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AULA 2 GESTÃO DO CONHECIMENTO E APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL TEMA 1 – DESENVOLVIMENTO DE ORGANIZAÇÃO OU DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL (DO) O Desenvolvimento Organizacional (DO), como matéria, estuda as organizações e seus processos de mudança, entendendo as organizações como sistemas sociais complexos, compostos de processos, normas e estrutura (equipamentos, instalações etc.), e buscando conciliar suas metas com as metas e desejos das pessoas que trabalham na organização. Castro (2000) organizou a cronologia do DO entre 1911 e 1990, e essa linha do tempo nos permite entender um pouco melhor como se desenvolveu e continua se desenvolvendo essa corrente de pensamento. Figura 1 – Cronologia do Desenvolvimento Organizacional 1911 1922 1926 1927 a 1932 1938 1939 1940 1940 a 1960 1944 a 1947 1948 1950 1951 1951 1954 1957 1960 Fonte: Meirelles, 2022, com base em Castro, 2000. A obra de French e Bell (1981) é referência, tendo os autores publicado sobre o tema desde 1962. Para eles, na ciência comportamental [...], desenvolvimento organizacional é um esforço de longa duração para melhorar os processos de resolução de problemas e renovação de uma organização, particularmente através de 2 Burns e Stalker descrevem duas formas diferentes de estruturas organizacionais: mecânicas e orgânicas. Movimento de treinamento em laboratório, precursor do Desenvolvimento Organizacional. Publicação de Princípios de Administração Científica, de Frederick Winslow Taylor. Novos Padrões de Administração, de Rensis Likert. Conceitos de Liderança compartilhada e orientações sobre como coloca-la em prática, por Benne e Sheats. Conceito de burocracia, por Max Weber Psicologia Social das Organizações, de Katz e Kahn. Pensamento Sistêmico: Conceitos da teoria geral dos sistemas apresentados por Ludwig von Bertalanffy. A Maneira de Dar Ordens, de Mary Parker Follet. Editora Addison Wesley publica série de livros sobre Desenvolvimento Organizacional. Estudos de Hawthorne Gestão da Qualidade. As Funções do Executivo, de Chester Barnard. A Máquina que Mudou o Mundo, de Womack,Jones e Roos, e Vencendo a Crise, de Peters e Waterman. Sistemas sócio-técnicos, trabalho sobre as minas de carvão inglesas, publicado por Trist e Bamforth, da Clínica Tavistock (Londres). Pesquisa de Lewin, Lippit e White sobre a superioridade da liderança democrática. Reengenharia Motivação e Personalidade, de Abraham Maslow. Dinâmica de Grupo, lançada por Kurt Lewin e alunos. 1961 1961 1966 1969 1980 1982 1990 Equipes Auto-Gerenciadas. Personalidade e Organização, original de uma série de livros de Chris Argyris. A Quinta Disciplina, de Peter Senge. O Lado Humano da Empresa, de Douglas McGregor. Terapia Centrada no Cliente, de Carl Rogers. Os estudos de Hawthorne deram origem ao movimento de relações humanas. um gerenciamento mais efetivo e colaborativo da cultura da organização – com especial ênfase na cultura de equipes formais de trabalho – com o auxílio de um agente de mudança, ou catalisador, e o uso da teoria e tecnologia da ciência comportamental aplicada, incluindo pesquisa- ação. Na sequência, vamos conceituar um pouco melhor alguns desses termos. O esforço de longa duração deve ser aplicado, pois as organizações, na maioria das vezes, não se desenvolvem com rapidez. E, além de as mudanças serem lentas, costumam ser duradouras. O processo de resolução de problemas é composto por métodos utilizados para diagnóstico e tratamento de situações de não conformidade, ajudando a analisar e a desenhar ações para a resolução imediata e permanente de problemas no ambiente interno e externo à organização. O gerenciamento mais efetivo e colaborativo da cultura da organização é importante, uma vez que guarda, controla e afeta os padrões que criaram e que mantêm e modificam uma cultura que deve satisfazer às aspirações das pessoas, e, ao mesmo tempo, permitir que a organização atinja seus propósitos. As equipes formais de trabalho (em algumas organizações chamadas também de setores idepartamentos) são células-base por meio das quais a organização se estrutura. Aparecem no organograma da organização com o gestor e os subordinados. São alvos preferenciais dos esforços de Desenvolvimento Organizacional, pois devem ser constantemente modernizadas, tendo seus modelos questionados, além de eventualmente terem seus membros participando de equipes temporárias para fins específicos. Um agente de mudança ou catalisador é uma pessoa com experiência e treinamento, a qual contribui para acelerar o trabalho do grupo com objetividade e produtividade. A teoria e a tecnologia da ciência comportamental aplicada são aqui referidas como um conjunto de conhecimentos que ajudam a entender o comportamento de uma pessoa quando inserida em uma organização, ambas diagnosticando como funciona e como poderia funcionar, utilizando psicologia, antropologia, sociologia etc. A pesquisa-ação é um modelo de pesquisa participativo, no qual o diagnóstico e os planos de ação são cooperativos e interativos, fazendo com que a liderança, os liderados e as pessoas envolvidas com as ações de DO trabalhem em conjunto na resolução de problemas. Nos livros e na internet, há muito material sobre DO. Para não começarmos a divagar e correr o risco de navegar por materiais que abordam o tema de forma muito superficial, vamos nos ater àqueles que derivam das teorias de referências. 3 Aprofundando os estudos em DO, foram propostos modelos que buscam ilustrar e reforçar a teoria. Um desses modelos (entre aqueles baseados em French e Bell) é a Teoria da Eficácia Gerencial de Reddin (1977). Figura 2 – Teoria da Eficácia Gerencial Habilidades Gerenciais Básicas: 1.Sensitividade situacional. 2.Flexibilidade de estilo. 3.Destreza de gerência situacional. Gerente Eficiente: • Executa as tarefas da maneira correta. • É um resolvedor de problemas. • Gere os recursos. • Cumpre seu dever. • Reduz custos. Fonte: Meirelles, 2022, com base em Reddin, 1977. Gerente Eficaz: • Executa as tarefas da forma necessária para atingir o objetivo. • Produz alternativas criativas. • Otimiza a utilização dos recursos. • Obtém resultados. • Aumenta os lucros. Para Reddin, há uma clara distinção entre o Gerente Eficiente e o Gerente Eficaz. O Gerente Eficaz prima por ser avaliado por resultados, manipulando as situações que se apresentam com esse objetivo, sendo criativo e pouco ortodoxo e extraindo o máximo dos recursos, não se preocupando em seguir os processos da organização. Ele aumenta os lucros e não necessariamente reduz os custos. O Gerente Eficiente também busca alcançar resultados, mas o faz conforme os procedimentos da organização. Resolve as situações que se apresentam e busca gerir os recursos de forma otimizada. Reduz custos, mas não necessariamente 4 aumenta os lucros. Esse modelo é utilizado nos processos de DO para provocar, por parte da liderança, uma reflexão a respeito de seus estilos e práticas. Assim, o Desenvolvimento Organizacional é um campo de pesquisa para o estudo da cronologia e do desenvolvimento das organizações que estão em contínua mudança, permitindo-nos entender a posição delas nos tempos atuais, suas raízes no passado e como poderão continuar a sobreviver no futuro. O DO permite, ainda, que as organizações utilizem seus fundamentos para alicerçarem as mudanças necessárias à sua sobrevivência ao longo do tempo, considerando o ambiente interno e externo nos quais estão inseridas, buscando ganhar competitividade. TEMA 2 – DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL (DO) NA PRÁTICA Fundamentadas as teorias, como uma organização coloca o DO em prática? Também para esse ponto há uma ampla disponibilidade de material de pesquisa. Um dos modelos de implementação, conhecido como modelo de Lawrence e Lorsch (1969), ainda muito atual, é baseado no binômio Diagnóstico x Ação, propostos num ciclo contínuo.Figura 3 – Diagnóstico x ação Fonte: Lawrence; Lorsch, 1969. 5 A implementação em uma organização deve ser realizada em quatro fases: Diagnóstico, Planejamento da Ação, Implementação da Ação e Avaliação. O modelo se sustenta nos seguintes pilares conceituais: • Diferenciação e Integração: o trabalho dividido em setores provoca uma diferenciação entre eles. A tendência da diferenciação é a segregação. A segregação precisa ser mitigada com o favorecimento da integração; • Defrontamentos: a organização é composta de recursos (equipamentos, finanças, pessoas, valores). Tais recursos devem se defrontar com o intuito de extrair o maior rendimento de cada um na busca pelos objetivos da organização. São defrontamentos: organização x ambiente; grupo x grupo; indivíduo x organização; dentre outros. Firmado os pilares conceituais, parte-se para a implementação; • Diagnóstico: olha-se para o defrontamento entre a organização e o seu ambiente, identificando-se as ações estruturais necessárias. Do defrontamento entre os grupos, identificam-se as necessidades de ações estruturais e comportamentais; e do defrontamento entre os indivíduos e a organização, identificam-se as necessidades de ações de ordem comportamental; • Planejamento da Ação: é o plano de ação que permitirá executar as mudanças requeridas, identificará os métodos e recursos a serem utilizados e o passo-a-passo para modificar o status quo e atingir os resultados desejados; • Implementação da Ação: nesta etapa, a organização compromete as pessoas com a mudança. Assim, adotam-se as mudanças necessárias, aplicam-se os recursos devidos e faz-se o acompanhamento do processo (follow-up); • Avaliação: verificam-se os resultados atingidos. A depender dos resultados, encerra-se o ciclo ou pode se iniciar um novo diagnóstico, um novo planejamento da ação e uma nova implementação. Existem evidentemente muitos outros modelos de implementação, mais ou menos complexos. Entretanto, a grande pergunta é: por que submeter uma organização ao Desenvolvimento Organizacional ? Normalmente, a organização que se dispõe a fazê-lo está passando por alguma dificuldade que afeta seus resultados, ou está querendo melhorar sua competitividade. O DO, nesse caso, 6 torna-se um excelente meio para que a organização se conheça melhor e identifique os caminhos para resolver seus problemas e alcançar seus objetivos. Um DO bem-sucedido tenderá a aumentar a satisfação dos colaboradores, além de aumentar seu engajamento em relação aos valores e à cultura da organização. O efeito será a melhora do clima organizacional e o aumento na produtividade. Sobre a implementação, Cummings e Worley (2009) listaram 18 intervenções de DO, classificando-as em Intervenções nos Processos Humanos, Intervenções nos Processos Tecnoestruturais, Intervenções no Gerenciamento dos Recursos Humanos e Intervenções de Mudanças Estratégicas. Tais intervenções servem de guia para a implementação de um processo de DO. Figura 4 – 18 Intervenções de DO Intervenções nos processos humanos Intervenções Individuais Direcionadas ao indivíduo; Melhoram a comunicação; Devem dar coaching ao colaborador cujo comportamento interpessoal é contraproducente; 7 Intervenções de Grupo Direcionadas aos conteúdos, estruturas ou processos que regem os grupos; Conteúdo direcionado para o foco de atuação daquele grupo; Especificam como um grupo deve estar estabelecido e equipado para execução do conteúdo; Intervenções de Terceira Parte Normalmente empregadas para mediar conflitos internos; A intervenção ajuda conflitos sérios a serem resolvidos com mais rapidez; Team Building Intervenção de DO mais conhecida do mercado; Ajudam o grupo a melhorar e harmonizar a forma com que realizam tarefas, enxergando-se como uma equipe; Utiliza-se de ferramentas como ações de voluntariado com todo o grupo, esportes Reunião de Confronto Organizacional Visa identificar problemas, aperfeiçoar metas e definir prioridades; É um ponto de partida para endereçar os problemas identificados por meio da estrutura da Intervenções nas Inter-relações entre Grupos Visam diagnosticar e compreender relações em grupo; Identificam problemas e prioridades e aperfeiçoam metas, para depois trabalhar nos Intervenções nos processos tecnoestruturais 8 Intervenções de Grandes Grupos Ação intermediária entre as intervenções 5 e 6; Traz para a mesa um grande número de membros da organização, incluindo os formadores de opinião, podendo ser internos e externos; Discute os problemas da organização como um Design Organizacional Estrutural Direcionado à estrutura funcional da organização (divisões, processos matriciais, processos dirigidos ao cliente e network); As ferramentas principais são reengenharia e TQM – Total Quality Management As ferramentas são Melhoria Contínua de Processo, Lean Methodology e Six-Sigma; Adotada brilhantemente por Toyota e Motorola, e, posteriormente, por organizações de todo o mundo, propõe o controle da qualidade de todo o processo, por meio da capacitação de todas as Intervenções no gerenciamento dos recursos humanos Intervenções de mudanças estratégicas Work Design Desenha (especifica) como o trabalho deve ser realizado para que os resultados sejam alcançados; Identifica as habilidades necessárias aos colaboradores e os capacita de acordo com as necessidades da organização; Enriquecimento do Trabalho Cria um ambiente no qual o trabalho, por meio de seus desafios, aguce o interesse do colaborador; Os fatores de interesse podem ser a variedade de habilidades exigida, a Gerenciamento de Performance Fixação de metas; Avaliação de performance; Sistema de recompensas; Desenvolvimento de Talentos Coaching & mentoring; Planos de carreira e de desenvolvimento; Desenvolvimento de gerentes e líderes; Intervenções por Diversidade Inclusão independente de idade, gênero, raça, orientação sexual, necessidades especiais, cultura e valores; Intervenções por Bem-Estar Programas de gerenciamento de stress; Programas de assistência aos colaboradores, compatíveis com as necessidades do momento; Equilíbrio entre a vida social e a vida Mudança para Transformação (ou Transformacional) Mudanças estruturais e operacionais, no nível estratégico da organização; Mudança Contínua Aperfeiçoamento planejado e gradual, por meio de pequenas e constantes mudanças (learning organizations, ou organizações que 9 Fonte: Meirelles, 2022, com base em Cummings; Worley, 2009. Uma vez que a organização esteja convencida da necessidade de alavancar sua competitividade utilizando o DO como uma das ferramentas, é necessário adotar um modelo de implementação efetivo. Nós optamos por explorar um modelo conceitual que reforça a necessidade de integração e da utilização inteligente dos recursos disponíveis. Complementarmente, trouxemos as 18 intervenções de DO que podem guiar o processo de implementação de forma mais detalhada. TEMA 3 – MERCADO – VETOR DE DESENVOLVIMENTO Vamos começar conceituando “mercado” de forma simples. Mercado é um local, físico ou virtual, onde compradores e vendedores estabelecem relações de compra e venda de bens e serviços. As organizações estão no mercado, e para se destacarem, se expandirem e sobreviverem, precisam superar a concorrência. Fazem isso de muitas formas e colocam-se em constante desenvolvimento, acompanhando as mudanças que a evolução exige. Para nosso tema, o mercado é o vetor ou veículo desse desenvolvimento, pois seu constante movimento não permite Mudança Transorganizacion al Mudanças que atingem organizações externas, por meio de operações como aquisições, joint-ventures e network que a organização fique estagnada. Vamos entender melhor esse movimento do mercado recorrendo aos conceitos de Porter (2008). Utilizaremos a revisão de 2008, mas a primeira edição deste artigo foipublicada em 1979. Quando o termo viralizou, sequer havia sido inventado. Esse artigo viralizou no mundo todo, ainda pelos meios analógicos de comunicação! Apesar de Porter dirigir seu artigo original para a competição industrial, o conceito é robusto e foi adotado por todo tipo de mercado, bem como para pequenos e grandes negócios. Porter caracteriza muito claramente as forças da concorrência e as formas de enfrentá-la. A representação gráfica é muito conhecida: 10 Figura 5 – Cinco Forças de Porter Fonte: Porter, 2008. A organização que decide aprimorar sua competitividade pode se utilizar dessa ferramenta para avaliar qual é a sua real situação e decidir qual a melhor estratégia de desenvolvimento. a) Risco de novos entrantes: para novos competidores, existem barreiras de entrada, ou o mercado é completamente amigável a novos entrantes? Se essa entrada demanda baixos investimentos, pouco investimento de tempo, pouco esforço operacional e legislação pouco rígida ou francamente favorável (como isenção de impostos), e ainda um mercado que promete lucros razoáveis, então é extremamente alta a possibilidade de que eles apareçam. Se o cenário é diferente, demandando investimentos altos, alto esforço operacional, legislação rígida, lucros moderados ou, ainda, 11 controlados por alguma agência governamental, cai o risco de que novos entrantes apareçam. Entretanto, quando isso ocorre, o mercado muda completamente. Um bom exemplo é o mercado brasileiro de telecomunicações, a partir da década de 1990; b) Risco de substituição de produtos ou serviços: um novo produto que possa exercer a mesma função com vantagens, ou com o custo mais baixo, é sempre um risco para a organização já existente. Portanto, a organização em desenvolvimento precisa focar não apenas nos novos concorrentes, mas também nos novos produtos. Um caso famoso do final da década de 1990 é o surgimento da Netflix. Os locadores de vídeos, dentre eles a poderosa Blockbuster, não levaram a sério a tendência do streaming. O mercado de locação de vídeos desapareceu e levou com ele essas organizações; c) Poderdenegociaçãodoscompradores:opoderdoscompradoresed os fornecedores são forças de mercado atuando em direções opostas. Quando em determinado mercado o poder tende a favor do comprador, os preços caem, a demanda por alta qualidade sobe e a organização compradora coloca os concorrentes uns contra os outros. Um exemplo é o setor de papel e celulose. Há poucos produtores que, quando ampliam suas capacidades ou constroem novas plantas, fazem investimentos gigantescos e, por conta de deterem volumes de dinheiro muito consideráveis, provocam uma concorrência de preços feroz entre as organizações fornecedoras. A lógica é simples: quanto menor o número de compradores e maior o número de fornecedores no mercado, estabelece- se a pendência da balança para o lado comprador; d) Poder de negociação dos fornecedores: quando o poder tende a favor do fornecedor, os preços sobem, a qualidade pode sofrer restrições para barateamento dos custos e aumento das margens, e o fornecedor pode utilizar, como argumento de aumento de preços, o fato de ser melhor remunerado em segmentos concorrentes àquele da organização. Podemos citar a Microsoft e a Apple como exemplos. Monopolizam seus mercados e ditam os preços conforme suas conveniências. Novamente, lógica simples: conquistaram seus mercados monopolizando-os. O pequeno número de fornecedores contra o enorme número de compradores faz com que a balança penda para o lado fornecedor; 12 e) Concorrência entre competidores existentes: as organizações, em desenvolvimento ou não, estão mais acostumadas a lidar com essa força em seu cotidiano. Novos produtos, política de preços, campanhas de marketing, nível de serviço, engajamento social... Tudo isso é parte do pacote para alcançar vantagem competitiva. Essa força geralmente provoca uma briga de mercado que termina em redução da margem de lucro para todos os competidores, o que provoca nas organizações a necessidade de se desenvolver. Com o desenvolvimento e o ganho de vantagem competitiva, provocam na concorrência a necessidade de se desenvolver. Por isso, Porter demonstrou essa força em forma de ciclo. Por isso, afirma-se que o mercado, por sua evolução, é o vetor de desenvolvimento das organizações. Assim, a organização que decide aprimorar sua competitividade pode contar com mais esse suporte analítico para alavancar seu desenvolvimento, considerando as movimentações de mercado. TEMA 4 – PROJETOS: FERRAMENTA ESSENCIAL PARA O DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Podemos afirmar que uma organização pode viver sem realizar projetos? Se a organização decidiu que não vai ficar parada no tempo e vai se desenvolver de acordo com as estratégias estabelecidas e com os movimentos do mercado, cada um de seus planos de desenvolvimento será um projeto, devendo ser organizado como tal, dentro das melhores práticas de mercado. Considerando que essa matéria trata de Gestão do Conhecimento e Aprendizagem Organizacional, o autor afirma, portanto, que a resposta para a pergunta é não. Nenhuma organização pode viver sem realizar projetos. Relacionando projetos ao DO, uma das principais obras de referência é o Guia PMBOK, publicado pelo PMI (2017). Segundo o PMI, “um projeto é um esforço temporário, empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo”. Qualquer projeto possui um conjunto de requisitos bem definido: • Planejamento, Execução e Controle; • Orçamento e limitação de recursos financeiros; • Cronograma ou ciclo de vida; • Metas de custo, qualidade, segurança e prazo. 13 O Projeto é dividido em cinco etapas: • Início ou start-up; • Planejamento; • Execução; • Monitoramento e Controle de Execução e Orçamento; • Encerramento. Podemos discorrer longamente sobre projetos. O Guia PMBOK tem 726 páginas! Mas o que queremos é discutir de que forma projetos podem contribuir para o DO. As práticas de gerenciamento de projetos devem ser aliadas às necessidades de DO, como queremos demonstrar na figura 6. 14 Figura 6 – Cinco etapas do Gerenciamento de Projeto Fonte: Meirelles, 2022, com base em PMI, 2017. Considerando as cinco etapas mencionadas: a) Iniciação é quando se identifica a necessidade geradora daquele desenvolvimento, muitas vezes nascida de um problema ou de uma oportunidade. Nessa fase, devem ser registradas as necessidades do negócio e os resultados a serem perseguidos e alcançados com a realização do projeto; b) O Planejamento recebe um enfoque muito especial na metodologia do Guia PMBOK, pois tende a ser uma etapa subestimada. Um planejamento detalhado e bem idealizado pode significar a diferença entre o fracasso e o sucesso de um projeto, pois evitará uma série de imprevistos que poderiam 15 comprometer os resultados pretendidos. Nessa fase, o planejamento do desenvolvimento deve ser registrado em todas as suas etapas, e o cronograma deve ser desenvolvido para que a organização tenha uma visão clara do tempo de execução do projeto. Também nessa etapa devem ser estimados, com o maior nível de detalhe possível, o custo do projeto, o plano de qualidade (se aplicável), a carga de recursos humanos e o plano de compras (se aplicável); c) A Execução usualmente é a fase mais longa, quando aquilo que foi planejado é colocado em exercício. É o momento em que aparecem os erros, os imprevistos e a desorganização, demandando um gerente de projetos capaz de lidar com a pressão advinda. É também o momento em que se deve ter o mais rígido controle sobre o orçamento do projeto; • d) O Monitoramento e o Controle lançam mão de métodos estabelecidos para regularmente reportar à direção da organização o progresso do projeto; • e) No Encerramento, os resultados do projeto devem ser divulgados pela equipe, além de serem auditados por uma equipe interna ou externa. Ainda, deve existira etapa de lessons learned (lições aprendidas). É quando se encerra a documentação do projeto e realiza-se uma reunião com os executores, na qual os erros cometidos são discutidos, verificados e registrados para que não sejam cometidos em novos projetos. O DO, portanto, beneficia-se da adoção de uma metodologia de gestão de projetos para conduzir as iniciativas da organização, pois: • Torna mais eficiente o processo de tomada de decisões – a clara definição de hierarquia favorece decisões mais rápidas e legítimas; • Alcança maior eficiência no cumprimento dos prazos – um desenvolvimento, muitas vezes, precisa acontecer dentro de determinado período, ou pode perder o sentido. Se a organização precisa de um produto novo até o Natal, não poderá lançá-lo se perder essa data; • Otimiza o aproveitamento dos recursos disponíveis quando executado um bom controle orçamentário; • Reduz a ocorrência de imprevistos, uma vez que todas as etapas foram planejadas. 16 TEMA 5 – ORGANIZAÇÕES QUE SE DESENVOLVEM = PESSOAS QUE APRENDEM Quando falamos em organizações que aprendem, por extensão nos referimos ao grupo de pessoas que as formam. São essas pessoas que, individualmente, contribuem com seus aprendizados para o desenvolvimento coletivo da organização. Senge (2010) afirma que uma organização possui cinco disciplinas de aprendizagem: • Domínio Pessoal; • Modelos Mentais; • Visão Compartilhada; • Aprendizado em Grupo; • Raciocínio Sistêmico. O autor ainda coloca sua visão de que o mundo é feito de forças interligadas. Esse conceito é fundamental para que se comece a construir uma organização que aprende. Também é fundamental desenvolver as cinco disciplinas de forma conjunta, e o raciocínio sistêmico é a disciplina que une as outras quatro. 17 Figura 7 – As cinco disciplinas de aprendizagem Fonte: Mierelles, 2022, com base em Senge, 2010. Na disciplina de Domínio Pessoal, as pessoas aumentam suas capacidades individuais visando atingir um objetivo. Dessa forma, a organização, por meio da capacitação de seus colaboradores, aumenta a probabilidade de alcançar suas metas. Na disciplina de Modelos Mentais, as pessoas são incentivadas pela organização a pensar, questionar, inovar, modificar, agitar e reorganizar continuamente. E essa forma de agir deverá servir de base para moldar suas decisões. Com a Visão Compartilhada, a organização visa 18 conseguir engajamento das pessoas para que todos caminhem juntos e continuamente em direção às metas e em direção ao futuro, já que a organização pretende continuar evoluindo. Por meio do Aprendizado em Grupo, a organização incentiva os colaboradores para que aprendam individualmente e contribuam para sua equipe com seu aprendizado. O Raciocínio Sistêmico engloba as outras quatro disciplinas, buscando construir uma visão ampla dos rumos que a organização precisa seguir para permanecer aprendendo de forma contínua. Dessa forma, o domínio pessoal motiva as pessoas a aperfeiçoarem seus conhecimentos e a tornarem mais profunda sua visão e compreensão de como suas ações são capazes de afetar os rumos da organização, ou até de impactar o mundo. Os modelos mentais, com sua constante provocação, causam nos indivíduos a falta de limites, necessária na busca de soluções inovadoras. A visão compartilhada estimula o compromisso de todos com a organização a longo prazo, e o aprendizado em grupo desenvolve nas equipes a habilidade de unir as habilidades individuais em uma força unificada, na qual todos olham para a mesma direção, independentemente de seus interesses pessoais. Aplicado nesse contexto, o raciocínio sistêmico faz com que as pessoas cresçam por meio de novas capacitações e redescubram seu lugar na organização e no mundo. Além disso, o colaborador, em sua posição, estará habilitado a entender o processo de trabalho da organização na totalidade. Senge traça ainda um paralelo entre organizações que aprendem e organizações que não aprendem. 19 Figura 8 – Organizações que não aprendem x organizações que aprendem Organização que não aprendem Organizações que aprendem Fonte: Senge, 2010. Com base nesses fundamentos, podemos afirmar que a organização que aprende, assim como suas pessoas que aprendem, precisam se acostumar a fazê-lo continuamente. Dessa forma, a organização se fortalece para sobreviver no mundo Nesse ambiente, demonstrar falta de conhecimento a respeito de algum assunto traz o medo de perder o cargo ou o status Focam no futuro e no ciclo de melhorias contínuas. Favorecem a busca pelo conhecimento Focam nas mudanças de mercado, mas não focam nas necessidades de desenvolvimento das pessoas e Estimulam o trabalho em equipe e o ambiente de trabalho colaborativo Focam nos problemas, rejeitando soluções de alto custo ou inovadoras Fortalecem as potencialidades dos indivíduos, buscando compensar eventuais fraquezasReluta em adotar novos conceitos, pois teme os efeitos da mudança. Prefere ficar com os velhos conceitos, que, mesmo ultrapassados, já estão estabelecidos Focam no futuro com objetivos claros, traçando o caminho de desenvolvimento percorrer para objetivos que precisam alcançar esses turbulento e confuso do mercado globalizado, aproveitando-se dos benefícios da melhoria contínua que o aprendizado traz. Se em outros tempos o diferencial competitivo era técnico (máquinas, equipamentos e tecnologia), hoje as organizações percebem o quanto é necessário investir em seu capital humano. Segundo a ELM (2021), agência especializada em experiências criativas para fomentar o aprendizado organizacional, investir no capital humano possibilita que as organizações cheguem aos seguintes resultados: • Empresas com empregados felizes e com menor taxa de rotatividade; • Criação de um senso de comunidade na organização; • O ambiente de aprendizado organizacional provoca novas ideias e soluções; 20 • Sucesso baseado no compartilhamento do conhecimento; • Colaboradores mais inteligentes. 21 REFERÊNCIAS CASTRO, D. M. de. Desenvolvimento Organizacional. Campinas, 2000. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/ 34463834/Desenvolvimento- Organizacional>. Acesso em: 27 fev. 2022 CUMMINGS, T. G.; WORLEY, C. G. Organization Development & Change. 9. ed. Manson: South-Western Cengage Learning, 2009. ELM Learning. What is a Learning Organization? Complete Guide. Elm. 2021. Disponível em: <https://elmlearning.com/what-is-a- learning-organization/>. Acesso em: 28 fev. 2022. FRENCH, W. L.; BELL JR., C. .H. Organizational Development: Behavioral Science Interventions for Organizational Improvement. New Jersey: Prentice-Hall, 1981. LAWRENCE, P. R.; LORSCH, J. W. Developing organizations: diagnosis and action. Massachusetts: Addison-Wesley Publishing Company, 1969. PMI – Project Management Institut. Guia PMBOK: Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos. 6. ed. Pennsylvania: Project Management Institute Inc., 2017. PORTER, M. E. The Five Competitive Forces That Shape Strategy. Harvard Business Review: Boston, 2008. REDDIN, W. J. Eficácia Gerencial. São Paulo: Editora Atual, 1977. SENGE, P. A Quinta Disciplina: Arte e prática da organização que aprende. 26. ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2010. 22