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AULA 00: ANTIGUIDADE 
 
 
 
 
Profe Alê Lopes 
 
AULA 10 
FUVEST 
Exasiu 
Exasiu 
EXTENSIVO 
estretegiavestibulares.com.br 
História Contemporânea II 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 10 – História Contemporânea II 
 
 
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164 
 
 AULA 10: História Contemporânea II 
Sumário 
 
1. A Era napoleônica (1799 – 1815) ......................................................................... 3 
1.1 - Consulado (1799 -1804) ............................................................................................ 7 
1.2 - Império (1804-1814) ................................................................................................. 9 
1.3 – Governo dos 100 dias ............................................................................................ 16 
2. Congresso de Viena: Restauração Conservadora ......................................... 18 
3. A Europa em Restauração ................................................................................... 21 
4. A Europa em transformação ............................................................................... 23 
4.1 – Ondas de Revoltas Liberais e Nacionalistas 1830-1848 ......................................... 23 
4.2 – República Francesa, de 1848 ................................................................................. 30 
4.3 – Teorias críticas ao capitalismo ............................................................................... 33 
4.4 - 1871: a Comuna de Paris ........................................................................................ 44 
5. Lista de Questões .................................................................................................. 52 
6. Gabarito ................................................................................................................... 84 
7. Lista de Questões com Comentários ............................................................... 85 
8. Considerações Finais .......................................................................................... 164 
 
Queridas e Queridos Alunos, 
Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais uma aula. É sempre um grande prazer compartilhar 
com vocês nosso trabalho e participar dessa batalha dura e constante na luta pela conquista da 
sua vaga na Universidade. 
 Esta é a terceira aula que trata sobre um longo processo que transformou a Europa, 
colocou fim ao Absolutismo e ao Mercantilismo e plantou os germes do mundo capitalista. Assim, 
continuaremos a estudar a formação do Mundo Capitalista. 
Quero lhes dizer que esse assunto tem pouca incidência nas provas. Mas cuidado: não deixe 
de estudar porque você bem sabe que o Vestibular sempre nos presenteia com surpresas. 
Nas aulas anteriores, tratamos sobre as experiências políticas, filosóficas e econômicas de 
crítica ao Mundo do Antigo Regime. Nesse sentido, já estudamos o Movimento iluminista e a 
teoria liberal, as Revoluções Liberais inglesas do século XVII e a Independência dos Estados Unidos 
da América, a Revolução Francesa e a Inglesa. 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 10 – História Contemporânea II 
 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
Nesta aula, vamos adentrar o século XIX e compreender os desdobramentos da Revolução 
Francesa na França e na Europa. Isso inclui: 
 a chamada Era Napoleônica; 
 o processo de tentativa de restauração do Absolutismo por meio dos acordos do 
Congresso de Viena; 
 a retomada revolucionária que levou ao Movimento da Primavera dos Povos e a 
Proclamação da República na França. 
 Enfim, mais história, né? . Não me canso de afirmar, para você toda questão de história 
é imperdível! Você precisa estar preparado para TUDO! Não esquece: “o segrego do sucesso é a 
constância no objetivo”. Vamos seguir juntos! 
Se você tiver dúvidas, utilize o Fórum de Dúvidas! Eu vou te responder bem rapidinho. Ah, 
não tem pergunta boba, Ok? Vamos começar? Já sabe: pega seu café e sua ampulheta. Bora!! 
 
 
 
 
1. A ERA NAPOLEÔNICA (1799 – 1815) 
O processo que deu origem à Era Napoleônica pode ser explicado pelos desdobramentos 
e disputas entre as forças políticas na França em um cenário cuja economia não podia deslanchar. 
Isso fazia com que a luta pelas transformações na vida social não tivesse o resultado que a maioria 
da população que participou das batalhas daquela década almejava. 
Além disso, era fato que as monarquias absolutistas europeias não desistiam de invadir a 
França e derrotar a revolução liberal no seu berço. Existiam pressões internas e externas que 
obrigavam os líderes no poder a buscar uma solução para a continuidade mais estável das 
transformações liberais em curso. Devemos lembrar que era o Diretório que estava exercendo o 
poder executivo, como vimos na última aula. 
A conjuntura era tão extrema, e a revolta social tão grande, somada à crise econômica e à 
fome, que a saída encontrada por um setor dos girondinos foi articular um golpe contra seu 
próprio governo. Nesse sentido, em novembro de 1799, é consumado o Golpe do 18 Brumário 
liderado por Napoleão Bonaparte. Naquele contexto o General popular e carismático era o único 
que aparentemente tinha legitimidade política para governar. 
 Na verdade, ele era o único que poderia “zerar o rolê” 
 
XVIII XIX
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 10 – História Contemporânea II 
 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
 
Forma-se, então, um novo Governo a partir do exército e dos girondinos. O 
Diretório foi substituído por um Consulado o qual era conduzido por 3 Cônsules, o 
Primeiro e principal Cônsul era Napoleão Bonaparte. 
 Assim, em 1799, o primeiro objetivo desse novo governo, que marcou o início 
da Era Napoleônica, foi pacificar a França e dar novo impulso econômico para o 
país. 
 
A Era Napoleônica, compreendida entre 1799 e 1815, é caracterizada por consolidar as 
conquistas liberais da Revolução Francesa e por expandir seus ideais pela Europa. Nesse sentido, 
não podemos dizer que 1799 é o fim da revolução contra o antigo regime e em defesa do Novo 
Mundo. Ao contrário, visto da perspectiva dos avanços e retrocessos do liberalismo, o significado 
desse período em que Napoleão Bonaparte governou a França pode ser compreendido como a 
continuidade histórica na construção do ideário liberal capitalista. 
Mas, profe, ele não foi um ditador que acabou concentrando os poderes novamente? 
Bem, caro Bixo, eu sei que algumas vezes se ensina que Napoleão virou um Imperador e, 
por isso, teria colocado os avanços da Revolução em jogo, ou traído a Revolução. Tanto é assim, 
que, em geral, os livros didáticos de história desvinculam tanto a Revolução Francesa da Era 
Napoleônica que nem parece que ninguém diria que Napoleão é, em sentido histórico, a 
continuidade da Revolução iniciada em 1799. Mas isso é uma visão factual da história, que não 
aprofunda plenamente os conceitos e os processos históricos. Napoleão é um produto direto da 
Revolução Francesa iniciada em 1789, porém, como chegou a afirmar Victor Hugo “Napoleão era 
involuntariamente revolucionário”1. 
Vejamos como foi a implantação do Governo Napoleônico e seus significados para 
desmistificarmos essas “histórias da carochinha” com uma boa análise social do processo histórico, 
ok?! 
Sabemos que em 1799, a França vivia uma paralisia do Governo do Diretório enquanto o 
exército francês resolvia os problemas das tentativas de invasão de outros Estados Europeus. 
Diante de tal paralisia, Napoleão Bonaparte e diversos aliados políticos e militares dominaram o 
Diretório e, a partir de um Golpe articulado com a burguesia, tomaram o poder. 
E agora sou eu que te pergunto, querida e querido aluno: diante de um Golpe de Estado, 
por que o povo não se levantou contra um possível usurpador do poder? Não era de se esperar 
isso de um povo tão consciente da liberdade e da igualdade como os franceses, já habituado a 
reivindicarseus direitos fazendo revoluções? E agora, Bixo, como ficaria essa resposta? 
Para responder a isso, precisamos fazer uma reflexão sobre o papel do exército francês. 
Primeiro, não era o exército francês, mas sim o Exército Revolucionário Francês. Soldados-
 
1 HUGO, Victor. Os Miseráveis. Livro I. Rio de Janeiro: Ed. Casa da Palavra. 2002, p. 322. 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 10 – História Contemporânea II 
 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
cidadãos, lembra-se? Ou seja, ele era o filho mais velho da revolução de 1789, pois é fruto de um 
levante de massas de cidadãos revolucionários que se transformou em uma força de combatentes 
profissionais que lutava pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade. É dessa convicção que vem a 
força de um exército que ganhou grande superioridade em relação a todas as outras forças 
militares europeias. 
Veja o que diz Eric Hobsbawm sobre o exército: 
Ele [o exército] sempre permaneceu uma espécie de leva improvisada de soldados, no 
qual recrutas mal treinados adquiriam treinamento e moral através de velhos e 
cansativos exercícios, em que era desprezível a disciplina formal de caserna, em que 
soldados eram tratados como homens e a regra absoluta de promoção por mérito (que 
significava distinção na batalha) produziu uma hierarquia simples de coragem. (grifos 
nossos) 
Assim, querido e querida, Napoleão foi a expressão dessa ideia e, tendo ele começado 
como um “pequeno cabo”, com sua coragem e mérito chegou ao generalato. E é interessante 
lembrar que boa parte das guerras travadas pela França ocorriam no campo, vistas de longe por 
camponeses. Muitos camponeses, de boca em boca, espalharam que os campos de combate 
contavam com um jovem oficial francês que, diferentemente do padrão, tomava a linha de frente 
do batalhão. Por isso, Napoleão foi identificado como um herói da França e do seu povo. Agora, 
o próprio Napoleão cuidou de auto afirmar-se, pois incentivou as notícias de guerra, direto do 
fronte, via jornais e, claro, a grande figura dessas notícias era ele próprio. 
Além disso, como militar, ele era mais moderado do que os jacobinos quando à frente das 
armas, por exemplo. Assim, agradava aos membros da alta burguesia que temiam rebeliões 
radicais dos mais pobres. 
No contexto da virada do século XVIII para o XIX, Napoleão só poderia ser a salvação 
política e militar da Revolução – e não o seu oposto. Era o mais corajoso dos revolucionários! Essa 
é a visão popular que se construiu de Napoleão ao longo do seu governo – e que é muito útil para 
apaziguar a França mergulhada em conflitos e rebeliões internas. A verdade é que ele era uma 
figura política que aglutinava os diferentes setores e seus interesses específicos. 
 
Assim, a chegada ao poder de Napoleão foi acompanhada de 
dois objetivos prioritários: 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 10 – História Contemporânea II 
 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
 
Havia expectativa e esperança entre os diversos grupos sociais. Todas as políticas 
napoleônicas não foram criação da genialidade de Bonaparte. Elas tinham origem no projeto 
liberal de sociedade. Contudo, Napoleão foi um político da real politics, ou seja, sabia que a 
política era um jogo que demanda aliados, consensos e apoio popular – nesse jogo se encontrava 
sua verdadeira genialidade e ele sabia que a governabilidade precisava de articulações. 
Os feitos napoleônicos tiveram um peso enorme na estrutura social daquela sociedade e 
foram realizados, de certa maneira, em grande velocidade. Algumas dessas realizações têm 
impacto até hoje na sociedade Ocidental. Podemos listar algumas delas, já instituídas na primeira 
fase do seu Governo (a do Consulado): 
 
 Código Civil Napoleônico 
 Administração pública racionalizada e hierarquizada 
 Concurso Público por mérito para acessar o serviço público 
 Carreira militar, judiciária e escolar 
 Escolas politécnicas 
 Educação Pública laica e baseada no conhecimento universal da humanidade, a exemplo, 
das Enciclopédias. 
 Criação do Banco da França 
 Medidas protecionistas para proteger a Indústria francesa da concorrência com os produtos 
ingleses 
 
Dessa forma, as ideologias em torno do General, somadas às realizações do 
Governante, fizeram da figura de Napoleão Bonaparte um Mito de sua época, tanto 
é assim que a forma como ele governou a maior parte do tempo gerou um conceito 
usado em Ciência Política, qual seja: o bonapartismo! 
Esse conceito expressa a conciliação entre diferentes interesses tentando agradar 
a todos os setores da sociedade. Contudo, usa-se o autoritarismo para impor 
alguma medida que, em tese, deveria ser bom para todos, segundo os critérios desse governante. 
Este aparece como uma figura acima dos interesses de qualquer classe social. 
Impulsionar a Industrialização francesa.
Alcançar um período de estabilidade política - que lhe permitiu 
iniciar uma série de transformações na vida social francesa. 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 10 – História Contemporânea II 
 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
Nesse sentido, busca-se uma adesão dos diferentes grupos e sua aceitação nas políticas 
implementadas pelo governante. Não há muito espaço para divergências, desavenças e debates. 
A decisão é do governante! 
 
Feitas essas considerações iniciais sobre o significado histórico da Era Napoleônica, 
vejamos agora, o desenvolvimento do Governo de Napoleão. A historiografia divide esse 
momento histórico em 3 fases: 
 
1.1 - CONSULADO (1799 -1804) 
O consulado foi um governo republicano formado por 3 pessoas, sendo Napoleão um 
deles. 
O poder político estava dividido em algumas instituições como Senado, Tribunal, Conselho 
de Estado. 
Ao longo do tempo, Napoleão conseguiu concentrar poderes e se tornou o Primeiro-
Consul da França, incumbido do Poder Executivo. 
Nos cargos da burocracia estatal foram nomeados membros pertencentes, 
majoritariamente, à alta burguesia – grupo que fornecia sustentação política a Napoleão na 
implementação da política de reorganização do Estado Francês. 
Apesar de haver certa expectativa e esperança em torno da figura napoleônica, havia 
aqueles que se opunham ao elitismo do governo napoleônico. Há historiadores que pesquisam a 
perspectiva autoritária e racista do governo napoleônico e, a partir da análise do Código 
1799 -
1804: 
Consulado 
• Combate às oposições 
• Reorganização do 
Estado
1804 -
1814: 
Império
• Política expansionista
• Bloqueio Continental
• Reação das 
monarquias 
absolutistas
1815: 
Governo 
dos 100 
dias
• Tentativa de retomar o 
Governo Francês
• Derrota de Waterloo
• Prisão definitiva de 
Bonaparte
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 10 – História Contemporânea II 
 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
Napoleônico e das medidas da França para suas colônias, demonstram o tratamento desigual e 
desumano para com aqueles que não eram franceses. 
Fato marcante foi a reinserção da escravidão negra nas colônias francesas – algo contrário 
ao artigo 1º da Declaração do Homem e do Cidadão, documento que inaugurou o sentido da 
Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade. Assim, Napoleão foi visto por um setor 
mais adepto aos ideais fundantes da revolução como um traidor. 
 Além disso, os pobres continuavam em condições sociais difíceis, uma vez que a igualdade 
era uma figura jurídica e não se traduzia em melhores condições sociais de vida. 
Alguns grupos políticos, defensores da democracia social e dos valores liberais, 
denunciavam os limites das transformações geradas pelas políticas napoleônicas. 
Para calar essa oposição, foi imposto uma severa censura aos meios de comunicação, 
cerceando a liberdade de expressão. Também foi restituída a polícia política e a perseguição aos 
grupos considerados “radicais”. 
Com o controle desses grupos políticos por meio da violência e da repressão, umobservador estrangeiro diria que, na França do Consulado governado por Napoleão, o país 
alcançava certa estabilidade e recuperação econômica. Nos meandros da vida política, porém, 
começava a ocorrer uma centralização do poder, especialmente por meio da indicação de pessoas 
ligadas a Napoleão para cargos centrais na estrutura de poder. 
Publicamente começava uma campanha para que a França retornasse para o regime 
monárquico com Napoleão como seu rei. Com isso, Napoleão se aproximava de antigos setores 
monarquistas mais conservadores. Mas ninguém iria impor nada ao povo. Imagina fazer isso a um 
povo habituado a fazer revolução. Tá loco?! 
Assim, em 1804, realizou-se um plebiscito nacional perguntando se as pessoas 
concordavam com a volta da monarquia hereditária e com Napoleão como rei. Quase 60% 
disseram SIM!! 
Nesse momento, o voto era censitário. Lembra o que era isso? 
Voto censitário é aquele que tem como critério a renda. Ou seja, para exercer o voto a pessoa 
deve estar dentro de uma faixa de renda determinada. Essa faixa pode alterar. O voto censitário 
se opõe ao voto universal. O voto universal tem como característica ser exercido por todos? Claro 
que não! Nem todos podem votar. Então o que o caracteriza é o fato de que o critério de renda 
NÃO é aplicado. Pode existir outros critérios: como a idade, o sexo, a idade, a condição civil (se 
está preso, se é militar, entre outros). 
Pois bem, os 60% eram formado por “proprietários eleitores”, como diria Victor Hugo. 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 10 – História Contemporânea II 
 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
Adivinha onde foi a coroação de Napoleão Bonaparte como rei da França? Nela, na 
queridíssima Catedral de Notre-Dame!!!!! 
A coroação de Napoleão. 
Óleo sobre tela, 1806. 
Jacques-Louis David. 
Museu do Louvre, França. 
 
A festa solene 
da posse, ops, da 
coroação contou com 
uma cena improvável 
em outras épocas 
monárquicas da 
França. Napoleão teria 
tirado a coroa da mão 
do Papa Pio VII e 
colocou-a ele mesmo 
na própria cabeça. Foi um recado de que a Igreja não estava acima do governo francês. 
O Papa, que veio lá de Roma só para colocar a joia na cabeça do novo rei, deve ter ficado 
meio sem graça, concorda? Mas era o sinal dos novos tempos! Além disso, como registrou 
Jacques-Louis David – pintor oficial de Napoleão – o Imperador ainda coroou sua esposa Josefina, 
como podemos ver no quadro abaixo. 
Apesar de ser curiosa a cena, ela tem um significado histórico e político importante. Veja 
que, embora estejamos diante de uma nova monarquia, esse gesto de Napoleão deixa claro que 
não se tratou de uma simples restauração monárquica ao modelo do Antigo Regime. O Estado 
Liberal Francês continuava sendo laico e acima do cargo de imperador NÃO havia ninguém, nem 
sequer a Igreja. 
1.2 - IMPÉRIO (1804-1814) 
Com a transformação da forma de governo de República para Império, Napoleão instituiu 
uma nova Corte formada pela elite militar, a alta burguesia financeira e alguns membros da antiga 
nobreza que se aproximaram dos girondinos durante a revolução. Além disso, em um ato 
antiliberal distribuiu títulos de nobreza para seus familiares e os nomeou para altos cargos do 
governo. 
Mas profe, por que nomear parentes é um ato antiliberal? 
Querido e querida, é um ato antiliberal porque o princípio para o acesso aos cargos 
públicos é o do Mérito! Ou seja, aquele que é o melhor para exercer uma atividade e função, que 
estudou, tem talento, experiência, é o que deve ocupar um cargo para garantir a eficiência da 
administração pública. Para ser justo no mérito, segundo os liberais, é preciso dar oportunidades 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 10 – História Contemporânea II 
 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
para que todos que queiram demonstrem suas habilidades. Vale a máxima popular: que vença o 
melhor!! É por isso que temos concurso público e é por isso que você está estudando com o 
melhor material para passar no vestibular. 
Assim, são os interesses desses grupos mais elitistas e conservadores que estão 
representados no governo. Portanto, há um limite importante no que se refere à ideia de 
representatividade proposta pelos teóricos do liberalismo, como estudamos na aula passada. 
Essa fase da Era Napoleônica ficou caracterizada pela Política Expansionista por 2 objetivos: 
 expandir os domínios da França; 
 espalhar os ideais políticos do liberalismo. 
A política expansionista foi efetivada por meio de guerra, de atos políticos e de medidas 
econômicas. 
➢ A Guerra: 
Napoleão criou um exército muito forte em armas e soldados. Profissionalizou o quanto 
pôde aquele exército revolucionário, criando salários, plano de carreira e outros benefícios. O 
discurso revolucionário que ressaltava o papel do exército francês como um exército capaz de 
mudar o mundo e derrubar os reis absolutistas do seu trono, bem como levar a liberdade 
alcançada pelos franceses pelas próprias mãos, foi um combustível fundamental para garantir a 
coragem e o alistamento militar. 
Além desse apoio interno, o discurso da liberdade, igualdade e fraternidade garantia algum 
apoio e iniciativas locais contra os reis absolutistas, afinal, como vimos no começo desta aula, nos 
principais reinos absolutistas a maioria da sociedade formada por camponeses vivia sob o regime 
de servidão. As classes médias, a pequena e média burguesia desses estados absolutos invadidos 
por Napoleão também proporcionavam algum apoio, visto que pretendiam ampliar negócios com 
a França. É claro que nem sempre foi assim e nem em todos os lugares, mas o suficiente para 
permitir que a França dominasse ao menos 1/3 do território europeu. 
Por isso, houve uma reação ao expansionismo francês. A Inglaterra impulsionou a formação 
de Coligações Internacionais contra a França, pois compreendia que o fortalecimento militar da 
França tinha o sentido de torná-la uma potência econômica – o que ameaçava diretamente os 
negócios ingleses. Além disso, a monarquia britânica sabia que os países absolutistas da Europa 
temiam profundamente o sentido revolucionário e político da revolução francesa contido na 
expansão militar napoleônica. Dessa forma, das Coligações Internacionais participaram a 
Inglaterra, por motivos econômicos, Rússia e Prússia por motivos políticos. Foram 7 coligações até 
1815. 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
Houve, contudo, um revés militar importante nessa história: em 1805, a França tentou 
invadir a Inglaterra pelo mar na conhecida Batalha de Trafalgar. Pelo que já conhecemos da 
história da Inglaterra sabemos que ela 
era invencível no mar! Napoleão perdeu 
a Batalha, ficou muito irritado, já que a 
Inglaterra era a “fábrica do mundo” e 
quase ninguém conseguia concorrer 
com ela em mercado aberto. 
Mas, se a França não conseguia 
vencer a Inglaterra por mar, em terra a 
França tornou-se invencível!! Assim, 
Napoleão invadiu regiões importantes 
no Leste Europeu, Veja: 
Por sua vez, a Monarquia inglesa não ousou adentrar o continente com suas tropas porque 
sabia que seria esmagada por Napoleão. 
Como consequência, as conquistas napoleônicas modificaram a organização política e 
territorial da Europa. Observe bem os mapas abaixo. Estude-os. Perceba os elementos de cada 
um. 
 
Em geral, as Coligações eram lideradas pela Inglaterra. Assim, era necessário isolá-la. Por 
isso, Napoleão decretou o Bloqueio Continental ou Decreto de Berlim! Vejamos o que é. 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
➢ A Economia: 
Em 1806, Napoleão decreta o Bloqueio Continental pelo qual os países aliados e sob 
pressão da França deveriam fechar seus portos ao comércio com a Inglaterra. Assim, os diplomatas 
franceses começam uma ofensiva para fazer comque mais e mais países assinassem o Decreto de 
Berlim para isolar completamente a Inglaterra. 
Como a França já havia dominado boa parte do Continente, não encontrou muita 
resistência para conseguir adeptos. Mas Portugal e Rússia ainda estavam resistentes. Rússia entrou 
depois de perder militarmente a Guerra, em 1807. 
Em relação a Portugal é muito interessante a história. O Rei Dom João VI tentou estabelecer 
uma política de postergação. Seu corpo diplomático tentou negociar uma data para a assinatura 
do acordo e sua adesão ao Bloqueio Continental. E sucessivamente foi postergando isso. Até que 
a França deu um ultimato em Portugal. 
 
 
 
Em 1808, a França 
negociou com a Espanha 
entrar nos seu território para 
chegar a Portugal e invadi-lo. 
Enquanto isso, Portugal 
negociava com a Inglaterra 
uma forma de sair do país e 
embarcar com a corte e com 
tudo o que pudesse em 
direção à sua colônia na 
América, o Brasil. Era um 
jogo de gato e rato. E a Corte 
Portuguesa conseguiu sair 
escoltada pela Inglaterra 
minutos antes da França 
chegar no Porto. Dizem que 
os franceses ainda conseguiram avistar a esquadra de Dom João VI no horizonte. 
Depois dessa situação, a França ainda quebrou o acordo que tinha com a Espanha e acabou 
por invadir seu território, depôs o rei e nomeou como governante o irmão de Napoleão, José 
Bonaparte. Isso gerou um clima de insatisfação e revolta na população espanhola. Um sentimento 
nacionalista tomou conta da sociedade e gerou grandes revoltas, financiadas pela Inglaterra, 
inclusive. 
Veja que o caso da Espanha é um exemplo do que ocorreu em vários lugares, pois se no 
início da expansão francesa houve a disseminação dos ideais liberais que foram capazes de 
Embarque da Família Real Portuguesa. Óleo sobre tela, autor desconhecido. 
Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty. 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
derrubar estruturas políticas absolutistas, em um dado momento, essa situação transformou-se em 
exploração do povo para satisfazer a continuidade das guerras. 
A situação de vida na Europa começou a piorar muito, sobretudo, porque o Bloqueio 
Continental gerou um desequilíbrio na economia do Continente. 
 
Articula comigo: 
A Inglaterra exportava produtos industriais e manufaturas para diversos países da Europa. Estes 
países acabavam vendendo aos ingleses seus produtos primários, afinal, a maioria dos países ainda 
tinha economia majoritariamente rural. Mesmo que isso fosse mais benéfico para Inglaterra, ainda 
assim, era um fator de equilíbrio. 
 
 
Nesse esquema, quando substituímos a Inglaterra pela França, como era o objetivo desse 
país, o sistema entra em completo desequilíbrio, pois a economia francesa ainda não tinha 
capacidade de abastecer o mercado consumidor europeu de manufaturados. A indústria francesa 
não era tão forte como a inglesa. E, ainda por cima, não importava muitos produtos primários 
porque ela era uma forte produtora deles. Você consegue imaginar as consequências? De fato, o 
Bloqueio só teria dado certo se a França estivesse no mesmo nível da Inglaterra, mas sabemos 
que não foi assim... 
 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
➢ A Guerra novamente 
Para enfrentar a situação, alguns governos optaram por romper o Bloqueio como, por 
exemplo, a Rússia o fez em dezembro de 1810. Para Rússia era muito complicado o Bloqueio 
porque a Inglaterra era sua principal compradora de cereais. A situação no país eslavo ficou 
insustentável e romper o bloqueio era a única saída. Mas a Rússia sabia que o imperador francês 
não aceitaria tal desfeita sem uma retaliação à Napoleão! Por isso, preparou-se! 
Em represaria a essa atitude, em 1812, Napoleão preparou um exército com 600 mil 
homens e 180 mil cavalos. Essa é a famosíssima batalha em que os russos usaram a técnica da 
terra arrasada. Essa técnica consistia em destruir tudo, até envenenar poços de água, antes da 
chegada dos franceses. E por que deu tão certo? Já se perguntou? Afinal, isso não é novidade nas 
guerras europeias! 
O historiador Eric Hobsbawm nos explica que o exército francês não tinha um bom sistema 
de abastecimento, por isso, precisava passar pelos campos das regiões invadidas. Assim, em 
regiões ricas as vitórias eram fáceis. Nas empobrecidas ou arrasadas, como na Rússia, o exército 
napoleônico ruiu!! Essa fraqueza levou à deserção, à morte por doenças básicas ou por fome, 
exaustão e frio. O inverno russo também foi um aliado do Império czarista. Da Campanha da Rússia 
voltaram cerca de 40 mil soldados. 
O fracasso dessa Batalha gerou uma insatisfação interna enorme. O povo francês não queria 
mais a expansão. Mas não significava que não queriam Napoleão, cuidado! Mas que a volta dos 
40 mil esfarrapados pegou mal, isso sim pegou. 
Nesse cenário, ocorreu a 6ª Coalisão contra França formada por Ingleses, Russos, Prussianos 
e Austríacos, ou seja, as grandes Monarquias. Em 06 de abril de 1814 essa aliança invade Paris, 
depõe Napoleão e o manda para a Ilha de Elba, no mar Mediterrâneo. 
 
Nesse momento, se instala na Europa o chamado Congresso de Viena. Vamos nos 
aprofundar nele na próxima seção da aula. Por hora, saiba que essa Conferência reuniu 
representantes de diversas monarquias europeias que haviam sido derrotadas e 
prejudicadas por Bonaparte, como a Rússia, a Áustria, a Prússia e a Inglaterra. Sua 
primeira medida foi restaurar a monarquia da família Bourbon ao trono francês. Isso era 
o sinal de que queriam a volta do Velho Mundo, do Antigo Regime tal como ele era antes de 1789. 
Assim, o herdeiro do trono da França, irmão do rei Luís XVI, Luís XVIII assumiu o trono e foi 
(re)coroado Rei da França! Mais um exemplo das idas e vindas que mencionei no início da aula. 
Isso é História, caro e cara aluna. 
 
 
 
Profe Alê Lopes 
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 (FUVEST 2011) 
A cena retratada no quadro simboliza a 
 
a) estupefação diante da destruição e da mortalidade causadas por um tipo de guerra que 
começava a ser feita em escala até então inédita. 
b) Razão, propalada por filósofos europeus do século XVIII, e seu triunfo universal sobre o 
autoritarismo do Antigo Regime. 
c) perseverança da fé católica em momentos de adversidade, como os trazidos pelo advento 
das revoluções burguesas. 
d) força do Estado nacional nascente, a impor sua disciplina civilizatória sobre populações 
rústicas e despolitizadas. 
e) defesa da indústria bélica, considerada força motriz do desenvolvimento econômico dos 
Estados nacionais do século XIX. 
Comentário 
A famosa obra de Goya retrata o fuzilamento de populares em Madri, que resistiram à 
ocupação francesa promovida por tropas napoleônicas. A invasão francesa foi responsável 
por derrubar o absolutismo na Espanha, mesmo assim encontrou forte resistência popular 
que se organizou e lutou pela libertação do país. 
Gabarito: A 
 
(UNESP 2011) 
Artigo 5.º — O comércio de mercadorias inglesas é proibido, e qualquer 
mercadoria pertencente à Inglaterra, ou proveniente de suas fábricas e de suas 
colônias é declarada boa presa. (...) 
Artigo 7.º — Nenhuma embarcação vinda diretamente da Inglaterra ou das 
colônias inglesas, ou lá tendo estado, desde a publicação do presente decreto, será recebida 
em porto algum. 
 
Profe Alê Lopes 
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Artigo 8.º — Qualquer embarcação que, por meio de uma declaração, transgredir a 
disposição acima, será apresada e o navio e sua carga serão confiscados como se fossem 
propriedade inglesa. 
(Excerto do Bloqueio Continental, Napoleão Bonaparte. Citado por Kátia M. de Queirós 
Mattoso. Textos e documentos parao estudo da história contemporânea (1789-1963), 1977.) 
Esses artigos do Bloqueio Continental, decretado pelo Imperador da França em 1806, 
permitem notar a disposição francesa de 
a) estimular a autonomia das colônias inglesas na América, que passariam a depender mais 
de seu comércio interno. 
b) impedir a Inglaterra de negociar com a França uma nova legislação para o comércio na 
Europa e nas áreas coloniais. 
c) provocar a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, por meio da ocupação militar 
da Península Ibérica. 
d) ampliar a ação de corsários ingleses no norte do Oceano Atlântico e ampliar a hegemonia 
francesa nos mares europeus. 
e) debilitar economicamente a Inglaterra, então em processo de industrialização, limitando 
seu comércio com o restante da Europa. 
Comentário 
A política expansionista francesa tinha como grande objetivo ampliar seus mercados na 
Europa, como uma das bases para sua industrialização e, nesse sentido, após a derrota na 
tentativa de invadir a Inglaterra, a política de Napoleão Bonaparte pretendeu isolar a 
Inglaterra e estrangular sua economia. 
Gabarito: E 
1.3 – GOVERNO DOS 100 DIAS 
Napoleão ficou na ilha de Elba com 1200 soldados franceses que deveriam mantê-lo preso. 
E não foi que Bonaparte conseguiu fugir com todos eles e voltar para França, em março de 1815? 
Reorganizou seu exército, marchou por muitos lugares, foi reconquistando apoio popular e 
chegou a Paris. Nenhuma bala foi usada, nenhuma gota de sangue foi derramada. Ao contrário, 
Napoleão foi recebido pela população aos gritos de “Viva o Imperador!!!” 
“Naaaapoooo, Naaaapooo, Naaaapoooo”!!!! (este é brincadeirinha ). 
Uma multidão feliz com a volta do carismático Imperador! Isso já é verdade! Luís XVIII e sua 
família fugiram, pois eram impopulares e temiam perder as cabeças ou serem linchados pela 
população. 
 
Profe Alê Lopes 
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Napoleão organizando seus exércitos na Ilha de 
Elba para voltarem para França. 
Mas o Governo de Napoleão 
durou pouco. Em junho de 1815, formou-
se a 7ª Coalisão Internacional contra 
Napoleão. Em 18 de junho, Napoleão 
perdeu sua última Batalha – a de 
Waterloo. Erro estratégico, conspiração, 
traição... muitas coisas explicam essa 
derrota, como um pedido de informação 
das tropas da Coligação a um camponês. 
Há uma passagem fantástica no 
Livro 1 de Os Miseráveis sobre a batalha de Waterloo, recomendo a leitura. Pelo sumário você a 
identifica fácil, fácil. O certo é que Napoleão foi preso na Ilha de Santa Helena, no Mediterrâneo 
onde permaneceu até sua morte, em 1821. Novamente, Luís XVIII foi reconduzido ao poder e a 
França voltou a ser uma Monarquia governada pela dinastia dos Bourbon. Daqui a pouco veremos 
mais sobre o que rolou na França com esse rei e seu irmão. Por esse motivo que Victor Hugo 
entende a batalha de Waterloo como um ato contrarrevolucionário. 
(URCA 2021) 
Napoleão conseguiu dar à França um conjunto de códigos, que constituem um dos mais 
notáveis esforços de sistematização de regras jurídicas de toda a história: de 1804 a 1810 
foram sucessivamente promulgados um Código Civil, um Código de Processo Civil, um 
Código Penal e um Código de Instrução Criminal. A maior parte deles manteve-se em vigor 
até os nossos dias, tanto na França como na Bélgica. Além disso, influenciaram a codificação 
em numerosos países da Europa e da América Latina durante o século XIX. 
(In: GILLISEN, John. Introdução histórica ao Direito. Lisboa: C. G. 1995, p. 448) 
O Código Civil dos Franceses (1804), também conhecido com Código Napoleônico, foi 
responsável por institucionalizar a ordem burguesa e garantiu: 
I – A abolição da distinção entre as pessoas baseada no nascimento e no sangue: implantou 
a igualdade jurídica. 
II – O direito à propriedade privada, das pessoas poderem comprar e vender bens, sem 
qualquer obstáculo feudal. 
IIII – Direitos Sociais para a classe trabalhadora francesa, tais como à greve, direito à 
sindicalização e à aposentadoria. 
Marque a alternativa correta: 
a) Todas as afirmações estão corretas: I, II e III 
b) Estão corretas as afirmações I e II. 
c) Estão corretas as afirmações II e III. 
 
Profe Alê Lopes 
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d) Apenas a afirmação III está correta. 
e) Nenhuma das afirmações e verdadeira. 
Comentários 
Questão clássica, um pouco trabalhosa, sobre o que previa o Código Civil Napoleônico. Guardem uma 
coisa elementar: se é um código civil trata sobre DIREITOS CIVIS, não sobre direitos políticos ou sociais. 
Tendo isso em mente, vamos analisar cada item para, então, chegar ao gabarito correto. 
I. Correto. O Código Civil de Napoleão era baseado nos princípios liberais, logo, estabelecia a igualdade 
jurídica entre os cidadãos (homens). 
II. Correto. O direito à propriedade é um direito individual elementar para o liberalismo – anote isso!!! 
III. Erradíssimo. Os direitos sociais só foram reconhecidos a partir do século XX. Guarde isso. Um código 
civil não vai reconhecer direito social, né gente! 
Itens corretos I e II, então gabarito é alternativa B. 
Gabarito: B 
2. CONGRESSO DE VIENA: RESTAURAÇÃO CONSERVADORA 
As Guerras empreendidas contra a expansão Napoleônica deixaram os países da Europa 
em condições econômicas muito complicadas. A economia francesa ficou quebrada e a da 
Inglaterra também – uma vez que ela precisou gastar com seu exército e com o de seus aliados. 
Além disso, as conquistas napoleônicas na Europa geraram modificações substanciais na 
organização político-territorial do continente. Fronteiras foram redefinidas e monarquias foram 
derrubadas. Estruturas liberais ocuparam esse novo cenário. Napoleão desenhou um protótipo de 
“novo mundo liberal” (em partes, sabemos!) 
Assim, o Congresso de Viena, uma espécie de Conferência entre os países vencedores 
representados pelas monarquias que haviam sido atacadas, teve a preocupação de reorganizar o 
Continente Europeu conforme os critérios do Antigo Regime. 
Oi, oi... Profe, então, é como se eles quisessem voltar no tempo, apagando as mudanças ocorridas 
desde a Revolução Francesa? 
Exatamente, caro Bixo!! Desde 1789, os ideais iluministas se espalharam pela Europa – e 
até mesmo para além da Europa, como veremos na aula sobre a Independência da América Latina. 
A estrutura política, econômica e ideológica que sustentava o Antigo Regime foi profundamente 
abalada nesses 26 anos de processo revolucionário (entre 1789 e 1815). 
Assim, restaurar o Antigo Regime significava, na prática, uma medida conservadora das 
antigas dinastias que comandaram o Congresso de Viena. 
A Restauração do Antigo Regime proposto pelo Congresso de Viena tinha 2 objetivos 
 
Profe Alê Lopes 
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Para executar esses objetivos os membros do Congresso de Viena se basearam em 2 
princípios: 
Pelo princípio 
da legitimidade a 
dinastia Bourbon 
voltou para a o 
poder na França. 
Pelo princípio do 
equilíbrio de poder 
foi impedido que os 
Estados germânicos 
se unificassem em 
um único reino 
chamado Alemanha 
– algo almejado pela 
Prússia. 
 
E por que foi impedido, você poderia me perguntar? Porque a Inglaterra, a Áustria e a Rússia já 
visualizavam que a unificação desses estados germânicos poderia fazer nascer uma nova potência. 
E vou te dizer: elas estavam certas, porque a unificação desses estados, lá em 1870, vai gerar a 
Alemanha. Alguém aí tem dúvida de que era uma potência ? Sem pensar no 7x1, hein.... 
Mas como restaurar o Antigo Regime se as ideias liberais que sustentam os valores do Novo 
Mundo continuavam vivas na experiência e na memória de milhares de europeus? Devido a esse 
fenômeno social, ao qual as antigas monarquiasnão poderiam fugir, alguns historiadores falam 
que existiu um terceiro princípio: o da solidariedade entre as Monarquias Absolutistas, melhor 
dizendo, entre as dinastias monárquicas que voltavam ao poder. 
Por meio desse princípio a Rússia propôs a formação de um exército unificado entre essas 
monarquias, que serviria para protegê-las de qualquer novo levante liberal e, ao mesmo tempo, 
se os povos resistissem às ordenanças do Congresso de Viena esse exército poderia agir com a 
violência necessária para colocar a restauração em prática. Esse exército recebeu o nome de Santa 
Aliança. É importante ressaltar que a Inglaterra foi contra porque se opunha a recolonização dos 
países que já eram independentes. 
Leia um trecho do documento que formalizou esse exército conservador: 
Objetivos C.V.
Restaurar as 
fronteiras
Restaurar as 
Monarquias
Princípios do 
C.V
Devolver as coroas às 
dinastias que reinavam antes 
das revoluções. Eram as 
legítimas.
Legitimidade
Impedir a formação de 
potencias continentais 
capazes de ameçar o poder 
de alguma monarquia.
Equilíbrio de Poder
 
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Dá uma olhada como ficou a organização político-territorial da Europa com as 
determinações do congresso de Viena: 
 
 
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3. A EUROPA EM RESTAURAÇÃO 
A derrota de Napoleão Bonaparte na 7ª Coalisão Internacional contra a França fez com que 
o movimento revolucionário entrasse em declínio. Não significou que as ideias liberais morressem, 
em hipótese alguma. Como eu falei antes, as ideias liberais que sustentavam os valores do Novo 
Mundo continuavam vivas na memória de milhares de europeus. Afinal, seria difícil alguém se 
submeter à condição de servo lá do feudalismo. 
O projeto iluminista para a sociedade havia ganhado mentes e corações, porém, diante da 
força da tradição amparada por estratégias e alianças militares, as forças sociais foram sufocadas, 
retraíram-se como se preparassem para um momento mais propício para reacender o fogo da 
revolução. Sacaram? 
Portanto, o período entre 1815 e 1830 pode ser entendido como contrarrevolucionário, ou 
seja, as iniciativas impulsionadas pelas monarquias tiveram o sentido de impedir novas mudanças 
e desarticular as conquistas do período revolucionário. A tendência conservadora do Congresso 
de Viena prevaleceu sobre o continente nesses 15 anos. 
De um modo geral, as Monarquias Absolutistas se fortaleceram momentaneamente em 
toda a Europa. Contudo, faremos um estudo de caso com o exemplo francês para entendermos 
o período. 
Como falamos, ficou acertado que os Bourbon voltariam ao poder. Entre 1815 e 1830 foram 
2 reis: Luís XVIII e seu irmão Carlos X. Vejamos os pontos principais desses governos: 
➢ Luís XVIII, 1815-1824 
Luís XVIII foi um rei prudente. Apesar de ter sua legitimidade imposta pelo Congresso de 
Viena, tentou manter uma monarquia com cara de constitucional: havia um parlamento bicameral 
com deputados escolhidos pelo próprio rei e outros escolhidos por voto censitário. 
Nesse cenário havia 3 grupos: 
Ultrarrealistas: defensores da volta do absolutismo puro. Composto por nobres; 
Bonapartistas: defensores da volta de Bonaparte e de uma República aristocrática. Composto pela 
alta burguesia; 
Radicais: defensores dos ideais liberais mais democráticos. Composto pelas pequena e média 
burguesias. 
Com o aumento da tensão entre os grupos, houve muita violência e repressão às oposições 
organizadas nos grupos 2 e 3. Os ultrarrealistas pressionavam o rei para aprofundar a restauração 
absolutista, mas o rei sabia que sua cabeça, literalmente, estava em jogo! Restaurar o Antigo 
Regime era algo muito difícil de ocorrer. 
Em 1824, Luís morre e assume seu irmão Carlos X. 
 
 
 
Profe Alê Lopes 
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➢ Carlos X, 1824-1830 
Se Luís XVIII foi moderado e prudente, tentando conter a explosão das tensões entre os 
grupos, Carlos X se ligou aos ultrarrealistas desconsiderando o contexto conflituoso vivido na 
França. 
Suas medidas foram de aprofundamento da restauração absolutista. Para tanto, ele 
decretou leis que devolveram o privilégio da isenção de impostos à nobreza e à Igreja. Além disso, 
transferiru a administração da educação à Igreja Católica. Por fim, restituiu terras que alguns 
nobres tinham perdido durante a Revolução Francesa ou os indenizou com valores muito 
superiores ao de mercado. De novo, tudo sem que pagassem 1 centavo de imposto. 
Evidentemente que tais medidas ampliaram o descontentamento dos grupos da alta, média 
e baixa burguesia. Trabalhadores liberais e das fábricas também entraram no descontentamento 
incentivado pelos grupos burgueses. 
Esse descontentamento começou a burbulhar nos meios de comunicação, nos grupos de 
discussão nas escolas e universidades, nos grupos de leitura e poesia da juventude, enfim, em 
muitos lugares onde burgueses e trabalhadores se reuniam. A essa altura, a França já possuia 
indústrias mais consolidas e, nesse sentido, uma classe trabalhadora mais madura. 
Os ideais liberais e a memória da revolução ajudavam esses grupos a se recordarem das 
aventuras, das vitórias e das conquistas bem sucedidas da Revolução Francesa. A força das ideias 
dos 25 anos revolucionários voltava: os homens nascem livres e iguais e tem o direito à rebelião 
contra governos tirânicos! A coragem do povo e do seu exército popular revolucionário continuava 
latente nas pessoas! A busca por igualdade social seria retomada!!! 
Aos ideais liberais se conjungaram os nacionalista, ideologia que crescia e dava outros 
contornos ao movimento político liberal contra o absolutismo. 
O nacionalismo é um movimento baseado, de modo geral, na noção de povo. Um povo que 
pertence a uma territorialidade. Nacionalidade e identidade se relacionam pois, a identidade que 
se dá por meio dos aspectos etnicos, linguísticos, culturais, históricos. Nacionalismo não se 
confunde com patriotismo. 
O nacionalismo compreende a noção liberal de autodeterminação do povo, ou seja, o direito de 
os povos escolher quem irá governar a nação. O indivíduo é o centro e a nação é a expressão 
coletiva, territorial e jurídica dos direitos civis e políticos. 
Já o patriotismo é expressão cunhada por grupos conservadores, sobretudo no século XX, para 
uma nova forma de sobreposição do Estado ao indivíduo. Mussolini e o fascismo italiano foram 
expressão desse patriotismo clássico, por isso a frase dele: “Nada sem o estado, nada contra o 
estado e nada fora do Estado”. 
Assim, no século XIX, o nacionalismo foi expresso pelos seguintes ideais: 
- Independência Nacional: direito de todos os povos de lutar por sua independência como 
nação. 
 
Profe Alê Lopes 
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- Autodeterminação: direito dos povos de escolher por si mesmos o sistema políticos, forma 
de governo dentro de um território unificado. Ou seja, é onde se concretizam os direitos civis e 
políticos de cada cidadão. 
A resposta do governo de Carlos X à radicalização da oposição foi repressão, censura e 
fechamento da imprensa. As prinsições política foram reativadas. Uma nova Bastilha seria 
reconstruída? Será profe? Não, não há registros de um “Nova Bastilha”, mas a ideia era a 
semelhante, concorda?. 
Para piorar a situação política as péssimas colheitas aumentaram o descontentamento da 
população da cidade e do campo. O custo de vida aumentara muito desde 1827. 
4. A EUROPA EM TRANSFORMAÇÃO 
Entre 1830 e 1848 ocorreu uma série de revoltas na Europa. Elas tiveram como características 
comuns serem contra a política de restauração do antigo regime.Também expressaram os 
primeiros descontentamentos com os limites das políticas liberais implementadas por governos 
moderados que chegavam ao poder. Nesse momento, muitas ideias políticas e sociais surgiram e 
tornaram as disputas políticas mais intensas. O liberalismo se multiplicava em inúmeras 
interpretações que acabavam originando novos pensamentos, palavras, conceitos, ideologias. A 
organização política espacial da Alemanha e da Itália começava a mudar a partir dos processos de 
questionamento à ordem até então estabelecida. 
O capitalismo, agora enquanto um sistema mais amplo, se tornou mais complexo, pois se 
desenvolveu e se fortaleceu como um modo de produção hegemônico e com tendência a se 
espalhar pelo mundo. Isso também promoveu alterações nas relações entre as classes sociais, 
deslocando o conflito social para o embate entre burguesia e operariado. 
4.1 – ONDAS DE REVOLTAS LIBERAIS E NACIONALISTAS 1830-1848 
Diante daquele contexto explosivo, em julho de 1830, eclodiram novas rebeliões populares 
lideradas pela alta burguesia. Foram as chamadas Jornadas Gloriosas ou 1ª Onda Liberal. 
Nessas revoltas, que agitaram a França e influenciaram movimentos em diversas partes do 
mundo Ocidental, como Portugal, Espanha, Holanda, Prússia, Itália, Polônia, até mesmo, Brasil, os 
ideiais do Projeto Iluminista voltaram à cena. 
Essas rebeliões tiveram caráter liberal e nacionalista e, na França, recuperaram todo o ideal 
da Revolução Francesa de liberdade, igualdade e fraternidade. Assim como naquele processo, nas 
Jornadas Gloriosas dos anos de 1830 diversas classes sociais se uniram para derrubar o Antigo 
Regime. 
A alta burguesia, mais preparada oral e politicamente, liderou o processo convencendo os 
demais grupos de que era necessário um equilíbrio entre as forças políticas para que, assim, o 
absolutismo fosse derrotado definitivamente. 
 
Profe Alê Lopes 
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Essa Onda Liberal inspirou muitos artistas, expressões do Romantismo – como Eugene 
Delacroix e Victor Hugo, com as respsctivas obras: A Liberdade Guiando o Povo e Os Miseráveis. 
A liberdade guiando o povo, Eugene Delacroix, 
1830. Museu do Louvre, França. 
 
Rapidamente vamos analisar 
alguns elementos do quadro ao lado: 
➢ Vejam os corpos mortos/caídos ao 
chão. Pelas vestes podemos dizer que 
representam os membros das forças 
reais, que foram vencidas. 
➢ No primeiro plano a Mulher que 
representa, como o nome da obra 
sugere, a Liberdade. Ela guia o povo. 
➢ Em segundo plano está O Povo 
formado por classes e grupos sociais 
diversos. Vejamos: 
• o menino mais novo com duas armas pode representar os estudantes, membros da 
média burguesia – grupo muito atuante na Revolução (como descreve Victor Hugo 
em Os Miseráveis); 
• o homem de cartola e uma arma maior representa a alta burguesia. Ele está à frente 
do resto do povo; 
• Atrás do homem de cartola está um homem de macacão e boina e com um facão na 
mão e um revólver na cintura. Ele pode representar a classe trabalhadora; 
• Figura intrigante á aquela que está ajoelhada aos pés da liberdade com um lenço na 
cabeça, trajes muito simples e sem qualquer arma na mão. Pode representar as 
classes mais pobres da sociedade francesa, sem trabalho, completamente vulnerável 
A atualidade da Revolução Francesa e os coletes amarelos: uma comparação 
possível de cair na sua prova, se liga! 
 2 
 
 
 
 
 
2http://br.rfi.fr/franca/20190108-quadro-de-delacroix-vira-grafite-com-coletes-amarelos-em-paris. 
Acesso em 30-04-2019. 
 
Profe Alê Lopes 
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• Governo de Luís Filipe de Orleans 1830-1848 
O desfecho das Jornadas Gloriosas foi a ascensão de um novo rei, Luís Filipe de Orleans, 
apelidado de “rei-burguês” ou “o rei dos banqueiros”. Isso porque, com medo do novo processo 
revolucionário, o rei Carlos X abdicou do trono e buscou exílio na Inglaterra. 
Mas Profe, rei? Toda essa briga para colocarem um novo rei? 
Sim, querida e querido aluno, lembra de que o movimento foi liderado pela alta burguesia? 
Pois bem, essa experiência das Jornadas Gloriosas começa a nos mostrar que a alta burguesia 
começava a se descolar politicamente dos interesses da média e da pequena burguesia, e muito 
mais dos trabalhadores do campo e da cidade. 
Na França, a alta burguesia era composta especialmente pelo setor financeiro que tinha 
interesse em manter altas taxas de juros. Contudo, como a média e pequena burguesia precisavam 
de empréstimos constantes para financiar a expansão econômica, principalmente os envolvidos 
no processo de industrialização, as altas taxas de juros eram inviáveis. 
Além disso, a alta burguesia temia o que eles chamavam de radicalismo político das outras 
frações da burguesia. 
E o que vem a ser esse radicalismo, Profe? 
Radicalismo político, nesse momento histórico era a defesa da ideia de REPÚBLICA e a 
ampliação do poder aos trabalhadores. Essa forma de governo era entendida como mais 
democrática do que a Monarquia Constitucional, uma vez que aumentava o grau de 
representatividade política dos grupos sociais. O sistema eleitoral deveria ser operacionalizado 
pelo voto universal e não o censitário para que, assim, todos os grupos sociais, inclusive os menos 
abastados, pudessem participar da vida política da nação. 
 
Alexis de Tocqueville foi um dos principais deputados do parlamento francês a 
defender a República. Para ele, a liberdade se realizaria na democracia de forma que 
igualdade (civil e material) e liberdade andariam juntas. Porém, a democracia defendida 
por Tocqueville não fazia oposição somente ao absolutismo, mas também à 
possibilidade de a massa descontrolada se tornar tirânica, a exemplo do que vimos no 
Terror da Revolução Francesa. Assim, esse importante pensador francês alertou para o 
perigo da “Tirania da Maioria”. Ou seja, mesmo uma democracia poderia levar à ditadura. De toda 
forma, apenas a participação dos indivíduos na política e no sistema político, de forma ativa (com 
debates, críticas, elaborações), poderia construir uma República mais igualitária. Tocqueville, 
dentre outros, escreveu A democracia na América e O Antigo Regime e a Revolução. 
Apesar de tudo isso, o Governo do Rei Burguês foi marcado pelo retorno de várias medidas 
liberais que tinham sido revogadas pelos irmãos Luís e Carlos. Seu principal objetivo era alcançar 
uma ordem social interna estável, sem conflitos, rebeliões, revoltas ou qualquer outra contestação 
que pudesse ameaçar os interesses da alta burguesia. 
 
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Dentre as figuras de destaque do governo de Luís Filipe, o Ministro François Guizot é 
sempre lembrado em questões de prova. 
Vejamos algumas inciativas: 
✓ Reformulação da Constituição acentuando aspectos liberais 
✓ Laicização da educação 
✓ Sistema legislativo representativo apenas por voto censitário (o rei não indicava mais 
nenhum deputado) 
✓ Liberdade de Imprensa 
✓ Proibição dos sindicatos 
Pretendia-se, com esse controle social interno, promover o desenvolvimento do capitalismo 
francês, baseado na liberdade para o grande capital. Não esqueçam que, na França, a 
industrialização ainda precisava ser alavancada já que os conflitos políticos, desde o final do século 
XVIII retardaram a industrialização francesa. 
De fato, a França cresceu durante os 18 anos do governo do Rei Luís Filipe. Mas, tal como 
ocorrido em qualquer país de capitalismo recente, as condições de trabalho e salário eram muito 
complicadas. Os setores médios da burguesia também não conseguiram concorrer com os ricos 
burgueses favorecidos por políticas de concentração de renda via políticastarifárias de alta 
taxação. Houve um acelerado empobrecimento da população. 
 Além disso, estamos falando da França, não é mesmo, Bixo. Assim, diante de tantas 
dificuldades enfrentadas pelos setores menos abastados e, também, pelos setores médios da 
burguesia, a falta de representatividade política tornava-se um fardo grande demais para ser 
suportado por aquela sociedade que tem revoluções populares vitoriosas inscritas na sua cultura 
política. O que vocês acham que “os de baixo” pensavam em fazer? Isso mesmo, ir para cima, 
mais uma vez. 
Quando chegamos na segunda metade dos anos de 1840, uma série de problemas 
econômicos começa a se desenvolver. 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
 
Percebe como a situação social complicava o quadro político? Vimos isso no prelúdio da 
Revolução Francesa e estamos vendo isso no prelúdio das mobilizações que, novamente, irão 
chacoalhar a Europa. Assim, mais uma vez as tensões políticas se ampliavam. 
Nesse cenário surgiu a Política dos Banquetes. Foram manifestações populares contrárias 
ao governo. Começaram pequenas, como um “piquenique”. Cresceram e se transformaram em 
banquetes. Reuniam trabalhadores, pequena e média burguesia e diversas organizações políticas. 
Com o tempo os banquetes elaboraram um “programa de reivindicações comuns”, comuns 
entre operários e pequena-burguesia. Esses setores exigiam do governo o fim do voto censitário. 
Alguns grupos começavam a exigir o fim da Monarquia e a instalação da República. Esta demanda 
ficou cada vez mais forte até se massificar completamente. 
O Governo respondeu às exigências com autoritarismo e violência. Decretou a censura, 
fechou jornais, prendeu opositores. Nada disso parou os “banqueiros opositores”. 
Assim, marcou-se um grande Banquete para fevereiro de 1848. O Ministro Guizot, braço 
direito do rei, comandante da Guarda Nacional, proibiu qualquer tipo de manifestação pública em 
Paris. Autorizou que a Guarda Nacional atirasse nos manifestantes. 
Chegou o dia do “Grande Banquete”. O povo armou as barricadas e aguardou a Guarda 
Nacional. Estas foram para o lugar onde é a atual Praça da República. Adivinha o que houve??? 
Uma parte significativa da Guarda Nacional juntou-se ao povo e realizaram um dos maiores 
levantes da história da França. O rei fugiu e, no seu lugar, assumiu um Governo Provisório. Dá um 
bizu no registro: 
 
Aumento do desemprego
O campo tem péssimas colheitas entre 1845 e 1848- o que aumenta o custo de vida-, pois aumenta o 
custo do trigo que é a base da alimentação da população pobre francesa.
Demissões em massa e diminuição dos salários
No mercado externo é difícil competir com a Inglaterra.
Estagnação da produção.
A produção chega a uma situação de falta de circulação de mercadorias, uma vez que o mercado interno não é 
muito amplo devido aos baixíssimos salários. 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
 
 
 
O fenômeno foi tão marcante na História do Século XIX, e recuperou tanto a narrativa da 
Revolução Francesa e dos ideais iluministas, que muitos pensadores analisaram a experiência do 
Banquete. Um deles, testemunha ocular da história da França desse momento, Alexis de 
Tocqueville escreve em “Lembranças de 1848”: 
“os homens da primeira revolução estavam vivos em todos os espíritos, seus atos e suas 
palavras presentes em todas as memórias. Tudo o que presenciei nesse dia trazia a 
marca visível de tais lembranças; sempre tive a impressão de que houve mais esforços 
para representar a revolução Francesa que para continuá-la.”3 (grifos nossos) 
 Com isso, na França, foi proclamada a Segunda República, que duraria até 1852. 
Vejamos como essa onda revolucionária repercutiu nos demais países: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 TOCQUEVILLE, Alexis de. Lembranças de 1848. São Paulo: Cia das Letras, 1991, p. 75. 
Lamartine, em frente à Câmara Municipal de Paris, rejeita a bandeira vermelha em 25 de fevereiro de 1848 Henri 
Félix Emmanuel Philippoteaux 
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Henri_F%C3%A9lix_Emmanuel_Philippoteaux&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Henri_F%C3%A9lix_Emmanuel_Philippoteaux&action=edit&redlink=1
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
Jornadas Revolucionárias de 1848 - Primavera dos Povos 
 
Além de o movimento ter se espalhado por toda a França, um dos aspectos mais 
impressionantes dessa revolução foi sua imediata expansão para muitos outros países. 
Movimentos nacionalistas se formaram e fizeram centenas de levantes pela Europa, derrubando 
reis ou impondo medidas e constituições liberais. Assim, essa 2ª Grande Onda Liberal ficou 
conhecida como Primavera dos Povos. 
 
(UFU 2015) 
Tem havido um bom número de grandes revoluções na história do 
mundo moderno, e certamente a maioria bem-sucedida. Mas 
nunca houve uma que tivesse se espalhado tão rápida e amplamente, se alastrando como 
fogo na palha por sobre fronteiras, países e mesmo oceanos. 1848 foi a primeira revolução 
potencialmente global, cuja influência direta pode ser detectada na insurreição de 1848 em 
Pernambuco (Brasil) e poucos anos depois na remota Colômbia 
HOBSBAWM, Eric. A era do capital: 1848-1875. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982, p. 30. 
(Adaptado) 
A onda revolucionária de 1848 estava ligada, inicialmente, à delicada conjuntura sociopolítica 
da França que, entre outros aspectos, caracterizava-se 
a) pela consolidação, durante o reinado de Luís Felipe, das conquistas burguesas, o que 
gerou a revolta do proletariado. 
b) pela instabilidade institucional, resultante das promessas não cumpridas do 
republicanismo francês e da ascensão das camadas populares. 
c) pelo protagonismo político do movimento operário que, apesar de sua importância, ainda 
se mostrava desorganizado e sem lideranças expressivas. 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
d) pela aliança política entre os setores conservadores e a Igreja Protestante, principal força 
religiosa da França, para conter o crescimento do proletariado. 
Comentário 
Questão de análise de contexto. Veja que, diferentemente da questão anterior, aqui a 
pergunta não é sobre os efeitos ou desdobramentos de 1848, mas questiona o contexto 
geral desse final da primeira metade do século XIX. 
Na França do século XIX, uma série de instabilidades políticas possibilitou algumas 
revoluções, como as de 1830 e 1848. A de 1848 foi caracterizada por grande participação 
popular e instaurou uma República na França, após um período de restauração monárquica 
no país. Essa revolução ficou conhecida como Primavera dos Povos. 
Contudo, como falamos antes, a instalação da República não significou exatamente ganhos 
imediatos para as camadas mais pobres e, em especial, para os trabalhadores operários. Por 
isso novas rebeliões surgiram e marcaram a ruptura política entre o projeto da burguesia e 
do proletariado, como apontaram Alexis de Tocqueville e Karl Marx. 
Apesar disso, cuidado com o item C, pois apesar dessa ruptura, o movimento operário não 
foi protagonista nessa etapa histórica, apenas conquistando esse papel no final do século 
XIX e começo do XX. 
Portanto, o item correto é B. 
Gabarito: B 
4.2 – REPÚBLICA FRANCESA, DE 1848 
Logo após a fuga do rei, estabeleceu-se um governo provisório formado por representantes 
dos diferentes grupos políticos. As primeiras medidas foram: 
 Proclamação da República, chamada de 2ª República, pois a 1ª teria sido a Jacobina 
entre 1791 e 1795. 
 Liberdade de imprensa. 
 Sufrágio universal masculino (as mulheres não tiveram acesso a esse direito – 
conquistado apenas após a II Guerra Mundial.Lamentável, novamente). 
 Abolição da escravidão nas colônias francesas. 
 Organização das Oficinas Nacionais: órgãos sob o controle dos trabalhadores que 
serviam para organizar a distribuição dos empregos entre os trabalhadores, bem 
como oferecer formação profissional para quem não tivesse. Também serviu como 
oficinas produtivas estatais. O Palácio de Luxemburgo foi escolhido como a sede 
administrativa e organizativa das oficinas ou Fábricas Nacionais. 
 Eleição para Assembleia Constituinte (órgão responsável por redigir a nova 
constituição republicana) que ocorreu em 23 de abril de 1848. 
O governo provisório era composto por setores populares representando os interesses dos 
trabalhadores e das classes desfavorecidas, por setores da média e pequena burguesia e pelos 
 
Profe Alê Lopes 
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bonapartistas (liberais, contudo mais elitistas). Esses grupos não conseguiam chegar a acordos 
políticos sobre quais medidas deveriam ser implantadas na França. Os interesses divergentes 
começaram a ficar mais claros entre eles. Veja um pouquinho da posição de cada grupo: 
 
Preste atenção, Bixo!! Começamos a perceber que estas classes sociais, antes unidas contra 
um inimigo comum e em defesa da mesma bandeira republicana, divergiam nos rumos mais 
estruturais da sociedade. Assim, estudiosos dos sistemas políticos afirmam que estava em jogo a 
disputa entre dois modelos de República: 
 
Socialistas Utópicos
•Os setores populares exigiam 
mudanças mais profundas 
como leis trabalhistas com 
regulamentação da jornada de 
trabalho para diminuir a 
quantidade de horas 
trabalhadas e o 
estabelecimento de um salário 
mínimo a ser pago pelos 
empregadores, regulação de 
preços de alimentos, entre 
outros. Também defendiam 
que a educação do povo fosse 
responsabilidade dos 
governantes e dos patrões. Por 
isso, ficaram conhecidos 
como socialistas utópicos –
por defenderem demandas 
sociais.
•Nesse grupo se encontravam 
trabalhadores, intelectuais e 
uma parte da pequena 
burguesia
Liberais
•Os pequenos e médios 
burgueses eram favoráveis aos 
direitos políticos e civis, mas 
não aceitavam as demandas 
sociais mais profundas 
utilizando o argumento de que 
isso encarecia o custo da 
produção e poderia colocar em 
risco a capacidade de 
concorrência da nascente 
indústria francesa.
Bonapartistas
•Diferente dos dois outros 
grupos, os bonapartistas eram 
elitistas, não afeitos aos 
debates políticos. Mas eram 
demagógicos porque diante da 
população faziam discursos 
defendendo medidas 
populares, mas, agiam 
pragmaticamente segundo os 
interesses dos grupos 
econômicos mais fortes. Na 
disputa entre os socialistas 
utópicos e os burgueses 
liberais, nas votações os 
bonapartistas tendiam a ficar 
ao lado dos últimos.
•Geralmente participavam 
desse grupo os políticos mais 
tradicionais da alta burguesia 
e uma parte da média 
burguesia
•Tinham um grupo chamado 
Partido da Ordem.
•Sua base social de apoio era 
majoritariamente os 
campesinos.
República de 
democracia 
liberal. 
República de 
democracia 
social 
 
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Voltando a nossa história da carochinha, em 23 de abril de 1848 foram realizadas eleições 
para a formação da Assembleia Constituinte. Uma eleição para a escolha de deputados cuja 
missão seria escrever a constituição do país. Nesse sentido foi uma forma democrática de fazer as 
leis, pois ela seria escrita pelos representantes do povo. Ademais, nesse caso o voto foi universal, 
ou seja, independentemente da renda. Todavia, o homem eleitor precisava ser alfabetizado. 
O resultado eleitoral deu maioria aos bonapartistas reunidos em um partido chamado 
“Partido da Ordem”. Depois foram os burgueses e, por último, os socialistas utópicos, que só 
ganharam em Paris, onde estava a maioria dos trabalhadores operários. Assim, a Assembleia 
constituinte não deu sequência às leis de proteção do trabalho, tal como queriam os socialistas e 
as lideranças dos trabalhadores. Uma série de medidas foram revogadas, como, por exemplo, o 
controle dos preços dos alimentos. 
Entre Maio e Junho de 1848 várias rebeliões operárias eclodiram em Paris e em cidades 
mais industrializadas. O movimento operário crescia na França e, crescia junto com ele, a ideia do 
socialismo. 
Em junho daquele ano de 1848, uma verdadeira revolução popular tomou conta de Paris, 
pois a Assembleia votou o fechamento das Oficinas Nacionais e a destituição dos operários que 
administravam o Palácio de Luxemburgo. 
A rebelião foi organizada e liderada por setores das classes populares e de trabalhadores. 
As mesmas velhas técnicas de barricadas usadas antes pela burguesia contra reis absolutistas, 
agora, eram usadas pelos trabalhadores contra a burguesia no poder. Os populares se sentiram 
traídos pelas lideranças burguesas da Revolução de Fevereiro, pois, juntos, derrubaram o rei Luís 
Filipe. Todos haviam participado da Revolução, mas, agora, na hora de fazer e aplicar as leis, os 
trabalhadores sentiam que, na prática, para eles nada havia mudado. 
A resposta do governo foi pôr fim às rebeliões e impor a ordem por meio da violência. A 
Assembleia destituiu o governo provisório e delegou amplos poderes para o General Eugène 
Cavaignac. Comandando as forças de segurança, ele promoveu um massacre! Os dados são 
incompletos, mas historiadores estimam a morte de 10 mil trabalhadores e cerca de 40 mil prisões. 
Esse massacre contra os trabalhadores comandando por um general sob um governo 
formado majoritariamente por burgueses marcou a história desses dois grupos. Aqui ocorreu a 
ruptura definitiva da unidade entre essas duas classes que até fevereiro de 1848 haviam lutado 
junto contra o Antigo Regime. É como se a burguesia tivesse se aproveitado da força social dos 
trabalhadores para, em seguida, descartá-los. 
Como afirmou Alexis de Tocqueville, em seu livro Memórias de 1848: esse foi o primeiro 
embate de classes. Assim, esse fato histórico marcou o rompimento entre os projetos políticos da 
burguesia e dos socialistas. 
Não foi uma coincidência que, em 1848, tenha sido publicado um panfleto escrito por Karl 
Marx e Frederich Engels analisando o papel político da burguesia nas transformações do mundo. 
Naquele texto os autores argumentam que a burguesia teve um papel revolucionário até então, 
mas que perdeu esse papel ao assumir o poder do Estado e tornou-se uma classe conservadora. 
 
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Portanto, se os operários quisessem novas conquistas em direção à igualdade, liberdade e 
fraternidade precisariam caminhar sozinhos até tomarem, eles mesmos, o poder do Estado. Esse 
panfleto político publicado em 1848 foi o que ficou conhecido como Manifesto Comunista. 
 
 
 Diante de mais um processo revolucionário, agora marcado pelo embate direto entre 
operários, socialistas, anarquistas e comunistas, de um lado, e, do outro, a burguesia (grande, 
pequena, média), após os massacres dos populares, em novembro de 1848 foi promulgada uma 
nova Constituição e, logo em seguida, as eleições derem vitória para Luís Napoleão Bonaparte 
para a presidência. Isso mesmo o sobrinho de Napoleão. 
 A partir desse momento, a República começa a se enfraquecer porque, em boa medida 
porque Luís Bonaparte iniciou um projeto de centralização do poder até promover um Golpe de 
Estado, em dezembro de 1851. Em seguida, por meio de um plebiscito, ele consegue apoio para 
acabar com a República e reestabelecer o Império na França. Mais ou menos um ano depois, em 
dezembro de 1852, o sobrinho de Napoleão é proclamado imperador dos franceses sob a 
denominação de Napoleão III, império que durará até 1870. 
Eitâ, profe, vem mais revolução aí? Calma,antes de chegarmos no fim do império de Napoleão 
III, vamos dar uma conferida nos pensamentos, nas ideias que ganharam força naquele século XIX. 
4.3 – TEORIAS CRÍTICAS AO CAPITALISMO 
O desenvolvimento do capitalismo e as lutas políticas do ano de 1848 na Europa marcaram 
a ruptura entre os projetos políticos da burguesia e dos trabalhadores, como estudamos acima. 
Barricada na rua 
Soufflot. Horace 
Vernet, 1848. 
Trabalhadores se 
enfrentam com a 
Guarda Nacional. 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Horace_Vernet
https://pt.wikipedia.org/wiki/Horace_Vernet
 
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Nesse processo histórico, muitas reflexões surgiram e deram origem a novas formas de 
pensar a organização da sociedade e as necessidades do gênero humano. De certa forma, essas 
novas reflexões, teorias e sistematizações políticas influenciaram a organização dos trabalhadores 
pelo mundo, quer seja na forma de sindicatos, quer seja na forma de partidos políticos. Essas 
organizações do mundo do trabalho expandiam-se proporcionalmente à expansão do capitalismo. 
De certa forma, essas reflexões foram o desdobramento dos limites do liberalismo colocado 
em prática. Nesse sentido, podemos inferir que se tratou de pensar a terceira dimensão do projeto 
iluminista: a fraternidade. Disso decorreram importantes contribuições para a noção de 
solidariedade e justiça social. 
Ao longo das nossas próximas aulas veremos os desdobramentos dessas teorias na prática. 
Por hora, veja alguns pontos relevantes das mais relevantes para seu vestibular. Só mais um aviso: 
todas as teorias apresentadas são formuladas por inúmeros grupos de pensadores. Seria algo 
profundamente anticientífico acreditar que seríamos capazes de resumir tudo aqui. Assim, os 
pontos apresentados são uma simplificação que visa abarcar o conteúdo cobrado no vestibular! 
 
 
 Socialismo utópico 
Os chamados socialistas utópicos eram liberais que tinham uma visão romântica 
do capitalismo como um sistema que poderia levar progresso e desenvolvimento a 
todos (burgueses, operários, camponeses etc.). Contudo, no início da industrialização, 
como já estudamos, as condições de trabalho eram precárias: muitas horas de trabalho, salários 
insuficientes à manutenção da vida familiar a ponto de todos os membros da família, inclusive as 
crianças terem que trabalhar em condições bastante ruins para a saúde e para o desenvolvimento 
do intelecto. 
Diante das circunstâncias reais do desenvolvimento capitalista, os socialistas utópicos 
conclamavam acordo entre as classes sociais para que todos pudessem usufruir em situação de 
igualdade com os benefícios das descobertas científicas e da produção de riqueza gerada. 
Defendiam a ideia de que a riqueza produzida coletivamente fosse mais bem distribuída. Nesse 
sentido contribuíram para a noção de “justiça social”. 
Mas como atingir tal modelo de sociedade, Profe? 
Para os utópicos, como Charles Fourrier (1772-1837), deveria existir propriedades 
comunais; o campo e a cidade deveriam ser um todo orgânico. A essa organização ele deu o nome 
de “falanstérios” - algo como uma vila agroindustrial. 
Ainda no campo da política e da organização da sociedade, Saint-Simon (1760-1837) 
defendia que a sociedade deveria ser dividida em 3 grupos: 
 
Profe Alê Lopes 
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O governo deveria ficar sempre na 
mão dos sábios, pois, estes seriam isentos 
de interesses e poderiam, então, mediar 
os conflitos de interesses entre os grupos 
de proprietários e não-proprietários. Com 
isso a sociedade seria justa! 
Perceba que são teorias. 
Assim como os iluministas do final 
do século XVII e começo do XVIII 
desenvolveram filosoficamente as ideias 
liberais, os chamados socialistas utópicos 
estavam elaborando as primeiras críticas 
aos problemas e efeitos indesejáveis que o 
capitalismo começava a produzir. 
Quero ressaltar que a maioria 
desses teóricos e políticos eram parte da burguesia, em geral, da alta burguesia ou mesmo da 
aristocracia. Assim, alguns deles usavam suas fortunas para tentar colocar em prática algumas de 
suas ideias. 
 
Foi o caso de Robert Owen (1771-1858). 
Owen foi um grande industrial escocês. Ele comoveu-se com 
a situação de seus empregados e usou parte de sua fortuna 
para criar um bairro operário chamado New Lanark, lugar 
onde instalou sua fábrica, a maior de fiação do Reino Unido. 
O bairro de alto padrão oferecia assistência aos empregados 
da sua fábrica. Casas, assistência média, escolas, creches. 
Crianças até 10 anos não trabalhavam e os salários eram 
muito acima da média. 
Essa situação não só melhorou as condições de trabalho em 
sua fábrica, como também introduziu o que chamamos hoje de “avaliação de desempenho”. Ou 
seja, mais felizes, mais saudáveis e mais produtivos. 
Naquele contexto da primeira metade do século XIX, ele foi boicotado por outros industriais uma 
vez que outros empregados começaram a exigir as mesmas condições de trabalho e vida a que 
os trabalhadores das indústrias Owen. Os demais industriais usaram práticas de truste e cartel para 
fechar o mercado aos produtos das fábricas de Owen. Assim, ele foi obrigado a fechar suas portas. 
Milhares ficaram desempregados. 
Robert Owen, então, começou buscar uma terra de maior liberdade para investir seu capital 
conforme os valores que acreditava. Foi para os Estados Unidos da América. Lá ele montou suas 
 
Profe Alê Lopes 
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fábricas, ganhou mercado e inaugurou o mesmo modelo de tratamento para seus funcionários, na 
comunidade chamada New Harmony. Contudo, seu modelo morreu com ele e não foi replicável, 
a não ser pela boa vontade de alguns outros empresários - que não conseguiram sobreviver à 
concorrência dos monopólios formados no século XIX (como veremos na aula sobre imperialismo). 
Hoje em dia, nos estudos sobre administração e economia, afirma-se que Owen foi um precursor 
do tema sobre a responsabilidade social do setor privado da economia, afinal, Robert Owen nunca 
delegou ao Estado a responsabilidade sobre seus próprios funcionários. 
Hoje em dia, nos estudos sobre Ciência Política, afirma-se que os socialistas utópicos, ao 
desenvolverem as teses sobre justiça social foram precursores da elaboração sobre Estado social 
ou democracia social nos quais os direitos civis e políticos são indissociáveis em relação aos 
direitos sociais, formando o que alguns autores chamam de cidadania plena. 
 
 Socialismo científico 
Socialismo científico foi uma teoria surgida do liberalismo, mas que rompeu com ele ao 
estabelecer a crítica ao capitalismo com o objetivo de superá-lo por outro sistema baseado na 
inexistência de classes sociais e na igualdade social. Dialogou com os teóricos do socialismo 
utópico demonstrando os limites de suas elaborações 
Trata-se de um conjunto de ideias destinadas a explicar os mecanismos de exploração do 
sistema capitalista e descobrir, portanto, a origem dessa exploração para, assim superar as 
desigualdades entre as classes sociais. 
Nessa teoria, a propriedade privada dos meios de produção é considerada a origem das 
desigualdades e, portanto, da capacidade de dominação de um homem sobre o outro. Ou melhor, 
de uma classe sobre a outra, já que, a teoria se desprende do individualismo marcante do 
liberalismo e estabelece suas análises a partir da ideia de classes sociais. 
Perceba que o antagonismo entre as classes sociais não é explicado como elemento moral 
ou ético, no sentido dos bons contra os maus. O que antagoniza as classes sociais é o fato de uns 
serem proprietários dos 
meios de produção e os 
outros terem apenas o 
controle sobre sua 
força de trabalho. Isso 
geraria interesses 
distintos einconciliáveis, pesar de 
serem, 
contraditoriamente, 
dependentes. 
Os principais 
precursor dessa teoria 
 
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foram Karl Marx e seu amigo, o industrial Frederich Engels. Essa teoria foi ampliada e reformulada 
ao longo do século XIX e XX por outros pensadores. Durante o século XIX, no contexto da situação 
conflituosa na França, Marx e Engels cunharam o nome de comunismo a essa teoria. Assim, 
comunismo seria a sociedade organizada sem propriedade privada, sem classes sociais e, 
portanto, sem Estado. 
Falaremos mais dessa teoria no momento histórico em que ela se torna relevante para os 
rumos da vida humana, no começo do século XX, com a Revolução Russa. 
 Anarquismo 
O anarquismo também compreende que o problema do capitalismo é a exploração dos 
trabalhadores e a existência da 
propriedade privada. Contudo, o 
centro do problema para os 
anarquistas é o do poder. O 
poder gera a autoridade ou o 
autoritarismo. Assim todo o 
sistema é gerador de pequenas 
autoridades que se reproduzem 
como se fosse um ciclo de 
violência e autoritarismo. 
Assim o sistema de 
competição do mercado é 
violento com os proprietários que 
são violentos com os gerentes 
que são violentos com os 
funcionários que ´são violentos 
com suas esposas que são 
violentas com seus filhos que são 
violentos com seus pets. 
Nesse sentido, o 
anarquismo desenvolve uma 
teoria contra todo tipo de 
hierarquia e autoridade, qualquer que seja ela. Segundo esta teoria o Estado é a instituição que 
legitima e organiza todo o sistema de autoridade ao proteger a propriedade privada. Logo, o 
Estado seria derrubado quando as propriedades privadas fossem substituídas por propriedades 
coletivas autogestionadas, ou seja, administradas por quem trabalha na propriedade, seja uma 
fábrica ou terra. Palavras chaves dessa forma de compreender a organização da sociedade é 
mutualismo, cooperativismo e coletivismo. 
Diferentemente dos socialistas e comunistas, rechaçam a participação no Parlamento, por 
isso, em regra, não existem partidos anarquistas. Os principais pensadores anarquistas foram 
 
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Proudon – com quem Karl Marx mantinha constante debate de ideias –, Bakunin e Kropotkin. Este 
último desenvolveu a ideia de que a educação é a única capaz de realmente transformar o mundo. 
 
(UNESP 2016) 
 A condição essencial da existência e da supremacia da classe burguesa é 
a acumulação da riqueza nas mãos dos particulares, a formação e o 
crescimento do capital; a condição de existência do capital é o trabalho 
assalariado. [...] O desenvolvimento da grande indústria socava o terreno 
em que a burguesia assentou o seu regime de produção e de apropriação dos produtos. A 
burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros. Sua queda e a vitória do proletariado 
são igualmente inevitáveis. 
(Karl Marx e Friedrich Engels. “Manifesto Comunista”. Obras escolhidas, vol. 1, s/d.) 
Entre as características do pensamento marxista, é correto citar 
a) o temor perante a ascensão da burguesia e o apoio à internacionalização do modelo 
soviético. 
b) o princípio de que a história é movida pela luta de classes e a defesa da revolução 
proletária. 
c) a caracterização da sociedade capitalista como jurídica e socialmente igualitária. 
d) o reconhecimento da importância do trabalho da burguesia na construção de uma ordem 
socialmente justa. 
e) a celebração do triunfo da revolução proletária europeia e o desconsolo perante o avanço 
imperialista. 
 Comentário 
Marx considerava que a luta de classes era o que movia a sociedade no caminho da evolução. 
Para Marx, um operário consciente de sua situação social era capaz de modificar o meio em 
que vivia. Por isso, ao longo do século XIX e XX, o movimento operário será muito 
influenciado por essa teoria. 
Gabarito: B 
 
 Teoria Social da Igreja Católica 
A doutrina social da Igreja se desenvolveu no contexto do final do século XIX, ou seja, no 
auge do desenvolvimento capitalista, bem como no auge dos conflitos com a classe operária. 
Diante a “questão operária”, como eram conhecidas as demandas exigidas pelos trabalhadores – 
como a diminuição da jornada de trabalho, abolição do trabalho infantil e feminino noturno, férias, 
entre outros – a Igreja Católica procurou intervir afirmando seu papel importante para a tentativa 
de solução desses conflitos. 
 
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Portanto, em um cenário com tantos projetos, propostas e debates, ela precisava 
posicionar-se teoricamente, demonstrando como via o mundo. 
O principal documento da teoria social da Igreja católica é a Encíclica Rerum Novarum, do 
Papa Leão, de 1891. O Papa defende que fora dos valores da religião não há solução para a 
questão operária. Como menciona Claudio Fonteles4, já na introdução do documento, o Papa 
demonstra suas preocupações com “a soberania política, a liberdade humana, a constituição cristã 
dos estados”. Seu objetivo é buscar uma solução conforme a justiça e a equidade. E, assim, 
“aproximar os ricos e os pobres” 
Veja, que a teoria social da Igreja é antiliberal e antissocialista, uma vez que defende a 
propriedade privada, mas compreende que ela deva se comprometer com a dimensão social dos 
envolvidos no processo produtivo. Com isso podemos afirmar que ela nega a chamada “luta de 
classes” e propõe a colaboração entre patrões e empregados. Afirma a o item 28 da Encíclica: 
“Não e das leis humanas, mas da natureza, que emana o direito de propriedade 
individual; a autoridade pública não pode, pois, aboli-lo; o que ela pode é regular seu 
uso e conciliá-lo com o bem comum.” 
Para o processo histórico isso importou muito na defesa da regulamentação das leis 
trabalhistas que geraram proteção social ao trabalhador, limitando o nível de exploração e uso 
das forças produtivas da classe operária. 
Além disso, ressalto algo fundamental nessa teoria que é o papel que a Igreja atribui aos 
governantes e ao Estado. Em nome da equidade social, a Igreja atribui ao Estado um papel de 
responsabilidade com os pobres. Ou seja, na teoria liberal clássica o Estado deve ter um papel 
negativo, não intervir na vida particular das pessoas, bem como na economia. Mas, para a teoria 
social católica, o Estado deve ter também um papel positivo atuando na proteção dos 
“desafortunados”. 
Por isso, as palavras chaves para entender esse pensamento são: justiça social, caridade, 
associativismo e assistência social.No século XX, a Igreja Católica fará novas Encíclicas no mesmo sentido 
da Rerum Novarum, conhecidas como Populorium Progressio (1967) e Caritas in Veritate (2009). 
(FUVEST 2010) 
No Ocidente, o período entre 1848 e 1875 “é primariamente o do maciço avanço da 
economia do capitalismo industrial, em escala mundial, da ordem social que o representa, 
das ideias e credos que pareciam legitimá-lo e ratificá-lo”. 
E. J. Hobsbawm. A era do capital 1848-1875. 
A “ordem social” e as “ideias e credos” a que se refere o autor caracterizam-se, 
respectivamente, como 
a) aristocrática e conservadoras. 
 
4 FONTELES, Claudio. Três momentos da doutrina Social da Igreja. Brasília: Editora Qualytá, 2016, p. 
17-18. 
 
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b) socialista e anarquistas. 
c) popular e democráticas. 
d) tradicional e positivistas. 
e) burguesa e liberais. 
Comentário 
O texto remonta à segunda metade do século XIX, quando ocorreu a II Revolução Industrial, 
refletindo a ascensão da burguesia ao poder em diversas nações, com um projeto político e 
econômico apoiado nas ideias liberais,de origem iluminista; portanto um liberalismo que 
reduzia a intervenção do Estado na economia e que se baseava no critério censitário para 
definição de cidadania. 
Gabarito: E 
(IFSC 2016) 
“A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias atuais tem sido a história da 
luta de classes. (...) A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade 
feudal, não aboliu os antagonismos de classe. Não fez senão substituir velhas classes, velhas 
condições de opressão, velhas formas de luta por outras novas (...) A sociedade divide-se 
cada vez mais em duas grandes classes opostas: a burguesia e o proletariado. (...) Todos os 
movimentos históricos têm sido, até hoje, movimentos de minorias ou em proveito de 
minorias. O movimento proletário é o movimento espontâneo da imensa maioria, em 
proveito da imensa maioria. Proletários de todos os países, uni-vos!” 
(MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Ched, 1980. p. 8-55) 
Dentre as diversas consequências da Revolução Industrial, tais como as precárias condições 
de vida, trabalho e salário da classe operária, configurou a “Questão Social”, contexto que 
fez emergir as ideias socialistas no século XIX. Sobre as principais ideias dos pensadores 
socialistas ainda presentes na sociedade contemporânea, marque no cartão-resposta a soma 
da(s) proposição(ões) historicamente CORRETA(S). 
01. Karl Marx e Friedrich Engels, em obras como O Manifesto Comunista e O Capital, 
propuseram as ideias estruturantes do que se convencionou denominar de Socialismo 
Científico ou Socialismo Marxista. 
02. Os principais representantes do designado “Socialismo Utópico” foram Voltaire, 
Montesquieu e Rousseau. Foram assim denominados pelos “socialistas científicos” porque, 
apesar de criticarem o capitalismo e o subsequente liberalismo econômico, propuseram uma 
sociedade futura ideal, sem indicar os meios para torná-la real e factível. 
04. Karl Marx, autor da obra Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade 
entre os homens, criticou a propriedade privada como sendo a origem das desigualdades 
sociais: “o verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um 
terreno, disse isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para respeitá-lo. (...) 
Não escutem este impostor, pois os frutos são de todos e a terra é de ninguém”. 
 
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08. Os comunistas defendiam uma revolução armada que derrubasse a burguesia do poder 
e implantasse uma ditadura do proletariado que estatizasse a propriedade privada dos meios 
de produção, como uma etapa necessária de transição para a sociedade comunista. 
16. Para os anarquistas, os meios de produção deveriam ser transferidos à sociedade e não 
ao Estado, discordando e divergindo dos marxistas. Os anarquistas eram contra toda e 
qualquer forma de Estado. Bakunin defendia a luta armada, a greve e os atentados contra 
governantes. Kropotkin defendia a desobediência civil através do não pagamento de 
impostos, recusa ao serviço militar e não reconhecimento aos tribunais de justiça. 
Comentários 
Vamos de T.E.T.? Tempo: século XIX, mais especificamente 1848. Espaço: Europa. Tema: 
teorias críticas ao capitalismo. Durante a primeira metade do século XIX, a Europa foi tomada 
por vários movimentos revolucionário de caráter liberal e nacionalista. Eles combatiam o 
absolutismo praticado pelas diversas monarquias europeias da época. Contudo, em muitos 
lugares onde a revolução vencia e novos governos eram instaurados, algumas vezes era 
possível que determinado grupo que participou do movimento, assumisse a liderança e 
desempenhasse um governo autoritário com muitas heranças do absolutismo, apesar de 
implantar determinadas reformas liberais no funcionamento do Estado. Exemplo disso é a 
França. Desde a primeira revolução francesa, de 1789, o país experimentou uma série de 
governos que se sucederam em meio a disputas entre a alta burguesia e o resto da 
sociedade. Sobretudo durante o governo de Napoleão, a postura autoritária diante de 
opositores enquanto se operava a implementação de reformas liberais, mas elitistas, foi a 
regra. Com o fim da Era Napoleônica, o Congresso de Viena buscou restaurar as monarquias 
destituída, inclusive na França. Contudo, em 15 anos os franceses voltariam a se revoltar 
contra os Bourbon devido às ambições absolutistas de Carlos X. A alta burguesia, mais uma 
vez, conseguiu se colocar à frente do movimento, em 1830, e assumir a liderança do novo 
governo do rei burguês, Luís Filipe de Orleans. Daí em diante, os conflitos entre os interesses 
da alta burguesia e do restante dos grupos que participaram do movimento se intensificaram. 
Trabalhadores assalariados, camponeses e desempregados cada vez mais percebiam que 
foram apenas usados como massa de manobra em 1830. É a partir dessa percepção que os 
limites do pensamento liberal começam a ser expostos e discutidos. Novas filosofias políticas 
ganham forma, entre elas: o socialismo, o anarquismo e o nacionalismo. Entretanto, os dois 
primeiros acabaram assumindo a maior oposição ao liberalismo vigente. 
A Revolução Industrial foi o que contribuiu para os diferentes setores dos movimentos 
antiabsolutistas entrassem em conflito após derrotarem seu inimigo comum. No novo modo 
de produção industrial as disputas entre burgueses e proletários, entre proprietários e 
despossuídos, eram latentes e frequentemente escalonavam até episódios violentos. O 
interesse dos primeiros era sempre lucrar o máximo com o menor custo possível, enquanto 
os segundos eram obrigados a trabalhar em condições precárias durante horas a fio em troca 
de baixos salários para não morrerem de fome. Diante do contexto revolucionário que 
derrubou as monarquias absolutistas europeias, muitos trabalhadores perceberam 
rapidamente que os limites do liberalismo e da liderança política da burguesia e começaram 
 
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a elaborar novas propostas para o funcionamento da sociedade e da economia, entre elas o 
socialismo. Contudo, na época, socialismo era um termo amplo e genérico, podendo 
significar muitas coisas. Havia diferente propostas que se autointitulavam socialistas. Em 
geral, eram marcadas pelo objetivo de melhorar as condições de vida e trabalho para os 
trabalhadores, mas nem todas rompiam definitivamente com a participação da burguesia no 
papel de liderança política e econômica da sociedade. O socialismo utópico é um exemplo 
disso. Por outro lado, o socialismo científico, proposto por Marx e Engels se mostra mais 
radical e defende a tomada do poder pela classe trabalhadora. Sendo assim, vejamos: 
01. Verdadeira! Podemos dizer que essas são obras fundadoras dessa vertente do 
pensamento socialista. 
02. Falsa. Esses autores são iluministas e liberais, anteriores à formulação do socialismo como 
filosofia, seja utópico, seja científico. Apesar desse erro, a descrição está correta ao atribuir 
as demais características do socialismo utópico. Complementando, seus principais 
representantes foram Charles Fourier (1772-1837), Saint-Simon (1760-1837) e Robert Owen 
(1771-1858). 
04. Falsa. Essa obra e o trecho ressaltado são de autoria de Jean-Jacques Rousseau e foram 
publicados em 1755, muito antes de Karl Marx (1818-1883) nascer. 
08. Verdadeira! Os comunistas, adeptos do socialismo científico, acreditavam que os 
interesses da burguesia e do proletariado eram inconciliáveis, pois os primeiros só queriam 
lucrar com o menor custo possível, mesmo que isso exigisse o sacrifício da saúde e vida dos 
segundos. Assim, defendiam que a única forma de superar o capitalismo era organizar a 
classe trabalhadora para executar a revolução armada e instaurar a ditadura do proletariado. 
Nesse momento, seria necessário passar por umperíodo de transição no qual o Estado teria 
um papel importante nacionalizando e socializando os meios de produção, num longo 
processo para extinguir as desigualdades, portanto, as classes sociais. Só então, o Estado 
poderia ser desmantelado uma sociedade propriamente comunista (sem classes e sem 
Estado) poderia se tornar plena. 
16. Verdadeira! Anarquismo e marxismo (socialismo científico) não são a mesma ideologia, 
apesar de terem uma origem comum na crítica ao capitalismo. Ambos concordam que o 
problema deste sistema econômico é a exploração dos trabalhadores e a existência da 
propriedade privada. Contudo, o centro do problema para os anarquistas é o poder, que 
gera autoridade ou autoritarismo. Todo o sistema é gerador de pequenas autoridades que 
se reproduzem como se fosse um ciclo de violência. Nesse sentido, o anarquismo desenvolve 
uma teoria contra todo tipo de hierarquia e autoridade, qualquer que seja ela. Essa filosofia 
vê o Estado com indispensável para a organização da propriedade privada e da autoridade, 
portanto deve ser extinto como elas. Em seus lugares, deveriam ser instauradas propriedades 
coletivas autogestionadas, ou seja, administradas por quem trabalha na propriedade, seja 
uma fábrica ou terra. Diferentemente dos socialistas e comunistas, os anarquistas rechaçam 
completamente a participação no Parlamento. Por usa vez, o marxismo defende a 
participação nas instituições de modo a abrir oportunidades para a organização da classe 
trabalhadora tornando possível a ela a execução da revolução e da instauração da Ditadura 
 
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do Proletariado. Segundo a teoria marxista, o Estado seria necessário durante um 
determinado período de transição, para socializar os meios de produção e extinguir as 
desigualdades. Uma vez, reorganizada a sociedade e extintas as classes sociais, o Estado 
poderia ser desmontado dando início a uma sociedade propriamente comunista. 
Gabarito: 01 + 08 = 16 = 25 
(IFBA 2019) 
O Manifesto Comunista de 1848, elaborado por Karl Marx e F. Engels é um documento 
fundamental para compreender a crítica social ao capitalismo no século XIX. 
“Seguraram com firmeza as visões originais de seus mestres, em oposição ao 
desenvolvimento histórico progressivo do proletariado. Eles, portanto, empenharam-se, de 
modo consistente, para enfraquecer a luta de classe e para reconciliar os antagonismos de 
classe. Ainda sonham com a realização experimental de suas utopias sociais, de fundar 
phalanstères isolados, de fundar ‘colônias residenciais’, e de erigir uma Pequena Içaria – 
décima segunda edição da Nova Jerusalém, e para realizar todos estes castelos no ar, são 
compelidos a apelar para os sentimentos e bolsas dos burgueses.” 
MARX, Karl. O Manifesto Comunista. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1998. p. 62. 
Na passagem acima os autores daquele documento criticavam: 
a) A burguesia que fazia filantropia para eliminar a desigualdade social. 
b) Os socialistas utópicos. 
c) Os capitalistas na sua utopia de uma sociedade igualitária. 
d) Os cartistas que defenderam a igualdade social. 
e) Os liberais que pensavam em auxiliar os trabalhadores. 
Comentários 
Primeiro de tudo, vamos definir três coisas: Tempo: século XIX, mais especificamente 1848; 
Espaço: Europa; Tema: teorias críticas ao capitalismo. O socialismo é uma vertente da 
filosofia que surgiu como crítica ao liberalismo, em decorrência da intensificação do conflito 
de interesses entre a burguesia e outros setores da sociedade que participaram das diversas 
revoluções liberais e nacionalistas que varreram a Europa durante o século XIX. Contudo, 
nesse contexto, o socialismo ainda era um termo amplo que podia significar muitas coisas. 
Em geral, era associado a tradições e organizações sociais comunitárias. É em meio à 
efervescência política do século XIX que trabalhadores e pensadores definem com mais 
exatidão o que queriam dizer quando defendiam o socialismo, o que deu origem a várias 
sub-vertentes. Karl Marx, autor do Manifesto Comunista, considerava-se um socialista 
científico, por fazer uma análise materialista da história da humanidade e constatar que só 
seria possível por fim à opressão capitalista por meio da organização da classe trabalhadora 
para que fizesse uma revolução armada. Assim, tomaria o controle do Estado e dos meios 
de produção para extinguir as desigualdades, as classes sociais e o próprio Estado no fim da 
transição para uma sociedade comunista. Por outro lado, havia também os socialistas 
 
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utópicos, muito criticados pelos que concordavam com Marx e são eles o alvo das críticas do 
texto destacado. 
 Os socialistas utópicos eram liberais que tinham uma visão romântica do capitalismo 
como um sistema que poderia levar progresso e desenvolvimento a todos (burgueses, 
operários, camponeses, etc.). Porém, no início da industrialização, como já estudamos, as 
condições de trabalho eram precárias. Diante das circunstâncias reais do desenvolvimento 
capitalista, os socialistas utópicos conclamavam acordo entre as classes sociais para que 
todos pudessem usufruir em situação de igualdade com os benefícios das descobertas 
científicas e da produção de riqueza gerada. Defendiam a ideia de que a riqueza produzida 
coletivamente fosse mais bem distribuída. Nesse sentido, contribuíram par a noção de 
“justiça social”. Apesar disso, eles não propunham a extinção das classes sociais, nem do 
capitalismo, principal ponto criticado pelos marxistas. Com isso em mente, vejamos: 
a) Incorreta. A crítica expressa nesse trecho específico não é direcionada à burguesia, mas 
sim aos socialistas utópicos. 
b) Correta! Está de acordo com o comentário. 
c) Incorreta. Pela mesma razão que a letra “a”. 
d) Incorreta. Não há nenhuma menção ao movimento cartista. 
e) Incorreta. Pela mesma razão que as letras “a” e “c”. 
Gabarito: B 
4.4 - 1871: A COMUNA DE PARIS 
A queda de Napoleão III não se deu por levantes populares, gente, mas porque a França 
foi derrotada pela Prússia na guerra conhecida como “Guerra Franco-Prussiana”, ocorrida entre 
1870-1871. No caso, o chanceler Otto von Bismark, da Alemanha, queria unificar os estados 
germânicos do norte e do sul (vermos este assunto na próxima aula de História Geral, sobre 
unificação da Alemanha). Em resumo, a disputa territorial levou à guerra e os franceses perderam. 
Na batalha de Sedan, o próprio Napoleão III foi a campo liderar os franceses, mas foi 
capturado pelos prussianos. Resultado imediato em solo francês, abriu-se um vazio de poder, pois 
o exército estava desarticulado, reduzido e sem estruturas, não havia governo central e o povo 
francês já vinha acumulando diversas insatisfações políticas e socioeconômicas. 
Apesar desse cenário um tanto quanto caótico, os franceses conseguiram organizar um 
novo governo, mas agora sob o lema da República, a Terceira República dos franceses. O novo 
governo, liderado pelo presidente Louis Adolphe Thiers, era conservador e estava negociando 
termos de rendição com a Prússia. Contudo, os parisienses não reconheciam nem o novo governo, 
nem os termos de rendição. 
Dessa forma, sem espaço para apresentar suas demandas e negociar, diante da fome, da 
miséria, do desfecho imprevisível da Guerra Franco-Prussiana, uma rebelião tomou as ruas de 
 
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Paris, em março de 1871. Fala-se em desfecho imprevisível dessa guerra porque as negociações 
de rendição ainda estavam em curso. 
Na capital, então, foi instaurado um Governo Popular autônomo que ficou conhecido como 
a Comuna de Paris. Este governo, formado por trabalhadores-urbanos e classe-média, era 
composto por partidáriosdo socialismo, do anarquismo e das diversas ideias que surgiam em 
oposição ao capitalismo e à burguesia, tal como vimos logo acima. 
 A primeira iniciativa do Conselho da Comuna (o órgão governante) foi dissolver o Exército 
regular, substituindo-o pela Guarda Nacional democrática, ou seja, pelo povo armado. Os acessos 
às posições de direção e de comando, a exemplo de todos os outros cargos da administração 
pública que estava se construindo, passaram a ser ocupados por meio de eleições e não por 
indicação5. 
A Magistratura é reconstituída através de eleições para os cargos nos tribunais civis. Organizam-
se as Cortes de Justiça e são designados os Juízes de Paz e de Instrução. A assistência jurídica é 
assegurada gratuitamente para os casos considerados urgentes. A manutenção da ordem pública 
é garantida pela população em armas. É instituído o Estado laico e a Igreja, enquanto instituição, 
é desvinculada do Estado. Várias igrejas e conventos são transformados em clubes populares. A 
Comuna respeita a propriedade privada e confisca só as daqueles que haviam abandonado Paris. 
Diversas residências abandonadas são utilizadas, provisoriamente, por vítimas dos bombardeios. 
A todos aqueles que haviam permanecido na cidade, é garantido o controle de todas suas 
propriedades e é concedida a moratória das dívidas. 6 
 
Repare que as inovações de gestão de uma cidade foram pensadas a partir tanto do 
acumulo de problemas que já havia sido vivenciado pela população naquele século XIX (os 
problemas sociais da modernização industrial) como da busca por limitar a força arbitrária e 
coercitiva do Estado. Não por menos, no que diz respeito ao Direito – especificamente ao Direito 
Penal-, foi decretado que toda detenção deveria ser precedida de uma ordem judicial e ser 
comunicada imediatamente ao Delegado da Justiça. Isso porque, o povo já havia passo por vastas 
experiências de execuções sumárias, prisões arbitrárias, etc. 
 Com efeito, de Paris, o governo da Comuna começou a divulgar a necessidade de a França 
inteira se transformar em uma federação de Comunas, caracterizada pela descentralização do 
poder, pela ampla participação popular nas decisões políticas a partir da “democracia direta”, e 
pela igualdade social. Vale destacar que é neste momento, por exemplo, que aparece com força 
reivindicação de salário igual entre homens e mulheres. 
Assim, do ponto de vista político e social, as propostas divulgadas pelos revolucionários da 
Comuna de Paris para todos os franceses eram: 
• Eleger, pelo voto dos trabalhadores, os funcionários do Estado, os quais poderiam 
perder os cargos em caso de corrupção, mau desempenho, etc. 
 
5 COSTA, Silvio. Importância e atualidade da Comuna de Paris de 1871. Revista Espaço Acadêmica. No. 
118. Mar/2011. P.16- 
6 Idem, ibidem. 
 
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• O exército seria substituído por “milícias” populares. Entenda “milícias” como 
destacamentos menores comandados a partir das comunidades locais, tal como 
estavam fazendo em Paris. 
• Congelamentos dos preços de alimentos e alugueis. 
• Ampla criação de creches e escolas. 
O governo instaurado em Paris e a administração da cidade desenvolvida pelos 
revolucionários foram, de fato, uma nova gestão ainda não vivenciada pelos europeus, nem na 
modernidade, nem na recém contemporaneidade. Por exemplo, diferentemente dos processos 
revolucionários anteriores, aqui as mulheres foram incorporadas, tiveram protagonismos e 
elaboraram as primeiras políticas públicas focadas na condição da mulher, como o 
estabelecimento de creches e cursos profissionalizantes para mulheres. 
Diante disso, reparem, se a Primavera dos Povos (1830) e as jornadas de 1848 eram uma 
ameaça aos interesses dos capitalistas, você imagine o pânico que representava um Governo 
Popular com bases socialistas em pleno vigor em Paris e com ambições de se irradiar para o resto 
da França. A memória das classes dominantes estava muito fresca com o que havia ocorrida na 
Primavera dos Povos. 
O Presidente Thiers, que ainda estava no cargo, e estava despachando do Palácio de 
Versalhes (próximo a Paris), precisou se mexer. Thiers assina, em 10 de maio de 1871, o Tratado 
de paz com Bismarck, por meio do qual a França entregou à Prússia as províncias de Alsácia e 
Lorena e compromete-se a pagar cinco bilhões de francos em ouro, na qualidade de "contribuição 
de guerra" (Atenção, atenção: aqui temos um ponto de partida para as disputas seguintes e 
formação do clima para a 1ª Guerra Mundial, guarde isso!!!). 
Em contrapartida, os prussianos libertaram 60 mil soldados franceses, permitindo a 
organização de um efetivo militar de mais de 100 mil soldados prontos para atacar Paris. 
Paris foi cercada e, dois meses após a instauração da Comuna, o massacre orquestrado por 
Thiers, com apoio estrangeiro, inclusive dos prussianos, falou por si. 
Um jornal da época, ao expressar a visão das classes dominantes assim divulgava: 
“Que (Versalhes) transforme Paris num monte de ruínas, que as ruas se transformem em rios de 
sangue, que toda sua população pereça, que o governo mantenha sua autoridade e demonstre seu 
poder, que Versalhes esmague totalmente – seja qual for o custo – qualquer sinal de oposição a 
fim de dar a Paris e a toda França uma lição que possa ser lembrada e aproveitada pelos séculos 
que virão”. 
(Editorial de The New York Herald, maio 1871) 
Assim, após dois meses da primeira experiência em que os operários, trabalhadores 
urbanos, enfim, “os de baixo”, de fato, tomaram o poder em algum lugar do mundo e instauraram 
um governo praticamente socialista, as batalhas da reação e restauração da ordem burguesa 
capitalista foram mais fortes. 
A ordem burguesa foi restabelecida em Paris e, mais uma vez, a ameaça das ideais 
anticapitalistas foram neutralizadas. Thiers teria dito: “ O socialismo está acabado por muito 
 
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tempo”7. Pode-se dizer que, mais uma vez, apesar das rusgas, as diferentes frações da burguesia, 
mesmo em nações que estavam em guerra (burguesia francesa e burguesia prussiana) se uniram 
para suprimir o levante do proletariado. Por isso, a dinâmica história do século XIX, concebido 
pelo historiador Eric Hobsbawm como a era das revoluções, foi marcada por revoluções e 
contrarrevoluções, ou ações e reações. Tal é, queridos e queridas, a dinâmica da história. 
A importância da Comuna de Paris para a História pode ser resumida por seu fim 
representar o fechamento das ondas de protestos que se abriram com a Revolução Francesa e 
adentraram o século XIX. Esse fecho deu início a tão sonhada estabilidade para os governantes 
das nações europeias, por um lado, expandirem a economia capitalista e a política imperialista 
(Imperialismo, assunto das próximas aulas), por outro, aprimorarem a indústria armamentista. 
Atenção a esse ponto, pois ,após a Guerra Franco-Prussiana, veremos um clima de militarização 
das economias (indústria bélica), a crescente disputa territorial imperialista e formação do “clima” 
para a 1ª Guerra Mundial. Nesse sentido, veja como a Comuna foi um marco importante e ponto 
de inflexão para o curso dos acontecimentos do século XIX com desdobramentos no século XX. 
Já para as ideias comunistas e socialistas a Comuna de Paris se transformou na grande 
referência por demonstrar a possibilidade da construção de governos socialistas pelos próprios 
trabalhadores. É uma ideia importante porque, cerca de 30 anos depois, começarão os 
movimentos revolucionários na Rússia (primeiro 1905, depois 1917), e os revolucionários russos se 
voltaram à experiencia da Comuna para buscar o que deu certo e o que deu errado. 
Vejamos um trecho do que Marx e Engels escreveram sobre a Comuna de Paris de 1871: 
 
Na alvorada de 18 de março(1871), Paris foi despertada por este grito de trovão: VIVE LA 
COMMUNE! O que é, pois, a Comuna, essa esfinge que põe tão duramente à prova o entendimento 
burguês? 
“Os proletários da capital – dizia o Comité Central no seu manifesto de 18 de março – no meio das 
fraquezas e das traições das classes governantes, compreenderam que chegara para eles a hora 
de salvar a situação assumindo a direção dos assuntos públicos… O proletariado… compreendeu 
que era seu dever imperioso e seu direito absoluto tomar nas suas mãos o seu próprio destino e 
assegurar o triunfo apoderando-se do poder.” 
Mas a classe operária não se pode contentar com tomar o aparelho de Estado tal como ele é e de 
o pôr a funcionar por sua própria conta. 
O poder centralizado do Estado, com os seus órgãos presentes por toda a parte: exército 
permanente, polícia, burocracia, clero e magistratura, órgãos moldados segundo um plano de 
divisão sistemática e hierárquica do trabalho, data da época da monarquia absoluta, em que servia 
à sociedade burguesa nascente de arma poderosa nas suas lutas contra o feudalismo.” 
Ou seja, Marx e Engels indicam que, sob uma perspectiva histórica da formação do Estado 
moderno, não seria a estrutura estatal-administrativa vigente que resolveria os problemas do 
proletariado, por isso, tantas foram as inovações propostas e uma parte delas postas em prática. 
Mas isso é assunto mais para uma aula de Sociologia Política. OK? 
 
7 Idem, ibidem. 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
(Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) 
A guerra tinha dado início à revolução. O governo de defesa nacional era encabeçado pelo 
general Trochu e formado, principalmente, por deputados eleitos por Paris ao Corpo 
Legislativo do II Império, por monarquistas (que controlavam a polícia e as forças armadas) e 
por republicanos burgueses. Na noite do próprio dia 4 de setembro, uma reunião conjunta 
da seção parisiense da AIT e da Câmara Federal das Sociedades Operárias definia, como 
linha política, que "o governo provisório não será atacado, devido à existência da guerra e, 
também, devido ao pequeno grau de preparo das forças populares, ainda desorganizadas", 
e também impulsionar a constituição de um Comitê Municipal formado por delegados de 
cada uma das vinte regiões administrativas de Paris. No dia seguinte, para viabilizar esta 
última decisão, numa reunião na qual compareceram quinhentas pessoas, decidiu-se a 
constituição de um Comitê Republicano para cada região administrativa; cada Comitê 
delegaria quatro de seus membros para a formação de um Comitê Municipal. Estas decisões 
incidirão sobre o curso dos acontecimentos, ainda mais a partir do dia 11 de setembro, 
quando o Comitê Municipal ficaria constituído sob o nome de Comitê Central Republicano 
de Defesa Nacional das Vinte Regiões de Paris. 
(COGGIOLA, Osvaldo.130 anos da Comuna de Paris: a Comuna de Paris na história. USP) 
A partir dos elementos trazidos pelo texto, no que diz respeito à Comuna de Paris, ocorrida 
na segunda metade do século XIX, marque a alternativa correta: 
a) a guerra a que o autor faz referência é a promovida por Napoleão Bonaparte contra as 
nações que não aderiram ao bloqueio continental, fato que desencadeou uma reação 
popular nas principais capitais europeias, como a Comuna de Paris. 
b) o sentido da sociabilidade municipal indicada pelo estabelecimento de órgãos 
representativos de gestão da administração da cidade, liderados por operários, expressava 
o ineditismo de uma experiência socialista de governo, baseada na descentralização do 
poder. 
c) a experiência da Comuna demonstrou a força das ideias socialistas, comunistas e 
anarquistas, porém, a unidade com monarquistas e com setores da burguesia levou o 
movimento à derrota no plebiscito sobre a forma e o sistema de governo que se 
estabeleceria. 
d) apesar de ter criado diferentes órgãos para gerir o espaço social público os communards 
não conseguiram inovar na forma de acesso aos cargos públicos. 
e) assim como na Revolução Francesa, apesar do papel das mulheres na defesa das 
barricadas e nos destacamentos militares, a Comuna não chegou a elaborar políticas 
específicas que mudassem qualitativamente a condição da mulher. 
Comentários 
Questões sobre a Comuna de Paris são raras, mas quando caem, derrubam bons alunos, pois 
há muita confusão em torno dos processos revolucionários do século XIX, suas características 
e causas. Vamos aos erros das alternativas e à correta. 
 
Profe Alê Lopes 
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a) falso, pois a guerra em questão é a Franco-Prussiana, uma disputa de territórios. O 
armistício da guerra foi assinado em 1871, mas já em 1870, os franceses sabiam que estavam 
perdendo. Tanto foi que o então Imperador Napoleão III chegou a ser preso pelos prussianos 
em campo de batalha. 
b) perfeito, é o nosso gabarito. A Comuna de Paris é considerada a primeira experiência de 
governo socialista na contemporaneidade. No processo de “arquitetura” da Comuna, os 
revolucionários criaram uma estrutura de governo – um Estado – alternativo ao que existia. 
Esse estabelecimento de novos órgãos de gestão da cidade foram se desdobrando a partir 
do que os operários já tinham como organizações estabelecidas, tal como o texto do 
enunciado lembra. 
c) errado, pois não houve essa unidade com a burguesia, na verdade, houve uma unificação 
de monarquistas, burguesia francesa e estrangeira para cercar Paris e, após 2 meses do 
estabelecimento do governo da Comuna, “massacrar” os communards. 
d) falso, pois os revolucionários montaram uma estrutura administrativa que contatava com 
eleições para os cargos de direção e chefia, reforçando a prática da democracia direta e 
participativa. No exército popular os postos de comando eram ocupados por eleições, da 
mesma forma juízes e representantes em cargos de gestão do que seria o “poder executivo”, 
também eram eleitos. E, o mais interessante, em caso de mau desempenho, havia a 
revogação de determinada pessoa do cargo. 
e) errado, pois o governo da Comuna de Paris, que contou com mulheres na liderança, 
estabeleceu políticas como a construção de creches, cursos profissionalizantes específicos 
para as mulheres e chegaram a indicar a necessidade da igualdade salarial entre homens e 
mulheres. 
Gabarito: B 
(PISM 2018) 
Observe o documento abaixo: 
 
Fonte: https://goo.gl/v2BpLx 
Com relação à Comuna de Paris assinale a alternativa 
 
Profe Alê Lopes 
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a) Fortaleceu a posição dos militares diante da sociedade francesa. 
b) Baseou-se no ideal centralizador do absolutismo. 
c) Estimulou os privilégios e a hierarquização da sociedade. 
d) Instituiu o ensino religioso em toda França. 
e) Foi uma fonte de inspiração para o movimento operário. 
 
Comentários 
Bom, o tempo que trata a questão é nítido: 1871. O espaço também: Paris, França. O tema 
é a Comuna de Paris. Até esse ano, a França vivenciou uma série de revoluções marcadas 
pelos embates entre restauradores do absolutismo, burgueses e trabalhadores. Em 1830, a 
burguesia havia liderado a população em favor da derrubada da monarquia da dinastia 
Bourbon, devido a suas ambições absolutistas. O novo governo foi instaurado, de caráter 
liberal e burguês, mas ainda uma monarquia. Em 1848, esse governo foi derrubado por uma 
nova onda revolucionária, desta vez liderada por trabalhadores e pequeno-burgueses 
descontentes com os rumos da onda liberal de 1830. Agora, era instalada a Segunda 
República francesa. No entanto, em 1851, Luís Napoleão Bonaparte foi eleito presidente e, 
no ano seguinte se proclamou imperador sob o nome de Napoleão III. Eles eram apoiados 
pelo setor mais reacionário eautoritário da burguesia, também chamado de partido 
bonapartista. Seu governo durou até 1870 quando foi derrubado após a derrota francesa na 
Guerra-Franco Prussiana e a captura do imperador pelo exército inimigo. 
Com a derrota, a população francesa não aceitava ter perdido e era contrária aos acordos 
de paz celebrados pelo governo provisório que havia substituído Napoleão III. Havia uma 
disputa entre republicanos e conservadores sobre os rumos do país após a derrota. 
Republicanos pretendiam dar continuidade à guerra, embora o exército estivesse fragilizado. 
Os conservadores queriam celebrar a paz e restaurar o regime monárquico. Havia também 
os socialistas, que defendiam a instalação de uma república socialista. Em fevereiro de 1871, 
foi eleita uma Assembleia Nacional com liderança conservadora. O armistício foi negociado, 
mas impunha multas pesadas à França e a diminuição de seu território. A população revoltou-
se contra o governo provisório. Em Paris, nas eleições locais, de março de 1871, o poder 
passou a ser exercido pelos socialistas. Eles estabeleceram a liberdade de imprensa, a 
consagração de reivindicações de trabalhadores, como autogestão, diminuição da jornada 
de trabalho e desapropriação de imóveis desocupados, o fim da subvenção estatal à Igreja, 
garantia de ensino laico e gratuito, dentre outras. Esse novo governo ficou conhecido como 
Comuna de Paris e era compostos por socialistas e anarquistas. Após dois meses, o governo 
central, liderado pelos conservadores, começou uma violenta repressão aos communards (os 
integrantes da Comuna), enviando tropas para atacar Paris, com a ajuda de Bismarck, 
chanceler prussiano. Mais de 40 mil pessoas foram presas, cerca de 15 mil foram executadas 
sem julgamento e milhares foram deportadas. Nas eleições seguintes, dois monarquistas 
assumiram a presidência e lideraram a reconstrução da República francesa, com políticas 
conservadoras e uma nova Constituição estabelecida em 1875. 
 
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Considerando isso, vejamos qual alternativa condiz com as atitudes da Comuna de Paris: 
Errada. Para saber que isso é uma afirmação incorreta não era preciso nem conhecer o 
contexto da Comuna de Paris, apenas ler a imagem destacada pela questão. As três medidas 
aplicadas e divulgadas nesse anúncio de jornal tratam especificamente da questão militar. O 
alistamento foi abolido, não será permitida a entrada ou criação de outras forças militares 
em Paris que não a Guarda Nacional e todos os cidadãos passavam a integrá-la. Ou seja, a 
distinção de ser militar foi completamente extinta, pois agora todos eram cidadão-soldados. 
Isso fazia parte de uma estratégia para envolver todo o povo na luta revolucionária. 
Errada. Os socialistas e anarquistas que participaram da Comuna eram completamente 
contra o absolutismo, até mesmo criticavam o liberalismo. Eles propunham um governo mais 
democrático que atendesse a demanda dos trabalhadores e da maioria da população. 
Errada. As teorias que inspiravam a Comuna defendiam o fim das hierarquias e das classes 
sociais. Isso fica evidente na imagem que publica medidas contra a hierarquia militar. 
Errada. Socialistas e anarquistas eram ateus e contra qualquer influência da Igreja seja na 
educação ou no Estado. Inclusive, mencionei no comentário que eles extinguiram a 
subvenção estatal ao clero. Isso era um salário pago pelo governo aos eclesiásticos franceses 
instituído por Napoleão como forma de fazer as pazes com a Igreja após a ruptura durante a 
Revolução Francesa. 
Certa! A experiência da Comuna de Paris influenciou diversos movimentos operários por 
toda Europa e em outros continentes, principalmente aqueles de orientação socialista e 
anarquista. 
Gabarito: E 
 
Bem, queridas e queridos alunos chegamos ao final da nossa aula sobre os aspectos 
políticos dos embates entre o Antigo Regime e o Liberalismo/ Capitalismo, por um lado, e, por 
outro, as tentativas das forças anticapitalistas se apresentarem diante desse novo mundo 
moderno-industrializado. 
Assim, mergulhamos em experiências ocorridas entre o final do século XVIII até meados do 
século XIX, ou naquele momento que Eric Hobsbawm chama de “A Era das Revoluções”. Com 
certeza, pelo menos na França, o absolutismo está defenestrado, mas outros embates começam 
a aparecer, agora entre a burguesia e o proletariado e entre as nações. História cheia de nuances 
que ainda tem muuuito pela frente. 
Faça seu controle de temporalidade. Vai montando sua linha do tempo pois ela será 
fundamental na hora da revisão final 
É isso, fico por aqui. Você segue até a última questão. Aproveita TODOS os comentários, 
pois foram desenvolvidos em cada detalhe para fazer você mentalizar, aprender a responder uma 
questão, não escorregar nos caprichos do examinador. 
 
Profe Alê Lopes 
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Gabaritar história não é privilégio, é obrigação. Será seu diferencial. E não basta saber o 
conteúdo é preciso ser safo para adotar as melhores estratégias! 
Espero por você no Fórum de Dúvidas, se elas aparecerem! 
Um beijo, um abraço apertado e um suspiro dobrado de amor sem fim! Alê 
5. LISTA DE QUESTÕES 
 (FUVEST 2007) 
No final do século XIX, a Europa Ocidental torna-se "teatro de atentados contra as pessoas 
e contra os bens. Sem poupar os países do Norte... esta agitação afeta mais a França, a 
Bélgica e os Estados do Sul... Na Itália e na Espanha, provoca ou sustenta revoltas 
camponesas. Numerosos e espetaculares atentados são cometidos contra soberanos e 
chefes de governo". 
 R. Schnerb, "O Século XIX", 1969. 
O texto trata das ações empreendidas, em geral, por 
a) anarquistas. 
b) fascistas. 
c) comunistas. 
d) militaristas. 
e) fundamentalistas. 
 (FUVEST – 2002) 
 “A pátria, velha superstição que serve tão bem para manter os exércitos sanguinários e as 
polpudas negociatas; a religião, secular mentira que faz do homem um instrumento servil dos 
padres e dos ricos: a propriedade, instituição baseada na violência, na astúcia e que se faz 
passar por originariamente divina e eterna, enquanto não passa de um mero fruto do roubo”. 
Luigi Molinari, por volta de 1900. 
O texto expressa ideias filiadas ao 
a) sindicalismo. 
b) chauvinismo. 
c) evolucionismo. 
d) anarquismo. 
e) positivismo. 
 (FUVEST – 1999) 
 “Um povo pode atingir o bem-estar material sem táticas subversivas se ele for dócil, 
trabalhador e se esforçar sempre para melhorar.” 
 
Profe Alê Lopes 
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(Dos estudos da Sociedade contra a Ignorância, de Clemont-Ferrand, França, 1869.) 
 
Sobre o texto, é correto afirmar que exprime um ponto de vista representativo: 
a) Da nobreza, que acreditava ser esse o único caminho possível para o povo melhorar sua 
condição. 
b) Dos trabalhadores, conscientes de que somente com educação e trabalho melhorariam 
sua condição. 
c) Da burguesia, preocupada com a questão social e com as ideias e teorias de inspiração 
anticapitalista. 
d) Do governo francês na III República, preocupado em eliminar a pobreza e a exploração 
sofrida pelos trabalhadores. 
e) Das autoridades municipais, sensibilizadas com a ignorância e a miséria dos trabalhadores. 
 (FUVEST 1998) 
O Tratado de Viena, assinado em 1815 tinha por principal objetivo 
a) estabelecer uma paz duradoura na Europa, que impedisse as guerras e revoluções, 
consolidando o princípio da legitimidade monárquica. 
b) ratificar a supremacia da Prússia, no contexto político da Europa ocidental, para garantir 
triunfo de uma onda contra-revolucionária. 
c) assegurar ao Império Austro-Húngaro o controle da Europa continental, assim como da 
Inglaterra, a fim de impedir aexpansão da Rússia. 
d) impedir a ascensão da classe média ao poder, que iniciara uma série de revoluções em 
vários países da Europa Ocidental. 
e) criar um sistema repressivo capaz de conter as primeiras vagas do movimento socialista na 
Europa, através da exclusão da influência da França. 
 (FUVEST 1997) 
Qual dos países a seguir, não passou por nenhuma das várias revoluções políticas que 
marcaram a Europa no século XIX? 
a) Itália 
b) Espanha 
c) Inglaterra 
d) Alemanha 
e) França 
 (FUVEST 1995) 
 
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 Quase toda a Europa Ocidental e Central foi sacudida, em 1848, por uma onda de 
revoluções que se caracterizaram por misturar motivos e projetos políticos diferenciados - 
liberalismo, democracia e socialismo. Elas também foram marcadas por uma atmosfera 
intelectual e um sentimento ideológico comuns. Trata-se, no caso destes últimos, do: 
a) realismo e internacionalismo. 
b) liberalismo e nacionalismo. 
c) romantismo e corporativismo. 
d) realismo e nacionalismo. 
e) modernismo e internacionalismo. 
 (FUVEST 1985) 
As revoluções de 1848 na Europa: 
a) tentaram impor o retorno do Absolutismo, anulando as conquistas da Revolução Francesa. 
b) foram marcadas pelo caráter nacionalista e liberal, incluindo propostas socialistas. 
c) provocaram a união das tropas de Bismarck e Napoleão III para destruir o governo 
revolucionário. 
d) conduziram Luís Felipe ao trono da França e deram origem à Bélgica como estado 
independente. 
 (UVA 2017) 
O Bloqueio Continental decretado por Napoleão Bonaparte, no ano de 1806: 
a) tinha como objetivo fortalecer as indústrias da Holanda, da qual a França era aliada, 
permitindo assim que os países da Europa continental comprassem somente produtos 
holandeses. 
b) proibia todo o comércio com a Inglaterra com o objetivo de esgotar as forças econômicas 
deste país, já que militarmente não conseguia vencê-lo. 
c) foi feito com a intenção de prejudicar a Rússia, que ameaçava o Império Napoleônico com 
suas indústrias modernas. 
d) proibia o comércio de vinho com Portugal, sendo a causa fundamental da Proclamação da 
República do Brasil. 
 (UNAERP 2019) 
Em 1815, Napoleão Bonaparte foi finalmente contido pelos principais adversários da França 
revolucionária, e a monarquia dos Bourbon foi restaurada nesse país pela imposição dos 
países absolutistas que formavam a Santa Aliança. Assim, nesse mesmo ano, o Congresso de 
Viena determinou que as cinco maiores potências europeias passariam a gerir as disputas 
territoriais na Europa visando impedir conflitos de grande porte entre elas mesmas, 
 
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compondo assim o que ficou conhecido como “pentarquia europeia”, da qual não participou 
a 
a) Áustria. 
b) França. 
c) Prússia. 
d) Espanha. 
e) Inglaterra. 
 (UNAERP 2019) 
“Tem havido um bom número de grandes revoluções na história do mundo moderno, e 
certamente muitas delas foram bem-sucedidas. Mas nunca houve uma que se tivesse 
espalhado tão rápida e amplamente, alastrando-se como fogo na palha por sobre as 
fronteiras, países e mesmo oceanos. Na França, o centro natural e detonador das revoluções 
europeias, a república foi proclamada em 24 de fevereiro. Em março, a revolução havia 
ganhado o sudoeste alemão; em 6 de março, a Bavária; em 11 de março, Berlim; em 13 de 
março, Viena e, quase imediatamente, a Hungria; em 18 de março, Milão e, portanto, a Itália. 
Em poucas semanas, nenhum governo ficou de pé em uma área da Europa que hoje é 
ocupada completa ou parcialmente por dez Estados, sem contar as repercussões menores 
em um bom número de outros”. 
HOBSBAWM, E. J. A Era do Capital, 1848-1857. São Paulo: Paz e Terra, 2012, p. 32 e 33. 
Adaptado. 
A revolução de 1848 descrita ficou conhecida como 
a) Revoluções de Veludo e teve como ponto alto a experiência de implantação de um 
governo liberal comunista na Checoslováquia. 
b) Restauração Bourboniana e atingiu os países que se sentiam lesados com o Congresso de 
Viena, que fragilizou a dinastia Bourbon. 
c) Revoluções Liberais que, inspiradas pelo Manifesto do Partido Comunista de Marx e 
Engels, se opunham à manutenção do absolutismo decretada pelo Tratado de Paris de 1814. 
d) Primavera dos Povos e refletiam a influência das ideias de liberdade e busca de direitos 
bem como o descontentamento do povo e das classes médias ante a permanência de 
governos absolutistas europeus. 
 (UNITAU 2016) 
“Tornou-se primeiro cônsul, depois cônsul vitalício e Imperador. E, com sua chegada, como 
que por milagre os insolúveis problemas do Diretório tornaram-se solúveis. Em poucos anos, 
a França tinha um Código Civil, um Tratado com a Igreja e até mesmo [...] um Banco 
Nacional”. 
HOBSBAWM, Eric. A era das revoluções, 1789-1848. São Paulo: Paz e Terra, 1993, p. 93. 
 
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A situação de Napoleão Bonaparte como imperador pode ser considerada ambígua, porque 
a) as instituições republicanas foram mantidas como superiores à autoridade do imperador. 
b) o governo da República foi definido pela Constituição como confiado a um imperador. 
c) apesar da instituição da figura do imperador, não houve a reconstituição da antiga 
nobreza. 
d) como representante do sistema republicano, o imperador deveria submeter suas decisões 
aos códigos legais constituídos pela República, no entanto, ele os dissolveu. 
e) ele se sagrou como cônsul vitalício no regime republicano, após ter garantido seu poder 
a partir de sua atuação como imperador. 
 (UNITAU 2015) 
Sobre o fim do período napoleônico, leia o texto e aponte a alternativa que apresenta uma 
afirmativa CORRETA. 
“No mar, os franceses estavam completamente derrotados. Qualquer chance de invadir a 
Grã-Bretanha pelo canal da Mancha ou de manter contatos ultramarinos desapareceu. O 
único modo para derrotar a Grã-Bretanha era a pressão econômica, e isso Napoleão tentou 
através do Bloqueio Continental (1806). As dificuldades em impor este Bloqueio levaram ao 
rompimento com a Rússia. A Rússia foi invadida e ocupada, então, por Napoleão. Porém 
Napoleão foi derrotado – não só pelo inverno russo, mas por seu fracasso em manter seu 
exército com suprimento adequado.” 
HOBSBAWM, E. A era das revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p.105. 
a) O texto sugere que a pressão econômica exercida pelos britânicos incomodava os 
franceses e, portanto, era necessário iniciar batalhas em várias frentes, pois, no continente, 
impunha-se uma disputa com a Rússia. 
b) O Bloqueio Continental foi uma estratégia francesa para fechar o comércio e enfraquecer 
a Grã-Bretanha, em vista de sua supremacia marítima consolidada no período. 
c) O inverno russo destruiu as tropas britânicas que auxiliavam Napoleão e ele fracassou no 
suprimento adequado de seu contingente. 
d) O texto ilustra a derrota francesa nos mares europeus e no canal da Mancha, bem como 
a força de Napoleão em território russo. 
e) O Bloqueio Continental enfraqueceu os franceses de modo que não conseguiram avançar 
sobre o domínio marítimo britânico e continental russo. 
 (UNIRV 2019) 
O século XIX foi marcado do início ao fim pelo surgimento de ideologias e por conflitos na 
aplicação delas à realidade política e econômica das nações. Ideologias do século XVIII, como 
o liberalismo e a escola clássica de economia, opunham-se ao conservadorismo absolutista e 
fisiocrático vigentes, para darem lugar à disputa entre liberalismo e socialismo ao fim do 
 
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século XIX. A respeito das ideologiasvigentes no século XIX, assinale V (verdadeiro) ou F 
(falso) para as alternativas. 
 a) ( ) O socialismo estrutura-se após a Revolução Industrial, propondo-se a solucionar a 
extrema polarização social resultante das novas estruturas do capitalismo. Nesse contexto, 
surgiram diversas ideologias socialistas, muitas delas antagônicas entre si. 
b) ( ) Karl Marx criticava o trabalhismo de Thomas Owen, classificando-o como Socialismo 
Utópico, por duvidar de que a luta dos trabalhadores por direitos seria capaz de produzir a 
igualdade social. Em oposição, o Socialismo Científico de Marx propunha a Revolução como 
único caminho para a igualdade. 
c) ( ) O Socialismo Utópico era essencialmente revolucionário, acreditando que a queda do 
capitalismo por meio da revolta dos trabalhadores era o caminho ideal para a instauração da 
igualdade social. A forma final do Socialismo Utópico é definida como a Ditadura do 
Proletariado. 
d) ( ) Anarquismo e marxismo são essencialmente a mesma ideologia, ambas almejam destruir 
o capitalismo minando-o por dentro, porém, enquanto o anarquismo usa da resistência civil, 
o marxismo pretende implantar uma ideologia nova, alienando a sociedade para tomar o 
controle sutilmente. 
 (UECE 2019) 
Sobre a transferência da Corte portuguesa para o Brasil em 1808, é correto afirmar que 
a) ocorreu sem nenhum transtorno para a população do Rio de Janeiro, que recepcionou os 
nobres portugueses de forma planejada, sem que fossem necessárias grandes mudanças na 
cidade. 
b) foi provocada pela ameaça inglesa de invasão ao Brasil, caso Portugal aderisse ao Bloqueio 
Continental ao comércio britânico, imposto por Napoleão Bonaparte no decreto de Berlim, 
emitido em 1806. 
c) teve como causa direta a invasão das tropas francesas ao território português como forma 
de forçar a adesão do país luso ao bloqueio continental. 
d) somente foi realizada como forma de garantir o cumprimento do tratado de 
Fontainebleau, assinado com a França, que garantia a mudança para o Brasil no caso de 
ameaça espanhola a Portugal. 
 (UERJ 2019) 
 
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A derrota de Napoleão Bonaparte, em 1814-1815, foi registrada de diversas formas nas 
sociedades europeias. Na imagem, o imperador francês tenta devorar o globo terrestre, 
sendo atacado por uma águia, um dos símbolos do Império Russo. 
Dois impactos que as guerras napoleônicas exerceram sobre as relações internacionais na 
Europa da época foram: 
a) crise agrária e consolidação dos Estados republicanos. 
b) concorrência industrial e retomada de domínios coloniais. 
c) integração comercial e declínio de monarquias absolutistas. 
d) expansionismo territorial e reorganização das fronteiras políticas. 
 (UFU 2007) 
A chamada "Era Napoleônica" (1799-1814) foi uma época marcada por grandes conflitos 
bélicos na Europa. Sobre esse momento e suas repercussões na história do continente 
americano, assinale a alternativa INCORRETA. 
a) A necessidade financeira decorrente dos custos militares levou Napoleão Bonaparte a 
vender territórios coloniais franceses na América do Norte. Nesse contexto, o vasto território 
da Louisiana foi incorporado aos EUA. 
b) O envolvimento da França em conflitos bélicos contra quase toda Europa favoreceu a 
perda de colônias francesas na América. A independência do Haiti e a ocupação da Guiana 
Francesa pelos portugueses são exemplos disso. 
c) Durante o apogeu do Império Napoleônico, a Espanha tornou-se politicamente 
dependente da França. Essa situação favoreceu anseios autonomistas na América espanhola 
e levou a Inglaterra a apoiar movimentos de independência. 
 
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d) Com o "bloqueio continental", a Inglaterra teve seus interesses comerciais na América 
seriamente prejudicados. Nesse contexto, os britânicos invadiram a Argentina em 1806 e a 
controlaram até 1815, quando o Congresso de Viena decretou sua independência. 
 (UFU 2004) 
"No início de 1848, o eminente pensador político francês Alexis de Tocqueville tomou a 
tribuna da Câmara dos Deputados para expressar sentimentos que muitos europeus 
partilhavam: ' Nós dormimos sobre um vulcão... Os senhores não perceberam que a terra 
treme mais uma vez? Sopra o vento das revoluções, a tempestade está no horizonte.' 1848 
foi a primeira revolução potencialmente global (...) foi a única a afetar tanto as partes 
desenvolvidas quanto as atrasadas do continente. Foi ao mesmo tempo a mais ampla e a 
menos sucedida desse tipo de revolução." 
HOBSBAWN, Eric. "A Era do capital: 1848 - 1875". Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. 
A respeito deste contexto histórico, marcado pela chamada "Primavera dos Povos", 
podemos afirmar que 
I - na França, as barricadas foram empreendidas pelos camponeses, influenciados pelos ideais 
nacionalistas, e estas promoveram, após a tomada do poder pelos rebeldes e a restauração 
da monarquia, o enfraquecimento do liberalismo burguês e a democracia representativa em 
nome da democracia direta. 
II - a crise econômica que assolava a Europa, agravada por pragas e pela seca, prejudicou os 
camponeses, levando-os às ruas em apoio às novas ideologias baseadas nas idéias socialistas, 
divulgadas com a publicação do Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels em 
1848. 
III - as revoltas de 1848, embora tivessem se alastrado pela Europa, não tiveram repercussão 
no Brasil. Em função do seu caráter fragmentado e das disputas internas entre nacionalistas 
e liberais, dificultaram os processos de Unificações da Itália e Alemanha. 
IV - as diferentes ondas revolucionárias da Primavera dos Povos tiveram em comum o espírito 
romântico, a construção de barricadas, as bandeiras coloridas e o ideal de liberdade, pondo 
em xeque o poder e a tradição aristocrática européia. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Apenas I e II são corretas. 
b) Apenas II e IV são corretas. 
c) Apenas III e IV são corretas. 
d) Apenas I e III são corretas. 
e) foram vitoriosas e completaram as unificações nacionais na Itália e Alemanha. 
 (FGV 2018) 
“(...) os homens que naquele momento estavam encarregados de pôr termo à Revolução de 
1848 eram precisamente os mesmos que fizeram a de 30. (...) O que a distinguia ainda, entre 
 
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todos os acontecimentos que se sucederam nos últimos sessenta anos na França, foi que ela 
não teve por objetivo mudar a forma, mas alterar a ordem da sociedade. Não foi, para dizer 
a verdade, uma luta política (...), mas um embate de classe (...). Havia se assegurado às 
pessoas pobres que o bem dos ricos era de alguma maneira o produto de um roubo cujas 
vítimas eram elas (...). É preciso assinalar ainda que essa insurreição terrível não foi fruto da 
ação de certo número de conspiradores, mas a sublevação de toda uma população contra 
outra (...).” 
(Alexis de Tocqueville, Lembranças de 1848. 1991) 
A partir do texto, é correto afirmar que: 
a) a revolução limitou-se, em 1848, a apelos políticos, no sentido de a classe burguesa, líder 
do movimento, atrair as classes populares para a luta, contra o absolutismo de Carlos X, 
usando as ideias liberais como combustível para a implantação do Estado liberal. 
b) a revolução de 1848, liderada pelos homens de 1830, isto é, a classe burguesa, tinha como 
maiores objetivos a queda de Luís Bonaparte e a vitória das ideias socialistas, pregadas nos 
banquetes e nas barricadas contra o rei e contra a nobreza. 
c) a revolução de 1848, influenciada pelo socialismo utópico, significou a luta entre a classe 
burguesa, líder da revolução de 1830, e as classes populares que, cada vez mais organizadas 
na campanha dos banquetes e nas barricadas, forçaram a quedado rei Luís Felipe. 
d) os líderes revolucionários de 1848, os mesmos da revolução de 1830, sob forte 
propaganda das ideias liberais e influenciados pela luta política, convocaram e obtiveram o 
apoio das classes populares, no Parlamento, contra o rei Luís Felipe. 
e) o rei Luís Felipe, no trono francês entre 1830 e 1848, foi derrubado por uma bem 
orquestrada luta política no Parlamento, que uniu liberais e socialistas, vitoriosa para essa 
aliança, que formou o governo provisório e elegeu o presidente Luís Bonaparte. 
 (FGV 2016) 
“(...) os homens que naquele momento estavam encarregados de pôr termo à Revolução de 
1848 eram precisamente os mesmos que fizeram a de 30. (...) 
O que a distinguia ainda, entre todos os acontecimentos que se sucederam nos últimos 
sessenta anos na França, foi que ela não teve por objetivo mudar a forma, mas alterar a 
ordem da sociedade. Não foi, para dizer a verdade, uma luta política (...), mas um embate de 
classe (...). 
Havia se assegurado às pessoas pobres que o bem dos ricos era de alguma maneira o 
produto de um roubo cujas vítimas eram elas (...). 
É preciso assinalar ainda que essa insurreição terrível não foi fruto da ação de certo número 
de conspiradores, mas a sublevação de toda uma população contra outra (...).” (Alexis de 
Tocqueville, Lembranças de 1848. 1991) 
A partir do texto, é correto afirmar que 
 
Profe Alê Lopes 
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a) a revolução limitou-se, em 1848, a apelos políticos, no sentido de a classe burguesa, líder 
do movimento, atrair as classes populares para a luta, contra o absolutismo de Carlos X, 
usando as ideias liberais como combustível para a implantação do Estado liberal. 
b) a revolução de 1848, liderada pelos homens de 1830, isto é, a classe burguesa, tinha como 
maiores objetivos a queda de Luís Bonaparte e a vitória das ideias socialistas, pregadas nos 
banquetes e nas barricadas contra o rei e contra a nobreza. 
c) a revolução de 1848, influenciada pelo socialismo utópico, significou a luta entre a classe 
burguesa, líder da revolução de 1830, e as classes populares que, cada vez mais organizadas 
na campanha dos banquetes e nas barricadas, forçaram a queda do rei Luís Felipe. 
d) os líderes revolucionários de 1848, os mesmos da revolução de 1830, sob forte 
propaganda das ideias liberais e influenciados pela luta política, convocaram e obtiveram o 
apoio das classes populares, no Parlamento, contra o rei Luís Felipe. 
e) o rei Luís Felipe, no trono francês entre 1830 e 1848, foi derrubado por uma bem 
orquestrada luta política no Parlamento, que uniu liberais e socialistas, vitoriosa para essa 
aliança, que formou o governo provisório e elegeu o presidente Luís Bonaparte. 
 (FGV 2009) 
"A nova onda se propagou rapidamente por toda a Europa. Uma semana depois da queda 
de Luís Filipe I, o movimento revolucionário tomou conta de uma parte da Alemanha e, em 
menos de um mês, já estava na Hungria, passando pela Itália e pela Áustria. Em poucas 
semanas, os governos dessa vasta região foram derrubados, e supostamente se inaugurava 
uma nova etapa da História europeia, a Primavera dos Povos". 
(Luiz Koshiba, "História - origens, estruturas e processos") 
O texto faz referência: 
a) à Belle Epoque. 
b) às Revoluções de 1848. 
c) à Restauração de 1815. 
d) à Guerra Franco-Prussiana. 
e) às Revoluções liberais de 1820. 
 (UDESC 2015) 
“Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo. Todas as potências da velha 
Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e o czar, Metternich e Guizot, 
os radicais da França e os policiais da Alemanha. Que partido de oposição não foi acusado 
de comunista por seus adversários no poder? Que partido de oposição, por sua vez, não 
lançou a seus adversários de direita ou de esquerda a pecha infamante de comunista: Duas 
conclusões decorrente desses fatos: 1. O comunismo já é reconhecido como força por todas 
as potências da Europa; 2. É tempo de os comunistas exporem, abertamente, ao mundo 
 
Profe Alê Lopes 
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inteiro, seu modo de ver, seus objetivos e suas tendências, opondo um manifesto do próprio 
partido à lenda do espectro do comunismo.” 
(Edição completa: Manifesto Comunista de Marx e Engels) 
Com base no Manifesto Comunista de 1848, analise as proposições. 
I. Existem ao menos dois tipos de comunismo, um defendido pelos trabalhadores como 
ideologia com projeto político alternativo, e outro o comunismo como espectro inventado 
por instituições religiosas, políticas e militares para desqualificar a luta dos trabalhadores. 
II. O espectro do comunismo conseguiu unificar as forças mais conservadoras – “o papa e o 
czar, Metternich e Guizot, os radicais da França e os policiais da Alemanha” – em prol da 
democracia e do liberalismo. 
III. A multiplicação das fábricas nacionais e dos instrumentos de produção, o arroteamento 
das terras incultas e o melhoramento das terras cultivadas são partes do programa original 
do Manifesto Comunista. 
IV. O Manifesto Comunista inclui em seu programa – a centralização de todos os meios de 
comunicação e de transporte sob a responsabilidade do Estado. 
V. Consta, no programa do Manifesto Comunista, a supressão da família burguesa 
centralizada na figura autoritária do pai. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras. 
b) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras. 
c) Somente a afirmativa V é verdadeira. 
d) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. 
e) Todas as afirmativas são verdadeiras 
 (UDESC 2009) 
Assinale a alternativa CORRETA, em relação à chamada "Primavera dos Povos". 
a) A "Primavera dos Povos" não influenciou a formação dos movimentos sociais do Século 
XIX. 
b) Foi uma revolução brasileira, mas que atingiu também outros países do Cone Sul. 
c) Houve influência da "Primavera dos Povos" no Brasil através do movimento dos 
"Seringueiros". 
d) Atribuição colocada ao movimento revolucionário francês em 1848, que derrubou a 
monarquia de Luis Felipe e trouxe a discussão a exploração burguesa e a dominação política. 
e) A influência da "Primavera dos Povos" se restringiu às preocupações francesas do período. 
 (UNESP 2014) 
 
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O Congresso de Viena, entre 1814 e 1815, reuniu representantes de diversos Estados 
europeus e resultou 
a) na afirmação do caráter laico dos regimes políticos e da importância da separação entre 
Estado e Igreja. 
b) na criação da Santa Aliança e no esforço de reafirmar valores do Antigo Regime. 
c) na validação da nova divisão política da Europa, definida pelas conquistas napoleônicas. 
d) na derrubada dos regimes republicanos e na restauração monárquica na França e na 
Inglaterra. 
e) na defesa dos princípios do livre comércio e da emancipação das colônias na América. 
 (UNESP 2011) 
Artigo 5.º — O comércio de mercadorias inglesas é proibido, e qualquer mercadoria 
pertencente à Inglaterra, ou proveniente de suas fábricas e de suas colônias é declarada boa 
presa. (...) 
Artigo 7.º — Nenhuma embarcação vinda diretamente da Inglaterra ou das colônias inglesas, 
ou lá tendo estado, desde a publicação do presente decreto, será recebida em porto algum. 
Artigo 8.º — Qualquer embarcação que, por meio de uma declaração, transgredir a 
disposição acima, será apresada e o navio e sua carga serão confiscados como se fossem 
propriedade inglesa. 
(Excerto do Bloqueio Continental, Napoleão Bonaparte. Citado por Kátia M. de Queirós 
Mattoso. Textos e documentos para o estudo da história contemporânea (1789-1963), 1977.) 
Esses artigos do Bloqueio Continental, decretado pelo Imperador da Françaem 1806, 
permitem notar a disposição francesa de 
a) estimular a autonomia das colônias inglesas na América, que passariam a depender mais 
de seu comércio interno. 
b) impedir a Inglaterra de negociar com a França uma nova legislação para o comércio na 
Europa e nas áreas coloniais. 
c) provocar a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, por meio da ocupação militar 
da Península Ibérica. 
d) ampliar a ação de corsários ingleses no norte do Oceano Atlântico e ampliar a hegemonia 
francesa nos mares europeus. 
e) debilitar economicamente a Inglaterra, então em processo de industrialização, limitando 
seu comércio com o restante da Europa. 
 (UNIFESP 2007) 
Do papa Leão XIII na encíclica "Diuturnum", de 1881: "se queremos determinar a fonte do 
poder no Estado, a Igreja ensina, com razão, que é preciso procurá-la em Deus. Ao torná-la 
dependente da vontade do povo, cometemos primeiramente um erro de princípio e, além 
 
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disso, damos à autoridade apenas um fundamento frágil e inconsistente". Nessa encíclica, a 
Igreja defendia uma posição política 
a) populista. 
b) liberal. 
c) conservadora. 
d) democrática. 
e) progressista. 
 (UNIFESP 2006) 
Signos infalíveis anunciam que, dentro de poucos anos, as questões das nacionalidades, 
combinadas com as questões sociais, dominarão sobre todas as demais no continente 
europeu. 
 (Henri Martin, 1847.) 
Tendo em vista o que ocorreu século e meio depois dessa declaração, pode-se afirmar que 
o autor 
a) estava desinformado, pois naquele momento tais questões já apareciam como 
parcialmente resolvidas em grande parte da Europa. 
b) soube identificar, nas linhas de força da história europeia, a articulação entre intelectuais 
e nacionalismo. 
c) foi incapaz de perceber que as forças do antigo regime eram suficientemente flexíveis para 
incorporar e anular tais questões. 
d) demonstrou sensibilidade ao perceber que aquelas duas questões estavam na ordem do 
dia e como tal iriam por muito tempo ficar. 
e) exemplificou a impossibilidade de se preverem as tendências da história, tendo em vista 
que uma das questões foi logo resolvida. 
 (UNIFESP 2004) 
O movimento revolucionário de 1848, que abalou, mas não destruiu, a ordem social vigente 
na Europa, pode ser caracterizado como um conflito no qual 
a) a burguesia, ou frações desta classe, face ao perigo representado pelo proletariado, tomou 
o poder. 
b) o campesinato, em luta encarniçada contra a nobreza, abriu espaço para a burguesia tomar 
o poder. 
c) a nobreza, diante da ameaça representada pela burguesia, fez concessões ao proletariado 
para se manter no poder. 
d) o proletariado, embora fosse uma classe já madura e com experiência, ficou a reboque 
dos acontecimentos. 
 
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e) não houve luta de classes, e sim disputas derivadas das tensões e contradições existentes 
entre ricos e pobres. 
 (UPE 2018) 
 Um dos primeiros movimentos artísticos, que surge em reação ao Neoclassicismo do século 
XVIII, é o Romantismo, historicamente situado entre 1820 e 1850. Os artistas românticos 
procuraram se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre expressão da 
personalidade do artista. 
Fonte: https://www.historiadasartes.com/nomundo/arte-seculo-19/romantismo/Adaptado. 
Assinale a obra que corresponde ao movimento artístico descrito no texto. 
 
a) b) 
c) d) 
 
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e) 
 (UEMG 2016) 
"Há duzentos anos, em 9 de junho de 1815, encerrava-se o Congresso de Viena, conferência 
de países europeus que, após nove meses de deliberações, estabeleceu um plano de paz de 
longo prazo para o continente, que vivia um contexto político conturbado(...). Para alcançar 
esse objetivo, os diplomatas presentes ao Congresso de Viena criaram um mecanismo de 
pesos e contrapesos conhecido como "Concerto Europeu"(...). O Concerto Europeu 
procurou substituir um arranjo unipolar por um sistema inovador de consultas plurilaterais. 
Esse esforço visava a garantir a estabilidade europeia no pós-guerra". 
http://blog.itamaraty.gov.br/63-historia/146-200-anos-docongresso-de-viena.Acesso em: 
20/7/2015 
 
O contexto conturbado vivido pela Europa antes do Congresso de Viena e os resultados 
deste foram, respectivamente: 
a) A guerra dos sete anos que colocaram em confronto Inglaterra e França em função de 
disputas territoriais na América. – A expulsão da França da Liga das nações por ter 
desrespeitado regras internacionais preestabelecidas. 
 
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b) A disputa imperialista protagonizada pelas nações europeias em função da crise 
econômica vivida no século XIX. – Evitou-se provisoriamente um conflito de proporções 
mundiais já que, por meio de concessões, garantiu-se um equilíbrio político. 
c) A expansão napoleônica que destronou reis e promoveu a invasão e ocupação militar sobre 
diversas regiões. – Restauração das monarquias depostas por Napoleão, legitimação das 
existentes à época e a criação da Santa Aliança. 
d) A primeira grande guerra, que foi consequência de um momento marcado pelo 
nacionalismo exacerbado e por rivalidades econômicas e territoriais. – A imposição de uma 
paz despreocupada com o equilíbrio mundial pois humilhava os derrotados. 
 (UEMA 2015) 
O mapa abaixo representa a divisão geopolítica europeia no início do século XIX, destacando 
a estratégia militar napoleônica conhecida como Bloqueio Continental. 
 
A linha de Bloqueio Continental que se estende de Portugal até a Noruega, representada no 
mapa, revela a intenção francesa de 
a) integrar a economia europeia, com a isenção das tarifas alfandegárias. 
b) fortalecer a França, garantindo-lhe a livre circulação pelos portos britânicos. 
c) desenvolver a economia espanhola, consolidando seu monopólio comercial na Península 
Ibérica. 
d) isolar a Grã-Bretanha, impedindo-lhe o acesso a importantes mercados da Europa 
continental. 
e) inibir o comércio de escravos oriundos de portos africanos, situados ao norte da Linha do 
Equador. 
 (UFRGS 2016) 
 
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A Santa Aliança, coalizão entre Rússia, Prússia e Áustria, criada em setembro de 1815, após 
a derrota de Napoleão Bonaparte, tinha por objetivo político 
a) promover e proteger os ideais republicanos e revolucionários franceses em toda a Europa. 
b) impedir as intenções recolonizadoras dos países ibéricos e apoiar as independências dos 
países latino-americanos. 
c) lutar contra a expansão do absolutismo monárquico e a influência do papado em todos os 
países europeus. 
d) combater e prevenir a expansão dos ideais republicanos e revolucionários franceses em 
toda a Europa. 
e) apoiar o retorno de Napoleão ao governo francês e garantir o equilíbrio entre as potências 
europeias. 
 
 (UEL – 2020) 
Analise a imagem a seguir. 
 
DELACROIX, E. 
Liberdade Guiando o Povo. 1830. 
Óleo sobre tela, 260 x 325 cm. 
Museu do Louvre (Paris,França). 
Exposta no Museu do Louvre, a obra “Liberdade Guiando o Povo”, remete à existência de 
questão social ainda hoje debatida. Com base na imagem e nos conhecimentos sobre 
modernidade e vida social, é correto afirmar que a obra representa 
a) a luta de estratos sociais em defesa da igualdade jurídica e pela conquista dos direitos de 
cidadania. 
b) a primeira tentativa de revolução social do proletariado moderno contra a burguesia.c) a participação popular na luta pelo direito de voto pelas mulheres e contra o trabalho 
infantil. 
 
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d) o repúdio ao caráter sangrento das revoluções populares, produtoras de regimes 
ditatoriais. 
e) a democracia, que atinge a plenitude quando homens, mulheres e jovens pegam em 
armas. 
 (UEL – 2001) 
A respeito da revolução de 1848 na Europa, é correto afirmar: 
a) Restringiu-se a Paris e às pequenas cidades periféricas. 
b) Contou com uma reduzida participação do proletariado. 
c) Caracterizou-se pela disputa entre liberais, nacionalistas e socialistas. 
d) Foi marcada pelo radicalismo dos camponeses republicanos. 
e) Nela, os revolucionários defendiam a continuidade da monarquia e de Luiz Filipe à frente 
do Governo. 
 (UNCISAL – 2008) 
A Europa do século XIX assistiu a um cenário marcado por grandes embates políticos e 
ideológicos de movimentos que almejavam a transformação da realidade social. Analise as 
idéias a seguir, procurando identificar as correntes que as defendiam. 
I. Lutavam por uma sociedade sem Estado e descartavam a idéia da formação de um 
partido político operário para organizar a sociedade igualitária que idealizavam. 
II. Defendiam uma ação política do movimento operário com vistas à conquista do poder 
político, como estratégia para a construção de uma sociedade igualitária. 
III. Acreditavam numa evolução lenta e gradual da sociedade capitalista em direção à 
socialista, por meio da participação política dos operários nos parlamentos. 
IV. Assumiam um posicionamento nacionalista e reiteravam a necessidade de os 
trabalhadores buscarem métodos de ação visando reformar o sistema capitalista. 
Os anarquistas e os comunistas lutaram em defesa dos ideais presentes, respectivamente, 
nos itens 
a) I e II. 
b) I e III. 
c) II e III. 
d) II e IV. 
e) III e IV. 
 (UNCISAL 2016) 
O trabalhador se torna tão mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua 
produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador se torna uma mercadoria tão mais 
 
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barata quanto mais mercadorias cria. Com a valorização do mundo das coisas aumenta em 
proporção direta a desvalorização do mundo dos homens. 
MARX, K. A Consciência revolucionária da História. 3. ed. São Paulo: Ática, 1989, p. 148. 
Segundo Marx, as mudanças nas relações descritas no texto, devido ao sistema capitalista, 
levaram à 
A) alienação da perda do objeto e do produto. 
B) apropriação das propriedades comunitárias. 
C) exploração ampla e injusta da mão de obra. 
D) superação da divisão social do proletariado. 
E) contestação dos ganhos erários da burguesia. 
 (UNCISAL 2017) 
A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre 
e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em 
resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora 
franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária 
da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito. Nas mais remotas épocas 
da história, verificamos, quase por toda parte, uma completa estruturação da sociedade em classes 
distintas, uma múltipla gradação das posições sociais. [...] Entretanto, a nossa época [...] 
caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classe. A sociedade divide-se, cada vez 
mais, em dois campos opostos, em duas grandes classes em confronto direto [...]. 
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 1998. p. 40-41. 
As classes sociais de nossa época a que Marx e Engels referem-se são 
A) os ricos e os pobres. 
B) os políticos e o povo. 
C) a burguesia e o proletariado. 
D) a classe alta e a classe baixa. 
E) os industriais e os dirigentes sindicais. 
 (Ufsc 2020) 
Texto 1 
“Nesse contexto, entendo que ‘barbárie’ signifique duas coisas. Primeiro, ruptura de regras 
e comportamento moral pelos quais todas as sociedades controlam as relações entre seus 
membros e, em menor extensão, entre seus membros e os de outras sociedades. Em 
 
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segundo lugar, ou seja, mais especificamente, a reversão do que poderíamos chamar de 
projeto do Iluminismo do século XVIII, a saber, o estabelecimento de um sistema universal 
de tais regras e normas de comportamento moral, corporificado nas instituições dos Estados 
e dedicado ao progresso racional da humanidade: à Vida, Liberdade e Busca da Felicidade, 
à Igualdade, Liberdade e Fraternidade ou seja lá o que for. [...] Entretanto, o que torna as 
coisas piores, o que sem dúvida as tornará piores no futuro, é o constante desmantelamento 
das defesas que a civilização do Iluminismo havia erigido contra a barbárie, e que tentei 
esboçar nesta palestra. O pior é que passamos a nos habituar ao desumano. Aprendemos a 
tolerar o intolerável”. 
HOBSBAWM, Eric. Barbárie: manual do usuário. In: HOBSBAWM, Eric. Sobre história. São 
Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 268, 269, 279. 
Texto 2 
“[...] desenvolvemos um conjunto de quatro sinais de alerta que podem nos ajudar a 
reconhecer um autoritário. Nós devemos nos preocupar quando políticos: 1) rejeitam, em 
palavras ou em ações, as regras democráticas do jogo; 2) negam a legitimidade de 
oponentes; 3) toleram e encorajam a violência; e 4) dão indicações de disposição para 
restringir liberdades civis de oponentes, inclusive a mídia”. 
LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Jorge 
Zahar, 2018. p. 32. 
Com base nos textos acima e nos conhecimentos de História, é correto afirmar que: 
01. de acordo com o Texto 1, os filósofos iluministas padeciam de contradições; criticavam 
aqueles que se opunham às monarquias absolutistas e defendiam restrições às liberdades 
individuais, entretanto alardeavam que suas ideias eram inéditas e iluminadas. 
02. os Textos 1 e 2 concordam ao afirmar que os conceitos de igualdade e de democracia 
fortaleceram-se progressivamente até estarem plenamente consolidados nos dias atuais. 
04. o uso do Estado para perseguir opositores e censurar opiniões divergentes é 
característico da França pré-revolucionária; após a Revolução Francesa, os políticos dos 
países ocidentais não mais adotaram comportamentos como os descritos no Texto 2. 
08. tanto o autor do Texto 1 quanto os autores do Texto 2 demonstram preocupação com o 
avanço de práticas autoritárias nas democracias modernas, colocando em risco alguns 
postulados da democracia. 
16. inspirada por ideais iluministas, a Revolução Francesa teve fases e projetos políticos 
distintos: durante a República Jacobina, houve ações voltadas aos interesses das classes 
populares, como facilitar a aquisição de terras para o pequeno produtor e tabelar gêneros 
de primeira necessidade, já a “Reação Termidoriana” foi marcada pela aliança entre a alta 
burguesia francesa e o exército de modo a impedir tanto o retorno dos jacobinos quanto o 
do Antigo Regime. 
 
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32. o Congresso de Viena, de 1815, buscava restaurar o poder das dinastias após a derrota 
de Napoleão e suplantar as ideias liberais engendradas pela Revolução Francesa. 
64. os autores do Texto 2, ao descreverem as características de um político autoritário, 
referem-se a Napoleão Bonaparte, conhecido como o primeiro imperador populista da 
Europa. 
 (Ufsc 2018) 
As revoluções liberais do século XIX 
“No começo do século XIX, a burguesia europeia adotava uma posição políticamais 
reformista do que revolucionária. A população pobre, por sua vez, ansiava por 
transformações mais radicais. 
Para manter sua hegemonia política, a burguesia buscou influenciar os movimentos sociais 
da época, procurando impor valores liberais, como a igualdade perante a lei, o direto à 
propriedade e a liberdade individual. Desse modo, as revoluções da primeira metade do 
século XIX ficaram conhecidas como revoluções liberais, por terem sido conduzidas pela 
burguesia com base na ideologia liberal”. 
PELLEGRINI, Marco César; DIAS, Adriana Machado; GRINBERG, Keila. #Contato História. 2º 
ano. 1. ed. São Paulo: Quinteto Editorial, 2016, p. 221. 
A respeito das revoluções liberais e dos cenários político, social e econômico da Europa ao 
longo do século XIX, é correto afirmar que: 
01. liderado por Napoleão Bonaparte, o Congresso de Viena, ocorrido em 1815, reuniu 
lideranças das potências europeias com o objetivo de fortalecer os princípios liberais 
burgueses. 
02. em um período conhecido como Primavera dos Povos (1848), intensos movimentos 
revolucionários eclodiram em várias cidades da Europa, com grande participação das massas 
populares, gerando mudanças no perfil político do continente. 
04. o nacionalismo foi um dos elementos aglutinadores de forças durante o século XIX, 
contribuindo decisivamente para as unificações nacionais e o surgimento de novos Estados. 
08. a intensa participação política da burguesia, com o apoio das camadas mais populares, e 
a adoção de ideias liberais foram decisivas para a consolidação do processo de 
industrialização da Rússia ainda no início do século XIX. 
16. na França, as revoluções liberais do século XIX proporcionaram o acirramento das 
rivalidades entre diversos setores da sociedade e resultaram na proclamação da segunda e 
da terceira repúblicas. 
32. no início do século XIX, a expansão do processo de industrialização em diversos países 
europeus resultou na criação de uma organização de defesa das ideias liberais burguesas, a 
Santa Aliança. 
 
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64. ao mesmo tempo que as ideias liberais burguesas consolidavam-se junto ao crescente 
processo de industrialização, a causa operária tornava-se tema de estudo de diversos 
intelectuais, dedicados à defesa do anarquismo e do socialismo. 
 (UFSC – 1997) 
Após a Revolução, Napoleão Bonaparte tornou-se a figura mais importante da vida política 
da França. 
 Sobre sua atuação no governo, é CORRETO assinalar: 
01. Promoveu uma série de guerras, expandindo os domínios da França. 
02. Impôs o idioma francês a todos os países conquistados. 
04. Decidiu invadir Portugal, o que levou à fuga da Corte Portuguesa para o Brasil. 
08. Conduziu suas tropas até a Rússia, culminando com a derrota da França. 
16. Decretou o Bloqueio Continental, determinando que os países europeus fechassem seus 
portos ao comércio inglês. 
 (Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes) 
Ludwing Van Beethoven (1770-1827) é um dos maiores nomes da música mundial. Este ano, 
completam-se 250 anos de seu nascimento. O compositor é contemporâneo de muitos 
acontecimentos que sacudiram a Europa, como a Revolução Francesa, sendo influenciado 
pelas ideias ali propagadas. Não por menos ele teria cunhado: Não há nada de mais belo do 
que distribuir a felicidade por muitas pessoas. Algo muito próximo aos lemas da igualdade 
e da fraternidade. Talvez, com a música, Beethoven tenha sido mais revolucionário do que 
muitas lideranças de seu tempo. Apesar de seu entusiasmo com as transformações liberais, 
ele decepcionou-se com Napoleão Bonaparte (1769-1821), para quem chegou a dedicar sua 
Sinfonia n.º 3, quando o general ainda era admirado por Beethoven. Após sua decepção com 
o líder francês ele teria dito: “Se soubesse tanto de estratégia como de música, causaria 
sérios dissabores a Napoleão”. 
Diante dessa breve trajetória das ideias esperançosas de Beethoven com a ascensão do 
liberalismo, pode-se afirmar que o fato que o fez romper com Napoleão Bonaparte foi: 
a) o processo de centralização do poder, culminado na auto coroação de Napoleão como 
Imperador, tomando a coroa das mãos do Papa Pio VII em Notre Dame. 
b) a proximidade de Napoleão com a reação conservadora durante a fase do Termidor da 
Revolução Francesa. 
c) Napoleão ter implantado o Código Napoleônico, em 1804, proibindo o ensino de música 
clássica. 
d) Napoleão ter se aproximado das bandeiras do nascente socialismo francês. 
e) a preferência do Imperador pelas músicas de Wilhelm Richard Wagner, compositor inglês 
que, mais adiante, será venerado pelo ditador Adolf Hitler. 
 
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 (Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes) 
As unificações da Itália e da Alemanha demonstram a concepção de nacionalidade capaz de 
elaborar programas políticos que fundamentaram a ação de diferentes grupos com objetivos 
de unificar territórios. Esses programas podem ser definidos como: “a necessidade para cada 
povo de um Estado totalmente independente, homogêneo territorial e linguisticamente, 
laico, provavelmente, parlamentar”. (HOBSBAWN, Eric. A Era do Capital. São Paulo: Ed. Paz 
e Terra, 2013, p 147). 
A passagem acima marca diferenças entre a formação da Itália e da Alemanha, por um lado, 
e demais países europeus, por outro. Um dos pontos que sintetiza uma diferença presente 
na Itália e na Alemanha pode ser sintetizado na seguinte elaboração: 
a) sobreposição de práticas feudais. 
b) atraso na formação do Estado-nação. 
c) baixa capacidade de racionalização da administração do território. 
d) atraso cultural. 
e) capitalismo tardio. 
 (Estratégia Vestibulares/2020/professora Alê Lopes) 
É sabido que o século XIX contou com o surgimento de diversas teorias críticas ao 
capitalismo, como a seguinte declaração: “Não e das leis humanas, mas da natureza, que 
emana o direito de propriedade individual; a autoridade pública não pode, pois, aboli-lo; o 
que ela pode é regular seu uso e conciliá-lo com o bem comum.” Este pensamento é 
vinculado a qual das correntes: 
a) comunismo. 
b) anarquismo. 
c) doutrina social da Igreja católica. 
d) doutrina cooperativista liberal. 
e) ética protestante. 
 (Estratégia Vestibulares/2020Profe. Alê Lopes) 
Dentre as alterações político, social e cultural promovidas pelo processo do pensamento 
iluminista, aprofundado pela Revolução Francesa, houve a separação entre poder político e 
poder religioso. Faz parte dos desdobramentos dessa separação: 
a) a concretização da teoria da separação dos poderes entre Executivo, Legislativo e Militar. 
b) a criação de uma ciência fundamentada no direito divino do rei. 
c) a secularização da sociedade, que tornou possível a distinção entre crime e pecado. 
d) a instauração de monarquias presidencialistas esclarecidas. 
 (ENEM 2017) 
 
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O dicionário da Real Academia Espanhola não usa a terminologia de Estado, nação e língua 
no sentido moderno. Antes de sua edição de 1884, a palavra nación significava simplesmente 
“o agregado de habitantes de uma província, de um país ou de um reino” e também “um 
estrangeiro”. Mas agora era dada como “um Estado ou corpo político que reconhece um 
centro supremo de governo comum”. 
HOBSBAWM, E. J. Nações e nacionalismo (desde 1870). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990 
(adaptado). 
A ideia de nação como lugar de pertencimento, ao qual os indivíduos têm ligação por 
nascimento, constitui-se na Europa do final do século XIX. Sua difusão resultou 
a) na rápida ascensão de governos com maior participação popular, dado que a unidade 
nacional anulava as diferenças sociais. 
b) na construção de uma cultura queincorporava todas as parcialidades equilibradamente 
dentro de uma identidade comum. 
c) na imposição de uma única língua, cultura e tradição às diferentes comunidades agregadas 
ao Estado nacional. 
d) na anulação pacífica das diferenças étnicas existentes entre as comunidades que passaram 
a compor a nacionalidade. 
e) em um intenso processo cultural marcado pelo protagonismo das populações autóctones. 
 (ENEM PPL – 2016) 
O mercado tende a gerir e regulamentar todas as atividades humanas. Até há pouco, certos 
campos – cultura, esporte, religião – ficavam fora do seu alcance. Agora, são absorvidos pela 
esfera do mercado. Os governos confiam cada vez mais nele (abandono dos setores de 
Estado, privatizações). 
RAMONET, I. Guerras do século XXI: novos temores e novas ameaças. Petrópolis: Vozes. 
2003. 
No texto é apresentada uma lógica que constitui uma característica central do seguinte 
sistema socioeconômico: 
a) Socialismo. 
b) Feudalismo. 
c) Capitalismo. 
d) Anarquismo. 
e) Comunitarismo. 
 (ENEM PPL – 2013) 
Sou um partidário da Comuna de Paris, que, por ter sido massacrada, sufocada no sangue 
pelos carrascos da reação monárquica e clerical, tornou-se ainda mais viva, mais poderosa na 
 
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imaginação e no coração do proletariado da Europa; sou seu partidário sobretudo porque 
ela foi uma negação audaciosa, bem pronunciada, do Estado. 
BAKUNIN, M. apud SAMIS, A. Negras tormentas: o federalismo e o internacionalismo na 
Comuna de Paris. São Paulo: Hedra, 2011. 
A Comuna de Paris despertou a reação dos setores sociais mencionados no texto, porque 
a) instituiu a participação política direta do povo. 
b) consagrou o princípio do sufrágio universal. 
c) encerrou o período de estabilidade política europeia. 
d) simbolizou a vitória do ideário marxista. 
e) representou a retomada dos valores do liberalismo. 
 (ENEM 2ª APLICAÇÃO – 2012) 
De acordo com algumas teorias políticas, a formação do Estado é explicada pela renúncia 
que os indivíduos fazem de sua liberdade natural quando, em troca da garantia de direitos 
individuais, transferem a um terceiro o monopólio do exercício da força. O conjunto dessas 
teorias é denominado de 
a) liberalismo. 
b) despotismo. 
c) socialismo. 
d) anarquismo. 
e) contratualismo. 
 (ENEM – 2011) 
É uma mudança profunda na estrutura social, isto é, uma transformação que atinge todos os 
níveis da realidade social: o econômico, o político, o social e o ideológico. Uma revolução é 
uma luta entre forças de transformação e forças de conservação de uma sociedade. Quando 
ocorre uma revolução, a vida das pessoas sofre uma mudança radical no próprio dia a dia. 
AQUINO, R. S.L. et al. História das Sociedades: das sociedades modernas às sociedades 
atuais. Rio de Janeiro: Record, 1999 (fragmento). 
Na França, em 1871, após a derrota de Napoleão III na guerra contra a Rússia e a presidência 
de Louis Adolphe Thiers, os trabalhadores franceses organizaram uma rebelião que levou à 
tomada de Paris e à organização de um governo popular, denominado de Comuna de Paris. 
Este processo é considerado como uma importante experiência política, porque 
a) extinguiu definitivamente o voto censitário e instituiu o voto por categoria profissional. 
b) foi a mais duradoura experiência de governo popular na História contemporânea. 
c) criou um Estado dos trabalhadores formado por comunas livres e autônomas. 
 
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d) definiu um Estado voltado para atender os interesses de todas as classes sociais. 
e) substituiu o exército por milícias comandadas pelos antigos generais, mas subordinadas 
ao poder das comunas 
 (ENEM 2ª APLICAÇÃO – 2010) 
O movimento operário ofereceu uma nova resposta ao grito do homem miserável no 
princípio do século XIX. A resposta foi a consciência de classe e a ambição de classe. Os 
pobres então se organizavam em uma classe específica, a classe operária, diferente da classe 
dos patrões (ou capitalistas). A Revolução Francesa lhes deu confiança: a Revolução Industrial 
trouxe a necessidade da mobilização permanente. 
(HOBSBAWN, E. J. A era das revoluções. São Paulo: Paz e Terra, 1977.) 
No texto, analisa-se o impacto das Revoluções Francesa e Industrial para a organização da 
classe operária. Enquanto a “confiança” dada pela Revolução Francesa era originária do 
significado da vitória revolucionária sobre as classes dominantes, a “necessidade da 
mobilização permanente”, trazida pela Revolução Industrial, decorria da compreensão de 
que: 
 
a) a competitividade do trabalho industrial exigia um permanente esforço de qualificação 
para o enfrentamento do desemprego. 
b) a completa transformação da economia capitalista seria fundamental para a emancipação 
dos operários. 
c) a introdução das máquinas no processo produtivo diminuía as possibilidades de ganho 
material para os operários. 
d) o progresso tecnológico geraria a distribuição de riquezas para aqueles que estivessem 
adaptados aos novos tempos industriais. 
e) a melhoria das condições de vida dos operários seria conquistada com as manifestações 
coletivas em favor dos direitos trabalhistas. 
 (UNICENTRO 2012) 
Dentre os princípios políticos que compunham a onda revolucionária de 1848, que atingiu o 
território da atual Alemanha, destaca-se 
a) o republicanismo, defendido pela liga comercial Zollverein. 
b) o monarquismo, fortalecido pelo Império Austríaco, que dominava a Confederação 
Germânica. 
c) o nacionalismo, construído em torno da ação da Prússia, maior unidade política da então 
Confederação Germânica. 
d) a restauração, que previa a retomada dos antigos territórios germânicos pelo poder da 
aliança entre Áustria e Itália. 
 
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e) a legitimidade, que determinava o retorno de antigas famílias reinantes no controle da 
Confederação Germânica. 
 (UNICENTRO 2011) 
“O pano de fundo foi comum: propagação do Liberalismo e do Nacionalismo como 
ideologias; a subprodução agrícola (acarretando alta de preços de gêneros alimentícios) e o 
subconsumo industrial (provocando a falência de fábricas e o desemprego do proletariado); 
descontentamento do proletariado urbano, devido ao desemprego, aos salários baixos e à 
alta do custo de vida; descontentamento da burguesia, excluída do poder político e atingida 
pela crise econômica”. 
(AQUINO et al. 1993, p. 158-159). 
As ondas revolucionárias de 1830 e 1848 na Europa, embora tenham o fundo comum descrito 
no texto, apresentavam como fator de diferenciação, na onda revolucionária de 1848, 
a) a luta das mulheres sufragistas. 
b) a presença das ideias socialistas. 
c) o início da campanha abolicionista. 
d) o movimento cartista, originário na Rússia. 
e) a propaganda emigratória, na Itália, financiada pelo Brasil. 
 (PUC-CAMP 2015) 4000152961 
“Teoricamente, o nacionalismo independe do Romantismo, embora tenha encontrado nele 
o aliado decisivo. Há na literatura do período uma aspiração nacional, definida claramente a 
partir da Independência e precedendo o movimento romântico. (...) Nem é de espantar que 
assim fosse, pois além da busca das tradições nacionais e o culto da história, o que se chamou 
em toda a Europa “despertar das nacionalidades”, em seguida ao empuxe napoleônico, 
encontrou expressão no Romantismo. Sobretudo nos países novos como o nosso o 
nacionalismo foi manifestação de vida, exaltação afetiva, tomada de consciência, afirmação 
do próprio contra o imposto”. 
(Adaptado de: CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. São Paulo: Martins, 
1971. 2 v. pp. 14-15) 
“Nacionalismo é o sentimento que une as pessoas de umanação em busca de objetivos 
comuns. Esses elementos ganharam muita importância a partir do século XIX, com as 
revoluções liberais e a consolidação da burguesia no poder, pois representavam uma forma 
de organização diferente daquela do Antigo Regime”. 
(In: Divalte. História. São Paulo: Ática, 2003. p. 248) 
Entre as revoluções a que o texto se refere é correto afirmar que, nas de 1848, a grande 
novidade das revoluções ficou por conta 
a) da organização do cartismo, movimento de massa voltado para a democratização e 
conquista da igualdade de direitos para os trabalhadores. 
 
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b) do Congresso de Viena que procurou imprimir um novo rumo nos destinos dos 
trabalhadores, ao adotar os princípios pré-revolucionários. 
c) da entrada em cena do socialismo, conjunto de ideias defendidas por instituições e pessoas 
que agiam como representantes dos trabalhadores. 
d) dos movimentos em defesa das reivindicações dos trabalhadores que queriam o fim dos 
laços de servidão e o acesso à terra aos camponeses. 
e) da capacidade de mobilização dos trabalhadores na defesa de seus direitos e da vitória 
dos partidos comunistas nas eleições europeias. 
 (PUC-CAMP 2017) 4000155447 
“Brás Cubas busca articular a política de domínio paternalista, sob fogo cerrado nos anos 
1870, com aspectos da onda de ideias cientificistas europeias do tempo – especialmente no 
que tange ao darwinismo social como forma de explicar a origem e a reprodução das 
desigualdades sociais”. 
(CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis Historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, 
p. 96) 
Os altos índices de pobreza, o aumento das desigualdades sociais e a precária condição de 
trabalho nas fábricas, entre outros fatores, contribuíram para o crescimento do movimento 
operário na Europa, no século XIX. Diversas organizações operárias sofreram influência do 
socialismo e do anarquismo, ideologias que postulavam, respectivamente 
a) a ação armada para intensificar a luta de classes; e a proposta de que a sociedade se 
organizasse em comunidades operárias, denominadas falanstérios. 
b) a aliança entre trabalhadores e burguesia para a destruição do sistema capitalista; e a 
ditadura do proletariado, organizado em sindicatos. 
c) a construção de um Estado forte, proletário, clerical; e a crença na existência de uma 
fraternidade natural entre os homens. 
d) o avanço revolucionário rumo ao desenvolvimento de uma sociedade sem classes; e o 
autogoverno dos trabalhadores. 
e) a supressão da propriedade privada e das fronteiras nacionais; e a destruição do Estado 
burguês para a livre organização da sociedade em comunas. 
 (Uem 2018) 
Durante o século XIX surgiram diversos movimentos políticos, científicos e sociais pelos quais 
seus idealizadores asseguravam ser possível alcançar o bem-estar material e aperfeiçoar a 
evolução social. Sobre esses movimentos, assinale o que for correto. 
01) Robert Owen, um dos principais fundadores do movimento cooperativista, defendia uma 
reforma geral na sociedade, na qual o conflito e a concorrência seriam substituídos pela 
cooperação e pela harmonia entre os homens. 
 
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02) O anarquismo defendia a substituição de toda configuração institucional de autoridade, 
de modo que o Estado deveria ser substituído pela associação livre entre os indivíduos. 
04) Friedrich Engels, defensor do socialismo utópico, acreditava ser possível construir uma 
sociedade perfeita por meio do diálogo e do entendimento entre os homens, o que 
dispensava a luta revolucionária. 
08) Thomas More, defensor do liberalismo utópico renascentista, acreditava que somente 
por meio da livre concorrência entre os homens seria possível alcançar a igualdade 
econômica, a paz social e o socialismo. 
16) Assegurando que era o ambiente que condicionava a vida das pessoas, Charles Fourier 
idealizou os falanstérios, comunidades que reuniriam pessoas trabalhando para o bem 
comum e dividindo o que fosse produzido, sem a necessidade de dinheiro. 
 (Uem 2019) 
“A condição essencial para a existência e supremacia da classe burguesa é a acumulação da 
riqueza nas mãos de particulares, a formação e o crescimento do capital...” 
(MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 2005, p. 51). 
Seguindo as premissas da crítica à sociedade capitalista, presente em Karl Marx e Friedrich 
Engels, assinale o que for correto. 
01) A condição de existência do capital é o trabalho assalariado. 
02) A burguesia é, por definição, para os autores, conservadora e reacionária. 
04) O desenvolvimento do proletariado ocorre independentemente do desenvolvimento da 
burguesia. 
08) O trabalho é, para o capitalismo, considerado uma mercadoria, contudo é a única 
mercadoria que cria valor. 
16) A burguesia garante sua existência ao revolucionar constantemente os instrumentos de 
produção e, consequentemente, as relações sociais. 
 (URCA 2011) 
O século XIX foi pródigo na produção de ideias políticas, muitas das quais seguidas na 
atualidade. Estabeleça a associação entre as ideias do século XIX e suas 
denominações: 
I- Liberalismo 
II– Socialismo Utópico 
III– Socialismo científico 
IV– Anarquismo 
V– Social-democracia 
 
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( ) É a favor da liberdade, sem restrições. Propõe o fim de um poder e domínio 
superior sobre o homem: poderes ideológicos, políticos, sociais e até jurídicos. 
( ) Teve origem e inspiração marxista. Todavia propõe uma alternativa de esquerda que 
respeite os princípios da democracia liberal e do jogo eleitoral para a esquerda. 
Critica o sistema capitalista, mas renegam a via revolucionária para as transformações 
sociais. 
( ) Representou as primeiras formulações de crítica ao sistema capitalista e a favor de uma 
sociedade igualitária. Essa viria da ação dos homens bons. No entanto, seus 
teóricos não indicaram formas concretas para alcançar essa sociedade. 
( ) Representou a continuidade do Iluminismo. Sua premissa básica é a defesa da 
liberdade (política, econômica, etc). Defende a não intervenção do estado na economia, 
a qual seria regulada pela lei natural da oferta e da procura. 
( ) Seus princípios básicos – materialismo dialético e materialismo histórico foram 
formulados por Karl Marx e Friedrich Engels. Produziu bases científicas de análise, 
indicando os meios para realizar a revolução proletária e a implantação do socialismo, etapa 
para o retorno ao comunismo. A revolução viria das contradições do capitalismo e 
da exploração exercida pela burguesia. 
Agora assinale a relação na sequência correta: 
a) IV – V – III – I – II 
b) I – II – III – IV – V 
c) IV – V – II – I – III 
d) V – IV – III – II – I 
e) III – V – IV – I - II 
 (URCA 2015) 
No início do ano de 1848, o pensador Alexis de Tocqueville, falou da Tribuna da Câmara dos 
Deputados da França, expressando: “Nós dormimos sobre um vulcão... Os senhores não 
percebem que a terra treme mais uma vez? Sopra o vento das revoluções, a tempestade está 
no horizonte”. 
Sobre o contexto histórico no qual se inserem as palavras de Tocqueville, 
assinale CORRETAMENTE: 
A) Na mesma época, Karl Marx e Friedrick Engels publicaram, em Londres, o 
Manifesto do Partido Comunista; 
B) No mesmo ano, a República Francesa, fundada após a deposição de Napoleão Bonaparte, 
foi derrubada, dando lugar à volta da Monarquia; 
C) Semelhante ao que ocorria na Europa, no Brasil,tivemos a Confederação do Equador, 
com características bastante semelhantes ao que vinha ocorrendo no Velho Continente; 
 
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D) As palavras de Tocqueville foram completamente extemporâneas, tendo em vista que 
entre os anos de 1830 e 1870, a Europa vivenciou um dos períodos de tranquilidade social e 
política mais longos de sua história; 
E) Os movimentos de 1848 que transformaram a Europa num verdadeiro “vulcão 
revolucionário” acabaram levando o continente a um retrocesso, inclusive com a volta às 
relações servis de produção que só tiveram fim com a 1ª. Guerra Mundial. 
 (UNITINS 2020) 
A autoridade não é necessária à organização social; ao contrário, acreditamos que ela é sua 
parasita, que impede sua evolução e utiliza seu poder em proveito próprio de uma certa 
classe que explora e oprime os outros. Enquanto houver harmonia de interesses em uma 
coletividade, enquanto ninguém quiser ou puder explorar os outros, não haverá marcas de 
autoridade. Mas quando surgirem lutas internas e a coletividade se dividir em vencedores e 
vencidos, então a autoridade aparecerá. A autoridade que, naturalmente, estará a serviço 
dos interesses dos mais fortes e servirá para confirmar, perpetuar e reforçar sua vitória. 
MALATESTA, Enrico. Textos escolhidos. Porto Alegre: L&M, 1994. (Adaptado). 
De acordo com o texto, observa-se a defesa de uma postura: 
A) anarquista: rejeita a necessidade de autoridade e a vê como instrumento de poder e 
dominação. 
B) humanista: baseia-se na harmonia entre os homens e opõe-se a qualquer tipo de conflito. 
C) autoritária: entende a autoridade como natural e exclui qualquer tentativa de utilizá-la na 
vida em comunidade. 
D) socialista: é contra a autoridade exercida pela classe dominante e defende o poder nas 
mãos dos trabalhadores. 
E) liberal: acredita no valor universal da liberdade e recusa a imposição da vontade de uns 
sobre outros. 
 (UNITINS 2016) 
Observe as figuras e analise o texto a seguir. 
 
Karl Marx (1818-1884) é considerado um dos principais teóricos e críticos do capitalismo. Sua 
obra traz abordagens filosófica, sociológica e econômica, e analisa a sociedade capitalista 
 
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sob a ótica do conflito e das contradições no sistema. Alguns conceitos como mais-valia, 
ideologia, mercadoria, classes sociais foram muito utilizados por Marx e destacados em sua 
obra. A respeito desses conceitos, segundo o pensamento de Marx, é correto afirmar: 
I – ideologia é uma visão de mundo, disseminada pela educação, pelos meios de 
comunicação, pela religião, que serve para o controle social de um grupo sobre outros; 
II – o trabalho humano se torna uma mercadoria no sistema capitalista; 
III – classes sociais são camadas harmônicas da sociedade, em busca do mesmo objetivo; 
IV – mais-valia é o resultado do tempo de trabalho utilizado pelo trabalhador cujo valor não 
é pago devidamente pelo capitalista. 
Estão corretas as afirmativas 
a) I, II, III e IV. 
b) apenas I, III e IV. 
c) apenas II e IV. 
d) apenas II, III e IV. 
e) apenas I, II e IV. 
 (UESB 2017) 
 
O mapa europeu retrata uma situação política que se insere no contexto 
01) das invasões germânicas, que contribuíram para a fragmentação territorial em toda 
extensão do império romano, estabelecendo a ruralização econômica e o cessar das 
atividades comerciais na Europa e no Oriente Próximo. 
 
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02) da formação dos Estados Modernos Nacionais, situação que levou a Igreja Católica a 
apoiar o processo de unificação política, buscando assegurar a posse de uma vasta extensão 
de terras, através do Tratado de Latrão. 
03) do Bloqueio Continental, estabelecido por Napoleão Bonaparte, momento em que a 
Confederação Germânica rompeu com a França napoleônica, contribuindo para o declínio 
do império francês. 
04) do Congresso de Viena, quando os países absolutistas europeus buscaram reestabelecer 
as fronteiras anteriores à Revolução Francesa, baseados nos princípios da restauração e da 
legitimidade. 
05) da Primeira Guerra Mundial, momento em que a Alemanha foi desmembrada em vários 
pequenos Estados pelos vencedores, no Tratado de Versalhes, buscando enfraquecer seu 
poderio econômico. 
 (UESB 2019) 
O sistema capitalista foi responsável por uma série de conflitos que reordenaram as forças 
políticas e econômicas internacionais, em vários períodos históricos. Como um dos marcos 
da consolidação do sistema capitalista, identifica-se 
01) o Iluminismo, que, baseando-se no pensamento de Rousseau, estabeleceu uma 
sociedade democrática, com ampla participação política do operariado, no contexto da 
Revolução Gloriosa. 
02) a Primeira Revolução Industrial, que expandiu o imperialismo sobre o continente africano 
e o controle monopolista da Inglaterra sobre as rotas de tráfico negreiro. 
03) a Revolução Francesa, cujos ideais jacobinos se espalharam pela Europa, abolindo o 
Antigo Regime e estabelecendo, na economia, a limitação do lucro e o controle sobre a 
especulação financeira. 
04) a imposição dos princípios do Congresso de Viena, após a derrota napoleônica, que 
consolidou os ideais liberais e conteve a expansão das concepções políticas dos socialistas 
utópicos. 
05) as ondas revolucionárias do século XIX, que abalaram as estruturas absolutistas e 
mercantilistas, fortalecendo os ideais burgueses e questionando as bases da sociedade 
estamental. 
 
6. GABARITO 
1. A 
2. D 
3. C 
4. A 
5. C 
6. B 
7. A 
8. B 
 
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9. D 
10. D 
11. B 
12. B 
13. V-V-F-F 
14. C 
15. D 
16. D 
17. A 
18. C 
19. C 
20. B 
21. E 
22. D 
23. B 
24. E 
25. C 
26. D 
27. A 
28. A 
29. C 
30. D 
31. D 
32. A 
33. C 
34. A 
35. A 
36. C 
37. 56 
38. 86 
39. 29 
40. A 
41. B 
42. C 
43. C 
44. C 
45. C 
46. A 
47. E 
48. C 
49. B 
50. C 
51. B 
52. E 
53. D 
54. 19 
55. 25 
56. C 
57. A 
58. A 
59. C 
60. 04 
61. 05 
 
7. LISTA DE QUESTÕES COM COMENTÁRIOS 
 (FUVEST 2007) 
No final do século XIX, a Europa Ocidental torna-se "teatro de atentados contra as pessoas 
e contra os bens. Sem poupar os países do Norte... esta agitação afeta mais a França, a 
Bélgica e os Estados do Sul... Na Itália e na Espanha, provoca ou sustenta revoltas 
camponesas. Numerosos e espetaculares atentados são cometidos contra soberanos e 
chefes de governo". 
 R. Schnerb, "O Século XIX", 1969. 
O texto trata das ações empreendidas, em geral, por 
a) anarquistas. 
b) fascistas. 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
c) comunistas. 
d) militaristas. 
e) fundamentalistas. 
Comentário 
Olha o texto fala de conflito! No final do século XIX! Contra pessoas, bens e governos. Ainda 
falaremos mais disso em outras aulas, mas quero adiantar que foram os anarquistas que, no final 
do século XIX, adotaram como estratégia de contestação os atentados. Houve uma grande 
discussão entre socialistas e anarquista acerca das melhores estratégias políticas para combater o 
capitalismo. Enquanto socialistas defendiam uma estratégia política no sentido de formar partidos 
e organizar greves, os anarquistas defendiam estratégias violentas contra órgãos, empresas e 
personalidades. Nesse sentido, entre as alternativas da questão, a que melhor se relaciona com 
o texto é o item A. 
Gabarito: A 
 (FUVEST – 2002) 
 “A pátria, velha superstição que serve tão bem para manter os exércitos sanguinários e as 
polpudas negociatas; a religião,secular mentira que faz do homem um instrumento servil dos 
padres e dos ricos: a propriedade, instituição baseada na violência, na astúcia e que se faz 
passar por originariamente divina e eterna, enquanto não passa de um mero fruto do roubo”. 
Luigi Molinari, por volta de 1900. 
O texto expressa ideias filiadas ao 
a) sindicalismo. 
b) chauvinismo. 
c) evolucionismo. 
d) anarquismo. 
e) positivismo. 
Comentários: 
O texto apresenta ideias contrárias a existência da pátria, da religião e da propriedade 
privada. Sendo assim, só podemos estar falando do anarquismo. Vamos relembrar 
melhor o que esses caras defendem: 
O anarquismo, assim como socialismo, compreende que o problema do capitalismo 
é a exploração dos trabalhadores e a existência da propriedade privada. Contudo, o 
centro do problema para os anarquistas é o do poder. O poder gera a autoridade ou 
o autoritarismo. Assim todo o sistema é gerador de pequenas autoridades que se 
reproduzem como se fosse um ciclo de violência e autoritarismo. Assim o sistema de 
competição do mercado é violento com os proprietários que são violentos com os 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
gerentes que são violentos com os funcionários que ´são violentos com suas esposas 
que são violentas com seus filhos que são violentos com seus pets. 
 
Nesse sentido, o anarquismo desenvolve uma teoria contra todo tipo de hierarquia e 
autoridade, qualquer que seja ela. Segundo esta teoria o Estado é a instituição que 
legitima e organiza todo o sistema de autoridade ao proteger a propriedade privada. 
Logo, o Estado seria derrubado quando as propriedades privadas fossem substituídas 
por propriedades coletivas autogestionadas, ou seja, administradas por quem 
trabalha na propriedade, seja uma fábrica ou terra. Palavras chaves dessa forma de 
compreender a organização da sociedade é mutualismo, cooperativismo e 
coletivismo. 
 
Diferentemente dos socialistas e comunistas, rechaçam a participação no Parlamento, 
por isso, em regra, não existem partidos anarquistas. Os principais pensadores 
anarquistas foram Proudhon – com quem Karl Marx mantinha constante debate de 
ideias –, Bakunin e Kropotkin. Este último desenvolveu a ideia de que a educação é a 
única capaz de realmente transformar o mundo. 
 
Tendo isso em mente, sabemos que nosso gabarito é letra d). 
 
Gabarito: D 
 (FUVEST – 1999) 
 “Um povo pode atingir o bem-estar material sem táticas subversivas se ele for dócil, 
trabalhador e se esforçar sempre para melhorar.” 
(Dos estudos da Sociedade contra a Ignorância, de Clemont-Ferrand, França, 1869.) 
 
Sobre o texto, é correto afirmar que exprime um ponto de vista representativo: 
a) Da nobreza, que acreditava ser esse o único caminho possível para o povo melhorar sua 
condição. 
b) Dos trabalhadores, conscientes de que somente com educação e trabalho melhorariam 
sua condição. 
c) Da burguesia, preocupada com a questão social e com as ideias e teorias de inspiração 
anticapitalista. 
d) Do governo francês na III República, preocupado em eliminar a pobreza e a exploração 
sofrida pelos trabalhadores. 
e) Das autoridades municipais, sensibilizadas com a ignorância e a miséria dos trabalhadores. 
Comentários: 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
O texto exprime um ideal de meritocracia ao afirmar que o trabalhador pode atingir 
o bem-estar material sem táticas subversivas com seu próprio esforço. Agora, o que 
eram essas táticas subversivas? Com certeza, trata-se de ideias e teorias 
anticapitalistas, o terror do grupo que se beneficiava com esse sistema. Isso mesmo, 
estamos falando da burguesia, a detentora dos meios de produção. Com isso, vamos 
para as alternativas: 
a) Incorreta. Se há nobreza, não há meritocracia. 
b) Incorreta. O texto afirma que o trabalhador deve ser dócil, esforçado e não duvidar 
do sistema. Não tendo, portanto, qualquer menção a estudos e boas condições de 
trabalho. 
c) Corretíssima, é o nosso gabarito. 
d) Incorreta. É uma visão de mundo burguesa. 
e) Incorreta. Autoridades municipais é algo bem genérico. De qualquer forma, 
sabemos que é uma visão da burguesia, portanto, a alternativa já está errada. 
Gabarito: C 
 (FUVEST 1998) 
O Tratado de Viena, assinado em 1815 tinha por principal objetivo 
a) estabelecer uma paz duradoura na Europa, que impedisse as guerras e revoluções, 
consolidando o princípio da legitimidade monárquica. 
b) ratificar a supremacia da Prússia, no contexto político da Europa ocidental, para garantir 
triunfo de uma onda contra-revolucionária. 
c) assegurar ao Império Austro-Húngaro o controle da Europa continental, assim como da 
Inglaterra, a fim de impedir a expansão da Rússia. 
d) impedir a ascensão da classe média ao poder, que iniciara uma série de revoluções em 
vários países da Europa Ocidental. 
e) criar um sistema repressivo capaz de conter as primeiras vagas do movimento socialista na 
Europa, através da exclusão da influência da França. 
Comentário 
Tratado de Viena é o mesmo que Congresso de Viena. Foi uma espécie de Conferência entre os 
países vencedores representados pelas monarquias que haviam sido atacadas, teve a preocupação 
de reorganizar o Continente Europeu conforme os critérios do Antigo Regime. Acreditavam que, 
com a restauração monárquica, por meio de um equilíbrio de poder entre as potências seria 
possível promover a paz na Europa. 
A Restauração do Antigo Regime proposto pelo Congresso de Viena tinha 2 objetivos e 2 
princípios. Relembre abaixo: 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
 
 
Gabarito: A 
 (FUVEST 1997) 
Qual dos países a seguir, não passou por nenhuma das várias revoluções políticas que 
marcaram a Europa no século XIX? 
a) Itália 
b) Espanha 
c) Inglaterra 
d) Alemanha 
e) França 
Comentário 
Oi??? Sério que um dia a FUVEST cobrou essa questão? Então. Coloquei aí só para você dar um 
giro na sua memória geográfica e política. 
No século XIX, a França fez a Revolução Francesa; A Espanha sofreu com as independências das 
colônias e com movimentos separatistas nos anos 1820, após a derrota Napoleônica; a Itália e 
Alemanha se unificaram (veremos esse assunto na próxima aula de História Geral) nas décadas de 
1860 e1870. 
Objetivos C.V.
Restaurar as 
fronteiras
Restaurar as 
Monarquias
Princípios do C.V
Devolver as coroas às 
dinastias que reinavam 
antes das revoluções. Eram 
as legítimas.
Legitimidade
Impedir a formação de 
potencias continentais que 
poderia ameçar o poder de 
alguma monarquia.
Equilíbrio de Poder
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
Já a Inglaterra viveu o auge das suas revoluções no século XVII, a Ver. Puritana e Gloriosa, 
conforme estudamos na aula anterior. 
Gabarito: C 
 (FUVEST 1995) 
 Quase toda a Europa Ocidental e Central foi sacudida, em 1848, por uma onda de 
revoluções que se caracterizaram por misturar motivos e projetos políticos diferenciados - 
liberalismo, democracia e socialismo. Elas também foram marcadas por uma atmosfera 
intelectual e um sentimento ideológico comuns. Trata-se, no caso destes últimos, do: 
a) realismo e internacionalismo. 
b) liberalismo e nacionalismo. 
c) romantismo e corporativismo. 
d) realismo e nacionalismo. 
e) modernismo e internacionalismo. 
Comentário 
Questão de contexto. Quer saber as ideologias que constituíram a motivação das rebeliões da 
Primavera dos Povos, de 1848. Fácil: tanto a 1ª. Onda Liberal de 1830 quanto a 2ª. Onda liberal 
de 1848 tiveram o caráter liberal e nacionalista e, na França, recuperaram todo o ideal da 
Revolução Francesa deliberdade, igualdade e fraternidade. Assim como naquele processo, nas 
Jornadas Gloriosas diversas classes sociais se uniram para derrubar o Antigo Regime. 
Gabarito: B 
 (FUVEST 1985) 
As revoluções de 1848 na Europa: 
a) tentaram impor o retorno do Absolutismo, anulando as conquistas da Revolução Francesa. 
b) foram marcadas pelo caráter nacionalista e liberal, incluindo propostas socialistas. 
c) provocaram a união das tropas de Bismarck e Napoleão III para destruir o governo 
revolucionário. 
d) conduziram Luís Felipe ao trono da França e deram origem à Bélgica como estado 
independente. 
e) foram vitoriosas e completaram as unificações nacionais na Itália e Alemanha. 
Comentário 
As revoluções de 1848, ou a Primavera dos Povos, tiveram caráter nacionalista e liberal. Além 
disso, na segunda metade do século XIX o socialismo ganha algum espaço na sociedade, 
especialmente por meio da organização do movimento de trabalhadores. De um modo geral, o 
contexto político europeu estava marcado por propostas liberais frutos da revolução Francesa e 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
das demais experiências nesse país, mas também contou com a ascensão das tendências 
nacionalistas e socialistas. 
Assim é o gabarito A. Vejamos os erros nas demais alternativas: 
a- Não se tratava de impor o absolutismo. 
b- Correto. 
c- Bismark, o chanceler alemão, nunca se aliou a Napoleão III para destruir nada. Muito pelo 
contrário, eles estiverem em guerra em 1870-1871. 
d- Luís Felipe, o rei dos banqueiros, foi conduzido ao trono em 1830 durante a 1ª. Onda 
Liberal, Jornadas Gloriosas. 
e- Nem todas as experiências revolucionárias de 1848 foram vitoriosas, embora tenham 
germinado as sementes das ideias liberais e nacionalistas que, anos depois, geraram as 
unificações da Itália e Alemanha. 
 
Gabarito: A 
 (UVA 2017) 
O Bloqueio Continental decretado por Napoleão Bonaparte, no ano de 1806: 
a) tinha como objetivo fortalecer as indústrias da Holanda, da qual a França era aliada, 
permitindo assim que os países da Europa continental comprassem somente produtos 
holandeses. 
b) proibia todo o comércio com a Inglaterra com o objetivo de esgotar as forças econômicas 
deste país, já que militarmente não conseguia vencê-lo. 
c) foi feito com a intenção de prejudicar a Rússia, que ameaçava o Império Napoleônico com 
suas indústrias modernas. 
d) proibia o comércio de vinho com Portugal, sendo a causa fundamental da Proclamação da 
República do Brasil. 
 Comentários: 
Essa questão aborda a Era Napoleônica (1799-1815). Esse foi o período logo após o término da 
Revolução Francesa (1789-1799), em que, por meio de um golpe, Napoleão Bonaparte (um 
carismático líder militar) assume o poder do Estado francês. O governo napoleônico foi muito 
importante para a consolidação das conquistas liberais da Revolução Francesa e por expandir 
seus ideais pela Europa. Esse momento se caracteriza como uma continuidade histórica na 
construção do ideário liberal capitalista. 
Sobre o Bloqueio Continental, ele está inserido dentro da fase imperial do governo de Napoleão, 
entre 1804 e 1814. Neste momento, Napoleão se empenhou em expandir os domínios da França. 
A Inglaterra, descontente com as políticas expansionistas francesas, impulsionou a formação de 
Coligações Internacionais contra o país vizinho. Essa era uma forma de barrar o crescimento 
econômico e industrial francês, que poderia ameaçar a hegemonia inglesa naquele momento. 
Com isso, Napoleão tenta invadir a Grã-Bretanha, porém, sai fracassado. Então, no ano seguinte, 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
em 1806, o Imperador decreta o Bloqueio Continental. Essa era uma medida econômica e política 
por meio da qual os países aliados e sob pressão da França deveriam fechar seus portos ao 
comércio com a Inglaterra. Assim, essa foi a forma encontrada por Bonaparte para esgotar e isolar 
as forças econômicas dos ingleses, já que os franceses não conseguiram sucesso na tentativa de 
invasão. Dessa forma, a resposta correta é a letra B. 
Gabarito: B 
 (UNAERP 2019) 
Em 1815, Napoleão Bonaparte foi finalmente contido pelos principais adversários da França 
revolucionária, e a monarquia dos Bourbon foi restaurada nesse país pela imposição dos 
países absolutistas que formavam a Santa Aliança. Assim, nesse mesmo ano, o Congresso de 
Viena determinou que as cinco maiores potências europeias passariam a gerir as disputas 
territoriais na Europa visando impedir conflitos de grande porte entre elas mesmas, 
compondo assim o que ficou conhecido como “pentarquia europeia”, da qual não participou 
a 
a) Áustria. 
b) França. 
c) Prússia. 
d) Espanha. 
e) Inglaterra. 
Comentários 
Aqui temos uma questão bem objetiva. O enunciado só requisita que se aponte qual dos países 
europeus listados não participou do Congresso de Viena e, consequentemente, a “pentarquia 
europeia”. Parece muito específico e é o tipo de detalhe que a gente esquece facilmente. Mas 
calma! Lembra o método T.E.T.? Tempo, espaço e tema! O tema é o fim da Era Napoleônica, 
evidente na primeira linha, quando o enunciado informa que Napoleão Bonaparte foi finalmente 
contido pelos principais adversários da França revolucionária. O tempo é informado logo na 
primeira linha do enunciado: 1815. Lembra-se o que estava acontecendo na Europa, o espaço, 
nesse momento? Em primeiro lugar, a França tinha se tornado inimiga público número uma das 
monarquias absolutistas europeias desde 1789, quando a Revolução Francesa foi deflagrada. 
Desde então, essas monarquias fizeram diversas coalizões, impondo embargos econômicos e 
organizando exércitos conjuntos, com o intuito de interromper a revolução e restaurar a 
monarquia francesa, antes que sua ideologia atravessasse as fronteiras e inspirasse novos 
movimentos em outros países. Na França, vários governos revolucionários se sucederam entre 
1789 e 1799, marcados pelos conflitos internos entre os participantes do movimento, sobretudo 
entre girondinos e jacobinos. Tudo isso enquanto tinha que enfrentar os obstáculos impostos pelas 
monarquias absolutistas, por isso o exército ganhou grande estima com o povo francês, inclusive 
o soldado Napoleão Bonaparte, que nesse período chegou à patente de general. No último 
governo revolucionário, o do Diretório, a insatisfação popular crescia, pois quem liderava o Estado 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
eram os girondinos, a alta burguesia. Suas reformas liberais eram limitadas e não atendiam amplos 
setores da sociedade, os pequenos burgueses, trabalhadores assalariados e camponeses. A 
solução encontrada por um setor dos girondinos foi se aliar à Napoleão – que gozava de grande 
popularidade entre todos as classes sociais por seu papel no exército. Eles deram um golpe de 
estado, conhecido como 18 Brumário, e instauram o Consulado. Neste novo governo haveria três 
cônsules liderando o Executivo, sendo um deles Napoleão. Contudo, em pouco tempo o general 
se declarou cônsul vitalício e, em seguida, imperador. 
Durante seu governo, Napoleão empreendeu uma série de reformas liberais no funcionamento do 
Estado, apesar de manter uma postura autoritária diante de seus opositores. Externamente, os 
exércitos franceses continuaram enfrentando coalizões absolutistas, mas agora com o objetivo de 
expandir seu território e impor um monopólio seu na venda de produtos industrializados. Isto 
colocava a França em disputa direta com a Inglaterra, uma monarquia constitucionalista que já 
apoiava as coalizões absolutistas contra os franceses desde 1792, quando Luís XVI foi decapitado. 
Desde aquela época, os ingleses já temiam o potencial francês em se tornar um concorrente na 
exportação de produtos industrializados.Portanto, durante os primeiros quinze anos do século XIX, Napoleão investiu muito esforço 
basicamente três coisas: estabilizar a situação política e econômica da França; realizar reformas 
liberais internamente; e expandir os territórios franceses propagando os ideais liberais em outros 
países. Neste último esforço, os franceses enfrentaram todos os países listas pelas alternativas da 
questão, inclusive assumindo controle de parte de seus territórios ou propiciando a deflagração 
de outras revoluções. Durante esse processo, em 1806, Napoleão tentou impor um bloqueio 
continental contra a Inglaterra, uma vez que não conseguia vencê-la em batalhas navais para 
chegar ao seu território e conquista-lo. Sua intenção era tornar os produtos manufaturados e 
industrializados da França os únicos comercializados no continente. Em 1808, a Espanha já tinha 
cedido à pressão para aderir ao bloqueio, mas Portugal postergava a decisão. Isto fez com que o 
exército francês fosse até o território português, por meio de acordo entre Napoleão o rei 
espanhol para atravessar a Espanha. A monarquia portuguesa conseguiu fugir, deixando Portugal 
à mercê dos franceses. Contudo, ao retornar as tropas tomaram a coroa espanhola, deixando o 
irmão de Napoleão como rei na Espanha. 
Portanto, já podemos intuir que a Espanha não estaria entre as monarquias absolutistas que 
lideravam o Congresso de Viena e a “pentarquia europeia”, pois estava destituída até esse 
momento. Por seu turno, esse congresso se deu entre setembro de 1814 e 1815, logo após a 
primeira derrota de Napoleão para as forças absolutistas. O objetivo era restaurar o Antigo 
Regime, restaurando as monarquias que foram destituídas desde o início da Revolução Francesa 
e durante o período napoleônico. 
Portanto, a alternativa correta é a letra “d”. 
Gabarito: D 
 (UNAERP 2019) 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
“Tem havido um bom número de grandes revoluções na história do mundo moderno, e 
certamente muitas delas foram bem-sucedidas. Mas nunca houve uma que se tivesse 
espalhado tão rápida e amplamente, alastrando-se como fogo na palha por sobre as 
fronteiras, países e mesmo oceanos. Na França, o centro natural e detonador das revoluções 
europeias, a república foi proclamada em 24 de fevereiro. Em março, a revolução havia 
ganhado o sudoeste alemão; em 6 de março, a Bavária; em 11 de março, Berlim; em 13 de 
março, Viena e, quase imediatamente, a Hungria; em 18 de março, Milão e, portanto, a Itália. 
Em poucas semanas, nenhum governo ficou de pé em uma área da Europa que hoje é 
ocupada completa ou parcialmente por dez Estados, sem contar as repercussões menores 
em um bom número de outros”. 
HOBSBAWM, E. J. A Era do Capital, 1848-1857. São Paulo: Paz e Terra, 2012, p. 32 e 33. 
Adaptado. 
A revolução de 1848 descrita ficou conhecida como 
a) Revoluções de Veludo e teve como ponto alto a experiência de implantação de um 
governo liberal comunista na Checoslováquia. 
b) Restauração Bourboniana e atingiu os países que se sentiam lesados com o Congresso de 
Viena, que fragilizou a dinastia Bourbon. 
c) Revoluções Liberais que, inspiradas pelo Manifesto do Partido Comunista de Marx e 
Engels, se opunham à manutenção do absolutismo decretada pelo Tratado de Paris de 1814. 
d) Primavera dos Povos e refletiam a influência das ideias de liberdade e busca de direitos 
bem como o descontentamento do povo e das classes médias ante a permanência de 
governos absolutistas europeus. 
Comentários 
Vamos de T.E.T.? Tempo: 1848. Espaço: Europa. Tema: revoluções de 1848. Com isso você já 
deve estar pensando que a alternativa correta é a letra “c”, né? Mas não é! E o motivo é bem 
simples, ela contradiz o tempo indicado pela questão, ou seja, cai em um anacronismo. 
Costumamos chamar de revoluções liberais tanto o movimento da Onda Liberal, na França, em 
1830, coordenado pelos girondinos, quanto a série de revoluções que se alastraram pela Europa 
a partir de 1848, como descreve o historiador Hobsbawm. Contudo, o Manifesto do Partido 
Comunista foi publicado em fevereiro de 1848, no mesmo mês que os eventos descritos pelo 
autor começaram. Portanto, sua publicação foi inspirada pelos movimentos, não o contrário. Além 
disso, não poderia ter influenciado a primeira Onda Liberal, de 1830. Logo, a alternativa “c” é 
incorreta. “Revoluções liberais” seria um tema mais amplo, no qual se enquadra todo esse período 
de 18 anos e até mais. Lembre-se que o tema específico é revoluções de 1848. 
Pois bem, esses movimentos tiveram início na França, pois novamente se destacaram os conflitos 
de interesse entre os girondinos e os demais setores da sociedade (pequena-burguesia, 
assalariados e camponeses). Em 1830, a alta burguesia francesa havia derrubado novamente a 
dinastia Bourbon, devido à guinada absolutista de Carlos X. Colocaram em seu lugar um rei 
burguês, Luís Filipe de Orleans. Contudo, apesar de ter contato com o apoio massivo do povo, o 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
novo governo não contemplou os interesses da maioria. Assim, vemos que a letra “b” é incorreta, 
uma vez que nenhum desses movimentos, na França, teve a intenção de restaurar a dinastia 
Bourbon, mas sim derruba-la assim como qualquer outra que tivesse a intenção de assumir seu 
lugar. 
Dezoito anos mais tarde, essa insatisfação chegou a um ponto de tensão e, em fevereiro de 1848, 
uma nova revolta se deflagrou na França e, em pouco tempo, espalhou-se pela Europa central e 
oriental, onde diversos movimentos de caráter nacionalista e liberal se levantaram contra 
monarquias absolutistas. Devido à rápida expansão da revolução e a grande adesão popular, esses 
movimentos ficaram conhecidos como Primavera dos Povos. Portanto, a alternativa “d” é a 
correta. 
Por último, a letra “a” é incorreta, pois se trata de um evento que ocorreu mais de cem anos 
depois dos episódios da Primavera dos Povos. Na verdade, A Revolução de Veludo refere-se à 
revolução não agressiva na antiga Checoslováquia que testemunhou a deposição do governo 
comunista daquele país. 
Gabarito: D 
 (UNITAU 2016) 
“Tornou-se primeiro cônsul, depois cônsul vitalício e Imperador. E, com sua chegada, como 
que por milagre os insolúveis problemas do Diretório tornaram-se solúveis. Em poucos anos, 
a França tinha um Código Civil, um Tratado com a Igreja e até mesmo [...] um Banco 
Nacional”. 
HOBSBAWM, Eric. A era das revoluções, 1789-1848. São Paulo: Paz e Terra, 1993, p. 93. 
A situação de Napoleão Bonaparte como imperador pode ser considerada ambígua, porque 
a) as instituições republicanas foram mantidas como superiores à autoridade do imperador. 
b) o governo da República foi definido pela Constituição como confiado a um imperador. 
c) apesar da instituição da figura do imperador, não houve a reconstituição da antiga 
nobreza. 
d) como representante do sistema republicano, o imperador deveria submeter suas decisões 
aos códigos legais constituídos pela República, no entanto, ele os dissolveu. 
e) ele se sagrou como cônsul vitalício no regime republicano, após ter garantido seu poder 
a partir de sua atuação como imperador. 
Comentários 
Gostaria de chamar sua atenção para a palavra “ambígua”, adjetivo escolhido pelo enunciado 
para caracterizar a situação de Napoleão Bonaparte como imperador. A ambiguidade está no fato 
de que Napoleão angariou sua popularidade graças a seus feitos como parte do exército 
revolucionário francês ao longo da década de 1790. Ele não tinha origem nobre, começou apenas 
como cabo e subiu até a patente de general por seus feitos de coragem nas batalhas contras as 
tropas das monarquias absolutistas europeias, principais adversárias da França revolucionária. Até 
 
Profe Alê Lopes 
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os últimos anos dessa década Napoleão participou muito pouco das disputas internas dos 
sucessivos governos revolucionários, entre jacobinos e girondinos. Sua carreira política começou 
sob o Diretório, governo girondino, entre 1795 e 1799. O Diretório revogou muitas das medidas 
aplicadas pela República Jacobina, consequentemente revogando direitos políticos. Por exemplo, 
na nova Constituição promulgada em 22 de agosto de 1795, o voto universal foi suprimido e o 
voto censitário restaurado. Além disso, o voto para o poder executivo passou a ser indireto. Em 
meio a essa supressão de direitos políticos, o processo revolucionário degringolava: a crise 
econômica aumentava; muitos atos de corrupção tomaram conta do novo governo; a oposição 
aos girondinos tomou as ruas; a população passou a pedir pão e a volta da Constituição de 1793; 
os movimentos dos sans-culottes foram reprimidos pela Guarda Nacional e, com isso, uma força 
social importante foi eliminada do espaço público. Assim, uma nova onda de perseguições e 
assassinatos políticos, desta vez pelo governo do Diretório, instaurou-se. Diante dessa crise geral 
e a eminência de uma nova revolução popular, a saída encontrada por um setor dos girondinos 
foi articular um golpe contra seu próprio governo. Nesse sentido, em novembro de 1799 é 
consumado o Golpe do 18 Brumário liderado por Napoleão Bonaparte. Neste momento, ele 
despontava como líder popular e reconhecido por diferentes camadas da sociedade. Era, na visão 
política dos articuladores do Golpe, a figura que continha algo fundamental para o momento: 
legitimidade política para governar. O General Napoleão Bonaparte era uma figura de consenso 
entre os militares e agradava a burguesia porque defendia a industrialização da França. Para o 
povo, Napoleão era um herói que defendeu a França de inimigos externos. 
Dado o golpe, o novo governo ganhou o nome de Consulado e seria dirigido por três cônsules, 
dos quais o primeiro seria Napoleão Bonaparte. No entanto, ele monopolizou o poder e, em 1802, 
tornou-se cônsul vitalício. Durante o período que se manteve esse regime, a alta burguesia 
assumiu a os cargos da burocracia estatal, a escravidão foi reinserida nas colônias francesas, os 
pobres continuavam em condições sociais difíceis e foi imposta uma severa censura nos meios de 
comunicação para calar grupos políticos, defensores da democracia social e dos valores liberais, 
que denunciavam os limites das transformações geradas pelas políticas napoleônicas. 
Economicamente, o Consulado alcançava certa estabilidade e recuperação econômica, apesar da 
violência e repressão que reforçavam a centralização política ao lado da indicação de pessoas 
ligadas a Napoleão para cargos centrais na estrutura de poder. De fato, havia uma inspiração 
liberal no projeto napoleônico, observáveis em algumas das medidas tomadas pelo Consulado, 
tais como: a criação do Código Civil Napoleônico; a administração pública racionalizada e 
hierarquizada; concurso público por mérito para acessar o serviço público; carreira militar judiciária 
e escolar; fundação de escolas politécnicas; educação pública laica e baseada no conhecimento 
universal da humanidade, a exemplo, das Enciclopédias. É aqui que reside a ambiguidade 
apontada pelo enunciado. Napoleão fez sua carreira como um defensor da França revolucionária, 
acima de tudo, um combatente contra as forças do absolutismo. Mesmo assim, ao chegar ao poder 
e dar início a uma série de reformas liberais, seu governo estava mais próximo de um despotismo 
esclarecido do que de uma república liberal. 
A ambiguidade fica ainda mais intensa, quando ele se declara Imperador em 1804. Nessa nova 
fase da era napoleônica, sua principal política foi expandir os domínios da França e espalhar os 
ideais políticos do liberalismo. Contudo, a perseguição política interna e a imposição da volta do 
 
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pacto colonial com as colônias francesas ressaltavam o lado autoritário da política imperial de 
Napoleão. Inclusive, o imperador estava acima das instituições republicanas. Com isso em mente, 
vejamos: 
a) Incorreta. Como acabei de dizer, as instituições republicanas não estavam acima do 
imperador; 
b) Correta! Esse seria o ápice dessa ambiguidade latente às ações de Napoleão. 
c) Incorreta. Napoleão não extinguiu a nobreza. Eles perseguiu, executou e exilou muitos 
nobres que se opuseram a ele, mas, ao mesmo tempo, distribuiu títulos de nobrezas a 
familiares e aliados políticos da alta burguesia. 
d) Incorreta. Napoleão não dissolveu os códigos legais constituídos pela República. Fez 
reformas e criou um novo código civil. Contudo, ele estava acima das instituições e não 
precisava submeter suas decisões à nenhuma delas. 
e) Incorreta. Ele primeiro foi cônsul, depois imperador. 
Gabarito: B 
 (UNITAU 2015) 
Sobre o fim do período napoleônico, leia o texto e aponte a alternativa que apresenta uma 
afirmativa CORRETA. 
“No mar, os franceses estavam completamente derrotados. Qualquer chance de invadir a 
Grã-Bretanha pelo canal da Mancha ou de manter contatos ultramarinos desapareceu. O 
único modo para derrotar a Grã-Bretanha era a pressão econômica, e isso Napoleão tentou 
através do Bloqueio Continental (1806). As dificuldades em impor este Bloqueio levaram ao 
rompimento com a Rússia. A Rússia foi invadida e ocupada, então, por Napoleão. Porém 
Napoleão foi derrotado – não só pelo inverno russo, mas por seu fracasso em manter seu 
exército com suprimento adequado.” 
HOBSBAWM, E. A era das revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p.105. 
a) O texto sugere que a pressão econômica exercida pelos britânicos incomodava os 
franceses e, portanto, era necessário iniciar batalhas em várias frentes, pois, no continente, 
impunha-se uma disputa com a Rússia. 
b) O Bloqueio Continental foi uma estratégia francesa para fechar o comércio e enfraquecer 
a Grã-Bretanha, em vista de sua supremacia marítima consolidada no período. 
c) O inverno russo destruiu as tropas britânicas que auxiliavam Napoleão e ele fracassou no 
suprimento adequado de seu contingente. 
d) O texto ilustra a derrota francesa nos mares europeus e no canal da Mancha, bem como 
a força de Napoleão em território russo. 
e) O Bloqueio Continental enfraqueceu os franceses de modo que não conseguiram avançar 
sobre o domínio marítimo britânico e continental russo. 
 
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Comentários 
Esta é uma questão interpretativa, então leia bem o texto, mais de uma vez se tiver tempo. O 
texto fala do Bloqueio Continental imposto na Europa por Napoleão, em 1806, quando ele era 
imperador da França. O bloqueio era contra a Inglaterra e tinha o objetivo de impedir que os 
produtos ingleses fossem vendidos no continente e, consequentemente, favorecer a venda dos 
produtos franceses. Um dos maiores objetivos de Napoleão ao assumir o governo, desde o 
Consulado, era acelerar a industrialização da França, por isso desde o início a Inglaterra foi uma 
adversária econômica que devia ser superada, por ser pioneira da Revolução Industrial. O 
imperador francês optou por essa estratégia diante da impossibilidade de vencer a poderosa 
marinha inglesa, algo necessário para cruzar o Canal da Mancha e chegar à ilha britânica. 
Entretanto, as coisas não foram exatamente como se esperava. A França não tinha tantas indústrias 
ou mesmo manufaturas como a Inglaterra e não podia fornecer a mesma quantidade de produtos 
industrializados tão imediatamente como os ingleses. Além disso, por ser um país predominante 
rural, a França produzia a maior parte dos gêneros agrícolas necessários para abastecer o mercado 
interno, logo não precisava comprar os cereais russos como os ingleses. Com isso, a Rússia decidiu 
furar obloqueio para vender seus produtos agrícolas para a Inglaterra. Em consequência, 
Napoleão ordenou a invasão do território russo, expedição que falhou devido o despreparo das 
tropas franceses diante das condições climáticas da Rússia e as estratégia de terra arrasada 
executada por ela. Considerando isso, vejamos: 
a) Incorreta. Na verdade, é a França que tentou fazer pressão econômica sobre a Inglaterra, 
isso fica bem evidente no texto. 
b) Correta! Está de acordo com o comentário. 
c) Incorreta. Os britânicos eram adversários dos franceses, portanto não estavam os ajudando 
a invadir Rússia, que, inclusive, estava furando o bloqueio para comercializar com a 
Inglaterra. 
d) Incorreta. O texto ilustra a derrota francesa tanto nos mares quanto no território russo. 
e) Incorreta. O bloqueio fortaleceu a França, enquanto prejudicava todos os demais países 
europeus. Contudo, os franceses não tiveram força ou recursos para manter o bloqueio por 
muito tempo. 
Gabarito: B 
 (UNIRV 2019) 
O século XIX foi marcado do início ao fim pelo surgimento de ideologias e por conflitos na 
aplicação delas à realidade política e econômica das nações. Ideologias do século XVIII, como 
o liberalismo e a escola clássica de economia, opunham-se ao conservadorismo absolutista e 
fisiocrático vigentes, para darem lugar à disputa entre liberalismo e socialismo ao fim do 
século XIX. A respeito das ideologias vigentes no século XIX, assinale V (verdadeiro) ou F 
(falso) para as alternativas. 
 
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 a) ( ) O socialismo estrutura-se após a Revolução Industrial, propondo-se a solucionar a 
extrema polarização social resultante das novas estruturas do capitalismo. Nesse contexto, 
surgiram diversas ideologias socialistas, muitas delas antagônicas entre si. 
b) ( ) Karl Marx criticava o trabalhismo de Thomas Owen, classificando-o como Socialismo 
Utópico, por duvidar de que a luta dos trabalhadores por direitos seria capaz de produzir a 
igualdade social. Em oposição, o Socialismo Científico de Marx propunha a Revolução como 
único caminho para a igualdade. 
c) ( ) O Socialismo Utópico era essencialmente revolucionário, acreditando que a queda do 
capitalismo por meio da revolta dos trabalhadores era o caminho ideal para a instauração da 
igualdade social. A forma final do Socialismo Utópico é definida como a Ditadura do 
Proletariado. 
d) ( ) Anarquismo e marxismo são essencialmente a mesma ideologia, ambas almejam destruir 
o capitalismo minando-o por dentro, porém, enquanto o anarquismo usa da resistência civil, 
o marxismo pretende implantar uma ideologia nova, alienando a sociedade para tomar o 
controle sutilmente. 
Comentários 
Durante a primeira metade do século XIX, a Europa foi tomada por vários movimentos 
revolucionário de caráter liberal e nacionalista. Eles combatiam o absolutismo praticado pelas 
diversas monarquias europeias da época. Contudo, em muitos lugares onde a revolução vencia e 
novos governos eram instaurados, algumas vezes era possível que determinado grupo que 
participou do movimento, assumisse a liderança e desempenhasse um governo autoritário com 
muitas heranças do absolutismo, apesar de implantar determinadas reformas liberais no 
funcionamento do Estado. Exemplo disso é a França. Desde a primeira revolução francesa, de 
1789, o país experimentou uma série de governos que se sucederam em meio a disputas entre a 
alta burguesia e o resto da sociedade. Sobretudo durante o governo de Napoleão, a postura 
autoritária diante de opositores enquanto se operava a implementação de reformas liberais, mas 
elitistas, foi a regra. Com o fim da Era Napoleônica, o Congresso de Viena buscou restaurar as 
monarquias destituída, inclusive na França. Contudo, em 15 anos os franceses voltariam a se 
revoltar contra os Bourbon devido às ambições absolutistas de Carlos X. A alta burguesia, mais 
uma vez, conseguiu se colocar à frente do movimento, em 1830, e assumir a liderança do novo 
governo do rei burguês, Luís Filipe de Orleans. Daí em diante, os conflitos entre os interesses da 
alta burguesia e do restante dos grupos que participaram do movimento se intensificaram. 
Trabalhadores assalariados, camponeses e desempregados cada vez mais percebiam que foram 
apenas usados como massa de manobra em 1830. É a partir dessa percepção que os limites do 
pensamento liberal começam a ser expostos e discutidos. Novas filosofias políticas ganham forma, 
entre elas: o socialismo, o anarquismo e o nacionalismo. Entretanto, os dois primeiros acabaram 
assumindo a maior oposição ao liberalismo vigente. Com isso em mente, vejamos as alternativas: 
a) Verdadeira! Justamente, a Revolução Industrial foi o que contribuiu para os diferentes 
setores dos movimentos antiabsolutistas entrassem em conflito após derrotarem seu 
inimigo comum. No novo modo de produção industrial as disputas entre burgueses e 
 
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proletários, entre proprietários e despossuídos, eram latentes e frequentemente 
escalonavam até episódios violentos. O interesse dos primeiros era sempre lucrar o máximo 
com o menor custo possível, enquanto os segundos eram obrigados a trabalhar em 
condições precárias durante horas a fio em troca de baixos salários para não morrerem de 
fome. Diante do contexto revolucionário que derrubou as monarquias absolutistas 
europeias, muitos trabalhadores perceberam rapidamente que os limites do liberalismo e 
da liderança política da burguesia e começaram a elaborar novas propostas para o 
funcionamento da sociedade e da economia, entre elas o socialismo. Contudo, na época, 
socialismo era um termo amplo e genérico, podendo significar muitas coisas. Havia 
diferente propostas que se autointitulavam socialistas. Em geral, eram marcadas pelo 
objetivo de melhorar as condições de vida e trabalho para os trabalhadores, mas nem todas 
rompiam definitivamente com a participação da burguesia no papel de liderança política e 
econômica da sociedade. O socialismo utópico é um exemplo disso. Por outro lado, o 
socialismo científico, proposto por Marx e Engels se mostra mais radical e defende a 
tomada do poder pela classe trabalhadora. 
b) Verdadeira! É como falei na alternativa anterior. Havia várias propostas socialistas. O 
socialismo utópico se contentava em conceder mais direitos e melhores condições de vida 
e trabalho para os operários. Contudo, o socialismo científico acreditava que apenas a 
revolução e a instauração de uma ditadura do proletariado seriam capazes de realmente 
transformar a sociedade e deixar o capitalismo e o Antigo Regime no passado. 
c) Falsa. Isso contradiz tudo que disse nas alternativas anteriores. Na verdade, essas 
características cabem ao socialismo científico, não utópico. 
d) Falsa. Anarquismo e marxismo (socialismo científico) não são a mesma ideologia, apesar de 
terem uma origem comum na crítica ao capitalismo. Ambos concordam que o problema 
deste sistema econômico é a exploração dos trabalhadores e a existência da propriedade 
privada. Contudo, o centro do problema para os anarquistas é o poder, que gera 
autoridade ou autoritarismo. Todo o sistema é gerador de pequenas autoridades que se 
reproduzem como se fosse um ciclo de violência. Nesse sentido, o anarquismo desenvolve 
uma teoria contra todo tipo de hierarquia e autoridade, qualquer que seja ela. Essa filosofia 
vê o Estado com indispensável para a organização da propriedade privada e da autoridade, 
portanto deve ser extinto como elas. Em seus lugares, deveriam ser instauradas 
propriedades coletivas autogestionadas, ou seja, administradas por quem trabalha na 
propriedade, seja uma fábrica ou terra. Diferentemente dos socialistas e comunistas, os 
anarquistas rechaçam completamente a participação no Parlamento. Por usa vez, o 
marxismo defendea participação nas instituições de modo a abrir oportunidades para a 
organização da classe trabalhadora tornando possível a ela a execução da revolução e da 
instauração da Ditadura do Proletariado. Segundo a teoria marxista, o Estado seria 
necessário durante um determinado período de transição, para socializar os meios de 
produção e extinguir as desigualdades. Uma vez, reorganizada a sociedade e extintas as 
classes sociais, o Estado poderia ser desmontado dando início a uma sociedade 
propriamente comunista. 
 
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Gabarito: V – V – F – F 
 (UECE 2019) 
Sobre a transferência da Corte portuguesa para o Brasil em 1808, é correto afirmar que 
a) ocorreu sem nenhum transtorno para a população do Rio de Janeiro, que recepcionou os 
nobres portugueses de forma planejada, sem que fossem necessárias grandes mudanças na 
cidade. 
b) foi provocada pela ameaça inglesa de invasão ao Brasil, caso Portugal aderisse ao Bloqueio 
Continental ao comércio britânico, imposto por Napoleão Bonaparte no decreto de Berlim, 
emitido em 1806. 
c) teve como causa direta a invasão das tropas francesas ao território português como forma 
de forçar a adesão do país luso ao bloqueio continental. 
d) somente foi realizada como forma de garantir o cumprimento do tratado de 
Fontainebleau, assinado com a França, que garantia a mudança para o Brasil no caso de 
ameaça espanhola a Portugal. 
Comentários 
Difícil imaginar que a transferência de uma Corte, de uma Monarquia, para o Brasil não levaria a 
conflitos. Na aula de Brasil veremos as mudanças que a cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, 
sofreu. A A está errada. 
A B também está erra porque a Inglaterra não ameaçou invadir o Brasil. Na verdade, a fuga da 
Família Real Portuguesa foi arquitetada por D. João VI juntamente com a Inglaterra. Os ingleses 
financiaram a viagem e isso reforçou a tutela Britânica sobre o Brasil. Os ingleses não queriam 
que Portugal aderisse ao Boqueio Continental imposto por Napoleão. Nesse sentido, também 
podemos considerar a D errada. 
A alternativa C é o nosso gabarito. 
Gabarito: C 
 (UERJ 2019) 
 
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A derrota de Napoleão Bonaparte, em 1814-1815, foi registrada de diversas formas nas 
sociedades europeias. Na imagem, o imperador francês tenta devorar o globo terrestre, 
sendo atacado por uma águia, um dos símbolos do Império Russo. 
Dois impactos que as guerras napoleônicas exerceram sobre as relações internacionais na 
Europa da época foram: 
e) crise agrária e consolidação dos Estados republicanos. 
f) concorrência industrial e retomada de domínios coloniais. 
g) integração comercial e declínio de monarquias absolutistas. 
h) expansionismo territorial e reorganização das fronteiras políticas. 
Comentários 
Vimos que uma das principais características do Império de Napoleão Bonaparte foi o 
expansionismo territorial. Por meio de guerras contra outros países e monarquias, a França 
foi conquistando territórios e remodelando as fronteiras da Europa. Além disso, o Congresso 
de Viena, feito pelas nações que se aliaram contra Bonaparte, refez o mapa europeu e 
restaurou bom a parte das monarquias da velha ordem do Antigo Regime. Para tanto, 
lançaram mão do princípio do Equilíbrio de forças. 
Diante disso, nosso gabarito é a alternativa D. 
As demais alternativas, dá para eliminar com os trechos errados. Olha só: 
A – a consolidação dos Estado Republicanos passou a ocorrer somente após a Primavera dos 
Povos. 
B – as guerras Napoleônicas estão diretamente relacionadas às guerras de independência na 
América Espanhola, por exemplo. Por isso, não dá para falar em retomada... 
 
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C – as monarquias absolutistas foram restauradas. 
Gabarito: D 
 (UFU 2007) 
A chamada "Era Napoleônica" (1799-1814) foi uma época marcada por grandes conflitos 
bélicos na Europa. Sobre esse momento e suas repercussões na história do continente 
americano, assinale a alternativa INCORRETA. 
a) A necessidade financeira decorrente dos custos militares levou Napoleão Bonaparte a 
vender territórios coloniais franceses na América do Norte. Nesse contexto, o vasto território 
da Louisiana foi incorporado aos EUA. 
b) O envolvimento da França em conflitos bélicos contra quase toda Europa favoreceu a 
perda de colônias francesas na América. A independência do Haiti e a ocupação da Guiana 
Francesa pelos portugueses são exemplos disso. 
c) Durante o apogeu do Império Napoleônico, a Espanha tornou-se politicamente 
dependente da França. Essa situação favoreceu anseios autonomistas na América espanhola 
e levou a Inglaterra a apoiar movimentos de independência. 
d) Com o "bloqueio continental", a Inglaterra teve seus interesses comerciais na América 
seriamente prejudicados. Nesse contexto, os britânicos invadiram a Argentina em 1806 e a 
controlaram até 1815, quando o Congresso de Viena decretou sua independência. 
Comentários 
Veja que o comando da questão cobra a alternativa errada. Dessa forma, após ler todas as 
alternativas, claramente dá para perceber que a D destoa das demais, pois os interesses 
britânicos na América não foram prejudicados, pelo contrário. Basta pensarmos no acordo entre 
Portugal e Inglaterra para abrir os portos brasileiros aos ingleses. Outra coisa, o Congresso de 
Viena teve como foco a partilha da Europa e não dos países da América. 
Gabarito: D 
 (UFU 2004) 
"No início de 1848, o eminente pensador político francês Alexis de Tocqueville tomou a 
tribuna da Câmara dos Deputados para expressar sentimentos que muitos europeus 
partilhavam: ' Nós dormimos sobre um vulcão... Os senhores não perceberam que a terra 
treme mais uma vez? Sopra o vento das revoluções, a tempestade está no horizonte.' 1848 
foi a primeira revolução potencialmente global (...) foi a única a afetar tanto as partes 
desenvolvidas quanto as atrasadas do continente. Foi ao mesmo tempo a mais ampla e a 
menos sucedida desse tipo de revolução." 
HOBSBAWN, Eric. "A Era do capital: 1848 - 1875". Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. 
A respeito deste contexto histórico, marcado pela chamada "Primavera dos Povos", 
podemos afirmar que 
 
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I - na França, as barricadas foram empreendidas pelos camponeses, influenciados pelos ideais 
nacionalistas, e estas promoveram, após a tomada do poder pelos rebeldes e a restauração 
da monarquia, o enfraquecimento do liberalismo burguês e a democracia representativa em 
nome da democracia direta. 
II - a crise econômica que assolava a Europa, agravada por pragas e pela seca, prejudicou os 
camponeses, levando-os às ruas em apoio às novas ideologias baseadas nas idéias socialistas, 
divulgadas com a publicação do Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels em 
1848. 
III - as revoltas de 1848, embora tivessem se alastrado pela Europa, não tiveram repercussão 
no Brasil. Em função do seu caráter fragmentado e das disputas internas entre nacionalistas 
e liberais, dificultaram os processos de Unificações da Itália e Alemanha. 
IV - as diferentes ondas revolucionárias da Primavera dos Povos tiveram em comum o espírito 
romântico, a construção de barricadas, as bandeiras coloridas e o ideal de liberdade, pondo 
em xeque o poder e a tradição aristocrática européia. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Apenas I e II são corretas. 
b) Apenas II e IV são corretas. 
c) Apenas III e IV são corretas. 
d) Apenas I e III são corretas. 
Comentários 
A alternativa I tem dois erros evidente: o primeiro é que foram os trabalhadores urbanos quefizeram as barricadas, principalmente em Paris; o segundo é que, diferentemente do afirmado 
neste item, a monarquia não foi restaurada. O governo provisório assumiu após a fuga de Luís 
Felipe. 
A II está certa. 
A III está errada, pois as revoluções de 1848 na Europa chegaram até o Brasil sim. As ideias da 
Primavera estimularam a Revolução Praieira, em Pernambuco, também ocorrida em 1848. 
A IV está correta. 
Gabarito: B 
 (FGV 2018) 
“(...) os homens que naquele momento estavam encarregados de pôr termo à Revolução de 
1848 eram precisamente os mesmos que fizeram a de 30. (...) O que a distinguia ainda, entre 
todos os acontecimentos que se sucederam nos últimos sessenta anos na França, foi que ela 
não teve por objetivo mudar a forma, mas alterar a ordem da sociedade. Não foi, para dizer 
a verdade, uma luta política (...), mas um embate de classe (...). Havia se assegurado às 
pessoas pobres que o bem dos ricos era de alguma maneira o produto de um roubo cujas 
 
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vítimas eram elas (...). É preciso assinalar ainda que essa insurreição terrível não foi fruto da 
ação de certo número de conspiradores, mas a sublevação de toda uma população contra 
outra (...).” 
(Alexis de Tocqueville, Lembranças de 1848. 1991) 
A partir do texto, é correto afirmar que: 
a) a revolução limitou-se, em 1848, a apelos políticos, no sentido de a classe burguesa, líder 
do movimento, atrair as classes populares para a luta, contra o absolutismo de Carlos X, 
usando as ideias liberais como combustível para a implantação do Estado liberal. 
b) a revolução de 1848, liderada pelos homens de 1830, isto é, a classe burguesa, tinha como 
maiores objetivos a queda de Luís Bonaparte e a vitória das ideias socialistas, pregadas nos 
banquetes e nas barricadas contra o rei e contra a nobreza. 
c) a revolução de 1848, influenciada pelo socialismo utópico, significou a luta entre a classe 
burguesa, líder da revolução de 1830, e as classes populares que, cada vez mais organizadas 
na campanha dos banquetes e nas barricadas, forçaram a queda do rei Luís Felipe. 
d) os líderes revolucionários de 1848, os mesmos da revolução de 1830, sob forte 
propaganda das ideias liberais e influenciados pela luta política, convocaram e obtiveram o 
apoio das classes populares, no Parlamento, contra o rei Luís Felipe. 
e) o rei Luís Felipe, no trono francês entre 1830 e 1848, foi derrubado por uma bem 
orquestrada luta política no Parlamento, que uniu liberais e socialistas, vitoriosa para essa 
aliança, que formou o governo provisório e elegeu o presidente Luís Bonaparte. 
Comentários 
Na aula eu explique que, em julho de 1830, eclodiram novas rebeliões populares lideradas pela alta 
burguesia. Foram as chamadas Jornadas Gloriosas ou 1ª Onda Liberal. Nessas revoltas que 
agitaram a França e influenciaram movimentos em diversas partes do mundo Ocidental, como 
Portugal, Espanha, Holanda, Prússia, Itália, Polônia, até mesmo, Brasil, os ideiais do Projeto 
Iluminista voltaram à cena. Essas rebeliões tiveram caráter liberal e nacionalista. Nesse sentido, a 
burguesia lideou o movimento de 1830. 
Já em 1848, havia uma divisão, pois a classe trabalhadora, os populares em geral, acabaram 
percebendo que a experiência do governo burguês não havia resolvidos seus problemas. Por isso, 
abriu-se uma luta entre burguesia e proletariado, em meio a derrubada do rei Luís Felipe nas ruas 
e barricadas (os banquetes). Por isso, as alterantivas D e E não podem estar certas, pois 
desconsideram a mobilização inssurencional nas ruas. 
Nesse contexto, também podemos descartar a alterantiva A, pois erra ao afirmar que o rei do 
momento era Carlos X. Na verdade era Luis Felipe de Orleans. 
Já a B está erra porque os burgueses não queriam a vitória das ideias socialistas. 
Por fim, o gabarito é a letra C, mas quero fazer uma ressalva. A rigor, não somente os socialistas 
utópicos influenciaram o movimento. Outras correntes de pensamento contribuiram para 
estimular a mobilização popular. 
 
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Gabarito: C 
 (FGV 2016) 
“(...) os homens que naquele momento estavam encarregados de pôr termo à Revolução de 
1848 eram precisamente os mesmos que fizeram a de 30. (...) 
O que a distinguia ainda, entre todos os acontecimentos que se sucederam nos últimos 
sessenta anos na França, foi que ela não teve por objetivo mudar a forma, mas alterar a 
ordem da sociedade. Não foi, para dizer a verdade, uma luta política (...), mas um embate de 
classe (...). 
Havia se assegurado às pessoas pobres que o bem dos ricos era de alguma maneira o 
produto de um roubo cujas vítimas eram elas (...). 
É preciso assinalar ainda que essa insurreição terrível não foi fruto da ação de certo número 
de conspiradores, mas a sublevação de toda uma população contra outra (...).” (Alexis de 
Tocqueville, Lembranças de 1848. 1991) 
A partir do texto, é correto afirmar que 
a) a revolução limitou-se, em 1848, a apelos políticos, no sentido de a classe burguesa, líder 
do movimento, atrair as classes populares para a luta, contra o absolutismo de Carlos X, 
usando as ideias liberais como combustível para a implantação do Estado liberal. 
b) a revolução de 1848, liderada pelos homens de 1830, isto é, a classe burguesa, tinha como 
maiores objetivos a queda de Luís Bonaparte e a vitória das ideias socialistas, pregadas nos 
banquetes e nas barricadas contra o rei e contra a nobreza. 
c) a revolução de 1848, influenciada pelo socialismo utópico, significou a luta entre a classe 
burguesa, líder da revolução de 1830, e as classes populares que, cada vez mais organizadas 
na campanha dos banquetes e nas barricadas, forçaram a queda do rei Luís Felipe. 
d) os líderes revolucionários de 1848, os mesmos da revolução de 1830, sob forte 
propaganda das ideias liberais e influenciados pela luta política, convocaram e obtiveram o 
apoio das classes populares, no Parlamento, contra o rei Luís Felipe. 
e) o rei Luís Felipe, no trono francês entre 1830 e 1848, foi derrubado por uma bem 
orquestrada luta política no Parlamento, que uniu liberais e socialistas, vitoriosa para essa 
aliança, que formou o governo provisório e elegeu o presidente Luís Bonaparte. 
Comentário 
Essa é uma questão interpretativa. Mas você responde com muito mais facilidade se souber o 
contexto, os acontecimentos e os seus significados históricos de 1848, na França. 
O texto de Alexis de Tocqueville aponta para o movimento de 1848 na França, que foi 
denominado de “Primavera dos Povos”. 
Vamos relembrar alguns pontos que demonstramos na aula: 
Depois que pequenos e médios burgueses em aliança com trabalhadores urbanos e rurais realizam 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
grandes rebeliões em fevereiro de 1848, derrubam o rei Luís Filipe de Orleans e instalam um 
governo provisório para organizar a República Francesa. 
O governo provisório era composto por setores populares representando os interesses dos 
trabalhadores e das classes desfavorecidas, por setores da média e pequena burguesia e pelos 
bonapartistas (liberais, contudo mais elitistas). Esses grupos não conseguiam chegar a acordos 
políticos sobre quais medidas deveriam ser implantadas na França. Os interesses divergentes 
começam a ficar mais claros entre eles. Veja um pouquinho da posição de cada grupo: 
Começamos a perceber que estas classes sociais, antes unidas contra um inimigo comum e em 
defesa da mesma bandeira republicana, começam a divergir nos rumos mais estruturais da 
sociedade. Assim, estudiosos dos sistemas políticos afirmam que estava em jogo a disputa entre 
dois modelos de República: 
Em 23 de abril de 1848 foram realizadaseleições para a formação da Assembleia Constituinte. 
O resultado eleitoral deu maioria aos bonapartistas reunidos em um partido chamado “Partido da 
Ordem”. Depois foram os burgueses e, por último, os socialistas utópicos que só ganharam em 
Paris, onde estava a maioria dos trabalhadores operários. Assim, a Assembleia constituinte não 
deu sequência às leis de proteção do trabalho tal como queriam os socialistas e as lideranças dos 
trabalhadores. Uma série de medidas foram revogadas, como, por exemplo, o controle dos preços 
dos alimentos. 
Entre maio e Junho de 1848 várias rebeliões operárias eclodiram em Paris e em cidades mais 
industrializadas. O movimento operário crescia na França e, crescia junto, a ideia do socialismo. 
Em junho daquele ano de 1848, uma verdadeira revolução popular tomou conta de Paris. A 
rebelião foi organizada e liderada por setores das classes populares e de trabalhadores. As 
mesmas velhas técnicas de barricadas usadas antes pela burguesia contra reis absolutistas, agora, 
eram usadas pelos trabalhadores contra a burguesia no poder. 
Os populares se sentiam traídos pelas lideranças burguesas da Revolução de Fevereiro, pois juntos 
derrubaram o rei Luis Filipe. Todos haviam participado da Revolução, mas, agora, na hora de fazer 
as leis, sentiam que, na prática, para eles nada mudara. 
A resposta do governo foi pôr fim às rebeliões e impor a ordem por meio da violência. Os dados 
são incompletos, mas historiadores estimam a morte de 10 mil trabalhadores e cerca de 40 mil 
prisões. 
Esse massacre contra os trabalhadores sob um governo formado majoritariamente por burgueses 
marca a história desses dois grupos. Aqui ocorre a ruptura definitiva da unidade entre essas duas 
classes que até fevereiro de 1848 havia lutado junto contra o antigo regime. 
Como afirmou Alexis de Tocqueville, esse foi o primeiro embate de classes. Assim, esse fato 
histórico marca o rompimento entre os projetos políticos da burguesia e dos socialistas. 
Depois desse resumo, a [única alternativa possível é a letra C. 
Gabarito: C 
 (FGV 2009) 
 
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"A nova onda se propagou rapidamente por toda a Europa. Uma semana depois da queda 
de Luís Filipe I, o movimento revolucionário tomou conta de uma parte da Alemanha e, em 
menos de um mês, já estava na Hungria, passando pela Itália e pela Áustria. Em poucas 
semanas, os governos dessa vasta região foram derrubados, e supostamente se inaugurava 
uma nova etapa da História europeia, a Primavera dos Povos". 
(Luiz Koshiba, "História - origens, estruturas e processos") 
O texto faz referência: 
a) à Belle Epoque. 
b) às Revoluções de 1848. 
c) à Restauração de 1815. 
d) à Guerra Franco-Prussiana. 
e) às Revoluções liberais de 1820. 
Comentários 
Repare que o final do texto já nos apresenta o gabarito da questão. Ele fala claramente da 
Primavera dos Povos e este acontecimento histórico está associado ao ano de 1848. Viu só 
como é importante relacionar data e fato histórico!!! Por sinal, aproveito esta questão para 
lembrar você da minha dica lá no meu canal no Youtube. Se ainda não viu, confere lá. Segue o 
link: https://www.youtube.com/watch?v=CGWFFx8x2m0. 
Gabarito: B 
 (UDESC 2015) 
“Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo. Todas as potências da velha 
Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e o czar, Metternich e Guizot, 
os radicais da França e os policiais da Alemanha. Que partido de oposição não foi acusado 
de comunista por seus adversários no poder? Que partido de oposição, por sua vez, não 
lançou a seus adversários de direita ou de esquerda a pecha infamante de comunista: Duas 
conclusões decorrente desses fatos: 1. O comunismo já é reconhecido como força por todas 
as potências da Europa; 2. É tempo de os comunistas exporem, abertamente, ao mundo 
inteiro, seu modo de ver, seus objetivos e suas tendências, opondo um manifesto do próprio 
partido à lenda do espectro do comunismo.” 
(Edição completa: Manifesto Comunista de Marx e Engels) 
Com base no Manifesto Comunista de 1848, analise as proposições. 
I. Existem ao menos dois tipos de comunismo, um defendido pelos trabalhadores como 
ideologia com projeto político alternativo, e outro o comunismo como espectro inventado 
por instituições religiosas, políticas e militares para desqualificar a luta dos trabalhadores. 
 
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II. O espectro do comunismo conseguiu unificar as forças mais conservadoras – “o papa e o 
czar, Metternich e Guizot, os radicais da França e os policiais da Alemanha” – em prol da 
democracia e do liberalismo. 
III. A multiplicação das fábricas nacionais e dos instrumentos de produção, o arroteamento 
das terras incultas e o melhoramento das terras cultivadas são partes do programa original 
do Manifesto Comunista. 
IV. O Manifesto Comunista inclui em seu programa – a centralização de todos os meios de 
comunicação e de transporte sob a responsabilidade do Estado. 
V. Consta, no programa do Manifesto Comunista, a supressão da família burguesa 
centralizada na figura autoritária do pai. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras. 
b) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras. 
c) Somente a afirmativa V é verdadeira. 
d) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. 
e) Todas as afirmativas são verdadeiras 
Comentários 
A questão envolve tanto as ideias comunistas em si, quanto os adversários dessas ideias. Em 
muitos momentos, os defensores do liberalismo se unificaram contra o comunismo e criaram 
representações do que seria a ideia comunista. Tratou-se de um artifício, o qual é utilizado 
até os dias atuais, para desmoralizar politicamente a corrente ideológica que defende os 
trabalhadores. 
Além disso, de fato, o programa comunista contido no Manifesto do Partido Comunista 
defende o programa de estatização dos meios de produção. Da mesma forma, ao criticar a 
ideologia burguesa, as ideias comunistas combatem a família patriarcal. 
Gabarito: E 
 (UDESC 2009) 
Assinale a alternativa CORRETA, em relação à chamada "Primavera dos Povos". 
a) A "Primavera dos Povos" não influenciou a formação dos movimentos sociais do Século 
XIX. 
b) Foi uma revolução brasileira, mas que atingiu também outros países do Cone Sul. 
c) Houve influência da "Primavera dos Povos" no Brasil através do movimento dos 
"Seringueiros". 
d) Atribuição colocada ao movimento revolucionário francês em 1848, que derrubou a 
monarquia de Luis Felipe e trouxe a discussão a exploração burguesa e a dominação política. 
 
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e) A influência da "Primavera dos Povos" se restringiu às preocupações francesas do período. 
Comentários 
Alternativas A e E errada, pois a Primavera dos Povos causou um impacto para além da França, 
atingiu outras monarquias da Europa e chegou a influenciar movimentos na América Espanhola. 
A alternativa B é para pegar desavisados e quem não tem noção alguma sobre o processo 
histórico. Você que é coruja já ia eliminar essa alternativa aí... Agora, sobre o movimento dos 
Seringueiros, ele, de fato existiu no Brasil, porém no Século XX. Não se pode afirmar que este 
movimento foi influenciado pela Primavera dos Povos do Século XIX. Errada a alternativa C. 
Gabarito: D 
 (UNESP 2014) 
O Congresso de Viena, entre 1814 e 1815, reuniu representantes de diversos Estados 
europeus e resultou 
a) na afirmação do caráter laico dos regimes políticos e da importância da separação entre 
Estado e Igreja. 
b) na criação da Santa Aliança e no esforço de reafirmar valores do Antigo Regime. 
c) na validação da nova divisão políticada Europa, definida pelas conquistas napoleônicas. 
d) na derrubada dos regimes republicanos e na restauração monárquica na França e na 
Inglaterra. 
e) na defesa dos princípios do livre comércio e da emancipação das colônias na América. 
Comentário 
Em 1815, Napoleão foi derrotado de forma definitiva na famosa batalha de Waterloo. Foi 
necessário fazer um grande congresso continental para refazer o mapa da Europa (uma vez que 
Napoleão conquistou um grande império na Europa) e retornar as monarquias, ou seja, deixar a 
Europa como estava até o contexto da Revolução Francesa. 
Legitimidade, restauração e equilíbrio foram as palavras chaves deste congresso. Inglaterra, 
Rússia, Prússia e Áustria foram bem-sucedidas, pois conquistaram territórios. 
Mas como restaurar o Antigo regime se as ideias liberais que sustentam os valores do Novo Mundo 
continuavam vivas na experiência e na memória de milhares de europeus? Devido a esse 
fenômeno social, ao qual as antigas monarquias não poderiam fugir, alguns historiadores falam 
que existiu um terceiro princípio: o da solidariedade entre as monarquias absolutistas, melhor 
dizendo, entre as dinastias monárquicas que voltavam ao poder. 
Por meio desse princípio a Rússia propôs a formação de um exército unificado entre essas 
monarquias que serviria para protegê-las de qualquer novo levante liberal e, ao mesmo tempo, se 
os povos resistissem às ordenanças do Congresso de Viena esse exército poderia agir com a 
violência necessária para colocar a restauração em prática. Esse exército recebeu o nome de Santa 
Aliança. 
 
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Gabarito: B 
 (UNESP 2011) 
Artigo 5.º — O comércio de mercadorias inglesas é proibido, e qualquer mercadoria 
pertencente à Inglaterra, ou proveniente de suas fábricas e de suas colônias é declarada boa 
presa. (...) 
Artigo 7.º — Nenhuma embarcação vinda diretamente da Inglaterra ou das colônias inglesas, 
ou lá tendo estado, desde a publicação do presente decreto, será recebida em porto algum. 
Artigo 8.º — Qualquer embarcação que, por meio de uma declaração, transgredir a 
disposição acima, será apresada e o navio e sua carga serão confiscados como se fossem 
propriedade inglesa. 
(Excerto do Bloqueio Continental, Napoleão Bonaparte. Citado por Kátia M. de Queirós 
Mattoso. Textos e documentos para o estudo da história contemporânea (1789-1963), 1977.) 
Esses artigos do Bloqueio Continental, decretado pelo Imperador da França em 1806, 
permitem notar a disposição francesa de 
a) estimular a autonomia das colônias inglesas na América, que passariam a depender mais 
de seu comércio interno. 
b) impedir a Inglaterra de negociar com a França uma nova legislação para o comércio na 
Europa e nas áreas coloniais. 
c) provocar a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, por meio da ocupação militar 
da Península Ibérica. 
d) ampliar a ação de corsários ingleses no norte do Oceano Atlântico e ampliar a hegemonia 
francesa nos mares europeus. 
e) debilitar economicamente a Inglaterra, então em processo de industrialização, limitando 
seu comércio com o restante da Europa. 
Comentário 
A política expansionista francesa tinha como grande objetivo ampliar seus mercados na Europa, 
como uma das bases para sua industrialização e, nesse sentido, após a derrota na tentativa de 
invadir a Inglaterra, a política de Napoleão Bonaparte pretendeu isolar a Inglaterra e estrangular 
sua economia. 
Gabarito: E 
 (UNIFESP 2007) 
Do papa Leão XIII na encíclica "Diuturnum", de 1881: "se queremos determinar a fonte do 
poder no Estado, a Igreja ensina, com razão, que é preciso procurá-la em Deus. Ao torná-la 
dependente da vontade do povo, cometemos primeiramente um erro de princípio e, além 
disso, damos à autoridade apenas um fundamento frágil e inconsistente". Nessa encíclica, a 
Igreja defendia uma posição política 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
a) populista. 
b) liberal. 
c) conservadora. 
d) democrática. 
e) progressista. 
Comentário 
Olha só que interessante essa questão. Veja que essa encíclica é anterior a de Rerum Novarum. 
Esta foi de 1891 e falava sobre a “questão do operário”. 
Assim, em 1881 a encíclica Diuturnum defende a razão de estado em Deus, ou seja, contraria o 
liberalismo e a noção de que o Estado é a forma jurídica da soberania popular. 
Dessa forma, a posição política da Igreja é conservadora. Se fosse democrática, progressista e 
liberal aceitaria as novas teses do liberalismo. Populista seria manipuladora das massas. E não é o 
caso. 
Gabarito: C 
 (UNIFESP 2006) 
Signos infalíveis anunciam que, dentro de poucos anos, as questões das nacionalidades, 
combinadas com as questões sociais, dominarão sobre todas as demais no continente 
europeu. 
 (Henri Martin, 1847.) 
Tendo em vista o que ocorreu século e meio depois dessa declaração, pode-se afirmar que 
o autor 
a) estava desinformado, pois naquele momento tais questões já apareciam como 
parcialmente resolvidas em grande parte da Europa. 
b) soube identificar, nas linhas de força da história europeia, a articulação entre intelectuais 
e nacionalismo. 
c) foi incapaz de perceber que as forças do antigo regime eram suficientemente flexíveis para 
incorporar e anular tais questões. 
d) demonstrou sensibilidade ao perceber que aquelas duas questões estavam na ordem do 
dia e como tal iriam por muito tempo ficar. 
e) exemplificou a impossibilidade de se preverem as tendências da história, tendo em vista 
que uma das questões foi logo resolvida. 
Comentário 
Questão de interpretação de texto. O autor desse texto fala que dois temas dominarão o cenário 
europeu daquele momento em diante: o nacionalismo e a questão social. Se lembrarmos de 1848 
esses dois temas estiveram presentes. O Nacionalismo foi o combustível que fez a Primavera dos 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
Povos se alastrar pela Europa. A unificação da Itália e Alemanha são resultado desse processo. Os 
problemas sociais iam se integrar por muito muito tempo, talvez até os dias atuais. 
Dito isso, o item que melhor se encaixa nessa reflexão é o D “demonstrou sensibilidade ao 
perceber que aquelas duas questões estavam na ordem do dia e como tal iriam por muito tempo 
ficar.” 
Assim o autor não estava desinformado, como sugere o item A; no item B ele não fala de relações, 
mas de elementos (questões sociais e nacionalismo); o item C está historicamente errado porque 
o Antigo Regime não era flexível a ponto de incorporar as demandas sociais e nacionalistas; por 
fim, ele previu uma tendência histórica e além do mais, os dois elementos que ele aponta não 
foram resolvidas rápida e facilmente. 
Gabarito: D 
 (UNIFESP 2004) 
O movimento revolucionário de 1848, que abalou, mas não destruiu, a ordem social vigente 
na Europa, pode ser caracterizado como um conflito no qual 
a) a burguesia, ou frações desta classe, face ao perigo representado pelo proletariado, tomou 
o poder. 
b) o campesinato, em luta encarniçada contra a nobreza, abriu espaço para a burguesia tomar 
o poder. 
c) a nobreza, diante da ameaça representada pela burguesia, fez concessões ao proletariado 
para se manter no poder. 
d) o proletariado, embora fosse uma classe já madura e com experiência, ficou a reboque 
dos acontecimentos. 
e) não houve luta de classes, e sim disputas derivadas das tensões e contradições existentes 
entre ricos e pobres. 
Comentário 
Essa é uma questão conteudista, “no alvo”. Você tem que saber quais classes sociais entram em 
conflito em 1848. A questão é que são dois momentos na França: 
• Em Fevereiro unificou-se a pequena e média burguesiacom o proletariado e campesinato 
para lutar contra a alta burguesia e um setor da nobreza que havia se aliado aos ricos 
banqueiros. Derrotaram o Governo da Monarquia Constitucional do “rei burguês”. 
• Em Junho, o proletariado urbano se rebelou contra as medidas regressivas da Assembleia 
Nacional. Houve um massacre. Nesse processo, conforme diversos historiadores 
comentam, houve a ruptura do projeto político da burguesia e do proletariado. 
Nesse sentido, a burguesia tomou o poder e os conflitos se deslocaram a ponto de colocar 
antigos aliados em campos políticos opostos. Gabarito só pode ser “a burguesia, ou frações desta 
classe, face ao perigo representado pelo proletariado, tomou o poder.”. Aqui frações se referem 
à pequena e média burguesia, porque a alta foi derrotada em Fevereiro. 
 
Profe Alê Lopes 
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Gabarito: A 
 (UPE 2018) 
 Um dos primeiros movimentos artísticos, que surge em reação ao Neoclassicismo do século 
XVIII, é o Romantismo, historicamente situado entre 1820 e 1850. Os artistas românticos 
procuraram se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre expressão da 
personalidade do artista. 
Fonte: https://www.historiadasartes.com/nomundo/arte-seculo-19/romantismo/Adaptado. 
Assinale a obra que corresponde ao movimento artístico descrito no texto. 
 
a) b) 
c) d) 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
e) 
 
Comentário 
A-A obra “A Liberdade Guiando o Povo”, de Eugène Delacroix (1798-1863) foi elaborada no 
contexto da Revolução Francesa de 1830 que culminou na deposição de Carlos X e na ascensão 
de Luís Felipe ao poder. Apesar de simpatizar com as ideias liberais, Delacroix não participou 
efetivamente do levante. 
B - Diego Velázquez (1599-1660), pintor renascentista enquadrado no Barroco. Essa obra retrata 
a infanta Margarida Teresa, filhas do rei Filipe IV da Espanha. Foi realizada em 1656 e está no 
Museu do Prado. Velázquez foi o principal pintor da Corte do Rei Espanhol. 
C- Caravaggio (1571-1610), também um pintor renascentista. Fez Medusa em óleo sobre madeira, 
em 196-1597. 
D- A Dama dourada é obra de Gustav Klimt (1862-1918) em 1907. Faz parte da fase dourada desse 
artista. É pintada a ouro e óleo sobre tela. Klimt foi um pintor simbolista austríaco e destacou-se 
dentro do movimento art-nouveau dessa época. 
E-Duchamp (1887- 1968) foi um artista precursor da chamada arte conceitual. Antes ele teve 
experiências dadaístas, expressionistas e cubistas. Jovem triste num comboio, de 1911, é da sua 
fase dadaísta. 
Gabarito: A 
 (UEMG 2016) 
"Há duzentos anos, em 9 de junho de 1815, encerrava-se o Congresso de Viena, conferência 
de países europeus que, após nove meses de deliberações, estabeleceu um plano de paz de 
longo prazo para o continente, que vivia um contexto político conturbado(...). Para alcançar 
esse objetivo, os diplomatas presentes ao Congresso de Viena criaram um mecanismo de 
pesos e contrapesos conhecido como "Concerto Europeu"(...). O Concerto Europeu 
procurou substituir um arranjo unipolar por um sistema inovador de consultas plurilaterais. 
Esse esforço visava a garantir a estabilidade europeia no pós-guerra". 
 
Profe Alê Lopes 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
http://blog.itamaraty.gov.br/63-historia/146-200-anos-docongresso-de-viena.Acesso em: 
20/7/2015 
 
O contexto conturbado vivido pela Europa antes do Congresso de Viena e os resultados 
deste foram, respectivamente: 
a) A guerra dos sete anos que colocaram em confronto Inglaterra e França em função de 
disputas territoriais na América. – A expulsão da França da Liga das nações por ter 
desrespeitado regras internacionais preestabelecidas. 
b) A disputa imperialista protagonizada pelas nações europeias em função da crise 
econômica vivida no século XIX. – Evitou-se provisoriamente um conflito de proporções 
mundiais já que, por meio de concessões, garantiu-se um equilíbrio político. 
c) A expansão napoleônica que destronou reis e promoveu a invasão e ocupação militar sobre 
diversas regiões. – Restauração das monarquias depostas por Napoleão, legitimação das 
existentes à época e a criação da Santa Aliança. 
d) A primeira grande guerra, que foi consequência de um momento marcado pelo 
nacionalismo exacerbado e por rivalidades econômicas e territoriais. – A imposição de uma 
paz despreocupada com o equilíbrio mundial pois humilhava os derrotados. 
Comentários 
A questão aborda o período da expansão Napoleônica, ao Congresso de Viena e à Santa Aliança. 
Entre 1799 e 1815, Napoleão montou um grande império na Europa implantando princípios 
liberais-iluministas e rompendo com privilégios ligados ao Antigo Regime. Reis foram 
desalojados do poder em nome de uma nova ordem. Com sua derrota definitiva em 1815 na 
batalha de Waterloo, tornou-se necessário fazer um grande encontro entre autoridades do velho 
continente. Trata-se do Congresso de Viena que visava refazer o mapa europeu bem como 
reempossar os monarcas europeus apoiados em princípios como: legitimidade, restauração, 
equilíbrio e compensações. Foi criado por sugestão do czar russo Alexandre I, a Santa Aliança, 
um braço armado do Congresso de Viena, que sob o rótulo de proposta de paz, justiça e religião, 
objetivava, de fato, lutar contra manifestações liberais e nacionalistas. 
 
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Gabarito: C 
 (UEMA 2015) 
O mapa abaixo representa a divisão geopolítica europeia no início do século XIX, destacando 
a estratégia militar napoleônica conhecida como Bloqueio Continental. 
 
A linha de Bloqueio Continental que se estende de Portugal até a Noruega, representada no 
mapa, revela a intenção francesa de 
a) integrar a economia europeia, com a isenção das tarifas alfandegárias. 
b) fortalecer a França, garantindo-lhe a livre circulação pelos portos britânicos. 
c) desenvolver a economia espanhola, consolidando seu monopólio comercial na Península 
Ibérica. 
d) isolar a Grã-Bretanha, impedindo-lhe o acesso a importantes mercados da Europa 
continental. 
e) inibir o comércio de escravos oriundos de portos africanos, situados ao norte da Linha do 
Equador. 
Comentários 
A questão remete ao Bloqueio Continental que aconteceu na Era Napoleônica, 1799-1815. 
Depois da derrota francesa na Batalha (marítima) de Trafalgar, Napoleão decretou o Bloqueio 
Continental em 1806, objetivando isolar economicamente a Inglaterra. 
Gabarito: D 
 (UFRGS 2016) 
A Santa Aliança, coalizão entre Rússia, Prússia e Áustria, criada em setembro de 1815, após 
a derrota de Napoleão Bonaparte, tinha por objetivo político 
 
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a) promover e proteger os ideais republicanos e revolucionários franceses em toda a Europa. 
b) impedir as intenções recolonizadoras dos países ibéricos e apoiar as independências dos 
países latino-americanos. 
c) lutar contra a expansão do absolutismo monárquico e a influência do papado em todos os 
países europeus. 
d) combater e prevenir a expansão dos ideais republicanos e revolucionários franceses em 
toda a Europa. 
e) apoiar o retorno de Napoleão ao governo francês e garantir o equilíbrio entre as potências 
europeias. 
Comentário 
No contexto do Congresso de Viena, a Rússia propôs a formação de um exército unificado 
entre essas monarquias que serviria para protegê-las de qualquer novo levante liberal e, ao mesmo 
tempo, se os povos resistissem às ordenanças do Congresso de Viena esse exército poderia agir 
com a violência necessária para colocara restauração em prática. Esse exército recebeu o nome 
de Santa Aliança. É importante ressaltar que a Inglaterra foi contra porque se opunha a 
recolonização dos países que já eram independentes. 
Assim, a alternativa correta só pode ser D. 
Leia um trecho do documento que formalizou esse exército conservador: 
 
Gabarito: D 
 (UEL – 2020) 
Analise a imagem a seguir. 
 
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DELACROIX, E. 
Liberdade Guiando o Povo. 1830. 
Óleo sobre tela, 260 x 325 cm. 
Museu do Louvre (Paris,França). 
Exposta no Museu do Louvre, a obra “Liberdade Guiando o Povo”, remete à existência de 
questão social ainda hoje debatida. Com base na imagem e nos conhecimentos sobre 
modernidade e vida social, é correto afirmar que a obra representa 
a) a luta de estratos sociais em defesa da igualdade jurídica e pela conquista dos direitos de 
cidadania. 
b) a primeira tentativa de revolução social do proletariado moderno contra a burguesia. 
c) a participação popular na luta pelo direito de voto pelas mulheres e contra o trabalho 
infantil. 
d) o repúdio ao caráter sangrento das revoluções populares, produtoras de regimes 
ditatoriais. 
e) a democracia, que atinge a plenitude quando homens, mulheres e jovens pegam em 
armas. 
Comentários: 
Vimos essa obra na aula, lembram? Ela nos remete a 1ª onda liberal, movimentos que agitaram a 
França e parte do mundo Ocidental com a retomada dos ideais da Revolução Francesa. A seguir, 
relembro o trecho em que estudamos os elementos que compõe “Liberdade Guiando o Povo”: 
“Rapidamente vamos analisar alguns elementos: 
 Vejam os corpos mortos/caídos ao chão. Pelas vestes podemos dizer que representam os 
membros das forças reais, que foram vencidas. 
 No primeiro plano a Mulher que representa, como o nome da obra sugere, a Liberdade. 
Ela guia o povo. 
 
 
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 Em segundo plano está O Povo formado por classes e grupos sociais diversos. Vejamos: 
• o menino mais novo com duas armas pode representar os estudantes, membros da média 
burguesia – grupo muito atuante na Revolução (como descreve Victor Hugo em Os Miseráveis); 
• o homem de cartola e uma arma maior representa a alta burguesia. Ele está à frente do 
resto do povo; 
• Atrás do homem de cartola está um homem de macacão e boina e com uma facão na mão 
e um revólver na cintura. Ele pode representar a classe trabalhadora; 
• Figura intrigante á aquela que está ajoelhada aos pés da liberdade com um lenço na cabeça, 
trajes muito simples e sem qualquer arma na mão. Pode representar as classes mais pobres da 
sociedade francesa, sem trabalho, completamente vulnerável 
 
Com isso, vamos para as alternativas: 
a) Correta. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, dos quais resultou a Revolução 
Francesa, possuíram uma força ideológica capaz de mobilizar os estratos sociais populares, as 
“classes subalternas”, no sentido de lutarem por direitos e igualdade jurídica. 
b) Incorreta. Foi uma luta contra a monarquia. 
c) Incorreta. A luta pelo direito de voto das mulheres e o combate ao trabalho infantil foram 
essencialmente travados com o desenvolvimento da sociedade industrial capitalista. 
d) Incorreta. A Revolução Francesa foi burguesa. Além disso, é uma obra de representação, não 
de crítica. 
e) Incorreta. O espírito da tela não é a exaltação das armas e da violência, mas sim da necessidade 
de se lutar conjuntamente (homens, mulheres e jovens) para ampliarem seus espaços de liberdade. 
Gabarito: A 
 (UEL – 2001) 
A respeito da revolução de 1848 na Europa, é correto afirmar: 
a) Restringiu-se a Paris e às pequenas cidades periféricas. 
b) Contou com uma reduzida participação do proletariado. 
c) Caracterizou-se pela disputa entre liberais, nacionalistas e socialistas. 
d) Foi marcada pelo radicalismo dos camponeses republicanos. 
e) Nela, os revolucionários defendiam a continuidade da monarquia e de Luiz Filipe à frente 
do Governo. 
Comentários: 
Em 1848, uma série de revoluções ocorreram na Europa. Esse movimento ficou conhecido como 
“Primavera dos Povos”. 
 
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Com o fim da era napoleônica, as monarquias europeias se reuniram com o objetivo de conter as 
propostas de transformação disseminadas pela Revolução Francesa. Assim, organizaram o 
Congresso de Viena em 1814; nesse encontro foi formada a Santa Aliança. Segundo tal acordo, 
diversos monarcas se comprometiam a auxiliar militarmente toda monarquia que tivesse sua 
autoridade ameaçada. Mas isso não foi suficiente, após uma crise econômica suscitadas pelas más 
condições de vida em consequência das colheitas precárias, do aumento dos preços e fechamento 
de fábricas, as várias novas correntes políticas que surgiam em toda a Europa se mostraram 
decididas a dar fim ao regime monárquico. Devemos lembrar que o contexto político europeu, 
nesse momento, se via tomado não só pelas propostas liberais com origem na experiência 
francesa, mas também contou com a ascensão das tendências nacionalistas e socialistas (1848 é o 
ano em Marx e Engels lançam o Manifesto Comunista). Nesse sentido, os revoltosos tinham 
projetos políticos divergentes entre si, o que causou uma disputa entre liberais, nacionalistas e 
socialistas. Assim, a alternativa correta é letra c). 
A a) está errada pois as revoluções ocorreram por toda a Europa. Como vimos, os 
proletários tiveram participação ativa nesses movimentos, de maneira que a b) está incorreta. O 
problema da c) é que a Primavera dos Povos foi marcada pela disputa entre diferentes projetos 
políticos. Por fim, vimos que os revoltosos queriam justamente o fim da monarquia, assim, a d) 
não está certa. 
Gabarito: C 
 (UNCISAL – 2008) 
A Europa do século XIX assistiu a um cenário marcado por grandes embates políticos e 
ideológicos de movimentos que almejavam a transformação da realidade social. Analise as 
idéias a seguir, procurando identificar as correntes que as defendiam. 
I. Lutavam por uma sociedade sem Estado e descartavam a idéia da formação de um 
partido político operário para organizar a sociedade igualitária que idealizavam. 
II. Defendiam uma ação política do movimento operário com vistas à conquista do poder 
político, como estratégia para a construção de uma sociedade igualitária. 
III. Acreditavam numa evolução lenta e gradual da sociedade capitalista em direção à 
socialista, por meio da participação política dos operários nos parlamentos. 
IV. Assumiam um posicionamento nacionalista e reiteravam a necessidade de os 
trabalhadores buscarem métodos de ação visando reformar o sistema capitalista. 
Os anarquistas e os comunistas lutaram em defesa dos ideais presentes, respectivamente, 
nos itens 
a) I e II. 
b) I e III. 
c) II e III. 
d) II e IV. 
 
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e) III e IV. 
Comentários: 
Conforme vimos na aula, o desenvolvimento do capitalismo e as lutas políticas do ano de 
1848 na Europa marcaram a ruptura entre os projetos políticos da burguesia e dos trabalhadores. 
Nesse processo histórico, surgiram novas ideias e novas formas de pensar a organização da 
sociedade. Muitas delas eram, inclusive, críticas ao capitalismo. A questão nos pede para 
identificar quais ideias se associam ao anarquismo e ao comunismo. Vamos relembrar o que 
defende cada uma dessas ideologias: 
• Anarquismo: compreende que o problema do capitalismo é a exploração dos 
trabalhadores e a existência da propriedade privada. Contudo, o centro do problema para os 
anarquistas é o do poder. O poder gera a autoridade ou o autoritarismo. Assim todoo sistema é 
gerador de pequenas autoridades que se reproduzem como se fosse um ciclo de violência e 
autoritarismo. Nesse sentido, o anarquismo desenvolve uma teoria contra todo tipo de hierarquia 
e autoridade, qualquer que seja ela, inclusive o próprio Estado. 
• Comunismo: Trata-se de um conjunto de ideias destinadas a explicar os mecanismos 
de exploração do sistema capitalista e descobrir, portanto, a origem dessa exploração para, assim 
superar as desigualdades entre as classes sociais. Nessa teoria, a propriedade privada dos meios 
de produção é considerada a origem das desigualdades e, portanto, da capacidade de dominação 
de um homem sobre o outro. Os principais precursor dessa teoria foram Karl Marx e seu amigo, 
o industrial Frederich Engels. Segundo o pensamento marxista, as desigualdades seriam 
suprimidas no momento em que as classes subordinadas tomassem o controle do Estado. 
Assim, sabemos que a proposição I faz referência ao anarquismo e a II ao comunismo. Portanto, 
alternativa a) é a correta. 
Gabarito: A 
 (UNCISAL 2016) 
O trabalhador se torna tão mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua 
produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador se torna uma mercadoria tão mais 
barata quanto mais mercadorias cria. Com a valorização do mundo das coisas aumenta em 
proporção direta a desvalorização do mundo dos homens. 
MARX, K. A Consciência revolucionária da História. 3. ed. São Paulo: Ática, 1989, p. 148. 
Segundo Marx, as mudanças nas relações descritas no texto, devido ao sistema capitalista, 
levaram à 
A) alienação da perda do objeto e do produto. 
B) apropriação das propriedades comunitárias. 
C) exploração ampla e injusta da mão de obra. 
D) superação da divisão social do proletariado. 
E) contestação dos ganhos erários da burguesia. 
 
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 Comentários: 
A concepção descrita por Marx, faz parte de uma série de preceitos que abrangem a corrente de 
pensamento chamada comunismo. Ela tem como princípio a crítica ao capitalismo, à propriedade 
privada e à desigualdade entre classes sociais distintas. As mudanças nas relações de produção 
descritas no texto estão ligadas à Revolução Industrial e à especificação das funções produtivas, 
criadas pelos patrões para que seus trabalhadores produzam mais, ao passo que perdem o 
controle do processo completo na constituição dos produtos. 
a) Correto. O trabalhador não tem mais conhecimento sobre toda a cadeia produtiva para a 
constituição do produto. Com as especificações das funções, ele só sabe desempenhar as 
operações nos quais seu patrão o colocou, provocando uma alienação do trabalho desenvolvido 
e provocando uma desvalorização do serviço prestado. 
b) Incorreto. Na sociedade capitalistas as propriedades são de particulares e não comunitárias. 
c) Incorreto. A exploração não é ampla, e sim somente dos trabalhadores industriais. 
d) Incorreto. A consolidação do capitalismo promoveu uma maior oposição e divisão do 
proletariado em relação às classes dominantes. 
e) Incorreto. Isso não tem relação com o texto acima. 
Gabarito: A 
 (UNCISAL 2017) 
A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre 
e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em 
resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora 
franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária 
da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito. Nas mais remotas épocas 
da história, verificamos, quase por toda parte, uma completa estruturação da sociedade em classes 
distintas, uma múltipla gradação das posições sociais. [...] Entretanto, a nossa época [...] 
caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classe. A sociedade divide-se, cada vez 
mais, em dois campos opostos, em duas grandes classes em confronto direto [...]. 
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 1998. p. 40-41. 
As classes sociais de nossa época a que Marx e Engels referem-se são 
A) os ricos e os pobres. 
B) os políticos e o povo. 
C) a burguesia e o proletariado. 
D) a classe alta e a classe baixa. 
 
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E) os industriais e os dirigentes sindicais. 
 Comentários: 
O texto faz parte de um escrito de dois pensadores europeus do século XIX chamados Karl Marx 
e Frederich Engels. Os dois intelectuais fundamentaram o que conhecemos por socialismo 
científico, ou comunismo. Entre suas principais ideias estão a crítica ao capitalismo com o objetivo 
de superá-lo com base em um sistema em que não existem classes sociais e há uma igualdade 
social. Essa teoria dialogou com os teóricos do socialismo utópico demonstrando os limites de 
suas elaborações. Vale lembrar que o Comunismo é um conjunto de ideias destinadas a explicar 
e alterar os mecanismos de exploração do sistema capitalista, desvendando, portanto, a origem 
dessa exploração para, assim, superar as desigualdades entre as classes sociais. Nessa teoria, a 
propriedade privada dos meios de produção é considerada a origem das desigualdades e, 
portanto, da dominação de um homem sobre o outro. Ou melhor, de uma classe sobre a outra, já 
que, a teoria se desprende do individualismo marcante do liberalismo e estabelece suas análises 
a partir da ideia de classes sociais. Percebe-se pelo texto que o antagonismo entre as classes 
sociais não é explicado como elemento moral ou ético, no sentido dos bons contra os maus. O 
que diferencia as classes sociais é o fato de uns serem proprietários dos meios de produção e os 
outros terem apenas o controle sobre sua força de trabalho. Isso geraria interesses distintos e 
inconciliáveis, apesar de serem, contraditoriamente, dependentes. 
Desse jeito as classes sociais, as quais Engels e Marx se referem, são: 
a) Incorreto. As classes sociais marxistas não são separadas entre quem possuem dinheiro ou não, 
e sim quem detêm os meios de produção e a força de trabalho na sociedade do século XIX. 
b) Incorreto. O significado de “povo” surgiu durante as ondas nacionalistas que penetraram a 
Europa durante o século XIX, porém ele não se designava como uma classe social. Ele está ligado 
a uma ideia de nação e uma identidade local dos que se identificavam com seus territórios. 
c) Correto. Em meio à consolidação do sistema capitalista e à expansão da Revolução Industrial 
no Velho Continente, as massas trabalhadoras e operarias passaram a ser chamadas de 
Proletariado. Enquanto isso, seus patrões eram formados pela Burguesia. Vale ressaltar que 
diferentemente das Revoluções dos séculos anteriores, no século XIX, as camadas burguesas 
passam a ser tornar conservadoras à medida que assumiam o poder. Assim, eles passam a entrar 
em choque com os interesses dos trabalhadores, formando a luta de classes em que Marx afirma 
existir no Manifesto Comunista lido acima. 
d) Incorreto. Essa divisão entre Alta e Baixa no período retratado no enunciado pertencia a mesma 
classe, a Burguesia. Não a duas classes antagônicas como falado no excerto. 
e) Incorreto. Industriais e dirigentes sindicais não eram classes, e muitas vezes seus representantes 
não tinham posicionamento antagônico uma vez que os dirigentes sindicais surgem a partir de 
trabalhadores industriais. 
Gabarito: C 
 (Ufsc 2020) 
 
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Texto 1 
“Nesse contexto, entendo que ‘barbárie’ signifique duas coisas. Primeiro, ruptura de regras 
e comportamento moral pelos quais todas as sociedades controlam as relações entre seus 
membros e, em menor extensão,entre seus membros e os de outras sociedades. Em 
segundo lugar, ou seja, mais especificamente, a reversão do que poderíamos chamar de 
projeto do Iluminismo do século XVIII, a saber, o estabelecimento de um sistema universal 
de tais regras e normas de comportamento moral, corporificado nas instituições dos Estados 
e dedicado ao progresso racional da humanidade: à Vida, Liberdade e Busca da Felicidade, 
à Igualdade, Liberdade e Fraternidade ou seja lá o que for. [...] Entretanto, o que torna as 
coisas piores, o que sem dúvida as tornará piores no futuro, é o constante desmantelamento 
das defesas que a civilização do Iluminismo havia erigido contra a barbárie, e que tentei 
esboçar nesta palestra. O pior é que passamos a nos habituar ao desumano. Aprendemos a 
tolerar o intolerável”. 
HOBSBAWM, Eric. Barbárie: manual do usuário. In: HOBSBAWM, Eric. Sobre história. São 
Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 268, 269, 279. 
Texto 2 
“[...] desenvolvemos um conjunto de quatro sinais de alerta que podem nos ajudar a 
reconhecer um autoritário. Nós devemos nos preocupar quando políticos: 1) rejeitam, em 
palavras ou em ações, as regras democráticas do jogo; 2) negam a legitimidade de 
oponentes; 3) toleram e encorajam a violência; e 4) dão indicações de disposição para 
restringir liberdades civis de oponentes, inclusive a mídia”. 
LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Jorge 
Zahar, 2018. p. 32. 
Com base nos textos acima e nos conhecimentos de História, é correto afirmar que: 
01. de acordo com o Texto 1, os filósofos iluministas padeciam de contradições; criticavam 
aqueles que se opunham às monarquias absolutistas e defendiam restrições às liberdades 
individuais, entretanto alardeavam que suas ideias eram inéditas e iluminadas. 
02. os Textos 1 e 2 concordam ao afirmar que os conceitos de igualdade e de democracia 
fortaleceram-se progressivamente até estarem plenamente consolidados nos dias atuais. 
04. o uso do Estado para perseguir opositores e censurar opiniões divergentes é 
característico da França pré-revolucionária; após a Revolução Francesa, os políticos dos 
países ocidentais não mais adotaram comportamentos como os descritos no Texto 2. 
08. tanto o autor do Texto 1 quanto os autores do Texto 2 demonstram preocupação com o 
avanço de práticas autoritárias nas democracias modernas, colocando em risco alguns 
postulados da democracia. 
16. inspirada por ideais iluministas, a Revolução Francesa teve fases e projetos políticos 
distintos: durante a República Jacobina, houve ações voltadas aos interesses das classes 
populares, como facilitar a aquisição de terras para o pequeno produtor e tabelar gêneros 
 
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de primeira necessidade, já a “Reação Termidoriana” foi marcada pela aliança entre a alta 
burguesia francesa e o exército de modo a impedir tanto o retorno dos jacobinos quanto o 
do Antigo Regime. 
32. o Congresso de Viena, de 1815, buscava restaurar o poder das dinastias após a derrota 
de Napoleão e suplantar as ideias liberais engendradas pela Revolução Francesa. 
64. os autores do Texto 2, ao descreverem as características de um político autoritário, 
referem-se a Napoleão Bonaparte, conhecido como o primeiro imperador populista da 
Europa. 
Comentários 
Essa é uma boa questão para revisarmos os conteúdos das aulas 08, 09 e 10. Mas vamos por 
partes. Em primeiro lugar, vamos identificar os elementos que podem nos ajudar a interpretar a 
questão. O tempo não está muito bem definido no enunciado. Apenas um dos textos cita o século 
XVIII, momento de propagação das ideias iluministas e consolidação de novos pactos sociais que 
criaram uma nova concepção de civilização em contraposição a uma ideia de barbárie. Mas ao ver 
as alternativas, vemos que são abordados acontecimentos desde o século XVIII até 1815, 
aproximadamente. Portanto, podemos considerar que este é o espaço de tempo que temos que 
considerar aqui. O espaço seria a Europa. Em um tempo e espaço tão amplos, podemos definir o 
tema como as tensões entre o liberalismo e o absolutismo. 
Apesar do iluminismo ter dado espaço par a elaboração do liberalismo como crítica ao absolutismo 
essas duas coisas não eram inconciliáveis. Lembre-se que em alguns países, tivemos o despotismo 
esclarecido, sob o qual reis absolutistas se apropriavam de ideias iluministas e liberais para 
aprimorar o funcionamento do Estado e/ou diminuir a influência da Igreja no governo. Além disso, 
o pensamento iluminista gerou transformações nos hábitos mais cotidianos, sobretudo da vida da 
burguesia e da nobreza. As leituras de debates públicos se popularizaram, as normas de ética, as 
artes e a ciência eram cada vez mais valorizadas. Outro exemplo é a crescente legitimidade da 
justiça institucional para a resolução dos conflitos entre súditos ou cidadãos. Além disso, 
gradativamente a execução das penas deixava de ser realizada em espaços públicos para ter lugar 
nas cadeias muradas. O filósofo e historiador Michel Foucault, em seu livro Vigiar e Punir, descreve 
esse processo ocorrido durante o século XVIII na França e sua relação com a propagação dos 
ideais iluministas e liberais. Tudo isso contribuiu para a definição de certas características de 
conferiam o status de civilização a determinadas pessoas, povos e países. É a ruptura com essas 
características, ou valores, propagados pelo iluminismo, que o autor do Texto I chama de 
“barbárie”. O Texto II, por sua vez, é mais genérico e ressalta elementos no comportamento de 
certos políticos que denunciam seu caráter autoritário. Quando interpretado em relação ao Texto 
I, podemos intuir que tais elementos se enquadram no que foi definido como “barbárie”, pois 
seriam sinais da ruptura com a democracia liberal proposta pelos iluministas. 
Esses dois textos foram escritos no século XX e estão tentando compreender o surgimento e 
popularização do fascismo como filosofia política, a qual ganhou espaço em muitos governos ao 
longo desse século, como na Itália, Alemanha e mesmo no Brasil, nos anos 1930. Basicamente, o 
fascismo é uma ruptura com o ideal iluminista e liberal ao mesmo tempo que combate as ideias 
 
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socialistas e anarquistas. Veremos mais sobre isso nas próximas aulas. O que interessa para nós 
agora é que essa ruptura também ocorreu ao longo do século XIX, período no qual muitas 
revoluções liberais, socialistas e anarquistas ocorreram pela Europa e foram combatidas por 
aqueles que tentavam restaurar o Antigo Regime. Durante esse século, liberais também acabaram 
rivalizando com socialistas e anarquistas ao passo que duas divergências ficavam mais explícitas 
quando os restauracionistas eram derrotados. Com esse contexto em mente, vamos analisar as 
alternativas para identificar aquelas que são corretas: 
01. Incorreto. Essa afirmação contradiz completamente o Texto I e o que expliquei no 
comentário. De fato, os iluministas tinham muitas contradições. Alguns defendiam o 
republicanismo, outros a monarquia parlamentarista. Havia aqueles que criticavam a propriedade 
privada, outros que a defendiam. Porém, eles concordavam na crítica ao absolutismo e à Igreja, 
assim como na defesa das liberdades individuais. 
02. Incorreto. Nenhum dos textos afirma isso. Na verdade, ambos expressam a preocupação e 
a tentativa de entender como a igualdade e a democracia sofreram vários abalos mesmo depois 
de tantos movimentos intelectuais e revolucionários pelos quais passou o continente europeu. 
04. Incorreto. A censura e a perseguição a opositores continuou sendo uma prática comum na 
Europa, inclusive entre os governos revolucionários na França. A República Jacobina, por exemplo, 
promoveu o “Terror Vermelho”, uma grande perseguição e execução de seus adversáriospolíticos. O Diretório, o Consulado e o Império napoleônico, governos liderados pela alta 
burguesia em aliança com o exército, também praticaram tais comportamentos. Em outros 
lugares, como na Prússia, Áustria e Rússia onde o absolutismo ainda tinha muita força, censura, 
perseguições e assassinatos políticos também era práticas corriqueiras do Estado ao longo de 
todo o século XIX. 
08. Correto! Como disse no comentário, esses textos foram escritos após as experiências 
nazifascistas do século XX. Nesse momento, percebeu-se a fragilidade das democracias ocidentais 
e se iniciou um esforço entre os intelectuais para compreender como isso era possível após todas 
as transformações causadas pelo iluminismo e pelas revoluções que ocorriam desde o fim do 
século XVIII. 
16. Correto! De fato, a Revolução Francesa foi muito influenciada pelos ideais iluministas. 
Contudo, o primeiro governo revolucionário decidiu por instaurar uma monarquia constitucional, 
aos moldes ingleses. Porém, isso não agradou muita gente para além da alta burguesia e em 1792 
os setores mais populares dos revolucionários tomaram o poder e deram início a primeira 
república francesa (1792-1795). A República Jacobina teve lugar entre 1793 e 1794, quando o 
governo foi liderado por Maximilien Robespierre e pelo Clube Jacobino. Esse grupo era composto 
por pequenos comerciantes, profissionais liberais e trabalhadores. Eles reivindicavam uma 
democracia mais ampla e maior justiça social. Contudo, foram extremamente autoritários com seus 
opositores políticos e promoveram o “Terror Vermelho”, momento em que perseguiram e 
executaram muitas pessoas que faziam qualquer crítica à revolução. Esse governo foi derrubado 
em 1795 e os girondinos voltaram a assumir a liderança política da nação, episódio que ficou 
conhecido como Reação Termidoriana. Eles instauraram o Diretório que durou até 1799. O novo 
 
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governo revogou várias medidas aplicadas pelos jacobinos, como a restauração do voto censitário. 
Consequentemente, a participação política nas instituições ficou mais restrita novamente. 
32. Correto! O governo do Diretório não conseguiu estabilizar a situação política e econômica 
da França. Por isso, o descontentamento popular tomou as ruas. O governo girondino, então, 
aplicou a velha estratégia da censura e da perseguição política, regada de execuções públicas, 
momento que ficou conhecido como “Terror Branco”. Contudo, isso não intimidou a população 
que cobrava o retorno da Constituição de 1793, promulgada pela primeira república francesa. A 
saída encontrada por um setor dos girondinos foi se aliar ao exército para dar um golpe em seu 
próprio governo, que ficou conhecido como Golpe do 18 Brumário. A aliança com o exército era 
estratégica, pois a corporação gozava de grande prestígio popular devido a sua atuação nas 
batalhas para defender a França revolucionária dos ataques das monarquias absolutistas vizinhas 
que temiam que a revolução se expandisse para seus territórios. Naquele momento, a figura mais 
prestigiada em todas as classes sociais era o general Napoleão Bonaparte que se destacou 
naquelas batalhas por sua coragem e liderança. Foi justamente ele que foi escolhido para compor 
o novo governo chamado de Consulado. Este seria composto por três cônsules, cujo o primeiro 
era Napoleão. Os objetivos não eram muito diferentes do Diretório: impedir o retorno do Antigo 
Regime e dos jacobinos, mas também tinha a intenção estabilizar a situação política e econômica 
da França e promover sua industrialização. Apesar de implantar várias reformas de caráter liberal, 
Napoleão não extinguiu a nobreza, distribuiu títulos e cargos para seus familiares e aliados, 
buscando concentrar cada vez mais poder em suas mãos. Assim, em 1804, proclamou-se 
imperador e deu início a uma expansão territorial por meio da guerra, com o intuito de propagar 
as ideias liberais e impor o monopólio francês sobre o comércio em todo o continente. Nesse 
processo, vários países foram invadidos e diversas monarquias foram derrubadas. Napoleão só foi 
derrotado em 1814 pelas forças conjuntas de Inglaterra, Rússia, Prússia e Áustria. Após a vitória, 
essas nações e a antiga dinastia real francesa realizaram o Congresso de Viena, cujo objetivo era 
restaurar todas as monarquias desde a Revolução Francesa e restaurar o Antigo Regime no 
continente tal como era antes de 1789. Todavia, Napoleão ainda retornaria e conseguiria governar 
a França por mais cem dias, quando as tropas das nações adversárias o derrotaram novamente e 
puderam dar continuidade ao plano de restauração. 
64. Incorreto. A descrição do Texto II poderia se encaixar à Napoleão. No entanto, ele não foi 
populista, pois o populismo é uma tradição política que surgiu apenas no século XX, mais 
especificamente em países da América Latina, como no governo de Getúlio Vargas (Brasil), Juan 
Domingo Péron (Argentina), Lázaro Cárdenas (México) e Salvador Allende (Chile). Portanto, seria 
um anacronismo classificar Napoleão como um imperador populista. 
Gabarito: 08 + 16 + 32 = 56. 
 (Ufsc 2018) 
As revoluções liberais do século XIX 
“No começo do século XIX, a burguesia europeia adotava uma posição política mais 
reformista do que revolucionária. A população pobre, por sua vez, ansiava por 
transformações mais radicais. 
 
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Para manter sua hegemonia política, a burguesia buscou influenciar os movimentos sociais 
da época, procurando impor valores liberais, como a igualdade perante a lei, o direto à 
propriedade e a liberdade individual. Desse modo, as revoluções da primeira metade do 
século XIX ficaram conhecidas como revoluções liberais, por terem sido conduzidas pela 
burguesia com base na ideologia liberal”. 
PELLEGRINI, Marco César; DIAS, Adriana Machado; GRINBERG, Keila. #Contato História. 2º 
ano. 1. ed. São Paulo: Quinteto Editorial, 2016, p. 221. 
A respeito das revoluções liberais e dos cenários político, social e econômico da Europa ao 
longo do século XIX, é correto afirmar que: 
01. liderado por Napoleão Bonaparte, o Congresso de Viena, ocorrido em 1815, reuniu 
lideranças das potências europeias com o objetivo de fortalecer os princípios liberais 
burgueses. 
02. em um período conhecido como Primavera dos Povos (1848), intensos movimentos 
revolucionários eclodiram em várias cidades da Europa, com grande participação das massas 
populares, gerando mudanças no perfil político do continente. 
04. o nacionalismo foi um dos elementos aglutinadores de forças durante o século XIX, 
contribuindo decisivamente para as unificações nacionais e o surgimento de novos Estados. 
08. a intensa participação política da burguesia, com o apoio das camadas mais populares, e 
a adoção de ideias liberais foram decisivas para a consolidação do processo de 
industrialização da Rússia ainda no início do século XIX. 
16. na França, as revoluções liberais do século XIX proporcionaram o acirramento das 
rivalidades entre diversos setores da sociedade e resultaram na proclamação da segunda e 
da terceira repúblicas. 
32. no início do século XIX, a expansão do processo de industrialização em diversos países 
europeus resultou na criação de uma organização de defesa das ideias liberais burguesas, a 
Santa Aliança. 
64. ao mesmo tempo que as ideias liberais burguesas consolidavam-se junto ao crescente 
processo de industrialização, a causa operária tornava-se tema de estudo de diversos 
intelectuais, dedicados à defesa do anarquismo e do socialismo. 
Comentários 
Antes de tudo, vamos identificar os três elementos básicos que podem ajudar na interpretação da 
questão! O tempo é a primeira metade do século XIX. O espaço é a Europa. O tema são as 
revoluções liberais entre 1830 e 1848. Lembre-se que estudamos quenesse período o continente 
europeu passava por muitas turbulências. Desde a Revolução Francesa, na última década do 
século XVIII, diversos levantes se espalharam pelos países europeus com o objetivo de combater 
o absolutismo reinante no continente. Com a coroação de Napoleão Bonaparte como imperador 
da França um novo ciclo de guerras e conflitos armados se iniciou. O Império francês iniciou um 
movimento de expansão por meio da guerra, com dois objetivos: propagar as ideias liberais e 
 
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estabelecer o monopólio francês sobre o comércio europeu. Em 1814, as tropas da coalização 
formada por Inglaterra, Prússia, Rússia, Áustria e pela família real francesa (os Bourbon) e seus 
apoiadores derrotaram o exército napoleônico e restauraram a monarquia na França. Napoleão 
ainda conseguiria retornar e governar a França por mais 100 dias, mas novamente foi derrotado 
em 1815. Nesse meio tempo, as nações em coalizão realizaram o Congresso de Viena cujo objetivo 
era firmarem acordos para restaurar todas as monarquias que caíram desde o início da Revolução 
Francesa, ou seja, restaurar o Antigo Regime tal como era antes de 1789. Inicialmente, o plano 
deu certo. Na França, Luís XVIII foi coroado rei. Contudo, seu sucessor, Carlos X intensificou a 
implementação de políticas absolutistas e despertou novamente o descontentamento popular, 
inclusive da alta burguesia. Assim, uma nova revolução ocorreu na França em 1830, que repercutiu 
em outros países e por isso ficou conhecida como primeira Onda Liberal. Nesse episódio, a 
dinastia Bourbon foi novamente destituída e foi colocado em seu lugar um rei burguês, Luís Filipe 
de Orleans. Ele conseguiu governar até 1848, porém ao longo desses dezoito anos ficou evidente 
para os demais setores da sociedade francesa que ajudaram a derrubar novamente os Bourbon 
que aquele governo não contemplava seus interesses, apenas os da alta burguesia. Então, naquele 
ano mais uma revolução teve lugar para derrubar a monarquia burguesa. 
Todavia, a descrição do texto exposto na questão enfoca mais a situação dos movimentos liberais 
de 1830, nos quais a alta burguesia teve um papel liderança maior. O caráter reformista da 
burguesia fica evidente quando, ao derrubar pela segunda vez a dinastia Bourbon, é coroado um 
rei burguês ao invés de substituir a monarquia como regime político. Agora, repare que temos 
que assinalar a alternativa correta com base nesse contexto. Então, vejamos: 
01. Incorreto. Na verdade, o Congresso de Viena foi criado justamente para combater os 
valores liberais burgueses e reverter a situação criada pela Revolução Francesa e mais tarde por 
Napoleão. Ou seja, o objetivo principal era restaurar as monarquias derrubadas ao longo desde 
1789 e restaurar o Antigo Regime na Europa. Participaram do congresso Inglaterra, Rússia, Prússia, 
Áustria e monarquistas franceses, especialmente a antiga família real, os Bourbon. 
02. Correto! Como falei no comentário, os dezoito anos do reinado de Orleans explicitaram 
que a burguesia francesa não atenderia os interesses da maioria da população que ajudou a 
derrubar os Bourbon. A população queria mudanças que radicalizassem a democracia. A situação 
precária das condições de vida e trabalho dos operários e camponeses proporcionada pelas 
transformações da Revolução Industrial se somaram às insatisfações populares. Assim, ficava nítido 
que os interesses dos trabalhadores não poderiam ser conciliados com os da burguesia. Os limites 
do liberalismo chamavam mais atenção à medida que os novos governos liberais não solucionavam 
as crises sociais e políticas, abrindo oportunidade para que novas teorias sociais fossem elaboradas 
como o socialismo e o anarquismo. 
04. Correta! Aos ideais liberais se conjugaram os nacionalistas, ideologia que crescia e dava outros 
contornos ao movimento político liberal contra o absolutismo. O nacionalismo é um movimento 
baseado, de modo geral, na noção de povo. Um povo que pertence a uma territorialidade. 
Nacionalidade e identidade se relacionam, pois, a identidade se dá por meio dos aspectos étnicos, 
linguísticos, culturais e históricos. Com as invasões napoleônicas, as áreas ocupadas, como partes 
da atual Itália e Alemanha, tiveram movimentos locais que reagiam contra a invasão estrangeira. 
 
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Com isso, surgiu uma outra forma de exaltação da nação: a resistência contra os invasores. Em 
outras palavras, a identidade nacional também criava oposições mais visíveis. Mas atenção! 
Nacionalismo não se confunde com patriotismo. O nacionalismo compreende a noção liberal de 
autodeterminação do povo, ou seja, o direito de os povos escolherem quem irá governar a nação. 
O indivíduo é o centro e a nação é a expressão coletiva, territorial e jurídica dos direitos civis e 
políticos. Já o patriotismo é expressão cunhada por grupos conservadores, sobretudo no século 
XX, para uma nova forma de sobreposição do Estado ao indivíduo. Mussolini e o fascismo italiano 
foram expressão desse patriotismo clássico, por isso a frase dele: “Nada sem o estado, nada contra 
o estado e nada fora do Estado”. Assim, no século XIX, o nacionalismo foi expresso pelos seguintes 
ideais: 1) Independência Nacional, isto é, o direito de todos os povos de lutar por sua 
independência como nação; 2) Autodeterminação, ou seja, o direito dos povos de escolher por si 
mesmos os sistemas políticos, forma de governo dentro de um território unificado. Ou seja, é onde 
se concretizam os direitos civis e políticos de cada cidadão. 
08. Incorreto. A Rússia não se industrializou durante o século XIX. Lá, a burguesia não era tão 
numerosa, nem desenvolvida. Era um dos poucos lugres onde o Antigo Regime ainda estava 
praticamente intacto sob o absolutismo czarista apoiado pela nobreza feudal. Portanto, a Rússia 
continuou sendo um país predominantemente agrário e as relações de trabalho se davam por 
meio da servidão até o final desse século. 
16. Correto! Está de acordo com o que falei no comentário e na explicação da alternativa “02”. 
Conforme os burgueses assumiram o governo francês, após 1830, ficou cada vez mais evidente 
que eles não pretendiam atender as reivindicações dos demais setores que auxiliaram na 
derrubada da dinastia Bourbon naquele ano. Assim, começava a se consolidar a luta de classes 
entre burguesia e trabalhadores na França, que gerou uma nova revolução em 1848 que deu início 
à Segunda República. Esta foi derrubada por meio de um golpe de Luís Napoleão Bonaparte, em 
1851. No ano seguinte, ele se proclamou imperador sob o nome de Napoleão III. Seu governo 
novamente favoreceu a alta burguesia, além de ser bastante autoritário contra os opositores 
políticos. Contudo, em 1870, com a derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana e a captura do 
imperador pela Prússia, criou a necessidade de um governo provisório. Este negociou o armistício, 
mas os termos não agradaram a maioria da população. A repercussão disso foi a instalação da 
Comuna de Paris, um governo municipal composto por socialistas e anarquistas, em 1871. Com a 
eleição desse ano, a terceira república foi consolidada, mas era liderada pelos conservadores e 
em dois o governo central deu início a perseguição dos integrantes da Comuna, botando dando 
fim a essa experiência socialista. No entanto, a república continuou sendo o regime de governo. 
32. Incorreto. A Santa Aliança era o nome dado às tropas organizadas pelas nações 
participantes do Congresso de Viena, ocorrido entre 1814 e 1815. Seu principal objetivo era 
derrotar Napoleão Bonaparte e restaurar o Antigo Regime na Europa, tal qual era antes de 1789. 
64. Correto! É como disse no comentário e nas explicações das alternativas “02” e “16”. À 
medida que ficava nítido que os interesses burgueses baseadosna ideologia liberal não atendiam 
às demandas das demais classes sociais, principalmente dos trabalhadores, novas teorias sociais e 
políticas começaram a tomar corpo. Entre elas, o socialismo e o anarquismo, os quais defendiam 
a melhoria nas condições de vida e trabalho dos trabalhadores. Algumas correntes do socialismo, 
 
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como o socialismo científico, e o anarquismo chegavam a defender o fim do capitalismo e da 
propriedade privada. 
Gabarito: 02 + 04 + 16 + 64 = 86. 
 (UFSC – 1997) 
Após a Revolução, Napoleão Bonaparte tornou-se a figura mais importante da vida política 
da França. 
 Sobre sua atuação no governo, é CORRETO assinalar: 
01. Promoveu uma série de guerras, expandindo os domínios da França. 
02. Impôs o idioma francês a todos os países conquistados. 
04. Decidiu invadir Portugal, o que levou à fuga da Corte Portuguesa para o Brasil. 
08. Conduziu suas tropas até a Rússia, culminando com a derrota da França. 
16. Decretou o Bloqueio Continental, determinando que os países europeus fechassem seus 
portos ao comércio inglês. 
Comentários: 
Em termos gerais, a Era Napoleônica é caracterizada por consolidar as conquistas liberais da 
Revolução Francesa e por expandir seus ideais. 
Como vimos na aula, na fase do Império, Napoleão travou uma série de guerras afim de expandir 
o domínio francês na Europa. Após dominar cerca de 1/3 do território europeu, começaram as 
reações ao expansionismo francês, lideradas pela Inglaterra. Isso porque os ingleses se sentiam 
ameaçados (militarmente e economicamente) com a ideia da França se tornar uma potência. 
Assim, a Inglaterra impulsionou a formação de Coligações Internacionais contra a França. Diante 
da impossibilidade de concorrer economicamente com a Inglaterra, visto que ela era a “fábrica do 
mundo”, Napoleão decidiu que a melhor estratégia seria isolá-la. No seguinte trecho da aula 
vemos o desenrolar dessa história: 
“Em 1806, Napoleão decreta o Bloqueio Continental pelo qual os países aliados e sob pressão 
da França deveriam fechar seus portos ao comércio com a Inglaterra. Assim, os diplomatas 
franceses começam uma ofensiva para fazer com que mais e mais países assinassem o Decreto de 
Berlim para isolar completamente a Inglaterra. ” 
A lógica era simples: quem não respeitasse o bloqueio, seria invadido por tropas napoleônicas. 
Tal medida gerou uma série de consequências, inclusive afetando a política brasileira. O Rei Dom 
João VI de Portugal tentou estabelecer uma política de postergação. Seu corpo diplomático 
tentou negociar uma data para a assinatura do acordo e sua adesão ao Bloqueio Continental. E 
sucessivamente foi postergando isso. Até que a França deu um ultimato em Portugal. Nesse 
momento, para não ser morto ou deposto, o Rei fugiu para o Brasil com sua corte, contando com 
o apoio inglês. 
Napoleão perdeu foça após sofrer derrotas consecutivas em território Russo. Nesse cenário, 
ocorreu a 6ª Coalisão contra França formada por Ingleses, Russos, Prussianos e Austríacos, ou seja, 
 
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as grandes Monarquias. Em 06 de abril de 1814 essa aliança invade Paris, depõe Napoleão e o 
manda para a Ilha de Elba, no mar Mediterrâneo 
Tendo tudo isso em mente, sabemos que as proposições 1, 4, 8 e 16 estão corretas. Apesar de 
invadir os países, Napoleão não impôs o francês como língua oficial, portanto a 2 está errada. 
Gabarito: 29 
 (Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes) 
Ludwing Van Beethoven (1770-1827) é um dos maiores nomes da música mundial. Este ano, 
completam-se 250 anos de seu nascimento. O compositor é contemporâneo de muitos 
acontecimentos que sacudiram a Europa, como a Revolução Francesa, sendo influenciado 
pelas ideias ali propagadas. Não por menos ele teria cunhado: Não há nada de mais belo do 
que distribuir a felicidade por muitas pessoas. Algo muito próximo aos lemas da igualdade 
e da fraternidade. Talvez, com a música, Beethoven tenha sido mais revolucionário do que 
muitas lideranças de seu tempo. Apesar de seu entusiasmo com as transformações liberais, 
ele decepcionou-se com Napoleão Bonaparte (1769-1821), para quem chegou a dedicar sua 
Sinfonia n.º 3, quando o general ainda era admirado por Beethoven. Após sua decepção com 
o líder francês ele teria dito: “Se soubesse tanto de estratégia como de música, causaria 
sérios dissabores a Napoleão”. 
Diante dessa breve trajetória das ideias esperançosas de Beethoven com a ascensão do 
liberalismo, pode-se afirmar que o fato que o fez romper com Napoleão Bonaparte foi: 
a) o processo de centralização do poder, culminado na auto coroação de Napoleão como 
Imperador, tomando a coroa das mãos do Papa Pio VII em Notre Dame. 
b) a proximidade de Napoleão com a reação conservadora durante a fase do Termidor da 
Revolução Francesa. 
c) Napoleão ter implantado o Código Napoleônico, em 1804, proibindo o ensino de música 
clássica. 
d) Napoleão ter se aproximado das bandeiras do nascente socialismo francês. 
e) a preferência do Imperador pelas músicas de Wilhelm Richard Wagner, compositor inglês 
que, mais adiante, será venerado pelo ditador Adolf Hitler. 
Comentários 
a) correto. Veja que, dentre as alternativas, é a única que contraria o espírito liberal dos 
processos de transformações que sacudiram a Europa na virada do século XVIII para o XIX. A 
cerimônia de sua coroação, no final de 1804, rompeu padrões. O gesto da autocoroação 
demonstrou que nem mesmo a religião estava acima de seu poder imperial, ou seja, ele passou a 
expressar o oposto do sentido liberal do curso dos acontecimentos até então. 
b) falso, pois, nesta época, Napoleão liderava o exército francês, na condição de 
Comandante, em campanhas no exterior. Ele se tornou Comandante em 1796 e ainda não tinha 
reconhecimento para além das fronteiras. Além disso, neste momento, Napoleão não se 
 
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aproximou da reação conservadora contra revolucionária. Lembre-se que, logo em seguida, em 
1799, Napoleão se torna o primeiro-cônsul do governo do Consulado. 
c) falso, porque o Código estabeleceu muitos elementos de igualdade: a igualdade dos 
franceses perante a lei e o direito à propriedade o Estado laico. Isto é, são demandas no sentido 
do movimento político liberal, condizente com o espírito de Beethoven. Não havia dispositivo 
sobre música clássica no Código Napoleônico. 
d) errado, porque Napoleão não se aproximou das ideias socialistas, o programa de 
governo napoleônico transitou entre o liberal e o estatal conservador, quando se tornou 
Imperador. 
e) errado. Wilhelm Richard Wagner (1813-1883), maestro e compositor alemão, não poderia 
ter caído no gosto de Napoleão, por uma questão temporal. Mas nem seria possível saber o 
período da vida de Wagner, Alê!!! Compreendo queridos, mas a parte mais importante dessa 
afirmação é que Hitler fez uso das óperas de Wagner a favor do nazismo, e isso é um conhecimento 
que é passado quando estudamos nazismo. Agora, para considerar a alternativa incorreta mesmo, 
bastava se questionar se seria possível Hitler venerar alguém que não fosse alemão. 
Gabarito: A 
 (Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes) 
As unificações da Itália e da Alemanha demonstram a concepção de nacionalidade capaz de 
elaborar programas políticos que fundamentaram a ação de diferentes grupos com objetivos 
de unificar territórios. Esses programas podem ser definidos como: “a necessidade para cada 
povo de um Estado totalmente independente, homogêneo territorial e linguisticamente, 
laico, provavelmente, parlamentar”. (HOBSBAWN, Eric. A Era do Capital. São Paulo: Ed. Paz 
e Terra, 2013, p 147). 
A passagem acima marcadiferenças entre a formação da Itália e da Alemanha, por um lado, 
e demais países europeus, por outro. Um dos pontos que sintetiza uma diferença presente 
na Itália e na Alemanha pode ser sintetizado na seguinte elaboração: 
a) sobreposição de práticas feudais. 
b) atraso na formação do Estado-nação. 
c) baixa capacidade de racionalização da administração do território. 
d) atraso cultural. 
e) capitalismo tardio. 
Comentários 
a) falso, pois a unificação desses países ocorreu no século XIX, ou seja, em um momento em 
que as relações feudais já tinham sido superadas. 
b) correto. Nessas duas regiões, embora os povos se considerassem culturalmente uma 
nação, não ocorria um processo que lhes fizesse estabelecer um “estado-nação”. Por isso, 
na primeira metade do século XIX, as regiões onde viviam povos italianos e germânicos não 
 
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se constituíram como Estados-Nacionais. Por exemplo, o primeiro ministro do Império 
Austríaco, Metternich, afirmava que a Itália não passava de uma “mera expressão 
geográfica”. Isso justificou a dominação de grande parte do norte da Itália pelos austríacos. 
c) errado, porque no caso da Alemanha, o Chanceler Otto von Bismark promoveu a ideia de 
criar um espírito e sentimento de exaltação nacionalista por meio da industrialização e de 
guerras com supostos inimigos estrangeiros. Para tanto, precisou aprimorar a racionalização 
estatal. Não por menos, esse período da história alemã será fonte de inspiração do sociólogo 
Max Weber. 
d) errado, pois o texto do enunciado exalta características culturais dos povos regionais. 
e) falso, pois na Alemanha Bismark tentou puxar o desenvolvimento capitalista. Além disso, 
essa é uma tese que não existe para esses países. 
Gabarito: B 
 (Estratégia Vestibulares/2020/professora Alê Lopes) 
É sabido que o século XIX contou com o surgimento de diversas teorias críticas ao 
capitalismo, como a seguinte declaração: “Não e das leis humanas, mas da natureza, que 
emana o direito de propriedade individual; a autoridade pública não pode, pois, aboli-lo; o 
que ela pode é regular seu uso e conciliá-lo com o bem comum.” Este pensamento é 
vinculado a qual das correntes: 
a) comunismo. 
b) anarquismo. 
c) doutrina social da Igreja católica. 
d) doutrina cooperativista liberal. 
e) ética protestante. 
Comentários 
Para responder à questão, segue um trecho da aula da profe: 
A doutrina social da Igreja se desenvolveu no contexto do final do século XIX, ou seja, no auge do 
desenvolvimento capitalista, bem como no auge dos conflitos com a classe operária. Diante a 
“questão operária”, como eram conhecidas as demandas exigidas pelos trabalhadores – como a 
diminuição da jornada de trabalho, abolição do trabalho infantil e feminino noturno, férias, entre 
outros – a Igreja Católica procurou intervir afirmando seu papel importante para a tentativa de 
solução desses conflitos. 
Portanto, em um cenário com tantos projetos, propostas e debates, ela precisava posicionar-se 
teoricamente, demonstrando como via o mundo. 
O principal documento da teoria social da Igreja católica é a Encíclica Rerum Novarum, do Papa 
Leão, de 1891. O Papa defende que fora dos valores da religião não há solução para a questão 
operária. Como menciona Claudio Fonteles , já na introdução do documento, o Papa demonstra 
 
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suas preocupações com “a soberania política, a liberdade humana, a constituição cristã dos 
estados”. Seu objetivo é buscar uma solução conforme a justiça e a equidade. E, assim, “aproximar 
os ricos e os pobres” 
Veja, que a teoria social da Igreja é antiliberal e antissocialista, uma vez que defende a propriedade 
privada, mas compreende que ela deva se comprometer com a dimensão social dos envolvidos 
no processo produtivo. Com isso podemos afirmar que ela nega a chamada “luta de classes” e 
propõe a colaboração entre patrões e empregados. Afirma a o item 28 da Encíclica: 
“Não e das leis humanas, mas da natureza, que emana o direito de propriedade individual; a 
autoridade pública não pode, pois, aboli-lo; o que ela pode é regular seu uso e conciliá-lo com o 
bem comum.” 
Para o processo histórico isso importou muito na defesa da regulamentação das leis trabalhistas 
que geraram proteção social ao trabalhador, limitando o nível de exploração e uso das forças 
produtivas da classe operária. 
Além disso, ressalto algo fundamental nessa teoria que é o papel que a Igreja atribui aos 
governantes e ao Estado. Em nome da equidade social, a Igreja atribui ao Estado um papel de 
responsabilidade com os pobres. Ou seja, na teoria liberal clássica o Estado deve ter um papel 
negativo, não intervir na vida particular das pessoas, bem como na economia. Mas, para a teoria 
social católica, o Estado deve ter também um papel positivo atuando na proteção dos 
“desafortunados”. 
Por isso, as palavras chaves para entender esse pensamento são: justiça social, caridade, 
associativismo e assistência social. No século XX, a Igreja Católica fará novas Encíclicas no mesmo 
sentido da Rerum Novarum, conhecidas como Populorium Progressio (1967) e Caritas in Veritate 
(2009). 
O assunto é pertinente em vista do ano pandêmico e da posição da Igreja Católica, na figura do 
Papa Francisco. 
a) e b) não poderiam ser o gabarito porque são correntes ideológicas que pregam o fim da 
propriedade privada. 
d) falso, pois, a rigor, essa denominação não existe, por mais que muitas cooperados acabem 
sendo, na prática, liberais no propósito econômico. Entenda, não no sentido teórico, mas sim, no 
desejo de construir um negócio com possibilidade de justiça social. Ahhh, profe, mas temos 
liberais assim? Sim, claro, dos clássicos, como Tocqueville e Stuart Mill, aos mais contemporâneos, 
como John Rawls. 
e) falso, porque foi Weber quem analisou a capacidade de a conduto de vida dos protestantes em 
condizer com as melhores práticas para o desenvolvimento da empresa capitalista. Então, não há 
que se falar do protestantismo como uma doutrina crítica ao capitalismo, por mais que, em relação 
à pontos do catolicismo existiam semelhanças. 
Gabarito: C 
 (Estratégia Vestibulares/2020Profe. Alê Lopes) 
 
Profe Alê Lopes 
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Dentre as alterações político, social e cultural promovidas pelo processo do pensamento 
iluminista, aprofundado pela Revolução Francesa, houve a separação entre poder político e 
poder religioso. Faz parte dos desdobramentos dessa separação: 
a) a concretização da teoria da separação dos poderes entre Executivo, Legislativo e Militar. 
b) a criação de uma ciência fundamentada no direito divino do rei. 
c) a secularização da sociedade, que tornou possível a distinção entre crime e pecado. 
d) a instauração de monarquias presidencialistas esclarecidas. 
Comentários 
a) falso, pois o correto é Executivo, Legislativo e Judiciário, a teria da separação dos poderes 
de Montesquieu. 
b) falso, pois o direito divino do rei é oposto às explicações racionais sobre separação entre 
religião e Estado. A teoria do direito divino do rei, utilizada para fundamentar o poder 
absolutistas do monarca, apregoa que o rei é um legitimo representante de Deus na terra 
e a soberania do Estado está fundada em suas vontades. 
c) É o nosso gabarito. A secularização é a separação entre religião e política, de modo que 
a justiça e a percepção sobre “direito” foram descoladas das vontades religiosas. Veja, 
até antes do Iluminismo, a ideia de crime estava vinculada ao que a Igreja determinava 
como certo ou errado. Os pecadores seriam, por essência religiosa, criminosos. Com a 
secularização e, por conseguinte, com a racionalização da queviria a ser considerado 
como crime, passou-se a conceber o crime por meio de uma noção desvinculada do 
pecado. Não por menos, no século XIX, começam a surgir os estudos da criminologia. 
d) Falso. Cuidado, o correto é despotismo esclarecido, um conceito que se refere às 
monarquias que, influenciadas por ideias iluminista, passaram a considerar novas 
explicações e políticas para governar. 
Gabarito: C 
 (ENEM 2017) 
O dicionário da Real Academia Espanhola não usa a terminologia de Estado, nação e língua 
no sentido moderno. Antes de sua edição de 1884, a palavra nación significava simplesmente 
“o agregado de habitantes de uma província, de um país ou de um reino” e também “um 
estrangeiro”. Mas agora era dada como “um Estado ou corpo político que reconhece um 
centro supremo de governo comum”. 
HOBSBAWM, E. J. Nações e nacionalismo (desde 1870). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990 
(adaptado). 
A ideia de nação como lugar de pertencimento, ao qual os indivíduos têm ligação por 
nascimento, constitui-se na Europa do final do século XIX. Sua difusão resultou 
a) na rápida ascensão de governos com maior participação popular, dado que a unidade 
nacional anulava as diferenças sociais. 
 
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b) na construção de uma cultura que incorporava todas as parcialidades equilibradamente 
dentro de uma identidade comum. 
c) na imposição de uma única língua, cultura e tradição às diferentes comunidades agregadas 
ao Estado nacional. 
d) na anulação pacífica das diferenças étnicas existentes entre as comunidades que passaram 
a compor a nacionalidade. 
e) em um intenso processo cultural marcado pelo protagonismo das populações autóctones. 
Comentários 
a) incorreto, pois não é possível falar em anulação das diferenças sociais já que a sociedade 
burguesa é profundamente desigual. 
b) incorreto, porque as classes populares não participam do Estado nacional ao “pé de 
igualdade” com as classes dominantes. 
c) correto. Veja que aqui a alternativa já começa com um elemento de desigualdade 
importante: a imposição de uma língua. Sim, veja no caso do Brasil. A rigor, sempre houve 
inúmeras línguas indígenas, depois africanas, depois europeias. Ao final, o português é a 
língua oficial. Em países europeus, como na Espanha, a mesma situação, e até mais 
conflituosa, quanto pensamos na região da Cataluña. Além disso, o Estado nacional é 
marcado pela construção de uma identidade juridicamente arquitetada, para que o povo 
residente em determinado território possua um sentido único. Há muito peso ideológico 
nesse processo e há muito peso cultural, mas da cultura dominante. 
d) falso, os processos de construção de Estados nação não foram pacíficos. 
e) falso, as populações originárias (autóctones) são marginalizadas quando não tenham sido 
dizimadas. 
Gabarito: C 
 (ENEM PPL – 2016) 
O mercado tende a gerir e regulamentar todas as atividades humanas. Até há pouco, certos 
campos – cultura, esporte, religião – ficavam fora do seu alcance. Agora, são absorvidos pela 
esfera do mercado. Os governos confiam cada vez mais nele (abandono dos setores de 
Estado, privatizações). 
RAMONET, I. Guerras do século XXI: novos temores e novas ameaças. Petrópolis: Vozes. 
2003. 
No texto é apresentada uma lógica que constitui uma característica central do seguinte 
sistema socioeconômico: 
a) Socialismo. 
b) Feudalismo. 
c) Capitalismo. 
 
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d) Anarquismo. 
e) Comunitarismo. 
Comentários: 
O texto mostra que a lógica do mercado de um certo sistema se tornou mais intensa nos 
últimos tempos. Por se tratar de um texto de 2003, estamos falando do fim do século XX e 
início do XXI. Bem, em 1991, ocorre o fim da Guerra Fria, tendo o capitalismo saído vencedor. 
Nesse sentido, há também o início da globalização econômica, evidenciando cada vez mais 
a hegemonia capitalista. Portanto, alternativa correta é letra c). Vamos olhar porque as 
demais estão incorretas: 
a) O Socialismo pressupõe uma forte intervenção estatal em diversos campos sociais e 
econômicos, não se encaixando, portanto, na descrição do texto. 
b) O Feudalismo é um sistema típico da Idade Média. 
d) O Anarquismo é uma ideologia, não um sistema socioeconômico. 
e) Comunitarismo é um conceito, não exatamente um sistema. 
Gabarito: C 
 (ENEM PPL – 2013) 
Sou um partidário da Comuna de Paris, que, por ter sido massacrada, sufocada no sangue 
pelos carrascos da reação monárquica e clerical, tornou-se ainda mais viva, mais poderosa na 
imaginação e no coração do proletariado da Europa; sou seu partidário sobretudo porque 
ela foi uma negação audaciosa, bem pronunciada, do Estado. 
BAKUNIN, M. apud SAMIS, A. Negras tormentas: o federalismo e o internacionalismo na 
Comuna de Paris. São Paulo: Hedra, 2011. 
A Comuna de Paris despertou a reação dos setores sociais mencionados no texto, porque 
a) instituiu a participação política direta do povo. 
b) consagrou o princípio do sufrágio universal. 
c) encerrou o período de estabilidade política europeia. 
d) simbolizou a vitória do ideário marxista. 
e) representou a retomada dos valores do liberalismo. 
Comentários: 
A Comuna de Paris foi o primeiro governo operário da história. Ela foi fundada em março de 
1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante a invasão por parte do Reino 
da Prússia. Importante lembrar que entre 1870 e 1871 ocorria a Guerra Franco-Prussiana. 
Voltando à Comuna, ela era composta por noventa pessoas eleitas pelo voto universal 
masculino. Seus integrantes representavam diferentes vertentes socialistas, dentre elas o 
marxismo. O movimento revolucionário, organizado pelos revoltosos durante o governo da 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
Comuna de Paris, promoveu a separação entre o Estado e a Igreja (Estado laico). Além disso, 
a cidade de Paris foi administrada pelos funcionários, isto é, trabalhadores eram eleitos para 
o cargo e a organização das fábricas ficou sob responsabilidade dos operários. Portanto, a 
Comuna se caracterizou pela autogestão, ou seja, as administrações e as organizações eram 
realizadas pelos próprios trabalhadores, escolhidos por votação direta. Apenas 2 meses após 
seu início, a Comuna foi duramente reprimida pelas forças da III República Francesa. Vejamos 
as alternativas: 
a) Correta. A Comuna de Paris de 1871 foi uma reação ao abandono dos governantes da 
França frente a um enorme cerco prussiano, dentro da pequena duração da Comuna a 
administração municipal que resistia à invasão e ao sistema capitalista tinha um sistema 
político de participação direta dos trabalhadores. 
b) Incorreta. O sufrágio era universal apenas para os homens. 
c) Incorreta. A Europa não vivia um momento de completa estabilidade política no século 
XIX. 
d) Incorreta. Bem, essa poderia ter sido marcado pois, de certa forma, a comuna foi um 
movimento com influência marxista. No entanto, levando em consideração o conteúdo do 
texto, a alternativa a) está “mais certa”. 
e) Incorreta. A Comuna não resgatou princípios liberais. 
Gabarito: A 
 (ENEM 2ª APLICAÇÃO – 2012) 
De acordo com algumas teorias políticas, a formação do Estado é explicada pela renúncia 
que os indivíduos fazem de sua liberdade natural quando, em troca da garantia de direitos 
individuais, transferem a um terceiro o monopólio do exercício da força. O conjunto dessas 
teorias é denominado de 
a) liberalismo. 
b) despotismo. 
c) socialismo. 
d) anarquismo. 
e) contratualismo. 
Comentários: 
A questão faz referência ao contratualismo, uma teoria criada para explicar o surgimento da 
sociedade. Esta teoria é baseada na ideia de que os seres humanos viviamem um estado 
pré-social, chamado de estado de natureza e abandonaram-no para firmar um pacto, o 
contrato social. Os pensadores que desenvolveram essa escola de pensamento são 
conhecidos como filósofos contratualistas. Eles afirmam que antes do contrato social, todos 
os seres humanos eram livres e iguais, vivendo de acordo com as leis da natureza. Entretanto, 
vão firmar um pacto social e abandonar a sua liberdade natural para a construção de uma 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
sociedade que lhes garantam o direito à propriedade. Assim, o contratualismo vai 
representar o abandono da liberdade natural o surgimento da liberdade civil submetida às 
leis. O Estado nasce com a função de formular leis às quais todos os indivíduos devem seguir. 
Portanto, nosso gabarito é letra e). 
Gabarito: E 
 (ENEM – 2011) 
É uma mudança profunda na estrutura social, isto é, uma transformação que atinge todos os 
níveis da realidade social: o econômico, o político, o social e o ideológico. Uma revolução é 
uma luta entre forças de transformação e forças de conservação de uma sociedade. Quando 
ocorre uma revolução, a vida das pessoas sofre uma mudança radical no próprio dia a dia. 
AQUINO, R. S.L. et al. História das Sociedades: das sociedades modernas às sociedades 
atuais. Rio de Janeiro: Record, 1999 (fragmento). 
Na França, em 1871, após a derrota de Napoleão III na guerra contra a Rússia e a presidência 
de Louis Adolphe Thiers, os trabalhadores franceses organizaram uma rebelião que levou à 
tomada de Paris e à organização de um governo popular, denominado de Comuna de Paris. 
Este processo é considerado como uma importante experiência política, porque 
a) extinguiu definitivamente o voto censitário e instituiu o voto por categoria profissional. 
b) foi a mais duradoura experiência de governo popular na História contemporânea. 
c) criou um Estado dos trabalhadores formado por comunas livres e autônomas. 
d) definiu um Estado voltado para atender os interesses de todas as classes sociais. 
e) substituiu o exército por milícias comandadas pelos antigos generais, mas subordinadas 
ao poder das comunas 
Comentários: 
A Comuna de Paris foi uma experiência inédita na Europa, onde guiados pelas ideias 
socialistas em alta no proletariado desde a metade do século os operários de Paris formaram 
um governo autônomo e de representação direta. Vejamos as alternativas? 
a) Incorreta. Ela instituiu o voto universal masculino. 
b) Incorreta. A Comuna durou apenas 2 meses. 
c) Correta, conforme discutimos. 
d) Incorreta. O Estado atendia aos interesses do proletariado. 
e) Incorreta. O exército não foi substituído por milícias. 
Gabarito: C 
 (ENEM 2ª APLICAÇÃO – 2010) 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
O movimento operário ofereceu uma nova resposta ao grito do homem miserável no 
princípio do século XIX. A resposta foi a consciência de classe e a ambição de classe. Os 
pobres então se organizavam em uma classe específica, a classe operária, diferente da classe 
dos patrões (ou capitalistas). A Revolução Francesa lhes deu confiança: a Revolução Industrial 
trouxe a necessidade da mobilização permanente. 
(HOBSBAWN, E. J. A era das revoluções. São Paulo: Paz e Terra, 1977.) 
No texto, analisa-se o impacto das Revoluções Francesa e Industrial para a organização da 
classe operária. Enquanto a “confiança” dada pela Revolução Francesa era originária do 
significado da vitória revolucionária sobre as classes dominantes, a “necessidade da 
mobilização permanente”, trazida pela Revolução Industrial, decorria da compreensão de 
que: 
a) a competitividade do trabalho industrial exigia um permanente esforço de qualificação 
para o enfrentamento do desemprego. 
b) a completa transformação da economia capitalista seria fundamental para a emancipação 
dos operários. 
c) a introdução das máquinas no processo produtivo diminuía as possibilidades de ganho 
material para os operários. 
d) o progresso tecnológico geraria a distribuição de riquezas para aqueles que estivessem 
adaptados aos novos tempos industriais. 
e) a melhoria das condições de vida dos operários seria conquistada com as manifestações 
coletivas em favor dos direitos trabalhistas. 
Comentários: 
O crescimento do movimento operário e de ideologias alternativas ao capitalismo fomentado 
pela Revolução Industrial está vinculado a um contexto marcado pelo crescimento da 
produtividade industrial e da desigualdade social, cenário típico de meados do século XIX. 
Assim, apenas uma completa transformação da economia capitalista daria conta de 
emancipar os operários. Tendo isso em mente, vamos olhas as alternativas: 
a) Incorreta. O trabalho industrial, em um primeiro momento, não era qualificado e sim 
especializado. 
b) Correta, conforme exposto no comentário. 
c) Incorreta. De fato, isso é uma verdade. No entanto, o foco aqui está na compreensão da 
necessidade de mobilização permanente. 
d) Incorreta. O processo industrial não distribuiu riquezas. 
e) Incorreta. As manifestações são importantes para assegurar direitos ao trabalhador, no 
entanto, apenas uma mudança na estrutura econômica garantiria a emancipação desse 
grupo. 
Gabarito: B 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
 (UNICENTRO 2012) 
Dentre os princípios políticos que compunham a onda revolucionária de 1848, que atingiu o 
território da atual Alemanha, destaca-se 
a) o republicanismo, defendido pela liga comercial Zollverein. 
b) o monarquismo, fortalecido pelo Império Austríaco, que dominava a Confederação 
Germânica. 
c) o nacionalismo, construído em torno da ação da Prússia, maior unidade política da então 
Confederação Germânica. 
d) a restauração, que previa a retomada dos antigos territórios germânicos pelo poder da 
aliança entre Áustria e Itália. 
e) a legitimidade, que determinava o retorno de antigas famílias reinantes no controle da 
Confederação Germânica. 
Comentários 
Atenção para o T.E.T.: 1848; Alemanha; revoluções liberais do século XIX. Desde a Revolução 
Francesa, em 1789, diversas revoltas e levantes pipocavam pela Europa, questionando o 
absolutismo e o Antigo Regime em geral. Contudo, em 1814 foi criado o Congresso de Viena, 
no qual se reuniram as principais monarquias europeias da época, com o objetivo de restaurar 
as coroas que foram derrubadas pelos movimentos revolucionários ao longo desses anos. 
Também a havia a intenção de criar um clima de cooperação entre as monarquias para prevenir 
e combater novas ondas revolucionárias. Contudo, não foi suficiente, pois novos movimentos 
surgiram. Indo direto ao ponto, as revoluções de 1848 tiveram início da França em decorrência 
da insatisfação popular com o governo do rei burguês Luís Filipe de Orleans, no qual a alta 
burguesia francesa ditava os rumos da nação. Rapidamente, o movimento se espalhou por 
outras partes da Europa central e oriental inspirados por ideias liberais e nacionalistas. Na 
Alemanha, área em plena fase de industrialização, as revoltas operárias e camponesas 
proliferaram-se. No entanto, a situação terminou com poucos progressos em relação à 
realidade anterior. 
Por outro lado, o sentimento nacionalista se propagou entre os alemães. Desde as invasões 
napoleônicas, as áreas ocupadas, como partes da Itália e Alemanha, tiveram movimentos locais 
que reagiam contra a invasão estrangeira. Surgiu uma outra forma de exaltação da nação: a 
resistência contra os invasores. Ou seja, a identidade nacional também criava oposições mais 
visíveis. Entretanto, é importante lembrar que nessa época não existia uma Alemanha, mas sim 
vários estados germânicos autônomos. Depois do Congresso de Viena em 1815, foi criada a 
ConfederaçãoGermânica que abrigava 39 estados independentes. Em 1834, eles consolidaram 
uma unidade econômica, liderada pela Prússia, com a criação da União Aduaneira (Zollverein). 
Esta abolia tarifas e barreiras internas, padronizava taxas e estimulava o comércio entre as 
regiões da Confederação, além de integrar áreas que tinham diferentes graus de 
desenvolvimento econômico. Assim, surgiram movimentos que manifestavam o interesse de 
ampliação da unidade. No entanto, a Áustria, que pertencia à Confederação, mas não integrava 
 
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a União Aduaneira, era um obstáculo neste processo. Foi em meio a esse processo que a 
Primavera dos Povos chegou ao território alemão. Chegou-se a elaborar uma nova constituição, 
mas que foi rejeitada pelo rei da Prússia, que liderava a confederação. Com isso em mente, 
vejamos: 
a) Incorreta. A Zollverein não defendia o republicanismo, mas sim a ampliação da unidade 
alemã sob a liderança da Prússia. 
b) Incorreta. O monarquismo austríaco tinha pouco espaço na Confederação, onde a 
influência prussiana era bem maior. 
c) Correta! Como foi dito no comentário e na explicação sobre as alternativas anteriores, a 
Prússia buscava manipular o sentimento nacionalista entre os alemães para empreender a 
unificação dos estados germânicos sob a liderança da monarquia prussiana. Isso se concretizou 
quando conseguiram o apoio dos alemães do sul em razão da Guerra Franco-Prussiana de 1871. 
Neste conflito, França e Prussiana se enfrentaram por discordarem sobre a sucessão do trono 
espanhol. O imperador francês, Napoleão III, era contrário à unificação alemã, porque temia a 
formação de um grande estado em suas fronteiras. Por outro lado, quando o rei espanhol 
morreu, o próximo na linha de sucessão era parente de Guilherme I, rei da Prússia. Por isso, 
Napoleão III estava preocupado que a França ficasse cercada pelos países liderados pela 
dinastia prussiana, uma potencial inimiga. Em meio às negociações, o chanceler prussiano Otto 
Von Bismarck divulgou um documento secreto no qual supostamente teria havido troca de 
insultos entre o representante da França e o rei da Prússia. A reação foi a união dos alemães do 
norte e do sul pelo sentimento nacionalista na luta contra os franceses. Veremos com mais 
detalhes a repercussão disso, na Aula 14, quando estudaremos a Unificação da Alemanha. 
d) Incorreta. Não houve aliança entre Itália e Áustria contra a Prússia. Na verdade, prussianos 
e italianos que se aliaram em uma guerra contra os austríacos, pois estes colocavam obstáculos 
aos planos de unificação da Itália e da Alemanha. 
e) Incorreta. Isso se destacou no contexto do Congresso de Viena e na criação da 
Confederação Germânica, em 1815. Em 1848, o que contagiou os alemães foi o nacionalismo, 
como já disse anteriormente. 
Gabarito: C 
 (UNICENTRO 2011) 
“O pano de fundo foi comum: propagação do Liberalismo e do Nacionalismo como 
ideologias; a subprodução agrícola (acarretando alta de preços de gêneros alimentícios) e o 
subconsumo industrial (provocando a falência de fábricas e o desemprego do proletariado); 
descontentamento do proletariado urbano, devido ao desemprego, aos salários baixos e à 
alta do custo de vida; descontentamento da burguesia, excluída do poder político e atingida 
pela crise econômica”. 
(AQUINO et al. 1993, p. 158-159). 
 
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As ondas revolucionárias de 1830 e 1848 na Europa, embora tenham o fundo comum descrito 
no texto, apresentavam como fator de diferenciação, na onda revolucionária de 1848, 
a) a luta das mulheres sufragistas. 
b) a presença das ideias socialistas. 
c) o início da campanha abolicionista. 
d) o movimento cartista, originário na Rússia. 
e) a propaganda emigratória, na Itália, financiada pelo Brasil. 
Comentários 
Em primeiro lugar, vamos identificar os três elementos básicos que podem ajudar na 
interpretação da questão! O tempo é a primeira metade do século XIX. O espaço é a Europa. O 
tema são as revoluções liberais entre 1830 e 1848. Lembre-se que estudamos que nesse período 
o continente europeu passava por muitas turbulências. Desde a Revolução Francesa, na última 
década do século XVIII, diversos levantes se espalharam pelos países europeus com o objetivo 
de combater o absolutismo reinante no continente. Com a coroação de Napoleão Bonaparte 
como imperador da França um novo ciclo de guerras e conflitos armados se iniciou. O Império 
francês iniciou um movimento de expansão por meio da guerra, com dois objetivos: propagar as 
ideias liberais e estabelecer o monopólio francês sobre o comércio europeu. Em 1814, as tropas 
da coalização formada por Inglaterra, Prússia, Rússia, Áustria e pela família real francesa (os 
Bourbon) e seus apoiadores derrotaram o exército napoleônico e restauraram a monarquia na 
França. Napoleão ainda conseguiria retornar e governar a França por mais 100 dias, mas 
novamente foi derrotado em 1815. Nesse meio tempo, as nações em coalizão realizaram o 
Congresso de Viena cujo objetivo era firmarem acordos para restaurar todas as monarquias que 
caíram desde o início da Revolução Francesa, ou seja, restaurar o Antigo Regime tal como era 
antes de 1789. Inicialmente, o plano deu certo. Na França, Luís XVIII foi coroado rei. Contudo, 
seu sucessor, Carlos X intensificou a implementação de políticas absolutistas e despertou 
novamente o descontentamento popular, inclusive da alta burguesia. Assim, uma nova revolução 
ocorreu na França em 1830, que repercutiu em outros países e por isso ficou conhecida como 
primeira Onda Liberal. Nesse episódio, a dinastia Bourbon foi novamente destituída e foi 
colocado em seu lugar um rei burguês, Luís Filipe de Orleans. Ele conseguiu governar até 1848, 
porém ao longo desses dezoito anos ficou evidente para os demais setores da sociedade 
francesa que ajudaram a derrubar novamente os Bourbon que aquele governo não contemplava 
seus interesses, apenas os da alta burguesia. Então, naquele ano mais uma revolução teve lugar 
para derrubar a monarquia burguesa. 
 Esse evento teve uma repercussão tão grande, ou até maior que a primeira Onda Liberal e 
se disseminou por várias partes da Europa central e oriental. Nesses movimentos o liberalismo e 
o nacionalismo se combinavam de várias formas e ficaram conhecidos como Primavera dos 
Povos. Eles compartilhavam das características e do fundo histórico descrito pelo texto da 
questão. As guerras napoleônicas e os diversos levantes que varreram o continente europeu 
prejudicaram a produção agrícola de vários países. Até o mesmo a produção industrial, em meio 
 
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à expansão da Revolução Industrial, ficou comprometida, pois quando as guerras não 
dificultavam, alguma das nações tentava impor seu monopólio sobre o comércio de produtos 
agrícolas e industriais, como foi o caso do Bloqueio Continental imposto por Napoleão, em 1806. 
Em meio à essa crise, evidentemente que a corda arrebentava para o lado mais fraco: os 
trabalhadores. Eles já recebiam baixos salários e com a inovações tecnológicas muitos perdiam 
seus empregos. Uma vez que a produção e o comércio eram prejudicados pelas crises, o corte 
de gastos era feito justamente na contratação de trabalhadores e mais deles ficavam 
desempregados. Os burgueses também não ficaram felizes em meio as idas e vindas do 
absolutismo, pois seus interesses não eram atendidos muitas vezes, como ressaltei acima no caso 
francês. 
 Com isso em mente, repare que a questão pede assinalar o elemento que distinguia os 
movimentos de 1848 daqueles que tiveram lugar em 1830. Vejamos as alternativas: 
a) Incorreta. O movimento sufragista feminino ainda não estava organizadonesse momento. 
Apenas mais tarde no século XIX é que as mulheres inglesas seriam pioneiras na organização de 
um movimento desse tipo. 
b) Correta! O que realmente mudou entre esses dois momentos revolucionários foi a 
elaboração das ideias socialistas. Entre 1830 e 1848, pelo menos na França, ficou evidente que 
os interesses da burguesia e dos trabalhadores eram inconciliáveis. O liberalismo burguês não 
dava conta de atender todas as demandas sociais e por isso novas teorias ganharam espaço 
como o socialismo e o anarquismo. Não à toa, o Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx 
e Friedrich Engels, foi publicado em fevereiro de 1848, no mesmo mês em que a nova onda 
revolucionária foi iniciada na França e se espalhou para o resto do continente. 
c) Incorreta. A campanha abolicionista começou em diferentes momentos nos diversos países. 
Na Inglaterra, por exemplo, já havia um movimento do gênero desde o final do século XVIII. A 
França extinguiu a escravidão em suas colônias em 1793, durante a primeira República francesa, 
chamada também de República Jacobina. Contudo, Napoleão legalizou novamente a instituição 
nas colônias durante seu governo. Porém, continuou havendo uma campanha pela abolição entre 
os franceses. 
d) Incorreta. Na verdade, o movimento cartista ocorreu na Inglaterra e foi organizado pelos 
trabalhadores com o principal objetivo de conquistar o sufrágio masculino universal. Ocorreu em 
1838, portanto, dez anos antes dos eventos de 1848. 
e) Incorreta. Essa propaganda só aconteceu no final do século XIX, bem depois dos eventos 
de 1848. 
Gabarito: B 
 (PUC-CAMP 2015) 4000152961 
“Teoricamente, o nacionalismo independe do Romantismo, embora tenha encontrado nele 
o aliado decisivo. Há na literatura do período uma aspiração nacional, definida claramente a 
partir da Independência e precedendo o movimento romântico. (...) Nem é de espantar que 
assim fosse, pois além da busca das tradições nacionais e o culto da história, o que se chamou 
 
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em toda a Europa “despertar das nacionalidades”, em seguida ao empuxe napoleônico, 
encontrou expressão no Romantismo. Sobretudo nos países novos como o nosso o 
nacionalismo foi manifestação de vida, exaltação afetiva, tomada de consciência, afirmação 
do próprio contra o imposto”. 
(Adaptado de: CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. São Paulo: Martins, 
1971. 2 v. pp. 14-15) 
“Nacionalismo é o sentimento que une as pessoas de uma nação em busca de objetivos 
comuns. Esses elementos ganharam muita importância a partir do século XIX, com as 
revoluções liberais e a consolidação da burguesia no poder, pois representavam uma forma 
de organização diferente daquela do Antigo Regime”. 
(In: Divalte. História. São Paulo: Ática, 2003. p. 248) 
Entre as revoluções a que o texto se refere é correto afirmar que, nas de 1848, a grande 
novidade das revoluções ficou por conta 
a) da organização do cartismo, movimento de massa voltado para a democratização e 
conquista da igualdade de direitos para os trabalhadores. 
b) do Congresso de Viena que procurou imprimir um novo rumo nos destinos dos 
trabalhadores, ao adotar os princípios pré-revolucionários. 
c) da entrada em cena do socialismo, conjunto de ideias defendidas por instituições e pessoas 
que agiam como representantes dos trabalhadores. 
d) dos movimentos em defesa das reivindicações dos trabalhadores que queriam o fim dos 
laços de servidão e o acesso à terra aos camponeses. 
e) da capacidade de mobilização dos trabalhadores na defesa de seus direitos e da vitória 
dos partidos comunistas nas eleições europeias. 
Comentários 
Essa questão é um pouco confusa, pois começa falando de uma coisa, mas na hora de nos dar o 
comando pede outra. O texto fala do nacionalismo que marcou as revoluções liberais do século 
XIX, mas o enuncia questiona sobre a peculiaridade dos movimentos do ano de 1848, que se 
subtende que não seria o nacionalismo. Vamos lá, antes de tudo vamos identificar os elementos 
que vão nos ajudar a interpretar a questão. No primeiro texto, o autor de refere ao momento 
posterior à Era Napoleônica. O segundo, mencionam as revoluções liberas que ocorreram no 
século XIX. Portanto, trata-se do período entre 1830 e 1848. Ambos têm como espaço a Europa. 
O tema são justamente essas revoluções. Inicialmente, as revoluções começaram em combate ao 
Antigo Regime e as tentativas de restaurá-lo impetradas pelo Congresso de Viena desde 1815. 
Assim, esses movimentos contavam com muitos setores da sociedade com interesses distintos, 
mas que acreditavam que derrubar as monarquias absolutistas era a solução para seus problemas. 
Em 1830, a burguesia teve um papel de liderança e usou das ideias liberais para inflar a população 
contra os monarcas absolutistas. Em lugares como a França o movimento foi bem sucedido e um 
governo burguês liberal foi instaurado. Contudo, nos anos seguintes os demais setores das 
 
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sociedades que havia participado da revolução perceberam que não seriam contemplados pelo 
novo governo. O que se deu foi a instauração de uma monarquia parlamentarista, com um rei 
burguês, e a participação política nas instituições continuaram restritas. Ao mesmo tempo a 
Revolução Industrial se expandia e piorava a situação de muitos trabalhadores e camponeses, até 
mesmo para a parte mais humilde da burguesia que era prejudicada pelos monopólios e privilégios 
dos mais ricos e próximos do rei. Assim, em 1848 uma nova onda revolucionária teve início da 
França e se espalhou pela Europa, marcada pela tomada de consciência dos trabalhadores em 
muitos lugares. Em outros o nacionalismo e liberalismo continuaram tendo influência, sobretudo 
naqueles onde monarquias absolutistas continuavam reinando ou em locais afetados pelas guerras 
napoleônicas e outros conflitos. 
Os textos enfocam mais especificamente o desenvolvimento do nacionalismo como 
ideologia em conjunto com a propagação dos ideais liberais que inspiraram esses movimentos. O 
nacionalismo é um movimento baseado, de modo geral, na noção de povo. Um povo que pertence 
a uma territorialidade. Nacionalidade e identidade se relacionam, pois, a identidade se dá por 
meio dos aspectos étnicos, linguísticos, culturais e históricos. Com as invasões napoleônicas, as 
áreas ocupadas, como partes da atual Itália e Alemanha, tiveram movimentos locais que reagiam 
contra a invasão estrangeira. Com isso, surgiu uma outra forma de exaltação da nação: a 
resistência contra os invasores. Em outras palavras, a identidade nacional também criava oposições 
mais visíveis. O nacionalismo compreende a noção liberal de autodeterminação do povo, ou seja, 
o direito de os povos escolherem quem irá governar a nação. O indivíduo é o centro e a nação é 
a expressão coletiva, territorial e jurídica dos direitos civis e políticos. Ou seja, é onde se 
concretizam os direitos civis e políticos de cada cidadão. 
“Tá, profe, se o nacionalismo já era comum antes de 1848, qual foi a novidade dos 
movimentos desse ano?” Queridas corujinhas, fixe bem o que eu falei nesse comentário e vamos 
analisar cada alternativa para encontrar a resposta: 
a) Errado. O cartismo foi um movimento da classe trabalhadora inglesa, em 1838, para 
conquistar principalmente o voto universal masculino, entre outras demandas. A 
descrição do movimento pela alternativa não está incorreta, mas ele aconteceu 10 anos 
antes de 1848. 
b) Errado. Novamente, a descrição do Congresso de Viena pela alternativa está certa, mas 
ele se deu entre 1814 e 1815. O principal objetivo era restaurar as monarquias 
derrubadas desde a Revolução Francesa, ou seja, restaurar o Antigo Regime tal qual era 
antes de 1789. Isso gerou a primeira onda revolucionária de 1830, já marcada pela 
junçãode ideias liberais e nacionalistas. Ou seja, não era novidade em 1848. Além disso, 
neste ano as alianças do Congresso não eram mais as mesmas, o tabuleiro geopolítico 
da Europa havia se transformado. 
c) Errado. De fato, o advento do socialismo é uma novidade nessa segunda onda 
revolucionária. Contudo, ele não era o conjunto de ideias defendidas por instituições e 
pessoas que agiam como representantes dos trabalhadores, mas sim pelos próprios 
trabalhadores. Foi na classe trabalhadora que tais ideias tiveram mais adesão e 
 
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elaboração, apesar de encontrar expoentes em indivíduos burgueses e profissionais 
liberais que simpatizavam com os operários. 
d) Errado. Os movimentos de 1848 tiveram mais expressão entre os trabalhadores urbanos. 
O que motivou os levantes era justamente a desvantagem os operários nas relações de 
trabalho com os patrões (burgueses). 
e) Certo! Essa era a grande novidade. Como já enfatizei antes, ao longo dos 18 anos que 
separam 1830 e 1848, muitos lugares tiveram governos liberais liderados pelas 
burguesias locais. Algumas reformas de fato foram feitas como a instituição da igualdade 
jurídica, a laicidade do Estado, a universalização da educação, a separação dos poderes, 
etc. Contudo, isso não refletiu necessariamente uma melhoria na vida da classe 
trabalhadora ou nas suas condições de trabalho. Paralelamente a expansão da 
Revolução Industrial piorava essas condições intensamente e favorecia o antagonismo 
entre os interesses dos patrões (burgueses) e dos empregados (proletariado). Foi nesse 
contexto que o socialismo tomou forma e se difundiu pelo continente, criticando os 
limites do liberalismo e a exploração capitalista. Trata-se de um novo projeto de 
sociedade. Portanto, a mobilização da classe trabalhadora foi o que possibilitou as 
revoluções de 1848 e garantiu a vitória de comunistas em algumas eleições. O 
comunismo é uma entre várias vertentes do socialismo e se enquadra no socialismo 
científico, cujos maiores representantes são Karl Marx e Friedrich Engels. Para eles, 
somente a mobilização dos trabalhadores em prol de seus próprios interesses daria 
conta de derrubar o capitalismo. Para tanto, era necessárias uma revolução armada e a 
instalação de uma ditadura do proletariado. A sociedade passaria por uma fase de 
transição marcada por uma economia estatal e pela extinção das classes sociais. Só 
quando as desigualdades sociais estivessem abolidas é que o Estado seria 
definitivamente desmontado e uma sociedade comunista estaria concretizada. 
Gabarito: E 
 (PUC-CAMP 2017) 4000155447 
“Brás Cubas busca articular a política de domínio paternalista, sob fogo cerrado nos anos 
1870, com aspectos da onda de ideias cientificistas europeias do tempo – especialmente no 
que tange ao darwinismo social como forma de explicar a origem e a reprodução das 
desigualdades sociais”. 
(CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis Historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, 
p. 96) 
Os altos índices de pobreza, o aumento das desigualdades sociais e a precária condição de 
trabalho nas fábricas, entre outros fatores, contribuíram para o crescimento do movimento 
operário na Europa, no século XIX. Diversas organizações operárias sofreram influência do 
socialismo e do anarquismo, ideologias que postulavam, respectivamente 
a) a ação armada para intensificar a luta de classes; e a proposta de que a sociedade se 
organizasse em comunidades operárias, denominadas falanstérios. 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
b) a aliança entre trabalhadores e burguesia para a destruição do sistema capitalista; e a 
ditadura do proletariado, organizado em sindicatos. 
c) a construção de um Estado forte, proletário, clerical; e a crença na existência de uma 
fraternidade natural entre os homens. 
d) o avanço revolucionário rumo ao desenvolvimento de uma sociedade sem classes; e o 
autogoverno dos trabalhadores. 
e) a supressão da propriedade privada e das fronteiras nacionais; e a destruição do Estado 
burguês para a livre organização da sociedade em comunas. 
Comentários 
Aqui temos uma questão muito mal formulada. O texto é de um historiador que analisa a influência 
ideológica da Europa no Brasil dos anos 1870. Porém, o enunciado nos pergunta sobre duas 
ideologias formuladas em decorrência dos efeitos da Revolução Industrial, que teve início no 
século XVIII e se expandia no XIX. Pode ser que seja proposital do elaborador para confundir os 
candidatos e testar sua capacidade de interpretar a questão. De qualquer forma, vamos focar no 
que o enunciado pede, pois as alternativas tratam só sobre o contexto europeu, no século XIX, 
não sobre o Brasil que foi cenário do romance de Machado de Assis. 
 Bom, já sabemos então que o tempo é século XIX, o espaço é a Europa e o tema são teorias 
críticas ao capitalismo, mais especificamente o socialismo e o anarquismo. Como mencionei, a 
Revolução Industrial se expandia e se intensificava em diferentes partes da Europa durante o 
século XIX. Com isso, as condições de vida e trabalho dos trabalhadores piorava 
consideravelmente. Inicialmente, eles aderiram aos movimentos revolucionários de caráter liberal 
e contra as monarquias absolutistas acreditando que seus interesses seriam contemplados nos 
novos governos estabelecidos. Contudo, quem desempenhou o papel de liderança nesses 
movimentos e assumiu os novos governos foi a burguesia, especialmente a parte mais rica dela. 
Acontece que os burgueses a maioria dos proprietários das fábricas e empresas que empregavam 
a população. Em outras palavras, eram os responsáveis diretos pela piora das condições de 
trabalho para aumentar seus lucros. Assim, principalmente depois de 1830, o liberalismo passou 
a ser criticado e novas teorias que defendiam não apenas reformas, mas o fim do capitalismo, 
começaram a ser elaboradas. Entre elas o socialismo e o anarquismo, que tiveram maior adesão 
entre a classe trabalhadora. Repare que a questão quer saber o cada uma dessas teorias postulava. 
Então vejamos: 
a) Incorreta. Tanto o socialismo quanto o anarquismo defendiam a ação armada para 
intensificar a luta de classes. Entretanto, o socialismo pode ser dividido em várias vertentes 
que defendem projetos distintos. O socialismo científico é aquele que concorda com a ação 
armada. Por outro lado, os falanstérios não são simplesmente comunidades operárias. Eles 
fazem parte da proposta do socialista utópico Charles Fourier. Tratava-se de conceber o 
campo e a cidade como um todo orgânico por meio da construção de vilas agroindustriais 
nas quais viveram tanto patrões quanto empregados de forma cooperativa. Os socialistas 
científicos não concordavam que isso seria o suficiente para por fim ao sofrimento dos 
trabalhadores e às desigualdades. 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
b) Incorreta. Apenas algumas vertentes do socialismo defendiam a cooperação entre 
burgueses e trabalhadores, como os socialistas utópicos. Os socialistas científicos, assim 
como os anarquistas, acreditavam que a classe trabalhadora devia se organizar 
autonomamente. Além disso, apenas os socialistas científicos defendiam que era necessário 
instalar uma ditadura do proletariado na qual o Estado seria dirigido pelos trabalhadores. 
O anarquismo discordava e propunha o imediato fim do Estado e da propriedade privada, 
para serem substituídos pela organização dos trabalhadores em propriedades coletivas 
autogestionadas, como federações sindicais. 
c) Incorreta. Apenas o socialismo científico argumentava em favor de um Estado forte e 
proletário, mas não clerical. Na verdade, nenhuma dessas teorias defendia a continuação 
do clero, pois eram ateias. Ademais, tantoo socialismo quanto o anarquismo eram 
elaborados a partir do princípio da fraternidade, que denunciavam ter sido apagado pelos 
governos liberais e burgueses. 
d) Correta! O socialismo científico postulava que a revolução deveria ter como objetivo a 
implantação de uma sociedade sem classes e sem Estado. Contudo, no processo para isso 
era preciso uma transição na qual o Estado seria controlado pelos trabalhadores e 
coordenaria a economia para extinguir as desigualdades. O anarquismo considera que o 
centro do problema é o poder, que gera autoridade ou autoritarismo. Todo o sistema é 
gerador de pequenas autoridades que se reproduzem como se fosse um ciclo de violência. 
Nesse sentido, o anarquismo desenvolve uma teoria contra todo tipo de hierarquia e 
autoridade, qualquer que seja ela. Essa filosofia vê o Estado como indispensável para a 
organização da propriedade privada e da autoridade, portanto deve ser extinto como elas. 
Em seus lugares, deveriam ser instauradas propriedades coletivas autogestionadas, ou seja, 
administradas por quem trabalha na propriedade, seja uma fábrica ou terra. Diferentemente 
dos socialistas e comunistas, os anarquistas rechaçam completamente a participação no 
Parlamento. 
e) Incorreta. De fato, o socialismo defendia o fim da propriedade privada e das fronteiras 
nacionais. Também está correto que os anarquistas querem o fim do Estado burguês. 
Porém, a alternativa é imprecisa ao dizer que eles defendem a livre organização da 
sociedade em comunas. O anarquismo tem como objetivos o fim da propriedade privada, 
de qualquer forma de Estado, a livre organização dos trabalhadores em propriedades 
coletivas. “Comuna” é um termo específico para descrever governos revolucionários, 
alguns entre os quais tiveram inspiração socialista e anarquista, na França. Portanto, isso 
torna a afirmação reducionista. 
Gabarito: D 
 (Uem 2018) 
Durante o século XIX surgiram diversos movimentos políticos, científicos e sociais pelos quais 
seus idealizadores asseguravam ser possível alcançar o bem-estar material e aperfeiçoar a 
evolução social. Sobre esses movimentos, assinale o que for correto. 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
01) Robert Owen, um dos principais fundadores do movimento cooperativista, defendia uma 
reforma geral na sociedade, na qual o conflito e a concorrência seriam substituídos pela 
cooperação e pela harmonia entre os homens. 
02) O anarquismo defendia a substituição de toda configuração institucional de autoridade, 
de modo que o Estado deveria ser substituído pela associação livre entre os indivíduos. 
04) Friedrich Engels, defensor do socialismo utópico, acreditava ser possível construir uma 
sociedade perfeita por meio do diálogo e do entendimento entre os homens, o que 
dispensava a luta revolucionária. 
08) Thomas More, defensor do liberalismo utópico renascentista, acreditava que somente 
por meio da livre concorrência entre os homens seria possível alcançar a igualdade 
econômica, a paz social e o socialismo. 
16) Assegurando que era o ambiente que condicionava a vida das pessoas, Charles Fourier 
idealizou os falanstérios, comunidades que reuniriam pessoas trabalhando para o bem 
comum e dividindo o que fosse produzido, sem a necessidade de dinheiro. 
Comentários 
Vamos começar pelo mais básico! O tempo é século XIX. O espaço é Europa. O tema é teorias 
críticas ao capitalismo. Essas teorias e movimentos contrários ao capitalismo ou que propunham 
reformas surgiram em decorrência das transformações desencadeadas pela Revolução Industrial. 
A exploração dos trabalhadores ficou muito mais intensa, com eles tendo que trabalhar muitas 
horas seguidas em condições extremamente precárias e recebendo baixos salários. Ainda tinham 
que competir com as novas máquinas que podiam produzir muito mais rápido a um custo bem 
menor. Durante o século XIX, em meio as várias revoluções contra o Antigo Regime vai se 
delineando novas classes sociais e novas disputas de interesse entre elas. Ficou evidente que agora 
o mundo podia ser divido entre proprietários (burgueses) e não-proprietários (trabalhadores), os 
quais tinham interesses inconciliáveis. Isso ficou evidente nas revoluções que se sucederam na 
França, durante esse período. Cada vez mais ficava nítido que a burguesia não queria um governo 
de todos para todos, mas atualizar formas de governo autoritárias que diferiam muito pouco do 
Antigo Regime. Entre as novas vertentes filosóficas e movimentos sociais que surgiram como 
críticas ao capitalismo e destacavam os limites do liberalismo burguês estavam o socialismo e o 
anarquismo. Com isso em mente, vejamos as alternativas: 
01) Correta! Esse cooperativismo também era chamado de socialismo utópico. Este era 
composto por liberais que tinham uma visão romântica do capitalismo como um sistema que 
poderia levar progresso e desenvolvimento a todos (burgueses, operários, camponeses, etc.). 
Porém, no início da industrialização, como já estudamos, as condições de trabalho eram precárias. 
Diante das circunstâncias reais do desenvolvimento capitalista, os socialistas utópicos 
conclamavam acordo entre as classes sociais para que todos pudessem usufruir em situação de 
igualdade com os benefícios das descobertas científicas e da produção de riqueza gerada. 
Defendiam a ideia de que a riqueza produzida coletivamente fosse mais bem distribuída. Nesse 
sentido, contribuíram par a noção de “justiça social”. Apesar disso, eles não propunham a extinção 
das classes sociais, nem do capitalismo, por isso eram muito criticados pelos socialistas científicos 
 
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cujos principais representantes eram Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895). Robert 
Owen (1771-1858) era um dos socialistas utópicos e foi um grande industrial escocês. Ele criou um 
modelo industrial no qual ele construiu um bairro operário nos arredores da fábrica. Nele, era 
oferecido assistência aos empregados, como casas, assistência médica, escolas, creches, etc. 
Contudo, ele foi boicotado por outros industriais que temiam que seus operários fossem exigir 
condições semelhantes. Owen acabou mudando para os EUA, onde reconstruiu seu modelo 
cooperativista. Lá, ele conseguiu prosperar, mas após a morte de Owen ninguém mais reproduziu 
seu experimento. 
02) Correta! O centro do problema para os anarquistas é o poder, que gera autoridade 
ou autoritarismo. Todo o sistema é gerador de pequenas autoridades que se reproduzem como 
se fosse um ciclo de violência. Nesse sentido, o anarquismo desenvolve uma teoria contra todo 
tipo de hierarquia e autoridade, qualquer que seja ela. Essa filosofia vê o Estado com indispensável 
para a organização da propriedade privada e da autoridade, portanto deve ser extinto como elas. 
Em seus lugares, deveriam ser instauradas propriedades coletivas autogestionadas, ou seja, 
administradas por quem trabalha na propriedade, seja uma fábrica ou terra. Diferentemente dos 
socialistas e comunistas, os anarquistas rechaçam completamente a participação no Parlamento. 
Porém, concordam que o capitalismo deve ser desmantelado junto da propriedade privada. 
04) Incorreta. Engels não era um socialista utópico, mas sim um dos idealizadores do 
socialismo científico. Portanto, defendia que os interesses da burguesia e do proletariado eram 
inconciliáveis, pois os primeiros só queriam lucrar com o menor custo possível, mesmo que isso 
exigisse o sacrifício da saúde e vida dos segundos. Assim, defendiam que a única forma de superar 
o capitalismo era organizar a classe trabalhadora para executar a revolução armada e instaurar a 
ditadura do proletariado. Nesse momento, seria necessário passar por um período de transição 
no qual o Estado teria um papel importante nacionalizando e socializando os meios de produção,num longo processo para extinguir as desigualdades, portanto, as classes sociais. Só então, o 
Estado poderia ser desmantelado uma sociedade propriamente comunista (sem classes e sem 
Estado) poderia se tornar plena. 
08) Incorreto. Thomas More viveu muito antes do século XIX, mais especificamente entre 
1478 e 1535. Ou seja, não tinha como ele ser socialista, nem mesmo liberal. O socialismo só foi 
formulado durante o século XIX e o liberalismo a partir do século XVII. Contudo, realmente More 
argumentava contra o absolutismo e em favor de uma sociedade mais humanista e justa 
socialmente. 
16) Correto! Fourier, assim como Owen, era um socialista utópico. Ele defendia a criação 
de propriedades comunais. Para ele, o campo e a cidade deveriam ser um todo orgânico. À essa 
organização ele deu o nome de falanstérios, algo como uma vila agroindustrial. 
Gabarito: 01 + 02 + 16 = 19 
 (Uem 2019) 
“A condição essencial para a existência e supremacia da classe burguesa é a acumulação da 
riqueza nas mãos de particulares, a formação e o crescimento do capital...” 
 
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 AULA 10: História Contemporânea II 
(MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 2005, p. 51). 
Seguindo as premissas da crítica à sociedade capitalista, presente em Karl Marx e Friedrich 
Engels, assinale o que for correto. 
01) A condição de existência do capital é o trabalho assalariado. 
02) A burguesia é, por definição, para os autores, conservadora e reacionária. 
04) O desenvolvimento do proletariado ocorre independentemente do desenvolvimento da 
burguesia. 
08) O trabalho é, para o capitalismo, considerado uma mercadoria, contudo é a única 
mercadoria que cria valor. 
16) A burguesia garante sua existência ao revolucionar constantemente os instrumentos de 
produção e, consequentemente, as relações sociais. 
Comentários 
 O Manifesto Comunista foi publicado em 1848 em meio aos eventos que chamamos de Primavera 
dos Povos, na Europa. Com isso, já sabemos o tempo, o espaço e o tema da questão. Durante a 
primeira metade do século XIX, a Europa foi tomada por vários movimentos revolucionário de 
caráter liberal e nacionalista. Eles combatiam o absolutismo praticado pelas diversas monarquias 
europeias da época. Contudo, em muitos lugares onde a revolução vencia e novos governos eram 
instaurados, algumas vezes era possível que determinado grupo que participou do movimento, 
assumisse a liderança e desempenhasse um governo autoritário com muitas heranças do 
absolutismo, apesar de implantar determinadas reformas liberais no funcionamento do Estado. 
Exemplo disso é a França. Desde a primeira revolução francesa, de 1789, o país experimentou 
uma série de governos que se sucederam em meio a disputas entre a alta burguesia e o resto da 
sociedade. Sobretudo durante o governo de Napoleão, a postura autoritária diante de opositores 
enquanto se operava a implementação de reformas liberais, mas elitistas, foi a regra. Com o fim 
da Era Napoleônica, o Congresso de Viena buscou restaurar as monarquias destituída, inclusive 
na França. Contudo, em 15 anos os franceses voltariam a se revoltar contra os Bourbon devido às 
ambições absolutistas de Carlos X. A alta burguesia, mais uma vez, conseguiu se colocar à frente 
do movimento, em 1830, e assumir a liderança do novo governo do rei burguês, Luís Filipe de 
Orleans. Daí em diante, os conflitos entre os interesses da alta burguesia e do restante dos grupos 
que participaram do movimento se intensificaram. Trabalhadores assalariados, camponeses e 
desempregados cada vez mais percebiam que foram apenas usados como massa de manobra em 
1830. É a partir dessa percepção que os limites do pensamento liberal começam a ser expostos e 
discutidos. Novas filosofias políticas ganham forma, entre elas: o socialismo, o anarquismo e o 
nacionalismo. Entretanto, os dois primeiros acabaram assumindo a maior oposição ao liberalismo 
vigente. 
Contudo, na época, socialismo era um termo amplo e genérico, podendo significar muitas coisas. 
Havia diferentes propostas que se autointitulavam socialistas. Em geral, eram marcadas pelo 
objetivo de melhorar as condições de vida e trabalho para os trabalhadores, mas nem todas 
rompiam definitivamente com a participação da burguesia no papel de liderança política e 
 
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econômica da sociedade. O socialismo utópico é um exemplo disso. Por outro lado, o socialismo 
científico, proposto por Marx e Engels se mostra mais radical e defende a tomada do poder pela 
classe trabalhadora. Então, vejamos: 
01) Correta! O socialismo científico descrevia uma ordem capitalista cujo principal fundamento 
era a diferença e a interdependência entre capital e trabalho assalariado. Nessa relação, quem 
detém o capital tem a propriedade dos meios de produção e o trabalho (ou o tempo de trabalho) 
é reduzido a uma mera mercadoria que pode ser comprada e vendida por um preço (salário), 
estipulado segundo a lei da oferta e da procura, isto é, segundo as condições do mercado no 
momento. 
02) Incorreta. Marx e Engels definiam a burguesia essencialmente como uma classe 
revolucionária com base nas experiências das revoluções que ocorriam na Europa e no mundo 
desde o final do século XVIII e ao longo do XIX. Nessas experiências, a burguesia participava 
ativamente e ajudou a derrubar o Antigo Regime em muitos lugares. Contudo, segundo os 
autores, com o advento da Revolução Industrial e a transformação das relações econômicas e 
produtivas uma nova divisão social se instalou. Gradativamente, o mundo passava a ser dividido 
entre proprietários (burgueses) e não proprietários (trabalhadores), cujos os interesses eram 
inconciliáveis. Nessa nova ordem, a burguesia perde seu caráter revolucionário e passa a ser 
conservadora e reacionária para preservar sua liderança econômica e política da sociedade. Agora, 
é o proletariado (trabalhadores) que se torna uma classe revolucionária da qual a real mudança 
social pode advir. 
04) Incorreta. O “pulo do gato” da teoria de Marx e Engels era a dialética, um conceito usado 
para descrever como dois elementos influenciam no desenvolvimento e reprodução um do outro, 
mesmo no caso de serem contraditórios. Assim, se a nova ordem capitalista estava baseada na 
diferença e oposição entre burgueses e proletariado (trabalhadores), estas duas classes dependem 
uma da outra para existir dentro desse sistema. Uma classe social só se define em relação à outra, 
a partir do momento que seus integrantes percebem que possuem interesses distintos. 
08) Correta! Está de acordo com o que falei na alternativa “01”. 
16) Correta! O controle da burguesia reside justamente na propriedade dos meios de 
produção, portanto, continuar aprimorando-os para fortalecer seu próprio poder econômico e 
político é algo indispensável. Contudo, nessas aprimorações, as relações sociais também são 
modificadas, uma vez que a produção em si acaba sendo alterada. A partir daí, novas contradições 
podem surgir e criar oportunidades para crises e até para o fim do capitalismo. Marx e Engels 
acreditavam que o capitalismo criaria as condições para o próprio fim, uma vez que perseguia 
apenas o lucro aos menores custos, consequentemente sacrificando as vidas dos trabalhadores. 
Estes eventualmente compreenderiam sua condição com base na experiência da exploração e 
organizariam a revolução para tomar o poder e instaurar uma sociedade mais justa, sem classes 
sociais. 
Gabarito: 01 + 08 + 16 = 25 
 (URCA 2011) 
 
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O século XIX foi pródigo na produção de ideias políticas, muitas das quais seguidas na 
atualidade. Estabeleça a associação entre as ideias doséculo XIX e suas 
denominações: 
I- Liberalismo 
II– Socialismo Utópico 
III– Socialismo científico 
IV– Anarquismo 
V– Social-democracia 
( ) É a favor da liberdade, sem restrições. Propõe o fim de um poder e domínio 
superior sobre o homem: poderes ideológicos, políticos, sociais e até jurídicos. 
( ) Teve origem e inspiração marxista. Todavia propõe uma alternativa de esquerda que 
respeite os princípios da democracia liberal e do jogo eleitoral para a esquerda. 
Critica o sistema capitalista, mas renegam a via revolucionária para as transformações 
sociais. 
( ) Representou as primeiras formulações de crítica ao sistema capitalista e a favor de uma 
sociedade igualitária. Essa viria da ação dos homens bons. No entanto, seus 
teóricos não indicaram formas concretas para alcançar essa sociedade. 
( ) Representou a continuidade do Iluminismo. Sua premissa básica é a defesa da 
liberdade (política, econômica, etc). Defende a não intervenção do estado na economia, 
a qual seria regulada pela lei natural da oferta e da procura. 
( ) Seus princípios básicos – materialismo dialético e materialismo histórico foram 
formulados por Karl Marx e Friedrich Engels. Produziu bases científicas de análise, 
indicando os meios para realizar a revolução proletária e a implantação do socialismo, etapa 
para o retorno ao comunismo. A revolução viria das contradições do capitalismo e 
da exploração exercida pela burguesia. 
Agora assinale a relação na sequência correta: 
a) IV – V – III – I – II 
b) I – II – III – IV – V 
c) IV – V – II – I – III 
d) V – IV – III – II – I 
e) III – V – IV – I - II 
 Comentários: 
Durante o século XIX, muitas correntes de pensamento se formaram, questionando ordens 
sociais, econômicas, políticas e filosóficas na Europa. Os movimentos de contestação ao Antigo 
Regime surgiram ao final do século XVII e início do século XVIII com o Iluminismo. Este formou 
importantes bases para as teorias políticas que se desenvolveram no século posterior e que até 
 
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hoje fazem parte da nossa sociedade. Entre elas estão o socialismo, o liberalismo, o anarquismo 
e a social-democracia. A questão pede para que associemos cada uma dessas ideias com a 
corrente política a qual ela pertence. 
Então vejamos: 
I- Liberalismo 
II– Socialismo Utópico 
III– Socialismo científico 
IV– Anarquismo 
V– Social-democracia 
( IV ) É a favor da liberdade, sem restrições. Propõe o fim de um poder e domínio 
superior sobre o homem: poderes ideológicos, políticos, sociais e até jurídicos. 
( V ) Teve origem e inspiração marxista. Todavia propõe uma alternativa de esquerda que 
respeite os princípios da democracia liberal e do jogo eleitoral para a esquerda. 
Critica o sistema capitalista, mas renegam a via revolucionária para as transformações 
sociais. 
( II ) Representou as primeiras formulações de crítica ao sistema capitalista e a favor de uma 
sociedade igualitária. Essa viria da ação dos homens bons. No entanto, seus teóricos 
não indicaram formas concretas para alcançar essa sociedade. 
( I ) Representou a continuidade do Iluminismo. Sua premissa básica é a defesa da 
liberdade (política, econômica, etc). Defende a não intervenção do estado na economia, a 
qual seria regulada pela lei natural da oferta e da procura. 
( III ) Seus princípios básicos – materialismo dialético e materialismo histórico foram 
formulados por Karl Marx e Friedrich Engels. Produziu bases científicas de análise, 
indicando os meios para realizar a revolução proletária e a implantação do socialismo, etapa para 
o retorno ao comunismo. A revolução viria das contradições do capitalismo e da 
exploração exercida pela burguesia. 
Portanto, a alternativa correta é a letra C. 
Gabarito: C 
 (URCA 2015) 
No início do ano de 1848, o pensador Alexis de Tocqueville, falou da Tribuna da Câmara dos 
Deputados da França, expressando: “Nós dormimos sobre um vulcão... Os senhores não 
percebem que a terra treme mais uma vez? Sopra o vento das revoluções, a tempestade está 
no horizonte”. 
Sobre o contexto histórico no qual se inserem as palavras de Tocqueville, 
assinale CORRETAMENTE: 
 
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A) Na mesma época, Karl Marx e Friedrick Engels publicaram, em Londres, o 
Manifesto do Partido Comunista; 
B) No mesmo ano, a República Francesa, fundada após a deposição de Napoleão Bonaparte, 
foi derrubada, dando lugar à volta da Monarquia; 
C) Semelhante ao que ocorria na Europa, no Brasil, tivemos a Confederação do Equador, 
com características bastante semelhantes ao que vinha ocorrendo no Velho Continente; 
D) As palavras de Tocqueville foram completamente extemporâneas, tendo em vista que 
entre os anos de 1830 e 1870, a Europa vivenciou um dos períodos de tranquilidade social e 
política mais longos de sua história; 
E) Os movimentos de 1848 que transformaram a Europa num verdadeiro “vulcão 
revolucionário” acabaram levando o continente a um retrocesso, inclusive com a volta às 
relações servis de produção que só tiveram fim com a 1ª. Guerra Mundial. 
 Comentários: 
 O pensador Alexis de Tocqueville foi um dos principais deputados do parlamento francês 
a defender a República na França da década de 1840. Inserido no contexto histórico das 
ondas revolucionárias que ganharam proporção na França a partir do Congresso de Viena 
(1815), Tocqueville defendeu a participação dos indivíduos na política e no sistema político 
por meio de uma democracia republicana. Para Tocqueville, somente ela garantiria uma 
igualdade (civil e material) entre os cidadãos do país. Nesse momento surgiam algumas 
correntes teóricas que influenciaram o período retratado pelo autor. 
Com base nisso, vejamos as alternativas: 
a) Correto. Karl Marx e Frederich Engels publicaram um panfleto analisando o papel político 
da burguesia nas transformações do mundo. Os autores argumentaram que os burgueses 
tiveram um papel revolucionário até assumirem o poder do Estado. Depois disso, tornaram-
se uma classe conservadora. Portanto, se os operários quisessem novas conquistas em 
direção à igualdade, liberdade e fraternidade precisariam caminhar sozinhos até tomarem 
eles mesmos o poder do Estado. Esse panfleto político publicado em 1848 foi o que ficou 
conhecido como Manifesto Comunista. 
b) Incorreto. A República Francesa de 1848 foi fundada após a deposição do rei burguês, 
Luís Filipe de Orleans. 
c) Incorreto. A Confederação do Equador (1824) ocorreu mais de duas décadas antes do 
evento citado na questão. 
d) Incorreto. Entre os anos de 1830 e 1870 a Europa viveu um dos seus períodos mais 
revolucionários, onde diversas lutas políticas e sociais foram travadas. Entre seus 
protagonistas estão os burgueses, os trabalhadores e as aristocracias europeias. 
e) Incorreto. Os movimentos de 1848 se espalharam por toda a França, derrubando governos 
locais aliados ao rei. Além disso, essa revolução teve uma imediata expansão para muitos 
outros países. Assim, os Movimentos Nacionalistas se formaram e fizeram centenas de 
 
Profe Alê Lopes 
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levantes pela Europa, derrubando reis ou impondo medidas e constituições liberais. Esse 
momento ficou conhecido como a 2ª Grande Onda Liberal ou a “Primavera dos Povos”. 
Gabarito: A 
 (UNITINS 2020) 
A autoridade não é necessária

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