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100 Coleção Estudo Frente D Módulo 23 Na termosfera, as radiações de alta energia fragmentam as moléculas, diminuindo suas concentrações e aumentando a concentração de radicais livres e íons. 10–4 O3 N2, O2, CO2, H2O In fr av er m el h o, v is ív el e u lt ra vi o le ta λ > 3 3 0 n m U lt ra vi o le ta d e al ta p o tê n ci a: λ < 1 0 0 n m Pe n et ra çã o a té - 5 0 k m O 3 + hυ (220nm-330nm)= O 2 + O O2 +, O+, NO+ [O]>>[O2] 120 km: [O]=[O 2] O 2 +, NO+ Pe n et ra çã o a té - 2 0 0 k m U lt ra vi o le ta : λ 2 0 0 - 3 3 0 n m Pe n et ra çã o n a su p er fí ci e d a Te rr a 500 km Termosfera Mesosfera 85 km –92° 1200° –2° –56° 50 km 10 16 km 15 ºC Estratosfera Troposfera Temperatura (K) A lt u ra a ci m a d a su p er fí ci e te rr es tr e (k m ) Pr es sã o ( kP a) 10–3 0,0 0,1 1 10 100 Terranível do ma r 300250200 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 Entrada da radiação solar As principais regiões da atmosfera terrestre. MANAHAN, 1984; MOORE e MOORE, 1977. In: Cadernos Temáticos de Química Nova na escola. Edição Especial, maio 2011 (Adaptação) IMPACTOS AMBIENTAIS NA TROPOSFERA Poluição por monóxido de carbono Monóxido de carbono é um gás incolor extremamente tóxico. É um seríssimo poluente do ar atmosférico. Forma-se na queima incompleta de madeira e de combustíveis como álcool (etanol), gasolina, óleo diesel, etc. A quantidade de CO lançada na atmosfera pelo escapamento de automóveis, caminhões, ônibus, etc. cresce na seguinte ordem crescente, em relação ao combustível usado: álcool < gasolina < óleo diesel A gasolina usada como combustível contém certo teor de álcool (etanol), que serve, entre outros motivos, para diminuir a quantidade de CO lançada na atmosfera e, com isso, diminuir o impacto ambiental gerado pela emissão desse gás. Poluição por ozônio O ozônio é um gás oxidante que pode ser formado pelos motores de combustão interna dos veículos automotores, a partir do oxigênio atmosférico. Submetido a altas temperaturas e à descarga elétrica, ocorre o seguinte processo: 3O2(g) → 2O3(g) Parte do ozônio produzido nos veículos automotores é novamente convertido em oxigênio pelos catalisadores. Na atmosfera, pode ocorrer a produção de ozônio a partir da reação entre o dióxido de nitrogênio (NO2), liberado pelos motores de combustão interna, e o oxigênio: NO2(g) + O2(g) → NO(g) + O3(g) O ozônio que não sofre a ação de catalisadores dos veículos automotores e o obtido a partir do dióxido de nitrogênio se acumulam nas porções baixas da atmosfera (troposfera), pois possuem maior densidade do que o ar atmosférico. O ozônio provoca problemas respiratórios, degrada tecidos e células, devido a sua ação oxidante, e é um dos responsáveis pela formação da névoa seca ou nevoeiro fotoquímico (smog). Essa névoa é formada quando ocorre a condensação de vapor-d’água associada a particulados sólidos em suspensão (poeira e fumaça) e a outros poluentes (entre eles, o ozônio), proporcionando um aspecto acinzentado ao ar. Poluição por aldeído fórmico e aldeído acético O aldeído fórmico ou metanal é obtido na queima do cigarro, a partir de alguns tipos de resinas sintéticas e na combustão incompleta do metanol. Ele é um gás de odor penetrante que causa irritações, podendo afetar as vias respiratórias. É considerado carcinogênico para animais de laboratório e, provavelmente, para seres humanos. Já o aldeído acético ou etanal pode ser encontrado na forma líquida ou vapor devido a sua baixa temperatura de ebulição (22 ºC). Esse aldeído origina-se da combustão incompleta de etanol em motores de combustão e apresenta neurotoxicidade, podendo causar vertigens, convulsões, coma e morte quando sua concentração, atmosférica é alta. Em baixas concentrações ele irrita as mucosas dos olhos, do nariz e das vias respiratórias em geral, provocando constrição dos brônquios (crise asmática). Intensificação do efeito estufa O efeito estufa O Sol irradia para a Terra uma grande quantidade de energia luminosa. Cerca de 55% dessa energia são refletidos ou utilizados em processos naturais, tal como a fotossíntese. Contudo, os 45% restantes são absorvidos por alguns gases atmosféricos e transformados em energia térmica de movimento molecular (radiação na região do infravermelho). Se não fosse a atmosfera, a Terra irradiaria para o espaço uma quantidade de energia igual à que absorve do Sol. O efeito estufa consiste na retenção (aprisionamento na troposfera) de parte da energia térmica recebida do Sol. Esse fenômeno permite que em nosso planeta a temperatura média seja de 15 ºC e, portanto, que a água possa se apresentar na fase líquida, condição fundamental para a existência de vida. Química ambiental I 101Editora Bernoulli Q U ÍM IC A redirecionamento do I.V. para a Terra molécula de gás estufa redirecionamento do I.V. para o espaço Terra luz visível do Sol radiação I.V. Interação da radiação infravermelha com a superfície e a atmosfera terrestre. BAIRD, C. Química Ambiental. Porto Alegre: Bookman, 2002, p. 199. Adaptação. A maior parte do efeito estufa é de origem natural e se deve à presença de gás carbônico e de vapor-d’água na atmosfera. Aproximadamente 85% da água atmosférica encontram-se na forma de vapor-d’água e cerca de 12%, na forma líquida. Entretanto, algumas atividades humanas (atividades antrópicas) podem causar uma intensificação do efeito estufa e, consequentemente, contribuir para o aquecimento do planeta, visto que essas atividades provocam o aumento da concentração de gases que promovem o efeito estufa. Gases do efeito estufa Em uma molécula, os átomos ligantes vibram em torno de uma posição de equilíbrio. Durante uma vibração, o valor do momento dipolar de uma molécula pode sofrer alteração. As moléculas que apresentam esse comportamento são ativas no infravermelho (I.V.), ou seja, absorvem e emitem radiação infravermelha e são denominadas gases do efeito estufa. O gás carbônico é um gás do efeito estufa. Ele apresenta moléculas lineares que no estado fundamental são apolares, ou seja, apresentam momento dipolar igual a zero. O C O δ– δ–2δ+ Entretanto, quando as moléculas de gás carbônico recebem radiação, ocorrem alterações em suas configurações, por meio de vibrações que geram deformações de dois tipos: Deformação axial: consiste no afastamento e na aproximação de átomos ligantes, devido a um estiramento ou uma compressão da ligação química: deformação axial As moléculas de CO2 podem sofrer dois t ipos de deformações axiais: 1. Deformação axial simétrica: Esse tipo de deformação ocorre quando uma molécula de CO2 é esticada e / ou comprimida, mantendo o mesmo comportamento das ligações duplas entre o carbono e o oxigênio. Assim, quando uma é comprimida, a outra também é. esticadaO C O normalO C O comprimidaO C O Nesse caso de deformação, o momento dipolar da molécula de CO2 não é alterado. Quando isso ocorre, essas moléculas não absorvem e não emitem radiação infravermelha. 2. Deformação axial assimétrica: Esse tipo de deformação ocorre quando a molécula de CO2 é esticada e / ou comprimida, opondo os comportamentos das ligações duplas entre o carbono e o oxigênio. Assim, quando uma é esticada, a outra é comprimida. Deformação axial assimétrica Movimento do dipolo Componente do dipolo C O O C O O C O O C O O C O O Nesse caso de deformação, o momento dipolar da molécula de CO2 é alterado periodicamente, oscilando entre um valor igual a zero e outro diferente de zero. Quando isso ocorre, essas moléculas absorvem e emitem radiação infravermelha. Deformação angular simétrica: consiste no afastamento ou na aproximação de átomos ligantes, devido ao aumento ou à diminuição do ângulo entre duas ligações químicas: deformação angular Esse tipo de deformação nas moléculas de CO2 ocorre quando os ângulos entreas ligações duplas carbono-oxigênio tornam-se menor do que 180º. Deformação angular simétrica Movimento do dipolo Componente do dipolo CO O C CC O O C O O O O O O Nesse caso de deformação, o momento dipolar da molécula de CO2 é alterado periodicamente, oscilando entre um valor igual a zero e outro diferente de zero. Quando isso ocorre, essas moléculas absorvem e emitem radiação infravermelha. 102 Coleção Estudo Frente D Módulo 23 1 p.p.b.: partes por bilhão 2 CFC-11, também denominado freon-11, cuja fórmula molecular é CCℓ3F. 3 CFC-115, também denominado freon-115, cuja fórmula molecular é C2CℓF5. 4 HCFC-22, também denominado freon-22, cuja fórmula molecular é CHCℓF2. Existe uma nomenclatura técnica para os CFC’s e HCFC’s, na qual eles são indicados da seguinte forma: CFC → XYZ em que: • X = nº de átomos de carbono – 1 (omitido quando X = 0); • Y = nº de átomos de hidrogênio + 1; • Z = nº de átomos de flúor. Portanto, apenas as deformações axial assimétrica e angular simétrica alteram o momento dipolar das moléculas de CO2, tornando-as ativas no infravermelho, ou seja, tornando-as capazes de absorver e de emitir radiação infravermelha. As moléculas dos gases nitrogênio e oxigênio não são ativas no infravermelho, pois são moléculas diatômicas e apenas podem vibrar comprimindo ou esticando as ligações entre seus átomos, o que não altera o momento dipolar. Se essas moléculas fossem ativas no infravermelho, a temperatura média de nosso planeta seria muito mais elevada, pois elas correspondem a 99% da composição da atmosfera terrestre. Quanto maior for o número de diferentes modos de vibração de uma molécula, maior será a sua capacidade de absorção e de emissão de radiação infravermelha. Portanto, quanto maior a complexidade de uma molécula, maior será o impacto na intensificação do efeito estufa. Por exemplo, uma molécula de metano, CH4, apresenta quatro ligações e, portanto, é mais complexa do que uma molécula de gás carbônico, CO2. Uma molécula de CH4 causa um efeito de aquecimento 21 vezes mais intenso do que o causado por uma molécula de CO2. Principais gases do efeito estufa Na tabela a seguir, são apresentados alguns gases do efeito estufa e suas características. Gás Origem Concentração atual Taxa de aumento anual Tempo médio de permanência na atmosfera Poder relativo de absorção de radiação infravermelha por molécula em relação ao CO2 CO2 • Queima de combustíveis fósseis; • Decomposição aeróbica de substâncias orgânicas. 365 p.p.m. 0,4% 100 anos 1 CH4 • Decomposição anaeróbica de substâncias orgânicas, principalmente celulose; • Flatulência de bovinos; • Depósitos de combustíveis fósseis; • Decomposição de lixo orgânico em aterros sanitários e lixões; • Pântanos e esgotos. 1,72 p.p.m. 0,5% 10 anos 21 N2O • Queima de combustíveis fósseis; • Reação entre o oxigênio e o nitrogênio atmosférico devido a uma descarga elétrica de alta intensidade; • Decomposição de adubos nitrogenados; • Decomposição aeróbica lenta da matéria, após desmatamento e em represas construídas para a geração de energia hidroelétrica sem a remoção de cobertura vegetal. 312 p.p.b.1 0,3% Entre 120 e 175 anos 206 CFC’s São gases artificiais utilizados como • Propelentes em aerossóis; • Gases de compressão em aparelhos de refrigeração; • Gases de expansão em polímeros. 0,27 p.p.b. (CFC-11)2 0% (CFC-11) Dependendo do tipo de composto, entre 75 (CFC-11) e 380 anos (CFC-115)3 12 400 (CFC-11) HCFC’s Classe de gases artificais que substituem os CFC’s por provocarem uma menor destruição na camada de ozônio. 0,11 p.p.b. (HCFC-22)4 5% (HCFC-22) 12 anos (HCFC-22) 11 000 (HCFC-22)