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b) Gás natural
Estima-se que o Brasil tenha reservas da ordem de 650 bilhões de m3 de gás natural, situadas
principalmente na bacia de Campos. O gás natural proveniente dessa região é distribuído, através de
gasodutos, para os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Há projeto de aproveitamento do gás
natural da região petrolífera do rio Urucu, no Amazonas, para a produção de energia elétrica para os
estados do Amazonas, do Acre e de Rondônia.
Para suprir a demanda de energia, o Brasil ainda neces-
sita importar gás natural. Através do gasoduto Brasil–Bolívia,
construído em parceria pelos dois países, a Bolívia fornece
gás natural para várias cidades do Centro-Sul brasileiro.
O gás natural é um ótimo combustível, tanto pelo seu
alto poder calorífico como pelo fato de ser menos poluente
do que os derivados do petróleo. É também um ótimo pon-
to de partida para a indústria petroquímica, já que contém
menos impurezas do que o petróleo.
Trecho do gasoduto Brasil–Bolívia.
Em janeiro de 2004, a Petrobras anunciou a descoberta de uma grande reserva de gás natural no
mar, a cerca de 140 quilômetros do litoral do estado de São Paulo (Campo de Mexilhão). Estima-se que
essa reserva, cuja entrada em produção está prevista para até 2007, contenha 400 bilhões de metros
cúbicos de gás, o que, em energia, equivale à de 2,6 bilhões de barris de petróleo.
Fonte: Petrobras.
Mapa 10-02-QV3
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URUGUAI
PARAGUAI
C
H
IL
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COLÔMBIA
PERU
280 bilhões
BRASIL
650 bilhões
BOLÍVIA
1,5 trilhão
ARGENTINA
950 bilhões
VENEZUELA
4,4 trilhões
Campos
Betim
VITÓRIA
Itajaí
Londrina
São Carlos
Dourados
Corumbá
CUIABÁ
Goiânia
CAMPO
GRANDE
Maringá
CURITIBA
Uruguaiana
Alegrete
Joinville
SÃO PAULO
RJ
BELO
HORIZONTE
BRASÍLIA
SALVADOR
ARACAJU
MACEIÓ
RECIFE
NATAL
JOÃO
PESSOA
REDUC
Criciúma
FLORIANÓPOLIS
PORTO ALEGRE
Rib
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Feira de Santana
Teresina
SÃO LUIZ
BELÉM
MACAPÁ
BOA VISTA
MANAUS
Urucum
Juruá
Carauari
RIO BRANCO
PORTO
VELHO
Guamaré
FORTALEZA
Coari
CARACAS
Trinidad e Tobago
CAMISEA
BOOMERANG
R. GRANDE
V. GRANDES. ANTÔNIO
S. ALBERTO
Santa Cruz
RAMOS
SANTIAGO
CONCEPCION
CUENCA NEUQUINA
MONTEVIDÉU
Maracaibo
Santa Bárbara
Reservas estimadas de gás natural na América do Sul (em metros cúbicos)
Em operação
Em implantação
Em estudo
Bolívia/ Brasil
Gasodutos TGS
Gasodutos de
outras companhias
Interligação
Sudeste/ Nordeste
GASODUTOS
Reservas de gásG
610 km0
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Capitulo 02B-QF3-PNLEM 10/6/05, 20:3338
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39Capítulo 2 • HIDROCARBONETOS
O gás natural está sendo usado nas indústrias, na geração de energia elétrica e, cada vez mais,
como combustível para automóveis (gás natural veicular), como vemos nos gráficos abaixo.
c) Xisto betuminoso
É uma rocha impregnada de material oleoso (5% a 10%) semelhante ao petróleo. O xisto é muito
abundante na natureza; calcula-se que a quantidade total de óleo que pode ser produzida do xisto é
quatro vezes maior que o total das reservas mundiais de petróleo.
Em particular, o Brasil ocupa o segundo lugar nas reservas mundiais de xisto — 1,9 bilhão de barris
de óleo —, estando no Paraná (São Mateus do Sul) os maiores depósitos conhecidos. O mapa abaixo dá
as principais localizações de xisto no Brasil:
Crescimento do consumo do gás natural veicular no
país no mês de janeiro de cada ano
2000 2001 2002 2003
750,3
1.357,3
2.220,7
3.127,7
Participação em porcentagem em janeiro de 2003
Residencial
1,6%
Térmico
19,1%
Automotivo
11,8%
Comercial
1,4%
Industrial
66,1%
Total
26.612,3
Fonte: Petrobras.
Fonte: Instituto de Geologia da USP.
GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO (GLP)
É importante não confundir o gás natural (formado principalmente por metano, CH4) com gás
liquefeito de petróleo (GLP), que é uma das frações obtidas nas refinarias de petróleo (formado
principalmente por propano, C3H8 e butano, C4H10). O GLP é o gás engarrafado em botijões, para uso
doméstico, ou em garrafas maiores, para cozinhas industriais, para mover empilhadeiras etc.
É chamado de “liquefeito” porque, ao ser comprimido para dentro do botijão, parte passa para o
estado líquido — o que podemos “sentir” balançando um botijão, ou mesmo ver em um isqueiro de
plástico transparente.
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
8
7
6
54
3
2
1
1
1
N
S
O L
0 520 km
1 – Xisto permiano da formação Irati
2 – Xisto terciário do Vale do Paraíba,
em São Paulo
3 – Xisto cretáceo de Maraú, na Bahia
4 – Xisto permiano da formação de Santa
Brígida, na Bahia
5 – Xisto cretáceo de Alagoas
6 – Xisto cretáceo do Ceará
7 – Xisto cretáceo da formação de Codó,
no Maranhão
8 – Xisto devoniano da formação de
Curuá, no Pará, Amazonas e Amapá
Ocorrência de xisto no Brasil
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Capitulo 02B-QF3-PNLEM 12/7/05, 9:3639
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A grande dificuldade, contudo, é a extração do óleo do xisto: a rocha deve ser escavada, moída e
aquecida a cerca de 500 °C para liberar o óleo bruto; em seguida, o óleo bruto deve ser refinado, como
acontece com o petróleo. Tudo isso encarece muito o produto obtido.
A usina construída pela Petrobras em São Mateus do Sul pode processar 112.000 toneladas de minério
por dia, resultando desse total 52.000 barris de óleo, 890 toneladas de enxofre, 480 toneladas de gás lique-
feito de petróleo — GLP — e 1,86 milhão de m3 de gás combustível leve — metano (CH4) e etano (C2H6).
No mundo todo, a exploração do xisto ainda não deslanchou porque, em relação ao petróleo, seu
óleo não é economicamente competitivo. No entanto, tendo em vista a contínua diminuição das reser-
vas petrolíferas, o xisto poderá se tornar, no futuro, uma reserva importantíssima de matérias-primas e
de energia.
d) Metano
O metano (CH4) é um gás incolor, inodoro e muito in-
flamável. Sua mistura com o ar explode violentamente, quan-
do em contato com chama ou faísca. Essa inflamabilidade já
causou muitas explosões em minas de carvão, no interior das
quais ocorre a emanação do metano (a mistura do metano
com o ar é chamada, em mineração, de grisu). Por esse mo-
tivo, os antigos mineiros usavam um tipo de lampião cuja
chama era protegida por uma tela metálica (lâmpada de Davy)
e, atualmente, todos os dispositivos elétricos (lâmpadas, mo-
tores etc.) usados em minas de carvão são blindados, para
evitar perigo das faíscas elétricas.
O metano se forma também nos pântanos, pelo apodrecimento de vegetais, sendo por isso cha-
mado de gás dos pântanos. Forma-se também nos aterros sanitários (aterros de lixo urbano), devido
à atividade de bactérias que se multiplicam no lixo (Foto A). Por esse motivo, nos aterros sanitários, são
colocadas muitas “chaminés”, que atravessam as várias camadas de material depositado, pelas quais
escoam os gases formados pela fermentação do lixo. Essa mistura gasosa, que é formada principalmen-
te por metano, é queimada continuamente, de modo a destruir também os gases que provocariam mau
cheiro nos arredores do aterro.
A idéia de extrair gases do lixo é aproveitada nos chamados biodigestores (Foto B). Nesses apare-
lhos, são colocados resíduos agrícolas, madeira, bagaço de cana-de-açúcar, dejetos animais etc.
(biomassa), cuja fermentação produz o chamado biogás — mistura gasosa formada principalmente
por metano. O biogás é usado como combustível em caldeiras, veículos etc., e o resíduo formado no
biodigestor é utilizado como fertilizante agrícola. Esse é um bom exemplo de aproveitamento racional
da biomassa, uma vez que, além de produzir energia, reduz os prejuízos queo lixo causa ao ambiente.
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Mineiro com equipamento elétrico blindado numa
mina de carvão em Criciúma, Santa Catarina.
Capitulo 02B-QF3-PNLEM 10/6/05, 20:3440

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