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R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . 38 b) Gás natural Estima-se que o Brasil tenha reservas da ordem de 650 bilhões de m3 de gás natural, situadas principalmente na bacia de Campos. O gás natural proveniente dessa região é distribuído, através de gasodutos, para os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Há projeto de aproveitamento do gás natural da região petrolífera do rio Urucu, no Amazonas, para a produção de energia elétrica para os estados do Amazonas, do Acre e de Rondônia. Para suprir a demanda de energia, o Brasil ainda neces- sita importar gás natural. Através do gasoduto Brasil–Bolívia, construído em parceria pelos dois países, a Bolívia fornece gás natural para várias cidades do Centro-Sul brasileiro. O gás natural é um ótimo combustível, tanto pelo seu alto poder calorífico como pelo fato de ser menos poluente do que os derivados do petróleo. É também um ótimo pon- to de partida para a indústria petroquímica, já que contém menos impurezas do que o petróleo. Trecho do gasoduto Brasil–Bolívia. Em janeiro de 2004, a Petrobras anunciou a descoberta de uma grande reserva de gás natural no mar, a cerca de 140 quilômetros do litoral do estado de São Paulo (Campo de Mexilhão). Estima-se que essa reserva, cuja entrada em produção está prevista para até 2007, contenha 400 bilhões de metros cúbicos de gás, o que, em energia, equivale à de 2,6 bilhões de barris de petróleo. Fonte: Petrobras. Mapa 10-02-QV3 G G G G G G G G G G G G G G G G G G G G G URUGUAI PARAGUAI C H IL E COLÔMBIA PERU 280 bilhões BRASIL 650 bilhões BOLÍVIA 1,5 trilhão ARGENTINA 950 bilhões VENEZUELA 4,4 trilhões Campos Betim VITÓRIA Itajaí Londrina São Carlos Dourados Corumbá CUIABÁ Goiânia CAMPO GRANDE Maringá CURITIBA Uruguaiana Alegrete Joinville SÃO PAULO RJ BELO HORIZONTE BRASÍLIA SALVADOR ARACAJU MACEIÓ RECIFE NATAL JOÃO PESSOA REDUC Criciúma FLORIANÓPOLIS PORTO ALEGRE Rib eirã o P reto Feira de Santana Teresina SÃO LUIZ BELÉM MACAPÁ BOA VISTA MANAUS Urucum Juruá Carauari RIO BRANCO PORTO VELHO Guamaré FORTALEZA Coari CARACAS Trinidad e Tobago CAMISEA BOOMERANG R. GRANDE V. GRANDES. ANTÔNIO S. ALBERTO Santa Cruz RAMOS SANTIAGO CONCEPCION CUENCA NEUQUINA MONTEVIDÉU Maracaibo Santa Bárbara Reservas estimadas de gás natural na América do Sul (em metros cúbicos) Em operação Em implantação Em estudo Bolívia/ Brasil Gasodutos TGS Gasodutos de outras companhias Interligação Sudeste/ Nordeste GASODUTOS Reservas de gásG 610 km0 N O L S JO S É PA U LO LA C E R D A /A E A LI N E P E LL IS S A R IA N TO N IN IR U IZ Capitulo 02B-QF3-PNLEM 10/6/05, 20:3338 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i 9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . 39Capítulo 2 • HIDROCARBONETOS O gás natural está sendo usado nas indústrias, na geração de energia elétrica e, cada vez mais, como combustível para automóveis (gás natural veicular), como vemos nos gráficos abaixo. c) Xisto betuminoso É uma rocha impregnada de material oleoso (5% a 10%) semelhante ao petróleo. O xisto é muito abundante na natureza; calcula-se que a quantidade total de óleo que pode ser produzida do xisto é quatro vezes maior que o total das reservas mundiais de petróleo. Em particular, o Brasil ocupa o segundo lugar nas reservas mundiais de xisto — 1,9 bilhão de barris de óleo —, estando no Paraná (São Mateus do Sul) os maiores depósitos conhecidos. O mapa abaixo dá as principais localizações de xisto no Brasil: Crescimento do consumo do gás natural veicular no país no mês de janeiro de cada ano 2000 2001 2002 2003 750,3 1.357,3 2.220,7 3.127,7 Participação em porcentagem em janeiro de 2003 Residencial 1,6% Térmico 19,1% Automotivo 11,8% Comercial 1,4% Industrial 66,1% Total 26.612,3 Fonte: Petrobras. Fonte: Instituto de Geologia da USP. GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO (GLP) É importante não confundir o gás natural (formado principalmente por metano, CH4) com gás liquefeito de petróleo (GLP), que é uma das frações obtidas nas refinarias de petróleo (formado principalmente por propano, C3H8 e butano, C4H10). O GLP é o gás engarrafado em botijões, para uso doméstico, ou em garrafas maiores, para cozinhas industriais, para mover empilhadeiras etc. É chamado de “liquefeito” porque, ao ser comprimido para dentro do botijão, parte passa para o estado líquido — o que podemos “sentir” balançando um botijão, ou mesmo ver em um isqueiro de plástico transparente. OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO 8 7 6 54 3 2 1 1 1 N S O L 0 520 km 1 – Xisto permiano da formação Irati 2 – Xisto terciário do Vale do Paraíba, em São Paulo 3 – Xisto cretáceo de Maraú, na Bahia 4 – Xisto permiano da formação de Santa Brígida, na Bahia 5 – Xisto cretáceo de Alagoas 6 – Xisto cretáceo do Ceará 7 – Xisto cretáceo da formação de Codó, no Maranhão 8 – Xisto devoniano da formação de Curuá, no Pará, Amazonas e Amapá Ocorrência de xisto no Brasil A LI N E P E LL IS S A R IA N TO N IN IR U IZ Capitulo 02B-QF3-PNLEM 12/7/05, 9:3639 R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . 40 A grande dificuldade, contudo, é a extração do óleo do xisto: a rocha deve ser escavada, moída e aquecida a cerca de 500 °C para liberar o óleo bruto; em seguida, o óleo bruto deve ser refinado, como acontece com o petróleo. Tudo isso encarece muito o produto obtido. A usina construída pela Petrobras em São Mateus do Sul pode processar 112.000 toneladas de minério por dia, resultando desse total 52.000 barris de óleo, 890 toneladas de enxofre, 480 toneladas de gás lique- feito de petróleo — GLP — e 1,86 milhão de m3 de gás combustível leve — metano (CH4) e etano (C2H6). No mundo todo, a exploração do xisto ainda não deslanchou porque, em relação ao petróleo, seu óleo não é economicamente competitivo. No entanto, tendo em vista a contínua diminuição das reser- vas petrolíferas, o xisto poderá se tornar, no futuro, uma reserva importantíssima de matérias-primas e de energia. d) Metano O metano (CH4) é um gás incolor, inodoro e muito in- flamável. Sua mistura com o ar explode violentamente, quan- do em contato com chama ou faísca. Essa inflamabilidade já causou muitas explosões em minas de carvão, no interior das quais ocorre a emanação do metano (a mistura do metano com o ar é chamada, em mineração, de grisu). Por esse mo- tivo, os antigos mineiros usavam um tipo de lampião cuja chama era protegida por uma tela metálica (lâmpada de Davy) e, atualmente, todos os dispositivos elétricos (lâmpadas, mo- tores etc.) usados em minas de carvão são blindados, para evitar perigo das faíscas elétricas. O metano se forma também nos pântanos, pelo apodrecimento de vegetais, sendo por isso cha- mado de gás dos pântanos. Forma-se também nos aterros sanitários (aterros de lixo urbano), devido à atividade de bactérias que se multiplicam no lixo (Foto A). Por esse motivo, nos aterros sanitários, são colocadas muitas “chaminés”, que atravessam as várias camadas de material depositado, pelas quais escoam os gases formados pela fermentação do lixo. Essa mistura gasosa, que é formada principalmen- te por metano, é queimada continuamente, de modo a destruir também os gases que provocariam mau cheiro nos arredores do aterro. A idéia de extrair gases do lixo é aproveitada nos chamados biodigestores (Foto B). Nesses apare- lhos, são colocados resíduos agrícolas, madeira, bagaço de cana-de-açúcar, dejetos animais etc. (biomassa), cuja fermentação produz o chamado biogás — mistura gasosa formada principalmente por metano. O biogás é usado como combustível em caldeiras, veículos etc., e o resíduo formado no biodigestor é utilizado como fertilizante agrícola. Esse é um bom exemplo de aproveitamento racional da biomassa, uma vez que, além de produzir energia, reduz os prejuízos queo lixo causa ao ambiente. BA D E LF IM M A R TI N S /P U LS A R D E LF IM M A R TI N S / P U LS A R JO S É JO R G E N E TO /C O R TE S IA D A C E TE S B Mineiro com equipamento elétrico blindado numa mina de carvão em Criciúma, Santa Catarina. Capitulo 02B-QF3-PNLEM 10/6/05, 20:3440