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Camila Mariana Castro de Oliveira Medicina Nove de Julho Farmacodinâmica ➛ A farmacodinâmica é o estudo dos efeitos celulares, bioquímicos e fisiológicos dos fármacos e seus mecanismos de ação Fármaco-Receptor: ➛ Receptor: molécula proteica com efeito clínico ➛ Quanto maior for a concentração do fármaco maior é o efeito do fármaco no sítio de ação ➛ Efeito máximo -> saturação do fármaco Teoria da ocupação dos receptores: ➛ A intensidade do efeito biológico é proporcional à fração do receptor ocupado ➛ Será máxima quando todos os receptores estiverem ocupados ➛ Efeito é proporcional ao número de receptores ocupados Afinidade ligante-receptor: ➛ É a capacidade de um fármaco se ligar a um receptor ➛ Cada fármaco apresenta um grau de afinidade diferente por cada receptor ➛ Tanto os agonistas quanto os antagonistas precisam ter afinidade ➛ Um valor mais baixo de Kd (constante de dissociação em equilíbrio) indica uma interação fármaco-receptor mais firme/ maior afinidade ➛ Para produzir um efeito biológico o medicamento tem que possuir afinidade que possibilite formar o complexo fármaco- receptor é atividade intrínseca (alfa) que é a capacidade de ativar o receptor depois de ligado e seu valor varia de 0 a 1 Afinidade intrínseca (alfa): ➛ Capacidade de ativar o receptor depois de ligado ➛ Varia de 0 a 1 ➛ Agonistas tem atividade intrínseca (alfa positivo, dependendo de mais atividade ou menos), enquanto antagonistas não tem (alfa=0) ➛ Agonistas parciais tem a atividade intrínseca entre 0 e 1, eles nunca atingem uma resposta máxima, independente da dose que ministrar Eficácia: ➛ É a capacidade de um fármaco interagir com seu alvo e disparar uma resposta biológica ➛ Ser mais ou menos eficaz depende da atividade que ele tem pelo receptor e da atividade intrínseca dele ➛ Quantidades adicionais não produzem resposta adicional Potência: ➛ É a comparação de dois ou mais fármacos que agem por meio do mesmo receptor ou mesmo mecanismo de ação ➛ A potência está relacionada com a dosagem do fármaco, ou seja quanto menor for a dose, maior será a potência ➛ Concentração de agonista necessária para produzir 50% do efeito máximo Farmacodinamica Introdução: Camila Mariana Castro de Oliveira Medicina Nove de Julho ➛ São os locais alvos das ações dos fármacos, sendo eles: receptores, canais iônicos, enzimas e moléculas transportadoras Canais iônicos: ➛ Canais de trocas de íons ➛ Existem dois tipos de ações dos fármacos nos canais iônicos ✓ Ação bloqueadora: bloqueiam a permeabilidade do canal iônico ✓ Ação moduladora: aumentam ou diminuem o tempo de abertura ou fechamento de um canal, podem modular os tipos de íons que passam por eles Enzimas: ➛ Existem três tipos de ações dos fármacos nas enzimas ✓ Inibidor: inibe uma reação enzimática normal ✓ Falso substrato: produz um metabólito anormal que vai interromper uma cascata ou uma síntese enzimática ✓ Pró-fármaco: produção de fármaco ativo por meio de enzimas endógenas Moléculas transportadoras: ➛ Além do transporte normal de moléculas existem duas ações dos fármacos ✓ Inibidor: bloqueiam os transportadores ✓ Falso substrato: provocam um acúmulo de compostos anormais ➛ O tempo para a interação difere de acordo com o mecanismo utilizado Canais iônicos regulados por ligantes (receptores ionotrópicos): ➛ Demoram milissegundos ✓ Receptor nicotinico de acetilcolina ✓ Receptor de GABA ✓ Receptor de 5-hidroxitriptamina tipo 3 ➛ Alteram a condutância do canal, favorecendo a abertura ou fechamento deste, e alterando a absorção de fármacos ➛ Receptores seletivos para íons específicos Alv farmacológic: Ligação Receptor-Efetor: Variáveis que afetam a ação dos fármacos: ✓ Relacionados aos fármacos: - Posologia - Via de administração - Interação entre fármacos e alimentos - Interação entre fármacos ✓ Relacionados ao paciente: - Idade - Peso corporal - Características genéticas e étnicas - Sexo, doença, considerações psicológicas Camila Mariana Castro de Oliveira Medicina Nove de Julho ➛ Afetam processos relacionados a potencial de membrana ✓ Neurotransmissão ✓ Atividade cardíaca ✓ Contração muscular Receptores acoplados à proteína g (receptores metabotrópicos): ➛ Demoram segundos ➛ Proteína G: grupo de proteínas transducionais presentes em membranas plasmáticas associadas a GTP ✓ Receptor muscarinico de acetilcolina ✓ Receptores adrenérgicos ✓ Receptores de dopamina ✓ Receptores de 5-HT ✓ Receptores de peptídeos ✓ Receptores de purinas Receptores ligados a quinase ou com domínio citosólico enzimático: ➛ Demoram horas ✓ Receptores de insulina ✓ Receptores de fatores de crescimento ✓ Receptores de citocinas ➛ Principal mecanismo de ação: fosforilação de proteínas ➛ Processos de fosforilação são facilmente reversíveis Receptores intracelulares ou nucleares: ➛ Demoram horas ✓ Receptores de hormônios esteroides ✓ Receptores de hormônios tireoidianos ✓ Receptores de vitamina D ✓ Receptores sede ácido retinóico ➛ Enzimas intracelulares ➛ Transdutores de sinais citosolicos (mensageiros intracelulares) ➛ Reguladores de transcrição Receptores enzimáticos extracelulares: ➛ Regulação alostérica ➛ Inibição irreversível ➛ Inibição reversível competitiva e não competitiva Estímulos integrados de diferentes receptores: ✓As células recebem muitos estímulos simultaneamente ✓ Os estímulos podem ser processados por receptores diferentes ✓ As células tem número limitado de cascatas moleculares de transdução de estímulos ✓ Os estímulos podem ser integrados, potencializando ou anulando um ao outro ✓ Efeito integrado: interação farmacológica-> potencialização do efeito ou anulação do efeito Camila Mariana Castro de Oliveira Medicina Nove de Julho Agonistas: ➛ Molécula que produz alteração na atividade da molécula alvo ➛ São moléculas capazes de se ligar a um receptor e produzir resposta biológica semelhante ao ligante endógeno, amplificando ou imitando a resposta endógena ➛ Possuem ação de fármacos nos receptores e podem causar efeitos: ✓ Efeitos diretos: abertura e fechamento de canais iônicos ✓ Mecanismos de transdução: ativação ou inibição enzimática, modulação de canais iônicos, transcrição de DNA Agonista integral ou total (alfa=0): ➛ Consegue atingir uma resposta muito semelhante ao endógeno - ativa ao máximo o receptor - Exemplos: fenilefrina (vasoconstritor) e salbutamol (broncodilatador) Agonista parcial (alfa entre 0 e 1): ➛ Não conseguem produzir o mesmo Emax que o total, mesmo ocupando todos os receptores ➛ Produz resposta submáxima ao interagir com o receptor - Exemplos: pindolol, buprenorfina Agonista inverso (alfa indefinido): ➛ É agonista por ter atividade no receptor e inverso por fazer o contrário do que o endógeno faz., como por exemplo, anti histamínicos, têm maior afinidade por receptores que estão nos estados inativos ➛ O anti histamínico, por exemplo, pega os receptores que a histamina ativou, muda a conformação deles até que desligue - bloqueiam a ação da histamina ➛ Se liga ao receptor produzindo resposta oposta Agonista indireto: ➛ Aumenta a ação do endógeno, mas sem atuar no mesmo receptor ➛ Atua por mecanismos moleculares indiretos aumentando o efeito clínico ➛ Exemplos: anfetamina, ela não se liga nos receptores alfa adrenérgicos, a ação dela é de provocar uma maior liberação de noradrenalina endógena que vai se ligar em seus receptores Antagonistas: ➛ Não conseguem ativar receptores ➛ Não tem resposta ➛ Bloqueiam os mediadores endógenos ➛ Os tipos de antagonista podem ser distribuídos em duas classes: ✓ Receptores: reversíveis (competitivos) e irreversíveis (não competitivos) ✓ Sem receptores: antagonistas fisiológicos, químico, farmacocinético e indireto Antagonistas competitivosreversíveis: ➛ Compete com o endógeno para ligar no receptor, mas de maneira reversível ➛ Se liga no receptor do agonista de forma reversível, competindo com o agonista pelo sítio Agonias e Antagonias: Camila Mariana Castro de Oliveira Medicina Nove de Julho ➛ Altera a potência dos agonistas ➛ Compete tanto com os endógenos tanto com o agonista Antagonistas não competitivos: ➛ Impede a ligação do agonista de forma irreversível ➛ Reduz a eficácia dos agonistas ➛ Exemplos: omeprazol, AAS ➛ Obs: não é que vai bloquear pra sempre tudo, pois a célula pode produzir novos receptores Antagonistas químicos: ➛ Interação entre duas substâncias que reagem quimicamente e produzem a inativação do fármaco ➛ Exemplo: uso de cations com tetraciclina - o cálcio do leite não deixa a tetraciclina ser absorvida, reduzindo a sua absorção e efeito Antagonistas farmacocinéticos: ➛ Duas ou mais substâncias que podem interagir e diminuir a concentração da droga ativa ➛ Exemplo: induzir alterações de pH para aumentaria diminuir a ação de um fármaco Antagonistas fisiológicos: ➛ Dois agentes com efeitos biológicos contrários atuando em receptores diferentes ➛ Exemplo: tromboxano agindo em seu receptor promove a agregação plaquetária e a prostaciclina em seu receptor inibe a agregação plaquetária Antagonistas indiretos: ➛ Não age no receptor ➛ Fármacos que podem reduzir a exocitose ou aumentar a metabolização de outro fármaco ➛ De alguma forma vai reduzir a disponibilidade de um agonista ➛ Exemplo: toxina botulínica inibe a exocitose de Ach e promove a paralisia muscular ➛ Diminuição do efeito após administração repetida ➛ Pode se desenvolver em poucos minutos (taquifilaxia) ou de forma gradual (tolerância) ➛ Mecanismos de diminuição do efeito: ✓ Alteração nos receptores - fosforilação ✓ Perda de receptores - endocitose Moduladores alostéricos: ✓ São fármacos que se ligam em um sítio de ligação diferente que o sítio de ligação do agonista e causam uma modificação conformacional podendo levar ao aumento da afinidade do agonista e a diminuição da atividade do receptor ✓ Antagonismo: reduz a ação do agonista (ex: picrotoxina em canais de Cl- do GABA) ✓ Potencialização: aumenta a resposta do agonista (ex: benzodiazepinicos em receptores GABA) Taquifilaxia e tolerância: - Taquifilaxia: diminuição do efeito de um fármaco em poucos minutos após administração repetida - Tolerância: diminuição do efeito do fármaco após administração repetida que vira de forma gradual Camila Mariana Castro de Oliveira Medicina Nove de Julho ✓ Exaustão de mediadores - anfetamina, depleção das reservar de monomanias ✓ Aumento da degradação metabólica - etanol (concentrações plasmáticas cada vez mais baixas, decorrente do uso contínuo) ✓ Adaptação fisiologia - redução do efeito do fármaco devido a sua anulação por uma resposta homeostática ➛ Receptores tornam-se sensibilizados após longa exposição de antagonistas ➛ Células sintetizam receptores extras para compensar os receptores bloqueados ➛ Aumento das doses do antagonista é necessário para se atingir o mesmo efeito (tolerância) ➛ Células tornam-se mais sensíveis ao agonista natural ➛ A retirada do antagonista pode causar efeitos adversos Eficácia x potência: ➛ Eficácia: capacidade de gerar resposta ➛ Potência: quantidade de fármaco para produzir resposta Janela terapêutica: ➛ É a faixa de valores de concentração de um fármaco que produz uma resposta terapêutica sem efeitos tóxicos em uma população de pacientes ➛ Fármacos com pequena janela terapêutica: monitorização níveis plasmáticos para manter uma dose efetiva, sem ultrapassar o nível passível de provocar toxicidade ➛ Diferença entre quanto você consegue manter da dose eficaz e da dose tóxica: quanto maior o índice terapêutico (IT), mais seguro é o fármaco ✓ TD50: dose de fármaco que produz uma resposta tóxica em 50% da população - quanto menor TD50, mais perigoso é o fármaco ✓ ED50: dose do fármaco terapeuticamente efetiva em 50% da população ✓ DE: dose efetiva ✓ DT: dose tóxica = DL: dose letal Sensibilização: Parâmetr farmacodinâmic: