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Receptores elétricos e regras de Kirchhoff 107 Exercícios de reforço d) a queda de potencial na resistência interna é sempre maior que a força contraeletromotriz. e) a corrente elétrica no seu interior tem sentido do polo negativo para o polo positivo. 7. Nos terminais de um receptor, a ddp é 20 V, quando circula uma corrente de intensidade 2,0 A. Se a fcem desse receptor é 15 V, sua resis- tência interna vale: a) 2,5 Ω c) 10 Ω e) 20 Ω b) 7,5 Ω d) 17,5 Ω 8. O gráfico representa a curva característica de um receptor elétrico. Determine a fcem e a resistên- cia elétrica desse receptor. 4,00 i (A) U (V) 3,0 2,0 1,0 5. Receptor é o aparelho elétrico que: a) converte em energia elétrica outro tipo de energia, como energia mecânica, química, térmica, etc. b) converte energia elétrica em outro tipo de energia, como energia mecânica, química, térmica, etc. c) converte energia elétrica em outro tipo de energia, que não exclusivamente térmica. d) converte energia elétrica em energia térmica. e) não converte energia elétrica em nenhum outro tipo de energia. 6. No receptor elétrico: a) não há dissipação de energia. b) a força contraeletromotriz é maior que a ddp nos seus terminais. c) a tensão nos seus terminais é maior que sua força contraeletromotriz. 3. Circuito gerador e receptor No circuito da figura 6 temos dois aparelhos, 1 e 2, ligados em oposição. O aparelho 1 tem fem maior que a fem do aparelho 2 (ε 1 > ε 2 ) e, portanto, funcionará como gerador. Como o aparelho 2 está em oposição, funcionará como receptor, o que pode ser visto pelo traçado da corrente. Observemos que a corrente penetra no aparelho 1 pelo seu polo negativo e sai pelo polo positivo; no aparelho 2, a corrente penetra pelo polo positivo e sai pelo polo negativo, o que demonstra que ele se comporta como receptor. Resolver o circuito elétrico significa calcular a intensidade da corrente elétrica que por ele circula, bem como as tensões em cada aparelho. Vamos começar usando as equações do gerador e do receptor: • Para o gerador: U 1 = ε 1 – r · i 1 • Para o receptor: U 2 = ε 2 + r 2 · i 2 A ddp nos terminais do gerador é a mesma que nos terminais do receptor: U 1 = U 2 . Podemos igualar as equações 1 e 2 : ε 1 – r 1 · i = ε 2 + r 2 · i ε 1 – ε 2 = r 1 · i + r 2 · i ε 1 – ε 2 = (r 1 + r 2 ) · i ε 1 r 1 – + ε 2 r 2 – + iaparelho 1 aparelho 2 i i i Figura 6. Z A P t Capítulo 6108 Se quisermos determinar a intensidade de cor- rente, basta fazer: i = ε 1 – ε 2 r 1 + r 2 3 Uma recomendação: não há necessidade de de- corar nenhuma das equações para resolver o circui- to. Daqui por diante podemos pensar apenas na Lei de Ohm, sendo que a ddp útil será a diferença das duas forças eletromotrizes. U = ε 1 – ε 2 4. Circuito gerador-resistor-receptor Consideremos um circuito elétrico constituído por um gerador, um receptor em oposição ao ge- rador e um resistor. São três aparelhos formando o nosso circuito elétrico da figura 7. O gerador é o aparelho 1 e possui fem ε 1 e re- sistência interna r 1 . O aparelho 2 é o receptor, em oposição ao gerador, e possui fcem ε 2 e resistência interna r 2 . A resistência do resistor é R. Para o circuito, a ddp fornecida é igual à fem ε 1 do gerador, da qual descontaremos a fcem do re- ceptor, ε 2 . A ddp líquida fornecida ao restante do circuito é: U = ε 1 – ε 2 temos mais um resistor R, o qual acrescentare- mos no cálculo da resistência total do circuito. Usan- do então a Lei de Ohm: U = R tot ∙ i ε 1 – ε 2 = (R + r 1 + r 2 ) · i 4 Se quisermos calcular a intensidade de corrente, basta isolarmos o valor de i da equação 4 e obte- remos: i = ε 1 – ε 2 R + r 1 + r 2 5 Mais uma vez alertamos que não é necessário de- corar as equações 4 e 5 ; basta usar a Lei de Ohm. Suponhamos que, no circuito da figura 6, os aparelhos possuam os seguintes parâmetros: • aparelho 1: ε 1 = 36 V; r 1 = 1,0 Ω • aparelho 2: ε 2 = 24 V; r 2 = 2,0 Ω A Lei de Ohm pode ser escrita assim: U = R tot ∙ i ε 1 – ε 2 = (r 1 + r 2 ) · i 36 – 24 = (1,0 + 2,0) ∙ i 12 = 3,0 ∙ i ⇒ i = 12 V 3,0 Ω ⇒ i = 4,0 A Exemplo 2 ε 1 r 1 – + ε 2 r 2 – + i a p a re lh o 1 a p a re lh o 2 R i i i Figura 7. Suponhamos que, no circuito da figura 7, os aparelhos tenham os seguintes parâmetros: • aparelho 1: ε 1 = 36 V; r 1 = 1,0 Ω • aparelho 2: ε 2 = 24 V; r 2 = 2,0 Ω • resistor: R = 5,0 Ω Para resolver o circuito elétrico, basta começar pelo cálculo da intensidade de corrente, usando a Lei de Ohm: U = ε 1 – ε 2 ⇒ U = 36 V – 24 V ⇒ U = 12 V R tot = r 1 + r 2 + R ⇒ R tot = 1,0 Ω + 2,0 Ω + 5,0 Ω ⇒ ⇒ R tot = 8,0 Ω U = R tot ∙ i 12 = 8,0 ∙ i ⇒ i = 12 V 8,0 Ω ⇒ i = 1,5 A Vamos calcular a tensão nos terminais do receptor: U = ε 2 + r 2 ∙ i U = 24 + 2,0 ∙ 1,5 ⇒ U = 24 + 3,0 ⇒ U = 27 V Exemplo 3 Z A P t Receptores elétricos e regras de Kirchhoff 109 Geradores reversíveis Algumas baterias químicas apresentam a propriedade da recarga, isto é, são recarregáveis. Um exemplo clássico, já citado neste capítulo, é a bateria do automóvel. Enquan- to ela alimenta o circuito elétrico (farol, buzina, rádio), está atuando como um gerador. No entanto, ao receber carga elétrica do dínamo (gerador mecânico-elétrico), está atu- ando como um gerador em oposição, ou seja, como um receptor (fig. 8a). Outro exemplo clássico de gerador reversível é a bateria de telefone celular. Acoplado ao telefone, funciona como gerador; porém, recarregando no “bercinho”, é um gera- dor em oposição, isto é, um receptor (fig. 8b). Existem certas pilhas que são recarregáveis, desde que ligadas em oposição a outro gerador de maior fem. As pilhas comuns apresentam certa dificuldade para recarga, mas, se ligadas em oposição a outro gerador, também funcionam como receptores. Alguns motores elétricos de corrente contínua, com indutor de ímã permanente, são facilmente reversíveis e funcionam como geradores elétricos (fig. 8). Observemos que, ao receber a energia elétrica, o motor é um receptor e nos dá energia mecânica (rotação do eixo). Se, por outro lado, fornecemos a ele energia mecânica girando o seu eixo, ele nos dará energia elétrica (será um gerador). i eixo calor energia mecânica energia elétrica i eixo calor energia mecânica energia elétrica (a) Motor elétrico. (b) Gerador elétrico. Figura 8. Leitura Utilização dos motores elétricos O motor elétrico é uma das mais úteis invenções. Basicamente, ele é um dispositivo que, ao receber a energia elétrica de um gerador, a converte em energia mecânica, colocando o seu eixo em rotação. Na furadeira elétrica, a broca está acoplada ao eixo do motor, que, girando, imprime rotação a ela. Figura a. No liquidifi- cador, o motor é res- ponsável pela rotação das lâminas, que fi- cam na parte inferior do copo. Figura b. Na batedei- ra, o motor é respon- sável pela rotação das espátulas. Figura c. No elevador, o motor elétrico puxa o cabo de sus- tentação através de uma polia, fazendo-o subir ou descer. IL U St R A ç õ ES : LU IZ A U g U St O R Ib EI R O