Prévia do material em texto
Universidade do Estado do Amazonas Escola Superior de Ciências da Saúde Curso de Medicina Granuloma macular por Mycobacterium tuberculosis Manaus – AM 2024 Discente: Giovanna Beatriz André Lopes – 2022020053 Docente: Professor Dr. Jefferson Augusto Santana Ribeiro Este relato de caso refere-se à obtenção de nota prática da disciplina de Oftalmologia, do curso de Medicina, lecionada na Escola Superior de Ciências da Saúde – ESA, na Universidade do Estado do Amazonas – UEA. Macular granuloma caused by Mycobacterium tuberculosis Granuloma macular por Mycobacterium tuberculosis Giovanna Beatriz André Lopes1 Acadêmica do curso de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas, Manaus – Amazonas, Brasil.1 Giovanna Beatriz André Lopes. Rua Vasconcelos Chaves, 143, São Francisco, Manaus – AM. CEP: 69079-180. (92) 98450-9256. gbal.med20@uea.edu.br A autora declara não haver conflito de interesse.1 ABSTRACT Tuberculosis is an infectious disease caused by the bacterium Mycobacterium tuberculosis, which predominantly affects the lung but can also affect other organs, such as some intraocular structures, leading to permanent loss of vision if not treated appropriately. The north, south and southeast regions are endemic areas and the most affected by tuberculosis in Brazil, which still represents a public health challenge, making knowledge about the disease fundamental. A case was reported of a 28-year-old patient complaining of reduced visual acuity, where a granuloma was found in the macular area of the left eye, highlighting the challenges of this diagnosis and therapeutic approach used. Keywords: Granuloma; Lutea, Macula; Mycobacterium tuberculosis; Tuberculosis, Ocular; Case reports RESUMO A tuberculose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, que afeta predominantemente o pulmão, mas que pode também acometer outros órgãos, como algumas estruturas intraoculares, levando a uma perda de visão permanente se não forem tratadas adequadamente. A região norte, sul e sudeste são áreas endêmicas e as mais afetadas pela tuberculose no Brasil, o que ainda representa um desafio de saúde pública, tornando o conhecimento acerca da doença algo fundamental. Relatou-se o caso de uma paciente de 28 anos com queixa de redução da acuidade visual, onde constatou-se um granuloma na área macular do olho esquerdo, destacando os desafios desse diagnóstico e abordagem terapêutica utilizada. Descritores: Granuloma; Mácula Lútea; Mycobacterium tuberculosis; Tuberculose Ocular; Relatos de casos INTRODUÇÃO A tuberculose é uma doença infecciosa globalmente prevalente, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, comumente afetando os pulmões.(1) No entanto, sua manifestação ocular, embora menos comum, representa uma preocupação significativa de saúde pública devido ao potencial de comprometimento da visão.(2) As manifestações oculares da tuberculose podem incluir coroidite, neurite óptica, entre outras.(3) O diagnóstico precoce é essencial para evitar danos permanentes à visão. Visamos destacar a importância de reconhecer e abordar a tuberculose ocular como parte integrante da estratégia global de controle da tuberculose e proteção da saúde ocular. Neste trabalho, será relatado um caso clínico de granuloma macular causado pela tuberculose que respondeu adequadamente ao tratamento antituberculoso por 6 meses. RELATO DE CASO Paciente do sexo feminino, 28 anos de idade, branca, procura atendimento médico devido à diminuição da acuidade visual em olho esquerdo há 7 dias, de início súbito. Nega tosse, nega expectoração, nega dispneia, nega febre. Histórico patológico pregresso sem dados relevantes, mas relata contato com paciente diagnosticado com tuberculose pulmonar há 2 anos em sua residência. Ao exame oftalmológico inicial, apresentava acuidade visual de 20/20 em olho direito e 20/200 em olho esquerdo. Sem alteração na motilidade ocular. Na fundoscopia, apresentou papilas coradas, escavações fisiológicas, relação arterio-venosa preservada, presença de lesão granulomatosa amarelada com edema e hemorragia retinianos adjacentes em mácula do olho esquerdo (figura 1). Figura 1: Lesão granulomatosa com hemorragia e edema retiniano Sem alterações em hemograma e bioquímica sanguínea. Sorologia negativa para toxoplasmose (IgM e IgG). Radiografia de tórax normal. Teste tuberculínico igual a 20mm. A paciente foi, então, submetida a terapia antituberculosa via oral com esquema usual e com acompanhamento em UBS. Foi tratada com colírio de dexametasona por 1 mês, a fim de melhorar o edema na retina. Foi acompanhada por 6 meses, com adesão ao tratamento, cursando com melhora da acuidade visual do olho esquerdo para 20/50. À fundoscopia do olho afetado, a lesão granulomatosa e o edema retiniano regrediram, cursando com a absorção da hemorragia e com atrofia do epitélio pigmentar retiniano em área macular (figura 2). Figura 2: Regressão da lesão após terapia antituberculosa por 6 meses. DISCUSSÃO O caso clínico relatado deixa evidente que, devido à alta incidência da tuberculose no país, é essencial considerar a possibilidade desse diagnóstico ao considerar casos de inflamação ou acometimento de estruturas oculares ou outros achados visuais. (4) Isso é crucial, visto que certos tratamentos destinados a outras causas podem piorar a condição da tuberculose.(5) O diagnóstico da tuberculose ocular envolve a detecção do Mycobacterium tuberculosis em amostras oculares. No entanto, devido às lesões paucibacilares e à importância vital do aparelho visual, as chances de um estudo histológico completo são limitadas.(6) Portanto, o diagnóstico da tuberculose ocular é baseado em dados epidemiológicos, exame clínico, teste tuberculínico positivo e exclusão laboratorial de outras condições.(7) O teste tuberculínico continua sendo fundamental para indicar possível infecção por Mycobacterium tuberculosis. No entanto, um resultado positivo não necessariamente indica presença da doença ativa. Por isso, é essencial considerar outros critérios para confirmar o diagnóstico de tuberculose ocular, como observar se há melhora com o tratamento básico nos primeiros dois meses, se não há recorrência da doença durante o tratamento, ou se não há recaída nos dois anos após completar o tratamento.(8) Se essas condições não forem atendidas, é provável que a tuberculose não seja a causa, e outras possíveis causas devem ser investigadas.(9) O caso ilustra que a doença ocular pode ocorrer mesmo na ausência de doença sistêmica ativa. As alterações oculares podem resultar da invasão direta da bactéria ou de reações imunológicas, como a hipersensibilidade do tipo IV(10). A melhora e cicatrização da lesão macular com a terapia antituberculosa, juntamente com a história de exposição, fortalecem o diagnóstico. A observação da regressão da lesão mesmo após o término do tratamento ressalta a importância da adesão ao tratamento prolongado. REFERÊNCIAS 1. Arakaki D, Oliveira G, Barreira D, Moherdaui F, Codenotti S, Bartholomay P. Novo sistema de tratamento da tuberculose para adultos e adolescentes no Brasil. Informe Técnico de Tuberculose. Edição nº 5, julho de 2010. 2. Almeida SR, Finamor LP, Muccioli C. Alterações oculares em pacientes com tuberculose. Arq Bras Oftalmol. 2006;69(2):177–9. 3. Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Informatica do SUS. DATASUS. 4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Manual técnico para controle da tuberculose. Brasília: Ministério da Saúde; 2002. 5. . Koller K, Ricci LH, Lindoso JA, Lindoso AA, Muccioli C. Aspectos clínicos e tratamento de pacientes com tuberculoseocular presumida em centro de referência de São Paulo, Brasil. Rev Bras Oftalmol. 2019;78(6):384-8. 6. Maciel MS, Mendes PD, Gomes AP, Batista RS. A história da tuberculose no Brasil: os muitos tons (de cinza) da miséria. Rev Bras Clin Med. 2012;10(3):226–30. 7. Silva DR, Rabahi MF, Sant’Anna CC, Silva-Júnior JL, Capone D, Bombarda S, et al. Consenso sobre o diagnóstico da tuberculose da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. J Bras Pneumol. 2021;47(2):e20210054. 8. Rebello AC, Sousa JHL, Sá JG, Rebello KKS. Granuloma macular por tuberculose sem manifestação pulmonar. Rev Bras Oftalmol. 2015;74(4):251-3. 9. Bodaghi B, LeHoang P. Ocular tuberculosis. Curr Opin Ophthalmol. 2000;11(6):443-8. 10. Kang YA, Lee HW, Yoon HI, Cho B, Han SK, Shim YS, et al. Discrepancy between the tuberculin skin test and the whole-blood interferon gamma assay for the diagnosis of latent tuberculosis infection in an intermediate tuberculosis-burden country. JAMA. 2005;293(22):2756- 61.