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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNESP 
Prof. Marco Túlio 
Aula 03 – Idade Média II 
 
Do Império Carolíngio à Civilização Feudal. 
estretegiavestibulares.com.br vestibulares.estrategia.com 
EXTENSIVO 
2024 
Exasi
u 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 2 
SUMÁRIO 
 
1. A FORMAÇÃO DA CRISTANDADE 4 
1.1. O IMPÉRIO CAROLÍNGIO 5 
2. CIVILIZAÇÃO FEUDAL 8 
2.1. O QUE É FEUDALISMO? 8 
2.2. A SOCIEDADE FEUDAL 9 
2.3. RELAÇÕES FEUDO-VASSÁLICAS 12 
2.4. RELAÇÕES DE SENHORIO 14 
2.5. IGREJA E MENTALIDADE NO OCIDENTE MEDIEVAL 15 
2.6. OS PROGRESSOS AGRÍCOLAS 20 
2.7. A DINÂMICA COMERCIAL E AS CIDADES 21 
2.8. A CULTURA NA BAIXA IDADE MÉDIA 25 
2.9. A CRISE DO SÉCULO XIV 27 
5. LISTA DE QUESTÕES 29 
5.1. UNESP 29 
5.2. VESTIBULARES 43 
5.3. INÉDITAS 62 
4. GABARITO 67 
4.1. UNESP 67 
4.2. VESTIBULARES 68 
4.1. INÉDITAS 68 
5. LISTA DE QUESTÕES COMENTADA 68 
5.1. UNESP 68 
5.2. VESTIBULARES 97 
5.3. INÉDITAS 130 
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 140 
7. REFERÊNCIAS 140 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 3 
8. VERSÕES DAS AULAS 141 
 
 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 4 
1. A FORMAÇÃO DA CRISTANDADE 
Como vimos anteriormente, a lenta desintegração do Império Romano do Ocidente foi resultado 
da formação de diversos reinos germânicos em seu interior, onde foram criadas estruturas de poder 
independentes da figura do imperador. Embora os novos reinos tivessem características muito distintas 
do mundo romano, boa parte deles manteve o cristianismo com religião oficial. Denominamos de 
cristandade os domínios que adotaram o catolicismo como religião oficial. 
Mas de qual cristianismo estamos falando? A pergunta pode parecer estranha, mas é preciso que 
tenhamos em mente que a Igreja também estava se formando no período, e diversos pontos da doutrina 
eram motivo de divergência entre as autoridades religiosas. Uma das questões mais polêmicas neste 
período era a Trindade, ou seja, o lugar ocupado por Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo para os fiéis. Em 
Alexandria, no século IV, um padre de nome Ário acreditava que Cristo havia sido criado por Deus, mas 
que ambos não seriam a mesma substância; ou seja,que o primeiro (Filho) não seria eterno como o 
segundo (Pai). 
A questão foi parar no Concílio de Niceia, reunião convocada pelo imperador romano Constantino, 
que decidiu que Pai e Filho eram da mesma substância, e a partir disso, que ambos eram eternos. As ideias 
de Ário (arianismo) foram consideradas heresias1, ou seja, destoantes da doutrina oficial da Igreja 
(ortodoxia), o que não impediu que fossem absorvidas pelos godos e visigodos instalados no Império 
Romano. 
Já no Reino Franco, fundado pelo povo germânico de 
mesmo nome na região da Gália, prevaleceram os dogmas 
definidos pelo Concílio de Niceia. Após diversas lutas contra 
os romanos na região, os francos se unificaram politicamente 
em torno de Clóvis, da dinastia Merovíngia. Seu reinado foi 
marcado pelo estabelecimento de uma aliança entre o poder 
político e a Igreja, algo que se mostrou benéfico para ambos, 
pois enquanto o rei ajudava a combater as heresias e difundir 
os dogmas oficiais, a Igreja legitimava o seu poder político 
perante seus fiéis. 
Clóvis foi sucedido por uma sequência de “reis 
indolentes”, chamados assim por se mostrarem fracos diante 
dos “prefeitos de palácio” – lideranças da nobreza franca que 
exerciam o poder de fato. Um dos prefeitos mais importantes 
foi Carlos Martel, ocupante do cargo entre os anos 717 e 741. 
Em 732, este prefeito se destacou ao expulsar os 
muçulmanos do sul do reino franco, na Batalha de Poitiers. 
Pepino, o Breve, filho de Carlos Martel, soube usar do 
prestígio do pai para tomar o poder dos merovíngios e 
proclamar-se rei dos francos, processo que conta com o apoio 
do bispo de Roma após este receber sua proteção contra o 
povo lombardo e terras no centro da península itálica, 
chamadas pela Igreja de Patrimônio de São Pedro. Sua 
ascensão ao poder dá início a chamada dinastia carolíngia. 
 
1 O conceito de heresia também aparecerá em outras aulas do nosso curso. Se atente para seu significado. 
Figura 1 - Representação de Carlos Martel na Batalha de 
Poitiers. Fonte: Shutterstock. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 5 
1.1. O Império Carolíngio 
Com a morte de Pepino, seu filho Carlos Magno ascendeu ao 
trono no ano 768, quando deu início a uma política de expansão militar 
que lhe permitiu a conquista dos territórios de outros povos germânicos 
cristãos, fortemente apoiado pela Igreja. Embora seus domínios 
tivessem dimensões menores que o antigo Império Romano do 
Ocidente, Carlos Magno foi coroado pelo bispo de Roma como 
Imperador do Novo Império Romano do Ocidente no dia 25 de 
dezembro do ano 800. O título dado ao soberano evidenciou o 
afastamento do bispado de Roma do Império Bizantino, até então 
reconhecido como a continuidade do Império Romano. Ao mesmo 
tempo, a legitimação de seu poder rendeu amplas vantagens a Igreja 
Romana, incluindo a isenção de impostos sobre suas terras e a 
instituição do dízimo, tributo voltado à manutenção do clero. 
O Império Carolíngio foi distribuído em centenas de condados, 
territórios dirigidos por funcionários chamados condes, que tinham as 
funções de legislar, aplicar a justiça e fiscalizar. Já nas fronteiras do 
Império foram instaladas as marcas, administradas por funcionários que 
tinham amplos poderes militares, os marqueses. Estes administradores 
eram geralmente guerreiros ou aristocratas locais que firmavam laços 
de fidelidade com o Imperador. Por fim, havia também os missi 
dominici, agentes enviados pelo imperador para lidar com problemas e 
reclamações de províncias distantes. 
 
Renascimento Carolíngio e a Igreja 
O governo de Carlos Magno foi marcado por um 
grande incentivo à cultura, impondo a cada catedral e 
comunidade de monges a necessidade de dispor de um 
centro de estudos. Foi estimulada a produção de livros 
cristãos, transcritos por monges copistas que viviam em 
locais reclusos, chamados monastérios. É graças ao 
trabalho deles que algumas obras da Antiguidade, escritas 
em latim, foram preservadas até os dias atuais, afinal a 
língua latina foi mantida como oficial pela Igreja. O acesso 
às Sagradas Escrituras (Bíblia) e outros textos de natureza 
teológica e filosófica permaneceram restritos aos clérigos 
por séculos. 
A partir do século V, diversos mosteiros se 
espalharam pelo Ocidente europeu, sobretudo nas zonas 
rurais. Para se afastar da vinda mundana, os monges 
seguiam uma rotina rígida de orações, atividades 
intelectuais e outras tarefas. Seu dia era marcado pelas 
horas litúrgicas, que representavam as etapas da vida de 
Cristo (ver tabela ao lado). 
TEMPO LITÚRGICO SIMBOLISMO 
Matinas: 3h da manhã NASCIMENTO DO MESSIAS 
Prima: 6 h da tarde INFÂNCIA 
Terça: 9 h da manhã INÍCIO DA PREGAÇÃO DE JESUS 
Sexta: Meio-dia JULGAMENTO DE JESUS 
Noa: 3h da tarde PAIXÃO 
Vésperas: 6h da tarde MORTE 
Completas: Após o pôr do sol RESSURREIÇÃO 
Figura 2 - – Ilustração do busto de Carlos 
Magno, produzida pela enciclopédia 
Educação, São Petersburgo, Império Russo, 
1896. Fonte: Shutterstock. 
 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 6 
Este renascimento carolíngio, como ficou conhecida a produção cultural e artística promovida a 
partir dos incentivos de Carlos Magno, também foi direcionado para a construção de diversas igrejas e 
abadias, bem como para o financiamento de artistas. 
 Enquanto os mosteiros se espalharam pelo interior da Europa,nos centros urbanos verificou-se a consolidação dos bispos como 
importantes autoridades políticas e religiosas. Sua força em muito se 
deve ao estímulo dado ao culto aos santos – indivíduos que ao longo 
de sua vida apresentaram grande proximidade com Deus. Cada diocese 
– região administrada por um bispo – passou a dispor de santos 
padroeiros, muitos deles mártires da época da perseguição aos cristãos 
promovida pelo Império Romano. Associados a diversos milagres, os 
túmulos destes indivíduos tornam-se locais de peregrinação de fiéis, e 
seus restos mortais, relíquias sagradas. 
 Para concluir, pode-se dizer que durante os séculos V e X, a 
consolidação da Igreja se deu graças à sua aproximação do poder 
político (temporal), bem como pela sua fixação na cena urbana, com a 
atuação das dioceses, e no interior, com os monastérios. 
 
Carnaval, entre o paganismo e o cristianismo 
 Por volta de 500, o cristianismo já havia conseguido grande penetração nas cidades, mas as crenças 
e tradições pagãs permaneciam na sociedade medieval, sobretudo no campo. Não por acaso, a 
palavra pagão vem do latim paganus, que se refere ao homem do pagus – ou seja, o camponês. 
 A Igreja não negou totalmente a existência de outros deuses cultuados, mas estes eram 
considerados demônios, e devido a isso, caçados. Templos e altares em homenagem a outras 
entidades foram destruídos, e muitos pagãos exorcizados ou batizados. Os cemitérios também 
foram alvos da Igreja: como crenças pagãs atribuíam aos mortos a capacidade de atormentar os 
vivos, os túmulos eram mantidos afastados das vilas e cidades, mas a Igreja tratou de trazê-los para 
próximo de seus templos. 
 Mas a perseguição não foi a única estratégia adotada pelo cristianismo. Diversos elementos 
pagãos foram incorporados e reformulados pela Igreja com o intuito de conquistar novos fiéis, 
incluindo as festas. Um exemplo disso que conhecemos melhor é o carnaval, a celebração brasileira 
mais conhecida no mundo, mas com origens que remontam a Antiguidade. 
 Chamada em latim de “carne vale” (ou “carne levare”), tempo no qual é permitido comer carne, 
o carnaval foi inserido pelo calendário cristão antes da Quaresma, sendo exigindo dos fiéis o jejum 
da Quarta-feira de Cinzas até a Páscoa, quando é rememorada a ressurreição de Cristo. Com isso, o 
carnaval torna-se a festa na qual eram toleradas certas transgressões, em especial os pecados da 
gula e luxúria, mas após o seu fim, cabia aos cristãos a purificação do corpo e espírito para que fosse 
celebrada a morte e a ressurreição de Jesus. De maneira simbólica, a Igreja mostrava que as 
tradições pagãs até poderiam ser fortes, mas no fim das contas, eram derrotadas pelo cristianismo. 
 
 
 
 
Figura 3 - Batismo do rei Clóvis I por São 
Remígio, bispo de Rheims. Fonte: 
Bibliothèque nationale de France, 
Département des Manuscrits, Français 2813, 
fol. 12v. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 7 
O fim do Império Carolíngio 
Embora o filho de Carlos Magno, Luís, o Pio, tenha conseguido manter a unidade política formada 
pelo pai, a disputa entre seus filhos pelo poder levou a fragmentação do Império Carolíngio. A partir do 
Tratado de Verdun, assinado em 843, os domínios francos foram divididos entre os três netos de Carlos 
Magno da seguinte forma: 
 
→ Carlos, o Calvo, herdou a região que corresponde a boa parte da atual França; 
→ Luís, o Germânico, ficou com o território que corresponde a parte da Alemanha dos diais atuais; 
→ Lotário, por sua vez, ficou com um estreito que ia do Mar do Norte até o sul da Itália, situado 
entre o território dos outros dois herdeiros. 
 
 
 
 
Apesar do acordo firmado entre os três, o Império continuou a se fragmentar pelo fato dos condes 
e outros encarregados da administração do território não se manterem fiéis aos imperadores. Dessa 
forma, esses antigos membros da administração carolíngia, como condes e marqueses, passaram a ser as 
principais autoridades em seus respectivos territórios, o que levou ao fim do Império. 
A partir do século IX, muito tempo depois das chamadas “invasões bárbaras”, a Europa voltou a 
sofrer ataques em diversos pontos. Ao leste, os magiares (ou húngaros), vindos da Ásia, aterrorizam 
diversas vilas e propriedades até se estabelecerem na região dos Cárpatos, onde fundaram o Reino da 
Hungria. Já a região norte é invadida pelos vikings, povos vindos da Escandinávia que atacaram diversos 
pontos do litoral Europeu. Os muçulmanos (ou sarracenos), como vimos anteriormente, conquistaram a 
península Ibérica e promoveram diversos ataques à península itálica. 
 Diante deste cenário, chamado por alguns historiadores de “segunda onda de invasões bárbaras”, 
muitos indivíduos se refugiaram nos campos, colocando-se sob a proteção de grandes senhores locais. O 
clima de insegurança das pessoas naquele período pode ser sentido no trecho a seguir, de autoria de um 
bispo francês: 
Figura 4 - Divisão do Império Carolíngio após o Tratado de Verdun. Fonte: ARRUDA, José 
Jobson de A. Atlas histórico básico. 17ª ed. São Paulo: Ática, 2008. p. 15. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 8 
Vedes desabar sobre vós a cólera do Senhor... Só há cidades despovoadas, mosteiros em ruínas ou 
incendiados, campos reduzidos ao abandono... Por toda a parte o poderoso oprime o fraco e os 
homens são semelhantes aos peixes do mar que indistintamente se devoram uns aos outros 
BLOCH, Marc. A sociedade feudal. Lisboa: Edições 70, 1998. p. 19. 
 
Castelos foram erguidos por nobres e autoridades da Igreja com intuito de se protegerem dos 
ataques, em um período em que novas relações de caráter político, social e econômico se firmavam entre 
os europeus ocidentais a partir do isolamento. Um novo sistema social, chamado feudalismo, se forma 
neste contexto, do qual falaremos a seguir. 
 
2. CIVILIZAÇÃO FEUDAL 
2.1. O que é feudalismo? 
Na definição de Jacques Le Goff (1984, p. 29), um dos maiores especialistas em História Medieval, 
o feudalismo seria: 
 
Um sistema de organização econômica, social e política baseada nos vínculos de homem a homem, 
no qual uma classe de guerreiros especializados – os senhores –, subordinados uns aos outros por 
uma hierarquia e vínculos de dependência, domina uma massa campesina que explora a terra e lhes 
fornece com que viver. 
 
Repare que o autor menciona três elementos que vimos em capítulos anteriores: o colonato, 
relação de produção que surge no século III, no Império Romano, na qual trabalhadores livres se 
estabeleceram como colonos em grandes propriedades, recebendo em troca proteção e condições de 
subsistência; e o comitatus, tradição germânica estabelecida entre chefes militares e seus guerreiros, na 
qual se firmavam laços de fidelidade acompanhados de obrigações mútuas. Outra prática de origem 
germânica identificável no trecho acima é o beneficius, concessão do direito de uso da terra em troca de 
serviços e tributos. 
Assim sendo, podemos dizer que o feudalismo, sistema de produção implantado na Europa 
Ocidental por volta do século X, derivou da continuidade e fusão de tradições romanas (colonato) e 
germânicas (comitatus e beneficius). Ele se consolida a partir do processo de desagregação do Império 
Carolíngio, no momento em que a Europa Ocidental foi assolada por ataques de vikings, sarracenos 
(árabes) e magiares2. Segundo o historiador Perry Anderson (1989, p. 136), foi nas últimas décadas deste 
mesmo século em que o termo feudo (feudum) começou a ser utilizado. 
 
 
2 Grupo étnico oriundo dos montes Urais, também conhecido como húngaros. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 9 
 
Deu pra ver que o feudalismo não foi implantado na Europa Ocidental da noite para o dia, não é 
mesmo? Pois saiba que além de ter sido umsistema de produção implantado lentamente, ele também 
não apresentou as mesmas características em todas as regiões, afinal cada uma delas contava com suas 
especificidades políticas, econômicas e sociais. No geral, tomamos o norte da França como ponto de 
partida para o estudo do feudalismo europeu, pois como vimos, é a partir da derrocada do Império 
Carolíngio que ele começa a se espalhar pela Europa. 
 
2.2. A sociedade feudal 
A sociedade feudal era de tipo estamental, ou seja, com pouquíssima mobilidade de uma classe 
para outra, e a posição dos indivíduos era definida pelo nascimento. Assim sendo, aqueles que nasciam 
nobres, morriam nobres ; enquanto aqueles que nasciam camponeses, permaneciam nessa condição até 
o fim da vida. Podemos situar os homens do medievo em três estratos sociais: 
 
Os membros do clero originalmente pertenciam às demais classes, com a maioria dos membros 
do Alto Clero, ou seja, abades, bispos, cardeais e papas, vindos da nobreza; enquanto simples monges e 
padres do Baixo Clero poderiam ser egressos de famílias de laboratores. Cabe destacar que o fato dos 
grandes dignatários da Igreja serem de origem nobre nem sempre favorecia alianças entre os dois grupos 
mais poderosos da pirâmide social, ao contrário: em muitos momentos da Idade Média, ambos 
disputaram pelo controle das terras e direitos senhoriais. 
 
FEUDALISMO
COLONATO
COMITATUS
BENEFICIUS
Clero
ORATORES
Nobreza
BELLATORES
Servos e camponeses
LABORATORES
Composto pelos membros da Igreja, 
eram os responsáveis pela ligação do 
mundo divino com o mundo terreno. 
 
Classe composta por senhores feudais 
e cavaleiros, era encarregada da 
proteção dos demais grupos. 
 
Responsáveis pelo trabalho que 
sustenta toda a sociedade feudal. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 10 
Para finalizar, cabe destacar que não há entre os historiadores uma convenção para representar 
os estratos sociais descritos acima. Em alguns esquemas, clérigos e nobres são colocados no mesmo nível, 
em outros, a nobreza é colocada acima do clero. Contudo, o mais importante é que você compreenda o 
papel desempenhado por cada um desses estratos sociais. 
 
 
A mulher no Ocidente Medieval 
Pelo fato de ser responsável pelo pecado original, a mulher era considerada pecadora em potencial 
e fonte das tentações que assolavam os homens medievais. Corriqueiramente eram categorizadas a partir 
dos seguintes modelos femininos: 
 O primeiro deles era o de Eva, da qual todas as mulheres seriam descendentes. Na visão da Igreja, 
cada mulher carregava consigo o pecado original, aquele que resultou na expulsão de Adão e Eva 
do Paraíso e condenou a humanidade. Contudo, enquanto os homens eram governados pela razão 
e espiritualidade, prevalecia nas mulheres sua porção animalesca. 
 O segundo modelo é o de Maria Madalena, pecadora como todas as mulheres, mas que serve ao 
seu senhor, Jesus Cristo, com devoção e temor. 
 O terceiro modelo era o da Virgem Maria, que representava simultaneamente a maternidade e a 
castidade: "Que a mulher imite a Virgem Maria, que não saía de casa para tagarelar por todo lado, 
para trazer de olho os belos senhores e dar ouvidos às vaidades. Não, ela permanecia encerrada, 
fechada, no segredo de uma casa, como se deve" (DUBY, 2009, p. 290). 
Na concepção das autoridades religiosas, a melhor forma de frear as paixões das mulheres e 
aproximá-las do modelo ideal era torná-las esposas – seja de Cristo, reclusas nos conventos, ou dos 
homens, que atuariam como seus mestres. 
Mas apesar da visão religiosa projetada sobre o feminino, algumas obtiveram certa projetação e 
espaços de autonomia no interior da Igreja. Veja o que diz a historiadora Regine Pernoud (1977, p. 95-
99): 
 
Certas mulheres (que nada indicava, particularmente pelas famílias ou pelo nascimento, pois 
vinham, como diríamos hoje, de todas as camadas sociais, desfrutaram na Igreja, e devido à sua 
função na Igreja, dum extraordinário poder na Idade Média. Algumas abadessas eram autênticos 
senhores feudais, cujo poder era respeitado de modo igual ao dos outros senhores; algumas usavam 
báculo, como o bispo; administravam muitas vezes vastos territórios com aldeias, paróquias [...]. 
As religiosas são mulheres instruídas; aliás, entrar no convento é uma via normal para aquelas que 
querem desenvolver os seus conhecimentos para além do nível corrente [...]. O estatuto da mulher 
na Igreja é exatamente o mesmo que na sociedade civil, e que, pouco a pouco, lhe foi retirado, 
depois da Idade Média, tudo o que lhe podia conferir alguma autonomia, alguma independência, 
alguma instrução [...]. Os conventos deixam, pouco a pouco, de ser esses centros de estudo que 
eram [...]. 
 
 
 
 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 11 
Os excluídos 
Na Idade Média ocidental, um vasto número de categorias sociais era marginalizado pela 
sociedade feudal. Vejamos as mais importantes: 
 
 Heréticos (ou hereges) → Categoria que envolvia defensores de ideias e comportamentos 
proibidos pela Igreja, chamados de heresias. Em muitos casos, estes indivíduos se viam como 
cristãos, mas defendiam pontos de vista que divergiam da doutrina oficial do catolicismo, e 
por isso eram perseguidos. 
 Feiticeiros → A feitiçaria era uma das formas utilizadas pelo homem na Idade Média para 
justificar as catástrofes naturais e sociais. Assim sendo, a destruição de colheitas, a morte 
do gado e a disseminação de doenças poderiam ser considerados fenômenos gerados pelo 
Diabo, seus demônios e seus “cúmplices” na Terra – os feiticeiros e as feiticeiras. 
 Judeus → Eram chamados de usurários quando viviam de empréstimos visando lucro, algo 
condenado pela Igreja. Em diversos momentos, eles foram acusados de promoverem rituais 
macabros, espalhar a peste e promover outras calamidades que assolavam a sociedade. 
Entre os séculos XI e XIII, o ódio aos judeus aumenta consideravelmente, sendo muitos deles 
exterminados em muitas partes do continente. 
 Homossexuais → chamados à época de “sodomitas”, a perseguição a esta categoria não era 
tão forte caso pertencessem as camadas mais destacadas da sociedade feudal. 
 Leprosos → Nome dado aos portadores da doença que hoje conhecida como hanseníase. 
Essa era uma das categorias mais rejeitadas, em muitos locais eram confinados nos 
leprosários, e só poderiam aparecer em público agitando matracas, sinos ou outros 
instrumentos sonoros, a fim de anunciarem antecipadamente sua presença. 
 
 
Os doentes no ocidente feudal 
 Os doentes, sobretudo os aleijados e estropiados, eram [...] excluídos. Neste mundo em que a 
doença e a deficiência física eram tidas por sinais exteriores do pecado, os que delas sofressem 
eram malditos para Deus, e, assim, malditos para os homens. A Igreja acolhia provisoriamente 
alguns e alimentava esporadicamente outros – nos dias de festa. Os demais tinham como único 
recurso a mendicidade3 e a errância4. Na Idade Média, pobre, doente e vagabundo eram quase 
sinônimos. 
LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Lisboa: Estampa, 1984. p. 321. 
 
 
 
3 Condição de quem mendiga. 
4 Que anda sem destino. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 12 
2.3. Relações feudo-vassálicas 
O declínio do Império Carolíngio deu início a um processo de descentralização política, ou seja, o 
rei progressivamente teve seus poderes diminuídos a partir do século IX. Isso decorreu da forma como 
Carlos Magno e seus sucessores buscaram estabelecer sua autoridade sobre um grande território, 
repartindo-o em condados, marcos e ducados. Contudo, conforme os condes, marqueses e duques 
também dividiam seus territórios entre nobres de sua confiança, e esses com outros, a autoridade real se 
fez cada vez menos presente na Europacentral com o passar do tempo. 
Podemos dizer que politicamente a civilização feudal foi marcada pelas relações feudo-vassálicas, 
contratos de fidelidade estabelecidos entre membros da nobreza nos quais aquele que concedia um 
feudo, ou seja, cedia direitos para outro nobre, era chamado de suserano, e aquele que os recebia, era 
conhecido como vassalo. 
O feudo poderia ser o direito de cobrança de algum tributo ou de cunhar moedas, mas como 
estamos falando de uma sociedade extremamente ruralizada, quase sempre o suserano oferecia terras 
aos seus vassalos em troca de fidelidade e apoio militar em tempos de guerra. Vale lembrar que neste 
período a Europa foi tomada por invasões de vikings e magiares, daí a necessidade dos nobres firmarem 
acordos militares entre si. Mesmo após a incorporação desses povos no continente, as constantes guerras 
travadas entre membros da nobreza fizeram com que esses contratos continuassem a ocorrer. Ao receber 
a terra de um suserano, o vassalo também poderia conceder porções dela para outros nobres, o que o 
tornava suserano desses últimos. Isso não significa dizer que cada vassalo tinha que prestar obrigações 
ao suserano de seu suserano, sendo sua relação estritamente com aquele que lhe concedia o feudo. 
 
 
 
Tomando como base o esquema acima, suponhamos que o nobre “A” seja o rei. Trata-se do maior 
suserano na sociedade feudal, afinal é ele quem dá início aos contratos feudo-vassálicos, não sendo 
vassalo de ninguém. Já o nobre “B” é vassalo de “A”, e, ao conceder um feudo para “C”, também se torna 
suserano. Por fim, ainda que “C” reconheça “A” como rei do território no qual se encontra, ele deve 
fidelidade somente àquele que lhe garantiu o feudo. Contudo, nada impediria que ele também ser 
tornasse vassalo de outro nobre, a fim de obter terras ou outras concessões. 
Dessa forma, no fim do século XI e durante o século XII, na medida em que se desenvolvem as 
relações feudo-vassálicas, o rei progressivamente perdeu seus poderes políticos, econômicos, fiscais e 
jurídicos, a ponto de se tornar uma figura simbólica na sociedade feudal. 
 
Nobre A
Nobre B
Nobre C
SUSERANO DO 
SUSERANO DO 
VASSALO DO 
VASSALO DO 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 13 
A cerimônia de vassalagem 
A relação vassálica é instituída por um ritual, a homenagem, que, em sua forma clássica, parece 
característica, sobretudo, das regiões ao norte do Loire. Pode-se decompô-la em três partes 
principais. A homenagem propriamente dita consiste em um engajamento verbal do vassalo, que se 
declara homem do senhor (este gesto, que exprime claramente uma relação hierárquica na qual a 
proteção corresponde à fidelidade, é tão importante na sociedade feudal que transforma as 
modalidades da prece cristã, que não se realiza mais à moda antiga com os braços separados e as 
mãos elevadas para o céu, mas como as mãos juntas, sugerindo, assim, uma relação de tipo feudal 
entre o cristão, o fiel, e Deus, o Senhor). A segunda parte do ritual, denominada fidelidade, consiste 
em um juramento, prestado sobre a Bíblia, e um beijo entre vassalo e senhor, por vezes na mão, mas 
como mais frequência na boca (osculum), segundo um uso corrente na Idade Média. Finalmente, 
ocorre a investidura do feudo, expressa ritualmente pela entrega de um objeto simbólico, tal como 
um punhado de terra, um bastão, um galho ou um ramo de palha. 
BASCHET, Jérôme. A civilização feudal: do ano 1000 à colonização da América. São Paulo: Globo, 2006. p. 123. 
 
Símbolos e valores da nobreza 
A nobreza da Idade Média foi formada a partir da fusão de 
famílias patrícias romanas e chefes de guerra germânicos, cujos 
descendentes integraram a administração do Império carolíngio 
tempos depois. Por volta do século XII, os nobres passaram a 
incorporar em seu círculo de convívio os milites, guerreiros que 
prestavam serviços para seus castelos e que recebiam terras como 
recompensa. Devido a este processo, pouco a pouco a cavalaria torna-
se uma atividade exclusiva da nobreza, exercida sobretudo nas guerras 
e nos torneios. 
Cabe destacar que a nobreza considera a guerra como a 
atividade definidora de sua posição na sociedade, o que torna a Idade 
Média um período repleto de conflitos privados travados entre 
senhores. Com isso, verifica-se a necessidade de se firmarem contratos 
feudo-vassálicos entre membros da nobreza, enquanto camponeses se 
submetem às relações de senhorio em troca de proteção. 
Já os torneios eram competições travadas entre equipe de 
cavaleiros, cujo objetivo era derrubar o oponente de seu cavalo, e, se 
possível, aprisioná-lo até que fosse pago o seu resgate. A recompensa 
para aqueles que vencessem as disputas poderia ser uma vasta quantia 
em dinheiro, ou mesmo o casamento com uma dama de grande 
destaque social. Entre os séculos XI e XIV, uma nova sensibilidade 
surgiu entre os nobres da Europa feudal: o amor cortês. Tidos como 
diferentes dos relacionamentos vulgares dos camponeses, o cavaleiro 
apaixonado, da mesma forma que deve transparecer sua fidelidade a 
um suserano, também se mostra vassalo de uma senhora quase 
inatingível, devendo seguir uma série de regras para cortejá-la. 
 
Figura 5 - Cavaleiro ajoelhado do Saltério de 
Westminster. Fonte: Wikimedia commons. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 14 
2.4. Relações de senhorio 
Além dos contratos feudo-vassálicos, estabelecidos entre nobres, outra relação importante na 
Idade Média foi o senhorio (ou dominium), essa firmada entre nobres e os habitantes das vilas – os vilões 
– que vivem em seus domínios. Contudo, enquanto a primeira era uma relação político-militar, esta é uma 
relação econômica que predominou durante a existência da civilização feudal. 
O senhorio pode ser dividido em três partes: 
 reserva senhorial → Porção onde se encontrava as terras mais férteis, celeiros, estábulos, 
moinhos e bosques. É também onde se localiza o castelo, morada do senhor e refúgio dos 
vilões em caso de ataques. 
 manso servil → pequenos lotes de terra explorados por famílias de camponeses, que em 
troca prestavam uma série de obrigações ao senhor. 
 terras comunais → áreas de pastagem e pequenos bosques de uso comum entre senhores 
e camponeses. Nela os primeiros praticavam a caça, atividade exclusiva da nobreza, 
enquanto os segundos retiravam lenha. 
 
Os rendimentos do senhor vinham da tributação do trabalho dos camponeses. Vejamos algumas 
das obrigações mais comuns impostas pelos senhores à época: 
 
 Corveia → Trabalho gratuito executado pelos camponeses na reserva senhorial, geralmente 
por três dias da semana. 
 Talha → Taxa cobrada pelo senhor para garantir proteção militar aos vilões. 
 Banalidades → A utilização de instrumentos como moinho ou forno, pertencentes ao senhor, 
deveria ser paga pelos camponeses com parte de sua produção. 
 
A tributação dos trabalhadores variava de acordo com o tamanho das propriedades e dos vínculos 
estabelecidos junto ao senhor feudal. Vale destacar que a escravidão, em declínio desde o final do Império 
Romano, continuou a existir em algumas regiões da Europa Mediterrânea, ainda que de maneira reduzida. 
Em número bem mais expressivo havia os servos, que não eram considerados propriedades de 
seus senhores, mas se encontravam vinculados a terra por uma série de obrigações e tributos como os 
que mencionamos logo acima. Por fim, há também os trabalhadores livres, que aumentam 
consideravelmente no cenário feudal a partir do século XII. 
A exploração da mão de obra camponesa tendia a autossuficiência, ou seja, o senhorio não 
buscava obter lucro do trabalho desempenhado em seus domínios, mas suprir sua necessidade de 
alimentos, roupas, armas etc. Com este caráter local da vida econômica, o grande comércio praticado nos 
centros urbanos entrou em declínio durante boa parte da Idade Média na Europa Central, embora ascidades e as trocas comerciais jamais deixassem de existir nessa sociedade ruralizada. 
 
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2.5. Igreja e mentalidade no Ocidente Medieval 
Se estabelecendo nas cidades, sedes das dioceses, e pelos campos, por meio dos monastérios, a 
Igreja se expandiu por boa parte do continente europeu. Sua consolidação também foi favorecida pelas 
relações estabelecidas com o Império Carolíngio, que como vimos, incentivou a organização de 
monastérios e a construção de templos religiosos, além de tornar obrigatório o dízimo, imposto que 
garantiu o sustento dos clérigos. 
Dessa forma, a Igreja se tornou a maior instituição do ocidente medieval, chegando a dispor de 
algo em torno de um quarto e um terço das terras do continente europeu. Isso quer dizer que as 
autoridades da Igreja – fossem eles bispos ou monges – se comportavam como poderosos senhores 
feudais, detentores não somente do poder espiritual, mas também de um enorme poder temporal – ou 
político – exercido pelos papas em Roma e pelos bispos nas dioceses. 
Podemos dividir os clérigos da Idade Média em dois grupos: 
 
→ o clero regular, no qual se incluem os monges, que viviam isolados e sob regras bem definidas. 
Possuem maior força entre os séculos V e XII; 
→ o clero secular, composto pelos membros da Igreja que atuavam junto à sociedade, seja nas 
cidades ou nas aldeias campestres. A partir do século XIII, assumem um papel mais destacado que 
o dos monges. 
 
 
Para um bom entendimento do poder espiritual detido pela Igreja, convém relembrarmos que a 
circulação de textos sagrados era restrita durante boa parte do período medieval, primeiramente porque 
eles geralmente eram escritos em latim, língua falada basicamente pelo clero. Ademais, a capacidade de 
leitura e escrita, mesmo em outras línguas, era de exclusividade dos membros da Igreja, o que permitiu 
ao clero tornar-se o único porta-voz da palavra de Deus. 
O fortalecimento da instituição fez com que uma concepção religiosa do tempo prevalecesse na 
vida dos homens e mulheres do Ocidente Medieval. O ano era dividido de acordo com os principais atos 
da vida de Cristo, como o Natal, a Quaresma e Páscoa, além da vida dos santos. As horas eram marcadas 
pelo repicar dos sinos, que a todo momento lembravam que o único objetivo da vida dos fiéis deveria 
assegurar a salvação de sua alma. Durante a Quaresma, momento considerado de oração e penitências, 
a Igreja decretava a chamada Trégua de Deus, que condenava as guerras entre nobres cristãos e as 
práticas sexuais – mesmo entre casados. 
 
A reforma gregoriana e as novas ordens seculares 
Apesar da consolidação da Igreja ter ocorrido por meio das aproximações com o poder temporal 
– ou seja, aquele exercido pelos governantes políticos –, os clérigos tinham sua autoridade 
constantemente ameaçada perante a interferência de reis, imperadores e nobres em assuntos como a 
nomeação de padres e bispos e a administração dos bens da Igreja. Isso foi decisivo para o Grande Cisma 
em 1054, quando o cesaropapismo bizantino foi rechaçado por Roma. 
O fim da intervenção do poder temporal no poder espiritual era uma das grandes preocupações 
das chamadas reformas gregorianas, conjunto de medidas implementadas pela Igreja entre 1054 e 1215. 
Contudo, outras duas questões consideradas danosas foram contempladas: a proibição da posse ilícita de 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 16 
objetos sagrados, chamada de simonia, e do casamento dentre membros da Igreja, denominado 
nicolaísmo. Cabe destacar que a recomendação do celibato5 para os membros do clero já existia desde o 
século V. 
Voltemos aos embates entre os poderes temporal e espiritual, mais especificamente, para a 
chamada querela6 das investiduras. A nomeação dos bispos e papas pelo poder político foi encarada pela 
Igreja como empecilho para que a constituição se consolidasse, afinal somente no século X, os 
imperadores do Sacro Império Romano Germânico nomearam doze papas, além de afastarem cinco. 
Apesar do papa Gregório VII determinar que a nomeação dos cargos eclesiásticos seria 
prerrogativa exclusiva da própria Igreja, o imperador germânico, Henrique IV, não acata sua decisão e 
nomeia o bispo de Milão. O conflito entre o trono e o altar permaneceu até 1122, quando ambos 
assinaram a Concordata de Worms, no qual foram divididas as prerrogativas de nomeação dos bispos. 
 
Os movimentos reformistas e as heresias 
 Ao longo da Idade Média surgiram diversos movimentos que pregavam alterações no 
comportamento da Igreja, sendo chamadas por ela de heresias tudo aquilo que contrariasse suas 
práticas e ensinamentos. 
 Entre os principais grupos heréticos estavam os valdenses, seguidores de um comerciante de Lyon 
chamado Pedro Valdo. Crítico da riqueza da Igreja, ele e seus seguidores distribuíram suas 
propriedades e pregaram o Evangelho em língua vernacular, ou seja, em um idioma que não era o 
oficial da Igreja. 
 Outro movimento considerado de hereges foi o dos cátaros, que negavam a condição divina de 
Cristo. Resumindo o mundo como uma disputa entre o Bem e o Mal, eles acreditavam que o corpo 
era a parte que correspondia ao mal, e por isso Jesus não poderia ter sido humano, mas um anjo. 
Ao apresentarem essas ideias, os cátaros – também conhecidos como albigenses – foram 
duramente perseguidos e dizimados pela Igreja no século XIII. 
 Mas nem todos os movimentos reformistas foram consideras hereges. Francisco de Assis tinha 
uma vida semelhante à de Pedro Valdo: renunciou aos bens familiares e adotou um ideal de 
pobreza. Vestindo-se como mendigo, andava pelas cidades e campos a pregar os ensinamentos de 
Cristo, obtendo diversos discípulos. O papado lhe concedeu o direito de pregar em nome da Igreja 
em 1223, embora possuísse muitas ressalvas ao seu modo de vida. 
 Diferentemente do clero regular, predominante durante boa parte da Idade Média, os seguidores 
de Francisco de Assis não buscavam a fuga do mundo, estabelecendo uma relação de grande 
proximidade com as cidades. Seus ideais deram origem a diversas ordens mendicantes, assim 
chamadas pelo fato dos seus membros não disporem de bens, vivendo apenas de caridade. 
 Segundo a tradição católica, em 1224 Francisco passa pelo milagre da estigmatização, ou seja, seu 
corpo é marcado por feridas iguais a de Cristo na cruz. Inicialmente, o acontecimento gerou 
divergências no interior da Igreja, que só reconhece o milagre em 1237. Contudo, Francisco de Assis 
foi considerado santo logo após a sua morte, e sua aproximação a figura de Cristo fez com que as 
ordens mendicantes – franciscanos, dominicanos, carmelitas e eremitas – ganhassem muita força 
nas cidades medievais. 
 
5 Celibatário é aquele que vive solteiro. 
6 Discussão, conflito ou queixa. 
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As Cruzadas 
Em 1095, o papa Urbano II convocou a cristandade a lutar contra o domínio dos árabes, tidos como 
“infiéis”, na região da Palestina, onde Jesus Cristo passou toda a sua vida. Aqueles que participassem 
destes esforços pela libertação da Terra Santa – os cruzados – receberiam o perdão por todos os seus 
pecados. 
Ao defender a organização de levas cruzadistas, o papa buscava unir a cristandade oriental e 
ocidental em torno de um inimigo comum, o que permitiria a reaproximação com a Igreja Ortodoxa e a 
centralização da Igreja em torno do papado. Contudo, para o historiador Hilário Franco Jr. (2001), as 
cruzadas também se apresentavam como a solução para questões envolvendo outros grupos: 
 
 Os nobres sem terra, em grande número devido ao crescimento demográfico verificado 
neste período.7 Como somente os filhos primogênitos herdavam os feudos de seus pais, 
muitos daqueles que não dispunhamdessa condição se tornavam clérigos para obterem 
acesso a terras. Contudo, conforme a população crescia, essa estratégia se mostrava cada 
vez mais limitada diante da oferta de terras. 
 Os servos desprovidos de terra, em razão do crescimento da população campesina. Como 
os mansos servis eram divididos entre os filhos de um servo após a sua morte, o tamanho 
das propriedades legado a eles em muitos casos se mostrava insuficiente em famílias 
numerosas. Diante disso, muitos abandonavam as terras rumo às cidades, onde viviam como 
artesãos, comerciantes, trabalhadores temporários ou mesmo saqueadores. 
 Os comerciantes de Gênova e Veneza, os mais importantes centros comerciais do 
Mediterrâneo. Com as cruzadas, esses indivíduos viram a chance de expulsarem os árabes 
do Ocidente e monopolizarem as rotas de raras mercadorias. 
 
Entre 1096 e 1270, oito cruzadas foram oficialmente organizadas da Europa rumo ao Oriente. A 
primeira delas, formada por nobres francos e normandos, ficou conhecida como Cruzada dos Barões, 
chegando a conquistar a cidade de Jerusalém do domínio dos turcos. Contudo, no século XII os turcos 
retomariam o controle da região. 
Outras cruzadas importantes foram a Cruzada dos Reis, que contou com a participação dos 
monarcas da Inglaterra, França e Sacro Império Romano Germânico, e a Quarta Cruzada, desviada pelos 
cristãos venezianos para Constantinopla com o objetivo de saqueá-la. Uma outra cruzada foi organizada 
por Pedro, o Eremita, sem o conhecimento da Igreja, reunindo milhares de desvalidos rumo à Terra Santa. 
Chamada de “Cruzada dos Mendigos”, ela foi rapidamente derrotada. 
 
 
7 Falaremos mais deste assunto mais adiante. 
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ARRUDA, José Jobson de A. Atlas histórico básico. 17ª ed. São Paulo: Ática, 2008. p. 16. 
 
Embora o objetivo de retomar a Terra Santa jamais tenha se concretizado, as Cruzadas trouxeram 
diversas transformações para a sociedade medieval nos seguintes pontos: 
 
 Contribuíram para a crise do feudalismo: com a morte e o endividamento de milhares de 
nobres nas Cruzadas, muitos servos fugiam para as cidades ou lutavam coletivamente para 
que sua vila obtivesse sua carta de franquia, ou seja, a autonomia total ou parcial dos 
poderes do senhor feudal; 
 Favoreceram a intensificação das relações entre Oriente e Ocidente: o constante fluxo de 
cruzados pelo Mediterrâneo permitiu a retomada do grande comércio entre as duas 
regiões, além do acesso a conhecimentos dos árabes pelos ocidentais. 
 Possibilitaram a unificação da cristandade ocidental em torno da figura do papa, que 
acumulava poderes espirituais e temporais. 
 
 
Imaginário medieval 
Os homens e mulheres do Medievo Ocidental se demonstraram fascinados pelo que se pode 
chamar de maravilhoso, ou seja, elementos que pertencem à ordem do sobrenatural, do extraordinário. 
Aqui são incluídos seres lendários, lugares extraordinários e acontecimentos assombrosos que povoavam 
o imaginário das pessoas no período. 
Havia a crença de que Deus operava de maneira sobrenatural, realizando milagres que podiam ser 
testemunhados pelos homens. Contudo, também se acreditava de que o Diabo produzia ilusões similares, 
o que tornava difícil distinguí-los. 
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Durante a Alta Idade Média, a Igreja buscou conter o paganismo e as superstições populares, 
atribuindo somente aos seus heróis cristãos, os santos, a capacidade de realizar milagres. No entanto, a 
partir do século XI, o maravilhoso ganhou força no imaginário popular. 
O maravilhoso medieval tinha origens diversas. 
Alguns elementos da Antiguidade Clássica, como deuses, 
criaturas mitológicas e personagens históricos se tornaram 
lendários no período, além de elementos do folclore cristão 
e pré-cristão. Outra fonte importante foi a própria Bíblia, que 
inspirou homens à busca pelo Paraíso na Terra e a imaginar 
tenebrosos monstros marinhos8 e seres bestiais que vagavam 
pelo mundo e que são citados pelas Sagradas Escrituras. 
Elementos retirados do paganismo bárbaro também 
sobreviveram à cristianização do Ocidente e enriqueceram o 
imaginário medieval, como gigantes, anões, elfos, duendes e 
fantasmas. 
 Por fim, uma fonte importante do imaginário 
fantástico era o Oriente, considerado onírico e mítico. 
Relatos de judeus, muçulmanos e cristãos que mantinham 
contato com a região estimularam a formação de lugares 
imaginados. Um deles foi o famoso reino de Preste João – um 
descendente dos Reis Magos que havia formado um reduto 
cristão em algum lugar no Oriente e que resistia à expansão 
dos muçulmanos. 
 Durante o século XIII, as viagens do comerciante veneziano Marco Polo para o Oriente também 
se tornaram lendárias, publicadas sobre o nome de Livro das diversidades e maravilhas. Passando por 
diversos lugares até alcançar o Império Mongol, ouviu relatos de locais e de seres fantásticos, incluindo a 
existência do Paraíso Terrestre, de uma tribo de homens com cabeça de cachorro e uma árvore em algum 
lugar da Pérsia que previa o futuro – a mesma que teria alertado Alexandre, o Grande, sobre sua morte. 
 
 
Figura 7 - Algumas das criaturas que existiam no imaginário medieval: homens com pés gigantes, ciclopes, blêmios (homens sem cabeça e 
com o rosto no peito e cinocéfalos (homens com cabeça de cachorro). 
 
8 O Leviatã e a baleia que engoliu Jonas são alguns exemplos de passagens bíblicas que povoavam o imaginário cristão, 
especialmente do Antigo Testamento. 
Figura 6 - Representação do Rei Preste João, considerado 
Imperador da Etiópia, em um mapa português do século XVI. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 20 
O maravilhoso possuía duas funções no mundo medieval. A primeira delas era compensatória, 
afinal permitia aos homens escapar, ao menos na esfera do imaginário, da violência, da miséria e da 
repressão eclesiástica. Um exemplo disso é o país da Cocanha, fábula difundida pela Europa a partir do 
século XIII que dizia existir um lugar onde os alimentos e bebidas eram inesgotáveis e fornecidos 
diretamente pela natureza, sem qualquer esforço humano. Era um lugar onde a fome não tinha vez, 
tampouco a condenação religiosa dos pecados da gula ou da preguiça. 
 
 
Figura 8 - A Cocanha, retratada pelo pintor Pieter Brueghel, 1567. 
 
A segunda função do imaginário é a contestação dos dogmas cristãos, ainda que de maneira 
inconsciente. Os seres lendários que apavoravam e fascinavam os homens e mulheres da Idade Média 
não pareciam ter sidos criados “à imagem e semelhança de Deus”, tampouco se adequavam ao 
pensamento dualista da Igreja, que tendia a considerar tudo como representações do Bem ou do Mal. 
O imaginário maravilhoso expandiu as fronteiras do entendimento do mundo estabelecidas pelo 
cristianismo, e chegou a sobreviver a desagregação da civilização feudal. Não por acaso, muitos homens 
dedicaram-se à busca pelo fantástico no contexto das Grandes Navegações, incluindo o célebre navegador 
genovês Cristóvão Colombo. 
 
2.6. Os progressos agrícolas 
Entre os séculos XI e XIII, a Europa Ocidental passa por um grande crescimento populacional, 
chegando a triplicar o número de moradores em algumas regiões. Na Inglaterra, a população passa de 1,5 
para 3,7 milhões de habitantes neste intervalo de tempo; na península itálica, de 5 para 10 milhões; e na 
França, de 6 para 15 milhões. 
Essa explosão demográfica só foi possível graças ao aumento da produção agrícola, resultado do 
aprimoramento das técnicas de cultivo e das transformações da paisagem pela ação humana. Novas áreas 
para plantio foram obtidas a partir de desmatamento feitos por meio de queimadas, da drenagem de 
pântanos e pela utilização de encostas.Com isso, a Europa vive o maior aumento de sua superfície de 
cultivo desde os tempos pré-históricos. 
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A fim de evitar a erosão do solo, foi disseminado pela Europa a técnica de rotação de culturas (ou 
rodízio trienal), que consistia na divisão das terras cultiváveis em três partes. Em uma delas, cultivava-se 
trigo, em outra, cevada, enquanto a terceira permanecia em descanso, chamado de pousio. Após a 
colheita, fazia-se a rotação, cultivando trigo ou cevada no “pousio”, enquanto uma das outras faixas 
permanecia inutilizada. 
O arado romano progressivamente foi substituído pela charrua, cuja lâmina de metal permitia a 
exploração de solos mais rígidos, e para puxá-la, os bois foram substituídos pelos cavalos, mais ágeis e 
fortes (Ver Figura 1). Por fim, outros elementos existentes desde a Antiguidade foram difundidos por toda 
a Europa neste período, como o uso do moinho d’água e o domínio da metalurgia. 
 
Os moinhos d’água foram a gota d’água para a eclosão de diversas revoltas camponesas no século 
XIII, afinal uma das banalidades implantadas pelos senhores feudais era justamente o uso 
obrigatório desse instrumento pelos servos, mediante o pagamento de taxas pela moagem. 
2.7. A dinâmica comercial e as cidades 
A partir dos séculos XI e XII, verifica-se um aumento nas trocas comerciais, favorecidas sobretudo 
pelo aumento da produção verificada na Europa feudal neste mesmo período. Embora muitos 
historiadores se referem a esse momento como um renascimento comercial e urbano, é preciso levar em 
conta que mais de 80% da população europeia permanece habitando os campos. Ademais, o grande 
comércio entra em declínio a partir do século V, mas as cidades e as trocas econômicas permanecem 
durante toda a Idade Média, ainda que voltadas para o nível local. 
Mas qual é a grande mudança ocorrida nos burgos, como eram conhecidas as cidades? O 
historiador Jacques Le Goff nos convida a analisar a mentalidade dos habitantes das cidades, começando 
pelos servos que abandonavam os campos e lá se instalavam: 
 
Enquanto o senhorio rural conseguira inspirar na massa dos camponeses que lá viviam apenas o 
sentimento de opressão (de que eram vítimas), enquanto o castelo, mesmo em certas ocasiões 
oferecendo refúgio e proteção, projetava neles uma sombra detestada, a silhueta dos monumentos 
urbanos – instrumento e símbolo da dominação dos ricos nas cidades – inspirava no povo citadino 
sentimentos em que a admiração e o orgulho acabavam por prevalecer. 
LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Lisboa: Estampa, 1984. p. 295. 
 
Como o fragmento anterior nos sugere, para muitos o ambiente das cidades parecia lhes conferir 
maior liberdade, ainda que na prática esses espaços também pagassem taxas para os nobres quando se 
localizavam em seus domínios. Para se livrarem dessas obrigações, muitos centros urbanos conseguiram 
obter suas cartas de franquia, que por vezes também permitiam a organização de conselhos autônomos 
de administração das cidades e a organização de milícias. 
A mais importante atividade econômica das cidades era o comércio, seja de produtos artesanais 
produzidos por seus trabalhadores locais ou excedentes de produção vindos dos feudos, seja mercadorias 
de grande valor vindas do Oriente. Os habitantes da cidade, fossem eles artesãos, ricos comerciantes, 
cavaleiros ou assalariados, ficaram conhecidos como burgueses. 
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A fim de padronizar os seus serviços, muitos comerciantes e artesãos passaram a organizar 
corporações de ofício, associações de atuação local que estabeleciam normas para a produção, a 
qualidade dos produtos, os preços – incluindo o da matéria-prima utilizada –, salários e condições de 
trabalho. Com isso, seus membros buscavam eliminar a concorrência interna e externa, mantendo o 
controle do processo de fabricação. Nas palavras do historiador Henri Pirenne: 
 
O seu objetivo essencial é proteger o artesão, não só contra a concorrência do estrangeiro, mas 
também contra a dos colegas. Reserva-lhe exclusivamente o mercado da vila e fecha-o aos 
produtores do estrangeiro; cuida, ao mesmo tempo, de que nenhum membro da profissão possa 
enriquecer-se em detrimento de outros. 
PIRENNE, Henri. História econômica e social da Idade Média. São Paulo: Mestre Jou, 1968, p.191- 192. 
 
Internamente, as associações possuíam estruturas hierarquizadas, nas quais os lucros 
permaneciam concentrados em seus membros mais destacados, os mestres de oficinas. Estes 
contratavam trabalhadores por jornadas diárias ou mensais, que em geral desfrutavam de poucas 
chances de promoção. Em posição um pouco mais confortável se encontravam os aprendizes, que 
aprendiam o ofício desempenhado pelos seus mestres entre oito e dez anos, eram abrigados e 
alimentados, mas não recebiam salários por ainda não possuírem a devida qualificação. Contudo, tinham 
maiores possibilidades de alcançarem a condição de mestre do ofício aprendido, fosse ele de sapateiro, 
padeiro, tecelão ou ferreiro. 
Vale destacar que as corporações de ofício não atuavam na lógica capitalista que conhecemos 
hoje, afinal boa parte dos lucros obtidos eram colocados em poupanças para eventuais crises, aquisição 
de terras e despesas funerárias caso algum de seus membros falecesse. Ademais, a produção levava mais 
em conta as relações existentes entre os artesãos do que as demandas do mercado. 
Já o grande comércio era dominado por Veneza e 
Gênova, cidades da península itálica cujos comerciantes 
enriqueceram imensamente com as cruzadas e a 
intensificação das relações entre Oriente e Ocidente no 
Mediterrâneo. Na região do Norte, cidades dominadas por 
comerciantes se associam na Liga Hanseática (ou Hansa 
Teutônica) a fim de manterem o monopólio das trocas 
comerciais. 
Os mercadores nórdicos e italianos se encontravam 
na região francesa de Champagne, onde feiras anuais eram 
organizadas por algumas semanas, até serem deslocadas 
para outras cidades. Para uniformizar as transações 
econômicas, alguns comerciantes italianos passaram a se 
dedicar ao câmbio (cambiare, trocar), e ficam conhecidos 
como banqueiros. O nome se deve ao fato das moedas 
serem expostas em bancas, como as mercadorias. 
Provavelmente no século XII, os banqueiros passaram a exercer as atividades que atualmente 
entendemos como dessa profissão, tais como depósitos, empréstimos e transferências de valores entre 
regiões. Essas atividades eram condenadas pela Igreja, que considerava pecado a obtenção de lucro, 
chamada de usura. 
Figura 9 - Detalhe de lojas em uma rua medieval, século 
XV. 
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As produções artesanais, o pagamento de salários e as relações comerciais demandaram uma 
transformação na forma como o Homem medieval concedia o tempo. Até então, prevalecia o tempo 
religioso, que dividia a história humana em dois momentos: antes de Cristo e depois de Cristo. Já as horas 
do dia eram marcadas pelo dobrar dos sinos das Igrejas, levando em conta acontecimentos da vida do 
filho de Deus. Durante a Quaresma, as guerras e relações sexuais eram proibidas pela Igreja. 
Com o florescimento das cidades a partir do século XI, os artesãos, trabalhadores por jornada e 
comerciantes necessitavam de uma medição mais precisa para estabelecer as horas de início e fim de suas 
atividades. Surgem então os relógios mecânicos no século XIII, que trazem consigo o “tempo do 
mercador” – ou tempo laico –, que possibilita o surgimento de um tempo mais mensurável e específico, 
o que contribui para a transformação da mentalidade do período. 
 
(2018/Fuvest) Os comentadores do texto sagrado (…) reconhecem a submissão da mulher ao 
homem como um dos momentos da divisão hierárquica que regula as relações entreDeus, Cristo e 
a humanidade, encontrando ainda a origem e o fundamento divino daquela submissão na cena 
primária da criação de Adão e Eva e no seu destino antes e depois da queda. 
CASAGRANDE, C., A mulher sob custódia, in: História das Mulheres, Lisboa: Afrontamento, 1993, v. 2, p. 122‐123. 
O excerto refere‐se à apreensão de determinadas passagens bíblicas pela cristandade medieval, 
especificamente em relação à condição das mulheres na sociedade feudal. A esse respeito, é correto 
afirmar: 
a) As mulheres originárias da nobreza podiam ingressar nos conventos e ministrar os sacramentos 
como os homens de mesma condição social. 
b) A culpabilização das mulheres pela expulsão do Paraíso Terrestre servia de justificativa para sua 
subordinação social aos homens. 
c) As mulheres medievais eram impedidas do exercício das atividades políticas, ao contrário do que 
acontecera no mundo greco‐romano. 
d) As mulheres medievais eram iletradas e tinham o acesso à cultura e às artes proibido, devido à 
sua condição social e natural. 
e) A submissão das mulheres medievais aos homens esteve desvinculada de normatizações acerca 
da sexualidade. 
Comentários 
Considerada a responsável pela imperfeição humana legada pelo pecado original, a mulher era 
descrita pela Igreja como dotada de pouca racionalidade e grande potencial para o pecado. Diante 
disso, as herdeiras de Eva deveriam ser esposadas para que pudessem se aproximar do modelo da 
Virgem Maria. Assim sendo, a alternativa B é a correta, mas vamos analisar as demais: 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 24 
- As mulheres da nobreza viviam confinadas nos gineceus, privadas, portanto, do mundo público. 
Assim sendo, a alternativa A está incorreta. 
- As mulheres das cidades-Estado gregas e da Roma Antiga não desfrutavam de direitos políticos, e 
tal como as mulheres do medievo, passavam boa parte de sua vida reclusas nos aposentos 
femininos. A alternativa C, portanto, está incorreta. 
- A produção cultural do medievo, fosse ela escrita ou imagética, era voltada para a população 
masculina, afinal eram esses quem de fato frequentavam os espaços públicos. Assim sendo, a 
alternativa D está incorreta. 
- As mulheres eram vistas como a fonte das tentações dos homens medievais, e por isso deveriam 
ser submetidas ao matrimônio com Cristo, reclusas nos conventos, ou com os homens, que 
passariam a ser seus mestres. 
Gabarito: B 
 
(2018/Unicamp) Estamos acostumados a considerar que o sistema centro/periferia, ao menos no 
Ocidente, é um eixo essencial da estrutura e do funcionamento no espaço das economias, das 
sociedades, das civilizações. O historiador Fernand Braudel estimou que tal sistema só existiu e 
funcionou plenamente a partir do século XV. Essa definição não se aplica à Cristandade Medieval 
sem importantes correções. A noção de centro e a oposição centro/periferia são menos decisivas 
que outros sistemas de orientação espacial. O principal sistema é o que opõe o baixo ao alto, quer 
dizer, o Aqui, esse “mundo” imperfeito e marcado pelo Pecado Original, ao céu, morada de Deus. 
 (Adaptado de Jacques Le Goff e Jean-Claude Schmitt, “Centro/Periferia”, em Dicionário temático 
do ocidente medieval, v. 2. São Paulo: Edusc, 2002, p. 203.) 
A partir do texto acima, assinale a alternativa correta. 
a) Usada nas Ciências Humanas para a compreensão de períodos históricos desde a Antiguidade, a 
noção de centro/periferia perdura até a atualidade e estrutura o sistema econômico global 
contemporâneo. 
b) As noções de baixo e alto têm um sentido histórico mais preciso para a compreensão da 
Cristandade Medieval do que o sistema centro/periferia. 
c) O sistema centro/periferia é aplicável ao estudo da Cristandade Medieval, já que os feudos 
constituíam o centro da vida econômica e cultural naquele contexto. 
d) O sistema centro/periferia aplicado durante a Era Medieval espelhava o sistema de orientação 
baixo e alto, sendo o baixo o mundo do pecado e o alto o mundo da virtude cristã. 
Comentários 
Questão que demanda interpretação de texto. Segundo o historiador Jacques Le Goff, a ideia de 
centro∕periferia é usualmente utilizada para tratar duas ou mais economias, sociedades ou 
civilizações. Contudo, para a Idade Média Ocidental, tempo histórico fortemente marcado pela 
mentalidade religiosa, é mais adequada a noção de alto∕baixo, ou seja a oposição entre o reino dos 
Céus e o reino dos homens, sua cópia imperfeita. Assim sendo, a alternativa B é a correta. 
Gabarito: B 
 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 25 
(2016/UPE) Um texto bastante famoso produzido na Idade Média foi o exemplo dos carneiros, dos 
bois e dos cães, que explicava: “A razão de ser dos carneiros é fornecer leite e lã, dos bois é lavrar a 
terra, a dos cães defender os carneiros e os bois. Se cada um cumprir sua missão, Deus protegê-la-
á. Do mesmo modo, fez com os homens: instituiu os Clérigos e os Monges para que rezassem, plenos 
de doçura, como ovelhas; os camponeses, como os bois, para assegurar a subsistência, e os 
guerreiros para que defendessem dos inimigos, semelhantes a lobos, os que oram e os que cultivam 
a terra.” 
(Apud LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Lisboa: Estampa, 1984, vol. 2, p. 10, adaptado). 
Partindo da análise dessa fonte, compreendemos que a Sociedade Feudal se dividia em três ordens 
principais, registradas na alternativa 
a) Os religiosos (os carneiros), os trabalhadores (os bois) e os guerreiros (os cães). 
b) Os mercadores (os bois), os clérigos (os cães) e os guerreiros (os carneiros). 
c) Os reis (os cães), os plebeus (os bois) e os nobres (os carneiros). 
d) Os reis (os cães), os plebeus (os bois) e a corte (os carneiros). 
e) Os homens (os cães), as mulheres (os carneiros) e os religiosos (os bois). 
Comentários 
Mais uma questão de interpretação de texto. O sermão de Eadmer de Canterbury, proferido no 
século XI, deixa claro o papel da Igreja na legitimação da ordem feudal. Nele, cada estamento social 
é associado a um animal doméstico: o clero (oratores) corresponderia aos caprinos, fornecendo 
alimento e conforto espiritual a todas as almas, enquanto os bois seriam os camponeses 
(laboratores), que trabalham para assegurar a sobrevivência dos demais. Por fim, os guerreiros 
(bellatores) desempenham função semelhante à dos cães, protegendo os demais grupos. Feitas 
essas considerações, a alternativa A é a correta. 
Gabarito: A. 
 
2.8. A cultura na Baixa Idade Média 
A partir do século XII, diversos centros de estudo denominados 
universidades (universitas) foram criados na Europa Ocidental, 
constituídos por membros do clero, da nobreza e de indivíduos de 
grupos sociais em ascensão nos centros urbanos. Entre as mais 
antigas podemos citar as de Salerno e Bolonha, na região da península 
itálica, e a universidade de Paris, na França. Inicialmente, os principais 
cursos eram Teologia, Direito e Medicina, dos quais faz surgir uma 
nova categoria social na sociedade, a dos intelectuais. 
O constante contato com obras e saberes da Antiguidade fez 
surgir entre estudiosos dessas instituições uma tendência que 
denominados de Humanismo, da qual podemos elencar duas 
características: 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 26 
 o uso da língua vernácula, ou seja, da língua própria de um 
determinado local, em detrimento do latim, idioma oficial da 
Igreja. A busca por um estilo próprio levou autores como 
Petrarca, a escreverem suas obras em sua língua de origem. 
 a criação de um currículo humanista, conhecido como studia humanitatis, que incluía novas 
disciplinas ao meio universitário – gramática, retórica, poesia, história e filosofia moral. 
Embora não buscassem confrontar diretamente a hegemonia da Igreja sobre o pensamento 
medieval, os elementos que citamos acima foram essenciaispara que os autores deste período passassem 
a depositar maior confiança na potencialidade do Homem para alcançar o conhecimento e a verdade, sem 
a necessidade de clérigos como intermediários. O humanismo não se constituiu como um movimento, 
mas lançou as sementes que possibilitaram o surgimento do Renascimento, que trataremos em nossa 
próxima aula. 
 
Arquitetura a serviço da Igreja 
Durante a Baixa Idade Média, mais especificamente entre os séculos XI e XII, a conquista da 
Inglaterra pelos normandos legou a esse reino um estilo arquitetônico ali conhecido como normando, 
posteriormente denominado estilo românico, ao ser utilizado em castelos, mosteiros e igrejas espalhados 
por todo o continente europeu. Ele se caracteriza pela utilização de edifícios de aparência robusta, 
dotados de paredes grossas e com pouca iluminação em seu interior devido às poucas janelas. 
A Igreja demonstra uma grande preocupação em combater as forças das trevas, e por isso todos 
os elementos existentes dentro e fora de suas edificações buscavam transmitir ensinamentos aos seus 
fiéis. Os ornamentos e imagens utilizados por essa instituição religiosa tinham grande força no 
pensamento cristão, buscando causar nos analfabetos a mesma devoção que os textos sagrados obtinham 
dos católicos letrados. Veja o que diz os versos de um poeta francês que viveu esse período: 
 
Sou uma pobre e velha mulher, 
Muito ignorante, que nem sabe ler. 
Mostraram-me na igreja da minha terra 
Um Paraíso com harpas pintado 
E o Inferno onde fervem almas danadas, 
Um enche-me de júbilo, o outro me aterra... 
GOMBRICH, E.H. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 2015. p. 177. 
 
A partir do século XII, o estilo românico entra em declínio, sendo progressivamente substituído 
pelo estilo gótico. Nascido no norte da França, esse estilo arquitetônico se caracterizava pela imponência 
de suas construções, pelo uso de arcos ogivais, que davam mais leveza aos edifícios por não mais 
necessitarem de grossas paredes de sustentação, e pelo uso de vitrais que iluminavam os ambientes e 
transmitiam grande beleza. 
Diferentemente do estilo anterior, o gótico não buscava apenas transmitir os ensinamentos aos 
seus fiéis por meio de seus ornamentos, mas torná-los mais emocionantes e palpáveis. Ao mesmo tempo, 
as catedrais em estilo gótico são erguidas nas grandes cidades, o que mostra a superação do clero regular 
Figura 10 - Petrarca, poeta humanista italiano. 
Fonte: Shutterstock. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 27 
pelos seculares neste período. Para alguns historiadores, o gótico sinalizava a “Igreja triunfante”, isto é, 
aquela que havia se consolidado como a maior instituição em toda a Europa medieval. 
 
Figura 11 - Catedral de Notre-Dame, construída em estilo gótico. Fonte: Shutterstock. 
 
2.9. A Crise do Século XIV 
O século XIV foi marcado pelo fim da alta produção agrícola verificada anteriormente. O sistema 
de rotação de culturas não permitia o devido descanso para certos tipos de solo, que somado ao regime 
intenso de chuvas, resultou em colheitas insuficientes para a população europeia. Devido a isso, uma 
onda de fome atingiu diversas partes do continente. Para piorar, uma grave pandemia assolou a Europa 
medieval: a peste negra. 
 
 Peste Negra 
Entre 1348 e 1350, um surto de peste bubônica se espalhou rapidamente por toda a Europa, 
provavelmente trazida do Oriente pelas pulgas dos ratos que infestavam os navios mercantes. A maioria 
dos historiadores acredita que um terço da população europeia foi dizimada por essa doença, chegando 
à metade dos habitantes de algumas localidades do continente. Também conhecida como Peste Negra, a 
moléstia causava febres de até 41 graus naqueles que a contraíam, vômitos sanguinolentos e inchaços 
escuros na pele. Esses sintomas foram descritos pelo poeta italiano Bocaccio: 
 
Na nossa terra, no início da epidemia, quer se tratasse de homens ou de mulheres, produziam-se 
certos inchaços nas virilhas ou nas axilas: alguns desses inchaços tornavam-se do tamanho de uma 
maçã vulgar, outros como um ovo, outros um pouco maiores ou mais pequenos. Chamavam-se-lhes 
usualmente bubões. E, no duplo domínio onde tinham aparecido de início, os bubões não tardaram, 
a fim de semear a morte, a crescer indiferentemente em qualquer parte do corpo. Mais tarde os 
sintomas mudaram e transformara-se em manchas negras ou lívidas que apareciam nos braços, nas 
coxas ou em qualquer outra parte do corpo, de umas vezes grandes e separadas, de outras muito 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 28 
juntas e pequenas. Tal como o bubão que fora de início, e continuava a sê-lo, o indício de uma morte 
certa, também as manchas o eram para aqueles em que apareciam. 
BOCCACCIO, Giovanni. Decameron. Trad. Urbano Tavares Rodrigues. Lisboa: Relogio D'agua, 2006. 
 
Figura 12 - Enquanto a Peste Negra se espalhou pela Europa, representações da morte perseguindo homens e mulheres de todas as classes 
sociais se tornaram cada vez mais frequentes. Fonte: Wikimedia Commons. 
 
A doença assolou principalmente as populações instaladas nos centros urbanos, que não 
dispunham de qualquer infraestrutura de saneamento básico, mas também alcançou os campos, 
vitimizando principalmente camponeses. O resultado dessa pandemia9 foi uma crise de mão de obra, 
gerada não somente pela alta mortalidade, mas também pelas fugas de servos para as cidades, em busca 
de alimento ou de mais segurança. 
Diante do esvaziamento dos campos, a aristocracia rural recorreu à utilização do trabalho 
assalariado para suprir a mão de obra servil. Neste período, aqueles camponeses que sobreviveram à 
peste acabaram por desfrutar de uma melhora na qualidade de vida, afinal altas remunerações eram 
oferecidas diante da pouca oferta de braços para o trabalho. 
Qual foi a explicação dada pelos homens medievais para a Peste Negra? Em alguns locais, judeus 
foram acusados de envenenarem os poços e espalharem a moléstia, sendo, por isso, perseguidos e 
assassinados. Contudo, a grande maioria parece ter compreendido aquele cenário caótico como um 
castigo divino, uma vez que neste período aumenta a venda de indulgências, a doação de bens para a 
Igreja e a construção de templos religiosos. 
Além da peste e da fome, a crise do século XIV também foi marcada pelas Jacqueries, revoltas 
camponesas que ocorrem na França contra a situação de trabalho imposta pelos senhores. Insurreições 
urbanas também eclodem em Paris e Londres, o que evidenciava o esgotamento do modelo feudal em 
muitas partes da Europa. 
 
Guerra dos Cem Anos (1337-1543) 
Um dos acontecimentos apontados pelos historiadores como decisivos para a desagregação do 
feudalismo foi a Guerra dos Cem Anos, conflito travado entre França e Inglaterra, que contribui para os 
processos de centralização do poder político de ambos os países. Entre as razões para o seu início, 
podemos destacar: 
 a questão dinástica do trono francês → Após a morte do rei francês Filipe IV, o Belo, 
herdeiros do trono inglês e parentes reivindicaram para si o trono, o que foi repudiado por 
mercadores franceses; 
 
9 Doença infecciosa que se espalha entre a população disposta em uma grande região geográfica, seja ela um continente ou 
mesmo o planeta. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 29 
 a disputa pela região de Flandres, onde havia uma consolidada manufatura de indústria têxtil 
→ A aristocracia que habitava a região era simpática à dominação francesa, enquanto os 
burgueses eram aliados dos Inglaterra. 
Após longos anos de conflito e milhões de mortos no continente europeu, a França venceu a 
Inglaterra em 1453. A principal consequência da Guerra dos Cem Anos foi a consolidação do processo de 
centralização política da França,motivado pelo enfraquecimento da nobreza do país neste período. Já os 
ingleses entram em uma guerra civil travada por duas dinastias após serem derrotados pela França, 
ficando este novo conflito conhecido como Guerra das Duas Rosas (1455-1485). 
 
5. LISTA DE QUESTÕES 
5.1. Unesp 
1. (Unesp/2022 – 2º Dia) 
[...] a Europa começa a se constituir com a Idade Média. A civilização da Antiguidade romana só 
compreendia uma parte da Europa: os territórios do sul, situados na sua maioria em torno do 
Mediterrâneo. 
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) 
A constituição da Europa na Idade Média derivou, entre outros fatores, 
a) da bipartição do Império Romano em dois Estados política e economicamente aliados. 
b) da liderança do Papado sobre os territórios europeus na luta pela reconquista da Terra Santa. 
c) da articulação das diversas regiões do continente num espaço político e religioso comum. 
d) da unificação das terras do ocidente europeu, para combater invasores oriundos da Eurásia. 
e) da uniformização jurídica e social dos vários Estados europeus, na busca de novas rotas para as Índias. 
 
2. (2021/Unesp – 2ª fase) 
Até o século XIV, houve uma doença muito disseminada e muito temida: a lepra. Nas cidades, foram 
construídos hospitais especializados para os leprosos. […] Como se pensava que a lepra era contagiosa, 
os leprosos que andavam pelas ruas deviam sacudir uma espécie de sineta, a “matraca”. 
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) 
A lepra (ou hanseníase) era temida na Idade Média porque 
(A) o conhecimento científico era precário, desconhecia-se que a doença era facilmente curável e que só 
era transmitida pelo contato sexual entre as pessoas. 
(B) a única cura conhecida da doença dependia de poções e unguentos mágicos, mas a Igreja católica 
impedia a divulgação desses rituais de feitiçaria. 
(C) representava, além do risco do sofrimento e da morte, a existência de preconceitos sociais e a crença 
de que a doença era uma manifestação da vontade e do castigo divinos. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 30 
(D) foi mais devastadora que a peste negra, que era disseminada pelas pulgas dos ratos e que atingia 
principalmente os moradores das áreas rurais. 
(E) era frequentemente confundida com a disenteria, originária da América, que provocou milhões de 
mortes nas áreas centrais e orientais da Europa, entre a Idade Média e a Idade Moderna. 
 
3. (2021/Unesp – 1ª fase) 
Entende-se hoje que a civilização medieval, apesar de limitada segundo os padrões atuais, dava ao homem 
um sentido de vida. Ele se via desempenhando um papel, por menor que fosse, de alcance amplo, 
importante para o equilíbrio do Universo. Não sofria, portanto, com o sentimento de substituibilidade 
que atormenta o homem contemporâneo. O medievo se sentia impotente diante da natureza, mas 
convivia bem com ela. O ocidental de hoje se sente a ponto de dominar a natureza, por isso se exclui dela. 
(Hilário Franco Júnior. Idade Média: nascimento do Ocidente, 1988.) 
O “papel de alcance amplo”, “importante para o equilíbrio”, representado pelas pessoas que viviam na 
Idade Média, pode ser associado, entre outros fatores, 
a) à infixidez das relações sociais de trabalho, estabelecidas a partir da possibilidade de ascensão social e 
da proibição de desrespeitar o rei. 
b) ao reconhecimento do caráter diminuto de todo ser humano ante a grandiosidade da natureza e do 
conhecimento técnico-científico. 
c) à percepção religiosa de que o homem está integrado ao mundo, ligado diretamente a Deus e é objeto 
de uma contínua luta entre o bem e o mal. 
d) ao sentimento de pertencer à espécie humana, dotada de razão e com liberdade e autoridade para agir 
de acordo com sua vontade. 
e) à identificação dos homens como dotados de livre-arbítrio, capazes de decidir seu destino e de recusar 
interferências humanas ou divinas 
 
4. (2020/Unesp) 
 
A Catedral de Notre-Dame, em Paris, parcialmente destruída por um incêndio em abril de 2019, é um 
exemplo da arquitetura 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 31 
a) gótica, expressa na verticalidade e no emprego de arcos e vitrais. 
b) românica, expressa no desenho do teto e da abóbada principal. 
c) clássica, expressa na composição simétrica e na presença de colunas dóricas. 
d) art nouveau, expressa na utilização de elementos geométricos decorativos. 
e) eclética, expressa no pastiche entre elementos barrocos e neoclássicos. 
5. (2019/Unesp) 
Por muitíssimo tempo escreveu-se a história sem se preocupar com as mulheres. No século XII assim como 
hoje, masculino e feminino não andam um sem o outro. As damas de Guînes e as damas de Ardres tiveram 
todas por marido um ás da guerra, senhor de uma fortaleza que seu mais remoto ancestral havia 
edificado. 
(Georges Duby. Damas do século XII: a lembrança das ancestrais, 1997. Adaptado.) 
O texto trata de relações desenvolvidas num meio social específico, durante a Idade Média ocidental. 
Nele, 
a) as mulheres passavam a maior parte de seu tempo nas igrejas, o que incluía o trabalho de orientação 
religiosa, e os homens atravessavam as noites em tabernas e restaurantes. 
b) os homens controlavam os espaços públicos, o que incluía as ações militares, e as mulheres, confinadas 
ao espaço doméstico, eram associadas à maternidade e, ocasionalmente, à santidade. 
c) os homens responsabilizavam-se pelos assuntos culturais, o que incluía a instrução dos filhos, e as 
mulheres dedicavam-se ao preparo das refeições cotidianas e, ocasionalmente, de banquetes. 
d) as mulheres eram obrigadas a pagar impostos, o que incluía o dízimo, e os homens, livres de qualquer 
tributo, conseguiam acumular mais bens e, ocasionalmente, enriquecer. 
e) os homens dedicavam-se ao comércio, o que incluía deslocamentos para regiões afastadas de casa, e 
as mulheres incumbiam-se do trabalho nas lavouras e, ocasionalmente, na forja de metais. 
 
6. (2018/Unesp) 
A era feudal tinha legado às sociedades que a seguiram a cavalaria, cristalizada em nobreza. [...] Até nas 
nossas sociedades, em que morrer pela sua terra deixou de ser monopólio de uma classe ou profissão, o 
sentimento persistente de uma espécie de supremacia moral ligada à função do guerreiro profissional — 
atitude tão estranha a outras civilizações, tal como a chinesa — permanece uma lembrança da divisão 
operada, no começo dos tempos feudais, entre o camponês e o cavaleiro. 
(Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987. Adaptado.) 
Segundo o texto, a valorização da ação militar 
a) representa a continuidade da estrutura social originária da Idade Média. 
b) ultrapassa as barreiras de classe social, igualando os homens medievais. 
c) deriva da associação, surgida na Idade Média, entre nobres e cavaleiros. 
d) surgiu na Idade Média e é desconhecida nas sociedades modernas. 
e) revela a identificação medieval de quem trabalhava com quem lutava. 
 
7. (2017/Unesp) 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 32 
A Igreja foi responsável direta por mais uma transformação, formidável e silenciosa, nos últimos séculos 
do Império: a vulgarização da cultura clássica. Essa façanha fundamental da Igreja nascente indica seu 
verdadeiro lugar e função na passagem para o Feudalismo. A condição de existência da civilização da 
Antiguidade em meio aos séculos caóticos da Idade Média foi o caráter de resistência da Igreja. Ela foi a 
ponte entre duas épocas. 
(Perry Anderson. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo, 2016. Adaptado.) 
O excerto permite afirmar corretamente que a Igreja cristã 
a) tornou-se uma instituição do Império Romano e sobreviveu à sua derrocada quando da invasão dos 
bárbaros germânicos. 
b) limitou suas atividades à esfera cultural e evitou participar das lutas políticas duranteo Feudalismo. 
c) manteve-se fiel aos ensinamentos bíblicos e proibiu representações de imagens religiosas na Idade 
Média. 
d) reconheceu a importância da liberdade religiosa na Europa Ocidental e combateu a teocracia imperial. 
e) combateu o universo religioso do Feudalismo e propagou, em meio aos povos sem escrita, o paganismo 
greco-romano. 
 
8. (2017/Unesp) 
Em Aire-sur-la-Lys, em 15 de agosto de 1335, Jean de Picquigny, governador do condado de Artois, 
permite ao “maior, aos almotacés¹ e à comunidade da cidade construir uma torre com um sino especial, 
por causa do mister da tecelagem e de outros misteres em que vários operários deslocam-se 
habitualmente em certas horas do dia”. 
 (Jacques Le Goff. Por uma outra Idade Média, 2013. Adaptado.) 
¹almotacé: inspetor municipal. 
O texto revela 
a) a persistência da concepção antiga de emprego do tempo, associada aos ciclos da natureza. 
b) a persistência da concepção artesanal de emprego do tempo, associada à busca de maior qualidade. 
c) o surgimento de uma nova concepção de emprego do tempo, associada ao exercício do trabalho. 
d) o surgimento de uma nova concepção de emprego do tempo, associada à valorização do ócio. 
e) a persistência da concepção eclesiástica de emprego do tempo, associada à ditadura do relógio. 
 
9. (2016/Unesp) 
Eis dois homens à frente: um, que quer servir; o outro, que aceita, ou deseja, ser 
chefe. O primeiro une as mãos e, assim juntas, coloca-as nas mãos do segundo: 
claro símbolo de submissão, cujo sentido, por vezes, era ainda acentuado pela 
genuflexão. Ao mesmo tempo, a personagem que oferece as mãos pronuncia 
algumas palavras, muito breves, pelas quais se reconhece “o homem” de quem 
está na sua frente. Depois, chefe e subordinado beijam-se na boca: símbolo de 
acordo e de amizade. Eram estes – muito simples e, por isso mesmo, 
eminentemente adequados para impressionar espíritos tão sensíveis às coisas – 
os gestos que serviam para estabelecer um dos vínculos mais fortes que a época 
feudal conheceu. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 33 
 (Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.) 
O texto e a imagem referem-se à cerimônia que 
a) consagra bispos e cardeais. 
b) estabelece as relações de vassalagem. 
c) estabelece as relações de servidão. 
d) consagra o poder municipal. 
e) estabelece as relações de realeza. 
 
10. (2016/Unesp) 
Os mosteiros eram em primeiro lugar casas, cada uma abrigando sua “família”, e as mais perfeitas, com 
efeito, as mais bem ordenadas: de um lado, desde o século IX, os mais abundantes recursos convergiam 
para a instituição monástica, levando-a aos postos avançados do progresso cultural; do outro, tudo ali se 
encontrava organizado em função de um projeto de perfeição, nítido, bem estabelecido, rigorosamente 
medido. 
(Georges Duby. “A vida privada nas casas aristocráticas da França feudal”. História da vida privada, vol. 2, 1992. Adaptado.) 
A caracterização do mosteiro medieval como uma “casa”, um “posto avançado do progresso cultural” e 
um “projeto de perfeição” pode ser explicada pela disposição monástica de 
a) valorizar a vida privada, participar ativamente da vida política e combater o mal. 
b) recuperar a experiência histórica e pessoal do Salvador durante sua estada no mundo dos vivos. 
c) recolher-se a uma comunidade fechada para orar, estudar e combater a desordem do mundo. 
d) identificar-se com as condições de privação por que passavam as famílias pobres, celebrar a tradição 
escolástica e agir de forma ética. 
e) reconhecer a humanidade como solidária e unida num esforço de salvação da alma dos fiéis e dos 
infiéis. 
 
11. (2015/Unesp) 
Observemos apenas que o sistema dos feudos, a feudalidade, não é, como se tem dito frequentemente, 
um fermento de destruição do poder. A feudalidade surge, ao contrário, para responder aos poderes 
vacantes. Forma a unidade de base de uma profunda reorganização dos sistemas de autoridade […]. 
(Jacques Le Goff. Em busca da Idade Média, 2008.) 
Segundo o texto, o sistema de feudos 
a) representa a unificação nacional e assegura a imediata centralização do poder político. 
b) deriva da falência dos grandes impérios da Antiguidade e oferece uma alternativa viável para a 
destruição dos poderes políticos. 
c) impede a manifestação do poder real e elimina os resquícios autoritários herdados das monarquias 
antigas. 
d) constitui um novo quadro de alianças e jogos políticos e assegura a formação de Estados unificados. 
e) ocupa o espaço aberto pela ausência de poderes centralizados e permite a construção de uma nova 
ordem política. 
Miniatura do Liber feudorum 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 34 
 
12. (2015/Unesp) 
Os homens da Idade Média estavam persuadidos de que a terra era o centro do Universo e que Deus tinha 
criado apenas um homem e uma mulher, Adão e Eva, e seus descendentes. Não imaginavam que 
existissem outros espaços habitados. O que viam no céu, o movimento regular da maioria dos astros, era 
a imagem do que havia de mais próximo no plano divino de organização. 
(Georges Duby. Ano 1000, ano 2000: na pista de nossos medos, 1998. Adaptado.) 
O texto revela, em relação à Idade Média ocidental, 
a) o prevalecimento de uma mentalidade fortemente religiosa, indicativa da força e da influência do 
cristianismo. 
b) a consciência da própria gênese e origem, resultante das pesquisas históricas e científicas realizadas na 
Grécia Antiga. 
c) o esforço de compreensão racionalista dos fenômenos naturais, base do pensamento humanista. 
d) a construção de um pensamento mítico, provavelmente originário dos contatos com povos nativos da 
Ásia e do Norte da África. 
e) a presença de esforços constantes de predição do futuro, provavelmente oriundos das crenças dos 
primeiros habitantes do continente. 
 
13. (2014/Unesp) 
O cavaleiro é um dos principais personagens nas narrativas difundidas durante a Idade Média. Esse 
cavaleiro é principalmente um 
a) camponês, que usa sua montaria no trabalho cotidiano e participa de combates e guerras 
b) nobre, que conta com equipamentos adequados à montaria e participa de treinamentos militares, 
torneios e jogos. 
c) camponês, que consegue obter ascensão social por meio da demonstração de coragem e valentia nas 
guerras. 
d) nobre, que ocupa todo seu tempo com a preparação militar para as cruzadas contra os mouros. 
e) nobre, que conquista novas terras por meio de sua ação em torneios e jogos contra outros nobres. 
 
14. (2014/Unesp) 
Mais ou menos a partir do século XI, os cristãos organizaram expedições em comum contra os 
muçulmanos, na Palestina, para reconquistar os “lugares santos” onde Cristo tinha morrido e 
ressuscitado. São as cruzadas [...]. Os homens e as mulheres da Idade Média tiveram então o sentimento 
de pertencer a um mesmo grupo de instituições, de crenças e de hábitos: a cristandade. 
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) 
Segundo o texto, as cruzadas 
a) contribuíram para a construção da unidade interna do cristianismo, o que reforçou o poder da Igreja 
Católica Romana e do Papa. 
b) resultaram na conquista definitiva da Palestina pelos cristãos e na decorrente derrota e submissão dos 
muçulmanos. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 35 
c) determinaram o aumento do poder dos reis e dos imperadores, uma vez que a derrota dos cristãos 
debilitou o poder político do Papa. 
d) estabeleceram o caráter monoteísta do cristianismo medieval, o que ajudou a reduzir a influência 
judaica e muçulmana na Palestina. 
e) definiram a separação oficial entre Igreja e Estado, estipulando funções e papéis diferentes para os 
líderes políticos e religiosos. 
 
 
15. (2013/Unesp)“Servir” ou, como também se dizia, “auxiliar”, – “proteger”: era nestes termos tão simples que os textos 
mais antigos resumiam as obrigações recíprocas do fiel armado e do seu chefe. 
 (Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.) 
O mais importante dos deveres que, na sociedade feudal, o vassalo tinha em relação ao seu senhor era: 
a) o respeito à hierarquia e à unicidade de homenagens, que determinava que cada vassalo só podia ter 
um senhor. 
b) o auxílio na guerra, participando pessoalmente, montado e armado, nas ações militares desenvolvidas 
pelo senhor. 
c) a proteção policial das aldeias e cidades existentes nos arredores do castelo de seu senhor. 
d) a participação nos torneios e festejos locais, sem que o vassalo jamais levantasse suas armas contra 
seu senhor. 
e) a servidão, trabalhando no cultivo das terras do senhor e pagando os tributos e encargos que lhe eram 
devidos. 
 
16. (2013/Unesp) 
Nos arredores de Assis, dois leprosários [...] hospedavam os homens e mulheres de visão repugnante 
escorraçados por todos: considerava-se que os leprosos eram assim por castigo de Deus, por causa dos 
pecados cometidos, ou porque tinham sido concebidos em pecado. Por isso, ao se movimentarem, eram 
obrigados a bater certas castanholas, para que os sãos pudessem evitá-los, fugindo a tempo. 
(Chiara Frugoni. Vida de um homem: Francisco de Assis, 2011.) 
A lepra e as demais doenças recorrentes durante a Idade Média 
a) resultavam do descuido das vítimas e os médicos se dedicavam apenas aos doentes graves ou 
terminais. 
b) atingiam basicamente as populações rurais, pois as condições de higiene e saneamento nas cidades 
eram melhores. 
c) atacavam e matavam igualmente nobres e pobres, pois não existiam hospitais ou remédios. 
d) eram consideradas contagiosas e, devido a isso, não havia pessoas dispostas a cuidar dos enfermos. 
e) eram muitas vezes atribuídas à ação divina e as vítimas eram tratadas como responsáveis pelo mal. 
 
17. (2012/Unesp) 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 36 
(...) o elemento religioso não limitou os seus efeitos ao fortalecimento, no mundo da cavalaria, do espírito 
de corpo; exerceu também uma ação poderosa sobre a lei moral do grupo. Antes de o futuro cavaleiro 
receber a sua espada, no altar, era-lhe exigido um juramento, que especificava as suas obrigações. 
(Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.) 
O texto mostra que os cavaleiros medievais, entre outros aspectos de sua formação e conduta, 
a) mantinham-se fiéis aos comerciantes das cidades, a quem deviam proteger e defender na vida 
cotidiana e em caso de guerra. 
b) privilegiavam, na sua formação, os aspectos religiosos, em detrimento da preparação e dos exercícios 
militares. 
c) valorizavam os torneios, pois neles mostravam seus talentos e sua força, ganhando prestígio e poder 
no mundo medieval. 
d) agiam apenas de forma individual, realizando constantes disputas e combates entre si. 
e) definiam-se como uma ordem particular dentro da rígida estrutura feudal, mas mantinham vínculos 
profundos com a Igreja. 
 
18. (2013/Unesp) 
[Na época feudal] o mundo terrestre era visto como palco da luta entre as forças do Bem e as do Mal, 
hordas de anjos e demônios. Disso decorria um dos traços mentais da época: a belicosidade. 
(Hilário Franco Junior. O feudalismo, 1986. Adaptado.) 
A belicosidade (disposição para a guerra) mencionada expressava-se, por exemplo, 
a) no ingresso de homens de todas as camadas sociais na cavalaria e na sua participação em torneios. 
b) no pacto que reunia senhores e servos e determinava as chamadas relações vassálicas. 
c) na ampla rejeição às Cruzadas e às tentativas cristãs de reconquista de Jerusalém. 
d) no empenho demonstrado nas lutas contra muçulmanos, vikings e magiares. 
e) na submissão de senhores e vassalos, reis e súditos, ao Islamismo. 
 
19. (2012/Unesp) 
As feiras foram muito difundidas pela Europa a partir do século XI. Entre os motivos que provocaram tal 
fenômeno, podemos citar: 
a) a unificação da moeda europeia, que facilitou a atividade dos banqueiros e a aquisição de mercadorias. 
b) o aumento da produção agrícola, provocado pelos desmatamentos, que ampliavam a quantidade de 
terras cultiváveis. 
c) a eliminação das práticas feudais, que prendiam os camponeses à terra e reduziam a monetarização da 
economia. 
d) o crescimento urbano, provocado pelas doenças e epidemias que grassavam nas áreas rurais e 
provocavam êxodo em direção às cidades. 
e) a regionalização das economias, que limitou significativamente a obtenção de mercadorias 
provenientes de terras distantes. 
 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 37 
20. (2011/Unesp) 
[Na Idade Média] Homens e mulheres gostavam muito de festas. Isso vinha, geralmente, tanto das velhas 
tradições pagãs (...), quanto da liturgia cristã. 
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) 
Sobre essas festas medievais, podemos dizer que 
a) muitos relatos do cotidiano medieval indicam que havia um confronto entre as festas de origem pagã 
e as criadas pelo cristianismo. 
b) os torneios eram as principais festas e rompiam as distinções sociais entre senhores e servos que, 
montados em cavalos, se divertiam juntos. 
c) a Igreja Católica apoiava todo tipo de comemoração popular, mesmo quando se tratava do culto a 
alguma divindade pagã. 
d) as festas rurais representavam sempre as relações sociais presentes no campo, com a encenação do 
ritual de sagração de cavaleiros. 
e) religiosos e nobres preferiam as festas privadas e pagãs, recusando-se a participar dos grandes eventos 
públicos cristãos. 
 
21. (2011/Unesp) 
Com o crescimento comercial, na Baixa Idade Média, a Europa atravessou períodos de pânico coletivo, 
provocados por manifestações endêmicas ou epidêmicas da peste bubônica e de outras doenças, como 
tifo, varíola, gripe pulmonar e disenteria. A disseminação de várias dessas doenças era facilitada, entre 
outros motivos, pela 
a) condição precária de higiene, enfrentada principalmente pelos habitantes das cidades. 
b) crença de que as epidemias não podiam ser combatidas, pois advinham da vontade divina. 
c) dificuldade de contato e comunicação entre as populações do continente europeu. 
d) proibição religiosa das pesquisas médicas e científicas durante toda a Idade Média. 
e) omissão dos poderes políticos, uma vez que as doenças só atingiam as camadas pobres. 
 
22. (2010/Unesp) 
[Na Idade Média], chamava-se ‘lepra’ a muitas doenças. Toda erupção pustulenta, a escarlatina, por 
exemplo, qualquer afecção cutânea passava por lepra. Ora, havia, com relação à lepra, um terror sagrado: 
os homens daquele tempo estavam persuadidos de que no corpo reflete-se a podridão da alma. O leproso 
era, só por sua aparência corporal, um pecador. Desagradara a Deus e seu pecado purgava através dos 
poros. 
(Georges Duby. Ano 1000 Ano 2000. Na pista de nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998.) 
O texto mostra a associação entre doença e religião na Idade Média. Isso ocorre porque os homens do 
período 
a) abandonaram o conhecimento científico, acumulado na Antiguidade, sobre saúde e doença; daí a época 
medieval ser apropriadamente chamada de “era das trevas”. 
b) recusavam-se a admitir que as condições de higiene então existentes fossem inadequadas e preferiam 
criar explicações astrológicas para os males que os afligiam. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 38 
c) estigmatizavam os portadores de doenças e os isolavam, ao contrário do que ocorre hoje, quando todos 
os doentes são aceitos no convívio social e recebem tratamento adequado. 
d) eram marcados pelo imaginário cristão, que apresentava o mundo como um espaço de conflito 
ininterrupto entre forças divinas e forças demoníacas. 
e) rejeitavam a medicina,pois a associavam a práticas mágicas e a curandeirismo, preferindo recorrer a 
exorcistas a aceitar os tratamentos prescritos nos hospitais. 
 
23. (2010/Unesp) 
Com a ruralização, a tendência à autossuficiência de cada latifúndio e as crescentes dificuldades nas 
comunicações, os representantes do poder imperial foram perdendo capacidade de ação sobre vastos 
territórios. Mais do que isso, os próprios latifundiários foram ganhando atribuições anteriormente da 
alçada do Estado. 
(Hilário Franco Jr. O feudalismo. São Paulo: Brasiliense, 1986. Adaptado.) 
A característica do feudalismo mencionada no fragmento é 
a) o desaparecimento do poder militar, provocado pelas invasões bárbaras. 
b) a fragmentação do poder político central. 
c) o aumento da influência política e financeira da Igreja Católica. 
d) a constituição das relações de escravidão. 
e) o estabelecimento de laços de servidão e vassalagem. 
 
24. (2008/Unesp) 
Observe a foto da Catedral de Notre Dame de Paris, construída entre 1163 
e 1250. 
Sobre o contexto histórico que levou ao surgimento das catedrais, pode-se 
afirmar: 
a) o papel dos monarcas foi decisivo, financiando a sua construção para 
glorificar o poder real. 
b) sua construção está associada ao reflorescimento e à prosperidade do 
mundo urbano. 
c) financiadas com os recursos do clero romano, ampliaram a influência do 
Papa no Oriente. 
d) surgiram como resposta do papado ao Cisma do Oriente, glorificando a 
Igreja Romana. 
e) eram templos destinados à alta nobreza, que assim evitava o contato com 
o povo da cidade. 
 
25. (2006/Unesp) 
Leia os dois textos seguintes. 
(Adhemar Marques, Pelos caminhos 
da História: Ensino Médio.) 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 39 
No Ocidente Medieval, a unidade de trabalho é o dia [...] definido pela referência mutável ao tempo 
natural, do levantar ao pôr-do-sol. [...] O tempo do trabalho é o tempo de uma economia ainda dominada 
pelos ritmos agrários, sem pressas, sem preocupações de exatidão, sem inquietações de produtividade. 
(Jacques Le Goff. O tempo de trabalho na ‘crise’ do século XIV.) 
Na verdade não havia horas regulares: patrões e administradores faziam conosco o que queriam. 
Normalmente os relógios das fábricas eram adiantados pela manhã e atrasados à tarde e em lugar de 
serem instrumentos de medida do tempo eram utilizados para o engano e a opressão. 
(Anônimo. Capítulos na vida de um menino operário de Dundee, 1887.) 
Entre as razões para as diferentes organizações do tempo do trabalho, pode-se citar: 
a) a predominância no campo de uma relação próxima entre empregadores e assalariados, uma vez que 
as atividades agrárias eram regidas pelos ritmos da natureza. 
b) o impacto do aparecimento dos relógios mecânicos, que permitiram racionalizar o dia de trabalho, que 
passa a ser calculado em horas no campo e na cidade. 
c) as mudanças trazidas pela organização industrial da produção, que originou uma nova disciplina e 
percepção do tempo, regida pela lógica da produtividade. 
d) o conflito entre a Igreja Católica, que condenava os lucros obtidos a partir da exploração do 
trabalhador, e os industriais, que aumentavam as jornadas. 
e) a luta entre a nobreza, que defendia os direitos dos camponeses sobre as terras, e a burguesia, que 
defendia o êxodo rural e a industrialização. 
 
26. (2005/Unesp) 
Entre as formas de organização econômica pré-fabris no continente europeu, estão as oficinas artesanais, 
em que 
a) um mestre trabalhava juntamente com aprendizes e vendia seus produtos para compradores locais. 
b) o produtor submetia-se a um comerciante que lhe fornecia a matéria-prima e adquiria o produto 
acabado. 
c) um proprietário possuía máquinas sofisticadas e explorava um grande número de trabalhadores. 
d) os mestres e os assalariados dividiam as tarefas produtivas e usufruíam com igualdade dos lucros 
obtidos. 
e) a unidade produtora supria as necessidades da família e não comercializava os produtos excedentes. 
 
27. (2004/Unesp) 
A fim de satisfazer as necessidades do castelo, os comerciantes começaram a afluir à frente da sua porta, 
perto da ponte: mercadores, comerciantes de artigos caros e, depois, donos de cabaré e hoteleiros que 
alimentavam e hospedavam todos aqueles que negociavam com o príncipe (...) Foram construídas assim 
casas e instalaram-se albergues onde eram alojados os que não eram hóspedes do castelo (...) As 
habitações multiplicaram-se de tal sorte que foi logo criada uma grande cidade. 
(Jean Long, cronista do século XIV.) 
De acordo com o texto, o nascimento de algumas cidades da Europa resultou da 
a) transformação do negociante sedentário em comerciante ambulante. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 40 
b) oposição dos senhores feudais à instituição do mercado no seu castelo. 
c) atração exercida pelos pregadores religiosos sobre a população camponesa. 
d) insegurança provocada pelas lutas entre nobres feudais sobre a atividade mercantil. 
e) fixação crescente de uma população ligada às atividades mercantis. 
 
28. (2003/Unesp) 
Na Idade Média ocidental, a Igreja cristã justificava e explicava o ordenamento social. Ao lado dos clérigos, 
que detinham o conhecimento da leitura e da escrita, um dos grupos sociais da época era constituído por: 
a) assalariados, que trabalhavam nas terras dos que protegiam as fronteiras da Europa medieval das 
invasões dos povos bárbaros germânicos. 
b) usuários, que garantiam o financiamento das campanhas militares da nobreza em luta contra os infiéis 
muçulmanos. 
c) donos de manufaturas de tecidos de algodão, que abasteciam o amplo mercado consumidor das 
colônias americanas. 
d) servos, que deviam obrigações em trabalho aos senhores territoriais. 
e) escravos, que garantiam a sobrevivência material da sociedade em troca da concessão da vida por parte 
dos seus vencedores. 
 
29. (2001/Unesp) 
No período denominado Baixa Idade Média, houve desenvolvimento do comércio e florescimento de 
cidades. O crescimento econômico da Europa ocidental intensificou-se com a expansão ultramarina do 
século XV. Considera-se essencial para tal expansão: 
a) a crise e o enfraquecimento comercial das cidades-estados italianas, fornecedoras na Europa dos 
produtos orientais. 
b) a centralização do poder político e a possibilidade de investimento de recursos monetários estatais em 
expedições marítimas. 
c) a ocupação de Constantinopla pelos turcos otomanos e o fim dos contatos pacíficos entre o ocidente e 
o oriente. 
d) a abundância de metais na Europa e o crescimento de circulação monetária em condições de financiar 
empreendimentos dispendiosos. 
e) a ruptura da unidade cristã do ocidente e a formação de religiões cristãs adaptadas à ética da 
acumulação capitalista. 
 
30. (2001/Unesp) 
Há mil anos atrás, em partes da Europa, vigorava o sistema feudal, cujas principais características foram: 
a) sociedade hierarquizada, com predomínio de uma economia agrária, que favoreceu intensa troca 
comercial nos burgos e cidades italianas. 
b) fraca concentração urbana, com predomínio da economia agrária sob a organização do Estado 
monárquico, apoiado pelo clero e pela burguesia. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 41 
c) poder do Estado enfraquecido, ritmo de trocas comerciais pouco intenso, uso limitado da economia 
monetária, predominando uma sociedade agrária. 
d) ampliação do poder do Estado, uma sociedade organizada em três camadas - clérigos, guerreiros e 
trabalhadores - e predomínio da economia rural. 
e) intensificação da produção agrícola pelo uso da mão-de-obra de servos e escravos, poder 
descentralizado e submissão dos burgos ao domínio da Igreja. 
 
31. (2000/Unesp) 
“Reconheço ter prendido mercadores de Langres que passavam pelo meu domínio. Arrebatei-lhesas 
mercadorias e guardei-as até o dia em que o bispo de Langres e o abade de Cluny vieram procurar-me 
para exigir reparações." 
(CASTELÃO DO SÉCULO XI) 
O texto apresentado permite afirmar que, na Idade Média: 
a) o poder da Igreja era, além de religioso, também temporal. 
b) os senhores feudais eram mais poderosos do que a Igreja. 
c) o clero era responsável pela distribuição das mercadorias. 
d) o conflito entre a Igreja e a nobreza aproximou o clero dos comerciantes. 
e) o poder do papa era limitado pelos sacerdotes. 
 
32. (1998/Unesp) 
Sobre as associações dos importantes grupos sociais da Idade Média, um historiador escreveu: “Eram 
cartéis que tinham por objetivo a eliminação da concorrência no interior da cidade e a manutenção do 
monopólio de uma minoria de mestres no mercado urbano.” 
(Jacques Le Goff, A civilização do Ocidente Medieval) 
O texto caracteriza de maneira típica: 
a) as universidades medievais. 
b) a atuação das ordens mendicantes. 
c) as corporações de ofício. 
d) o domínio dos senhores feudais. 
e) as seitas heréticas. 
 
33. (1995/Unesp) 
Na sociedade feudal, o vínculo humano característico foi o elo entre subordinado e chefe mais próximo. 
De escalão em escalão, os nós assim formados uniam, tal como se se tratasse de cadeias infinitamente 
ramificadas, os menores e os maiores. A própria terra só parecia ser uma riqueza tão preciosa por permitir 
obter ‘homens’, remunerando-os." 
(Marc Bloch. A sociedade feudal.) 
O texto descreve a: 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 42 
a) hierarquia eclesiástica da Igreja Católica; 
b) relação de tipo comunitário dos camponeses; 
c) relação de suserania e vassalagem; 
d) hierarquia nas corporações de ofício; 
e) organização política das cidades medievais. 
 
34. (1990/Unesp – Adaptada) 
A Baixa Idade Média tem sua importância ligada à dissolução de um modo de produção e o início da longa 
fase de transição que levará ao desenvolvimento de um outro. Assinale a alternativa diretamente 
relacionada com a crise e a desagregação do sistema feudal: 
a) Condenação do modo de produção feudal pela Igreja Católica Apostólica Romana. 
b) Declínio do comércio a longa distância, florescimento da pequena indústria e enfraquecimento do 
poder central dos monarcas. 
c) Equilíbrio entre o ritmo da produção e do consumo. 
d) Substituição de obrigações antigas por contratos de arrendamento da terra e por pagamento em 
dinheiro. 
e) Predomínio do modo assalariado de trabalho acarretando, em curto prazo, mudanças profundas na 
Europa Oriental. 
 
35. (1989/Unesp) 
 A vida cultural europeia, na Baixa Idade Média (do XI ao XV séculos), pode ser caracterizada pelo(a): 
a) esforço de Ptolomeu para estruturar os conceitos geográficos. 
b) multiplicação das Universidades e difusão da arquitetura gótica. 
c) deslocamento, de Córdoba para Paris, do centro de gravidade da cultura muçulmana. 
d) difusão do dogma escolástico baseado na negação da união entre a fé e a razão para a busca da 
verdade. 
e) decadência do ensino urbano seguido de sua ruralização. 
 
36. (1996/Unesp) 
Quando Pepino, o Breve arriscou a usurpação que tantos outros tinham executado nos reinos vizinhos, 
quis purificá-la pela mais inatacável consagração. Primeiro, levou o papa a declarar que o título real devia 
caber a quem detivesse o verdadeiro poder. Depois, eleito rei pela assembleia dos grandes, fez-se ungir 
por S. Bonifácio, o mais ilustre dos missionários, na presença dos bispos franceses." 
(Robert Lopez - O NACIONAL DA EUROPA) 
Pepino, o Breve tornou-se, assim, o primeiro rei da dinastia 
a) Merovíngia. 
b) Carolíngia. 
c) Capetíngia. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 43 
d) Valois. 
e) Bourbon. 
 
5.2. Vestibulares 
1. (2021/Famema) 
[...] cristianismo romano na Europa ocidental e central, cristianismo ortodoxo grego em Bizâncio e na 
Europa oriental, islam do Irã à Espanha, e, claro, o judaísmo dos judeus da Diáspora. 
(Jacques Le Goff. O Deus da Idade Média, 2017.) 
Considerando o conteúdo do excerto e conhecimentos sobre a história da Europa da Idade Média, pode-
se afirmar que 
(A) a natureza das relações entre as pessoas derivou acentuadamente das crenças religiosas dos grupos 
sociais. 
(B) o poder do Papa, restrito aos assuntos religiosos, foi universalmente aceito pelas autoridades 
religiosas. 
(C) a aliança militar de reis católicos e ortodoxos impediu a expansão do islamismo no continente. 
(D) o clima de paz política caracterizou as interações entre as formações religiosas monoteístas. 
(E) a oposição ao culto de imagens uniu, do ponto de vista doutrinal, as religiões oriundas da Bíblia 
hebraica. 
 
2. (2014/UEA) 
A Igreja não domina pelas armas, ela domina pelas palavras. Ela ensina dogmas, regras, princípios que 
cada um deve aplicar sem hesitar ou reclamar. Para melhor persuadir, ela recorre à imagem, à imaginária 
pedagógica que decora as portadas da igreja. 
 (Georges Duby. A Europa na Idade Média, 1984. Adaptado.) 
O texto destaca a importância do uso das imagens na difusão do cristianismo durante a Idade Média. Tal 
uso 
(A) ocorreu apenas no período medieval devido ao grande número de analfabetos na população europeia. 
(B) resultou da influência da religião muçulmana sobre os cristãos, ocorrida após a chegada dos árabes à 
Europa. 
(C) desenvolveu uma cultura dos sentidos específica e característica das cerimônias e dos cultos católicos. 
(D) impossibilitou a expansão da fé cristã nas regiões europeias ocupadas e dominadas pelos povos 
bárbaros. 
(E) produziu uma ruptura acentuada com a tradição artística da antiguidade clássica, que jamais recorreu 
ao uso de imagens. 
 
3. (2019/UNIFIPA-FAMECA) 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 44 
Quando houve crescimento econômico no Ocidente medieval – como ocorreu do século XI ao XIII –, este 
foi resultado de um crescimento demográfico. Tratava-se de enfrentar o maior número de pessoas a 
serem alimentadas, vestidas, alojadas. Os desmatamentos e a extensão das culturas foram os principais 
remédios buscados para esse excedente de população. 
(Jacques Le Goff. A civilização do Ocidente medieval, 2016.) 
Nesse contexto, 
(A) o excedente populacional encontrou nos feudos a possibilidade de acumulação de capital. 
(B) a expansão da cultura cristã atingiu seu auge no movimento conhecido como Cruzadas. 
(C) a economia monetária voltou a predominar nas zonas rurais e no intercâmbio com o Oriente. 
(D) o aproveitamento de novas áreas de cultivo gerou problemas de abastecimento e transporte. 
(E) o aumento da produção agrícola contribuiu para a dinamização das atividades mercantis. 
 
4. (2013/FAMECA) 
No século XI, os tecelões de Flandres começaram a produzir a preço módico panos de lã que eram muito 
superiores aos tecidos em casa. Eles tiveram um crescente sucesso, primeiro em escala local, depois no 
exterior. Os tecelões tiveram que buscar em torno de si novas fontes de abastecimento. Acharam-nas na 
Inglaterra. O comércio de genoveses, pisanos e venezianos no leste transformou as lãs flamengas na mais 
popular e lucrativa de suas mercadorias, que se tornou um poderoso instrumento da expansão dessas 
cidades. 
(Colin McEvedy. Atlas de história medieval, 2007. Adaptado.) 
O texto descreve 
(A) os contatos comerciais entre cristãos e muçulmanos, graças às relações de suserania e vassalagem. 
(B) o dinamismo mercantil da Europa Medieval, com destaque para as cidades italianas e flamengas. 
(C) os motivos da decadência das feiras, devido às novas rotas comerciais entre o Norte e o Sul da Europa. 
(D) o processo de formação do feudalismo, devido à ruralização provocada pelas invasões à Europa. 
(E) opapel primordial do movimento cruzadista para o enriquecimento das cidades medievais, como as 
italianas. 
 
5. (2015/FAMECA) 
O historiador Georges Duby afirmou sobre a peste negra: Era uma doença exótica, contra a qual os 
organismos dos europeus não tinham defesas. [...] Veja: a epidemia, essa catástrofe, é, portanto, também 
um dos efeitos do progresso, do crescimento. 
(Georges Duby. Ano 1000, ano 2000: na pista de nossos medos, 1999.) 
O “progresso” e o “crescimento” a que o historiador se refere remetem 
(A) à desagregação do sistema feudal, que provocou o enrijecimento das relações servis e a decadência 
da vida urbana. 
(B) à colonização das terras americanas, onde os europeus encontraram novos povos e, também, novas 
doenças contagiosas. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 45 
(C) ao expansionismo marítimo europeu, em busca de uma nova rota comercial para as Índias, sem passar 
pelo Mar Mediterrâneo. 
(D) às inovações técnicas, que permitiram o aumento da produção agrícola e industrial, fazendo surgir 
uma nova classe social. 
(E) ao desenvolvimento do comércio na Baixa Idade Média, que levou os europeus a dinamizarem as 
relações mercantis com o Oriente. 
 
6. (2017/Famerp) 
Aparece na literatura medieval, no final do século IX, para florescer no século XI, até se tornar um lugar 
comum no século XII, um tema que descreve a sociedade que se divide em três categorias ou ordens. 
Jacques Le Goff. Para uma outra Idade Média, 2013. 
As “três categorias ou ordens” citadas no texto são, respectivamente, 
a) aristocracia, burguesia e proletariado. 
b) militares, patrícios e camponeses. 
c) clérigos, guerreiros e trabalhadores. 
d) comerciantes, industriais e operariado. 
e) classe alta, classe média e classe baixa. 
 
7. (2021/Fameca) 
Na maior parte das cidades fabricantes de tecidos, as atividades de tinturaria eram compartimentadas 
segundo as matérias têxteis (lã, linho, seda), as cores e os grupos de cores. Havia regras estritas, 
interditava-se alguém de utilizar uma gama de cores não autorizada. Para os tecidos de lã, por exemplo, 
a partir do século XIII, aquele que tinha licença de utilizar o vermelho estava proibido de empregar o azul 
e vice-versa. 
(Michel Pastoureau. Bleu: histoire d’une couleur, 2000. Adaptado.) 
O excerto menciona um aspecto da atividade econômica da Baixa Idade Média europeia. 
Percebe-se que o setor produtivo 
A) tinha por finalidade principal conferir beleza artística a objetos de uso corrente. 
B) garantia a boa qualidade da mercadoria por meio da exigência de especialização da mão de obra. 
C) tendia à substituição progressiva do trabalho doméstico pela concentração industrial. 
D) estava dividido em corporações de oficinas detentoras de privilégios em ramos específicos da 
economia. 
E) era economicamente instável devido à concorrência das empresas pelo domínio do mercado. 
 
8. (2019/Famema) 
O problema das “origens” do feudalismo gerou inúmeras polêmicas sobre o fim do Império Romano no 
Ocidente (século V) e o surgimento das instituições feudais. Comumente, aceita-se a tese da junção de 
formas sociais romanas e germânicas que, justapostas, engendrariam as bases da sociedade feudal. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 46 
Outros historiadores têm procurado ver na própria crise interna do império, particularmente a partir do 
século III, as causas da decadência romana e sua fragilidade em face dos bárbaros. 
(Francisco C. T. da Silva. Sociedade feudal, 1982. Adaptado.) 
As origens do sistema feudal podem ser encontradas 
A) no declínio da escravidão no Império Romano, o que originou nova forma de trabalho, e na noção de 
fidelidade pessoal dos germanos. 
B) no fracasso da reforma agrária no Império Romano, o que intensificou as guerras civis, e na concepção 
de poder divino dos germanos. 
C) na assimilação dos povos dominados, que se tornaram plenos cidadãos romanos, e na ideia de 
propriedade privada dos germanos. 
D) no fortalecimento da autoridade imperial, que se sobrepôs ao Senado romano, e na tradição das leis 
escritas dos povos germânicos. 
E) na crise dos minifúndios romanos, o que gerou intenso êxodo rural, e nas relações escravistas típicas 
das comunidades germânicas. 
 
9. (2019/Fameca) 
Quando houve crescimento econômico no Ocidente medieval – como ocorreu do século XI ao XIII –, este 
foi resultado de um crescimento demográfico. Tratava-se de enfrentar o maior número de pessoas a 
serem alimentadas, vestidas, alojadas. Os desmatamentos e a extensão das culturas foram os principais 
remédios buscados para esse excedente de população. 
(Jacques Le Goff. A civilização do Ocidente medieval, 2016.) 
Nesse contexto, 
A) o excedente populacional encontrou nos feudos a possibilidade de acumulação de capital. 
B) a expansão da cultura cristã atingiu seu auge no movimento conhecido como Cruzadas. 
C) a economia monetária voltou a predominar nas zonas rurais e no intercâmbio com o Oriente. 
D) o aproveitamento de novas áreas de cultivo gerou problemas de abastecimento e transporte. 
E) o aumento da produção agrícola contribuiu para a dinamização das atividades mercantis. 
 
10. (2020/FAMERP) 
[...] o senhor faz-se homem de um senhor mais poderoso cuja força, neste caso, já não reside nos vestígios 
de uma função pública, mas tão só na extensão das terras e no número de vassalos que o reconhecem 
como suserano. 
(Charles Parain et al. Sobre o feudalismo, 1973. Apud Hamilton M. Monteiro.O feudalismo: economia e sociedade, 1987.) 
No âmbito da Idade Média ocidental, o texto caracteriza 
A) os conflitos socioeconômicos nos campos e a valorização da hegemonia monárquica. 
B) as relações baseadas na propriedade rural e o controle do poder pelos funcionários públicos. 
C) as concorrências entre donos de manufaturas e a rigidez da hierarquia social. 
D) as relações entre classes sociais distintas e o princípio da soberania política. 
E) as relações internas à nobreza e a noção de riqueza como posse de terras. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 47 
 
11. (2021/FAMERP) 
Na cristandade medieval, era fácil apelar para a crença no além, Deus e os personagens sobrenaturais 
estavam muito presentes na vida cotidiana. A religião cristã estimulava a imaginação dos homens e das 
mulheres, e criou um “imaginário” próprio do cristianismo. 
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) 
É um exemplo da presença e da persistência desse “imaginário próprio do cristianismo”: 
A) a ideia de um céu povoado de seres extraordinários. 
B) a incorporação da tradição judaica de celebrar imagens de santos. 
C) a obrigação de peregrinar até Jerusalém pelo menos uma vez na vida. 
D) a absorção do monoteísmo hegemônico na Antiguidade clássica. 
E) a crença de que todo católico pode realizar milagres. 
 
12. (2019/FASM) 
As Cruzadas não foram as responsáveis pelas grandes transformações econômicas, mas produto delas. 
Contudo, elas não deixaram de contribuir significativamente para o avanço daquelas transformações. 
Exemplifiquemos com Veneza e Gênova, pois estas cidades eram os principais centros econômicos da 
época e tiveram importante participação nas Cruzadas. 
(Hilário Franco Jr. As Cruzadas, 1984. Adaptado.) 
Justifica a proposição do historiador o fato de que as Cruzadas 
a) levaram à descoberta de uma nova rota mercantil para a Ásia, rompendo o monopólio das cidades 
italianas no Mar Mediterrâneo. 
b) permitiram a formação de impérios mercantis, em destaque o veneziano, consolidando o absolutismo 
monárquico. 
c) iniciaram o desenvolvimento da agricultura com excedentes na Europa, acabando com a 
autossuficiência dos feudos. 
d) provocaram a extinção do sistema feudal, abrindo caminho para a afirmação das forças capitalistas sobcontrole da burguesia. 
e) intensificaram o comércio já existente, retomando o intercâmbio com mercados orientais, até então 
dominado pelos muçulmanos. 
 
13. (2017/FASM) 
Na Baixa Idade Média (XII-XV), moedas de diversas origens circulavam na Europa. Na França, no século 
XIV, 14 senhores feudais tinham direito de cunhar as suas próprias moedas. Essa situação, que dificultava 
as relações comerciais, tendeu a ser superada 
a) com o restabelecimento das fronteiras do Império Romano. 
b) com a adoção do padrão monetário bizantino. 
c) com a generalização da troca de mercadorias in natura. 
d) com a invenção das letras de câmbio. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 48 
e) com a formação das monarquias nacionais. 
 
14. (2016.2/FASM) 
As feiras floresceram e converteram-se, na Baixa Idade Média europeia, em grandes eventos regionais e 
internacionais, onde mercadores, cambistas e operadores bancários se reuniam. 
(Henry Royston Loyn (org.). Dicionário da Idade Média, 1997. Adaptado.) 
Além de sua importância econômica, esses eventos 
a) patrocinavam grandes espetáculos, como os torneios de cavaleiros, para atrair mais compradores para 
a variedade de produtos expostos. 
b) contribuíram para o fortalecimento do poder dos senhores feudais, maiores beneficiários das rendas 
obtidas com as trocas comerciais. 
c) propagavam o catolicismo, religião que apoiava o desenvolvimento das atividades burguesas, 
sobretudo as bancárias. 
d) difundiam notícias e ideias trazidas por homens de comunidades distantes, tornando-se, assim, lugares 
de grande importância cultural. 
e) organizavam federações de cidades a fim de defender os interesses dos seus comerciantes por meio 
do estabelecimento do livre-cambismo. 
 
15. (2016.1/FASM) 
Monarquia: os príncipes do século XIII controlaram a turbulência feudal, retomaram o poder em suas 
mãos. Restabeleciam-se, dessa maneira, formações políticas que não existiam mais há um bom tempo. 
(Georges Duby. A Europa na Idade Média, 1984.) 
O excerto alude ao processo de 
a) aliança política dos servos com o rei no combate aos senhores territoriais. 
b) expropriação dos direitos senhoriais pela burguesia das cidades comerciais. 
c) unificação religiosa da Europa sob o domínio de autoridades militares. 
d) expulsão dos árabes do continente europeu pelos reis católicos. 
e) imposição do poder central aos particularismos políticos da nobreza. 
 
16. (2022/SANTA CASA MEDICINA) 
A mesma preocupação de imitar os primeiros Pais da Igreja, de vencer o orgulho, de se libertar das 
vaidades, a vontade de se desviar das ilusões da aparência a fim de melhor ouvir a palavra de Deus, 
impunha o banimento das imagens dos mosteiros. Os Cistercienses as julgavam úteis para o ensinamento 
dos pobres. Quanto aos Cistercienses, ao procurar uma fusão total com o Espírito, eles as recusavam, 
retomando a condenação de toda figuração pela Igreja primitiva. 
(Georges Duby. Art et société au Moyen Age, 1997. Adaptado.) 
A ordem beneditina dos Cistercienses, fundada no final século XI, renovou profundamente o 
monasticismo, 
a) pregando o amor universal pela humanidade e aproximando-se das outras religiões monoteístas. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 49 
b) restaurando a igreja das comunidades de penitentes e opondo-se ao poder temporal do papado. 
c) traduzindo a bíblia para as línguas nacionais e insistindo no princípio da salvação pela fé em Cristo. 
d) criticando a ordem social do feudalismo e pregando o princípio da paz cristã na relação entre povos. 
e) condenando a idolatria e, ao mesmo tempo, reconhecendo a sua função para a instrução cristã dos 
iletrados. 
17. (2021/SANTA CASA MEDICINA) 
A Idade Média é complexa. Por que a chamamos de “feudal”? Antes de tudo porque ela é dominada por 
“senhores” que têm subordinados chamados “vassalos”, aos quais eles concedem (“emprestam”, se 
preferirem) terras que lhes proporcionam uma renda e que são chamadas de “feudos”, daí o nome 
“feudal”. 
Essa palavra designa um sistema social que os filósofos do século XVIII e os homens da Revolução Francesa 
detestam e denunciam, porque o povo, os camponeses, as “pessoas simples” são oprimidas pelos ricos e 
poderosos. Essa imagem permanece colada à Idade Média. 
 (Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007. Adaptado.) 
A partir da leitura do excerto, pode-se constatar que 
a) o primeiro parágrafo descreve relações internas ao setor hegemônico e o segundo parágrafo mostra 
uma crítica ao sistema social medieval, feita posteriormente à experiência histórica do Medievo. 
b) a última frase do texto descreve a persistência da ideia, ainda defendida pela maioria dos historiadores, 
de que a Idade Média foi um período de trevas e estagnação cultural. 
c) o primeiro parágrafo caracteriza a principal relação de dominação social da Idade Média e o segundo 
parágrafo expõe a forte crítica dos pensadores socialistas contra o Medievo. 
d) o primeiro parágrafo do texto identifica uma relação interna ao setor produtivo e o segundo parágrafo 
aponta para uma interpretação dessa relação, desenvolvida ainda durante o Medievo. 
e) a primeira frase do texto destaca a particularidade da Idade Média, diferenciando-a dos outros períodos 
históricos, marcados pela uniformidade das relações sociais internas. 
 
18. (2020/SANTA CASA MEDICINA) 
Observe a reprodução do Retábulo dos Sete Sacramentos (1445) de Rogier van der Weyden. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 50 
 
(www.artbible.info) 
A pintura, pertencente ao Museu Real de Belas Artes de Antuérpia, na Bélgica, reproduz uma arquitetura 
tipicamente 
a) clássica, considerando os arcos redondos de inspiração românica. 
b) gótica, considerando as linhas ascensionais da construção. 
c) barroca, considerando a oposição entre as figuras e o espaço. 
d) renascentista, considerando a utilização de colunas de mármore. 
e) maneirista, considerando a fusão de estilos construtivos diversos. 
 
19. (2020/SANTA CASA) 
A Idade Média deu à cidade, ou à maioria delas, um espaço rodeado por uma muralha [...]. Naquela época, 
a cidade como centro de poder não exerceu o domínio que se poderia ter esperado. Muito 
frequentemente, o poder se situava num lugar mais ou menos dissociado da cidade. 
(Jacques Le Goff. Por amor às cidades, 1998.) 
A afirmação do historiador sobre as cidades europeias da Idade Média pode ser explicada 
a) pela base feudal da economia e da política do período. 
b) pela dizimação de grande parte da população urbana pela peste negra. 
c) pela proteção garantida aos burgueses pelos cavaleiros nobres. 
d) pela permanência das ordens religiosas e dos bispos nas regiões rurais. 
e) pela aliança política duradoura entre reis, nobres e membros do alto clero. 
 
20. (2018/SANTA CASA) 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 51 
 
(Sainte-Chapelle, Paris, 1248. In: E. H. Gombrich. A história da arte, 1995.) 
A imagem mostra uma construção 
a) barroca, caracterizada pelo contraste entre as formas e os elementos estéticos. 
b) românica, caracterizada pela predominância de materiais naturais, como madeira e pedra. 
c) gótica, caracterizada pela presença de arcos ogivais e linhas entrelaçadas. 
d) clássica, caracterizada pela recuperação de elementos estéticos greco-romanos. 
e) romântica, caracterizada pela combinação de elementos religiosos e elementos políticos. 
 
21. (2020/CUSC) 
Observe a fachada principal da Catedral de Notre Dame de Paris. 
 
(nationalgeographicbrasil.com) 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 52 
O estilo dessa construção está relacionado 
a) à afirmação do racionalismo,em um contexto de expansão comercial. 
b) ao auge do teocentrismo, em um período de isolamento no campo. 
c) ao progresso das ciências, em uma época de liberdade de pensamento. 
d) à supremacia do homem, em uma cultura marcadamente materialista. 
e) ao desenvolvimento urbano, em uma sociedade dominada pela fé. 
 
22. (2018/CUSC) 
Por volta do ano 1000, consolidou-se no Ocidente uma profunda mutação política e social. As antigas 
estruturas públicas herdadas da Antiguidade terminaram por desmoronar para dar lugar a um novo 
regime, o feudalismo. Este não é desordem, mas uma tentativa de instaurar uma nova ordem fundada 
sobre as relações de homem a homem e sobre a adaptação do poder a uma escala territorial reduzida, 
organizada em torno de um castelo. 
(Jacques Le Goff e Jean-Claude Schmitt (orgs.). Dicionário analítico do Ocidente medieval, vol. I, 2017. Adaptado.) 
Pode-se exemplificar a afirmação do texto com 
a) a consolidação do poder temporal do Papa no continente europeu e a paz duradoura instaurada pela 
Igreja. 
b) a formação das monarquias nacionais e a predominância de uma economia agrária comunitária. 
c) as obrigações militares recíprocas entre os senhores territoriais e os vínculos de exploração econômica 
dos senhores sobre os servos. 
d) o deslocamento da aristocracia para os castelos reais e a importação de produtos de luxo do extremo 
Oriente. 
e) o exercício do governo pela burguesia mercantil e o aparecimento de cidades comerciais fortificadas. 
 
23. (2017/CUSC) 
O surgimento de grandes feiras, como as de Champagne e de Flandres, entre os séculos XI e XIII, está 
diretamente relacionado 
a) à expansão marítima empreendida pelos Estados ibéricos, que trouxe novos produtos para o mercado 
europeu. 
b) ao crescimento populacional europeu, que gerou o aumento da produção agrícola e artesanal e 
expandiu as atividades comerciais. 
c) ao fim da cobrança de tributos feudais, durante a Alta Idade Média, que ocasionou o barateamento da 
produção agrícola. 
d) à centralização do poder político, que provocou a desregulamentação do comércio, no processo de 
formação dos Estados nacionais. 
e) à expansão do calvinismo, cujos valores foram utilizados pela burguesia para justificar sua busca por 
riquezas. 
 
24. (2020/Faculdade Albert Einstein) 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 53 
Durante muito tempo, os doentes eram tratados, principalmente, com remédios populares. Nas terras 
não cristãs, os homens e as mulheres que aplicavam esses tratamentos eram considerados feiticeiros e 
feiticeiras. Nas terras cristãs, a feitiçaria era proibida, mas havia “curandeiros” cristãos a quem Deus havia 
dado um saber. As pessoas mais ricas (senhores e burgueses) eram quase sempre tratadas por médicos 
judeus, pois os judeus possuíam conhecimentos de medicina vindos da Antiguidade. 
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007. Adaptado.) 
Ao tratar das doenças e dos tratamentos médicos na Idade Média, o texto 
a) reconhece a diversidade dos cuidados médicos em um universo sociorreligioso uniforme. 
b) caracteriza o avanço das ciências médicas na Europa, em comparação com outras partes do mundo. 
c) destaca o caráter democrático da medicina popular, em comparação com tratamentos mais caros. 
d) associa o declínio dos tratamentos médicos à perseguição desencadeada pela Inquisição. 
e) relaciona o acesso a tratamentos médicos às diferentes condições sociais e religiosas. 
 
25. (UEG/2011) 
 Durante o Feudalismo, os servos eram obrigados a prestar várias obrigações aos senhores feudais. Uma 
delas, era a talha, na qual o servo deveria: 
a) doar o dízimo da primeira colheita aos senhores. 
b) entregar parte da produção pastoril aos senhores. 
 c) pagar pela utilização do moinho ou forno dos senhores. 
d) trabalhar alguns dias da semana na reserva senhorial. 
 
26. (UEG/2011) 
A arquitetura sacra medieval refletia as características da sociedade que a produziu. As diferentes formas 
de encarar esteticamente a religião, nesse período, são expressas: 
a) pela beleza dos altares ornamentados com motivos sacros, compostos de pó de ouro e prata, trazidos 
da América. 
b) pela catedral barroca, com sua fachada ricamente ornamentada e interior repleto de murais pintados 
com passagens bíblicas. 
c) pelo culto à imagem da gárgula, um símbolo de proteção pagã, comumente usado ao longo da Alta 
Idade Média. 
d) pelos múltiplos vitrais típicos da arquitetura gótica, usados para representar a presença de um Deus 
poderoso e compassivo. X 
 
27. (UEG/2008) 
Na Idade Média (até o final do século XII, quando o papel produzido a partir de trapos começou a se 
difundir) em vez do papiro usava-se o pergaminho: couro de bezerro, muitas vezes de ovelha ou cabra, 
curtido e submetido a várias operações até ficar branco, macio, liso e fino. 
FRUGONI, Chiara. Invenções da Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2007. p. 34. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 54 
A citação é útil para se entender os obstáculos materiais ao desenvolvimento da vida intelectual na Idade 
Média. 
Acerca deste tema, é INCORRETO afirmar: 
a) O livro era um produto caro; uma Bíblia, por exemplo, podia exigir o sacrifício de um rebanho de 
ovelhas. 
b) A pouca circulação de livros neste período explica-se pela ausência de universidades e pela extinção 
do Index. 
c) A produção do livro era lenta e difícil, uma vez que todo o processo de transcrição era feito 
manualmente. 
d) Os livros, em sua maioria, eram escritos em latim, uma língua compreendida por poucos, pois não era 
utilizada no cotidiano da população. 
 
28. (UEG/2006) 
Sobre o período de transição da Antiguidade para a Idade Média, julgue a validade das proposições a 
seguir. 
I. A cristianização das nações germânicas que se estabeleceram no território do antigo Império Romano 
serviu como mecanismo de preservação da cultura clássica. 
II. A manutenção da escravidão como mão de obra básica na Idade Média correspondeu a uma exigência 
da nova sociedade ruralizada, baseada na produção agropastoril. 
III. A diminuição das trocas monetárias e o fortalecimento do poder político local nas mãos de grandes 
chefes militares, através do colonato e do "comitatus", são duas características do sistema feudal. 
Marque a alternativa CORRETA: 
a) As proposições I e II são verdadeiras. 
b) As proposições I e III são verdadeiras. 
c) As proposições II e III são verdadeiras. 
d) Todas as proposições são verdadeiras. 
 
29. (UEG/2005) 
 
"O POPULAR", Goiânia, 23 abr 2005. Magazine 
A personagem Hagar, criada pelo cartunista Dick Browne, pode ser considerada um guerreiro viking que 
viveu na Europa durante a Idade Média. Analise as proposições a seguir acerca desse período histórico: 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 55 
I. Do ponto de vista histórico, a situação mostrada na tira está correta, pois a expressão "Idade das Trevas" 
era de uso corrente na sociedade medieval. 
II. A expressão "Idade das Trevas", utilizada na tira, é imprópria para designar a Idade Média, pois ela só 
surgiu durante a Idade Moderna. 
III. Expressões como "Idade das Trevas" ou "longa noite dos mil anos", referindo-se à Idade Média, são 
historicamente coerentes, pois nesse período houve uma completa estagnação econômica, cultural e 
social na Europa. Marque a alternativa CORRETA: 
a) Apenas as proposições I e II são verdadeiras. 
b) Apenas as proposições II e III são verdadeiras. 
c) Apenas as proposições I e III são verdadeiras. 
d) Apenas a proposição II é verdadeira. 
e) Apenas a proposição III é verdadeira. 
 
30. (Mackenzie/2016) 
Ao analisar a estrutura do trabalho, durante a Alta Idade Média, Leo Huberman afirmou: “O camponês 
era, então, um escravo? Na verdade, chamava-se de ‘servos’a maioria dos arrendatários, da palavra latina 
servus, que significa ‘escravo’. Mas eles não eram escravos, no sentido que atribuímos à palavra, quando 
a empregamos”. 
Leo Huberman. História da riqueza do homem. 21ª ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1986, p.06 
Considerando os trabalhadores durante o período considerado, a distinção principal, notada pelo autor, 
decorre 
a) da obtenção de proteção, oferecida pelo senhor aos seus servos que, em troca, prestavam o juramento 
de fidelidade ao dono da terra, dentro das relações de suserania e vassalagem. 
b) das especificidades do trabalho naquele período, em que os servos deviam obrigações ao senhor da 
propriedade, não podendo ser vendidos ou trocados, já que estavam vinculados à terra. 
c) das formas diferentes de se lidar com a mão de obra, já que, na Idade Média, o servo podia ser vendido 
ou trocado a qualquer momento, condição inexistente com os escravos. 
d) da concepção diferenciada sobre o tratamento dado aos trabalhadores, mais amena em relação aos 
servos, e de extrema crueldade em relação aos escravos e suas respectivas famílias. 
e) dos diferentes vínculos estabelecidos entre o trabalhador e o senhor da terra: o escravo estava preso 
ao seu proprietário, já os servos eram homens livres, que podiam escolher a proteção de um senhor 
menos cruel. 
 
31. (Mackenzie/2015) 
As Cruzadas, durante a Idade Média, representaram uma forma de solução para os problemas 
decorrentes do início da desestruturação do regime feudal. A expressão “Cruzada” “derivou-se do fato de 
seus integrantes considerarem-se soldados de Cristo”. Tais expedições constituíram-se em 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 56 
a) empreendimentos de caráter militar, voltadas contra os inimigos da Cristandade, sem o apoio formal 
da Igreja Católica, mas patrocinadas por nobres feudais, que garantiam privilégios materiais aos 
participantes. 
b) oportunidades oferecidas em uma sociedade fortemente religiosa, mais clerical do que civil, em que o 
pecado e o crime equivaliam a mesma coisa, ou seja, do cruzado obter a indulgência, ou perdão aos seus 
pecados. 
c) movimentos nos quais tanto a iniciativa de lutar contra os infiéis quanto a de reconquistar a Terra Santa, 
partia de muitos indivíduos não combatentes, como mercadores, artesãos, mulheres e crianças, 
motivados pela fé. 
d) iniciativas militares, cujos recursos materiais para sustentar os cruzados provinham da Igreja Católica, 
única interessada na reconquista da região. 
e) possibilidades para escapar das dívidas e dos pagamentos dos tributos à Igreja e aos senhores feudais, 
já que o cruzado, ao participar dessas expedições, conseguia uma moratória estendida para toda sua vida. 
 
32. (2014/UFPR) 
“O conhecimento histórico é sempre (...) uma consciência de si mesmo: ao estudar a história de uma outra 
época, os homens não podem deixar de compará-la com seu próprio tempo (...). Mas, ao comparar a 
nossa época e a nossa civilização com as outras épocas e civilizações, corremos o risco de lhes aplicar a 
nossa própria medida(...)”. 
(GUREVICH, Aron. As categorias da cultura medieval. Lisboa: Editorial Caminho, p. 15). 
Aplicando o raciocínio exposto acima aos sentidos que a Idade Média adquiriu em diferentes tempos 
históricos, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: 
( ) Atualmente, os historiadores entendem o medievo na sua multiplicidade, com suas especificidades 
regionais e temporais, ao mesmo tempo em que mostram a permanência e a relevância de determinadas 
instituições e invenções medievais, como a universidade, o livro, a imprensa e o banco. 
( ) No século XV, surge a noção negativa de Idade Média, considerada uma era intermediária e homogênea 
de trevas e ignorância, separando a antiguidade Grecoromana e o Renascimento, que se via como 
herdeiro do período “clássico” – noção que ainda perdura entre muitas pessoas. 
( ) Nos séculos XX e XXI, obras como O Senhor dos Anéis, As crônicas de Nárnia e Game of Thrones evocam 
elementos medievais imaginativos, tais como a floresta como lugar do mágico, cavaleiros, espadas, 
dragões, religiosidade, dando continuidade a recriações da Idade Média em curso desde o século XIX. 
( ) Na recente historiografia, por conta das apropriações midiáticas da Idade Média, procura-se 
estabelecer as diferenças e as distâncias entre a Idade Média e a História do Brasil, mostrando que o 
medievo não possui relação com a formação de nosso país, por ter sido um fenômeno europeu. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. 
a) F – F – V – V. 
b) V – V – F – V. 
c) F – V – V – F. 
d) V – V – V – F. 
e) V – F – F – V. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 57 
 
33. (2014/UFPR) 
O Papa Francisco, eleito em março de 2013, chamou atenção novamente para a figura de Francisco de 
Assis, considerado o fundador da Ordem dos Franciscanos (ou dos Frades Menores) na Baixa Idade Média. 
Assinale a alternativa que relaciona o contexto de surgimento dos Franciscanos e sua motivação de ação. 
a) Com a retração do renascimento comercial e urbano, aumentaram a pobreza e o abandono de crianças, 
que eram recolhidas pelas Ordens Mendicantes, dentre elas a dos Franciscanos, para evitar que fossem 
recrutadas nas Cruzadas. 
b) Com o renascimento comercial e urbano, aprofundaram-se a pobreza e as desigualdades sociais, 
suscitando o aparecimento de várias Ordens Mendicantes, que pretendiam atuar junto aos necessitados, 
entre elas a Ordem dos Franciscanos. 
c) O renascimento comercial e urbano gerou um empobrecimento da Igreja Católica na Baixa Idade Média, 
suscitando o aparecimento das Ordens Mendicantes, dentre elas a dos Franciscanos. 
d) Com o renascimento comercial e urbano, surgem as Ordens Mendicantes, dentre elas a dos 
Franciscanos, que constituíram uma força de contestação da ordem feudal e do poder econômico da 
Igreja. 
e) Com a crescente ruralização e o aumento da pobreza no espaço europeu, surgiram as Ordens 
Mendicantes, como a dos Franciscanos, para se tornar a principal instância da Igreja Católica. 
 
34. (2016/UFPR) 
Segundo a historiadora Miri Rubin, “longe de serem estéreis e previsíveis, as universidades medievais 
produziram não apenas servidores civis e burocratas eclesiásticos como também pensadores radicais, cuja 
obra teve impacto real e que, apesar de suas críticas desafiadoras, morreram em suas próprias camas, e 
não na cela de uma prisão”. 
(Revista Ensino Superior, Unicamp, 25/04/2012) 
A partir desse excerto e dos conhecimentos sobre o período medieval europeu, assinale a alternativa que 
relaciona as universidades com seu contexto de surgimento e expansão. 
a) As universidades foram patrocinadas pelo papado, para fornecerem profissionais preparados para 
atuar num contexto de expansão marítima e comercial e de declínio da Igreja Católica perante a formação 
dos Estados Nacionais, ao mesmo tempo em que estimulariam a autonomia do conhecimento escolástico. 
b) As universidades foram patrocinadas pelos comerciantes burgueses, a fim de fornecerem profissionais 
para atuar num contexto de iluminismo científico e de feudalização da sociedade, com o propósito de 
substituir os mosteiros como fonte produtora de conhecimento científico e tecnológico. 
c) As universidades foram patrocinadas pelo papado ou por reis e príncipes, a fim de fornecerem 
profissionais para atuar num contexto de renascimento urbano e comercial e de formação dos primeiros 
Estados Nacionais, tornando-se espaços autônomos de valorização do conhecimento científico. 
d) As universidades surgiram patrocinadas pelo papado, a fim de fornecerem profissionais para atuar num 
contexto de declínio do poder da nobreza, com o intuito de criar espaços autônomos para estudo do 
direito e da matemática, de modo a servir à nascente administraçãoeclesiástica. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 58 
e) As universidades surgiram patrocinadas por reis, príncipes ou pelo papado, a fim de fornecerem 
profissionais tanto para o gerenciamento eclesiástico das cidades pertencentes à Igreja Católica quanto 
para as cortes das nascentes monarquias nacionais, em um contexto de revolução científica. 
 
35. (UFPR/2020) 
Sobre a iluminura ao lado, é INCORRETO afirmar: 
a) Revela a supremacia da união entre guerreiros e 
trabalhadores sobre os membros do clero. 
b) Representa a sociedade trifuncional tal qual foi concebida 
pelo bispo Adalberão de Laon, no século XI. 
c) Expressa uma concepção de sociedade no medievo. 
d) Representa uma configuração social baseada na cooperação 
e no serviço para a harmonia social no medievo. 
e) Não expressa a sociedade medieval em sua configuração 
social variada. 
 
36. (UFPR/2009) 
Sobre a sociedade do Ocidente Medieval, considere as afirmativas abaixo: 
1. Na Alta Idade Média, ocorreu um acentuado processo de urbanização, seguindo o modelo da 
urbanidade clássica. 
2. Nessa sociedade, atribuía-se às crianças uma função na organização social e familiar semelhante àquela 
estabelecida para os adultos. 
3. A noção de solidariedade familiar é um traço essencial da sociedade medieval. 
4. As mulheres, na sociedade medieval, eram totalmente excluídas da sucessão. Quando casavam, 
recebiam como dote bens que seriam administrados pelo marido. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. 
b) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras. 
c) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras. 
e) Somente a afirmativa 3 é verdadeira. 
 
37. (UFPR/2007) 
“Eu, Preste João, sou o Senhor dos Senhores e me avantajo a todos os reis da terra inteira em todas as 
abundâncias que existem debaixo do céu, em força e em poder. A Nossa Magnificência domina as três 
Índias; o nosso território começa na Índia posterior, na qual repousa o corpo do apóstolo São Tomé, 
estende-se pelo deserto em direção ao berço do sol, e desce até a deserta Babilônia, contígua à torre de 
Babel.[...] Na nossa terra nascem e crescem elefantes, dromedários, camelos, hipopótamos, crocodilos, 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 59 
metagalináceos, grifos, [...] homens com cornos, faunos, sátiros e mulheres da mesma raça, pigmeus, 
cinocéfalos, gigantes cuja altura é de quarenta côvados, monóculos, ciclopes [...] e quase todo o gênero 
de animais que existem debaixo do céu.” 
O texto acima é um fragmento da “carta do Preste João” (apócrifa) – do século XII – endereçada ao 
imperador de Bizâncio. Preste João, um rei padre que se dizia cristão, declarava-se senhor das três Índias 
e dono de riquezas fabulosas. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a Idade Média, é correto 
afirmar: 
a) Na época representada no texto, predominavam geografias imprecisas e imaginárias, onde o 
maravilhoso e o estranho preenchiam o lugar do desconhecido, que só as grandes viagens de navegação 
dos séculos XV e XVI permitiram questionar. 
b) No período retratado, devido à influência exercida pela Igreja Católica na Europa, textos como a Carta 
de Preste João careciam de crédito, posto que a literatura clássica de origem greco-romana estava 
enraizada na cultura dos camponeses no medievo. 
c) O texto de Preste João revela uma profunda sintonia com o imaginário medieval europeu, que situava 
todas as maravilhas terrestres no ponto mais extremo do Ocidente, localizadas por alguns estudiosos do 
século XII na América. 
d) Os escritos resultantes das viagens ao mundo “além-Mediterrâneo”, por abordarem uma humanidade 
fantástica, eram desconsiderados na Idade Média, em razão da existência de rígidas barreiras entre a 
literatura científica e a literatura da fantasia. 
e) Quando Cristóvão Colombo concebeu suas viagens de navegação, os conhecimentos geográficos 
disponíveis, principalmente os mapas de Toscanelli e a Geografia de Ptolomeu, haviam eliminado 
quaisquer resquícios da mentalidade do medievo. 
 
38. (2005/UFRGS) 
Em relação ao sistema feudal que se estabeleceu na Europa ocidental a partir do século XI, considere as 
seguintes afirmações. 
I - A Igreja, enquanto proprietária de imensos domínios fundiários, teve parte ativa no processo de 
feudalização. No entanto, ela tentou amenizar a brutalidade da sociedade feudal através de princípios 
como a Paz de Deus. 
II - A repartição do poder na Baixa Idade Média era instituída por meio de um sistema de vassalagem em 
que senhores de pequenos territórios tinham direitos e deveres para com senhores cujos territórios eram 
maiores. Sendo assim, o Rei, senhor de todos os senhores, sempre detinha a maior parcela de terra. 
III - Na Idade Média, não existia uma nítida separação entre o público e o privado, o que se refletia nas 
diferentes instituições da época. Assim, a moralidade católica estava presente tanto na família quanto na 
forma de se aplicar a justiça. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas III. 
c) Apenas I e III. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 60 
 
39. (2004/UFRGS) 
Leia o texto abaixo: 
“Tão grande era o número de mortos que, escasseando os caixões, os cadáveres eram postos em cima de 
simples tábuas. Não foi um só o caixão a receber dois ou três mortos simultaneamente. Também não 
sucedeu uma vez apenas de esposa e marido, ou dois e três irmãos, ou pai e filhos, serem enterrados no 
mesmo féretro [...]. 
Para dar sepultura à grande quantidade de corpos que se encaminhavam a qualquer igreja, todos os dias, 
quase toda hora, não era suficiente a terra já sagrada; e menos ainda seria suficiente se se desejasse dar 
a cada corpo um lugar próprio, conforme o antigo costume. Por isso, passaram-se a edificar igrejas nos 
cemitérios, pois todos os lugares estavam repletos, ainda que alguns fossem muito grandes; punham-se 
nessas igrejas, às centenas, os cadáveres que iam chegando; e eles eram empilhados como as mercadorias 
dos navios [...].” 
BOCCACCIO, Giovanni. Decamerão. São Paulo: Abril, 1981. 
O testemunho do escritor italiano Boccaccio faz referência ao advento da Peste Negra na Europa 
ocidental, a qual acelerou a crise do sistema feudal dos séculos XIV e XV. 
Assinale, entre as alternativas abaixo, o fator ao qual essa crise pode ser relacionada. 
a) Nos séculos XIV e XV, a economia europeia tornou-se predominantemente urbana, o que acarretou a 
falta de trabalhadores no campo para a produção agrícola. Sem boas condições de alimentação, a 
população ficou mais sujeita às doenças. 
b) O crescimento demográfico afirmou-se ao longo da Baixa Idade Média até um ponto em que a produção 
do sistema feudal não foi mais capaz de alimentar a população que ficou fragilizada. 
c) As técnicas de produção eram muito desenvolvidas para a época, a ponto de provocarem uma 
superprodução que gerou o desequilíbrio do sistema. 
d) A servidão, instaurada como forma predominante de trabalho na Europa ocidental a partir do século 
XV, enfraqueceu a população e levou à mortalidade endêmica. 
e) Como resultado da mortalidade provocada pela Peste Negra, os nobres decretaram leis para auxiliar a 
população camponesa. 
 
40. (2004/UFRGS) 
Os séculos XI e XII constituem um período de expansão na Europa ocidental marcado pelo crescimento 
demográfico e das cidades, pelo dinamismo da economia interna e pela extensão do comércio 
internacional. Nesse ínterim, os europeus assumem uma atitude ofensiva, da qual um dos resultados são 
as Cruzadas. 
Considere as afirmações abaixo a esse respeito. 
I. No início, as Cruzadas foram encorajadas pelos imperadores bizantinos, os quais buscavam apoio contra 
os invasores que pressionavam as fronteirasdo Império do Oriente. 
II. Nos séculos X e XI, numerosos foram os cristãos que, para obter o perdão de suas faltas e assegurar a 
saúde eterna de suas almas, realizaram longas e difíceis viagens aos lugares santos da cristandade. Essa 
tradição e a conquista turca no Oriente fizeram com que a guerra santa contra os muçulmanos, já forjada 
nas Guerras de Reconquista da Península Ibérica, tomasse maior impulso. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 61 
III. Às motivações religiosas juntaram-se o espírito de aventura e a possibilidade de ganhos materiais, o 
que pouco a pouco transformou as Cruzadas numa verdadeira empresa de colonização. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas I e II. 
e) I, II e III. 
 
41. (2002/UFRGS) 
Considere os trechos a seguir, extraídos de documentos históricos redigidos, respectivamente, por um 
cristão e um muçulmano a respeito da Conquista de Jerusalém em 1099, no contexto da Primeira Cruzada. 
Texto 1 
"Na sexta-feira (15/07) de madrugada, organizamos um assalto geral à cidade sem poder tomá-la (...). 
Nesse momento, um dos nossos cavaleiros, chamado Lietaud, escalou as muralhas. Então, desde que ele 
subiu, todos os defensores fugiram dos muros para o meio da cidade, e os nossos os perseguiram, 
matando-os e golpeando-os, até o Templo de Salomão, onde houve uma tal carnificina que os nossos 
marcharam em seu sangue até os calcanhares." 
("Gesta Francorum et Aliorum Hierosolimitanorum." Paris: Librairie Ancienne Honoré Champion, 1924, p. 202.) 
Texto 2 
"A população foi passada ao fio da espada e os francos massacraram os sarracenos da cidade durante 
uma semana. Na mesquita al-Aqsa (... ), os francos massacraram mais de setenta mil pessoas, entre as 
quais uma grande multidão de irmãs e de doutores sarracenos, devotos e ascetas que tinham deixado 
suas terras para viver vida piedosa retirados nesses lugares santos." 
(IBN AL-ATHIR. In: GABRIELI, F. "Chroniques arabes des croisades." Paris: Sindbad, 1972, p. 62.) 
A partir da leitura dos textos e do contexto histórico, é possível concluir que 
I - O ataque a Jerusalém foi contra os muçulmanos, uma vez que a cidade estava sob seu domínio. 
II - A população que se encontrava na cidade, por ocasião do assalto, era composta por guerreiros. 
III - A população que buscou abrigo em templos religiosos foi poupada da fúria dos invasores. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III. 
 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 62 
5.3. Inéditas 
Leia o texto abaixo para responder às questões 1 e 2. 
"Ouvi contar de um usurário cujos mestres, com sua morte, quiseram honrar com uma farsa¹. Quando os 
vizinhos quiseram erguer seu cadáver, para enterrá-lo, não o conseguiram. Muitos e muitos ainda 
tentaram e foram malsucedidos. Como todos estavam espantados, um velho bastante sábio lhes disse: 
'Vós não sabeis que existe um costume nesta cidade: quando morre um homem, aqueles que exercem a 
mesma profissão é que o carregam no enterro. Padres e clérigos levam padres e clérigos mortos ao 
cemitério, mercadores o mercador, açougueiros o açougueiro, e assim por diante. Chamemos homens da 
mesma condição ou da mesma profissão deste aqui'. Foram chamados quatro usurários, que logo 
levantaram o corpo com a maior facilidade e o levaram onde ficava a sua sepultura. Isso porque os 
demônios não permitiram que seu escravo fosse levado por outros que não fossem seus companheiros 
de escravidão. Vemos aí a misericórdia de Deus, que 'redime as almas dos pecadores da usura e da 
iniquidade a fim de que, tendo mudado de nome, seu nome seja honrado diante d'Ele. Sabemos, com 
efeito, que nenhum nome é tão detestável e ignominioso quanto o do usurário (usurarius seu fenerator). 
Também não ousam reconhecer sua profissão em público e não querem ser chamados usurários, mas 
emprestadores (commodatores) ou mercadores (mercatores). Eles dizem: 'Sou um homem que vive do 
seu dinheiro' ". 
LE GOFF, Jacques. A bolsa e a vida: economia e religião na Idade Média. São Paulo: Brasiliense, 2004. p. 52. 
¹Gênero teatral dramático, muito comum nos últimos séculos medievais. 
 
1. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Ao tratar das práticas funerárias verificadas no Ocidente Medieval, o relato 
a) revela o estabelecimento de laços de solidariedade em um grupo social. 
b) destaca a mercantilização das cerimônias pela burguesia ascendente. 
c) discorre sobre a secularização de elementos da cultura popular europeia. 
d) considera a importância da Igreja na organização dos ritos de sepultamento. 
e) destaca as camadas sociais mais proeminentes da sociedade feudal. 
 
2. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Durante o século XIII, a ocultação da ocupação de usurário revela 
a) o estigma existente no imaginário religioso diante daqueles que obtinham ganhos materiais sem 
trabalho e crescentes com o tempo. 
b) a condenação daqueles que se dedicavam ao comércio nos centros urbanos europeus, afinal a Igreja 
repudiava as trocas econômicas. 
c) a transformação dos dogmas sustentados pela Igreja, que passa a considerar a existência de viventes 
predestinados à salvação eterna. 
d) à associação dos comerciantes ao pecado pela Igreja, o que desestimulou o crescimento da vida 
comercial no continente europeu. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 63 
e) a desconsideração de transgressões cometidas nos centros comerciais diante da crença na infinita 
capacidade divina de conceder o perdão. 
 
Leia o texto para responder às questões 3 e 4. 
O castelo tem o papel de um signo: ele deve materializar, tornar sensíveis, o lugar e a categoria ocupados 
por quem o habita e que é seu senhor. Esse papel é materializado por suas dimensões, mas também por 
sua situação geralmente elevada, dominante, e pela demonstração de poder contida nas fortificações, 
torres e portas e ameias. Em tempos de violência, a segurança é um dos privilégios que o habitante do 
castelo reivindica para ele e seus mercenários. Mas o castelo também é ofensivo: o bem-estar, o poder e 
até a segurança do senhor residem no controle que ele exerce sobre um território mais ou menos vasto, 
sobre homens mais ou menos numerosos. Assim, o castelo é também a cabeça de um domínio cujas 
muralhas abrigam as colheitas e a sede do poder de comandar outros homens, de obrigá-los a servir e de 
assegurar, entre eles, e sobre eles, a política e a justiça. 
(Jacques Le Goff. Dicionário Analítico do Ocidente Medieval, 2017, Adaptado.) 
3. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
A multiplicação dos castelos no Ocidente europeu, entre os séculos X e XI, 
a) se relaciona à consolidação do sistema feudal, externalizando as relações de dominação entre senhores 
e servos. 
b) decorreu da intensificação das invasões de povos germânicos no continente, o que estimula sua 
ruralização. 
c) conduziu, a curto prazo, ao enfraquecimento da cavalaria diante da estruturação da artilharia nas 
fortificações. 
d) estimulou o convívio de estratos distintos em seu interior, atenuando as disparidades sociais existentes. 
e) representa o processo de centralização do poder político dos monarcas, o que garantiu a unificação 
nacional. 
 
4. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Na perspectiva do autor, os castelos simbolizam, simultaneamente, 
a) defesa e ostentação. 
b) proteção e opressão. 
c) autoridade e benevolência. 
d) justiça e liberdade. 
e) segurança e participação. 
 
5. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Os processos de feitiçaria, as pregações, o catecismo esforçaram-se, a partir do século XVI, em introduzir 
na mentalidade coletiva doscampos a necessária distinção entre Deus e Satã, entre santos e demônios. 
Permanecia no entanto o medo dos múltiplos perigos que pesavam sobre os homens e a terra de outrora. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 64 
E portanto continuavam, apesar as autoridades religiosas e leigas, práticas suspeitas, tais como as tochas 
do primeiro domingo da Quaresma e as fogueiras de são João, acendidas desde tempos imemoriais. 
(DELUMEAU, Jean. História do medo no ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. Adaptado.) 
Ao se voltar para a mentalidade religiosa da Europa Ocidental no século XVI, o texto sugere o(a): 
a) resistência das comunidades rurais ao cristianismo. 
b) existência de seitas negadoras da hegemonia cristã. 
c) extinção de elementos da religiosidade campesina. 
d) aceitação de valores não-cristãos pela Igreja católica. 
e) permanência de tradições pagãs na cultura popular. 
 
Leia o texto para responder às questões 6 e 7. 
A oposição entre o bem e o mal é essencial no cristianismo medieval. Os pecados e as virtudes constituem 
categorias fundamentais para ordenar a leitura do mundo, tanto de sua história (desde a queda dos anjos 
e o pecado de Adão e Eva até o Juízo Final) como de seu presente (todas as atitudes humanas devem ser 
louvadas como virtudes ou denunciadas como vícios) e de seu futuro (o destino no além é a consequência 
das boas ou más ações realizadas na terra). Nenhuma realidade escapa a esse crivo temerário, que dá 
lugar a um discurso moral de amplitude estupenda, do qual a Igreja se esforça para assegurar os 
fundamentos teológicos, analisando a natureza de cada pecado e de cada virtude, e para promover o uso 
pastoral, produzindo classificações eficazes e adaptando incessantemente as categorias morais às 
realidades sociais. 
BASCHET, Jérôme. A civilização feudal. São Paulo: Globo, 2006. p. 375. 
6. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
No fragmento, o pensamento cristão no Ocidente Medieval encontra-se assentado 
a) no dualismo religioso e na busca dos homens de se adequarem à moral estipulada pela Igreja. 
b) na valorização da Igreja e na necessidade de expandir a fé cristã para outros povos pela catequese. 
c) no maniqueísmo cristão e na crença de que o perdão divino está ao alcance de todos os homens. 
d) na combinação entre elementos culturais herdados tanto dos romanos quanto dos germânicos. 
e) na valorização da diversidade religiosa e pela defesa do livre-arbítrio garantido aos homens. 
 
7. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Ao tratar da relevância da Igreja do Ocidente Medieval, o texto considera 
a) a imutabilidade dos dogmas sustentados pela instituição. 
b) a significação exercida sobre o comportamento humano. 
c) a relativização feita pela instituição acerca da ideia de pecado. 
d) a sua adequação aos valores morais previamente vigentes. 
e) o seu deslocamento da conduta mantida pelos homens. 
 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 65 
8. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
A cruzada emerge, pois, como o ponto de chegada de um lento processo que conduz a igreja, no Ocidente, 
da não violência, predominante até o século IV, ao uso sacralizado e meritório das armas. É essa dimensão 
sacralizadora que permite entender a cruzada como uma guerra santa, a qual tangencia certos aspectos 
que a assemelham com a jihad. Com efeito, durante vários séculos, as Cruzadas opuseram a cristandade 
e o mundo muçulmano pela posse de Jerusalém e dos lugares santos, posse que ainda hoje é mobilizadora 
nos intermináveis conflitos entre judeus e palestinos. 
GOMES, Francisco José Silva. A guerra santa, Cruzada e jihad na obra de Jean Flori. In: XI Encontro Regional de História (Anpuh). Conflitos e Idade Média. 20 
out. 2004. Disponível em: <www.rj.anpuh.org/resources/rj/anais/2004/mesas/francisco%20Jose%20silva%20gomes.doc>. Acesso em: 07 out. 2021. 
Com base no fragmento, o movimento cruzadista 
a) foi derrotado diante da manutenção da postura pacifista sustentada pelo cristianismo Ocidental. 
b) foi estritamente motivado pela pretensão da Igreja em recuperar a cidade sagrada de Jerusalém. 
c) contribuiu para a contenção do islamismo no Oriente diante da consolidação da cultura cristã. 
d) associa-se à postura impositiva consolidada pela Igreja diante de culturas alheias à cristandade. 
e) justifica-se pelo expansionismo praticado pelos muçulmanos sobre territórios europeus no período. 
 
9. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
TEXTO I 
O país da Cocanha é uma fábula amplamente divulgada no Ocidente no final da Idade Média e na 
Renascença. Ela oferece uma fuga por meio do imaginário a uma população que conhece o custo humano 
das penúrias alimentares. Na Cocanha, o guloso come à saciedade o que quiser, quando quiser e onde 
quiser, verificando-se uma inversão do paraíso terrestre, que rejeita os sete pecados capitais e exalta uma 
felicidade terrestre que não pode ser mais materialista. 
FLORENT, Q. Gula. São Paulo: Ed. Sena São Paulo, 2011. 
TEXTO II 
 
 
 BRUEGEL, Pieter. A Terra de Cocanha, 1567. Domínio Público. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 66 
 
Considerando os textos, a permanência da Cocanha no imaginário do Ocidente europeu na transição do 
Medievo para a Renascença sugere o (a) 
(A) enraizamento de tradições do folclorismo pagão. 
(B) cotidiano de privações das camadas populares. 
(C) abandono da ideia de pecado estipulada pela Igreja. 
(D) acesso da população às obras de artistas renomados. 
(E) difusão do humanismo entre os grupos subalternos. 
 
10. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Um estudo recente observa como os judeus eram considerados "outros" na arte medieval. Eles eram 
representados em amarelo, por exemplo, usando cartolas ou chapéus pontudos e fazendo gestos 
vulgares, tais como exibindo as línguas. Eram frequentemente mostrados física e moralmente próximos 
ao demônio. Sua sub-humanidade era demonstrada aos espectadores através da associação dos judeus 
com porcos. 
(BURKE, P. Testemunha ocular. São Paulo; Ed. Unesp, 2017. p. 201.) 
As representações artísticas dos judeus no Medievo Ocidental sugerem 
(A) a vigência de concepções originárias do racismo científico. 
(B) o desconhecimento em relação aos povos não europeus. 
(C) a demonização de membros dos grupos cristãos minoritários. 
(D) a animalização de grupos falantes de outros idiomas. 
(E) a hostilização de grupos não-cristãos pela sociedade. 
 
11. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Na Europa quase toda, aquando dos grandes arroteamentos, a atracção dos novos centros urbanos e das 
aldeias, fundadas sobre as terras desbravadas, prejudicou, certamente, muitas comunidades 
camponesas. 
BLOCH, Marc. A sociedade feudal, trad. Liz Silva, Lisboa, Edições, v. 70, 1987. 
O trecho aponta para um processo singular ocorrido durante o medievo, conhecido como renascimento 
urbano. Como uma das causas desse êxodo em direção às cidades, podemos citar o(a) 
a) ascensão das monarquias, que passaram a exercer enorme influência nas cidades a partir do século X. 
b) avivamento da atividade comercial, incentivado pelo excedente agrícola e comércio com o oriente. 
c) invasão dos povos bárbaros aos feudos senhoriais, empurrando as populações para o meio urbano. 
d) incentivo da Igreja à subversão da ordem feudal, levando à fuga massiva de camponeses dos feudos. 
e) crescimento da nobreza cavalheiresca, que atraía a população ao meio urbano por meio de torneios e 
espetáculos. 
 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADEMÉDIA II 67 
12. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Características comuns da bruxa nos finais da Idade Média, como as que se veem no Malleus Maleficarum 
dos frades dominicanos, são o voo mágico, o pacto com o diabo, o assassinato das crianças, a destruição 
de farinha e de colheitas, a metamorfose animal. 
CARDINI, Franco. Magia e bruxaria na Idade Média e no Renascimento. Psicologia USP, v. 7, n. 1-2, p. 9-16, 1996. 
Infere-se do texto que a caracterização medieval das bruxas objetivava 
a) chamar a atenção para a existência de homens ligados à bruxaria. 
b) suavizar a perseguição imposta pelos tribunais da Santa Inquisição. 
c) forjar os culpados pelos desastres sociais, econômicos e naturais. 
d) evitar o temor da população diante de elementos considerados sobrenaturais. 
e) valorizar a importância social das mulheres para o cristianismo. 
 
13. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
No caso do Ocidente medieval cristão, as informações chegam de todos os cantos: França, Alemanha, 
Inglaterra, Penínsulas Itálica e Ibérica, para citar algumas regiões. Refiro-me, principalmente, a escritos 
de mulheres medievais, que vemos surgir nas estantes das livrarias especializadas, e que até bem pouco 
tempo eram desconhecidos. 
BROCHADO, Cláudia Costa. A Querelle des femmes e a política sexual na Idade Média. BRATHAIR-REVISTA DE ESTUDOS CELTAS E GERMÂNICOS, v. 19, n. 2, 
2019.. 
A descoberta de escritos de mulheres medievais é um fato de maior importância, na medida que propicia 
o(a) 
a) unilateralização do conhecimento histórico sobre o período. 
b) confirmação do papel de submissão feminino durante o medievo. 
c) idealização da figura feminina no medievo. 
d) reiteração da visão histórica patriarcal pré-existente. 
e) inserção de novos sujeitos e narrativas históricas. 
 
4. GABARITO 
4.1. Unesp 
1.C 7.A 13.B 19.B 25.C 31.A 
2.C 8.C 14.A 20.A 26.A 32.C 
3.C 9.B 15.B 21.A 27.E 33.C 
4.B 10.C 16.E 22.D 28.D 34.D 
5.B 11.E 17.E 23.B 29.B 35.B 
6.C 12.A 18.D 24.B 30.C 36.B 
 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 68 
4.2. Vestibulares 
1.A 11.A 21.E 31.B 41.A 
2.C 12.E 22.C 32.D 
3.E 13.E 23.B 33.B 
4.B 14.D 24.E 34.E 
5.E 15.E 25.B 35.A 
6.C 16.E 26.D 36.D 
7.D 17.A 27.B 37.A 
8.A 18.B 28.B 38.C 
9.E 19.A 29.D 39.B 
10.E 20.C 30.B 40.E 
 
4.1. Inéditas 
1.A 6.A 11.B 
2.A 7.B 12.C 
3.A 8.D 13.E 
4.B 9.D 
5.E 10.E 
 
5. LISTA DE QUESTÕES COMENTADA 
5.1. Unesp 
1. (Unesp/2022 – 2º Dia) 
[...] a Europa começa a se constituir com a Idade Média. A civilização da Antiguidade romana só 
compreendia uma parte da Europa: os territórios do sul, situados na sua maioria em torno do 
Mediterrâneo. 
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) 
A constituição da Europa na Idade Média derivou, entre outros fatores, 
a) da bipartição do Império Romano em dois Estados política e economicamente aliados. 
b) da liderança do Papado sobre os territórios europeus na luta pela reconquista da Terra Santa. 
c) da articulação das diversas regiões do continente num espaço político e religioso comum. 
d) da unificação das terras do ocidente europeu, para combater invasores oriundos da Eurásia. 
e) da uniformização jurídica e social dos vários Estados europeus, na busca de novas rotas para as Índias. 
Comentários 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 69 
- A alternativa A está incorreta. A bipartição do Império Romano gerou estruturas de poder e economias 
distintas, sendo observado um contexto de crise na porção Ocidental, sediada em Roma, e maior 
estabilidade na parte Oriental, posteriormente denominada de Império Bizantino. 
- A alternativa B está incorreta. As Cruzadas se deram a partir do século XI, em meados da chamada Idade 
Média. Pode-se considerar que o contexto de formação da noção de Europa antecede essas expedições. 
- A alternativa C é a resposta. A noção de Europa na Idade Média baseou-se na formação de um espaço 
político comum, a partir de alianças feudo-vassálicas entre nobres e em estruturas monárquicas 
descentralizadas, bem como na expansão do cristianismo como religião predominante em boa parte do 
continente, solapando boa parte das crenças pagãs. 
- A alternativa D está incorreta, a Idade Média foi um período de notória descentralização político-
administrativa, o que fazia com que as autoridades monárquicas tivessem algum peso simbólico, mas não 
uma concentração de poder em torno de si. 
- A alternativa E está incorreta, afinal a tradição jurídica legada pelos germânicos contribuiu para que cada 
unidade de poder adotasse suas próprias leis e costumes, inviabilizando uma padronização similar à 
estabelecida anteriormente pelo Direito Romano. Ademais, a busca por novas rotas comerciais nas 
chamadas Índias se deu nos séculos finais da Idade Média. 
Gabarito: C 
2. (2021/Unesp – 2ª fase) 
Até o século XIV, houve uma doença muito disseminada e muito temida: a lepra. Nas cidades, foram 
construídos hospitais especializados para os leprosos. […] Como se pensava que a lepra era contagiosa, 
os leprosos que andavam pelas ruas deviam sacudir uma espécie de sineta, a “matraca”. 
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) 
A lepra (ou hanseníase) era temida na Idade Média porque 
(A) o conhecimento científico era precário, desconhecia-se que a doença era facilmente curável e que só 
era transmitida pelo contato sexual entre as pessoas. 
(B) a única cura conhecida da doença dependia de poções e unguentos mágicos, mas a Igreja católica 
impedia a divulgação desses rituais de feitiçaria. 
(C) representava, além do risco do sofrimento e da morte, a existência de preconceitos sociais e a crença 
de que a doença era uma manifestação da vontade e do castigo divinos. 
(D) foi mais devastadora que a peste negra, que era disseminada pelas pulgas dos ratos e que atingia 
principalmente os moradores das áreas rurais. 
(E) era frequentemente confundida com a disenteria, originária da América, que provocou milhões de 
mortes nas áreas centrais e orientais da Europa, entre a Idade Média e a Idade Moderna. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. A hanseníase, conhecida na Idade Média como lepra, não era uma doença 
facilmente curável, além de não ser sexualmente transmissível, mas por contato próximo via secreções. 
- A alternativa B está incorreta. Conforme é destacado no próprio texto, a doença era muito disseminada 
e muito temida – logo, sua cura não era conhecida. 
- A alternativa C é a resposta. Os leprosos, nome dado à época aos portadores da hanseníase, eram um 
dos grupos sociais mais rejeitados, afinal a doença e a deficiência física eram tidas como a exteriorização 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 70 
do pecado, e com isso, uma prova de que seus portadores eram malditos para Deus. Em muitos locais do 
Ocidente medieval eram confinados nos leprosários, e só poderiam aparecer em público agitando 
matracas, sinos ou outros instrumentos sonoros, a fim de anunciarem antecipadamente sua presença. 
- A alternativa D está incorreta. A maioria dos historiadores acredita que um terço da população europeia 
foi dizimada pela peste bubônica, chegando à metade dos habitantes de algumas localidades do 
continente. 
- A alternativa E está incorreta. Tendo em vista as informações fornecidas pela própria alternativa, se a 
disenteria possui origem americana, os homens e mulheres do medievo europeu não poderiam portá-la 
à época, quando não havia contato entre os dois continentes. 
Nota do professor: Questões sobre doenças na Idade Média são frequentes nas provas da Unesp. 
Gabarito: C 
3. (2021/Unesp – 1ª fase) 
Entende-se hoje que a civilização medieval, apesarde limitada segundo os padrões atuais, dava ao homem 
um sentido de vida. Ele se via desempenhando um papel, por menor que fosse, de alcance amplo, 
importante para o equilíbrio do Universo. Não sofria, portanto, com o sentimento de substituibilidade 
que atormenta o homem contemporâneo. O medievo se sentia impotente diante da natureza, mas 
convivia bem com ela. O ocidental de hoje se sente a ponto de dominar a natureza, por isso se exclui dela. 
(Hilário Franco Júnior. Idade Média: nascimento do Ocidente, 1988.) 
O “papel de alcance amplo”, “importante para o equilíbrio”, representado pelas pessoas que viviam na 
Idade Média, pode ser associado, entre outros fatores, 
a) à infixidez das relações sociais de trabalho, estabelecidas a partir da possibilidade de ascensão social e 
da proibição de desrespeitar o rei. 
b) ao reconhecimento do caráter diminuto de todo ser humano ante a grandiosidade da natureza e do 
conhecimento técnico-científico. 
c) à percepção religiosa de que o homem está integrado ao mundo, ligado diretamente a Deus e é objeto 
de uma contínua luta entre o bem e o mal. 
d) ao sentimento de pertencer à espécie humana, dotada de razão e com liberdade e autoridade para agir 
de acordo com sua vontade. 
e) à identificação dos homens como dotados de livre-arbítrio, capazes de decidir seu destino e de recusar 
interferências humanas ou divinas 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. A sociedade medieval era estratificada, com poucas possibilidades de 
mobilização social, afinal a posição ocupada pelos indivíduos era definida pelo nascimento. 
- A alternativa B está incorreta. No Medievo Ocidental, a representação do Homem encontra-se 
subordinada à grandiosidade de Deus, afinal é considerada uma criatura feita à sua imagem e semelhança, 
porém dotada de fraquezas e limitações. 
- A alternativa C é a resposta. O pensamento medieval foi diretamente influenciado pela visão 
maniqueísta endossada pela Igreja, que condicionava os fenômenos naturais, humanos e sobrenaturais 
às noções de Bem e Mal, cabendo aos homens se afastarem dos elementos que o afastariam da Salvação. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 71 
- A alternativa D está incorreta. O pensamento racional encontrou limitações no período medieval, 
quando a Igreja sustentava dogmas que não poderiam ser frontalmente questionados. 
- A alternativa E está incorreta. A mentalidade do homem medieval foi bastante influenciada pela Igreja, 
que atribuía a necessidade dos indivíduos de se adequarem aos princípios cristãos, ao mesmo tempo que 
naturalizava as hierarquias sociais vigentes, cabendo a cada um, de acordo com sua visão, cumprir o papel 
social que lhe era imposto. 
Gabarito: C 
4. (2020/Unesp) 
 
A Catedral de Notre-Dame, em Paris, parcialmente destruída por um incêndio em abril de 2019, é um 
exemplo da arquitetura 
a) gótica, expressa na verticalidade e no emprego de arcos e vitrais. 
b) românica, expressa no desenho do teto e da abóbada principal. 
c) clássica, expressa na composição simétrica e na presença de colunas dóricas. 
d) art nouveau, expressa na utilização de elementos geométricos decorativos. 
e) eclética, expressa no pastiche entre elementos barrocos e neoclássicos. 
Comentários 
– A alternativa A é a correta. A arquitetura gótica é marcada pela utilização de arcos ogivais, que se 
alongam e se projetam para o alto, dando uma impressão de verticalidade aos observadores. 
– A alternativa B está incorreta, pois as abóbadas encontradas nas edificações em estilo românico são 
formadas a partir de arcos semicirculares, sem fornecer a mesma ideia de leveza e grandiosidade 
observada no estilo gótico. 
– A alternativa C está incorreta, afinal as colunas encontradas em Notre-Dame são da ordem coríntia, 
apresentando uma decoração exuberante em seu capitel. Isso é algo inexistente nas austeras colunas da 
ordem dórica. 
– A alternativa D está incorreta, pois a art nouveau foi um estilo artístico que surgiu no final do século 
XIX, séculos após o estilo gótico ser predominante entre as catedrais europeias. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 72 
– A alternativa E está incorreta. O estilo barroco se desenvolveu no século XVI, ao passo que o 
neoclassicismo é um termo utilizado para denominar algumas manifestações artísticas encontradas no 
Ocidente europeu a partir do século XVIII. Dessa maneira, não poderiam influenciar os elementos do 
estilo gótico na Idade Média. 
Gabarito: B 
5. (2019/Unesp) 
Por muitíssimo tempo escreveu-se a história sem se preocupar com as mulheres. No século XII assim como 
hoje, masculino e feminino não andam um sem o outro. As damas de Guînes e as damas de Ardres tiveram 
todas por marido um ás da guerra, senhor de uma fortaleza que seu mais remoto ancestral havia 
edificado. 
(Georges Duby. Damas do século XII: a lembrança das ancestrais, 1997. Adaptado.) 
O texto trata de relações desenvolvidas num meio social específico, durante a Idade Média ocidental. 
Nele, 
a) as mulheres passavam a maior parte de seu tempo nas igrejas, o que incluía o trabalho de orientação 
religiosa, e os homens atravessavam as noites em tabernas e restaurantes. 
b) os homens controlavam os espaços públicos, o que incluía as ações militares, e as mulheres, confinadas 
ao espaço doméstico, eram associadas à maternidade e, ocasionalmente, à santidade. 
c) os homens responsabilizavam-se pelos assuntos culturais, o que incluía a instrução dos filhos, e as 
mulheres dedicavam-se ao preparo das refeições cotidianas e, ocasionalmente, de banquetes. 
d) as mulheres eram obrigadas a pagar impostos, o que incluía o dízimo, e os homens, livres de qualquer 
tributo, conseguiam acumular mais bens e, ocasionalmente, enriquecer. 
e) os homens dedicavam-se ao comércio, o que incluía deslocamentos para regiões afastadas de casa, e 
as mulheres incumbiam-se do trabalho nas lavouras e, ocasionalmente, na forja de metais. 
Comentários 
A questão aborda a imagem legada às mulheres pela sociedade feudal. Como dissemos 
anteriormente, o feminino ora era tido como fonte do pecado original, representado pela figura de Eva, 
ora exaltado pela pureza e maternidade, modelo encarnado pela imagem da Virgem Maria. Segundo as 
autoridades religiosas, para que a mulher se afastasse de sua ancestral do Éden e se aproximasse da 
mãe de Cristo era preciso que ela se desposasse o quanto antes, afinal a vida de casada a faria devota a 
seu marido e mestre, reclusa em um espaço doméstico, enquanto aos homens era reservado o mundo 
público. Assim sendo, a alternativa B é a correta. 
- Todas as demais alternativas envolvem as mulheres exercendo atividades no mundo público, estando, 
portanto, incorretas. No caso da alternativa E, cabe destacar que ainda que as mulheres camponesas se 
dedicavam às tarefas agrícolas, e a ferraria era uma atividade masculina, e por isso essa alternativa 
também está incorreta. 
Gabarito: B 
6. (2018/Unesp) 
A era feudal tinha legado às sociedades que a seguiram a cavalaria, cristalizada em nobreza. [...] Até nas 
nossas sociedades, em que morrer pela sua terra deixou de ser monopólio de uma classe ou profissão, o 
sentimento persistente de uma espécie de supremacia moral ligada à função do guerreiro profissional — 
atitude tão estranha a outras civilizações, tal como a chinesa — permanece uma lembrança da divisão 
operada, no começo dos tempos feudais, entre o camponês e o cavaleiro. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 73 
(Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987. Adaptado.) 
Segundo o texto, a valorização da ação militar 
a) representa a continuidade da estrutura social originária da Idade Média. 
b) ultrapassa as barreiras de classe social, igualando os homens medievais. 
c) deriva da associação, surgida na Idade Média, entre nobres e cavaleiros.d) surgiu na Idade Média e é desconhecida nas sociedades modernas. 
e) revela a identificação medieval de quem trabalhava com quem lutava. 
Comentários 
Questão de interpretação de texto: na primeira linha do fragmento do enunciado, o historiador 
Marc Bloch se refere indiretamente ao grupo denominado milites, guerreiros que prestavam serviços 
para os castelos e que com o passar do tempo fundiram-se junto a aristocracia da terra. A cavalaria 
serviu como amálgama entre estes dois grupos, passando a reunir um conjunto de códigos e valores que 
orientam a ação dos indivíduos pertencentes a essa classe. Assim sendo, a alternativa C é a correta, mas 
vejamos as demais: 
- Ao longo do nosso curso vimos Esparta e Roma, sociedades antigas que também valorizavam a ação 
militar, mesmo sem dispor de uma organização social semelhante à da civilização feudal. Assim sendo, 
não é possível afirmar que o militarismo é algo decorrente da dinâmica medieval, e por isso a alternativa 
A está incorreta. 
- A sociedade feudal era dividida em estratos sociais bem definidos, com mobilidade social restrita entre 
seus indivíduos. A ação militar era atribuição tida como exclusiva da nobreza, e por isso a alternativa B 
está incorreta. 
- A ação militar é uma das grandes preocupações do poder monárquico no processo de formação dos 
estados modernos, e por isso a alternativa D está incorreta. Contudo, cabe destacar que a cavalaria tem 
sua importância tática diminuída diante do surgimento do aprimoramento da artilharia, a partir da 
disseminação da pólvora no Ocidente. 
- A cavalaria pressupõe um conjunto de atitudes e valores que distinguem os nobres das demais classes, 
em especial dos laboratores. Assim sendo, a alternativa E está incorreta. 
Gabarito: C 
7. (2017/Unesp) 
A Igreja foi responsável direta por mais uma transformação, formidável e silenciosa, nos últimos séculos 
do Império: a vulgarização da cultura clássica. Essa façanha fundamental da Igreja nascente indica seu 
verdadeiro lugar e função na passagem para o Feudalismo. A condição de existência da civilização da 
Antiguidade em meio aos séculos caóticos da Idade Média foi o caráter de resistência da Igreja. Ela foi a 
ponte entre duas épocas. 
(Perry Anderson. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo, 2016. Adaptado.) 
O excerto permite afirmar corretamente que a Igreja cristã 
a) tornou-se uma instituição do Império Romano e sobreviveu à sua derrocada quando da invasão dos 
bárbaros germânicos. 
b) limitou suas atividades à esfera cultural e evitou participar das lutas políticas durante o Feudalismo. 
c) manteve-se fiel aos ensinamentos bíblicos e proibiu representações de imagens religiosas na Idade 
Média. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 74 
d) reconheceu a importância da liberdade religiosa na Europa Ocidental e combateu a teocracia imperial. 
e) combateu o universo religioso do Feudalismo e propagou, em meio aos povos sem escrita, o paganismo 
greco-romano. 
Comentários 
O fragmento de Perry Anderson revela a longevidade da Igreja, tornada instituição oficial do 
Império Romano durante o governo de Teodósio II, e que atravessa à desintegração do mundo antigo 
rumo à constituição da civilização feudal. Isso decorreu do fortalecimento do poder político dos bispos 
nos centros urbanos do continente europeu, estimulado pelo culto aos santos, e da criação de 
monastérios nas zonas rurais. Nas palavras do historiador Jérôme Baschet (2014, p. 66), “o conjunto 
desses estabelecimentos [...] permite ao cristianismo fincar o pé nos campos: ao lado da rede urbana de 
bispos, existe agora uma plantação rural de fundações monásticas.” Assim sendo, a Igreja sobrevive a 
entrada dos povos germânicos em território romano, criando fortes vínculos com o reino dos francos 
nos séculos seguintes. A alternativa A, portanto, é a correta, mas vejamos as demais: 
- Alternativa B incorreta. Durante a Idade Média, a Igreja enfrentou diversas lutas contra o poder 
político dos reis e nobres tendo em vista a sua secularização. Neste sentido, temos como caso mais 
dramático a querela das investiduras, conflito travado com o Sacro Império Romano Germânico pela 
nomeação dos representantes das dioceses. 
- A proibição de imagens foi um processo ocorrido no seio da cristandade oriental, a partir da ascensão 
do movimento inconoclasta, entre os séculos VIII e IX. Contudo, na Igreja vinculada aos ditames de 
Roma, o uso de imagens é encarado como pedagógico, e por isso nunca foi abolido. Assim sendo, a 
alternativa C está incorreta. 
- A Igreja se consolidou como a única instituição religiosa existente no ocidente medieval, combatendo 
como “heresias” os pensamentos religiosos discordantes. A alternativa D, portanto, está incorreta. Cabe 
destacar que o bispado romano foi atuante no combate à teocracia imperial bizantina, a fim de manter a 
autonomia da instituição perante o poder temporal. 
- A Igreja cristã foi o pilar da ordem feudal, legitimadora das atribuições de cada classe estamental e 
detentora do poder religioso. Os resquícios do paganismo greco-romano foram combatidos pelo clero 
durante a Alta Idade Média, sendo os deuses da Antiguidade considerados “demônios”. Assim sendo, a 
alternativa E está incorreta. 
Gabarito: A 
8. (2017/Unesp) 
Em Aire-sur-la-Lys, em 15 de agosto de 1335, Jean de Picquigny, governador do condado de Artois, 
permite ao “maior, aos almotacés¹ e à comunidade da cidade construir uma torre com um sino especial, 
por causa do mister da tecelagem e de outros misteres em que vários operários deslocam-se 
habitualmente em certas horas do dia”. 
 (Jacques Le Goff. Por uma outra Idade Média, 2013. Adaptado.) 
¹almotacé: inspetor municipal. 
O texto revela 
a) a persistência da concepção antiga de emprego do tempo, associada aos ciclos da natureza. 
b) a persistência da concepção artesanal de emprego do tempo, associada à busca de maior qualidade. 
c) o surgimento de uma nova concepção de emprego do tempo, associada ao exercício do trabalho. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 75 
d) o surgimento de uma nova concepção de emprego do tempo, associada à valorização do ócio. 
e) a persistência da concepção eclesiástica de emprego do tempo, associada à ditadura do relógio. 
Comentários 
- Os ciclos da natureza interessam especialmente o campesinato, não sendo tão relevante a divisão do 
dia em horas em suas atividades produtivas. Assim sendo, a alternativa A está incorreta. 
- Ao mencionar a construção de uma torre com sino em uma cidade francesa, Jacques Le Goff sugere a 
mudança na divisão do tempo pela sociedade feudal, sendo, portanto, incoerente falar em 
permanências neste contexto. Dito isso, podemos tomar como incorretas as alternativas B e E. 
- O fragmento relata que a torre do sino erigida em Aire-sur-la-Lys visava atender o cotidiano da 
tecelagem e o deslocamento dos trabalhadores, e não a valorização do ócio. A alternativa D, portanto, 
está incorreta. 
- A retomada das cidades, a partir do século XI, fez surgir o tempo leigo, cronometrado pelos relógios 
mecânicos que se espalham pela Europa e também pelo soar dos sinos, que passam a considerar as 24 
horas do dia. Assim sendo, a alternativa C é a correta. 
Gabarito: C 
9. (2016/Unesp) 
Eis dois homens à frente: um, que quer servir; o outro, que aceita, ou deseja, ser 
chefe. O primeiro une as mãos e, assim juntas, coloca-as nas mãos do segundo: 
claro símbolo de submissão, cujo sentido, por vezes, era ainda acentuado pela 
genuflexão. Ao mesmo tempo, a personagem que oferece as mãos pronuncia 
algumas palavras, muito breves, pelas quais se reconhece “o homem” de quem 
está na sua frente. Depois, chefe e subordinado beijam-se na boca: símbolo de 
acordo e de amizade. Eram estes – muito simples e, por isso mesmo, 
eminentemente adequados para impressionar espíritos tão sensíveis às coisas –os gestos que serviam para estabelecer um dos vínculos mais fortes que a época 
feudal conheceu. 
 (Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.) 
O texto e a imagem referem-se à cerimônia que 
a) consagra bispos e cardeais. 
b) estabelece as relações de vassalagem. 
c) estabelece as relações de servidão. 
d) consagra o poder municipal. 
e) estabelece as relações de realeza. 
 
Comentários 
- O fragmento e a iluminura acima ilustram o estabelecimento de um contrato feudo-vassálico entre 
dois membros da nobreza medieval: o primeiro, chamado de suserano, concede determinados direitos a 
outro, o vassalo, recebendo em troca apoio militar. As mãos unidas – elemento da cerimônia presente 
tanto no texto quanto na imagem – denotam os laços de fidelidade firmados entre o vassalo e seu 
senhor, e por isso a alternativa B é a correta. 
Miniatura do Liber feudorum 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 76 
- As alternativas A e C, por sua vez, estão incorretas por não se tratar de um pacto firmado por clérigos 
ou camponeses, mas exclusivamente por membros da nobreza. Ademais, trata-se de uma relação 
político-militar, portanto distinta da de senhorio exercida pelos nobres diante dos aldeões que viviam 
sob sua influência. 
- Quanto a alternativa E, ainda que o suserano representado acima possa ser um rei, vimos que sua 
autoridade não foi afirmada por meio dos contratos feudo-vassálicos, ao contrário, o soberano torna-se 
uma figura simbólica, com seus poderes cada vez mais reduzidos entre os séculos X e XIV. Assim sendo, 
a alternativa também está incorreta. 
Gabarito: B 
10. (2016/Unesp) 
Os mosteiros eram em primeiro lugar casas, cada uma abrigando sua “família”, e as mais perfeitas, com 
efeito, as mais bem ordenadas: de um lado, desde o século IX, os mais abundantes recursos convergiam 
para a instituição monástica, levando-a aos postos avançados do progresso cultural; do outro, tudo ali se 
encontrava organizado em função de um projeto de perfeição, nítido, bem estabelecido, rigorosamente 
medido. 
(Georges Duby. “A vida privada nas casas aristocráticas da França feudal”. História da vida privada, vol. 2, 1992. Adaptado.) 
A caracterização do mosteiro medieval como uma “casa”, um “posto avançado do progresso cultural” e 
um “projeto de perfeição” pode ser explicada pela disposição monástica de 
a) valorizar a vida privada, participar ativamente da vida política e combater o mal. 
b) recuperar a experiência histórica e pessoal do Salvador durante sua estada no mundo dos vivos. 
c) recolher-se a uma comunidade fechada para orar, estudar e combater a desordem do mundo. 
d) identificar-se com as condições de privação por que passavam as famílias pobres, celebrar a tradição 
escolástica e agir de forma ética. 
e) reconhecer a humanidade como solidária e unida num esforço de salvação da alma dos fiéis e dos 
infiéis. 
Comentários 
Questão de interpretação de texto. O aluno deve procurar qual alternativa corresponde às ideias 
de “casa”, “progresso cultural” e “projeto de perfeição” explicitadas no texto. Cabe aqui relembrar a 
máxima de São Bento, ora et labora, ou seja, a conciliação de orações com produções intelectuais na 
rotina dos monastérios. 
- Embora a vida nos mosteiros pudesse ser solitária, os monges executavam boa parte das tarefas de 
trabalho comunitariamente, e por isso a alternativa A está incorreta. Ademais, estando esses indivíduos 
reclusos nestes espaços, não se almeja o envolvimento com questões de natureza política. 
- Ainda que os ensinamentos de Cristo orientassem a vida monástica, não se pode dizer que esses 
clérigos buscassem a recuperação de sua experiência histórica, afinal esta não envolveu a reclusão da 
sociedade de seu tempo. Assim sendo, a alternativa B está incorreta. 
- O monastério torna-se o lar daqueles que buscam uma vida afastada das questões mundanas da 
sociedade feudal, oferecendo uma rotina que concilia orações e estudos. A alternativa C, portanto, é a 
correta. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 77 
- Alternativa D incorreta. A vida regrada e ascética dos monastérios não tomava como referência a 
penúria dos estratos sociais subalternos, mas buscava se aproximar dos desígnios de Deus. Ademais, o 
método escolástico não se desenvolveu nos mosteiros, mas sim nas universidades. 
- Os monges buscaram o isolamento da sociedade medieval, com o objetivo de meditar e 
purificar sua própria alma. Assim sendo, não desenvolvem qualquer esforço coletivo de conversão ou 
salvação de terceiros, e por isso a alternativa E está incorreta. 
Gabarito: C 
11. (2015/Unesp) 
Observemos apenas que o sistema dos feudos, a feudalidade, não é, como se tem dito frequentemente, 
um fermento de destruição do poder. A feudalidade surge, ao contrário, para responder aos poderes 
vacantes. Forma a unidade de base de uma profunda reorganização dos sistemas de autoridade […]. 
(Jacques Le Goff. Em busca da Idade Média, 2008.) 
Segundo o texto, o sistema de feudos 
a) representa a unificação nacional e assegura a imediata centralização do poder político. 
b) deriva da falência dos grandes impérios da Antiguidade e oferece uma alternativa viável para a 
destruição dos poderes políticos. 
c) impede a manifestação do poder real e elimina os resquícios autoritários herdados das monarquias 
antigas. 
d) constitui um novo quadro de alianças e jogos políticos e assegura a formação de Estados unificados. 
e) ocupa o espaço aberto pela ausência de poderes centralizados e permite a construção de uma nova 
ordem política. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, afinal o sistema feudal caracterizou-se pela desfragmentação do poder 
político, tornando o rei uma figura simbólica diante das inúmeras relações feudo-vassálicas 
estabelecidas entre nobres. Como explicita o próprio Le Goff, a feudalidade emerge como resposta a 
vacância dos poderes imperiais. 
- A alternativa B também está incorreta, uma vez que na feudalidade os poderes políticos não se 
encontram destruídos, mas dissolvidos por meio dos contratos firmados entre suseranos e vassalos. 
- Não é propriamente o sistema feudal o responsável pela limitação do poder real, mas é a 
fragmentação deste um dos elementos contribuidores para a formação do primeiro. Dito isso, a 
alternativa C está incorreta ao apresentar uma equivocada relação de causalidade entre esses aspectos. 
Por fim, cabe destacar o autoritarismo, se empregado na questão para definir qualquer sistema não 
democrático, não foi um traço da política europeia permanentemente eliminado pela feudalidade. 
- O feudalismo é um sistema que se caracteriza politicamente pelo poder descentralizado, e por isso a 
alternativa D está incorreta. 
- Como dissemos anteriormente, a partir do vácuo de poder legado pelos impérios romano e carolíngio, 
a civilização feudal se caracteriza a partir da criação de diversos laços feudo-vassálicos firmados entre a 
nobreza europeia ocidental. Dito isso, a alternativa E é a correta. 
Gabarito: E 
12. (2015/Unesp) 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 78 
Os homens da Idade Média estavam persuadidos de que a terra era o centro do Universo e que Deus tinha 
criado apenas um homem e uma mulher, Adão e Eva, e seus descendentes. Não imaginavam que 
existissem outros espaços habitados. O que viam no céu, o movimento regular da maioria dos astros, era 
a imagem do que havia de mais próximo no plano divino de organização. 
(Georges Duby. Ano 1000, ano 2000: na pista de nossos medos, 1998. Adaptado.) 
O texto revela, em relação à Idade Média ocidental, 
a) o prevalecimento de uma mentalidade fortemente religiosa, indicativa da força e da influência do 
cristianismo. 
b) a consciência da própriagênese e origem, resultante das pesquisas históricas e científicas realizadas na 
Grécia Antiga. 
c) o esforço de compreensão racionalista dos fenômenos naturais, base do pensamento humanista. 
d) a construção de um pensamento mítico, provavelmente originário dos contatos com povos nativos da 
Ásia e do Norte da África. 
e) a presença de esforços constantes de predição do futuro, provavelmente oriundos das crenças dos 
primeiros habitantes do continente. 
Comentários 
- Questão que demanda do aluno interpretação de texto. Durante a Idade Média, atribuía-se aos 
humores divinos a ocorrência de fenômenos astronômicos, tais como um cometa ou um eclipse lunar. 
Assim sendo, constata-se a existência de uma mentalidade sedimentada pela religiosidade, e por isso a 
alternativa A está correta. 
- Conforme relata o historiador Georges Duby, para o Homem medieval a sua origem remontaria a Adão 
e Eva, não sendo elaborada uma explicação científica para a formação da espécie. Cabe destacar que os 
gregos da Antiguidade também recorreram a uma narrativa mítica para explicar a gênese do homem, o 
que corrobora para que a alternativa B esteja incorreta. 
- Como dissemos acima, não há uma compreensão racionalista dos fenômenos naturais, mas 
teocêntrica, isso é, fundamentada na ideia de que todos os acontecimentos são manifestações da 
vontade divina. Diante disso, a alternativa C está incorreta. 
- O pensamento medieval é teológico, ou seja, sustentado por um estudo crítico da natureza de Deus, 
bem como sua relação com os homens e os demais seres. Assim sendo, a alternativa D está incorreta, 
ainda mais se considerarmos que o cristianismo ocidental era pouco influenciado pelas ideias dos povos 
autóctones africanos e asiáticos. 
- A capacidade de conhecer o futuro por meio da astrologia não foi incentivada pelo pensamento 
cristão, haja visto que a onisciência era um atributo exclusivo de Deus. Com isso, a alternativa E está 
incorreta. 
Gabarito: A 
13. (2014/Unesp) 
O cavaleiro é um dos principais personagens nas narrativas difundidas durante a Idade Média. Esse 
cavaleiro é principalmente um 
a) camponês, que usa sua montaria no trabalho cotidiano e participa de combates e guerras 
b) nobre, que conta com equipamentos adequados à montaria e participa de treinamentos militares, 
torneios e jogos. 
c) camponês, que consegue obter ascensão social por meio da demonstração de coragem e valentia nas 
guerras. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 79 
d) nobre, que ocupa todo seu tempo com a preparação militar para as cruzadas contra os mouros. 
e) nobre, que conquista novas terras por meio de sua ação em torneios e jogos contra outros nobres. 
Comentários 
- Embora os camponeses utilizem de cavalos para certas atividades agrícolas, a cavalaria era uma 
atividade restrita da nobreza, e por isso as alternativas A e C estão incorretas. 
- Vimos que a identidade da nobreza medieval perpassava pela ética de cavalaria, devendo os homens 
deste estrato social participarem de atividades bélicas e torneios. A alterntavia B, portanto, é a correta. 
- As atividades da nobreza envolvem não somente a preparação para campanhas militares, mas também 
a administração dos feudos, a caça e o cultivo das relações reguladas pelas regras do amor cortês. Assim 
sendo, a alternativa D está incorreta. 
- A aquisição de terras pela nobreza não se dá por meio de jogos, mas sim pelo estabelecimento de 
contratos feudo-vassálicos. Dito isso, podemos considerar incorreta a alternativa E. 
Gabarito: B. 
14. (2014/Unesp) 
Mais ou menos a partir do século XI, os cristãos organizaram expedições em comum contra os 
muçulmanos, na Palestina, para reconquistar os “lugares santos” onde Cristo tinha morrido e 
ressuscitado. São as cruzadas [...]. Os homens e as mulheres da Idade Média tiveram então o sentimento 
de pertencer a um mesmo grupo de instituições, de crenças e de hábitos: a cristandade. 
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) 
Segundo o texto, as cruzadas 
a) contribuíram para a construção da unidade interna do cristianismo, o que reforçou o poder da Igreja 
Católica Romana e do Papa. 
b) resultaram na conquista definitiva da Palestina pelos cristãos e na decorrente derrota e submissão dos 
muçulmanos. 
c) determinaram o aumento do poder dos reis e dos imperadores, uma vez que a derrota dos cristãos 
debilitou o poder político do Papa. 
d) estabeleceram o caráter monoteísta do cristianismo medieval, o que ajudou a reduzir a influência 
judaica e muçulmana na Palestina. 
e) definiram a separação oficial entre Igreja e Estado, estipulando funções e papéis diferentes para os 
líderes políticos e religiosos. 
Comentários 
As cruzadas foram promovidas pelo papa Urbano II, com o objetivo de unificar os cristãos em 
torno de sua autoridade. Embora não logre êxito em reunificar a Igreja Católica do Oriente, o papado 
passa a ser considerado o guia da cristandade, acumulando poderes temporal e espirituais. A alternativa 
A, portanto, é a correta. Tendo isso em conta, também podemos considerar incorreta a alternativa C, 
que sugere a diminuição do poder papal. 
- A Primeira Cruzada (1096), conhecida como Cruzada dos Barões em razão de sua composição 
aristocrática, conseguiu conquistar Jerusalém dos turcos. Contudo, no século seguinte estes voltaram a 
região, e por isso a alternativa B está incorreta. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 80 
- O cristianismo não se mostrou influenciado pelos judeus e muçulmanos, sendo esses considerados 
infiéis pelo primeiro, e por isso, duramente combatidos. A alternativa D, portanto, está incorreta. 
- A ideia de laicidade estatal, ou seja, o divórcio entre o trono e o altar, só ocorre a partir da Revolução 
Francesa (1789), marco da Idade Contemporânea. Isso posto, a alternativa E está incorreta. 
Gabarito: A 
15. (2013/Unesp) 
“Servir” ou, como também se dizia, “auxiliar”, – “proteger”: era nestes termos tão simples que os textos 
mais antigos resumiam as obrigações recíprocas do fiel armado e do seu chefe. 
 (Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.) 
O mais importante dos deveres que, na sociedade feudal, o vassalo tinha em relação ao seu senhor era: 
a) o respeito à hierarquia e à unicidade de homenagens, que determinava que cada vassalo só podia ter 
um senhor. 
b) o auxílio na guerra, participando pessoalmente, montado e armado, nas ações militares desenvolvidas 
pelo senhor. 
c) a proteção policial das aldeias e cidades existentes nos arredores do castelo de seu senhor. 
d) a participação nos torneios e festejos locais, sem que o vassalo jamais levantasse suas armas contra 
seu senhor. 
e) a servidão, trabalhando no cultivo das terras do senhor e pagando os tributos e encargos que lhe eram 
devidos. 
Comentários 
Neste capítulo vimos que era comum que um vassalo dispusesse de mais de um suserano, afinal 
isso lhe possibilitaria adquirir mais concessões de terras ou qualquer outro direito que passaria a compor 
seus rendimentos. Dito isso, a alternativa A está incorreta. 
- Sendo o vassalo um cavaleiro, a aliança estabelecida junto ao seu suserano era de caráter militar, 
devendo o primeiro integrar as campanhas de seu senhor. Assim sendo, a alternativa B é a correta. 
- As obrigações desempenhadas pelo vassalo junto ao seu suserano não envolviam proteção policial de 
cidades ou vilas, mas sim auxílio militar em tempos de guerra. Dito isso, a alternativa C está incorreta. 
- Competir em torneios não era uma exigência das relações de suserania e vassalagem, mas uma das 
atividades da cavalaria medieval. A alternativa D, portanto, está incorreta. 
- A servidão era uma relação estabelecida entre nobres e os aldeões circunscritos em seus domínios, e 
por isso a alternativa E está incorreta. 
Gabarito: B 
16. (2013/Unesp) 
Nos arredores de Assis, dois leprosários [...] hospedavamos homens e mulheres de visão repugnante 
escorraçados por todos: considerava-se que os leprosos eram assim por castigo de Deus, por causa dos 
pecados cometidos, ou porque tinham sido concebidos em pecado. Por isso, ao se movimentarem, eram 
obrigados a bater certas castanholas, para que os sãos pudessem evitá-los, fugindo a tempo. 
(Chiara Frugoni. Vida de um homem: Francisco de Assis, 2011.) 
A lepra e as demais doenças recorrentes durante a Idade Média 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 81 
a) resultavam do descuido das vítimas e os médicos se dedicavam apenas aos doentes graves ou 
terminais. 
b) atingiam basicamente as populações rurais, pois as condições de higiene e saneamento nas cidades 
eram melhores. 
c) atacavam e matavam igualmente nobres e pobres, pois não existiam hospitais ou remédios. 
d) eram consideradas contagiosas e, devido a isso, não havia pessoas dispostas a cuidar dos enfermos. 
e) eram muitas vezes atribuídas à ação divina e as vítimas eram tratadas como responsáveis pelo mal. 
Comentários 
Essa questão requer do vestibulando a interpretação correta do texto exposto no enunciado. 
Segundo o trecho do livro de Chiara Frugoni, os homens medievais acreditavam que a lepra era um 
castigo divino aplicado nos pecadores e aqueles nascidos dessa mesma condição. Ora, a única 
alternativa que trata disso é a E, que por isso é a correta. 
- Conhecida atualmente como hanseníase, a lepra era considerada um sinal de repúdio de Deus sobre o 
pecado, e por isso não era encarada como enfermidade pelo homem medieval. Dito isso, a alternativa A 
está incorreta. 
- Como vimos ao longo deste capítulo, as cidades do medievo ocidental não dispunham de 
infraestrutura de saneamento básico, o que tornava as condições de higiene ainda mais degradantes 
que as existentes no campo, em razão da maior concentração de pessoas. Isso favoreceu a disseminação 
de doenças infecciosas transmitidas pelo ar, incluindo a hanseníase. Assim sendo, a alternativa B está 
incorreta. 
- Embora a lepra acometesse toda a sociedade medieval, as classes subalternas foram as que mais 
sofreram com essa e outras doenças. Ademais, hospitais e remédios já existiam neste contexto, e por 
isso a alternativa C está incorreta. 
- O estigma sofrido pelos leprosos na sociedade medieval era decorrente da visão das doenças como 
castigos divinos, daí a necessidade dos cristãos de evitarem o contato com eles. Assim sendo, a 
alternativa D está incorreta. 
Gabarito: E 
17. (2012/Unesp) 
(...) o elemento religioso não limitou os seus efeitos ao fortalecimento, no mundo da cavalaria, do espírito 
de corpo; exerceu também uma ação poderosa sobre a lei moral do grupo. Antes de o futuro cavaleiro 
receber a sua espada, no altar, era-lhe exigido um juramento, que especificava as suas obrigações. 
(Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.) 
O texto mostra que os cavaleiros medievais, entre outros aspectos de sua formação e conduta, 
a) mantinham-se fiéis aos comerciantes das cidades, a quem deviam proteger e defender na vida 
cotidiana e em caso de guerra. 
b) privilegiavam, na sua formação, os aspectos religiosos, em detrimento da preparação e dos exercícios 
militares. 
c) valorizavam os torneios, pois neles mostravam seus talentos e sua força, ganhando prestígio e poder 
no mundo medieval. 
d) agiam apenas de forma individual, realizando constantes disputas e combates entre si. 
e) definiam-se como uma ordem particular dentro da rígida estrutura feudal, mas mantinham vínculos 
profundos com a Igreja. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 82 
Comentários 
Questão de interpretação de texto. Vamos por partes: 
- No fragmento contido no enunciado, Marc Bloch não menciona qualquer relação entre cavaleiros e 
comerciantes na Idade Média, e por isso a alternativa A está incorreta. 
- O historiador não sugere que os cavaleiros não se preparavam militarmente – aliás, sabemos que a 
sociedade medieval era extremamente belicista. A alternativa B, portanto, está incorreta. 
- Não há qualquer informação equivocada na alternativa C, que evidencia a importância dos torneios na 
sociedade de cavalaria. Contudo, essa informação não se relaciona com o enunciado, e por isso a 
alternativa está incorreta. 
- Sabemos das alianças militares firmadas entre cavaleiros nas relações feudo-vassálicas, o que torna 
equivocado dizer que agiam individualmente nos combates da Idade Média. Assim sendo, a alternativa 
D está incorreta. 
- A cavalaria conferia identidade à nobreza, mas também fica claro o peso da mentalidade medieval 
exercido pela nobreza. A alternativa E, portanto, é a correta. 
Gabarito: E 
18. (2013/Unesp) 
[Na época feudal] o mundo terrestre era visto como palco da luta entre as forças do Bem e as do Mal, 
hordas de anjos e demônios. Disso decorria um dos traços mentais da época: a belicosidade. 
(Hilário Franco Junior. O feudalismo, 1986. Adaptado.) 
A belicosidade (disposição para a guerra) mencionada expressava-se, por exemplo, 
a) no ingresso de homens de todas as camadas sociais na cavalaria e na sua participação em torneios. 
b) no pacto que reunia senhores e servos e determinava as chamadas relações vassálicas. 
c) na ampla rejeição às Cruzadas e às tentativas cristãs de reconquista de Jerusalém. 
d) no empenho demonstrado nas lutas contra muçulmanos, vikings e magiares. 
e) na submissão de senhores e vassalos, reis e súditos, ao Islamismo. 
Comentários 
- A cavalaria é uma atividade restrita à nobreza medieval, dispondo de um conjunto de valores e 
comportamentos que conferiam identidade a esta classe social. A alternativa A, portanto está incorreta. 
- As relações feudo-vassálicas eram estabelecidas somente entre membros da nobreza, e por isso a 
alternativa B está incorreta. Chamamos de senhorio (ou dominium) as relações firmadas entre a nobreza 
fundiária e os servos. 
- Embora a Igreja condenasse as guerras e torneios realizados pela cavalaria, utiliza dessa predisposição 
bélica para atraí-los para o movimento cruzadístico. Assim sendo, a alternativa C está incorreta. 
- Alternativa D correta. Esta “disposição para a guerra” se manifestou nas tentativas de contenção dos 
avanços sarracenos, vikings e magiares, durante a segunda onda de invasões “bárbaras”, na transição da 
Alta para Baixa Idade Média. 
- Os islâmicos eram considerados “infiéis” pela cristandade, e combatidos durante as Cruzadas com o 
objetivo de libertar a Palestina de seus domínios. Diante disso, a alternativa E está incorreta. 
Gabarito: D 
19. (2012/Unesp) 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 83 
As feiras foram muito difundidas pela Europa a partir do século XI. Entre os motivos que provocaram tal 
fenômeno, podemos citar: 
a) a unificação da moeda europeia, que facilitou a atividade dos banqueiros e a aquisição de mercadorias. 
b) o aumento da produção agrícola, provocado pelos desmatamentos, que ampliavam a quantidade de 
terras cultiváveis. 
c) a eliminação das práticas feudais, que prendiam os camponeses à terra e reduziam a monetarização da 
economia. 
d) o crescimento urbano, provocado pelas doenças e epidemias que grassavam nas áreas rurais e 
provocavam êxodo em direção às cidades. 
e) a regionalização das economias, que limitou significativamente a obtenção de mercadorias 
provenientes de terras distantes. 
Comentários 
A questão não está tão clara, não é mesmo? Então vamos tentar chegar a resposta por 
eliminação: 
- A palavra “regionalização” indica que a economia se torna cada vez mais local, o que dificultaria a 
aquisição de mercadorias de lugares longínquos. Não é o que se verifica na Baixa Idade Média, em 
especial após a perda do monopólio comercial dos árabes no Mediterrâneo. Assim sendo, a alternativa E 
está incorreta. 
- Agora vamos analisar a alternativaD. Como vimos nesta aula, a peste bubônica, provavelmente surgiu 
na Ásia, sendo trazida para o Ocidente por pulgas e piolhos que viajavam em navios mercantes. Como o 
grande comércio era feito nos centros urbanos, não se pode afirmar que elas assolaram os campos e 
estimularam o êxodo rural, afinal a peste negra fez o trajeto contrário. Devido a isso, a alternativa D está 
incorreta. 
- Vimos que o feudalismo e o comércio não foram elementos inconciliáveis, afinal o impulsionamento 
deste foi justamente o resultado da alta produtividade do primeiro. Ademais, as feiras medievais 
existiam pelo menos desde o século X, o que torna inviável atribuir sua realização ao enfraquecimento 
das relações feudais. Assim sendo, a alternativa C está incorreta. 
- Sabemos que a cunhagem de moedas, principalmente pelas cidades italianas que despontaram na 
Baixa Idade Média como grandes centros econômicos, favoreceu a realização de feiras e o grande 
comércio. Contudo, não se verifica a utilização de uma única moeda em toda a Europa, e por isso a 
alternativa A está incorreta. 
- A partir do século XI, a Europa feudal obteve grande aumento em sua produção agrícola, resultante 
não somente do aperfeiçoamento de técnicas utilizadas até então, mas também da ampliação das 
superfícies cultiváveis. Vale destacar que novas terras não foram obtidas somente a partir do 
desmatamento, mas também pela drenagem de pântanos e a utilização de locais pouco propícios para 
plantio, como encostas. O excedente de produção gerado a partir dessas transformações no campo foi 
comercializado nos centros urbanos e em feiras, e por isso a alternativa B é a correta. 
Gabarito: B 
20. (2011/Unesp) 
[Na Idade Média] Homens e mulheres gostavam muito de festas. Isso vinha, geralmente, tanto das velhas 
tradições pagãs (...), quanto da liturgia cristã. 
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) 
Sobre essas festas medievais, podemos dizer que 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 84 
a) muitos relatos do cotidiano medieval indicam que havia um confronto entre as festas de origem pagã 
e as criadas pelo cristianismo. 
b) os torneios eram as principais festas e rompiam as distinções sociais entre senhores e servos que, 
montados em cavalos, se divertiam juntos. 
c) a Igreja Católica apoiava todo tipo de comemoração popular, mesmo quando se tratava do culto a 
alguma divindade pagã. 
d) as festas rurais representavam sempre as relações sociais presentes no campo, com a encenação do 
ritual de sagração de cavaleiros. 
e) religiosos e nobres preferiam as festas privadas e pagãs, recusando-se a participar dos grandes eventos 
públicos cristãos. 
Comentários 
- Muitas celebrações de origem pagã sobreviveram aos séculos por estarem presentes na cultura 
popular, o que levou a Igreja a combater duramente muitas delas, mas também a incorporar outras, 
como foi o caso do carnaval. A alternativa A, portanto, é a correta. 
- Os torneios eram competições de cavaleiros, portanto seus participantes eram membros da nobreza. 
Dito isso, a alternativa B está incorreta. 
- Embora a Igreja tenha incorporado elementos pagãos da cultura popular, manifestações politeístas 
foram duramente combatidas na Idade Média, e por isso a alternativa C está incorreta. 
Dica: Em questões de História de múltipla escolha, sempre desconfie do nunca, e nunca confie no 
sempre! Quando ver alguma alternativa que faz uso de um desses advérbios, esteja atento, há uma 
grande chance de ela estar incorreta. Não vamos esquecer as experiências humanas ao longo da 
História são múltiplas, então seria um grande risco tentar limitá-las com palavras como sempre, 
nunca, somente, só e jamais. 
- Muitas festas rurais, como já nos explica o próprio texto do enunciado, possuíam origem pagã, ou seja, 
estavam associadas a elementos que remontavam a Antiguidade. Assim sendo, não é possível afirmar 
que elas sempre representavam as relações sociais existentes no campo durante a Idade Média, e por 
isso a alternativa D está incorreta. 
- Como revela o próprio fragmento da obra de Jacques Le Goff, o homem medieval também apreciava 
não somente festas pagãs, mas também as celebrações cristãs. Assim sendo, a alternativa E está 
incorreta. 
Gabarito: A 
21. (2011/Unesp) 
Com o crescimento comercial, na Baixa Idade Média, a Europa atravessou períodos de pânico coletivo, 
provocados por manifestações endêmicas ou epidêmicas da peste bubônica e de outras doenças, como 
tifo, varíola, gripe pulmonar e disenteria. A disseminação de várias dessas doenças era facilitada, entre 
outros motivos, pela 
a) condição precária de higiene, enfrentada principalmente pelos habitantes das cidades. 
b) crença de que as epidemias não podiam ser combatidas, pois advinham da vontade divina. 
c) dificuldade de contato e comunicação entre as populações do continente europeu. 
d) proibição religiosa das pesquisas médicas e científicas durante toda a Idade Média. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 85 
e) omissão dos poderes políticos, uma vez que as doenças só atingiam as camadas pobres. 
Comentários 
- As cidades não dispunham de infraestrutura de saneamento básico, o que favorecia a disseminação de 
doenças com ao peste bubônica. A alternativa A, portanto, é a correta. 
- A alternativa B é uma pegadinha! Embora as epidemias fossem consideradas frutos da vontade divina, 
isso não impediu que os homens medievais buscassem combatê-las. 
- A alternativa C está incorreta se considerarmos a disseminação da peste bubônica, doença de origem 
oriental e trazida por navios comerciais para a Europa. O fato dela se alastrar por todo o continente em 
tão pouco tempo mostra a existência de um fluxo significativo de pessoas entre as localidades, não 
sendo possível, portanto, associar a moléstia ao isolamento dos grupos humanos. 
- Embora a prevalência pensamento religioso coibisse o homem medieval de buscar respostas científicas 
para determinadas moléstias, a Igreja não proibia a condução de pesquisas. Assim sendo, a alternativa 
D está incorreta. 
- A alternativa E está incorreta em razão do seu anacronismo, ou seja, a atribuição de uma ideia que não 
existia na Europa medieval. Não se demandava do poder político a produção de políticas públicas para a 
prevenção de doenças, afinal a saúde não era encarada como um direito pela sociedade deste período. 
Ademais, as doenças não atingiam somente as classes subalternas. 
Gabarito: A 
22. (2010/Unesp) 
[Na Idade Média], chamava-se ‘lepra’ a muitas doenças. Toda erupção pustulenta, a escarlatina, por 
exemplo, qualquer afecção cutânea passava por lepra. Ora, havia, com relação à lepra, um terror sagrado: 
os homens daquele tempo estavam persuadidos de que no corpo reflete-se a podridão da alma. O leproso 
era, só por sua aparência corporal, um pecador. Desagradara a Deus e seu pecado purgava através dos 
poros. 
(Georges Duby. Ano 1000 Ano 2000. Na pista de nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998.) 
O texto mostra a associação entre doença e religião na Idade Média. Isso ocorre porque os homens do 
período 
a) abandonaram o conhecimento científico, acumulado na Antiguidade, sobre saúde e doença; daí a época 
medieval ser apropriadamente chamada de “era das trevas”. 
b) recusavam-se a admitir que as condições de higiene então existentes fossem inadequadas e preferiam 
criar explicações astrológicas para os males que os afligiam. 
c) estigmatizavam os portadores de doenças e os isolavam, ao contrário do que ocorre hoje, quando todos 
os doentes são aceitos no convívio social e recebem tratamento adequado. 
d) eram marcados pelo imaginário cristão, que apresentava o mundo como um espaço de conflito 
ininterrupto entre forças divinas e forças demoníacas. 
e) rejeitavam a medicina, pois a associavam a práticas mágicas e a curandeirismo, preferindo recorrer a 
exorcistasa aceitar os tratamentos prescritos nos hospitais. 
Comentários 
- A justificativa teológica, ainda que preponderante, não eliminava a conciliação com determinadas 
explicações objetivas sobre a doença. É o caso, por exemplo da Peste Negra: embora vista como um 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 86 
castigo divino, médicos e curandeiros buscaram meios para tratar os enfermos. Assim sendo, a 
alternativa A está incorreta. 
- A Bíblia era a principal fonte utilizada pelos cristãos medievais para justificar os males que os 
assolavam, não sendo comum a utilização de explicações astrológicas. Ademais, não há uma recusa, mas 
a incompreensão de que certas doenças são evitáveis com a adoção de hábitos de higiene. Partindo 
dessas considerações, a alternativa B está incorreta. 
- Se é verdade que a Idade Média foi marcada pela marginalização de pessoas enfermas e deficientes, 
certos resquícios deste período permanecem nos dias atuais. Um bom exemplo disso é o preconceito 
sofrido pelos aidéticos, em razão do desconhecimento da população sobre a doença. Ademais, os 
homens da contemporaneidade estão longe de disporem do tratamento necessário para o tratamento 
de todas as doenças que os acometem, e por isso a alternativa C está incorreta. 
- De acordo com o texto, a lepra era exteriorização dos excessos de pecados acumulados pelos seus 
portadores – em outras palavras, o sinal de que eram repudiados por Deus pela sua conduta profana. 
Essa visão sobre a enfermidade mostra a influência do pensamento religiosos na forma como a 
sociedade medieval significava os males que a cercavam, costumeiramente atribuídos à cólera divina ou 
interferências de entes malignos. Feitas essas considerações, a alternativa D é a correta. 
- Não há menção a exorcismos como alternativa aos médicos no trecho do autor, o que já seria 
suficiente para considerarmos incorreta a alternativa E. Vale lembrar que os leprosos não eram 
submetidos a essa prática, mas repudiados pela sociedade e confinados nos “leprosários”. 
Gabarito: D 
23. (2010/Unesp) 
Com a ruralização, a tendência à autossuficiência de cada latifúndio e as crescentes dificuldades nas 
comunicações, os representantes do poder imperial foram perdendo capacidade de ação sobre vastos 
territórios. Mais do que isso, os próprios latifundiários foram ganhando atribuições anteriormente da 
alçada do Estado. 
(Hilário Franco Jr. O feudalismo. São Paulo: Brasiliense, 1986. Adaptado.) 
A característica do feudalismo mencionada no fragmento é 
a) o desaparecimento do poder militar, provocado pelas invasões bárbaras. 
b) a fragmentação do poder político central. 
c) o aumento da influência política e financeira da Igreja Católica. 
d) a constituição das relações de escravidão. 
e) o estabelecimento de laços de servidão e vassalagem. 
Comentários 
- Apesar dos soberanos europeus não contarem com um Exército unificado durante boa parte da Idade 
Média, o poder militar não desaparece do cenário europeu, mas torna-se particular da nobreza feudal. 
Assim sendo, a alternativa A está incorreta. 
- Com a desfragmentação do Império Carolíngio após a morte de Carlos Magno, progressivamente a 
nobreza passou a acumular antigas prerrogativas do Estado franco, incapaz de manter os poderes 
reunidos em torno de um soberano. Assim sendo, a alternativa B é a correta. Contudo, cabe ressaltar 
que os contratos feudo-vassálicos foram fundamentais para este processo de desconcentração política, 
mas isso não é tratado especificamente no fragmento do enunciado, e por isso a alternativa E está 
incorreta. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 87 
- Tal como sugere a alternativa C, a Igreja acumulou poderes temporal(is) e espiritual(is) ao longo dos 
séculos, tornando-se a maior instituição de toda a Europa ocidental. No entanto, o fragmento de Hilário 
Franco Jr., não aborda este tema, e por isso a alternativa C está incorreta. 
- A escravidão permaneceu como um sistema de produção restrito a algumas partes da Europa 
Mediterrânea, mas não é o assunto tratado no enunciado. Com isso, a alternativa D também está 
incorreta. 
Gabarito: B 
24. (2008/Unesp) 
Observe a foto da Catedral de Notre Dame de Paris, construída entre 1163 
e 1250. 
Sobre o contexto histórico que levou ao surgimento das catedrais, pode-se 
afirmar: 
a) o papel dos monarcas foi decisivo, financiando a sua construção para 
glorificar o poder real. 
b) sua construção está associada ao reflorescimento e à prosperidade do 
mundo urbano. 
c) financiadas com os recursos do clero romano, ampliaram a influência do 
Papa no Oriente. 
d) surgiram como resposta do papado ao Cisma do Oriente, glorificando a 
Igreja Romana. 
e) eram templos destinados à alta nobreza, que assim evitava o contato com 
o povo da cidade. 
Comentários 
Essa é uma questão que demanda conhecimentos prévios sobre o estilo gótico na Idade Média. 
Nascido no norte da Franças, ele se destaca pela imponência de suas construções, o uso de arcos ogivais 
e de vitrais que conferem grande beleza aos ambientes internos. Diferentemente do estilo românico, 
predominante em mosteiros isolados no mundo rural, ele buscava tornar o conhecimento bíblico mais 
emocionante e palpável aos fiéis, evidenciando o triunfo da Igreja nos centros urbanos do mundo 
Ocidental. 
Feitas essas considerações, a alternativa B é a correta. Vejamos as demais opções de resposta: 
- A alternativa A está incorreta, afinal o estilo gótico das catedrais não serve para glorificar o poder real, 
mas sim o poder acumulado pela própria Igreja. 
- A alternativa C está incorreta, uma vez que a partir do chamado Cisma do Oriente, em 1054, o Papa 
perde sua influência no mundo cristão oriental. 
- A alternativa D está incorreta. O estilo gótico não é voltado para responder o rompimento do mundo 
cristão oriental, mas para externalizar o triunfo da Igreja, detentora do poder ideológico do mundo 
feudal. 
- A alternativa E está incorreta, pois templos como a catedral de Notre-Dame eram frequentados pela 
cristandade como um todo, e não somente a nobreza. 
Gabarito: B 
25. (2006/Unesp) 
(Adhemar Marques, Pelos caminhos 
da História: Ensino Médio.) 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 88 
Leia os dois textos seguintes. 
No Ocidente Medieval, a unidade de trabalho é o dia [...] definido pela referência mutável ao tempo 
natural, do levantar ao pôr-do-sol. [...] O tempo do trabalho é o tempo de uma economia ainda dominada 
pelos ritmos agrários, sem pressas, sem preocupações de exatidão, sem inquietações de produtividade. 
(Jacques Le Goff. O tempo de trabalho na ‘crise’ do século XIV.) 
Na verdade não havia horas regulares: patrões e administradores faziam conosco o que queriam. 
Normalmente os relógios das fábricas eram adiantados pela manhã e atrasados à tarde e em lugar de 
serem instrumentos de medida do tempo eram utilizados para o engano e a opressão. 
(Anônimo. Capítulos na vida de um menino operário de Dundee, 1887.) 
Entre as razões para as diferentes organizações do tempo do trabalho, pode-se citar: 
a) a predominância no campo de uma relação próxima entre empregadores e assalariados, uma vez que 
as atividades agrárias eram regidas pelos ritmos da natureza. 
b) o impacto do aparecimento dos relógios mecânicos, que permitiram racionalizar o dia de trabalho, que 
passa a ser calculado em horas no campo e na cidade. 
c) as mudanças trazidas pela organização industrial da produção, que originou uma nova disciplina e 
percepção do tempo, regida pela lógica da produtividade. 
d) o conflito entre a Igreja Católica, que condenava os lucros obtidos a partir da exploração do 
trabalhador, e os industriais, que aumentavam as jornadas. 
e) a luta entre a nobreza, que defendia os direitos dos camponeses sobre as terras, e a burguesia, que 
defendiao êxodo rural e a industrialização. 
Comentários 
Embora ainda não tenhamos visto o conteúdo referente ao segundo texto, optei por manter esta 
questão neste material para que possamos desenvolver a habilidade de escolher a alternativa correta 
por eliminação. Vamos lá? 
- Sabemos que não há relação de proximidade entre nobres e camponeses no campo durante a Idade 
Média. A aristocracia da terra investiu na criação de diversas práticas, tais como a caça e a cavalaria, a 
fim de se diferenciarem socialmente dos servos e assalariados. Assim sendo, podemos considerar 
incorreta a alternativa A. 
- Vimos que a criação do relógio mecânico no final da Idade Média possibilitou a instituição do “tempo 
laico” nas cidades, mais preciso e adequado às atividades dos artesãos, trabalhadores assalariados e 
comerciantes. Contudo, no campo continua prevalecendo o tempo religioso, influenciado tanto pelos 
ciclos da agricultura quanto pelas marcações impostas pela Igreja. A alternativa B, portanto, está 
incorreta. 
- Sabemos que a instituição do “tempo laico” foi fundamental para o desenvolvimento das atividades 
comerciais e artesanais nos burgos do medievo ocidental. Vemos que no relato do século XIX, que revela 
o uso de relógios nas fábricas, o tempo laico continua a ser preponderante na Europa, e por isso a 
alternativa C é a correta. 
- Embora a segunda parte da alternativa D esteja corretamente relacionada ao segundo fragmento do 
enunciado, não há menção de conflitos com a Igreja Católica nos dois textos. Assim sendo, essa 
alternativa está incorreta. 
- Durante a Idade Média, a nobreza não reconhecia direitos dos camponeses sobre as terras, o que deu 
origem a diversas revoltas camponesas. A alternativa E, portanto está incorreta. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 89 
Gabarito: C 
26. (2005/Unesp) 
Entre as formas de organização econômica pré-fabris no continente europeu, estão as oficinas artesanais, 
em que 
a) um mestre trabalhava juntamente com aprendizes e vendia seus produtos para compradores locais. 
b) o produtor submetia-se a um comerciante que lhe fornecia a matéria-prima e adquiria o produto 
acabado. 
c) um proprietário possuía máquinas sofisticadas e explorava um grande número de trabalhadores. 
d) os mestres e os assalariados dividiam as tarefas produtivas e usufruíam com igualdade dos lucros 
obtidos. 
e) a unidade produtora supria as necessidades da família e não comercializava os produtos excedentes. 
Comentários 
- Mestres e aprendizes trabalhavam juntos entre oito e dez anos, período no qual os últimos eram 
abrigados e alimentados pelos primeiros, mas não recebiam salários. A produção das corporações de 
ofício era comercializada em âmbito local, e a maior parte dos lucros destinada para os membros mais 
destacados dessas associações. A alternativa A, portanto, está correta. 
- Para obter a padronização de seus produtos, as corporações de ofício eram autônomas para controlar 
os preços da matéria-prima utilizada no processo de fabricação. Assim sendo, a alternativa B está 
incorreta. 
- Os artesãos não dispunham de maquinário arrojado, tampouco buscavam a entrada de um vasto 
número de associados, afinal eram organizações de atuação local. Com isso, a alternativa C está 
incorreta. 
- As corporações de ofício eram organizações hierarquizadas, nas quais os trabalhadores por jornada 
desfrutavam de condições de remuneração e ascensão na carreira inferiores aos aprendizes, tidos como 
“mestres em potencial” pelos seus superiores. Ademais, não há divisão das tarefas produtivas entre os 
associados – todos participam de todas as etapas de produção. A alternativa D, portanto, está incorreta. 
- A produção das corporações de ofício não buscava a autossuficiência, mas o abastecimento do 
mercado local. Assim sendo, a alternativa E está incorreta. 
Gabarito: A 
27. (2004/Unesp) 
A fim de satisfazer as necessidades do castelo, os comerciantes começaram a afluir à frente da sua porta, 
perto da ponte: mercadores, comerciantes de artigos caros e, depois, donos de cabaré e hoteleiros que 
alimentavam e hospedavam todos aqueles que negociavam com o príncipe (...) Foram construídas assim 
casas e instalaram-se albergues onde eram alojados os que não eram hóspedes do castelo (...) As 
habitações multiplicaram-se de tal sorte que foi logo criada uma grande cidade. 
(Jean Long, cronista do século XIV.) 
De acordo com o texto, o nascimento de algumas cidades da Europa resultou da 
a) transformação do negociante sedentário em comerciante ambulante. 
b) oposição dos senhores feudais à instituição do mercado no seu castelo. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 90 
c) atração exercida pelos pregadores religiosos sobre a população camponesa. 
d) insegurança provocada pelas lutas entre nobres feudais sobre a atividade mercantil. 
e) fixação crescente de uma população ligada às atividades mercantis. 
Comentários 
Esta é uma questão que demanda mais a habilidade de interpretação de texto dos vestibulandos 
do que o conhecimento sobre o período abordado. Vamos analisar as alternativas: 
- O texto descreve o processo de formação das cidades na Baixa Idade Média a partir do 
estabelecimento contínuo de comerciantes nos entornos dos castelos, ideia oposta da existente na 
alternativa A, na qual os mercadores deixam de serem fixos para se permanecerem em constante 
movimento. Assim sendo, a alternativa A está incorreta. 
- Se os senhores feudais fossem contrários às práticas comerciais, permitiriam que elas se estabelecem 
ao redor de seus castelos? Dificilmente, não é verdade? Com isso, podemos considerar incorreta a 
alternativa B. 
- Em nenhum momento o cronista Jean Long menciona a atuação de pregadores religiosos ou lutas 
entre nobres feudais, o que consequentemente tornam incorretas as alternativas C e D. 
- O texto existente no enunciado da questão descreve o processo de organização dos centros urbanos a 
partir da ocupação duradoura de indivíduos ligados ao comércio nas proximidades dos castelos. Esta 
mesma explicação é dada pela alternativa E, que por isso é a alternativa correta. 
Gabarito: E 
28. (2003/Unesp) 
Na Idade Média ocidental, a Igreja cristã justificava e explicava o ordenamento social. Ao lado dos clérigos, 
que detinham o conhecimento da leitura e da escrita, um dos grupos sociais da época era constituído por: 
a) assalariados, que trabalhavam nas terras dos que protegiam as fronteiras da Europa medieval das 
invasões dos povos bárbaros germânicos. 
b) usuários, que garantiam o financiamento das campanhas militares da nobreza em luta contra os infiéis 
muçulmanos. 
c) donos de manufaturas de tecidos de algodão, que abasteciam o amplo mercado consumidor das 
colônias americanas. 
d) servos, que deviam obrigações em trabalho aos senhores territoriais. 
e) escravos, que garantiam a sobrevivência material da sociedade em troca da concessão da vida por parte 
dos seus vencedores. 
Comentários 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 91 
Para resolver essa questão, devemos 
recordar dos estratos sociais que compõem a 
sociedade feudal: o clero (oratores), membros da 
Igreja e detentores do poder espiritual, a nobreza 
(bellatores), composta pelos guerreiros e 
detentores da terra, e os servos e camponeses 
(laboratores), responsáveis pelas atividades 
produtivas que sustentam toda a pirâmide social. 
Feitas essas considerações, podemos concluir que 
a alternativa D é a correta, afinal é a única que 
menciona uma das três camadas sociais da 
sociedade feudal. 
Vale destacar que a escravidão continua a 
existir durante a Idade Média, mas sua utilização se deu de maneira bem mais restrita nas grandes 
propriedades que a exploração de mão de obra livre e servil. 
Gabarito: D 
29. (2001/Unesp) 
No período denominadoBaixa Idade Média, houve desenvolvimento do comércio e florescimento de 
cidades. O crescimento econômico da Europa ocidental intensificou-se com a expansão ultramarina do 
século XV. Considera-se essencial para tal expansão: 
a) a crise e o enfraquecimento comercial das cidades-estados italianas, fornecedoras na Europa dos 
produtos orientais. 
b) a centralização do poder político e a possibilidade de investimento de recursos monetários estatais em 
expedições marítimas. 
c) a ocupação de Constantinopla pelos turcos otomanos e o fim dos contatos pacíficos entre o ocidente e 
o oriente. 
d) a abundância de metais na Europa e o crescimento de circulação monetária em condições de financiar 
empreendimentos dispendiosos. 
e) a ruptura da unidade cristã do ocidente e a formação de religiões cristãs adaptadas à ética da 
acumulação capitalista. 
Comentários 
- Ao final do século XIV, as cidades-Estado italianas emergem como fortes centros comerciais na Europa 
medieval, o que possibilitou o contato com saberes e técnicas oriundos do Oriente, incluindo náuticos. 
Assim sendo, a alternativa A está incorreta. 
- O século XV foi marcado pela progressiva centralização do poder político em torno da figura dos reis, o 
que permitiu a organização das expedições marítimas a partir da criação de um vasto sistema fiscal. 
Diante da acumulação de recursos, o Estado moderno, tendo à frente o seu soberano absoluto, pode 
conduzir empreitadas para além-mar. A alternativa B, portanto, é a correta. 
- As relações entre Oriente e Ocidente foram marcadas por conflitos durante a Idade Média, em especial 
a partir da expansão da civilização do Islã, no século VII. Diante disso, a alternativa C está incorreta. 
- A escassez de metais preciosos no Ocidente europeu é um dos motivadores para a expansão marítima 
iniciada no século XV, e por isso a alternativa D está incorreta. 
Clero
ORATORES
Nobreza
BELLATORES
Servos e camponeses
LABORATORES
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 92 
- A expansão ultramarina não pode ser compreendida sem ter em conta o peso do pensamento religioso 
neste processo. No caso de Portugal e Espanha, países pioneiros no processo expansionista, toda a 
empresa marítima era motivada não somente por razões econômicas, mas também pelo compromisso 
desses reinos cristãos de difundir a fé católica. Diante disso, a alternativa E está incorreta. 
Gabarito: B 
30. (2001/Unesp) 
Há mil anos atrás, em partes da Europa, vigorava o sistema feudal, cujas principais características foram: 
a) sociedade hierarquizada, com predomínio de uma economia agrária, que favoreceu intensa troca 
comercial nos burgos e cidades italianas. 
b) fraca concentração urbana, com predomínio da economia agrária sob a organização do Estado 
monárquico, apoiado pelo clero e pela burguesia. 
c) poder do Estado enfraquecido, ritmo de trocas comerciais pouco intenso, uso limitado da economia 
monetária, predominando uma sociedade agrária. 
d) ampliação do poder do Estado, uma sociedade organizada em três camadas - clérigos, guerreiros e 
trabalhadores - e predomínio da economia rural. 
e) intensificação da produção agrícola pelo uso da mão-de-obra de servos e escravos, poder 
descentralizado e submissão dos burgos ao domínio da Igreja. 
Comentários 
- Embora nesta sociedade agrária e hierarquizada mencionada pela alternativa A tenha se restabelecido 
o grande comércio na Baixa Idade Média, estes elementos não estão necessariamente relacionados, e 
por isso ela está incorreta. Seria preciso mencionar a alta produção dos campos na Baixa Idade Média, 
cujo excedente de produção permitiu a intensificação das relações de troca e o florescimento das 
cidades. 
- A instituição estatal permanece durante toda a Idade Média como um elemento quase figurativo, uma 
vez que os poderes políticos são dissolvidos entre os membros da nobreza. Assim sendo, a alternativa B 
está incorreta. 
- Alternativa C é a correta. Durante boa parte da Idade Média, a economia feudal tendeu a 
autossuficiência, o que desacelerou o grande comércio e a monetarização das trocas econômicas, feitas 
basicamente em nível local. Assim sendo, podemos caracterizar o sistema feudal pela sua economia 
agrária, pelo comércio local, limitado pela ausência de padronização monetária. 
- A alternativa D está incorreta, uma vez que a Idade Média foi marcada pela fragmentação da 
autoridade dos reis, enquanto os senhores acumulam poderes políticos, econômicos, jurídicos e fiscais. 
- O aumento da produtividade agrícola vivenciado no período feudal se deu com o largo uso de mão de 
obra livre e servil, e por isso a alternativa E está incorreta. Ademais, os burgos estiveram sob domínio de 
senhores feudais, e não da Igreja. 
Gabarito: C 
31. (2000/Unesp) 
“Reconheço ter prendido mercadores de Langres que passavam pelo meu domínio. Arrebatei-lhes as 
mercadorias e guardei-as até o dia em que o bispo de Langres e o abade de Cluny vieram procurar-me 
para exigir reparações." 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 93 
(CASTELÃO DO SÉCULO XI) 
O texto apresentado permite afirmar que, na Idade Média: 
a) o poder da Igreja era, além de religioso, também temporal. 
b) os senhores feudais eram mais poderosos do que a Igreja. 
c) o clero era responsável pela distribuição das mercadorias. 
d) o conflito entre a Igreja e a nobreza aproximou o clero dos comerciantes. 
e) o poder do papa era limitado pelos sacerdotes. 
Comentários 
- Os clérigos se encontram no topo da pirâmide social, detentores simultaneamente de poderes 
temporal – ou seja, político –, exercido pelo papa e bispos, e o espiritual, exercido pela Igreja como um 
todo. Assim sendo, a alternativa B está incorreta, enquanto a A é a correta. 
- A alternativa C está incorreta, uma vez que a atividade do clero na sociedade feudal era a comunicação 
entre os mundos terreno e espiritual. 
- A alternativa D está incorreta, afinal as atividades comerciais eram repudiadas pela Igreja católica. 
- A alternativa E está incorreta, uma vez que não há qualquer elemento no texto que sugira a ideia de 
limitação do poder papal por outros clérigos. 
Gabarito: A 
32. (1998/Unesp) 
Sobre as associações dos importantes grupos sociais da Idade Média, um historiador escreveu: “Eram 
cartéis que tinham por objetivo a eliminação da concorrência no interior da cidade e a manutenção do 
monopólio de uma minoria de mestres no mercado urbano.” 
(Jacques Le Goff, A civilização do Ocidente Medieval) 
O texto caracteriza de maneira típica: 
a) as universidades medievais. 
b) a atuação das ordens mendicantes. 
c) as corporações de ofício. 
d) o domínio dos senhores feudais. 
e) as seitas heréticas. 
Comentários 
- Embora as universidades se localizassem em centros comerciais da Europa Ocidental, elas se 
mantiveram afastadas das atividades comerciais, e por isso a alternativa A está incorreta. 
- As ordens mendicantes, comunidades religiosas que surgem a partir do século XII, adotavam um estilo 
de vida miserável e marginalizado da sociedade, sendo reservado aos seus membros apenas o direito a 
mendigar nos centros urbanos. Diferentemente do que sugere o enunciado, não se envolvem em 
atividades comerciais, e por isso a alternativa B está incorreta. 
- As corporações de ofício eram associações que buscavam assegurar a proteção econômica, física e 
espiritual de seus membros, cuja atuação geralmente se limitava ao âmbito local. Com isso, a alternativa 
C é a correta. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 94 
- Embora seus domínios pudessem abarcar os burgos, centros da vida comercial na Baixa Idade Média, 
os senhores feudais não se associavam em associações protecionistas como sugere o enunciado. Assim 
sendo, a alternativa D está incorreta. 
- As seitas heréticas, ou seja, grupos cristãoscujos pensamento e ação foram considerados contrários às 
doutrinas da Igreja, não foram organizados com o intuito de atuarem no comércio urbano, e por isso a 
alternativa E está incorreta. 
Gabarito: C 
33. (1995/Unesp) 
Na sociedade feudal, o vínculo humano característico foi o elo entre subordinado e chefe mais próximo. 
De escalão em escalão, os nós assim formados uniam, tal como se se tratasse de cadeias infinitamente 
ramificadas, os menores e os maiores. A própria terra só parecia ser uma riqueza tão preciosa por permitir 
obter ‘homens’, remunerando-os." 
(Marc Bloch. A sociedade feudal.) 
O texto descreve a: 
a) hierarquia eclesiástica da Igreja Católica; 
b) relação de tipo comunitário dos camponeses; 
c) relação de suserania e vassalagem; 
d) hierarquia nas corporações de ofício; 
e) organização política das cidades medievais. 
Comentários 
- O trecho recortado da obra do historiador Marc Bloch não especifica a existência de clérigos nas 
referidas relações de subordinação, e por isso a alternativa A está incorreta. 
- A alternativa B está incorreta, afinal um modo de vida comunitário pressupõe a existência de relações 
horizontais entre os homens, ao contrário do que descreve o enunciado da questão. A sociedade feudal, 
vale relembrar, é politicamente marcada por relações de subordinação entre os membros da nobreza. 
- As hierarquias entre mestres e aprendizes existentes nas corporações de ofício não tomam a terra 
como riqueza fundamental, e por isso a alternativa D está incorreta. Não nos esqueçamos de que essas 
associações de comerciantes ou artesãos tinham o objetivo de padronizar os serviços, estabelecendo 
normas para a produção, para os preços e a qualidade dos produtos, e estipulando salários e condições 
de trabalho. 
- O enunciado da questão ressalta a importância da terra nas relações hierárquicas existentes na 
sociedade feudal, o que já descarta a possibilidade de se tratar de um cenário citadino. Assim sendo, a 
alternativa E está incorreta. 
Gabarito: C 
34. (1990/Unesp – Adaptada) 
A Baixa Idade Média tem sua importância ligada à dissolução de um modo de produção e o início da longa 
fase de transição que levará ao desenvolvimento de um outro. Assinale a alternativa diretamente 
relacionada com a crise e a desagregação do sistema feudal: 
a) Condenação do modo de produção feudal pela Igreja Católica Apostólica Romana. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 95 
b) Declínio do comércio a longa distância, florescimento da pequena indústria e enfraquecimento do 
poder central dos monarcas. 
c) Equilíbrio entre o ritmo da produção e do consumo. 
d) Substituição de obrigações antigas por contratos de arrendamento da terra e por pagamento em 
dinheiro. 
e) Predomínio do modo assalariado de trabalho acarretando, em curto prazo, mudanças profundas na 
Europa Oriental. 
Comentários 
- A Igreja estruturou o pensamento do homem medieval, legitimando os papeis sociais atribuídos aos 
clérigos, nobres e servos no sistema feudal. Assim sendo, a alternativa A está incorreta. 
- A Baixa Idade Média foi marcada pelo restabelecimento de relações comerciais entre Oriente e 
Ocidente, bem como a progressiva centralização do poder em torno da figura do rei. Com isso, a 
alternativa B está incorreta. 
- Um dos elementos danosos da chamada crise do século XIV foi uma onda de Grande Fome que assolou 
diversas regiões da Europa Ocidental, resultado de colheitas insuficientes diante da incidência 
populacional do continente. Assim sendo, a alternativa C está incorreta. 
- A escassez de mão de obra gerada pela Peste Negra no século XIV permitiu aos camponeses 
sobreviventes pleitearem por melhores condições de trabalho, ao passo que os senhores feudais 
buscaram substituir as relações servis pelos trabalhadores assalariados. Assim sendo, a alternativa D é a 
correta. 
- Até o século XIII, atividades remuneradas eram moralmente condenadas pela Igreja, mas foi 
progressivamente implantado no final da Idade Média. Contudo, não provoca mudanças imediatas 
como sugere a alternativa E, que devido a isso, está incorreta. 
Gabarito: D 
35. (1989/Unesp) 
 A vida cultural europeia, na Baixa Idade Média (do XI ao XV séculos), pode ser caracterizada pelo(a): 
a) esforço de Ptolomeu para estruturar os conceitos geográficos. 
b) multiplicação das Universidades e difusão da arquitetura gótica. 
c) deslocamento, de Córdoba para Paris, do centro de gravidade da cultura muçulmana. 
d) difusão do dogma escolástico baseado na negação da união entre a fé e a razão para a busca da 
verdade. 
e) decadência do ensino urbano seguido de sua ruralização. 
Comentários 
- Ptolomeu foi um cientista alexandrino que desenvolveu trabalhos em diversos segmentos da 
ciência, incluindo a geografia. Contudo, foi um homem que viveu durante a Antiguidade, e por isso a 
alternativa A está incorreta. 
- A partir do século XII, diversos centros de estudo denominados universidades (universitas) foram 
criados na Europa Ocidental, constituídos por membros do clero, da nobreza e de indivíduos de grupos 
sociais em ascensão nos centros urbanos. A Baixa Idade Média também foi marcada pela consolidação 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 96 
do gótico, estilo arquitetônico que se utiliza de arcos em ogiva, vitrais e altas paredes para notabilizar a 
importância da Igreja católica. Dito isso, a alternativa B está correta. 
- Com a conquista da África setentrional e da península ibérica, os muçulmanos do Califado de Córdoba 
buscaram se expandir para além-Pirineus, mas foram barrados pelo exército franco, liderado por Carlos 
Martel, na Batalha de Poitiers. Assim sendo, a porção europeia da civilização do Islã ficou restrita à 
península ibérica, e por isso a alternativa C está incorreta. 
- A produção filosófica resultante das universidades que emergem na Baixa Idade Média foi 
denominada escolástica, marcada pela tentativa de conciliação entre a fé cristã e a o pensamento 
racional devido ao contato com a obra de Aristóteles. Com isso, a alternativa D está incorreta. 
- Os centros de estudo que surgem no cenário na Europa da Baixa Idade Média se mantiveram fixados 
em espaços urbanos, tais como Paris e Bolonha. Assim sendo, a alternativa E está incorreta. 
Gabarito: B 
36. (1996/Unesp) 
Quando Pepino, o Breve arriscou a usurpação que tantos outros tinham executado nos reinos vizinhos, 
quis purificá-la pela mais inatacável consagração. Primeiro, levou o papa a declarar que o título real devia 
caber a quem detivesse o verdadeiro poder. Depois, eleito rei pela assembleia dos grandes, fez-se ungir 
por S. Bonifácio, o mais ilustre dos missionários, na presença dos bispos franceses." 
(Robert Lopez - O NACIONAL DA EUROPA) 
Pepino, o Breve tornou-se, assim, o primeiro rei da dinastia 
a) Merovíngia. 
b) Carolíngia. 
c) Capetíngia. 
d) Valois. 
e) Bourbon. 
Comentários 
- Os Merovíngios foram uma dinastia dos francos que governaram a região da Gália até o século VIII, 
quando Pepino, o Breve, prefeito de palácio de um destes reis, assume o poder, dando início à dinastia 
carolíngia. Assim sendo, a alternativa B é a correta, e a A, incorreta. 
- A dinastia capetíngia, alternativa C da questão, governou a França por três séculos, sendo seu primeiro 
rei descendente dos carolíngios. 
- A Casa de Valois foi a sucessora da dinastia capetíngia no trono francês, permanecendo no poder entre 
1328 e 1589. Dito isso, a alternativa D está incorreta. 
- Os Bourbons, por sua vez, estiveram em tronos do Reino das Duas-Sicílias, Parma e da Espanha, 
permanecendo nesta última até os dias atuais. Na França, estiveram no poder do século XVI até 1792, 
quando o rei Luís XVI, pertencente a esta Casa, foi deposto pela Revolução Francesa. A alternativa E, 
portanto, está incorreta. 
Gabarito: B 
 
 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 97 
5.2. Vestibulares 
1. (2021/Famema) 
[...] cristianismo romano na Europa ocidental e central, cristianismo ortodoxo grego em Bizâncio e na 
Europa oriental, islam do Irã à Espanha, e, claro, o judaísmo dos judeus da Diáspora. 
(Jacques Le Goff. O Deus da Idade Média, 2017.) 
Considerando o conteúdo do excerto e conhecimentos sobre a história da Europa da Idade Média, pode-
se afirmar que 
(A) a natureza das relações entre as pessoas derivou acentuadamente das crenças religiosas dos grupos 
sociais. 
(B) o poder do Papa, restrito aos assuntos religiosos, foi universalmente aceito pelas autoridades 
religiosas. 
(C) a aliança militar de reis católicos e ortodoxos impediu a expansão do islamismo no continente. 
(D) o clima de paz política caracterizou as interações entre as formações religiosas monoteístas. 
(E) a oposição ao culto de imagens uniu, do ponto de vista doutrinal, as religiões oriundas da Bíblia 
hebraica. 
Comentários 
Essa é uma questão que demandava reflexões sobre o cenário plural da Idade Média. Ao longo de 
nossas aulas, vimos ser possível elencar três grandes civilizações mediterrâneas no período, cada uma 
delas fundamentada em crenças religiosas: a civilização do Islã, erguida a partir da disseminação dos 
preceitos do Corão; a civilização bizantina, cujo poder dos imperadores (basileus) se fundamentava nos 
preceitos do cristianismo oriental, e a civilização feudal, notoriamente marcada pelo cristianismo 
romano. As particularidades existentes nas estruturas sociais, políticas e culturais de cada uma dessas 
civilizações eram justificadas pelos preceitos religiosos preponderantes. 
Feitas essas considerações, a alternativa A é a resposta, afinal as concepções religiosas possuem grande 
importância na estruturação dos grupos sociais na Idade Média e em diversas partes do mundo. 
Vejamos as demais alternativas: 
- A alternativa B está incorreta, afinal a autoridade papal não era reconhecida pelos judeus, 
muçulmanos e alguns grupos cristãos durante a Idade Média, especialmente aqueles situados no 
Oriente. 
- A alternativa C está incorreta, pois o Islã se difundiu ao sul da península itálica e na península ibérica 
durante a dinastia abássida. 
- A alternativa D está incorreta, pois verificaram-se conflitos teológicos e confrontos violentos entre os 
grupos sociais destacados. São exemplos disso o Cisma do Oriente (1054), as Cruzadas e as perseguições 
aos judeus e muçulmanos no Ocidente europeu. 
- A alternativa E está incorreta, afinal os grupos religiosos mencionados divergiam quanto a utilização de 
imagens. A Igreja romana as considerava uma espécie de “Bíblia dos pobres”, afinal contribuíam para a 
disseminação dos valores cristãos entre os analfabetos, ao passo que muçulmanos e cristãos 
iconoclastas repudiaram seu uso, pois julgavam estimular a idolatria. 
Gabarito: A 
2. (2014/UEA) 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 98 
A Igreja não domina pelas armas, ela domina pelas palavras. Ela ensina dogmas, regras, princípios que 
cada um deve aplicar sem hesitar ou reclamar. Para melhor persuadir, ela recorre à imagem, à imaginária 
pedagógica que decora as portadas da igreja. 
 (Georges Duby. A Europa na Idade Média, 1984. Adaptado.) 
O texto destaca a importância do uso das imagens na difusão do cristianismo durante a Idade Média. Tal 
uso 
(A) ocorreu apenas no período medieval devido ao grande número de analfabetos na população europeia. 
(B) resultou da influência da religião muçulmana sobre os cristãos, ocorrida após a chegada dos árabes à 
Europa. 
(C) desenvolveu uma cultura dos sentidos específica e característica das cerimônias e dos cultos católicos. 
(D) impossibilitou a expansão da fé cristã nas regiões europeias ocupadas e dominadas pelos povos 
bárbaros. 
(E) produziu uma ruptura acentuada com a tradição artística da antiguidade clássica, que jamais recorreu 
ao uso de imagens. 
Comentários 
- O uso da imagem é altamente recorrente na religião, estando seu uso condicionado até os dias de hoje. 
Antes estavam nas iluminuras dos livros, nas esculturas e hoje estão nos celulares, nas câmeras e na 
internet. Portanto, a alternativa A está incorreta, já que o uso da imagem para a difusão do cristianismo 
ainda está presente. 
- A imagem foi uma ferramenta poderosa usada pelos cristãos, porém, não originou, nem foi resultado da 
influência muçulmana, visto que está só aparece em meados dos anos 500 d.C, anos após consolidação 
do cristianismo. A alternativa B, assim, está incorreta. 
- As esculturas, as iluminuras, os vitrais, os símbolos e as vestimentas dos sacerdotes cristãos permitiram 
o desenvolvimento de uma cultura cristã específica e de cerimônias bastante definidas e características 
dos cultos católicos. Assim, a alternativa C está correta. 
- Os símbolos e imagens cristãs permitiram que regiões ocupadas por povos bárbaros fossem 
influenciadas e catequizadas. Em muitos casos houve uma aculturação cristã dos elementos bárbaros para 
a conversão dos invasores. Assim sendo, a alternativa D está incorreta. 
- A tradição clássica faz uso intensivo das imagens, como esculturas, desenhos, iluminuras e outros 
componentes. Portanto, a alternativa E está incorreta. 
Gabarito: C 
3. (2019/UNIFIPA-FAMECA) 
Quando houve crescimento econômico no Ocidente medieval – como ocorreu do século XI ao XIII –, este 
foi resultado de um crescimento demográfico. Tratava-se de enfrentar o maior número de pessoas a 
serem alimentadas, vestidas, alojadas. Os desmatamentos e a extensão das culturas foram os principais 
remédios buscados para esse excedente de população. 
(Jacques Le Goff. A civilização do Ocidente medieval, 2016.) 
Nesse contexto, 
(A) o excedente populacional encontrou nos feudos a possibilidade de acumulação de capital. 
(B) a expansão da cultura cristã atingiu seu auge no movimento conhecido como Cruzadas. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 99 
(C) a economia monetária voltou a predominar nas zonas rurais e no intercâmbio com o Oriente. 
(D) o aproveitamento de novas áreas de cultivo gerou problemas de abastecimento e transporte. 
(E) o aumento da produção agrícola contribuiu para a dinamização das atividades mercantis. 
Comentários 
- O aumento da população gerou crise nos feudos, já que estes eram espaços restritos, assim, não 
permitiam o desenvolvimento desses excedentes, nem a acumulação de capital. A alternativa A está 
incorreta. 
- A expansão da cultura cristã teve seu auge com as viagens missionárias do apóstolo Paulo e da 
oficialização do cristianismo como religião do Império Romano. As Cruzadas foi um movimento de 
retomada da Terra Santa (Jerusalém) dos muçulmanos. Portanto, a alternativa B está incorreta. 
- A economia monetária apesar de existente ainda era incipiente, mas não impedia o seu uso em todas as 
zonas e com o intercâmbio com o Oriente. Assim, a alternativa C está incorreta. 
- O uso de novas terras para cultivo não gerou falta de abastecimento ou dificuldades no transporte, mas 
sim novas formas de produção. A alternativa D está incorreta. 
- Novos territórios usados para a produção agrícola contribuíram para a produção de excedentes e 
principalmente para que as atividades comerciais voltassem como atividade mais importante. Isso causou 
o êxodo rural e o reaparecimento das cidades. A alternativa E, deste modo está correta. 
Gabarito: E 
4. (2013/FAMECA) 
No século XI, os tecelões de Flandres começaram a produzir a preço módico panos de lã que eram muito 
superiores aos tecidos em casa. Eles tiveram um crescente sucesso, primeiro em escala local, depois no 
exterior. Os tecelões tiveram que buscar em torno de si novas fontes de abastecimento. Acharam-nas na 
Inglaterra.O comércio de genoveses, pisanos e venezianos no leste transformou as lãs flamengas na mais 
popular e lucrativa de suas mercadorias, que se tornou um poderoso instrumento da expansão dessas 
cidades. 
(Colin McEvedy. Atlas de história medieval, 2007. Adaptado.) 
O texto descreve 
(A) os contatos comerciais entre cristãos e muçulmanos, graças às relações de suserania e vassalagem. 
(B) o dinamismo mercantil da Europa Medieval, com destaque para as cidades italianas e flamengas. 
(C) os motivos da decadência das feiras, devido às novas rotas comerciais entre o Norte e o Sul da Europa. 
(D) o processo de formação do feudalismo, devido à ruralização provocada pelas invasões à Europa. 
(E) o papel primordial do movimento cruzadista para o enriquecimento das cidades medievais, como as 
italianas. 
Comentários 
- O trecho apresentado não apresenta em momento algum as qualidades de suserania e 
vassalagem, e nem que as relações comerciais entre cristãos e muçulmanos foram possibilitadas por esse 
quadro. Deste modo, a alternativa A está incorreta. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 100 
- O texto aborda de forma clara como as cidades italianas e flamengas eram interligadas e bastante 
dinamizadas. Enquanto uma cidade produzia o pano, as outras transformavam e davam mais valor ao que 
foi produzido, expandindo o comércio. Assim, a alternativa B está correta. 
- O excerto retrata a dinâmica comercial das cidades italianas e flamengas e não de sua decadência 
nem de novas rotas comerciais entre sul e norte da Europa, portanto, a alternativa C está incorreta. 
- A abordagem do trecho diz respeito a dinamização da sociedade europeia em um contexto de 
crise do feudalismo e não sua formação, tendo isto em vista, a alternativa D está incorreta. 
- As Cruzadas tiveram um papel relevante no mundo medieval e contribuiu para o comércio nas 
cidades, entretanto, o texto fala da dinamização do comércio entre cidades italianas e flamengas, não 
tendo a abordagem desta alternativa. Com isso, a alternativa E está incorreta. 
Gabarito: B 
5. (2015/FAMECA) 
O historiador Georges Duby afirmou sobre a peste negra: Era uma doença exótica, contra a qual os 
organismos dos europeus não tinham defesas. [...] Veja: a epidemia, essa catástrofe, é, portanto, também 
um dos efeitos do progresso, do crescimento. 
(Georges Duby. Ano 1000, ano 2000: na pista de nossos medos, 1999.) 
O “progresso” e o “crescimento” a que o historiador se refere remetem 
(A) à desagregação do sistema feudal, que provocou o enrijecimento das relações servis e a decadência 
da vida urbana. 
(B) à colonização das terras americanas, onde os europeus encontraram novos povos e, também, novas 
doenças contagiosas. 
(C) ao expansionismo marítimo europeu, em busca de uma nova rota comercial para as Índias, sem passar 
pelo Mar Mediterrâneo. 
(D) às inovações técnicas, que permitiram o aumento da produção agrícola e industrial, fazendo surgir 
uma nova classe social. 
(E) ao desenvolvimento do comércio na Baixa Idade Média, que levou os europeus a dinamizarem as 
relações mercantis com o Oriente. 
Comentários 
- Os termos que o historiador usa se remete a desagregação do sistema feudal, mas que pôs em xeque as 
relações servis e possibilitou o reaparecimento da vida urbana, e não ao contrário como a alternativa 
propõe. Deste modo, a alternativa A está incorreta. 
- A colonização das terras americanas iniciou a partir do final dos anos de 1400, enquanto a peste originou 
em 1346. Deste modo, o avanço específico que o autor recorta no texto ainda não tinha como horizonte 
as ambições expansionistas europeias. A alternativa B está incorreta. 
- Uma das primeiras expedições marítimas fora do continente europeu se deu na descoberta de nova rota 
para as Índias, entretanto, não foi esse tipo de ação que possibilitou maior dinamização da vida europeia 
que tenha sido uma das causas do aparecimento da epidemia. A alternativa C está incorreta. 
- Apesar da produção agrícola avançar com a criação de novas ferramentas, esta não possibilitou o 
surgimento de uma nova classe, e muito menos iniciou-se um processo industrial, que surgirá em meados 
de 1700. Por conta disso, a alternativa D está incorreta. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 101 
- Por conta das crises de fome e a peste a população medieva começou um processo de êxodo rural, em 
que permitiu que as cidades reassumissem seu protagonismo. Assim, o camponês que plantava, começa 
a ter um novo ofício, o de comerciante. Assim, as relações com o oriente foram cada vez mais intensas e 
as trocas comerciais também, principalmente com a formação de uma nova classe, a burguesia. Deste 
modo, a alternativa E está correta. 
Gabarito: E 
6. (2017/Famerp) 
Aparece na literatura medieval, no final do século IX, para florescer no século XI, até se tornar um lugar 
comum no século XII, um tema que descreve a sociedade que se divide em três categorias ou ordens. 
Jacques Le Goff. Para uma outra Idade Média, 2013. 
As “três categorias ou ordens” citadas no texto são, respectivamente, 
a) aristocracia, burguesia e proletariado. 
b) militares, patrícios e camponeses. 
c) clérigos, guerreiros e trabalhadores. 
d) comerciantes, industriais e operariado. 
e) classe alta, classe média e classe baixa. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. A burguesia é um grupo social cujas origens remontam a Baixa idade 
Média, mas que só se consolida enquanto classe séculos depois, com o advento do capitalismo. Além 
disso, a figura do proletário também está relacionada ao surgimento do modo produção industrial. 
- A alternativa B está incorreta, afinal os patrícios constituíam a classe dominante da Roma Antiga, 
enquanto as funções militares da Baixa Idade Média ficavam a cargo da nobreza de cavalaria. 
- A alternativa C é a resposta. Observe abaixo a representação da sociedade estamental verificada na 
Europa feudal: 
 
 
- A alternativa D está incorreta, afinal o modo de produção industrial surge a partir do século XVII, com a 
chamada Revolução Industrial. Além disso, operariado, industriais e comerciantes não eram classes 
sociais. 
- A alternativa E está incorreta, pois comete um anacronismo ao se utilizar de noções contemporâneas 
de classe social para definir a sociedade feudal. 
Gabarito: C 
Clero
ORATORES
Nobreza
BELLATORES
Servos e camponeses
LABORATORES
Composto pelos membros da Igreja, eram os 
responsáveis pela ligação do mundo divino 
com o mundo terreno. 
Classe composta por senhores feudais e 
cavaleiros, era encarregada da proteção dos 
demais grupos. 
Responsáveis pelo trabalho que sustenta toda 
a sociedade feudal. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 102 
7. (2021/Fameca) 
Na maior parte das cidades fabricantes de tecidos, as atividades de tinturaria eram compartimentadas 
segundo as matérias têxteis (lã, linho, seda), as cores e os grupos de cores. Havia regras estritas, 
interditava-se alguém de utilizar uma gama de cores não autorizada. Para os tecidos de lã, por exemplo, 
a partir do século XIII, aquele que tinha licença de utilizar o vermelho estava proibido de empregar o azul 
e vice-versa. 
(Michel Pastoureau. Bleu: histoire d’une couleur, 2000. Adaptado.) 
O excerto menciona um aspecto da atividade econômica da Baixa Idade Média europeia. 
Percebe-se que o setor produtivo 
A) tinha por finalidade principal conferir beleza artística a objetos de uso corrente. 
B) garantia a boa qualidade da mercadoria por meio da exigência de especialização da mão de obra. 
C) tendia à substituição progressiva do trabalho doméstico pela concentração industrial. 
D) estava dividido em corporações de oficinas detentoras de privilégios em ramos específicos da 
economia. 
E) era economicamente instável devido à concorrência das empresaspelo domínio do mercado. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. O objetivo do setor produtivo era assegurar a venda dos 
comerciantes e não conferir beleza artística. 
A alternativa B está incorreta. Esse aspecto de produção compartimentalizada visava proteger os 
interesses de cada tipo de comerciante e não necessariamente garantir boa qualidade e exigência 
da mão de obra. 
A alternativa C está incorreta. A produção como descrita no texto diz respeito a políticas entre 
comerciantes de proteção de suas produções e não de alteração da mão de obra. 
A alternativa D está correta. A divisão da produção era feita pelas corporações de ofício que 
montavam ligas ou hansas para controle e privilégios de certos ramos da economia. 
A alternativa E está incorreta. O setor produtivo não se tornou instável por conta do monopólio 
exercido pelas ligas e hansas. 
Gabarito: D 
8. (2019/Famema) 
O problema das “origens” do feudalismo gerou inúmeras polêmicas sobre o fim do Império Romano no 
Ocidente (século V) e o surgimento das instituições feudais. Comumente, aceita-se a tese da junção de 
formas sociais romanas e germânicas que, justapostas, engendrariam as bases da sociedade feudal. 
Outros historiadores têm procurado ver na própria crise interna do império, particularmente a partir do 
século III, as causas da decadência romana e sua fragilidade em face dos bárbaros. 
(Francisco C. T. da Silva. Sociedade feudal, 1982. Adaptado.) 
As origens do sistema feudal podem ser encontradas 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 103 
A) no declínio da escravidão no Império Romano, o que originou nova forma de trabalho, e na noção de 
fidelidade pessoal dos germanos. 
B) no fracasso da reforma agrária no Império Romano, o que intensificou as guerras civis, e na concepção 
de poder divino dos germanos. 
C) na assimilação dos povos dominados, que se tornaram plenos cidadãos romanos, e na ideia de 
propriedade privada dos germanos. 
D) no fortalecimento da autoridade imperial, que se sobrepôs ao Senado romano, e na tradição das leis 
escritas dos povos germânicos. 
E) na crise dos minifúndios romanos, o que gerou intenso êxodo rural, e nas relações escravistas típicas 
das comunidades germânicas. 
Comentários 
A alternativa A está correta. Atualmente o feudalismo é visto como um processo que decorre da 
conjunção entre instituições romanas e germânicas e que florescem no declínio da escravidão do Império. 
As duas instituições que temos é o colonato romano (um tipo de trabalho compulsório, em que o 
camponês ficava preso a terra) e o comitatus germânico (uma ligação mais pessoas de fidelidade, entre 
um guerreiro e um chefe militar. 
A alternativa B está incorreta. O Império não promoveu reforma agrária, e isto está ligado a criação de 
latifúndios e consequentemente os feudos. 
A alternativa C está incorreta. Os romanos assimilaram muito dos povos bárbaros, mas isso não gerou 
elementos de formação do feudalismo, e os germânicos não possuíam uma concepção de propriedade 
privada, mas sim comunal e patriarcal. 
A alternativa D está incorreta. A autoridade Imperial realmente se sobrepôs durante um tempo ao 
Senado, entretanto, as leis germânicas eram orais e consuetudinárias e não escritas. 
A alternativa E está incorreta. O feudalismo tem como base a crise das cidades e o êxodo urbano e não 
rural. 
Gabarito: A 
9. (2019/Fameca) 
Quando houve crescimento econômico no Ocidente medieval – como ocorreu do século XI ao XIII –, este 
foi resultado de um crescimento demográfico. Tratava-se de enfrentar o maior número de pessoas a 
serem alimentadas, vestidas, alojadas. Os desmatamentos e a extensão das culturas foram os principais 
remédios buscados para esse excedente de população. 
(Jacques Le Goff. A civilização do Ocidente medieval, 2016.) 
Nesse contexto, 
A) o excedente populacional encontrou nos feudos a possibilidade de acumulação de capital. 
B) a expansão da cultura cristã atingiu seu auge no movimento conhecido como Cruzadas. 
C) a economia monetária voltou a predominar nas zonas rurais e no intercâmbio com o Oriente. 
D) o aproveitamento de novas áreas de cultivo gerou problemas de abastecimento e transporte. 
E) o aumento da produção agrícola contribuiu para a dinamização das atividades mercantis. 
Comentários 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 104 
A alternativa A está incorreta, pois o excedente populacional gerou um êxodo rural, esvaziando 
os feudos e fez ressurgir a importância das cidades. 
A alternativa B está incorreta, o auge de expansão da cultura cristã chegou em seu auge durante 
o Império Romano, quando foi oficializada. As Cruzadas tinham como objetivo reconquistar 
territórios católicos tomados pelo Islã, em ascensão. 
A alternativa C está incorreta. A economia monetária ganha destaque nas cidades, que 
retomaram sua importância por conta do boom populacional. Foram nas cidades que surgiram os 
primeiros bancos. 
A alternativa D está incorreta. As novas áreas de cultivo não geraram problemas de 
abastecimento (que ocorreram no século XIV por conta de problemas naturais) e não 
atrapalharam o transporte. 
A alternativa E está correta, com o aumento populacional foi necessário produzir mais para que 
as cidades fossem abastecidas, isto permitiu que as atividades mercantis ganhassem maior 
dinamismo, sendo o período conhecido como “renascimento comercial”. 
Gabarito: E 
10. (2020/FAMERP) 
[...] o senhor faz-se homem de um senhor mais poderoso cuja força, neste caso, já não reside nos vestígios 
de uma função pública, mas tão só na extensão das terras e no número de vassalos que o reconhecem 
como suserano. 
(Charles Parain et al. Sobre o feudalismo, 1973. Apud Hamilton M. Monteiro.O feudalismo: economia e sociedade, 1987.) 
No âmbito da Idade Média ocidental, o texto caracteriza 
A) os conflitos socioeconômicos nos campos e a valorização da hegemonia monárquica. 
B) as relações baseadas na propriedade rural e o controle do poder pelos funcionários públicos. 
C) as concorrências entre donos de manufaturas e a rigidez da hierarquia social. 
D) as relações entre classes sociais distintas e o princípio da soberania política. 
E) as relações internas à nobreza e a noção de riqueza como posse de terras. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. O texto aponta as relações de fidelidade entre vassalos e suseranos e não entre 
conflitos socioeconômicos ou valorização da hegemonia monárquica. 
A alternativa B está incorreta. O texto aponta as relações baseadas na propriedade, porém, não no controle do 
poder pelos funcionários públicos. 
A alternativa C está incorreta. O texto não aborda como característica da Idade Média a concorrência entre donos 
de manufaturas. 
A alternativa D está incorreta. O texto não caracteriza as relações entre classes distintas, muito menos o princípio 
de soberania política. 
A alternativa E está correta. O texto aponta as relações de fidelidade entre vassalos e suseranos, que são questões 
no âmbito da nobreza, e que o poder deriva exclusivamente da posse de terras. 
Gabarito: E 
11. (2021/FAMERP) 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 105 
Na cristandade medieval, era fácil apelar para a crença no além, Deus e os personagens sobrenaturais 
estavam muito presentes na vida cotidiana. A religião cristã estimulava a imaginação dos homens e das 
mulheres, e criou um “imaginário” próprio do cristianismo. 
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007.) 
É um exemplo da presença e da persistência desse “imaginário próprio do cristianismo”: 
A) a ideia de um céu povoado de seres extraordinários. 
B) a incorporação da tradição judaica de celebrar imagens de santos. 
C) a obrigação de peregrinar até Jerusalém pelo menos uma vez na vida. 
D) a absorção do monoteísmo hegemônicona Antiguidade clássica. 
E) a crença de que todo católico pode realizar milagres. 
Comentários 
A alternativa A está correta. Uma das grandes noções trazidas pelo cristianismo é a do céu povoado de seres 
extraordinários e um inferno também desse jeito. 
A alternativa B está incorreta. A tradição de celebrar imagens não advém da tradição judaica. 
A alternativa C está incorreta. A obrigação de peregrinação até uma cidade é preceito do Islã, que pressupõe que 
ao menos uma vez na vida uma pessoa peregrine até Meca. 
A alternativa D está incorreta. O monoteísmo advém da religião judaica, não sendo este absorvido na antiguidade 
clássica marcada pelo politeísmo. 
A alternativa E está incorreta. Não existe um imaginário cristão que diga que todo o católico realizará milagres. 
Gabarito: A 
12. (2019/FASM) 
As Cruzadas não foram as responsáveis pelas grandes transformações econômicas, mas produto delas. 
Contudo, elas não deixaram de contribuir significativamente para o avanço daquelas transformações. 
Exemplifiquemos com Veneza e Gênova, pois estas cidades eram os principais centros econômicos da 
época e tiveram importante participação nas Cruzadas. 
(Hilário Franco Jr. As Cruzadas, 1984. Adaptado.) 
Justifica a proposição do historiador o fato de que as Cruzadas 
a) levaram à descoberta de uma nova rota mercantil para a Ásia, rompendo o monopólio das cidades 
italianas no Mar Mediterrâneo. 
b) permitiram a formação de impérios mercantis, em destaque o veneziano, consolidando o absolutismo 
monárquico. 
c) iniciaram o desenvolvimento da agricultura com excedentes na Europa, acabando com a 
autossuficiência dos feudos. 
d) provocaram a extinção do sistema feudal, abrindo caminho para a afirmação das forças capitalistas sob 
controle da burguesia. 
e) intensificaram o comércio já existente, retomando o intercâmbio com mercados orientais, até então 
dominado pelos muçulmanos. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque as Cruzadas não levaram à descoberta de uma nova rota mercantil, 
e sim à reabertura da comercialização no Mar Mediterrâneo. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 106 
- A alternativa B está incorreta, porque o absolutismo é um fenômeno da Idade Moderna, enquanto as 
Cruzadas ocorreram na Idade Média. Não há relação entre estes dois fatores. 
- A alternativa C está incorreta, porque as Cruzadas não foram responsáveis por iniciar o desenvolvimento 
da agricultura com excedentes. Esta foi fruto das inovações tecnológicas do período, como os arados e 
ferramentas feitas de aço. 
- A alternativa D está incorreta. O autor deixa claro que as Cruzadas não foram responsáveis por grandes 
transformações econômicas. Portanto, seria errôneo afirmar que este fenômeno histórico foi responsável 
pela extinção do sistema feudal. Além disso, o feudalismo não deu lugar ao capitalismo, e sim ao 
mercantilismo. 
- A alternativa E está correta. O trecho busca definir a importância histórica das Cruzadas, sem recorrer 
às afirmações de que estas foram responsáveis por grandes transformações econômicas (como o fim do 
feudalismo). Uma decorrência que exemplifica esta relevância, seguindo os pressupostos do autor, é a 
intensificação do comércio pré-existente, através da retomada das rotas que até então estavam sob 
domínio dos muçulmanos. Isto levou ao fortalecimento das cidades italianas situadas na costa do Mar 
Mediterrâneo, tal como Veneza e Gênova. 
Gabarito: E 
13. (2017/FASM) 
Na Baixa Idade Média (XII-XV), moedas de diversas origens circulavam na Europa. Na França, no século 
XIV, 14 senhores feudais tinham direito de cunhar as suas próprias moedas. Essa situação, que dificultava 
as relações comerciais, tendeu a ser superada 
a) com o restabelecimento das fronteiras do Império Romano. 
b) com a adoção do padrão monetário bizantino. 
c) com a generalização da troca de mercadorias in natura. 
d) com a invenção das letras de câmbio. 
e) com a formação das monarquias nacionais. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque não houve o restabelecimento das fronteiras do Império Romano 
durante a Baixa Idade Média. 
- A alternativa B está incorreta, porque bizantino se refere à parte oriental do Império Romano, que não 
possui relação direta com o contexto europeu da Baixa Idade Média, especialmente da porção ocidental 
do continente. 
- A alternativa C está incorreta, porque a troca de mercadorias não possui relação com o estabelecimento 
de uma moeda unificada, já que neste modelo a utilização de moedas é minoritária ou inexistente. 
- A alternativa D está incorreta, porque as letras de câmbio não solucionavam o problema da 
heterogeneidade das moedas, já que eram simples documentos que firmavam a obrigação de pagamento 
de uma dívida. 
- A alternativa E está correta. A formação dos Estados nacionais, no período de transição do Medievo para 
a Modernidade, levou à centralização do poder na figura do monarca. Este, por sua vez, determinava a 
criação de um corpo de leis, de um exército nacional e de uma moeda válida dentro de seu território. Com 
isso, o problema da diversidade cambiária foi solucionado. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 107 
Gabarito: E 
14. (2016.2/FASM) 
As feiras floresceram e converteram-se, na Baixa Idade Média europeia, em grandes eventos regionais e 
internacionais, onde mercadores, cambistas e operadores bancários se reuniam. 
(Henry Royston Loyn (org.). Dicionário da Idade Média, 1997. Adaptado.) 
Além de sua importância econômica, esses eventos 
a) patrocinavam grandes espetáculos, como os torneios de cavaleiros, para atrair mais compradores para 
a variedade de produtos expostos. 
b) contribuíram para o fortalecimento do poder dos senhores feudais, maiores beneficiários das rendas 
obtidas com as trocas comerciais. 
c) propagavam o catolicismo, religião que apoiava o desenvolvimento das atividades burguesas, 
sobretudo as bancárias. 
d) difundiam notícias e ideias trazidas por homens de comunidades distantes, tornando-se, assim, lugares 
de grande importância cultural. 
e) organizavam federações de cidades a fim de defender os interesses dos seus comerciantes por meio 
do estabelecimento do livre-cambismo. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque os torneios eram patrocinados pela nobreza, em espetáculos 
próprios. Não se relacionavam, portanto, às feiras medievais. 
- A alternativa B está incorreta, porque as feiras não se encontravam sob a jurisdição dos senhores feudais. 
Estes eventos proporcionaram a penetração de novas ideias e criação de novas cidades, corroborando 
para o enfraquecimento do feudalismo. 
- A alternativa C está incorreta, porque o catolicismo não apoiava o desenvolvimento das atividades 
burguesas e bancárias, já que a Igreja condenava a usura (empréstimo de dinheiro mediante cobrança de 
juros). 
- A alternativa D está correta. Além da importância econômica, as feiras eram locais de grande 
intercâmbio cultural, já que pessoas de diferentes regiões e nacionalidades se encontravam, fato que 
propiciava a dispersão de ideias e notícias dos mais distantes locais, além do compartilhamento de 
vivências. 
- A alternativa E está incorreta, porque os ideais de livre comércio não eram uma pauta das feiras 
medievais. Além disso, não existia uma “organização de federações de cidades”. 
Gabarito: D 
15. (2016.1/FASM) 
Monarquia: os príncipes do século XIII controlaram a turbulência feudal, retomaram o poder em suas 
mãos. Restabeleciam-se, dessa maneira, formações políticas que não existiam mais há um bom tempo. 
(Georges Duby. A Europa na Idade Média, 1984.) 
O excerto alude ao processo de 
a) aliança política dos servos com o rei no combate aos senhores territoriais. 
b) expropriação dos direitos senhoriais pela burguesia das cidades comerciais. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES– IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 108 
c) unificação religiosa da Europa sob o domínio de autoridades militares. 
d) expulsão dos árabes do continente europeu pelos reis católicos. 
e) imposição do poder central aos particularismos políticos da nobreza. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque o texto alude ao processo de centralização do poder, e não à 
aliança política visando o combate aos senhores territoriais. 
- A alternativa B está incorreta, porque a burguesia ainda era uma classe em formação neste período. Esta 
não realizou a expropriação dos direitos senhoriais. 
- A alternativa C está incorreta, porque a unificação religiosa da Europa ocorreu sob o domínio da Igreja 
Católica, e não de autoridades militares. Além disso, não é a isso que o texto alude. 
- A alternativa D está incorreta, porque a expulsão dos árabes foi um processo ocorrido no início da Idade 
Média, e não no século XIII. Além disso, o texto não alude a este fato. 
- A alternativa E está correta. O texto demonstra a centralização do poder iniciada no século XIII, através 
da ascensão de príncipes e monarcas. Este processo levou à imposição de uma ordem em meio à 
diversidade e descentralização que marcou o período medieval, já que o poder político se encontrava 
distribuído entre diversos senhores da nobreza feudal. 
Gabarito: E 
16. (2022/SANTA CASA MEDICINA) 
A mesma preocupação de imitar os primeiros Pais da Igreja, de vencer o orgulho, de se libertar das 
vaidades, a vontade de se desviar das ilusões da aparência a fim de melhor ouvir a palavra de Deus, 
impunha o banimento das imagens dos mosteiros. Os Cistercienses as julgavam úteis para o ensinamento 
dos pobres. Quanto aos Cistercienses, ao procurar uma fusão total com o Espírito, eles as recusavam, 
retomando a condenação de toda figuração pela Igreja primitiva. 
(Georges Duby. Art et société au Moyen Age, 1997. Adaptado.) 
A ordem beneditina dos Cistercienses, fundada no final século XI, renovou profundamente o 
monasticismo, 
a) pregando o amor universal pela humanidade e aproximando-se das outras religiões monoteístas. 
b) restaurando a igreja das comunidades de penitentes e opondo-se ao poder temporal do papado. 
c) traduzindo a bíblia para as línguas nacionais e insistindo no princípio da salvação pela fé em Cristo. 
d) criticando a ordem social do feudalismo e pregando o princípio da paz cristã na relação entre povos. 
e) condenando a idolatria e, ao mesmo tempo, reconhecendo a sua função para a instrução cristã dos 
iletrados. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque a pregação do amor universal não foi uma revolução 
proporcionada pelos Cistercienses. Esse tipo de conduta já era adotada por outras ordens monásticas. 
- A alternativa B está incorreta, porque os Cistercienses proporcionaram a construção de novas igrejas e 
abadias, com estilo singular e simplista. Além disso, não havia uma oposição ao poder temporal do 
papado. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 109 
- A alternativa C está incorreta, porque a tradução da bíblia e instituição da salvação pela fé foram obras 
dos protestantes, e não dos Cistercienses. 
- A alternativa D está incorreta, porque os Cistercienses não criticavam a ordem social do feudalismo, já 
que a Igreja exercia um importante papel social para a manutenção deste sistema. Existem historiadores 
que afirmam que essa ordem monástica vivia afastada do modelo feudal. 
- A alternativa E está correta. Os Cistercienses buscavam retomar o espírito da chamada Igreja Primitiva, 
ou seja, aquela que existiu no início do cristianismo. Essa ordem monástica inovou ao abraçar a pobreza 
e condenar qualquer forma de luxo e idolatria. As igrejas e abadias, que até então eram caracterizadas 
por uma enorme opulência, passaram a ser construídas como locais simples, sem adornos e requinte. Até 
as imagens foram banidas, já que muitas delas desviavam o foco dos monges. Como relembra o 
enunciado, esses “ídolos” eram importantes para a instrução cristã da população comum, que era 
composta majoritariamente de analfabetos e dependiam do elemento visual para compreender conceitos 
centrais da religião. 
Gabarito: E 
17. (2021/SANTA CASA MEDICINA) 
A Idade Média é complexa. Por que a chamamos de “feudal”? Antes de tudo porque ela é dominada por 
“senhores” que têm subordinados chamados “vassalos”, aos quais eles concedem (“emprestam”, se 
preferirem) terras que lhes proporcionam uma renda e que são chamadas de “feudos”, daí o nome 
“feudal”. 
Essa palavra designa um sistema social que os filósofos do século XVIII e os homens da Revolução Francesa 
detestam e denunciam, porque o povo, os camponeses, as “pessoas simples” são oprimidas pelos ricos e 
poderosos. Essa imagem permanece colada à Idade Média. 
 (Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007. Adaptado.) 
A partir da leitura do excerto, pode-se constatar que 
a) o primeiro parágrafo descreve relações internas ao setor hegemônico e o segundo parágrafo mostra 
uma crítica ao sistema social medieval, feita posteriormente à experiência histórica do Medievo. 
b) a última frase do texto descreve a persistência da ideia, ainda defendida pela maioria dos historiadores, 
de que a Idade Média foi um período de trevas e estagnação cultural. 
c) o primeiro parágrafo caracteriza a principal relação de dominação social da Idade Média e o segundo 
parágrafo expõe a forte crítica dos pensadores socialistas contra o Medievo. 
d) o primeiro parágrafo do texto identifica uma relação interna ao setor produtivo e o segundo parágrafo 
aponta para uma interpretação dessa relação, desenvolvida ainda durante o Medievo. 
e) a primeira frase do texto destaca a particularidade da Idade Média, diferenciando-a dos outros períodos 
históricos, marcados pela uniformidade das relações sociais internas. 
Comentários 
- A alternativa A está correta. O primeiro paragrafo caracteriza e descreve as relações existentes no 
feudalismo, ou seja, as interações entre senhores, servos e terra. Já no segundo parágrafo, existe uma 
crítica ao sistema medieval, elaborada em fins da Idade Moderna (ou seja, posteriormente ao Medievo), 
de que o povo era oprimido pelos poderosos. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 110 
- A alternativa B está incorreta, porque a ideia de que a Idade Média foi um período de trevas não é mais 
defendida pela maioria dos historiadores, já que estes enxergam os diversos avanços tecnológicos e 
revoluções culturais ocorridas no período. 
- A alternativa C está incorreta, porque o segundo parágrafo não expõe a crítica dos pensadores socialistas 
ao modelo medieval, e sim da intelectualidade do século XVIII e Revolução Francesa. 
- A alternativa D está incorreta, porque o segundo parágrafo expõe uma interpretação desenvolvida 
posteriormente ao Medievo. 
- A alternativa E está incorreta, porque nenhum outro período histórico foi marcado pela uniformidade 
das relações sociais internas. Segundo Marx, a história da humanidade sempre esteve vinculada à luta de 
classes, ou seja, à heterogeneidade das relações sociais. 
Gabarito: A 
18. (2020/SANTA CASA MEDICINA) 
Observe a reprodução do Retábulo dos Sete Sacramentos (1445) de Rogier van der Weyden. 
 
(www.artbible.info) 
A pintura, pertencente ao Museu Real de Belas Artes de Antuérpia, na Bélgica, reproduz uma arquitetura 
tipicamente 
a) clássica, considerando os arcos redondos de inspiração românica. 
b) gótica, considerando as linhas ascensionais da construção. 
c) barroca, considerando a oposição entre as figuras e o espaço. 
d) renascentista, considerando a utilização de colunas de mármore. 
e) maneirista, considerando a fusão de estilos construtivos diversos. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque na imagem é possível reconhecer os arcos quebrados, típicosda 
arquitetura gótica, e não os arcos redondos. 
- A alternativa B está correta. O modelo de arquitetura gótica foi disseminado pela Europa a partir do 
século V, substituindo a arquitetura romana (ou clássica). Estas construções são pautadas pela 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 111 
verticalidade, presença de arcos quebrados e abóbadas ogivais. Estes elementos estão presentes na 
imagem, principalmente a noção de altura da construção (linha ascensional). 
- A alternativa C está incorreta, porque não existem elementos que retomam o estilo barroco na imagem. 
Além disso, a pintura é datada do século XV, momento no qual o barroco ainda não existia. 
- A alternativa D está incorreta, porque é impossível afirmar que as colunas presentes na imagem são, de 
fato, compostas por mármore. O estilo renascentista tentava se aproximar do clássico, optando por arcos 
mais arredondados, diferentemente dos que são apresentados na pintura. 
- A alternativa E está incorreta, porque não existe, na imagem, a fusão de estilos diversos. É possível 
observar apenas a arquitetura gótica e suas características. 
Gabarito: B 
19. (2020/SANTA CASA) 
A Idade Média deu à cidade, ou à maioria delas, um espaço rodeado por uma muralha [...]. Naquela época, 
a cidade como centro de poder não exerceu o domínio que se poderia ter esperado. Muito 
frequentemente, o poder se situava num lugar mais ou menos dissociado da cidade. 
(Jacques Le Goff. Por amor às cidades, 1998.) 
A afirmação do historiador sobre as cidades europeias da Idade Média pode ser explicada 
a) pela base feudal da economia e da política do período. 
b) pela dizimação de grande parte da população urbana pela peste negra. 
c) pela proteção garantida aos burgueses pelos cavaleiros nobres. 
d) pela permanência das ordens religiosas e dos bispos nas regiões rurais. 
e) pela aliança política duradoura entre reis, nobres e membros do alto clero. 
Comentários 
- A alternativa A está correta. O autor afirma que as cidades não exerceram o domínio esperado, já que 
existia, no meio rural, um local mais importante no qual se concentrava o poder. Este era, tendo em vista 
o contexto medieval, o feudo. Este foi a base do sistema econômico do período, o feudalismo, já que as 
relações sociais, políticas e econômicas se estruturavam em torno dele. 
- A alternativa B está incorreta, porque o autor se refere à existência e importância dos feudos, e não à 
dizimação da população pela peste negra. 
- A alternativa C está incorreta, porque não existia uma relação de proteção entre cavaleiros e burgueses. 
Os cavaleiros eram figuras importantes para o sistema feudal, enquanto os burgueses integravam o 
ambiente das cidades (burgos). 
- A alternativa D está incorreta, porque os bispos e ordens religiosas também eram encontrados nas 
cidades. Não eram exclusividade do meio rural. 
- A alternativa E está incorreta, porque o autor não se refere à aliança política entre nobreza e membros 
do alto clero. Esta não possui relevância para explicar o papel reduzido das cidades. 
Gabarito: A 
20. (2018/SANTA CASA) 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 112 
 
(Sainte-Chapelle, Paris, 1248. In: E. H. Gombrich. A história da arte, 1995.) 
A imagem mostra uma construção 
a) barroca, caracterizada pelo contraste entre as formas e os elementos estéticos. 
b) românica, caracterizada pela predominância de materiais naturais, como madeira e pedra. 
c) gótica, caracterizada pela presença de arcos ogivais e linhas entrelaçadas. 
d) clássica, caracterizada pela recuperação de elementos estéticos greco-romanos. 
e) romântica, caracterizada pela combinação de elementos religiosos e elementos políticos. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque não existem elementos que indiquem o contraste entre formas e 
elementos estéticos. Ademais, a escola barroca é muito posterior à construção do século XIII. 
- A alternativa B está incorreta, porque a arquitetura românica não é caracterizada pela predominância 
de materiais naturais. Ademais, as construções deste estilo eram voltadas para a defesa, lembrando fortes 
e castelos. 
- A alternativa C está correta. A construção apresentada corresponde ao estilo gótico, fato constatado 
pela presença de arcos ogivais e linhas entrelaçadas. Outros aspectos importantes são a verticalização do 
edifício e as vidraças decorativas. 
- A alternativa D está incorreta, porque a arquitetura clássica é marcada, por exemplo, por arcos redondos 
e uso do mármore. Estes não estão presentes na imagem. 
- A alternativa E está incorreta, porque a arquitetura romântica é pautada pela utilização de arcos 
circulares e grandes pilastras. Estas não estão presentes na imagem. 
Gabarito: C 
21. (2020/CUSC) 
Observe a fachada principal da Catedral de Notre Dame de Paris. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 113 
 
(nationalgeographicbrasil.com) 
O estilo dessa construção está relacionado 
a) à afirmação do racionalismo, em um contexto de expansão comercial. 
b) ao auge do teocentrismo, em um período de isolamento no campo. 
c) ao progresso das ciências, em uma época de liberdade de pensamento. 
d) à supremacia do homem, em uma cultura marcadamente materialista. 
e) ao desenvolvimento urbano, em uma sociedade dominada pela fé. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque a Catedral de Notre Dame foi construída durante o período 
medieval, antes da afirmação do racionalismo e da expansão comercial. 
- A alternativa B está incorreta, porque a Catedral de Notre Dame não foi construída no período de 
isolamento no campo, haja visto que ela está situada em Paris, uma das grandes cidades do período 
medieval. 
- A alternativa C está incorreta, porque a Catedral de Notre Dame foi construída durante o período 
medieval, no qual o pensamento estava extremamente condicionado ao aval da Igreja, fator que suprimia 
sua liberdade. 
- A alternativa D está incorreta, porque a construção se relaciona a um período de supremacia da religião, 
e não do homem. A cultura nesta época era notadamente voltada ao espiritual, e não ao material. 
- A alternativa E está correta. O contexto de criação da Catedral de Notre Dame remete ao período de 
inchamento das cidades, a partir do século XI, conhecido como “Baixa Idade Média”. Por conta disso, essa 
construção foi realizada em Paris, um dos grandes centros urbanos daquele momento, e não em um dos 
vários feudos franceses (meio rural). Vale lembrar que a sociedade da época era fortemente dominada 
pela fé, já que a Igreja Católica era uma instituição hegemônica e basilar. 
Gabarito: E 
22. (2018/CUSC) 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 114 
Por volta do ano 1000, consolidou-se no Ocidente uma profunda mutação política e social. As antigas 
estruturas públicas herdadas da Antiguidade terminaram por desmoronar para dar lugar a um novo 
regime, o feudalismo. Este não é desordem, mas uma tentativa de instaurar uma nova ordem fundada 
sobre as relações de homem a homem e sobre a adaptação do poder a uma escala territorial reduzida, 
organizada em torno de um castelo. 
(Jacques Le Goff e Jean-Claude Schmitt (orgs.). Dicionário analítico do Ocidente medieval, vol. I, 2017. Adaptado.) 
Pode-se exemplificar a afirmação do texto com 
a) a consolidação do poder temporal do Papa no continente europeu e a paz duradoura instaurada pela 
Igreja. 
b) a formação das monarquias nacionais e a predominância de uma economia agrária comunitária. 
c) as obrigações militares recíprocas entre os senhores territoriais e os vínculos de exploração econômica 
dos senhores sobre os servos. 
d) o deslocamento da aristocracia para os castelos reais e a importação de produtos de luxo do extremo 
Oriente.e) o exercício do governo pela burguesia mercantil e o aparecimento de cidades comerciais fortificadas. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque o contexto de consolidação do poder da Igreja Católica ocorreu 
em período anterior ao que é narrado pelo excerto. Além disso, o texto trata acerca da estruturação das 
relações sociais e produtivas, e não do quesito religioso. 
- A alternativa B está incorreta, porque as monarquias nacionais foram criadas no fim da Idade Média, em 
um momento de crise do feudalismo. O excerto aponta para o estabelecimento e fortalecimento das 
relações feudais. 
- A alternativa C está correta. O trecho faz algumas afirmações acerca do feudalismo, que foi um sistema 
econômico existente durante a Idade Média. Este era pautado pelas obrigações militares entre suseranos 
e vassalos, ligados pela lealdade e por juramentos, e pelo vínculo do camponês ao senhor por intermédio 
do uso de terras, que engendrava um regime de servidão. 
- A alternativa D está incorreta, porque a importação de produtos de luxo do extremo Oriente não 
exemplifica o regime feudal, já que esta atividade comercial era organizada em torno do meio urbano do 
período. 
- A alternativa E está incorreta. O excerto pauta acerca do surgimento e fortalecimento do feudalismo. O 
aparecimento de cidades comerciais decretou, paulatinamente, a crise do sistema feudal. Além disso, o 
exercício do governo pela burguesia não se relaciona ao contexto medieval suscitado pelo texto. 
Gabarito: C 
23. (2017/CUSC) 
O surgimento de grandes feiras, como as de Champagne e de Flandres, entre os séculos XI e XIII, está 
diretamente relacionado 
a) à expansão marítima empreendida pelos Estados ibéricos, que trouxe novos produtos para o mercado 
europeu. 
b) ao crescimento populacional europeu, que gerou o aumento da produção agrícola e artesanal e 
expandiu as atividades comerciais. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 115 
c) ao fim da cobrança de tributos feudais, durante a Alta Idade Média, que ocasionou o barateamento da 
produção agrícola. 
d) à centralização do poder político, que provocou a desregulamentação do comércio, no processo de 
formação dos Estados nacionais. 
e) à expansão do calvinismo, cujos valores foram utilizados pela burguesia para justificar sua busca por 
riquezas. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque a expansão marítima empreendida pelos Estado ibéricos só 
ocorreu a partir do século XV, e não entre os séculos XI e XIII. 
- A alternativa B está correta. Entre os séculos XI e XIII, houve um grande crescimento populacional 
europeu, fruto da estabilidade de alguns feudos e do reavivamento da vida urbana. Uma série de 
descobertas tecnológicas foram realizadas, permitindo o aumento da produção agrícola e geração de 
excedentes. As atividades artesanais também foram incrementadas neste momento. Com isso, as feiras 
medievais surgiram, figurando como importantes locais de troca, compra e venda destes produtos. 
- A alternativa C está incorreta, porque não houve o fim da cobrança de tributos feudais neste período. 
Estes se mantiveram, já que o feudalismo dependia destes para a sua manutenção. 
- A alternativa D está incorreta, porque a centralização do poder político promoveu a regulamentação do 
comércio, especialmente através da unificação cambiária. Além disso, o contexto citado não corresponde 
a este momento de centralização. 
- A alternativa E está incorreta, porque o calvinismo foi criado no século XVI, em um momento distante 
daquele citado pelo enunciado. Portanto, não há relação entre esta doutrina e o surgimento de feiras 
medievais. 
Gabarito: B 
24. (2020/Faculdade Albert Einstein) 
Durante muito tempo, os doentes eram tratados, principalmente, com remédios populares. Nas terras 
não cristãs, os homens e as mulheres que aplicavam esses tratamentos eram considerados feiticeiros e 
feiticeiras. Nas terras cristãs, a feitiçaria era proibida, mas havia “curandeiros” cristãos a quem Deus havia 
dado um saber. As pessoas mais ricas (senhores e burgueses) eram quase sempre tratadas por médicos 
judeus, pois os judeus possuíam conhecimentos de medicina vindos da Antiguidade. 
(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos, 2007. Adaptado.) 
Ao tratar das doenças e dos tratamentos médicos na Idade Média, o texto 
a) reconhece a diversidade dos cuidados médicos em um universo sociorreligioso uniforme. 
b) caracteriza o avanço das ciências médicas na Europa, em comparação com outras partes do mundo. 
c) destaca o caráter democrático da medicina popular, em comparação com tratamentos mais caros. 
d) associa o declínio dos tratamentos médicos à perseguição desencadeada pela Inquisição. 
e) relaciona o acesso a tratamentos médicos às diferentes condições sociais e religiosas. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, afinal o texto sugere a existência de cristãos, judeus e outras crenças 
religiosas durante a Idade Média. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 116 
- A alternativa B está incorreta, pois os judeus mostraram-se maiores conhecedores das práticas médicas 
que os cristãos. Ademais, a medicina islâmica mostrou-se mais avançada no período. 
- A alternativa C está incorreta, apesar de abordar os tratamentos populares, o texto não os enfatiza. 
- A alternativa D está incorreta. Apesar da Inquisição ter surgido ao final da Idade Média, o texto mantém 
um viés mais abrangente em relação às práticas médicas do período. 
- A alternativa E é a resposta. De acordo com o texto, as condições de tratamento médico na Idade Média 
poderiam variar tanto considerando diferentes estratos sociais, prevalecendo entre os mais ricos a 
recorrência aos sábios judeus; quanto considerando diferentes partes do mundo, prevalecendo nas cristãs 
uma tentativa de explicar as práticas de cura a luz da religiosidade. 
Gabarito: E 
25. (UEG/2011) 
 Durante o Feudalismo, os servos eram obrigados a prestar várias obrigações aos senhores feudais. Uma 
delas, era a talha, na qual o servo deveria: 
a) doar o dízimo da primeira colheita aos senhores. 
b) entregar parte da produção pastoril aos senhores. 
 c) pagar pela utilização do moinho ou forno dos senhores. 
d) trabalhar alguns dias da semana na reserva senhorial. 
Comentários 
Questão que demanda conhecimentos prévios e pode ser respondida por eliminação. Todas as 
alternativas evocam elementos que correspondem a obrigações dos servos para com os senhores 
feudais no período do feudalismo, mas somente a letra B se refere efetivamente a talha. 
- A alternativa A está incorreta, uma vez que o dízimo era um imposto pago à Igreja. 
- A alternativa C está incorreta, pois trata-se de uma descrição das banalidades. 
- A alternativa D está incorreta, afinal oferece uma descrição da corveia. 
Gabarito B 
26. (UEG/2011) 
A arquitetura sacra medieval refletia as características da sociedade que a produziu. As diferentes formas 
de encarar esteticamente a religião, nesse período, são expressas: 
a) pela beleza dos altares ornamentados com motivos sacros, compostos de pó de ouro e prata, trazidos 
da América. 
b) pela catedral barroca, com sua fachada ricamente ornamentada e interior repleto de murais pintados 
com passagens bíblicas. 
c) pelo culto à imagem da gárgula, um símbolo de proteção pagã, comumente usado ao longo da Alta 
Idade Média. 
d) pelos múltiplos vitrais típicos da arquitetura gótica, usados para representar a presença de um Deus 
poderoso e compassivo. X 
Comentários 
Questão que demanda conhecimentos sobre a produção cultural na Idade Média, principalmente sobre 
a arquitetura gótica. Vejamos: 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 117 
- A alternativa A está incorreta, pois já cita o descobrimento da América, elemento da formação do 
mundo moderno.- A alternativa B também está incorreta, o barroco é do século XVII-XVIII, ligado principalmente aos 
países ibéricos, já no mundo moderno. 
- A alternativa C é incorreta, pois o paganismo foi uma tendência na arte românica, ainda nos inícios do 
período medieval. 
- A alternativa D é correta, pois o gótico foi o elemento estético predominante no medievo, estilo 
famoso pela produção de monumentais catedrais e igrejas que espelhavam o elemento religioso da 
sociedade. Nas catedrais góticas imagens de elementos da religiosidade visavam produzir um efeito 
expressivo nos fiéis. 
Gabarito D. 
27. (UEG/2008) 
Na Idade Média (até o final do século XII, quando o papel produzido a partir de trapos começou a se 
difundir) em vez do papiro usava-se o pergaminho: couro de bezerro, muitas vezes de ovelha ou cabra, 
curtido e submetido a várias operações até ficar branco, macio, liso e fino. 
FRUGONI, Chiara. Invenções da Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2007. p. 34. 
A citação é útil para se entender os obstáculos materiais ao desenvolvimento da vida intelectual na Idade 
Média. 
Acerca deste tema, é INCORRETO afirmar: 
a) O livro era um produto caro; uma Bíblia, por exemplo, podia exigir o sacrifício de um rebanho de 
ovelhas. 
b) A pouca circulação de livros neste período explica-se pela ausência de universidades e pela extinção 
do Index. 
c) A produção do livro era lenta e difícil, uma vez que todo o processo de transcrição era feito 
manualmente. 
d) Os livros, em sua maioria, eram escritos em latim, uma língua compreendida por poucos, pois não era 
utilizada no cotidiano da população. 
Comentários 
- A alternativa A está correta, afinal o texto sugere que o couro de ovelha poderia ser utilizado na 
confecção de livros. 
- A alternativa B está incorreta, afinal as universidades foram criadas a partir do século XII no Ocidente 
Medieval. 
- A alternativa C está correta, afinal a prensa só foi difundida no Ocidente Medieval no século XV. Antes 
disso, os livros eram transcritos manualmente, enquanto o material utilizado em sua confecção era 
bastante rudimentar. 
-A alternativa D está correta. A circulação de textos era restrita durante boa parte do período medieval, 
primeiramente porque eles geralmente eram escritos em latim, língua falada basicamente pelo clero. 
Ademais, a capacidade de leitura e escrita, mesmo em outras línguas, era quase de exclusividade dos 
membros da Igreja. 
Gabarito: B 
28. (UEG/2006) 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 118 
Sobre o período de transição da Antiguidade para a Idade Média, julgue a validade das proposições a 
seguir. 
I. A cristianização das nações germânicas que se estabeleceram no território do antigo Império Romano 
serviu como mecanismo de preservação da cultura clássica. 
II. A manutenção da escravidão como mão de obra básica na Idade Média correspondeu a uma exigência 
da nova sociedade ruralizada, baseada na produção agropastoril. 
III. A diminuição das trocas monetárias e o fortalecimento do poder político local nas mãos de grandes 
chefes militares, através do colonato e do "comitatus", são duas características do sistema feudal. 
Marque a alternativa CORRETA: 
a) As proposições I e II são verdadeiras. 
b) As proposições I e III são verdadeiras. 
c) As proposições II e III são verdadeiras. 
d) Todas as proposições são verdadeiras. 
Comentários 
- A afirmativa I está correta, afinal alguns elementos da cultura clássica foram preservados após a 
cristianização dos povos germânicos, sobretudo pela Igreja. 
- A afirmativa II está incorreta. A servidão foi o modo de produção predominante no Ocidente medieval, 
enquanto a escravidão se manteve em poucos pontos da Europa Mediterrânea. 
- A afirmativa III está correta. O feudalismo, sistema de produção implantado na Europa Ocidental por 
volta do século X, derivou da continuidade e fusão de tradições romanas (colonato) e germânicas 
(comitatus e beneficius). O colonato era uma relação de produção que surgiu no fim do Império Romano, 
na qual trabalhadores livres se estabeleceram como colonos em grandes propriedades, recebendo em 
troca proteção e condições de subsistência. Já o comitatus era uma tradição germânica estabelecida entre 
chefes militares e seus guerreiros, na qual se firmavam laços de fidelidade acompanhados de obrigações 
mútuas. Outra prática de origem germânica identificável é o beneficius, concessão do direito de uso da 
terra em troca de serviços e tributos. 
 Estando corretas as afirmativas I e III, a alternativa B é a resposta. 
Gabarito: B 
29. (UEG/2005) 
 
"O POPULAR", Goiânia, 23 abr 2005. Magazine 
A personagem Hagar, criada pelo cartunista Dick Browne, pode ser considerada um guerreiro viking que 
viveu na Europa durante a Idade Média. Analise as proposições a seguir acerca desse período histórico: 
I. Do ponto de vista histórico, a situação mostrada na tira está correta, pois a expressão "Idade das Trevas" 
era de uso corrente na sociedade medieval. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 119 
II. A expressão "Idade das Trevas", utilizada na tira, é imprópria para designar a Idade Média, pois ela só 
surgiu durante a Idade Moderna. 
III. Expressões como "Idade das Trevas" ou "longa noite dos mil anos", referindo-se à Idade Média, são 
historicamente coerentes, pois nesse período houve uma completa estagnação econômica, cultural e 
social na Europa. Marque a alternativa CORRETA: 
a) Apenas as proposições I e II são verdadeiras. 
b) Apenas as proposições II e III são verdadeiras. 
c) Apenas as proposições I e III são verdadeiras. 
d) Apenas a proposição II é verdadeira. 
e) Apenas a proposição III é verdadeira. 
Comentários 
- A afirmativa I está incorreta. A expressão “Idade das Trevas” foi atribuída a homens do Renascimento 
para se referir ao período Medieval, pois desconsideravam sua produção cultural e científica. 
- A afirmativa II está correta. Conforme já destacado, trata-se de uma expressão forjada durante a Idade 
Moderna, bem como a própria ideia de que o período seria uma Idade Média, afinal separava os 
homens do Renascimento da Antiguidade Clássica, período do qual eram admiradores. 
- A afirmativa III está incorreta, pois trata-se de um período de grandes inovações filosóficas, artísticas, 
arquitetônicas e científicas. 
Gabarito: D 
30. (Mackenzie/2016) 
Ao analisar a estrutura do trabalho, durante a Alta Idade Média, Leo Huberman afirmou: “O camponês 
era, então, um escravo? Na verdade, chamava-se de ‘servos’ a maioria dos arrendatários, da palavra latina 
servus, que significa ‘escravo’. Mas eles não eram escravos, no sentido que atribuímos à palavra, quando 
a empregamos”. 
Leo Huberman. História da riqueza do homem. 21ª ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1986, p.06 
Considerando os trabalhadores durante o período considerado, a distinção principal, notada pelo autor, 
decorre 
a) da obtenção de proteção, oferecida pelo senhor aos seus servos que, em troca, prestavam o juramento 
de fidelidade ao dono da terra, dentro das relações de suserania e vassalagem. 
b) das especificidades do trabalho naquele período, em que os servos deviam obrigações ao senhor da 
propriedade, não podendo ser vendidos ou trocados, já que estavam vinculados à terra. 
c) das formas diferentes de se lidar com a mão de obra, já que, na Idade Média, o servo podia ser vendido 
ou trocado a qualquer momento, condição inexistente com os escravos. 
d) da concepção diferenciada sobre o tratamento dado aos trabalhadores, mais amena em relação aos 
servos, e de extrema crueldade em relação aos escravos e suas respectivas famílias. 
e) dos diferentes vínculos estabelecidos entre o trabalhador e o senhor da terra: o escravo estava preso 
ao seu proprietário, já os servos eram homens livres, que podiam escolher a proteção de um senhor 
menos cruel. 
Comentários 
Questão que demandaconhecimentos sobre a Idade Média. Vejamos: 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 120 
- A alternativa A é incorreta, a relação entre suserano e vassalo eram realizadas entre nobres 
e possuíam direitos e deveres para as duas partes. 
- A alternativa B é correta, os servos se diferenciavam dos escravos, pois, o senhor feudal lhes 
concedia um feudo, devendo o servo pagar o arrendamento da terra através de tributos e da 
entrega de parte da colheita, funcionava como um acordo, fato que inexistia na escravidão. 
- A alternativa C é incorreta, os servos não podiam ser vendidos ou trocados porque não eram 
escravizados. 
- A alternativa D é incorreta, a diferença substancial não se refere ao tratamento, mas a forma 
de trabalho, os servos estabeleciam acordos com os senhores feudais, já os escravizados eram 
juridicamente “coisas” dos senhores. 
- A alternativa E é incorreta, pois o servo também estava preso ao feudo em que trabalhava 
para o senhor. 
Gabarito: B 
31. (Mackenzie/2015) 
As Cruzadas, durante a Idade Média, representaram uma forma de solução para os problemas 
decorrentes do início da desestruturação do regime feudal. A expressão “Cruzada” “derivou-se do fato de 
seus integrantes considerarem-se soldados de Cristo”. Tais expedições constituíram-se em 
a) empreendimentos de caráter militar, voltadas contra os inimigos da Cristandade, sem o apoio formal 
da Igreja Católica, mas patrocinadas por nobres feudais, que garantiam privilégios materiais aos 
participantes. 
b) oportunidades oferecidas em uma sociedade fortemente religiosa, mais clerical do que civil, em que o 
pecado e o crime equivaliam a mesma coisa, ou seja, do cruzado obter a indulgência, ou perdão aos seus 
pecados. 
c) movimentos nos quais tanto a iniciativa de lutar contra os infiéis quanto a de reconquistar a Terra Santa, 
partia de muitos indivíduos não combatentes, como mercadores, artesãos, mulheres e crianças, 
motivados pela fé. 
d) iniciativas militares, cujos recursos materiais para sustentar os cruzados provinham da Igreja Católica, 
única interessada na reconquista da região. 
e) possibilidades para escapar das dívidas e dos pagamentos dos tributos à Igreja e aos senhores feudais, 
já que o cruzado, ao participar dessas expedições, conseguia uma moratória estendida para toda sua vida. 
Comentários 
Questão que demanda conhecimentos sobre a Idade Média. Vejamos: 
- A alternativa A é incorreta, as Cruzadas eram empreendimentos de caráter militar e religioso, 
contavam com o apoio forma da Igreja Católica. 
- A alternativa B é correta, a religiosidade era um dos eixos da Idade Média, por isso, crime e 
pecado se correspondiam, era um atentado contra Deus. Com as Cruzadas, que possuíam um 
caráter de indulgência, muitos fiéis pecadores se aventuraram nesses empreendimentos como 
tentativa de restaurar a fé e apagar os pecados cometidos. 
- A alternativa C é incorreta, as Cruzadas partiam da nobreza guerreira e do clero. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 121 
- A alternativa D é incorreta, as Cruzadas foram iniciativas religiosas de conquistas da terra 
santa das mãos dos infiéis. 
- A alternativa E é incorreta, as Cruzadas não possuíam essa prerrogativa de perdoar as dívidas 
ou estender seu pagamento; eram empreendimentos militares e religiosos, buscavam a Terra 
Santa como forma absolvição dos pecados cometidos. 
Gabarito: B 
32. (2014/UFPR) 
“O conhecimento histórico é sempre (...) uma consciência de si mesmo: ao estudar a história de uma outra 
época, os homens não podem deixar de compará-la com seu próprio tempo (...). Mas, ao comparar a 
nossa época e a nossa civilização com as outras épocas e civilizações, corremos o risco de lhes aplicar a 
nossa própria medida(...)”. 
(GUREVICH, Aron. As categorias da cultura medieval. Lisboa: Editorial Caminho, p. 15). 
Aplicando o raciocínio exposto acima aos sentidos que a Idade Média adquiriu em diferentes tempos 
históricos, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: 
( ) Atualmente, os historiadores entendem o medievo na sua multiplicidade, com suas especificidades 
regionais e temporais, ao mesmo tempo em que mostram a permanência e a relevância de determinadas 
instituições e invenções medievais, como a universidade, o livro, a imprensa e o banco. 
( ) No século XV, surge a noção negativa de Idade Média, considerada uma era intermediária e homogênea 
de trevas e ignorância, separando a antiguidade Grecoromana e o Renascimento, que se via como 
herdeiro do período “clássico” – noção que ainda perdura entre muitas pessoas. 
( ) Nos séculos XX e XXI, obras como O Senhor dos Anéis, As crônicas de Nárnia e Game of Thrones evocam 
elementos medievais imaginativos, tais como a floresta como lugar do mágico, cavaleiros, espadas, 
dragões, religiosidade, dando continuidade a recriações da Idade Média em curso desde o século XIX. 
( ) Na recente historiografia, por conta das apropriações midiáticas da Idade Média, procura-se 
estabelecer as diferenças e as distâncias entre a Idade Média e a História do Brasil, mostrando que o 
medievo não possui relação com a formação de nosso país, por ter sido um fenômeno europeu. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. 
a) F – F – V – V. 
b) V – V – F – V. 
c) F – V – V – F. 
d) V – V – V – F. 
e) V – F – F – V. 
Comentários 
- A primeira afirmativa é verdadeira. Conforme vimos em nossas últimas aulas, a Idade Média foi um 
período de múltiplas experiências, a começar pela existência de três civilizações banhadas pelo 
Mediterrâneo: a Bizantina, herdeira do Império Romano e sediada em Constantinopla; a feudal, situada 
no Ocidente e resultado da fusão de elementos romanos e germânicos; e a do Islã, produtora de um 
extenso legado cultural e científico. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 122 
- A segunda afirmativa é verdadeira. O termo Idade Média foi cunhado por intelectuais do século XV 
para definir o tempo histórico que os separava da Antiguidade Clássica, período cujos valores buscavam 
recuperar para fundar uma nova cultura na Europa. 
- A terceira afirmativa é verdadeira. Atualmente a Idade Média é encarada por produções 
cinematográficas e literárias como um terreno fértil para a recuperação de narrativas fantásticas e 
mitológicas, muitas delas presentes no imaginário europeu ocidental daquele período. Tal visão 
romantizada, conforme ressalta a afirmativa, foi emulada pelas produções literárias do período 
romântico. 
- A quarta afirmativa é falsa. Sendo o Brasil marcado pela colonização de matriz cristã, o estudo da Idade 
Média é essencial para compreender como valores, concepções e costumes legados pelo período 
sobreviveram ao longo dos séculos e ainda repercutem em nossa cultura e sociedade. Além disso, não 
se pode ignorar como elementos da cultura árabe foram enraizados após séculos de ocupação da 
península ibérica e transmitidos para as colônias. 
Estando correta a sequência V-V-V-F, a alternativa D é a correta. 
Gabarito: D 
33. (2014/UFPR) 
O Papa Francisco, eleito em março de 2013, chamou atenção novamente para a figura de Francisco de 
Assis, considerado o fundador da Ordem dos Franciscanos (ou dos Frades Menores) na Baixa Idade Média. 
Assinale a alternativa que relaciona o contexto de surgimento dos Franciscanos e sua motivação de ação. 
a) Com a retração do renascimento comercial e urbano, aumentaram a pobreza e o abandono de crianças, 
que eram recolhidas pelas Ordens Mendicantes, dentre elas a dos Franciscanos, para evitar que fossem 
recrutadas nas Cruzadas. 
b) Com o renascimento comercial e urbano, aprofundaram-se a pobreza e as desigualdades sociais, 
suscitando o aparecimento de várias Ordens Mendicantes, que pretendiam atuar junto aos necessitados, 
entre elasa Ordem dos Franciscanos. 
c) O renascimento comercial e urbano gerou um empobrecimento da Igreja Católica na Baixa Idade Média, 
suscitando o aparecimento das Ordens Mendicantes, dentre elas a dos Franciscanos. 
d) Com o renascimento comercial e urbano, surgem as Ordens Mendicantes, dentre elas a dos 
Franciscanos, que constituíram uma força de contestação da ordem feudal e do poder econômico da 
Igreja. 
e) Com a crescente ruralização e o aumento da pobreza no espaço europeu, surgiram as Ordens 
Mendicantes, como a dos Franciscanos, para se tornar a principal instância da Igreja Católica. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, afinal as ordens mendicantes não eram voltadas ao amparo de crianças 
abandonadas, mas sim para a realização de obras de caridade em meio ao mundo mundano. 
- A alternativa B é a resposta. Diferentemente do clero regular, as ordens mendicantes não buscavam a 
fuga do mundo; adotando ideias de pobreza para transmitir ensinamentos de cristo em meio às 
populações urbanas. 
- A alternativa C está incorreta, afinal o renascimento comercial e urbano se deu durante o que 
podemos denominar de “tempo das catedrais”, ou seja, momento em que a Igreja firma sua imponência 
e relevância na sociedade europeia a partir da construção de enormes e belas catedrais em estilo gótico 
nos centros urbanos. 
- A alternativa D está incorreta, pois as ordens mendicantes não buscavam questionar o sistema feudal, 
mas serem agentes promotores da caridade cristã ao seguirem os passos de Jesus. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 123 
- A alternativa E está incorreta. Apesar da criação de diversas ordens mendicantes a partir da 
canonização de Francisco de Assis, essas organizações não alteraram a estrutura hierárquica da Igreja. 
Gabarito: B 
34. (2016/UFPR) 
Segundo a historiadora Miri Rubin, “longe de serem estéreis e previsíveis, as universidades medievais 
produziram não apenas servidores civis e burocratas eclesiásticos como também pensadores radicais, cuja 
obra teve impacto real e que, apesar de suas críticas desafiadoras, morreram em suas próprias camas, e 
não na cela de uma prisão”. 
(Revista Ensino Superior, Unicamp, 25/04/2012) 
A partir desse excerto e dos conhecimentos sobre o período medieval europeu, assinale a alternativa que 
relaciona as universidades com seu contexto de surgimento e expansão. 
a) As universidades foram patrocinadas pelo papado, para fornecerem profissionais preparados para 
atuar num contexto de expansão marítima e comercial e de declínio da Igreja Católica perante a formação 
dos Estados Nacionais, ao mesmo tempo em que estimulariam a autonomia do conhecimento escolástico. 
b) As universidades foram patrocinadas pelos comerciantes burgueses, a fim de fornecerem profissionais 
para atuar num contexto de iluminismo científico e de feudalização da sociedade, com o propósito de 
substituir os mosteiros como fonte produtora de conhecimento científico e tecnológico. 
c) As universidades foram patrocinadas pelo papado ou por reis e príncipes, a fim de fornecerem 
profissionais para atuar num contexto de renascimento urbano e comercial e de formação dos primeiros 
Estados Nacionais, tornando-se espaços autônomos de valorização do conhecimento científico. 
d) As universidades surgiram patrocinadas pelo papado, a fim de fornecerem profissionais para atuar num 
contexto de declínio do poder da nobreza, com o intuito de criar espaços autônomos para estudo do 
direito e da matemática, de modo a servir à nascente administração eclesiástica. 
e) As universidades surgiram patrocinadas por reis, príncipes ou pelo papado, a fim de fornecerem 
profissionais tanto para o gerenciamento eclesiástico das cidades pertencentes à Igreja Católica quanto 
para as cortes das nascentes monarquias nacionais, em um contexto de revolução científica. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. As universidades surgiram durante a Baixa Idade Média, momento em 
que a Igreja Católica se afirmava como a maior instituição da Europa Ocidental. 
- A alternativa B está incorreta. As universidades medievais eram instituições de ensino organizadas pela 
Igreja, ao passo que o iluminismo é um movimento cultural que floresce no final da Idade Moderna. 
- A alternativa C é a resposta. As universidades surgiram a partir do século XII, organizadas pela Igreja 
Católica. Neste contexto, a Europa Ocidental vivenciava um processo de renascimento urbano e 
comercial, que contribuiriam para o reforço do poder monárquico ao longo dos séculos seguintes. 
- A alternativa D está incorreta, pois inicialmente as universidades eram instituições voltadas para o 
ensino de Teologia, Direito e Medicina. 
- A alternativa E está incorreta, pois a formação de universidades durante a Idade Média não foi 
acompanhada do intento de fornecer quadros para as cortes monárquicas, afinal não eram instituições 
profissionalizantes. Além disso, a Baixa Idade Média não foi um período de revolução científica. 
Gabarito: E 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 124 
35. (UFPR/2020) 
Sobre a iluminura ao lado, é INCORRETO afirmar: 
a) Revela a supremacia da união entre guerreiros e 
trabalhadores sobre os membros do clero. 
b) Representa a sociedade trifuncional tal qual foi concebida 
pelo bispo Adalberão de Laon, no século XI. 
c) Expressa uma concepção de sociedade no medievo. 
d) Representa uma configuração social baseada na 
cooperação e no serviço para a harmonia social no medievo. 
e) Não expressa a sociedade medieval em sua configuração 
social variada. 
Comentários 
– A alternativa A está incorreta. Os trabalhadores, 
denominação que inclui servos e camponeses, constituíam a 
classe explorada durante a Idade Média, enquanto o clero e a nobreza formavam as camadas 
detentoras de privilégios na ordem feudal. Relembre a sociedade do feudalismo com a pirâmide abaixo: 
 
– A alternativa B está correta. Na opinião de estudiosos da Idade Média, a classificação da sociedade 
feudal em três camadas sociais foi criada pelo bispo Adalberão de Laon, durante o século XI. 
– A alternativa C está correta. A caracterização formulada pelo bispo Adalberão de Laon mostra o 
entendimento de que o todo social era composto por uma maioria que trabalhava e uma minoria que 
dispunha de direitos e privilégios. 
– A alternativa D está correta, afinal o papel de cada camada social era justificado pelo discurso 
religioso, que considerava a ordem feudal um reflexo da Divina Providência. 
– A alternativa E está correta. A iluminura releva a pluralidade de grupos sociais existentes na Idade 
Média, incluindo as diferenciações entre alto e baixo clero, a nobreza fundiária e cavaleiros e as 
especificidades existentes entre camponeses, servos e escravizados. 
Gabarito: A 
36. (UFPR/2009) 
Sobre a sociedade do Ocidente Medieval, considere as afirmativas abaixo: 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 125 
1. Na Alta Idade Média, ocorreu um acentuado processo de urbanização, seguindo o modelo da 
urbanidade clássica. 
2. Nessa sociedade, atribuía-se às crianças uma função na organização social e familiar semelhante àquela 
estabelecida para os adultos. 
3. A noção de solidariedade familiar é um traço essencial da sociedade medieval. 
4. As mulheres, na sociedade medieval, eram totalmente excluídas da sucessão. Quando casavam, 
recebiam como dote bens que seriam administrados pelo marido. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. 
b) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras. 
c) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras. 
e) Somente a afirmativa 3 é verdadeira. 
Comentários 
Questão que demanda conhecimentos sobre Idade Média. Vejamos: 
- A afirmativa 1 é incorreta, a urbanização na Idade Médianão era baseada em modelos clássicos e 
aconteceu de modo mais acentuado na baixa Idade Média. 
- A afirmativa 2 é correta, não existia nesse contexto a noção de infância, um dado inventado 
historicamente. As crianças também eram tratadas como adultas, os homens tinha que trabalhar desde 
cedo na terra e as mulheres tinham como obrigação formar famílias e progenitores, eram casadas aos 
12 anos. 
- A afirmativa 3 é correta, a solidariedade familiar é um dos traços da sociedade medieval já que a vida 
girava ao redor do núcleo familiar, se nascia e morria nesse espaço. 
- A afirmativa 4 é correta, a sociedade medieval era essencialmente patriarcal, a única função das 
mulheres era gerarem progenitores, não podiam receber herança e seu dote quando casasse era de 
responsabilidade do marido. 
Gabarito: D 
37. (UFPR/2007) 
“Eu, Preste João, sou o Senhor dos Senhores e me avantajo a todos os reis da terra inteira em todas as 
abundâncias que existem debaixo do céu, em força e em poder. A Nossa Magnificência domina as três 
Índias; o nosso território começa na Índia posterior, na qual repousa o corpo do apóstolo São Tomé, 
estende-se pelo deserto em direção ao berço do sol, e desce até a deserta Babilônia, contígua à torre de 
Babel.[...] Na nossa terra nascem e crescem elefantes, dromedários, camelos, hipopótamos, crocodilos, 
metagalináceos, grifos, [...] homens com cornos, faunos, sátiros e mulheres da mesma raça, pigmeus, 
cinocéfalos, gigantes cuja altura é de quarenta côvados, monóculos, ciclopes [...] e quase todo o gênero 
de animais que existem debaixo do céu.” 
O texto acima é um fragmento da “carta do Preste João” (apócrifa) – do século XII – endereçada ao 
imperador de Bizâncio. Preste João, um rei padre que se dizia cristão, declarava-se senhor das três Índias 
e dono de riquezas fabulosas. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a Idade Média, é correto 
afirmar: 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 126 
a) Na época representada no texto, predominavam geografias imprecisas e imaginárias, onde o 
maravilhoso e o estranho preenchiam o lugar do desconhecido, que só as grandes viagens de navegação 
dos séculos XV e XVI permitiram questionar. 
b) No período retratado, devido à influência exercida pela Igreja Católica na Europa, textos como a Carta 
de Preste João careciam de crédito, posto que a literatura clássica de origem greco-romana estava 
enraizada na cultura dos camponeses no medievo. 
c) O texto de Preste João revela uma profunda sintonia com o imaginário medieval europeu, que situava 
todas as maravilhas terrestres no ponto mais extremo do Ocidente, localizadas por alguns estudiosos do 
século XII na América. 
d) Os escritos resultantes das viagens ao mundo “além-Mediterrâneo”, por abordarem uma humanidade 
fantástica, eram desconsiderados na Idade Média, em razão da existência de rígidas barreiras entre a 
literatura científica e a literatura da fantasia. 
e) Quando Cristóvão Colombo concebeu suas viagens de navegação, os conhecimentos geográficos 
disponíveis, principalmente os mapas de Toscanelli e a Geografia de Ptolomeu, haviam eliminado 
quaisquer resquícios da mentalidade do medievo. 
Comentários 
- A alternativa A é a resposta. A sociedade no Ocidente Medieval demonstrou grande apreço ao 
maravilhoso – ou seja, às criaturas lendárias e lugares extraordinários –, que sobreviveu no imaginário de 
homens e mulheres até após o término da Idade Média. 
- A alternativa B está incorreta, afinal a literatura clássica foi difundida de maneira mais significativa entre 
os sábios do cristianismo grego e os estudiosos do interior da civilização muçulmana, não sendo acessível 
para os camponeses do Medievo Ocidental, cujo imaginário fantástico expressava elementos do 
paganismo romano-germânico. 
- A alternativa C está incorreta, uma vez que a América foi uma porção de terras com a qual os europeus 
se depararam somente ao final do século XV. 
- A alternativa D está incorreta, afinal durante a Idade Média foram produzidos relatos fantásticos sobre 
o desconhecido, como as viagens de Marco Polo, durante o século XIII. 
- A alternativa E está incorreta, afinal o próprio Colombo apresentou traços da mentalidade medieval ao 
longo de suas viagens, afinal julgou ter se deparado com criaturas marinhas fantásticas e buscou 
encontrar o Jardim do Éden. 
Gabarito: A 
38. (2005/UFRGS) 
Em relação ao sistema feudal que se estabeleceu na Europa ocidental a partir do século XI, considere as 
seguintes afirmações. 
I - A Igreja, enquanto proprietária de imensos domínios fundiários, teve parte ativa no processo de 
feudalização. No entanto, ela tentou amenizar a brutalidade da sociedade feudal através de princípios 
como a Paz de Deus. 
II - A repartição do poder na Baixa Idade Média era instituída por meio de um sistema de vassalagem em 
que senhores de pequenos territórios tinham direitos e deveres para com senhores cujos territórios eram 
maiores. Sendo assim, o Rei, senhor de todos os senhores, sempre detinha a maior parcela de terra. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 127 
III - Na Idade Média, não existia uma nítida separação entre o público e o privado, o que se refletia nas 
diferentes instituições da época. Assim, a moralidade católica estava presente tanto na família quanto na 
forma de se aplicar a justiça. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas III. 
c) Apenas I e III. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III. 
Comentários 
- A primeira afirmação está correta. A Igreja foi a maior instituição da civilização feudal, chegando a 
dispor de algo em torno de um quarto e um terço das terras do continente europeu. Além disso, ela 
também impunha períodos de trégua dos conflitos interfeudais por razões religiosas, a chamada Paz de 
Deus (ou Trégua de Deus). 
- A segunda afirmação está incorreta. Apesar do rei ser o maior suserano na Idade Média, a concessão 
de terras por meio dos laços feudo-vassálicos fazia com que nem sempre ele dispusesse de domínios 
mais extensos que seus vassalos. 
- A terceira afirmação está correta. A Igreja Católica ditava o comportamento do Homem europeu 
durante a Idade Média, tanto nas atividades cotidianas quanto nas instituições de poder. 
Estando corretas apenas as afirmações I e III, a alternativa C é a correta. 
Gabarito: C 
39. (2004/UFRGS) 
Leia o texto abaixo: 
“Tão grande era o número de mortos que, escasseando os caixões, os cadáveres eram postos em cima de 
simples tábuas. Não foi um só o caixão a receber dois ou três mortos simultaneamente. Também não 
sucedeu uma vez apenas de esposa e marido, ou dois e três irmãos, ou pai e filhos, serem enterrados no 
mesmo féretro [...]. 
Para dar sepultura à grande quantidade de corpos que se encaminhavam a qualquer igreja, todos os dias, 
quase toda hora, não era suficiente a terra já sagrada; e menos ainda seria suficiente se se desejasse dar 
a cada corpo um lugar próprio, conforme o antigo costume. Por isso, passaram-se a edificar igrejas nos 
cemitérios, pois todos os lugares estavam repletos, ainda que alguns fossem muito grandes; punham-se 
nessas igrejas, às centenas, os cadáveres que iam chegando; e eles eram empilhados como as mercadorias 
dos navios [...].” 
BOCCACCIO, Giovanni. Decamerão. São Paulo: Abril, 1981. 
O testemunho do escritor italiano Boccaccio faz referência ao advento da Peste Negra na Europa 
ocidental, a qual acelerou a crise do sistema feudal dos séculos XIV e XV. 
Assinale, entre as alternativas abaixo, o fator ao qual essa crise pode ser relacionada. 
a) Nos séculos XIV e XV, a economia europeia tornou-se predominantemente urbana, o que acarretou a 
falta de trabalhadores no campo para a produção agrícola. Sem boas condições de alimentação, a 
população ficou mais sujeita às doenças. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II128 
b) O crescimento demográfico afirmou-se ao longo da Baixa Idade Média até um ponto em que a produção 
do sistema feudal não foi mais capaz de alimentar a população que ficou fragilizada. 
c) As técnicas de produção eram muito desenvolvidas para a época, a ponto de provocarem uma 
superprodução que gerou o desequilíbrio do sistema. 
d) A servidão, instaurada como forma predominante de trabalho na Europa ocidental a partir do século 
XV, enfraqueceu a população e levou à mortalidade endêmica. 
e) Como resultado da mortalidade provocada pela Peste Negra, os nobres decretaram leis para auxiliar a 
população camponesa. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. Apesar do florescimento dos centros urbanos durante a Baixa Idade 
Média, a paisagem europeia continua a ser predominantemente agrária. 
- A alternativa B é a resposta. Diante do crescimento populacional nos campos, muitos servos fugiam 
para as cidades, onde gozavam de uma relativa liberdade. Este processo, juntamente com a tríade 
guerra, peste e fome, contribuíram para abalar a continuidade da ordem feudal. 
- A alternativa C está incorreta, pois os avanços das técnicas agrícolas possibilitaram o crescimento da 
população europeia, o que representou o auge do sistema feudal. 
- A alternativa D está incorreta, afinal os altos índices de mortalidade foram decorrentes das guerras, da 
disseminação da Peste Negra e das ondas de fome que assolaram o continente europeu ao longo do 
século XIV. 
- A alternativa E está incorreta, uma vez que a nobreza feudal não implementou ações de amparo à 
população campesina. Em alguns casos, diante da perda de mão de obra devido aos altos índices de 
mortalidade verificados no continente, os nobres buscaram explorar ainda mais os servos 
remanescentes. 
Gabarito: B 
40. (2004/UFRGS) 
Os séculos XI e XII constituem um período de expansão na Europa ocidental marcado pelo crescimento 
demográfico e das cidades, pelo dinamismo da economia interna e pela extensão do comércio 
internacional. Nesse ínterim, os europeus assumem uma atitude ofensiva, da qual um dos resultados são 
as Cruzadas. 
Considere as afirmações abaixo a esse respeito. 
I. No início, as Cruzadas foram encorajadas pelos imperadores bizantinos, os quais buscavam apoio contra 
os invasores que pressionavam as fronteiras do Império do Oriente. 
II. Nos séculos X e XI, numerosos foram os cristãos que, para obter o perdão de suas faltas e assegurar a 
saúde eterna de suas almas, realizaram longas e difíceis viagens aos lugares santos da cristandade. Essa 
tradição e a conquista turca no Oriente fizeram com que a guerra santa contra os muçulmanos, já forjada 
nas Guerras de Reconquista da Península Ibérica, tomasse maior impulso. 
III. Às motivações religiosas juntaram-se o espírito de aventura e a possibilidade de ganhos materiais, o 
que pouco a pouco transformou as Cruzadas numa verdadeira empresa de colonização. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 129 
d) Apenas I e II. 
e) I, II e III. 
Comentários 
- A afirmativa I está correta. Diante da expansão da civilização do Islã sob domínios do Império 
Bizantino, alguns basileus contribuíram com o esforço cruzadista iniciado pelo papa Urbano II. 
- A afirmativa II está correta. Embora fossem movimentos distintos, as Cruzadas e as guerras de 
Conquista possuíam o mesmo discurso religioso de contenção dos infiéis muçulmanos. 
- A afirmativa III está correta, afinal muitos interesses econômicos da nobreza e de comerciantes 
europeus foram atendidos a partir das expedições cruzadistas que partiam para o Oriente. 
Estando corretas as afirmativas I, II e III, a alternativa E é a resposta. 
Gabarito: E 
41. (2002/UFRGS) 
Considere os trechos a seguir, extraídos de documentos históricos redigidos, respectivamente, por um 
cristão e um muçulmano a respeito da Conquista de Jerusalém em 1099, no contexto da Primeira Cruzada. 
Texto 1 
"Na sexta-feira (15/07) de madrugada, organizamos um assalto geral à cidade sem poder tomá-la (...). 
Nesse momento, um dos nossos cavaleiros, chamado Lietaud, escalou as muralhas. Então, desde que ele 
subiu, todos os defensores fugiram dos muros para o meio da cidade, e os nossos os perseguiram, 
matando-os e golpeando-os, até o Templo de Salomão, onde houve uma tal carnificina que os nossos 
marcharam em seu sangue até os calcanhares." 
("Gesta Francorum et Aliorum Hierosolimitanorum." Paris: Librairie Ancienne Honoré Champion, 1924, p. 202.) 
Texto 2 
"A população foi passada ao fio da espada e os francos massacraram os sarracenos da cidade durante 
uma semana. Na mesquita al-Aqsa (... ), os francos massacraram mais de setenta mil pessoas, entre as 
quais uma grande multidão de irmãs e de doutores sarracenos, devotos e ascetas que tinham deixado 
suas terras para viver vida piedosa retirados nesses lugares santos." 
(IBN AL-ATHIR. In: GABRIELI, F. "Chroniques arabes des croisades." Paris: Sindbad, 1972, p. 62.) 
A partir da leitura dos textos e do contexto histórico, é possível concluir que 
I - O ataque a Jerusalém foi contra os muçulmanos, uma vez que a cidade estava sob seu domínio. 
II - A população que se encontrava na cidade, por ocasião do assalto, era composta por guerreiros. 
III - A população que buscou abrigo em templos religiosos foi poupada da fúria dos invasores. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III. 
Comentários 
- A afirmativa I está correta. Formada por nobres francos e normandos a Cruzada dos Barões chegou a 
conquistar Jerusalém do domínio sarraceno, conforme é possível observar nos dois relatos. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 130 
- A afirmativa II está incorreta. De acordo com o relato muçulmano, os habitantes da cidade eram em 
sua maioria mulheres e autoridades do Islã. 
- A afirmativa III está incorreta, afinal milhares de pessoas foram massacradas pelos normandos durante 
a Primeira Cruzada, incluindo civis. 
Estando correta apenas a afirmativa I, a alternativa A é a resposta. 
Gabarito: A 
 
5.3. Inéditas 
Leia o texto abaixo para responder às questões 1 e 2. 
"Ouvi contar de um usurário cujos mestres, com sua morte, quiseram honrar com uma farsa¹. Quando os 
vizinhos quiseram erguer seu cadáver, para enterrá-lo, não o conseguiram. Muitos e muitos ainda 
tentaram e foram malsucedidos. Como todos estavam espantados, um velho bastante sábio lhes disse: 
'Vós não sabeis que existe um costume nesta cidade: quando morre um homem, aqueles que exercem a 
mesma profissão é que o carregam no enterro. Padres e clérigos levam padres e clérigos mortos ao 
cemitério, mercadores o mercador, açougueiros o açougueiro, e assim por diante. Chamemos homens da 
mesma condição ou da mesma profissão deste aqui'. Foram chamados quatro usurários, que logo 
levantaram o corpo com a maior facilidade e o levaram onde ficava a sua sepultura. Isso porque os 
demônios não permitiram que seu escravo fosse levado por outros que não fossem seus companheiros 
de escravidão. Vemos aí a misericórdia de Deus, que 'redime as almas dos pecadores da usura e da 
iniquidade a fim de que, tendo mudado de nome, seu nome seja honrado diante d'Ele. Sabemos, com 
efeito, que nenhum nome é tão detestável e ignominioso quanto o do usurário (usurarius seu fenerator). 
Também não ousam reconhecer sua profissão em público e não querem ser chamados usurários, mas 
emprestadores (commodatores) ou mercadores (mercatores). Eles dizem: 'Sou um homem que vive do 
seu dinheiro' ". 
LE GOFF, Jacques. A bolsa e a vida: economia e religião na Idade Média. São Paulo: Brasiliense, 2004. p. 52. 
¹Gênero teatral dramático, muito comum nos últimos séculos medievais. 
 
1. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Ao tratar das práticas funeráriasverificadas no Ocidente Medieval, o relato 
a) revela o estabelecimento de laços de solidariedade em um grupo social. 
b) destaca a mercantilização das cerimônias pela burguesia ascendente. 
c) discorre sobre a secularização de elementos da cultura popular europeia. 
d) considera a importância da Igreja na organização dos ritos de sepultamento. 
e) destaca as camadas sociais mais proeminentes da sociedade feudal. 
Comentários 
- A alternativa A é a resposta. Ao delimitar que somente os clérigos poderiam sustentar o caixão de um 
clérigo, e que somente um açougueiro poderia erguer o caixão de um açougueiro, o relato revela a 
existência de uma identidade compartilhada a partir do ofício desempenhado, o que possibilita aos 
indivíduos de um mesmo grupo social prestarem ajuda uns aos outros, incluindo nos casos de 
sepultamento de um colega de ofício. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 131 
- A alternativa B está incorreta, afinal não há indícios no texto de que a burguesia mercantilizava os ritos 
fúnebres. Trata-se apenas de uma descrição de como os cortejos fúnebres eram durante a Idade Média. 
- A alternativa C está incorreta, pois não se verifica a diminuição da importância do catolicismo nas 
cerimônias fúnebres. 
- A alternativa D está incorreta, pois o texto não menciona o papel da Igreja nos sepultamentos, mas sim 
dos colegas de ofício de cada defunto. 
- A alternativa E está incorreta, pois os açougueiros não integravam as camadas abastadas da sociedade 
feudal. 
Gabarito: A 
2. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Durante o século XIII, a ocultação da ocupação de usurário revela 
a) o estigma existente no imaginário religioso diante daqueles que obtinham ganhos materiais sem 
trabalho e crescentes com o tempo. 
b) a condenação daqueles que se dedicavam ao comércio nos centros urbanos europeus, afinal a Igreja 
repudiava as trocas econômicas. 
c) a transformação dos dogmas sustentados pela Igreja, que passa a considerar a existência de viventes 
predestinados à salvação eterna. 
d) à associação dos comerciantes ao pecado pela Igreja, o que desestimulou o crescimento da vida 
comercial no continente europeu. 
e) a desconsideração de transgressões cometidas nos centros comerciais diante da crença na infinita 
capacidade divina de conceder o perdão. 
Comentários 
- A alternativa A é a resposta. Os usurários eram figuras que emprestavam dinheiro a terceiros durante a 
Baixa Idade Média, obtendo lucro a partir da cobrança de juros. Para Igreja, esses indivíduos violavam os 
postulados da fé, afinal obtinham lucro sem recorrer ao trabalho, ao mesmo tempo em que usavam o 
tempo de Deus para exercer suas atividades, na medida em que contavam com ganhos de um período 
futuro. 
- A alternativa B está incorreta, afinal a Igreja não condena todos os mercadores, mas sim os usurários, 
considerados desonestos. 
- A alternativa C está incorreta, afinal a teoria da predestinação foi elaborada pelo calvinismo, durante o 
século XVI. 
- A alternativa D está incorreta, afinal a Baixa Idade Média é um período marcado pelo crescimento das 
trocas comerciais e do espaço urbano. 
- A alternativa E está incorreta, afinal não se estipula no texto a capacidade de Deus de perdoar os 
usurários. 
Gabarito: A 
Leia o texto para responder às questões 3 e 4. 
O castelo tem o papel de um signo: ele deve materializar, tornar sensíveis, o lugar e a categoria ocupados 
por quem o habita e que é seu senhor. Esse papel é materializado por suas dimensões, mas também por 
sua situação geralmente elevada, dominante, e pela demonstração de poder contida nas fortificações, 
torres e portas e ameias. Em tempos de violência, a segurança é um dos privilégios que o habitante do 
castelo reivindica para ele e seus mercenários. Mas o castelo também é ofensivo: o bem-estar, o poder e 
até a segurança do senhor residem no controle que ele exerce sobre um território mais ou menos vasto, 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 132 
sobre homens mais ou menos numerosos. Assim, o castelo é também a cabeça de um domínio cujas 
muralhas abrigam as colheitas e a sede do poder de comandar outros homens, de obrigá-los a servir e de 
assegurar, entre eles, e sobre eles, a política e a justiça. 
(Jacques Le Goff. Dicionário Analítico do Ocidente Medieval, 2017, Adaptado.) 
3. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
A multiplicação dos castelos no Ocidente europeu, entre os séculos X e XI, 
a) se relaciona à consolidação do sistema feudal, externalizando as relações de dominação entre senhores 
e servos. 
b) decorreu da intensificação das invasões de povos germânicos no continente, o que estimula sua 
ruralização. 
c) conduziu, a curto prazo, ao enfraquecimento da cavalaria diante da estruturação da artilharia nas 
fortificações. 
d) estimulou o convívio de estratos distintos em seu interior, atenuando as disparidades sociais existentes. 
e) representa o processo de centralização do poder político dos monarcas, o que garantiu a unificação 
nacional. 
Comentários 
- A alternativa A é a resposta. Conforme destaca o próprio texto, os castelos medievais simbolizam as 
relações de dominação e exploração existentes entre senhores e servos, coincidindo a sua multiplicação 
no continente europeu com a consolidação da feudalidade no Ocidente Medieval. 
- A alternativa B está incorreta, as migrações germânicas na Europa Central ocorreram ao final do Baixo 
Império. O encastelamento da vida feudal foi estimulado pelo que alguns historiadores chamaram de 
“novas invasões bárbaras”, protagonizadas pelos vikings (escandinavos), magiares (húngaros) e 
sarracenos (muçulmanos). 
- A alternativa C está incorreta. A cavalaria medieval mostra-se importante durante boa parte da Idade 
Média, sendo o seu declínio verificado nos últimos séculos do período. 
- A alternativa D está incorreta, o castelo era a morada de seu senhor e de seus familiares, não sendo 
habitado por camponeses, servos e outras camadas desfavorecidas. 
- A alternativa E está incorreta, o reforço da autoridade monárquica se deu ao final da Idade Média, 
contribuindo para a formação dos Estados nacionais no período seguinte. 
Gabarito: A 
4. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Na perspectiva do autor, os castelos simbolizam, simultaneamente, 
a) defesa e ostentação. 
b) proteção e opressão. 
c) autoridade e benevolência. 
d) justiça e liberdade. 
e) segurança e participação. 
Comentários 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 133 
- A alternativa A está incorreta. Os castelos medievais eram, sobretudo, fortificações militares, 
apresentando, em seu interior, espaços desprovidos de luxo. 
- A alternativa B é a resposta. De acordo com o raciocínio conduzido pelo fragmento, os castelos garantiam 
a defesa de seu senhor e de seus subordinados em caso de ataques inimigos, ao mesmo tempo em que 
simbolizavam a opressiva relação de exploração dos servos e outros estratos sociais. 
- A alternativa C está incorreta, em nenhum momento o texto considera que o castelo possa indicar a 
benevolência de seus senhores, mas o seu caráter opressor. 
- A alternativa D está incorreta, os castelos são descritos como estruturas opressoras, associadas à ideia 
de dominação dos senhores sobre os servos. 
- A alternativa E está incorreta, os castelos não permitiam o livre-trânsito de servos, tampouco que 
participassem de decisões tomadas em seu interior. 
Gabarito: B 
5. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Os processos de feitiçaria, as pregações, o catecismo esforçaram-se, a partir do século XVI, em introduzir 
na mentalidade coletiva dos campos a necessária distinção entre Deus e Satã, entre santos e demônios. 
Permanecia no entanto o medo dos múltiplos perigosque pesavam sobre os homens e a terra de outrora. 
E portanto continuavam, apesar as autoridades religiosas e leigas, práticas suspeitas, tais como as tochas 
do primeiro domingo da Quaresma e as fogueiras de são João, acendidas desde tempos imemoriais. 
(DELUMEAU, Jean. História do medo no ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. Adaptado.) 
Ao se voltar para a mentalidade religiosa da Europa Ocidental no século XVI, o texto sugere o(a): 
a) resistência das comunidades rurais ao cristianismo. 
b) existência de seitas negadoras da hegemonia cristã. 
c) extinção de elementos da religiosidade campesina. 
d) aceitação de valores não-cristãos pela Igreja católica. 
e) permanência de tradições pagãs na cultura popular. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. A manutenção de práticas pagãs no campo não sugere que a população 
negasse o cristianismo, mas que buscaram a conciliação de elementos de diferentes matrizes religiosas. 
- A alternativa B está incorreta, as práticas descritas no texto eram executadas por cristãos. 
- A alternativa C está incorreta. A Igreja não obteve êxito na desagregação de algumas tradições pagãs, 
sendo algumas delas incorporadas aos seus ritos. 
- A alternativa D está incorreta. De acordo com o texto, autoridades religiosas cerceavam manifestações 
religiosas pagãs. 
- A alternativa E é a resposta. Conforme destaca o próprio texto, as autoridades clericais não conseguiram 
extirpar elementos pagãos da religiosidade popular. 
Gabarito: E 
Leia o texto para responder às questões 6 e 7. 
A oposição entre o bem e o mal é essencial no cristianismo medieval. Os pecados e as virtudes constituem 
categorias fundamentais para ordenar a leitura do mundo, tanto de sua história (desde a queda dos anjos 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 134 
e o pecado de Adão e Eva até o Juízo Final) como de seu presente (todas as atitudes humanas devem ser 
louvadas como virtudes ou denunciadas como vícios) e de seu futuro (o destino no além é a consequência 
das boas ou más ações realizadas na terra). Nenhuma realidade escapa a esse crivo temerário, que dá 
lugar a um discurso moral de amplitude estupenda, do qual a Igreja se esforça para assegurar os 
fundamentos teológicos, analisando a natureza de cada pecado e de cada virtude, e para promover o uso 
pastoral, produzindo classificações eficazes e adaptando incessantemente as categorias morais às 
realidades sociais. 
BASCHET, Jérôme. A civilização feudal. São Paulo: Globo, 2006. p. 375. 
6. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
No fragmento, o pensamento cristão no Ocidente Medieval encontra-se assentado 
a) no dualismo religioso e na busca dos homens de se adequarem à moral estipulada pela Igreja. 
b) na valorização da Igreja e na necessidade de expandir a fé cristã para outros povos pela catequese. 
c) no maniqueísmo cristão e na crença de que o perdão divino está ao alcance de todos os homens. 
d) na combinação entre elementos culturais herdados tanto dos romanos quanto dos germânicos. 
e) na valorização da diversidade religiosa e pela defesa do livre-arbítrio garantido aos homens. 
Comentários 
- A alternativa A é a resposta. De acordo com o texto, o pensamento cristão se baseia na luta do bem 
contra o mal, cabendo aos homens optar por uma conduta virtuosa e adequada à visão da Igreja. 
- A alternativa B está incorreta, o esforço da Igreja em expandir a fé cristã para outros povos é verificado 
principalmente durante a Idade Moderna, durante a chamada Contrarreforma. 
- A alternativa C está incorreta. O pensamento cristão medieval considera que muitos homens não são 
atingidos pela graça divina, o que lhes condena à danação eterna. 
- A alternativa D está incorreta. Apesar de tal raciocínio estar correto, ele não pode ser afirmado a partir 
do texto. 
- A alternativa E está incorreta, a Igreja se impõe como a única instituição religiosa, o que gera represálias 
aos grupos que apresentam crenças divergentes. 
Gabarito: A 
7. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Ao tratar da relevância da Igreja do Ocidente Medieval, o texto considera 
a) a imutabilidade dos dogmas sustentados pela instituição. 
b) a significação exercida sobre o comportamento humano. 
c) a relativização feita pela instituição acerca da ideia de pecado. 
d) a sua adequação aos valores morais previamente vigentes. 
e) o seu deslocamento da conduta mantida pelos homens. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. De acordo com o próprio texto, a Igreja adequa seus valores e princípios 
ao longo do tempo. 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 135 
- A alternativa B é a resposta. Ao estipular as noções de pecado e virtude sobre o comportamento 
humano, a Igreja estabelece uma conduta a ser mantida pelos cristãos. 
- A alternativa C está incorreta, não se verifica na Igreja a flexibilização da noção de pecado no Ocidente 
Medieval, o que faz com que os pecadores temam pela sua condenação eterna. 
- A alternativa D está incorreta, a Igreja moldou a sociedade medieval do Ocidente com as suas crenças e 
dogmas. 
- A alternativa E está incorreta, a maioria dos homens e mulheres do período medieval buscou adequar o 
seu comportamento aos princípios estipulados pela Igreja. 
Gabarito: B 
8. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
A cruzada emerge, pois, como o ponto de chegada de um lento processo que conduz a igreja, no Ocidente, 
da não violência, predominante até o século IV, ao uso sacralizado e meritório das armas. É essa dimensão 
sacralizadora que permite entender a cruzada como uma guerra santa, a qual tangencia certos aspectos 
que a assemelham com a jihad. Com efeito, durante vários séculos, as Cruzadas opuseram a cristandade 
e o mundo muçulmano pela posse de Jerusalém e dos lugares santos, posse que ainda hoje é mobilizadora 
nos intermináveis conflitos entre judeus e palestinos. 
GOMES, Francisco José Silva. A guerra santa, Cruzada e jihad na obra de Jean Flori. In: XI Encontro Regional de História (Anpuh). Conflitos e Idade Média. 20 
out. 2004. Disponível em: <www.rj.anpuh.org/resources/rj/anais/2004/mesas/francisco%20Jose%20silva%20gomes.doc>. Acesso em: 07 out. 2021. 
Com base no fragmento, o movimento cruzadista 
a) foi derrotado diante da manutenção da postura pacifista sustentada pelo cristianismo Ocidental. 
b) foi estritamente motivado pela pretensão da Igreja em recuperar a cidade sagrada de Jerusalém. 
c) contribuiu para a contenção do islamismo no Oriente diante da consolidação da cultura cristã. 
d) associa-se à postura impositiva consolidada pela Igreja diante de culturas alheias à cristandade. 
e) justifica-se pelo expansionismo praticado pelos muçulmanos sobre territórios europeus no período. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, o texto sugere que a postura não-violenta da Igreja foi suprimida pelo 
espírito cruzadista. 
- A alternativa B está incorreta, as Cruzadas também reuniram interesses de nobres, comerciantes e das 
camadas populares no Ocidente Medieval. 
- A alternativa C está incorreta, o cristianismo é uma religião minoritária no Oriente Médio atualmente, 
ao passo que o Islã é a religião que mais cresce no mundo. 
- A alternativa D está correta. O espírito cruzadista contribuiu para consolidar uma postura impositiva e 
expansionista da Igreja direcionada aos mouros, ameríndios e outros povos ao longo dos séculos. 
- A alternativa E está incorreta, pois no contexto das Cruzadas, os muçulmanos não expandiam seus 
domínios para o Ocidente. Para estes, as expedições teriam sido “invasões francas”. 
Gabarito: D 
9. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
TEXTO I 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – IDADE MÉDIA II 
 
 
AULA 03 – IDADE MÉDIA II 136 
O país da Cocanha é uma fábula amplamentedivulgada no Ocidente no final da Idade Média e na 
Renascença. Ela oferece uma fuga por meio do imaginário a uma população que conhece o custo humano 
das penúrias alimentares. Na Cocanha, o guloso come à saciedade o que quiser, quando quiser e onde 
quiser, verificando-se uma inversão do paraíso terrestre, que rejeita os sete pecados capitais e exalta uma 
felicidade terrestre que não pode ser mais materialista. 
FLORENT, Q. Gula. São Paulo: Ed. Sena São Paulo, 2011. 
TEXTO II 
 
 
 BRUEGEL, Pieter. A Terra de Cocanha, 1567. Domínio Público. 
 
Considerando os textos, a permanência da Cocanha no imaginário do Ocidente europeu na transição do 
Medievo para a Renascença sugere o (a) 
(A) enraizamento de tradições do folclorismo pagão. 
(B) cotidiano de privações das camadas populares. 
(C) abandono da ideia de pecado estipulada pela Igreja. 
(D) acesso da população às obras de artistas renomados. 
(E) difusão do humanismo entre os grupos subalternos. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. Em nenhum momento os textos sugerem que o mito da Cocanha tenha 
origens pagãs. Ademais, ele também é alimentado pela descrição bíblica de Canaã, terra que mana leite 
e mel (Dn 26:9). 
- A alternativa B é a resposta. O mito de Cocanha reflete as inquietudes de uma sociedade que não 
aniquilou os riscos da miséria, cenário verificado tanto na Idade Média quanto no Renascimento. Dessa 
forma, o lugar imaginado serve como um alento às angústias da vida cotidiana. 
- A alternativa C está incorreta. A ideia de pecado continua a existir nas ações cotidianas, sendo 
transgredida apenas no imaginário pelas camadas subalternas. 
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- A alternativa D está incorreta. Na verdade, a obra de Pieter Brugel revela como se deixou influenciar por 
elementos do cotidiano e imaginário popular, e não o contrário. 
- A alternativa E está incorreta. O humanismo abarcou somente as camadas letradas mais privilegiadas da 
sociedade europeia. 
Gabarito: D 
10. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Um estudo recente observa como os judeus eram considerados "outros" na arte medieval. Eles eram 
representados em amarelo, por exemplo, usando cartolas ou chapéus pontudos e fazendo gestos 
vulgares, tais como exibindo as línguas. Eram frequentemente mostrados física e moralmente próximos 
ao demônio. Sua sub-humanidade era demonstrada aos espectadores através da associação dos judeus 
com porcos. 
(BURKE, P. Testemunha ocular. São Paulo; Ed. Unesp, 2017. p. 201.) 
As representações artísticas dos judeus no Medievo Ocidental sugerem 
(A) a vigência de concepções originárias do racismo científico. 
(B) o desconhecimento em relação aos povos não europeus. 
(C) a demonização de membros dos grupos cristãos minoritários. 
(D) a animalização de grupos falantes de outros idiomas. 
(E) a hostilização de grupos não-cristãos pela sociedade. 
Comentários 
- A alternativa A incorreta. O racismo científico legitimou a segregação de diversos grupos a partir do 
século XIX, na Idade Contemporânea. 
- A alternativa B está incorreta, muitos judeus eram europeus. 
- A alternativa C está incorreta, o judaísmo não é uma vertente do cristianismo. 
- A alternativa D está incorreta, os judeus geralmente eram falantes das línguas dos locais onde viviam. 
- A alternativa E é a resposta. Os elementos destacados na arte medieval revelam o antissemitismo 
presente no Ocidente Medieval, o que levou à perseguição e segregação de comunidades judaicas em 
diversas partes do continente europeu. 
Gabarito: E 
11. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Na Europa quase toda, aquando dos grandes arroteamentos, a atracção dos novos centros urbanos e das 
aldeias, fundadas sobre as terras desbravadas, prejudicou, certamente, muitas comunidades 
camponesas. 
BLOCH, Marc. A sociedade feudal, trad. Liz Silva, Lisboa, Edições, v. 70, 1987. 
O trecho aponta para um processo singular ocorrido durante o medievo, conhecido como renascimento 
urbano. Como uma das causas desse êxodo em direção às cidades, podemos citar o(a) 
a) ascensão das monarquias, que passaram a exercer enorme influência nas cidades a partir do século X. 
b) avivamento da atividade comercial, incentivado pelo excedente agrícola e comércio com o oriente. 
c) invasão dos povos bárbaros aos feudos senhoriais, empurrando as populações para o meio urbano. 
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d) incentivo da Igreja à subversão da ordem feudal, levando à fuga massiva de camponeses dos feudos. 
e) crescimento da nobreza cavalheiresca, que atraía a população ao meio urbano por meio de torneios e 
espetáculos. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque os reis possuíam pouca influência na sociedade feudal, que era 
caracterizada pela descentralização do poder. Estas figuras cresceram em influência a partir do século XV, 
que é o momento de transição para a Idade Moderna. 
- A alternativa B está correta. A partir do ano 1000, a Europa passou por um processo de renascimento 
comercial. Este foi propiciado pelos excedentes agrícolas, fruto das inovações tecnológicas no meio rural, 
e pela abertura do comércio com o oriente, decorrente das cruzadas. As cidades começaram a figurar 
como sedes de importantes feiras e interpostos comerciais, fomentando o êxodo em direção a tais locais. 
- A alternativa C está incorreta, porque as invasões bárbaras se inserem no contexto de fim da antiguidade, 
muitos anos antes do renascimento urbano do século XI. 
- A alternativa D está incorreta, porque a Igreja não incentivava a subversão da ordem feudal, e sim o 
oposto disso. A doutrina católica era usada para manter a ordem social, evitando a desestabilização da 
hierarquia entre servo e senhor. 
- A alternativa E está incorreta, porque os torneios e festas medievais possuem pouca relação com o 
crescimento da urbanização, já que muitos destes eram comemorados nos feudos. 
Gabarito: B 
12. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Características comuns da bruxa nos finais da Idade Média, como as que se veem no Malleus Maleficarum 
dos frades dominicanos, são o voo mágico, o pacto com o diabo, o assassinato das crianças, a destruição 
de farinha e de colheitas, a metamorfose animal. 
CARDINI, Franco. Magia e bruxaria na Idade Média e no Renascimento. Psicologia USP, v. 7, n. 1-2, p. 9-16, 1996. 
Infere-se do texto que a caracterização medieval das bruxas objetivava 
a) chamar a atenção para a existência de homens ligados à bruxaria. 
b) suavizar a perseguição imposta pelos tribunais da Santa Inquisição. 
c) forjar os culpados pelos desastres sociais, econômicos e naturais. 
d) evitar o temor da população diante de elementos considerados sobrenaturais. 
e) valorizar a importância social das mulheres para o cristianismo. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque não existem, no trecho, elementos que indiquem a atuação 
masculina no ato de bruxaria. Esta era, majoritariamente, creditada às mulheres. 
- A alternativa B está incorreta, porque a caracterização das bruxas como responsáveis por desgraças não 
“suaviza” a perseguição, e sim ocasiona o oposto disso. 
- A alternativa C está correta. Como o trecho denota, algumas mulheres eram responsabilizadas por 
qualquer forma de catástrofe social, econômica e natural. De assassinato de crianças até a destruição de 
colheitas. Deste modo, era fácil encontrar, culpar e julgar um “bode expiatório”, especialmente para 
explicar os fatos que a sociedade da época desconhecia as causas. Ademais, a caça às bruxas era feita 
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conforme alguns interesses dominantes,sendo direcionada a figuras específicas consideradas 
“subversivas”. 
- A alternativa D está incorreta, porque a noção criada a respeito da bruxaria e feitiçaria aterrorizava a 
população deste período, espalhando o medo entre estas figuras. 
- A alternativa E está incorreta, porque a criação do conceito de “bruxa” não levou à valorização das 
mulheres, e sim o oposto disso. Muitas foram utilizadas como “bode expiatório”, sendo queimadas em 
julgamentos improvisados, sem qualquer tipo de prova material de seus “crimes”. 
Gabarito: C 
13. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
No caso do Ocidente medieval cristão, as informações chegam de todos os cantos: França, Alemanha, 
Inglaterra, Penínsulas Itálica e Ibérica, para citar algumas regiões. Refiro-me, principalmente, a escritos 
de mulheres medievais, que vemos surgir nas estantes das livrarias especializadas, e que até bem pouco 
tempo eram desconhecidos. 
BROCHADO, Cláudia Costa. A Querelle des femmes e a política sexual na Idade Média. BRATHAIR-REVISTA DE ESTUDOS CELTAS E GERMÂNICOS, v. 19, n. 2, 
2019.. 
A descoberta de escritos de mulheres medievais é um fato de maior importância, na medida que propicia 
o(a) 
a) unilateralização do conhecimento histórico sobre o período. 
b) confirmação do papel de submissão feminino durante o medievo. 
c) idealização da figura feminina no medievo. 
d) reiteração da visão histórica patriarcal pré-existente. 
e) inserção de novos sujeitos e narrativas históricas. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque a descoberta destes textos promove a ampliação do horizonte de 
conhecimentos históricos, reduzindo a unilateralização (existência de uma única visão hegemônica). 
- A alternativa B está incorreta, porque estes textos demonstram que as mulheres possuíam voz no 
período medieval, sendo capazes de produzir textos autorais e contrariando a ideia de uma submissão 
total à figura masculina. 
- A alternativa C está incorreta, porque o objetivo é romper com as idealizações e noções superficiais, 
criando uma ideia mais acurada do papel feminino no medievo. 
- A alternativa D está incorreta, porque uma das consequências destes escritos é o rompimento com a 
visão histórica patriarcal, que silencia a mulher e coloca o masculino como ponto central do período 
medieval. 
- A alternativa E está correta. Foi criada, ao longo de séculos, a noção de que o período medieval foi 
exclusivamente masculino. Isto é, os homens criavam a história, enquanto as mulheres eram relegadas 
ao segundo plano. A descoberta destes textos confronta essa narrativa histórica, inserindo novos sujeitos 
relevantes, majoritariamente mulheres, e novas narrativas que transcendem o silenciamento sobre o 
papel do feminino neste período. 
Gabarito: E 
 
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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Chegamos ao final da nossa aula sobre a civilização feudal, assunto importantíssimo e muito 
recorrente em sua prova! Gostaria de chamar atenção para alguns temas importantes: 
 as relações se suserania e vassalagem; 
 as relações de senhorio; 
 as características da sociedade feudal; 
 as cruzadas; 
 a cavalaria na sociedade medieval; 
 o processo de consolidação da Igreja; 
 as transformações da mentalidade dos homens e mulheres do Ocidente medieval. 
 as cidades medievais e a retomada do grande comércio; 
 a crise do século XVI. 
Se precisar de mim, fale comigo no Fórum de dúvidas do Estratégia Vestibulares! Em nossa próxima 
aula nós continuaremos a abordar a Idade Moderna, assunto bem importante para a prova da Unesp!! 
 
Bons estudos! 
Marco Túlio 
profmarco.tulio @profmarcotulio t.me/histpraboidormir 
 
7. REFERÊNCIAS 
ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao feudalismo. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1989 
 
BASCHET, Jérôme. A civilização feudal: do ano 1000 à colonização da América. São Paulo: Globo, 2006. 
 
BOCCACCIO, Giovanni. Decameron. Trad. Urbano Tavares Rodrigues. Lisboa: Relogio D'agua, 2006. 
 
CAMPOS, Flávio de; CLARO, Regina. Oficina de História; 1. São Paulo: Leya, 0213. 
 
CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: linguagens: volume I. 4ªed. São 
Paulo: Atual, 2004 
 
DUBY, Georges (org.). História da vida privada, 2: da Europa feudal a Renascença. São Paulo: Companhia 
das Letras, 2009. 
 
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AULA 03 – IDADE MÉDIA II 141 
FRANCO JÚNIOR, Hilário. A Idade Média: nascimento do ocidente. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2001. 
Disponível em: <http://www.letras.ufrj.br/veralima/historia_arte/Hilario-Franco-Jr-A-Idade-Media-
PDF.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2019. 
 
GOMBRICH, E.H. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 2015. 
 
LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Lisboa: Estampa, 1984. 
 
LE GOFF, Jacques; SCHMITT, Jean-Claude (orgs.). Dicionário analítico do Ocidente medieval (vol.2). São 
Paulo: Ed. Unesp, 2017. 
 
LUACES, Pedro García. La gran epidemia medieval. Disponível em: 
<https://www.lavanguardia.com/historiayvida/peste-bubonica-epidemia_11147_102.html>. Acesso em: 
14 mar. 2019. 
 
MACEDO apud FREITAS NETO, José Alves de; TASINAFO, Célio Ricardo. História geral e do Brasil. São 
Paulo: HARBRA, 2006. 
 
PERNAUD, Régine. O mito da idade média. Mem Martins, Portugal: Europa-América, 1977. 
 
PIRENNE, Henri. História econômica e social da Idade Média. São Paulo: Mestre Jou, 1968. 
 
QUELLIER, Florent. Gula: história de um pecado capital. São Paulo: Ed. Senac São Paulo, 2011. 
 
8. VERSÕES DAS AULAS 
24/11/2021 Versão 1 Aula original 
 
 
 
 
 
 
 
 
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