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138 ciÊNcias da NaTureZa e suas TecNologias Química II Anual – Volume 1 Aula 01: Noções de Entalpia Introdução Termoquímica é a parte da Química que estuda as trocas de calor entre sistema e vizinhança (meio ambiente), tanto para processos físicos (como as mudanças de estado físico e os processos de dissolução de sais) quanto para processos químicos (como as reações químicas de um modo geral). As unidades mais utilizadas para as transferências de calor são a caloria, cujo símbolo é cal, e o joule, cujo símbolo é J. Respeitando a equivalência entre múltiplos e submúltiplos dessas unidades, podemos escrever: 1 cal = 4,18 J 1 kcal = 4,18 kJe Classifi cação das reações A classifi cação das reações químicas e dos processos físicos em relação à quantidade de calor liberada ou absorvida é dada por: Exotérmicos: referem-se aos processos, sejam físicos ou químicos, que perdem calor para o meio ambiente, ou seja, liberam calor para a vizinhança. Exemplo: A queima de um combustível ou o congelamento da água líquida. Endotérmicos: referem-se aos processos, sejam físicos ou químicos, que absorvem calor do meio ambiente. Exemplo: A decomposição da água em H 2 e O 2 ou a evaporação da água líquida. Entalpia (H) Entalpia é o conteúdo de calor de um sistema medido em condições de pressão constante. Quando nos referirmos a uma reação química, fato que ocorre em grande parte das vezes, a defi nição de entalpia deve ser ampliada para o conteúdo de calor medido em condições de pressão e temperatura constantes. Na verdade, não realizamos a medida dos valores absolutos de entalpia, e sim, das variações de entalpia (DH). Assim, a variação de entalpia é dada por: DH = H fi nal – H inicial = H produto – H reagente = calor de reação Observe o gráfi co de entalpia para uma reação exotérmica, como, por exemplo, a formação do HC: H 2(g) + C 2(g) → 2HC (g) + 184 kJ Note que o calor liberado para a formação de 2 mol de HC (g) é de 184 kJ. O gráfi co correspondente é: Caminho da reação Calor liberado ∆H = −184 kJ 2HC�(g) H 2(g) + C�2(g)HREAG. H HPROD. C-3 H-8 C-7 H-27 C-6 H-21, 23Aula 01 DH = H produto – H reagente = – 184 kJ Repare que DH é negativo porque H produto < H reagente . Assim, para uma reação exotérmica, temos: DH < 0 Veja agora o gráfico de entalpia para uma reação endotérmica, como, por exemplo, a decomposição da água líquida: 2H 2 O () + 558 kJ → 2H2(g) + O2(g) Perceba quxe o calor absorvido para a decomposição de 2 mol de H 2 O () é de 558 kJ. Veja o gráfi co: Caminho da reação Calor absorvido ∆H = +558 kJ 2H 2 O (�) 2H 2(g) + O2(g) HREAG. HPROD. H DH = H produto – H reagente = +558 kJ Repare que DH é positivo porque H produto > H reagente . Assim, para uma reação endotérmica, temos: DH > 0 Observações: 1. Uma outra forma de se medir a quantidade de calor trocado num processo é a variação de energia interna (DE ou DU), que corresponde ao calor trocado em condições de temperatura e volume constantes (para processos químicos). A variação de energia interna relaciona-se com a variação de entalpia por meio da 1ª lei da termodinâmica: DH = DE + , onde é o trabalho realizado pela expansão (ou compressão) dos gases na reação, e pode ser calculado como: • = P · DV = Dn · R · T, para sistemas onde haja, ao menos, um componente gasoso, sendo Dn a variação dos números de mol gasosos (coefi cientes) no processo. • ≅ 0, para processos onde não há gases. 2. Nas mudanças de fase de agregação (estado físico) de uma substância, as trocas de calor ocorrem da seguinte forma: Sólido Líquido Gasoso Endo Endo Exo Exo 139 ciÊNcias da NaTureZa e suas TecNologiasQuímica II Anual – Volume 1 Exercícios de Fixação 01. (UCB-DF) Ao olharmos o ambiente, vemos que os diversos materiais que nos circundam se apresentam em diversos estados da matéria, ou diversos estados de agregação. Os fenômenos, ou seja, as transformações que a matéria sofre naturalmente ou em função da ação humana, podem ser classifi cados em físicos ou químicos, dependendo da qualidade dessa transformação. Nesse contexto, assinale a alternativa correta. A) A evaporação da água do mar, necessária para a produção de sal em salinas, é um exemplo de fenômeno químico. B) O descarregar de uma bateria de celular é um fenômeno físico. C) O enferrujar da palha de aço é um exemplo de transformação física exotérmica. D) A combustão da gasolina é um fenômeno químico endotérmico. E) O congelamento da água em um refrigerador é uma transformação física exotérmica. 02. (UFMG) A dissolução de cloreto de sódio sólido em água foi experimentalmente investigada, utilizando-se dois tubos de ensaio, um contendo cloreto de sódio sólido e o outro, água pura, ambos à temperatura ambiente. A água foi transferida para o tubo que continha o cloreto de sódio. Logo após a mistura, a temperatura da solução formada decresceu pouco a pouco. Considerando-se essas informações, é correto afi rmar que A) a entalpia da solução é maior que a entalpia do sal e da água separados. B) o resfriamento do sistema é causado pela transferência de calor da água para o cloreto de sódio. C) o resfriamento do sistema é causado pela transferência de calor do cloreto de sódio para a água. D) o sistema libera calor para o ambiente durante a dissolução. 03. (Fac. Direito de Sorocaba-SP) Em uma estufa de criação de galinhas, a temperatura média é de 21 ºC. Em um experimento, as aves foram colocadas sob estresse térmico, e a temperatura do ambiente subiu para 42 ºC. Admitindo-se que a estufa tenha um volume igual a 40 m3 e a densidade do ar seja de 1,3 kg ⋅ m–3, e ainda que o calor específi co do ar nas condições do local seja igual a 1,012 kJ ⋅ kg–1 ⋅ K–1, o aumento da quantidade de calor por causa do estresse térmico, em quiloJoules, foi de, aproximadamente, A) 1,1 × 103. B) 2,2 × 103. C) 8,5 × 102. D) 1,7 × 103. E) 3,3 × 103. 04. (Fatec-SP) Um incêndio atingiu uma fábrica de resíduos industriais em Itapevi, na Grande São Paulo. O local armazenava três toneladas de fosfeto de alumínio (AP). De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o fosfeto de alumínio reagiu com a água usada para apagar as chamas, produzindo hidróxido de alumínio e fosfina (PH 3 ). A fosfi na é um gás tóxico, incolor, e não reage com a água, porém reage rapidamente com o oxigênio liberando calor e produzindo pentóxido de difósforo (P 2 O 5 ). Segundo os médicos, a inalação do P 2 O 5 pode causar queimadura tanto na pele quanto nas vias respiratórias devido à formação de ácido fosfórico. Disponivel em: <https://tinyurl.com/yafzufbo>. Acesso em: 11 out. 18. Adaptado. Os gráfi cos 1, 2 e 3 representam a variação da energia em função do caminho da reação para três transformações químicas, sendo R o reagente e P o produto de cada reação. Gráfico 1 Gráfico 2 Gráfico 3 H (kJ) R R P P H (kJ) caminho da reação caminho da reação R P H (kJ) caminho da reação Entre os gráfi cos 1, 2 e 3, aquele que representa corretamente a reação da fosfi na com o oxigênio, descrita no texto, é o A) gráfi co 1, pois a reação é endotérmica e apresenta DrH0 < 0. B) gráfi co 1, pois a reação é exotérmica e apresenta DrH0 < 0. C) gráfi co 2, pois a reação é endotérmica e apresenta DrH0 > 0. D) gráfi co 2, pois a reação é exotérmica e apresenta DrH0 < 0. E) gráfi co 3, pois a reação é endotérmica e apresenta DrH0 > 0. 05. (UFG) Em um recipiente com paredes perfeitamente condutoras de calor encontra-se uma solução altamente concentrada de ácido clorídrico à temperatura de 27 °C e à pressão atmosférica. Certa quantidade de pó de magnésio é colocada na solução e, imediatamente depois, o recipiente é tampado com um pistão de massa desprezível, que fi ca em contato com a superfície do líquido e que pode deslizar sem atrito ao longo do recipiente. Quando a situação de equilíbrio é alcançada observa-se que o magnésio reagiu completamentecom o ácido e que o pistão levantou-se em relação à superfície da solução devido à produção de gás. Sabendo que no processo todo o sistema realizou um trabalho de 240 J, e considerando o gás produzido como ideal, conclui-se que a massa, em gramas, de magnésio inicialmente colocada na solução foi: Dados: Use R = 8,0 J ⋅ mol–1 ⋅ K–1; Mg = 24,3. A) 0,243 B) 0,486 C) 0,729 D) 1,215 E) 2,430 140 ciÊNcias da NaTureZa e suas TecNologias Química II Anual – Volume 1 Exercícios Propostos 01. (Vunesp-SP) Em uma cozinha, estão ocorrendo os seguintes processos: I. gás queimando em uma das “bocas” do fogão e II. água fervendo em uma panela que se encontra sobre esta “boca” do fogão. Com relação a esses processos, pode-se afi rmar que: A) I e II são exotérmicos. B) I é exotérmico e II é endotérmico. C) I é endotérmico e II é exotérmico. D) I é isotérmico e II é exotérmico. E) I é endotérmico e II é isotérmico. 02. (Enem) Sobre a diluição do ácido sulfúrico em água, o químico e escritor Primo Levi afi rma que, “está escrito em todos os tratados, é preciso operar às avessas, quer dizer, verter o ácido na água e não o contrário, senão aquele líquido oleoso de aspecto tão inócuo está sujeito a iras furibundas: sabem-no até os meninos do ginásio”. furibundo: adj. furioso LEVI, P. A tabela periódica. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994. Adaptado. O alerta dado por Levi justifi ca-se porque a A) diluição do ácido libera muito calor. B) mistura de água e ácido é explosiva. C) água provoca a neutralização do ácido. D) mistura fi nal de água e ácido separa-se em fases. E) água inibe a liberação dos vapores provenientes do ácido. 03. (Unifor-CE) Em nosso cotidiano, é possível observar que várias reações químicas ocorrem envolvendo troca de calor com a vizinhança, as reações que absorvem calor são conhecidas como reações endotérmicas e as que liberam calor são conhecidas como exotérmicas. Uma das aplicações práticas destas reações são as compressas de emergência, quentes ou frias, que, ao utilizar diferentes sais, podem produzir uma compressa quente ou uma compressa fria. Considere que os sais NH 4 NO 3 e CaC 2 sejam usados para obtenção das compressas I e II. Compressa I: NH 4 NO 3(s) + H 2 O → NH 4 NO 3(aq) DH = 26,3 KJ/mol Compressa II: CaC 2(s) + H 2 O → CaC 2(aq) DH = –82,7 KJ/mol Em relação ao uso das compressas I e II, separadamente, sobre o corpo humano, é correto o que se afi rma em A) a compressa I provoca uma sensação de aquecimento em contato com o corpo. B) a compressa II provoca uma sensação de resfriamento em contato com o corpo. C) a compressa I provoca uma sensação de resfriamento em contato com o corpo. D) em temperatura ambiente, não se observam trocas de calor entre a compressa e o corpo. E) o poder de resfriamento da compressa II é 4 vezes maior do que a compressa I. 04. (Uni-FaceF-SP) Observe o diagrama de energia de um processo químico. H (kJ) produtos +300 –270 reagentes caminho da reação É correto afi rmar que esse processo é A) exotérmico, pois ocorreu liberação de calor com = – 30 kJ. B) endotérmico, pois ocorreu absorção de calor com = +570 kJ. C) endotérmico, pois ocorreu liberação de calor com = +30 kJ. D) exotérmico, pois ocorreu absorção de calor com = +30 kJ. E) exotérmico, pois ocorreu liberação de calor com = – 570 kJ. 05. (PUC-SP) O carvão, C, sofre combustão em presença de gás oxigênio. Dependendo da quantidade de comburente disponível, a combustão será incompleta, com formação de monóxido de carbono ou completa, com formação de dióxido de carbono. O diagrama de energia que melhor representa a entalpia dos reagentes e produtos das referidas combustões é: A) H (k J · m ol –1 ) CO (g) + 1/2 O 2(g) C (s) + O 2(g) CO 2(g) B) H (k J · m ol –1 ) CO (g) + 1/2 O 2(g) C (s) + O 2(g) CO 2(g) C) H (k J · m ol –1 ) CO (g) + 1/2 O 2(g) C (s) + O 2(g) CO 2(g) 141 ciÊNcias da NaTureZa e suas TecNologiasQuímica II Anual – Volume 1 D) H (k J · m ol –1 ) CO (g) + 1/2 O 2(g) C (s) + O 2(g) CO 2(g) E) H (k J · m ol –1 ) CO (g) + 1/2 O 2(g) C (s) + O 2(g) CO 2(g) 06. (UFMG) Nos diagramas a seguir, as linhas horizontais correspondem a entalpias de substâncias ou de misturas de substâncias. O diagrama que qualitativamente indica as entalpias relativas de 1 mol de etanol líquido, 1 mol de etanol gasoso e dos produtos da combustão de 1 mol desse álcool, 2CO 2 + 3H 2 O, é A) B) A) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol gasoso etanol líquido B) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol líquido etanol gasoso C) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol gasoso etanol líquido D) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol líquido etanol gasoso 00 08 -Q 12 -G B@ A) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol gasoso etanol líquido B) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol líquido etanol gasoso C) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol gasoso etanol líquido D) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol líquido etanol gasoso 00 08 -Q 12 -G B@ C) D) A) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol gasoso etanol líquido B) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol líquido etanol gasoso C) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol gasoso etanol líquido D) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol líquido etanol gasoso 00 08 -Q 12 -G B@ A) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol gasoso etanol líquido B) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol líquido etanol gasoso C) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol gasoso etanol líquido D) H 2CO 2 + 3H 2 O etanol líquido etanol gasoso 00 08 -Q 12 -G B@ 07. (Udesc-SC) Um oxidante bastante utilizado em fogos de artifício e fabricação de fósforos é o perclorato de potássio (KCO 4 ), que é um sólido iônico à temperatura ambiente (25 ºC). Assinale a alternativa que contém o calor necessário para elevar a temperatura de 25,0 g de perclorato de potássio da temperatura ambiente até sua temperatura de fusão em 525 ºC. Dado: capacidade calorífi ca: 5,85 kJ ⋅ K–1 ⋅ mol–1; massa molar do KCO 4 = 138,5 g/mol. A) 7,3 kJ B) 18,0 kcal C) 528 kJ D) 128 kJ E) 73,1 kJ 08. (Uerj) Para explicar o princípio das trocas de calor, um professor realiza uma experiência, misturando em um recipiente térmico 300 g de água a 80 ºC com 200 g de água a 10 ºC. Desprezadas as perdas de calor para o recipiente e para o meio externo, a temperatura de equilíbrio térmico da mistura, em ºC, é igual a: A) 52 B) 45 C) 35 D) 28 09. (FCM-PB) O número total de bovinos no País foi de 215,2 milhões de cabeças em 2015, um aumento de 1,3% em relação a 2014. O maior rebanho era o de São Félix do Xingu (PA), com 2.222.949 cabeças no último dia do ano, seguido por Corumbá (MS), Ribas do Rio Prado (MS), Cáceres (MT) e Marabá (PA). Os dados são da Pesquisa Pecuária Municipal 2015, divulgada nesta quinta-feira, dia 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografi a e Estática (IBGE). Por dia, cada cabeça de gado produz cerca de (50/365) kg de metano. Se fosse possível recolher essa quantidade de gás, poderia haver valiosa aplicação, uma vez que, na combustão total do metano é gerada energia térmica que poderia ser utilizada para aquecer água. Re pr od uç ão /F C M P B Com essa massa de metano quantos kg de água poderiam ser aquecidos de 25 ºC a 43 ºC? Dados: Calor de combustão do metano = 210 kcal / mol Massa molar do metano = 16 g / mol Calor específi co da água = 1,0 cal g–1 ºC–1 A) 1,0 × 10 kg B) 1,0 × 102 kg C) 1,0 × 103 kg D) 2,0 × 104 kg E) 2,0 × 105 kg 10. Observe as seguintes afirmações a respeito das energias envolvidas em processos físicos ou químicos: I. A queima do carvão é um fenômeno químico exotérmico; II. O degelo de uma calota polar é um fenômeno físico endotérmico; III. Na reação HC (aq) + NaOH (aq) → NaC (aq) + H 2 O (), a variação de entalpia é igual à de energia interna da reação; IV. Na reação C (s) + O 2(g) → CO 2(g) , a variação de entalpia é igual à de energia interna da reação. Das afi rmações apresentadas: A) apenas I e III são corretas. B) apenas I, II e IV são corretas. C) apenas II, III e IV são corretas.D) apenas I, II e III são corretas. E) todas são corretas. 142 ciÊNcias da NaTureZa e suas TecNologias Química II Anual – Volume 1 Seção Videoaula Noções de Entalpia Aula 02: Fatores que Infl uenciam no DH / Alguns DH’s Importantes Introdução Quantidade de reagentes e produtos A quantidade de calor liberada ou absorvida em uma reação química ou fenômeno físico é proporcional à quantidade de reagentes (ou produtos) que são consumidos (ou formados) no processo. Veja o exemplo para a formação de 2 mol de amônia gasosa: N 2(g) + 3H 2(g) → 2NH 3(g) DH = – 92 kJ Essa notação indica que, para a formação de 2 mol de amônia (NH 3 ) na fase gasosa, são liberados 92 kJ de calor. Evidentemente, se ocorresse a formação de 4 mol de amônia gasosa, a quantidade de calor liberado seria também o dobro. Observe: 2N 2(g) + 6H 2(g) → 4NH 3(g) DH = – 184 kJ Estados físicos de reagentes e produtos O estado físico de certo reagente ou determinado produto em uma reação química pode alterar a variação de entalpia da reação. Sabe-se que uma substância em fase gasosa possui maior conteúdo energético que em fase líquida (devido à maior energia cinética das partículas no estado gasoso, que resulta em maior agitação molecular), e que uma substância em fase líquida possui maior conteúdo energético que em fase sólida: H gasoso > H líquido > H sólido Veja o gráfi co de entalpia para a reação exotérmica de produção de monóxido de carbono gasoso e água (que pode ser gasosa, líquida ou sólida), a partir de gás carbônico e gás hidrogênio. CO 2(g) + H 2(g) → CO (g) + H 2 O Sabemos que as três reações diferenciam-se, em relação ao calor liberado, pelo estado físico da água (um dos produtos da reação). Lembre-se que a água em fase gasosa é a de maior entalpia e situa-se acima das outras duas fases no gráfi co. Esse fato é importante quando avaliamos a variação de entalpia. C-3 H-8 C-7 H-26 C-6 H-21, 23Aula 02 x y zCO (g) + H2O(g) CO 2(g) + H 2(g) CO (g) + H2O(�) CO (g) + H2O(s) H Note que x < y < z. Portanto, pode-se concluir que a reação estudada libera mais calor ao formar água sólida e libera menos calor ao formar água gasosa. Temperatura da reação Como reagentes e produtos são substâncias diferentes com calores específi cos diferentes, a mudança na temperatura provoca alteração no valor do DH de uma reação. Acompanhe o exemplo a seguir. • a 25 °C: N 2(g) + 3H 2(g) → 2NH 3(g) DH = – 92 kJ • a 450 °C: N 2(g) + 3H 2(g) → 2NH 3(g) DH = – 111 kJ Estado alotrópico dos componentes A mudança na forma alotrópica de uma substância altera a variação de entalpia (DH) da reação que a substância toma parte, pois, afi nal, são substâncias diferentes. Em termos termodinâmicos, a forma alotrópica mais estável de uma substância é a que admite a mais baixa entalpia. Nesse momento, é interessante que se recorde o que signifi ca alotropia: é o fenômeno em que um mesmo elemento químico pode formar mais de uma substância simples diferente. Diversos elementos apresentam variedades alotrópicas, mas os mais importantes casos de alotropia estão resumidos na tabela a seguir. Elemento Alótropos Mais estável Carbono (C) Grafi te (gr.) Diamante (d) Fulerenos (Ful.) Grafi te (gr.) Oxigênio (O) Oxigênio (O 2 ) Ozônio (O 3 ) Oxigênio (O 2 ) Enxofre (S) Rômbico (r) Monoclínico (m) Rômbico (r) Fósforo (P) Vermelho (v) Branco (br.) Vermelho (v) 143 ciÊNcias da NaTureZa e suas TecNologiasQuímica II Anual – Volume 1 O estado padrão Estado padrão de uma substância refere-se ao estado físico mais comum da substância (e variedade alotrópica mais estável, se for o caso) em condições de 1 atm, sob temperatura de 25 °C. A definição de estado padrão é importante para estabelecermos o zero de entalpia para cada elemento. Toda substância simples no estado padrão possui entalpia igual a zero, como, por exemplo, as substâncias H 2(g) , O 2(g) , C (grafi te) e S (romb.). Exceção: É atribuída ao fósforo branco (forma menos estável do elemento fósforo) a entalpia H = 0, por razões históricas. Logo, o fósforo vermelho, que é a variedade mais estável, terá entalpia menor, e, portanto, H < 0. Observações: • As formas alotrópicas menos estáveis possuem entalpia maior que as das formas mais estáveis (H > 0). • Se nada for mencionado no problema, admite-se que a substância, ou todas as substâncias de uma reação, estejam no estado padrão. Alguns DH’s importantes Calor, entalpia ou DH de formação É a quantidade de calor liberada ou absorvida para formar 1 mol de uma substância, a partir de seus elementos constituintes, na forma de substâncias simples, no estado padrão, a 25 °C. Observe os três exemplos a seguir, em que o DH é denominado calor de formação: C (graf.) + O 2(g) → CO 2(g) DHf = – 393,5 kJ/mol Na (s) + 1 2 C 2(g) → NaC (s) DHf = – 411,1 kJ/mol 6C (graf.) + 6H 2(g) + 3O 2(g) → C 6 H 12 O 6(s) DHf = – 1268 kJ/mol Observe agora dois exemplos em que o DH da reação não pode ser denominado calor de formação: • C (diam.) + 2H 2(g) → CH 4(g) DH = – 77,6 kJ/mol (nesse caso, a espécie C (diam.) não corresponde ao estado padrão). • N 2(g) + 3H 2(g) → 2NH 3(g) DH = – 92 kJ (nesse caso, foram formados 2 mol do produto). Os valores tabelados dos calores de formação das substâncias podem ser utilizados para calcularmos o DH de outras reações em que essas substâncias participem, de acordo com a seguinte relação: DH reação = Σ DHf prod. – Σ DHf reag. Exercício Resolvido 01. (PUC-Campinas) De forma simplifi cada, a reação da fotossíntese fi caria: 6CO 2 + 6H 2 O → C 6 H 12 O 6 + 6O 2 Dadas as entalpias de formação do CO 2 (– 94 kcal/mol), da H 2 O (– 58 kcal/mol), da glicose (– 242 kcal/mol), pode-se concluir que o processo é A) endotérmico e a energia envolvida, 1152 kcal/mol de glicose. B) endotérmico e a energia envolvida, 670 kcal/mol de glicose. C) exotérmico e a energia envolvida, 1152 kcal/mol de glicose. D) exotérmico e a energia envolvida, 670 kcal/mol de glicose. E) endotérmico e a energia envolvida, 392 kcal/mol de glicose. Resolução: DH reação = Σ DHf prod. – Σ DHf reag. 1 242 6 0 6 94 6 58 670 ⋅ −( ) + ⋅ − ⋅ −( ) + ⋅ −( ) = = = +∆Hrea oçã kcal/moll de glicose Resposta: B Calor, entalpia ou DH de combustão É a quantidade de calor liberada para queimar 1 mol de uma substância, estando todos os componentes da reação no estado padrão, a 25 °C. Quando se afi rmar que, para o gás metano, DHc (calor de combustão) é igual a – 890 kJ/mol, entendemos que a reação de 1 mol de CH 4(g) com 2 mol de O 2(g) , produzindo 1 mol de CO 2(g) e 2 mol de H 2 O (), libera 890 kJ a 25 °C. Veja a equação termoquímica correspondente: CH 4(g) + 2 O 2(g) → CO 2(g) + 2H 2 O () DHc = – 890 kJ/mol Observação: Na verdade, todo DH recebe a denominação da reação ou processo a que está associado. Num processo como a fusão da água, H 2 O (s) → H 2 O (), o DH recebe o nome de calor ou entalpia de fusão. Assim, teremos calor de neutralização (para reações de neutralização entre ácidos e bases), calor de dissolução (para a dissolução de substâncias em água, por exemplo) etc. Exercícios de Fixação 01. (Enem) Por meio de reações químicas que envolvem carboidratos, lipídeos e proteínas, nossas células obtêm energia e produzem gás carbônico e água. A oxidação da glicose no organismo humano libera energia, conforme ilustra a equação química, sendo que aproximadamente 40% dela é disponibilizada para atividade muscular. C 6 H 12 O 6(s) + 6 O 2(g) → 6 CO 2(g) + 6 H 2 O () DCH = –2800 kJ Considere as massas molares (em g mol–1): H = 1; C = 12; O = 16. LIMA, L. M.; FRAGA, C. A. M.; BARREIRO, E. J. Química na saúde. São Paulo: Sociedade Brasileira de Química, 2010. Adaptado.