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v.20, n.2, abr.-jun. 2013, p.675-694 675
História da genética no Brasil
História da genética no Brasil: um olhar a partir do Museu 
da Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul*
History of genetics in Brazil: a view from the Museu da Genética 
at the Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Souza, Vanderlei Sebastião de; DornelleS, rodrigo Ciconet; CoIMBra 
JúnIor, Carlos e.a.; SantoS, ricardo Ventura. História da genética no 
Brasil: um olhar a partir do Museu da Genética da universidade Federal do 
rio Grande do Sul. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, rio de Janeiro, 
v.20, n.2, abr.-jun. 2013, p.675-694.
resumo
aborda o contexto de criação do Museu da Genética, em 2011 no 
Departamento de Genética na universidade Federal do rio Grande do Sul, 
em Porto alegre, e apresenta sua estrutura e conteúdo. argumenta-se que 
os materiais disponibilizados no Museu da Genética constituem uma rica 
fonte para pesquisas sobre a história da genética no Brasil (e da genética de 
populações humanas em particular) a partir da segunda metade do século 
XX, tema ainda pouco investigado, apesar da proeminência dessa área do 
conhecimento no Brasil.
Palavras-chave: história da genética no Brasil; genética humana; Museu da 
Genética; teoria evolutiva; universidade Federal do rio Grande do Sul.
Abstract
This work addresses the context of the creation, as well as the structure and 
contents, of the Museum of Genetics (Museu da Genética), created in 2011 and 
located in the Department of Genetics of the Federal University of Rio Grande 
do Sul (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), in Porto Alegre, Brazil. The 
materials available at the Museum of Genetics are a rich resource for research 
on the history of genetics in Brazil (and especially the genetics of human 
populations) beginning with the second half of the twentieth century. Despite the 
prominence of the field of genetics in Brazil, little research has been done on this 
topic. 
Keywords: history of genetics in Brazil; human genetics; Museum of Genetics; 
evolutionary theory; Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Vanderlei Sebastião de 
Souza
Professor do Departamento de 
História/Universidade Estadual do 
Centro-Oeste.
Rua Salvatore Renna, 875
85015-430 – Guarapuava – PR – 
Brasil
vanderleidesouza@yahoo.com.br
Rodrigo Ciconet 
Dornelles
Mestrando do Programa de Pós-
graduação em Antropologia Social/
Universidade Federal do Rio Grande 
do Sul.
Av. Bento Gonçalves, 9500
91509-900 – Porto Alegre – RS – 
Brasil
rodrigo.ciconet@yahoo.com.br
Carlos E.A. Coimbra 
Júnior
Pesquisador da Escola Nacional de 
Saúde Pública (Ensp)/Fundação 
Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Rua Leopoldo Bulhões, 1480, sala 
617
21041-210 – Rio de Janeiro – RJ 
– Brasil
coimbra@ensp.fiocruz.br
Ricardo Ventura Santos
Professor do Museu Nacional/
Universidade Federal do Rio de 
Janeiro; pesquisador da Ensp/
Fiocruz.
Rua Leopoldo Bulhões, 1480, sala 617
21041-210 – Rio de Janeiro – RJ 
– Brasil
santos@ensp.fiocruz.br
F O N T E S
676 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro
Vanderlei Sebastião de Souza, Rodrigo Ciconet Dornelles, Carlos E. A. Coimbra Júnior, Ricardo Ventura Santos
logo na entrada da sala do pesquisador Francisco M. Salzano, professor emérito do Departamento de Genética da universidade Federal do rio Grande do Sul (uFrGS), 
Porto alegre, e um dos principais geneticistas do país, há uma impressionante imagem 
de sua “genealogia acadêmica” (Figura 1). no formato de uma árvore, apresenta parte das 
dezenas de mestres e doutores por ele formados direta ou indiretamente (orientandos de 
orientandos) ao longo de sua carreira. Pesquisadores treinados pelo geneticista gaúcho 
constituiram grupos de pesquisa na própria uFrGS e em outras regiões do país, contribuindo 
para a institucionalização e crescimento da genética no Brasil nas últimas décadas. em larga 
medida, a história da genética de populações humanas no Brasil a partir dos anos 1950, e da 
genética em geral, está intimamente relacionada às atividades de pesquisa, ensino e formação 
de recursos humanos em Porto alegre, e à trajetória de Salzano e de outros pesquisadores 
gaúchos (como antonio rodrigues Cordeiro, Flavio lewgoy e Casemiro tondo), que foram 
os pioneiros no estabelecimento da genética no rio Grande do Sul (rS).
através de uma breve análise do contexto de criação, da estrutura e do conteúdo do 
recém-criado Museu da Genética, situado na uFrGS, este texto aborda a gênese e trajetória 
da genética no Brasil, com foco na área da genética de populações humanas no rS. argumenta-
se que os materiais disponibilizados ao público no Museu da Genética constituem uma rica 
fonte para investigações sobre a história da genética no Brasil a partir da segunda metade 
do século XX, tema ainda muito pouco investigado, apesar da proeminência dessa área do 
conhecimento no país.
A emergência da genética no Brasil
no início do século XX, com a ‘redescoberta’ das leis de Mendel, a genética emergiu como 
uma promissora área da biologia moderna, conquistando o interesse de cientistas e instituições 
de diferentes países. empregada inicialmente nos estudos da variação e hereditariedade em 
espécies vegetais, a genética rapidamente passou a ser aplicada em pesquisas sobre técnicas 
de melhoramento de sementes agrícolas e de espécies animais (Mayr, 1982; Carlson, 2004). 
no campo da medicina, da eugenia e da antropologia física, a genética também serviu, nas 
primeiras décadas do século XX, aos estudos sobre hereditariedade, evolução e diferenciação 
racial na espécie humana, chegando em algumas situações a ser acionada na perspectiva do 
racismo científico, especialmente em países como os eua e alemanha (Bowler, 1989; Kevles, 
1985; Provine, russel, 1986; Barkan, 1992; Muller-Wille, rheinberger, 2005; reardon, 2005).
no Brasil, a genética passou a ser promovida no final dos anos 1910 em institutos 
agronômicos como a escola agrícola luiz de Queiroz (esalq), de Piracicaba, e o Instituto 
agronômico de Campinas (IaC), ambos localizados no interior de São Paulo.1 na esalq, onde 
a genética foi introduzida em pesquisas sobre o melhoramento de plantas, destacaram-se 
figuras como Carlos teixeira Mendes, Salvador de toledo Pizza Junior, octávio Domingues e 
o botânico alemão Friedrich Gustav Brieger, que veio ao Brasil em meados dos anos 1930 para 
assumir a cadeira de citologia e genética (araújo, 2004; Habib, 2010). o Instituto agronômico 
de Campinas, por sua vez, tinha como cientistas dedicados ao estudo da genética, em especial 
à genética de melhoramento do café, nomes como alcides Carvalho e Carlos arnaldo Krug, 
este último especializado em genética vegetal pela universidade de Cornell, nos eua. essas 
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História da genética no Brasil
Figura 1: Genealogia acadêmica do professor doutor Francisco Mauro Salzano, Universidade Federal do Rio Grande do 
Sul, Instuto de Biociências, Departamento de Genética (Preparada pela professora Loreta Brandão de Freitas em 1998, 
por ocasião da aposentadoria e do aniversário de setenta anos de Salzano) (Departamento de Genética, Universidade 
Federal do Rio Grande do Sul)
678 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro
Vanderlei Sebastião de Souza, Rodrigo Ciconet Dornelles, Carlos E. A. Coimbra Júnior, Ricardo Ventura Santos
instituições foram responsáveis também pela realização dos primeiros cursos de genética no 
Brasil, estimulando o ensino de ciências experimentais (araújo, 2004; Formiga, 2007).
além dos institutos agrícolas, o movimento eugênico brasileiro, a exemplo do que ocorreu 
em contexto internacional, também foi um promotor da genética no Brasil em seus primórdios, 
ainda nos anos 1920. apesar da forte adesão às concepções neolamarckistas entre os eugenistas 
brasileiros (Stepan, 1991; reis, 1994; Souza, 2006), a genética mendeliana não deixou de ser 
acionada para explicar o funcionamento dahereditariedade no homem, conforme é possível 
observar nos trabalhos de eugenistas, médicos e antropólogos como edgard roquette-Pinto, 
renato Kehl, Álvaro Fróes da Fonseca e octávio Domingues. o próprio geneticista andré 
Dreyfus, que anos depois fundou um núcleo de estudos de genética na universidade de São 
Paulo (uSP), realizou conferência sobre genética mendeliana durante o Primeiro Congresso 
Brasileiro de eugenia, evento promovido no rio de Janeiro em 1929 (Stepan, 1991; Souza, 
2006; Souza et al., 2009; Santos, 2012).
ao longo dos anos 1930, com a criação das primeiras universidades brasileiras, a atividade 
científica recebeu um novo impulso no país. no que tange ao desenvolvimento da genética, 
a uSP, fundada em 1934, ganhou proeminência nesse campo a partir das iniciativas de andré 
Dreyfus, médico formado pela Faculdade de Medicina do rio de Janeiro e um dos pioneiros 
na divulgação da genética mendeliana entre os brasileiros. Sob sua coordenação, formou-se 
no Departamento de Biologia Geral da uSP um grupo de jovens pesquisadores interessados 
em citologia e genética, entre os quais se destacavam Crodowaldo Pavan, antonio Brito 
da Cunha e rosinha de Barros, que por muitos anos atuaram como assistentes de Dreyfus 
(Cordeiro, 1949; araújo, 2004; Sião, 2007).
em 1943, esse grupo da uSP recebeu uma primeira visita do renomado geneticista 
theodosius Dobzhansky. esse pesquisador de origem russa lecionava desde 1927 na Columbia 
university, onde trabalhava junto a um dos mais importantes grupos de pesquisa em genética 
do mundo, pioneiro em utilizar a mosca-da-fruta (Drosophila) como modelo em investigações 
genéticas (Kohler, 1994; Smocovits, 1996). a vinda de Dobzhansky havia sido negociada por 
Dreyfus junto a Harry Miller, representante da Fundação rockefeller para a américa latina, 
instituição que já há alguns anos vinha financiando o desenvolvimento científico no Brasil e 
em outros países da américa latina, com interesse especial na promoção da genética e da 
biologia evolutiva (Marinho, 2001). Conhecido como um dos principais formuladores 
da chamada teoria sintética da evolução e respeitado por suas pesquisas sobre drosófilas 
em ambientes naturais nas mais diversas regiões do mundo (araújo, 2001; Mayr, 1982; 
Smocovits, 1996), o geneticista russo vinha ao Brasil com o objetivo de realizar cursos e treinar 
geneticistas brasileiros nas novas técnicas da genética evolutiva. Dobzhansky ficou no Brasil 
durante quatro meses na primeira visita, retornando em junho 1948, quando permaneceu 
na uSP até agosto de 1949. nesse período, a Fundação rockefeller não apenas expandiu os 
investimentos no Departamento de Biologia da uSP, como também financiou a vinda de 
pesquisadores de outros estados para especialização com a equipe formada por Dreyfus e 
Dobzhansky (Figura 2). esse grupo se especializou em genética de populações, com ênfase no 
estudo da variabilidade cromossômica de diferentes espécies de drosófilas (Cordeiro, 1949; 
Pavan, Cunha, 2003; araújo, 2004; Glick, 2008).
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História da genética no Brasil
A gênese da genética na Universidade Federal do Rio Grande do Sul
entre os integrantes desse grupo estava antonio rodrigues Cordeiro, assistente da cátedra 
de biologia geral da Faculdade de Filosofia, Ciências e letras, que posteriormente, na década de 
1950, foi renomeada como universidade Federal do rio Grande do Sul. logo que retornou a 
Porto alegre, entusiasmado com as técnicas e a perspectiva teórica adquiridas com Dobzhansky, 
Dreyfus e Pavan, Cordeiro começou a montagem de um pequeno laboratório de genética no 
porão da Faculdade de Direito. o laboratório foi organizado com a colaboração de Francisco 
Salzano, um jovem estudante de história natural da própria uFrGS, e também do químico 
Flavio lewgoy e do biofísico Casemiro tondo, que juntos possibilitaram a introdução de 
metodologias bioquímicas nos estudos de genética de populações (Cordeiro, Salzano, 1961; 
Cordeiro, 1989).
a criação desse laboratório foi um marco no desenvolvimento da genética na instituição. 
Seguindo os trabalhos que havia realizado na uSP, Cordeiro e sua equipe dedicaram suas 
primeiras pesquisas ao estudo de drosófilas. São sobre drosófilas, aliás, os primeiros artigos que 
Cordeiro publicou em periódicos internacionais como Evolution e Genetics, em coautoria com 
Dobzhansky, Crodowaldo Pavan e outros colaboradores formados sob a batuta do geneticista 
russo e de andré Dreyfus (Cordeiro, 1949; Pavan, Cunha, 2003) (Figuras 3 e 4).
no início dos anos 1950, tanto Cordeiro quanto Salzano receberam bolsas de estudos 
para avançar em suas formações em genética. um ano após a conclusão do curso de história 
natural, Salzano fez estágio de doutoramento na uSP, entre 1951 e 1952, aperfeiçoando-
se em citogenética e evolução, sob a orientação do geneticista norte-americano Hampton 
Carson, da Washington university. antonio Cordeiro, a exemplo de outros jovens geneticistas 
brasileiros dessa geração, viajou para os eua com bolsa da Fundação rockefeller para iniciar 
Figura 2: Da esquerda para a direita: Mario G. Ferri, Antonio Brito da Cunha, André Dreyfus e Theodosius Dobzhansky. 
Década de 1960 (Museu da Genética, Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
680 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro
Vanderlei Sebastião de Souza, Rodrigo Ciconet Dornelles, Carlos E. A. Coimbra Júnior, Ricardo Ventura Santos
Figura 3: Década de 1960. Clara Maria P. Maciel e, ao fundo, Nena Morales, trabalhando no Laboratório de Drosophila 
(Museu da Genética, Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Figura 4: Tainhas, RS, 1956. Coleta de Drosophila para o estudo sobre a introdução de inversões cromossômicas em 
populações naturais. Da esquerda para a direita: Antonio Rodrigues Cordeiro, Francisco Mauro Salzano, Danko Brncic, 
L. Glock e Theodosius Dobzhansky (Museu da Genética, Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
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História da genética no Brasil
seu doutorado na Columbia university e na university of texas, concluindo-o em 1953, na 
uSP (Figura 5). nesse mesmo ano, já de volta a Porto alegre, ambos coordenaram a criação 
da Seção de Genética e a transferência do laboratório para um edifício mais amplo, sendo 
apoiado financeiramente pela Fundação rockefeller. no ano seguinte tem início a primeira 
pós-gradução em genética, com cursos ministrados por Cordeiro, Salzano, Casemiro tondo 
e mais dois professores norte-americanos contratados com apoio da Coordenação de 
aperfeiçoamento de Pessoal de nível Superior (Capes), o geneticista Joel Ives townsend, 
especialista em genética evolutiva, e o ecologista William Wright Milisted (Cordeiro, Salzano, 
1961, p.228; rolante, 2011, p.28).
De maneira geral, o desenvolvimento da genética na uFrGS é acompanhado pela expansão 
e consolidação desse campo científico no Brasil. além da criação da Sociedade Brasileira de 
Genética (SBG), fundada em 1955, houve em diferentes universidades do país a formação 
de laboratórios e importantes grupos de pesquisas. Seguindo o exemplo do grupo da esalq, 
do Instituto agrícola de Campinas, da uSP e da uFrGS, nesse mesmo período começam a se 
consolidar equipes de geneticistas da universidade Federal do rio de Janeiro, sob a liderança de 
Chana Malogolowkin e lagden Cavalcanti, e da universidade Federal do Paraná, coordenado 
especialmente por newton Freire-Maia, e da universidade Federal da Bahia, onde se destacaram 
Figura 5: Reunião dos ex-orientandos de Theodosius Dobzhansky. Da esquerda para a direita, Richard Lewontin, 
Lee Ehrman, Theodosius Dobzhansky e Antonio Rodrigues Cordeiro. Com a máquina fotográfica, Howard Levene e, 
ao seu lado, o padre Francisco Ayala. Ao fundo, à direita, Vanwalen. Bem ao fundo, acima de Dobzhansky, há outro 
pesquisador brasileiro, Warwick E. Kerr. EUA (Museu da Genética, Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
682História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro
Vanderlei Sebastião de Souza, Rodrigo Ciconet Dornelles, Carlos E. A. Coimbra Júnior, Ricardo Ventura Santos
Cora de Moura Pedreira e eliane azevedo. também havia experiências bem-sucedidas em 
Belo Horizonte, recife e Bahia (Salzano, 2011, p.13). além de ter em comum o treinamento 
com o grupo de Dreyfus e Dobzhansky, a maioria dessa geração recebeu apoio financeiro 
da Fundação rockefeller para montar laboratórios, realizar pesquisas e se aperfeiçoar em 
universidades norte-americanas. Somam-se a isso as iniciativas do governo brasileiro voltadas 
para o financiamento da pesquisa científica e da ampliação do ensino superior e da pós-
graduação no país. Data desse período, aliás, a criação da Sociedade Brasileira para o Progresso 
da Ciência (SBPC), do CnPq e da Capes, instituições que tiveram um papel fundamental na 
organização e promoção da ciência brasileira (Botelho, 1990; Salzano, 2011). 
Como vimos, a década de 1950 é de consolidação da genética na uFrGS. Com a criação da 
pós-graduação, o número de pesquisadores e a produção científica cresciam continuamente, 
incluindo a publicação de importantes artigos em revistas internacionais. De outro lado, o 
grupo de pesquisadores continuava realizando estágios e cursos de pós-graduação em outros 
centros. esse é o caso, por exemplo, de Francisco Salzano, que após concluir seu doutorado 
pela uSP, seguiu para os eua em 1956 com o objetivo de realizar estágio de pós-doutorado 
na universidade de Michigan, sob a orientação do renomado geneticista James V. neel, uma 
das principais autoridades no campo da genética humana ou mesmo da genética médica. 
a universidade de Michigan vinha recebendo seguidamente jovens pesquisadores 
brasileiros em busca de aperfeiçoamento na área da genética, com destaque para newton Freire-
Maia, antonio Cavalcanti, eduardo Barbosa Vianna, eucleia Contel, Fernando José da rocha 
e Pedro Saldanha (Salzano, 2000, p.559). Boa parte desses pesquisadores, entre eles Salzano, 
newton Freire-Maia e Saldanha, se especializaram em genética humana, destacando-se nas 
décadas seguintes por suas contribuições no estudo das populações brasileiras (Salzano, 2011, 
p.17). outros pesquisadores da área de genética de populações humanas que se formaram 
no exterior no período foram Henrique Krieger e eliane azevedo, de São Paulo e Bahia, 
respectivamente, ambos tendo realizado doutorado junto ao grupo do prestigiado geneticista 
norte-americano newton e. Morton, da university of Hawaii. Morton coordenou no início 
dos anos 1960, com a colaboração de Krieger, azevedo e ademar Freire-Maia, uma importante 
pesquisa no Brasil sob a variabilidade genética da população nordestina, conforme estudo 
realizado na hospedaria de migrantes de São Paulo (Morton, 1964; Krieger, et al., 1965).
a partir dos trabalhos realizados por essa crescente rede de geneticistas, aconteceu uma 
vigorosa expansão da genética de populações humanas no Brasil ao longo da década de 1960, 
como fica evidente a partir da leitura do livro Populações brasileiras: aspectos demográficos, 
genéticos e antropológicos (Salzano, Freire-Maia, 1967), que recebeu publicação também nos 
eua sob o título Problems in human biology: a study of Brazilian populations (Salzano, Freire-
Maia, 1970). 
assim que retornou de Michigan, em 1957, Salzano investiu seus esforços em pesquisas 
sobre genética de populações humanas, trabalhando inicialmente com os Kaingang do rio 
Grande do Sul, o que resultou em sua tese de livre-docência, defendida em 1956. a seguir, 
realizou várias pesquisas sobre genética de populações indígenas em diversas regiões do país, 
algumas delas em cooperação com James neel, por exemplo, as investigações sobre os Xavante, 
em Mato Grosso, e os Yanomami, no extremo norte do país (Salzano, Callegari-Jacques, 1988; 
neel, 1994; lindee, 2001, Santos, 2002). Geneticista polivalente e com múltiplos interesses, nos 
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História da genética no Brasil
primeiros anos da década de 1960 Salzano também iniciou trabalhos sobre a chamada ‘mistura 
racial’, procurando compreender os efeitos da miscigenação a partir da análise de características 
genéticas, morfológicas e demográficas. ainda no final dos anos 1950, Salzano coordenou 
na uFrGS um Setor de Genética Humana, com ênfase tanto em genética de populações 
brasileiras quanto em genética médica. Vale lembrar que, nesse período inicial, a Seção de 
Genética da uFrGS também era formada pelo Setor de Genética ecológica, coordenado por 
antonio rodrigues Cordeiro e voltado especialmente para o estudo de populações naturais de 
Drosophila, e pelo Setor de Genética Biofísica e Bioquímica, sob a coordenação de Casemiro 
tondo e Flavio lewgoy, e direcionado para pesquisas sobre eletroforética de hemoglobinas 
normais em populações humanas e estudos físicos e químicos em substâncias que atuam no 
desenvolvimento de características genéticas em raças e espécies de vários gêneros (Cordeiro, 
Salzano, 1961, p.229-231). 
no início dos anos 1960, já com uma nova sede na rua Professor annes Dias, em Porto 
alegre, a Seção de Genética dá um passo decisivo para a consolidação de seu grupo de 
pesquisa com a criação do curso de mestrado e doutorado (Figuras 6 e 7). nessa época, novos 
pesquisadores eram integrados à Seção, com destaque para Israel roisenberg (que foi o primeiro 
a defender tese de doutorado no próprio programa de genética da uFrGS, sob a orientação 
de Salzano), Helga Winge, Fernando José da rocha, Margarete Suñe Mattevi, Marly napp e 
Bernando erdtmann (Cordeiro, 1949, p.4). ao lado de Cordeiro, Salzano, tondo e lewgoy, esse 
grupo manteve intensa e atualizada produção científica, possibilitando que o Departamento 
de Genética2 se transformasse em um dos mais importantes do país. além disso, a genética da 
Figura 6: Comemoração de aniversário do Departamento de Genética, na sede da rua Professor Annes Dias (Museu da 
Genética, Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
684 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro
Vanderlei Sebastião de Souza, Rodrigo Ciconet Dornelles, Carlos E. A. Coimbra Júnior, Ricardo Ventura Santos
uFrGS também recebeu crescente reconhecimento da comunidade científica internacional, 
conforme atesta o permanente intercâmbio com universidade, associações científicas e 
instituições de diferentes países (Salzano, Callegari-Jacques, 1988; Cordeiro, 1989; Salzano, 
1991; Salzano, Bortolini, 2002) (Figura 8). 
em 1963, antonio Cordeiro se afastou da uFrGS depois de aceitar o convite do governo 
João Goulart para coordenar a criação do Departamento de Genética da recém-fundada 
universidade de Brasília (unB) (Figura 9). Sob sua indicação, foi também um grupo de 
professores e ex-alunos da uFrGS, bem como professores de outras universidades do país. 
a ideia era permanecer um longo período na unB, colaborando na organização daquela 
universidade e formando um grupo que pudesse levar adiante os estudos de genética na capital 
do país. Contudo, devido ao golpe militar de 1964 e ao início de uma série de perseguições 
políticas dentro das universidades brasileiras, Cordeiro foi uma das vítimas da ditadura militar, 
sendo forçado a deixar a unB e retomar suas funções na uFrGS. em seu retorno, Cordeiro 
reorganizou as novas pesquisas com drosófilas, que por muitos anos foi uma das principais 
atividades da genética gaúcha (Cordeiro, 1989).
apesar desse clima de incertezas durante o longo governo militar (1964-1985), o 
Departamento de Genética da uFrGS continuou seu processo de expansão. em 1982, além 
da inauguração do Centro de Biotecnologia, que colocava a genética gaúcha em sintonia 
com as novas tecnologias científicas, também foi criado o serviço de Genética Médica 
do Hospital de Clínicas de Porto alegre. nos anos 1990, os geneticistas e suas equipes se 
Figura 7: Da esquerda para a direita: Helga Winge, Maria Luiza Reguly, duas bolsistas, Nena BasilioMorales, Marly Napp 
e Clara Maria P. Maciel. Década de 1960 (Museu da Genética, Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
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História da genética no Brasil
Figura 9: Antonio Rodrigues Cordeiro, colaboradores e alunos em Brasília, UnB, 1965. Da esquerda para a direita: 
Guilherme, aluno sem identificação, Manoel, Renato, Ladeira, Pedro, Ribamar, Dolizor, Téculo e Francisco. Sentados, da 
esquerda para a direira: Nena Basílio Morales, Rosilux, Helga Winge, Antonio Rodrigues Cordeiro e Maria Luiza Reguly 
(Museu da Genética, Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Figura 8: Segundo Congresso Internacional de Genética Humana, [realizado em Roma], em 1961. Salzano está entre 
W.J. Schull e o casal A.C. Stevenson (Museu da Genética, Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
686 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro
Vanderlei Sebastião de Souza, Rodrigo Ciconet Dornelles, Carlos E. A. Coimbra Júnior, Ricardo Ventura Santos
mudaram para o campus do Vale, sua atual sede, comemorando os quarenta anos de criação 
do Departamento de Genética. a nova sede ocupava uma área de 2.100 metros quadrados, 
com amplos laboratórios, salas de aulas e equipe de 180 profissionais, sendo 36 pesquisadores 
(Salzano, 1991, p.237). nas duas últimas décadas, a partir de 1990, as linhas de pesquisa se 
ampliaram consideravelmente, assim como o volume e o impacto da produção científica. 
Como consequência dessa trajetória, no presente a produção científica na área da genética 
da uFrGS tem amplo reconhecimento nacional e internacional, tendo sido formados na 
instituição pesquisadores brasileiros e estrangeiros, sobretudo oriundos da américa do Sul, 
que iniciaram grupos de pesquisa em genética em diversas outras instituições (Cordeiro, 
1989; Salzano, 1991).
Contexto de criação e estrutura do Museu da Genética
o Museu da Genética está situado no campus do Vale da uFrGS, no segundo andar do 
prédio administrativo do Departamento de Genética, onde ocupa uma única sala, de arranjo 
retangular, de aproximadamente vinte metros quadrados. aberta ao público em 2011, a 
exposição é composta de painéis, fotografias, textos científicos e instrumentos de pesquisas, 
entre outros, cobrindo sobretudo o período que vai do final da década de 1940 até o presente. 
a proposta do Museu de Genética é de se constituir tanto em um espaço de divulgação e 
educação científica quanto de conservação do patrimônio da genética brasileira, em especial 
da uFrGS. É um museu sem reserva técnica, com todo o acervo em exposição.
logo na entrada há um conjunto de fotos emolduradas, de pequena e média dimensões, 
que remetem a personagens importantes na área da genética no cenário internacional (como 
Motoo Kimura, J.B.S. Haldane, James F. Crow, o. Winge, entre outros) e/ou pesquisadores 
que tiveram suas histórias estreitamente relacionadas à genética na uFrGS (Figura 10). Há 
imagens da participação de integrantes do departamento em reuniões e congressos científicos 
em Porto alegre (como o encontro dos 10 anos da Genética da uFrGS, de 1959), em outras 
cidades brasileiras (como o International Symposium on Genetics, em Águas de lindoia, São 
Paulo, 1966) e no exterior (Segundo Congresso Internacional de Genética Humana, roma, 
1961), assim como estadias de geneticistas gaúchos em universidades e centros de pesquisa 
de outros países, em particular nos eua. Há fotos de saídas de campo, de aulas de cursos de 
pós-graduação e de atividades em bancadas de laboratórios. Há imagens que remetem ao 
envolvimento de geneticistas da uFrGS na implantação de grupos de pesquisa em outras 
regiões do país, no caso na universidade de Brasília, no início da década de 1960. 
Há toda uma parede dedicada aos instrumentos utilizados em diferentes períodos pelos 
geneticistas da uFrGS, o que vem acompanhado de descrições e fotos do laboratório e de 
técnicas de pesquisa. essa parte do Museu se constitui, portanto, em um espaço dedicado 
à caracterização das técnicas e das tecnologias utilizadas nas pesquisas genéticas. Há uma 
bancada montada com o intuito de produzir o que era o espaço de trabalho do geneticista 
nas décadas passadas (Figura 11). em painéis, um dos conjuntos de materiais diz respeito 
à técnica da eletroforese, que é descrita através de relatos de aldo Mellender de araújo, 
de antonio rodrigues Cordeiro e de Francisco Salzano. lê-se o seguinte depoimento de 
Salzano: “na década de 1950 há uma mudança de paradigma e uma transição importante 
v.20, n.2, abr.-jun. 2013, p.675-694 687
História da genética no Brasil
Figura 10: Vista parcial da exposição do Museu da Genética mostrando, à esquerda, reprodução de banca de 
laboratório; ao centro, computadores para uso dos visitantes; ao fundo, linha do tempo “A Genética na UFRGS, no Brasil 
e no Mundo” e exposição de fotografias; à direita, centrífuga adquirida na década de 1960 com recursos da Fundação 
Rockefeller (Museu da Genética, Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Figura 11: 
Imagem da 
exposição 
do Museu da 
Genética que 
reproduz antiga 
bancada de 
laboratório 
(Museu da 
Genética, 
Universidade 
Federal do Rio 
Grande do Sul)
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nos métodos de análise que passam a ser de natureza bioquímica e, então, se desenvolve 
a chamada técnica de eletroforese, que separava as moléculas de acordo com a sua carga 
elétrica e a cromatografia, que também separava essas moléculas por gradientes de diferentes 
tipos. Isso causou uma revolução no estudo da Genética”. É importante lembrar que um 
dos aspectos fundamentais do treinamento dos geneticistas brasileiros em laboratórios 
norte-americanos na década de 1950, como foi o caso do estágio de Cordeiro na Columbia 
university e de Salzano na Michigan university, foi o aprendizado das então mais modernas 
técnicas de análise genética (Salzano, 2000).
na parede mais distante da porta de entrada do Museu, ao fundo, está disposto um 
armário dividido em nichos. Vários dos materiais expostos, que incluem listas de presença 
em seminários, anotações de trabalho de campo e publicações científicas, relacionam-se a 
linhas de pesquisas de destaque na trajetória histórica da genética da uFrGS, assim como às 
atividades de formação de novos pesquisadores. um dos espaços contém uma pequena linha 
do tempo que descreve a “Formação da Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular” 
na instituição. Há diversos nichos com materiais relacionados às pesquisas sobre genética 
vegetal (em particular sobre milho e soja), animal e humana. em uma das divisórias, dedicada 
à drosófila, há um desenho acompanhado da frase: “Drosophila, a Cinderela do laboratório”, 
a qual é atribuída a antonio rodrigues Cordeiro. os materiais sobre genética de populações 
humanas incluem uma cópia da tese de livre-docência de Francisco Salzano sobre os Kaingang 
do rio Grande do Sul, defendida em 1961.
a quarta e última parede do Museu da Genética é dominada por um grande mural com 
uma linha do tempo que tem como título “a Genética na uFrGS, no Brasil e no Mundo”. 
Por meio de uma programação visual que remete à estrutura de dupla hélice (referência à 
clássica representação da estrutura do Dna), a história da genética na uFrGS é contada, 
a partir de meados da década de 1930, em paralelo com os desenvolvimentos ocorridos no 
campo no Brasil e no mundo. Mais de uma centena de aspectos são apontados na linha do 
tempo, entre os quais os seguintes:
• “Importante contribuição da genética ao cultivo do café, o Instituto Agronômico de 
Campinas executa projeto no qual a taxonomia, a genética e a citologia relacionam-se 
com as diversas ciências agronômicas” (1933).
• “Antonio Rodrigues Cordeiro é o sétimo aluno a formar-se no curso de história natural da 
Faculdade de Filosofia da universidadede Porto alegre” (1946).
• “Theodosius Dobzhansky, um dos fundadores da teoria sintética da evolução, vem ao 
Brasil e desenvolve importantes estudos sobre Drosophila com pesquisadores de SP, rJ e 
rS (antonio Cordeiro)” (1948/1949).
• “Francisco Mauro Salzano, no terceiro ano da graduação, começa a trabalhar no laboratório 
com Cordeiro” (1950).
• “A Rockefeller Foundation inaugura seu apoio à pesquisa da UFRGS, dando auxílio ao 
laboratório de genética” (1951).
• “Apresentado o modelo de dupla hélice do DNA, por Watson e Crick” (1953).
• “A pós-graduação em genética inicia-se como integrante do curso de pós-graduação da 
Faculdade de Filosofia” (1954). 
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História da genética no Brasil
• “Fundação da Sociedade Brasileira de Genética” (1956).
• “Salzano, após estágio de um ano na Universidade de Michigan, inicia pesquisas na área 
de genética humana e publica seu primeiro artigo sobre o tema, chamado ‘the blood 
groups of South american Indians’, no American Journal of Physical Anthropology” (1957).
• “Cordeiro presidiu sessão do Décimo Congresso Internacional de Genética no Canadá” 
(1958).
• “Mudança da genética para prédio comercial na rua professora Annes Dias, onde foram 
alugados dois andares” (1962).
• “Inicia o curso de doutorado na UFRGS com a disciplina ‘genética e evolução’, de dois 
semestres, ministrada por Cordeiro” (1963).
• “Cordeiro e mais seis membros de seu grupo afastam-se para fundar o Departamento de 
Genética da unB” (1964).
• “A pesquisa com os índios se expande para o Brasil Central” (1965).
• “O intercâmbio com a Universidade de Paris expandiu-se através da visita de três professores 
de alto nível” (1967).
• “Continua o intercâmbio entre membros da genética humana e Departamento de Genética 
Humana da universidade de Michigan. Fruto disso foi a publicação de oito artigos de uma 
série de dez no American Journal of Human Genetics, sobre pesquisas realizadas em índios 
Xavantes” (1967).
• “Primeira defesa de doutorado na pós-graduação em genética da UFRGS, Israel Roisenberg 
orientando de F.M. Salzano” (1968).
• “A soja surgiu no Brasil a partir da década de 70, concorrendo com outros produtos, cana-
de-açúcar, por exemplo, plantada para a produção de etanol” (1970).
• “Publicação do livro The ongoing evolution of Latin American populations (Charles C. thomas, 
Springfield, Illinois, uSa), no qual Salzano escreveu três capítulos e editou a obra ...” (1970).
• “Salzano é eleito membro titular da ABC [Academia Brasileira de Ciência] e ganha a medalha 
Jubileu de Prata da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência” (1973).
• “A.R. Cordeiro foi cedido por empréstimo à UFRJ para coordenar a pós-graduação em 
genética daquela universidade” (1976).
• “Métodos de sequenciação do DNA, Gilbert, Sanger” (1977).
• “As universidades, na década de 80, adequaram cursos ao mercado de trabalho: o Conselho 
Federal de educação obrigou a ênfase à pesquisa” (1980).
• “Ratos transgênicos, Palmiter e Brinster” (1981-1982).
• “Inauguração do Centro de Biotecnologia” (1982).
• “PCR [Polymerase Chain Reaction] – amplificação do DNA, Mullis” (1985). 
• “Vinda dos professores visitantes C.A. Naranjo (Universidade de Buenos Aires), F. 
rothhammer (universidade do Chile), H. Seuánez abreu (uFrJ) e t. Schoeder-Kurth 
(universidade de Heidelberg) para ministrarem cursos e/ou discutirem projetos específicos 
das pesquisas em realização” (1985).
• “Inicia-se o projeto Genoma Humano” (1989).
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• “Salzano condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico pelo 
Presidente da república do Brasil” (1995).
• “Clone de mamífero – Dolly, Willmut e colaboradores” (1997).
• “Salzano recebe o prêmio ‘Franz Boas High Achievement Award – Human Biology 
association’” (1999).
• “Sequenciamento completo do genoma humano” (2000).
• “Inicia o projeto Genosoja [Consórcio Nacional para Estudos do Genoma da Soja], do qual 
participa Maria Helena zanettini e também várias instituições nacionais, de diversos 
estados. O projeto Biotecsur [Biotecnología en el Mercosur], que envolve países do 
Mercosul, também auxilia na modernização de laboratórios” (2008).
a história da genética na uFrGS não é reconstituída no Museu unicamente através desse 
material físico exposto nos espaços descritos anteriormente. os visitantes podem acessar 
materiais em formato digital por meio de computadores situados em um espaço no centro 
da sala. nesse acervo digital, é possível ter acesso a dezenas de fotografias e documentos 
dos quais somente uma pequena parcela integra a exposição física do Museu da Genética. 
nos computadores, além de “arquivos relacionados à linha do tempo”, os visitantes podem 
também assistir ao filme-documentário Efeito fundador3 (2011) que conta o percurso do 
departamento por entrevistas e relatos de muitos dos personagens que compõem a história 
inicial e atual da genética na uFrGS. o acervo digital também conta com outros depoimentos, 
em áudio, com algumas das principais figuras da genética do rio Grande do Sul. Desses 
depoimentos, reproduzimos a seguir três que são particularmente ilustrativos da trajetória 
histórica abordada ao longo deste texto:
(1) Depoimento de Francisco Mauro Salzano sobre sua opção pela genética humana: 
“terminei o doutorado e havia essa dúvida sobre o que eu iria fazer em continuação. 
a Fundação rockefeller, que nos apoiava fortemente naquela época, fornecia uma bolsa de 
pós-doutorado para mim. aí, conversei com o Cordeiro sobre que opções eu devia tomar 
para esse pós-doutorado. e a gente decidiu que uma opção importante seria a genética 
humana. era uma área que não tinha muito apelo intelectual na época, porque não se 
pode fazer cruzamento dirigido na espécie humana, tem pouca prole, enfim, uma série de 
situações que não favoreciam a investigação genética. ... no momento em que surgiram 
técnicas que possibilitavam a investigação mais detalhada do material genético humano, 
a genética humana começou a se expandir vigorosamente, especialmente na época que 
eu estava terminando o doutorado, que foi em 1955-1956”.
(2) Depoimento de edmundo Kanan Marques sobre o financiamento da Fundação rockefeller 
para a genética no Brasil: “a Fundação rockefeller deu um auxílio muito grande para 
a genética do Brasil, inclusive para fazer as reuniões setoriais. ... Isso deu uma unidade 
para a genética muito forte que se mantém até hoje ... [A partir dos anos 1950] a genética 
brasileira cresceu no mesmo nível da genética em outros países. não havia vergonha 
para o Brasil na genética; as publicações eram aceitas internacionalmente e tudo mais. 
... naquele tempo, a Fundação rockefeller deu muito dinheiro: comprou equipamento, 
deu veículos para coletas de campo. ela deu muita coisa, tanto para a universidade 
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História da genética no Brasil
Federal do rio Grande do Sul quanto para outras universidades brasileiras, porque foi 
uma decisão lá do board ... de que a américa latina tinha que se desenvolver, e a genética 
era uma das coisas”.
(3) Depoimento de aldo Mellender de araújo sobre antonio Cordeiro e sua passagem pela 
unB durante o governo militar: “O professor Cordeiro, a Helga [Winge] e mais toda a 
equipe dele de orientados e professores do departamento, foram embora para Brasília, na 
fundação da universidade de Brasília. Ficaram lá um ano ... aconteceu o golpe militar e 
foi um choque. A universidade foi invadida por militares, por soldados [que] entraram nos 
departamentos; [professores] foram presos. Eles voltaram de lá e foram readmitidos aqui, 
todos eles, com o devido trauma daquela época. Mas restabeleceram setores de drosófilas 
espetacularmente bem”.
Considerações finais
em paredes externas do prédio onde está localizado o Museu (Figura12), há um conjunto 
de imagens no estilo grafite, destinadas a chamar a atenção de um público de perfil jovem, 
que constitui a maior parte das pessoas que circulam nos campi universitários. Coloridas e de 
grandes dimensões, fazem referência a símbolos icônicos da genética, como a mosca-da-fruta 
(drosófila), o microscópio, outros instrumentais científicos e a dupla hélice de Dna. a vertente 
de espaço de divulgação científica é, portanto, bastante proeminente na proposta do Museu.
Figura 12: Imagem grafite na parede externa do Museu da Genética (Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
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Vanderlei Sebastião de Souza, Rodrigo Ciconet Dornelles, Carlos E. A. Coimbra Júnior, Ricardo Ventura Santos
Pela centralidade que a genética da uFrGS ocupa na trajetória dessa ciência no país, 
concomitantemente à divulgação científica, os materiais expostos no Museu da Genética 
são instigantes para se refletir, de uma perspectiva da história das ciências, sobre a trajetória 
dessa área de pesquisa no Brasil, em particular a partir da segunda metade do século XX. 
a história da genética no Brasil no período pós-Segunda Guerra Mundial, quando aconteceram 
intensas dinâmicas locais e nacionais em articulação com processos transnacionais na ins-
titucionalização da disciplina, segundo exploramos brevemente ao longo deste texto, é um 
tema ainda muito pouco investigado.
aGraDeCIMentoS
aos professores Claiton Henrique Dotto Bau e lavínia Schüler-Faccini, do Programa de Pós-graduação 
em Genética e Biologia Molecular (PPGBM), da uFrGS, pelas informações acerca do contexto de criação 
do Museu da Genética, assim como pela permissão para utilizar as imagens reproduzidas neste trabalho. 
também somos gratos aos professores Francisco M. Salzano, Maria Cátira Bortolini, loreta Brandão de Freitas 
e Márcia M.a.n. Pinheiro Margis (coordenadora do PPGBM), assim como a elmo J. antunes Cardoso (técnico 
do setor administrativo) e aos estudantes Dario alvez Bezerra e Sasha Vinícius dos Santos (monitores do 
Museu da Genética).
NOTAS
* a pesquisa “Diversidade biológica humana e a história da genética no Brasil na segunda metade do século 
XX” foi financiada pelo Conselho nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico e tecnológico (CnPq, 
projeto 473268/2011-6). este trabalho foi preparado durante o pós-doutoramento de Vanderlei Sebastião 
de Souza na escola nacional de Saúde Pública, Fundação oswaldo Cruz (CnPq projeto 161671/2011-0).
1 tais institutos agrícolas, aliás, ao lado de outros institutos voltados para pesquisa biomédica, tiveram papel 
central na promoção da pesquisa científica no Brasil do início do século XX, distinguindo-se tanto pela 
divulgação quanto pela implantação da ciência experimental no país (Dantes, 1979; Benchimol, teixeira, 
1993).
2 Com a extinção do Instituto de Ciências naturais da uFrGS, devido à reforma universitária de 1968, a 
Seção de Genética passou a denominar-se Departamento de Genética, a partir de 1971, integrando o novo 
Instituto de Biociências.
3 a propósito, a expressão ‘efeito fundador’ (founder effect, em língua inglesa) refere-se a um processo evolutivo 
no qual uma nova população se estabelece a partir de um pequeno conjunto de indivíduos que representa 
apenas uma fração da variação genética do grupo parental.
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