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GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 1
2 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR
CARACTERÍSTICAS 
CLIMÁTICAS DO 
TERRITÓRIO BRASILEIRO 
E DO GLOBO: 
MECANISMOS DO CLIMA 
CLIMA OU TEMPO?
 ƍ Para entender o significado de clima, é importante 
distingui-lo de tempo atmosférico. 
 ƍ O tempo corresponde a um estado momentâneo 
da atmosfera numa determinada área da 
superfície da Terra, que pode mudar em poucas 
horas ou mesmo de um instante para o outro por 
causa de fenômenos como temperatura, umidade, 
pressão do ar, ventos e nebulosidade. Já o clima 
corresponde ao comportamento do tempo em 
determinada área durante um período longo, de 
pelo menos 30 anos.
 ƍ O clima é o padrão da sucessão 
dos diferentes tipos de tempo 
que resultam do movimento 
constante da atmosfera.
Fatores Climáticos 
 ƍ Cada lugar ou região apresenta um clima próprio, 
porque cada um apresenta um conjunto distinto 
de fatores climáticos, ou seja, características que 
determinam o clima: latitude, altitude, massas 
de ar, continentalidade, maritimidade, correntes 
marítimas, relevo, vegetação e urbanização. 
 ƍ A conjugação desses fatores é responsável pelo 
comportamento da temperatura, da umidade e 
da pressão atmosférica, que são os atributos ou 
elementos climáticos do local.
O Albedo
 ƍ O tipo de superfície atingida pelos raios solares 
também exerce influência na diferença de 
temperatura atmosférica. O índice de reflexão de 
uma superfície o albedo varia de acordo com sua cor. 
 ƍ A cor, por sua vez, depende de sua composição 
química e de seu estado físico. 
 ƍ A neve, por ser branca, reflete até 90% dos raios 
solares incidentes, como pode ser visto no 
esquema abaixo, enquanto a Floresta Amazônica, 
por ser verde-escura, reflete até 20%. Quanto 
menor o albedo, maior a absorção de raios solares, 
maior o aquecimento e, consequentemente, a 
irradiação de calor.
3% a 10%
5% a 20%
12% a 90%
GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 3
Massas de Ar
 ƍ São grandes porções da atmosfera que possuem 
características comuns de temperatura, umidade 
e pressão e podem se estender por milhares de 
quilômetros. Formam-se quando o ar permanece 
estável por um tempo sobre uma superfície homogênea 
(o oceano, as calotas polares ou uma floresta, por 
exemplo) e se deslocam por diferença de pressão, 
levando consigo as condições de temperatura e 
umidade da região em que se originaram. Elas se 
transformam pela interação com outras massas, com as 
quais trocam calor e/ou umidade, e são chamadas de:
 ƍ Oceânicas: são massas de ar úmidas.
 ƍ Continentais: são massas de ar secas, embora 
haja também continentais úmidas, como as que 
se formam sobre grandes florestas.
 ƍ Tropicais e equatoriais: são massas de ar quentes.
 ƍ Temperadas e polares: são massas de ar frias.
Latitude 
Quanto maior a latitude (mais perto dos pólos - 90º norte 
ou sul), mais frio será. E quanto menor a latitude (mais perto 
do equador - 0º), mais quente será. Junto ao equador os 
raios solares são mais concentrados porque atingem uma 
área menor e nas 
grandes latitudes 
são dispersos pois 
atingem uma área 
bem maior.
 
Altitude
A altitude influencia o clima, sobretudo através da 
pressão atmosférica. Sabe-se que a pressão do ar é 
responsável pelo aumento das temperaturas. Assim, 
quanto maior a pressão, mais quente fica; quanto 
menor a pressão, mais frio.
As regiões da Terra que se encontram mais próximas 
do nível do mar, isto é, que possuem menores 
altitudes, sofrem com uma maior pressão atmosférica, 
tornando-se mais quentes. Aquelas regiões com maior 
altitude, por outro lado, sofrem menos com a pressão 
atmosférica, tornando-se mais frias.
Assim, quanto maior a altitude, menor a temperatura; 
quanto menor a altitude, maior a temperatura. 
Também é importante enfatizar que regiões mais altas, 
geralmente, possuem maiores incidências de ventos 
e precipitações (em forma de chuvas ou neve), o que 
também contribui para a queda das temperaturas.
 
Fonte: Internet
75% a 90%
Influência da 
Latitude na 
Temperatura Média 
Fonte: E. Sene e J.C 
Moreira. Geografia 
Geral e do Brasil 
Influência da Latitude na Temperatura do Brasil
Fonte: E. Sene e J.C Moreira. Geografia Geral e do Brasil 
Efeito da altitude na temperatura. Fonte: E. Sene e J.C 
Moreira. Geografia Geral e do Brasil 
4 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR
TIPOS CLIMÁTICOS
Polares: é o clima com as menores temperaturas 
do planeta: no inverno, ela permanece em torno de 
-30ºC e, no verão, a média é de 4ºC. está presente 
no extremo norte do Canadá, da Rússia e do Alasca, 
em parte da península Escandinava e na Antártica. 
A umidade relativa do ar é alta entre 70% e 80%, 
mas a precipitação, bastante reduzida: cerca de 100 
milímetros de neve acumulados ao ano. 
Temperados: Apresentam as quatro estações bem 
definidas. Há diferenças entre os locais próximos e os 
que estão longe do mar. E se dividem, basicamente, em:
• Temperado Mediterrâneo: É o clima predominante 
no sul da Europa, golfo do México e sudeste da 
China, entre outras regiões. Os verões são quentes e 
secos – a temperatura chega a 30ºC – e os invernos, 
moderados e com um pouco de chuva. As mínimas 
de temperatura podem atingir 0ºC.
• Temperado Continental: Também de latitudes 
médias, o temperado continental está presente nas 
áreas interiores da América do Norte, da Europa 
e do leste da Ásia. O inverno é muito rigoroso e o 
verão quente - as médias de temperatura são -5ºC 
e 24ºC, respectivamente. As chuvas são escassas, 
sobretudo no inverno. É interessante notar que, 
apesar de estarem ambos nas mesmas latitudes, os 
climas temperados oceânico e continental são muito 
diferentes, por causa da distância em relação ao mar. 
No temperado continental, é a continentalidade 
que justifica a umidade relativa do ar mais baixa e a 
grande amplitude térmica anual.
• Temperado Oceânico: Presente nas regiões de litoral 
das latitudes médias, como o oeste e noroeste da 
Europa. As chuvas são abundantes durante o ano 
e as temperaturas não sofrem muita variação - 
os invernos são frios (média de -3ºC) e os verões, 
frescos (média de 15ºC). A proximidade com o mar 
(maritimidade) é um fator de influência nesse clima: 
GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 5
a água, que demora mais para se aquecer e, depois, 
para se esfriar, mantém a amplitude térmica baixa no 
continente. As chuvas bem distribuídas no decorrer 
do ano também se devem à umidade da região 
litorânea, que recebe as massas de ar do oceano. 
Tropical: Fica nas áreas entre os trópicos de Câncer e de 
Capricórnio, cobrindo grande parte do território brasileiro 
e do continente africano, Índia, península da Indochina 
e norte da Austrália. O clima é quente, com média anual 
superior a 20ºC. As chuvas são intensas no verão e, no 
estante do ano, ocorrem mais nas regiões próximas ao 
mar. No Sudeste Asiático, destacam-se as chuvas de 
monções, tempestades torrenciais provocadas pelo vento 
úmido que sopra do oceano. Quando começa o verão, o 
continente se esquenta rapidamente, formando uma 
zona de baixa pressão, e as massas de ar do oceano trazem 
as chuvas; essa dinâmica, comum em outros pontos do 
planeta, tem maiores proporções nessa região em virtude 
da vastidão da terra (o continente asiático) e de mar (os 
oceanos Índico e Pacífico) envolvida no fenômeno.
Equatorial: Quente e úmido durante o ano todo, está 
presente na região da linha do Equador e nas áreas de 
baixa latitude, como a América Central, a Indonésia, a 
região central da África e o norte do Brasil. A umidade 
relativa do ar é elevada, com média anual de 90%, e a 
chuva é abundante durante o ano todo. A temperatura 
também é alta e estável, com média anual de 25ºC ; 
Subtropical: É o clima das regiões ao sul do trópico de 
Capricórnio: sul de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e 
Rio Grande do Sul. A quantidade de chuva não varia muito 
durante o ano, mas as temperaturas mudam bastante: o 
inverno é frio e o verão, quente. 
Tropical Árido: Ocorre em regiões como o Saara, o centro 
da Austrália, norte doMéxico e sul dos EUA. O índice 
pluviométrico é baixíssimo: a média anual de precipitação 
é inferior a 250 milímetros, o equivalente a cerca de um 
mês de chuva no clima equatorial. A umidade relativa 
do ar também é muito baixa, cerca de 40%. A amplitude 
térmica diária é elevada: de dia a temperatura ultrapassa 
os 40ºC e, à noite, chega a graus negativos.
Continental árido: Clima seco, presente nas regiões 
temperadas: Ásia Central (Cazaquistão, no interior 
da China e Mongólia), Patagônia e planalto oeste das 
Montanhas Rochosas (EUA). A precipitação é tão 
escassa quanto a do clima tropical árido, abaixo dos 
250 milímetros por ano, mas, diferentemente deste, a 
temperatura apresenta grande variação no decorrer do 
ano: no verão, a média é de 17ºC e, no inverno, de -20ºC.
Montanhoso: Ocorre nas cadeias de montanhas ao redor 
do globo: áreas elevadas dos Andes, Montanhas Rochosas, 
Alpes e Himalaia. É um clima frio, com temperatura que 
diminui 6ºC a cada mil metros de altitude. Acima dos 2 mil 
metros há neve constante. A umidade relativa do ar varia 
conforme o lado da cadeia: a média é de 90 do lado do vento 
(barlavento), caindo para até 30 do lado contrário (sotavento). 
A quantidade de precipitação também é variável, chegando 
a 2 mil milímetros por ano nas regiões tropicais.
Influência das correntes marítimas 
São grandes volumes de água que se deslocam pelo 
oceano, quase sempre nas mesmas direções, como se 
fossem “rios” dentro do mar. As correntes marítimas 
são movimentadas pela ação dos ventos e pela 
influência da rotação da Terra, que as desloca para 
oeste no hemisfério norte, as correntes circulam no 
sentido horário, e no hemisfério sul, anti-horário. 
Diferenciam-se em temperatura, salinidade e direção 
das águas do entorno dos continentes. Causam forte 
influência no clima, principalmente porque alteram 
a temperatura atmosférica, e são importantes para 
a atividade pesqueira: em áreas de encontro de 
correntes quentes e frias, aumenta a disponibilidade 
de plâncton, que serve de alimento para cardumes.
 
Maritimidade e Continentalidade
Maior amplitude térmica longe dos mares e oceanos. 
Isso acontece porque a água demora mais a aquecer e 
a esfriar do que os continentes. Em áreas sujeitas aos 
efeitos da maritimidade, a amplitude térmica é baixa 
durante o dia. Na medida em que distanciamos do 
litoral a variação de temperatura aumenta.
Influência das correntes marítimas e o relevo
Fonte: E. Sene e J.C Moreira. Geografia Geral e do Brasil
6 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR
Em regiões distantes de oceanos e mares o clima 
sofre influência da continentalidade. Nesse caso, 
a superfície terrestre absorve calor e se aquece 
rapidamente, entretanto, o resfriamento é rápido, o 
que favorece uma variação de temperatura durante o 
dia (amplitude térmica).
Um exemplo claro desse processo ocorre na Europa, 
países banhados por oceanos e mares enfrentam 
invernos relativamente moderados, enquanto que em 
áreas distantes de oceanos, como a Rússia, a estação é 
extremamente rigorosa.
Influência do Relevo 
 ƍ No Brasil, a disposição longitudinal das serras 
no centro-sul do país forma um “corredor” que 
facilita a circulação da Massa Polar Atlântica e 
dificulta a circulação da Massa Tropical Atlântica, 
vinda do oceano. 
 ƍ O relevo plano e baixo da bacia Platina permite 
que a Massa Polar Atlântica, no inverno do 
hemisfério sul, atinja o sul da Amazônia ocidental 
em algumas ocasiões, provocando queda brusca 
na temperatura, regionalmente conhecida por 
“friagem”. 
 ƍ Rio Branco-AC já registrou 7,9º C. 
AS CARACTERÍSTICAS CLIMÁTICAS 
DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
Zonas Climáticas
Por possuir 92% do território na Zona intertropical 
(Equador e Capricórnio) do planeta, grande extensão no 
sentido norte-sul e litoral com forte influência das massas 
de ar oceânicas, o Brasil apresenta predominância de 
climas quentes e úmidos. Em apenas 8% do território, ao 
sul do trópico de Capricórnio, ocorre o clima subtropical, 
que apresenta maior variação térmica e estações do ano 
mais bem definidas.
Domínio Equatorial; Domínio Tropical; Mancha 
Semiárida, Áreas Serranas do Sudeste, Domínio 
Subtropical.
 ƍ Existem vários mapas de classificação climática, 
elaborados com diferentes critérios. A classificação 
climática representada neste mapa foi elaborada 
pelo IBGE com base na medição sistemática da 
temperatura e nos índices pluviométricos em 
estações meteorológicas espalhadas pelo país. 
 
Fonte: E. Sene e J.C Moreira. Geografia Geral e do Brasil 
GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 7
Atuação das Massas de Ar no Brasil 
no Inverno e no Verão 
mEa: Massa Equatorial Atlântica
mEc: Massa Equatorial Continental
mTa: Massa Tropical Atlântica
mTc: Massa Tropical Continental 
mPa: Massa Polar Atlântica
Massas de Ar no Verão. Fonte: E. Sene e J.C Moreira. 
Geografia Geral e do Brasil
Massas de Ar no Inverno. Fonte: E. Sene e J.C Moreira. 
Geografia Geral e do Brasil
Avanço de frente fria no Brasil. Fonte: METROSUL.
Atuação da Zona de Convergência Intertropical 
(ZCIT) no verão. Fonte: CLIMATEMPO - CPTEC/INPE
8 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR
Fenômenos Naturais
O El Niño e La Niña, um fenômeno climático natural 
que ocorre em escala planetária e se manifesta 
aproximadamente a cada dois ou sete anos, em 
intervalos variados. Ele resulta de um aquecimento 
(de 3 °C a 7 °C acima da média) das águas do oceano 
Pacífico nas proximidades da linha do equador, como 
podemos observar nos esquemas a seguir.
 
(ZCIT) FONTE: CLIMATEMPO - CPTEC/INPE
Recife-PE. Clima Tropical úmido
Brasília-DF. Clima Tropical Central 
Manaus-AM. Clima Equatorial 
Cabrobó-PE. Clima Tropical Semiárido 
Efeitos do fenômeno El Niño em dez, jan e fev. Fontes : CENTRO DE 
PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS (CPTEC/INPE).
GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 9
El Niño e La Niña 
Nos anos em que o fenômeno ocorre, a América do 
Sul sofre ainda a ação de uma massa de ar quente 
e úmida periódica que atua no sentido noroeste-
sudeste. No Brasil, essa massa de ar desvia a umidade 
da Massa Equatorial Continental, a responsável pelas 
chuvas na Caatinga, em direção ao sul do país. A 
consequência é a ocorrência de enchentes no Brasil 
meridional e de seca na região do clima semiárido 
nordestino e extremo norte do país, principalmente 
em Roraima. Outra consequência é o desvio da Massa 
Polar Atlântica para o oceano Atlântico antes de 
atingir a região Sudeste, o que atenua a queda normal 
de temperaturas no inverno.
Existe outro fenômeno que ocorre com menor 
frequência. Denominado La Niña, provoca um 
resfriamento das águas superficiais do Pacífico na 
costa peruana, o que também altera as zonas de alta e 
baixa pressão, provocando mudanças na direção dos 
ventos e das massas de ar. As causas que determinam 
o aparecimento desses dois fenômenos naturais são 
desconhecidas. Observe os mapas da página a seguir.
Interferências Humanas no Clima 
A ação humana sobre o clima ocorre em diferentes 
escalas. Queimadas florestais ou usinas termelétricas, 
por exemplo, podem lançar grandes quantidades de 
poluentes na atmosfera. A ação individual de cada 
habitante é um importante fator para a busca do 
equilíbrio ambiental.
A formação de ilhas de calor facilita a ascensão do ar, 
formando uma zona de baixa pressão. Isso faz com 
que os ventos soprem, pelo menos durante o dia, para 
essa área central. No caso das grandes metrópoles com 
elevados índices de poluição, os ventos que sopram de 
zonas industriais periféricas rumo às zonas centrais 
concentram ainda mais poluentes. 
Efeitos do fenômeno La Niña em dez, jan e fev. Fontes : CENTRO DE 
PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS (CPTEC/INPE).
Fonte: Guia do estudante
Fonte: Disponível em: http://revistapesquisa.fapesp.br
10 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR
Nessas cidades, do alto dos prédios ou quando se está 
chegando por uma estrada, pode-se ver nitidamente 
uma “cúpula” acinzentada recobrindo-as.

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