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Notas de Aula – Operações Unitárias II 2024.1 – Prof. João Vicente 4 BALANÇOS DE ENERGIA O balanço de energia macroscópico Pelo princípio da conservação de energia, tem-se: ENTRADA + GERAÇÃO – SAÍDA – CONSUMO = ACÚMULO energia energia energia energia de energia sistema sistema sistema sistema sistem + − − = transferida gerada transferida consumida acúmulo para o no do no no (*) a Balanço de energia para sistemas fechados e sem reação química Os sistemas fechados na sofrem, frequentemente, variações das energias cinética ou potencial externas (em relação a um nível de referência – PHR) e, portanto, somente sofrem variações de energia interna. Nestes casos, a primeira lei da termodinâmica se reduz a: = −U Q W U ... Variação da energia interna, J; Q ... Energia transferida para o sistema, J; W ... Energia transferida do sistema, J; Balanço de energia para sistemas abertos e sem reação química Do ponto de vista industrial, os processos mais importantes são os que envolvem o escoamento permanente de um tubo através de um ou mais equipamentos. Seja o processo físico (sem reação química) em que massa e energia atravessam o sistema. A ilustração abaixo representa um caso geral. Notas de Aula – Operações Unitárias II 2024.1 – Prof. João Vicente 5 1( ) 2( ) Q V, 1 Z 1 u 1 p 1 1 trocador de calor (i) trabalho útil fornecido pelo sistema (FLUIDO) à vizinhança (TURBINA) Q+ Q _ W+W sistema m 1 Q V, 2 Z 2 u 2 p 2 2 m 2aquecimento do fluido resfriamento do fluido (i) e e _(ii) (ii) trabalho útil fornecido ao sistema (FLUIDO) pela vizinhança (BOMBAS, COMPRESSORES) v 1 v 2 turbina PHR Legenda: QV ... vazão volumétrica, m3 s−1; • m ... vazão mássica, kg s−1; u ... energia interna específica, J kg−1; v ... velocidade média, m s−1; p ... pressão, Pa; ... volume específico, m3 kg−1; Z ... elevação, m. Notas de Aula – Operações Unitárias II 2024.1 – Prof. João Vicente 6 Balanço de energia acúmulo de energia energia energia (*) interior do sistema sistema sistema = − transferida transferida no para o do Como se trata de um processo envolvendo escoamento de certo fluido, sua massa é substituída por vazão mássica. Daí, os termos de energia transferidos serão substituídos por taxas de energia (energia/tempo). A equação (1) fica: taxa de acúmulo de energia taxa de energia taxa de energia interior do sistema sistema sistema = − transferida transferida no no (para o) do sist f i E E E t t − = = ( ) ( )c, c,f f p,f f i i p,i i+ + − + + u e e m u e e m t (2) De acordo com a figura, somando-se todas as energias por unidade de tempo da vizinhança para sistema, tem-se: ( )c, 1 1 p,1 1 1 1 1 taxa de energia sistema m mu e e +Q + p = + + transferida no , pelo qual o último termo vem do trabalho de fluxo ou energia de pressão. Da mesma forma, somando-se todas as energias por unidade de tempo do sistema para vizinhança, tem-se: ( )c,2 2 p,2 2 2 2 2 taxa de energia sistema em mu e e +W + p = + + transferida do , pelo qual o último termo vem do trabalho de fluxo ou energia de pressão. Introduzindo-se a expressão h u p= + e ao se tratar de problemas envolvendo regime permanente onde 2 m m m= = , tem-se: ( )sist c p e = m+ E h e e Q W t + + − − (3), pelo qual: h ... variação de entalpia específica, J kg−1; ec ... variação de energia cinética específica, J kg−1; ep ... variação de energia potencial específica, J kg−1; m ... vazão mássica, kg s−1; Q ... taxa de calor, J s−1; We ... taxa de trabalho trocado entre sistema e vizinhanças no eixo, J s−1;(*). Notas de Aula – Operações Unitárias II 2024.1 – Prof. João Vicente 7 (*) W e representa o trabalho no eixo, ou seja, o trabalho útil fornecido à turbina (vizinhança) pelo sistema (fluido) (+); ou o trabalho útil fornecido ao sistema (fluido) pela bomba (vizinhança) (−). Casos especiais associados ao regime permanente Sejam os casos especiais associados ao regime permanente, pelos quais o índice i representa as correntes de entrada e o índice j representa as correntes de saída. a) Quando a energia cinética e energia potencial são desprezíveis em relação aos demais: ej j i ij i m m Q Wh h −= − b) Quando a energia cinética e a energia potencial são desprezíveis e não houver trabalho: j j i ij i m m Qh h = − , pelo qual é empregada normalmente nas colunas de destilação, fornos e caldeiras. c) Quando a energia cinética e a energia potencial são desprezíveis não havendo trabalho nem calor: j j i ij i 0 m mh h = − , que é conhecida como balanço de entalpia, usada em balanço de energia através de uma válvula de expansão ou de estrangulamento. Uso de tabelas termodinâmicas – considerações 1. Especificamente, para a água, existem 3 tipos de tabelas: • uma tabela para as propriedades termodinâmicas da água subrresfriada; • outra tabela para as propriedades termodinâmicas da água saturada; e • a terceira com as propriedades termodinâmicas do vapor superaquecido. 2. Estado de Saturação: Referência de Pressão e Referência de Temperatura. Na prática, como a pressão e a temperatura na região de mistura são dependentes, é comum o uso de duas tabelas para a região de mistura: uma tendo a temperatura como dado de entrada e a outra tendo a pressão como dado de entrada. A diferença é simples: na primeira, os dados de temperatura são igualmente espaçados (por exemplo, com intervalos de 10, 20 ou 50 o C) e a outra traz os dados de pressão igualmente espaçados (por exemplo, com intervalos de 20, 50 ou 100 kPa). Ambos os tipos contêm o mesmo dado que está simplesmente ordenado de maneira diferente. Notas de Aula – Operações Unitárias II 2024.1 – Prof. João Vicente 8 Ex.06: Ar deverá ser comprimido das condições ambientes (P = 100 kPa e T = 300 K) para a pressão de descarga de 500 kPa e T = 600 K. Se a vazão mássica do ar é de 10.000 kg h−1 e a tubulação de descarga do compressor é de 75 mm, calcule a potência (trabalho útil) fornecida pelo compressor. Considere o compressor operando de forma adiabática e o ar sendo succionado do ambiente com velocidade praticamente nula. Verificar a Tabela I5 - Brasil, Nilo Índio do, Introdução à Engenharia Química, v.2, p. 402. R. We = − 918,49 kW Ex.07: Deseja-se comprimir ar de 0,1 MPa e 240 K para 1 MPa e 280 K. A velocidade de saída do ar do compressor é 60 m s−1. Calcular a potência deve ter o compressor (em kW) se a carga é 100 kg h−1 de ar. Verificar a Tabela I5 - Brasil, Nilo Índio do, Introdução à Engenharia Química, v.2, p. 402. R. We = − 1,1 kW Ex.08: Uma turbina, acionada a vapor d’água, opera adiabaticamente com uma potência de 3.000 kW. O vapor que aciona a turbina com uma velocidade de 60 m s−1 é disponível a 2,0 MPa e 600 K e é descarregado (vapor) saturado à pressão de 200 kPa com uma velocidade de 300 m s−1. Calcule a vazão mássica de vapor através da turbina. Verificar a Tabela G4 - Brasil, Nilo Índio do, Introdução à Engenharia Química, v.2, p. 392. Verificar a Tabela G2 - Brasil, Nilo Índio do, Introdução à Engenharia Química, v.2, p. 388.R. m = 8,95 kg s−1 Ex.09: Água(*) a 370 K e 100 kPa será transformada em vapor d’água a 650 K e 3,0 MPa em uma caldeira. Calcule a taxa de calor a ser fornecida na caldeira para gerar 50.000 kg h−1 do vapor d’água superaquecido. Verificar a Tabela G1 - Brasil, Nilo Índio do, Introdução à Engenharia Química, v.2, p. 386. Verificar a Tabela G4 - Brasil, Nilo Índio do, Introdução à Engenharia Química, v.2, p. 392. R. Q = 38,48 MW Ex.10: Em certa área de exploração de petróleo, ar é consumido em uma câmara de combustão na vazão de 2,50 m 3 s−1 medida a CNTP (p = 0,1 MPa e T = 273 K), em regime permanente. Antes de entrar na câmara de combustão o ar é preaquecido de 300 K a 500 K. Calcular: a taxa de calor fornecida no préaquecedor, desprezando as variações de energia mecânica (cinética e potencial). Verificar a Tabela I5 - Brasil, Nilo Índio do, Introdução à Engenharia Química, v.2, p. 402. R. Q = 648 kW (*) Segundo Nilo Índio do Brasil, no caso da água estar na situação de sub-resfriado (comprimido), as propriedades termodinâmicas a serem usadas podem ser as das condições de líquido saturado na temperatura pela qual a água se encontra, uma vez que, para líquidos, a pressão exercerá pouca influência nestas propriedades. Dados obtidos – referência: do Brasil, Nilo Índio do, Introdução à Engenharia Química, 3.ed. Rio de Janeiro (2013) Notas de Aula – Operações Unitárias II 2024.1 – Prof. João Vicente 9 Balanço material e de energia simultâneos sem reação química Ex.11: (Provão de Engenharia Química - 1999) Uma unidade industrial deverá empregar etileno como refrigerante em um sistema de resfriamento. O trocador de calor de refrigeração receberá 100 kg h−1 de etileno saturado a uma pressão de 30 bar absoluta, conforme esquema abaixo. Na entrada desse trocador, a pressão é reduzida para 4,5 bar, forçando a vaporização do etileno. Calcular, com o auxílio da Tabela I, a carga térmica do trocador (em kW), de forma que 80 % do etileno alimentado passem para o estado de vapor. As cargas efluentes do trocador estão saturadas e têm pressão de 4,5 bar. etileno vapor 4,5 bar 30 bar etileno líquido 4,5 bar etileno líquido saturado A Q B C R. Q = 4,88 kW Tabela I: entalpia específica do etileno saturado: T, K P, bar l , m 3 kg −1 g , m 3 kg −1 h l , kJkg −1 h g , kJkg −1 s l , kJ(kg K) −1 s g , kJ (kg K) −1 C p , kJ (kg K) −1 µ l , 10 −4 Pa s k l ,W (m K) −1 104,0 t 110 120 130 140 150 160 170 180 190 200 210 220 230 240 250 260 270 275 283,1 c 0,0012 0,0032 0,0141 0,0469 0,118 0,269 0,562 1,053 1,822 2,959 4,559 6,723 9,560 13,18 17,71 23,28 30,03 38,11 42,71 50,97 1,417. − 3 1,449. − 3 1,500. − 3 1,553. − 3 1,605. − 3 1,659. − 3 1,711. − 3 1,762. − 3 1,811. − 3 1,865. − 3 1,923. − 3 1,986. − 3 2,056. − 3 2,142. − 3 2,243. − 3 2,370. − 3 2,539. − 3 2,798. − 3 2,997. − 3 4,739. − 3 265 109 27,8 8,72 3,611 1,676 0,8281 0,4605 0,2761 0,1752 0,1162 0,0801 0,0570 0,0415 0,0305 0,0224 0,0164 0,0118 0,0096 0,0047 241 251 275 299 324 347 371,3 395,4 419,6 443,8 467,8 492,6 518,0 544,2 571,5 600,8 633,0 673,2 700,3 799,1 803 808 820 832 844 856 868,6 875,7 882,7 888,9 894,1 899,8 905,7 911,1 912,2 908,1 900,1 887,7 874,2 799,1 4,077 4,224 4,362 4,494 4,617 4,731 4,844 4,956 5,070 5,188 5,313 5,459 5,551 5,903 7,185 7,049 6,935 6,837 6,749 6,670 6,608 6,551 6,490 6,417 6,340 6,253 6,194 5,903 2,480 2,457 2,436 2,418 2,405 2,397 2,395 2,404 2,410 2,425 2,450 2,505 2,580 2,706 2,915 3,260 3,775 4,990 ∞ 7,5 5,63 4,20 3,28 2,65 2,20 1,87 1,62 1,43 1,28 1,15 1,05 0,97 0,90 0,83 0,77 0,71 0,258 0,252 0,242 0,232 0,222 0,212 0,202 0,192 0,182 0,172 0,162 0,152 0,142 0,132 0,122 0,112 0,102 ∞ l = líquido; g = gasoso. (1) Brasil, Nilo Índio do. Introdução à Engenharia Química, 3ed, p. 402. (2) Brasil, Nilo Índio do. Introdução à Engenharia Química, 3ed, p. 388 e 392. (3) Brasil, Nilo Índio do. Introdução à Engenharia Química, 3ed, p. 386 e 392. Ex.12: Água disponível a 1.400 kPa e 450 K passa através de uma válvula de estrangulamento onde é mantida na saída a pressão constante de 140 kPa. Estime a temperatura na saída da válvula, em o C; e calcule a fração da água que se vaporiza. Dado: fração da água que se vaporiza f v = m (vazão mássica do vapor) V m (vazão mássica da água) A R. Ts = 109,41oC; f v = 13 %