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6 HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE 7 EXERCÍCIOS. 1. (Unesp 2022) Real alicerce da sociedade, os escravos chegaram a constituir, em regiões como o Recôncavo, na Bahia, mais de 75% da população. Desde o século XVI e até a extinção do tráfico, em 1850, o regime demográfico adverso verificado entre os cativos – em razão das mortes prematuras e da baixa taxa de nascimento – levou a uma taxa de crescimento negativo [...]. (Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia, 2018.) A variação demográfica indicada no excerto provocou a) a proibição das punições físicas e a melhoria no tratamento destinado aos escravizados. b) o surgimento de leis destinadas à redução do uso de escravizados nas lavouras de cana. c) o apoio da Coroa portuguesa ao apresamento e à escravização de indígenas. d) a necessidade constante de importação de mão de obra de africanos escravizados. e) o estímulo à imigração e a transição para o trabalho assalariado nas cidades e no campo. 2. (Unesp 2022) Os periódicos que circulavam no Brasil durante o Segundo Reinado (1840-1889) eram a) voltados à cobertura de questões e debates religiosos, uma vez que a maior parte da imprensa mantinha vínculo direto com a Igreja. b) editados no Rio de Janeiro e distribuídos, por meio fluvial ou marítimo, apenas para as capitais provinciais do país. c) provenientes de Portugal e se valiam da identidade linguística e de um público que já se habituara a eles desde os tempos da colônia. d) controlados estritamente pela Coroa, que censurava as publicações e impedia a divulgação de notícias contrárias ao regime ou ao imperador. e) publicados sobretudo pelos setores brancos hegemônicos, com a presença de alguns jornais escritos por negros e dedicados aos negros. 3. (Upf 2022) Em 1870, Castro Alves, o poeta dos escravos, escreveu Navio Negreiro, no contexto da campanha para o fim da escravidão. Leia a seguir um fragmento extraído desse poema e analise as afirmações a seguir, relacionadas ao contexto em que esse texto foi escrito. Era um sonho dantesco... o tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho. Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar de açoite... Legiões de homens negros como a noite, Horrendos a dançar... I. Milhões de pessoas foram trazidas de diversas partes da África para o Brasil e escravizadas ao longo de mais de três séculos. No entanto, a mão de obra escrava utilizada no Brasil não foi exclusivamente africana. II. O Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão, mantendo-a por praticamente todo o período Imperial. III. Em 1850 é aprovada a Lei Eusébio de Queiroz, que representou um golpe profundo no sistema escravista, pois proibia a entrada de trabalhadores escravizados vindos da África. IV. A lei do Ventre Livre, de 1871, deixava totalmente livre os filhos da trabalhadora escravizada, e a pressão inglesa foi fundamental para a promulgação dessa lei. V. A promulgação da Lei Áurea em 13 de maio de 1888 decretou o fim da escravidão no Brasil, sendo que os escravos não tiveram nenhuma participação no processo de abolição. Está correto apenas o que se afirma em: a) II, III e V. b) III, IV e V. c) I, II e III. d) II, III e IV. e) I, III e IV. 4. (Fuvest-Ete 2022) É exagero supor que a Questão Religiosa que indispôs momentaneamente o Trono com a Igreja foi dos fatores primordiais na Proclamação da República. Para que isso acontecesse era preciso que a nação fosse 8 HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE profundamente clerical, a Monarquia se configurasse como inimiga da Igreja e a República significasse maior força e prestígio para o clero. [...] De qualquer maneira a Questão Religiosa não poderia contribuir de maneira preponderante para a queda da Monarquia. Quando muito, revelando o conflito entre o poder civil e o poder religioso, contribuiria para aumentar o número dos que advogavam a necessidade de separação entre Igreja e Estado e assim indiretamente favorecia o advento da República que tinha essa norma como objetivo. COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República. São Paulo: Brasiliense, 1987. p. 299. O texto trata da transição da monarquia à república no Brasil do final do século XIX e afirma que a) a questão religiosa constituiu um dos principais fatores para a queda da monarquia, juntamente com a questão militar e a questão escravista. b) a Igreja católica era inimiga da Monarquia e, devido a isso, apoiou explicitamente o movimento republicano. c) a crise política envolvendo a Igreja Católica contribuiu indiretamente para a queda da monarquia. d) o conflito político entre o poder civil e o poder religioso decorreu da separação constitucional entre a Igreja e o Estado. e) o anticlericalismo da Monarquia foi o estopim da crise que levou o movimento republicano a defender o fim do Estado laico. 5. (Acafe 2022) Em 2021, completaram-se 150 anos da promulgação da Lei nº 2.040, conhecida como Lei do Ventre Livre, em que estabelecia a alforria às crianças nascidas de mulheres escravizadas, no Império do Brasil a partir da data de 28 de setembro de 1871. Tendo em vista o contexto de escravidão, no Brasil do século XIX, e, em especial, os debates que tiveram lugar na década de 1870, as alternativas abaixo estão corretas, EXCETO a alternativa. a) Além disso, a Lei do Ventre Livre estabelecia a obrigatoriedade para todo proprietário realizar a matrícula de seu escravo em um registro nacional. Aqueles escravos que não estivessem, devidamente, matriculados seriam considerados livres. b) Na segunda metade do século XIX, as tensões sociais ganham força, especialmente no que diz respeito às rela-ções de trabalho. Portanto, leis como a Eusébio de Queirós (1850), a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1885) deixam claro os anseios e as inquietações acerca do trabalho escravo, praticado no Império do Brasil. c) Soma-se a isso o fato de a Inglaterra exercer forte pressão no governo brasileiro para a adoção de medidas para extinguir a escravidão, pois pregava-se a necessidade de aumento do mercado consumidor, com trabalhadores assalariados, atendendo aos interesses dos investimentos ingleses no Brasil. d) Com a promulgação da lei nº 2.040, as crianças nascidas a partir daquela data tornavam-se, prontamente, livres, podendo assim exercer funções remuneradas, o que garantia a transição do regime escravocrata para a mão de obra livre, embora provocassem perda material aos proprietários de escravos. 6. (Fuvest-Ete 2022) A tabela a seguir, produzida a partir do Primeiro Censo Geral do Brasil, de 1872, apresenta dados referentes às principais atividades profissionais da época. Com base nesses dados e no contexto econômico brasileiro da segunda metade do século XIX, é correto afirmar: a) A participação feminina no mercado de trabalho era inexpressiva, já que havia um número maior de mulheres sem profissão do que a soma do número de mulheres em todas as demais ocupações. b) A indústria têxtil, diferente do que acontecia nos setores de couro, chapéus e tinturaria, empregava de modo bastante significativo a mão de obra feminina. c) A quantidade de mão de obra masculina empregada na indústria superava de forma expressiva a mobilizada pela agricultura. d) O predomínio de mulheres em diversas categorias é um reflexo da proporção da população feminina representada na tabela, bem maior que a masculina. HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE 9 e) O maior número de homens que de mulheres na produção de tecidos, couros/peles e chapéus é indício da falta de aptidão da população feminina da época para o trabalho nas manufaturas. 7. (Unesp 2022) O crescimento urbano, ao criar um mercado potencial mais amplo, estimulou igualmente o crescimento das indústrias artesanais e de algumas fábricas que empregavam uma força de trabalho concentrada [...]. Deixando de lado as características peculiares dessa sociedade urbanaem expansão, a razão para a crescente debilidade de qualquer expressão política especificamente urbana era a posição peculiar da cidade no sistema econômico e fiscal, consolidado pelo contínuo progresso do setor com base na exportação de produtos agrícolas e pecuários. (Tulio Halperín Donghi. “A economia e a sociedade na América espanhola do pós-independência”. In: Leslie Bethell (org.). História da América Latina, v. 3, 2004.) O excerto apresenta uma experiência histórica vivida por alguns países hispano-americanos, e também pelo Brasil, entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do XX. Tal situação a) gerou sucessivas crises econômico-financeiras na região e acentuou o controle imperialista estadunidense sobre o setor industrial e financeiro dos países do continente. b) resultou da ausência de burguesias nacionais capazes de conduzir o processo de reorganização econômica e de decolagem na direção de economias autônomas. c) provocou um deslocamento do controle do poder político do campo para a cidade e o aumento da influência política das classes médias e dos setores populares. d) derivou da combinação entre os processos de modernização urbana e a inserção das economias latino-americanas na divisão internacional do trabalho. e) proporcionou um desenvolvimento acelerado do segundo e do terceiro setores das economias nacionais e uma maior integração comercial no continente. 8. (Fuvest 2022) O IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro envidaram esforços no sentido de deixar exposta para a contemplação da população parte do Sítio Arqueológico do Cais do Valongo, com o objetivo de apresentar ao visitante, através daquele pequeno, mas representativo espaço, a materialização do momento mais trágico da nossa história, fazendo com que ele não seja esquecido. (...) A história do Cais do Valongo e do seu entorno está indissoluvelmente ligada à história universal, por ter sido a porta de entrada do maior volume de africanos escravizados nas Américas. O Rio de Janeiro era, então, a mais afro-atlântica das cidades costeiras do território brasileiro (...). Disponível em http://portal.iphan.gov.br/. O texto integra a proposta elaborada pelo IPHAN, em 2016, para inscrição do Sítio Arqueológico do Cais do Valongo na lista do Patrimônio Mundial. Com base no documento, a história do Cais do Valongo se entrelaça à história universal, pois se relaciona ao a) tráfico de africanos escravizados para a América de colonização portuguesa. b) Rio de Janeiro como única cidade escravista das Américas na época colonial. c) trabalho de escavação realizado por arqueólogos estrangeiros no passado. d) fluxo de escravizados do Brasil para outras partes das Américas, após as independências. e) esforço do IPHAN para silenciar a história da escravidão no mundo atlântico. 9. (Fmj 2022) As exportações de algodão aumentaram de maneira vertiginosa: de 3.000 fardos em 1790 a 178.000 em 1810 e a 4,5 milhões em 1860. Em torno de 1820, os Estados Unidos haviam se convertido no maior produtor mundial de algodão, e dez estados e territórios dependiam em grande medida do sistema de plantações. (Philip Jenkins. Breve história de Estados Unidos, 2017.) No período histórico que se estende do final do século XVIII à abolição da escravidão nos Estados Unidos (1865), a economia brasileira do algodão a) ampliava a produção nas conjunturas das crises político-militares dos Estados Unidos da América. b) comercializava diretamente com os mercados compradores independentemente do exclusivo metropolitano. c) oferecia uma matéria-prima de melhor qualidade devido ao emprego de mão de obra livre especializada. d) substituía os metais preciosos no comércio regular com os centros das economias capitalistas mundiais. 10 HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE e) transitava da economia de coleta de produto nativo para a organização racional das etapas produtivas. 10. (Fgv 2021) É particularmente no Oeste da província de São Paulo – o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os cafezais adquirem seu caráter próprio, emancipando-se das formas de exploração agrária estereotipadas desde os tempos coloniais no modelo clássico de lavoura canavieira e do “engenho” de açúcar. A silhueta antiga do senhor de engenho perde aqui alguns dos seus traços característicos, desprendendo-se mais da terra e da tradição – da rotina – rural. A terra da lavoura deixa então de ser o seu pequeno mundo para se tornar unicamente seu meio de vida, sua fonte de renda e de riqueza. A fazenda resiste com menos energia à influência urbana. (Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 1995.) O historiador compara duas economias agrárias, empregando como critério da comparação a) o volume do capital acumulado com as redes internacionais de comércio de produtos primários. b) o grau maior ou menor de autonomia dos centros de produções agrícolas para com as relações socioeconômicas mais gerais. c) o emprego de formas de exploração do trabalho especializado assalariado ou compulsório em regimes de plantations. d) o controle ou a influência maior ou menor dos grandes empresários agrícolas sobre as políticas governamentais. e) a permanência mais ou menos duradoura da atividade produtiva agrícola ao longo da história do Brasil. 11. (Fcmscsp 2021) Observe a litografia de Jean-Baptiste Debret, intitulada Empregado do governo saindo a passeio, de 1835. A imagem, produzida durante o Brasil Império, mostra duas características da sociedade colonial que persistiram após a independência política: a) a cordialidade e o servilismo. b) a desigualdade social e a harmonia das raças. c) a informalidade e a religiosidade. d) o privilégio do setor público e o autoritarismo. e) o patriarcalismo e o escravismo. 12. (UERJ 2021) O tráfico de escravos africanos, maior movimento de migração forçada documentado pela história, forneceu a mão de obra que impulsionou o desenvolvimento econômico das Américas nos primeiros séculos de colonização europeia e moldou a composição genética das populações de norte a sul do continente. De 1514 a 1866, quando ocorreram, respectivamente, a primeira e a última das quase 35 mil viagens registradas de navios negreiros, cerca de 12,5 milhões de pessoas de diferentes regiões da África foram trazidas contra a vontade para o Novo Mundo. A maioria – quase 7,6 milhões, ou 61% do total – veio em um intervalo de tempo curto, entre 1750 e 1850. Esse período de maior tráfico transatlântico de escravos coincidiu com o aumento da miscigenação nas Américas, identificada em um estudo publicado em uma revista científica renomada. Segundo o geneticista Eduardo Tarazona Santos, “o número de pessoas deslocadas nessa diáspora forçada foi tão grande que trouxe para as Américas representantes de toda a diversidade genética da África”. Ricardo Zorzetto Adaptado de revistapesquisa.fapesp.br, 03/03/2020. Ao investigar a diversidade das populações africanas e seus vínculos com a miscigenação das populações afro- americanas, a pesquisa mencionada contribui para a HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE 11 indústria, responsável por tornar o Brasil a 4ª maior economia do mundo. d) crescimento progressivo da dívida externa e preponderância de uma economia agroexportadora. e) redução contínua do tráfico de escravos e políticas publicas voltadas à alfabetização e capacitação profissional de trabalhadores pobres. 15. (Upf 2021) No contexto da chamada grande imigração, ocorrida nas Américas a partir das últimas décadas do século XIX até 1930, o Brasil foi um dos países que mais recebeu imigrantes que vinham em busca de oportunidade de trabalho e ascensão social. Sobre esse fenômeno, assinale a alternativa incorreta: a) Nesse período, os italianos formaram o grupo mais numeroso de imigrantes, vindo principalmente para São Paulo, fornecendo mão de obra para as lavouras de café e para o Rio Grandedo Sul, onde se instalaram como pequenos proprietários na região serrana. b) Grupo minoritário, os sírio-libaneses e os judeus se concentraram nas cidades e dedicaram-se, inicialmente, à atividade de mascates, vendendo mercadorias de porta em porta. c) Os imigrantes alemães se destacaram por terem se deslocado até o Brasil com fundos próprios. Esses fundos foram empregados na indústria de extração vegetal na Amazônia. d) A imigração portuguesa concentrou-se no Rio de Janeiro (Distrito Federal) e em São Paulo, onde se dedicaram ao comércio e à indústria. e) Os japoneses se deslocavam ao Brasil com a família. Esta etnia se fixou no campo por mais tempo na condição de pequenos proprietários, com papel expressivo na diversificação das atividades agrícolas. Gabarito: crítica do racismo por valorizar o seguinte aspecto: a) hierarquização das heranças de matriz étnica b) descrição das práticas de orientação eugênica c) redefinição das dinâmicas de mobilidade geográfica d) caracterização das relações de ancestralidade biológica 13. (Enem 2021) TEXTO I TEXTO II A repugnante tarefa de carregar lixo e os dejetos da casa para as praças e praias era geralmente destinada ao único escravo da família ou ao de menor status ou valor. Todas as noites, depois das dez horas, os escravos conhecidos popularmente como “tigres” levavam tubos ou barris de excremento e lixo sobre a cabeça pelas ruas do Rio. KARASCH. M. C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808-1950. Rio de Janeiro: Cia. das Letras, 2000. A ação representada na imagem e descrita no texto evidencia uma prática do cotidiano nas cidades no Brasil nos séculos XVIII e XIX caracterizada pela a) valorização do trabalho braçal. b) reiteração das hierarquias sociais. c) sacralização das atividades laborais. d) superação das exclusões econômicas. e) ressignificação das heranças religiosas. 14. (Fuvest 2021) A economia do Império do Brasil foi caracterizada por a) prevalecimento do trabalho assalariado imigrante e investimentos estatais na indústria primária. b) desenvolvimento de relações comerciais e diplomáticas com países americanos, em detrimento das relações com os países europeus. c) conjugação entre desenvolvimento agrícola e 01: [D]; 02: [E]; 03: [C]; 04: [C]; 05: [D]; 06: [B] 07: [D]; 08: [A]; 09: [A]; 10: [B]; 11: [E]; 12: [D] 13: [B]; 14: [D]; 15: [C]