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1 186 AULA 00: ANTIGUIDADE HB: da Colônia ao Império Profe Alê Lopes AULA 12 Únicamp Exasiu Exasiu estretegiavestibulares.com.br EXTENSIVO Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 2 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Sumário 1. Introdução................................................................................................ 3 2. Independência do Brasil .......................................................................... 4 2.1 – O declínio colonial e o conflito entre portugueses e brasileiros .................................. 6 2.2 – Revoltas Coloniais do século XVII ................................................................................ 7 2.3 – Revoltas do Século XVIII ............................................................................................. 14 2.3.1 - Conjuração Mineira, 1789. Minas Gerais .................................................................................... 15 2.3.2 - Conjuração Baiana, 1798. Bahia ................................................................................................. 19 2.3.3 - Um aprendizado político ............................................................................................................ 21 2.4 – Família Real no Brasil e o Período Joanino ................................................................ 23 2.4.1 – O contexto na Europa ............................................................................................................... 24 2.4.2 – A Corte no Brasil ....................................................................................................................... 26 2.4.3 – O retorno da Corte para Portugal: A Revolução Liberal do Porto (1821)................................... 35 2.5 – A Proclamação da Independência do Brasil ............................................................... 37 3. Brasil Independente: Reconhecimentos e limites................................... 41 4. Lista de Questões .................................................................................. 46 5. Gabarito ................................................................................................. 87 6. Questões comentadas ........................................................................... 88 7. Considerações Finais ........................................................................... 186 Queridas e Queridos Alunos, Estou feliz que você esteja comigo nesta aula. Preparei-a com muito carinho e preocupação, pois os temas que veremos nesta aula são extremamente incidentes nas provas. Por isso, seja bem-vindo e bem-vinda a mais uma aula para a qual você deve dedicar grande atenção. É sempre um grande prazer compartilhar com vocês nosso trabalho e participar dessa caminhada até sua aprovação. É bom saber que você está dominando cada dia mais nossa disciplina! Nesta aula voltamos ao bloco da História do Brasil com o tema Independência. Veremos os conflitos, acordos e desfecho de um longo processo local que foi profundamente influenciado pelo contexto internacional e todos os acontecimentos que vimos nas duas últimas aulas. Atente-se a estas relações entre contexto local e internacional. Fica ligado e ligada! Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 3 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Não me canso de afirmar, para você toda questão de história é imperdível! Você pode GABARITAR essa disciplina. Tenho certeza! Se você tiver dúvidas, utilize o Fórum de Dúvidas! Eu vou te responder bem rapidinho. Ah, não tem pergunta boba, Ok? Vamos começar? Já sabe: pega seu café e sua ampulheta. Bora!! Não esquece: “o segrego do sucesso é a constância no objetivo”. Vamos seguir juntos! 1. INTRODUÇÃO Querida e querido alunos, o processo de independência das colônias localizadas na América Latina, que tinham como metrópoles Portugal, Espanha e França, é daqueles que não se explica simplesmente pelas condições locais, embora elas sejam fundamentais. Na verdade, os elementos locais se combinam, e muitas vezes se potencializam, devido ao contexto internacional. Por isso, quero que você se recorde que a combinação entre a disseminação dos ideais iluministas com a Revolução Francesa, a Revolução Industrial e a Independência dos Estados Unidos da América contribuíram para a eliminação dos obstáculos que o antigo regime (velho mundo) impunha ao desenvolvimento do capitalismo (novo mundo). Assim, a chamada Era das Revoluções, afetou diretamente a América Latina. A partir do começo do século XIX essa conjuntura internacional deu condições para que as questões internas ganhassem dimensão de revoltas e movimentos pro-independência em relação às metrópoles europeias. Do ponto de vista histórico, o fato que desencadeou os processos de independência nas Américas espanhola e portuguesa foi a invasão Napoleônica na Península Ibérica, em 1807. Por isso, a Inglaterra apoiava o processo de independência das colônias. De certa forma, isso a colocava em uma posição contraditória já que ela participava nas coalisões que combatiam a expansão napoleônica, como vimos na aula passada, lembra? Portanto, essa situação internacional fez com que diversos elementos dos arranjos político e econômico que ainda prevaleciam nas colônias entrassem em conflito e colocassem toda a estrutura colonial em decadência, sobretudo, porque o colonialismo era um dos elementos centrais do mercantilismo. Por isso, o processo de independência da América Latina foi parte do processo de derrubada dos fatores que impediam as transformações econômicas e sociais. Ou seja, a proclamação das independências significou historicamente uma derrota sem precedentes para o sistema mercantilista e para as monarquias absolutistas europeias, enfim, para o Antigo Regime. XVIII XIX Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 4 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império A dimensão antiabsolutista que predominou na expansão do iluminismo e nos fatos históricos posteriores que colocaram essas ideias em prática, nas colônias, traduziu-se em um sentimento e ação anticolonialista! Guarde essa característica dos processos de independência das colônias americanas. 2. INDEPENDÊNCIA DO BRASIL Bem, caro Bixo, voltamos agora para a História do Brasil a fim de entender o processo de independência do nosso país. Certamente, você deve estar pensando: agora vem o Grito do Ipiranga, o Dom Pedro I às margens do Rio, né! Será?- eu te pergunto. Mas quem fez a Independência, meu caro e minha cara? Aí você ri muito e fala: Profe está ficando louca de vez! Quem foi? Ora, quem você acha que foi Profe? O Napoleão, a rainha Vitória ou Papa, quem sabe?! É, minha gente, bem que o Napo e a Vic gostariam de ter colocado suas mãos sobre o Brasil! Mas a real, é que a Independência do Brasil é um processo político que se desenvolveu por quase duzentos anos, desde o final do século XVII – com as primeiras insatisfações dos colonos, passando por todo o século XVIII, até o comecinho do XIX. Vamos traçar um panorama desse processo nesse capítulo da aula. Oxi, é um tempo longo demais, profe, como as coisas demoram a se transforma, né? Sim, e você está certo e certa em pensar assim, pois, quando falamos em independência de uma colônia desse período histórico estamos estudando a desmontagem do sistema colonial que foi peça fundamental para a estruturação do mercantilismo e a dominação das monarquias absolutistas. Assim, o que está em jogo nesse processo não são apenas os interesses locais ou, até mesmo, os de Portugal. O que está em discussão aqui, mais uma vez, é a decadência do Antigo Regime. Portanto, caríssimos, em certa medida, continuamos falando dos velhos mundos que morrem e da formação de outros novos.Assim, as Independências das Américas são parte do sentido histórico da Era das Revoluções – momento que estamos estudando desde as aulas anteriores. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 5 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Nesse sentido, reafirmo: todo o contexto internacional tem importância decisiva nesses processos. Nesse sentido, os fatores motivadores da Independência relacionados com o contexto internacional elencados para explicar a independência na América Espanhola também servem para o caso brasileiro. Por isso mesmo, a independência não é fruto de um Grito às margens do Rio Ipiranga dado por um príncipe herdeiro do trono de Portugal. Tal como o quadro de Pedro Américo, esse Grito foi apenas uma cena – que talvez nem tenha existido exatamente – de um longa-metragem que começamos a estudar agora! Independência ou Morte, 1888. Pedro Américo. Museu Paulista, São Paulo. Antes de avançarmos, vamos esquematizar os Fatores Motivadores da Independência Brasileira. Observe bem e compare o esquema brasileiro com o esquema utilizado para explicar a independência da América Espanhola. Aponte semelhanças e encontre as diferenças. Neste longa metragem vamos de cena em cena para chegarmos ao final, ok? Fatores Motivadores da Independência das Colônias Contexto internacional Difusão do iluminismo - a partir do séc. XVIII Revolução Industrial 1750 Independência dos EUA 1776 Revolução Francesa 1789 Expansão Napoleônica 1799-1814 Contexto local Conflitos entre interesses locais e metropolitanos Revoltas nativistas e emancipacionistas Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 6 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 2.1 – O DECLÍNIO COLONIAL E O CONFLITO ENTRE PORTUGUESES E BRASILEIROS O primeiro passo do processo de independência do Brasil tem a ver com as condições internas da colônia. Ao longo do século XVIII houve um acentuado declínio do sistema colonial. No entanto, alguns elementos desse declínio econômico, político e militar já se expressavam antes como sintomas do enfraquecimento dos laços e relações entre a colônia e a metrópole. É verdade que essa desagregação de laços entre metrópole e colônia foi inevitável com o tempo. Afinal, toda relação se desgasta, né, ! Mas a questão, em essência, é que o desenvolvimento da colônia, a ocupação e exploração do território geraram grupos com interesses específicos e nem sempre alinhados aos da Coroa. Vimos isso nos casos da Independência dos EUA e da América Latina. Sacam? Evidentemente, como já estudamos, as condições locais definem a intensidade e a forma como os conflitos de interesses se desenvolvem. Veja, a partir do fim da União Ibérica (1580-1640) e da expulsão dos Holandeses e sua consequente ruptura com Portugal (1655), a metrópole lusa entrou em crise econômica. Faltavam muitos recursos para manutenção do Império português. Assim, como sabemos, Portugal precisou encontrar outra monarquia aliada: a Inglaterra. Contudo, os termos desses acordos, como vimos em aulas anteriores, era desfavorável aos portugueses, como ficou expresso no Tratado de Methuem, em 1703. Nesse momento, entre fim do século XVII e início do XVIII, em consequência dessa conjuntura de crises, a Coroa Portuguesa estabeleceu uma política de intensificação do pacto colonial com criação e aumento de taxas e impostos, de fiscalização, além de ter reforçado o monopólio comercial. Pois é, imagine o custo e as condições de vida na colônia com o aumento do custo da produção e da importação. A situação ficou pior, porque a Coroa proibia e desestimulava a criação de manufaturas têxteis e as de ferro. Com isso, forçava os colonos a importarem tudo aquilo que consumiam. Na região mineradora, os colonos não podiam exercer a função de ourives, ou seja, se a pessoa quisesse um brinco de ouro tinha que importar!! Para você ter uma ideia, até a cachaça ficou proibida – o que impactou muito as relações no comércio de escravos, uma vez que esse produto era fundamental no comércio triangular, como já estudamos. Ademais, quero que saiba de uma coisa importante: para que a Coroa pudesse executar essa política de intensificação do pacto colonial foi preciso ampliar a estrutura administrativa, em especial, os setores policial- militar, fiscal e judiciário. E como a função fundamental dessas instituições era “vigiar e punir”, a exemplo da Intendência das Minas na execução da derrama (lembra?), os cargos começaram a ser ocupados exclusivamente por portugueses. Isso foi um grande problema para as relações entre colonos e colonizadores, pois, diferentemente do que ocorreu nas colônias hispano-americanas, no Brasil, não havia Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 7 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império exclusividade na ocupação dessas funções. Portugueses e colonos, nascidos em Portugal ou nas terras coloniais, tinham acesso a eles. Mas com a descoberta do ouro isso mudou. Portanto, querida e querido aluno, a partir do que foi dito até aqui podemos inferir que os colonos brasileiros acumularam dois motivos para irem se afastando dos interesses metropolitanos: A questão econômica: diminuição do lucro e ausência de liberdade para comercializar Orgulho ferido da aristocracia rural que ficou preterida na ocupação de importantes cargos da administração colonial 2.2 – REVOLTAS COLONIAIS DO SÉCULO XVII A Revolta da Cachaça [1660-1661] foi a primeira, mas não seria a última: em muitas outras ocasiões colonos exasperados e ressentidos usariam a rebelião como instrumento de pressão para sustentar reivindicações, atacar abusos de autoridades locais, reagir contra a rigidez administrativa de Lisboa ou exprimir descontentamento político. A América Portuguesa concentrou uma série de protestos, espalhados por todo o seu território, que no limite apresentavam sério risco para a estabilidade do Império Atlântico.1(grifos nossos) 1 SCHWARCZ, Lilia M. e STARLING, Heloisa M. Brasil: uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2018, p. 133. Povo insatisfeito + Elite desconteste Revoltas Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 8 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Diante de tal conjuntura, surgiram movimentos coloniais de revolta às medidas da Metrópole. O trecho das professoras Lilia Schwarcz e Heloísa Starling nos dão a dimensão exata do sentido histórico e da função social das revoltas coloniais. Essas revoltas começaram no século XVII. Nesse momento, caracterizaram-se como confrontos entre os interesses locais específicos e os da metrópole. Muitas vezes eram embates diretos entre a administração colonial e a atividade econômica desenvolvida pelos colonos. Por isso, suas demandas eram sempre locais – muitas vezes contrárias ao administrador local. Leia o que as professoras Heloísa Starling e Lilia Schwarcz comentam sobre esse os abusos dos administradores: A briga foi coisa de graúdos, e a lista de reclamações contra Mendonça Furtado [governador] era robusta: acusavam o governador de executar dívidas, sequestrar bens, proteger ostensivamente diversos devedores da Fazenda Real, quebrar imunidades eclesiásticas, prender e soltar pessoas: tudo em troca de propina. O Xumbergas fez parte de uma linhagem de governantes locais prepotentes, corruptos e venais que se aproveitavam da investidura régia para enriquecer depressa, em geral de forma ilícita. Assim, as revoltas se diferenciaram em temas e formas a depender da região e da medida implantada pela metrópole. Por isso, não aconteciam de maneira articulada com pontos em comum. Pipocavam pelo território e eram combatidas pela administração colonial. Apesar disso, serviram para acumular insatisfações contra a Coroa e, aos poucos, paraevidenciar as diferenças entre as populações já enraizadas na América e os Portugueses que estavam “apenas” explorando e administrando o território. Você já conhece o contexto histórico e o desenrolar da história colonial do século XVII. Se não se recorda, volta nas aulas de História do Brasil anteriores e pega o Bizu que vai seguir. 1660 -1661 Revolta da Cachaça - Rio de Janeiro 1684 Revolta dos Beckman - Maranhão 1708-1709 Guerra dos Emboabas- Minas Gerais 1710-1714 - Guerra dos Mascates- Pernambuco 1720 - Revolta da Vila Rica ou de Felipe dos Santos Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 9 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 1660-1661 – Rio de Janeiro. Revolta da Cachaça A Revolta da Cachaça ocorrida no Rio de Janeiro demonstra a insatisfação de senhores de terras com medidas da Metrópole e em relação aos abusos do governador local. Nessa região, a cana de açúcar produzida era “aguada”, ou seja, baixo teor de sacarose, por isso sua qualidade era considerada inferior para a produção de açúcar – como a que se produzia em Pernambuco ou no Recôncavo baiano. Mas era uma ótima matéria-prima para se produzir a cachaça, aguardente, pinga mesmo!! Assim, algumas regiões do Rio de janeiro, como as atuais Niterói e São Gonçalo, se especializaram nesse produto e encontraram mercado certo no comércio de escravos. Do Rio de Janeiro saiam duas importantes moedas de troca no comércio negreiro: aguardente e farinha de mandioca. Com o aumento do preço dos escravos, os produtores de cana de açúcar e aguardente começaram a furar o bloqueio do comércio de escravos, já que essa atividade também era monopólio da coroa. Assim, os colonos cariocas conseguiam comercializar escravos diretamente com os fornecedores marítimos de escravos. Dessa forma, não pagavam impostos à Coroa. Contudo, no século XVII, no contexto da decadência da economia colonial, a Metrópole proibiu a produção da cachaça para, supostamente, intensificar o consumo de vinho importado de Portugal e desestimular o tráfico de escravos. Nesse momento a Capitânia vivia uma situação drástica. Além da crise econômica geral, a varíola matara muitos negros escravizados e isso gerou uma desestabilização da produção açucareira. Para reverter o quadro, o govenador Sá e Bernardes quebrou a lei e exigiu impostos dos produtores de cachaça. Foram altíssimo impostos para tentar controlar a administração. Essa atitude do governador gerou revolta nos colonos. Mas essa revolta era antiga. Sá e Bernardes era a quarta geração da família Sá, que dominava o Rio de Janeiro. Ele era sobrinho neto de Mem de Sá, o terceiro Governador-Geral do Brasil, que venceu os Franceses na Baia de Guanabara com a ajuda dos Tapuia e primo do Estácio de Sá, que fundou a cidade. Logo, Sá e Bernardes olhava o Rio como se fosse sua herança, quintal de casa. Isso fazia com que ele governasse como se fosse “seu próprio reino”. A Coroa, por seu turno, sempre fez vistas grossas, já que Sá tinha uma longa e brilhante carreira como comandante da Coroa, acumulando grandes vitórias a serviço da Metrópole – e não apenas no rio, mas em todas as possessões da Coroa, inclusive em Angola. Largo do Carmo (atual Praça XV). Rio de Janeiro. Palco do início da Revolta da Cachaça. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 10 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Diante das medidas da metrópole e dos abusos do governador, os colonos se revoltaram. Em 8 de dezembro de 1660, no dia da Missa de Nossa Senhora da Conceição, cerca de 120 colonos entraram na cidade gritando “Viva o Povo” e “Morte ao Governador”. O povo da missa os recebeu e cerca de 350 soldados com soldos atrasados há mais de 3 meses se juntaram aos revoltosos. Expulsaram o governador Sá e Bernardes do governo e nomearam o revoltoso Jerônimo Barbalho como novo governador da Câmara Municipal. O governo revoltoso durou 5 meses. Na madrugada de 6 de abril de 1661, o governador, que estava exilado em São Paulo, entrou na cidade. Porém, não estava sozinho. Agora, contou com ajuda de tropas portuguesas que vieram da Bahia, munição, mantimentos e com uma aliança com índios flecheiros tupi. A tropa do governador dominou as sentinelas do Forte de São Sebastião, ocupou a Câmara, invadiu casas, prendeu moradores e confiscou armas. Nesse instante prendeu Barbalho e o matou decapitado. Sua cabeça foi espetada no pelourinho. Os demais revoltosos foram mandados para julgamento em Portugal. Algo interessante ocorreu nesse julgamento: os atos do governador foram considerados excessivos e a revolta foi considerada legítima. Por isso, a Coroa Portuguesa resolveu perdoar todos os envolvidos na revolta. Além disso, a coroa ainda liberou a fabricação da cachaça na colônia. Tal atitude também foi uma forma de demonstrar ao governador os limites de sua autoridade em terras consideradas propriedade do Rei de Portugal. 1684 – Maranhão. Revolta dos Irmãos Beckman Na Província do Maranhão, como vimos, a questão econômica estava ligada à exploração das drogas do sertão, alguma produção de açúcar, tabaco e couro em pequena escala. Assim, o desenvolvimento econômico era muito difícil. Diante desse quadro, avia o uso intensivo de mão de obra escrava indígena. Essa situação colocava colonos e jesuítas em rota de coalisão, uma vez que jesuítas eram contrários à escravidão indígena. Para amenizar os confrontos entre esses dois grupos, em 1680, a Coroa decretou a liberdade dos indígenas, proibiu a escravidão e os colocou sob a tutela dos jesuítas. Os colonos se irritaram e esboçaram uma rebelião. Para evitar maiores transtornos e, ainda, dinamizar a exploração colonial na região, foi criada pela Coroa a Companhia de Comércio do Maranhão. Lembra dela? Essa companhia passava a ter monopólio de comércio na região. Em troca, prometiam “abastecer” a região com 10 mil escravos. Deu tudo errado esse plano: a Companhia do Comércio levava péssimo e caros produtos importados e, além disso, não introduziu todos os escravos de que os produtores e extrativistas necessitavam. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 11 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Essa situação gerou uma grande revolta que envolveu os colonos da região contra a Companhia do Comércio. Em 1684, os colonos irmãos Manuel e Thomas Beckman lideram uma revolta a qual prendeu o capitão-mor, ocupou o depósito da Cia de Comércio, invadiu o colégio dos Jesuítas e os prenderam. Radicais, não? Thomas Beckman foi até Portugal para explicar ao rei as causas da rebelião e reafirmar o compromisso dos revoltosos com “vossa majestade”. Mas não adiantou. Ele foi preso, a Coroa enviou tropas e um novo governador para controlar a situação. A revolta foi derrotada e os líderes foram enforcados. Perceba que a revolta não expressava nenhuma tentativa de romper com a coroa ou proclamar emancipação. Foi uma revolta de caráter local e por demanda específica. 1708-1709, Minas Gerais. A Guerra dos Emboabas Queridos, essa foi a primeira Revolta cujo embate está relacionado com a questão aurífera. Sabemos que foram os bandeirantes paulistas que descobriram ouro. Até que a Coroa organizasse a exploração, os paulistas acreditavam que eles eram os legítimos exploradores da área. Mas a notícia se espalhou como pólvora e a região encheu de gente, ou forasteiros – ou emboabas, na língua tupi-guarani utilizada pelos bandeirantes. Assim, o bandeirante Borba Gato liderou uma revolta contra os emboabas e disputaram o direito de lavrar os rios e cursos d’água. Amador Bueno da Veiga, outro importante bandeirante, sai de São Paulo e vai para a região da batalha em apoio aos companheiros, saindo-se vencedor de uma das mais terríveis batalhas. Deste triste e sangrento episódio, em Tiradentes/São João DelRey o rio onde aconteceu parte das batalhas ficou conhecido como Rio das Mortes. Rio das Mortes, Tiradentes, Minas Gerais. Chefe Bandeirante. Henrique Bernardelli. Acervo do Museu Mariano Procópio Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 12 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Em 1709, a Coroa mandou uma força pacificadora, pois não tinha a intenção de se indispor com nenhum dos lados. No entanto, no desfecho do conflito ficou claro que a Coroa deu preferência e privilégios para outros grupos que não os paulistas, sobretudo, para os portugueses. Isso ficou marcado na relação dos paulistas com a Coroa. Além disso, esse momento “pacificador” serviu para que Portugal instalasse as autoridades e órgãos metropolitanos na região. Perceba que, assim como a revolta dos Beckman, essa também não teve caráter de ruptura com a Coroa, apenas questão econômica pontual. Porém, note que, mais cedo ou mais tarde, a ficha iria cair!!! 1710-1714, Pernambuco. Guerra dos Mascates. A Guerra dos Mascates é um conflito que está ligado à decadência do açúcar em Pernambuco, após a expulsão dos holandeses, em 1655. Olinda era a cidade mais importante de Pernambuco porque era o principal centro produtor de açúcar, por isso ostentava a categoria de VILA. Em Recife, em um bairro portuário de Olinda, estavam os comerciantes portugueses com mais dinheiro e que, diferentemente dos produtores açucareiros não tinham sentido a crise. Assim, a aristocracia Olindense emprestou muito dinheiro dos comerciantes recifenses, ou mascates – como eram conhecidos -, para recuperar os engenhos. Acontece que essa aristocracia, em um dado momento, não honrou com seus compromissos. Evidentemente, os mascates foram tentar recuperar seu dinheiro. Deram com a cara na porta! Via judicial, de maneira legal, cobraram os produtores de açúcar de Olinda. Mas veja que coisa: os juízes ficavam na Vila de Olinda, na Câmara Municipal, e, amigos que eram da aristocracia, não executavam as dívidas! Ou seja, os mascates jamais tinham seu dinheiro de volta! Contudo, caros, os comerciantes portugueses de Recife conseguiram que o rei declarasse a autonomia de Recife e, assim, formasse sua própria corte de justiça. Com isso, essa justiça podia julgar novamente as dívidas da aristocracia de Olinda, já que, agora, contava com sua própria Câmara Municipal. Além disso, como Recife era elevado à categoria de Vila, e com mais dinheiro, os comerciantes se tornaram pessoas mais importantes nesse jogo. Irritados com tal situação, senhores de engenho de Olinda, liderados por Bernardo Vieira de Melo invadiram o Recife, em 1710. Um mascate e seu escravo. Henry Chamberlain, 1822. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 13 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Iniciou-se uma guerra que, entre idas e vindas, teve como desfecho, em 1714, a vitória dos mascates portugueses, uma vez que, os olindenses foram severamente punidos pela administração colonial. Recife acabou por se tornar a Capital de Pernambuco! Percebam que, mais uma vez, não foi uma revolta contra a Monarquia Portuguesa. Mas o desfecho, como as anteriores, também contribuiu para desgastar as relações entre colonos e colonizadores. 1720, Minas Gerais – A Revolta de Vila Rica A Revolta de Vila Rica, também conhecida como Revolta de Felipe dos Santos, é a que teve mais repercussão na colônia justamente porque ocorreu na região mais importante para a Metrópole naquele momento: as minas gerais. Vila Rica, atual Ouro Preto, foi palco de uma revolta contra a instalação das Casas de Fundição – lembra-se do que era isso? Como vimos, as Casas de Fundição foram um órgão criado, em 1719, para garantir a cobrança do imposto sobre a produção aurífera, o quinto, e para evitar o contrabando de ouro. Evidentemente, tudo isso ocorreu combinado com outros fatores como: ✓ Proibição da atividade de ourives ✓ Instituição da Derrama ✓ Violência dos Dragões Reais das Mina A participação popular na revolta foi muito grande. Conta-se o envolvimento de 2 mil pessoas!! Para a época era muito! Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 14 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Rapidamente, o Governador das Minas, Conde de Assumar, consegue abafar a Revolta, devido à força dos Dragões das Minas. O líder, Felipe dos Santos, é preso e, sem julgamento, é morto e esquartejado! Como consequência, em 1720, a Corte Portuguesa criou a Capitânia de Minas Gerias, de modo a separar a região das Minas de São Paulo. Assim, Portugal perdia mais um ponto com os Paulistas. Por fim, quero chamar sua atenção para o fato de que a Revolta de Vila Rica, embora derrotada, continuará viva nas mentes e corações dos mineiros. Não será por menos que, as ideias ilustradas do século XVIII cairão como uma luva para fundamentar os sentidos revoltosos dos pensadores dessa região. Dessa maneira, a próxima cena do nosso longo filme do processo da independência do Brasil serão as revoltas de caráter emancipacionistas. 2.3 – REVOLTAS DO SÉCULO XVIII As revoltas coloniais do século XVIII têm uma característica diferente das suas antecessoras. Imersas no contexto turbulento e profundamente transformador do século XVIII, os questionamentos em relação à metrópole ganharam nova tonalidade e radicalidade inspirados na disseminação dos ideais iluministas e nas experiências da independência dos Estados Unidos da América, de 1776, e da Revolução Francesa, de 1789. Além disso, a experiência das revoltas anteriores provou que os problemas possuíam raízes mais estruturais, ou seja, com o pacto colonial. Assim, os movimentos revoltosos do século XVIII podem ser caracterizados como anticolonialista. Isso significa que propunham a ruptura com a Metrópole pois conspiravam contra a ordem colonial. Os movimentos mais destacados são a Conjuração Mineira e Baiana. Mas Profe, não é Inconfidência Mineira? As professoras Starling e Schwarcz também falam que essa “semântica das revoltas”, em grande medida, trata da necessidade da Metrópole em disciplinar e controlar a população da colônia. Assim, insurreição, sedição, rebelião, assuada, motim, tumulto todas servem para designar uma ação de natureza política contestatória pejorativa. Essa é uma lógica das revoltas do século XVII que, apesar de contestatória, não deixavam de reafirmar a força simbólica do rei – como vimos, no caso da revolta da Cachaça. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 15 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Então, esses termos querem dizer, segundo o professor Ronaldo Vainfas2: inconfidência, traição ao príncipe; conjuração, conspiração contra ele. Ou seja, esses dilemas vocabulares não são a questão mais relevante nos nossos estudos, porque, no final, são a mesma coisa: um movimento contra a coroa. Contudo, apesar de significar a mesma coisa do ponto de vista do sentido histórico, é importante que saibamos que conjuração foi um termo que os revoltosos deram ao movimento. Em particular porque o movimento tinha como base a ideia de autogoverno e autonomia e, portanto, reunia pessoas que estavam dispostas a contestar o poder do rei e da Coroa. Visto pelo lado da Coroa, desafiada por esse ideal liberal, é evidente que o rei chamaria essas pessoas de traidoras, súditos infiéis, logo, inconfidentes – um crime contra a coroa !!!!!! 2.3.1 - Conjuração Mineira, 1789. Minas Gerais A conjuração mineira foi uma revolta anticolonial, de caráter elitista e republicana. Provavelmente, foi o primeiro movimento colonial a receber influência direta dos ideais iluministas. Em 1781, um grupo de estudantes brasileiros, em Coimbra, jurou dedicação à causada soberania da colônia, por exemplo. Ficou restrito às Minas Gerais e com simpatia de grupos iluminista no Rio de Janeiro. As causas desse movimento podem ser encontradas em fatores: 1- Político-administrativos e econômicos: • Havia um rigor da política metropolitana em cobrar tributos, como vimos, no caso da derrama. • Esse rigor desconsiderava a realidade da diminuição da produção aurífera. • A Metrópole descartava outros projetos econômicos. • A elite econômica e administrativa percebia que havia autossuficiência econômica da capitânia. 2- Conjunturais: • Corrupção e abuso do Governador da Capitânia. • Restrição do acesso da elite local a postos importantes da administração régia. • Pobreza e carestia profunda que atentava contra a ordem social. Os participantes desse movimento: 2 VAINFAS, Ronaldo. O livro a respeito do livro que inspirou Tiradentes. Folha de São Paulo, 13 de out.2013. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 16 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império O que queriam os revoltosos A partir de meados de 1780, o projeto apareceu com a proposta de uma “República Florente”. Tiradentes era o mais ativo propagandista dessas ideias e contribuiu fortemente para disseminá-la no interior de uma rede de grupos de pessoas de variadas camadas sociais. Nas palavras das professoras autoras do livro Brasil: uma biografia, [...] uma República Florente, como gostava de definir Tiradentes: uma república próspera, florescente, já que alimentada pela notável riqueza natural das Minas, que permitiria aos seus habitantes conceber o próprio destino e firmar a convicção de que soberania não era um atributo a ser compartilhado com Portugal. (idem, p. 143) Pontos importantes do Programa Político: República Capital em São João Del Rey Apoio à Industrialização do Brasil Criação de uma Universidade em Vila Rica Obrigatoriedade do serviço militar Homens letrados: médicos, engenheiros, naturalistas, escritores, poetas. Nomes importantes: Luís Antonio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto, José Vieira Couto, José Álvares Maciel e, o mais famoso, José da silva Xavier - Tiradentes Elite econômica: fazendeiros, comerciantes, banqueiros, verdadeiros magnatas do ouro: João Rodrigues de Macedo Elite administrativa: alguns militares, admistradores: Tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade (comandante dos Dragões das Minas) Membros eclesiásticos mais ilustrados: Padre Carlos Corria de Toledo, Cônego Luís Vieira da Silva Sobre a Escravidão: Segundo Boris Fausto, o único acordo a que chegaram foi libertar os escravos nascidos no Brasil. Mas mesmo essa formulação não era tão consensual. Por isso, diz que a Conjuração Mineira tem um caráter elitista. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 17 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império O desenrolar da conspiração As ideias iluministas de República, autonomia política e autossuficiência econômica que alimentavam a conspiração se espalharam pela Capitania: “transitaram por boticas, quartéis e portas de igrejas existentes nas vilas e em seu entorno; frequentaram as tabernas e casas de prostituição espalhadas pelas Minas, e se esconderam nas montanhas do Serro do frio, que fervilhavam de garimpeiros e faiscadores fora da lei.” (idem, p. 144). Além disso, o próprio Tiradentes tinha uma missão de tentar o apoio de outras capitanias, como São Paulo e Rio de Janeiro. No nível internacional, os conjurados também buscavam apoio. Joaquim Maia e Barbalho, estudante brasileiro na Universidade de Montpellier escreveu uma carta a Thomas Jefferson, em 1786, solicitando um encontro. Em 1787, se encontraram secretamente em Nîmes, na França. Desse encontro Thomas Jefferson registrou: "Eles consideram a Revolução Norte-Americana como um precedente para a sua", escreveu o embaixador; "pensam que os Estados Unidos é que poderiam dar-lhes um apoio honesto e, por vários motivos, simpatizam conosco (...) no caso de uma revolução vitoriosa no Brasil, um governo republicano seria instalado" Jefferson assinalou que o movimento no Brasil "não seria desinteressante para os Estados Unidos, e a perspectiva de lucros poderia, talvez, atrair um certo número de pessoas para a sua causa, e motivos mais elevados atrairiam outras". Mas, mesmo assim, ele não poderia arriscar um acordo assinado com Portugal, em 1786, para apostar em um projeto bastante incerto. Os conjurados também tentaram apoio na França, mas os revoltosos lá estavam completamente envolvidos com seu processo de crises e rebeliões, portanto, impossibilitados de atuar no cenário internacional. Então, os conjurados mineiros ficaram sozinhos. Mesmo assim, organizaram o motim para o dia da derrama em fevereiro de 1789. Mas a derrama foi suspensa. Ora, mas porque haveria a administração colonial de suspender a derrama? Vejam: Historiadores afirmam que o Governador Visconde de Barbacena recebeu 6 denúncias de que havia uma conspiração em marcha nas Minas Gerais. A primeira delas, feita no começo de fevereiro, era de autoria de Silvério dos Reis. Ativo A mais importante reunião dos Conjurados, 1892-1893. Pedro Américo. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 18 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império conjurado, militar minerador e rico. O maior devedor de tributos à Coroa. Em troca do perdão da dívida entregou tudo, absolutamente, tudo o que sabia. E ele sabia de muita coisa. O suficiente para que o governo conseguisse acabar com o Movimento. Seria uma espécie de delação premiada daquela época? Talvez... Em fevereiro, Barbacena suspendeu a derrama, investigou as informações e, em maio de 1789, prendeu os principais líderes do Movimento declarando a “devassa” – perseguição, investigação e o que mais fosse preciso. Entre esse dia e o julgamento dos conjurados foram três anos. As sentenças foram uma demonstração da força real e do horror que ela poderia causar: degredo na África, prisão perpétua em Portugal para os membros da Igreja e forca. Quero terminar essa parte contando o desfecho de duas figuras. Uma mais conhecida e escolhida, no final do século XIX, para ser um símbolo da luta republicana e ser transformado em herói nacional – Tiradentes. Por isso, 21 de abril é um feriado cívico. Dia de Tiradentes, ou de se comemorar a luta pela república. O famoso quadro de Pedro Américo “Tiradentes esquartejado” é de 1893. Veja ao lado. Há muitas referências e associações que podem ser feitas por meio desse quadro. A mais significativa é a aproximação da imagem e do sofrimento de Tiradentes com Jesus Cristo e sua crucificação. No entanto, o que quero destacar, para além dos significados simbólicos que foram construídos na fase Republicana do Brasil, é o papel que Tiradentes cumpriu no processo de espalhar as ideias liberais. Segundo os especialistas, ele foi um grande propagandista. Sabia o que falar, como falar e para quem falar. Conversava, cantava, proseava, tocava violão.... tudo para convencer as pessoas sobre a ideia de liberdade! Como Tiradentes foi muito conhecido nas capitânias do Rio de Janeiro e Minas Gerais, destruir sua imagem era uma tentativa de destruir suas ideias. Ele foi enforcado no Rio de Janeiro e seu corpo foi esquartejado, salgado e espalhado no caminho entre Rio e Minas. Sua cabeça ficou espetada em Vila Rica, hoje Ouro Preto. A outra figura que quero lembrar, pouco lembrada – até porque não foi escolhido pelos posteriores republicanos – foi Claudio Manoel da Costa. Poeta! E é por aí que ele é lembrado. Contudo, era também advogado e conhecedor profundo de todas as tramoias do governador e seus aliados. Respeitadíssimo “doutor” da Capitânia. Aconselhador do povo. Mecenas do Aleijadinho. Não era propagandista da Conjuração, masfoi o ideólogo do Movimento. Juntamente com Alvarenga Peixoto, estava encarregado de elaborar as leis e a Constituição da Nova República e de justificar teoricamente o rompimento com Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 19 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Portugal. Foi ele quem concebeu a bandeira dos conjurados, que mais tarde serviu de inspiração para a bandeira oficial de Minas Gerais. Por fim, percebe como os motivos e a relação entre revoltosos e a coroa foi diferente? Prestem muita atenção nas questões específicas da Conjuração Mineira, mas não esqueça de refletir sobre seu sentido histórico e seu papel no processo de Independência do Brasil (FUVEST 1982) A Inconfidência Mineira, no plano das ideias, foi inspirada a) nas reivindicações das camadas menos favorecidas da Colônia. b) no pensamento liberal dos filósofos da Ilustração europeia. c) nos princípios do socialismo utópico de Saint-Simon. d) nas ideias absolutistas defendidas pelos pensadores iluministas. e) nas fórmulas políticas desenvolvidas pelos comerciantes do Rio de Janeiro. Comentário: Questão clássica! E mega manjada, né, fala sério! No plano das ideias, a Inconfidência Mineira foi inspirada no ideal iluminista. Aproveito para ressaltar uma especificidade: a experiência que conduziu as esperanças e ideias dos conjurados mineiros foi a Independência dos Estados Unidos da América. Não confunda com a Revolução Francesa, que sequer tinha acontecido quando a conjuração foi descoberta e desbaratada. Gabarito: B 10 ANOS DEPOIS................... 2.3.2 - Conjuração Baiana, 1798. Bahia No início de 1798, na cidade de Salvador, amanheceu queimada a forca instalada no largo em que se erguia o Pelourinho – símbolo máximo do poder da Coroa portuguesa, onde se anunciavam os decretos do rei e se açoitavam publicamente os escravizados. O gesto era um desafio, contestava a autoridade política de Lisboa e dispensava justificações. (idem, p. 147) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 20 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império A fundação de Santos. Benedito Calixto. Pelourinho, 1827. Jean-Baptist Debret. Quase dez anos após o movimento em Minas, ocorreu na Bahia uma nova Conjuração. A transferência da capital da colônia para o Rio de Janeiro, em 1763, trouxe uma série de dificuldades econômicas para a cidade de Salvador, onde vivia uma população miserável, majoritariamente negra e mestiça. Mas os ventos das revoluções americana e europeia enchia de esperança aquelas gentes! Em quase tudo, o Movimento Baiano se assemelha à Conjuração Mineira, exceto por dois motivos: 1- Tinha um caráter popular, pois houve participação da população pobre, negra, mestiça, além dos estratos brancos, ricos ou de classe média e letrados. 2- Além disso, teve caráter popular porque a abolição da escravidão era uma das exigências do movimento Demanda dos Revoltosos: Fim da dominação portuguesa Proclamação de uma República democrática privilegiando a liberdade, a igualdade e a fraternidade Abolição da escravidão Profissionalização do exército e aumento do soldo Liberdade econômica – abertura dos portos para todos os países Melhorias nas condições sociais e de vida da população mais pobre Veja que a plataforma política dos conjurados baianos é mais próxima das propostas jacobinas. Isso é possível pois a Revolução Francesa já estava em curso há 9 anos. A Campanha da Conjuração Baiana também foi diferente. Teve um caráter mais aberto e menos conspiratório, até mesmo porque o contexto internacional era outro. No dia 12 de Agosto de 1798, panfletos eram encontrados em igrejas e estavam colados em muros e locais públicos. Estavam nas ruas, becos e ruas tortas, tal como a topografia de Salvador. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 21 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império O significado político desses panfletos foi singular, pois, além da aparição pública, articulavam um repertório gramatical em que a República aparecia democrática e carregada de igualdade social. Um dos panfletos dizia3: O Governador da Bahia, Fernando José de Portugal e Castro realizou a chamada devassa ou averiguação de inquérito. Com uma violenta repressão e, contando com muitos delatores, prendeu os principais líderes do movimento. Apesar dessa violência generalizada, as sentenças demonstram que os mais pobres tiveram as penas mais duras. Quatro líderes mulatos, cuja profissão eram alfaiates e soldados, foram condenados ao enforcamento e esquartejamento. A sentença foi executada na Praça da Piedade em Salvador. 2.3.3 - Um aprendizado político Em uma colônia cuja vida social estava organizada no trabalho escravo e na exploração das riquezas locais em favor da Metrópole, as revoltas que acabamos de estudar podem ser entendidas como um longo caminho para o aprendizado dos modos de fazer política por parte dos brasileiros. A consciência das possibilidades econômicas, da nossa autossuficiência, da liberdade e da igualdade social contribuiu para uma postura mais ativa por parte dos grupos sociais. 3 RUY, Affonso. A primeira revolução social brasileira (1798). São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1978, p. 68 Igreja do Hospício de Nossa Senhora da Piedade da Bahia. Johann Moritz Rugendas. Acervo artístico cultural dos Palácios do Governos, São Paulo. “Animai-vos povo bahiense que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais” Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 22 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Nenhuma das revoltas foi vitoriosa. No entanto, entre os séculos XVII e XVIII, os colonos começaram a desenhar novos sentidos para o mundo que viviam, e experimentaram ousar além dos limites impostos pela metrópole e por administradores manifestamente corruptos – ou no vocabulário da época, xumbergas. O brasileiro declarou direitos, reivindicou um espaço de debate e negociação política. O vocabulário da vida pública cresceu. O Brasil cresceu junto! Tudo isso representou, sem dúvida, um acúmulo de experiências e novas ferramentas intelectuais, políticas e sociais que continuaram a ser mobilizadas e reelaboradas nos processos sociais de reivindicação pela ampliação da participação política. Contribuiu, sobretudo, na compreensão de que um país é construído pelas mãos do seu povo! É verdade que muita coisa desse momento tem tido pouca repercussão na nossa memória social e na nossa história pública, mas elas aconteceram. Estão lá naquele tempo. E podem cair no seu Vestibular, caro Bixo, por isso, estão nessa aula também!! (IFBA 2017) Após a leitura do texto abaixo e dos seus conhecimentos sobre o tema, responda à questão abaixo: “A Inconfidência Mineira (1789) e a Inconfidência Baiana (1798) têm em comum o fato de serem reprimidas pela Coroa Portuguesa ainda na fase de preparativos e o desejo de autonomia de seus participantes, pois consideravam-se prejudicados e excluídos dos benefícios pelos quais acreditavam ter direito de usufruir em sua plenitude. Apesar de algumas opiniões contraditórias, percebe-se que o diferencial entre as duas conjurações é o fato de que a Conjuração Mineira teve um caráter elitista em sua organização e execução até o fim, enquanto a Conjuração Baiana, ao adquirir contornos mais radicais e populares, causou o afastamento dos líderes intelectuais da elite local que organizaram inicialmente o movimento, fazendo com que mulatos, escravos, brancos pobres e negros libertos se transformassem nos cabeças do levante.” Disponível em: http://historiasylvio.blogspot.com.br/2013/inconfidencia-mineira-x-inconfidenciabaiana. Acesso em: 02/09/2016. Fazendo um paralelo entre os movimentos revolucionários, a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, podemos afirmar que: a) Enquanto os participantes da Inconfidência Mineira, em geral buscaram como modelo político a república organizada nos Estados Unidos, na Conjuração Baiana foi clara a inspiração na Revolução Francesa. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 23 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império b) A existência da imprensa livre no século XVIII no Brasil possibilitou a difusão dos ideais de liberdade e igualdade em Minas e nas outras as regiões do país, possibilitando o êxito dos revoltos. c) Na capitania das Minas Gerais, o consumo de livros era inferior, quando comparado a outras capitanias, o que dificultou a discussão dos ideais emancipacionistas pelos setores médios urbanos. d) Na Inconfidência Mineira, houve um amplo apoio das camadas populares, dando maior força ao movimento, enquanto a Conjuração Baiana ficou restrita a intelectuais. e) Na conjuração baiana os envolvidos restringiram suas ações a reuniões secretas coordenadas pela loja maçônica Cavaleiros da Luz, sem nenhuma iniciativa de convocação pública para a luta. Comentário Olha essa questão que bacana. Ela aborda as Conjurações Mineira e Baiana por meio de uma perspectiva comparativa. Além da diferença na base social, os dois movimentos inspiraram-se em movimentos externos diferentes. Enquanto os mineiros se espelharam na Revolução Americana, os baianos seguiram os passos da Revolução Francesa. Sendo assim, o gabarito é a alternativa A. Vamos comentar os erros nos demais itens: b- Não existia imprensa livre no Brasil do século XVIII. c- Olha, não existe dados concretos sobre a circulação de livros na colônia, mas, com certeza, a região das minhas era uma das que mais consumiam livros. d- Foi o contrário. e-Diferentemente da Conjuração mineira, a Baiana contou com pelo menos dois momentos em que distribuíam clandestinamente panfletos e colocaram espécies de cartazes e panfletos colados pelos muros de Salvador. Gabarito: A 2.4 – FAMÍLIA REAL NO BRASIL E O PERÍODO JOANINO A vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil e o período em que foi governado diretamente por Dom João VI são eventos bem presentes na memória social. Claro que cheio de estereótipos, especialmente, sobre a figura de Dom João envolto a uma caricatura que o retrata como um rei meio decadente. Os episódios históricos que deram notoriedade a Dom João estão relacionados justamente com a invasão de Napoleão Bonaparte em Portugal no final de 1807 e a transferência da Corte para a colônia portuguesa na América. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 24 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Esses episódios podem ter sentidos históricos distintos, a depender de quem os conta. Portugueses, por muito tempo, contaram essa história como a de um rei que fugiu, de um processo de “salve-se-quem-puder”, como anticolonialista ou absolutista. Já na historiografia brasileira, a chegada da família real, em janeiro de 1808, no contexto da expansão napoleônica, significou a última etapa do nosso processo de independência e determinou quando e como se deu a Independência do Brasil. Então, passemos a análise do período que vai de 1808, com a chegada da família, até 1822 com a Declaração da Independência. 2.4.1 – O contexto na Europa Como já estudamos, a partir de 1806 Napoleão Bonaparte decretou o Bloqueio Continental, que serviu de pressão para que os Estados Europeus não comercializassem com a Inglaterra. Contudo, a tensão entre as potências europeias era um problema desde o início da Revolução Francesa. Foram sete as coalisões para impedir o avanço do poder da França e de suas ideias liberais. Nesse contexto, a monarquia portuguesa procurava equilibrar-se em uma “política de neutralidade” que, a partir de 1807, foi colocada em xeque por Napoleão. O Imperador colocou Portugal na parede e exigiu que Dom João VI, o príncipe regente, tomasse o lado dos “interesses franceses”; caso contrário, França e Espanha invadiriam Portugal. Mas Profe, como Portugal faria isso diante de todos os acordos que ele mantinha com a Inglaterra? Bingo, Coruja! Como Portugal faria para ir contra a sua grande aliada há um século, não é mesmo? Uma coisa é manter a neutralidade e não interferir diretamente em nenhuma das disputas, outra coisa é se posicionar. Ser “isentão”, nesse caso, fez com que Portugal fosse empurrando o conflito para frente sem se enfrentar nem com França e nem com Inglaterra. “Vou aderir, não vou aderir, estou quase aderindo, em qual condições eu vou aderir...” enfim...foi assim por quase dois anos. É bom lembrar que se Portugal aderisse ao Bloqueio, a Inglaterra poderia, inclusive, invadir as colônias e feitorias de Portugal, afinal, o que a impediria? Percebe que Portugal estava em uma encruzilhada? Mas, em 1807, não deu mais. Londres e Paris perderam a paciência com Dom João VI. Então, Portugal recorreu a um antigo plano que a Coroa sempre manteve para casos de crise: transferir-se para sua mais produtiva colônia, o Brasil! Assim aproveitando de sua relação com Inglaterra, a Monarquia britânica garantiu a proteção e o embarque da família real e de toda a Corte portuguesa para o Brasil, em 27 de novembro de 1807. Dom João nunca de respostas para Napoleão. Com isso, em estratégia considerada brilhante por parte dos historiadores portugueses e brasileiros, Dom João manteve o reino luso, a coroa na cabeça e a posse da colônia! Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 25 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Só para você saber. A França invadiu e ocupou Portugal. Os portugueses resistiram, houve uma guerra generalizada contra a França em toda a Península Ibérica por longos 7 anos, fato este que enfraqueceu a economia e a honra do país. Nesse sentido, aqui também a monarquia absolutista entrava em decadência. (FUVEST 2008) Em novembro de 1807, a família real portuguesa deixou Lisboa e, em março de 1808, chegou ao Rio de Janeiro. O acontecimento pode ser visto como: a) incapacidade dos Braganças de resistirem à pressão da Espanha para impedir a anexação de Portugal. b) ato desesperado do Príncipe Regente, pressionado pela rainha-mãe, Dona Maria I. c) execução de um velho projeto de mudança do centro político do Império português, invocado em épocas de crise. d) culminância de uma discussão popular sobre a neutralidade de Portugal com relação à guerra anglo-francesa. e) exigência diplomática apresentada por Napoleão Bonaparte, então primeiro cônsul da França. Comentário Queridos, essa questão sobre o significado da vinda da família real para o Brasil, assunto que despenca na prova, pode ser interpretado de diversas perspectivas. Assim, você deve extrair as maiores informações possíveis do comando da questão para tentar capitar de qual perspectiva a Banca está abordando. Caso nada exista, como nessa questão, você deve ir para as alternativas e analisar uma a uma. Não fique com medo, a FUVEST não vai colocar duas perspectivas da mesma questão, pois daria para anular. Vamos analisar, então: a- Não teve a ver com incapacidade, mas com estratégia de negociação, como vimos em aula. b- Dona Maria nem sabia direito o que estava acontecendo. Dizem as fontes oficiosas que ela pediu para que ninguém corresse para que Napoleão não percebessem que estavam fugindo c- Bem, esse é o item correto. Mas é chato, né, porque o aluno teria que saber que a coroa portuguesa sempre cogitou vir para o Brasil nos momentos de crise na corte. Diga, o que isso tem de realmente significativo? Enfim, ninguém vai brigar com a FUVEST. Responde e parte! d- Imagina fazer um plebiscito, ou algoassim, sobre uma estratégia de saída rápida do país que estava sendo invadido? Sem comentário. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 26 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império e- Napoleão queria invadir a França e jamais poderia ter oferecido um plano de fuga, concorda? Gabarito: C 2.4.2 – A Corte no Brasil Com a chegada da Corte Portuguesa, a colônia passou a ostentar uma situação singular e muito diferente em relação às colônias da América Espanhola. Por favor guarde o seguinte: No contexto da invasão napoleônica à Península Ibérica, enquanto os criollos da América espanhola criaram juntas governativas para administrar autonomamente as colônias, de modo a impedir que a França ou outros países ocupassem o território, no Brasil, o próprio rei aportava em suas terras. Veja, isso muda tudo: - O Brasil tornou-se uma colônia que abriga o governo metropolitano. Isso obrigou o governo luso a enfrentar os problemas brasileiros por outra perspectiva que não apenas a da exploração e arrecadação fiscal. - Para governar e manter uma Corte foi preciso montar um país, ou seja, um sistema administrativo, político e cultural de outro nível. - Aproximação entre a corte e a elite colonial de modo que esta teve mais poder do que antes. Agora ela era “parte” da Corte. Portanto, os interesses locais precisaram ser organizados. - O Pacto Colonial terminou e, com isso, a liberdade econômica poderia gerar desenvolvimento para a “nova sede da coroa”. Essa especificidade do Brasil colônia permitiu que a Independência ocorresse de modo distinto em relação à experiência da América Latina. O lugar que ocupou essa elite colonial tem importância fundamental para explicar a manutenção da integridade territorial e política que caracterizou a independência política brasileira. Naquele janeiro de 1808, o Brasil foi inundado por Portugueses. A Corte era composta por aproximadamente 15 mil pessoas que cercavam e serviam a Família Real: nobres, funcionários que compõem a administração civil, militar, judiciária, eclesiástica, empregados e damas de companhia, soldados, entre outros. Junto com as pessoas vieram seus bens e pertences. Cavalos, canhões, livros, roupas e infinitas bagagens. O cenário inicial era uma confusão! Primeiro, a Corte chegou em Salvador, passou 1 mês e, depois, seguiu para o Rio de Janeiro. A família real instalou-se nos palácios dos vice-reis, as tropas ocuparam periferias e, para acomodar os nobres da corte, a coroa emitiu ordem de desapropriação por interesse público. Ou Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 27 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império seja, pessoas perderam suas casas de uma hora para outra. O proprietário ficava sabendo que tinha perdido a casa quando acordava e via as letras P.R pintadas na porta. As iniciais P.R se referiam à Príncipe Regente. Mas como somos o país do meme, logo circulou a “nova legenda”: ponha-se na rua!!!!! Dito isso, vamos pensar um pouco nas transformações da paisagem urbana, social, política e econômica impulsionada pela chegada da Corte. O Governo de Dom João VI no Brasil 1808-1816 Vejamos sistematicamente algumas medidas tomadas por Dom João VI que contribuíram para as condições do processo de independência: Organização da estrutura administrativa: - Criou o Banco do Brasil; - Instalou órgãos da Justiça; - Nomeou ministros de Estado. Medidas econômicas: - Fim do Pacto Colonial, isso ficou conhecido como “Abertura dos Portos às nações amigas”. A partir daquele momento, os portos brasileiros estavam abertos ao desembarque de produtos podendo ser livremente comercializados no território, ou seja, extinguia-se o monopólio comercial português sobre as atividades econômicas do Brasil; - Tratado de Navegação e Comércio de 1810. Por meio desse tratado Portugal estabelecia uma escala dos valores de taxas de importação. Este reduziu para 15% a taxa alfandegária sobre os produtos importados da Inglaterra, enquanto os produtos portugueses pagavam 16% sobre seu valor, e os das demais nações, 24%. Como você pode imaginar, a Inglaterra foi privilegiada nesse acordo, pois foi o país a quem foi atribuída a menor tarifa alfandegária (de importação e exportação). - Extinção do Alvará de 1785, que até então limitava a instalação de manufaturas no Brasil, ou seja, as manufaturas, antes proibidas, estavam liberadas. Uhull! Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 28 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Articula comigo: Com a “abertura dos Portos às Nações amigas” o mercado brasileiro foi inundado por produtos industrializados ingleses. Segundo Gilberto Freire, houve uma “britanização” sistemática da economia brasileira. Mesmo que não estivesse mais proibido desenvolver manufaturas no Brasil, esse espaço privilegiado para a indústria inglesa impedia qualquer avanço da indústria local. Até Portugal pagava mais imposto que o Brasil!! Promoção da Vida Cultural: O Governo de Dom João implantou uma série de instituições de caráter cultural que são importantes até hoje: - Jardim Botânico - Duas escolas de Medicina - A Biblioteca Real – hoje, Biblioteca Nacional - Imprensa Régia, o Jornal Gazeta do Rio de Janeiro – importante lembrar que Dom João proibiu a livre circulação da imprensa. O Jornal Correio Braziliense era impresso na Inglaterra por Hipólito da Costa e chegava clandestinamente ao Brasil. - Academia de Belas-Artes. Essa escola fundada em 1826 é fruto de uma preocupação de Dom João com a educação e o clima cultural na sede do Governo Português. Um de seus Ministros, um francófono, entrou em contato com o Instituto Francês de Belas Artes e, então, montou-se uma Missão Francesa para vir ao Brasil. Ventos iluminados trouxeram os franceses para a colônia, ou seja, as ideias liberais promotora da ruptura com os dogmas da Igreja Católica e o estabelecimento da força do pensamento filosófico e do saber acadêmico e científico. Foi neste contexto que a Missão se instituiu: uma tentativa de modernizar a nova sede do reino. Evidentemente, como toda aristocracia, as preocupações do rei e de seus ministros era criar um universo cultural apropriado para a vida da e na Corte. Nada disso diz respeito ao acesso da população local, em especial, a mais empobrecida. Principais artistas da Missão Francesa, no Brasil4 Joachim Le Breton (1760-1819) Conhecido como o chefe da Missão Artística Francesa, foi secretário perpétuo da Classe de Belas-Artes do Instituto da França e um intelectual muito respeitado que trouxe, além de seus 4 Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/3515/200-anos-missao-francesa.Acessado em 10-05-2019. Portal da Antiga Academia Imperial de Belas Artes, Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 29 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império conhecimentos, um acervo de obras ainda não visto no Brasil. Foi o primeiro a se empenhar na missão de institucionalizar o ensino das artes no país. Morreu na cidade do Rio de Janeiro. Jean Baptiste Debret (1768-1848) Pintor e desenhista, Debret foi um dos principais personagens da Missão, deixando um amplo registro sobre os costumes e a paisagem brasileira. Frequentou a Academia de Belas Artes na França, na qual foi aluno do pintor Jacques-Louis David, o principal nome do neoclassicismo francês. Atuou como professor de pintura histórica na Academia Imperial de Belas Artes no Brasil, entre 1826 e 1831. No ano de 1829 promove a Exposição da Classe de Pintura Histórica da Imperial Academia das Belas Artes, que se tornou a primeira mostra pública em território nacional. Retorna à França, em 1831, e edita o livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, em três volumes.Nicolas Antoine Taunay (1755-1830) Foi, assim como Debret, um importante pintor e ilustrador. Registrou alguns momentos da campanha de Napoleão Bonaparte. Com o fim do império napoleônico, vem ao Brasil com a Missão Francesa em 1816. Atuou como professor de pintura de paisagem na Academia Imperial de Belas Artes. Por divergências com a administração da Academia retornou à França em 1821. Auguste Henry Victor Grandjean de Montigny (1776-1850) Arquiteto e urbanista, formou-se pela École d'Architetucture [Escola de Arquitetura] de Paris. Foi um profissional influente no império napoleônico. Com a derrocada de Napoleão, Grandjean de Montigny aceita o convite para integrar o grupo de franceses que viriam ao Brasil. Atuou na Academia Imperial como professor de arquitetura. Permaneceu no país até sua morte e deixou como obras, na cidade do Rio de Janeiro, o edifício da Praça do Comércio, atual Casa França Brasil; o Solar Grandjean de Montigny, no bairro da Gávea; a Academia Imperial de Belas Artes, da qual só permaneceu o portal, hoje instalado no Jardim Botânico, na cidade do Rio de Janeiro. Medida Política: Em 1815, no contexto do Congresso de Viena no Europa, D. João precisaria voltar para reassumir o trono em Portugal. Mas D. João deu provas de que pretendia continuar no Brasil e não queria perder a legitimidade do trono. Assim, Dom João assinou um decreto que mudou a condição jurídica do Brasil incorporando-o ao reino de Portugal. Assim, ele foi elevado a Reino Unido de Portugal e Algarves e o Brasil passou a ser a sede!! Que chique, hein! Nesse sentido, consumava-se legalmente uma situação que já estava em curso desde 1808. Com isso, Dom João obrigava que Portugal mandasse dinheiro para financiar parte dos custos que a Corte tinha no Brasil. Essa “inversão” nas relações entre Brasil e Portugal foi intensamente criticada em Portugal e contribuiu para que surgisse um movimento recolonizador que exigiu a Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 30 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império volta de Dom João para o país luso, especialmente porque a Europa vivia os impactos da derrota de Napoleão e as medidas do Congresso de Viena. Medida de Política Externa: - Invasão da Guiana Francesa: em 1809, uma expedição militar invadiu a Guiana Francesa e anexou seu território ao do Brasil. A justificativa oficial foi ser o ato uma retaliação ao fato de a França ter invadido Portugal. No Congresso de Viena, determinou-se que Portugal deveria devolver o território, determinação que foi acatada sem maiores crises. - Ocupação da Banda Oriental, atual Uruguai. A região Cisplatina era um antigo desejo da Corte de Portugal, desde o século XVII. Em 1810, abriu-se um conflito na área; tente entender: 1810: - Espanha Fora do Jogo – lutando contra Napoleão; - Junta Governativa de Buenos Aires quer a Independência da Argentina – reivindica os territórios dos atuais Paraguai e Uruguai; - Uruguaios não querem ficar com a Argentina, mas não tem forças de combatê-la; - Brasil entra no jogo: quer a Banda Oriental, ou o Uruguai. Uruguaios aceitam; - Inglaterra não quer o Uruguai nem com a Argentina e nem com Brasil. A Inglaterra tem uma política de apoiar a formação de países minúsculos na América do Sul (por que será, hein?); - Dom João entra em cena com seu hábil jogo diplomático, conversa, explica, negocia, faz de conta que não sabe de nada, invade, volta, invade de novo e: Anexa!!!! Medidas sociais No começo do século XIX havia uma pressão para que a escravidão fosse abolida nas colônias. No caso do Brasil, essa pressão ocorria principalmente por parte da Inglaterra. A Independência do Haiti era um exemplo de uma revolução escrava e, no Brasil, alguns líderes da Conjuração Mineira tinham a pauta da abolição da escravidão, mas não era consenso entre os conjurados. Diferentemente, no movimento baiano de 1798, a pauta já era parte da luta dos revoltosos. Portanto, a questão da escravidão era um problema social, além de econômico, real, que estava em debate nos processos de lutas sociais. Com a Corte no Brasil tal situação não se alterou. Além da questão escravista, a desigualdade social e a miséria eram grandes na colônia. Nas regiões mais empobrecias do território o efeito da presença da família real foi negativa. O aumento de impostos para sustentar o luxo da Corte e a implantação da estrutura político- administrativa e cultural, bem como a balança comercial negativa pioraram a condição de vida da população mais pobre. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 31 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Revolução Pernambucana, 1816 Essa condição social miserável da ampla maioria da sociedade colonial brasileira fez surgir uma série de revoltas, como vimos. No período do Governo Joanino não foi diferente. Em 1817, Pernambuco fez uma revolta que ficou conhecida como Revolução Pernambucana. Vejamos um pouco da sua história: Benção da Bandeira. Pintura de José Claudio da Silva. Quase duas décadas depois da Conjuração Baiana, surgiu, no Nordeste uma grande rebelião de caráter popular, republicana e emancipacionista. Era A Revolução Pernambucana, de 1817, também conhecida como Revolução dos Padres, devido a participação dos padres de Olinda. #Era popular porque muitos participantes pertenciam aos estratos sociais menos abastados. #Era emancipacionista porque desejava se separar de Portugal, e como Portugal e Brasil eram unidos – Reino de Portugal e Algarves – e do Brasil. Por isso, alguns historiadores falam que a Revolução Pernambucana também teve um caráter separatista. Castigo de Escravo, óleo sobre tela. Esse quadro de é Jean Baptiste Debret. Membro oficial da Comissão Francesa, participava da Academia de Belas Artes. Trouxe o negro e o escravo para o centro de suas obras. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 32 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império #Era Republicana porque defendia como Forma de Governo a República, e não a monarquia. Diferentemente das revoltas que vieram antes, essa teve mais consequências políticas concretas, pois tomaram o poder, conseguiram depor o Governador, prendê-lo e Proclamar a República de Pernambuco. Governaram por 75 dias. Entre suas medidas iniciais podemos citar: - Extinção de impostos - Elaboração de uma Constituição - Liberdade religiosa e de imprensa - Sobre a escravidão havia uma proposta de estudos sobre o impacto da abolição. Dom João VI respondeu com a mais extrema violência. Houve guerra entre o exército popular dos revoltosos e da Coroa. Depois de muitas batalhas, o rei ganhou. Os principais líderes foram presos, julgados e condenados à morte. Fracassada, porém também contribuiu para disseminar os ideais de liberdade, igualdade, fraternidade, de liberdades econômicas e de direitos civis. Quero que você preste atenção de que havia grupos na colônia que já simpatizavam e defendiam a ideia republicana. Portanto, no momento da independência do Brasil, a pergunta que devemos fazer é: qual espaço esses grupos tiveram – uma vez que todos os movimentos que estudos até aqui foram tratados como criminosos cujos líderes mereceram a mortes cruéis? Veremos!!!! Mudanças ocorridas no Brasil com a Vinda da Família Real Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 33 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Alteração do Eixo de Poder da Metrópole para a Colônia, agora, elevada à categoria de Reino Unido de Portugal Resultado das medidas adotadas por Dom João VI Querida e querido aluno, você conseguiu perceber que as medidas de Dom João VI eram liberalizantes e, como efeito, foram revogando as condições coloniais a que o Brasil esteve submetido desde 22 de abril de 1500 quando PedroÁlvares Cabral chegou aqui? Essa situação fortaleceu grupos sociais brasileiros, sobretudo, a elite econômica, mas também os fez perceber os limites e riscos da condição do Brasil em permanecer ligado a Portugal. Isso ficou claro quando em Portugal surgiu o movimento político que exigia a volta de Dom João e a recolonização do Brasil. As ideias de independência também se fortaleceram! Vinda da Família Real para Brasil - modernização do Brasil Fim do Pacto Colonial Abertura dos portos às nações amigas Elevação do Brasil à condição de Reuino Unido de Portugal Criação de Banco do Brasil Criação do Jardim Botânico, Imprensa régia, Escola de Belas Artes Anexação da Banca Oriental (atual uruguai) Anexação da Guiana Francesa Brasil - nova sede do poder português Portugal - perdeu importância Politica Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 34 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império As medidas econômicas também consolidaram a influência da Inglaterra no Brasil e, definitivamente, travaram qualquer chance de desenvolvimento industrial do Brasil até o século XX. A economia brasileira permaneceu ostentando a posição de produtor e exportador agrícola e consumidor de produtos industrializados fabricados em outros países. (FUVEST 2012) Fui à terra fazer compras com Glennie. Há muitas casas inglesas, tais como celeiros e armazéns não diferentes do que chamamos na Inglaterra de armazéns italianos, de secos e molhados, mas, em geral, os ingleses aqui vendem suas mercadorias em grosso a retalhistas nativos ou franceses. (...) As ruas estão, em geral, repletas de mercadorias inglesas. A cada porta as palavras Superfino de Londres saltam aos olhos: algodão estampado, panos largos, louça de barro, mas, acima de tudo, ferragens de Birmingham, podem-se obter um pouco mais caro do que em nossa terra nas lojas do Brasil. Maria Graham. Diário de uma viagem ao Brasil. São Paulo, Edusp, 1990, p. 230 (publicado originalmente em 1824). Adaptado Esse trecho do diário da inglesa Maria Graham refere-se à sua estada no Rio de Janeiro em 1822 e foi escrito em 21 de janeiro deste mesmo ano. Essas anotações mostram alguns efeitos a) do Ato de Navegação, de 1651, que retirou da Inglaterra o controle militar e comercial dos mares do norte, mas permitiu sua interferência nas colônias ultramarinas do sul. b) do Tratado de Methuen, de 1703, que estabeleceu a troca regular de produtos portugueses por mercadorias de outros países europeus, que seriam também distribuídas nas colônias. c) da abertura dos portos do Brasil às nações amigas, decretada por D. João em 1808, após a chegada da família real portuguesa à América. d) do Tratado de Comércio e Navegação, de 1810, que deu início à exportação de produtos do Brasil para a Inglaterra e eliminou a concorrência hispano-americana. e) da ação expansionista inglesa sobre a América do Sul, gradualmente anexada ao Império Britânico, após sua vitória sobre as tropas napoleônicas, em 1815. Comentário Essa questão é tão perfeita que desde 2012 tem sido profundamente repertoriada por diversos professores como exemplo de conteúdo e forma. Sobre o conteúdo a grande presença de produtos ingleses no Brasil foi fruto da Abertura dos Portos às nações amigas de 1808 e dos Tratados de 1810. Assim, o aluno que lê sem prestar atenção poderia errar a questão assinalando o item D que está muito bem escrito – mas está errado porque inverte a relação econômica do Tratado de 1810. Estes favoreceram principalmente às importações para a Inglaterra e não estão relacionados aos produtos exportados, nem pelo Brasil, nem pelas colônias da Espanha. Cabe lembrar que já existiam Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 35 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império produtos ingleses aqui, antes de 1808, porém em pequena quantidade, pois ainda havia na prática o pacto colonial. Gabarito: C ____________________________________________________________________________ (FUVEST 2010) “Eis que uma revolução, proclamando um governo absolutamente independente da sujeição à corte do Rio de Janeiro, rebentou em Pernambuco, em março de 1817. É um assunto para o nosso ânimo tão pouco simpático que, se nos fora permitido [colocar] sobre ele um véu, o deixaríamos fora do quadro que nos propusemos tratar.” F. A. Varnhagen. História geral do Brasil, 1854. O texto trata da Revolução pernambucana de 1817. Com relação a esse acontecimento é possível afirmar que os insurgentes a) pretendiam a separação de Pernambuco do restante do reino, impondo a expulsão dos portugueses desse território. b) contaram com a ativa participação de homens negros, pondo em risco a manutenção da escravidão na região. c) dominaram Pernambuco e o norte da colônia, decretando o fim dos privilégios da Companhia do Grão-Pará e Maranhão. d) propuseram a independência e a república, congregando proprietários, comerciantes e pessoas das camadas populares. e) implantaram um governo de terror, ameaçando o direito dos pequenos proprietários à livre exploração da terra. Comentário A Revolução Pernambucana de 1817 caracteriza-se como um movimento emancipacionista e de caráter republicano. Dentre as suas causas destacam-se a crise econômica regional devido a desvalorização do açúcar, do algodão e do fumo, a presença maciça de portugueses na liderança do governo e o uso abusivo de suas funções na administração pública, a criação de novos impostos por Dom João VI para manter o luxo da corte, a influência das ideias Iluministas e o exemplo das experiências nos Estados Unidos e na França. O movimento foi violentamente sufocado pelo governo, que usou forças mercenárias. Gabarito: D 2.4.3 – O retorno da Corte para Portugal: A Revolução Liberal do Porto (1821) Em 1820, ocorreu na Europa uma reação aos anseios restauracionistas do Congresso de Viena. Espanha, Grécia, Nápoles e Portugal. Era uma “onda liberal”. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 36 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Nesses lugares, a ideia foi submeter suas monarquias ao poder legislativo por meio da criação de uma constituição. Em Portugal, essa ideia conquistou setores fundamentais da sociedade como os militares, eclesiásticos, burguesia e parte da nobreza. Contudo, no reino luso, que vivia uma crise econômica e política desde a invasão napoleônica e a transferência da Corte para a Colônia na América, o movimento foi ambíguo uma vez que dois pontos unificaram o movimento, quais sejam: 1- Retorno do Rei a Portugal para se submeter à Constituição 2- Restabelecimento do monopólio comercial do Brasil com Portugal – o que foi entendido como “recolonização” Nesse sentido, podemos dizer que ao mesmo tempo em que a Revolução do Porto tinha um caráter liberal, também tinha sua dimensão colonialista. Justamente por isso, no Brasil, dividiu opiniões. Dom João VI não queria voltar para Portugal e adiou o quanto pôde. Os portugueses no Brasil também se dividiram, afinal, muitos deles tinham negócios lucrativos aqui. A Inglaterra se interessava pela autonomia do Brasil, por isso, viu nesse evento um estopim para encaminhar a independência do Brasil em relação a Portugal. Mas fazia isso com muita discrição sem causar mal-estar com quem quer que seja. Os revoltosos foram vitoriosos em Portugal e exigiram a volta de Dom João. Assim, em 26 de abril de 1821, tropas portuguesas desembarcaram no Rio de Janeiro com a missão de levar o rei de volta a Portugal. Dom João VI, como bom estrategista que era, deixou seu filho, Dom Pedro I, como o príncipe regente das terras tropicais, que já não eram mais uma colônia simplesmente, né! Vejam que, de certa forma, esse ato de Dom João VI foi uma ruptura na unidade da monarquia portuguesa, portanto,um passo para a independência do ponto de vista institucional. Mas a Corte Portuguesa e o Parlamento, recém instituído, também perceberam a jogada de mestre do rei no sentido de separar a unidade política, mas manter a unidade dinástica. Por isso, emitiram muitos decretos deslegitimando a autoridade do príncipe regente no Brasil. Na prática, era uma disputa para ver quem iria governar o Brasil: Dom Pedro I ou o Parlamento e Corte Português. Sacou o conflito? Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 37 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 2.5 – A PROCLAMAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL Você sabe que a Proclamação da Independência do Brasil ocorreu oficialmente em 07 de setembro de 1822, até mesmo porque 07 de setembro é um feriado cívico no país, não é mesmo? Contudo, há um processo político ocorrido nas camadas das elites políticas e econômicas da colônia que levaram a que Dom Pedro assinasse oficialmente a soberania política do Brasil em relação a Portugal. Nesse sentido, é a organização em torno de Dom Pedro que determinou quando e como foi a conquista da soberania política. Veja o que diz o professor Leslie Bethell sobre o arranjo político que se formara no processo de independência: A classe dominante brasileira era, em sua maioria, conservadora (...). Desejava manter as estruturas econômicas e sociais coloniais baseadas no sistema agrícola, na escravidão e na exportação de produtos agrícolas tropicais para o mercado europeu. Contudo, havia nas cidades (...) alguns liberais que esperavam mudanças mais profundas na política e na sociedade: soberania popular, democracia e mesmo uma república. (grifos nossos) Com os diversos decretos limitando os poderes de Dom Pedro e com o objetivo claro de querer restabelecer o Pacto Colonial, latifundiários e grandes comerciantes brasileiros ou luso- brasileiros se organizaram para criar um movimento pró-independência. Criou-se, então, o Partido Brasileiro, que juntava pessoas de diversos pensamentos e posições políticas, mas que se uniram momentaneamente para conseguir o feito de Proclamar a Independência mantendo a integridade do território. A ideia era apoiar Dom Pedro I, que, em tese, teria mais legitimidade real para continuar governando o Brasil, sem que ocorresse nesse território o que se viu na América Latina, a fragmentação política que serviu para o caudilhismo dos interesses locais. José Bonifácio de Andrada e Silva, um influente político da Corte, juntamente com a princesa Maria Leopoldina de Habsburgo, esposa de Dom Pedro, articularam um documento com quase 8 mil assinaturas exigindo que Dom Pedro I permanecesse no Brasil e declarasse a Independência. Ao recebê-lo, ele teria dito: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico". O episódio ficou conhecido como o Dia do Fico. Havia rumores de que estava se constituindo uma revolta separatista em São Paulo. Neste cenário conflituoso, D. Pedro entregou o poder a princesa Leopoldina, em 13 de agosto de 1822, nomeando-a chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Brasil. D. Pedro partiu para São Paulo. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 38 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Em 02 de setembro, Maria Leopoldina assinou o decreto da Independência, declarando o Brasil separado de Portugal. Ela usou seus atributos de chefe interina do governo para fazer uma reunião com o Conselho de Estado, ocasião em que o documento foi assinado. Após a assinatura do decreto, ela enviou uma carta a D. Pedro para que ele proclamasse a Independência do Brasil. Em 07 de setembro, em São Paulo, Dom Pedro recebeu a carta na qual sua esposa teria dito. O documento chegou a ele no dia 7 de setembro de 1822, e depois de examinar todos os documentos do Dossiê que Leopoldina e José Bonifácio montaram, Dom Pedro proclamou o Brasil livre de Portugal, às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo. Dom Pedro, teria dito: O grito do Ipiranga, 1888. Pedro Américo. Museu Paulista, São Paulo. “É preciso que volte com a maior brevidade. Esteja persuadido de que não é só o amor que me faz desejar mais que nunca sua pronta presença, mas sim as circunstâncias em que se acha o amado Brasil. Só a sua presença, muita energia e rigor podem salvá-lo da ruína” Independência ou Morte!! Sessão do Conselho do Estado, 1922. Georgina de Albuquerque. Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro. A aclamação de D. Pedro como imperador constitucional do Brasil ocorreu em 12 de outubro, e sua coroação em 10 de setembro. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 39 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Estava proclamada a soberania política da nação tendo como forma de governo uma Monarquia Constitucional. Processo realizado pela elite econômica brasileira em aliança com o príncipe regente e SEM a participação popular. Observe bem o quadro acima: Pedro Américo representa o “povo” fora do centro da obra. Fora da própria estradinha de terra, “o povo” está no seu caminho, seguindo sua vida e observa o que se passa “fora do seu universo”. Ao fundo, no canto superior esquerdo, também há um homem, a cavalo, com vestes mais modestas e fora da cena central. Assim, podemos dizer que a Independência do Brasil, diferentemente da independência da América Espanhola, foi um processo elitista, feito de cima para baixo sem que, por isso, as estruturas desiguais da colônia fossem alteradas! Tatue esse esquema na mente. (UECE 2017) Atente ao seguinte excerto: “[...] Resulta daí que a Independência se fez por uma simples transferência política de poderes da metrópole para o novo governo brasileiro. E na falta de movimentos populares, na falta de participação direta das massas neste processo, o poder é todo absorvido pelas classes superiores da ex-colônia, naturalmente as únicas em contato direto com o regente e sua política. Fez-se a Independência praticamente à revelia do povo; e se isto lhe poupou sacrifícios, também afastou por completo sua participação na nova ordem política. A Independência brasileira é fruto mais de uma classe que da nação tomada em conjunto”. Caio Prado Jr. Evolução política do Brasil: Colônia e Império. São Paulo: Brasiliense. p. 53. Na perspectiva de Caio Prado Jr., caracterizam o processo de independência do Brasil os seguintes aspectos: a) presença de movimentos populares, participação do povo no poder e elitismo. b) poder absorvido pelas classes inferiores, independência feita à revelia da elite local e com grandes sacrifícios para o povo que se envolveu no processo. c) projeto de toda a nação, afastamento das classes superiores do poder e grande participação popular. d) poder nas mãos das classes superiores, ausência de participação do povo e independência feita a partir do interesse de uma classe e não da nação como um todo. Comentário O texto é claro na sua abordagem: para Caio Prado Júnior, a independência do Brasil foi um movimento guiado pela elite brasileira, apoiando o Príncipe Regente d. Pedro, sem nenhum tipo de participação popular. E o resultado disso foi a formação de um governo independente amplamente elitista, sobretudo, porque teve como efeito a continuidade do trabalho escravo e a dependência econômica em relação à Inglaterra. Repare nos erros das demais questões: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 40 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império a- Não houve participação do movimento popular. b- Gente, tudo errado, construiu um sentido oposto ao que ocorreu na realidade. c- Mesma explicação do item A. d- Segundo os argumentos do autor, item correto. Gabarito: D ____________________________________________________________________________(FUVEST 2001) Os Estados Nacionais que se organizaram depois das independências no Brasil e nos países americanos de colonização espanhola, entre as décadas de 1820 e 1880, são semelhantes quanto à a) adoção de regimes políticos e diferentes com relação às posições implementadas sobre a escravidão negra. b) decisão de imediata abolição da escravidão e diferentes com relação à defesa da propriedade comunal indígena. c) defesa do sufrágio universal e diferentes com relação às práticas do liberalismo econômico. d) defesa da ampliação do acesso à terra pelos camponeses e diferentes com relação à submissão à Igreja Católica. e) vontade de participar do comércio internacional e diferentes quanto à adoção de regimes políticos. Comentário: Olha que questão fofinha!! A FUVEST quer que você estabeleça semelhanças e diferenças em relação à América espanhola e América portuguesa. Gabarito: E Colônia/Metrópole Forma de Governo Abolição da Escravidão Reforma Agrária Voto universal Liberalismo econômico América espanhola Repúblicas Alguns locais não Alguns locais sim América Portuguesa Monarquia não não não sim Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 41 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 3. BRASIL INDEPENDENTE: RECONHECIMENTOS E LIMITES Após proclamação oficial da independência, a missão de Dom Pedro era garantir o reconhecimento da legitimidade desse ato. Em 1824, o primeiro país a reconhecer foram os Estados Unidos da América, uma vez que a Independência do Brasil era coerente com a chamada Doutrina Monroe: “América para os Americanos”. Em 1823, diante das investidas recolonizadoras do Congresso de Viena e das monarquias europeias, o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), James Monroe, elaborou uma política de relações internacionais que reivindicava soberania da América em relação à Europa. Ou seja, por meio da ideia de “américa para os americanos”, esperava-se que as potências europeias respeitassem as formas de se organizar, fazer política e comercializar doa americanos. Ao longo do tempo, foi possível avaliar que os EUA se beneficiaram muito dessa política pois se tornaram muito desenvolvido industrialmente e, com isso, conseguiram tornar-se hegemônicos nas relações econômicas e políticas com a América Latina influenciando sobremaneira os rumos da vida nos países da América Latina. Contudo, como veremos nas próximas aulas, isso se deu, principalmente, a partir do final do século XIX. Por enquanto, pense na importância dessa doutrina estadunidense como algo importante no tabuleiro das independências latino-americanas. Em 1825 continuaram os reconhecimentos. Entre seus “Hermanos” latinos, o México foi o primeiro a reconhecer a independência. Os demais vizinho resistiram ao ato pois desconfiavam de uma Monarquia no Brasil com um rei que era continuidade da dinastia ibérica. Depois dos EUA e do México foi a vez de Portugal. A Inglaterra fez a mediação que envolveu a “compra” do reconhecimento da ex-metrópole. Como assim, Profe, era como se Brasil tivesse “comprado” sua alforria? Exato, caríssimos! O Brasil e os brasileiros pagaram 2 milhões de libras esterlinas (dinheiro inglês) para que a Portugal reconhecesse internacionalmente que não tinha mais pretensões sobre o Brasil. Mas a pergunta mais profunda ainda é: e o Brasil tinha esse dinheiro? É claro que não, afinal, como o país tinha sido uma colônia todo o dinheiro arrecadado em forma de altos impostos foram parar nos cofres Portugueses. E, Profe, além de ficar com todos os impostos ainda pediram mais? Sim, mas como Brasil não tinha, sua saída foi aceitar a oferta da Inglaterra de emprestar esse montante. Ou seja, a Inglaterra mediou a questão política e deu uma solução econômica que beneficiou Portugal e Inglaterra enquanto o Brasil fazia seu primeiro, de muitos empréstimos que constituíram sua dívida externa. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 42 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império O mesmo modelo de negociação foi seguido com outros países, como França, Dinamarca e Áustria. Assim, o governo brasileiro ofereceu diversos acordos comerciais com os países europeus para que estes reconhecessem sua soberania política. Agora presta atenção, Bixo: Muitos historiadores e economistas brasileiros e latino americanos avaliam que a independência política do Brasil teve como repercussão sua dependência econômica. O país deixou de ser colônia, mas continuou assumindo o papel de exportador de produtos primários e importador de produtos industrializados. Diante das inúmeras garantias e facilidades concedidas aos países europeus, que aceleravam seu processo de industrialização, o Brasil continuou fornecendo açúcar, algodão, borracha, fumo, carne, minérios. Enquanto o bonde da história levava Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica, Itália para o acelerado processo de revolução industrial com novas tecnologias e diferentes produtos o Brasil, e seus vizinhos latino- americanos ficaram na estação. Nessa parte do mundo, a industrialização veio apenas no século XX e, até lá, suas inúmeras riquezas minerais, naturais e urbanas serviu para formar o centro do capitalismo. Veja que isso é fruto de uma relação e de uma combinação entre os interesses internacionais e das elites locais, logo não pode ser interpretada unicamente como uma imposição externa. Por isso, o grande limite da Independência Política foi sua dependência econômica que, com certeza, se aprofundou a partir do século XIX. Além do reconhecimento internacional, era preciso fazer com que as regiões diferentes do próprio território aderissem à Independência. Nem todas as lideranças políticas, administrativas e econômicas concordavam com a soberania nos termos em que foi feita. A política de abertura dos portos às nações amigas destruiu algumas economias locais. No Nordeste e Norte do Brasil, onde o comércio era controlado por Portugueses, como vimos no caso de Recife, houve alguma resistência armada. Então, Dom Pedro I, sem um exército ou guarda real, contratou grupos de mercenários europeus. Veja a diferença em relação à América Espanhola. Pelas terras tupiniquins, não se viu um exército popular em aliança com as elites locais. Aqui, o autodeclarado rei precisou contratar uma organização militar privada, os mercenários ou milicianos, para executar a tarefa de integrar todo o território. Assim, entre 1822 e 1824, o território estava integrado. Mas cuidado, isso não significou que todos concordavam com o novo Estado surgido. Outros conflitos surgirão. Mas isso será assunto da nossa próxima aula. Para finalizar, os deixo com um trechinho da reflexão de Eduardo Galeado, um pensador uruguaio, sobre nosso continente e seu papel no mundo. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 43 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império As veias abertas da América Latina - Eduardo Galeano5. Cento e Vinte Milhões de crianças no centro da tormenta. Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países se especializam em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta. (...) Para os que concebem a História como uma disputa, o atraso e a miséria da América Latina são o resultado de seu fracasso. Perdemos; outros ganharam. Mas acontece que aqueles que ganharam, ganharam graças ao que nós perdemos: a história do subdesenvolvimento da América Latina integra, como já se disse, a história do desenvolvimento do capitalismo mundial. Nossa derrota esteve sempre implícita na vitória alheia, nossa riqueza gerou sempre a nossa pobrezapara alimentar a prosperidade dos outros: os impérios e seus agentes nativos. Na alquimia colonial e neocolonial, o ouro se transforma em sucata e os alimentos se convertem em veneno. Potosí, Zacatecas e Ouro Preto caíram de ponta do cimo dos esplendores dos metais preciosos no fundo buraco dos filões vazios, e a ruína foi o destino do pampa chileno do salitre e da selva amazônica da borracha; o nordeste açucareiro do Brasil, as matas argentinas de quebrachos ou alguns povoados petrolíferos de Maracaibo têm dolorosas razões para crer na mortalidade das fortunas que a natureza outorga e o imperialismo usurpa. (FUVEST 1995) A organização do Estado brasileiro que se seguiu à Independência resultou no projeto do grupo: a) liberal-conservador, que defendia a monarquia constitucional, a integridade territorial e o regime centralizado. b) maçônico, que pregava a autonomia provincial, o fortalecimento do executivo e a extinção da escravidão. c) liberal-radical, que defendia a convocação de uma Assembleia Constituinte, a igualdade de direitos políticos e a manutenção da estrutura social. d) cortesão, que defendia os interesses recolonizadores, as tradições monárquicas e o liberalismo econômico. e) liberal-democrático, que defendia a soberania popular, o federalismo e a legitimidade monárquica. 5 GALEANO, Eduardo. As Veias abertas da América Latina. tradução de Galeno de Freitas. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1987. Introdução. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 44 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Comentário Aproveitando a própria análise de Caio Prado Júnior para quem a independência do Brasil foi um movimento guiado pela elite brasileira sem nenhum tipo de participação popular, e, como o resultado disso foi a formação de um governo elitista que manteve a continuidade do trabalho e a estrutura agrária superconcentrada, podemos afirmar que o esse projeto de poder é liberal-conservador. Gabarito: A ____________________________________________________________________________ (FUVEST 1985) O reconhecimento da independência brasileira por Portugal foi devido principalmente: a) à mediação da França e dos Estados Unidos e à atribuição do título de Imperador Perpétuo do Brasil a D.João VI. b) à mediação da Espanha e à renovação dos acordos comerciais de 1810 com a Inglaterra. c) à mediação de Lord Strangford e ao fechamento das Cortes Portuguesas. d) à mediação da Inglaterra e à transferência para o Brasil de dívida em libras contraída por Portugal no Reino Unido. e) à mediação da Santa Aliança e ao pagamento à Inglaterra de indenização pelas invasões napoleônicas. Comentário Questão do fundo do baú para você não esquecer nunca mais que a independência do Brasil custou bastante caro e foi mediado pela Inglaterra. Gabarito: D ___________________________________________________________________________ (UNESP 2002) Os processos de independência das Américas espanhola e portuguesa têm em comum a a) decretação do fim do pacto colonial, em função da presença das cortes espanhola e portuguesa em terras americanas. b) ausência de lutas, evitada pela atuação decidida dos proprietários de escravos negros, que temiam revoltas como a que ocorrera no Haiti. c) conservação das casas dinásticas, apesar da ruptura com as antigas metrópoles europeias. d) fragmentação política, com significativa alteração das fronteiras vigentes na época colonial. e) preservação dos interesses da aristocracia agrária, que continuava a controlar o poder político. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 45 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Comentário Mais uma questão que analisa as independências da América Portuguesa e Espanhola por uma perspectiva comparativa. Nesse caso, pede-se o que há de comum entre os dois processos. Vejamos o que há de errado em cada assertiva: a- A corte espanhola não veio para o Brasil, o rei foi destronado por Napoleão; b- Na América Espanhola houve muitas lutas; c- Na América Espanhola não houve continuidade da casa dinástica, no Brasil sim; d- No Brasil não houve fragmentação, mas unidade política e territorial; e- Item correto: a aristocracia fundiária se manteve no poder, quer seja apoiando o príncipe herdeiro, quer seja mantendo o poder local. Gabarito: E Bem, queridas e queridos alunos chegamos ao final da nossa aula sobre o processo de Independência Política do Brasil e dos demais países da América Latina! Assim, percorremos os caminhos dos emancipacionistas trilhados entre o final do século XVII até o século XIX. Demos ênfase aos acontecimentos do século XVIII que se desdobraram na criação de novos países. Anota no seu controle de temporalidade. É isso, fico por aqui. Você segue até a última questão. Aproveita TODAS as QUESTÕES, pois fizemos observando cada detalhe para fazer você mentalizar, aprender a responder às questões sem escorregar nas artimanhas do examinador. Gabaritar história não é só saber o conteúdo é ser safo para adotar as melhores ESTRATEGIAS para responder cada questão! E lembrando: esse assunto tem muita incidência no seu vestibular!!! Espero por você no Fórum de Dúvidas, se elas aparecerem! Um beijo, um abraço apertado e um suspiro dobrado de amor sem fim! Alê Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 46 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 4. LISTA DE QUESTÕES (Unicamp 2020) A partir das fontes visuais reproduzidas e de seus conhecimentos, assinale a alternativa correta. a) A única monarquia americana precisou afirmar a figura do governante e sua memória política, recorrendo à imagética da autoridade real francesa do Antigo Regime. Este mecanismo foi enaltecido pela imprensa do liberalismo constitucional. b) Debret usou o quadro de Rigaud como referência visual e preparou retratos em seu estúdio no Rio de Janeiro. Isto era importante, pois a autoridade monárquica joanina assentou-se na liturgia política e no pouco uso da violência. c) O retrato de D. João não foi pintado para ser exposto, embora existisse no Rio de Janeiro da época um circuito expositivo de salões de belas artes, pinacotecas, museus, onde pudesse ser visto. Tais espaços foram renomeados na República. d) O projeto de europeização da corte do Rio de Janeiro e a necessidade de afirmar a autoridade de D. João VI levaram a uma política de fomento à imagética do poder baseada, aqui, na da monarquia francesa (Unicamp 2015) Um elemento importante nos anos de 1820 e 1830 foi o desejo de autonomia literária, tornado mais vivo depois da Independência. (…) O Romantismo apareceu aos poucos como caminho favorável à expressão própria da nação recém-fundada, pois fornecia concepções e modelos que permitiam afirmar o particularismo, e portanto a identidade, em oposição à Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 47 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Metrópole (…). (Antonio Candido, O Romantismo no Brasil. São Paulo: Humanitas, 2004, p. 19.) Tendo em vista o movimento literário mencionado no trecho acima, e seu alcance na história do período, é correto afirmar que a) o nacionalismo foi impulsionado na literatura com a vinda da família real, em 1808, quando houve a introdução da imprensa no Rio de Janeiro e os primeiros livros circularam no país. b) o indianismo ocupou um lugar de destaque na afirmação das identidades locais, expressando um viés decadentista e cético quanto à civilização nos trópicos. c) os autores românticos foram importantes no período por produzirem uma literatura que expressava aspectos da natureza, da história e das sociedades locais. d) a população nativa foi considerada a mais originaldentro do Romantismo e, graças à atuação dos literatos, os indígenas passaram a ter direitos políticos que eram vetados aos negros (Unicamp 2012) Emboaba: nome indígena que significa “o estrangeiro”, atribuído aos forasteiros pelos paulistas, primeiros povoadores da região das minas. Com a descoberta do ouro em fins do século XVII, milhares de pessoas da colônia e da metrópole vieram para as minas, causando grandes tumultos. Formaram-se duas facções, paulistas e emboabas, que disputavam o governo do território, tentando impor suas próprias leis. (Adaptado de Maria Beatriz Nizza da Silva (coord.), Dicionário da História da Colonização Portuguesa no Brasil. Lisboa: Verbo, 1994, p. 285.) Sobre o período em questão é correto afirmar que: a) As disputas pelo território emboaba colocaram em confronto paulistas e mineiros, que lutaram pela posse e exploração das minas. b) A região das minas foi politicamente convulsionada desde sua formação, em fins do século XVII, o que explica a resistência local aos inconfidentes mineiros. c) A luta dos emboabas ilustra o processo de conquista de fronteiras do império português nas Américas, enquanto na África os portugueses se retiravam definitivamente no século XVIII. d) A monarquia portuguesa administrava territórios distintos e vários sujeitos sociais, muitos deles em disputa entre si, como paulistas e emboabas, ambos súditos da Coroa (UNAERP 2019) Até sua indicação para o ministério, com mais de cinquenta anos, Pombal tivera uma carreira relativamente obscura como representante de Portugal na Inglaterra e diplomata na Corte austríaca. Sua obra, realizada ao longo de muitos anos (1750-1777), representou um grande esforço no sentido de tornar mais eficaz a administração portuguesa e introduzir modificações no relacionamento Metrópole-Colônia. A reforma constituiu uma peculiar Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 48 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império mistura do velho e do novo [...]. Ela combinava o absolutismo ilustrado com a tentativa de uma aplicação consequente das doutrinas mercantilistas. Essa fórmula geral se concretizou em uma série de medidas. FAUSTO, Boris. História do Brasil. 13ª edição. São Paulo: EDUSP, 2010, p.109-110 (Didática; 1). Adaptado. Entre tais medidas, não podemos incluir a) a cobrança de impostos atrasados sobre a região mineradora, também conhecida como derrama, com o intuito de aumentar rapidamente o ingresso de metais preciosos na metrópole. b) a expulsão dos jesuítas e a instituição do ensino laico, com o intuito de desvincular o ensino dos religiosos e atender as queixas dos fazendeiros, que temiam o poder econômico e social das reduções jesuítas. c) a transferência da capital colonial de Salvador para o Rio de Janeiro, com o intuito de aumentar o controle sobre as riquezas que entravam e saíam do Brasil, especialmente aquelas provenientes da região mineradora. d) o fim das capitanias hereditárias e a criação de Companhias de Comércio, com o intuito de dinamizar a produção agrícola e o comércio entre metrópole e colônia, além de acelerar o processo de ocupação do interior do Brasil. e) o estímulo à produção de fumo na região sul do Brasil, com o intuito de descentralizar sua produção, até então concentrada na região sudeste, e assim melhor abastecer o nordeste brasileiro, maior consumidor interno do produto, e também o mercado europeu (UNAERP 2018) “‘Animai‐vos, povo, que está para chegar o tempo feliz da liberdade. O tempo em que todos seremos irmãos, o tempo em que todos seremos iguais’. Afixadas nas ruas da cidade na manhã de 12 de agosto de 1798, estas palavras, como as de outros dez boletins manuscritos, anunciavam uma revolta com características inéditas no Brasil até então. Contudo, após duas devassas, a violenta repressão trouxe consigo as execuções. A cabeça de Lucas Dantas foi degolada, assim como as dos outros três, e depois espetada em um poste no Dique do Desterro. Os outros pedaços foram expostos no caminho do Largo de São Francisco, onde Lucas Dantas residiu. Em frente ao mesmo local, foi colocada a cabeça de Manuel Faustino dos Santos Lira, por ser ele frequentador assíduo daquela residência e por não ter endereço fixo. A cabeça de João de Deus foi exposta na rua Direita do Palácio, atual rua Chile; suas pernas, os braços e o tronco foram espalhados pelas ruas do Comércio, local de grande movimento da Cidade Baixa. No patíbulo ficaram espetadas as cabeças e as mãos de Luiz Gonzaga das Virgens, por ter sido considerado pelas autoridades régias o responsável pelos pasquins que anunciaram à população a ‘projectada revolução’. Após um período de exposição, os despojos foram recolhidos pelas autoridades e enterrados em local até hoje desconhecido”. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 49 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império VALIM, Patrícia. Da contestação à conversão: a punição exemplar dos réus de 1798. Topoi (Rio de Janeiro), v. 10, n. 18, p. 14-23, 2009. Adaptado. O movimento descrito ficou conhecido como a) Revolta de Beckman. b) Guerra dos Mascates. c) Revolta dos Alfaiates. d) Inconfidência Mineira. e) Revolução Pernambucana. (UEL – 2007) A transferência da Corte de D. João VI para a colônia portuguesa teve apoio do governo britânico, uma vez que: a) Portugal negociou o domínio luso na Península Ibérica com a Inglaterra, em troca de proteção estratégica e bélica na longa viagem marítima ao Brasil. b) Em meio à crescente Revolução Industrial, os negociantes ingleses precisavam expandir seus mercados rumo às Américas, já que o europeu era insuficiente. c) O bloqueio continental imposto por Napoleão fechou o comércio inglês com o continente europeu; a instalação do governo luso no Brasil propiciou a retomada dos negócios lusoanglicanos. d) O exército napoleônico invadiu Portugal visando a instituir o regime democrático republicano de paz e comércio, em franca oposição ao expansionismo da monarquia britânica. e) Os ingleses pretendiam consolidar novos mercados na América Portuguesa, tendo em vista antigas afinidades socioculturais com os ibéricos. (UEL – 1999) "A falta de consistência ideológica não invalida o significado (...) do movimento. Era um sintoma da desagregação do Império português da América. A Coroa portuguesa bem o sentiu e tentou, por um castigo exemplar (1792), deter a marcha do processamento histórico e impedir, pelo terror, que seus domínios seguissem o exemplo da América inglesa. Refletia, por outro lado, os impulsos de um povo que tomava consciência de sua realidade, suas particularidades e suas possibilidades. Esse sentido foi nacionalista." O texto descreve uma realidade que pode ser associada à: a) Inconfidência Mineira. b) Guerra dos Farrapos. c) Revolta dos Alfaiates, d) Revolução Pernambucana, Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 50 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império e) Confederação do Equador, (UEL – 2001) A família real e sua corte chegaram ao Brasil em 1808, trazendo a dependência econômica e dívidas com a Inglaterra. A “abertura dos portos a todas as nações amigas” significou o comércio irrestrito dos produtos vindos de Manchester, Londres e Liverpool para o Brasil. Com relação à transferência da corte de D. João, é correto afirmar: a) Instalou no Brasil a estrutura do Estado português, reforçando a autonomia e unidade da colônia. b) Reforçou a dependência econômica do Brasil em relação a Portugal. c) Resultou na abertura dos portos brasileiros à França, o que extinguiu os privilégios do monopólio comercial português sobre o Brasil. d) Introduziu o liberalismo econômico e político, apoiando as rebeliões dos colonos. e) Deveu-se à adesão de Portugal ao Bloqueio Continental. (UNITAU 2013) Analise as afirmações abaixo sobrea Guerra dos Emboabas: I. A concentração populacional na região das Minas Gerais não tardou a provocar tensões sociais. Os paulistas opunham-se aos demais forasteiros que chegavam à região, pois eram os pioneiros e porque a zona do ouro fazia parte da Capitania de São Vicente. II. Os paulistas eram conhecidos como emboabas, palavra de origem tupi que servia para designar os que haviam nascido na região. O principal chefe dos emboabas foi Manuel de Borba Gato. III. Em 1709, ocorreu uma sangrenta matança de diversos emboabas, no chamado Capão da Traição, por um exército paulista de mil homens, comandados por Bento do Amaral Coutinho. IV. Manuel de Borba Gato (intendente das minas) chefiou os paulistas, e Manuel Nunes Viana, os emboabas. V. Procurando acabar com o conflito, a Coroa portuguesa interveio na região e passou a exercer austero controle econômico das minas. Em julho de 1711, D. João V elevou São Paulo à categoria de cidade, separando-a administrativamente da região das minas. Assinale a alternativa que apresenta afirmativas CORRETAS: a)I, II e III. b)I, II e IV. c)I, III e V. d)I, IV e V. e)II, III e IV. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 51 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império (UNITAU 2017) Sobre a transferência da Corte de D. João VI para o Brasil, o historiador Kenneth Maxwell afirma: “Novas instituições foram criadas pela coroa portuguesa, e a maioria delas foi estabelecida no Rio de Janeiro, que, assim, assumiu um papel centralizador dentro de uma América portuguesa que antes era muito fragmentada no sentido administrativo. Houve resistência a isso, principalmente em Pernambuco, em 1817. Mas, no final, o poder central foi mantido”. Kenneth Maxwell, Folha de São Paulo, 25/11/2007 Dentre as medidas adotadas para se conseguir a centralização e o fortalecimento do Estado no Brasil joanino, é CORRETO citar: a) A fundação do Banco do Brasil, criado por alvará, em 12 de novembro de 1808, iniciando suas atividades no ano seguinte. b) O alvará de 1808, que autorizava a instalação de fábricas e manufaturas no Brasil, buscando promover a "riqueza nacional" e melhorar, consequentemente, a agricultura. c) A promulgação da primeira Constituição do Brasil, que reforçava o poder do imperador e reduzia a autonomia das províncias, o que levou à Insurreição Pernambucana. d) A introdução de diferentes hábitos culturais e a criação da Imprensa Régia, da Biblioteca Real (Biblioteca Nacional) e da Real Academia de Belas Artes (Museu Nacional de Belas Artes). e) A criação do Erário Régio e do Conselho da Fazenda, responsáveis por arrecadar todos os impostos – que até então eram enviados a Lisboa – e enviá-los ao Rio de Janeiro. (IFPE 2019) Leia o TEXTO para responder à questão. TEXTO Esta prova de História é uma homenagem ao Museu Nacional, instituição bicentenária que, em setembro de 2018, teve 90% do seu acervo em exposição destruído por um incêndio de grandes proporções. Localizado no Rio de Janeiro, é o museu mais antigo do Brasil e possuía o maior conjunto de história natural da América Latina. O Museu Nacional, enquanto espaço de preservação da memória, salvaguardava vestígios materiais do passado, muitas vezes, exemplares únicos de culturas que já não existem no presente. Enquanto espaço de pesquisa, fornecia fontes de estudo para diversas áreas do conhecimento como paleontologia, antropologia, geologia, zoologia e arqueologia. Fruto do desprezo dos poderes públicos, este incêndio não foi um caso isolado no país; de 2005 até o presente, outras seis instituições museológicas, entre elas o Museu da Língua Portuguesa e o Memorial da América Latina, sofreram desastres semelhantes. Para que as lembranças da tragédia não sejam apenas as imagens do fogo, mas também de toda mobilização, conscientização e corrente coletiva deflagradas pelas chamas, nesta prova de História, iremos resgatar a memória do Museu Nacional, contar sua história e viajar pelas peças que algum dia foram Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 52 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império expostas em seus pavimentos. Desse modo, pretendemos que ele permaneça vivo em nossas mentes e, por que não dizer, em nossos corações. Fundado em 1818, por D. João VI, o Museu Nacional insere-se no contexto de criação de instituições científico-culturais após a vinda da família real para a colônia, em 1808. A escolha de deixar Portugal e instalar a sede do governo no Rio de Janeiro foi motivada pela geopolítica europeia do início do século XIX. Entre os conflitos listados nas alternativas abaixo, assinale o único que teve interferência na transferência da corte portuguesa para o Brasil. a) Guerra dos Cem Anos, conflito armado entre França e Inglaterra que se estendeu por 116 anos e teve como uma de suas causas as pretensões inglesas sobre o trono francês. b) Guerras Napoleônicas, marcadas pelo expansionismo bonapartista, que opunham, de um lado, a França e, de outro, coligações formadas por Inglaterra, Áustria, Prússia e Rússia. c) Disputas de impérios europeus que desejavam ampliar seus domínios coloniais, em busca de matérias-primas e mercados consumidores, nos continentes africano e asiático. d) Conflitos religiosos motivados pela reforma protestante, que colocaram em disputa os países católicos ligados ao Vaticano contra os defensores da nova fé. e) União das Coroas Ibéricas, período em que Portugal esteve sob o controle da Espanha e que, por consequência, foi arrastado para um conflito contra os holandeses. (IFBA 2018) Nos anos finais do século XVIII, uma série de medidas tomadas por Portugal tensionou as relações políticas entre alguns setores da população da colônia, proporcionando condições para algumas manifestações de insatisfação, tal qual a Inconfidência Mineira. A respeito desse movimento, assinale a afirmativa correta. a) Movimento de ruptura com a metrópole que intencionava romper com a escravidão e proclamar a independência de todo o território brasileiro de Portugal. b) Movimento de ruptura com a metrópole deflagrado, especialmente, por uma elite ilustrada que rejeitava o aumento dos impostos e a espoliação do fisco colonial. c) Movimento de ruptura com a metrópole que pretendia romper os laços comerciais com Portugal, exigindo o livre comércio e a abertura dos portos às nações amigas. d) Um levante bem-sucedido por meio do qual as classes mais baixas implantaram a república durante alguns anos, até quando foram vencidos pelos portugueses. e) Um levante mal sucedido que ocasionou no enforcamento de vários inconfidentes, entre eles Tiradentes, que foi exemplificado por ser a principal liderança do movimento. (IFSC – 2016) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 53 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império O Em 1808, a família real portuguesa chegou ao Brasil. Enquanto esteve na colônia, uma série de transformações aconteceram. Sobre esse período, leia e analise as afirmações abaixo: I. Algumas atividades antes proibidas passaram a ser liberadas na colônia, como a tipografia. II. Ainda que a família real tenha se transferido para a colônia também em função da política expansionista de Napoleão Bonaparte, artistas franceses foram convidados a virem ao Brasil. III. A família real portuguesa foi transferida para o Brasil para resolver os problemas causados pelo fim da Guerra do Paraguai. IV. A abertura dos portos às nações amigas beneficiou, em especial, a França e a Espanha, parceiras econômicas de Portugal. Assinale a alternativa CORRETA. a) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras. b) Apenas as afirmações I, II e IV são verdadeiras. c) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras. d) Apenas as afirmações I, II, e III são verdadeiras. e) Todas as afirmações são verdadeiras.(IFSC – 2015) O processo de independência do Brasil foi efetivado com o Grito do Ipiranga de D. Pedro I em 1822. Alguns historiadores aceitam que esse processo pode ser analisado desde o ano de 1808. Sobre o período de 1808 a 1822 é CORRETO afirmar que: a) Em 1821 D. Pedro I tentou proclamar a independência, porém foi sufocado pela Revolução Pernambucana. b) O ano de 1808 é marcado pela vinda da família real portuguesa ao Rio de Janeiro. c) No ano de 1815 toda a família real portuguesa retornou a Portugal, permitindo a José Bonifácio articular a independência com seu filho Pedro. d) A abertura dos portos em 1815 tirou o Brasil do status de colônia, pois poderia comercializar com todos os países com tarifas iguais. e) O Grito do Ipiranga foi apenas simbólico. Desde 1821 o Brasil não tinha nenhuma ligação política com Portugal. (UDESC 2017) 4000034330 No Brasil, durante o início do século XIX, as províncias do Norte, dentre elas Pernambuco, viviam uma relativa prosperidade econômica, ocasionada em especial pela produção do algodão e do açúcar. A partir do estabelecimento da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro, tal prosperidade foi relativamente fragilizada. Analise as proposições em relação às mudanças ocorridas com a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 54 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império I. A alocação de uma estrutura burocrática no Rio de Janeiro tornou o governo de Dom João VI mais capacitado a se envolver nos negócios das províncias, o que possibilitou a diminuição de autonomia destas. II. Para arcar financeiramente com os custos da Corte no Rio de Janeiro, o governo exigiu a cobrança de mais impostos dos setores de produção de açúcar e algodão. III. A cobrança de maiores impostos e a diminuição da autonomia das províncias, ocasionadas pela presença da Corte no Rio de Janeiro, não tiveram nenhuma relação com o movimento que se tornou conhecido como Revolução Pernambucana. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. c) Somente a afirmativa I é verdadeira. d) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. e) Somente a afirmativa II é verdadeira. (UDESC 2017) No Brasil, durante o início do século XIX, as províncias do Norte, dentre elas Pernambuco, viviam uma relativa prosperidade econômica, ocasionada em especial pela produção do algodão e do açúcar. A partir do estabelecimento da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro, tal prosperidade foi relativamente fragilizada. Analise as proposições em relação às mudanças ocorridas com a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil. I. A alocação de uma estrutura burocrática no Rio de Janeiro tornou o governo de Dom João VI mais capacitado a se envolver nos negócios das províncias, o que possibilitou a diminuição de autonomia destas. II. Para arcar financeiramente com os custos da Corte no Rio de Janeiro, o governo exigiu a cobrança de mais impostos dos setores de produção de açúcar e algodão. III. A cobrança de maiores impostos e a diminuição da autonomia das províncias, ocasionadas pela presença da Corte no Rio de Janeiro, não tiveram nenhuma relação com o movimento que se tornou conhecido como Revolução Pernambucana. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. c) Somente a afirmativa I é verdadeira. d) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. e) Somente a afirmativa II é verdadeira. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 55 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império (UNCISAL 2017) Joaquim José da Silva Xavier, vulgo Tiradentes, foi o único a assumir integralmente a responsabilidade pela Conjuração Mineira. Ele foi condenado à morte e teve seu corpo esquartejado. Somente anos depois, foi transformado em herói e mártir. Dentre as pretensões dos conjurados estava(m) A) o investimento do dinheiro da derrama na construção de uma universidade em Vila Rica. B) a adoção de barreiras alfandegárias para impedir a entrada de produtos estrangeiros no Brasil. C) o fim da cobrança abusiva de impostos por Portugal e a transferência da Corte Portuguesa para o Brasil. D) a libertação dos escravos e a implantação de um sistema de trabalho baseado na mão de obra livre e assalariada. E) a implantação de um governo republicano inspirado na independência e na constituição dos Estados Unidos da América. (UNCISAL 2017) Uma das principais exigências dos rebeldes na Revolta de Vila Rica, em 1720, foi a A) diminuição dos preços das roupas comercializadas. B) modificação do domínio português em Minas Gerais. C) anulação do decreto de criação das Casas de Fundição. D) supressão das cobranças na Intendência dos Diamantes. E) recusa na aceitação dos governantes enviados pela coroa. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 56 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império (UNCISAL – 2016) Entre os diversos movimentos políticos e intelectuais que marcaram a crise do sistema colonial no Brasil, esse apresenta algumas características especiais. Diferentemente de outros movimentos – idealizados por advogados, magistrados, militares, padres e ricos contratantes –, teve na liderança representantes das camadas populares do Brasil colonial: brancos, pobres, mulatos, negros livres, escravos. O movimento foi pautado por preocupações sociais e raciais de igualdade de raça e cor, fim da escravidão e abolição de todos os privilégios sociais e econômicos. Foi a nossa mais importante revolta anticolonial. Não lutava apenas para que o Brasil se separasse de Portugal; advogava também a modificação interna da sociedade, que era preconceituosa, baseada nos privilégios dos grandes proprietários e na exploração do trabalho escravo. COSTA, L. C. A.; MELLO, L. I. A. História do Brasil. São Paulo: Scipione, 1999 (adaptado). O movimento político descrito no texto se refere à a) Revolta dos Alfaiates. b) Inconfidência Mineira. c) Revolução Farroupilha. d) Confederação do Equador. e) Insurreição Pernambucana. (UNCISAL – 2009) Os seguintes acontecimentos: o Bloqueio Continental, em 1807, a vinda da Família Real para o Brasil e a abertura dos portos em 1808, constituíram fatos importantes a) na formação da cultura brasileira. b) no fomento à industrialização. c) no processo de emancipação política. d) na constituição da ideologia republicana. e) no surgimento dos conflitos regionais. (UEA – 2009) Em 2008, comemoraram-se os duzentos anos da chegada da Corte Portuguesa ao Brasil. Entre as consequências deste fato pode-se citar a) a abertura dos portos às nações amigas, o que na prática significou o fim do pacto colonial. b) a decisão de acabar com o sistema escravista de trabalho nas regiões em que a Corte se estabeleceu. c) a decisão de Napoleão de bombardear as costas brasileiras, uma represália pela fuga da Família Real. d) a crise da produção açucareira, que perdeu seus mercados em função das lutas europeias. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 57 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império e) a descoberta do ouro, graças às expedições financiadas pela Coroa portuguesa, que precisava de recursos. (UNESP 2013) Com a vinda da Corte, pela primeira vez, desde o início da colonização, configuravam-se nos trópicos portugueses preocupações próprias de uma colônia de povoamento e não apenas de exploração ou feitoria comercial, pois que no Rio teriam que viver e, para sobreviver, explorar “os enormes recursos naturais” e as potencialidades do Império nascente, tendo em vista o fomento do bem-estar da própria população local. (Maria Odila Leite da SilvaDias. A interiorização da metrópole e outros estudos, 2005.) A alteração na relação entre o governo português e o Brasil, mencionada no texto, pode ser notada, por exemplo, a) na redução dos impostos sobre a exportação do açúcar e do algodão, no reforço do sistema colonial e na maior integração do território brasileiro. b) no estreitamento dos vínculos diplomáticos com os Estados Unidos, na instalação de um modelo federalista e na modernização dos portos. c) na ampliação do comércio com as colônias espanholas do Rio da Prata, na reurbanização do Rio de Janeiro e na redução do contingente do funcionalismo público. d) na abertura de estradas, na melhoria das comunicações entre as capitanias e no maior aparelhamento militar e policial. e) no restabelecimento de laços comerciais com França e Inglaterra, na fundação de casas bancárias e no aprimoramento da navegação de cabotagem. (UNESP 2010) A Independência do Brasil do domínio português significou o rompimento com a) a economia europeia, sustentada pela exploração econômica dos países periféricos. b) o padrão da economia colonial, baseado na exportação de produtos primários. c) a exploração do trabalho escravo e compulsório de índios e povos africanos. d) o liberalismo econômico e a adoção da política metalista ou mercantilista. e) o sistema de exclusivo metropolitano, orientado pela política mercantilista. (UNESP 2013) Com a vinda da Corte, pela primeira vez, desde o início da colonização, configuravam-se nos trópicos portugueses preocupações próprias de uma colônia de povoamento e não apenas de exploração ou feitoria comercial, pois que no Rio teriam que viver e, para sobreviver, explorar “os enormes recursos naturais” e as potencialidades do Império nascente, tendo em vista o fomento do bem-estar da própria população local. (Maria Odila Leite da Silva Dias. A interiorização da metrópole e outros estudos, 2005.) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 58 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império A alteração na relação entre o governo português e o Brasil, mencionada no texto, pode ser notada, por exemplo, a) na redução dos impostos sobre a exportação do açúcar e do algodão, no reforço do sistema colonial e na maior integração do território brasileiro. b) no estreitamento dos vínculos diplomáticos com os Estados Unidos, na instalação de um modelo federalista e na modernização dos portos. c) na ampliação do comércio com as colônias espanholas do Rio da Prata, na reurbanização do Rio de Janeiro e na redução do contingente do funcionalismo público. d) na abertura de estradas, na melhoria das comunicações entre as capitanias e no maior aparelhamento militar e policial. e) no restabelecimento de laços comerciais com França e Inglaterra, na fundação de casas bancárias e no aprimoramento da navegação de cabotagem. (UNESP 2010) A Independência do Brasil do domínio português significou o rompimento com a) a economia europeia, sustentada pela exploração econômica dos países periféricos. b) o padrão da economia colonial, baseado na exportação de produtos primários. c) a exploração do trabalho escravo e compulsório de índios e povos africanos. d) o liberalismo econômico e a adoção da política metalista ou mercantilista. e) o sistema de exclusivo metropolitano, orientado pela política mercantilista. (UFRR 2019) Pessoas de diversas ocupações profissionais foram implicadas na investigação do que ficou conhecido como Conjuração ou Inconfidência Mineira. Considerando este evento político que marca o fim do século XVIII na colônia portuguesa, leia as alternativas a seguir e assinale a INCORRETA: A) Os conjurados eram influenciados por ideias de cunho iluminista que já circulavam pela Europa, como o questionamento à centralização e absolutismo monárquico. B) Foi um grande movimento armado, liderado por garimpeiros que pretendiam libertar a região aurífera dos altos impostos e do controle exercido pela Coroa Portuguesa. C) Intelectuais, clérigos e comerciantes participaram do movimento, que é considerado uma manifestação política da elite colonial contra a Coroa Portuguesa. D) Uma importante causa da conspiração era a quantidade de impostos cobrados pelas atividades na região mineradora num momento de declínio da produção. E) A investigação começou a partir da delação de um dos envolvidos, Joaquim Silvério dos Reis, em troca de benefícios da Coroa. (UFRR – 2010) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 59 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Sobre a atuação de D. João VI no Brasil colônia é INCORRETO afirmar que: a) Participou das expedições que demarcaram todas as novas fronteiras do norte e oeste do Brasil. b) Promoveu a vinda de artistas e da Real Biblioteca. c) Liberou as atividades manufatureiras da colônia. d) Abriu os portos ao comércio exterior. e) Incentivou as expedições científicas. (UNITINS 2018) “As elites brasileiras que tomaram o poder em 1822 compunham-se de fazendeiros, comerciantes e membros de sua clientela, ligados à economia de importação e exportação e interessados na manutenção das estruturas tradicionais de produção cujas bases eram o sistema de trabalho escravo e a grande propriedade. Após a Independência, reafirmaram a tradição agrária da economia brasileira, opuseram-se ao desenvolvimento da indústria nacional e resistiram à pressão inglesa pela abolição do tráfico de escravos” (COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República. São Paulo: Fundação Editora UNESP, 2007 p. 12). Com relação ao processo de Independência do Brasil, avalie as afirmações a seguir. I. A Independência tinha como principais objetivos preservar a liberdade de comércio e a autonomia administrativa do país. II. A Independência brasileira foi um processo liderado por grupos que se beneficiaram com a ruptura dos laços coloniais e representavam as categorias mais privilegiadas da sociedade. III. As nações latino-americanas reconheceram prontamente a independência brasileira, principalmente pelo fato de o Brasil haver adotado a monarquia como forma de governo. IV. Com a Independência, a situação da maioria da população não se alterou: a escravidão foi mantida e a aparência liberal ocultava a miséria da maioria da população. É correto o que se afirma em: a) I, II, III e IV. b) III e IV apenas. c) I, II e III apenas. d) III apenas. e) I, II e IV apenas. (UNITINS 2020) “D. Pedro, ao passar de regente a Defensor Perpétuo do Brasil (13 de maio de 1822), trata de reorganizar as bases do Estado. O encontro da nação com o príncipe importou, desde logo, na continuidade da burocracia de D. João, a burocracia transplantada e fiel ao molde Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 60 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império do Almanaque de Lisboa, atrelada ao cortejo do futuro imperador. Sobre ela irá repousar a estrutura política do país” (FAORO, Raymundo. Os donos do poder. São Paulo: Globo, 1991). No texto acima, o autor assinala o contexto no qual se daria a Independência do Brasil. Avalie as afirmativas a seguir e considere a relação proposta entre elas. I - A Independência brasileira foi um processo liderado por grupos que se beneficiaram com a ruptura dos laços coloniais e representavam as categorias mais privilegiadas da sociedade. Consequentemente II - Com a Independência, a situação da maioria da população não se alterou: a escravidão foi mantida e a aparência liberal ocultava a miséria da maioria da população. A respeito dessas afirmativas, assinale a opção correta. A) As afirmativas I e II são verdadeiras e a II justifica corretamente a I. B) As afirmativas I e II são verdadeiras, mas a II não justifica corretamente aI. C) A afirmativa I é verdadeira e a II é falsa. D) A afirmativa I é falsa e a II é verdadeira. E) As afirmativas I e II são falsas. (UVA 2016) Analise as frases abaixo, que tratam das Revoltas Coloniais no Brasil, e coloque V nas frases verdadeiras e F nas frases falsas. ( ) As rebeliões coloniais, apesar de influenciadas pela independência dos Estados Unidos e pela Revolução Francesa, não pretendiam a independência do Brasil. ( ) A Inconfidência Mineira foi influenciada pelos ideais de liberdade e revolução vindos da França e dos Estados Unidos. ( ) A Inconfidência Mineira está ligada à cobrança forçada dos impostos atrasados, chamada derrama, em virtude de decadência da produção do ouro e da queda na arrecadação. ( ) A inconfidência Baiana foi promovida por um grupo de donos de terras, padres, militares, escritores, poetas e profissionais liberais. ( ) A Inconfidência Baiana pretendia acabar com o domínio português sobre o Brasil, proclamar a República e estabelecer a igualdade entre brancos, mulatos e negros. A sequência correta, de cima para baixo, é: a) F-V-V-F-V. b) V-F-F-V-V. c) F-F-V-V-F. d) V-V-F-V-F. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 61 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império (UVA 2016) Enquanto no Brasil D. Pedro procurava atenuar as divergências entre brasileiros e portugueses e fazer uma boa administração, em Lisboa as cortes iniciaram uma série de medidas de recolonização. Assim é que, a 24 de abril de 1821, as Cortes declararam desligados do Governo do Rio de Janeiro, os governos provinciais e a 29 de setembro suprimiram os tribunais instituídos no Brasil por D. João VI. Finalmente, ordenaram também a D. Pedro que regressasse a Portugal. A resposta mais imediata de D. Pedro à crise gerada por estes acontecimentos foi: a) a decisão de ficar no Brasil, contrariando as ordens das Cortes. b) A formação de um novo Ministério chefiado por José Bonifácio de Andrade e Silva. c) A proibição da esquadra portuguesa, fundeada na baía da Guanabara, de desembarcar no Brasil. d) A proclamação da Independência do Brasil e a criação do Império. (URCA 2019) Art. 1. Que dada a publicação desta Carta de Lei o Estado do Brasil seja elevado à dignidade, preeminência, e denominação de REINO DO BRASIL; Art. 2. Que os Meus Reinos de Portugal, Algarves, e Brasil formem dora em diante um só e único Reino debaixo do título de Reino Unido de Portugal, e do BRASIL, e ALGARVES; Art. 3. Que os Títulos inerentes à Coroa de Portugal, e de que até agora Hei feito uso, se substitua em todos os Diplomas, Cartas de Lei, Alvarás, Provisões, e Atos Públicos o novo Título de PRÍNCIPE REGENTE DO REINO UNIDO DE PROTUGAL, E DO BRASIL, E ALGRAVES DAQUÉM E DALÉM-MAR, EM ÁFRICA, DE GUINÉ, E DA CONQUISTA, NAVEGAÇÃO E COMÉRICO DA ETIÓPIA, ARÁBIA, PÉRSIA E ÍNDIA. (Decreto de elevação do Brasil a Reino Unido, extraído de BONAVIDES, Paulo e VIEIRA, Amaral. Textos políticos da história do Brasil. Fortaleza, s/e, 1973). Sobre a decisão tomada que se expressa no trecho do documento acima assinale a alternativa correta. A) Esta medida antecede e abriu caminho para uma outra medida, de caráter mais econômico: a Abertura dos Portos às Nações Amigas; B) A decisão foi a primeira medida administrativa tomada por D. João VI, após a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, diante das dificuldades diplomáticas com a França que havia invadido Portugal; C) A elevação do Brasil a Reino Unido foi o coroamento de uma política que se estabeleceu desde a chegada da corte ao Rio de Janeiro, uma vez que a política externa portuguesa passou a ser decidida no Brasil, contrariando os próprios interesses de classes dominantes portuguesas; Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 62 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império D) Com a elevação a Reino Unido, o Brasil passava a ser reconhecido internacionalmente para poder declarar guerra à França e invadir a Guiana Francesa; E) Uma vez elevado o Brasil a Reino Unido, Dom Pedro I, na condição de Príncipe Regente, iniciou o processo de rompimento com Portugal e o caminho para a Independência ocorrida em setembro de 1822. (URCA 2019) É o primeiro movimento que fala de independência e tem como uma de suas causas o aumento da exploração sobre a população local, em face da escassez de ouro para pagar os impostos devidos à Coroa Portuguesa. Estamos falando do movimento conhecido como: A) Revolução Farroupilha; B) Cabanagem; C) Conjuração Baiana; D) Inconfidência Mineira; E) Confederação do Equador. (UECE 2019) Sobre a transferência da Corte portuguesa para o Brasil em 1808, é correto afirmar que a) ocorreu sem nenhum transtorno para a população do Rio de Janeiro, que recepcionou os nobres portugueses de forma planejada, sem que fossem necessárias grandes mudanças na cidade. b) foi provocada pela ameaça inglesa de invasão ao Brasil, caso Portugal aderisse ao Bloqueio Continental ao comércio britânico, imposto por Napoleão Bonaparte no decreto de Berlim, emitido em 1806. c) teve como causa direta a invasão das tropas francesas ao território português como forma de forçar a adesão do país luso ao bloqueio continental. d) somente foi realizada como forma de garantir o cumprimento do tratado de Fontainebleau, assinado com a França, que garantia a mudança para o Brasil no caso de ameaça espanhola a Portugal. (UECE 2018) Atente ao seguinte fragmento da obra da historiadora Emília Viotti da Costa, a respeito do processo de independência do Brasil: “A ordem econômica seria preservada, a escravidão mantida. A nação independente continuaria subordinada à economia colonial, passando do domínio português à tutela britânica. A fachada liberal construída pela elite europeizada ocultava a miséria e a escravidão da maioria dos habitantes do país. Conquistar a emancipação definitiva da nação, ampliar o significado dos princípios constitucionais seria tarefa relegada aos pósteros”. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 63 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império COSTA, Emília Viotti da. Introdução ao estudo da emancipação política do Brasil. In: MOTA, Carlos Guilherme (Org.). Brasil em perspectiva. 16. ed. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1987. p.125. Considerando o processo de independência do Brasil, assinale a afirmação verdadeira. a) Não ocorreu nenhuma ocultação dos reais problemas sociais e econômicos do país após a independência, já que a elite local buscou solucioná-los imediatamente. b) Apenas ocorreu a independência econômica do Brasil, mas não a política, pois a elite nacional europeizada submeteu-se aos interesses da Inglaterra. c) Pelo fato de a monarquia ter sido logo adotada como forma de governo, a independência não representou mudanças sociais significativas, pois estas ficariam a cargo de gerações futuras. d) Não houve acordo de independência com os Britânicos, que reagiram o quanto puderam à independência do Brasil, já que ela representaria a real autonomia econômica do país. (UECE 2018) Ocorridos entre os meados do século XVII até as primeiras décadas do século XVIII, os movimentos nativistas apresentam-se como os primeiros sinais de uma crise do sistema colonial. Sobre esses movimentos, é correto afirmar que a) tinham como principal objetivo a separação política entre colônia e metrópole, com a autonomia administrativa e a formação de novas nações livres nas regiões onde ocorriam. b) em Minas Gerais, com a Guerra dos Emboabas e a Revolta de Felipe dos Santos, no Maranhão, com a Revolta dos Beckman, e em Pernambuco, com a Insurreição Pernambucana e a Guerra dos Mascates, aparecem as divergências entre os interesses dos colonos e os da metrópole. c) ocorreram somente em locais que vivenciavam crises econômicas, comoo Rio Grande do Sul (Farroupilha 1835-1845) e Pernambuco (Revolução Pernambucana de 1817). d) somente a Confederação do Equador, ocorrida no nordeste brasileiro, pode ser tomada como um legítimo movimento nativista, uma vez que não pretendia a separação política em relação a Portugal, mas, somente, maior autonomia administrativa. (UECE 2018) Leia atentamente o seguinte excerto: “O papel de herói da Inconfidência Mineira cabe ainda a Tiradentes porque ele foi o inconfidente que recebeu a pena maior: a morte na forca, uma vez que o próprio réu, durante a devassa, assumiu para si toda a culpa. Sabe-se, no entanto, que sua morte se deve também em grande parte à acusação dos demais inconfidentes, bem como a sua condição social: pertencente à camada média da sociedade mineira, sem importantes ligações de família, sem ilustração nem boas maneiras”. Cândida Vilares Gancho & Vera Vilhena de Toledo. Inconfidência Mineira. São Paulo, Editora Ática, Série Princípios,1991. p.45. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 64 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Sobre a Inconfidência Mineira, ocorrida em Vila Rica no período da mineração aurífera, é correto afirmar que A) representou o exemplo de revolta popular contra a dominação colonial portuguesa no Brasil, uma vez que, oriunda das camadas mais humildes de Minas Gerais, inclusive escravos, chegou a contagiar indivíduos pertencentes às mais altas posições sociais. B) foi uma representação dos interesses de grupos da elite local, intelectuais, religiosos, militares e fazendeiros, em livrarem-se do controle e dos impostos cobrados pela coroa portuguesa na região, mas não havia consenso em relação à libertação dos escravos. C) marcou o início do processo de independência do Brasil, baseado na luta armada do povo contra as forças leais a Portugal, e em defesa dos ideais liberais e republicanos, como o fim da escravidão, direito ao voto universal masculino e governo presidencialista. D) apesar de bem-sucedida, com a Proclamação da Independência de Minas Gerais, teve pouco impacto na história do Brasil, uma vez que seus objetivos extremamente populares não foram bem aceitos pelas elites econômicas de outras regiões da colônia. (UECE 2017) Atente ao seguinte enunciado: “Nove anos após a Inconfidência Mineira, idealizada e liderada por membros da elite da capitania de Minas Gerais (advogados, magistrados, militares, padres e ricos contratantes), uma nova revolta ocorreu na Colônia, contra a dominação portuguesa. Essa, entretanto, não ficou restrita a um pequeno grupo da elite de brancos e intelectuais ou às ideias políticas liberais. Teve a participação e mesmo a liderança de pessoas oriundas dos grupos desprivilegiados (mulatos, brancos pobres, negros livres e escravos), dela participaram o médico Cipriano José Barata de Almeida, os soldados Lucas Dantas do Amorim Torres e Luís Gonzaga das Virgens e os alfaiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos Lira. Seus objetivos incluíam, além da autonomia em relação a Portugal, a implantação de um governo republicano, a busca por igualdade racial com a abolição da escravidão e o fim dos privilégios sociais e econômicos das elites, com a diminuição dos impostos e com aumentos salariais para o povo”. O enunciado acima se refere ao movimento separatista colonial denominado a) Revolução Pernambucana, de 1817. b) Revolução Praieira, de 1848. c) Confederação do Equador, de 1824. d) Conjuração Baiana, de 1798. (UECE 2016) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 65 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Atente ao que se diz a respeito dos dois partidos políticos denominados Partido Português e Partido Brasileiro, considerando os acontecimentos que culminaram com o processo de emancipação política brasileira de 1822. I. O Partido Português, composto em sua maioria por comerciantes portugueses, gostaria de ver mantidos os privilégios a eles proporcionados pela estrutura colonial e desejava o retorno de Dom Pedro a Portugal para que as medidas recolonizadoras fossem aplicadas. II. O Partido Brasileiro reunia burocratas, grandes proprietários de terras, advogados e investidores urbanos nascidos no Brasil. Esse grupo foi privilegiado pela abertura dos portos de 1808 e gostaria que fosse mantida a elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal e Algarves. Acerca das duas proposições acima, é correto afirmar que a) ambas são verdadeiras. b) I é falsa e II é verdadeira. c) ambas são falsas. d) I é verdadeira e II é falsa. (UECE 2016) Atente às seguintes afirmações acerca da Inconfidência Mineira (1789): I. A constituição de um regime republicano no Brasil estava entre os objetivos de boa parte dos conspiradores de Vila Rica. II. Havia, por parte dos inconfidentes, a preocupação com o desenvolvimento de produtos manufaturados, pois objetivavam a diminuição da dependência de artigos importados. III. Constituía interesse dos conspiradores a criação de uma nova capital localizada em uma área mais favorável à expansão da lavoura e da pecuária — atividades fundamentais para a subsistência dos mineradores. Está correto o que se afirma em A) I e II apenas. B) I e III apenas. C) II e III apenas. D) I, II e III (UECE 2015) A Historiografia do Brasil registra várias revoltas e insurreições ‒ ações situadas no âmbito do contexto social, político e econômico do Brasil colonial que expressavam a insatisfação dos vários grupos sociais com os poderes instituídos. Assinale a opção que apresenta somente movimentos ocorridos nesse período. a) Inconfidência Mineira, Conjuração dos Alfaiates, Revolução Pernambucana. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 66 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império b) Inconfidência Mineira, Balaiada e Conjuração dos Alfaiates. c) Balaiada, Cabanagem e Revolução Pernambucana. d) Revolução Praieira, Inconfidência Mineira, Revolução Pernambucana. (UECE 2015) “No dia 17 de janeiro de 1808, a Real Casa de Bragança chega ao Rio de Janeiro, após 45 dias navegando pelos mares do Atlântico Sul, com rápida estada em Salvador.” AZEVEDO, Francisca L. Carlota Joaquina na Corte do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira 2003, p. 69. O principal resultado da transferência da Corte Portuguesa para o Brasil foi a) a abertura dos portos e o consequente rompimento do pacto colonial. b) a autonomia política e econômica do Brasil em relação a Portugal. c) o colapso do sistema econômico brasileiro baseado na mão de obra escrava. d) o fim do sistema colonial e a instauração do regime republicano no Brasil. (UECE 2008) Sobre a Inconfidência Mineira (1789), são feitas as seguintes afirmações: I. Estava entre os objetivos de boa parte dos conspiradores de Vila Rica, a constituição de um regime republicano no Brasil. II. Havia, também, por parte dos inconfidentes, a preocupação com o desenvolvimento de produtos manufaturados ou, em outras palavras, objetivavam a diminuição da dependência de artigos importados. III. A nova capital seria transferida para Belo Horizonte, por encontrar-se localizada numa área mais favorável para a expansão da lavoura e da pecuária. Assinale o correto. a) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras. b) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras. c) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras. d) Todas as afirmações são verdadeiras. (Ufsc 2016) 4000104434 Portugal não deu trégua aos moradores da América. Farejava oportunidade de tributar onde germinassem riquezas. Os engenhos começavam a moer cana-de-açúcar e já apareciam taxas para as caixas de açúcar; uma nova taberna abria as portas e os barris de vinho chegavam mais caros. O gado que pisava nos pastos exigia do seu dono uma contribuição; os carregadoresque palmilhavam os caminhos deixavam nas contagens um pagamento pelos secos e molhados que as tropas levavam [...]. Esse fiscalismo assombrou o Brasil. Mas Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 67 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império assombravam mais ainda as reações da população. Um furacão de revoltas contra os impostos varreu a colônia. Revoltas, mas também rumores, pasquins, abaixo-assinados, conspirações. FIGUEIREDO, Luciano. Morte aos impostos! Viva o rei. Revista de História, jul. 2007.Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/morte-aos- impostos-viva-o-rei>. Acesso em: 17 ago. 2015. Sobre as tensões, os conflitos e as resistências na América portuguesa, é CORRETO afirmar que: 01. o estopim que deu início à Conjuração Mineira (1789) foi o Decreto da Derrama, cobrança dos impostos devidos que mobilizou os mineradores a pegar em armas e efetivar o levante contra a coroa portuguesa. 02. no cenário que desencadeou a Revolta dos Beckman (1684) estavam as altas taxas cobradas pela Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão para o embarque de mercadorias e a falta de fornecimento de escravos, o que contribuiu para a insatisfação dos colonos. 04. para combater o contrabando e aumentar a arrecadação de impostos, foram instituídas as Casas de Fundição na região das minas, contra as quais se organizou um levante liderado pelos mineradores com tumultos em várias vilas da região. 08. os movimentos da Conjuração Mineira (1789) e da Conjuração Baiana (1798) tinham como finalidade criar uma nação brasileira, pois seus integrantes almejavam a independência de toda a América portuguesa. 16. as mortes por enforcamento de personagens como Filipe dos Santos e Manuel Beckman representam casos únicos de punição aos revoltosos. 16. . (UFSC– 2009) Leia o texto abaixo com atenção. “A fuga da família real portuguesa para o Brasil abriu o único período na história em que um império colonial foi governado de fora da Europa. Em 1807, sob forte pressão britânica e com o imperador francês Napoleão Bonaparte expandindo seu poder pelo continente, Dom João 6o [sic], então príncipe regente de Portugal, decide transferir a sede do reino para o Rio de Janeiro. Apesar de planejada e debatida por muito tempo, a mudança se deu de modo atabalhoado e às pressas. Nem todos os que deveriam viajar conseguiram embarcar, e o mesmo aconteceu com parte da bagagem, incluindo os livros da biblioteca real, abandonados em caixotes. Quando a frota portuguesa partiu, amparada por navios ingleses, as tropas do general francês Junot se aproximavam de Lisboa.” Colombo, Sylvia. Confronto e Calmaria. Folha de São Paulo, São Paulo, 2 mar. 2008. Especial, p. 2. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 68 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre a história ibérica, assinale a(s) proposição(ões) correta(s). 01. O deslocamento da Família Real de Lisboa para o Brasil, em 1808, foi provocado pelas ameaças de invasão militar dos ingleses e a ingenuidade política do rei D. João VI, que assumiu o poder após a morte de sua mãe, D. Maria, a Louca. 02. A instalação da corte portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808, transformou o Brasil no único exemplo da história ocidental em que um império colonial foi governado de fora da Europa. 04. Durante o século XIX, pressionado pelos ingleses e com a invasão dos seus territórios pelas tropas francesas, o rei da Espanha decidiu seguir o exemplo de D. João VI e transferiu a sede do governo para Buenos Aires. 08. A viagem da corte portuguesa para o Brasil foi planejada desde 1807 e permitiu um transcurso direto, rápido e tranqüilo até o Rio de Janeiro, cidade que dispunha de alojamentos suficientes para hospedar um número superior a 10 mil nobres lusitanos. 16. A transferência da sede administrativa do reino português para o Rio de Janeiro exigiu a criação de instituições como o Banco do Brasil, a Imprensa Real e a Academia Militar. 32. Instalados no Rio de Janeiro, os nobres portugueses conviveram com epidemias de malária e ataques de pulgas e piolhos. A princesa Carlota Joaquina perdeu a vida ao contrair dengue hemorrágico, frustrando seu projeto de invasão da Argentina. (UFSC– 2004) Assinale a(s) proposição(ões) VERDADEIRA(S) em relação ao processo de independência do Brasil. 01. No período colonial ocorreram numerosos motins e sedições como: a Aclamação de Amador Bueno, em São Paulo; a Guerra dos Emboabas e a Revolta de Vila Rica, em Minas Gerais. 02. A revolta em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, liderada pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, apressou os planos de D. Pedro, apoiado pela aristocracia. Forçado pelas circunstâncias, teve de proclamar a independência. 04. A independência do Brasil, a sete de setembro de 1822, atendeu aos interesses da elite social do Brasil Colônia e da burguesia portuguesa favorecida pelo decreto de Abertura dos Portos de 1808. 08. A independência, proclamada por D. Pedro, foi aceita incondicionalmente por todas as províncias. 16. A Maçonaria no Brasil, no século XIX, defendia os princípios liberais. As Lojas Maçônicas, em especial as do Rio de Janeiro, tiveram papel importante no movimento pela separação do Brasil de Portugal. (UFSC– 2016) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 69 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Portugal não deu trégua aos moradores da América. Farejava oportunidade de tributar onde germinassem riquezas. Os engenhos começavam a moer cana-de-açúcar e já apareciam taxas para as caixas de açúcar; uma nova taberna abria as portas e os barris de vinho chegavam mais caros. O gado que pisava nos pastos exigia do seu dono uma contribuição; os carregadores que palmilhavam os caminhos deixavam nas contagens um pagamento pelos secos e molhados que as tropas levavam [...]. Esse fiscalismo assombrou o Brasil. Mas assombravam mais ainda as reações da população. Um furacão de revoltas contra os impostos varreu a colônia. Revoltas, mas também rumores, pasquins, abaixo-assinados, conspirações. FIGUEIREDO, Luciano. Morte aos impostos! Viva o rei. Revista de História, jul. 2007. Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/morte-aos-impostos-viva- o-rei>. Acesso em: 17 ago. 2015. Sobre as tensões, os conflitos e as resistências na América portuguesa, é CORRETO afirmar que: 01. o estopim que deu início à Conjuração Mineira (1789) foi o Decreto da Derrama, cobrança dos impostos devidos que mobilizou os mineradores a pegar em armas e efetivar o levante contra a coroa portuguesa. 02. no cenário que desencadeou a Revolta dos Beckman (1684) estavam as altas taxas cobradas pela Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão para o embarque de mercadorias e a falta de fornecimento de escravos, o que contribuiu para a insatisfação dos colonos. 04. para combater o contrabando e aumentar a arrecadação de impostos, foram instituídas as Casas de Fundição na região das minas, contra as quais se organizou um levante liderado pelos mineradores com tumultos em várias vilas da região. 08. os movimentos da Conjuração Mineira (1789) e da Conjuração Baiana (1798) tinham como finalidade criar uma nação brasileira, pois seus integrantes almejavam a independência de toda a América portuguesa. 16. as mortes por enforcamento de personagens como Filipe dos Santos e Manuel Beckman representam casos únicos de punição aos revoltosos. (UEM 2019) Sobre o período de domínio português nos territórios da América, os quais viriam a se constituir no Brasil, assinale o que for correto. 01) A sociedade que se desenvolveu no litoral do atual Nordeste brasileiro tinha características aristocráticas; era dominada por um grupo de proprietários rurais e patriarcais, centrado nopoder do chefe de família, o patriarca. 02) Entre as várias rebeliões e revoltas que ocorreram naquele período, a Inconfidência Mineira (1789) foi a mais radical. Seu programa de governo pregava a instalação de uma monarquia brasileira e a imediata abolição da escravidão. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 70 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 04) Os primeiros trabalhadores europeus assalariados livres chegaram ao Brasil somente no século XVIII, para trabalhar nas fazendas de café de São Paulo e de criação de gado em Minas Gerais. Esse fato deu origem à expressão “política do café com leite”. 08) A administração pública das vilas estava a cargo das câmaras municipais, também chamadas de Senado da Câmara, órgãos formados por vereadores eleitos pelos chamados “homens bons”. 16) No século XVIII, além da produção açucareira, principalmente no Nordeste, e da mineração, principalmente na região central do atual território brasileiro, desenvolviam-se também a pecuária, a produção de gêneros de subsistência e outras atividades econômicas. (UEM 2019) Sobre o período entre a vinda da Família Real portuguesa para o Brasil (1808) e a Proclamação da Independência brasileira (1822), e assuntos correlatos, assinale o que for correto. 01) A vinda da Corte para o Brasil relaciona-se às pressões sofridas pela Coroa portuguesa decorrentes do Bloqueio Continental estabelecido por Napoleão Bonaparte contra a Inglaterra. 02) Com a abertura dos portos às nações amigas, estabelecida por D. João logo após a chegada da Corte, os produtores brasileiros puderam iniciar a exportação de seus produtos diretamente para a França, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros naquele País. 04) Apesar do crescimento urbano que vinha ocorrendo desde o século anterior, principalmente nas regiões de mineração, quando a Família Real chegou ao Brasil encontrou uma sociedade predominantemente agrária. 08) Foi criado o Museu Real, constituído para acolher coleções e materiais diversos nas áreas de História Natural para fins de estudo e pesquisa. Posteriormente, transformou-se no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, recentemente destruído pelo fogo. 16) Com a chegada da Corte foi necessário criar uma estrutura administrativa que pudesse enfrentar as novas necessidades de gestão do poder público surgidas com a transferência da sede do império luso. (Uem 2016) 4000110557 A Inconfidência Mineira (1789) foi um dos primeiros movimentos a propor o rompimento com o pacto colonial e a adotar a perspectiva de uma nação independente, fundamentada em novas bases. Sobre o ideário político-filosófico dos inconfidentes, assinale o que for correto. 01) Com relação aos princípios libertários antidespotistas, Voltaire, Montesquieu, Rousseau, entre outros pensadores iluministas, influenciaram os inconfidentes. 02) A Constituição Norte-Americana e a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América serviram de motivação para os inconfidentes, pois valorizavam a autonomia americana em face ao colonialismo inglês. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 71 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 04) As ideias políticas dos inconfidentes refletiram os valores da classe baixa e popular do Brasil. 08) Ideais republicanos originados na Europa, como anticolonialismo, antimilitarismo e anticlericalismo, foram adaptados pelos inconfidentes, isto é, modificados de forma a atender seus interesses. 16) Inspirados pela Revolução Francesa, cujo lema é liberdade, igualdade e fraternidade, as pretensões revolucionárias dos inconfidentes visavam, em primeiro lugar, a abolição da escravatura. (Uem 2015) 4000065145 Em 1684 eclodiu no Maranhão a Revolta de Beckman. A respeito desta revolta, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) A Revolta de Beckman foi uma tentativa de o Estado do Maranhão e o do Grão Pará se tornarem independentes de Portugal. 02) O estopim do conflito foi a elevação de Imperatriz, em 1683, à categoria de vila, por meio de uma Carta Régia. Os senhores de engenho que viviam em São Luís não aceitaram a medida, pois isso significava uma diminuição de seus poderes. 04) A Revolta relaciona-se à criação, por parte da Coroa Portuguesa, da Companhia de Comércio do Estado do Maranhão, com o objetivo de promover o desenvolvimento daquela região. 08) A Companhia de Comércio do Estado do Maranhão deveria fornecer ao Maranhão ferramentas, utensílios, gêneros de consumo e escravos, no entanto não conseguiu estabelecer um comércio regular na região. 16) No contexto da revolta, os jesuítas, contrários à escravização dos índios pelos moradores do Maranhão, foram expulsos pelos revoltosos. (UEM 2017) A Inconfidência Mineira (1789) foi um dos primeiros movimentos a propor o rompimento com o pacto colonial e a adotar a perspectiva de uma nação independente, fundamentada em novas bases. Sobre o ideário político-filosófico dos inconfidentes, assinale o que for correto. 01) Com relação aos princípios libertários antidespotistas, Voltaire, Montesquieu, Rousseau, entre outros pensadores iluministas, influenciaram os inconfidentes. 02) A Constituição Norte-Americana e a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América serviram de motivação para os inconfidentes, pois valorizavam a autonomia americana em face ao colonialismo inglês. 04) As ideias políticas dos inconfidentes refletiram os valores da classe baixa e popular do Brasil. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 72 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 08) Ideais republicanos originados na Europa, como anticolonialismo, antimilitarismo e anticlericalismo, foram adaptados pelos inconfidentes, isto é, modificados de forma a atender seus interesses. 16) Inspirados pela Revolução Francesa, cujo lema é liberdade, igualdade e fraternidade, as pretensões revolucionárias dos inconfidentes visavam, em primeiro lugar, a abolição da escravatura. (UEM 2016) Em 1684 eclodiu no Maranhão a Revolta de Beckman. A respeito desta revolta, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) A Revolta de Beckman foi uma tentativa de o Estado do Maranhão e o do Grão Pará se tornarem independentes de Portugal. 02) O estopim do conflito foi a elevação de Imperatriz, em 1683, à categoria de vila, por meio de uma Carta Régia. Os senhores de engenho que viviam em São Luís não aceitaram a medida, pois isso significava uma diminuição de seus poderes. 04) A Revolta relaciona-se à criação, por parte da Coroa Portuguesa, da Companhia de Comércio do Estado do Maranhão, com o objetivo de promover o desenvolvimento daquela região. 08) A Companhia de Comércio do Estado do Maranhão deveria fornecer ao Maranhão ferramentas, utensílios, gêneros de consumo e escravos, no entanto não conseguiu estabelecer um comércio regular na região. 16) No contexto da revolta, os jesuítas, contrários à escravização dos índios pelos moradores do Maranhão, foram expulsos pelos revoltosos. (UEM 2013) Assinale a(s) alternativa(s) correta(s) sobre o processo histórico de apropriação e uso da terra no Brasil. 01) Durante o período colonial, as terras pertenciam à Coroa, que as doava ou cedia o direito de uso delas, visando à ocupação do território e à exploração agrícola. 02) No início da colonização portuguesa, predominava o cultivo de produtos agrícolas tropicais em grandes propriedades monocultoras, com a utilização do trabalho escravo. 04) No período entre a extinção do sistema de Sesmarias até o estabelecimento da lei de Terras, em 1850, o Estado imperial brasileiro não dispunha de instrumentos legais efetivos de controle de acesso à terra. 08) A Lei de Terras de 1850 estabeleceu que os governos estaduais desenvolvessem projetosde colonização, com o objetivo de atrair imigrantes estrangeiros e estabelecer a pequena propriedade como novo modelo fundiário do País. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 73 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 16) Com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, em 1808, D. João VI estabeleceu que todas as terras que não cumpriam função social fossem desapropriadas e transformadas em áreas de preservação ambiental. (UFMS 2007) Ameaçada por Napoleão, em 1808, a Corte portuguesa transferiu-se para o Brasil com ajuda da Inglaterra, principal antagonista dos franceses. A chegada da Corte portuguesa assinalou o surgimento, no Brasil, de uma rede relativamente estável de educação superior e dos primeiros estabelecimentos de cunho científico e cultural. Assinale a(s) alternativa(s) que apresenta(m) corretamente instituições criadas nesse período. (001) A Universidade de São Paulo (USP), a Universidade do Distrito Federal, o Instituto de Pesquisa Tecnológicas (IPT) e o Instituto Biológico de São Paulo. (002) A Imprensa Régia, responsável pela impressão da Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal editado no Brasil, que começou a circular em 10 de setembro de 1808. (004) O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). (008) O Real Horto, atual Jardim Botânico do Rio de Janeiro; a Biblioteca Real, atual Biblioteca Nacional; e o Museu Real, atual Museu Nacional. (016) A Escola de Cirurgia da Bahia, a Academia Médico-Cirúrgica da Corteea Real Academia Militar, posteriormente transformada na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. (UFMS 2006) No século XVIII, ocorreu um dos mais expressivos movimentos emancipatórios do período colonial brasileiro: a Inconfidência Mineira. Trata-se de um movimento político articulado, que teve, entre seus organizadores, poetas, mineradores, escritores, militares, religiosos e pessoas do povo. Destacam-se, entre seus objetivos, o rompimento e a separação do Brasil de sua metrópole, Portugal, e a implantação da República. Contudo, em algumas questões não havia consenso entre os inconfidentes. Aponte o(s) item(ns) que se refere(m) a esses pontos polêmicos. (001) O assassinato do Visconde de Barbacena, governador de Minas Gerais. (002) A abolição da escravidão, produzindo um acordo que promoveria a libertação somente dos escravos nascidos no Brasil. (004) O pagamento integral das dívidas atrasadas com o fisco. (008) A fundação de uma instituição universitária em Vila Rica e a transferência da capital do país para São João Del Rei. (016) A criação de uma milícia integrada por cidadãos para substituir o exército permanente. (UFMS – 2008) Escoltada por seus aliados ingleses, em janeiro de 1808, a Corte portuguesa desembarcou no Rio de Janeiro, cidade que acabou por adquirir o estatuto de capital de todo o Império Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 74 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império lusitano. Uma das primeiras medidas tomadas pelo Príncipe Regente do Império português, Dom João VI, foi a assinatura do Decreto de abertura dos portos brasileiros às nações amigas. Sobre essa medida, é correto afirmar: 01. Correspondeu ao rompimento do monopólio comercial metropolitano, que se constituía no cerne do pacto colonial. 02. Baseou-se nos princípios da doutrina mercantilista, sendo seu principal objetivo o fortalecimento do exclusivo comercial, de modo a garantir o papel de potência industrial desempenhado por Portugal no contexto europeu da época. 04. Na prática, a medida favoreceu os interesses econômicos portugueses, uma vez que as tarifas alfandegárias sobre as mercadorias industrializadas, importadas daquele país, sofreram uma substancial redução, passando de 48% para 15%. 08. Sob a influência de José da Silva Lisboa, futuro Visconde de Cairu, a medida inspirou-se na teoria econômica liberal desenvolvida por Adam Smith no século XVIII, que defendia o livre mercado como um dos pressupostos básicos do desenvolvimento econômico. 16. A medida serviu para aliviar as pressões da crise de subconsumo, vivido pela economia inglesa à época, resultante da redução dos mercados consumidores de seus produtos industriais, após o Bloqueio Continental imposto à Europa por Napoleão Bonaparte. (UFMS – 1998) Faz(em) parte do processo de Independência política do Brasil o(s) seguinte(s) acontecimento(s): 01. A vinda da Família Real para o Brasil em função do avanço das tropas inglesas sobre o Império Napoleônico. 02. A primeira providência de D. João ao chegar ao Brasil foi reforçar a medida que impedia a entrada de navios estrangeiros nos portos locais. 04. A partir do Congresso de Viena, o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves. 08. A Revolução do Porto teve por finalidade consolidar os ideais de Independência no Brasil-Colônia. 16. Desobedecendo as ordens das Cortes Portuguesas, D.Pedro decidiu ficar no Brasil, aderindo aos interesses dos brasileiros, em especial, dos proprietários rurais. (UESB 2014) A política estabelecida pelo Marquês de Pombal, que determinou uma série de transformações no Brasil e em Portugal, se insere em um contexto mais amplo das mudanças processadas na Europa nesse período. Em relação a esse quadro, pode-se afirmar que 01) o controle metropolitano sobre a colônia aumentou e o funcionamento das Câmaras Municipais foi proibido, o que provocou as primeiras rebeliões de caráter separatista. 02) a proibição da circulação do ouro em pó e a criação das Casas de Fundição, reforçando o pacto colonial, contribuíram para a eclosão da Revolta de Vila Rica. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 75 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 03) o Brasil passou a desenvolver uma economia diversificada, visando solucionar a crise econômica portuguesa, com o forte desenvolvimento das manufaturas. 04) a Inconfidência Mineira, reflexo da crise da produção aurífera, pretendeu a separação de Portugal e a adoção de um regime republicano pautado na indústria e no trabalho assalariado. 05) a insatisfação dos colonos em relação à atuação das companhias privilegiadas de comércio levou à eclosão da Revolução Farroupilha, cujo objetivo central era a liberdade de comércio e produção. (PUCCAMP 2018) Considere o texto abaixo. Tiradentes era alguém com todas as características e ressentimentos de um revolucionário. Além do mais, ele se apresentava para o martírio ao proclamar sua responsabilidade exclusiva pela inconfidência. Era óbvia a sedução que o enforcamento do alferes representava para o governo português: pouca gente levaria a sério um movimento chefiado por um simples Tiradentes (e as autoridades lusas, depois de outubro de 1790, invariavelmente se referiam ao alferes por seu apelido de Tiradentes). MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa. A Inconfidência Mineira: Brasil e Portugal 1750- 1808. São Paulo: Paz e Terra, 1995, p. 216. O texto de Kenneth Maxwell, ao se referir a Tiradentes, nos remete à Inconfidência Mineira. Sobre a Inconfidência Mineira, é correto afirmar que a) o fracasso do movimento deveu-se, entre outros, à precária organização do movimento e à falta de coesão efetiva entre os conspiradores. b) a conjuração resultou em reuniões nas quais se travaram debates políticos e filosóficos sem que com isso resultasse em proposta de revolta. c) a ausência de princípios iluministas, como os de liberdade e igualdade jurídica, deu ao movimento um caráter verdadeiramente revolucionário. d) o êxito da conspiração deu-se em função de ser formada, principalmente, pelas camadas médias e urbanas e dos grupos pobres da população. e) as ideias do despotismo ilustrado deram origem a um movimento conspiratório e libertário noprocesso de ruptura política do país. (PUCCAMP 2018) Ao proclamar sua responsabilidade exclusiva pela inconfidência, Tiradentes favoreceu a) os conspiradores brasileiros e portugueses que pretendiam fazer dele o herói de uma epopeia nacional. b) os companheiros de movimento e poetas Claudio Manuel da Costa e Tomás Antonio Gonzaga. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 76 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império c) seus cúmplices e escritores Basílio da Gama e Gregório de Matos. d) os revoltosos e fanáticos monarquistas agrupados num arraial de Minas Gerais. e) os companheiros intelectuais que propagavam suas causas nos jornais do primeiro Império. (PUCPR 2016) Discutiu-se muito, no segundo semestre de 2015, no Brasil, a problemática do aumento dos impostos devido ao deficit de 30 milhões nas contas públicas. Nesse debate é possível visualizar recorrências a episódios da história política brasileira, conforme observamos na charge a seguir: A charge faz menção: a) à Conjuração Baiana, evento que também ficou conhecido como Rebelião dos Alfaiates, na qual os revoltosos, além de questionarem os altos impostos, buscaram fundar um governo monárquico no Brasil independente de Portugal. b) à marca do pensamento católico no contexto do Brasil Colonial, que deu base ideológica para criminalizar e punir os políticos corruptos. c) à Revolução Pernambucana, que eclodiu devido ao aumento de impostos que foi decretado com a chegada da família real portuguesa ao Brasil em 1808. Esse movimento também foi marcado pela luta pelo fim da escravidão. d) à Conjuração Mineira, revolta que ocorreu em Minas Gerais devido à derrama declarada pela Coroa Portuguesa e aos preços abusivos que eram cobrados pelas mercadorias importadas. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 77 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império e) à restrição da liberdade de imprensa, no contexto do século XIX, que dificultou a emergência de movimentos contrários à excessiva cobrança de impostos pela Coroa Portuguesa. (PUCCAMP 2016) 4000153401 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Para responder à(s) quest(ões) a seguir, considere o texto abaixo. Também no Brasil o século XVIII é momento da maior importância, fase de transição e preparação para a Independência. Demarcada, povoada, defendida, dilatada a terra, o século vai lhe dar prosperidade econômica, organização política e administrativa, ambiente para a vida cultural, terreno fecundo para a semente da liberdade. (...) A literatura produzida nos fins do século XVIII reflete, de modo geral, esse espírito, podendo- se apontar a obra de Tomás Antônio Gonzaga como a sua expressão máxima. (COUTINHO, Afrânio. Introdução à Literatura no Brasil. Rio de Janeiro: EDLE, 1972, 7. Ed. p. 127 e p. 138) Considere o manifesto abaixo. Manifesto dos Baianos, agosto de 1798 (...) considerando os muitos e repetidos latrocínios feitos com os títulos de imposturas, tributos e direitos que são cobrados por ordem da Rainha de Lisboa (...) e no que respeita à inutilidade da escravidão do mesmo Povo tão sagrado e digno de ser livre, com respeito à liberdade e qualidade ordena, manda e quer que para o futuro seja feita nesta cidade e seu termo a sua revolução para que seja exterminado para sempre o péssimo jugo da Europa. (In: KOSHIBA, Luiz e PEREIRA, Denise M. F. História do Brasil, no contexto da história ocidental. São Paulo: Atual, 2003, p.157) Com base no manifesto pode-se afirmar que, para os conjurados baianos, a) os movimentos de rebeldia favoreciam a divulgação das ideias liberais europeias e denunciavam a exploração metropolitana das riquezas da colônia. b) o rompimento com a metrópole não significava apenas a autonomia política, mas também a manutenção da estrutura econômica tradicional no país. c) a independência não era apenas a ruptura dos laços coloniais, mas também a alteração da ordem social, a começar pela abolição da escravatura. d) a rebelião não era apenas uma manifestação contra a metrópole, mas também uma forma de demonstrar o amadurecimento da consciência colonial. e) autonomia política era a melhor maneira de eliminar as desigualdades sociais e construir uma nação baseada nos princípios do socialismo utópico. (PUCCAMP 2016) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 78 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império República ou monarquia? Esse dilema esteve presente em todo o processo de Independência do Brasil. Mas a monarquia acabou sendo o sistema adotado em terras brasileiras, ao contrário do que ocorreu em outras nações americanas, pois, para essas novas nações surgidas na América espanhola, a república a) promovia uma relativa descentralização do poder, uma vez que o regente deveria ser eleito pelo povo. b) significava um rompimento maior com a metrópole e a fragmentação do antigo império colonial. c) facilitava a manutenção de um vasto território nas mãos dos chefes de Estado e dos proprietários rurais. d) garantia a implantação do princípio da soberania popular e da igualdade de direitos na América. e) atendia o desejo de políticos liberais e conservadores de libertar as províncias do poder metropolitano. (CÁSPER LÍBERO – 2013) A propósito do nascimento da imprensa no Brasil, pode-se afirmar corretamente que ela: a) foi decidida como uma medida pública do governo de D. Pedro I, interessado na criação de instituições nacionais e, portanto brasileiras, diferentes das portuguesas até então existentes. b) corresponde à vinda dos primeiros capitães-donatários no século XVI, que precisavam de meios de impressão para comunicação com o distante governo português metropolitano. c) deveu-se à atividade mineradora iniciada no final do século XVIII, que adensou núcleos urbanos e aumentou a circulação de pessoas e de informações entre as regiões da Colônia. d) tem origem incerta, uma vez que é impossível precisar o contexto histórico no qual ela surgiu. e) relaciona-se à transferência da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, quando teve início a publicação regular de livros, jornais e documentos oficiais. (CÁSPER LÍBERO 2012) “Fora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. (...) Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria da hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia rechonchuda e bonitona”. (Memórias de um sargento de milícias. Manuel Antônio de Almeida). No “tempo do rei”, a afluência de consumidores para a área urbana do Rio de Janeiro foi um dos fatores que caracterizaram as transformações das relações econômicas do Brasil com a Europa. Sobre essa fase de redefinição das relações internacionais do País, é correto afirmar que: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 79 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império a) Ela abre os portos brasileiros para os produtos ingleses por meio do Tratado de Methuen, que em contrapartida garante à Coroa portuguesa o direito de utilização da moderna frota de navios ingleses para o transporte de vinhos e azeites para a Europa, reduzindo o desequilíbrio de sua balança comercial. b) Ela inaugura o desenvolvimento das manufaturas brasileiras – por meio do decreto de elevação do Brasil a integrante do Reino Unido de Portugal e Algarves –, que passaram a concorrer com alguns produtos ingleses e contribuíram para estabelecer o modelo econômico liberal no Brasil. c) Ela testemunha o acordo conhecido como “convenção secreta”, por meio do qual Portugal concedia à Inglaterra vantagens coloniais sobre o comércio com o Brasil que aliviariam a crise militar e econômica gerada pela derrota nas guerras napoleônicas. d) Ela estabelecevantagens comerciais para a Inglaterra por meio dos três “Tratados de 1810”, que previam a fundação do Banco do Brasil, para o controle das relações comerciais e creditícias entre os dois países, além da instalação de indústrias de ferro em Minas Gerais e em São Paulo. e) Ela contribui para amenizar a crise de superprodução inglesa intensificada pelo Bloqueio Continental por meio dos “Tratados Strangford”, que determinam taxas inferiores de importação para mercadorias inglesas e expressam a transição da exploração colonial portuguesa para o domínio econômico inglês. (CÁSPER LÍBERO – 2011) Leia as passagens seguintes de Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antonio de Almeida, e responda à questão abaixo: “A comadre (...) achava melhor metê-lo na Conceição6 a aprender um ofício”. (...) “Esta ideia do côvado e meio fez brecha no espírito do Leonardo: ser soldado era naquele tempo, e ainda hoje talvez, a pior coisa que podia suceder a um homem. (...) Entretanto o zelo da comadre pôs-se em atividade, e poucos dias depois entrou ela muito contente, e veio participar ao Leonardo que lhe tinha achado um excelente arranjo (...); era o arranjo de servidor na ucharia7 real. (...) Empregado da casa real?! oh! Isso não era coisa que se recusasse (...) A proposta da comadre foi aceita sem uma só reflexão contra, de parte de quem quer que fosse.” 6 Conceição: referência à “Fortaleza de Conceição”, assim chamada por situar-se no morro do mesmo nome. Aí fora instalada, em 1735, uma fábrica de armas. 7 Ucharia real: depósito de mantimentos do rei. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 80 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império A respeito do “tempo do rei” (1808-1821), período em que se passa a narrativa, é correto afirmar que: a) A presença da corte portuguesa na cidade do Rio de Janeiro reduziu o número de ocupações nos serviços urbanos e no funcionalismo público para os brasileiros, devido à chegada de grande número de funcionários portugueses. b) Foram abertos os portos para o comércio com as nações amigas, rompendo-se o pacto colonial, e tornou-se legal o estabelecimento de manufaturas no país. c) Fundou-se o primeiro banco brasileiro e inauguraram-se o primeiro museu e a primeira bolsa de valores do país. d) Proibiu-se o tráfico de escravos e estabeleceram-se restrições legais àqueles que se utilizassem de castigos físicos para discipliná-los. e) O ingresso no exército, com funções de baixa patente, era geralmente considerado pelo homem livre despossuído uma das mais promissoras profissões. (UNIRV 2019) Após o fim da União Ibérica, a colonização mais intensiva do Brasil levou ao surgimento de diversas revoltas nas mais variadas localidades da Colônia Brasileira. A respeito das Revoltas Coloniais, assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as alternativas. a) ( ) A categoria de Revoltas Nativistas diz respeito às revoltas protagonizadas por indígenas descontentes com os trabalhos forçados impostos pelos portugueses. A região amazônica do Grão-Pará foi o palco principal desses conflitos coloniais. b) ( ) A revolta de Beckman, ocorrida no Maranhão, opunha-se à exploração e má administração da Companhia Geral do Comércio do Estado do Maranhão. Ela foi suprimida pelo governo português após a troca de governador do estado do Maranhão. c) ( ) A Guerra dos Emboabas foi travada no contexto do início da mineração na região das atuais Minas Gerais. De um lado, encontravam-se os bandeirantes paulistas, lutando pelo controle das minas de ouro; de outro, a tribo dos índios emboabas, nativos da região de minas, que não queriam ceder suas terras aos invasores paulistas. d) ( ) A Guerra dos Mascates foi a primeira grande revolta da rebelde capitania de Pernambuco. Nesse conflito, a cidade de Olinda, antiga capital dos senhores de engenho pernambucanos, combate a nascente capital Recife, fundada por holandeses e que prosperara com o comércio na capitania. A revolta não impediu a mudança de capital para Recife. (UNIRV 2019) Sobre a atuação de D. João VI no Brasil, período chamado por vários historiadores como Brasil colônia, assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as alternativas. a) ( ) Participou das expedições que demarcaram todas as novas fronteiras do norte e oeste do Brasil. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 81 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império b) ( ) Promoveu a vinda de artistas e da Real Biblioteca. c) ( ) Liberou as atividades manufatureiras da colônia. d) ( ) Abriu os portos ao comércio exterior. (PISM 2020) Observe as imagens abaixo: Considerando seu conhecimento sobre os dois movimentos a que se referem as imagens, é CORRETO afirmar que: a) A composição social dos dois movimentos era diferente e, por isso, os dois defendiam o fim da desigualdade de classe e raça. b) Os líderes dos dois movimentos se mantinham afastados do povo, evitando a participação dos pobres, escravos e sendo contrários à escravidão. c) Os negros e ex-escravos mantinham-se na liderança dos dois movimentos, defendendo o fim do pacto colonial e a independência do Brasil. d) A presença dos negros nos dois movimentos foi decisiva para o projeto de resistência social e luta armada contra Portugal e a burguesia brasileira. e) A diferença social entre os dois movimentos foi fundamental para os dois projetos, que se distinguiam, sobretudo, no que se refere à defesa do fim da escravidão. (PISM 2020) A transferência da Corte portuguesa para o Brasil em 1808 abrange um conjunto de transformações únicas que significaram um marco e um “impacto dramático” para a vida cotidiana da cidade do Rio de Janeiro e para todos os súditos que integravam este vasto império. Das alternativas abaixo, marque a alternativa CORRETA: a) A abertura dos portos às nações amigas em 1808 criou disposições legais que prejudicaram o desenvolvimento industrial do Brasil e ainda contribuíram para o fim da escravidão. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 82 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império b) Com a vinda da família real ao Brasil, instituiu-se uma distribuição de propriedades privadas, via sistema de sesmaria, com objetivos de ampliar a doação de terras para os súditos da nova sede da monarquia portuguesa. c) A transferência da Corte para o Rio de Janeiro levou à criação de um conjunto importante de instituições, tais como a Intendência Geral da Polícia e o primeiro banco a funcionar em terras brasileiras, o Banco do Brasil. d) Uma das primeiras medidas da família real ao se instalar no Rio de Janeiro foi abrir espaço para maior participação dos setores populares nas questões políticas do império português. e) Dentre as transformações mais impactantes ocorridas com a chegada da corte em 1808, pode-se mencionar a modernização do Brasil e a abolição da escravidão, prejudicando os cafeicultores e grandes proprietários rurais. (ENCCEJA 2018) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 83 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Disponível em: www.gritodosexcluidos.org. Acesso em: 30 ago. 2014 (adaptado). Realizado anualmente, o ato apresentado no cartaz propõe uma outra forma de celebrar a Independência do Brasil, convidando a população a a) investigar atos de corrupção. b) reivindicar direitos do cidadão. c) acompanhar desfiles patrióticos. d) comemorar conquistas populares. (UEMG 2018) Quanto à vinda da corte portuguesa ao Brasil, assinale a alternativa correta. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 84 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império a) Em janeiro de 1808, Portugal estava prestes a ser invadido pelas tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte. Semcondições militares para enfrentar os franceses, o príncipe regente de Portugal, Dom João, resolveu transferir a corte portuguesa para o Brasil, sua mais importante colônia. Para isso, obteve a ajuda de alguns aliados, apenas franceses, contrários a Napoleão. b) Nos quatorze navios, além da família real, vieram centenas de funcionários, criados, assessores e pessoas ligadas à corte portuguesa. Porém, trouxeram pouco dinheiro, deixando suas obras de arte, livros, bens pessoais, objetos de valor e joias em Portugal, na pressa para vir para o Brasil, fugindo das tropas francesas de Napoleão. c) Uma das principais medidas tomadas por Dom João foi abrir o comércio brasileiro aos países amigos de Portugal. A principal beneficiada com a medida foi a Inglaterra, que passou a ter vantagens comerciais e a dominar o comércio com o Brasil. Os produtos ingleses chegavam ao Brasil com impostos de 15%, enquanto os de outros países chegavam com impostos de 24%. Essa prerrogativa fez com que, no Brasil, chegassem muitos produtos ingleses, por vezes, desnecessários. Tal medida acabou atrasando o desenvolvimento da indústria brasileira. d) Dom João adotou várias medidas econômicas que favoreceram o desenvolvimento brasileiro. Entre as principais, encontram-se: desestímulo ao estabelecimento de indústrias no Brasil em prol das importações, construção de estradas, reforma de portos, criação do Banco do Brasil e instalação da Junta de Comércio. (UEPA 2015) Leia o texto para responder à questão. (...) Sendo, pois chegada a época de ver o Brasil a justiça da sua Causa de acordo com os interesses e as vistas de Inglaterra não cessarei de lembrar a V. Sra. quanto importa aproveitar tão felizes circunstâncias; elas são tão favoráveis que sendo manejadas com aptidão e habilidade de V. Sra. darão em resultado o reconhecimento pronto e formal deste Império pela Inglaterra, sem talvez haver precisão de o fazer dependente de condições algumas; pois bem longe de estarmos agora em circunstâncias de propor e pedir, mui pelo contrário, a própria Inglaterra sentirá por si mesma a necessidade de reconhecer a nossa independência e contrabalançar a influência do Governo [francês], que ora domina os conselhos de Madrid e de Lisboa ...” (Arquivo da Independência, vol. I, p. 56.) A correspondência de Carvalho e Mello, Secretário dos Negócios Estrangeiros do Brasil, em 1824, revela características da diplomacia brasileira no sentido do reconhecimento da independência. No texto, fica evidente o interesse em: a) utilizar o cenário político europeu favoravelmente ao Brasil. b) oferecer a abolição do tráfico negreiro como condição. c) resistir ao pagamento de indenização em dinheiro. d) buscar fazer acordo com Portugal e Espanha. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 85 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império e) participar do jogo de alianças internacionais. (UFPB 2012) A pintura é uma manifestação artística que pode ser utilizada como fonte histórica, reforçando uma versão da história. Nesse sentido, observe o quadro do pintor paraibano Pedro Américo: No campo da historiografia, essa imagem: a) sintetiza o verdadeiro sentimento de toda a nação em relação a Portugal. b) expõe a luta de classes existente no país no período da independência. c) expressa o apoio popular ao processo de autonomia política do Brasil. d) representa uma visão heroica e romanceada da separação política do país. e) mostra a independência como anseio de grupos subalternos. (UEMG 2018) Quanto à vinda da corte portuguesa ao Brasil, assinale a alternativa correta. a) Em janeiro de 1808, Portugal estava prestes a ser invadido pelas tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte. Sem condições militares para enfrentar os franceses, o príncipe regente de Portugal, Dom João, resolveu transferir a corte portuguesa para o Brasil, sua mais importante colônia. Para isso, obteve a ajuda de alguns aliados, apenas franceses, contrários a Napoleão. b) Nos quatorze navios, além da família real, vieram centenas de funcionários, criados, assessores e pessoas ligadas à corte portuguesa. Porém, trouxeram pouco dinheiro, Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 86 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império deixando suas obras de arte, livros, bens pessoais, objetos de valor e joias em Portugal, na pressa para vir para o Brasil, fugindo das tropas francesas de Napoleão. c) Uma das principais medidas tomadas por Dom João foi abrir o comércio brasileiro aos países amigos de Portugal. A principal beneficiada com a medida foi a Inglaterra, que passou a ter vantagens comerciais e a dominar o comércio com o Brasil. Os produtos ingleses chegavam ao Brasil com impostos de 15%, enquanto os de outros países chegavam com impostos de 24%. Essa prerrogativa fez com que, no Brasil, chegassem muitos produtos ingleses, por vezes, desnecessários. Tal medida acabou atrasando o desenvolvimento da indústria brasileira. d) Dom João adotou várias medidas econômicas que favoreceram o desenvolvimento brasileiro. Entre as principais, encontram-se: desestímulo ao estabelecimento de indústrias no Brasil em prol das importações, construção de estradas, reforma de portos, criação do Banco do Brasil e instalação da Junta de Comércio. (ACAFE 2017) O Bloqueio Continental decretado por Napoleão Bonaparte em 1806 tinha por objetivo isolar a Inglaterra dos países europeus e estipulava que os países da Europa e aliados da França não poderiam comercializar com os ingleses. Este evento europeu trouxe consequências para o Brasil, pois ocasionou um evento com profundas transformações políticas e sociais. Assim, assinale a alternativa correta acerca do evento que gerou essas transformações. a) A vinda da Família real portuguesa para o Brasil e o consequente decreto da Abertura dos Portos. b) A transferência da capital, da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro. c) A invasão do território português pelos espanhóis e a anulação do Tratado de Tordesilhas. d) A Revolução do Porto, em 1820, contribuindo com a intensificação do comércio entre franceses e comerciantes luso-brasileiros. (UPF 2016) “O quadro da vida colonial, tanto quanto dele conhecemos através do depoimento dos cronistas e da exposição dos historiadores, apresenta-se à superfície, estável e tranquilo. Não é preciso penetrá-lo a fundo, entretanto, para verificar que se trata de estabilidade e de tranquilidade aparentes. Desde os primeiros tempos, na realidade, há grandes choques de interesses, contrastes de orientação, contradições de toda a ordem.” (SODRÉ, Nelson Werneck. O que se deve ler para conhecer o Brasil. 1976, p. 130) No texto acima, o autor refere-se aos movimentos conspiratórios que ocorreram na colônia brasileira contra a metrópole portuguesa. Considerando essa conjuntura, associe os eventos da coluna 1 com a descrição equivalente na coluna 2. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 87 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 1. Conjuração dos Alfaiates ( ) Confronto entre os donos de engenho, de Olinda, e os comerciantes, em sua maioria portugueses, do Recife. 2.Inconfidência Mineira ( ) Movimento organizado por mulatos e negros, livres ou libertos, ocorrido na Bahia,no contexto da escassez de gêneros alimentícios e carestia. 3.Guerra dos Mascates ( ) Conhecida também como Revolução dos Padres,foi o único movimento que ultrapassou a fase conspiratória e atingiu o processo de tomada do poder em Pernambuco. 4.Revolução Pernambucana ( ) Revolta de caráter emancipatório que teve como principal motivo o estabelecimento da derrama em Minas Gerais. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: a) 1 – 3 – 4 – 2. b)2 – 1 – 3 – 4. c) 3 – 4 – 1 – 2. d) 3 – 1 – 4 – 2. 5. GABARITO 1. D 2. C 3. D 4. E 5. C 6. C 7. A 8. A 9. D 10. E 11. B 12. B 13. C 14. B 15. D 16. D 17. E 18. C 19. A 20. C Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 88 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 21. A 22. D 23. E 24. D 25. E 26. B 27. A 28. E 29. A 30. A 31. A 32. B 33. D 34. C 35. C 36. B 37. B 38. D 39. A 40. D 41. A 42. A 43. A 44. 06 45. 18 46. 17 47. 06 48. 25 49. 29 50. 11 51. 11 52. 11 53. 28 54. 07 55. 026 56. 003 57. 25 58. 20 59. 02 60. A 61. B 62. D 63. C 64. B 65. E 66. E 67. B 68. F-v-f-v 69. F-v-v-v 70. E 71. C 72. B 73. C 74. A 75. D 76. C 77. A 78. D 6. QUESTÕES COMENTADAS (Unicamp 2020) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 89 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império A partir das fontes visuais reproduzidas e de seus conhecimentos, assinale a alternativa correta. a) A única monarquia americana precisou afirmar a figura do governante e sua memória política, recorrendo à imagética da autoridade real francesa do Antigo Regime. Este mecanismo foi enaltecido pela imprensa do liberalismo constitucional. b) Debret usou o quadro de Rigaud como referência visual e preparou retratos em seu estúdio no Rio de Janeiro. Isto era importante, pois a autoridade monárquica joanina assentou-se na liturgia política e no pouco uso da violência. c) O retrato de D. João não foi pintado para ser exposto, embora existisse no Rio de Janeiro da época um circuito expositivo de salões de belas artes, pinacotecas, museus, onde pudesse ser visto. Tais espaços foram renomeados na República. d) O projeto de europeização da corte do Rio de Janeiro e a necessidade de afirmar a autoridade de D. João VI levaram a uma política de fomento à imagética do poder baseada, aqui, na da monarquia francesa Comentários: As obras de Debret e Rigaud, apesar de terem sido produzidas com quase um século de distanciamento, partem de um mesmo código de representação do monarca. Nesse sentido, ficam evidentes o projeto de europeização da corte do Rio de Janeiro e sua necessidade de afirmar a autoridade de D. João VI, sob inspiração do exemplo francês. Com isso, vamos para as alternativas: a) Incorreta. A monarquia não foi enaltecida pela imprensa do liberalismo constitucional. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 90 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império b) Incorreta. A autoridade monárquica joanina utilizou a violência como instrumento de contenção de revoltas populares, como a Revolução Pernambucana de 1817, ou mesmo ações militares na região do Rio do Prata e a Invasão da Guiana Francesa. c) Incorreta. A obra de Debret pressupõe sua visualização e a significação do próprio monarca por parte de seu observador, mas no contexto analisado, em que não havia institucionalmente um "circuito expositivo" das obras de arte. d) Corretíssima, é o nosso gabarito. Gabarito: D (Unicamp 2015) Um elemento importante nos anos de 1820 e 1830 foi o desejo de autonomia literária, tornado mais vivo depois da Independência. (…) O Romantismo apareceu aos poucos como caminho favorável à expressão própria da nação recém-fundada, pois fornecia concepções e modelos que permitiam afirmar o particularismo, e portanto a identidade, em oposição à Metrópole (…). (Antonio Candido, O Romantismo no Brasil. São Paulo: Humanitas, 2004, p. 19.) Tendo em vista o movimento literário mencionado no trecho acima, e seu alcance na história do período, é correto afirmar que a) o nacionalismo foi impulsionado na literatura com a vinda da família real, em 1808, quando houve a introdução da imprensa no Rio de Janeiro e os primeiros livros circularam no país. b) o indianismo ocupou um lugar de destaque na afirmação das identidades locais, expressando um viés decadentista e cético quanto à civilização nos trópicos. c) os autores românticos foram importantes no período por produzirem uma literatura que expressava aspectos da natureza, da história e das sociedades locais. d) a população nativa foi considerada a mais original dentro do Romantismo e, graças à atuação dos literatos, os indígenas passaram a ter direitos políticos que eram vetados aos negros Comentários Esta questão exige um conhecimento interdisciplinar, envolvendo as disciplinas de História e de Literatura. Ela aborda o período do séc. XIX, momento da emergência do romantismo no Brasil. O texto faz referência à Independência, ou seja, 1822, de modo que a expressão “desejo de autonomia literária” reforça o processo de independência. Logo é possível associar literatura e política à ideia de construção da identidade nacional. Nesse sentido, o texto aproxima romantismo e a própria construção da ideia de nação. Esse período é marcado pela valorização de elementos naturais como forma de afirmação de uma particularidade “tipicamente brasileira” – em oposição à História geral de Portugal, da qual o Brasil havia se emancipado na década de 1820. A letra A está errada por afirmar que os primeiros livros circularam no país apenas após a vinda da família real, em 1808. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 91 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império A letra B também está errada porque não contextualiza corretamente as características da construção regionalista, particularista, em oposição à cultura europeia. A C é o nosso gabarito. A D, por fim, também está errada, pois os índios não passaram a ter direito políticos. Gabarito: C (Unicamp 2012) Emboaba: nome indígena que significa “o estrangeiro”, atribuído aos forasteiros pelos paulistas, primeiros povoadores da região das minas. Com a descoberta do ouro em fins do século XVII, milhares de pessoas da colônia e da metrópole vieram para as minas, causando grandes tumultos. Formaram-se duas facções, paulistas e emboabas, que disputavam o governo do território, tentando impor suas próprias leis. (Adaptado de Maria Beatriz Nizza da Silva (coord.), Dicionário da História da Colonização Portuguesa no Brasil. Lisboa: Verbo, 1994, p. 285.) Sobre o período em questão é correto afirmar que: a) As disputas pelo território emboaba colocaram em confronto paulistas e mineiros, que lutaram pela posse e exploração das minas. b) A região das minas foi politicamente convulsionada desde sua formação, em fins do século XVII, o que explica a resistência local aos inconfidentes mineiros. c) A luta dos emboabas ilustra o processo de conquista de fronteiras do império português nas Américas, enquanto na África os portugueses se retiravam definitivamente no século XVIII. d) A monarquia portuguesa administrava territórios distintos e vários sujeitos sociais, muitos deles em disputa entre si, como paulistas e emboabas, ambos súditos da Coroa Comentários Repare que no contexto histórico referido não questão ainda não havia a definição de mineiros, mas sim a definição de paulista e os “não-paulistas”, os emboabas (forasteiros). Dessa forma, a letra A está errada, pois o conflito em questão – nas Minas Gerais – era entra paulistas descobridores do ouro nas Minas Gerais e outros exploradores. Esses forasteiros eram, na maioria, portugueses e nordestinos atraídos pelo enriquecimento proporcionado pela atividade mineradora. O conflito armado que envolveu os paulistas e os emboabas, conhecido como ”Guerra dos Emboabas“, entre 1707 e 1709, teve a mediação das autoridades lusas porque todos esses colonizadores viviam numa área geográfica que estava sob a jurisdição da Coroa. Dessa forma, nosso gabarito e a alternativa D. A C não pode ser a correta, pois os portugueses não se retiraram definitivamente da Áfricano século XVIII. Já a B erra porque, na verdade, os inconfidentes é que ajudaram a estimular as revoltas locais, de forma que eles não sofreram resistências. Gabarito: D Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 92 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império (UNAERP 2019) Até sua indicação para o ministério, com mais de cinquenta anos, Pombal tivera uma carreira relativamente obscura como representante de Portugal na Inglaterra e diplomata na Corte austríaca. Sua obra, realizada ao longo de muitos anos (1750-1777), representou um grande esforço no sentido de tornar mais eficaz a administração portuguesa e introduzir modificações no relacionamento Metrópole-Colônia. A reforma constituiu uma peculiar mistura do velho e do novo [...]. Ela combinava o absolutismo ilustrado com a tentativa de uma aplicação consequente das doutrinas mercantilistas. Essa fórmula geral se concretizou em uma série de medidas. FAUSTO, Boris. História do Brasil. 13ª edição. São Paulo: EDUSP, 2010, p.109-110 (Didática; 1). Adaptado. Entre tais medidas, não podemos incluir a) a cobrança de impostos atrasados sobre a região mineradora, também conhecida como derrama, com o intuito de aumentar rapidamente o ingresso de metais preciosos na metrópole. b) a expulsão dos jesuítas e a instituição do ensino laico, com o intuito de desvincular o ensino dos religiosos e atender as queixas dos fazendeiros, que temiam o poder econômico e social das reduções jesuítas. c) a transferência da capital colonial de Salvador para o Rio de Janeiro, com o intuito de aumentar o controle sobre as riquezas que entravam e saíam do Brasil, especialmente aquelas provenientes da região mineradora. d) o fim das capitanias hereditárias e a criação de Companhias de Comércio, com o intuito de dinamizar a produção agrícola e o comércio entre metrópole e colônia, além de acelerar o processo de ocupação do interior do Brasil. e) o estímulo à produção de fumo na região sul do Brasil, com o intuito de descentralizar sua produção, até então concentrada na região sudeste, e assim melhor abastecer o nordeste brasileiro, maior consumidor interno do produto, e também o mercado europeu Comentários Vamos começar pelo básico: tempo, espaço e tema. No texto, é evidente que o tema é o período pombalino, insto é, o tempo em que o Marquês de Pombal foi ministro do rei José I, entre 1750 e 1777. Como Boris Fausto deixa claro no trecho, esse período é marcado por uma série de reformas no funcionamento do Estado português, tanto na metrópole como na colônia, inclusive renovando os termos das relações entre ambas. É importante lembrar que estamos no século XVIII, também chamado pelos contemporâneos e pelos historiadores de século das luzes devido ser nele que se dá o apogeu das ideias iluministas. Estas influenciaram até mesmo o absolutismo, apesar de ser um dos principais alvos de sua crítica. Alguns monarcas absolutistas souberam cooptar pensadores e estadistas iluministas para aprimorar o funcionamento de seus próprios Estados. Tratava-se da prática do despotismo esclarecido, o que o autor chamou de “absolutismo Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 93 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império ilustrado”. Essa prática política combinava fatores convenientes do racionalismo e da laicidade do Estado para melhorar a administração do governo e o aumentar o poder do próprio monarca. A necessidade dessas reformas se explica pelo contexto pelo qual passava o império português. No século XVIII, os principais produtos das colônias portuguesas enfrentam grande concorrência internacional, pois Inglaterra, França, Holanda e Espanha também possuíam colônias produtoras de açúcar. Por outro lado, por volta de meados desse século, as reservas naturais de ouro em Minas Gerais já davam sinais de estarem chegando ao seu limite. Além disso, revoltas populares e da elite colonial ocorriam de tempos em tempos. Sobretudo contra impostos e questões comerciais. Lentamente, as ideias liberais iam se “esgueirando” para dentro das colônias e servindo de faísca para que movimentos contestatórios se formassem. Sabendo do contexto, vejamos qual alternativa não está correta em apontar uma ou mais medidas aplicadas por Pombal. a) Correta! Diante da necessidade de manter as receitas da corte portuguesa, em 1765, a Coroa mandou aplicar a derrama, isto é, a cobrança de todos os impostos atrasados! Assim, os funcionários da Intendência podiam expropriar tudo o que o minerador tinha até chegar ao valor de 100 arroubas de ouro. Foi com Pombal que a Coroa aumentou a fiscalização sobre a exploração de ouro e cobrança de impostos nas regiões auríferas. Ou seja, a origem da derrama, no fundo, no fundo, está relacionada à administração do Marques de Pombal à frente do cargo de Primeiro Ministro português. b) Correta! Havia muitos problemas envolvendo os jesuítas. Eles eram contra a escravidão indígena, mais acessível aos exploradores das áreas de maior difícil acesso para os europeus, como a região Norte e Centro-Oeste do Brasil. Além disso, muitos aldeamentos jesuítas eram verdadeiras plantations que conseguiam competir com outros fazendeiros no ramo de exportação de gêneros agrícolas. No entanto, religiosos, suas propriedades e negócios eram isentos de impostos no Império Português, logo tinham grande vantagem em relação aos demais fazendeiros ao mesmo tempo que isso significava menor receita para a Coroa, já que estava deixando de ganhar a grande quantia de tributos que seria cobrada sobre eles. Pombal já tinha suas próprias discordâncias com a Igreja, em relação à educação, pois acreditava no ensino laico como bom iluminista que era. Com isso, ele decretou a expulsão dos jesuítas dos territórios portugueses e tornou o ensino laico, em 1759. c) Correta! Como disse no comentário. Em meados do século XVIII, a quantidade de metais preciosos na região das Minas Gerais não era a mesma do começo do mesmo. A Coroa já havia tentado diversas formas de aumentar o controle sobre a circulação, tributação e exportação de ouro como a criação de impostos e instituições reguladoras. Porém, com devido a finitude natural das reservas minerais se aproximando devido à exploração intensiva era necessário criar novas estratégias para diminuir o contrabando e garantir que parte considerável desse ouro fosse parar nos cofres da Coroa. Quando Pombal assumiu o ministério, em 1750, a capital da colônia era Salvador devido à sua proximidade geográfica com a metrópole e o fato do Nordeste ser a região mais lucrativa do Brasil graças ao sucesso da produção de açúcar. Contudo, ao longo do século XVIII as atenções se voltaram para o Sudeste, mais especificamente Minas Gerais, pois a extração de ouro oferecia um Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 94 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império enriquecimento maior e mais garantido em menor prazo. Assim, em 1763, a capital foi transferida para o Rio de Janeiro, um porto bem mais próximo da região mineradora e por onde o ouro já estava sendo exportado. d) Correta! A extinção das capitânias hereditárias em 1759 fez parte de uma reforma mais ampla na administração colonial, fundamental para reforçar o poder da Coroa e a arrecadação de impostos na região. A eficácia das medidas econômicas e políticas determinadas pela Metrópole não dependia apenas da “vontade” do rei e de seus enviados para administrar a colônia. Lembra que os capitães donatários eram nobres ou burgueses portugueses mais alinhados à Coroa? Pois é! Extinguindo o caráter hereditário desse posto e abrindo-o à concorrência das elites coloniais se garantia a adesão delas à administração. Como vimos no caso das colônias espanholas, o descontentamento das elites coloniais por serem excluídas dos cargos administrativos podia gerar sentimentos separatistas e deviaser evitado. Por outro lado, a criação de Companhias do Comércio, como a do Grão-Pará Maranhão (1755) e a de Pernambuco Paraíba (1759) tinham o objetivo de reduzir o contrabando realizado na América portuguesa. Essas companhias ganharam o monopólio sobre a exportação e importação de produtos nessas regiões. Assim, paliava-se o controle sobre a produção e circulação de mercadoria na região. e) Incorreta. Pombal não incentivou a produção de fumo no sul do Brasil. Além disso, essa produção estava mais concentrada na região Nordeste, não Sudeste. Gabarito: E (UNAERP 2018) “‘Animai‐vos, povo, que está para chegar o tempo feliz da liberdade. O tempo em que todos seremos irmãos, o tempo em que todos seremos iguais’. Afixadas nas ruas da cidade na manhã de 12 de agosto de 1798, estas palavras, como as de outros dez boletins manuscritos, anunciavam uma revolta com características inéditas no Brasil até então. Contudo, após duas devassas, a violenta repressão trouxe consigo as execuções. A cabeça de Lucas Dantas foi degolada, assim como as dos outros três, e depois espetada em um poste no Dique do Desterro. Os outros pedaços foram expostos no caminho do Largo de São Francisco, onde Lucas Dantas residiu. Em frente ao mesmo local, foi colocada a cabeça de Manuel Faustino dos Santos Lira, por ser ele frequentador assíduo daquela residência e por não ter endereço fixo. A cabeça de João de Deus foi exposta na rua Direita do Palácio, atual rua Chile; suas pernas, os braços e o tronco foram espalhados pelas ruas do Comércio, local de grande movimento da Cidade Baixa. No patíbulo ficaram espetadas as cabeças e as mãos de Luiz Gonzaga das Virgens, por ter sido considerado pelas autoridades régias o responsável pelos pasquins que anunciaram à população a ‘projectada revolução’. Após um período de exposição, os despojos foram recolhidos pelas autoridades e enterrados em local até hoje desconhecido”. VALIM, Patrícia. Da contestação à conversão: a punição exemplar dos réus de 1798. Topoi (Rio de Janeiro), v. 10, n. 18, p. 14-23, 2009. Adaptado. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 95 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império O movimento descrito ficou conhecido como a) Revolta de Beckman. b) Guerra dos Mascates. c) Revolta dos Alfaiates. d) Inconfidência Mineira. e) Revolução Pernambucana. Comentários Vejamos, no texto é mencionada uma data: 12 de agosto de 1798. Portanto, estamos no período colonial. Nessa data, foram espalhados pela tal cidade incitando o povo à uma revolta. Portanto é tema são as revoltas coloniais. Para identificar o espaço, isto é, a cidade na qual se passou os acontecimentos narrados, podemos encontrar uma pista no texto. Quase no final, é mencionado que as pernas e braços de João de Deus foram espalhados pela rua do Comércio, na Cidade Baixa. Ora, apenas uma cidade é dividida em Cidade Alta e Cidade Baixa no Brasil desde os tempos coloniais: Salvador. Entre as revoltas listadas pelas alternativas, a única que ocorreu lá naquele ano foi a Revolta dos Alfaiates, também chamada de Conjuração Baiana. Esse levante se deu em um contexto de crise da economia açucareira devido à concorrência internacional e de outras partes da colônia no ramo de exportação. Ao mesmo tempo, as ideias iluministas circulavam pela região proporcionando que tanto as elites coloniais quanto os trabalhadores livres e cativos enxergassem a ruptura com a metrópole como uma oportunidade para melhorar seus negócios e sua vida de modo geral. Também as notícias sobre a independência do Haiti repercutiam, especialmente entre os escravizados, uma vez que aquele movimento na ex-colônia francesa foi liderado por cativos. Podemos começar a história da Conjuração Baiana pela fundação da Academia dos Renascidos, um grupo de intelectuais da elite baiana que criticava o pacto colonial. Contudo, conforme as críticas à metrópole ganharam voz em meio ao povo, esses intelectuais foram se afastando de qualquer ideia relacionada a possibilidade de um levante. Porém, já era tarde. Em agosto do ano seguinte, como vimos, cartazes e panfletos começaram a circular pela cidade incitando à luta. À frente do movimento, a maioria eram libertos e escravizados que trabalhavam como alfaiates, por isso o episódio também ficou conhecido como Revolta dos Alfaiates. Contudo, a repressão foi rápida e espetacular, como o texto narra. É importante ressaltar que entre os objetivos dos revoltosos era a independência de Portugal para a capitânia da Bahia e o fim da escravidão. Portanto a alternativa correta é a letra “c”. Quanto às demais: a) A Revolta de Beckman ocorreu em 1684, no Maranhão. Na ocasião, os colonos se revoltaram contra as companhias de comércio e os jesuítas. As companhias monopolizavam a exportação da produção realizada pelos colonos, cobrando altas taxas e juros nas atividades econômicas e financeiras. Por seu turno, os jesuítas militavam contra a escravidão indígena, mais acessível e muito mais frequente naquela região devido aos altos preços dos escravizados africanos resultantes da distância entre os portos do Norte e a costa africana. Os irmãos Thomas e Manuel Beckman eram as lideranças dos colonos e por isso a revolta leva seu nome. O primeiro foi preso e o Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 96 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império segundo executado, contudo parte das reivindicações foram atendidas, como a extinção da Companhia de Comércio, em 1685. Vale destacar que o objetivo dos revoltosos não era declarar a independência da região, muito menos de toda colônia. A revolta não foi contra a Coroa portuguesa, mas era resultado de um conflito entre grupos diferentes que, no entanto, consideravam a si mesmos como os verdadeiros súditos do rei e emissários da justiça. b) A Guerra dos Mascates se deu entre 1710 e 1711, na região de Olinda e Recife, em Pernambuco. Tratou-se de um conflito armado entre a elite olindense (agroexportadora) e a elite recifense (comerciantes). Toda a produção açucareira de Olinda era exportada por Recife, o que tornava este porto um local importante na economia pernambucana. Além disso, era um ponto de passagem de navios que viajavam entre Portugal, Brasil e África. Devido a esses fatores, os recifenses reivindicavam se separar administrativamente de Olinda. Eles são atendidos pela Coroa e em 1709 Recife é elevada à categoria de vila, com Câmara Municipal própria. Então, no ano seguinte, os olindenses atacam Recife. A metrópole envia tropas para pôr fim ao conflito, em 1711. Três anos depois, um novo acordo é firmado garantindo a elevação de Recife não só como vila, mas também como capital de Pernambuco. Nesse episódio, assim como na Revolta de Beckman, o objetivo não era a independência, mas sim um grupo de colonos vencer outro. d) A Inconfidência Mineira ocorreu em 1789, em Minas Gerais. Naquele momento, a extração aurífera estava em declínio, mas a Coroa continuava aumentando e criando novos impostos para garantir sua parte nos lucros proporcionados por aquela atividade econômica. No entanto, como no caso baiano, a influência das ideias iluministas já fazia alguns sujeitos das elites mineiras acreditarem que tinham o direito à liberdade econômica e independência política. Boa parte da organização da inconfidência se deu por meio de reuniões secretas, contudo, em março daquele ano, o coronel Joaquim Silvério dos Reis traiu o movimento e denunciou os planos da revolta às autoridades. Todos os envolvidos foram presos. Porém, apenas um foi executado, em 1792: Joaquim José da Silva Xavier, o famoso Tiradentes. Curiosamente, mesmo exigindo a independência, os inconfidentes não queriam o fim da escravidão, pois muitos deles eram senhores de escravos e dependiam disso para tocar seus negócios. e) A Revolução Pernambucana se deu em 1817. Contou com a participação de padres e das camadasmais populares da sociedade local. Entre as motivações dessa revolta estavam a situação de miséria e trabalho precário que a maioria da população de encontrava e o aumento de impostos promovido pela Coroa portuguesa para sustentar o luxo da corte e a implantação das novas instituições necessárias com sua transferência para o Rio de Janeiro. O objetivo dos revolucionários era se emancipar tanto de Portugal quanto do Brasil e fundar uma república. Eles conseguiram derrubar o governador, prendê-lo e proclamar a República de Pernambuco, que durou 75 dias. Entre suas medidas iniciais podemos citar a extinção dos impostos, a elaboração de uma constituição, a liberdade religiosa e de imprensa. Contudo, a abolição da escravidão Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 97 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império ainda seria estudada. A nova república foi derrubada pelas tropas reais e seus líderes foram presos e executados. Gabarito: C (UEL – 2007) A transferência da Corte de D. João VI para a colônia portuguesa teve apoio do governo britânico, uma vez que: a) Portugal negociou o domínio luso na Península Ibérica com a Inglaterra, em troca de proteção estratégica e bélica na longa viagem marítima ao Brasil. b) Em meio à crescente Revolução Industrial, os negociantes ingleses precisavam expandir seus mercados rumo às Américas, já que o europeu era insuficiente. c) O bloqueio continental imposto por Napoleão fechou o comércio inglês com o continente europeu; a instalação do governo luso no Brasil propiciou a retomada dos negócios lusoanglicanos. d) O exército napoleônico invadiu Portugal visando a instituir o regime democrático republicano de paz e comércio, em franca oposição ao expansionismo da monarquia britânica. e) Os ingleses pretendiam consolidar novos mercados na América Portuguesa, tendo em vista antigas afinidades socioculturais com os ibéricos. Comentários: A Corte Portuguesa veio para o Brasil em razão da invasão napoleônica em Portugal. Conforme estudamos na aula, em 1806 Napoleão Bonaparte – então Imperador da França – decretou um bloqueio continental contra a Inglaterra durante sua política expansionista. Isso significava que nenhum país europeu deveria comercializar com a Inglaterra. A regra era bem simples: quem desrespeitasse o decreto seria invadido pelas tropas napoleônicas. Portugal postergou a adesão ao bloqueio pois a Inglaterra era uma aliada econômica. Em certo momento não tinha mais conversa, a monarquia portuguesa precisava tomar uma decisão. Então, Portugal recorreu a um antigo plano que a Coroa sempre manteve para casos de crise: transferir-se para sua mais produtiva colônia, o Brasil! Assim aproveitando de sua relação com a Inglaterra, a monarquia britânica garantiu a proteção e o embarque da família real e de toda a Corte portuguesa para o Brasil, em 27 de novembro de 1807. Essa transferência foi benéfica para os dois lados pois D. João VI manteve o reino luso, a coroa na cabeça e a posse da colônia. A Inglaterra, por sua vez, pode retomar os negócios lusoanglicanos por meio dos portos brasileiros. Com isso, sabemos que a alternativa correta é letra c). Gabarito: C (UEL – 1999) "A falta de consistência ideológica não invalida o significado (...) do movimento. Era um sintoma da desagregação do Império português da América. A Coroa portuguesa bem o sentiu e tentou, por um castigo exemplar (1792), deter a marcha do processamento histórico Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 98 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império e impedir, pelo terror, que seus domínios seguissem o exemplo da América inglesa. Refletia, por outro lado, os impulsos de um povo que tomava consciência de sua realidade, suas particularidades e suas possibilidades. Esse sentido foi nacionalista." O texto descreve uma realidade que pode ser associada à: a) Inconfidência Mineira. b) Guerra dos Farrapos. c) Revolta dos Alfaiates, d) Revolução Pernambucana, e) Confederação do Equador, Comentários: A questão aborda um movimento ocorrido no fim do século XVII com caráter nacionalista. Além disso, diz no texto que ocorreu um “castigo exemplar” relacionado ao conflito em 1792. Bom, estamos falando da Conjuração Mineira (também chamada de Inconfidência Mineira), um dos movimentos mais significativos no processo de emancipação política do Brasil. Conforme estudamos, a Conjuração Mineira foi uma revolta anticolonial, de caráter elitista e republicana. Provavelmente, foi o primeiro movimento colonial a receber influência direta dos ideais iluministas. Ela ocorreu na década de 1780, sua expressão mais “concreta”, ou seja, a eclosão da rebelião, estava marcada para o dia da derrama em fevereiro de 1789, no entanto, uma denúncia acabou com os planos e fez com que o governo prendesse os líderes. Tiradentes (o único líder que assumiu integralmente a responsabilidade pela revolta) foi condenado a morte. Em 21 de Abril de 1792, no Campo de São Domingos, no Rio de Janeiro, ele foi enforcado e teve seu corpo esquartejado e seus membros distribuídos pelas cidades onde estivera buscando apoio. Tudo isso a fim de evitar novas rebeliões e intimidar possíveis conspirações. Bom, depois de tudo isso, sabemos que a alternativa correta é letra a). Vamos relembrar rapidinho em que ano e onde aconteceram os outros movimentos mencionados nas alternativas: Guerra dos Farrapos: 1835 – 1845, Rio Grande do Sul. Revolta dos Alfaiates: 1798 – 1799, Bahia. Revolução Pernambucana: 1817, Pernambuco. Confederação do Equador: 1824, Pernambuco. Gabarito: A (UEL – 2001) A família real e sua corte chegaram ao Brasil em 1808, trazendo a dependência econômica e dívidas com a Inglaterra. A “abertura dos portos a todas as nações amigas” significou o comércio irrestrito dos produtos vindos de Manchester, Londres e Liverpool para o Brasil. Com relação à transferência da corte de D. João, é correto afirmar: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 99 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império a) Instalou no Brasil a estrutura do Estado português, reforçando a autonomia e unidade da colônia. b) Reforçou a dependência econômica do Brasil em relação a Portugal. c) Resultou na abertura dos portos brasileiros à França, o que extinguiu os privilégios do monopólio comercial português sobre o Brasil. d) Introduziu o liberalismo econômico e político, apoiando as rebeliões dos colonos. e) Deveu-se à adesão de Portugal ao Bloqueio Continental. Comentários: A transferência da corte para o Brasil ocorreu em razão da invasão napoleônica em Portugal. Importante lembrar que essa “fuga” contou com o apoio da Inglaterra, alvo do bloqueio continental decretado por Napoleão em 1806. Ao chegar em terras brasileiras, em 1808, D. João VI tomou uma série de medidas em diferentes âmbitos na tentativa de “montar um país”, já que as principais decisões do Império agora eram feitas na colônia. Para tanto, criou o Banco do Brasil, a Imprensa Régia, a Academia de Belas Artes, instalou órgãos da Justiça, nomeou ministros de Estado, etc. Além disso, decretou o Fim do Pacto Colonial (isso ficou conhecido como “Abertura dos Portos às nações amigas”) e a extinção do Alvará de 1785, que até então limitava a instalação de manufaturas no Brasil. Com isso, vejamos as alternativas: a) Correta. Conforme discutimos, por meio de suas criações e decretos, D. João VI criou a estrutura do Estado Português na colônia, o que garantiu autonomia e unidade ao Brasil. b) Incorreta. Ocorreu justamente o contrário: o Brasil viu que não precisava mais ser dependente de Portugal. c) Incorreta. A abertura dos portos foi feita às nações amigas, França não se encaixava muito bem nessa categoria visto que a invasão de suas tropas em Portugal foi o motivo que trouxe a Corte para terras brasileiras. d) Incorreta.As rebeliões foram duramente reprimidas tendo em vista que D. João VI queria garantir sua monarquia. e) Incorreta. Como vimos, ele veio porque não aderiu ao Bloqueio Continental e precisou fugir para o Brasil Gabarito: A (UNITAU 2013) Analise as afirmações abaixo sobre a Guerra dos Emboabas: I. A concentração populacional na região das Minas Gerais não tardou a provocar tensões sociais. Os paulistas opunham-se aos demais forasteiros que chegavam à região, pois eram os pioneiros e porque a zona do ouro fazia parte da Capitania de São Vicente. II. Os paulistas eram conhecidos como emboabas, palavra de origem tupi que servia para designar os que haviam nascido na região. O principal chefe dos emboabas foi Manuel de Borba Gato. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 100 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império III. Em 1709, ocorreu uma sangrenta matança de diversos emboabas, no chamado Capão da Traição, por um exército paulista de mil homens, comandados por Bento do Amaral Coutinho. IV. Manuel de Borba Gato (intendente das minas) chefiou os paulistas, e Manuel Nunes Viana, os emboabas. V. Procurando acabar com o conflito, a Coroa portuguesa interveio na região e passou a exercer austero controle econômico das minas. Em julho de 1711, D. João V elevou São Paulo à categoria de cidade, separando-a administrativamente da região das minas. Assinale a alternativa que apresenta afirmativas CORRETAS: a)I, II e III. b)I, II e IV. c)I, III e V. d)I, IV e V. e)II, III e IV. Comentários Logo na primeira frase da questão podemos identificar facilmente o tema: revoltas coloniais, mais especificamente a Guerra dos Emboabas, ocorrida entre 1708 e 1709 em Minas Gerais. Essa foi a primeira revolta cujo embate está relacionado com a questão aurífera. Sabemos que foram os bandeirantes paulistas que descobriram ouro. Até que a Coroa organizasse a exploração, os paulistas acreditavam que eles eram os legítimos exploradores da área. Todavia, a notícia se espalhou como pólvora e a região encheu de gente, ou forasteiros – ou emboabas, na língua tupi- guarani utilizada pelos bandeirantes. Assim, o bandeirante Borba Gato liderou uma revolta contra os emboabas e disputaram o direito de lavrar os rios e cursos d’água. Amador Bueno da Veiga, outro importante bandeirante, saiu de São Paulo e foi para a região da batalha em apoio aos companheiros, saindo-se vencedor de uma das mais terríveis batalhas. Deste triste e sangrento episódio, em Tiradentes/São João Del Rey o rio onde aconteceu parte das batalhas ficou conhecido como Rio das Mortes. Em 1709, a Coroa mandou uma força pacificadora, pois não tinha a intenção de se indispor com nenhum dos lados. No entanto, no desfecho do conflito ficou claro que a Coroa deu preferência e privilégios para outros grupos que não os paulistas, sobretudo, para os portugueses. Isso ficou marcado na relação dos paulistas com a Coroa. Além disso, esse momento “pacificador” serviu para que Portugal instalasse as autoridades e órgãos metropolitanos na região. Perceba que essa revolta não teve caráter de ruptura com a Coroa, apenas foi o desdobramento de questão econômica pontual e da rivalidade entre dois grupos de colonos. Com isso em mente, vejamos as alternativas: I. Verdadeira! Como eu disse no comentário, os paulistas se achavam os legítimos exploradores da região das Minas, pois tinham sido eles que descobriram as jazidas de ouro por lá. Além disso, aquele território pertencia à Capitânia de São Vicente, em teoria. Tanto é que, com a pacificação da região e a instalação das instituições e Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 101 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império autoridades metropolitanas, Portugal garantiu a permanência dos forasteiros, mas incorporou oficialmente Minas Gerais à São Paulo, criando a capitânia de São Paulo e Minas de Ouro. II. Falsa. Na verdade, os paulistas chamavam de emboabas todos aqueles que não eram paulistas e chegavam às Minas para extrair ouro. III. Falsa. A batalha no Capão da Traição resultou na matança de um bom número de paulistas pelos emboabas, liderados por Bento Amaral Coutinho. IV. Verdadeira! Manuel Borba Gato era um bandeirante paulista e foi um dos primeiros a encontrar ouro em Minas Gerais, mais especificamente no Rio das Velhas. Durante a Guerra dos Emboabas colocou a população do arraial do rio das Velhas (atual Sabará) contra o forasteiro Manuel Nunes Viana. Inclusive, Borba Gato fixou um bando (documento afixado para a população saber das resoluções oficiais) exigindo a retirada de Nunes Viana do arraial. O desentendimento entre os dois foi o estopim, entre outros fatores, à guerra que confrontaria bandeirantes e recém-chegados nas Minas Gerais. V. O gabarito informa que essa alternativa é verdadeira, mas há um erro nela. De fato, como eu disse antes, Portugal garantiu a permanência dos forasteiros, mas incorporou oficialmente Minas Gerais à São Paulo, criando a capitânia de São Paulo e Minas de Ouro. A elevação da vila de São Paulo a categoria de cidade não interferia nisso. Minas Gerais só se tornou uma capitânia separada em 1720. O gabarito seria a letra “d”, mas como consta esse erro na afirmação V, em um vestibular oficial caberia entrar com recurso para anular essa questão. Gabarito: D (UNITAU 2017) Sobre a transferência da Corte de D. João VI para o Brasil, o historiador Kenneth Maxwell afirma: “Novas instituições foram criadas pela coroa portuguesa, e a maioria delas foi estabelecida no Rio de Janeiro, que, assim, assumiu um papel centralizador dentro de uma América portuguesa que antes era muito fragmentada no sentido administrativo. Houve resistência a isso, principalmente em Pernambuco, em 1817. Mas, no final, o poder central foi mantido”. Kenneth Maxwell, Folha de São Paulo, 25/11/2007 Dentre as medidas adotadas para se conseguir a centralização e o fortalecimento do Estado no Brasil joanino, é CORRETO citar: a) A fundação do Banco do Brasil, criado por alvará, em 12 de novembro de 1808, iniciando suas atividades no ano seguinte. b) O alvará de 1808, que autorizava a instalação de fábricas e manufaturas no Brasil, buscando promover a "riqueza nacional" e melhorar, consequentemente, a agricultura. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 102 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império c) A promulgação da primeira Constituição do Brasil, que reforçava o poder do imperador e reduzia a autonomia das províncias, o que levou à Insurreição Pernambucana. d) A introdução de diferentes hábitos culturais e a criação da Imprensa Régia, da Biblioteca Real (Biblioteca Nacional) e da Real Academia de Belas Artes (Museu Nacional de Belas Artes). e) A criação do Erário Régio e do Conselho da Fazenda, responsáveis por arrecadar todos os impostos – que até então eram enviados a Lisboa – e enviá-los ao Rio de Janeiro. Comentários A questão fala da transferência da Corte portuguesa para o Brasil (espaço), portanto o tema é período joanino e o tempo demarcado é entre 1808 e 1821. Como vimos em aula, a Corte portuguesa foi transferida para a colônia, porque fugia da invasão das tropas de Napoleão Bonaparte. Este havia imposto sobre o território europeu o Bloqueio Continental (1806) para impedir que a Inglaterra conseguisse comercializar com o continente. Entretanto, D. João enrolou o máximo que pôde para declarar sua adesão à medida até que Bonaparte enviou suas tropas para conquistar Portugal. Em 1807, a Corte conseguiu fugir escoltada pela marinha inglesa antes delas chegarem. Uma vez no Brasil, era necessário fazer uma série de reformas no funcionamento do Estado, da economia e da cultura para que aqui pudesse funcionar como capital do Império português enquanto o reino estava ocupado pelos franceses. Por exemplo, a primeira coisaque ele fez ao chegar na colônia foi a abertura dos portos. Em outras palavras, pôs fim ao pacto colonial permitindo que o Brasil comercializasse diretamente com outras nações sem o intermédio de Portugal. Por outro lado, como o autor do texto informa, havia também o interesse em centralizar o poder sobre um vasto território cujas regiões até então eram fragmentadas. Naturalmente, as elites mais próximas do local onde a Corte foi instalada – o Rio de Janeiro – foram as mais beneficiadas com cargos e privilégios importante na burocracia estatal. Isso definitivamente deixou as elites de regiões mais distantes descontentes. Principalmente, dos lugares que um dia foram o motor da economia colonial, como Pernambuco, citada no texto e que já havia sido um dos principais produtores de açúcar do Brasil. Considerando esse contexto, repare que o enfoque da questão são as medidas adotadas por D. João. Então, vejamos as alternativas: Errada. As informações citadas na alternativa estão corretas, contudo, a criação do Banco do Brasil teve mais a ver com a economia e garantir a viabilidade de capitalização de recursos para investir no território, não com o fortalecimento do Estado. A criação do banco permitiu a confecção de um papel-moeda oficial e a regulamentação de suas emissões. Errada. Na verdade, sobre a instalação de fábricas e manufaturas em território brasileiro não houve um novo alvará, mas sim a extinção de um que já existia: o Alvará de 1785, que limitava a instalação desses estabelecimentos na colônia. Errada. Durante o período joanino o Brasil não era independente, mas foi elevado à categoria de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Em outras palavras era uma extensão da metrópole, portanto o que valia lá, valia aqui. Mais que isso, D. João VI tinha a intenção de tornar o território brasileiro o novo centro da administração do Império português, mas foi Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 103 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império forçado a retornar para Portugal, 1821. Com a intensificação dos conflitos entre brasileiros e portugueses, seu filho, D. Pedro, liderou o movimento de independência brasileira em 1822. Só então se iniciou os preparativos para se discutir a confecção da primeira Constituição do Brasil, que foi promulgada em 1824. Errada. Assim como a letra “a”, essas informações estão corretas, contudo, não estava diretamente relacionada ao fortalecimento do Estado e a centralização do poder. Seus objetivos estavam mais ligados à vida cultural, isto é, em tornar o Brasil “mais civilizado”, ou melhor, mais parecido com a Europa em termos culturais para que a Corte portuguesa pudesse continuar vivendo e se entretendo como fazia em Lisboa. Certa! O Erário Régio, também chamado de Real Erário, Real Fazenda, Tesouro Público ou Tesouro Geral, foi criado no Brasil pelo decreto de 11 de março de 1808, com a nomeação de seu presidente, d. Fernando José de Portugal, que exerceu o cargo junto aos de ministro e secretário de Estado dos Negócios do Brasil e de ministro assistente do despacho do Real Gabinete. Meses depois, o alvará de 28 de junho determinou novamente o estabelecimento do órgão, definindo maiores detalhes sobre seu funcionamento e decretando que por meio dele, em conjunto com o Conselho da Fazenda (estabelecido pelo alvará de 28 de junho de 1808), fossem expedidos todos os negócios pertencentes à arrecadação, distribuição e administração da Fazenda Real do continente e domínios ultramarinos. Gabarito: E (IFPE 2019) Leia o TEXTO para responder à questão. TEXTO Esta prova de História é uma homenagem ao Museu Nacional, instituição bicentenária que, em setembro de 2018, teve 90% do seu acervo em exposição destruído por um incêndio de grandes proporções. Localizado no Rio de Janeiro, é o museu mais antigo do Brasil e possuía o maior conjunto de história natural da América Latina. O Museu Nacional, enquanto espaço de preservação da memória, salvaguardava vestígios materiais do passado, muitas vezes, exemplares únicos de culturas que já não existem no presente. Enquanto espaço de pesquisa, fornecia fontes de estudo para diversas áreas do conhecimento como paleontologia, antropologia, geologia, zoologia e arqueologia. Fruto do desprezo dos poderes públicos, este incêndio não foi um caso isolado no país; de 2005 até o presente, outras seis instituições museológicas, entre elas o Museu da Língua Portuguesa e o Memorial da América Latina, sofreram desastres semelhantes. Para que as lembranças da tragédia não sejam apenas as imagens do fogo, mas também de toda mobilização, conscientização e corrente coletiva deflagradas pelas chamas, nesta prova de História, iremos resgatar a memória do Museu Nacional, contar sua história e viajar pelas peças que algum dia foram expostas em seus pavimentos. Desse modo, pretendemos que ele permaneça vivo em nossas mentes e, por que não dizer, em nossos corações. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 104 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Fundado em 1818, por D. João VI, o Museu Nacional insere-se no contexto de criação de instituições científico-culturais após a vinda da família real para a colônia, em 1808. A escolha de deixar Portugal e instalar a sede do governo no Rio de Janeiro foi motivada pela geopolítica europeia do início do século XIX. Entre os conflitos listados nas alternativas abaixo, assinale o único que teve interferência na transferência da corte portuguesa para o Brasil. a) Guerra dos Cem Anos, conflito armado entre França e Inglaterra que se estendeu por 116 anos e teve como uma de suas causas as pretensões inglesas sobre o trono francês. b) Guerras Napoleônicas, marcadas pelo expansionismo bonapartista, que opunham, de um lado, a França e, de outro, coligações formadas por Inglaterra, Áustria, Prússia e Rússia. c) Disputas de impérios europeus que desejavam ampliar seus domínios coloniais, em busca de matérias-primas e mercados consumidores, nos continentes africano e asiático. d) Conflitos religiosos motivados pela reforma protestante, que colocaram em disputa os países católicos ligados ao Vaticano contra os defensores da nova fé. e) União das Coroas Ibéricas, período em que Portugal esteve sob o controle da Espanha e que, por consequência, foi arrastado para um conflito contra os holandeses. Comentários Essa questão fez parte de uma prova temática do IFPE no ano da tragédia que assolou o Museu Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o museu foi incendiado devido à precariedade de suas estruturas físicas a muitos anos negligenciadas pelo poder público. Por isso, os elaboradores da prova decidiram elaborar questões temáticas que envolvessem a história dessa instituição de modo a destacar sua importância para o público. Quanto a questão especificamente, repare que o enunciado está perguntando sobre a própria origem do museu, fundado em 1818 por D. João VI, após ele e toda a Corte portuguesa terem se deslocado para o Brasil em 1808, em função dos conflitos entre as nações europeias. Assim, já sabemos o tempo, o espaço e o tema da nossa questão. Uma vez no Brasil, era necessário fazer uma série de reformas no funcionamento do Estado, da economia e da cultura para que aqui pudesse funcionar como capital do Império português enquanto o reino estava ocupado pelos franceses. Por exemplo, a primeira coisa que ele fez ao chegar na colônia foi a abertura dos portos. Em outras palavras, pôs fim ao pacto colonial permitindo que o Brasil comercializasse diretamente com outras nações sem o intermédio de Portugal. O Governo de Dom João também implantou uma série de instituições de caráter cultural que são importantes até hoje: o Jardim Botânico, duas escolas de medicina, a imprensa régia, o próprio Museu Nacional, a Biblioteca Real, entre outras. Com isso mente, atente-se para o que o enunciadopede: assinalar o conflito europeia que provocou a transferência da Corte portuguesa para o Brasil. a) Incorreta. A Guerra dos Cem Anos ocorreu entre 1337 e 1453, portanto, séculos antes da transferência da Corte portuguesa para o Brasil. b) Correta! Como vimos em aula, a Corte portuguesa foi transferida para a América portuguesa, porque fugia da invasão das tropas de Napoleão Bonaparte. Este havia Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 105 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império imposto sobre o território europeu o Bloqueio Continental (1806) para impedir que a Inglaterra conseguisse comercializar com o continente. Entretanto, D. João enrolou o máximo que pôde para declarar sua adesão à medida até que Bonaparte enviou suas tropas para conquistar Portugal. Em 1807, a Corte conseguiu fugir escoltada pela marinha inglesa antes delas chegarem. c) Incorreta. Essas disputas se deram na segunda metade do século XIX, após a maioria das colônias europeias ter perdido suas colônias americanas em decorrência dos movimentos de independência. Assim, os interesses europeus se voltaram para os continentes africano e asiático, onde pretendiam estabelecer novas colônias para atender a demanda de suas indústrias por matérias-primas. Mais especificamente, essas disputas tomaram mais forma na Conferência de Berlim, entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, quando Itália, França, Inglaterra, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Império Otomano, Portugal, Bélgica, Holanda, Sucécia, Rússia e Império Austro-Húngaro se reuniram para decidir sobre a repartição de territórios a serem colonizados nos continentes mencionados. Portanto, ocorreu muitos anos depois da transferência da Corte portuguesa para o Brasil. Na verdade, a Corte já havia retornado para Portugal desde 1821, pouco antes do Brasil se tornar independente. d) Incorreta. Lembre-se que as Reformas Protestantes começaram no século XVI. Os conflitos religiosos decorrentes disso culminaram na Guerra dos Sete anos, entre 1618 e 1648, que opôs países católicos e protestantes, com exceção da França católica que apoiou os protestantes devido à rivalidade da monarquia francesa com o papado. Portanto, vemos que isso ocorreu muito tempo antes dos eventos que resultaram na transferência da Corte portuguesa para o Brasil. e) Incorreta. Isso também ocorreu muitos anos antes da transferência da Corte portuguesa para o Brasil. A guerra entre Espanha e Holanda se deu a partir da década de 1580, mesmo momento em que as coroas espanholas e portuguesa se unificaram sob a União Ibérica. Consequentemente, os territórios portugueses começaram a ser alvo dos holandeses devido à sua inimizade com os espanhóis. Isso resultou na conquista holandesa do nordeste brasileiro e de Luanda, em Angola. Gabarito: B (IFBA 2018) Nos anos finais do século XVIII, uma série de medidas tomadas por Portugal tensionou as relações políticas entre alguns setores da população da colônia, proporcionando condições para algumas manifestações de insatisfação, tal qual a Inconfidência Mineira. A respeito desse movimento, assinale a afirmativa correta. a) Movimento de ruptura com a metrópole que intencionava romper com a escravidão e proclamar a independência de todo o território brasileiro de Portugal. b) Movimento de ruptura com a metrópole deflagrado, especialmente, por uma elite ilustrada que rejeitava o aumento dos impostos e a espoliação do fisco colonial. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 106 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império c) Movimento de ruptura com a metrópole que pretendia romper os laços comerciais com Portugal, exigindo o livre comércio e a abertura dos portos às nações amigas. d) Um levante bem-sucedido por meio do qual as classes mais baixas implantaram a república durante alguns anos, até quando foram vencidos pelos portugueses. e) Um levante mal sucedido que ocasionou no enforcamento de vários inconfidentes, entre eles Tiradentes, que foi exemplificado por ser a principal liderança do movimento. Comentários No enunciado podemos identificar facilmente o tempo, espaço e tema da questão. Estamos falando do final do século XVIII, na América portuguesa (Brasil colonial) e da Inconfidência Mineira, uma das revoltas coloniais que objetivava conseguir a independência de Minas Gerais do resto da colônia e de Portugal. Naquele contexto, o Império português passava por uma crise, pois os principais produtos produzidos na colônia tinham que competir com outras colônias europeias na América que começaram a produzir as mesmas matérias-primas, como o açúcar. Além disso, no final do século XVIII a extração aurífera estava em decadência, uma vez que as reservas naturais de ouro nas Minas Gerais estavam se esgotando depois da intensa exploração que ocorria desde fins do século XVII. Em razão disso, Portugal iniciou uma série de reformas para aperfeiçoar seu controle sobre o Brasil de modo e garantir a arrecadação de grandes quantias de capital por meio de novos impostos. Foram essas reformas que motivaram elites e outros setores da sociedade colonial a dar início a uma série de revoltas. Sabendo disso, vejamos qual alternativa está correta sobre a Inconfidência Mineira, especificamente. a) Incorreta. A Inconfidência Mineira realmente queria a independência da Coroa, mas não para todo o Brasil. Trata-se de conquistar a independência apenas de Minas Gerais. Além disso, os inconfidentes não queriam o fim da escravidão. b) Correta! A Inconfidência Mineira ocorreu em 1789, em Minas Gerais. Naquele momento, a extração aurífera estava em declínio, mas a Coroa continuava aumentando e criando novos impostos para garantir sua parte nos lucros proporcionados por aquela atividade econômica. No entanto, a influência das ideias iluministas já fazia alguns sujeitos das elites mineiras acreditarem que tinham o direito à liberdade econômica e independência política. Boa parte da organização da inconfidência se deu por meio de reuniões secretas, contudo, em março daquele ano, o coronel Joaquim Silvério dos Reis traiu o movimento e denunciou os planos da revolta às autoridades. Todos os envolvidos foram presos. Porém, apenas um foi executado, em 1792: Joaquim José da Silva Xavier, o famoso Tiradentes. c) Incorreta. Os inconfidentes não queriam romper completamente as relações comerciais com Portugal, mas sim sua subordinação política e o monopólio português sobre seu comércio. d) Incorreta. A Inconfidência Mineira foi um movimento promovido pelas elites locais. Eles não conseguiram executar a revolta, pois foram denunciados por um traidor e por isso a Coroa Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 107 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império conseguiu impedir que o levante acontecesse. Portanto, nunca foi instalada uma república em Minas Gerais, apesar de essa ter sido a intenção dos inconfidentes. e) Incorreta. Como disse na alternativa “b”, apenas Tiradentes foi executado, justamente por ser um dos menos abastados integrando o movimento. Os demais, quase todos membros das elites mineiras, foram apenas presos temporariamente. Gabarito: B (IFSC – 2016) O Em 1808, a família real portuguesa chegou ao Brasil. Enquanto esteve na colônia, uma série de transformações aconteceram. Sobre esse período, leia e analise as afirmações abaixo: I. Algumas atividades antes proibidas passaram a ser liberadas na colônia, como a tipografia. II. Ainda que a família real tenha se transferido para a colônia também em função da política expansionista de Napoleão Bonaparte, artistas franceses foram convidados a virem ao Brasil. III. A família real portuguesa foi transferida para o Brasil para resolver os problemas causados pelo fim da Guerra do Paraguai. IV. A abertura dos portos às nações amigas beneficiou, em especial,a França e a Espanha, parceiras econômicas de Portugal. Assinale a alternativa CORRETA. a) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras. b) Apenas as afirmações I, II e IV são verdadeiras. c) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras. d) Apenas as afirmações I, II, e III são verdadeiras. e) Todas as afirmações são verdadeiras. Comentários: A transferência da corte para o Brasil ocorreu em razão da invasão napoleônica em Portugal. Importante lembrar que essa “fuga” contou com o apoio da Inglaterra, alvo do bloqueio continental decretado por Napoleão em 1806. Ao chegar em terras brasileiras, em 1808, D. João VI tomou uma série de medidas em diferentes âmbitos na tentativa de “montar um país”, já que as principais decisões do Império agora eram feitas na colônia. Vamos relembrar algumas das Mudanças ocorridas no Brasil com a vinda da Família Real: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 108 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Com isso, vejamos as afirmações: I. Correta. A tipografia no Brasil tem suas origens na Imprensa Régia, criada por D. João VI II. Correta. A fim de promover uma vida cultural no Brasil, o rei montou uma Missão Francesa, que reunia grandes artistas franceses para modernizar a nova sede do Reino. III. Incorreta. Como estudamos, a Família Real veio para o Brasil em decorrência da invasão napoleônica em Portugal. IV. Incorreta. A principal beneficiada pela abertura dos portos foi a Inglaterra, antiga aliada econômica de Portugal. Portanto, alternativa c) é a correta. Gabarito: C (IFSC – 2015) O processo de independência do Brasil foi efetivado com o Grito do Ipiranga de D. Pedro I em 1822. Alguns historiadores aceitam que esse processo pode ser analisado desde o ano de 1808. Sobre o período de 1808 a 1822 é CORRETO afirmar que: a) Em 1821 D. Pedro I tentou proclamar a independência, porém foi sufocado pela Revolução Pernambucana. b) O ano de 1808 é marcado pela vinda da família real portuguesa ao Rio de Janeiro. c) No ano de 1815 toda a família real portuguesa retornou a Portugal, permitindo a José Bonifácio articular a independência com seu filho Pedro. d) A abertura dos portos em 1815 tirou o Brasil do status de colônia, pois poderia comercializar com todos os países com tarifas iguais. e) O Grito do Ipiranga foi apenas simbólico. Desde 1821 o Brasil não tinha nenhuma ligação política com Portugal. Vinda da Família Real para Brasil - modernização do Brasil Fim do Pacto Colonial Abertura dos portos às nações amigas Elevação do Brasil à condição de Reuino Unido de Portugal Criação de Banco do Brasil Criação do Jardim Botânico, Imprensa régia, Escola de Belas Artes Anexação da Banca Oriental (atual uruguai) Anexação da Guiana Francesa Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 109 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Comentários: Olha que legal, discutimos exatamente isso na aula: “Já na historiografia brasileira, a chegada da família real, em janeiro de 1808, no contexto da expansão napoleônica, significou a última etapa do nosso processo de independência e determinou quando e como se deu a Independência do Brasil. Então, passemos a análise do período que vai de 1808, com a chegada da família, até 1822 com a Declaração da Independência” Bom, conforme estudamos, entre 1808 e 1821, a Família Real esteve no Brasil. Foi um momento de muitas mudanças pois foi necessário “montar um país”, já que as principais decisões do Império agora eram feitas na colônia. Vejamos as alternativas: a) Incorreta. D. Pedro não tentou proclamar a independência em 1821. Além disso, a Revolução Pernambucana ocorreu em 1817. b) Correta, conforme discutimos. c) Incorreta. A Família Real só voltou à Portugal em 1821. d) Incorreta. A abertura dos portos ocorreu em 1808 mesmo. Além disso, ela foi restrita “às nações amigas”, portanto, o Brasil não tinha liberdade para comercializar com quais países quisesse. e) Incorreta. De certa forma, desde o Dia do Fico (episódio em que D. Pedro se recusou a voltar para Portugal) em 9 de janeiro de 1822, as relações formais entre Brasil e Portugal haviam sido rompidas. No entanto, em 1821 o Brasil ainda tinha ligação política com Portugal. Gabarito: B (UDESC 2017) 4000034330 No Brasil, durante o início do século XIX, as províncias do Norte, dentre elas Pernambuco, viviam uma relativa prosperidade econômica, ocasionada em especial pela produção do algodão e do açúcar. A partir do estabelecimento da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro, tal prosperidade foi relativamente fragilizada. Analise as proposições em relação às mudanças ocorridas com a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil. I. A alocação de uma estrutura burocrática no Rio de Janeiro tornou o governo de Dom João VI mais capacitado a se envolver nos negócios das províncias, o que possibilitou a diminuição de autonomia destas. II. Para arcar financeiramente com os custos da Corte no Rio de Janeiro, o governo exigiu a cobrança de mais impostos dos setores de produção de açúcar e algodão. III. A cobrança de maiores impostos e a diminuição da autonomia das províncias, ocasionadas pela presença da Corte no Rio de Janeiro, não tiveram nenhuma relação com o movimento que se tornou conhecido como Revolução Pernambucana. Assinale a alternativa correta. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 110 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império a) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. c) Somente a afirmativa I é verdadeira. d) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. e) Somente a afirmativa II é verdadeira. Comentários Com a saída de cena do Haiti do mercado internacional de matérias-primas devido a instabilidade resultante da revolução que conquistou sua independência, as regiões exportadoras de açúcar no Brasil voltaram a prosperar no final do século XVIII e início do XIX. Contudo, com a transferência da Corte portuguesa, a Coroa decidiu se instalar no Rio de Janeiro, capital da colônia. Com isso, D. João VI deu início a construção e instalação de novas instituições políticas, culturais e econômicas para tornar o Brasil o centro do Império português. No entanto, isso demandava dinheiro e necessitava da cooperação das elites das demais províncias. Por sua vez, essas elites já estavam profundamente influenciadas pelas ideias iluministas e liberais, poucas delas dispostas a arcar com aumento de impostos e centralização do poder político. Para completar, D. João começou a beneficiar mais as elites do Sudeste, mais próximas de onde a Corte se instalara justamente por causa dessa proximidade geográfica. Isso gerou ainda mais descontentamento. Considerando isso, vamos analisar as afirmações que melhor se encaixam nesse contexto. I. Verdadeira! Como disse no comentário, após se instalar no Rio de Janeiro, D. João deu início a instalação de várias instituições, isto é, de um aparato burocrático que desse conta de centralizar o poder em suas mãos, consequentemente diminuindo a autonomia das províncias. II. Verdadeira! Após o declínio da extração aurífera, a produção de açúcar e algodão voltaram a se tornar as atividades mais lucrativas no Brasil. Por isso, para sustentar todas as reformas decorrentes da instalação da Corte no Brasil, D. João aumentou e criou vários impostos, mas principalmente sobre essas atividades. III. Falsa. Isso teve tudo a ver com o movimento que teve lugar em Pernambuco! A Revolução Pernambucana se deu em 1817. Contou com a participação de padres e das camadas mais populares da sociedade local. Entre as motivações dessa revolta estavam a situação de miséria e trabalho precário que a maioria da população se encontrava e o aumento de impostos promovido pela Coroa portuguesa para sustentar o luxoda corte e a implantação das novas instituições necessárias com sua transferência para o Rio de Janeiro. O objetivo dos revolucionários era se emancipar tanto de Portugal quanto do Brasil e fundar uma república. Eles conseguiram derrubar o governador, prendê-lo e proclamar a República de Pernambuco, que durou 75 dias. Entre suas medidas iniciais podemos citar a extinção dos impostos, a elaboração de uma constituição, a liberdade religiosa e de imprensa. Contudo, a abolição da escravidão ainda seria estudada. A nova república foi derrubada pelas tropas reais e seus líderes foram presos e executados. Portanto, a alternativa correta é a letra “d”. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 111 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Gabarito: D (UDESC 2017) No Brasil, durante o início do século XIX, as províncias do Norte, dentre elas Pernambuco, viviam uma relativa prosperidade econômica, ocasionada em especial pela produção do algodão e do açúcar. A partir do estabelecimento da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro, tal prosperidade foi relativamente fragilizada. Analise as proposições em relação às mudanças ocorridas com a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil. I. A alocação de uma estrutura burocrática no Rio de Janeiro tornou o governo de Dom João VI mais capacitado a se envolver nos negócios das províncias, o que possibilitou a diminuição de autonomia destas. II. Para arcar financeiramente com os custos da Corte no Rio de Janeiro, o governo exigiu a cobrança de mais impostos dos setores de produção de açúcar e algodão. III. A cobrança de maiores impostos e a diminuição da autonomia das províncias, ocasionadas pela presença da Corte no Rio de Janeiro, não tiveram nenhuma relação com o movimento que se tornou conhecido como Revolução Pernambucana. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. c) Somente a afirmativa I é verdadeira. d) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. e) Somente a afirmativa II é verdadeira. Comentários A chegada da Corte portuguesa no Brasil provocou diversas modificações político- administrativas no relacionamento entre governo central e províncias. Após diversas revoltas a administração de D. João VI estabeleceu um processo de centralização e controle do poder político no Brasil. Dessa forma a Coroa passou a ter mais controle sobre as províncias. Nesse sentido, as administrações locais tiveram que se submeterem cada vez mais aos ditames da monarquia. Com efeito, os itens I e II estão corretos. Já o item III está errado, pois ele desconecta a Revolução Pernambucana desse processo. Como vimos, a Revolução Pernambucana, ocorrida em 1817, tem relação direta com a interferência do governo joanino nas províncias, seja retirando parte da autonomia dos governos locais, seja aumentando dos impostos. Gabarito: D (UNCISAL 2017) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 112 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Joaquim José da Silva Xavier, vulgo Tiradentes, foi o único a assumir integralmente a responsabilidade pela Conjuração Mineira. Ele foi condenado à morte e teve seu corpo esquartejado. Somente anos depois, foi transformado em herói e mártir. Dentre as pretensões dos conjurados estava(m) A) o investimento do dinheiro da derrama na construção de uma universidade em Vila Rica. B) a adoção de barreiras alfandegárias para impedir a entrada de produtos estrangeiros no Brasil. C) o fim da cobrança abusiva de impostos por Portugal e a transferência da Corte Portuguesa para o Brasil. D) a libertação dos escravos e a implantação de um sistema de trabalho baseado na mão de obra livre e assalariada. E) a implantação de um governo republicano inspirado na independência e na constituição dos Estados Unidos da América. Comentários: A Conjuração Mineira (1789) foi a primeira revolta que defendeu a Independência de um território brasileiro. Entre as principais reinvindicações dos revoltosos estavam: - A constituição de uma República; - A transferência da Capital para São João Del Rey (MG); - O apoio à Industrialização do Brasil; - A criação de uma Universidade em Vila Rica; - A obrigatoriedade do serviço militar. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 113 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Diante disso, vejamos qual das opções condizem com as pretensões dos conjurados mineiros: a) Incorreto. O dinheiro da derrama seria revertido para o bolso dos donos de terras que deviam a coroa Portuguesa. Não seriam convertidos aos cofres públicos para o futuro país. b) Incorreto. Não era defendido a criação de barreiras alfandegárias e sim o incentivo ao desenvolvimento de manufaturas no país, para que os artigos importados fossem sendo gradativamente substituídos por produtos industrializados nacionais. c) Incorreto. Não foi defendido a vinda da Corte Portuguesa para o Brasil. Os conjurados queriam acabar com a monarquia no Brasil. d) Incorreto. Não havia um consenso entre os líderes do movimento se deveriam libertar os escravos ou não. Isso porque muito de seus simpatizantes faziam parte da elite local mineira, que possuía muitos escravos e lucrava com eles. e) Correto. A Independência Americana muito influenciou nesse período diversas outras colônias na América, sendo o Haiti a segunda delas a conquistar a independência. No Brasil o movimento emancipatório se concentrou primeiramente na região de Minas Gerais e a proposta feita pelos conjurados era muito similar a promulgada pelos estadunidenses, com um governo republicano e com incentivo a industrialização no Brasil. Gabarito: E (UNCISAL 2017) Uma das principais exigências dos rebeldes na Revolta de Vila Rica, em 1720, foi a A) diminuição dos preços das roupas comercializadas. B) modificação do domínio português em Minas Gerais. C) anulação do decreto de criação das Casas de Fundição. D) supressão das cobranças na Intendência dos Diamantes. E) recusa na aceitação dos governantes enviados pela coroa. Comentários: A Revolta de Vila Rica, também conhecida como Revolta de Felipe dos Santos, é a que teve maior repercussão na colônia até a primeira metade do século XVIII, justamente porque ocorreu na região mais importante para a Metrópole naquele momento: As Minas Gerais. A região de Vila Rica, atual Ouro Preto, foi palco de uma revolta contra a instalação das Casas de Fundição. Estas foram criadas, em 1719, para garantir a cobrança do imposto sobre a produção aurífera, o quinto, e para evitar o contrabando de ouro no Brasil. Era basicamente um órgão fiscalizador e regulador imposto pela coroa Portuguesa. Evidentemente, essa rebelião ocorreu combinada com outros fatores, como a proibição da atividade de ourives, a instituição da Derrama e a violência dos Dragões Reais das Minas a população mais pobre. Além disso, o enorme descontentamento da população local passou por uma crescente de fome e miséria, resultando na participação popular contra a metrópole. Assim, o Governador da região, Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 114 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Conde de Assumar com a ajuda dos Dragões das Minas, resolveu abafar a revolta capturando seu líder, Felipe dos Santos. Ele é preso e, sem julgamento, morto e esquartejado. Como consequência desse evento, em 1720, a Corte Portuguesa criou a Capitânia de Minas Gerias, de modo a separar a região das Minas de São Paulo. Vale ressaltar que embora derrotada, a Revolta de Vila Rica continuou viva nas mentes e corações dos mineiros. Algumas ideias surgidas nesse tempo se juntaram a outras que apareceram nas revoltas de caráter emancipacionistas, ao final do século XVIII. Dessa forma,passamos as alternativas: a) Incorreto. As principais exigências feita pelos rebeldes estava ligada aos negócios auríferos e não a comercialização de roupas. b) Incorreto. Eles não exigiam a modificação do domínio português, e sim uma maior autonomia com relação a São Paulo. c) Correto. As Casas de Fundição cobravam um quinto de todo o ouro descoberto por qualquer aventureiro que se arriscasse a procurá-lo na região das Minas. Porém, as vezes os lucros eram muitos baixos e desgastantes para que fossem divididos com a coroa portuguesa. Então os revoltosos queriam acabar com as Casas de Fundição. d) Incorreto. Essa pauta não foi defendida pelos revoltosos de Vila Rica. e) Incorreto. Não havia uma recusa pela vinda dos governantes enviados da Metrópole e sim um descontentamento pela cobrança excessiva de impostos pela riqueza produzida na região mineira. Gabarito: C (UNCISAL – 2016) Entre os diversos movimentos políticos e intelectuais que marcaram a crise do sistema colonial no Brasil, esse apresenta algumas características especiais. Diferentemente de outros movimentos – idealizados por advogados, magistrados, militares, padres e ricos contratantes –, teve na liderança representantes das camadas populares do Brasil colonial: brancos, pobres, mulatos, negros livres, escravos. O movimento foi pautado por preocupações sociais e raciais de igualdade de raça e cor, fim da escravidão e abolição de todos os privilégios sociais e econômicos. Foi a nossa mais importante revolta anticolonial. Não lutava apenas para que o Brasil se separasse de Portugal; advogava também a modificação interna da sociedade, que era preconceituosa, baseada nos privilégios dos grandes proprietários e na exploração do trabalho escravo. COSTA, L. C. A.; MELLO, L. I. A. História do Brasil. São Paulo: Scipione, 1999 (adaptado). O movimento político descrito no texto se refere à a) Revolta dos Alfaiates. b) Inconfidência Mineira. c) Revolução Farroupilha. d) Confederação do Equador. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 115 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império e) Insurreição Pernambucana. Comentários: Bom, estamos procurando um movimento ocorrido no período colonial. Com isso, já podemos eliminar as alternativas c) e d). Isso porque a Revolução Farroupilha ocorreu entre 1835 e 1845 e a Confederação do Equador data de 1824. O Brasil deixou de ser colônia em 1822. Vamos continuar, esse movimento era popular, anticolonial e revolucionário do ponto de vista social. Assim, não pode ser a Inconfidência Mineira, visto que foi um movimento elitista. A Insurreição Pernambucana não era anticolonial, portanto, também está fora de cogitação. Estamos falando então da Revolta dos Alfaiates (chamada também de Conjuração Baiana). Ela ocorreu em 1798 na Bahia. Vamos relembrar algumas das exigências dos revoltosos para entender as particularidades desse movimento: Fim da dominação portuguesa Proclamação de uma República democrática privilegiando a liberdade, a igualdade e a fraternidade Abolição da escravidão Profissionalização do exército e aumento do soldo Liberdade econômica – abertura dos portos para todos os países Melhorias nas condições sociais e de vida da população mais pobre Tendo isso mente, alternativa a) está correta. Gabarito: A (UNCISAL – 2009) Os seguintes acontecimentos: o Bloqueio Continental, em 1807, a vinda da Família Real para o Brasil e a abertura dos portos em 1808, constituíram fatos importantes a) na formação da cultura brasileira. b) no fomento à industrialização. c) no processo de emancipação política. d) na constituição da ideologia republicana. e) no surgimento dos conflitos regionais. Comentários: A questão aborda uma série de eventos ocorridos no início do século XIX que foram cruciais para a formação do Brasil. Separei um trechinho da aula que explica bem o que aconteceu: “Os episódios históricos que deram notoriedade a Dom João estão relacionados justamente com a invasão de Napoleão Bonaparte em Portugal no final de 1807 e a transferência da Corte para a colônia portuguesa na América. Esses episódios podem ter sentidos históricos distintos, a depender de quem os conta. Portugueses, por muito tempo, contaram essa história como a de um rei que fugiu, de um processo de “salve-se-quem-puder”, como anticolonialista ou absolutista. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 116 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Já na historiografia brasileira, a chegada da família real, em janeiro de 1808, no contexto da expansão napoleônica, significou a última etapa do nosso processo de independência e determinou quando e como se deu a Independência do Brasil. Então, passemos a análise do período que vai de 1808, com a chegada da família, até 1822 com a Declaração da Independência.” Assim, sabemos que o Bloqueio Continental, a vinda da Família Real para o Brasil e a abertura dos portos constituíram fatos importantes para a emancipação política brasileira. Portanto, alternativa c) está correta. Gabarito: C (UEA – 2009) Em 2008, comemoraram-se os duzentos anos da chegada da Corte Portuguesa ao Brasil. Entre as consequências deste fato pode-se citar a) a abertura dos portos às nações amigas, o que na prática significou o fim do pacto colonial. b) a decisão de acabar com o sistema escravista de trabalho nas regiões em que a Corte se estabeleceu. c) a decisão de Napoleão de bombardear as costas brasileiras, uma represália pela fuga da Família Real. d) a crise da produção açucareira, que perdeu seus mercados em função das lutas europeias. e) a descoberta do ouro, graças às expedições financiadas pela Coroa portuguesa, que precisava de recursos. Comentários: A transferência da corte para o Brasil ocorreu em razão da invasão napoleônica em Portugal. Importante lembrar que essa “fuga” contou com o apoio da Inglaterra, alvo do bloqueio continental decretado por Napoleão em 1806. Ao chegar em terras brasileiras, D. João VI tomou uma série de medidas em diferentes âmbitos na tentativa de “montar um país”, já que as principais decisões do Império agora eram feitas na colônia. Vamos relembrar as principais medidas econômicas tomadas nesse momento: - Fim do Pacto Colonial, isso ficou conhecido como “Abertura dos Portos às nações amigas”. A partir daquele momento, os portos brasileiros estavam abertos ao desembarque de produtos podendo ser livremente comercializados no território, ou seja, extinguia-se o monopólio comercial português sobre as atividades econômicas do Brasil; - Tratado de Navegação e Comércio de 1810. Por meio desse tratado Portugal estabelecia uma escala dos valores de taxas de importação. Este reduziu para 15% a taxa alfandegária sobre os produtos importados da Inglaterra, enquanto os produtos portugueses pagavam 16% sobre seu valor, e os das demais nações, 24%. Como você pode imaginar, a Inglaterra foi privilegiada nesse acordo, pois foi o país a quem foi atribuída a menor tarifa alfandegária (de importação e exportação). Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 117 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império - Extinção do Alvará de 1785, que até então limitava a instalação de manufaturas no Brasil, ou seja, as manufaturas, antes proibidas, estavam liberadas. Com isso, vejamos as alternativas: a) Correta, conforme exposto no comentário. b) Incorreta. A abolição da escravatura em território brasileiro só ocorreu no fim do século XIX. c) Incorreta. Napoleão não bombardeou a costa brasileira durante o Período Joanino. d) Incorreta. A crise da produção açucareira ocorreu ainda no século XVII. e) Incorreta. A descoberta das minas de metais preciosos no Brasil ocorreu na última década do século XVII. Gabarito: A (UNESP 2013) Com a vinda da Corte, pela primeira vez,desde o início da colonização, configuravam-se nos trópicos portugueses preocupações próprias de uma colônia de povoamento e não apenas de exploração ou feitoria comercial, pois que no Rio teriam que viver e, para sobreviver, explorar “os enormes recursos naturais” e as potencialidades do Império nascente, tendo em vista o fomento do bem-estar da própria população local. (Maria Odila Leite da Silva Dias. A interiorização da metrópole e outros estudos, 2005.) A alteração na relação entre o governo português e o Brasil, mencionada no texto, pode ser notada, por exemplo, a) na redução dos impostos sobre a exportação do açúcar e do algodão, no reforço do sistema colonial e na maior integração do território brasileiro. b) no estreitamento dos vínculos diplomáticos com os Estados Unidos, na instalação de um modelo federalista e na modernização dos portos. c) na ampliação do comércio com as colônias espanholas do Rio da Prata, na reurbanização do Rio de Janeiro e na redução do contingente do funcionalismo público. d) na abertura de estradas, na melhoria das comunicações entre as capitanias e no maior aparelhamento militar e policial. e) no restabelecimento de laços comerciais com França e Inglaterra, na fundação de casas bancárias e no aprimoramento da navegação de cabotagem. Comentário Apesar do aumento dos impostos, pode-se dizer que, principalmente com a “abertura dos portos”, o sistema colonial flexibilizou-se, pois, o Brasil passou a ser reino Unido. A monarquia centralizada ampliou o número de funcionários públicos e da estrutura militar, ou seja, era preciso conformar condições para a vida da Corte no território. Assim, Dom João VI implementou uma série de mudanças na estrutura organizativa e cultural. Entre as alternativas citadas na questão, a que melhor representa esse contexto é o item D. Vejamos por que as demais alternativas estão incorretas: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 118 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império a- Não houve reforço do sistema colonial, mas flexibilização; b- Não houve implantação do modelo federalista. A monarquia de corte constitui um estado Unitário (se você não lembra desses conceitos, volta no Dicionário Conceitual da aula passada e reveja) c- Não houve diminuição do funcionalismo público, mas aumento. Lembrando que a corte poderia ser considerada ao mesmo tempo vida social e “quadro” de servidores do rei. d- Item correto e- Não houve restabelecimento de laços comerciais com a França, somente após 1815. Além disso, não houve aprimoramento de navegação de cabotagem pelos motivos expostos na questão. Gabarito: D (UNESP 2010) A Independência do Brasil do domínio português significou o rompimento com a) a economia europeia, sustentada pela exploração econômica dos países periféricos. b) o padrão da economia colonial, baseado na exportação de produtos primários. c) a exploração do trabalho escravo e compulsório de índios e povos africanos. d) o liberalismo econômico e a adoção da política metalista ou mercantilista. e) o sistema de exclusivo metropolitano, orientado pela política mercantilista. Comentário Veja, é uma pergunta bem fácil e serve para recordarmos as continuidades e mudanças advindas do processo de independência. Dentro do modelo mercantilista, função da colônia era garantir o enriquecimento da metrópole por meio do pacto (exclusivo) colonial. Assim sendo, ao libertar-se do domínio português, o Brasil rompia com a submissão econômica imposta pelos preceitos mercantilistas. Cabe observar que a ruptura com o exclusivo colonial ocorreu já com a “abertura dos portos brasileiros às nações amigas” decretada por dom João VI em 1808 e, portanto, antecede a Independência. Mas isso não significou uma ruptura com o modelo econômico agroexportador, uma vez que a Inglaterra funcionou como abastecedora de produtos industrializados. A estrutura interna continuou a mesma, o Brasil continuou sendo uma região agroexportadora e importadora de manufaturas e produtos industrializados. Vejamos com o que se rompeu: a- Com a economia europeia? Não. b- O padrão da economia colonial? Não, como acabamos de comentar. c- Com o trabalho escravo? Sabemos que não. d- Esse item está ilógico porque atribui práticas mercantilistas ao liberalismo. e- Item correto, o que mudou foram as relações de comércio entre o Brasil e os demais países além de Portugal. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 119 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Gabarito: E (UNESP 2013) Com a vinda da Corte, pela primeira vez, desde o início da colonização, configuravam-se nos trópicos portugueses preocupações próprias de uma colônia de povoamento e não apenas de exploração ou feitoria comercial, pois que no Rio teriam que viver e, para sobreviver, explorar “os enormes recursos naturais” e as potencialidades do Império nascente, tendo em vista o fomento do bem-estar da própria população local. (Maria Odila Leite da Silva Dias. A interiorização da metrópole e outros estudos, 2005.) A alteração na relação entre o governo português e o Brasil, mencionada no texto, pode ser notada, por exemplo, a) na redução dos impostos sobre a exportação do açúcar e do algodão, no reforço do sistema colonial e na maior integração do território brasileiro. b) no estreitamento dos vínculos diplomáticos com os Estados Unidos, na instalação de um modelo federalista e na modernização dos portos. c) na ampliação do comércio com as colônias espanholas do Rio da Prata, na reurbanização do Rio de Janeiro e na redução do contingente do funcionalismo público. d) na abertura de estradas, na melhoria das comunicações entre as capitanias e no maior aparelhamento militar e policial. e) no restabelecimento de laços comerciais com França e Inglaterra, na fundação de casas bancárias e no aprimoramento da navegação de cabotagem. Comentário Apesar do aumento dos impostos, pode-se dizer que, principalmente com a “abertura dos portos”, o sistema colonial flexibilizou-se, pois, o Brasil passou a ser reino Unido. A monarquia centralizada ampliou o número de funcionários públicos e da estrutura militar, ou seja, era preciso conformar condições para a vida da Corte no território. Assim, Dom João VI implementou uma série de mudanças na estrutura organizativa e cultural. Entre as alternativas citadas na questão, a que melhor representa esse contexto é o item D. Vejamos por que as demais alternativas estão incorretas: a- Não houve reforço do sistema colonial, mas flexibilização; b- Não houve implantação do modelo federalista. A monarquia de corte constitui um estado Unitário (se você não lembra desses conceitos, volta no Dicionário Conceitual da aula passada e reveja) c- Não houve diminuição do funcionalismo público, mas aumento. Lembrando que a corte poderia ser considerada ao mesmo tempo vida social e “quadro” de servidores do rei. d- Item correto Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 120 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império e- Não houve restabelecimento de laços comerciais com a França, somente após 1815. Além disso, não houve aprimoramento de navegação de cabotagem pelos motivos expostos na questão. Gabarito: D (UNESP 2010) A Independência do Brasil do domínio português significou o rompimento com a) a economia europeia, sustentada pela exploração econômica dos países periféricos. b) o padrão da economia colonial, baseado na exportação de produtos primários. c) a exploração do trabalho escravo e compulsório de índios e povos africanos. d) o liberalismo econômico e a adoção da política metalista ou mercantilista. e) o sistema de exclusivo metropolitano, orientado pela política mercantilista. Comentário Veja, é uma pergunta bemfácil e serve para recordarmos as continuidades e mudanças advindas do processo de independência. Dentro do modelo mercantilista, função da colônia era garantir o enriquecimento da metrópole por meio do pacto (exclusivo) colonial. Assim sendo, ao libertar-se do domínio português, o Brasil rompia com a submissão econômica imposta pelos preceitos mercantilistas. Cabe observar que a ruptura com o exclusivo colonial ocorreu já com a “abertura dos portos brasileiros às nações amigas” decretada por dom João VI em 1808 e, portanto, antecede a Independência. Mas isso não significou uma ruptura com o modelo econômico agroexportador, uma vez que a Inglaterra funcionou como abastecedora de produtos industrializados. A estrutura interna continuou a mesma, o Brasil continuou sendo uma região agroexportadora e importadora de manufaturas e produtos industrializados. Vejamos com o que se rompeu: a- Com a economia europeia? Não. b- O padrão da economia colonial? Não, como acabamos de comentar. c- Com o trabalho escravo? Sabemos que não. d- Esse item está ilógico porque atribui práticas mercantilistas ao liberalismo. e- Item correto, o que mudou foram as relações de comércio entre o Brasil e os demais países além de Portugal. Gabarito: E (UFRR 2019) Pessoas de diversas ocupações profissionais foram implicadas na investigação do que ficou conhecido como Conjuração ou Inconfidência Mineira. Considerando este evento político que marca o fim do século XVIII na colônia portuguesa, leia as alternativas a seguir e assinale a INCORRETA: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 121 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império A) Os conjurados eram influenciados por ideias de cunho iluminista que já circulavam pela Europa, como o questionamento à centralização e absolutismo monárquico. B) Foi um grande movimento armado, liderado por garimpeiros que pretendiam libertar a região aurífera dos altos impostos e do controle exercido pela Coroa Portuguesa. C) Intelectuais, clérigos e comerciantes participaram do movimento, que é considerado uma manifestação política da elite colonial contra a Coroa Portuguesa. D) Uma importante causa da conspiração era a quantidade de impostos cobrados pelas atividades na região mineradora num momento de declínio da produção. E) A investigação começou a partir da delação de um dos envolvidos, Joaquim Silvério dos Reis, em troca de benefícios da Coroa. Comentários: Sobre a Conjuração Mineira (1789), ela foi uma revolta anticolonial, de caráter elitista e republicana. Uma dos principais fatores que culminaram nesse movimento foi o rigor da política metropolitana em cobrar tributos, como no caso da derrama. É importante ressaltar que esse rigor desconsiderava a realidade da diminuição da produção aurífera, que estava decadente. Além disso, a Metrópole descartava outros projetos econômicos, enquanto a elite econômica e administrativa percebia que havia autossuficiência econômica da capitânia. Outros motivos que podem ser elencados para a formação da revolta é o aumento da corrupção e do abuso do Governador da Capitânia (escolhido pela coroa), a restrição do acesso da elite local a postos importantes da administração régia e a pobreza e carestia profunda que atentava contra a ordem social daquele período. Assim, todos esses fatores culminaram para que acontecesse a rebelião. Vale destacar que ela defendia a instituição de uma República, porém possuiu baixa adesão popular, pois seus líderes não defendiam pautas abolicionistas necessariamente. Isso fez com que a Conjuração tivesse uma ação limitada dentro a sociedade mineira. Não progredindo, ela foi interrompida, após alguns conjuradores traírem o movimento em troca do perdão concedido pela coroa Portuguesa para as dívidas dos que denunciassem e entregassem o movimento. Desse jeito o governador da capitania prendeu todos os líderes da conspiração, porém só um assumiu as causas da rebelião e foi duramente assassinado pelos tropas reais como forma de amedrontar futuros revoltosos. Esse líder era Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Falado isso, vejamos qual resposta está incorreta, com relação a colônia portuguesa ao final do século XVIII: a) Correta. Esse período foi um momento de grande propagação dos ideais iluministas, que influenciaram fortemente a Independência dos Estados Unidos (1776) na América do Norte e a Revolução Francesa (1789) na França. Nesse sentido, os conjurados mineiros também questionavam a estrutura colonial que regia a colônia. b) Incorreta. Esse movimento foi feito pelas elites mineiras, formadas por homens letrados (como médicos, engenheiros, escritores, etc.), por fazendeiros, comerciantes, banqueiros, alguns militares e membros da igreja, entre outros. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 122 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império c) Correta. Como exposto acima. d) Correta. A produção de ouro, que a cada ano diminuía mais ainda, não conseguia pagar todos os impostos cobrados pela coroa Portuguesa, adquirindo muitas dívidas com a metrópole. e) Correta. Joaquim Silvério dos Reis foi um dos conjuradores que se vendeu para denunciar o movimento. Gabarito: B (UFRR – 2010) Sobre a atuação de D. João VI no Brasil colônia é INCORRETO afirmar que: a) Participou das expedições que demarcaram todas as novas fronteiras do norte e oeste do Brasil. b) Promoveu a vinda de artistas e da Real Biblioteca. c) Liberou as atividades manufatureiras da colônia. d) Abriu os portos ao comércio exterior. e) Incentivou as expedições científicas. Comentários: A transferência da corte para o Brasil ocorreu em razão da invasão napoleônica em Portugal. Importante lembrar que essa “fuga” contou com o apoio da Inglaterra, alvo do bloqueio continental decretado por Napoleão em 1806. Ao chegar em terras brasileiras, em 1808, D. João VI tomou uma série de medidas em diferentes âmbitos na tentativa de “montar um país”, já que as principais decisões do Império agora eram feitas na colônia. Vejamos as alternativas (lembrando que estamos procurando a INCORRETA): a) Incorreta. D. João VI não participou das expedições. b) Correta. D. João VI promoveu a vinda de artistas para o Brasil por meio da Missão Francesa, que contava com nomes como Jean Baptiste Debret, Auguste Henry Victor Grandjean de Montigny e Nicolas Antoine Taunay. Além disso, criou a Biblioteca Real. c) Correta. O rei extinguiu o Alvará de 1785, que até então limitava a instalação de manufaturas no Brasil, ou seja, as manufaturas, antes proibidas, estavam liberadas. d) Correta. Logo que chegou aqui, D. João VI ordenou a abertura do porto às nações amigas que, na prática, representava o fim do pacto colonial. e) Correta. O Período Joanino foi importante para as expedições científicas no Brasil. Gabarito: A (UNITINS 2018) “As elites brasileiras que tomaram o poder em 1822 compunham-se de fazendeiros, comerciantes e membros de sua clientela, ligados à economia de importação e exportação e interessados na manutenção das estruturas tradicionais de produção cujas bases eram o sistema de trabalho escravo e a grande propriedade. Após a Independência, reafirmaram a Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 123 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império tradição agrária da economia brasileira, opuseram-se ao desenvolvimento da indústria nacional e resistiram à pressão inglesa pela abolição do tráfico de escravos” (COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República. São Paulo: Fundação Editora UNESP, 2007 p. 12). Com relação ao processo de Independência do Brasil, avalie as afirmações a seguir. I. A Independência tinha como principais objetivos preservar a liberdade de comércio e a autonomia administrativa do país. II. A Independência brasileira foi um processo liderado por gruposque se beneficiaram com a ruptura dos laços coloniais e representavam as categorias mais privilegiadas da sociedade. III. As nações latino-americanas reconheceram prontamente a independência brasileira, principalmente pelo fato de o Brasil haver adotado a monarquia como forma de governo. IV. Com a Independência, a situação da maioria da população não se alterou: a escravidão foi mantida e a aparência liberal ocultava a miséria da maioria da população. É correto o que se afirma em: a) I, II, III e IV. b) III e IV apenas. c) I, II e III apenas. d) III apenas. e) I, II e IV apenas. Comentários: O texto de Emília Costa aborda a Proclamação da Independência do Brasil. Sobre o excerto, a autora comenta sobre como foi o processo político ocorrido no país, feito por camadas das elites políticas e econômicas da colônia. Elas levaram a que Dom Pedro assinasse oficialmente a soberania política do Brasil em relação a Portugal. Nesse sentido, é a organização em torno de Dom Pedro que determinou quando e como foi a conquista da soberania política. Na época da Independência, as classes dominantes queriam manter as estruturas coloniais presentes anteriores, porém sem a interferência da metrópole lusitana nos seus interesses. Então, com diversos decretos limitando os poderes de Dom Pedro, latifundiários e grandes comerciantes brasileiros ou luso- brasileiros se organizaram para criar um movimento pró-independência. Criou-se, nesse período, o Partido Brasileiro, que juntava pessoas de diversos pensamentos e posições políticas diferentes, mas que se uniram momentaneamente para conseguir o feito de Proclamar a Independência mantendo a integridade do território. Esses grupos apoiavam Dom Pedro I, pois ele, em tese, tinha mais legitimidade real para continuar governando o Brasil, sem que ocorresse no território o que se viu na América Espanhola (a fragmentação política devido ao Movimento Caudilhista). Assim, em 07 de setembro de 1822, foi proclamada oficialmente a soberania política da nação tendo como forma de governo uma Monarquia Constitucional. O Processo realizado pela elite econômica brasileira em aliança com o príncipe regente não teve a participação popular. Foi um Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 124 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império processo elitista, feito de cima para baixo sem que as estruturas desiguais da colônia fossem alteradas. Dessa forma, passamos as afirmações e apontemos as corretas: I. Correto. Os comerciantes brasileiros queriam comercializar com outras nações, como no período Joanino, em que a Colônia passou a ter seus portos abertos as nações amigas. Com a volta da coroa Portuguesa a Portugal, graças a Revolução do Porto, essa liberdade aos brasileiros não teria continuidade. II. Correto. Esses grupos eram formados, como Costa aponta, por fazendeiros, comerciantes e membros de sua clientela, que compunha a elite do país. III. Incorreto. A primeira nação latino-americana a reconhecer a independência brasileira foi o México, em 1825, 3 anos após a independência. As demais nações demorariam algum tempo em admitir, pois desconfiavam de uma monarquia com um rei europeu, como uma continuidade da dinastia ibérica. IV. Correto. As estruturas sociais e econômicas não mudaram no país, mesmo como a Independência, como aponta autora. O trabalho escravo e a grande propriedade foram mantidos. A tradição agrária da economia brasileira, se opôs ao desenvolvimento da indústria nacional e resistiu à pressão inglesa pela abolição do tráfico de escravos”. Desse jeito a maior parte da população continuou vivendo em condições precárias e de total miséria. Desse jeito, a única alternativa correta é a letra E. Gabarito: E (UNITINS 2020) “D. Pedro, ao passar de regente a Defensor Perpétuo do Brasil (13 de maio de 1822), trata de reorganizar as bases do Estado. O encontro da nação com o príncipe importou, desde logo, na continuidade da burocracia de D. João, a burocracia transplantada e fiel ao molde do Almanaque de Lisboa, atrelada ao cortejo do futuro imperador. Sobre ela irá repousar a estrutura política do país” (FAORO, Raymundo. Os donos do poder. São Paulo: Globo, 1991). No texto acima, o autor assinala o contexto no qual se daria a Independência do Brasil. Avalie as afirmativas a seguir e considere a relação proposta entre elas. I - A Independência brasileira foi um processo liderado por grupos que se beneficiaram com a ruptura dos laços coloniais e representavam as categorias mais privilegiadas da sociedade. Consequentemente II - Com a Independência, a situação da maioria da população não se alterou: a escravidão foi mantida e a aparência liberal ocultava a miséria da maioria da população. A respeito dessas afirmativas, assinale a opção correta. A) As afirmativas I e II são verdadeiras e a II justifica corretamente a I. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 125 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império B) As afirmativas I e II são verdadeiras, mas a II não justifica corretamente a I. C) A afirmativa I é verdadeira e a II é falsa. D) A afirmativa I é falsa e a II é verdadeira. E) As afirmativas I e II são falsas. Comentários: A independência do Brasil se caracterizou como um processo elitista e sem caráter popular. Isso porque ele não defendeu uma mudança nas estruturas econômicas e sociais da vida na colônia. A nova nação continuaria sendo um país agrário e exportador de matéria prima, enquanto importaria produtos industrializados. O trabalho continuaria sendo em sua grande maioria escravo e a forma de governo adotado pelo país permaneceria sendo a monarquia. Então, a Independência significou somente uma mudanças para elites locais brasileira, que passaram a ter maior liberdade e autonomia na administração e na economia de suas terras. Desse modo analisemos as afirmações: I. Correto. Esses grupos lideraram o processo de independência diferente de outras regiões americanas. II. Correto. Já que a Independência foi proclamada pelas elites, naturalmente ela manteve a sua estrutura colonial que existia anteriormente, com a maior parte da população ficando sem qualquer representatividade política na nova nação. Diante disso, a afirmação I é verdadeira, e a afirmação II evidencia isso. Portanto a resposta correta é a letra (A). Gabarito: A (UVA 2016) Analise as frases abaixo, que tratam das Revoltas Coloniais no Brasil, e coloque V nas frases verdadeiras e F nas frases falsas. ( ) As rebeliões coloniais, apesar de influenciadas pela independência dos Estados Unidos e pela Revolução Francesa, não pretendiam a independência do Brasil. ( ) A Inconfidência Mineira foi influenciada pelos ideais de liberdade e revolução vindos da França e dos Estados Unidos. ( ) A Inconfidência Mineira está ligada à cobrança forçada dos impostos atrasados, chamada derrama, em virtude de decadência da produção do ouro e da queda na arrecadação. ( ) A inconfidência Baiana foi promovida por um grupo de donos de terras, padres, militares, escritores, poetas e profissionais liberais. ( ) A Inconfidência Baiana pretendia acabar com o domínio português sobre o Brasil, proclamar a República e estabelecer a igualdade entre brancos, mulatos e negros. A sequência correta, de cima para baixo, é: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 126 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império a) F-V-V-F-V. b) V-F-F-V-V. c) F-F-V-V-F. d) V-V-F-V-F. Comentários: As revoltas coloniais começaram no século XVII. Nesse momento, caracterizaram-se como confrontos entre os interesses locais específicos e os da metrópole. Muitas vezes eram embates diretos entre a administração colonial e a atividade econômica desenvolvida pelos colonos. Por isso, suas demandas eram sempre locais – muitas vezes contráriasao administrador local. As revoltas se diferenciaram em temas e formas a depender da região e da medida implantada pela metrópole. Por isso, não aconteciam de maneira articulada com pontos em comum. Surgiam pelo território e eram combatidas pela administração colonial. Apesar disso, serviram para acumular insatisfações contra a Coroa e, aos poucos, para evidenciar as diferenças entre as populações já enraizadas na América e os Portugueses que estavam “apenas” explorando e administrando o território. Entre as primeiras manifestações estão a Revolta da Cachaça (Rio de Janeiro, 1660-61), a Revolta dos Beckman (Maranhão, 1684), a Guerra dos Emboabas (Minas Gerais, 1708-09), a Guerra dos Mascates (Pernambuco, 1710-14) e a Revolta de Vila Rica ou de Felipe dos Santos (Minas Gerais, 1720). Estas não tinham caráter emancipatório, porém, as rebeliões que vieram depois possuíam. Esses foram os casos das Conjurações Mineira (1789) e Baiana (1798) e da Revolução Pernambucana (1816). Essas revoltas coloniais possuem uma característica diferente das suas antecessoras: estavam imersas no contexto turbulento e profundamente transformador do final do século XVIII. Os questionamentos em relação à metrópole ganharam nova tonalidade e radicalidade inspirados na disseminação dos ideais iluministas e nas experiências da independência dos Estados Unidos da América, de 1776, e da Revolução Francesa, de 1789. Além disso, a experiência das revoltas anteriores provou que os problemas possuíam raízes mais estruturais, que estavam ligadas ao pacto colonial. Assim, os movimentos revoltosos do final do século XVIII podem ser caracterizados como anticolonialista. Isso significa que propunham a ruptura com a Metrópole pois conspiravam contra a ordem colonial. Explicado isso, a questão pede para que marquemos as afirmações verdadeiras e falsas em relação as revoltas coloniais brasileiras. Então, vejamos: Falsa - Quando tratamos das revoltas coloniais do Brasil, temos uma imensidade de motins que surgiram em inúmeras regiões da colônia em períodos diferentes. As primeiras rebeliões não possuíam o interesse de defender a independência do Brasil. Já as que surgiram ao final do século XVIII e início do século XIX sim. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 127 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Verdadeira – O período em que ocorreu a Conjuração Mineira (1789), foi logo após a independência dos Estados Unidos da Inglaterra e em meio a Revolução Francesa, que se instaurava na França. Verdadeira – A derrama era um órgão fiscalizador da metrópole, responsável por vigiar e cobrar o pagamento de dívidas dos que exploravam a atividade aurífera na região de Minas. Falsa – A Conjuração Baiana foi composta em sua maioria por grupos populares, como mestiços, pobres e negros (isso porque uma das pautas dos revoltos era a abolição da escravidão). Além desses, houve um pequeno apoio de setores ricos e médios da sociedade da Bahia, como os letrados que foram a favor do movimento. Verdadeira – Muito inspirado pela Revolução Francesa, que já estava em curso há 9 anos, os conjurados baianos defendiam o fim da dominação portuguesa; a proclamação de uma República democrática privilegiando a liberdade, a igualdade e a fraternidade; a abolição da escravidão; a profissionalização do exército e aumento do soldo; a liberdade econômica – abertura dos portos para todos os países e as melhorias nas condições sociais e de vida da população mais pobre. Visto isso, a alternativa correta é a letra (A). Gabarito: A (UVA 2016) Enquanto no Brasil D. Pedro procurava atenuar as divergências entre brasileiros e portugueses e fazer uma boa administração, em Lisboa as cortes iniciaram uma série de medidas de recolonização. Assim é que, a 24 de abril de 1821, as Cortes declararam desligados do Governo do Rio de Janeiro, os governos provinciais e a 29 de setembro suprimiram os tribunais instituídos no Brasil por D. João VI. Finalmente, ordenaram também a D. Pedro que regressasse a Portugal. A resposta mais imediata de D. Pedro à crise gerada por estes acontecimentos foi: a) a decisão de ficar no Brasil, contrariando as ordens das Cortes. b) A formação de um novo Ministério chefiado por José Bonifácio de Andrade e Silva. c) A proibição da esquadra portuguesa, fundeada na baía da Guanabara, de desembarcar no Brasil. d) A proclamação da Independência do Brasil e a criação do Império. Comentários: A questão traz um momento muito importante para os rumos da Independência do Brasil. Em 1820, ocorreu na Europa uma reação aos anseios restauracionistas do Congresso de Viena (tema já estudado em aulas passadas). Esses movimentos foram sentidos em diversos lugares como na Espanha, Grécia, Nápoles e Portugal. Era uma “onda liberal” em que a ideia foi submeter suas monarquias ao poder legislativo por meio da criação de uma constituição. Em Portugal, essa ideia conquistou setores fundamentais da sociedade como os militares, Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 128 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império eclesiásticos, burguesia e parte da nobreza. Contudo, os lusitanos viviam em uma crise econômica e política desde a invasão napoleônica e a transferência da Corte Real para a Colônia brasileira na América. Assim, o movimento iniciado na cidade do Porto foi ambíguo uma vez que dois pontos unificaram o movimento: - O retorno imediato do Rei a Portugal para se submeter à Constituição; - O restabelecimento do monopólio comercial do Brasil com Portugal – o que foi entendido como “recolonização”. Percebe-se que nesse sentido, ao mesmo tempo em que a “Revolução do Porto” tinha um caráter liberal, ela também tinha uma dimensão colonialista. Justamente por isso, no Brasil, dividiu opiniões. O rei Dom João VI não queria voltar para Portugal e adiou o quanto pôde. Os portugueses no Brasil também se dividiram, afinal, muitos deles tinham negócios lucrativos aqui. A Inglaterra se interessava pela autonomia do Brasil, por isso, viu nesse evento um estopim para encaminhar a independência do Brasil em relação a Portugal. Mas fazia isso com muita discrição sem causar mal-estar com quem quer que seja. Mas no fim, os revoltosos do Porto foram vitoriosos em Portugal e exigiram a volta de Dom João. Assim, em 26 de abril de 1821, tropas portuguesas desembarcaram no Rio de Janeiro com a missão de levá-lo de volta ao país europeu, porém o rei, deixou seu filho, Dom Pedro I, como o príncipe regente das terras tropicais (que já não eram mais uma colônia simplesmente). Esse ato de Dom João VI foi uma ruptura na unidade da monarquia portuguesa, portanto, um passo para a independência do ponto de vista institucional. A Corte Portuguesa e o Parlamento, recém instituído, perceberam a jogada no sentido de separar a unidade política, mas manter a unidade dinástica. Por isso, emitiram muitos decretos deslegitimando a autoridade do príncipe regente no Brasil. Na prática, isso se tornou uma disputa para ver quem iria governar o Brasil: Dom Pedro I ou o Parlamento e Corte Português. Dessa forma, a resposta dele ao chamado da Corte foi: a) Correto. Seguindo a ordem de seu pai, ele continuou no Brasil como seu príncipe regente e descontentando as elites econômicas em Portugal. b) Incorreto. José Bonifácio só assumiria protagonismo no cenário político brasileiro a partir da independência. c) Incorreto. A esquadra portuguesa desembarcou no Brasil para levar o rei português Dom João VI de volta as terras lusas. d) Incorreto. Esses fatos só ocorreriam um ano após a Revolução no Porto, em 7 de Setembro de 1822. Gabarito: A (URCA 2019) Art. 1. Que dada a publicação desta Carta de Lei o Estado do Brasil seja elevado à dignidade, preeminência, e denominação de REINO DO BRASIL; Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império129 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Art. 2. Que os Meus Reinos de Portugal, Algarves, e Brasil formem dora em diante um só e único Reino debaixo do título de Reino Unido de Portugal, e do BRASIL, e ALGARVES; Art. 3. Que os Títulos inerentes à Coroa de Portugal, e de que até agora Hei feito uso, se substitua em todos os Diplomas, Cartas de Lei, Alvarás, Provisões, e Atos Públicos o novo Título de PRÍNCIPE REGENTE DO REINO UNIDO DE PROTUGAL, E DO BRASIL, E ALGRAVES DAQUÉM E DALÉM-MAR, EM ÁFRICA, DE GUINÉ, E DA CONQUISTA, NAVEGAÇÃO E COMÉRICO DA ETIÓPIA, ARÁBIA, PÉRSIA E ÍNDIA. (Decreto de elevação do Brasil a Reino Unido, extraído de BONAVIDES, Paulo e VIEIRA, Amaral. Textos políticos da história do Brasil. Fortaleza, s/e, 1973). Sobre a decisão tomada que se expressa no trecho do documento acima assinale a alternativa correta. A) Esta medida antecede e abriu caminho para uma outra medida, de caráter mais econômico: a Abertura dos Portos às Nações Amigas; B) A decisão foi a primeira medida administrativa tomada por D. João VI, após a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, diante das dificuldades diplomáticas com a França que havia invadido Portugal; C) A elevação do Brasil a Reino Unido foi o coroamento de uma política que se estabeleceu desde a chegada da corte ao Rio de Janeiro, uma vez que a política externa portuguesa passou a ser decidida no Brasil, contrariando os próprios interesses de classes dominantes portuguesas; D) Com a elevação a Reino Unido, o Brasil passava a ser reconhecido internacionalmente para poder declarar guerra à França e invadir a Guiana Francesa; E) Uma vez elevado o Brasil a Reino Unido, Dom Pedro I, na condição de Príncipe Regente, iniciou o processo de rompimento com Portugal e o caminho para a Independência ocorrida em setembro de 1822. Comentários: Esse documento, escrito no começo do século XIX, pela coroa portuguesa tem uma enorme importância histórica para o Brasil. A carta escrita durante o período de governo do rei de Portugal, Dom João VI está inserida no contexto da vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil e o período em que foi governado diretamente pelo rei português. O episódio histórico aconteceu após a invasão de Napoleão Bonaparte a Portugal no final de 1807 e a transferência da Corte para a colônia portuguesa na América. Em Portugal, por muito tempo, contaram essa história como a de um rei que fugiu, de um processo de “salve-se-quem- puder”, como anticolonialista ou absolutista. Já no Brasil, a chegada da família real, em janeiro de 1808, no contexto da expansão napoleônica, significou na visão dos historiadores a última etapa do nosso processo de independência e determinou quando e como se deu a Independência do Brasil. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 130 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Então, passemos a análise do período que vai de 1808, com a chegada da família, até 1822 com a Declaração da Independência do Brasil: a) Incorreto, pois a medida trazida pelo enunciado ocorreu após a abertura dos Portos às Nações Amigas. Esta medida ocorreu em 1808 e a referente ao decreto da união dos reinos ocorreu em 1815. b) Errado, pois a decisão trazida pelo decreto reproduzido no enunciado da questão ocorreu em 1815, ou seja, sete anos após a chegada da família real. Assim, não foi uma das primeiras medidas administrativas adotadas. Vale destacar que a abertura dos Portos às nações amigas foi uma das primeiras medidas adotadas por D. João no Brasil em 1808. c) Correto, porque a unificação dos reinos permitiu ao rei ampliar suas possibilidades de ações externas e diplomáticas diretamente da até então “colônia Brasil”. Com a elevação do Brasil a Reino Unido, os portugueses de Portugal ficaram descontentes, seja porque os negócios mudariam de “status”, seja porque a influência da nobreza portuguesa direta no Brasil passaria a diminuir. Isso porque, D. João VI se encontrava no Rio de Janeiro. Além disso, do ponto de vista diplomático, a alteração promovida pelo decreto trazido pelo enunciado permitiu à monarquia portuguesa participar do Congresso de Viena. d) Incorreto, pois o Brasil, na verdade o governo português no Brasil, invadiu a Guiana em 1809, como uma retaliação à ocupação de Portugal feita pelas tropas napoleônicas. A Guiana só foi devolvida depois dos acertos do Congresso de Viena. e) Incorreto. Após a elevação do Brasil a Reino Unido, Dom Pedro não iniciou de imediato o processo que culminaria na Independência do Brasil. Primeiro porque D. João VI era o rei governante, sendo que só em 1821 D. João VI volta para Portugal. Segundo porque a independência começa a ser arquitetada a partir dos desdobramento da Revolução do Porto, de 1820, ou seja, diferente do momento em que o decreto mencionado do enunciado nos Gabarito: B (URCA 2019) É o primeiro movimento que fala de independência e tem como uma de suas causas o aumento da exploração sobre a população local, em face da escassez de ouro para pagar os impostos devidos à Coroa Portuguesa. Estamos falando do movimento conhecido como: A) Revolução Farroupilha; B) Cabanagem; C) Conjuração Baiana; D) Inconfidência Mineira; E) Confederação do Equador. Comentários: Entre os movimentos de independências iniciados ao final do século XVIII no Brasil, eles tem como grande influência a propagação dos ideais iluministas colocados em prática pela Revolução Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 131 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Americana (1775-1783) e pela Revolução Francesa (1789). Assim, diferentemente dos movimentos anteriores a esse período, que tinham como pautas reivindicações locais, não unificadas e sem caráter separatista, os que sucederam essas revoluções tiveram como destaque a defesa de ideias republicanas, como a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Entre as revoltas, as que mais se destacaram foram três. Assinalemos qual foi a primeira rebelião de caráter emancipatório dentre as opções trazidas pela questão: a) Incorreto. A Revolução Farroupilha ocorreu entre os anos de 1835 e 1845. Portanto, não está inserido no contexto de independência do Brasil. Ele faz parte do que a historiografia chama como Período Regencial. b) Incorreto. Assim, como na alternativa acima, a Cabanagem foi uma revolta regencial. c) Incorreto. A conjuração baiana foi uma rebelião anticolonialista de fato, porém foi a segunda movimentações pró-independência no Brasil, atrás de uma outra conjuração que a inspirou 10 anos antes. d) Correto. A Inconfidência ou Conjuração Mineira foi o primeiro movimento separatista no Brasil, que tinha como preceito a formação de uma República, em território nacional. Próximos da temporalidade exposta nos comentários, os inconfidentes mineiros foram muito inspirados pelos ideais que efervesciam na França Revolucionária e no território norte-americano recém independente. e) Incorreto. A Confederação do Equador foi um movimento separatista após a independência do Brasil, não caracterizando o que se pede na questão. Gabarito: D (UECE 2019) Sobre a transferência da Corte portuguesa para o Brasil em 1808, é correto afirmar que a) ocorreu sem nenhum transtorno para a população do Rio de Janeiro, que recepcionou os nobres portugueses de forma planejada, sem que fossem necessárias grandes mudanças na cidade. b) foi provocada pela ameaça inglesa de invasão ao Brasil, caso Portugal aderisse ao Bloqueio Continental ao comércio britânico, imposto por Napoleão Bonaparte no decreto de Berlim, emitido em 1806. c) teve como causa direta a invasão das tropas francesas ao território português como forma de forçar a adesão do país luso ao bloqueio continental. d) somente foi realizada como forma de garantir o cumprimento do tratado de Fontainebleau, assinado com a França, que garantiaa mudança para o Brasil no caso de ameaça espanhola a Portugal. Comentários A letra A está errada, pois, conforme expliquei na aula: A família real instalou-se nos palácios dos vice-reis, as tropas ocuparam periferias e, para acomodar os nobres da corte, a coroa Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 132 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império emitiu ordem de desapropriação por interesse público. Ou seja, pessoas perderam suas casas de uma hora para outra. O proprietário ficava sabendo que tinha perdido a casa quando acordava e via as letras P.R pintadas na porta. As iniciais P.R se referiam à Príncipe Regente. Mas como somos o país do meme, logo circulou a “nova legenda”: ponha-se na rua!!!!! Ou seja, não foi nada tranquilo. A B está erra porque a pressão de retaliação militar partiu da França, e não da Inglaterra. Esta era aliada preferencial dos portugueses nos comércios. O cálculo da Coroa portuguesa para decidir pela transferência da Corte certamente incluiu possíveis retaliações por parte da Inglaterra. Contudo, a Inglaterra era mais parceira e, inclusive, bancou a transferência da Corte até o Brasil. Por isso, a C está correta. Sobre a alternativa D, ela distorce o que foi o Tratado de Fontainebleau. Este foi um acordo firmado entre as potências europeias em Fontainebleau, na França, que reconheceu a abdicação de Napoleão Bonaparte do trono francês e o mandou para o exílio na ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo, em 11 de abril de 1814. Gabarito: C (UECE 2018) Atente ao seguinte fragmento da obra da historiadora Emília Viotti da Costa, a respeito do processo de independência do Brasil: “A ordem econômica seria preservada, a escravidão mantida. A nação independente continuaria subordinada à economia colonial, passando do domínio português à tutela britânica. A fachada liberal construída pela elite europeizada ocultava a miséria e a escravidão da maioria dos habitantes do país. Conquistar a emancipação definitiva da nação, ampliar o significado dos princípios constitucionais seria tarefa relegada aos pósteros”. COSTA, Emília Viotti da. Introdução ao estudo da emancipação política do Brasil. In: MOTA, Carlos Guilherme (Org.). Brasil em perspectiva. 16. ed. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1987. p.125. Considerando o processo de independência do Brasil, assinale a afirmação verdadeira. a) Não ocorreu nenhuma ocultação dos reais problemas sociais e econômicos do país após a independência, já que a elite local buscou solucioná-los imediatamente. b) Apenas ocorreu a independência econômica do Brasil, mas não a política, pois a elite nacional europeizada submeteu-se aos interesses da Inglaterra. c) Pelo fato de a monarquia ter sido logo adotada como forma de governo, a independência não representou mudanças sociais significativas, pois estas ficariam a cargo de gerações futuras. d) Não houve acordo de independência com os Britânicos, que reagiram o quanto puderam à independência do Brasil, já que ela representaria a real autonomia econômica do país. Comentários Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 133 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império A letra A dá para considerar como errada só pelo bom senso, pois dificilmente os problemas sociais são resolvidos de forma imediata. Em particular, a elite brasileira formada após a declaração de independência do Brasil pretendia continuar com seus privilégios, de modo que, para mantê-los os demais cidadãos precisavam ser explorados. Ou seja, do ponto de vista estrutural, praticamente não houve alterações. Assim, a independência do Brasil, da forma como ocorreu, e a adoção da Monarquia adotada a partir da independência não representou mudanças significativas na estrutura do país, além da autonomia política. Diversos problemas persistiram até gerações futuras, como o privilégio econômico das elites agrárias e a continuidade da escravidão. Nesse sentido, podemos considerar a C como correta. A letra B inverte a correta relação, pois a independência econômica não foi alcançada. Vimos que, cada vez mais, os interesses ingleses se sobrepunham aos do Brasil. A Inglaterra, logo reconheceu a independência do Brasil. A alternativa D também está errada. Gabarito: C (UECE 2018) Ocorridos entre os meados do século XVII até as primeiras décadas do século XVIII, os movimentos nativistas apresentam-se como os primeiros sinais de uma crise do sistema colonial. Sobre esses movimentos, é correto afirmar que a) tinham como principal objetivo a separação política entre colônia e metrópole, com a autonomia administrativa e a formação de novas nações livres nas regiões onde ocorriam. b) em Minas Gerais, com a Guerra dos Emboabas e a Revolta de Felipe dos Santos, no Maranhão, com a Revolta dos Beckman, e em Pernambuco, com a Insurreição Pernambucana e a Guerra dos Mascates, aparecem as divergências entre os interesses dos colonos e os da metrópole. c) ocorreram somente em locais que vivenciavam crises econômicas, como o Rio Grande do Sul (Farroupilha 1835-1845) e Pernambuco (Revolução Pernambucana de 1817). d) somente a Confederação do Equador, ocorrida no nordeste brasileiro, pode ser tomada como um legítimo movimento nativista, uma vez que não pretendia a separação política em relação a Portugal, mas, somente, maior autonomia administrativa. Comentários Vimos na aula que as assim chamadas Revoltas Nativistas, ou Revoltas Coloniais, não objetivavam a separação com a Metrópole. Essas Revoltas questionavam, direta ou indiretamente, aspectos do Pacto Colonial, em geral, aqueles relacionados aos abusos da Coroa. Assim a A está errada. Além disso, essas Revoltas ocorreram em diversos pontos do Brasil, por isso, a alternativa C está errada. Nosso gabarito é a letra B o que, inclusive, excluí a alternativa D. Gabarito: B (UECE 2018) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 134 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Leia atentamente o seguinte excerto: “O papel de herói da Inconfidência Mineira cabe ainda a Tiradentes porque ele foi o inconfidente que recebeu a pena maior: a morte na forca, uma vez que o próprio réu, durante a devassa, assumiu para si toda a culpa. Sabe-se, no entanto, que sua morte se deve também em grande parte à acusação dos demais inconfidentes, bem como a sua condição social: pertencente à camada média da sociedade mineira, sem importantes ligações de família, sem ilustração nem boas maneiras”. Cândida Vilares Gancho & Vera Vilhena de Toledo. Inconfidência Mineira. São Paulo, Editora Ática, Série Princípios,1991. p.45. Sobre a Inconfidência Mineira, ocorrida em Vila Rica no período da mineração aurífera, é correto afirmar que A) representou o exemplo de revolta popular contra a dominação colonial portuguesa no Brasil, uma vez que, oriunda das camadas mais humildes de Minas Gerais, inclusive escravos, chegou a contagiar indivíduos pertencentes às mais altas posições sociais. B) foi uma representação dos interesses de grupos da elite local, intelectuais, religiosos, militares e fazendeiros, em livrarem-se do controle e dos impostos cobrados pela coroa portuguesa na região, mas não havia consenso em relação à libertação dos escravos. C) marcou o início do processo de independência do Brasil, baseado na luta armada do povo contra as forças leais a Portugal, e em defesa dos ideais liberais e republicanos, como o fim da escravidão, direito ao voto universal masculino e governo presidencialista. D) apesar de bem-sucedida, com a Proclamação da Independência de Minas Gerais, teve pouco impacto na história do Brasil, uma vez que seus objetivos extremamente populares não foram bem aceitos pelas elites econômicas de outras regiões da colônia. Comentários: O texto aborda as consequências que a Inconfidência Mineira trouxe para acolônia brasileira. Por trás dessa rebelião estão diversos fatores que culminaram nela. Estes vão desde problemas político-administrativos e econômicos, como o rigor da política metropolitana em cobrar tributos, até conjunturais, como a restrição do acesso da elite local a postos importantes da administração régia, entre outros. Tudo isso gerou um sentimento de insatisfação entre as elites e os homens de classe média, que viam seus interesses não serem atendidos graças ao monopólio e a exploração do pacto colonial feito pela metrópole na região de Minas. Assim, muito influenciado pelo movimento iluminista na Europa, os inconfidentes, em sua maioria composta por homens letrados, membros da elite local e da Igreja formaram a primeira conjuração de caráter emancipatória e republicana dentro do Brasil. Então, entre as características dessa revolta, vejamos qual alternativa se encaixa melhor com a Inconfidência: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 135 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império a) Incorreto. Essa revolta teve caráter predominantemente elitista, com baixa participação popular da sociedade mineira. Entre seus destaques mais humildes, está José da Silva Xavier, o Tiradentes. Ele foi dentista, tropeiro, minerador, comerciante, militar e ativista político brasileiro. Era responsável por conectar as camadas mais pobres da população ao movimento, sem muito sucesso. Ficou marcado pela brutalidade da sua pena, ao ser condenado a morte pela metrópole portuguesa. Entre os inconfidentes, não era uma unanimidade a vontade de abolir a escravidão. Por esse motivo a conjuração não foi considerada popular. b) Correto. Como abordado acima, a rebelião na Região de Minas Gerais esteve mais associada a elite local, devido à falta de consenso entre seus líderes com a questão de libertação dos escravos. Isso fez que a maior parte de sua população, composta por escravos negros que trabalhavam nas regiões auríferas não tivessem interesse no movimento. c) Incorreto. Mesmo que a Revolta tenha servido de inspiração para outras conjurações de cunho separatista anos mais tarde, ela não foi um processo que teve a participação direta do povo, além de não defender abertamente a abolição da escravidão e o direito a voto universal masculino. d) Incorreto. A proclamação de independência de Minas Gerais não foi bem-sucedida. Pelo contrário, dentro do movimento muitos inconfidentes traíram seu grupo para terem dívidas com a coroa perdoadas, caso entregassem seus líderes. Além disso, seus interesses não eram de cunho popular. Gabarito: B (UECE 2017) Atente ao seguinte enunciado: “Nove anos após a Inconfidência Mineira, idealizada e liderada por membros da elite da capitania de Minas Gerais (advogados, magistrados, militares, padres e ricos contratantes), uma nova revolta ocorreu na Colônia, contra a dominação portuguesa. Essa, entretanto, não ficou restrita a um pequeno grupo da elite de brancos e intelectuais ou às ideias políticas liberais. Teve a participação e mesmo a liderança de pessoas oriundas dos grupos desprivilegiados (mulatos, brancos pobres, negros livres e escravos), dela participaram o médico Cipriano José Barata de Almeida, os soldados Lucas Dantas do Amorim Torres e Luís Gonzaga das Virgens e os alfaiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos Lira. Seus objetivos incluíam, além da autonomia em relação a Portugal, a implantação de um governo republicano, a busca por igualdade racial com a abolição da escravidão e o fim dos privilégios sociais e econômicos das elites, com a diminuição dos impostos e com aumentos salariais para o povo”. O enunciado acima se refere ao movimento separatista colonial denominado e) Revolução Pernambucana, de 1817. f) Revolução Praieira, de 1848. g) Confederação do Equador, de 1824. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 136 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império h) Conjuração Baiana, de 1798. Comentários Logo no início do texto há uma dica preciosa para Gabaritarmos a questão, pois é afirmado que a uma nova revolta ocorreu logo após a Conjuração Mineira. Dessa forma, como vimos na aula, em 1789 ocorreu o movimento nas Minas Gerais e, em 1798, o movimento na Bahia. Agora, o texto também nos apresenta elementos comparativos importantes: a Inconfidência Mineira teve um caráter mais elitista, enquanto a Conjuração Baiana abarcou classes mais populares. Diante disso, nosso Gabarito é a letra D. Gabarito: D (UECE 2016) Atente ao que se diz a respeito dos dois partidos políticos denominados Partido Português e Partido Brasileiro, considerando os acontecimentos que culminaram com o processo de emancipação política brasileira de 1822. I. O Partido Português, composto em sua maioria por comerciantes portugueses, gostaria de ver mantidos os privilégios a eles proporcionados pela estrutura colonial e desejava o retorno de Dom Pedro a Portugal para que as medidas recolonizadoras fossem aplicadas. II. O Partido Brasileiro reunia burocratas, grandes proprietários de terras, advogados e investidores urbanos nascidos no Brasil. Esse grupo foi privilegiado pela abertura dos portos de 1808 e gostaria que fosse mantida a elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal e Algarves. Acerca das duas proposições acima, é correto afirmar que a) ambas são verdadeiras. b) I é falsa e II é verdadeira. c) ambas são falsas. d) I é verdadeira e II é falsa. Comentários Tanto o Partido Brasileiro, quanto o Português foram criados no contexto do movimento pró- independência. O Partido Brasileiro, que juntava pessoas de diversos pensamentos e posições políticas, mas que se uniram momentaneamente para conseguir o feito de Proclamar a Independência mantendo a integridade do território. A ideia era apoiar Dom Pedro I, que, em tese, teria mais legitimidade real para continuar governando o Brasil, sem que ocorresse nesse território o que se viu na América Latina, a fragmentação política que serviu para o caudilhismo dos interesses locais. Ou se, os partidários dessa linha defendiam a elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal e Algarves (movimento pró-independência). Já o Partido Português reunia os representes que não queriam a separação com Portugal, pois, com a manutenção dos vínculos, os interesses econômicos e privilégios de seus membros e apoiadores portugueses poderiam ser mantidos. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 137 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Gabarito: A (UECE 2016) Atente às seguintes afirmações acerca da Inconfidência Mineira (1789): I. A constituição de um regime republicano no Brasil estava entre os objetivos de boa parte dos conspiradores de Vila Rica. II. Havia, por parte dos inconfidentes, a preocupação com o desenvolvimento de produtos manufaturados, pois objetivavam a diminuição da dependência de artigos importados. III. Constituía interesse dos conspiradores a criação de uma nova capital localizada em uma área mais favorável à expansão da lavoura e da pecuária — atividades fundamentais para a subsistência dos mineradores. Está correto o que se afirma em A) I e II apenas. B) I e III apenas. C) II e III apenas. D) I, II e III Comentários: Essa questão aborda um dos principais movimentos sociais ocorridos em território nacional no século XVIII. A Conjuração ou Inconfidência Mineira (1789), como fincou conhecida, foi uma revolta anticolonial, de caráter elitista e republicana. Provavelmente, foi o primeiro movimento colonial a receber influência direta dos ideais iluministas. Em 1781, um grupo de estudantes brasileiros, em Coimbra, jurou dedicação à causa da soberania da colônia, por exemplo. Ficou restrito às Minas Gerais e com simpatia de grupos iluminista no Rio de Janeiro. Visto algumas das características dessa Conjuração,assinalemos as afirmações corretas sobre o tema: I. Correto. A partir de meados de 1780, o projeto apareceu com a proposta de uma “República Florente”. Tiradentes, um de seus líderes, era o mais ativo propagandista dessas ideias e contribuiu fortemente para disseminá-la no interior de uma rede de grupos de pessoas de variadas camadas sociais. II. Correto. Uma das propostas do programa político dos inconfidentes era o apoio a industrialização no Brasil, e isso passava pelo desenvolvimento das manufaturas no país, ao passo que os artigos importados fossem diminuindo. III. Correto. Os revoltosos queriam que sua nova república tivesse como capital a cidade de São João Del Rey, e não o Rio de Janeiro (que acabava por se tornar a capital da colônia do Brasil em 1763). Portanto, a resposta correta é a letra (D). Gabarito: D Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 138 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império (UECE 2015) A Historiografia do Brasil registra várias revoltas e insurreições ‒ ações situadas no âmbito do contexto social, político e econômico do Brasil colonial que expressavam a insatisfação dos vários grupos sociais com os poderes instituídos. Assinale a opção que apresenta somente movimentos ocorridos nesse período. e) Inconfidência Mineira, Conjuração dos Alfaiates, Revolução Pernambucana. f) Inconfidência Mineira, Balaiada e Conjuração dos Alfaiates. g) Balaiada, Cabanagem e Revolução Pernambucana. h) Revolução Praieira, Inconfidência Mineira, Revolução Pernambucana. Comentários Atenção, o comanda da questão afirma que o objetivo é identificar revoltas no Brasil colonial, ou seja, até 1822. A Balaiada, por exemplo, é datada de 1838, no Maranhão. Por isso, deve ser descartada. Ficamos entre a A e a D. Já a Revolução Praieira, em Pernambuco, aconteceu entre 1848 e 1850, ou seja, também deve ser descarta. Quanto a data das demais: Inconfidência Mineira: 1789 Conjuração dos Alfaiates ou Baiana: 1797 Revolução Pernambucana: 1817. Gabarito: A (UECE 2015) “No dia 17 de janeiro de 1808, a Real Casa de Bragança chega ao Rio de Janeiro, após 45 dias navegando pelos mares do Atlântico Sul, com rápida estada em Salvador.” AZEVEDO, Francisca L. Carlota Joaquina na Corte do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira 2003, p. 69. O principal resultado da transferência da Corte Portuguesa para o Brasil foi e) a abertura dos portos e o consequente rompimento do pacto colonial. f) a autonomia política e econômica do Brasil em relação a Portugal. g) o colapso do sistema econômico brasileiro baseado na mão de obra escrava. h) o fim do sistema colonial e a instauração do regime republicano no Brasil. Comentários Com a vinda da família real para o Brasil, a condição de colônia do Brasil, sustentada pelo Pacto Colonial, foi dissolvida. Isso porque, a administração da monarquia portuguesa passou a ser no próprio Brasil. Diante disso, não havia mais sentido manter o exclusivo comercial, ou seja, os portos foram abertos para negócios com outras nações. A B está errada porque o Brasil continuou vinculado à monarquia portuguesa, então, não há que se falar em autonomia em relação a Portugal. O sistema escravista não entrou em crise, manteve-se a economia Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 139 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império baseada na mão de obra escrava. A D está errada pois a monarquia continuo como a forma de governo e de Estado na administração brasileira. Gabarito: A (UECE 2008) Sobre a Inconfidência Mineira (1789), são feitas as seguintes afirmações: IV. Estava entre os objetivos de boa parte dos conspiradores de Vila Rica, a constituição de um regime republicano no Brasil. V. Havia, também, por parte dos inconfidentes, a preocupação com o desenvolvimento de produtos manufaturados ou, em outras palavras, objetivavam a diminuição da dependência de artigos importados. VI. A nova capital seria transferida para Belo Horizonte, por encontrar-se localizada numa área mais favorável para a expansão da lavoura e da pecuária. Assinale o correto. a) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras. b) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras. c) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras. d) Todas as afirmações são verdadeiras. Comentários O item III possui um erro mais aparente, pois o debate era para transferir a capital para São João Del Rey, um local próximo às minas de ouro. Já as alternativas I e II estão corretas. Gabarito: A (Ufsc 2016) 4000104434 Portugal não deu trégua aos moradores da América. Farejava oportunidade de tributar onde germinassem riquezas. Os engenhos começavam a moer cana-de-açúcar e já apareciam taxas para as caixas de açúcar; uma nova taberna abria as portas e os barris de vinho chegavam mais caros. O gado que pisava nos pastos exigia do seu dono uma contribuição; os carregadores que palmilhavam os caminhos deixavam nas contagens um pagamento pelos secos e molhados que as tropas levavam [...]. Esse fiscalismo assombrou o Brasil. Mas assombravam mais ainda as reações da população. Um furacão de revoltas contra os impostos varreu a colônia. Revoltas, mas também rumores, pasquins, abaixo-assinados, conspirações. FIGUEIREDO, Luciano. Morte aos impostos! Viva o rei. Revista de História, jul. 2007.Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/morte-aos- impostos-viva-o-rei>. Acesso em: 17 ago. 2015. Sobre as tensões, os conflitos e as resistências na América portuguesa, é CORRETO afirmar que: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 140 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 01. o estopim que deu início à Conjuração Mineira (1789) foi o Decreto da Derrama, cobrança dos impostos devidos que mobilizou os mineradores a pegar em armas e efetivar o levante contra a coroa portuguesa. 02. no cenário que desencadeou a Revolta dos Beckman (1684) estavam as altas taxas cobradas pela Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão para o embarque de mercadorias e a falta de fornecimento de escravos, o que contribuiu para a insatisfação dos colonos. 04. para combater o contrabando e aumentar a arrecadação de impostos, foram instituídas as Casas de Fundição na região das minas, contra as quais se organizou um levante liderado pelos mineradores com tumultos em várias vilas da região. 08. os movimentos da Conjuração Mineira (1789) e da Conjuração Baiana (1798) tinham como finalidade criar uma nação brasileira, pois seus integrantes almejavam a independência de toda a América portuguesa. 16. as mortes por enforcamento de personagens como Filipe dos Santos e Manuel Beckman representam casos únicos de punição aos revoltosos. Comentários Pelas alternativas, é possível perceber que o tema da questão são as revoltas coloniais na América portuguesa, ou seja, estamos falando de um período que vai desde o fim da União Ibérica até a independência do Brasil. Naquele contexto, o Império português passava por uma crise, pois os principais produtos produzidos na colônia tinham que competir com outras colônias europeias na América que começaram a produzir as mesmas matérias-primas, como o açúcar. Além disso, no final do século XVIII a extração aurífera estava em decadência, uma vez que as reservas naturais de ouro nas Minas Gerais estavam se esgotando depois da intensa exploração que ocorria desde fins do século XVII. Em razão disso, Portugal iniciou uma série de reformas para aperfeiçoar seu controle sobre o Brasil de modo e garantir a arrecadação de grandes quantias de capital por meio de novos impostos. Aumentaram os impostos principalmente sobre a extração de ouro e sobre os produtos importados. Recorde que o Brasil não podia comprar produtos importados de outras nações que não Portugal, por causa do Pacto Colonial. Foram essasreformas que motivaram elites e outros setores da sociedade colonial a dar início a uma série de revoltas. É importante lembrar que todas os levantes compreendidos nesse contexto não queriam necessariamente a mesma coisa. Algumas delas compartilhavam certos princípios ideológicos, mas divergiam em seus objetivos. Por exemplo, praticamente todas elas reivindicação o fim ou a diminuição dos impostos, mas nem todas defendiam a independência do Brasil ou mesmo de sua região. Algumas delas foram apenas conflitos entre diferentes grupos da sociedade colonial. Com isso em mente, vamos avaliar quais são verdadeiras e quais são falsas entre as alternativas propostas: 01. Incorreto! O estopim do movimento foi a chegada do novo governador da capitania das Minas Gerais, o Visconde de Barbacena, em julho de 1788, com instruções detalhadas da Coroa para implementar uma ampla e profunda reforma em todo o sistema tributário. Barbacena insistiu na imposição da derrama no início de 1789. Contudo, o levante não chegou a acontecer, pois foi delatado por um dos seus conspiracionistas. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 141 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 02. Correto. A Revolta de Beckman aconteceu pela insatisfação da população de São Luís, no Maranhão, com o monopólio exercido pela Companhia de Comércio do Maranhão e com a ação dos jesuítas contra a escravização dos indígenas. A Companhia de Comércio do Maranhão deveria possibilitar a entrada de escravos africanos na região, contudo, essa promessa nunca foi cumprida. 04. Correto. A atividade mineradora no Brasil Colônia exercida a partir do final do século XVII levou a Coroa portuguesa a intensificar a fiscalização na cobrança dos tributos. As Casas de Fundição eram os mais antigos órgãos encarregados da arrecadação dos tributos sobre a mineração. Contudo, prejudicaram os poucos lucros que os exploradores das minas poderiam ter. Esse fato aumentou a insatisfação popular, resultando na Revolta de Vila Rica, em 1720. As principais exigências dos rebeldes eram a redução dos preços dos alimentos e a anulação do decreto que criava as casas de fundição. 08. Incorreto! Ainda que a Conjuração Baiana (1798) e Inconfidência Mineira (1789) tenham sido movimentos emancipacionistas em relação à Coroa Portuguesa, ambas revoltas desejavam apenas a independência de suas províncias em relação à Portugal. 17. Incorreto! A Coroa Portuguesa reprimia movimentos revoltosos com bastante violência. Podemos destacar o caso da Inconfidência Mineira, em que Tiradentes fora esquartejado para servir de “exemplo” aos conspiracionistas descobertos. Gabarito: 02 + 04 = 06. (UFSC– 2009) Leia o texto abaixo com atenção. “A fuga da família real portuguesa para o Brasil abriu o único período na história em que um império colonial foi governado de fora da Europa. Em 1807, sob forte pressão britânica e com o imperador francês Napoleão Bonaparte expandindo seu poder pelo continente, Dom João 6o [sic], então príncipe regente de Portugal, decide transferir a sede do reino para o Rio de Janeiro. Apesar de planejada e debatida por muito tempo, a mudança se deu de modo atabalhoado e às pressas. Nem todos os que deveriam viajar conseguiram embarcar, e o mesmo aconteceu com parte da bagagem, incluindo os livros da biblioteca real, abandonados em caixotes. Quando a frota portuguesa partiu, amparada por navios ingleses, as tropas do general francês Junot se aproximavam de Lisboa.” Colombo, Sylvia. Confronto e Calmaria. Folha de São Paulo, São Paulo, 2 mar. 2008. Especial, p. 2. Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre a história ibérica, assinale a(s) proposição(ões) correta(s). 01. O deslocamento da Família Real de Lisboa para o Brasil, em 1808, foi provocado pelas ameaças de invasão militar dos ingleses e a ingenuidade política do rei D. João VI, que assumiu o poder após a morte de sua mãe, D. Maria, a Louca. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 142 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 02. A instalação da corte portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808, transformou o Brasil no único exemplo da história ocidental em que um império colonial foi governado de fora da Europa. 04. Durante o século XIX, pressionado pelos ingleses e com a invasão dos seus territórios pelas tropas francesas, o rei da Espanha decidiu seguir o exemplo de D. João VI e transferiu a sede do governo para Buenos Aires. 08. A viagem da corte portuguesa para o Brasil foi planejada desde 1807 e permitiu um transcurso direto, rápido e tranqüilo até o Rio de Janeiro, cidade que dispunha de alojamentos suficientes para hospedar um número superior a 10 mil nobres lusitanos. 16. A transferência da sede administrativa do reino português para o Rio de Janeiro exigiu a criação de instituições como o Banco do Brasil, a Imprensa Real e a Academia Militar. 32. Instalados no Rio de Janeiro, os nobres portugueses conviveram com epidemias de malária e ataques de pulgas e piolhos. A princesa Carlota Joaquina perdeu a vida ao contrair dengue hemorrágico, frustrando seu projeto de invasão da Argentina. Comentários: A transferência da corte para o Brasil ocorreu em razão da invasão napoleônica em Portugal. Importante lembrar que essa “fuga” contou com o apoio da Inglaterra, alvo do bloqueio continental decretado por Napoleão em 1806. Ao chegar em terras brasileiras, em 1808, D. João VI tomou uma série de medidas em diferentes âmbitos na tentativa de “montar um país”, já que as principais decisões do Império agora eram feitas na colônia. Com isso, vejamos as proposições: 1. Incorreta. Conforme discutimos, a Família Real veio para o Brasil em razão da invasão francesa em Portugal. 2. Correta. Essa informação está presente no próprio texto. 4. Incorreta. O Rei da Espanha continuou lá mesmo com a invasão. 8. Incorreta. Apesar de ter sido discutida anteriormente, a vinda da Família Real para o Brasil foi às pressas. Além disso, o Rio de Janeiro não tinha estrutura suficiente para comportar toda a Corte Portuguesa. 16. Correta. Para adequar o Brasil às novas demandas, D. João VI criou novas instituições como o Banco do Brasil, a Academia de Polícia e a Imprensa Régia. 32. Incorreta. Carlota Joaquina era esposa do Rei, portanto, Rainha. Além disso, ela não morreu de dengue. Gabarito: 18 (UFSC– 2004) Assinale a(s) proposição(ões) VERDADEIRA(S) em relação ao processo de independência do Brasil. 01. No período colonial ocorreram numerosos motins e sedições como: a Aclamação de Amador Bueno, em São Paulo; a Guerra dos Emboabas e a Revolta de Vila Rica, em Minas Gerais. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 143 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 02. A revolta em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, liderada pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, apressou os planos de D. Pedro, apoiado pela aristocracia. Forçado pelas circunstâncias, teve de proclamar a independência. 04. A independência do Brasil, a sete de setembro de 1822, atendeu aos interesses da elite social do Brasil Colônia e da burguesia portuguesa favorecida pelo decreto de Abertura dos Portos de 1808. 08. A independência, proclamada por D. Pedro, foi aceita incondicionalmente por todas as províncias. 16. A Maçonaria no Brasil, no século XIX, defendia os princípios liberais. As Lojas Maçônicas, em especial as do Rio de Janeiro, tiveram papel importante no movimento pela separação do Brasil de Portugal. Comentários: A questão aborda diversas etapas e elementos relacionados ao processo de independência do Brasil. Dessa forma, vamos analisar individualmente cada proposição: 1. Correta. O período colonial compreende o período de 1500 à 1822 da história brasileiro. Vamos relembrar em que ano ocorreram essas revoltas: - Aclamação de Amador Bueno: 1641 - Guerra dos Emboabas:1707-1709 - Revolta de Vila Rica: 1720 Portanto, todas elas estão inseridas no período colonial. 2. Incorreta. Joaquim José da Silva Xavier é o famoso Tiradentes. Ele participou da Inconfidência Mineira na década de 1780 e atuou politicamente no Rio de Janeiro também. No entanto, ele foi morto em 1792, 30 anos antes da proclamação da independência. 4. Incorreta. De fato, a independência foi um processo político elaborado pela elite colonial e, portanto, a favorecia. No entanto, a burguesia portuguesa nesse momento defendia uma “recolonização” do Brasil. 8. Incorreta. Nem todas as províncias aceitaram a independência incondicionalmente. 16. Correta. A Maçonaria no Brasil foi um importante elemento para a emancipação política brasileira. Gabarito: 17 (UFSC– 2016) Portugal não deu trégua aos moradores da América. Farejava oportunidade de tributar onde germinassem riquezas. Os engenhos começavam a moer cana-de-açúcar e já apareciam taxas para as caixas de açúcar; uma nova taberna abria as portas e os barris de vinho chegavam mais caros. O gado que pisava nos pastos exigia do seu dono uma contribuição; os carregadores que palmilhavam os caminhos deixavam nas contagens um pagamento pelos secos e molhados que as tropas levavam [...]. Esse fiscalismo assombrou o Brasil. Mas assombravam mais ainda as reações da população. Um furacão de revoltas contra os impostos varreu a colônia. Revoltas, mas também rumores, pasquins, abaixo-assinados, conspirações. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 144 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império FIGUEIREDO, Luciano. Morte aos impostos! Viva o rei. Revista de História, jul. 2007. Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/morte-aos-impostos-viva- o-rei>. Acesso em: 17 ago. 2015. Sobre as tensões, os conflitos e as resistências na América portuguesa, é CORRETO afirmar que: 01. o estopim que deu início à Conjuração Mineira (1789) foi o Decreto da Derrama, cobrança dos impostos devidos que mobilizou os mineradores a pegar em armas e efetivar o levante contra a coroa portuguesa. 02. no cenário que desencadeou a Revolta dos Beckman (1684) estavam as altas taxas cobradas pela Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão para o embarque de mercadorias e a falta de fornecimento de escravos, o que contribuiu para a insatisfação dos colonos. 04. para combater o contrabando e aumentar a arrecadação de impostos, foram instituídas as Casas de Fundição na região das minas, contra as quais se organizou um levante liderado pelos mineradores com tumultos em várias vilas da região. 08. os movimentos da Conjuração Mineira (1789) e da Conjuração Baiana (1798) tinham como finalidade criar uma nação brasileira, pois seus integrantes almejavam a independência de toda a América portuguesa. 16. as mortes por enforcamento de personagens como Filipe dos Santos e Manuel Beckman representam casos únicos de punição aos revoltosos. Comentários: Essa questão é interessante porque é quase uma revisão geral sobre Brasil Colônia. Vejamos as proposições: 1. Incorreta. O motim da Conjuração Mineira estava organizado para o dia da derrama. 2. Correta. Estudamos sobre essa revolta na aula 7. Vamos relembrar um pouco o que aconteceu: Com a criação da Companhia de Comércio do Maranhão – que tinha como objetivo monopolizar a exportação das drogas do sertão – a situação do Maranhão, que já era de escassez e pobreza, ficou muito pior. Isso porque o Maranhão não tinha tanta disponibilidade de drogas do sertão e de escravos e, com a Companhia, os tributos sobre as mercadorias aumentaram muito. Nesse contexto, em 1684, eclodiu a Revolta dos irmãos Beckman. 4. Correta. A partir de 1719, a Coroa Portuguesa passou a intensificar a cobrança de impostos através das Casas de Fundição. Era o famoso quinto, que quinto consistia na entrega à Metrópole da quinta parte (20%) do ouro extraído nas minas. Nas Casas de Fundição, o ouro era fundido, em barras, o que facilitava o controle sobre sua circulação, garantia a eficiência da cobrança e evitava o contrabando, realizado geralmente com o ouro em pó. Isso desagradava muito os mineradores, que organizaram levantes por toda a região. 8. Incorreta. Na Conjuração Mineira, a ideia era libertar a região das Minas e o Rio de Janeiro, não o Brasil inteiro. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 145 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 16. Incorreta. Diversos foram os casos de morte como punição aos revoltosos, como ocorreu com Tiradentes em 1792. Gabarito: 6 (UEM 2019) Sobre o período de domínio português nos territórios da América, os quais viriam a se constituir no Brasil, assinale o que for correto. 01) A sociedade que se desenvolveu no litoral do atual Nordeste brasileiro tinha características aristocráticas; era dominada por um grupo de proprietários rurais e patriarcais, centrado no poder do chefe de família, o patriarca. 02) Entre as várias rebeliões e revoltas que ocorreram naquele período, a Inconfidência Mineira (1789) foi a mais radical. Seu programa de governo pregava a instalação de uma monarquia brasileira e a imediata abolição da escravidão. 04) Os primeiros trabalhadores europeus assalariados livres chegaram ao Brasil somente no século XVIII, para trabalhar nas fazendas de café de São Paulo e de criação de gado em Minas Gerais. Esse fato deu origem à expressão “política do café com leite”. 08) A administração pública das vilas estava a cargo das câmaras municipais, também chamadas de Senado da Câmara, órgãos formados por vereadores eleitos pelos chamados “homens bons”. 16) No século XVIII, além da produção açucareira, principalmente no Nordeste, e da mineração, principalmente na região central do atual território brasileiro, desenvolviam-se também a pecuária, a produção de gêneros de subsistência e outras atividades econômicas. Comentários A afirmativa 02 está incorreta porque a Inconfidência Mineira buscava a adoção da República e não reivindicava a abolição da escravatura. A afirmativa 04 está incorreta porque a Política do Café-com-Leite foi um mecanismo político típico da República Oligárquica, entre 1905 e 1930. Veremos esse assunto em aula futura. Gabarito: 01 + 08 + 16 = 25. (UEM 2019) Sobre o período entre a vinda da Família Real portuguesa para o Brasil (1808) e a Proclamação da Independência brasileira (1822), e assuntos correlatos, assinale o que for correto. 01) A vinda da Corte para o Brasil relaciona-se às pressões sofridas pela Coroa portuguesa decorrentes do Bloqueio Continental estabelecido por Napoleão Bonaparte contra a Inglaterra. 02) Com a abertura dos portos às nações amigas, estabelecida por D. João logo após a chegada da Corte, os produtores brasileiros puderam iniciar a exportação de seus produtos Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 146 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império diretamente para a França, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros naquele País. 04) Apesar do crescimento urbano que vinha ocorrendo desde o século anterior, principalmente nas regiões de mineração, quando a Família Real chegou ao Brasil encontrou uma sociedade predominantemente agrária. 08) Foi criado o Museu Real, constituído para acolher coleções e materiais diversos nas áreas de História Natural para fins de estudo e pesquisa. Posteriormente, transformou-se no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, recentemente destruído pelo fogo. 16) Com a chegada da Corte foi necessário criar uma estrutura administrativa que pudesse enfrentar as novas necessidades de gestão do poder público surgidas com a transferência da sede do império luso. Comentários A afirmativa 02 está incorreta porque a Abertura dos Portos possibilitou que outros países, além de Portugal, vendessemseus produtos no Brasil, ou seja, possibilitou o aumento das importações para o Brasil, não o aumento das exportações brasileiras. Gabarito: 01 + 04 + 08 + 16 = 29. (Uem 2016) 4000110557 A Inconfidência Mineira (1789) foi um dos primeiros movimentos a propor o rompimento com o pacto colonial e a adotar a perspectiva de uma nação independente, fundamentada em novas bases. Sobre o ideário político-filosófico dos inconfidentes, assinale o que for correto. 01) Com relação aos princípios libertários antidespotistas, Voltaire, Montesquieu, Rousseau, entre outros pensadores iluministas, influenciaram os inconfidentes. 02) A Constituição Norte-Americana e a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América serviram de motivação para os inconfidentes, pois valorizavam a autonomia americana em face ao colonialismo inglês. 04) As ideias políticas dos inconfidentes refletiram os valores da classe baixa e popular do Brasil. 08) Ideais republicanos originados na Europa, como anticolonialismo, antimilitarismo e anticlericalismo, foram adaptados pelos inconfidentes, isto é, modificados de forma a atender seus interesses. 16) Inspirados pela Revolução Francesa, cujo lema é liberdade, igualdade e fraternidade, as pretensões revolucionárias dos inconfidentes visavam, em primeiro lugar, a abolição da escravatura. Comentários Facilitando a nossa vida, o enunciado deixa bem claro quais são o tempo, espaço e tema da questão. Trata-se do ano de 1789, em Minas Gerais, momento que ocorreu a Inconfidência Mineira. É importante lembrar que a Inconfidência estava inseria em um contexto no qual ocorriam Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 147 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império outras revoltas, mas nem todas queriam necessariamente a mesma coisa. Algumas delas compartilhavam certos princípios ideológicos, mas divergiam em seus objetivos. Por exemplo, praticamente todas elas reivindicavam o fim ou a diminuição dos impostos, mas nem todas defendiam a independência do Brasil ou mesmo de sua região. Algumas delas foram apenas conflitos entre diferentes grupos da sociedade colonial. O levante mineiro que acabou não acontecendo era uma daquelas que queriam a independência da própria região, não de todo o Brasil. Com isso em mente, vejamos quais são corretas: 01) Correta! Como eu disse no comentário, derrubar impostos e conseguir independência política eram os principais objetivos dos inconfidentes. Lembra-se que o iluminismo e o liberalismo defendiam essas coisas também? Entre as principais ideias dessas ideologias que mais tiveram recepção nas elites mineiras estavam o republicanismo, a liberdade econômica, a igualdade jurídica, o direito à autodeterminação dos povos e a autonomia política. Essas eram justamente as ideias defendidas pelos filósofos citados. 02) Correta! O movimento de independência dos EUA foi influenciado por ideias e práticas liberais propagadas pelo iluminismo. Foi a primeira revolução inspirada nessas ideias e ocorreu em 1776, antes mesmo da Revolução Francesa. Por isso mesmo, inspirou outras colônias e até setores das sociedades europeias que se sentiam injustiçados pelos seus governos. Portanto, os promotores da Inconfidência Mineira, também influenciados pelo iluminismo e pelo liberalismo, viam um exemplo a ser seguido. Inclusive, como vimos em aula, um dos inconfidentes até chegou a se encontrar secretamente com Thomas Jefferson, um dos líderes da revolução norte-americana, enquanto esteve na Europa. Contudo, não conseguiu seu apoio oficial, pois os Estados Unidos foram extremamente cautelosos no apoio às guerras de independência das demais colônias, só dando seu apoio explicitamente após a independência ter sido conquistada por elas. 04) Incorreta. A Inconfidência Mineira foi um movimento organizado majoritariamente pelas elites coloniais de Minas Gerais, portanto as ideias políticas que reivindicavam estavam mais ligadas a seus interesses, não aos das classes mais baixas da sociedade. 08) Correta! Quando falamos que o iluminismo influenciou essa e outras revoltas na América não devemos achar que foi um simples “copiar e colar”. Os colonos se apropriavam das ideias e valores que mais serviam aos seus interesses e as adaptavam para sua realidade. Para termos um exemplo, na França revolucionária também influenciada pelo iluminismo, foram instauradas repúblicas em mais de uma ocasião. Contudo, nem sempre esses governos republicanos concordavam com o fim do colonialismo francês ou da escravidão. Somente a República Jacobina defendeu essas coisas, mas os governos do Diretório, do Consulado e outros minimamente republicanos não reivindicaram essas mudanças específicas. Por seu turno, no caso das revoltas coloniais nas Américas, o anticolonialismo era a ideia principal, pois tratava-se justamente em romper com o domínio europeu para instalar uma república, como no caso dos inconfidentes. Ressalto, porém, que o movimento mineiro não queria o fim da escravidão. Essa pauta também variava de acordo com a composição das lideranças das revoltas e a região em que se davam. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 148 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 16) Incorreta. Toda movimentação em torno do que resultaria na elaboração dos planos para a Inconfidência Mineira ocorreu antes da Revolução Francesa. Esta só ocorreu em julho de 1789. Por sua vez, as ideias de independência começaram a circular entre os mineiros desde o início dos anos 1780 e ficaram mais fortes por volta de 1786, quando um deles chegou a se encontrar com Thomas Jefferson para pedir seu apoio, o que não aconteceu, como já disse antes. De qualquer forma, eles não desistiram de organizar o levante. A revolta foi marcada para fevereiro de 1789, mas não ocorreu, pois, um traidor delatou o movimento e as principais lideranças foram presas. A Revolução Americana, que conquistou a independência dos EUA, teve muito mais influência ideológica sobre os inconfidentes. Gabarito: 01 + 02 + 08 = 11 (Uem 2015) 4000065145 Em 1684 eclodiu no Maranhão a Revolta de Beckman. A respeito desta revolta, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) A Revolta de Beckman foi uma tentativa de o Estado do Maranhão e o do Grão Pará se tornarem independentes de Portugal. 02) O estopim do conflito foi a elevação de Imperatriz, em 1683, à categoria de vila, por meio de uma Carta Régia. Os senhores de engenho que viviam em São Luís não aceitaram a medida, pois isso significava uma diminuição de seus poderes. 04) A Revolta relaciona-se à criação, por parte da Coroa Portuguesa, da Companhia de Comércio do Estado do Maranhão, com o objetivo de promover o desenvolvimento daquela região. 08) A Companhia de Comércio do Estado do Maranhão deveria fornecer ao Maranhão ferramentas, utensílios, gêneros de consumo e escravos, no entanto não conseguiu estabelecer um comércio regular na região. 16) No contexto da revolta, os jesuítas, contrários à escravização dos índios pelos moradores do Maranhão, foram expulsos pelos revoltosos. Comentários No século XVII, Portugal se encontrava sob domínio do Rei espanhol, no período conhecido como União Ibérica. Após a expulsão dos holandeses do Brasil, a situação econômica da região nordeste se tornou precária. Somado a isso, a política metropolitana instituiu, em 1682, uma Companhia de Comércio (do Maranhão) com intenção de abastecer a área com mão-de-obra escrava africana. Esta companhia não teria apenas o monopólio da venda de escravos, mas de todo o comércio da região por determinado tempo. Somente os missionários ficaram excluídos do monopólio da Companhia. A Revolta de Beckman, considerada como um movimento nativista, foi uma rebelião ocorrida na cidade de São Luís (estado do Maranhão) em 1684, devido a insatisfação crescente dos colonos. O movimento cresceu não apenas contra a exploraçãoda Companhia de Comércio do Maranhão, mas também contra os jesuítas. Acabou reprimido de maneira violenta pela Coroa. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 149 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 01) Incorreto! A Revolta de Beckman foi de caráter local e por demanda específica, contra a administração colonial, porém, não houve um efetivo desejo de romper com a coroa ou proclamar emancipação do Estado. 02) Incorreto! Belém era a cidade que rivalizava com São Luís. A rivalidade existente entre São Luís e Belém também repercutiu para o início da Revolta de Beckman. Os habitantes da cidade maranhense sentiam-se prejudicados pelo fato de o governador da província, Francisco de Sá e Menezes, preferir morar em Belém. 04) Correto. Na tentativa de melhorar a economia de vários estados do nordeste, que sofreram após a saída dos holandeses da região, a Coroa Portuguesa cria em 1682 a Companhia Geral do Comércio do Estado do Maranhão. A Revolta de Beckman ocorreu devido à insatisfação da popular em São Luís, no Maranhão, pelo monopólio exercido pela Companhia de Comércio do Maranhão e o não cumprimento de suas promessas, que, somada à ação dos jesuítas contra a escravização dos indígenas, foi um dos principais motivos da revolta. 08) Correto. A Companhia de Comércio do Maranhão foi criada em 1682, principalmente para regular e organizar a entrada de escravos africanos na região. Essa companhia deveria entregar por volta de 500 escravos por ano no Maranhão, mas nunca conseguiu cumprir sua promessa. A Companhia também tinha como atribuição o monopólio do comércio no Maranhão, chamado de estanco. 16) Correto! Uma das principais insatisfações dos revoltosos se deu pelo fato de que os membros da Companhia de Jesus, os jesuítas, posicionavam-se contra os colonos, impedindo-os de escravizar os indígenas. Assim, após a extinção da Companhia de Comércio do Maranhão, a Coroa revê a proibição acerca da escravização dos indígenas no Maranhão. Com o fim da revolta, os jesuítas retornaram e continuaram explorando a mão de obra dos indígenas. Gabarito: 01 + 02 + 08 = 11 (UEM 2017) A Inconfidência Mineira (1789) foi um dos primeiros movimentos a propor o rompimento com o pacto colonial e a adotar a perspectiva de uma nação independente, fundamentada em novas bases. Sobre o ideário político-filosófico dos inconfidentes, assinale o que for correto. 01) Com relação aos princípios libertários antidespotistas, Voltaire, Montesquieu, Rousseau, entre outros pensadores iluministas, influenciaram os inconfidentes. 02) A Constituição Norte-Americana e a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América serviram de motivação para os inconfidentes, pois valorizavam a autonomia americana em face ao colonialismo inglês. 04) As ideias políticas dos inconfidentes refletiram os valores da classe baixa e popular do Brasil. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 150 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 08) Ideais republicanos originados na Europa, como anticolonialismo, antimilitarismo e anticlericalismo, foram adaptados pelos inconfidentes, isto é, modificados de forma a atender seus interesses. 16) Inspirados pela Revolução Francesa, cujo lema é liberdade, igualdade e fraternidade, as pretensões revolucionárias dos inconfidentes visavam, em primeiro lugar, a abolição da escravatura. Comentários 04 é incorreta, porque a Inconfidência Mineira foi um movimento elitista, e não popular; 16 é incorreta, porque os inconfidentes mineiros se espelharam na Revolução Americana e não propuseram o fim da escravidão. Gabarito: 01 + 02 + 08 = 11. (UEM 2016) Em 1684 eclodiu no Maranhão a Revolta de Beckman. A respeito desta revolta, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) A Revolta de Beckman foi uma tentativa de o Estado do Maranhão e o do Grão Pará se tornarem independentes de Portugal. 02) O estopim do conflito foi a elevação de Imperatriz, em 1683, à categoria de vila, por meio de uma Carta Régia. Os senhores de engenho que viviam em São Luís não aceitaram a medida, pois isso significava uma diminuição de seus poderes. 04) A Revolta relaciona-se à criação, por parte da Coroa Portuguesa, da Companhia de Comércio do Estado do Maranhão, com o objetivo de promover o desenvolvimento daquela região. 08) A Companhia de Comércio do Estado do Maranhão deveria fornecer ao Maranhão ferramentas, utensílios, gêneros de consumo e escravos, no entanto não conseguiu estabelecer um comércio regular na região. 16) No contexto da revolta, os jesuítas, contrários à escravização dos índios pelos moradores do Maranhão, foram expulsos pelos revoltosos. Comentários 01 está incorreta porque a Revolta de Beckman foi nativista, e não separatista. Logo, não visava independência de nenhum tipo; 02 está incorreta porque a Revolta de Beckman foi um movimento dos colonos contra a Companhia de Comércio do Maranhão, estabelecida por Portugal. Gabarito: 04 + 08 + 16 = 28. (UEM 2013) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 151 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Assinale a(s) alternativa(s) correta(s) sobre o processo histórico de apropriação e uso da terra no Brasil. 01) Durante o período colonial, as terras pertenciam à Coroa, que as doava ou cedia o direito de uso delas, visando à ocupação do território e à exploração agrícola. 02) No início da colonização portuguesa, predominava o cultivo de produtos agrícolas tropicais em grandes propriedades monocultoras, com a utilização do trabalho escravo. 04) No período entre a extinção do sistema de Sesmarias até o estabelecimento da lei de Terras, em 1850, o Estado imperial brasileiro não dispunha de instrumentos legais efetivos de controle de acesso à terra. 08) A Lei de Terras de 1850 estabeleceu que os governos estaduais desenvolvessem projetos de colonização, com o objetivo de atrair imigrantes estrangeiros e estabelecer a pequena propriedade como novo modelo fundiário do País. 16) Com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, em 1808, D. João VI estabeleceu que todas as terras que não cumpriam função social fossem desapropriadas e transformadas em áreas de preservação ambiental. Comentários Aprofundaremos mais este assunto na próxima aula, de toda forma, a afirmativa 08 está errada porque a Lei de Terras de 1850 tornou todas as terras sem registro propriedade do Estado Imperial e atrelou a posse da terra à compra do registro da mesma, o que dificultou o acesso à terra de pessoas com poucas posses, como os imigrantes e os escravos libertos; A afirmativa 16 está errada porque d. João VI desapropriou as terras em torno da Lagoa de Sacopenapã, pertencente ao capitão Rodrigo de Freitas, para abrir o Horto Real – atual Jardim Botânico –, mas não promoveu nenhuma lei de preservação ambiental. Gabarito: 01 + 02 + 04 = 07. (UFMS 2007) Ameaçada por Napoleão, em 1808, a Corte portuguesa transferiu-se para o Brasil com ajuda da Inglaterra, principal antagonista dos franceses. A chegada da Corte portuguesa assinalou o surgimento, no Brasil, de uma rede relativamente estável de educação superior e dos primeiros estabelecimentos de cunho científico e cultural. Assinale a(s) alternativa(s) que apresenta(m) corretamente instituições criadas nesse período. (001) A Universidade de São Paulo (USP), a Universidade do Distrito Federal, o Instituto de Pesquisa Tecnológicas (IPT) e o Instituto Biológico de São Paulo. (002) A Imprensa Régia, responsável pela impressão da Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal editado no Brasil, que começou a circular em 10 de setembro de 1808. (004) O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). Profe Alê Lopes EstratégiaVestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 152 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império (008) O Real Horto, atual Jardim Botânico do Rio de Janeiro; a Biblioteca Real, atual Biblioteca Nacional; e o Museu Real, atual Museu Nacional. (016) A Escola de Cirurgia da Bahia, a Academia Médico-Cirúrgica da Corteea Real Academia Militar, posteriormente transformada na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Comentários A invasão napoleônica a Portugal, em 27 de novembro de 1807 resultou à transferência da corte para o Brasil, em 1808. Esse evento proporcionou profundas mudanças sociopolíticas, culturais, e uma complexa organização administrativa, militar e judiciária foi implantada para dar conta das necessidades da nova sede da monarquia portuguesa na América. A vinda da família real significou ainda o deslocamento do eixo econômico para o centro-sul do país, com o estabelecimento de importantes órgãos da administração central portuguesa nessa região. A Corte Portuguesa permaneceu no Brasil de 1808 a 1821. (001) Incorreto! A Universidade de São Paulo fundada em 1934, a Universidade do Distrito Federal (UDF) foi criada em 1935, e o Instituto Biológico de São Paulo é de 1927 surgem no contexto da crise cafeeira. Já o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, o mais antigo dentre essas instituições, foi fundado somente no final do século XIX, em 1899. (002) Correto. A Impressão Régia foi criada no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1808, pelo príncipe-regente Dom João, com a finalidade de se imprimir toda a legislação e papéis diplomáticos provenientes das repartições reais, dentre outras obras. (004) Incorreto! O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é um instituto público da administração federal brasileira criado em 1934 e instalado em 1936. Já o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) foi fundado em 13 de janeiro de 1937, vinculado ao Ministério da Educação e Saúde, durante o governo de Getúlio Vargas. (008) Correto. O real Horto, atual Jardim Botânico, foi criado no ano de 1808, a a Biblioteca Real foi criada em 1808 a mando de Dom João. A Biblioteca Real, data de 1810, e possuia uma coleção de milhões de peças, que teve início com a chegada da Real Biblioteca de Portugal ao Brasil. Já o Museu Nacional, foi criado em 1818 a partir de um decreto de D. João VI. (016) Correto. A Escola de Cirurgia da Bahia e a academia Médico-Cirúrgica da Corte foram criadas em 1808, após a chegada da família real portuguesa ao Brasil. Estes dois cursos de medicina e cirurgia foram as primeiras escolas de ensino superior do Brasil, visto que este tipo de instituição era até então proibido na colônia. Por fim, a Academia Real Militar iniciou suas atividades em 1811, criada por carta régia em 1810, do então príncipe-regente D. João. Gabarito: 002+008+016 = 026 (UFMS 2006) No século XVIII, ocorreu um dos mais expressivos movimentos emancipatórios do período colonial brasileiro: a Inconfidência Mineira. Trata-se de um movimento político articulado, que teve, entre seus organizadores, poetas, mineradores, escritores, militares, religiosos e Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 153 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império pessoas do povo. Destacam-se, entre seus objetivos, o rompimento e a separação do Brasil de sua metrópole, Portugal, e a implantação da República. Contudo, em algumas questões não havia consenso entre os inconfidentes. Aponte o(s) item(ns) que se refere(m) a esses pontos polêmicos. (001) O assassinato do Visconde de Barbacena, governador de Minas Gerais. (002) A abolição da escravidão, produzindo um acordo que promoveria a libertação somente dos escravos nascidos no Brasil. (004) O pagamento integral das dívidas atrasadas com o fisco. (008) A fundação de uma instituição universitária em Vila Rica e a transferência da capital do país para São João Del Rei. (016) A criação de uma milícia integrada por cidadãos para substituir o exército permanente. Comentários A Inconfidência Mineira foi um movimento emancipacionista, ou seja, que desejava a independência da capitania de Minas Gerais, ocorrido em 1789 em pleno ciclo do ouro. Foi resultado de uma insatisfação da elite daquela capitania, contra a execução da derrama e o abuso de poder português, entre inúmeros outros motivos. Além disso, os conspiradores buscavam liberdades individuais, o comércio mais amplo, cultura e educação, bem como a instauração de maiores direitos políticos e uma República organizada aos moldes iluministas. (001) Correto. Um dos objetivos dos inconfidentes era retirar do poder local o governador Visconde de Barbacena, nomeado pela Coroa portuguesa. Contudo, apesar de organizarem uma conspiração contra o governador e a Coroa, o mais radical foi o alferes Tiradentes, que chegou a planejar o assassinato de Barbacena. (002) Correto. No que diz respeito ao trabalho escravo, não havia um consenso entre os inconfidentes. Enquanto alguns defendiam a libertação dos escravos, outros desejavam a permanência da escravidão caso a capitania se tornasse independente. (004) Incorreto! Um dos elementos que permitiu a articulação da revolta, foi a crise pela qual passava a produção do ouro e, principalmente a insistência da metrópole em cobrar altos impostos atrasados. (008) Incorreto! Os líderes da Inconfidência, influenciados pelos ideais iluministas, tinham como objetivos transformar a capitania das Minas Gerais em uma República, com capital em São João del Rei; fazer de Vila Rica uma cidade universitária; instalar um governo parlamento, implantar manufaturas, entre outras benfeitorias. (016) Incorreto! Neste ponto, os inconfidentes estavam em pleno acordo de formar de uma milícia nacional composta pelos próprios cidadãos das Minas Gerais. Gabarito: 001 + 002 = 003 (UFMS – 2008) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 154 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Escoltada por seus aliados ingleses, em janeiro de 1808, a Corte portuguesa desembarcou no Rio de Janeiro, cidade que acabou por adquirir o estatuto de capital de todo o Império lusitano. Uma das primeiras medidas tomadas pelo Príncipe Regente do Império português, Dom João VI, foi a assinatura do Decreto de abertura dos portos brasileiros às nações amigas. Sobre essa medida, é correto afirmar: 01. Correspondeu ao rompimento do monopólio comercial metropolitano, que se constituía no cerne do pacto colonial. 02. Baseou-se nos princípios da doutrina mercantilista, sendo seu principal objetivo o fortalecimento do exclusivo comercial, de modo a garantir o papel de potência industrial desempenhado por Portugal no contexto europeu da época. 04. Na prática, a medida favoreceu os interesses econômicos portugueses, uma vez que as tarifas alfandegárias sobre as mercadorias industrializadas, importadas daquele país, sofreram uma substancial redução, passando de 48% para 15%. 08. Sob a influência de José da Silva Lisboa, futuro Visconde de Cairu, a medida inspirou-se na teoria econômica liberal desenvolvida por Adam Smith no século XVIII, que defendia o livre mercado como um dos pressupostos básicos do desenvolvimento econômico. 16. A medida serviu para aliviar as pressões da crise de subconsumo, vivido pela economia inglesa à época, resultante da redução dos mercados consumidores de seus produtos industriais, após o Bloqueio Continental imposto à Europa por Napoleão Bonaparte. Comentários: A questão tem como tema o decreto de abertura dos portos brasileiros às nações amigas, que foi feito por D. João VI logo que chegou ao Brasil. Vamos relembrar o que estudamos na aula sobre essa medida: “- Fim do Pacto Colonial, isso ficou conhecido como “Abertura dos Portos às nações amigas”. A partir daquele momento, os portos brasileiros estavam abertos ao desembarque de produtos podendoser livremente comercializados no território, ou seja, extinguia-se o monopólio comercial português sobre as atividades econômicas do Brasil.” Sabendo disso, vamos para as proposições: 1. Correta. Conforme vimos, a abertura dos portos significou o fim do pacto colonial. 2. Incorreta. O pacto colonial fazia parte do mercantilismo, a medida de abrir os portos representou um rompimento com essa doutrina. Além disso, Portugal não era uma potência industrial europeia nesse momento. 4. Incorreta. A medida apenas acabou com a exclusividade portuguesa de comercializar com o Brasil. Não houve redução das tarifas alfandegárias. Na prática, atendeu a interesses ingleses tendo em vista que, por meio dos portos brasileiros, pode voltar a comercializar com o Império Português. 8. Correta. Foi uma medida mais liberal pois o Estado deixou de intervir incisivamente sobre a economia e teve influência de José da Silva Lisboa, um economista e futuro Visconde de Cairu. 16. Correta. Como falamos na proposição 4, a medida foi benéfica para a Inglaterra que pode voltar a comercializar seus produtos após o Bloqueio Continental. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 155 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império Gabarito: 25 (UFMS – 1998) Faz(em) parte do processo de Independência política do Brasil o(s) seguinte(s) acontecimento(s): 01. A vinda da Família Real para o Brasil em função do avanço das tropas inglesas sobre o Império Napoleônico. 02. A primeira providência de D. João ao chegar ao Brasil foi reforçar a medida que impedia a entrada de navios estrangeiros nos portos locais. 04. A partir do Congresso de Viena, o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves. 08. A Revolução do Porto teve por finalidade consolidar os ideais de Independência no Brasil-Colônia. 16. Desobedecendo as ordens das Cortes Portuguesas, D.Pedro decidiu ficar no Brasil, aderindo aos interesses dos brasileiros, em especial, dos proprietários rurais. Comentários: Essa questão aborda diversos eventos que levaram a independência do Brasil em 1822. Dessa maneira, vamos analisar cada proposição individualmente: 1. Incorreta. Conforme estudamos, a vinda da Família Real para o Brasil foi crucial para a independência. Isso porque a presença da Corte no Brasil implicou em uma necessidade de “montar um país”, o que garantiu autonomia e unidade à colônia. No entanto, a Família Real veio ao Brasil em razão da invasão napoleônica em Portugal, a monarquia portuguesa inclusive contou com o apoio inglês. 2. Incorreta. A primeira medida foi justamente o contrário, vamos relembrar o trecho em que a estudamos: - Fim do Pacto Colonial, isso ficou conhecido como “Abertura dos Portos às nações amigas”. A partir daquele momento, os portos brasileiros estavam abertos ao desembarque de produtos podendo ser livremente comercializados no território, ou seja, extinguia-se o monopólio comercial português sobre as atividades econômicas do Brasil; 4. Correta. Segundo os princípios adotados pelo Congresso de Viena, a Casa de Bragança, que reinava em Portugal antes da invasão napoleônica, seria restaurada. Porém, João de Bragança, famoso D. João VI, estava no Brasil, não em Portugal. E o Brasil era somente uma colônia, não tendo o mesmo status político que o reino. A saída encontrada para resolver a controvérsia foi elevar o Brasil à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. 8. Incorreta. A Revolução do Porto ocorreu em Portugal e exigia a volta de D. João VI para terras lusitanas. 16. Correta. Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I recebeu uma carta da corte de Lisboa que exigia seu retorno para Portugal. Há algum tempo os portugueses insistiam nesta ideia, pois pretendiam recolonizar o Brasil e a presença de D. Pedro impedia este ideal. Atendendo aos Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 156 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império interesses da elite brasileira, ele ficou em terras brasileiras. Esse episódio ficou conhecido como o “dia do fico”. Gabarito: 20 (UESB 2014) A política estabelecida pelo Marquês de Pombal, que determinou uma série de transformações no Brasil e em Portugal, se insere em um contexto mais amplo das mudanças processadas na Europa nesse período. Em relação a esse quadro, pode-se afirmar que 01) o controle metropolitano sobre a colônia aumentou e o funcionamento das Câmaras Municipais foi proibido, o que provocou as primeiras rebeliões de caráter separatista. 02) a proibição da circulação do ouro em pó e a criação das Casas de Fundição, reforçando o pacto colonial, contribuíram para a eclosão da Revolta de Vila Rica. 03) o Brasil passou a desenvolver uma economia diversificada, visando solucionar a crise econômica portuguesa, com o forte desenvolvimento das manufaturas. 04) a Inconfidência Mineira, reflexo da crise da produção aurífera, pretendeu a separação de Portugal e a adoção de um regime republicano pautado na indústria e no trabalho assalariado. 05) a insatisfação dos colonos em relação à atuação das companhias privilegiadas de comércio levou à eclosão da Revolução Farroupilha, cujo objetivo central era a liberdade de comércio e produção. Comentários: Diante da crise econômica enfrentada por Portugal no século XVIII, o país europeu encontrou em sua colônia americana a melhor fonte de lucro para manter a economia mercantilista da metrópole lusitana. Desse jeito, foi preciso reafirmar o pacto colonial com o Brasil e isso trouxe muitas mudanças para a colônia. Sobre essas transformações, vejamos as que condizem com esse quadro: 01. Incorreto. A primeira afirmação está certa, o controle metropolitano aumentou, porém, as primeiras rebeliões de cunho separatista estão relacionadas a insatisfações políticas das elites brasileiras e de certa parte da população brasileira com a condição de submissão que o país se encontrava. Nesse contexto a primeira revolta emancipatória foi a Conjuração Mineira. 02. Correto. O controle pelo Estado Português pela atividade aurífera no Brasil fez com que eclodisse a Revolta de Vila Rica, que tinha como um de seus objetivos extinguir as Casas de Fundição. 03. Incorreto. As manufaturas não foram desenvolvidas em território brasileiro nesse momento. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 157 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império 04. Incorreto. A forma de trabalho defendida pelos inconfidentes não era unanimidade. Uma parte da elite mineira gostaria de manter o trabalho escravo em suas possessões de terras. 05. Incorreto. A Revolução Farroupilha ocorreu durante o Período Imperial e não colonial. Gabarito: 02 (PUCCAMP 2018) Considere o texto abaixo. Tiradentes era alguém com todas as características e ressentimentos de um revolucionário. Além do mais, ele se apresentava para o martírio ao proclamar sua responsabilidade exclusiva pela inconfidência. Era óbvia a sedução que o enforcamento do alferes representava para o governo português: pouca gente levaria a sério um movimento chefiado por um simples Tiradentes (e as autoridades lusas, depois de outubro de 1790, invariavelmente se referiam ao alferes por seu apelido de Tiradentes). MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa. A Inconfidência Mineira: Brasil e Portugal 1750- 1808. São Paulo: Paz e Terra, 1995, p. 216. O texto de Kenneth Maxwell, ao se referir a Tiradentes, nos remete à Inconfidência Mineira. Sobre a Inconfidência Mineira, é correto afirmar que a) o fracasso do movimento deveu-se, entre outros, à precária organização do movimento e à falta de coesão efetiva entre os conspiradores. b) a conjuração resultou em reuniões nas quais se travaram debates políticos e filosóficos sem que com isso resultasse em proposta de revolta. c) a ausência de princípios iluministas, como os de liberdade e igualdadejurídica, deu ao movimento um caráter verdadeiramente revolucionário. d) o êxito da conspiração deu-se em função de ser formada, principalmente, pelas camadas médias e urbanas e dos grupos pobres da população. e) as ideias do despotismo ilustrado deram origem a um movimento conspiratório e libertário no processo de ruptura política do país. Comentários A Inconfidência Mineira estava programada para eclodir no dia da cobrança da derrama em Vila Rica. Mas essa eclosão nunca aconteceu porque o Movimento foi delatado por um traidor – Joaquim Silvério dos Reis – e, por isso, foi massacrado pela Coroa Portuguesa. A delação demonstra que o Movimento era, no mínimo, não uniforme. A Conjuração Mineira foi uma revolta anticolonial, de caráter elitista e republicana. b) falso, pois o movimento objetivava promover uma Revolta. c) as ideias iluministas inspiraram o movimento mineiro. d) a Inconfidência Mineira não foi exitosa. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 158 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império e) O Brasil não vivia um processo de ruptura política, muito embora houvesse revoltas regionais. Gabarito: A (PUCCAMP 2018) Ao proclamar sua responsabilidade exclusiva pela inconfidência, Tiradentes favoreceu a) os conspiradores brasileiros e portugueses que pretendiam fazer dele o herói de uma epopeia nacional. b) os companheiros de movimento e poetas Claudio Manuel da Costa e Tomás Antonio Gonzaga. c) seus cúmplices e escritores Basílio da Gama e Gregório de Matos. d) os revoltosos e fanáticos monarquistas agrupados num arraial de Minas Gerais. e) os companheiros intelectuais que propagavam suas causas nos jornais do primeiro Império. Comentários Ao assumir responsabilidade pelo Movimento, Tiradentes livrou outros inconfidentes das penas impostas pela Coroa Portuguesa. Dentre os inconfidentes estavam Manuel da Costa e Antonio Gonzaga. Gabarito: B (PUCPR 2016) Discutiu-se muito, no segundo semestre de 2015, no Brasil, a problemática do aumento dos impostos devido ao deficit de 30 milhões nas contas públicas. Nesse debate é possível visualizar recorrências a episódios da história política brasileira, conforme observamos na charge a seguir: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 159 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império A charge faz menção: a) à Conjuração Baiana, evento que também ficou conhecido como Rebelião dos Alfaiates, na qual os revoltosos, além de questionarem os altos impostos, buscaram fundar um governo monárquico no Brasil independente de Portugal. b) à marca do pensamento católico no contexto do Brasil Colonial, que deu base ideológica para criminalizar e punir os políticos corruptos. c) à Revolução Pernambucana, que eclodiu devido ao aumento de impostos que foi decretado com a chegada da família real portuguesa ao Brasil em 1808. Esse movimento também foi marcado pela luta pelo fim da escravidão. d) à Conjuração Mineira, revolta que ocorreu em Minas Gerais devido à derrama declarada pela Coroa Portuguesa e aos preços abusivos que eram cobrados pelas mercadorias importadas. e) à restrição da liberdade de imprensa, no contexto do século XIX, que dificultou a emergência de movimentos contrários à excessiva cobrança de impostos pela Coroa Portuguesa. Comentários O personagem retratado na charge é Tiradentes, um dos líderes da Inconfidência ou Conjuração Mineira, movimento da época do Brasil colonial com vistas ao separatismo entre Brasil e Portugal deflagrado devido à alta cobrança de impostos do ouro. Veja o que é preciso guardar desse movimento: As causas desse movimento podem ser encontradas em fatores: 3- Político-administrativos e econômicos: • Havia um rigor da política metropolitana em cobrar tributos, como vimos, no caso da derrama. • Esse rigor desconsiderava a realidade da diminuição da produção aurífera. • A Metrópole descartava outros projetos econômicos. • A elite econômica e administrativa percebia que havia autossuficiência econômica da capitânia. 4- Conjunturais: • Corrupção e abuso do Governador da Capitânia. • Restrição do acesso da elite local a postos importantes da administração régia. • Pobreza e carestia profunda que atentava contra a ordem social. Os participantes desse movimento: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 160 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império O que queriam os revoltosos A partir de meados de 1780, o projeto apareceu com a proposta de uma “República Florente”. Tiradentes era o mais ativo propagandista dessas ideias e contribuiu fortemente para disseminá-la no interior de uma rede de grupos de pessoas de variadas camadas sociais. Nas palavras das professoras autoras do livro Brasil: uma biografia, [...] uma República Florente, como gostava de definir Tiradentes: uma república próspera, florescente, já que alimentada pela notável riqueza natural das Minas, que permitiria aos seus habitantes conceber o próprio destino e firmar a convicção de que soberania não era um atributo a ser compartilhado com Portugal. (idem, p. 143) Pontos importantes do Programa Político: República Capital em São João Del Rey Apoio à Industrialização do Brasil Criação de uma Universidade em Vila Rica Obrigatoriedade do serviço militar Gabarito: D (PUCCAMP 2016) 4000153401 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Para responder à(s) quest(ões) a seguir, considere o texto abaixo. Também no Brasil o século XVIII é momento da maior importância, fase de transição e preparação para a Independência. Demarcada, povoada, defendida, dilatada a terra, o Homens letrados: médicos, engenheiros, naturalistas, escritores, poetas. Nomes importantes: Luís Antonio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto, José Vieira Couto, José Álvares Maciel e, o mais famoso, José da silva Xavier - Tiradentes Elite econômica: fazendeiros, comerciantes, banqueiros, verdadeiros magnatas do ouro: João Rodrigues de Macedo Elite administrativa: alguns militares, admistradores: Tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade (comandante dos Dragões das Minas) Membros eclesiásticos mais ilustrados: Padre Carlos Corria de Toledo, Cônego Luís Vieira da Silva Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 12 – HB: da Colônia ao Império 161 186 AULA 12: HB: da Colônia ao Império século vai lhe dar prosperidade econômica, organização política e administrativa, ambiente para a vida cultural, terreno fecundo para a semente da liberdade. (...) A literatura produzida nos fins do século XVIII reflete, de modo geral, esse espírito, podendo- se apontar a obra de Tomás Antônio Gonzaga como a sua expressão máxima. (COUTINHO, Afrânio. Introdução à Literatura no Brasil. Rio de Janeiro: EDLE, 1972, 7. Ed. p. 127 e p. 138) Considere o manifesto abaixo. Manifesto dos Baianos, agosto de 1798 (...) considerando os muitos e repetidos latrocínios feitos com os títulos de imposturas, tributos e direitos que são cobrados por ordem da Rainha de Lisboa (...) e no que respeita à inutilidade da escravidão do mesmo Povo tão sagrado e digno de ser livre, com respeito à liberdade e qualidade ordena, manda e quer que para o futuro seja feita nesta cidade e seu termo a sua revolução para que seja exterminado para sempre o péssimo jugo da Europa. (In: KOSHIBA, Luiz e PEREIRA, Denise M. F. História do Brasil, no contexto da história ocidental. São Paulo: Atual, 2003, p.157) Com base no manifesto pode-se afirmar que, para os conjurados baianos, a) os movimentos de rebeldia favoreciam a divulgação das ideias liberais europeias e denunciavam a exploração metropolitana das riquezas da colônia. b) o rompimento com a metrópole não significava apenas a autonomia política, mas também a manutenção da