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alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 6 irresistível, simples, primitiva, feita toda de pecado, toda de paraíso, com muito de serpente e muito de mulher. Ela saltou em meio da roda, com os braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando a cabeça, ora para a esquerda, ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal num requebrado luxurioso que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada; já recuando de braços estendidos, a tremer toda, como se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite em que se não toma pé nunca se encontra fundo. Depois, como se voltasse à vida, soltava um gemido prolongado, estalando os dedos no ar e vergando as pernas, descendo, subindo, sem nunca parar com os quadris, e em seguida sapateava, miúdo e cerrado freneticamente, erguendo e abaixando os braços, que dobrava, ora um, ora outro, sobre a nuca, enquanto a carne lhe fervia toda, fibra por fibra titilando. [...] Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embabecidas pela saudade da terra, piscando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantárdidas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca. (Aluísio de Azevedo. O Cortiço. 9. Ed. São Paulo: Ática, 1970.p. 56 e 57) De acordo com as teses biológicas então dominantes, o homem recebia por herança o temperamento. Mais do que uma propensão ou tendência, como alguns o entendem hoje, o temperamento funcionava, na ciência e literatura naturalista, como suporte decisivo da construção da personalidade e mola propulsora do comportamento individual. Tomando como base o texto acima responda, podemos inferir que o romance O Cortiço: a) Podemos surpreender as características básicas da prosa romântica: narrativa passional, tipos humanos idealizados, disputa entre o interesse material e os sentimentos mais nobres. b) As personagens são apresentadas sob o ponto de vista psicológico, desnudando-se ante os olhos do leitor graças à delicada sutileza com que o autor as analisa e expressa. c) O leitor é transportado ao doloroso universo dos miseráveis e oprimidos que, tangidos pela seca, abrigam-se em acomodações coletivas, à espera de uma oportunidade. d) Vemos renascer, na década de 30 do nosso século, uma prosa viril, de cunho regionalista, atenta às nossas mazelas sociais e capaz de objetivar em estilo seco parte de nossa dura realidade. e) Consagra-se entre nós a prosa naturalista, marcada pela associação direta entre meio e personagens e pelo estilo agressivo que está a serviço das teses deterministas da época. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 7 3. No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo de época: o romantismo. “Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.” ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Jackson, 1957. A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao romantismo está transcrita na alternativa: a) …o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas… b) …era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça… c) Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno… d) Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos… e) …o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação. 4. Sobre o Realismo, assinale a alternativa INCORRETA. a) O Realismo surgiu na Europa, como reação ao Naturalismo. b) O Realismo e o Naturalismo têm as mesmas bases, embora sejam movimentos diferentes. c) O Realismo surgiu como consequência do cientificismo do século XIX. d) Gustave Flaubert foi um dos precursores do Realismo. Escreveu Madame Bovary. e) Emile Zola escreveu romances de tese e influenciou escritores brasileiros. 5. Eça de Queirós afirmava: “O Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos – para nos conhecermos, para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos, para condenar o que houver de mau na nossa sociedade.” Para realizar essa proposta literária, quais os recursos utilizados no discurso realista? Selecione-os na relação abaixo e depois assinale a alternativa que os contém: 1- Preocupação revolucionária, atitude de crítica e de combate2- Imaginação criadora; 3- Personagens fruto da observação; tipos concretos e vivos; 4- Linguagem natural, sem rebuscamentos; 5- Preocupação com mensagem que revela concepção materialista do homem; 6- Senso de mistério; 7- Retorno ao passado; 8- Determinismo biológico ou social. a) 1, 2, 3, 5, 7, 8 b) 1, 3, 4, 5, 8. c) 2, 3, 4, 6, 7. d) 3, 4, 5, 6, 8. e) 2, 3, 4, 5, 8. https://www.alfaconcursos.com.br/