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ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Patrícia Veber Trentin 2ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS SUMÁRIO CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFTEC Rua Gustavo Ramos Sehbe n.º 107. Caxias do Sul/ RS REITOR Claudino José Meneguzzi Júnior PRÓ-REITORA ACADÊMICA Débora Frizzo PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO Altair Ruzzarin DIRETORA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (NEAD) Lígia Futterleib Desenvolvido pelo Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Designer Instrucional Sabrina Maciel Diagramação, Ilustração e Alteração de Imagem Igor Zattera, Leonardo Ribeiro, Sabrina Maciel Revisora Caiani Lopes Martins INTRODUÇÃO 4 A EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA E CADEIA DE SUPRIMENTOS 5 Conceito de Logística 6 GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTO 9 Conceito de SCM 9 Características da SCM 11 Objetivos das Cadeias de Suprimentos 12 Estágios da evolução da Cadeia de Suprimentos 14 Modelo de Gestão da Cadeia de Suprimentos 15 Por onde começar? 16 GESTÃO DE COMPRAS 20 Objetivos do Departamento de Compras 20 Relação do departamento de compras com os demais setores 22 Comprador lucrativo e o poder da negociação – a evolução do comportamento do comprador 24 Competências e características de compradores lucrativos 26 Ética em compras 27 SELEÇÃO E AVALIAÇÃO DE FORNECEDORES 35 Que fatores são importantes analisar no momento da escolha de um fornecedor? 39 Benefícios que a empresa tem ao selecionar um fornecedor confiável 40 Avaliação de fornecedores 40 NEGOCIAÇÃO EM COMPRAS 46 Etapas de uma Negociação 49 Estilos de Negociação 51 Tipos de Negociação 52 Dicas para uma boa negociação 53 Pregão eletrônico 54 Sistema de Registro de Preços (SRP) 56 TI APLICADA À SUPRIMENTOS 64 GESTÃO DE ESTOQUES EM COMPRAS 75 Estoques 75 Razões para manter estoques 77 Ferramentas para a Gestão de estoques 81 Classificação XYZ 88 Lote Econômico de Compras (LEC) 91 Análise dos Estoques 92 INDICADORES DE DESEMPENHO UTILIZADOS NA GESTÃO DE COMPRAS 100 Os indicadores 102 Exemplos de indicadores de desempenho em compras 104 MODELO SCOR (SUPPLY CHAIN OPERATIONS REFERENCE) 107 Conceito 107 Nível dos processos 113 Roteiro do SCOR 113 BPM (GERENCIAMENTO DE PROCESSOS DE NEGÓCIOS) 118 Como implantar o BPM? 120 TRADE MARKETING RELAÇÃO ENTRE FABRICANTES E DISTRIBUIDORES 127 Serviços realizados em Trade Marketing 129 Trade Marketing e Logística 130 LEAN SUPPLY CHAIN MANAGEMENT 135 GREEN SUPPLY CHAIN MANAGEMENT 142 Definição 143 Escopo do GSCM 143 Iniciativas do GSCM 145 Efeitos da Gestão da Cadeia de Suprimentos Verde 145 3ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Prezado aluno, seja bem-vindo! Sabemos que administrar uma Cadeia de Suprimentos no atual momento em que nossas empresas passam não é tarefa fácil e este assunto é vital para a sobrevivência das mesmas. O mercado nacional e internacional necessita de profissionais qualificados na área e a procura muitas vezes é insatisfatória pelos mesmos não dominarem o assunto. O foco da disciplina Administração da Cadeia de Suprimentos é propiciar uma sólida base de conhecimentos teóricos e práticos. Abordaremos desde conceitos básicos de Logística ao estudo do perfil ideal de um negociador, por exemplo. Lembre-se caro aluno que se você deseja prosperar na carreira e ser reconhecido no ramo em que atua, algumas virtudes e habilidades deverão ser trabalhadas para que o destaque e o reconhecimento realmente aconteçam. Qualidades tais como a pró-atividade, a dedicação, a contínua pesquisa, são modos essenciais de atuar para seu crescimento profissional. Além disso, esse modo responsável de atuação é importante para o andamento de seu próprio trabalho, que correrá sem maiores sobressaltos e com mais tranquilidade. Bons estudos! Profa Patrícia Veber Trentin 4ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS INTRODUÇÃO A gestão das empresas constantemente sofre mudanças diante do atual cenário da globalização da economia, tais como o surgimento de novos padrões de produtividade impostos por concorrentes. Cada vez mais dominar a Cadeia de Suprimentos do seu negócio e aprimorá-lo se torna um fator decisivo para a sobrevivência ou não no mercado. A Logística também tem assumido um papel no aumento da competitividade das empresas com a introdução de técnicas que reduzam ao máximo o custo de um produto, por exemplo, e ao mesmo tempo garanta a fidelização dos clientes. Porém, não é de hoje que ouvimos ou lemos expressões como “a logística dessa empresa é boa, a da outra nem tanto, etc” e também nos deparamos com asso- ciações de que Cadeia de Suprimentos é somente o departamento de compras da empresa. A Gestão da Cadeia de Suprimentos (Supply Chain Management – SCM) apesar de ser um termo amplamente utilizado por empresas e em meios acadêmicos muitas vezes se confunde com o termo Logística e apesar de Corrêa (2010) afirmar que a SCM esteja hoje “no topo da agenda dos principais executivos da maioria das empresas...”, ela ainda é uma disciplina emergente, em fase de consolidação. Nada melhor então, do que iniciarmos este conteúdo conceituando Logística e Cadeia de Suprimentos a fim de tornar estes conceitos mais claros. 5ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS A EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA E CADEIA DE SUPRIMENTOS A pergunta ainda cabe: você sabe realmente o que é logística? Muitos ainda associam seu conceito ao transporte, mas veremos que logística é muito mais do que isso e que o seu entendimento é crucial para a evolução dos negócios. A origem da palavra logística é francesa, do verbo loger que significa “alojar” e teve início com os militares. Eles ge- renciavam aquisição, manutenção, transporte de equipamentos e pessoal (BALLOU, 2006a; PIRES, 2004). 6ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Antes de 1950 começou-se a falar da logística, como custos de transporte e inventário e a questão da mercadoria certa na hora certa, mas a logística era de uma forma fragmentada. Com o decorrer dos anos, as atividades de logística passaram a ser transporte e compras. A partir daí surgiu uma nova área juntamente com a de marketing sendo ela os canais de distribuição, cujo objetivo era a distribuição do produto da melhor forma possível com coordenação (BALLOU, 2006a). Em 1960 a logística se ampliou para verificação de custo de transporte, controle de estoque, armazenamento e localização. Essa mudança fez com que a logística pas- sasse a se chamar logística empresarial, ou seja, distribuição física mais oferta física das mercadorias. Conceito de Logística De acordo com a Council of Logis- tic Management - CLM (2016), a logística é o processo de planejamento, implantação e controle do f luxo eficiente e eficaz de mercadorias, serviços e das informações relativas desde o ponto de origem até o ponto de consumo com o propósito de atender às exigências dos clientes. Para Bowersox e outros (2002), a logística é o processo que gera valor a partir da configuração do tempo e do posicionamento do inventário; é a combinação da gestão de pedidos de uma empresa, do inventário, do transporte, do armazenamento, do manuseio e embalagem de materiais, enquanto procedimentos integrados em uma cadeia de suprimentos. Por sua vez, cadeia de suprimentos, para BALLOU (2006b), é um conjunto de ati- vidades funcionais (transportes, controle de estoques, etc.) que se repetem inúmeras vezes ao longo do canal pelo qual ma- térias-primas vão sendo trans- formadas em produtos acaba- dos, aos quais se agrega valor ao consumidor, como pode ser visto na figura a seguir. A logística é importante porque cria valor para os con- sumidores e fornecedores da empresa. Valor em logística é expresso em termos de “tempo” Fornecedor/PlantaTransporteArmazenagem Transporte Fábrica Transporte Armazenagem Transporte Clientes Fluxo de Informações Figura 1: Exemplo de uma Cadeia de Suprimentos. Fonte: Ballou, 2006 7ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS e “lugar”. Produtos e serviços têm pouco ou nenhum valor ao menos que eles estejam de posse dos consumidores quando (tempo) e onde (lugar)eles desejam consumi-los (BALLOU, 1997c). De nada adianta, por exemplo, você consumidor entrar em um armazém para comprar um refrigerante da sua marca favorita, e o mesmo não está à disposição na gôndola. Neste caso, você sairá sem o refrigerante ou comprará de outra marca. No contexto contemporâneo surgiu uma área muito importante associada à logística que é Supply Chain Manage- ment ou gerenciamento da cadeia de supri- mentos (SCM). Associam-se à discussão os benefícios da integração das funções internas de Compra, Produção, Vendas e Distribuição: a gestão da cadeia de su- primentos. Resumo: Tendo uma definição clara, começamos a observar o quanto a logística é uma área fundamental, porém complexa. Executá-la bem significa planejar os mínimos detalhes de uma operação. Antes de acionar o transporte, por exemplo, muitas atividades são executadas. Quem gerencia o planejamento logístico deve processar as informações, prospectar clientes e fornecedores, estar alinhado com as compras e verificar valores, notas e a qualidade dos materiais. É necessário também planejar soluções para acondicionar e movimentar os produtos, para que eles cheguem intactos ao destino final. Além disso, é necessário gerir os estoques, estudar o fluxo de materiais, dar treinamentos, planejar manutenção de veículos, estudar rotas, analisar resultados, desenvolver layouts, avaliar fornecedores, etc. Estas e outras estão entre as inúmeras tarefas que se enquadram em logística. De maneira geral, todos os processos envolvidos são de extrema importância para que o programa seja executado e que tudo funcione da maneira correta. Uma falha em qualquer etapa do planejamento pode acarretar danos, prejuízos e comprometer todas ou a maioria das demais etapas. Como bem podemos observar, está claro que a logística vai muito além do ato de transportar produtos e nesta disciplina o principal foco é entendermos as etapas de inputs (entradas) dos processos. 8ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. Podemos citar como as principais mudanças econômicas que afetam a logística: maiores exigências de serviços, globalização, aumento das incertezas econômicas, proliferação de produtos, menores ciclo de vida dos produtos. (Certo/Errado) 2. Podemos dizer que a função da logística é colocar o produto certo, no lugar correto, no momento adequado e ao menor custo possível, desde as fontes de matéria-prima até o consumidor final. (Certo/Errado) 3. A função da logística se importa em agregar valor aos bens e serviços. Podemos citar: Valor de Tempo, Valor de Lugar, Valor de Qualidade e Valor de informação. (Certo/ Errado) 4. Para que possa ser gerenciada de forma integrada, a logística deve ser tratada como um sistema, ou seja, um conjunto de componentes interligados, trabalhando de forma coordenada, com o objetivo de atingir um objetivo comum. (Certo/Errado) 5. Como exemplo de logística integrada podemos citar: departamento de produção decide aumentar a produtividade da fábrica, independentemente dos estoques gerados. (Certo/Errado) 6. Uma das dimensões da excelência logística é o Sucesso do Cliente. Podemos dizer que as empresas excelentes em Logística entendem que seu sucesso não depende do sucesso de seus clientes, pois ambos fazem parte de uma mesma cadeia de suprimento. (Certo/Errado) 7. A logística empresarial estuda como a administração pode prover o menor nível de rentabilidade nos serviços de distribuição aos clientes e consumidores, através de planejamento, organização e controle efetivos. (Certo/Errado) 8. Julgue as afirmativas a seguir, adotando V para verdadeiro e F para falso. I. Entre as formas que a logística pode atuar estão a redução de custos, a redução dos prazos de entrega e a redução da produtividade na empresa. II. Falando em evolução da logística o foco no cliente se deu nos anos 80, juntamente com a integração de armazenagem, produção e distribuição. III. A Cadeia de Suprimentos foi, no passado, bastante verticalizada, reduzindo a dependência de fornecedores. IV. A logística deve ser vista como um diferencial competitivo, pois possibilita a redução de custos de uma empresa. a. Somente as afirmativas I e II são verdadeiras b. Todas as afirmativas são verdadeiras c. As afirmativas I e II são falsas d. As afirmativas I, II e IV são verdadeiras 9ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTO Agilidade, disponibilidade, preço, prazo, qualidade, lead time, fidelização, são algumas das diversas características que marcam o interesse daqueles que investem dinheiro e esforços a fim de melhorar o desempenho junto ao gerenciamento da cadeia de suprimentos. Conceito de SCM A expressão “Supply Chain Management” (SCM) surgiu quando se percebeu a necessidade da integração e gerencia- mento de todas as atividades logísticas (interna e externa) das empresas, desde os fornecedores até os consumidores finais, criando assim uma cadeia de suprimentos. 10ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS A cadeia de suprimentos de uma empresa de manufatura é, de forma geral, uma rede mundial de fornecedores, indústrias, armazéns, centros de distribuição e revendedores através dos quais matérias-primas são adquiridas, transformadas e enviadas para os consumidores. Com o objetivo de otimizar o desempe- nho, as funções da rede de suprimentos devem operar de uma maneira coordenada e harmônica. A dinâmica da empresa e do mercado ora dificulta essa coordenação harmônica, como por exemplo, as mudanças po- líticas, os materiais que não chegam na hora certa, a falha da produção, a falta dos trabalhadores, a mudança dos consumi- dores ou cancelamento dos pedidos de compras, etc., causando desvios dos planos. Daí, a importância do gerenciamento das diversas atividades como um sistema e não de forma isolada. Para Slack e outros (2005) a SCM é “a gestão da inter- conexão das empresas que se relacionam por meio de ligações à montante e a jusante entre os diferentes processos, que produzem valor na forma de produtos e serviços para o consumidor final”. Lambert, Cooper e Pagh, (1998) adotam a definição que o Global Supply Chain Forum desenvolveu em que a SCM consiste na integração dos processos chave do consumidor fi- nal e outros stakeholders até o fornecedor da matéria prima. Entende-se por stakeholders, todos os interessados no negócio: clientes, concorrentes, instituições regulatórias, governos, for- necedores, entre outros. Estes conceitos, em que a SCM é vista como uma integra- ção dos processos entre o primeiro fornecedor até o consumidor final pode ser melhor visualizado na Figura 02. Figura 2: Descrição da Cadeia de Suprimentos de uma indústria. Fonte: Lamberto, Pires, 2004 11ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Pela definição do Council of Logis- tics Management apud Martins e Laugeni (2005) Supply Chain Management é en- tendido como um conceito de integração da empresa com todas as firmas da cadeia de suprimento, fornecedores, clientes e provedores externos de meios logísticos compartilhando informações e planos ne- cessários para tornar o canal mais eficiente e competitivo. Este compartilhamento é mais profundo, acurado e detalhado do que na tradicional e conf litante relação comprador/vendedor. Características da SCM Para Cox (1999), há oito características da SCM: 1. Trabalhar sempre com o objetivo na perfeição da entrega de valor aos clientes; 2. Produzir apenas o que é necessário e se concentrar apenas nas ações que criem f luxo de valor; 3. Foco na eliminação de perdas de todo o processo operacional, como por exemplo, superprodução, tempo de espera grande, transporte, processamento inadequado, defeitos, inventários e movimentos desnecessários; 4. Reconhecer que todos os membros da cadeia de suprimentos estão interessados em um mesmo objetivo que é o de acrescentar valor ao produto; 5. Desenvolver relacionamentos de reciprocidade e confiança com fornecedores eclientes; 6. Trabalhar com fornecedores com o objetivo de criar uma logística mais eficiente; 7. Reduzir o número de fornecedores e trabalhar melhor com eles para se ter um relacionamento a longo prazo; 8. Criar uma rede de fornecedores para trocar informações de redução de perdas e eficiência operacional no fornecimento de produtos e serviços. 12ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Na SCM a geração de renda é tão importante quanto a redução dos custos. O gerar receita quer dizer o quanto que a SCM impacta na satisfação dos clientes. Normalmente a SCM dentro das empresas é compreendida como diminuir os custos o máximo possível. A SCM por muitos anos vem sido entendida como custos, porém as atividades da SCM afetam o desempenho do serviço ao cliente. Objetivos comuns são um dos itens pela qual as empresas têm de trabalhar para conseguir sucesso na cadeia, porém elas não podem esquecer-se de seus objetivos individuais para se manterem competitivas no mercado (PIGATTO & ALCAN- TARA, 2007). Em termos simples, a gestão da Cadeia de Suprimentos envolve a coordenação de todas as atividades ligadas ao pro- cessamento dos pedidos dos clientes, desde a pré-produção até a entrega. Durante este processo, as partes que compõem o produto trocarão de mãos diversas vezes, dos fornecedores até a fabricação, da estocagem à expedição, até chegar à entrega e ao consumo. Assim, dentro de uma pequena empresa que faz parte de uma grande cadeia, como se preocupar com todo esse processo, e ainda melhorá-lo? Este deve ser o questionamento que todos os gestores devem se fazer diariamente afim de melhorar seus processos como um todo. Objetivos das Cadeias de Suprimentos Slack e outros (2013) sugerem como objetivos de uma Cadeia de Suprimentos quatro objetivos de desempenho: qua- lidade, velocidade, confiabilidade e f lexibilidade. a. Qualidade: Busca-se na função de compras o compromisso com a qua- lidade. Todas as etapas de uma cadeia de suprimentos buscam o objetivo de atender de maneira satisfatória o cliente final. Mais cedo ou mais tarde, todas as atividades devem se voltar para esse objetivo, não importando as ações individuais necessárias. Quando um cliente decide comprar um bem ou um ser- viço, desencadeia uma ação por toda a cadeia de suprimentos. Cada movimento ou ação num determinado momento do ciclo, deveria inicialmente satisfazer as expectativas daquele ciclo para depois, somado aos demais ciclos, suprir a necessidade final de maneira também satisfatória. b. Velocidade: Tem relação direta com a velocidade em que o cliente final é atendido; do momento em que o cliente efetua o pedido até o exato momento onde ele tem sua solicitação totalmente atendida. Em muitas situações, diante da ineficiência do pro- 13ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS cesso de reposição e/ou atendimento da necessidade do cliente, a empresa opta por operar com estoques e estruturas acima de sua capacidade, visando a cobertura do espaço deixado pelo setor de compras da empresa. Isso por sua vez aumenta a capacidade de capital de giro e acrescenta outros custos a cadeia produtiva, aumentando assim o custo final ao cliente. O grande desafio ao qual estamos expostos é alcançar o equilíbrio entre a velocidade, como sensibilidade às demandas dos clientes, e a velocidade, como tempo de processamento curto que depende de como está estruturada a cadeia de suprimentos da organização. c. Confiabilidade: Se os clientes confiam que serão atendidos quando soli- citarem, não terão necessidade de antecipar pedidos ou operar com grandes quantidades em estoque ou com reserva de mão de obra. Se as operações individuais num processo não entregarem no tempo prometido, há a tendência de os clientes buscarem alguma proteção dos atrasos. Por isso a confiabilidade da entre- ga é medida dentro da empresa como dentro do prazo, entrega efetivada e processo encerrado. d. Flexibilidade: No contexto de uma cadeia de suprimentos a f lexibilidade é compreendida como a capacidade de um processo lidar com mudanças, perturbações e imprevistos. O conceito de agilidade inclui questões como focar no cliente e assegurar o rápido pro- cessamento e a adaptabilidade às necessidades dos mesmos. As cadeias de suprimentos ágeis são suficientemente f lexíveis para lidar com as mudanças na natureza da demanda do cliente ou nas capacidades de suprimento das operações dentro dos processos. 14ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Estágios da evolução da Cadeia de Suprimentos Gonçalves (2013) identifica quatro estágios da evolução da cadeia de suprimentos. 1. Informal: Caracterizado pela inexistência de processos operacionais bem estruturados. Assim, há baixa qualidade no serviço de atendimento ao cliente, bem como imprevisibilidade do produto ou serviço oferecido. 2. Funcional: Em face da orientação funcional da empresa há sub-otimização no gerenciamento dos custos que resulta na baixa qualidade da gestão e satisfação ao cliente. 3. Integração de processos internos: Nesse estágio são alinhados os diversos subprocessos da empresa e a gestão integrada. Como resultado observa-se um melhor desempenho e processos de melhoria continua. 4. Organização integrada: Estágio final da integração da cadeia de suprimentos. Há integração interna e externa da empresa com todos seus parceiros de negócios e, cada vez mais, o foco de suas atenções é voltado para o cliente e atividades que agreguem valor. Figura 3: Estágios da evolução da Cadeia de Suprimentos. Fonte: adaptado de Gonçalves, 2013 15ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Modelo de Gestão da Cadeia de Suprimentos Todo modelo de gestão de cadeia de suprimentos deve incluir maneiras de melhorar a eficiência – o ganho de rendimento – das atividades seguintes: • Acurácia da previsão e planejamento entre oferta e demanda; • Localização de fornecedores de matérias-primas; • Fabricação do produto; • Armazenagem do produto; • Entrega do produto; • Devolução do produto pelo cliente, caso necessário; • Feedback através do serviço de atendimento ao cliente e melhoria do processo, onde necessário. Lembre-se que se você obtém informações e números sobre os processos, é mais fácil gerenciá-los. No entanto, é bom ter certeza de que os números ref letem a realidade, para que as decisões da gerência sejam tomadas em função de conhecimento real do processo. Além disso, com um histórico em mãos, fica menos complexo iden- tificar pontos frágeis, como dependência de um único fornecedor ou de um mercado. Com informações e números fica mais fácil gerenciar seus processos, desde que os dados sejam precisos; com o histórico em mãos é possível identificar os pontos frágeis do sistema. 16ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Por onde começar? • Veja a seguir algumas ideias para melhorar o processo de gestão da cadeia de suprimentos na sua empresa: • Melhore a colaboração e a comunicação dos compradores com os seus fornecedores, sempre os informando de suas intenções de modificar ou melhorar algum processo de fabricação; • Mantenha os níveis de estoques tão baixos quanto acei- tável (obviamente desde que seja seguro), utilizando um processo just-in-time ou de produção por pedidos sempre que possível. O custo de estoque é um dos principais indicadores utilizados para se analisar o desempenho logístico de uma organização; • Analise se a terceirização de algum processo é mais ba- rata (considere tudo: produção, transporte e até perda de know-how); • Invista em tecnologias de comunicação, especialmente com os fornecedores, a fim de reduzir os tempos de pe- dido/entrega e garantir que a matéria-prima esteja sempre disponível. Assim como o custo de estoque, o tempo de atendimento ao cliente é outro indicador fundamental, pois incentiva a empresa a ter um relacionamento mais próximo com seus clientes e assim garantir um atendi- mento mais rápido; • Utilize as tecnologias de informaçãoexistentes (muitas com baixo custo): comece por previsão de vendas, controle de estoques, as compras, pedidos, expedição, entrega e assim por diante – existem ferramentas computacionais e automáticas para ajudar em cada etapa do processo; • Tome decisões de compras maiores (e estoques mais altos) e com desconto com base em planilhas e cálculos, não em pressão e intuição. Assim, mantenha em mente que o processo de gestão da cadeia de suprimentos não é feito isoladamente: ele é uma relação entre a sua empresa e as outras com as quais você se relaciona. Toda mudança que você faça no processo de gestão de sua cadeia deve ser uma experiência compartilhada e positiva para todos que a compõem, desta forma, você, seus fornecedores e seus clientes se beneficiam nesta relação. O gestor deve garantir uma distribuição eficiente e baixos custos com estoques; o equilíbrio entre ambos pode turbinar a produtividade e a eficiência. 17ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Resumo: A gestão da Cadeia de Suprimentos representa o esforço de integração dos diversos participantes nos mais variados canais de distribuição, por meio da administração compartilhada dos processos-chave de negócios. Esses processos interligam as diversas unidades organizacio- nais e membros dos canais, desde o fornecedor inicial de insumos até o consumidor dos produtos acabados. Torna-se importante salientar que, nesse cenário, fornecedores, industrias transformadoras, funcionários e clientes precisam estar interligados em um sistema de planejamento de demanda e gerenciamento de inven- tário, permitindo, assim, o processamento e a troca de informações entre si. Isso porque a gestão da cadeia de suprimentos representa a integração da logística interna com o ambiente externo, uma vez que sua ação se estende desde a coordenação dos fluxos dos materiais juntamente com as informações aos fornecedores até o cliente final. Em vista disso, a gestão da cadeia de suprimentos como um todo pode proporcionar uma série de maneiras pelas quais é possível aumentar a produtividade e, em consequência, contribuir significativamente para a redu- ção de custos, assim como identificar formas de agregar valor aos produtos. Algumas diretrizes sugeridas para o SCM: • Compartilhamento de informações ao longo da SC, especialmente referente ao planejamento e monitoramento de processos; • Divisão de riscos e ganhos, viabilizando relações de longo prazo; • Colaboração entre empresas, tendo os mesmos objetivos, como política de integração; • Integração nos processos de abastecimento, manufatura e distribuição; e • Parcerias de longo prazo. Resumindo, uma cadeia de suprimentos é a atividade diferenciada e neces- sária para que o produto e/ou serviço tenham valor agregado e sejam distinguidos no mercado. 18ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. Podemos dizer que uma das vantagens da integração da cadeia de suprimentos (Supply Chain) é: maior estoque em toda a cadeia de suprimentos. (Certo/Errado) 2. O Supply Chain Management busca maior coordenação e sincronização nos canais de distribuição, mediante um processo de cooperação e troca de informações, através da integração de processos de negócios que interligam seus diversos participantes. (Certo/Errado) 3. O Supply Chain Management, ou o gerenciamento da cadeia de suprimentos, representa o esforço para o isolamento dos diversos participantes do canal de distribuição. (Certo/Errado) 4. Podemos dizer que os participantes do canal de distribuição ou da cadeia de suprimentos(abastecimento) são: fornecedores, fábrica/indústria, distribuidor/ atacadista, varejista/loja(comercio) e cliente/ consumidor final. (Certo/Errado) 5. Uma forma de melhorar o fluxo de caixa é aumentar o giro das mercadorias. Estoques altos demais significam menos dinheiro em caixa (...) Os grandes fornecedores deverão tentar receber em prazos menores e os grandes clientes farão de tudo para conseguir prazos maiores (...) A produção ao longo do ano deve ser programada de forma a acompanhar a demanda dos clientes o mais próximo possível da realidade. Dentro dessa filosofia, as empresas precisam atuar de forma logística no seu processo de aquisição/suprimentos, na gestão de seus estoques, na produção propriamente dita e no pronto-atendimento aos clientes. Assinale a alternativa que apresenta duas atividades que compõem a gestão da cadeia de suprimentos. a. A gestão de compras e suprimentos e a gestão da distribuição física. b. A gestão da cadeia produtiva e a gestão do espaço físico. 6. As principais características da cadeia de suprimentos no relacionamento entre os participantes, são: a. Lead time longo e aumento do número de fornecedores. b. Sistemas integrados e redução dos custos de fornecimento. c. Sistemas locais não integrados e lead time longo. d. Controles departamentais e aumento dos estoques. e. Manutenção dos custos de fornecimento e aumento da cadeia de abastecimento 19ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 7. Um dos pressupostos básicos da gestão da cadeia de suprimentos (supply chain management) é: a. A gestão da cadeia de suprimentos se refere à formação de parcerias duradouras com fornecedores e clientes visando garantir um volume de negócios estáveis e lucrativos. b. A gestão da cadeia de suprimentos se refere à flexibilidade e à maior capacidade de adaptação às mudanças dos compradores profissionais. c. A gestão deve abranger toda a cadeia produtiva da organização, incluindo a relação da empresa com seus fornecedores e clientes. d. A gestão garante às empresas um conjunto de fornecedores e clientes fiéis e assim é possível programar com segurança as quantidades produzidas mensalmente. e. A gestão precisa abranger todos os itens que a empresa compra, garantindo assim uma previsão mais exata das despesas com aquisição de materiais. 8. Sobre Gestão da Cadeia de Suprimentos as afirmações são certas ou erradas. a. O fluxo das informações é o sustentáculo do processo de abastecimento da cadeia de suprimentos e, caso essa comunicação não flua de forma eficiente, é possível que ocorra excesso de estoque ao longo dessa cadeia – é o chamado efeito Forrester. ( ) Certo ( ) Errado b. O atual conceito de gerenciamento de cadeia de suprimento focaliza com grande destaque o fornecedor ( ) Certo ( ) Errado c. A SCM abrange toda a cadeia produtiva, incluindo a rede de relações da empresa com seus fornecedores e clientes, e não apenas com os seus fornecedores. ( ) Certo ( ) Errado d. A gestão da cadeia de suprimentos (supply chain management), que é considerada uma nova forma de as organizações obterem vantagens competitivas, tem como objetivo básico a integração da cadeia produtiva a partir da relação com fornecedores até a elaboração do produto final. ( ) Certo ( ) Errado 20ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS GESTÃO DE COMPRAS A gestão adequada de aquisição e fornecimento é uma questão importante para o seu negócio. Por um lado, satisfazer os pedidos dos clientes, por outro, assegurar o mínimo de capital aplicado. Isto requer uma excelente coordenação interna entre os departamentos e externamente com clientes e fornecedores. Objetivos do Departamento de Compras Você sabe qual é o papel de um comprador numa em- presa? Ballou (2004e), Pozo (2001) e Gonçalves (2010) enu- meram as atribuições dos compradores, tais como: 21ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS a. É a função da empresa que se envolve com a compra de matérias primas, suprimentos e componentes para a or- ganização; b. Cadastra os fornecedores; c. Analisa as cotações de preços e condições de fornecimento; d. Responsável por selecionar e qualificar fornecedores, avaliar performance dos mesmos; e. Negocia contratos, compara preços, qualidade; f. Especifica as formas de recebimento dos bens; g. Deve ter a capacidade de comprar materiais e produtos na qualidade certa, na quantidade exata, no tempo certo,no preço correto e na fonte adequada.; h. É dele também a responsabilidade de estipular os pra- zos dos produtos à disposição dos solicitantes nas datas estabelecidas; i. Estuda o mercado fornecedor; j. Atende projetos especiais e de desenvolvimento de novos produtos ou serviços; k. Analisa e gerencia os diversos estoques existentes dentro ou fora da empresa; l. Define e adquire por meio de lotes econômicos de com- pras (LEC); m. Com o uso da tecnologia da informação, faz uso do pregão eletrônico e da participação de leilões públicos; n. Mantém do catálogo de materiais. O volume de atividades e o respectivo grau de complexi- dade que os órgãos de compras realizam vão depender do porte da empresa na qual a função é exercida. Em algumas organizações, a função Compras abrange um escopo ainda maior de atividades nas quais há inclusão de outras funções como: gerência de materiais; acompanhamento dos contratos e controle das faturas de fornecimento de materiais para autorização de pagamentos, entre outras. Ballou (2001d) afirma que a gestão de compras é vital para a sobrevivência e sucesso de um negócio, isso porque grande parte do dinheiro de vendas é pago à fornecedores por materiais comprados e reduções, mesmo que pequenas, na aquisição dos mesmos, podem gerar melhorias consideráveis nos lucros. 22ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Conforme Gaither & Frazier (2001), o departamento de compras desempenha um papel fundamental na realização dos objetivos da empresa. Sua missão é perceber as necessidades competitivas dos produtos e serviços, tornando-se responsável pela entrega no tempo certo, custos, qualidade e outros elemen- tos na estratégia de operações. É necessário que os gerentes de compras envolvam-se em várias atividades como manter um banco de dados e seleção de fornecedores, negociar contratos com os mesmos e agir como intermediário entre os fornecedores e a empresa. Há pouco, comentamos que grande parte do valor de vendas vai para o pagamento de fornecedores. Ballou (2001f) comenta que este valor representa entre 40% e 60% do valor de venda do produto final. Isto significa que ganhos relativa- mente pequenos na função de compras têm grandes impactos nos lucros das empresas. Isto é conhecido como princípio da alavancagem dos lucros. Relação do departamento de compras com os demais setores Segundo Gonçalves (2013), a função Compras para al- cançar seus objetivos requer uma coordenação geral e integrada entre os diversos órgãos da empresa: almoxarifados, no que tange ao armazenamento dos materiais; planejamento de estoques, responsável por definir as quantidades a serem adquiridas e os respectivos prazos de entrega; finanças, no que se relaciona a autorização e controle de pagamentos das faturas dos materiais recebidos e muitos outros setores da estrutura organizacional. Vamos falar da integração entre a gestão de compras e a qualidade e planejamento e controle da produção. Quanto à integração com a qualidade, provavelmente você já trabalhou, ou sabe de alguém que trabalha num negócio onde há um inspetor da qualidade ligado à área de recebimento. O trabalho desta pessoa é basicamente inspecionar tudo, ou quase tudo o que se recebe, afim de que sejam minimizados ou eliminados os produtos com defeitos. Oras, se já estamos selecionando um fornecedor para ser nosso parceiro, não deveríamos crer que o mesmo está nos mandando materiais confiáveis? Quem arca com o custo de inspeção no nosso negócio? 23ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Martins (1999) defende que a quali- dade do material adquirido é fundamental para a qualidade do produto final. Apesar da importância da qualidade dos materiais comprados para o resultado final do pro- cesso, as atividades de inspeção no recebi- mento de materiais costumam aumentar o custo e nem sempre são totalmente eficien- tes. A questão da qualidade dos produtos adquiridos é encarada pelos especialistas como uma oportunidade para garantir a qualidade dos produtos acabados e reduzir custos por meio de contratos de confian- ça e planos conjuntos de melhorias; de forma que a qualidade assegurada dos itens recebidos, muita vezes sem necessidade de inspeção, seja uma realidade entre or- ganizações. Para isso é essencial nos dias atuais levar em conta no momento da escolha de forne- cedores a qualidade do produto entregue por eles. O custo do produto defeituoso para a empresa (retra- balhos etc.) deve ser avaliado, devendo ser acrescido ao valor de compra do item para escolha melhor de fornecedores (SURI, 1998). Essa é a principal interface entre as funções compras e qualidade. A integração entre compras e o pla- nejamento e controle da produção (PCP) tem por principal objetivo a garantia total do abastecimento da produção ao menor custo total possível (SLACK e outros, 2002). Para Bachega e Godinho Filho (2005), o processo de integração do pla- nejamento e controle da produção com a gestão de compras pode acontecer por meio de várias ferramentas, entre elas: sistemas MRP ou MRPII (Material Requirement Planning), ERP (Enterprise Resources Planning) ou ainda a própria integração de compras com os fornecedores passa a utilizar ferramentas de troca eletrônica de informações (EDI) e internet (e-purcha- se). Veremos este tópico mais detalhado posteriormente. O setor de compras precisa sempre estar atento em conhecer como a relação interna está ligada aos demais departa- mentos, caso haja algum conflito precisa ser eliminado para que o processo dê re- sultado. Esse relacionamento, sem dúvidas, tende a gerar bons frutos a fim de atender as necessidades das várias áreas. Por ter uma boa referência interna, o departa- mento de compras conseguirá atender suas aquisições sempre seguindo as condutas e normas estabelecidas pela empresa, sendo assim, os demais setores devem a visualizar e enquadrar-se nos procedimentos internos para o andamento dos processos. Quando houver conf lito entre os setores da empresa, é importante obser- var que todos devem ter profissionalismo, para garantir que sejam resolvidas as ques- tões. É responsabilidade do profissional de compras atender a todos os usuários, tentando realizar as solicitações nos prazos estabelecidos, mas nunca desrespeitando as normas e procedimentos da empresa. É preciso que sua independência seja real, isso fará com que o retorno pretendido e o desempenho sejam reconhecidos pela empresa, não esquecendo que sua impor- tância é notável. 24ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Comprador lucrativo e o poder da negociação – a evolução do comportamento do comprador Como comentamos anteriormente o departamento de compras é crucial para o resultado dos negócios e dele devem fazer parte, profissionais alta- mente capacitados. O comprador deve focar sempre no resultado e na lucratividade do ne- gócio. Deve se preocupar também com a redução de custos atuando em nego- ciações mais eficientes, mas isso nem sempre foi assim. Houve uma época em que o comprador era visto como mero tirador de pedidos. Veremos a evolução do comportamento do comprador no quadro abaixo adaptado de Santos et. AL (2002). Estágios passivo e independente Estágio sustentador Estágio integrativo Comprador atua no chamado processo informal de suprimentos, dominado pelo preço Além do preço outros fatores são considerados, como histórico Comprador participa do planejamento estratégico (macro) da organização Comprador age como fazedor de pedidos Comprador com pleno poder de decisão (desde que alinhados ao planejamento macro) Comprador basicamente recebe requisições e emite pedidos Comprador participa da elaboração da especifica- ção (com demais áreas), o que lhe garante poder de escolha Comprador participa do processo de planejamento das necessidades e atua na decisão de compra Comprador recebe catálogos de fornecedores Comprador prospecta fornecedores no mercado e recebeinformações sobre as aquisições em andamento Há constante troca de informações com fornecedores 25ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Pode-se dizer que as necessida- des e os desafios impostos pelo atual ambiente competitivo ao profissional de compras têm aumentado bastante ao longo dos últimos anos. O comprador deve ser comprome- tido, uma vez que tem acesso a infor- mações gerenciais, participa de comitês, capta informações de vendedores e de outras áreas da empresa com mais fa- cilidade. Esse profissional pode chegar a resultados formidáveis e deve buscar por critérios indicadores e comparati- vos que permitam uma compreensão mais abrangente daquilo que deve ser comprado. Quadro 1: Diferentes níveis de habilidades requeridas dos profissionais de compras. Fonte: adaptado de Santos et al., 2002 Comprador faz aquisição baseada nos detalhes da requisição ao menor preço Aquisição baseada na análise de custo total para a empresa Aquisição baseada na visão de médio e longo prazo do mercado e empresa Avaliação da fonte fornecedora feita pelo requisitante (quando feita) Comprador participa do processo de feedback (algumas vezes ainda como canal de comunicação entre usuários e fornecedor) É a função do comprador tanto o processo de avaliação quanto o feedback e acompanha- mento das ações de melhoria do fornecedor Manufatura em massa no inicio do século Manufatura em massa no final do século Novos paradigmas do final do século XX Um comprador não pode ser superficial nas suas análises para não comprometer seriamente a lucratividade do negócio. Ele tem uma infraestrutura de dados que lhe permite to- mar decisões sobre quando, de quem, como e por que comprar. Outro ponto forte em lucratividade é a negociação, se bem elaborada e estruturada ela se torna um papel vital na visão em- presarial. O comprador deve ter uma visão ampla de mercado e das necessidades de interesses internos, devendo sempre mapear compras com vistas a encontrar táticas que permitam que sejam visualizadas, a fraqueza e a virtude dos dois lados e a melhor forma de estruturar a negociação para que todos ganhem. 26ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Competências e características de compradores lucrativos A ilustração a seguir tem como objetivo demonstrar a importância da empresa em ter um comprador lucrativo. Comprador lucrativo Sociável Acesso a informações estruturadas Desenvolve parcerias e fornecedores Analisa o valor a ser agregado Liderança e iniciativa Empatia Captar a ambiência Curioso e pesquisador Ter energia e iniciativa Trabalha por prioridades Um comprador lucrativo é a base para “seu lucro estar na compra”. Figura 4: Comprador Lucrativo. Fonte: adaptado de Justiniano Morana, 2008 27ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Essa estrutura demonstra que mui- tas empresas investem em seus compra- dores com o objetivo de trazer resultados em curto prazo, principalmente na área de negociação e buscando parcerias com os fornecedores, pois muitas vezes é ali que grandes resultados e economias podem ser feitos. Muitas empresas adotam estruturas para facilitar o giro de informações de um setor para o outro. Esses resultados facilitam cada vez mais a geração de re- latórios para que a empresa possa atingir uma produtividade de lucro, trazendo ao cliente um produto com mais qualidade. O comprador deve buscar fornece- dores no mercado que correspondem a suas necessidades e não se acomodar nos forne- cedores presentes em seu cadastro somente. É aconselhável uma constante atualização de seus cadastros, como maneira também de contribuir para a modificação do leque de fornecedores. Por várias razões, muitas empresas prezam em treinamentos de seus profis- sionais a fim de estarem sempre dispostos a recolher essas informações antecipadas, a não esperar que os fornecedores venham até elas para oferecer seus produtos, mas sim, conhecê-los antecipadamente para ha- ver uma boa comunicação até o fim de uma negociação. Com esses dados, o comprador criará uma ponte bem estruturada entre fornecedor e a empresa, aliando-se em busca de novas fontes de abastecimento. Atualmente o comprador tem no mercado grande facilidade em encontrar fornecedores e serviços, estes são normal- mente expostos em catálogos, publicações classificadas, feiras ou por contatos pes- soais, decorrentes de visitas feitas pelos fornecedores. Sem contar com uma im- portantíssima e valiosa ajuda trazida pela internet, facilitando muito nas chances de localização dos fornecedores em qualquer lugar, tanto nacional como internacional. Com tais facilidades, o comprador encontra segurança no poder de nego- ciação, maior segurança na reposição de seus produtos, enormes possibilidades de redução no preço do produto comprado e a quebra de monopólios ou de cartéis. Isso fará com que o mercado competitivo seja mais negociável tanto em produtos como em qualidade de serviços de seus fornecedores. Ética em compras Você deve conhecer alguém que tra- balha no departamento de compras de uma empresa e que no final do ano chega em casa com agendas, calendários, canetas, até cestas recheadas de guloseimas, certo? 28ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Não é de hoje que pessoas que tra- balham neste departamento, de alguma forma ou outra podem ser presenteadas por “mimos” de fornecedores e também não é de hoje que muitas empresas discutem essas situações com a administração do negócio a fim de impor regras de conduta. Ai você é capaz de estar pensando nesse momento. Para que perder tempo discutindo o presentinho que o fornecedor traz no final do ano para o comprador se o problema esta noutro lugar? Se o pro- blema da minha empresa está nas vendas? O negócio vai mal porque não há vendas. Aliás, a culpa sempre é do mercado não é mesmo? Esse discurso parece que se encaixa em qualquer segmento, e é fácil por a culpa em alguém para as nossas falhas. Você se identificou com essa situação? Um simples “presentinho” de final de ano deve sim ser tratado e discutido na empresa pelo motivo de que, infelizmente, há nos mercados profissionais “vendáveis”. Profissionais que dão preferência para comprar seus insumos/matérias primas daqueles vendedores que de uma forma ou outra o beneficiam. Como tratamos ao longo desta dis- ciplina está claro que o departamento de compras é de fundamental importância para o sucesso de um negócio. Más esco- lhas de fornecedores podem resultar no fracasso, assim como o contrário tam- bém é verdadeiro. A escolha certa pode salvar o mesmo. Não basta achar que o problema esta sempre na saída, é preciso analisar profundamente se o departamento de compras esta fazendo a melhor compra possível, escolhendo o melhor parceiro por ter o melhor produto e não por ter o melhor benefício pessoal. Cabe aos administradores a decisão de como sua empresa deve se comportar em cada lugar; podemos “dançar confor- me a música” e aproveitar os costumes dos lugares onde estamos instalados e que nos favoreçam ou podemos fazer de nossa presença um “posto de fronteira” que mar- que o território de nossas relações com a comunidade de uma forma ética, sempre aceitando e praticando as atitudes “boas”, não aceitando as atitudes “más”, a verda- deira e única repartição da ética. É importante que as empresas ado- tem um Código de Conduta Ética, permi- tindo a disseminação de uma cultura moral na direção dos negócios dessas empresas e possibilitando cobrar a adesão de todos os seus funcionários, não apenas na área de compras, mas em toda a organização. Apesar de muito se discutir sobre ela, poucos sabem definir o que é Ética. Para você, caro aluno. O que é ética? Nor- malmente, as pessoas se referem àquilo que seus sentimentos dizem que é certo. Segundo o Dicionário Aurélio, Ética é “estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal,seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto”. Originária da palavra grega ethos, que quer dizer comportamento consciente, suficiente para distinguir o homem dos 29ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS demais animais, a ética é a ciência da conduta humana, a doutrina dos costumes (Cerquinho, 1994). A Ética se preocupa com o “ julgamento moral envolvido em decisões morais” (Velasquez, 1992). O mito é que no mundo dos negócios não se pode ser ético, visto que lucro e moral não são compatíveis. Na verdade, isto é apenas um recurso para jus- tificar condutas não apropriadas. O mundo dos negócios pode e deve ser ético. Somente as empresas que assim agem conseguem sobreviver no longo prazo. O comportamento ético por parte das pessoas que trabalham no setor de compras e suprimentos é esperado e exigido pelas outras pessoas com grande comparação com o conceito de moral. O código de ética pode servir como prova legal da intenção da empresa, ou seja, ele tem o dever de padronizar e formalizar o entendimento da organização empresarial em seus diversos re- lacionamentos e operações. A existência do código de ética evita que julgamentos subjetivos distorçam, impeçam ou diminuam a aplicação dos princípios. Todo ser humano é dotado de uma consciência moral, que o faz distinguir entre o certo e o errado, justo ou injusto, bom ou ruim, com isso é capaz de avaliar suas ações; sendo, portan- to, capaz de ser ético. A ética, portanto, é a ciência do dever, da obrigatoriedade, a qual rege a conduta humana. Conduta esta tão esperada e necessária ao departamento de compras. Resumo: As atividades de compras envolvem uma série de fatores como seleção de fornecedores, qualificação dos serviços, determinação de prazos de vendas, previsão de preços, serviços e mudanças na demanda, entre outros. A administração de compras é uma atividade essencial para uma gestão eficaz das empresas e que influencia diretamente nos seus estoques e no relacionamento com os clien- tes, estando também relacionada à competitividade e ao sucesso da organização. Uma gestão de compras bem executada impacta diretamente no lucro de um negócio, pois além de trabalhar com fornecedores e materiais de alta qualidade, pode gerar reduções de custo ao longo de toda a cadeia. A função Compras não é mais vista como uma atividade ro- tineira e sim como parte do processo de logística das organizações, pois o setor de compras atualmente se inter-relaciona com todos os outros setores da empresa, influenciando e sendo influenciado nas tomadas de decisões. Deste modo, a função compras vem conquistando espaço e despertando maiores interesses das organizações, já que não basta apenas comprar, é preciso comprar bem, procurando obter o maior número de vantagens possível focando também o custo benefício. 30ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS A evolução da função compras ocorreu, principalmente, devido à globalização, a qual desenvolveu fornecedores mais espe- cializados, graças ao surgimento da internet e a evolução das tecnologias, responsável atualmente pela realização de grande parte dos negócios no mundo inteiro. É necessário também que as pessoas que trabalham nesta área estarem muito bem informadas e atualizadas, além de terem habilidades interpessoais como poder de negociação, facilidade de trabalhar em equipe, boa comunicação, capacidade de gestão de conflitos. O assunto ética está intimamente ligada ao departamento de compras de uma empresa por este setor estar diretamente em contato com fornecedores e por movimentar grande parte dos valores do faturamento da mesma, por exemplo. A fim de evitar quaisquer ruídos na comunicação de um negócio o ideal é que seja adotado pela empresa um Código de Conduta Ética que deixe bem claro, não só o comprador, mas qualquer membro, sobre seu comportamento com o negócio. Neste código pode-se definir o que fazer com os brindes, por exemplo, recebidos pelos compradores, dentre outras informações. O mais importante é que sejam contratados profissionais éticos, ou seja, que acima de tudo tenham claro que estão traba- lhando em prol de um negócio e não em benefício próprio. Espera-se de um profissional ético integridade, dentro e fora da empresa, competente, cumpra as legislações que afetam o negócio, que saiba resolver conflitos, que saiba trabalhar com as informações que tem acesso da sua empresa e também do seu fornecedor de forma íntegra e correta. Numa negociação também se espera que o profissional saiba usar de seu poder em benefícios do negócio, porém sem com- prometer o seu parceiro. Nos dias de hoje também é impossível não dar atenção aos fornecedores com responsabilidade social e ecologicamente corretos. Seria uma falta de ética trabalhar com fornecedores que não se preocupem com isso. 31ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. A função compras tem por finalidade suprir as necessidades de materiais ou serviços, planejá-las quantitativamente e satisfazê-las no momento certo com as quantidades necessárias, verificando se recebeu efetivamente o que foi comprado e providenciar armazenamento. Para manter um perfil competitivo no mercado e, consequentemente, gerar ganhos satisfatórios, é preciso minimizar os custos continuamente, sem prejuízo para a qualidade necessária. Assim, um setor de compras deve obter um fluxo contínuo de suprimentos, a fim de atender aos programas de produção; coordenar esse fluxo de maneira que seja aplicado um mínimo de investimento que afete a operacionalidade da empresa; comprar materiais e insumos aos menores preços, obedecendo a padrões de quantidade e qualidade definidos e procurar sempre dentro de uma negociação justa e honesta as melhores condições para a empresa, principalmente em condições de pagamento. Para que isto ocorra, entretanto, é fator-chave o setor de compras possuir: a. Informações sobre quantidades, qualidades e prazos que são necessários para a empresa operar; b. Quadros completos; c. Sistema de TI específico para o setor; d. Espaço adequado ao armazenamento; e. Tranquilidade para trabalhar. 2. O volume de operações de compras pode alcançar quantidades apreciáveis e peculiaridades operacionais que recomendem avaliar se todas as compras devam ser feitas em um ponto centralizado, ou estabelecer-se em seções de compras separadas para cada unidade de negócios. As razões para a descentralização podem ser muitas, mas certamente trarão algumas perdas, tais como da oportunidade de negociar maiores quantidades em melhores condições e homogeneidade na qualidade dos materiais. Que outra dificuldade traz a descentralização das compras? a. Bem-estar do público interno; b. Prestígio das gerências; c. Cargos operacionais; d. Informatização; e. Controle de materiais e de estoques; 32ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 3. As afirmativas que se seguem representam atividades envolvidas quando se compra materiais, EXCETO: a. Inspecionar materiais; b. Manter um banco de dados de fornecedores disponíveis; c. Selecionar fornecedores para suprir cada material; d. Negociar contratos de suprimento com fornecedores; e. Agir como intermediário entre empresa e seus fornecedores 4. Representam desvantagens quando se usam várias fontes de abastecimento, ao invés de fornecedor único, EXCETO: a. Dificuldade de encorajar o comprometimento do fornecedor; b. É mais difícil desenvolver sistemas de garantia da qualidade eficazes; c. O comprador pode forçar o preço para baixo através da competição dos fornecedores; d. Um maior esforço é requerido para a comunicação; e. Há uma maior dificuldade de se obter economias de escala. 5. São objetivos do processo de compras, EXCETO: a. Garantir o suprimento dos materiais, nas quantidades e nos prazos exigidos pelos usuários; b. Criar e desenvolver de forma permanente e intensiva, um cadastro de fontes de suprimentos que dê garantias quanto ao fluxo de materiais a serem abastecidos nas empresas; c. Manter umaboa articulação tanto internamente nas empresas, quanto com o mercado em geral e, especialmente, com o mercado fornecedor dos insumos e produtos exigidos pelas empresas; d. Criar rotinas e procedimentos que mantenham os níveis de estoque nos padrões definidos pela política da empresa; e. Criar rotinas e procedimentos dentro dos processos de aquisição que sejam ágeis e que permitam um efetivo controle de todo o processo. 33ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 6. Observe as afirmativas a seguir, com relação à vantagens da descentralização em Compras: I. Permite uma maior flexibilidade e sensibilidade na solução de problemas regionais, pelo conhecimento abrangente do problema pela regional interessada, assim como melhor conhecimento das fontes de suprimento, meios de transporte e armazenamento mais próximos da região. II. Evita a concorrência danosa ente os compradores regionais e as disparidades de preços de aquisição de um mesmo material por compradores diversos. III. Permite manter um melhor controle global. IV. Permite responder mais rapidamente às necessidades de aquisição emergencial. V. Exerce um melhor gerenciamento de suas funções e de suas necessidades, além de permitir um melhor controle. Assinale a afirmativa correta: a. Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas; b. Apenas as afirmativas I, III e IV estão corretas; c. Apenas as afirmativas I, IV e V estão corretas; d. Apenas as afirmativas II, IV e V estão corretas; e. Apenas as afirmativas II, III e V estão corretas. 34ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 7. As afirmativas que se seguem representam vantagens da centralização em Compras, EXCETO: a. Comprar em quantidades maiores, o que pode significar preços melhores; b. Combinar pedidos pequenos e assim reduzir a duplicação de pedidos, o que pode reduzir os custos; c. Maior autonomia funcional das unidades regionais; d. Redução dos custos de transporte ao combinar pedidos e despachar quantidade maior; e. Melhor controle global e coerência das transações financeiras. 8. O processo de acompanhamento de pedidos tem como finalidade evitar atrasos ou problemas para o cliente na entrega do pedido e eliminar os desperdícios nas atividades empresariais. ( ) Certo ( ) Errado 9. A fonte simples é caracterizada pela existência de apenas um fornecedor disponível no mercado, seja em razão de patentes, especificações técnicas, matéria-prima, seja em razão de localização. ( ) Certo ( ) Errado 10. Nos códigos de ética das organizações, no que se refere a compras, devem ser consideradas as pessoas envolvidas com a especificação e a definição de quantidades dos bens a serem adquiridos, bem como aquelas responsáveis pelos contatos com fornecedores e pelas especificações de contratos de fornecimento. ( ) Certo ( ) Errado 11. Na área de compras, o problema ético se restringe à conduta dos compradores, que devem evitar receber benefícios, tais como brindes, presentes, gratuidades ou outras formas de compensação, e devem garantir o sigilo acerca das informações de propostas, critérios de julgamento e outras informações estratégicas. ( ) Certo ( ) Errado 35ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS SELEÇÃO E AVALIAÇÃO DE FORNECEDORES Escolher um fornecedor depende de uma variedade de fatores como valor, qualidade, confiabilidade, serviço, dentre outros. Esse processo é fundamental para desenvolver um negócio rentável e garantir a competitividade. A tentação é se concentrar na melhor proposta em termos de preço. No entanto, a experiência tem demonstrado que a mais barata não é necessariamente a melhor escolha em longo prazo. O que aconteceria se o seu parceiro não fosse capaz de entregar-lhe no tempo? Ou ainda... se o seu fornecedor não fosse capaz de entender o seu negócio e fosse capaz de manter um relacionamento saudável com seu cliente? 36ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS O mundo corporativo cada vez mais acredita na ideia de que uma empresa, para competir e sobreviver deve construir e manter relações com fornecedores com- petentes e extrair o maior valor possível destas relações. Em outras palavras, a com- petência especializada dos fornecedores pode ter uma inf luência substancial na capacidade inovadora da empresa compra- dora e na sua habilidade de oferecer produ- tos com alta qualidade, contribuindo para elevação de suas vantagens competitivas. Tradicionalmente, uma das mais importantes atividades desempenhadas pelo setor de Compras é a seleção das or- ganizações que integrarão a base de fornecedores e que, portanto, serão responsáveis pela manutenção do f luxo de entrada de produtos e serviços do comprador. O processo de seleção mencionado é composto de diversas etapas que devem ser interdependentes e com diversos filtros para se chegar à eleição daqueles que serão considerados os mais indicados, de acordo com parâmetros estabelecidos. Muitas características são almejadas pelos clientes em seus fornecedores, con- tudo, para selecionar fornecedores de acordo com critérios que representem os ob- jetivos buscados pela empresa não é tão simples. Segundo Dahel (2003), avaliar conjuntamente custo, qualidade, entrega e capacidade de oferta, pode gerar grande complexidade no processo de seleção. A seleção de fornecedores é um processo por meio do qual se analisa, avalia e escolhe os fornecedores que farão parte da cadeia de suprimentos da empresa. Os modernos gerentes de suprimentos deixaram de lado aquela visão oportunista na relação com os fornecedores e passaram a enxergá-los como recursos necessários às operações e crescimento da empresa e, portanto, parceiros do negócio, buscando maior aproximação entre eles. Estudos sobre o assunto comprovam que esses relacionamentos mais estreitos trazem, entre outras vantagens, a redução da base de fornecedores, com benefícios para o gerenciamento dos mesmos, que passa a ser efetuado sobre um número menor de integrantes daquela base. Por outro lado, a seleção de fornecedores passa a ser uma atividade mais complexa e desafiadora, em função dos fatores que devem ser observados para garantir que os relacionamentos estreitos serão cultivados e mantidos numa perspectiva de longo prazo. 37ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS A identificação de potenciais fontes de suprimentos é uma das primeiras etapas da seleção de fornecedores e é revestida de contornos especiais quando as alternativas de fornecimento são poucas ou quase nenhuma. O contínuo monitoramento do mercado supridor através de iniciativas como o estabelecimento de estrutura de inteligência de mercado pode facilitar muito a tarefa de busca de novos parceiros. É preciso que o comprador esteja captando todos os sinais de oscilações no conjunto de fornecedores. Quanto mais o comprador tem conhecimento sobre os participantes de um determinado mercado, maior é a sua capacidade de identificar fontes alternativas de suprimento. Para a seleção de fornecedores existem critérios que têm deixado de ser somente aqueles básicos, ou seja, o preço ao qual o fornecedor oferecia o produto, a qualidade do produto, que deveria atender à especificação mínima requerida pela empresa, e a velocidade de entrega do produto pelo fornecedor. Estão entre os novos critérios que passaram a ser adotados segundo Martins, 2007: • Custo total de aquisição, que considera todos os custos associados à aquisição do produto; • Qualidade total oferecida pelo fornecedor (não somente a qualidade mínima necessária); • Serviço prestado pelo fornecedor, que além da velocidade de entrega passou a considerar a confiabilidade, • Custo de transporte, a consistência e freqüência de entregas e a f lexibilidade do fornecedor; • Capacidade tecnológica e de processo do fornecedor; • Saúde financeira; • Estrutura e estratégia organizacional do fornecedor. Desse modo, alguns questionamentos emergem em decor- rência do debate sobre o tema e devem então ser respondidos no decorrerdo processo investigatório de novos fornecedores, como: O que é um bom for necedor ? No mom ento da escolha, que fato res devemo s levar e m consider ação? Devemos comprar de um ou vários fornecedores? Qual a importância de fazer a escolha certa de fornecedores para o meu negócio? 38ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Estas são questões que independente do segmento e ta- manho, qualquer negócio deve ter resposta totalmente alinhada com as suas estratégias. Como vimos até aqui, é fundamental que, para a empresa ter sucesso, precisa ter consigo bons fornecedores, capazes de atender às suas necessidades e agregue valor ao produto/serviço final. Se o processo de seleção for feito com atenção e cuidado, as chances de futuramente a empresa ter problemas por causa de fornecedores são mínimas. A complexidade no processo de seleção aumenta em função das características do produto/serviço que se está analisando, porém três características são básicas num processo de seleção: preço, qualidade e serviço. Um processo adequado de seleção de fornecedores pode MINIMIZAR os riscos de transtornos num relacionamento entre empresas, mas deve ser seguido de práticas de monitoramento que visem a CONTINUIDADE do relacionamento. Antes de darmos sequência ao conteúdo, é im- portante deixarmos clara a diferença de conceitos entre seleção, avaliação e desenvolvimento de fornecedores. Seleção: É escolher o fornecedor pelas razões certas, isto é, conforme os requisitos de relacionamento definidos para a situação. Avaliação: Está relacionado com a manutenção da relação constituída com o fornecedor através de identificação de oportunidades de melhoria que forem surgindo ao longo do tempo de relacionamento. Desenvolvimento: É uma situação em que a empresa compradora tem interesses claros na inserção e manutenção de determinado fornecedor como participante de sua cadeia. Por isso há um direcionamento forte em melhorar o desempenho e as competências do fornecedor estabelecido, inclusive com comprometimento de recursos financeiros e humanos por parte das duas empresas. 39ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Que fatores são importantes analisar no momento da escolha de um fornecedor? Veremos agora, um método proposto em 1995 pelo americano Ray Carter, especialista em Supply Chain. O método que contém os principais fatores a serem analisados no momento da seleção de um fornecedor é conhecido como 10 C’s: Competency (Competência) O fornecedor tem todas as habilidades necessárias para realizar o serviço ou produto esperado? Capacity (Capacidade) É capaz de se adaptar às demandas do cliente e às mudanças quando necessárias? Commitment (Compromisso) Ele pode se comprometer com um nível de qualidade do produto e serviço? Control (Controle) Quais são os controles efetuados? Como são os processos e procedimentos sob controle? Cash (Dinheiro) Qual é a sua solidez financeira? Ele tem os recursos para financiar seus negócios de forma sustentável e apoia-lo no seu desenvolvimento? Cost (Custo) Quais são os preços de venda de bens e serviços? Que condições financeiras ele dá? São preços competiti- vos com a concorrência? Consistency (Consistência) Quais são os métodos e meios utilizados para garantir a entrega de um produto idêntico: mesmas caracte- rísticas, a mesma qualidade, etc. ? Culture (Cultura) O fornecedor tem uma cultura semelhante a sua? Será que ele tem as mesmas preocupações que você? Clean (Limpo) Qual é o grau de envolvimento do fornecedor com respeito ao meio ambiente? Está em conformidade com as normas ambientais inerentes às suas áreas de negócio? Communication (Comunicação) Quais são os meios de comunicação utilizados com este fornecedor (email, telefone...)? Quem serão os seus parceiros? 40ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Benefícios que a empresa tem ao selecionar um fornecedor confiável • Redução de lead times e aumento da responsabilidade do fornecedor; • Redução de estoques e custos administrativos e melhoria do f luxo de caixa; • Melhoria no planejamento de volumes a longo prazo de- vido a disponibilidade de dados com maior acuracidade; • Avanços tecnológicos e inovativos conseguidos com a melhoria do f luxo de informações e utilização de recursos técnicos de ambas as partes; • Redução da falta de produtos; • Diminuição no tempo de desenvolvimento de novos pro- dutos. Avaliação de fornecedores Sabemos que alguns fornecedores exercem impactos maio- res do que outros no sistema de fornecimento de uma empresa, mas todos devem ser tratados como recurso fundamental para a organização. A falha no fornecimento pode acarretar a parada de uma linha de produção, por exemplo, ou causar a impossi- bilidade da empresa honrar os seus compromissos com clientes e dessa forma reduzir a sua lucratividade. Uma vez selecionado este fornecedor iniciará o forneci- mento do produto/serviço e é ai que muitas vezes o comprador comete uma terrível falha que é confiar totalmente no forne- cedor, no que foi tratado inicialmente. É preciso acompanhar e avaliar este fornecedor a fim de evitar possíveis danos causados por este relacionamento. Aí, caro aluno, você deve estar pensando. Se selecionei um fornecedor e o mesmo me disse que é capaz de atender nas especificações que acordamos, por que assim mesmo devemos arcar com os custos de avaliá-lo? Não deveríamos confiar no que disse e simplesmente receber seus materiais e ir direto para o estoque? Infelizmente ainda nos deparamos com fornecedores não tão bem preparados, sem programas internos que avaliam a qualidade de seus produtos e com má administração. Então até consolidar este relacionamento se recomenda que os fornecedores sejam avaliados constantemente a fim de ver se os parâmetros acertados na negociação realmente estão sendo atingidos. O monitoramento é importante também para que o for- necedor se mantenha estimulado a acompanhar os objetivos de 41ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS seu cliente, acompanhando a evolução de mercado, mantendo padrões de entrega e qualidade alinhados e principalmente para saber que enquanto mantiver seu desem- penho em nível bom para ótimo manterá o negócio com seu cliente. Se o monito- ramento não ocorre, o fornecedor também não consegue saber se sua performance está boa ou ruim, se o relacionamento com seu cliente será de longo prazo ou poderá ser interrompido a qualquer momento. Resultados esperados com a avaliação: • Melhorar desempenho e deixá-lo mais visível; • Criar um relacionamento com o fornecedor; • Diminuir ou até eliminar o tempo gasto com auditorias da qualidade; • Possibilidade de intervenção rápida caso algum parâmetro não seja cumprido Condições para o sucesso: • Trabalhar com equipes multidisciplinares (compras, qualidade, produção, etc.) • Desenvolver uma estratégia de negócios bem definida; • Garantir o compromisso dos administradores e dos empregados; • Tornar o processo de avaliação, assim como os questionários e relatórios adap- tados à realidade do negócio; • Incentivar a partilha das informações entre todos os interessados; • Divulgar os resultados e acompanhar a evolução ou retrocesso dos fornecedores; • Mais que acompanhar, tomar decisões e agir com os resultados obtidos na avaliação. 42ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Dentre as maiores dificuldades na implementação da qualificação de forne- cedores podemos citar: • Receio por parte dos fornecedores de que o programa estabelecido pelo cliente oculte segundas intenções (por exemplo, transferência dos seus estoques para os fornecedores); • Dificuldades das empresas de pe- quena e média dimensão em manter os mesmos níveis de exigência a que são submetidas pelos seus clientes, junto aos seus fornecedores; • Desconhecimento, por parte do cliente, do produto e do processo de produção dos fornecedores, o que leva o cliente a impor exigências ina- dequadas Resumo: A escolha dos fornecedores é essenciale fundamental para a sustentabi- lidade da empresa. Para a escolha de um fornecedor propõe-se que os seguintes critérios sejam analisados: competência, capacidade, compromisso, controle, saúde financeira, custo, consistência, cultura, produção limpa, comunicação. A evolução do relacionamento cliente – fornecedor pode-se resumir em 4 fases: abordagem convencional, melhoria da qualidade, integração operacional e integração estratégica. O tipo de relação entre fornecedor e comprador é crucial para ambos. Idealmente, a relação será baseada numa dependência mútua e duradoura. O fornecedor pode confiar em negócios futuros, e o comprador terá garantia de fornecimento de produtos de qualidade, apoio técnico e ambiente de produto. A comunicação entre comprador e fornecedor deve ser aberta e plena, de modo que ambas as partes entendam o problema uma da outra, e possam trabalhar juntas na solução de problemas que beneficiará ambas. Assim, a seleção do fornecedor e a relação com ele estabelecida são de fundamental importância. A avaliação dos fornecedores é importante por diversos motivos, dentre eles, o de garantir que as condições inicialmente negociadas se mantenham nos padrões, também estimular o fornecedor a melhorar constantemente, melhorar o relacionamento, dentre outros. É muito importante que o fornecedor, sabendo de seu desempenho tome as diversas atitudes cabíveis e que o processo seja novamente monitorado afim de ver se o fornecedor evolui ou não. 43ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. Com relação à Compras: O objetivo principal da área de gestão de compras é assegurar o suprimento dos bens e serviços necessários às atividades da empresa. O setor de compras planeja e coordena o processo de aquisição de materiais, além de controlar o estoque de matéria-prima. A seleção de fornecedores é a última etapa da gestão de compras, pois as outras demandas da área independem do tipo de fornecedor escolhido e possuem nível maior de prioridade. ( ) Certo ( ) Errado 2. A visão tradicional de compras admite que manter a concorrência de preços entre vários fornecedores, contribui para a redução e/ou manutenção do nível de preços dos materiais comprados. Tal visão baseia-se na hipótese de que se os fornecedores permanecerem sob a ameaça constante de perderem as encomendas consequentemente serão obrigados a “segurar” ou reduzir seus preços para ganhar os pedidos. Diversos fatores causam o baixo desempenho do fornecedor. Dentre eles: I. Quando a empresa insiste em negociar preços e demais condições de tal maneira que seus fornecedores obtenham lucro, impedindo-os de conseguir investir em melhorias ou ainda se manterem no negócio; II. Quando a empresa, por qualquer razão, retém informações sobre o planejamento da produção e das compras, fazendo com que o fornecedor protege, compre, monte e entregue tarde ou cedo demais. Tal atitude certamente poderá afetar seu desempenho econômico financeiro; III. Quando o pessoal técnico não especifica detalhadamente as respectivas características do componente a ser comprado, nem tampouco, como e onde será aplicado, para que o fornecedor possa controlar a qualidade na fonte; IV. A empresa não compartilha seu conhecimento sobre as melhores práticas de negócios, de modo que o fornecedor mantém um alto nível tanto técnico como comercial. Está correto o que consta em: I, apenas. II e III, apenas. I, II e III. I e III, apenas. III e IV, apenas. 44ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 3. Na seleção de fornecedores, além do preço, outros critérios devem ser considerados, como capacidade produtiva, prazo de entrega e condições de pagamento. ( ) Certo ( ) Errado 4. A seleção de fornecedores é uma das grandes responsabilidades do departamento de compras, seja para itens rotineiros, seja para compras esporádicas. Embora a seleção inadequada possa gerar problemas em toda a cadeia de produção da empresa, o departamento de compras não pode abrir mão do critério de menor preço para escolha do fornecedor, pois os altos custos podem inviabilizar o preço do produto final. ( ) Certo ( ) Errado 5. Quando a relação de parceria entre uma empresa e seu fornecedor atinge um grau elevado de evolução, traduzida em conceitos como os de confiança mútua, participação e fornecimento com qualidade assegurada, ela é denominada comakership. ( ) Certo ( ) Errado 6. Em um processo de compras, a qualificação dos fornecedores não se torna relevante para a análise, visto que o menor preço sempre é o que melhor atenderá os interesses da empresa compradora. ( ) Certo ( ) Errado 7. O procedimento de acompanhamento de pedidos realizado pelo setor de compras, também chamado follow up, pode ser realizado por contatos pessoais ou telefônicos com o fornecedor, mesmo após efetuado o pedido de compras e, visa localizar problemas antecipadamente e evitar surpresas desagradáveis. ( ) Certo ( ) Errado 45ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 8. O departamento de administração de materiais de uma empresa recebeu 5.000 requisições no ano de 2009, sendo que cada requisição teve uma média de 1,8 itens. Sabendo que 7.650 itens foram entregues dentro do prazo, qual foi o nível de serviço de atendimento do departamento, em percentual? (Obs: use arredondamento para uma casa decimal) a. 90% b. 85% c. 80% d. 65,4% e. 55,5% 9. A administração de materiais é o conjunto de atividades responsável pela coordenação das atividades de aquisição, guarda e distribuição de materiais. A esse respeito, assinale a opção INCORRETA. a. Eventuais problemas de estoque gerados por atraso na entrega ou aumento no consumo são solucionados com a utilização do estoque de segurança; b. As responsabilidades da unidade de compras iniciam-se na definição do que comprar e vão até a entrega às unidades que utilizarão os itens adquiridos; c. Na seleção de fornecedores, além do preço, outros critérios devem ser considerados, como capacidade produtiva, prazo de entrega e condições de pagamento. d. Com o aumento da competitividade entre as empresas, a negociação de compras moderna é caracterizada pela disputa, dita saudável, onde tanto compradores como vendedores saem satisfeitos 46ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS NEGOCIAÇÃO EM COMPRAS Saber negociar pode ser um diferencial competitivo importante para se destacar não só no mercado de trabalho, mas também para melhorar seu meio social. Quando se trata de negociação automaticamente se as- socia o ato de comprar ou vender algo, mas este conceito não está fundamentado apenas nestes dois princípios, envolvendo algo muito mais complexo. Assim, negociar não é somente comprar ou vender algo, e sim procurar encontrar a melhor forma de fazê-lo “Negociar é a arte de comprar ou vender qualquer coisa, na busca da satisfação dos envolvidos” (CAMPOS 1996). É imprescindível que os dois lados envolvidos na negociação estejam satisfeitos, porque, caso contrário, esta negociação não será bem concebida, não sendo proveitosa ao negociador. 47ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Se em uma negociação, apenas um negociador querer se beneficiar, o outro não se favorecerá e não voltará a negociar com o primeiro, desta forma acontecerá o que se chama de “negociata” que é a deno- minação dada a uma má negociação, que é quando um negociador procura esconder alguns pontos importantes da negociação. Negociar, muitas vezes é sinôni- mo de alcançar o máximo de vantagens possível sobre o outro negociado, mas na verdade, o que acontece é uma necessidade de esclarecimento pelas duas partes, para que o negócio seja bom aos dois, e assim, possa haver futuras negociações. Negociar é arte e requer técnicas que devem ser trabalhadas e organizadas. Alguns de nós já nascemos com este dom, apenas precisando aperfeiçoa-lo de acordo com as necessidades de cada empresa. Percebe-se, portanto, que a “arte da negociação” é uma característica especifi- ca decada ser humano, independente de seu grau de instrução. Desta forma, outro ponto importante para uma boa negocia- ção, é nunca subestimar o outro negociador, por sua aparência ou grau de instrução. A negociação pode trazer surpresas que todo o profissional tem de estar preparado para enfrentar. Pozo, 2008, cita que para muitos, a negociação parece um centro de conflitos e desgastes e é um importante elemento de fortalecimento dos laços de interesse, de melhorias contínuas e principalmente de aumento dos lucros para ambas as empresas. A negociação é uma técnica que visa negociar algum bem com outra pessoa, com o objetivo de atingir um grau de satisfação. Negociar é uma forma de competir, e a competição serve para que o indivíduo mantenha os conceitos básicos necessários para a sobrevivência. 48ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Iniciamos este conteúdo dizendo que em algum momento de sua vida você já negociou algo, e mais; com certeza hoje mesmo você a fez sem nem ter percebido. A negociação está inserida em todas as etapas da civilização, em todos os momentos profissionais ao qual o indivíduo enfrenta no seu dia a dia. Desta for- ma é impossível ficar inerte a este assunto, pelo contrário, é preciso que cada um esteja preparado para enfrentar as intermináveis negociações que rodeiam todo ser humano. Junqueira, 1995, traz um conceito completo do que é negociação e achei importante compartilhar. “Negociação é o processo de buscar aceitação de idéias, propósitos ou interesses visando ao melhor resultado possível, de tal modo que as partes envolvidas terminem a negociação consciente de que foram ouvidas, tiveram oportunidade de apresentar toda a sua argumentação e que o produto final seja maior que a soma das contribuições individuais” (JUNQUEIRA, 1995). Muitas vezes quando se entra numa negociação se pensa somente em si, em bene- ficiar aos meus interesses, do meu negócio e o que acontece com a outra parte não importa. Este pensamento está muito equivocado e empresas que contratam compradores que negociam desta forma não tende a ter relações saudáveis. No processo de negociação é preciso que se estabeleçam objetivos, lembrando que para se manter no mercado é preciso que haja reciprocidade, para que todos obtenham resultado, havendo sempre um equilíbrio. Considerando que o equilíbrio não sig- nifica apenas alinhamento nos valores (receita para uns, investimentos para outros), mas no resultado do processo: cronograma adequado, esforço bem mensurado, condições recípro- cas de negociação alinhadas e, sem sombra de dúvida principalmente processo/projeto implantado e bem sucedido para o negócio do seu cliente (JUNQUEIRA, 1995). 49ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Etapas de uma Negociação Normalmente uma negociação começa antes de sentar-se a mesa para tal. Dis- cutiremos aqui quais são as etapas a fim de obter sucesso ao final. a. Planejamento: • Precisamos analisar: • Quais são nossos objetivos com esta negociação? • Quais são nossos limites máximos e mínimos? • O que podemos esperar da outra parte? • Quais são os possíveis limites que a outra parte tem? • Quais são os pontos de conflito? • E como podemos trabalhar rumo à concordância, rumo ao acordo? b. Abertura: Feito o planejamento / preparação chega-se a mesa de negociações para o início. É na etapa da abertura que se procura criar um clima de cooperação. Precisamos mostrar para a outra parte que estamos ali para cooperar, para buscar a solução do problema quando houver e obter da outra parte o compromisso em ter uma postura desta mesma maneira. c. Exploração: Feita a abertura, não podemos ini- ciar a pauta da negociação dando infor- mações, falando de nossos problemas. Devemos buscar mais informações sobre a outra parte. É a hora de fazer perguntas. Pergun- tas abertas ou fechadas que procure perce- ber a situação da outra parte, o problema. Deve-se entender melhor o contexto que a outra parte esta inserida. Conseguindo entender o contexto entramos na seguinte etapa que é a apre- sentação propriamente dita. d. Apresentação: Nesta etapa vamos efetivamente colocar à mesa a proposta, destacando as características que ela tem, mas também como ela resolve os problemas e que be- nefícios ela traz para a outra parte. 50ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS e. Clarificação: Feita a apresentação surgem dúvidas, objeções. É preciso garantir neste mo- mento que todos os elementos do acordo ficaram plenamente entendidos por todos os envolvidos. Garantindo o entendimento parte- -se para chegar ao acordo conforme des- crito a seguir. f. Ação final: Há varias ferramentas para usar para fazer o acordo final. Há o chamado fe- chamento direto, onde perguntamos para a outra parte se ele está disposto a aceitar o acordo. Há o modelo de alternativas, onde propomos opções para a outra parte escolher. O que importa é que se tente efetiva- mente fechar um acordo e com ele fechado a negociação ainda não está terminada. Temos a etapa final que é o controle e a avaliação. g. Controle e avaliação: O controle significa verif icar se tudo aquilo que foi combinado durante a negociação está sendo implementado efetivamente. Muitas vezes o negociador fecha um acordo, mas são outras pesso- as que implementam as ações. É preciso garantir que elas estejam ocorrendo da melhor forma possível. E para fechar este conjunto de etapas temos a avaliação. Estamos enganados se pensarmos que se avalia somente o resul- tado. Obviamente ele é importante, po- rém devemos avaliar também o processo. Podemos nos fazer perguntas como: Foi boa a negociação? Haveria um jeito melhor de con- duzi-la? Como podemos melhorar o processo para que os resultados também melhorem? 51ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Estilos de Negociação Para Junqueira (1995), todas as pessoas possuem um estilo de negociação predominante que é necessário saber identificar, para que possa ser aperfeiçoado e utilizado com maior eficiência. Por intermédio da análise de características do comportamento dominante, o autor identifica quatro estilos: catalisador, apoiador, controlador e analítico. Apoiador – Também conhecido por cordial, afável e estável. Esse estilo está voltado para relacionamentos. É visto como uma pessoa amável, compreensiva, bom ouvinte, prestativo, que sabe trabalhar em equipe, gosta de dar apoio às outras pessoas, é leal e de confiança. Não gosta de ferir nem magoar os outros. Pessoas com esse perfil gostam de receber atenção e apreciam ser aceitos pelas pessoas. Por outro lado, muitas vezes o apoiador pode ser encarado como dissimulado, porque perde tempo e evita conflitos. Pode apresentar dificuldade para dizer não e dizer o que realmente pensa. Isso pode dar a impressão que está sendo “levado na conversa”. Porém, sob tensão, concorda, mas depois não cumpre. Pode apresentar resistência passiva ou não se manifestar. Controlador – Também designado por dirigente, diretivo e realizador. Geralmente são pessoas decididas, eficientes, responsáveis, rápidas e objetivas, que assumem riscos calculados. Valorizam os resul- tados e o cumprimento de metas, não se importando com as pessoas. Muitas vezes são vistos como insensíveis impacientes e “mandões”. Quando submetidos à tensão costumam ameaçar e tornam-se tirânicos. Pessoas com esse perfil precisam aprender a conviver com as diferenças individuais, sem fazer prejulgamentos. Precisam aprender agir com mais naturalidade e escutar os outros. Analítico - Geralmente, são pessoas sérias, organizadas, pa- cientes, cuidadosas e controladas, com alta capacidade crítica. Gostam de estar a par do que acontece, procuram se apropriar dos detalhes, conhecem o trabalho e procuram aprofundar o conhecimento se es- pecializando. Têm habilidade para avaliar pessoas e situações. Estão voltados para procedimentos. Costumam tomar decisões somente de- pois de sentirem-se plenamente seguros e com garantias de que vão tersucesso. Por outro lado, podem ser vistos como detalhistas, teimosos e pessoas que escondem o jogo não revelando informações relevantes que possuem. Podem ser tachados de indecisos e procrastinadores, pois adiam as decisões na esperança de fazer melhor e com mais segurança. Catalisador – Também chamado de inf luenciador, expressivo, indutor e sociável. Esse estilo é orientado para idéias. Pessoas com esse perfil são empreendedoras, entusiasmadas, estimulantes e persuasivas. Costumam inclusive usar suas habilidades sociais para atraírem as pes- soas e conseguirem realizar seus objetivos e gostam de ser reconhecidas por suas qualidades. O lado negativo desse estilo é que muitas vezes pode ser visto como superficial, exclusivista e difícil de crer, pois costuma prometer coisas que não pode cumprir, pois algumas vezes traça metas que não pode cumprir. Sob tensão, fala alto e rápido; agita-se e explode. 52ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Tipos de Negociação Dependendo das técnicas utilizadas, chega-se a quatro tipos de negociação: a. Ganha/perde ou perde/ganha; A negociação “ganha-perde” é quan- do uma das partes sai ganhando e a outra sai perdendo durante o processo de nego- ciação. Por exemplo: Maria encomendou um casaco para ir à formatura do filho. A vendedora garantiu que o mesmo chegaria e seria entregue em até 10 dias (mesmo sa- bendo que o prazo era de 13 dias), porém o pagamento deveria ser realizado adiantado e não se acei- tava devolução. Como faltavam 15 dias para o evento, Maria não viu problemas com a aquisição. No dé- cimo sexto dia pela manhã o vestido chegou à residência da compradora. Pergunta: ambas as partes saíram ganhando nesta negociação? Resposta: não. A negociação não foi satisfatória para as duas partes, pois a vendedora não cumpriu o prazo acordado prejudicando a outra parte. Este é um exemplo da negociação “ganha-perde”, onde um dos lados ganha, neste caso a vendedora que recebeu o valor da compra adiantado e informou o prazo erroneamente para não perder a venda; e o outro lado perde, aqui representado pela Maria que não ficou satisfeita com sua compra, pois não atendeu sua expectativa (necessidade). Nesta situação a vendedora acabou com futuras compras, pois Maria não comprará novamente desta vendedo- ra e também aconselhará as pessoas que conhece a fazer o mesmo. b. Ganha/ganha; Acontece quando ambas as partes ganham algo e cumprem o acordado (ne- gociado), ficando satisfeitas. Pergunta: se no exemplo anterior- mente citado, a encomenda houvesse chegado no prazo, o negócio teria sido satisfatório para ambas as partes? Resposta: sim. Ficaria caracterizado o “ganha-ganha” o que teria promovido um ambiente propício para negociações futuras. c. Perde/perde; O resultado perde/perde acontece quando nenhuma das partes supre as suas necessidades ou desejos e, então, ambas relutam em negociar novamente com a contraparte. d. A negociação não é realizada. Isto acontece quando nenhuma das partes ganha ou perde. Ou seja, a nego- ciação não se concretiza. Este resultado acontece muitas vezes em razão do acon- selhamento de uma das partes à outra, com a finalidade de evitar um resultado que não seja o ganha/ganha. 53ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Dicas para uma boa negociação Martinelli, 1997 enumera algumas dicas sobre negociação eficaz como veremos abaixo. • Comunicação eficaz: O objetivo é o entendimento. A eficácia está relacionada diretamente com o alcance dos objetivos visados; • Bom relacionamento: é mais fácil negociar com a outra parte quando há um bom relacionamento, do que quando se veem como inimigos. Ambas as partes devem entender a importância da negociação e esforçar-se para que f lua da melhor maneira possível; • Descobrir o interesse da outra parte: Importante colocar-se no lugar da outra pessoa em determinados momentos; verificar o estilo de negociação da outra parte, após ter descoberto o seu; • Convencer a outra parte que está sendo tratada com justiça: Argumentar, usar linguagem adequada e alinhar a argu- mentação com os interesses de ambas as partes envolvidas; • Procure evitar a negação: tende a levar a negociação para um perde-perde. Nenhum aspecto é suficientemente im- portante para que se busque evitar o conflito posterior- mente. • Evite se acomodar: Abre-se mão dos resultados, em favor da preservação do relacionamento. Esta estratégia tende a levar para uma negociação perde-ganha. • Evite ter uma estratégia competitiva: trata-se do caso em que o negociador busca ganhar a qualquer custo, levando normalmente para uma negociação ganha-perde. É fácil distrair-se e perder de vista os assuntos reais da negociação, mas é necessário separar as pessoas do problema para explorar os interesses e inventar opções de benefício mútuo que permitam fazer uma escolha. Conscientes que o aumento do seu poder e liderança na negociação é diretamente proporcional ao desenvolvimento de uma boa alternativa, tenha um bom plano de ação para atingir seus interesses, caso não cheguem a um acordo. A sua melhor alternativa é pensar no que você faria se não conseguisse um acordo com essa pessoa. Nunca negocie sem ter outras opções. Se você depende demais do resultado de uma negociação, perde sua capacidade de dizer não. Mesmo dentro de um caos social que pareça demandar decisões críticas imediatas, mantenha sempre sua perspectiva durante as negociações. Não se obstine em obter um centavo a mais porque pode perder de vista os pontos centrais da nego- ciação, os que são importantes para você. Pense sempre: Como vai ficar isto daqui a um ano? 54ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Todos têm uma tendência na- tural a pensar o que é importante para nós deve ser importante tam- bém para as outras pessoas. Mas na verdade não é assim. De fato, todas as pessoas possuem uma perspectiva do mundo em que vivemos. Cada um possui uma visão diferente de mundo. A negociação é sempre um as- sunto de duas partes, de duplo sen- tido. Em uma negociação, a pressão para chegar a um acordo está sempre na outra parte exatamente da mesma maneira que está em você. Para consolidar relações em longo prazo, uma boa negociação só se completa quando, além de con- seguir concessões da outra parte e, sem ceder nem comprometer os seus próprios interesses, você encontra soluções que reciprocamente con- templem os interesses do outro, de tal forma que ele também termine a negociação convencido de ter con- seguido o melhor acordo possível. Pregão eletrônico O Pregão eletrônico é uma modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços comuns, sem limite de valor no âmbito da União, Estados, Municípios e Distrito Federal, cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado. É feito à distân- cia em sessão pública, por meio de sistema que promova a comunicação via internet. Características gerais: Valor Não há limite para aquisições via Pregão eletrônico Tipo de licitação Menor preço, ou seja, ganha o fornecedor que oferecer o menor preço; O que se adquire Bens ou serviços comuns Habilitação Inversão de fases em relação às licitações tradicionais. A habilitação do fornecedor é feita após a realização do pregão e somente com o fornecedor ganhador. Se ele não for habilitado convoca-se o segundo colocado. Outras características A participação é condicionada ao credenciamento no sistema próprio. As propostas e os lances são encaminhados exclusivamente via internet. Todas as propostas classificadas vão para a etapa de lances, diferente do pregão presencial. Negociação, recursos e outros procedimentos são feitos exclusivamente através do sistema. 55ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Você sabe quais foram os objetivos de estabelecer o Pregão eletrônico para o governo brasileiro? 1. Baratear custo para o próprio governo. Por ser feito tudo via internetestima-se que pelo menos 18% do custo de licitação baixe; 2. Atingir maior número de participantes, ampliar a concorrência. Usar os recur- sos que possuem da lei de orçamentos para a compra de produtos, onde muitas vezes esse dinheiro é devolvido para os cofres públicos por falta de licitantes habilitados. Pode-se então participar de qualquer estado, de qualquer licitação; 3. Diminuição drástica das chances de fraude, pois todo o processo é feito de forma aberta, transparente. Como funciona? Inicialmente o fornecedor deve se cadastrar no Órgão que lhe interessa, por exemplo, na Secretaria da Educação. O fornecedor receberá um login e senha, estando habilitado para participar das licitações daquele órgão. Deve-se renovar uma vez ao ano o cadastro. Em seguida o fornecedor tomará conhecimento das licitações em aberto através de um edital. O pregão eletrônico acontece num determinado período com data de abertura e encerramento declarado. Neste período o fornecedor pode apresentar o seu lance, como se estivesse numa sala de bate papo, onde se começa geralmente pela maior proposta e vai se reduzindo até chegar a menor proposta que é o que interessa ao governo. É semelhante a um leilão, a diferença é que começa da maior para a menor proposta. Normalmente a identidade dos au- tores dos lances não é revelada aos demais concorrentes. Depois de se chegar a uma proposta de resultado menor, verifica-se a habilitação do licitante. Se estiver tudo OK é dado sequência ao processo, caso contrário é chamado a segunda melhor oferta e assim sucessivamente. A partir dai segue-se com a assi- natura de contrato, entrega de produtos e cumprimento do mesmo. O Pregão Eletrônico pro- porciona velocidade e agi- lidade de informações e facilidade em traba- lhar com grandes volumes de dados, oferecendo agili- dade, comodida- de e economia, favorecendo aos clientes produtos sem mesmo nem sair de casa. 56ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Sistema de Registro de Preços (SRP) O Sistema de Registro de Preços, se- gundo Leão (2001), “consiste num procedi- mento especial de licitação e contratação que pode ser adotado para compras cujos objetos consistam em materiais, produtos ou gêneros de consumo frequentes pelo Poder Público”. É um sistema utilizado pelo Poder Público para aquisição de bens e serviços em que os interessados concordam em manter os preços registrados pelo “órgão gerenciador”. Estes preços são lançados em uma “ata de registro de preços” visando as contratações futuras, obedecendo-se as condições estipu- ladas no ato convocatório da licitação. O SRP é uma opção economicamente viável à Administração, portanto, preferen- cial em relação às demais. A escolha pelo SRP se dá em razão de diversos fatores: a. Quando houver necessidade de compras habituais; b. Quando a característica do bem ou serviço recomen- darem contratações freqüentes, como por exemplo: medicamentos; produtos perecíveis (como hortifru- tigranjeiros); serviços de manutenção, etc; c. Quando a estocagem dos produtos não for recomen- dável quer pelo caráter perecível quer pela dificuldade no armazenamento; d. Quando for viável a entrega parcelada; e. Quando não for possível definir previamente a quan- tidade exata da demanda; e f. Quando for conveniente a mais de um órgão da Ad- ministração. 57ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Vale ressaltar que SRP não é uma modalidade de licitação, nem um tipo lici- tatório, mas um conjunto de procedimentos para registro formal de preços relativos à prestação de serviços e aquisição de bens, para contratação futura. De acordo com o artigo 1º, parágrafo único do Decreto 3.931/01, temos as seguintes definições, características do SRP: Decreto 3.931/01 Parágrafo único. Para os efeitos deste Decreto, são adotadas as seguintes de- finições: I - Sistema de Registro de Preços - SRP - conjunto de procedimentos para registro formal de preços relativos à prestação de serviços e aquisição de bens, para contratações futuras; (Redação dada pelo Decreto nº 4.342, de 23.8.2002) II - Ata de Registro de Preços - documento vinculativo, obrigacional, com característica de compromisso para futura contratação, onde se registram os preços, fornecedores, órgãos participantes e condições a serem praticadas, conforme as dis- posições contidas no instrumento convocatório e propostas apresentadas; III - Órgão Gerenciador - órgão ou entidade da Administração Pública res- ponsável pela condução do conjunto de procedimentos do certame para registro de preços e gerenciamento da Ata de Registro de Preços dele decorrente; e IV - Órgão Participante - órgão ou entidade que participa dos procedimentos iniciais do SRP e integra a Ata de Registro de Preços. Exemplificando: A empresa interessada em contratar/ fornecer ao órgão público, participará da licitação (concorrência ou pregão) e ofere- cerá o preço para determinado produto ou serviço. O licitante que propuser o menor preço será declarado vencedor, ficando sua oferta registrada na “ata de registro de preços”. Quando a Administração neces- sitar daquele produto ou serviço, poderá solicitar a contratação/fornecimento pelo preço que estiver registrado. O RP será promovido pelo “órgão gerenciador”, mas farão parte dele os de- mais “órgãos participantes” que manifes- tarem interesse naquela contratação. Após a realização da licitação e ve- rificadas as propostas mais vantajosas, o órgão licitante convocará os licitantes ven- cedores para assinarem a “ata de registro de preços” que terá efeito de compromisso e responsabilidade às condições ofertadas e aquelas estipuladas no Edital. 58ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS A administração, quando necessitar o fornecimento ou a contratação, indicará o preço registrado e convocará o licitante para a celebração do instrumento contratual (termo de contrato, nota de empenho, autorização de compra etc). A “ata de registro de preços” não obriga a Administração a contratar, sendo possível a realização de nova licitação visando a obtenção de preços mais vantajosos. Nesta hipótese, será asse- gurado ao beneficiário do registro a preferência de fornecimento quando se verificar igualdade de condições, ou seja, se realizada nova licitação e o preço vencedor for igual ao da “ata de registro de preços”, a Administração deverá optar pelo preço registrado. Alguns autores consideram a Ata de Registro de Preços uma representação formal da relação desvantajosa para os for- necedores. Como observa Leão (2001) apud Bittencourt (2003): A ata de registro de preços constitui-se como um verdadeiro “pacto leonino” em relação aos que têm seus preços registrados, uma vez que, apesar de os obrigar ao fornecimento de objeto até o limite máximo estimado para o consumo em um determinado período, caso haja a solicitação por parte da Administração, não impõe ao Poder Público nenhuma obrigatoriedade de compra. Já Bittencourt (2003) afirma que não é só a Administração Pública que ganha com a adoção do SRP, mas também seus fornecedores, “porque ficam eles certos que terão uma quantia média periódica de fornecimento, sem que tenham que parti- cipar de outra licitação”. Resumo: A negociação é um passo fundamental no processo de compra que não pode ser improvisado. Baseia-se na preparação meticulosa, recolhimento de informações sobre o fornecedor para definir uma estratégia. Toda negociação envolve geralmente, lados opostos e inte- resses conflitantes. O mais importante é que o comprador conduza as negociações de forma que ambos os lados saiam satisfeitos. Toda negociação bem sucedida deve ser planejada e sugere-se que os seguintes passos sejam seguidos: a. Planejamento: uma das etapas mais importantes pois é aqui que deve ficar claro quais são os objetivos da negociação, como serão trabalhadas as opções para se chegar ao acordo. b. Abertura: esta fase é conhecida por “quebra-gelo”. c. Exploração: Hora de fazer perguntas. Entender o outro lado enão liberando informações antes do tempo. d. Apresentação: aqui se apresenta a proposta enfatizando nos benefícios que a mesma traria. e. Clarificação: nesta etapa as dúvidas devem ser tiradas para não ter problemas futuros 59ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS f. Ação final: deve-se tentar chegar ao acordo final aqui. g. Controle e avaliação: como o próprio nome diz aqui se controla se as ações propostas estão efetivamente sendo feitas e também se avalia se o serviço/produto esta de acordo com as necessidades. Dentre os estilos de negociação definidos por Junqueira, 1995 citam-se: catalisador (orientado para ideias), apoiador (voltado para relacionamentos), analítico (voltados para procedimentos) e controlador (voltado para resultados e cumprimento de metas). Há quatro tipos de negociação: Ganha-ganha: ambos os lados saem satisfeitos. Ganha-perde ou Perde-ganha: somente um dos lados atinge seus objetivos em detrimento da insatisfação da outra parte; Perde-perde: nenhuma das partes fica satisfeita com o resultado da negociação; Negociação não é realizada: quando a negociação não se concretiza. • Pregão eletrônico e Sistema de Registro de Preços Para baratear custos o governo faz uso do Sistema de Pregão Eletrônico, que é uma modalidade de licitação, onde fornecedores cadastrados no Órgão licitante, podem dar seus devidos lances. O fornecedor com menor preço ganha a licitação. Os preços acordados nesta licitação fica registrado numa ata de Registro de Preços onde futuramente o governo irá contatar o for- necedor para atender ao pedido. O governo pode cancelar o pedido a qualquer momento sem prejuízo para ele. O Pregão eletrônico evita fraudes, por ser um processo transparente e estimula à concorrência uma vez que qualquer fornecedor habilitado pode participar. O fato da licitação ser via internet é um facilitador. 60ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. Uma das alternativas não corresponde à verdade. Indique-a: a. A atitude do negociador em relação ao fechamento é tão importante quanto a sua técnica. b. Saiba usar o silêncio como um momento mágico para fechar acordo. c. Muitas negociações são perdidas porque o negociador acha que o acordo virá naturalmente. d. Mesmo que a outra parte demonstre que está inclinada a fechar o negócio, não apresse o seu fechamento. 2. A outra parte está indecisa, mas você sabe que ela irá fechar o negócio. Como fazê-la decidir-se: a. Dando-lhe a escolha entre duas ou mais possibilidades. b. Mantendo com firmeza a sua proposta inicial. c. Aumentando de forma gradual as concessões. d. Usando o apelo emocional de forma habilidosa. 3. Uma das afirmações abaixo não corresponde à verdade. Indique-a: a. Numa negociação sempre há um grande vencedor. b. A negociação é uma forma de comunicação interpessoal, permanente e constante, que exige treinamento nas técnicas e na arte da prática no processo. c. A rotina da negociação é dinâmica e difícil de ser prevista, razão por que dificilmente uma negociação será idêntica a outra. d. O importante para uma boa negociação é preparar-se, saber ouvir, aprender e pensar com lógica, reformular sempre e buscar o interesse comum. 4. Para que uma negociação seja produtiva: a. É preciso que haja convergência de interesses entre as partes. b. É preciso que ambas as partes consigam chegar a um acordo que funcione. c. É preciso que as partes disponham de recursos para dar andamento à negociação, tais como tempo, dinheiro e/ou produtos. d. Todas as afirmações são corretas e se completam. 61ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 5. Indique o melhor perfil para um negociador: a. Aquele que planeja, estabelece os limites mínimos e máximos da negociação, além dos quais não aceita sequer discutir qualquer outra concessão. b. Aquele que é flexível, disposto sempre a ceder, sem avaliar os limites da negociação. c. Aquele que, embora não planejando a negociação, é flexível e aceita as exigências da outra parte. d. Aquele que estabelece limites, sabe que é necessário ser flexível e define com segurança o momento mais propício para parar. 6. O negociador bem preparado é capaz de: a. Exercer o autocontrole. b. Analisar as atitudes da outra parte e discerni-las como reais ou resultantes de dramatização. c. Contornar situações desagradáveis, assumindo a calma naturalmente. d. Todas as características apontadas nas alternativas anteriores referem-se ao negociador bem preparado. 7. Assinale qual informação não é correta: a. Negociação é um processo de dar e receber entre pessoas e empresas. b. Negociar é a arte de fazer acordos por meio da troca de informações. c. A negociação é um jogo com regras estabelecidas, havendo sempre um perdedor. d. Os resultados de uma negociação devem ser satisfatórios para todas as partes. 62ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 8. Selecione a alternativa correta: a. Fechado o acordo, conquistado o Cliente, não precisamos mais nos preocupar com a concorrência. b. Mesmo depois de concluída a negociação, nós devemos nos assegurar de que a concorrência não venha a oferecer melhores soluções ao nosso Cliente. c. Fechado o negócio, só nos resta assinar o contrato. d. Atender a reclamações é o que basta para garantir a satisfação do Cliente e multiplicar negócios. 9. Ao nos depararmos com problemas de insatisfação do Cliente a respeito do negócio que fez conosco, devemos: a. Ignorar, pois o negócio já foi concluído mesmo, e nestas situações não adianta ficar remexendo – pode ficar pior. b. Ouvir a outra parte, dizer sempre a verdade e manter a ética. c. Mandar-lhe um brinde de compensação, pois não há quem não adore ser lembrado e considerado - eles adoram isto. d. Nenhuma das alternativas está correta. 10. Atualmente, o responsável pelas compras deve buscar, nas negociações com fornecedores tradicionais, obter o máximo de vantagens para sua organização, estabelecendo uma disputa na qual ele saia vencedor e a outra parte, perdedora ( ) Certo ( ) Errado 63ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 11. No que concerne ao pregão eletrônico, é incorreto afirmar: a. Admite, como uma de suas modalidades, o pregão eletrônico, que se processa, em meio virtual, por meio de internet. b. Destina-se a aquisição de bens e serviços comuns. c. Os lances ocorrem em sessão pública onde quanto menor for a proposta melhor para o governo. d. Poderá ser no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. e. Existe, em regra, limitação de valor para a contratação. 12. No pregão, diversamente do que ocorre na concorrência, só haverá o exame dos documentos de habilitação do licitante que tiver apresentado a melhor proposta. ( ) Certo ( ) Errado 13. A modalidade licitatória pregão: a. Aplica-se para aquisição de bens e serviços comuns, podendo ser adotada também para as compras efetuadas pelo sistema de registro de preços. b. Aplica-se para a aquisição e alienação de bens de natureza comum, afastada a sua aplicação nas compras efetuadas pelo sistema de registro de preços. c. Não se aplica às compras efetuadas pelo sistema de registro de preços, salvo para aquisição de bens de natureza especial. d. Aplica-se para contratação de serviços e obras de natureza comum e aquisição de bens, salvo se adotado o sistema de registro de preços. e. Não se aplica à contratação de serviços de engenharia e contratação de obras, salvo às de pouca complexidade técnica. 64ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS TI APLICADA À SUPRIMENTOS As mudanças de hábito de consumo obrigam os itens de uma cadeia produtiva a se tornarem mais ágeis, terem integração e as informações precisam fluir com velocidade e integridade. Um dos principais motivos para o gerenciamento da cadeia de suprimentos é aumentar a competitividade, certo? Mas para isso é crucial o compartilhamento de informações entre os diversos participantes da cadeia. Circulam dados sobre demanda, por exemplo, sendo possível que o fabricante nãomantenha ou reduza seus níveis de estoques. Fornecedores podem ser informados sobre a de- manda em tempo real, atendendo assim pedidos rapidamente, sem atraso na produção e sem estoque. (Chopra e Meindl apud Guarnieri, Hatakeyama e Dergint, 2006) 65ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Acredita-se que a parceria irá re- duzir riscos e melhorar a eficiência de todo o processo logístico. Para se obter um alto grau de parceria é necessário para os participantes chaves da cadeia com- partilhar informações. As informações compartilhadas não devem ser limitadas aos dados da transação. Igualmente ou até mesmo mais importante é a volun- tariedade em compartilhar informações estratégicas para que as empresas possam planejar conjuntamente os melhores meios para satisfazer os requerimentos dos con- sumidores. Este paradigma da cooperação/ parceria é baseado na crença em que as informações são essenciais para permitir que os participantes da cadeia façam as coisas certas, mais rápida e eficientemente (Bowersox, 1996). Assim, todos os elos da cadeia de su- primentos procuram atingir uma situação em que haja benefícios e oportunidades de crescimento para ambos, o que conse- quentemente aumenta o nível de serviço logístico, agregando valor ao produto final perceptível aos clientes e aumentando a lucratividade da cadeia. 3 razões para ter informações rápidas, em tempo real e com alto grau de precisão: 1. Clientes entendem que informações do andamento de uma ordem, disponi- bilidade de produtos, programação da entrega e dados do faturamento são elementos fundamentais do serviço ao cliente 2. Com informações adequadas é possível reduzir estoques e necessidades de recursos humanos, através da minimização das incertezas da demanda; 3. A disponibilidade de informações aumenta a f lexibilidade com respeito a sa- ber, quanto, quando e onde os recursos podem ser utilizados para obtenção de vantagem estratégica. A TI pode ser empregada para eliminar canais intermediários e ligar direta- mente os clientes finais, simplificando a complexidade dos produtos, aumentando a participação no mercado e expandindo oportunidades para criar relacionamento de parcerias entre compradores e vendedores. Com o passar do tempo, o escopo da integração evoluiu de simples sistemas ligando compradores e vendedores para uma rede de relacionamentos eletrônicos, integrando fornecedores, produtores, canais intermediários e clientes, isto é, o comércio eletrônico (CE). O CE envolve mais do que apenas comprar e vender. Ele inclui esforços de pré-vendas e pós-vendas, assim como um conjunto de atividades auxiliares (Albertin, 1998). A tecnologia de informação dá suporte à coordenação das atividades dos pro- cessos, mas seu papel tem sido constantemente expandido para apoiar o projeto ou desenho de processos, a criação e registro de conhecimento sobre os processos e a própria gestão dos mesmos no dia a dia. 66ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS O uso da tecnologia impacta na realização do trabalho visando ganhos de desempenho e abrangendo desde alterações na forma de realização do trabalho individual até a maneira pela qual as empresas trabalham juntas em processos inter-or- ganizacionais, passando pela redefinição da maneira pela qual os grupos de pessoas realizam suas tarefas grupais (Gonçalves, 2000). O emprego de sistemas integrados de gestão empresarial exige que as pessoas passem a executar suas tarefas de acordo com as rotinas e os procedimentos determinados pela tecnologia, por maior que seja a diferença com relação aos padrões anterio- res. Por outro lado, a utilização de ferramentas de comunicação modernas, como o correio eletrônico e a teleconferência, viabiliza a montagem e o funcionamento de novos modelos de trabalho grupal, como os grupos interfuncionais remotos. Por causa disso, a tecnologia é considerada a ferramenta do redesenho de processos por excelência. Os sistemas tais como o Enterprise Resource Planning (ERP), são capazes de integrar toda a gestão da empresa, agi- lizando o processo de tomada de decisão. Podem ser aplicados, com adaptações, a qualquer empresa, permitindo o seu monito- ramento em tempo real. Os ERP’s, em termos gerais, são uma plataforma de software desenvolvida para integrar os diversos departamentos de uma empresa, possibilitando a automação e armazenamento de todas as informações de negócios. Entre as mudanças mais palpáveis que um sistema de ERP propicia a uma corporação, sem dúvida, está a maior con- fiabilidade dos dados, agora monitorados em tempo real, e a diminuição do retrabalho. Algo que é conseguido com o auxílio e o comprometimento dos funcionários, responsáveis por fazer a atualização sistemática dos dados que alimentam toda a cadeia de módulos do ERP e que, em última instância, fazem com que a empresa possa interagir. Assim, as informações trafegam pelos módulos em tempo real, ou seja, uma ordem de vendas dispara o processo de fabricação com o envio da informação para múltiplas bases, do estoque de insumos à logística do produto. Tudo realizado com dados integrados e não redundantes. Para entender melhor como isto funciona, o ERP pode ser visto como um grande banco de dados com informações que interagem e se realimentam. Assim, o dado inicial sofre uma mutação de acordo com seu status, como a ordem de vendas que se transforma no produto final alocado no estoque da companhia. Um bom exemplo de como o ERP revoluciona uma com- panhia é que com uma melhor administração da produção, um investimento, como uma nova infra-estrutura logística, pode ser repensado ou simplesmente abandonado. Neste caso, ao controlar e entender melhor todas as etapas que levam a um produto final, a companhia pode chegar ao ponto de produzir de forma mais inteligente, rápida e melhor, o que, em outras palavras, reduz o tempo que o produto fica parado no estoque. 67ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS A tomada de decisões também ga- nha uma outra dinâmica. Imagine uma empresa que por alguma razão, talvez uma mudança nas normas de segurança, precise modificar aspectos da fabricação de um de seus produtos. Com o ERP, todas as áreas corporativas são informadas e se preparam de forma integrada para o evento, das compras à produção, passando pelo almoxarifado e chegando até mesmo à área de marketing, que pode assim ter informações para mudar algo nas campa- nhas publicitárias de seus produtos. E tudo realizado em muito menos tempo do que seria possível sem a presença do sistema. De acordo com a empresa, é possível direcionar ou adaptar o ERP para outros objetivos, estabelecendo prioridades que podem tanto estar na cadeia de produção quanto no apoio ao departamento de ven- das como na distribuição, entre outras. Com a capacidade de integração dos mó- dulos, é possível diagnosticar as áreas mais e menos eficientes e focar em processos que possam ter o desempenho melhorado com a ajuda do conjunto de sistemas. 68ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Dentre as vantagens do ERP podemos citar: • Eliminar o uso de interfaces manuais; • Reduzir custos; • Otimizar o f luxo da informação e a qualida- de da mesma dentro da organização (eficiência); • Otimizar o processo de to- mada de decisão; • Eliminar a redundância de atividades; • Reduzir os limites de tempo de resposta ao mercado; • Reduzir as incertezas do Lead time; • Incorporação de melhores práticas (codificadas no ERP) aos processos internos da empresa; • Reduzir o tempo dos processos gerenciais; Dentre as desvantagens citamos: • A utilização do ERP por si só não torna uma empresa verdadeiramente integrada; • Altos custos que muitas vezes não comprovam a relação custo/benefício; • Dependência do fornecedor do pacote; • Adoção de melhores práticas aumenta o grau de imitação e pa- dronização entre as empresas de um segmento; • Torna os módulos dependentes uns dos outros, pois cada departamento depende das informações domódulo ante- rior, por exemplo. Logo, as informações têm que ser constantemente atualizadas, uma vez que as informações são em tempo real, ocasionando maior trabalho; • Aumento da carga de trabalho dos servidores da empresa e extrema dependência dos mesmos; 69ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Para o sucesso do ERP é preciso: • Envolvimento do Usuário • Apoio da direção • Definição clara de necessidades • Planejamento adequado • Expectativas realistas • Equipe competente • Comprometimento • Visão e objetivos claros • Equipe dedicada • Infraestrutura adequada Assim, aparecem novos procedimen- tos com a tendência de se reduzir custos e melhorar os serviços, tais como o uso de EDI (“Eletronic Data Interchange”), ECR (“Efficient Consumer Response”), DSD (“Direct Store Delivery”), CRP (“Con- tinuous Replenishment Program”), ERS (“Evaluated Receipt Settlement”), VMI (“Vendor Management Inventory”), entre outros. 70ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Atividade Influência da comunicação eletrônica via EDI Gestão de estoques A informação com menos erros e quase instantaneamente pode resultar na redução dos níveis de estoques, evitando, assim, custos desnecessários, perda de capital de giro e obsolescência de produtos. A diminuição de incertezas e a melhor percepção da demanda proporcionada pela troca eletrônica de informações permitem maior visibilidade para planejamento e controle de estoques. Transporte Pode possibilitar melhor planejamento de entrega de produtos, eliminando a necessidade de fretes adicionais e reduzindo custos. Pode eliminar o tempo em que os veículos ficam parados, esperando a realização de transações comerciais, como emissão de notas fiscais. Processa- mento de pedidos A eliminação de processos manuais de revisão e digitação e a padronização de informações podem permitir agilidade na transmissão, re- cebimento, processamento de pedidos e redu- ção de erros. Pode reduzir o tempo de processamento dos pedidos, tempo de ciclo dos pedidos e conse- quentemente o custo de processamento. Principais influências do EDI nas atividades de SCM. Fonte: adaptado de Ferreira e Alves, 2005 O EDI (Eletronic Data Interchange) é uma tecnologia que permite uma transmissão mais rápida de informações entre os parceiros da cadeia de suprimento. O EDI tradicional que utiliza sistemas de serviços agregados, como linha telefônica e a Web EDI que utiliza a internet como base de transmissão de informações. Esse sistema permite a disponibi- lização de informações sobre a demanda e níveis de estoque. O ECR (Efficient Consumer Response) visa apreender as informa- ções sobre os clientes objetivando a padronização dos serviços. A troca automática de dados e documentação entre empresas são feitas através da comunicação entre computadores, o que permite a eliminação total de redigitação de notas fiscais entre as partes envolvidas na transação comercial. Permite ainda que varejistas conheçam, “on line”, o compor- tamento das vendas, propiciando ainda um acompanhamento histórico da demanda e identificação de pontos de sazonalidade, efeitos de promoções concorrentes, ou de campanhas de propaganda. A iniciativa do ECR tem demonstrado que ganhos substanciais podem ser adquiridos através da parceria entre varejistas, distribuidores e produtores. O CRP (Continuous Replenishment Program ) é um elemento auxiliar importante desse processo que permite a reposição contínua de produtos conforme a necessidade, enquanto que o ERS (Evaluated Receipt Settlement) automatiza a cobrança e as demais funções da tesouraria. O DSD (Direct Store Delivery) possibilita processos de compra global sem a intermediação de centrais de abastecimento, com vendas diretas às lojas. 71ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS O VMI (Vendor Management Inventory) permite que o gerencia- mento de estoque do cliente seja processado pelo fornecedor. Empresa fornecedora Vantagens VMI • Melhor atendimento e maior “fidelização” do cliente. • Melhor gestão da demanda. • Melhor conhecimento do mercado. Desvanta- gens VMI • Custo do estoque mantido no cliente. • Custo de gestão do sistema. Empresa cliente Vantagens VMI • Menor custo dos estoques e de capital • de giro. • Melhor atendimento por parte do fornecedor. • Simplificação da gestão dos estoques e das compras. Desvanta- gens VMI • Maior dependência do fornecedor. • Perda do controle sobre seu abastecimento. Resumo: A Tecnologia da Informação se bem empregada pode ser um diferencial competitivo para qualquer segmento, uma vez que o seu maior intuito é o de garantir que a informação flua com rapidez dentre os diversos membros de uma Cadeia de Suprimentos. Com informação em tempo real é possível: • Reduzir estoques, através das incertezas da demanda; • Aumentar o nível de serviço pois os clientes cada vez mais exigem por respostas rápidas e precisas; • Tomar decisões rápidas sobre um processo, produto, anali- sando um indicador, por exemplo, etc. A TI força as pessoas a seguir padrões em determinados processos e isso consequentemente melhora o produto, porém é muito importante destacar que se as informações forem postas de forma incorreta ou se as mesmas não forem devidamente in- terpretadas o processo/produto pode sofrer prejuízos. Os ERPs, em termos gerais, são uma plataforma de sof- tware desenvolvida para integrar os diversos departamentos de uma empresa, possibilitando a automação e armazenamento de todas as informações de negócios. O principal benefício de um ERP é sem dúvida a maior confiabilidade dos dados, agora monitorados em tempo real, e a diminuição do retrabalho. 72ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS O ERP pode ser visto como um grande banco de dados com informações que interagem e se realimentam. Surgem novos procedimentos com a tendência de se reduzir custos e melhorar os serviços, tais como: • EDI (“Eletronic Data Interchange”): é uma tecnologia que permite uma transmissão mais rápida de informações entre os parceiros da cadeia de suprimento; • ECR (“Efficient Consumer Response”): visa alcançar as informações sobre os clientes objetivando a padronização dos serviços; • DSD (“Direct Store Delivery”): permite processos de compra global sem a inter- mediação de centrais de abastecimento, com vendas diretas às lojas; • CRP (“Continuous Replenishment Program”): permite a reposição contínua de produtos conforme a necessidade; • ERS (“Evaluated Receipt Settlement”): automatiza a cobrança e as demais funções da tesouraria; • VMI (“Vendor Management Inventory”): permite que o gerenciamento de estoque do cliente seja processado pelo fornecedor. 73ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. O sistema de gestão integrada que possui vários módulos e funciona dentro de uma plataforma de tecnologia, obtendo informações de todas as funções da empresa, monitorando, entre outras, materiais, compras, programação da produção, estoques de produtos acabados com o fim de auxiliar na tomada de decisões relacionadas a recursos humanos, finanças, logística e no gerenciamento da cadeia de suprimento, automatizando seus processos, é o denominado: a. JIT b. CRP c. ERP d. MRP 2. Existem muitas tecnologias que compartilham e analisam as informações na cadeia de suprimentos, sendo que uma das existentes é o EDI (Eletronic Data Interchange). Uma característica deste sistema é que: a. Oferece propaganda de produtos aos consumidores no sistema de gerenciamento; b. Fornece visibilidade global da informação da empresa para os clientes externos; c. Reduz a eficiência na comunicação entre empresa e consumidores dos produtos; d. Aumenta os serviços internos e os custos associados ao negócio da empresa; e. Permite emissão de pedidos de compras aos fornecedores instantaneamente. 74ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 3. O intercâmbio eletrônico de dados (eletronic data interchange - EDI) é um formato padrão para trocar dados de negócios. Uma mensagem EDI contémuma sequência de dados, por exemplo, preço, número de série e quantidade. O EDI é usado entre duas empresas que fazem sempre o mesmo tipo de transação, como as transações entre fornecedor e comprador. Os dados trafegam pela Internet, integrando empresas independentemente do seu porte, da estrutura de tecnologia da informação ou do nível de conhecimento de seus funcionários. Logo, não há necessidade de software e treinamentos específicos para uso do sistema que opera em ambiente web. O EDI tem como benefícios: I. A eliminação da necessidade de impressão, postagem, verificação e manuseio de inúmeros formulários e documentos comerciais. II. A redução de atrasos pela utilização de formatos padrão. III. A diminuição de custos com a redução do uso de papel, da postagem e da mão-de-obra. É correto o que se afirma em a. I, apenas. b. III, apenas. c. I e II, apenas. d. II e III, apenas. e. I, II e III 4. A Internet pode ser usada eficientemente no planejamento do fluxo de pedidos ao longo de um canal de suprimentos. Com relação aos principais integrantes do canal de suprimentos, a saber, comprador, fornecedor e transportador, avalie as afirmações a seguir. I. Eles podem, por meio da web, facilmente intercomunicar-se, intercambiar informações em tempo real e reagir com rapidez às mudanças imprevistas. II. Eles conseguem compartilhar um banco de dados comum, que facilita o rastreamento e a expedição. III. Eles obtêm, por meio da melhora da coordenação, a redução dos custos dos pedidos e a melhoria dos serviços aos clientes. É correto o que se afirma em a. I, apenas. b. II, apenas. c. I e III, apenas. d. II e III, apenas. e. I, II e III 75ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS GESTÃO DE ESTOQUES EM COMPRAS A relação de compras e estoques está intimamente ligada, uma vez que uma má gestão de compras pode, por exemplo, comprometer diretamente o fluxo de caixa de uma empresa. Estoques Primeiramente vamos deixar claro o que é estoque. São acúmulos de materiais entre etapas de processo. Funcionam como um pulmão, caso ocorram atrasos de entrega de produtos entre uma etapa e outra. Os estoques podem ser de: matérias-primas, materiais semiacabados e de produtos acabados. 76ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Os estoques de matérias-primas têm como função regular as taxas de suprimento e demanda. Podem ser necessários ou existir por diversos fatores como: • O fornecedor ser pouco confiável, por não apresentar condições de entrega no prazo, ou não fazer entregas nas quantidades solicitadas; • O inverso também pode ocorrer: o fornecedor pode fazer entregas em quanti- dades maiores do que o esperado. Isto também acarreta a existência do estoque, neste caso, indesejado; • Em alguns momentos o estoque que existia para servir reserva para uso em algum produto já definido pode acabar sendo utilizado pela elevação do con- sumo inesperado em outra linha de produção. Isso porque, erros de processo ou defeitos técnicos em produto podem exigir que a produção seja repetida utilizando estoques não previstos. Por exemplo, um lote de material estragou e vai ser feito de novo; • Quanto à taxa de consumo o inverso também pode acontecer: o consumo do processo produtivo pode cair. Isso acarreta um acúmulo de estoque. Pode acontecer, por exemplo, pela quebra de equipamentos, férias não previstas, etc. Os semiacabados são materiais considerados intermediários, pois não estão mais no estado em que chegaram ao processo, como matérias-primas, mas ainda não estão prontos para serem oferecidos no mercado exigindo que ainda sejam adicionados a eles alguns ingredientes. Já o estoque de produtos acabados tem como função regular as taxas de su- primento, ou seja, do processo produtivo com a taxa da demanda, do mercado. A definição de se manter ou não estoques desses itens pode ser da alta direção da empresa que pode definir que mesmo com um mercado que sofra com variações a produção seja linear e estável. 77ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Razões para manter estoques Há diversas razões para manter estoques. As mais conhe- cidas são as variações da demanda, do tempo de processo entre as etapas produtivas e a necessidade de atender os clientes com cada vez mais agilidade. Abaixo temos outros motivos citados por Corrêa et al (2010). • Falta de coordenação: Um dos principais fatores para a geração de estoques é a falta de informação ou o não gerenciamento do f luxo da infor- mação que se tem. Se a área responsável por repassar para as áreas internas da empresa as informações do mercado, ou seja da demanda, não o faz o ou faz de uma forma que a informação não chega completa a quem é responsável por gerar o suprimento de tal demanda. • Incerteza: O fator externo “fornecedores” é muitas vezes acusado como um dos vilões para a geração de estoque. A incerteza das entregas e das suas quantidades é um grande motivo para a geração dos “pulmões”; A área de manutenção da empresa também pode ser res- ponsável pela elevação dos estoques, pois as quebras de equi- pamentos justificam a existência de material como estoque de segurança. • Especulação: Como o próprio nome diz, faz-se estoque com fins de especulação quando se deseja criar valor e realizar lucro; Faz-se também especulação com compra e venda de ma- teriais; É comum, principalmente no mercado de commodities, fazer a antecipação de compras de materiais por se ter infor- mações de que no futuro próximo, haverá escassez de material (quando se trata de commodities por conta da entressafra) e também pela alta de preços que pode ser prevista. • Disponibilidade do canal de distribuição: O canal de distribuição é um centro que serve como elo entre um produtor e seus clientes. Este elo precisa sempre estar preenchido para atender bem os clientes aproximando-o da fonte fornecedora, por isso este canal se torna um gerador de estoque. 78ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Quando se trata de estoques, é necessário conhecer alguns con- ceitos que veremos na sequência. Tempo de ressuprimento (TR) e intervalo de ressuprimento (IR) Segundo Pozo, 2010, o TR é o tempo gasto desde a verificação de que o estoque precisa ser reposto até a chegada efetiva do material no almoxarifado da empresa, sendo esse tempo composto das seguintes partes: (1) Tempo para elaborar e confirmar o pedido junto ao fornecedor; (2) Tempo que o fornecedor leva para processar e entregar o pedido; (3) Tempo para processar a liberação do pedido para consumo. Dias (2012) ressalta que, em virtude de sua grande importância, o TR deve ser determinado de modo mais realista possível, pois as va- riações ocorridas durante esse tempo podem alterar toda a estrutura do sistema de estoques. Após se estabelecer o TR, pode-se fixar o IR, isto é, o tempo que transcorre entre dois ressuprimentos. Esse intervalo pode ser fixado em qualquer limite, dependendo das quantidades a serem compradas (DIAS, 2012). Estoque de Segurança Mínimo (Emin) Também conhecido como estoque de segurança ou estoque reserva, o Emín é uma quantidade mínima de materiais que deve existir no estoque com a função de cobrir as possíveis variações aleatórias intrínsecas à demanda e ao tempo de ressuprimento (TR), atuando nos momentos de falha do fornecimento, da produção, da previsão da demanda, entre outros fatores. Pozo (2010) ressalta que a finalidade do Emín é não afetar o processo produtivo e, sobretudo, não causar transtornos aos clientes por falta de material e, consequentemente, atrasar a entrega do produto ao mercado. Um fato importante a ser explanado é referente ao valor do estoque de segurança, visto que o ideal é termos esse estoque igual a zero, porém, sabemos que dentro de uma organização, os materiais não são utilizados em uma taxa uniforme, e que, também, o tempo de reposição para qualquer produto não é fixo e garantido por nossos fornecedores em razão das variá- veis de mercado. Sob esses aspectos, ficamuito difícil estabelecer como zero o estoque de segurança, porém não impossível. (POZO, 2007). 79ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Como se pode observar, as organi- zações estão diante de imprevistos, assim como os fornecedores. Para dar continui- dade ao processo produtivo e para não ocorrer a falta de produtos nas pratelei- ras, necessita-se manter um estoque de segurança, ou seja, um estoque mínimo de produtos. A situação mais favorável é adotar um Emín que possa otimizar os recursos disponíveis e minimizar os custos envolvi- dos e que atenda a fatos previsíveis dentro do plano global de produção e a política de grau de atendimento. Máximo Estoque máximo é o resultado da soma do estoque de segurança (estoque mínimo) mais o lote de compra, que nada mais é que uma quantidade de produtos necessários e especificados no pedido da compra. Tem como objetivo manter um controle admissível de produtos no esto- que, ajudando a controlar o processo de pedido de produtos e a disponibilidade financeira da organização. Gestão de Estoques e Níveis de Serviço: Quando se trata de gestão de esto- ques é importante frisar o seu efeito sobre o nível de serviço que a empresa deseja manter para os seus clientes. Quando se mantêm estoques, garante-se uma maior probabilidade de não haver falta durante todo o processo. Isso não impede o risco da falta. Este risco ocorre principalmente no período em que se está aguardando o ressuprimento. Sabe-se que para reduzir estoques, muitas empresas optam pelo recebimen- to de cargas com maior frequência e em menores quantidades (cargas fracionadas). 80ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Há duas formas de gerir a reposição dos estoques: Reposição Contínua (ponto de pedido) É aquela em que se providencia a reposição dos estoques quando atinge o es- toque mínimo, não importando o intervalo de tempo entre as reposições; A fórmula para cálculo do ponto de pedido é PP = (CM*TR) + ES, onde: CM = consumo médio TR = tempo de reposição, que é o prazo de entrega do cadastro do produto ES = estoque de segurança PP = ponto de pedido Exemplo: CM = 30 TR = 02 meses ES = 20 PP = (CM*TR) + ES PP = (30*2) + 20 = 80 Reposição Periódica É aquela na qual é verif icada, a um período fixo, a situação do estoque e, quando necessária, é providenciada sua complementação. Este período varia em função da classificação ABC dos produtos, que trataremos na sequência. 81ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Ferramentas para a Gestão de estoques Curva ABC A Curva ABC teve origem na Itália pelo economista Vilfredo Pareto. Segundo Pozo (2007), Pareto, em 1897, teve como objetivo da curva ABC estudar a população local, medin- do a distribuição de renda e riqueza que a população existente possuía. Com o passar dos anos, a curva ABC tornou-se ex- tremamente importante na área administrativa. A curva ABC tornou-se utilidade ampla nos mais diversos setores em que se necessita tomar decisões envolvendo grande volume de dados e a ação torna-se urgente (POZO, 2008). A Curva ABC é importante para a avaliação de estoque, pois ela mede todo seu movimento e atribui para o gerenciador o controle máximo das transações efetuadas no dia a dia. Tam- bém é extremamente útil para avaliar os produtos em estoque e na hora da negociação com os fornecedores para a redução dos preços. No entanto, percebe-se que todo esse processo deve ser analisado em tempo ágil, pois para a tomada de decisão o tempo disponível é pequeno. A análise ABC é uma das formas mais usuais de examinar estoques. Essa análise consiste na verificação, em certo espaço de tempo (normalmente 6 meses ou 1ano), do consumo, em valor monetário ou quantidade, dos itens do estoque, para que eles possam ser classificados em ordem decrescente de importância. (MARTINS; ALT, 2006, p.211). Segundo Martins; Alt (2007), a análise ABC traz itens que se denominam: A: os mais importantes; B: importância intermediária; C: menos importantes. Não existe, necessariamente, como definir qual a parcela significativa que cada item de classe A, B e C pode represen- tar. Mas pode-se dizer que os itens de classe A são produtos significativos, podendo representar de 35% e 70% do valor movimentado em estoque; itens de classe B representam entre 10% e 45% da movimentação do estoque e, por fim, os itens de classe C representam o restante, ou seja, os que têm menos importância para o processo produtivo da empresa. 82ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Dentre os objetivos da Curva ABC, podemos citar: • Assegurar que os itens de maior valor sejam analisados em menores interva- los de tempo, isto é, itens de maior va- lor de demanda devem ser analisados com maior frequência do que aqueles de menor valor de demanda. • Assegurar que os itens de menor valor sejam comprados ou fabricados em menor frequência, de maneira a evitar muito trabalho nas áreas de compra, em termos de negociação e emissão de pedidos frequentes de pequenos valores. Exemplo: Simulemos a aplicação da Curva ABC no controle de estoque de um supermercado. Produto/Quantidade Produto Quantidade (ao ano) Valor unitário Cerveja 23250 R$ 1,20 Refrigerante 10920 R$ 3,40 Desodorante 1500 R$ 9,50 Café 3550 R$ 2,30 Açúcar 3950 R$ 2,95 Copo descartável 1000 R$ 1,50 Farinha de trigo 2000 R$ 2,90 Arroz 4956 R$ 7,00 Feijão 5500 R$ 8,00 Chocolate em pó 500 R$ 3,95 Sal 350 R$ 2,95 Óleo de Cozinha 650 R$ 9,00 Vassouras 250 R$ 8,50Tabela 1: Produto/quantidade de produtos movimentados em 2017. Fonte: elaborado pelo próprio autor 83ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Produto/Quantidade Produto Quantidade (ao ano) Valor total (ao ano) Feijão 5500 R$ 44.000,00 Refrigerante 10920 R$ 37.128,00 Arroz 4956 R$ 34.692 Cerveja 23250 R$ 27.900,00 Desodorante 1500 R$ 14.250,00 Açúcar 3950 R$ 11.652,50 Café 3550 R$ 8.165,00 Farinha de trigo 2000 R$ 5.800,00 Vassouras 250 R$ 2.125,00 Chocolate em pó 500 R$ 1.975,00 Óleo de cozinha 650 R$ 1.950,00 Copo descartável 1000 R$ 1.500,00 Sal 350 R$ 1.032,50 Total: R$ 192.170,00 Tabela 2: valor dos produtos consumidos em 2017. Fonte: elaborado pelo próprio autor A empresa Mercadão Ltda. trabalha com 13 itens em seu estoque. A tabela 01 indica a quantidade e o valor unitário dos produtos movimentados ao ano. A tabela 02 indica os mesmos produtos em ordem decrescente e o valor total consumido ao ano. 84ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Para que a análise da curva ABC seja efetuada, é necessário encontrar a porcentagem de cada produto em relação ao custo total dos produtos e, para classificação de classes, serão somadas acumuladamente as porcentagens encontradas. A tabela seguinte mostra em porcentagem o quanto cada produto representa no processo de venda e faturamento. Produto Valor consumido/valor total Percentual Percentual acumulado Feijão 0,228963938 22,90 22,90 ARefrigerante 0,193203934 19,32 42,22 Arroz 0,180527658 18,05 60,27 Cerveja 0,145183952 14,52 74,79 BDesodorante 0,074153094 7,42 82,20 Açúcar 0,060636416 6,06 88,27 Café 0,042488422 4,25 92,52 C Farinha de trigo 0,03018161 3,02 95,53 Vassouras 0,011057917 1,11 96,64 Chocolate em pó 0,010277359 1,03 97,67 Óleo de cozinha 0,010147265 1,01 98,68 Copo descartável 0,007805589 0,78 99,46 Sal 0,005372847 0,54 100,00 Tabela 3: Percentual equivalente a cada produto. Fonte: elaborado pelo próprio autor. 85ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Para a classificação das classes, repara-se que os produtos feijão, refrigerante e arroz estão dentro dos 60,27% dos gastos totais, portanto, são tipicamente considerados produtos de classe A. Os produtos cerveja, desodorante e açúcar possuem 27,99% dos gastos totais, sendo assim serão considerados produtos de classe B. O restante dos produtos representa apenas 11,74% con- siderados, então, produtos de classe C. A figura a seguir mostra o processo da curva ABC. Fei jão % A cu m ul ad o de va lor d e us o Re frig era nte Itens “A” *poucos itens *importantes Itens “B” *itens de média importância Itens “C” *muitos itens *menos importantes Arr oz Cer vej a De sod ora nte Açú car Caf é Far inh a d e t rig o Vas sou ras Ch oco lat e e m pó Óle o d e c ozi nh a Cop o d esc art áve l Sa l 0,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 Curva ABC Figura 6: representação gráfica da curva ABC. Fonte: elaborado pelo próprio autor. 86ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Podemos ainda calcular o percentual de representatividade destes itens dividindo a quantidade de itens achados em cada classificação pelo total de itens analisados. quantidade de itens A encontrados total de itens 100A: • 3 13 = 23%100• quantidade de itens A encontrados total de itens 100B: • 3 13 = 23%100• quantidade de itens A encontrados total de itens 100C: • 7 13 = 54%100• Classe % Valores % Itens A 60,27 23 B 28 23 C 11,73 54 Tabela 4: Percentual de representatividade. Fonte: elaborado pelo próprio autor. Classificação ABC Dias de cobertura de estoque A 7 dias B 15 dias C 30 dias Tabela 5: Dias de cobertura de estoques recomendado para os itens ABC. Fonte: elaborado pelo próprio autor. Sugere-se que: Para os itens da Classe A : • Devem ocupar as posições mais estratégicas nas prateleiras, de fácil colocação e retirada; • Manter um controle rígido de entradas, saídas e saldos; • Comprar somente baseado em necessidades calculadas; • Manter um estoque de segurança baixo; • Negociar com fornecedores a garantia de entrega, de forma a poder manter estoques baixos. Para os itens da Classe B e C : • Manter um controle moderado evitando sua falta; • Comprar quantidades maiores, pois o baixo valor envolvido nestes itens faz com que despesas como frete, contatos com fornecedores, tornem-se mais elevados; • Manter estoques de segurança maiores. Recomenda-se a seguinte cobertura de estoques para os itens ABC: 87ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Por mais que a curva ABC seja utilizada e a relação da gestão de estoques com o nível de serviço a ser alcançado e de- sejado pela empresa seja muito bem definida, há outros fatores críticos que interferem em um bom processo de administração de estoques. Entre eles, está a acurácia dos estoques. Acuracidade de estoques A boa acurácia do estoque físico em relação ao estoque contábil de uma empresa é desejo de todos. As diferenças entre estoques físico e contábil podem ser letais para o cálculo de necessidade de materiais, etapa que faz parte das atividades de apoio da logística. Vejamos um exemplo: Imagine que uma loja de sapatos chegou ao momento de fazer a solicitação de compras de novas peças. Ao consultar o registro de estoque contábil os dados que lá estavam confirman- do a necessidade de compra. Quando chega a data recebimento do produto nota-se que a mercadoria não caberá no depósito, pois na realidade havia uma sobra de itens no estoque. Ora, pode-se pensar que isso é positivo, pois houve sobra de material. Na realidade isso é prejudicial em duplicidade para a empresa. Em primeiro lugar, efetuou-se uma compra desnecessária. O valor gasto poderia ter sido usado em outros investimentos pela sapataria. Em segundo lugar a sobra de material indica um descontrole dos processos organizacionais da companhia que precisa ser solucionado. Isso só aumenta o nível das incertezas e pior, a desconfiança no sistema. Causas As causas para a não acurácia dos estoques são diversas. Entre elas estão: • Informalidade dos processos desenvolvidos; • Desatenção daqueles que manuseiam os estoques e o sistema; • Falta de treinamento daqueles que manuseiam os estoques e o sistema; • Falta de rotinas adequadas para entradas de dados. Os efeitos da falta de acurácia são programações feitas com base em cadastros antigos, possíveis paradas do processo e erros de especificação do produto. 88ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Classificação XYZ Outra forma de gerenciar os estoques é usando a Classificação XYZ. Ela avalia a criticidade do item, ou seja, quão impres- cindível ele é para as operações da empresa. Por exemplo, em uma fábrica alimentícia, a falta de alguns itens pode paralisar o funcio- namento de toda a fábrica. Por outro lado, a falta de alguns insumos pode prejudicar as operações, mas elas não precisarão ser paralisadas. Além disso, é possível que esse item possa ser substituído por outros itens já em estoque, reduzindo sua criticidade. Uma das dificuldades da Classificação XYZ é a subjetividade da classificação dos itens. Enquanto a Classificação ABC usa critérios quantitativos e objetivos para deter- minar a classe de cada item, a classificação XYZ requer a participação de especialistas na avaliação da criticidade dos itens. Esses especialistas precisam conhecer o processo produtivo, o papel de cada item no produ- to final, a possibilidade de substituição e a complexidade do mercado para suprimento dos itens. Definição das classes XYZ Ao aplicar a classificação XYZ, o analista deve analisar os itens em estoque e classifica-los conforme sua criticidade, sendo X a classe de menor criticidade e Z a classe com os itens considerados indispensáveis ao funcionamento da organi- zação. A seguir são apresentadas definições mais claras das três classes: Classe X – Itens de baixa criticidade: a falta destes itens não acarreta em paradas, riscos de segurança ou danos ao patrimônio; há várias alternativas de materiais substitutos; o fornecimento dos itens é facilitado e rápido. Classe Y – Itens de criticidade média: a falta desses itens pode causar paradas na produção, riscos de segurança ou dados ao patrimônio; são itens relativamente fáceis de serem substituídos ou adquiridos em caso de falta; Classe Z – Itens de máxima criticidade: considerados imprescindíveis para o andamento dos trabalhos; sua falta certamente causará a parada das operações ou colocar as pessoas e o patrimônio em risco; são materiais que não podem ser substituídos por equivalentes; a aquisição desses materiais é complicada e demorada. Exemplo: restaurante fast-food Para você entender melhor como aplicar a Classificação XYZ, considere o caso de uma lanchonete fast-food que serve produtos como sanduíches, sorvetes e sucos. A lanchonete do nosso exemplo pertence a uma grande franquia que atua a nível nacional. 89ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Classificação XYZ Dias de cobertura de estoque X Materiais de limpeza, ketchup, guardanapos, sal, açúcar Y Pães fornecidos por fornecedores próximos, alface, cebola, queijo e tomate Z Hambúrguer fornecido pela matriz localizada distante das lojas, sorvete de marca específica Quadro 5: exemplo de itens XYZ para o exemplo. Fonte: elaborado pelo próprio autor. Alguns exemplos de itens Classe X seriam os produtos de limpeza usados na manutenção do restaurante. A falta desses itens pode prejudicar e experiência do cliente, mas não paralisa as operações. Além disso, produtos de limpeza podem ser facilmente substituídos. O mesmo raciocínio pode ser aplicado aos guardanapos. Em redes de fast-food os guardanapos costumam ser específicos, com logotipo da rede e fornecidos pela matriz, o que aumentaria a complexidade do suprimento. No entanto, se ocorrer a falta desse item, o gerente pode utilizar, em caráter de urgência, guardanapos adquiridos localmente sem logomarca. Na Classe Y poderiam ser incluídos itens como os pães fornecidos localmente para preparação dos lanches. A matriz pode estabelecer critérios de qualidade es- pecíficos para esses produtos, como tamanho, teor de sal, peso, etc. A falta desse item pode paralisar as operações da lanchonete, mas a criticidade pode ser reduzida desenvolvendo mais de um fornecedor local para esse produto. O mesmo raciocínio pode ser aplicado a outros insumos como o alface, tomate, cebola e queijo usados nos lanches. Um exemplo de item de alta criti- cidade que poderia serincluído na Clas- se Z são os hambúrgueres. Em redes de fast-food, esses itens são fornecidos pela matriz ou por um conjunto reduzido de fornecedores pré-selecionados para man- ter o padrão de qualidade e sabor. A fal- ta desse item paralisaria as operações do restaurante. Além disso, seu suprimento é complexo, não podendo ser feito no mes- mo dia. Se esse item estiver em falta, será preciso esperar pela próxima entrega a partir dos fornecedores. Após fazer a Classificação XYZ, o gestor de estoques pode trabalhar para reduzir a criticidade dos itens. Isso pode ser feito buscando fontes de suprimento alternativas para itens críticos ou então itens que possam substituí-los em caso de ruptura de estoque. Além disso, na fase de projeto de novos produtos, os desen- volvedores podem optar por componentes padronizados ou que já sejam usados em outros produtos, com o intuito de reduzir a quantidade de itens cujo suprimento é complexo. 90ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Combinando a Classificação XYZ e ABC Como você já deve ter percebido, as classificações ABC e XYZ se complemen- tam. É possível que alguns SKUs (Stock Keeping Unit, Unidade de Manutenção de Estoque) sejam consumidos em baixos valores, porém apresentam alta criticidade. Há também itens com altos valores con- sumidos que possuem vários fornecedores ou substitutos, simplificando a gestão de estoques. A figura a seguir mostra como podemos combinar as classificações ABC e XYZ. Quando combinamos as duas clas- sificações, temos 9 maneiras de classificar os itens. As classes em amarelo são aquelas em que temos altos valores consumidos ou altos graus de criticidade. Tais itens devem ter um acompanhamento mais cuidado- so dos níveis de estoque, possivelmente usando o sistema contínuo de revisão de estoques com maiores níveis de estoque de segurança para garantir maiores níveis de disponibilidade. As classes em verde não precisam de controles tão rigorosos e a ruptura de estoque nesses casos, apesar de indesejável, é menos crítica. Sistemas de revisão pe- riódica podem ser suficientes para tais itens. Por fim, a classe em azul engloba os itens de baixa criticidade e com baixos valores consumidos. Tais itens possuem vários substitutos, são de fácil suprimento e não causam a parada das operações. Logo, não é necessário manter níveis altos de estoque de segurança. O ideal é identificar potenciais substitutos ou fornecedores próximos para o atendimento em caso de faltas. Itens com altos valores consumidos, porém com baixa criticidade Itens com altos valores consumidos, porém com alta criticidade Itens com altos valores consumidos e com criticidade média Itens com baixos valores consumidos e com baixa criticidade Itens com baixos valores consumidos, porém com alta criticidade Itens com baixos valores consumidos e com criticidade média Itens com valor razoável de consumo, porém com baixa criticidade Itens com valor razoável de consumo e com alta criticidade Itens com valor razoável de consumo e com criticidade média X Y Z A B C Importância do item (valor consumido) Cr iti cid ad e do it em Figura 7: Combinando as classificações ABC e XYZ Fonte: elaborado pelo próprio autor. 91ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Lote Econômico de Compras (LEC) O lote econômico de compra (LEC) é a mensuração da quantidade ideal para a aquisição de materiais na reposição de estoque, de forma que os custos para tal sejam mínimos possíveis no período, como os custos de estocagem e pedidos de compra. Gitman (2002) diz que o lote econômico de compra é uma das principais ferramentas e um dos mais sofisticados instrumentos para determinar a quantidade exata de aqui- sição de um item de estoque. O autor também cita que o lote econômico de compra “[...] leva em conta vários custos operacionais e financeiros envolvidos, com o fim de determinar a quantidade do pedido que minimize os custos totais de estocagem”. O Lote de compra (LC) é a quantidade de itens especificadas no pedido de compra e que estará sujeita à política de estoque da empresa. Maior LC Maior custo de estocagem Menor número de entregas: menor custo com pedido de compra Menor LC Menos custode estocagem Maior número de entregas: maior cus- to com pedido de compra A precisão para definir um lote de compra se torna indispensável em busca do menor custo logístico total. Figura 7: Combinando as classificações ABC e XYZ Fonte: elaborado pelo próprio autor. O Estoque médio (EM) tem como finalidade controlar a demanda de esto- ques do período. Aumenta conforme au- menta o LC. EM: LC / 2 Os Custos com pedido de compra são gerados por processos envolvidos desde a emissão do pedido até o seu atendimento, como: custos de transporte, de Setup e administrativos. Para determinar o LEC, o método geralmente utilizado consiste em calcu- lar sucessivamente as quantidades corres- pondentes de um histórico de entradas e saídas durante um determinado período a fim de se encontrar um número padrão de utilização dos materiais. O LEC é a quantidade do pedido de reposição que minimiza a soma dos custos de manuten- 92ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS ção de estoques e de emissão e colocação de pedidos. O cálculo do LEC considera que a demanda e os custos são relativamente estáveis durante o ano inteiro. A fórmula para cálculo do LEC é apresentada a seguir: Onde: LEC = lote econômico de compra Co = custo de emitir e colocar um pedido D = volume anual de vendas, em unidades (demanda anual) Ci = custo anual de manutenção de estoque (percentagem) U = custo por unidade Figura 8: Fórmula para o cálculo do LEC. Fonte: Dias, 2005 e Gonçalves, 2004 LEC= 2*Co*D Ci*U Análise dos Estoques Giro de Estoque É o número de vezes, durante um período, em que o estoque foi renovado. Este período pode ser de um dia, uma semana ou um mês. Tempo de Cobertura É o período em que o estoque médio será suficiente para cobrir a demanda média, ou seja, tempo que o produto leva para sair do estoque. O controle de estoques é uma das ações mais importantes da logística, pois absorvem 25% ou mais dos custos totais e são uma parcela substancial do capital da organização (POZO, 2010). A compreensão do papel dos estoques na empresa e de como gerenciá-los é fundamental para sucesso de qualquer negócio. 93ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Resumo Estoques existem por vários motivos, dentre eles: falta de confiabilidade no fornecedor, falhas de processos internos, incertezas, especulação, dentre outros. A gestão dos estoques é primordial para o sucesso de um negócio. Estoques a menos podem causar paradas na produção; estoques a mais podem impactar diretamente no fluxo de caixa. O desafio é descobrir o valor ideal, de forma a não comprometer o atendimento aos clientes. Alguns conceitos relacionados à gestão de estoques: • Tempo de ressuprimento (TR): é o tempo gasto desde a verificação de que o estoque precisa ser reposto até a chegada efetiva do material no almoxarifado da empresa. • Intervalo de ressuprimento (IR): é o tempo que transcorre entre dois ressuprimentos • Estoque de segurança mínimo (Emin): conhecido como estoque de segurança. é uma quantidade mínima de materiais que deve existir no estoque com a função de cobrir as possíveis variações aleatórias intrínsecas à demanda e ao tempo de ressuprimento (TR). • Estoque de segurança máximo (Emáx): é o resultado da soma do estoque de segurança (estoque mínimo) mais o lote de compra, que nada mais é que uma quantidade de produtos necessários e especificados no pedido da compra. Para gerir os estoques pode-se usar dos seguintes conceitos: • Reposição contínua (ponto de pedido): se providencia a reposição dos estoques quando atinge o estoque mínimo, não importando o intervalo de tempo entre as reposições. • Reposição Periódica: é verificada, a um período fixo, a situação do estoque e, quando necessária, é providenciadasua comple- mentação. 94ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Ferramentas para a gestão de estoques: • Curva ABC: é um método de categorização de estoques. Seu objetivo principal é deixar claro quais são os produtos mais importantes para a empresa. A análise da curva ABC evita erros comuns, como um estoque com poucas unidades dos produtos mais vendidos e abarrotado com os itens que vendem pouco, por exemplo. Itens da Classe A (mais importantes) : Devem ocupar as posi- ções mais estratégicas nas prateleiras, controle rígido de entradas, saídas e saldos; manter estoques de segurança menores. Itens da Classe B e C : Manter um controle moderado dos estoques, comprar quantidades maiores, manter estoques de segu- rança maiores. • Cvlassificação XYZ: Ela avalia a criticidade do item, ou seja, quão imprescindível ele é para as operações da empresa. Classe X – Itens de baixa criticidade: a falta destes itens não acarreta em paradas, riscos de segurança ou danos ao patrimônio; substituição fácil. Classe Y – Itens de criticidade média: a falta desses itens pode causar paradas na produção, riscos de segurança ou dados ao patrimônio; são itens relativamente fáceis de serem substituídos ou adquiridos em caso de falta; Classe Z – Itens de máxima criticidade: considerados imprescin- díveis para o andamento dos trabalhos; sua falta certamente causará a parada das operações ou colocar as pessoas e o patrimônio em risco; são materiais que não podem ser substituídos por equivalentes; a aquisição desses materiais é complicada e demorada. • Lote econômico de compra: é a mensuração da quantidade ideal para a aquisição de materiais na reposição de estoque, de forma que os custos para tal sejam mínimos possíveis no período. Análise dos estoques: • Giro de estoque: É o número de vezes, durante um período, em que o estoque foi renovado. • Tempo de cobertura: tempo que o produto leva para sair do estoque 95ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. A “Análise ABC” é uma das formas mais usuais de se examinar estoques. Sobre a Análise ABC é correto afirmar: a. Aos itens mais importantes de todos, segundo a ótica do valor ou quantidade, dá-se a denominação itens classe A. b. Não existe forma totalmente aceita de dizer qual o percentual do total dos itens que pertencem à classe A, B, ou C. c. Aos itens menos importantes de todos, segundo a ótica do valor ou quantidade, dá-se a denominação itens classe C. d. Consiste na verificação, em certo espaço de tempo, do consumo do estoque, em valor monetário ou quantidade. e. Todas as afirmativas estão corretas. 2. Na classificação ABC, a classe C é constituída de poucos itens; no entanto, esses itens são responsáveis pela maior parte do valor monetário dos estoques ( ) Certo ( ) Errado 3. Com base na figura abaixo, representativa de uma curva ABC de estoque, julgue os itens subsequentes. a. Os itens alocados na seção identificada por I, na figura, são chamados itens A da curva ABC. ( ) Certo ( ) Errado b. Um gerente de suprimentos que tenha como objetivo a redução dos custos dos estoques deve priorizar a redução dos lotes de compra dos itens alocados na seção I da figura. ( ) Certo ( ) Errado c. Os itens pertencentes à seção III da figura exigem controle mais apurado de movimentação e menor tolerância a erros de inventário. ( ) Certo ( ) Errado d. Para a classificação dos itens de estoque nas seções I, II ou III da figura, considera-se o valor unitário de cada um desses itens. ( ) Certo ( ) Errado e. Na curva ABC, os itens representados por C são os mais numerosos, embora o valor monetário do conjunto desses itens seja menos expressivo para a empresa. ( ) Certo ( ) Errado II IIII 100% dos itens 10 0% d o va lo r d a de m an da 96ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 4. A classificação ABC de estoque é o método de análise pelo qual se divide o inventário em partes proporcionais, classificando seus itens de acordo com o seu valor, dando maior importância de controle aos de valor mais elevado. A partir dessa afirmação, avalie as afirmativas abaixo: I. Na classe A, classifica-se o grupo de itens mais importantes do estoque e que devem ser tratados com atenção plena pelos gestores. II. Do número de itens estocados, uma pequena quantidade tem grande representatividade financeira no estoque. III. Dos itens mais relevantes, classificados na classe A, as margens de erro devem ser mínimas, a fim de se garantirem as lucratividades. IV. A classificação ABC é uma ferramenta pouco utilizada pelas empresas, uma vez que sua elaboração é muito complexa e há dificuldades em sua análise. V. É um dos métodos mais conhecidos para a percepção e classificação dos itens presentes em estoques. a. Apenas a alternativa II está correta. b. Apenas as alternativas I, II e III estão corretas. c. Apenas as alternativas II e IV estão corretas. d. Apenas as alternativas I, II, III e IV estão corretas. e. Apenas a alternativa IV está incorreta. 5. Uma forma de melhorar o fluxo de caixa é aumentar o giro das mercadorias. Estoques altos demais significam menos dinheiro em caixa (...) Os grandes fornecedores deverão tentar receber em prazos menores e os grandes clientes farão de tudo para conseguir prazos maiores (...) A produção ao longo do ano deve ser programada de forma a acompanhar a demanda dos clientes o mais próximo possível da realidade. Dentro dessa filosofia, as empresas precisam atuar de forma logística no seu processo de aquisição/suprimentos, na gestão de seus estoques, na produção propriamente dita e no pronto-atendimento aos clientes. Em relação aos fornecedores, as empresas vivenciam, atualmente, a seguinte situação A. aproximadamente 20% dos fornecedores de uma empresa são responsáveis por 80% dos itens comprados por ela. B. aproximadamente 80% dos fornecedores de uma empresa são responsáveis por 20% dos itens comprados por ela. 97ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 6. As classificações ABC (por valor de consumo anual) e XYZ (por importância operacional) dos itens de estoque são fundamentais para a gestão dos estoques, principalmente quando aplicadas em conjunto. Em determinada empresa, três itens foram escolhidos aleatoriamente do estoque. Em seguida, foram realizadas algumas perguntas a respeito desses itens para o gerente de produção. As perguntas e respostas obtidas estão descritas na tabela ao lado. Com base nas perguntas e respostas, qual a classificação adequada para esses itens? a. Item 1 AX / Item 2 BY / Item 3 CZ b. Item 1 BY / Item 2 AX / Item 3 CZ c. Item 1 BZ / Item 2 AX / Item 3 CY d. Item 1 BY / Item 2 AZ / Item 3 CX e. Item 1 AZ / Item 2 CY / Item 3 BX Perguntas Respostas Item 1 Item 2 Item 3 Onde o item é usado no processo produtivo? É uma matéria prima para a produção É um item de monta- gem usado no meio do processo produtivo É usada para consu- mo geral dos funcio- nários da empresa Qual o valor do consumo anual? Aproximadamente 5% do valor total Muito alto, acima de 40% É mínimo, pratica- mente desprezível A produção para se este item faltar? Sim Sim, pois é necessário para montagem de todos os outros itens do produto Não Existe algum produto similar no mercado nacional para substituí-lo? Sim, e sua aquisição é fácil Não, apenas uma empresa japonesa produz algo similar. Prazo de entrega é superior a 90 dias e custo de importação é elevado Sim, muitos, É uma commodity. 98ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 7. Considere a amostragem da situação de estoque de uma distribuidora de materiais de construção Quais itens do estoque da distribuidora devem ser classificados como itens da classe C da curva ABC (70/20/10), segundo a porcentagem que representam no investimento total? a. Fechadura, Portas e Maçanetas b. Maçanetas, Batentes e Dobradiças c. Parafusos, Porcas e Pregos d. Batentes, Dobradiças e Parafusos e. Dobradiças, Fechaduras e PortasProduto Unidade de compra Preço de compra (R$) Consumo mensal Batentes unidade R$ 40,00 100 Dobradiças unidade R$ 30,00 100 Fechaduras unidade R$ 65,00 100 Maçanetas par R$ 40,00 100 Parafusos quilo R$ 3,00 800 Porcas quilo R$ 2,00 300 Portas unidade R$ 60,00 100 Pregos quilo R$ 2,00 100 8. Assinale a alternativa que apresenta uma característica do modelo de reposição contínua ou ponto de pedido. a. É verificada, a um período fixo, a situação do estoque e, quando necessária, é providenciada sua complementação; b. É um processo automático de reposição de mercadoria entre um cliente e fornecedor, utilizando- se a troca eletrônica de informações; c. É o período em que o estoque médio será suficiente para cobrir a demanda média, ou seja, tempo que o produto leva para sair do estoque; d. Os pedidos são consolidados e recebidos num tempo determinado. Existe risco de ficar sem o material caso haja uma mudança de hábitos de consumo ou uma estratégia de marketing que alavanque as vendas; e. É a quantidade máxima de uma mercadoria ou matéria- prima que a empresa deve estocar. 99ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 9. Como resultado de uma típica classificação ABC de produtos, surgiram grupos divididos em três classes. Segundo a Classificação ABC ou Teorema de Pareto, assinale a alternativa correta sobre os produtos da Classe A. a. São importantes, pois sua falta pode inviabilizar a continuidade do processo. No entanto, o critério estabelece que seu impacto econômico não é dramático, o que possibilita menos esforços. Estima- se que 50% dos itens em estoque correspondam a 5% do valor em estoque b. Itens que possuem um valor de demanda ou consumo anual intermediário. c. Compreendem os itens que ainda são considerados economicamente preciosos e que recebem cuidados medianos. Estima- se que 30% dos itens em estoque correspondam a 15% do valor em estoque d. São os principais itens em estoque de alta prioridade e foco de atenção do gestor de materiais, pois são materiais com maior valor devido à sua importância econômica. Estima-se que 20% dos itens em estoque correspondam a 80% do valor em estoque. e. Os itens devem ter controles simples, podendo até ter estoque de segurança maior. 10. Sobre gestão de estoques, é INCORRETO afirmar: a. Estoque máximo é igual à soma do estoque mínimo e do lote de compra, podendo este ser lote econômico ou não. b. A definição do estoque de segurança considera a projeção estimada da demanda, o tempo de fornecimento e o nível de serviço. c. Lote Econômico é a quantidade de compra ou fabricação capaz de equilibrar os custos de reposição e de manutenção de estoques. d. Tempo de Reposição é o tempo total transcorrido desde a identificação da necessidade de reposição do estoque até a colocação do material em disponibilidade para a área cliente. e. De acordo com a classificação ABC, a Classe C representa o grupo com pequena porcentagem de itens responsáveis por grande porcentagem do valor global 11. A determinação do estoque mínimo é uma das mais importantes informações para a administração do estoque, relacionando-se diretamente com o grau de imobilização financeira da empresa. Por definição, é a quantidadwe mínima que deve existir em estoque, que se destina a cobrir eventuais atrasos no ressuprimento, objetivando a garantia do funcionamento ininterrupto e eficiente do processo produtivo, sem o risco de faltas. O estoque mínimo é também conhecido como: a. Estoque de segurança b. Consumo máximo admissível c. Estoque limite d. Ressuprimento crítico e. Estoque de fronteira 100ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS INDICADORES DE DESEMPENHO UTILIZADOS NA GESTÃO DE COMPRAS Indicadores de desempenho são ferramentas essenciais para o bom gerenciamento de qualquer segmento, pois proporciona a tomada de decisões rápidas e seguras. Toda atividade gerencial necessita de definição de um conjunto de medidas de desempenho que permita indicar a capacidade do sistema e quais níveis de desempenho devem ser esperados. Para Martins (1999), medir alguma coisa significa determinar ou verificar a extensão da característica avaliada tendo como base um valor padrão. Leenders e outros, (2006) 101ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS define que cabe ao responsável pela gestão de suprimentos a definição de metas para o processo de compras e, que, essas metas precisam estar alinhadas aos objetivos estratégicos da organização. É improvável que um particular sistema de medição seja o ideal para todas as empresas, mas sim, as características do negócio é que determinam o modelo de avaliação de desempe- nho que mais se adapta às necessidades da mesma. Segundo Bond (2002), conceituar medição de desempenho não é tarefa fácil, devido ao fato deste conceito envolver uma estrutura lógica, através dos equipamentos, pessoas e o arma- zenamento de informações. O autor acrescenta ainda que um mau gerenciamento da avaliação de desempenho pode acarretar falhas na medição, acarretando, desse modo, problemas para a empresa. Figueiredo e Caggiano (2008, p. 269) elencam os objetivos da avaliação de desempenho: 1. Calcular a eficiência com que as responsabilidades assu- midas pelos gestores têm sido desempenhadas; 2. Identificar as áreas onde ações corretivas devem ser im- plementadas; 3. Assegurar que os gestores estão motivados ao cumprimento dos objetivos da organização; 4. Possibilitar uma comparação entre o desempenho dos diferentes setores da organização e descobrir as áreas onde melhorias devem ser objetivadas. Os indicadores de desempenho devem servir para ajudar os gestores a analisar a real situação do negócio e os resultados obtidos devem servir para que as devidas medidas sejam toma- das. Não adianta de nada apenas coletar dados e mais dados se ao final, se quer sabe-se da existência deles e como tratá-los. Indicadores que não são discutidos, não ajudam em nada o negócio. Pelo contrário, apenas faz com que se perca tempo. 102ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Os indicadores • Devem ser coerentes com a estratégia da empresa; • Devem ser compreensíveis e controláveis, em grande proporção, pelos indivíduos que serão avaliados; • Não deve conter uma quantidade grande de medidas, de forma que isso poderia levar a falta de foco e muita confusão. A definição do uso dos indicadores pode colocar em risco o objetivo de sua utilização, ou seja, a seleção e quantidade dos indicadores podem acarretar em resultados e consequências danosas para a em- presa. Garrison, Noreen e Brewer (2007), afirmam ainda que a utilização de uma medida de desempenho não deverá motivar aos funcionários a tomarem medidas contrárias ao objetivo da empresa. Os autores relatam o seguinte exemplo: os administradores de uma cadeia de lanchonete avaliando o desempenho da produção identificam um desperdício de frango utilizado nas refeições e como forma de corrigir tal desperdício solicitou da área de produção cozinhar o frango apenas após a realização do pedido da refeição. Com essa medida a produção passou a atingir sua meta, que era não desperdiçar frango, porém a clientela foi diminuindo devido à demora no atendimento. 103ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Um indicador de desempenho que durante muito tempo funcionou perfeitamente na avaliação de determinado item/ processo/área/setor etc., pode ficar desatualizado perdendo a sua utilidade. Gil (1993), alerta que não se deve se descuidar do aspecto de que um indicador pode ficar desatualizado, tan- to no tempo quanto no espaço. Diante do exposto, a seleção quanto à escolha e quantidade dos indicadores de desempenho a ser utilizada para avaliar um processo/atividade/área, deve ser cuidadosamente estudada para evitar efeitos nocivos a outros processo/atividade/área. Os KPIs (Key Performance Indicators, ou Indicadores- -chave de performance) no setor de compras têm como objetivos: • Melhorar o atendimentoaos clientes (áreas); • Avaliar o desempenho dos fornecedores; • Efetuar o monitoramento de todas as etapas do processo de compra; • Aperfeiçoar os processos de compra, de modo a reduzir custos e elevar os níveis de competitividade. Deve-se ter cuidado ao definir os KPIs de compras para que não sejam criados diversos indicadores, comprometendo o resultado da aferição. É preciso escolher os indicadores que se adaptam às necessidades do negócio e o mais importante, que sejam tratados devidamente. Que não existam somente para encher o mural da empresa com gráficos. 104ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exemplos de indicadores de desempenho em compras O aumento da importância da área de compras nas empresas e sua natureza estratégica geraram uma linha histórica de evolução com o incremento da relevância do uso de indicadores para mensurar o desempenho da função compras, BAILY (2010). Para tal, alguns indicadores são con- siderados indicadores chave no setor de compras por sua característica específica de estar ligado aos fatores chave de sucesso do setor e conseqüentemente da organização. Saber escolher os indicadores mais coerentes com a estratégia que foi definida pela empresa aumenta a possibilidade de se obter sucesso. No âmbito do setor de compras o alinhamento dos indicadores de desempenho com as estratégias podem ser explicitados por: a. de redução de custos que podem ser exemplificadas pela redução de cus- tos total e diminuição do número de fornecedores; b. quanto à qualidade destacam-se a concentração de esforços para que haja pequeno número de devoluções e pontualidade na entrega dos bens; c. no contexto de indicadores de inova- ção podemos destacar a participação de fornecedores no aprimoramen- to dos produtos e novos projetos e também da oferta de produtos di- ferenciados. Alguns exemplos de indicadores li- gados ao departamento de compras: Saving (orçado x comprado), lead time de compras, evolução do preço, prazo médio de pagamento, custo de suprimen- tos, entregas no prazo, dentre outros. Os indicadores de desempenho no setor de compras devem estar perfeita- mente alinhados à estratégia para que sejam ferramentas efetivas de controle e monitoramento do desempenho empresa- rial. Estes indicadores devem demonstrar informações claras e objetivas tanto para o nível estratégico, quanto para os níveis tático e operacional da empresa. É através deste alinhamento que a empresa ganha força no cumprimento de sua estratégia empresarial. Além da melhoria dos índices de produtividade, os KPI’s promovem a in- tegração entre os departamentos, pois colocam frente a frente as demandas es- pecíficas de cada área e as dificuldades enfrentadas no dia a dia pelo gestor de compras. 105ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Resumo: Os objetivos de mensurar um processo são: o monitoramento das medidas a fim de que gerentes e clientes sejam mantidos regularmente informados; controlar os processos logísticos de maneira que eles se mantenham em conformidade com as metas determinadas pela empresa; direcionamento, que consiste em um conjunto de medidas que visa a motivação das equipes. Os indicadores devem ser coerentes com a realidade do negócio e devem ser frequentemente revisados. Além disso devem ser compreensíveis e principal- mente, devem ser analisados. De nada adianta criar indicadores se os mesmos não são discutidos e nenhuma ação é tomada a fim de melhorar os resultados. Alguns exemplos de indicadores ligados ao departamento de compras: Saving (orçado x comprado), lead time de compras, evolução do preço, prazo médio de pagamento, custo de suprimentos, entregas no prazo. 106ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. Os indicadores da qualidade compõem a métrica da qualidade e têm como conceito básico avaliar a satisfação dos clientes. Sobre indicadores da qualidade considere: I. São instrumentos de gestão, utilizados para medir um processo ou seus resultados. II. São desenvolvidos obrigatoriamente para todos os processos da organização. III. Visam monitorar a qualidade, produtividade e capacidade. IV. Tempo de atendimento pode ser uma característica relevante de um serviço, que se traduz facilmente em um indicador mensurável. Está correto o que se afirma APENAS em a. I, III e IV. b. I e II c. I e III d. III e IV e. I, II e IV. 107ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS MODELO SCOR (SUPPLY CHAIN OPERATIONS REFERENCE) Gerenciar a cadeia de suprimentos é gerenciar os processos que nela fazem parte e o modelo SCOR se propõe a isso, a fim de gerar valor para seus clientes e stakeholders. Conceito O modelo SCOR (Supply Chain Operations Reference Model) ou modelo de referência das operações da cadeia de suprimentos é um método que faz uso de benchmarking e de avaliações para o aprimoramento do desempenho da cadeia de suprimentos. Este modelo contém as definições de padrões de processos, terminologias e métricas, associados aos processos 108ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Figura 9: Integração proporcionada pelo SCOR- Fonte: elaborado pelo próprio autor. da cadeia de suprimentos confrontando com as melhores práticas. O modelo foi projetado para assessorar no aprendizado das companhias em relação aos processos internos e externos ao seu ramo de atuação (STEWART, 1997) O SCOR auxilia nas boas práticas de gestão da cadeia de suprimen- tos a qualquer tipo de indústria e/ou ambiente comercial. É considerado o primeiro modelo de referência construído para descrever, comunicar, avaliar e melhorar o desempenho da Cadeia de Suprimentos. SCOR Modelagem dos processos da empresa Análise das melhores práticas Desempenho do Benchmarking O SCOR proporciona orientação do que medir, por que medir, como medir, bem como a possibilidade de visualizar e comparar os indicadores de desem- penho de uma empresa com valores médios de um conjunto expressivo de empresas que compõem a sua base de dados, bem como com valores dos indicadores de empresas de classe mundial. Assim uma empresa pode atuar nos seus indi- cadores de uma forma estratégica, tendo como referência os melhores do mercado. 109ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS O modelo SCOR permite às empresas uma análise com- pleta de todos os aspectos de sua SC atual, proporcionando um completo grupo de indicadores de desempenho da SC e das me- lhores práticas da indústria, aplicações de softwares apropriados e proporciona aos usuários uma estrutura para entendimento de onde se faz necessários aperfeiçoamentos. O modelo possibilita as empresas, conforme Stewart (1997) as seguintes vantagens: • Avaliação efetiva de seus processos próprios; • Compara seu desempenho com de outras empresas; • Usa informações de benchmarking e melhores práticas para aperfeiçoar suas atividades; • Quantifica os benefícios na implementação de mudanças; • Identifica as melhores ferramentas de software para prover suas necessidades específicas. O modelo de referência da cadeia de suprimentos está baseado em cinco processos de gerenciamento centrais: planejar, abastecer, produzir, entregar e retornar. De forma genérica esses processos são abordados e acordados de acordo com a realidade de cada empresa Planejar • Processos destinados a compatibilizar as demandas com os recursos e materiais disponíveis, elaborando planos de suprimento, produção e distribuição; • Nesta atividade de planejar são definidas as melhores soluções para as áreas de estoque, de compras, produção, distribuição e retornos, compatibilizando tais aspectos com os planos financeiros e de marketing da organização; • São definidos os indicadores de desempenho da SC e as normas e regulamentos legais que devem ser atendidos. Abastecer • Processo de identificação e definição das fontes para obtenção dos materiais necessários para execução dos planos de produção. • Compreende atividades que objetivam programar os es- toques e as entregas deprodutos e serviços necessários para satisfazer as demandas planejadas e reais da empresa. • Compreende também a atividade de monitorar as fontes de suprimentos através de indicadores de desempenho e da gestão de contratos. 110ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Fabricar • Processo de transformação e montagem para produzir, através da utilização de recursos, os bens e serviços demandados pelos planos de produção. • Compreende as atividades de programar e abastecer a produção, converter matérias primas e componentes, inspecionando-os e embalando-os de forma que satisfaçam seus clientes. Entregar • Processo de entrega de produtos para atendimento das demandas. • Compreende as atividades relacionadas à gestão dos pedidos dos clientes, a logística de armazenagem, separação, faturamento, expedição e distribuição dos produtos acabados, inclusive a gestão de estoques de sobressalentes durante o ciclo de vida dos produtos vendidos. Retorno • Processos associados à devolução e ao retorno de materiais e produtos que não atendam às especificações. • Compreendem as atividades ligadas à logística reversa de produtos vendidos aos clientes. • Inclui também retorno de materiais de uso nos processos internos da empresa com problemas de qualidade, por exemplo, têm que ser devolvido aos fornecedores. 111ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Figura 10: escopo do Modelo SCOR. Fonte: Slack, 2013 O escopo do Modelo SCOR pode ser melhor visualizado na Figura abaixo: Retorno Retorno Fornecedor Empresa focal Escopo do modelo SCOR Planejamento Planejamento Cliente Cliente do cliente Fornecedor do fornecedor Retorno Retorno Planejamento Distribuição Suprimento Produção Distribuição Suprimento Produção Distribuição Suprimento Produção Distribuição Suprimento 112ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Os processos descritos interagem entre si nos limites internos e externos da empresa focal. Cada nível pode ser utilizado para descrever, medir, avaliar as configurações da cadeia. O modelo de referência possui quatro níveis de definição de processo: tipos de processos, categorias de processos, decomposição do processo e implementação. Nota: a atual versão é a 12ª e inclui o processo de disponibilizar (enable) Inicialmente constituído por apenas 69 empresas voluntárias americanas, o Supply Chain Council – SCC, entidade sem fins lucrativos, conta com mais de 800 membros espalhados pelo mundo, tendo estabelecido escritórios internacionais na Europa, China, Japão, Aus- tralia/New Zelândia, Ásia Oriental, Brasil e África do Sul, além de ter também desenvolvido capítulos adicionais na Índia e México. A missão da organização é auxiliar na otimização e aprimoramento das suas cadeias de suprimentos atra- vés da disponibilização de treinamentos, ferramentas caracterizadas como melhores práticas e estruturação de metodologias na área da logística. Combina os elemen- tos relacionados à engenharia de processos de negócios, métricas e benchmarking. O foco do modelo SCOR é a orientação do processo e não no elemento que irá executar determinada atividade. Deve-se destacar que o modelo SCOR foi elaborado conside- rando a existência de três tipos de processos produtivos: a. Produção para estoque (Make to Stock – MTS) b. Produção sob encomenda (Make to Order – MTO) c. Produção de projetos (Engeenering to Order – ETO) Os processos juntamente com os modelos de produção das or- ganizações podem ser vistos na figura 15 a seguir a fim de auxiliar no entendimento das características do SCOR, bem como na definição de seu processo de negócio. Abastecer S1 Para Estoque S2 Contra Pedido S3 Projeto Planejar Produzir M1 Para Estoque M2 Contra Pedido M3 Projeto Entregar D1 Para Estoque D2 Contra Pedido D3 Projeto Retorno do Abastecimento Retorno da Entrega Fo rn ec ed or es Cl ien te s P1 Cadeia de Abastecimento Integrada P2 Abastecer P3 Produzir P4 Entregar P5 Retornos P0 Infra-estrutura Figura 11: Modelo SCOR. Fonte: adaptado de Stephens, 2001 113ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS O SCOR é dividido basicamente em quatro estratificações relativas aos níveis de aprofundamento e detalhamento de seus processos. No entanto, apenas os três primeiros são modelados, porque segundo o Supply Chain Council o último nível deve ficar a critério de cada organização que determina suas próprias delimitações. Nível dos processos Nível 1 – Definição dos Processos: efetua uma ampla definição dos processos de gerenciamento que são: planejar, obter fontes de suprimentos, fazer e entregar. Através dos indicadores de desempenhos desse nível, se define o conteúdo e o âm- bito de atuação do SCOR, e é acertado o desempenho a ser atingido em relação à competição. Nível 2 - Subprocessos: define as principais categorias de processos que são os possíveis componentes de uma cadeia de suprimentos. Esse nível configura as operações das organizações usando os cin- co processos, separando-os em diferentes categorias, visando descobrir ineficiências e nivelar o canal, podendo analisar e ava- liar o impacto de um potencial aperfeiço- amento. Nível 3 - Tarefas: fornece as infor- mações necessárias para planejar e estabe- lecer metas para cada um dos elementos que compõem as categorias do nível 2. Nesse nível, é definido o f luxo do pro- cesso, as entradas e saídas dos elementos dos processos, a origem das entradas e o destino das saídas. Nível 4 - Atividades: estabelece o plano de implementação necessário para colocar as melhorias em funcionamento. O nível 4 é definido para atingir vantagem competitiva e para adaptar as condições de mudanças do negócio, focando no aper- feiçoamento das ações, com base nos seus processos, práticas e sistemas particulares. O problema no passado tem sido que diferentes indicadores são usados para medir a performance de diferentes níveis. Pesquisadores de mercado e estrategistas corporativos usam linguagem inteiramen- te diferente para descrever o mercado e atividades da SC. O poder do SCOR é prover um formato padrão para facilitar a comunicação. Ele é um benéfico instru- mento para um melhor gerenciamento de uma empresa para projetar e reconfigurar a SC para atingir a performance desejada (HUAN, et al. 2004). Roteiro do SCOR Para Slack, 2013, o modelo SCOR pode ser implementado seguindo as 5 fases seguintes: Fase 01: Descobrir – envolve a de- finição e a priorização da cadeia de su- primentos para definir a finalidade do projeto. Essa fase identifica o agrupamento lógico das cadeias de suprimentos den- tro do escopo do projeto. As prioridades, baseadas num método de classificação ponderada, determinam quais redes de suprimentos serão tratadas por primeiro. Também são identificados nessa fase, os recursos necessários, requeridos pelos res- ponsáveis dos processos do negócio. 114ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Fase 02: Analisar – usando dados de benchmarking e de análise competitiva, é identificado o nível apropriado do indicador de desempenho que irá definir os requisitos estratégicos de cada rede de suprimentos. Fase 03: projeto do f luxo de materiais – nesta fase, as equipes de projetos identificam os atuais estados dos processos e uma análise tenta enxergar onde existem as oportunidades de melhoria. Fase 04: Projeto do f luxo e de informações – as equipes do projeto coletam e analisam o trabalho envolvido em todos os processos relevantes (planejamento, suprimentos, produção, dis- tribuição e retorno) e mapeia a produtividade e o rendimento de todas as transações. Fase 05: Planejamento de implementação – nesta fase final são comunicadas as descobertas do projeto. Sua finalidade é a de transferir o conhecimento das equipes de SCOR para as equipes individuais de implementação ou de desdobramento do plano. Resumo O modelo SCOR mapeia detalhadamente os processos que fazem parte da cadeia de suprimentos, bem como sugere a aplicação de indicadores para estes processose padroniza a linguagem utilizada na cadeia da organização. Os processos de planejar, abastecer, fabricar, entregar e retornar são gerenciados na premissa de um desempenho superior. Empresas de diversos ramos de atividades incluindo fabri- cantes, distribuidores e revendedores participam das atividades do SCC, contribuindo para o desenvolvimento e manutenção do modelo SCOR que abrange toda a Cadeia de Suprimentos desde o fornecedor do fornecedor até o cliente do cliente. O modelo SCOR se baseia no tripé: benchmarking, modela- gem dos processos da empresa e análise das melhores práticas. 115ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS O modelo SCOR é dividido em 4 níveis sendo eles: 1. processos: acerta-se o desempenho a ser atingido em relação à competição, por indicadores deste nível 2. subprocessos – visa descobrir as ineficiências e avalia o impacto de um potencial aperfeiçoamento. 3. tarefas – definido o fluxo de processos dos elementos da cadeia. 4. atividades – estabelece o plano de implementação para colocar as melhorias em funcionamento. Sugere-se que as seguintes fases sejam seguidas afim de implementar o modelo SCOR: 1. descobrir quais redes de suprimentos devem ser primeiramente trabalhadas 2. através do benchmarking e análise competitiva definir o nível do indicador que será usado no projeto 3. projetar os fluxos de materiais existentes no projeto estudado e identificar possibilidades de melhoria 4. mapear a produtividade e o rendimento dos processos de planejamento, suprimentos, produção, distribuição e retorno. 5. comunicar as descobertas do projeto para transferir conhecimento. 116ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. Imagine que você trabalha em uma Indústria de Chocolate como responsável pelo Escritório de Processos e precisa recomendar o melhor Modelo de Referência para modelar os processos dessa indústria. Destacamos que a empresa necessita de uma ferramenta voltada para a Gestão do Canal de Distribuição. I. Supply Chain Operations Reference-model (SCOR): o modelo foi desenvolvido pelo SCC - Supply-Chain Council. Característica básica: modelo de referência de processos voltado a servir como padrão na Gestão de toda a Cadeia de Suprimentos, entre empresas de diferentes setores (Industrial ou Serviço). O modelo está fundamentado nas quatro atividades principais de uma empresa levando em conta as diretrizes básicas da Gestão da Cadeia de Suprimentos: 'Plan', 'Source', 'Make', 'Deliver' ou 'Planejamento', 'Suprimentos', 'Manufatura', e 'Distribuição', com destaque a este último processo. II. Lean Manufacturing Enterprise Model: o modelo foi desenvolvido pela Iniciativa Lean Aeronaves consórcio liderado pelo MIT – Massachusetts Institute of Tecnology. Características básicas: o Manual de Processo incide sobre práticas e métricas que ajudam a promover um lean focalizando o produto, processo e concepção da manufatura. Por exemplo, inclui atividades de alto nível que identificam e otimizam as empresa através da alimentação de um fluxo em um ambiente de natural de aprendizagem. III. Xerox modelo de gestão: o modelo foi desenvolvido pela Xerox Corporation. Características básicas: como parte do seu extenso programa de melhoria da qualidade, a Xerox Corporation desenvolveu um modelo completo de seu processo operacional. Por exemplo, inclui um elevado nível de atividades denominada Time to market representing, vinculado ao processo de DESIGN, e outro chamado Integrated Supply Chain, representando a gestão do ressuprimento integrado com a manufatura e atividades relacionadas com a cadeia de abastecimento. Está correto o que se afirma APENAS em a. A assertiva II está correta. b. A assertiva III está correta. c. As assertivas I e III estão corretas. d. A assertiva I está correta. e. Todas as assertivas estão corretas. 117ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 2. Em relação aos vários modelos de referência para processos que servem como padrão conceitual para diversos segmentos de negócio, tem-se que a. O Supply-Chain Operations Reference (SCOR) é uma das ferramentas de modelagem que auxiliam os usuários a encaminhar, melhorar e comunicar práticas de gerenciamento de cadeia de suprimentos entre todas as partes interessadas. b. O Processes Classification Framework (PCF) da American Productivity & Quality Center (APQC) trabalha com 12 processos básicos de negócio divididos em três grupos distintos: Processos Operacionais, Gerenciamento de Suporte e Tratamento de Aspectos Ambientais. c. O Process Handbook Project é um consórcio sem fins lucrativos com meta de estabelecer padrões de processos para compartilhamento de informações em negócios do tipo B2B. d. Uma desvantagem do uso do modelo RosettaNet é que ele não trata nem de processos de compra nem de gerenciamento de inventário em ambientes tecnológicos. e. O BenchNet serve como base de referência de processo e provê um ponto de referência neutro para necessidades de reengenharia, parcerias, alianças e acordos gerais com provedores da área de telecomunicação 118ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS BPM (GERENCIAMENTO DE PROCESSOS DE NEGÓCIOS) O BPM oferece o método para ter o controle da real situação de uma empresa e poder tomar as medidas corretas. O Gerenciamento de Processos de Negócios (BPM - Business Process Management) é uma importante ferramenta de gestão para as empresas. Com a utilização dos seus concei- tos, contribui para a organização obter vantagem competitiva e melhorar os processos internos, reduzindo falhas e custos desnecessários. Um processo de negócio é um conjunto com- pleto de atividades dinamicamente coordenadas ou tarefas relacionadas logicamente que devem ser realizadas para entre- gar valor aos clientes ou obter a satisfação de outros objetivos estratégicos (TRKMAN, 2010). 119ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS O Gerenciamento de Processos de Negócios (BPM) per- mite que as empresas obtenham vantagens competitivas a partir da eficiência dos processos quando bem executados. Através da gestão por processos as pessoas continuam cumprindo tarefas na empresa, mas têm uma visão mais ampla sobre o que pensam a respeito dos processos, com grandes ganhos no trabalho final. O foco no cliente permite que cada atividade seja detalhada e que ocorram ganhos através de seu melhoramento. O objetivo do BPM é aumentar a eficiência e eficácia dos processos organizacionais através de melhoria e inovação. O BPM pode resultar em uma profunda mudança na estrutu- ra de uma organização, mas algumas possuem uma cultura já solidificada, o que torna difícil muitas vezes a implantação de novas práticas de gestão. O BPM engloba uma série de atividades, sendo elas: a modelagem de processos, a análise, o design de processos, a transformação de processos, o gerenciamento de processos, e a tecnologia BPM. A partir da definição do processo e do seu mapeamento, é importante acompanhar e avaliar o desempenho e os resul- tados obtidos. Uma boa medição e avaliação da eficiência dos Processos de Negócios são muito importantes, pois proporciona um feedback em tempo efetivo sobre o estado dos processos, medidas de tempo e custos dos mesmos de modo que eles po- dem ser otimizados. Devidamente executado, o BPM trás um bom desempenho para empresa através do aumento da receita, redução de custos, melhoria no tempo de ciclo e aumento da satisfação dos clientes (VUKSICA, 2013). As ferramentas de BPM ajudam no mapeamento e oti- mização dos processos de logística possibilitando a melhora dos resultados. Com o BPM é possível analisar o processo atual, buscando otimizar e simular a cada etapa, até obter um processo eficiente. O BPM contribui para uma melhor gestão dos processos e recursos disponíveis através do mapeamento adequado e inte- grado, analisando as características de cada processo dentro da cadeia de suprimentos, neste caso, especificamente, as atividades logísticas, pois estas detém uma parcela detoda a cadeia. Sendo possível mapear todo o processo, desde o transporte, armaze- nagem até o processamento de pedidos, podendo assim chegar a um modelo que melhor se adapte as necessidades, reduzindo tempo, evitando desperdícios, garantindo a eficácia do processo. Um dos principais benefícios da introdução do BPM no gerenciamento dos processos da cadeia de suprimentos é a defi- nição exata das etapas dos processos, assim como as interações entre os diversos elos da cadeia de suprimentos, permitindo assim, o monitoramento do desempenho na execução desses processos e indicando possíveis melhorias após a avaliação dos resultados do monitoramento (FIGUEIREDO, 2012). 120ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Sendo assim, o BPM em conjunto com o SCM elimina as ineficiências dos processos das cadeias de suprimentos, reduz o takt time, acelera as iniciativas de melhorias do processo, fortalece o relacionamento cliente e organização, reduz as falhas nos processos de produção. Como implantar o BPM? Existem metodologias que propõem o passo a passo para algumas fases do ciclo de BPM. Por exemplo, vale a pena destacar a metodologia de modelagem de processos do Sharp e Mcdermott (2001) composta por 6 fases. 1. Projeto: Planeja-se como o projeto será realizado na empresa. Nesta etapa é realizado o diagnóstico para verificar quais os principais proble- mas e a melhor forma de resolvê-los utilizando a gestão de processos. Também é o momento do projeto em que são definidos o método, a notação, o meta-modelo e a ferramenta que serão utilizados durante todo o ciclo de BPM. Método: sequência de passos para o levantamento e modelagem das informações. Notação: Símbolos e regras para representar as informações. Meta-modelo: informações a serem modeladas Ferramenta: apoio computacional para a documentação das informações. 2. Modelagem: os processos são le- vantados, detalhados no conjunto de atividades que os compõem e validados para garantir que o seu entendimento está correto. Nesta fase, o negócio da empresa é mapeado. Para isso é imprescindível co- nhecer a organização como um todo. É desenhada a sua cadeia de valor, aonde são especificados os principais processos da empresa. Esses processos normalmen- te são classificados em três tipos: gestão, negócio e apoio ou suporte. Depois que a cadeia de valor é de- finida, os processos são priorizados para que se inicie o levantamento do proces- so atual. Neste momento, são realizadas entrevistas ou aplicadas outras técnicas de levantamento (tais como workshops, questionários e etc.) com os principais responsáveis pelos processos. Após esse levantamento são desenhados os f luxos dos processos atuais (AS-IS) seguindo a notação de modelagem adotada e em- pregando a ferramenta de modelagem de processos. 121ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS As principais notações utilizadas no mercado são Business Process Manage- ment Notation (BPMN) e Event Driven Process Chain (EEPC), que não passam de uma série de ícones padrões para o desenho de processos, o que facilita o entendimento do usuário. Já em relação às ferramentas de modelagem, existem diversas delas, com destaque para o ARIS, Bizaggi, Intalio e ARPO. Esses f luxos são validados em workshops ou reuniões para verificar se estão de acordo com a realidade da orga- nização e se o entendimento dos analistas de processo foi correto. Caso seja necessá- rio, neste ponto são efetuados os devidos ajustes nos modelos de processos. Figura 12: Exemplo de processo. Fonte: disponível em https://supad.ufba.br/modelagem-processos 1. Realiza Cotação e Seleciona Passagens 3.1 Cadastra Tipo Proposto 3 Cadastra Solicitação de Viagem 3.1 Cadastra Dados da Viagem 4. Avalia Solicitação no SCDP 4.2 Autotriza* Pedido no SCDP Viagem Negada Encaminha Justificativa Via SCDP Autoriza Despesas de Viagem 5. Autoriza à Agência Emitir Passagem 1 Viagem Aprovada 3.4 Informa Recursos para Pagamento 3.4 Informa Descrição e Motivo da Viagem Um ofício de solicitação digitalizado é enviado via SCDP 2. Acessa SCDP Início Un ida de /Ó rg ão PR OA D Pr ó- Re ito r Re ito r(a ) Início Fim Fim Pedido superior à 10 dias ou com mais de 10 passageiros *Caso o pedido não seja aprovado, o processo é encerrado 122ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 3. Simulação: os processos são simulados com base em medidas de desempenho. Primeiramente, são planejados os resultados quantitativos que o processo deve alcançar. Em seguida, utilizando uma fer- ramenta de simulação, o processo é testado para verificar se ele está sendo executado da maneira prevista ou se estão ocorrendo possíveis filas ou gargalos. Caso sejam detectados problemas, o processo pode ser alterado antes de ser disponibilizado para uso efetivo dentro da empresa. Quando o comportamento do processo estiver de acordo com o esperado, então ele poderá ser utilizado na prática. 4. Execução: os processos são implantados e instituciona- lizados. Primeiramente, é necessário planejar como será essa im- plantação, considerando necessidades de treinamento, aquisição de software, implantação de novos sistemas, mudanças na estru- tura organizacional, remanejamento da equipe e etc. A gestão da mudança vai auxiliar a organização a fazer as modificações de uma maneira que o impacto no dia a dia dos funcionários seja o menor possível. As mudanças devem ser vistas como algo positivo e não algo a atrapalhar e modificar o cotidiano de trabalho da empresa. 5. Monitoramento: os processos são acompanhados através de indicadores de desempenho previamente definidos para verificar se houve desvios Caso os processos não alcancem os resultados esperados em relação aos indicadores definidos, é necessário tomar ações para controlar os desvios observados. 6. Melhoria: a situação atual dos processos é avaliada, me- lhorias são levantadas e o processo futuro modelado Na fase de melhoria é onde ocorre a avaliação da situação atual (AS-IS), para que sejam propostas melhorias e modelado o processo futuro (TO-BE) de acordo com essas melhorias. As melhorias podem corresponder à inclusão, modificação ou exclusão de atividades, documentos, ferramentas de apoio, regras de negócio, entre outros. Business Process Management 123ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Resumo: Em resumo, BPM é o conjunto de práticas e soluções feitas para atender a demanda por mais controle, integração e transparência nos processos de toda a cadeia de suprimentos. Ele permite mapear os processos organizacionais da empresa, buscando a integração fun- cional e proporcionando maior agilidade nas atividades que envolvem pessoas, tarefas, máquinas aplicações de software e outros elementos coordenados para atingir os objetivos do negócio. Muito provavelmente após um projeto de mapeamento de pro- cessos você irá enxergar muitas oportunidades de melhoria, como eliminar atividades que não geram valor, criar novas atividades para melhorar o atendimento ao seu cliente, entre várias outras possibi- lidades. De modo geral o BPM, quando aplicado de maneira correta, oferece benefícios consideráveis às organizações, interligando os processos e apresentando-os de forma clara e objetiva, benefícios que contribuem para a melhor gestão da cadeia de suprimentos e consequentemente a melhoria nas relações entre fornecedor e cliente através da otimização e melhor execução das atividades. O ciclo do BPM é composto por 5 etapas: 1. Projeto: É o início de tudo. Nessa fase existe a identificação dos processos existentes e o mapeamento dos atores, tarefas e requisitos 2. Modelagem: Quando os processos começam a se tornar tan- gíveis. Nesse ponto preocupa-se com detalhes mais práticos dos que aqueles da fase de design. Preocupações como custo e materiais, pessoas etc. 3. Simulação: Após o desenho e o estabelecimento dos usuários responsáveis pela conclusão de cada tarefa, pode ser feita uma simulação, onde se pode testar seas regras pré- estabelecidas estão de acordo com o objetivo da empresa e se as tarefas estão sendo encaminhadas para as pessoas corretas. 4. Execução: Aqui é onde o trabalho acontece, seja ele feito por pessoas, máquinas ou por sistemas. 5. Monitoramento: Nessa fase, acompanha-se os processos em execução, seja ela por meio de sistemas da TI ou por tarefas feitas manualmente. Devem-se ter estatísticas de desempenho do seu processo. 6. Melhoria: É neste momento em que se podem remover gargalos e custos não necessários ao seu negócio. ocorre a avaliação da situação atual (AS-IS), para que sejam propostas melhorias e modelado o processo futuro (TO-BE). 124ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. Um Analista de Sistemas da Prefeitura de Caxias do Sul deve modelar alguns processos, pela primeira vez, para fazer a análise desses processos. Após a modelagem ele deverá obter requisitos de melhoria junto aos stakeholders a fim de ponderar sobre melhorias futuras e otimização dos fluxos de trabalho. Um desenho dos processos otimizados será feito, simulado e implantado após as revisões e aprovação dos envolvidos. Essa situação envolve o mapeamento de processos antes e depois das melhorias e de acordo com as melhores práticas propostas. Na técnica de mapeamento de processos, o primeiro modelo (análise) e o melhorado (desenhado) são tratados, respectivamente, como modelos. a. TO-BE e AS-IS. b. BPM1 e BPMx. c. TO-DO e AS-IS. d. BPMo e BPMn. e. AS-IS e TO-BE 2. No contexto de gerenciamento de processos de negócios, o conjunto de elementos que recebe uma entrada, adiciona valor a ela e fornece uma saída para um cliente específico, define. a. BPM b. Processo c. Função d. Informação e. Organização 3. No BPMN, o andamento do processo deve ocorrer juntamente com o preenchimento de um formulário eletrônico, em que cada pessoa participante do processo deve fornecer determinadas informações. a. É uma ferramenta utilizada para gerar diagramas da UML usando maneiras e lógicas diferentes. Apesar de útil, muitas vezes não é adotada pelas empresas por não oferecer um padrão de modelagem. b. É um software responsável pela automação do gerenciamento de processos de negócio. Garante a simulação, a execução, o controle e a otimização de processos. 125ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS c. Em uma empresa é necessário ter BPMN para se realizar o gerenciamento de processos de negócio, pois implantar tal gerenciamento requer o uso de ferramentas capazes de trabalhar em um nível de abstração possível apenas por meio do uso de software. d. Trata-se de uma notação padrão para o desenho de fluxogramas em processos de negócios. Na prática, trata-se de um conjunto de regras e convenções que determinam como os fluxogramas devem ser desenhados. 4. Em relação ao BPM, é correto afirmar. a. Nem todas as técnicas de fluxogramas atendem aos requisitos da análise de processo, e nesse aspecto, as únicas técnicas aplicáveis são as do fluxograma de blocos e fluxograma de procedimento. b. Excetuando-se os processos primários, que não exigem a modelagem, os processos de suporte e de gestão devem ser cobertos e contemplados com a modelagem completa (ponta-a-ponta). c. Na fase de análise de negócio, a modelagem TO BE permite obter entendimento suficiente pelos membros da equipe de projeto e de negócios sobre os processos de negócio atuais e habilitar o início da fase de transformação de processo. d. BPMSs permitem o monitoramento em tempo real dos processos de negócio, controle e análise dos recursos humanos, documentos, atividades e seus tempos de execução, conforme modelagem do processo e regras de negócio definidas. e. A simulação é uma etapa importante da automação, pois é nela que os processos são descobertos e desenhados. 5. Na modelagem de processos de negócios (BPM) em uma empresa, deve-se considerar que. a. A identificação de regras de negócios e a de insumos de processo são atividades importantes na modelagem das funções não aplicáveis de uma empresa. b. A documentação dos processos atuais e dos melhorados é um resultado importante para poder traçar planos de mudanças na empresa. c. As melhorias propostas para os processos devem conter somente atualizações para a redução do tempo de execução das atividades dos processos e vão também sugerir quais áreas vão aumentar custos e recursos para que esse tempo seja reduzido. 126ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS d. Após a implementação dos novos processos, devem ser cessadas todas atualizações e adaptações de processos, pois estas atualizações podem ser supridas pela inserção de um novo software (tipo CRM) na empresa. e. O processo deve prever um conjunto de técnicas suplementares de controle de riscos em novos processos negócios, sem se preocupar com controle dos processos antigos identificados. 6. Passo importante em qualquer projeto de BPM é fazer a modelagem “AS-IS”. POR QUE Para garantir o sucesso do projeto dos novos métodos a implantar pelo BPM, os procedimentos vigentes devem ser ignorados. Analisando-se as afirmações acima, conclui-se que a. As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira. b. As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira. c. A primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa. d. A primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira. e. As duas afirmações são falsas. 5. Assinale a opção correta a respeito da gestão de processos de negócio (BPM – business project management). a. A atividade de levantamento dos principais pontos fracos dos processos em uso em uma organização faz parte da etapa de planejamento do ciclo do BPM. b. Entender o ambiente externo e interno, além da estratégia organizacional, é atividade executada na fase de modelagem de processos de negócios. c. Na modelagem de processos do estado atual, cria-se um ambiente de discussão entre partes envolvidas de forma a melhorar o processo em questão. d. Todas as atividades envolvidas no ciclo BPM são apoiadas pela área de tecnologia da informação, isto é, necessitam de um computador para serem executadas. e. Um processo de negócios gerenciado é aquele que o proprietário pode modificá-lo, enquanto as partes envolvidas podem visualizá-lo. 127ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS TRADE MARKETING RELAÇÃO ENTRE FABRICANTES E DISTRIBUIDORES O Trade Marketing se preocupa com a garantia de que o produto esteja disponível no momento certo de forma a estreitar o vínculo do cliente com os canais de venda. Trade Marketing é o conjunto de técnicas voltadas ao entendimento, desenvolvimento e aplicação de ferramentas de marketing para aprimorar o relacionamento das marcas com seus canais de vendas e, por meio destes, com seus con- sumidores. 128ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Essas ações fortalecem a relação fabricante-varejista, com o ob- jetivo de criar uma experiência de compra positiva para o consumidor no ponto de venda (PDV) e assim aumentar as vendas. Ao promover ações de relacionamento com o consumidor, o Trade Marketing atua incentivando o giro dos produtos e exerce um papel importante nas atividades de shopper marketing dos fabricantes. No canal de distribuição, integra a função de vender ao vare- jista – selling in e a função de promover e comunicar o produto ao consumidor, buscando a venda - selling out. Esta dinâmica ref lete a evolução dos papeis exercidos pelos fabricantes nas ações de pull (puxar, ou fazer com que o consumidor procure o produto) e push (empurrar, ou colocar o produto à disposição do consumidor da melhor forma possível). Sell-in (Business-to-business, B2B) é uma compra de fornece- dores ou contratos que viabilizem parceiros de canal, negociações de produtos e etc.. Também conhecido como estratégia do combo, onde é possível praticar as ações de valores presentes no Sell-out nos conhecidos PDV (Pontos de Venda). Sell-out (Business-to-client, B2C) é umavenda do produto adqui- rido no processo de Sell-in para o cliente final. Quando há uma ação de valor de “Compre e Ganhe” (Leve 5 pague 4) na ilha de cervejas. Esse é o trabalho dos promotores e do coordenador de trade marketing que age nesta ocasião como promotor de merchandising, por exemplo. Dentre os objetivos do Trade Marketing estão os seguintes: • Criar um relacionamento estratégico entre o for- necedor e os PDVs; • Criar uma ligação entre as áreas de Marketing e Vendas; • Planejar canais de venda e clientes-chave (key ac- counts); • Melhorar o posicionamento das marcas e dos pro- dutos no varejo; • Garantir a atuação da marca junto aos consumi- dores finais. As principais atividades do Trade Marketing são: • Orientar o aprimoramento das relações entre fabricantes, prestadores de serviços e varejistas. • Buscar o entendimento do consumidor, analisando hábitos e preferências no ponto de venda. • Atender clientes “olho no olho” no ponto de ven- 129ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS da, além de gerenciar e monitorar estoques e apoiar o abastecimento de produtos. • Expor os produtos/marca de forma atrativa, visando con- quistar o consumidor e envolvê-lo por meio da experi- mentação. Serviços realizados em Trade Marketing • Planejamento e criação de ações para diferentes canais de vendas e distribuição de produtos; • Recrutamento, seleção e contratação de profissionais para atuação nos pontos de vendas com diferentes perfis e funções e formatos de contratação; • Treinamento e capacitação dos profissionais contratados, de acordo com as necessidades da indústria/produto; • Gestão das equipes de campo, com controle de roteirização de visitas, turnover, pagamento de benefícios, entrega de materiais de suporte etc; • Gerenciamento das ações de trade por meio de execução e ativação nos diferentes pontos de vendas e canais, con- templando a implementação de planogramas, pontos de exposição, atendimento aos consumidores e informações para vendedores; • Gestão de informações, com coleta de dados nos PDVs, análise dos dados apurados e monitoramento do compor- tamento do consumidor; • Estratégia promocional, desenvolvida a partir de análises das informações coletadas ou de share para aumento de participação, adequação de margem/markup e otimização de investimentos; • Criação de ações de marketing/ativação, focadas por pú- blico-alvo determinado para maximizar vendas e aumentar o giro dos produtos nos PDVs; • Gestão da execução, realizando monitoramento e acom- panhamento integral da execução dos projetos/operações nos canais de vendas; • Gestão da logística, criando soluções sob medida para cada cliente. Entre as atividades possíveis, destacam-se a interface e administração de fornecedores, controle de ca- dastro dos materiais, avaliação de estoque e pedidos, além de sugestão da quantidade de itens a serem produzidos. 130ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Trade Marketing e Logística Para que o processo logístico seja eficaz, Bowersox et. AL (1992) ressaltam a necessidade das empresas desenvolverem 3 capacidades básicas: velocidade, qualidade e estrutura, que inf luenciam diretamen- te a sua performance. O motivo disso é porque os consumidores têm intensifica- do suas demandas por elevados níveis de serviços, obrigando as empresas a dedica- rem recursos que aumentem a velocidade e sincronização dos ciclos logísticos de forma que o mesmo possa ser reduzido. Além disso a qualidade de serviços passou a ser vista como um pré requisito essencial para um relacionamento com maior nível de comprometimento entre as empresas. E, finalmente porque, os clientes estão exigindo que seus fornecedores se ajustem estruturalmente tanto às mudanças no ambiente competitivo, como às crescentes expectativas dos seus consumidores. À medida que os processos logísticos adicionam valor ao produto, as expecta- tivas dos clientes vão sendo atendidas. Exemplo disso é quando o estoque está corretamente posicionado no momento do seu consumo, ou seja, quando ocorre a disponibilização dos produtos onde os mes- mos são necessários e desejados. Para que isso possa acontecer é necessário que esses processos sejam entendidos e coordenados de forma integrada. A logística, que tradicionalmente vinha sendo executada apenas em bases fun- cionais, está sendo alçada às decisões estratégicas das empresas. Com isso é preciso que se desenvolvam ligações entre as atividades físicas necessárias à criação do pro- duto, sua movimentação, armazenagem e as atividades de transação que seguem ou se iniciam dessas atividades físicas. Ressalta-se ainda que essa integração não deve se restringir as atividades executadas internamente a empresa, incorporando também aquelas executadas pelos seus clientes e fornecedores. Segundo Bowersox e Closs (1996), os mais significativos direcionadores que impulsionam a integração das atividades logísticas são: • A comercialização dos microprocessadores: o surgimento de equipamentos de baixo custo combinados com softwares avançados, permitem o gerenciamento de todo os processos logísticos de forma integrada do suprimento de matéria prima, à fabricação e distribuição dos produtos acabados. Eles fornecem as fer- ramentas necessárias a um maior controle das transações e da sua performance, em função da facilidade de disponibilização e manipulação das informações em todos os níveis na empresa; • A revolução da tecnologia de informação: está provocando o mesmo impacto que o desenvolvimento dos microprocessadores, sendo que o impacto imediato de todos os tipos de leituras, coletas e transferência eletrônicas está aumentando a disponibilidade de informação em tempo real referentes a cada aspecto do 131ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS processo logístico. O resultado de uma tecnologia de informação rápida, precisa e ampla, introduz a era da competência baseada no tempo, onde a troca de informações rápidas e confiáveis fornece a base para as novas estratégias no atendimento da excelência logística; • Qualidade: a difusão dos conceitos da qualidade total pela indústria espalhou-se rapidamente para os processos logísticos, e as em- presa foram forçadas a alterar esses processos a fim de satisfazer uma variedade de diferentes expectativas dos seus vários clientes; • Alianças: por muitas décadas os relacionamentos entre as empresas eram caracterizados por negociações adversárias, porém os executivos começam a perceber os benefícios da cooperação através do desenvolvimento de eficientes arranjos de trabalho inte- rorganizacionais onde as empresas veem seus clientes e fornecedores como parceiros de negócios. Exemplo destes arranjos são as alianças logísticas, construídas com base na especialização de cada empresa o que oferece eficiência operacional ao sistema, ligando fornecedores e clientes. Para alcançar ao máximo os benefícios estratégicos da logística, a totalidade de todas as suas atividades funcionais como armazena- gem, movimentação, transporte, etc. precisam ser realizadas com uma visão integral do sistema logístico, pois a excelência de cada aspecto funcional somente é relevante quando vista em termos de sua contribuição para a melhoria total do sistema. Ainda para Bowersox e Closs (1996), a logística é vista como a competência que liga um empreendimento com os seus fornecedores e clientes, onde informações dos mesmos circulam através de atividades de vendas, previsões e ordens, e são detalhadas em termos dos 132ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS requisitos específicos de suprimentos e manufatura. À medida que os produtos são produzidos, o f luxo de adição de valor é iniciado tendo como resultado final a transferência de proprie- dade dos produtos acabados para os consumidores. Todo esse processo pode ser visto como a soma de dois esforços correlatos e integrados, o f luxo de estoques que está relacionado com a distribuição física, o suporte à manufatura e o suprimento, e o f luxo das informaçõesque especifica os re- querimentos do f luxo físico. Porém para ser totalmente efetiva no atual ambiente competitivo, as empresas precisam expandir essa integração ao seus consumidores e fornecedores. Assim sendo, é necessário que todo o processo logístico passe a ser visto do ponto de vista da integração da cadeia de suprimento, já que essa visão aumenta a competitividade do canal. Essa crença está baseada no fato de que comportamentos cooperativos reduzem o risco e melhoram bastante a eficiência de todo o processo logístico, e que, para alcançar um alto grau de cooperação é necessário que os participantes chaves do canal dividam informações estratégicas, a medida que estas possibi- litam um melhor planejamento. Outro ponto é que essa visão integrada da cadeia permite a eliminação de desperdícios e da duplicação de esforços dentro do canal. Para Bowersox e Closs (1996) esse processo de integração é dificultado por algumas barreiras como: • A estrutura tradicional da organização: normalmente reúne as pessoas que realizam um trabalho específico num departamento funcional, preocupadas em atingir sua própria excelência à medida que são assim avaliados e recompensados. Uma integração de sucesso dos proces- sos logísticos exige que os executivos olhem através da estrutura organizacional existente e busquem realinhar essa estrutura para facilitar a forma como a organização se relaciona com problemas que envolvem essas diferentes funções; • Sistemas de Medidas: tradicionalmente também destacam a estrutura existente, sendo necessário o desenvolvimento de uma nova forma de avaliação que incentive os executivos a ver suas funções específicas como uma parte de todo o processo, e não como atividades estanques; • Propriedade do estoque: a posse do estoque ajuda a proteger contra as incertezas da demanda e da operação. O ponto crítico, porém é balancear isso com os riscos relacionados à sua localização incorreta ou obsolescência; • Capacidade de transferir conhecimento: conhecimento é poder em muitos negócios, e a incapacidade de transferi-lo entre as funções dentro de uma mesma organização pode obrigar a empresa a ter uma força de trabalho composta de especialistas, porém sem que ocorra a transferência de informações necessárias a integração entre essas funções. 133ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Na prática essa integração só ocorre de forma eficaz quando as 3 dimensões básicas do serviço ao consumidor são alcançadas pela empresa: 1. A capacidade de ter o estoque disponível onde e quando for desejado pelo cliente; 2. A excelência na performance operacional em termos de velocidade , consistência e assistência pós venda; 3. E a confiança na capacidade da empresa em cumprir os parâmetros combinados de dis- ponibilidade de produtos e de performance operacional. A satisfação do consumidor, criada pela em- presa e por seus canais de distribuição, é depen- dente do trabalho de todos na geração conjunta do valor ou utilidade do produto. A obtenção desse valor só ocorre quando a empresa e os demais mem- bros do canal criam atributos de produtos que vão de encontro às expectativas do consumidor e são percebidos pelo mesmo. A integração da logística, dentro da visão da cadeia de suprimento, é um elemento chave para satisfazer o cliente a medida que pode proporcionar a obtenção dessas utilidades ou valores ao produto (Novack e outros, 1992). Resumo: O conceito de Trade Marketing entende que o contato do consumi- dor com o produto e com o ambiente competitivo se dá no ponto de venda e que a estratégia de marketing deve estar visível para o consumidor neste espaço e principalmente, nesse momento de decisão de compra. No dia a dia, o Trade Marketing trabalha com assuntos relativos à exposição de produtos, análise de giro de estoque, margens de ren- tabilidade, motivação da equipe de vendas, promoções e campanhas de venda, dentre outros. Com consumidores cada vez mais exigentes, as empresas preci- sam desenvolver as capacidades de velocidade, qualidade e estrutura, a fim de tornar o processo logístico eficaz. À medida que os processos logísticos adicionam valor ao produto, as expectativas dos clientes vão sendo atendidas. Os direcionadores que mais impulsionaram a integração logística foram: acesso à TI e equipamentos, difusão da qualidade e alianças entre empresas. é necessário que todo o processo logístico passe a ser visto do ponto de vista da integração da cadeia de suprimento permitindo a eliminação de desperdícios e da duplicação de esforços dentro do canal. 134ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. Complete a lacuna: O conceito de entende que o contato do consumidor com o produto e o ambiente competitivo se dá no ponto de venda e que a estratégia de marketing deve estar visível para o consumidor nesse espaço e nesse momento da decisão de compra. a. Exposição de venda b. Visibilidade c. Merchandising d. Up Marketing e. Trade Marketing 135ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS LEAN SUPPLY CHAIN MANAGEMENT A gestão lean lida com a remoção constante dos desperdícios no processo, para torná- lo mais eficaz e ágil, aumentando a competitividade da empresa. Ao final desta disciplina temos claro que a configu- ração de uma cadeia de suprimentos envolve todas as etapas desde a produção do insumo (extração/cultivo), passando por indústrias de base, indústrias de transformação, montadoras, distribuidores, varejistas, transportadores, dentre outros. Ou seja, a organização de uma cadeia de suprimentos envolve todas as etapas de formação de um produto ou serviço que este chegue às mãos do cliente final pronto para consumo. Em uma cadeia de suprimentos são realizadas diversas operações para que produtos e serviços circulem ao longo desta cadeia, sendo que algumas destas operações agregam valor para o cliente e outras não. As operações que não agregam valor são 136ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS consideradas desperdícios de uma cadeia de suprimentos. Por isso, percebe-se que existe uma grande vantagem estratégica na visão de cadeia de suprimentos enxuta, devido à quantidade de possibilidades de eliminação de desperdícios quando ob- servamos não somente a empresa interna- mente, mas analisando o valor agregado ao cliente de forma integrada por todos os elos da cadeia de suprimentos. A combinação dos conceitos de ma- nufatura enxuta (Lean) e Gestão da Ca- deia de Suprimentos permite a aplicação de diversas técnicas do Sistema Toyota de Produção (Lean) e que podem contri- buir na formação de uma de Cadeia de Suprimentos ágil, f lexível, competitiva e sincronizada, conforme apresentado e idealizado na concepção de uma cadeia de suprimentos de alto valor agregado. Vejamos na tabela abaixo os pontos de interseção comparando o objetivo destas duas abordagens. Manufatura Enxuta (Lean) Gestão da Cadeia de Suprimentos Foco na redução de desperdícios e atividades que não agregam valor. O objetivo está em reduzir lead times e custos através de diversos métodos. Tradicionalmente busca o sucesso primeiro com a otimização do chão de fábrica. Foca a otimização ao longo da cadeia de suprimentos dos parceiros. Utiliza um conjunto de ferramentas estruturadas (metodologia Lean). Aplica tanto ferramentas Lean quanto outras ferramentas (Seis Sigma, Qualidade Total (TQM), Teoria das Restrições, etc.). Ênfase na eliminação de estoque no processo, buscando continuamente o f luxo contínuo. Ênfase na minimização de estoques na cadeia através de técnicas diversas. Quadro 7: Comparação do Lean e gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. Fonte: elaborado pelo próprio autor. 137ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Wincel (2004) identifica seis atributos principais relacionados à aplicação do Lean na Cadeia de Suprimentos: a. Gerenciamento baseado na demanda: Produção Puxada pelos pedidos, ou com pedidos e estoque nivelador de produtos de alto giro; b. Redução docusto de desperdícios: Processo de me- lhoria contínua pela redução constante dos desper- dícios. Os sete desperdícios identificados por Ohno: Tempo de espera Estoque em excesso Excesso de transporte Movimento em excesso Superprodução Retrabalho de produtos defeituosos c. Padronização do processo: Através da padronização dos pro- cessos é possível obter as melhorias contínuas, pois são es- tabelecidos os padrões de comparação (Aplicação do ciclo PERP – Planejar, Experimentar, Refletir, Padronizar); d. Produção padronizada: O nivelamento, ritmo e puxada é a solução da metodologia Lean para sustentar um padrão de produção, e padronização de rotas de abastecimento das células produtivas (Logística Lean); e. Mudança cultural: A mudança cultural é fator fundamental para a sustentação do projeto Lean Supply Chain no longo prazo. Equivale ao 5º S – Disciplina – da ferramenta 5 Ss. f. Colaboração entre empresas: Os resultados da implantação do Lean na Cadeia de Suprimentos podem ser surpreendentes, mas requerem colaboração entre as empresas, e decisões com- partilhadas que gerem resultados para os agentes desta cadeia. 138ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Para criar uma cadeia de fornecimento mais enxuta as empresas devem exa- minar cada área da cadeia de suprimentos, como: Compras: Muitas empresas têm operações de compra com- plexas por acreditar que suas necessidades são complexas, mas isso nem sempre é verdade. As grandes empresas costumam ter grupos de compras corporativos, bem como compras locais, o que significa que na sede podem ter um departamento de compras que dita a política para os grupos de compras locais. Muitas vezes a função de compra na sede é duplicada no nível inferior e há um desperdício de recursos. Por ter dois departamentos de compras, central e local, os vendedores podem muitas vezes ter informações diferentes. Eles podem receber vários contratos, um central e muitos contratos locais que podem levar a variações nos preços dependendo da localização. As empresas que praticam o gerenciamento da cadeia de suprimentos reduzem sua função de suprimento de modo que cada fornecedor tem um ponto de contato, um contrato e oferece um preço para todos os locais. Produção enxuta: Os processos de fabricação podem ser melhorados para reduzir desperdício e recursos, mantendo o desempenho operacional. A qualida- de é uma parte importante da produção enxuta. Ter zero defeitos no processo de fabricação reduz o desperdício e aumenta a eficiência dentro da organização como um todo. Com maior qualidade os clientes não retornarão mais mercadorias, o que significa menos recursos serão necessários para retornos e questões de qualidade. As empresas que adotaram práticas de cadeia de suprimentos enxuto examinaram cada um de seus roteiros, lista de materiais e equipamentos para identificar onde as melhorias podem ser alcançadas. Armazenagem: Processos de arma- zém devem ser examinados para encontrar áreas de eliminação de desperdício de re- cursos. Uma área que as empresas devem sem- pre estar trabalhando é a redução do inven- tário desnecessário. O acúmulo de inventário requer dinheiro e recursos para armazená-lo e mantê-lo. Ao reduzir o inventário des- necessário, uma empresa pode minimizar o espaço de armazenamento e manuseio, reduzindo os custos globais. Transporte: As empresas que que- rem implementar processos enxutos muitas vezes olham para os seus procedimentos de transporte para ver onde eles podem ser simplificados. Em muitos casos, as empre- sas acham que seus esforços para melhorar a satisfação do cliente leva a decisões de transporte pobres. As encomendas são en- viadas sem combinar encomendas adicionais para minimizar custos ou opções de transporte caras são seleccionadas devido a uma solicitação do cliente. 139ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS A prática do 5S iniciou-se no Japão e é uma abreviação das palavras abaixo conforme Slack e outros (2009, p. 456): • Seiri – significa separar, ou seja, manter apenas o que é necessário; • Seiton – significa organizar, manter as coisas organizadas de forma a serem encontradas quando forem necessárias; • Seiso – significa limpar. Lixo não deve ser encontrado no ambiente de trabalho; • Seiketsu – significa padronizar. Manter o padrão auxiliará no processo de organização e minimizará o tempo para encontrar o que se precisa; • Shitsuke – significa sustentar tal organização de forma a mantê-lo e a perpetuá-lo para as gerações seguintes. SEITON SEISO SEIKETSU SH ITS UK E SEI RI 140ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Resumo: O gerenciamento de cadeia de suprimentos Lean requer que as empresas examinem todos os processos em sua cadeia de suprimentos e identifiquem áreas que usam recursos desnecessários, que podem ser evitados ou reduzidos. A base da filosofia Lean está na redução de sete desperdícios listados pela Toyota. São eles: superprodução, tempo de espera, transporte, processo, estoque, movimentação, produtos defeituosos. Atributos principais relacionados à aplicação do Lean na Cadeia de Suprimentos: a. Gerenciamento baseado na demanda: Produção Puxada pelos pedido; b. Redução do custo de desperdícios: Processo de melhoria contínua pela redução constante dos 7 desperdícios. c. Padronização do processo: são estabelecidos os padrões de comparação (Aplicação do ciclo PERP – Planejar, Experimentar, Refletir, Padronizar); d. Produção padronizada: O nivelamento, ritmo e puxada é a solução da metodologia Lean para sustentar um padrão de produção, e padronização de rotas de abastecimento das células produtivas (Logística Lean); e. Mudança cultural: A mudança cultural é fator fundamental para a sustentação do projeto Lean Supply Chain no longo prazo. f. Colaboração entre empresas: decisões compartilhadas que gerem resultados para os agentes desta cadeia. O Lean atua fortemente com a utilização do 5S, prática constante do envolvimento dos funcionários nas tomadas de decisão e a preocupação com a melhoria contínua 141ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. Com relação à responsabilidade social corporativa, julgue os itens subsequentes. a. A conscientização dos cidadãos a respeito dos recursos naturais e das práticas empresariais exige que as empresas adotem novas estratégias nas dimensões econômica, social e ambiental, uma vez que os consumidores tendem a optar por marcas que desenvolvem e disseminam programas de responsabilidade social. ( ) Certo ( ) Errado b. O desenvolvimento sustentável de uma organização deve ater-se somente às ações ambientais que ela desempenha e promove. ( ) Certo ( ) Errado 2. No tocante aos materiais que compõem o estoque, a figura a seguir destaca dois termos que se referem à distribuição: logística inbound e logística outbound. Logística inbound Logística outbound Logística reversa Novo pedido Compras Bem estar do paciente farmácia Uso pela equipe médica Uso no ambiente hospitalaralmoxarifado Fornecedores Os significados desses dois termos são, respectivamente, a. Logística de suprimentos e logística de abastecimento. b. Logística de suprimentos e logística lean. c. Logística de suprimentos e logística de distribuição. d. Logística lean e logística de distribuição. e. Logística de abastecimento e logística lean 142ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS GREEN SUPPLY CHAIN MANAGEMENT Cada vez mais, os consumidores querem saber se fazem negócios com empresas que estabeleceram uma cadeia de fornecimento verde. Vimos ao longo da disciplina que a Cadeia de Supri- mentos funciona como uma rede de parcerias entre diversas empresas, como fabricantes, fornecedores de matéria-prima, transportadoras, varejistas ou de qualquer outra categoria. Por sua vez, essas empresas fazem alianças de parcerias que as permitem não apenas reduzir custos operacionais como também oferecer melhor nível de serviço aos seus clientes e criar cada vez maisoportunidades de negócios. Esse conceito de parceria e oportunidade estende-se à Cadeia de Suprimentos Verde, pois todos os elos ao longo da cadeia geram impactos ambientais que vão somando-se 143ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS até o consumidor final, ou até a questão do descarte do produto, após o uso. Torna-se necessário, portanto, ampliar a visão dos executivos da sua própria companhia para a cadeia total e ajudá-los a entender que é preciso identificar os impactos ambientais e as oportunidades de redução de custos em cada um dos elos para posteriormente propor em conjunto e através das políticas de parcerias já existentes, melhorias de sustentabilidade que trarão benefícios para a imagem comercial das empresas, para qualidade de vida de colaboradores e da comunidade, além de redução de custos e geração de oportunidade de novos negócios para toda a cadeia. Definição Gestão da Cadeia de Suprimentos Verde ou Green Supply Chain Ma- nagement (GSCM) é a integração dos princípios verdes na gestão da cadeia de suprimentos. Isso inclui a concepção do produto, a seleção e fonte dos materiais, os processos de fabricação, a entrega do produto final aos consumi- dores e a gestão dos resíduos após o fim da vida útil. (SRIVASTARA, 2007) Escopo do GSCM a. Análise do ciclo de vida É uma técnica desenvolvida para verificar o impacto de produtos no meio ambiente. Ou seja, são analisados os efeitos ambientais associados às atividades produtivas ao longo de todo o ciclo de vida do produto. b. Design Verde ou eco-design Desenvolvimento de projeto de produto ou pro- cesso com a finalidade de minimizar o impacto ambien- tal durante todo o seu ciclo de vida, sem comprometer outros critérios essenciais como o desempenho e o custo. Objetiva reduzir a carga ambiental através do uso de materiais ecológicos, bem como facilitar a des- montagem do produto para reutilização, remanufatura ou reciclagem. O sucesso da avaliação do ciclo de vida e do eco-design requer a cooperação interna da empresa, assim como a cooperação externa, com outros parceiros ao longo da cadeia de suprimentos. c. Produção verde e remanufatura É o processo de produção que usa insumos com baixo impacto ambiental, altamente eficiente e que gera pouco ou nenhum resíduo ou poluição. Visam aumentar a eficiência e integrar conti- nuamente os 4Rs na produção: Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Remanufaturar. 144ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS d. Logística Reversa Movimento de mercadorias do seu lugar de descarte ou destinação final, a fim de recuperar o seu valor, ou promover a des- tinação correta dos resíduos. Divisão segundo Leite (2003): Pós-entrega: devoluções por problemas de garantia, avarias no transporte, excesso de estoques, prazo de validade expirado, entre outros. Pós-consumo: bens no final de sua vida útil, dos bens usados com possibilidade de reutilização (embalagens, paletes) e dos resíduos industriais. e. Gestão de Resíduos É o gerenciamento das matérias- -primas e recursos naturais que entram na empresa e são transformadas em produto ou saem da mesma como resíduos sólidos, ef luentes líquidos ou emissões atmosféricas. O gerenciamento de resíduos en- globam três atividades principais: 1. Redução; 2. Prevenção da poluição (substituição de insu- mos, reformulação de produtos, etc.) e 3. Disposição final. f. Compras verdes Adquirir bens e serviços de fornecedores capazes de pro- duzir com menores custos, que gerem menos impacto ambien- tal possível, sendo ambiental- mente responsável na gestão dos processos associados. Critérios ambientais para seleção de fornecedores: Cer- tificação ISO 14001 e Avaliação de desempenho ambiental. 145ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Iniciativas do GSCM a. Transporte • Otimização das rotas de transporte (veremos exemplo do pooling); • Substituir caminhões movidos a diesel por solu- ções de combustíveis alternativos; • Implementação de fontes de energia alternativas para caminhões refrigerados. b. Distribuição • Seleção e uso de materiais recicláveis nas em- balagens; • Uso de contêineres e equipamentos de armaze- nagem reaproveitáveis; • Substituição de empilhadeiras que usam gasolina por outras com combustíveis alternativos; • Redução de consumo de energia pelo uso de pai- néis solares, telhados ecológicos e amplas entradas de luz natural. Efeitos da Gestão da Cadeia de Suprimentos Verde • Para a sociedade: segurança, saúde, qualidade de vida. • Para as indústrias: Crescimento, eficiência, competitividade, reputação. • Para o meio ambiente: melhoria de qualidade do ar, ruído, biodiversidade. Gestão da Cadeia de Suprimentos Verde além da economia de luz No Brasil, o tema Logística e GSCM verde estão nas pautas desde 2011, mas poucas empresas e cidadãos brasileiros têm a plena consciência do impacto de que comprar errado é uma forma de des- perdício. Quando o assunto é sustentabilidade, muitos ainda veem como ação somente a reutilização da água da chuva, o desligamento das luzes no período da noite. É preciso fazer com que todas as empresas brasi- leiras sejam sustentáveis em seus processos e não apenas em projetos. E é justamente nisso que o GSCM revela ser uma ferramenta eficaz de garantir a sustentabilidade em toda a cadeia produtiva. Os impactos ambientais provocados pela atividade produtiva não 146ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS deve ficar restrita, por exemplo, ao uso de biocombustível nas frotas para a redução da emissão de gases poluentes. Para que o GSCM possa auxiliar de forma efetiva na sustentabilidade das empresas, existe um grande desafio cultural a ser superado. A maioria das indústrias acredita, por exemplo, que o seu processo de venda é concluído quando as vendas são fatura- das e seus produtos deixam seus estoques em direção ao comércio. Esse é um dos pensamentos mais nocivos para a susten- tabilidade da cadeia de suprimentos em qualquer lugar do mundo. Em todas as relações de consumo, a venda só é finaliza- da quando o produto é adquirido e levado para casa pelo consumidor final. E mais; deve-se ainda acompanhar o descarte do mesmo ao final do seu uso para que o destino correto seja dado. Deste modo, toda falta de produ- to na prateleira ou o excesso de estoques causam desequilíbrios e comprometem a sustentabilidade da cadeia de suprimentos. E isso é cada vez mais frequente e grave no Brasil, que ainda enfrenta grandes barreiras no caminho do crescimento em razão da precariedade da infraestrutura logística de portos, ferrovias e rodovias. Quanto mais adverso o ambiente, mais planejamento e velocidade é preciso ter para ser sustentável e é justamente nesse ponto que o GSCM pode contribuir para mudar essa realidade. É preciso que as empresas pensem e se organizem de forma sustentável. O desafio no trabalho da gestão da cadeia de suprimentos sustentável é fazer com que todos percebam que a adoção de práticas de preservação ambiental contribui para a melhor eficiência operacional, o que pode levar ao aumento da competitividade e de novas oportunidades de negócios. No fim das contas, a recompensa pode ser verde. 147ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Apple é a empresa de tecnologia mais verde do mundo pelo 3º ano seguido (reportagem de 10/01/2017) pelo Canaltech A Apple foi considerada a empresa de tecnologia mais ambientalmente amigável do mundo pelo terceiro ano consecutivo, graças ao seu alto uso de energia renovável e ao papel de liderança que leva para encorajar sua cadeia de suprimentos a seguir seu próprio exemplo. Segundo o levantamento, 83% da energia usada pela Apple é “verde” - ou seja, vem de fontes renováveis. A companhia também recebeu o grau A em quatro das cinco categorias adicionais: transparência energética, compromisso com energias re- nováveis, eficiência energética e aquisições renováveis. Tanto a Apple quanto o Google continuam a liderar o setor, combinando seu crescimentocom um suprimento equivalente ou maior de energia renovável, e ambas as empresas continuam a usar sua inf luência para pressionar governos e fornecedores de serviços públicos e de TI para aumentar o acesso à energia renovável. Houve, porém, uma empresa que tirou A em tudo. Trata-se da Switch, uma empresa relativamente nova que constrói data centers. Além de ter uma nota perfeita em todas as categorias, a Switch usa energia 100% verde, e foi citada pelo Greenpeace como “a lider definitiva dentre as operadoras de co-locação por seus esforços para transpor sua frota de data centers para energia renovável o mais rápido possível”. Já gigantes asiáticas como Ali- baba, Baidu, Tencent, Samsung, LG CNS e WeChat não foram tão bem na avaliação do Greenpeace. A LG foi o caso mais grave: além de obter grau F em tudo, apenas 2% de sua matriz energética é composta por fontes re- nováveis. 148ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Resumo: O mundo vive hoje uma realidade a qual as empresas precisam adaptar-se. A sustentabilidade e a responsabilidade ambiental são políticas essenciais não apenas para atingir os objetivos ecológicos e promover um desenvolvimento econômico e tecnológico sustentável, mas também para manter e ampliar sua participação no mercado e fidelizar mais clientes a cada dia. A Gestão da Cadeia de Suprimentos Verde nada mais é do que a integração dos princípios verdes na gestão da cadeia de suprimentos. Isso inclui a concepção do produto, a seleção e fonte dos materiais, os processos de fabricação, a entrega do produto final aos consumidores e a gestão dos resíduos após o fim da vida útil. A implantação da Cadeia de Suprimentos Verde gera impactos positivos em todos os parceiros através de ganhos na reputação das empresas além de agregar valor aos produtos e criar novas oportunidades de negócios. O escopo do GSCM abrange: • Análise do ciclo de vida: verifica o impacto do produto no meio ambiente; • Design verde: o projeto é concebido atentando à necessidade do produto gerar o menor impacto ambiental possível; • Produção verde e remanufatura: a produção usa insumos de baixo impacto ambiental. Uso dos 4Rs na produção: Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Remanufaturar. • Logística reversa: movimento de mercadorias de pós-entrega ou pós-consumo ao seu local de origem a fim de re- cuperar seu valor. • Gestão de resíduos: redução, prevenção e disposição final dos resíduos gerados. • Compras verdes: comprar de fornecedores que trabalham gerando o menor impacto ambiental possível. 149ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Exercícios 1. Uma das aplicações do conceito de cadeia de suprimentos contempla o planejamento, a implementação e o controle do fluxo dos produtos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem. Essa parte da logística, que tem o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado, e que contribui para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, é conhecida como: a. Logística de reaproveitamento; b. Logística reversa; c. Logística integral; d. Cadeia de suprimento a jusante; e. Logística da reciclagem. 2. Uma empresa está em processo de seleção de novos fornecedores. Além dos elementos tradicionais que influem na seleção de um fornecedor (habilidade técnica, confiabilidade, localização, preço, qualidade etc.), o gerente de logística determinou que os seus futuros fornecedores atendam aos princípios da sustentabilidade ambiental por meio da diminuição dos impactos ambientais causados pelas atividades da logística, como, por exemplo, a redução da emissão de CO2 e do consumo de combustível e o uso de biocombustível. Esses novos requisitos para a seleção dos futuros fornecedores da empresa estão relacionados com o(a) a. Cross-docking. b. Logística reversa. c. Logística direta. d. SCM verde. e. Tempo de ressuprimento 150ADMINISTRAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Referências ALBERTIN, Alberto Luiz. Comércio Eletrônico: Benefícios e aspectos de sua aplicação. Revista de Administra- ção de Empresas. Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, volume 38, número 1, p. 52-63, jan./mar. 1998. ALVAREZ, M.P., QUEIROZ, A.A. 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Gestão de Compras Objetivos do Departamento de Compras Relação do departamento de compras com os demais setores Comprador lucrativo e o poder da negociação – a evolução do comportamento do comprador Competências e características de compradores lucrativos Ética em compras Seleção e avaliação de Fornecedores Que fatores são importantes analisar no momento da escolha de um fornecedor? Benefícios que a empresa tem ao selecionar um fornecedor confiável Avaliação de fornecedores Negociação em compras Etapas de uma Negociação Estilos de Negociação Tipos de Negociação Dicas para uma boa negociação Pregão eletrônico Sistema de Registro de Preços (SRP) TI aplicada à Suprimentos Gestão de estoques em compras Estoques Razões para manter estoques Ferramentas para a Gestão de estoques Classificação XYZ Lote Econômico de Compras (LEC) Análise dos Estoques Indicadores de desempenho utilizados na gestão de compras Os indicadores Exemplos de indicadores de desempenho em compras Modelo SCOR (Supply Chain Operations Reference) Conceito Nível dos processos Roteiro do SCOR BPM (Gerenciamento de Processos de Negócios) Como implantar o BPM? Trade Marketing relação entre fabricantes e distribuidores Serviços realizados em Trade Marketing Trade Marketing e Logística Lean Supply Chain Management Green Supply Chain Management Definição Escopo do GSCM Iniciativas do GSCM Efeitos da Gestão da Cadeia de Suprimentos Verde