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Filtração 1 SEPARAÇÃO SÓLIDO-LÍQUIDO Prof. Boutros Sarrouh FILTRAÇÃO Nas indústrias de alimentos e bebidas, a filtração aparece na produção de suco de frutas, óleos vegetais, leite e derivados, entre outros produtos. Os sistemas de filtração pode ser: • Sólido-líquido (sucos de frutas) • Sólido-gás (chaminés); • Gás-líquido (ar comprimido) • Ar (grau farmaceutico) 2 FILTRAÇÃO As partículas sólidas podem ser: • grossas ou finas, • rígidas ou plásticas, • redondas ou planas • individualmente separadas ou agrupadas Basicamente é processo de separar um sólido particulado de um fluido, fazendo com que o sólido fique retido num meio poroso, e o fluido passe através desse meio. 3 Filtrado Alimentação Meio poroso Torta Ele separa as partículas em uma fase sólida (“torta”) e permite o escoamento de um fluido claro (“filtrado”). FILTRAÇÃO 4 5 O mecanismo de transporte conduz as partículas suspensas para as proximidades da superfície dos coletores (meio filtrante). Na superfície, o mecanismo de adesão se dá pelas forças superficiais envolvidas entre as partículas da água e os poros do meio filtrante. Neste caso as forças superficiais devem ser maiores do que as forças de cisalhamento, retendo ás partículas. O desprendimento ocorre quando as forças de cisalhamento são maiores do que as forças de adesão. A prevalência de um ou outro mecanismo é função das características do afluente, das características da filtração (taxa de filtração, por exemplo) e do material que constitui o meio poroso. Mecanismo de Filtração A força motriz do processo é uma diferença de pressão (P) Os filtros podem funcionar: por ação da gravidade, o líquido flui devido a existência de uma coluna hidrostática; por ação de força centrífuga; por meio da aplicação de pressão ou vácuo para aumentar a taxa de fluxo. FILTRAÇÃO 6 FILTRAÇÃO Os fatores mais importantes para a seleção de um filtro são: a) resistência específica do meio poroso de filtração; b) a quantidade de suspensão a ser filtrada; c) a concentração de sólidos na suspensão; d) a facilidade de descarregar a torta formada no processo de filtração. 7 FILTRAÇÃO O meio de filtração pode ser: leito poroso de materiais sólidos inertes, conjunto de placas, marcos e telas em uma prensa conjunto de folhas duplas dentro de um tanque, cilindro rotativo mergulhado na suspensão discos rotativos mergulhados na suspensão bolsas ou cartuchos dentro de uma carcaça. por membranas, microfiltração osmose reversa 8 9 -Remove as impurezas presentes na água bruta -Não precisar de dosagem de produtos químicos. -Baixas taxas de filtração (entre 3 e 12 m³/m².dia), -Fluxo ascendente ou descendente -Retrolavagem (fluxo contrário) -Permite o tratamento principalmente por meio das atividades biológicas Filtração lenta -Meio granular poroso, geralmente constituído de camadas de pedregulho e areia. Schmutzdecke 10 - Água coagulada ou floculada (filtração rápida direta) - Água decantada (filtração rápida) - Ação de profundidade - Fluxo ascendente ou fluxo descendente. - Retrolavagem (fluxo contrário) - Altas taxas de filtração 120 m3/m2/dia - Meio granular poroso, geralmente constituído de camadas de pedregulho, areia e antracito (carvão mineral) Filtração Rápida TIPOS DE FILTROS MULTIMÍDIA Os filtros multimídia são compostos de várias camadas de leitos filtrantes e de materiais com granulometrias e densidades diferentes, acomodados sobre suportes de pedregulhos. Filtro de areia - Remove sólidos em suspensão na água bruta de poços artesianos ou de superfícies com baixa cor e turbidez que não requerem tratamento mais apurado. O leito filtrante é de areia de 0,5 mm a 0,9 mm - podendo ser utilizado 0,5 mm a 0,6 mm para melhorar a qualidade de água filtrada, porém a perda de carga no leito aumenta. Filtro de areia e antracito – Para polimento em estações de tratamento onde são realizadas coagulação, floculação, decantação e filtração, com cor e turbidez acima dos limites de potabilidade. O antracito filtra em profundidade e os flocos remanescentes são removidos no leito. Existe uma camada de areia para polimento final. A granulometria dos materiais filtrantes sempre atende aos parâmetros de dimensionamentos de cada fabricante, assim como quando o filtro opera como removedor de ferro e manganês. Filtro multimídia – Usado para filtração mais fina, seguida de filtros de carvão ativado e de cartucho, que antecedem a osmose reversa. A granada forma a camada mais baixa de grãos finos e varia de 0,2 a 2,0 mm, tendo grau de filtração de 10 a 20 micra. 13 Areia : pode ser obtida em rios ou lagos, devendo ser limpa, sem barro ou matéria orgânica. A norma NBR 12216/92 fixa as condições e características granulométricas para as areias como leito filtrante: • Areia para Filtros Lentos: Tamanho efetivo de 0,25 a 0,35 mm / Coeficiente de Uniformidade menor que 3,0 / Espessura Mínima da Camada de 0,90 m; • Areia para Filtros Rápidos de Fluxo Descendente de Camada Simples: Tamanho efetivo de 0,45 a 0,55 mm / Coeficiente de Uniformidade entre 1,4 e 1,6 / Espessura Mínima da Camada de 0,45 m; •Areia para Filtros Rápidos de Fluxo Descendente de Camada Dupla: Tamanho efetivo de 0,45 a 0,45 mm / Coeficiente de Uniformidade entre 1,4 e 1,6 / Espessura Mínima da Camada de 0,25 m; • Areia para Filtros Rápidos de Fluxo Ascendente : Tamanho efetivo de 0,70 a 0,80 mm / Coeficiente de Uniformidade menor ou igual a 2,0 / Espessura Mínima da Camada de 2,00 m; Meios Filtrantes 14 Antracito : é um carvão mineral de cor negra. Sua massa específica e da ordem de 1,4 a 1,6 g/cm3, isto é inferior à da areia. Isto faz com que ele possa ser utilizado em filtros rápidos de camada dupla sobre a areia, sem se misturar com ela. Sendo o antracito mais leve e sendo a granulometria da areia e do antracito adequadamente especificados, todas as vezes que o filtro for lavado, o antracito subirá mais do que a areia. Pode ser obtida em rios ou lagos, devendo ser limpa, sem barro ou matéria orgânica. Terminada a lavagem a areia ficará por baixo e o antracito por cima. Meios Filtrantes Utilizados em todos os filtros como leito suporte, os pedregulhos fino e grosso evitam o entupimento da crepina inferior e facilita o fluxo de água nessa área. A função das Crepinas é coletar e drenar a água filtrada e, ao mesmo tempo, distribuir a água de contra-lavagem. Crepinas Filtro prensa Um dos tipos mais usados na industria. Usam placas e marcos colocados em forma alternada. Utiliza-se tela (tecido de algodão ou de materiais sintéticos) para cobrir ambos lados das placas. 17 Exemplos de Filtros Industriais Marco A alimentação é bombeada à prensa e flui pelas armações. Os sólidos acumulam-se como “torta” dentro da armação. O filtrado flui entre o filtro de tecido e a placa pelos canais de passagem e sai pela parte inferior de cada placa. Filtro de tecido Placa Marco Torta Alimentação Filtrado Filtro-Prensa 18 19 Nesse momento a armação e as placas são separadas e a torta retirada. Depois o filtro é remontado e o ciclo se repete. A filtração prossegue até o espaço interno da armação esteja completamente preenchida com sólidos. Filtro-Prensa http://www.youtube.com/watch?v=6Nxkb-iEaBc&feature=related 20 http://www.youtube.com/watch?v=6Nxkb-iEaBc&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=6Nxkb-iEaBc&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=6Nxkb-iEaBc&feature=related Filtros de “folhas” Foi projetado para grandes volumes de líquido e para ter uma lavagem eficiente. Cada folha é uma armação de metal oca coberta por um filtro de tecido. Elas são suspensasem um tanque fechado. A alimentação é introduzida no tanque e passa pelo tecido a baixa pressão. A torta se deposita no exterior da folha. O filtrado flui para dentro da armação oca. Após a filtragem, ocorre a limpeza da torta. O líquido de lavagem entra e segue o mesmo caminho que a alimentação. A torta é retirada por uma abertura do casco. 21 Filtros de folhas 22 23 Vantagens - Construção simples, robusta e econômica; - Grande área filtrante por área de implantação; - Flexibilidade (pode aumentar ou diminuir o numero de elementos para variar a capacidade); - Não tem partes moveis; - Trabalha com altas pressões; -Manutenção simples - Apenas substituição periódica das lonas. Desvantagens - Operação intermitente, - Alto custo de mão-de-obra, - Lavagem da torta é imperfeita e demorada. Filtra, lava e descarrega a torta de forma contínua. O tambor é recoberto com um meio de filtração conveniente. Uma válvula automática no centro do tambor ativa o ciclo de filtração, secagem, lavagem e retirada da torta. Filtro de tambor a vácuo, rotativo e contínuo. O filtrado sai pelo eixo de rotação. Existem passagens separadas para o filtrado e para o líquido de lavagem. Há uma conexão com ar comprimido que se utiliza para ajudar a raspadeira de facas na retirada da torta. Carga Secagem Secagem Ciclo de lavagem Descarga Válvula automática Formação da torta Suspensão Filtro de tambor a vácuo, rotativo e contínuo. 25 É um conjunto de discos verticais que giram em um eixo de rotação horizontal. Este filtro combina aspectos do filtro de tambor rotativo a vácuo e do filtro de folhas. Cada disco (folha) é oco e coberto com um tecido e é em parte submerso na alimentação. A torta é lavada, secada, e raspada quando o disco gira. Filtro contínuo de discos rotativos 26 27 Vantagens • Operação continua (a exceção do filtro de Nutsche). • Recuperação ou remoção dos contaminantes solúveis do bolo pela lavagem em contracorrente (especialmente nos filtros de correia horizontal, de bandeja inclinada e de mesa). • Produção de filtrados relativamente limpos. •Permite polir soluções • Acesso conveniente ao bolo para atividades do operador ou retirada de amostragem. • Controle fácil de parâmetros operacionais tais como relações da espessura ou da lavagem do bolo. • Grande variedade de materiais de construção. 28 Desvantagens: • Umidade residual mais elevada no bolo. • Uma construção de difícil vedação para permitir presença de gases. • Difícil de limpar (principalmente no grau necessário para aplicações com produtos alimentícios). • Consumo elevado de potencia pela bomba de vácuo. Teoria Básica de Filtração 29 1. Queda de pressão de fluido através da torta A figura mostra uma seção de um filtro em um tempo t (s) medido a partir do início do fluxo. Espessura da torta é L (m). Área da seção transversal é A (m2), e a velocidade linear do filtrado na direção L é V (m/s) Alimentação da suspensão Filtrado Meio filtrante Incremento da torta 30 A equação de Poiseuille explica o fluxo de um fluido em regime laminar em um tubo, que usando o sistema internacional de unidades (SI) pode ser descrito como: 2 32 D v L P Onde: ∆p é a pressão (N/m2) v é a velocidade no tubo (m/s) D é o diâmetro (m) L é o comprimento (m) µ é a viscosidade (Pa.s) 31 32 Porosidade Em um leito poroso existem vazios (zonas sem partículas). leitodototalVolume vazioVolume Fluido Leito poroso v vc LL’ A porosidade () é definida como a razão entre o volume do leito que não está ocupado com material sólido e o volume total do leito. No caso de fluxo laminar em um leito empacotado de partículas se usa a equação de Carman-Kozeny. Ela tem sido aplicada à filtração com sucesso: 3 2 0 2 1 )1( Svk L pc Onde: k1 é uma constante para partículas de tamanho e forma definida µ é a viscosidade do filtrado em Pa.s v é a velocidade linear em m/s ε é a porosidade da torta L é a espessura da torta em m S0 é a área superficial específica expressa em m2 / m3 ∆Pc é a diferença de pressão na torta N/m2 2 32 D v L P 33 Velocidade linear : A dtdV v / Onde: A é a área transversal do filtro (m2) V é o volume coletado do filtrado em m3 até o tempo t (s). A espessura da torta (L) depende do volume do filtrado V e se obtém por um balanço de materiais e cs = kg de sólidos/m3 do filtrado suspensãodatotalsp Vcm 34 )()1( LAVcLA sp Onde: ρp é a densidade de partículas sólidas na torta em kg/m3 A VcSk p dtA dV s p c 3 2 01 )1( 3 2 0 2 1 )1( Svk L pc p s A LAVc L )1( )( A dtdV v / V A c p dtA dV s c então o balanço será : 35 Massa sólidos na suspensão = Massa sólidos do filtrado e do meio poroso 3 2 01 )1( p Sk Onde α é a resistência específica da torta (m/kg) definida como: m f R p dtA dV Para a resistência da tela filtrante (suporte), podemos usar a Equação de Darcy: Onde: Rm é a resistência ao fluxo no suporte (m-1) ∆Pf é a queda de pressão no suporte do leito poroso A c p dtA dV sV c Para a resistência do leito temos: 36 Como as resistências da torta e do meio filtrante estão em série, podem ser somadas, temos: m s R A Vc p dtA dV Onde ∆p = ∆pc (torta) + ∆pf (filtro) m f R p dtA dV A c p dtA dV sV c 37 Equação fundamental da filtração A equação anterior pode ser invertida para dar: m s R pA V pA c dV dt )()(2 Onde Kp está em s/m6 e B em s/m3: )(2 pA c K s p )( pA R B m m s R A Vc p dtA dV BVK dV dt p 38 Para pressão constante e α constante (torta incompressível), V e t são as únicas variáveis. t v p dVBVKdt 0 0 )( BVV K t p 2 2 Dividindo por V: BV K V t p 2 Onde V é o volume total do filtrado (m3) reunido em t (s) Integração para obter o tempo da filtração t em (s): Filtração à pressão constante, incompressível m s R pA V pA c dV dt )()(2 BVK dV dt p 39 Para saber o tempo de filtração é necessário conhecer α e Rm. BVV K t p 2 2 )(2 pA c K s p )( pA R B m Para isso, pode-se utilizar a equação dividida por V: Traçar um gráfico de t/V versus V usando dados experimentais BV K V t p 2 40 BV K V t p 2 São necessários os dados de volume coletado (V) em tempos diferentes de filtração. Y = A.X + B t / V V )(2 1 2 2 pA cK sp )( pA R B m 41 Com Kp e B pode-se determinar diretamente o tempo de filtração. BVV K t p 2 2 O cálculo de (resistência específica da torta) e de Rm (resistência do meio filtrante) permite obter a equação do tempo de filtração em termos dos parâmetros básicos da operação: V pA R V pA c t m s )(2 )( 2 2 42 Temos dados da filtração em laboratório de uma suspensão de CaCO3 em água a 298,2 K (25°C) realizada a uma pressão constante (-∆p) de 338 kN /m2. Dados: EXERCÍCIO – Trabalho Dirigido Avaliação das Constantes para Filtração à Pressão Constante em um Leito Incompressível - Área do filtro prensa de placa-e-marco: A = 0,0439 m2 - Concentração de alimentação: cs = 23,47 kg/m3 (a) Calcule as constantes α e Rm a partir dos dados experimentais de volume de filtrado (m3) versus tempo de filtração (s). (b) Estime o tempo necessário para filtrar 1m3 da mesma suspensão em um filtro industrial com 1m2 de área. (c) Se o tempo limite para essa filtração fosse de 1h, qual deveriaser a área do filtro? 43 44 Tempo (s) Volume (m3) 4,4 0,498 x 10-3 9,5 1,000 x 10-3 16,3 1,501 x 10-3 24,6 2,000 x 10-3 34,7 2,498 x 10-3 46,1 3,002 x 10-3 59,0 3,506 x 10-3 73,6 4,004 x 10-3 89,4 4,502 x 10-3 107,3 5,009 x 10-3 Dados necessários para traçar a linha reta (t/V vs V)