desvios de caráter (tem gente que se perde na correria do dia a dia também e não tem tempo para aprender a se vender). Sabe aquele sujeito que gosta de mostrar suas habilidades e talentos nas reuniões de equipe da empresa? Esta pessoa não é “metida”. Ao contrário, ela compreende que para crescer na hierarquia e alcançar seus objetivos de carreira, ela precisa “vender” suas competências para seus superiores. Pense também nas crianças e em como elas são mestres na arte de chamar nossa atenção. (https://dinheirama.com/autopromocao- vender-bem-si-mesmo-nao-e-sinonimo-ser-metido/) Q.4 No contexto contemporâneo, o maior tipo de entretenimento dos jovens e até mesmo das crianças encontra-se na internet, mais precisamente nas redes sociais. Sendo assim, esses indivíduos passam a maior parte do seu tempo concentrados em todas as informações que esses mecanismos têm a oferecer, sempre ávidos por mais informações sobre os mais variados assuntos. Entretanto, essas pessoas podem se tornar vítimas do universo digital, estando sujeitos a sofrer agressões, exposições e ameaças que impactam de modo assustador a vida de qualquer um. Q.5 Por que chegamos a esse ponto de banalização do coaching? Primeiro porque coaching realmente funciona e faz a diferença. Quando é bem-sucedido, muda o clima da empresa, e muita gente começou a achar isso mágico. Mas isso demora, leva tempo e as organizações passaram a querer tudo muito rápido. E sempre vai ter gente na outra ponta que acha que pode fazer em cinco, quatro meses. Quanto menos formação você tem, mais mágico você se acha. O processo, nesse caso, pode até causar mudanças fantásticas, mas não se sustenta. Segundo porque que quem olha de fora e vê quanto um coach recebe por hora acha isso um ótimo negócio. (https://exame.abril.com.br/negocios/a-banalizacao-do-coaching/) Q.1 O espaço digital se altera rapidamente e permite interação : basta tomar como exemplo as redes sociais. A empresa cria uma ação específica — ou se posiciona de determinada forma diante de algum acontecimento — e tem o feedback dos consumidores em tempo real. E isso pode ser usado como parâmetro para avaliar como será a aceitação de Resolução exemplificativa Incoerên- cia t.me/CursosDesignTelegramhub https://dinheirama.com/blog/2015/07/16/correria-desculpa-desperdicar-tempo-dinheiro/ https://dinheirama.com/blog/2015/07/16/correria-desculpa-desperdicar-tempo-dinheiro/ https://dinheirama.com/autopromocao-vender-bem-si-mesmo-nao-e-sinonimo-ser-metido/ https://dinheirama.com/autopromocao-vender-bem-si-mesmo-nao-e-sinonimo-ser-metido/ https://exame.abril.com.br/negocios/a-banalizacao-do-coaching/ https://www.organicadigital.com/blog/dicas-para-gerar-leads-qualificados-usando-as-redes-sociais/ https://www.organicadigital.com/blog/inovacao-digital-como-posicionamento-estrategico/ https://www.organicadigital.com/blog/inovacao-digital-como-posicionamento-estrategico/ Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 15 determinado conteúdo. Falando em métodos de averiguação das estratégias adotadas, eles são mais precisos e mais rapidamente aplicáveis. É possível, inclusive, ajustar determinadas ações durante a sua execução. É simples: se o gestor percebeu que os resultados não estão atendendo sua expectativa, basta adotar novos rumos... Q.2 Os grandes veículos de informação da era digital não têm como finalidade comercial proporcionar elementos para a reflexão por parte dos usuários sobre as informações que lhe são transmitidas; isso pode levar o indivíduo a formar opiniões precárias e imprecisas. Q.3 O conceito da autopromoção está implícito nas mais variadas esferas da vida e costuma ser confundido com ostentação e atitude de “gente metida”. São coisas diferentes. A autopromoção faz parte da metodologia de vendas, enquanto ostentação é reflexo de falta de valores e formação deficiente dos padrões morais (tem gente que se perde na correria do dia a dia também e não tem tempo para aprender a expressar seu potencial). Sabe aquele sujeito que gosta de mostrar suas habilidades e talentos nas reuniões de equipe da empresa? Esta pessoa não é “metida”. Ao contrário, ela compreende que para ocupar uma posição acima na hierarquia empresarial e alcançar seus objetivos de carreira, ela precisa convencer seus superiores de suas competências são adequadas para uma nova posição. Pense também nas crianças e em como elas são hábeis na arte de chamar nossa atenção. (https://dinheirama.com/autopromocao-vender-bem-si-mesmo-nao-e- sinonimo-ser-metido/. Q.4 No contexto contemporâneo, o maior tipo de entretenimento dos jovens e até mesmo das crianças encontra-se na internet, mais precisamente nas redes sociais. Sendo assim, esses indivíduos passam a maior parte do seu tempo concentrados em todo tipo de dado que as plataformas têm a oferecer. Os usuários estão sempre ávidos por mais entretenimento. Entretanto, essas pessoas podem ser prejudicadas pelo espaço virtual. O anonimato é um fator que dá mais liberdade para que agressões e ameaças possam ser veiculadas por esse canal. Além disso, a quantidade de informações próprias e impróprias podem impactar negativamente o usuário. Q.5 Por que chegamos a esse ponto de banalização do coaching? Primeiro porque coaching realmente funciona e faz a diferença. Quando é bem-sucedido, muda as relações pessoais na empresa, e muita gente começou a achar isso admirável. Mas isso demora, leva tempo e as organizações passaram a querer tudo muito rápido. E sempre vai existir gente pragmática que se preocupa mais com os resultados do que como o processo. Tais pessoas acham que se pode fazer mudanças em cinco, quatro meses. Quanto menos formação o coach tem, mais ele demonstra crença em sua capacidade em operar mudanças rapidamente no processo, nesse caso, pode até causar mudanças prodigiosas mas elas não são perenes. Segundo porque que quem não pertence a essa área profissional e vê quanto um coach recebe por hora acha isso um ótimo negócio. t.me/CursosDesignTelegramhub https://dinheirama.com/blog/2015/07/16/correria-desculpa-desperdicar-tempo-dinheiro/ https://dinheirama.com/blog/2015/07/16/correria-desculpa-desperdicar-tempo-dinheiro/ https://dinheirama.com/autopromocao-vender-bem-si-mesmo-nao-e-sinonimo-ser-metido/ https://dinheirama.com/autopromocao-vender-bem-si-mesmo-nao-e-sinonimo-ser-metido/ Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 16 3. O Erro no Vestibular A diferença mais importante entre fala e escrita se dá pelo fato de que a primeira é imediata e mais perceptivadiante do contexto de comunicação. A escrita é precária e deve suprir ausências. Quando você está diante do receptor, um amigo, por exemplo, recebe sinais de como sua mensagem está sendo recebida de várias formas: ele interrompe se não estiver entendendo a informação, faz perguntas, faz caretas e assume uma postura corporal que revela o efeito de sua fala sobre ele. Além disso, você também usa vários outros recursos: modulação da voz, gestos, movimento corporal etc. Tudo isso falta à escrita, cuja estrutura é linear e monolítica, você escreve uma ideia de cada vez e não existe qualquer outro recurso de correção ou de ênfase. Desse fato decorre a necessidade de maior cuidado ao se expressar através da escrita. Se você redigir seu texto de forma descuidada, deixando traços da fala se infiltrarem na redação - prolixidade, coloquialismos, expressões genéricas etc -, o texto se tornará confuso para seu leitor. Isso ultrapassa a simples questão gramatical. Segundo o senso comum, o grande problema da escrita se concentra na parte gramatical: se um texto não contiver erros segundo o padrão culto, será um bom texto. Isso não é verdade, tanto que, em algumas redações publicadas pela FUVEST como exemplo de melhores produções, era possível encontrar pequenos “cochilos” gramaticais. Você se vale da língua falada o tempo todo, por isso, é muito mais fácil falar do que escrever. Mas isso não significa que você não domine a língua, por isso, este pdf não é sobre ortografia e regras básicas. A ortografia é um problema porque não escrevemos como falamos por um motivo básico, a escrita é gráfica e a fala é sonora, nunca haverá correspondência perfeita entre esses dois códigos. Como você faz para não errar em ortografia? Escreva, escreva e escreva. Você será corrigido ou procurará no Google ou no dicionário como se escreve e vai fixar essa forma na sua memória. Ortografia é hábito. Outra preocupação dos alunos é com a vírgula. Nesse ponto é importante saber um pouco de teoria, e ela será apresentada nesta aula. Mas atenção, a Banca não se preocupa com “cochilos” gramaticais relacionados à vírgula e crase. O corretor não vai ficar tirando 0,2 a cada erro relacionado a esses tópicos gramaticais. Por outro lado, há dois tipos de erros que tiram a credibilidade do texto: erros de concordância e uso inadequado do conectivo. No primeiro caso, isso se deve ao fato de que tal erro denuncia que o candidato não tem intimidade com o texto escrito. Na fala, a concordância é mais econômica, quando alguém diz “isso custa dez real”, tal falante entende que já marcou o plural no numeral “dez”. Na escrita, exige-se que todos os termos sofram flexão. No segundo caso, o conectivo mal empregado torna o texto incoerente, tema que estudamos na aula passada. Versus t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 17 Fiz uma tabela dos erros mais comuns e sua importância na dissertação. Tipo de erro Efeito Gravidade Como resolver Ortografia Tira a credibilidade do escritor Se forem palavras pouco utilizadas, e for um ou outro erro, o corretor releva, entende com um “cochilo”. Se forem palavras de uso corrente e houver mais de 3 de erros desse tipo, compromete-se a ideia Prática Vírgula Provoca ruídos na leitura Prejudica pouco a exposição das ideias Conhecer as regras e fazer exercícios Uso da crase Quase nulo Não prejudica em nada, apenas revela que o escritor não é atento em relação ao padrão culto da linguagem Conhecer as regras e fazer exercícios Conectivo Torna o fragmento incoerente O candidato perde pontos em linguagem e em coerência. Melhorar a prática de interpretação Colocação pronominal Coloquialismo Não prejudica muito a exposição da ideia, o texto torna-se um pouco impreciso, e revela um certo descaso com o padrão culto da linguagem Conhecer as regras e fazer exercícios Concordância Provoca aversão ao texto A falha na concordância passa a impressão de falha no letramento; fere o status da escrita Exercícios Como, dito, uma vez que você é falante da língua, esses erros, se cometidos, não devem comprometer o seu texto. Por isso, você encontrará no final deste pdf algumas questões gramaticais para que você se exercite. Vou considerar no próximo tópico algo realmente relevante para a boa escrita do texto, a estilística. Nós já vimos em pdfs anteriores a importância de uma mensagem bem redigida. O senso comum, os ditados, clichês e generalizações, muitas vezes, são apresentados sem erros gramaticais, mas são recursos que empobrecem sua argumentação e fazem com que você perca preciosos pontos. E o senso comum é uma questão de linguagem...Uma frase mais elaborada com uso de termos precisos coloca seu texto em um outro patamar, mesmo que você esteja dizendo o óbvio. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 18 4. Estilística O que é estilo? Segundo o dicionário on line , significa “modo pelo qual um indivíduo usa os recursos da língua para expressar, verbalmente ou por escrito, pensamentos, sentimentos, ou para fazer declarações, pronunciamentos etc”. Diante disso, muitas corujinhas se espantam, não há só um jeito, o jeito certo de escrever? Claro que não. É verdade, que a dissertação define muitos traços do que seria o estilo pessoal, mas mesmo assim, é possível usar recursos linguísticos de maneira autoral. Paulo Mendes Campos, escreveu uma crônica, bastante curiosa, em que ele explicita o que chamamos de estilo. Ele considera o seguinte fato: o corpo de um homem com cerca de quarenta anos foi encontrado às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, não existindo sinais de morte violenta. A partir daí, ele imagina estilos diferentes para contar essa história. Selecionei alguns. (...) Estilo interjetivo Um cadáver! Encontrado em plena madrugada! Em pleno bairro de Ipanema! Um homem desconhecido! Coitado! Menos de quarenta anos! Um que morreu quando a cidade acordava! Que pena! (...) Estilo reacionário Os moradores da Lagoa Rodrigo de Freitas tiveram nesta manhã de hoje o profundo desagrado de deparar com o cadáver de um vagabundo que foi logo escolher para morrer (de bêbado) um dos bairros mais elegantes desta cidade, como se já sabe não bastasse para enfear aquele local uma sórdida favela que nos envergonha aos olhos dos americanos que nos visitam ou que nos dão a hora de residir no Rio. (...) Estilo preciosista No crepúsculo matutino de hoje, quando fulgia solitária e longínqua da Estrela- d´Alva, o atalaia de uma construção civil, que perambulava insone pela orla sinuosa e murmurante de uma lagoa serena, deparou com a atra e lúrida visão de um ignoto e gélido ser humano, já eternamente sem o hausto que vivifica. (...) Estilo didático Podemos encarar a morte do desconhecido encontrado morto à margem da Lagoa em três aspectos: a) policial; b) humano; c) teológico. Policial:o homem em sociedade; humano: o homem em si mesmo; teológico: o homem em Deus. Policia e homem: fenômeno; alma e Deus: epifenômeno. Muito simples, como os senhores veem. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 19 (Campos, Paulo Mendes. Os diferentes estilos. In: Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1979, v.4, p. 39-42) 4.1 A forma altera o conteúdo A música abaixo foi composta dor Edu Lobo e Guarnieri e interpretada por Elis Regina. Basicamente, os autores se valem de um estilo mais coloquial para expressa uma realidade típica do morro, das comunidades. Upa neguinho na estrada Upa pra lá e pra cá Virgem que coisa mais linda Upa nequinho começando a andar E já começa a apanhar (“Upa Neguinho”- Edu Lobo e Guarnieri) O eu lírico descreve uma cena cotidiana no morro,de uma criança que mal começa a andar também já conhece a violência, já começa a apanhar. Mas vamos supor que fizéssemos a transposição dessa linguagem para outra, com traços parnasianos, aquele movimento literário que procurava representar a realidade através de uma linguagem sublime, empolada e dentro do que convenciona chama de padrão culto. Como ficaria a mesma canção? Evoé negro infante na senda Evoé para aqui e para acolá Imaculada que coisa maravilhosa Evoé negro infante começando a caminhar E já o látego a sofrer Veja que a transformação é grande. Só para citar o elemento mais significativo, observe a expressão “negro infante”. Ela é sinônimo de “negrinho”. Contudo, “infante” era uma palavra que designava criança pertencente à nobreza. “Negro infante” faz imaginar uma criança negra, bem vestida, asseada e bochechuda. Deve exalar “nobreza”. Por outro lado, “negrinho” traz outra imagem a memória: uma criança magra, não tão asseada e vestida de forma simples. Uma criança típica do morro. Qual seria a linguagem mais apropriada? Depende. Se você quisesse “dourar” a pílula do que significa ser negro no Brasil, deveria valer-se do segundo texto, do texto com traços parnasianos. Se você quisesse refletir a situação a que o negro está submetido. Até mesmo a discussão em relação ao preconceito embutido na palavra “negrinho” importa na construção do texto. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 20 A música de Edu Lobo tinha como propósito protestar contra a pobreza e a diferença social no Brasil, nesse caso, usar uma palavra com traços de preconceitos seria apropriado, pois a música não reforça o preconceito, usa-o como forma de protesto. O mais notável é que as palavras escolhidas, a organização textual e as conexões feitas produzem um efeito textual que muda a recepção da informação, apesar de, no fundo, os dois textos desenvolverem a mesma ideia. 4.2 O estilo na dissertação Em 2008, a UNICAMP propôs que o candidato fizesse um texto dissertativo-argumentativo sobre o uso de animais em experimentação científica. No ano seguinte, a Banca publicou e comentou uma redação acima da média e outra abaixo da média. Tente adivinhar qual é qual. Texto I Infelizmente os animais ainda serão alvos de experimentos científico por muito tempo. O homem é muito egoísta para se deixar fazer experiências no seu corpo. Por isso que animais como camundongos são usados, não porque são os menos importantes, mas são eles os que mais se parecem com o corpo humano em termos de quantidade e volume do animal. Texto II Tão antiga quanto a relação homem-homem é a relação entre homens e animais. Envolveu, ao longo da história, vários aspectos: desde o antagonismo caça/predador até uma afetividade exagerada em relação aos bichinhos criados em casa. O ponto mais polêmico dessa relação, contudo, surgiu recentemente, com o uso de animais em experimentações científicas. Façam as suas apostas, qual fragmento deve ser o classificado como acima da média? Acertou quem disse: o texto II. Ambos são trechos introdutórios. Observa-se que a própria linguagem passa a ser sinônimo de recurso argumentativo. O leitor do texto I não espera bom desenvolvimento textual, pois o autor se distanciou do grau zero da linguagem, aproximou-se do coloquialismo e valeu-se do senso comum (“o homem é muito egoísta”). Já o texto 2, pelo estilo, deixa claro que se segue um texto analítico, pelo fato de o autor se valer expressões como “vários aspectos”, ou de comparações com a do primeiro período. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 21 Para entender o que significa estilo, nada melhor do que escrever, não é mesmo. Tome como exemplo a introdução que se segue sobre o tema gênero neutro É provável que o leitor já tenha se deparado com textos em redes sociais ou discursos em que a vogal "e" ou o "x" são utilizados no final de algumas palavras, como as que ilustram o título desta reportagem. O recurso tem sido utilizado por pessoas que não se veem representadas e acolhidas pela língua da forma como ela se manifesta hoje, a partir do sistema binário masculino-feminino. Disponível em https://www.jcnet.com.br/noticias/geral/2021/11/781056-todos--todas--todes-ou- todxs--genero- neutro-provoca-polemica-e-discussoes.html , acessado em 16.12.2021. O estilo desse texto é do artigo de opinião. Observa-se isso pelo uso da diálogo com o leitor. Vou transformá-lo a partir de dois estilos diferentes: um dramático ou enfático; outro analítico. Dramático ou enfático Nos dias de hoje, um leitor desavisado pode ter se deparado com uma situação inusual. Vagando pelas páginas das redes sociais, ele pode ter se deparado como discursos em que a vogal “a” ou o “x” são utilizados no final de algumas palavras. Tomou um susto, pensou que algo deveria estar errado, até descobrir que essa seria uma nova forma de expressar gêneros não binários. De fato, esse recurso estranho e, para alguns desnatural, tem sido usado por pessoas que infelizmente não sentem representadas, nem acolhidas pelas língua, que se limitaria a expressar o mundo a partir de uma forma empobrecida reduzida a masculino- feminino. Estilo analítico Nas redes sociais, um usuário pode se deparar com redes sociais nas quais observa-se o uso do “e” ou do “x” no final de algumas palavras. Trata-se do gênero neutro. O recurso tem sido utilizado por dois motivos: (1) as pessoas não se sentem representadas pela língua, e (2) acreditam que o uso dessas palavras pode mudar a situação de invisibilidade a que elas estão renegadas. Você pode ter reparado que no primeiro, fiz uso de muitos adjetivos e fui mais descritivo na tentativa se sensibilizar o leitor. No caso do segundo, ele é mais objetivo e é analítico pois enumera dois motivos. Faça o mesmo. Observe o texto abaixo, sobre o mesmo tema. A nova novela das 19h da TV Globo, Cara e Coragem, que deve fazer sua estreia em maio de 2022, fará uso dos pronomes neutros em sua trama, de acordo com a criadora do enredo Claudia Souto: “O público de novelas é apresentado todos os dias a novos sotaques, gírias e palavras. Não é diferente com o gênero neutro. Logo se darão conta de que é uma nova forma de expressão. Acho relevante que seja mostrada numa obra de tanto alcance”, disse Cláudia, em entrevista recente à Folha de São Paulo. A abordagem de gênero neutro representa um importante ponto na indústria do audiovisual, que começa a caminhar em alguma direção na importante discussão sobre assuntos como inclusão e representatividade. t.me/CursosDesignTelegramhub http://www.jcnet.com.br/noticias/geral/2021/11/781056-todos--todas--todes-ou- http://www.jcnet.com.br/noticias/geral/2021/11/781056-todos--todas--todes-ou- https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-810406/ https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-155938/ Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 22 Resulução ilustrativa Estilo analítico Cara e coragem, a nova que deve estrear em 2022, fará uso dos pronomes neutros em sua trama. A autora, Claudia Souto afirmou em entrevista à Folha de São Paulo que o gênero neutro pode ser comparado às gírias, ou seja, logo as pessoas perceberão que se trata de uma forma de expressão. Esse tipo de abordagem no audiovisual é importante devido a 2 fatores: (1) promove a discussão sobre inclusão; (2) deixa evidente a falta de representatividade linguística para o grupo LGBT+. Q.2 Q.1 A partir desse texto, faça um parágrafo dramatico ou enfático. Q.2 A partir desse texto, faça um parágrafo analítico. Q.1 Estilo dramático ou enfático Como não podia deixar de ocorrer, uma nova novela rede Globo, Cara e Coragem, que deve fazer sua estreia já provocandoimpacto em 2022, fará uso dos polêmicos pronomes neutros na trama. A criadora, Claudia Souto acredita que o gênero neutro tem a mesma categoria das gírias, trata-se de uma nova e expressiva forma de se comunicar. Esse tipo de abordagem será um ponto de virada no áudio visual , que mesmo de maneira tímida, começa a provocar a necessária discussão sobre o longo caminho para inclusão e representatividade para uma parcela da população que se sente excluída. 5. Recursos discursivos t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 23 Especificamente, neste caso, chamo de recursos discursivos sequências textuais que podem ser utilizadas para deixar o texto mais preciso, característica que implica apresentar mais detalhes do objeto apresentado para o leitor. 5.1 Descrição, relato e caracterização como recursos argumentativos O que é um bom texto? Você já deve ter ouvido a seguinte resposta vaga: é aquele bem desenvolvido. Tentei mostrar no pdf sobre conclusão que é aquele em se observa uma progressão lenta da ideia. Isso vale também para o desenvolvimento frasal, linguístico. Então vou refazer a pergunta, o que é um texto bem escrito? É aquele em que há progressão detalhada de uma frase inicial. Vamos partir da seguinte frase: “ela é mulher independente”. Dito dessa maneira, o autor da frase não impressiona o leitor. A frase é curta e o receptor da mensagem tende a pensar “bem, essa é a opinião do escritor, eu nem a conheço”. Mas se o autor do texto disser o seguinte... Ela tem nome de mulher guerreira E se veste de um jeito que só ela (...) Ela tem um tribal no tornozelo E na nuca adormece uma serpente (...) Ela fala num celular vermelho Com amigos e com seu namorado Ela tem perto dela o mundo inteiro E à volta outro mundo, admirado Agora a situação mudou, porque obviamente o escritor do texto quer que você chegue à mesma conclusão que a dele e passa a detalhar os traços dessa mulher para que você também a admire. Ao descrever, o autor vai escolhendo traços que devem reforçar o ponto de vista da tese, dando unidade ao texto. Isso tem a ver com estilística, pois o autor pode escolher entre fazer uma frase mais sucinta ou um trecho longo com detalhes e, no último caso, a tarefa depende da competência linguística, pois o autor deve ter um vocabulário amplo e capacidade de encadear os detalhes de maneira lógica. No caso de uma dissertação, o expediente de dar detalhes de uma determinada ideia é um recurso linguístico que vale pontos. No caso de uma ideia, trata-se de caracterização; descrição, no caso de especificar um objeto, um lugar ou uma pessoa; ou relato no caso de especificação de um fato ou de uma história. Não é um recurso tão usado, mas é ótimo para introduções e para treinar a linguagem. A descrição é um gênero que tem como alvo um objeto, uma pessoa ou um lugar. Você deve enumerar traços significativos do objeto até que o leitor consiga criar na sua mente uma imagem daquilo que você está Descrição t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 24 descrevendo. Supondo que você tenha que desenvolver um tema sobre a influência das redes sociais na nossa vida, você poderia se valer da descrição de uma das redes, escolhendo elementos que já indicam sua opinião sobre o assunto. Objeto a ser descrito: uma página do Facebook Finalidade: destacar a quantidade de informações até desnecessárias na plataforma. Elementos: quantidade de amigos sugeridos; quantidade de imagens que são oferecidas ao usuário; possibilidades de links que podem ser feitos. Descrição Ao abrir sua página do Facebook, o usuário se depara com uma quantidade de informações requeridas, sugeridas ou apresentadas que ultrapassam a possibilidade de acompanhar seriamente o que se passa. Na página inicial, o indivíduo se depara com as abas “linha do tempo”, “amigos” e “fotos”. No primeiro caso, o sistema quase exige que você preencha muitas informações sobre você. A segunda aba, realmente, é a mais importante. Quando se abre essa janela, uma série de amigos são sugeridos a partir do seu perfil. Mas esse processo não para. Cada vez que você aceita ou adiciona um amigo, uma série de outros são sugeridos. Isso é só começo, pois há ainda as imagens ou textos que são compartilhados... Normalmente, “narrativa” se refere a um texto ficcional em que se desenvolve uma história. No caso, de um texto factual, faz-se um relato. Em um relato, o escritor deseja simplesmente enumerar ações para que o leitor tenha detalhes (1) do fato que está sendo elencado como prova do argumento ou (2) da história que está sendo rememorada, uma vez que é comum em dissertações o uso de resenhas de filmes, romances etc. Há uma técnica para isso. Você deve responder às seguintes questões: Quando? Onde? Quem? O quê? De que forma? E depois você deve aplicar o que foi dito ao seu argumento. Observe como o argumento dessa redação sobre o tema das redes sociais é desenvolvido. No livro "1984 ", George Orwell descreve um mundo distópico em que um "big brother" vigia e controla a população através de ministérios, hoje, esses departamentos seriam nossas contas no facebook. O escritor inglês, não imaginaria um futuro no qual não haveria a necessidade de o Estado impor uma vigilância, pois isso seria voluntário. A aflição de se sentir vigiado, exposta no livro, se transformou no desejo de ter sua vida compartilhada, em troca do maior número possível de likes. Narrativa factual (relato) Tópico frasal Descrição do Facebook Quem? Onde? O quê? Novamente se responde: Quem? Faz o quê? Relaciona-se o relato à tese t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 25 Nesse caso, o autor se valeu de um argumento retórico por analogia. Mas vamos supor que ele quisesse argumentar baseando-se em fatos. Vamos retomar o tema geral do uso dados não autorizados por parte de usuários de redes sociais. Imagine um argumento como o abaixo. Vivemos em uma sociedade sem escrúpulos nas qual as pessoas que detém o poder valem-se de meios tecnológicos para influenciar os cidadãos e tirar proveito disso. Observou-se isso na última eleição americana, quando uma empresa roubou dados para favorecer o candidato Trump. Isso mostra a que ponto nós chegamos no uso de informações. As informações, nesse caso, são vagas. Não dão segurança ao leitor, nem despertam interesse. Se o escritor tiver dados sobre esse caso, poderia apresentá-los. O texto ganha outra qualidade. Observe. Vivemos em uma sociedade na qual é possível valer-se de meios tecnológicos para influenciar os cidadãos e tirar proveito disso. Na última eleição presidencial americana, os responsáveis pela campanha de Trump contrataram uma empresa inglesa, a Analytica, que conseguiu, através do Facebook, roubar informações para montar um cadastro de eleitores indecisos. Esse cadastro foi utilizado posteriormente para que esses eleitores fossem bombardeados por propagandas políticas. Note que isso aconteceu à revelia da vontade dos usuários e sem que eles soubessem. Esse é um dos grandes riscos que a tecnologia da informação representa. Percebeu a diferença linguística? No pdf de introdução, discuti qual era a essência de uma dissertação. Trata-se de um texto que gira em torno de uma abstração. Decorre daí a grande dificuldade de se desenvolver esse gênero, afinal toda generalização representa um risco de se afirmar algo que não se verifica na realidade. Mas há ainda um outro problema. Uma generalização, uma ideia, uma abstração são representadas por palavras imprecisas. O que é honestidade? E moralidade pública? E povo? O que um político quer dizer com a frase: eu represento o povo? O autor J.R. WhitakerPenteado fez algumas considerações bem pertinentes em relação ao uso que fazemos desse tipo de palavra. Como a palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a escuta, definindo as palavras abstratas, antes de utilizá-las, damos um passo no caminho do entendimento entre os homens. A grande maioria dos conflitos humanos nasce efetivamente do emprego descuidado de palavras abstratas. Caracterização de uma ideia Cadê o: Quando? Onde? Quem? O quê? De que forma? Tópico frasal Quando, quem, qual empresa, o que ela fez t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 26 De que adianta reunir-se a Associação Comercial para estabelecer um lucro razoável nas operações mercantis, antes de chegar-se a um acordo sobre o que venha a ser lucro razoável? (...) Atrás de uma palavra nem sempre está uma coisa. Palavras não são coisas; são representações de coisas, quase sempre específicas, e por isso difíceis de serem transmitidas, com fidelidade, de uma cabeça para outra. Não resolveremos nossos problemas com palavras, ou modificando seus nomes. Antes de morrermos por uma palavra, será útil procurar saber o que ela significa. Definindo as palavras, antes de discuti-las, percebermos que, ou estamos de acordo, ou pensamos em coisas diferentes, embora lhes emprestemos a mesma forma.”1 Há pelo menos três técnicas que você pode usar para definir uma palavra: uso de aposto explicativo, caracterização e definição pelas 4 causas. Aposto Aposto é um termo que se junta a outro para explicá-lo melhor, geralmente separado por vírgulas. Muitas vezes, ao utilizar um termo abstrato, procure defini-lo um pouco melhor. Pergunte-se: meu leitor entende esse termo? Ele sabe qual o significado estou atribuindo a ele? Observe alguns exemplos, considerando termos bastante complexos. A liberdade, entendida como escolha entre duas possibilidades, não é algo que seja experimentado pelo homem a todo momento. A Democracia, cujos radicais significam governo do povo, foi assumindo várias formas desde que foi inventada na Grécia. A justiça, compreendida como gozo de direitos iguais entre duas pessoas, precisa de todo um sistema para que seja garantida. Caracterização O aposto é curto e serve como aperitivo para a nossa brincadeira de aprender a definir termos. Em alguns casos é preciso especificar melhor ainda o objeto que está sendo discutido. Tome como exemplo a frase: “Esportes fazem mal à saúde”. Obviamente, ela diz uma besteira. Mas poderíamos acrescentar caracterizações e apostos de tal forma que tornasse tal frase verdadeira. Considere. • Esportes fazem mal a saúde; 1 Penteado, J.R. Whitaker. A técnica da comunicação humana. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1982, p. 106. Mas como definir uma palavra abstrata? t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 27 • Esportes violentos fazem mal a saúde; • Esportes violentos, tais como os que envolvem artes marciais, fazem mal à a saúde de pessoas fisicamente mal preparadas. • Esportes violentos, entre outros, os associados às artes marciais, tais como boxe, jiu-jítsu, vale tudo, podem provocar sérios traumas musculares a pessoas que não estejam condicionadas fisicamente. As 4 causas A verdade é que definir uma ideia não é coisa para amadores. Mesmo os expedientes acima ainda não resolvem seu problema quando você precisa definir melhor um termo para que ele sirva de premissa (base) para um argumento. Na Grécia, Aristóteles já tinha enfrentando esse problema, e ele encontrou uma resposta metodológica razoável. Para dizer o que uma coisa era, o indivíduo deveria aplicar 4 perguntas: do que isso é feito? Para que ele serve? Como ele foi feito? Qual é o seu formato? Por exemplo, suponha que você precise dizer para um E.T. o que é uma cadeira sem que ele veja o objeto. Do que ela é feita? Uma cadeira normalmente é feita de um material sólido: madeira, plástico ou ferro. Qual sua finalidade? Serve para uma pessoa se sentar com um pouco de conforto. Como foi feita? Depende do material, a resposta pode ser variada. Qual o seu formato? Uma base sustentada por pés que serve de assento; a base deve ficar a 50 cm do chão; além disso deve ter um espaldar para apoio das costas. A definição ficaria da seguinte forma: cadeira é um objeto cuja finalidade é sentar-se, normalmente construída de um material sólido, tendo espaldar e pés que sustentam uma base que servirá de assento para uma pessoa. Claro que não, corujinha impaciente. Mas, em alguns casos, definir um termo abstrato ajuda bastante. Vamos supor que você tenha que falar de democracia. “Bora lá”, fazer o exercício das 4 causas. Do que ela é feita? Do voto das pessoas participantes no processo de decisão. Qual sua finalidade? Evitar que uma pessoa imponha sua vontade aos outros. Como foi feita? Os gregos a inventaram. Qual o seu formato? Atualmente, ela funciona apoiada em 3 poderes: legislativo, executivo e judiciário, sendo que, para os dois primeiros, há eleição na qual as pessoas votam para seus representantes ou governantes diretos. Eu vou ter que definir cadeira numa dissertação? t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 28 A partir daí, você seleciona as informações mais relevantes e escreve seu texto. No Enem de 2018, a Banca deu a seguinte instrução: A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema "Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet", apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. Esse tema poderia ser bem desenvolvido se o candidato explorasse o que é um algoritmo e a Banca até forneceu dados para que o candidato elaborasse uma definição própria. Q .1 Considere os dois textos de apoio abaixo e elabore uma definição do que seria algoritmo valendo-se das 4 causas. Lembre-se de que você não precisa responder a todas elas, mas deve fazer, a partir desse estímulo, escrever um fragmento de caracterização. TEXTOS MOTIVADORES TEXTO I Às segundas-feiras pela manhã, os usuários de um serviço de música digital recebem uma lista personalizada de músicas que lhes permite descobrir novidades. Assim como os sistemas de outros aplicativos e redes sociais, este cérebro artificial consegue traçar um retrato automatizado do gosto de seus assinantes e constrói uma máquina de sugestões que não costuma falhar. O sistema se baseia em um algoritmo cuja evolução e usos aplicados ao consumo cultural são infinitos. De fato, plataformas de transmissão de vídeo on-line começam a desenhar suas séries de sucesso rastreando o banco de dados gerado por todos os movimentos dos usuários para analisar o que os satisfaz. O algoritmo constrói assim um universo cultural adequado e complacente com o gosto do consumidor, que pode avançar até chegar sempre a lugares reconhecíveis. Dessa forma, a filtragem de informação feita pelas redes sociais ou pelos sistemas de busca pode moldar nossa maneira de pensar. E esse é o problema principal: a ilusão de liberdade de escolha que muitas vezes é gerada pelos algoritmos. VERDCI. Daniel. O gosto na era do algoritmo. Osponivel em. Mtps.libiasitelpals.corn. Acesso em. 11 Jun. 2018 (adaptado). TEXTO II Nos sistemas dos gigantes da intemet, a filtragem de dados é transferida para um exército de moderadores em empresas localizadas do Oriente Médio ao Sul da Ásia, que têm um papel importante no controle daquilo que deve ser eliminadoda rede social, a partir de sinalizações dos usuários. Mas a informação é então processada por um algoritmo, que tem a decisão final. Os algoritmos são literais. Em poucas palavras, são t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 29 uma opinião embrulhada em código. E estamos caminhando para um estágio em que é a máquina que decide qual notícia deve ou não ser lida. PEPE ESCOBAR. A silenciosa ditadura do algoritmo. Disponível em' Ntoficutraspalavrasnet. Acesso em: 5 Jun. 2017 (adaptado). Q.1 Selecionei os trechos em que o autor se expressa em relação ao algoritmo. “ um algoritmo (...)rastreando o banco de dados gerado por todos os movimentos dos usuários para analisar o que os satisfaz. O algoritmo constrói assim um universo cultural adequado e complacente com o gosto do consumidor” “filtragem de informação” “Os algoritmos são literais. Em poucas palavras, são uma opinião embrulhada em código” A partir dessas informações vamos as 4 causas. Do que ele é feito? De códigos (uma opinião embrulhada em código> Qual sua finalidade? Considerar o gosto de consumidor para que isso possa ser utilizado para oferecer produtos de acordo com seu universo cultural. Qual seu formato? Como age? Filtra a informação dos movimentos dos usuários para a analisar o que os satisfaz. Qual sua origem? Não sei. A definição ficaria da seguinte forma: O algoritmo é um código de filtragem, capaz e captar os movimentos dos usuários e fornecer uma análise do que os satisfaz; tem como finalidade oferecer informações que podem ser utilizadas para fomentar o consumo. 6. Recursos sintáticos e semânticos Resolução t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 30 Além dos trechos discursivos, a estrutura da frase pode ser utilizada para provocar diferentes efeitos, assim como escolha de palavras e uso de algumas expressões que valorizam ou diminuem o valor do seu texto para o leitor. 6.1 Período O que você acha desse texto? Há necessidade de amigos para viver bem, pois uma vida solitária e sem reconhecimento, onde não era comum na antiguidade, e pode ser vazia de sentido, embora os amigos muitas vezes podem ser possessivos e interesseiros, já que vive-se numa época em que os valores acabam por influenciar a forma de as pessoas reagirem ao mundo. Esse texto contém muita informação hierarquizada por conectivos lógicos de tal modo que do meio em diante, seu leitor já deve ter abandonado a tentativa de compreender seu texto. Fazer isso com seu leitor é como obrigá-lo a comer um lanche grande demais para sua degustação. O contrário também seria complicado. Observe. Há necessidade de amigos para viver bem. Uma vida solitária e sem reconhecimento não era comum na antiguidade. Ela pode ser vazia de sentido. Os amigos podem ser possessivos e interesseiros. Vive-se em uma época em que os valores acabam por influenciar a forma das pessoas reagirem. Períodos longos são armadilhas comuns. Para alongar uma ideia, o escritor precisa de muitos conectivos, o que muitas vezes leva à utilização inadequada de um deles. Óbvio que isso tem impacto na coerência do texto. Sem mencionar a possibilidade de se cometer um erro de concordância. Como o sujeito do parágrafo é retomado várias vezes em algumas delas, pode-se deixar de fazer a flexão de número necessária. O ideal é que um parágrafo médio tenha entre 2 e três períodos por parágrafo. Assim você divide a informação e utiliza um pronome de retomada que permite ao seu leitor recuperar o fôlego para novas informações. Vamos tentar mais uma vez.... Há necessidade de amigos para viver bem. Desde a antiguidade se postulava isso, época em que uma vida solitária e vazia era considerada sem sentido. Apesar disso é preciso cautela, pois os Há um período (espaço entre letra maiúscula e ponto final) e 5 conectivos. Você entendeu a matéria? Agora vemos um parágrafo e 5 períodos e somente um conectivo. As informações estão jogadas. O leitor deve se virar para entendê-las. O uso do pronome “isso” permite a quebra do período. Há menos conectivos. O texto ficou mais claro. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 31 amigos podem ser possessivos e interesseiros, reflexo de uma sociedade competitiva. Ao escrever, muitas vezes, escrevemos uma oração subordinada sem que haja oração principal. Observe este texto curto: “Em segundo lugar, devemos considerar as causas desse problema. A desigualdade, que manifesta-se como diferença gritante entre periferia e o centro da cidade, e a indiferença.” Observe que a segunda oração começa com sujeito “a desigualdade”, segue-se uma oração subordinada que começa com “que”, deveria seguir-se um verbo que completaria a oração principal, mas isso não ocorreu. O exercício a seguir consiste em perceber onde está o erro, explica-lo e reescrever a frase. Siga o modelo Explique onde está o erro e o corrija. Em segundo lugar, devemos considerar as causas desse problema. A desigualdade, que manifesta-se como diferença gritante entre periferia e o centro da cidade, e a indiferença.” Explicação: Na segunda oração não se continua o que se devia dizer sobre a desigualdade. Correção: A desigualdade, que se manifesta de maneira gritante entre periferia e o centro da cidade, é prejudicial, assim como a indiferença. Correção Correção 2: Em segundo lugar, devemos considerar as causas desse problema. Trata-se da desigualdade, que manifesta-se como diferença gritante entre periferia e o centro da cidade, e a indiferença. Correção 3: Em segundo lugar, devemos considerar as causas desse problema: trata-se da desigualdade, que manifesta-se como diferença gritante entre periferia e o centro da cidade, e a indiferença. Q.1 Explique onde está o erro e o corrija. Visto que a balança econômica do Brasil está desiquilibrada. É preciso agir. Q.2 Explique onde está o erro e o corrija. Considerando as evidências, a pobreza normatizada que atinge o mundo moderno. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 32 Repostas exemplificativas Explique onde está o erro e o corrija. Considerando as evidências, a pobreza normatizada que atinge o mundo moderno. Explicação: O verbo no gerúndio configura uma oração subordinada. Contudo essa oração só tem um verbo, ou seja, seria necessária uma oração principal. Outra forma de explicar pode se dar através do sentido. Essa frase que começa com “considerando” dá ideia de circunstância, mas não se diz em relação ao quê, falta algo. Resolução: 1) Considerando as evidências, pode-se dizer que a pobreza que atinge o mundo moderno foi normatizada. 2) A pobreza normatizada atinge o mundo moderno, segundo evidências. Q.2 Q.3 Explique onde está o erro e o corrija. Não somente a Covid-9, afetando a recuperação econômica. Muitos fatores, alguns políticos foram essenciais. Q.4 Explique onde está o erro e o corrija. Observando que fiscais estão colocando em risco vidas de pedestres, motoristas e passageiros, justificando os atos de perueiros clandestinos que cometem infrações gravíssimas, concluindo-se que esta ação não é cabível. Explique onde está o erro e o corrija. Visto que a balança econômica do Brasil está desiquilibrada. É preciso agir. Explicação: “Visto que” apresenta uma causa, mas não se diz para o quê. Resolução: É preciso agir, visto que a balança commercial está desiquilibrada. Q.1 t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem33 Explique onde está o erro e o corrija. Não somente a Covid-19, afetando a recuperação econômica. Muitos fatores, alguns políticos foram essenciais. Explicação: Na primeira frase, só há um verbo, que está no gerúndio, ou seja , não há oração principal. Resolução: Não somente a Covid-19 afetou a recuperação econômica, mas outros fatos, alguns políticos, foram essenciais para a crise. Explique onde está o erro e o corrija. Observando que fiscais estão colocando em risco vidas de pedestres, motoristas e passageiros, justificando os atos de perueiros clandestinos que cometem infrações gravíssimas, concluindo-se que esta ação não é cabível. Explicação: Há um uso execssivo de verbos no gerúndio, ou seja, há muitas orações subordinadas mas nenhuma principal. Resolução: Observamos que os fiscais estão colocando em risco vidas de pedestres, motoristas e passageiros, pois justificam a ação de perueiros clandestinos que cometem infrações gravíssimas, logo, esta ação dos fiscais é incabível. A seguir você encontrará parágrafos de redações nota 1000 do ENEM sobre o tema do uso de dados da internet. Eles foram modificados. Apresentam períodos longos. Reescreva o texto fazendo as adaptações necessárias para que o texto fique claro. Q.1 Presencia-se um forte poder de influência desses algoritmos no comportamento da coletividade cibernética, pois ao observar somente o que lhe interessa e o que foi escolhido para ele, o Q.4 Q.3 t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 34 indivíduo tende a continuar consumindo as mesmas coisas e fechar os olhos para a diversidade de opções disponíveis, fato exemplificado em um episódio da série televisiva Black Mirror, no qual, um aplicativo pareava pessoas para relacionamentos com base em estatísticas e restringia as possibilidades para apenas as que a máquina indicava – tornando o usuário passivo na escolha. Q.2 É notável que o acesso a esse meio de comunicação ocorre de maneira, cada vez mais, precoce segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, no ano de 2011, quando apenas 35% dos entrevistados, que apresentavam idade igual ou superior a 10 anos, nunca haviam utilizado a internet, pois desde cedo a criança tem contato com aparelhos tecnológicos que necessitam da disponibilidade de uma rede de navegação, que memoriza cada passo que esse jovem indivíduo dá para traçar um perfil de interesse dele e, assim, fornecer assuntos e produtos que tendem a agradar ao usuário, por isso , o uso da internet torna-se uma imposição viciosa para relações socioeconômicas. Q.3 Conforme o conceito de “Mortificação do Eu”, do sociólogo Erving Goffman, é possível entender o que ocorre na internet que induz o indivíduo a ter um comportamento alienado, que afirma que, por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva pela internet, na qual o usuário, sem perceber, é induzido a entrar em determinados sites devido a um “bombardeio” de propagandas que aparece em seu dispositivo conectado. Q.4 A estruturação do meio cibernético fomenta a conjuntura regida pela denominada pós-verdade, traduzida na sobreposição do conhecimento fundamentado por conotações subjetivas de teor apelativo, na qual, os algoritmos como ferramentas de busca fornecem fontes correspondentes às preferências de cada usuário, cria-se uma assimilação unilateral, contendo exclusivamente aquilo que promove segurança emocional ao indivíduo e favorece a reprodução automatizada de pensamento, tendo como consequência, o sujeito ser manipulado de forma alienante, mitigando do seu senso crítico e capacidade de compreender a pluralidade de opiniões. Resolução t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 35 Você encontra abaixo, os fragmentos originais, como conferência ou curiosidade. Lógico que não era necessário que você chegasse a esta redação textual. Q.1 Presencia-se um forte poder de influência desses algoritmos no comportamento da coletividade cibernética: ao observar somente o que lhe interessa e o que foi escolhido para ele, o indivíduo tende a continuar consumindo as mesmas coisas e fechar os olhos para a diversidade de opções disponíveis. Em um episódio da série televisiva Black Mirror, por exemplo, um aplicativo pareava pessoas para relacionamentos com base em estatísticas e restringia as possibilidades para apenas as que a máquina indicava – tornando o usuário passivo na escolha. Q.2 É notável que o acesso a esse meio de comunicação ocorre de maneira, cada vez mais, precoce. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, no ano de 2011, apenas 35% dos entrevistados, que apresentavam idade igual ou superior a 10 anos, nunca haviam utilizado a internet. Isso acontece porque desde cedo a criança tem contato com aparelhos tecnológicos que necessitam da disponibilidade de uma rede de navegação, que memoriza cada passo que esse jovem indivíduo dá para traçar um perfil de interesse dele e, assim, fornecer assuntos e produtos que tendem a agradar ao usuário. Dessa forma, o uso da internet torna-se uma imposição viciosa para relações socioeconômicas. Q.3 Conforme o conceito de “Mortificação do Eu”, do sociólogo Erving Goffman, é possível entender o que ocorre na internet que induz o indivíduo a ter um comportamento alienado. Tal preceito afirma que, por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva. Dentro do contexto da internet, o usuário, sem perceber, é induzido a entrar em determinados sites devido a um “bombardeio” de propagandas que aparece em seu dispositivo conectado. Q.4 A estruturação do meio cibernético fomenta a conjuntura regida pela denominada pós- verdade, traduzida na sobreposição do conhecimento fundamentado por conotações subjetivas de teor apelativo. Nesse contexto, como os algoritmos das ferramentas de busca fornecem fontes correspondentes às preferências de cada usuário, cria-se uma assimilação unilateral, contendo exclusivamente aquilo que promove segurança t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 36 emocional ao indivíduo e favorece a reprodução automatizada de pensamentos. Desse modo, o sujeito é manipulado de forma alienante, mitigando do seu senso crítico e capacidade de compreender a pluralidade de opiniões. 6.2 Interrupção da ordem direta Para você entender melhor o que significa isso, que tal um pouco de poesia? Como figura de linguagem, a inversão chama-se hipérbato. Inversão do quê? Observe os primeiros versos de um poema de Camões. “Sete anos de pastor Jacob servia Labão...” Essa frase está torcida. Em português, a ordem natural da frase segue a seguinte equação: Sujeito + verbo + objeto direto ou indireto + adjunto adverbial. Usando esse esquema, a frase ficaria da seguinte forma: Jacó (sujeito) servia (verbo) Labão (objeto direto) por sete anos de pastor. Mas por que o poeta inverteu os termos da frase? A vida de poeta não é fácil. Para conseguir cumprir a métrica, para conseguir rimar uma palavra com outra, ou mesmo para dar ênfase, muitas vezes ele troca palavras de lugar. No caso desses versos, observe que ao trazer o advérbio para o início do poema, o eu lírico dá destaque à questão do tempo, algo primordial na construção do sentido do poema. Mas você não é poeta, então por que motivos você torce o período ou enche a frase de termos intercalados de tal forma que o texto fica confuso? Tomemos um exemplo. Observe a frase abaixo. Pode-se notar, no cotidiano das grandes cidades, que as pessoas, sempre envolvidas com seus afazeres, não podem, ou não querem, prestar atenção, nem que seja por um minuto, no ser, como muitosse referem a quem não teria qualquer identidade, à sua frente. Tente descobrir qual a frase simples que serve de base para esse monte de penduricalhos que estão colocados no meio dela. Essa investigação não é complicada. Procure o verbo que seja o centro do sentido do texto. A partir dele você procura restabelecer o sujeito depois os complementos. No caso do texto acima, há dois verbos importantes, “notar” e “não podem ou não querem”. No caso do verbo “notar”, o sujeito é a oração que se segue, então basta dizer: “pode-se notar que”. A outra oração é que está toda enfeitada parecendo mula de cigano. O verbo “não podem” se refere às pessoas; e ao se perguntar o que as pessoas não podem ou não querem, rapidamente chegamos à frase básica. Note a quantidade de termos intercalados. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 37 Pode-se notar que as pessoas não podem ou não querem prestar atenção no ser a sua frente. Que tal escrever dessa forma? Talvez, você ache que, desse jeito, o texto perdeu a definição dos termos, afinal os comentários servem para tornar a informação mais precisa, como já vimos. Há duas possibilidades: tente colocar os termos em outra ordem ou retome as outras informações em outro período. Vamos reescrever esse texto. No cotidiano das grandes cidades, pode-se notar que as pessoas não podem ou não querem prestar atenção no ser, como muitos se referem a quem não é reconhecido, à sua frente, pois estão sempre envolvidas em seus afazeres nem que seja por um minuto, Um outra opção seria... Pode-se notar pessoas que não podem prestar atenção ao indivíduos à sua frente um minuto sequer. Isso ocorre devido ao cotidiano das grandes cidades, onde os cidadãos estão atarefados com seus afazeres sem poder dedicar um minuto ao outro. Sacou corujinha? Sua vez de brincar. Há trechos como esse estudado nos exercícios que se seguem. Sua tarefa é tornar os períodos mais claros. Utilize qualquer uma das técnicas vistas acima. A seguir você encontrará frases com muitos termos intercalados ou invertidos. Reescreva a frase fazendo as adaptações necessárias para que o texto fique claro. Q.1 Nos dias atuais, com o auxílio da internet, o meio de conexão que está se tornando universal, as pessoas estão mais expostas, uma vez que as plataformas possuem o acesso aos dados e históricos de navegação, ao controle em potencial já que, em algum momento, essa informação Termo deslocado Ordem direta Termo suprimido Trecho deslocado, introduzido por um conectivo A informação foi dividida em dois períodos Ordem direta Pronome que permite a retomada da ideia t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 38 pode ser acessada por algum ator social. Q.2 A manipulação do comportamento do usuário ocorre, nos dias de hoje, pelo controle, de certa forma indireto devido à falha de políticas públicas efetivas, como inclusão dessa informação no currículo básico, que auxiliem o indivíduo a “navegar”, de forma correta, na internet, e à ausência de consciência, da grande parte da população, sobre a importância de saber utilizar adequadamente o meio virtual. Q.3 Atualmente, é possível traçar um paralelo entre essa circunstância , visto que milhões de pessoas no mundo são influenciadas e, até mesmo, manipuladas, todos os dias pelo meio virtual, por meio de sistemas de busca ou de redes sociais, sendo direcionadas a produtos específicos, o que aumenta, de maneira significativa, o consumismo exacerbado, e a ideia de mundo administrado exposta pelos filósofos da Escola de Frankfut. Q.4 E importante destacar que grande parte da população, sem consciência da importância da utilização, de forma correta, da internet, visto que as instituições formadoras de conceitos morais não têm preconizado, como deveriam, o ensino de uma ética virtual tem se deixado abater pelos interesses de quem deseja se aproveitar desse meio. Você encontra abaixo, uma possível resolução, obviamente há outras possibilidades. Q.1 As pessoas estão mais expostas ao controle potencial já que a informação colhida por plataformas digitais pode ser acessada por algum ator social. Isso ocorre com o auxilia da internet, meio de conexão que está se tornando universal. Resolução Ordem direta t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 39 Q.2 A manipulação do comportamento do usuário ocorre devido à falha de políticas públicas e a ausência de conscientização. No primeiro caso, quase não há ações efetivas como a inclusão de informação sobre a questão no currículo escolar, isso auxiliaria o usuário a navegar de forma correta. Quanto à conscientização, grande parte da população não é consciente sobre a importância de saber utilizar adequadamente o meio virtual. Q.3 Atualmente, milhões de pessoas no mundo são influenciadas e manipuladas por meio de sistemas de busca ou de redes sociais que as direcionam para produtos específicos, o que aumenta o consumismo exacerbado. É possível traçar um paralelo entre esse fenômeno e a ideia de mundo administrado exposta pelos filósofos da Escola de Frankfurt. Q.4 E importante destacar que grande parte da população tem se deixado abater pelos interesses de quem deseja se aproveitar desse meio, pois não tem consciência do uso adequado da internet, já que as instituições formadoras de conceitos morais não tem preconizado, como deveriam, o ensino de uma ética virtual. 6.3 Indefinidos Imagine um texto da seguinte forma: Muitos cariocas se vestem mal, com um desleixo considerável. Sempre foram muito displicentes nas coisas que usam como adereços. Ultimamente, então esse jeito de ser tornou-se ainda mais lamentável. É verdade que algumas mulheres se vestem um pouquinho melhor, mas, mesmo assim, revelam um gosto duvidoso. Calma corujinha carioca, não tenho nada contra cariocas. O texto é exemplificativo e, na verdade, considerei esse tema porque poderia apresentar um contraexemplo de um cronista que, na década de 60, fez uma crítica sobre o modo de vestir dos cariocas. Você entendeu a crítica que o texto anterior faz ao carioca? Teve alguma ideia de como ele se veste? Claro que não...a não ser que estivesse escrito de outra maneira. Observe. Ordem direta Ordem direta Ordem direta O que as palavras grifadas têm em comum? t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 40 O carioca veste-se como a cara dele, que não é primorosa, e é vício antigo que ele tem e provado pelos visitantes estrangeiros, coloniais ou imperiais. Tempo houve em que o terno branco e o sapato de verniz preto constituíam o supremo chique popular — o traje a rigor para os saraus. Ultimamente adota o indigente refinamento do cabelo grande, da blusa colorida, do sapato cambaio e sem meias, e da calça de pescar siri com uma irritante etiqueta nos fundilhos. Do ponto de vista do estilo de escrita, o primeiro texto é recheado de expressões que o tornam vago, indistinto. Basicamente, o escritor se valeu de pronomes e artigos indefinidos, além de advérbios como “muito” e “pouco”, que determinam imprecisamente a informação. Portanto, vamos a algumas recomendações: 6.4 Paralelismo Dias atrás, eu estava ouvindo um podcast de Clovis Barros Filho, professor de filosofia da USP, falando sobre Mikhail Bakthin (1895-1975), linguista e filósofo, no qual ele fez referência à grande obra do pensador Marxismo e filosofia da Linguagem e destacou seu triste fim, pois foi considerado dissidente na União Soviética. Terminava sua exposição sobre o autor com a bela frase: “O seu marxismo não era ortodoxo,por isso você deve ter entendido por que a Sibéria foi seu espaço, e a pneumonia, o seu fim”. Por que esse final é impactante? Ele se vale do paralelismo linguístico. Ele poderia ter dito “você pode entender por que o pensador morreu na Sibéria de pneumonia”, mas isso não teria o mesmo efeito. Evite pronomes indefinidos: eles não colaboram com a clareza, dão a impressão de falta de domínio sobre o assunto. Pronomes indefinidos são aqueles que se referem à 3ª pessoa do discurso de modo genérico: muitos, poucos, alguns, toda etc. Evite artigos indefinidos um, uma, uns, umas. Eles indeterminam o substantivo. Evite ou seja cuidadoso com palavras vagas como "coisas", "algo", "substâncias" , "produtos", "objetos" etc t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 41 O que é paralelismo? Observe: A Sibéria foi seu espaço A pneumonia foi o seu fim O paralelismo consiste na apresentação de ideias similares, coordenadas, equivalentes, numa estrutura sintática idêntica. Assim, pode-se dizer que há quebra de paralelismo quando associamos elementos que não são equivalentes quanto à forma ou ao conteúdo. Nesse caso, é importante conhecer um pouco o que é paralelismo não exatamente para usá-lo no seu texto, embora isso fosse bem legal. Mas também para evitar erros. É comum, em frases não tão elaboradas, que o escritor cometa erros que trazem ruídos para o seu texto. Veja essa frase: Para minha ex-namorada, homem tem que ser gentil, culto, e não fumar. Onde está o paralelismo? Para minha ex-namorada, homem tem que ser Além dessa situação comum, o erro ocorre, também, quando você usa dois verbos com regências diferentes. O verbo gostar pede a preposição “de”, mas o verbo “conhecer”, não. Vamos supor que você dissesse: Conheci e gostei muito de Maria. Essa frase apresenta erro e de paralelismo, basta você observar o esquema. Em outros casos, o erro de concordância se dá em relação ao verbo. Na frase, “recomendou-se aos Ministérios economizar energia e que elaborassem planos de redução de despesas” os verbos que são dependentes de “recomendou-se” estão conjugados de forma diferente, “economizar” está no infinitivo e Sujeito verbo Predicativo do sujeito gentil culto NÃO FUMAR Tirando os outros dois atributos, a frase ficaria assim: o homem tem que ser não fumar. Isso não tem sentido. Conheci Gostei de Maria Mesma estrutura sintática, informações contrárias. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 42 “elaborassem” está no subjuntivo. O mais adequado seria escrever “recomendou-se aos Ministérios economizar energia e elaborar planos de redução de despesas” ou “recomendou-se aos Ministérios que economizassem energia e que elaborassem planos de redução de despesas” Há outro tipo de erro, que lembra erro de concordância. Uma enumeração deve seguir uma ordem reconhecida pelo leitor. Toda vez que você colocar um elemento que não segue os mesmos parâmetros das palavras anteriores, haverá erro de paralelismo. Observe a seguinte oração: Na África visitei o Egito, Moçambique, Marrocos e Pretória. Nessa enumeração, as três palavras referiam-se a países; já a última, a uma cidade. Trata-se de uma questão semântica e gramatical, mas que raramente é pedida em vestibular. Às vezes, observa-se alguma referência a isso em questões de interpretação de texto relacionadas à literatura. Apesar disso, como é algo a se observar na hora da escrita, escolhi dois exercícios de concursos que cobram esse tipo de conhecimento. Exercício como fixação mesmo. 1. Q(TRT – 12ª Região / Adaptada) Reconheça a quebra do paralelismo sintático e reescreva a frase. Mais do que isso, o Brasil recebeu menção elogiosa do relatório não só por seu modelo de maços com fotos ilustrativas das moléstias associadas ao fumo, mas também por oferecer na rede pública de saúde terapias de interrupção do tabagismo. 2. Q.(autoral) Explique em que consiste o erro de paralelismo semântico da frase a seguir: “A seleção portuguesa vai enfrentar a Alemanha na final dos jogos olímpicos.” 3. (ANP – 2008) Observe as sentenças abaixo, retiradas de uma reclamação, feita por uma secretária, sobre um móvel enviado com defeitos. Qual delas não tem erro de paralelismo? a) O produto logo no início mostrou má-qualidade no acabamento e que tinha as gavetas emperradas. b) O novo móvel deve estar dentro dos critérios previamente combinados, e que seja enviado o mais rapidamente possível. c) Além disso, o manual de instalação tem mais de 150 páginas e pouca clareza. d) Assim, gostaríamos de pedir a troca do móvel enviado, que não foi aprovado pela gerência e por outros interessados. e) Recomendamos a V.S. retirar o móvel inadequado e que envie outro, de melhor qualidade, para substituí- lo. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 43 1. Q(TRT – 12ª Região / Adaptada) Reconheça a quebra do paralelismo sintático e reescreva a frase. Mais do que isso, o Brasil recebeu menção elogiosa do relatório não só por seu modelo de maços com fotos ilustrativas das moléstias associadas ao fumo, mas também por oferecer na rede pública de saúde terapias de interrupção do tabagismo. Comentário. a) Depois do verbo “receber” há uma enumeração de motivos que levaram o Brasil a receber a menção honrosa. Um dos motivos é exposto tem como núcleo o substantivo “modelo”, enquanto o outro, tem como núcleo um verbo “oferecer”. Ou se usam somente substantivos ou somente verbos. 1ª opção: (...)não só por obrigar as empresas a colocar nos maços fotos ilustrativas da moléstias associadas ao fumo, mas também por oferecer pela rede pública de saúde terapias de interrupção do tabagismo. 2. Q.(autoral) Explique em que consiste o erro de paralelismo semântico da frase a seguir: “A seleção portuguesa vai enfrentar a Alemanha na final dos jogos olímpicos.” Comentário. A seleção portuguesa só poderia enfrentar outra seleção, no texto, a seleção enfrenta o país, Alemanha. 3. (ANP – 2008) Observe as sentenças abaixo, retiradas de uma reclamação, feita por uma secretária, sobre um móvel enviado com defeitos. Qual delas não tem erro de paralelismo? a) O produto logo no início mostrou má-qualidade no acabamento e que tinha as gavetas emperradas. b) O novo móvel deve estar dentro dos critérios previamente combinados, e que seja enviado o mais rapidamente possível. c) Além disso, o manual de instalação tem mais de 150 páginas e pouca clareza. d) Assim, gostaríamos de pedir a troca do móvel enviado, que não foi aprovado pela gerência e por outros interessados. e) Recomendamos a V.S. retirar o móvel inadequado e que envie outro, de melhor qualidade, para substituí- lo. Comentário. Alternativa "a" está incorreta. Para haver paralelismo não poderia se seguir um “que” depois da conjunção “e”; além disso, no texto a expressão “má-qualidade no acabamento” teria que ter um equivalente, algo como “emperramento nas gavetas”. Alternativa "b" está incorreta. O verbo está no infinitivo na primeira parte da frase “deve estar” e está conjugado na segunda “que seja”. A frase deveria ser escrita da seguinte forma: O novo móvel deve estar dentro dos critérios previamente combinados, e ser enviado o mais rapidamente possível. Alternativa "c" está incorreta. “Páginas” é um termo material, “clareza” um substantivo abstrato; além disso e “mais” teria como contraponto o “menos” e não o “pouca”. Resolução t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 44 Respondeu bem quemobservou o efeito dos dois pontos.., mas não é só isso. Alternativa "d" está correta. O conectivo “por” é equivalente a “pela” e ambos estão ligados à expressão “não foi aprovado”. Alternativa "e" está incorreta. O verbo “retirar” está no infinitivo; o verbo paralelo “envie” está conjugado, deveria também estar no infinitivo, o que dispensaria o “que”. 6.5 Ênfase Bom, agora que consideramos vários elementos da sintaxe e da construção frasal, fica mais fácil começar a produzir outros efeitos com os termos da frase. Um deles é a ênfase. Um texto objetivo demais, ou seja, naquele grau zero, conquista a confiança do leitor, mas não envolve. Além disso, na exposição da tese ou mesmo na conclusão, vale a pena realçar aquilo que você deseja que fique gravado na cabeça do leitor. No trecho abaixo, tente identificar o que provoca o efeito de ênfase. Enfrentamos a violência que, às vezes, parece sem controle. Isso leva muitas pessoas a acreditarem em saídas mais fáceis: a licença para desrespeitar os direitos humanos. Isso é perigoso. Além da pontuação, o uso do período curto é um outro recurso possível e bastante usado. Se você está escrevendo um texto com períodos medianos, o período extremamente curto chamará a atenção do seu leitor. Já que falei em período, lembre-se daquele papo de termos da oração. Para conseguir ênfase muitas vezes, basta trazer para o começo do período, a informação para a qual você deseja dar destaque. No exemplo a seguir, a frase é a mesma, mas o termo deslocado muda, produzindo efeitos diferentes. Reconhecer o direito de cada um, essa é maneira de se aprender a respeitar a constituição (o direito de cada um). Respeitar a constituição, isso é o que se faz quando se aprende a reconhecer o direito de cada um. A maneira de se aprender a respeitar a constituição é reconhecendo do direito de cada um. Sentido neutro Ênfase na constituição Ênfase no direito constituição t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 45 Essas são formas sutis de enfatizar o que se diz e envolver o leitor. Há outras técnicas menos discretas: uso do aposto, de advérbios ou expressões enfáticas e a repetição. O aposto alonga chama atenção para o termo que se quer enfatizar, pois o leitor é obrigado a prestar mais atenção àquela palavra. Nesta frase “a maneira de se aprender a respeitar o direito do outro, preceito legal legítimo na sociedade de direito, é aceitando o direito de cada um”, o aposto tem somente a função de chamar a atenção para o termo “direito do outro”. Mas há ainda, nela outro recurso. O uso do adjetivo “legítimo” deixa claro o posicionamento de quem escreve. Além dos adjetivos, os advérbios de intensidade “muito”,” suficientemente”, “raramente” e vários outros não deixam dúvidas em relação a intensão de se intensificar o que se diz. O mesmo vale para expressões inteiras como “Isso não se justifica”, “esse fato não deixa dúvidas”, “trata-se de um equívoco” etc. Por fim, vale destacar as figuras de linguagem que conferem sempre grande expressividade ao que se diz. Lembre-se apenas que é preciso tomar cuidado com tais recursos, porque tendem a conferir subjetividade a escrita. Um texto bom é aquele que anda no fio da navalha, tem que ser equilibrado. Dentre todas as figuras, vou dar um exemplo relacionado à estrutura linguística, a anáfora. Trata-se de repetição de palavras no início de uma frase, oração, ou pequeno trecho descritivo. Note como esse recurso coube bem nesse parágrafo de conclusão: Pode-se dizer que respeitar “bandidos”, ou seja, pessoas mal- intencionadas é uma ação que prejudica o cidadão comum. E isso é verdade. Contudo, julgar sem provas a intenção das pessoas significa vitimar o direito, direito de ir e vir, direito à vida, direito a ter a condição social respeitada, enfim os direitos que deveriam ser assegurados a todos os seres humanos. Para resumir, aí vai um quadro como os recursos mais comuns para dar ênfase a uma ideia. Frase de ênfase Uso da anáfora, repetição no começo da enumeração da palavra “direito” Metáfora entre aspas t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 46 6.6 Escolha de palavras Nos primeiros exercícios, aquele em que propus que você alterasse o texto para aproximá-lo do grau zero da escrita de um texto referencial, você já deve ter sentido o drama de ter que trocar palavras. Aliás, dominando as palavras você domina o jogo inclusive o jogo de enganar. Gosto muito de um comentário que encontrei numa crônica em um jornal, infelizmente não anotei o nome do escritor, mas observe o comentário bem-humorado que ele fez sobre a escolha das palavras entre os comentadores de futebol. Entre o que diz o locutor de futebol e a realidade não é que haja propriamente uma disparidade mas, de qualquer forma, o telespectador tem de ter em mente que a linguagem da mídia baseia-se em toda uma série de arquétipos. A seguir, damos uma pequena tabela para que o fã de futebol não se perca nas transmissões. O QUE É DITO O QUE É Pontuação, sobretudo os dois pontos Período curto Uso de adjetivos, advérbios ou expressões enfáticas Aposto Deslocamento do termo na oração Figuras de linguagem: anáfora, repetição de uma palavra no começo da frase t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 47 O Brasil estuda o jogo Faz hora, ganha tempo, faz cera. O Brasil sente o gramado pesado Não acerta um passe O Brasil espera o momento certo para atacar Não consegue furar a retranca adversária A intenção foi boa Passe errado O goleiro faz golpe de vista Quase gol O adversário marca sob pressão O Brasil não consegue sair da intermediária Pesou a tradição O juiz roubou pro Brasil Você já entendeu a diferença que faz um domínio lexical razoável. Para isso, prezada corujinha, eu não tenho receita nem remédio. Você deve ampliar seu vocabulário lendo e escrevendo. Um exercício muito bom é fazer resumos. Ao estudar faça resumos e mapas mentais. O resumo exige que você preste atenção ao vocabulário do autor e utilize sinônimos para expressar o texto lido. O que farei nessa parte da aula é destacar o efeito da escolha de palavras e dar uma dica em relação ao uso dos verbos “ser” e “ter”. Para se ter uma ideia da importância da escolha das palavras como forma de expressar melhor ideias, tente fazer o exercício abaixo, no qual você deve preencher as lacunas com palavras adequadas aos novos contextos. 1) O turista ficou alegre com a feliz notícia. 2) O turista ficou com a repentina notícia. 3) O turista ficou com a trágica notícia. 4) O turista ficou com a misteriosa notícia. Considere a segunda oração. Você poderia escrever o turista ficou assustado com a repentina notícia, mas “susto” tem um conotação negativa, de algo ruim, e aquilo que é repentino não necessariamente é ruim, portando o mais adequado seria “surpreso”. No caso da 3 ou 4, as melhores expressões seriam “chocado” e “confuso”. Além disso, é preciso prestar atenção à combinação de palavras. As palavras são ariscas não aceitam ficar do lado de qualquer outra palavra. Tome como exemplo o seguinte trecho: Em primeiro lugar, o estilo de vida altamente consumista moderno exige uma exponencial subtração de matérias primas. À vista disso, a partir das grandes guerras mundiais, o capitalismo desenvolveu-se, dentre outros fatores, com base no empoderamento econômico dos consumidores t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 48 Como eu vou aprender a usar bem as palavras? Há algumadica? Vamos começar pela primeira marcação em negrito. O núcleo desse sujeito é “estilo” as outras palavras qualificam essa palavra, mas são muitos atributos que fazem esse trecho soar estranho para o leito. No caso de “exponencial subtração” a pergunta que o leitor faz é: por que usar uma frase tão rebuscada quando se quer dizer que há uma “extração crescente” de matérias primas? No próximo trecho, há dois conectivos, o que dá um nó na cabeça do leitor, além de um deles não ser apropriado, pois o que se segue ao primeiro período é uma explicação e “a vista” é um conectivo para consequência. Por último, a palavra “empoderamento” é usada em contexto específico de grupos sociais que sempre foram marginalizados e agora conseguiram exercer seus direitos, portanto, a expressão é um pouco forçada no que diz respeito aos consumidores. Observe a reescrita; Em primeiro lugar, o estilo de vida consumista exige crescente extração de matérias primas. Isso se deve ao fato de o capitalismo, depois das grandes guerras mundiais, ter se desenvolvido, dentre outros fatores, com base no poder econômico dos consumidores. Isso vem da prática de leitura e escrita. Não deixe de escrever e reescreve textos. A constância no exercício da escrita é chave para o aprimoramento da capacidade expressiva. 6.7 Retomada da ideia e implícitos Como nós vimos na parte sobre progressão, para se manter a unidade do texto, há uma grande dose de repetição que pode inclusive ser observada no número de vezes que você repete a palavra-tema. Isso abre também a oportunidade para você escolher palavras, entre sinônimos, expressões de paráfrase ou comentários que, implicitamente, apresentem seu ponto de vista. Vamos considerar como exemplo esse artigo de crítica da Folha de São Paulo e que serviu de texto base para a prova de redação da UNESP em 2006. A brincadeira de mandar um astronauta ao espaço custou ao Brasil 10 milhões de dólares. Foi uma “carona paga”, segundo o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Ennio Candotti. Nos meios científicos, o ufanismo não pegou. “O vôo de Marcos Pontes é na realidade uma grande jogada eleitoreira do governo”, escreveu o astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão. O biólogo Fernando Reinach, em artigo no jornal O Estado de S.Paulo, calculou que, com 10 milhões de dólares, o Brasil poderia formar 290 novos doutores, em universidades do país, ou 150, em universidades estrangeiras. (Veja, 12.04.2006.) Nesse texto, o cronista está dando sua opinião sobre o primeiro astronauta brasileiro. A missão de lançamento, tema central, foi retomada no texto várias vezes em negrito. Em cada expressão observa-se a t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 49 crítica do escritor. No primeiro trecho isso é “uma brincadeira”, no segundo “é carona paga”, no terceiro, não se trata de uma viagem espacial, mas de um voo, ou seja, ele desqualificou a missão. Finalmente, o julgamento aparece com todas as letras, isso seria uma grande jogada eleitoreira. É claro que você vai precisar repetir palavras, mas você pode pensar em sinônimos ou expressões qualificativas. Esteja atento a essa possibilidade. 7. Recursos que prejudicam o estilo Vale considerar agora, alguns usos comuns que desvalorizam o estilo. 7.1 O verbo “ser” e o verbo “ter” O uso excessivo do verbo de ligação empobrece a expressão textual. Um verbo dá ação ao sujeito. Note as duas frases a seguir. Nesse caso, é muito simples. Basta transformar o adjetivo “prejudicial” em verbo. Às vezes, torna-se impossível. Terminado um parágrafo sempre verifico se eu não abusei no uso do verbo “ser”. Já o uso do verbo “ter”, na verdade, dize respeito ao não uso. Raramente, você utilizara o verbo “ter” a não ser como auxiliar, como na expressão “o uso do “ter” tem sido frequente”. No padrão coloquial utilizamos esse verbo como sinônimo de existir. Quem já não cometeu a frase: Tem um homem aí fora que deseja falar com você”? Na verdade, você quer dizer: existe alguém aí fora. A gramática não reconhece esse uso do “ter” ele deve ser substituído pelo verbo “existir” ou “haver”. Dentre eles, o mais comum nos textos dissertativos é o verbo haver, e posso dizer com propriedade que ele “quebra um galho” em alguns momentos. Vamos supor que eu tenha feito um esboço e nele tenha associado a Facebook vários subtemas: controle, possibilidade de conexão e entretenimento. Talvez eu até consiga estabelecer uma relação entre os dois primeiros, mas o último me parece difícil de ligar ao que vinha desenvolvendo, como posso fazer? O verbo haver junto com um conectivo resolve o problema. Veja o que você acha dessa escrita: O Facebook possibilita conexões com amigos e parentes além de ser um canal de entretenimento. Contudo, há um risco no uso da rede social: o controle. Uso exclusivo do Facebook como meio de manter relações sociais é prejudicial ao indivíduo. O uso exclusivo do Facebook como meio de manter relações sociais prejudica o indivíduo. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 50 Advertência: lembre-se de que o verbo haver com sentido de existir tem um regime de conjugação próprio. Ele é impessoal, ou seja, não vai para o plural. Você deve usá-lo sempre no singular, se ele acompanhar a palavra “riscos”, ele continua conjugado da mesma maneira: há riscos no uso da rede social. 7.2 Queísmo Vamos para a primeira praga da escrita, o uso excessivo do “que”. Todo mundo algum dia já cometeu essa heresia porque é mais fácil ir colocando verbos seguidos de “que” para acrescentar uma outra oração. Além de você cair no pecado capital do período longo, o texto fica insuportável pela repetição do “que”. Parece que existe uma galinha cacarejando dentro do seu texto. Primeira dica: procure não deixar um período com mais de um “que”. Depois de escrever um texto tente reduzir o número de “ques”, corte alguns. O texto fica mais elegante. Mas como cortar? 1. Simplesmente omita e repita o sujeito Você deve observar que alguns são desnecessário. Basta tirar o “que”, colocar o sujeito e transformar aquela frase em principal. Vamos considerar a seguinte frase: A sociedade se vale de novos meios de comunicação que estão transformando a realidade. Observe a mágica do desaparecimento do “que”. A sociedade se vale de novos meios de informação. Essas mídias estão transformando a realidade. 2. Use o infinitivo A rede social foi feita para que houvesse interação entre as pessoas. A rede social foi feita para haver interação entre as pessoas. 3. Transforme o verbo da segunda oração em substantivo. O usuários querem que possibilidades ilimitadas sejam oferecidas. Os usuários querem oferta de possibilidades ilimitadas. 7.3 Gerundismo O gerúndio é aquela forma verbal marcada pela nasalização, você acrescenta “-ndo”, corre, correndo; escrever, escrevendo; errar; errando. O gerúndio é uma fora fácil de fazer ligações lógicas. Você quer relacionar dois fenômenos, “o aumento da influência da internet” e “a queda no número de leitores de livro”, basta usar um gerúndio, nem precisa escolher o conectivo: a internet tem ampliado o número de usurário, diminuindo o número de leitores de livros. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 51 Qual a relação entre essas duas ideias? De causa/consequência? De concomitância (ao mesmo tempo que)? Pois é, fica-se sem saber. Mas o que é o gerúndio mesmo? “uma das formas nominais do verbo que apresenta o processo verbal em curso e que desempenha a função de adjetivo ou advérbio". O gerúndio introduz sempre uma oração subordinada e expressa uma ação que ocorre ao mesmo tempo que outra. No campo das ideias,seu emprego acaba por estabelecer relações entre ideias. Na fala, alastrou-se uma mania de se falar utilizando um gerúndio e mais dois verbos, “estarei enviando ao senhor esse documento, algo que poderia ser resolvido com uma frase mais simples “vou enviar” ou “enviarei”. No caso da escrita, quem faz uma redação não comete esse erro, mas muitas vezes enche o texto de gerúndio. O excesso de gerúndio no texto, torna-o monótono e impreciso no que diz respeito as relações entre as ideias. Por conta disso, não use mais do que um ou dois gerúndios em um parágrafo. Não é difícil transformar um gerúndio numa outra frase, basta desenvolver o verbo e restabelecer a relação lógica apropriada. Observe a mágica. A internet tem ampliado o número de usuários, diminuindo o número de leitores de livros. A internet tem ampliado o número de usuários. Isso, de certa fora, colaborou para que o número de leitores de livros diminuísse. 8. Erros gramaticais Essa parte é dedicada a algumas dicas para você não fazer vergonha. Não se trata de um estudo aprofundado do assunto. Vou considerar 3 tópicos: concordância, uso da virgula e crase; 8.1 Concordância Me dá dez real... Rapidamente, você percebe o erro dessa frase, não? Esqueça o fato de que não é muito ético o professor pedir dinheiro para o aluno. Concentre-se na falta de flexão do “real”. O correto, segundo o padrão culto seria : “dê-me dez reais”. Há erro de concordância. Isso ocorre quando as flexões de gênero e número que deveriam ser uniformes, não são. Se houver um número na frente de um substantivo e for maior que 1, o substantivo, o verbo e o adjetivos devem ir para o plural. Mas qual o problema dessa expressão, se qualquer um consegue entender o tal pedido? Linguisticamente: nenhum problema, a língua está caminhando para a economia linguística: o “dez” marca o plural, nada mais é necessário para a compreensão. Socialmente: esse tipo de linguagem que está associada a um indivíduo não letrado ou que foi precariamente alfabetizado; há, portanto, um julgamento negativo sobre quem não aplica bem a regra de concordância na fala, que dirá na escrita. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 52 Em relação à frase dos dez reais, acredito que isso não ocorreria mesmo, corujinha aplicada, mas o problema ocorre quando o verbo vem antes do sujeito. Quem já não cometeu um erro assim? Saiu os resultados (ao invés de “saíram os resultados”) Foi inaugurado as usinas (ao invés de “foram inauguradas as usinas”) Apareceu cinquenta pessoas (ao invés de “apareceram cinquenta pessoas”). Isso acontece porque começamos a escrever a frase no singular, mas o sujeito que aparece depois está no plural. Ainda assim, creio que você não cometeria esse erro no vestibular, pois sujeito e verbo estão muito próximos. O problema surge mesmo quando há períodos longos com termos intercalados. Em um texto como o abaixo, manter a concordância é um verdadeiro desafio. Foi anunciada na semana passada uma descoberta que pode lançar novas luzes sobre as origens da língua escrita. Arqueólogos chineses encontraram nas escavações de um antigo altar usado para sacrifícios, na província de Shandong, leste da China, dois pedaços de ossos de cordeiro onde foram esculpidos oito caracteres, considerados uma forma primitiva de chinês. Junto com os ossos, desenterraram-se 360 peças de cerâmica pertencente à cultura yueshi, que viveu em Shandong 3.500 anos atrás. 1.Passe para o plural a) Ainda há esperança. b) Vai haver novo encontro. c)Se houver comprador interessado, existirá grande possibilidade de lucro. d)Poderá haver sério incidente automobilístico, caso não exista autoridade competente para fiscalizar a rodovia. 2. Siga o modelo: Foi estabelecida nova ordem política. Foram estabelecidas novas ordens políticas Estabeleceram-se novas ordens políticas. Eu nunca faria isso! t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 53 a) Foi montada programação mais específica. b) Amanhã, será discutido o incremento à agricultura c) Ainda que fosse homologada a decisão, não haveria muito tempo para a prática. d) Foi muito criticado o esforço de segurança no espaço público. 1.Passe para o plural a) Ainda há esperança. b) Vai haver novo encontro. c)Se houver comprador interessado, existirá grande possibilidade de lucro. d)Poderá haver sério incidente automobilístico, caso não exista autoridade competente para fiscalizar a rodovia. Comentário. No caso desse exercício, você deveria prestar atenção ao verbo “haver” que é impessoal quando assume o sentido de existir. a) Ainda há esperanças. b) Vai haver novos encontros. c) Se houver compradores interessados, existirão grandes possibilidades de lucro. d) Poderá haver sérios incidentes automobilísticos, caso não existam autoridades competentes para fiscalizar a rodovia. Nesse último exercício (d), observe que a impessoalidade do verbo haver contamina o verbo auxiliar. Como o verbo haver é impessoal, o verbo auxiliar também não vai para o plural. 2. Siga o modelo: Foi estabelecida nova ordem política. Foram estabelecidas novas ordens políticas Estabeleceram-se novas ordens políticas. a) Foi montada programação mais específica. b) Amanhã, será discutido o incremento à agricultura c) Ainda que fosse homologada a decisão, não haveria muito tempo para a prática. d) Foi muito criticado o esforço de segurança no espaço público. Resolução t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 54 Comentário. a)Foram montadas programações mais específicas. Montaram-se programações mais específicas b) Amanhã, serão discutidos os incrementos à agricultura. Amanhã, discutir-se-ão os incrementos à agricultura. c)Ainda que fossem homologadas as decisões, não haveria muito tempo para as práticas. Ainda que se homologassem as decisões, não haveria muito tempo para as práticas. d) Foram muito criticados os esforços de segurança no espaço público. Criticaram-se muito os esforços de segurança no espaço público. 8.2 Vírgula: dicas de sobrevivência Como a virgula não é tão importante do ponto de vista da Banca, vou considerar aqui o básico do básico. Primeiramente, você deve entender o que é a vírgula, sinal gráfico que marca....a pausa? Não, a virgula não tem nada a ver com o fôlego do cidadão que está lendo o texto. Trata-se de um sinal gramatical de marcação sintática e, às vezes, de ênfase. O que ela registra? A alteração na mudança dos termos de uma oração. Lembre-se de que discutimos, pelos menos em dois momentos diferentes a questão da inversão de uma frase. A famosa ordem direta do português é aquela em que aparece primeiro o sujeito, depois o verbo e daí os complementos, de forma geral. Vamos supor que você, corujinha, disse, para a alegria do seu professor, no caso, eu, o seguinte: Eu estudo redação escrevendo todo dia. Nessa frase não há vírgula obrigatória, porque os termos da oração estão na ordem, costumeira do português. Vamos supor que você quisesse dar ênfase em um outro termo e trocasse algum termo de lugar. Nesse caso, você deveria assinalar isso com uma vírgula. Eu estudo redação escrevendo todo dia. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 55 Boa pergunta, corujinha antenada. Por que estamos falando de duas orações. Nesse caso pode-se colocar a vírgula para separá-las. Você deve considerar cada oração como se fosse um trecho sintático para saber se você deve ou não colocar uma vírgula. Por exemplo, um aposto sempre aparece entre vírgulas,pois ele interrompe a ordem da frase. Sendo assim, uma oração com função de aposto, aparecerá entre vírgulas e assim por diante. A desigualdade social, uma chaga social, tem aumentado nos últimos anos. A desigualdade social, que é uma chaga social, tema aumentado nos últimos anos. O “pois” introduz, normalmente, uma oração coordenada sindética explicativa. A virgula separa essas duas orações. Com essas informações e sua prática, tenho certeza de que você não passará vexame. Quer dizer, para isso seria bom você levar em consideração realmente duas regras que deveriam ser obedecidas: - Não separe sujeito de verbo a não ser por aposto ou por alguma frase intercalada, mas daí ela deve aparecer entre 2 vírgulas; - Sempre que você for começar uma oração com adjunto adverbial de tempo ou espaço, use vírgula: Na última reunião da ONU, os fatores mais importantes foram pesquisados. Todo dia, eu estudo redação escrevendo. Redação, eu estudo escrevendo todo dia. Escrevendo, eu estudo redação todo dia. Então por que se coloca vírgula antes do "pois"? t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 56 Leve em consideração as regras abaixo. O uso dapontuação nas orações subordinada depende do tipo de subordinada: * Substantivas Apenas a apositiva recebe pontuação, normalmente dois pontos. Ex: Só desejo uma coisa: que as férias cheguem logo. * Adjetivas Neste caso, a pontuação distingue a restritiva (sem pontuação) da explicativa (com vírgulas) e isso interfere na interpretação. Ex: Só os rapazes que têm carros vermelhos estão livres do rodízio hoje. (restritiva) = Apenas um grupo de rapazes tem carros vermelhos e apenas eles estão livres do rodízio. Só os rapazes, que têm carros vermelhos, estão livres do rodízio hoje (explicativa) = Todos os rapazes têm carros vermelhos, portanto todos estão livres do rodízio hoje. * Adverbiais Caso a subordinada adverbial vier depois da oração principal, não há vírgula: Ex. Faça o almoço se chegar mais cedo. Já se a subordinada adverbial vier antes da oração principal, a vírgula é obrigatória. Se chegar mais cedo, faça o almoço. Justifique o uso das virgulas nas frases a seguir, de acordo com o código proposto (A) separar elementos ou frases intercalados (B) separar aposto ou vocativo (C) separar elementos de mesma função sintática (enumeração) (D) anteceder conjunções coordenativas (exceções: e, nem) E quando se usa vírgula para separar orações? t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 57 Gabarito (E) enfatizar termos e expressões explicativas (F) separar, nas datas, o nome do lugar (G) separar o numeral que vem depois do nome da rua (H) marcar a omissão do verbo (I) separar elementos antepostos (Exemplo: em casa, eu cheguei). 1. A língua têm seus recursos, expressivos. ( ) 2. A gramática, sistema de regras da língua, mantém uma certa uniformidade. ( ) 3. Gente, sejamos tolerantes com os ditos “erros gramaticais”! ( ) 4. Dominar o padrão culto é trabalho árduo; expressar-se de forma coloquial, descontração. ( ) 5. A gíria também é expressiva, claro! ( ) 6. Uma poesia sem figuras de linguagem é, por assim dizer, um corpo sem alma. ( ) 7. O que a leitura proporciona, nenhuma outra atividade pode dar. ( ) 8. De todas as palavras de nichos semânticos, nenhuma desperta mais interesse que as de cunho sexual. ( ) 9. O verbo é o centro da frase composta por outras classes gramaticais como substantivos, adjetivos, advérbios etc. ( ) 10. Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2021. ( ) 11. Ao contrário dos bêbados, é durante a ressaca que o mar se mostra mais furioso. ( ) 12. Quando Tarzã veio para a cidade, não se adaptava a nenhum emprego. Ficou pulando de galho em galho. ( ) 13. Repolho não pensa, logo não existe! ( ) 14. Mora na Rua Sá Ferreira, 119. ( ) 1.E; 2.B; 3.B; 4.H; 5.E; 6.A; 7.I; 8.I; 9.C; 10.F; 11.E; 12.I; 13.D; 14.G. 8.3 Crase “Crase foi feita para humilhar o escritor”. Foi isso que ouvi do meu orientador que estava na banca do meu mestrado. Falou porque encontrou uns 3 erros de crase no meu trabalho de 200 páginas. Ele falou para me chamar a atenção para o erro, mas também para aliviar a barra, já que se trata de um detalhe linguístico que muitas vezes passa despercebido. E em minha defesa, posso justificar dizendo que se trata de um requisito da língua escrita muito específico e totalmente desnatural. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 58 Ela lembra o acento, mas o acento tem uma relação com a sílaba tônica, com o som; a crase está longe disso. Ela é um sinal gráfico que indica que houve uma elisão entre a preposição “a” e o artigo ou pronome “a”. Exemplo: Eu fui a a adega (aliás, quanto “a” nessa frase!). Já pensou escrever desse jeito “Eu fui a a”? Então, os gramáticos resolveram adotar a crase para indicar que naquele único “à”, há dois, na verdade. Pode parecer picuinha, afinal, qual seria o problema em colocar um “a” apenas sem marcação nenhuma. Bom, a questão tem a ver com o seu par masculino. E se você colocasse uma palavra masculina depois da preposição, ficaria só uma vogal ou duas? Fizemos o teste para você, veja que coisa curiosa, são mesmo duas vogais. Exemplo: Eu fui a o supermercado. Se você não pode suprimir uma vogal em “ir ao supermercado”, não se pode suprimir um dos dois “as”, quando está diante de um substantivo feminino Diante dessa rega meio aleijão, a gente acaba por esquecer de colocar o maldito acento grave para indicar crase. Bom vamos às regras. Artigo feminino “a” Preposição exigida pelo verbo ir, quem vai, vai a Artigo feminino “a” Preposição exigida pelo verbo ir, quem vai, vai a t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 59 Primeira: NUNCA haverá crase na frente de um termo masculino. Segunda: Faça o teste rápido. Troque a palavra que vem a seguir por um substantivo masculino, veja como se comporta a frase. Se a frase exigir “ao” no jogo com o masculino, exigirá “à” diante de uma palavra feminina. Terceira: Na indicação de horas, dias de semana, por exemplo: às segundas, às 10 horas. Quarta: Em locuções adverbias em que se seguem palavras femininas (à direita, à escolha etc), no equivalente masculino não ocorrerá crase (a jato, a olho nu etc). Quinta: Nas expressões “à maneira” ou “à moda” mesmo que subtendidas (lagosta à thermidor, caso bastante raro). 9. Propostas de Redação As propostas estão escalonadas da seguinte forma: A Proposta 1, da UFPR, pede que candidato faça o exercício de passar um discurso direito para o indireto. Esse tipo de exercício mexe com algumas habilidades: tentativa de evitar a repetição do ver “disse”, adaptação dos verbos, capacidade de paráfrase. Trata-se de um exercício muito bom para quem tem muita dificuldade de escrita. A Proposta 2, da UFPR, pede que o candidato faça um texto curto opinativo sobre o tema da escrita. Bom exercício para quem ainda não consegue elaborar argumentos muitos longos. A proposta 3 é completa e sobre o tema da linguagem. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 60 Proposta 1 UFPR /2016 Proposta 1 Leia abaixo um trecho da entrevista do físico Marcelo Gleiser ao jornal Zero Hora. Zero Hora — O senhor veio a Porto Alegre para falar sobre “ética na ciência”. Curiosamente, uma recente coluna sua sobre o tema está repleta de pontos de interrogação. O texto é uma sucessão de perguntas difíceis. O senhorjá chegou a alguma resposta? Gleiser — Nessa coluna, comecei tratando do romance Frankenstein, um dos símbolos mais poderosos sobre a questão da ética na ciência. Esse romance, de força mítica profunda, diz que existem certas questões científicas que estão além do que os humanos podem controlar. Mesmo que tecnologicamente possamos fazer algo — caso do doutor Victor Frankenstein, ao ressuscitar um cadáver usando eletricidade — não significa que moralmente estejamos prontos para fazê-lo. Você me pergunta se eu tenho respostas. O que a gente está tentando é começar a fazer as perguntas certas. Porque só quando se faz as perguntas certas é possível começar a encontrar algumas respostas. ZH — E estamos prontos para chegar a essas respostas? Gleiser — A questão em que você está interessado é se temos maturidade moral para decidir. E a resposta é simplesmente a seguinte: não. Não temos maturidade moral para certas questões. Mas isso não significa que a gente não deva fazer a pesquisa. Existe a ideia da Caixa de Pandora, onde estão guardados todos os males do mundo, e se você abre a Caixa de Pandora tudo escapa. As pessoas veem a ciência como um tipo de Caixa de Pandora: “Ah, esses cientistas ficam fuxicando, descobrem problemas sérios e depois a sociedade fica à mercê de avanços sobre os quais não temos controle”. Na verdade, não é nada disso. A ciência tem de ter total liberdade de pesquisa, contanto que certas questões sejam controladas ou pelo menos monitoradas por corpos especiais. Por exemplo, a questão da clonagem humana. Para mim, essa é uma das áreas que deveriam ser controladas com muito cuidado. ZH — Quem deveria decidir as regras sobre o que se pode fazer? Gleiser — Essa é a grande questão. Quem decide o que pode e o que não pode? Quem tem o direito de decidir por todas as pessoas? Acho que deveria haver uma aliança entre o Judiciário e um corpo de cientistas escolhido por órgãos do governo para estabelecer regras. Mas, infelizmente, qualquer tecnologia que possa ser desenvolvida mais cedo ou mais tarde vai ser desenvolvida. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 61 (Zero Hora.13 out 2013.) Exponha as principais ideias de Marcelo Gleiser num texto de 8 a 10 linhas, totalmente em discurso indireto. Proposta 2 UFPR/ 2014 Texto 1: Sem Tempo para as Palavras O tempo da comunicação por e-mails e mensagens de texto pode, em breve, ficar tão ultrapassado quanto o das cartas manuscritas enviadas pelo correio tradicional ou o das conversas ao telefone. E o longo post de 140 caracteres no Twitter? Esqueça! Estamos nos aproximando do dia em que tudo será dito com imagens, segundo o New York Times. “As fotos estão rapidamente se convertendo em um tipo de diálogo inteiramente novo”, escreveu Nick Bilton no jornal. “A turma de vanguarda está descobrindo que se comunicar com uma simples imagem, quer seja uma foto do que vai haver para o jantar ou uma imagem de uma placa de rua indicando ao amigo ‘Ei, estou esperando por você aqui’, é mais fácil que se dar ao trabalho de usar as palavras.” No passado, álbuns de fotos de família ocupavam espaço em estantes, repletos de imagens de casamentos, formaturas, férias memoráveis e poses desajeitadas em volta da árvore de Natal. Agora, com o clicar de um botão, podemos postar uma foto online, poupando-nos do trabalho de usar nossos dedos ou de digitar com os polegares num teclado pequeno. “Este é um momento divisor de águas. Estamos nos afastando da fotografia como maneira de registrar ou armazenar um momento passado e convertendo-a num meio de comunicação”, disse ao NYT Robin Kelsey, professor de fotografia da Universidade de Harvard. [...] (Tom Brady, Observatório da Imprensa, 23/07/2013.) Texto 2 Procura da Poesia [...] Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Estão paralisados, mas não há desespero, t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 62 há calma e frescura na superfície intata. Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário. Convive com teus poemas, antes de escrevê-los. Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam. Espera que cada um se realize e consume com seu poder de palavra e seu poder de silêncio. Não forces o poema a desprender-se do limbo. Não colhas no chão o poema que se perdeu. Não adules o poema. Aceita-o como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no espaço. Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave? [...] (ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética. 8a ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1975. p. 175-177) Confronte os textos 1 e 2 e dê sua opinião sobre a utilização da palavra escrita: que prognósticos podemos fazer quanto ao seu uso na comunicação e na vida em geral? Seu texto deve: Apresentar uma opinião clara sobre o assunto e argumentos para sustentá-la, pautados nos textos; Ter entre 10 e 12 linhas. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 63 Proposta 3 UFGD 2020 Motivador 1 - VARIAÇÃO LINGUÍSTICA O termo variação se aplica a uma característica das línguas humanas que faz parte de sua própria natureza: a heterogeneidade. A palavra língua nos dá uma ilusão de uniformidade, de homogeneidade, que não corresponde aos fatos. Quando nos referimos ao português, ao francês, ao chinês, ao árabe, etc., usamos um rótulo único para designar uma multiplicidade de modos de falar decorrente da multiplicidade das sociedades e das culturas em que as línguas são faladas. Cada um desses modos de falar recebe o nome de variedade linguística. Por isso, muitos autores definem língua como “um conjunto de variedades” e substituem a noção da língua como um sistema pela noção da língua como um polissistema, formado por essas múltiplas variedades. A variação linguística se manifesta desde o nível mais elevado e coletivo – quando comparamos, por exemplo, o português falado em dois países diferentes (Brasil e Angola) – até o nível mais baixo e individual, quando observamos o modo de falar de uma única pessoa, a tal ponto que é possível dizer que o número de “línguas” num país é o mesmo de habitantes de seu território. Entre esses dois níveis extremos, a variação é observada em diversos outros níveis: grandes regiões, estados, regiões dentro dos estados, classes sociais, faixas etárias, níveis de renda, graus de escolarização, profissões, acesso às tecnologias de informação, usos escritos e usos falados. Disponível em: <http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/variacao-linguistica>. Acesso em: 25 set. 2019 Motivador 2 - REGISTRO LINGUÍSTICO PODE VARIAR DE ACORDO COM A SITUAÇÃO E O ASSUNTO “Me avisaram do meu gabinete que eu ‘tava com uma marca de batom, um beijo, no rosto. É o único problema que eu não preciso nessa altura da minha vida.” A frase foi dita pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), durante a votação do pedido de habeas corpus para o ex- presidente Lula no último dia 4 de abril. Antes de retomar a leitura de seu voto, depois de aparte do ministro Dias Toffoli, Barroso permitiu-se um momento de descontração. Não paira dúvida acerca da formalidade do ambiente nem se questiona o grau de conhecimento da língua portuguesa do magistrado, mas o fato é que ele não disse “Avisaram-me”, “estava” ou “problema de que eu não preciso nesta altura”. Será que o ministro errou? Segundo o sociolinguista Carlos Alberto Faraco, professor titular aposentado e ex-reitor da Universidade Federal do Paraná, não há cortes rígidosentre formal e informal, entre oral e escrito, entre “certo” e “errado”. “A mudança estilística do ministro está ligada ao assunto; as pessoas modulam a língua de acordo com interlocutores, ambiente, assunto, gênero do discurso, etc. O mais importante é fugir sempre das dicotomias. Dicotomizar a realidade linguística é falseá-la; a língua varia muito seja na fala, seja na escrita”, afirma. t.me/CursosDesignTelegramhub http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/variacao-linguistica Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 64 https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/04/registro-linguistico-pode-variar-de-acordo-com-a-situacao-e-o-assunto.shtmlAcesso em: 25 set. 2019 Motivador 3 - LÍNGUA E IDENTIDADE: FIOS QUE SE ENTRELAÇAM MUNDO AFORA Muitos tons, muitas cores, muitos ritmos. Política, cultura, história. A língua é uma das manifestações culturais que fundamentam a identidade de um povo. É também um dos elementos essenciais na construção da subjetividade, possibilitando o elo das novas gerações com a herança cultural da comunidade a que pertencem. A oralidade, em especial, é a manifestação da língua viva e, como tal, é dinâmica, variando de acordo com o uso que fazem dela. Assim, é pela oralidade que a identidade de um povo se mostra com mais força, revelando a diversidade, os conflitos, as tendências presentes em sua sociedade. Disponível em: http://www.plataformadoletramento.org.br/em-revista-reportagem/738/lingua-e-identidade-fios-que-se-entrelacam-mundo- afora.html. Acesso em: 25 set. 2019 Motivador 4 - NORMA CULTA Motivador 5 - A DIVERSIDADE LINGUÍSTICA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL A diversidade linguística encontra-se ameaçada. Estima-se que entre um terço e metade das línguas ainda faladas no mundo estarão extintas até o ano de 2050. As consequências da extinção das línguas são diversas e irreparáveis, tanto para as comunidades locais de falantes, quanto para a humanidade. Essa percepção se encontra na Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, elaborada na cidade de Barcelona, Espanha, em 1996, sob os auspícios da Organização das Nações Unidas Para Educação e Cultura (Unesco) e com a participação de representantes de comunidades linguísticas de diversas regiões do planeta. Segundo t.me/CursosDesignTelegramhub https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/04/registro-linguistico-pode-variar-de-acordo-com-a-situacao-e-o-assunto.shtml http://www.plataformadoletramento.org.br/em-revista-reportagem/738/lingua-e-identidade-fios-que-se-entrelacam-mundo-afora.html http://www.plataformadoletramento.org.br/em-revista-reportagem/738/lingua-e-identidade-fios-que-se-entrelacam-mundo-afora.html Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 65 este documento, a situação de cada língua é o resultado da confluência e da interação de múltiplos fatores político-jurídicos, ideológicos e históricos, demográficos e territoriais; econômicos e sociais. Salienta que, nesse sentido, existe uma tendência unificadora por parte da maioria dos Estados em reduzir a diversidade e, assim, favorecer atitudes adversas à pluralidade cultural e ao pluralismo linguístico. O Brasil figura entre os países de maior diversidade linguística. Estima-se que, atualmente, são faladas mais de 200 línguas. A partir dos dados levantados pelo Censo IBGE de 2010, especialistas calculam a existência de pelo menos 170 línguas ainda faladas por populações indígenas. Embora não contabilizadas pelo Censo, pesquisas na área de linguística também apontam para outras línguas historicamente “situadas” e amplamente utilizadas no Brasil, além das indígenas: línguas de imigração, de sinais, de comunidades afro- brasileiras e línguas crioulas. Esse patrimônio cultural é desconhecido ou mesmo ignorado por grande parte da população brasileira. Disponível em: http://desafios.ipea.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3053&catid=28&Itemid=39. Aceso em: 25 set. 2019. Motivador 6 – LÍNGUA Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó O que quer o que pode Esta língua Vamos atentar para a sintaxe paulista E o falso inglês relax dos surfistas Sejamos imperialistas Cadê? Sejamos imperialistas Vamos na velô da dicção choo de Carmem Miranda E que o Chico Buarque de Hollanda nos resgate E xeque-mate, explique-nos Luanda VELOSO, Caetano. Velô. Polygram, CD,1984 Após a leitura dos textos motivadores apresentados e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa com, no mínimo, 15 e, no máximo, 30 linhas, sobre o tema “A LÍNGUA E SEUS USOS NAS t.me/CursosDesignTelegramhub http://desafios.ipea.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3053&catid=28&Itemid=39 Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 66 INTERAÇÕES SOCIAIS”. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e informações para constituição de seu texto. Proposta 4 FUVEST 1997 Redija uma DISSERTAÇÃO em prosa, relacionando os três textos abaixo. Texto 1 Na prova de Redação dos vestibulares, talvez a verdadeira questão seja sempre a mesma: "Conseguirei?". Cada candidato aplica-se às reflexões e às frases na difícil tarefa de falar de um tema A proposto, com a preocupação em B – "Conseguirei?" –, para convencer um leitor X. Texto 2 Ao escrever "Lutar com palavras / é a luta mais vã. / Entanto lutamos / mal rompe a manhã", Carlos Drummond de Andrade já era um poeta maior da nossa língua. Texto 3 É difícil defender, só com palavras, a vida [João Cabral de Melo Neto] 9.1. Possibilidades de Encaminhamento das Propostas Proposta 1 Encaminhamentos A questão pedia ao candidato para sintetizar as ideias centrais do texto. Portanto, é uma espécie de resumo do texto, sendo necessário destacar as respostas dadas pelo autor ao tema, destacando seu ponto de vista. Para facilitar a escrita, você deve, primeiramente, destacar as respostas do autor ao tema. Veja como se faz isso: t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 67 Zero Hora — O senhor veio a Porto Alegre para falar sobre “ética na ciência”. Curiosamente, uma recente coluna sua sobre o tema está repleta de pontos de interrogação. O texto é uma sucessão de perguntas difíceis. O senhor já chegou a alguma resposta? Gleiser — Nessa coluna, comecei tratando do romance Frankenstein, um dos símbolos mais poderosos sobre a questão da ética na ciência. Esse romance, de força mítica profunda, diz que existem certas questões científicas que estão além do que os humanos podem controlar. Mesmo que tecnologicamente possamos fazer algo — caso do doutor Victor Frankenstein, ao ressuscitar um cadáver usando eletricidade — não significa que moralmente estejamos prontos para fazê-lo. Você me pergunta se eu tenho respostas. O que a gente está tentando é começar a fazer as perguntas certas. Porque só quando se faz as perguntas certas é possível começar a encontrar algumas respostas. ZH — E estamos prontos para chegar a essas respostas? Gleiser — A questão em que você está interessado é se temos maturidade moral para decidir. E a resposta é simplesmente a seguinte: não. Não temos maturidade moral para certas questões. Mas isso não significa que a gente não deva fazer a pesquisa. Existe a ideia da Caixa de Pandora, onde estão guardados todos os males do mundo, e se você abre a Caixa de Pandora tudo escapa. As pessoas veem a ciência como um tipo de Caixa de Pandora: “Ah, esses cientistas ficam fuxicando, descobrem problemas sérios e depois a sociedade fica à mercê de avanços sobre os quais não temos controle”. Na verdade, não é nada disso. A ciênciatem de ter total liberdade de pesquisa, contanto que certas questões sejam controladas ou pelo menos monitoradas por corpos especiais. Por exemplo, a questão da clonagem humana. Para mim, essa é uma das áreas que deveriam ser controladas com muito cuidado. ZH — Quem deveria decidir as regras sobre o que se pode fazer? Gleiser — Essa é a grande questão. Quem decide o que pode e o que não pode? Quem tem o direito de decidir por todas as pessoas? Acho que deveria haver uma aliança entre o Judiciário e um corpo de cientistas escolhido por órgãos do governo para estabelecer regras. Mas, infelizmente, qualquer tecnologia que possa ser desenvolvida mais cedo ou mais tarde vai ser desenvolvida. (Zero Hora.13 out 2013.) Após sinalizar as ideias centrais do texto requeridas na questão, você deveria escrever seu texto autoral, explicitando as ideias do autor. Para isso, deveria utilizar o discurso indireto, ou seja, utilizar as próprias palavras para descrever o que é falado no texto. Ex: Na entrevista, o físico Marcelo Gleiser discute a ética na ciência. Resposta I: Deve-se começar a fazer perguntas certas, para se chegar a uma resposta. Resposta II: Não estamos preparados para decidir, mas deve-se fazer pesquisa. Resposta IV: Judiciário e corpo de cientistas escolhidos por órgãos do governo deveriam decidir. Conclusão: Não haverá impedimento para o desenvolvimento tecnológico t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 68 Estruturalmente, seu texto pode ser escrito com um único parágrafo, em vista da extensão, 08 a 10 linhas, mas apresentando começo, meio e fim! Proposta 2 Encaminhamentos Após a leitura dos textos da coletânea, a questão requeria do candidato a escrita de um texto que confrontava as ideias presentes nos textos motivadores. Assim, o primeiro passo a seguir reconhecer de que se trata cada um dos textos. Observe: Texto I A tendência da palavra escrita ser substituída pela imagem. Texto II A resistência da escrita. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 69 Compreendido isso, é importante observar, inicialmente, que algo aproxima os dois textos: no texto I, fala-se da substituição da escrita pela fotografia; no texto II, a forma como é exposto o poema, leva a perceber, também, uma visão imagética. Por sua vez, frente as ideias textuais, você precisa construir uma argumentação. Uma opção seria discutir que: • O mundo imagético não vai substituir a palavra; • Por sua vez, você afirmar que a imagem pode, sim, substituir a palavra. No desenvolvimento de sua argumentação, lembre-se que, com a ascensão tecnológica, dizia-se que haveria a extinção do livro, mas vivemos época em que, cada vez mais, se produz e vende livros, o que pode ser uma possível resposta ao texto I. Reconhecendo o problema a ser retratado, em um texto de 10 a 12 linhas, você deve discutir o futuro da escrita. Para isso, sugerimos a escrita de apenas um parágrafo, mas nele você deve apontar as seguintes partes: Introdução Apresente o tema e exponha a tese. Desenvolvimento Discuta a tese por meio de argumentos consistentes. Conclusão Conclua as informações de seu texto. Proposta 3 Análise da proposta Tema e proposta O tema “A LÍNGUA E SEUS USOS NAS INTERAÇÕES SOCIAIS” nos convida a pensar a língua para além de um mecanismo imutável de comunicação. Quando focalizamos no tema a palavra “usos”, somos levados a pensar na heterogeneidade desse mecanismo comunicacional, que faz com que as pessoas, em diferentes ambientes interacionais, de diferentes culturas, classes sociais diversas façam uso de uma modalidade diferenciada, como é o caso da linguagem utilizada no ambiente familiar e no ambiente de trabalho, na mesma situação estão os falares de diferentes regiões, diferentes idades. Frente a essas considerações, t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 70 • Predomina-se nas sociedades a crença em uma única forma de manifestação da língua, a padrão, desvalorizando outras variedades; • Procura-se, em um mesmo território, criar uma homogeneidade linguística; • Há uma tendência à desvalorização de certas culturas e isolamento de sua língua; • Existe a tentativa de manutenção de uma língua como perpetuação da cultura de um povo. podemos perceber a pluralidade de perspectivas que o tema pode ser abordado dentro de uma redação. Vejamos, a seguir, possibilidades de se trabalhar o tema. A partir das informações elencadas no quadro, observem que o tema pode ser trabalho a partir de variadas perspectivas. Assim, percebemos que o preconceito é um dos maiores implicadores no que concerne à utilização da língua, o que resulta no desrespeito à diversidade linguística. Portanto, esse pode ser um argumento que possibilite um desenvolvimento textual mais consistente, apresentando mais possibilidades de ideias a serem desenvolvidas. Diante disso, esperamos que você, em sua redação, focalize uma das posições seguintes: ou você fale sobre a problemática que envolve a heterogeneidade linguística, pontuando os preconceitos incrustados socialmente; por outro lado, você pode falar também da importância da língua para a manutenção de sua cultura. Observe que você pode se apropriar desses dois argumentos na composição de seu texto, uma vez que há possibilidade de contrapor ideias, demonstrando que, apesar de haver muito preconceito com relação às variedades apresentadas pela língua, existe a luta de grupos específicos para a manutenção de suas línguas enquanto registro cultural. Portanto, você tem caminhos variados para está desenvolvendo seu texto, basta se apropriar de um deles e escolher as ideias que melhor se articulem para desenvolver uma argumentação consistente. Pensando no exame, o texto Dissertativo-Argumentativo, utilizado pela UFGD, compõe-se de três partes essenciais: t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 71 Na elaboração do texto dissertativo-argumentativo, deve-se apontar uma tese clara e consistente para que você, ao longo de seu texto, consiga argumentar com facilidade, sem necessitar recorrer a ideias que possam enfraquecer sua argumentação. Assim, em sua introdução, você deverá delimitar o seu tema, visto que, como comentamos acima, é amplo, e apresentar a sua tese. A partir disso, você estará construindo seu projeto de texto, elemento fundamental na escrita de uma redação. Quando uma produção apresenta um projeto de texto, o leitor, na introdução, já focaliza o assunto que está sendo abordado e o seu ponto de vista sobre ele, o que você irá defender sobre esse tema. Logo, com o projeto de texto, mostra-se, antes de argumentar, qual o caminho opinativo, ou seja, qual a tese que você apresentará em seu texto. Pense que o seu leitor, ainda que seja um corretor, não “conhece” o seu tema. É como se estivesse entrando em contato com ele pela primeira vez. Tudo caminha para que ele compreenda o tema a partir do seu texto. Se, por acaso, você costuma se perder na argumentação, principalmente quando tratamos da organização dos argumentos na cabeça, indique, logo na introdução, os argumentos que irá trabalhar ao longo da sua redação. Isso facilita a coerência de suas ideias. Por sua vez, no desenvolvimento, você deverá apresentar seus argumentos. Comumente, recomendamos dois argumentos pela extensão da redação. Pode parecer muito, mas 30 linhas, para um texto bem desenvolvido, acaba sendo pouco. Assim, com dois argumentos, fica um pouco mais fácil de desenvolver as ideias como deve. É importante destacar que o repertório deve estar presente, fundamentandoseus argumentos de forma clara e produtiva. Sempre coloque repertório em seus argumentos e apresente, claramente, a ligação entre as duas partes: a sua afirmação e o repertório. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 72 Por fim, você deve concluir as ideias desenvolvidas ao longo do texto. Retome aos argumentos explanados para poder dar um fechamento geral no texto, sempre articulando ao tema de sua redação. Coletânea de textos Os textos motivadores são suportes para a compreensão do tema. Assim, não se pode utilizar seus argumentos e nem parte desses textos na produção textual. Busque utilizar os textos como direcionadores dos seus pensamentos. Muitas vezes, vocês apresentam a ideia de que não podem ler os textos motivadores porque ocorrem essencialmente dois problemas: ou vocês descobrem que todos os argumentos que têm estão colocados nos textos; ou sentem uma incontrolável necessidade de usar aqueles argumentos que ficam fixos no seu inconsciente. Para resolver isso, só treinando muito a produção textual. Treine e treine e, quando cansar de treinar, treine mais um pouco. Escrever nós realmente aprendemos escrevendo. A seguir, apresentamos uma pequena análise de cada um dos textos constantes da proposta. TEXTO I TEXTO II TEXTO III TEXTO V • Variação linguística como característica humana. • A heterogeneidade da língua. • A ilusão da uniformidade linguística. • A variação linguística se manifesta desde o nível mais elevado e coletivo ao mais baixo e individual. • Não há cortes rígidos entre formal e informal, entre oral e escrito, entre “certo” e “errado”. “A mudança estilística do ministro está ligada ao assunto; as pessoas modulam a língua de acordo com interlocutores, ambiente, assunto, gênero do discurso, etc. O mais importante é fugir sempre das dicotomias. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 73 Apresento, a seguir, algumas palavras interessantes retiradas dos estudos da sociolinguística, ramo da ciência linguística que estuda as variações linguística. Tese e argumentos possíveis Como observamos ao longo dessa descrição, é possível pensar, sem se desligar do tema, em diferentes argumentos para o desenvolvimento textual. Buscamos sinalizar que encontrar um problema para dá solução ao assunto é um dos caminhos mais fáceis para o desenvolvimento de seu texto, desviando da possibilidade de sua redação ficar muito descritiva. Assim, o processo argumentativo, que inclui defender • Língua como construção de identidade; • A língua contribui para a construção da subjetividade; • A oralidade é a língua viva. • Diversidade linguística ameaçada. • A grande extinção da língua no mundo. • Há uma tendência da redução da diversidade linguística no mundo. • O Brasil tem uma das maiores diversidades linguísticas do mundo. • Grande parte da população desconhece a existência das línguas indígenas. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 74 um posicionamento acerca de uma temática específica, fica facilitado quando se enxerga problemas, sendo possível, assim, argumentar sobre a razão da existência desses problemas. Dessa forma, a tese de seu texto pode problematizar tanto a diversidade de usos da língua, quanto pode apresentar um problema no uso dessa língua. Quando você utiliza o argumento de tese como um problema, existe a possibilidade de se descrever o porquê desse problema, o que possibilita articular causas de consequências. É, literalmente, construir a motivação da existência do problema e, a partir disso, apresentar argumentamos em favor de comprovar essa existência. Proposta 4 Tema e proposta Esta proposta de redação tem como diferencial não explicitar o tema. Então, caberia ao candidato ler os textos que compõem a coletânea e identificar que se pedia para ele dissertar sobre os limites e as possibilidades da comunicação, ou seja, sobre a expressão linguística por meio de palavras. Esse normalmente é um tema tratado pela disciplina de língua portuguesa direta e indiretamente, então o conteúdo não deveria causar tanta estranheza ao candidato. Também se trata de uma preocupação constante na vida das pessoas, porque é por meio da linguagem que precisamos realizar uma série de atividades no nosso dia a dia e o seu resultado impacta diretamente em nossa vida de forma geral. Trata-se de um tema interessante para o candidato, porque remete diretamente para a situação de prova em que ele se encontra, porque é exatamente através da expressão por meio da linguagem escrita que ele realiza a prova do vestibular e dela depende a conquista de uma vaga na universidade, o que não é pouca coisa. Assim, entende-se que o candidato poderia refletir acerca da própria experiência para discutir de forma abrangente o tema proposto. O candidato também poderia lançar mão de referências literárias ao tema, pois além das duas citadas na coletânea, ele estaria apto a usar outras que tenha em seu repertório, pois trata-se de um tema que costuma ser objeto de reflexão por escritores e poetas. Diante dessas informações, vejamos a seguir algumas possibilidades de se trabalhar o tema. A partir das informações elencadas no quadro, percebe-se que você pode abordar o tema por diferentes e variadas perspectivas. Segundo as ideias apresentadas no quadro anterior, o tema não se circunscreve apenas à ideia de falta de experiência com a escrita, o que poderia caracterizar a situação de um estudante • A linguagem nos serve para resolver inúmeros problemas, como fazer uma reclamação, e o nível de efetividade de seu uso pode determinar o nosso sucesso ou fracasso em nossa demanda. • Concursos e vestibulares são exemplos de situações em que o uso habilidoso da linguagem pode fazer diferença em nossa vida, pois é através dela que iremos demonstrar todo o nosso conhecimento. • A tarefa do escritor profissional é uma constante batalha entre os limites e as possibilidades que a linguagem oferece para a expressão de suas ideias. Isso independe de sua experiência e de sua habilidade profissional. • Ocasionalmente, as pessoas reconhecem a dificuldade de defender certas causas apenas com palavras, principalmente se seus oponentes fazem uso de outras armas de defesa. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 75 ou de um vestibulando, visto que ele também é uma questão para escritores experimentados, como Carlos Drummond de Andrade. Pode-se, então, entender que as possibilidades e os limites da expressão linguística é um tema de caráter atual e que afeta globalmente as pessoas, não se restringindo apenas a certos grupos ou faixas etárias e nem a populações de certos países. No entanto, entende-se que naqueles países cuja educação básica enfrenta maiores desafios quanto à sua efetividade, essas dificuldades são ampliadas. Esse é o caso do Brasil, pois no exame do PISA, nossos estudantes não atingem o conhecimento mínimo necessário em leitura, por exemplo, o que revela que o domínio do idioma não é pleno. A mesma reflexão cabe aos países em que a população lê menos, portanto exercita menos a sua capacidade de adquirir informação por meio escrito e de interpretá-la, sendo menos desafiada nesse exercício de expressão linguística e de repertório. Consequentemente, ela é menos exposta a novas construções linguísticas e vocabulário, o que pode afetar a sua competência no uso do idioma. Ao se falar em competência,é necessário pensar que existe uma competência linguística para a linguagem falada e outra para a linguagem escrita. Muitas vezes um indivíduo fala muito bem, mas tem dificuldades com escrever; outros, por sua vez, têm mais facilidade em escrever, mas dificuldades com a expressão oral. Também é essencial considerar que nem sempre podemos escolher o tipo de expressão que iremos usar conforme a nossa maior habilidade em uma delas. As situações de comunicação são quem determina se usaremos a linguagem oral ou escrita, não havendo possibilidade de escolha de uma delas. Como você deve ter percebido, existem muitos caminhos para a reflexão sobre esse tema, então caberá a você escolher um deles. Escolhido o caminho, o próximo passo é elaborar o projeto do seu texto. Nele você delineia brevemente o esqueleto do texto, definindo qual será a sua tese e quais serão os argumentos que você irá usar para defendê-la. Considere em seu projeto que se trata de um texto de 30 linhas, o que deve ser suficiente para elaborar quatro ou cinco parágrafos. O primeiro é a introdução; os centrais são o desenvolvimento da sua argumentação; o último é a conclusão. Na introdução, espera-se que você apresente e contextualize o tema e já defina a sua tese. Também é possível já dar algum indício do seu percurso argumentativo, o que orienta muito bem a leitura do seu texto e dificulta que você se perca durante a escrita, porque já ficou explicitado o que você irá abordar na sua argumentação. A argumentação ocupa o centro do texto e cada argumento deve ocupar um parágrafo. Procure usar repertório – exemplos, dados estatísticos, citações, fatos históricos – para enriquecer seu argumento e auxiliar a sua defesa da tese. No entanto, não basta apenas citá-los, é preciso estabelecer a conexão entre a informação trazida e o tema que está sendo discutido. É preciso que o repertório traga luz ao que está sendo exposto, que contribua para a tarefa de justificar a sua tese e evidenciar por que ela é defensável e legítima em relação ao que está sendo debatido. O último parágrafo é a conclusão, e nela espera-se que você reafirme sua tese e retome seus argumentos brevemente, fechando o raciocínio elaborado no texto. No vestibular da FUVEST não se espera que você elabore uma proposta de intervenção, como no ENEM, e nem isso é aconselhável, porque muitas vezes o tema nem permite que se construa uma. Assim, a conclusão por síntese é a mais indicada. Coletânea de textos O primeiro texto remete à própria situação do vestibulando que está produzindo a sua redação, mostrando que o texto é um meio para se atingir um fim específico. Caso obtenha sucesso, atinge-se o objetivo, que é a vaga na universidade. Ele identifica especificamente os elementos desse ato de comunicação: a situação de comunicação - escrever um texto sobre um tema A -, o destinatário – um leitor X -; com a preocupação B – Conseguirei?. O segundo texto traz alguns versos de Carlos Dummond de Andrade que remetem à ideia da escrita como tarefa árdua, mas o fato de ela ser árdua não nos faz esmorecer. O texto esclarece que o escritor escreve t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 76 isso quando já é um escritor consagrado, portanto não se pode entender tal posicionamento como provindo de um escritor inexperiente. O terceiro texto, de João Cabral de Melo Neto remete aos limites da escrita na defesa da vida, referindo-se especificamente aos casos em que existe grande discrepância de recursos entre as partes. Um exemplo disso é quando alguém precisa se defender, mas conta apenas com o discurso, enquanto a outra parte conta com uma arma, com poder político. Tese e argumentos possíveis De acordo com o posicionamento escolhido em relação ao tema, você irá compor uma tese que explicite esse posicionamento. Uma vez escolhida e redigida a tese, é hora de escolher quais são os melhores argumentos para defendê-la. Na primeira seção do comentário desta proposta, foram dadas algumas sugestões de encaminhamentos que poderiam ser escolhidos, o que não esgota as suas possibilidades. Lembre-se de que a ideia chave nessa escolha é o fato de que as informações selecionadas de fato comprovem a sua tese, mostrem por que ela se justifica no mundo atual, por que ela se legitima em nossa sociedade. São elencadas a seguir algumas ideias que podem ser usadas como base para os seus argumentos. Para enriquecer sua argumentação, é interessante que você utilize repertórios. Esses podem ser compostos de exemplos, dados estatísticos, citações de especialistas ou escritores, podem ser referências de séries, filmes, livros que você tenha lido e que se articulem à ideia que você está desenvolvendo. Lembre-se que, desde que seja bem articulada ao que você está desenvolvendo, as possibilidades de referências externas são muitas, e o uso produtivo dessas referências vai enriquecer sua argumentação e possibilitar uma nota mais alta. • O exercício diligente e constante pode ser uma forma de aprimorar as capacidades de comunicação das pessoas, de modo que elas sejam mais efetivas em seus atos de comunicação, com maior probabilidade de serem bem sucedidas em suas realizações. • Ainda que a defesa de convicções com palavras seja árdua quando a outra parte conta com outros dispositivos ao seu favor, ela ainda é empregada em muitos contextos, como no Congresso. É pela palavra que os congressistas defendem os seus pontos de vista. • A defesa de convicções por meio do discurso tem tido relativo sucesso no mundo em que vivemos, sobretudo para alertar para causas relevantes, como a da defesa do meio ambiente, o direito das minorias. • Com o uso cada vez mais disseminado das redes sociais, nas quais é pela linguagem que as pessoas se comunicam, ficam consequentemente mais evidentes os limites e as possibilidades da expressão verbal. Por um lado, é possível se comunicar com pessoas que estejam fisicamente distantes, mas, ao mesmo tempo, as redes sociais têm sido palco de muitos conflitos decorrentes da má interpretação do que é dito. • Em situações de grande impacto emocional, as palavras podem ser insuficientes para expressar uma emoção, como afeto, raiva, indignação. t.me/CursosDesignTelegramhub Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 77 Professor Fernando Andrade 10.Considerações finais Esta foi a aula sobre linguagem. Foi teórica. A intenção era dar a você algumas dicas de escrita e uma noção de como uma boa linguagem faz diferença. Terminada a aula, você pode ter ficado com a sensação de que ainda não alcançou o patamar linguístico desejado. Bobagem, até porque a gente nunca alcança mesmo. O importante é que, a cada redação, você vá aprimorando sua capacidade linguística. Com certeza, você consegue fazer uma redação acima da média com o seu vocabulário, tomando alguns cuidados e estruturando bem o seu texto. Não se esqueça de brincar com os termos da oração, você consegue milagres de clareza fazendo isso. Bons estudos e boa prova. @filosofia.do.portuga Redaçao e Filosofia https://www.youtube.com/channel/ UC1T0i2Wjpshj32B4sADENPg? t.me/CursosDesignTelegramhub https://www.youtube.com/channel/UC1T0i2Wjpshj32B4sADENPg? https://www.youtube.com/channel/UC1T0i2Wjpshj32B4sADENPg? Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 78 Blog de crônicas : https://www.outrasvias.com/ Versão Data Modificações 1 05/01/2022 Primeira versão do texto. 11. Referências Figura 1: Disponível em https://pixabay.com/pt/illustrations/columbo-detetive-homem-masculino-268641/ , acessado em 24.12.2019. Disponível em https://pixabay.com/pt/illustrations/lanche-gula-obesos-brinde-vintage-1785883/, acessado em 24.12.2019. t.me/CursosDesignTelegramhub https://www.outrasvias.com/ https://pixabay.com/pt/illustrations/columbo-detetive-homem-masculino-268641/ https://pixabay.com/pt/illustrations/lanche-gula-obesos-brinde-vintage-1785883/ Professor Fernando Andrade – Redação/ Aula 01 AULA 1 – Linguagem 79 t.me/CursosDesignTelegramhub