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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I IM PR IM IR Voltar GA BA RI TO Avançar 46 117. U. Alfenas-MG “Brito, em seu depoimento, disse que recebeu autorização de Pitta para responder às reporta- gens que tratavam da não aplicação dos 30% em Educação, mas apontou o então chefe da Assessoria de Imprensa da Prefeitura, Henrique Nunes, como autor da nota. Nunes teria ditado o texto para Brito que, apesar de subscrevê-lo, não interessou-se em saber onde seria publicado, nem quanto custaria. ’Eu não sabia de que maneira isso seria feito‘, disse Brito ao juiz. ’E desco- nhecia que a resposta implicaria gastos públicos.‘” O Estado de S. Paulo, 30/1/98, C1. ‘Para dar-nos a conhecer os pensamentos e as palavras de personagens reais ou fictícios, dispõe o narrador de três moldes lingüisticos diversos conhecidos pelos nomes de discur- so direto, discurso indireto e discurso indireto livre.’ No texto, o repórter fez uso do discurso direto nos períodos: a) 1 e 4. b) 2 e 3. c) 1 e 2. d) 3 e 4. e) 2 e 4. 118. Univali-SC “A hora de dizer não Há quem afirme que a atual geração de filhos vem recebendo dos pais uma educação mais conservadora do que estes receberam dos avós. Pais e educadores estão redescobrindo a dimensão educativa de uma palavra antipática e ne- cessária: não! Ainda é recente o grito de libertação: É proibido proibir! No entanto, hoje, existe quase um consenso: é preciso proibir. Os jovens libertários da década de 70, que pregavam o amor livre, os trajes nem sempre asseados, a desobediência civil e o consumo de drogas, são pais que optam por uma educação mais conservadora. São estes pais que reclamam dos filhos: eles não aceitam ouvir um “não”, estão sempre de mau humor, são agressivos, não sabem o que querem, passam horas falando ao telefone ou na Inter- net, estão sempre desafiando os limites... Os filhos, por sua vez, reclamam dos pais: os pais não confiam neles, só sabem dar broncas e impor regras, implicam com sua maneira de falar, de trajar e com suas amizades, só vêem o erro e não os acertos, não entendem seus problemas e tratamos como crianças diante dos amigos. Educação – ontem, hoje e sempre – implica conjugar liberdade e responsabilidade. Implica amor e firmeza. Quando apenas um dos termos vale, criam-se distorções. Educar é trazer para fora as possibilidades existentes na criança e no adolescente. Educar é ensinar que existem limites, horá- rios e deveres. Educar é também conceder liberdade, para que o jovem forme seu caráter e suas convic- ções. Mas isto deve ser progressivo. Porque experientes, os pais conhecem os erros que eles mesmos cometeram e querem evitar que isso aconteça aos filhos. Educar é, sobretudo, exer- citar o diálogo.” Missão Jovem, agosto de 1999. Deduz-se do texto que: a) “É proibido proibir” era o grito de libertação dos jovens da década de 70. b) “Uma educação mais conservadora” significa mais proibições. c) “Educação” diz respeito à Educação Infantil, ao Ensino Fundamental e Ensino Médio. d) “Exercitar o diálogo” subentende-se discutir o problema entre duas pessoas. e) Só liberdade e só responsabilidade produzem jovens mais livres e responsáveis. Língua Portuguesa - Interpretação de texto I IM PR IM IR Voltar GA BA RI TO Avançar 47 Texto para as questões 119, 120 e 121. “O coelho e o cachorro (fragmento) De vez em quando surgem umas histórias que todos que contam juram ser verdade e até dizem que têm um primo que conheceu a vizinha da sobrinha da pessoa com a qual aconteceu. A mais célebre é aquela do sapatinho vermelho da sogra que desliza debaixo do banco do carro. Lem- brou? Agora pintou uma nova. Simplesmente genial. Quem me contou garante que aconteceu na Granja Viana, bairro de classe média alta em São Paulo, na semana passada. Eram dois vizinhos. O primeiro vizinho comprou um coelhinho para os filhos. Os filhos do outro vizinho pediram um bicho para o pai. O doido comprou um pastor alemão. Papo de vizinho: – Mas ele vai comer o meu coelho. – De jeito nenhum. Imagina. O meu pastor é filhote. Vão crescer juntos, pegar amizade. Enten- do de bicho. Problema nenhum. E parece que o dono do cachorro tinha razão. Juntos cresceram e amigos ficaram. Era normal ver o coelho no quintal do cachorro e vice-versa. As crianças, felizes. Eis que o dono do coelho foi passar o final de semana na praia com a família e o coelho ficou sozinho. Isso na sexta-feira. No domingo, de tardinha, o dono do cachorro e a família tomavam um lanche, quando entra o pastor alemão na cozinha. Pasmo. Trazia o coelho entre os dentes, todo imundo, arrebentado, sujo de terra e, é claro, morto. Quase mataram o cachorro. – O vizinho estava certo... E agora, meu Deus? – E agora? A primeira providência foi bater no cachorro, escorraçar o animal, para ver se ele aprendia um mínimo de civilidade e boa vizinhança. Claro, só podia dar nisso. Mais algumas horas e os vizinhos iam chegar. E agora? Todos se olhavam. O cachorro rosnando lá fora, lambendo as pancadas. – Já pensaram como vão ficar as crianças? – Cala a boca! Não se sabe exatamente de quem foi a idéia, mas era infalível. Vamos dar um banho no coelho, deixar ele bem limpinho, depois a gente seca com o secador da sua mãe e coloca na casinha dele no quintal. Como o coelho não estava muito estraçalhado, assim fizeram. Até perfume colocaram no fale- cido. Ficou lindo, parecia vivo, diziam as crianças. E lá foi colocado, com as perninhas cruzadas, como convém a um coelho cardíaco. Umas três horas depois eles ouvem a vizinhança chegar. Notam o alarido e os gritos das crian- ças. Descobriram! Não deram cinco minutos e o dono do coelho veio bater à porta. Branco, lívido, assustado. Parecia que tinha visto um fantasma. – O que foi? Que cara é essa? – O coelho... O coelho... – O que tem o coelho? – Morreu! – Todos: – Morreu? Inda hoje de tarde parecia tão bem... – Morreu na sexta-feira! – Na sexta? Foi. Antes de a gente viajar as crianças enterraram ele no fundo do quintal! (...) O personagem que mais me cativa nesta história toda, o protagonista da história, é o cachorro. Imagina o pobre do cachorro que, desde sexta-feira, procurava em vão pelo amigo de infância, o coelho. Depois de muito farejar descobre o corpo. Morto. Enterrado. O que faz ele? Provavel- mente com o coração partido, desenterra o pobrezinho e vai mostrar para os seus donos. Prova- velmente estivesse até chorando, quando começou a levar porrada de tudo quanto é lado. O cachorro é o herói. O bandido é o dono do cachorro. O ser humano. Sim, nós mesmos, que não pensamos duas vezes. Para nós o cachorro é o irracional, o assassino confesso. E o homem continua achando que um banho, um secador de cabelos e um perfume disfarçam a hipocrisia, o animal desconfiado que tem dentro de nós. Julgamos os outros pela aparência, mesmo que tenhamos que deixar esta aparência como melhor nos convier. Maquiada. Coitado do cachorro. Coitado do dono do cachorro. Coitados de nós, animais racionais.” PRATA, Mário. Isto é, 22/04/98.