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Prof.ª Ana Regina Uchôa, D.Sc. OBRAS DE ABRIGO PORTUÁRIAS ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DISCIPLINA: PORTOS 1 OBRAS DE ABRIGO PORTUÁRIAS ❖ CRIAÇÃO DE UMA BACIA PORTUÁRIA ❖ PROTEÇÃO DO CANAL DE ACESSO DE PORTOS ▪ abrigo do canal de acesso; ▪ manutenção dos fundos, por manterem correntes de maré com competência para manter as profundidades, garantindo mínimas necessidades de dragagem; ▪ estabilidade de embocadura por interceptarem o transporte de sedimentos litorâneos da zona de arrebentação. ❖ DEFESA DO LITORAL CONTRA EROSÃO provocada pelas ondas (quebra-mares isolados e espigões de praias). OBRAS DE ABRIGO PORTUÁRIAS PORTO DE SUAPEPORTO DE PECÉM PORTO DE ITAJAÍ TIPOS DE OBRAS DE ABRIGO PORTUÁRIAS Enrocamento de Ponta da Madeira – MA. Exploração da pedreira de Rosário (1980), desmonte da bancada rochosa granítica por perfuração e colocação de explosivos, remoção dos blocos por pá carregadeira e transporte por caminhões basculantes. MATERIAL DE CONSTRUÇÃO ENROCAMENTO MATERIAL DE CONSTRUÇÃO TETRÁPODOS – QUADRÍPODOS – DOLOS - TRIBARES Molhes guias-correntes. PROTEÇÃO DO CANAL DE ACESSO DO PORTO DE ITAJAÍ, SITUADO NA EMBOCADURA COSTEIRA. ▪ abrigo do canal de acesso; ▪ manutenção dos fundos, por manterem correntes de maré com competência para manter as profundidades, garantindo mínimas necessidades de dragagem; ▪ estabilidade de embocadura por interceptarem o transporte de sedimentos litorâneos da zona de arrebentação. Fonte: Plano Mestre do Porto de Itajaí , 2015 PROTEÇÃO DO CANAL DE ACESSO DO PORTO DE ITAJAÍ, SITUADO NA EMBOCADURA COSTEIRA. OBRAS DE ABRIGO PORTUÁRIAS CONVENCIONAIS NÃO CONVENCIONAIS ❖ Quebra-mar de talude ❖ Quebra-mar de parede vertical ❖ Quebra-mar misto ❖ Quebra-mar com núcleo ❖ Quebra-mar descontínuo ❖ Quebra-mar de parede vertical com parede frontal perfurada ❖ Quebra-mar pneumático ❖ Quebra-mar de berma OBRAS DE ABRIGO PORTUÁRIAS CONVENCIONAIS Quebra-mar de Talude Quebra-mar de parede vertical Quebra-mar misto Vista do enrocamento do cabeço do molhe, do Porto de Suape QUEBRA-MAR DE TALUDE CARACTERÍSTICAS GERAIS ▪ formado por maciço de seção transversal trapezoidal constituída por blocos de enrocamento ou concreto; ▪ é o mais tradicional e ainda muito usado; ▪ é de fácil construção e manutenção, sendo eficiente no amortecimento da energia das ondas. FUNCIONAMENTO HIDRÁULICO ▪ dissipação da energia das ondas se dá por turbulência na arrebentação das ondas e por atrito sobre o talude; ▪ a arrebentação ocorre quando a onda atinge profundidades de 1 a 1,5 vezes a altura da onda. QUEBRA-MAR DE PAREDE VERTICAL CARACTERÍSTICAS GERAIS ▪ formado por parede vertical, impermeável, constituída por caixões de concreto armado lastreados de areia, blocos maciços de concreto ou estacas-prancha. ▪ a fundação é constituída por um manto de regularização de enrocamento. ▪ reduz ao mínimo o volume da obra. ▪ tem a desvantagem de sofrer ruína abrupta se os esforços solicitantes excederem os níveis de projeto. ▪ exigem equipamentos de construção mais sofisticados. ▪ as maiores profundidades de implantação estão em torno de 15m. QUEBRA-MAR DE PAREDE VERTICAL FUNCIONAMENTO HIDRÁULICO ▪ produz a reflexão da onda incidente cuja energia é enviada para o largo, produzindo uma onda estacionária (clapotis) à frente da obra pela sobreposição das ondas incidentes e refletidas. ▪ o clapotis arrebenta a partir da profundidade de 2 a 2,5 vezes a atura da onda incidente. ▪ recomenda-se a adoção deste tipo de obra somente em profundidades superiores às citadas para evitar as pressões dinâmicas da arrebentação sobre a parede (produzindo a compressão de bolsas de ar que formam jatos d’água de grande altura - gifle) e a erosão do manto de regularização no pé da estrutura e o seu descalçamento. QUEBRA-MAR MISTO CARACTERÍTICAS GERAIS ▪ é um tipo intermediário aos anteriores, composto por um maciço de enrocamento submerso sobre o qual é assentada uma parede vertical. ▪ permite estender o quebra-mar do tipo de parede vertical a maiores profundidades ou em terreno de menor resistência (argilas marinhas mole). ▪ via de regra são de manutenção dispendiosa. FUCIONAMENTO HIDRÁLICO ▪ dependendo da altura da onda e da maré, podem ocorrer os fenômenos de reflexão, arrebentação ou os dois. ▪ as ondas são refletidas pela parede vertical nas preamares, mas arrebentam contra a parede ou no talude de enrocamento na baixa-mar. OBRAS DE ABRIGO PORTUÁRIAS NÃO CONVENCIONAIS Quebra-mar com núcleo Quebra-mar descontínuo Quebra-mar de parede vertical com parede frontal perfurada Quebra-mar pneumático Quebra-mar de berma QUEBRA-MAR COM DE NÚCLEO DE AREIA OU ARGILA ▪ Podem ser utilizados quando: a ação das ondas for moderada; houver insuficiência de enrocamento; o terreno de fundação for pouco resistente e corresponder a uma grande espessura, inviabilizando a sua remoção e substituição. ▪ Tem taludes reduzidíssimos (1:6) e são revestidos por camadas de betume ou concreto. QUEBRA-MAR DESCONTÍNUO ▪ Pode ser estaqueado ou flutuante (fundeado). ▪ Tem funcionamento semelhante ao QUEBRA- MAR de parede vertical, refletindo as ondas. ▪ Há transferência de energia das ondas sob a estrutura, proporcionando somente um abrigo parcial. No caso do flutuante, a oscilação da peça que o constitui, transforma-o num gerador de ondas secundárias. ▪ O flutuante pode ser usado em fazendas de peixes, abrigos provisórios de obras, marinas. QUEBRA-MAR DE PAREDE VERTICAL COM CAIXÕES DE PAREDE FRONTAL PERFURADA FUNCIONAMENTO HIDRÁULICO ▪ baseia-se na dissipação de energia das ondas por jatos de alta velocidade gerados pelas ondas incidentes nas perfurações do paramento. ▪ A eficiência na dissipação de energia depende das dimensões e espaçamento dos orifícios, da distância das paredes e separação das células. QUEBRA-MAR PNEUMÁTICO ▪ Proporciona proteção contra ondas relativamente curtas (ondas de águas profundas); ▪ Consiste na emissão de jatos de ar comprimido (ou líquido) a partir de um duto assentado no fundo do mar. O projeto de quebra-mares de enrocamento pode ser desenvolvido ▪ de maneira convencional, com uma armadura ou carapaça constituído, no mínimo, por duas camadas de blocos que não se desloquem por ação das ondas (quebra-mar de talude); ou ▪ de maneira não convencional, com enrocamento formando uma berma, com blocos de variadas dimensões, constituindo-se no quebra-mar de berma. QUEBRA-MAR DE BERMA Seção transversal de quebra-mar de Talude ▪ O quebra-mar de berma consiste numa massa porosa de blocos de enrocamento, com largura suficiente para permitir a dissipação da energia das ondas. A porosidade média da berma é grande, por utilizar uma faixa granulométrica bem estendida, permitindo que a onda incidente percole na berma e perca sua energia. ▪ Os blocos de enrocamento do maciço da berma podem se movimentar sob a ação das ondas, produzindo a acomodação do perfil do lado do mar, conduzindo a seção transversal a um perfil mais estável e consolidado. Seção transversal de quebra-mar de Berma QUEBRA-MAR DE BERMA (A) Enrocamento do quebra-mar de berma do Terminal Portuário Inácio Barbosa da Vale em Barra dos Coqueiros (SE); (B) Seção transversal típica de quebra-mar de berma. ▪ Esquema de uma seção transversal típica de quebra- mar de berma, com o perfil construído com uma largura inicial de berma e o perfil acomodado, logo após a ação das ondas de projeto, com uma largura resultante menor. QUEBRA-MAR DE BERMA ❖ Possui estabilidade maior do que o quebra-mar de talude pois a grande massa porosa da berma de enrocamento permite a propagação das ondas dentro da mesma, dissipando mais energia do que no quebra-mar de talude, em que o fluxo é restrito, devido à reduzida permeabilidadeda armadura. ❖ Além disso, a ação das ondas também faz com que a estabilidade da seção transversal do quebra-mar de berma aumente, com um perfil estabilizado desenvolvido sob a ação das ondas, mais consolidado e com um intertravamento entre os blocos maximizado. ❖ Nos quebra-mares de berma podem ser utilizados blocos mais leves e com uma maximização de utilização da pedreira local, sendo a produção da pedreira separada em menor número de categorias. QUEBRA-MAR DE BERMA PORTO DE PECÉM Terminal off shore , os píeres de atracação estão protegidos da ação das ondas e correntes por um quebra- mar de berma, na forma de "L" com 1.768 m de extensão. ESCOLHA DO TIPO DE OBRA ❖ DISPONIBILIDADE DE ENROCAMENTO ❖ PROFUNDIDADE ❖ ONDA DE PROJETO ❖ CONDIÇÃO DE FUNDAÇÃO Planta do arranjo geral dos molhes do Porto Luís Correia - PI Arranjo geral do Terminal Marítimo da Ponta da Madeira da Vale, em São Luís - MA OBRAS DE ABRIGO DE ONDAS E DE CORRENTES DISPONIBILIDADE DE ENROCAMENTO Enrocamento de Ponta da Madeira – MA. Exploração da pedreira de Rosário (1980), desmonte da bancada rochosa granítica por perfuração e colocação de explosivos, remoção dos blocos por pá carregadeira e transporte por caminhões basculantes. PROFUNDIDADE Dragagem de canal de acesso ao Porto do Rio Grande para remoção de aproximadamente 18 milhões de metros cúbicos de sedimentos, mantendo a profundidade do canal interno em 16 metros e do canal externo em 18 metros. ▪ O quebra-mar do TERMINAL MARÍTIMO INÁCIO BARBOSA (TMIB), Barra dos Coqueiros - SE, em sua concepção original, rompeu o solo em área com artesianismo, já que a sobrecarga para adensamento da fundação produziu ruptura geotécnica. CONDIÇÃO DE FUNDAÇÃO TERMINAL MARÍTIMO INÁCIO BARBOSA (TMIB) ▪ Trata-se de um terminal off-shore, com um cais de acostagem a 2.400m da linha da costa, abrigado por um quebra-mar de 550m. ▪ O cais de acostagem, com extensão de 331m e largura de 17m, é alargado para 23,60m no trecho sul, numa extensão de 59,20m, que permite a manobra de qualquer veículo. ▪ A profundidade natural é de 9,50m (maré mínima) elevada para 10,90m com dragagem. ▪ A atracação só é realizada na face interna em dois berços com capacidade de atender navios com, no máximo, 30.000 TPB. (A) Blocos de formas complexas. Vistas de quadrípodos, tetrápodos, dolos e tribares usados como unidades de armaduras; (B) Tetrápodos utilizados no reforço de cabeço das guias-correntes em Torres (RS); (C) e (D) Arranjo do tetrápodos do cabeço do molhe sul das guias-correntes do Porto de Itajaí (SC); (E) Deterioração do enrocamento de proteção da Praia Mansa de Caiobá (PR), após 25 anos de construção. MANUTENÇÃO DAS OBRAS HIDRÁULICAS MANUTENÇÃO DAS OBRAS HIDRÁULICAS (D) Efeito da ressaca de junho de 2006 sobre o enrocamento do molhe do terminal de barcaças da CST em Vitória – ES. (C) Ressaca de 10 de agosto de 2005 galgando o molhe do Porto de Imbituba - SC ❖ Ensaios em modelos físicos constituem-se na principal ferramenta para a determinação das características e dimensões dos quebra-mares nos projetos básicos e executivos destas estruturas. ❖ O método construtivo também deve ser cuidadosamente avaliado no projeto de uma obra de abrigo. ❖ Processo construtivo para um maciço de talude. ENSAIOS E MÉTODO CONSTRUTIVO REFERÊNCIAS 1. OBRAS E GESTÃO DE PORTOS E COSTAS: A técnica aliada ao enfoque logístico e ambiental. Paolo Alfredini & Emilia Arasaki - Ed. Edgard Blücher, 2009. 2. ANTAQ – Agência Nacional de transportes Aquaviários. Disponível em http://portal.antaq.gov.br/. http://portal.antaq.gov.br/