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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 1 UNESP Prof. Marco Túlio Aula 10 - Formação dos Estados na América Latina Independências na América Hispânica. A Revolução do Haiti. Brasil: do processo de emancipação política ao período regencial. estretegiavestibulares.com.br vestibulares.estrategia.com EXTENSIVO 2024 Exasi u t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 2 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 4 2. COMPARAÇÕES ENTRE OS PROCESSOS DE INDEPENDÊNCIA 4 3. INDEPENDÊNCIAS NA AMÉRICA ESPANHOLA 7 3.1. O PROJETO DE SIMÓN BOLÍVAR 8 3.2. PROJETOS E PARTICIPAÇÃO DAS CAMADAS POPULARES 11 3.3. AMÉRICA HISPÂNICA INDEPENDENTE 12 4. REVOLUÇÃO HAITIANA 13 4.1. HAITIANISMO 14 5. PERÍODO JOANINO NO BRASIL (1808-1821) 15 5.1. MEDIDAS ECONÔMICAS DO PERÍODO 16 5.2. TRANSFORMAÇÕES NO RIO DE JANEIRO 16 5.3. POLÍTICA EXTERNA 19 5.4. O BRASIL REINO 19 5.5. CONFLITOS DO PERÍODO 19 6. RUPTURA POLÍTICA E O PRIMEIRO REINADO (1822-1831) 22 6.1. GUERRAS DE INDEPENDÊNCIA (1822-1823) 23 6.2. COMEMORANDO A INDEPENDÊNCIA 25 6.3. A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO 26 6.4. CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR 30 6.5. CRISE DO PRIMEIRO REINADO 31 7. PERÍODO REGENCIAL (1831-1840) 32 7.1. REGÊNCIA UNA 34 7.2. REVOLTAS DO PERÍODO REGENCIAL 35 7.3. O GOLPE DA MAIORIDADE 39 8. LISTA DE QUESTÕES 40 8.1. UNESP 40 8.2. VESTIBULARES 41 t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 3 8.3. INÉDITAS 50 9. GABARITO 58 9.1. UNESP 58 9.2. VESTIBULARES 58 9.3. INÉDITAS 59 10. LISTA DE QUESTÕES COMENTADA 59 10.1. UNESP 59 10.2. VESTIBULARES 61 10.3. INÉDITAS 75 11. CONSIDERAÇÕES FINAIS 90 12. REFERÊNCIAS 91 t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 4 1. INTRODUÇÃO Olá! Começa agora mais uma aula do nosso Curso de História! A seguir, abordaremos o processo de formação dos Estados na América Latina, incluindo o do Brasil. Assim sendo, a aula contará com os seguintes pontos: Processos de Independência da América Espanhola Revolução do Haiti O Período Joanino no Brasil O processo de independência do Brasil; O Primeiro Reinado no Brasil. O Período Regencial brasileiro. Desde já, cabe destacar que os assuntos referentes à História do Brasil possuem maior incidência em sua prova. Bons estudos! 2. COMPARAÇÕES ENTRE OS PROCESSOS DE INDEPENDÊNCIA Observe o mapa abaixo. Você já se perguntou por que o processo de independência da América Espanhola deu origem a tantos Estados, enquanto ao processo de independência da América Portuguesa manteve sua unidade territorial? Quais fatores teriam contribuído para isso? Figura 1 - Mapa atual da América Latina. Fonte: Shutterstock. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 5 Os historiadores divergem em relação aos aspectos que contribuíram para isso, mas podemos destacar alguns pontos importantes: Administração e concentração populacional Vejamos o que disse o historiador mexicano Alfredo Ávila Rueda: No início do século XIX, boa parte da população do território brasileiro se concentrava no litoral, ao mesmo tempo em que os maiores centros urbanos apresentavam maior interação entre si, se comparados com as cidades da América Espanhola. A administração da colônia era centralizada no Rio de Janeiro, o que tornava as demais regiões vinculadas a ela, diminuindo os poderes locais. No caso da América Espanhola, a distância entre as cidades era maior, o que desestimulava o contato entre as regiões. Além disso, a administração da colônia era descentralizada em quatro vice-reinados, que respondiam diretamente a Coroa espanhola. Assim sendo, o poder local era mais expressivo na América Espanhola do que na América Portuguesa. A livre circulação de impressos (jornais, livros e panfletos) na América espanhola também teria contribuído para a formação de identidades regionais na América Espanhola. O mesmo não ocorreu no Brasil, onde a Coroa lusa vetou a publicação de jornais até o início do século XIX. Formação das elites coloniais Vejamos o que disse o historiador brasileiro José Murilo de Carvalho: Até 1808, a Coroa portuguesa nunca permitiu a criação de universidades no Brasil, o que fazia com que boa parte das elites coloniais se formassem na Europa, sobretudo no curso de Direito da Universidade de Coimbra. Em seguida, muitos integravam se tornavam funcionários do aparato administrativo português, tanto no Brasil quanto na África. Isso teria contribuído para a formação de uma elite ideologicamente homogênea. Na América Espanhola, existiam pelo menos 23 universidades espalhadas pela colônia. Isso fez com que as elites coloniais de regiões distantes convivessem menos entre si, pois tendiam a frequentar centros de ensino superior mais próximos. A ideia de independência teria sido elaborada localmente nestes espaços, o que inviabilizou a formação de um Estado único. Vínculos com o poder real Apesar dos historiadores Alfredo Ávila Rueda e José Murilo de Carvalho apresentarem visões distintas em relação aos aspectos que contribuíram para que as independências das Américas Espanhola e Portuguesa fossem tão diferentes, ambos consideram que as relações com o poder real foram determinantes. Vejamos: No caso da América Espanhola, a deposição do rei espanhol por Napoleão Bonaparte, em 1806, e sua substituição por José Bonaparte (irmão de Napoleão) contribuiu para que as elites coloniais se recusassem a receber ordens vindas da Espanha, pois consideravam o novo governante ilegítimo. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 6 No caso do Brasil, a presença do rei na colônia, a partir da transferência da Corte portuguesa para o Brasil (1808), serviu como fonte de legitimidade para que ela mantivesse o território unido. (2021/Enem) Por que o Brasil continuou um só enquanto a América espanhola se dividiu em vários países? Para o historiados brasileiro José Murilo de Carvalho, no Brasil, parte da sociedade era muito mais coesa ideologicamente do que a espanhola. Carvalho argumenta que isso se deveu à tradição burocrática portuguesa. “Portugal nunca permitiu a criação de universidade em sua colônia”. Por outro lado, na América espanhola, entre 1772 e 1872, 150 mil estudantes se formaram em universidades locais. Para o historiador mexicano Alfredo Ávila Rueda, as universidades na América espanhola eram, em sua maioria, reacionárias. Nesse sentido, o historiador mexicano diz acreditar que a livre circulação de impressos (jornais, livros e panfletos) na América espanhola, que não era permitida na América portuguesa (a proibição só foi revertida em 1808), teve função muito mais importante na construção de regionalismos do que propriamente as universidades. BARRUCHO, L. Disponível em: wwww.bbc.com. Acesso em: 8 set. 2019 (adaptado). Os pontos de vista dos historiadores referidos no texto são divergentes em relação ao a) papel desempenhado pelas instituições de ensino na criação das múltiplas identidades. b) controle exercido pelos grupos de imprensa na centralização das esferas administrativas. c) abandono sofrido pelas comunidades de docentes na concepção de coletividades políticas. d) lugar ocupado pelas associações de acadêmicos no fortalecimento das agremiações estudantis. e) protagonismoassumido pelos meios de comunicação no desenvolvimento das nações alfabetizadas. Comentários - A alternativa A é a resposta. Para José Murilo de Carvalho, as universidades contribuíram para a formação de múltiplas identidades e projetos de independência na América Espanhola, enquanto Alfredo Rueda considera que a circulação de impressos teria sido mais determinante para que isso ocorresse. - A alternativa B está incorreta. De acordo com o historiador mexicano, os impressos circulavam livremente entre as elites coloniais da América Espanhola, enquanto na América Portuguesa, as autoridades administrativas cerceavam a publicação de jornais e livros. - A alternativa C está incorreta. José Murilo de Carvalho considera que as universidades da América Espanhola foram importantes núcleos de elaboração de projetos de independência, enquanto Alfredo Rueda os descreve como núcleos vinculados aos interesses políticos da metrópole. - A alternativa D está incorreta, pois nenhum dos historiadores aborda as agremiações estudantis. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 7 - A alternativa E está incorreta, pois tanto a América Espanhola quanto a América Portuguesa dispunham de população majoritariamente analfabeta. Gabarito: A ATENÇÃO: Os processos de independência da América Portuguesa (Brasil) e da América Espanhola não foram revoluções, pois não geraram transformações profundas nas estruturas coloniais. 3. INDEPENDÊNCIAS NA AMÉRICA ESPANHOLA Ao final do século XVIII, a Coroa espanhola adotou algumas medidas medidas que ficaram conhecidas como reformas bourbônicas, que tinham o intuito de aumentar o seu controle sobre as colônias e aumentar a sua arrecadação. Vejamos algumas delas: Criação de novos vice-reinados; Expulsão dos jesuítas de todo o Império espanhol; Reforço do monopólio da metrópole sobre as colônias. Figura 2 - Mapa da América Espanhola. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 8 As elites criollas, compostas por ricos descendentes de espanhóis nascidos na América, permaneciam sem acesso aos cargos da administração colonial, preenchidos apenas pelos chapetones (espanhóis). A marginalização política e a ausência de liberdade econômica geravam grande instatisfação entre os criollos, que se inspiravam nas ideias iluministas e na Revolução Americana. Em 1806, Napoleão Bonaparte depôs do trono espanhol o rei Fernando VII, e o substituiu pelo seu irmão, José Bonaparte. Para os colonos da América Espanhola, o novo governante era um “usurpador”, e sua ascensão representava uma quebra de vínculos até então firmados entre monarquia e suas colônias. Ao considerarem o novo monarca ilegítimo, os criollos passaram a conduzir a política colonial por meio dos cabildos, espécie de câmaras municipais. Mesmo após a expulsão das forças napoleônicas da metrópole (1813), os colonos não quiseram abrir mão da autonomia obtida, dando início a lutas pela independência. 3.1. O projeto de Simón Bolívar Uma figura que se destacou nas guerras de independência foi o venezuelano Simón Bolívar, que conseguiu libertar as regiões correspondentes aos atuais Venezuela, Colômbia, Equador e Panamá, que juntos formavam a Grande Colômbia. Em um documento intitulado Carta da Jamaica (1815), Bolívar defendeu que um projeto de unidade latino-americana, ou seja, que os territórios do continente formassem uma grande república confederada, similar ao modelo adotado pelos Estados Unidos. No entanto, seu projeto não durou muito, já que em 1830 a Venezuela e o Equador se separariam da Colômbia. Chapetones Criollos Mestiços Índios e Negros Espanhóis que ocupavam altos cargos na administração da América Espanhola. Descendentes de espanhóis, muitos integravam a elite econômica, mas tinham sua participação na administração colonial vetada. Eram marginalizados da política local e vistos como inferiores pelos grupos privilegiados. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 9 Figura 3 - Simón Bolívar, conhecido como o Libertador. Congresso do Panamá Em 1826, o projeto de unidade proposto por Bolívar chegou a ser discutido no Congresso do Panamá, no qual foram defendidos os seguintes princípios: a formação de uma confederação de repúblicas hispânicas; a abolição do tráfico de escravizados africanos; a organização de forças militares que garantissem o equilíbrio entre os Estados confederados. Figura 4 - Representação do Congresso do Panamá. Alguns empecilhos contribuíram para o fracasso do Congresso do Panamá: as elites criollas se mostraram contrárias à ideia de unidade, preferindo defender sua hegemonia local e interesses pessoais. Assim sendo, muitos territórios sequer enviaram representantes. os Estados Unidos temiam que o surgimento de outro grande Estado ameaçasse a hegemonia que buscavam construir sobre o continente, por isso se colocaram contra o projeto; t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 10 a Inglaterra considerava que a existência de pequenos e frágeis Estados deixaria a região mais frágil à dominação econômica que construía sobre os mercados consumidores do continente. o Brasil, que manteve a monarquia e a escravidão ao obter a independência, não se mostrou favorável ao estímulo de ideias republicanas e abolicionistas, por isso não participou do evento. RAZÕES DO FRACASSO O que é o bolivarianismo? Em referência à figura de Simón Bolívar, verificou-se no início do século XXI o surgimento do bolivarianismo, termo utilizado por lideranças de esquerda da América Latina para defender um estreitamento de laços econômicos e diplomáticos entre os países do subcontinente. Com isso, buscavam diminuir a influência exercida pelos Estados Unidos e pela doutrina neoliberal na região. PROJETO DE UNIDADE LATINO-AMERICANA ELITES CRIOLLAS BUSCARAM O PODER LOCAL AMEAÇA À HEGEMONIA DOS ESTADOS UNIDOS E DA INGLATERRA BRASIL CONTRÁRIO À DIFUSÃO DE IDEIAS REPUBLICANAS E ABOLICIONISTAS. PROPOSTO NO CONGRESSO DO PANAMÁ DEFESA DA CRIAÇÃO DE UMA CONFEDERAÇÃO DE REPÚBLICAS E DO FIM DO TRÁFICO NEGREIRO t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 11 3.2. Projetos e participação das camadas populares Apesar da prevalência dos projetos de independência das elites criollas, as forças populares, compostas por indígenas e mestiços, também protagonizaram ações contra a dominação espanhola ao longo dos séculos. Vejamos dois casos emblemáticos: Revolta de Tupac Amaru (1780-1781): ocorreu na região do Vice-Reino do Peru, onde indígena chamado José Gabriel Condorcanqui executou um burocrata espanhol e assumiu o nome de Tupac Amaru II – uma referência ao último líder do Império Inca. Ele reuniu milhares de indígenas contra a mita (sistema de trabalho compulsório), mas o movimento foi duramente massacrado. Primeira tentativa de independência do México (1810): um padre chamado Miguel Hidalgo organizou um levante com mais de 60.000 indígenas e mestiços, que defendeu o fim da escravidão e a distribuição de terras para a população. O discurso radical fez com que chapetones e criollos se unissem para derrotá-lo, e em 1811 o padre Hidalgo foi fuzilado. O padre José Maria Morelos tentou dar continuidade ao movimento até 1815, quando também foi condenado àmorte. Figura 5 - Representação de Tupac Amaru II. REVOLTAS INDÍGENAS CONTRA A DOMINAÇÃO ESPANHOLA REVOLTA DE TUPAC AMARU (1780-1781) CONTRA A MITA (TRABALHO COMPULSÓRIO) REVOLTA MEXICANA DE 1810 DEFESA DA DISTRIBUIÇÃO DE TERRAS PARA INDÍGENAS E DO FIM DA ESCRAVIDÃO. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 12 (2014/Unesp) Sobre as lutas pela independência na América Hispânica, é correto afirmar que a) contaram com participação política e militar direta dos Estados Unidos e da Alemanha, interessados em ampliar sua presença comercial na região. b) tiveram claro caráter popular, expresso na realização, após a emancipação, de reformas sociais profundas. c) impediram a modernização das economias coloniais e reduziram a participação dos países da região no comércio internacional. d) asseguraram a manutenção da unidade territorial e impediram a fragmentação política da região. e) foram controladas, na maior parte dos casos, pelas elites criollas, embora tenham contado com participação popular. Comentários - A alternativa A está incorreta. Durante as guerras de independência da América Espanhola, a Alemanha ainda não existia enquanto Estado unificado, algo que só ocorreria na década de 1870. Além disso, os Estados Unidos se envolveram no processo de emancipação de Cuba, mas não de todos os Estados formados na região. - A alternativa B está incorreta, afinal não foram promovidas reformas significativas após as guerras de independência na América Espanhola. O caráter autoritário da política não foi dissipado, tampouco a exclusão de indígenas, negros e mestiços. - A alternativa C está incorreta, pois as economias dos novos Estados da América Latina tiveram seu processo de modernização dificultado diante do imperialismo econômico exercido por potências como Estados Unidos e Inglaterra. - A alternativa D está incorreta, afinal o processo de independência da América Espanhola deu origem a diversos novos Estados, refletindo os interesses locais das elites criollas. - A alternativa E é a resposta. As guerras de independência da América Espanhola contaram com a participação das camadas populares, como vimos em nossa aula sobre a independência do México. Contudo, o processo foi conduzido pelas elites da terra, os chamados criollos. Gabarito: E 3.3. América Hispânica Independente Após a independência, os novos países formados na antiga América Espanhola enfrentaram períodos de grande instabilidade devido às lutas travadas entre as elites. Parte dos desentendimentos se deu diante dos impasses em relação à administração, prevalecendo dois projetos: t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 13 Unitaristas: defendiam uma administração centralizada, com pouca autonomia regional; Federalistas: defendiam uma administração descentralizada, com ampla autonomia local. Caudilhismo Prevalece na região o caudilhismo, nome dado à hegemonia política exercida por figuras que dispunham de prestígio por terem lutado nas guerras contra a metrópole ou por serem prósperos fazendeiros. Os caudilhos diziam defender os interesses dos desvalidos, mas eram autênticos representantes dos grandes proprietários. Sua influência não eram embasada em nenhum projeto político, buscando apenas a afirmação de seu poder pessoal a partir da implantação de governos autoritários. 4. REVOLUÇÃO HAITIANA Após a Independência das Treze Colônias, o primeiro território do continente a obter a sua emancipação foi a ilha de São Domingos, colônia francesa localizada na região das Antilhas. Trata-se de um processo considerado revolucionário, afinal foi a principal revolução de escravos da História Contemporânea. Ao final do século XVIII, a região era uma das colônias mais ricas do mundo, chegando a responder por 75% de todo o açúcar produzido no mundo. Além disso, São Domingos também abastecia o mercado europeu com café, tabaco, cacau, algodão e índigo. Não por acaso, a colônia era chamada de “pérola das Antilhas” pela França. O poder administrativo e econômico da colônia era monopolizado por uma pequena camada de homens brancos (5% da população), proprietários de terras e de escravizados. Já a base da pirâmide social era composta por africanos e descendentes de escravizados. Em 1791, escravizados, ex-escravizados e mestiços ricos se uniram para lutar contra o controle das elites brancas na ilha, influenciados pelos ideais de liberdade e igualdade da Revolução Francesa, que se encontrava na fase da Convenção Nacional. Os rebeldes chegaram a destruir boa parte das plantações e engenhos de açúcar da ilha, afetando os interesses das elites coloniais. O movimento foi liderado por Toussaint Louverture, um ex-escravo doméstico que se demonstrou um grande estrategista militar. Contudo, ele acabou deportado para a pelo exército napoleônico para a França, onde morreu em uma prisão. Não eram poucos os inimigos da Revolução. Até 1804, os rebeldes enfrentaram as elites locais, soldados da monarquia francesa, invasores espanhóis e britânicos e uma expedição napoleônica composta por 60 mil integrantes. Após derrotar todos eles, foi fundado o Estado do Haiti, nome indígena que era utilizado pelos nativos para denominar a ilha. A escravidão foi abolida no novo país. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 14 Figura 6 - Toussaint Louverture. Fonte: Shutterstock O primeiro governante haitiano, Jean-Jacques Dessalines, sucessor de Louverture na Revolução, que se proclamou imperador em outubro de 1804. Ele foi o responsável por coordenar massacre de todos os brancos remascentes da ilha, sendo assassinados entre 3 a 5 mil homens, mulheres e crianças. O episódio dificultou o reconhecimento diplomático do Haiti junto as demais nações da Europa e da América – a França só o fez após exigir uma indenização de 150 milhões de francos, o equivalente a 21 milhões de dólares atualmente. O país demorou 122 anos parar arcar com as dívidas legadas pela sua independência. 4.1. Haitianismo O êxito da Revolução de escravos nas Antilhas fez com que as elites do continente temessem que vivenciar o mesmo em seus territórios. Em terras brasileiras, o medo de que uma revolta de escravos atingisse a mesma proporção ganhou nome: haitianismo. Assim como a ilha de São Domingos, sua população era majoritariamente composta por cativos, o que tornava o território propenso a insurreições negras. Devido a isso, a experiência haitiana chegou a influenciar revoltas escravas e rebeliões populares no período imperial. ATENÇÃO: Para alguns historiadores, a Revolução Haitiana teria inspirado a Conjuração Baiana. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 15 5. PERÍODO JOANINO NO BRASIL (1808-1821) No início do século XIX, o continente europeu se viu ameaçado pela expansão do Império Napoleônico, que conquistou diversos territórios e destronou diversos reis absolutistas. A Marinha britânica parecia ser o único obstáculo para a consolidação do poderio francês, o que levou o imperador a decretar, em 1806, o Bloqueio Continental, fechando o continente europeu à Inglaterra. Com isso, ele objetivava sufocar a economia inglesa, e consequentemente, sua supremacia. Para Portugal, país economicamente dependente dos ingleses, o cumprimento do Bloqueio Continental poderia representar sua falência, além de colá-lo à mercê de uma possível represália dos aliados comerciais. Por outro lado, ignorá-lo significaria uma declaração de guerra contra a França. Naquele momento, quem ocupava otrono português era D. João, regente de Portugal desde que sua mãe, D. Maria I, passou a sofrer de um transtorno mental. Figura 7 - Debret, Jean Baptiste, 1768-1848. D. João, coroado imperador no Brasil. Fonte: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Diante da indecisão do governante de Portugal, Napoleão enviou tropas para invadir o país, comandadas pelo general Junot. Sem condições de resistir ao ataque D. João tomou uma atitude radical: transferir a Corte portuguesa para o Brasil, com o apoio tático dos ingleses. Com isso, ele se tornaria o primeiro monarca europeu a pisar nas Américas. A fuga da Corte, em novembro de 1807, trouxe importantes consequências para o Brasil. Ela preparou o caminho para a independência do domínio português, ainda que isso tenha sido acompanhado do aumento da dependência econômica em relação à Inglaterra. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 16 5.1. Medidas econômicas do período Antes de chegar ao Rio de Janeiro, sede administrativa da América Portuguesa, a comitiva joanina fez uma parada em Salvador, onde estabeleceu, em janeiro de 1808 uma das medidas mais importantes do período: a abertura dos portos às nações amigas. A partir daí, o Brasil poderia comercializar diretamente com outros países aliados de Portugal – em especial, a Inglaterra –, sem demandar os comerciantes portugueses como intermediários. Em outras palavras: era o fim do pacto colonial (ou exclusivo metropolitano), na medida em que concedia liberdade econômica para o Brasil. A decisão agradou imensamente comerciantes ingleses, que buscavam influenciar o mercado consumidor brasileiro, e grandes proprietários locais, que teriam mais autonomia em relação à Portugal. Em abril de 1808, já instalada no Rio de Janeiro, a Corte decretou o Alvará de 1808, que revogou o Alvará de 1785, anteriormente aprovado pela rainha D. Maria I. Isso concedia a possibilidade de instalação de manufaturas no Brasil, e com isso, maior liberdade econômica para o território. Com isso, até agora podemos elencar duas medidas que transformaram a situação da colônia, na medida em que contribuíram para o abandono do “exclusivo metropolitano”: a abertura dos portos às nações amigas e à implantação do Alvará de 1808. Apesar da liberdade econômica desfrutada, o Brasil teve sua industrialização inviabilizada pelo Tratado de Comércio e Navegação (1810), assinado com a Inglaterra em 1810. Ele estabeleceu as seguintes taxas alfandegárias para os produtos estrangeiros que chegavam ao Brasil: 15% ad valorem (sobre o valor) dos produtos britânicos; 16% ad valorem dos produtos portugueses; 24% ad valorem dos produtos de outros países; Com isso, verificou-se uma “britanização da economia” brasileira, afinal os portos foram abarrotados de produtos ingleses, tais como sapatos, tecidos, talheres e até patins de gelo e grossos cobertores. O Brasil saía do colonialismo mercantilista para se tornar economicamente dependente da Inglaterra, o que inviabilizou sua própria industrialização. O Tratado de 1810 ainda estabelecia o direito de extraterritorialidade, ou seja, os ingleses instalados no Brasil não se submeteriam às leis portugueses, devendo ser julgados somente a partir das leis de seu país de origem – além de disporem de liberdade religiosa no Brasil. Tratava-se de um ponto humilhante à Portugal, afinal os lusos não desfrutavam do mesmo direito quando instalados na Inglaterra. 5.2. Transformações no Rio de Janeiro Quando a Corte de D. João alcançou a baía de Guanabara, o Rio de Janeiro era uma cidade acanhada, dotada de mais ou menos 46 ruas, 6 becos e 19 campos ou largos. As ruas de chão batido foram cobertas de areia branca, flores e ervas odoríficas para que o cortejo real passasse, enquanto cortinas de damasco e carmesim foram expostas nas janelas. Em um coreto erguido na Rua do Rosário, hinos de t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 17 louvor ao príncipe foram ouvidos, enquanto as ruas gritavam em coro “Viva nosso príncipe, viva o imperador do Brasil”. Para abrigar os milhares de recém-chegados, as melhores moradias foram escolhidas e marcadas com a sigla PR em suas fachadas, o que indicava que o príncipe-regente ordenava a desocupação de seus donos. Não demorou muito para que o povo atribuísse outros significados para aquelas iniciais, tais como “ponha-se na rua” ou “prédio roubado”. Com o Rio convertido à sede do Império português, a cidade precisou passar por reformas urbanas para adquirir ares mais palacianos. Para formar os novos burocratas, D. João criou instituições de ensino, como a Escola Superior de Matemática, Ciências, Física e Engenharia, a Escola Médico-Cirúrgica e a Escola de Comércio e Administração. Também foi criado o Banco do Brasil, que garantiu a concessão de recursos para novos investimentos, e a Imprensa Régia, que editava o primeiro jornal publicado em terras brasileiras, a Gazeta do Rio de Janeiro. Evidentemente, opiniões e ideias que colocassem em risco a legitimidade da monarquia não eram publicadas. Outras estruturas também integraram o projeto civilizacional de D. João, tais como o Real Jardim Botânico, que dispunha de espécies de plantas vindas de várias partes do mundo, e o Museu Real, aberto ao público e criado para estimular estudos nas áreas de botânica e zoologia. Figura 8 - Plantação chinesa de chá no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, por Johann Moritz Rugendas, 1835. Fonte: Domínio Público. Durante o governo joanino, alguns nobres estimularam a vinda de um grupo de artistas franceses, a maioria deles ligados à Napoleão e desempregados após a queda do Imperador francês. Integravam a comitiva Joachim Lebreton, Nicolas-Antoine Taunay (pintor), Auguste-Marie Taunay (escultor), Jean- Baptiste Debret (pintor), Grandjean de Montigny (arquiteto) e Simon Pradier (gravador). Alguns historiadores se referem ao grupo como Missão Artística Francesa, mas a denominação é questionável pelo fato de não ser algo planejado pelo Estado português. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 18 Os novos artistas não foram exitosos em garantir uma sede para a Academia de Belas Artes, mas não faltaram serviços na organização das celebrações da Corte, com o intuito de reforçar a imagem da monarquia e o culto à figura do D. João, visto como governante de um Império que se espalhava pelos quatro cantos do mundo e que agora possuía uma nova sede. Os novos artistas não foram exitosos em garantir uma sede para a Academia de Belas Artes, mas não faltaram serviços na organização das celebrações da Corte, com o intuito de reforçar a imagem da monarquia e o culto à figura do D. João, visto como governante de um Império que se espalhava pelos quatro cantos do mundo e que agora possuía uma nova sede. Figura 9 - Decoração do balé histórico, por Jean-Baptiste Debret, 1839. Repare que D. João aparece sustentado por um índio, um cavaleiro e um oriental, representando os domínios portugueses. As figuras mitológicas seguem o estilo neoclássico. Fonte: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. A legitimidade de D. João foi reforçada por outros mecanismos, tais como o ritual do beija-mão, no qual os súditos se colocam em fila para saldar o governante com o cumprimento. O príncipe também estimulou a formação de uma nobreza da terra, a partir da concessão de títulos honoríficos e outros símbolos de distinção. D. João concedeu, até seu retorno a Portugal, em 1821, nada menos que 235 títulos: onze duques, 38 marqueses, 64 condes, 91 viscondes e 31 barões. Apesar das tentativas de conferir ares mais europeus para a Corte, o Brasil não alterara suarealidade: o Rio de Janeiro era uma cidade predominantemente composta por escravizados e negros livres, que desempenhavam ofícios de barbeiro, vendedor de frutas ou de angu, quituteiro, condutor de liteiras, jornaleiro (trabalhadores por jornada), “cata-piolhos” e marceneiro, entre outros. Era a maior concentração de escravos em uma capital desde a Roma Antiga, a ponto de haver um bairro, nas proximidades do Paço Imperial, uma região conhecida como “Pequena África”. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 19 Fora da Corte, onde se encontrava a maioria da população, a presença indígena ainda era vista como uma ameaça à colonização do país. Em 13 de maio de 1808, o príncipe regente deu início à guerra justa contra os botocudos, denominação genérica utilizada para se referir aos grupos indígenas que habitavam o sertão de Minas Gerais, em favor da “civilização” e da proteção de uma “sociedade pacífica e doce”. Havia também o chamado haitianismo, nome dado ao medo das elites que o Brasil fosse palco de levantes de negros como ocorrera na Revolução do Haiti. 5.3. Política Externa A política externa da Corte joanina foi pautada por represálias à invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas. Em 1809, o príncipe-regente ordenou a ocupação de Caiena (Guiana Francesa), que permaneceu vinculada ao Império português até 1815, quando o Congresso de Viena estabeleceu sua devolução. Os interesses da Coroa portuguesa em garantir sua influência sobre a região platina voltaram-se a manifestar em 1811, quando D. João ordenou uma intervenção militar na região alegando temer uma possível ocupação dos franceses, afinal a Espanha havia sido anexada pelo Império napoleônico. Em 1816, logrou êxito em anexar a região correspondente ao atual Uruguai, denominada Província Cisplatina. 5.4. O Brasil Reino Apesar da derrota definitiva de Napoleão, D. João não dava sinais de que retornaria para Lisboa. Em 1815, o Congresso de Viena, organizado pelas potências que derrotaram o Imperador francês, estabeleceu que todos os soberanos depostos por Napoleão deveriam reocupar seus tronos. Para atender tal exigência, o príncipe regente elevou o Brasil à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves, fazendo com que o território americano passasse a ter o mesmo status que Portugal – ou seja, adquiria autonomia administrativa. No ano seguinte, devido à morte de D. Maria I, foi coroado D. João VI. OBSERVAÇÃO: Se a liberdade econômica garantida a partir da abertura dos portos modificou a situação do Brasil, sua elevação à condição de Reino Unido fez com que ele deixasse definitivamente de ser uma colônia. Com isso, pode-se dizer que as duas medidas representaram o início do processo de emancipação política do Brasil. 5.5. Conflitos do período O período joanino foi marcado por dois grandes episódios de contestação ao governo, a Revolução Pernambucana (1817), ocorrida no Brasil, e a Revolução Liberal do Porto (1821), que eclodiu em Portugal. Vejamos cada uma delas. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 20 Revolução Pernambucana (1817) Depois de ter passado Insurreição Pernambucana (1645-1654), contra os holandeses, e da Guerra dos Mascates (1709), que opôs senhores de engenho olindenses e comerciantes de Recife, Pernambuco foi palco de difusão de ideias iluministas e liberais ao final do século XVIII, que combatiam os regimes absolutistas e o colonialismo. Em 1817, de uma nova rebelião, conhecida como Revolução Pernambucana, tomou conta da região. Dentre suas motivações, podemos citar: a difusão das ideias iluministas e republicanas → ao tomar contato com obras de autores iluministas europeus, grandes proprietários, padres e comerciantes passaram a questionar a continuidade do domínio português sobre a região; a crise econômica vivenciada na região → a grave seca de 1816 trouxe prejuízos para os grandes proprietários e fome para a população mais pobre. Para piorar, houve uma queda nos preços do açúcar e do algodão no mercado internacional, o que afetou os interesses econômicos das elites locais. o aumento dos impostos → a transferência da Corte para o Brasil foi acompanhada do aumento de impostos para a região Nordeste, o que provocou insatisfação local. Somado a isso, a liberdade econômica desfrutada no período era comprometida pelo predomínio luso no comércio da região, gerando um clima de ódio aos portugueses (antilusitanismo). Os rebeldes tomaram o poder em Pernambuco, formando um governo provisório denominado de Conselho de Estado. Foi elaborada uma Lei Orgânica, espécie de Constituição temporária que estabeleceu os seguintes pontos: criação de uma república independente; garantia de liberdade de consciência e de imprensa; tolerância religiosa extinção de impostos sobre gêneros de primeira necessidade (incluindo alimentos); A escravidão não foi questionada pelo documento, afinal ela respondia aos interesses econômicos de lideranças abastadas da Revolução Pernambucana. Diante da ameaça da expansão do movimento para o Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba, D. João enviou tropas, armas e navios, derrotando os rebeldes em maio de 1817. Líderes como Teotônio Jorge, padre Pedro de Souza Tenório, Antônio Henriques e José de Barros Lima foram condenados à morte. A Insurreição Pernambucana foi o único movimento anterior à independência que conseguiu formar um governo autônomo do domínio português, com duração de de 75 dias. Com isso, alguns historiadores consideram que ela reuniu ideais que permaneceram vivos no Nordeste até 1822, quando ocorre a independênciado Brasil. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 21 Revolução Liberal do Porto (1820-1821) A permanência de D. João VI no Brasil causava grande desconforto aos súditos portugueses, que se sentiam abandonados pelo seu monarca e inferiorizados pela preferência dada para a Colônia. Inspirados pelas ideias do Iluminismo, em agosto de 1820 eclodiu a Revolução Liberal do Porto, movimento que exigia o retorno do rei para Portugal e a convocação das Cortes portuguesas para a criação de uma Constituição. Em outras palavras, buscavam o fim do absolutismo. Em abril de 1821, D. João VI decidiu retornar para Lisboa, deixando como regente o filho, D. Pedro. Muitos portugueses favoráveis às decisões das Cortes passaram a se mobilizar o Brasil, formando o chamado “Partido Português”. Já outros começaram a se mobilizar em favor da independência do Brasil, conforme veremos mais adiante. P ER ÍO D O J O A N IN O MEDIDAS ECONÔMICAS ABERTURA DOS PORTOS ÀS NAÇÕES AMIGAS EXTINÇÃO DO ALVARÁ DE 1785 TRATADOS DE COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO (1810) MEDIDAS ADMINISTRATIVAS ELEVAÇÃO DO BRASIL À REINO UNIDO POLÍTICA EXTERNA TOMADA DE CAIENA ANEXAÇÃO DA CISPLATINA REBELIÕES REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA (1817) REVOLUÇÃO LIBERAL DO PORTO (1821) LIBERDADE ECONÔMICA AUTONOMIA ADMINISTRATIVA IN IC IA M O P R O C ESSO D E EM A N C IPA Ç Ã O P O LÍT IC A D O B R A SIL t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 22 6. RUPTURA POLÍTICA E O PRIMEIRO REINADO (1822-1831) Enquanto D. Pedro tentava governar o Brasil após o esvaziamento dos cofres públicos por D. João VI, em Portugal iniciavam os preparativos para a criação de uma nova Constituição. Entre os deputados da colônia que participaram das reuniões das Cortes em Lisboa, ficou claro que os lusos almejavam retomar a hegemonia política de todo o Império, impedindo os brasileiros de conservar um governo próprio. Em29 de setembro de 1821, as Cortes exigiram o retorno do príncipe regente para Portugal, mas este foi convencido a permanecer no Brasil pelas elites locais. A ideia de independência ganhava força entre as elites do Rio de Janeiro e de São Paulo, dispostas a manter a forma monárquica de governo para conservar a unidade territorial. Após o chamado Dia do Fico, episódio em que D. Pedro declarou sua intenção de permanecer no Brasil, uma revolta em São Paulo fez o príncipe viajar até a província, deixando como regente sua esposa, a princesa Leopoldina. Resolvida a situação, D. Pedro partiu de volta para o Rio de Janeiro, mas no meio do caminho recebeu uma carta de José Bonifácio de Andrada e Silva, principal liderança favorável a um governo autônomo brasileiro. Dizia o político: “Senhor, o dado está lançado: de Portugal não temos a esperar senão escravidão e horrores.” O 7 de setembro, eternizado pelo feriado como a data de Independência do Brasil, não teve grande importância para o desenrolar dos acontecimentos, já que separação de Portugal foi oficializada com a aclamação de D. Pedro como imperador constitucional do Brasil, em 12 de outubro, e pela sua coroação, em 10 de setembro. Figura 10 - Aclamação de D. Pedro, em 12 de outubro de 1822. Fonte: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 23 Você se lembra de todo o que vimos sobre o processo de emancipação política do Brasil? Cabe destacar que a ruptura política de 1822 não foi acompanhada de transformações na ordem social ou econômica do Brasil, afinal seus articuladores, especialmente grandes proprietários de terra e grandes comerciantes (o Partido Brasileiro), almejavam apenas a garantia da autonomia administrativa e a manutenção da liberdade econômica. Assim sendo, a independência do Brasil NÃO alterou: → a forma de governo (monarquia); → a grande propriedade; → a escravidão; → a exclusão política dos mais pobres. 6.1. Guerras de Independência (1822-1823) No final de 1822, as províncias de Minas Gerais, Pernambuco e da porção sul do Brasil aderiram ao processo de independência do Brasil. Devido a dificuldade nas comunicações, Goiás e Mato Grosso só se manifestaram em janeiro de 1823, seguidas por Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe. Já as chamadas províncias do norte – Pará, Maranhão Piauí e Ceará –, juntamente com parte da Bahia e a Cisplatina, permaneceram fiéis às Cortes portuguesas. Diferentemente do que pensa a maioria dos brasileiros atualmente, a Independência não foi um processo pacífico, uma vez que a adesão dessas regiões foi obtida por meio de guerras sangrentas travadas contra os portugueses. Um dos mais famosos episódios da Guerra de Independência foi a chamada Batalha do Jenipapo, em que 1100 soldados de Portugal enfrentaram brasileiros que possuíam apenas facões, machados e porretes. Os brasileiros foram derrotados, mas frustraram os planos dos lusos de manterem uma colônia ao norte do país. ATENÇÃO: Embora tenha prevalecido um projeto político elitista no decorrer da Independência, o processo contou com ampla participação popular nas lutas contra os portugueses. 1808 14 Abertura dos Portos às Nações Amigas LIBERDADE ECONÔMICA Elevação do Brasil à condição de Reino Unido AUTONOMIA ADMINISTRATIVA 1815 04 Formalização da ruptura política FORMAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO 1822 04 t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 24 Mulheres e as lutas pela Independência As mulheres não ficaram alheias às lutas pela emancipação política do Brasil. Joana Angélica de Jesus, madre superiora do convento da Lapa, em Salvador, foi morta a golpes de baioneta ao tentar impedir a invasão de soldados portugueses embriagados em seu convento. Já a negra Maria Felipa também ficou conhecida ao se juntar a outras mulheres para seduzir e embriagar portugueses, para depois surrá-los com cansanção (planta que prova urtiga e forte queimação) e incendiar suas embarcações na Ilha de Itaparica. Em Santo Amaro da Purificação, outra região da Bahia, algumas mulheres se fantasiaram de homens para assustar os soldados portugueses e poder levar comida para os maridos em seus esconderijos. Em 08 de novembro de 1822, na localidade de Pirajá (BA), ocorreu uma batalha envolvendo mais de 10.000 homens, posteriormente conhecida como Batalha do Pirajá. Entre os combatentes, podemos destacar a figura de Maria Quitéria de Jesus, que ficou conhecida após se disfarçar de homem e se identificar como "Soldado Medeiros" para poder lutar nas fileiras favoráveis à independência. Após ser descoberta, a "heroína da independência" foi agraciada pelo imperador com a Ordem do Cruzeiro. Figura 11 - Retrato póstumo de Maria Quitéria de Jesus, por Domenico Failutti, 1920. Fonte: EBC. Além da dificuldade interna no reconhecimento da Independência, também era preciso obtê-lo de outros países. Os Estados Unidos foram os primeiros a fazê-lo, visando estreitar laços com o novo país e afastar as influências europeias no continente (Doutrina Monroe). Já Portugal só fez o mesmo mediante pagamento de uma indenização pelo Brasil, formalizado em um acordo mediado pela Inglaterra. Vale destacar que os primeiros soberanos a reconhecer a independência do Brasil foram o obá Osenwede, do Daomé (atual Benim) e o olugum Ajan, de Lagos (hoje Nigéria), ambos grandes exportadores de escravos africanos. Com isso, demonstravam seu interesse de conservar o lucrativo comércio de almas com o Brasil. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 25 6.2. Comemorando a Independência Ao longo da História do Brasil, o processo de Independência foi comemorando de diferentes formas, com interesses políticos diversos. Vejamos: Ao longo do século XIX, os festejos e imagens da independência buscaram suscitar a formação de uma identidade nacional entre os brasileiros. Além disso, pinturas e outras representações buscaram destacar a figura de D. Pedro I como um grande herói e articulador da independência, com o intuito de legitimar o governo monárquico. Em 1922, durante o governo Epitácio Pessoa, o centenário da Independência foi comemorado durante a Exposição Universal do Rio de Janeiro. Uma grande obra foi realizada na região central da capital, com a derrubada do Morro do Castelo e a remoção de centenas de famílias. Objetivo do evento foi associar o Brasil à um ideal europeu de civilidade. Outro evento ocorrido foi a Semana de Arte Moderna, em São Paulo, da qual falaremos mais adiante. Durante a ditadura militar, mais especificamente no governo Médici, a Independência completou 150 anos. A comemoração do Sesquicentenário foi marcada por diversas manifestações públicas, bem como pela trasladação dos restos mortais de D. Pedro I e de D. Leopoldina de Portugal para o Brasil. Fazendo uso de discursos e símbolos nacionalistas durante as celebrações, o regime militar buscou a sua legitimação perante o povo brasileiro, associando a soberania obtida pela independência ao crescimento econômico vivenciado naquele período. A partir de 1995, movimentos sociais ligados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) passaram a organizar, anualmente, o Grito dos Excluídos e Excluídas, ato que busca superar o patriotismo passivo e suscitar a cidadania ativa, defendendo a construção de uma sociedade mais democrática e com justiça social. Figura 12 - Independência ou Morte, de Pedro Américo, 1888. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOSESTADOS NA AMÉRICA LATINA 26 Figura 13 - Cartaz de divulgação do Grito dos Excluídos e Excluídas de 2019. 6.3. A organização do Estado brasileiro A presença de D. Pedro I no processo de Independência garantiu a estabilidade política e a unidade territorial, duas preocupações que guiaram a ação das elites políticas no Brasil. Por outro lado, o medo da recolonização era constante, assim como a desconfiança quanto as reais inclinações políticas do monarca. A organização do novo Estado ficou a cargo da Assembleia Constituinte, oficialmente instalada em 3 de maio de 1823. Todos os deputados eleitos eram favoráveis ao direito à cidadania plena apenas para os proprietários, assim como a maioria também não chegou a contestar a manutenção da escravidão no novo país. Uma questão mais controversa era sobre o lugar da soberania no novo país. Para o grupo de José Bonifácio, chamado por alguns historiadores de conservadores, a soberania deveria ser partilhada entre os cidadãos-proprietários e o Imperador. Já para o deputado Gonçalves Ledo e outros brasileiros, ela deveria ficar restrita ao Parlamento. Por fim, um terceiro grupo, encabeçado por portugueses, acreditava que a soberania deveria ficar concentrada nas mãos do Imperador, além de não descartarem a reunificação entre Brasil e Portugal. Outra grande polêmica era a posição do poder central diante das províncias. Naquele momento, o Imperador passou a nomear os presidentes de província, algo que foi encarado como ação despótica por políticos de algumas partes do Nordeste, de São Paulo e de Minas Gerais. A aproximação de D. Pedro I de cortesãos e políticos naturais da antiga metrópole (Partido Português) provocou isolamento do grupo de Bonifácio, afastado do ministério em julho de 1823. No entanto, o político e seus irmãos continuaram a condenar a aproximação do monarca e portugueses na Assembleia e no jornal Sentinela da Liberdade. Crescia o antilusitanismo1 entre brasileiros, que acusavam adversários de traidores da nova Nação. Na noite do dia 11 para 12 de novembro de 1823, a Assembleia permaneceu em sessão permanente após portugueses espancarem um farmacêutico brasileiro, episódio que ficou conhecido como Noite da Agonia. Foi o suficiente para D. Pedro se enfurecer, mandar cercar o prédio onde se encontravam os deputados e dissolver o órgão responsável por elaborar a Carta constitucional. Na mesma ocasião foram presos os irmãos Andrada, que partem para o exílio. 1 Aversão aos portugueses. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 27 Figura 14 - Interior da Cadeia Velha, que abrigou a Constituinte de 1823 e onde funcionou posteriormente a Câmara dos Deputados Constituição de 1824 Com o apoio de adversários do grupo de Bonifácio, D. Pedro I outorgou (impôs) a primeira Constituição em 25 de março de 1824. Ela tinha uma grande diferença em relação ao projeto constitucional de 1823: além dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, era introduzido um quarto poder, o Moderador, de competência exclusiva do imperador, e que o permitia interferir nos demais. Veja como: A forma de governo se definia como uma monarquia hereditária e constitucional, ou seja, a Coroa passaria de pai para filho, e o imperador tinha suas atribuições delimitadas pela Constituição. Além disso, a administração centralizada no Rio de Janeiro, sendo conferida pouca autonomia para as províncias. Já o sistema eleitoral foi mantido em dois turnos e com o voto censitário, assim como queria os deputados que elaboraram a Constituição da Mandioca. Porém a comprovação de renda mínima se daria Imperador nomeia e demite ministros e presidentes de Estado. Imperador nomeia e demite juízes. Imperador escolhe os senadores e pode dissolver a Assembleia Geral. PODER MODERADOR (Exclusivo do Imperador) PODER EXECUTIVO PODER LEGISLATIVO PODER JUDICIÁRIO t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 28 em réis (dinheiro da época), mais especificamente, de 100 mil réis anuais. Com isso, tanto portugueses quanto radicais poderiam participar. As eleições para deputado federal eram indiretas, conforme se vê abaixo: Para ser candidato à deputado, era preciso comprovar renda anual de 400 mil réis, e para senador, de 800 mil réis. Assim sendo, fica claro que o poder político ficava concentrado nas mãos de grandes proprietários e comerciantes do Brasil. A Constituição de 1824 definiu que eram cidadãos somente os homens maiores de 25 anos2, com renda mínima anual de 100 mil réis. Com isso, eram excluídos: → as mulheres; → os indígenas; → os homens pobres; → os escravizados; Os analfabetos não eram excluídos do sistema eleitoral, mas isso permaneceu até a aprovação da Lei Saraiva, de 1881, quando este contingente foi vetado – e consequentemente, boa parte da população livre foi posta à margem dos processos eleitorais. Além disso, a reforma eleitoral também instituiu o título de eleitor e adotou eleições diretas para todos os cargos. Padroado O catolicismo foi mantido como religião oficial do Brasil, sendo as relações entre Igreja e Estado mediadas por meio do regime de Padroado. Com isso, os clérigos eram pagos pelo Estado, como se fossem funcionários públicos. Em troca, o imperador poderia nomear sacerdotes de vários cargos e autorizar ou não a aplicação dos decretos papais, conhecidos como bulas. Apesar do padroado, a liberdade de culto foi assegurada pelo novo Estado, o que mostra a influência do liberalismo em sua elaboração. As elites políticas também tiveram assegurados os direitos 2 Ou maiores de 21 anos, nos casos de eleitores casados, militares ou bacharéis formados. ELEITORES DE PARÓQUIA (1º TURNO) - Renda mínima de 100 mil réis anuais - Votavam naqueles que elegeriam os deputados. ELEITORES DE PROVÍNCIA (2º TURNO) - Renda mínima de 200 mil réis anuais - Eleitos pelos eleitores de paróquia, votavam diretamente nos deputados e nos pretendentes ao cargo de senador (quem escolhia era D. Pedro I). t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 29 à liberdade de imprensa e opinião, o direito a defesa e o direito à propriedade. A escravidão, por outro lado, não foi sequer debatida pela Constituição de 1824. CONSTITUIÇÃO DE 1824 - Principais características Criação de 4 Poderes – Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderador; Poder Moderador de competência exclusiva do Imperador e capaz de interferir nos demais poderes; Eram considerados cidadãos homens livres e maiores de 25 anos que tivessem renda anual mínima de 100 mil reis. Analfabetos podem votar; Monarquia Constitucional como forma de governo; Regime de Padroado, que regula as relações entre Igreja e Estado; (2018/UFRGS) Sobre a sociedade brasileira no século XIX e a construção do Estado imperial, considere as seguintes afirmações. I - O liberalismo, marcado pela defesa da propriedade privada e livre comércio, foi uma das correntes de pensamento adotadas pelas elites escravocratas brasileiras. II - A unidade nacional, a integridade territorial e a escravidão estão entre os principais pilares da monarquia. III- A nobreza imperial, definida como uma classe social distinta, era um segmento restrito reservado àqueles que possuíam vínculos de consanguinidade com a aristocracia europeia. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) I, II e III. Comentários - A afirmativa I está correta. A Constituição de 1824 se mostrou bastante influenciadapelas ideias liberais ao reconhecer direitos civis, tais como a liberdade de culto, liberdade de imprensa e defesa t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 30 da propriedade privada. Ao mesmo tempo, a escravidão não foi sequer mencionada pelo documento. - A afirmativa II está correta, afinal todo o processo de construção do Estado brasileiro foi marcado pelo temor de que o território se fragmentasse e originasse várias repúblicas, tal como na América Espanhola. - A afirmativa III está incorreta. A nobreza da terra, conforme vimos no período joanino, era formada por nobres agraciados com títulos pelo poder real, e não possuíam caráter hereditário. Estando corretas as afirmativas I e II, a alternativa D é a correta. Gabarito: D 6.4. Confederação do Equador O autoritarismo de D. Pedro I, manifestado com a imposição da Constituição de 1824, e pela existência de um poder moderador, considerado opressor, provocou reações em Pernambuco, onde eclodiu uma revolta denominada Confederação do Equador (1824). Naquela altura, a situação econômica da região continuava preocupante, o que contribui para o aumento da insatisfação de diferentes grupos sociais do Nordeste. O movimento contou com o protagonismo dos liberais radicais. Suas principais lideranças foram o jornalista baiano Cipriano Barata, detido um ano antes de sua eclosão, e o padre Joaquim da Silva Rabelo, apelidado de Frei Caneca. Os rebeldes almejavam: a separação do restante do Brasil; a implantação de uma República federalista, ou seja, com maior autonomia para as províncias; o fim do tráfico de escravos, o que estimulou a participação de homens livres e pobres. As províncias da Paraíba, Ceará e Rio Grande Norte logo aderiram ao movimento. Temendo a fragmentação do território, o governo central combateu violentamente a Confederação do Equador, condenando Frei Caneca à morte por enforcamento, e quando ninguém se dispôs a aplicá-la, por fuzilamento. A brutalidade empregada na contenção do movimento contribuiu para o desgaste da figura de D. Pedro I, tido como liderança autoritária. Figura 15 - A Execução de Frei Caneca, por Murillo La Greca, 1924. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 31 6.5. Crise do Primeiro Reinado Em 1831, D. Pedro I chegou a formar o Ministério Brasileiro, com o intuito de diminuir seu desprestígio naquele momento. Em seguida, ele o substituiu por um ministério composto por portugueses, o Ministério dos Marqueses (ou Ministério dos Medalhões). Isso serviu para irritar ainda mais setores diversos da sociedade, que o pressionaram até que ele abdicasse do poder, em 1831. Para que situação chegasse a isso, vejamos quais fatores antecederam sua abdicação: Guerra da Cisplatina (1825-1828) → Anexada ao Brasil por D. João VI, a província da Cisplatina deu início a uma luta pela sua independência, contando com o apoio da República das Províncias Unidas do Prata (Argentina), que tinha pretensões de absorvê-la. Os altos custos levaram ao Brasil à uma crise econômica, e a sua derrota fez com que os comandantes militares, sentindo-se desmoralizados, passassem a se opor ao imperador. Com mediação da Inglaterra nas negociações, a Cisplatina passou a se chamar República Oriental do Uruguai, um Estado-tampão criado para equilibrar os interesses geoestratégicos envolvendo Brasil e Argentina. Assassinato do jornalista Líbero Badaró→ Ferrenho adversário da monarquia, sua morte, atribuída aos partidários de D. Pedro I, comoveu o país. Quando o imperador visitou Ouro Preto (MG), foi friamente recebido pelos seus habitantes, que silenciosamente homenagearam a memória do falecido. Noite das Garrafadas → de volta ao Rio, os partidários de D. Pedro resolveram organizar uma recepção de apoio, mas sofreram a reação dos brasileiros. Em março de 1831, os dois grupos se enfrentaram com paus, pedras e garrafas nas ruas do Rio de Janeiro. Crise sucessória em Portugal → Apesar da renúncia de D. Pedro I do trono português, a morte de D. João VI reacendeu o medo das elites de que o Brasil pudesse ser recolonizado, especialmente após o imperador cogitar o envio de tropas para seu antigo país, para que lutassem contra o irmão, D. Miguel, e garantissem a ascensão de sua filha, Maria da Glória, ao trono português. Isolado e pressionado por setores diversos, D. Pedro I abdicou em 7 de abril de 1831, em favor de seu filho, Pedro de Alcântara, que contava com 5 anos de idade. Dada sua impossibilidade de assumir a condução do Império, foi seguido o que ditava a Constituição de 1824: um grupo de políticos, chamados de regentes, assumiram o governo até que o jovem príncipe atingisse a maioridade. Devido a isso, o período que vai de 1831 até 1840 ficou conhecido como período regencial. ATENÇÃO: A crise do Primeiro Reinado acompanhou o cenário de transformações verificados em outras partes do mundo. Com o intuito de criticar D. Pedro I, alguns de seus opositores faziam referência ao rei Carlos X da França, deposto em junho de 1830 por ser considerado autoritário. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 32 7. PERÍODO REGENCIAL (1831-1840) Quando D. Pedro I abdicou do trono brasileiro em favor de seu filho, o jovem Pedro de Alcântara contava com apenas 5 anos de idade. Dada sua impossibilidade de assumir a condução do Império, foi seguido o que ditava a Constituição de 1824: um grupo de políticos, chamados de regentes, assumiram o governo até que o jovem príncipe atingisse a maioridade. Devido a isso, o período que vai de 1831 até 1840 ficou conhecido como período regencial. Figura 16 - Aclamação de D. Pedro de Alcântara por populares, no dia da abdicação de seu pai, D. Pedro I. Litografia de Thierry Frères, 1839. Fonte: Biblioteca Nacional Digital. Podemos subdividir o período regencial da seguinte forma: Inicialmente foi formada uma Regência Trina Provisória, que governou o país até o momento em que a Assembleia Geral se reuniu para eleger uma nova tríade de representantes do Executivo – a Regência Trina Permanente. Vale destacar que como o poder moderador continuava a existir no período, mas ninguém o exercia. Entre 1831 e 1834, as elites políticas se dividiram em três grupos políticos distintos: Regência Trina Provisória (1831) Regência Trina Permanente (1831-1835) •Guarda Nacional •Ato Adicional de 1834 Regência Una de Feijó (1835-1837) Regência Una de Araújo Lima (1837- 1840) •Lei de Interpretação do Ato Adicional (1840) • Golpe da Maioridade t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 33 GRUPO POLÍTICO COMPOSIÇÃO SOCIAL OBJETIVOS ASSOCIAÇÕES E JORNAIS RESTAURADORES (OU CARAMURUS) Comerciantes portugueses, militares e funcionários públicos. Defendem o retorno de D. Pedro I ao poder (até a sua morte, em 1834); Defendem um regime absolutista e centralizador (sem autonomia para as províncias). Publicam suas ideias no jornal O Caramuru; Se mantêm organizados na Sociedade Conservadora. LIBERAIS MODERADOS (OU CHIMANGOS) Grandes proprietários de terras, sobretudo dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Querem manter a unidade territorial do Brasil, a monarquia constitucional a escravidão e a ordem social Muitos desejam maior autonomia para as províncias. Publicam suas ideias no jornal Aurora Fluminense. Se mantêm organizados na Sociedade Defensora. LIBERAIS EXALTADOS (OU JURUJUBAS) Profissionais liberais, pequenos comerciantes,funcionários públicos, padres e membros das camadas médias urbanas. Lutavam pela ampla autonomia administrativa (federalismo). Muitos eram republicanos. Publicam suas ideias nos jornais A Sentinela da Liberdade, A Malagueta e A República. Se mantêm organizados na Sociedade Federalista. COTRIM, Gilberto. História global. 11ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 451. ATENÇÃO: Dizemos que a administração é centralizadora (ou unitarista) quando não prevê autonomia para as províncias – ou seja, os Estados. Com isso, o Rio de Janeiro, capital do país, era o principal espaço de tomada de decisões, enquanto as províncias não dispunham de poder de decisão. Chama- se federalismo o sistema administrativo que concede poder decisório às províncias, ou seja, que descentraliza a administração. Neste período, em que predominaram os liberais moderados, a figura política que merece destaque é o ministro da Justiça, o padre Diego Feijó. Vejamos os principais acontecimentos: Criação da Guarda Nacional: idealizada por Feijó, tinha entre seus objetivos a defesa da Constituição, a manutenção da ordem pública e da unidade territorial. Trata-se de uma força paramilitar, composta por cidadãos votantes e eleitores. O título mais alto era o de coronel, exercido por grandes proprietários. Sua criação garantiu às elites fundiárias poder armado para conter as rebeliões do período, o que acabou por inviabilizar a estruturação do Exército.3 Aprovação da Lei Feijó, que declarou livres os escravos vindos de fora do Império e impôs penas aos traficantes. A medida buscou proibir o tráfico de escravos e estabelecia que os cativos fossem enviados de volta à África. Contudo, o contrabando continuou a acontecer nos anos seguintes, o que levou muitos historiadores a afirmarem que se tratava de uma “lei para inglês ver”, em referência à pressão feita pelos britânicos pelo fim da escravidão. Criação do Código do Processo Criminal, que garantiu maiores atribuições aos juízes de paz, magistrados eleitos pelas paróquias que passam a ter o poder de julgar, prender e soltar réus em 3 O alistamento na Guarda Nacional era obrigatório, podendo seus membros serem dispensados de também servirem ao Exército. Essa instituição continuou a existir até 1922, quando foi extinta. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 34 âmbito local. O Código também estabeleceu regras para o processo eleitoral e a composição da Guarda Nacional. Aprovação do Ato Adicional (1834), que introduzia as seguintes mudanças na Constituição: → criação das Assembleias Legislativas Provinciais, órgãos que conferiam maior autonomia das províncias em relação ao poder central – em outras palavras, era uma medida federalista, pois descentralizava a administração do Império. → extinção do Conselho de Estado, órgão consultivo do Poder Moderador – como não havia imperador na época, não fazia sentido mantê-lo; → transformação do Rio de Janeiro, sede da Corte, em município neutro – isso garantiu que a capital não se submetesse ao governo da Província do Rio de Janeiro, com capital em Niterói; → adoção do modelo de regência una, sendo estabelecido mandato de quatro anos para o cargo de regente. Por apresentar tais características, para muitos historiadores acreditam que ela representou uma “experiência republicana” vivenciada durante o Império. → manutenção do senado vitalício. O Ato Adicional foi fruto da conciliação entre os grupos liberais, na medida em que garantia certa descentralização administrativa por meio da criação das Assembleias Provinciais, mas agradou os regressistas ao manter a vitaliciedade do Senado. A partir deste adendo à Constituição, a classe política passou a se organizar em dois grupos: os progressistas, antigos liberais exaltados favoráveis à autonomia provincial e à descentralização política. O grupo era favorável às medidas do Ato Adicional de 1834. e os regressistas, moderados e caramurus que se unem em defesa da centralização política por acreditarem que o projeto oposto ameaçava a unidade do Império. O grupo queria diminuir a autonomia concedida pelo Ato Adicional de 1834. 7.1. Regência Una O primeiro regente uno foi o padre Feijó, que exerceu seu mandato entre 1835 e 1837. A passagem pelo cargo foi marcada por grandes turbulências, pois no período diversas revoltas eclodiram por todo o país. Sua renúncia representou o fim do avanço liberal (1831-1834), assim denominado pelas diversas medidas liberais adotadas no período. Após sua saída antecipada de Feijó do poder, o cargo foi ocupado por Pedro de Araújo Lima, líder dos regressistas. O período que segue de 1837 até 1840 ficou conhecido como Regresso conservador, e foi marcado pelas tentativas de findar os conflitos que assolavam o país. O gabinete Araújo Lima, apelidado de Ministério das Capacidades, fez aprovar a Lei de Interpretação do Ato Adicional (1840), que diminuiu a autonomia das províncias ao retirar algumas prerrogativas de suas Assembleias. Ele também reviu a descentralização da Justiça promovida pelo Código Criminal ao estabelecer que a Polícia Judiciária fosse controlada pelo Poder Executivo Central e reduzir as competências dos juízes de paz. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 35 7.2. Revoltas do período regencial Entre 1831 e 1848, a unidade territorial foi posta à prova por diversas rebeliões que eclodiram por todo o Império. A seguir encontram-se a as mais importantes4 para a compreensão do período: CONFLITO DURAÇÃO LOCALIZAÇÃO PARTICIPANTES REVOLTA DOS MALÊS 1835 Salvador, Bahia Escravos CABANAGEM 1835-1840 Grão-Pará Camponeses, indígenas e escravos GUERRA DOS FARRAPOS 1835-1845 Rio Grande do Sul e Paraná Estancieiros e charqueadores SABINADA 1837-1838 Salvador, Bahia Camadas médias urbanas. BALAIADA 1838-1841 Maranhão e Piuaí Proprietários, camponeses e escravos. Fonte: CARVALHO, 2012, p. 250. 4 Caso você planeje cursar uma instituição com vestibular próprio, pode ser que outras revoltas sejam demandadas, ou mesmo uma abordagem mais aprofundada de algumas que trataremos aqui. Se ficar na dúvida, me procure no Fórum de Dúvidas! • Da Regência Trina Permanente até a Regência Una de Feijó; • Concede autonomia às províncias; AVANÇO LIBERAL (1831-1837) • Corresponde à Regência Una de Araújo Lima; • Centraliza a administração. REGRESSO CONSERVADOR (1837-1840) t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 36 Revolta dos Malês (1835) Na madrugada do dia 25 de janeiro de 1836, cerca de 600 escravizados muçulmanos, denominados malês, armados com porretes e armas brancas tomaram a cidade de Salvador. Começava a maior revolta de escravos de nossa história. Como os malês, sabiam ler e escrever em árabe, puderam organizar a revolta sem chamar a atenção das autoridades. De acordo com um dos participantes, seu objetivo era eliminar todos os brancos e pardos da cidade, instaurando uma ordem islamizada e mantendo escravos de outras etnias na mesma condição. Cerca de 70 rebeldes morreram em combate pelas ruas da capital baiana, enquanto outros 500 foram severamente punidos com castigos físicos, degredos, prisões ou morte. Nota do professor: Em algumas questões, a Revolta dos Malês é entendida como um movimento pelo fim da escravidão, ainda que a maior parte dos historiadores aponte se tratar de um levante que defendia apenas a liberdade dos cativos muçulmanos. Se você se deparar com alguma alternativa que sugira algo do tipo, pode ser que ela seja resposta. Na dúvida, procurea menos incorreta! Além da Revolta dos Malês, outros levantes de escravizados que lutavam pela sua liberdade ocorreram durante o período regencial. Vejamos outros atos de resistência do período: Revolta de Carrancas (1833) → Ocorrida nas fazendas da família Junqueira, freguesia de Carrancas, província de Minas Gerais. Liderados por Ventura Mina, os escravizados se aproveitaram em um momento de disputa política entre caramurus e chimangos para se rebelarem. Revolta de Manoel Congo (1838) → Ocorrida nas fazendas de Paty do Alferes, Rio de Janeiro. Os escravizados foram liderados por Manoel Congo, mas foram contidos pelas tropas do Exército, sobre o comando de Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias. Cabanagem (1835-1840) Em 7 de janeiro de 1835, eclodiu no Grão Pará, na região norte do país, uma revolta liderada por Antônio Vinagre e outros membros das elites locais, na qual se reivindicava maior participação nas decisões do governo central. Com apoio de indígenas tapuios (destribalizados), cabanos (moradores de precárias habitações) e negros, os revoltosos tomaram o palácio em Belém e assassinaram o presidente da província. Um governo cabano chegou a ocupar o poder, mas seu realinhamento com o poder central fez com que caísse no descrédito junto aos cabanos. Escravizados e homens pobres envolvidos não estavam dispostos a baixar armas até que mudanças reais fossem implementadas. Embasados pelas ideias dos liberais exaltados, defendiam o fim da escravidão, melhores condições de vida e autonomia local. Quando o governo imperial recuperou a cidade de Belém, em maio de 1836, os cabanos partiram para o interior da província, onde foram perseguidos e assassinados pelas tropas governistas. Acredita-se que entre 30% e 40% da população do Grão-Pará foi exterminada no conflito. A Cabanagem foi o primeiro popular da História do Brasil a chegar ao poder. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 37 Figura 17 - Sr. Biard se fotografa em Abacaxis, 1862. A imagem mostra como eram as precárias habitações dos apelidados "cabanos". Fonte: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Revolução Farroupilha (1835-1845) A Revolução Farroupilha, também conhecida como Guerra dos Farrapos, ocorreu na província do Rio Grande do Sul, sendo a mais duradoura rebelião do período regencial. Além disso, diferente dos movimentos que vimos até agora, foi protagonizada por membros das elites. A criação de gado e a produção de charque eram as principais atividades econômicas da região, mas há muito estancieiros e charqueadores reclamavam que seus produtos eram mais taxados que os oferecidos pela Argentina e Uruguai. Em 1834, Fernando Braga foi nomeado presidente da província pelo governo regencial, nome que desagradou os proprietários locais pela sua política tributária. Os estancieiros reivindicavam mais autonomia para elegerem seus próprios representantes, o que levou Braga a organizar tropas para conter qualquer ato de rebeldia. A revolta se iniciou em setembro de 1835, liderada por Bento Gonçalves, considerado o nome ideal para a presidência da província, o fazendeiro Davi Canabarro e Giuseppe Garibaldi, chamado de “herói dos dois mundos” devido ao seu envolvimento prévio na unificação italiana. Os rebeldes ficaram conhecidos como farroupilhas devido aos trajes esfarrapados, mas a palavra também passou a significar liberais radicais. Em 1836, os estancieiros tomam o poder e proclamam a República Rio-Grandense, sendo mantidos o voto censitário e a escravidão. Depois de três anos de conflito, os farroupilhas alcançam a província de Santa Catarina, local de fundação da República Juliana. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 38 Em 1845, após a ascensão de Pedro II ao trono brasileiro, um acordo de paz foi negociado entre o barão de Caxias e os revoltosos (o Tratado de Poncho Verde), no qual o governo se comprometeu a conceder anistia a todos os participantes, elevar impostos sobre o charque vindo de outras regiões e aliviar a produção nacional. Os escravos que lutaram no conflito foram alforriados, enquanto os oficiais farroupilhas foram incorporados no Exército brasileiro. Sabinada (1837-1838) O principal elemento que contribuiu para a eclosão do movimento e Salvador foi o alistamento compulsório de cidadãos da província, que forçava muitos indivíduos a lutar contra os rebeldes farroupilhas no sul. Liderado pelo médico Francisco Sabino, o movimento contou com a participação das camadas médias da cidade, incluindo soldados. Eles depuseram o presidente da província em 7 de novembro de 1837, proclamando a República Bahiense. Contudo, a ideia era que a República perdurasse até a ascensão de D. Pedro II ao trono, evidenciando que se tratava de uma revolta contra o governo regencial, e não contra a monarquia. Tropas foram enviadas do Rio de Janeiro, Pernambuco e Alagoas para conter os rebelados, resultando em conflitos que deixaram mais de mil mortos e milhares de presos. Sabino, líder do movimento, foi capturado e levado preso para o Mato Grosso. Balaiada (1838-1841) A província do Maranhão passava por disputa entre cabanos (conservadores) e bem-te-vis (liberais), principais grupos políticos da região, que se intensificou quando Vicente Pires de Camargo, presidente da província e partidário dos cabanos, propôs a chamada “lei dos prefeitos”. Para os bem-te- vis, a ideia seria utilizada para reprimi-los, afinal cada prefeito de comarca passaria indicado por Camargo passaria a ter os mesmos poderes que juízes de paz e chefes de polícia. O estopim da revolta se deu em dezembro de 1838, quando o boiadeiro Raimundo Gomes (“Cara Preta”), trabalhador em uma fazenda de um bem-te-vi, teve um alguns de seus homens presos sob o pretexto de que estavam sendo recrutados para cumprir serviço militar. Na mesma ocasião, seu irmão foi encarcerado. O subprefeito que ordenou a prisão era José do Egito, um cabano adversário do patrão de Raimundo Gomes. Diante disso, o boiadeiro invadiu a cadeia para libertar o irmão e outros presos, partindo para o interior da província. Gomes e seu grupo conquistavam a adesão de escravos fugitivos, miseráveis e bandoleiros, chegando a ter mais de 10.000 participantes. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 39 Conquistando parte do Maranhão e o Piauí, o movimento também contou com outras lideranças populares, como Cosme Bento das Chagas, chefe um quilombo, e Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, fabricante de balaios. A rebelião ficou conhecida como Balaiada em referência ao seu ofício. Na cidade de Caxias, uma junta provisória foi organizada com bem-te-vis e apoiados pelos balaios. Ela exigiu do governo provincial a revogação da lei dos prefeitos, a anistia de todos os participantes da Balaiada, expulsão dos portugueses e que fossem integrados ao Exército com os postos que integravam no movimento. Foram ignorados pelo governo, que passou a ser ocupado pelo coronel Luís Alves de Lima e Silva, o barão de Caxias – o mesmo que combateu os farroupilhas no Rio Grande do Sul. Com 8.000 homens sob seu comando, o barão de Caxias conseguiu sufocar o movimento, sobretudo após oferecer anistia para os balaios que se rendessem. Manuel Francisco morreu em combate, enquanto Raimundo Gomes foi condenado ao desterro. Cosme Vento, por sua vez, foi condenado à forca. 7.3. O golpe da maioridade Para muitos membros da elite letrada em 1840, a antecipação da maioridade de D. Pedro II, na época com 14 anos de idade, era a única solução para pacificar as revoltas que assolavam o território brasileiro durante os governos regenciais. Aideia foi capitaneada principalmente por políticos liberais opositores da regência de Araújo Lima (1837-1840), que ao formarem o Clube da Maioridade, ambicionavam retornar ao poder junto com o jovem imperador coroado. Quanto aos conservadores, comprometidos com a aprovação da Lei de Interpretação do Ato Adicional, buscaram ganhar tempo, mas também aderiram à formalização da maioridade. Dessa maneira, em 24 de julho de 1840 é aprovado o Golpe da Maioridade, que levou à coroação antecipada de D. Pedro, em julho de 1841, e o retorno dos liberais ao poder. Antes de avançarmos, que tal testar os seus conhecimentos? Cite os principais pontos da Constituição de 1824. Explique a causa e os objetivos da Confederação do Equador, em 1824. Cite os governos que compõem o período regencial e seus principais acontecimentos. Cite as principais transformações empreendidas pelo Ato Adicional de 1834. Explique o que era a Guarda Nacional. Descreva os principais grupos políticos formados durante o período regencial. Destaque as principais causas, objetivos das revoltas regenciais. Figura 18 - Fabricantes de balaio no século XIX, por Victor Frond. Este era o trabalho de Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, um dos principais líderes da maior revolta popular do Maranhão. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 40 Historiografia sobre o período regencial É muito comum que o período regencial seja tradicionalmente visto sob uma perspectiva negativa, caracterizado como uma época caótica e de grande radicalismo político, incluindo das camadas populares. Essa concepção começou a ser traçada pelos próprios historiadores políticos que viveram o período, como o visconde do Uruguai e Joaquim Nabuco. Historiadores mais recentes, no entanto, concebem o período como uma espécie de “laboratório” político e social, quando fórmulas políticas fora elaboradas, defendidas e testadas pelos mais distintos estratos sociais. Grupos populares, até então marginalizados da participação ativa, entram em cena para expor as suas demandas. 8. LISTA DE QUESTÕES 8.1. Unesp 1. (2021/Unesp) Artigo 1º – Todos os escravos, que entrarem no território ou portos do Brasil, vindos de fora, ficam livres [...]. Artigo 2º – Os importadores de escravos no Brasil incorrerão na pena corporal do artigo cento e setenta e nove do Código Criminal, imposta aos que reduzem à escravidão pessoas livres [...]. (Lei de 7 de novembro de 1831. https://camara.leg.br.) A Lei de 7 de novembro de 1831, também conhecida como “Lei Feijó”, a) proporcionou a imediata superação da escravidão no Brasil, que se consolidou com a entrada maciça de imigrantes europeus a partir da década de 1870. b) teve efeito reduzido, pois o tráfico internacional de escravos e a entrada de mão de obra africana no território brasileiro persistiram nos governos sucessivos do país até a metade do século XIX. c) foi promulgada por pressão da Coroa inglesa, que determinou que navios britânicos apreendessem todas as embarcações suspeitas de tráfico de escravizados. d) proibiu a escravidão no Brasil, embora a escassez de mão de obra assalariada tenha levado à manutenção do emprego de mão de obra de escravizados até a década de 1880. e) resultou da guinada ocorrida no Período Regencial, quando o Brasil assumiu diretrizes liberais e ilustradas na condução da política econômica e no reconhecimento dos direitos humanos. 2. (2021/Unesp) O processo de formação e consolidação dos Estados nacionais na América hispânica, nas duas primeiras décadas do século XIX, envolveu a) a participação militar direta dos Estados Unidos. b) a intermediação diplomática do Império brasileiro. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 41 c) a disputa entre projetos unitários e federalistas. d) o prevalecimento das tradições culturais indígenas. e) o franco apoio da Igreja católica aos novos Estados 8.2. Vestibulares 1. (UNIFOR/2022) Observe a imagem e o texto a seguir. Disponível em: http://fabiopestanaramos.blogspot.com/2010/12/instalacao-da-corte-portuguesa-e.html. Acesso em: 29 Out 2021. “A viagem da corte portuguesa estendeu-se por 54 dias, e, no dia 22 de janeiro de 1808, a embarcação de d. João chegou a Salvador. Da antiga capital do Brasil, D. João já tomou a primeira medida que mudaria o curso da história brasileira: ele decretou a abertura dos portos às nações amigas, no dia 28 de janeiro. Depois de uma breve estadia em Salvador, D. João foi para o Rio de Janeiro, chegando lá no dia 8 de março. As outras embarcações foram chegando nos dias seguintes (uma tempestade havia separado elas). A chegada da corte ao Brasil inaugurou o Período Joanino, durante o qual D. João esteve no Brasil. A abertura dos portos foi apenas a primeira de várias medidas tomadas pelo regente português e que mudaram radicalmente a história brasileira.” Fonte: Vinda da família real para o Brasil. 2013 (pág. 5), disponível em Acesso em 28 Out 2021. Sobre a vinda da família real para o Brasil e o período em questão, assinale a alternativa correta. (A) A transferência da corte portuguesa para o Brasil teve relação indireta com os acontecimentos da Revolução Francesa e do período napoleônico. (B) A transferência da Família Real para o Brasil se deu pela recusa de Portugal em obedecer às ordens da França e aderir ao Bloqueio Continental, instituído com o objetivo de prejudicar os ingleses, em 1806. (C) Em 1801, houve a Guerra das Laranjas entre Portugal e França. (D) Nessa época, ocorreu a integração das elites políticas regionais, para a formação de um projeto político separatista de cunho republicano. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 42 (E) O letramento de mulatos e imigrantes era importante para as necessidades do trabalho na cidade durante os anos de 1808 a 1810. 2. (2022/FGV) “Se é verdade que na época da chegada de d. João já havia instituições na colônia, com a corte estacionada nos trópicos o processo se tornava muito mais complexo.” SCHWARCZ, L. e SARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, p. 183 Sobre as transformações ocorridas com o estabelecimento da família real portuguesa no Brasil em 1808, pode-se afirmar: a) Implementou-se a política econômica da liberdade de comércio com todas as nações europeias e latino- americanas. b) Foi criado o Banco do Brasil como instrumento financeiro para as atividades econômicas amplificadas com a presença da corte portuguesa. c) Teve início um projeto para a abolição da escravidão em todo o território brasileiro e para o fim do tráfico negreiro. d) Estabeleceu-se uma rede de ensino no Rio de Janeiro com o intuito de ampliar a escolarização da população da capital. e) Fortaleceu-se a condição colonial tanto do ponto de vista das instituições de controle quanto das atividades econômicas. 3. (2021/FGV) As independências das colônias da América Ibérica tiveram aspectos semelhantes e particularidades locais. Entre as semelhanças mais relevantes, pode-se citar a) a ruptura política sem uma revolução comparável nas estruturas sociais do período colonial. b) a oposição manifesta dos libertadores aos princípios revolucionários da filosofia iluminista. c) a ausência de participação de significativos movimentos populares nos processos independentistas. d) a manutenção dos laços comerciais privilegiados com a economia das antigas metrópoles. e) a importância ideológica do projeto futuro de unificação política dos povos americanos. 4. (2020/Enem Digital) Depois da Independência, em 1822, o país enfrentaria problemas que comfrequência emergiram durante a formação dos Estados nacionais da América Latina. Em muitas regiões do Brasil, essas divergências foram acompanhadas de revoltas, inclusive contra o imperador D. Pedro I. Com a abdicação deste, em 1831, o país atravessaria tempos ainda mais turbulentos sob o regime regencial. REIS, J. J. Rebelião escrava no Brasil: a história do Levante dos Malês em 1835. São Paulo: Cia. das Letras, 2003 (adaptado). A instabilidade política no país, ao longo dos períodos mencionados, foi decorrente da(s) a) disputas entre as tendências unitarista e federalista. b) tensão entre as forças do Exército e Marinha nacional. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 43 c) dinâmicas demográficas nas fronteiras amazônica e platina. d) extensão do direito de voto aos estrangeiros e ex-escravos. e) reivindicações da ex-metrópole nas esferas comercial e diplomática. 5. (2020/Enem) O movimento sedicioso ocorrido na capitania de Pernambuco, no ano 1817, foi analisado de formas diferentes por dois meios de comunicação daquela época. O Correio Braziliense apontou para o fato de ser “a comoção no Brasil motivada por um descontentamento geral, e não por maquinações de alguns indivíduos”. Já a Gazeta do Rio de Janeiro considerou o movimento como um “pontual desvio de norma, apenas uma 'mancha' nas 'páginas da História Portuguesa", tão distinta pelos testemunhos de amor e respeito que os vassalos desta nação consagram ao seu soberano”. JANCSÓ, I; PIMENTA, J. P. Peças de um mosaico. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500- 2000). São Paulo: Senac, 2000 (adaptado). Os fragmentos das matérias jornalísticas sobre o acontecimento, embora com percepções diversas, relacionam-se a um aspecto do processo de independência da colônia luso-americana expresso em dissensões entre a) quadros dirigentes em torno da abolição da ordem escravocrata. b) grupos regionais acerca da configuração político-territorial. c) intelectuais laicos acerca da revogação do domínio eclesiástico. d) homens livres em torno da extensão do direito de voto. e) elites locais acerca da ordenação do monopólio fundiário. 6. (2020/UFRGS) Estes líderes, geralmente de origem militar, oriundos, em sua grande maioria, da desmobilização dos exércitos que combateram nas guerras de independência, de 1810 em diante, provinham, em certos casos, de estratos sociais inferiores ou de grupos étnicos discriminados (mestiços, índios, mulatos, negros). […]. Valiam-se do seu magnetismo pessoal na condução das tropas, que haviam recrutado geralmente nas áreas rurais e mantinham como reses requisitadas em ações guerreiras, seja contra o ainda mal consolidado poder central, seja contra os seus iguais [...]". BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, GianFranco. Dicionário de Política. 13. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2007. O segmento faz referência a uma categoria que designa os líderes políticos e os chefes militares que, após os movimentos de emancipação da América espanhola, tornaram-se governantes personalistas de suas nações ou regiões. Assinale a alternativa correta que apresenta essa categoria. a) Chapetones b) Inconfidentes c) Criollos d) Alcaldes e) Caudilhos t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 44 7. (2019/Enem-PPL) A população africana residente nesta província, bem como a de todo o Império, compõe-se de indivíduos de diferentes lugares da África que variam em costumes e religiões; a que aqui segue o maometismo, à qual pertencemos, é uma população pequena, porém, distinta entre si, e notando a necessidade de sustentarmos nosso culto e fundados ainda no artigo 5º da Constituição do Império, requeremos ao sr. chefe de polícia licença para exercermos o culto. REIS, J. J.; GOMES, F. S.; CARVALHO, M. J. M. O Alufá Rufino: tráfico, escravidão e liberdade no Atlântico negro (1822-1853). São Paulo: Cia. das Letras, 2010 (adaptado). O pedido de um grupo de africanos de Recife ao chefe de polícia local tinha como objetivo, naquele contexto, a) criticar a doutrina oficial. b) professar uma fé alternativa. c) assegurar a cidadania política. d) legalizar os terreiros de candomblé. e) eliminar algumas tradições culturais. 8. (2019/Enem) Art. 90. As nomeações dos deputados e senadores para a Assembleia Geral, e dos membros dos Conselhos Gerais das províncias, serão feitas por eleições, elegendo a massa dos cidadãos ativos em assembleias paroquiais, os eleitores de província, e estes, os representantes da nação e província. Art. 92. São excluídos de votar nas assembleias paroquiais: I. Os menores de vinte e cinco anos, nos quais se não compreendem os casados, os oficiais militares, que forem maiores de vinte e um anos, os bacharéis formados e os clérigos de ordens sacras. II. Os filhos de famílias, que estiverem na companhia de seus pais, salvo se servirem a ofícios públicos. III. Os criados de servir, em cuja classe não entram os guarda-livros, e primeiros caixeiros das casas de comércio, os criados da Casa Imperial, que não forem de galão branco, e os administradores das fazendas rurais e fábricas. IV. Os religiosos e quaisquer que vivam em comunidade claustral. V. Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz, indústria, comércio, ou emprego. BRASIL. Constituição de 1824. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 4 abr. 2015 (adaptado). De acordo com os artigos do dispositivo legal apresentado, o sistema eleitoral instituído no início do Império é marcado pelo(a) a) representação popular e sigilo individual. b) voto indireto e perfil censitário. c) liberdade pública e abertura política. d) ética partidária e supervisão estatal. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 45 e) caráter liberal e sistema parlamentar. 9. (2019/Enem) Entre os combatentes estava a mais famosa heroína da Independência. Nascida em Feira de Santana, filha de lavradores pobres, Maria Quitéria de Jesus tinha trinta anos quando a Bahia começou a pegar em armas contra os portugueses. Apesar da proibição de mulheres nos batalhões de voluntários, decidiu se alistar às escondidas. Cortou os cabelos, amarrou os seios, vestiu-se de homem e incorporou-se às fileiras brasileiras com o nome de Soldado Medeiros. GOMES, L. 1822. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010. No processo de Independência do Brasil, o caso mencionado é emblemático porque evidencia a a) rigidez hierárquica da estrutura social. b) inserção feminina nos ofícios militares. c) adesão pública dos imigrantes portugueses. d) flexibilidade administrativa do governo imperial. e) receptividade metropolitana aos ideais emancipatórios. 10. (2019/UFRGS) Leia o trecho abaixo. O propósito de muitos, se não da maioria, dos conflitos políticos da América espanhola, no período posterior à independência, foi simplesmente determinar quem deveria controlar o Estado e seus recursos. Não obstante, surgiram outras importantes questões políticas que variaram de país para país em caráter e importância. Entre 1810 e 1845, a discussão sobre estrutura centralista e federalista do Estado foi fonte de violento conflito no México, na América Central e na região do Prata. SAFFORD, Frank. Política, ideologia e sociedade na América espanhola dos pós independência. In: BETHELL, Leslie. História da América Latina, vol. III: da Independência até 1870. São Paulo: Edusp, 2001. p. 369. O segmento faz menção aos conflitos que se seguiram às independências na América Espanhola. Assinale a alternativa que indica algumas das consequências desses confrontos.a) O conflito entre federalistas e centralistas resultou em governos constitucionalmente frágeis e politicamente instáveis em quase toda a região, durante parte do século XIX. b) A recolonização da região pela Espanha, dada a fragilidade institucional das novas repúblicas independentes. c) O surgimento de governos democráticos e com ampla participação popular, ainda no século XIX, como uma das formas de resolução desses conflitos políticos. d) A estruturação de monarquias centralizadas por toda a região, após o fracasso político das repúblicas independentes. e) A vitória dos movimentos federalistas e a derrota definitiva dos projetos centralistas e autoritários que se opunham a eles 11. (CEFET – 2019) Nos primeiros anos após a Independência do Brasil, formou-se um governo dissidente em 2 de julho de 1824. Apoiado pelas classes populares urbanas, por negociantes do Recife e proprietários rurais ligados à t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 46 cultura do algodão, o movimento buscou reunir Pernambuco às províncias do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e estender sua ação até o Piauí e Ceará com um governo federativo e republicano. MUGGIATI, Roberto (coord.). A construção do Brasil. Revista Nossa História, vol. Único, São Paulo, 2006. p. 49. A consolidação do Império Brasileiro pós-independência foi marcada, desde o início, por conflitos em torno de um modelo de Estado centralizado, resultando na eclosão de movimentos de resistência. A qual movimento dessa natureza esse texto faz menção? a) Balaiada b) Sabinada c) Revolta dos Malês d) Confederação do Equador 12. (UFU/2019) “[...] foi o mais notável movimento popular do Brasil. O único em que as camadas mais inferiores da população conseguiram ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade. [...] primeira insurreição popular que passou da simples agitação para uma tomada efetiva de poder.” PRADO JÚNIOR, Caio. Evolução Política do Brasil e outros estudos. São Paulo: Brasiliense, 1975. p. 69. (Adaptado) A citação acima diz respeito à Cabanagem, uma das principais revoltas ocorridas no chamado Período Regencial Brasileiro. Acerca desse movimento, é correto afirmar que A) ocorreu na cidade de Salvador, em 1835, com significativa participação de africanos escravizados de origem muçulmana. O levante durou menos de 24 horas e foi duramente reprimido. Os revoltosos sobreviventes foram mortos, presos ou degradados. B) ocorreu no Maranhão entre os anos de 1838 e 1841 e foi liderado por homens pobres (com apoio de escravos, de vaqueiros e mesmo de alguns fazendeiros) que enfrentaram grandes proprietários de terra, comerciantes e autoridades políticas. C) ocorreu na província da Bahia entre os anos de 1837 e 1838. Seu objetivo era, dentre outros, a criação de uma república de caráter transitório até que Dom Pedro II alcançasse a maioridade. D) ocorreu na província do Grão-Pará, entre 1835 e 1840, em decorrência da exploração sofrida pelos trabalhadores submetidos a um regime de trabalho de semiescravidão. Esses foram violentamente reprimidos e aproximadamente 30 mil pessoas morreram assassinadas por tropas imperiais e em incêndios. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 47 13. (CEFET – 2018) A classe dominante brasileira era, em sua maioria, conservadora (...). Desejava manter as estruturas econômicas e sociais coloniais baseadas no sistema agrícola, na escravidão e na exportação de produtos agrícolas tropicais para o mercado europeu. Contudo, havia nas cidades (...) alguns liberais que esperavam mudanças mais profundas na política e na sociedade: soberania popular, democracia e mesmo uma república. (BETHELL, Leslie. A independência do Brasil. In: História da América Latina. São Paulo: EDUSP, 2009. V. 3, p. 213.) A aceitação de D. Pedro pela elite senhorial, como líder do processo de independência do Brasil, eclodido em 1822, visava a a) manter nosso país sob a tutela da metrópole lusitana. b) evitar transformações mais bruscas na ordem social e política. c) defender a República como sistema de governo para o novo país. d) impossibilitar a escolha do regime monárquico após a emancipação. 14. (Mackenzie/2018) “Em agosto de 1791, passados dois anos da Revolução Francesa e dos seus reflexos em São Domingos, os escravos se revoltaram. Em uma luta que se estendeu por doze anos, eles derrotaram, por sua vez, os brancos locais e os soldados da monarquia francesa. Debelaram também uma invasão espanhola, uma expedição britânica com algo em torno de sessenta mil homens e uma expedição francesa de semelhantes dimensões comandada pelo cunhado de Bonaparte. A derrota da expedição de Bonaparte, em 1803, resultou no estabelecimento do Estado negro do Haiti, que permanece até os dias de hoje”. C. L. R. James. Os jacobinos negros: Toussaint L’Ouverture e a revolução de São Domingos. São Paulo: Bomtempo, 2000, p.15 Acerca da independência do Haiti e de seus reflexos em outras regiões da América, assinale a alternativa correta. a) O movimento foi realizado sob a égide dos ideais liberais e nacionalistas, defendidos, por sua vez, pelo Iluminismo francês. Seu sucesso foi determinante para a realização de importantes transformações estruturais nas sociedades das novas nações latino-americanas. b) Trata-se de uma articulação escrava que, sob influência direta dos interesses geopolíticos estadunidenses e dos ideais iluministas, colocou em xeque o controle francês sobre a ilha. Seu sucesso incentivou o surgimento do movimento zapatista, em 1994. c) Resultado de insatisfações sociais e políticas da população escrava, demonstrou a força popular no contexto do surgimento dos Estados nacionais na América Latina. Seu sucesso influenciou Simon Bolívar e San Martín a iniciarem as lutas pelas independências na América do Sul. d) Apesar de seu sucesso, o movimento resultou na ascensão de governantes corruptos que, longe de resolverem as desigualdades sociais, contribuíram para a consolidação de grupos oligárquicos no poder. Esses aspectos determinaram o surgimento do caudilhismo no contexto da América Latina independente. e) Foi a única revolta escrava bem-sucedida da História americana e as dificuldades que tiveram que superar coloca em evidência a magnitude dos interesses envolvidos. No Brasil, sua influência pôde ser sentida na articulação que levaria à Revolta dos Malês, em 1835. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 48 15. (2018/UFRGS) Sobre a sociedade brasileira no século XIX e a construção do Estado imperial, considere as seguintes afirmações. I - O liberalismo, marcado pela defesa da propriedade privada e livre comércio, foi uma das correntes de pensamento adotadas pelas elites escravocratas brasileiras. II - A unidade nacional, a integridade territorial e a escravidão estão entre os principais pilares da monarquia. III- A nobreza imperial, definida como uma classe social distinta, era um segmento restrito reservado àqueles que possuíam vínculos de consanguinidade com a aristocracia europeia. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) I, II e III. 16. (2018/UFPR) Leia o texto a seguir: É uma ideia grandiosa pretender formar de todo o mundo novo uma só nação com um só vínculo, que ligue suas partes entre si e com o todo. Já que tem uma mesma origem, uma mesma língua, mesmos costumes e uma religião, deveria, por conseguinte, ter um só governo que confederasse os diferentes Estados que haverão de formar-se […]. (Fonte: <http://www.iela.ufsc.br/noticia/sim%C3%B3n-bol%C3%ADvar-e-carta-da-jamaica>.Acesso em: 06 agosto 2017.) Considerando o extrato da “Carta de Jamaica”, de Simón Bolívar, e com base nos conhecimentos sobre as independências na América espanhola, assinale a alternativa correta. a) Os movimentos de independência na América espanhola foram impulsionados pela tentativa de invasão napoleônica no Haiti recém-libertado. A Carta de Jamaica foi o documento que fundamentou esses movimentos. b) Os movimentos de independência foram liderados por mestiços e escravos que ansiavam conseguir a liberdade expulsando os espanhóis. Aproveitando a ausência do rei Fernando VII, encarcerado por Napoleão, Bolívar escreveu a carta na Jamaica, chamando todas as colônias a se unirem para formar uma grande federação contra a coroa espanhola. c) Simón Bolívar foi o grande artífice das independências da América espanhola. Seu carisma e poder de mando permitiram unir todos os movimentos em uma grande frente libertadora, que começou na Argentina em 1816 e chegou até a Colômbia em 1821. d) O projeto de Simón Bolívar era tornar as colônias governadas pela Espanha em uma grande confederação de estados nos moldes das colônias americanas do Norte, porém as diferenças entre alguns líderes no interior do movimento anticolonial não viam com bons olhos esse projeto. e) A Carta de Jamaica foi a primeira declaração de independência das colônias espanholas. Escrita no formato da declaração de independência haitiana, declarava o fim da escravidão nas colônias e a expulsão dos peninsulares das terras americanas. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 49 17. (UFGD/2018) De acordo com o historiador Paulo Pereira de Castro, o período regencial brasileiro (1831-1840) teria sido uma “experiência republicana”. Sobre esse contexto, assinale a alternativa correta. a) Foi um momento marcado por uma relativa estabilidade econômica, na qual a população detinha uma maior participação política, de acordo com o Ato Adicional de 1834. b) Um período em que, embora conturbado politicamente, foram aprovadas algumas medidas de caráter liberal, devido à pressão exercida pela Inglaterra, tais como a reformulação do Código de Processo Criminal, que proibia o tráfico de africanos escravizados. c) Expressa um momento em que o país adotou o sistema republicano de governo, liderado apenas por brasileiros. Tal fato provocou protestos por parte dos monarquistas em quase todas as províncias, nas chamadas rebeliões do período regencial. d) Período de relativa descentralização política, conferindo certa autonomia às províncias, fato evidenciado pela reformulação do Código de Processo Criminal e a instituição do Ato Adicional de 1834. e) Período em que eclodiram diversos levantes nas províncias, protestando contra medidas que visavam ao fortalecimento do poder central, tais como a reformulação do Código de Processo Criminal e a instituição do Ato Adicional. 18. (2017/FGV) Sobre a regência do paulista Diogo Antônio Feijó, entre 1835 e 1837, é correto afirmar que a) o regente conseguiu vencer a eleição devido ao apoio recebido dos produtores de algodão do Nordeste, classe emergente nos anos 1830, o que possibilitou o combate às rebeliões regenciais e o início do processo de centralização político-administrativa. b) o apoio inicial que Feijó recebeu de todas as forças políticas do Império foi, progressivamente, sendo corroído porque o regente eleito mostrou simpatia pelo projeto político da Balaiada, que defendia uma Monarquia baseada no voto universal. c) a opção de Feijó em negociar com os farroupilhas e com a liderança popular da Cabanagem provocou forte reação dos grupos mais conservadores, especialmente do Partido Conservador, que organizaram a queda de Feijó por meio de um golpe de Estado. d) o isolamento político do regente Feijó, que provocou a sua renúncia do mandato, relacionou-se com a sua incapacidade de conter as rebeliões que se espalhavam por várias províncias do Império e com a vitória eleitoral do grupo regressista. e) as condições econômicas brasileiras foram se deteriorando durante a década de 1830 e provocaram um forte desgaste da regência de Feijó, que renunciou ao cargo depois de um acordo para uma reforma constitucional. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 50 8.3. Inéditas 1. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Todos os itens mencionados abaixo foram consequências do Ato Adicional de 1834, exceto: A) o surgimento de dois grupos políticos, os regressistas e o progressistas. B) o fim da vitaliciedade do Senado, o que gerou impasses com os restauradores. C) certa autonomia para as províncias, a partir da criação das Assembleias Provinciais. D) eleição de Feijó como regente uno, após o abandono do modelo trino de regência. E) extinção do Conselho de Estado, órgão consultivo do poder moderador. 2. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) QUADRINHA I Queremos Pedro Segundo Embora não tenha idade A nação dispensa a lei e viva a Maioridade. QUADRINHA II Por subir Pedrinho ao trono, Não fique o povo contente; Não pode ser coisa boa Servindo com a mesma gente. (VAINFAS, 2008, p. 312). Nos versos acima, cantados nas ruas do Rio de Janeiro no ano de 1840, destaca-se A) a defesa do cumprimento da Constituição de 1824, que estabelecia a ascensão de D. Pedro de Alcântara no trono brasileiro quando completasse 18 anos. B) a defesa da realização de uma reforma no Ato Adicional de 1834, com o intuito de permitir a antecipação do processo de coroação de D. Pedro de Alcântara. C) a defesa do projeto político regressista, que encampou a centralização da administração do país e o aceleramento da chegada do príncipe-regente ao trono. D) a defesa da implantação de uma ordem política pautada pelo liberalismo-democrático, a partir da ascensão de D. Pedro II, tutelado pelo Partido Liberal. E) as visões distintas acerca da antecipação da maioridade de D. Pedro, que oscilavam entre esperança por melhorias e a continuidade da crise política. 3. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) A Balaiada, no Maranhão, a Cabanagem, no Grão Pará, e a Sabinada, na Bahia foram alguns dos principais conflitos ocorridos no Brasil durante o chamado período regencial, marcado t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 51 A) por uma fase de transição política resultante da abdicação do Imperador D. Pedro I, em um contexto caracterizado pelo fortalecimento da atividade industrial por ações do Estado. B) por modificações no quadro dos partidos políticos, o que deu margem para a implantação do federalismo, e por transformações na grande propriedade e na mão de obra escrava. C) pela descentralização do poder moderador, que atribuiu aos governos provinciais a responsabilidade de solucionar os impasses da chamada “questão servil”. D) pela extinção do poder moderador e a centralização do poder na figura do regente uno, o que impediu a formação de novos partidos políticos e transformações na estrutura agrária. E) por impasses quanto a administração do Brasil e a formação de novos partidos políticos, o que não comprometeu as estruturais sociais e econômicas estabelecidas anteriormente. 4. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Em meados da década de 1830, o medo do Haiti no Brasil renasceria devido à Revolta dos Malês, em 1835. Em várias partes do Império haveria acusações e repressão, especialmente contra africanos. No Rio de Janeiro, chegou-se a investigar alguns “pretos da ilha de São Domingos”. Denúncias exageradas chegaram a revelar que um “cafre” haitiano, chamado Moiro,convidava os escravos das vilas de Bananal, Areias Barra Mansa e São João Marcos à insurreição. No ano seguinte, foram feitas investigações na freguesia da candelária. GOMES, Flávio dos Santos. Haitianismo no Brasil. In: SCHWARCZ, Lilia; STARLING, Heloisa M. Dicionário da República: 51 textos críticos. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 136. O “medo do Haiti” a que se refere o texto expressa uma preocupação das elites quanto A) a ruptura das estruturas de dominação B) aos impactos nos itens de exportação C) a obtenção de escravizados africanos D) a fragmentação do território nacional E) a irrupção de ideais emancipacionistas 5. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Muito mais do que produto de um simples arranjo das elites, a Revolução do 7 de Abril foi resultado não só das tramas políticas urdidas no Parlamento, nas sociedades secretas, nos quartéis e nos meios letrados da Corte em geral, mas também da forte pressão popular, manifesta nas frequentes manifestações de rua de descontentamento e protesto – envolvendo, por vezes, centenas de pessoas [...]. BASILE, Marcelo. A Revolução do 7 de Abril de 1831: disputas políticas e lutas de representações. Disponível em: < http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364533003_ARQUIVO_Art-ANPUH2013-MarcelloBasile.pdf>. Acesso em 31 maio 2020. Ao analisar o processo de abdicação do imperador D. Pedro I, o autor considera A) o peso exercido pelos partidos políticos. B) a crise econômica legada pela guerra. C) as barreiras existentes na esfera pública. D) a entrada de novos atores políticos. t.me/CursosDesignTelegramhub http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364533003_ARQUIVO_Art-ANPUH2013-MarcelloBasile.pdf ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 52 E) o caráter excludente da arena política. 6. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) O poder moderador de nova invenção maquiavélica é a chave mestra da opressão da nação brasileira e o garrote mais forte da liberdade dos povos: por ele o Imperador pode dissolver a câmara dos deputados, que é a representante do povo, ficando sempre no gozo dos seus direitos o senado, que é a (sic) representante dos apaniguados do Imperador [...]. Os conselhos das províncias são uns meros fantasmas para iludir os povos; porque devendo levar suas decisões à assembleia geral e ao executivo conjuntamente, isto bem nenhum pode produzir às províncias. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141997000100008>. Acesso em: 24 jul. 2020. O trecho acima foi retirado de um discurso de Frei Caneca, uma das principais lideranças da Confederação do Equador. Estão entre as causas do movimento (A) o fechamento da Constituinte e a imposição da Constituição de 1824. (B) a continuidade do sistema escravista pela Carta outorgada em 1824. (C) a adoção da monarquia constitucional como forma de governo. (D) a liberdade de culto instituída pela Constituição de 1824. (E) a supressão da autonomia administrativa desfrutada pelo Nordeste. 7. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) No decorrer da Sabinada, foram ficando claras as tensões raciais que marcavam a política provincial desde pelo menos o fim do século XVIII, expressa em parte das demandas da Conjuração Baiana, de 1798. Há muito tempo eram conhecidas as reclamações de oficiais negros, insatisfeitos com a falta de reconhecimento de seus méritos e exigindo tratamento igual ao recebido pelos brancos. GRINBERG, Keila. Sabinada (1837). In: SCHWARCZ, Lilia; STARLING, Heloisa (orgs). Dicionário da república: 51 textos críticos. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 371. Segundo as informações fornecidas pelo trecho, a Sabinada (A) reproduziu todos os objetivos da Revolta dos Alfaiates. (B) defendia a implantação de uma República provisória. (C) refletiu as tensões raciais da sociedade baiana. (D) defendia autonomia para a província da Bahia. (E) se indispôs contra o alistamento obrigatório na região. t.me/CursosDesignTelegramhub https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141997000100008 ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 53 8. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) TEXTO I Desenho encontrado em um livrinho usado como amuleto por um rebelde morto durante o Levante dos Malês de 1835. Fonte: REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 204. TEXTO II Além de uma colagem de textos corânicos, o criador de um amuleto encontrado no pescoço de um dos rebeldes mortos no Levante Malê de 1835 fez um desenho do que parece ser um barco. Uma possibilidade é que estivesse, ao mesmo tempo, manifestando um desejo de retorno à África. É possível imaginá-lo confiando que, tendo Alá conduzido a humanidade com segurança através do Dilúvio, ele levaria de volta em segurança, através do oceano, os sobreviventes africanos da escravidão baiana. REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. Adaptado. A respeito da rebelião escrava de 1835, protagonizada por cativos e libertos muçulmanos de Salvador, é correto afirmar que a) representou o ideário dos escravizados de dar fim ao sistema escravista na região. b) utilizou-se dos postulados do Islã para a promoção de reformas sociais e econômicas. c) defendia a tomada de embarcações por todos os escravos e o seu retorno para a África. d) propõe a superação da cor enquanto marcador social e sustenta ideais democráticos. e) tomou a religião como linguagem para a mobilização que pleiteava a liberdade. 9. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Embora a ruptura do pacto colonial na América portuguesa e nas possessões espanholas apresente razões e desenlaces idênticos, desde o início chamou a atenção o contraste entre a evolução gradual e relativamente pacífica, no primeiro caso, e a longa e implacável guerra, no segundo. Muito do que depois tomaria a forma do “excepcionalismo brasileiro”. COSTA E SILVA, Alberto (coord.). Crise colonial e independência: 1808-1830, volume 1. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. p. 116. O “expecionalismo brasileiro” no processo de emancipação política, quando comparado com aquelas ocorridos nas possessões espanholas, se verificou (A) na manutenção da estrutura fundiária e da escravidão. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 54 (B) na conservação da monarquia e da unidade territorial. (C) na ausência de conflitos entre portugueses e brasileiros. (D) na obtenção de estabilidade política pelo federalismo. (E) na exclusão da população pelas oligarquias fundiárias. Leia o texto abaixo para responder às questões 10 e 11. O Império estigmatizou a rua como o lugar da desordem. A ela se opunham o Estado e a Casa, os espaços do governo – quais seja, os da ordem pública e privada. Foi vitoriosa a solução “saquarema” que superou os espectros vivenciados na Regência, durante a qual a rua era sentida como o espaço da democracia e da liberdade. Permaneceu o medo da rua, local de escravos e de vadios, de doenças e de sujeira. Na década de 1880, a rua foi ressignificada. Adquiriu um sinal positivo como o espaço do uso público da razão – da crítica, nos termos da época – e como o lugar da verdadeira representação popular. A rua passou a disputar, e vantajosamente no final da década, com o Parlamento o locus do fazer político. MELLO, Maria Tereza Chaves de. A república consentida: cultura democrática e científica do final do Império. Rio de Janeiro: EditoraFGV: Editora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Edur), 2007. Adaptado. 10. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Para o projeto político saquarema, o período regencial representou (A) a superação da influência exercida por lideranças portuguesas no cenário político nacional. (B) um momento decisivo para a implantação de profundas reformas no espaço público. (C) a supressão do poder moderador em favor da supremacia do poder Legislativo. (D) um momento de turbulências que ameaçaram a ordem senhorial e unidade territorial. (E) o ocaso do poderio dos liberais nas províncias e a o triunfo do projeto federalista. 11. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) O processo de ressignificação do espaço público, vivenciado na década de 1880, foi motivado (A) pelo fim do sistema escravista e a promoção de reformas democráticas pelo Legislativo. (B) pela garantia de autonomia às províncias e a ampliação do sistema de transportes. (C) pela ampliação dos canais de comunicação aos militares e a criação do Partido Republicano. (D) pelo crescimento do movimento abolicionista e pela articulação de grupos republicanos. (E) pela extinção do voto censitário e pelo aprimoramento dos sistemas de comunicação. 12. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Foi num dia 25 de janeiro como hoje que centenas de negros escravizados saíram pelas ruas de Salvador promovendo um dos maiores levantes da história do Brasil escravocrata. 186 anos depois daquele dia de 1835, a Revolta dos Malês segue pouca estudada nas escolas, mas em um momento em que os olhos do mundo se voltam para a luta antirracista, ela se mostra mais lembrada do que nunca. Nos últimos anos, t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 55 o levante soteropolitano ganhou livros, HQs (História em Quadrinhos), minissérie, filme, podcasts e se tornou tema de debates políticos por homenagens. CARVALHO, Eric Luis. Resistência: revolta dos malês completa 186 anos mais lembrada do que nunca. Correio, Salvador-BA, 25 jan. 2021. Disponível em: <https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/resistencia-revolta-dos-males-completa-186- anos-mais-lembrada-do-que-nunca/>. Acesso em: 26 jan. 2021. A respeito do Levante dos Malês, é correto afirmar que: a) a rebelião foi conduzida por escravos muçulmanos que lutavam pelo fim do sistema escravista e pela criação de um califado na região de Salvador. b) o episódio manifestou a intolerância religiosa predominante no espaço colonial, o que levou os cativos a pleitearam a livre manifestação de suas crenças. c) a revolta contou com o protagonismo de escravizados e negros livres, que defendiam a implantação de um regime teocrático e a separação da metrópole portuguesa. d) trata-se de um movimento que expressou a resistência de escravos africanos, que defendiam a criação de uma república em caráter provisório e maior autonomia provincial. e) a insurreição foi conduzida por escravizados muçulmanos que lutavam pela sua libertação e defendiam o estabelecimento de uma ordem islâmica na cidade de Salvador. 13. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Desde o período colonial, o Pará foi dominado por um poderoso grupo de comerciantes portugueses, aliado aos altos funcionários civis e militares, também de origem portuguesa. Contra esse núcleo, que resistiu à independência do Brasil, desencadeou-se um movimento com ampla participação popular. KOSHIBA, Luiz; PEREIRA, Denise Manzi Frayze. História do Brasil no contexto da história ocidental. São Paulo: Atual, 2003. p. 248. O fragmento acima descreve o cenário no qual se verificou a eclosão de um conflito em 1835, durante o período colonial, denominado pelos historiadores de: (A) Farroupilha (B) Cabanagem (C) Balaiada (D) Sabinada (E) Revolta dos Malês 14. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) O transplante do Estado português teve importantes consequências porque o Brasil não era mais administrado “de fora”. Com a transferência da Corte, o centro de decisão foi interiorizado e a dispersão colonial se atenuou com o surgimento de um centro aglutinador representado pelo Estado português. Chegamos assim ao que se chamou de inversão brasileira. KOSHIBA, Luiz; PEREIRA, Denise Manzi Frayze. História do Brasil no contexto da história ocidental. São Paulo: Atual, 2003. p. 168. Em relação às mudanças ocasionadas ao Brasil pela transferência da Corte joanina, destacam-se: a) a obtenção de liberdade econômica e de autonomia administrativa em relação à Portugal. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 56 b) o reforço do exclusivo metropolitano e criação de uma unidade federalista no território. c) a garantia do direito à representação para as províncias e a constitucionalização do Império. d) a promoção de uma reforma fundiária e o questionamento da continuidade do tráfico negreiro. e) a garantia de cargos às elites locais e o esgotamento dos movimentos de contestação à Coroa. Leia o texto e observe o mapa para responder às questões 15 e 16. Com a abdicação de D. Pedro I, em 1831, abriu-se com a menoridade do sucessor ao trono brasileiro o período conhecido como o das Regências. Nesses anos, o Brasil foi sacudido por uma série de rebeliões de forte cunho regionalista, constituindo-se em ameaçador perigo da dissolução “da ordem e da unidade”. A mais longa dessas rebeliões foi a Farroupilha (1835-1845), no Rio Grande do Sul, que pôs em risco a manutenção das “fronteiras naturais” do sul do país. O fantasma da perda da Província Cisplatina rondava a corte imperial, e o envolvimento de grupos uruguaios nas lutas indicava a permanência de interesses econômicos e políticos comuns, assim como de fronteiras bastante flexíveis. PRADO, Maria Lígia; PELLEGRINO, Gabriela. História da América Latina. São Paulo: Contexto, 2020. p. 49. 15. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Em relação aos inúmeros levantes verificados no contexto das Regências, é possível considerar que a) houve o predomínio dos interesses de grandes proprietários locais, que estando à frente da maioria dos movimentos do período, impediram a participação das camadas subalternas. b) representou anseios e visões de estratos sociais distintos, cuja atuação foi modulada no período pelas opiniões políticas e projetos de nacionalidade debatidos na esfera pública. c) detiveram como ponto de convergência a transformação drástica das estruturas socioeconômicas, de modo a garantir a inserção de setores historicamente marginalizados no país. d) contribuíram para a adoção e consolidação permanente do modelo federalista no território, o que garantiu a hegemonia local dos grandes proprietários de terras e escravizados. e) defenderam a fragmentação do território e a formação de inúmeras repúblicas, evidenciando o enfraquecimento da autoridade monárquica perante a sociedade brasileira. 16. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) O “fantasma da perda da Província Cisplatina” é associado pelo texto à Farroupilha, em razão a) dos vínculos comerciais entre gaúchos e uruguaios, que ameaçavam os interesses econômicos das demais províncias. b) da atuação dos líderes do movimento em prol do fim do sistema escravista no Brasil, tal qual ocorreu no país limítrofe. c) da crítica à hegemonia portuguesa na economia local, existente tanto no levante quanto no processo de independência do Uruguai. d) das aspirações democratizantes dos grupos que compuseram o movimento, inspiradas no modelo político uruguaio. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃODOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 57 e) da diminuição das dimensões nacionais diante do possível êxito da experiência republicana iniciada pelo movimento. 17. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) A revolta dos escravos em São Domingos está associada aos acontecimentos revolucionários na França de fins do século XVIII, que ocasionaram, em 1794, a proclamação do fim da escravidão nas possessões francesas no ultramar. A deposição de Luís XVI e a instituição da Assembleia Geral, em 1789, haviam encorajado tanto as aspirações autonomistas das elites coloniais nas Antilhas quanto a articulação de negros e mulatos livres. (PRADO, Maria Ligia. História da América Latina. São Paulo: Contexto, 2020. Adaptado.) A participação dos negros e mulatos livres na Revolução da Haiti apresentou, entre seus objetivos: a) a obtenção de direitos sociais no novo Estado. b) a deposição da monarquia absolutista na França. c) a garantia de representação junto à metrópole. d) a aquisição de direitos de participação política. e) a abolição de castigos corporais na ordem escravista. 18. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Brasileiros, e europeus, quem vos demora e quem vos sustém a dar o passo [de] que tanto necessitais; Não tendes tão fortes exemplos nos vossos Irmãos de Portugal; não vedes o heroísmo com que os bravos Portugueses quebraram os grilhões com que se achavam oprimidos [...]. É tempo pois, às Armas, às Armas cidadãos honrados, vamos unir os nossos votos aos dos nossos Irmãos Europeus, de maneira que debaixo da mesma constituição todo o Reino unido de Portugal, Brasil e Algarves, que da felicidade, de que é merecedor, sacudindo o jugo vergonhoso e o despotismo que o oprime. CARVALHO, José Murilo; BASTOS, Lúcia; BASILE, Marcello. Às armas, cidadãos! – Panfletos e manuscritos da independência do Brasil (1820-1823). São Paulo: Companhia das Letras; Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2012. p. 48. O texto acima, extraído de um panfleto escrito em 1821, circulou na cidade de Salvador após o retorno da Corte joanina para Portugal. Ao considerar os acontecimentos recentes, o texto (A) condena o domínio português sobre o Brasil. (B) destaca os malefícios do sistema escravista. (C) sugere a adoção de um regime republicano. (D) defende a emancipação política do território. (E) se alinha aos princípios do liberalismo político. 19. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Uma lei de agosto de 1831 criou a Guarda Nacional, em substituição às antigas milícias. A ideia consistia em organizar um corpo armado de cidadãos confiáveis, capaz de reduzir tanto os excessos do governo centralizado como as ameaças das “classes perigosas”. FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Ed. USP, 2019. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 58 Considerando as atribuições da organização, pode-se dizer que a Guarda Nacional (A) favoreceu as articulações defensoras da descentralização administrativa. (B) estimulou o fortalecimento das Forças Armadas em território brasileiro. (C) restringiu-se à atividade policial e garantiu ao Exército a atuação nas guerras. (D) fortaleceu as elites locais contra os excessos do poder moderador. (E) atuou para garantir a ordem pública e a unidade territorial do Império. 20. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) O período entre o retorno de D. Pedro I a Portugal em 1831 e o fim da Guerra do Paraguai em 1870 é fundamentalmente a história de divisões no interior da elite brasileira quanto aos princípios básicos pelos quais o Brasil deveria ser governado. Essas divisões refletiram-se primeiro numa série de revoltas durante a Regência, que foram atenuadas, mas certamente não extintas no período que se seguiu à coração de Pedro II em 1840. (SKIDMORE, T. São Paulo: Uma história do Brasil. Paz e Terra, 1998. p. 67.) Considerando o contexto do período abordado, pode-se afirmar que as divisões nas elites dirigentes se deram, principalmente, entre (A) democratas e apoiadores do voto censitário. (B) defensores do sufrágio feminino e opositores. (C) republicanos e partidários do absolutismo. (D) unitaristas e entusiastas do federalismo. (E) escravistas e defensores do trabalho livre. 9. GABARITO 9.1. Unesp 1 - B 2 - C 9.2. Vestibulares 1 - B 7 - B 13 - B 2 - B 8 - B 14 - D 3 - A 9 - A 15 - D 4 - A 10 - A 16 - D 5 - B 11 - D 17 - D 6 - E 12 - D 18 - D t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 59 9.3. Inéditas 1 - B 6 - A 11 - D 16 - E 2 - E 7 - C 12 - E 17 - D 3 - E 8 - E 13 - B 18 - E 4 - A 9 - B 14 - A 19 - E 5 - D 10 - D 15 - B 20 - D 10. LISTA DE QUESTÕES COMENTADA 10.1. Unesp 1. (2021/Unesp) Artigo 1º – Todos os escravos, que entrarem no território ou portos do Brasil, vindos de fora, ficam livres [...]. Artigo 2º – Os importadores de escravos no Brasil incorrerão na pena corporal do artigo cento e setenta e nove do Código Criminal, imposta aos que reduzem à escravidão pessoas livres [...]. (Lei de 7 de novembro de 1831. https://camara.leg.br.) A Lei de 7 de novembro de 1831, também conhecida como “Lei Feijó”, a) proporcionou a imediata superação da escravidão no Brasil, que se consolidou com a entrada maciça de imigrantes europeus a partir da década de 1870. b) teve efeito reduzido, pois o tráfico internacional de escravos e a entrada de mão de obra africana no território brasileiro persistiram nos governos sucessivos do país até a metade do século XIX. c) foi promulgada por pressão da Coroa inglesa, que determinou que navios britânicos apreendessem todas as embarcações suspeitas de tráfico de escravizados. d) proibiu a escravidão no Brasil, embora a escassez de mão de obra assalariada tenha levado à manutenção do emprego de mão de obra de escravizados até a década de 1880. e) resultou da guinada ocorrida no Período Regencial, quando o Brasil assumiu diretrizes liberais e ilustradas na condução da política econômica e no reconhecimento dos direitos humanos. Comentários - A alternativa A está incorreta. A extinção legal da escravidão se deu no dia 13 de maio de 1888, a partir da sanção da Lei Áurea pela princesa regente do Império, D. Isabel. - A alternativa B é a resposta. Em novembro de 1831, a regência trina aprovou a Lei Feijó, que declarou livres os escravos vindos de fora do Império e impôs penas aos traficantes. A medida buscou proibir o tráfico de escravos e estabelecia que os cativos fossem enviados de volta à África. Contudo, o contrabando continuou a acontecer por quase três décadas, o que levou muitos historiadores a afirmarem que se tratava de uma “lei para inglês ver”, em referência à pressão feita pelos britânicos pelo fim da escravidão. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 60 - A alternativa C está incorreta, pois faz referência ao chamado Bill Aberdeen lei inglesa aprovada em 1945 que legalizava a captura de navios negreiros no Atlântico pela Marinha britânica, bem como o julgamento de seus capitães. Naquele momento, Cuba e Brasil eram os únicos países do Ocidente a sustentarem o tráfico, o que aumentava a pressão internacional para que a prática fosse banida. - A alternativa D está incorreta, pois a Lei Feijó buscou combater o tráfico negreiro, mas não chegou a propor a extinção do regime escravista do país. - A alternativa E está incorreta, a concepção de direitos humanos foi institucionalizada no Brasil com a Constituição de 1988. Gabarito: B 2. (2021/Unesp) O processo de formação e consolidação dos Estados nacionais na América hispânica, nas duas primeiras décadasdo século XIX, envolveu a) a participação militar direta dos Estados Unidos. b) a intermediação diplomática do Império brasileiro. c) a disputa entre projetos unitários e federalistas. d) o prevalecimento das tradições culturais indígenas. e) o franco apoio da Igreja católica aos novos Estados Comentários - A alternativa A está incorreta. Alguns processos de independência, como o da ilha de Cuba, contaram com o apoio dos Estados Unidos, porém isso não se aplica à maioria deles. - A alternativa B está incorreta, o Brasil não interferiu nos processos de emancipação política do restante do continente. - A alternativa C é a resposta. Após a independência, a maioria dos novos países formados na antiga América Espanhola enfrentaram períodos de grande instabilidade política devido às lutas travadas entre as elites locais, que se dividiram em dois grupos: os defensores de projetos unitaristas – ou seja, de um Estado centralizado – e os federalistas, apoiadores de autonomia regional. - A alternativa D está incorreta, afinal os novos Estados formados pelos processos de independência representaram a ascensão política das elites criollas, que apresentavam traços culturais legados pela colonização espanhola. - A alternativa E está incorreta. Apesar da participação de membros do clero em movimentos de rebeldia, não se pode dizer que a Igreja formalizou seu apoio aos processos de independência. Gabarito: C t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 61 10.2. Vestibulares 1. (UNIFOR/2022) Observe a imagem e o texto a seguir. Disponível em: http://fabiopestanaramos.blogspot.com/2010/12/instalacao-da-corte-portuguesa-e.html. Acesso em: 29 Out 2021. “A viagem da corte portuguesa estendeu-se por 54 dias, e, no dia 22 de janeiro de 1808, a embarcação de d. João chegou a Salvador. Da antiga capital do Brasil, D. João já tomou a primeira medida que mudaria o curso da história brasileira: ele decretou a abertura dos portos às nações amigas, no dia 28 de janeiro. Depois de uma breve estadia em Salvador, D. João foi para o Rio de Janeiro, chegando lá no dia 8 de março. As outras embarcações foram chegando nos dias seguintes (uma tempestade havia separado elas). A chegada da corte ao Brasil inaugurou o Período Joanino, durante o qual D. João esteve no Brasil. A abertura dos portos foi apenas a primeira de várias medidas tomadas pelo regente português e que mudaram radicalmente a história brasileira.” Fonte: Vinda da família real para o Brasil. 2013 (pág. 5), disponível em Acesso em 28 Out 2021. Sobre a vinda da família real para o Brasil e o período em questão, assinale a alternativa correta. (A) A transferência da corte portuguesa para o Brasil teve relação indireta com os acontecimentos da Revolução Francesa e do período napoleônico. (B) A transferência da Família Real para o Brasil se deu pela recusa de Portugal em obedecer às ordens da França e aderir ao Bloqueio Continental, instituído com o objetivo de prejudicar os ingleses, em 1806. (C) Em 1801, houve a Guerra das Laranjas entre Portugal e França. (D) Nessa época, ocorreu a integração das elites políticas regionais, para a formação de um projeto político separatista de cunho republicano. (E) O letramento de mulatos e imigrantes era importante para as necessidades do trabalho na cidade durante os anos de 1808 a 1810. Comentários Questão que demanda conhecimentos sobre a vinda da família real para o Brasil. Vejamos: t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 62 A alternativa A é incorreta, a transferência da corte portuguesa para o Brasil teve relação direta com as invasões napoleônicas na Europa. A alternativa B é correta, a transferência da Família Real estava relacionada ao contexto dos conflitos entre França e Inglaterra na chamada Era napoleônica. Portugal possuía relações comerciais com a Inglaterra e, por isso, não podia decretar o Bloqueio Continental imposto por Napoleão. Como represália, a França invadiu Portugal e a corte teve que fugir às pressas. A alternativa C é incorreta, a Guerra das Laranjas foi um conflito que opôs Portugal à Espanha e à França, mas que foi realizado em 1801. Não possui relação direta com a transferência da corte que ocorreu em 1808. A alternativa D é incorreta, não houve um projeto de cunho separatista e republicano, o motivo do translado está relacionado ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão e não cumprido por Portugal. A alternativa E é incorreta, alternativa descontextualizada, não temos em nenhum momento informações na própria questão sobre mulatos e imigrantes durante a transferência da corte. Gabarito: B 2. (2022/FGV) “Se é verdade que na época da chegada de d. João já havia instituições na colônia, com a corte estacionada nos trópicos o processo se tornava muito mais complexo.” SCHWARCZ, L. e SARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, p. 183 Sobre as transformações ocorridas com o estabelecimento da família real portuguesa no Brasil em 1808, pode-se afirmar: a) Implementou-se a política econômica da liberdade de comércio com todas as nações europeias e latino- americanas. b) Foi criado o Banco do Brasil como instrumento financeiro para as atividades econômicas amplificadas com a presença da corte portuguesa. c) Teve início um projeto para a abolição da escravidão em todo o território brasileiro e para o fim do tráfico negreiro. d) Estabeleceu-se uma rede de ensino no Rio de Janeiro com o intuito de ampliar a escolarização da população da capital. e) Fortaleceu-se a condição colonial tanto do ponto de vista das instituições de controle quanto das atividades econômicas. Comentários - A alternativa A está incorreta, porque o tratado de abertura dos portos se direcionava a apenas algumas nações aliadas de Portugal, excluindo, por exemplo, a França. - A alternativa B está correta. O Banco do Brasil foi criado no ano de 1808, por d. João VI, sendo uma decorrência direta do estabelecimento da família real portuguesa no país. Objetivava a dinamização e amplificação das atividades econômicas no território colonial, especialmente aquelas voltadas para a manufatura. - A alternativa C está incorreta, porque a vinda da família real portuguesa não teve como consequência a abolição da escravidão. Esta só ocorreu em 1888, durante o período imperial. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 63 - A alternativa D está incorreta, porque a chegada da família real portuguesa não trouxe como consequência o estabelecimento de uma rede pública de ensino no Rio de Janeiro. A população continuou excluída do processo de alfabetização neste período. - A alternativa E está incorreta, porque a chegada da família real trouxe como consequência a flexibilização de algumas estruturas de dominação, como é o caso do fim do pacto colonial. Deste modo, houve o enfraquecimento da condição de colônia, permitindo a ascensão de ideais independentistas. Gabarito: B 3. (2021/FGV) As independências das colônias da América Ibérica tiveram aspectos semelhantes e particularidades locais. Entre as semelhanças mais relevantes, pode-se citar a) a ruptura política sem uma revolução comparável nas estruturas sociais do período colonial. b) a oposição manifesta dos libertadores aos princípios revolucionários da filosofia iluminista. c) a ausência de participação de significativos movimentos populares nos processos independentistas. d) a manutenção dos laços comerciais privilegiados com a economia das antigas metrópoles. e) a importância ideológica do projeto futuro de unificação política dos povos americanos.Comentários - A alternativa A está correta. As independências na América Ibérica levaram à ruptura política com as metrópoles europeias. No entanto, não houve um processo similar de ruptura com as estruturas sociais do período colonial. Ou seja, as camadas sociais sofreram poucas ou nenhuma modificação, fator que perpetuou as desigualdades e problemáticas pré-existentes. - A alternativa B está incorreta, porque os processos de independência da América Ibérica foram fortemente influenciados pela filosofia iluminista. - A alternativa C está incorreta, porque alguns processos de independência foram conduzidos com a participação do povo. Esta não é uma característica presente em todos movimentos emancipatórios da América Ibérica. - A alternativa D está incorreta, porque não houve a manutenção dos laços comerciais privilegiados com as metrópoles, já que a maior parte dos países adotou uma agenda liberal que se opunha a esse tipo de conduta econômica. - A alternativa E está incorreta, porque nem todos países compactuavam com este projeto de unificação política dos povos americanos. Portanto, não é um elemento comum. Gabarito: A 4. (2020/Enem Digital) Depois da Independência, em 1822, o país enfrentaria problemas que com frequência emergiram durante a formação dos Estados nacionais da América Latina. Em muitas regiões do Brasil, essas divergências foram acompanhadas de revoltas, inclusive contra o imperador D. Pedro I. Com a abdicação deste, em 1831, o país atravessaria tempos ainda mais turbulentos sob o regime regencial. REIS, J. J. Rebelião escrava no Brasil: a história do Levante dos Malês em 1835. São Paulo: Cia. das Letras, 2003 (adaptado). A instabilidade política no país, ao longo dos períodos mencionados, foi decorrente da(s) a) disputas entre as tendências unitarista e federalista. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 64 b) tensão entre as forças do Exército e Marinha nacional. c) dinâmicas demográficas nas fronteiras amazônica e platina. d) extensão do direito de voto aos estrangeiros e ex-escravos. e) reivindicações da ex-metrópole nas esferas comercial e diplomática. Comentários - A alternativa A é a resposta. Uma das principais questões propulsoras de conflito durante o período regencial foi a administração do território, pois enquanto certos grupos políticos colocaram-se favoráveis à centralização (ou unitarismo), outros defenderam a concessão de autonomia administrativa às províncias (federalismo). Diversas revoltas do período colocaram-se favoráveis ao federalismo, como a Cabanagem, a Revolta dos Malês e a Balaiada. - A alternativa B está incorreta, não são verificados conflitos significativos no interior das Forças Armadas no período. Impasses entre a Marinha e o Exército se deram principalmente durante a República da Espada, ou seja, durante os dois primeiros governos do período republicano. - A alternativa C está incorreta. Conflitos envolvendo as fronteiras amazônica e platina se deram de maneira mais intensa durante o período joanino, quando o príncipe-regente, D. João, ordenou a invasão de Caiena (Guiana Francesa), na região amazônica, e a anexação da Cisplatina (atual Uruguai), na região do Prata. - A alternativa D está incorreta, não se verifica a rediscussão dos critérios de participação política durante o período regencial. - A alternativa E está incorreta, os conflitos que eclodiram durante o período regencial podem ser caracterizados como guerras civis, sem envolver Portugal ou outros países. Gabarito: A 5. (2020/Enem) O movimento sedicioso ocorrido na capitania de Pernambuco, no ano 1817, foi analisado de formas diferentes por dois meios de comunicação daquela época. O Correio Braziliense apontou para o fato de ser “a comoção no Brasil motivada por um descontentamento geral, e não por maquinações de alguns indivíduos”. Já a Gazeta do Rio de Janeiro considerou o movimento como um “pontual desvio de norma, apenas uma 'mancha' nas 'páginas da História Portuguesa", tão distinta pelos testemunhos de amor e respeito que os vassalos desta nação consagram ao seu soberano”. JANCSÓ, I; PIMENTA, J. P. Peças de um mosaico. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500- 2000). São Paulo: Senac, 2000 (adaptado). Os fragmentos das matérias jornalísticas sobre o acontecimento, embora com percepções diversas, relacionam-se a um aspecto do processo de independência da colônia luso-americana expresso em dissensões entre a) quadros dirigentes em torno da abolição da ordem escravocrata. b) grupos regionais acerca da configuração político-territorial. c) intelectuais laicos acerca da revogação do domínio eclesiástico. d) homens livres em torno da extensão do direito de voto. e) elites locais acerca da ordenação do monopólio fundiário. Comentários t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 65 - A alternativa A está incorreta, afinal o texto destaca que o jornal Correio Braziliense considerou a Revolução Pernambucana como um processo que manifestou a insatisfação geral dos habitantes província. Logo, não se trata de um movimento que apenas representou interesses das elites locais. - A alternativa B é a resposta, afinal a Revolução Pernambucana apresentou caráter separatista, ou seja, foi marcada pela tentativa de se separar do Império Português e instituir um governo republicano. Assim sendo, pode-se dizer que o movimento propôs uma nova configuração política e territorial. - A alternativa C está incorreta, afinal a Revolução Pernambucana contou com a participação de diversos clérigos, chegando a ficar conhecida como Revolução dos Padres. - A alternativa D está incorreta, afinal trata-se de um movimento que propõe a ruptura política da região de Pernambuco com o restante do Império Português. Ademais, não se garantiu o direito ao voto aos súditos situados no espaço colonial e em um sistema absolutista. - A alternativa E está incorreta, afinal a Revolução foi marcada pela insatisfação diante da situação socioeconômica da região e a elevada carga tributária imposta pelo governo joanino. Gabarito: B 6. (2020/UFRGS) Estes líderes, geralmente de origem militar, oriundos, em sua grande maioria, da desmobilização dos exércitos que combateram nas guerras de independência, de 1810 em diante, provinham, em certos casos, de estratos sociais inferiores ou de grupos étnicos discriminados (mestiços, índios, mulatos, negros). […]. Valiam-se do seu magnetismo pessoal na condução das tropas, que haviam recrutado geralmente nas áreas rurais e mantinham como reses requisitadas em ações guerreiras, seja contra o ainda mal consolidado poder central, seja contra os seus iguais [...]". BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, GianFranco. Dicionário de Política. 13. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2007. O segmento faz referência a uma categoria que designa os líderes políticos e os chefes militares que, após os movimentos de emancipação da América espanhola, tornaram-se governantes personalistas de suas nações ou regiões. Assinale a alternativa correta que apresenta essa categoria. a) Chapetones b) Inconfidentes c) Criollos d) Alcaldes e) Caudilhos Comentários - A alternativa A está incorreta, porque os chapetones eram o grupo sociopolítico dominante no período anterior às independências. Eram privilegiados por terem nascido em território espanhol, portanto não eram compostos por “grupos étnicos discriminados”, como sugere o texto da questão. - A alternativa B está incorreta, haja visto que os inconfidentes se relacionam com a Inconfidência Mineira, fato ocorrido no Brasil e totalmente alheio ao processode independência da América espanhola. - A alternativa C está incorreta. Os criollos eram as elites agrárias que promoveram o processo emancipatório nas colônias hispânicas. No entanto, essas figuras não exerceram diretamente o poder após a consolidação dos estados independentes. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 66 - A alternativa D está incorreta, porque os alcaldes não se relacionavam com o processo de independência da América hispânica. Esse termo se refere à autoridade máxima em escala municipal, sendo um cargo existente desde o período colonial. - A alternativa E está correta. Os caudilhos eram grandes líderes políticos e militares que exerciam seu poder através do carisma e do estabelecimento de relações com as elites agrárias. Essas lideranças utilizavam amplamente a violência para exercer sua influência, fazendo com que esses governos possuíssem um caráter altamente autoritário. O caudilhismo foi o sistema de governo predominante na América hispânica pós-independência. Gabarito: E 7. (2019/Enem-PPL) A população africana residente nesta província, bem como a de todo o Império, compõe-se de indivíduos de diferentes lugares da África que variam em costumes e religiões; a que aqui segue o maometismo, à qual pertencemos, é uma população pequena, porém, distinta entre si, e notando a necessidade de sustentarmos nosso culto e fundados ainda no artigo 5º da Constituição do Império, requeremos ao sr. chefe de polícia licença para exercermos o culto. REIS, J. J.; GOMES, F. S.; CARVALHO, M. J. M. O Alufá Rufino: tráfico, escravidão e liberdade no Atlântico negro (1822-1853). São Paulo: Cia. das Letras, 2010 (adaptado). O pedido de um grupo de africanos de Recife ao chefe de polícia local tinha como objetivo, naquele contexto, a) criticar a doutrina oficial. b) professar uma fé alternativa. c) assegurar a cidadania política. d) legalizar os terreiros de candomblé. e) eliminar algumas tradições culturais. Comentários Conforme vimos em nossa aula, no século XIX chegaram à Bahia muitos hauçás, povo oriundo de uma região islamizada do continente africano, bem como alguns iorubás de Oió. Dessa maneira, a cidade de Salvador passou a contar com um contingente significativo de escravizados muçulmanos, conhecidos como malês. O próprio texto sugere isso, ao mencionar que existiam indivíduos que seguiam o “maometismo”, ou seja, a religião do profeta Maomé, fundador do Islã. Feitas essas considerações, a alternativa B é a resposta. Vejamos às demais opções de resposta: - As alternativas A e E estão incorretas, afinal os requerentes não buscam afrontar o catolicismo ou qualquer outra orientação religiosa e traço cultural, mas desfrutar da liberdade de culto assegurada pela Constituição de 1824. - A alternativa C está incorreta, uma vez que os requerentes não tinham a intenção de pleitear direitos políticos (votar e ser votado), mas sim a liberdade de culto. - A alternativa D está incorreta, pois os indivíduos mencionados pelo texto não são candomblecistas, mas muçulmanos. Gabarito: B 8. (2019/Enem) t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 67 Art. 90. As nomeações dos deputados e senadores para a Assembleia Geral, e dos membros dos Conselhos Gerais das províncias, serão feitas por eleições, elegendo a massa dos cidadãos ativos em assembleias paroquiais, os eleitores de província, e estes, os representantes da nação e província. Art. 92. São excluídos de votar nas assembleias paroquiais: I. Os menores de vinte e cinco anos, nos quais se não compreendem os casados, os oficiais militares, que forem maiores de vinte e um anos, os bacharéis formados e os clérigos de ordens sacras. II. Os filhos de famílias, que estiverem na companhia de seus pais, salvo se servirem a ofícios públicos. III. Os criados de servir, em cuja classe não entram os guarda-livros, e primeiros caixeiros das casas de comércio, os criados da Casa Imperial, que não forem de galão branco, e os administradores das fazendas rurais e fábricas. IV. Os religiosos e quaisquer que vivam em comunidade claustral. V. Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz, indústria, comércio, ou emprego. BRASIL. Constituição de 1824. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 4 abr. 2015 (adaptado). De acordo com os artigos do dispositivo legal apresentado, o sistema eleitoral instituído no início do Império é marcado pelo(a) a) representação popular e sigilo individual. b) voto indireto e perfil censitário. c) liberdade pública e abertura política. d) ética partidária e supervisão estatal. e) caráter liberal e sistema parlamentar. Comentários Essa é uma questão que demandava conhecimentos prévios sobre a Constituição de 1824. Outorgada pelo imperador, ela adotou um sistema eleitoral composto por dois graus, ou seja, o voto era indireto. O voto era censitário, devendo o eleitor dispor de renda anual mínima de 100 mil réis. Feitas essas considerações, a alternativa B é a resposta. - A alternativa A está incorreta, afinal as camadas populares eram marginalizadas do processo eleitoral e o voto não era secreto. - A alternativa C está incorreta, pois o acesso à participação política era restrito e pelo voto não ser secreto, os eleitores estavam sujeitos a sofrerem coerções. - A alternativa D está incorreta, afinal não havia partidos políticos formalmente organizados no período. - A alternativa E está incorreta, pois o sistema parlamentarista só foi implementado no Brasil durante o Segundo Reinado. Gabarito: B 9. (2019/Enem) Entre os combatentes estava a mais famosa heroína da Independência. Nascida em Feira de Santana, filha de lavradores pobres, Maria Quitéria de Jesus tinha trinta anos quando a Bahia começou a pegar em armas contra os portugueses. Apesar da proibição de mulheres nos batalhões de voluntários, decidiu se t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 68 alistar às escondidas. Cortou os cabelos, amarrou os seios, vestiu-se de homem e incorporou-se às fileiras brasileiras com o nome de Soldado Medeiros. GOMES, L. 1822. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010. No processo de Independência do Brasil, o caso mencionado é emblemático porque evidencia a a) rigidez hierárquica da estrutura social. b) inserção feminina nos ofícios militares. c) adesão pública dos imigrantes portugueses. d) flexibilidade administrativa do governo imperial. e) receptividade metropolitana aos ideais emancipatórios. Comentários Essa é uma alternativa sobre a história das mulheres, assunto recorrente nas provas do Enem! Vejamos as alternativas: - As alternativas E e C estão incorretas, pois Maria Quitéria foi combatente na chamada Batalha do Pirajá, conflito travado entre brasileiros que defendiam a independência e portugueses dispostos a resistirem à emancipação. - As alternativas D e B estão incorretas, uma vez que Maria Quitéria teve que se disfarçar para ser aceita como voluntária nos batalhões favoráveis à emancipação. Isso mostra, portanto, que mulheres não eram aceitas em atribuições militares e o governo tampouco estava disposto a fazê-lo. - A alternativa A é a resposta. Ao se disfarçar de homem e se identificar como “Soldado Medeiros” para poder lutar nas fileiras favoráveis à independência, Maria Quitéria mostra-se um personagem importante para compreender o caráter patriarcal da rígida sociedade brasileira, que isolava mulheres e outros grupos sociais do debate e das ações públicas. Gabarito: A 10. (2019/UFRGS) Leia o trecho abaixo. O propósito de muitos, se não da maioria, dos conflitos políticos da América espanhola, no períodoposterior à independência, foi simplesmente determinar quem deveria controlar o Estado e seus recursos. Não obstante, surgiram outras importantes questões políticas que variaram de país para país em caráter e importância. Entre 1810 e 1845, a discussão sobre estrutura centralista e federalista do Estado foi fonte de violento conflito no México, na América Central e na região do Prata. SAFFORD, Frank. Política, ideologia e sociedade na América espanhola dos pós independência. In: BETHELL, Leslie. História da América Latina, vol. III: da Independência até 1870. São Paulo: Edusp, 2001. p. 369. O segmento faz menção aos conflitos que se seguiram às independências na América Espanhola. Assinale a alternativa que indica algumas das consequências desses confrontos. a) O conflito entre federalistas e centralistas resultou em governos constitucionalmente frágeis e politicamente instáveis em quase toda a região, durante parte do século XIX. b) A recolonização da região pela Espanha, dada a fragilidade institucional das novas repúblicas independentes. c) O surgimento de governos democráticos e com ampla participação popular, ainda no século XIX, como uma das formas de resolução desses conflitos políticos. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 69 d) A estruturação de monarquias centralizadas por toda a região, após o fracasso político das repúblicas independentes. e) A vitória dos movimentos federalistas e a derrota definitiva dos projetos centralistas e autoritários que se opunham a eles Comentários - A alternativa A está correta. À época das independências existiam basicamente duas correntes: o centralismo e o federalismo. Este era altamente influenciado pelos Estados Unidos da América, sendo pautado pela descentralização do poder em vários entes (estados). Já o centralismo é definido pelo oposto, trazendo alta centralização no poder central, responsável por tomar as decisões relativas a todo território. No processo de independência das Américas houve grande discussão sobre qual rumo administrativo tomar, fazendo com que os governos eleitos não possuíssem apoio integral e se tornassem instituições fragilizadas. - A alternativa B está incorreta. De fato, as instituições eram extremamente frágeis no período pós- independência. No entanto, não houve um processo de recolonização da Espanha na América. - A alternativa C está incorreta, porque a forma de governo mais popular nesse período foi o caudilhismo, que era altamente antidemocrático e excludente em relação à população comum. - A alternativa D está incorreta, porque apesar dos diversos fracassos políticos na América hispânica, não houve a ascensão e estruturação de monarquias centralizadas nesta região. Os países se mantiveram, majoritariamente, leais ao republicanismo. - A alternativa E está incorreta, porque não houve a vitória dos movimentos federalistas. Na verdade, havia um intenso embate entre estes e os centralistas, que acabaram se consolidando através do autoritarismo caudilhista. Gabarito: A 11. (CEFET – 2019) Nos primeiros anos após a Independência do Brasil, formou-se um governo dissidente em 2 de julho de 1824. Apoiado pelas classes populares urbanas, por negociantes do Recife e proprietários rurais ligados à cultura do algodão, o movimento buscou reunir Pernambuco às províncias do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e estender sua ação até o Piauí e Ceará com um governo federativo e republicano. MUGGIATI, Roberto (coord.). A construção do Brasil. Revista Nossa História, vol. Único, São Paulo, 2006. p. 49. A consolidação do Império Brasileiro pós-independência foi marcada, desde o início, por conflitos em torno de um modelo de Estado centralizado, resultando na eclosão de movimentos de resistência. A qual movimento dessa natureza esse texto faz menção? a) Balaiada b) Sabinada c) Revolta dos Malês d) Confederação do Equador Comentários Questão que demanda conhecimentos sobre o período regencial. Vejamos: A alternativa A é incorreta, a Balaiada foi uma revolta popular que ocorreu na província do Maranhão. A alternativa B é incorreta, a Sabina foi movimento separatista que ocorreu na província da Bahia. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 70 A alternativa C é incorreta, a Revolta dos Malês foi um movimento organizado por escravizados de origem islâmica contra a escravidão e ocorreu na cidade de Salvador. A alternativa D é correta, a Confederação do Equador foi um movimento republicano e separatista ocorrido durante o período regencial, foi iniciado em Pernambuco e logo se espalhou para as províncias vizinhas, como Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. Gabarito: D 12. (UFU/2019) “[...] foi o mais notável movimento popular do Brasil. O único em que as camadas mais inferiores da população conseguiram ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade. [...] primeira insurreição popular que passou da simples agitação para uma tomada efetiva de poder.” PRADO JÚNIOR, Caio. Evolução Política do Brasil e outros estudos. São Paulo: Brasiliense, 1975. p. 69. (Adaptado) A citação acima diz respeito à Cabanagem, uma das principais revoltas ocorridas no chamado Período Regencial Brasileiro. Acerca desse movimento, é correto afirmar que A) ocorreu na cidade de Salvador, em 1835, com significativa participação de africanos escravizados de origem muçulmana. O levante durou menos de 24 horas e foi duramente reprimido. Os revoltosos sobreviventes foram mortos, presos ou degradados. B) ocorreu no Maranhão entre os anos de 1838 e 1841 e foi liderado por homens pobres (com apoio de escravos, de vaqueiros e mesmo de alguns fazendeiros) que enfrentaram grandes proprietários de terra, comerciantes e autoridades políticas. C) ocorreu na província da Bahia entre os anos de 1837 e 1838. Seu objetivo era, dentre outros, a criação de uma república de caráter transitório até que Dom Pedro II alcançasse a maioridade. D) ocorreu na província do Grão-Pará, entre 1835 e 1840, em decorrência da exploração sofrida pelos trabalhadores submetidos a um regime de trabalho de semiescravidão. Esses foram violentamente reprimidos e aproximadamente 30 mil pessoas morreram assassinadas por tropas imperiais e em incêndios. Comentários Questão que demanda conhecimentos sobre as revoltas no período regencial. Vejamos: A alternativa A é incorreta, pois a afirmativa se refere a Revolta dos Malês que ocorreu em 1835 na cidade de Salvador e conjugava escravizados de origem muçulmana. A alternativa B é incorreta, entre 1838 e 1841 ocorreu, no Maranhão, a Balaiada. A alternativa C é incorreta, durante o período regencial a província da Bahia sofreu com duas revoltas: a Revolta dos Malês, 1835; e a Sabinada, 1831-1833. A alternativa D é correta, a Cabanagem foi uma revolta de caráter popular formada pelos cabanos. Isto é, indígenas, pobres livres e negros. Era uma revolta separatista, tinha como objetivo a separação da província do Grão-Pará do Império. Os cabanos lutavam por melhores condições de vida e trabalho, e contra o descaso do Império para com a província. A revolta foi duramente reprimida, estima-se que entre 30 a 40% da população da província foi morta. Gabarito: D 13. (CEFET – 2018) t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 71 A classe dominante brasileira era, em sua maioria, conservadora (...). Desejava manter as estruturas econômicas e sociais coloniais baseadas no sistema agrícola, na escravidão e na exportação de produtos agrícolas tropicais para o mercado europeu. Contudo, havia nas cidades (...) alguns liberais que esperavam mudanças mais profundasna política e na sociedade: soberania popular, democracia e mesmo uma república. (BETHELL, Leslie. A independência do Brasil. In: História da América Latina. São Paulo: EDUSP, 2009. V. 3, p. 213.) A aceitação de D. Pedro pela elite senhorial, como líder do processo de independência do Brasil, eclodido em 1822, visava a a) manter nosso país sob a tutela da metrópole lusitana. b) evitar transformações mais bruscas na ordem social e política. c) defender a República como sistema de governo para o novo país. d) impossibilitar a escolha do regime monárquico após a emancipação. Comentários Questão que demanda conhecimentos sobre a Independência do Brasil. Vejamos: A alternativa A é incorreta, a independência de 1922 mesmo que liderada pela elite conservadora, rompia com a relação entre metrópole e colônia. A alternativa B é correta, como expresso no trecho, a independência foi realizada pela classe dominante que desejava manter as estruturas econômicas e sociais coloniais. A alternativa C é incorreta, a elite senhorial defendia a monarquia constitucional como forma de governo. A alternativa D é incorreta, o regime monárquico liderado por D. Pedro I foi o escolhido como forma de governo após a emancipação. Gabarito: B 14. (Mackenzie/2018) “Em agosto de 1791, passados dois anos da Revolução Francesa e dos seus reflexos em São Domingos, os escravos se revoltaram. Em uma luta que se estendeu por doze anos, eles derrotaram, por sua vez, os brancos locais e os soldados da monarquia francesa. Debelaram também uma invasão espanhola, uma expedição britânica com algo em torno de sessenta mil homens e uma expedição francesa de semelhantes dimensões comandada pelo cunhado de Bonaparte. A derrota da expedição de Bonaparte, em 1803, resultou no estabelecimento do Estado negro do Haiti, que permanece até os dias de hoje”. C. L. R. James. Os jacobinos negros: Toussaint L’Ouverture e a revolução de São Domingos. São Paulo: Bomtempo, 2000, p.15 Acerca da independência do Haiti e de seus reflexos em outras regiões da América, assinale a alternativa correta. a) O movimento foi realizado sob a égide dos ideais liberais e nacionalistas, defendidos, por sua vez, pelo Iluminismo francês. Seu sucesso foi determinante para a realização de importantes transformações estruturais nas sociedades das novas nações latino-americanas. b) Trata-se de uma articulação escrava que, sob influência direta dos interesses geopolíticos estadunidenses e dos ideais iluministas, colocou em xeque o controle francês sobre a ilha. Seu sucesso incentivou o surgimento do movimento zapatista, em 1994. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 72 c) Resultado de insatisfações sociais e políticas da população escrava, demonstrou a força popular no contexto do surgimento dos Estados nacionais na América Latina. Seu sucesso influenciou Simon Bolívar e San Martín a iniciarem as lutas pelas independências na América do Sul. d) Apesar de seu sucesso, o movimento resultou na ascensão de governantes corruptos que, longe de resolverem as desigualdades sociais, contribuíram para a consolidação de grupos oligárquicos no poder. Esses aspectos determinaram o surgimento do caudilhismo no contexto da América Latina independente. e) Foi a única revolta escrava bem-sucedida da História americana e as dificuldades que tiveram que superar coloca em evidência a magnitude dos interesses envolvidos. No Brasil, sua influência pôde ser sentida na articulação que levaria à Revolta dos Malês, em 1835. Comentários Questão que demanda conhecimentos sobre a história da América Latina. Vejamos: A alternativa A é incorreta, a Revolução de escravizados no Haiti não provocou mudanças estruturais nas sociedades da América do Sul, que permaneceram escravistas. No Brasil, a revolta provocou uma “onda de medo” na classe senhorial, que promoveram novas formas de sujeição aos escravizados. No Brasil, a escravidão só foi abolida em 1888. A alternativa B é incorreta, o movimento zapatista de 1994 surge da atuação de Emilio Zapata durante a Revolução Mexicana de 1910. A alternativa C é incorreta, Simon Bolívar e Sant Martín eram criollos educados na Europa, não sofreram influência da Revolução do Haiti. A alternativa D é correta, a Revolução do Haiti ficou circunscrita ao país, que padeceu de um certo isolacionismo, fato que promoveu a ascensão de governos autoritários e proporcionou um aumento das desigualdades sociais. Na América do Sul, ascenderam ao poder uma classe latifundiária, conhecidos como caudillos, como Rosas na Argentina. No Brasil, tivemos a formação de um Império escravista e latifundiário. A alternativa E é incorreta, a Revolta dos Malês, 1835, foi um levante de escravizados de tendência mulçumana ocorrido na província da Bahia, não tinha ligação com a Revolução do Haiti. Gabarito: D 15. (2018/UFRGS) Sobre a sociedade brasileira no século XIX e a construção do Estado imperial, considere as seguintes afirmações. I - O liberalismo, marcado pela defesa da propriedade privada e livre comércio, foi uma das correntes de pensamento adotadas pelas elites escravocratas brasileiras. II - A unidade nacional, a integridade territorial e a escravidão estão entre os principais pilares da monarquia. III- A nobreza imperial, definida como uma classe social distinta, era um segmento restrito reservado àqueles que possuíam vínculos de consanguinidade com a aristocracia europeia. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 73 e) I, II e III. Comentários - A afirmativa I está correta. A Constituição de 1824 se mostrou bastante influenciada pelas ideias liberais ao reconhecer direitos civis, tais como a liberdade de culto, liberdade de imprensa e defesa da propriedade privada. Ao mesmo tempo, a escravidão não foi sequer mencionada pelo documento. - A afirmativa II está correta, afinal todo o processo de construção do Estado brasileiro foi marcado pelo temor de que o território se fragmentasse e originasse várias repúblicas, tal como na América Espanhola. - A afirmativa III está incorreta. A nobreza da terra, conforme vimos no período joanino, era formada por nobres agraciados com títulos pelo poder real, e não possuíam caráter hereditário. Estando corretas as afirmativas I e II, a alternativa D é a correta. Gabarito: D 16. (2018/UFPR) Leia o texto a seguir: É uma ideia grandiosa pretender formar de todo o mundo novo uma só nação com um só vínculo, que ligue suas partes entre si e com o todo. Já que tem uma mesma origem, uma mesma língua, mesmos costumes e uma religião, deveria, por conseguinte, ter um só governo que confederasse os diferentes Estados que haverão de formar-se […]. (Fonte: <http://www.iela.ufsc.br/noticia/sim%C3%B3n-bol%C3%ADvar-e-carta-da-jamaica>. Acesso em: 06 agosto 2017.) Considerando o extrato da “Carta de Jamaica”, de Simón Bolívar, e com base nos conhecimentos sobre as independências na América espanhola, assinale a alternativa correta. a) Os movimentos de independência na América espanhola foram impulsionados pela tentativa de invasão napoleônica no Haiti recém-libertado. A Carta de Jamaica foi o documento que fundamentou esses movimentos. b) Os movimentos de independência foram liderados por mestiços e escravos que ansiavam conseguir a liberdade expulsando os espanhóis. Aproveitando a ausência do rei Fernando VII, encarcerado por Napoleão, Bolívar escreveu a carta na Jamaica, chamando todas as colônias a se unirem para formar uma grande federação contra a coroa espanhola. c) Simón Bolívar foi o grande artífice das independências da América espanhola. Seu carisma e poder de mando permitiramunir todos os movimentos em uma grande frente libertadora, que começou na Argentina em 1816 e chegou até a Colômbia em 1821. d) O projeto de Simón Bolívar era tornar as colônias governadas pela Espanha em uma grande confederação de estados nos moldes das colônias americanas do Norte, porém as diferenças entre alguns líderes no interior do movimento anticolonial não viam com bons olhos esse projeto. e) A Carta de Jamaica foi a primeira declaração de independência das colônias espanholas. Escrita no formato da declaração de independência haitiana, declarava o fim da escravidão nas colônias e a expulsão dos peninsulares das terras americanas. Comentários - A alternativa A está incorreta. As independências da América Espanhola não tomaram o Haiti como modelo de experiência política, mas sim os Estados Unidos. Além disso, o projeto de Bolívar não fundamentou esse processo, pois foram formados diversos novos estados nos antigos domínios dos espanhóis. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 74 - A alternativa B está incorreta, pois os movimentos de independência foram protagonizados pelas elites criollas da América Espanhola. - A alternativa C está incorreta, pois diferente do que projetara Bolívar, os processos de independência da América Espanhola deram origem a diversos novos países, resultado dos interesses políticos das elites locais. - A alternativa D é a resposta. Bolívar se inspirou no modelo de confederação norte-americano para formar um grande Estado no território que correspondia a América Espanhola, mas seu projeto não foi encampado pelas elites criollas locais. Dessa maneira, o processo de independência da região foi marcado pela fragmentação da antiga colônia. - A alternativa E está incorreta, afinal a Revolução Haitiana não serviu de modelo para os movimentos de independência na América Espanhola. Gabarito: D 17. (UFGD/2018) De acordo com o historiador Paulo Pereira de Castro, o período regencial brasileiro (1831-1840) teria sido uma “experiência republicana”. Sobre esse contexto, assinale a alternativa correta. a) Foi um momento marcado por uma relativa estabilidade econômica, na qual a população detinha uma maior participação política, de acordo com o Ato Adicional de 1834. b) Um período em que, embora conturbado politicamente, foram aprovadas algumas medidas de caráter liberal, devido à pressão exercida pela Inglaterra, tais como a reformulação do Código de Processo Criminal, que proibia o tráfico de africanos escravizados. c) Expressa um momento em que o país adotou o sistema republicano de governo, liderado apenas por brasileiros. Tal fato provocou protestos por parte dos monarquistas em quase todas as províncias, nas chamadas rebeliões do período regencial. d) Período de relativa descentralização política, conferindo certa autonomia às províncias, fato evidenciado pela reformulação do Código de Processo Criminal e a instituição do Ato Adicional de 1834. e) Período em que eclodiram diversos levantes nas províncias, protestando contra medidas que visavam ao fortalecimento do poder central, tais como a reformulação do Código de Processo Criminal e a instituição do Ato Adicional. Comentários Questão que demanda conhecimentos sobre o período regencial. Vejamos: A alternativa A é incorreta, foi um período de instabilidade política e econômica em que as províncias do Império promoviam revoltas de caráter separatista. A alternativa B é incorreta, a Lei instituída no período regencial devido a pressões dos ingleses para a proibição do tráfico de africanos foi a Lei Feijó (1831). A alternativa C é incorreta, durante o período regencial o sistema político era monárquico. A alternativa D é correta, o período regencial foi caracterizado pela descentralização política, o ato institucional de 1834 estipulava maior autonomia administrativa às províncias do Império com a criação das Assembleias legislativas Provinciais, bem como a suspensão temporária do Poder Moderador. A alternativa E é incorreta, a reformulação do Código de Processo Criminal e o Ato Adicional eram medidas de descentralização política adotadas no período regencial. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 75 Gabarito: D 18. (2017/FGV) Sobre a regência do paulista Diogo Antônio Feijó, entre 1835 e 1837, é correto afirmar que a) o regente conseguiu vencer a eleição devido ao apoio recebido dos produtores de algodão do Nordeste, classe emergente nos anos 1830, o que possibilitou o combate às rebeliões regenciais e o início do processo de centralização político-administrativa. b) o apoio inicial que Feijó recebeu de todas as forças políticas do Império foi, progressivamente, sendo corroído porque o regente eleito mostrou simpatia pelo projeto político da Balaiada, que defendia uma Monarquia baseada no voto universal. c) a opção de Feijó em negociar com os farroupilhas e com a liderança popular da Cabanagem provocou forte reação dos grupos mais conservadores, especialmente do Partido Conservador, que organizaram a queda de Feijó por meio de um golpe de Estado. d) o isolamento político do regente Feijó, que provocou a sua renúncia do mandato, relacionou-se com a sua incapacidade de conter as rebeliões que se espalhavam por várias províncias do Império e com a vitória eleitoral do grupo regressista. e) as condições econômicas brasileiras foram se deteriorando durante a década de 1830 e provocaram um forte desgaste da regência de Feijó, que renunciou ao cargo depois de um acordo para uma reforma constitucional. Comentários - A alternativa A está incorreta, afinal a eleição do padre Feijó foi propiciada por um acordo entre liberais moderados e exaltados. - A alternativa B está incorreta, pois o regente uno não apoiou nenhuma revolta durante sua gestão. Cabe destacar que sua incapacidade para conter as rebeliões do período contribuíram para o seu desgaste político. - A alternativa C está incorreta. A negociação com os farroupilhas para que cessassem armas foi incentivada por D. Pedro II, no início do Segundo Reinado. - A alternativa D é a resposta. Diante da inabilidade do regente Feijó para conter as rebeliões protagonizadas por populares, tropas e escravos em diversos cantos do país, sua imagem política se deteriorou rapidamente durante sua gestão, o que o levou à abdicar do cargo. - A alternativa E está incorreta, pois a reforma feita no Ato Adicional, chamada de Lei de Interpretação, foi realizada em 1840 sem o aval de Feijó. Gabarito: D 10.3. Inéditas 1. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Todos os itens mencionados abaixo foram consequências do Ato Adicional de 1834, exceto: A) o surgimento de dois grupos políticos, os regressistas e o progressistas. B) o fim da vitaliciedade do Senado, o que gerou impasses com os restauradores. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 76 C) certa autonomia para as províncias, a partir da criação das Assembleias Provinciais. D) eleição de Feijó como regente uno, após o abandono do modelo trino de regência. E) extinção do Conselho de Estado, órgão consultivo do poder moderador. Comentários - A alternativa A está correta. A partir da criação do Ato Adicional, em 1834, as forças políticas se dividiram em duas: os progressistas, favoráveis a ele, e os regressistas, contrários à reforma constitucional. - A alternativa B está incorreta e é a resposta. O Ato Adicional foi fruto da negociação entre liberais moderados, exaltados e restauradores, sendo a vitaliciedade do senado mantida para agradar o último grupo. - A alternativa C está correta. O Ato Adicional descentralizou a administraçãodo Império por meio da criação das Assembleias Provinciais, órgãos locais que mantinham certas atribuições legislativas. - A alternativa D está correta. A partir do Ato Adicional de 1834, o Brasil passou a adotar o modelo uno de regência, sendo o padre Feijó o primeiro regente uno eleito. - A alternativa E está correta. Com a suspensão do poder moderador no Brasil, o Conselho de Estado, órgão consultivo do imperador, foi suprimido. Gabarito: B 2. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) QUADRINHA I Queremos Pedro Segundo Embora não tenha idade A nação dispensa a lei e viva a Maioridade. QUADRINHA II Por subir Pedrinho ao trono, Não fique o povo contente; Não pode ser coisa boa Servindo com a mesma gente. (VAINFAS, 2008, p. 312). Nos versos acima, cantados nas ruas do Rio de Janeiro no ano de 1840, destaca-se A) a defesa do cumprimento da Constituição de 1824, que estabelecia a ascensão de D. Pedro de Alcântara no trono brasileiro quando completasse 18 anos. B) a defesa da realização de uma reforma no Ato Adicional de 1834, com o intuito de permitir a antecipação do processo de coroação de D. Pedro de Alcântara. C) a defesa do projeto político regressista, que encampou a centralização da administração do país e o aceleramento da chegada do príncipe-regente ao trono. D) a defesa da implantação de uma ordem política pautada pelo liberalismo-democrático, a partir da ascensão de D. Pedro II, tutelado pelo Partido Liberal. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 77 E) as visões distintas acerca da antecipação da maioridade de D. Pedro, que oscilavam entre esperança por melhorias e a continuidade da crise política. Comentários As alternativas A está incorreta, pois como sugerem os próprios versinhos da QUADRINHA I, os chamados maioristas defendiam o descumprimento da lei para garantir a antecipação da maioridade de D. Pedro de Alcântara, futuro D. Pedro II. A alternativa B está incorreta, afinal a reforma do Ato Adicional de 1834 foi obra dos regressistas, que não se envolveram na chamada campanha da maioridade. A alternativa C está incorreta, pois os regressistas não defenderam de imediato a antecipação da maioridade de D. Pedro, mas os progressistas. A alternativa D está incorreta, pois nem os regressistas nem os progressistas defenderam a maior participação das camadas populares. A alternativa E é a resposta. Enquanto os versos do primeiro poema defendem a chamada campanha da maioridade, o segundo coloca em dúvida as possibilidades de mudança diante da continuidade das elites políticas no novo governo. Gabarito: E 3. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) A Balaiada, no Maranhão, a Cabanagem, no Grão Pará, e a Sabinada, na Bahia foram alguns dos principais conflitos ocorridos no Brasil durante o chamado período regencial, marcado A) por uma fase de transição política resultante da abdicação do Imperador D. Pedro I, em um contexto caracterizado pelo fortalecimento da atividade industrial por ações do Estado. B) por modificações no quadro dos partidos políticos, o que deu margem para a implantação do federalismo, e por transformações na grande propriedade e na mão de obra escrava. C) pela descentralização do poder moderador, que atribuiu aos governos provinciais a responsabilidade de solucionar os impasses da chamada “questão servil”. D) pela extinção do poder moderador e a centralização do poder na figura do regente uno, o que impediu a formação de novos partidos políticos e transformações na estrutura agrária. E) por impasses quanto a administração do Brasil e a formação de novos partidos políticos, o que não comprometeu as estruturais sociais e econômicas estabelecidas anteriormente. Comentários - A alternativa A está incorreta, afinal o Brasil não passa por nenhum processo de industrialização no período. O primeiro surto industrializante ocorreu durante o Segundo Reinado, ficando conhecido como Era Mauá. - A alternativa B está incorreta, afinal não foram implementadas mudanças no sistema de trabalho ou alterada a concentração fundiária. - A alternativa C está incorreta, pois a questão servil só foi devidamente abordada a partir de meados do século XIX, pelo próprio governo central. - A alternativa D está incorreta, afinal o poder moderador não foi extinto durante o período regencial. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 78 - A alternativa E é a resposta, afinal o período regencial foi marcado por embates entre projetos federalistas e centralistas, além ser um momento de formação de diversos partidos (restauradores, jurujubas, chimangos, regressistas e progressistas). Gabarito: E 4. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Em meados da década de 1830, o medo do Haiti no Brasil renasceria devido à Revolta dos Malês, em 1835. Em várias partes do Império haveria acusações e repressão, especialmente contra africanos. No Rio de Janeiro, chegou-se a investigar alguns “pretos da ilha de São Domingos”. Denúncias exageradas chegaram a revelar que um “cafre” haitiano, chamado Moiro, convidava os escravos das vilas de Bananal, Areias Barra Mansa e São João Marcos à insurreição. No ano seguinte, foram feitas investigações na freguesia da candelária. GOMES, Flávio dos Santos. Haitianismo no Brasil. In: SCHWARCZ, Lilia; STARLING, Heloisa M. Dicionário da República: 51 textos críticos. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 136. O “medo do Haiti” a que se refere o texto expressa uma preocupação das elites quanto A) a ruptura das estruturas de dominação B) aos impactos nos itens de exportação C) a obtenção de escravizados africanos D) a fragmentação do território nacional E) a irrupção de ideais emancipacionistas Comentários O “haitianismo” é o nome dado ao temor das elites brasileiras de que o Brasil passasse por uma experiência semelhante à Revolução do Haiti, quando negros livres e escravizados romperam com a dominação da minoria branca e assumiram o governo. Feitas essas considerações, a alternativa A é a resposta. - A alternativa B está incorreta, afinal temia-se que os escravizados rompessem com o status quo das elites e a manutenção da grande propriedade. - A alternativa C está incorreta, pois não o levante de escravizados não ameaçava o abastecimento de cativos vindos da África, mas a própria continuidade das estruturas de poder. - As alternativas D e E estão incorretas, afinal não se temia a formação de novos países, mas sim que o Brasil fosse tomado por levantes de cativos. Gabarito: A 5. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Muito mais do que produto de um simples arranjo das elites, a Revolução do 7 de Abril foi resultado não só das tramas políticas urdidas no Parlamento, nas sociedades secretas, nos quartéis e nos meios letrados da Corte em geral, mas também da forte pressão popular, manifesta nas frequentes manifestações de rua de descontentamento e protesto – envolvendo, por vezes, centenas de pessoas [...]. BASILE, Marcelo. A Revolução do 7 de Abril de 1831: disputas políticas e lutas de representações. Disponível em: < http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364533003_ARQUIVO_Art-ANPUH2013-MarcelloBasile.pdf>. Acesso em 31 maio 2020. Ao analisar o processo de abdicação do imperador D. Pedro I, o autor considera t.me/CursosDesignTelegramhub http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364533003_ARQUIVO_Art-ANPUH2013-MarcelloBasile.pdf ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 79 A) o peso exercido pelos partidos políticos. B) a crise econômica legada pela guerra. C) as barreiras existentes na esferapública. D) a entrada de novos atores políticos. E) o caráter excludente da arena política. Comentários Essa é uma questão que permeia sobre a ideia de cidadania e participação popular. Embora a independência do Brasil tenha restringido os direitos políticos a uma restrita camada de brasileiros, os setores excluídos estiveram presentes tanto nas lutas pela emancipação de Portugal, no processo de expulsão de D. Pedro I e nas revoltas regenciais dos anos seguintes. Com isso, pode-se afirmar que a exclusão do povo dos processos institucionais não impediu que a participação e a expressão de opiniões políticas ocorressem por outros meios. Assim sendo, a alternativa D é a resposta. Gabarito: D 6. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) O poder moderador de nova invenção maquiavélica é a chave mestra da opressão da nação brasileira e o garrote mais forte da liberdade dos povos: por ele o Imperador pode dissolver a câmara dos deputados, que é a representante do povo, ficando sempre no gozo dos seus direitos o senado, que é a (sic) representante dos apaniguados do Imperador [...]. Os conselhos das províncias são uns meros fantasmas para iludir os povos; porque devendo levar suas decisões à assembleia geral e ao executivo conjuntamente, isto bem nenhum pode produzir às províncias. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141997000100008>. Acesso em: 24 jul. 2020. O trecho acima foi retirado de um discurso de Frei Caneca, uma das principais lideranças da Confederação do Equador. Estão entre as causas do movimento (A) o fechamento da Constituinte e a imposição da Constituição de 1824. (B) a continuidade do sistema escravista pela Carta outorgada em 1824. (C) a adoção da monarquia constitucional como forma de governo. (D) a liberdade de culto instituída pela Constituição de 1824. (E) a supressão da autonomia administrativa desfrutada pelo Nordeste. Comentários - A alternativa A é a resposta. A outorga da Carta de 1824 foi o estopim para a eclosão da Confederação do Equador, movimento que buscou a implantação de uma República federalista na região Nordeste, sendo mobilizado por valores liberais. - A alternativa B está incorreta. Embora os confederados liderados pelo Frei Caneca e Cipriano Barato tenham almejado o fim do tráfico negreiro, a escravidão não foi questionada pelos rebeldes. - A alternativa C está incorreta, uma vez que a Confederação do Equador foi um movimento de caráter liberal, ou seja, que se opunha à concentração de poderes nas mãos do Imperador, além de ter sido protagonizado por brasileiros como Frei Caneca, Cipriano Barata e Manuel de Cavalho Paes de Andrade. - A alternativa D está incorreta. Apesar da presença de um religioso entre os revoltosos, a Confederação do Equador foi motivada pela crise econômica regional e o autoritarismo político do imperador. t.me/CursosDesignTelegramhub https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141997000100008 ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 80 - A alternativa E está incorreta, afinal as exportações de açúcar e algodão se encontravam em queda no contexto da revolta. Gabarito: A 7. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) No decorrer da Sabinada, foram ficando claras as tensões raciais que marcavam a política provincial desde pelo menos o fim do século XVIII, expressa em parte das demandas da Conjuração Baiana, de 1798. Há muito tempo eram conhecidas as reclamações de oficiais negros, insatisfeitos com a falta de reconhecimento de seus méritos e exigindo tratamento igual ao recebido pelos brancos. GRINBERG, Keila. Sabinada (1837). In: SCHWARCZ, Lilia; STARLING, Heloisa (orgs). Dicionário da república: 51 textos críticos. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 371. Segundo as informações fornecidas pelo trecho, a Sabinada (A) reproduziu todos os objetivos da Revolta dos Alfaiates. (B) defendia a implantação de uma República provisória. (C) refletiu as tensões raciais da sociedade baiana. (D) defendia autonomia para a província da Bahia. (E) se indispôs contra o alistamento obrigatório na região. Comentários - A alternativa A está incorreta, afinal a Conjuração Baiana e a Sabinada possuem a igualdade racial como um ponto comum, porém também possuem suas especificidades. - A alternativa C é a resposta. Liderada pelo médico mestiço Francisco Sabino, o movimento que ficou conhecido como Sabinada tinha entre um de seus objetivos o estabelecimento de condições equânimes para os homens livres da região, fossem eles brancos ou negros. Assim sendo, refletia uma situação de exclusão racial cujas origens remetem ao período colonial e também foram escancaradas pela Conjuração Baiana. - As demais alternativas estão incorretas. Embora apresentem elementos que contribuíram para a eclosão da Sabinada, elas não corroboram com a ideia expressa pelo enunciado. Gabarito: C 8. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) TEXTO I Desenho encontrado em um livrinho usado como amuleto por um rebelde morto durante o Levante dos Malês de 1835. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 81 Fonte: REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 204. TEXTO II Além de uma colagem de textos corânicos, o criador de um amuleto encontrado no pescoço de um dos rebeldes mortos no Levante Malê de 1835 fez um desenho do que parece ser um barco. Uma possibilidade é que estivesse, ao mesmo tempo, manifestando um desejo de retorno à África. É possível imaginá-lo confiando que, tendo Alá conduzido a humanidade com segurança através do Dilúvio, ele levaria de volta em segurança, através do oceano, os sobreviventes africanos da escravidão baiana. REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. Adaptado. A respeito da rebelião escrava de 1835, protagonizada por cativos e libertos muçulmanos de Salvador, é correto afirmar que a) representou o ideário dos escravizados de dar fim ao sistema escravista na região. b) utilizou-se dos postulados do Islã para a promoção de reformas sociais e econômicas. c) defendia a tomada de embarcações por todos os escravos e o seu retorno para a África. d) propõe a superação da cor enquanto marcador social e sustenta ideais democráticos. e) tomou a religião como linguagem para a mobilização que pleiteava a liberdade. Comentários - A alternativa A está incorreta, afinal não indícios de que os rebeldes combatiam a escravidão enquanto sistema. Cabe destacar que alguns depoimentos apontam a escravização de mulatos e crioulos como uma possibilidade para os malês, que os encarava como aliados dos brancos. - A alternativa B está incorreta, afinal o movimento possuía caráter radical, sem abrir margem para negociações reformistas junto aos grupos dominantes em Salvador. - A alternativa C está incorreta. Embora o barco apareça como símbolo no amuleto malê, não se pode afirmar que o retorno para o continente africano estivesse entre os propósitos do levante. - A alternativa D está incorreta, pois trata-se de uma descrição da Conjuração Baiana, movimento de caráter emancipacionista e iluminista ocorrido em Salvador, no ano de 1798. - A alternativa E é a resposta. Os malês se utilizaram se levantaram com trajes e amuletos religiosos, evidenciando a importância do Islã enquanto elemento norteador do movimento. Também seguiram o protocolo militar dos muçulmanos para se libertarem da condição de escravizados, mas sem questionar a escravidão enquanto sistema de trabalho. Embora pouco se possa afirmar sobre o que ocorreria se os malês tivessem sido exitososem seu levante, depoimentos de rebeldes sugerem a possibilidade de escravização de crioulos e mulatos, bem como o extermínio dos brancos da capital baiana. Nota do professor: A Revolta dos Malês é um dos assuntos mais importantes do período. Outros movimentos de resistência de escravizados e negros livres merecem destaque, como a Conjuração Baiana e o Quilombo de Palmares. Gabarito: E 9. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 82 Embora a ruptura do pacto colonial na América portuguesa e nas possessões espanholas apresente razões e desenlaces idênticos, desde o início chamou a atenção o contraste entre a evolução gradual e relativamente pacífica, no primeiro caso, e a longa e implacável guerra, no segundo. Muito do que depois tomaria a forma do “excepcionalismo brasileiro”. COSTA E SILVA, Alberto (coord.). Crise colonial e independência: 1808-1830, volume 1. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. p. 116. O “expecionalismo brasileiro” no processo de emancipação política, quando comparado com aquelas ocorridos nas possessões espanholas, se verificou (A) na manutenção da estrutura fundiária e da escravidão. (B) na conservação da monarquia e da unidade territorial. (C) na ausência de conflitos entre portugueses e brasileiros. (D) na obtenção de estabilidade política pelo federalismo. (E) na exclusão da população pelas oligarquias fundiárias. Comentários - A alternativa A está incorreta, afinal a escravidão foi mantida por diversos países independentes formados na região da América Espanhola. - A alternativa B é a resposta. Diferentemente dos demais Estados consolidados pelas guerras de independência na América Espanhola, o processo de emancipação política do Brasil conservou a monarquia como forma de governo e o antigo espaço colonial unificado. - A alternativa C está incorreta, pois a independência foi marcada por diversos conflitos entre portugueses e brasileiros nas regiões Norte, Nordeste e Cisplatina. - A alternativa D está incorreta, pois o sistema federativo não foi implementado até o período republicano. -A alternativa E está incorreta, pois tanto nos Estados formados no território da América Espanhola quanto o Estado brasileiro foram experiências políticas marcadas pela exclusão do povo das decisões políticas pelos grandes proprietários. Gabarito: B Leia o texto abaixo para responder às questões 10 e 11. O Império estigmatizou a rua como o lugar da desordem. A ela se opunham o Estado e a Casa, os espaços do governo – quais seja, os da ordem pública e privada. Foi vitoriosa a solução “saquarema” que superou os espectros vivenciados na Regência, durante a qual a rua era sentida como o espaço da democracia e da liberdade. Permaneceu o medo da rua, local de escravos e de vadios, de doenças e de sujeira. Na década de 1880, a rua foi ressignificada. Adquiriu um sinal positivo como o espaço do uso público da razão – da crítica, nos termos da época – e como o lugar da verdadeira representação popular. A rua passou a disputar, e vantajosamente no final da década, com o Parlamento o locus do fazer político. MELLO, Maria Tereza Chaves de. A república consentida: cultura democrática e científica do final do Império. Rio de Janeiro: Editora FGV: Editora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Edur), 2007. Adaptado. 10. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Para o projeto político saquarema, o período regencial representou (A) a superação da influência exercida por lideranças portuguesas no cenário político nacional. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 83 (B) um momento decisivo para a implantação de profundas reformas no espaço público. (C) a supressão do poder moderador em favor da supremacia do poder Legislativo. (D) um momento de turbulências que ameaçaram a ordem senhorial e unidade territorial. (E) o ocaso do poderio dos liberais nas províncias e a o triunfo do projeto federalista. Comentários Os “espectros” mencionados pelo texto e atribuídos ao período regencial são os diversos movimentos empreendidos por grupos sociais diversos em diferentes pontos do Império, que ameaçaram o poderio dos grandes proprietários e a continuidade da unidade do território. Dito isso, a alternativa D é a resposta. - A alternativa A está incorreta, pois o Partido Conservador foi constituído por antigos caramurus. - A alternativa B está incorreta, pois não foram empreendidas reformas drásticas no país durante o período provincial, senão a implementação do Ato Adicional de 1834. - A alternativa C está incorreta, afinal o poder moderador manteve sua supremacia durante todo o século XIX. - A alternativa E está incorreta, pois o federalismo não foi implementado no período, senão uma relativa autonomia provincial pelo Ato Adicional de 1834. Gabarito: D 11. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) O processo de ressignificação do espaço público, vivenciado na década de 1880, foi motivado (A) pelo fim do sistema escravista e a promoção de reformas democráticas pelo Legislativo. (B) pela garantia de autonomia às províncias e a ampliação do sistema de transportes. (C) pela ampliação dos canais de comunicação aos militares e a criação do Partido Republicano. (D) pelo crescimento do movimento abolicionista e pela articulação de grupos republicanos. (E) pela extinção do voto censitário e pelo aprimoramento dos sistemas de comunicação. Comentários - A alternativa A está incorreta, afinal o sistema escravista só foi oficialmente extinto no final do século XIX, ao passo que nenhuma medida democrática foi implementada no período. - A alternativa B está incorreta, afinal a estrutura administrativa do Império se manteve centralizada na capital, o Rio de Janeiro. - A alternativa C está incorreta, pois a participação política dos militares na esfera pública foi vetada pelas elites civis. - A alternativa D é a resposta. A atuação dos movimentos abolicionista e republicano foram fundamentais para a ressignificação do espaço público, afinal eles se utilizavam de jornais, reuniões públicas, comícios, panfletos e outras estratégias para promoverem apoio às suas causas. - A alternativa E está incorreta, afinal o voto censitário foi de fato extinto pela Lei Saraiva, porém a restrição dos direitos políticos aos analfabetos dificultou a inclusão da população nas decisões dos espaços institucionais. Gabarito: D t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 84 12. (Estratégia Vestibulares 2020 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Foi num dia 25 de janeiro como hoje que centenas de negros escravizados saíram pelas ruas de Salvador promovendo um dos maiores levantes da história do Brasil escravocrata. 186 anos depois daquele dia de 1835, a Revolta dos Malês segue pouca estudada nas escolas, mas em um momento em que os olhos do mundo se voltam para a luta antirracista, ela se mostra mais lembrada do que nunca. Nos últimos anos, o levante soteropolitano ganhou livros, HQs (História em Quadrinhos), minissérie, filme, podcasts e se tornou tema de debates políticos por homenagens. CARVALHO, Eric Luis. Resistência: revolta dos malês completa 186 anos mais lembrada do que nunca. Correio, Salvador-BA, 25 jan. 2021. Disponível em: <https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/resistencia-revolta-dos-males-completa-186-anos-mais-lembrada-do-que-nunca/>. Acesso em: 26 jan. 2021. A respeito do Levante dos Malês, é correto afirmar que: a) a rebelião foi conduzida por escravos muçulmanos que lutavam pelo fim do sistema escravista e pela criação de um califado na região de Salvador. b) o episódio manifestou a intolerância religiosa predominante no espaço colonial, o que levou os cativos a pleitearam a livre manifestação de suas crenças. c) a revolta contou com o protagonismo de escravizados e negros livres, que defendiam a implantação de um regime teocrático e a separação da metrópole portuguesa. d) trata-se de um movimento que expressou a resistência de escravos africanos, que defendiam a criação de uma república em caráter provisório e maior autonomia provincial. e) a insurreição foi conduzida por escravizados muçulmanos que lutavam pela sua libertação e defendiam o estabelecimento de uma ordem islâmica na cidade de Salvador. Comentários: - A alternativa A está incorreta. Os escravizados envolvidos no Levante Malês pleiteavam sua liberdade, mas não questionaram a condição dos cativos não-muçulmanos. - A alternativa B está incorreta, afinal a Revolta se deu no século XIX, durante o período regencial. - A alternativa C está incorreta, pois a revolta não se deu durante o período colonial, mas em contexto em que o Brasil já se encontrava independente de Portugal. - A alternativa D está incorreta, pois trata-se de uma descrição da Sabinada, movimento ocorrido entre 1837 e 1838. - A alternativa E é a resposta. Na madrugada do dia 25 de janeiro de 1835, cerca de 600 escravizados africanos armados com porretes e armas brancas tomaram a cidade de Salvador. A frente do levante estava a Sociedade dos Malês, nome dado a comunidade de africanos islamizados, que sabiam ler e escrever em árabe. Isso possibilitou a organização da revolta sem despertar a atenção das autoridades. Os revoltosos seguiram o protocolo militar dos muçulmanos: não saquearam casas ou atacaram proprietários, confrontando apenas grupos armados organizados para contê-los. De acordo com um dos participantes, seu objetivo era eliminar todos os brancos e pardos da cidade, instaurando uma ordem islamizada e mantendo escravos de outras etnias na mesma condição. Gabarito: E 13. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 85 Desde o período colonial, o Pará foi dominado por um poderoso grupo de comerciantes portugueses, aliado aos altos funcionários civis e militares, também de origem portuguesa. Contra esse núcleo, que resistiu à independência do Brasil, desencadeou-se um movimento com ampla participação popular. KOSHIBA, Luiz; PEREIRA, Denise Manzi Frayze. História do Brasil no contexto da história ocidental. São Paulo: Atual, 2003. p. 248. O fragmento acima descreve o cenário no qual se verificou a eclosão de um conflito em 1835, durante o período colonial, denominado pelos historiadores de: (A) Farroupilha (B) Cabanagem (C) Balaiada (D) Sabinada (E) Revolta dos Malês Comentários: - A alternativa A está incorreta, a Farroupilha foi um levante protagonizado pelas elites pecuaristas do Rio Grande do Sul. - A alternativa B é a resposta. A Cabanagem foi um movimento protagonizado por indígenas tapuios, escravizados e homens livres e pobres da região amazônica, que se revoltaram contra os portugueses e em busca da autonomia administrativa da região, melhores condições de vida e pelo fim da escravidão. - A alternativa C está incorreta, a Balaiada foi um movimento que ocorreu na província do Maranhão durante o período colonial. - A alternativa D está incorreta. A Sabinada ocorreu na Bahia, entre 1837 e 1838. - A alternativa E está incorreta. A Revolta dos Malês ocorreu na Bahia, em 1835. Gabarito: B 14. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) O transplante do Estado português teve importantes consequências porque o Brasil não era mais administrado “de fora”. Com a transferência da Corte, o centro de decisão foi interiorizado e a dispersão colonial se atenuou com o surgimento de um centro aglutinador representado pelo Estado português. Chegamos assim ao que se chamou de inversão brasileira. KOSHIBA, Luiz; PEREIRA, Denise Manzi Frayze. História do Brasil no contexto da história ocidental. São Paulo: Atual, 2003. p. 168. Em relação às mudanças ocasionadas ao Brasil pela transferência da Corte joanina, destacam-se: a) a obtenção de liberdade econômica e de autonomia administrativa em relação à Portugal. b) o reforço do exclusivo metropolitano e criação de uma unidade federalista no território. c) a garantia do direito à representação para as províncias e a constitucionalização do Império. d) a promoção de uma reforma fundiária e o questionamento da continuidade do tráfico negreiro. e) a garantia de cargos às elites locais e o esgotamento dos movimentos de contestação à Coroa. Comentários t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 86 - A alternativa A é a resposta. A abertura dos portos às nações amigas representou o fim do pacto colonial no Brasil, ao passou que a elevação do Brasil à Reino Unido conferiu ao território autonomia administrativa. - A alternativa B está incorreta, foi concedida liberdade econômica aos brasileiros. - A alternativa C está incorreta, o Império Português adquire uma Constituição após o retorno da Corte joanina para Portugal, no contexto da Revolução Liberal do Porto. - A alternativa D está incorreta, não são realizadas mudanças em relação ao tráfico negreiro, tampouco na grande propriedade. - A alternativa E está incorreta, afinal no período ocorre a Revolução Pernambucana, que busca se emancipar do domínio português. Gabarito: A Leia o texto e observe o mapa para responder às questões 15 e 16. Com a abdicação de D. Pedro I, em 1831, abriu-se com a menoridade do sucessor ao trono brasileiro o período conhecido como o das Regências. Nesses anos, o Brasil foi sacudido por uma série de rebeliões de forte cunho regionalista, constituindo-se em ameaçador perigo da dissolução “da ordem e da unidade”. A mais longa dessas rebeliões foi a Farroupilha (1835-1845), no Rio Grande do Sul, que pôs em risco a manutenção das “fronteiras naturais” do sul do país. O fantasma da perda da Província Cisplatina rondava a corte imperial, e o envolvimento de grupos uruguaios nas lutas indicava a permanência de interesses econômicos e políticos comuns, assim como de fronteiras bastante flexíveis. PRADO, Maria Lígia; PELLEGRINO, Gabriela. História da América Latina. São Paulo: Contexto, 2020. p. 49. 15. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Em relação aos inúmeros levantes verificados no contexto das Regências, é possível considerar que a) houve o predomínio dos interesses de grandes proprietários locais, que estando à frente da maioria dos movimentos do período, impediram a participação das camadas subalternas. b) representou anseios e visões de estratos sociais distintos, cuja atuação foi modulada no período pelas opiniões políticas e projetos de nacionalidade debatidos na esfera pública. c) detiveram como ponto de convergência a transformação drástica das estruturas socioeconômicas, de modo a garantir a inserção de setores historicamente marginalizados no país. d) contribuíram para a adoção e consolidação permanente do modelo federalista no território, o que garantiu a hegemonia local dos grandes proprietários de terras e escravizados. e) defenderam a fragmentação do território e a formação de inúmeras repúblicas, evidenciando o enfraquecimento da autoridade monárquica perante a sociedade brasileira. Comentários - A alternativa A está incorreta, muitos movimentos do período tiveramgrande participação popular. Exemplos disso foram a Cabanagem, a Guerra dos Cabanos e a Balaiada. - A alternativa B é a resposta. As revoltas regenciais contaram com a participação de diversas camadas sociais, incluindo elites, escravizados, indígenas, setores médios urbanos e homens livres empobrecidos. Tais levantes foram motivados pelas discussões políticas realizadas à época, especialmente em relação à forma administrativa a ser adotada no território. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 87 - A alternativa C está incorreta, pois nem todos os movimentos defenderam transformações socioeconômicas. É o caso da Farroupilha e da Sabinada. - A alternativa D está incorreta, o federalismo só foi devidamente consolidado durante a Primeira República, mas novamente comprometido a partir da Revolução de 1930. - A alternativa E está incorreta, afinal muitas revoltas do período não eram essencialmente republicanas, tais como a Cabanagem, a Guerra dos Cabanos, a Balaiada e a Revolta dos Malês. Mesmo a Farroupilha e a Sabinada, que chegaram a propor a formação de Repúblicas, tomaram a transformação da ordem política como um recurso final diante da desconsideração de suas pautas pelo governo central. Gabarito: B 16. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) O “fantasma da perda da Província Cisplatina” é associado pelo texto à Farroupilha, em razão a) dos vínculos comerciais entre gaúchos e uruguaios, que ameaçavam os interesses econômicos das demais províncias. b) da atuação dos líderes do movimento em prol do fim do sistema escravista no Brasil, tal qual ocorreu no país limítrofe. c) da crítica à hegemonia portuguesa na economia local, existente tanto no levante quanto no processo de independência do Uruguai. d) das aspirações democratizantes dos grupos que compuseram o movimento, inspiradas no modelo político uruguaio. e) da diminuição das dimensões nacionais diante do possível êxito da experiência republicana iniciada pelo movimento. Comentários - A alternativa A está incorreta. Os vínculos econômicos entre gaúchos e uruguaios mencionados pelo texto são destacados como potencializadores dos sentimentos autonomistas dos primeiros. - A alternativa B está incorreta, os farroupilhas não defendiam o fim da escravidão. - A alternativa C está falsa, os portugueses não influíam sobre a economia do sul no contexto da Farroupilha. - A alternativa D está incorreta, tanto a Farroupilha quanto a república uruguaia não apresentavam viés democrático, afinal se embasaram em uma visão política marcada pelo predomínio das elites. - A alternativa E é a resposta. Tal qual a Guerra da Cisplatina (1825-1828), a Farroupilha poderia ocasionar a redução do território caso o Rio Grande do Sul formasse uma república independente. Gabarito: E 17. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) A revolta dos escravos em São Domingos está associada aos acontecimentos revolucionários na França de fins do século XVIII, que ocasionaram, em 1794, a proclamação do fim da escravidão nas possessões francesas no ultramar. A deposição de Luís XVI e a instituição da Assembleia Geral, em 1789, haviam encorajado tanto as aspirações autonomistas das elites coloniais nas Antilhas quanto a articulação de negros e mulatos livres. (PRADO, Maria Ligia. História da América Latina. São Paulo: Contexto, 2020. Adaptado.) t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 88 A participação dos negros e mulatos livres na Revolução da Haiti apresentou, entre seus objetivos: a) a obtenção de direitos sociais no novo Estado. b) a deposição da monarquia absolutista na França. c) a garantia de representação junto à metrópole. d) a aquisição de direitos de participação política. e) a abolição de castigos corporais na ordem escravista. Comentários - A alternativa A está incorreta, a Revolução do Haiti pleiteou direitos políticos, mas não sociais. - A alternativa B está incorreta, o movimento buscava a emancipação de São Domingos do domínio francês. - A alternativa C está incorreta, o movimento pleiteava a independência em relação à França, mas não a busca pela representação política junto à metrópole. - A alternativa D é a resposta. As camadas até então boicotadas na sociedade colonial buscaram a obtenção de direitos políticos a partir do processo de independência do Haiti. - A alternativa E está incorreta, o movimento buscou o fim da escravidão, e não unicamente dos castigos físicos. Gabarito: D 18. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Brasileiros, e europeus, quem vos demora e quem vos sustém a dar o passo [de] que tanto necessitais; Não tendes tão fortes exemplos nos vossos Irmãos de Portugal; não vedes o heroísmo com que os bravos Portugueses quebraram os grilhões com que se achavam oprimidos [...]. É tempo pois, às Armas, às Armas cidadãos honrados, vamos unir os nossos votos aos dos nossos Irmãos Europeus, de maneira que debaixo da mesma constituição todo o Reino unido de Portugal, Brasil e Algarves, que da felicidade, de que é merecedor, sacudindo o jugo vergonhoso e o despotismo que o oprime. CARVALHO, José Murilo; BASTOS, Lúcia; BASILE, Marcello. Às armas, cidadãos! – Panfletos e manuscritos da independência do Brasil (1820-1823). São Paulo: Companhia das Letras; Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2012. p. 48. O texto acima, extraído de um panfleto escrito em 1821, circulou na cidade de Salvador após o retorno da Corte joanina para Portugal. Ao considerar os acontecimentos recentes, o texto (A) condena o domínio português sobre o Brasil. (B) destaca os malefícios do sistema escravista. (C) sugere a adoção de um regime republicano. (D) defende a emancipação política do território. (E) se alinha aos princípios do liberalismo político. Comentários - A alternativa A está incorreta, o texto não hostiliza a relação entre portugueses e brasileiros, denominado os primeiros de irmãos. Assim sendo, sugere que os súditos brasílicos apoiem o movimento iniciado pelos lusos em Porto. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 89 - A alternativa B está incorreta, em nenhum momento o panfleto discute o regime de trabalho escravista, se limitando a defender o engajamento dos brasileiros na Revolução Liberal do Porto. - A alternativa C está incorreta, o autor do panfleto não dá indícios de que considera necessária a substituição da monarquia pela forma de governo republicana. - A alternativa D está incorreta, o panfleto não defende a independência do Brasil, mas o apoio dos brasileiros ao processo de constitucionalização do Império português, do qual faziam parte. - A alternativa E é a resposta. O autor do panfleto declara seu apoio à Revolução do Porto, movimento de caráter liberal que defendia a transformação de Portugal em uma monarquia constitucional. Cabe destacar preocupação em limitar as atribuições do poder soberano é a essência do liberalismo político no período. Gabarito: E 19. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) Uma lei de agosto de 1831 criou a Guarda Nacional, em substituição às antigas milícias. A ideia consistia em organizar um corpo armado de cidadãos confiáveis, capaz de reduzir tanto os excessos do governo centralizado como as ameaças das “classes perigosas”. FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Ed. USP, 2019. Considerando as atribuições da organização, pode-se dizer que a Guarda Nacional (A) favoreceu as articulações defensoras da descentralização administrativa. (B) estimulou o fortalecimento das Forças Armadas em território brasileiro. (C) restringiu-se à atividade policiale garantiu ao Exército a atuação nas guerras. (D) fortaleceu as elites locais contra os excessos do poder moderador. (E) atuou para garantir a ordem pública e a unidade territorial do Império. Comentários - A alternativa A está incorreta, afinal as elites de maneira geral, tanto centralistas quanto federalistas, apostaram na Guarda Nacional como uma forma de conter as revoltas que eclodiram no período regencial. - A alternativa B está incorreta, a permanência da Guarda Nacional acabou dificultando o recrutamento de novos quadros para o Exército. - A alternativa C está incorreta, a Guarda Nacional também atuou na pacificação de revoltas e guerras internas no período regencial. - A alternativa D está incorreta, o poder moderador não era ocupado por ninguém no momento de criação da Guarda Nacional. O texto informa que a organização foi criada contra os excessos do governo centralizado, que era exercido pelos regentes à época. - A alternativa E é a resposta. A Guarda Nacional, uma milícia composta por cidadãos votantes, foi criada para defender a Constituição, manter a ordem pública a unidade do Império. Ela foi a força responsável pela repressão dos movimentos rebeldes que eclodiram por todo o país no período, sendo comandadas pelos grandes proprietários locais. Gabarito: E 20. (Estratégia Vestibulares 2021 – Inédita – Prof. Marco Túlio) t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 90 O período entre o retorno de D. Pedro I a Portugal em 1831 e o fim da Guerra do Paraguai em 1870 é fundamentalmente a história de divisões no interior da elite brasileira quanto aos princípios básicos pelos quais o Brasil deveria ser governado. Essas divisões refletiram-se primeiro numa série de revoltas durante a Regência, que foram atenuadas, mas certamente não extintas no período que se seguiu à coração de Pedro II em 1840. (SKIDMORE, T. São Paulo: Uma história do Brasil. Paz e Terra, 1998. p. 67.) Considerando o contexto do período abordado, pode-se afirmar que as divisões nas elites dirigentes se deram, principalmente, entre (A) democratas e apoiadores do voto censitário. (B) defensores do sufrágio feminino e opositores. (C) republicanos e partidários do absolutismo. (D) unitaristas e entusiastas do federalismo. (E) escravistas e defensores do trabalho livre. Comentários - A alternativa A está incorreta, pois a democracia não era um sistema defendido pela maioria dos grupos dirigentes. - A alternativa B está incorreta. Os homens notáveis do Império não defendem o voto feminino. - A alternativa C está incorreta, a maioria dos políticos do período defende a forma de governo monárquica. - A alternativa D é a resposta. A principal divisão entre as elites se deu em relação à questão administrativa do Brasil, afinal alguns notáveis eram defensores do unitarismo (centralização), ao passo que outros defendiam o federalismo (descentralização). - A alternativa E está incorreta, não há uma defesa consistente do fim da escravidão entre os membros das elites no período. Gabarito: D 11. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na aula de hoje falamos sobre o processo de independência da América Espanhola, do Haiti e do Brasil, além do nosso período regencial. Vale a pena retomarmos alguns pontos fundamentais para gabaritar na prova: ENTENDER como as reformas bourbônicas e a dominação napoleônica contribuíram para o desencadeamento de movimentos separatistas protagonizados pelas elites criollas na América Espanhola. COMPREENDER a importância do projeto político de Simón Bolívar e quais foram as razões de seu fracasso durante as guerras de independência da América Espanhola. DIFERENCIAR os processos de independência da América Portuguesa e da América Espanhola, se atentando para suas particularidades etambém para os elementos comuns. ENTENDER o fenômeno político denominado caudilhismo e quais são suas características. t.me/CursosDesignTelegramhub ESTRATÉGIA VESTIBULARES – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA AULA 10 – FORMAÇÃO DOS ESTADOS NA AMÉRICA LATINA 91 ANALISAR as questões sociais e raciais que envolveram a Revolução do Haiti. COMPREENDER a relação entre a transferência da Corte portuguesa para o Brasil com seu processo de emancipação política. IDENTIFICAR os principais pontos da Constituição de 1824, incluindo seus resquícios autoritários e ideias liberais. IDENTIFICAR as continuidades e rupturas do processo de independência do Brasil. COMPREENDER as principais questões do debate político em 1822, 1831, 1834 e 1840. DIFERENCIAR os atores sociais e propósitos das principais rebeliões do período regencial. Se algo não ficou claro, retome a teoria e refaça os exercícios. Persistindo os sintomas, me procure no Fórum de Dúvidas! Lá te atenderei o mais rápido possível. Em nossa próxima aula, falaremos sobre as transformações do capitalismo no século XIX, os imperialismos em África e Ásia, os Estados Unidos e o pensamento político e social do século XIX. Bons estudos, Prof. Marco Túlio profmarco.tulio @profmarcotulio t.me/histpraboidormir 12. REFERÊNCIAS BARRUCHO, Luis. Por que o Brasil continuou um só enquanto a América Espanhola se dividiu em vários países? BBC Brasil, Londres, 10 set. 2018. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil- 45229400>. Acesso em: 7 set. 2019. CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial. Teatro das sombras: a política imperial. 7ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012. CARVALHO, José Murilo de; BASTOS, Lúcia; BASILE, Marcello (orgs). Às armas, cidadãos! – Panfletos manuscritos da independência do Brasil (1820-1823). São Paulo Companhia das Letras; Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2012. FREITAS NETO, José Alves de Freitas; TASINAFO, Célio Ricardo. História Geral e do Brasil. São Paulo: HARBRA, 2006. MOREL, Marco. O período das regências, (1831-1840). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2003. (Descobrindo o Brasil) NEVES, Lúcia Bastos Pereira das. A vida política. In: SILVA, Alberto da Costa e. Crise colonial e independência: 1808-1830, v. 1. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. p. 85-113. (História do Brasil Nação: 1808- 2010) VAINFAS, Ronaldo (org.). Dicionário do Brasil imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. t.me/CursosDesignTelegramhub