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CADERNO LITERATURA ENEM 2009 a 2018 147 novocadernoenem@gmail.com Questão 399 (2018.2) TEXTO I MUYBRIDGE, E. Cavalo em movimento. Fotografia. Universidade do Texas, Austin, cerca de 1886. (Disponível em: www.utexasaustin.edu. Acesso em: 31 ago. 2016 - adaptado) TEXTO II GÉRICAULT, T. Corrida de cavalos ou O Derby de 1821 em Epson. Óleo sobre tela, 92 x 123 cm. Museu do Louvre, Paris. (Disponível em: www.louvre.fr. Acesso em: 31 ago. 2016) TEXTO III A arte pode estar, às vezes, muito mais prepa- rada do que a ciência para captar o devir e a fluidez do mundo, pois o artista não quer mani- pular, mas sim “habitar” as coisas. O famoso artista francês Rodin, no seu livro L’Art (A Arte, 1911), comenta que a técnica de fotografia em série, mostrando todos os momentos do galope de um cavalo em diversos quadros, apesar de seu grande realismo, não é capaz de capturar o movimento. O corpo do animal é fotografado em diferentes posições, mas ele não parece estar galopando: “na imagem científica [fotográfica], o tempo é suspenso bruscamente”. Para Rodin, um pintor é capaz, em única cena, de nos transmitir a experiência de ver um cavalo de corrida, e isso porque ele representa o ani- mal em um movimento ambíguo, em que os membros traseiros e dianteiros parecem estar em instantes diferentes. Rodin diz que essa exposição talvez seja logicamente inconcebível, mas é paradoxalmente muito mais adequada à maneira como o movimento se dá: “o artista é verdadeiro e a fotografia mentirosa, pois na realidade o tempo não para”. (FEITOSA, C. Explicando a filosofia com arte. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004) Observando-se as imagens (Textos I e II), o paradoxo apontado por Rodin (Texto III) proce- de e cria uma maneira original de perceber a relação entre a arte e a técnica, porque o(a): A) fotografia é realista na captação da sensação do movimento. B) pintura explora os sentimentos do artista e não tem um caráter científico. C) fotógrafo faz um estudo sobre os movimen- tos e consegue captar a essência da sua repre- sentação. D) pintor representa de forma equivocada as patas dos cavalos, confundindo nossa noção de realidade. E) pintura inverte a lógica comumente aceita de que a fotografia faz um registro objetivo e fide- digno da realidade. Questão 400 (2018.2) A orquestra atacou o tema que tantas vezes ouvi na vitrola de Matilde. Le maxixe!, exclamou o francês [...] e nos pediu que dançássemos para ele ver. Mas eu só sabia dançar a valsa, e respondi que ele me honraria tirando minha mulher. No meio do salão os dois se abraçaram e assim permaneceram, a se encarar. Súbito ele a girou em meia-volta, depois recuou o pé es- querdo, enquanto com o direito Matilde dava um longo passo adiante, e os dois estacaram mais um tempo, ela arqueada sobre o corpo dele. Era uma coreografia precisa, e me admirou que minha mulher conhecesse aqueles passos. O casal se entendia à perfeição, mas logo distingui o que nele foi ensinado do que era nela natural. O francês, muito alto, era um boneco de varas, jogando com uma boneca de pano. Talvez pelo contraste, ela brilhava entre dezenas de dança- rinos, e notei que todo o cabaré se extasiava com a sua exibição. Todavia, olhando bem, eram pessoas vestidas, ornadas, pintadas com deselegância, e foi me parecendo que também em Matilde, em seus movimentos de ombros e quadris, havia excesso. A orquestra não dava pausa, a música era repetitiva, a dança se reve- lou vulgar, pela primeira vez julguei meio vulgar