Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNESP 
Prof. Marco Túlio 
Aula 10 - Formação dos Estados na 
América Latina 
 
Independências na América Hispânica. A Revolução do Haiti. 
Brasil: do processo de emancipação política ao período 
regencial. 
estretegiavestibulares.com.br vestibulares.estrategia.com 
EXTENSIVO 
2024 
Exasi
u 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 2 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO 4 
2. COMPARAÇÕES ENTRE OS PROCESSOS DE INDEPENDÊNCIA 4 
3. INDEPENDÊNCIAS NA AMÉRICA ESPANHOLA 7 
3.1. O PROJETO DE SIMÓN BOLÍVAR 8 
3.2. PROJETOS E PARTICIPAÇÃO DAS CAMADAS POPULARES 11 
3.3. AMÉRICA HISPÂNICA INDEPENDENTE 12 
4. REVOLUÇÃO HAITIANA 13 
4.1. HAITIANISMO 14 
5. PERÍODO JOANINO NO BRASIL (1808-1821) 15 
5.1. MEDIDAS ECONÔMICAS DO PERÍODO 16 
5.2. TRANSFORMAÇÕES NO RIO DE JANEIRO 16 
5.3. POLÍTICA EXTERNA 19 
5.4. O BRASIL REINO 19 
5.5. CONFLITOS DO PERÍODO 19 
6. RUPTURA POLÍTICA E O PRIMEIRO REINADO (1822-1831) 22 
6.1. GUERRAS DE INDEPENDÊNCIA (1822-1823) 23 
6.2. COMEMORANDO A INDEPENDÊNCIA 25 
6.3. A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO 26 
6.4. CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR 30 
6.5. CRISE DO PRIMEIRO REINADO 31 
7. PERÍODO REGENCIAL (1831-1840) 32 
7.1. REGÊNCIA UNA 34 
7.2. REVOLTAS DO PERÍODO REGENCIAL 35 
7.3. O GOLPE DA MAIORIDADE 39 
8. LISTA DE QUESTÕES 40 
8.1. UNESP 40 
8.2. VESTIBULARES 41 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 3 
8.3. INÉDITAS 50 
9. GABARITO 58 
9.1. UNESP 58 
9.2. VESTIBULARES 58 
9.3. INÉDITAS 59 
10. LISTA DE QUESTÕES COMENTADA 59 
10.1. UNESP 59 
10.2. VESTIBULARES 61 
10.3. INÉDITAS 75 
11. CONSIDERAÇÕES FINAIS 90 
12. REFERÊNCIAS 91 
 
 
 
 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 4 
1. INTRODUÇÃO 
Olá! Começa agora mais uma aula do nosso Curso de História! 
A seguir, abordaremos o processo de formação dos Estados na América Latina, incluindo o do 
Brasil. Assim sendo, a aula contará com os seguintes pontos: 
 Processos de Independência da América Espanhola 
 Revolução do Haiti 
 O Período Joanino no Brasil 
 O processo de independência do Brasil; 
 O Primeiro Reinado no Brasil. 
 O Período Regencial brasileiro. 
Desde já, cabe destacar que os assuntos referentes à História do Brasil possuem maior incidência 
em sua prova. 
Bons estudos! 
 
2. COMPARAÇÕES ENTRE OS PROCESSOS DE INDEPENDÊNCIA 
Observe o mapa abaixo. Você já se perguntou por que o processo de independência da América 
Espanhola deu origem a tantos Estados, enquanto ao processo de independência da América Portuguesa 
manteve sua unidade territorial? Quais fatores teriam contribuído para isso? 
 
 
Figura 1 - Mapa atual da América Latina. Fonte: Shutterstock. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 5 
Os historiadores divergem em relação aos aspectos que contribuíram para isso, mas podemos 
destacar alguns pontos importantes: 
 
Administração e concentração populacional 
Vejamos o que disse o historiador mexicano Alfredo Ávila Rueda: 
 No início do século XIX, boa parte da população do território brasileiro se concentrava no litoral, 
ao mesmo tempo em que os maiores centros urbanos apresentavam maior interação entre si, se 
comparados com as cidades da América Espanhola. A administração da colônia era centralizada 
no Rio de Janeiro, o que tornava as demais regiões vinculadas a ela, diminuindo os poderes locais. 
 No caso da América Espanhola, a distância entre as cidades era maior, o que desestimulava o 
contato entre as regiões. Além disso, a administração da colônia era descentralizada em quatro 
vice-reinados, que respondiam diretamente a Coroa espanhola. Assim sendo, o poder local era 
mais expressivo na América Espanhola do que na América Portuguesa. 
 A livre circulação de impressos (jornais, livros e panfletos) na América espanhola também teria 
contribuído para a formação de identidades regionais na América Espanhola. O mesmo não 
ocorreu no Brasil, onde a Coroa lusa vetou a publicação de jornais até o início do século XIX. 
 
Formação das elites coloniais 
Vejamos o que disse o historiador brasileiro José Murilo de Carvalho: 
 Até 1808, a Coroa portuguesa nunca permitiu a criação de universidades no Brasil, o que fazia 
com que boa parte das elites coloniais se formassem na Europa, sobretudo no curso de Direito da 
Universidade de Coimbra. Em seguida, muitos integravam se tornavam funcionários do aparato 
administrativo português, tanto no Brasil quanto na África. Isso teria contribuído para a formação 
de uma elite ideologicamente homogênea. 
 Na América Espanhola, existiam pelo menos 23 universidades espalhadas pela colônia. Isso fez 
com que as elites coloniais de regiões distantes convivessem menos entre si, pois tendiam a 
frequentar centros de ensino superior mais próximos. A ideia de independência teria sido 
elaborada localmente nestes espaços, o que inviabilizou a formação de um Estado único. 
 
Vínculos com o poder real 
Apesar dos historiadores Alfredo Ávila Rueda e José Murilo de Carvalho apresentarem visões 
distintas em relação aos aspectos que contribuíram para que as independências das Américas Espanhola 
e Portuguesa fossem tão diferentes, ambos consideram que as relações com o poder real foram 
determinantes. Vejamos: 
 No caso da América Espanhola, a deposição do rei espanhol por Napoleão Bonaparte, em 1806, e 
sua substituição por José Bonaparte (irmão de Napoleão) contribuiu para que as elites coloniais se 
recusassem a receber ordens vindas da Espanha, pois consideravam o novo governante ilegítimo. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 6 
 No caso do Brasil, a presença do rei na colônia, a partir da transferência da Corte portuguesa para 
o Brasil (1808), serviu como fonte de legitimidade para que ela mantivesse o território unido. 
 
 
(2021/Enem) 
Por que o Brasil continuou um só enquanto a América espanhola se dividiu em vários países? 
Para o historiados brasileiro José Murilo de Carvalho, no Brasil, parte da sociedade era muito mais 
coesa ideologicamente do que a espanhola. Carvalho argumenta que isso se deveu à tradição 
burocrática portuguesa. “Portugal nunca permitiu a criação de universidade em sua colônia”. Por 
outro lado, na América espanhola, entre 1772 e 1872, 150 mil estudantes se formaram em 
universidades locais. Para o historiador mexicano Alfredo Ávila Rueda, as universidades na América 
espanhola eram, em sua maioria, reacionárias. Nesse sentido, o historiador mexicano diz acreditar 
que a livre circulação de impressos (jornais, livros e panfletos) na América espanhola, que não era 
permitida na América portuguesa (a proibição só foi revertida em 1808), teve função muito mais 
importante na construção de regionalismos do que propriamente as universidades. 
BARRUCHO, L. Disponível em: wwww.bbc.com. Acesso em: 8 set. 2019 (adaptado). 
Os pontos de vista dos historiadores referidos no texto são divergentes em relação ao 
a) papel desempenhado pelas instituições de ensino na criação das múltiplas identidades. 
b) controle exercido pelos grupos de imprensa na centralização das esferas administrativas. 
c) abandono sofrido pelas comunidades de docentes na concepção de coletividades políticas. 
d) lugar ocupado pelas associações de acadêmicos no fortalecimento das agremiações estudantis. 
e) protagonismoassumido pelos meios de comunicação no desenvolvimento das nações 
alfabetizadas. 
Comentários 
- A alternativa A é a resposta. Para José Murilo de Carvalho, as universidades contribuíram para a 
formação de múltiplas identidades e projetos de independência na América Espanhola, enquanto 
Alfredo Rueda considera que a circulação de impressos teria sido mais determinante para que isso 
ocorresse. 
- A alternativa B está incorreta. De acordo com o historiador mexicano, os impressos circulavam 
livremente entre as elites coloniais da América Espanhola, enquanto na América Portuguesa, as 
autoridades administrativas cerceavam a publicação de jornais e livros. 
- A alternativa C está incorreta. José Murilo de Carvalho considera que as universidades da América 
Espanhola foram importantes núcleos de elaboração de projetos de independência, enquanto 
Alfredo Rueda os descreve como núcleos vinculados aos interesses políticos da metrópole. 
- A alternativa D está incorreta, pois nenhum dos historiadores aborda as agremiações estudantis. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 7 
- A alternativa E está incorreta, pois tanto a América Espanhola quanto a América Portuguesa 
dispunham de população majoritariamente analfabeta. 
Gabarito: A 
 
ATENÇÃO: Os processos de independência da América Portuguesa (Brasil) e da América Espanhola 
não foram revoluções, pois não geraram transformações profundas nas estruturas coloniais. 
 
3. INDEPENDÊNCIAS NA AMÉRICA ESPANHOLA 
Ao final do século XVIII, a Coroa espanhola adotou algumas medidas medidas que ficaram 
conhecidas como reformas bourbônicas, que tinham o intuito de aumentar o seu controle sobre as 
colônias e aumentar a sua arrecadação. Vejamos algumas delas: 
 Criação de novos vice-reinados; 
 Expulsão dos jesuítas de todo o Império espanhol; 
 Reforço do monopólio da metrópole sobre as colônias. 
 
Figura 2 - Mapa da América Espanhola. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 8 
As elites criollas, compostas por ricos descendentes de espanhóis nascidos na América, 
permaneciam sem acesso aos cargos da administração colonial, preenchidos apenas pelos chapetones 
(espanhóis). A marginalização política e a ausência de liberdade econômica geravam grande instatisfação 
entre os criollos, que se inspiravam nas ideias iluministas e na Revolução Americana. 
 
 
 
 
Em 1806, Napoleão Bonaparte depôs do trono espanhol o rei Fernando VII, e o substituiu pelo seu 
irmão, José Bonaparte. Para os colonos da América Espanhola, o novo governante era um “usurpador”, e 
sua ascensão representava uma quebra de vínculos até então firmados entre monarquia e suas colônias. 
Ao considerarem o novo monarca ilegítimo, os criollos passaram a conduzir a política colonial por 
meio dos cabildos, espécie de câmaras municipais. Mesmo após a expulsão das forças napoleônicas da 
metrópole (1813), os colonos não quiseram abrir mão da autonomia obtida, dando início a lutas pela 
independência. 
 
3.1. O projeto de Simón Bolívar 
Uma figura que se destacou nas guerras de independência foi o venezuelano 
Simón Bolívar, que conseguiu libertar as regiões correspondentes aos atuais 
Venezuela, Colômbia, Equador e Panamá, que juntos formavam a Grande Colômbia. 
Em um documento intitulado Carta da Jamaica (1815), Bolívar defendeu que um projeto de 
unidade latino-americana, ou seja, que os territórios do continente formassem uma grande república 
confederada, similar ao modelo adotado pelos Estados Unidos. No entanto, seu projeto não durou muito, 
já que em 1830 a Venezuela e o Equador se separariam da Colômbia. 
 
Chapetones
Criollos
Mestiços
Índios e Negros
Espanhóis que ocupavam altos cargos na administração da 
América Espanhola. 
 
Descendentes de espanhóis, muitos integravam a elite 
econômica, mas tinham sua participação na administração 
colonial vetada. 
Eram marginalizados da política local e vistos como inferiores 
pelos grupos privilegiados. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 9 
 
Figura 3 - Simón Bolívar, conhecido como o Libertador. 
 
Congresso do Panamá 
Em 1826, o projeto de unidade proposto por Bolívar chegou a ser discutido no Congresso do 
Panamá, no qual foram defendidos os seguintes princípios: 
 a formação de uma confederação de repúblicas hispânicas; 
 a abolição do tráfico de escravizados africanos; 
 a organização de forças militares que garantissem o equilíbrio entre os Estados confederados. 
 
 
Figura 4 - Representação do Congresso do Panamá. 
Alguns empecilhos contribuíram para o fracasso do Congresso do Panamá: 
 as elites criollas se mostraram contrárias à ideia de unidade, preferindo defender sua hegemonia 
local e interesses pessoais. Assim sendo, muitos territórios sequer enviaram representantes. 
 os Estados Unidos temiam que o surgimento de outro grande Estado ameaçasse a hegemonia que 
buscavam construir sobre o continente, por isso se colocaram contra o projeto; 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 10 
 a Inglaterra considerava que a existência de pequenos e frágeis Estados deixaria a região mais 
frágil à dominação econômica que construía sobre os mercados consumidores do continente. 
 o Brasil, que manteve a monarquia e a escravidão ao obter a independência, não se mostrou 
favorável ao estímulo de ideias republicanas e abolicionistas, por isso não participou do evento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 RAZÕES DO FRACASSO 
 
 
 
O que é o bolivarianismo? 
Em referência à figura de Simón Bolívar, verificou-se no início do século XXI o surgimento do 
bolivarianismo, termo utilizado por lideranças de esquerda da América Latina para defender um 
estreitamento de laços econômicos e diplomáticos entre os países do subcontinente. Com isso, 
buscavam diminuir a influência exercida pelos Estados Unidos e pela doutrina neoliberal na região. 
 
PROJETO DE UNIDADE 
LATINO-AMERICANA
ELITES CRIOLLAS 
BUSCARAM O PODER 
LOCAL
AMEAÇA À HEGEMONIA 
DOS ESTADOS UNIDOS E 
DA INGLATERRA
BRASIL CONTRÁRIO À 
DIFUSÃO DE IDEIAS 
REPUBLICANAS E 
ABOLICIONISTAS. 
PROPOSTO NO 
CONGRESSO DO PANAMÁ
DEFESA DA CRIAÇÃO DE 
UMA CONFEDERAÇÃO DE 
REPÚBLICAS E DO FIM DO 
TRÁFICO NEGREIRO
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 11 
3.2. Projetos e participação das camadas populares 
Apesar da prevalência dos projetos de independência das elites criollas, as forças populares, 
compostas por indígenas e mestiços, também protagonizaram ações contra a dominação espanhola ao 
longo dos séculos. Vejamos dois casos emblemáticos: 
 Revolta de Tupac Amaru (1780-1781): ocorreu na região do Vice-Reino do Peru, onde indígena 
chamado José Gabriel Condorcanqui executou um burocrata espanhol e assumiu o nome de Tupac 
Amaru II – uma referência ao último líder do Império Inca. Ele reuniu milhares de indígenas contra 
a mita (sistema de trabalho compulsório), mas o movimento foi duramente massacrado. 
 Primeira tentativa de independência do México (1810): um padre chamado Miguel Hidalgo 
organizou um levante com mais de 60.000 indígenas e mestiços, que defendeu o fim da escravidão 
e a distribuição de terras para a população. O discurso radical fez com que chapetones e criollos 
se unissem para derrotá-lo, e em 1811 o padre Hidalgo foi fuzilado. O padre José Maria Morelos 
tentou dar continuidade ao movimento até 1815, quando também foi condenado àmorte. 
 
 
Figura 5 - Representação de Tupac Amaru II. 
 
REVOLTAS INDÍGENAS 
CONTRA A DOMINAÇÃO 
ESPANHOLA
REVOLTA DE TUPAC 
AMARU (1780-1781)
CONTRA A MITA 
(TRABALHO 
COMPULSÓRIO)
REVOLTA MEXICANA DE 
1810
DEFESA DA DISTRIBUIÇÃO 
DE TERRAS PARA 
INDÍGENAS E DO FIM DA 
ESCRAVIDÃO.
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 12 
 
 (2014/Unesp) 
Sobre as lutas pela independência na América Hispânica, é correto afirmar que 
a) contaram com participação política e militar direta dos Estados Unidos e da Alemanha, 
interessados em ampliar sua presença comercial na região. 
b) tiveram claro caráter popular, expresso na realização, após a emancipação, de reformas sociais 
profundas. 
c) impediram a modernização das economias coloniais e reduziram a participação dos países da 
região no comércio internacional. 
d) asseguraram a manutenção da unidade territorial e impediram a fragmentação política da região. 
e) foram controladas, na maior parte dos casos, pelas elites criollas, embora tenham contado com 
participação popular. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. Durante as guerras de independência da América Espanhola, a 
Alemanha ainda não existia enquanto Estado unificado, algo que só ocorreria na década de 1870. 
Além disso, os Estados Unidos se envolveram no processo de emancipação de Cuba, mas não de 
todos os Estados formados na região. 
 - A alternativa B está incorreta, afinal não foram promovidas reformas significativas após as guerras 
de independência na América Espanhola. O caráter autoritário da política não foi dissipado, 
tampouco a exclusão de indígenas, negros e mestiços. 
- A alternativa C está incorreta, pois as economias dos novos Estados da América Latina tiveram seu 
processo de modernização dificultado diante do imperialismo econômico exercido por potências 
como Estados Unidos e Inglaterra. 
- A alternativa D está incorreta, afinal o processo de independência da América Espanhola deu 
origem a diversos novos Estados, refletindo os interesses locais das elites criollas. 
- A alternativa E é a resposta. As guerras de independência da América Espanhola contaram com a 
participação das camadas populares, como vimos em nossa aula sobre a independência do México. 
Contudo, o processo foi conduzido pelas elites da terra, os chamados criollos. 
Gabarito: E 
 
3.3. América Hispânica Independente 
 Após a independência, os novos países formados na antiga América Espanhola enfrentaram 
períodos de grande instabilidade devido às lutas travadas entre as elites. Parte dos desentendimentos se 
deu diante dos impasses em relação à administração, prevalecendo dois projetos: 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 13 
 Unitaristas: defendiam uma administração centralizada, com pouca autonomia regional; 
 Federalistas: defendiam uma administração descentralizada, com ampla autonomia local. 
 
Caudilhismo 
Prevalece na região o caudilhismo, nome dado à hegemonia política exercida por figuras que 
dispunham de prestígio por terem lutado nas guerras contra a metrópole ou por serem prósperos 
fazendeiros. 
Os caudilhos diziam defender os interesses dos desvalidos, mas eram autênticos representantes 
dos grandes proprietários. Sua influência não eram embasada em nenhum projeto político, buscando 
apenas a afirmação de seu poder pessoal a partir da implantação de governos autoritários. 
 
4. REVOLUÇÃO HAITIANA 
 Após a Independência das Treze Colônias, o primeiro território do continente a obter a sua 
emancipação foi a ilha de São Domingos, colônia francesa localizada na região das Antilhas. Trata-se de 
um processo considerado revolucionário, afinal foi a principal revolução de escravos da História 
Contemporânea. 
Ao final do século XVIII, a região era uma das colônias mais ricas do mundo, chegando a responder 
por 75% de todo o açúcar produzido no mundo. Além disso, São Domingos também abastecia o mercado 
europeu com café, tabaco, cacau, algodão e índigo. Não por acaso, a colônia era chamada de “pérola das 
Antilhas” pela França. 
O poder administrativo e econômico da colônia era monopolizado por uma pequena camada de 
homens brancos (5% da população), proprietários de terras e de escravizados. Já a base da pirâmide social 
era composta por africanos e descendentes de escravizados. 
Em 1791, escravizados, ex-escravizados e mestiços ricos se uniram para lutar contra o controle 
das elites brancas na ilha, influenciados pelos ideais de liberdade e igualdade da Revolução Francesa, que 
se encontrava na fase da Convenção Nacional. Os rebeldes chegaram a destruir boa parte das plantações 
e engenhos de açúcar da ilha, afetando os interesses das elites coloniais. 
O movimento foi liderado por Toussaint Louverture, um ex-escravo doméstico que se 
demonstrou um grande estrategista militar. Contudo, ele acabou deportado para a pelo exército 
napoleônico para a França, onde morreu em uma prisão. 
Não eram poucos os inimigos da Revolução. Até 1804, os rebeldes enfrentaram as elites locais, 
soldados da monarquia francesa, invasores espanhóis e britânicos e uma expedição napoleônica 
composta por 60 mil integrantes. Após derrotar todos eles, foi fundado o Estado do Haiti, nome indígena 
que era utilizado pelos nativos para denominar a ilha. A escravidão foi abolida no novo país. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 14 
 
Figura 6 - Toussaint Louverture. Fonte: Shutterstock 
 
O primeiro governante haitiano, Jean-Jacques Dessalines, sucessor de Louverture na Revolução, 
que se proclamou imperador em outubro de 1804. Ele foi o responsável por coordenar massacre de todos 
os brancos remascentes da ilha, sendo assassinados entre 3 a 5 mil homens, mulheres e crianças. 
O episódio dificultou o reconhecimento diplomático do Haiti junto as demais nações da Europa e 
da América – a França só o fez após exigir uma indenização de 150 milhões de francos, o equivalente a 21 
milhões de dólares atualmente. O país demorou 122 anos parar arcar com as dívidas legadas pela sua 
independência. 
 
4.1. Haitianismo 
O êxito da Revolução de escravos nas Antilhas fez com que as elites do continente temessem que 
vivenciar o mesmo em seus territórios. Em terras brasileiras, o medo de que uma revolta de escravos 
atingisse a mesma proporção ganhou nome: haitianismo. 
Assim como a ilha de São Domingos, sua população era majoritariamente composta por cativos, o 
que tornava o território propenso a insurreições negras. Devido a isso, a experiência haitiana chegou a 
influenciar revoltas escravas e rebeliões populares no período imperial. 
 
ATENÇÃO: Para alguns historiadores, a Revolução Haitiana teria inspirado a Conjuração Baiana. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 15 
5. PERÍODO JOANINO NO BRASIL (1808-1821) 
No início do século XIX, o continente europeu se viu ameaçado pela expansão do Império 
Napoleônico, que conquistou diversos territórios e destronou diversos reis absolutistas. A Marinha 
britânica parecia ser o único obstáculo para a consolidação do poderio francês, o que levou o imperador 
a decretar, em 1806, o Bloqueio Continental, fechando o continente europeu à Inglaterra. Com isso, ele 
objetivava sufocar a economia inglesa, e consequentemente, sua supremacia. 
Para Portugal, país economicamente dependente dos ingleses, o cumprimento do Bloqueio 
Continental poderia representar sua falência, além de colá-lo à mercê de uma possível represália dos 
aliados comerciais. Por outro lado, ignorá-lo significaria uma declaração de guerra contra a França. 
Naquele momento, quem ocupava otrono português era D. João, regente de Portugal desde que sua 
mãe, D. Maria I, passou a sofrer de um transtorno mental. 
 
 
Figura 7 - Debret, Jean Baptiste, 1768-1848. D. João, coroado imperador no Brasil. Fonte: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. 
Diante da indecisão do governante de Portugal, Napoleão enviou tropas para invadir o país, 
comandadas pelo general Junot. Sem condições de resistir ao ataque D. João tomou uma atitude radical: 
transferir a Corte portuguesa para o Brasil, com o apoio tático dos ingleses. Com isso, ele se tornaria o 
primeiro monarca europeu a pisar nas Américas. 
A fuga da Corte, em novembro de 1807, trouxe importantes consequências para o Brasil. Ela 
preparou o caminho para a independência do domínio português, ainda que isso tenha sido 
acompanhado do aumento da dependência econômica em relação à Inglaterra. 
 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 16 
5.1. Medidas econômicas do período 
Antes de chegar ao Rio de Janeiro, sede administrativa da América 
Portuguesa, a comitiva joanina fez uma parada em Salvador, onde estabeleceu, em 
janeiro de 1808 uma das medidas mais importantes do período: a abertura dos 
portos às nações amigas. A partir daí, o Brasil poderia comercializar diretamente com 
outros países aliados de Portugal – em especial, a Inglaterra –, sem demandar os 
comerciantes portugueses como intermediários. Em outras palavras: era o fim do 
pacto colonial (ou exclusivo metropolitano), na medida em que concedia liberdade 
econômica para o Brasil. 
A decisão agradou imensamente comerciantes ingleses, que buscavam influenciar o mercado 
consumidor brasileiro, e grandes proprietários locais, que teriam mais autonomia em relação à Portugal. 
Em abril de 1808, já instalada no Rio de Janeiro, a Corte decretou o Alvará de 1808, que revogou 
o Alvará de 1785, anteriormente aprovado pela rainha D. Maria I. Isso concedia a possibilidade de 
instalação de manufaturas no Brasil, e com isso, maior liberdade econômica para o território. 
Com isso, até agora podemos elencar duas medidas que transformaram a situação da colônia, na 
medida em que contribuíram para o abandono do “exclusivo metropolitano”: a abertura dos portos às 
nações amigas e à implantação do Alvará de 1808. 
Apesar da liberdade econômica desfrutada, o Brasil teve sua industrialização inviabilizada pelo 
Tratado de Comércio e Navegação (1810), assinado com a Inglaterra em 1810. Ele estabeleceu as 
seguintes taxas alfandegárias para os produtos estrangeiros que chegavam ao Brasil: 
 15% ad valorem (sobre o valor) dos produtos britânicos; 
 16% ad valorem dos produtos portugueses; 
 24% ad valorem dos produtos de outros países; 
Com isso, verificou-se uma “britanização da economia” brasileira, afinal os portos foram 
abarrotados de produtos ingleses, tais como sapatos, tecidos, talheres e até patins de gelo e grossos 
cobertores. O Brasil saía do colonialismo mercantilista para se tornar economicamente dependente da 
Inglaterra, o que inviabilizou sua própria industrialização. 
O Tratado de 1810 ainda estabelecia o direito de extraterritorialidade, ou seja, os ingleses 
instalados no Brasil não se submeteriam às leis portugueses, devendo ser julgados somente a partir das 
leis de seu país de origem – além de disporem de liberdade religiosa no Brasil. Tratava-se de um ponto 
humilhante à Portugal, afinal os lusos não desfrutavam do mesmo direito quando instalados na Inglaterra. 
 
5.2. Transformações no Rio de Janeiro 
Quando a Corte de D. João alcançou a baía de Guanabara, o Rio de Janeiro era uma cidade 
acanhada, dotada de mais ou menos 46 ruas, 6 becos e 19 campos ou largos. As ruas de chão batido foram 
cobertas de areia branca, flores e ervas odoríficas para que o cortejo real passasse, enquanto cortinas de 
damasco e carmesim foram expostas nas janelas. Em um coreto erguido na Rua do Rosário, hinos de 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 17 
louvor ao príncipe foram ouvidos, enquanto as ruas gritavam em coro “Viva nosso príncipe, viva o 
imperador do Brasil”. 
Para abrigar os milhares de recém-chegados, as melhores moradias foram escolhidas e marcadas 
com a sigla PR em suas fachadas, o que indicava que o príncipe-regente ordenava a desocupação de seus 
donos. Não demorou muito para que o povo atribuísse outros significados para aquelas iniciais, tais como 
“ponha-se na rua” ou “prédio roubado”. 
Com o Rio convertido à sede do Império português, a cidade precisou passar por reformas urbanas 
para adquirir ares mais palacianos. Para formar os novos burocratas, D. João criou instituições de ensino, 
como a Escola Superior de Matemática, Ciências, Física e Engenharia, a Escola Médico-Cirúrgica e a Escola 
de Comércio e Administração. Também foi criado o Banco do Brasil, que garantiu a concessão de recursos 
para novos investimentos, e a Imprensa Régia, que editava o primeiro jornal publicado em terras 
brasileiras, a Gazeta do Rio de Janeiro. Evidentemente, opiniões e ideias que colocassem em risco a 
legitimidade da monarquia não eram publicadas. 
Outras estruturas também integraram o projeto civilizacional de D. João, tais como o Real Jardim 
Botânico, que dispunha de espécies de plantas vindas de várias partes do mundo, e o Museu Real, aberto 
ao público e criado para estimular estudos nas áreas de botânica e zoologia. 
 
 
Figura 8 - Plantação chinesa de chá no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, por Johann Moritz Rugendas, 1835. Fonte: Domínio Público. 
Durante o governo joanino, alguns nobres estimularam a vinda de um grupo de artistas franceses, 
a maioria deles ligados à Napoleão e desempregados após a queda do Imperador francês. Integravam a 
comitiva Joachim Lebreton, Nicolas-Antoine Taunay (pintor), Auguste-Marie Taunay (escultor), Jean- 
Baptiste Debret (pintor), Grandjean de Montigny (arquiteto) e Simon Pradier (gravador). Alguns 
historiadores se referem ao grupo como Missão Artística Francesa, mas a denominação é questionável 
pelo fato de não ser algo planejado pelo Estado português. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 18 
Os novos artistas não foram exitosos em garantir uma sede para a Academia de Belas Artes, mas 
não faltaram serviços na organização das celebrações da Corte, com o intuito de reforçar a imagem da 
monarquia e o culto à figura do D. João, visto como governante de um Império que se espalhava pelos 
quatro cantos do mundo e que agora possuía uma nova sede. 
Os novos artistas não foram exitosos em garantir uma sede para a Academia de Belas Artes, mas 
não faltaram serviços na organização das celebrações da Corte, com o intuito de reforçar a imagem da 
monarquia e o culto à figura do D. João, visto como governante de um Império que se espalhava pelos 
quatro cantos do mundo e que agora possuía uma nova sede. 
 
 
Figura 9 - Decoração do balé histórico, por Jean-Baptiste Debret, 1839. Repare que D. João aparece sustentado por um índio, um cavaleiro e 
um oriental, representando os domínios portugueses. As figuras mitológicas seguem o estilo neoclássico. 
Fonte: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. 
 
A legitimidade de D. João foi reforçada por outros mecanismos, tais como o ritual do beija-mão, 
no qual os súditos se colocam em fila para saldar o governante com o cumprimento. O príncipe também 
estimulou a formação de uma nobreza da terra, a partir da concessão de títulos honoríficos e outros 
símbolos de distinção. D. João concedeu, até seu retorno a Portugal, em 1821, nada menos que 235 
títulos: onze duques, 38 marqueses, 64 condes, 91 viscondes e 31 barões. 
Apesar das tentativas de conferir ares mais europeus para a Corte, o Brasil não alterara suarealidade: o Rio de Janeiro era uma cidade predominantemente composta por escravizados e negros 
livres, que desempenhavam ofícios de barbeiro, vendedor de frutas ou de angu, quituteiro, condutor de 
liteiras, jornaleiro (trabalhadores por jornada), “cata-piolhos” e marceneiro, entre outros. Era a maior 
concentração de escravos em uma capital desde a Roma Antiga, a ponto de haver um bairro, nas 
proximidades do Paço Imperial, uma região conhecida como “Pequena África”. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 19 
Fora da Corte, onde se encontrava a maioria da população, a presença indígena ainda era vista 
como uma ameaça à colonização do país. Em 13 de maio de 1808, o príncipe regente deu início à guerra 
justa contra os botocudos, denominação genérica utilizada para se referir aos grupos indígenas que 
habitavam o sertão de Minas Gerais, em favor da “civilização” e da proteção de uma “sociedade pacífica 
e doce”. Havia também o chamado haitianismo, nome dado ao medo das elites que o Brasil fosse palco 
de levantes de negros como ocorrera na Revolução do Haiti. 
 
5.3. Política Externa 
A política externa da Corte joanina foi pautada por represálias à invasão de Portugal pelas tropas 
napoleônicas. Em 1809, o príncipe-regente ordenou a ocupação de Caiena (Guiana Francesa), que 
permaneceu vinculada ao Império português até 1815, quando o Congresso de Viena estabeleceu sua 
devolução. 
Os interesses da Coroa portuguesa em garantir sua influência sobre a região platina voltaram-se a 
manifestar em 1811, quando D. João ordenou uma intervenção militar na região alegando temer uma 
possível ocupação dos franceses, afinal a Espanha havia sido anexada pelo Império napoleônico. Em 1816, 
logrou êxito em anexar a região correspondente ao atual Uruguai, denominada Província Cisplatina. 
 
5.4. O Brasil Reino 
Apesar da derrota definitiva de Napoleão, D. João não dava sinais de que retornaria para Lisboa. 
Em 1815, o Congresso de Viena, organizado pelas potências que derrotaram o Imperador francês, 
estabeleceu que todos os soberanos depostos por Napoleão deveriam reocupar seus tronos. 
Para atender tal exigência, o príncipe regente elevou o Brasil à condição de 
Reino Unido a Portugal e Algarves, fazendo com que o território americano passasse 
a ter o mesmo status que Portugal – ou seja, adquiria autonomia administrativa. No 
ano seguinte, devido à morte de D. Maria I, foi coroado D. João VI. 
 
OBSERVAÇÃO: Se a liberdade econômica garantida a partir da abertura dos portos modificou a 
situação do Brasil, sua elevação à condição de Reino Unido fez com que ele deixasse definitivamente 
de ser uma colônia. Com isso, pode-se dizer que as duas medidas representaram o início do processo 
de emancipação política do Brasil. 
5.5. Conflitos do período 
O período joanino foi marcado por dois grandes episódios de contestação ao governo, a Revolução 
Pernambucana (1817), ocorrida no Brasil, e a Revolução Liberal do Porto (1821), que eclodiu em Portugal. 
Vejamos cada uma delas. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 20 
 
Revolução Pernambucana (1817) 
Depois de ter passado Insurreição Pernambucana (1645-1654), contra os holandeses, e da Guerra 
dos Mascates (1709), que opôs senhores de engenho olindenses e comerciantes de Recife, Pernambuco 
foi palco de difusão de ideias iluministas e liberais ao final do século XVIII, que combatiam os regimes 
absolutistas e o colonialismo. 
Em 1817, de uma nova rebelião, conhecida como Revolução Pernambucana, tomou conta da 
região. Dentre suas motivações, podemos citar: 
 a difusão das ideias iluministas e republicanas → ao tomar contato com obras de autores 
iluministas europeus, grandes proprietários, padres e comerciantes passaram a questionar a 
continuidade do domínio português sobre a região; 
 a crise econômica vivenciada na região → a grave seca de 1816 trouxe prejuízos para os grandes 
proprietários e fome para a população mais pobre. Para piorar, houve uma queda nos preços do 
açúcar e do algodão no mercado internacional, o que afetou os interesses econômicos das elites 
locais. 
 o aumento dos impostos → a transferência da Corte para o Brasil foi acompanhada do aumento 
de impostos para a região Nordeste, o que provocou insatisfação local. Somado a isso, a liberdade 
econômica desfrutada no período era comprometida pelo predomínio luso no comércio da região, 
gerando um clima de ódio aos portugueses (antilusitanismo). 
Os rebeldes tomaram o poder em Pernambuco, formando um governo provisório denominado de 
Conselho de Estado. Foi elaborada uma Lei Orgânica, espécie de Constituição temporária que estabeleceu 
os seguintes pontos: 
 criação de uma república independente; 
 garantia de liberdade de consciência e de imprensa; 
 tolerância religiosa 
 extinção de impostos sobre gêneros de primeira necessidade (incluindo alimentos); 
A escravidão não foi questionada pelo documento, afinal ela respondia aos interesses econômicos 
de lideranças abastadas da Revolução Pernambucana. 
Diante da ameaça da expansão do movimento para o Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba, D. 
João enviou tropas, armas e navios, derrotando os rebeldes em maio de 1817. Líderes como Teotônio 
Jorge, padre Pedro de Souza Tenório, Antônio Henriques e José de Barros Lima foram condenados à 
morte. 
A Insurreição Pernambucana foi o único movimento anterior à independência que conseguiu 
formar um governo autônomo do domínio português, com duração de de 75 dias. Com isso, alguns 
historiadores consideram que ela reuniu ideais que permaneceram vivos no Nordeste até 1822, quando 
ocorre a independênciado Brasil. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 21 
 
Revolução Liberal do Porto (1820-1821) 
A permanência de D. João VI no Brasil causava grande desconforto aos súditos portugueses, que 
se sentiam abandonados pelo seu monarca e inferiorizados pela preferência dada para a Colônia. 
Inspirados pelas ideias do Iluminismo, em agosto de 1820 eclodiu a Revolução Liberal do Porto, 
movimento que exigia o retorno do rei para Portugal e a convocação das Cortes portuguesas para a 
criação de uma Constituição. Em outras palavras, buscavam o fim do absolutismo. 
Em abril de 1821, D. João VI decidiu retornar para Lisboa, deixando como regente o filho, D. Pedro. 
Muitos portugueses favoráveis às decisões das Cortes passaram a se mobilizar o Brasil, formando o 
chamado “Partido Português”. Já outros começaram a se mobilizar em favor da independência do Brasil, 
conforme veremos mais adiante. 
 
 
P
ER
ÍO
D
O
 J
O
A
N
IN
O
MEDIDAS ECONÔMICAS
ABERTURA DOS PORTOS ÀS 
NAÇÕES AMIGAS
EXTINÇÃO DO ALVARÁ DE 
1785
TRATADOS DE COMÉRCIO E 
NAVEGAÇÃO (1810)
MEDIDAS 
ADMINISTRATIVAS
ELEVAÇÃO DO BRASIL À 
REINO UNIDO
POLÍTICA EXTERNA
TOMADA DE CAIENA
ANEXAÇÃO DA CISPLATINA
REBELIÕES
REVOLUÇÃO 
PERNAMBUCANA (1817)
REVOLUÇÃO LIBERAL DO 
PORTO (1821)
LIBERDADE 
ECONÔMICA 
AUTONOMIA 
ADMINISTRATIVA 
IN
IC
IA
M
 O
 P
R
O
C
ESSO
 D
E 
EM
A
N
C
IPA
Ç
Ã
O
 P
O
LÍT
IC
A
 D
O
 B
R
A
SIL 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 22 
6. RUPTURA POLÍTICA E O PRIMEIRO REINADO (1822-1831) 
Enquanto D. Pedro tentava governar o Brasil após o esvaziamento dos cofres públicos por D. João 
VI, em Portugal iniciavam os preparativos para a criação de uma nova Constituição. Entre os deputados 
da colônia que participaram das reuniões das Cortes em Lisboa, ficou claro que os lusos almejavam 
retomar a hegemonia política de todo o Império, impedindo os brasileiros de conservar um governo 
próprio. 
Em29 de setembro de 1821, as Cortes exigiram o retorno do príncipe regente para Portugal, mas 
este foi convencido a permanecer no Brasil pelas elites locais. A ideia de independência ganhava força 
entre as elites do Rio de Janeiro e de São Paulo, dispostas a manter a forma monárquica de governo para 
conservar a unidade territorial. 
Após o chamado Dia do Fico, episódio em que D. Pedro declarou sua intenção de permanecer no 
Brasil, uma revolta em São Paulo fez o príncipe viajar até a província, deixando como regente sua esposa, 
a princesa Leopoldina. Resolvida a situação, D. Pedro partiu de volta para o Rio de Janeiro, mas no meio 
do caminho recebeu uma carta de José Bonifácio de Andrada e Silva, principal liderança favorável a um 
governo autônomo brasileiro. Dizia o político: “Senhor, o dado está lançado: de Portugal não temos a 
esperar senão escravidão e horrores.” 
O 7 de setembro, eternizado pelo feriado como a data de Independência do Brasil, não teve grande 
importância para o desenrolar dos acontecimentos, já que separação de Portugal foi oficializada com a 
aclamação de D. Pedro como imperador constitucional do Brasil, em 12 de outubro, e pela sua coroação, 
em 10 de setembro. 
 
 
 
Figura 10 - Aclamação de D. Pedro, em 12 de outubro de 1822. 
Fonte: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. 
 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 23 
Você se lembra de todo o que vimos sobre o processo de emancipação política do Brasil? 
 
 
 
 
 
 
 
Cabe destacar que a ruptura política de 1822 não foi acompanhada de transformações na ordem 
social ou econômica do Brasil, afinal seus articuladores, especialmente grandes proprietários de terra e 
grandes comerciantes (o Partido Brasileiro), almejavam apenas a garantia da autonomia administrativa e 
a manutenção da liberdade econômica. 
Assim sendo, a independência do Brasil NÃO alterou: 
→ a forma de governo (monarquia); 
→ a grande propriedade; 
→ a escravidão; 
→ a exclusão política dos mais pobres. 
 
6.1. Guerras de Independência (1822-1823) 
No final de 1822, as províncias de Minas Gerais, Pernambuco e da porção sul do Brasil aderiram 
ao processo de independência do Brasil. Devido a dificuldade nas comunicações, Goiás e Mato Grosso só 
se manifestaram em janeiro de 1823, seguidas por Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe. 
Já as chamadas províncias do norte – Pará, Maranhão Piauí e Ceará –, juntamente com parte da 
Bahia e a Cisplatina, permaneceram fiéis às Cortes portuguesas. Diferentemente do que pensa a maioria 
dos brasileiros atualmente, a Independência não foi um processo pacífico, uma vez que a adesão dessas 
regiões foi obtida por meio de guerras sangrentas travadas contra os portugueses. 
Um dos mais famosos episódios da Guerra de Independência foi a chamada Batalha do Jenipapo, 
em que 1100 soldados de Portugal enfrentaram brasileiros que possuíam apenas facões, machados e 
porretes. Os brasileiros foram derrotados, mas frustraram os planos dos lusos de manterem uma colônia 
ao norte do país. 
ATENÇÃO: Embora tenha prevalecido um projeto político elitista no decorrer da Independência, o 
processo contou com ampla participação popular nas lutas contra os portugueses. 
 
1808
14 
Abertura dos 
Portos às Nações 
Amigas 
 
LIBERDADE 
ECONÔMICA 
 
Elevação do Brasil 
à condição de 
Reino Unido 
 
AUTONOMIA 
ADMINISTRATIVA 
 
1815
04 
Formalização da 
ruptura política 
 
 
FORMAÇÃO DO 
ESTADO BRASILEIRO 
 
1822
04 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 24 
Mulheres e as lutas pela Independência 
 As mulheres não ficaram alheias às lutas pela emancipação política do Brasil. Joana Angélica de 
Jesus, madre superiora do convento da Lapa, em Salvador, foi morta a golpes de baioneta ao tentar 
impedir a invasão de soldados portugueses embriagados em seu convento. Já a negra Maria Felipa 
também ficou conhecida ao se juntar a outras mulheres para seduzir e embriagar portugueses, para 
depois surrá-los com cansanção (planta que prova urtiga e forte queimação) e incendiar suas 
embarcações na Ilha de Itaparica. Em Santo Amaro da Purificação, outra região da Bahia, algumas 
mulheres se fantasiaram de homens para assustar os soldados portugueses e poder levar comida 
para os maridos em seus esconderijos. 
Em 08 de novembro de 1822, na localidade de Pirajá (BA), ocorreu uma batalha envolvendo 
mais de 10.000 homens, posteriormente conhecida como Batalha do Pirajá. Entre os combatentes, 
podemos destacar a figura de Maria Quitéria de Jesus, que ficou conhecida após se disfarçar de 
homem e se identificar como "Soldado Medeiros" para poder lutar nas fileiras favoráveis à 
independência. Após ser descoberta, a "heroína da independência" foi agraciada pelo imperador 
com a Ordem do Cruzeiro. 
 
 
Figura 11 - Retrato póstumo de Maria Quitéria de Jesus, por Domenico Failutti, 1920. Fonte: EBC. 
 
Além da dificuldade interna no reconhecimento da Independência, também era preciso obtê-lo de 
outros países. Os Estados Unidos foram os primeiros a fazê-lo, visando estreitar laços com o novo país e 
afastar as influências europeias no continente (Doutrina Monroe). Já Portugal só fez o mesmo mediante 
pagamento de uma indenização pelo Brasil, formalizado em um acordo mediado pela Inglaterra. 
Vale destacar que os primeiros soberanos a reconhecer a independência do Brasil foram o obá 
Osenwede, do Daomé (atual Benim) e o olugum Ajan, de Lagos (hoje Nigéria), ambos grandes 
exportadores de escravos africanos. Com isso, demonstravam seu interesse de conservar o lucrativo 
comércio de almas com o Brasil. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 25 
 
6.2. Comemorando a Independência 
Ao longo da História do Brasil, o processo de Independência foi comemorando de diferentes 
formas, com interesses políticos diversos. Vejamos: 
 Ao longo do século XIX, os festejos e imagens da independência buscaram suscitar a formação de 
uma identidade nacional entre os brasileiros. Além disso, pinturas e outras representações 
buscaram destacar a figura de D. Pedro I como um grande herói e articulador da independência, 
com o intuito de legitimar o governo monárquico. 
 Em 1922, durante o governo Epitácio Pessoa, o centenário da Independência foi comemorado 
durante a Exposição Universal do Rio de Janeiro. Uma grande obra foi realizada na região central 
da capital, com a derrubada do Morro do Castelo e a remoção de centenas de famílias. Objetivo 
do evento foi associar o Brasil à um ideal europeu de civilidade. Outro evento ocorrido foi a 
Semana de Arte Moderna, em São Paulo, da qual falaremos mais adiante. 
 Durante a ditadura militar, mais especificamente no governo Médici, a Independência completou 
150 anos. A comemoração do Sesquicentenário foi marcada por diversas manifestações públicas, 
bem como pela trasladação dos restos mortais de D. Pedro I e de D. Leopoldina de Portugal para 
o Brasil. Fazendo uso de discursos e símbolos nacionalistas durante as celebrações, o regime 
militar buscou a sua legitimação perante o povo brasileiro, associando a soberania obtida pela 
independência ao crescimento econômico vivenciado naquele período. 
 A partir de 1995, movimentos sociais ligados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) 
passaram a organizar, anualmente, o Grito dos Excluídos e Excluídas, ato que busca superar o 
patriotismo passivo e suscitar a cidadania ativa, defendendo a construção de uma sociedade mais 
democrática e com justiça social. 
 
 
 
Figura 12 - Independência ou Morte, de Pedro Américo, 1888. 
 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOSESTADOS NA AMÉRICA LATINA 26 
 
Figura 13 - Cartaz de divulgação do Grito dos Excluídos e Excluídas de 2019. 
 
6.3. A organização do Estado brasileiro 
A presença de D. Pedro I no processo de Independência garantiu a estabilidade política e a unidade 
territorial, duas preocupações que guiaram a ação das elites políticas no Brasil. Por outro lado, o medo da 
recolonização era constante, assim como a desconfiança quanto as reais inclinações políticas do monarca. 
A organização do novo Estado ficou a cargo da Assembleia Constituinte, oficialmente instalada em 
3 de maio de 1823. Todos os deputados eleitos eram favoráveis ao direito à cidadania plena apenas para 
os proprietários, assim como a maioria também não chegou a contestar a manutenção da escravidão no 
novo país. 
Uma questão mais controversa era sobre o lugar da soberania no novo país. Para o grupo de José 
Bonifácio, chamado por alguns historiadores de conservadores, a soberania deveria ser partilhada entre 
os cidadãos-proprietários e o Imperador. Já para o deputado Gonçalves Ledo e outros brasileiros, ela 
deveria ficar restrita ao Parlamento. Por fim, um terceiro grupo, encabeçado por portugueses, acreditava 
que a soberania deveria ficar concentrada nas mãos do Imperador, além de não descartarem a 
reunificação entre Brasil e Portugal. 
Outra grande polêmica era a posição do poder central diante das províncias. Naquele momento, 
o Imperador passou a nomear os presidentes de província, algo que foi encarado como ação despótica 
por políticos de algumas partes do Nordeste, de São Paulo e de Minas Gerais. 
A aproximação de D. Pedro I de cortesãos e políticos naturais da antiga metrópole (Partido 
Português) provocou isolamento do grupo de Bonifácio, afastado do ministério em julho de 1823. No 
entanto, o político e seus irmãos continuaram a condenar a aproximação do monarca e portugueses na 
Assembleia e no jornal Sentinela da Liberdade. Crescia o antilusitanismo1 entre brasileiros, que acusavam 
adversários de traidores da nova Nação. 
Na noite do dia 11 para 12 de novembro de 1823, a Assembleia permaneceu em sessão 
permanente após portugueses espancarem um farmacêutico brasileiro, episódio que ficou conhecido 
como Noite da Agonia. Foi o suficiente para D. Pedro se enfurecer, mandar cercar o prédio onde se 
encontravam os deputados e dissolver o órgão responsável por elaborar a Carta constitucional. Na mesma 
ocasião foram presos os irmãos Andrada, que partem para o exílio. 
 
 
1 Aversão aos portugueses. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 27 
 
Figura 14 - Interior da Cadeia Velha, que abrigou a Constituinte de 1823 e onde funcionou posteriormente a Câmara dos Deputados 
 
Constituição de 1824 
Com o apoio de adversários do grupo de Bonifácio, D. Pedro I outorgou (impôs) a primeira 
Constituição em 25 de março de 1824. Ela tinha uma grande diferença em relação ao projeto 
constitucional de 1823: além dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, era introduzido um quarto 
poder, o Moderador, de competência exclusiva do imperador, e que o permitia interferir nos demais. 
Veja como: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A forma de governo se definia como uma monarquia hereditária e constitucional, ou seja, a Coroa 
passaria de pai para filho, e o imperador tinha suas atribuições delimitadas pela Constituição. Além disso, 
a administração centralizada no Rio de Janeiro, sendo conferida pouca autonomia para as províncias. 
Já o sistema eleitoral foi mantido em dois turnos e com o voto censitário, assim como queria os 
deputados que elaboraram a Constituição da Mandioca. Porém a comprovação de renda mínima se daria 
Imperador nomeia e demite ministros 
e presidentes de Estado. 
Imperador nomeia e 
demite juízes. 
Imperador escolhe 
os senadores e 
pode dissolver a 
Assembleia Geral. 
PODER MODERADOR
(Exclusivo do Imperador)
PODER 
EXECUTIVO
PODER 
LEGISLATIVO
PODER 
JUDICIÁRIO
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 28 
em réis (dinheiro da época), mais especificamente, de 100 mil réis anuais. Com isso, tanto portugueses 
quanto radicais poderiam participar. As eleições para deputado federal eram indiretas, conforme se vê 
abaixo: 
 
Para ser candidato à deputado, era preciso comprovar renda anual de 400 mil réis, e para senador, 
de 800 mil réis. Assim sendo, fica claro que o poder político ficava concentrado nas mãos de grandes 
proprietários e comerciantes do Brasil. 
A Constituição de 1824 definiu que eram cidadãos somente os homens maiores de 25 anos2, com 
renda mínima anual de 100 mil réis. Com isso, eram excluídos: 
→ as mulheres; 
→ os indígenas; 
→ os homens pobres; 
→ os escravizados; 
Os analfabetos não eram excluídos do sistema eleitoral, mas isso permaneceu até a aprovação da 
Lei Saraiva, de 1881, quando este contingente foi vetado – e consequentemente, boa parte da população 
livre foi posta à margem dos processos eleitorais. Além disso, a reforma eleitoral também instituiu o título 
de eleitor e adotou eleições diretas para todos os cargos. 
 
Padroado 
O catolicismo foi mantido como religião oficial do Brasil, sendo as relações entre Igreja e Estado 
mediadas por meio do regime de Padroado. Com isso, os clérigos eram pagos pelo Estado, como se fossem 
funcionários públicos. Em troca, o imperador poderia nomear sacerdotes de vários cargos e autorizar ou 
não a aplicação dos decretos papais, conhecidos como bulas. 
Apesar do padroado, a liberdade de culto foi assegurada pelo novo Estado, o que mostra a 
influência do liberalismo em sua elaboração. As elites políticas também tiveram assegurados os direitos 
 
2 Ou maiores de 21 anos, nos casos de eleitores casados, militares ou bacharéis formados. 
ELEITORES DE PARÓQUIA (1º TURNO)
- Renda mínima de 100 mil réis anuais
- Votavam naqueles que elegeriam os deputados. 
ELEITORES DE PROVÍNCIA (2º TURNO)
- Renda mínima de 200 mil réis anuais
- Eleitos pelos eleitores de paróquia, votavam diretamente nos deputados
e nos pretendentes ao cargo de senador (quem escolhia era D. Pedro I).
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 29 
à liberdade de imprensa e opinião, o direito a defesa e o direito à propriedade. A escravidão, por outro 
lado, não foi sequer debatida pela Constituição de 1824. 
 
CONSTITUIÇÃO DE 1824 - Principais características 
 
 Criação de 4 Poderes – Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderador; 
 Poder Moderador de competência exclusiva do Imperador e capaz de interferir nos demais poderes; 
 Eram considerados cidadãos homens livres e maiores de 25 anos que tivessem renda anual mínima de 
100 mil reis. Analfabetos podem votar; 
 Monarquia Constitucional como forma de governo; 
Regime de Padroado, que regula as relações entre Igreja e Estado; 
 
 
(2018/UFRGS) 
Sobre a sociedade brasileira no século XIX e a construção do Estado imperial, considere as seguintes 
afirmações. 
I - O liberalismo, marcado pela defesa da propriedade privada e livre comércio, foi uma das 
correntes de pensamento adotadas pelas elites escravocratas brasileiras. 
II - A unidade nacional, a integridade territorial e a escravidão estão entre os principais pilares da 
monarquia. 
III- A nobreza imperial, definida como uma classe social distinta, era um segmento restrito reservado 
àqueles que possuíam vínculos de consanguinidade com a aristocracia europeia. Quais estão 
corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas I e II. 
e) I, II e III. 
Comentários 
- A afirmativa I está correta. A Constituição de 1824 se mostrou bastante influenciadapelas ideias 
liberais ao reconhecer direitos civis, tais como a liberdade de culto, liberdade de imprensa e defesa 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 30 
da propriedade privada. Ao mesmo tempo, a escravidão não foi sequer mencionada pelo 
documento. 
- A afirmativa II está correta, afinal todo o processo de construção do Estado brasileiro foi marcado 
pelo temor de que o território se fragmentasse e originasse várias repúblicas, tal como na América 
Espanhola. 
- A afirmativa III está incorreta. A nobreza da terra, conforme vimos no período joanino, era formada 
por nobres agraciados com títulos pelo poder real, e não possuíam caráter hereditário. 
Estando corretas as afirmativas I e II, a alternativa D é a correta. 
Gabarito: D 
 
6.4. Confederação do Equador 
O autoritarismo de D. Pedro I, manifestado com a imposição da Constituição de 1824, e pela 
existência de um poder moderador, considerado opressor, provocou reações em Pernambuco, onde 
eclodiu uma revolta denominada Confederação do Equador (1824). Naquela altura, a situação econômica 
da região continuava preocupante, o que contribui para o aumento da insatisfação de diferentes grupos 
sociais do Nordeste. 
O movimento contou com o protagonismo dos liberais 
radicais. Suas principais lideranças foram o jornalista baiano 
Cipriano Barata, detido um ano antes de sua eclosão, e o padre 
Joaquim da Silva Rabelo, apelidado de Frei Caneca. Os rebeldes 
almejavam: 
 a separação do restante do Brasil; 
 a implantação de uma República federalista, ou seja, 
com maior autonomia para as províncias; 
 o fim do tráfico de escravos, o que estimulou a 
participação de homens livres e pobres. 
As províncias da Paraíba, Ceará e Rio Grande Norte logo 
aderiram ao movimento. Temendo a fragmentação do 
território, o governo central combateu violentamente a 
Confederação do Equador, condenando Frei Caneca à morte 
por enforcamento, e quando ninguém se dispôs a aplicá-la, por 
fuzilamento. A brutalidade empregada na contenção do 
movimento contribuiu para o desgaste da figura de D. Pedro I, 
tido como liderança autoritária. 
 
Figura 15 - A Execução de Frei Caneca, por Murillo La 
Greca, 1924. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 31 
6.5. Crise do Primeiro Reinado 
Em 1831, D. Pedro I chegou a formar o Ministério Brasileiro, com o intuito de diminuir seu 
desprestígio naquele momento. Em seguida, ele o substituiu por um ministério composto por 
portugueses, o Ministério dos Marqueses (ou Ministério dos Medalhões). Isso serviu para irritar ainda 
mais setores diversos da sociedade, que o pressionaram até que ele abdicasse do poder, em 1831. 
Para que situação chegasse a isso, vejamos quais fatores antecederam sua abdicação: 
 Guerra da Cisplatina (1825-1828) → Anexada ao Brasil por D. João VI, a província da Cisplatina 
deu início a uma luta pela sua independência, contando com o apoio da República das Províncias 
Unidas do Prata (Argentina), que tinha pretensões de absorvê-la. Os altos custos levaram ao Brasil 
à uma crise econômica, e a sua derrota fez com que os comandantes militares, sentindo-se 
desmoralizados, passassem a se opor ao imperador. Com mediação da Inglaterra nas negociações, 
a Cisplatina passou a se chamar República Oriental do Uruguai, um Estado-tampão criado para 
equilibrar os interesses geoestratégicos envolvendo Brasil e Argentina. 
 Assassinato do jornalista Líbero Badaró→ Ferrenho adversário da monarquia, sua morte, 
atribuída aos partidários de D. Pedro I, comoveu o país. Quando o imperador visitou Ouro Preto 
(MG), foi friamente recebido pelos seus habitantes, que silenciosamente homenagearam a 
memória do falecido. 
 Noite das Garrafadas → de volta ao Rio, os partidários de D. Pedro resolveram organizar uma 
recepção de apoio, mas sofreram a reação dos brasileiros. Em março de 1831, os dois grupos se 
enfrentaram com paus, pedras e garrafas nas ruas do Rio de Janeiro. 
 Crise sucessória em Portugal → Apesar da renúncia de D. Pedro I do trono português, a morte de 
D. João VI reacendeu o medo das elites de que o Brasil pudesse ser recolonizado, especialmente 
após o imperador cogitar o envio de tropas para seu antigo país, para que lutassem contra o irmão, 
D. Miguel, e garantissem a ascensão de sua filha, Maria da Glória, ao trono português. 
Isolado e pressionado por setores diversos, D. Pedro I abdicou em 7 de abril de 1831, em favor de 
seu filho, Pedro de Alcântara, que contava com 5 anos de idade. Dada sua impossibilidade de assumir a 
condução do Império, foi seguido o que ditava a Constituição de 1824: um grupo de políticos, chamados 
de regentes, assumiram o governo até que o jovem príncipe atingisse a maioridade. Devido a isso, o 
período que vai de 1831 até 1840 ficou conhecido como período regencial. 
 
 
ATENÇÃO: A crise do Primeiro Reinado acompanhou o cenário de transformações verificados em 
outras partes do mundo. Com o intuito de criticar D. Pedro I, alguns de seus opositores faziam 
referência ao rei Carlos X da França, deposto em junho de 1830 por ser considerado autoritário. 
 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 32 
7. PERÍODO REGENCIAL (1831-1840) 
Quando D. Pedro I abdicou do trono brasileiro em favor de seu filho, o jovem Pedro de Alcântara 
contava com apenas 5 anos de idade. Dada sua impossibilidade de assumir a condução do Império, foi 
seguido o que ditava a Constituição de 1824: um grupo de políticos, chamados de regentes, assumiram o 
governo até que o jovem príncipe atingisse a maioridade. Devido a isso, o período que vai de 1831 até 
1840 ficou conhecido como período regencial. 
 
 
Figura 16 - Aclamação de D. Pedro de Alcântara por populares, no dia da abdicação de seu pai, D. Pedro I. 
Litografia de Thierry Frères, 1839. Fonte: Biblioteca Nacional Digital. 
 
Podemos subdividir o período regencial da seguinte forma: 
 
Inicialmente foi formada uma Regência Trina Provisória, que governou o país até o momento em 
que a Assembleia Geral se reuniu para eleger uma nova tríade de representantes do Executivo – a 
Regência Trina Permanente. Vale destacar que como o poder moderador continuava a existir no período, 
mas ninguém o exercia. 
Entre 1831 e 1834, as elites políticas se dividiram em três grupos políticos distintos: 
 
Regência Trina 
Provisória (1831)
Regência Trina 
Permanente 
(1831-1835)
•Guarda Nacional
•Ato Adicional de 
1834
Regência Una de 
Feijó 
(1835-1837)
Regência Una de 
Araújo Lima (1837-
1840)
•Lei de Interpretação 
do Ato Adicional (1840)
• Golpe da Maioridade
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 33 
GRUPO POLÍTICO COMPOSIÇÃO SOCIAL OBJETIVOS ASSOCIAÇÕES E JORNAIS 
 
 
RESTAURADORES 
(OU CARAMURUS) 
 
 
Comerciantes portugueses, 
militares e funcionários 
públicos. 
Defendem o retorno de D. 
Pedro I ao poder (até a sua 
morte, em 1834); 
 
Defendem um regime 
absolutista e centralizador 
(sem autonomia para as 
províncias). 
 
Publicam suas ideias no 
jornal O Caramuru; 
 
Se mantêm organizados na 
Sociedade Conservadora. 
 
 
LIBERAIS MODERADOS 
(OU CHIMANGOS) 
 
Grandes proprietários de 
terras, sobretudo dos 
estados do Rio de Janeiro, 
Minas Gerais e São Paulo. 
Querem manter a unidade 
territorial do Brasil, a 
monarquia constitucional a 
escravidão e a ordem social 
 
Muitos desejam maior 
autonomia para as 
províncias. 
 
Publicam suas ideias no 
jornal Aurora Fluminense. 
 
Se mantêm organizados na 
Sociedade Defensora. 
 
 
LIBERAIS EXALTADOS 
(OU JURUJUBAS) 
 
Profissionais liberais, 
pequenos comerciantes,funcionários públicos, 
padres e membros das 
camadas médias urbanas. 
 
Lutavam pela ampla 
autonomia administrativa 
(federalismo). 
 
Muitos eram republicanos. 
Publicam suas ideias nos 
jornais A Sentinela da 
Liberdade, A Malagueta e A 
República. 
 
Se mantêm organizados na 
Sociedade Federalista. 
COTRIM, Gilberto. História global. 11ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 451. 
ATENÇÃO: Dizemos que a administração é centralizadora (ou unitarista) quando não prevê autonomia 
para as províncias – ou seja, os Estados. Com isso, o Rio de Janeiro, capital do país, era o principal 
espaço de tomada de decisões, enquanto as províncias não dispunham de poder de decisão. Chama-
se federalismo o sistema administrativo que concede poder decisório às províncias, ou seja, que 
descentraliza a administração. 
Neste período, em que predominaram os liberais moderados, a figura política que merece 
destaque é o ministro da Justiça, o padre Diego Feijó. Vejamos os principais acontecimentos: 
 Criação da Guarda Nacional: idealizada por Feijó, tinha entre seus objetivos a defesa da 
Constituição, a manutenção da ordem pública e da unidade territorial. Trata-se de uma força 
paramilitar, composta por cidadãos votantes e eleitores. O título mais alto era o de coronel, 
exercido por grandes proprietários. Sua criação garantiu às elites fundiárias poder armado para 
conter as rebeliões do período, o que acabou por inviabilizar a estruturação do Exército.3 
 Aprovação da Lei Feijó, que declarou livres os escravos vindos de fora do Império e impôs penas 
aos traficantes. A medida buscou proibir o tráfico de escravos e estabelecia que os cativos fossem 
enviados de volta à África. Contudo, o contrabando continuou a acontecer nos anos seguintes, o 
que levou muitos historiadores a afirmarem que se tratava de uma “lei para inglês ver”, em 
referência à pressão feita pelos britânicos pelo fim da escravidão. 
 Criação do Código do Processo Criminal, que garantiu maiores atribuições aos juízes de paz, 
magistrados eleitos pelas paróquias que passam a ter o poder de julgar, prender e soltar réus em 
 
3 O alistamento na Guarda Nacional era obrigatório, podendo seus membros serem dispensados de também servirem ao 
Exército. Essa instituição continuou a existir até 1922, quando foi extinta. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 34 
âmbito local. O Código também estabeleceu regras para o processo eleitoral e a composição da 
Guarda Nacional. 
 Aprovação do Ato Adicional (1834), que introduzia as seguintes mudanças na Constituição: 
→ criação das Assembleias Legislativas Provinciais, órgãos que conferiam maior autonomia das 
províncias em relação ao poder central – em outras palavras, era uma medida federalista, pois 
descentralizava a administração do Império. 
→ extinção do Conselho de Estado, órgão consultivo do Poder Moderador – como não havia 
imperador na época, não fazia sentido mantê-lo; 
→ transformação do Rio de Janeiro, sede da Corte, em município neutro – isso garantiu que a capital 
não se submetesse ao governo da Província do Rio de Janeiro, com capital em Niterói; 
→ adoção do modelo de regência una, sendo estabelecido mandato de quatro anos para o cargo de 
regente. Por apresentar tais características, para muitos historiadores acreditam que ela representou 
uma “experiência republicana” vivenciada durante o Império. 
→ manutenção do senado vitalício. 
O Ato Adicional foi fruto da conciliação entre os grupos liberais, na medida em que garantia certa 
descentralização administrativa por meio da criação das Assembleias Provinciais, mas agradou os 
regressistas ao manter a vitaliciedade do Senado. 
A partir deste adendo à Constituição, a classe política passou a se organizar em dois grupos: 
 os progressistas, antigos liberais exaltados favoráveis à autonomia provincial e à descentralização 
política. O grupo era favorável às medidas do Ato Adicional de 1834. 
 e os regressistas, moderados e caramurus que se unem em defesa da centralização política por 
acreditarem que o projeto oposto ameaçava a unidade do Império. O grupo queria diminuir a 
autonomia concedida pelo Ato Adicional de 1834. 
 
7.1. Regência Una 
O primeiro regente uno foi o padre Feijó, que exerceu seu mandato entre 1835 e 1837. A passagem 
pelo cargo foi marcada por grandes turbulências, pois no período diversas revoltas eclodiram por todo o 
país. Sua renúncia representou o fim do avanço liberal (1831-1834), assim denominado pelas diversas 
medidas liberais adotadas no período. 
Após sua saída antecipada de Feijó do poder, o cargo foi ocupado por Pedro de Araújo Lima, líder 
dos regressistas. O período que segue de 1837 até 1840 ficou conhecido como Regresso conservador, e 
foi marcado pelas tentativas de findar os conflitos que assolavam o país. 
O gabinete Araújo Lima, apelidado de Ministério das Capacidades, fez aprovar a Lei de 
Interpretação do Ato Adicional (1840), que diminuiu a autonomia das províncias ao retirar algumas 
prerrogativas de suas Assembleias. Ele também reviu a descentralização da Justiça promovida pelo Código 
Criminal ao estabelecer que a Polícia Judiciária fosse controlada pelo Poder Executivo Central e reduzir as 
competências dos juízes de paz. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 35 
 
 
7.2. Revoltas do período regencial 
Entre 1831 e 1848, a unidade territorial foi posta à prova por diversas rebeliões que eclodiram por 
todo o Império. A seguir encontram-se a as mais importantes4 para a compreensão do período: 
 
CONFLITO DURAÇÃO LOCALIZAÇÃO PARTICIPANTES 
REVOLTA DOS MALÊS 1835 Salvador, Bahia Escravos 
CABANAGEM 1835-1840 Grão-Pará Camponeses, indígenas e 
escravos 
GUERRA DOS FARRAPOS 1835-1845 Rio Grande do Sul e Paraná Estancieiros e 
charqueadores 
SABINADA 1837-1838 Salvador, Bahia Camadas médias urbanas. 
BALAIADA 1838-1841 Maranhão e Piuaí Proprietários, camponeses e 
escravos. 
Fonte: CARVALHO, 2012, p. 250. 
 
 
 
 
4 Caso você planeje cursar uma instituição com vestibular próprio, pode ser que outras revoltas sejam demandadas, ou mesmo 
uma abordagem mais aprofundada de algumas que trataremos aqui. Se ficar na dúvida, me procure no Fórum de Dúvidas! 
• Da Regência Trina Permanente até a Regência Una de 
Feijó;
• Concede autonomia às províncias;
AVANÇO LIBERAL 
(1831-1837)
• Corresponde à Regência Una de Araújo Lima;
• Centraliza a administração.
REGRESSO
CONSERVADOR
(1837-1840)
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 36 
Revolta dos Malês (1835) 
Na madrugada do dia 25 de janeiro de 1836, cerca de 600 escravizados muçulmanos, denominados 
malês, armados com porretes e armas brancas tomaram a cidade de Salvador. Começava a maior revolta 
de escravos de nossa história. 
Como os malês, sabiam ler e escrever em árabe, puderam organizar a revolta sem chamar a 
atenção das autoridades. De acordo com um dos participantes, seu objetivo era eliminar todos os brancos 
e pardos da cidade, instaurando uma ordem islamizada e mantendo escravos de outras etnias na mesma 
condição. Cerca de 70 rebeldes morreram em combate pelas ruas da capital baiana, enquanto outros 500 
foram severamente punidos com castigos físicos, degredos, prisões ou morte. 
Nota do professor: Em algumas questões, a Revolta dos Malês é entendida como um movimento pelo 
fim da escravidão, ainda que a maior parte dos historiadores aponte se tratar de um levante que 
defendia apenas a liberdade dos cativos muçulmanos. Se você se deparar com alguma alternativa que 
sugira algo do tipo, pode ser que ela seja resposta. Na dúvida, procurea menos incorreta! 
Além da Revolta dos Malês, outros levantes de escravizados que lutavam pela sua liberdade 
ocorreram durante o período regencial. Vejamos outros atos de resistência do período: 
 Revolta de Carrancas (1833) → Ocorrida nas fazendas da família Junqueira, freguesia de 
Carrancas, província de Minas Gerais. Liderados por Ventura Mina, os escravizados se 
aproveitaram em um momento de disputa política entre caramurus e chimangos para se 
rebelarem. 
 Revolta de Manoel Congo (1838) → Ocorrida nas fazendas de Paty do Alferes, Rio de Janeiro. Os 
escravizados foram liderados por Manoel Congo, mas foram contidos pelas tropas do Exército, 
sobre o comando de Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias. 
 
Cabanagem (1835-1840) 
Em 7 de janeiro de 1835, eclodiu no Grão Pará, na região norte do país, uma revolta liderada por 
Antônio Vinagre e outros membros das elites locais, na qual se reivindicava maior participação nas 
decisões do governo central. Com apoio de indígenas tapuios (destribalizados), cabanos (moradores de 
precárias habitações) e negros, os revoltosos tomaram o palácio em Belém e assassinaram o presidente 
da província. 
Um governo cabano chegou a ocupar o poder, mas seu realinhamento com o poder central fez 
com que caísse no descrédito junto aos cabanos. Escravizados e homens pobres envolvidos não estavam 
dispostos a baixar armas até que mudanças reais fossem implementadas. Embasados pelas ideias dos 
liberais exaltados, defendiam o fim da escravidão, melhores condições de vida e autonomia local. 
Quando o governo imperial recuperou a cidade de Belém, em maio de 1836, os cabanos partiram 
para o interior da província, onde foram perseguidos e assassinados pelas tropas governistas. Acredita-se 
que entre 30% e 40% da população do Grão-Pará foi exterminada no conflito. A Cabanagem foi o primeiro 
popular da História do Brasil a chegar ao poder. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 37 
 
 
Figura 17 - Sr. Biard se fotografa em Abacaxis, 1862. A imagem mostra como eram as precárias habitações dos apelidados "cabanos". 
Fonte: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. 
 
Revolução Farroupilha (1835-1845) 
A Revolução Farroupilha, também conhecida como Guerra dos Farrapos, ocorreu na província do 
Rio Grande do Sul, sendo a mais duradoura rebelião do período regencial. Além disso, diferente dos 
movimentos que vimos até agora, foi protagonizada por membros das elites. 
A criação de gado e a produção de charque eram as principais atividades econômicas da região, 
mas há muito estancieiros e charqueadores reclamavam que seus produtos eram mais taxados que os 
oferecidos pela Argentina e Uruguai. 
Em 1834, Fernando Braga foi nomeado presidente da província pelo governo regencial, nome que 
desagradou os proprietários locais pela sua política tributária. Os estancieiros reivindicavam mais 
autonomia para elegerem seus próprios representantes, o que levou Braga a organizar tropas para conter 
qualquer ato de rebeldia. 
A revolta se iniciou em setembro de 1835, liderada por Bento Gonçalves, considerado o nome ideal 
para a presidência da província, o fazendeiro Davi Canabarro e Giuseppe Garibaldi, chamado de “herói 
dos dois mundos” devido ao seu envolvimento prévio na unificação italiana. Os rebeldes ficaram 
conhecidos como farroupilhas devido aos trajes esfarrapados, mas a palavra também passou a significar 
liberais radicais. 
Em 1836, os estancieiros tomam o poder e proclamam a República Rio-Grandense, sendo 
mantidos o voto censitário e a escravidão. Depois de três anos de conflito, os farroupilhas alcançam a 
província de Santa Catarina, local de fundação da República Juliana. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 38 
Em 1845, após a ascensão de Pedro II ao trono brasileiro, um acordo de paz foi negociado entre o 
barão de Caxias e os revoltosos (o Tratado de Poncho Verde), no qual o governo se comprometeu a 
conceder anistia a todos os participantes, elevar impostos sobre o charque vindo de outras regiões e 
aliviar a produção nacional. Os escravos que lutaram no conflito foram alforriados, enquanto os oficiais 
farroupilhas foram incorporados no Exército brasileiro. 
 
Sabinada (1837-1838) 
O principal elemento que contribuiu para a eclosão do movimento e Salvador foi o alistamento 
compulsório de cidadãos da província, que forçava muitos indivíduos a lutar contra os rebeldes 
farroupilhas no sul. Liderado pelo médico Francisco Sabino, o movimento contou com a participação das 
camadas médias da cidade, incluindo soldados. 
Eles depuseram o presidente da província em 7 de novembro de 1837, proclamando a República 
Bahiense. Contudo, a ideia era que a República perdurasse até a ascensão de D. Pedro II ao trono, 
evidenciando que se tratava de uma revolta contra o governo regencial, e não contra a monarquia. 
Tropas foram enviadas do Rio de Janeiro, Pernambuco e Alagoas para conter os rebelados, 
resultando em conflitos que deixaram mais de mil mortos e milhares de presos. Sabino, líder do 
movimento, foi capturado e levado preso para o Mato Grosso. 
 
Balaiada (1838-1841) 
A província do Maranhão passava por disputa entre cabanos (conservadores) e bem-te-vis 
(liberais), principais grupos políticos da região, que se intensificou quando Vicente Pires de Camargo, 
presidente da província e partidário dos cabanos, propôs a chamada “lei dos prefeitos”. Para os bem-te-
vis, a ideia seria utilizada para reprimi-los, afinal cada prefeito de comarca passaria indicado por Camargo 
passaria a ter os mesmos poderes que juízes de paz e chefes de polícia. 
O estopim da revolta se deu em dezembro de 1838, quando o boiadeiro Raimundo Gomes (“Cara 
Preta”), trabalhador em uma fazenda de um bem-te-vi, teve um alguns de seus homens presos sob o 
pretexto de que estavam sendo recrutados para cumprir serviço militar. Na mesma ocasião, seu irmão foi 
encarcerado. O subprefeito que ordenou a prisão era José do Egito, um cabano adversário do patrão de 
Raimundo Gomes. Diante disso, o boiadeiro invadiu a cadeia para libertar o irmão e outros presos, 
partindo para o interior da província. Gomes e seu grupo conquistavam a adesão de escravos fugitivos, 
miseráveis e bandoleiros, chegando a ter mais de 10.000 participantes. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 39 
Conquistando parte do Maranhão e o Piauí, o movimento 
também contou com outras lideranças populares, como Cosme 
Bento das Chagas, chefe um quilombo, e Manuel Francisco dos 
Anjos Ferreira, fabricante de balaios. A rebelião ficou conhecida 
como Balaiada em referência ao seu ofício. 
Na cidade de Caxias, uma junta provisória foi organizada 
com bem-te-vis e apoiados pelos balaios. Ela exigiu do governo 
provincial a revogação da lei dos prefeitos, a anistia de todos os 
participantes da Balaiada, expulsão dos portugueses e que fossem 
integrados ao Exército com os postos que integravam no 
movimento. Foram ignorados pelo governo, que passou a ser 
ocupado pelo coronel Luís Alves de Lima e Silva, o barão de Caxias 
– o mesmo que combateu os farroupilhas no Rio Grande do Sul. 
Com 8.000 homens sob seu comando, o barão de Caxias 
conseguiu sufocar o movimento, sobretudo após oferecer anistia 
para os balaios que se rendessem. Manuel Francisco morreu em 
combate, enquanto Raimundo Gomes foi condenado ao desterro. 
Cosme Vento, por sua vez, foi condenado à forca. 
 
7.3. O golpe da maioridade 
Para muitos membros da elite letrada em 1840, a antecipação da maioridade de D. Pedro II, na 
época com 14 anos de idade, era a única solução para pacificar as revoltas que assolavam o território 
brasileiro durante os governos regenciais. 
Aideia foi capitaneada principalmente por políticos liberais opositores da regência de Araújo Lima 
(1837-1840), que ao formarem o Clube da Maioridade, ambicionavam retornar ao poder junto com o 
jovem imperador coroado. Quanto aos conservadores, comprometidos com a aprovação da Lei de 
Interpretação do Ato Adicional, buscaram ganhar tempo, mas também aderiram à formalização da 
maioridade. 
Dessa maneira, em 24 de julho de 1840 é aprovado o Golpe da Maioridade, que levou à coroação 
antecipada de D. Pedro, em julho de 1841, e o retorno dos liberais ao poder. 
Antes de avançarmos, que tal testar os seus conhecimentos? 
 Cite os principais pontos da Constituição de 1824. 
 Explique a causa e os objetivos da Confederação do Equador, em 1824. 
 Cite os governos que compõem o período regencial e seus principais acontecimentos. 
 Cite as principais transformações empreendidas pelo Ato Adicional de 1834. 
 Explique o que era a Guarda Nacional. 
 Descreva os principais grupos políticos formados durante o período regencial. 
 Destaque as principais causas, objetivos das revoltas regenciais. 
Figura 18 - Fabricantes de balaio no século XIX, por 
Victor Frond. Este era o trabalho de Manuel Francisco 
dos Anjos Ferreira, um dos principais líderes da maior 
revolta popular do Maranhão. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 40 
 
 
Historiografia sobre o período regencial 
É muito comum que o período regencial seja tradicionalmente visto sob uma perspectiva 
negativa, caracterizado como uma época caótica e de grande radicalismo político, incluindo das 
camadas populares. Essa concepção começou a ser traçada pelos próprios historiadores políticos 
que viveram o período, como o visconde do Uruguai e Joaquim Nabuco. 
Historiadores mais recentes, no entanto, concebem o período como uma espécie de 
“laboratório” político e social, quando fórmulas políticas fora elaboradas, defendidas e testadas 
pelos mais distintos estratos sociais. Grupos populares, até então marginalizados da participação 
ativa, entram em cena para expor as suas demandas. 
 
8. LISTA DE QUESTÕES 
8.1. Unesp 
1. (2021/Unesp) 
Artigo 1º – Todos os escravos, que entrarem no território ou portos do Brasil, vindos de fora, ficam livres 
[...]. 
Artigo 2º – Os importadores de escravos no Brasil incorrerão na pena corporal do artigo cento e setenta 
e nove do Código Criminal, imposta aos que reduzem à escravidão pessoas livres [...]. 
(Lei de 7 de novembro de 1831. https://camara.leg.br.) 
A Lei de 7 de novembro de 1831, também conhecida como “Lei Feijó”, 
a) proporcionou a imediata superação da escravidão no Brasil, que se consolidou com a entrada maciça 
de imigrantes europeus a partir da década de 1870. 
b) teve efeito reduzido, pois o tráfico internacional de escravos e a entrada de mão de obra africana no 
território brasileiro persistiram nos governos sucessivos do país até a metade do século XIX. 
c) foi promulgada por pressão da Coroa inglesa, que determinou que navios britânicos apreendessem 
todas as embarcações suspeitas de tráfico de escravizados. 
d) proibiu a escravidão no Brasil, embora a escassez de mão de obra assalariada tenha levado à 
manutenção do emprego de mão de obra de escravizados até a década de 1880. 
e) resultou da guinada ocorrida no Período Regencial, quando o Brasil assumiu diretrizes liberais e 
ilustradas na condução da política econômica e no reconhecimento dos direitos humanos. 
 
2. (2021/Unesp) 
O processo de formação e consolidação dos Estados nacionais na América hispânica, nas duas primeiras 
décadas do século XIX, envolveu 
a) a participação militar direta dos Estados Unidos. 
b) a intermediação diplomática do Império brasileiro. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 41 
c) a disputa entre projetos unitários e federalistas. 
d) o prevalecimento das tradições culturais indígenas. 
e) o franco apoio da Igreja católica aos novos Estados 
 
8.2. Vestibulares 
1. (UNIFOR/2022) 
Observe a imagem e o texto a seguir. 
 
Disponível em: http://fabiopestanaramos.blogspot.com/2010/12/instalacao-da-corte-portuguesa-e.html. Acesso em: 29 Out 
2021. 
“A viagem da corte portuguesa estendeu-se por 54 dias, e, no dia 22 de janeiro de 1808, a embarcação 
de d. João chegou a Salvador. Da antiga capital do Brasil, D. João já tomou a primeira medida que mudaria 
o curso da história brasileira: ele decretou a abertura dos portos às nações amigas, no dia 28 de janeiro. 
Depois de uma breve estadia em Salvador, D. João foi para o Rio de Janeiro, chegando lá no dia 8 de 
março. As outras embarcações foram chegando nos dias seguintes (uma tempestade havia separado elas). 
A chegada da corte ao Brasil inaugurou o Período Joanino, durante o qual D. João esteve no Brasil. A 
abertura dos portos foi apenas a primeira de várias medidas tomadas pelo regente português e que 
mudaram radicalmente a história brasileira.” 
Fonte: Vinda da família real para o Brasil. 2013 (pág. 5), disponível em Acesso em 28 Out 2021. 
Sobre a vinda da família real para o Brasil e o período em questão, assinale a alternativa correta. 
(A) A transferência da corte portuguesa para o Brasil teve relação indireta com os acontecimentos da 
Revolução Francesa e do período napoleônico. 
(B) A transferência da Família Real para o Brasil se deu pela recusa de Portugal em obedecer às ordens da 
França e aderir ao Bloqueio Continental, instituído com o objetivo de prejudicar os ingleses, em 1806. 
(C) Em 1801, houve a Guerra das Laranjas entre Portugal e França. 
(D) Nessa época, ocorreu a integração das elites políticas regionais, para a formação de um projeto político 
separatista de cunho republicano. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 42 
(E) O letramento de mulatos e imigrantes era importante para as necessidades do trabalho na cidade 
durante os anos de 1808 a 1810. 
 
2. (2022/FGV) 
“Se é verdade que na época da chegada de d. João já havia instituições na colônia, com a corte estacionada 
nos trópicos o processo se tornava muito mais complexo.” 
SCHWARCZ, L. e SARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, p. 183 
Sobre as transformações ocorridas com o estabelecimento da família real portuguesa no Brasil em 1808, 
pode-se afirmar: 
a) Implementou-se a política econômica da liberdade de comércio com todas as nações europeias e latino-
americanas. 
b) Foi criado o Banco do Brasil como instrumento financeiro para as atividades econômicas amplificadas 
com a presença da corte portuguesa. 
c) Teve início um projeto para a abolição da escravidão em todo o território brasileiro e para o fim do 
tráfico negreiro. 
d) Estabeleceu-se uma rede de ensino no Rio de Janeiro com o intuito de ampliar a escolarização da 
população da capital. 
e) Fortaleceu-se a condição colonial tanto do ponto de vista das instituições de controle quanto das 
atividades econômicas. 
 
3. (2021/FGV) 
As independências das colônias da América Ibérica tiveram aspectos semelhantes e particularidades 
locais. Entre as semelhanças mais relevantes, pode-se citar 
a) a ruptura política sem uma revolução comparável nas estruturas sociais do período colonial. 
b) a oposição manifesta dos libertadores aos princípios revolucionários da filosofia iluminista. 
c) a ausência de participação de significativos movimentos populares nos processos independentistas. 
d) a manutenção dos laços comerciais privilegiados com a economia das antigas metrópoles. 
e) a importância ideológica do projeto futuro de unificação política dos povos americanos. 
 
4. (2020/Enem Digital) 
Depois da Independência, em 1822, o país enfrentaria problemas que comfrequência emergiram durante 
a formação dos Estados nacionais da América Latina. Em muitas regiões do Brasil, essas divergências 
foram acompanhadas de revoltas, inclusive contra o imperador D. Pedro I. Com a abdicação deste, em 
1831, o país atravessaria tempos ainda mais turbulentos sob o regime regencial. 
REIS, J. J. Rebelião escrava no Brasil: a história do Levante dos Malês em 1835. São Paulo: Cia. das Letras, 2003 (adaptado). 
A instabilidade política no país, ao longo dos períodos mencionados, foi decorrente da(s) 
a) disputas entre as tendências unitarista e federalista. 
b) tensão entre as forças do Exército e Marinha nacional. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 43 
c) dinâmicas demográficas nas fronteiras amazônica e platina. 
d) extensão do direito de voto aos estrangeiros e ex-escravos. 
e) reivindicações da ex-metrópole nas esferas comercial e diplomática. 
 
5. (2020/Enem) 
O movimento sedicioso ocorrido na capitania de Pernambuco, no ano 1817, foi analisado de formas 
diferentes por dois meios de comunicação daquela época. O Correio Braziliense apontou para o fato de 
ser “a comoção no Brasil motivada por um descontentamento geral, e não por maquinações de alguns 
indivíduos”. Já a Gazeta do Rio de Janeiro considerou o movimento como um “pontual desvio de norma, 
apenas uma 'mancha' nas 'páginas da História Portuguesa", tão distinta pelos testemunhos de amor e 
respeito que os vassalos desta nação consagram ao seu soberano”. 
JANCSÓ, I; PIMENTA, J. P. Peças de um mosaico. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-
2000). São Paulo: Senac, 2000 (adaptado). 
Os fragmentos das matérias jornalísticas sobre o acontecimento, embora com percepções diversas, 
relacionam-se a um aspecto do processo de independência da colônia luso-americana expresso em 
dissensões entre 
a) quadros dirigentes em torno da abolição da ordem escravocrata. 
b) grupos regionais acerca da configuração político-territorial. 
c) intelectuais laicos acerca da revogação do domínio eclesiástico. 
d) homens livres em torno da extensão do direito de voto. 
e) elites locais acerca da ordenação do monopólio fundiário. 
 
6. (2020/UFRGS) 
Estes líderes, geralmente de origem militar, oriundos, em sua grande maioria, da desmobilização dos 
exércitos que combateram nas guerras de independência, de 1810 em diante, provinham, em certos 
casos, de estratos sociais inferiores ou de grupos étnicos discriminados (mestiços, índios, mulatos, 
negros). […]. Valiam-se do seu magnetismo pessoal na condução das tropas, que haviam recrutado 
geralmente nas áreas rurais e mantinham como reses requisitadas em ações guerreiras, seja contra o 
ainda mal consolidado poder central, seja contra os seus iguais [...]". 
BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, GianFranco. Dicionário de Política. 13. ed. Brasília: Editora Universidade 
de Brasília, 2007. 
O segmento faz referência a uma categoria que designa os líderes políticos e os chefes militares que, após 
os movimentos de emancipação da América espanhola, tornaram-se governantes personalistas de suas 
nações ou regiões. Assinale a alternativa correta que apresenta essa categoria. 
a) Chapetones 
b) Inconfidentes 
c) Criollos 
d) Alcaldes 
e) Caudilhos 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 44 
 
7. (2019/Enem-PPL) 
A população africana residente nesta província, bem como a de todo o Império, compõe-se de indivíduos 
de diferentes lugares da África que variam em costumes e religiões; a que aqui segue o maometismo, à 
qual pertencemos, é uma população pequena, porém, distinta entre si, e notando a necessidade de 
sustentarmos nosso culto e fundados ainda no artigo 5º da Constituição do Império, requeremos ao sr. 
chefe de polícia licença para exercermos o culto. 
REIS, J. J.; GOMES, F. S.; CARVALHO, M. J. M. O Alufá Rufino: tráfico, escravidão e liberdade no Atlântico negro (1822-1853). 
São Paulo: Cia. das Letras, 2010 (adaptado). 
O pedido de um grupo de africanos de Recife ao chefe de polícia local tinha como objetivo, naquele 
contexto, 
a) criticar a doutrina oficial. 
b) professar uma fé alternativa. 
c) assegurar a cidadania política. 
d) legalizar os terreiros de candomblé. 
e) eliminar algumas tradições culturais. 
 
8. (2019/Enem) 
Art. 90. As nomeações dos deputados e senadores para a Assembleia Geral, e dos membros dos Conselhos 
Gerais das províncias, serão feitas por eleições, elegendo a massa dos cidadãos ativos em assembleias 
paroquiais, os eleitores de província, e estes, os representantes da nação e província. 
Art. 92. São excluídos de votar nas assembleias paroquiais: 
I. Os menores de vinte e cinco anos, nos quais se não compreendem os casados, os oficiais militares, que 
forem maiores de vinte e um anos, os bacharéis formados e os clérigos de ordens sacras. 
II. Os filhos de famílias, que estiverem na companhia de seus pais, salvo se servirem a ofícios públicos. 
III. Os criados de servir, em cuja classe não entram os guarda-livros, e primeiros caixeiros das casas de 
comércio, os criados da Casa Imperial, que não forem de galão branco, e os administradores das fazendas 
rurais e fábricas. 
IV. Os religiosos e quaisquer que vivam em comunidade claustral. 
V. Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz, indústria, comércio, ou 
emprego. 
BRASIL. Constituição de 1824. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 4 abr. 2015 (adaptado). 
De acordo com os artigos do dispositivo legal apresentado, o sistema eleitoral instituído no início do 
Império é marcado pelo(a) 
a) representação popular e sigilo individual. 
b) voto indireto e perfil censitário. 
c) liberdade pública e abertura política. 
d) ética partidária e supervisão estatal. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 45 
e) caráter liberal e sistema parlamentar. 
 
9. (2019/Enem) 
Entre os combatentes estava a mais famosa heroína da Independência. Nascida em Feira de Santana, filha 
de lavradores pobres, Maria Quitéria de Jesus tinha trinta anos quando a Bahia começou a pegar em 
armas contra os portugueses. Apesar da proibição de mulheres nos batalhões de voluntários, decidiu se 
alistar às escondidas. Cortou os cabelos, amarrou os seios, vestiu-se de homem e incorporou-se às fileiras 
brasileiras com o nome de Soldado Medeiros. 
GOMES, L. 1822. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010. 
No processo de Independência do Brasil, o caso mencionado é emblemático porque evidencia a 
a) rigidez hierárquica da estrutura social. 
b) inserção feminina nos ofícios militares. 
c) adesão pública dos imigrantes portugueses. 
d) flexibilidade administrativa do governo imperial. 
e) receptividade metropolitana aos ideais emancipatórios. 
 
10. (2019/UFRGS) 
Leia o trecho abaixo. O propósito de muitos, se não da maioria, dos conflitos políticos da América 
espanhola, no período posterior à independência, foi simplesmente determinar quem deveria controlar 
o Estado e seus recursos. Não obstante, surgiram outras importantes questões políticas que variaram de 
país para país em caráter e importância. Entre 1810 e 1845, a discussão sobre estrutura centralista e 
federalista do Estado foi fonte de violento conflito no México, na América Central e na região do Prata. 
SAFFORD, Frank. Política, ideologia e sociedade na América espanhola dos pós independência. In: BETHELL, Leslie. História da 
América Latina, vol. III: da Independência até 1870. São Paulo: Edusp, 2001. p. 369. 
O segmento faz menção aos conflitos que se seguiram às independências na América Espanhola. Assinale 
a alternativa que indica algumas das consequências desses confrontos.a) O conflito entre federalistas e centralistas resultou em governos constitucionalmente frágeis e 
politicamente instáveis em quase toda a região, durante parte do século XIX. 
b) A recolonização da região pela Espanha, dada a fragilidade institucional das novas repúblicas 
independentes. 
c) O surgimento de governos democráticos e com ampla participação popular, ainda no século XIX, como 
uma das formas de resolução desses conflitos políticos. 
d) A estruturação de monarquias centralizadas por toda a região, após o fracasso político das repúblicas 
independentes. 
e) A vitória dos movimentos federalistas e a derrota definitiva dos projetos centralistas e autoritários que 
se opunham a eles 
 
11. (CEFET – 2019) 
Nos primeiros anos após a Independência do Brasil, formou-se um governo dissidente em 2 de julho de 
1824. Apoiado pelas classes populares urbanas, por negociantes do Recife e proprietários rurais ligados à 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 46 
cultura do algodão, o movimento buscou reunir Pernambuco às províncias do Ceará, Paraíba, Rio Grande 
do Norte e estender sua ação até o Piauí e Ceará com um governo federativo e republicano. 
MUGGIATI, Roberto (coord.). A construção do Brasil. Revista Nossa História, vol. Único, São Paulo, 2006. p. 49. 
A consolidação do Império Brasileiro pós-independência foi marcada, desde o início, por conflitos em 
torno de um modelo de Estado centralizado, resultando na eclosão de movimentos de resistência. A qual 
movimento dessa natureza esse texto faz menção? 
a) Balaiada 
b) Sabinada 
c) Revolta dos Malês 
d) Confederação do Equador 
 
12. (UFU/2019) 
“[...] foi o mais notável movimento popular do Brasil. O único em que as camadas mais inferiores da 
população conseguiram ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade. [...] primeira 
insurreição popular que passou da simples agitação para uma tomada efetiva de poder.” 
PRADO JÚNIOR, Caio. Evolução Política do Brasil e outros estudos. São Paulo: Brasiliense, 1975. p. 69. (Adaptado) 
A citação acima diz respeito à Cabanagem, uma das principais revoltas ocorridas no chamado Período 
Regencial Brasileiro. Acerca desse movimento, é correto afirmar que 
A) ocorreu na cidade de Salvador, em 1835, com significativa participação de africanos escravizados de 
origem muçulmana. O levante durou menos de 24 horas e foi duramente reprimido. Os revoltosos 
sobreviventes foram mortos, presos ou degradados. 
B) ocorreu no Maranhão entre os anos de 1838 e 1841 e foi liderado por homens pobres (com apoio 
de escravos, de vaqueiros e mesmo de alguns fazendeiros) que enfrentaram grandes proprietários de 
terra, comerciantes e autoridades políticas. 
C) ocorreu na província da Bahia entre os anos de 1837 e 1838. Seu objetivo era, dentre outros, a 
criação de uma república de caráter transitório até que Dom Pedro II alcançasse a maioridade. 
D) ocorreu na província do Grão-Pará, entre 1835 e 1840, em decorrência da exploração sofrida pelos 
trabalhadores submetidos a um regime de trabalho de semiescravidão. Esses foram violentamente 
reprimidos e aproximadamente 30 mil pessoas morreram assassinadas por tropas imperiais e em 
incêndios. 
 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 47 
13. (CEFET – 2018) 
A classe dominante brasileira era, em sua maioria, conservadora (...). Desejava manter as estruturas 
econômicas e sociais coloniais baseadas no sistema agrícola, na escravidão e na exportação de produtos 
agrícolas tropicais para o mercado europeu. Contudo, havia nas cidades (...) alguns liberais que esperavam 
mudanças mais profundas na política e na sociedade: soberania popular, democracia e mesmo uma 
república. 
(BETHELL, Leslie. A independência do Brasil. In: História da América Latina. São Paulo: EDUSP, 2009. V. 3, p. 213.) 
A aceitação de D. Pedro pela elite senhorial, como líder do processo de independência do Brasil, eclodido 
em 1822, visava a 
a) manter nosso país sob a tutela da metrópole lusitana. 
b) evitar transformações mais bruscas na ordem social e política. 
c) defender a República como sistema de governo para o novo país. 
d) impossibilitar a escolha do regime monárquico após a emancipação. 
 
14. (Mackenzie/2018) 
“Em agosto de 1791, passados dois anos da Revolução Francesa e dos seus reflexos em São Domingos, os 
escravos se revoltaram. Em uma luta que se estendeu por doze anos, eles derrotaram, por sua vez, os 
brancos locais e os soldados da monarquia francesa. Debelaram também uma invasão espanhola, uma 
expedição britânica com algo em torno de sessenta mil homens e uma expedição francesa de semelhantes 
dimensões comandada pelo cunhado de Bonaparte. A derrota da expedição de Bonaparte, em 1803, 
resultou no estabelecimento do Estado negro do Haiti, que permanece até os dias de hoje”. 
C. L. R. James. Os jacobinos negros: Toussaint L’Ouverture e a revolução de São Domingos. São Paulo: Bomtempo, 2000, p.15 
Acerca da independência do Haiti e de seus reflexos em outras regiões da América, assinale a alternativa 
correta. 
a) O movimento foi realizado sob a égide dos ideais liberais e nacionalistas, defendidos, por sua vez, pelo 
Iluminismo francês. Seu sucesso foi determinante para a realização de importantes transformações 
estruturais nas sociedades das novas nações latino-americanas. 
b) Trata-se de uma articulação escrava que, sob influência direta dos interesses geopolíticos 
estadunidenses e dos ideais iluministas, colocou em xeque o controle francês sobre a ilha. Seu sucesso 
incentivou o surgimento do movimento zapatista, em 1994. 
c) Resultado de insatisfações sociais e políticas da população escrava, demonstrou a força popular no 
contexto do surgimento dos Estados nacionais na América Latina. Seu sucesso influenciou Simon Bolívar 
e San Martín a iniciarem as lutas pelas independências na América do Sul. 
d) Apesar de seu sucesso, o movimento resultou na ascensão de governantes corruptos que, longe de 
resolverem as desigualdades sociais, contribuíram para a consolidação de grupos oligárquicos no poder. 
Esses aspectos determinaram o surgimento do caudilhismo no contexto da América Latina independente. 
e) Foi a única revolta escrava bem-sucedida da História americana e as dificuldades que tiveram que 
superar coloca em evidência a magnitude dos interesses envolvidos. No Brasil, sua influência pôde ser 
sentida na articulação que levaria à Revolta dos Malês, em 1835. 
 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 48 
15. (2018/UFRGS) 
Sobre a sociedade brasileira no século XIX e a construção do Estado imperial, considere as seguintes 
afirmações. 
I - O liberalismo, marcado pela defesa da propriedade privada e livre comércio, foi uma das correntes de 
pensamento adotadas pelas elites escravocratas brasileiras. 
II - A unidade nacional, a integridade territorial e a escravidão estão entre os principais pilares da 
monarquia. 
III- A nobreza imperial, definida como uma classe social distinta, era um segmento restrito reservado 
àqueles que possuíam vínculos de consanguinidade com a aristocracia europeia. Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas I e II. 
e) I, II e III. 
 
16. (2018/UFPR) 
Leia o texto a seguir: 
É uma ideia grandiosa pretender formar de todo o mundo novo uma só nação com um só vínculo, que 
ligue suas partes entre si e com o todo. Já que tem uma mesma origem, uma mesma língua, mesmos 
costumes e uma religião, deveria, por conseguinte, ter um só governo que confederasse os diferentes 
Estados que haverão de formar-se […]. 
(Fonte: <http://www.iela.ufsc.br/noticia/sim%C3%B3n-bol%C3%ADvar-e-carta-da-jamaica>.Acesso em: 06 agosto 2017.) 
Considerando o extrato da “Carta de Jamaica”, de Simón Bolívar, e com base nos conhecimentos sobre as 
independências na América espanhola, assinale a alternativa correta. 
a) Os movimentos de independência na América espanhola foram impulsionados pela tentativa de 
invasão napoleônica no Haiti recém-libertado. A Carta de Jamaica foi o documento que fundamentou 
esses movimentos. 
b) Os movimentos de independência foram liderados por mestiços e escravos que ansiavam conseguir a 
liberdade expulsando os espanhóis. Aproveitando a ausência do rei Fernando VII, encarcerado por 
Napoleão, Bolívar escreveu a carta na Jamaica, chamando todas as colônias a se unirem para formar uma 
grande federação contra a coroa espanhola. 
c) Simón Bolívar foi o grande artífice das independências da América espanhola. Seu carisma e poder de 
mando permitiram unir todos os movimentos em uma grande frente libertadora, que começou na 
Argentina em 1816 e chegou até a Colômbia em 1821. 
d) O projeto de Simón Bolívar era tornar as colônias governadas pela Espanha em uma grande 
confederação de estados nos moldes das colônias americanas do Norte, porém as diferenças entre alguns 
líderes no interior do movimento anticolonial não viam com bons olhos esse projeto. 
e) A Carta de Jamaica foi a primeira declaração de independência das colônias espanholas. Escrita no 
formato da declaração de independência haitiana, declarava o fim da escravidão nas colônias e a expulsão 
dos peninsulares das terras americanas. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 49 
 
17. (UFGD/2018) 
De acordo com o historiador Paulo Pereira de Castro, o período regencial brasileiro (1831-1840) teria sido 
uma “experiência republicana”. Sobre esse contexto, assinale a alternativa correta. 
 a) Foi um momento marcado por uma relativa estabilidade econômica, na qual a população detinha uma 
maior participação política, de acordo com o Ato Adicional de 1834. 
 b) Um período em que, embora conturbado politicamente, foram aprovadas algumas medidas de caráter 
liberal, devido à pressão exercida pela Inglaterra, tais como a reformulação do Código de Processo 
Criminal, que proibia o tráfico de africanos escravizados. 
 c) Expressa um momento em que o país adotou o sistema republicano de governo, liderado apenas por 
brasileiros. Tal fato provocou protestos por parte dos monarquistas em quase todas as províncias, nas 
chamadas rebeliões do período regencial. 
 d) Período de relativa descentralização política, conferindo certa autonomia às províncias, fato 
evidenciado pela reformulação do Código de Processo Criminal e a instituição do Ato Adicional de 1834. 
e) Período em que eclodiram diversos levantes nas províncias, protestando contra medidas que visavam 
ao fortalecimento do poder central, tais como a reformulação do Código de Processo Criminal e a 
instituição do Ato Adicional. 
 
18. (2017/FGV) 
Sobre a regência do paulista Diogo Antônio Feijó, entre 1835 e 1837, é correto afirmar que 
a) o regente conseguiu vencer a eleição devido ao apoio recebido dos produtores de algodão do Nordeste, 
classe emergente nos anos 1830, o que possibilitou o combate às rebeliões regenciais e o início do 
processo de centralização político-administrativa. 
b) o apoio inicial que Feijó recebeu de todas as forças políticas do Império foi, progressivamente, sendo 
corroído porque o regente eleito mostrou simpatia pelo projeto político da Balaiada, que defendia uma 
Monarquia baseada no voto universal. 
c) a opção de Feijó em negociar com os farroupilhas e com a liderança popular da Cabanagem provocou 
forte reação dos grupos mais conservadores, especialmente do Partido Conservador, que organizaram a 
queda de Feijó por meio de um golpe de Estado. 
d) o isolamento político do regente Feijó, que provocou a sua renúncia do mandato, relacionou-se com a 
sua incapacidade de conter as rebeliões que se espalhavam por várias províncias do Império e com a 
vitória eleitoral do grupo regressista. 
e) as condições econômicas brasileiras foram se deteriorando durante a década de 1830 e provocaram 
um forte desgaste da regência de Feijó, que renunciou ao cargo depois de um acordo para uma reforma 
constitucional. 
 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 50 
8.3. Inéditas 
1. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Todos os itens mencionados abaixo foram consequências do Ato Adicional de 1834, exceto: 
A) o surgimento de dois grupos políticos, os regressistas e o progressistas. 
B) o fim da vitaliciedade do Senado, o que gerou impasses com os restauradores. 
C) certa autonomia para as províncias, a partir da criação das Assembleias Provinciais. 
D) eleição de Feijó como regente uno, após o abandono do modelo trino de regência. 
E) extinção do Conselho de Estado, órgão consultivo do poder moderador. 
 
2. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
QUADRINHA I 
Queremos Pedro Segundo 
Embora não tenha idade 
A nação dispensa a lei 
e viva a Maioridade. 
QUADRINHA II 
Por subir Pedrinho ao trono, 
Não fique o povo contente; 
Não pode ser coisa boa 
Servindo com a mesma gente. 
(VAINFAS, 2008, p. 312). 
Nos versos acima, cantados nas ruas do Rio de Janeiro no ano de 1840, destaca-se 
A) a defesa do cumprimento da Constituição de 1824, que estabelecia a ascensão de D. Pedro de Alcântara 
no trono brasileiro quando completasse 18 anos. 
B) a defesa da realização de uma reforma no Ato Adicional de 1834, com o intuito de permitir a 
antecipação do processo de coroação de D. Pedro de Alcântara. 
C) a defesa do projeto político regressista, que encampou a centralização da administração do país e o 
aceleramento da chegada do príncipe-regente ao trono. 
D) a defesa da implantação de uma ordem política pautada pelo liberalismo-democrático, a partir da 
ascensão de D. Pedro II, tutelado pelo Partido Liberal. 
E) as visões distintas acerca da antecipação da maioridade de D. Pedro, que oscilavam entre esperança 
por melhorias e a continuidade da crise política. 
 
3. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
A Balaiada, no Maranhão, a Cabanagem, no Grão Pará, e a Sabinada, na Bahia foram alguns dos principais 
conflitos ocorridos no Brasil durante o chamado período regencial, marcado 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 51 
A) por uma fase de transição política resultante da abdicação do Imperador D. Pedro I, em um contexto 
caracterizado pelo fortalecimento da atividade industrial por ações do Estado. 
B) por modificações no quadro dos partidos políticos, o que deu margem para a implantação do 
federalismo, e por transformações na grande propriedade e na mão de obra escrava. 
C) pela descentralização do poder moderador, que atribuiu aos governos provinciais a responsabilidade 
de solucionar os impasses da chamada “questão servil”. 
D) pela extinção do poder moderador e a centralização do poder na figura do regente uno, o que impediu 
a formação de novos partidos políticos e transformações na estrutura agrária. 
E) por impasses quanto a administração do Brasil e a formação de novos partidos políticos, o que não 
comprometeu as estruturais sociais e econômicas estabelecidas anteriormente. 
 
4. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Em meados da década de 1830, o medo do Haiti no Brasil renasceria devido à Revolta dos Malês, em 1835. 
Em várias partes do Império haveria acusações e repressão, especialmente contra africanos. No Rio de 
Janeiro, chegou-se a investigar alguns “pretos da ilha de São Domingos”. Denúncias exageradas chegaram 
a revelar que um “cafre” haitiano, chamado Moiro,convidava os escravos das vilas de Bananal, Areias 
Barra Mansa e São João Marcos à insurreição. No ano seguinte, foram feitas investigações na freguesia 
da candelária. 
GOMES, Flávio dos Santos. Haitianismo no Brasil. In: SCHWARCZ, Lilia; STARLING, Heloisa M. Dicionário da República: 51 
textos críticos. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 136. 
O “medo do Haiti” a que se refere o texto expressa uma preocupação das elites quanto 
A) a ruptura das estruturas de dominação 
B) aos impactos nos itens de exportação 
C) a obtenção de escravizados africanos 
D) a fragmentação do território nacional 
E) a irrupção de ideais emancipacionistas 
 
5. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Muito mais do que produto de um simples arranjo das elites, a Revolução do 7 de Abril foi resultado não 
só das tramas políticas urdidas no Parlamento, nas sociedades secretas, nos quartéis e nos meios letrados 
da Corte em geral, mas também da forte pressão popular, manifesta nas frequentes manifestações de rua 
de descontentamento e protesto – envolvendo, por vezes, centenas de pessoas [...]. 
BASILE, Marcelo. A Revolução do 7 de Abril de 1831: disputas políticas e lutas de representações. Disponível em: < 
http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364533003_ARQUIVO_Art-ANPUH2013-MarcelloBasile.pdf>. Acesso 
em 31 maio 2020. 
Ao analisar o processo de abdicação do imperador D. Pedro I, o autor considera 
A) o peso exercido pelos partidos políticos. 
B) a crise econômica legada pela guerra. 
C) as barreiras existentes na esfera pública. 
D) a entrada de novos atores políticos. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364533003_ARQUIVO_Art-ANPUH2013-MarcelloBasile.pdf
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 52 
E) o caráter excludente da arena política. 
 
6. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
O poder moderador de nova invenção maquiavélica é a chave mestra da opressão da nação brasileira e o 
garrote mais forte da liberdade dos povos: por ele o Imperador pode dissolver a câmara dos deputados, 
que é a representante do povo, ficando sempre no gozo dos seus direitos o senado, que é a (sic) 
representante dos apaniguados do Imperador [...]. Os conselhos das províncias são uns meros fantasmas 
para iludir os povos; porque devendo levar suas decisões à assembleia geral e ao executivo 
conjuntamente, isto bem nenhum pode produzir às províncias. 
Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141997000100008>. Acesso em: 24 jul. 
2020. 
O trecho acima foi retirado de um discurso de Frei Caneca, uma das principais lideranças da Confederação 
do Equador. Estão entre as causas do movimento 
(A) o fechamento da Constituinte e a imposição da Constituição de 1824. 
(B) a continuidade do sistema escravista pela Carta outorgada em 1824. 
(C) a adoção da monarquia constitucional como forma de governo. 
(D) a liberdade de culto instituída pela Constituição de 1824. 
(E) a supressão da autonomia administrativa desfrutada pelo Nordeste. 
 
7. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
No decorrer da Sabinada, foram ficando claras as tensões raciais que marcavam a política provincial desde 
pelo menos o fim do século XVIII, expressa em parte das demandas da Conjuração Baiana, de 1798. Há 
muito tempo eram conhecidas as reclamações de oficiais negros, insatisfeitos com a falta de 
reconhecimento de seus méritos e exigindo tratamento igual ao recebido pelos brancos. 
GRINBERG, Keila. Sabinada (1837). In: SCHWARCZ, Lilia; STARLING, Heloisa (orgs). Dicionário da república: 51 textos críticos. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 371. 
Segundo as informações fornecidas pelo trecho, a Sabinada 
(A) reproduziu todos os objetivos da Revolta dos Alfaiates. 
(B) defendia a implantação de uma República provisória. 
(C) refletiu as tensões raciais da sociedade baiana. 
(D) defendia autonomia para a província da Bahia. 
(E) se indispôs contra o alistamento obrigatório na região. 
 
t.me/CursosDesignTelegramhub
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141997000100008
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 53 
8. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
TEXTO I 
 
Desenho encontrado em um livrinho usado como amuleto por um rebelde morto durante o Levante dos Malês de 1835. 
Fonte: REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 
2012. p. 204. 
 
TEXTO II 
Além de uma colagem de textos corânicos, o criador de um amuleto encontrado no pescoço de um dos 
rebeldes mortos no Levante Malê de 1835 fez um desenho do que parece ser um barco. Uma possibilidade 
é que estivesse, ao mesmo tempo, manifestando um desejo de retorno à África. É possível imaginá-lo 
confiando que, tendo Alá conduzido a humanidade com segurança através do Dilúvio, ele levaria de volta 
em segurança, através do oceano, os sobreviventes africanos da escravidão baiana. 
REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. 
Adaptado. 
A respeito da rebelião escrava de 1835, protagonizada por cativos e libertos muçulmanos de Salvador, é 
correto afirmar que 
a) representou o ideário dos escravizados de dar fim ao sistema escravista na região. 
b) utilizou-se dos postulados do Islã para a promoção de reformas sociais e econômicas. 
c) defendia a tomada de embarcações por todos os escravos e o seu retorno para a África. 
d) propõe a superação da cor enquanto marcador social e sustenta ideais democráticos. 
e) tomou a religião como linguagem para a mobilização que pleiteava a liberdade. 
 
9. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Embora a ruptura do pacto colonial na América portuguesa e nas possessões espanholas apresente razões 
e desenlaces idênticos, desde o início chamou a atenção o contraste entre a evolução gradual e 
relativamente pacífica, no primeiro caso, e a longa e implacável guerra, no segundo. Muito do que depois 
tomaria a forma do “excepcionalismo brasileiro”. 
COSTA E SILVA, Alberto (coord.). Crise colonial e independência: 1808-1830, volume 1. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. p. 116. 
O “expecionalismo brasileiro” no processo de emancipação política, quando comparado com aquelas 
ocorridos nas possessões espanholas, se verificou 
(A) na manutenção da estrutura fundiária e da escravidão. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 54 
(B) na conservação da monarquia e da unidade territorial. 
(C) na ausência de conflitos entre portugueses e brasileiros. 
(D) na obtenção de estabilidade política pelo federalismo. 
(E) na exclusão da população pelas oligarquias fundiárias. 
 
Leia o texto abaixo para responder às questões 10 e 11. 
O Império estigmatizou a rua como o lugar da desordem. A ela se opunham o Estado e a Casa, os espaços 
do governo – quais seja, os da ordem pública e privada. Foi vitoriosa a solução “saquarema” que superou 
os espectros vivenciados na Regência, durante a qual a rua era sentida como o espaço da democracia e 
da liberdade. Permaneceu o medo da rua, local de escravos e de vadios, de doenças e de sujeira. 
Na década de 1880, a rua foi ressignificada. Adquiriu um sinal positivo como o espaço do uso público da 
razão – da crítica, nos termos da época – e como o lugar da verdadeira representação popular. A rua 
passou a disputar, e vantajosamente no final da década, com o Parlamento o locus do fazer político. 
MELLO, Maria Tereza Chaves de. A república consentida: cultura democrática e científica do final do Império. Rio de Janeiro: 
EditoraFGV: Editora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Edur), 2007. Adaptado. 
 
10. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Para o projeto político saquarema, o período regencial representou 
(A) a superação da influência exercida por lideranças portuguesas no cenário político nacional. 
(B) um momento decisivo para a implantação de profundas reformas no espaço público. 
(C) a supressão do poder moderador em favor da supremacia do poder Legislativo. 
(D) um momento de turbulências que ameaçaram a ordem senhorial e unidade territorial. 
(E) o ocaso do poderio dos liberais nas províncias e a o triunfo do projeto federalista. 
 
11. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
O processo de ressignificação do espaço público, vivenciado na década de 1880, foi motivado 
(A) pelo fim do sistema escravista e a promoção de reformas democráticas pelo Legislativo. 
(B) pela garantia de autonomia às províncias e a ampliação do sistema de transportes. 
(C) pela ampliação dos canais de comunicação aos militares e a criação do Partido Republicano. 
(D) pelo crescimento do movimento abolicionista e pela articulação de grupos republicanos. 
(E) pela extinção do voto censitário e pelo aprimoramento dos sistemas de comunicação. 
 
12. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Foi num dia 25 de janeiro como hoje que centenas de negros escravizados saíram pelas ruas de Salvador 
promovendo um dos maiores levantes da história do Brasil escravocrata. 186 anos depois daquele dia de 
1835, a Revolta dos Malês segue pouca estudada nas escolas, mas em um momento em que os olhos do 
mundo se voltam para a luta antirracista, ela se mostra mais lembrada do que nunca. Nos últimos anos, 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 55 
o levante soteropolitano ganhou livros, HQs (História em Quadrinhos), minissérie, filme, podcasts e se 
tornou tema de debates políticos por homenagens. 
CARVALHO, Eric Luis. Resistência: revolta dos malês completa 186 anos mais lembrada do que nunca. Correio, Salvador-BA, 25 
jan. 2021. Disponível em: <https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/resistencia-revolta-dos-males-completa-186-
anos-mais-lembrada-do-que-nunca/>. Acesso em: 26 jan. 2021. 
A respeito do Levante dos Malês, é correto afirmar que: 
a) a rebelião foi conduzida por escravos muçulmanos que lutavam pelo fim do sistema escravista e pela 
criação de um califado na região de Salvador. 
b) o episódio manifestou a intolerância religiosa predominante no espaço colonial, o que levou os cativos 
a pleitearam a livre manifestação de suas crenças. 
c) a revolta contou com o protagonismo de escravizados e negros livres, que defendiam a implantação de 
um regime teocrático e a separação da metrópole portuguesa. 
d) trata-se de um movimento que expressou a resistência de escravos africanos, que defendiam a criação 
de uma república em caráter provisório e maior autonomia provincial. 
e) a insurreição foi conduzida por escravizados muçulmanos que lutavam pela sua libertação e defendiam 
o estabelecimento de uma ordem islâmica na cidade de Salvador. 
 
13. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Desde o período colonial, o Pará foi dominado por um poderoso grupo de comerciantes portugueses, 
aliado aos altos funcionários civis e militares, também de origem portuguesa. Contra esse núcleo, que 
resistiu à independência do Brasil, desencadeou-se um movimento com ampla participação popular. 
KOSHIBA, Luiz; PEREIRA, Denise Manzi Frayze. História do Brasil no contexto da história ocidental. São Paulo: Atual, 2003. p. 
248. 
O fragmento acima descreve o cenário no qual se verificou a eclosão de um conflito em 1835, durante o 
período colonial, denominado pelos historiadores de: 
(A) Farroupilha 
(B) Cabanagem 
(C) Balaiada 
(D) Sabinada 
(E) Revolta dos Malês 
 
14. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
O transplante do Estado português teve importantes consequências porque o Brasil não era mais 
administrado “de fora”. Com a transferência da Corte, o centro de decisão foi interiorizado e a dispersão 
colonial se atenuou com o surgimento de um centro aglutinador representado pelo Estado português. 
Chegamos assim ao que se chamou de inversão brasileira. 
KOSHIBA, Luiz; PEREIRA, Denise Manzi Frayze. História do Brasil no contexto da história ocidental. São Paulo: Atual, 2003. p. 
168. 
Em relação às mudanças ocasionadas ao Brasil pela transferência da Corte joanina, destacam-se: 
a) a obtenção de liberdade econômica e de autonomia administrativa em relação à Portugal. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 56 
b) o reforço do exclusivo metropolitano e criação de uma unidade federalista no território. 
c) a garantia do direito à representação para as províncias e a constitucionalização do Império. 
d) a promoção de uma reforma fundiária e o questionamento da continuidade do tráfico negreiro. 
e) a garantia de cargos às elites locais e o esgotamento dos movimentos de contestação à Coroa. 
 
Leia o texto e observe o mapa para responder às questões 15 e 16. 
Com a abdicação de D. Pedro I, em 1831, abriu-se com a menoridade do sucessor ao trono brasileiro o 
período conhecido como o das Regências. Nesses anos, o Brasil foi sacudido por uma série de rebeliões 
de forte cunho regionalista, constituindo-se em ameaçador perigo da dissolução “da ordem e da 
unidade”. A mais longa dessas rebeliões foi a Farroupilha (1835-1845), no Rio Grande do Sul, que pôs em 
risco a manutenção das “fronteiras naturais” do sul do país. O fantasma da perda da Província Cisplatina 
rondava a corte imperial, e o envolvimento de grupos uruguaios nas lutas indicava a permanência de 
interesses econômicos e políticos comuns, assim como de fronteiras bastante flexíveis. 
PRADO, Maria Lígia; PELLEGRINO, Gabriela. História da América Latina. São Paulo: Contexto, 2020. p. 49. 
 
15. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Em relação aos inúmeros levantes verificados no contexto das Regências, é possível considerar que 
a) houve o predomínio dos interesses de grandes proprietários locais, que estando à frente da maioria 
dos movimentos do período, impediram a participação das camadas subalternas. 
b) representou anseios e visões de estratos sociais distintos, cuja atuação foi modulada no período pelas 
opiniões políticas e projetos de nacionalidade debatidos na esfera pública. 
c) detiveram como ponto de convergência a transformação drástica das estruturas socioeconômicas, de 
modo a garantir a inserção de setores historicamente marginalizados no país. 
d) contribuíram para a adoção e consolidação permanente do modelo federalista no território, o que 
garantiu a hegemonia local dos grandes proprietários de terras e escravizados. 
e) defenderam a fragmentação do território e a formação de inúmeras repúblicas, evidenciando o 
enfraquecimento da autoridade monárquica perante a sociedade brasileira. 
 
16. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
O “fantasma da perda da Província Cisplatina” é associado pelo texto à Farroupilha, em razão 
a) dos vínculos comerciais entre gaúchos e uruguaios, que ameaçavam os interesses econômicos das 
demais províncias. 
b) da atuação dos líderes do movimento em prol do fim do sistema escravista no Brasil, tal qual ocorreu 
no país limítrofe. 
c) da crítica à hegemonia portuguesa na economia local, existente tanto no levante quanto no processo 
de independência do Uruguai. 
d) das aspirações democratizantes dos grupos que compuseram o movimento, inspiradas no modelo 
político uruguaio. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃODOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 57 
e) da diminuição das dimensões nacionais diante do possível êxito da experiência republicana iniciada 
pelo movimento. 
 
17. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
A revolta dos escravos em São Domingos está associada aos acontecimentos revolucionários na França 
de fins do século XVIII, que ocasionaram, em 1794, a proclamação do fim da escravidão nas possessões 
francesas no ultramar. A deposição de Luís XVI e a instituição da Assembleia Geral, em 1789, haviam 
encorajado tanto as aspirações autonomistas das elites coloniais nas Antilhas quanto a articulação de 
negros e mulatos livres. 
(PRADO, Maria Ligia. História da América Latina. São Paulo: Contexto, 2020. Adaptado.) 
A participação dos negros e mulatos livres na Revolução da Haiti apresentou, entre seus objetivos: 
a) a obtenção de direitos sociais no novo Estado. 
b) a deposição da monarquia absolutista na França. 
c) a garantia de representação junto à metrópole. 
d) a aquisição de direitos de participação política. 
e) a abolição de castigos corporais na ordem escravista. 
 
18. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Brasileiros, e europeus, quem vos demora e quem vos sustém a dar o passo [de] que tanto necessitais; 
Não tendes tão fortes exemplos nos vossos Irmãos de Portugal; não vedes o heroísmo com que os bravos 
Portugueses quebraram os grilhões com que se achavam oprimidos [...]. É tempo pois, às Armas, às Armas 
cidadãos honrados, vamos unir os nossos votos aos dos nossos Irmãos Europeus, de maneira que debaixo 
da mesma constituição todo o Reino unido de Portugal, Brasil e Algarves, que da felicidade, de que é 
merecedor, sacudindo o jugo vergonhoso e o despotismo que o oprime. 
CARVALHO, José Murilo; BASTOS, Lúcia; BASILE, Marcello. Às armas, cidadãos! – Panfletos e manuscritos da independência 
do Brasil (1820-1823). São Paulo: Companhia das Letras; Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2012. p. 48. 
O texto acima, extraído de um panfleto escrito em 1821, circulou na cidade de Salvador após o retorno 
da Corte joanina para Portugal. Ao considerar os acontecimentos recentes, o texto 
(A) condena o domínio português sobre o Brasil. 
(B) destaca os malefícios do sistema escravista. 
(C) sugere a adoção de um regime republicano. 
(D) defende a emancipação política do território. 
(E) se alinha aos princípios do liberalismo político. 
 
19. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Uma lei de agosto de 1831 criou a Guarda Nacional, em substituição às antigas milícias. A ideia consistia 
em organizar um corpo armado de cidadãos confiáveis, capaz de reduzir tanto os excessos do governo 
centralizado como as ameaças das “classes perigosas”. 
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Ed. USP, 2019. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 58 
Considerando as atribuições da organização, pode-se dizer que a Guarda Nacional 
(A) favoreceu as articulações defensoras da descentralização administrativa. 
(B) estimulou o fortalecimento das Forças Armadas em território brasileiro. 
(C) restringiu-se à atividade policial e garantiu ao Exército a atuação nas guerras. 
(D) fortaleceu as elites locais contra os excessos do poder moderador. 
(E) atuou para garantir a ordem pública e a unidade territorial do Império. 
 
20. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
O período entre o retorno de D. Pedro I a Portugal em 1831 e o fim da Guerra do Paraguai em 1870 é 
fundamentalmente a história de divisões no interior da elite brasileira quanto aos princípios básicos pelos 
quais o Brasil deveria ser governado. Essas divisões refletiram-se primeiro numa série de revoltas durante 
a Regência, que foram atenuadas, mas certamente não extintas no período que se seguiu à coração de 
Pedro II em 1840. 
(SKIDMORE, T. São Paulo: Uma história do Brasil. Paz e Terra, 1998. p. 67.) 
Considerando o contexto do período abordado, pode-se afirmar que as divisões nas elites dirigentes se 
deram, principalmente, entre 
(A) democratas e apoiadores do voto censitário. 
(B) defensores do sufrágio feminino e opositores. 
(C) republicanos e partidários do absolutismo. 
(D) unitaristas e entusiastas do federalismo. 
(E) escravistas e defensores do trabalho livre. 
 
9. GABARITO 
9.1. Unesp 
1 - B 
2 - C 
 
9.2. Vestibulares 
1 - B 7 - B 13 - B 
2 - B 8 - B 14 - D 
3 - A 9 - A 15 - D 
4 - A 10 - A 16 - D 
5 - B 11 - D 17 - D 
6 - E 12 - D 18 - D 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 59 
 
9.3. Inéditas 
1 - B 6 - A 11 - D 16 - E 
2 - E 7 - C 12 - E 17 - D 
3 - E 8 - E 13 - B 18 - E 
4 - A 9 - B 14 - A 19 - E 
5 - D 10 - D 15 - B 20 - D 
 
10. LISTA DE QUESTÕES COMENTADA 
10.1. Unesp 
1. (2021/Unesp) 
Artigo 1º – Todos os escravos, que entrarem no território ou portos do Brasil, vindos de fora, ficam livres 
[...]. 
Artigo 2º – Os importadores de escravos no Brasil incorrerão na pena corporal do artigo cento e setenta 
e nove do Código Criminal, imposta aos que reduzem à escravidão pessoas livres [...]. 
(Lei de 7 de novembro de 1831. https://camara.leg.br.) 
A Lei de 7 de novembro de 1831, também conhecida como “Lei Feijó”, 
a) proporcionou a imediata superação da escravidão no Brasil, que se consolidou com a entrada maciça 
de imigrantes europeus a partir da década de 1870. 
b) teve efeito reduzido, pois o tráfico internacional de escravos e a entrada de mão de obra africana no 
território brasileiro persistiram nos governos sucessivos do país até a metade do século XIX. 
c) foi promulgada por pressão da Coroa inglesa, que determinou que navios britânicos apreendessem 
todas as embarcações suspeitas de tráfico de escravizados. 
d) proibiu a escravidão no Brasil, embora a escassez de mão de obra assalariada tenha levado à 
manutenção do emprego de mão de obra de escravizados até a década de 1880. 
e) resultou da guinada ocorrida no Período Regencial, quando o Brasil assumiu diretrizes liberais e 
ilustradas na condução da política econômica e no reconhecimento dos direitos humanos. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. A extinção legal da escravidão se deu no dia 13 de maio de 1888, a partir 
da sanção da Lei Áurea pela princesa regente do Império, D. Isabel. 
- A alternativa B é a resposta. Em novembro de 1831, a regência trina aprovou a Lei Feijó, que declarou 
livres os escravos vindos de fora do Império e impôs penas aos traficantes. A medida buscou proibir o 
tráfico de escravos e estabelecia que os cativos fossem enviados de volta à África. Contudo, o contrabando 
continuou a acontecer por quase três décadas, o que levou muitos historiadores a afirmarem que se 
tratava de uma “lei para inglês ver”, em referência à pressão feita pelos britânicos pelo fim da escravidão. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 60 
- A alternativa C está incorreta, pois faz referência ao chamado Bill Aberdeen lei inglesa aprovada em 1945 
que legalizava a captura de navios negreiros no Atlântico pela Marinha britânica, bem como o julgamento 
de seus capitães. Naquele momento, Cuba e Brasil eram os únicos países do Ocidente a sustentarem o 
tráfico, o que aumentava a pressão internacional para que a prática fosse banida. 
- A alternativa D está incorreta, pois a Lei Feijó buscou combater o tráfico negreiro, mas não chegou a 
propor a extinção do regime escravista do país. 
- A alternativa E está incorreta, a concepção de direitos humanos foi institucionalizada no Brasil com a 
Constituição de 1988. 
Gabarito: B 
2. (2021/Unesp) 
O processo de formação e consolidação dos Estados nacionais na América hispânica, nas duas primeiras 
décadasdo século XIX, envolveu 
a) a participação militar direta dos Estados Unidos. 
b) a intermediação diplomática do Império brasileiro. 
c) a disputa entre projetos unitários e federalistas. 
d) o prevalecimento das tradições culturais indígenas. 
e) o franco apoio da Igreja católica aos novos Estados 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. Alguns processos de independência, como o da ilha de Cuba, contaram 
com o apoio dos Estados Unidos, porém isso não se aplica à maioria deles. 
- A alternativa B está incorreta, o Brasil não interferiu nos processos de emancipação política do restante 
do continente. 
- A alternativa C é a resposta. Após a independência, a maioria dos novos países formados na antiga 
América Espanhola enfrentaram períodos de grande instabilidade política devido às lutas travadas entre 
as elites locais, que se dividiram em dois grupos: os defensores de projetos unitaristas – ou seja, de um 
Estado centralizado – e os federalistas, apoiadores de autonomia regional. 
- A alternativa D está incorreta, afinal os novos Estados formados pelos processos de independência 
representaram a ascensão política das elites criollas, que apresentavam traços culturais legados pela 
colonização espanhola. 
- A alternativa E está incorreta. Apesar da participação de membros do clero em movimentos de rebeldia, 
não se pode dizer que a Igreja formalizou seu apoio aos processos de independência. 
Gabarito: C 
 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 61 
10.2. Vestibulares 
1. (UNIFOR/2022) 
Observe a imagem e o texto a seguir. 
 
Disponível em: http://fabiopestanaramos.blogspot.com/2010/12/instalacao-da-corte-portuguesa-e.html. Acesso em: 29 Out 
2021. 
“A viagem da corte portuguesa estendeu-se por 54 dias, e, no dia 22 de janeiro de 1808, a embarcação 
de d. João chegou a Salvador. Da antiga capital do Brasil, D. João já tomou a primeira medida que mudaria 
o curso da história brasileira: ele decretou a abertura dos portos às nações amigas, no dia 28 de janeiro. 
Depois de uma breve estadia em Salvador, D. João foi para o Rio de Janeiro, chegando lá no dia 8 de 
março. As outras embarcações foram chegando nos dias seguintes (uma tempestade havia separado elas). 
A chegada da corte ao Brasil inaugurou o Período Joanino, durante o qual D. João esteve no Brasil. A 
abertura dos portos foi apenas a primeira de várias medidas tomadas pelo regente português e que 
mudaram radicalmente a história brasileira.” 
Fonte: Vinda da família real para o Brasil. 2013 (pág. 5), disponível em Acesso em 28 Out 2021. 
Sobre a vinda da família real para o Brasil e o período em questão, assinale a alternativa correta. 
(A) A transferência da corte portuguesa para o Brasil teve relação indireta com os acontecimentos da 
Revolução Francesa e do período napoleônico. 
(B) A transferência da Família Real para o Brasil se deu pela recusa de Portugal em obedecer às ordens da 
França e aderir ao Bloqueio Continental, instituído com o objetivo de prejudicar os ingleses, em 1806. 
(C) Em 1801, houve a Guerra das Laranjas entre Portugal e França. 
(D) Nessa época, ocorreu a integração das elites políticas regionais, para a formação de um projeto político 
separatista de cunho republicano. 
(E) O letramento de mulatos e imigrantes era importante para as necessidades do trabalho na cidade 
durante os anos de 1808 a 1810. 
Comentários 
Questão que demanda conhecimentos sobre a vinda da família real para o Brasil. Vejamos: 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 62 
A alternativa A é incorreta, a transferência da corte portuguesa para o Brasil teve relação direta com as 
invasões napoleônicas na Europa. 
A alternativa B é correta, a transferência da Família Real estava relacionada ao contexto dos conflitos 
entre França e Inglaterra na chamada Era napoleônica. Portugal possuía relações comerciais com a 
Inglaterra e, por isso, não podia decretar o Bloqueio Continental imposto por Napoleão. Como represália, 
a França invadiu Portugal e a corte teve que fugir às pressas. 
A alternativa C é incorreta, a Guerra das Laranjas foi um conflito que opôs Portugal à Espanha e à França, 
mas que foi realizado em 1801. Não possui relação direta com a transferência da corte que ocorreu em 
1808. 
A alternativa D é incorreta, não houve um projeto de cunho separatista e republicano, o motivo do 
translado está relacionado ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão e não cumprido por Portugal. 
A alternativa E é incorreta, alternativa descontextualizada, não temos em nenhum momento informações 
na própria questão sobre mulatos e imigrantes durante a transferência da corte. 
Gabarito: B 
2. (2022/FGV) 
“Se é verdade que na época da chegada de d. João já havia instituições na colônia, com a corte estacionada 
nos trópicos o processo se tornava muito mais complexo.” 
SCHWARCZ, L. e SARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, p. 183 
Sobre as transformações ocorridas com o estabelecimento da família real portuguesa no Brasil em 1808, 
pode-se afirmar: 
a) Implementou-se a política econômica da liberdade de comércio com todas as nações europeias e latino-
americanas. 
b) Foi criado o Banco do Brasil como instrumento financeiro para as atividades econômicas amplificadas 
com a presença da corte portuguesa. 
c) Teve início um projeto para a abolição da escravidão em todo o território brasileiro e para o fim do 
tráfico negreiro. 
d) Estabeleceu-se uma rede de ensino no Rio de Janeiro com o intuito de ampliar a escolarização da 
população da capital. 
e) Fortaleceu-se a condição colonial tanto do ponto de vista das instituições de controle quanto das 
atividades econômicas. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque o tratado de abertura dos portos se direcionava a apenas algumas 
nações aliadas de Portugal, excluindo, por exemplo, a França. 
- A alternativa B está correta. O Banco do Brasil foi criado no ano de 1808, por d. João VI, sendo uma 
decorrência direta do estabelecimento da família real portuguesa no país. Objetivava a dinamização e 
amplificação das atividades econômicas no território colonial, especialmente aquelas voltadas para a 
manufatura. 
- A alternativa C está incorreta, porque a vinda da família real portuguesa não teve como consequência a 
abolição da escravidão. Esta só ocorreu em 1888, durante o período imperial. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 63 
- A alternativa D está incorreta, porque a chegada da família real portuguesa não trouxe como 
consequência o estabelecimento de uma rede pública de ensino no Rio de Janeiro. A população continuou 
excluída do processo de alfabetização neste período. 
- A alternativa E está incorreta, porque a chegada da família real trouxe como consequência a flexibilização 
de algumas estruturas de dominação, como é o caso do fim do pacto colonial. Deste modo, houve o 
enfraquecimento da condição de colônia, permitindo a ascensão de ideais independentistas. 
Gabarito: B 
3. (2021/FGV) 
As independências das colônias da América Ibérica tiveram aspectos semelhantes e particularidades 
locais. Entre as semelhanças mais relevantes, pode-se citar 
a) a ruptura política sem uma revolução comparável nas estruturas sociais do período colonial. 
b) a oposição manifesta dos libertadores aos princípios revolucionários da filosofia iluminista. 
c) a ausência de participação de significativos movimentos populares nos processos independentistas. 
d) a manutenção dos laços comerciais privilegiados com a economia das antigas metrópoles. 
e) a importância ideológica do projeto futuro de unificação política dos povos americanos.Comentários 
- A alternativa A está correta. As independências na América Ibérica levaram à ruptura política com as 
metrópoles europeias. No entanto, não houve um processo similar de ruptura com as estruturas sociais 
do período colonial. Ou seja, as camadas sociais sofreram poucas ou nenhuma modificação, fator que 
perpetuou as desigualdades e problemáticas pré-existentes. 
- A alternativa B está incorreta, porque os processos de independência da América Ibérica foram 
fortemente influenciados pela filosofia iluminista. 
- A alternativa C está incorreta, porque alguns processos de independência foram conduzidos com a 
participação do povo. Esta não é uma característica presente em todos movimentos emancipatórios da 
América Ibérica. 
- A alternativa D está incorreta, porque não houve a manutenção dos laços comerciais privilegiados com 
as metrópoles, já que a maior parte dos países adotou uma agenda liberal que se opunha a esse tipo de 
conduta econômica. 
- A alternativa E está incorreta, porque nem todos países compactuavam com este projeto de unificação 
política dos povos americanos. Portanto, não é um elemento comum. 
Gabarito: A 
4. (2020/Enem Digital) 
Depois da Independência, em 1822, o país enfrentaria problemas que com frequência emergiram durante 
a formação dos Estados nacionais da América Latina. Em muitas regiões do Brasil, essas divergências 
foram acompanhadas de revoltas, inclusive contra o imperador D. Pedro I. Com a abdicação deste, em 
1831, o país atravessaria tempos ainda mais turbulentos sob o regime regencial. 
REIS, J. J. Rebelião escrava no Brasil: a história do Levante dos Malês em 1835. São Paulo: Cia. das Letras, 2003 (adaptado). 
A instabilidade política no país, ao longo dos períodos mencionados, foi decorrente da(s) 
a) disputas entre as tendências unitarista e federalista. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 64 
b) tensão entre as forças do Exército e Marinha nacional. 
c) dinâmicas demográficas nas fronteiras amazônica e platina. 
d) extensão do direito de voto aos estrangeiros e ex-escravos. 
e) reivindicações da ex-metrópole nas esferas comercial e diplomática. 
Comentários 
- A alternativa A é a resposta. Uma das principais questões propulsoras de conflito durante o período 
regencial foi a administração do território, pois enquanto certos grupos políticos colocaram-se favoráveis 
à centralização (ou unitarismo), outros defenderam a concessão de autonomia administrativa às 
províncias (federalismo). Diversas revoltas do período colocaram-se favoráveis ao federalismo, como a 
Cabanagem, a Revolta dos Malês e a Balaiada. 
- A alternativa B está incorreta, não são verificados conflitos significativos no interior das Forças Armadas 
no período. Impasses entre a Marinha e o Exército se deram principalmente durante a República da 
Espada, ou seja, durante os dois primeiros governos do período republicano. 
- A alternativa C está incorreta. Conflitos envolvendo as fronteiras amazônica e platina se deram de 
maneira mais intensa durante o período joanino, quando o príncipe-regente, D. João, ordenou a invasão 
de Caiena (Guiana Francesa), na região amazônica, e a anexação da Cisplatina (atual Uruguai), na região 
do Prata. 
- A alternativa D está incorreta, não se verifica a rediscussão dos critérios de participação política durante 
o período regencial. 
- A alternativa E está incorreta, os conflitos que eclodiram durante o período regencial podem ser 
caracterizados como guerras civis, sem envolver Portugal ou outros países. 
Gabarito: A 
5. (2020/Enem) 
O movimento sedicioso ocorrido na capitania de Pernambuco, no ano 1817, foi analisado de formas 
diferentes por dois meios de comunicação daquela época. O Correio Braziliense apontou para o fato de 
ser “a comoção no Brasil motivada por um descontentamento geral, e não por maquinações de alguns 
indivíduos”. Já a Gazeta do Rio de Janeiro considerou o movimento como um “pontual desvio de norma, 
apenas uma 'mancha' nas 'páginas da História Portuguesa", tão distinta pelos testemunhos de amor e 
respeito que os vassalos desta nação consagram ao seu soberano”. 
JANCSÓ, I; PIMENTA, J. P. Peças de um mosaico. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-
2000). São Paulo: Senac, 2000 (adaptado). 
Os fragmentos das matérias jornalísticas sobre o acontecimento, embora com percepções diversas, 
relacionam-se a um aspecto do processo de independência da colônia luso-americana expresso em 
dissensões entre 
a) quadros dirigentes em torno da abolição da ordem escravocrata. 
b) grupos regionais acerca da configuração político-territorial. 
c) intelectuais laicos acerca da revogação do domínio eclesiástico. 
d) homens livres em torno da extensão do direito de voto. 
e) elites locais acerca da ordenação do monopólio fundiário. 
Comentários 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 65 
- A alternativa A está incorreta, afinal o texto destaca que o jornal Correio Braziliense considerou a 
Revolução Pernambucana como um processo que manifestou a insatisfação geral dos habitantes 
província. Logo, não se trata de um movimento que apenas representou interesses das elites locais. 
- A alternativa B é a resposta, afinal a Revolução Pernambucana apresentou caráter separatista, ou seja, 
foi marcada pela tentativa de se separar do Império Português e instituir um governo republicano. Assim 
sendo, pode-se dizer que o movimento propôs uma nova configuração política e territorial. 
- A alternativa C está incorreta, afinal a Revolução Pernambucana contou com a participação de diversos 
clérigos, chegando a ficar conhecida como Revolução dos Padres. 
- A alternativa D está incorreta, afinal trata-se de um movimento que propõe a ruptura política da região 
de Pernambuco com o restante do Império Português. Ademais, não se garantiu o direito ao voto aos 
súditos situados no espaço colonial e em um sistema absolutista. 
- A alternativa E está incorreta, afinal a Revolução foi marcada pela insatisfação diante da situação 
socioeconômica da região e a elevada carga tributária imposta pelo governo joanino. 
Gabarito: B 
6. (2020/UFRGS) 
Estes líderes, geralmente de origem militar, oriundos, em sua grande maioria, da desmobilização dos 
exércitos que combateram nas guerras de independência, de 1810 em diante, provinham, em certos 
casos, de estratos sociais inferiores ou de grupos étnicos discriminados (mestiços, índios, mulatos, 
negros). […]. Valiam-se do seu magnetismo pessoal na condução das tropas, que haviam recrutado 
geralmente nas áreas rurais e mantinham como reses requisitadas em ações guerreiras, seja contra o 
ainda mal consolidado poder central, seja contra os seus iguais [...]". 
BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, GianFranco. Dicionário de Política. 13. ed. Brasília: Editora Universidade 
de Brasília, 2007. 
O segmento faz referência a uma categoria que designa os líderes políticos e os chefes militares que, após 
os movimentos de emancipação da América espanhola, tornaram-se governantes personalistas de suas 
nações ou regiões. Assinale a alternativa correta que apresenta essa categoria. 
a) Chapetones 
b) Inconfidentes 
c) Criollos 
d) Alcaldes 
e) Caudilhos 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, porque os chapetones eram o grupo sociopolítico dominante no período 
anterior às independências. Eram privilegiados por terem nascido em território espanhol, portanto não 
eram compostos por “grupos étnicos discriminados”, como sugere o texto da questão. 
- A alternativa B está incorreta, haja visto que os inconfidentes se relacionam com a Inconfidência Mineira, 
fato ocorrido no Brasil e totalmente alheio ao processode independência da América espanhola. 
- A alternativa C está incorreta. Os criollos eram as elites agrárias que promoveram o processo 
emancipatório nas colônias hispânicas. No entanto, essas figuras não exerceram diretamente o poder 
após a consolidação dos estados independentes. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 66 
- A alternativa D está incorreta, porque os alcaldes não se relacionavam com o processo de independência 
da América hispânica. Esse termo se refere à autoridade máxima em escala municipal, sendo um cargo 
existente desde o período colonial. 
- A alternativa E está correta. Os caudilhos eram grandes líderes políticos e militares que exerciam seu 
poder através do carisma e do estabelecimento de relações com as elites agrárias. Essas lideranças 
utilizavam amplamente a violência para exercer sua influência, fazendo com que esses governos 
possuíssem um caráter altamente autoritário. O caudilhismo foi o sistema de governo predominante na 
América hispânica pós-independência. 
Gabarito: E 
7. (2019/Enem-PPL) 
A população africana residente nesta província, bem como a de todo o Império, compõe-se de indivíduos 
de diferentes lugares da África que variam em costumes e religiões; a que aqui segue o maometismo, à 
qual pertencemos, é uma população pequena, porém, distinta entre si, e notando a necessidade de 
sustentarmos nosso culto e fundados ainda no artigo 5º da Constituição do Império, requeremos ao sr. 
chefe de polícia licença para exercermos o culto. 
REIS, J. J.; GOMES, F. S.; CARVALHO, M. J. M. O Alufá Rufino: tráfico, escravidão e liberdade no Atlântico negro (1822-1853). 
São Paulo: Cia. das Letras, 2010 (adaptado). 
O pedido de um grupo de africanos de Recife ao chefe de polícia local tinha como objetivo, naquele 
contexto, 
a) criticar a doutrina oficial. 
b) professar uma fé alternativa. 
c) assegurar a cidadania política. 
d) legalizar os terreiros de candomblé. 
e) eliminar algumas tradições culturais. 
Comentários 
Conforme vimos em nossa aula, no século XIX chegaram à Bahia muitos hauçás, povo oriundo de uma 
região islamizada do continente africano, bem como alguns iorubás de Oió. Dessa maneira, a cidade de 
Salvador passou a contar com um contingente significativo de escravizados muçulmanos, conhecidos 
como malês. O próprio texto sugere isso, ao mencionar que existiam indivíduos que seguiam o 
“maometismo”, ou seja, a religião do profeta Maomé, fundador do Islã. 
Feitas essas considerações, a alternativa B é a resposta. Vejamos às demais opções de resposta: 
- As alternativas A e E estão incorretas, afinal os requerentes não buscam afrontar o catolicismo ou 
qualquer outra orientação religiosa e traço cultural, mas desfrutar da liberdade de culto assegurada pela 
Constituição de 1824. 
- A alternativa C está incorreta, uma vez que os requerentes não tinham a intenção de pleitear direitos 
políticos (votar e ser votado), mas sim a liberdade de culto. 
- A alternativa D está incorreta, pois os indivíduos mencionados pelo texto não são candomblecistas, mas 
muçulmanos. 
Gabarito: B 
8. (2019/Enem) 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 67 
Art. 90. As nomeações dos deputados e senadores para a Assembleia Geral, e dos membros dos Conselhos 
Gerais das províncias, serão feitas por eleições, elegendo a massa dos cidadãos ativos em assembleias 
paroquiais, os eleitores de província, e estes, os representantes da nação e província. 
Art. 92. São excluídos de votar nas assembleias paroquiais: 
I. Os menores de vinte e cinco anos, nos quais se não compreendem os casados, os oficiais militares, que 
forem maiores de vinte e um anos, os bacharéis formados e os clérigos de ordens sacras. 
II. Os filhos de famílias, que estiverem na companhia de seus pais, salvo se servirem a ofícios públicos. 
III. Os criados de servir, em cuja classe não entram os guarda-livros, e primeiros caixeiros das casas de 
comércio, os criados da Casa Imperial, que não forem de galão branco, e os administradores das fazendas 
rurais e fábricas. 
IV. Os religiosos e quaisquer que vivam em comunidade claustral. 
V. Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz, indústria, comércio, ou 
emprego. 
BRASIL. Constituição de 1824. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 4 abr. 2015 (adaptado). 
De acordo com os artigos do dispositivo legal apresentado, o sistema eleitoral instituído no início do 
Império é marcado pelo(a) 
a) representação popular e sigilo individual. 
b) voto indireto e perfil censitário. 
c) liberdade pública e abertura política. 
d) ética partidária e supervisão estatal. 
e) caráter liberal e sistema parlamentar. 
Comentários 
Essa é uma questão que demandava conhecimentos prévios sobre a Constituição de 1824. 
Outorgada pelo imperador, ela adotou um sistema eleitoral composto por dois graus, ou seja, o voto era 
indireto. O voto era censitário, devendo o eleitor dispor de renda anual mínima de 100 mil réis. Feitas 
essas considerações, a alternativa B é a resposta. 
- A alternativa A está incorreta, afinal as camadas populares eram marginalizadas do processo eleitoral e 
o voto não era secreto. 
- A alternativa C está incorreta, pois o acesso à participação política era restrito e pelo voto não ser 
secreto, os eleitores estavam sujeitos a sofrerem coerções. 
- A alternativa D está incorreta, afinal não havia partidos políticos formalmente organizados no período. 
- A alternativa E está incorreta, pois o sistema parlamentarista só foi implementado no Brasil durante o 
Segundo Reinado. 
Gabarito: B 
9. (2019/Enem) 
Entre os combatentes estava a mais famosa heroína da Independência. Nascida em Feira de Santana, filha 
de lavradores pobres, Maria Quitéria de Jesus tinha trinta anos quando a Bahia começou a pegar em 
armas contra os portugueses. Apesar da proibição de mulheres nos batalhões de voluntários, decidiu se 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 68 
alistar às escondidas. Cortou os cabelos, amarrou os seios, vestiu-se de homem e incorporou-se às fileiras 
brasileiras com o nome de Soldado Medeiros. 
GOMES, L. 1822. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010. 
No processo de Independência do Brasil, o caso mencionado é emblemático porque evidencia a 
a) rigidez hierárquica da estrutura social. 
b) inserção feminina nos ofícios militares. 
c) adesão pública dos imigrantes portugueses. 
d) flexibilidade administrativa do governo imperial. 
e) receptividade metropolitana aos ideais emancipatórios. 
Comentários 
Essa é uma alternativa sobre a história das mulheres, assunto recorrente nas provas do Enem! 
Vejamos as alternativas: 
- As alternativas E e C estão incorretas, pois Maria Quitéria foi combatente na chamada Batalha do Pirajá, 
conflito travado entre brasileiros que defendiam a independência e portugueses dispostos a resistirem à 
emancipação. 
- As alternativas D e B estão incorretas, uma vez que Maria Quitéria teve que se disfarçar para ser aceita 
como voluntária nos batalhões favoráveis à emancipação. Isso mostra, portanto, que mulheres não eram 
aceitas em atribuições militares e o governo tampouco estava disposto a fazê-lo. 
- A alternativa A é a resposta. Ao se disfarçar de homem e se identificar como “Soldado Medeiros” para 
poder lutar nas fileiras favoráveis à independência, Maria Quitéria mostra-se um personagem importante 
para compreender o caráter patriarcal da rígida sociedade brasileira, que isolava mulheres e outros grupos 
sociais do debate e das ações públicas. 
Gabarito: A 
10. (2019/UFRGS) 
Leia o trecho abaixo. O propósito de muitos, se não da maioria, dos conflitos políticos da América 
espanhola, no períodoposterior à independência, foi simplesmente determinar quem deveria controlar 
o Estado e seus recursos. Não obstante, surgiram outras importantes questões políticas que variaram de 
país para país em caráter e importância. Entre 1810 e 1845, a discussão sobre estrutura centralista e 
federalista do Estado foi fonte de violento conflito no México, na América Central e na região do Prata. 
SAFFORD, Frank. Política, ideologia e sociedade na América espanhola dos pós independência. In: BETHELL, Leslie. História da 
América Latina, vol. III: da Independência até 1870. São Paulo: Edusp, 2001. p. 369. 
O segmento faz menção aos conflitos que se seguiram às independências na América Espanhola. Assinale 
a alternativa que indica algumas das consequências desses confrontos. 
a) O conflito entre federalistas e centralistas resultou em governos constitucionalmente frágeis e 
politicamente instáveis em quase toda a região, durante parte do século XIX. 
b) A recolonização da região pela Espanha, dada a fragilidade institucional das novas repúblicas 
independentes. 
c) O surgimento de governos democráticos e com ampla participação popular, ainda no século XIX, como 
uma das formas de resolução desses conflitos políticos. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 69 
d) A estruturação de monarquias centralizadas por toda a região, após o fracasso político das repúblicas 
independentes. 
e) A vitória dos movimentos federalistas e a derrota definitiva dos projetos centralistas e autoritários que 
se opunham a eles 
Comentários 
- A alternativa A está correta. À época das independências existiam basicamente duas correntes: o 
centralismo e o federalismo. Este era altamente influenciado pelos Estados Unidos da América, sendo 
pautado pela descentralização do poder em vários entes (estados). Já o centralismo é definido pelo 
oposto, trazendo alta centralização no poder central, responsável por tomar as decisões relativas a todo 
território. No processo de independência das Américas houve grande discussão sobre qual rumo 
administrativo tomar, fazendo com que os governos eleitos não possuíssem apoio integral e se tornassem 
instituições fragilizadas. 
- A alternativa B está incorreta. De fato, as instituições eram extremamente frágeis no período pós-
independência. No entanto, não houve um processo de recolonização da Espanha na América. 
- A alternativa C está incorreta, porque a forma de governo mais popular nesse período foi o caudilhismo, 
que era altamente antidemocrático e excludente em relação à população comum. 
- A alternativa D está incorreta, porque apesar dos diversos fracassos políticos na América hispânica, não 
houve a ascensão e estruturação de monarquias centralizadas nesta região. Os países se mantiveram, 
majoritariamente, leais ao republicanismo. 
- A alternativa E está incorreta, porque não houve a vitória dos movimentos federalistas. Na verdade, 
havia um intenso embate entre estes e os centralistas, que acabaram se consolidando através do 
autoritarismo caudilhista. 
Gabarito: A 
11. (CEFET – 2019) 
Nos primeiros anos após a Independência do Brasil, formou-se um governo dissidente em 2 de julho de 
1824. Apoiado pelas classes populares urbanas, por negociantes do Recife e proprietários rurais ligados à 
cultura do algodão, o movimento buscou reunir Pernambuco às províncias do Ceará, Paraíba, Rio Grande 
do Norte e estender sua ação até o Piauí e Ceará com um governo federativo e republicano. 
MUGGIATI, Roberto (coord.). A construção do Brasil. Revista Nossa História, vol. Único, São Paulo, 2006. p. 49. 
A consolidação do Império Brasileiro pós-independência foi marcada, desde o início, por conflitos em 
torno de um modelo de Estado centralizado, resultando na eclosão de movimentos de resistência. A qual 
movimento dessa natureza esse texto faz menção? 
a) Balaiada 
b) Sabinada 
c) Revolta dos Malês 
d) Confederação do Equador 
Comentários 
Questão que demanda conhecimentos sobre o período regencial. Vejamos: 
A alternativa A é incorreta, a Balaiada foi uma revolta popular que ocorreu na província do Maranhão. 
A alternativa B é incorreta, a Sabina foi movimento separatista que ocorreu na província da Bahia. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 70 
A alternativa C é incorreta, a Revolta dos Malês foi um movimento organizado por escravizados de origem 
islâmica contra a escravidão e ocorreu na cidade de Salvador. 
A alternativa D é correta, a Confederação do Equador foi um movimento republicano e separatista 
ocorrido durante o período regencial, foi iniciado em Pernambuco e logo se espalhou para as províncias 
vizinhas, como Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. 
Gabarito: D 
12. (UFU/2019) 
“[...] foi o mais notável movimento popular do Brasil. O único em que as camadas mais inferiores da 
população conseguiram ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade. [...] primeira 
insurreição popular que passou da simples agitação para uma tomada efetiva de poder.” 
PRADO JÚNIOR, Caio. Evolução Política do Brasil e outros estudos. São Paulo: Brasiliense, 1975. p. 69. (Adaptado) 
A citação acima diz respeito à Cabanagem, uma das principais revoltas ocorridas no chamado Período 
Regencial Brasileiro. Acerca desse movimento, é correto afirmar que 
A) ocorreu na cidade de Salvador, em 1835, com significativa participação de africanos escravizados de 
origem muçulmana. O levante durou menos de 24 horas e foi duramente reprimido. Os revoltosos 
sobreviventes foram mortos, presos ou degradados. 
B) ocorreu no Maranhão entre os anos de 1838 e 1841 e foi liderado por homens pobres (com apoio 
de escravos, de vaqueiros e mesmo de alguns fazendeiros) que enfrentaram grandes proprietários de 
terra, comerciantes e autoridades políticas. 
C) ocorreu na província da Bahia entre os anos de 1837 e 1838. Seu objetivo era, dentre outros, a 
criação de uma república de caráter transitório até que Dom Pedro II alcançasse a maioridade. 
D) ocorreu na província do Grão-Pará, entre 1835 e 1840, em decorrência da exploração sofrida pelos 
trabalhadores submetidos a um regime de trabalho de semiescravidão. Esses foram violentamente 
reprimidos e aproximadamente 30 mil pessoas morreram assassinadas por tropas imperiais e em 
incêndios. 
Comentários 
Questão que demanda conhecimentos sobre as revoltas no período regencial. Vejamos: 
 A alternativa A é incorreta, pois a afirmativa se refere a Revolta dos Malês que ocorreu em 1835 
na cidade de Salvador e conjugava escravizados de origem muçulmana. 
 A alternativa B é incorreta, entre 1838 e 1841 ocorreu, no Maranhão, a Balaiada. 
 A alternativa C é incorreta, durante o período regencial a província da Bahia sofreu com duas 
revoltas: a Revolta dos Malês, 1835; e a Sabinada, 1831-1833. 
 A alternativa D é correta, a Cabanagem foi uma revolta de caráter popular formada pelos cabanos. 
Isto é, indígenas, pobres livres e negros. Era uma revolta separatista, tinha como objetivo a separação da 
província do Grão-Pará do Império. Os cabanos lutavam por melhores condições de vida e trabalho, e 
contra o descaso do Império para com a província. A revolta foi duramente reprimida, estima-se que entre 
30 a 40% da população da província foi morta. 
Gabarito: D 
13. (CEFET – 2018) 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 71 
A classe dominante brasileira era, em sua maioria, conservadora (...). Desejava manter as estruturas 
econômicas e sociais coloniais baseadas no sistema agrícola, na escravidão e na exportação de produtos 
agrícolas tropicais para o mercado europeu. Contudo, havia nas cidades (...) alguns liberais que esperavam 
mudanças mais profundasna política e na sociedade: soberania popular, democracia e mesmo uma 
república. 
(BETHELL, Leslie. A independência do Brasil. In: História da América Latina. São Paulo: EDUSP, 2009. V. 3, p. 213.) 
A aceitação de D. Pedro pela elite senhorial, como líder do processo de independência do Brasil, eclodido 
em 1822, visava a 
a) manter nosso país sob a tutela da metrópole lusitana. 
b) evitar transformações mais bruscas na ordem social e política. 
c) defender a República como sistema de governo para o novo país. 
d) impossibilitar a escolha do regime monárquico após a emancipação. 
Comentários 
Questão que demanda conhecimentos sobre a Independência do Brasil. Vejamos: 
A alternativa A é incorreta, a independência de 1922 mesmo que liderada pela elite conservadora, rompia 
com a relação entre metrópole e colônia. 
A alternativa B é correta, como expresso no trecho, a independência foi realizada pela classe dominante 
que desejava manter as estruturas econômicas e sociais coloniais. 
A alternativa C é incorreta, a elite senhorial defendia a monarquia constitucional como forma de governo. 
A alternativa D é incorreta, o regime monárquico liderado por D. Pedro I foi o escolhido como forma de 
governo após a emancipação. 
Gabarito: B 
14. (Mackenzie/2018) 
“Em agosto de 1791, passados dois anos da Revolução Francesa e dos seus reflexos em São Domingos, os 
escravos se revoltaram. Em uma luta que se estendeu por doze anos, eles derrotaram, por sua vez, os 
brancos locais e os soldados da monarquia francesa. Debelaram também uma invasão espanhola, uma 
expedição britânica com algo em torno de sessenta mil homens e uma expedição francesa de semelhantes 
dimensões comandada pelo cunhado de Bonaparte. A derrota da expedição de Bonaparte, em 1803, 
resultou no estabelecimento do Estado negro do Haiti, que permanece até os dias de hoje”. 
C. L. R. James. Os jacobinos negros: Toussaint L’Ouverture e a revolução de São Domingos. São Paulo: Bomtempo, 2000, p.15 
Acerca da independência do Haiti e de seus reflexos em outras regiões da América, assinale a alternativa 
correta. 
a) O movimento foi realizado sob a égide dos ideais liberais e nacionalistas, defendidos, por sua vez, pelo 
Iluminismo francês. Seu sucesso foi determinante para a realização de importantes transformações 
estruturais nas sociedades das novas nações latino-americanas. 
b) Trata-se de uma articulação escrava que, sob influência direta dos interesses geopolíticos 
estadunidenses e dos ideais iluministas, colocou em xeque o controle francês sobre a ilha. Seu sucesso 
incentivou o surgimento do movimento zapatista, em 1994. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 72 
c) Resultado de insatisfações sociais e políticas da população escrava, demonstrou a força popular no 
contexto do surgimento dos Estados nacionais na América Latina. Seu sucesso influenciou Simon Bolívar 
e San Martín a iniciarem as lutas pelas independências na América do Sul. 
d) Apesar de seu sucesso, o movimento resultou na ascensão de governantes corruptos que, longe de 
resolverem as desigualdades sociais, contribuíram para a consolidação de grupos oligárquicos no poder. 
Esses aspectos determinaram o surgimento do caudilhismo no contexto da América Latina independente. 
e) Foi a única revolta escrava bem-sucedida da História americana e as dificuldades que tiveram que 
superar coloca em evidência a magnitude dos interesses envolvidos. No Brasil, sua influência pôde ser 
sentida na articulação que levaria à Revolta dos Malês, em 1835. 
Comentários 
Questão que demanda conhecimentos sobre a história da América Latina. Vejamos: 
A alternativa A é incorreta, a Revolução de escravizados no Haiti não provocou mudanças estruturais 
nas sociedades da América do Sul, que permaneceram escravistas. No Brasil, a revolta provocou uma 
“onda de medo” na classe senhorial, que promoveram novas formas de sujeição aos escravizados. No 
Brasil, a escravidão só foi abolida em 1888. 
A alternativa B é incorreta, o movimento zapatista de 1994 surge da atuação de Emilio Zapata durante 
a Revolução Mexicana de 1910. 
A alternativa C é incorreta, Simon Bolívar e Sant Martín eram criollos educados na Europa, não 
sofreram influência da Revolução do Haiti. 
A alternativa D é correta, a Revolução do Haiti ficou circunscrita ao país, que padeceu de um certo 
isolacionismo, fato que promoveu a ascensão de governos autoritários e proporcionou um aumento 
das desigualdades sociais. Na América do Sul, ascenderam ao poder uma classe latifundiária, 
conhecidos como caudillos, como Rosas na Argentina. No Brasil, tivemos a formação de um Império 
escravista e latifundiário. 
A alternativa E é incorreta, a Revolta dos Malês, 1835, foi um levante de escravizados de tendência 
mulçumana ocorrido na província da Bahia, não tinha ligação com a Revolução do Haiti. 
Gabarito: D 
15. (2018/UFRGS) 
Sobre a sociedade brasileira no século XIX e a construção do Estado imperial, considere as seguintes 
afirmações. 
I - O liberalismo, marcado pela defesa da propriedade privada e livre comércio, foi uma das correntes de 
pensamento adotadas pelas elites escravocratas brasileiras. 
II - A unidade nacional, a integridade territorial e a escravidão estão entre os principais pilares da 
monarquia. 
III- A nobreza imperial, definida como uma classe social distinta, era um segmento restrito reservado 
àqueles que possuíam vínculos de consanguinidade com a aristocracia europeia. Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas I e II. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 73 
e) I, II e III. 
Comentários 
- A afirmativa I está correta. A Constituição de 1824 se mostrou bastante influenciada pelas ideias liberais 
ao reconhecer direitos civis, tais como a liberdade de culto, liberdade de imprensa e defesa da 
propriedade privada. Ao mesmo tempo, a escravidão não foi sequer mencionada pelo documento. 
- A afirmativa II está correta, afinal todo o processo de construção do Estado brasileiro foi marcado pelo 
temor de que o território se fragmentasse e originasse várias repúblicas, tal como na América Espanhola. 
- A afirmativa III está incorreta. A nobreza da terra, conforme vimos no período joanino, era formada por 
nobres agraciados com títulos pelo poder real, e não possuíam caráter hereditário. 
Estando corretas as afirmativas I e II, a alternativa D é a correta. 
Gabarito: D 
16. (2018/UFPR) 
Leia o texto a seguir: 
É uma ideia grandiosa pretender formar de todo o mundo novo uma só nação com um só vínculo, que 
ligue suas partes entre si e com o todo. Já que tem uma mesma origem, uma mesma língua, mesmos 
costumes e uma religião, deveria, por conseguinte, ter um só governo que confederasse os diferentes 
Estados que haverão de formar-se […]. 
(Fonte: <http://www.iela.ufsc.br/noticia/sim%C3%B3n-bol%C3%ADvar-e-carta-da-jamaica>. Acesso em: 06 agosto 2017.) 
Considerando o extrato da “Carta de Jamaica”, de Simón Bolívar, e com base nos conhecimentos sobre as 
independências na América espanhola, assinale a alternativa correta. 
a) Os movimentos de independência na América espanhola foram impulsionados pela tentativa de 
invasão napoleônica no Haiti recém-libertado. A Carta de Jamaica foi o documento que fundamentou 
esses movimentos. 
b) Os movimentos de independência foram liderados por mestiços e escravos que ansiavam conseguir a 
liberdade expulsando os espanhóis. Aproveitando a ausência do rei Fernando VII, encarcerado por 
Napoleão, Bolívar escreveu a carta na Jamaica, chamando todas as colônias a se unirem para formar uma 
grande federação contra a coroa espanhola. 
c) Simón Bolívar foi o grande artífice das independências da América espanhola. Seu carisma e poder de 
mando permitiramunir todos os movimentos em uma grande frente libertadora, que começou na 
Argentina em 1816 e chegou até a Colômbia em 1821. 
d) O projeto de Simón Bolívar era tornar as colônias governadas pela Espanha em uma grande 
confederação de estados nos moldes das colônias americanas do Norte, porém as diferenças entre alguns 
líderes no interior do movimento anticolonial não viam com bons olhos esse projeto. 
e) A Carta de Jamaica foi a primeira declaração de independência das colônias espanholas. Escrita no 
formato da declaração de independência haitiana, declarava o fim da escravidão nas colônias e a expulsão 
dos peninsulares das terras americanas. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. As independências da América Espanhola não tomaram o Haiti como 
modelo de experiência política, mas sim os Estados Unidos. Além disso, o projeto de Bolívar não 
fundamentou esse processo, pois foram formados diversos novos estados nos antigos domínios dos 
espanhóis. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 74 
- A alternativa B está incorreta, pois os movimentos de independência foram protagonizados pelas elites 
criollas da América Espanhola. 
- A alternativa C está incorreta, pois diferente do que projetara Bolívar, os processos de independência da 
América Espanhola deram origem a diversos novos países, resultado dos interesses políticos das elites 
locais. 
- A alternativa D é a resposta. Bolívar se inspirou no modelo de confederação norte-americano para 
formar um grande Estado no território que correspondia a América Espanhola, mas seu projeto não foi 
encampado pelas elites criollas locais. Dessa maneira, o processo de independência da região foi marcado 
pela fragmentação da antiga colônia. 
- A alternativa E está incorreta, afinal a Revolução Haitiana não serviu de modelo para os movimentos de 
independência na América Espanhola. 
Gabarito: D 
17. (UFGD/2018) 
De acordo com o historiador Paulo Pereira de Castro, o período regencial brasileiro (1831-1840) teria sido 
uma “experiência republicana”. Sobre esse contexto, assinale a alternativa correta. 
 a) Foi um momento marcado por uma relativa estabilidade econômica, na qual a população detinha uma 
maior participação política, de acordo com o Ato Adicional de 1834. 
 b) Um período em que, embora conturbado politicamente, foram aprovadas algumas medidas de caráter 
liberal, devido à pressão exercida pela Inglaterra, tais como a reformulação do Código de Processo 
Criminal, que proibia o tráfico de africanos escravizados. 
 c) Expressa um momento em que o país adotou o sistema republicano de governo, liderado apenas por 
brasileiros. Tal fato provocou protestos por parte dos monarquistas em quase todas as províncias, nas 
chamadas rebeliões do período regencial. 
 d) Período de relativa descentralização política, conferindo certa autonomia às províncias, fato 
evidenciado pela reformulação do Código de Processo Criminal e a instituição do Ato Adicional de 1834. 
e) Período em que eclodiram diversos levantes nas províncias, protestando contra medidas que visavam 
ao fortalecimento do poder central, tais como a reformulação do Código de Processo Criminal e a 
instituição do Ato Adicional. 
Comentários 
Questão que demanda conhecimentos sobre o período regencial. Vejamos: 
A alternativa A é incorreta, foi um período de instabilidade política e econômica em que as províncias do 
Império promoviam revoltas de caráter separatista. 
A alternativa B é incorreta, a Lei instituída no período regencial devido a pressões dos ingleses para a 
proibição do tráfico de africanos foi a Lei Feijó (1831). 
A alternativa C é incorreta, durante o período regencial o sistema político era monárquico. 
A alternativa D é correta, o período regencial foi caracterizado pela descentralização política, o ato 
institucional de 1834 estipulava maior autonomia administrativa às províncias do Império com a criação 
das Assembleias legislativas Provinciais, bem como a suspensão temporária do Poder Moderador. 
A alternativa E é incorreta, a reformulação do Código de Processo Criminal e o Ato Adicional eram medidas 
de descentralização política adotadas no período regencial. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 75 
Gabarito: D 
18. (2017/FGV) 
Sobre a regência do paulista Diogo Antônio Feijó, entre 1835 e 1837, é correto afirmar que 
a) o regente conseguiu vencer a eleição devido ao apoio recebido dos produtores de algodão do Nordeste, 
classe emergente nos anos 1830, o que possibilitou o combate às rebeliões regenciais e o início do 
processo de centralização político-administrativa. 
b) o apoio inicial que Feijó recebeu de todas as forças políticas do Império foi, progressivamente, sendo 
corroído porque o regente eleito mostrou simpatia pelo projeto político da Balaiada, que defendia uma 
Monarquia baseada no voto universal. 
c) a opção de Feijó em negociar com os farroupilhas e com a liderança popular da Cabanagem provocou 
forte reação dos grupos mais conservadores, especialmente do Partido Conservador, que organizaram a 
queda de Feijó por meio de um golpe de Estado. 
d) o isolamento político do regente Feijó, que provocou a sua renúncia do mandato, relacionou-se com a 
sua incapacidade de conter as rebeliões que se espalhavam por várias províncias do Império e com a 
vitória eleitoral do grupo regressista. 
e) as condições econômicas brasileiras foram se deteriorando durante a década de 1830 e provocaram 
um forte desgaste da regência de Feijó, que renunciou ao cargo depois de um acordo para uma reforma 
constitucional. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, afinal a eleição do padre Feijó foi propiciada por um acordo entre liberais 
moderados e exaltados. 
- A alternativa B está incorreta, pois o regente uno não apoiou nenhuma revolta durante sua gestão. Cabe 
destacar que sua incapacidade para conter as rebeliões do período contribuíram para o seu desgaste 
político. 
- A alternativa C está incorreta. A negociação com os farroupilhas para que cessassem armas foi 
incentivada por D. Pedro II, no início do Segundo Reinado. 
- A alternativa D é a resposta. Diante da inabilidade do regente Feijó para conter as rebeliões 
protagonizadas por populares, tropas e escravos em diversos cantos do país, sua imagem política se 
deteriorou rapidamente durante sua gestão, o que o levou à abdicar do cargo. 
- A alternativa E está incorreta, pois a reforma feita no Ato Adicional, chamada de Lei de Interpretação, 
foi realizada em 1840 sem o aval de Feijó. 
Gabarito: D 
 
10.3. Inéditas 
1. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Todos os itens mencionados abaixo foram consequências do Ato Adicional de 1834, exceto: 
A) o surgimento de dois grupos políticos, os regressistas e o progressistas. 
B) o fim da vitaliciedade do Senado, o que gerou impasses com os restauradores. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 76 
C) certa autonomia para as províncias, a partir da criação das Assembleias Provinciais. 
D) eleição de Feijó como regente uno, após o abandono do modelo trino de regência. 
E) extinção do Conselho de Estado, órgão consultivo do poder moderador. 
Comentários 
- A alternativa A está correta. A partir da criação do Ato Adicional, em 1834, as forças políticas se dividiram 
em duas: os progressistas, favoráveis a ele, e os regressistas, contrários à reforma constitucional. 
- A alternativa B está incorreta e é a resposta. O Ato Adicional foi fruto da negociação entre liberais 
moderados, exaltados e restauradores, sendo a vitaliciedade do senado mantida para agradar o último 
grupo. 
- A alternativa C está correta. O Ato Adicional descentralizou a administraçãodo Império por meio da 
criação das Assembleias Provinciais, órgãos locais que mantinham certas atribuições legislativas. 
- A alternativa D está correta. A partir do Ato Adicional de 1834, o Brasil passou a adotar o modelo uno de 
regência, sendo o padre Feijó o primeiro regente uno eleito. 
- A alternativa E está correta. Com a suspensão do poder moderador no Brasil, o Conselho de Estado, 
órgão consultivo do imperador, foi suprimido. 
Gabarito: B 
2. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
QUADRINHA I 
Queremos Pedro Segundo 
Embora não tenha idade 
A nação dispensa a lei 
e viva a Maioridade. 
QUADRINHA II 
Por subir Pedrinho ao trono, 
Não fique o povo contente; 
Não pode ser coisa boa 
Servindo com a mesma gente. 
(VAINFAS, 2008, p. 312). 
Nos versos acima, cantados nas ruas do Rio de Janeiro no ano de 1840, destaca-se 
A) a defesa do cumprimento da Constituição de 1824, que estabelecia a ascensão de D. Pedro de Alcântara 
no trono brasileiro quando completasse 18 anos. 
B) a defesa da realização de uma reforma no Ato Adicional de 1834, com o intuito de permitir a 
antecipação do processo de coroação de D. Pedro de Alcântara. 
C) a defesa do projeto político regressista, que encampou a centralização da administração do país e o 
aceleramento da chegada do príncipe-regente ao trono. 
D) a defesa da implantação de uma ordem política pautada pelo liberalismo-democrático, a partir da 
ascensão de D. Pedro II, tutelado pelo Partido Liberal. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 77 
E) as visões distintas acerca da antecipação da maioridade de D. Pedro, que oscilavam entre esperança 
por melhorias e a continuidade da crise política. 
Comentários 
 As alternativas A está incorreta, pois como sugerem os próprios versinhos da QUADRINHA I, os 
chamados maioristas defendiam o descumprimento da lei para garantir a antecipação da maioridade 
de D. Pedro de Alcântara, futuro D. Pedro II. 
 A alternativa B está incorreta, afinal a reforma do Ato Adicional de 1834 foi obra dos regressistas, que 
não se envolveram na chamada campanha da maioridade. 
 A alternativa C está incorreta, pois os regressistas não defenderam de imediato a antecipação da 
maioridade de D. Pedro, mas os progressistas. 
 A alternativa D está incorreta, pois nem os regressistas nem os progressistas defenderam a maior 
participação das camadas populares. 
 A alternativa E é a resposta. Enquanto os versos do primeiro poema defendem a chamada campanha 
da maioridade, o segundo coloca em dúvida as possibilidades de mudança diante da continuidade das 
elites políticas no novo governo. 
Gabarito: E 
3. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
A Balaiada, no Maranhão, a Cabanagem, no Grão Pará, e a Sabinada, na Bahia foram alguns dos principais 
conflitos ocorridos no Brasil durante o chamado período regencial, marcado 
A) por uma fase de transição política resultante da abdicação do Imperador D. Pedro I, em um contexto 
caracterizado pelo fortalecimento da atividade industrial por ações do Estado. 
B) por modificações no quadro dos partidos políticos, o que deu margem para a implantação do 
federalismo, e por transformações na grande propriedade e na mão de obra escrava. 
C) pela descentralização do poder moderador, que atribuiu aos governos provinciais a responsabilidade 
de solucionar os impasses da chamada “questão servil”. 
D) pela extinção do poder moderador e a centralização do poder na figura do regente uno, o que impediu 
a formação de novos partidos políticos e transformações na estrutura agrária. 
E) por impasses quanto a administração do Brasil e a formação de novos partidos políticos, o que não 
comprometeu as estruturais sociais e econômicas estabelecidas anteriormente. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, afinal o Brasil não passa por nenhum processo de industrialização no 
período. O primeiro surto industrializante ocorreu durante o Segundo Reinado, ficando conhecido como 
Era Mauá. 
- A alternativa B está incorreta, afinal não foram implementadas mudanças no sistema de trabalho ou 
alterada a concentração fundiária. 
- A alternativa C está incorreta, pois a questão servil só foi devidamente abordada a partir de meados do 
século XIX, pelo próprio governo central. 
- A alternativa D está incorreta, afinal o poder moderador não foi extinto durante o período regencial. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 78 
- A alternativa E é a resposta, afinal o período regencial foi marcado por embates entre projetos 
federalistas e centralistas, além ser um momento de formação de diversos partidos (restauradores, 
jurujubas, chimangos, regressistas e progressistas). 
Gabarito: E 
4. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Em meados da década de 1830, o medo do Haiti no Brasil renasceria devido à Revolta dos Malês, em 1835. 
Em várias partes do Império haveria acusações e repressão, especialmente contra africanos. No Rio de 
Janeiro, chegou-se a investigar alguns “pretos da ilha de São Domingos”. Denúncias exageradas chegaram 
a revelar que um “cafre” haitiano, chamado Moiro, convidava os escravos das vilas de Bananal, Areias 
Barra Mansa e São João Marcos à insurreição. No ano seguinte, foram feitas investigações na freguesia 
da candelária. 
GOMES, Flávio dos Santos. Haitianismo no Brasil. In: SCHWARCZ, Lilia; STARLING, Heloisa M. Dicionário da República: 51 
textos críticos. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 136. 
O “medo do Haiti” a que se refere o texto expressa uma preocupação das elites quanto 
A) a ruptura das estruturas de dominação 
B) aos impactos nos itens de exportação 
C) a obtenção de escravizados africanos 
D) a fragmentação do território nacional 
E) a irrupção de ideais emancipacionistas 
Comentários 
O “haitianismo” é o nome dado ao temor das elites brasileiras de que o Brasil passasse por uma 
experiência semelhante à Revolução do Haiti, quando negros livres e escravizados romperam com a 
dominação da minoria branca e assumiram o governo. Feitas essas considerações, a alternativa A é a 
resposta. 
- A alternativa B está incorreta, afinal temia-se que os escravizados rompessem com o status quo das 
elites e a manutenção da grande propriedade. 
- A alternativa C está incorreta, pois não o levante de escravizados não ameaçava o abastecimento de 
cativos vindos da África, mas a própria continuidade das estruturas de poder. 
- As alternativas D e E estão incorretas, afinal não se temia a formação de novos países, mas sim que o 
Brasil fosse tomado por levantes de cativos. 
Gabarito: A 
5. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Muito mais do que produto de um simples arranjo das elites, a Revolução do 7 de Abril foi resultado não 
só das tramas políticas urdidas no Parlamento, nas sociedades secretas, nos quartéis e nos meios letrados 
da Corte em geral, mas também da forte pressão popular, manifesta nas frequentes manifestações de rua 
de descontentamento e protesto – envolvendo, por vezes, centenas de pessoas [...]. 
BASILE, Marcelo. A Revolução do 7 de Abril de 1831: disputas políticas e lutas de representações. Disponível em: < 
http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364533003_ARQUIVO_Art-ANPUH2013-MarcelloBasile.pdf>. Acesso 
em 31 maio 2020. 
Ao analisar o processo de abdicação do imperador D. Pedro I, o autor considera 
t.me/CursosDesignTelegramhub
http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364533003_ARQUIVO_Art-ANPUH2013-MarcelloBasile.pdf
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 79 
A) o peso exercido pelos partidos políticos. 
B) a crise econômica legada pela guerra. 
C) as barreiras existentes na esferapública. 
D) a entrada de novos atores políticos. 
E) o caráter excludente da arena política. 
Comentários 
Essa é uma questão que permeia sobre a ideia de cidadania e participação popular. Embora a 
independência do Brasil tenha restringido os direitos políticos a uma restrita camada de brasileiros, os 
setores excluídos estiveram presentes tanto nas lutas pela emancipação de Portugal, no processo de 
expulsão de D. Pedro I e nas revoltas regenciais dos anos seguintes. Com isso, pode-se afirmar que a 
exclusão do povo dos processos institucionais não impediu que a participação e a expressão de opiniões 
políticas ocorressem por outros meios. Assim sendo, a alternativa D é a resposta. 
Gabarito: D 
6. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
O poder moderador de nova invenção maquiavélica é a chave mestra da opressão da nação brasileira e o 
garrote mais forte da liberdade dos povos: por ele o Imperador pode dissolver a câmara dos deputados, 
que é a representante do povo, ficando sempre no gozo dos seus direitos o senado, que é a (sic) 
representante dos apaniguados do Imperador [...]. Os conselhos das províncias são uns meros fantasmas 
para iludir os povos; porque devendo levar suas decisões à assembleia geral e ao executivo 
conjuntamente, isto bem nenhum pode produzir às províncias. 
Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141997000100008>. Acesso em: 24 jul. 
2020. 
O trecho acima foi retirado de um discurso de Frei Caneca, uma das principais lideranças da Confederação 
do Equador. Estão entre as causas do movimento 
(A) o fechamento da Constituinte e a imposição da Constituição de 1824. 
(B) a continuidade do sistema escravista pela Carta outorgada em 1824. 
(C) a adoção da monarquia constitucional como forma de governo. 
(D) a liberdade de culto instituída pela Constituição de 1824. 
(E) a supressão da autonomia administrativa desfrutada pelo Nordeste. 
Comentários 
- A alternativa A é a resposta. A outorga da Carta de 1824 foi o estopim para a eclosão da Confederação 
do Equador, movimento que buscou a implantação de uma República federalista na região Nordeste, 
sendo mobilizado por valores liberais. 
- A alternativa B está incorreta. Embora os confederados liderados pelo Frei Caneca e Cipriano Barato 
tenham almejado o fim do tráfico negreiro, a escravidão não foi questionada pelos rebeldes. 
- A alternativa C está incorreta, uma vez que a Confederação do Equador foi um movimento de caráter 
liberal, ou seja, que se opunha à concentração de poderes nas mãos do Imperador, além de ter sido 
protagonizado por brasileiros como Frei Caneca, Cipriano Barata e Manuel de Cavalho Paes de Andrade. 
- A alternativa D está incorreta. Apesar da presença de um religioso entre os revoltosos, a Confederação 
do Equador foi motivada pela crise econômica regional e o autoritarismo político do imperador. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141997000100008
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 80 
- A alternativa E está incorreta, afinal as exportações de açúcar e algodão se encontravam em queda no 
contexto da revolta. 
Gabarito: A 
7. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
No decorrer da Sabinada, foram ficando claras as tensões raciais que marcavam a política provincial desde 
pelo menos o fim do século XVIII, expressa em parte das demandas da Conjuração Baiana, de 1798. Há 
muito tempo eram conhecidas as reclamações de oficiais negros, insatisfeitos com a falta de 
reconhecimento de seus méritos e exigindo tratamento igual ao recebido pelos brancos. 
GRINBERG, Keila. Sabinada (1837). In: SCHWARCZ, Lilia; STARLING, Heloisa (orgs). Dicionário da república: 51 textos críticos. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 371. 
Segundo as informações fornecidas pelo trecho, a Sabinada 
(A) reproduziu todos os objetivos da Revolta dos Alfaiates. 
(B) defendia a implantação de uma República provisória. 
(C) refletiu as tensões raciais da sociedade baiana. 
(D) defendia autonomia para a província da Bahia. 
(E) se indispôs contra o alistamento obrigatório na região. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, afinal a Conjuração Baiana e a Sabinada possuem a igualdade racial como 
um ponto comum, porém também possuem suas especificidades. 
- A alternativa C é a resposta. Liderada pelo médico mestiço Francisco Sabino, o movimento que ficou 
conhecido como Sabinada tinha entre um de seus objetivos o estabelecimento de condições equânimes 
para os homens livres da região, fossem eles brancos ou negros. Assim sendo, refletia uma situação de 
exclusão racial cujas origens remetem ao período colonial e também foram escancaradas pela Conjuração 
Baiana. 
- As demais alternativas estão incorretas. Embora apresentem elementos que contribuíram para a eclosão 
da Sabinada, elas não corroboram com a ideia expressa pelo enunciado. 
Gabarito: C 
8. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
TEXTO I 
 
Desenho encontrado em um livrinho usado como amuleto por um rebelde morto durante o Levante dos Malês de 1835. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 81 
Fonte: REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 
2012. p. 204. 
 
TEXTO II 
Além de uma colagem de textos corânicos, o criador de um amuleto encontrado no pescoço de um dos 
rebeldes mortos no Levante Malê de 1835 fez um desenho do que parece ser um barco. Uma possibilidade 
é que estivesse, ao mesmo tempo, manifestando um desejo de retorno à África. É possível imaginá-lo 
confiando que, tendo Alá conduzido a humanidade com segurança através do Dilúvio, ele levaria de volta 
em segurança, através do oceano, os sobreviventes africanos da escravidão baiana. 
REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. 
Adaptado. 
A respeito da rebelião escrava de 1835, protagonizada por cativos e libertos muçulmanos de Salvador, é 
correto afirmar que 
a) representou o ideário dos escravizados de dar fim ao sistema escravista na região. 
b) utilizou-se dos postulados do Islã para a promoção de reformas sociais e econômicas. 
c) defendia a tomada de embarcações por todos os escravos e o seu retorno para a África. 
d) propõe a superação da cor enquanto marcador social e sustenta ideais democráticos. 
e) tomou a religião como linguagem para a mobilização que pleiteava a liberdade. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, afinal não indícios de que os rebeldes combatiam a escravidão enquanto 
sistema. Cabe destacar que alguns depoimentos apontam a escravização de mulatos e crioulos como uma 
possibilidade para os malês, que os encarava como aliados dos brancos. 
- A alternativa B está incorreta, afinal o movimento possuía caráter radical, sem abrir margem para 
negociações reformistas junto aos grupos dominantes em Salvador. 
- A alternativa C está incorreta. Embora o barco apareça como símbolo no amuleto malê, não se pode 
afirmar que o retorno para o continente africano estivesse entre os propósitos do levante. 
- A alternativa D está incorreta, pois trata-se de uma descrição da Conjuração Baiana, movimento de 
caráter emancipacionista e iluminista ocorrido em Salvador, no ano de 1798. 
- A alternativa E é a resposta. Os malês se utilizaram se levantaram com trajes e amuletos religiosos, 
evidenciando a importância do Islã enquanto elemento norteador do movimento. Também seguiram o 
protocolo militar dos muçulmanos para se libertarem da condição de escravizados, mas sem questionar a 
escravidão enquanto sistema de trabalho. Embora pouco se possa afirmar sobre o que ocorreria se os 
malês tivessem sido exitososem seu levante, depoimentos de rebeldes sugerem a possibilidade de 
escravização de crioulos e mulatos, bem como o extermínio dos brancos da capital baiana. 
Nota do professor: A Revolta dos Malês é um dos assuntos mais importantes do período. Outros movimentos 
de resistência de escravizados e negros livres merecem destaque, como a Conjuração Baiana e o Quilombo de 
Palmares. 
Gabarito: E 
9. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 82 
Embora a ruptura do pacto colonial na América portuguesa e nas possessões espanholas apresente razões 
e desenlaces idênticos, desde o início chamou a atenção o contraste entre a evolução gradual e 
relativamente pacífica, no primeiro caso, e a longa e implacável guerra, no segundo. Muito do que depois 
tomaria a forma do “excepcionalismo brasileiro”. 
COSTA E SILVA, Alberto (coord.). Crise colonial e independência: 1808-1830, volume 1. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. p. 116. 
O “expecionalismo brasileiro” no processo de emancipação política, quando comparado com aquelas 
ocorridos nas possessões espanholas, se verificou 
(A) na manutenção da estrutura fundiária e da escravidão. 
(B) na conservação da monarquia e da unidade territorial. 
(C) na ausência de conflitos entre portugueses e brasileiros. 
(D) na obtenção de estabilidade política pelo federalismo. 
(E) na exclusão da população pelas oligarquias fundiárias. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, afinal a escravidão foi mantida por diversos países independentes 
formados na região da América Espanhola. 
- A alternativa B é a resposta. Diferentemente dos demais Estados consolidados pelas guerras de 
independência na América Espanhola, o processo de emancipação política do Brasil conservou a 
monarquia como forma de governo e o antigo espaço colonial unificado. 
- A alternativa C está incorreta, pois a independência foi marcada por diversos conflitos entre portugueses 
e brasileiros nas regiões Norte, Nordeste e Cisplatina. 
- A alternativa D está incorreta, pois o sistema federativo não foi implementado até o período republicano. 
-A alternativa E está incorreta, pois tanto nos Estados formados no território da América Espanhola 
quanto o Estado brasileiro foram experiências políticas marcadas pela exclusão do povo das decisões 
políticas pelos grandes proprietários. 
Gabarito: B 
Leia o texto abaixo para responder às questões 10 e 11. 
O Império estigmatizou a rua como o lugar da desordem. A ela se opunham o Estado e a Casa, os espaços 
do governo – quais seja, os da ordem pública e privada. Foi vitoriosa a solução “saquarema” que superou 
os espectros vivenciados na Regência, durante a qual a rua era sentida como o espaço da democracia e 
da liberdade. Permaneceu o medo da rua, local de escravos e de vadios, de doenças e de sujeira. 
Na década de 1880, a rua foi ressignificada. Adquiriu um sinal positivo como o espaço do uso público da 
razão – da crítica, nos termos da época – e como o lugar da verdadeira representação popular. A rua 
passou a disputar, e vantajosamente no final da década, com o Parlamento o locus do fazer político. 
MELLO, Maria Tereza Chaves de. A república consentida: cultura democrática e científica do final do Império. Rio de Janeiro: 
Editora FGV: Editora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Edur), 2007. Adaptado. 
 
10. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Para o projeto político saquarema, o período regencial representou 
(A) a superação da influência exercida por lideranças portuguesas no cenário político nacional. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 83 
(B) um momento decisivo para a implantação de profundas reformas no espaço público. 
(C) a supressão do poder moderador em favor da supremacia do poder Legislativo. 
(D) um momento de turbulências que ameaçaram a ordem senhorial e unidade territorial. 
(E) o ocaso do poderio dos liberais nas províncias e a o triunfo do projeto federalista. 
Comentários 
Os “espectros” mencionados pelo texto e atribuídos ao período regencial são os diversos movimentos 
empreendidos por grupos sociais diversos em diferentes pontos do Império, que ameaçaram o poderio 
dos grandes proprietários e a continuidade da unidade do território. Dito isso, a alternativa D é a resposta. 
- A alternativa A está incorreta, pois o Partido Conservador foi constituído por antigos caramurus. 
- A alternativa B está incorreta, pois não foram empreendidas reformas drásticas no país durante o 
período provincial, senão a implementação do Ato Adicional de 1834. 
- A alternativa C está incorreta, afinal o poder moderador manteve sua supremacia durante todo o século 
XIX. 
- A alternativa E está incorreta, pois o federalismo não foi implementado no período, senão uma relativa 
autonomia provincial pelo Ato Adicional de 1834. 
Gabarito: D 
11. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
O processo de ressignificação do espaço público, vivenciado na década de 1880, foi motivado 
(A) pelo fim do sistema escravista e a promoção de reformas democráticas pelo Legislativo. 
(B) pela garantia de autonomia às províncias e a ampliação do sistema de transportes. 
(C) pela ampliação dos canais de comunicação aos militares e a criação do Partido Republicano. 
(D) pelo crescimento do movimento abolicionista e pela articulação de grupos republicanos. 
(E) pela extinção do voto censitário e pelo aprimoramento dos sistemas de comunicação. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, afinal o sistema escravista só foi oficialmente extinto no final do século 
XIX, ao passo que nenhuma medida democrática foi implementada no período. 
- A alternativa B está incorreta, afinal a estrutura administrativa do Império se manteve centralizada na 
capital, o Rio de Janeiro. 
- A alternativa C está incorreta, pois a participação política dos militares na esfera pública foi vetada pelas 
elites civis. 
- A alternativa D é a resposta. A atuação dos movimentos abolicionista e republicano foram fundamentais 
para a ressignificação do espaço público, afinal eles se utilizavam de jornais, reuniões públicas, comícios, 
panfletos e outras estratégias para promoverem apoio às suas causas. 
- A alternativa E está incorreta, afinal o voto censitário foi de fato extinto pela Lei Saraiva, porém a 
restrição dos direitos políticos aos analfabetos dificultou a inclusão da população nas decisões dos 
espaços institucionais. 
Gabarito: D 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 84 
12. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Foi num dia 25 de janeiro como hoje que centenas de negros escravizados saíram pelas ruas de Salvador 
promovendo um dos maiores levantes da história do Brasil escravocrata. 186 anos depois daquele dia de 
1835, a Revolta dos Malês segue pouca estudada nas escolas, mas em um momento em que os olhos do 
mundo se voltam para a luta antirracista, ela se mostra mais lembrada do que nunca. Nos últimos anos, 
o levante soteropolitano ganhou livros, HQs (História em Quadrinhos), minissérie, filme, podcasts e se 
tornou tema de debates políticos por homenagens. 
CARVALHO, Eric Luis. Resistência: revolta dos malês completa 186 anos mais lembrada do que nunca. Correio, Salvador-BA, 25 
jan. 2021. Disponível em: <https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/resistencia-revolta-dos-males-completa-186-anos-mais-lembrada-do-que-nunca/>. Acesso em: 26 jan. 2021. 
A respeito do Levante dos Malês, é correto afirmar que: 
a) a rebelião foi conduzida por escravos muçulmanos que lutavam pelo fim do sistema escravista e pela 
criação de um califado na região de Salvador. 
b) o episódio manifestou a intolerância religiosa predominante no espaço colonial, o que levou os cativos 
a pleitearam a livre manifestação de suas crenças. 
c) a revolta contou com o protagonismo de escravizados e negros livres, que defendiam a implantação de 
um regime teocrático e a separação da metrópole portuguesa. 
d) trata-se de um movimento que expressou a resistência de escravos africanos, que defendiam a criação 
de uma república em caráter provisório e maior autonomia provincial. 
e) a insurreição foi conduzida por escravizados muçulmanos que lutavam pela sua libertação e defendiam 
o estabelecimento de uma ordem islâmica na cidade de Salvador. 
Comentários: 
- A alternativa A está incorreta. Os escravizados envolvidos no Levante Malês pleiteavam sua liberdade, 
mas não questionaram a condição dos cativos não-muçulmanos. 
- A alternativa B está incorreta, afinal a Revolta se deu no século XIX, durante o período regencial. 
- A alternativa C está incorreta, pois a revolta não se deu durante o período colonial, mas em contexto em 
que o Brasil já se encontrava independente de Portugal. 
- A alternativa D está incorreta, pois trata-se de uma descrição da Sabinada, movimento ocorrido entre 
1837 e 1838. 
- A alternativa E é a resposta. Na madrugada do dia 25 de janeiro de 1835, cerca de 600 escravizados 
africanos armados com porretes e armas brancas tomaram a cidade de Salvador. A frente do levante 
estava a Sociedade dos Malês, nome dado a comunidade de africanos islamizados, que sabiam ler e 
escrever em árabe. Isso possibilitou a organização da revolta sem despertar a atenção das autoridades. 
Os revoltosos seguiram o protocolo militar dos muçulmanos: não saquearam casas ou atacaram 
proprietários, confrontando apenas grupos armados organizados para contê-los. De acordo com um dos 
participantes, seu objetivo era eliminar todos os brancos e pardos da cidade, instaurando uma ordem 
islamizada e mantendo escravos de outras etnias na mesma condição. 
Gabarito: E 
13. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 85 
Desde o período colonial, o Pará foi dominado por um poderoso grupo de comerciantes portugueses, 
aliado aos altos funcionários civis e militares, também de origem portuguesa. Contra esse núcleo, que 
resistiu à independência do Brasil, desencadeou-se um movimento com ampla participação popular. 
KOSHIBA, Luiz; PEREIRA, Denise Manzi Frayze. História do Brasil no contexto da história ocidental. São Paulo: Atual, 2003. p. 
248. 
O fragmento acima descreve o cenário no qual se verificou a eclosão de um conflito em 1835, durante o 
período colonial, denominado pelos historiadores de: 
(A) Farroupilha 
(B) Cabanagem 
(C) Balaiada 
(D) Sabinada 
(E) Revolta dos Malês 
Comentários: 
- A alternativa A está incorreta, a Farroupilha foi um levante protagonizado pelas elites pecuaristas do Rio 
Grande do Sul. 
- A alternativa B é a resposta. A Cabanagem foi um movimento protagonizado por indígenas tapuios, 
escravizados e homens livres e pobres da região amazônica, que se revoltaram contra os portugueses e 
em busca da autonomia administrativa da região, melhores condições de vida e pelo fim da escravidão. 
- A alternativa C está incorreta, a Balaiada foi um movimento que ocorreu na província do Maranhão 
durante o período colonial. 
- A alternativa D está incorreta. A Sabinada ocorreu na Bahia, entre 1837 e 1838. 
- A alternativa E está incorreta. A Revolta dos Malês ocorreu na Bahia, em 1835. 
Gabarito: B 
14. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
O transplante do Estado português teve importantes consequências porque o Brasil não era mais 
administrado “de fora”. Com a transferência da Corte, o centro de decisão foi interiorizado e a dispersão 
colonial se atenuou com o surgimento de um centro aglutinador representado pelo Estado português. 
Chegamos assim ao que se chamou de inversão brasileira. 
KOSHIBA, Luiz; PEREIRA, Denise Manzi Frayze. História do Brasil no contexto da história ocidental. São Paulo: Atual, 2003. p. 
168. 
Em relação às mudanças ocasionadas ao Brasil pela transferência da Corte joanina, destacam-se: 
a) a obtenção de liberdade econômica e de autonomia administrativa em relação à Portugal. 
b) o reforço do exclusivo metropolitano e criação de uma unidade federalista no território. 
c) a garantia do direito à representação para as províncias e a constitucionalização do Império. 
d) a promoção de uma reforma fundiária e o questionamento da continuidade do tráfico negreiro. 
e) a garantia de cargos às elites locais e o esgotamento dos movimentos de contestação à Coroa. 
Comentários 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 86 
- A alternativa A é a resposta. A abertura dos portos às nações amigas representou o fim do pacto colonial 
no Brasil, ao passou que a elevação do Brasil à Reino Unido conferiu ao território autonomia 
administrativa. 
- A alternativa B está incorreta, foi concedida liberdade econômica aos brasileiros. 
- A alternativa C está incorreta, o Império Português adquire uma Constituição após o retorno da Corte 
joanina para Portugal, no contexto da Revolução Liberal do Porto. 
- A alternativa D está incorreta, não são realizadas mudanças em relação ao tráfico negreiro, tampouco 
na grande propriedade. 
- A alternativa E está incorreta, afinal no período ocorre a Revolução Pernambucana, que busca se 
emancipar do domínio português. 
Gabarito: A 
Leia o texto e observe o mapa para responder às questões 15 e 16. 
Com a abdicação de D. Pedro I, em 1831, abriu-se com a menoridade do sucessor ao trono brasileiro o 
período conhecido como o das Regências. Nesses anos, o Brasil foi sacudido por uma série de rebeliões 
de forte cunho regionalista, constituindo-se em ameaçador perigo da dissolução “da ordem e da 
unidade”. A mais longa dessas rebeliões foi a Farroupilha (1835-1845), no Rio Grande do Sul, que pôs em 
risco a manutenção das “fronteiras naturais” do sul do país. O fantasma da perda da Província Cisplatina 
rondava a corte imperial, e o envolvimento de grupos uruguaios nas lutas indicava a permanência de 
interesses econômicos e políticos comuns, assim como de fronteiras bastante flexíveis. 
PRADO, Maria Lígia; PELLEGRINO, Gabriela. História da América Latina. São Paulo: Contexto, 2020. p. 49. 
 
15. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Em relação aos inúmeros levantes verificados no contexto das Regências, é possível considerar que 
a) houve o predomínio dos interesses de grandes proprietários locais, que estando à frente da maioria 
dos movimentos do período, impediram a participação das camadas subalternas. 
b) representou anseios e visões de estratos sociais distintos, cuja atuação foi modulada no período pelas 
opiniões políticas e projetos de nacionalidade debatidos na esfera pública. 
c) detiveram como ponto de convergência a transformação drástica das estruturas socioeconômicas, de 
modo a garantir a inserção de setores historicamente marginalizados no país. 
d) contribuíram para a adoção e consolidação permanente do modelo federalista no território, o que 
garantiu a hegemonia local dos grandes proprietários de terras e escravizados. 
e) defenderam a fragmentação do território e a formação de inúmeras repúblicas, evidenciando o 
enfraquecimento da autoridade monárquica perante a sociedade brasileira. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, muitos movimentos do período tiveramgrande participação popular. 
Exemplos disso foram a Cabanagem, a Guerra dos Cabanos e a Balaiada. 
- A alternativa B é a resposta. As revoltas regenciais contaram com a participação de diversas camadas 
sociais, incluindo elites, escravizados, indígenas, setores médios urbanos e homens livres empobrecidos. 
Tais levantes foram motivados pelas discussões políticas realizadas à época, especialmente em relação à 
forma administrativa a ser adotada no território. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 87 
- A alternativa C está incorreta, pois nem todos os movimentos defenderam transformações 
socioeconômicas. É o caso da Farroupilha e da Sabinada. 
- A alternativa D está incorreta, o federalismo só foi devidamente consolidado durante a Primeira 
República, mas novamente comprometido a partir da Revolução de 1930. 
- A alternativa E está incorreta, afinal muitas revoltas do período não eram essencialmente republicanas, 
tais como a Cabanagem, a Guerra dos Cabanos, a Balaiada e a Revolta dos Malês. Mesmo a Farroupilha e 
a Sabinada, que chegaram a propor a formação de Repúblicas, tomaram a transformação da ordem 
política como um recurso final diante da desconsideração de suas pautas pelo governo central. 
Gabarito: B 
16. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
O “fantasma da perda da Província Cisplatina” é associado pelo texto à Farroupilha, em razão 
a) dos vínculos comerciais entre gaúchos e uruguaios, que ameaçavam os interesses econômicos das 
demais províncias. 
b) da atuação dos líderes do movimento em prol do fim do sistema escravista no Brasil, tal qual ocorreu 
no país limítrofe. 
c) da crítica à hegemonia portuguesa na economia local, existente tanto no levante quanto no processo 
de independência do Uruguai. 
d) das aspirações democratizantes dos grupos que compuseram o movimento, inspiradas no modelo 
político uruguaio. 
e) da diminuição das dimensões nacionais diante do possível êxito da experiência republicana iniciada 
pelo movimento. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta. Os vínculos econômicos entre gaúchos e uruguaios mencionados pelo 
texto são destacados como potencializadores dos sentimentos autonomistas dos primeiros. 
- A alternativa B está incorreta, os farroupilhas não defendiam o fim da escravidão. 
- A alternativa C está falsa, os portugueses não influíam sobre a economia do sul no contexto da 
Farroupilha. 
- A alternativa D está incorreta, tanto a Farroupilha quanto a república uruguaia não apresentavam viés 
democrático, afinal se embasaram em uma visão política marcada pelo predomínio das elites. 
- A alternativa E é a resposta. Tal qual a Guerra da Cisplatina (1825-1828), a Farroupilha poderia ocasionar 
a redução do território caso o Rio Grande do Sul formasse uma república independente. 
Gabarito: E 
17. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
A revolta dos escravos em São Domingos está associada aos acontecimentos revolucionários na França 
de fins do século XVIII, que ocasionaram, em 1794, a proclamação do fim da escravidão nas possessões 
francesas no ultramar. A deposição de Luís XVI e a instituição da Assembleia Geral, em 1789, haviam 
encorajado tanto as aspirações autonomistas das elites coloniais nas Antilhas quanto a articulação de 
negros e mulatos livres. 
(PRADO, Maria Ligia. História da América Latina. São Paulo: Contexto, 2020. Adaptado.) 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 88 
A participação dos negros e mulatos livres na Revolução da Haiti apresentou, entre seus objetivos: 
a) a obtenção de direitos sociais no novo Estado. 
b) a deposição da monarquia absolutista na França. 
c) a garantia de representação junto à metrópole. 
d) a aquisição de direitos de participação política. 
e) a abolição de castigos corporais na ordem escravista. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, a Revolução do Haiti pleiteou direitos políticos, mas não sociais. 
- A alternativa B está incorreta, o movimento buscava a emancipação de São Domingos do domínio 
francês. 
- A alternativa C está incorreta, o movimento pleiteava a independência em relação à França, mas não a 
busca pela representação política junto à metrópole. 
- A alternativa D é a resposta. As camadas até então boicotadas na sociedade colonial buscaram a 
obtenção de direitos políticos a partir do processo de independência do Haiti. 
- A alternativa E está incorreta, o movimento buscou o fim da escravidão, e não unicamente dos castigos 
físicos. 
Gabarito: D 
18. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Brasileiros, e europeus, quem vos demora e quem vos sustém a dar o passo [de] que tanto necessitais; 
Não tendes tão fortes exemplos nos vossos Irmãos de Portugal; não vedes o heroísmo com que os bravos 
Portugueses quebraram os grilhões com que se achavam oprimidos [...]. É tempo pois, às Armas, às Armas 
cidadãos honrados, vamos unir os nossos votos aos dos nossos Irmãos Europeus, de maneira que debaixo 
da mesma constituição todo o Reino unido de Portugal, Brasil e Algarves, que da felicidade, de que é 
merecedor, sacudindo o jugo vergonhoso e o despotismo que o oprime. 
CARVALHO, José Murilo; BASTOS, Lúcia; BASILE, Marcello. Às armas, cidadãos! – Panfletos e manuscritos da independência 
do Brasil (1820-1823). São Paulo: Companhia das Letras; Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2012. p. 48. 
O texto acima, extraído de um panfleto escrito em 1821, circulou na cidade de Salvador após o retorno 
da Corte joanina para Portugal. Ao considerar os acontecimentos recentes, o texto 
(A) condena o domínio português sobre o Brasil. 
(B) destaca os malefícios do sistema escravista. 
(C) sugere a adoção de um regime republicano. 
(D) defende a emancipação política do território. 
(E) se alinha aos princípios do liberalismo político. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, o texto não hostiliza a relação entre portugueses e brasileiros, 
denominado os primeiros de irmãos. Assim sendo, sugere que os súditos brasílicos apoiem o movimento 
iniciado pelos lusos em Porto. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 89 
- A alternativa B está incorreta, em nenhum momento o panfleto discute o regime de trabalho escravista, 
se limitando a defender o engajamento dos brasileiros na Revolução Liberal do Porto. 
- A alternativa C está incorreta, o autor do panfleto não dá indícios de que considera necessária a 
substituição da monarquia pela forma de governo republicana. 
- A alternativa D está incorreta, o panfleto não defende a independência do Brasil, mas o apoio dos 
brasileiros ao processo de constitucionalização do Império português, do qual faziam parte. 
- A alternativa E é a resposta. O autor do panfleto declara seu apoio à Revolução do Porto, movimento de 
caráter liberal que defendia a transformação de Portugal em uma monarquia constitucional. Cabe 
destacar preocupação em limitar as atribuições do poder soberano é a essência do liberalismo político no 
período. 
Gabarito: E 
19. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
Uma lei de agosto de 1831 criou a Guarda Nacional, em substituição às antigas milícias. A ideia consistia 
em organizar um corpo armado de cidadãos confiáveis, capaz de reduzir tanto os excessos do governo 
centralizado como as ameaças das “classes perigosas”. 
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Ed. USP, 2019. 
Considerando as atribuições da organização, pode-se dizer que a Guarda Nacional 
(A) favoreceu as articulações defensoras da descentralização administrativa. 
(B) estimulou o fortalecimento das Forças Armadas em território brasileiro. 
(C) restringiu-se à atividade policiale garantiu ao Exército a atuação nas guerras. 
(D) fortaleceu as elites locais contra os excessos do poder moderador. 
(E) atuou para garantir a ordem pública e a unidade territorial do Império. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, afinal as elites de maneira geral, tanto centralistas quanto federalistas, 
apostaram na Guarda Nacional como uma forma de conter as revoltas que eclodiram no período 
regencial. 
- A alternativa B está incorreta, a permanência da Guarda Nacional acabou dificultando o recrutamento 
de novos quadros para o Exército. 
- A alternativa C está incorreta, a Guarda Nacional também atuou na pacificação de revoltas e guerras 
internas no período regencial. 
- A alternativa D está incorreta, o poder moderador não era ocupado por ninguém no momento de criação 
da Guarda Nacional. O texto informa que a organização foi criada contra os excessos do governo 
centralizado, que era exercido pelos regentes à época. 
- A alternativa E é a resposta. A Guarda Nacional, uma milícia composta por cidadãos votantes, foi criada 
para defender a Constituição, manter a ordem pública a unidade do Império. Ela foi a força responsável 
pela repressão dos movimentos rebeldes que eclodiram por todo o país no período, sendo comandadas 
pelos grandes proprietários locais. 
Gabarito: E 
20. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 90 
O período entre o retorno de D. Pedro I a Portugal em 1831 e o fim da Guerra do Paraguai em 1870 é 
fundamentalmente a história de divisões no interior da elite brasileira quanto aos princípios básicos pelos 
quais o Brasil deveria ser governado. Essas divisões refletiram-se primeiro numa série de revoltas durante 
a Regência, que foram atenuadas, mas certamente não extintas no período que se seguiu à coração de 
Pedro II em 1840. 
(SKIDMORE, T. São Paulo: Uma história do Brasil. Paz e Terra, 1998. p. 67.) 
Considerando o contexto do período abordado, pode-se afirmar que as divisões nas elites dirigentes se 
deram, principalmente, entre 
(A) democratas e apoiadores do voto censitário. 
(B) defensores do sufrágio feminino e opositores. 
(C) republicanos e partidários do absolutismo. 
(D) unitaristas e entusiastas do federalismo. 
(E) escravistas e defensores do trabalho livre. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, pois a democracia não era um sistema defendido pela maioria dos grupos 
dirigentes. 
- A alternativa B está incorreta. Os homens notáveis do Império não defendem o voto feminino. 
- A alternativa C está incorreta, a maioria dos políticos do período defende a forma de governo 
monárquica. 
- A alternativa D é a resposta. A principal divisão entre as elites se deu em relação à questão administrativa 
do Brasil, afinal alguns notáveis eram defensores do unitarismo (centralização), ao passo que outros 
defendiam o federalismo (descentralização). 
- A alternativa E está incorreta, não há uma defesa consistente do fim da escravidão entre os membros 
das elites no período. 
Gabarito: D 
 
11. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Na aula de hoje falamos sobre o processo de independência da América Espanhola, do Haiti e do 
Brasil, além do nosso período regencial. Vale a pena retomarmos alguns pontos fundamentais para 
gabaritar na prova: 
 ENTENDER como as reformas bourbônicas e a dominação napoleônica contribuíram para o 
desencadeamento de movimentos separatistas protagonizados pelas elites criollas na América 
Espanhola. 
 COMPREENDER a importância do projeto político de Simón Bolívar e quais foram as razões de seu 
fracasso durante as guerras de independência da América Espanhola. 
 DIFERENCIAR os processos de independência da América Portuguesa e da América Espanhola, se 
atentando para suas particularidades etambém para os elementos comuns. 
 ENTENDER o fenômeno político denominado caudilhismo e quais são suas características. 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 
 
 
AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 91 
 ANALISAR as questões sociais e raciais que envolveram a Revolução do Haiti. 
 COMPREENDER a relação entre a transferência da Corte portuguesa para o Brasil com seu 
processo de emancipação política. 
 IDENTIFICAR os principais pontos da Constituição de 1824, incluindo seus resquícios autoritários e 
ideias liberais. 
 IDENTIFICAR as continuidades e rupturas do processo de independência do Brasil. 
 COMPREENDER as principais questões do debate político em 1822, 1831, 1834 e 1840. 
 DIFERENCIAR os atores sociais e propósitos das principais rebeliões do período regencial. 
Se algo não ficou claro, retome a teoria e refaça os exercícios. Persistindo os sintomas, me procure 
no Fórum de Dúvidas! Lá te atenderei o mais rápido possível. 
Em nossa próxima aula, falaremos sobre as transformações do capitalismo no século XIX, os 
imperialismos em África e Ásia, os Estados Unidos e o pensamento político e social do século XIX. 
Bons estudos, 
Prof. Marco Túlio 
profmarco.tulio @profmarcotulio t.me/histpraboidormir 
 
12. REFERÊNCIAS 
BARRUCHO, Luis. Por que o Brasil continuou um só enquanto a América Espanhola se dividiu em vários 
países? BBC Brasil, Londres, 10 set. 2018. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-
45229400>. Acesso em: 7 set. 2019. 
CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial. Teatro das sombras: a política 
imperial. 7ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012. 
CARVALHO, José Murilo de; BASTOS, Lúcia; BASILE, Marcello (orgs). Às armas, cidadãos! – Panfletos 
manuscritos da independência do Brasil (1820-1823). São Paulo Companhia das Letras; Belo Horizonte: 
Ed. UFMG, 2012. 
FREITAS NETO, José Alves de Freitas; TASINAFO, Célio Ricardo. História Geral e do Brasil. São Paulo: 
HARBRA, 2006. 
MOREL, Marco. O período das regências, (1831-1840). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2003. (Descobrindo 
o Brasil) 
NEVES, Lúcia Bastos Pereira das. A vida política. In: SILVA, Alberto da Costa e. Crise colonial e 
independência: 1808-1830, v. 1. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. p. 85-113. (História do Brasil Nação: 1808-
2010) 
VAINFAS, Ronaldo (org.). Dicionário do Brasil imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. 
t.me/CursosDesignTelegramhub

Mais conteúdos dessa disciplina