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Aula_de_Obras_Literárias__Machado_de_Assis_-_Quincas_Borba

Aula de Obras Literárias sobre Machado de Assis — Quincas Borba. Contém contextualização histórica, informações sobre o autor, resumo analítico, análise e fortuna crítica, intertextualidade, quadro sinóptico, questões (com e sem comentários) com gabarito e referências bibliográficas.

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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FUVEST 
Exasiu 
Professora Luana Signorelli 
Aula de Obras Literárias: 
Machado de Assis – Quincas Borba 
Os milagres do cão Jerônimo 
 
Análise de obra da leitura obrigatória: Machado de Assis – Quincas Borba. 
Resumo, análise, crítica, exercícios 
Exasiu 
estretegiavestibulares.com.br 
EXTENSIVO 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 2 
Sumário 
 
INTRODUÇÃO 4 
1.0 CONTEXTUALIZAÇÃO 5 
1.1 REALISMO VERSUS NATURALISMO 6 
2.0 MACHADO DE ASSIS 7 
3.0 QUINCAS BORBA 10 
3.1 RESUMO ANALÍTICO 15 
3.2 ANÁLISE E FORTUNA CRÍTICA 45 
4.0 QUINCAS BORBA E A INTERTEXTUALIDADE 62 
5.0 QUADRO SINÓPTICO 70 
 
6.0 QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS 71 
6.1 GABARITO 106 
7.0 QUESTÕES COM COMENTÁRIOS 106 
8.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 161 
8.1 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BÁSICAS 161 
8.2 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMPLEMENTARES 163 
9.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 165 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 3 
Professora Luana Signorelli 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Luana Signorelli @luanasignorelli1 
@profa.luana.signorelli Professora Luana 
Signorelli 
/luana.signorelli 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 4 
INTRODUÇÃO 
 
Olá, alunos. 
O meu nome é Luana. Sou Mestra em Literatura e Práticas 
Sociais pela Universidade de Brasília (UnB) e Doutoranda em Teoria e 
História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 
já qualificada. Tenho 12 anos de experiência com revisão e 
padronização textual e 11 anos em curso pré-vestibular, tendo 
passado por instituições conhecidas e renomadas. 
Lembrem-se sempre de nosso lema: 
 
 
 
“O segredo do sucesso é a constância no objetivo”. 
Hoje vamos ter uma Aula de Obras Literárias. Segundo o nosso cronograma, eis o que vamos 
estudar hoje: 
 
AULA TÓPICOS ABORDADOS 
AULA ÚNICA 
Título da aula: Machado de Assis – Quincas Borba 
Descrição do conteúdo programático da aula: Análise de obra da leitura 
obrigatória: Machado de Assis – Quincas Borba. Resumo, análise, crítica, 
exercícios. 
 
Lembrando de alguns recados importantes: 
• O curso de Literatura é diferente do curso de Obras Literárias. No curso de Literatura, estudamos 
teoria e historiografia literária e no curso de Obras Literárias a lista obrigatória da instituição. 
• O curso contemplará TODAS as Obras Literárias! O curso de Obras Literárias costuma ser dividido 
entre a equipe e as obras são lançadas separadamente de acordo com cronogramas pessoais. 
• O curso de Obras Literárias do Extensivo e do Intensivo é IDÊNTICO, só muda o layout do PDF. 
• Como se trata de uma aula de análise de obra literária, eu irei organizar a aula da seguinte maneira: 
➢ Pré-aula: contextualização e informações sobre o autor, Machado de Assis; 
➢ Análise: Quincas Borba (resumo e análise); 
➢ Pós-aula: questões atualizadas, sem e com comentários. Estão incluídos especialmente 
exercícios autorais, ou então da FUVEST/UNAERP. 
 
Então, vamos lá, não percamos tempo! 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 5 
1.0 CONTEXTUALIZAÇÃO 
 
O Brasil era um país ascendente comercialmente. O capitalismo e o 
comércio só cresciam aqui. A corte era espelhada nos moldes franceses. 
Assim, a contextualização do romance Quincas Borba pode ser resumida da 
seguinte maneira: “o regime das aparências na corte e a selvageria da 
especulação financeira, na virada do império para a república” (CHAUVIN, 
2016, p. 56). 
O mais interessante em relação ao período histórico em Quincas 
Borba é o fator histórico no cotidiano das pessoas, como ele figura na vida 
diária das personagens. Machado de Assis é um grande cronista do público 
privado no Brasil Império. Por exemplo, a personagem de Major Siqueira 
representa o olhar de fora e estabelece a mediação entre o externo e o 
interno, o público e o privado. 
 O romance trata a história como um pano de fundo, e valoriza mais a história 
da vida privada. Nesse sentido, pode-se considerar Machado de Assis como historiador da vida do povo, 
tanto da elite da corte quanto de seu povo (personagens como costureiras, cocheiros, criados etc.). 
 Ao fim do livro, há uma pequena figuração da Guerra Franco-Prussiana. Esta foi um conflito 
armado entre Alemanha e França (1870-1871). É encerrado com a vitória e a unificação do império 
germânico (alemão). Para mais informações, favor consultar o cronograma de História. 
 
 
 
 
 
 
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Na imagem: rei da Prússia, 
Guilherme Primeiro, 
anunciando à população da 
capital, Berlim, a unificação 
da Alemanha. Litografia 
colorida de 1848 (autoria 
desconhecida). 
Fonte: CARVALHO, 2011, p. 21. Fonte: CARVALHO, 2011, p. 21. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 6 
1.1 REALISMO VERSUS NATURALISMO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REALISMO NATURALISMO 
Origem: França (1857) 
Gustave Flaubert – Madame Bovary 
Origem: França (1867) 
Émile Zola – Thérèse Raquin 
Representava desvios morais. Representava desvios sociais e sexuais, 
mazelas. 
Romance documental, fotografa a realidade 
para dar impressão de vida real, 
psicologismo. Retrato da alta burguesia da 
segunda metade do século XIX. 
Romance experimental, que pretende 
apoiar-se na experimentação científica e 
numa tese, no determinismo, no 
evolucionismo, no homem é fruto do 
meio. 
Impassibilidade. Narrador em um ângulo 
neutro, não há interesse em agradar ao 
público, mas sim em retratar a realidade tal 
qual ela é. 
Arte engajada, preocupações políticas e 
sociais. 
Seleciona os temas, tem aspirações estéticas. Detém-se nos aspectos mais torpes e 
degradantes. 
Reproduz a realidade exterior bem como a 
interior, por meio da análise psicológica. 
Centra-se nos aspectos externos: atos, 
gestos, ambientes, personagens e seus 
instintos, animalização, zoomorfismo. 
Volta-se para a psicologia, para o indivíduo. 
Nomes: Dom Casmurro, Quincas Borba, 
Memórias póstumas de Brás Cubas. 
Volta-se para o coletivo, para a biologia, a 
patologia, centra-se mais no social. 
Retrata e critica as classes dominantes, a 
alta burguesia. 
Espelha camadas inferiores: o 
proletariado, os marginais, o povão. 
É indireto na interpretação, o leitor tira as 
suas conclusões: sutil, sugere. 
É direto na interpretação, expõe 
conclusões, cabendo ao leitor aceitá-las ou 
discuti-las: grotesco, mostra. 
Grande preocupação com o estilo. O estilo é relegado ao segundo plano; no 
primeiro, há denúncia. 
 
 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 7 
2.0 MACHADO DE ASSIS 
 
Machado de Assis nasceu em 1839, no Rio de Janeiro, 
pouco antes do início do longo reinado de Dom Pedro II (1840-
1889), período do qual o escritor seria cronista. Era atento à cena 
contemporânea, e não deixava nenhum detalhe passar. 
 Filho de gente humilde, aos 15 anos publica os primeiros 
versos e é aprendiz de tipógrafo (executor de serviços tipográficos 
de composição, paginação ou impressão). Posteriormente, irá 
ganhar a vida sendo jornalista, profissão a qual lhe rendeu grandes 
contatos políticos e literários. Porém, não estava totalmente 
satisfeito com tal ofício. Aos 27 anos, ingressa no serviço público, 
em que ficaria até o fim da vida. 
 Aos 29 anos, atinge o auge da estabilização burguesa, quandocasa com a irmã de um poeta 
português amigo seu, Carolina. Apesar de transmitir a imagem de felicidade conjugal, seus romances – 
principalmente os da maturidade – apresentam uma visão perturbada de casamento. 
 Foi o fundador e presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), criada em 1897 e baseada no 
modelo da Academia Francesa de Letras (Académie Française). Segundo Roberto Schwarz (1987, p. 173), 
“foi possivelmente o maior escritor brasileiro, e com certeza o mais reconhecido e festejado em vida”. 
Morreu em 1908 no Rio de Janeiro. 
E tem mais. Era filho de operário pintor, tinha a cor de pele escura e ainda tinha uma leve gagueira! 
Além de mal epilético. O seu pai vinha de uma posição social definida pelo mercado de trabalho e pela 
ligação a uma família de proprietários, de que era dependente. Essa condição intermediária era a de 
agregado. Machado era neto de escravos da chácara do Livramento, filho de “pardos forros”. 
 
“Assim, os agregados estavam longe do que modernamente se entende por 
liberdade, mas estavam muito próximos das classes dominantes, e portanto 
de sua cultura” (SCHWARZ, 1987, p. 174). 
 
Assim, sua família passou da escravidão à relativa respeitabilidade. 
Machado de Assis era bisneto de escravos, mas era afilhado de uma senhora ilustra da chácara, 
era residente de uma grande propriedade, e seus pais sabiam ler e escrever, o que era um diferencial na 
época. 
Machado conseguiu romper os vínculos de subordinação e escapar da posição de mero agregado. 
Os livros de sua juventude ilustram geralmente mulheres (Helena, Iaiá Garcia) em condições dependentes, 
mas em vias de se libertar. 
Sua juventude pautou-se na criação de vínculos rumo a uma via de ascensão social. Participava de 
conservatórios, arcádias, clubes, era poeta, dramaturgo e crítico. 
Nada, enfim, escapava-lhe. As suas obras representam com profundidade o Brasil. Seus principais 
romances foram os seguintes: 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 8 
Infográfico: Showeet 
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Fases de Machado de Assis 
 
 
 
ROMÂNTICA/MEDIANA
(~ 1870-1881)
REALISTA/MADURA/
EXCELENTE
(DE 1881 PARA FRENTE)
A mão e a luva, Helena, Iaiá 
Garcia e Ressurreição + 
POESIA (Crisálidas e 
Americanas).
Memórias póstumas de 
Brás Cubas, Quincas Borba, 
Dom Casmurro, Esaú e Jacó 
e Memorial de Aires.
FASES
1876 1881 1891 
Helena 
O Conselheiro Vale falece, 
deixando uma parte de sua 
herança para sua então não 
assumida filha, Helena. Ela vai 
morar com seu irmão Estácio e 
Dona Ursúla. Todavia, Estácio e 
ela acabam por desenvolver um 
amor proibido. 
Quincas Borba 
A personagem Quincas Borba, 
que já aparece em Memórias 
póstumas, neste livro aqui morre, 
deixando toda a sua herança para 
o amigo Rubião e o seu “filho”, o 
cachorro de mesmo nome. 
Memórias póstumas 
de Brás Cubas 
Membro da elite, o defunto-autor 
é uma máscara, por meio da qual 
Machado irá destacar com 
cinismo e ironia os mecanismos 
sociais da época, entre outros, a 
escravidão. 
1899 
Dom Casmurro 
O inseguro Bentinho desde 
muito jovem estava destinado 
a ser padre. Porém, ainda 
adolescente acaba por 
namorar sua amiga de 
infância, Capitu, quem irá lhe 
render eternos ciúmes. 
Memorial de 
Aires 
Narrado pelo Conselheiro 
Aires, personagem que 
também está em Esaú e Jacó, 
contempla os diários que 
descrevem a sua fase de 
aposentadoria entre 1888 e 
1889. 
1904 1908 
Esaú e Jacó 
Os irmãos bíblicos do Gênesis 
aqui encaram seus pares 
míticos: o Abolicionismo contra o 
Monarquismo. Gêmeos, farinha 
nascida do mesmo saco, 
Natividade, apaixonam-se pela 
mesma mulher, Flora, e 
encarnam o destino nacional. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 9 
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO AUTOR 
 
 
 
 
• Os fatos aparecem conforme são lembrados pelo narrador ou pelas personagens.
Corresponde à digressão: ação ou resultado de se desviar do assunto tratado; desvio,
afastamento de um objetivo; evasiva, pretexto, subterfúgio; recurso literário us. para
esclarecer, detalhar, ilustrar ou criticar um assunto (dicionário Aulete).
• O objetivo principal é o retardamento do texto, brincando com as instâncias de
essência e aparência, pois o que parece mais importante (o enredo) de repente passa
a não ser mais, deixando-se entrever outros detalhes.
NARRATIVA NÃO LINEAR
• A obra de Machado de Assis flerta com o niilismo (não acreditar em nada; o Nada
Absoluto), com uma visão negativa do mundo e do homem. Muitos de seus
personagens são cínicos ou hipócritas.
• É uma vertente que influenciou Machado de Assis por ser contemporâneo do
decadentismo francês, com Charles Baudelauire, por exemplo, e dos movimentos
pessimistas de transição do século XIX para o XX. Verifica-se pessimismo
especialmente no “Capítulo das Negativas” de Memórias póstumas de Brás Cubas.
PESSIMISMO
• As tendências filosóficas (positivismo, darwinismo, determinismo) são muitas vezes
questionadas pelo autor.
• Esse aspecto está presente no emplasto de Brás Cubas, um remédio mágico que
curaria toda a humanidade, quando no fundo Brás Cubas só queria descobri-lo por
fama própria. Também está em Quincas Borba, quando Machado de Assis critica o
surgimento de tantas tendências no século XIX, muitas vezes até mesmo sem
embasamento ou com fundamentos cruéis.
DESCRENÇA NO CIENTIFICISMO
• E humor negro, advinda da tradição inglesa do humour, bem como o riso são muitas
vezes o modo de lidar com o mundo que o autor encara negativamente. Ficou
conhecido pelo humor machadiano.
IRONIA
• A metalinguagem é tanto uma função de linguagem quanto um efeito de texto em
que se verifica a linguagem se remetendo a ela mesma. Porém, pode ser um filme se
remetendo a ele mesmo; ou uma fotografia se remetendo a ela mesma → trata-se de
algo se remetendo a si mesmo.
• O comentário do escritor sobre a própria escrita, os próprios capítulos, a própria
obra etc. é um traço evidente de suas obras. Frequentemente, as obras contêm
informações sobre os capítulos, sobre a relação com o leitor, sobre o estilo de escrita
entre outros.
METALINGUAGEM
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 10 
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO AUTOR 
 
 
 
3.0 QUINCAS BORBA 
 
Eis sintetizadas abaixo algumas das edições já publicadas de Quincas Borba. 
• Primeira aparição: fascículos na revista A Estação. 
• 1ª edição. Rio de Janeiro, B. L. Garnier Livreiro-Editor, 1891. 
• 2ª edição. Rio de Janeiro, H. Garnier Livreiro-Editor, 1896. 
• 3ª edição. Rio de Janeiro, H. Garnier Livreiro-Editor, 1899. 
• Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1975. Notas de Dirce Oliveira Riedel. 
• Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1992. In: ASSIS, Machado de. Obra completa – vol. 1. Organização 
de Afrânio Coutinho. 
• São Paulo, Globo, 2008. Prefácio de Willi Bolle. Notas de Eugênio Vinci de Moraes. 
• São Paulo, Companhia das Letras/Penguin, 2012. Prefácio de John Gledson. NOTAS DE Maria 
Cristina Carletti. 
• O uso de imperativos, vocativos ou de perguntas direcionadas ao leitor muitas vezes
de forma jocosa representa o jogo de aproximação/afastamento do narrador; ora ele
quer conquistar e convencer o leitor, ora quer se mostrar superior. Em todo caso,
para o bem ou para o mal, parte do pressuposto de que vai ser lido. Na teoria
literária, esse leitor ideal é denominado de narratário.
• Exemplo: “E Sofia? interroga impaciente a leitora, tal qual Orgon: Et Tartufe? Ai,
amiga minha, a resposta é naturalmente a mesma, – também ela comia bem, dormia
largo e fofo, – coisas que, aliás, não impedem que uma pessoa ame, quando quer
amar. Se esta última reflexão é o motivo secreto da vossa pergunta, deixai que vosdiga que sois muito indiscreta, e que eu não me quero senão com dissimulados.”
(Machado de Assis – Quincas Borba, grifos meus).
DIÁLOGO COM O LEITOR
• Recursos tais como análise dos pensamentos, das sensações e do abismo entre
desejo e convenções sociais fazem parte importante do enredo.
• Opera o trânsito entre a crítica e a denúncia dos costumes sociais (externo) com as
opiniões íntimas (interno). Muitas vezes é empregada a técnica literária do discurso
indireto livre.
PSICOLOGISMO
• Trata-se da menção a outros autores e obras, internacionais e nacionais, inclusive do
próprio autor. O ideal é não procurar todos os autores, pois isso pode atrapalhá-los e
distraí-los. De qualquer forma, os mais importantes serão analisados mais à frente.
• No caso de Machado de Assis, há muita intertextualidade com a Bíblia e outros
autores do cânone, com quem não só quer dialogar, como também rivalizar.
• A intertextualidade também pode ser interna, como é o caso do personagem
Conselheiro Aires, que está presente tanto no romance Esaú e Jacó quanto no
Memorial de Aires.
INTERTEXTUALIDADE
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 11 
Primeira aparição Fascículos na revista A Estação.
Talvez seja interessante se atentar para o fato de que, durante a escrita, Machado de Assis 
interrompeu a escrita duas vezes, por causa das questões candentes no país e da arena política acerca da 
abolição do regime escravagista. Os dois períodos de interrupção foram: 
• Cinco meses entre maio e outubro de 1888; 
• Quatro meses entre julho e novembro de 1889. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Estação era uma revista especializada em variedades, moda, cultura e comportamento social 
no Segundo Império, baseada num periódico alemão. 
 
Pré-leitura 
Alunos, aqui eu gostaria de prepará-los para o que ele vocês irão encontrar no livro. Antes de 
começar a sua leitura, prestem atenção aos seguintes elementos: 
 
• ESTILO. O principal em Machado de Assis é a ironia, e ela nem sempre é fácil de identificar. 
Trata-se de uma figura de linguagem, de uma brincadeira: falar uma coisa e negá-la daqui a 
pouco. Ela joga com os sentidos contrários. 
• PONTUAÇÃO. Toda vez que aparecer o sinal de reticências (...) no livro, ao fim de uma frase, 
prestem atenção. Para além de sua função original, que é a de indicar uma ideia vaga, em 
Machado de Assis, elas costumam estar relacionadas à ironia. 
• DIGRESSÃO. É o método narrativo de adiar e/ou suspender a história, falando de temas que 
aparentemente nada têm a ver com ela. Tem a função predominante de postergar o enredo e 
irritar o leitor, isto é, deixando-o mais curioso, mas não desenrolando a história. É uma 
característica dispersiva da linguagem, cheia de acessos e surpresas. 
 
Ao se valer de recursos coincidentemente utilizados pelo cinema anos depois, 
o trabalho de reconstrução da narrativa do Quincas Borba, efetuado por 
Machado de Assis, se afastaria definitivamente da concepção fotográfica dos 
textos naturalistas, antecipando, na literatura, a revolução que o 
cinematógrafo viria provocar, no âmbito da técnica, ainda nos finais do século 
XIX. Assim defendemos a ideia de que a técnica de “cortes”, “emendas” e 
“montagens”, largamente utilizada pelo autor de Quincas Borba para o 
estabelecimento da versão do romance em livro, em 1891 – e cuja terceira 
edição, publicada em 1898, última em vida do autor, foi submetida uma vez 
mais às suas revisões pessoais – se aproximaria da técnica cinematográfica, 
que lança mão dos mesmos recursos (PIRES, 2003, p. 112). 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 12 
• DISCURSO INDIRETO LIVRE DAS PERSONAGENS: em contraposição a Memórias póstumas de 
Brás Cubas, Quincas Borba foi escrito com um narrador na 3ª pessoa do singular, porém, isso é 
apenas uma máscara, pois o livro está repleto de subjetividade das personagens, que passam 
para a pessoa do narrador, dando aparência de falsa objetividade. 
 
DISCURSO INDIRETO LIVRE 
 “Além da variedade de discursos diretos e indiretos, a narrativa de ficção, a partir das últimas 
décadas do século XIX, utiliza um tipo de discurso que consiste na combinação dos já existentes, 
misturando valores estilísticos de um e de outro: é o discurso indireto livre, que recebeu 
denominações diversas dos autores que o estudaram (discurso velado, direto impropriamente dito, 
discurso vivido). 
 (...) O discurso indireto livre, em muitos casos, não deixa claro quem está com a palavra, se o 
narrador ou a personagem. O que permite distinguir é estar sendo relatado o pensamento da 
personagem, o qual é dela e não do narrador; por mais que este com ela se identifique. Este tipo 
de discurso tem, portanto, um cunho acentuadamente psicológico, daí a sua voga no romance 
realista que pretendia apresentar com maior profundidade o mundo interior das suas criaturas: seus 
estados emotivos, devaneios, reflexões, perturbações alucinatórias, autoanálise etc. O narrador 
podia ficar por trás delas, em atitude neutra ou irônica”. (MARTINS, 2011, p. 251, grifos meus). 
 
• INTERTEXTUALIDADE. Trata-se da menção a outros autores e obras, internacionais e nacionais, 
inclusive do próprio autor. O ideal é não procurar todos os autores, pois isso pode atrapalhá-los 
e distraí-los. De qualquer forma, os mais importantes serão analisados mais à frente. 
 
• GRANDEZA/PEQUENEZ. O livro inteiro brinca com esses dois opostos. Desdobramento da ironia, 
o enredo sempre brinca com a mediocridade, a pequeneza de Rubião frente a um mundo cão 
prestes a engoli-lo. Exemplo: riqueza da casa versus vazio da pessoa. 
 
[Cap. LXII]: “Mas o caso particular é que ele, Rubião, sem saber por que, e apesar do seu próprio 
luxo, sentia-se o mesmo antigo professor de Barbacena”. 
 
[Cap. LV]: “No dia seguinte ao do caso de Santa Teresa, acordou opresso. Almoçou mal. Não 
cuidou de nada; calçou as chinelas africanas sem interesse, não mirou as alfaias belas, ou 
simplesmente ricas, que lhe enchiam a casa”. 
 
[Cap. LX]: “Com efeito, a mão do nosso amigo tinha sangue, um ferimento na palma, cousa 
pequena; só agora começava a senti-lo. A mãe do pequeno correu a buscar uma bacia e uma 
toalha, apesar de dizer o Rubião que não era nada, que não valia a pena”. 
 
O livro foi escrito no século XIX e tem uma linguagem bem diferente da nossa. Eu serei honesta ao 
apontar as dificuldades que vocês provavelmente irão ter. Porém, não se preocupem, alunos. Juntos, 
vamos enfrentar esse vocabulário e as referências que possivelmente vão a vocês. 
Elenquei alguns pontos abaixo. A meu ver, são os mais importantes na construção dessa obra. 
Prestem atenção a eles, pois iremos retomá-los na análise. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 13 
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Quadro de personagens 
Quincas Borba (filósofo) Joaquim Borba dos Santos dá título ao livro e a seu cachorro. Paternalista, 
faz de seus discípulos primeiro Brás Cubas e depois Rubião. É o elo entre 
essas duas obras, transformando-as uma no espelho da outra. Criador da 
filosofia pragmática de Humanitas, era muito sentimental com seu 
animal de estimação. Não se casou, mas fez corte à irmã de Rubião, 
episódio que os aproximou. Morreu sem amigos, com exceção de Rubião, 
a quem lega toda a sua herança. 
Quincas Borba (cachorro) Descrito como um cão bonito, de tamanho médio, pelo cor de chumbo e 
malhado de preto, é humanizado no livro, sofre luto pelo finado dono, 
mas logo se acostuma ao novo e aprende a amá-lo também. O seu 
processo de humanização lembra o de uma outra grande personagem da 
Literatura Brasileira, Baleia, de Vidas secas de Graciliano Ramos. É 
introduzido no capítulo V. 
Rubião Pedro Rubião de Alvarenga é um ex-professor de parca filosofia e sem 
perfil empreendedor, apagado,sem autonomia, à mercê dos parasitas ao 
seu redor. É um deslocado, desajustado social ética e moralmente frente 
ao meio que circula. “Rubião é colocado à margem da corte devido ao 
mau uso de suas próprias forças” (CHAUVIN, 2016, p. 75). Dele espera-se 
silêncio, vive situações limítrofes e constantemente está em dúvida. É 
muito indeciso. Posicionando-se sempre entre extremos, ele também 
simboliza a relativização. 
Sofia Ela é introduzida no capítulo XXI, junto com seu esposo. Primeiramente, 
foi descrita como tímida, olhando para baixo, mas à medida que foi 
percebendo que Rubião era herdeiro, “afrouxou a rédea aos olhos, que 
se deixaram ir ao sabor de si mesmos” (ASSIS, 2016, p. 116). Ironia que 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 14 
quer dizer que ela começou a ter interesse por Rubião. Isso até que 
Rubião pega o seu braço com força, em um gesto apaixonado, o que 
acaba por afastá-la. Depois disso, ela ainda se enamora por Carlos Maria, 
deixando-o de lado completamente. Gostaria de casá-lo com sua prima, 
Maria Benedita. 
Cristiano Palha Cristiano de Almeida e Palha é apresentado como um sujeito em 
constante ascensão social. É ambicioso, mas medíocre. Tem a 
personalidade utilitária e prática. Gosta de exibir o corpo da mulher aos 
outros para se mostrar superior e dono dela. Ele é introduzido no capítulo 
XXI, junto com sua esposa. 
Freitas É amigo de Rubião e frequenta a sua casa “porque é difícil resistir a um 
homem tão obsequioso, tão amigo de ver caras amigas”. Em suma, um 
amigo assim tão rico. Tinha modos expansivos e francos. É introduzido no 
capítulo XXIX. Fica doente e Rubião doa uma pequena fortuna (seis notas 
de vinte mil réis) para a mãe dele. Ele falece no capítulo CI. 
Camacho Doutor João de Souza Camacho é um homem político. Formado em 
direito em 1844, pela faculdade de Recife, até começa a advogar, mas sua 
paixão era a política. Na academia, começa a escrever um jornal político 
– ainda que sem partido definido. Seu estilo é garboso, adjetivado, 
eloquente e verborrágico. Dirige o jornal Atalaia, com quem Rubião irá 
querer contribuir, injetando dinheiro. É introduzido no capítulo LIV, e a 
sua descrição está no capítulo LVII. 
Carlos Maria É descrito como um rapaz de “olhos grandes e plácidos, muito senhor de 
si, ainda mais senhor dos outros”. Ganancioso, metido, gosta de se exibir 
e se acha um máximo. Conquista Sofia só pelo prazer da conquista e não 
por sentimento verdadeiro. Ele é introduzido no capítulo XXIX. 
 
 
QUEM ME DIZ SE ESTE PERSONAGEM NÃO SEJA O BRASIL? 
 A pergunta acima é de um contemporâneo de Machado de Assis [Araripe Júnior], e refere-se a 
Pedro Rubião de Alvarenga, a figura central de Quincas Borba. De fato, Rubião é ingênuo (mas não 
puro) no trato do dinheiro, da filosofia, do amor, da política, e um delírio de grandeza afinal lhe tira o 
juízo, o que pode ser visto como uma alegoria do Brasil, embora a alegoria não seja evidente. 
Fonte: SCHWARZ, 1987, p. 165. 
 
Outras personagens 
• Major Siqueira/Dona Tonica: pai e filha, são introduzidos no capítulo XXXIV. Ele é um falastrão, 
prosador e ela uma quarentona que nunca se casou. Curiosamente, em grafia antiga, o nome do 
major era Segueira (cegueira). 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 15 
• Tia Augusta/Maria Benedita: mãe e filha, são parentas caipiras de Sofia. A mãe é manipuladora, 
mas morre, deixando a filha que vai passar temporadas com Sofia e estudar na cidade. Elas são 
introduzidas no capítulo LXIV. 
• Dona Fernanda: introduzida apenas no capítulo CXVIII, é prima de Carlos Maria e quer casá-lo a 
qualquer custo. É o perfil da mãe para todos, que se dedica aos outros. Faz parte da Comissão de 
Alagoas. Quando conhece Maria Benedita e percebe que ela está triste, torna-se melhor amiga 
dela e ajuda a casá-la com o primo. Ela é uma mulher prática, pragmática, realista. Primeiro, irá 
ajudar Maria Benedita e depois Rubião. 
• Teófilo: bacharel das Alagoas, e depois deputado, é marido de Dona Fernanda. Dedicado ao 
trabalho, mais prático ainda que ela (pois vivia só para o trabalho e não para a família), consegue 
um cargo importante no gabinete do ministro. 
• Raimundo: criado de Rubião. Ao final do livro, ajuda a cuidar do Rubião e de Quincas Borba. 
• Doutor Falcão: introduzido apenas no capítulo CLXVII, ele será responsável por cuidar do Rubião. 
Ele está certo de que Rubião teve um caso com Sofia. 
 
3.1 RESUMO ANALÍTICO 
 
Eis a minha leitura do romance resumida. Prestem atenção às marcações. 
 
O romance Quincas Borba começa com Rubião fitando a enseada – uma 
pequena baía, um campo alagadiço. A água que ele observava estava quieta, mas a sua 
alma não. Isso porque ele “cotejava o passado com o presente” (ASSIS, 2016, p. 87). 
Rubião tinha uma irmã chamada Maria da Piedade. Prestem atenção, porque 
os nomes irão ser importantes nesse livro. Alguns exemplos serão: Angélica, Rua da 
Harmonia, Rua dos Inválidos. 
A associação é engatilhada, porque sua irmã foi cortejada pelo amigo Quincas Borba. Então, 
Rubião tinha um abismo entre o espírito e o coração e estava contemplativo, meditando na morte de seu 
amigo falecido, Quincas Borba, o mesmo personagem que aparece no romance Memórias póstumas de 
Brás Cubas. Cuidado: o abismo é um Leitmotiv em Quincas Borba. 
 
É o quê!? Leitmotiv? O que vem a ser isso? Segundo o dicionário Houaiss, 
Leitmotiv é um tema melódico ou harmônico destinado a caracterizar um 
personagem, uma situação, um estado de espírito e que, na forma original ou por 
meio de transformações desta, acompanha os seus múltiplos reaparecimentos ao 
longo de uma obra. É o motivo condutor. Se eu estou dizendo que o abismo é o 
Leitmotiv de Quincas Borba, isso significa dizer que se trata de uma história de ruína. 
 
 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 16 
 Richard Wagner LEITMOTIV 
 Fonte: Pixabay. 
 
 
 No geral, assinala “os motivos centrais que se repetem numa obra, ou na totalidade da obra, de 
um poeta ou prosador” (KAYSER, 1958). 
 Verdadeiramente, porém, a recorrência de um objeto no decurso de uma obra não constitui, por 
si só, um Leitmotiv; para sê-lo, é preciso que o seu reaparecimento envolva alguma significação 
especial. 
Fonte: MOISÉS, 2013, p. 267-268. 
 
Nas palavras do próprio Machado: 
 
“Era a mesma situação de Barbacena; mas a vida, meu rico senhor, compõe-se rigorosamente de 
quatro ou cinco situações, que as circunstâncias variam e multiplicam aos olhos” (ASSIS, 2016, p. 367). 
 
Rubião estava em sua casa, usufruindo da sua condição abastada: usa uma sandália de Túnis 
(capital da Tunísia), presente de seu amigo Cristiano Palha (presente em nome já desde o primeiro 
capítulo). Além disso, ele tem um criado espanhol. 
Ora, em que estava pensando Rubião? Em como a sua irmã Piedade não casou com o seu amigo 
Quincas Borba. Não tendo nenhum herdeiro (percebam a semelhança com Brás Cubas!), Quincas Borba, 
o filósofo, deixa toda a sua herança para o seu amigo Rubião. E, ainda assim, algo roía a alma de Rubião, 
e ele não era completamente feliz. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
[CAPÍTULO III] Rubião suspirou, cruzou as pernas, e bateu com 
as borlas do chambre sobre os joelhos. Sentia que não era 
inteiramente feliz; mas sentia também que não estava longe a 
felicidade completa. (...) Não era velho ia fazer quarenta e um 
anos, e, rigorosamente, parecia menos. Esta observação foi 
acompanhada de um gesto; passou a mão pelo queixo 
barbeado todos os dias, cousa que não fazia dantes, por 
economia e desnecessidade. Um simples professor! 
Utilizado inicialmente na linguagem musical, 
sobretudo em relaçãoàs óperas de Wagner, o vocábulo 
designava uma técnica mediante a qual se associavam, ao 
longo da composição, uma melodia ou harmonia e uma 
pessoa ou ideia. 
Transferida para os domínios literários, dentro e 
fora dos círculos germânicos, a palavra nem sempre tem 
sido empregada univocamente, mercê de sua vizinhança 
e confusão com “motivo”, “tema”, “tópos”. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 17 
 
Rubião era um professor de Barbacena, município de Minas Gerais. “Regia então uma escola de 
meninos, que fechou para tratar do enfermo” (ASSIS, 2016, p. 90). É a ele que Quincas Borba dará a sua 
herança. Curioso: Quincas Borba também tinha recebido uma herança de um tio. Na realidade, é essa 
mesma herança que está sendo passada adiante. 
Após uma visita do médico, Rubião fica sabendo que Quincas Borba está para morrer. Nem o 
médico trata mais de cuidá-lo, apenas se resigna. Rubião não era o amigo do filósofo. Quincas Borba tinha 
um cachorro com o mesmo nome. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Muito desocupado e meio sem ter o que fazer, Rubião toma como missão de sua vida cuidar do 
amigo Quincas Borba, o filósofo, doente. Ouvia as suas filosofias, incapaz de desdenhá-las, porque incapaz 
de entendê-las. 
Quincas Borba também, muito desocupado (doente), sente-se carente e à procura de amigo. 
Pergunta se Quincas Borba gostaria de ser seu discípulo, para ter quem ouvisse os seus devaneios 
filosóficos. Nesse sentido, ele expõe pela primeira vez [capítulo VI] o que seria a sua filosofia da 
Humanitas, uma fria e calculista doutrina na qual a ordem lógica do mundo favorece os mais fortes e os 
que sobrevivem. É quase como se fosse um princípio-deus, onipresente, isto é, estivesse em tudo: “Olha, 
vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não ele, é Humanitas...” (ASSIS, 2016, p. 
96). Assim, a Humanitas serve para explicar a própria doença do doente, para considerá-la positiva. 
[CAP. VIII. Discurso indireto livre de Quincas Borba, o filósofo] Moléstia e 
saúde eram dois caroços do mesmo fruto, dois estados de Humanitas. 
 
Ou seja, é como se a Humanitas fosse a síntese hegeliana: 
• Identidade: tese; 
• Contradição ou negação: antítese; 
• Positividade ou negação da negação: síntese. 
 
É por isso que a filosofia da Humanitas é tão importante para o 
Quincas Borba como um todo: porque ela explica a ação das personagens e 
as relativiza: tudo pode ser bom ou ruim etc. 
 Antes de morrer, Quincas Borba foi cuidar de seu testamento. Foi ao Rio de Janeiro tratar de 
negócios. Passadas algumas semanas no Rio, Quincas manda uma interessante carta para Rubião. 
[CAPÍTULO V] RUBIÃO achou um rival no coração de 
Quincas Borba, – um cão, um bonito cão, meio tamanho, 
pelo cor de chumbo, malhado de preto. Quincas Borba 
levava-o para toda parte, dormiam no mesmo quarto. De 
manhã, era o cão que acordava o senhor, trepando ao leito, 
onde trocavam as primeiras saudações. Uma das 
extravagâncias do dono foi dar-lhe o seu próprio nome; 
mas, explicava-o por dois motivos, um doutrinário, outro 
particular. 
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SANTO AGOSTINHO 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Pixabay. 
 
 Também conhecido como Agostinho de Hipona (354-430), sua conversão foi baseada na leitura de 
Plotino e nas Epístolas de São Paulo. Será com a leitura, provavelmente, de Plotino (205-270), filósofo 
medieval com grande influência platônica, que Agostinho encaixará um método capaz de responder a 
suas angústias. Na dicotomia apresenta por Platão entre mundo sensível e mundo das ideias, 
Agostinho se deparou com o mundo inteligível, transcendente, uno, perfeito, eterno, infinito e 
necessário. Somando a concepção de “substância espiritual” apresentada por Santo Ambrósio, 
Agostinho fecha o seu sistema. 
 
O filósofo e suas obras 
*Confissões: obra autobiográfica, análise psicológica sobre sua vida e seu processo de conversão, 
considerada pelo próprio Agostinho como um louvor a Deus. 
*Cidade de Deus: obra síntese de seu pensamento filosófico, teológico e político. Trabalho que o autor 
chamou de “obra gigantesca”, na qual faz a famosa divisão entre a cidade de Deus (celeste) e a cidade 
dos homens (ímpios). 
*Trindade: obra em que Agostinho faz uma exposição, a defesa, a formulação, ilustração e 
contemplação do dogma da Trindade. 
 
Principais conceitos 
Substância espiritual: refere-se à substância não material ou corpórea, que é uma e criadora. 
Cidade de Deus: é marcada pelas atitudes humanas em devoção ao senhor. 
Cidade dos Homens: as atitudes humanas são marcadas por interesses materiais. 
Fonte: PEREIRA; CAETANO, 2011, p. 41-42 (adaptado). 
 
 
Fonte: O LIVRO DA FILOSOFIA, p. 72 (adaptado). 
 
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Meu caro senhor e amigo. 
Você há de ter estranhado o meu silêncio. Não lhe tenho escrito 
por certos motivos particulares, etc. Voltarei breve; mas quero 
comunicar-lhe desde já um negócio reservado, reservadíssimo. 
Quem sou eu, Rubião? Sou Santo Agostinho. Sei que há de 
sorrir, porque você é um ignaro, Rubião; a nossa intimidade permitia-
me dizer palavra mais crua, mas faço-lhe esta concessão, que é a 
última. Ignaro! Ouça, ignaro. Sou Santo Agostinho; descobri isto 
anteontem: ouça e cale-se. Tudo coincide nas nossas vidas. O santo e 
eu passamos uma parte do tempo nos deleites e na heresia, porque eu 
considero heresia tudo o que não é a minha doutrina de Humanitas; 
ambos furtamos, ele, em pequeno, umas peras de Cartago, eu, já rapaz, 
um relógio do meu amigo Brás Cubas. Nossas mães eram religiosas e 
castas. Enfim, ele pensava, como eu, que tudo que existe é bom, e 
assim o demonstra no capítulo XVI, livro VII das Confissões, com a 
diferença que, para ele, o mal é um desvio da vontade, ilusão própria 
de um século atrasado, concessão ao erro, pois que o mal nem mesmo 
existe, e só a primeira afirmação é verdadeira; todas as cousas são boas, 
omnia bona, e adeus. 
Adeus, ignaro. Não contes a ninguém o que te acabo de confiar 
se não queres perder as orelhas. Cala-te, guarda, e agradece a boa 
fortuna de ter por amigo um grande homem, como eu, embora não me 
compreendas. Hás de compreender-me. Logo que tornar a Barbacena, 
darte-ei em termos explicados, simples, adequados ao entendimento 
de um asno, a verdadeira noção do grande homem. Adeus, lembranças 
ao meu pobre Quincas Borba. Não esqueças de lhe dar leite; leite e 
banhos; adeus, adeus... 
Teu do coração 
 
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 É importante reconhecer não só o que é a 
Humanitas, mas como ela aparece na obra, pois ela 
também pode ser considerada um Leitmotiv, isto é, 
um motivo repetido. 
Não é à toa que Quincas Borba irá achar no 
fim de sua vida que ele é Santo Agostinho; é porque 
a filosofia de Santo Agostinho faz o homem se 
aproximar de Deus, e é assim que Quincas se sente 
diante da morte. Além do mais, a filosofia de Santo 
Agostinho lembra a Humanitas, pode até parecer 
ser um embrião dela. Eis um resumo do raciocínio 
de Santo Agostinho: 
 
 
 
Rubião faz uma leitura rasa da carta de Quincas Borba, pois falta a ele capacidade de interpretação 
de texto. Chega à conclusão de que o amigo está doido. Pensa: será que aquilo poderia afetar o 
testamento? Consigo mesmo, começava a calcular a quantia da fortuna real do Quincas Borba. Se já com 
algum interesse ou meramente como especulação, não sabemos. 
E eis que Quincas Borba morre, e Rubião só sabe disso mediante a leitura de uma nota no jornal. 
Há um outro documento por meio do qual Rubiãosabe da morte de Quincas: um bilhete de Brás Cubas. 
Ele mesmo! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
E eis que se opera um milagre! 
O meu pobre amigo Quincas Borba faleceu ontem em minha casa, onde 
apareceu há tempos esfrangalhado e sórdido frutos da doença. Antes de morrer pediu-
me que lhe escrevesse, que lhe desse particularmente esta notícia, e muitos 
agradecimentos; que o resto se faria, segundo as praxes do foro. 
- Brás Cubas 
 
 
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Rubião então pensava na sua vida antes de ganhar aquela herança, em como ele era pobre. 
“Rubião não esquecia que muitas vezes tentara enriquecer com empresas que morreram em flor” (ASSIS, 
2016, p. 109). Nessa situação, até o cachorro sentia luto. 
 
 
 
 
 
 
Uma das diferenças entre o Realismo e o Naturalismo é justamente essa: o Naturalismo rebaixa 
os homens e os animaliza; o Realismo humaniza até mesmo os animais. 
 
 
Uma das grandes características de Rubião é pensar consigo mesmo e elaborar planos 
mirabolantes. Agora, ele era detentor do poder, depois de ter ganhado a herança. Parece que o jogo virou, 
não é mesmo!? 
[CAPÍTULO XIV] QUANDO o testamento foi aberto, Rubião quase caiu 
para trás. Adivinhais por quê. Era nomeado herdeiro universal do 
testador. Não cinco, nem dez, nem vinte contos, mas tudo, o capital 
inteiro, especificados os bens, casas na Corte, uma em Barbacena, 
escravos, apólices ações do Banco do Brasil e de outras instituições, 
jóias, dinheiro amoedado, livros –tudo finalmente passava às mãos 
do Rubião, sem desvios, sem deixas a nenhuma pessoa, nem 
esmolas, nem dívidas. Uma só condição havia no testamento, a de 
guardar o herdeiro consigo o seu pobre cachorro Quincas Borba, 
nome que lhe deu por motivo da grande afeição que lhe tinha. 
 Quincas Borba 
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Discurso indireto livre de Rubião [cap. XIII]: “Tão certo é que a paisagem depende do ponto de 
vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão” (ASSIS, 2016, p. 113). 
 
Isso faz lembrar o cunhado de Brás Cubas, o Cotrim. Para quem leu essa obra, ele era um 
escravocrata perverso que gostava – por causa de sua própria índole e natureza – de machucar os seus 
escravos. 
 
 
CAPÍTULO CXXIII / O VERDADEIRO COTRIM 
 Memórias póstumas de Brás Cubas 
 → Brás Cubas defende o escravo torturador de escravos 
 
 
Rubião mandou rezar uma missa para o finado Quincas Borba. Mais por medo, do que pela moral. 
Medo da opinião pública, e do que iriam achar dele se ele não fizesse isso, já que ele é o herdeiro 
universal. 
Depois disso, o próximo passo seria ir para o Rio de Janeiro, cuidar das questões da herança e 
depois retornar. Porém, na viagem de trem, ele acaba conhecendo Cristiano Palha. 
Quando Palha descobre que Rubião era um herdeiro – e não um herdeiro qualquer, mas sim de 
uma grande fortuna – naturalmente eles se tornam amigos. Quando, por exemplo, Rubião fala que 
pensava em ir para a Europa, Cristiano se anima e começam a fazer planos juntos. É assim também que 
Rubião acaba conhecendo a esposa dele – Sofia. 
Ela primeiro foi descrita como tímida, olhando para baixo, mas à medida que foi percebendo que 
Rubião era herdeiro, “afrouxou a rédea aos olhos, que se deixaram ir ao sabor de si mesmos” (ASSIS, 2016, 
p. 116). Ironia que quer dizer: começou a ter interesse por ele. 
Rubião, que não tem papas na língua, vai se entregando, dizendo que é muito rico. Palha logo 
elabora tramoias para aquele dinheiro, querendo ser o único a saber aquela informação preciosa – a de 
que tinha um amigo rico. 
 
Discurso direto de Cristiano Palha [cap. 118]: – Outra cousa. Não repita o seu caso a pessoas 
estranhas. Agradeço-lhe a confiança que lhe mereci, mas não se exponha ao primeiro encontro. 
Discrição e caras serviçais nem sempre andam juntas. 
 
Despedem-se. Palha morava em uma casa em Santa Teresa e Rubião estava na Hospedaria União. 
No dia seguinte, logo de manhã, foi Palha quem foi procurá-lo. Essa pressa indica evidentemente 
interesse. Foi assim que se começa um ciclo de visitas à casa de Palha, o que viabiliza a paixão de Rubião 
pela dona da casa e esposa do amigo, Sofia. 
 
 
 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 23 
Fonte: Pixabay. 
 
O narrador nos faz retornar ao tempo presente, em que Rubião vive o seu dilema: está apaixonado 
por uma mulher proibida. Quem vai acudi-lo é o cachorro – Quincas Borba. Aqui, começa um elo de 
participação do cachorro, capaz de perceber as sutilezas do espírito humano de seu dono. 
E não é que o cachorro também se torna um filósofo, como o finado dono!? Tudo isso mediado 
pela filosofia e a erudição do próprio narrador. 
 
 
 
 
 
 
 
Tudo isso até agora era um pensamento de Rubião. O narrador nos faz retornar ao tempo 
presente, em que Rubião vive o seu dilema: está apaixonado por uma mulher proibida. Quem vai acudi-
lo é o cachorro – Quincas Borba. Aqui, começa um elo de participação do cachorro, capaz de perceber as 
sutilezas do espírito humano de seu dono. 
Então, há um almoço na casa de Rubião em um domingo. Encontram-se dois amigos dele lá: 
“Carlos Maria chamava-se o primeiro, Freitas o segundo” (ASSIS, 2016, p. 123). Carlos Maria é descrito 
como um cínico, um sério, bem contrastante com o Freitas, bonachão e alegre. 
Nesse jogo de relações, Freitas tinha modos amigáveis, expansivos, ao passo que Carlos Maria era 
sádico, gostava de humilhá-lo. 
 Mas acordem: o mais importante nessa história é a relação que Rubião mantém com a casa de 
Cristiano Palha e sua esposa, Sofia. E querem saber do que mais!? Parece que está pintando um clima de 
romance aí. 
 
 
 
 
 
 
 
 
E não é que eram morangos!? Ao vencedor, os morangos! 
Misto de confuso e alegre, claro que Rubião irá ficar indeciso. E os 
amigos dele ainda se encontram na casa dele naquele momento. Rubião 
começa imediatamente a se preocupar com a opinião pública, se aquilo parece 
ou não um amor adúltero. 
Mando-lhe estas frutinhas para o almoço, se chegarem a 
tempo; e, por ordem do Cristiano, fica intimado a vir jantar 
conosco, hoje, sem falta. Sua verdadeira amiga, 
SOFIA. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 24 
No referido jantar, também estão presentes o major Siqueira e sua filha, Dona Tonica. Ela, que é 
solteira, repara muito em Rubião, solteiro também; mas ele não está nem aí para ela. Ele só tem olhos 
para Sofia, que já é casada. 
 Em determinado momento, Rubião e Sofia vão passear no jardim. Rubião não se contenta e fala 
da lua e de seu amor, acaba se declarando. Porém, num ímpeto impulsivo, segura o braço de Sofia com 
força. Ela acaba por estranhar toda a situação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Então, eles são surpreendidos pelo major Siqueira. Falastrão que era, ele logo nota algo de 
diferente ali, mas Sofia dissimula tão bem que ele já não sabe mais o que pensar. De qualquer forma, 
estranha a situação toda: um casal, que não marido e mulher, conversavam juntos à luz do luar. 
Desconfortável com a situação, Major Siqueira cria todo um pretexto para a conversa: o padre 
Mendes, que sequer existia, ou, ao menos, não se sabe. 
Rubião vai embora cheio de pensamentos na cabeça. Um mendigo que dorme aos degraus de uma 
igreja na rua faz Rubião se lembrar de um préstito (apresentação, exibição de carros alegóricos) a que 
assistira quando era criança. Tratava-se de uma execução de dois pretos, descendo da rua do Ouvidor até 
à da Quitanda. 
 O episódio é importante, porque faz Rubião lembrar de algo que lhe falaram quando era criança.A sua memória é ativada, quando ele chega em casa e encontra o cachorro Quincas Borba. 
 
 
 
 
 
 
Emendou-se logo; mais ingrato era não ter pensado no outro 
Quincas Borba, que lhe deixou tudo. Vai senão quando, 
ocorreu-lhe que os dois Quincas Borba podiam ser a mesma 
criatura, por efeito da entrada da alma do defunto no corpo 
do cachorro, menos a purgar os seus pecados que a vigiar o 
dono. Foi uma preta de São João d'EI-Rei que lhe meteu, em 
criança, essa ideia de transmigração. Dizia ela que a alma 
cheia de pecados ia para o corpo de um bruto; chegou a jurar 
que conhecera um escrivão que acabou feito gambá... 
[CAPÍTULO XXXIX] Loquaz, destemido, Rubião parecia totalmente 
outro. Não parou ali; falou ainda muito, mas não deixou o mesmo 
círculo de ideias. Tinha poucas; e a situação, apesar da repentina 
mudança do homem, tendia antes a cerceá-las, que a inspirar-lhe 
novas. Sofia é que não sabia que fizesse. Trouxera ao colo um 
pombinho, manso e quieto, e sai-lhe um gavião, – um gavião 
adunco e faminto. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 25 
 
 
 Transmigração significa reencarnação das almas, ou reencarnação. Para além 
de um significado religioso e espiritual, esse conceito é importante, pois Rubião 
sempre vai olhar para o cachorro Quincas Borba e achar que o seu finado dono 
encarnara nele. Isso porque as características psicológicas do cão são tamanhas que 
faz Rubião crer que ele é gente de fato. 
Não é à toa que essa ideia está presente no livro. Quem primeiro a alcunhou 
foi Platão, que depois influenciará Santo Agostinho – personagem que Quincas 
Borba, o filósofo, acha que é antes de morrer. Rubião até passa a tratar o cachorro 
com mais carinho depois daquela ideia. 
 
 
 Enquanto Rubião está em sua casa tendo ideias místicas, Sofia conversa com o seu marido Palha 
sobre o jantar. 
 
“NÃO, SENHORA minha, ainda não acabou este dia tão comprido; não sabemos o que se passou 
entre Sofia e o Palha, depois que todos se foram embora. Pode ser até que acheis aqui melhor 
sabor que no caso do enforcado” (ASSIS, 2016, p. 160). 
 
 Nesse trecho, temos 2 características de Machado de Assis: 
• o fato de ele se dirigir ao leitor, aqui no caso, à leitura: “senhora”; 
• ironia, no fato de que ele pressupõe que a leitora acha mais curioso o caso do 
cachorro do que o de dois negros que são condenados a morrer, porque foram 
julgados como ladrões. 
Acontece que Sofia é sincerona, e conta sobre a investida de Rubião. E Palha é 
quem fica sem saber como reagir. Ele defende Rubião. Concordam em vê-lo com frequência menor. 
Indisposta com o caso, Sofia sente dor de cabeça e fica em casa. Nisso, ela vê passar na rua Carlos 
Maria. Distrai-se, pergunta-se quem era aquele. Vê um carteiro cair e ri. Era uma carta vinda da roça de 
sua prima Maria Benedita. 
Enquanto isso, Rubião recebe amigos em sua casa. Apresenta Palha ao doutor Camacho. 
Rubião passa um tempo sem rumo na vida, sem saber o que fazer (quem nunca?). Quando decide 
então passar alguns dias em Minas, tanto Palha quanto Camacho tentam dissuadi-lo. Por interesses 
próprios, ambos o queriam por perto. 
 Então, há algo que engrandece momentaneamente a vida de Rubião: ele salva o menino Deolindo 
de um acidente (ser atropelado). Seu amigo Camacho, que dirige o jornal Atalaia, publica a matéria no 
seu jornal. Rubião se acha o máximo. De pecador que se sentia pelo caso (não consumado) com Sofia, ele 
se sente agora herói. 
 
 
 Parabéns, Rubião! Você venceu na vida. 
 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 26 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O artigo era escrito por Camacho, que tinha um estilo garboso, adjetivo, eloquente e verborrágico. 
Há uma relação entre realismo da vida social versus lacunas subjetivas da vida. Rubião admitia que o 
episódio não fora tudo aquilo, mas aprecia e admira o estilo do amigo, acha que um pouco de hipérbole 
(exagero) não faz mal à situação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
DOM CASMURRO 
CAPÍTULO L – UM MEIO-TERMO 
Meses depois fui para o seminário de São José. Se eu pudesse contar as lágrimas que chorei na 
véspera e na manhã, somaria mais que todas as vertidas desde Adão e Eva. Há nisto alguma exageração; 
mas é bom ser enfático, uma ou outra vez, para compensar este escrúpulo de exatidão que me aflige. 
 
 
Agora é hora de festa! Há um grande baile na rua de Arcos que reúne Sofia, sua prima Maria 
Benedita, Rubião, Carlos Maria entre outros. Sofia dança com Carlos Maria, e alguns já percebem algo 
entre eles. Rubião então é mordido pelo bicho ciúmes. 
 Carlos Maria se aproxima de Sofia jogando um papinho de que estava na rua da casa dela na noite 
passada e olhou para ela de noite sem ela saber. Sofia cai que nem patinha. E Rubião, mesmo que nunca 
tivera consumado nada com Sofia, sente-se mesmo assim traído. 
 No pós-baile, Sofia causa inveja em Maria Benedita e em Rubião. Sofia arrepende-se. Ninguém 
está satisfeito. Só que não. Carlos Maria rememora suas façanhas e se gaba. 
Era o seu próprio nome impresso, rutilante, multiplicado, nada 
menos que uma notícia do caso da Rua da Ajuda. Depois do 
sobressalto, aborrecimento. Que diacho de ideia aquela de 
imprimir um fato particular, contado em confiança? Não quis 
ler nada; desde que percebeu o que era deitou a folha ao chão, 
e pegou em outra. Infelizmente, perdera a serenidade, lia por 
alto, pulava algumas linhas, não entendia outras, ou dava por 
si no fim de uma coluna sem saber como viera escorregando 
até ali. (...) Coluna e tanto para cousa tão diminuta! 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 27 
Certa vez, Major Siqueira manda a real para Rubião: “– O senhor é feliz, mas falta-lhe aqui uma 
cousa; falta-lhe mulher. O senhor precisa casar. Case-se, e diga que eu o engano”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rubião rumina exaustivamente a ideia: pensa em tudo, no casamento, na assinatura, menos na 
noiva. Conversa com o cachorro. Suas ideias estão no nível do abstrato (devaneio) mais do que no da 
realidade. É o começo de indícios de loucura. 
 Algo chama Rubião de volta para a realidade: a morte de Tia Maria Augusta, mãe de Maria 
Benedita. Sofia aproveita para começar uma campanha de fazer o filme de Maria Benedita para o solteiro 
Rubião, que se irrita, porque acha que ela está tentando se livrar dele. 
 Rubião começa um círculo vicioso de tédio, não tem o que fazer. Herdeiro, nunca precisou 
trabalhar. Rubião vai visitar o seu amigo Freitas, que está doente, e acaba por dar muito dinheiro à mãe 
idosa dele (seis notas de vinte mil réis). É um detalhe, mas Rubião vê crianças brincando na praia e pensa 
no sentido da sua existência. Trata-se de uma das características de Machado de Assis → tornar um fato 
comum, corriqueiro numa reflexão mais profunda. 
 
 Um cocheiro com quem Rubião conversa vai lhe colocar uma ideia na 
cabeça: Sofia está tendo um caso com Carlos Maria na Rua da Harmonia. É o 
começo de sua obsessão. Rubião fica com a pulga atrás da orelha: Sofia é capaz de 
trair, só não com ele. Sabe que uma tal de costureira está envolvida na história. 
Da próxima vez que Rubião encontra com Sofia, ela está envolvida em um 
projeto de ajuda a uma epidemia que ocorreu em Alagoas. Ela está organizando 
uma comissão de senhoras para ajudar. Lógico que Rubião quis logo contribuir com dinheiro. 
Há uma ocasião, então, que Rubião está na casa de Sofia. Está também essa costureira, chamada 
Dondon, que chega a mencionar a rua da Harmonia. 
Rubião fica louco, obcecado com a ideia. Pensa em seguir a costureira, em arrancar a verdade dela 
à força. Rubião, transtornado, não sabe nem mais como reagir normalmente à conversa. “Dondon era por 
força a terceira nos amores; devia ser, tinhaolhos sonsos, pensava Rubião” (ASSIS, 2016, p. 234). 
 Decerto achando que dinheiro pudesse pagar tudo, que tudo fosse uma questão de dinheiro e de 
pessoas compráveis, Rubião logo pensa em chantageá-la. Sai sem dar explicações, Palha e Sofia acham 
esquisito. Depois, Rubião recebe mais um bilhete de Sofia. 
 
 
 
 
 
 
 
Ficamos ontem muito inquietos, depois que o senhor saiu. Mande-
nos dizer se passou melhor. Lembranças de Maria Benedita e da sua 
amiga e obrigada 
SOFIA. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 28 
Rubião se encontra com o estado de espírito como se tivesse recuperado a esperança. Pede para 
o garoto do recado esperar, pensa em dar flores para Sofia, volta com o pé atrás. 
Está devaneando, quando acontece algo impactante: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como sempre, Rubião fica indeciso e não sabe o que fazer com a carta. 
Os amigos começam a se afastar de Rubião, ele se acha solitário em casa. Até que aparece 
Camacho, com a notícia de que estava preparando a candidatura de Rubião para a política (saibam que 
Brás Cubas também se meteu a ser ministro). 
 O fato é que Camacho tinha lá seu interesse. A oposição não gostava dele, as pessoas do próprio 
partido queriam derrubá-lo, e Rubião seria a melhor solução para a divergência. Todo esse cenário político 
torna a obra muito atual. 
A possibilidade de entrar para a política alimenta os sonhos de grandeza de Rubião. Rubião sonha 
com casamento sem ter noiva, só para mentalizar uma carruagem ideal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
[CAPÍTULO XCIX] Senão quando, ao recomeçar o passeio, viu 
uma carta ao pé de um canteiro. Inclinou-se, apanhou-a, leu 
o sobrescrito... A letra era dela, tão-só dela; comparou-a com 
a do bilhete que recebera; era a mesma. O nome era o do 
diabo: Carlos Maria. 
(...) Oh! o conteúdo! Que iria ali escrito dentro daquele papel 
homicida? Perversidade, luxúria, toda a linguagem do mal e 
da demência, resumidas em duas ou três linhas. Ergueu-a 
ante os olhos, para ver se podia ler alguma palavra; o papel 
era grosso; não se podia ler nada. Ao lembrar-se que o 
portador, dando por falta da carta, soltaria a procurá-la, 
meteu-a atrapalhadamente no bolso, e correu para dentro. 
Em casa, tirou-a e mirou-a outra vez; as mãos hesitavam, 
reproduzindo o estado da consciência. Se abrisse a carta, 
saberia tudo. Lida e queimada, ninguém mais conheceria o 
texto, ao passo que ele teria acabado por uma vez com essa 
terrível fascinação que o fazia penar ao pé daquele abismo de 
opróbrios... Não sou eu que o digo, é ele; ele é que junta esse 
e outros nomes ruins, ele o que pára no meio da sala, com os 
olhos no tapete, em cuja trama figura um turco indolente, 
cachimbo na boca, olhando para o Bósforo... Devia ser o 
Bósforo. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 29 
 
As pessoas tratam-no mesmo como se ele fosse senador ou desembargador. Isto é, o dinheiro lhe 
confere um status importante. Nesse ínterim, sabe da notícia da morte do amigo Freitas. 
 Em ocasião da missa de sétimo dia da Tia Maria Augusta, Rubião confronta Sofia sobre a carta 
achada. Ele amaldiçoa o dia que a encontrara. Sofia também se preocupa com a opinião pública, e tem 
medo que os criados os ouvissem. 
 Então, Sofia encontra-se sozinha com a carta. Sofia descobre que se trata simplesmente de uma 
circular da Comissão de Alagoas. Um grande nada revela-se para o leitor. Sofia sente raiva de tudo e de 
todos. Ela se irrita, quebra uma porcelana. 
 E o narrador suspende a história para colocar o leitor em dúvida quanto as informações dadas pelo 
cocheiro. 
 
 
 
 
 
 
 
Rubião deixa de ver Sofia, mas continua se encontrando com Palha por causa de negócios. “Palha 
era agora o depositário dos títulos de Rubião (ações, apólices, escrituras)” (ASSIS, 2016. p. 252). Palha 
manda a real para Rubião: ele deve parar de gastar, senão a casa pode cair. 
 Rubião então tem um sonho importante. Ele sonha com Sofia e Maria Benedita. Palha as castigava 
com tortura. Sofia era a imperatriz Eugênia de Montijo (1826-1920): aristocrata espanhola; foi imperatriz 
da França, ao lado de seu marido Napoleão III (1808-1873). “Rubião, indignado, mandou logo cessar o 
castigo, enforcar o Palha e recolher as vítimas” (ASSIS, 2016, p. 256). Sofia aceita ser libertada, e segue 
com Rubião numa carruagem. 
 Há aqui intertextualidade também. O narrador cita Polonius, personagem da tragédia Hamlet de 
Shakespeare: “Desvario embora, lá tem seu método”. Isso como que para justificar o início da loucura de 
Rubião, que ela não é assim tão sem propósito. 
 
 
É o princípio da loucura de Rubião, e a personagem histórica a 
qual Sofia encarna não é despropositada. Eugênia é esposa de 
Napoleão III, quem – na sua loucura – Rubião vai achar que é. Tudo 
isso alimenta os seus sonhos de grandeza. 
 
 
[CAPÍTULO CVI] OU, MAIS PROPRIAMENTE, capítulo em 
que o leitor, desorientado, não pode combinar as tristezas 
de Sofia com a anedota do cocheiro. E pergunta confuso 
– Então a entrevista da Rua da Harmonia, Sofia, Carlos 
Maria, esse chocalho de rimas sonoras e delinquentes é 
tudo calúnia? Calúnia do leitor e do Rubião, não do pobre 
cocheiro que não proferiu nomes, não chegou sequer a 
contar uma anedota verdadeira. É o que terias visto, se 
lesses com pausa. (...) Há entre o céu e a terra muitas mais 
ruas do que sonha a tua filosofia, – ruas transversais, onde 
o tílburi podia ficar esperando. 
(...) Nem todos os cocheiros são imaginativos. Já é muito 
concertar farrapos da realidade. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 30 
 
 Rubião ignora os conselhos de Palha e continua gastando. Faz dois empréstimos, um para investir 
na Empresa Melhoradora dos Embarques e Desembarques do Rio de Janeiro, e o outro para pagar uma 
conta atrasada do jornal Atalaia, de Camacho. 
 Ao encontrar com Camacho, ajuda-o a escrever um artigo político. Nesse momento, há o processo 
da metalinguagem – Rubião pensa no próprio processo das escolhas e estratégias textuais, ou seja, no 
método da escrita. 
 
 
 
 
 
 
 
 (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
 A metalinguagem é uma função prevista por Roman Jakobson como sendo a autorreferenciação: 
um filme cita um filme; um sonho dentro de um sonho; um romance alude a um romance. Em que 
trecho NÃO pode se constatar o uso desse procedimento em Quincas Borba? 
a) “No capítulo X deste livro ficou escrito que os remorsos deste homem eram fáceis, mas de pouca 
dura; faltou explicar a natureza das ações que os podiam fazer curtos ou compridos” (cap. LXI). 
b) “(...) com os olhos no par de valsistas, que passeava ao longo do salão. Sofia estava magnífica. 
Trajava de azul escuro, mui decotada, – pelas razões ditas no capítulo XXXV; os braços nus, cheios, com 
uns tons de ouro claro, ajustavam-se às espáduas e aos seios” (cap. LXIX). 
c) “Repetiam se as visões deliciosas, como a das bodas (Cap. LXXXI) em termos a que a grandeza não 
tirava a graça” (cap. CXXXVII). 
d) “Não nego que são castas; mas tanto pior, – terão rido do que não entendem... Castas estrelas! é 
assim que lhes chama Otelo, o terrível, e Tristram Shandy, o jovial” (cap. LX). 
e) “FAZER UM CAPÍTULO só para dizer que, a princípio, os convivas, ausente o Rubião, fumavam os 
próprios charutos, depois do jantar, – parecerá frívolo aos frívolos; mas os considerados dirão que 
algum interesse haverá nesta circunstância em aparência mínima” (cap. CXXXIV). 
Comentários 
 A cobrança de funções da linguagem está em voga e as bancas de vestibulares tendem a valorizar 
esse tema. A questão é relativamente simples, tratando-se de uma questão de verificação de leitura. 
Bastava identificar qual é o trecho em que Machado de Assis NÃO faz autorreferenciação.Alternativa “a”: correta. Há referência a um capítulo da mesma obra. 
 Alternativa “b”: correta. Há referência a um capítulo da mesma obra. 
 Alternativa “c”: correta. Há referência a um capítulo da mesma obra, no caso, entre parênteses. 
 Alternativa “d”: incorreta – gabarito. Esse procedimento não é denominado de metalinguagem, mas 
sim intertextualidade, isto é, utilização de uma multiplicidade de textos ou de partes de textos 
preexistentes de um ou mais autores, de que resulta a elaboração de um novo texto literário, segundo 
o dicionário Houaiss. 
 Alternativa “e”: correta. Há uma reflexão sobre o fato de fazer um capítulo. 
Gabarito: “d”. 
 
 
 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 31 
 
O livro é uma grande montanha-russa dos altos e baixos dos momentos de 
Rubião. Agora, Rubião sente-se renovado. Encontra-se Sofia na rua, mas já consegue agir 
indiferentemente a ela. 
Acontece o aniversário de 29 anos de Sofia. Convidados seletos, não estavam ali 
o major Siqueira nem a filha, Dona Tonica. Nessa ocasião, Sofia coloca a limpo a história 
da carta. Ela dera a carta a Rubião, pedindo que ele mesmo a abrisse e lesse. Até deu 
uma chorada. 
Também nessa festa Rubião descobre que Maria Benedita irá se casar com Carlos 
Maria. Rubião se acha muito feliz pela notícia, porque ela vai largar o seu pé. Encontra a moça e a 
parabeniza. Maria Benedita gosta e se comove – nem do próprio marido recebera tanta alegria. 
 Sofia pensa consigo mesmo que acha que não é nada demais aquele casamento. A Humanitas 
acaba vencendo. 
 
 
 
 
 
 
 
Os nomes do casal formam um par harmônico: são dois “Marias”. No capítulo 
CLXXI, Rubião inclusive fala que isso parece uma espécie de predestinação. 
 
 
 E a pessoa responsável por juntar o casal foi a prima de Carlos Maria: Dona Fernanda. Convivendo 
no círculo das mulheres, ela logo percebe que Maria Benedita está triste. Perceptiva que é, logo nota que 
a moça está triste. Diz que ela precisa casar, que ela irá ajudar. Por si só, o negócio nunca ia se desenvolver. 
É ela o cupido por trás disso. 
Dona Fernanda é uma mulher prática, pragmática, realista. Contrasta com o Romantismo de 
Maria Benedita, apaixonada por Carlos Maria como se amasse a Deus. Porém, Dona Fernanda sofre para 
extrair a verdade de Maria Benedita. 
O marido de dona Fernanda – Teófilo – é um homem público. Aparece falando do seu grande 
problema do dia: foram falar dele no jornal e trocaram uma letra: de “dúvida” a palavra virou “dívida”. 
Ele ficara irritadíssimo com aquela difamação. A frase se transformou assim: “Na dúvida abstém-se” → 
“Na dívida abstém-se”. 
Trata-se de um dos momentos de tragicomédia em Machado: para o leitor, parece bem cômico 
e humorístico o episódio, mas a personagem de Teófilo sofre muito com isso. 
 
[CAPÍTULO CXVII] A HISTÓRIA do casamento de Maria 
Benedita é curta; e, posto Sofia a ache vulgar, vale a pena dizê-
la. Fique desde já admitido que, se não fosse a epidemia das 
Alagoas, talvez não chegasse a haver casamento; donde se 
conclui que as catástrofes são úteis, e até necessárias. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 32 
 
E acaba que o casal Maria Benedita e Carlos Maria deu certo. Ela – toda submissa – adequava-se 
ao narcisismo dele, que reduzia ela quase a um objeto. 
Sofia, na ocasião, estava com ciúme, estava aborrecida e entediada, lamentando o caso que ela 
não teve com Carlos Maria. Ela julgava a atitude de Maria Benedita um acinte (gesto ou ação com o 
objetivo de ofender), uma vez que fora Sofia que tirou Maria Benedita da roça, trazendo-a para a cidade 
e educando-a. 
 No casamento de Maria Benedita, Rubião começa a tomar mais atitude para chegar até Sofia. 
Chega a dizer pela primeira vez para ela: “– A senhora é já a rainha de todas, disse-lhe ele em voz baixa; 
espere que ainda a farei imperatriz” (ASSIS, 2016, p. 286). A moça não pôde entender aquilo, que se 
tratava primeiro de um sonho dele e depois de sua loucura. 
 Eis que Cristiano Palha procura Rubião. Palha, preocupado, diz que tem algo importante para 
comunicar a Rubião. Ele corta laços pecuniários com Rubião, pois está preocupado com a prodigalidade 
(gasto excessivo e irrefletido de bens materiais; esbanjamento, desperdício, dilapidação) de Rubião. 
 Rubião não se opõe. Todavia, Palha mente. Diz que conseguira um emprego no banco, o que não 
é verdade. Ele apenas está passando por boa fase nos negócios e não quer repartir o lucro com Rubião. 
Olha só quem também alimenta sonhos de grandeza! 
 Rubião vagueia de lugar para lugar sem ter para onde ir. Visita e revisita as mesmas pessoas, torna-
se um fardo, um peso que ninguém quer. Visita então o major Siqueira e a filha Tonica, que estão em 
condição de pobreza. Tonica nunca casara, ficava em casa para ajudar o pai. O empobrecimento advém 
da falta de dote da filha. 
 Começa então uma fase em que as personagens leem romance e o que acontece de mais 
interessante na vida dessas personagens, na realidade, está acontecendo nos romances. Não deixa de ser 
uma representação da metalinguagem – o romance abordando outros romances. Exemplos: 
• Cap. CXXV. Sofia lê em um romance a frase: “Ele merece ser amado”, depois do casamento de 
Maria Benedita, em que Rubião faz uma investida em relação a ela. Há aí ironia, pois o romance 
passa a dialogar diretamente com Sofia e com o que estava acontecendo na vida dela naquele 
momento; 
• Cap. CXXXII. O major Siqueira relê o livro Saint-Clair das Ilhas ou Os Desterrados da Ilha da Barra, 
no qual achava um sabor particular por causa dos desgostos que tinha na vida naquele momento. 
Também há uma frase nesse romance que parece cair como uma luva para ele. Trata-se de um 
romance de 1803, da escritora inglesa Elizabeth Helme (1772-1813), primeiro traduzido para o 
francês, e depois para o português. Esse romance na casa do major também tem um significado 
especial: é o único que tem lá, e é símbolo da pobreza da família. 
 
Voltando ao enredo, Rubião começa a enlouquecer. Ele é um vadio, que não trabalha e não tem 
muito o que fazer da vida a não ser manter o seu círculo social. Rubião está louco; normal não está. É 
quando chega dois bustos em sua casa, para ilustrar os seus ideais de grandeza: um de Napoleão 
primeiro e outro do terceiro. 
 
 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
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O ócio motiva a loucura de Rubião. A sua falta de ideias e de 
intelecto é compensada pelo exagero de imaginação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Todos se casam, menos Rubião. Ele passa por momentos extremos de loucura, alterando fases 
boas com devaneios. O leitor também é colocado nessa experiência do abismo. 
 Rubião ainda tenta fazer investidas em relação a Sofia. Convida-a para ir à casa do major; ela nega 
a princípio. Quando vão, Sofia cai do cavalo. A queda já indica um prenúncio de ruína. Depois da queda, 
fica meio coxa (manca), o que a aproxima da personagem Eugênia de Memórias póstumas. Os amigos 
de Rubião vão se afastando aos poucos dele. “FOI POR ESSE TEMPO que Rubião pôs em espanto a todos 
os seus amigos” (ASSIS, 2016, p. 307). 
 Então, Rubião chama o barbeiro e diz que quer parecer exatamente igual a Napoleão III, sem barba 
e apenas com bigodes. Rumo à lua, Rubião se torna um lunático. Daí ele transmigrou-se: “era o outro, 
eram ambos, era ele mesmo, em suma” (ASSIS, 2016, p. 310): Rubião é Napoleão III. 
 Sofia, a qual já desconfiava que ela era a razão da mudança de Rubião, começa a se assustar. 
Acontece um episódio importante: Sofia sobe junto com ela num coupé (espécie de coche, carro antigo, 
com lacaio) e Rubião sobe à força com ela. Permanece lá, fala de suas loucuras, que quer fazê-la 
imperatriz. Estavam como num impasse.[CAPÍTULO CXXXVII] MAS – oh lance da fortuna! oh 
equidade da natureza! – os desperdícios do nosso amigo, se 
não tinham remédio, tinham compensação. Já o tempo não 
passava por ele como por um vadio sem ideias. Rubião, à 
falta delas, tinha agora imaginação. Outrora vivia antes dos 
outros que de si, não achava equilíbrio interior, e o ócio 
esticava as horas, que não acabavam mais. Tudo ia 
mudando; agora a imaginação tendia a pousar um pouco. 
[CAPÍTULO CLII] Entretanto, Rubião estava quieto. De vez em 
quando, volvia no dedo o anel de brilhante, – um solitário 
esplêndido. Não olhava para ela, não lhe dizia nem pedia nada. 
Iam como um casal de aborrecidos. Sofia começava a não 
entender que razão o teria levado a entrar no carro. 
Necessidade de transporte não podia ser. Vaidade, também 
não; fechara as cortinas, à sua primeira queixa de publicidade. 
Nenhuma palavra amorosa, uma alusão remota que fosse, a 
medo, cheia de veneração e súplica. Era um inexplicável, um 
monstro. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
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Rubião começa a recontar toda a história dele, mas a partir de outro ponto de vista: o de um 
louco, o de Napoleão III. Em sua obsessão, loucura, e humilhação ele se assemelha a um stalker (palavra 
da Língua Inglesa que significa “perseguidor”). Sua fala parece nonsense (sem sentido). 
 Por incrível que pareça, ao se separarem, dá-se o movimento oposto: Rubião entra em choque 
com a realidade, mas é Sofia que fica sonhadora. 
 “Rubião resvalava ao abismo, e convencia-os” (ASSIS, 2016, p. 322). Chegou a Guerra Franco-
Prussiana, conflito no qual a França sai perdedora. Porém, Rubião quer subverter a história à sua loucura 
e fazer da França a grande vencedora. 
A princípio, ninguém cuidou de tratá-lo. O sentimento geral em relação a ele era de vergonha. 
Tudo na casa e na alma de Rubião cheirava à incúria (falta de cuidado, dedicação). Até que enfim, pensam 
em tratar Rubião. A primeira a sugerir é Dona Fernanda. 
 
A Guerra Franco-Prussiana foi um conflito armado entre Alemanha e França (1870-
1871). É encerrado com a vitória e a unificação do império germânico (alemão). A 
exemplo de outros eventos reais mencionados no romance, a referência ao combate 
permite situar o leitor perante o tempo histórico em que se passa a narrativa. Rubião, 
em seu delírio, recusa-se a admitir a derrota francesa e inverte os fatos históricos. 
 
 
 Sofia, por Rubião, agora mantém apenas um sentimento médio. Porém, uma notícia vinda por 
meio de carta de que Maria Benedita estava grávida para ela foi como uma afronta. Isso porque Sofia já 
tinha 30 anos. Amava ser idolatrada pelos homens, porque era vaidosa, mas pelo marido mesmo não 
nutria um sentimento de amor tão grande que fosse capaz de lhe dar um filho. 
A sua vida é um vazio; a riqueza material não compensa o vazio de sua alma, que afunda em tédio, 
como quando chove e a chuva encontra o mar (capítulo CLIX). Sofia tem pesadelos com Carlos Maria: 
havia uma carruagem. Ela para, vultos mascarados a cercam, matam o cocheiro e apunhalam Carlos 
Maria. Depois, um que parecia ser o chefe da multidão, tira a máscara e dá um beijo de sangue em Sofia. 
Ela acorda gritando. Mente para o marido que sonhara com ele. O fato de ela sofrer, mesmo em 
sonho por ele, ativa o ego de Cristiano Palha, que até deseja que a mulher tenha mais pesadelos. Essa é 
uma perversão da Humanitas. Sofia não se sente minimamente culpada por ter mentido – eis a distorção 
da sua moral. O capítulo CLXIII por exemplo é uma digressão do narrador sobre isso: que a moral se 
acostuma e os valores mudam. 
A reclusão de Sofia termina quando o sol amanhece. Palha então aluga uma casa em que acomoda 
Rubião. O mundo prescindia de Rubião, seus amigos não foram lhe visitar na nova casa. Toda a sua vida 
era discutida pelos outros, não por ele mesmo. Revela-se todo um mundo de interesse e oportunismo 
para o leitor, mas nada se torna claro para Rubião. 
 
 
 
 
 
 
 
[CAPÍTULO CLXVII] Rubião notou que eles não o 
acompanharam à casa nova, e mandou-os chamar; nenhum 
veio, e a ausência encheu de tristeza o nosso amigo, – 
durante as primeiras semanas. Era a família que o 
abandonava. Rubião procurou recordar se lhes fizera algum 
mal, por obra ou por palavra, e não achou nada. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 35 
 Discutem então o tratamento de Rubião. O alienista doutor Falcão é chamado para dar palpite no 
caso. Ele está certo de que Sofia e Rubião tiveram um caso, de que ela desencadeou a doença dele. O 
capítulo CLXXXVI é só isso: “– PARA MIM, é claro – saiu pensando o Dr. Falcão –, aquele homem foi amante 
da mulher deste sujeito”. 
Depois, ele começa a desconfiar mais: que Dona Fernanda nutria paixão por Rubião, e por isso 
queria cuidar dele, demonstrava interesse. 
 Carlos Maria e Maria Benedita retornam da Europa, a pedidos dela que queria ter o filho no Brasil. 
A despeito disso, na relação, era ela a submissa. 
 Rubião não é mais querido em nenhuma casa. Vai visitar Carlos Maria e Maria Benedita, mas eles 
dão um jeito de enxotá-lo logo de lá. A loucura é desconcertante. Todos são meio que afetados pelo 
devaneio, uns até entram na onda de Rubião e contribuem para a loucura dele. Ele vai à casa de Dona 
Fernanda, mas também não o deixam subir. 
 Porém, nesse caso, era porque o marido dela, Teófilo, estava em crise. Ele não fora nomeado para 
o gabinete, trabalho para o qual ele se dedicara longamente. Naquele momento, estava vendo toda uma 
vida de trabalho ruir. É como se todo o fracasso dele já estivesse prefigurado já desde aquela situação da 
troca de letras no jornal. 
 Até que ele recebe uma notícia inesperada: uma carta do senhor presidente do conselho. Ele é 
chamado de última hora para assumir o sonhado cargo. Dona Fernanda, que queria ir para a Europa, vai 
ter que esperar. Ela cuida de todos; ninguém cuida dela. 
 Também Rubião sofre. O mundo inteiro dá as costas a ele. Rubião vai novamente visitar o major 
Siqueira, mas o jogo virou: Dona Tonica vai casar com um viúvo, ela está radiante. Tratam de enxotar 
Rubião também. 
 Rubião anda então na rua no seu próprio préstito. Não está mais solitário – junta-se a ele curiosos 
e crianças, brincando e fazendo arruaça. Vem até mesmo Deolindo, o menino que ele salvara. Há ironia 
aqui, pois há mudança de situação: da glória, Rubião vai à ruína. A mãe de Deolindo não reconhece; o 
pai, sim, mas sente vergonha. Ninguém quer ficar perto de Rubião, como se a loucura fosse contagiosa. 
 Rubião torna as pessoas desconfortáveis. Faz elas compararem a sua sorte com a dele e se 
acharem sortudas. 
 Sofia e Dona Fernanda vão visitar a casa de Rubião depois que já o levaram para uma casa de 
saúde. Dona Fernanda se compadece de Quincas Borba, o cachorro, faz carinho nele. 
 O fim do patrimônio de Rubião se reduz a três contos e duzentos. 
 
CONCLUSÃO 
 Sofia e Palha mudam-se para um palacete em Botafogo. Terminam indiferentes e ostentando luxo. 
 Dona Tonica não se casa; ironia trágica: seu noivo falece 3 dias antes de se casarem. 
 Dona Fernanda recebe uma carta do diretor da casa de saúde avisando que Rubião fugira. 
Descobre-se que ele retornara à sua cidade natal – Barbacena – e que levara o cachorro Quincas Borba 
junto. Pouco tempo antes, ele pede um dinheiro emprestado para Palha, que dá de imediato. Faltava 
pouco tempo para ele receber alta, mas ele foge mesmo assim. 
 Chega à sua cidade recitando “Ao vencedor, as batatas”, frase paradigmática que no livro traduz e 
resume a filosofia de Humanitas. Vagueia pelas ruas, pela igreja, pela farmácia. Acaba dormindo aos pés 
da igreja – como o mendigo que fez ele relembrar o préstito de morte – embaixo de chuva e apenas com 
o leal Rubião. 
Uma comadre dele os acha na rua. Cuida de Rubião, mas ele já está com febre. Os desafetos de 
Rubião ainda dão um jeitode aparecer na cena, para prejudicá-lo mais uma vez. Chamam o mesmo 
médico que cuidara de Quincas Borba, o filósofo, ou seja, um resignado e um incompetente. 
 Um capítulo de negativas (igual a Memórias póstumas de Brás Cubas): Rubião não fez nada, não 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 36 
quis nada, não realizou nada... sequer pegou nada para simbolizar sua coroa. Pegou o ar e se corou rei. 
Sua vida foi coroada por este nada, um vazio existencial e, por fim, também material. 
Não consegue concluir a sua última frase: “Ao vencedor...”, que, pronunciada assim, fica 
parecendo uma enigmática dedicatória. Como quem diz, “Esse livro... ao vencedor, a quem vencê-lo, 
vencer sua leitura”. 
É como se Machado de Assis dedicasse este livro a todos os vencedores que o estão lendo e que 
sobreviveram a Rubião. Quincas Borba, o cão, também não sobrevive, e falece 3 dias depois do dono. Algo 
aqui soa como se fosse bíblico: “ao fim do terceiro dia, ressuscitou”, embora aqui no caso seja morreu. 
E aqui acontece a tragicomédia do livro: a facilidade de converter um no outro. Pois, aquilo que 
parece tragédia, pode se transmigrar em comédia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lista de contos que podem ajudar 
 
CONTO RESUMO DO CONTO TRECHO DO QUINCAS BORBA 
Uns braços 
(1895) 
Inácio, de apenas 15 anos, apaixona-se 
pela mulher de seu patrão, Dona Severina. 
O título decorre das aparências: é a única 
parte do corpo visível ao menino. Em uma 
tarde, sonha com ela, e por um acaso ela 
sonha de volta, tem o mesmo sonho 
Discurso indireto livre de Rubião sobre 
os braços de Sofia: [Cap. III]: “Foi ela que 
me recomendou aqueles dois 
quadrinhos, quando andávamos, os 
três, a ver cousas para comprar. Estava 
tão bonita! Mas o que eu mais gosto 
dela são os ombros, que vi no baile do 
[CAPÍTULO CLXVII] QUERIA DIZER aqui o fim do Quincas Borba, 
que adoeceu também, ganiu infinitamente, fugiu desvairado 
em busca do dono, e amanheceu morto na rua, três dias depois. 
Mas, vendo a morte do cão narrada em capítulo especial, é 
provável que me perguntes se ele, se o seu defunto homônimo 
é que dá o título ao livro, e por que antes um que outro, – 
questão prenhe de questões, que nos levariam longe... Eia! 
chora os dous recentes mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso 
ri-te! É a mesma cousa. O Cruzeiro, que a linda Sofia não quis 
fitar como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir 
os risos e as lágrimas dos homens. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 37 
beijando-o, algo que só se concretiza em 
sonho. 
TRECHO: “Também a culpa era antes de D. 
Severina em trazê-los assim nus, 
constantemente. Usava mangas curtas em 
todos os vestidos de casa, meio palmo 
abaixo do ombro; dali em diante ficavam-
lhe os braços à mostra”. 
coronel. Que ombros! Parecem de cera; 
tão lisos, tão brancos! Os braços 
também; oh! Os braços! Que bem 
feitos!” 
O espelho 
(1882) 
O conto trata de Jacobina, homem de 45 
anos. Sobe na vida, porque é indicado para 
um posto de militar. Um dia com amigos, 
formula uma teoria de que todo homem 
tem duas almas: uma interior e outra 
exterior. Quando consegue o cargo de 
militar, sua família se torna orgulhosa. Sua 
tia Marcolina o presenteia com um 
espelho. Um dia quando todos saíram, ele 
se olha no espelho perturbado, pois estava 
sem sua alma exterior (a opinião que as 
pessoas faziam dele). A imagem de si se 
torna distorcida. 
Fala (discurso direto) de Quincas Borba 
enquanto estava sendo cuidado por 
Rubião: [Cap. V]: “– Desculpa-me, tu 
também o és, bem sei, e agradeço-te 
muito; mas a um doente perdoa-se 
tudo. Talvez esteja começando o meu 
delírio. Deixa ver o espelho”. 
 
A causa secreta 
(1885) 
O grande tema do conto é a crueldade. 
Médico recém-formado, Garcia, conhece 
Fortunato, um estranho e frio homem, 
misericordioso com doentes e feridos. É 
uma personagem rodeada pelo mistério. 
Abrem uma Santa Casa juntos. Um dia, 
Garcia e a esposa de Fortunato, Maria 
Luiza, flagram-no torturando 
meticulosamente um rato. A causa secreta 
é revelada: o sofrimento alheio lhe causa 
prazer. 
[Cap. XLVII – cena do préstito e o 
interesse de Rubião]: “E o nosso homem 
fechou os olhos, e deixou-se ir ao acaso. 
O acaso, em vez de levá-lo pela Rua do 
Ouvidor abaixo até à da Quitanda, 
torceu-lhe o caminho pela dos Ourives, 
atrás do préstito. Não iria ver a 
execução, pensou ele; era só ver a 
marcha do réu, a cara do carrasco, as 
cerimônias... Não queria ver a execução. 
(...) Os curiosos iam narrando o crime, – 
um assassinato em Mata Porcos. O 
assassino era dado como homem frio e 
feroz. A notícia dessas qualidades fez 
bem a Rubião; deu-lhe força para 
encarar o réu sem delíquios de 
piedade. Não era já a cara do crime; o 
terror dissimulava a perversidade. Sem 
reparar, deu consigo no largo da 
execução. Já ali havia bastante gente. 
Com a que vinha formou-se multidão 
compacta”. 
 
 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 38 
Organização por fases no enredo 
Cap. I – XIX Morte de Quincas Borba e herança dada a Rubião. Essa fase começa com Rubião já 
herdeiro, depois regressa para a cena de Rubião cuidando do doente Quincas Borba 
e se encerra com Rubião pedindo para celebrar uma missa para o finado amigo. 
Cap. XX – XXXI Rubião trata de ir ao Rio de Janeiro cuidar de questões da herança, mas conhece 
Cristiano Palha, de quem se torna amigo e assim se inicia um ciclo de visitas à casa 
dele, o que viabiliza a paixão de Rubião por Sofia. Rubião acaba por decidir ficar no 
Rio de Janeiro, onde cria um círculo de amizades – Carlos Maria e Freitas frequentam 
a sua casa, e ele continua visitando Santa Teresa, residência de Sofia, com quem vai 
estreitando relações. 
Cap. XXXII – 
XXXIII 
Rubião recebe morangos de Sofia, junto com uma carta, e apaixona-se. Isso ocorre 
durante um almoço em sua casa, na presença de seus amigos Carlos Maria e Freitas, 
que o julgam zombeteiramente pelo caso. 
Cap. XXXIV – 
XLV 
Jantar na casa de Cristiano Palha e Sofia. Também estão presentes o Major Siqueira 
e sua filha, Dona Tonica. Todo um longo episódio se desenrola, Rubião sai para o 
jardim com Sofia, olham a lua juntos. Ele pega no braço dela com força e ela não 
gosta. Chega o major Siqueira e os surpreende. Depois, ele vai embora com a filha. 
Rubião pede para Sofia que olhem a lua juntos, no mesmo momento, mas 
separadamente. 
Cap. XLVI – XLIX Rubião vai embora do jantar pensando em episódios de infância. Um mendigo que 
dorme aos degraus de uma igreja na rua faz Rubião se lembrar de um préstito 
(apresentação, exibição de carros alegóricos) a que assistira quando era criança. 
Tratava-se de uma execução de dois pretos, descendo da rua do Ouvidor até à da 
Quitanda. Introdução do conceito de transmigração, para explicar o psicologismo do 
cachorro Quincas Borba como encarnação do seu dono. 
Cap. L – LI Desdobramento do jantar. Rubião olha para o cachorro e tem ideias místicas. Sofia 
conversa com seu marido, Palha. 
Cap. LII – LIX Começa o desencantamento de Sofia por Rubião, e começa por Carlos Maria. Rubião 
se afasta um pouco da casa de Palha e da esposa. Conversa de Rubião com Palha e 
Camacho. 
Cap. LX – LXI Rubião salva Deolindo de um acidente. 
Cap. LXIII – 
LXVII 
Rubião volta a encontrar Sofia na rua, e agora ela está com a prima Maria Benedita. 
Em visita à casa do casal, ele percebe Carlos Maria elogiando um retrato de Sofia. 
Inveja o elogio dele. Em contraposição ao seu sentimento de impotência, o caso do 
salvamento de Rubião repercute na notícia do jornal Atalaia, para o qual Rubião 
começa a contribuir financeiramente. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADODE ASSIS – QUINCAS BORBA 39 
Cap. LXVIII – 
LXX 
Sofia e a prima Maria Benedita vão a um grande baile. Lá também está Rubião e Sofia 
dança com Carlos Maria. Alguns já percebem algo entre eles. 
Cap. LXXI – LXIII Pós-baile. Sofia causa inveja em Maria Benedita e ciúmes em Rubião. Sofia 
arrepende-se. Ninguém está satisfeito. 
Cap. LXXIV – 
LXXVI 
Carlos Maria rememora suas façanhas e se gaba da noite anterior. 
Cap. LXXVII – 
LXXXII 
Major Siqueira manda a real para Rubião: “– O senhor é feliz, mas falta-lhe aqui uma 
cousa; falta-lhe mulher. O senhor precisa casar. Case-se, e diga que eu o engano”. 
Rubião rumina exaustivamente a ideia: pensa em tudo, no casamento, na assinatura, 
menos na noiva. Conversa com o cachorro. Suas ideias estão no nível do abstrato 
(devaneio) mais do que no da realidade. 
Cap. LXXXIII – 
LXXXVIII 
Rubião sente-se entediado, vagueia de um lado para o outro. Rubião vai visitar o seu 
amigo Freitas, que está doente, e acaba por dar muito dinheiro à mãe idosa dele. É 
um detalhe, mas Rubião vê crianças brincando na praia e pensa no sentido da sua 
existência. 
Cap. LXXXIX - Conversa com um cocheiro que vai lhe colocar uma ideia na cabeça: Sofia está tendo 
um caso com Carlos Maria na Rua da Harmonia. Começo de sua obsessão. 
Cap. XCIII – XCIX Rubião ouve uma fofoca da costureira Dondon, que o faz desconfiar que Sofia está 
tendo um caso com Carlos Maria na rua da Harmonia. Rubião fica transtornado, 
enciumado, obsessivo, impulsivo. Até encontrar uma carta com a letra de Sofia e o 
nome de Carlos Maria no canteiro. 
Cap. C – CII Camacho comunica que preparou a candidatura de Rubião na política. Morre seu 
amigo Freitas e ele vai ao enterro. 
Cap. CIII – CIV Rubião confronta Sofia sobre a carta achada. 
Cap. CV – CVIII Sofia encontra-se sozinha com a carta. Ela não sabe como proceder. Rubião deixa de 
frequentar sua casa. Encontra-se apenas com Palha, que agora é depositário de 
todos os seus bens. Palha lhe informa que a sua situação financeira não está boa. 
Cap. CIX – CXI Sonho de loucura de Rubião. Rubião ignora os conselhos de Palha e continua 
gastando. Ajuda Camacho a escrever um artigo político. 
Cap. CXII – CXVI O artigo político contribui para Rubião recuperar a sua vibe. Agora, ele se encontra 
com Sofia na rua, mas já consegue agir indiferentemente a ela. Rubião não retorna 
mais ao Flamengo, até o aniversário de 29 anos de Sofia, quando descobre – com 
surpresa – que Maria Benedita irá se casar com Carlos Maria. 
Cap. CXVII – 
CXXV 
Introdução das personagens Dona Fernanda e seu marido Teófilo. Casamento de 
Maria Benedita e Carlos Maria. Viagem deste casal à Europa. 
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Cap. CXXVI – 
CXXIX 
Cristiano Palha corta laços pecuniários com Rubião, pois está preocupado com a 
prodigalidade de Rubião. 
Cap. CXXX – 
CXLIV 
 
Rubião começa um ciclo em que ele vagueia de lugar para lugar sem ter para onde 
ir. Visita e revisita as mesmas pessoas, torna-se um fardo, um peso que ninguém 
quer. Visita então o major Siqueira e a filha Tonica sozinho. Depois ele convida Sofia 
a ir, ela recusa. Depois, eles vão finalmente e Sofia cai do cavalo. 
Cap. CXLV – 
CXLVIII 
Os amigos de Rubião se afastam dele. Rubião chama um barbeiro, pois quer se 
parecer fisicamente com Napoleão III. Vai se tornando um lunático. 
Cap. CXLIX – 
CLIII 
Viagem de coupé (coche, carro) de Rubião e Sofia. Rubião só fala bobagem, falas sem 
sentido. Sofia se espanta com a loucura dele, acha que ele é um monstro. 
Cap. CLIV – 
CLXII 
Ao se separarem, dá-se o movimento oposto: Rubião entra em choque com a 
realidade, mas é Sofia que fica sonhadora. Ela se torna extremamente irritadiça. 
Inveja a notícia de que Maria Benedita está grávida. Relembra fatos passados. Tem 
um pesadelo com Carlos Maria. O sol amanhece claro e ela se livra de sua reclusão. 
Cap. CLXIII – 
CLXVIII 
Decisão entre se internam ou não Rubião, discutem a questão com o doutor Falcão. 
Palha aluga uma casa em que acomoda Rubião. Os amigos continuam se afastando 
de Rubião. 
Cap. CLXIX – 
CLXVIII 
Carlos Maria e Maria Benedita voltam da Europa. Ela está grávida. Rubião os visita, 
mas não é bem quisto. Conversa entre o casal, ela se mostra submissa. 
Cap. CLXXIV – 
CLXXVIII 
Teófilo passa por crise, mas depois é chamado para ocupar o sonhado cargo no 
gabinete. 
Cap. CLXXIX – 
CLXXXI 
Rubião piora da loucura, devaneia pela cidade. O mundo dá as costas para ele. 
Encontra novamente o major Siqueira; Dona Tonica irá se casar com um viúvo. 
Cap. CLXXXII – 
CLXXXIV 
Préstito da loucura de Rubião na rua. Deolindo segue Rubião, a família dele não 
deixa, a mãe por cuidado e o pai se envergonha. 
Cap. CLXXXV – 
CLXXXVII 
Rubião é recolhido numa casa de saúde. 
Cap. CLXXXVIII 
– CXCI 
Sofia e Dona Fernanda visitam a casa de Rubião e o cão Quincas Borba. Dona 
Fernanda cuida da filha de Maria Benedita com Carlos Maria. Contabilizam a fortuna 
de Rubião: ele está arruinado. 
Cap. CXCII – CCI Tentam inferir quanto tempo falta de tratamento a Rubião. Seriam alguns meses, 
porém o diretor da casa de saúde informa que ele fugira. Rubião levara consigo 
apenas o cachorro e um dinheiro dado por Palha. Volta à sua cidade natal, 
Barbacena, onde sofre seus últimos devaneios e morre, seguido do cachorro depois 
de 3 dias. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 41 
Capítulos mais importantes e por quê 
Cap. III O narrador faz um movimento de regressão no tempo. Ele estava contando a história 
de Rubião no presente, e volta ao passado para esclarecer como tudo aquilo 
começou. 
Cap. VI Introdução da filosofia da Humanitas. 
Cap. X Carta de Quincas Borba do Rio de Janeiro para Rubião. Indícios de loucura, pois 
Quincas Borba acha que ele é Santo Agostinho. 
Cap. XI A carta representa a última comunicação entre os dois amigos. Neste capítulo em 
particular, Rubião sabe da morte do filósofo Quincas Borba apenas mediante a 
leitura de uma nota no jornal. 
Cap. XIII Rubião recebe um bilhete do próprio Brás Cubas (protagonista de outro romance). 
Isso é indicativo de que as personagens são contemporâneas. 
Cap. XIV Rubião é nomeado herdeiro universal (único) de Quincas Borba após o seu 
falecimento. 
Cap. XIX Pedido e celebração da missa para o finado Quincas Borba. 
Cap. XXI Rubião conhece a personagem Cristiano de Almeida e Palha – Cristiano Palha – e sua 
esposa Sofia em uma viagem de trem. 
Cap. XXVII Só aqui o narrador faz realmente o movimento de volta, retornando ao Rubião no 
presente, já rico e herdeiro, sentado em sua casa. Ele vive o seu conflito: está 
apaixonado pela esposa de seu amigo. 
Cap. XXIX Introdução da personagem Carlos Maria em um almoço com Rubião, bem como 
Freitas. Contraste claro entre ambos. 
Cap. XXXII Rubião recebe morangos de Sofia, junto com um bilhete. Isso atiça a sua paixão e o 
deixa pensativo. Início de sua obsessão. 
Cap. XLI Rubião retém à força o braço de Sofia, pois ela sugere que entrem e ele quer ficar. 
Cap. XLII O major Siqueira surpreende o casal Rubião e Sofia no jardim. Desculpa do padre 
Mendes. Capítulo relativamente grande, destacando-se de outros que são 
minúsculos, de só um parágrafo, por exemplo. 
Cap. LII Sofia vê passar Carlos Maria na rua e cisma com ele. 
Cap. LVI Autorreferenciação: “No capítulo X deste livro ficou escrito que os remorsos deste 
homem eram fáceis, mas de pouca dura; faltou explicar a natureza das ações que os 
podiam fazer curtos ou compridos”. 
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Cap. LX Resgata o menino Deolindo de um acidente (ser atropelado). 
Cap. LXIV São introduzidas as personagens Tia Maria Augusta e sua filha, Maria Benedita 
(Machado tem um conto com nome parecido, que era partedo repertório na FUVEST 
1995). 
Cap. LXVI O capítulo é muito curto e irônico. Mostra o ciúme que Rubião tem do elogio que 
Carlos Maria faz à Sofia, elogio este que ele por si mesmo é incapaz de fazer. Ele 
começa a reparar o interesse dele por Sofia. 
[Cap. LXVI – monólogo interior de Rubião: “COMO ELE DIZ aquelas cousas tão 
naturalmente! Pensou Rubião, em casa, relembrando as palavras de Carlos Maria. 
Desfazer no retrato só para elogiar a pessoa! Note-se que o retrato é muito 
parecido.” 
Cap. LXIX Grande capítulo sobre Maria Benedita e Sofia em um baile. Sofia dança com Carlos 
Maria. Autorreferenciação: [Cap. LXIX – narrador sobre Sofia] com os olhos no par 
de valsistas, que passeava ao longo do salão. Sofia estava magnífica. Trajava de azul 
escuro, mui decotada, – pelas razões ditas no capítulo XXXV; os braços nus, cheios, 
com uns tons de ouro claro, ajustavam-se às espáduas e aos seios”. 
Cap. LXXXII Rubião rumina exaustivamente a ideia de casar: pensa em tudo, no casamento, na 
assinatura, menos na noiva. Suas ideias estão no nível do abstrato (devaneio) mais 
do que no da realidade. O treino da assinatura é um recurso gráfico que pode ter 
sido influência de Sterne. 
Cap. LXXXIII Morre Tia Maria Augusta, mãe de Maria Benedita. 
Cap. LXXXV Rubião vai visitar o seu amigo Freitas, que está doente, e acaba por dar muito 
dinheiro à mãe idosa dele (seis notas de vinte mil réis). 
Cap. LXXXVI É um detalhe, mas Rubião vê crianças brincando na praia e pensa no sentido da sua 
existência. 
Cap. LXXXIX Conversa com um cocheiro que vai lhe colocar uma ideia na cabeça: Sofia está tendo 
um caso com Carlos Maria da Rua da Harmonia. 
Cap. XCIII Conhece a costureira Dondon, que está na casa de Sofia. O comentário dela sobre a 
rua da Harmonia faz Rubião desconfiar que Sofia estava mesmo tendo um caso com 
Carlos Maria. Fica louco, enciumado e obcecado. 
Cap. XCVIII Rubião recebe um bilhete de Sofia, preocupada com ele, pois notara que ele vinha 
agindo estranho. Logo, ele já muda de ideia e pensa em dar flores para ela. 
Cap. XCIX Rubião encontra uma carta que o carteiro acabara de deixar cair logo em um 
canteiro. A letra era da Sofia e o nome era de Carlos Maria. 
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Cap. C Camacho preparou a candidatura de Rubião na política. 
Cap. CI Rubião recebe a notícia da morte do amigo Freitas. 
Cap. CIII Missa de sétimo dia de Tia Maria Augusta. Rubião confronta Sofia sobre a carta 
achada. 
Cap. CV Sofia descobre que se trata simplesmente de uma circular da Comissão de Alagoas. 
Cap. CVI O próprio narrador põe o leitor em dúvida quanto às informações dadas pelo 
cocheiro. 
Cap. CIX Rubião sonha com Sofia e Maria Benedita. Palha as castigava com tortura. Sofia era 
a imperatriz Eugênia de Montijo. Sofia aceita ser libertada, e segue com Rubião numa 
carruagem. 
Cap. CXV Acontece o aniversário de 29 anos de Sofia. Nessa ocasião, Sofia coloca a limpo a 
história da carta. Nessa festa, ele também descobre – com surpresa – que Maria 
Benedita irá se casar com Carlos Maria. 
Cap. CXXIV Maria Benedita se casa com Carlos Maria e vão para a Europa. 
Cap. CXXVI Cristiano Palha corta laços pecuniários com Rubião, pois está preocupado com a 
prodigalidade de Rubião. 
Cap. CXXXIII Início da loucura de Rubião; perda da noção de realidade. 
Cap. CXXXIV Chega dois bustos na casa de Rubião: um de Napoleão primeiro e outro do terceiro. 
Cap. CXXXVI Digressão: anedota que é uma síntese da ironia. O cobrador de jornais zomba de 
Rubião que paga os jornais, mas não os lê, ao passo que muita gente queria lê-los, 
mas não pode pagar por eles. 
Cap. CXXXVII Autorreferenciação: “Repetiam se as visões deliciosas, como a das bodas (Cap. 
LXXXI) em termos a que a grandeza não tirava a graça”. 
Cap. CXLI A linguagem enlouquece: as rosas falam. 
Cap. CXLVI Rubião chama um barbeiro, pois quer se parecer fisicamente com Napoleão III. 
Cap. XLIII Viagem de coupé (coche, carro) de Rubião e Sofia. Rubião só fala bobagem, falas sem 
sentido. Sofia se espanta com a loucura dele, acha que ele é um monstro. 
Cap. CLVIII Maria Benedita confessa a Dona Sofia por meio de carta que está grávida de Carlos 
Maria. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 44 
Cap. CLXI Sofia tem um pesadelo com Carlos Maria: havia uma carruagem. Ela para, vultos 
mascarados a cercam, matam o cocheiro e apunhalam Carlos Maria. Depois, um que 
parecia ser o chefe da multidão, tira a máscara e dá um beijo de sangue em Sofia. 
Cap. CLXIII Digressão: a moral se acostuma e os valores mudam. 
Cap. CLXV Palha aluga uma casa em que acomoda Rubião. 
Cap. CLXXXII Préstito da loucura de Rubião na rua. 
Cap. CLXXXV Rubião é recolhido numa casa de saúde. 
Cap. CLXXXVIII Sofia e Dona Fernanda visitam a casa de Rubião e o cão Quincas Borba. Dona 
Fernanda é a única que se compadece do cachorro; Sofia não está nem aí. 
Cap. CXCIII Dona Fernanda recebe uma carta do diretor da casa de saúde dizendo que Rubião 
fugira. Ele levou consigo somente o cachorro e um dinheiro dado por Palha. Ele foge 
para a sua cidade natal, Barbacena. 
Cap. CXCVIII Síntese de duas linhas sobre todo o sofrimento de Rubião: peregrinação em 
Barbacena, febre, loucura. 
Cap. CCI Ironia final do narrador: transforma a tragédia em comédia. 
 
 
Figuras de linguagem utilizadas por Machado de Assis em Quincas Borba 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- Narciso é o próprio Carlos Maria. - Corte é metonímia do Rio de Janeiro. 
 
 
Ironia: ocorre quando aquilo que está 
sendo dito é o contrário do que 
realmente se pretende dizer. 
Exemplo em Q. B.: “Carlos Maria 
continuou a ler um estudo de Sir 
Charlen Little, Member of Parliament 
[membro do parlamento], sobre a 
famosa estatueta de Narciso, do 
Museu de Nápoles. 
Metonímia: ocorre quando há uma 
substituição da parte pelo todo, ou 
seja, utiliza-se um termo para 
representar outro, pois há uma relação 
estabelecida entre eles. 
Exemplo em Q. B.: “Seu primo Teófilo. 
Nanã contou-me que ele andava com 
suas esperanças, e foi por isso que 
ficou este ano na Corte”. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 45 
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3.2 ANÁLISE E FORTUNA CRÍTICA 
Como indiquei na pré-leitura, resgatarei aqui algumas questões centrais já comentadas, 
aprofundando-as e ampliando-as. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hipérbole: ocorre quando há o uso de 
uma expressão exagerada, claramente 
simbólica. 
Exemplo em Q. B.: “(...) todas as 
grandes obras, os mais temerosos 
problemas, as batalhas mais decisivas, 
as revoluções mais profundas, o sol e a 
lua, e todas as constelações, e todas as 
gerações humanas, valiam menos do 
que a troca de um u por um i”. 
 
Personificação: ocorre quando se 
atribuem características humanas a 
seres inanimados ou irracionais. 
Exemplo em Q. B.: “mas o grande astro 
percebeu a intenção dela e disse ao raio 
úmido ‘Volta, volta ao meu seio, raio 
casto e virtuoso; não vás tu conduzi-la 
onde o seu desejo a quer levar’.” 
 
Eufemismo: ocorre quando se utilizam 
palavras ou expressões no lugar de 
outras a fim de suavizar seu significado. 
Exemplo em Q. B.: “– Então afinal o 
homem espichou a canela? disse ele, 
enquanto Rubião abria a carta, corria à 
assinatura e lia Brás Cubas. Era um 
simples bilhete (...)”. 
Metáfora: é uma comparação 
subentendida: emprega-se um termo com 
significado de outro a partir da semelhança 
entre ambos. 
Exemplo em Q. B.: “Conversar com os seus 
botões", parecendo simples metáfora, é 
frase de sentido real e direto. Os botões 
operam sincronicamente conosco; formam 
uma espécie de senado, que vota sempre as 
nossas moções”. 
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Humanitas 
Cuidado: Humanitas não é sinônimo de humanismo ou humanitismo, mas sim consiste na sua 
distorção. Oposto a essas correntes de nome tão parecido, a filosofia de Humanitas prescreve que a 
ordem do mundo favorece a hierarquia. Pode ser considerada como uma sátira do darwinismo, sátira 
porque é como se fosse um darwinismo “que não deu certo”. 
Sátira é uma composição livre e irônica contra instituições, costumes e ideias da época, segundo o 
dicionário Houaiss. 
 
Arremedo de cientificismo e filosofia, o Humanitismo aparece pela primeira vez nas Memórias 
póstumas de Brás Cubas, romance publicado por Machado de Assis em 1881. A teoria é idealizada 
por Quincas Borba, que tenta fazer de Brás Cubas o seu primeiro discípulo. O assunto é inicialmente 
mencionado em uma carta que Quincas enviara ao amigo Brás (CHAUVIN, 2016, p. 41). 
 
O HUMANISMO 
 
 O termo é usado para indicar duas coisas diferentes: I) o movimento literário e filosófico que 
nasceu na Itália na segunda metade do séc. XIV, difundindo-se para os demais países da Europa 
e constituindo a origem da cultura moderna; II) qualquer movimento filosófico que tome como 
fundamento a natureza humana ou os limites e interesses do homem. 
 Em relação à primeira, as bases fundamentais do humanismo podem ser assim expostas: 
 1) Reconhecimento da totalidade do homem como ser formado de alma e corpo e destinado a viver 
no mundo e a dominá-lo. 
 2) Reconhecimento da historicidade do homem, dos vínculos do homem com o seu passado, que, 
por um lado, servem para uni-lo a esse passado e, por outro, para distingui-lo dele. 
 3) Reconhecimento do valor humano das letras clássicas. É por esse aspecto que o H. temesse 
nome. Já na época de Cícero e Varrão, a palavra humanítas significava a educação do homem como 
tal, que os gregos chamavam de paídéia; eram chamadas de "boas artes" as disciplinas que formam o 
homem, por serem próprias do homem e o diferenciarem dos outros animais. 
 
 
 
 
 
 
 
Essa premissa associa o significado da corrente do humanismo à erudição. 
 
 4) Reconhecimento da naturalidade do homem, do fato de o homem ser um ser natural, para o qual 
o conhecimento da natureza não é uma distração imperdoável ou um pecado, mas um elemento 
indispensável de vida e de sucesso. 
O pensador – Rodin 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Pixabay. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 47 
 
 Em relação à outra, o segundo significado dessa palavra nem sempre tem estreitas conexões com 
o primeiro. Pode-se dizer que, com esse sentido, o humanismo é toda filosofia que tome o homem 
como “medida das coisas”, segundo antigas palavras de Protágoras. 
 Em sentido mais geral, pode-se entender por humanismo qualquer tendência filosófica que leve 
em consideração as possibilidades e, portanto, as limitações do homem, e que, com base nisso, 
redimensione os problemas filosóficos. 
Fonte: ABBAGNANO, 2007, p. 518-519 (adaptado). 
O HUMANITISMO 
 É sinônimo de filantropia. É a amizade do homem para com outro homem. Essa palavra foi assim 
entendida por ARISTÓTELES e pelos estóicos*, que atribuíram essa amizade ao vínculo natural, 
graças ao qual toda a humanidade constitui um único organismo. Trata-se da atitude geral de 
benevolência para com os outros homens hoje é frequentemente chamada de altruísmo. 
Fonte: ABBAGNANO, 2007, p. 441 (adaptado). 
*que se mostra resignado diante do sofrimento e do infortúnio (dicionário Houaiss). 
 
Quando Humanitas aparece pela primeira vez em Quincas Borba? Depois de uma reflexão sobre a 
morte. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
[CAPÍTULO VI] O primeiro ato dessa série de atos foi um movimento 
de conservação: Humanitas tinha fome. Se em vez de minha avó, 
fosse um rato ou um cão, é certo que minha avó não morreria, mas o 
fato era o mesmo; Humanitas precisa comer. Se em vez de um rato 
ou de um cão, fosse um poeta, Byron ou Gonçalves Dias, diferia o caso 
no sentido de dar matéria a muitos necrológios; mas o fundo 
subsistia. O universo ainda não parou por lhe faltarem alguns poemas 
mortos em flor na cabeça de um varão ilustre ou obscuro, mas 
Humanitas (e isto importa, antes de tudo), Humanitas precisa comer. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 48 
 
 
 
 
 
 
 
 
 (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
 O Humanitismo é o ponto de contato entre as Memórias póstumas de Brás Cubas e o Quincas 
Borba. O seu nome, que faz pensar numa troça com o positivismo, é mais um “piparote do leitor”. 
 Escondendo-se atrás da loucura do Quincas Borba, Machado deixa perceber muito da sua 
concepção da vida. É o delírio transposto para o humorismo. Aliás, não é só o Quincas Borba que vai 
sair do Brás Cubas. 
 Muitos dos seus contos, dos seus melhores contos, estão em embrião, nesse livro que é a chave da 
sua obra. 
PEREIRA, Lúcia Miguel. Machado de Assis – estudo crítico e biográfico. 
 
 Quando lançado em 1891, Quincas Borba foi tido como um livro menor do Machado, tendo sido o 
seu valor reconhecido posteriormente, como por meio da consideração da crítica Lúcia Miguel Pereira, 
que julga este romance como “a chave” da obra machadiana. 
 Em relação à filosofia de Humanitas, assinale a alternativa de um caso da atualidade em que ela 
possivelmente estaria presente. 
a) o incêndio na igreja Notre-Dame. 
b) a foto do buraco negro. 
c) a descoberta de AIDS em Steve Jobs. 
d) as enchentes no Rio de Janeiro. 
e) o uso de energias renováveis. 
Comentários 
 Atenção, alunos: não é que vai cair exatamente assim, mas eu irei justificar o meu chute, o meu 
cálculo. Pode ser que caia uma questão reatualizando Quincas Borba, isto é, comparando elementos 
do romance com fatos da realidade de vocês, alunos, do seu dia a dia e do seu conhecimento de 
mundo. 
 Além disso, vocês devem ser capazes de entender o que é a filosofia da Humanitas e saber 
identificá-la nos mais variados contextos, aplicando-a à realidade como se ela fosse real. 
 Alternativa “a”: incorreta. No dia 16 de abril de 2019, a Catedral de Notre-Dame de Paris sofre um 
incêndio, decorrente de reformas em suas instalações e a sua torre principal cai. Não houve a princípio 
menção direta sobre os feridos. Apesar de constituir um episódio trágico, não há alusão diretamente 
a lutas por espaço de sobrevivência, adaptação e sobrevivência do mais forte, o que caracterizaria a 
Humanitas. 
 Alternativa “b”: incorreta. No dia 10 de abril de 2019, a cientista Katie Bouman do Instituto de 
Tecnologia de Massachusetts (MIT) consegue capturar pela primeira vez na história da humanidade 
uma foto do buraco negro. Trata-se de um avanço para a ciência, que alavancará o progresso e pode 
proporcionar novas descobertas no ramo da Astronomia. Sendo positiva, e não cruel, excludente, essa 
descoberta não se aplica à lógica da Humanitas. 
 Alternativa “c”: correta – gabarito. Sendo verdade ou não, a notícia de que o teste de HIV deu 
soropositivo para Steve Jobs, criador da empresa Apple, revela que esta pode ter sido a verdadeira 
causadora da morte dele. Se ele morre, quer dizer que não sobrevive. A doença marca um espaço por 
luta e sobrevivência, o que caracteriza a Humanitas. 
 Alternativa “d”: incorreta. Os meses de fevereiro e março de 2019 foram de muita chuva e 
enchentes para a cidade do Rio de Janeiro. Cuidado: essa alternativa pode parecer a correta, pois se 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCASBORBA 49 
 Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente desejoso de 
entender; mas não dava pela necessidade a que o amigo atribuía a morte da 
avó. Seguramente o dono da sege, por muito tarde que chegasse a casa, não 
morria de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e para 
sempre. Explicou-lhe, como pôde, essas dúvidas, e acabou perguntando-lhe 
 – E que Humanitas é esse? 
 – Humanitas é o princípio. Mas não, não digo nada, tu não és capaz de 
entender isto, meu caro Rubião; falemos de outra cousa. (...) 
 – Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas 
formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não 
há morte, há vida, porque a supressão de uma é princípio universal e comum. 
Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de 
batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar 
uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à 
outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos 
dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se 
suficientemente e morrem de inanição. A paz nesse caso, é a destruição; a 
guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os 
despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas 
públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse 
isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o 
homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo 
racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a 
destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas. 
 
trata de uma catástrofe natural, e provavelmente com muitas vítimas. Seguindo essa lógica, a 
alternativa “a” também poderia indicar a opção correta. 
Porém, não se sabe ao certo o número de vítimas. Fazer suposições assim na prova seria arriscado. De 
qualquer forma, Humanitas não é só um fenômeno natural, mas sim imanente ao homem: é o ser 
humano lutando por espaços de poder e afirmação. 
 Alternativa “e”: incorreta. Como na alternativa “b”, o fato é positivo e colabora com o progresso. 
As energias sustentáveis e renováveis visam proporcionar um ambiente de conforto e segurança para 
as novas gerações. #Dica: para maiores informações, consultar a área interdisciplinar da Geografia. 
Gabarito: “c”. 
 
 
 
 
 
 
E no que consiste com as palavras do próprio filósofo Quincas Borba a sua filosofia de Humanitas? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Pixabay. 
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A teoria de Humanitas é uma paródia (uma síntese) de diversas reflexões concebidas a partir do 
século XV, o que ilustra a erudição e o repertório cultural de Machado de Assis. Isso evidencia uma crise 
de conhecimento: eram tantas correntes que o conhecimento humano não sabia para onde ir, como 
avançar. Aqui, a banca pode fazer uma cobrança interdisciplinar, margeando as áreas de História, Filosofia 
e Política. Eis abaixo resumidas algumas dessas ideias. 
 
Nicolau Maquiavel 
(1469-1527) 
 
 
 
 
O príncipe, obra publicada primeiramente em 1532. Manual de 
ciência política, nele é defendida a ideia de que o governante deve 
usufruir de todos os meios para conquistar e manter o poder. 
Thomas Hobbes 
(1588-1679) 
 
 
 
 
O Leviatã, primeiramente lançado em 1651. Dele, Machado de Assis 
empresta a tese de que em seu estado natural o homem viveria em 
meio à “guerra de todos contra todos”. Humanitas propõe que a luta 
dos homens é uma lei natural e social. Thomas Hobbes também 
introduz o relativismo moral: não há nada que seja bom ou mau em 
si mesmo. 
Gottfried Wilhelm Leibniz 
(1646-1716) 
 
 
 
 
 
O universo é um organismo pleno, cujas partes vivem numa harmonia 
natural. Tudo é análogo a tudo. Os corpos materiais são resistentes e 
impenetráveis e revelam-se como forças. 
Herbert Spencer 
(1820-1903) 
 
 
 
 
 
Darwinismo social. Roberto Schwarz sugere que o lema “Ao vencedor 
as batatas!” seja a tradução abrasileirada da expressão clássica 
inventada por Spencer: surviving the fittest (sobrevivência do mais 
apto). Suas ideias encontram-se em seus First Principles of a New 
System of Philosophy (Primeiros princípios para um novo sistema de 
filosofia). 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 51 
Augusto Comte 
 (1798-1857) 
 
 
 
Positivismo. Os estágios de Humanitas, a que Quincas Borba (filósofo) 
se refere, evocam ironicamente a “Lei dos Três Estados”, de Comte: 
1) o estado teológico ou fictício; 
2) o estado metafísico; 
3) o estado científico ou positivo. 
Artur Schopenhauer 
(1788-1860) 
 
 
O mundo como vontade e representação, primeiramente publicado 
em 1819. Dele, Machado de Assis se apropria do niilismo e da lógica 
cartesiana. 
 
Lei dos Três Estados de Comte 
 
Fonte das imagens: Pixabay; das informações: PEREIRA; CAETANO, 2011, p. 101-102. 
 
Estágio teológico: para Comte, esse é o ponto de partida para a
compreensão humana. Nessa fase de desenvolvimento, o
pensamento seria guiado por ideias religiosas e pela crença de que o
corpo social nada mais é que a expressão da vontade divina. Para o
autor, o estágio teológico seria a porta natural ao pensamento
humano, e as concepções religiosas ocorreriam de forma espontânea.
Estágio metafísico: época em que a sociedade se autorreconhece
como entidade natural e não sobrenatural. Mais precisamente,
nessa fase, a natureza é considerada a fonte única de todos os
fenômenos, sejam eles físicos sejam naturais e, portanto,
distancia-se da explicação com base no "sobrenatural". Esse
estágio, segundo Comte, seria a transição rumo ao estágio
definitivo. Sua justificativa era a de que a Teologia e a Física são
incompatíveis e excludentes e não haveria como ocorrer a
transição do estágio teológico para o científico sem um suporte,
sem algo que servisse de intermédio entre as partes.
Estágio positivo: é caracterizado pela renúncia à procura da origem e
destino das coisas e, ao mesmo tempo, pela entrega às descobertas
das leis da natureza, acessíveis pela observação, raciocínio,
experimentação e elaboração das leis. Para se chegar a tais leis, seria
proibido à razão humana se utilizar de conceitos teológicos.
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 52 
Considerando que a sociedade humana constitui-se como um objeto de investigação como 
qualquer outro, verificável por um certo número de leis que vinculam fenômenos sociais uns aos outros, 
Comte acreditava dispor de um modelo de explicação daquilo que julgava ser uma lei histórica real e 
necessária, a lei do “Progresso”. 
Em Quincas Borba, o se pauta na ascensão e queda de Rubião, uma montanha-russa de seus altos 
e baixos. Ao fim, abandonado pelo casal Palha, acabará voltando à Barbacena onde morrerá seguido pelo 
cão, que também herdara de Quincas Borba. Os humanos o abandonaram, só o animal permanece fiel. 
Eis a Humanitas, a paródia satírica ao darwinismo. 
 
O DARWINISMO SOCIAL 
 A expansão da indústria que atingiu os países europeus durante o século XIX trouxe consigo 
o crescimento do mercado, que não mais obedece ao ritmo de implantação dessa indústria, 
gerando crises de superprodução que levam à falência milhares de pequenas indústrias e 
negócios – há um excedente de oferta sobre a demanda, gerando uma guerra concorrencial (...). 
Nesse sentido, a Europa se volta, mais uma vez, para a conquista de impérios além-mar, tendo 
como principais alvos, nessa época, a África e a Ásia. 
 
 
 
 Essa forma de pensar apoiava-se em modelos teóricos desenvolvidos pelas ciências 
naturais, especialmente o proposto pelo cientistainglês Charles Darwin para explicar a evolução 
biológica das espécies animais. (...) Segundo essa ideia, a seleção natural pressiona as espécies 
no sentido da sua adaptação ao meio ambiente, obrigando-as a se transformar continuamente 
com a finalidade de se aperfeiçoar e garantir a sobrevivência. Em consequência, os organismos 
tendem a se adaptar cada vez melhor ao ambiente, criando formas mais complexas e avançadas 
de vida, que possibilitam, pela competição natural, a sobrevivência dos seres mais aptos e 
evoluídos. 
 Tais ideias, transpostas para a análise da sociedade, resultaram no darwinismo social – o 
princípio a partir do qual as sociedades se modificam e se desenvolvem (...) segundo um mesmo 
modelo e que tais transformações representariam sempre a passagem de um estágio inferior 
para outro superior, em que o organismo social se mostraria mais evoluído, mais adaptado e 
mais complexo. Esse tipo de mudança garantiria a sobrevivência dos organismos – sociedades e 
indivíduos –, mais fortes e mais evoluídos. 
Fonte: COSTA, 2005, p. 64-67 (adaptado). 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 53 
 O DARWINISMO 
 Doutrina da evolução biológica, segundo os 
fundamentos enunciados por Darwin: I – existência de 
pequenas variações orgânicas, que se verificariam nos seres 
vivos sob a influência das condições ambientais, das quais 
algumas (pela lei da probabilidade) seriam biologicamente 
vantajosas; II – seleção natural, graças à qual sobreviveriam, 
na luta pela vida, os indivíduos nos quais se 
manifestassem as variações orgânicas favoráveis (Origem 
das espécies, 1859). Também são partes integrantes do 
Darwinismo a hipótese de que o homem descende de 
animais inferiores (Descendência do homem, 1871) e o 
agnosticismo* diante dos problemas metafísicos. 
Fonte das informações: ABBAGNANO, 2007, p. 441 (adaptado). 
*Doutrina que reputa inacessível ou incognoscível ao entendimento humano a compreensão dos problemas 
propostos pela metafísica ou religião. 
 
Onde encontrar Humanitas em Quincas Borba 
Atenção, alunos. Isso poderá ser cobrado. Vocês provavelmente irão encontrar a filosofia da 
Humanitas, ainda que sutilmente, quando há espaço de luta por afirmação e/ou sobrevivência. Eis 
algumas sugestões e alguns exemplos: 
• Doente versus são; 
• Roça versus urbano; 
• Mulher casada versus solteira; 
• Jornal grande versus pequeno. 
Por fim, para Antonio Candido (2017, p. 28-29), a Humanitas é a transformação do homem no 
objeto do homem. Interpretado como sátira do Positivismo e em geral ao Naturalismo filosófico do século 
XIX, especialmente sob o aspecto da teoria darwiniana da luta pela vida como a sobrevivência do mais 
apto. É mais do que isso: é a reificação do homem – sua transformação em coisa (“res”, do latim, significa 
coisa). 
 
Humor e ironia 
A obra de Machado de Assis era como que uma “transcrição ampla, variada e elaborada das atitudes 
correntes do tempo” (SCHWARZ, 1987, p. 177), mas não era só isso, porque o escritor cria algo que ainda 
não existia no momento. Algo novo e particularmente seu. 
Nem puramente determinista, nem positivista, imperialista, abolicionista, naturalista, ou qualquer 
que fosse o rótulo. Por isso, em Machado de Assis é possível falar de antirrealismo, no sentido de 
superação do realismo. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 54 
Isso fica claro em um episódio, para dar um exemplo [cap. CXLI]. Rubião ainda investe em Sofia. Está 
apaixonado olhando duas rosas que acha lindas, imperiais. Sofia olha para as mesmas rosas, e as acha 
vulgares, triviais. Há aí primeiramente um problema de ponto de vista. 
Depois, em seu devaneio, Rubião olha para as rosas e acha que elas falam. Porém, primeiro quem 
começa a falar é o narrador. Então, há um movimento de enlouquecimento da linguagem – isto é, a 
própria linguagem enlouquece e não se sabe mais se o próprio narrador não está louco também. 
Há ironia neste caso, pois as coisas (no caso, flores) são melhores confidentes que os humanos, 
porque não falam – só comprovam o que eles já pensam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A derrocada de Rubião comprova ironicamente a Humanitas. Isso é irônico, porque Rubião não 
prevê a própria queda. O papel do imperador da França, Napoleão III, é introjetado na demência-loucura 
de Rubião, de forma que se torna sugerido o contágio da ficção pelo dado histórico. Rubião, na realidade, 
é um anti-protagonista – se percebemos, ele aparece pouco no romance. 
 
“É uma violenta ironia o fato de ele ficar com a maior fatia do enredo, esgrimindo discursos 
fantasiosos e grandiloquentes, à medida que se divorcia da realidade” (CHAUVIN, 2016, p. 61). 
 
 
 Para Antonio Candido (2017, p. 19-20), a ironia de Machado de Assis 
tem origem voltairiana, enquanto o seu humor está mais orientador para 
a tradição inglesa – o humour, que é uma espécie de revolta, melancolia 
e piedade misturadas, isto é, não tem um tom tão cômico assim (MAYA, 
2007, p. 13). 
Assim, o veio humorístico também abre espaço para o homem 
filosofante, pensante, todo um homem subterrâneo – múltiplo e 
impalpável. 
Dessa forma, o que Machado de Assis faz é redefinir as fronteiras do gênero: o que é cômico 
pode facilmente se tornar trágico e vice-versa por meio de recursos de linguagem. 
 [CAPÍTULO CXLI] Dali foi encostar-se à janela, que dava para o 
jardim mofino, onde iam murchando as duas rosas vulgares. Rosas, 
quando recentes, importam-se pouco ou nada com as cóleras dos 
outros; mas, se definham, tudo lhes serve para vexar a alma humana. 
Quero crer que este costume nasce da brevidade da vida. "Para as 
rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno." E que melhor maneira 
de ferir o eterno que mofar das suas iras? Eu passo, tu ficas; mas eu não 
fiz mais que florir e aromar, servi a donas e a donzelas, fui letra de amor, 
ornei a botoeira dos homens, ou expiro no próprio arbusto, e todas as 
mãos, e todos os olhos me trataram e me viram com admiração e afeto. 
Tu não, ó eterno; tu zangas-te, tu padeces, tu choras, tu afligeste! a tua 
eternidade não vale um só dos meus minutos. 
Assim, quando Sofia chegou à janela que dava para o jardim, 
ambas as rosas riram-se a pétalas despregadas. Uma delas disse que 
era bem feito! bem feito! bem feito! 
 
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“Era uma forma de manter na segunda metade do século XIX, o tom caprichoso de Sterne, que 
ele prezava; de efetuar os seus saldos temporais e de brincar com o leitor. Era também um eco 
do conte philosophique [conto filosófico], à maneira de Voltaire, e era sobretudo o seu modo 
próprio de deixar as coisas meio no ar, inclusive criando certas perplexidades não resolvidas” 
(CANDIDO, 2017, p. 22, grifo meu). 
 
 Torna-se claro que Machado de Assis não aprendeu a ironia do nada, mas sim a partir de uma 
tradição de escritores de língua inglesa (Sterne) e francesa (Voltaire). 
 
Para os curiosos de plantão, que desejam ir atrás dessas referências, sugiro lerem Cândido ou o 
Otimismo de Voltaire, uma leitura leve de em torno de 100 páginas. 
Já A vida e as opiniões de Tristram Shandy de Sterne tem mais de 600... ou seja, é superdivertido, 
mas é uma leitura bem longa. 
 Uma face desse humor machadiano é a coincidência. Exemplo disso em Quincas Borba é a 
personagem Deolindo, uma criança que Rubião salva no início do livro, mas que no final acompanha a sua 
caminhada de loucura – isto é, a mesma personagem vivencia tanto o auge quanto a queda de Rubião. 
 
Ponto de vista e descompensamento 
 Do ponto de vista da técnica de Machado de Assis, em Quincas Borba não há um narrador-
protagonista, como em Dom Casmurroe Memórias póstumas de Brás Cubas. Ou seja, um narrador em 1ª 
pessoa do singular (eu), que participa dos fatos e por isso mesmo contamina o texto com as suas 
conjecturas e opiniões. 
 Quincas Borba, porém, utiliza regularmente um narrador em 3ª pessoa do singular (ele); porém, 
existe um narrador que está sempre se intrometendo na história, também com as suas conjecturas e 
opiniões, apesar de não participar diretamente dela. 
Frequentemente em Machado de Assis, o narrador se dirige ao leitor, e às vezes até mesmo se 
mostra como 1ª pessoa (em verbos, pensamentos etc.). 
Vamos entender melhor este procedimento. 
 
 
 
 
AUTOR ONISCIENTE INTRUSO 
 Esse tipo de NARRADOR tem a liberdade de narrar à vontade, de colocar-se acima, ou, por trás, 
adotando um PONTO DE VISTA divino para além dos limites de tempo e espaço. Pode também narrar 
da periferia dos acontecimentos, ou do centro deles, ou ainda limitar-se e narrar como se estivesse de 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 56 
fora, ou de frente, podendo, ainda, mudar e adotar sucessivamente várias posições. Como canais de 
informação, predominam suas próprias palavras, pensamentos e percepções. Seu traço característico 
é a intrusão, ou seja, seus comentários sobre a vida, os costumes, os caracteres, a moral, que podem 
ou não estar entrosados com a história narrada. 
 Em Língua Portuguesa, podemos pensar até mesmo em Machado de Assis. 
 
Não, senhora minha, ainda não acabou este dia tão comprido; não sabemos o que se passou entre Sofia e o 
Palha, depois que todos se foram embora. Pode ser até que acheis aqui melhor sabor que no caso do enforcado. 
Tende paciência; é vir agora outra vez a Santa Tereza. A sala está ainda alumiada, mas por um bico de gás; 
apagaram-se os outros, e ia apagar-se o último, quando o Palha mandou que o criado esperasse um pouco lá 
dentro. A mulher ia sair, o marido deteve-a, ela estremeceu. 
 
 Trata-se do capítulo L do livro Quincas Borba. Escrito em 1891, o romance narra a história de 
Rubião, herdeiro da fortuna de Quincas Borba. Quando este morre, deixa sua fortuna para o professor 
Rubião e impõe, como uma condição, que ele fique com seu cachorro, de nome Quincas Borba, como 
seu antigo dono. Rubião, agora rico, muda para o Rio de Janeiro, onde vem a apaixonar-se por Sofia, 
mulher de seu sócio, Cristiano Palha. Como ambos dependem economicamente de Rubião, cria-se uma 
situação muito ambígua que Machado passa a explorar magistralmente: Palha tem ciúmes, mas atura 
as investidas de Rubião por conveniência. E Sofia vai equilibrando a situação, pois nem trai o marido 
nem desestimula o amor de Rubião. Pouco a pouco essa ambiguidade acaba levando-o à loucura e à 
ruína. Doente e pobre, os amigos deixam-no sozinho. Rubião, fugindo de um asilo, volta para Minas, 
onde morre, tendo como único companheiro seu cão. 
 Nesse capítulo, Sofia conta a Palha que Rubião lhe declarara o seu amor (capítulo anterior). No 
trecho que destacamos, o narrador, onisciente intruso, procura fazer ligações entre diferentes 
momentos do livro, falando diretamente às leitoras (as mulheres eram, no século passado, o público 
mais visado pelos romancistas). Essa interferência do narrador – comentando os acontecimentos, 
freando a HISTÓRIA e procurando se colocar do ponto de vista das leitoras, para apreciar de fora as 
ações e reações das personagens – é típica de Machado. Com isso, consegue um certo distanciamento 
irônico que acaba chamando a atenção para os implícitos da HISTÓRIA, suas intenções últimas. 
 Aqui, por exemplo, dizendo-nos que a cena da declaração de Rubião no capítulo anterior não tenha 
sido talvez o mais importante, Machado gera em nós a expectativa de grandes reações por parte do 
marido ciumento. O capítulo, na sua sequência, com Palha controlando perfeitamente o ciúme, ao 
ouvir o relato de Sofia, frustra essa expectativa e, por frustrá-la, aponta para o caráter de Palha e de 
Sofia, para o jogo de sedução desta, as ambições daquele, as possíveis significações filosóficas que 
podemos ir tirando a partir daí e que transcendem a mera historinha do tradicional triângulo amoroso, 
base da FÁBULA, no livro, como em tantos outros romances da época. 
 Respondendo às questões: – quem narra? – um narrador onisciente intruso, um eu que tudo 
segue, tudo sabe e tudo comenta, analisa e critica, sem nenhuma neutralidade. – De que lugar? – 
provavelmente de cima, dominando tudo e todos, até mesmo puxando com pleno domínio as nossas 
reações de leitores e driblando-nos o tempo todo. Quem nos fala é esse eu. Os canais de que se utiliza 
são os mais variados, predominando a sua própria observação direta. Finalmente, somos colocados a 
uma DISTÂNCIA, ao mesmo tempo menor, do narrado – já que temos acesso até aos pensamentos das 
personagens –, e maior, porque a presença do narrador medeia sempre, ostensiva, entre nós e os 
fatos narrados, conservando-nos ironicamente afastados deles, impedindo nossa identificação com 
qualquer personagem bem como frustrando a absorção na sequência dos acontecimentos, com pausas 
frequentes para a reflexão crítica. 
 Muito comum no século XVIII e no começo do século XIX, o NARRADOR ONISCIENTE INTRUSO saiu 
de moda a partir da metade desse século, com o predomínio da "neutralidade" naturalista ou com a 
invenção do INDIRETO LIVRE por Flaubert que preferia narrar como se não houvesse um narrador 
conduzindo as ações e as personagens, como se a história se narrasse a si mesma. 
 Mas Machado, antecipando vertentes ultramodernas, utiliza esse narrador intruso como ruptura 
da verossimilhança. Seu leitor não se esquece de que está diante de uma FICÇÃO, de uma análise, da 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 57 
interpretação ficcional da realidade, um mero PONTO DE VISTA sobre pessoas, acontecimentos, 
sociedade, lugar e tempo. 
Fonte: CHIAPPINI, 2019, p. 26, grifo meu (adaptado). 
 
 Élide Oliver (2012) irá chamar esse “descompensamento” de redimensionamento e tamanho da 
ironia. Em relação ao ponto de vista, há alguns contrastes no livro que eu gostaria de destacar. 
• Quincas Borba e Rubião: o filósofo o tempo inteiro subestima a capacidade de Rubião de entender 
a sua filosofia, mas, ainda assim, depende de um discípulo para disseminá-la. 
• Quincas Borba e o narrador 
 
A demência de Rubião é sintomática num indivíduo corroído pela desordem dos afetos e o rigor 
do capital. Além disso, ela justifica o foco narrativo: dos cinco romances machadianos compostos 
a partir de 1880, Quincas Borba é o único em que um narrador em terceira pessoa manteve tão 
firmemente apertadas as rédeas do relato por intermédio do discurso indireto livre. Ele obtém a 
adesão do leitor – figurado ora como seu cúmplice, ora como vítima maior de seu desdém 
(CHAUVIN, 2016, p. 18). 
 
 
 
 Neste trecho, podemos observar, além da intrusão do narrador, uma lógica de antecipação do 
enredo. 
 
De algum modo, a percepção que temos de Rubião é constantemente desestabilizada pela 
mudança de foco e tom por parte do narrador: ora vemos perto o suficiente para adivinhar os 
pensamos ocultos do ex-professor; ora somos mantidos a distância, de modo que o protagonista 
diminui em importância (CHAUVIN, 2016, p. 33). 
Uma das possíveis funções entre essa variação de ponto de vista e descompensamento de vozes é 
fazer ressoar o vazio das ideias de Rubião. 
Assim, Machado estabelece um aberto diálogo provocador e pouco confiável com o seu leitor, 
acostumado com o periódico. Há constantemente um jogo de aproximação de linguagem e afastamento 
dela: o escritor lança um jogo de luz e de sombras. 
[CAPÍTULO III] Não trazia ideias adequadas ao convite, é 
verdade; vinha com a herança na cabeça, o testamento, o 
inventário, cousas que é preciso explicar primeiro, a fim de 
entendero presente e o futuro. Deixemos Rubião na sala de 
Botafogo, batendo com as borlas do chambre nos joelhos, e 
cuidando na bela Sofia. Vem comigo, leitor; vamos vê-lo, 
meses antes, à cabeceira do Quincas Borba. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 58 
Logo, o narrador “não convence como pertencente a uma voz de terceira pessoa” (VIANNA, 2011, 
p. 2). As personagens passam a ter menos integridade, pois nem mesmo os seus pensamentos lhe são 
próprios, mas sim pertencem ao narrador. 
 
Um narrador singular que, por trás de uma aparência de terceira pessoa, deixa transparecer uma 
certa subjetividade nas entrelinhas (...) 
Há, portanto, em Quincas Borba uma ruptura com o pacto estabelecido entre os leitores e o 
narrador contido, onisciente e sério de tal modo que acaba estabelecendo-se um estranhamento 
diante de tamanho desvario (VIANNA, 2011, p. 3, grifo meu). 
 
• Quincas Borba e o mundo 
 
A noção de realidade, para o professor-milionário-mendigo, estaria fundamentada em uma 
espécie de mecanismo de poderosas lentes, em que o brasileiro aproximaria a sua realidade 
comezinha e acanhada de uma França rica, poderosa e grandiloquente (CHAUVIN, 2016, p. 57). 
 
Em última instância, temos o narrador como juiz. 
 
“Ao perfilar figuras com personalidades assimétricas, o narrador não apenas privilegia a tensão 
entre as personagens; reforça em especial seu estatuto de demiurgo*. Ele age como se fosse um 
juiz ético e moral, capaz de avaliar e emitir sentenças a cada comparação, mediante o rasteiro 
exame de caracteres” (CHAUVIN, 2016, p. 73). 
*segundo o filósofo grego Platão (428-348 a.C.), o artesão divino ou o princípio organizador do universo 
que, sem criar de fato a realidade, modela e organiza a matéria caótica preexistente através da imitação 
de modelos eternos e perfeitos (dicionário Houaiss). 
 
Parasitismo e o agregado 
 No seu célebre texto “As ideias fora do lugar”, o crítico Roberto Schwarz destaca a questão do 
agregado – um tipo mediano – que não é da família, mas é abrigado nela. A ideologia brasileira desde a 
época da escravidão se baseava numa lógica de favores. O agregado geralmente, naquele contexto, era 
um homem livre, mas que dependia dos latifundiários para se destacar. Depende do senhor, mas sabe 
que é superior ao escravo. 
Em Quincas Borba, essa classe social também existe, mas sutilmente e com outros nomes. Vamos 
ver alguns exemplos. 
 
CAPÍTULO XCI 
SOOU A CAMPAINHA de jantar; Rubião compôs o rosto, para que os seus habituados (tinha sempre 
quatro ou cinco) não percebessem nada. Achou-os na sala de visitas, conversando, à espera; ergueram-
se todos, foram apertar-lhe a mão, alvoroçadamente. Rubião teve aqui um impulso inexplicável, dar-
lhes a mão a beijar. Reteve-se a tempo, espantado de si próprio. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 59 
CAPÍTULO CLXVII 
Pouco a pouco, as veleidades de resistência foram cedendo à noção da possibilidade, da probabilidade 
e da certeza. Em verdade tinha notícia de algumas obras de caridade de D. Fernanda; mas aquele caso 
era novo. Essa dedicação especial a um homem que não era familiar da casa, nem velho amigo, nem 
parente, aderente, colega do marido, qualquer cousa que o fizesse partícipe da vida doméstica, pelas 
relações, pelo sangue ou pelo costume, não era explicável sem algum motivo secreto. 
 
Tipo 
O crítico literário húngaro Lukács destaca como sendo uma das principais características da 
literatura realista o uso de personagens-tipo, isto é, personagens universalizadas que poderiam caber no 
papel de qualquer ser humano. 
Lukács também destaca a questão do herói problemático. Rubião é extremamente problemático, 
e a sua trajetória é como uma montanha-russa, cheia de altos e baixos, idas e vindas. Já as personagens 
ao seu redor são tipos, mas aqui no sentido de previsíveis. 
 
A narrativa representa um mundo de tipos instáveis. Motivados pela lógica do capital e afeitos à 
ótica das convenções em sociedade, quase todos estão a trocar posições – uns a progredir, outros 
a descer, como manda a lei de Humanitas. Isso confere ao enredo acentuada tensão, em que 
prevalecem o lugar comum: a mediocridade intelectual e a sanha generalizada pelo dinheiro 
(CHAUVIN, 2016, p. 51, grifo meu). 
 
A tragicomédia da loucura 
O romance Quincas Borba subverte os gêneros da tragédia e da comédia com muita facilidade. 
Episódios trágicos, duros e tristes são pincelados com humor e pitadas de ironia. Até mesmo a loucura de 
Rubião é questionável: seria ela interessada? Em outras palavras, ele não enlouqueceu de propósito? 
Numa sociedade capitalista, todos não enlouquecem mesmo? Seria esse o caminho mais lógico. 
O papel social do novo rico é reinterpretado às avessas por Rubião: a loucura é como um modo de 
reestabelecer na corte brasileira a francesa. Em Quincas Borba, há a questão da dupla loucura: primeiro 
a de Quincas Borba e depois a de Rubião. 
 
Quincas 
Borba 
Santo 
Agostinho
Rubião 
Napoleão III
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 60 
 A loucura tanto pode ser analisada sob o viés histórico (1841, por sinal, é a data de fundação 
do primeiro hospício no Rio de Janeiro, Pedro Segundo, e implica a oficialização da terapêutica 
da insanidade mental no Brasil), quanto na própria configuração de Rubião. O estilhaçamento 
mental dessa personagem traduz-se em seu despreparo verbal e resulta em sua desaparição 
perante a sociedade da corte figurada no romance. 
O enredo aborda a loucura como um mecanismo inconsciente de defesa por parte do demente 
mal inserido na implacável sociedade de arrivistas. Trata-se de um grupo de personagens a 
dissimular uma ética chã e binária, contrabalançada pelo discurso ornado e a cultura de verniz. 
Quincas Borba revela que a insanidade pode ser uma canhestra imitação da opulência alheia, 
evidentemente sem lastro e sob o signo da desmesura (CHAUVIN, 2016, p. 56, grifo meu). 
 
A insanidade faz Rubião se transportar para outro tempo e espaço, enxergando o mundo do Rio de 
Janeiro como uma deformação da França napoleônica. 
 
Loucura e linguagem 
 Rubião é uma personagem que não sabe se expressar. Desde o início, sua fala é pacata, modesta. 
Nos grandes meios sociais, ele não argumenta, não desenvolve nenhum raciocínio, e por isso é engolido 
pelo sistema. Por isso, pode-se dizer que a sua forma de expressão é uma fala do avesso. 
É o principal critério de relativização de tudo, uma das características mais importantes do livro. E 
o mais interessante é que a própria narrativa vai ficando caduca, à medida que ele enlouquece. A 
linguagem também é um indício de que ele está enlouquecendo. 
 
Fato curioso, o protagonista ganha força à proporção que perde importância na sociedade que o 
cerceia. Isso se reflete em sua fala desarticulada, num claro sintoma de quem não consegue 
verbalizar as sangrias monetárias arquitetadas justamente por aqueles com quem partilha a 
existência. A insanidade de Rubião resulta de uma série de incompetências irradiadas para a sua 
linguagem: pouca, rala e sem sentido (CHAUVIN, 2016, p. 50, grifo meu). 
 
Em contraposição ao silêncio de Rubião, há verborragia de outras personagens. Caso típico é o 
major Siqueira, um falastrão que flagra Rubião e Sofia no jardim da casa de Santa Teresa, e o doutor 
Camacho, politiqueiro. 
 
 
A fala debilitada de Rubião é um reflexo da doença e do fluxo 
desordenado de ideias. Isso dá a ver uma visão distorcida do 
estar no mundo. 
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Máscara 
Todos esses elementos em conjunto, a ironia, o método do narrador,a loucura, são como 
máscaras, que protegem o homem (o narrador, as personagens, nós) de sua fragilidade. 
A máscara funciona como a construção de uma outra personalidade, uma pessoa virtual (persona) 
frente ao meio social. Isso tem a função de aparentar o que não é e poder se esconder. 
 
A maior parte das criaturas de Quincas Borba divide-se entre as convenções e os desejos mais 
recônditos que lutam por disfarçar. Fracionadas em seu íntimo, tentam compensar a erosão 
interna por intermédio da fantasia (caso de Rubião) ou pela estrita obediência aos ritos da 
sociedade. A constante tensão nos diálogos reflete a lógica das negociatas, premissa maior de 
que a sorte de uns está condicionada à ruína dos outros (CHAUVIN, 2016, p. 44, grifo meu). 
 
A loucura subverte o ponto de vista: é como uma máscara que esconde a realidade ruim, 
substituindo-a por uma boa, heroica, ideal, magistral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
[CAPÍTULO CLXXIX] Quando Rubião voltava do delírio, toda 
aquela fantasmagoria palavrosa tornava-se, por instantes, 
uma tristeza calada. A consciência, onde ficavam rastos do 
estado anterior, forcejava por despegá-los de si. Era como a 
ascensão dolorosa que um homem fizesse do abismo, 
trepando pelas paredes, arrancando a pele, deixando as 
unhas, para chegar acima, para não tombar outra vez e 
perder-se. Ia então à vista dos amigos, uns novos, outros 
velhos, como a gente do major e a do Camacho, por exemplo. 
[CAPÍTULO CLXXXIV] (...) os três últimos juntaram os seus adeuses 
em um berro único e formidável. Rubião continuou sozinho, mal 
percebido pelos moradores das casas, porque a gesticulação 
diminuía ou mudava de feitio. Não se dirigia à parede, à suposta 
imperatriz; mas era ainda imperador. Caminhava, parava, 
murmurava, sem grandes gestos, sonhando sempre, sempre, 
sempre, envolvido naquele véu, através do qual todas as cousas 
eram outras, contrárias e melhores; cada lampião tinha um 
aspecto de camarista, cada esquina uma feição de reposteiro*. 
Rubião seguia direito à sala do trono, para receber um embaixador 
qualquer (...). 
 
*Cortinado que serve para substituir ou 
dissimular uma porta; pano ou peça de 
estofo que, a modo de cortina, cobre as 
portas interiores dos palácios, de casas, 
igrejas etc. (dicionário Houaiss). 
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Em última instância... 
Mais do que sátira do darwinismo social, a filosofia da Humanitas é uma crítica ao progresso. Por 
meio da visão de mundo cruel do filósofo Quincas Borba, Machado nos faz questionar essa crueldade ela 
mesma. Ou seja: trata-se de uma sociedade tão frágil que precisar criar todo um ambiente de competição, 
pois não há espaço – social, econômico, amoroso etc. – para todos. Civilização que de si própria duvida. 
Rubião é uma personagem que está sempre à procura de si mesmo. Nessa medida, ele é um tipo, 
uma personagem comum, como todos nós. Porém, ele procura e se perde. E, mais do que isso, deixando-
se levar pelo sistema e pelo seu círculo social, pela sua posição econômica, pelo seu status que ele quer 
tanto ostentar, ele enlouquece, perde a sua razão, que nunca foi uma grande razão, isto é, um grande 
intelecto. 
Antes de enlouquecer, Rubião manifesta um nítido atraso em relação a outras personagens. Ele 
não é malicioso, ele não tem firmeza nas suas posições. Em suma, ele é atrasado, e críticos como Araripe 
Júnior levam em consideração esse critério, ao afirmar que Rubião representa o Brasil. Por fim, Rubião é 
uma personagem tão complexa e tão polissêmica que poderia ser qualquer um. 
 
 
 Polissemia significa ter vários sentidos 
 
Muitos leitores irão ter a impressão (eu tive pelo menos) de que o livro é muito sem ação. O que 
importa são os detalhes. As coisas acontecem a Rubião; Rubião não faz nada acontecer. A impressão de 
vacuidade é poderosa, nítida e intencional. 
 
4.0 QUINCAS BORBA E A INTERTEXTUALIDADE 
 
 Essa seção é um destroncamento da análise. 
Machado de Assis se inspirou na psicologia dos franceses do século XVII, voltada para a natureza 
humana em geral. A intertextualidade do seu texto se conecta com o grau de universalidade dele e de 
sua força de mediar o elemento local ao universal. 
Assim, o narrador tem consciência de que sua narrativa é transgressora e que ela manifesta 
“intertextualidade crítica entre as diversas formas de fazer romances” (VIANNA, 2011, p. 5). 
É importante notar que a intertextualidade em Machado de Assis nunca é despropositada, ela 
sempre aparece, por exemplo, em uma cena ou um episódio que tem alguma correlação com ela, alguma 
pertinência temática. 
Além disso, a sua intertextualidade tem muitas vezes a função de humilhar o leitor, de mostrar a 
ele o quão despreparado ele pode ser, esse escritor tão erudito que conhece tantas fontes que seria 
impossível reconhecer ou identificar todas elas. A primeira intertextualidade é, naturalmente, com a sua 
própria obra e depois uma outra famosa, com a Bíblia. [Referências ao final]. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 63 
 
 
 
 
Destaco novamente a teoria do antirrealismo, ou da superação do realismo em Machado. 
 
Na esteira de um projeto estético que tinha começado a ser delineado nas Memórias póstumas 
de Brás Cubas, Quincas Borba é um romance que traz as notas do Realismo desvirtuadas pelo 
tratamento paródico dedicado ao narrador, ao discurso indireto livre, à objetividade e à 
neutralidade narrativas, enfim, a várias formas de aproximação dos romances da seriedade 
burguesa. É na leitura da própria narrativa que visualizamos de que maneira Machado de Assis 
trouxe a realidade para a arte sem precisar, para isso, aderir à estética realista, pelo contrário, 
trazendo o Realismo às avessas em forma romanesca tanto nas Memórias quanto no Quincas. 
Um Realismo que desvirtua a tradição da romanesca francesa, buscando inspiração na tradição 
de Fielding, Sterne e Dickens. 
Um Realismo em que, no último capítulo do romance, a voz narrativa, além de relatar a morte 
do cachorro Quincas Borba, procura estabelecer um diálogo com seus leitores habituados às 
narrativas sérias dos realistas (VIANNA, 2011, p. 5). 
 
 
Quincas Borba versus Memórias Póstumas de Brás Cubas 
 
Memórias póstumas de Brás Cubas foi lançado em 1881. Ele reaproveita a personagem que dará 
nome ao romance de Quincas Borba, o filósofo. Isso atesta um procedimento comum em Machado de 
Assis: a intertextualidade com a própria obra. 
Essas personagens reaproveitadas revelam obras em diálogo. Outro exemplo que isso acontece é 
a personagem Aires, presente tanto em Esaú e Jacó quanto em Memorial de Aires. 
A paródia como elemento configurador dos romances machadianos. Ela é um método narrativo 
que permite usar os mesmos mecanismos aplicáveis. Se formos perceber, por exemplo, o nome principal 
da personagem de Quincas Borba é o mesmo de Machado: JOAQUIM. 
Talvez a maior diferença entre os dois romances seja que Brás Cubas é narrado em 1ª pessoa, ao 
passo que Quincas Borba está em 3ª pessoa predominantemente. 
Rubião não narra (não pode narrar) a sua própria história por vários motivos: o narrador não poderia 
ser ex-professor de Barbacena; e Rubião era apenas um despossuído agregado à casa de Quincas Borba. 
Rubião não tem consciência dos próprios atos para narrar a sua própria história. 
[CAPÍTULO IV] ESTE QUINCAS BORBA, se acaso me fizeste o 
favor de ler as Memórias Póstumas de Brás Cubas, é aquele 
mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, 
herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens 
agora em Barbacena. Logo que chegou, enamorou-se de uma 
viúva, senhora de condição mediana e parcos meios de vida, 
mas, tão acanhada que os suspiros no namorado ficavam sem 
eco. Chamava-se Maria da Piedade. Um irmão dela, que é o 
presente Rubião, fez todo o possívelpara casá-los. Piedade 
resistiu, um pleuris a levou. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 64 
Vemos que a Humanitas aparece pela primeira vez em Memórias póstumas, numa carta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS QUINCAS BORBA 
 Ora, enquanto eu pensava naquela gente, iam-
me pernas levando, ruas abaixo, de modo que 
insensivelmente me achei à porta do Hotel 
Pharoux. De costume jantava aí; mas, não tendo 
deliberadamente andado, nenhum merecimento 
da ação me cabe, e sim às pernas, que a fizeram. 
Abençoadas pernas! E há quem vos trate com 
desdém ou indiferença. Eu mesmo, até então, 
tinha-vos em má conta, zangava-me quando vos 
fatigáveis, quando não podíeis ir além de certo 
ponto (...). 
 (...) E cumpristes à risca o vosso propósito, 
amáveis pernas, o que me obriga a imortalizar-vos 
nesta página. 
 MAS A VOZ repetiu-E por que não?-Sim; por 
que não havia de casar, continuou ele 
raciocinando. Mataria a paixão que o ia comendo 
aos poucos, sem esperança nem consolação. 
Demais, era a porta de um mistério. Casar, sim, 
casar logo e bem. 
 (...) Onde ficara o major? Quis descer para vê-
lo, mas advertiu a tempo que acabava de o 
acompanhar até à rua. As pernas tinham feito 
tudo; elas é que o levaram por si mesmas, direitas, 
lúcidas, sem tropeço, para que ficasse à cabeça 
tão-somente a tarefa de pensar. Boas pernas! 
pernas a muletas naturais do espírito! 
 (...) Santas pernas! 
 
 
Meu caro Brás Cubas, 
(...) Dito isto, peço licença para ir um dia destes expor-lhe um trabalho, 
fruto de longo estudo, um novo sistema de filosofia, que não só explica e 
descreve a origem e a consumação das coisas, como faz dar um grande passo 
(...), cujo estoicismo era um verdadeiro brinco de crianças ao pé da minha 
receita moral. É singularmente espantoso esse meu sistema; retifica o espírito 
humano, suprime a dor, assegura a felicidade, e enche de imensa glória o 
nosso país. Chamo-lhe Humanitismo, de Humanitas, princípio das coisas. 
Minha primeira ideia revelava uma grande enfatuação: era chamar-lhe 
borbismo, de Borba; denominação vaidosa, além de rude e molesta. E com 
certeza exprimia menos. Verá, meu caro Brás Cubas, verá que é deveras um 
monumento; e se alguma coisa há que possa fazer-me esquecer as amarguras 
da vida, é o gosto de haver enfim apanhado a verdade e a felicidade. Ei-las na 
minha mão essas duas esquivas; após tantos séculos de lutas, pesquisas, 
descobertas, sistemas e quedas, ei-las nas mãos do homem. Até breve, meu 
caro Brás Cubas. Saudades do 
Velho amigo Joaquim Borba dos Santos. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 65 
Dom Quixote é obra do escritor espanhol Miguel de Cervantes 
(1547-1616). É considerada como o primeiro romance da Era 
Moderna. Machado estabelece aqui um diálogo com a tradição e a 
história do romance.
Quincas Borba versus O Alienista 
 
Considerando o contexto de Quincas Borba, a lógica da Humanitas pode ser encontrada também 
em O alienista, pois o hospício pode ser considerado uma instituição de poder, que submete os pacientes 
ao livre-arbítrio do alienista Simão Bacamarte, representante da ciência, da lei e da ordem ao mesmo 
tempo, que a todos subjuga, amparado nas suas convicções pseudocientíficas sobre a normalidade e a 
anormalidade do comportamento humano. 
 
Diferentemente de outras célebres personagens machadianas, tanto ou mais loucas – em 
particular Simão Bacamarte (de O Alienista, novela de 1881 incluída em Papéis avulsos em 1882) –
, Rubião é um sujeito de pouco lastro cultural, seduzido pelas cores, aromas e vibrações da corte. 
O Rio de Janeiro ajusta-se como o palco de sua ascensão e derrocada (...) (CHAUVIN, 2016, p, 27). 
 
 Em Quincas Borba, a figura do alienista é o Doutor Falcão. Ele está certo de que Sofia e Rubião 
tiveram um caso. 
 
 “A retórica de Quincas não é diferente da do demônio, como não o é, 
igualmente, da de Simão Bacamarte em “O Alienista”. Ela se define pela 
completa inversão do mundo moral, como assim também o é o 
Humanitismo. Mas, diferentemente da doutrina do diabo, que é a moral, 
o Humanitismo é o mundo de ponta cabeça no sentido biológico” 
(OLIVER, 2012, p. 162, grifo meu). 
 
 
Quincas Borba versus Obras Estrangeiras 
 
 
 
 
 
 
QUINCAS BORBA DOM QUIXOTE 
 – Bolha não tem opinião. Aparentemente, há 
nada mais contristador que uma dessas terríveis 
pestes que devastam um ponto do globo? E, 
todavia, esse suposto mal é um benefício, não só 
porque elimina os organismos fracos, incapazes de 
resistência, como porque dá lugar à observação, à 
descoberta da droga curativa. A higiene é filha de 
podridões seculares; devemo-la a milhões de 
corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é 
 – O destino vai guiando as nossas coisas 
melhor do que pudéramos desejar; pois vê lá, 
amigo Sancho Pança, aqueles trinta ou pouco mais 
desaforados gigantes, com os quais penso travar 
batalha e tirar de todos a vida, com cujos despojos 
começaremos a enriquecer, pois esta é boa 
guerra, e é grande serviço de Deus varrer tão má 
semente da face da terra. 
 – Que gigantes? – disse Sancho Pança. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 66 
ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este 
livro? É D. Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, 
não elimino a obra que continua eterna nos 
exemplares subsistentes e nas edições 
posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, 
como este mundo divino e supradivino. 
 – Aqueles que ali vês – respondeu seu amo –
, de longos braços, que alguns chegam a tê-los de 
quase duas léguas. 
 – Veja vossa mercê – respondeu Sancho – 
que aqueles que ali aparecem não são gigantes, e 
sim moinhos de vento, e o que neles parecem 
braços são as asas, que, empurradas pelo vento, 
fazem rodar a pedra do moinho. 
 
 
 
Pangloss, como Quincas Borba, era um filósofo. A diferença era que Pangloss era extremamente 
otimista, mesmo diante das mais horrendas desgraças, a ponto de ser ridículo, e Quincas Borba era frio e 
calculista. Pangloss, com o seu elogio ao reino do seu Barão, julgando aquele o melhor de todos no mundo, 
é esperto: isso ultrapassa a filosofia e faz da pessoa dele protegida. 
Ambos Voltaire e Machado de Assis são irônicos: Pangloss é um bobo crente, apesar de toda a sua 
filosofia; Quincas Borba cria uma filosofia, mas é incapaz de salvar a si próprio. 
 
 
QUINCAS BORBA CÂNDIDO OU O OTIMISMO 
Cap. XI 
 NO COMEÇO da semana seguinte, recebendo 
os jornais da Corte (ainda assinaturas do Quincas 
Borba) leu Rubião esta notícia em um deles. 
Faleceu ontem o Sr. Joaquim Borba dos 
Santos, tendo suportado a moléstia com 
singular filosofia. Era homem de muito 
saber, e cansava-se em batalhar contra 
esse pessimismo amarelo e enfezado que 
ainda nos há de chegar aqui um dia; é a 
moléstia do século. A última palavra dele 
foi que a dor era uma ilusão, e que 
Pangloss não era tão tolo como o inculcou 
Voltaire... Já então delirava. Deixa muitos 
bens. O testamento está em Barbacena. 
Capítulo primeiro 
 Pangloss ensinava a metafísica-téologo-
cosmonigologia. Provava admiravelmente que 
não há efeito sem causa e que, neste melhor dos 
mundos possíveis, o castelo do monsenhor Barão 
era o mais belo dos castelos e a senhora a melhor 
das baronesas possíveis. 
 
Capítulo quinto 
 – Pois, disse Pangloss, tudo isso é o que há de 
melhor. Pois, se há um vulcão em Lisboa, não 
poderia estar em outro lugar. Pois é impossível 
que as coisas não estejam onde estão. Pois tudo 
está bem. 
 
 
 
 
Voltaire é um pseudônimo do escritor e filósofo iluminista francês 
François Marie Arouet (1694-1778), autor deCândido ou o Otimismo. 
Nessa novela satírica, o protagonista Cândido acompanha o filósofo 
otimista Pangloss cuja doutrina parodia Leibniz, que considera este o 
melhor dos mundos possíveis. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 67 
"O corvo", no original "The raven", é um célebre poema do escritor 
estadunidense Edgar Allan Poe (1809-1849). Machado de Assis 
traduziu esse poema para a Língua Portuguesa, então aqui não 
deixa de ser um caso de autointertextualidade. 
Tristram Shandy é protagonista do romance A vida e as opiniões de 
Tristram Shandy do escritor irlandês Laurence Sterne (1713-1768). 
Tanto Shakespeare quanto Sterne são importantes influências na 
literatura machadiana. 
 
 
 
 
 
 
No contexto do romance, a personagem Dona Tonica tem 39 anos e ainda não se casou. A citação 
do corvo repete a ela ironicamente: “casar!? Não senhora! – Nunca mais; nunca mais; nunca mais. A 
Humanitas também serve para explicar a vida amorosa: só as mais bonitas sobrevivem. 
 
QUINCAS BORBA O CORVO 
 Agora, porém, à noite, por ocasião do 
canto ao piano, é que D. Tonica deu com eles 
embebidos um no outro. Não teve mais 
dúvida; não eram olhares aparentemente 
fortuitos, breves, como até ali, era uma 
contemplação que eliminava o resto da sala. 
D. Tonica sentiu o grasnar do velho corvo da 
desesperança. Quoth the Raven NEVER MORE 
[disse o Corvo NUNCA MAIS]. 
Vendo que o pássaro entendia 
A pergunta que lhe eu fazia, 
Fico atônito, embora a resposta que dera 
Dificilmente lhe entendera. 
Na verdade, jamais homem há visto 
Cousa na terra semelhante a isto: 
Uma ave negra, friamente posta 
Num busto, acima dos portais, 
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta 
Que este é seu nome: “Nunca mais”. 
 
 
 
 
 
 
 
QUINCAS BORBA A VIDA E OPINIÕES DE TRISTRAM SHANDY 
Cap. XL 
 Não nego que são castas; mas tanto pior, – 
terão rido do que não entendem... Castas estrelas! 
é assim que lhes chama Otelo, o terrível, e 
Tristram Shandy, o jovial. Esses extremos do 
coração e do espírito estão de acordo num ponto: 
as estrelas são castas. E elas ouviam tudo (castas 
estrelas!) tudo o que a boca temerária de Rubião 
ia entornando na alma pasmada de Sofia. O 
VOLUME VIII 
CAPÍTULO XI 
 ORA enquanto a viúva Wadman amasse o 
meu tio Toby – e o meu Toby não amasse a viúva 
Wadman, nada havia que ela pudesse fazer, a não 
ser continuar a amar o meu tio Toby – ou deixar 
de pensar no assunto. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 68 
Homero (séc. VIII a. C.) é autor das epopeias gregas Ilíada e Odisseia. A 
cena referida pelo narrador em Quincas Borba encontra-se no final do 
canto I da Ilíada e transcorre no monte Olimpo, a morada dos deuses.
recatado de longos meses era agora (castas 
estrelas!) nada menos que um libertino. Disséreis 
que o Diabo andara a enganar a moça com as duas 
grandes asas de arcanjo que Deus lhe pôs; de 
repente, meteu-as na algibeira e desbarretou-se 
para mostrar as duas pontas malignas, fincadas na 
testa. E rindo, daquele riso oblíquo dos maus, 
propunha comprar-lhe só a alma, mas a alma e o 
corpo... Castas estrelas! 
 A viúva Wadman não fazia nem uma coisa 
nem outra – 
 – Santo céu! – mas esqueço-me de como eu 
também sou um bocado assim; pois sempre que 
sucede, o que costuma ser por altura dos 
equinócios, alguma deusa terrena significar tanto 
isto, e aquilo e aqueloutro, que eu não consiga 
sequer tocar no meu pequeno-almoço por causa 
dela – e a ela tanto se lhe dê que eu tome o 
pequeno-almoçou ou não – 
 (...) Mas como o coração é fraco, e a maré das 
paixões sobe e desce dez vezes num minuto, 
depressa a trago de volta; e, uma vez que comigo 
é sempre oito ou oitenta, logo a ponho outra vez 
no centro da vida Láctea. 
 Ó estrela resplandecente! Sobre alguém 
havereis vós de exercer essa vossa influência – 
 
 
 
 
 
 
Nessa cena, as divindades são citadas com nomes romanos: Juno (Hera), deusa protetora da 
maternidade e esposa de Júpiter (Zeus), que é o deus soberano; Saturno (Cronos), que representa o 
tempo; Vulcano (Hefesto), deus associado à metalurgia, à técnica e ao artesanato e é representado como 
manco. Aquiles é o grande herói grego da Guerra de Troia, filho da deusa Tétis e do mortal Peleu, rei na 
região da Tessália. 
Aqui há uma diferença de forma: o romance de Quincas Borba e a forma épica escrita em versos 
da Ilíada. O fato rirem de algo doloroso, humilhante (o mancar, cair) retoma a tragicomédia. 
 
QUINCAS BORBA ILÍADA 
Cap. LIII 
 PERDOEM-LHE esse riso. Bem sei que o 
desassossego, a noite mal passada, o terror da 
opinião, tudo contrasta com esse riso 
inoportuno. Mas, leitora amada, talvez a 
senhora nunca visse cair um carteiro. Os 
deuses de Homero – e mais eram deuses, – 
debatiam uma vez no Olimpo, gravemente, e 
até furiosamente. A orgulhosa Juno, ciosa dos 
Fim do Canto I 
Assim disse ele, e Hera de alvos braços ri-se, 
E rindo a taça da mão filial pegou 
E a todos outros deuses, pois, então sua 
destra 
O néctar serviu doce da cratera escoante, 
E entre os sublimes deuses brota um riso 
súbito, 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 69 
Otelo é protagonista da peça homônima de William Shakespeare (1564-
1616). Escrita por volta de 1603, o mouro Otelo é levado a acreditar, por Iago, 
que a sua esposa Desdêmona o traía. É uma das peças favoritas de Machado, 
e ela está presente também em Dom Casmurro.
colóquios de Tétis e Júpiter em favor de 
Aquiles, interrompe o filho de Saturno. Júpiter 
troveja e ameaça; a esposa treme de cólera. 
Os outros gemem e suspiram. Mas quando 
Vulcano pega da urna de néctar, e vai 
coxeando servir a todos, rompe no Olimpo 
uma enorme gargalhada inextinguível. Por 
quê? Senhora minha, com certeza nunca viu 
cair um carteiro. 
No paço ao verem-no mancar, ao deus 
Hefesto. 
E o dia inteiro comem até pôr-se o sol. 
E o peito não sentiu algo faltasse à mesa, (...) 
Que em cada parte o destro e glorioso 
Hefesto 
Arquitetara bem com suas soluções lúcidas. 
Foi para a cama Zeus, o clareador Olímpico, 
E ali repousa até que o sono doce vier. 
E ali dormiu em cima, Hera ao lado. 
 
 
 
 
 
 
QUINCAS BORBA DOM CASMURRO OTELO 
OUTRAS MULHERES vieram ali, 
– as que o preferiam aos demais 
homens no trato e na 
contemplação da pessoa. Se as 
requestava ou requestara 
todas? Não se sabe. Algumas, vá 
é certo, porém, que se deleitava 
com todas elas. Tais havia de 
provada honestidade que 
folgavam de o trazer ao pé de si, 
para gostar o contato de um 
belo homem, sem a realidade 
em o perigo da culpa, – como o 
espectador que se regala das 
paixões de Otelo, e sai do teatro 
com as mãos limpas da morte 
de Desdêmona. 
(...) tão certo é que o destino, 
como todos os dramaturgos, 
não anuncia as peripécias nem o 
desfecho. (...) Nesse gênero há 
porventura alguma coisa que 
reformar, e eu proporia, como 
ensaio, que as peças 
começassem pelo fim. Otelo 
mataria a si e a Desdêmona no 
primeiro ato, os três seguintes 
seriam dados à ação lenta e 
decrescente do ciúme, e o 
último ficaria só com as cenas 
iniciais da ameaça dos turcos, as 
explicações de Otelo e 
Desdêmona, e o bom conselho 
do fino Iago: "Mete dinheiro na 
bolsa”. 
OTELO - Esta é a causa, minha 
alma. Oh! Esta é a causa! Não 
vo-la nomearei, castas estrelas! 
Esta é a causa! Não quero 
verter sangue, nem ferir-lhe a 
epiderme ainda mais branca do 
que neve e mais lisa que o 
alabastro. Mas é fatal que 
morra; do contrário, virá ainda 
a enganar mais outros homens. 
Apaga a luz! Depois... Apaga a 
luz! Se te apagar, ministro 
flamejante, poderei restituir-te 
a luz primeira, se vier a 
arrepender-me.Outras intertextualidades 
• Alexandre Dumas e Feuillet (cap. LXXX) 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 70 
Alexandre Dumas, pai (1802-1870) foi jornalista e romancista francês; entre outros, é autor de O 
conde de Monte Cristo, publicado em folhetim entre 1844-1846 e de Os três mosqueteiros, publicado em 
folhetim em 1844. 
Já Octave Feuillet (1831-1890) foi um dramaturgo e romancista francês muito popular em seu 
tempo. 
 
• Shakespeare, Rabelais, Fielding e Smollet 
Polônio é personagem da tragédia Hamlet de William Shakespeare. Já falamos sobre Cervantes. E 
agora há também os seguintes escritores: 
❖ François Rabelais (1494-1553): um dos mais importantes escritores da literatura francesa; autor 
de Pantagruel (1532) e Gargantua (1534). 
❖ Henry Fielding (1707-1754): escritor inglês, autor do célebre romance Tom Jones (1749). 
❖ Tobias George Smollet (1721-1771): poeta e prosador escocês adepto do gênero picaresco. 
 
5.0 QUADRO SINÓPTICO 
 Caros alunos. 
 Essa seção tem a finalidade de ajudá-los nos dias antes da prova. Trata-se de uma breve ficha de 
leitura com algumas informações essenciais, dignas de serem memorizadas. 
 
 
 
 
 
ESTRUTURA 
CCI (201) capítulos. São na maioria das vezes capítulos curtos, alguns de um 
parágrafo só. Os capítulos não são nomeados (em contraposição a 
Memórias póstuma de Brás Cubas, cujos capítulos eram nomeados). 
PERSONAGENS 
Quincas Borba (filósofo); Quincas Borba (cachorro); Rubião; Sofia. Cristiano 
Palha; Camacho; Carlos Maria; Maria Benedita. Tipos previsíveis. Outras 
personagens: Major Siqueira; Dona Tonica; Tia Augusta. 
TEMPO Entre 1867 e 1871. Logo, o enredo ocorre no Brasil – Segundo Império. 
ESPAÇO Rio de Janeiro (Botafogo) e Barbacena (Minas Gerais). 
ENREDO 
Rubião era amigo do filósofo Quincas Borba, que viera a falecer sem deixar 
herdeiros. Inesperadamente, Rubião torna-se o seu herdeiro universal, 
ganhando não só o dinheiro, mas também o cachorro que levara o mesmo 
nome do dono. Indo ao Rio de Janeiro para resolver questões do 
testamento, acaba por conhecer Cristiano Palha, que se aproveita da sua 
nova condição financeira, e sua esposa Sofia, por quem se apaixona. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 71 
CONFLITO 
Impasse de Rubião. Sofia é capaz de trair o marido Palha, mas não com ele. 
Rubião se torna enciumado e obcecado, adentrando em um ciclo 
obsessivo. 
CLÍMAX 
Rubião enlouquece. Sofia tem medo dele e depois um sentimento médio: 
nem remorso, mas certamente não amor. 
DESFECHO 
Rubião é internado numa casa de saúde; mas foge de lá e volta para a sua 
cidade natal – Barbacena – com o cachorro, Quincas Borba. O primeiro 
morre, seguido do segundo depois de 3 dias. 
 
6.0 QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS 
 
Prezados alunos, eis algumas informações práticas antes de começarem. 
A aula de hoje abordou muitos tópicos essenciais para a sua compreensão de texto. Vamos trazer 
exercícios variados para a sua fixação. Então, vamos resolver questões das seguintes fontes: 
• No material de hoje, vocês irão encontrar questões que já caíram no vestibular da FUVEST ou 
UNAERP sobre a obra “Quincas Borba” de Machado de Assis, tanto na primeira quanto na 
segunda fase, bem como questões autorais, especialmente de simulados anteriores. 
• Há questões também de outros vestibulares a fim de fixação. Portanto, outra dica: após fazer 
os exercícios da sua banca, procure fazer os de outra com cobrança parecida, o que se encontra 
na lista complementar que preparei para vocês. 
• Questões marcadas com X no gabarito são discursivas. 
• Muitas das questões que envolvem obras obrigatórias são bem específicas. Como vocês vão 
observar, essas questões costuma cobrar verificação de leitura (detalhes). É a principal 
tipologia de questão envolvendo esse conteúdo. 
 
Para complementar seu estudo cada vez mais, vocês vão encontrar questões 
ao longo da teoria e no final dela, com e sem gabaritos. Além disso, também 
temos simulados inéditos e gratuitos todo fim de semana. Isso quer dizer que 
vamos focar bastante na prática! 
 
 
LISTA DE QUESTÕES ESPECÍFICAS DA BANCA 
 
01. (FUVEST/2022/1ª fase) LEIA OS SEGUINTES TEXTOS DE MACHADO DE ASSIS PARA RESPONDER ÀS 
PRÓXIMAS 3 QUESTÕES. 
 
I. 
 Suave mari magno* 
 
Lembra-me que, em certo dia, 
Na rua, ao sol de verão, 
Envenenado morria 
Um pobre cão. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 72 
Arfava, espumava e ria, 
De um riso espúrio e bufão, 
Ventre e pernas sacudia 
Na convulsão. 
 
Nenhum, nenhum curioso 
Passava, sem se deter, 
Silencioso, 
 
Junto ao cão que ia morrer, 
Como se lhe desse gozo 
Ver padecer. 
 Machado de Assis. Ocidentais. 
*Expressão latina, retirada de Lucrécio (Da natureza das coisas), a qual aparece no seguinte trecho: Suave, mari 
magno, turbantibus aequora ventis/ E terra magnum alterius spectare laborem. (“É agradável, enquanto no mar 
revoltoso os ventos levantam as águas, observar da terra os grandes esforços de um outro.”). 
 
II. 
Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o 
chicote é ter-lhe o cabo na mão. 
Machado de Assis. Quincas Borba, cap. XVIII. 
 
III. 
Sofia soltou um grito de horror e acordou. Tinha ao pé do leito o marido: 
 – Que foi? perguntou ele. 
 – Ah! respirou Sofia. Gritei, não gritei? 
 (...) 
 – Sonhei que estavam matando você. 
 Palha ficou enternecido. Havê-la feito padecer por ele, ainda que em sonhos, encheu-o de 
piedade, mas de uma piedade gostosa, um sentimento particular, íntimo, profundo, – que o faria 
desejar outros pesadelos, para que o assassinassem aos olhos dela, e para que ela gritasse angustiada, 
convulsa, cheia de dor e de pavor. 
Machado de Assis. Quincas Borba, cap. CLXI. 
 
A visão do eu-lírico no texto I 
a) volta-se nostálgica para as imagens de uma lembrança. 
b) centra-se com desprezo na figura do animal agonizante. 
c) apreende displicentemente o movimento dos transeuntes. 
d) ganha distância da cena para captar todos os seus aspectos. 
e) apresenta o espectador da crueldade como um ser incomum. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
02. (FUVEST/2022/1ª fase) A analogia consiste em um recurso de expressão comumente utilizado para 
ilustrar um raciocínio por meio da semelhança que se observa entre dois fatos ou ideias. No texto II, a 
analogia construída a partir da imagem do chicote pretende sugerir que 
a) o instrumento do castigo nem sempre cai em mãos justas. 
b) o apreço aos objetos independe do uso que se faz deles. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 73 
c) o cabo é metáfora de mérito, e a ponta, metáfora de culpa. 
d) o mais fraco, por ser compassivo, é incapaz de desfrutar do poder. 
e) o prazer verdadeiro se experimenta no lado dos dominantes. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
 
03. (FUVEST/2022/1ª fase) No texto III, ao analisar a interioridade de Palha, o narrador descobre, no 
pensamento oculto do negociante, 
a) a ternura que lhe inspira a mulher, capaz de toda abnegação. 
b) a piedade que lhe causa a mulher, a quem só guarda desprezo. 
c) a vaidade que beira o sadismo, ao ver a mulher sofrer por ele. 
d) o gozo vingativo, visto que a mulher o trai com Carlos Maria. 
e) o remorso do infiel, pois ele trai a mulher com Maria Benedita. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
04. (FUVEST/2021/1ª fase) 
 
Rubião fitava a enseada, - eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos 
no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria queele admirava aquele 
pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra cousa. Cortejava o passado 
com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas 
(umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a 
enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma 
sensação de propriedade. 
- Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Semana Piedade tem casado com 
Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está 
tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça.. 
Machado de Assis, Quincas Borba. 
 
O primeiro capítulo de Quincas Borba já apresenta ao leitor um elemento que será fundamental na 
construção do romance: 
a) a contemplação das paisagens naturais, como se lê em "ele admirava aquele pedaço de água quieta". 
b) a presença de um narrador-personagem, como se lê em "em verdade vos digo que pensava em outra 
coisa". 
c) a sobriedade do protagonista ao avaliar o seu percurso, como se lê em "Cotejava o passado com o 
presente". 
d) o sentido místico e fatalista que rege os destinos, como se lê em "Deus escreve direito por linhas 
tortas". 
e) a reversibilidade entre o cômico e o trágico, como se lê em "de modo que o que parecia uma 
desgraça...". 
_____________________________________________________________________________________ 
 
05. (FUVEST/2021/2ª fase) Leia o texto para responder à questão. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 74 
Nessa mesma noite, leu-lhe o artigo em que advertia o partido da conveniência de não ceder às 
perfídias do poder, apoiando em algumas províncias certa gente corrupta e sem valor. Eis aqui a 
conclusão: 
"Os partidos devem ser unidos e disciplinados. Há quem pretenda (mirabile dictu!*) que essa 
disciplina e união não podem ir ao ponto de rejeitar os benefícios que caem das mãos dos adversários. 
Risum teneatis!** Quem pode proferir tal blasfêmia sem que lhe tremam as carnes? Mas suponhamos 
que assim seja, que a oposição possa, uma ou outra vez, fechar os olhos aos desmandos do governo, à 
postergação das leis, aos excessos da autoridade, à perversidade e aos sofismas. Quid inde?*** Tais 
casos,-aliás raros,-só podiam ser admitidos quando favorecessem os elementos bons, não os maus. 
Cada partido tem os seus díscolos e sicofantas. É interesse dos nossos adversários ver-nos afrouxar, a 
troco da animação dada à parte corrupta do partido. Esta é a verdade; negá-lo é provocar-nos à guerra 
intestina, isto é, à dilaceração da alma nacional... Mas, não, as ideias não morrem; elas são o lábaro da 
justiça. Os vendilhões serão expulsos do templo; ficarão os crentes e os puros, os que põem acima dos 
interesses mesquinhos, locais e passageiros a vit6ria indefectível dos princípios. Tudo que não for isto 
ter-nos-á contra si. Alea jacta est.**** 
(...) 
Rubião aplaudiu o artigo; achava-o excelente. Talvez pouco enérgico. Vendilhões, por exemplo, 
era bem dito; mas ficava melhor vis vendilhões. 
- Vis vendilhões? Há só um inconveniente, ponderou Camacho. É a repetição dos vv. Vis ven... 
Vis vendilhões; não sente que o som fica desagradável? 
- Mas lá em cima há vés vis... 
- Vae victis. Mas é uma frase latina. Podemos arranjar outra cousa; vis mercadores. 
- Vis mercadores é bom. 
- Contudo, mercadores não tem a força de vendilhões. 
- Então, por que não deixa vendilhões? Vis vendilhões é forte; ninguém repara no som. 
Olhe, eu nunca dou por isso. Gosto de energia. Vis vendilhões. 
*"Coisa admirável de dizer." *"Contereis o riso." ***"O que então?" ****"A sorte está lançada". 
Machado de Assis, Quincas Borba. 
 
a) Segundo Camacho, os partidos possuem entre os seus membros “díscolos e sicofantas”, isto é, 
dissidentes e caluniadores. De que modo a retórica do político constitui um artifício para persuadir o seu 
ouvinte quanto aos erros de alguns correligionários? 
b) A expressão latina Vae vactis! (“Ai dos vencidos!”) lembra ao leitor a máxima da filosofia que Quincas 
Borba apresenta a Rubião no início do romance. Como essas duas frases se contrapõem na trajetória da 
protagonista? 
_____________________________________________________________________________________ 
 
06. (FUVEST/2020/1ª fase) TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES 
 
E Sofia? interroga impaciente a leitora, tal qual Orgon: Et Tartufe? Ai, amiga minha, a resposta é 
naturalmente a mesma, – também ela comia bem, dormia largo e fofo, – coisas que, aliás, não impedem 
que uma pessoa ame, quando quer amar. Se esta última reflexão é o motivo secreto da vossa pergunta, 
deixai que vos diga que sois muito indiscreta, e que eu não me quero senão com dissimulados. 
Repito, comia bem, dormia largo e fofo. Chegara ao fim da comissão das Alagoas, com elogios 
da imprensa; a Atalaia chamou‐lhe “o anjo da consolação”. E não se pense que este nome a alegrou, 
posto que a lisonjeasse; ao contrário, resumindo em Sofia toda a ação da caridade, podia mortificar as 
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novas amigas, e fazer‐lhe perder em um dia o trabalho de longos meses. Assim se explica o artigo que 
a mesma folha trouxe no número seguinte, nomeando, particularizando e glorificando as outras 
comissárias – “estrelas de primeira grandeza”. 
Machado de Assis, Quincas Borba. 
 
No excerto, o autor recorre à intertextualidade, dialogando com a comédia de Molière, Tartufo (1664), 
cuja personagem central é um impostor da fé. Tal é a fama da peça que o nome próprio se incorporou 
ao vocabulário, inclusive em português, como substantivo comum, para designar o “indivíduo 
hipócrita” ou o “falso devoto”. No contexto maior do romance, sugere‐se que a tartufice 
a) se cola à imagem da leitora, indiscreta quanto aos amores alheios. 
b) é ação isolada de Sofia, arrivista social e benemérita fingida. 
c) diz respeito ao filósofo Quincas Borba, o que explica o título do livro. 
d) se produz na imprensa, apesar de esta se esquivar da eloquência vazia. 
e) se estende à sociedade, na qual o cinismo é o trunfo dos fortes. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
07. (FUVEST/2020/1ª fase) Considerando o contexto, o trecho “E não se pense que este nome a alegrou, 
posto que a lisonjeasse” (L.10‐11) pode ser reescrito, sem prejuízo de sentido, da seguinte maneira: E 
não se pense que este nome a alegrou, 
a) apesar de lisonjeá‐la. 
b) antes a lisonjeou. 
c) porque a lisonjeava. 
d) a fim de lisonjeá‐la. 
e) tanto quanto a lisonjeava. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
08. (FUVEST/2020/2ª fase) 
Texto 1 
Desde que a febre de possuir se apoderou dele totalmente, todos os seus atos, todos, fosse o 
mais simples, visavam um interesse pecuniário. Só tinha uma preocupação: aumentar os bens. Das suas 
hortas recolhia para si e para a companheira os piores legumes, aqueles que, por maus, ninguém 
compraria; as suas galinhas produziam muito e ele não comia um ovo, do que no entanto gostava 
imenso; vendia os todos e contentava se com os restos da comida dos trabalhadores. Aquilo já não era 
ambição, era uma moléstia nervosa, uma loucura, um desespero de acumular, de reduzir tudo a moeda. 
E seu tipo baixote, socado, de cabelos à escovinha, a barba sempre por fazer, ia e vinha da pedreira 
para a venda, da venda às hortas e ao capinzal, sempre em mangas de camisa, de tamancos, sem meias, 
olhando para todos os lados, com o seu eterno ar de cobiça, apoderando-se, com os olhos, de tudo 
aquilo de que ele não podia apoderar-se logo com as unhas. 
Aluísio Azevedo, O Cortiço. 
 
Texto 2 
(...) Rubião é sócio do marido de Sofia, em uma casa de importação, à Rua da Alfândega,sob a 
firma Palha & Cia. Era o negócio que este ia propor-lhe, naquela noite, em que achou o Dr. Camacho na 
casa de Botafogo. Apesar de fácil, Rubião recuou algum tempo. Pediam-lhe uns bons pares de contos 
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de réis, não entendia de comércio, não lhe tinha inclinação. Demais, os gastos particulares eram já 
grandes; o capital precisava do regime do bom juro e alguma poupança, a ver se recobrava as cores e 
as carnes primitivas. O regime que lhe indicavam não era claro; Rubião não podia compreender os 
algarismos do Palha, cálculos de lucros, tabelas de preço, direitos da alfândega, nada; mas, a linguagem 
falada supria a escrita. Palha dizia coisas extraordinárias, aconselhava o amigo que aproveitasse a 
ocasião para pôr o dinheiro a caminho, multiplicá-lo. 
Machado de Assis, Quincas Borba. 
 
a) Como o contraste entre os trechos “já não era ambição, era uma moléstia nervosa, uma loucura, um 
desespero de acumular” e “não entendia de comércio, não lhe tinha inclinação”, respectivamente sobre 
as personagens João Romão e Rubião, reflete distintas linhas estéticas na prosa brasileira do fim do século 
XIX? 
b) A partir das diferentes esferas sociais e práticas econômicas referidas nos fragmentos, trace um breve 
paralelo entre as trajetórias dos protagonistas nos dois romances. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
09. (FUVEST/2016/2ª fase) 
No capítulo CXIX de Memórias póstumas de Brás Cubas, o narrador declara: “Quero deixar aqui, 
entre parêntesis, meia dúzia de máximas* das muitas que escrevi por esse tempo”. Nos itens a) e b) 
encontram-se reproduzidas essas duas máximas. Considerando-as no contexto da obra a que 
pertencem, respondam ao que se pede. 
*Máxima: fórmula breve que enuncia uma observação de valor geral; provérbio. 
 
a) “Matamos o tempo, o tempo nos enterra.” 
Pode-se relacionar essa máxima à maneira de viver do próprio Brás Cubas? Justifique corretamente. 
b) “Suporta-se com paciência a cólica do próximo”. 
A atitude diante do sofrimento alheio, expressa nessa máxima, pode ser associada a algum aspecto da 
filosofia do “Humanitismo”, formulada pela personagem Quincas Borba? Justifique a sua resposta. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
10. (FUVEST/1993/2ª fase) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
 
– OLÁ! ESTÃO APRECIANDO a lua? Realmente, está deliciosa; está uma noite para namorados... 
Sim, deliciosa... Há muito que não vejo uma noite assim... Olhem só para baixo, os bicos de gás... 
Deliciosa! para namorados... Os namorados gostam sempre da Lua. No meu tempo, em Icaraí... 
Era Siqueira, o terrível major. Rubião não sabia que dissesse; Sofia, passados os primeiros instantes, 
readquiriu a posse de si mesma; respondeu que, em verdade, a noite era linda; depois contou que 
Rubião teimava em dizer que as noites do Rio não podiam comparar-se às de Barbacena, e, a propósito 
disso, referia uma anedota de um Padre Mendes... Não era Mendes? 
– Mendes, sim, o Padre Mendes, murmurou Rubião. 
O major mal podia conter o assombro. Tinha visto as duas mãos presas, a cabeça do Rubião meio 
inclinada, o movimento rápido de ambos, quando ele entrou no jardim; e sai-lhe de tudo isto um Padre 
Mendes... Olhou para Sofia; viu-a risonha, tranqüila, impenetrável. Nenhum medo, nenhum 
acanhamento; falava com tal simplicidade, que o major pensou ter visto mal. Mas Rubião estragou 
tudo. Vexado, calado, não fez mais que tirar o relógio para ver as horas, levá-lo ao ouvido, como se lhe 
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parecesse que não andava, depois limpá-lo com o lenço, devagar, devagar, sem olhar para um nem para 
outro... 
– Bem, conversem, vou ver as amigas, que não podem estar sós. 
Os homens já acabaram o maldito voltarete? 
– Já, respondeu o major olhando curiosamente para Sofia. Já, e até perguntaram por este 
senhor; por isso é que eu vim ver se o achava no jardim. Mas estavam aqui há muito tempo? 
– Agora mesmo, disse Sofia. 
Depois, batendo carinhosamente no ombro do major, passou do jardim à casa; não entrou pela 
porta da sala de visitas, mas por outra que dava para a de jantar; de maneira que, quando chegou 
àquela pelo interior, era como se acabasse de dar ordens para o chá. 
Rubião, voltando a si, ainda não achou que dizer, e contudo urgia dizer alguma cousa. Boa idéia era a 
anedota do Padre Mendes; o pior é que não havia padre nem anedota, e ele era incapaz de inventar 
nada. Pareceu-lhe bastante isto 
– O padre! o Mendes! Muito engraçado o Padre Mendes! 
– Conheci-o, disse o major sorrindo. O Padre Mendes? Conheci-o; morreu cônego. Esteve algum 
tempo em Minas? 
– Creio que esteve, murmurou o outro espantado. 
– Era filho aqui de Saquarema; era um que não tinha este olho continuou o major levando o 
dedo ao olho esquerdo. Conheci o muito, se é que é o mesmo; pode ser que seja outro. 
– Pode ser. 
– Morreu cônego. Era homem de bons costumes, mas amigo de ver moças bonitas, como se mira 
um painel de mestre; e que maior mestre que Deus? dizia ele. Esta D. Sofia, por exemplo, nunca ele a 
viu na rua que me não dissesse. Hoje vi aquela bonita senhora do Palha... Morreu cônego; era filho de 
Saquarema... E, na verdade tinha bom gosto...Realmente, a mulher do nosso Palha é um primor, bela 
de cara e de figura; eu ainda a acho mais bem feita que bonita... Que lhe parece? 
– Parece que sim... 
 – E boa pessoa, excelente dona de casa, continuou o major acendendo um charuto. 
 
a) “O major mal podia conter o assombro”. 
“... falava com tal simplicidade, que o major pensou ter visto mal”. 
Em cada frase, qual é o sentido da palavra “mal”? 
b) Sem alterar o sentido da segunda frase, completar: O major pensou ter visto mal, ... 
c) Qual foi o comportamento do Rubião em todo esse episódio? 
d) Ao descrever as características físicas do Mendes, o major faz referência a uma afirmação do padre 
sobre Sofia, para que em seguida concluir que ela era boa pessoa e excelente dona de casa. Qual a 
mensagem que ele pretendia passar a Rubião? 
e) Quem mencionou o padre Mendes? Com que objetivo? 
f) Por que o major mal podia conter o assombro? 
 
LISTA DE QUESTÕES COMPLEMENTARES 
 
11. (UNAERP/2021/Medicina) A filosofia do século XIX influenciou fortemente as artes, em particular a 
literatura. Correntes filosóficas como o positivismo, o marxismo e o pragmatismo, além do 
cientificismo, ganharam força entre as classes sociais que se haviam formado recentemente, com a 
ascensão da burguesia. Ao mesmo tempo, essas novas ideias e pensamentos geravam refutações e 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 78 
polêmicas, durante o processo normal de sua divulgação. Na literatura brasileira, um personagem 
criou seu próprio sistema filosófico, ironizando a seriedade das correntes de pensamento vigentes. 
Esse personagem é 
a) Brás Cubas, em Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. 
b) Sérgio, em O Ateneu, de Raul Pompéia. 
c) João Romão, em O cortiço, de Aluísio Azevedo. 
d) Quincas Borba, personagem de dois romances de Machado de Assis. 
e) Luís da Silva, em Angústia, de Graciliano Ramos. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
12. (ENEM/2010) 
Quincas Borba mal podia encobrir a satisfação do triunfo. Tinha uma asa de frango no prato, e 
trincava-a com filosófica serenidade. Eu fiz-lhe ainda algumas objeções, mas tão frouxas, que ele não 
gastou muito tempo em destruí-las. 
– Para entender bem o meu sistema, concluiu ele, importa não esquecer nunca o princípio 
universal, repartido e resumido em cada homem. Olha: a guerra, que parece uma calamidade,é uma 
operação conveniente, como se disséssemos o estalar dos dedos de Humanitas; a fome (e ele chupava 
filosoficamente a asa do frango), a fome é uma prova a que Humanitas submete a própria víscera. Mas 
eu não quero outro documento da sublimidade do meu sistema, senão este mesmo frango. Nutriu-se 
de milho, que foi plantado por um africano, suponhamos, importado de Angola. Nasceu esse africano, 
cresceu, foi vendido; um navio o trouxe, um navio construído de madeira cortada no mato por dez ou 
doze homens, levado por velas, que oito ou dez homens teceram, sem contar a cordoalha e outras 
partes do aparelho náutico. Assim, este frango, que eu almocei agora mesmo, é o resultado de uma 
multidão de esforços e lutas, executadas com o único fim de dar mate ao meu apetite. 
ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Civilização Brasiliense, 1975. 
 
A filosofia de Quincas Borba – a Humanitas – contém princípios que, conforme a explanação do 
personagem, consideram a cooperação entre as pessoas uma forma de 
a) lutar pelo bem da coletividade. 
b) atender a interesses pessoais. 
c) erradicar a desigualdade social. 
d) minimizar as diferenças individuais. 
e) estabelecer vínculos sociais profundos. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
13. (ITA/2019) No Realismo, o adultério subverte o ideal romântico de casamento. Machado de Assis, 
porém, costuma tratá-lo de modo ambíguo, valendo-se, por exemplo, do ciúme masculino ou da 
dubiedade feminina. Com isso, em seus romances, a traição nem sempre é comprovada, ou, mesmo 
que desejada pela mulher, não se consuma. Constatamos tal ambiguidade em Quincas Borba, quando 
a) Palha se enraivece com os olhares de desejo que os homens dirigem a Sofia nos eventos sociais. 
b) Sofia decide não contar ao marido que Rubião a assediou certa noite, no jardim da casa deles. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 79 
c) Palha, mesmo interessado na riqueza de Rubião, decide confrontá-lo ao perceber o assédio dele a 
Sofia. 
d) Sofia tenta esconder do marido o interesse que tem por Carlos Maria, que a seduziu em um baile. 
e) Sofia, mesmo interessada em Carlos Maria, faz de tudo para que Maria Benedita se case com ele. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
14. (ITA/2005) Em 1891, Machado de Assis publicou o romance Quincas Borba, no qual um dos temas 
centrais do Realismo, o triângulo amoroso (formado, a princípio, pelos personagens Palha-Sofia-
Rubião), cede lugar a uma equação dramática mais complexa e com diversos desdobramentos. Isso se 
explica porque 
a) o que levava Sofia a trair Palha era apenas o interesse na fortuna de Rubião, pois ela amava muito o 
marido. 
b) Palha sabia que Sofia era amante de Rubião, mas fingia não saber, pois dependia financeiramente 
dele. 
c) Sofia não era amante de Rubião, como pensava seu marido, mas sim de Carlos Maria, de quem Palha 
não tinha suspeita alguma. 
d) Sofia não era amante de Rubião, mas se interessou por Carlos Maria, casado com uma prima de Sofia, 
e este por Sofia. 
e) Sofia não se envolvia efetivamente com Rubião, pois se sentia atraída por Carlos Maria, que a seduziu 
e depois a rejeitou. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
15. (UNESP/2020/1a fase) Para responder às próximas 2 questões, leia o trecho de uma fala do 
personagem Quincas Borba, extraída do romance “Quincas Borba”, de Machado de Assis, publicado 
originalmente em 1891. 
 
— […] O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a 
supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é 
condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o 
caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As 
batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a 
montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em 
paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse 
caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. 
Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações 
bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que 
o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que 
nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao 
vencedor, as batatas. [...] Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes 
que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina 
os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da 
droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. 
Nada se perde, tudo é ganho. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 80 
(Quincas Borba, 2016.) 
 
Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em: 
a) “nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói”. 
b) “a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra”. 
c) “Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos”. 
d) “Daí o caráter conservador e benéfico da guerra”. 
e) “não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição”. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
16. (UNESP/2020/1a fase) Considerando o contexto histórico de produção, verifica-se no trecho uma 
alusão irônica 
a) à teoria darwiniana. 
b) à filosofia idealista. 
c) à ideologia capitalista. 
d) à filosofia iluminista. 
e) à ideologia socialista. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
17. (UNESP/2020/1a fase) Em “mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma 
é condição da sobrevivência da outra” e “As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos”, os 
termos sublinhados estabelecem relação, respectivamente, de 
a) consequência e conformidade. 
b) causa e conformidade. 
c) conformidade e consequência. 
d) causa e finalidade. 
e) consequência e finalidade. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
18. (UFU/2018) 
 
CAPÍTULO I 
Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos 
no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele 
pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado 
com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas 
(umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a 
enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma 
sensação de propriedade. 
“Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas”, pensa ele. Se mana Piedade tem casado 
com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui 
está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça... 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 81 
ASSIS, Machado. Quincas Borba. São Paulo: Editora Globo, 1997. p 1. 
 
a) No primeiro capítulo de Quincas Borba, já se anteveem princípios do Humanitismo, teoria desenvolvida 
pelapersonagem Quincas Borba. Explique, em um parágrafo, de que forma essa teoria se apresenta nesse 
capítulo. 
b) Em certa medida, Rubião opõe passado e presente, faz oposição entre ser professor e ser capitalista. 
Redija um parágrafo, evidenciando o pensamento de Rubião diante da nova situação e comparando-a 
com o antigo estado. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
19. (PUC-Camp/2017) 
 
É interessante notar como, em Machado de Assis, se aliavam e se irmanavam a superioridade 
de espírito, a maior liberdade interior e um marcado convencionalismo. Dois termos que se repelem, 
pensador e burocrata, são os que melhor o exprimem. Entre Memórias póstumas de Brás Cubas e 
Quincas Borba, a vida nacional passara pelas profundas modificações da Abolição e da República. 
− Que pensa de tudo isso Machado de Assis? indagava Eça de Queirós. 
À queda da Monarquia, disse Machado no seu gabinete de burocrata, diante da conveniência de 
tirar da parede o retrato do imperador: 
− Entrou aqui por uma portaria, só sairá por outra portaria. 
Era o que tinha a dizer aos republicanos, atônitos com esse acatamento ao ato de um regime 
findo. 
Adaptado de: PEREIRA, Lúcia Miguel. Machado de Assis. 6. ed. rev., 
Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1988, p. 208. 
 
Nos romances maduros de Machado de Assis, de que são exemplos Memórias póstumas de Brás Cubas 
e Quincas Borba, e diante das profundas modificações que foram a Abolição e a República, o narrador 
machadiano 
a) costuma discorrer longamente em apoio a essas duas transformações históricas. 
b) mostra-se inteiramente avesso a ambas, por serem contrárias às suas convicções. 
c) mantém-se um tanto distante, pois sua crítica atua mais incisivamente pela ironia sutil. 
d) constitui, juntamente com o eu poético de Castro Alves, o duo mais combativo das letras do século XIX. 
e) posiciona-se com grande energia, abraçando os mais altos ideais do positivismo que predominava na 
época. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
20. (UPF/2014) Leia as seguintes afirmações sobre a obra Quincas Borba de Machado de Assis. 
 
I. O autor realiza uma profunda análise social, revelando ceticismo em relação à sociedade de seu tempo 
e em relação à espécie humana. 
II. Sofia é uma personagem ambígua, astuciosa e cerebral, que se distancia da fragilidade das heroínas 
românticas. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 82 
III. A afeição de Sofia por Rubião, principalmente no final da narrativa, deixa transparecer a 
preocupação universal diante da dor humana. 
 
Está correto apenas o que se afirma em: 
a) I e III. 
b) II e III. 
c) I e II. 
d) I. 
e) II. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
21. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
Assim, em Quincas Borba o leitor encontra alusões e episódios históricos importantes, 
particularidades regionais, observações sobre aas belezas naturais do país, expressões populares, e 
uma boa galeria de tipos cariocas. Tudo porém com brevidade, sem a insistência dos romances 
históricos, regionalistas, urbanos, ou de mitificação nacional, que se especializavam na exploração de 
tais aspectos. Machado, que concorria com eles, não ia ficar atrás: dava provas ele também de maestria 
em cada um destes terrenos, mas ao mesmo tempo os relativizava. 
SCHWARZ, Roberto. Que horas são? Ensaios. (p. 166-167). 
 
Publicado em 1891, mas ambientado anteriormente (1867-1871), Quincas Borba é conhecido por 
valorizar a característica da relativização, a começar pelo próprio tempo, que não é o mesmo da 
narrativa, até a representação do próprio protagonista – Rubião – sempre indeciso. Em que trecho a 
relativização pode ser constatada? 
a) “Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é 
ter-lhe o cabo na mão”. 
b) “Dizendo isto, Rubião meteu a carta no bolso; o médico saiu; ele respirou. (...) Minutos depois, 
arrependeu-se, devia ter entregado a carta, sentiu remorsos, pensou em mandá-la à casa do médico”. 
c) “(...) felizmente o medo também é oficial de ideias, e deu-lhe ali uma lisonjear o interlocutor”. 
d) “Moléstia e saúde eram dois caroços do mesmo fruto, dois estados de Humanitas”. 
e) “Ouça-me este conselho: em política, não se perdoa nem se esquece nada”. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
22. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
Poder-se-ia dizer que ele [Machado] lisonjeava o público mediano, inclusive os críticos, dando-
lhes o sentimento de que eram inteligentes a preço módico. O seu gosto pelas sentenças morais, 
herdado dos franceses dos séculos clássicos e da leitura da Bíblia, levava-o a compor fórmulas lapidares, 
que se destacavam do contexto e corriam o seu destino próprio, difundindo uma ideia algo fácil de 
sabedoria. 
CANDIDO, Antonio. “Esquema de Machado de Assis”. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 83 
Entre os trechos abaixo, aquele que não se enquadra no método descrito acima é: 
a) Em geral, não podia suportar as refeições solitárias, estava tão afeito à linguagem dos amigos, às 
observações, às graças, não menos que aos respeitos e considerações, que comer só era o mesmo que 
não comer nada. Agora, porém, era como um Saul que precisasse de algum Davi, para expelir o espírito 
maligno que se metera nele (cap. C). 
b) Carlos Maria pensava na devota incógnita. Estava longe, muito longe do ensino e seus 
estabelecimentos. Que bom que era sentir-se um deus adorado, e adorado à maneira evangélica, metida 
a devota no aposento, fechada a porta, em secreto, não nas sinagogas, à vista de todos. “E teu pai que vê 
o que se passa em secreto te dará a paga (cap. CXX). 
c) A gestação ia cheia de tédios, de dores, de incômodos que ela ocultava o mais que podia ao marido; 
mas tudo isso dava maior preço à criaturinha futura. Acolhia o mal com resignação,-se não é que o 
agasalhava com alegria,- uma vez que era a condição da vinda do fruto. Fazia cordialmente o ofício da 
espécie. E repetia sem palavras a resposta de Maria de Nazaré “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim 
a sua vontade (cap. CLXIX). 
d) Não vades crer que a dor aqui foi mais verdadeira que a cólera; foram iguais em si mesmas, os efeitos 
é que foram diversos. A cólera deu em nada; a humilhação debulhou-se em lágrimas legítimas. E contudo 
não faltaram a esta senhora ímpetos de estrangular Sofia, calcá-la aos pés, arrancar-lhe o coração aos 
pedaços, dizendo-lhe na cara os nomes crus que atribuía ao marido... Tudo imaginações! Crede-me – há 
tiranos de intenção. Quem sabe? Na alma desta senhora passou agora um tênue fio de Calígula... (cap. 
XLIV). 
e) O pobre-diabo sentou-se, viu o que era, depois, tornou a deitar-se, mas acordado, de barriga para o ar, 
com os olhos fitos no céu. O céu fitava-o também, impassível como ele, mas sem as rugas do mendigo, 
nem os sapatos rotos, nem os andrajos, um cia claro, estrelado, sossegado, olímpico, tal qual presidiu às 
bodas de Jacó (cap. XLVI). 
_____________________________________________________________________________________ 
 
23. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
Em Quincas Borba, um modesto professor primário, Rubião, herda do filósofo Quincas Borba 
uma fortuna, com a condição de cuidar de seu cachorro, ao qual dera o próprio nome. Mas com o 
dinheiro, que é uma espécie de ouro maldito, Rubião herda igualmente a loucura do amigo. A sua 
fortuna se dissolve em ostentação e no sustento de parasitas; mas serve sobretudo como capital para 
as especulações comerciais de um arrivista hábil, Cristiano Palha, por cujamulher, “a bela Sofia”, Rubião 
se apaixona. O amor e a loucura aqui, romanticamente, de mãos dadas; mas o terceiro se beneficia da 
ambição econômica, baixo-contínuo do romance, de que Rubião se torna um instrumento. No fim, 
pobre e louco, ele morre abandonado; mas em compensação, como queria a filosofia do Humanitismo, 
Palha e Sofia estão ricos e considerados, dentro da mais perfeita normalidade social. Os fracos e os 
puros foram sutilmente manipulados como coisas e em seguida são postos de lado pelo próprio 
mecanismo da narrativa, que os cospe de certo modo e se concentra nos triunfadores, acabando por 
deixar no leitor uma dúvida sarcástica e cheia de subentendidos? O nome do livro designa o filósofo ou 
o cachorro, o homem ou o animal, que condicionaram ambos o destino de Rubião? Este começa como 
simples homem, chega na sua loucura a julgar-se imperador e acaba como um pobre bicho, fustigado 
pela fome e a chuva, no mesmo nível que o seu cachorro. 
CANDIDO, Antonio. “Esquema de Machado de Assis” (adaptado). 
 
Em que alternativa pode-se verificar uma análise mais próxima do romance? 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 84 
a) Já que Rubião é rebaixado a um animal, é possível verificar predominantemente em Quincas Borba 
características do Naturalismo, já que o cão é desprezível e nem um pouco leal. 
b) Sofia é uma mulher forte e independente. A principal característica de sua personalidade é seu 
altruísmo e sua bondade. 
c) Palha é o melhor amigo de Rubião. Percebe-se um pouco de interesse em suas ações, porém ele não 
sente ciúme por sua esposa ser amigo de Rubião e todos convivem em harmonia. 
d) A loucura de Rubião é biologicamente herdada de Quincas Borba, uma ironia que subverte a 
Humanitas: nem só os melhores genes são transmitidos de geração em geração. 
e) Rubião foi sempre muito generoso, o que fez com que seus amigos permanecessem com ele até o fim 
da vida. Ele era bem recebido na sociedade e bem quisto na casa dos convivas. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
24. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) O uso de figuras de linguagem é um recurso 
técnico importante utilizado por Machado de Assis. Que figura de linguagem é possível identificar 
corretamente em Quincas Borba? 
a) “– Então afinal o homem espichou a canela? disse ele, enquanto Rubião abria a carta, corria à assinatura 
e lia Brás Cubas. Era um simples bilhete” (ironia). 
b) “Seu primo Teófilo. Nanã contou-me que ele andava com suas esperanças, e foi por isso que ficou este 
ano na Corte” (metáfora). 
c) “Carlos Maria continuou a ler um estudo sobre a famosa estatueta de Narciso, do Museu de Nápoles” 
(metonímia). 
d) “Estava consternado. Era homem de talento, de gravidade e de trabalho; mas, naquele instante, todas 
as grandes obras, os mais temerosos problemas, as batalhas mais decisivas, as revoluções mais profundas, 
o sol e a lua, e todas as constelações, e todas as alimárias e todas as gerações humanas, valiam menos do 
que a troca de um u por um i” (hipérbole). 
e) “Nunca, entretanto, lhe passou pela cabeça que o amigo chegasse a declarar amor a alguém, menos 
ainda a Sofia, se é que era amor deveras; podia ser gracejo de intimidade” (personificação). 
_____________________________________________________________________________________ 
 
25. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) Em várias passagens de Quincas Borba, de 
Machado de Assis, as personagens interpretam erroneamente alguns fatos ou fazem ilações 
equivocadas a partir de algumas falas. Vemos isso, por exemplo, no episódio em que, a partir do relato 
que ouve de um cocheiro, Rubião se convence de que 
a) D. Tonica planeja casar-se com ele a qualquer custo. 
b) Palha pretende desfazer os negócios que tem com ele. 
c) Sofia deseja casá-lo com Maria Benedita. 
d) Sofia e Carlos Maria são amantes. 
e) Maria Benedita e Carlos Maria namoram em segredo. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
26. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 85 
 
CAPÍTULO X 
Quem sou eu, Rubião? Sou Santo Agostinho. Sei que há de sorrir, porque você é um ignaro, 
Rubião; a nossa intimidade permitia-me dizer palavra mais crua, mas faço-lhe esta concessão, que é a 
última. Ignaro! 
Ouça, ignaro. Sou Santo Agostinho; descobri isto anteontem ouça e cale-se. Tudo coincide nas 
nossas vidas. O santo e eu passamos uma parte do tempo nos deleites e na heresia, porque eu 
considero heresia tudo o que não é a minha doutrina de Humanitas; ambos furtamos, ele, em 
pequeno, umas peras de Cartago, eu, já rapaz, um relógio do meu amigo Brás Cubas. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
Essa é uma carta que Quincas Borba – o filósofo – deixa a Rubião antes de morrer e deixar a ele a sua 
herança. Um dos recursos estilísticos utilizados aqui é 
a) a digressão. 
b) a ironia. 
c) a intertextualidade. 
d) o discurso indireto livre. 
e) a loucura. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
27. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
CAPÍTULO IV 
ESTE QUINCAS BORBA, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias Póstumas de Brás Cubas, 
é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de 
uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora 
de condição mediana e parcos meios de vida, mas, tão acanhada que os suspiros no namorado ficavam 
sem eco. Chamava-se Maria da Piedade. Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível 
para casá-los. Piedade resistiu, ..... um pleuris a levou. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
Qual é o conectivo que se infere a partir do trecho? 
a) como. 
b) uma vez que. 
c) tanto que. 
d) conquanto. 
e) mas. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
28. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
CAPÍTULO XIX 
1NÃO ESQUEÇA dizer que Rubião tomou a si mandar dizer uma missa por alma do finado, 
embora soubesse ou pressentisse que ele não era católico. Quincas Borba não dizia pulhices a respeito 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 86 
de padres, nem desconceituava doutrinas católicas; mas não falava nem da Igreja nem dos seus servos. 
Por outro lado, a veneração de Humanitas fazia desconfiar ao herdeiro que essa era a 5religião do 
testador. Não obstante, mandou dizer a missa, considerando que não era ato da vontade do morto, 
mas prece de vivos; considerou mais que seria um escândalo na cidade, se ele, nomeado herdeiro pelo 
defunto, deixasse de dar ao seu protetor os sufrágios que não se negam aos mais miseráveis e avaros 
deste mundo. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
Qual é a ideia semântica do conectivo destacado (L. 5)? 
a) adversidade. 
b) causa. 
c) consequência. 
d) comparação. 
e) negação. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
29. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
TEXTO I 
CAPÍTULO XCVII 
QUANDO RUBIÃO chegou à esquina do Catete a costureira conversava com um homem, que a 
esperara, e que lhe deu logo depois o braço; viu-os ir ambos, conjugalmente, para o lado da Glória. 
Casados? amigos? Perderam-se na primeira dobra da rua, enquanto Rubião ficou parado, recordando 
as palavras do cocheiro, a rótula moço de bigodes, a senhora de bonito corpo, a Rua da Harmonia Rua 
da Harmonia; ela dissera Rua da Harmonia. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
TEXTO II 
Moço desvairado. Duas tarjas grossas, uma noprincípio, outra no fim da página. Qualidades, 
Julião Tavares tinha muitas qualidades. A literatura dela reproduzida nas folhas, em tipo graúdo. 
Comentários. Porque foi? Como foi? Enterro complicado, automóveis, todos os automóveis da praça, 
bondes especiais. O discurso no cemitério, discurso empolado. E o túmulo com uma coluna partida. 
Muitos túmulos com colunas partidas. Colunas de mármore, colunas de cimento. Moço desvairado. 
Todos os mortos importantes eram colunas partidas. Julião Tavares era uma coluna de mármore, 
partida. O capitel no chão, esverdinhando-se. O corpo subia. No princípio o esforço não era grande 
demais. A cada movimento passavam no galho algumas polegadas da corda. Mas quando a massa obesa 
e elevou, as dificuldades foram enormes para correrem uns centímetros. 
– Mais um pouco, mais um pouco. 
Estas palavras não me deixavam. O corpo devia estar todo erguido, e os meus ossos estalavam. 
O galho curvava-se. Ia quebrar-se, atirar-nos ao chão. Tudo perdido. 
RAMOS, Graciliano. Angústia. 
 
O que as personagens dos dois trechos mantêm em comum? 
a) a esperança. 
b) a racionalidade. 
c) a incoerência. 
d) a ambição. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 87 
e) o despeito. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
30. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
Sofia e Capitu têm robustas inclinações de sentidos, exercem galhardamente os seus dotes, 
irritam-se e despicam-se* muito naturalmente quando topam com óbices**, e mantêm-se de todo 
coerentes, corpo e alma, com os seus respectivos projetos de vida. Ambas, cada uma a seu modo, 
almejam a plena inserção na sociedade conservadora onde vivem; sociedade em que o capital se vale 
comodamente do trabalho escravo, e que, pelo ângulo das relações de dependência, poderá qualificar-
se como paternalista. Em ambas, a primeira natureza revela-se na força dos instintos e na pronta 
irascibilidade. A segunda natureza, que completa a primeira e nesta se enxerga fundo, as torna, nos 
momentos difíceis, reconcentradas, reflexivas, atiladas, capazes de disfarces rápidos, certeiras na 
invenção de expedientes. 
BOSI, Alfredo. O enigma do olhar. 
*vingar; desforrar(-se); desafrontar(-se), desagravar(-se). 
**aquilo que obsta, impede; empecilho, estorvo. 
 
Uma personagem feminina de Quincas Borba que vai na contramão de Sofia é quem e por quê? 
a) Dona Fernanda, pelo seu senso prático da vida. 
b) A comadre Angélica, por causa de seu altruísmo. 
c) Maria Benedita, porque ela vem da roça. 
d) A Tia Augusta, porque ela é manipuladora. 
e) O desespero de Dona Tonica. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
31. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
QUANDO o testamento foi aberto, Rubião quase caiu para trás. Adivinhais por que era nomeado 
herdeiro universal do testador. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
Esse trecho choca sobretudo por causa 
a) do registro informal da linguagem. 
b) do uso da figura da metalinguagem. 
c) da ênfase em termos estrangeiros. 
d) do vocabulário incompreensível. 
e) da metáfora involuntária. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
32. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
CAPÍTULO XLII 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 88 
A luz do fósforo deu à cara do major uma expressão de escárnio ou de outra cousa menos dura, 
mas não menos adversa. Rubião sentiu correr-lhe um frio pela espinha. Teria ouvido? visto? adivinha 
do? Estava ali um indiscreto, um mexeriqueiro? 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
O recurso estilístico aqui empregado é 
a) a digressão. 
b) o discurso indireto livre. 
c) a figura de linguagem. 
d) a ironia. 
e) o humor. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
33. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
TEXTO I 
Capítulo IX 
Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe 
o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava 
lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-
lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos 
de ambição; para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e 
franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e 
volvia-se preguiçoso resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que 
o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores 
aventureiros. 
E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão 
português: e Jerônimo abrasileirou-se. 
AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 
 
TEXTO II 
Capítulo III 
Rubião suspirou, cruzou as pernas, e bateu com as borlas do chambre sobre os joelhos. Sentia 
que não era inteiramente feliz; mas sentia também que não estava longe a felicidade completa. 
Recompunha de cabeça uns modos, uns olhos, uns requebros sem explicação, a não ser esta, que ela o 
amava, e que o amava muito. Não era velho ia fazer quarenta e um anos, e, rigorosamente, parecia 
menos. Esta observação foi acompanhada de um gesto; passou a mão pelo queixo barbeado todos os 
dias, cousa que não fazia dantes, por economia e desnecessidade. Um simples professor! 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
A característica que une as personagens de Jerônimo e Rubião é 
a) o costume aos hábitos. 
b) a visão pessimista da vida. 
c) a resistência à mudança. 
d) o egoísmo e a antipatia. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 89 
e) a resignação frente ao mundo. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
34. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
TEXTO I 
Capítulo VI 
– Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis 
pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque 
elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à 
descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de 
corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? 
É D. Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra que continua eterna nos exemplares 
subsistentes e nas edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e 
supradivino. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
TEXTO II 
Capítulo VI 
Era o que ele estudava. “A estrutura, quer dizer, a estrutura” – ele repetia e abria as mãos 
branquíssimas ao esboçar o gesto redondo. Eu ficava olhando seu gesto impreciso porque uma bolha 
de sabão é mesmo imprecisa, nem sólida nem líquida, nem realidade nem sonho. Película e oco. “A 
estrutura da bolha de sabão, compreende?” Não compreendia. Não tinha importância. 
Importante era o quintal da minha meninice com seus verdes canudos de mamoeiro, quando cortava 
os mais tenros que sopravam as bolas maiores, mais perfeitas. 
Lygia Fagundes Telles, A estrutura da bolha de sabão, 1973. 
 
Ambos os trechos lançam vieses diferentes sobre o objeto da bolha. Sobre isso, é correto afirmar que 
a) o primeiro viés é acadêmico e o segundo técnico. 
b) o primeiro viés é filosófico e o segundo lírico. 
c) o primeiro viés é denotativo e o segundo conotativo. 
d) o primeiro viés é bíblico e o segundo é profano. 
e) o primeiro viésé poético e o segundo formal. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
35. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
Pobre do Palha – queria enriquecer e se viu violentado por dentro, com a consciência mudada. 
A bela Sofia, convidando sem oferecer, malogra-se ao oferecer sem correspondência. Teófilo quer ser 
ministro – não alcança a farda e o coupé, mas a política o devora. Quincas Borba quer a filosofia, a 
loucura o mata. Nenhum deles foi o que é – nenhum conhecia o púnico apelo autêntico, o apelo 
honrado do homem sem máscara, o homem nu. O torvelinho cegou as personagens e o senhor das 
personagens: todos perderam o jogo. O moralista, com suas leis, seus saltos e suas cabriolas, não era 
mais possível como verdade e como sonho. O mundo pertence às instituições, às estruturas sociais, às 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 90 
classes – o humour é apenas o expediente entre dois momentos, o que passou e o que não chegou. O 
mundo não vai acabar – a tragédia não abrirá o pano. Um mundo acabou – a comédia já não faz rir. 
FAORO, Raymundo. Machado de Assis: a pirâmide e o trapézio. 
 
Uma das características do romance realista – em contraposição ao romance romântico – é o choque 
da realidade e as desilusões da vida. Em que outra passagem de outra obra de Machado pode se 
constatar semelhante visão de mundo? 
a) “Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro 
para fora, outra que olha de fora para dentro... A alma exterior pode ser um espírito, um fluído, um 
homem, muitos homens, um objeto, uma operação” (O espelho). 
b) “Assim foi; não lhe leu nada nos olhos, a não ser a ironia e a paciência, mas não se pôde ter que lhes 
não desse uma forma de palavra, com as suas regras de sintaxe. A própria ironia estava acaso na retina 
dele. O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio” (cap. XLI 
– Esaú e Jacó). 
c) “A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a 
suspeitar que é um continente.” (O alienista). 
d) “Nesse gênero há porventura alguma coisa que reformar, e eu proporia, como ensaio, que as peças 
começassem pelo fim. Otelo mataria a si e a Desdêmona no primeiro ato, os três seguintes seriam dados 
à ação lenta e decrescente do ciúme, e o último ficaria só com as cenas iniciais da ameaça dos turcos, as 
explicações de Otelo e Desdêmona, e o bom conselho do fino Iago: "Mete dinheiro na bolsa” (cap. LXXII 
– Dom Casmurro). 
e) “Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, 
não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de 
não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a 
semidemência do Quincas Borba” (cap. CLX – Memórias póstumas de Brás Cubas). 
_____________________________________________________________________________________ 
 
36. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
TEXTO I 
Capítulo III 
UM CRIADO trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia 
disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava 
de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se 
explica este par de figuras que aqui está na sala, um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de 
escolher, escolheria a bandeja, – primor de argentaria, execução fina e acabada. O criado esperava teso 
e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais 
que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras 
em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu 
com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem o pôde 
deixar na cozinha, onde reinava um francês, foi degradado a outros serviços. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
TEXTO II 
Sonetilho do falso Fernando Pessoa – Carlos Drummond de Andrade 
Onde nasci, morri. 
Onde morri, existo. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 91 
E das peles que visto 
muitas há que não vi. 
 
Sem mim como sem ti 
posso durar. Desisto 
de tudo quanto é misto 
e que odiei ou senti. 
Nem Fausto nem Mefisto, 
à deusa que se ri 
deste nosso aoristo*, 
eis-me a dizer: assisto 
além, nenhum, aqui, 
mas não sou eu, nem isto. 
Carlos Drummond de Andrade. In: Claro Enigma. 
*colóquio íntimo entre esposos. 
 
A crítica costuma dizer que Machado de Assis é tão profundo que antecipa algumas questões do século 
XX. Nesse contexto, é correto afirmar que 
a) o narrador de Quincas Borba é em primeira pessoa, ao passo que o eu lírico de Drummond usa a terceira 
pessoa. 
b) Sofia e Rubião passam por um aoristo. 
c) as figuras de Fausto e Mefistófeles podem ser comparadas aos bustos de Napoleão I e Napoleão III ao 
final de Quincas Borba. 
d) a intertextualidade conecta autores como Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade, mesmo 
sendo de movimentos literários diferentes. 
e) A Humanitas é a redução da pessoa a objeto, como em “como um pedaço da província” (texto I) e 
(Onde nasci, morri). 
_____________________________________________________________________________________ 
 
37. (Estratégia Vestibulares 2020 – 1o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) 
 
Carlos Maria afagou-lhe os cabelos, e murmurou sério: — Bernadotte* foi rei, e Bonaparte 
imperador. Você queria ser a rainha-mãe da Suécia? 
Maria Benedita não entendeu a pergunta nem ele a explicou. Para explicá-la seria mister dizer 
que possivelmente trazia ela no seio um Bernadotte; mas esta suposição significava um desejo, e o 
desejo uma confissão de inferioridade. Carlos Maria espalmou outra vez as mãos sobre a cabeça da 
mulher, com um gesto que parecia dizer: “Maria, tu escolheste a melhor parte...” E ela pareceu 
entender o sentido daquele gesto. 
— Sim! sim! 
 O marido sorriu e tornou à revista inglesa. Ela, encostada à poltrona, passava-lhe os dedos pelos 
cabelos, muito ao de leve e caladinha para não perturbá-lo. Ele ia lendo, lendo, lendo. Mana Benedita 
foi atenuando a carícia, retirando os dedos aos poucos, até que saiu da sala, onde Carlos Maria 
continuou a ler um estudo de Sir Charles Little, M. P., sobre a famosa estatueta de Narciso, do Museu 
de Nápoles. 
Machado de Assis, Quincas Borba. São Paulo: Ateliê Editorial, 2016, p. 345-346. 
*Jean-Baptiste Bernadotte (1763-1844): marechal da França sob Napoleão Bonaparte. Reinou simultaneamente 
a Suécia e a Noruega de 1818 até o ano de sua morte. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 92 
 
O mito de Narciso sobreviveu em mais de uma versão, sendo uma das mais conhecidas a representada 
por Ovídio em suas Metamorfoses (8 d. C.). Sua abrangência já perpassou igualmente as artes plásticas 
e a psicologia. Nesse trecho específico do romance, sugere-se que o narcisismo 
a) marca a relação do casal Carlos Maria e Maria Benedita, sendo que ela é submissa, ao passo que ele 
saboreia a leitura do jornal a seu bem prazer. 
b) expressa a força das figuras representativas nesse romance histórico, pois Napoleão será símbolo de 
loucura tanto para Carlos Maria quanto para Rubião. 
c) produz um recurso estilístico que vai unir a mitologia à historiografia ao representar a tradição greco-
latina bem como a política britânica. 
d) contrasta o mito antigo com o seu reaproveitamento no século XIX, numa sociedade decadente e mais 
crente no cristianismo que no paganismo. 
e) comprova a erudiçãode Maria Benedita, conhecedora de museus italianos, cuja inteligência foi o que 
atraiu Carlos Maria. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
38. (Estratégia Vestibulares 2020 – 2o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) 
TEXTOS PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES 
 
TEXTO I 
Dona Tonica foi buscar o retrato. Era uma fotografia; representava um homem de meia-idade, 
cabelo curto, raro, olhando espantado para a gente, cara chupada, pescoço fino e paletó abotoado. 
– Que lhe parece? 
– Muito bem. 
Dona Tonica recebeu o retrato e fitou-o alguns instantes; mas, tirou logo os olhos, e deixou-se 
estar sentada, enquanto a imaginação saiu a esperar o Rodrigues. Chamava-se Rodrigues. Era mais 
baixo que ela – coisa que o retrato não dava – e empregado em uma repartição do ministério da guerra. 
Viúvo, com dois filhos, um que estava no batalhão dos menores, outro que era tuberculoso – doze anos 
– condenado à morte. Que importa? Era o noivo; todas as noites, ao recolher-se, dona Tonica ajoelhava-
se ante a imagem de Nossa Senhora, sua madrinha, agradecia-lhe o favor e pedia-lhe que a fizesse feliz. 
Sonhava já com um filho; havia de chamar-lhe Álvaro. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2016, p. 358-359. 
 
TEXTO II 
 Mas passemos ao Humanitismo, a mais célebre das filosofias machadianas. Como sugere o 
nome, trata-se de uma sátira à floração oitocentista de ismos, com alusão explícita à religião comtiana 
da humanidade. Os raciocínios fazem pensar em mais outras filiações, já que em lugar dos princípios 
positivistas afirmam a luta de todos contra todos, à maneira do darwinismo social. A própria guerra 
generalizada, contudo, não passa de ilusão, pois tem fundamento monista: Humanitas é o princípio 
único de todas as coisas, residindo igualmente nas partes vencida e vencedora, no condenado e no 
algoz, de sorte que não há perda alguma onde parece haver uma desgraça. Daí que a dor não existe 
nem tem cabimento. “(...) substancialmente, é Humanitas que corrige em Humanitas uma infração à lei 
de Humanitas” [Memórias póstumas de Brás Cubas]. 
 A par das teses da struggle for life, o Humanitismo inclui o elogio da sociedade hierárquica e 
ritualizada, difícil de conciliar com aquelas primeiras. A inconsistência contribui para o tom geral de 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 93 
disparate, sem prejuízo de captar admiravelmente a aspiração por “ordem e progresso” de várias 
teorias sociológicas do tempo, que ao propósito científico e antitradicional uniam uma posição 
conservadora, bem como formas sucedâneas de providencialismo e culto religioso. 
SCHWARZ, Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo – Machado de Assis. 3. ed. 
São Paulo: Editora 34, 1997, p. 155. 
 
No trecho I, a passagem do romance realista denota vários elementos presentes no estilo do autor, 
EXCETO: 
a) o realismo, expresso no desespero psicológico. 
b) a religiosidade e a crença no próprio bem. 
c) o humor negro, o que comprova a Humanitas. 
d) a ironia, verificada na pressa por se casar. 
e) a metalinguagem do retrato no retrato. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
39. (Estratégia Vestibulares 2020 – 2o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) Dona Tonica 
não usufrui do privilégio do casamento nem da família que tanto almejava. Haja vista essa consideração 
e o texto II, é possível afirmar que a Humanitas 
a) manifesta um desapego da filosofia. 
b) reivindica a utopia romântica. 
c) extrapola o pensamento político nacional. 
d) denuncia uma sociedade que se desumanizou. 
e) critica o sentimentalismo das mulheres. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
40. (Estratégia Vestibulares 2020 – 4o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) 
 
CAPÍTULO III 
Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia 
disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava 
de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se 
explica este par de figuras que aqui está na sala, um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de 
escolher, escolheria a bandeja – primor de argentaria, execução fina e acabada. O criado esperava teso 
e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais 
que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras 
em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu 
com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem o pôde 
deixar na cozinha, onde reinava um francês, foi degradado a outros serviços (...). 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ateliê Editorial, 2016, p. 88. 
 
No excerto, o autor recorre à intertextualidade, dialogando com o mito de Johannes Fausto (1480-
1540), um médico que queria saber tudo e conhecer todas as artes. Para conquistar o seu objetivo, ele 
chega a fazer um pacto com o diabo Mefistófeles. No contexto maior do romance, sugere-se que essa 
alusão 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 94 
a) critica o oportunismo do Mefisto, que encarnou numa perspectiva cristã a oposição entre vida e morte. 
b) denuncia os abusos que aconteceram no plano histórico na Guerra Franco-Prussiana, sobretudo, por 
Napoleão. 
c) explora o elemento do tragicômico, uma vez que o criado é tão rebaixado que chega a ser comparado 
ao cão. 
d) reforça a tragicidade do texto ao evidenciar o contraste entre duas figuras com personalidades 
diferentes. 
e) valoriza a tendência iniciada com a geração condoreira, no intuito de se posicionar como abolicionista. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
41. (Estratégia Vestibulares 2020 – 4o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) 
 
CAPÍTULO XIII 
A notícia correra a cidade; o vigário, o farmacêutico da casa, o médico, todos mandaram saber 
se era verdadeira. O agente do correio que a lera nas folhas, trouxe em mão própria ao Rubião uma 
carta que viera na mala para ele; podia ser do finado, conquanto a letra do sobrescrito fosse outra. 
 – Então afinal o homem espichou a canela? disse ele, enquanto Rubião abria a carta, corria à 
assinatura e lia Brás Cubas. Era um simples bilhete: 
O meu pobre amigo Quincas Borba faleceu ontem em minha casa, onde apareceu há tempos 
esfrangalhado e sórdido: frutos da doença. Antes de morrer pediu-me que lhe escrevesse, que lhe desse 
particularmente esta notícia, e muitos agradecimentos; que o resto se faria, segundo as praxes do foro 
(...). 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ateliê Editorial, 2016, p. 106. 
 
Atente para as seguintes afirmações relativas a essa passagem da narrativa de Quincas Borba. 
 
I. O autor revela tanto inovações no plano estrutural quanto intertextualidade interna. 
II. Quincas Borba, o filósofo, sente-se responsável pela formação de seus discípulos, mas não é 
correspondido em seu entusiasmo. 
III. Antes de morrer, Quincas Borba identifica-se com Santo Agostinho, buscando entre as 
aproximações possíveis até mesmo a comparação entre as mães. 
 
Está correto o que se afirma apenas em 
a) I. 
b) II. 
c) I e II. 
d) II e III. 
e) Todas estão corretas. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
42. (Estratégia Vestibulares 2020 – 5o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) 
Nascera na roça e gostava da roça. A roça era perto, Iguaçu. De longe em longe vinha à cidade, 
passar alguns dias; mas, ao cabo dos dous primeiros, já estava ansiosapor tornar a casa. A educação 
foi sumária: ler, escrever, doutrina e algumas obras de agulha. Nos últimos tempos (ia em dezenove 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 95 
anos), Sofia apertou com ela para aprender piano; a tia consentiu. Maria Benedita veio para a casa da 
prima, e ali esteve uns dezoito dias. Não pôde mais; doeram-lhe as saudades da mãe e voltou para a 
roça, deixando consternado o professor, que anunciou nela, desde os primeiros dias, um grande 
talento musical. 
– Oh! sem dúvida, um grande talento! 
Maria Benedita riu-se quando a prima lhe contou isto, e nunca mais pôde ver a sério o homem. 
Às vezes, no meio de uma lição, deitava a rir. Sofia contraía as sobrancelhas, a modo de ralho, e o 
pobre homem perguntava o que era, e de si mesmo explicava que havia de ser alguma lembrança de 
moça, e continuava a lição. Nem piano nem francês, – outra lacuna, que Sofia mal podia desculpar. D. 
Maria Augusta não compreendia a consternação da sobrinha. Para que francês! A sobrinha dizia-lhe 
que era indispensável para conversar, para ir às lojas, para ler um romance... 
ASSIS, Machado. Quincas Borba. 
 
De acordo com o texto, são representados dois modos de vida bem diferentes. Dentro da lógica do 
romance, pode-se inferir que a passagem condiz com 
a) a ironia machadiana, expressa no deboche de algumas personagens femininas ante a futilidade de 
outras. 
b) a humanitas machadiana, pois o professor de francês confessa que está apaixonado por Sofia, que já é 
casada. 
c) a digressão machadiana, haja vista o trecho estar escrito confusamente numa forma de diálogo não 
linear. 
d) o humor negro machadiano, já que o professor de piano indiretamente critica o comportamento de D. 
Maria Augusta. 
e) o determinismo machadiano, porque Machado de Assis se inspirou nos escritos de Zola para fundar 
seu estilo próprio. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
43. (Estratégia Vestibulares 2020 – 6o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) 
 
CAPÍTULO CIX 
NESSA NOITE, Rubião sonhou com Sofia e Maria Benedita. Viu-as num grande terreiro, apenas 
vestidas de saia, costas inteiramente despidas; o marido de Sofia, armado de um azorrague de cinco 
pontas de couro, rematando em bicos de ferro, castigava-as despiedadamente. Elas gritavam, pediam 
misericórdia, torciam-se, alagadas em sangue, as carnes caíam-lhes aos bocados. Agora, por que razão 
Sofia era a imperatriz Eugênia, e Maria Benedita uma aia sua, é o que não sei dizer com exatidão. “São 
sonhos, sonhos, Penseroso!” exclamava um personagem do nosso Álvares de Azevedo. Mas eu prefiro 
a reflexão do velho Polonius, acabando de ouvir uma fala tresloucada de Hamlet: “Desvario embora, lá 
tem seu método”. Também há método aqui, nessa mistura de Sofia e Eugênia; e ainda há método no 
que se lhe seguiu, e que parece mais extravagante. 
Sim, Rubião, indignado, mandou logo cessar o castigo, enforcar o Palha e recolher as vítimas. 
Uma delas, Sofia, aceitou um lugar na carruagem aberta que esperava pelo Rubião, e lá foram a galope, 
ela garrida e sã, ele glorioso e dominador. Os cavalos, que eram dous a saída, eram daí a pouco, oito, 
quatro belas parelhas. Ruas e janelas cheias de gente, flores chovendo em cima deles, aclamações.. 
Rubião sentiu que era o imperador Luís Napoleão; o cachorro ia no carro aos pés de Sofia... 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 96 
Tudo acabou sem fim, nem fracasso. Rubião abriu os olhos; talvez alguma pulga o mordeu; 
qualquer cousa, “Sonhos, sonhos, Penseroso!” Ainda agora prefiro o dito de Polonius “Desvario 
embora, lá tem seu método!” 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
A partir do trecho acima, julgue os itens a seguir. 
 
I – O Realismo foi um movimento literário no qual foi muito importante o uso da mitologia, como é o 
caso da figura de Penseroso. 
II – Um dos traços da personalidade de Rubião é a sua megalomania, perceptível em sua maneira de 
inverter os valores. 
III – Ao mencionar autores como Álvares de Azevedo e William Shakespeare, Machado de Assis não só 
emprega a intertextualidade, como também pretende se igualar à tradição. 
 
A sequência de afirmações corretas é: 
a) I. 
b) II. 
c) I e II. 
d) II e III. 
e) I, II e III. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
44. (Estratégia Vestibulares 2020 – 8o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) 
 
TEXTO I 
Colinas de esquecimento, 
praias de ridentes águas, 
palmas, flores, nada esconde 
aquelas visões amargas 
que noite e dia a Rainha 
cercam de horror e ansiedade. 
 
Ai, parentes, ai, ministros, 
ai, perseguidos fidalgos... 
Ai, pobres Inconfidentes, 
duramente condenados 
por que sombria sentença, 
alheia à sua vontade! 
 
“Vou para o Inferno!” – murmura. 
“Já estou no Inferno!” “Não quero 
que o Diabo me veja!”. – clama 
(É sobre chamas do Inferno 
que rola a dourada sege, 
com grande celeridade...) 
MEIRELES, Cecília. Dos passeios da Rainha Louca. In: Romanceiro da Inconfidência. 
São Paulo: Global, 2015 (p. 227-228). 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 97 
 
TEXTO II 
CAPÍTULO CLXXXV 
Rubião foi recolhido a uma casa de saúde. Palha esquecera a obrigação que Sofia lhe impôs, e 
Sofia não se lembrou mais da promessa feita à rio-grandense. Cuidavam ambos de outra casa, um 
palacete em Botafogo, cuja reconstrução estava prestes a acabar, e que eles queriam inaugurar, no 
inverno, quando as Câmaras trabalhassem, e toda a gente houvesse descido de Petrópolis. Mas agora 
a promessa foi cumprida; Rubião deu entrada no estabelecimento, onde ficou ocupando uma sala e um 
quarto especiais, recomendado pelo Dr. Falcão e pelo Palha. Não resistiu a nada; acompanhou-os com 
satisfação, e entrou nos seus aposentos, como se os conhecesse desde muito. Quando eles se 
despediram, dizendo que já voltavam, Rubião convidou-os para uma revista militar, no sábado. 
— Pois sim, sábado, assentiu Falcão. 
— Sábado é bom dia, continuou Rubião. Não faltes, duque de Palha. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. Fonte: Domínio Público. 
 
Essas duas obras, embora em de gêneros diferentes (poesia e prosa), podem ser aproximadas, pois 
ambas apresentam personagens loucas. O indicativo de loucura em cada uma delas consiste, 
respectivamente, em: 
a) enfraquecimento da monarquia e desprezo pelos amigos. 
b) afastamento da família e revolta contra o diagnóstico. 
c) conversa consigo mesmo e atribuição de títulos imaginários. 
d) esquizofonia e comportamento sociopata agressivo. 
e) entusiasmo religioso e conversa amena com as autoridades. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
45. (Estratégia Vestibulares 2021 – 4o Simulado FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) 
 
CAPÍTULO LXXXII 
ESSES SONHOS iam e vinham. Que misterioso Próspero transformava assim uma ilha banal em 
mascarada sublime? "Vai, Ariel, traze aqui os teus companheiros, para que eu mostre a este jovem casal 
alguns feitiços da minha feitiçaria." As palavras seriam as mesmas da comédia; a ilha é que era outra, a 
ilha e a mascarada. Aquela era a própria cabeça do nosso amigo; esta não se compunha de deusas nem 
de versos, mas de gente humana e prosa de sala. Mais rica era. Não esqueçamos que o Próspero de 
Shakespeare era um duque de Milão; e eis aí, talvez, por que se meteu na ilha do nosso amigo. 
Machado de Assis, Quincas Borba. 
 
A partir da intertextualidade com o humanista britânico, o narrador machadiano evidencia 
a) zombeteiramente a diferença entre comédia e tragédia, pois Rubião conseguiu uma fortuna e por isso 
saiu do sofrimento rumo a uma vida de felicidade. 
b) ironicamente a megalomania de Rubião, protagonistado romance, o qual, apesar da posição central, 
cumpria um papel medíocre em sociedade. 
c) criticamente a falência da burguesia, pois a época representada anteriormente era a de feitiços e mitos, 
ao passo que a do texto é uma vida já degradada. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 98 
d) exponencialmente o crescimento das cidades, já que as pessoas precisavam abandonar os centros 
urbanos para viver numa ilha. 
e) maldosamente um diálogo com o leitor, de quem quer chamar atenção para o fato de Rubião estar 
esbanjando em sociedade. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
46. (Estratégia Vestibulares 2021 – 5o Simulado FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) 
 
 
TEXTO I 
Foi esse trechozinho de romance que ligou os dois homens. Saberia Rubião que o nosso Quincas 
Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o 
por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba,- 
nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, 
mortos já agora em 1867; o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo 
o único amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do enfermo. 
Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. Fonte: Domínio Público. 
Disponível em: https://tinyurl.com/c68xc7ds. Acesso em: 20 jul.2021. 
 
TEXTO II 
Entretanto, Jerônimo não mandou saldar a conta do colégio, no dia seguinte, nem no outro, nem 
durante todo o resto do mês; e ele, coitado! bem que se mortificou por isso; mas onde ia buscar dinheiro 
naquela ocasião? o seu trabalho mal lhe dava agora para viver junto com a mulata; estava já alcançado 
nos seus ordenados e devia ao padeiro e ao homem da venda. Rita era desperdiçada e amiga de gastar 
à larga; não podia passar sem uns tantos regalos de barriga e gostava de fazer presentes. Ele, receoso 
de contrariá-la e quebrar o ovo da sua paz, até aí tão completo com respeito à baiana, subordinava-se 
calado e afetando até satisfação; no íntimo, porém, o infeliz sofria deveras. 
AZEVEDO, Aluísio de. O cortiço. Fonte: Domínio Público. 
Disponível em: https://tinyurl.com/y7y4z99s. Acesso em: 20 jul.2021. 
 
Embora sejam filhos do mesmo contexto histórico (fim do século XIX), os movimentos literários do 
Realismo e do Naturalismo se distinguem entre si, como apresentado no contraste acima, 
especialmente porque 
a) o protagonista do romance realista machadiano "Quincas Borba" aproveita-se de uma situação para 
benefício próprio, enquanto as personagens naturalistas parecem se revelar meros títeres. 
b) a preocupação na estética realista é a de representar o ser humano falido e arruinado, sendo que no 
primeiro trecho Rubião já prevê sua queda, quando no Naturalismo as personagens se controlam mais. 
c) no Realismo é retratada a classe social da burguesia, uma vez que Rubião já se mostra como rico; o 
Naturalismo, por sua vez, representa os marginalizados na periferia, como os trabalhadores do trecho. 
d) Quincas Borba se mostra altruísta no primeiro trecho, ocasião a partir da qual se lisonjeia Rubião, 
quando as personagens naturalistas são descritas de maneira torpe e degradante. 
e) o Realismo critica as teorias do fim do século XIX, tanto é que no primeiro trecho aparece a filosofia da 
Humanitas, à medida que no segundo trecho expressa-se a sentimentalidade exacerbada do casal. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 99 
_____________________________________________________________________________________ 
 
47. (Estratégia Vestibulares 2021 – 8o Simulado FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) 
 
– D. Fernanda, creio que se amaram. Que admira? Eu mal a conheço; a senhora parece que não 
a conhece há muito tempo nem viveu na intimidade dela. Pode ser que se tivessem amado, e que 
alguma paixão violenta... Suponhamos que ela o mandasse pôr fora de casa... verdade que tem a mania 
das grandezas; mas tudo se pode juntar... 
D. Fernanda não olhava para ele, vexada de lhe ouvir aquela suposição; evitava discuti-la pelo 
melindre do assunto. Achava a suspeita sem fundamento, absurda, inverossímil; não chegaria a crer 
naquele amor espúrio, ainda que o ouvisse ao próprio Rubião. Um desvairado, em suma. Quando o não 
fosse, é ainda provável que lhe não desse fé. Sim, não lhe daria fé. Não podia crer que Sofia houvesse 
amado aquele homem, não por ele, mas por ela, tão correta e pura. Era impossível. Quis defendê-la; 
mas, apesar da intimidade do Dr. Falcão, recuou segunda vez do assunto, e repetiu a pergunta de há 
pouco. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. Fonte: Domínio Público. 
Disponível em: https://tinyurl.com/c68xc7ds. Acesso em: 1o de outubro de 2021. 
 
Por causa da filosofia ficcional de Humanitas, que aparece tanto em "Memórias póstumas de Brás 
Cubas" e em "Quincas Borba", o incômodo acima descrito da personagem Fernanda se justifica pelo(a): 
a) aproximação que tem de Sofia, não acreditando que ela poderia ter cometido adultério. 
b) pressentimento de que Sofia também pudesse se aproveitar de seu marido Camacho. 
c) fato de que Sofia, uma outra mulher, tenha se adaptado melhor às relações sociais do que ela. 
d) validação que precisa sentir perante Sofia, já que esta estava grávida e ela em si nunca fora mãe. 
e) sensação de que Dr. Falcão estivesse se aproveitando de Sofia, motivado pelo arrivismo. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
48. (Estratégia Vestibulares 2022 – 2o Simulado FUVEST 2023 – Professora Luana Signorelli) A filosofia 
da Humanitas é uma crítica às teorias do fim do século XIX. Entre as personagens do romance 
machadiano "Quincas Borba", de Machado de Assis, reconheça a que NÃO se relaciona a uma dessas 
doutrinas. 
a) Camacho é um político que se destaca pelo seu discurso engenhoso e representa o Evolucionismo. 
b) Maria Benedita é uma moça caipira que se submete ao marido e, portanto, revela Determinismo. 
c) Dr. Falcão estipulou a teoria cientificista de que Dona Fernanda queria assumir um papel materno. 
d) Rubião indica o Positivismo como fonte desmesurada de riqueza rumo ao progresso. 
e) Cristiano aplica um golpe em Rubião, acabando com sua herança, o que atesta o Darwinismo. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
49. (Estratégia Vestibulares 2022 – 3o Simulado FUVEST 2023 – Professora Luana Signorelli) Leia o trecho 
abaixo. 
 
Sofia estava só, no quarto de vestir, calçando os sapatos, quando a criada lhe entregou o pacote. 
Era o terceiro presente do dia; a criada esperou que ela o abrisse para ver também o que era. Sofia ficou 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 100 
deslumbrada, quando abriu a caixa e deu com a rica jóia, - uma bela pedra, no centro de um colar. 
Esperava alguma cousa bonita; mas, depois dos últimos sucessos, mal podia crer que ele fosse tão 
generoso. Batia-lhe o coração. 
-O portador está aí? 
-Já foi. Que bonito, minha ama! 
Sofia fechou a caixa, e acabou de calçar-se. Deteve-se algum tempo, sentada, sozinha, 
recordando cousas idas, e levantou-se pensando 
"Aquele homem adora-me". 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. Fonte: Domínio Público. Disponível em: 
https://tinyurl.com/2p8m4c6s. Acesso em: 05 abril 2022. 
 
No que diz respeito ao comportamento das personagens do romance realista, depreende-se que 
a) é revelado um estigma social escravagista a partir do melindre da criada. 
b) Sofia está acostumada com os luxos que recebe dos mais variados homens. 
c) Rubiãoarruinara-se porque não media esforços para agradar a sua amante. 
d) o responsável por lhe dar a joia foi o próprio marido, em comemoração pela gravidez. 
e) Sofia estava sendo mimada pelo amante Carlos Maria, o qual tentava chamar sua atenção. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
50. (UEA/2017/Conhecimentos Gerais) Leia o trecho de Quincas Borba, de Machado de Assis, para 
responder às próximas 2 questões. 
 
E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição 
universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas 
e polcas1,soluços e sarabandas2,acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-
se o equilíbrio da vida. 
(Quincas Borba, 1992.) 
1 polca: tipo de dança. 
2 sarabanda: tipo de dança. 
 
O vocativo “meu rico senhor” evidencia um procedimento recorrente na prosa de Machado de 
Assis, que diz respeito ao modo como o narrador 
a) expõe sua intimidade de forma sincera e espontânea, configurando uma narrativa subjetiva. 
b) zomba com sarcasmo de si próprio, pois reconhece que não é rico: passa por dificuldades. 
c) conversa diretamente com o leitor, incluindo-o como seu interlocutor na narrativa. 
d) ironiza a fragilidade da condição do protagonista, que ainda não se equilibrou na vida. 
e) expressa seu pessimismo, já que a riqueza de seu interlocutor não existe sem a pobreza. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
51. (Estratégia Vestibulares 2021 – SPRINT FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) Em comparação 
a outros romances machadianos, Quincas Borba se diferencia porque 
a) é o marco pioneiro na modalidade memorialística, pois Brás Cubas agora deixa de ser o narrador-
defunto para compor suas próprias reminiscências. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 101 
b) Machado de Assis enquanto autor se aventura no gênero prosaico, algo que antes não fazia, em se 
considerando sua carreira como poeta e dramaturgo. 
c) se distancia pela primeira vez do idealismo das gerações românticas, mostrando como que Machado 
de Assis tinha asco quanto à fuga da realidade, preferindo encará-la. 
d) abandona o cinismo de personagens como Brás Cubas, o qual, mesmo estando presente neste 
romance, não influencia o protagonista Rubião. 
e) em comparação com o romance pioneiro na estética realista brasileira, utiliza um ponto de vista 
diferente, o que abre certas margens ao narrador, conferindo-lhe liberdade. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
52. (Estratégia Vestibulares 2021 – SPRINT FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) Leia o trecho 
abaixo para responder à questão. 
 
"Proprietário e estabelecido por sua conta, o rapaz atirou-se à labutação ainda com mais ardor, 
possuindo-se de tal delírio de enriquecer, que afrontava resignado as mais duras privações. Dormia 
sobre o balcão da própria venda, em cima de uma esteira, fazendo travesseiro de um saco de estopa 
cheio de palha. A comida arranjava-lhe, mediante quatrocentos réis por dia, uma quitandeira sua 
vizinha, a Bertoleza, crioula trintona, escrava de um velho cego residente em Juiz de Fora e amigada 
com um português que tinha uma carroça de mão e fazia fretes na cidade." 
AZEVEDO, Aluísio de. O cortiço. Fonte: Domínio Público. 
Disponível em: https://tinyurl.com/y7y4z99s. Acesso em: 20 set. 2021. 
 
Esse personagem do romance naturalista "O cortiço" revela seu comportamento assaz ambicioso. 
Quanto a João Romão, Rubião constitui um contraponto no sentido de 
a) não encarar o enriquecimento como projeto, tendo apenas aproveitado a oportunidade. 
b) vir de família extremamente pobre, a quem pôde ajudar depois de ter ganhado a herança. 
c) ter brigado com Brás Cubas, o que fez se aproximar de Quincas Borba e conquistar sua confiança. 
d) ter contornado o fato de Quincas Borba não ter se casado com a irmã para extrair sua herança à força. 
e) fazer do casamento uma ponte para a ascensão social, embora o começo com Sofia tenha sido difícil. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
53. (Estratégia Vestibulares 2021 – SPRINT FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) Acerca dos 
comentários críticos abaixo expostos, assinale o que se relaciona ao romance "Quincas Borba" de 
Machado de Assis. 
a) "Em ambos sobressaem as lavadeiras e sua faina, inclusive com uma briga homérica entre duas delas. 
Em ambos um regabofe triunfal serve de ocasião para um encontro de futuros amantes, cujas 
consequências serão decisivas. Em ambos há um policial solene, morador do cortiço, onde é uma espécie 
de inofensiva caricatura da lei, embora os destinos respectivos sejam muito diferentes." 
b) "O hiato de uma dezena de nãos não resultaria apenas da meticulosidade com que Machado elaborava 
os textos, mas também da circunstância de o romance se prestar menos à expansão de seu talento. A 
tendência par a meia-voz, os meios-tons, a concentração dramática, não se coaduna com o alongamento 
do romance; de onde a pena escorregar, deter-se em excessos" 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 102 
c) "De qualquer modo, esse atributo fúnebre é considerado de modo grave pelo narrador que o sustenta 
como verdadeiro durante toda a narrativa e o utilizada para justificar suas atitudes e juízos moralmente 
questionáveis. É essa qualidade de finado, crível ou não, que lhe permite subverter a convenção e as 
próprias categorias que fundamentam a verossimilhança do leitor." Carolina Rangel Silva, da própria USP 
d) "Sua saída da aldeia, na verdade, tem um objetivo: tornar-se um Napurama – espécie de guerreiro 
tribal vestido de penas, que luta contra a injustiça. Mas para isso, precisa lidar com o fantasma da 
lembrança paterna, com a culpa de ter abandonado a mãe que se diz grávida há anos e a ausência do 
irmão, Junhito, desaparecido após ter sido condenado a viver em meio às galinhas." 
e) "Não seria por medo ao trabalho que Machado recusava a incumbência, ele que lutara para reaver o 
seu lugar de diretor, e não media esforços para levar avante a Academia. Mas a sua república era a das 
Letras, só ela, e a sua missão unicamente a de escritor". 
_____________________________________________________________________________________ 
 
54. (Estratégia Vestibulares 2021 – SPRINT FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) 
 
"O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou 
das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e 
não queria línguas estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter 
criados brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço 
da província, nem o pôde deixar na cozinha, onde reinava um francês, foi degradado a outros serviços." 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. Fonte: Domínio Público. 
Disponível em: https://tinyurl.com/c68xc7ds. Acesso em: 20 set. 2021. 
 
A comparação é um recurso expressivo que se estabelece confronto entre dois termos a partir do que 
eles têm de semelhante. No caso, a expressão sublinhada ressalta um caráter de Rubião, que é o de: 
a) valorizar pelo memorialismo seu município natal de Barbacena. 
b) rebaixar o criado a ponto de considerado um elemento zoomorfizado. 
c) apresentar laivos de superioridade para com seu criado. 
d) lembrar-se de suas origens, respeitando-as e mantendo-as. 
e) tentar esquecer a frustração com Sofia descontando-a no criado. 
_____________________________________________________________________________________55. (Estratégia Vestibulares 2021 – SPRINT FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) 
 
"A troca dos nomes pô-los ainda mais a gosto. Sofia não interveio, porém, na conversa; afrouxou 
a rédea aos olhos, que se deixaram ir ao sabor de si mesmos. Rubião falava, risonho, e ouvia atento as 
palavras do Palha, agradecido da amizade com que o tratava um moco que ele nunca tinha visto. 
Chegou a dizer-lhe que bem podiam ir juntos à Europa." 
1. ASSIS, Machado de. Quincas Borba. Fonte: Domínio Público. 
2. Disponível em: https://tinyurl.com/c68xc7ds. Acesso em: 20 set. 2021. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 103 
Logo quando sabem que Rubião é um novo rico, o casal Palha começa a tratá-lo bem e recebê-lo cheio 
de sorrisos, além de sugerirem propostas como a da viagem, ainda que se conheçam pouco. Nesse 
sentido, o comportamento de Sofia lembra o de 
a) D. Ema, em "O Ateneu" de Raul Pompeia, já que Sérgio comete com ela adultério contra o marido, o 
diretor Aristarco. 
b) Ruth Benedict, de "Nove noites" de Bernardo Carvalho, orientadora de Buell Quain com quem ele teve 
um caso. 
c) Capitu, em "Dom Casmurro", ao explorar financeiramente o marido, olhando-o com tanta cobiça que 
ganha a alcunha de "olhos de ressaca". 
d) Marina, em "Angústia" de Graciliano Ramos, pois se aproveitava de seus presentes para alimentar sua 
vaidade. 
e) Carolinda, em "Terra sonâmbula" de Mia Couto, já que a esposa do Governador é uma mulher pomposa 
voltada para o luxo. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
56. (Estratégia Vestibulares 2021 – SPRINT FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) 
 
Ilustração da capa de autoria de Kairo Romero. Fonte: Arquivo Pessoal. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ateliê Editorial, 2016 (Coleção clássicos Ateliê). 
 
A capa de livro acima é uma referência a um episódio neste romance machadiano, a ver: 
a) o encontro mítico entre Rubião e Quincas Borba, o cão, em uma igreja mineira ao fim do romance. 
b) a perda de crença por parte de Rubião, o protagonista, depois de perder a fortuna e enlouquecer. 
c) a transmigração das almas operada entre dono e cão, como forma de transcendência espiritual. 
d) a carta que Quincas Borba escreve pouco antes de morrer se equiparando a Santo Agostinho. 
e) o messianismo nacionalista que encarna a figura de Quincas Borba, continuador dos filósofos. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
57. (Estratégia Vestibulares 2021 – SPRINT FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) Leve em 
consideração o trecho abaixo. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 104 
Havia cinco anos que D. Felicidade o amava. Em casa de Jorge riam-se um pouco com aquela 
chama. (...) A pessoa do Conselheiro viera de repente, um dia, pegar fogo àqueles desejos, sobrepostos 
como combustíveis antigos. Acácio tornara-se a sua mania: admirava a sua figura e a sua gravidade, 
arregalava grandes olhos para a sua eloquência, achava-o numa "linda posição". O Conselheiro era a 
sua ambição e o seu vício! Havia sobretudo nele uma beleza, cuja contemplação demorada a estonteava 
como um vinho forte: era a calva. Sempre tivera o gosto perverso de certas mulheres pela calva dos 
homens, e aquele apetite insatisfeito inflamara-se com a idade. 
QUEIRÓS, Eça de. O primo Basílio. Fonte: Domínio Público. 
Disponível em: https://tinyurl.com/4e2sbsp7. Acesso em: 20 set. 2021. 
 
O Realismo enquanto escola literária foi conhecido por evidenciar o psicologismo de personagens 
esféricas. Acima, o desejo de D. Felicidade é evidenciado, como forma de dar vazão a um sentimento 
que tendeu a ser reprimido por uma sociedade conservadora. A diferença de sua entrega à vida sexual 
dela se opõe ao comedimento de: 
a) Ondina em relação ao Comandante Sem Medo. 
b) Maria Benedita em relação a Carlos Maria. 
c) Marília em relação ao vaqueiro Dirceu. 
d) Virgília em relação a Brás Cubas. 
e) Marina em relação a Julião Tavares. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
58. (Estratégia Vestibulares 2021 – SPRINT FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) 
 
TEXTO I 
CANTIGA DE VIÚVO 
 
A noite caiu na minh'alma, 
fiquei triste sem querer. 
Uma sombra veio vindo, 
veio vindo, me abraçou. 
Era a sombra de meu bem 
que morreu há tanto tempo. 
 
Me abraçou com tanto amor 
me apertou com tanto fogo 
me beijou, me consolou. 
 
Depois riu devagarinho, 
me disse adeus com a cabeça 
e saiu. Fechou a porta. 
Ouvi seus passos na escada. 
Depois mais nada... 
acabou. 
ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013 (p. 32). 
 
TEXTO II 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 105 
Rubião tinha os olhos desvairados. Não disse nem fez nada. Levantou-se para sair, não saiu. 
Depois de alguns instantes de silêncio e inquietação, continuou sem raiva 
- Não é segredo para a senhora que lhe quero bem. A senhora sabe disto, e não me despede, 
nem me aceita, anima-me com os seus bonitos modos. Não me esqueci ainda de Santa Teresa, nem da 
nossa viagem no trem de ferro, quando vínhamos os dous com seu marido no meio. Lembra-se? Foi a 
minha desgraça aquela viagem; desde aquele dia a senhora me prendeu. A senhora é má tem gênio de 
cobra; que mal lhe fiz eu? Vá que não goste de mim; mas, podia desenganar-me logo... 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. Fonte: Domínio Público. 
Disponível em: https://tinyurl.com/c68xc7ds. Acesso em: 20 set. 2021. 
 
A situação amorosa do eu lírico no primeiro poema é diversa da do personagem no trecho romanesco 
em sequência, posto que 
a) o eu lírico se lamenta pela partida inexorável do ente querido e o personagem xinga a amada. 
b) o eu lírico se regozija com a presença da namorada que retorna e o personagem está irado. 
c) o eu lírico pensa em se suicidar para ficar com a amada e o personagem está cobrando satisfação. 
d) o eu lírico se arrepende de não ter passado tempo com a amada e o personagem está apaixonado. 
e) o eu lírico se mostra em luto assombrado e o personagem se encoleriza diante da rejeição. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
59. (Estratégia Vestibulares 2021 – SPRINT FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) Em Quincas 
Borba, o personagem ______ tenta levar Rubião para a carreira política. Tem poderio e influência 
porque dirige o Jornal Atalaia. 
 
Preenchendo-se a lacuna corretamente, tem-se: 
a) Deputado Teófilo. 
b) Carlos Maria. 
c) Doutor Camacho. 
d) Cristiano Palha. 
e) Major Siqueira. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
60. (Estratégia Vestibulares 2021 – SPRINT FUVEST 2022 – Professora Luana Signorelli) O excerto abaixo 
serve de apoio à questão. 
 
"Rubião ouviu o grito, voltou-se, viu o que era. Era um carro que descia e uma criança de três ou 
quatro anos que atravessava a rua. Os cavalos vinham quase em cima dela, por mais que o cocheiro os 
sofreasse. Rubião atirou-se aos cavalos e arrancou o menino ao perigo. A mãe, quando o recebeu das 
mãos do Rubião, não podia falar; estava pálida, trêmula. Algumas pessoas puseram-se a altercar com o 
cocheiro, mas um homem calvo, que vinha dentro, ordenou-lhe que fosse andando. O cocheiro 
obedeceu. Assim, quando o pai, que estava no interior da colchoaria, veio fora, já o carro dobrava a 
esquina de São José." 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. Fonte: Domínio Público. 
Disponível em: https://tinyurl.com/c68xc7ds. Acesso em: 20 set. 2021. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 106 
O heroísmode Rubião na passagem vai de encontro com seu comportamento padrão ao longo da 
trajetória, haja vista 
a) sua pasmaceira desinteressada por crianças. 
b) seu pacato descaso com a vida alheia. 
c) sua comprometedora superioridade cínica. 
d) seu paternalismo levemente afetuoso. 
e) o deboche sarcástico contra a família. 
 
6.1. GABARITO 
 
 
 
 
1) D 
2) E 
3) C 
4) E 
5) X 
6) E 
7) A 
8) X 
9) X 
10) X 
11) D 
12) D 
13) B 
14) D 
15) A 
16) A 
17) D 
18) X 
19) C 
20) C 
21) B 
22) D 
23) D 
24) D 
25) D 
26) C 
27) E 
28) A 
29) C 
30) C 
31) A 
32) A 
33) A 
34) B 
35) E 
36) D 
37) A 
38) E 
39) D 
40) D 
41) E 
42) A 
43) D 
44) C 
45) B 
46) A 
47) A 
48) D 
49) B 
50) C 
51) E 
52) A 
53) B 
54) C 
55) D 
56) D 
57) B 
58) E 
59) C 
60) B 
 
 
7.0 QUESTÕES COM COMENTÁRIOS 
 
 
LISTA DE QUESTÕES ESPECÍFICAS DA BANCA COMENTADA 
 
01. (FUVEST/2022/1ª fase) LEIA OS SEGUINTES TEXTOS DE MACHADO DE ASSIS PARA RESPONDER ÀS 
PRÓXIMAS 3 QUESTÕES. 
 
I. 
 Suave mari magno* 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 107 
 
Lembra-me que, em certo dia, 
Na rua, ao sol de verão, 
Envenenado morria 
Um pobre cão. 
 
Arfava, espumava e ria, 
De um riso espúrio e bufão, 
Ventre e pernas sacudia 
Na convulsão. 
 
Nenhum, nenhum curioso 
Passava, sem se deter, 
Silencioso, 
 
Junto ao cão que ia morrer, 
Como se lhe desse gozo 
Ver padecer. 
 Machado de Assis. Ocidentais. 
*Expressão latina, retirada de Lucrécio (Da natureza das coisas), a qual aparece no seguinte trecho: Suave, mari 
magno, turbantibus aequora ventis/ E terra magnum alterius spectare laborem. (“É agradável, enquanto no mar 
revoltoso os ventos levantam as águas, observar da terra os grandes esforços de um outro.”). 
 
II. 
Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o 
chicote é ter-lhe o cabo na mão. 
Machado de Assis. Quincas Borba, cap. XVIII. 
 
III. 
Sofia soltou um grito de horror e acordou. Tinha ao pé do leito o marido: 
 – Que foi? perguntou ele. 
 – Ah! respirou Sofia. Gritei, não gritei? 
 (...) 
 – Sonhei que estavam matando você. 
 Palha ficou enternecido. Havê-la feito padecer por ele, ainda que em sonhos, encheu-o de 
piedade, mas de uma piedade gostosa, um sentimento particular, íntimo, profundo, – que o faria 
desejar outros pesadelos, para que o assassinassem aos olhos dela, e para que ela gritasse angustiada, 
convulsa, cheia de dor e de pavor. 
Machado de Assis. Quincas Borba, cap. CLXI. 
 
A visão do eu-lírico no texto I 
a) volta-se nostálgica para as imagens de uma lembrança. 
b) centra-se com desprezo na figura do animal agonizante. 
c) apreende displicentemente o movimento dos transeuntes. 
d) ganha distância da cena para captar todos os seus aspectos. 
e) apresenta o espectador da crueldade como um ser incomum. 
Comentários 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 108 
Questão de interpretação de texto literário; conhecimento de autores e obras do cânone; 
conhecimento de movimentos literários; semântica e literatura comparada. 
Alternativa A: incorreta. Nostalgia é sinônimo de saudosismo e não é saudade o que sente o eu 
lírico. 
Alternativa B: incorreta. O animal precisa ser necessariamente o cão, já que é estabelecido um 
vínculo com o romance “Quincas Borba”. Ironiza-se o fato de que logo o cão, amigo fiel, é desprezado 
pelo ser humano. O poema tampouco se centra exclusivamente no cão, a sua crítica social vai além. 
Alternativa C: incorreta. Displicência significa falta de cuidado. Pelo contrário, o eu lírico revela-se 
meticuloso, atencioso. 
Alternativa D: correta – gabarito. O sentido central desse poema se observa em seu título. O 
latinismo expressa a condição privilegiada de alguém que só assiste sem interferir nem sofrer ou se deixar 
influenciar. Como o narrador machadiano é onisciente, também o eu lírico no poema observa o que narra 
a partir de um distanciamento, que o coloca numa situação de estranhamento com o que está sendo 
observado. Trata-se da objetividade realista. “Ocidentais” (1880) é um livro de poesia machadiana, mas 
já é uma obra de transição, produzida às vésperas da introdução do Realismo no Brasil. 
Alternativa E: incorreta. O espectador da cena é o próprio eu lírico, mas ele não se coloca como 
central no poema. Não é incomum; é um observador aguçado da realidade, como é típico no Realismo. 
Gabarito: D. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
 
02. (FUVEST/2022/1ª fase) A analogia consiste em um recurso de expressão comumente utilizado para 
ilustrar um raciocínio por meio da semelhança que se observa entre dois fatos ou ideias. No texto II, a 
analogia construída a partir da imagem do chicote pretende sugerir que 
a) o instrumento do castigo nem sempre cai em mãos justas. 
b) o apreço aos objetos independe do uso que se faz deles. 
c) o cabo é metáfora de mérito, e a ponta, metáfora de culpa. 
d) o mais fraco, por ser compassivo, é incapaz de desfrutar do poder. 
e) o prazer verdadeiro se experimenta no lado dos dominantes. 
Comentários 
Questão de interpretação de texto literário/verificação de leitura. 
Alternativa A: incorreta. Não é a justiça que está sendo questionada no trecho. 
Alternativa B: incorreta. A depender da pessoa que faz uso de tal instrumento (seja ele concreto, 
como um chicote, ou abstrato, como um ponto de vista), o fato é que a ferramenta passa a ser mais 
apreciada, apenas porque se tem controle dela. 
Alternativa C: incorreta. Mérito e culpa são juízos de valor que não são explorados na passagem. 
A crítica se volta para as pessoas e o que elas fazem quando estão no controle e no domínio de algo. Ter 
o chicote em mãos é metáfora de poder. 
Alternativa D: incorreta. Pela certeza que demonstra o narrador, é bem provável que qualquer um, 
tendo o poder, seria capaz de desfrutá-lo. O fraco só tem menos chances por limitação, como pregaria a 
filosofia da Humanitas, que defende a ordem da hierarquia social (só os mais fortes sobrevivem). 
Alternativa E: correta – gabarito. É mais fácil apreciar o instrumento e até mesmo sua 
consequência (mesmo se ela for ruim, como o castigo vindo do chicote), só porque se é dono do chicote. 
A crítica contra o abuso do poder também se expressa no capítulo 11 do romance “Memórias póstumas 
de Brás Cubas” (1881) em que Brás Cubas, ainda criança, sobe nas costas do escravo Prudêncio para 
brincar com ele de cavalo, atestando o poder de sua classe social, que é a burguesia. 
Gabarito: E. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 109 
_____________________________________________________________________________________ 
 
03. (FUVEST/2022/1ª fase) No texto III, ao analisar a interioridade de Palha, o narrador descobre, no 
pensamento oculto do negociante, 
a) a ternura que lhe inspira a mulher, capaz de toda abnegação. 
b) a piedade que lhe causa a mulher, a quem só guarda desprezo. 
c) a vaidade que beira o sadismo, ao ver a mulher sofrer por ele. 
d) o gozo vingativo, visto que a mulher o trai com Carlos Maria. 
e) o remorso do infiel, pois ele trai a mulher com Maria Benedita. 
Comentários 
Questão de interpretação de texto literário/verificação de leitura. 
Alternativa A: incorreta. Sofia não é uma mulher abnegada. Em seu casamento, não se observa sua 
entrega ao marido Palha. Pelo contrário, ela flerta com outros homens, como Carlos Maria, e aceita 
presentes de Rubião, pois gosta de ser paparicada. 
Alternativa B: incorreta. Cristiano Palha não se revela piedoso; é o contrário: deseja que a mulher 
Sofia tenha mais pesadelos, pois gosta de vê-la sofrer. 
Alternativa C: correta – gabarito. Sadismo é o comportamento de demonstrarprazer em observar 
o sofrimento alheio. Ao confessar que teve um pesadelo, Sofia acorda gritando e seu marido, Cristiano 
Palha, gosta do que vê. Vai além e deseja que ela tenha mais sonhos como aquele, para que ele possa 
usufruir do seu padecimento. O sadismo é um tema que já foi explorado em outra obra machadiana, como 
é o caso da personagem Garcia no conto "A causa secreta". 
Alternativa D: incorreta. Não é comprovada esta traição. Sofia dança com Carlos Maria, flerta com 
ele e troca bilhetes, mas o resto é apenas uma sugestão. Trata-se de uma das conhecidas ambiguidades 
machadianas. 
Alternativa E: incorreta. Cristiano Palha não trai Sofia. Maria Benedita, a prima caipira de Sofia, 
acaba se casando com Carlos Maria. 
Gabarito: C. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
04. (FUVEST/2021/1ª fase) 
 
Rubião fitava a enseada, - eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos 
no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele 
pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra cousa. Cortejava o passado 
com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas 
(umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a 
enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma 
sensação de propriedade. 
- Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Semana Piedade tem casado com 
Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está 
tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça.. 
Machado de Assis, Quincas Borba. 
 
O primeiro capítulo de Quincas Borba já apresenta ao leitor um elemento que será fundamental na 
construção do romance: 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 110 
a) a contemplação das paisagens naturais, como se lê em "ele admirava aquele pedaço de água quieta". 
b) a presença de um narrador-personagem, como se lê em "em verdade vos digo que pensava em outra 
coisa". 
c) a sobriedade do protagonista ao avaliar o seu percurso, como se lê em "Cotejava o passado com o 
presente". 
d) o sentido místico e fatalista que rege os destinos, como se lê em "Deus escreve direito por linhas 
tortas". 
e) a reversibilidade entre o cômico e o trágico, como se lê em "de modo que o que parecia uma 
desgraça...". 
 
 
Comentários 
 Alternativa A: incorreta. Para o Realismo, enquanto movimento literário, a contemplação da 
natureza não era uma temática importante. Isso porque no Realismo a classe social representada foi a 
burguesia, frequentemente situada já no cenário urbano. A contemplação de paisagens naturais será 
importante para o Arcadismo e a primeira geração romântica na lírica, por exemplo. 
Tudo bem que o trecho começa com Rubião olhando a enseada: pequena baía, capaz de abrigar 
porto ou ancoradouro; angra; entrada de campo alagadiço; margens sombrias de rios ou córregos; campo 
entre dois igarapés, fechado por mato em todos os lados menos um (dicionário Aulete). Rubião também 
contempla outros elementos naturais, como o céu. Mas não é só isso: pois olhava para as coisas como se 
apropriasse delas. Ou seja, sente-se dono até mesmo da natureza, isso por causa de sua condição de rico. 
Alternativa B: incorreta. Quincas Borba (1891) é um romance com narrador em 3ª pessoa do 
singular. Exemplos de outros romances machadianos em que esse narrador-personagem é utilizado são: 
Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e Dom Casmurro (1899). 
Alternativa C: incorreta. Não é de todo "sobriedade", até porque ao final da narrativa Rubião 
enlouquece. Como o início do romance, ou seja, esse capítulo inicial, parte do ponto no meio da narrativa, 
em que Rubião lembra seu passado, ele já se encontra em processo de declínio rumo à ruína. 
 Alternativa D: incorreta. O Realismo é um movimento literário do fim do século XIX voltado para a 
verossimilhança, isto é, representação da realidade tal qual ela é. Portanto, o sentido não é místico. 
Alternativa E: correta - gabarito. A dica central é se atentar ao comando da questão, que pede o 
vínculo entre essa passagem já no primeiro capítulo com a construção do romance. Ou seja, a alternativa 
correta deveria contemplar elementos que se mantêm do início ao fim do livro. 
Nesse trecho, observa-se como Rubião relembra seu percurso: de pacato professor no município 
de Barbacena, torna-se um novo rico na corte do Rio de Janeiro. Isso porque seu amigo e filósofo Quincas 
Borba morre, tornando-o herdeiro universal. Nesse trecho, Rubião reflete exatamente em como foi 
importante, para ele próprio receber essa herança, que Quincas Borba não deixasse outros herdeiros. 
Várias possibilidades poderiam ter ocorrido, por exemplo, a irmã de Rubião, Piedade, ter-se casado com 
Quincas Borba. Porém, nenhum dos dois sobrevive: primeiro Piedade falece e depois Quincas Borba em 
seguida. 
Assim, comprova-se uma das ideias centrais no livro: a teoria da Humanitas. Ela defende que só 
os mais fortes sobrevivem e na lógica de hierarquia social Rubião foi privilegiado, mesmo que para isso 
tenha dependido das desgraças alheias. É o que faz de Humanitas uma teoria fria e cruel, a qual tenta 
justificar as relações de competição. 
Agora chamo atenção para o último capítulo do livro, o de número CCI. Nele, nem mesmo Quincas 
Borba, o cão, sobrevive, falecendo 3 dias depois do dono Rubião. Algo aqui soa como se fosse bíblico: “ao 
fim do terceiro dia, ressuscitou”, embora aqui no caso seja morreu. Essa circularidade bíblica retoma o 
primeiro capítulo. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 111 
E aqui acontece a tragicomédia do livro: a facilidade de converter um no outro. Pois, aquilo que 
parece tragédia, pode se transmigrar em comédia. Segue um trecho do último capítulo que ilustra 
justamente essa reversibilidade. O narrador irônico diz assim para o leitor: "Eia! chora os dous recentes 
mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso ri-te! É a mesma cousa." 
Gabarito: E. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
05. (FUVEST/2021/2ª fase) Leia o texto para responder à questão. 
 
Nessa mesma noite, leu-lhe o artigo em que advertia o partido da conveniência de não ceder às 
perfídias do poder, apoiando em algumas províncias certa gente corrupta e sem valor. Eis aqui a 
conclusão: 
"Os partidos devem ser unidos e disciplinados. Há quem pretenda (mirabile dictu!*) que essa 
disciplina e união não podem ir ao ponto de rejeitar os benefícios que caem das mãos dos adversários. 
Risum teneatis!** Quem pode proferir tal blasfêmia sem que lhe tremam as carnes? Mas suponhamos 
que assim seja, que a oposição possa, uma ou outra vez, fechar os olhos aos desmandos do governo, à 
postergação das leis, aos excessos da autoridade, à perversidade e aos sofismas. Quid inde?*** Tais 
casos,-aliás raros,-só podiam ser admitidos quando favorecessem os elementos bons, não os maus. 
Cada partido tem os seus díscolos e sicofantas. É interesse dos nossos adversários ver-nos afrouxar, a 
troco da animação dada à parte corrupta do partido. Esta é a verdade; negá-lo é provocar-nos à guerra 
intestina, isto é, à dilaceração da alma nacional... Mas, não, as ideias não morrem; elas são o lábaro da 
justiça. Os vendilhões serão expulsos do templo; ficarão os crentes e os puros, os que põem acima dos 
interesses mesquinhos, locais e passageiros a vit6ria indefectível dos princípios. Tudo que não for isto 
ter-nos-á contra si. Alea jacta est.**** 
(...) 
Rubião aplaudiu o artigo; achava-o excelente. Talvez pouco enérgico. Vendilhões, por exemplo, 
era bem dito; mas ficava melhor vis vendilhões. 
- Vis vendilhões? Há só um inconveniente,ponderou Camacho. É a repetição dos vv. Vis ven... 
Vis vendilhões; não sente que o som fica desagradável? 
- Mas lá em cima há vés vis... 
- Vae victis. Mas é uma frase latina. Podemos arranjar outra cousa; vis mercadores. 
- Vis mercadores é bom. 
- Contudo, mercadores não tem a força de vendilhões. 
- Então, por que não deixa vendilhões? Vis vendilhões é forte; ninguém repara no som. 
Olhe, eu nunca dou por isso. Gosto de energia. Vis vendilhões. 
*"Coisa admirável de dizer." *"Contereis o riso." ***"O que então?" ****"A sorte está lançada". 
Machado de Assis, Quincas Borba. 
 
a) Segundo Camacho, os partidos possuem entre os seus membros “díscolos e sicofantas”, isto é, 
dissidentes e caluniadores. De que modo a retórica do político constitui um artifício para persuadir o seu 
ouvinte quanto aos erros de alguns correligionários? 
b) A expressão latina Vae vactis! (“Ai dos vencidos!”) lembra ao leitor a máxima da filosofia que Quincas 
Borba apresenta a Rubião no início do romance. Como essas duas frases se contrapõem na trajetória da 
protagonista? 
Comentários/Gabarito 
a) Retórica vem da Antiguidade Clássica. Trata-se da arte do bem falar e argumentar. O principal retor era 
Cícero. Correligionário é membro do mesmo partido, ou adepto das mesmas crenças. Camacho é formado 
em Direito na Faculdade do Recife, em 1855. Naturalmente, usa muitos termos em latim como sendo 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 112 
parte de seu juridiquês. Obscurecendo seu texto, torna o sentido mais ambíguo para seu ouvinte, que 
tende a concordá-lo com ele por não entendê-lo. Em sua argumentação, há termos como: “uma ou outra 
vez”, “aliás, raros” que amenizam a situação, atenuando seu sentido real. A partir do uso do pronome 
“cada”, ele afirma que ambos em seu partido quanto no da oposição há gente corrupta. Quando o 
adversário descobre isso, pode manipular os fatos, tentando enfraquecê-los. Mas, tomando-se 
consciência disso antes, podem se antecipar ante os adversários. 
b) Humanitas consiste na sua distorção do humanismo. A filosofia de Humanitas prescreve que a ordem 
do mundo favorece a hierarquia. Pode ser considerada como uma crítica às principais teorias do fim do 
século XIX, como o evolucionismo (só o mais forte sobrevive); determinismo (o homem é o fruto do meio; 
positivismo (ordem e progresso etc.). Quincas Borba diz que saúde e moléstia são lados da mesma moeda 
para justificar sua teoria, pois uma sem outra não se sustenta. Para haver uma classe privilegiada, é 
preciso que uma outra seja menos abastada. Com o lema “Ao vencedor, as batatas!”, o espólio de guerra 
é um presente que favorece a tribo vencedora, que não morreria de fome. A outra, ficaria à mercê das 
circunstâncias, destinada à própria sorte: “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.” A 
interjeição “ai” indica lamento ou dó, compadecimento ou compaixão, sentimentos possíveis, pois no 
lema da Humanitas existe a conjunção alternativa: “ou”. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
06. (FUVEST/2020/1ª fase) TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES 
 
E Sofia? interroga impaciente a leitora, tal qual Orgon: Et Tartufe? Ai, amiga minha, a resposta é 
naturalmente a mesma, – também ela comia bem, dormia largo e fofo, – coisas que, aliás, não impedem 
que uma pessoa ame, quando quer amar. Se esta última reflexão é o motivo secreto da vossa pergunta, 
deixai que vos diga que sois muito indiscreta, e que eu não me quero senão com dissimulados. 
Repito, comia bem, dormia largo e fofo. Chegara ao fim da comissão das Alagoas, com elogios 
da imprensa; a Atalaia chamou‐lhe “o anjo da consolação”. E não se pense que este nome a alegrou, 
posto que a lisonjeasse; ao contrário, resumindo em Sofia toda a ação da caridade, podia mortificar as 
novas amigas, e fazer‐lhe perder em um dia o trabalho de longos meses. Assim se explica o artigo que 
a mesma folha trouxe no número seguinte, nomeando, particularizando e glorificando as outras 
comissárias – “estrelas de primeira grandeza”. 
Machado de Assis, Quincas Borba. 
 
No excerto, o autor recorre à intertextualidade, dialogando com a comédia de Molière, Tartufo (1664), 
cuja personagem central é um impostor da fé. Tal é a fama da peça que o nome próprio se incorporou 
ao vocabulário, inclusive em português, como substantivo comum, para designar o “indivíduo 
hipócrita” ou o “falso devoto”. No contexto maior do romance, sugere‐se que a tartufice 
a) se cola à imagem da leitora, indiscreta quanto aos amores alheios. 
b) é ação isolada de Sofia, arrivista social e benemérita fingida. 
c) diz respeito ao filósofo Quincas Borba, o que explica o título do livro. 
d) se produz na imprensa, apesar de esta se esquivar da eloquência vazia. 
e) se estende à sociedade, na qual o cinismo é o trunfo dos fortes. 
Comentários 
Alternativa A: incorreta. A partir do trecho “Se esta última reflexão é o motivo secreto da vossa 
pergunta, deixai que vos diga que sois muito indiscreta, e que eu não me quero senão com dissimulados” 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 113 
(grifo meu), podemos verificar uma relação sintática de condição. Não que as leitoras fossem 
necessariamente indiscretas. 
Alternativa B: incorreta. Cuidado: a afirmação é correta, pois diz respeito ao comportamento 
oportunista de Sofia; porém, não se trata de uma atitude isolada dela, mas de vários personagens no 
romance, como seu próprio marido, Cristiano Palha, o típico arrivista (vimos isso na nossa revisão!). 
Outra benemérita – não sabemos se exatamente fingida ou não, Machado de Assis deixa ambíguo, 
não deixa claro – é Dona Fernanda, constantemente benévola com Rubião, por exemplo, mas cuja 
benevolência é malvista pelo alienista Doutor Falcão acha que ela está interessada no Rubião. 
Alternativa C: incorreta. O trecho se dirige diretamente à personagem de Sofia. A essa altura do 
campeonato, o filósofo Quincas Borba já tinha morrido. Além disso, não é certeza se é o nome dele 
propriamente dito ou se é o de seu cachorro, cujo nome é homônimo, se dá nome ao livro. 
Alternativa D: incorreta. Pelo contrário, a imprensa não se esquiva da eloquência vazia, rende-se 
a ela, o que podemos verificar no trecho “o artigo que a mesma folha trouxe no número seguinte, 
nomeando, particularizando e glorificando as outras comissárias” (grifo meu). 
Alternativa E: correta – gabarito. O trecho se remete à Sofia e, a partir dela, da hipocrisia da 
sociedade no geral. 
Gabarito: E. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
07. (FUVEST/2020/1ª fase) Considerando o contexto, o trecho “E não se pense que este nome a alegrou, 
posto que a lisonjeasse” (L.10‐11) pode ser reescrito, sem prejuízo de sentido, da seguinte maneira: E 
não se pense que este nome a alegrou, 
a) apesar de lisonjeá‐la. 
b) antes a lisonjeou. 
c) porque a lisonjeava. 
d) a fim de lisonjeá‐la. 
e) tanto quanto a lisonjeava. 
Comentários 
Alternativa A: correta – gabarito. O sentido é adversativo, contraditório, ainda mais que na oração 
principal já há uma negativa: “não se pense que este nome a alegrou”. O sinônimo de “posto que” nesse 
caso seria “embora, apesar de”. 
Alternativa B: incorreta. O valor semântico não é temporal. 
Alternativa C: incorreta. Cuidado: analisando o conectivo isoladamente, “posto que” é sinônimo 
de “porque, haja vista”. Porém, no caso, seu valor semântico deveria ser analisado em relação ao 
contexto. 
Alternativa D: incorreta. O valor semântico não é final. 
Alternativa E: incorreta. O valor semântico não é comparativo. 
Gabarito: A. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
08. (FUVEST/2020/2ª fase) 
Texto 1 
Desde que a febre de possuir se apoderou dele totalmente, todosos seus atos, todos, fosse o 
mais simples, visavam um interesse pecuniário. Só tinha uma preocupação: aumentar os bens. Das suas 
hortas recolhia para si e para a companheira os piores legumes, aqueles que, por maus, ninguém 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 114 
compraria; as suas galinhas produziam muito e ele não comia um ovo, do que no entanto gostava 
imenso; vendia os todos e contentava se com os restos da comida dos trabalhadores. Aquilo já não era 
ambição, era uma moléstia nervosa, uma loucura, um desespero de acumular, de reduzir tudo a moeda. 
E seu tipo baixote, socado, de cabelos à escovinha, a barba sempre por fazer, ia e vinha da pedreira 
para a venda, da venda às hortas e ao capinzal, sempre em mangas de camisa, de tamancos, sem meias, 
olhando para todos os lados, com o seu eterno ar de cobiça, apoderando-se, com os olhos, de tudo 
aquilo de que ele não podia apoderar-se logo com as unhas. 
Aluísio Azevedo, O Cortiço. 
 
Texto 2 
(...) Rubião é sócio do marido de Sofia, em uma casa de importação, à Rua da Alfândega, sob a 
firma Palha & Cia. Era o negócio que este ia propor-lhe, naquela noite, em que achou o Dr. Camacho na 
casa de Botafogo. Apesar de fácil, Rubião recuou algum tempo. Pediam-lhe uns bons pares de contos 
de réis, não entendia de comércio, não lhe tinha inclinação. Demais, os gastos particulares eram já 
grandes; o capital precisava do regime do bom juro e alguma poupança, a ver se recobrava as cores e 
as carnes primitivas. O regime que lhe indicavam não era claro; Rubião não podia compreender os 
algarismos do Palha, cálculos de lucros, tabelas de preço, direitos da alfândega, nada; mas, a linguagem 
falada supria a escrita. Palha dizia coisas extraordinárias, aconselhava o amigo que aproveitasse a 
ocasião para pôr o dinheiro a caminho, multiplicá-lo. 
Machado de Assis, Quincas Borba. 
 
a) Como o contraste entre os trechos “já não era ambição, era uma moléstia nervosa, uma loucura, um 
desespero de acumular” e “não entendia de comércio, não lhe tinha inclinação”, respectivamente sobre 
as personagens João Romão e Rubião, reflete distintas linhas estéticas na prosa brasileira do fim do século 
XIX? 
b) A partir das diferentes esferas sociais e práticas econômicas referidas nos fragmentos, trace um breve 
paralelo entre as trajetórias dos protagonistas nos dois romances. 
Comentários/Gabarito 
a) O contraste entre os trechos relaciona-se a como os narradores comentam a causa do comportamento 
dos respectivos personagens. No caso de João Romão trata-se de uma moléstia, no caso de Rubião trata-
se de uma inclinação. Isso se explica pela aceitação ou não das teorias deterministas. Aluísio de Azevedo 
as aceita incondicionalmente, por isso considera que a forma de agir de João Romão é determinada pela 
raça e pelo seu tipo físico, trata-se de uma patologia. João Romão representa o desejo de lucro a qualquer 
custo, tentando lucrar no contexto histórico da abolição da escravidão no país. Já Machado de Assis não 
aceita tal explicação e vê traços de caráter como inclinações, basta lembrar que Machado é realista e não 
naturalista. Trata-se do cinismo e da hipocrisia social, denúncias que o realismo pretende revelar. 
b) Os dois personagens pertencem a classes sociais semelhantes: Rubião é professor e João Romão é 
trabalhador humilde. No texto, observa-se referência a duas práticas econômicas diferentes. João Romão 
acumula por expropriação e exploração direta; enquanto o sistema mencionado no fragmento de Quincas 
Bora refere-se ao capitalismo especulativo. Quanto à trajetória, João Romão se abdica de tudo, imigra de 
Portugal, e no final consegue uma honraria, uma distinção, que vão entregar na sua própria casa. O 
sucesso dele é recompensado. Ao passo que Rubião nunca teve grandes ambições. Trabalhava como 
pacato professor em Barbacena, quando se torna herdeiro universal (único) do filósofo Quincas Borba. 
Como ele era bobo e desentendido de negócios, uma série de oportunistas se aproxima dele, como o casal 
Palha, por exemplo. Cristiano Palha é inclusive responsável pela sua ruína, porque se torna administrador 
pessoal da fortuna de Rubião e se finge de amigo, escondendo os lucros verdadeiros da empresa e levando 
Rubião à loucura e à falência. 
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_____________________________________________________________________________________ 
 
09. (FUVEST/2016/2ª fase) 
No capítulo CXIX de Memórias póstumas de Brás Cubas, o narrador declara: “Quero deixar aqui, 
entre parêntesis, meia dúzia de máximas* das muitas que escrevi por esse tempo”. Nos itens a) e b) 
encontram-se reproduzidas essas duas máximas. Considerando-as no contexto da obra a que 
pertencem, respondam ao que se pede. 
*Máxima: fórmula breve que enuncia uma observação de valor geral; provérbio. 
 
a) “Matamos o tempo, o tempo nos enterra.” 
Pode-se relacionar essa máxima à maneira de viver do próprio Brás Cubas? Justifique corretamente. 
b) “Suporta-se com paciência a cólica do próximo”. 
A atitude diante do sofrimento alheio, expressa nessa máxima, pode ser associada a algum aspecto da 
filosofia do “Humanitismo”, formulada pela personagem Quincas Borba? Justifique a sua resposta. 
Comentários/Gabarito 
a) Sim, a vida ociosa de Brás Cubas, a displicência com que encarou cada etapa da sua carreira profissional 
e a superficialidade das relações afetivas com as pessoas de quem se aproximou revelam um percurso 
existencial sem valor ou qualidade. O balanço final da sua vida, exposto no capítulo “Das negativas”, 
apresenta um narrador que analisa o gênero humano com ceticismo e desprezo, confirmando 
melancolicamente a máxima “Matamos o tempo; o tempo nos enterra.” 
b) O "Humanitismo" do filósofo Quincas Borba defende a supremacia "do império da lei do mais forte, do 
mais rico e do mais esperto". Surge pela primeira vez, na prosa machadiana, para desnudar ironicamente 
as teorias do Positivismo de Auguste Comte, do Cientificismo do século XIX e do caráter desumano e 
antiético da teoria de Charles Darwin acerca da seleção natural da "lei do mais forte” se associada às 
ciências sociais. A frase “Suporta-se com paciência a cólica do próximo” é condizente com a filosofia do 
Humanitismo, já que privilegia tudo o que seja em benefício próprio e apregoa a total indiferença ao 
sofrimento dos outros. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
10. (FUVEST/1993/2ª fase) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
 
– OLÁ! ESTÃO APRECIANDO a lua? Realmente, está deliciosa; está uma noite para namorados... 
Sim, deliciosa... Há muito que não vejo uma noite assim... Olhem só para baixo, os bicos de gás... 
Deliciosa! para namorados... Os namorados gostam sempre da Lua. No meu tempo, em Icaraí... 
Era Siqueira, o terrível major. Rubião não sabia que dissesse; Sofia, passados os primeiros instantes, 
readquiriu a posse de si mesma; respondeu que, em verdade, a noite era linda; depois contou que 
Rubião teimava em dizer que as noites do Rio não podiam comparar-se às de Barbacena, e, a propósito 
disso, referia uma anedota de um Padre Mendes... Não era Mendes? 
– Mendes, sim, o Padre Mendes, murmurou Rubião. 
O major mal podia conter o assombro. Tinha visto as duas mãos presas, a cabeça do Rubião meio 
inclinada, o movimento rápido de ambos, quando ele entrou no jardim; e sai-lhe de tudo isto um Padre 
Mendes... Olhou para Sofia; viu-a risonha, tranqüila, impenetrável. Nenhum medo, nenhum 
acanhamento; falava com tal simplicidade, que o major pensou ter visto mal. Mas Rubião estragou 
tudo. Vexado, calado, não fez mais que tirar o relógio para ver as horas, levá-lo ao ouvido, como se lhe 
parecesse que não andava, depois limpá-lo com o lenço, devagar, devagar, sem olhar para um nem para 
outro... 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 116 
– Bem, conversem, vou ver as amigas, que não podem estar sós. 
Os homens já acabaram o maldito voltarete? 
– Já, respondeu o major olhando curiosamente para Sofia. Já, e até perguntaram por este 
senhor; por isso é que eu vim ver se o achava no jardim. Mas estavam aqui há muito tempo? 
– Agora mesmo, disse Sofia. 
Depois, batendo carinhosamente no ombro do major, passou do jardim à casa; não entrou pela 
porta da sala de visitas, mas por outra que dava para a de jantar; de maneira que, quando chegou 
àquela pelo interior, era como se acabasse de dar ordens para o chá. 
Rubião, voltando a si, ainda não achou que dizer, e contudo urgia dizer alguma cousa. Boa idéia era a 
anedota do Padre Mendes; o pior é que não havia padre nem anedota, e ele era incapaz de inventar 
nada. Pareceu-lhe bastante isto 
– O padre! o Mendes! Muito engraçado o Padre Mendes! 
– Conheci-o, disse o major sorrindo. O Padre Mendes? Conheci-o; morreu cônego. Esteve algum 
tempo em Minas? 
– Creio que esteve, murmurou o outro espantado. 
– Era filho aqui de Saquarema; era um que não tinha este olho continuou o major levando o 
dedo ao olho esquerdo. Conheci o muito, se é que é o mesmo; pode ser que seja outro. 
– Pode ser. 
– Morreu cônego. Era homem de bons costumes, mas amigo de ver moças bonitas, como se mira 
um painel de mestre; e que maior mestre que Deus? dizia ele. Esta D. Sofia, por exemplo, nunca ele a 
viu na rua que me não dissesse. Hoje vi aquela bonita senhora do Palha... Morreu cônego; era filho de 
Saquarema... E, na verdade tinha bom gosto...Realmente, a mulher do nosso Palha é um primor, bela 
de cara e de figura; eu ainda a acho mais bem feita que bonita... Que lhe parece? 
– Parece que sim... 
 – E boa pessoa, excelente dona de casa, continuou o major acendendo um charuto. 
 
a) “O major mal podia conter o assombro”. 
“... falava com tal simplicidade, que o major pensou ter visto mal”. 
Em cada frase, qual é o sentido da palavra “mal”? 
b) Sem alterar o sentido da segunda frase, completar: O major pensou ter visto mal, ... 
c) Qual foi o comportamento do Rubião em todo esse episódio? 
d) Ao descrever as características físicas do Mendes, o major faz referência a uma afirmação do padre 
sobre Sofia, para que em seguida concluir que ela era boa pessoa e excelente dona de casa. Qual a 
mensagem que ele pretendia passar a Rubião? 
e) Quem mencionou o padre Mendes? Com que objetivo? 
f) Por que o major mal podia conter o assombro? 
Comentários/Gabarito 
→ Cuidado: só nessa prova caíram 6 questões sobre Quincas Borba, sobre um mesmo trecho. Esse livro 
fazia parte do repertório de leituras obrigatórias do respectivo ano: FUVEST 1993. Como vimos na teoria, 
este foi o único ano que o romance de Quincas Borba foi anteriormente cobrado. Porém, o que nos resta 
dessa cobrança não é uma questão de múltipla escolha, mas sim subjetiva. 
a) Nos dois casos, “mal” é advérbio, é o oposto/antônimo de “bem”. 
b) O major pensou ter visto mal, já que falava com tanta simplicidade. 
c) Não conseguiu disfarçar, ficou vexado e calado a princípio, e tentou desastradamente algum 
comentário. Não refletiu direito na situação, sentiu-se deslocado, como um animal acuado, características 
gerais de sua personalidade ao longo de todo o livro. 
d) Que ele percebera a atração de Rubião por Sofia. Queria flagrá-los e constranger Rubião. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 117 
e) Sofia mencionou o padre para tornar mais “verídica”, “verossímil” a conversa com Rubião. Ou seja, para 
dissimular e disfarçar as verdadeiras ações que estavam acontecendo. 
f) Porque ele vira que a situação em que os dois encontravam contrastava com a história criada por Sofia. 
 
LISTA DE QUESTÕES COMPLEMENTARES COMENTADA 
 
11. (UNAERP/2021/Medicina) A filosofia do século XIX influenciou fortemente as artes, em particular a 
literatura. Correntes filosóficas como o positivismo, o marxismo e o pragmatismo, além do 
cientificismo, ganharam força entre as classes sociais que se haviam formado recentemente, com a 
ascensão da burguesia. Ao mesmo tempo, essas novas ideias e pensamentos geravam refutações e 
polêmicas, durante o processo normal de sua divulgação. Na literatura brasileira, um personagem 
criou seu próprio sistema filosófico, ironizando a seriedade das correntes de pensamento vigentes. 
Esse personagem é 
a) Brás Cubas, em Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. 
b) Sérgio, em O Ateneu, de Raul Pompéia. 
c) João Romão, em O cortiço, de Aluísio Azevedo. 
d) Quincas Borba, personagem de dois romances de Machado de Assis. 
e) Luís da Silva, em Angústia, de Graciliano Ramos. 
Comentários 
 Questão de conhecimento de obras do cânone. 
Alternativa A: incorreta. Cuidado: ele por si só é um membro da elite. Tenta várias profissões, 
inclusive de ministro, mas nenhuma dá certo, pois rico que era no fundo não queria trabalhar. É Quincas 
Borba que é um filósofo. 
 Alternativa B: incorreta. Personagem com inspiração autobiográfica desse romance 
memorialístico em primeira pessoa. A obra mescla vários estilos, inclusive o impressionismo. 
Alternativa C: incorreta. Romance naturalista, em que João Romão é um português vindo para o 
Brasil. Buscando lucro, monta uma venda e administra negócios. No fim do romance, é conivente com a 
morte brutal de sua escrava Bertoleza. 
 Alternativa D: correta – gabarito. Valendo-se da intertextualidade interna, Machado de Assis 
aproveita a personagem do filósofo Quincas Borba tanto em "Memórias póstumas de Brás Cubas", 
romance que introduz o Realismo no Brasil, quanto em outro romance com nome homônimo da 
personagem que aparece uma década depois. 
 Teoria criada por Quincas Borba e apresentada em ambas os romances, Humanitas não é sinônimo 
de humanismo ou humanitismo, mas sim consiste na sua distorção. Oposto a essas correntes de nome 
tão parecido, a filosofia de Humanitas prescreve que a ordem do mundo favorece a hierarquia. Pode ser 
considerada como uma sátira do darwinismo, sátira porque é como se fosse um darwinismo “que não deu 
certo”. 
 Alternativa E: incorreta. Romance de 30 em que a personagem se torna paranoica depois de uma 
frustração amorosa. Luís da Silva se vê em um triângulo amoroso entre Marina e Julião Tavares. 
Gabarito: D. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
12. (ENEM/2010) 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 118 
Quincas Borba mal podia encobrir a satisfação do triunfo. Tinha uma asa de frango no prato, e 
trincava-a com filosófica serenidade. Eu fiz-lhe ainda algumas objeções, mas tão frouxas, que ele não 
gastou muito tempo em destruí-las. 
– Para entender bem o meu sistema, concluiu ele, importa não esquecer nunca o princípio 
universal, repartido e resumido em cada homem. Olha: a guerra, que parece uma calamidade, é uma 
operação conveniente, como se disséssemos o estalar dos dedos de Humanitas; a fome (e ele chupava 
filosoficamente a asa do frango), a fome é uma prova a que Humanitas submete a própria víscera. Mas 
eu não quero outro documento da sublimidade do meu sistema, senão este mesmo frango. Nutriu-se 
de milho, que foi plantado por um africano, suponhamos, importado de Angola. Nasceu esse africano, 
cresceu, foi vendido; um navio o trouxe, um navio construído de madeira cortada no mato por dez ou 
doze homens, levado por velas, que oito ou dez homens teceram, sem contar a cordoalha e outras 
partes do aparelho náutico. Assim, este frango, que eu almocei agora mesmo, é o resultado de uma 
multidão de esforços e lutas, executadas com o único fim de dar mate ao meu apetite. 
ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Civilização Brasiliense, 1975.A filosofia de Quincas Borba – a Humanitas – contém princípios que, conforme a explanação do 
personagem, consideram a cooperação entre as pessoas uma forma de 
a) lutar pelo bem da coletividade. 
b) atender a interesses pessoais. 
c) erradicar a desigualdade social. 
d) minimizar as diferenças individuais. 
e) estabelecer vínculos sociais profundos. 
Comentários 
Questão de interpretação de texto literário/conhecimento de autores e obras do cânone. 
Alternativa A: incorreta. Essa seria a filosofia do humanismo ou da filantropia. 
Alternativa B: correta - gabarito. A Humanitas favorece apenas o indivíduo e é propulsada por 
egoísmos e interesses pessoais. 
Alternativa C: incorreta. Essa seria a filosofia do humanismo ou da filantropia. 
Alternativa D: incorreta. Essa seria a filosofia do humanismo ou da filantropia. 
Alternativa E: incorreta. Não se trata de filosofia nenhuma. 
Gabarito: B. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
13. (ITA/2019) No Realismo, o adultério subverte o ideal romântico de casamento. Machado de Assis, 
porém, costuma tratá-lo de modo ambíguo, valendo-se, por exemplo, do ciúme masculino ou da 
dubiedade feminina. Com isso, em seus romances, a traição nem sempre é comprovada, ou, mesmo 
que desejada pela mulher, não se consuma. Constatamos tal ambiguidade em Quincas Borba, quando 
a) Palha se enraivece com os olhares de desejo que os homens dirigem a Sofia nos eventos sociais. 
b) Sofia decide não contar ao marido que Rubião a assediou certa noite, no jardim da casa deles. 
c) Palha, mesmo interessado na riqueza de Rubião, decide confrontá-lo ao perceber o assédio dele a 
Sofia. 
d) Sofia tenta esconder do marido o interesse que tem por Carlos Maria, que a seduziu em um baile. 
e) Sofia, mesmo interessada em Carlos Maria, faz de tudo para que Maria Benedita se case com ele. 
Comentários 
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Atenção, alunos: em relação às provas da FUVEST, as provas do Instituto Tecnológico de 
Aeronáutica (ITA) costumam ser mais conteudista. Aqui, trata-se de verificação de leitura mesmo. 
Alternativa A: incorreta. Palha sente ciúmes em relação ao comportamento de Carlos Maria e sua 
esposa, e se desespera com tal suspeita. 
Alternativa B: incorreta. Sofia conta ao marido que Rubião tem interesse nela. 
Alternativa C: incorreta. Palha, por interesses financeiros, não confronta Rubião. 
Alternativa D: correta – gabarito. Sofia tem interesse em Carlos Maria e procura contornar a 
situação, uma vez que seu marido sente ciúmes do contato entre os dois. 
Alternativa E: incorreta. Quem apoia o casamento entre Maria Benedita e Carlos Maria é Dona 
Fernanda. 
Gabarito: D. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
14. (ITA/2005) Em 1891, Machado de Assis publicou o romance Quincas Borba, no qual um dos temas 
centrais do Realismo, o triângulo amoroso (formado, a princípio, pelos personagens Palha-Sofia-
Rubião), cede lugar a uma equação dramática mais complexa e com diversos desdobramentos. Isso se 
explica porque 
a) o que levava Sofia a trair Palha era apenas o interesse na fortuna de Rubião, pois ela amava muito o 
marido. 
b) Palha sabia que Sofia era amante de Rubião, mas fingia não saber, pois dependia financeiramente 
dele. 
c) Sofia não era amante de Rubião, como pensava seu marido, mas sim de Carlos Maria, de quem Palha 
não tinha suspeita alguma. 
d) Sofia não era amante de Rubião, mas se interessou por Carlos Maria, casado com uma prima de Sofia, 
e este por Sofia. 
e) Sofia não se envolvia efetivamente com Rubião, pois se sentia atraída por Carlos Maria, que a seduziu 
e depois a rejeitou. 
Comentários 
 Alternativa A: incorreta. Ela era apática, indiferente para com o marido. Nunca quisera ter um filho 
com ele. Chega a se interessar por outro, Carlos Maria. 
 Alternativa B: incorreta. Sofia não chega a concretizar nada com Rubião, mas o mantém numa 
espécie de “banho maria”. Ou seja, não se envolve com ele, nem o dispensa, pois gosta dos luxos, como 
presentes e joias, que recebe dele. Palha tampouco depende financeiramente de Rubião, mas arruma um 
jeito de ludibriá-lo e surrupiar dele sua fortuna. 
 Alternativa C: incorreta. Ela não chega a concretizar nada com Carlos Maria; apenas o observa de 
longe e o deseja, mas ele acaba se casando com sua prima, Maria Benedita. 
 Alternativa D: correta – gabarito. Sofia chega a flertar com Carlos Maria, embora não tenha 
concretizado nada com ele. Ao fim, Carlos Maria acaba por se casar com Maria Benedita, uma prima de 
Sofia que veio do interior. Era o total oposto da prima. 
 Alternativa E: incorreta. Ela não chega a se envolver concretamente com Carlos Maria. O que 
houve foi uma troca de olhares, de flertes. 
Gabarito: D. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 120 
15. (UNESP/2020/1a fase) Para responder às próximas 2 questões, leia o trecho de uma fala do 
personagem Quincas Borba, extraída do romance “Quincas Borba”, de Machado de Assis, publicado 
originalmente em 1891. 
 
— […] O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a 
supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é 
condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o 
caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As 
batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a 
montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em 
paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse 
caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. 
Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações 
bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que 
o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que 
nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao 
vencedor, as batatas. [...] Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes 
que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina 
os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da 
droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. 
Nada se perde, tudo é ganho. 
(Quincas Borba, 2016.) 
 
Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em: 
a) “nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói”. 
b) “a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra”. 
c) “Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos”. 
d) “Daí o caráter conservador e benéfico da guerra”. 
e) “não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição”. 
Comentários 
Questão sobre sentido figurado, sinônimo de sentido conotativo (do coração) ou também 
metafórico, oposto ao sentido denotativo (do dicionário), literal. 
Alternativa A: correta – gabarito. Segundo o dicionário Houaiss, “canonizar” significa reconhecer 
e declarar santo (indivíduo falecido), inscrevendo no cânon dos santos, segundo as regras e rituais 
prescritos pela Igreja. No caso, como tem a ver com santificação, o sentido está deslocado do seu original. 
Além do mais, aqui se recorre ao típico uso da ironia do narrador machadiano. 
Alternativa B: incorreta. “Sobrevivência” está nosentido literal, pois segundo o dicionário Houaiss 
“sobrevivência” pode significar: ato ou efeito de sobreviver, de continuar a viver ou a existir; 
característica, condição ou virtude daquele ou daquilo que subsiste a um outro; condição ou qualidade 
de quem ainda vive após a morte de outra pessoa; sequência ininterrupta de algo; o que subsiste de 
(alguma coisa remota no tempo); continuidade, persistência, duração. 
Alternativa C: incorreta. “Extermina” está no sentido literal, pois segundo o dicionário Houaiss 
“exterminar” significa expulsar de algum território, região etc.; banir; destruir de maneira cruenta; 
eliminar por morte; fazer (algo) chegar ao fim; acabar com; extirpar. 
Alternativa D: incorreta. “Guerra” está no sentido literal, pois segundo o dicionário Houaiss 
“guerra” significa luta armada entre nações, ou entre partidos de uma mesma nacionalidade ou de etnias 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 121 
diferentes, com o fim de impor supremacia ou salvaguardar interesses materiais ou ideológicos; qualquer 
combate com ou sem armas; combate, peleja, conflito; a arte militar; disputa acirrada; hostilidade; luta 
encarniçada contra qualquer coisa a que se atribua um valor nocivo. 
Alternativa E: incorreta. Cuidado: talvez este termo fosse aquele que pudesse gerar dúvida, pois 
pode ser que ele não seja conhecido de todos vocês. “Inanição” está no sentido literal, pois segundo o 
dicionário Houaiss “inanição” significa estado ou condição de inane; estado de inanido; vacuidade, esp. 
do estômago; inanição; estado de esgotamento ou de extremo enfraquecimento, por falta de alimentos, 
ou defeito de assimilação dos mesmos. 
Gabarito: A. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
16. (UNESP/2020/1a fase) Considerando o contexto histórico de produção, verifica-se no trecho uma 
alusão irônica 
a) à teoria darwiniana. 
b) à filosofia idealista. 
c) à ideologia capitalista. 
d) à filosofia iluminista. 
e) à ideologia socialista. 
Comentários 
Atenção: questão que poderia ser respondida de maneira interdisciplinar com filosofia e 
sociologia. 
Alternativa A: correta – gabarito. Distorção e oposto do humanismo e humanitismo – dos quais, 
pelo menos por causa do nome, parece ter sido derivada –, a filosofia de Humanitas prescreve que a 
ordem do mundo favorece a hierarquia. Pode ser considerada como uma sátira do darwinismo, sátira 
porque é como se fosse um darwinismo “que não deu certo”. 
Alternativa B: incorreta. Idealismo significa, de acordo com o dicionário Houaiss (rubrica da 
Filosofia), no sentido ontológico, doutrina filosófica (por exemplo, o platonismo) segundo a qual a 
realidade apresenta uma natureza essencialmente espiritual, sendo a matéria uma manifestação ilusória, 
incompleta, ou mera imitação imperfeita de uma matriz original constituída de formas ideais inteligíveis 
e intangíveis. 
Alternativa C: incorreta. Capitalismo significa, de acordo com o dicionário Houaiss (rubrica da 
Economia), sistema econômico baseado na legitimidade dos bens privados e na irrestrita liberdade de 
comércio e indústria, com o principal objetivo de adquirir lucro. Por sua vez, como rubrica da Sociologia: 
sistema social em que o capital está em mãos de empresas privadas ou indivíduos que contratam mão de 
obra em troca de salário. 
Alternativa D: incorreta. Iluminismo foi, de acordo com o dicionário Houaiss (rubrica da Filosofia), 
um movimento intelectual do século XVIII, caracterizado pela centralidade da ciência e da racionalidade 
crítica no questionamento filosófico, o que implica recusa a todas as formas de dogmatismo, esp. o das 
doutrinas políticas e religiosas tradicionais; Filosofia das Luzes, Ilustração, Esclarecimento, Século das 
Luzes 
Alternativa E: incorreta. Socialismo significa, de acordo com o dicionário Houaiss (rubrica da 
Política), doutrina política e econômica que prega a coletivização dos meios de produção e de distribuição, 
mediante a supressão da propriedade privada e das classes sociais; na teoria marxista, estágio 
intermediário entre o fim do capitalismo e a implantação do comunismo. 
Gabarito: A. 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 122 
_____________________________________________________________________________________ 
 
17. (UNESP/2020/1a fase) Em “mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma 
é condição da sobrevivência da outra” e “As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos”, os 
termos sublinhados estabelecem relação, respectivamente, de 
a) consequência e conformidade. 
b) causa e conformidade. 
c) conformidade e consequência. 
d) causa e finalidade. 
e) consequência e finalidade. 
Comentários 
Questão sobre valor semântico do conectivo, portanto, de Gramática Aplicada. O uso da 
preposição “para” + verbo no infinitivo necessariamente conduz a uma ideia de finalidade, podendo 3 das 
alternativas ser eliminadas logo de antemão. 
Alternativa A: incorreta. O segundo conectivo deveria ser de finalidade. 
Alternativa B: incorreta. O segundo conectivo deveria ser de finalidade. 
Alternativa C: incorreta. O segundo conectivo deveria ser de finalidade. 
Alternativa D: correta – gabarito. A oração deveria ser classificada como Oração Subordinada 
Adverbial Causal. São exemplos de conjunções integrantes adverbiais causais: porque, que, como, pois 
que, porquanto, visto que, uma vez que, já que, desde que. 
 Nesse caso, vale o macete da substituição. Bastava substituir por um desses outros conectivos, 
para saber se fazia sentido. 
Alternativa E: incorreta. O primeiro conectivo deveria ser de causa. 
Gabarito: D. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
18. (UFU/2018) 
 
CAPÍTULO I 
Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos 
no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele 
pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado 
com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas 
(umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a 
enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma 
sensação de propriedade. 
“Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas”, pensa ele. Se mana Piedade tem casado 
com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui 
está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça... 
ASSIS, Machado. Quincas Borba. São Paulo: Editora Globo, 1997. p 1. 
 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 123 
a) No primeiro capítulo de Quincas Borba, já se anteveem princípios do Humanitismo, teoria desenvolvida 
pela personagem Quincas Borba. Explique, em um parágrafo, de que forma essa teoria se apresenta nesse 
capítulo. 
b) Em certa medida, Rubião opõe passado e presente, faz oposição entre ser professor e ser capitalista. 
Redija um parágrafo, evidenciando o pensamento de Rubião diante da nova situação e comparando-a 
com o antigo estado. 
Comentários/Gabarito 
a) O Humanitismo, teoria desenvolvida pelo personagem Quincas Borba, não se preocupa com a fraqueza 
e com a derrota dos indivíduos isolados, pois seu desígnio consiste justamente na vitória do mais forte: 
“(...) não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra”. Logo, 
ao que vence, ao que sobrevive, caberiam merecidamente as recompensas: “ao vencedor, as batatas”. O 
Humanitismo acontece no trecho, pois Rubião é levado a se sentir um exemplo de vencedor,já que ele 
estava vivo e rico, ao passo que Quincas Borba e Piedade já estavam mortos. Para ele, a morte nesse 
contexto não representou o fim, mas a propulsão para a sua prosperidade, filosofia fictícia sintetizada na 
frase “Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas”. 
b) O excerto do Capítulo I de Quincas Borba faz uma síntese da trajetória do personagem Rubião a partir 
da filosofia fictícia do Humanitismo, numa perspectiva irônica. Rubião faz reflexões diante da sua situação 
de novo-rico, estabelecendo uma comparação entre a diferença marcante de sua condição de vida 
passada (como um professor pobre, em Barbacena) e a presente, como um abastado capitalista vivendo 
na capital. Quando professor, ele só possuía o saber, mas, ao tornar-se capitalista, pôde desfrutar de 
confortos e de prazeres jamais antes experimentados, como morar em uma grande casa confortável, bem 
localizada, vestido com roupas de luxo à moda europeia, sendo paparicado por novos e influentes amigos. 
a nova vida do personagem trazia-lhe , antes de tudo, o prazer da propriedade (“aqui está tudo comigo”), 
princípio básico da lógica capitalista, que o deslumbramento de Rubião faz crescer sem medidas, indo 
facilmente do gozo da posse banal de artigos de luxo à megalomania da sensação de ser dono do mundo: 
“desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
19. (PUC-Camp/2017) 
 
É interessante notar como, em Machado de Assis, se aliavam e se irmanavam a superioridade 
de espírito, a maior liberdade interior e um marcado convencionalismo. Dois termos que se repelem, 
pensador e burocrata, são os que melhor o exprimem. Entre Memórias póstumas de Brás Cubas e 
Quincas Borba, a vida nacional passara pelas profundas modificações da Abolição e da República. 
− Que pensa de tudo isso Machado de Assis? indagava Eça de Queirós. 
À queda da Monarquia, disse Machado no seu gabinete de burocrata, diante da conveniência de 
tirar da parede o retrato do imperador: 
− Entrou aqui por uma portaria, só sairá por outra portaria. 
Era o que tinha a dizer aos republicanos, atônitos com esse acatamento ao ato de um regime 
findo. 
Adaptado de: PEREIRA, Lúcia Miguel. Machado de Assis. 6. ed. rev., 
Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1988, p. 208. 
 
Nos romances maduros de Machado de Assis, de que são exemplos Memórias póstumas de Brás Cubas 
e Quincas Borba, e diante das profundas modificações que foram a Abolição e a República, o narrador 
machadiano 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 124 
a) costuma discorrer longamente em apoio a essas duas transformações históricas. 
b) mostra-se inteiramente avesso a ambas, por serem contrárias às suas convicções. 
c) mantém-se um tanto distante, pois sua crítica atua mais incisivamente pela ironia sutil. 
d) constitui, juntamente com o eu poético de Castro Alves, o duo mais combativo das letras do século XIX. 
e) posiciona-se com grande energia, abraçando os mais altos ideais do positivismo que predominava na 
época. 
Comentários 
Nos romances da fase realista, Machado de Assis, sutil e ironicamente, descreve uma sociedade 
segmentada que se aliena dos acontecimentos decisivos de sua história em virtude dos interesses 
particulares que pretende preservar. Assim, o narrador machadiano não critica frontalmente as mudanças 
ocorridas nesse período, mas, através da ironia, descreve uma sociedade em que a emancipação dos 
escravos e a mudança de regime não alteravam de fato a sua realidade. Os escravos libertos continuariam 
a viver dependentes de uma estrutura que os excluía e a mudança de regime pouco alteraria o sistema 
social do país. 
Gabarito: C. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
20. (UPF/2014) Leia as seguintes afirmações sobre a obra Quincas Borba de Machado de Assis. 
 
I. O autor realiza uma profunda análise social, revelando ceticismo em relação à sociedade de seu tempo 
e em relação à espécie humana. 
II. Sofia é uma personagem ambígua, astuciosa e cerebral, que se distancia da fragilidade das heroínas 
românticas. 
III. A afeição de Sofia por Rubião, principalmente no final da narrativa, deixa transparecer a 
preocupação universal diante da dor humana. 
 
Está correto apenas o que se afirma em: 
a) I e III. 
b) II e III. 
c) I e II. 
d) I. 
e) II. 
Comentários 
[I] Correto. O autor mostra o mundo da corte, das amizades interesseiras, do mundo das 
aparências acima de tudo, o que permite uma crítica ácida à sociedade burguesa. 
[II] Correto. Sofia era uma mulher sem escrúpulos, oportunista, ambiciosa, muito longe da 
descrição de uma heroína romântica. 
[III] Incorreto. Nunca Sofia nutriu por Rubião nenhum tipo de afeto, apenas interesses estavam em 
jogo. 
Gabarito: C. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
21. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 125 
Assim, em Quincas Borba o leitor encontra alusões e episódios históricos importantes, 
particularidades regionais, observações sobre aas belezas naturais do país, expressões populares, e 
uma boa galeria de tipos cariocas. Tudo porém com brevidade, sem a insistência dos romances 
históricos, regionalistas, urbanos, ou de mitificação nacional, que se especializavam na exploração de 
tais aspectos. Machado, que concorria com eles, não ia ficar atrás: dava provas ele também de maestria 
em cada um destes terrenos, mas ao mesmo tempo os relativizava. 
SCHWARZ, Roberto. Que horas são? Ensaios. (p. 166-167). 
 
Publicado em 1891, mas ambientado anteriormente (1867-1871), Quincas Borba é conhecido por 
valorizar a característica da relativização, a começar pelo próprio tempo, que não é o mesmo da 
narrativa, até a representação do próprio protagonista – Rubião – sempre indeciso. Em que trecho a 
relativização pode ser constatada? 
a) “Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é 
ter-lhe o cabo na mão”. 
b) “Dizendo isto, Rubião meteu a carta no bolso; o médico saiu; ele respirou. (...) Minutos depois, 
arrependeu-se, devia ter entregado a carta, sentiu remorsos, pensou em mandá-la à casa do médico”. 
c) “(...) felizmente o medo também é oficial de ideias, e deu-lhe ali uma lisonjear o interlocutor”. 
d) “Moléstia e saúde eram dois caroços do mesmo fruto, dois estados de Humanitas”. 
e) “Ouça-me este conselho: em política, não se perdoa nem se esquece nada”. 
Comentários 
Alternativa A: incorreta. Essa frase se encontra no capítulo XVIII. Nesse momento, Rubião acabara 
de ganhar uma farta herança. Ele está em casa pensando comigo mesmo, lembra-se do finado Quincas 
Borba e fica relembrando a sua fórmula – Ao vencedor as batatas! –, que na sua opinião era engenhosa, 
eloquente. Porém, cuidado: isso apenas porque agora ele era detentor do poder, depois de ter ganhado 
a herança. Isso faz lembrar o cunhado de Brás Cubas, o Cotrim. Para quem leu essa obra, ele era um 
escravocrata perverso que gostava – por causa de sua própria índole e natureza – de machucar os seus 
escravos. Esse episódio se encontra no capítulo CXXIII de Memórias póstumas de Brás Cubas. 
Alternativa B: correta – gabarito. Essa frase está no capítulo X. Em uma visita do médico, Rubião 
fica sabendo que Quincas Borba está para morrer. Nem o médico trata mais de cuidá-lo, apenas se resigna. 
Quincas Borba, o filósofo não era o único amigo de Rubião. Antes de morrer, Quincas Borba ainda estava 
com a corda toda, e manifestou interesse de ir ao Rio de Janeiro tratar de negócios. Passadas algumas 
semanas no Rio, Quincas manda uma interessante carta paraRubião. Lembram-se? Nela, Quincas Borba 
acha que é Santo Agostinho. Rubião se preocupa com o fato de o amigo estar enlouquecendo –, mas se 
preocupa mais em mostrar a carta para o médico, pois isso poderia comprometer o testamento. 
Como vimos na teoria, Rubião é um deslocado, desajustado social, ética e moralmente frente ao 
meio que circula. Ele não tem lugar na corte. Dele espera-se silêncio, vive situações limítrofes e 
constantemente está em dúvida. É muito indeciso. Posicionando-se sempre entre extremos, ele também 
simboliza a relativização. Isso ocorre em vários momentos: ele encontra uma carta com a letra de Sofia 
para Carlos Maria, não sabe o que fazer, e acaba entregando a ela sem lê-la, por exemplo. 
Alternativa C: incorreta. Esse trecho está no capítulo XLII. Esse trecho já caiu antes na FUVEST 1993. 
Ocorre um evento importante: um jantar na casa de Palha e sua esposa. Também estão presentes o major 
Siqueira e sua filha, Dona Tonica. O casal de Rubião e Sofia vão passear no jardim. Rubião não se contenta 
e fala da lua e de seu amor, acaba se declarando. Porém, num ímpeto impulsivo, segura o braço de Sofia 
com força. Ela acaba por estranhar toda a situação. 
 Então, eles são surpreendidos pelo major Siqueira. Falastrão que era, ele logo nota algo de 
diferente ali, mas Sofia dissimula tão bem que ele já não sabe mais o que pensar. De qualquer forma, 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 126 
estranha a situação toda: um casal, que não marido e mulher, conversavam juntos à luz do luar. Cria-se 
todo um pretexto para a conversa: o padre Mendes, que sequer existia, ou, ao menos, não se sabe. Essa 
frase do medo como criador das ideias – essa ideia é o padre Mendes. 
Alternativa D: incorreta. Esse trecho está no capítulo VIII. Quincas Borba está doente e expõe as 
suas ideias filosóficas ao pupilo Rubião. Assim, esse trecho é um desdobramento da filosofia da Humanitas 
– a Humanitas serve para explicar a própria doença do doente, para considerá-la positiva. 
Alternativa E: incorreta. Esse trecho se encontra no capítulo C. É uma fala do doutor Camacho, 
politiqueiro, para Rubião. Camacho está desabafando que, na política, tanto a oposição (os Pinheiros) 
quer derrubá-lo, quanto gente do seu próprio partido. Daí a frase. 
Gabarito: B. 
_____________________________________________________________________________________ 
22. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
Poder-se-ia dizer que ele [Machado] lisonjeava o público mediano, inclusive os críticos, dando-
lhes o sentimento de que eram inteligentes a preço módico. O seu gosto pelas sentenças morais, 
herdado dos franceses dos séculos clássicos e da leitura da Bíblia, levava-o a compor fórmulas lapidares, 
que se destacavam do contexto e corriam o seu destino próprio, difundindo uma ideia algo fácil de 
sabedoria. 
CANDIDO, Antonio. “Esquema de Machado de Assis”. 
 
Entre os trechos abaixo, aquele que não se enquadra no método descrito acima é: 
a) Em geral, não podia suportar as refeições solitárias, estava tão afeito à linguagem dos amigos, às 
observações, às graças, não menos que aos respeitos e considerações, que comer só era o mesmo que 
não comer nada. Agora, porém, era como um Saul que precisasse de algum Davi, para expelir o espírito 
maligno que se metera nele (cap. C). 
b) Carlos Maria pensava na devota incógnita. Estava longe, muito longe do ensino e seus 
estabelecimentos. Que bom que era sentir-se um deus adorado, e adorado à maneira evangélica, metida 
a devota no aposento, fechada a porta, em secreto, não nas sinagogas, à vista de todos. “E teu pai que vê 
o que se passa em secreto te dará a paga (cap. CXX). 
c) A gestação ia cheia de tédios, de dores, de incômodos que ela ocultava o mais que podia ao marido; 
mas tudo isso dava maior preço à criaturinha futura. Acolhia o mal com resignação,-se não é que o 
agasalhava com alegria,- uma vez que era a condição da vinda do fruto. Fazia cordialmente o ofício da 
espécie. E repetia sem palavras a resposta de Maria de Nazaré “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim 
a sua vontade (cap. CLXIX). 
d) Não vades crer que a dor aqui foi mais verdadeira que a cólera; foram iguais em si mesmas, os efeitos 
é que foram diversos. A cólera deu em nada; a humilhação debulhou-se em lágrimas legítimas. E contudo 
não faltaram a esta senhora ímpetos de estrangular Sofia, calcá-la aos pés, arrancar-lhe o coração aos 
pedaços, dizendo-lhe na cara os nomes crus que atribuía ao marido... Tudo imaginações! Crede-me – há 
tiranos de intenção. Quem sabe? Na alma desta senhora passou agora um tênue fio de Calígula... (cap. 
XLIV). 
e) O pobre-diabo sentou-se, viu o que era, depois, tornou a deitar-se, mas acordado, de barriga para o ar, 
com os olhos fitos no céu. O céu fitava-o também, impassível como ele, mas sem as rugas do mendigo, 
nem os sapatos rotos, nem os andrajos, um cia claro, estrelado, sossegado, olímpico, tal qual presidiu às 
bodas de Jacó (cap. XLVI). 
Comentários 
 O procedimento aludido é o recurso do uso do tom bíblico, já presente desde o primeiro capítulo 
de Quincas Borba: “RUBIÃO fitava a enseada, - eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares 
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 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 127 
metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava 
aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra cousa” (capítulo I, grifo 
meu). Logo, a pergunta pede para que seja marcado a alternativa que não contenha um trecho bíblico. 
 Alternativa A: incorreta. De acordo com a tradição judaica, Saul foi o primeiro rei de Israel e Davi, 
o sucessor de Saul, foi o conquistador de Jerusalém, segundo e maior rei de Israel. No romance, trecho 
que em que os amigos abandonam Rubião. 
 Alternativa B: incorreta. Evangelho de Mateus (6, 6). No romance, trecho sobre o egoísmo e 
narcisismo de Carlos Maria. 
Alternativa C: incorreta. Evangelho de São Lucas (1, 38). No romance, trecho sobre a gravidez de 
Maria Benedita. 
Alternativa D: correta – gabarito. O trecho não se remete ao tom bíblico, mas sim a um episódio 
da história romana. Calígula trata-se de um imperador romano, conhecido pela sua reputação de cruel e 
pervertido. 
Alternativa E: incorreta. Terceiro patriarca da Bíblia. Segundo o livro de Gênesis, com suas esposas 
e concubinas gerou doze filhos, futuros líderes das Doze Tribos de Israel. Irá nomear outro romance de 
Machado: Esaú e Jacó. Em Quincas Borba, o episódio se remete a Rubião olhando um mendigo deitado 
nas escadarias da igreja, e fazendo-o relembrar uma memória de infância: um préstito de morte. 
Gabarito: D. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
23. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
Em Quincas Borba, um modesto professor primário, Rubião, herda do filósofo Quincas Borba 
uma fortuna, com a condição de cuidar de seu cachorro, ao qual dera o próprio nome. Mas com o 
dinheiro, que é uma espécie de ouro maldito, Rubião herda igualmente a loucura do amigo. A sua 
fortuna se dissolve em ostentação e no sustento de parasitas; mas serve sobretudo como capital para 
as especulações comerciais de um arrivista hábil, Cristiano Palha, por cuja mulher, “a bela Sofia”, Rubião 
se apaixona. O amor e a loucura aqui, romanticamente, de mãos dadas; mas o terceiro se beneficia da 
ambição econômica, baixo-contínuo do romance, de que Rubião se torna um instrumento. No fim, 
pobre e louco, ele morre abandonado; mas em compensação, como queria a filosofia do Humanitismo, 
Palha e Sofia estão ricos e considerados, dentro da mais perfeita normalidade social. Os fracos e os 
puros foram sutilmente manipulados como coisas e em seguida são postos de lado pelo próprio 
mecanismo da narrativa, que os cospe de certo modoe se concentra nos triunfadores, acabando por 
deixar no leitor uma dúvida sarcástica e cheia de subentendidos? O nome do livro designa o filósofo ou 
o cachorro, o homem ou o animal, que condicionaram ambos o destino de Rubião? Este começa como 
simples homem, chega na sua loucura a julgar-se imperador e acaba como um pobre bicho, fustigado 
pela fome e a chuva, no mesmo nível que o seu cachorro. 
CANDIDO, Antonio. “Esquema de Machado de Assis” (adaptado). 
 
Em que alternativa pode-se verificar uma análise mais próxima do romance? 
a) Já que Rubião é rebaixado a um animal, é possível verificar predominantemente em Quincas Borba 
características do Naturalismo, já que o cão é desprezível e nem um pouco leal. 
b) Sofia é uma mulher forte e independente. A principal característica de sua personalidade é seu 
altruísmo e sua bondade. 
c) Palha é o melhor amigo de Rubião. Percebe-se um pouco de interesse em suas ações, porém ele não 
sente ciúme por sua esposa ser amigo de Rubião e todos convivem em harmonia. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 128 
d) A loucura de Rubião é biologicamente herdada de Quincas Borba, uma ironia que subverte a 
Humanitas: nem só os melhores genes são transmitidos de geração em geração. 
e) Rubião foi sempre muito generoso, o que fez com que seus amigos permanecessem com ele até o fim 
da vida. Ele era bem recebido na sociedade e bem quisto na casa dos convivas. 
Comentários 
 Alternativa A: incorreta. É o contrário: o cão é elevado à condição de humano. 
 Alternativa B: incorreta. Sofia é aproveitadora e oportunista; sua benevolência na Comissão de 
Alagoas é aparência. 
 Alternativa C: incorreta. Há conflitos e ao fim Palha dá o golpe em Rubião, levando-o à falência. 
 Alternativa D: correta – gabarito. É tal como se a filosofia, tanto como os bens materiais, fossem 
herdadas. 
 Alternativa E: incorreta. Seus amigos o abandonaram no fim da vida, pois as relações que com 
Rubião mantinham eram por interesse. 
Gabarito: D. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
24. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) O uso de figuras de linguagem é um recurso 
técnico importante utilizado por Machado de Assis. Que figura de linguagem é possível identificar 
corretamente em Quincas Borba? 
a) “– Então afinal o homem espichou a canela? disse ele, enquanto Rubião abria a carta, corria à assinatura 
e lia Brás Cubas. Era um simples bilhete” (ironia). 
b) “Seu primo Teófilo. Nanã contou-me que ele andava com suas esperanças, e foi por isso que ficou este 
ano na Corte” (metáfora). 
c) “Carlos Maria continuou a ler um estudo sobre a famosa estatueta de Narciso, do Museu de Nápoles” 
(metonímia). 
d) “Estava consternado. Era homem de talento, de gravidade e de trabalho; mas, naquele instante, todas 
as grandes obras, os mais temerosos problemas, as batalhas mais decisivas, as revoluções mais profundas, 
o sol e a lua, e todas as constelações, e todas as alimárias e todas as gerações humanas, valiam menos do 
que a troca de um u por um i” (hipérbole). 
e) “Nunca, entretanto, lhe passou pela cabeça que o amigo chegasse a declarar amor a alguém, menos 
ainda a Sofia, se é que era amor deveras; podia ser gracejo de intimidade” (personificação). 
Comentários 
Uma possível cobrança de interpretação literária do livro de Quincas Borba pode ser mediante 
uma pergunta sobre figuras de linguagem. 
Alternativa A: incorreta. A figura de linguagem correta seria o eufemismo. Trata-se da morte do 
filósofo Quincas Borba e de um recebimento de um bilhete do próprio Brás Cubas, protagonista de outro 
romance de Machado de Assis. 
Alternativa B: incorreta. A figura de linguagem correta seria a metonímia. A corte representa na 
realidade a cidade do Rio de Janeiro. 
Alternativa C: incorreta. A figura de linguagem correta seria a ironia. Narciso é uma divindade grega 
egoísta, igual a Carlos Maria. 
Alternativa D: correta – gabarito. Trata-se de um erro tipográfico no jornal que podia comprometer 
a carreira política de Teófilo. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 129 
Alternativa E: incorreta. A figura de linguagem correta seria a eufemismo. Palha se recusa a 
acreditar que há algo a mais no relacionamento e no tratamento de Rubião ante Sofia e minimiza as suas 
ações. 
Gabarito: D. 
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25. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) Em várias passagens de Quincas Borba, de 
Machado de Assis, as personagens interpretam erroneamente alguns fatos ou fazem ilações 
equivocadas a partir de algumas falas. Vemos isso, por exemplo, no episódio em que, a partir do relato 
que ouve de um cocheiro, Rubião se convence de que 
a) D. Tonica planeja casar-se com ele a qualquer custo. 
b) Palha pretende desfazer os negócios que tem com ele. 
c) Sofia deseja casá-lo com Maria Benedita. 
d) Sofia e Carlos Maria são amantes. 
e) Maria Benedita e Carlos Maria namoram em segredo. 
Comentários 
Alternativa A: incorreta. O cocheiro faz referências a um casal, que Rubião pensa ser Sofia e Carlos 
Maria. 
Alternativa B: incorreta. O cocheiro menciona vagamente um casal de amantes. 
Alternativa C: incorreta. O cocheiro não menciona casamento, mas sugere que um determinado 
casal seja amante. 
Alternativa D: correta – gabarito. O cocheiro faz referências a um casal, que Rubião pensa ser Sofia 
e Carlos Maria. 
Alternativa E: incorreta. Rubião associa os comentários a Sofia e Carlos Maria. 
Gabarito: D. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
26. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
CAPÍTULO X 
Quem sou eu, Rubião? Sou Santo Agostinho. Sei que há de sorrir, porque você é um ignaro, 
Rubião; a nossa intimidade permitia-me dizer palavra mais crua, mas faço-lhe esta concessão, que é a 
última. Ignaro! 
Ouça, ignaro. Sou Santo Agostinho; descobri isto anteontem ouça e cale-se. Tudo coincide nas 
nossas vidas. O santo e eu passamos uma parte do tempo nos deleites e na heresia, porque eu 
considero heresia tudo o que não é a minha doutrina de Humanitas; ambos furtamos, ele, em 
pequeno, umas peras de Cartago, eu, já rapaz, um relógio do meu amigo Brás Cubas. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
Essa é uma carta que Quincas Borba – o filósofo – deixa a Rubião antes de morrer e deixar a ele a sua 
herança. Um dos recursos estilísticos utilizados aqui é 
a) a digressão. 
b) a ironia. 
c) a intertextualidade. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 130 
d) o discurso indireto livre. 
e) a loucura. 
Comentários 
Alternativa A: incorreta. A personagem está devaneando, mas se trata de um bilhete dela e não 
de uma digressão do narrador. 
Alternativa B: incorreta. Não se pode confundir a loucura com a ironia. Apesar de a personagem 
achar que ela é quem não é, isso consiste numa máscara, numa ilusão, propiciadas pela loucura. 
Alternativa C: correta – gabarito. No caso, trata-se da intertextualidade com a própria obra, 
mediante a reutilização da personagem Brás Cubas. 
Alternativa D: incorreta. Esse procedimento é a apropriação das vozes das personagens pela voz 
do narrador. Aqui não é o caso, trata-se de um bilhete. 
Alternativa E: incorreta. Apesar de haver o elemento da loucura aqui, pois o filósofo Quincas Borba 
acredita que ele é o Santo Agostinho, ela não chega a ser um recurso estilístico, pois aqui a linguagem 
ainda está muito sã. 
Gabarito: C. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
27. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
CAPÍTULO IV 
ESTE QUINCAS BORBA, se acaso me fizesteo favor de ler as Memórias Póstumas de Brás Cubas, 
é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de 
uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora 
de condição mediana e parcos meios de vida, mas, tão acanhada que os suspiros no namorado ficavam 
sem eco. Chamava-se Maria da Piedade. Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível 
para casá-los. Piedade resistiu, ..... um pleuris a levou. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
Qual é o conectivo que se infere a partir do trecho? 
a) como. 
b) uma vez que. 
c) tanto que. 
d) conquanto. 
e) mas. 
Comentários 
Atenção: a cobrança de Quincas Borba pode ser relacionada à gramática. Aqui, não são necessários 
conhecimentos profundos de gramática, basta entender a ideia lógico-semântica: a ideia tem que ser de 
adversidade, oposição. O enunciado utiliza o termo geral “conectivo”, nem utiliza o termo técnico 
“conjunção”. Porém, para maiores esclarecimentos, favor consultar o conteúdo programático de 
Gramática e Interpretação de Texto. 
Alternativa A: incorreta. A ideia é de causa ou comparação. 
Alternativa B: incorreta. A ideia é de condição. 
Alternativa C: incorreta. A ideia é de consequência. 
Alternativa D: incorreta. A ideia é de concessão. Cuidado: esse é mais raro. 
Alternativa E: correta – gabarito. A ideia é de adversidade, oposição. “Piedade resistiu, mas um 
pleuris a levou.” 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 131 
Gabarito: E. 
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28. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
CAPÍTULO XIX 
1NÃO ESQUEÇA dizer que Rubião tomou a si mandar dizer uma missa por alma do finado, 
embora soubesse ou pressentisse que ele não era católico. Quincas Borba não dizia pulhices a respeito 
de padres, nem desconceituava doutrinas católicas; mas não falava nem da Igreja nem dos seus servos. 
Por outro lado, a veneração de Humanitas fazia desconfiar ao herdeiro que essa era a 5religião do 
testador. Não obstante, mandou dizer a missa, considerando que não era ato da vontade do morto, 
mas prece de vivos; considerou mais que seria um escândalo na cidade, se ele, nomeado herdeiro pelo 
defunto, deixasse de dar ao seu protetor os sufrágios que não se negam aos mais miseráveis e avaros 
deste mundo. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
Qual é a ideia semântica do conectivo destacado (L. 5)? 
a) adversidade. 
b) causa. 
c) consequência. 
d) comparação. 
e) negação. 
Comentários 
Atenção: a cobrança de Quincas Borba pode ser relacionada à gramática. Aqui, não são necessários 
conhecimentos profundos de gramática. O enunciado utiliza o termo geral “conectivo”, nem utiliza o 
termo técnico “conjunção”. Porém, para maiores esclarecimentos, favor consultar o conteúdo 
programático de Gramática e Interpretação de Texto. 
Alternativa A: correta – gabarito. Bastava entender a ideia lógico-semântica: a ideia tem que ser 
de adversidade, oposição. 
Alternativa B: incorreta. Conectivos de causa: pois, pois que, já que, uma vez que, visto que. 
Alternativa C: incorreta. Conectivos de consequência: que, de forma que, de sorte que, tanto que, 
e as estruturas: tão... que, tanto... que, tamanho... que. 
Alternativa D: incorreta. Conectivos de comparação: como, quanto, do que. 
Alternativa E: incorreta. “Negação” sequer é uma ideia semântica. 
Gabarito: A. 
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29. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
TEXTO I 
CAPÍTULO XCVII 
QUANDO RUBIÃO chegou à esquina do Catete a costureira conversava com um homem, que a 
esperara, e que lhe deu logo depois o braço; viu-os ir ambos, conjugalmente, para o lado da Glória. 
Casados? amigos? Perderam-se na primeira dobra da rua, enquanto Rubião ficou parado, recordando 
as palavras do cocheiro, a rótula moço de bigodes, a senhora de bonito corpo, a Rua da Harmonia Rua 
da Harmonia; ela dissera Rua da Harmonia. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 132 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
TEXTO II 
Moço desvairado. Duas tarjas grossas, uma no princípio, outra no fim da página. Qualidades, 
Julião Tavares tinha muitas qualidades. A literatura dela reproduzida nas folhas, em tipo graúdo. 
Comentários. Porque foi? Como foi? Enterro complicado, automóveis, todos os automóveis da praça, 
bondes especiais. O discurso no cemitério, discurso empolado. E o túmulo com uma coluna partida. 
Muitos túmulos com colunas partidas. Colunas de mármore, colunas de cimento. Moço desvairado. 
Todos os mortos importantes eram colunas partidas. Julião Tavares era uma coluna de mármore, 
partida. O capitel no chão, esverdinhando-se. O corpo subia. No princípio o esforço não era grande 
demais. A cada movimento passavam no galho algumas polegadas da corda. Mas quando a massa obesa 
e elevou, as dificuldades foram enormes para correrem uns centímetros. 
– Mais um pouco, mais um pouco. 
Estas palavras não me deixavam. O corpo devia estar todo erguido, e os meus ossos estalavam. 
O galho curvava-se. Ia quebrar-se, atirar-nos ao chão. Tudo perdido. 
RAMOS, Graciliano. Angústia. 
 
O que as personagens dos dois trechos mantêm em comum? 
a) a esperança. 
b) a racionalidade. 
c) a incoerência. 
d) a ambição. 
e) o despeito. 
Comentários 
Alternativa A: incorreta. Trata-se de personagens indecisas, cheias de dúvidas, emparedadas. Não 
cabe espaço para a esperança aqui. 
Alternativa B: incorreta. São personagens inseguras, que vivem se questionando a si mesmas. 
Alternativa C: correta – gabarito. Rubião é a personagem que ascende e cai, morre na miséria e na 
ruína e, sobretudo, louco. Já o protagonista de Angústia, desde que rejeitado por Marina, nunca foi mais 
o mesmo e não bate bem da cabeça. 
Alternativa D: incorreta. São personagens resignadas, que não lutam, não correm atrás. 
Alternativa E: incorreta. Segundo o dicionário Houaiss, “despeito denota ressentimento produzido 
por desconsideração, desfeita, humilhação ou ofensa, desgosto motivado pela preferência dada a outrem 
ou por decepção. Essas características até se encontram em ambos os romances, mas os trechos indicam 
– predominantemente – desorientação das personagens. 
Gabarito: C. 
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30. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
Sofia e Capitu têm robustas inclinações de sentidos, exercem galhardamente os seus dotes, 
irritam-se e despicam-se* muito naturalmente quando topam com óbices**, e mantêm-se de todo 
coerentes, corpo e alma, com os seus respectivos projetos de vida. Ambas, cada uma a seu modo, 
almejam a plena inserção na sociedade conservadora onde vivem; sociedade em que o capital se vale 
comodamente do trabalho escravo, e que, pelo ângulo das relações de dependência, poderá qualificar-
se como paternalista. Em ambas, a primeira natureza revela-se na força dos instintos e na pronta 
irascibilidade. A segunda natureza, que completa a primeira e nesta se enxerga fundo, as torna, nos 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 133 
momentos difíceis, reconcentradas, reflexivas, atiladas, capazes de disfarces rápidos, certeiras na 
invenção de expedientes. 
BOSI, Alfredo. O enigma do olhar. 
*vingar; desforrar(-se); desafrontar(-se), desagravar(-se). 
**aquilo que obsta, impede; empecilho, estorvo. 
 
Uma personagem feminina de Quincas Borba que vai na contramão de Sofia é quem e por quê? 
a) Dona Fernanda, pelo seu senso prático da vida. 
b) A comadre Angélica, por causa de seu altruísmo. 
c) Maria Benedita, porque ela vem da roça. 
d) A Tia Augusta, porqueela é manipuladora. 
e) O desespero de Dona Tonica. 
Comentários 
Alternativa A: incorreta. Dona Fernanda é diferente de Sofia por causa de sua simpatia universal 
(capítulo CLXXXVIII). Em relação ao senso prático, Sofia é mais sonhadora que Dona Fernando; porém, 
Sofia também é esperta e acordada para a vida social, apesar de sonhar muito e agir pouco. 
Alternativa B: incorreta. Essa personagem é secundária e só aparece no romance para cuidar do 
cachorro Quincas Borba quando o dono morre. Porém, ela nem fica com o cachorro, porque Rubião logo 
se decide por ficar com ele. 
Alternativa C: correta – gabarito. Sofia sente constantemente ciúme dela, primeiro, porque Maria 
Benedita é uma ingrata na sua opinião, apesar de vir da roça e ter sido educada pela própria Sofia. Depois, 
ela rouba o homem de interesse de Sofia – Carlos Maria. 
Alternativa D: incorreta. Nisso, Sofia pode até ser parecida com a mãe de Maria Benedita, nas 
qualidades da manipulação e dissimulação. Porém, Sofia não é mãe, ao passo que Tia Augusta faz isso, 
mesmo que distorcidamente, para proteger a filha. 
Alternativa E: incorreta. O desespero de Dona Tonica faz dela uma pessoa séria e a torna fechada 
para o mundo. Apesar de lutar no início para conseguir um marido, depois que o noivo falece Dona Tonica 
chora tanto que fica com olhos como que doentes. Isso mostra despreparo para lidar com o mundo e as 
adversidades da vida. Sofia é esperta, mas em situações subjetivas ela nem sempre sabe agir. Ela está 
acostumada a ter todas as atenções para si mesmo, mas não tem a de Carlos Maria. 
Gabarito: C. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
31. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
QUANDO o testamento foi aberto, Rubião quase caiu para trás. Adivinhais por que era nomeado 
herdeiro universal do testador. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
Esse trecho choca sobretudo por causa 
a) do registro informal da linguagem. 
b) do uso da figura da metalinguagem. 
c) da ênfase em termos estrangeiros. 
d) do vocabulário incompreensível. 
e) da metáfora involuntária. 
Comentários 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 134 
 Alternativa A: correta – gabarito. Apesar de apresentar predominantemente vocabulário 
rebuscado e ironia fina e requintada, Machado de Assis também lança mão de expressões populares e de 
coloquialismos. O procedimento tem a função de conferir espontaneidade e leveza à narrativa. 
 Alternativa B: incorreta. A metalinguagem se referencia a si mesmo, o romance, o capítulo, por 
exemplo. Não é o caso aqui. 
 Alternativa C: incorreta. Isso até pode ser verificado, mas em outros momentos, como por 
exemplo a frase do criado espanhol: “- Perro del infierno!” (cap. XXVIII). 
 Alternativa D: incorreta. O léxico de Machado pode ser garboso e desconhecido, mas não se pode 
dizer que é incompreensível. 
 Alternativa E: incorreta. Se há metáfora, ela é voluntária. Nada na narrativa de Machado é 
involuntário, tudo é proposital. Porém, aqui não há a figura de linguagem da metáfora. 
Gabarito: A. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
32. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
CAPÍTULO XLII 
A luz do fósforo deu à cara do major uma expressão de escárnio ou de outra cousa menos dura, 
mas não menos adversa. Rubião sentiu correr-lhe um frio pela espinha. Teria ouvido? visto? adivinha 
do? Estava ali um indiscreto, um mexeriqueiro? 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
O recurso estilístico aqui empregado é 
a) a digressão. 
b) o discurso indireto livre. 
c) a figura de linguagem. 
d) a ironia. 
e) o humor. 
Comentários 
 Alternativa A: incorreta. O trecho é pequeno, nem dá tempo de digredir. 
 Alternativa B: correta – gabarito. Trata-se da técnica de o narrador se apropriar da voz das 
personagens, no caso, por meio de interrogações, que reproduz as cogitações íntimas de Rubião: Teria 
ouvido? visto? adivinha do? Estava ali um indiscreto, um mexeriqueiro? Atenção: aqui, a pontuação é 
aliada de vocês – a interrogação indica a dúvida da personagem, ou seja, o discurso indireto livre. 
Alternativa C: incorreta. O discurso indireto livre é um recurso expressivo de estilo e de discurso, 
e não uma figura de linguagem. 
Alternativa D: incorreta. Apesar de haver humor entremeado no romance inteiro, aqui trata-se da 
incerteza da personagem. 
Alternativa E: incorreta. Novamente, consiste no incômodo da personagem. Não há espaço para o 
humor, apenas para a preocupação. 
Gabarito: A. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
33. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 135 
 
TEXTO I 
Capítulo IX 
Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe 
o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava 
lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-
lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos 
de ambição; para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e 
franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e 
volvia-se preguiçoso resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que 
o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores 
aventureiros. 
E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão 
português: e Jerônimo abrasileirou-se. 
AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 
 
TEXTO II 
Capítulo III 
Rubião suspirou, cruzou as pernas, e bateu com as borlas do chambre sobre os joelhos. Sentia 
que não era inteiramente feliz; mas sentia também que não estava longe a felicidade completa. 
Recompunha de cabeça uns modos, uns olhos, uns requebros sem explicação, a não ser esta, que ela o 
amava, e que o amava muito. Não era velho ia fazer quarenta e um anos, e, rigorosamente, parecia 
menos. Esta observação foi acompanhada de um gesto; passou a mão pelo queixo barbeado todos os 
dias, cousa que não fazia dantes, por economia e desnecessidade. Um simples professor! 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
A característica que une as personagens de Jerônimo e Rubião é 
a) o costume aos hábitos. 
b) a visão pessimista da vida. 
c) a resistência à mudança. 
d) o egoísmo e a antipatia. 
e) a resignação frente ao mundo. 
Comentários 
 Alternativa A: correta – gabarito. Isso torna-se claro com o “abrasileirou-se” no primeiro trecho e 
o “cousa que não fazia dantes” no segundo. Trata-se de uma mudança de vida, de hábitos e de costumes. 
Alternativa B: incorreta. Não há pessimismo nesses trechos, mas sim o contrário – um movimento 
rumo à benesse, à aclimatização, ao processo de tornar a vida confortável. 
Alternativa C: incorreta. Jerônimo no início até podia ter resistido, relembrando a sua terra 
portuguesa. Porém, Rubião aceitou bem a grande herança que recebera. 
Alternativa D: incorreta. Essas não são características dessas personagens. 
Alternativa E: incorreta. Para eles, é fácil aceitar o mundo como é, até porque o mundo deles é 
muito bom: Jerônimo está na agradável terra tropical do Brasil e Rubião acabara de herdar uma fortuna. 
Gabarito: A. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
34. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 136 
 
TEXTO I 
Capítulo VI 
– Bolha não tem opinião. Aparentemente, hánada mais contristador que uma dessas terríveis 
pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque 
elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à 
descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de 
corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? É 
D. Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra que continua eterna nos exemplares 
subsistentes e nas edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e 
supradivino. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
TEXTO II 
Capítulo VI 
Era o que ele estudava. “A estrutura, quer dizer, a estrutura” – ele repetia e abria as mãos 
branquíssimas ao esboçar o gesto redondo. Eu ficava olhando seu gesto impreciso porque uma bolha 
de sabão é mesmo imprecisa, nem sólida nem líquida, nem realidade nem sonho. Película e oco. “A 
estrutura da bolha de sabão, compreende?” Não compreendia. Não tinha importância. 
Importante era o quintal da minha meninice com seus verdes canudos de mamoeiro, quando cortava 
os mais tenros que sopravam as bolas maiores, mais perfeitas. 
Lygia Fagundes Telles, A estrutura da bolha de sabão, 1973. 
 
Ambos os trechos lançam vieses diferentes sobre o objeto da bolha. Sobre isso, é correto afirmar que 
a) o primeiro viés é acadêmico e o segundo técnico. 
b) o primeiro viés é filosófico e o segundo lírico. 
c) o primeiro viés é denotativo e o segundo conotativo. 
d) o primeiro viés é bíblico e o segundo é profano. 
e) o primeiro viés é poético e o segundo formal. 
Comentários 
Alternativa A: incorreta. Nesse sentido, ambos os vieses são literários. 
Alternativa B: correta – gabarito. Quincas Borba está explicando a sua filosofia da Humanitas. Ele 
não está nem aí para uma bolha, ela é um objeto e não significa nada, não pensa, não age. No segundo 
trecho, a bolha de sabão é comparada a um sonho. 
Alternativa C: incorreta. O sentido denotativo é do dicionário e o conotativo do coração. No 
segundo trecho, até pode ser, mas no primeiro, apesar do rigor formal da linguagem filosófica, não há 
sentido de dicionário, mas sim distorção de sentidos para aplicação filosófica. 
Alternativa D: incorreta. Apesar de Machado recorrer frequentemente em Quincas Borba ao tom 
bíblico, esse não é um caso. 
Alternativa E: incorreta. É o contrário. 
Gabarito: B. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
35. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 137 
Pobre do Palha – queria enriquecer e se viu violentado por dentro, com a consciência mudada. 
A bela Sofia, convidando sem oferecer, malogra-se ao oferecer sem correspondência. Teófilo quer ser 
ministro – não alcança a farda e o coupé, mas a política o devora. Quincas Borba quer a filosofia, a 
loucura o mata. Nenhum deles foi o que é – nenhum conhecia o púnico apelo autêntico, o apelo 
honrado do homem sem máscara, o homem nu. O torvelinho cegou as personagens e o senhor das 
personagens: todos perderam o jogo. O moralista, com suas leis, seus saltos e suas cabriolas, não era 
mais possível como verdade e como sonho. O mundo pertence às instituições, às estruturas sociais, às 
classes – o humour é apenas o expediente entre dois momentos, o que passou e o que não chegou. O 
mundo não vai acabar – a tragédia não abrirá o pano. Um mundo acabou – a comédia já não faz rir. 
FAORO, Raymundo. Machado de Assis: a pirâmide e o trapézio. 
 
Uma das características do romance realista – em contraposição ao romance romântico – é o choque 
da realidade e as desilusões da vida. Em que outra passagem de outra obra de Machado pode se 
constatar semelhante visão de mundo? 
a) “Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro 
para fora, outra que olha de fora para dentro... A alma exterior pode ser um espírito, um fluído, um 
homem, muitos homens, um objeto, uma operação” (O espelho). 
b) “Assim foi; não lhe leu nada nos olhos, a não ser a ironia e a paciência, mas não se pôde ter que lhes 
não desse uma forma de palavra, com as suas regras de sintaxe. A própria ironia estava acaso na retina 
dele. O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio” (cap. XLI 
– Esaú e Jacó). 
c) “A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a 
suspeitar que é um continente.” (O alienista). 
d) “Nesse gênero há porventura alguma coisa que reformar, e eu proporia, como ensaio, que as peças 
começassem pelo fim. Otelo mataria a si e a Desdêmona no primeiro ato, os três seguintes seriam dados 
à ação lenta e decrescente do ciúme, e o último ficaria só com as cenas iniciais da ameaça dos turcos, as 
explicações de Otelo e Desdêmona, e o bom conselho do fino Iago: "Mete dinheiro na bolsa” (cap. LXXII 
– Dom Casmurro). 
e) “Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, 
não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de 
não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a 
semidemência do Quincas Borba” (cap. CLX – Memórias póstumas de Brás Cubas). 
Comentários 
Atenção: por mais que vocês, alunos, não conheçam as outras obras, a intertextualidade e o diálogo 
entre as obras de Machado de Assis é um pressuposto que a banca pode requisitar. Por isso, é importante 
conhecer o maior número de obras possíveis. Além disso, a questão também contava com a visão de 
mundo do aluno, e da sacada de que a visão de mundo condizente com a desilusão é o pessimismo. 
Alternativa A: incorreta. Descrição da teoria da personagem Jacobina, como visto na teoria, também 
pode ser transposto para a teoria literária: toda narrativa consiste num fazer subjetivo e objetivo, como 
se também tivesse “duas almas”. Não é uma visão de mundo, mas sim uma técnica. 
 Alternativa B: incorreta. Trata-se de um procedimento literário – o olho clínico, como se fosse uma 
máquina fotográfica. Traduz muito da técnica realista e da descrição pormenorizada dos fatos sociais. 
Consiste numa técnica narrativa e literária, não de uma visão de mundo. 
Alternativa C: incorreta. Apesar de haver um paralelo entre Quincas Borba e O alienista por causa 
do motivo da loucura, o trecho não reproduz a visão do mundo do pessimismo. 
Alternativa D: incorreta. O caso é de intertextualidade com a ora Otelo, de William Shakespeare, e 
não necessariamente de pessimismo, apesar de ser uma obra trágica. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 138 
Alternativa E: correta – gabarito. No capítulo CC de Quincas Borba inclusive esse pessimismo se 
converte em um grande vazio, um grande nada: “POUCOS DIAS DEPOIS morreu... Não morreu súbdito 
nem vencido. Antes de principiar a agonia, que foi curta, pôs a coroa na cabeça, -uma coroa que não era, 
ao menos, chapéu velho ou uma bacia, onde os espectadores palpassem a ilusão. Não, senhor; ele ou em 
nada, levantou nada e cingiu nada; só ele via a insígnia imperial, pesada de ouro, de brilhantes e outras 
pedras preciosas. O esforço que fizera para erguer meio corpo não ou muito; o corpo caiu outra vez; o 
rosto conservou porventura uma expressão gloriosa.” 
E ainda: “Tal redundância nada tem de ocasional. É a forma com que esta narrativa dá conta de uma 
vacuidade essencial” (RIBEIRO, 1996, p. 360). 
Gabarito: E. 
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36. (Questão Autoral – Professora Luana Signorelli – 2019) 
 
TEXTO I 
Capítulo III 
UM CRIADO trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhedeitava açúcar, ia 
disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava 
de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se 
explica este par de figuras que aqui está na sala, um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de 
escolher, escolheria a bandeja, – primor de argentaria, execução fina e acabada. O criado esperava teso 
e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais 
que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras 
em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu 
com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem o pôde 
deixar na cozinha, onde reinava um francês, foi degradado a outros serviços. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 
 
TEXTO II 
Sonetilho do falso Fernando Pessoa – Carlos Drummond de Andrade 
Onde nasci, morri. 
Onde morri, existo. 
E das peles que visto 
muitas há que não vi. 
 
Sem mim como sem ti 
posso durar. Desisto 
de tudo quanto é misto 
e que odiei ou senti. 
Nem Fausto nem Mefisto, 
à deusa que se ri 
deste nosso aoristo*, 
eis-me a dizer: assisto 
além, nenhum, aqui, 
mas não sou eu, nem isto. 
Carlos Drummond de Andrade. In: Claro Enigma. 
*colóquio íntimo entre esposos. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 139 
 
A crítica costuma dizer que Machado de Assis é tão profundo que antecipa algumas questões do século 
XX. Nesse contexto, é correto afirmar que 
a) o narrador de Quincas Borba é em primeira pessoa, ao passo que o eu lírico de Drummond usa a terceira 
pessoa. 
b) Sofia e Rubião passam por um aoristo. 
c) as figuras de Fausto e Mefistófeles podem ser comparadas aos bustos de Napoleão I e Napoleão III ao 
final de Quincas Borba. 
d) a intertextualidade conecta autores como Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade, mesmo 
sendo de movimentos literários diferentes. 
e) A Humanitas é a redução da pessoa a objeto, como em “como um pedaço da província” (texto I) e 
(Onde nasci, morri). 
Comentários 
 “É um frio Mefistófeles que aparece nos hiatos conscientes do supersticioso e simplório Rubião. 
É como se este, megalômano, fosse um pobre Fausto sem ciências, conforme a sugestão que se pode 
tomar, alusivamente, à presença das duas estatuetas – de Fausto e de Mefistófeles -que lhe foram 
compradas quando da instalação e decoração do seu palacete na Corte. Com o delírio da grandeza, ele 
pagaria o preço da vaidade que não lhe cabia como prêmio da vida, uma vez que no plano da existência 
em que é focalizado não existe alma para ser redimida” (CASTELLO, 2008, p. 139). 
Alternativa A: incorreta. É o contrário: o narrador de Quincas Borba é predominantemente em 
terceira pessoa e o eu lírico de Drummond é em primeira pessoa. 
Alternativa B: incorreta. Sofia não chega a concretizar um caso com Rubião, para passarem por um 
aoristo. O colóquio que eles têm sob a lua a incomoda, não é carinhoso nem confortável para ela. 
Alternativa C: incorreta. Até pode ser um paralelo que Machado de Assis sabiamente conduz – a 
recorrências dessas figuras literárias e as das outras históricas, no início e no fim do livro, como que para 
atar as duas pontas da vida – porém, não há embasamento para isso ser afirmado. 
Alternativa D: correta – gabarito. Ambos se valem da obra de Fausto, do alemão Johann Wolfgang 
von Goethe (1749-1832). Drummond, nesse caso, vai além, a começar pelo próprio título do poema – 
estabelece intertextualidade com o modernista português Fernando Pessoa. 
Alternativa E: incorreta. A primeira afirmação até procede, o escravo é reduzido a um objeto da 
mobília, não importando a nacionalidade dele; porém, no segundo caso, há uma contradição apenas. 
Gabarito: D. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
37. (Estratégia Vestibulares 2020 – 1o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) 
 
Carlos Maria afagou-lhe os cabelos, e murmurou sério: — Bernadotte* foi rei, e Bonaparte 
imperador. Você queria ser a rainha-mãe da Suécia? 
Maria Benedita não entendeu a pergunta nem ele a explicou. Para explicá-la seria mister dizer 
que possivelmente trazia ela no seio um Bernadotte; mas esta suposição significava um desejo, e o 
desejo uma confissão de inferioridade. Carlos Maria espalmou outra vez as mãos sobre a cabeça da 
mulher, com um gesto que parecia dizer: “Maria, tu escolheste a melhor parte...” E ela pareceu 
entender o sentido daquele gesto. 
— Sim! sim! 
 O marido sorriu e tornou à revista inglesa. Ela, encostada à poltrona, passava-lhe os dedos pelos 
cabelos, muito ao de leve e caladinha para não perturbá-lo. Ele ia lendo, lendo, lendo. Mana Benedita 
foi atenuando a carícia, retirando os dedos aos poucos, até que saiu da sala, onde Carlos Maria 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 140 
continuou a ler um estudo de Sir Charles Little, M. P., sobre a famosa estatueta de Narciso, do Museu 
de Nápoles. 
Machado de Assis, Quincas Borba. São Paulo: Ateliê Editorial, 2016, p. 345-346. 
*Jean-Baptiste Bernadotte (1763-1844): marechal da França sob Napoleão Bonaparte. Reinou simultaneamente 
a Suécia e a Noruega de 1818 até o ano de sua morte. 
 
O mito de Narciso sobreviveu em mais de uma versão, sendo uma das mais conhecidas a representada 
por Ovídio em suas Metamorfoses (8 d. C.). Sua abrangência já perpassou igualmente as artes plásticas 
e a psicologia. Nesse trecho específico do romance, sugere-se que o narcisismo 
a) marca a relação do casal Carlos Maria e Maria Benedita, sendo que ela é submissa, ao passo que ele 
saboreia a leitura do jornal a seu bem prazer. 
b) expressa a força das figuras representativas nesse romance histórico, pois Napoleão será símbolo de 
loucura tanto para Carlos Maria quanto para Rubião. 
c) produz um recurso estilístico que vai unir a mitologia à historiografia ao representar a tradição greco-
latina bem como a política britânica. 
d) contrasta o mito antigo com o seu reaproveitamento no século XIX, numa sociedade decadente e mais 
crente no cristianismo que no paganismo. 
e) comprova a erudição de Maria Benedita, conhecedora de museus italianos, cuja inteligência foi o que 
atraiu Carlos Maria. 
Comentários 
 Alternativa A: correta – gabarito. O destino do casal está marcado inclusive nos seus nomes 
iguais. A submissão dela é gritante no trecho “muito ao de leve e caladinha para não perturbá-lo”. No 
fundo, o trecho revela a ironia machadiana. 
 Alternativa B: incorreta. Rubião vive o drama entre o grande Napoleão I e seu sobrinho Napoleão 
III, que já não era tão grande assim e vai perder as Guerras Franco-Prussianas. Porém, só Rubião 
enlouquece, enquanto Carlos Maria acaba na melhor: casado e esperando filho de Maria Benedita. 
 Alternativa C: incorreta. As siglas M. P. significam “member of parliament” (deputado). Porém, 
não se sabe quem foi esse personagem de Sir Charles Little, sendo que sua existência não é comprovada 
como sendo nem histórica nem ficcional. 
 Alternativa D: incorreta. Embora haja muita intertextualidade com a Bíblia em Quincas Borba, a 
questão aqui não é religiosa, mas sim comportamental, social. 
 Alternativa E: incorreta. Pelo contrário: Carlos Maria acaba se casando com Maria Benedita 
justamente por ela ser muito diferente dele. Caipira, da roça, eles formam um casal ideal, pois Carlos 
Maria sempre iria se sentir naturalmente superior a ela. 
Gabarito: A. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
38. (Estratégia Vestibulares 2020 – 2o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) 
TEXTOS PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES 
 
TEXTO I 
Dona Tonica foi buscar o retrato.Era uma fotografia; representava um homem de meia-idade, 
cabelo curto, raro, olhando espantado para a gente, cara chupada, pescoço fino e paletó abotoado. 
– Que lhe parece? 
– Muito bem. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 141 
Dona Tonica recebeu o retrato e fitou-o alguns instantes; mas, tirou logo os olhos, e deixou-se 
estar sentada, enquanto a imaginação saiu a esperar o Rodrigues. Chamava-se Rodrigues. Era mais 
baixo que ela – coisa que o retrato não dava – e empregado em uma repartição do ministério da guerra. 
Viúvo, com dois filhos, um que estava no batalhão dos menores, outro que era tuberculoso – doze anos 
– condenado à morte. Que importa? Era o noivo; todas as noites, ao recolher-se, dona Tonica ajoelhava-
se ante a imagem de Nossa Senhora, sua madrinha, agradecia-lhe o favor e pedia-lhe que a fizesse feliz. 
Sonhava já com um filho; havia de chamar-lhe Álvaro. 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2016, p. 358-359. 
 
TEXTO II 
 Mas passemos ao Humanitismo, a mais célebre das filosofias machadianas. Como sugere o 
nome, trata-se de uma sátira à floração oitocentista de ismos, com alusão explícita à religião comtiana 
da humanidade. Os raciocínios fazem pensar em mais outras filiações, já que em lugar dos princípios 
positivistas afirmam a luta de todos contra todos, à maneira do darwinismo social. A própria guerra 
generalizada, contudo, não passa de ilusão, pois tem fundamento monista: Humanitas é o princípio 
único de todas as coisas, residindo igualmente nas partes vencida e vencedora, no condenado e no 
algoz, de sorte que não há perda alguma onde parece haver uma desgraça. Daí que a dor não existe 
nem tem cabimento. “(...) substancialmente, é Humanitas que corrige em Humanitas uma infração à lei 
de Humanitas” [Memórias póstumas de Brás Cubas]. 
 A par das teses da struggle for life, o Humanitismo inclui o elogio da sociedade hierárquica e 
ritualizada, difícil de conciliar com aquelas primeiras. A inconsistência contribui para o tom geral de 
disparate, sem prejuízo de captar admiravelmente a aspiração por “ordem e progresso” de várias 
teorias sociológicas do tempo, que ao propósito científico e antitradicional uniam uma posição 
conservadora, bem como formas sucedâneas de providencialismo e culto religioso. 
SCHWARZ, Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo – Machado de Assis. 3. ed. 
São Paulo: Editora 34, 1997, p. 155. 
 
No trecho I, a passagem do romance realista denota vários elementos presentes no estilo do autor, 
EXCETO: 
a) o realismo, expresso no desespero psicológico. 
b) a religiosidade e a crença no próprio bem. 
c) o humor negro, o que comprova a Humanitas. 
d) a ironia, verificada na pressa por se casar. 
e) a metalinguagem do retrato no retrato. 
Comentários 
Questão inspirada na prova FUVEST 2019. 
Alternativa A: correta. Dona Tonica é uma mulher madura, de 39 anos, desesperada para casar a 
qualquer custo. Machado de Assis trata do costume social do casamento e do desespero psicológico da 
mulher para arranjar um marido. 
 Alternativa B: correta. Isso porque Dona Tonica se ajoelhava toda noite em frente à Nossa Senhora, 
para agradecer pelo destino bom dado a si. 
 Alternativa C: correta. O humor de Machado de Assis advém da tradição inglesa do humour, isto 
é, um humor que mescla elementos cômicos e trágicos. A Humanitas será explicada na questão seguinte. 
 Alternativa D: correta. No fundo, essa ironia vai se revelar como ironia trágica, pois o marido de 
Tonica morre 3 dias antes de eles se casarem. Daí então, todas suas expectativas são frustradas. 
 Alternativa E: incorreta – gabarito. Cuidado: embora esta também seja uma característica do estilo 
machadiano, ela não é predominante no trecho. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 142 
Gabarito: E. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
39. (Estratégia Vestibulares 2020 – 2o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) Dona Tonica 
não usufrui do privilégio do casamento nem da família que tanto almejava. Haja vista essa consideração 
e o texto II, é possível afirmar que a Humanitas 
a) manifesta um desapego da filosofia. 
b) reivindica a utopia romântica. 
c) extrapola o pensamento político nacional. 
d) denuncia uma sociedade que se desumanizou. 
e) critica o sentimentalismo das mulheres. 
Comentários 
 Alternativa A: incorreta. Pelo contrário: mostra um domínio de várias filosofias, a ponto de criticá-
las e nelas apontar seus respectivos erros. 
 Alternativa B: incorreta. Pelo contrário: trata-se de uma visão de mundo objetiva, cruel. Logo, o 
idealismo é abandonado. Quincas Borba (filósofo) não se importava que avó tenha morrido, exemplo que 
ele dá para explicar sua teoria. 
 Alternativa C: incorreta. Humanitas pode sim ser usada para explicar a política. Machado de Assis 
é importante para pensar o Brasil ainda hoje e a atualidade do Realismo. 
 Alternativa D: correta – gabarito. Distorção e oposto do humanismo, a filosofia de Humanitas 
prescreve que a ordem do mundo favorece a hierarquia. Pode ser considerada como uma sátira do 
darwinismo, sátira porque é como se fosse um darwinismo “que não deu certo”. 
A teoria de Humanitas é uma paródia (uma síntese) de diversas reflexões concebidas a partir do século 
XV, o que ilustra a erudição e o repertório cultural de Machado. É chamada também de lei da selva, ou o 
conceito de surviving the fittest (sobrevivendo ao mais forte) de Spencer. 
 Alternativa E: incorreta. Pelo contrário: nesse trecho, observa-se a frieza e a crueldade também 
nas mulheres, que não são mais idealizadas e românticas. 
Gabarito: D. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
40. (Estratégia Vestibulares 2020 – 4o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) 
 
CAPÍTULO III 
Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia 
disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava 
de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se 
explica este par de figuras que aqui está na sala, um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de 
escolher, escolheria a bandeja – primor de argentaria, execução fina e acabada. O criado esperava teso 
e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais 
que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras 
em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu 
com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem o pôde 
deixar na cozinha, onde reinava um francês, foi degradado a outros serviços (...). 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ateliê Editorial, 2016, p. 88. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 143 
No excerto, o autor recorre à intertextualidade, dialogando com o mito de Johannes Fausto (1480-
1540), um médico que queria saber tudo e conhecer todas as artes. Para conquistar o seu objetivo, ele 
chega a fazer um pacto com o diabo Mefistófeles. No contexto maior do romance, sugere-se que essa 
alusão 
a) critica o oportunismo do Mefisto, que encarnou numa perspectiva cristã a oposição entre vida e morte. 
b) denuncia os abusos que aconteceram no plano histórico na Guerra Franco-Prussiana, sobretudo, por 
Napoleão. 
c) explora o elemento do tragicômico, uma vez que o criado é tão rebaixado que chega a ser comparado 
ao cão. 
d) reforça a tragicidade do texto ao evidenciar o contraste entre duas figuras com personalidades 
diferentes. 
e) valoriza a tendênciainiciada com a geração condoreira, no intuito de se posicionar como abolicionista. 
Comentários 
 Foram duas as inspirações para a elaboração dessa questões: provas da 1ª fase da FUVEST 2020 e 
2019. 
Alternativa A: incorreta. Rubião não está movido pela moral cristã, nem preocupado com nenhuma 
condenação. O predominante no trecho é a contradição: as duas figuras das estátuas de Mefistófeles e 
Fausto confundem-se com as personagens de Cristiano Palha, este sim oportunista, e Rubião, que se 
identifica com Fausto, pois no romance tudo o que ele faz é se deixar levar. 
 Alternativa B: incorreta. Atenção: Rubião, ao ganhar a herança, cultiva um modo de vida excêntrico 
e em seu escritório há várias estátuas e bustos. Alguns deles, realmente, são de Napoleão e Napoleão III 
(Luís Napoleão, seu sobrinho). Uma das críticas do romance é justamente o caminho do triunfo à ruína, 
que ocorre tanto no nível histórico (Guerra Franco-Prussiana) quanto no nível pessoal (Rubião). Daí a 
obsessão dessa personagem com figuras contraditórias, pois ele concentra em si essas forças. Porém, não 
se pode falar em “abuso”. 
 Alternativa C: incorreta. Cuidado: há tragicomédia em Quincas Borba, o que pode ser observado 
sobretudo no último capítulo do livro. Porém, o cachorro Quincas Borba não é mencionado nesse capítulo. 
Em todo caso, ele é elevado no romance, quase à condição de humano, como se ele tivesse sentimentos 
e encarnasse o dono. Nesse caso, há o rebaixamento do criado, mas não a sua respectiva animalização, 
até porque se trata de um romance realista, e não naturalista. 
 Alternativa D: correta – gabarito. No caso, são várias as figuras contraditórias no romance de 
Quincas Borba, o que reforça também a teoria da Humanitas, o ambiente de competitividade, a luta por 
sobrevivência a autoafirmação: 
 Alternativa E: incorreta. Pelo contrário: no trecho, os criados são rebaixados. A ironia é que Rubião 
queria manter seu criado de Minas Gerais, com quem já tinha familiaridade, mas foi convencido por 
Cristiano Palha a mudar de ideia. Segundo este, era preferível ter um criado de etnia branca, ainda que 
ele não fosse entendido. 
Gabarito: D. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
41. (Estratégia Vestibulares 2020 – 4o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) 
 
CAPÍTULO XIII 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 144 
A notícia correra a cidade; o vigário, o farmacêutico da casa, o médico, todos mandaram saber 
se era verdadeira. O agente do correio que a lera nas folhas, trouxe em mão própria ao Rubião uma 
carta que viera na mala para ele; podia ser do finado, conquanto a letra do sobrescrito fosse outra. 
 – Então afinal o homem espichou a canela? disse ele, enquanto Rubião abria a carta, corria à 
assinatura e lia Brás Cubas. Era um simples bilhete: 
O meu pobre amigo Quincas Borba faleceu ontem em minha casa, onde apareceu há tempos 
esfrangalhado e sórdido: frutos da doença. Antes de morrer pediu-me que lhe escrevesse, que lhe desse 
particularmente esta notícia, e muitos agradecimentos; que o resto se faria, segundo as praxes do foro 
(...). 
ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ateliê Editorial, 2016, p. 106. 
 
Atente para as seguintes afirmações relativas a essa passagem da narrativa de Quincas Borba. 
 
I. O autor revela tanto inovações no plano estrutural quanto intertextualidade interna. 
II. Quincas Borba, o filósofo, sente-se responsável pela formação de seus discípulos, mas não é 
correspondido em seu entusiasmo. 
III. Antes de morrer, Quincas Borba identifica-se com Santo Agostinho, buscando entre as 
aproximações possíveis até mesmo a comparação entre as mães. 
 
Está correto o que se afirma apenas em 
a) I. 
b) II. 
c) I e II. 
d) II e III. 
e) Todas estão corretas. 
Comentários 
 A inspiração para a elaboração dessa questão foi a prova da FUVEST 2019 – 1ª fase. 
 Afirmação I: correta. No romance, há vários experimentalismos, como escrita de bilhetes, cartas, 
notícias de jornal, Rubião rascunhando a sua assinatura de Marquês de Barbacena etc. Machado de Assis 
se espelhava em outros escritores, como o irlandês Lawrence Sterne em A vida e as opiniões de Tristram 
Shandy. Por outro lado, há o reaproveitamento da personagem de Brás Cubas, que já dá nome a um 
romance próprio em que protagoniza, publicado 10 anos antes de Quincas Borba. 
 Afirmação II: correta. Quincas Borba quer encontrar um aluno a todo custo. Primeiro, força a barra 
com Brás Cubas, que não está nem aí para os seus aprendizados e o evita. Depois, com Rubião, que não 
se sabe se se aproximou de Quincas Borba por interesse ou realmente para aprender a sua filosofia. Faz 
parte de mais uma da ironias e ambiguidades de Machado de Assis. 
 Afirmação III: correta. Em uma carta presente no capítulo X, Quincas Borba 
comprova mais uma ironia: como se a loucura fosse circular ou hereditária, passando 
dele para Rubião. Pois o fato é que Quincas Borba, ao fim da vida, torna-se demente, 
está crente de que é Santo Agostinho, e encontra 4 paralelos para se justificar: 
1) O santo e ele passaram uma parte do tempo nos deleites e na heresia; 
2) Ambos furtaram (Santo Agostinho peras em Cartago; Quincas Borba um relógio 
de Brás Cubas); 
3) Ambos tinham mães religiosas e castas; 
4) Ambos acreditavam na mesma coisa, isto é, tinham a mesma filosofia: que tudo 
que existe é bom, como se a filosofia de Santo Agostinho fosse a precursora de Humanitas. 
Gabarito: E. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – LITERATURA PARA FUVEST 2023 
 
 AULA DE OBRAS LITERÁRIAS: MACHADO DE ASSIS – QUINCAS BORBA 145 
 
42. (Estratégia Vestibulares 2020 – 5o Simulado FUVEST 2021 – Professora Luana Signorelli) 
Nascera na roça e gostava da roça. A roça era perto, Iguaçu. De longe em longe vinha à cidade, 
passar alguns dias; mas, ao cabo dos dous primeiros, já estava ansiosa por tornar a casa. A educação 
foi sumária: ler, escrever, doutrina e algumas obras de agulha. Nos últimos tempos (ia em dezenove 
anos), Sofia apertou com ela para aprender piano; a tia consentiu. Maria Benedita veio para a casa da 
prima, e ali esteve uns dezoito dias. Não pôde mais; doeram-lhe as saudades da mãe e voltou para a 
roça, deixando consternado o professor, que anunciou nela, desde os primeiros dias, um grande 
talento musical. 
– Oh! sem dúvida, um grande talento! 
Maria Benedita riu-se quando a prima lhe contou isto, e nunca mais pôde ver a sério o homem. 
Às vezes, no meio de uma lição, deitava a rir. Sofia contraía as sobrancelhas, a modo de ralho, e o 
pobre homem perguntava o que era, e de si mesmo explicava que havia de ser alguma lembrança de 
moça, e continuava a lição. Nem piano nem francês, – outra lacuna, que Sofia mal podia desculpar. D. 
Maria Augusta não compreendia a consternação da sobrinha. Para que francês! A sobrinha dizia-lhe 
que era indispensável para conversar, para ir às lojas, para ler um romance... 
ASSIS, Machado. Quincas Borba. 
 
De acordo com o texto, são representados dois modos de vida bem diferentes. Dentro da lógica do 
romance, pode-se inferir que a passagem condiz com 
a) a ironia machadiana, expressa no deboche de algumas personagens femininas ante a futilidade de 
outras. 
b) a humanitas machadiana, pois o professor de francês confessa que está apaixonado por Sofia, que já é 
casada. 
c) a digressão machadiana, haja vista o trecho estar escrito confusamente numa forma de diálogo não 
linear. 
d) o humor negro machadiano, já que o professor de piano indiretamente critica o comportamento de D. 
Maria Augusta. 
e) o determinismo machadiano, porque Machado de Assis se inspirou nos escritos de Zola para fundar 
seu estilo próprio. 
Comentários 
 Alternativa A: correta – gabarito. O deboche é da mãe de Maria Benedita: D. Maria Augusta. Por 
meio da expressão:

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