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33
A complexidade das paisagens, das atividades humanas, das sociedades 
e do nível de desenvolvimento entre os países é enorme no espaço geográ-
fico mundial. As transformações tecnológicas ocorrem em ritmo acelerado, 
alterando os processos de produção, as relações de trabalho, o modo 
como a sociedade se relaciona com a natureza e as formas de organização 
espacial. Ao mesmo tempo em que se amplia a capacidade produtiva e o 
consumo, intensifica-se a retirada de recursos naturais e a degradação de 
ecossistemas. Alguns problemas ambientais atingem dimensão planetária, 
numa intensidade nunca antes enfrentada pela humanidade. No âmbito das 
relações internacionais, surgiram conflitos, e novos arranjos nas relações 
de poder no mundo atual estão sendo redefinidos a cada dia.
A Geografia tem muito a contribuir para a compreensão do espaço mun-
dial, cada vez mais complexo, cujas transformações são surpreendentes. 
A seleção dos conteúdos, a estruturação das atividades e seções e a 
organização desta coleção foram feitas com base em algumas preocupações 
centrais: a discussão dos principais temas estudados no Ensino Médio, a 
compreensão de questões relevantes sobre o espaço geográfico e suas 
dinâmicas e a formação de cidadãos atentos, críticos e capazes de sugerir 
soluções para problemas sociais, econômicos e ambientais.
Nesta coleção, a realidade brasileira, abordada em todas as unidades, 
recebe destaque especial de modo que o território do nosso país possa ser 
estudado num contexto mais abrangente e em comparação com outras 
realidades do mundo atual. A economia, a sociedade e a natureza são tra-
tadas como integrantes de um mesmo e diversificado processo, que envolve 
desenvolvimento tecnológico, globalização, impactos ambientais e sociais, 
redes mundiais de produção, de informação e de circulação.
A abordagem dos conteúdos não está restrita à visão dos autores desta 
coleção. Em diversos momentos, contrapomos visões e situações distintas 
– por vezes conflitantes – sobre um mesmo assunto, contribuindo para uma 
percepção crítica e ampla da realidade. Além disso, há possibilidade para que 
você – estudante e leitor – se manifeste. Para que isso ocorra, apresentamos 
seções e atividades que solicitam sua opinião, reflexão e discussão sobre os 
mais variados temas, além da investigação da sua realidade mais próxima.
Os capítulos apresentam uma seleção de textos (poesias, crônicas, 
notícias de jornais e de revistas, textos científicos) e imagens (fotografias, 
charges, mapas, tabelas, gráficos, infográficos) sobre diversos temas. Muitas 
vezes, eles são acompanhados por atividades de análise e interpretação. 
Esperamos que esta coleção possa auxiliá-lo em seus estudos, ampliar 
seus conhecimentos e sensibilizá-lo para as grandes questões e desafios 
do mundo contemporâneo, a fim de lhe proporcionar possibilidades mais 
amplas de inserção crítica na sociedade em que vivemos.
Portanto, este projeto não termina aqui. Será efetivado com o seu envol-
vimento e sua participação nas questões do cotidiano. 
Os autores
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4
A cidade é 
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82
No âmbito nacional, o governo de Washington criou a Lei Patriótica19, que 
deu amplos poderes ao governo do país para prender por tempo indeterminado, 
sem direito a visitas, qualquer suspeito de atos ou ligações com grupos terroristas. 
Permite, ainda, criar tribunais militares para julgar imigrantes, sem provas (que são 
secretas), sem direito a habeas corpus ou outros direitos e salvaguardas existentes 
no Sistema Criminal dos Estados Unidos.
Os julgamentos militares não são públicos, os tribunais podem condenar o réu 
à pena de morte e não existe possibilidade de apelação da sentença. Além disso, a 
polícia e a CIA (sigla em inglês para Agência Central de Inteligência) não precisavam 
de autorização para instalar grampos telefônicos, nem para violar a correspondên-
cia e as comunicações pela internet, eliminando os direitos civis mais elementares 
de uma democracia. A seção conhecida como 215 da Lei Patriótica foi usada pela 
administração do presidente George Bush (1946-) e Barack Obama (1961-) como 
justificativa legal para permitir que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na 
sigla em inglês) coletasse registros de milhões de telefonemas. Em 2015, esta seção 
expirou sem ser renovada pelo congresso. 
Após a Guerra do Afeganistão, centenas de prisioneiros – encarcerados nas bases 
militares estadunidenses de Guantánamo (Cuba) (figura 17) e de Bagram (Afeganis-
tão) e em prisões nos Estados Unidos – ficaram incomunicáveis e com direito de defesa 
restrito. Após a guerra contra o Iraque, prisioneiros de Abu Ghraib – penitenciária 
no Iraque controlada pelos Estados Unidos – foram submetidos a tortura, revelando 
outra face terrível das ações terroristas praticadas pelo Estado.
O governo de Barack Obama, apesar de posicionar-se de forma crítica sobre as 
ações internacionais empreendidas pelo governo de George W. Bush, preferindo dar 
ênfase ao uso da diplomacia, não retirou o combate ao terrorismo internacional do 
centro da política externa dos Estados Unidos, prorrogou a Lei Patriótica e não con-
seguiu fechar a prisão em Guantánamo, como havia prometido. No entanto, proibiu 
o uso da tortura e o fim do envio de prisioneiros para países onde eles possam sofrer 
perseguição – para amenizar as críticas recebidas pelo país por suas violações aos 
direitos humanos – e retirou as tropas do Iraque em 2011. 
19 Esse assunto foi discutido no Capítulo 3 do Volume 2 desta coleção.
Habeas corpus
Ação judicial que visa proteger o 
direito de locomoção ameaçado 
por ato abusivo de autoridade.
FILME
Caminho para 
Guantánamo
De Michael Winterbottom. 
Inglaterra, 2006. 95 min.
O drama de jovens 
britânicos de origem 
paquistanesa em viagem ao 
Afeganistão para participar 
de um casamento. 
Capturados pelas forças 
aliadas, que invadem o 
Afeganistão após o 11 de 
setembro, são enviados 
à prisão de Guantánamo, 
onde ficam detidos por mais 
de dois anos.
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Figura 17. Policiais conduzem de- 
tento da penitenciária da base 
naval da Baía de Guantánamo, em 
Cuba, 2002. No início de 2016, o 
presidente estadunidense Barack 
Obama apresentou um plano para 
fechar essa unidade prisional.
78 Unidade 1 | Etnia, diversidade cultural e conflitos 
Lei Patriótica19, que 
deu amplos poderes ao governo do país para prender por tempo indeterminado, 
sem direito a visitas, qualquer suspeito de atos ou ligaçõescom grupos terroristas. 
Permite, ainda, criar tribunais militares para julgar imigrantes, sem provas (que são 
 ou outros direitos e salvaguardas existentes 
Os julgamentos militares não são públicos, os tribunais podem condenar o réu 
ença. Além disso, a 
) não precisavam 
a correspondên-
is elementares 
oi usada pela 
Habeas corpus
Ação judicial que visa proteger o 
direito de locomoção ameaçado 
por ato abusivo de autoridade.
, na 
2015, esta seção 
dos nas bases 
 de Bagram (Afeganis-
s e com direito de defesa 
– penitenciária 
no Iraque controlada pelos Estados Unidos – foram submetidos a tortura, revelando 
-se de forma crítica sobre as 
. Bush, preferindo dar 
ernacional do 
tica e não con-
to, proibiu 
FILME
Caminho para 
Guantánamo
De Michael Winterbottom. 
Inglaterra, 2006. 95 min.
O drama de jovens 
britânicos de origem 
paquistanesa em viagem ao 
Afeganistão para participar 
de um casamento. 
Capturados pelas forças 
aliadas, que invadem o 
Afeganistão após o 11 de 
setembro, são enviados 
à prisão de Guantánamo, 
onde ficam detidos por mais
FACES DO TERRORISMO3
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Os ataques de 13 de novembro
Flores, velas e mensagens foram deixadas em 
um memorial improvisado na Praça da República 
(Place de La République) em Paris (França), após a 
série de ataques terroristas coordenados ocorridos 
em 13 de novembro de 2015. Nessa praça ocorrem 
tradicionalmente grandes manifestações popula-
res, culturais e políticas. É um local simbólico aos 
sentimentos de liberdade, igualdade e fraternidade, 
caros aos parisienses.
Extremistas islâmicos foram responsabiliza-
dos pelos ataques que mataram 129 pessoas e 
deixaram centenas de feridos na cidade. Os alvos 
foram a sala de concertos Le Bataclan, onde houve 
o maior número de vítimas, os restaurantes Lê Car-
rion e Petit Cambodja e o Estádio Nacional (State de 
France). Neste último, o presidente francês Fran-
çois Hollande (1954-) assistia a um jogo amistoso 
de futebol entre França e Alemanha. Após algumas 
explosões nas imediações do estádio, provenientes 
de granadas e a implosão de dois homens-bombas, 
o jogo foi paralisado e o presidente foi retirado 
às pressas do local pelos seguranças. A maior e 
mais organizada facção terrorista da atualidade 
reivindicou o atentado. 
1. Qual o nome da organização terrorista envolvida nos atentados a Paris e em quais países concentram-se as 
suas bases militares?
2. Quais elementos expressam o nacionalismo francês na imagem que mostra a homenagem às vítimas do ataque?
Pessoas acendem velas em 
frente ao Monumento à Repú-
blica, em Paris (França), em 
19 de novembro de 2015. No 
cartaz, lê-se: “Eles adoravam a 
França; eram vermelho e azul; 
Ludo e Yacinthe15 foram mortos 
pelas balas dos terroristas”.
15 Menção a duas das vítimas dos atentados. 
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60 Unidade 1 | Etnia, diversidade cultural e conflitos 
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Os ataques de 13 de novembro
Flores, velas e mensagens foram deixadas 
um memorial improvisado na Praça da Repúblic
(Place de La République) em Paris (França), 
série de ataques terroristas coordenados 
em 13 de novembro de 2015. Nessa pr
tradicionalmente grandes manifes
es, culturais e políticas. É um l
entos de liberdade, 
Desde 2004, governo, rebeldes e organizações internacionais, como a União 
Africana (UA), tentam estabelecer um cessar-fogo. Em 2011, entrou em vigor um 
novo acordo de paz, mas apenas com uma das milícias rebeldes existentes em Darfur, 
não caracterizando de fato pacificação para a região.
O presidente Omar al Bashir (1944-), no poder desde 1989, após golpe militar, é 
considerado o grande responsável pelos massacres e por omissão à situação dramática 
de Darfur. Em 2009, teve a prisão decretada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) 
por crimes de guerra em Darfur. Bashir tornou-se o primeiro presidente, no cargo, a 
ser indiciado por um tribunal internacional. 
Figura 17. Mulheres e crianças sudanesas no campo de refugiados de Kalma, no sul de Darfur, em 2014.
União Africana (UA) 
Foi criada em 2002 com o 
objetivo de promover o processo 
de integração no continente, 
salvaguardar a soberania dos 
Estados africanos e impulsionar 
a cooperação internacional no 
âmbito das Nações Unidas.
A violência no Sudão do Sul
“[…] ‘O Sudão do Sul está enfrentando uma 
das situações mais assustadoras do mundo para os 
direitos humanos, com o amplo uso de violações 
como instrumento de terror e arma de guerra’, 
disse o alto comissário da ONU para os Direitos 
Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein, ao apresentar um 
relatório da organização sobre a situação no país.
Em seu relatório, a ONU diz que, de acordo com 
fontes confiáveis, as autoridades permitem que grupos 
aliados estuprem mulheres como ‘salário’, seguindo o 
princípio de ‘façam o que puder e tomem o que quiser’.
‘A escala e o tipo de violências sexuais – em geral 
cometidas por forças governamentais do Exército 
Popular de Libertação do Sudão e de suas milícias 
afiliadas – são descritos com detalhes terríveis, 
como a atitude, quase casual, mas calculada, daque-
les que massacraram civis e destruíram proprieda-
des e meios de subsistência’, disse Al Hussein.
O Sudão do Sul, que se tornou independente do 
Sudão em julho de 2011, após décadas de conflito 
com Cartum [capital do Sudão], está imerso em 
uma guerra civil desde dezembro de 2013, quando 
o presidente Salva Kiir acusou seu ex-vice-presi-
dente, Riek Machar, de querer derrubá-lo.
Mais de 2,3 milhões de pessoas fugiram de 
suas casas, e dezenas de milhares morreram por 
causa do conflito e das atrocidades cometidas por 
ambos os lados.
O relatório da ONU contém histórias de pes-
soas, incluindo crianças e pessoas com deficiência, 
que foram assassinadas, queimadas vivas, sufoca-
das, enforcadas e cortadas em pedaços.
[…]
De acordo com a ONU, a grande maioria das 
mortes de civis não parece ser resultado do con-
flito, mas de ataques deliberados contra civis.”
Sudão do Sul permite estupros como pagamento a soldados, afirma ONU. Folha de S.Paulo, 11 mar. 2016. 
Disponível em: <www.folha.uol.com.br>. Acesso em: abr. 2016.
1. Diferencie o conflito anterior e o atual responsáveis pelas tragédias vividas pelos habitantes do atual Sudão do Sul.
2. Aponte as semelhanças entre os dois conflitos.
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45Capítulo 2 – Conflitos étnico-nacionalistas e separatismo 
Figura 17. Mulheres e crianças sudanesas no campo de refugiados de Kalma, no sul 
A violência no Sudão do Sul
“[…] ‘O Sudão do Sul está enfrentando uma 
das situações mais assustadoras do mundo para os 
direitos humanos, com o amplo uso de violações 
como instrumento de terror e arma de guerra’
disse o alto comissário da ONU para os Direit
Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein, ao apresentar 
latório da organização sobre a situação n
seu relatório, a ONU diz que, d
ut ridad
Abertura de unidade
Uma imagem e um texto 
breve apresentam o tema 
que será abordado nos 
capítulos que compõem 
cada unidade do livro.
Contexto 
Textos, imagens, mapas ou cartuns, 
acompanhados de atividades, 
contextualizam e apuram seus 
conhecimentos prévios sobre o que 
será estudado no capítulo.
Glossário
Traz definições de termos ou 
conceitos que aparecem ao 
longo do texto. Assim, você pode 
ampliar o vocabulário e melhorar 
a compreensão leitora.
Livros, sites e filmes
Sugestões de livros, sites 
e filmes relacionados aos 
temas tratados no capítulo. 
Leitura e discussão
Textos, muitos deles 
científicos e jornalísticos, são 
trabalhados com atividades, 
o que amplia e enriquece os 
assuntos tratados no capítulo.
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O novo mundo do trabalho
Os textos a seguir estão relacionados às transformações técnicas e tecnológicas nos processos de 
produção e na organização do trabalho.Leia-os e responda às questões.
“Como menos trabalhadores das nações ricas se têm empenhado em produção, mais têm sido 
necessários para produzir ideias, patentes, fórmulas científicas, notas, faturas, planos de reorganização, 
fichários, dossiês, pesquisas de mercado, apresentações de vendas […], programas de computador […]. 
Esta ascensão de atividade burocrática, técnica e administrativa tem sido tão amplamente documentada 
em tantos países que não precisamos dar estatística aqui para fazer valer o nosso ponto de vista. Com 
efeito, alguns sociólogos têm usado a crescente abstração da produção como prova de que a sociedade 
tem-se mudado para um estágio ‘pós-industrial’.”
TOFFLER, Alvin. A terceira onda. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 191.
“Alguns pensadores enfatizam sobretudo a passagem de uma economia de produção para uma eco-
nomia de serviços. […]. Porém nenhum deles chega a afirmar que esta seja a única característica da 
metamorfose. Consideram-na, entretanto, um aspecto importante. Daniel Bell, em seu livro The Coming 
of Postindustrial Society (O advento da sociedade pós-industrial), se pergunta qual seria a possível data 
de nascimento da sociedade pós-industrial e escolhe 1956. Nesse ano, pela primeira vez num país do 
mundo – os Estados Unidos –, o número de trabalhadores do setor terciário, isto é, o setor que oferece 
serviços, superou a soma do número de trabalhadores industrial e agrícola.”
DE MASI, Domenico. O ócio criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000. p. 83-84.
1. Os textos discorrem sobre o mesmo 
tema. Dê um título que os contem-
ple igualmente.
2. Apresente dois argumentos que 
reforçam as ideias defendidas nos 
dois textos. 
Empresas de locação comercial criaram o 
conceito de escritórios com espaços para 
serem compartilhados. Neles, profissionais 
do setor terciário dispõem de internet, mesas 
de trabalho, atendimento telefônico, salas 
de reunião, pagando um valor de locação 
bem abaixo do que gastariam se fossem 
alugar um imóvel. Na imagem, escritório 
compartilhado em Beijing (China), 2015.
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177Capítulo 7 – Sociedade e economia 
O novo mundo do trabalho
Os textos a seguir estão relacionados às transf
produção e na organização do trabalho. Leia-os e r
o menos trabalhad
Figura 3. Reprodução de gravura da ponte Westminster, em Londres (Inglaterra), 1753. À época, o 
Rio Tâmisa era bastante utilizado para o transporte.
Urbanização
A urbanização é um 
processo caracterizado pelo 
aumento da população urbana 
num ritmo mais acelerado que o 
da população rural. Essa situa-
ção é decorrente, sobretudo, da 
migração campo-cidade.
Entretanto, a urbanização 
não se limita apenas a essa 
referência quantitativa. Ela 
implica outros fatores, como: 
concentração populacional, 
transformações econômicas, 
reestruturação das redes de 
comunicação e de transporte 
que convergem para as cida-
des e alteram as articulações 
no espaço geográfico, criação 
de novos polos administrati-
vos e de poder que passam a 
ser centralizados no espaço 
urbano, transformações no 
modo de vida, que envol-
vem hábitos de consumo, 
formas de lazer e diversão, 
difusão cultural, 
entre outros. 
Língua Portuguesa
Romance e realidade
No século XIX, muitos autores europeus começaram a denunciar em suas 
obras as terríveis condições de vida dos moradores das cidades industria-
lizadas da Europa. Um dos principais exemplos é o escritor inglês Charles 
Dickens (1812-1870). Leia, a seguir, uma resenha e um trecho de uma de 
suas mais famosas obras, Oliver Twist.
“Numa cidadezinha da Inglaterra, uma jovem dá à luz um menino e morre 
em seguida. O pequeno órfão recebe o nome de Oliver Twist e vive seus pri-
meiros nove anos em instituições de caridade. Não suportando tantos maus-
-tratos, Oliver foge para Londres, onde inadvertidamente se junta a um bando 
de marginais, comandado por um dos grandes vilões da história da literatura 
– Fagin. Passa por muito sofrimento antes de viver feliz com a herança que o 
pai lhe deixou e a inesperada família que encontrou. […]”
Resenha de Oliver Twist. Disponível em: <www.companhiadasletras.com.br>. Acesso em: fev. 2016.
Oliver Twist
“[...] as ruas de Londres à meia-noite, frias, úmidas, desabrigadas; os antros 
sórdidos e bafientos, onde o vício se comprime e carece de espaço para virar-
-se; o assédio da fome e da doença; os andrajos que mal se mantêm juntos; 
onde estão os atrativos dessas coisas? Não encerram uma lição e não sussurram 
algo além da quase despercebida advertência de um abstrato preceito moral?” 
DICKENS, Charles. Oliver Twist. São Paulo: Círculo do Livro, 1983. p. 4.
Ba�ento 
Que cheira a bolor.
Andrajos
Vestes sujas, esfarrapadas.
1. Segundo os excertos acima, quais eram as condições de vida da maioria da 
população urbana da Londres do século XIX?
2. Qual teria sido a intenção de Dickens ao usar uma criança como protagonista 
de seu romance?
3. Você conhece outro romance que faça uma crítica ao modo de vida das cida-
des europeias da época da industrialização? Converse com seu professor de 
Língua Portuguesa para descobrir e ler algum romance sobre o assunto.
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87Capítulo 4 – Urbanização mundial 
Figura 3. Reprodução de gravura da ponte Westminster
Rio Tâmisa era bastante utilizado para o transporte.
Romance e realidade
No século XIX, muitos autores europeus começ
obras as terríveis condições de vida dos morador
lizadas da Europa. Um dos principais exemplos 
Dickens (1812-1870). Leia, a seguir, uma resenha 
suas mais famosas obras, Oliver Twist.
“Numa cidadezinha da Inglaterra, uma jov
em seguida. O pequeno órfão recebe o nom
meiros nove anos em instituições de cari
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de marginais, comandado por um 
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, em Londres (Inglaterra), 1753. À época, o 
Urbanização
A urbanização é um 
processo caracterizado pelo 
aumento da população urbana 
num ritmo mais acelerado que o 
da população rural. Essa situa-
ção é decorrente, sobretudo, da 
migração campo-cidade.
Entretanto, a urbanização 
não se limita apenas a essa 
referência quantitativa. Ela 
implica outros fatores, como: 
concentração populacional, 
transformações econômicas, 
reestruturação das redes de
comunicação e de transporte
Olho no espaço
Traz propostas para exercitar 
a leitura espacial por meio da 
exploração de mapas, imagens, 
ilustrações, gráficos e tabelas, 
estimulando você a desenvolver as 
habilidades de observar, analisar, 
relacionar e interpretar.
Transformações na população mundial
Observe os planisférios e responda.
N
População mundial – 2011
Fonte: Folha de S.Paulo, 30 out. 2011. Caderno A, p. 26.
N
População mundial – 2100*
* Com base no cenário mais provável estimado pela ONU. 
Fonte: Folha de S.Paulo, 30 out. 2011. Caderno A, p. 27.
1. Como se chama a forma de representação cartográfica utilizada nos dois mapas? Explique-a.
2. Observe os dois mapas e indique os continentes em que ocorrerão o maior e o menor crescimento popula-
cional. Aponte as razões para isso.
3. Qual será o país mais populoso em 2100?
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154 Unidade 3 | Espaço, sociedade e economia 
Transformações na população mundial
Observe os planisférios e responda.
População mundial – 2011
O uso do termo raça
“Do ponto de vista científico, o termo raça pos-
sui duas acepções básicas. A primeira refere-se a 
seu uso sociológico – designa um grupo humano ao 
qual se atribui determinada origem e cujos membros 
possuem características mentais e físicas comuns. 
Note-se que, nesse caso, o termo está na verdade 
designando as características políticas ou culturais 
desse grupo, decorrentes de sua história comum; do 
ponto de vista biológico, porém, tal designaçãonão 
apresenta nenhum fundamento.
Na segunda acepção, de cunho biológico, a palavra 
raça designa um grupo de indivíduos que têm uma 
parte importante de seus genes em comum, e que 
podem ser diferenciados dos membros de outros 
grupos a partir desses genes. Entende-se raça, pois, 
como uma população que possui um estoque ou 
patrimônio genético próprio. Sua reprodução se dá 
sem a admissão, ou com uma admissão pouco sig-
nificativa, de genes pertencentes a outros grupos. 
Entretanto, se a admissão torna-se forte, como no 
caso de uma invasão ou migração, pode formar-se 
uma nova raça. É nessas condições que os grupos 
humanos chegam, em certas condições, a se diferen-
ciar biologicamente uns dos outros. Mas essas dife-
renças são tão insignificantes que não interferem no 
processo de interfecundidade dos grupos humanos.
Como vimos, comparar e classificar os seres 
humanos não é, em si, errado. Conhecer é, em certo 
sentido, comparar e classificar as coisas que existem. 
Portanto, aceitar uma classificação racial ou os prin-
cípios de uma tipologia racial não significa por si só 
aceitar ou adotar conceitos racistas. 
Entretanto, esse exercício classificatório apa-
rentemente inofensivo pode tomar uma conotação 
racista quando, além de classificar os indivíduos, 
também hierarquizamos os grupos humanos de 
acordo com juízos de valor que tomam a raça como 
fator causal. Configura-se então um processo cha-
mado de racialização, que implica a ideia de supe-
rioridade de um grupo em relação a outro, com 
base em preconceitos referentes a características 
físicas ou culturais.”
BORGES, Edson; MEDEIROS, Carlos Alberto; D’ADESKY, Jacques. 
Racismo, preconceito e intolerância... São Paulo: Atual, 2009. p. 44-45.
Acepção
Signi�cação de um termo ou palavra de acordo 
com o contexto em que estão empregados.
1. Do ponto de vista científico, quais são os dois significados básicos para o termo raça?
2. De acordo com o texto, “aceitar uma classificação racial ou os princípios de uma tipologia racial não significa 
por si só aceitar ou adotar conceitos racistas”. Como se explica, então, o racismo?
Na obra Oper‡rios (1933), a artista Tarsila 
do Amaral (1886-1973) faz um mosaico de 
rostos que representam a diversidade dos 
operários brasileiros. Subjacente à indivi-
dualidade da aparência está a singularidade 
genética que caracteriza cada ser humano.
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29Capítulo 1 – Etnia e modernidade 
Ponto de vista
Apresenta textos teóricos 
ou opinativos que trazem 
uma perspectiva sobre 
temas importantes ligados 
à realidade do Brasil ou 
do mundo, possibilitando 
debates interessantes.
O uso do termo raça
“Do ponto de vista científico, o termo raça pos-
sui duas acepções básicas. A primeira refere-se a 
seu uso sociológico – designa um grupo humano ao 
qual se atribui determinada origem e cujos membros 
possuem características mentais e físicas comuns. 
Note-se que, nesse caso, o termo está na verdade
designando as características políticas ou culturais
desse grupo, decorrentes de sua história comum; 
nto de vista biológico, porém, tal designa
ta nenhum fundamento.
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hum
ciar 
re
p
Entre aspas
Texto breve que agrega informações ao que foi 
abordado no texto principal ou apresenta fatos 
curiosos que ajudam a compreender de forma 
mais ampla o que está sendo estudado.
Conexão
Conecta a Geografia a outras disciplinas do seu 
currículo escolar. Para isso, utiliza charges, 
obras de arte, textos literários, letras de 
canção, gráficos, mapas e fotografias, sempre 
explorados com atividades. 
Contraponto
Traz textos ou imagens 
com diferentes opiniões 
ou abordagens sobre 
assuntos relacionados 
aos conteúdos estudados, 
buscando desenvolver 
seu senso crítico. 
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