Logo Passei Direto
Buscar

Ferramentas de estudo

Passei Direto Aniversário

Quer receber 70% de desconto para assinar o PasseIA?

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

COMENTÁRIOS À LEI DE EXECUÇÕES FISCAIS, 
CONFORME O NCPC 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porto Alegre 
OAB/RS 
2016 
 
 
Paulo Caliendo 
 (Coordenador) 
 
COMENTÁRIOS À LEI DE EXECUÇÕES FISCAIS, 
CONFORME O NCPC 
 
Cristiane De Marchi 
 Diego Galbinski 
Eduardo Luís Kronbauer 
 Eduardo Muxfeldt Bazzanella 
 Fábio Tomkowski 
 Fernando Bortolon Massignan 
 João Ricardo Fahrion Nüske 
 Juliana Rodrigues Ribas 
 Juliana Sirotsky Soria 
 Larissa Laks 
 Marco Félix Jobim 
 Martin da Silva Gesto 
 Paulo Caliendo 
 Veyzon Campos Muniz 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porto Alegre 
OAB/RS 
2016 
 
 
 
 
Copyright © 2016 by autores 
Todos os direitos reservados 
1ª edição 
 
 
Capa: Carlos Pivetta 
Impressão: OAB/RS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 (Bibliotecária Jovita Cristina G. dos Santos CRB10/1517) 
 
 
 Bibliotecária Jovita Cristina G. dos Santos CRB10/1517 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
C725 
Comentários à Lei de Execuções Fiscais, conforme o NCPC/ 
Paulo Caliendo, (Coordenador); Cristiane De 
Marchi...[et al.]. 1ª ed. Porto Alegre: OAB/RS. 2016. 
571p. 17x24 cm. 
 ISBN online: 978-85-62896-04-0 
ISBN impresso: 978-85-62896-03-3 
1.Execução Fiscal. 2.Comentários.3. Jurisprudência. I. 
Paulo Caliendo. II. Título. 
 
 CDU 347.952.46 
ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 
CONSELHO FEDERAL 
 
DIRETORIA 
GESTÃO 2016/2018 
Presidente: Claudio Pacheco Prates Lamachia 
Vice-Presidente: Luís Cláudio da Silva Chaves 
Secretário-Geral: Felipe Sarmento Cordeiro 
Secretário-Geral Adjunto: Ibaneis Rocha Barros Junior 
 Diretor Tesoureiro: Antonio Oneildo Ferreira 
 
ESCOLA NACIONAL DE ADVOCACIA - ENA 
Diretor-Geral: José Alberto Simonetti Cabral 
 
ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 
CONSELHO SECCIONAL DO RIO GRANDE DO SUL 
 
DIRETORIA 
GESTÃO 2016/2018 
Presidente: Ricardo Ferreira Breier 
Vice-Presidente: Luiz Eduardo Amaro Pellizzer 
Secretário-Geral: Rafael Braude Canterji 
Secretária-Geral Adjunta: Maria Cristina Carrion Vidal de 
Oliveira 
Tesoureiro: André Luis Sonntag 
 
 
 
 
 
 
ESCOLA SUPERIOR DE ADVOCACIA 
 
DIRETORIA 
GESTÃO 2016/2018 
 
Diretora-Geral: Rosângela Herzer dos Santos 
Vice-Diretor: Marcos Eduardo Faes Eberhardt 
Diretor Administrativo-Financeiro: Otto Júnior Barreto 
Diretor de Cursos Permanentes: Fernanda Corrêa Osório, Daniel 
Ustárroz 
Diretor de Cursos Especiais: Darci Guimarães Ribeiro 
Diretor de Cursos Não Presenciais: Eduardo Lemos Barbosa 
Diretora de Atividades Culturais: Karin Regina Rick Rosa 
Diretora da Revista Ad Judicia: Denise Pires Fincato 
 
CONSELHO PEDAGÓGICO 
 
Alexandre Lima Wunderlich 
Ana Paula Oliveira Ávila 
Darci Guimarães Ribeiro 
Delton Winter de Carvalho 
Rolf Hanssen Madaleno 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS 
 
DIRETORIA 
GESTÃO 2016/2018 
 
Presidente: Rosane Marques Ramos 
Vice-Presidente: Pedro Zanette Alfonsin 
Secretária-Geral: Cláudia Brosina 
Secretária-Geral Adjunta: Melissa Telles Barufi 
Tesoureiro: Gustavo Juchem 
 
TRIBUNAL DE ÉTICA E DISCIPLINA 
 
Presidente: Cesar Souza 
Vice-Presidente: André Araujo 
 
CORREGEDORIA 
 
Corregedora: Maria Helena Camargo Dornelles 
Corregedores Adjuntos: Maria Ercília Hostyn Gralha, Josana 
Rosolen Rivoli, Darci Norte Rebelo Jr 
 
OABPrev 
 
Presidente: Jorge Luiz Dias Fara 
Diretor Administrativo: Paulo Cesar Azevedo Silva 
Diretora Financeira: Claudia Regina de Souza Bueno 
Diretor de Benefícios: Luiz Augusto Gonçalves de Gonçalves 
 
COOABCred-RS 
 
Presidente: Jorge Fernando Estevão Maciel 
Vice-Presidente: Márcia Heinen 
 
 
CONSELHEIROS FEDERAIS PELO RS: Alexandre Lima 
Wünderlich, Clea Anna Maria Carpi da Rocha, Luiz Henrique 
Cabanellos Schuh, Marcelo Machado Bertoluci, Renato da Costa 
Figueira 
 
CONSELHEIROS ESTADUAIS: Adaltro Cezar Santos de Lima, 
Airton Ruschel, Alexandre Bisognin Lyrio, Alexandre Gehlen, 
Alexandre Schumacher Triches, Alfredo Bochi Brum, Alvides 
Benini, Alysson Isaac Stumm Bentlin, Ana Maria Brongar de 
Castro, Ana Paula Oliveira Avila, André Andrade de Araújo, André 
Renato Zuco, Antônio César Peres da Silva, Aristides de Pietro 
Neto, Armando Moutinho Perin, Arodi de Lima Gomes, Artur da 
Fonseca Alvim, Augusto Solano Lopes Costa, Beatriz Maria 
Luchese Peruffo, Camile Eltz de Lima, Carlos Basílio de Siqueira, 
Carlos Geraldo Bernardes Coelho Silva, Carlos Henrique Klaser 
Filho, Carlos Thomaz Avila Albornoz, Carolina Mayer Spina 
Zimmer, Carolina Moraes Migliavacca, Cesar Souza, Ciro Alberto 
Bay, Claridê Chitolina Taffarel, Cláudia Lima Marques, Cristiano 
Lisboa Martins, Daniel Horn, Daniel Junior de Melo Barreto, Darci 
Guimarães Ribeiro, Darci Norte Rebelo Jr, Denise Pires Fincato, 
Diego da Veiga Lima, Diego Torres Silveira, Domingos Henrique 
Baldini Martin, Dorival Sebastião Ipê da Silva, Eduardo Ferreira 
Bandeira de Mello, Eduardo Kucker Zaffari, Eduardo Lemos 
Barbosa, Fabiana Azevedo da Cunha Barth, Fabiana Lang dos 
Santos Cardoso, Fabio Scherer de Moura, Francisco José Soller de 
Matos, Gabriel Lopes Moreira, Gerson Fischmann, Getulio Pereira 
Santos, Gilberto Eifler Moraes, Greice Fonseca Stocker, Igor 
Danilevicz, Imar Santos Cabeleira, Itamar Antonio Moretti Basso, 
Izaura Mélo de Freitas, Jeferson Rodrigues, João Ulisses Bica 
Machado Filho, Jorge Fernando Estevão Maciel, Jorge Luiz Dias 
Fara, Josana Rosolen Rivoli, José Adelmo de Oliveira, José 
Antônio Ramos Fernandes, José Fernando Lutz Coelho, José 
Horácio de Oliveira Gattiboni, Josias dos Santos, Kalin Cogo 
Rodrigues, Leonardo Lamachia, Leonilda Valenti, Luciano Benetti 
Corrêa da Silva, Luciano Hillebrand Feldmann, Luis Alberto 
Machado, Luis Eduardo de La Rosa D Ávila, Luiz Augusto 
Gonçalves de Gonçalves, Luiz Carlos dos Santos Olympio Mello, 
Marçal dos Santos Diogo, Marcia Schwantes, Marco Antonio 
Birnfeld, Marco Antonio Miranda Guimarães, Marco Aurélio 
Romeu Fernandes, Marcos Eduardo Faes Eberhardt, Maria Cristina 
Hofmeister Meneghini, Maria de Fátima Zachia Paludo, Maria 
Ercilia Hostyn Gralha, Maria Helena Camargo Dornelles, Mariana 
Levenzon, Marília Longo do Nascimento, Marise Gomes Siqueira, 
Matheus Portella Ayres Torres, Mônica Canellas Rossi, Nara 
Terezinha Piccinini da Silva, Nelson Robert Schonardie, Neusa 
Maria Rolim Bastos, Noli Schorn, Oscar Medeiros Ramos, Otto 
Junior Barreto, Patricia Degrazia Lima, Paulo Cesar Garcia 
Rosado, Paulo Dariva, Regina Adylles Endler Guimarães, Regina 
Pereira Soares, Regis Douglas Menezes, Ricardo Barbosa Alfonsin, 
Ricardo Borges Ranzolin, Roberto Hecht Junior, Rodrigo Cassol 
Lima, Rolf Hanssen Madaleno, Rosangela Maria Herzer dos 
Santos, Sergio Leal Martinez, Simone Somensi, Sulamita 
Terezinha Santos Cabral, Tânia Regina Maciel Antunes, Tarcisio 
Vendruscolo, Telmo Ricardo Abrahão Schorr, Teresa Cristina 
Fernandes Moesch, Vitor Hugo Loreto Saydelles, Walter Jobim 
Neto. 
 
MEMBROS NATOS: Clea Ana Maria Carpi da Rocha, Fernando 
Krieg da Fonseca, Luis Felipe Lima de Magalhães, Luiz Carlos 
Lopes Madeira, Nereu Lima. 
 
MEMBROS HONORÁRIOS VITALÍCIOS: Luiz Carlos 
Levenzon, Renato da Costa Figueira, Valmir Martins Batista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRESIDENTES DE SUBSEÇÕES: Agudo - Rafael Alves da 
Anunciação, Alegrete - Fernando Luiz da Silva e Silva, Alvorada - 
Valmor de Freitas Junior, Bagé - Marcelo Godinho Marinho, 
Bento Gonçalves- Cleber Dalla Colletta, Bom Jesus - José Luiz 
Belan, Caçapava do Sul - Antônio Dias de Almeida Filho, Cacequi 
- Renata Silveira Berrueta, Cachoeira do Sul - Marcelo Ricardo 
Teixeira, Cachoeirinha - Jeferson Rogério Lazzarotto, Camaquã - 
Carlos Henrique Dias Brasil, Candelária - Joel Pereira Nunes, 
Canela/Gramado - Mariana Melara Reis, Canguçu – ArleiI Diartt 
Leal, Canoas - Eugênia Reichert, Capão da Canoa - Elisaldo 
Vieira Brehm, Carazinho - Tailor José Agostini, Casca - Adair 
Giácomo Baccin, Caxias doSul - Graziela Cardoso Vanin, Cerro 
Largo - Eugênio Schoffen, Cruz Alta - Jorge Marchesan Júnior, 
Dom Pedrito - Malise de Freitas Lins, Encantado - Nei Antônio di 
Domênico, Encruzilhada do Sul – Jani Dame Rodrigues, Erechim 
– Alessandro Bonatto, Espumoso - Fernando Schmitz Audino, 
Esteio – Higidio Dassi, Estrela - Gentil Bartolomeu Cruz Krahl, 
Farroupilha - Rafael Gustavo Portolan Colloda, Frederico 
Westphalen - Antônio Luiz Pinheiro, Garibaldi - César Cauê 
Schaeffer Ongaratto, Getúlio Vargas - Eliandro dos Santos, Giruá 
- Tisa Oliveira Ferreira, Gravataí - Marco Aurélio da Silva 
Coimbra, Guaíba - Márcio André Orso Macedôneo, Guaporé - 
Francisco Lucio Salvagni, Ibirubá - Pedro Luiz Rebelato, 
Igrejinha - Carine Santos Martini, Ijuí - Flavio Roberto S. 
Friedrich, Itaqui - Mauro Rodrigues Oviedo, Jaguarão - Luiz 
Pradelino Mendes Júnior, Julio de Castilhos - Margareth Mário da 
Rosa, Lagoa Vermelha - Gladimir Antônio Casarin, Lajeado -
Alessandra Glufke, Lavras do Sul- Mario Antônio Mazzine da 
Silveira, Marau - Vanilde Maria Tibolla Nadin, Montenegro- 
Sepé Tiaraju Rigon de Campos, Não-Me-Toque - Patrícia Huppes, 
Nonoai -Jairo José Reck, Nova Petrópolis- Áurea Comelli Born, 
Nova Prata - Alcione Grazziotin, Novo Hamburgo - Maria 
Regina Wingert Abel, Osório – Enri Endress Martins, Palmeira 
das Missões - Ségio Manoel Vieira, Panambi - Erni Arthur 
Vollbrecht, Passo Fundo - Luciano de Araújo Migliavacca, 
Pelotas -Paula Grill Silva Pereira, Pinheiro Machado- Odete 
Brum Teixeira, Piratini - Patrick Farias Pereira, Quaraí - 
Margarete da Silva Murillo, Rio Grande- Everton Pereira de 
Mattos, Rio Pardo - Marlei Salete Flores, Rosário de Sul - Cesar 
Augusto Prevedello, Salto do Jacuí - Antônio Paulo dos Santos, 
Sananduva - Raul Lourenço De Lima, Santa Cruz do Sul - 
Ezequiel Vetoretti, Santa Maria - Péricles Lamartine Palma da 
Costa, Santa Rosa - Gilberto Kieling, Santa Vitória do Palmar - 
Leandra Soares Teixeira, Santana do Livramento - Marcelo 
Meneses Borba, Santiago - José Marcelo Lemos Palmeiro, Santo 
Ângelo - João Olavo Daltrozo, Santo Antônio da Patrulha - Júlio 
Cesar Sant'anna de Souza, Santo Augusto - Adir Schreiber, São 
Borja - Moyses Nascimento Lopes, São Francisco de Assis - Jari 
Antônio Guizolfi Espig, São Gabriel - Miguel Neme Kodayssi, 
São Jerônimo – Endrigo Durgante Oliveira Biscaino Nunes, São 
José do Norte - Jonas Alves Penteado, São José do Ouro - 
Rosemara Carneiro da Costa, São Leopoldo - Rita Maria Geremia 
Pavoni, São Lourenço do Sul - Danny Christ Vargas, São Luiz 
Gonzaga - Neiva Terezinha Genro Ojopi, São Sebastião do Caí - 
Evaldo Kievel, São Sepé - Tiago Freitas Santos, Sapiranga - 
Lucas Medeiros Schilling, Sapucaia do Sul - Roger Eridson 
Dorneles, Sarandi - Jorge André Ortolan, Sobradinho- Vilson 
Roberto Pohlmann, Soledade - Carina Ruas Balestreri, Tapejara - 
Odimar Eduardo Iaskievicz, Tapera - Samuel Martins Pinto, 
Tapes - Paulo Ricardo de Souza Duarte, Taquara - Maria Dalva 
de Oliveira, Taquari - Maricel Pereira de Lima, Torres - Ivam 
Roque Sá Brocca, Tramandaí - Amanda do Nascimento da 
Silveira, Três de Maio - Herton Luís Mülbeier, Três Passos - 
Roberto Mazzini Bordini, Triunfo - Carolina Chika Dutra, 
Tupanciretã - Mario Cesar Portinho Vianna, Uruguaiana - 
Mauricio Felix Blanco, Vacaria- Teodoro Stedile Ribeiro, 
Venâncio Aires - Marcos Joaquim Thiel, Veranópolis- Olavo 
Crestani, Viamão - Nilson Pinto da Silva 
 
 
Apresentação 
Agradecimentos 
A presente obra é resultado das pesquisas de um grupo de 
advogados e acadêmicos, que participam do Grupo de Pesquisas 
Avançadas em Direito Tributário (GTax/PUCRS). O objetivo desta 
é dotar a advocacia, os pesquisadores, magistrados, procuradores e 
interessados, de um material analítico e sistemático do regime de 
execução fiscal no país, em conformidade com as alterações do 
novo CPC. 
O novel diploma processual incorporou inúmeras 
alterações defendidas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), 
de tal modo que nada mais justo que apresentar esse estudo pela 
Escola Superior de Advocacia (ESA/RS). Desde o início o projeto 
recebeu o apoio enlevado por parte da Diretoria da ESA e, 
especialmente, de sua Diretora, Dra. Rosângela Herzer dos Santos, 
do Vice-Diretor Marcos Eberhardt e dos demais integrantes da 
Diretoria. Destacado foi o apoio imediato do Presidente da 
OAB/RS, Dr. Ricardo Breier, a essa iniciativa, bem como do 
Presidente do Conselho Federal, Dr. Cláudio Lamachia. 
A obra, conforme sempre destacou o Presidente Ricardo 
Breier, auxiliar o estímulo a três importantes pilares de sustentação 
da Ordem: a defesa da cidadania, a dignificação da advocacia e o 
fortalecimento do advogado. A cidadania precisa de informações 
claras e confiáveis sobre a execução fiscal. A constrição de bens 
particulares para solver débitos para com a Fazenda Pública, exige 
o delicado equilíbrio entre o interesse fiscal e os direitos do 
contribuinte. A proteção do cidadão é missão institucional da 
advocacia, mas somente haverá advocacia forte se os advogados 
estiverem preparados, fortalecidos e dignificados em sua função 
constitucional. 
 
Relevância do tema 
 
As execuções fiscais representam o maior grupo de ações 
no contencioso judicial no país, contudo, seu grau de eficácia é 
muito baixo. Conforme estudos do IPEA, realizados em 20111, 
somente em 15,7% dos casos há penhora de bens, mas em apenas 
um terço dessas há apresentaçaõ voluntária de bens pelo devedor. 
Somente em 3,8% dos processos existe a oposição de exceção de 
pre-executividade, e apenas 6,5% dos devedores opõem embargos à 
execução. Não existem dados atualizados após a grande recessão de 
2016, mas, certamente, os números devem ser ainda piores. 
A execução fiscal é movida pela Procuradoria da Fazenda 
Nacional (PGFN) em 50,3% dos casos no país. Em 8,9% a PGFN 
representa autarquias e fundações públicas federais. Ao todo a 
União é parte autora em 59,2% das ações. Os Conselhos 
Profissionais representam a significativa parcela de 36,4%, do 
volume geral de execuções fiscais2. As pessoas jurídicas 
representam 60,5% das partes, que compõe o polo passivo das 
 
1 IPEA, CNJ. Custo Unitário do Processo de Execução Fiscal na Justiça Federal. 
Relatório de Pesquisa. Brasília: Ipea/CNJ, 2011. 
 
2 IPEA, CNJ. Custo Unitário do Processo de Execução Fiscal na Justiça Federal. 
Relatório de Pesquisa. Brasília: Ipea/CNJ, 2011, p. 17. 
 
execuções, contra 39,5% de pessoas físicas. O elevado volume de 
execuções contra pessoas físicas se explica, em parte, pelo volume 
de execuções de conselhos profissionais. As contribuições de 
conselhos profissionais são a principal matéria dos executivos, 
representando o percentual de 37,3%, em comparação com os 
27,1% dos impostos federais e 25,3% das contribuições sociais. 
As contribuições profissionais representam em média um 
valor de execução muito mais baixo, do que as ações movidas pela 
PGFN. Aqueles buscam em média R$ 1.540,74 contra os R$ 
26.303,81 perseguidos pela procuradoria. Considerando-se o 
elevado custo das execuções fiscais caberia questionar a adequação 
e conveniência do modelo atual. O alto custo de movimentação da 
sofisticada máquina administrativa da jurisdição exige a indagação 
sobre a existência de outros meios alternativos de cobrança, de 
possíveis soluções colaborativas ou de melhorias na eficiência 
fiscal. 
Não podemos esquecer que a insegurança jurídica e a 
inflação de normas inconstitucionais produzem uma litigiosidade 
sistêmica, que amplificam as controvérsias judiciais. Em parte, o 
volume de execuções fiscais é prova cabal da péssima qualidade do 
sistema tributário, tóxico às empresas e ofensivo aos direitos 
fundamentais do contribuinte. Tentar somente melhorar a eficiência 
da execução fiscal, sem atentar para a qualidade normativa é 
apenas atacar as consequências dos problemas e não as causas da 
excessiva litigiosidadetributária em nosso país. 
Outra conclusão desse estudo indica que a localização 
imediata do executado é fundamental para o êxito da execução. 
Quando o devedor não é imediatamente localizado na primeira 
tentativa, as chances caem para meros 34,8% dos casos, ou seja, 
um pouco mais que um terço. Em 36,9% dos casos, o devedor não 
é encontrado; em 28,8% dos casos é citado pelo Oficial de Justiça; 
em 26,6%%, pelos correios e, em 6,4%, há citação por edital. O 
estudo não apresenta uma informação diferenciada para pessoas 
físicas e jurídicas. Diversas indagações permanecem. Afinal, a 
característica pessoal do executado influencia esses percentuais? 
Seria a citação das pessoas jurídicas mais simples do que das 
pessoas físicas? Ou seria justamente o contrário. Tampouco, 
sabemos se o objeto da cobrança é relevante. É mais fácil localizar 
devedores de impostos ou de contribuições ou não há distinção? Os 
devedores de contribuições corporativas são mais fáceis de 
localizar ou são mais resilientes? Essas respostas são fundamentais 
para se pensar em melhorias no processo de execução. 
Os dados referentes às garantias são ainda mais chocantes 
em somente 15% dos casos, há penhora de bens e em apenas um 
terço desses casos, há apresentação voluntária de bens pelo 
devedor. Apenas, e isso é um dado gritante, somente 6,4% dos 
devedores opõem embargos à execução. Trata-se de um percentual 
muito baixo, que mereceria um estudo analítico sobre as razões 
dessa evasão judicial. Será que os contribuintes consideram débitos 
sem defesa? Será que a modalidade de lançamento influencia? 
Seriam os débitos confessados a razão dessa ausência de defesa ou 
os contribuintes, pura e simplesmente, não possuem condições 
financeiras para contratação de um advogado, que proceda a uma 
defesa adequada? 
Para o Fisco a situação não é melhor. O mesmo estudo 
destaca que, no caso da Justiça Federal, a penhora bens do devedor 
de forma a satisfazer integralmente os interesses da União, tende ao 
irrisório percentual de 2,8% dos casos, os quais são levados a leilão 
judicial com ou sem êxito. Destes, em somente 0,3% dos casos, o 
pregaõ consegue satisfazer integralmente o débito, enquanto a 
adjudicaçaõ dos bens do executado extingue a dı ́vida em apenas 
0,4% dos casos3. São números verdadeiramente chocantes. 
A execução fiscal é um processo caro, lento e sofisticado 
e, pior, ineficiente. Onde estão as causas da ineficiência? O estudo 
não responde, mas auxilia no caminho da análise. Diversas 
hipóteses podem ser levantadas: será que a execução fiscal é 
intentada quando o débito já é muito superior ao patrimônio do 
contribuinte? Será que as elevadas multas e juros impedem o 
pagamento do principal? Será que o débito decorre de opções 
fiscais erradas do contribuinte, por “desastre empresarial”, em 
razão de crises econômicas ou de outros fatos decorrentes da ação 
desastrada do próprio Estado na economia? Tratam-se de questões 
seríssimas, que fogem ao lugar comum da visão do contribuinte 
como malfeitor e da procuradoria como ineficiente. 
O estudo demonstra que em três quintos dos processos 
consegue-se citar o devedor, mas, destes, somente um quarto 
possuem garantia mediante penhora e em somente uma sexta parte 
há o leilão. Ao final, uma décima parte destes resulta em 
 
3CUNHA, Alexandre dos Santos; KLIN Isabela do ValleetPESSOA, Olı́via Alves 
Gomes. Custo e tempo do processo de execuça ̃o fiscal promovido pela 
Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Brasilia: IPEA, 2011, p. 06-07. 
 
arrecadação de bens para pagamento do débito. Haverá algo de 
muito errado no processo de execução fiscal ou no sistema 
tributário nacional? Cabe fazer uma ressalva, esses números por si 
só podem ser enganadores, dado que há o pagamento integral do 
débito em 33,9% de todos os casos e em 45% dos casos em que há 
citação pessoal do executado. 
Assim, não há como se afirmar que a execução em si seja 
ineficaz. Ela o é, quando proposta contra devedor insolvente. Nos 
casos em que os bens do executado são muito inferiores ao débito, 
a execução não produz os efeitos desejados. Existem fortes indícios 
que isso ocorre quando ela tem sido proposta tardiamente ou 
quando o montante de juros e multa torna a execução impossível de 
ser satisfeita. 
Os erros na cobrança transparecem nos principais casos de 
baixa. Em 27,7%, ou seja, em quase um terço dos casos há extinção 
por prescrição ou decadência. Em 17% dos casos, ou seja, quase 
uma em cada cinco execuções possuem o cancelamento da 
inscrição do débito e em 11,5% há a extinção processo sem 
julgamento do mérito. Somente em 1,3% dos embargos há o 
julgamento favorável ao executado. Se somarmos estes casos 
individuais teremos que em 57,5%, ou seja, em quase 60% das 
execuções houve a extinção por problemas na própria execução. 
Note-se que esses números são muito impactantes. Duas 
grandes situações acabam ocorrendo, ou o pagamento espontâneo 
do débito pelo contribuinte, quando do ajuizamento da execução 
fiscal ou a derrubada da cobrança na grande maioria das execuções 
propostas. Seria muito importante poder distinguir os casos de 
execuções promovidas pelos conselhos profissionais, pela PGFN 
ou pelas autarquias. 
Igualmente, importante seria a análise de quando a 
execução é contra devedor pessoa física, jurídica ou por espécie 
tributária. Esses dados permitiriam uma radiografia completa da 
execução fiscal no país. 
Muitos questionamentos ainda permanecem em aberto, 
mas certamente algumas indagações preocupantes já surgem: por 
que os contribuintes não optam por um pagamento facilitado, sem 
multas, juros, encargos fiscais e sucumbências, perante a 
administração fiscal? Será que o Fisco não encontra formas de 
incentivar o pagamento voluntário? Por que muitas execuções são 
baixadas por erros na instrução (prescrição, decadência, extinção 
sem julgamento do mérito, entre outras), acarretando ônus 
adicionais de sucumbência contra administração pública e 
onerando o contribuinte a contratar defesa para a ação executiva? 
A importância do tema é indubitável e os estudos tornam-
se imperiosos, pela Advocacia, pelo Governo e pela Universidade. 
 
Breve Evolução Histórica 
 
O regime judicial de cobrança de créditos fiscais é a marca 
histórica de nosso sistema processual. As primeiras normas sobre 
execução fiscal aparecem desde o surgimento do Reino de 
Portugal, incorporadas às Ordenações Manoelinas, Afonsinas e 
Filipinas. O processo de execução fiscal possui natureza judicial, 
no Brasil, desde a Resolução Imperial de n° 28, de 17/03/1876. O 
Brasil se distanciaria do modelo português de execução 
administrativa, que remonta às Ordenações, e seguirá até aos dias 
de hoje, em Portugal. 
A doutrina anterior sobre as execuções fiscais é antiga e 
profícua em análise. Podemos destacar, dentre as tantas obras que 
poderiam ser citadas, o “Manual do Procurador dos feitos da 
Fazenda Nacional”, de Agostinho Marques Perdigão Malheiros, de 
1869; o “Novo manual do procurador dos feitos da Fazenda 
Nacional”, de Herculano de Souza Bandeira, de 1888 e “Ações 
Executivas”, de Afonso Dionísio da Gama, de 1930. Diversas obras 
foram publicadas após a edição do Decreto-lei n. 960, de 
17.12.1938, dentre as quais se destacam: “Execuções Fiscais”, de 
Mário Accioly, de 1936 e 1939; “Direito Fiscal”, de João Martins 
de Oliveira, de 1943; “Teoria e Prática do processo fiscal”, de 
Roque Gadelha de Mello, 1946; “Da Fazenda Pública em juízo”, 
de Castro Nunes, de 1950; “Processo Executivo Fiscal”, de Raul 
Loureiro, de 1953; “Do Direito Processual Tributário”, de Hélio 
Ivo Dória, de 1963; “A defesa do contribuinte no processo de 
executivo fiscal”, de Valmir Pontes e “Tratado das execuções; 
execução fiscal”, de Silva Pacheco, de 1967. 
A edição do CPC de 1973 viu surgir uma plêiade degrandes estudos sobre a matéria. Renomados autores se debruçaram 
em detalhe sobre o novel regime das execuções fiscais, sob o 
modelo técnico do novo CPC. Autores do porte de Eduardo 
Domingos Botallo, “Dívidas Fiscais, II, processo judicial”, de 
1968; José Afonso da Silva, com “Execução Fiscal”, de 1975e 
Arnaud de Abreu e Lima, “Do Processo tributário”, 1976. Aliomar 
Baleeiro não se furtou de tratar do tema em seu “Direito Tributário 
Brasileiro”, 1974, em sua 4a. Edição. 
A publicação da Lei n. 6.830, de 1980 provocou um 
verdadeiro frenesi intelectual, com mais de três dezenas de livros e 
artigos significativos. Seria demasiado listar todas as obras 
relevantes do período, somente até a edição da Constituição de 
1988. Assim, mesmo assumindo o risco de faltar com a devida 
homenagem a um ou outro importante jurista, citamos 
exemplificativamente alguns dos mais importantes estudiosos do 
diploma legal: Orlando Fida, “Prática e Jurisprudência do 
Executivo Fiscal”, de 1980; Roberto Corrêa, “A Nova Lei de 
Execução Fiscal Anotada”, de 1980; Milton Flaks,“Comentários à 
Lei da Execução Fiscal”, 1981; Ives Gandra da Silva Martins, 
“Curso de Direito Tributário”, 1982; J. Virgílio Castelo Branco 
Rocha Filho; “Execução Fiscal”, de 1982; Iran de Lima, “A 
Dívida Ativa em Juízo”, de 1984; Luiz Fernando Gama Pellegrini, 
com a sua “Ação de Execução Fiscal”, de 1986; Luiz Antonio 
Nunes et Simone da Silva Thallinger, “Execução Fiscal – 
Jurisprudência”, de 1988; Ronaldo Cunha Campos, com a obra 
“Ação de Execução Fiscal”, de 1989; Humberto Theodoro Jr., “Lei 
de Execução Fiscal”, 1993; entre tantos outros. 
A doutrina atual é rica em obra da melhor qualidade sobre 
o tema, destacando-se autores como Leandro Paulsen, Éderson 
Garin Porto, Hugo de Brito Machado, Hugo de Brito Machado 
Segundo, Ives Gandra da Silva Martins, Arnaldo Sampaio de 
Moraes Godoy, Humberto Theodoro Jr.; José da Silva Pacheco; 
Vladimir Passos de Freitas e James Marins. 
Esta obra pretende se inserir nessa rica tradição, 
contribuindo com a análise em mais um importante momento da 
doutrina processual nacional, decorrente da edição do Novo Código 
de Processo Civil (NCPC). 
 
Objetivos da Presente Obra 
 
 O Decreto-lei n° 960, de 17 de dezembro de 1938, 
consolidará o afastamento da tradição de cobrança administrativa 
dos créditos públicos e regulamentará a cobrança judicial da Dívida 
Ativa da Fazenda Pública. O CPC terá aplicação subsidiária às 
execuções fiscais. 
A lei de execução fiscal terá natureza nacional, judicial e 
receberá aplicação subsidiária por parte do CPC. Será nacional 
porque irá se dirigir ao processo de cobrança de créditos tributários 
federais, estaduais, distritais e municipais. Será judicial e terá 
regime de execução diversa das demais formas de dívidas civis. 
Somente durante breve período, durante a vigência do CPC de 
1973, e antes da Lei de Execução Fiscal (Lei n° 6.830/80), haverá 
um regime unificado a todas as execuções, civis e fiscais. O 
modelo de lei especial será adotado com a nova Lei e mantido até 
os dias de hoje. 
O modelo nacional distanciou-se da tradição portuguesa, 
de execução administrativa. Atualmente, contudo, face aos 
resultados irrisórios da execução fiscal, levantam-se vozes em 
favor da “desjudicialização”, negando a nossa firme e consolidada 
tradição, em prol de novos rumos. Diversos questionamentos ao 
atual modelo são opostos. Cabe questionar, quais seriam os 
fundamentos constitucionais dessa radical proposta? Há 
concordância prática desta para com os princípios de amplo acesso 
ao judiciário e de ampla defesa? Em suma, trata-se de uma matéria 
de maior interesse para a sociedade, para o empresariado, 
advogados, juízes e procuradores. Somente um olhar técnico e 
sereno será capaz de lançar luzes em um tema tão delicado. 
Outro questionamento importante que deve ser observado 
é sobre a necessidade de uma lei especial para tratar da execução 
fiscal? Será que as normas do CPC seriam suficientes para tratar da 
matéria? Cremos que não, a especificidade da execução fiscal exige 
uma norma especial. 
O presente texto aborda o método que deve ser utilizado 
para a solução de aparentes antinomias entre a norma processual 
geral e a norma especial de execução fiscal. Dois critérios serão 
analisados e testados: especialidade e cronologia. O conflito entre 
eles exigirá a aplicação de um metacritério de solução. Elementos 
finalísticos e sistemáticos serão necessários para manter a coerência 
material do sistema. Notadamente devem ser observados a 
premissa de vedação sacrifícios particulares não-expressamente 
determinados pelo legislador. Outros princípios merecerão uma 
atenção redobrada, tais como o princípio da proporcionalidade e da 
subsidiariedade. 
Por fim, cabe destacar que o impacto do NCPC nas 
execuções fiscais será profundo. Os presentes comentários 
detalharão as modificações relevantes em cada um dos artigos 
comentados. A principal alteração observada está na mudança de 
modelo: substitui-se o antigo modelo formalista-tecnicista por uma 
abordagem pragmática-substancial. A noção de primazia do 
interesse público é substituída pela diretriz de prevalência dos 
direitos fundamentais. 
Acreditamos que a presente obra irá auxiliar 
definitivamente a cidadania, a advocacia e os advogados; a 
encontrarem a melhor forma de equacionar o delicado equilíbrio 
entre o interesse fiscal e a proteção do cidadão-contribuinte. 
 Paulo Caliendo 
 Coordenador 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sumário 
 
Apresentação 
Paulo Caliendo... ................................................................................... 11 
A aplicac ̧̧ ̧̧ão da Lei n° 13.105/15 na Lei de Execuc ̧̧ ̧̧o ̃es Fiscais - 
Marco Félix Jobim ............................................................................... 24 
Art. 1º - Paulo Caliendo... .................................................................... 36 
Arts. 2° a 3° - Martin da Silva Gesto... ..................................................... 62 
Art. 4° - Paulo Caliendo .................................................................... 114 
Arts. 5° a 7° - Eduardo Luı́s Kronbau... ............................................. 139 
Arts. 8º a 10º - Fernando Bortolon Massignan................................. .... ..172 
Arts. 11º a 13º - Fábio Tomkowski .................................................... 228 
Arts. 14º a 16º - Larissa Laks... .......................................................... 266 
Arts. 17º a 19º - Cristiane De Marchi... ..................................................318 
Arts. 20 a 22 - João Ricardo Fahrion Nüske .................................... 366 
Arts. 23º a 25º - Veyzon Campo Muniz... .......................................... 394 
Arts. 26º a 28º - Juliana Rodrigues Ribas... ...........................................419 
Arts. 29º a 31º - Eduardo Muxfeldt Bazzanella ................................. 451 
Arts. 32º a 36º - Juliana Sirotsky Soria... ........................................... 482 
Arts. 37º a 40º - Diego Galbinski... .........................................................512 
 
 
 
 
 
 24 
 
 
 
 
 
 
 
 
A aplicação da Lei n°°°° 13.105/15 na Lei de Execuções Fiscais. 
Marco Félix Jobim* 
 
A Lei de Execuções Fiscais ou Lei n°6.8301, datada de 
22 de setembro do ano de 1980, que dispõe sobre a cobrança 
judicial de dívida ativa da Fazenda Pública e outras 
providências, em vigor após 90 dias de sua publicação, deve 
sofrer grandes alterações no seu conteúdo processual, tendo em 
vista a recente edição de um Código de Processo Civil brasileiro 
renovado e que permite um maior imbricamentoentre as 
legislações citadas. 
A história de uma nova lei processual civil inicia a se 
consolidar já em 2009, com o Ato n° 379, do então Presidente 
do Senado Federal José Sarney, quando institui a comissão de 
juristas que se encarregaria da elaboração de um Anteprojeto de 
Lei que tratasse da nova legislação processual civil brasileira, 
 
* Mestre, Doutor e pós-doutorando em Direito. Advogado e Professor da 
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul na graduação e pós-
graduação lato e stricto sensu. 
1 Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6830.htm>. 
Acesso em: 6 set. 2016. 
 25 
 
sendo a comissão Presidida pelo então Ministro do Superior 
Tribunal de Justiça Luiz Fux, hoje à frente do Supremo Tribunal 
Federal, acompanhado de estudiosos de peso no que se refere ao 
Direito Processual Civil brasileiro, como Teresa Arruda Alvim 
Wambier, Adroaldo Furtado Fabrício, Benedito Pereira Filho, 
Bruno Dantas, Elpídio Nunes, Humberto Theodoro Júnior, 
Jansen Almeida, José Miguel Medina, José Roberto Bedaque, 
Marcus Vinícius Coelho e Paulo Cezar Carneiro. 
Em 8 de junho de 2010 foi, finalmente, apresentado no 
Congresso Nacional o Anteprojeto de novo Código de Processo 
Civil brasileiro, convertido no Projeto de Lei do Senado n° 
166/2010, tendo seu relatório final sido aprovado em 1º de 
dezembro e o Projeto de Lei dia 15 do mesmo mês e ano, sendo, 
então, remetido para a Câmara de Deputados, no qual foi 
recebido como Projeto de Lei n° 8.046/10. Durante a tramitação 
no Congresso Nacional, houve troca de relator2, sendo tal fator 
importante para os rumos que o projeto tomaria até sua sanção 
presidencial, em março de 2015, com vigência para março de 
2016, sendo que, não basta a mudança da legislação para que o 
Direito Processual estampe as cores de um modelo democrático 
de Direito, nas palavras de Rodrigo Mazzei3, mas precisa, ainda, 
de muito trabalho, o que, esperançosamente, se espera. 
 
2 ROQUE, Andre Vasconcelos; PINHO, Humberto Dalla Bernadina de 
(Coord.). O projeto do novo Código de Processo Civil: uma análise 
crítica. Brasília: Gazeta Jurídica, 2013. p. vi. Relatam os coordenadores o 
retorno e saída do Deputado Sérgio Barradas Carneiro e a entrada do 
Deputado Paulo Teixeira na relatoria. 
3 MAZZEI, Rodrigo. Breve história (ou ‘estória’) do direito processual civil 
brasileiro: das ordenações até a derrocada do Código de Processo Civil de 
 26 
 
Nem havia ainda a nova legislação processual civil 
brasileira vencido a vacatio legis e já era remendada pela Lei 
n°13.256/2016 que resgatou, dentre os temas tratados, o retorno 
da admissibilidade dos Recursos Especial e Extraordinário ao 
Tribunal a quo e a não mais obrigatoriedade de ordem 
cronológica dos processos, estampada no artigo 12, inserido no 
capítulo das Normas Fundamentais do Processo. Com isso, 
mesmo que de forma sucinta, narra-se um pouco da vida das 
legislações em vigor de ambos os processos, devendo agora ser 
pensado o que o Poder Judiciário aplicará do CPC/2015 nas 
Execuções Fiscais. 
As Execuções Fiscais são parte de um Direito 
Processual maior que pode-se denominar de Processo 
Tributário, que acaba por tratar de questões atinentes à execução 
fiscal e às ações tributárias. O contexto tem trazido uma 
variedade de autores destinados a disciplinarem a matéria. 
Dentre as obras que podem ser referidas estão Processo 
Tributário, de Hugo Machado de Brito4; Direito Processual 
Tributário, de Marcelo Campos5; Manual da Execução Fiscal, 
 
1973. In: DIDIER JR., Fredie (Coord.). Novo CPC doutrina selecionada: 
parte geral. Organização de Lucas Buril de Macêdo; Ravi Peixoto; 
Alexandre Freire. Salvador: Juspodivm, 2015. v. 1. p. 35-63. p. 63. 
4 Dentre as obras de maior destaque, recomenda-se: BRITO, Hugo Machado 
de. Processo tributário. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012. 
5 Isso pode ser confirmado com estudos coletivos como: CAMPOS, Marcelo. 
Direito processual tributário: a dinâmica da interpretação: estudos em 
homenagem ao professor Dejalma de Campos. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2008. Dentre o rol de articulistas estão: Adilson Rodrigues Pires, 
Agostinho Toffoli Tavolaro, Alexandre Barros Castro, Ana Flávia Messa, 
Angélica Arruda Alvim, Arruda Alvim, Augusto Fantozzi, Aurélio Pitanga 
Seixas Filho, Eduardo Arruda Alvim, Edvaldo Brito, Hugo de Brito 
Machado, Ivan Tauil Rodrigues, Ives Gandra da Silva Martins, José 
 27 
 
de Éderson Garin Porto6; Curso avançado de processo 
administrativo tributário, organizado por Rafael Borin e 
Rafael Nichele7; O novo CPC e seu impacto no Direito 
Tributário, de Paulo Cesar Conrado e Juliana Furtado Costa 
Araujo8 e A prova do processo administrativo tributário, de 
Marcio Pestana9. Ainda, pela leitura de algumas obras, pode-se 
tirar pelo menos dois grandes entendimentos: (i) da existência de 
um processo administrativo tributário10 e; (ii) da existência de 
um processo judicial tributário11, o que denotam a grandiosidade 
de assuntos que existem inseridos dentro do processo tributário. 
Com o advento do Código de Processo Civil de 2015 
deve-se atentar para o capítulo II, da parte geral, que aborda o 
tema da aplicação das normas processuais, nos artigos 13, 14 e 
15 da legislação, sendo esta o objeto de nossa reflexão ao referir 
que na ausência de normas que regulem processos eleitorais, 
trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código 
 
Eduardo Soares de Melo, José Souto Maior Borges, Kiyoshi Harada, Leon 
Fredja Szklarowsky, Marco Aurélio Greco, Maria Rita Gradilone Sampaio 
Lunardelli, Marilene Martins Rodrigues, Sacha Calmon Navarro Coelho e, 
claro, o próprio coordenado Marcelo Campos. 
6 PORTO, Éderson Garin. Manual da execução fiscal. 2. ed. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado, 2010. 
7 BORIN, Rafael; NICHELE, Rafael. Curso avançado de processo 
administrativo tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012. 
8 CONRADO, Paulo Cesar; ARAUJO, Juliana Furtado Costa (Coord.). O 
novo CPC e seu impacto no Direito Tributário. São Paulo: Fiscosoft, 
2015. Embora esteja referido no título o direito tributário, os artigos dão 
conta do processo tributário. 
9 PESTANA, Marcio. A prova no processo administrativo tributário. Rio 
de Janeiro: Elsevier, 2007. 
10 BORIN, Rafael; NICHELE, Rafael. Curso avançado de processo 
administrativo tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012. 
11 ROCHA, Mauro Luís. Processo judicial tributário. 8. ed. São Paulo: 
Impetus, 2012. 
 28 
 
lhes serão aplicada supletiva e subsidiariamente, não 
encontrando no CPC/1973norma de igual ou parecido teor, mas 
que, como defende Guilherme Rizzo Amaral12, em nada altera o 
já estado de coisas anterior, uma vez que é o processo civil 
quem rege os processos regidos por leis especiais. 
Duas são as formas de se aplicarem as normas 
processuais civis no processo tributário, sendo elas a de forma 
subsidiária e a supletiva. Conforme aduzem Teresa Arruda 
Alvim Wambier, Mara Lúcia Lins Conceição, Leonardo Ferres 
da Silva Ribeiro e Rogerio Licastro Torres de Mello13, a 
aplicação de forma subsidiária é aquela realizada quando não há 
omissão na legislação fiscal, sendo que a lei processual civil 
servirá para melhoria daquela, enquanto que na aplicação 
supletiva, há uma omissão na lei, devendo ser inserida a norma 
do CPC/2015, respeitando, por evidente, o que está disposto na 
Lei n°6.830/80. 
 
12 AMARAL, Guilherme Rizzo. Comentários às alterações do novo CPC. 
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015. p. 79. 
13 WAMBIER, Teresa Arruda Alvim; CONCEIÇÃO, Maria Lúcia Lins; 
RIBEIRO, LeonardoFerres da Silva; MELLO, Rogério Licastro Torres de. 
Primeiros comentários ao novo Código de Processo Civil: artigo por 
artigo. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. p. 84. Referem: 
“Aplicação subsidiária X aplicação supletiva. Não se trata de aplicar as 
normas processuais aos processos administrativos, trabalhistas e eleitorais 
quando não houver normas, nestes ramos do direito, que resolvam a 
situação. 1.1. A aplicação subsidiária ocorre também em situações nas 
quais não há omissão. Trata-se, como sugere a expressão ‘subsidiária’, de 
uma possibilidade de enriquecimento, de leitura de um dispositivo sob 
outro viés, de extrair-se da norma processual eleitoral, trabalhista ou 
administrativa um sentido diferente, iluminado pelos princípios 
fundamentais do processo civil. 1.2. A aplicação supletiva é que ocorre 
apenas quando há omissão”. 
 29 
 
A abertura para tal aplicação subsidiária do CPC/2015 
na Lei de Execuções Fiscais, além de estar no já mencionado 
artigo 15 daquele texto processual, encontra guarida no artigo 1º 
da lei tributária ao expor que“a execução judicial para cobrança 
da Dívida Ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos 
Municípios e respectivas autarquias será regida por esta Lei e, 
subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil”. 
O estudo sistemático do CPC/2015 encontra esteira no 
capítulo I do livro I, que foi intitulado pelo legislador de “Das 
normas fundamentais do processo civil”, na qual elenca, entre 
os artigos 1º e 12, alguns princípios, regras, postulados e valores 
que merecem a atenção neste momento14 de ainda muita 
discussão sobre o texto processual publicado. Esta é uma frase 
de peso: não se compreende o CPC/2015 sem que antes se 
entenda o alcance do que quis o legislador com as Normas 
Fundamentais do Processo, ou seja, são elas a condição de 
possibilidade, o fio condutor de compreensão do significado do 
texto processual. Brevemente, serão referidas quais são elas para 
que se tenha a base de releitura da própria Lei de Execuções 
Fiscais. 
De início, cabe elencar o artigo 1º15 do novo CPC que, 
ao dispor sobre o que aparenta ser consenso na doutrina 
 
14 Cumpre esclarecer que ainda há poucas produções bibliográficas sobre o 
projeto do novo Código de Processo Civil sendo que, dentre as que 
existem, uma das mais recomendadas, embora ainda feita na época em que 
somente existia o anteprojeto, é: MARINONI, Luiz Guilherme; 
MITIDIERO, Daniel. O projeto do CPC: críticas e propostas. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2010. 
15 “Art. 1º. O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado 
 30 
 
brasileira,16 refere que “o processo civil será ordenado, 
disciplinado e interpretado conforme as normas da Constituição 
da República Federativa do Brasil, observando-se, ainda, as 
disposições deste Código”, sendo que, após, consagra dois 
princípios vigentes no atual Código de 1973, sendo eles o do 
dispositivo17 e do impulso oficial18 no artigo 2º,19 “[...] ao referir 
que o processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve 
por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei”, para, 
após, listar, no artigo 3º20 que “[...] não se excluirá da apreciação 
jurisdicional ameaça ou lesão a direito”, complementando o 
artigo com outros dois parágrafos, o § 1º, referindo que “[...] é 
permitida a arbitragem,21 na forma da lei”, e o § 2º que “o 
 
conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na 
Constituição da República Federativa do Brasil, observando-se as 
disposições deste Código”. 
16 Uma referência, apenas para não passar em branco a afirmação, pode ser a 
de Luiz Guilherme Marinoni, ao afirmar que toda lei deve estar em 
conformidade com a Constituição Federal e, especialmente, como refere, 
com os direitos fundamentais. Ler íntegra em MARINONI, Luiz 
Guilherme. Teoria geral do processo. 8. ed. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2014. p. 21. 
17 Sobre o referido princípio, recomenda-se a leitura de LOPES, Maria 
Elizabeth de Castro. O juiz e o princípio dispositivo. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2006. 
18 Sobre o tema, recomenda-se a leitura de PORTANOVA, Rui. Princípios 
do processo civil. 6. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2005. O 
autor trabalha o princípio nas páginas 153 a 156. 
19 “Art. 2º. O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por 
impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei”. 
20 “Art. 3º. Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a 
direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. § 2º O Estado 
promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos. § 3º 
A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de 
conflitos deverão ser estimulados por magistrados, advogados, defensores 
públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo 
judicial”. 
21 Englobando o tema, leia-se SALLES, Carlos Alberto de; LORENCINI, 
 31 
 
Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual 
dos conflitos”, tendo no § 3º a explicação de como se pode 
concretizar o anterior,22 com “[...] a conciliação, a mediação e 
outros métodos23 de solução consensual de conflitos deverão ser 
estimulados por magistrados, advogados, defensores públicos e 
membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo 
judicial”. Após, no artigo 4º,24 resolve expor que “as partes têm 
direito de obter em prazo razoável a solução integral do 
processo, incluída a atividade satisfativa” e no artigo 5º,25 
resolve consagrar que “aquele que de qualquer forma participa 
do processo deve comportar-se de acordo com a boa-fé”. 
Depois, no texto do artigo 6º,26 consigna que: “Todos os sujeitos 
do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em 
tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva.”. Já no artigo 
 
Marco Antônio Garcia Lopes; ALVES DA SILVA, Paulo Eduardo 
(Coord.). Negociação, mediação e arbitragem: curso básico para 
programa de graduação em Direito. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: 
Método, 2012. Os coordenadores e diversos outros articulistas refletem 
sobre temas de resolução alternativa de conflitos, em especial a 
arbitragem. 
22 Sobre as técnicas de resolução de conflitos como as apontadas no texto, 
recomenda-se a leitura de CALMON, Petrônio. Fundamentos da 
mediação e da conciliação. Rio de Janeiro: Forense, 2007. 
23 Sobre métodos inovadores de resolução de conflitos, recomenda-se a 
leitura de KEPPEN, Luiz Fernando Tomasi; MARTINS, Nadia Bevilaqua. 
Introdução à resolução alternativa de conflitos: negociação, mediação, 
levantamento de fatos, avaliação técnica independente. Curitiba: JM 
Livraria Jurídica, 2009. 
24 “Art. 4º. As partes têm direito de obter em prazo razoável a solução 
integral do processo, incluída a atividade satisfativa”. 
25 “Art. 5º. Aquele que de qualquer forma participa do processo deve 
comportar-se de acordo com a boa-fé”. 
26 “Art. 6º. Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que 
se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva” 
 32 
 
7º,27 consagra que: “É assegurada às partes paridade de 
tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades 
processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à 
aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo 
efetivo contraditório” e complementa esse artigo com a redação 
do artigo 8º,28 ao aduzir que: “Ao aplicar o ordenamento jurídico, 
o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, 
resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e 
observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a 
publicidade e a eficiência”. No artigo 9º,29 a lei prevê que “não 
se proferirádecisão contra uma das partes sem que esta seja 
previamente ouvida”, explicando, no parágrafo único e incisos, 
que há exceções quando afirma que “o disposto no caput não se 
aplica”, “I. à tutela provisória de urgência”; “II. às hipóteses de 
tutela da evidência previstas no art. 309, incisos II e III”; “III. à 
decisão prevista no art. 699”, no artigo 10,30 consagrou-se a não 
surpresa,31 ao expor que: “O juiz não pode decidir, em grau 
 
27 “Art. 7º. É assegurada às partes paridade de tratamento no curso do 
processo, competindo ao juiz velar pelo efetivo contraditório”. 
28 “Art. 8º. Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins 
sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a 
dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a 
razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência”. 
29 “Art. 9º. Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que esta seja 
previamente ouvida. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica à 
tutela antecipada de urgência e às hipóteses de tutela antecipada da 
evidência previstas nos incisos III e IV do art. 306”. 
30 “Art. 10. Em qualquer grau de jurisdição, o órgão jurisdicional não pode 
decidir com base em fundamento a respeito do qual não se tenha 
oportunizado manifestação das partes, ainda que se trate de matéria 
apreciável de ofício”. 
31 É a consagração do Überraschungsentscheidung, segundo refere Nelson 
Nery Junior, ao dizer que não podem as partes ser surpreendidas por 
 33 
 
algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual 
não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda 
que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício” e, 
finalmente, no artigo 1132 desses princípios iniciais, entendeu-se 
por afirmar a existência dos princípios da publicidade e da 
fundamentação das decisões judiciais ao elencar que “todos os 
julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e 
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade”, 
havendo a ressalva no parágrafo único dos casos de segredo de 
justiça. 
No artigo 12,33 apesar de fazer parte do capítulo I e se 
tratar de normas fundamentais do processo, parece que não se 
 
decisão fundada em fato ou circunstância de que a parte não tenha tomado 
conhecimento. NERY JUNIOR, Nelson. Princípios do processo na 
Constituição Federal: processo civil, penal e administrativo. 9. ed. São 
Paulo: Revista dos Tribunais, 2009. p. 221. 
32 “Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão 
públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. Parágrafo 
único. Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada somente a 
presença das partes, de seus advogados, defensores públicos ou do Ministério 
Público”. 
33 “Art. 12. Os juízes e os tribunais atenderão, preferencialmente, à ordem 
cronológica de conclusão para proferir sentença ou acórdão. § 1º A lista de 
processos aptos a julgamento deverá estar permanentemente à disposição 
para consulta pública em cartório e na rede mundial de computadores. § 2º 
Estão excluídos da regra do caput: I – as sentenças proferidas em 
audiência, homologatórias de acordo ou de improcedência liminar do 
pedido; II – o julgamento de processos em bloco para aplicação de tese 
jurídica firmada em julgamento de casos repetitivos; III – o julgamento de 
recursos repetitivos ou de incidente de resolução de demandas repetitivas; 
IV – as decisões proferidas com base nos arts. 482 e 930; V – o julgamento 
de embargos de declaração; VI – o julgamento de agravo interno; VII – as 
preferências legais e as metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de 
Justiça; VIII – os processos criminais, nos órgãos jurisdicionais que 
tenham competência penal; IX – a causa que exija urgência no julgamento, 
assim reconhecida por decisão fundamentada. § 3º Após elaboração de 
lista própria, respeitar-se-á a ordem cronológica das conclusões entre as 
 34 
 
trata de um princípio propriamente dito, tendo em vista que 
aparenta ter um caráter mais de regra, bastando se deparar com 
a leitura do texto que aufere que “os órgãos jurisdicionais 
deverão obedecer à ordem cronológica de conclusão para 
proferir sentença ou acórdão” sendo que, até mesmo, nos 
parágrafos do artigo, há maiores especificidades a serem 
lembradas, como no § 1º, que atesta que “a lista de processos 
aptos a julgamento deverá estar permanentemente à disposição 
para consulta pública em cartório e na rede mundial de 
computadores”, o que não acaba nele, havendo mais e mais 
especificidades a seguir. Essa sistematização de como será a 
ordem processual nos Tribunais confere densificação ao texto 
que poderá ser interpretado mais por subsunção do que com 
ponderação, concedendo, pois, ares de regra ao dispositivo.34 
Aqui, desde já, cumpre a referência de que o texto não é de 
consonância, mesmo entre os entusiastas da lei, como pondera 
Lúcio Delfino35 ao expor ser o referido artigo, assim como o 
 
preferências legais. § 4º Após a inclusão do processo na lista de que trata o 
§ 1º, o requerimento formulado pela parte não altera a ordem cronológica 
para a decisão, exceto quando implicar a reabertura da instrução ou a 
conversão do julgamento em diligência. § 5º Decidido o requerimento 
previsto no § 4º, o processo retornará à mesma posição em que 
anteriormente se encontrava na lista. § 6º Ocupará o primeiro lugar na lista 
prevista no § 1º ou, conforme o caso, no § 3º, o processo: I – que tiver sua 
sentença ou acórdão anulado, salvo quando houver necessidade de 
realização de diligência ou de complementação da instrução; II – quando 
ocorrer a hipótese do art. 1.037, inciso II”. 
34 Sobre o tema, consultar ÁVILA, Humberto. Teoria dos princípios: da 
definição à aplicação dos princípios jurídicos. 15. ed. São Paulo: 
Malheiros, 2014. 
35 Conferir a íntegra em: DELFINO, Lúcio. O art. 153 do novo CPC vai 
contra o advogado militante. Disponível em: 
http://www.conjur.com.br/2014-ago-01/lucio-delfino-artigo-153-cpc-
 35 
 
artigo 153 do mesmo texto processual, textos que atentam contra 
o advogado diligente, o que, nas suas palavras, não encontra, 
sequer, assento constitucional, contrariando o artigo 133 da 
Constituição Federal. 
A Lei de Execuções Fiscais, como não deveria deixar 
de ser, sofre mudanças paradigmáticas com referido capítulo, 
sendo que, o aplicador do Direito que assim não compreender, 
estará fadado a continuar aplicando uma lei sem as atualidades 
necessárias que são necessárias para a oxigenação das 
legislações esparsas com conteúdo processual, como é a Lei 
n°6.830/80. Ainda, há que ser destacado que as Normas 
Fundamentais não se esgotam nos primeiros 12 artigos do 
CPC/2015, encontrando algumas delas fora do catálogo inicial 
ou na própria Constituição da República Federativa do Brasil. 
O Código de Processo Civil de 2015 está em vigor 
desde o dia 18 de março de 2016, sendo que, inegavelmente, ele 
se presta a auxiliar todos os demais ramos do Direito Processual 
(em que pese aqui existir forte corrente do Processo Penal, razão 
pela qual a afirmação vai relativizada), e, em especial, serve de 
base para o Processo Tributário, de forma subsidiária e 
supletiva. Devemos realizar o máximo esforça para que o 
CPC/2015 seja uma realidade e étambém a partir de sua 
aplicação nas leis esparsas que tal desiderato pode ser 
alcançado. 
 
 
advogado-diligente?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter. Acesso: 
07.08.2014. 
 36 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMENTÁRIOS AO ART. 1°°°° 
Paulo Caliendo* 
 
Art. 1º - A execução judicial para cobrança daDívida Ativa 
da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e 
respectivas autarquias será regida por esta Lei e, 
subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil. 
 
1. Evolução Legislativa e Remissões Legais 
 
Encontramos no Reino de Portugal, as primeiras 
normas sobre execução fiscal, que marcaram o nosso 
desenvolvimento nacional. 
O surgimento do Reino de Portugal se fez acompanhar 
de normas sobre a administração pública e execução de dívidas. 
Dom Afonso V editou o primeiro Código de Leis da Era 
moderna, conhecido como Ordenações Afonsinas (1446), que 
 
* Professor Titular do PPGD da PUCRS. Doutor em Direito pela PUCSP. 
Coordenador do GTAX – Grupo de Pesquisas Avançadas em Direito 
Tributário da PUCRS. Advogado. 
 37 
 
previu o caráter subsidiário do Direito Romano e do Direito 
Canônico, com prevalência do Direito Nacional. 
A fiscalidade real, no século XIV, fundava-se em dois 
órgãos distintos: a Casa dos Contos e a Vedoria da Fazenda. A 
esta última, competia a cobrança das rendas e tributos da Coroa. 
Os Contos representavam a forma de contabilidade das receitas 
e despesas régias. O Título III do Livro I tratava, justamente, 
“Dos Vedores da Fazenda” e determinava que competia a estes 
agirem de ofício quando encontrassem coisa sonegada ao Régio 
Erário. Não existiam, contudo, regras claras sobre a execução 
fiscal. Era criada a competência, mas não existia ainda o 
procedimento. 
As Ordenações Manuelinas (1513-1605) surgiram no 
período de crescimento do Império Português e correspondiam 
às exigências de uma administração eficiente da Justiça e das 
Finanças régias. Concomitantemente com a reforma das 
Ordenações do Reino, foram editados diversos forais, tais como 
os Artigos das Sisas (1512), o Regimento dos Contadores das 
Comarcas (1514) e o Regimento das Ordenaço ̃es da Fazenda 
(1516). 
As Ordenações Filipinas (1595) previam um 
procedimento próprio para a execução fiscal no Reino de 
Portugal. Este regramento estava previsto no “Livro 2 Tit.53: 
Das execuções, que se fazem nos que devem à Fazenda do Rei”. 
O procedimento previa a prisão de devedores e a execução de 
seus bens e fazendas, bem como as de seus fiadores e 
abonadores. Somente após a prisão é que seriam aceitos os 
 38 
 
embargos, com as razões. Algumas garantias eram previstas, tais 
como: a citação da esposa e do marido; execução em um ato 
apenas e o procedimento do pregão, para venda e arrematação 
dos bens executados. 
O período colonial assistiu à edição de regras 
específicas, sobre a execução fiscal, com a Carta de Lei, de 
1761, e o Alvará, de 16.12.1774. 
No Brasil, a execução fiscal foi regulada após a 
Independência, com a Lei n° 242, de 29.11.1842, já sob a égide 
da Constituição de 1824. Este diploma vigorou até a edição 
republicana do Decreto-lei n° 960, de 17 de dezembro de 1938. 
O Decreto-lei n° 960, de 17 de dezembro de 1938, 
dispôs sobre a cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda 
Pública, em todo o território nacional. 
 
Decreto-lei n° 960, de 17 de 
dezembro de 1938 
LEF 
Art. 1º. A cobrança 
judicial da dívida ativa da 
Fazenda Pública (União, 
Estados, Municípios, Distrito 
Federal e Territórios), em 
todo o território nacional, será 
feita por ação executiva, na 
forma desta lei. 
A execução judicial 
para cobrança da Dívida Ativa 
da União, dos Estados, do 
Distrito Federal, dos 
Municípios e respectivas 
autarquias será regida por esta 
Lei e, subsidiariamente, pelo 
Código de Processo Civil. 
 
 39 
 
A principal distinção entre os dois diplomas consiste na 
exigência de aplicação subsidiária do CPC às execuções fiscais. 
 
Remissões Legais: Resolução Imperial, de 28 de 
dezembro de 1876 (Consolidação Ribas); Decreto-lei n° 960, de 
17.12.1938; CPC/1939; CPC/1973; LC n° 118/2005; Lei n° 
11.383/2006; PL nº 5.080/2009, apensado ao PL nº 2.412/2007; 
PLs nos 5081/2009, 5082/2009; PLC n° 469/2009; PL n° 
5.080/2009 e CPC/2015. 
 
2. Conceitos Principais 
 
Natureza Judicial 
 
O processo de execução fiscal possui natureza judicial, 
no Brasil, desde a Resolução Imperial de n° 28, de 17/03/1876. 
O Brasil se distanciaria do modelo português de execução 
administrativa, que remonta às Ordenações, e seguirá até aos 
dias de hoje, em Portugal. 
As Ordenações previram regras de execução 
administrativa, fundadas na noção de garantia do interesse do 
Erário Público para, somente após, se garantirem os direitos do 
executado. Esse modelo será seguido com a ampliação de 
direitos ao executado durante toda a legislação posterior; 
contudo, Portugal manteve a execução fiscal sob a égide do 
Código Português de Procedimento Tributário (CPPT). A 
legitimidade para condução do processo é do órgão exequente. 
 40 
 
Os embargos, aqui denominados de “oposição”, possuem 
natureza administrativa, e a reclamação da decisão somente é 
admitida após: “só conhecerá das reclamações quando, depois 
de realizadas a penhora e a venda, o processo lhe for remetido a 
final” (art. 278º-1, CPPT). Ressalte-se que não há, nesse 
sistema, o rigor nacional do título executivo fiscal, tal como 
previsto em nossa Certidão de Dívida Ativa. 
O Brasil distanciou-se, claramente, do modelo de 
cobrança administrativa. O primeiro passo em direção diversa 
ocorreu com a edição do famoso Decreto n° 737, de 25 de 
novembro de 1850, que regulava o Processo Comercial. Este 
estabeleceu a divisão do processo em quatro grandes espécies: 
ordinário, sumário, especial e executivo. O reconhecimento do 
processo executivo, como uma fase processual própria, alterava 
a sistemática vigente sob a ordem das Ordenações Filipinas que 
previam, no Livro III, a divisão do processo em ordinário, 
sumário e sumaríssimo ou oral. O modelo comercial foi 
estendido aos processos civis por meio do Decreto n° 9.549, de 
1886. Este determinou: “Art. 1º São applicaveis ao processo 
civil: § 1º As disposições contidas nos Titulos 1º, 2º e 3º da 2ª 
parte do Regul. n. 737 de 25 de Novembro de 1850 sobre as 
cartas de sentença, Juiz e partes competentes para a execução, 
liquidação de sentenças, penhora e arrematação”. 
A Resolução Imperial, de 28 de dezembro de 1876, 
promulgou a Consolidação das Leis do Processo Civil, 
denominada de Consolidação Ribas, em homenagem ao 
Conselheiro Ribas. 
 41 
 
O Decreto-lei n° 960, de 17.12.1938, veio consolidar a 
execução fiscal sob a égide da Constituição de 1937. A 
exigência de uma norma moderna de execução fiscal já era 
prevista na Constituição de 1934. Este Decreto-Lei uniformizou 
a execução fiscal no País e consagrou a possibilidade de 
interposição de embargos judiciais à execução fiscal, como meio 
de defesa do executado. 
Essa norma vigorou durante a vigência do Código de 
Processo Civil, de 1939, e somente foi revogada integralmente 
pelo CPC de 1973. A redação do art. 76 do Decreto-lei n° 
960/1938 aparentemente poderia fazer surgir a dúvida sobre a 
vigência dessa norma durante a vigência do CPC, de 1939. 
Preceituava esse artigo que: “As justiças dos Estados, do 
Distrito Federal e do Território do Acre, enquanto não for 
promulgado o Código de Processo Civil, aplicarão 
subsidiariamente, no processo e julgamento das causas a que se 
refere esta lei, a legislação vigente”. A leitura mais atenta do 
dispositivo espanca qualquer dúvida. O enunciado não afirmava 
que o DL n° 960/1938 iria vigorar até à promulgação do novo 
CPC, mas que seria aplicado, subsidiariamente, a esse Decreto, a 
legislação processual vigente, até que fosse promulgado o novo 
CPC. O dispositivo tratava das normas processuais de aplicação 
subsidiária à execução e não sobre o termo final de vigência do 
DL n° 960/1938. 
A certificação da vigência do DL n° 960/1938 é 
declarada pelo próprio CPC, de 1939. Este surgiu em um 
momento em que o País reclamava a existência de um moderno42 
 
Código de Processo, em substituição aos modelos anteriores. 
Relatava a “Exposição de Motivos do CPC” de 1939, que, após 
a nova Constituição: “... as primeiras leis de processo que foram 
decretadas trouxeram um cunho novo; os frutos que já estão 
dando revelam o acerto da orientação adotada”. Dentre as novas 
leis, destacava-se: “Também a lei destinada a regular a cobrança 
da dívida ativa da Fazenda Pública, em vigor desde 1º de janeiro 
deste ano, foi informada pelos mesmos princípios e, sem 
sacrifício da defesa dos executados, vai permitindo ao erário um 
meio rápido e seguro de rehaver os seus créditos”. O Código 
anunciava, por esse meio, a recepção do DL n° 960/1938 e o 
reconhecimento de sua natureza especial, mantendo dois 
sistemas separados para as execuções. 
O CPC de 1973 unificou todas as execuções, civis e 
fiscais, em torno do Código e, finalmente, a Lei de Execução 
Fiscal (Lei n° 6.830/80) consagrou definitivamente o modelo de 
cobrança judicial em uma lei especial.1 Desse modo, a nossa 
história demonstra, claramente, afiliação à ideia de que a 
execução fiscal deve ocorrer sob a égide do Poder Judiciário, 
afastando-se, manifestamente, do modelo de execução 
administrativa. Desde a Independência nacional, houve rechaço 
explícito ao modelo português, ainda vigente, de execução sob a 
égide da autoridade administrativa. 
Hodiernamente, surge o questionamento sobre a 
oportunidade e conveniência da adoção do modelo 
 
1 Sobre a revogação integral de todas as disposições do DL n° 960/1938, 
veja-se RE 94.071. 
 43 
 
administrativista de cobrança do crédito tributário. Esse 
movimento tem sido conhecido como “desjudicialização” da 
execução fiscal, em um movimento de claro desvio em relação à 
nossa tradição histórica. 
A proposta consta no Projeto de Lei nº 5.080/2009, 
apensado ao Projeto de Lei nº 2.412/2007. Podem-se citar, 
ainda, os PLs nos 5081/2009, 5082/2009 e PLC n° 469/2009. 
Dentre algumas das propostas apresentadas no PL n° 
5.080/2009, destacam-se, conforme a Justificativa da Advocacia 
Geral da União (AGU): 
1) a realização de determinados atos de 
execução (constrição patrimonial e 
avaliação de bens) diretamente pela 
Administração Tributária; 
2) a realização do ajuizamento da execução 
fiscal por parte da Fazenda Pública somente 
se houver efetiva constrição patrimonial; 
3) a utilização de meios eletrônicos, como a 
internet, para a prática de atos de 
comunicação, constrição de bens e 
alienação; 
4) a possibilidade de constrição de valores 
depositados em contas bancárias 
diretamente pela Fazenda Pública; e 
5) a concentração da defesa do contribuinte 
nos embargos, com a instituição de 
mecanismos de preclusão que buscam evitar 
a renovação de litı́gios já decididos em 
juı́zo. 
 
O Projeto de execução administrativa choca-se 
frontalmente com o texto Constitucional. O art. 5o da CF/88 
estabelece o direito fundamental à tutela efetiva, ao determinar 
no inc. XXXV que: “a lei não excluirá da apreciação do Poder 
 44 
 
Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Trata-se de um direito 
subjetivo a ser exercido perante o Poder Judiciário, sendo 
vedada a intromissão indevida da Administração. Nem poderia o 
Poder Fiscal realizar a tutela executiva em seu próprio benefício, 
sem ofender diretamente o direito ao devido processo legal. Não 
haveria imparcialidade da administração na realização desses 
atos. A busca da efetividade da tutela executiva não pode ser 
alcançada com o sacrifício dos direitos fundamentais do 
contribuinte ao devido processo judicial, em sentido material e 
formal. Deve ser ressaltada a exigência de respeito inabalável ao 
princípio da separação dos poderes, que impede que a 
administração exerça a tutela executiva. 
Outro questionamento importante: há necessidade de 
uma lei especial para tratar da execução fiscal? Será que as 
normas do CPC não seriam suficientes para tratar da matéria? 
Cremos que a especificidade da execução fiscal exige norma 
especial. 
Existem três argumentos para suportar esse 
entendimento. O primeiro decorre da natureza especial da tutela 
executiva na execução fiscal. Trata-se de um processo que 
ocorre entre partes assimétricas (no caso, o Estado e o 
contribuinte), e não entre partes iguais, como no processo civil. 
A Fazenda Pública possui diversas prerrogativas que não são 
estendidas aos contribuintes, tais como: prazo em dobro; 
reexame necessário em caso de sentença desfavorável; 
intimação pessoal do representante da Fazenda, e o modo de 
 45 
 
pagamento por meio de precatórios e requisições de pequeno 
valor. 
Em segundo lugar, a natureza do título executivo é 
distinta. De um lado, na execução civil está se cobrando uma 
dívida privada, enquanto que a execução fiscal possui, como 
objeto, a cobrança de um crédito público. 
Por último, não há identidade de princípios 
fundamentais. A tutela executiva orienta-se, dentre os diversos 
princípios aplicáveis, pelo princípio: a) da execução equilibrada 
(art. 612, CPC); b) da proporcionalidade e adequação dos meios 
executivos (art. 8o., CPC); c) da lealdade e boa-fé (art. 14, CPC) 
e d) da responsabilidade (art. 776, CPC). Na execução fiscal, 
dois princípios aparecem em contraposição: a supremacia do 
interesse público e a proteção ao contribuinte; contudo, estes 
devem estar orientados pelos princípios gerais do Processo 
Civil. Não pode a execução fiscal estar à margem dos princípios 
constitucionais, aplicáveis ao processo em geral. 
 
Relação com o CPC: aplicação subsidiária 
 
Um grande problema, oriundo da existência de uma 
norma especial para reger a execução fiscal, decorre das 
indagações de sua relação com as normas gerais de Processo 
civil. O modelo de um duplo sistema é aquele em que ocorre a 
convivência de normas gerais e especiais e surge com o período 
abrangido pela vigência do DL n° 960/1938 e do CPC, de 1939. 
 46 
 
O CPC, de 1973, adotará um modelo unitário até ao surgimento 
da Lei n° 6.830/1980. 
O DL n° 960/1938 afirmou a aplicação subsidiária do 
CPC, de 1939, em seu art. 76, que determinava: “As justiças dos 
Estados, do Distrito Federal e do Território do Acre, enquanto 
não for promulgado o Código de Processo Civil, aplicarão 
subsidiariamente, no processo e julgamento das causas a que se 
refere esta lei, a legislação vigente” (grifos nossos). A partir da 
publicação do CPC de 1939, este se tornou norma de aplicação 
subsidiária obrigatória para as execuções fiscais, em substituição 
às normas estaduais, locais ou processuais anteriores. 
A Lei n° 6830/1980 se constituirá em norma especial 
para as execuções fiscais, mantendo o CPC, de 1973, como 
norma subsidiária. Desse modo, a execução fiscal ganhará 
algumas regras específicas em relação ao modelo geral. 
Determina expressamente o art. 1o. que: “A execução judicial ... 
será regida por esta Lei e, subsidiariamente, pelo Código de 
Processo Civil” (grifos nossos). A omissão na LEF será suprida 
pelo recurso às normas processuais do CPC. 
A presença de um duplo sistema de normas exige a 
aplicação de critérios de solução de antinomias materiais e 
temporais. Havendo norma especial, diversa da norma geral, 
qual deverá prevalecer? Se houver edição posterior de norma 
geral diversa, qual será a precedência? 
Na presença de conflitos materiais, deve-se aplicar o 
critério da especialidade, que determina que a lei especial 
derroga a lei geral (lex specialis derogat generalis). Caso 
 47 
 
ocorra a alteração de norma geral, deve-se verificar a coerência 
entre esta e a norma especial. Assim, apesar de ser aplicável o 
critério da especialidade para a solução de antinomias materiais, 
deve-se observar, igualmente, o critério cronológico de que a lei 
posterior derroga a lei anterior (lex posterior derogat legi 
priori). Esse é o sentido do § 1o. art. 2o da Leide Introdução às 
Normas do Direito Brasileiro: “§ 1o. Não se destinando à 
vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique 
ou revogue”. 
O conflito entre dois critérios, igualmente relevantes 
(especialidade e cronologia), caracteriza-se como um conflito de 
segundo grau e exige a aplicação de um metacritério de solução. 
A primeira forma de solução seria identificar a existência da 
precedência de um critério sobre o outro. A hierarquia entre 
critérios pode, por analogia, utilizar-se do critério hierárquico 
lex superior derogat lex inferior, ou seja, nesse caso estar-se-ia 
admitindo que um critério é superior ao outro. Cremos que, se 
não houver dispositivo legal expresso, convencionando uma 
escolha, não há como afirmar ab initio essa prevalência. De 
modo geral, tais critérios são aplicados por adequação ao caso e 
não por relações de superioridade-inferioridade. 
A escolha da prevalência da cronologia sobre a 
especialidade poderia gerar a regra “a lei geral posterior 
derroga a lei especial anterior” (lex generali posterior derogat 
legi speciali priori). A escolha da prevalência da especialidade 
sobre a cronologia poderia implicar a regra “a lei especial 
anterior derroga a lei geral posterior” (lex speciali priori 
 48 
 
derogat lex generali posteriori). Nenhuma das duas regras 
admite universalização para todos os casos, ou seja, se aplica 
integralmente sem exceções. Tal conclusão se demonstra pelo 
fato de que nenhuma das duas soluções garante a coerência e 
unidade do ordenamento jurídico. Não se pode afirmar, de modo 
absoluto, que a lex posterior seja lex inferior a lex speciali. Tal 
fato geraria um conflito aparente de terceiro grau e assim ad 
infinitum. O Direito não pode comprometer-se com soluções 
irrazoáveis. 
Sendo assim, somente podemos admitir que, não 
havendo uma solução imanente de prevalência, então deve-se 
encontrar soluções de adequação conforme o caso. Tal 
conclusão decorre do conceito de antinomia que exige o conflito 
entre normas aplicáveis ao mesmo caso; contudo, as normas 
jurídicas não expressam, apenas, comandos para regular 
determinados comportamentos: elas veiculam igualmente 
finalidades a serem alcançadas, valores e princípios. Se uma 
regra geral é portadora de um novo modelo processual, de novos 
princípios e valores implícitos, os mesmos casos deverão ser 
interpretados de um modo diverso. 
Tal situação ocorre claramente no momento atual, em 
que a LEF foi elaborada sob a égide de um modelo processual 
tecnicista-formalista, e o NCPC possui uma abordagem 
pragmático-material, ou seja, em um outro modelo. Não se trata 
de um conflito entre uma mera regra geral perante uma regra 
especial, mas de uma nova norma geral, portadora de nova 
concepção, perante uma norma especial ainda sob a égide do 
 49 
 
antigo modelo. Nesse caso, o uso dos tradicionais critérios e 
metacritérios de solução do concurso aparente de normas devem 
ceder espaço para critérios de coerência. 
Alguns autores propõem como solução a aplicação da 
Teoria do Diálogo das Fontes. Esta propõe um método de 
solução, fundado na ideia de coordenação entre as normas do 
sistema jurídico, de tal modo que a solução deve ser buscada 
com base na convivência das normas e não apenas na sua 
retirada do mundo jurídico (revogação). O restabelecimento da 
coerência normativa dar-se-ia pela prevalência das finalidades 
normativas. Essa teoria, adotada pela Profa. Cláudia Lima 
Marques, é exemplificada no caso do conflito entre o CDC e o 
CC, em que a solução adequada ocorre pela prevalência das 
normas gerais supervenientes mais favoráveis ao consumidor 
sobre as normas especiais vigentes2. 
Em nosso entender, deve ser procurada uma orientação 
mais segura para a solução de conflitos de segunda ordem. 
Sugerimos, a título de exame, o uso de um critério finalístico 
para a solução dessa antinomia. A norma portadora de princípios 
mais amplos deve preferir à norma de aplicação mais restrita. 
Assim, uma norma geral mais favorável ao contribuinte deve 
preferir a uma norma especial mais restritiva. Uma norma geral 
menos onerosa ao executado deve preferir a uma norma especial 
mais gravosa, e assim por diante. O critério finalístico deve ser 
utilizado para restabelecer a coerência normativa pelo 
reencontro da ratio do ordenamento jurídico, pela análise da 
 
2 REsp 1.184.765. 
 50 
 
eficácia normativa e não apenas de sua estrutura. Como 
exemplo, poderíamos citar a recepção da LEF pelo novo texto 
constitucional, ou pelo NCPC. O intérprete deve encontrar 
formas de manter o texto especial anterior e, ao mesmo tempo, 
garantir a máxima eficácia possível do novo texto geral. Trata-se 
da aplicação do critério de subsidiariedade, em que a norma 
especial, na condição de norma subsidiária da norma geral, deve 
obediência a esta. A aplicação da norma especial deve procurar 
garantir a adequada produção de efeitos do texto geral da norma 
geral. Assim, a solução pode dar-se não apenas pela mera 
revogação da norma, mas igualmente pela sua reinterpretação 
conforme. 
 
Do conflito entre a LEF e o CPC, de 1973 
 
A LEF possuía poucos casos de conflitos com o CPC, 
de 1973. Havia uma coerência geral entre os dois textos. Ambos 
eram elaborados sob o mesmo modelo processual formalista e 
tecnicista. Ambos haviam sido editados sob o mantra do 
princípio da supremacia do interesse público sobre o privado e 
sob a égide de uma Constituição outorgada. 
Apenas alguns casos podem ser relatados de conflito 
aparente, dentre os quais podemos citar: 
- a diferença na ordem de bens submetidos à 
penhora no art. 11 da LEF e no art. 655 do CPC; 
- as regras do CPC sobre a duplicidade de leilões se 
aplicam às execuções fiscais; assim, se o primeiro leilão não 
 51 
 
tiver lance superior ao previsto (REsp 201.384/SP), será nula a 
arrematação por preço vil (REsp 94.796/SP); 
- aplica-se o art. 284 do CPC, que possibilita a 
emenda da inicial, em face da ausência de disposição expressa 
no art. 1o. da LEF (REsp 251.213/SP); 
- diversidade de prazos, para a contagem do prazo, 
para oposição de embargos. Havendo norma na LEF expressa 
(art. 16, inc. II), não se pode falar em aplicação subsidiária do 
CPC. 
Tal situação será, substancialmente, diferente com a 
alteração produzida pela Lei n° 11.383/2006, que trouxe 
modificações às normas de execução de título extrajudicial. 
Do conflito entre a LEF e a Lei n. 11.383/2006 
 
A Lei n°11.382/2006 alterou a sistemática da execução 
de título extrajudicial do CPC/73. A necessidade de 
compatibilização da LEF com essas novas alterações surge em 
diversos dispositivos. Citamos, a título de exemplos, os 
seguintes casos: i) início do prazo para embargos; ii) atribuição 
de efeitos suspensivos aos embargos, e iii) da necessidade de 
garantia do juízo para interposição de embargos. 
O início do prazo para embargos está estabelecido no 
art. 738 do CPC, com a redação da Lei n° 11.382/2006, e no art. 
16 da LEF. Esta última determina o prazo de 30 (trinta) dias 
para o oferecimento de embargos, contados da juntada da prova 
de fiança, ou da intimação da penhora. O CPC, diversamente, 
 52 
 
passou a estabelecer o prazo de 15 dias, contado da juntada, aos 
autos, do mandado de citação. No presente caso, não há omissão 
da lei especial sobre o assunto, não cabendo cogitar-se da 
aplicação subsidiária do CPC. Tampouco há, no novo 
dispositivo geral, norma menos gravosa ao executado, que 
justifique o afastamento da regra especial. Nesse caso, prevalece 
a norma da LEF, perante a alteração conduzida pela Lei n° 
11.382/20063. 
O segundo ponto de divergência, entre a LEF e a Lei n° 
11.382/2006, é quanto à atribuição automática de efeitos 
suspensivos aos embargos à execução fiscal. A nova regra 
processual no art. 739-A determinou, expressamente, que “os 
embargosdo executado não terão efeito suspensivo” e os 
condicionou à presença de relevantes fundamentos, presença de 
grave dano de difícil ou incerta reparação ao executado, ou 
desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito 
ou caução suficientes. Note-se que, nesse caso, inexistia regra 
expressa na LEF quanto à atribuição de efeitos às execuções 
fiscais. 
A doutrina e a jurisprudência se dividiram quanto ao 
tema. De um lado, há autores que defendem que, em presença de 
omissão na LEF, deve-se aplicar o CPC alterado. Nesse sentido, 
encontramos José Eduardo Soares de Mello. Em sentido oposto, 
defendem que a LEF garante o efeito suspensivo automático 
Ives Gandra da Silva Martins, Hugo de Brito Machado. Para 
 
3Parecer da PGFN n. 1732/2007 e REsp. repetitivo 1.112.416/MG. 
 53 
 
esses autores, existem dispositivos expressos na LEF, que 
determinam que a execução fiscal somente prosseguirá nos 
casos de embargos não opostos ou rejeitados. Dispõe, 
expressamente, a LEF, em seu art. 16 que: “o executado 
oferecerá embargos, no prazo de 30 (trinta) dias, contados: § 1º - 
Não são admissíveis embargos do executado antes de garantida 
a execução”. Os embargos exigem a prestação de garantia, e 
esta, por sua vez, determina a suspensividade da execução. O 
art. 19 determina que: “não sendo embargada a execução ou 
sendo rejeitados os embargos, no caso de garantia prestada por 
terceiro, será este intimado, sob pena de contra ele prosseguir a 
execução nos próprios autos [...]”. Concordamos com esse 
posicionamento. A aplicação do novo regime processual geral 
altera a sistemática da LEF e produz efeito restritivo de direitos 
do executado, motivo pelo qual não poderia ser aplicado. 
O STJ definiu seu entendimento no julgamento do 
REsp repetitivo 1.272.827-PE, no sentido de estender os efeitos 
do art. 739-A do CPC às execuções fiscais. 
Por fim, cabe analisar a exigência de garantia do juízo 
para interposição de embargos. O art. 737 do CPC, de 1973, 
determinava que: “não são admissíveis embargos do devedor 
antes de seguro o juízo [...]”. Essa regra foi abolida pela Lei n. 
11.382/2006. Questiona-se se essa nova regra seria extensível às 
execuções fiscais. Cremos que sim. Lembremo-nos de que o 
sistema executivo processual estava unificado sob a égide do 
CPC, de 1973, sendo posteriormente destacado, em duas normas 
diversas, com a edição da Lei n. 6.830/80. A norma especial 
 54 
 
praticamente não detinha conflitos aparentes com o CPC 
vigente, nem quanto aos princípios e nem quanto aos principais 
dispositivos. A Lei n. 11.382/2006 criou um novo modelo 
executivo e, como tal, deve ser interpretada pelo critério 
finalístico dessas novas regras e não apenas pelos critérios 
clássicos de especialidade e cronologia. A norma geral mais 
benéfica deve ser extensível às normas especiais, porque estas 
são subsidiárias àquelas. 
Não foi essa a interpretação que prevaleceu. O STJ, no 
julgamento do REsp 1.272.827/PE, em sede de repetitivo, 
pacificou o tema, determinando que, para a concessão do efeito 
suspensivo, sejam demonstrados o fumus boni juris e o 
periculum in mora. Cabe ressaltar que a OAB ingressou com 
uma Ação de Declaração de Inconstitucionalidade (ADI 5165), 
objetivando declarar inconstitucionalidade parcial, sem redução 
do texto do art. 739-A, do CPC, em sua aplicação às execuções 
fiscais. 
 
Do conflito entre a LEF e o NCPC 
 
O impacto do NCPC nas execuções fiscais será 
profundo e merece uma análise detida. Os presentes comentários 
à LEF detalharão cada modificação relevante em cada um dos 
artigos comentados, de tal sorte que pretendemos, neste 
momento, tão somente verificar as principais mudanças gerais 
do regime da tutela executiva pelo novo NCPC e suas aplicações 
 55 
 
à LEF e, de outro lado, os critérios interpretativos de solução de 
conflitos aparentes de normas. 
O NCPC incorporou inúmeras inovações ao modelo 
processual vigente, especialmente no sentido de adequar o 
processo aos fundamentos da Constituição de 1988. Passa-se de 
um modelo processual, formalista-tecnicista, para um modelo 
pragmático-substancial. A noção de primazia do interesse 
público é substituída pela diretriz de primazia dos direitos 
fundamentais. O interesse público deve ser relido pela ótica da 
realização da dignidade da pessoa humana, em todos os seus 
aspectos. 
Destacam-se, como pilares dessa nova visão, a busca da 
solução consensual dos conflitos; o direito de obter, em prazo 
razoável, a solução integral do mérito, incluída a atividade 
satisfativa; a consagração da boa-fé das partes no processo; o 
direito a uma decisão de mérito, justa e efetiva; a garantia do 
direito à paridade de tratamento em relação ao exercício de 
direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, 
aos deveres e à aplicação de sanções processuais; o 
reconhecimento do princípio da proporcionalidade, da 
razoabilidade e da eficiência como meios de controle dos atos 
processuais. 
Diversas são as novas regras inovadoras, previstas no 
NCPC, que terão impacto sobre a execução fiscal, em que 
podemos listar exemplificativamente: o dever de fundamentação 
das decisões, sob pena de nulidade; respeito à ordem 
cronológica de conclusão, para proferir sentença ou acórdão; 
 56 
 
faculdade dos advogados em promover a intimação do advogado 
da outra parte, por meio do correio, juntando aos autos, a seguir, 
cópia do ofício de intimação e do aviso de recebimento,entre 
outras tantas novidades. 
O impacto do NCPC sobre a LEF dá-se em um duplo 
efeito: primeiro, pela mudança dos princípios gerais que regem a 
tutela executiva e, segundo, pelas novas regras introduzidas. 
A nova Parte Geral do NCPC tem aplicabilidade 
imediata e abrangente sobre todos as leis processuais vigentes, 
inclusive sobre a LEF. A execução fiscal deve ficar atenta a essa 
mudança de modelo e incorporar, em sua interpretação, uma 
perspectiva de supremacia dos direitos fundamentais. 
O NCPC determina que a sua aplicação ocorrerá nos 
casos de omissão normativa, inclusive nos processos fiscais, de 
forma supletiva e subsidiária (“art. 15. Na ausência de normas 
que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou 
administrativos, as disposições deste Código lhes serão 
aplicadas supletiva e subsidiariamente”). Nada impede que a 
nova norma seja aplicada, inclusive, nos casos de presença de 
regra especial antinômica. 
As novas regras introduzidas devem ser analisadas pelo 
critério de conformidade com a finalística do NCPC. Assim, 
deve-se aplicar uma análise em testes de conformidade. A nova 
norma geral deve ser aplicada apesar da presença de norma 
especial diversa? A manutenção da regra especial perante a 
norma geral implicará ofensa ao novo regime processual? O 
afastamento da regra geral poderá implicar um resultado 
 57 
 
incoerente com o novel modelo processual? No caso de ausência 
de norma especial, a norma geral é adequada para tratar da 
matéria específica? Trata-se de questões de difícil solução a 
priori, que exigirão o trabalho árduo de concreção judicial. 
 
Do conflito entre a LEF e o CTN 
 
A LEF pode ter conflitos com outras normas no 
Ordenamento Jurídico e não apenas com o CPC. Um exemplo 
claro dessa situação ocorre no atrito entre a LEF e as disposições 
do CTN. 
As relações entre a LEF e o CTN não são regidas pelo 
critério da hierarquia, como aparentemente poder-se-ia pensar. 
O STF decidiu, em inúmeras ocasiões (RE 377.457), que 
inexiste relação de hierarquia entre leis ordinárias e leis 
complementares. Esse entendimento deve ser respeitado nessa 
análise, apesar de termos posicionamento diverso. Para a Corte 
Suprema, as relações entre essas normas são de especialidade e 
não de hierarquia, e o critério a ser utilizado é do/da lex specialis 
derogat legi generali. Na presença de duas normasespeciais de 
mesma hierarquia, e que versem sobre os mesmos fatos 
jurídicos, deve ser aplicado, novamente, um critério de 
resolução de conflitos. Nesse caso, a solução de segundo grau 
deve utilizar-se do critério cronológico. Na presença de duas 
normas especiais de igual estatura, deve prevalecer aquela mais 
recente. 
 58 
 
Como exemplo, podemos citar o caso da alteração da 
Lei Complementar nº 118, de 9 de setembro de 2005, que 
alterou o art. 185 do CTN e passou a dar novo tratamento ao 
caso da fraude fiscal. O novo dispositivo passou a dispor da 
seguinte forma: 
Art. 185 – Presume-se fraudulenta a 
alienação ou oneração de bens ou rendas, 
ou seu começo, por sujeito passivo em 
débito para com a Fazenda Pública, por 
crédito tributário regularmente inscrito 
como dívida ativa. 
Parágrafo único. O disposto neste artigo 
não se aplica na hipótese de terem sido 
reservados, pelo devedor, bens ou rendas 
suficientes ao total pagamento da dívida 
inscrita. 
O novo texto suprimiu a expressão "em fase de 
execução", retirando a exigência desse requisito para a 
configuração da fraude. Antecipou-se o termo inicial da 
presunção de fraude para o momento da inscrição em dívida 
ativa. O STJ decidiu a matéria, em sede de repetitivos, no 
julgamento do REsp 1.141.990/PR, de modo que se aplica 
imediatamente o novo regime após a entrada em vigor da norma. 
Não é possível aplicar a nova redação do art. 185 do CTN às 
situações anteriores à entrada em vigor da norma, com base no 
princípio tempus regit actum4. 
 
Legitimidade activa ad causam 
 
 
4 EDcl no AgRg no Ag 1.019.882/PR. 
 59 
 
A legitimidade activa ad causam se distingue da 
legitimidade ad processum. O direito material à capacidade 
postulatória ativa em um processo, e o segundo caso trata da 
capacidade para realizar determinados atos processuais. Trata-se 
de um dos requisitos para o que era entendido pela doutrina de 
capacidade de agir. 
Possuem legitimidade ativa ad causam: União, 
Estados, Distrito Federal, Municípios e respectivas autarquias. 
Essa regra não se aplica às autarquias que exerçam funções 
tipicamente econômicas, como, por exemplo, o Banco Regional 
de Desenvolvimento Econômico (BRDE). 
Possuem, igualmente, legitimidade os Conselhos 
Profissionais para a cobrança de suas respectivas contribuições, 
conforme a Súmula n° 66 do STJ, que determina que: “compete 
a justiça federal processar e julgar execução fiscal promovida 
por conselho de fiscalização profissional”. Os Conselhos têm 
essa prerrogativa processual em decorrência de sua natureza 
autárquica5. O STJ já decidiu pela impossibilidade de simples 
exclusão, de seus quadros, profissionais registrados que estejam 
inadimplentes6. 
A OAB ainda não tem a sua natureza completamente 
definida. O STF, no julgamento da ADI 3.026, de Relatoria do 
Min. Eros Grau, entendeu que esta não se caracteriza como 
autarquia, ou como órgão da Administração Pública Federal 
indireta. As anuidades da OAB não possuem natureza 
 
5 ADIN 1.717-6/DF e MS 22.643-9-SC. 
6 REsp 552.894/SE. 
 60 
 
tributária7. As contribuições da OAB devem ser cobradas por 
meio de execução disciplinada no CPC e não pela LEF8. 
As Fundações são consideradas como entidades 
autárquicas e têm legitimidade ativa para ingressar com a 
execução fiscal. São qualificadas como entidades 
governamentais dotadas de capacidade administrativa, 
integrantes da administração descentralizada. 
Não têm legitimidade ad causam as empresas públicas 
e as sociedades de economia mista. Essa vedação permanece 
mesmo no caso das empresas concessionárias ou 
permissionárias dos serviços públicos, mesmo para a realização 
de serviços essenciais e contratados na modalidade licitatória. A 
delegação dos serviços por si só não implica na ampliação do 
direito material à postulação de direito em juízo. Caso diverso é 
o da possibilidade de representação judicial em juízo, por parte 
de um terceiro. Nesse caso, a legitimidade ativa permanece, 
sendo exclusiva do ente público e ocorre uma autorização para a 
representação processual, com base em convênio, ou por outro 
ato administrativo. 
A Caixa Econômica Federal (CEF) pode atuar na 
condição de substituto processual da União, para realizar a 
cobrança de FGTS, nos termos do art. 2o. da Lei nº 8.844/949. 
 
7 EREsp 503.252/SC, Rel. p/ acórdão Min. Castro Meira. 
8 REsp 447.124/SC. 
9 “Art. 2º Compete à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional a inscrição em 
Dívida Ativa dos débitos para com o Fundo de Garantia do Tempo de 
serviço - FGTS, bem como, diretamente ou por intermédio da Caixa 
Econômica Federal, mediante convênio, a representação Judicial e 
extrajudicial do FGTS, para a correspondente cobrança, relativamente à 
 61 
 
Não possuirá as prerrogativas processuais da Fazenda Pública, 
tais como prazo processual em dobro, ou intimação pessoal10. 
As instituições privadas podem transferir seus créditos 
para a administração pública11, para que estas realizem a 
execução fiscal desses créditos. 
 
Interessados 
 
O STJ sumulou o entendimento pela desnecessidade de 
intervenção do MP nas execuções fiscais, em face do caráter 
patrimonial e disponível dessas demandas, conforme dispõe a 
Súmula 189 do STJ. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
contribuição e às multas e demais encargos previstos na legislação 
respectiva” (Redação dada pela Lei nº 9.467, de 1997). 
10 REsp 1.117.438/RS. 
11 EREsp 537.559. 
 62 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMENTÁRIOS AOS ARTS. 2°°°° E 3°°°° 
Martin da Silva Gesto∗ 
 
Art. 2º - Constitui 
Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como 
tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março 
de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas 
gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos 
orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos 
Municípios e do Distrito Federal. 
§ 1º - Qualquer valor, cuja cobrança seja atribuída por lei às 
entidades de que trata o artigo 1º, será considerado Dívida 
Ativa da Fazenda Pública. 
§ 2º - A Dívida Ativa da Fazenda Pública, compreendendo a 
tributária e a não tributária, abrange atualização monetária, 
juros e multa de mora e demais encargos previstos em lei ou 
contrato. 
 
∗ Mestre em Direito pela PUCRS. Pós-Graduado em Direito Público pela 
PUCRS. Pesquisador do GTAX – Grupo de Pesquisas Avançadas em 
Direito Tributário – PUCRS. Conselheiro do CARF. Advogado licenciado. 
 63 
 
§3º - A inscrição, que se constitui no ato de controle 
administrativo da legalidade, será feita pelo órgão 
competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e 
suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de direito, por 
180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se esta 
ocorrer antes de findo aquele prazo. 
§ 4º - A Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na 
Procuradoria da Fazenda Nacional. 
§ 5º - O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: 
I - o nome do devedor, dos co-responsáveis e, sempre que 
conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros; 
II - o valor originário da dívida, bem como o termo inicial e 
a forma de calcular os juros de mora e demais encargos 
previstos em lei ou contrato; 
III - a origem, a natureza e o fundamento legal ou contratual 
da dívida; 
IV - a indicação, se for o caso, de estar a dívida sujeita à 
atualização monetária, bem como o respectivo fundamento 
legal e o termo inicial para o cálculo; 
V - a data e o número da inscrição, no Registro de Dívida 
Ativa; e 
VI - o número do processo administrativo ou do auto de 
infração, se neles estiver apurado o valor da dívida. 
§ 6º - A Certidãode Dívida Ativa conterá os mesmos 
elementos do Termo de Inscrição e será autenticada pela 
autoridade competente. 
 64 
 
§ 7º - O Termo de Inscrição e a Certidão de Dívida Ativa 
poderão ser preparados e numerados por processo manual, 
mecânico ou eletrônico. 
§ 8º - Até a decisão de primeira instância, a Certidão de 
Dívida Ativa poderá ser emendada ou substituída, 
assegurada ao executado a devolução do prazo para 
embargos. 
§ 9º - O prazo para a cobrança das contribuições 
previdenciárias continua a ser o estabelecido no artigo 144 
da Lei nº 3.807, de 26 de agosto de 1960. 
1. Evolução legislativa e remissões legais 
 
O artigo 2º da Lei de Execuções Fiscais – LEF (Lei nº 
6.830, de 22 de setembro de 1980) apresenta em seu caput 
remissão a Lei nº 4.320/64 ao disciplinar que constitui Dívida 
Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não 
tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as 
alterações posteriores. A referida legislação estatuiu normas 
gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos 
orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e 
do Distrito Federal. Pretendeu o legislador, portanto, definir o 
que seria a Dívida Ativa da Fazenda Pública. 
Analisando o artigo 9º da legislação que se fez 
referência no caput do dispositivo em questão (Lei nº 4.320/64), 
verifica-se que nela há um conceito de tributo, definido como 
sendo tributo “a receita derivada instituída pelas entidades de 
direito público, compreendendo os impostos, as taxas e 
 65 
 
contribuições nos termos da constituição e das leis vigentes em 
matéria financeira, destinando-se o seu produto ao custeio de 
atividades gerais ou especificas exercidas por essas entidades”. 
Ainda, estabeleceu a mencionada legislação no § 2º do artigo 39, 
incluído pelo Decreto Lei nº 1.735/79, que Dívida Ativa 
Tributária“é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza, 
proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos 
adicionais e multas”, e por sua vez, que Dívida Ativa não 
Tributária se compreende“os demais créditos da Fazenda 
Pública, tais como os provenientes de empréstimos 
compulsórios, contribuições estabelecidas em lei, multa de 
qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, foros, 
laudêmios, alugueis ou taxas de ocupação, custas processuais, 
preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos, 
indenizações, reposições, restituições, alcances dos responsáveis 
definitivamente julgados, bem assim os créditos decorrentes de 
obrigações em moeda estrangeira, de subrogação dehipoteca, 
fiança, aval ou outra garantia, de contratos em geral ou de outras 
obrigações legais”. 
O Decreto-Lei nº 960, de 17 de dezembro de 1938, que 
foi a primeira consolidação no Brasil de normas atinentes a 
execução fiscal, disciplinava em seu artigo 1º que por dívida 
ativa entende-se a proveniente de impostos, taxas, contribuições 
e multas de qualquer natureza; foros, laudêmios e alugueres; 
alcances dos responsáveis e reposições. Ainda, disciplinou o 
referido Decreto-Lei que a dívida proveniente de contrato será 
cobrada pela mesma forma, quando assim for convencionado. 
 66 
 
Também em referência a Lei nº 4.320/64, destaca-se o 
§ 2º do artigo 2º da Lei de Execuções Fiscais, por ter esse 
origem na redação do § 4º do art. 39 da Lei nº 4.320/64, incluído 
pelo Decreto Lei nº 1.735/79, que assim dispõe: “A receita da 
Dívida Ativa abrange os créditos mencionados nos parágrafos 
anteriores, bem como os valores correspondentes à respectiva 
atualização monetária, à multa e juros de mora e ao encargo de 
que tratam o art. 1º do Decreto-lei nº 1.025, de 21 de outubro de 
1969, e o art. 3º do Decreto-lei nº 1.645, de 11 de dezembro de 
1978”. Ainda, importa referir que o § 4º do art. 2º da Lei de 
Execuções Fiscais possui idêntica redação do § 5º do art. 39 da 
Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, incluído pelo Decreto Lei 
nº 1.735/79. Sendo a Lei de Execuções fiscais de 1980, denota-
se que houve uma reprodução do texto legal que havia sido 
incluído no ano anterior. 
O Código Tribunal Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 
25 de outubro de 1966) também serviu de inspiração ao 
legislador para este fazer a redação do § 5º do art. 2º da Lei de 
Execuções Fiscais. A redação deste foi uma evolução legislativa 
do art. 202 do CTN, que segue abaixo transcrito: 
Art. 202. O termo de inscrição da dívida 
ativa, autenticado pela autoridade 
competente, indicará obrigatoriamente: 
I - o nome do devedor e, sendo caso, o dos 
co-responsáveis, bem como, sempre que 
possível, o domicílio ou a residência de um e 
de outros; 
II - a quantia devida e a maneira de calcular 
os juros de mora acrescidos; 
 67 
 
III - a origem e natureza do crédito, 
mencionada especificamente a disposição 
da lei em que seja fundado; 
IV - a data em que foi inscrita; 
V - sendo caso, o número do processo 
administrativo de que se originar o crédito. 
Parágrafo único. A certidão conterá, além 
dos requisitos deste artigo, a indicação do 
livro e da folha da inscrição. 
 
No entanto, a redação do art. 202 do CTN remonta ao 
Decreto-Lei nº 960, de 17 de dezembro de 1938, onde 
estabeleceu-se as condições para considerar uma dívida líquida e 
certa, devendo ela consistir em quantia fixa e determinada, 
sendo necessário ainda estar regularmente inscrita em livro 
próprio na repartição fiscal. Dentre os requisitos, estão que a 
certidão de dívida deveria conter: a) a sua origem e natureza; b) 
a quantia devida; e) o nome do devedor e, sempre que possível, 
o seu domicílio, ou residência; d) o livro, folha e data em que foi 
inscrita; e) o número do processo administrativo, ou do auto de 
infração, quando deles se originar a dívida. 
Contudo, deve ser observado o disposto no Código 
Tribunal Nacional, o qual estabelece em seu artigo 203 que a 
omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior 
(qual seja, o artigo 202, que possui similar redação ao §5º do 
artigo 2º da LEF), ou o erro a eles relativo, são causas de 
nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente. 
Ainda, trata o referido dispositivo legal que a nulidade poderá 
ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante 
substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo, 
 68 
 
acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente poderá 
versar sobre a parte modificada. 
Remissões Legais: Artigo 39 da Lei nº 4.320/64; artigo 144 da 
Lei nº 3.807/60 e artigos 174, 202 e 203 do CTN. 
 
2. Conceitos Principais 
 
Nos termos do artigo 2º da Lei de Execuções Fiscais, 
constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como 
tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 
1964 e alterações posteriores. Desta forma, podem ser inscritos 
em dívida ativa todas dívidas que se constituem de tributos, os 
quais seriam, adotando-se a quinquipartite (ou pentapartida), os 
impostos, as taxas, as contribuições especiais, as contribuições 
de melhoria e os empréstimos compulsórios, bem como aquelas 
dívidas de natureza não tributária, tais como foros, laudêmios, 
alugueis ou taxas de ocupação, custas processuais, preços de 
serviços prestados por estabelecimentos públicos, multas pelo 
exercício de poder de polícia, indenizações, multas contratuais, 
entre outros. 
Para os autores Paulsen, Ávila e Sliwka12, a 
importância da distinção entre créditos tributários e os não 
tributários se dá em razão de que quanto aos créditos tributários 
há dispositivos da Lei de Execuções Fiscais que são 
inaplicáveis, diante da prevalência das normas gerais de direito 
 
12 PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid 
Schroder. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e 
execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 187.69 
 
tributário constantes no Código Tributário Nacional. Necessário 
referir que o CTN, embora seja originariamente uma lei 
ordinária, recebeu a referida lei posteriormente o status de lei 
complementar. 
Faz jus a menção que o § 2º do art. 4º da Lei de 
Execuções Fiscais determina que se aplicam à Dívida Ativa da 
Fazenda Pública, de qualquer natureza, as normas relativas a 
responsabilidade prevista na legislação tributária, civil e 
comercial, sendo disposto no § 4º do mesmo artigo que se aplica 
à Dívida Ativa da Fazenda Pública de natureza não tributária o 
disposto nos artigos 186 e 188 a 192 do Código Tributário 
Nacional. Portanto, tem-se, por determinação legal, a 
possibilidade de aplicação dos dispositivos do CTN em relação a 
responsabilidade e privilégios. 
O § 2º do artigo 2º da Lei de Execuções Fiscais define a 
composição da Dívida Ativa da Fazenda Pública, abrangendo 
ela, seja de natureza tributária ou não tributária, atualização 
monetária, juros e multa de mora, bem como demais encargos 
previstos em lei ou contrato. Conforme já mencionado, a 
redação do § 4º do art. 39 da Lei nº 4.320/64, incluído pelo 
Decreto Lei nº 1.735/79, já tratava desta matéria, sendo, pela 
referida legislação, a receita da Dívida Ativa abrangida pelo 
valor principal da dívida, bem como os valores correspondentes 
à respectiva atualização monetária, à multa e juros de mora e ao 
encargo de que tratam o art. 1º do Decreto-lei nº 1.025, de 21 de 
outubro de 1969, e o art. 3º do Decreto-lei nº 1.645, de 11 de 
dezembro de 1978. Desse modo, “a dívida, apurada com todos 
 70 
 
os seus acréscimos, torna a denominação de dívida 
consolidada”13. 
A Súmula CARF nº 4 consolidou a jurisprudência dos 
julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no 
sentido de que a partir de 1º de abril de 1995, os juros 
moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados 
pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de 
inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de 
Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Era 
também neste caminho a Súmula nº 4 do antigo 3º Conselho de 
Contribuintes. Tal entendimento já se encontra consolidado 
também nos Tribunais Regionais Federais, bem como no 
Superior Tribunal de Justiça, possuindo já acórdão julgado sob a 
sistemática do dispositivo 543-C do CPC/73 
(REsp1.073.846/SP, Relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 
25/11/2009, DJe 18/12/2009). 
Desse modo, aos créditos tributários em atraso, 
aplicável a utilização da taxa Selic14 para efeito de correção 
monetária e juros. A taxa Selic, expressa sob a forma anual com 
 
13 PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid 
Schroder. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e 
execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 196. 
14 Para o Banco Central do Brasil, define-se taxa Selic como a taxa média 
ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de 
Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais. Para fins de cálculo 
da taxa, são considerados os financiamentos diários relativos às operações 
registradas e liquidadas no próprio Selic e em sistemas operados por 
câmaras ou prestadores de serviços de compensação e de liquidação (art. 1° 
da Circular n° 2.900, de 24 de junho de 1999, com a alteração introduzida 
pelo art. 1° da Circular n° 3.119, de 18 de abril de 2002). 
 71 
 
duas casas decimais, é calculada de acordo com a seguinte 
fórmula15: 
 
n: número de operações que compõem a 
base de cálculo; 
Rj: valor financeiro da recompra/revenda 
da j-ésima operação compromissada; e 
Ij: valor financeiro da compra/venda da 
j-ésima operação compromissada. 
 
Assim, a taxa Selic constitui índice para atualizar, 
conjuntamente, a dívida tributária (tributos federais) tanto em 
correção monetária,quanto em juros de mora, não devendo ser 
esta cumulada com outros índices de atualização ou taxa de 
juros. 
Ainda sobre a questão dos juros moratórios, há a 
Súmula CARF nº 5, a qual dispõe que são devidos juros de mora 
sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, 
ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir 
depósito no montante integral. Logo, o não recolhimento aos 
cofres públicos de determinado tributo, ainda que por força de 
uma decisão judicial, ensejará a incidência de juros sobre o valor 
não pago, a menos que o valor sub judice esteja integralmente 
 
15 A metodologia de cálculo da taxa Selic encontra-se atualmente 
regulamentada pelo Banco Central do Brasil, nos termos da Circular n° 
3.671, de 18 de outubro de 2013. 
 72 
 
depositado em juízo. Caso o depósito não seja integral, denota-
se razoável que os juros somente incidam sobre o saldo devedor 
não depositado, ou haveria enriquecimento sem causa por parte 
do Fisco. 
Quanto a multa que irá compor a dívida consolidada, 
deverá ela ser não-confiscatória, não sendo razoável que a multa 
de ofício supere o valor do próprio tributo (ou seja, multa de 
ofício superior a 100%), sob pena de possuir ela efeito de 
confisco. A multa moratória, sendo esta a decorrente do atraso 
pelo pagamento do tributo, igualmente deve atender a limites da 
razoabilidade, não podendo assumir caráter abusivo, sendo o 
limite de 20%, estabelecido pelo art. 61, § 2º, da Lei nº 
9.430/96, situado na divisa entre a punição severa e o excesso 
vedado16. 
Em relação a incidência de juros sobre a multa, o 
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais possui decisões 
para ambas as correntes. Assim, entendendo por afastar a 
incidência de juros sobre a multa, temos o Acórdão nº 1102-
00.060 (julgado na sessão de 28/08/2009), onde a Conselheira 
Sandra Maria Faroni, bem sintetiza a argumentação que permite 
a conclusão pela não incidência dos juros sobre a multa de 
ofício, vejamos: 
A obrigação tributária pode ser principal, 
consistindo em obrigação de dar (pagar 
tributo ou multa) e acessória, obrigação de 
 
16 PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid 
Schroder. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e 
execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 202. 
 73 
 
fazer (deveres instrumentais). De acordo 
com o art. 139 do CTN, o crédito tributário 
decorre da obrigação principal e tem a 
mesma natureza desta. Portanto, 
compreendem-se no crédito tributário o 
valor do tributo e o valor da multa. 
O Decreto-lei n° 1.736/79 determinou a 
incidência dos juros de mora sobre o "valor 
originário", definindo como "valor 
originário" o débito, excluídas apenas as 
parcelas relativas a correção monetária, 
juros de mora, multa de mora e encargo do 
DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão 
da multa de oficio. 
O art. 161 do CTN determina que o crédito 
não integralmente pago no vencimento é 
acrescido de juros de mora, seja qual for o 
motivo determinante da falta, ressalvando 
apenas a pendência de consulta formulada 
dentro do prazo legal para pagamento do 
crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não 
dispuser de forma diversa, os juros de mora 
são calculados à taxa de um por cento ao 
mês. 
No caso de multa por lançamento de oficio, 
seu vencimento é no prazo de 30 dias 
contados da ciência do auto de infração. 
Assim, o valor da multa lançada, se não 
pago no prazo de impugnação, sujeita-se 
aos juros de mora. 
Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, 
tratam dos juros de mora os seguintes 
dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, 
art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, 
art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 
61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem 
foi a MP 1.621-31/98), arts. 29 e 30. 
O artigo 61 da Lei9.430/96 regula a 
incidência de acréscimos moratórios sobre 
débitos decorrentes de tributos e 
contribuições cujos fatos geradores 
ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, 
não alcançando, pois, a multa por 
lançamento de oficio, uma vez que: 
 74 
 
(a) a multa não decorre do tributo, mas do 
descumprimento do dever legal de pagá-lo; 
(b) entendimento contrário implicaria 
concluir que sobre a multa de oficio incide a 
multa de mora. 
O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a 
submissão, a partir de 10 de janeiro de 
1997, a juros de mora calculados segundo a 
Selic, dos débitos cujos fatos geradores 
tenham ocorrido até 31 de dezembro de 
1994 e que não tenham sido objeto de 
parcelamento, e dos créditos inscritos na 
Dívida Ativa da União. 
Em síntese, em se tratando de débitos de 
tributos cujos fatos geradores ocorreram a 
partir de 1° de janeiro de 1995 só há 
dispositivo legal autorizando a cobrança de 
juros de mora à taxa SELIC sobre multa no 
caso de multa lançada isoladamente; não 
porém quando ocorrer a formalização da 
exigência do tributo acrescida da multa 
proporcional. Nesse caso, só podem incidir 
juros de mora à taxa de 1%, a partir do 
trigésimo dia da ciência do auto de 
infração, conforme previsto no § 1° do art. 
161 do CTN. 
 
Neste sentido, também há decisão da Câmara Superior 
de Recursos Fiscais, conforme se verifica pelo Acórdão nº 9101-
00.722 (1ª. Turma da CSRF), julgado na sessão de 8 de 
novembro de 2010, de relatoria da Conselheira Karem Jureidini 
Dias. A fundamentação do referido acórdão da 1ª. Turma da 
CSRF é de que a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n° 9.430/96 
refere-se à incidência de acréscimos moratórios sobre “débitos 
decorrentes de tributos e contribuições”, sendo certo que a 
penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, 
mas do descumprimento do dever legal de declará-lo e/ou pagá-
 75 
 
lo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de 
mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão é 
de que a taxa Selic só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas 
nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97. 
Por outro lado, em sentido diverso, pela incidência de 
juros sobre a multa de ofício, temos o acórdão nº 9303-003.477 
(3ª. Turma da CSRF), de relatoria do Conselheiro Henrique 
Pinheiro Torres, julgado em 26/02/2016, onde se compreendeu 
que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo 
à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, 
está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic 
até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de 
pagamento. Por oportuno, transcreve-se trecho do voto do 
Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada, redator designado 
do acórdão nº 2202-003.379 (2ª. Turma Ordinária da 2ª. Câmara 
da 2ª. Seção do CARF), julgado em 10/05/2016, onde são 
apresentados os fundamentos desta corrente doutrinária: 
De acordo com o artigo 113, § 1º do CTN, a 
obrigação principal surge com a ocorrência 
do fato gerador, tem por objeto o 
pagamento de tributo ou penalidade 
pecuniáriae extingue-se juntamente com o 
crédito dela decorrente. 
Entendo que obrigação e crédito tributário 
são duas faces da mesma moeda, sendo que 
o crédito nada mais é que a própria 
obrigação, tornada líquida, certa e exigível, 
pelo lançamento. 
Nesse sentido, o artigo 139 do Códex estatui 
que o crédito tributário decorre da 
obrigação principal e tem a mesma natureza 
desta. Mais adiante, o artigo 161 traz que o 
crédito não integralmente pago no 
 76 
 
vencimento é acrescido de juros de mora, 
seja qual for o motivo determinante da falta. 
Enquanto as obrigações acessórias têm por 
objeto as prestações positivas (fazer) ou 
negativas (deixar de fazer), a obrigação 
principal constitui-se sempre em "dar" uma 
importância em moeda. Mesmo sabendo que 
"multa" (sanção) não é tributo, conforme 
conceito disposto no artigo 3º do CTN, o 
legislador quis que a obrigação de dar, ou 
seja, aquela dita principal, tivesse como 
objeto tanto o tributo quanto a multa, dita 
"penalidade pecuniária". Está escrito no § 
1º do artigo 113. 
Assim, "crédito tributário", que tem a 
mesma natureza da obrigação que o 
precede, também conforme expresso no 
artigo 139, engloba tanto o tributo, quanto a 
multa, que a ele se vincula. 
E esse "crédito tributário", ou seja, tanto o 
tributo quanto a multa, será acrescido de 
juros de mora, quando não pago no 
vencimento, como também está expresso no 
artigo 161. 
A única diferença reside no termo a quo 
para aplicação dos juros. Sobre o tributo, 
desde o seu vencimento, na forma da lei; 
sobre a multa, desde a constituição do 
crédito, pelo lançamento, com a lavratura 
do auto de infração. 
Não é possível que o valor da multa fique 
congelado no tempo. Assim, conclui-se que 
a multa fiscal de natureza punitiva integra a 
obrigação tributária principal (art. 113) e, 
assim, o crédito tributário (artigo 139), 
estando sujeita à incidência de juros de 
mora (artigo 161, todos do CTN). 
 
Estando o débito constituído, necessário que seja 
realizada a inscrição deste em dívida ativa, nos termos do § 3º 
do art. 2º da Lei de Execuções Fiscais, para que o ente público 
 77 
 
possa proceder a cobrança deste débito, através de uma 
execução fiscal. Deste modo, procede-se a inscrição, que nos 
termos da lei se constitui no ato de controle administrativo da 
legalidade. Ela será realizada pelo órgão competente para apurar 
a liquidez e certeza do crédito e suspenderá a prescrição, para 
todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da 
execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo. Por 
sua vez, o § 4º do mesmo artigo determina que a Dívida Ativa 
da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda 
Nacional. 
Verifica-se que a Lei de Execuções Fiscais apresenta 
texto contrário ao Código Tribunal Nacional. Ocorre que o CTN 
estabelece no art. 174, parágrafo único inciso I que a prescrição 
do crédito tributário se interrompe pelo despacho do juiz que 
ordenar a citação, conforme redação dada pela Lei 
Complementar nº 118/2005. Com isso, temos que aos créditos 
de natureza tributária não se aplica a suspensão da prescrição 
por 180 dias prevista no dispositivo da LEF, por manifesta 
contrariedade ao Código Tributário Nacional. O Superior 
Tribunal de Justiça possui tal inteligência, sendo já 
jurisprudência consolidada no referido Tribunal: “Na execução 
fiscal decorrente de crédito não tributário, incide as disposições 
da LEF atinentes à suspensão e à interrupção da prescrição.” 
(EREsp 981480/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira 
Seção, julgado em 12.8.2009, DJe 21.8.2009). Por oportuno, 
observa-se que se o despacho que ordenou a citação é anterior 
ao início da vigência da LC nº 118/2005 (09.06.2005), prevalece 
 78 
 
a redação anterior do inciso I do parágrafo único do art. 174, 
onde somente a citação válida interrompe a prescrição. 
Por meio da Portaria MF nº 75, de 22 de março de 
2012, o Ministro da Fazenda determinou a não inscrição na 
Dívida Ativa da União de débito de um mesmo devedor com a 
Fazenda Nacional de valor consolidado igual ou inferior a R$ 
1.000,00 (mil reais) e o não ajuizamento de execuções fiscais de 
débitos com a Fazenda Nacional, cujo valor consolidado seja 
igual ou inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Com isso, 
majorou-se o limite previsto na Portaria MF nº 49, de 1º de abril 
de 2004 (na vigência desta, o limite para não ajuizamento de 
execuções fiscais era de R$ 10.000,0017), a qual restou 
revogada. Manteve a Portaria MF nº 75/12 o cancelamento de 
débitos até R$ 100,00. Salienta-se que a respectiva Portaria 
estabelece que entende-se por valor consolidado o resultante da 
atualização do respectivo débito originário, somado aos 
encargos e acréscimos legais ou contratuais, vencidos até a data 
da apuração (art. 1º, § 2º). Destaca-se, por fim, queos limites 
estabelecidos no caput do art. 1º da Portaria não se aplicam 
quando se tratar de débitos decorrentes de aplicação de multa 
criminal (art. 1º, § 1º). 
O § 5º do art. 2º da Lei de Execuções Fiscais estabelece 
os requisitos nos quais o Termo de Inscrição de Dívida Ativa 
 
17 Sobre o tema, faz jus a referência que a Lei nº 11.941/09 determinou em 
seu art. 14 que: “Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, 
inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 
2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total 
consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez 
mil reais).” 
 79 
 
deverá conter, sendo eles: I - o nome do devedor, dos 
corresponsáveis e, sempre que conhecido, o domicílio ou 
residência de um e de outros; II - o valor originário da dívida, 
bem como o termo inicial e a forma de calcular os juros de mora 
e demais encargos previstos em lei ou contrato; III - a origem, a 
natureza e o fundamento legal ou contratual da dívida; IV - a 
indicação, se for o caso, de estar a dívida sujeita à atualização 
monetária, bem como o respectivo fundamento legal e o termo 
inicial para o cálculo; V - a data e o número da inscrição, no 
Registro de Dívida Ativa; e VI - o número do processo 
administrativo ou do auto de infração, se neles estiver apurado o 
valor da dívida. 
Paulsen, Ávila e Sliwka18, abordando a questão do 
termo de inscrição em dívida ativa, definem este da seguinte 
forma: 
É o documento que formaliza a inclusão de 
dívida no cadastro de dívida ativa. Tal 
inscrição altera o status da dívida. Em se 
tratando de tributos administrados pela 
Secretaria da Receita Federal, e.g., o 
crédito é lançado e cobrado pela Receita 
Federal e, apenas na hipótese de o devedor 
prosseguir na inadimplência, é enviado à 
Procuradoria da Fazenda Nacional para 
inscrição em dívida ativa e cobrança 
judicial através de execução fiscal. 
Tratando sobre a necessidade de inclusão na Certidão 
de Dívida Ativa (CDA) do nome do devedor, dos 
 
18 PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid 
Schroder. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e 
execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 226. 
 80 
 
corresponsáveis e, sempre que conhecido, o domicílio ou 
residência de um e de outros, os autores Paulsen, Ávila e 
Sliwka19 lecionam quanto a hipótese de terceiro interessado não 
constar na CDA: 
Não constando do título o nome do 
responsável tributário, não pode ser 
simplesmente citada para pagamento. Tem-
se admitido que omissão seja suprida 
mediante incidente processual com 
indicação dos fatos e dos fundamentos 
jurídicos geradores da responsabilidade 
para justificar a responsabilidade. Neste 
caso, impede que se oportunize o 
contraditório. O mais adequado, contudo, 
seria remeter o Fisco à apuração em 
processo administrativo regular e, na 
hipótese de inclusão da responsabilidade, 
há produção de título em que conste o nome 
do responsável, ou fundamento legal da 
responsabilidade e o número do processo 
em que apurada a responsabilidade para 
amparar execução válida. 
 
Deste modo, neste entendimento, deve ser suspensa a 
execução fiscal enquanto será apurado emprocesso 
administrativo se há ou não responsabilidade do devedor. Tão 
somente redirecionar a execução fiscal, sem prévio processo 
administrativo, logo, sem oportunidade de contraditório ao 
devedor, não parece ser meio adequado para determinar a 
responsabilidade de terceiro interessado. Acrescenta-se que o 
incidente processual de desconsideração da personalidade 
 
19 PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid 
Schroder. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e 
execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 231. 
 81 
 
jurídica, previsto no artigo 133 do CPC/201520 é aplicável as 
execuções fiscais, não sendo válidas as críticas de que para cada 
execução fiscal seria possivelmente necessário um incidente, 
haja vista a expressiva necessidade de redirecionamento dos 
débitos em execuções fiscais que se encontram frustradas. 
Ocorre que o direito do contribuinte não pode ser suprimido, 
devendo sua responsabilidade ser apurado em processo 
administrativo, ou, no caso de fatos supervenientes, por 
incidentes de desconsideração da personalidade jurídica. 
Merece relevância mencionar que, nos termos do § 8º 
do art. 2º da Lei de Execuções Fiscais, até a decisão de primeira 
instância, a Certidão de Dívida Ativa poderá ser emendada ou 
substituída, assegurado ao executado a devolução do prazo para 
embargos. Assim, mesmo que os embargos sejam 
improcedentes, não poderá haver substituição ou emenda pelo 
exequente. A jurisprudência, todavia, restringe à hipótese de 
correção de erro material ou formal, sendo inviável a 
substituição da CDA nos casos em que haja necessidade de se 
alterar o próprio lançamento21, sendo vedada a modificação do 
sujeito passivo da execução22. 
 
20 Art. 133 do CPC/2015: “O incidente de desconsideração da personalidade 
jurídica será instaurado a pedido da parte ou do Ministério Público, quando 
lhe couber intervir no processo.” 
21 Neste sentido: REsp 829.455/BA, Rel. Min. Castro Meira, DJ. De 7.8.200; 
AgRg no REsp 823.011/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ de 3.8.2006; REsp 
667.186/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 6.6.2006; e REsp 750.248/BA, 
Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 29.6.2007) 
22Súmula 392 do STJ: “A Fazenda Publica pode substituir a certidão de 
dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se 
tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do 
sujeito passivo da execução.” (DJ-e7-10-2009) 
 82 
 
Por fim, estabelece o § 9º do art. 2º da Lei de 
Execuções Fiscais que o prazo para a cobrança das contribuições 
previdenciárias continua a ser o estabelecido no artigo 144 da 
Lei nº 3.807, de 26 de agosto de 1960. Estabelece o referido 
artigo que o direito de receber ou cobrar as importâncias que 
lhes sejam devidas, prescreverá, para as instituições de 
previdência social, em trinta anos. Todavia, a jurisprudência do 
Superior Tribunal de Justiça, forte na linha de pensar adotada 
pelo STF, revela-se uníssona em admitir o prazo prescricional 
trintenário para a cobrança das contribuições previdenciárias, no 
período correspondente entre a EC n°8/77 e a Constituição 
Federal de 198823, prevalecendo o entendimento24 que com o 
advento da Emenda Constitucional n° 8/77, o prazo 
prescricional para a cobrança das contribuições previdenciárias 
passou a ser de trinta anos, pois que foram desvestidas da 
natureza tributária, prevalecendo os comandos da Lei n° 
3.807/60. 
Portanto, com o advento da Constituição da República 
de 1988, as contribuições voltaram a possuir natureza jurídica de 
tributo (art. 149 e art. 195), aplicando-se a estas, as disposições 
do Código Tributário Nacional a partir de então (da forma que 
eram anterior a EC nº 8/77), concernentes aos prazos 
decadencial e prescricional. Assim, em relação a prescrição, 
aplicável o artigo 174 do CTN (prescrição quinquenal), e em 
 
23 Neste sentido: REsp 924.257/PR, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/09/2007, DJ 27/09/2007, p. 238. 
24 REsp 510.839/MG, DJ de 6/2/2007. 
 83 
 
relação a decadência, o disposto no artigo 173, I ou artigo 150, § 
4, ambos do CTN, conforme o caso. Salienta-se que a Súmula 
Vinculante nº 08 é no sentido que: “são inconstitucionais o 
parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os 
artigos 45e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e 
decadência de crédito tributário”. 
Assim, pela legislação aplicável em vigor quanto a 
decadência, necessário verificar quando aplicável o disposto no 
artigo 173, inciso I e quando é atraído o disposto no art. 150, § 
4º, ambos do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. 
Pelo acórdão do Superior Tribunal de Justiça de nº 
973.733/SC25, pode-se concluir que se configurado o 
lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do 
tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o 
lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, § 4º do 
CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato 
gerador. Ainda, existindo a declaração de débito, ainda que sem 
o pagamento antecipado, aplica-se a regra do art. 150, § 4º, do 
CTN, operando-se a decadência em cinco anos, contados da data 
do fato gerador26. Todavia, se inexistir a antecipação do 
pagamento e a declaração de débito, aplica-se a regra do art. 
173, I, do CTN, contando-se o prazo de cinco anos a partir do 
 
25 REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado 
em 12/08/2009, DJe 18/09/2009 
26 Neste sentido, v.g., o acórdão nº 3202-001.605 (2ª Turma Ordinária da 2ª 
Câmara da 3ª. Seção do CARF, julgado em 15/04/2015, Rel. Conselheira 
TATIANA MIDORI MIGIYAMA). 
 84 
 
primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento 
poderia ter sido efetuado. 
 
3. Jurisprudência 
 
Dívida não tributária inscrita em Dívida Ativa da União 
 
TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO 
DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. EMBARGOS À 
EXECUÇÃO FISCAL. CÉDULA RURAL HIPOTECÁRIA. 
MP Nº 2.196-3/01. CRÉDITOS ORIGINÁRIOS DE 
OPERAÇÕES FINANCEIRAS CEDIDOS À UNIÃO. MP 
2.196-3/2001. DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. VIOLAÇÃO DO 
ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA (...) 1. Os créditos 
rurais originários de operações financeiras, alongadas ou 
renegociadas (cf. Lei n. 9.138/95), cedidos à União por força da 
Medida Provisória 2.196-3/2001, estão abarcados no conceito de 
Dívida Ativa da União para efeitos de execução fiscal - não 
importando a natureza pública ou privada dos créditos em si -, 
conforme dispõe o art. 2º e § 1º da Lei 6.830/90 (...) Acórdão 
submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 
08/2008. 
(REsp 1123539/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA 
SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) 
 
PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. CESSÃO DE 
CRÉDITO RURAL. MP 2.196/2001. TITULARIDADE DA 
UNIÃO. POSSIBILIDADE DE INSCRIÇÃO EM DÍVIDA 
ATIVA E COBRANÇA COM BASE NA LEI 6.830/80. 
PRECEDENTES. 1. Hipótese de execução fiscal destinada à 
cobrança de valores provenientes de operações de alongamento 
de dívidas originárias de crédito rural, ao amparo da Lei 
9.138/95, posteriormente repassados à União, nos termos do art. 
2º da MP 2.196/2001. 2. A Segunda Turma desta Corte firmou o 
entendimento de que: (a) "a cessão de crédito difere da novação 
da dívida, por não implicar a extinção da obrigação cedida, mas 
apenas operar uma substituição subjetiva na obrigação"; (b) 
 85 
 
inexiste "mácula na cobrança dos créditos por intermédio da 
execução fiscal", pois "a execução fiscal é instrumento de 
cobrança das entidades referidas no art. 1º da Lei 6.830/80, não 
importando a natureza pública ou privada dos créditos em si" 
(REsp 1.022.746/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe 
de 22.9.2008). 3. Recurso especial provido, para que se dê 
prosseguimento à execução fiscal, afastada a condenação da 
Fazenda Pública ao pagamento de honorários, relativamente à 
exceção de pré-executividade. 
(REsp 1086169/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 15/04/2009) 
 
PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. DNER. 
INDENIZAÇÃO POR DANOS AO PATRIMÔNIO 
DECORRENTES DE ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO. 
INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. PRECEDENTES DO 
STJ. 1. Cinge-se a questão à possibilidade de cobrança, 
mediante inscrição em dívida ativa pelo DNER, de danos 
causados em Rodovia Federal. 2. Na hipótese, descabe utilizar a 
via da Execução Fiscal para ressarcimento de dano causado em 
decorrência de acidente automobilístico em via pública, por não 
se enquadrar no conceito de dívida ativa não tributária do art. 39 
da Lei 4.320/1964. Precedentes do STJ. 3. Recurso Especial não 
provido. 
(REsp 719.583/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 17/12/2009, DJe 02/02/2010) 
 
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO - EXECUÇÃO 
FISCAL - DÍVIDA ATIVA - DNER - INDENIZAÇÃO POR 
DANOS AO PATRIMÔNIO DECORRENTES DE ACIDENTE 
AUTOMOBILÍSTICO - DÍVIDA ATIVA NÃO-TRIBUTÁRIA 
– IMPROPRIEDADE - EXERCÍCIO EXORBITANTE DE 
COMPETÊNCIA - VIA PROCESSUAL INADEQUADA. I - 
Dívida Ativa da Fazenda Pública, definida como não-tributária, 
é a que resulta qualquer outro crédito da Fazenda Pública, 
inscrita no setor administrativo competente, após apuração na 
forma prevista na legislação de regência; decorre do exercício 
do poder de império, exercido na modalidade do poder de 
polícia, e da atividade legalmente conferida à autoridade de 
direito público. 
 86 
 
II - Não é cabível a utilização da via de inscrição da dívida ativa 
no DNER, para propositura do executivo fiscal visando obter 
ressarcimento de dano causado ao patrimônio da autarquia em 
virtude de acidente automobilístico. III - A competência da 
Procuradoria-Geral do DNER para apurar liquidação e certeza 
de créditos de qualquer natureza, para inscrevê-los em dívida 
ativa e cobrá-los, é restrita àqueles (créditos) inerentes às 
atividades da autarquia. IV - Recurso improvido. 
(REsp 330.703/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/10/2001, DJ 19/11/2001, 
p. 242) 
 
EMBARGOS INFRINGENTES. DIREITO 
ADMINISTRATIVO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. 
BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PERCEPÇÃO INDEVIDA. 
DÍVIDA ATIVA. INSCRIÇÃO. POSSIBILIDADE. 
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. REGULARIDADE. 
PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. 1. Evidenciada mediante 
procedimento administrativo regular a percepção indevida de 
benefício previdenciário, a Administração deve inscrever em 
dívida ativa as quantias apuradas para a subseqüente propositura 
da ação de execução fiscal. 2. Desnecessário em casos tais o 
ajuizamento de ação de conhecimento para a apuração do ilícito 
imputado e a quantificação dos montantes devidos, tendo em 
conta a prerrogativa da Administração de averiguar, com 
observação à legalidade e ao devido processo legal, as 
irregularidades contra si cometidas. 3. Versando a espécie sobre 
dívida ativa de caráter não tributário, o prazo prescricional 
qüinqüenal da pretensão de execução tem curso a contar da 
ocasião em que o INSS teve conhecimento da fraude, critério 
que no caso dos autos faz por afastar a prescrição. 
(TRF4, EINF 2003.04.01.037425-6, SEGUNDA SEÇÃO, 
Relatora MARGA INGE BARTH TESSLER, D.E. 22/02/2008) 
 
EXECUÇÃO FISCAL FUNDADA EXCLUSIVAMENTE EM 
CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. OPERAÇÃO BANCÁRIA 
DE CARÁTER PRIVADO. IMPROPRIEDADE DO 
EXECUTIVO FISCAL. PRETENDIDA CONVERSÃO EM 
EXECUÇÃO COMUM. IMPOSSIBILIDADE. INICIAL NÃO 
APARELHADA COM TÍTULO EXECUTIVO 
 87 
 
EXTRAJUDICIAL.O executivo fiscal aparelhado apenas com 
certidão de inscrição em dívida ativa e que foi julgado inviável 
nas circunstâncias não é conversível em execução comum diante 
da ausência de título executivo enquadrável no artigo 585 do 
Código de Processo Civil. Recurso especial não conhecido. 
(REsp 106.120/PR, Rel. Ministro CESAR ASFOR ROCHA, 
QUARTA TURMA, julgado em 16/12/1999, DJ 27/03/2000, p. 
106) 
 
Aplicabilidade da Taxa Selic 
 
EXECUÇÃO DE SENTENÇA. TAXA DE JUROS. NOVO 
CÓDIGO CIVIL. VIOLAÇÃO À COISA JULGADA. 
INEXISTÊNCIA. ART. 406 DO NOVO CÓDIGO CIVIL. 
TAXA SELIC. 1. Não há violação à coisa julgada e à norma do 
art. 406 do novo Código Civil, quando o título judicial 
exequendo, exarado em momento anterior ao CC/2002, fixa os 
juros de mora em 0,5% ao mês e, na execução do julgado, 
determina-se a incidênciade juros previstos nos termos da lei 
nova. 
2. Atualmente, a taxa dos juros moratórios a que se refere o 
referido dispositivo [ art. 406 do CC/2002 ] é a taxa referencial 
do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, por ser 
ela a que incide como juros moratórios dos tributos federais 
(arts. 13 da Lei 9.065/95, 84 da Lei 8.981/95, 39, § 4º, da Lei 
9.250/95, 61, § 3º, da Lei 9.430/96 e 30 da Lei 10.522/02)' 
(EREsp 727.842, DJ de 20/11/08)" (REsp 1.102.552/CE, Rel. 
Min. Teori Albino Zavascki, sujeito ao regime do art. 543-C do 
CPC, pendente de publicação). Todavia, não houve recurso da 
parte interessada para prevalecer tal entendimento. 3. Recurso 
Especial não provido. 
(REsp 1111117/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, 
Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, 
CORTE ESPECIAL, julgado em 02/06/2010, DJe 02/09/2010) 
 
CIVIL. JUROS MORATÓRIOS. TAXA LEGAL. CÓDIGO 
CIVIL, ART. 406. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. 1. 
Segundo dispõe o art. 406 do Código Civil, "Quando os juros 
moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa 
estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão 
 88 
 
fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do 
pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional". 2. Assim, 
atualmente, a taxa dos juros moratórios a que se refere o referido 
dispositivo é a taxa referencial do Sistema Especial de 
Liquidação e Custódia - SELIC, por ser ela a que incide como 
juros moratórios dos tributos federais (arts. 13 da Lei 9.065/95, 
84 da Lei 8.981/95, 39, § 4º, da Lei 9.250/95, 61, § 3º, da Lei 
9.430/96 e 30 da Lei 10.522/02). 3. Embargos de divergência a 
que se dá provimento. 
(EREsp 727.842/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO 
ZAVASCKI, CORTE ESPECIAL, julgado em 08/09/2008, DJe 
20/11/2008) 
 
Taxa Selic. Aplicabilidade condicionada após falência. 
 
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO 
ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ALEGADA NULIDADE DAS 
CDA'S. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE 
RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA 
FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. JUROS 
MORATÓRIOS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. MASSA 
FALIDA. ARTIGO 557, DO CPC. NEGATIVA DE 
SEGUIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. CABIMENTO. 1. 
A verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de 
Dívida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória, 
providência inviável em sede de Recurso Especial. Aplicação da 
Súmula 07/STJ. O Tribunal de Apelação é soberano no exame 
dos fatos e provas nos quais a lide se alicerça. Tendo decidido a 
Eg. Corte Estadual que "Analisando-se a Certidões de Dívida 
Ativa - CDAs ns. 1998.01949.47, 1998.01967.29, 
1998.01971.05, 1998.01997.44, 1998.02014.04, 1998.02017.49, 
1998.02033.69, 1998.02059.06, 1998.02084.09 e 1998.02094.80 
- é fácil constatar que preenchem os requisitos do art. 202 do 
Código Tributário Nacional e do art. 2º da Lei n. 6.830/80, pois 
contém o nome do devedor, seu domicílio, a quantia devida e a 
maneira de calcular os juros de mora acrescidos, a origem do 
crédito tributário e a disposição de lei em que é fundado e a data 
em que as dívidas foram inscritas", não cabe ao Superior 
Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 2. Os juros 
 89 
 
moratórios anteriores à decretação da quebra são devidos pela 
massa independentemente da existência da saldo para 
pagamento do principal. Entretanto, após a quebra, a 
exigibilidade fica condicionada à suficiência do ativo. 3. Neste 
sentido, é cediço no Eg. STJ que: "I - Como já definiu a 
jurisprudência desta Corte e do Colendo Supremo Tribunal 
Federal, a multa fiscal moratória tem característica de pena 
administrativa. Neste panorama, é vedada a sua inclusão no 
crédito habilitado em falência e, por extensão, em face do artigo 
34 da Lei nº 6.024/1974 que determina a aplicação subsidiária 
da Lei de falências, também é interditada a inclusão de tal verba 
na liquidação extra-judicial. II - O mesmo entendimento não se 
aplica aos juros de mora anteriores à decretação da liquidação-
extrajudicial, os quais são devidos, bem assim os posteriores que 
somente serão excluídos se o ativo apurado for insuficiente para 
pagamento do passivo." (Resp 532539/MG, publicado no DJ de 
16.11.2004). 4. A taxa SELIC é aplicável como sucedâneo dos 
juros de mora, motivo pelo qual, na execução fiscal contra a 
massa falida, a incidência da referida taxa deve seguir a mesma 
orientação fixada para a aplicação dos juros moratórios, qual 
seja: a partir de 1º de janeiro de 1996 e até a decretação da 
quebra, e, após esta data, apenas se o ativo for suficiente para o 
pagamento do principal, na forma do art. 26 da Lei de Falências. 
5. A jurisprudência da Primeira Seção é pacífica no sentido de 
que são devidos juros da taxa SELIC em compensação de 
tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos 
contribuintes para com a Fazenda Pública, porquanto raciocínio 
diverso importaria tratamento anti-isonômico, uma vez que a 
Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta 
taxa SELIC, ao passo que, no desembolso os cidadãos exonerar-
se-iam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas 
fazendárias (ERESP 36554/SC). 6. Desta sorte, afastadas as 
alegações no sentido da ilegitimidade da aplicação da Taxa 
SELIC no campo tributário e diante da existência de norma 
estadual aplicável à espécie (Lei Estadual 10.297/96), 
determinando que, para o cálculo de juros de mora, seriam 
aplicáveis os mesmos critérios para cobrança dos débitos fiscais 
federais, é de ser mantido íntegro o acórdão recorrido, que 
acertadamente reconheceu como devida a incidência do referido 
indexador sobre os débitos de ICMS objeto da execução 
 90 
 
embargada. 7. Ausência de prequestionamento, no Tribunal de 
origem, da alegada nulidade da decisão singular que teria sido 
proferida sem a intimação do síndico para participar do feito e 
defender os interesses da massa falida, quedando-se inerte a 
parte no que atine à necessária oposição de embargos de 
declaração para provocar o pronunciamento acerca do tema. 8. 
Agravo regimental desprovido. 
(AgRg no REsp 761.755/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/06/2007, DJ 27/08/2007, 
p. 191) 
 
Multa benigna mais benéfica. Inteligência do art. 106, II, do 
CTN. Redução da multa para 20% em razão da Lei nº 
11.941/09 que deu nova redação ao art. 35 da Lei nº8.212/91. 
 
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 
VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DESCARACTERIZAÇÃO. 
SÚMULA 7. REDUÇÃO DE MULTA PARA 20%. LEI 
SUPERVENIENTE N. 11.941/09. POSSIBILIDADE. 1. A 
contribuição para o SEBRAE constitui contribuição de 
intervenção no domínio econômico (CF art. 149) e, por isso, é 
exigível de todos aqueles que se sujeitam às Contribuições ao 
SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte 
econômico, porquanto não vinculada a eventual contraprestação 
dessa entidade. 2. O art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela 
Lei 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa 
moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais propícia ao 
contribuinte, deve ser a ele aplicado, por se tratar de lei mais 
benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do 
CTN. 3. Precedentes: REsp 1.189.915/ES, Rel. Ministra Eliana 
Calmon, Segunda Turma, julgado em 1º.6.2010, DJe 17.6.2010; 
REsp 1.121.230/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda 
Turma, julgado em 18.2.2010, DJe 2.3.2010. Agravo regimental 
improvido. 
(AgRg no REsp 1216186/RS, Rel. Ministro HUMBERTO 
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2011, DJe 
16/05/2011) 
 
Suspensão da prescrição por 180 dias aplicável somente às 
dívidas não tributárias. 
 91 
 
 
TRIBUTÁRIO - EXECUÇÃO FISCAL - PRESCRIÇÃO - 
ART. 2º, § 3º, DA LEI 6.830/80 (SUSPENSÃO POR 180 
DIAS) - NORMA APLICÁVEL SOMENTE ÀS DÍVIDAS 
NÃO TRIBUTÁRIAS. 1. A norma contida no art. 2º, § 3º da Lei 
6.830/80, segundo a qual a inscrição em dívida ativa suspende a 
prescrição por 180 (cento e oitenta) dias ou até a distribuição da 
execução fiscal, se anterior àquele prazo, aplica-se tão-somenteàs dívidas de natureza não-tributárias, porque a prescrição das 
dívidas tributárias regula-se por lei complementar, no caso o art. 
174 do CTN. 2. Embargos de divergência não providos. 
(EREsp 657.536/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, 
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/03/2008, DJe 07/04/2008) 
 
CDA com menção genérica de multa. Ausência da descrição 
do fato constitutivo da infração. 
 
TRIBUTÁRIO - EXECUÇÃO FISCAL - CDA - AUSÊNCIA 
DE DESCRIÇÃO DO FATO CONSTITUTIVO DA 
INFRAÇÃO - PREJUÍZO À AMPLA DEFESA - NULIDADE. 
1. A CDA é título formal, cujos elementos devem estar bem 
delineados, a fim de dar efetividade ao princípio constitucional 
da ampla defesa do executado. 2. Diante disso, torna-se 
obrigatória a descrição do fato constitutivo da infração, não 
sendo suficiente a menção genérica a "multa de post geral", 
como origem do débito a que se refere o art. 2º, § 5º, III, da Lei 
6.830/80. 3. Recurso especial não provido. 
(REsp 965.223/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2008, DJe 21/10/2008) 
 
Nome do responsável tributário consta na CDA. 
 
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO 
À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543-C DO CPC. 
EXECUÇÃO FISCAL. INCLUSÃO DOS 
REPRESENTANTES DA PESSOA JURÍDICA, CUJOS 
NOMES CONSTAM DA CDA, NO PÓLO PASSIVO DA 
EXECUÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE. MATÉRIA DE 
DEFESA. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. 
EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. INVIABILIDADE. 
 92 
 
RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A orientação da 
Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que, se a 
execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o 
nome do sócio consta da CDA, a ele incumbe o ônus da prova 
de que não ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias 
previstas no art. 135 do CTN, ou seja, não houve a prática de 
atos "com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social 
ou estatutos". 2. Por outro lado, é certo que, malgrado serem os 
embargos à execução o meio de defesa próprio da execução 
fiscal, a orientação desta Corte firmou-se no sentido de admitir a 
exceção de pré-executividade nas situações em que não se faz 
necessária dilação probatória ou em que as questões possam ser 
conhecidas de ofício pelo magistrado, como as condições da 
ação, os pressupostos processuais, a decadência, a prescrição, 
entre outras. 3. Contudo, no caso concreto, como bem observado 
pelas instâncias ordinárias, o exame da responsabilidade dos 
representantes da empresa executada requer dilação probatória, 
razão pela qual a matéria de defesa deve ser aduzida na via 
própria (embargos à execução), e não por meio do incidente em 
comento. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito à 
sistemática prevista no art. 543-C do CPC, c/c a Resolução 
8/2008 - Presidência/STJ. 
(REsp 1104900/ES, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, 
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/03/2009, DJe 01/04/2009) 
Nome do responsável tributário não consta na CDA. 
 
TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. 
REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO-GERENTE QUE 
FIGURA NA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA COMO CO-
RESPONSÁVEL. POSSIBILIDADE. DISTINÇÃO ENTRE A 
RELAÇÃO DE DIREITO PROCESSUAL (PRESSUPOSTO 
PARA AJUIZAR A EXECUÇÃO) E A RELAÇÃO DE 
DIREITO MATERIAL (PRESSUPOSTO PARA A 
CONFIGURAÇÃO DA RESPONSABILIDADE 
TRIBUTÁRIA). 1. Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa 
em negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota 
fundamentação suficiente para decidir de modo integral a 
controvérsia posta. 2. Não se pode confundir a relação 
processual com a relação de direito material objeto da ação 
executiva. Os requisitos para instalar a relação processual 
 93 
 
executiva são os previstos na lei processual, a saber, o 
inadimplemento e o título executivo (CPC, artigos 580 e 583). 
Os pressupostos para configuração da responsabilidade 
tributária são os estabelecidos pelo direito material, 
nomeadamente pelo art. 135 do CTN. 3. A indicação, na 
Certidão de Dívida Ativa, do nome do responsável ou do co-
responsável (Lei 6.830/80, art. 2º, § 5º, I; CTN, art. 202, I), 
confere ao indicado a condição de legitimado passivo para a 
relação processual executiva (CPC, art. 568, I), mas não 
confirma, a não ser por presunção relativa (CTN, art. 204), a 
existência da responsabilidade tributária, matéria que, se for o 
caso, será decidida pelas vias cognitivas próprias, especialmente 
a dos embargos à execução. 4. É diferente a situação quando o 
nome do responsável tributário não figura na certidão de dívida 
ativa. Nesses casos, embora configurada a legitimidade passiva 
(CPC, art. 568, V), caberá à Fazenda exeqüente, ao promover a 
ação ou ao requerer o seu redirecionamento, indicar a causa do 
pedido, que há de ser uma das situações, previstas no direito 
material, como configuradoras da responsabilidade subsidiária. 
5. No caso, havendo indicação dos co-devedores no título 
executivo (Certidão de Dívida Ativa), é viável, contra os sócios, 
o redirecionamento da execução. Precedente: EREsp 702.232-
RS, 1ª Seção, Min. Castro Meira, DJ de 16.09.2005. 6. Recurso 
especial a que se dá provimento. 
(REsp 923.742/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2007, DJ 14/05/2007, 
p. 268) 
 
 
Chancela mecânica ou eletrônica do termo de inscrição em 
dívida ativa. 
 
PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. CERTIDÃO 
DE DÍVIDA ATIVA. CHANCELA MECÂNICA OU 
ELETRÔNICA. POSSIBILIDADE. 1. O Superior Tribunal de 
Justiça pacificou entendimento de que é possível a subscrição 
manual, ou por chancela mecânica ou eletrônica, do termo de 
inscrição em dívida ativa da União, da certidão de dívida ativa 
dele extraída e da petição inicial em processo de Execução 
Fiscal. 2. Agravo Regimental não provido. 
 94 
 
(AgRg no REsp 873.108/RS, Rel. Ministro HERMAN 
BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2008, 
DJe 19/12/2008) 
 
Substituição da CDA. 
 
PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL 
REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, 
DO CPC. PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. 
EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. CERTIDÃO DE DÍVIDA 
ATIVA (CDA). SUBSTITUIÇÃO, ANTES DA PROLAÇÃO 
DA SENTENÇA, PARA INCLUSÃO DO NOVEL 
PROPRIETÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO 
CARACTERIZAÇÃO ERRO FORMAL OU MATERIAL. 
SÚMULA 392/STJ. 1. A Fazenda Pública pode substituir a 
certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de 
embargos, quando se tratar de correção de erro material ou 
formal, vedada a modificação do sujeito passivo da execução 
(Súmula 392/STJ). 2. É que: "Quando haja equívocos no próprio 
lançamento ou na inscrição em dívida, fazendo-se necessária 
alteração de fundamento legal ou do sujeito passivo, nova 
apuração do tributo com aferição de base de cálculo por outros 
critérios, imputação de pagamento anterior à inscrição etc., será 
indispensável que o próprio lançamento seja revisado, se ainda 
viável em face do prazo decadencial, oportunizando-se ao 
contribuinte o direito à impugnação, e que seja revisada a 
inscrição, de modo que não se viabilizará a correção do vício 
apenas na certidão de dívida. A certidão é um espelho da 
inscrição que, por sua vez, reproduz os termos do lançamento. 
Não é possível corrigir, na certidão, vícios do lançamento e/ou 
da inscrição. Nestes casos, será inviável simplesmente 
substituir-se a CDA." (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila 
e Ingrid Schroder Sliwka, in "Direito Processual Tributário: 
Processo Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da 
Doutrina e da Jurisprudência", Livraria do Advogado, 5ª ed., 
Porto Alegre, 2009, pág. 205). 3. Outrossim, a apontada ofensa 
aos artigos 165, 458 e 535, do CPC, não restou configurada, 
uma vez que o acórdão recorrido pronunciou-se de forma clara e 
suficiente sobre a questão posta nos autos. Saliente-se, ademais, 
que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os 
 95 
 
argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos 
utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como 
de fato ocorreu na hipótese dos autos. 4. Recurso especial 
desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C,do 
CPC, e da Resolução STJ 08/2008. 
(REsp 1045472/BA, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA 
SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) 
 
Substituição da CDA. Alteração do sujeito passivo. 
Impossibilidade. 
 
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPTU. CDA. 
SUBSTITUIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. SUB-ROGAÇÃO. 
IMPOSSIBILIDADE. 1. Não se admite a substituição da CDA 
para alteração do sujeito passivo dela constante, por não se tratar 
de mero erro formal ou material, mas de alteração do próprio 
lançamento. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido. 
(AgRg no Ag 992.425/BA, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 03/06/2008, DJe 16/06/2008) 
 
Substituição da CDA. Revisão do lançamento. 
Impossibilidade. 
 
TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. 
SUBSTITUIÇÃO DA CDA. ALTERAÇÃO NO 
LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A substituição da 
Certidão da Dívida Ativa, nos termos do § 8º do art. 2º da Lei nº 
6.830/80, pode ser realizada para correção de erro material ou 
formal do título executivo, porém não é permitida nas hipóteses 
de ocorrência de revisão do próprio lançamento tributário: AgRg 
no Ag 815732/BA, 1ª T., Min. Denise Arruda, DJ de 
03.05.2007; REsp 773640/BA, 2ª T., Min. Herman Benjamin, 
DJ de 11.02.2008. 2. Recurso especial improvido. 
(REsp 701.429/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO 
ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/03/2008, 
DJe 26/03/2008) 
 
Substituição da CDA. Extinção dos embargos sem 
condenação em honorários. 
 
 96 
 
RECURSO ESPECIAL - ALÍNEAS "A" E "C" - RECURSO 
ESPECIAL - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - 
SUBSTITUIÇÃO DA CDA - PRETENDIDA CONDENAÇÃO 
EM HONORÁRIOS - IMPOSSIBILIDADE. Constatada a 
ocorrência de erro formal na CDA, conseqüentemente 
substituída pela Fazenda Nacional, ajuizou a empresa novos 
embargos. Dessa forma, outra solução não restava ao magistrado 
senão extinguir os primeiros embargos sem a condenação ao 
pagamento da verba advocatícia, uma vez que o inconformismo 
acerca da execução fiscal ainda virá a ser apreciado. A simples 
substituição da Certidão de Dívida Ativa, com a reabertura de 
prazo para oposição de embargos, não enseja a condenação da 
Fazenda Pública ao pagamento de honorários, pois apenas à 
decisão final do processo caberá fazê-lo. Recurso especial 
improvido. 
(REsp 408.777/SC, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 18/11/2004, DJ 25/04/2005, 
p. 263) 
 
Desnecessidade de instrução da execução fiscal com 
memória de cálculo. 
 
EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DA CDA. 
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO 
MONETÁRIA. ÔNUS DE PROVA. MULTA DE MORA. 
JUROS. TAXA SELIC. PENHORA. AVALIAÇÃO. 1. É válida 
a CDA que, preenchendo os requisitos legais, permite a 
identificação de todos os aspectos do débito, inclusive da forma 
de cálculo dos consectários moratórios. 2. É cabível a cobrança 
de juros, multa e correção monetária sobre os tributos 
inadimplidos, dado que são parcelas acessórias de natureza e 
com finalidades distintas. 3. Não é necessária a instrução da 
execução fiscal com memória de cálculo do débito ou cópias do 
processo administrativo, bastando a apresentação da Certidão de 
Dívida Ativa. 4. Nos termos da Súmula nº 436 do STJ, "a 
entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito 
fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra 
providência por parte do fisco". 5. É do embargante o ônus de 
ilidir a presunção de certeza e liquidez que milita em favor da 
dívida regularmente inscrita 6. A finalidade punitiva e 
 97 
 
dissuasória da multa justifica a sua fixação em percentuais 
elevados sem que com isso ela assuma natureza confiscatória. 7. 
É legítima a correção monetária do débito e a cobrança de juros 
pela taxa SELIC. 8. É cabível que, através dos embargos, o 
executado insurja-se contra a avaliação do bem constrito, desde 
que comprove que o seu valor é superior àquele que consta do 
auto de penhora. 9. Não havendo fundada dúvida acerca do 
valor atribuído ao bem penhorado, deve ser rejeitada a pretensão 
de reavaliação. 
(TRF4, AC 5004342-29.2015.404.7102, SEGUNDA TURMA, 
Relator LUIZ CARLOS CERVI, juntado aos autos em 
13/07/2016) 
 
Multa moratória. Redução. 
 
TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. 
NULIDADE CDA. INOCORRÊNCIA. MULTA. 
CABIMENTO. BACENJUD. ESGOTAMENTO DE 
DILIGÊNCIAS NA BUSCA DE BENS PENHORÁVEIS. 
DESNECESSIDADE. (...) 2. O crédito constituído mediante 
declaração dispensa a necessidade de lançamento, procedimento 
administrativo e notificação, não havendo falar em cerceamento 
de defesa. Nesse sentido a Súmula 436 do STJ: "A entrega de 
declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal 
constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra 
providência por parte do fisco". 3. O Supremo Tribunal Federal 
tem admitido a redução de multa moratória imposta com base 
em lei, quando assume ela, pelo seu montante desproporcionado, 
feição confiscatória. No caso, a multa fixada não tem caráter 
confiscatório, atendendo às suas finalidades educativas e de 
repressão da conduta infratora. 4. Não há qualquer ilegalidade 
na aplicação da multa em comento, no percentual de 20%, 
porquanto de acordo com os dispositivos legais aplicáveis à 
hipótese (art.61, §§1º e 2º, da Lei nº 9.430/96). 5. Não sendo 
nomeados bens à penhora pelo executado ou havendo nomeação 
insatisfatória, é possível à União requerer imediatamente a 
utilização do BACENJUD, simplesmente porque é meio para 
viabilizar a penhora de numerário, na forma do art. 655, § 6º, do 
CPC. 6. Resta descabida a condenação da União em custas, 
 98 
 
porquanto não sucumbente na demanda. 7. Apelação da 
embargante desprovida. Provido o recurso da União. 
(TRF4, AC 0005805-96.2016.404.9999, SEGUNDA TURMA, 
Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, D.E. 12/07/2016) 
 
Decadência (art. 150, § 4º vs. art. 173, I, do CTN): 
 
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL 
REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, 
DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A 
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO 
PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO 
ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO 
CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO 
INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO 
CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 
150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo 
decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito 
tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do 
exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido 
efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento 
antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o 
mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou 
simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do 
débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. 
Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; 
AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino 
Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 
276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 
28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do 
Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo 
de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, 
consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco 
regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra 
da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos 
ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao 
lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o 
pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, 
"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max 
Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do 
 99 
 
prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo 
disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro 
dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia 
ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia 
do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que 
se trate de tributos sujeitosa lançamento por homologação, 
revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente 
dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex 
Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo 
decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no 
Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de 
Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito 
Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 
396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e 
Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São 
Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na 
origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por 
homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado 
das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo 
contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no 
período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a 
constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 
26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos 
tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo 
decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento 
de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão 
submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução 
STJ 08/2008. 
(REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA 
SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) 
 
4. Temas relacionados 
 
Não há temas relacionados. 
 
5. Referências bibliográficas 
 
 100 
 
PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código 
Tributário Nacional à luz da doutrina e da jurisprudência. 15. ed. 
Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2013. 
 
PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, 
Ingrid Schroder. Direito Processual Tributário: processo 
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da 
jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do 
Advogado, 2012. 
 
PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2. ed. 
Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. 
 
 101 
 
Art. 3º - A Dívida Ativa regularmente inscrita goza da 
presunção de certeza e liquidez. 
Parágrafo Único - A presunção a que se refere este artigo é 
relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do 
executado ou de terceiro, a quem aproveite. 
 
1. Evolução legislativa e remissões legais 
 
Nos termos do artigo 784, inciso IX, do novo Código 
de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), a 
certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente 
aos créditos inscritos na forma da lei, é título extrajudicial, 
sendo o rito de execução previsto em legislação especial - Lei de 
Execuções Fiscais (Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980), a 
qual prevê também que a inscrição regular em dívida ativa goza 
de presunção de certeza e liquidez. 
Em relação aos créditos de natureza tributária, já havia 
tal previsão no artigo 204 do Código Tributário Nacional, o qual 
possui redação muito similar a expressa na Lei de Execuções 
Fiscais. Desse modo, com o disposto no art. 3º da LEF, os 
débitos de natureza não tributária submetidos ao rito da LEF 
também possuem presunção de certeza e liquidez, tal qual os de 
natureza tributária. 
Merece ser observado que o Decreto-Lei nº 960, de 17 
de dezembro de 1938, legislação que disciplinava a cobrança 
judicial da dívida ativa da Fazenda Pública até o advento da 
 102 
 
LEF, em seu artigo 2º, já estabelecia que “considera-se líquida e 
certa quando consistir em quantia fixa e determinada, a dívida 
regularmente inscrita em livro próprio, na repartição fiscal”. 
Verifica-se que ocorreu, portanto, uma evolução 
legislativa, pois o dispositivo da LEF (art. 3º, caput e parágrafo 
único), adotando a redação do artigo 204 do CTN, tratou a 
certeza e liquidez da dívida ativa como presunção, sendo esta 
relativa, podendo ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do 
executado ou de terceiro interessado. 
 
Remissões Legais: Artigo 204 do CTN. 
 
2. Conceitos Principais 
 
A presunção de certeza e liquidez da dívida ativa, 
prevista na Lei de Execuções Fiscais, é juris tantum, podendo 
esta ser ilidida se for apresentada prova inequívoca. Desta 
forma, caberá ao devedor apontar e comprovar os vícios, 
formais ou materiais, da inscrição, ou ainda, da declaração ou do 
lançamento que lhe deram origem e que comprometeram sua 
higidez1. 
Portanto, somente poderá ser ilidida, ou seja, 
contestada, refutada, combatida, a presunção de certeza e 
liquidez com a demonstração, por prova inequívoca, de que o 
título não é certo ou que este é ilíquido. No entendimento de 
 
1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário 
Nacional à luz da doutrina e da jurisprudência. 15. ed. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado; ESMAFE, 2013, p. 1292. 
 103 
 
Araken de Assis2, faz-se necessário que as provas apresentadas 
não provoquem dúvidas no juiz, devendo ser compreendido por 
prova inequívoca aquela que leva o juiz ao estado de certeza 
acerca do fato posto em questão, contraposta à prova semiplena. 
Deverá, assim, o executado ou o terceiro interessado, trazer os 
autos a prova necessária para provar seu direito, sendo seu o 
ônus de afastar a referida presunção. 
Desta forma, trata-se de ônus probatório do executado 
(ou de terceiro a quem aproveite) em demonstrar que a Certidão 
de Dívida Ativa não possui os requisitos necessários (certeza e 
liquidez) para a sua exigibilidade, devendo proceder através da 
oposição de embargos ou, ainda, a depender de quais alegações 
irá realizar, utilizar-se de exceção de pré-executividade. 
Incumbe destacar que o art. 2º da Lei de Execuções Fiscais 
apresenta uma série de condições necessárias para a validade da 
Certidão de Dívida Ativa, especialmente no § 5º do referido 
dispositivo. 
Para Éderson Porto3, quando bem fundamentado o 
pedido, a presunção deve ser ilidida, apresentando o autor, 
exemplificativamente, as situações de quando demonstrado, por 
parte do contribuinte, que já houve o adimplemento da dívida, 
ou ainda, a demonstração de que a CDA versa sobre hipótese à 
margem da incidência tributária. Ainda, refere o autor que o 
pagamento parcial do débito por parte do devedor não importa 
 
2 ASSIS, Araken de. Manual de Execução. 11. ed. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2007, p. 1004-1005. 
3 PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2. ed. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado, 2010, p. 53. 
 104 
 
em iliquidez do título quanto a incorreção não se refere ao 
principal, mas sim à correção monetária4. 
Quando a suspensão da exigibilidade do crédito do 
crédito tributário como impedimento ao prosseguimento ou, 
ainda, a propositura de execução fiscal, Paulsen, Ávila e Sliwka5 
lecionam que tendo a execução pressuposto de certeza, liquidez 
e exigibilidade do crédito exequendo, sendo tais características 
atributos indispensáveis do título executivo (no caso, da CDA), 
estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário (nos 
termos do art. 151, do CTN), resta impedido o ajuizamento de 
execução fiscal, ou, caso já ajuizada, o seu prosseguimento, 
devendo ser suspensa. 
 
3. Jurisprudência relacionada 
 
Ausência da notificação do contribuinte. Não cabimento da 
extinção da execução fiscal de ofício. 
 
EXECUÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE PROVA DA 
NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE. A dívida ativa possui 
presunção de certeza e liquidez, não cabendo a extinção da 
execução fiscal, de ofício, pela falta de comprovação da 
notificação da parte executada. 
(TRF4, AC 5004193-88.2015.404.7116, SEGUNDA TURMA, 
Relator LUIZ CARLOS CERVI, juntado aos autos em 
13/07/2016) 
 
 
4 PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2. ed. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado,2010, p. 57. 
5 PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid Schroder. 
Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução 
fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado, 2012, p. 262. 
 105 
 
Presunção de certeza e liquidez. Necessidade de prova 
inequívoca. 
 
TRIBUTÁRIO. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. 
REQUISITOS DA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. 1. A 
certidão de dívida ativa exeqüenda é título executivo revestido 
de presunção de liquidez e de certeza, a qual somente pode ser 
elidida por meio de prova robusta e não por meras alegações 
(TRF/4, apelação cível nº 5013228-50.2011.404.7201, Segunda 
Turma, de minha relatoria, 27/11/2012), o que, aliás, vem 
consagrado no artigo 204 do Código Tributário Nacional e no 
art. 3º da Lei de Execuções Fiscais. 2. In casu, as CDAs 
discriminam a origem do tributo, o exercício a que se refere, a 
natureza da dívida, a data do vencimento, o termo inicial da 
atualização monetária e dos juros de mora, o valor inscrito, a 
forma de constituição e a fundamentação legal. 
(TRF4, AC 0006781-06.2016.404.9999, PRIMEIRA TURMA, 
Relator ALTAIR ANTONIO GREGÓRIO, D.E. 20/07/2016) 
 
TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. 
NULIDADE CDA. INOCORRÊNCIA. MULTA. 
CABIMENTO. BACENJUD. ESGOTAMENTO DE 
DILIGÊNCIAS NA BUSCA DE BENS PENHORÁVEIS. 
DESNECESSIDADE. 1. Não há falar em nulidade do título 
executivo, porquanto presentes os requisitos legais e indicada a 
legislação pertinente a cada acréscimo. Ademais, a dívida ativa 
regularmente inscrita é dotada de presunção juris tantum de 
certeza e liquidez, só podendo ser afastada por prova 
inequívoca. (...) 
(TRF4, AC 0005805-96.2016.404.9999, SEGUNDA TURMA, 
Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, D.E. 12/07/2016) 
 
EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. FGTS. 
REDIRECIONAMENTO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. 
CDA. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. PAGAMENTO 
DIRETO AOS EMPREGADOS. ACORDO 
TRABALHISTA. MULTA. CONFISCO NÃO 
CARACTERIZADO. ENCARGO LEGAL. 1. A dissolução 
irregular, no entender da jurisprudência desta Corte e do 
Superior Tribunal de Justiça, é fundamento bastante para atrair a 
 106 
 
responsabilidade dos sócios pelas obrigações remanescentes da 
empresa executada. 2. Não há falar em iliquidez da CDA, 
porquanto presentes os requisitos legais e indicada a legislação 
pertinente a cada acréscimo. Ademais, a dívida ativa 
regularmente inscrita é dotada de presunção juris tantum de 
certeza e liquidez, só podendo ser afastada por prova 
inequívoca. 3. O pagamento do FGTS feito diretamente aos 
empregados, quando da rescisão do contrato de trabalho ou no 
contexto de reclamatória trabalhista, é medida que vem sendo 
admitida na jurisprudência para o efeito de eximir a empresa do 
dever de efetuar novamente o pagamento do principal. No caso, 
porém, tal pagamento não restou devidamente comprovado nos 
autos. 4. A multa é devida em razão do descumprimento da 
obrigação de realizar os depósitos de FGTS, nos estritos 
percentuais da lei de regência. Não se realiza a hipótese de 
confisco quando aplicado o índice de 10%. Precedente do STF 
no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não 
configuram confisco (ADI nº 551 - voto do Ministro Marco 
Aurélio). 5. Nas execuções fiscais promovidas pelo FGTS incide 
o encargo legal no percentual de 10% sobre o valor do débito 
em cobrança, previsto no artigo 2º, § 4º, da Lei n.º 8.844/94, na 
redação dada pela Lei n.º 9.964/00, e destina-se a cobrir todas as 
despesas, inclusive honorários advocatícios, com a cobrança 
judicial da dívida ativa. Logo, não há falar em ilegalidade. 
(TRF4, AC 0007398-63.2016.404.9999, SEGUNDA TURMA, 
Relator CLÁUDIA MARIA DADICO, D.E. 15/07/2016) 
 
Presunção de liquidez e certeza. Ônus da prova do 
executado. 
 
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ICMS. EMBARGOS 
À EXECUÇÃO FISCAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E DE 
LIQUIDEZ DA CDA. DESCONSTITUIÇÃO. 
POSSIBILIDADE. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CRÉDITO 
FÍSICO. PROVA PERICIAL. RECURSO ESPECIAL QUE 
NÃO APONTA VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO DO 
CONVÊNIO INTERESTADUAL ICMS 66/1988. LC 87/1996 
NÃO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS. SÚMULA 284/STF. 
INTERPRETAÇÃO DE LEI ESTADUAL. 
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 280/STF. 1. Cuida-se, na 
 107 
 
origem, de Embargos à Execução Fiscal que buscam 
desconstituir certidão de dívida ativa para cobrança de ICMS 
lançado por suposto creditamento indevido na aquisição de 
insumos. 2. A presunção de certeza e de liquidez da CDA não é 
absoluta e pode ser afastada nos Embargos à Execução Fiscal 
cujo ônus da prova compete ao executado. Precedentes do STJ. 
3. Os fatos geradores em questão são anteriores à entrada em 
vigor da LC 87/1996 e se referem aos anos de 1992 a 1996. 
Aplicam-se ao caso as disposições do Convênio Interestadual 
ICMS 66/1988, as quais serviram de fundamento para o acórdão 
recorrido. 4. No presente caso, não há como superar a preliminar 
suscitada pela parte recorrida, no sentido de que o Recurso 
Especial do Estado do Rio de Janeiro em momento algum faz 
referência a violação de dispositivo do Convênio ICMS 
66/1988, mas se limita a invocar normas da Constituição 
Federal, da Lei Estadual 2.657/1996 e da LC 87/1996, que, 
repita-se, não se encontrava em vigor à época dos fatos. (...) 8. 
Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não 
provido. 
(REsp 1425740/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 22/09/2015, DJe 03/02/2016) 
 
PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. TAXA. CDA. 
CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 
535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. 
SÚMULA 211 DO STJ. (...) 3. O TRF foi enfático em aduzir 
que o INSS consta na certidão de dívida ativa como proprietário 
do imóvel, portanto o recorrente deve fazer prova suficiente para 
ilidir a presunção de liquidez e certeza de que goza a CDA. 4. 
Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não 
provido. 
(REsp 1586235/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2016, DJe 25/05/2016) 
 
Presunção de liquidez e certeza. Ônus da prova do 
executado ou de terceiro a quem aproveite. 
 
ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. INMETRO. 
LEI Nº 9.933/99. PORTARIA. LEGALIDADE. MULTA. 
MEDIÇÃO COM ERROS DE PESAGEM. PREJUÍZO AO 
 108 
 
CONSUMIDOR. - Não havendo qualquer irregularidade no 
procedimento administrativo, porquanto demonstrado que não 
houve afronta ao princípio do devido processo legal, já que as 
decisões administrativas foram fundamentadas e as penalidades 
impostas respaldadas por lei (art. 8º da Lei 9.933/99), não há que 
se falar em afastamento da multa imposta. - A Dívida Ativa 
regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez 
(art. 3º da Lei nº 6.830/80), sendo que a referida presunção é 
relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do 
executado ou de terceiro, a quem aproveite (parágrafo único do 
art. 3º da Lei nº 6.830/80). Ocorre, in casu, que a empresa 
executada não produziu qualquer prova de suas alegações. Aqui 
cumpre referir que as CDAs que deram origem à execução 
possuem todos os requisitos previstos em lei (artigo 2º, § 5º, da 
Lei nº 6.830/80). 
(TRF4, AC 0006416-49.2016.404.9999, TERCEIRA TURMA, 
Relator RICARDO TEIXEIRA DO VALLE PEREIRA, D.E. 
20/07/2016) 
 
Presunção de liquidez e certeza. Juntada processo 
administrativo. Ônus da prova do executado. 
 
TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. 
INDEFERIMENTO DA PERÍCIA. CERCEAMENTO DE 
DEFESA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. 
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PROCESSO 
ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO DE CÓPIAS. 
ÔNUS DO EMBARGANTE. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E 
DE LIQUIDEZ DA CDA. (...) 2. A Certidão de Dívida Ativa 
goza de presunção de certeza e liquidez, cujo ônus de ilidi-la é 
do contribuinte, cabendo a ele, ainda, a juntada do processo 
administrativo, caso imprescindível à solução da controvérsia. 3. 
"A despeito da possibilidade de o magistrado determinar a 
exibição de documentos em poder das partes, bem como a 
requisição de processos administrativosàs repartições públicas, 
nos termos dos arts. 355 e 399, II, do CPC, não é possível instar 
a Fazenda Pública a fazer prova contra sí mesma, eis que a 
hipótese dos autos trata de execução fiscal na qual há a 
presunção de certeza e liquidez da CDA a ser ilidida por prova a 
cargo do devedor." (REsp 1.239.257/PR, Rel. Ministro 
 109 
 
MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, 
julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011.) Agravo regimental 
improvido. 
(AgRg no REsp 1523774/RS, Rel. Ministro HUMBERTO 
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/06/2015, DJe 
26/06/2015) 
 
Presunção de liquidez e certeza. Nome do sócio constando na 
CDA. Ônus da prova do executado em demonstrar que não 
ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no 
art. 135 do CTN. 
 
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO 
REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 
EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO DA DÍVIDA 
EXECUTADA. NOME DO SÓCIO CONSTANTE NA CDA. 
PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. TEMA 
SUBMETIDO À SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC 
(RESP 1.104.900/ES). FUNDAMENTO DA CORTE DE 
ORIGEM INATACADO, NAS RAZÕES DO RECURSO 
ESPECIAL. SÚMULA 283 DO STF. INOVAÇÃO 
RECURSAL, EM SEDE DE AGRAVO REGIMENTAL. 
IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL 
IMPROVIDO. I. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do 
Recurso Especial 1.104.900/ES (Rel. Ministra DENISE 
ARRUDA, DJe 01/04/2009), proclamou o entendimento de que, 
"se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas 
o nome do sócio consta da CDA, a ele incumbe o ônus da prova 
de que não ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias 
previstas no art. 135 do CTN, ou seja, não houve a prática de 
atos 'com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social 
ou estatutos". II. O fundamento adotado pela Corte de origem 
para negar provimento ao Agravo legal, interposto pelo ora 
agravante - no sentido de que não poderia se manifestar sobre os 
argumentos relativos à falência da empresa executada e à 
necessidade de penhora no rosto dos autos, no Juízo Falimentar, 
na medida em que a análise de tais alegações importaria em 
supressão de instância -, não foi objeto de ataque, no Recurso 
Especial, devendo incidir, nesse ponto, o óbice da Súmula 
283/STF. III. Descabe a esta Corte emitir juízo de valor, em 
 110 
 
Agravo Regimental, sobre tese que não foi objeto do Recurso 
Especial, por se tratar de inovação recursal, vedada, em razão da 
preclusão consumativa. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 
1.493.605/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL 
MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 15/12/2014; AgRg 
nos EDcl no AREsp 573.892/AL, Rel. Ministro HUMBERTO 
MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 12/12/2014. IV. 
Agravo Regimental improvido. 
(AgRg no AREsp 65.920/PB, Rel. Ministra ASSUSETE 
MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2016, 
DJe 17/03/2016) 
 
Presunção de liquidez e certeza. Ônus da prova do 
executado. Impossibilidade de reexame probatório no STJ 
(Súmula 7). 
 
TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE 
VIOLAÇÃO DOS ARTS. 165, 458 E 535 DO CPC. 
EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS DO DEVEDOR. 
CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. PRESUNÇÃO DE 
CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA DO 
CONTRIBUINTE. REEXAME DE FATOS E PROVAS. 
IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 
AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA 
DA SÚMULA 211/STJ. (...) 2. Nos termos da jurisprudência 
pacífica do STJ, a Certidão de Dívida Ativa goza de presunção 
de certeza e liquidez, cujo ônus de ilidi-la é do contribuinte, 
cabendo a ele, ainda, a juntada dos documentos imprescindível à 
solução da controvérsia. 3. A aferição dos requisitos essenciais à 
validade da CDA demanda, em regra, reexame do conjunto 
fático-probatório dos autos, o que é inviável em Recurso 
Especial ante o óbice da Súmula 7/STJ. (...) Agravo regimental 
improvido. 
(AgRg no REsp 1565825/RS, Rel. Ministro HUMBERTO 
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/12/2015, DJe 
10/02/2016) 
 
TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM 
RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. 
NULIDADE. REEXAME PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. 1. 
 111 
 
É assente o entendimento de que a inscrição da dívida ativa gera 
a presunção de liquidez e certeza desde que contenha todas as 
exigências legais, inclusive a indicação da natureza da dívida, 
sua fundamentação legal, bem como a forma de cálculo de juros 
e de correção monetária. 2. Na hipótese, tendo o Tribunal de 
origem aferido que a CDA apresentou os elementos legais aptos 
a lhe tornar líquida, certa e exigível, infirmar tais conclusões, 
sobretudo acerca da destinação dos produtos adquiridos pela 
recorrente, se destinados à doação ou à venda, demandaria a 
incursão na seara fático-probatória dos autos, tarefa essa 
soberana às instâncias ordinárias, o que impede o reexame na 
via especial, ante o óbice da Súmula 7 deste Tribunal. 3. Agravo 
regimental a que se nega provimento. 
(AgRg no AREsp 646.902/ES, Rel. Ministro OG FERNANDES, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 03/06/2015) 
 
Inversão do ônus probatório. Inaplicabilidade. 
 
EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA 
TRABALHISTA. ÔNUS PROBATÓRIO. PROVA 
INEQUÍVOCA. DESCONSTITUIÇÃO DA CDA. ART. 41 DA 
CLT. PRAZO PARA REGISTRO. INTERPRETAÇÃO 
SISTEMÁTICA. DUPLA JORNADA: INVIABILIDADE. 1. In 
casu, não há que se falar em inversão do ônus da prova, tendo 
em vista que a empresa autuada logrou êxito em produzir prova 
inequívoca capaz de ilidir a presunção de certeza e liquidez de 
que goza a Certidão de Dívida Ativa. (...). 4. Recurso de 
apelação e reexame necessário improvidos. 
(TRF4, AC 2000.04.01.124155-0, QUARTA TURMA, Relator 
JOEL ILAN PACIORNIK, DJ 29/01/2003) 
 
Fundamentação legal e dispositivo revogado. Extinção da 
execução. 
 
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS 
À EXECUÇÃO. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. 
FUNDAMENTO LEGAL. DISPOSITIVO REVOGADO. ART. 
23, CLT. NULIDADE. A certidão de dívida ativa é prova pré-
constituida que pode ser elidida por prova inequívoca a cargo do 
sujeito passivo. É nula a certidão exeqüenda cujo fundamento 
 112 
 
legal do débito é dispositivo expressamente revogado. Impõe-se 
o provimento dos embargos com declaração de extinção da 
execução sem exame de mérito. Remessa oficial improvida. 
(TRF4, REO 96.04.44476-0, TURMA DE FÉRIAS, Relatora 
MARGA INGE BARTH TESSLER, DJ 05/04/2000) 
 
Prova inequívoca apresentada. Infirmada a presunção de 
liquidez e certeza. Extinção da execução. 
 
CDA. PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA 
INEQUÍVOCA. - A mera leitura de documentos bancários 
dispensa a atuação de perito não requerido pela parte para 
demonstração de pagamento. - Infirmada a presunção de 
liquidez e certeza do título de maneira inequívoca, em parcela 
não destacável da dívida, não há como prosseguir a execução. - 
Verba honorária estabelecida em 10% do valor atualizado da 
execução. 
(TRF4, AC 2001.04.01.064367-2, PRIMEIRA TURMA, 
Relatora MARIA LÚCIA LUZ LEIRIA, DJ 19/11/2003) 
 
4. Temas Relacionados 
 
Não há temas relacionados. 
 
5. Referências bibliográficas 
 
ASSIS,Araken de. Manual de Execução. 11. ed. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2007. 
 
PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código 
Tributário Nacional à luz da doutrina e da jurisprudência. 15. ed. 
Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2013. 
 
PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, 
Ingrid Schroder. Direito Processual Tributário: processo 
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da 
 113 
 
jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do 
Advogado, 2012. 
 
PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2. ed. 
Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. 
 114 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMENTÁRIOS AO ART. 4°°°° 
 Paulo Caliendo* 
 
Art. 4º - A execução fiscal poderá ser promovida contra: 
I - o devedor; 
II - o fiador; 
III - o espólio; 
IV - a massa; 
V - o responsável, nos termos da lei, por dívidas, tributárias 
ou não, de pessoas físicas ou pessoas jurídicas de direito 
privado; e 
VI - os sucessores a qualquer título. 
§ 1º - Ressalvado o dispostono artigo 31, o síndico, o 
comissário, o liquidante, o inventariante e o administrador, 
nos casos de falência, concordata, liquidação, inventário, 
insolvência ou concurso de credores, se, antes de garantidos 
os créditos da Fazenda Pública, alienarem ou derem em 
 
* Professor Titular do PPGD da PUCRS. Doutor em Direito pela PUCSP. 
Coordenador do GTAX – Grupo de Pesquisas Avançadas em Direito 
Tributário da PUCRS. Advogado. 
 115 
 
garantia quaisquer dos bens administrados, respondem, 
solidariamente, pelo valor desses bens. 
§ 2º - À Dívida Ativa da Fazenda Pública, de qualquer 
natureza, aplicam-se as normas relativas à responsabilidade 
prevista na legislação tributária, civil e comercial. 
§ 3º - Os responsáveis, inclusive as pessoas indicadas no § 1º 
deste artigo, poderão nomear bens livres e desembaraçados 
do devedor, tantos quantos bastem para pagar a dívida. Os 
bens dos responsáveis ficarão, porém, sujeitos à execução, se 
os do devedor forem insuficientes à satisfação da dívida. 
§ 4º - Aplica-se à Dívida Ativa da Fazenda Pública de 
natureza não tributária o disposto nosartigos 186e188 a 192 
do Código Tributário Nacional. 
 
1. Evolução Legislativa e Remissões Legais 
 
O Decreto-Lei n° 960, de 17.12.1938, possuía regra 
específica quanto à legitimidade passiva na execução fiscal. 
Determinava, o art. 4º, a seguinte listagem de legitimados: 
Art. 4º. A ação poderá ser proposta contra: 
I – o devedor; 
II – os sucessores, herdeiros ou legatários, 
in solidum, dentro das forças da herança, ou 
do legado; 
III – a massa falida; 
IV – o fiador; 
V – o responsável, na forma da lei, por 
dívida da firma ou sociedade; 
VI – o sucessor no negócio, por dívida do 
antecessor, quando a ela obrigado; 
VII – os sócios do devedor, nas 
arrematações e vendas de bens havidos da 
 116 
 
Fazenda; 
VIII – o devedor do devedor, quando, no ato 
da penhora, confessar a dívida e assinar o 
auto; 
IX – o adquirente, quando a dívida gravar a 
coisa adquirida; 
X – o comprador ou possuidor de bens 
alienados em fraude de execução. 
O CTN, de 25.10.1966, definiu, de modo claro, os 
casos de responsabilidade por transferência, ou por substituição, 
nos seus arts. 130-135. 
O CPC, de 1973, unificou os processos de execução, 
comum e fiscal, sob um regime único. Neste diploma, haverá 
uma disposição mais sintética dos legitimados passivamente, 
passando o texto a dispor da seguinte forma: 
 
Art. 568. A execução atingirá: 
I - o devedor, reconhecido como tal, no 
título executivo; 
II - o espólio, os herdeiros, ou os sucessores 
do devedor; 
III - o novo devedor que assumiu, com o 
consentimento do credor, a obrigação 
resultante do título executivo; 
IV - o fiador judicial; 
V - o responsável tributário, assim definido 
na legislação própria. 
 
A LEF alterou aspectos importantes do regime único do 
CPC, de 1973, primeiro alargando a legitimidade passiva não 
somente para o fiador judicial, mas para qualquer fiador, 
incluindo-se ao caso aquele de natureza convencional. A LEF 
não manteve a redação do CPC, quanto ao devedor. Nesse 
diploma, enunciava expressamente que a execução atingiria 
 117 
 
“devedor, reconhecido como tal no título executivo” e manteve 
a redação, dirigindo-se tão simplesmente ao “devedor”. Tal 
alteração não provocará nenhuma mudança substancial, dado 
que a execução fiscal deve ser promovida contra o devedor 
constante na Certidão de Dívida Ativa (CDA). Uma das grandes 
polêmicas atuais é quanto à possibilidade do direcionamento da 
execução fiscal contra alguém, que não conste no título 
executivo. Cremos que não, mas a jurisprudência tem divergido 
sobre o tema. 
 
Remissões Legais: Sobre a responsabilidade tributária, vejam-
se os arts. 126-139, do CTN. Sobre a arguição de ilegitimidade 
passiva, vejam-se os art. 338 e 339, do NCPC. Sobre a 
capacidade processual, dispõe o art. 70, do NCPC, e sobre o 
devedor patrimonial, art. 790, do NCPC. 
 
2. Conceitos Principais 
 
A LEF enuncia todos os que possuem legitimidade 
passiva na execução fiscal. O texto enuncia tanto os legitimados 
originários quanto os que possuem legitimação passiva 
superveniente (responsáveis por sucessão), ou extraordinária 
(fiador, ou responsável por transferência). A legitimidade 
passiva originária dirige-se ao devedor que consta no título 
executivo desde o momento de sua formação. A legitimidade 
superveniente aplica-se aos casos em que houve transferência do 
débito, após a formação do título. Vejamos cada um dos casos: 
 118 
 
2.1. Devedor 
Considera-se devedor o contribuinte, ou o responsável 
pessoalmente pelo débito tributário, devidamente inscrito em 
CDA. O contribuinte é aquele que possui relação pessoal e 
direta com o fato gerador previsto em lei, ou seja, quem o 
praticou (art. 121, inc. I, do CTN). O responsável tributário 
também pode ser considerado devedor nos termos do art. 4o, inc. 
I, da LEF, nos casos em que a sua responsabilidade é pessoal. 
Assim, determina o art. 128, do CTN, as duas grandes espécies 
de responsabilidades: por substituição e por transferência (“Art. 
128:Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir 
de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a 
terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva 
obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou 
atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou 
parcial da referida obrigação”). 
O entendimento acima é razoável, dado que o art. 4o ao 
mencionar os responsáveis no § 3º, afirma que “os bens dos 
responsáveis ficarão, porém, sujeitos à execução, se os do 
devedor forem insuficientes à satisfação da dívida”. Note-se que 
esse dispositivo somente se dirige aos responsáveis por 
transferência e não aos responsáveis por substituição. O CTN 
esclarece que os contribuintes são excluídos do polo passivo, no 
caso de responsabilidade por substituição, não se cogitando em 
executar os bens do devedor, que não mais é parte na relação 
jurídico-tributária. Esse é o caso, por exemplo, da 
responsabilidade tributária, por substituição, nas retenções de 
 119 
 
Imposto de Renda1. O STJ, equivocadamente, em nosso 
entender, decidiu contra legem ao dispor que o contribuinte 
mantém a responsabilidade pelo tributo no caso de omissão da 
fonte de retenção, reincluindo a responsabilidade do 
contribuinte2. 
A transmissão da dívida, por ato inter vivos, a qualquer 
título transmite o direito material subjacente e altera o polo 
passivo da execução, que se dirigirá ao novo devedor, tal como 
no caso da assunção de dívida (art. 299, CC) e na novação 
subjetiva por substituição de devedor (art. 360, inc. II, CC). 
 
2.2. Fiadores, espólio e massa 
 
Fiadores 
 
A fiança pode ser legal, convencional, ou judicial. A 
fiança é uma espécie de garantia pessoal, ou fidejussória, em 
que uma pessoa garante satisfazer ao credor uma obrigação 
assumida pelo devedor, caso este não cumpra determinada 
obrigação, conforme o art. 818 do CC. A fiança judicial ocorre 
no curso do processo, e a convencional decorre de contrato de 
fiança. O CC consagra o benefício de ordem em seu art. 827, ou 
seja, determina que, primeiro, seja cobrado o devedor para, 
somente após, se excutirem os bens do fiador (“Art. 827: O 
fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir, 
 
1 STJ - AgRg no AREsp 230.161/RS. 
2 Resp 380.081 – SC; REsp n. 573052, REsp n. 644223 e REsp n. 424.225. 
 120 
 
até a contestação da lide, que sejam primeiro executados os bens 
do devedor”). 
O CC determina que o fiador que alegar o benefício de 
ordem, deve nomear bens do devedor, sitos no mesmo 
município, livres e desembargados, quantos bastem para solver 
o débito. Esse benefício não é absoluto e pode ser afastado se o 
fiador renunciou a ele expressamente (art. 794,§ 3o, do CPC: 
“O disposto no caput não se aplica se o fiador houver 
renunciado ao benefício de ordem”), se ele se obrigou como 
principal pagador ou devedor solidário, ou se o devedor for 
insolvente ou falido. A regra do benefício de ordem está prevista 
no CPC e se aplica, subsidiariamente, à LEF. 
Determina o art. 794, do CPC, que o “fiador, quando 
executado, tem o direito de exigir que primeiro sejam 
executados os bens do devedor situados na mesma comarca, 
livres e desembargados, indicando-os pormenorizadamente à 
penhora”. O direito de regresso do fiador está previsto no § 2o. 
do art. 794. Este determina que, o fiador que pagar a dívida, 
poderá executar o afiançado nos autos do mesmo processo. 
Poderá (o fiador) cobrar, nos mesmos autos da execução fiscal, 
o devedor principal? Cremos que sim. 
 
Espólio 
 
O espólio e os sucessores são responsáveis por sucessão 
dos débitos tributários. A morte acarreta tanto a transmissão de 
direitos quanto a das obrigações do falecido aos herdeiros e 
 121 
 
legatários. São, pessoalmente responsáveis, o sucessor a 
qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo 
de cujus, até à data da partilha, ou adjudicação, limitada, essa 
responsabilidade, ao montante do quinhão do legado ou da 
meação (art. 131, inc. II), e o espólio, pelos tributos devidos 
pelo de cujus, até à data da abertura da sucessão (art. 131, inc. 
III). O direito de saisine transfere os direitos do de cujus, mas 
igualmente as obrigações deste. Surge, então, o questionamento 
sobre a possibilidade de redirecionamento da execução fiscal 
para o espólio. Há grande discussão sobre a possibilidade de 
execução contra pessoa não expressamente mencionada na 
CDA. 
Deve-se diferenciar duas situações: se a morte precedeu 
ou não à execução. Se a morte precedeu à execução, não é 
possível redirecionar, com base na Súmula n° 392, do STJ, que 
determina: “A Fazenda Pública pode substituir a certidaõ de 
dívida ativa (CDA) até a prolaçaõ da sentença de embargos, 
quando se tratar de correçaõ de erro material ou formal, vedada 
a modificação do sujeito passivo da execuçaõ”. Esse 
entendimento deve ser analisado com cuidado, especialmente 
por ser muito difícil o conhecimento do Fisco, em relação à 
ocorrência da morte do contribuinte. Assim, por exemplo, se 
este estava em viagem ao Exterior, ou em local remoto. Nada 
justifica, contudo, que, se o Fisco tinha conhecimento ou 
condições de certificar-se, não agiu com diligência e ingressou, 
erroneamente, com a execução fiscal contra o falecido. 
 122 
 
O STJ decidiu que o espólio pode ingressar na 
execução fiscal, mesmo não constando na CDA, no caso de a 
morte ter ocorrido no curso da execução fiscal3. Tal 
possibilidade decorre, justamente, do direito de saisine. 
 
Massa 
 
O termo massa denomina a universalidade de bens que 
surge com a decretação da falência, da insolvência, ou 
liquidação. A massa possui legitimidade passiva e ativa ad 
causam, conforme preceitua o CPC, art. 12: “Serão 
representados em juízo, ativa e passivamente: (...) III – a massa 
falida, pelo sindico;”. 
O redirecionamento da execução fiscal, para a massa 
falida, tem semelhança com o redirecionamento para o espólio, 
mas são casos distintos. Tal como no caso do espólio, duas 
situações podem surgir perante um marco temporal definido. 
Nesse caso, trata-se do ajuizamento da execução fiscal, antes ou 
depois da decretação da falência. Se a empresa já teve a falência 
decretada, a execução deveria ter sido proposta contra a massa 
falida, e não mais contra a empresa, na pessoa do administrador 
da massa. 
O STJ tem decidido que, nesse caso, não se trata de 
erro material a ensejar a extinção do processo sem julgamento 
do mérito. Este é o caso de mera irregularidade, sanável durante 
o processamento do feito, não se configurando substituição do 
 
3 REsp 1.222.561/RS. 
 123 
 
polo passivo, ou redirecionamento da execução, estando 
afastada a aplicação da Súmula n° 392, do STJ4. 
Cabe diferenciar a legitimidade ad causam, da massa 
falida, da representação processual, ou seja, legitimidade ad 
processum que deve ser assumida pelo administrador judicial. 
Conforme determina o art. 22, III, c, da Lei n° 11.101/09, “Art. 
22:Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz 
e do Comitê, além de outros deveres que esta Lei lhe impõe: 
(…) III – na falência: (…) c) relacionar os processos e assumir a 
representação judicial da massa falida;”. 
Note-se que se trata de solução distinta daquela prevista 
no caso do espólio. Esse entendimento restou consagrado no 
julgamento do Recurso Especial, em sede de repetitivos5. 
 
2.3. Responsabilidade do adquirente e os tributos com natureza 
propter rem. 
 
O problema da legitimidade ad causam surge no caso 
dos tributos com natureza propter rem, tal como no caso do 
IPTU. Digamos que o imóvel tenha sido alienado antes do 
ajuizamento da execução fiscal. Nesse caso, haverá o 
redirecionamento para o novo proprietário? O STJ tem 
entendido que não: somente será possível a alteração do polo 
passivo quando a alienação ocorrer após execução fiscal6. Cabe 
 
4 RESP 1.359.273/SE. 
5 REsp 1.372.243-SE. 
6 REsp 705.793/SP. 
 124 
 
ressaltar que, em nosso sistema, a transferência da propriedade 
somente ocorre com a transcrição da alienação no Cartório de 
Registro de Imóveis7. 
Nos casos de alienação após o ajuizamento da execução 
fiscal, é possível redirecionamento para o novo proprietário, 
mantendo-se a penhora sobre o bem alienado, por força do art. 
130 do CTN, que determina: “Os créditos tributários relativos a 
impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domı ́nio útil ou 
a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela 
prestaçaõ de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições 
de melhoria, subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, 
salvo quando conste do tı ́tulo a prova de sua quitaçaõ”. 
 
2.4. Responsável Tributário 
 
Para o CTN, o sujeito passivo da obrigação tributária é 
o contribuinte, por força do art. 121 do CTN, que determina: 
“Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa 
obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária”. O 
contribuinte é aquele que possui relação pessoal e direta com a 
situação que constitua o respectivo fato gerador e será 
denominado de responsável em decorrência de disposição legal. 
Um dos casos especiais de responsabilidade tributária 
está determinado no art. 135, do CTN, que estabelece a 
responsabilidade de terceiros, especialmente dos sócios. 
Determina o dispositivo que: “Art. 135. São pessoalmente 
 
7 AgRg no REsp 1.125.171/SP. 
 125 
 
responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações 
tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes 
ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os 
diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de 
direito privado.” 
A dissolução irregular, por sua vez, está prevista como 
uma das causas da responsabilidade dos sócios, por força do art. 
134, do CTN, que assim determina: “Art. 134. Nos casos de 
impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação 
principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este 
nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem 
responsáveis: (...) VII - os sócios, no caso de liquidação de 
sociedade de pessoas”. 
A responsabilidade solidária dos sócios aparece, 
igualmente, na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 
2006, que institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da 
Empresa de Pequeno Porte, determinando, no art. 9º, que: “(...) § 
5⁰ - A solicitação de baixa na hipótese prevista no § 3o. deste 
artigo importa responsabilidadesolidária dos titulares, dos 
sócios e dos administradores do período de ocorrência dos 
respectivos fatos geradores”. 
No caso de dívidas previdenciárias, foi revogado o art. 
13 da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993, pela Lei nº 11.941, 
de 2009, que determinava: 
O titular da firma individual e os sócios das 
empresas por cotas de responsabilidade 
limitada respondem solidariamente, com 
seus bens pessoais, pelos débitos junto à 
 126 
 
Seguridade Social. Parágrafo único. Os 
acionistas controladores, os 
administradores, os gerentes e os diretores 
respondem solidariamente e 
subsidiariamente, com seus bens pessoais, 
quanto ao inadimplemento das obrigações 
para com a Seguridade Social, por dolo ou 
culpa. 
 
O STJ, por sua vez, firmou entendimento de que a 
aplicação do art. 135, do CTN, deve ser feita de forma restritiva, 
tão somente aos casos de responsabilidade pessoal dos sócios na 
violação de lei comercial, estatuto, contrato social, ou na 
dissolução irregular. 
Quanto à dissolução irregular, entende o STJ que a 
existência de indícios do encerramento irregular das atividades 
da empresa executada autoriza o redirecionamento do feito. 
Para o STJ, no curso de execução fiscal é permitido o 
redirecionamento para o patrimônio do sócio-gerente da 
empresa. Quando a empresa não for encontrada no endereço 
constante no contrato social, arquivado na junta comercial, sem 
comunicar onde está operando, será considerada 
presumidamente desativada, ou irregularmente extinta. Entende 
o STJ, contudo, que o simples inadimplemento de obrigação 
tributária não configura infração à lei e automático 
redirecionamento da execução, bem como é necessário 
diferenciar as situações nas quais ocorre a dissolução da 
sociedade e quando há apenas inatividade, ou uma operação 
reduzida. 
 127 
 
Havendo a dissolução irregular, entretanto, opera-se a 
inversão do ônus da prova, cabendo ao sócio-gerente provar não 
ter agido com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder8. Para o 
STJ a não localização da empresa executada no seu endereço 
constitui indício de dissolução irregular, autorizando o 
redirecionamento fiscal à pessoa do sócio-gerente9. 
O STJ pacificou o entendimento de que o mero 
inadimplemento do tributo não consiste em infração legal ou 
tributária a ensejar a responsabilização pessoal do débito do 
sócio. Somente nos casos em que o administrador agiu com 
infração à lei, ao contrato social, ou aos estatutos, ou com 
excesso de poderes, é que será possível o redirecionamento da 
execução. 
A jurisprudência tem se contentado com a existência de 
indícios para o redirecionamento da execução, tais como a 
ausência de bens para penhora, abandono do estabelecimento (o 
que não se confunde com a mera mudança de sede da pessoa 
jurídica) e cessação das atividades. 
 
Da dissolução irregular 
 
A paralisação das atividades da empresa, aliada ao fato 
da não quitação de seus débitos fiscais, tem o condão de atestar 
 
8 STJ, REsp 1.004.500/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ 
25/02/2008. 
9 STJ, EAREsp 947.618/MG, 1ª Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 
19/12/2007. 
 128 
 
a dissolução irregular e autorizar a desconsideração de sua 
personalidade jurídica. 
São indícios, de extinção irregular, o distrato sem 
conhecimento da junta comercial e a ausência de patrimônio 
para fazer face aos débitos pendentes10; despatrimonialização da 
empresa e aumento significativo do patrimônio dos sócios11, e a 
ausência de contas bancárias com saldo positivo em nome da 
pessoa jurídica12. Não se pode aceitar o redirecionamento 
mediante indícios ou evidências frágeis como certidões de 
oficiais de justiça, estabelecimento cerrado e outras 
circunstâncias inseguras quanto ao elemento subjetivo para 
caracterizar a possibilidade de presunção da dissolução 
irregular13. 
A possibilidade do redirecionamento da execução fiscal 
à pessoa do sócio relaciona-se à forma de demonstração da 
inatividade. São sinais de dissolução irregular: a baixa irregular 
que autoriza a responsabilidade solidária de seus sócios; a 
mudança de endereço constante no contrato social, sem 
comunicar onde está operando; a dissolução irregular 
(presumida) e o esvaziamento patrimonial com mudança de 
objeto social, de ramo de atividade, e após, a fiscalização 
procedida pela Receita Federal, ocorrida em 200414. 
 
 
10 TRF4 – AG - 2009.04.00.025934-5 e TRF3 AG 318015 e 151997. 
11 TRF3 - 2000.02.01.048678-8 RJ. 
12 TRF4 - AI 2009.04.00.017695-6. 
13 TRF4 – AI 2009.04.00.017695-6. 
14 TRF4 - AI - 2008.04.00.032879-0 SC. 
 129 
 
Da confusão patrimonial 
 
A jurisprudência identificou a situação de confusão 
patrimonial quando empresas familiares, de mesmos 
controladores, possuem identidade de quadro societário e 
evidente unidade gerencial. Tal situação se agrava quando os 
seus estabelecimentos estão sediados em endereços 
coincidentes, com mesmo telefone de contato15. Para a 
jurisprudência, a confusão patrimonial e a administração comum 
caracterizam empresa única16 . 
São indícios de confusão patrimonial as alterações 
contratuais, cessões de cotas e empréstimos, realizados entre os 
sócios, com as pessoas jurídicas e com terceiros, demonstrando 
existir muito mais do que um simples inadimplemento de 
tributos, impondo a solidariedade de diretores, gerentes ou 
representantes de pessoas jurídicas, de direito privado, pelo não 
recolhimento do tributo. 
Outros indícios citados na jurisprudência são: 
- a outorga de poderes amplos de gestão, administrativa 
e financeira, constando no instrumento do mandato, inclusive a 
prerrogativa de pagar impostos e de depositar e retirar quaisquer 
quantias junto a bancos17; 
 
15 TRF4 – AI 2008.04.00.043979-3 – SC e TRF3 AI 347682, TRF2 
2008.02.01.005491.7- RJ e TRF3 AI 363546. 
16 TRF4 - AI - 2008.04.00.032879-0 SC. 
17 TRF4 - AI - 2008.04.00.026970-0 RS. 
 130 
 
- manipulação de resultados financeiros, identidade dos 
nomes-fantasia dos administradores e a transferência de 
empregados denunciam confusão patrimonial18; 
- é indício de fraude a constituição da pessoa jurídica 
para substituir pessoa jurídica que se extinguiu, com o fim de 
fraudar credores19. 
 
Da desconsideração inversa 
 
A desconsideração inversa ocorre quando as dívidas do 
sócio são transferidas à sociedade, da qual o sócio detém 
absoluto controle, de tal modo que exista um uso instrumental 
da sociedade, para fugir às suas obrigações comerciais20. 
 
Da prática de delitos 
 
Há possibilidade de desconsideração da personalidade 
jurídica quando existir a prova de delitos, tal como a presença de 
um esquema de sonegação fiscal21.Se a pessoa jurídica serve 
como instrumento para a prática de delitos, como sonegação 
fiscal, entre outros, cabe a desconsideração da personalidade 
jurídica. Se existir a prática reiterada de infrações penais e 
tributárias, então será autorizada a desconsideração da 
personalidade jurídica. O mesmo ocorrerá se a pessoa jurídica 
 
18 TRF4 - AI - 2007.04.00.016643-7 PR. 
19 TRF4 - AG - 97.04.39581-7 SC. 
20 TRF3 MS 256802. 
21TRF3 AI– 314276 e ACR 22340. 
 131 
 
fizer uso de declarações falsas, interposição de empresas de 
fachadas, inclusive off-shores do Uruguai, utilizando-se de 
laranjas e testas-de-ferro, para sonegar impostos. Então será 
possível o redirecionamento22. 
Em virtude da radicalidade da medida, tem se 
entendido que a desconsideração da personalidade jurídica exige 
procedimento específico e as garantias constitucionais do devido 
processo legal, contraditório e ampla defesa. 
 
Da responsabilidade do Grupo Econômico 
 
Para a caracterização de Grupo Econômico, é 
necessário que as empresas realizem, conjuntamente, a situaçãoconfiguradora do fato jurídico tributário. Não basta o mero 
interesse econômico: deves ser apresentados um conjunto de 
beneficiários, fonte de riqueza comum, fluxo de riquezas da 
fonte oculta para os beneficiários e esquema oculto, vinculando 
os beneficiários e o fluxo de riqueza. 
O conceito de Grupo Econômico, usualmente utilizado, 
é o de empresas que possuem similitude de objetos sociais que 
visam a atingir uma finalidade comum, que possuem quadro 
societário semelhante, que tenham fluxo de riqueza entre si, que 
tenham beneficiários do êxito da operação em comum. 
A inteligência do Judiciário, nas diversas esferas, é pelo 
cuidado na caracterização do Grupo Econômico, havendo, 
 
22 AI - 2007.04.00.040939-5 – PR. 
 132 
 
inclusive, decisões estabelecendo requisitos rigorosos para a sua 
configuração. 
O STJ compreende que as empresas de um mesmo 
grupo econômico devem ter interesse comum e operação 
comercial em conluio, para que uma empresa seja 
responsabilizada por ato de outra. 
3. Jurisprudência relacionada 
 
PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 
INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS 
QUESTÕES RECURSAIS. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE 
RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM 
DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. 
RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E 
RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. 
FONTE PAGADORA. SÚMULA 83/STJ. 
1. Não há a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a 
prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão 
deduzida, como se depreende da análise do acórdão recorrido. 
Na verdade, a questão não foi decidida conforme objetivava a 
recorrente, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É 
sabido que o juiz não fica obrigado a manifestar-se sobre todas 
as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos 
indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus 
argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para 
fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. 
2. A jurisprudência desta Corte firmou entendimento no sentido 
de que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto de 
renda é a fonte pagadora, ainda que decorrentes de decisão 
judicial. 
Precedentes. AgRg no AREsp 212.526/RS, Rel. Min. MARCO 
BUZZI, QUARTA TURMA julgado em 25/2/2014; AgRg no 
REsp 1360966/RS, Rel. Min. 
SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 25/2/2014; 
AgRg no AREsp 89.511/RS, Rel. Min. PAULO DE TARSO 
SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 7/5/2013; 
AgRg no Ag 1.392.900/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL 
 133 
 
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 5/5/2011; REsp 
1.083.005/PB, Rel. Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, 
julgado em 18/11/2010; REsp 514.374/PR, Rel. Min. JOÃO 
OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 
1º/3/2007. Incidência da Súmula 83/STJ. 
Agravo regimental improvido. 
(AgRg no AREsp 230.161/RS, Rel. Ministro HUMBERTO 
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/10/2014, DJe 
30/10/2014) 
RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPORTÂNCIAS 
PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA 
TRABALHISTA. IMPOSTO DE RENDA. 
RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E 
RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. 
 A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda 
que importe em responsabilidade do retentor omisso, não exclui 
a obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a 
renda, de oferecê-la à tributação, por ocasião da declaração 
anual, como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na 
fonte. 
Em que pese ao erro da fonte não constituir fato impeditivo de 
que se exija a exação daquele que efetivamente obteve 
acréscimo patrimonial, não se pode chegar ao extremo de, ao 
afastar a responsabilidade daquela, permitir também a cobrança 
de multa deste. 
Recurso especial improvido. 
(REsp 644.223/SC, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 02/12/2004, DJ 25/04/2005, 
p. 311) 
 
PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL PROPOSTA 
CONTRA DEVEDOR JÁ FALECIDO. CARÊNCIA DE 
AÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. ALTERAÇÃO DO 
PÓLO PASSIVO DA EXECUÇÃO PARA CONSTAR O 
ESPÓLIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 392/STJ. 
1. O exercício do direito de ação pressupõe o preenchimento de 
determinadas condições, quais sejam: a) a possibilidade jurídica 
do pedido; b) o interesse de agir; e c) a legitimidade das partes. 
No caso em análise, não foi preenchido o requisito da 
legitimidade passiva, uma vez que a ação executiva foi ajuizada 
 134 
 
contra o devedor, quando deveria ter sido ajuizada em face do 
espólio. Dessa forma, não há que se falar em substituição da 
Certidão de Dívida Ativa, haja vista a carência de ação que 
implica a extinção do feito sem resolução do mérito, nos termos 
do art. 267, VI, do Código de Processo Civil. O 
redirecionamento pressupõe que o ajuizamento tenha sido feito 
corretamente. 
2. Mesmo quando já estabilizada a relação processual pela 
citação válida do devedor, o que não é o caso dos autos, a 
jurisprudência desta Corte entende que a alteração do título 
executivo para modificar o sujeito passivo da execução não 
encontrando amparo na Lei 6.830/80. Sobre o tema, foi editado 
recentemente o Enunciado n. 392/STJ, o qual dispõe que "A 
Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa 
(CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se tratar 
de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do 
sujeito passivo da execução". 
3. Naturalmente, sendo o espólio responsável tributário na forma 
do art. 131, III, do CTN, a demanda originalmente ajuizada 
contra o devedor com citação válida pode a ele ser redirecionada 
quando a morte ocorre no curso do processo de execução, o que 
não é o caso dos autos onde a morte precedeu a execução. 
4. Recurso especial não provido. 
(REsp 1222561/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL 
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2011, DJe 
25/05/2011) 
 
PROCESSUAL CIVIL, CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO 
ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. FALÊNCIA. INDICAÇÃO 
DO DEVEDOR SEM A MENÇÃO "MASSA FALIDA". 
VÍCIO SANÁVEL. 
1. A pessoa jurídica já dissolvida pela decretação da falência 
subsiste durante seu processo de liquidação, sendo extinta, 
apenas, depois de promovido o cancelamento de sua inscrição 
perante o ofício competente. Inteligência do art. 51 do Código 
Civil. 
2. O ajuizamento de execução fiscal sem a menção "massa 
falida" não importa erro quanto à identificação da pessoa 
jurídica devedora, mas, apenas, mera irregularidade que diz 
 135 
 
respeito à sua representação processual e que pode ser sanada 
durante o processamento do feito. 
3. Não é o caso de substituição da CDA, nem redirecionamento 
da execução fiscal, sendo, portanto, inaplicável a Súmula 
392/STJ. 
4. Recurso especial provido. 
(REsp 1359273/SE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA 
FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro BENEDITO GONÇALVES, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/04/2013, DJe 14/05/2013) 
 
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO 
ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 
ART. 543-C DO CPC. RESOLUÇÃO N. 8/2008 DO 
STJ.EXECUÇÃO FISCAL AJUIZADA CONTRA PESSOA 
JURÍDICA EMPRESARIAL.FALÊNCIA DECRETADA 
ANTES DA PROPOSITURA DA AÇÃO 
EXECUTIVA.CORREÇÃO DO POLO PASSIVO DA 
DEMANDA E DA CDA. POSSIBILIDADE, A TEOR DO 
DISPOSTO NOS ARTS. 284 DO CPC E 2º, § 8º, DA LEI N. 
6.830/80.HOMENAGEM AOS PRINCÍPIOS DA 
CELERIDADE E ECONOMIA 
PROCESSUAL.INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DA 
ORIENTAÇÃO FIXADA PELA SÚMULA 392 DO 
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 
1. Na forma dos precedentes deste Superior Tribunal de Justiça, 
"a mera decretação da quebra não implica extinção da 
personalidade jurídica do estabelecimento empresarial. 
Ademais, a massa falida tem exclusivamente personalidade 
judiciária, sucedendo a empresa em todos os seus direitos e 
obrigações. Em consequência, o ajuizamento contra a pessoa 
jurídica, nessas condições, constitui mera irregularidade, sanável 
nos termos do art. 284 do CPC e do art. 2º, § 8º, da Lei 
6.830/1980" (REsp 1.192.210/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, 
Segunda Turma, DJe 4/2/2011). 
2. De fato, por meio da ação falimentar, instaura-se processo 
judicial de concurso de credores, noqual será realizado o ativo e 
liquidado o passivo, para, após, confirmados os requisitos 
estabelecidos pela legislação, promover-se a dissolução da 
pessoa jurídica, com a extinção da respectiva personalidade. A 
massa falida, como se sabe, não detém personalidade jurídica, 
 136 
 
mas personalidade judiciária - isto é, atributo que permite a 
participação nos processos instaurados pela empresa, ou contra 
ela, no Poder Judiciário. Nesse sentido: REsp 1.359.041/SE, 
Rel. 
Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 18/6/2013, 
DJe 28/6/2013; e EDcl no REsp 1.359.259/SE, Rel. Ministro 
Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 
2/5/2013, DJe 7/5/2013. 
3. Desse modo, afigura-se equivocada a compreensão segundo a 
qual a retificação da identificação do polo processual - com o 
propósito de fazer constar a informação de que a parte executada 
se encontra em estado falimentar - implicaria modificação ou 
substituição do polo passivo da obrigação fiscal. 
4. Por outro lado, atentaria contra os princípios da celeridade e 
da economia processual a imediata extinção do feito, sem que se 
facultasse, previamente, à Fazenda Pública oportunidade para 
que procedesse às retificações necessárias na petição inicial e na 
CDA. 
5. Nesse sentido, é de se promover a correção da petição inicial, 
e,igualmente, da CDA, o que se encontra autorizado, a teor do 
disposto, respectivamente, nos arts. 284 do CPC e 2º, § 8º, da 
Lei n. 6.830/80. 
6. Por fim, cumpre pontuar que o entendimento ora consolidado 
por esta Primeira Seção não viola a orientação fixada pela 
Súmula 392 do Superior Tribunal Justiça, mas tão somente 
insere o equívoco ora debatido na extensão do que se pode 
compreender por "erro material ou formal", e não como 
"modificação do sujeito passivo da execução", expressões essas 
empregadas pelo referido precedente sumular. 
7. Recurso especial provido para, afastada, no caso concreto, a 
tese de ilegitimidade passiva ad causam, determinar o retorno 
dos autos ao Juízo de origem, a fim de que, facultada à 
exequente a oportunidade para emendar a inicial, com base no 
disposto no art. 
284 do CPC, dê prosseguimento ao feito como entender de 
direito. 
Acórdão submetido ao regime estatuído pelo art. 543-C do CPC 
e Resolução STJ 8/2008. 
 137 
 
(REsp 1372243/SE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA 
FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro OG FERNANDES, 
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/12/2013, DJe 21/03/2014) 
 
EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. ALIENAÇÃO DO IMÓVEL 
ANTERIOR AO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. 
REDIRECIONAMENTO DO FEITO EXECUTÓRIO 
CONTRA O ATUAL PROPRIETÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. 
CDA NULA. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM 
JULGAMENTO DO MÉRITO. 
I - A hipótese em questão diz respeito a execução fiscal relativa 
a dívida de IPTU e taxas, concernente aos exercícios de 1996 e 
1997, em que a Fazenda Pública Municipal requer a inclusão no 
pólo passivo de pessoa física que adquiriu imóvel da empresa 
executada no ano de 1995. 
II - A sentença a quo julgou extinto o processo, sem julgamento 
de mérito, com base no art. 267, inciso VI, do CPC, em razão da 
ilegitimidade passiva ad causam da executada, ora recorrida. 
III - É inviável a substituição do sujeito passivo no curso da lide, 
após a constatação da ilegitimidade passiva ad causam, 
ensejadora da extinção do processo sem exame do mérito, 
conforme inteligência do art. 267, inciso VI, do CPC. A 
substituição da Certidão de Dívida Ativa é permitida até o 
momento em que for proferida decisão de primeira instância, 
somente quando se tratar de erro formal ou material, e não em 
casos que impliquem alteração do próprio lançamento. 
Precedentes: AgRg no Ag nº 732.402/BA, Rel. Min. JOSÉ 
DELGADO, DJ de 22/05/06; REsp nº 829.455/BA, Rel. Min. 
CASTRO MEIRA, DJ de 07/08/06 e REsp nº 347.423/AC, Rel. 
Min. ELIANA CALMON, DJ de 05/08/02. 
IV - Recurso especial improvido. 
(REsp 705.793/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2007, DJe 07/08/2008) 
TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. 
LEGITIMIDADE PASSIVA DO PROMITENTE VENDEDOR. 
ART. 34 DO CTN. RECURSO REPETITIVO JULGADO. 
1. Entendimento desta Corte no sentido de que o promitente 
comprador é legitimado para figurar no polo passivo 
conjuntamente com o proprietário, qual seja, aquele que tem a 
propriedade registrada no Cartório de Registro de Imóveis, em 
 138 
 
demandas relativas à cobrança do IPTU. Precedente: REsp 
1.110.551/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira 
Seção, DJe 18.6.2009 - julgado mediante a sistemática prevista 
no art. 543-C do CPC e na Resolução STJ n.08/08, como 
representativo da controvérsia. 
2. Na espécie, não houve transcrição da alienação no Cartório de 
Registro de Imóveis competente, de forma que o promitente 
vendedor, proprietário do bem, também é legitimado para 
figurar no pólo passivo da execução fiscal. 
3. Agravo regimental não provido com aplicação de multa de 
1% (um por cento) sobre o valor corrigido da causa, na forma do 
art. 557, § 2º, do CPC. 
(AgRg no REsp 1125171/SP, Rel. Ministro MAURO 
CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 
04/05/2010, DJe 21/05/2010) 
TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. 
REDIRECIONAMENTO. SÓCIO-GERENTE DA EMPRESA. 
INAPLICABILIDADE DO VETO DA SÚMULA 7/STJ. 
DISSOLUÇÃO IRREGULAR PRESUMIDA. 
1. É assente nesta Corte que, se a empresa não for encontrada no 
endereço constante do contrato social arquivado na junta 
comercial, sem comunicar onde está operando, será considerada 
presumidamente desativada ou irregularmente extinta. 
2. O simples inadimplemento de obrigação tributária não 
configura infração à lei e automático redirecionamento da 
execução. 
3. Nos casos em que a sociedade é limitada para fins de 
responsabilização dos sócios, impõe-se discernir entre empresa 
que se dissolve irregularmente daquela que continua a operar. 
4. O ônus da prova inverte-se quando há dissolução irregular da 
empresa, cabendo ao sócio-gerente provar não ter agido com 
dolo, culpa, fraude ou excesso de poder. 
5. Recurso especial provido. 
(REsp 1004500/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 12/02/2008, DJ 25/02/2008, 
p. 1) 
 
4. Temas relacionados 
Não há temas relacionados. 
 139 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMENTÁRIOS AOS ARTS. 5°°°° A 7°°°° 
Eduardo Luís Kronbauer* 
 
Art. 5º - A competência para processar e julgar a execução 
da Dívida Ativa da Fazenda Pública exclui a de qualquer 
outro Juízo, inclusive o da falência, da concordata, da 
liquidação, da insolvência ou do inventário. 
 
1. Evolução Legislativa e Remissões Legais 
 
Conforme consta na Exposição de Motivos nº 223 
(Anteprojeto da Lei de Execuções Fiscais), item 40, a finalidade 
do art. 5º é de “preservar o princípio da preeminência do crédito 
da Fazenda Pública23”. Dessa forma, a cobrança do crédito 
 
* Mestrando em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande 
do Sul – PUC/RS. Pós-Graduado em Direito Tributário pela Pontifícia 
Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC/RS e Instituto de 
Estudos Tributários – IET/RS. Membro do Grupo Avançado de Estudos 
Tributários – GTAX. Associado Júnior do Instituto de Estudos Tributários 
– IET. Advogado. 
23 CÂMERA. Mirian Costa Rebollo. Execução Fiscal: Doutrina e 
Jurisprudência. Coordenação Vladmir Passos de Freitas. São Paulo: 
Saraiva, 1998. Art. 5º. p. 110-111. 
 140 
 
fazendário não está submetida a juízos universais como o 
instituto da Falência24. Ademais, a questão já é tratada no art. 
187 do Código Tributário Nacional, o qual dispõeque a cobrança 
do crédito tributário “não é sujeita a concurso de credores ou 
habilitação em falência, recuperação judicial, concordata, 
inventário ou arrolamento”. 
A Súmula nº 40 do extinto Tribunal Federal de 
Recursos assim referia: 
A execução fiscal da Fazenda Pública 
Federal será proposta perante o Juiz de 
Direito da comarca do domicílio do 
devedor, desde que não seja ela sede de 
Vara da Justiça Federal. 
 
Acerca da preferência do créditotributário, o art. 186 
do CTN também exclui os créditos inscritos na dívida ativa da 
Fazenda Pública do concurso de qualquer tipo de créditos25, 
ressalvados os “decorrentes da legislação do trabalho ou do 
acidente do trabalho”. 
Ao ajuizar a execução fiscal, a Fazenda deve levar em 
consideração o domicílio do contribuinte. Nos termos do art. 
127 do Código Tributário Nacional26, o domicílio do sujeito 
 
24 LOPES, Mauro Luís Rocha. Execução Fiscal e Ações Tributárias. Rio de 
Janeiro: Lumen Juris, 2003, p. 32. 
25 PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado, 2005, p. 68. 
26 “Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de 
domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como 
tal: 
I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta 
ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; 
II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o 
lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à 
obrigação, o de cada estabelecimento; 
 141 
 
passivo pode ser: i) o eleito pelo contribuinte ou pelo 
responsável; ii) quanto às pessoas naturais, a sua residência 
habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro 
habitual de sua atividade, iii) quanto às pessoas jurídicas de 
direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, 
em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de 
cada estabelecimento; ou, iv) quanto às pessoas jurídicas de 
direito público, qualquer de suas repartições no território da 
entidade tributante. 
A Lei nº 13.105/2015 (novo Código de Processo Civil) 
traz disposições expressas dispondo que, quando autores a 
União, os Estados ou o Distrito Federal, da mesma forma, a 
competência é a do domicílio do réu27. 
 
III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas 
repartições no território da entidade tributante. 
§ 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos 
incisos deste artigo, considerar-se-á como domicílio tributário do 
contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência 
dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. 
§ 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando 
impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, 
aplicando-se então a regra do parágrafo anterior.” 
27 Art. 46 (...) 
§ 5º A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua 
residência ou no lugar onde for encontrado. 
Art. 51. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja 
autora a União. 
Parágrafo único. Se a União for a demandada, a ação poderá ser proposta no 
foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a 
demanda, no de situação da coisa ou no Distrito Federal. 
Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja 
autor Estado ou o Distrito Federal. 
Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação 
poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato 
ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou na capital do 
respectivo ente federado. 
 142 
 
Com fulcro no art. no art. 109, § 3º da Constituição 
Federal, a Lei de Organização da Justiça Federal (Lei nº 
5.010/1966), em seu art. 15, I, previa que as execuções fiscais da 
União seriam processadas e julgadas pelos Juízes Estaduais nas 
comarcas em que não estivesse em funcionamento varas da 
Justiça Federal. Contudo, com a edição da Lei nº 13.043/2014, 
ficou revogado o dispositivo que previa a competência delegada 
da Justiça Estadual, e as execuções fiscais ajuizadas pela 
Fazenda Pública Federal devem ser propostas perante o juízo 
federal. 
Em relação às execuções fiscais em que forem parte a 
Previdência Social e seus beneficiários, a competência é o Juízo 
Federal de 1ª instância do foro do domicílio do segurado ou 
beneficiário. Entretanto, em não havendo, no local, vara da 
Justiça Federal, a execução fiscal será distribuída ao juízo 
estadual, conforme art. 109, §3º da Constituição Federal. 
 
2. Conceitos Principais 
 
Importante destacar que a Lei de Falências (Lei nº 
11.101/2005) não prevê mais o instituto da concordata, 
substituindo-o pela “recuperação judicial”, nos termos dos 
artigos 47 a 4928. 
 
28 PAULSEN, Leandro. ÁVILA, Rene Bergman. SLIWKA, Ingrid Schroder. 
Direito Processual Tributário: Processo administrativo fiscal e execução 
fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 4ª ed. Porto Alegre: Livraria do 
Advogado, 2007. 
 143 
 
Dívida Ativa da Fazenda Pública: Conforme definido 
por Aliomar Baleeiro, a dívida ativa tributária é a que “resulta 
de impostos, taxas, contribuições de melhoria e parafiscais, 
assim como das penalidades pecuniárias delas derivadas, desde 
que regularmente inscritas na forma do art. 202 [do CTN] e 
esgotado o prazo para pagamento nas repartições ou agentes 
desta(...)29”. 
O conceito de dívida ativa é definido, nestes termos, 
pelo art. 201 do CTN: 
Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a 
proveniente de crédito dessa natureza, 
regularmente inscrita na repartição 
administrativa competente, depois de 
esgotado o prazo fixado, para pagamento, 
pela lei ou por decisão final proferida em 
processo regular. 
 
Segundo Leandro Paulsen, o Termo de Inscrição em 
Dívida Ativa é o “documento que formaliza a inclusão da dívida 
do contribuinte no cadastro de Dívida Ativa, ou seja, o crédito 
tributário definitivamente constituído, mas que permanece em 
aberto, em face da ausência de pagamento pelo contribuinte, é 
inscrito em dívida ativa30”. 
 
3. Jurisprudência relacionada31 
 
29 BALLEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. 3ª ed. Rio de 
Janeiro: Forense, 1971 – p. 556. 
30 PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário. 3ª ed. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado, 2010 – p. 208-209. 
31 Informações retiradas da obra: FERNANDES, Odmir, e outros. Lei de 
execução fiscal comentada e anotada: Lei 6.830, de 22.09.1980:doutrina, 
prática, jurisprudência. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. 
 144 
 
 
Súmulas do STJ: 
Súmula 33: “A incompetência relativa não pode ser declarada de 
ofício”; 
Súmula 58: “Proposta a execução fiscal, a posterior mudança de 
domicílio do executado não desloca a competência já fixada”; 
Sumula 66: “Compete à Justiça Federal processar e julgar 
execução fiscal promovida por conselho de fiscalização 
profissional”. 
 
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL 
REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO 
CPC. EXECUÇÃO FISCAL. ART. 578, § ÚNICO DO CPC. 
MUDANÇA DE DOMICÍLIO ANTERIOR AO 
AJUIZAMENTO DA AÇÃO. FORO COMPETENTE. 
RESSALVA DO PONTO DE VISTA DO RELATOR. 
1. A competência para a propositura da execução fiscal 
subsume-se aos foros concorrentes explicitados no art. 578 do 
CPC, verbis: "Art. 578. A execução fiscal (art. 585, Vl) será 
proposta no foro do domicílio do réu; se não o tiver, no de sua 
residência ou no do lugar onde for encontrado. 
Parágrafo Único. Na execução fiscal, a Fazenda Pública poderá 
escolher o foro de qualquer um dos devedores, quando houver 
mais de um, ou o foro de qualquer dos domicílios do réu; a ação 
poderá ainda ser proposta no foro do lugar em que se praticou o 
ato ou ocorreu o fato que deu origem à dívida, embora nele não 
mais resida o réu, ou, ainda, no foro da situação dos bens, 
quando a dívida deles se originar." 2. Consectariamente, o 
devedor não tem assegurado o direito de ser executado no foro 
de seu domicílio, salvo se nenhuma das espécies do parágrafo 
único se verificar. (ERESP n.º 787.977/SE, PrimeiraSeção, DJ. 
25.02.2008). 
(Precedentes: REsp 1128139/MS, Rel. Ministra ELIANA 
CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 
09/10/2009; REsp 1062121/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 21/09/2009; 
 145 
 
REsp 905.943/MS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 26/02/2009; 
REsp 460.606/SE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA 
TURMA, DJ 23/05/2005; REsp 254.199/MS, Rel. Ministro 
FRANCIULLI NETTO, SEGUNDA TURMA, DJ 24/06/2002) 
3. A Súmula 58 do E. STJ não se aplica em data anterior à 
propositura da ação fiscal, oportunidade em que vige a regra do 
art. 578 do CPC. 
4. In casu, restou assentado no acórdão recorrido que, não 
obstante o domicílio atual da recorrida seja em Santa Cruz do 
Sul/RS, fora antes, à época do processo administrativo fiscal, o 
Município de São Félix do Xingu, no Estado do Pará, local em 
que situado o imóvel objeto da dívida tributária em tela, in 
verbis: "Ao que se vê, à época da discussão do crédito no PA 
10218.000248/2001-78, a agravada possuía domicílio em 
Belém/PA. 
Porém, antes do ajuizamento da EF, alterou seu domicílio para 
Santa Cruz do Sul-RS. 
4 - Os documentos apresentados pela agravante não são 
suficientes para comprovar que a executada tenha, atualmente, 
domicílio em Belém/PA. Ademais, consta na decisão agravada 
que o domicílio da executada no auto de infração (não 
apresentado neste agravo) é Santa Cruz do Sul/RS, nestes 
termos: “No caso em análise, a excipiente alega que tem 
domicílio no município de Santa Cruz do Sul/RS e que tal 
informação constou do auto de infração lavrado em face do não 
recolhimento do ITR incidente sobre a propriedade Fazenda 
Santa Cruz. 
Com efeito, conforme se verifica do referido documento juntado 
às fl. 07/14, há indicação de que o endereço do excipiente era o 
mesmo por ele informado na inicial desse incidente, isto é, Rua 
28 de Setembro, n. 1.808, Centro, Santa Cruz do Sul/RS, sendo 
que ali também consta outro endereço, este porém do imóvel 
tributado, localizado no município de São Félix do Xingu, neste 
Estado” (grifei). 
5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do 
art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. 
(REsp 1120276/PA, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA 
SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) 
 
 146 
 
PROCESSO CIVIL. COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. 
A execução fiscal proposta pela União e suas autarquias deve 
ser ajuizada perante o Juiz de Direito da comarca do domicílio 
do devedor, quando esta não for sede de vara da justiça federal. 
A decisão do Juiz Federal, que declina da competência quando a 
norma do art. 15, I, da Lei nº 5.010, de 1966 deixa de ser 
observada, não está sujeita ao enunciado da Súmula nº 33 do 
Superior Tribunal de Justiça. 
A norma legal visa facilitar tanto a defesa do devedor quanto o 
aparelhamento da execução, que assim não fica, via de regra, 
sujeita a cumprimento de atos por cartas precatórias. Recurso 
especial conhecido, mas desprovido. 
(REsp 1146194/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA 
FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro ARI PARGENDLER, 
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/08/2013, DJe 25/10/2013) 
 
A execução fiscal não está submetida ao juízo universal da 
falência, e o deferimento da recuperação judicial não tem 
força para suspender a execução fiscal, contudo, deferida a 
recuperação, os atos de constrição dos bens da empresa 
devedora devem ocorrer no juízo da recuperação judicial: 
 
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO 
CONFLITO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL E 
RECUPERAÇÃO JUDICIAL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO 
UNIVERSAL. EDIÇÃO DA LEI N. 13.043, DE 13.11.2014. 
PARCELAMENTO DE CRÉDITOS DE EMPRESA EM 
RECUPERAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA MANTIDA. 
1. O juízo onde se processa a recuperação judicial é o 
competente para julgar as causas em que estejam envolvidos 
interesses e bens da empresa recuperanda. 
2. O deferimento da recuperação judicial não suspende a 
execução fiscal, mas os atos de constrição ou de alienação 
devem-se submeter ao juízo universal. 
3. A edição da Lei n. 13.043, de 13.11.2014, por si, não implica 
modificação da jurisprudência desta Segunda Seção acerca da 
 147 
 
competência do juízo da recuperação para apreciar atos 
executórios contra o patrimônio da empresa. 
4. No caso concreto, o deferimento do processamento da 
recuperação e a aprovação do correspondente plano são 
anteriores à vigência da Lei n. 13.043/2014. 
5. Agravo regimental a que se nega provimento. 
(AgRg no CC 129.290/PE, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS 
FERREIRA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 
15/12/2015) 
 
AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO DE 
COMPETÊNCIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. EXECUÇÃO 
FISCAL. PRÁTICA DE ATOS QUE COMPROMETAM O 
PATRIMÔNIO DA EMPRESA RECUPERANDA. 
IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO JUÍZO 
UNIVERSAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 97 
DA CF E DE DESRESPEITO À SÚMULA VINCULANTE N. 
10/STF. DECISÃO MANTIDA. 
1. Inexiste ofensa à cláusula de reserva de plenário (art. 97 da 
CF) e desrespeito à Súmula Vinculante n. 10/STF na decisão 
que reconhece a competência do Juízo da recuperação judicial 
para o prosseguimento de execução fiscal movida contra a 
empresa recuperanda. Esta Corte Superior entende que não há 
declaração de inconstitucionalidade nesse caso, e sim 
interpretação sistemática dos dispositivos legais sobre a matéria. 
Precedentes. 
2. Apesar de a execução não se suspender em face do 
deferimento do pedido de recuperação judicial (art. 6º, § 7º, da 
Lei n. 11.105/2005, art. 187 do CTN e art. 29 da Lei n. 
6.830/1980), submetem-se ao crivo do juízo universal os atos de 
alienação voltados contra o patrimônio social das sociedades 
empresárias em recuperação, em homenagem ao princípio da 
preservação da empresa. 
3. No caso concreto, a edição da Lei n. 13.043/2014 - que 
acrescentou o art. 10-A à Lei n. 10.522/2002 e disciplinou o 
parcelamento de débitos de empresas em recuperação judicial - 
não descaracteriza o conflito de competência. 
4. Agravo regimental a que se nega provimento. 
 148 
 
(AgRg no CC 136.844/RS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS 
FERREIRA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 26/08/2015, DJe 
31/08/2015) 
 
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. 
CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. JUÍZO DE 
DIREITO E JUÍZO FEDERAL. FALÊNCIA. EXECUÇÃO 
FISCAL. NÃO CABIMENTO DE SUSPENSÃO. 
NECESSIDADE DE CONJUGAÇÃO DE REGRAS E 
PRINCÍPIOS. ATOS DE CONSTRIÇÃO JUDICIAL E 
ALIENAÇÃO DE ATIVOS APÓS A DECRETAÇÃO DA 
QUEBRA. NECESSIDADE DE ENVIO DOS VALORES 
AUFERIDOS PARA O JUÍZO UNIVERSAL. 
COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA FALÊNCIA PARA 
REALIZAÇÃO DE CONCURSO DE CREDORES E RATEIO 
DOS BENS ARRECADADOS ENTRE OS CREDORES. 
RECONHECIMENTO DE PREJUDICIALIDADE EXTERNA 
HOMOGÊNEA. NECESSIDADE DE SUSPENSÃO DO 
PROCESSO. ART. 265, IV, "A", DO CPC. 
1. Embora as execuções fiscais não se suspendam com o 
deferimento da falência, caso realizados atos de constrição 
judicial anteriormente à quebra, devem ser liquidados e, 
somente após auferidos, os valores deverão ser revertidos à 
massa falida para apuração da ordem legal de classificação 
creditícia. 
2. É possível a suspensão de um dos processos em consequência 
do reconhecimento da prejudicialidade externa homogênea, 
quando a procedência de uma das ações influenciar diretamente 
o resultado da outra, como no caso em que a procedência da 
ação rescisória afetará necessariamente a apuração do valor a ser 
destinado à massa falida pelo juízo da execução fiscal. 
3. Agravo regimental desprovido. 
(AgRg no CC 137.123/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE 
NORONHA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 28/10/2015, DJe 
03/11/2015) 
 
4. Temas Relacionados 
 
Falências e Recuperação Judicial 
 149 
 
O tema é tratado na Lei nº 11.101/05, a qual não prevê 
mais o instituto da concordata, mas, em seu lugar, a recuperação 
judicial, nos termos dos artigos 47 a 49. 
O art. 5º da LEF afasta a execução da dívida ativa da 
Fazenda de qualquer juízo universal ou coletivo, estendendo a 
norma disposta no art. 187 do CTN às execuçõesde créditos 
com natureza não tributária32. Todavia, nos casos em que tenha 
sido deferida a recuperação judicial, os atos de constrição ou 
expropriação dos bens do devedor devem ser realizados pelo 
juízo da recuperação, conforme o entendimento do STJ acima 
mencionado. 
 
5. Referências bibliográficas 
 
BALLEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. 3ª ed. Rio 
de Janeiro: Forense, 1971. 
 
CÂMERA. Mirian Costa Rebollo. Execução Fiscal:Doutrina e 
Jurisprudência. Coordenação Vladmir Passos de Freitas. São 
Paulo: Saraiva, 1998. 
 
FERNANDES, Odmir, e outros. Lei de execução fiscal 
comentada e anotada: Lei 6.830, de 22.09.1980: doutrina, 
prática, jurisprudência. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
2002. 
 
LOPES, Mauro Luís Rocha. Execução Fiscal e Ações 
Tributárias. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003. 
 
 
32 FERNANDES, Odmir, e outros. Lei de execução fiscal comentada e 
anotada: Lei 6.830, de 22.09.1980: doutrina, prática, jurisprudência. 4 ed. 
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, pp. 144/145. 
 150 
 
PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário. 3ª ed. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2010. 
 
PAULSEN, Leandro. ÁVILA, Rene Bergman. SLIWKA, Ingrid 
Schroder. Direito Processual Tributário: Processo 
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da 
jurisprudência. 4ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 
2014. 
 
PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2005 
 151 
 
Art. 6º - A petição inicial indicará apenas: 
I - o Juiz a quem é dirigida; 
II - o pedido; e 
III - o requerimento para a citação. 
§ 1º - A petição inicial será instruída com a Certidão da 
Dívida Ativa, que dela fará parte integrante, como se 
estivesse transcrita. 
§ 2º - A petição inicial e a Certidão de Dívida Ativa poderão 
constituir um único documento, preparado inclusive por 
processo eletrônico. 
§ 3º - A produção de provas pela Fazenda Pública independe 
de requerimento na petição inicial. 
§ 4º - O valor da causa será o da dívida constante da 
certidão, com os encargos legais. 
 
1. Evolução Legislativa e Remissões Legais 
 
A Lei de Execuções Fiscais foi uma das primeiras 
manifestações legislativas do direito positivo a tratar de 
procedimentos eletrônicos ou virtuais no âmbito judicial1. 
O art. 6º dispõe, de forma taxativa, em seus incisos, os 
requisitos formais exigidos ao ajuizamento da execução fiscal. 
Trata-se de uma exceção ao art. 319 do Código de Processo 
Civil (art. 282 do CPC de 1973), na medida em que a inicial é 
 
1 FERNANDES, Odmir, e outros. Lei de execução fiscal comentada e 
anotada: Lei 6.830, de 22.09.1980: doutrina, prática, jurisprudência. 4 ed. 
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, p. 161. 
 152 
 
simplificada, tendo como elementos indispensáveis apenas: o 
pedido, a menção ao juízo e o requerimento para a citação2. 
A justificação da presente norma, nos termos dos itens 
41 a 43, foi a de simplificar a norma disposta no art. 282 do 
CPC de 1973, “para atender a dinamização da cobrança, sem 
prejuízo da defesa, considerando-se também as vantagens 
decorrentes da utilização do processamento eletrônico na 
inscrição da Dívida Ativa (...). Noutro dizer, a petição inicial, 
como prevista no art. 6º da LEF, acolhe o princípio da economia 
processual, sem prejuízo do princípio do devido processo legal 
(...)”3. 
A Fazenda Pública Federal, nos termos do art. 53 da 
Lei n° 8.212/1991, além dos requisitos previstos no referido 
artigo da LEF, pode indicar bens de propriedade do devedor 
passíveis de penhora. A consequência disso é a 
indisponibilidade imediata dos bens4. 
Em virtude da aplicação subsidiária do CPC, nos 
termos dos artigos 327 e 7805, é admissível a cumulação de 
 
2 PAULSEN, Leandro. ÁVILA, Rene Bergman. SLIWKA, Ingrid Schroder. 
Direito Processual Tributário: Processo administrativo fiscal e execução 
fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 4ª ed. Porto Alegre: Livraria do 
Advogado, 2007, p. 255. 
3CÂMERA. Mirian Costa Rebollo. Execução Fiscal: Doutrina e 
Jurisprudência. Coordenação Vladmir Passos de Freitas. São Paulo: 
Saraiva, 1998. Art. 5º, p. 140-141. 
4LOPES, Mauro Luís Rocha. Execução Fiscal e Ações Tributárias. Rio de 
Janeiro: Lumen Juris, 2003 p. 34. 
5 “Art. 327. É lícita a cumulação, em um único processo, contra o mesmo 
réu, de vários pedidos, ainda que entre eles não haja conexão. 
§ 1o São requisitos de admissibilidade da cumulação que: 
I - os pedidos sejam compatíveis entre si; 
II - seja competente para conhecer deles o mesmo juízo; 
III - seja adequado para todos os pedidos o tipo de procedimento. 
 153 
 
pedidos em execução fiscal promovida contra o mesmo devedor, 
devendo estar a petição inicial instruída com as respectivas 
certidões referentes a cada débito. Contudo, para a cumulação, é 
indispensável que os créditos tenham relação e vínculo entre si. 
 
2. Conceitos Principais 
 
Certidão de Dívida Ativa: Nas palavras de James 
Marins “a autotutela da Administração tributária encerra-se com 
a formação do título executivo extrajudicial, que se procede 
através da inscrição do crédito tributário definitivamente 
lançado e não pago (...) corporificando a denominada Certidão 
de Dívida Ativa – CDA que aparelhará a execução fiscal”6.A 
CDA é requisito imprescindível à inicial executória. 
Produção de Provas: Quando se pensa em prova, a 
primeira percepção, de forma intuitiva, é a ideia de um elemento 
formal ou material que tenha a capacidade de demonstrar a 
 
§ 2o Quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de procedimento, 
será admitida a cumulação se o autor empregar o procedimento comum, 
sem prejuízo do emprego das técnicas processuais diferenciadas previstas 
nos procedimentos especiais a que se sujeitam um ou mais pedidos 
cumulados, que não forem incompatíveis com as disposições sobre o 
procedimento comum. 
§ 3o O inciso I do § 1o não se aplica às cumulações de pedidos de que trata o 
art. 326.” 
“Art. 780. O exequente pode cumular várias execuções, ainda que fundadas 
em títulos diferentes, quando o executado for o mesmo e desde que para 
todas elas seja competente o mesmo juízo e idêntico o procedimento.” 
6 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: 
Administrativo e Judicial.7ª ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 775. 
 154 
 
veracidade de alguma afirmação. A prova demanda a 
racionalização do processo de descoberta da verdade7. 
A prova, gramaticalmente, é definida como aquilo que 
demonstra que uma afirmação ou fato são verdadeiros. Pode ser 
relacionada, ainda, com questões relacionadas à evidência e à 
comprovação8. À Fazenda, conforme disposto no parágrafo, é 
permitida a produção de prova mesmo que não requerido na 
inicial. 
 
3. Jurisprudência relacionada 
 
Súmula 559 do STJ: “Em ações de execução fiscal, é 
desnecessária a instrução da petição inicial com o demonstrativo 
de cálculo do débito, por tratar-se de requisito não previsto no 
art. 6º da Lei n. 6.830/1980.” 
 
 
7“A ideia de prova evoca, naturalmente, e não apenas no processo, a 
racionalização da descoberta da verdade. Realmente, a definição clássica de 
prova liga-se diretamente àquilo ‘que atesta a veracidade ou a autenticidade 
de alguma coisa; demonstração evidente’. Tem-se (ou, tinha-se) essa ideia 
para a ampla maioria das ciências, e a ciência processual clássica não foge à 
regra. Também o juiz, na atividade cognitiva do processo, tradicionalmente 
visto como alguém que tem por função precípua a reconstrução dos fatos a 
ele narrados, aplicando sobre esses a regra jurídica abstrata contemplada 
pelo ordenamento positivo(...).(MARINONI, LuizGuilherme. 
ARENHARDT, Sérgio Cruz. MITIDIERO, Daniel. Curso de Processo 
Civil. Vol. 2 – Tutela dos direitos mediante procedimento comum. São 
Paulo: Revista dos Tribunais, 2015 – pp. 242/243. 
8 Definições de prova no Dicionário Houaiss: 
“1 aquilo que demonstra que uma afirmação ou um fato são verdadeiros; 
evidência, comprovação 
2 ato que dá uma demonstração cabal (de afeto, fidelidade etc.); 
manifestação, sinal (...) 
5 experiência científica; demonstração, experimento”. 
 155 
 
EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CDA. PRESUNÇÃO 
DE CERTEZA E LIQUIDEZ. EXTRAÇÃO ELETRÔNICA 
DA CDA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO TÍTULO 
EXECUTIVO. INCRA. TAXA SELIC. MULTA. 1. Consoante 
disposto no art. 3º da Lei nº 6.830/80, a dívida ativa 
regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez. A 
CDA que fundamenta o executivo fiscal preenche todos os 
requisitos exigidos no art. 2º. § 5º da LEF, sendo desnecessária a 
juntada do demonstrativo analítico do débito. 2. Consoante 
disposto no art. 2º, § 7º, da LEF, "o Termo de Inscrição e a 
Certidão de Dívida Ativa poderão ser preparados e numerados 
por processo manual, mecânico ou eletrônico." 3. O art. 6º, § 2º, 
da LEF estabelece que "a petição inicial e a Certidão de Dívida 
Ativa poderão constituir um único documento, preparado 
inclusive por processo eletrônico." 4. A contribuição ao INCRA 
enquadra-se na categoria de contribuição de intervenção no 
domínio econômico, pois o instituto atua para fiscalizar e 
promover a realização da função social da propriedade rural. 
Assim, não foi revogada pela lei de custeio da seguridade social. 
A jurisprudência da Primeira Seção desta Corte afasta o critério 
da referibilidade, entendendo que pode ser exigida inclusive de 
empresas urbanas. 5. Aplicabilidade da Taxa SELIC, a teor do 
disposto no artigo 13 da Lei nº 9.065/95. 6. A multa fixada em 
20% não se configura confiscatória, sendo admissível em face 
do art. 35 da lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 
11.941/91. 7. Apelação improvida. 
(AC 50054211520124047113, JOEL ILAN PACIORNIK, TRF4 
- PRIMEIRA TURMA, D.E. 04/03/2016.) 
 
PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. 
INEXISTÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. BENEFÍCIO 
PREVIDENCIÁRIO CONCEDIDO MEDIANTE SUPOSTA 
FRAUDE. NÃO INCLUSÃO NO CONCEITO DE DÍVIDA 
ATIVA NÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE CIVIL. 
NECESSIDADE DE AJUIZAMENTO DE AÇÃO PRÓPRIA. 
CDA. REQUISITOS. 
1. Entende-se pela aplicação do art. 557 do CPC, quando a 
quaestio juris já foi iterativamente ventilada na jurisprudência e 
guarda sintonia com o entendimento dominante desta Corte e do 
Supremo Tribunal Federal. 
 156 
 
2. Insurge-se o INSS contra acórdão que manteve extinta a 
execução fiscal fundada em Certidão de Dívida Ativa, para 
restituição de valores referentes a benefícios previdenciários 
concedidos mediante suposta fraude, por não se incluir no 
conceito de dívida ativa tributária. 
3. Conforme jurisprudência pacificada no STJ, não se inclui no 
conceito de dívida ativa não tributária, hábil a ensejar a 
execução fiscal, o valor supostamente devido à Fazenda Pública 
em decorrência de fraude na concessão de benefício 
previdenciário. 
Agravo regimental improvido. 
(AgRg no AREsp 225.034/BA, Rel. Ministro HUMBERTO 
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/02/2013, DJe 
19/02/2013) 
 
TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NECESSIDADE DE 
EXPRESSA MENÇÃO, NO MANDADO DE PENHORA, DO 
PRAZO PARA EMBARGOS. 
1. Cinge-se a controvérsia a saber se há necessidade de expressa 
menção do prazo legal e do termo inicial para interposição dos 
Embargos à Execução no mandado de intimação, sob pena de 
nulidade. 
2. A respeito do tema, a jurisprudência mais recente do Superior 
Tribunal de Justiça tem se orientado no sentido de que "no 
processo de execução fiscal, para que seja o devedor 
efetivamente intimado da penhora, é necessária a sua intimação 
pessoal, e deve constar, expressamente, como requisito no 
mandado, a advertência do prazo para o oferecimento dos 
embargos à execução" (...) 
3. Com efeito, é exatamente porque a intimação é feita na pessoa 
do empresário que o mandado deve registrar, expressamente, o 
prazo de defesa, de modo que o cidadão comum possa 
dimensionar o espaço temporal de que dispõe para constituir 
advogado com vistas à defesa técnica que lhe asseguram os 
princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa 4. 
Embargos de Divergência providos. 
(EREsp 1269069/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, 
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/04/2014, DJe 17/06/2014) 
 
 157 
 
PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL 
SUBMETIDO AO RITO DOS REPETITIVOS (ART. 543-C 
DO CPC). (...). EXIGÊNCIA DE INDICAÇÃO DO CPF/RG 
DO EXECUTADO NA PETIÇÃO INICIAL. 
DESNECESSIDADE. REQUISITOS NÃO PREVISTOS NA 
LEI Nº 6.830/80 (LEI DE EXECUÇÃO FISCAL). PREVISÃO 
EXISTENTE NA LEI Nº 11.419/06 (LEI DE 
INFORMATIZAÇÃO DO PROCESSO JUDICIAL). 
PREVALÊNCIA DA LEI ESPECIAL (LEI Nº 6.830/80). 
NOME E ENDEREÇO DO EXECUTADO SUFICIENTES À 
REALIZAÇÃO DO ATO CITATÓRIO. FIXAÇÃO DA TESE, 
EM REPETITIVO, DA DISPENSABILIDADE DA 
INDICAÇÃO DO CPF E/OU RG DO DEVEDOR (PESSOA 
FÍSICA) NAS AÇÕES DE EXECUÇÃO FISCAL. RECURSO 
DO FISCO PROVIDO. 
1. Conhece-se do especial apenas pelo autorizativo da letra "a", 
vez que a invocada divergência jurisprudencial não restou 
evidenciada. 
Não se presta o especial, ademais, para revisar alegado maltrato 
a regramento constitucional. 
2. O tribunal de origem prestou a jurisdição de forma completa, 
não se descortinando, por isso, a aventada ofensa ao art. 535 do 
CPC. 
3. Nas instâncias ordinárias, decidiu-se pelo indeferimento da 
petição inicial de ação de execução fiscal movida pelo 
município de Manaus-AM, sob o argumento da falta de 
indicação, pelo exequente, do número do CPF da pessoa física 
executada. 
4. Tal exigência, contudo, não se acha prevista na legislação 
especial que rege o procedimento executivo fiscal, a saber, a Lei 
nº 6.830/80, cujo art. 6º, ao elencar os requisitos da petição 
inicial, não prevê o fornecimento do CPF da parte executada, 
providência, diga-se, também não contemplada no art. 282, II, 
do CPC. 
5. A previsão de que a petição inicial de qualquer ação judicial 
contenha o CPF ou o CNPJ do réu encontra suporte, 
unicamente, no art. 15 da Lei nº 11.419/06, que disciplina a 
informatização dos processos judiciais, cuidando-se, nessa 
perspectiva, de norma de caráter geral. 
 158 
 
6. Portanto, e sem que se esteja a questionar a utilidade da 
indicação do CPF da pessoa física executada já na peça 
inaugural, certo é que não se pode cogitar de seu indeferimento 
com base em exigência não consignada na legislação específica 
(Lei nº 6.830/80-LEF), tanto mais quando o nome e endereço da 
parte executada, trazidos com a inicial, possibilitem, em tese, a 
efetivação do ato citatório. 
7. Em caso assemelhado, também decidido em sede de 
repetitivo, a 1ª Seção do STJ concluiu por afastar a exigência de 
que a exordial da execução se fizesse acompanhar, também, da 
planilha discriminativa de cálculos, isto porque "A petição 
inicial da execução fiscal apresenta seus requisitos essenciais 
próprios e especiais que não podem ser exacerbados a pretexto 
da aplicação do Código de Processo Civil, o qual, por conviver 
com a lex specialis, somente se aplica subsidiariamente" (REsp 
1.138.202/ES, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 01/02/2010). 
8. Outrossim, a existência de atos normativos do Conselho 
Nacional de Justiça (Resoluções 46/07 e 121/10) e de verbete do 
Tribunal local (Súmula 02/TJAM), prevendo a indicação do 
CPF/CNPJ dos litigantes já no pórtico das ações em geral, não 
se prestam, só por si, a legitimar o indeferimento da petição 
inicial em ações de execução fiscal, sem prejuízo da vinda 
desses dados cadastrais em momento posterior. 
9. Tese fixada para os fins do art. 543-C do CPC: "Em ações de 
execução fiscal, descabe indeferir a petição inicial sob o 
argumento da falta de indicação do CPF e/ou RG da parte 
executada (pessoa física), visto tratar-se de requisito não 
previstono art. 6º da Lei nº 6.830/80 (LEF), cujo diploma, por 
sua especialidade, ostenta primazia sobre a legislação de cunho 
geral, como ocorre frente à exigência contida no art. 15 da Lei nº 
11.419/06". 
10. Recurso especial do fisco municipal parcialmente conhecido 
e, nessa extensão, provido para, no caso concreto, determinar-se 
o regular prosseguimento da execução fiscal. 
(REsp 1450819/AM, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, 
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/11/2014, DJe 12/12/2014) 
 
 
 
 
 159 
 
4. Temas Relacionados 
 
Não há temas relacionados relevantes para o referido 
artigo. 
 
5. Referências bibliográficas 
 
BALLEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. 3ª ed. Rio 
de Janeiro: Forense, 1971. 
 
CÂMERA. Mirian Costa Rebollo. Execução Fiscal:Doutrina e 
Jurisprudência.Coordenação Vladmir Passos de Freitas. São 
Paulo: Saraiva, 1998. 
 
FERNANDES, Odmir, e outros. Lei de execução fiscal 
comentada e anotada: Lei 6.830, de 22.09.1980: doutrina, 
prática, jurisprudência. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
2002. 
 
LOPES, Mauro Luís Rocha. Execução Fiscal e Ações 
Tributárias. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003. 
 
MARINONI, Luiz Guilherme. ARENHARDT, Sérgio Cruz. 
MITIDIERO, Daniel. Curso de Processo Civil. Vol. 2:Tutela 
dos direitos mediante procedimento comum. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2015. 
 
MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: 
Administrativo e Judicial.7ª ed. São Paulo: Dialética, 2014. 
 
PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário. 3ª ed. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2010. 
 
 160 
 
PAULSEN, Leandro. ÁVILA, Rene Bergman. SLIWKA, Ingrid 
Schroder. Direito Processual Tributário: Processo 
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da 
jurisprudência.4ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014. 
 
PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2005. 
 161 
 
Art. 7º - O despacho do Juiz que deferir a inicial importa em 
ordem para: 
I - citação, pelas sucessivas modalidades previstas no artigo 
8º; 
II - penhora, se não for paga a dívida, nem garantida a 
execução, por meio de depósito, fiança ou seguro garantia; 
III - arresto, se o executado não tiver domicílio ou dele se 
ocultar; 
IV - registro da penhora ou do arresto, independentemente 
do pagamento de custas ou outras despesas, observado o 
disposto no artigo 14; e 
V - avaliação dos bens penhorados ou arrestados. 
 
1. Evolução Legislativa e Remissões Legais 
 
A justificativa do dispositivo, segundo Humberto 
Theodoro Junior, citado por Miriam Câmera1, é a busca por 
racionalidade no procedimento executivo, evitando, desta forma, 
sucessivos e desnecessários retornos dos autos ao juiz. Enfatiza-
se a desburocratização processual mediante o preceito do art. 7º. 
Porém, o despacho inicial não induz, imediatamente, à 
conclusão de que haja o julgamento de forma preliminar, mas o 
mero recebimento para que a petição inicial seja processada2. 
 
1 CÂMERA. Mirian Costa Rebollo. Execução Fiscal: Doutrina e 
Jurisprudência. Coordenação Vladmir Passos de Freitas. São Paulo: 
Saraiva, 1998. 
2 Idem, Ibidem. 
 162 
 
O despacho inicial, nos termos do art. 7º caput, é a 
sinalização de deferimento da petição inicial, que poderá ser 
expresso no despacho. Contudo, isto não indica, de plano, o 
deferimento. Destaca-se que o juiz pode decretar a inépcia da 
inicial posteriormente, em momento posterior à apresentação de 
embargos à execução. 
Por outro lado, caso entenda o juiz, pela incompletude 
da petição inicial, pode ele determinar que o exequente corrija, 
nos termos do art. 801 do Código de Processo Civil, aplicado de 
forma subsidiária. 
 
2. Conceitos Principais 
 
Citação: Ato que objetiva cientificar o devedor do 
processo de execução. Pode ser por correio, oficial de justiça, ou 
caso não encontrado o devedor, por edital. (ver art. 8º). 
Efetivada a citação, o prazo para pagamento é de cinco dias, ou, 
neste mesmo prazo, o devedor poderá oferecer garantia, 
requisito à apresentação dos embargos à execução. 
Arresto: O arresto aqui mencionado não se confunde 
com o previsto no art. 301 do CPC (tutela de urgência), 
lembrando que não existe mais previsão na legislação processual 
civil sobre a anteriormente conhecida medida cautelar de 
arresto. 
O arresto incide quando o executado que possui bens 
passiveis de restrição não possui domicilio certo. 
 163 
 
Penhora: É o ato de constrição de um bem de 
propriedade do devedor, que, a partir da formalização da 
penhora, não poderá mais realizar a transferência daqueles bens 
penhorados. Sobre a citação, penhora, arresto, registro da 
penhora ou do arresto e avaliação, assim explica José da Silva 
Pacheco: 
Mesmo que não diga, tem-se como dita, se 
houver primeiro despacho de recebimento 
da inicial, a ordem para a realização dos 
atos especificados. Trata-se de ordem para 
a prática desses atos, que requer: a) o 
cumprimento por parte das pessoas 
competentes; b) a prática ou realização 
efetiva do ato de conformidade com as 
normas legais; c) a comprovação de tal 
prática nos respectivos autos da execução 
fiscal. 
Assim, a citação pode ser feita por qualquer 
das modalidades previstas no art. 8º, a cujos 
comentários nos reportamos; a penhora ou 
arresto, de conformidade com os arts. 10 e 
11 desta lei; o registro da penhora ou 
arresto, consoante o disposto no art. 14, 
como veremos; a avaliação, conforme o art. 
13, que será comentado mais adiante3. 
Portanto, o despacho inicial, a princípio, deferindo a 
inicial, dá impulso à fase inicial do processo de execução, 
autorizando a realização da citação, da penhora ou arresto, da 
avaliação, dos registros do ato no órgão apropriado, e, ainda, 
normalmente, determina os honorários advocatícios no caso de 
apresentação de embargos. 
 
 
3 PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução Fiscal. 8 ed. 
São Paulo: Saraiva, 2001, p. 113. 
 164 
 
3. Jurisprudência relacionada 
 
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. 
PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. CITAÇÃO 
POR EDITAL. REQUISITOS. 
1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou o 
entendimento de que, em sede de execução fiscal, frustrada a 
localização do executado por oficial de justiça, estaria o credor 
autorizado a requerer a citação por edital, independentemente 
dos requisitos previstos no art. 231 do CPC. 
2. Agravo regimental a que se nega provimento. 
(AgRg no REsp 1180602/MG, Rel. Ministra DIVA MALERBI 
(DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), 
SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2016, DJe 05/05/2016) 
 
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO 
REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 
EXECUÇÃO FISCAL. INTIMAÇÃO DO ARRENDADOR 
PARA O PAGAMENTO DO IPVA. SUPRESSÃO DA 
NOTIFICAÇÃO, NOS MOLDES DO ART. 213 DO 
REGULAMENTO DE NORMAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 
DO ESTADO DE SANTA CATARINA. AFRONTA AOS 
PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO 
CONTRADITÓRIO. 
FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO, NAS RAZÕES DO 
RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 
283/STF. ALEGADA AFRONTA AOS ARTS. 145 E 204 DO 
CTN E 3º DA LEI 6.830/80. AUSÊNCIA DE 
PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 
ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE, DIANTE DO 
ACERVO PROBATÓRIO DOS AUTOS, CONCLUIU QUE O 
ENTE PÚBLICO PROCEDEU À INTIMAÇÃO DO 
ARRENDADOR, POR MEIO DE EDITAL, SEM A PRÉVIA 
COMPROVAÇÃO DA TENTATIVA DE NOTIFICAÇÃO 
PESSOAL OU POR CARTA REGISTRADA, COM AVISO 
DE RECEBIMENTO. ALEGAÇÃO DA REGULAR 
NOTIFICAÇÃO EDITALÍCIA. 
IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS. 
SÚMULA 7 DO STJ. 
 165 
 
AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 
I. Agravo Regimental, interposto em 09/03/2016, contra decisão 
publicada em 02/03/2016. 
II. No caso dos autos, a Corte de origem declarara a 
inexigibilidade do crédito tributário, em face do reconhecimento 
da ausência de notificação regular do arrendador, para fins de 
pagamento doIPVA devido pelo arrendatário, na forma do art. 
213 do Regulamento de Normas Gerais de Direito Tributário do 
Estado de Santa Catarina. 
III. Não merece prosperar o Recurso Especial, quando a peça 
recursal não refuta determinado fundamento do acórdão 
recorrido, suficiente para a sua manutenção, em face da 
incidência da Súmula 283 do STF ("é inadmissível o recurso 
extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de 
um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"). 
IV. No caso, a parte recorrente não impugnou a fundamentação 
do acórdão relativa à afronta aos princípios da ampla defesa e do 
contraditório, pela supressão da regular notificação do 
arrendador, para pagamento do IPVA, em virtude de o 
lançamento tributário, com o encaminhamento do carnê para 
pagamento, ser feito ao arrendatário. 
V. O acórdão recorrido, ao dirimir a controvérsia, não expendeu 
juízo de valor sobre os arts. 145 e 204 do CTN e 3º da Lei 
6.830/80, que tratam, respectivamente, da alteração do 
lançamento, após a notificação do sujeito passivo, e da 
presunção de certeza e liquidez da Certidão da Dívida Pública, 
invocados na petição do Recurso Especial. De fato, por simples 
cotejo das razões recursais e dos fundamentos do acórdão, 
percebe-se que a tese recursal, vinculada aos citados dispositivos 
legais, tidos como violados, não foi apreciada, no voto condutor, 
não tendo servido de fundamento à conclusão adotada pelo 
Tribunal de origem. 
VI. Nesse contexto, a pretensão recursal esbarra em vício formal 
intransponível, qual seja, da ausência de prequestionamento 
- requisito viabilizador da abertura desta instância especial -, 
atraindo o óbice da Súmula 282 do Supremo Tribunal 
Federal ("é inadmissível o recurso extraordinário, quando não 
ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada"), na 
espécie. 
 166 
 
VII. O entendimento da Corte Especial do Superior Tribunal de 
Justiça é firme quanto à imprescindibilidade da oposição de 
Embargos Declaratórios, para fins de prequestionamento da 
matéria, mesmo quando a questão federal surja no julgado 
recorrido (STJ, EREsp 99.796/SP, Rel. Ministro EDUARDO 
RIBEIRO, DJU de 04/10/1999), não tendo sido opostos 
declaratórios ao acórdão recorrido. 
VIII. No mais, considerando a fundamentação do acórdão 
objeto do Recurso Especial, no sentido de que o ente público 
não comprovou a intimação do arrendador, por meio de 
notificação pessoal ou carta registrada, com aviso de 
recebimento, antes de proceder à sua intimação, por meio de 
edital, na forma exigida pelo art. 213 do Regulamento de 
Normas Gerais de Direito Tributário do Estado de Santa 
Catarina, os argumentos utilizados pela parte recorrente - 
relativos à regular notificação do arrendador, por meio da 
citação por edital, e consequente afronta ao art. 333, II, do CPC, 
pelo fato de caber ao arrendador a prova acerca da ausência de 
sua intimação - somente poderiam ter sua procedência 
verificada mediante o necessário reexame de matéria fática, 
não cabendo a esta Corte, a fim de alcançar conclusão diversa, 
reavaliar o conjunto probatório dos autos, em conformidade com 
a Súmula 7/STJ. 
IX. Agravo Regimental improvido. 
(AgRg no AREsp 522.810/SC, Rel. Ministra ASSUSETE 
MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/04/2016, 
DJe 19/04/2016) 
 
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO 
REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 
EXECUÇÃO FISCAL. IPVA. CITAÇÃO POR EDITAL. 
CONDIÇÃO DE CABIMENTO. EXAURIMENTO DE 
TODOS OS MEIOS POSSÍVEIS À LOCALIZAÇÃO DO 
DEVEDOR. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO 
REPETITIVO. 
NULIDADE. REVISÃO. REEXAME DE PROVAS DOS 
AUTOS. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL 
IMPROVIDO. 
I. Não há falar, na hipótese, em violação ao art. 535 do 
CPC, porquanto a prestação jurisdicional foi dada na medida da 
 167 
 
pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do acórdão 
recorrido e do acórdão dos Embargos Declaratórios apreciaram 
fundamentadamente, de modo coerente e completo, as 
questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, 
contudo, solução jurídica diversa da pretendida. 
II. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no 
julgamento do Recurso Especial 1.103.050/BA, de relatoria 
do Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI (DJe de 
06/04/2009), sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou 
entendimento de que, nos termos do art. 8º da Lei 6.830/80, 
a citação por edital, na execução fiscal, somente é cabível 
quando esgotadas as outras modalidades de citação ali 
previstas: a citação por correio e a citação por Oficial de Justiça. 
III. No caso, o Tribunal de origem analisou o contexto 
fático-probatório dos autos e concluiu que não se teria 
demonstrado o esgotamento de todas as diligências para a 
localização do executado. Diante desse quadro, o acórdão 
recorrido somente poderia ser modificado mediante o reexame 
dos aspectos concretos da causa, o que é obstado, no âmbito 
do Recurso Especial, pela Súmula 7 desta Corte. Precedentes do 
STJ: AgRg no REsp 1.321.174/AM, Rel. Ministro CASTRO 
MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJe de 07/10/2013; AgRg 
no AREsp 255.057/SP, Rel. Ministro OLINDO MENEZES 
(Desembargador Convocado do TRF/1ª Região), PRIMEIRA 
TURMA, DJe de 08/10/2015; AgRg no REsp 1.416.022/MG, 
Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA 
TURMA, DJe de 26/08/2015. 
IV. Agravo Regimental improvido. 
(AgRg no AREsp 119.369/SC, Rel. Ministra ASSUSETE 
MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2016, 
DJe 17/03/2016) 
 
TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. 
ARRESTO VIA BACEN JUD. POSSIBILIDADE. MEDIDA 
CAUTELAR FISCAL. INDISPONIBILIDADE DE ATIVO 
FINANCEIRO. MEDIDA EXCEPCIONAL. VEDAÇÃO 
INEXISTENTE. REEXAME DE FATOS E PROVAS. 
INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 
1. O sistema BACEN JUD pode ser utilizado para efetivar não 
apenas a penhora on line, como também o arresto prévio nesse 
 168 
 
caso, chamado de arresto prévio on line, bastando para tanto que 
estejam presentes os requisitos inerentes a toda medida cautelar, 
quais sejam, o risco de dano e o perigo da demora. Precedentes. 
2. O art. 4º, § 1º, da Lei n. 8.397/02 que disciplina a medida 
cautelar fiscal, preparatória ou incidental põe a salvo do 
gravame da indisponibilidade os bens de pessoa jurídica que não 
integrem o seu ativo permanente. Todavia, em situações 
excepcionais, quando não forem localizados no patrimônio do 
devedor bens que possam garantir a execução fiscal, o STJ 
admite a decretação de indisponibilidade de bens de pessoa 
jurídica, ainda que estes não constituam o seu ativo permanente. 
3. Hipótese em que analisar se, no caso dos autos, é cabível a 
indisponibilidade de bens que não constituam o ativo 
permanente das pessoas jurídicas executadas, requer, 
necessariamente, o reexame de fatos e provas, o que é vedado ao 
STJ, em recurso especial, por esbarrar no óbice da Súmula 
7/STJ. 
Agravo regimental improvido. 
(AgRg no REsp 1536830/RS, Rel. Ministro HUMBERTO 
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 
01/09/2015) 
 
AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. 
TRIBUTÁRIO. CONCURSO DE CREDORES. 
INEXISTÊNCIA. PRETERIÇÃO DE CRÉDITO 
TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 186 DO CTN. NÃO 
OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DO 
ART. 
711 DO CPC. 
1. É pacífica a necessidade de pluralidade de penhoras sobre o 
mesmo bem para que seja instaurado o concurso de preferências, 
estendendo-se essa regra aos casos de arresto, para fins do art. 
711 do CPC, considerando que essa providência constritiva 
traduz medida protetiva de resguardo de bens suficientes para a 
garantia da execução, passível de posterior conversão em 
penhora, sendo, inclusive a ela equiparado pelo art. 11 da LEF. 
Precedentes. 
2. "A instauração do concurso de credores pressupõe pluralidade 
de penhoras sobre o mesmo bem. Assim, discute-se a 
preferência quando há execução fiscal e recaia a penhora sobre o 
 169 
 
mesmobem, excutido em outra demanda executiva" (REsp 
654.779/RS, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, DJ 
28/3/2005). 
Agravo regimental improvido. 
(AgRg no REsp 1360140/RS, Rel. Ministro HUMBERTO 
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/02/2015, DJe 
12/02/2015) 
 
4. Temas Relacionados 
 
Honorários Advocatícios 
 
Nos termos do art. 85 do Código de Processo Civil, §3º, 
os honorários, nas ações em que é parte a Fazenda Pública, 
deverão ser estipulados com base nos incisos previstos no artigo 
mencionado, e os seguintes percentuais: 
I - mínimo de dez e máximo de vinte por 
cento sobre o valor da condenação ou do 
proveito econômico obtido até 200 
(duzentos) salários-mínimos; 
II - mínimo de oito e máximo de dez por 
cento sobre o valor da condenação ou do 
proveito econômico obtido acima de 200 
(duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois 
mil) salários-mínimos; 
III - mínimo de cinco e máximo de oito por 
cento sobre o valor da condenação ou do 
proveito econômico obtido acima de 2.000 
(dois mil) salários-mínimos até 20.000 
(vinte mil) salários-mínimos; 
IV - mínimo de três e máximo de cinco por 
cento sobre o valor da condenação ou do 
proveito econômico obtido acima de 20.000 
(vinte mil) salários-mínimos até 100.000 
(cem mil) salários-mínimos; 
V - mínimo de um e máximo de três por 
cento sobre o valor da condenação ou do 
 170 
 
proveito econômico obtido acima de 
100.000 (cem mil) salários-mínimos. 
Nestes termos, o juiz, ao despachar no deferimento da 
inicial, também definirá os honorários advocatícios, atendendo 
sempre os limites previstos no art. 85 do NCPC. 
 
5. Referências bibliográficas 
 
BALLEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. 3ª ed. Rio 
de Janeiro: Forense, 1971. 
 
CÂMERA. Mirian Costa Rebollo. Execução Fiscal – Doutrina 
e Jurisprudência. Coordenação Vladmir Passos de Freitas. São 
Paulo: Saraiva, 1998. 
 
CONRADO, Paulo Cesar. Processo Tributário. São Paulo: 
Quartier Latin, 2004. 
 
FERNANDES, Odmir, e outros. Lei de execução fiscal 
comentada e anotada: Lei 6.830, de 22.09.1980: doutrina, 
prática, jurisprudência. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
2002. 
 
LOPES, Mauro Luís Rocha. Execução Fiscal e Ações 
Tributárias. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003. 
 
PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução 
Fiscal. 8 ed.São Paulo: Saraiva, 2001. 
 
PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário. 3ª ed. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2010. 
 
PAULSEN, Leandro. ÁVILA, Rene Bergman. SLIWKA, Ingrid 
Schroder. Direito Processual Tributário: Processo 
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da 
jurisprudência.4ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014. 
 171 
 
 
PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2005. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 172 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMENTÁRIOS AOS ARTS. 8 A 10º 
Fernando Bortolon Massignan∗ 
 
 
Art. 8º – O executado será citado para, no prazo de 5 (cinco) 
dias, pagar a dívida com os juros e multa de mora e encargos 
indicados na Certidão de Dívida Ativa, ou garantir a 
execução, observadas as seguintes normas: 
I – a citação será feita pelo correio, com aviso de recepção, se 
a Fazenda Pública não a requerer por outra forma; 
II – a citação pelo correio considera-se feita na data da 
entrega da carta no endereço do executado, ou, se a data for 
omitida, no aviso de recepção, 10 (dez) dias após a entrega 
da carta à agência postal; 
III – se o aviso de recepção não retornar no prazo de 15 
(quinze) dias da entrega da carta à agência postal, a citação 
será feita por Oficial de Justiça ou por edital; 
 
∗ Mestre em Direito pela PUCRS. Especialista em Direito Tributário pela 
Fundação Getúlio Vargas. Professor de cursos de Pós-Graduação em 
Direito. Pesquisador do GTAX – Grupo de Pesquisas Avançadas em 
Direito Tributário – PUCRS. Membro da FESDT. Advogado. 
 173 
 
IV – o edital de citação será afixado na sede do Juízo, 
publicado uma só vez no órgão oficial, gratuitamente, como 
expediente judiciário, com o prazo de 30 (trinta) dias, e 
conterá, apenas, a indicação da exequente, o nome do 
devedor e dos corresponsáveis, a quantia devida, a natureza 
da dívida, a data e o número da inscrição no Registro da 
Dívida Ativa, o prazo e o endereço da sede do Juízo. 
§ 1º – O executado ausente do País será citado por edital, 
com prazo de 60 (sessenta) dias. 
§ 2º – O despacho do Juiz, que ordenar a citação, interrompe 
a prescrição. 
 
1. Evolução legislativa e Remissões Legais 
 
O artigo 8º da LEF normatiza a angularização do 
processo de execução fiscal, elencando as formas de citação do 
executado. 
Refere-se, desde já, que embora o artigo 8º tenha 
relação com o artigo 2464 do Código de Processo Civil de 2015, 
 
4 “Art. 246. A citação será feita: 
I – pelo correio; 
II – por oficial de justiça; 
III – pelo escrivão ou chefe de secretaria, se o citando comparecer em 
cartório; 
IV – por edital; 
V – por meio eletrônico, conforme regulado em lei. 
§ 1o Com exceção das microempresas e das empresas de pequeno porte, as 
empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas 
de processo em autos eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e 
intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente por esse meio. 
§ 2o O disposto no § 1o aplica-se à União, aos Estados, ao Distrito Federal, 
aos Municípios e às entidades da administração indireta. 
 174 
 
os critérios para se realizar a citação na execução fiscal seguem 
a lei especial, no caso a LEF. 
Impõe-se ainda destacar que, para que se faça uma 
correta aplicação do artigo 8º, deve-se interpretá-lo de acordo 
com o artigo 127 do Código Tributário Nacional, o qual define 
os critérios acerca do domicílio tributário. Nesse sentido, dispõe 
o art. 127 do CTN que a eleição do domicílio tributário é direito 
conferido ao contribuinte, sendo que, em caso de sua omissão, a 
eleição se sujeita a três regras específicas, quais sejam: quanto 
às pessoas naturais, a sua residência habitual ou, sendo essa 
incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade 
(inciso I); quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às 
firmas individuais, o lugar da sua sede ou, em relação aos atos 
ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada 
estabelecimento (inciso II); quanto às pessoas jurídicas de 
direito público, qualquer de suas repartições no território da 
entidade tributante (inciso III). 
Constam ainda no artigo 127 duas regras de exceção 
que determinarão como domicílio fiscal o local da situação dos 
bens ou da ocorrência dos fatos que deram origem à obrigação 
tributária. Essas exceções dispõem sobre os casos em que o 
contribuinte, ou não elegeu domicílio tributário e sua situação 
não se enquadra nas descritas nos incisos I a III, ou no caso em 
 
§ 3o Na ação de usucapião de imóvel, os confinantes serão citados 
pessoalmente, exceto quando tiver por objeto unidade autônoma de prédio 
em condomínio, caso em que tal citação é dispensada.” 
 175 
 
que se identifique que o contribuinte elegeu domicílio com a 
finalidade de dificultar o acesso da fiscalização5,6. 
 
Remissões Legais: art. 127 do CTN; arts. 8º da Lei n°6.830/80; 
arts. 246 e 251 do NCPC. 
 
2. Conceitos principais 
 
É com a citação do executado que a relação processual 
se inicia7, sendo que a norma estabelecida no artigo 8º 
estabelece a forma como deve ocorrer a citação e as diversas 
hipóteses para a contagem dos prazos processuais que se 
iniciam, conforme se passa a expor. 
 
2.1 Forma da citação 
 
Em relação à forma, a Lei de Execuções Fiscais 
estipula como regra para realização da citação a via postal com5 Definiu o STJ na oportunidade do REsp 437.383/MG, de relatoria do 
Ministro José Delgado, que deve a autoridade documentar e justificar a 
ocorrência das hipóteses previstas nesse parágrafo. 
6 Refere-se que nos casos em que se constate que o envio da correspondência 
tenha sido realizado para domicílio diferente da última opção do 
contribuinte, será seu direito obter a reabertura de prazo, uma vez que a 
indicação realizada pela Fazenda se configura como uma presunção 
relativo. NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução 
Fiscal à Luz da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo por artigo de 
acordo com o novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. 177. 
7 PAULSEN, Leandro; AVILA, Rene Bergmann; SLIWKA, Ingrid Schroder. 
Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal e 
Execução Fiscal à Luz da doutrina e da Jurisprudência. 7. ed. Livraria do 
Advogado: Porto Alegre, 2012. p. 326. 
 176 
 
aviso de recebimento8. Assim, uma vez realizada a entrega da 
correspondência no domicílio fiscal do contribuinte, presume-se 
válida9, independentemente de ter sido recebida por terceira 
pessoa. 
 
2.2. Citação recebida por terceira pessoa 
 
Embora se presuma válida a citação recebida por 
terceira pessoa que não o executado, tal situação gera reflexos 
para o momento da penhora, a qual demandará como requisito 
formal que a intimação seja realizada sob a forma pessoal, nos 
termos do artigo 12, §3º, da LEF.10 
Sob essa mesma hipótese, sendo o caso de execução 
contra pessoa jurídica, vigora na LEF o princípio da 
instrumentalidade, segundo o qual se reputa válida a citação 
 
8 PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal.2. ed. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado, 2010, p. 104. 
9 Nesse sentido o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro editou a 
Súmula nº 118 no seguinte sentido: “CITAÇÃO POSTAL. PESSOA 
JURÍDICA. VALIDADE DO ATO. “A citação postal comprovadamente 
entregue à pessoa física, bem assim na sede ou filial da pessoa jurídica, faz 
presumir o conhecimento e a validade do ato”. Referência: Súmula da 
Jurisprudência Predominante nº 2006.146.00004 – Julgamento em 
09/10/2006 – Votação: unânime – Relator: Desembargador Marcus Tullius 
Alves. Disponível em http://portaltj.tjrj.jus.br/web/guest/sumulas-118. 
Acesso em 19.05.2016. 
10 “Art. 12. Na execução fiscal, far-se-á a intimação da penhora ao 
executado, mediante publicação, no órgão oficial, do ato de juntada do 
termo ou do auto de penhora. [...] § 3º – Far-se-á a intimação da penhora 
pessoalmente ao executado se, na citação feita pelo correio, o aviso de 
recepção não contiver a assinatura do próprio executado, ou de seu 
representante legal.” 
 177 
 
recebida por pessoa sem poderes instituídos em Contrato 
Social/Estatuto11. 
 
2.3. Citação por mandado 
 
Mesmo que o legislador tenha privilegiado a citação 
por via postal na LEF, o artigo 8º outorga poderes à Fazenda 
Pública para solicitar que a citação ocorra por meio de oficial de 
justiça, hipótese que lhe impõe o ônus argumentativo de 
justificar essa escolha. 
Ainda que ausente o pedido da Fazenda, tal poder é 
atribuído ao juízo para que determine, ex officio, que a citação se 
dê por meio de oficial de justiça nos casos em que se identifique 
que o executado se encontra em zona não atendida pela Empresa 
Brasileira de Correios e Telégrafos.12 
O NCPC, em seu artigo 255, promoveu significativos 
avanços para permitir que a citação nas regiões metropolitanas13 
e comarcas contíguas sejam realizadas pelo oficial de justiça da 
comarca em que a execução foi proposta, evitando desnecessária 
morosidade de envios de cartas precatórias. 
 
11 Nesse sentido: SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REsp 1494315/RS, 
Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, julgado em 
05/02/2015, DJe 20/03/2015. Disponível em: 
https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?src=1.1.3&aplicacao=processos.e
a&tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&num_registro=201402821797. 
Acesso em: 20.07.2016. 
12 MOURA, Arthur. Lei de Execução Fiscal: comentada e anotada.Salvador: 
JusPodivm, 2015. 
13 A competência para estabelecer a região metropolitana é atribuída aos 
Estados, não cabendo ao CNJ ou à Justiça Federal, aos quais cabe apenas a 
definição de comarca. 
 178 
 
2.4. Citação por edital e por hora certa 
 
A Lei de Execuções Fiscais permite, igualmente, que a 
citação seja realizada por Edital, prevendo, de forma expressa 
que uma vez frustrada a citação postal o ato poderá ser realizado 
por oficial de justiça ou por edital.14 
Impõe-se referir que, embora a literalidade da Lei de 
Execuções Fiscais indique a citação por edital como uma 
faculdade do ente fazendário, firmou-se o entendimento no STJ 
no sentido da necessidade de se esgotar as demais formas de 
citação, nos termos da Súmula 41415. 
Refere-se, por outro lado, que em respeito ao princípio 
da especialidade,no âmbito da execução fiscal, os requisitos 
previstos no artigo 252 do CPC/201516 são mitigados, bastando 
a comprovação da não localização do executado em seu 
 
14 Conforme será demonstrado no tópico relativo à jurisprudência, restou 
consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que a citação 
por edital na execução fiscal somente é cabível quando frustradas as demais 
modalidades (Súmula 414). Assim é ônus da Fazenda demonstrar o 
esgotamento das diligências para o fim de citar o executado por via postal 
ou oficial de Justiça. AgRg nos EREsp 756.911/SC, Relator Min. Castro 
Meira, DJ 03.12.2007. REsp 837.050/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 
18.09.2009. 
15 Sobre a possibilidade de citação por edital nas Execuções Fiscais, vide 
Súmula 414A: “citação por edital na execução fiscal é cabível quando 
frustradas as demais modalidades”. Disponível em: 
http://www.stj.jus.br/docs_internet/VerbetesSTJ_asc.txt. Acesso em: 
20.05.2016. 
16 “Art. 252. Quando, por 2 (duas) vezes, o oficial de justiça houver 
procurado o citando em seu domicílio ou residência sem o encontrar, 
deverá, havendo suspeita de ocultação, intimar qualquer pessoa da família 
ou, em sua falta, qualquer vizinho de que, no dia útil imediato, voltará a fim 
de efetuar a citação, na hora que designar. 
Parágrafo único. Nos condomínios edilícios ou nos loteamentos com controle 
de acesso, será válida a intimação a que se refere o caput feita a funcionário 
da portaria responsável pelo recebimento de correspondência.” 
 179 
 
domicílio fiscal por oficial de justiça, mesmo que em tentativa 
única17. 
Uma vez realizada a citação por Edital, entende-se 
aplicável o disposto no artigo 72, inciso II, do NCPC, o qual 
prevê a necessidade de nomeação de curador especial no caso de 
réu citado por edital que quede revel, aplicando-se o teor da 
Súmula 196 do Superior Tribunal de Justiça.18 
A citação também será realizada por edital quando o 
executado for domiciliado no exterior, conforme estipula de 
forma expressa o §1º do artigo 8º. No âmbito da Execução 
Fiscal, a citação editalícia prescinde de aresto, sendo que os 
prazos para essa modalidade se estendem para que o executado 
seja representado, estabelecendo-se 30 dias para o domiciliado 
no Brasil e de 60 dias para o executado domiciliado no 
exterior.19 
Embora a citação por edital seja a única espécie de 
citação ficta prevista na Lei de Execuções Fiscais, há precedente 
do STJ no sentido da possibilidade de se realizar a citação por 
hora certa na execução fiscal.20 
 
17 Informativo de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça 0510 – 
Período: 18 de dezembro de 2012. 
18 Súmula 196: “Ao executado que, citado por edital ou por hora certa, 
permanecer revel, será nomeado curador especial, com legitimidade para 
apresentação de embargos”. Disponível em: 
http://www.stj.jus.br/docs_internet/VerbetesSTJ_asc.txt.Acesso em: 
20.05.2016. 
19 PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal.2. ed. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado, 2010, p. 105. 
20 Nesse sentido, RESP 673.945/SP, Relator Ministro Castro Filho. Terceira 
Turma. Julgado em 25.09.2006. DJ 16.10.2006. Disponível em: 
https://ww2.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=I
 180 
 
2.5. Contagem de prazo a partir da citação 
 
Identificada a forma como deve ser realizada a citação 
do executado, o artigo 8º trata também de como deverá ser 
realizada a contagem do prazo de cinco dias para oferecimento 
de bens à penhora ou pagamento da dívida. 
Para os casos em que a citação tenha sido realizada de 
forma regular, existindo comprovante de entrega no endereço do 
executado, o dies a quo será o da data do efetivo recebimento da 
citação. Por outro lado, nos casos em que não é possível 
identificar qual foi a data desse recebimento, a lei estabelece 
duas hipóteses sucessivas. 
Define o inciso II que caso o Aviso de Recebimento 
seja omisso quanto à data de entrega, considerar-se-á o início do 
prazo em dez dias contados da entrega da carta à agência postal. 
Impõe-se esclarecer que essa hipótese sucessiva contida no 
inciso II trata de uma presunção relativa, sendo possível ao 
executado demonstrar que, por eventual desídia da Empresa de 
Correios e Telégrafos ou por motivo de força maior, a citação 
ocorreu após o décimo dia da entrega na agência postal, fator 
que imporá ao juízo a reabertura do prazo para oferecimento de 
bens.21 
 
TA&sequencial=650857&num_registro=200400960502&data=20061016&
formato=PDF. Acesso em: 18.05.2016. 
21 NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à Luz 
da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo com o 
novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 176. 
 181 
 
Realizada a citação, deverá o executado, no prazo de 
cinco dias, realizar o pagamento da dívida atualizada com juros 
e correção monetária calculados na forma indicada na Certidão 
de Dívida Ativa ou oferecer bens à penhora. 
 
2.6. Casos de pagamento e parcelamento 
 
Para a realização do pagamento, há discussão acerca da 
compatibilidade com a forma prevista no art. 916 do novo 
CPC22 que possibilita a sua realização em seis parcelas e se tal 
hipótese seria compatível com os artigos 155-A e 171 do CTN. 
Segundo Leandro Paulsen, não há incompatibilidade na 
utilização do artigo 916 do CPC23 com a exigência de lei 
 
22 “Art. 916. No prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exequente 
e comprovando o depósito de trinta por cento do valor em execução, 
acrescido de custas e de honorários de advogado, o executado poderá 
requerer que lhe seja permitido pagar o restante em até 6 (seis) parcelas 
mensais, acrescidas de correção monetária e de juros de um por cento ao 
mês. 
§ 1o O exequente será intimado para manifestar-se sobre o preenchimento dos 
pressupostos do caput, e o juiz decidirá o requerimento em 5 (cinco) dias. 
§ 2o Enquanto não apreciado o requerimento, o executado terá de depositar as 
parcelas vincendas, facultado ao exequente seu levantamento. 
§ 3o Deferida a proposta, o exequente levantará a quantia depositada, e serão 
suspensos os atos executivos. 
§ 4o Indeferida a proposta, seguir-se-ão os atos executivos, mantido o 
depósito, que será convertido em penhora. 
§ 5o O não pagamento de qualquer das prestações acarretará 
cumulativamente: 
I – o vencimento das prestações subsequentes e o prosseguimento do 
processo, com o imediato reinício dos atos executivos; 
II – a imposição ao executado de multa de dez por cento sobre o valor das 
prestações não pagas. 
§ 6o A opção pelo parcelamento de que trata este artigo importa renúncia ao 
direito de opor embargos 
§ 7o O disposto neste artigo não se aplica ao cumprimento da sentença”. 
23 Relativo ao artigo 745-A do CPC/1973. 
 182 
 
específica para o parcelamento tributário de que trata o artigo 
155-A do CTN, uma vez que se refere a uma solução nos autos 
de processo executivo, não sendo modalidade de parcelamento 
administrativo, o qual exigiria lei específica.24 
Por fim, há a possibilidade de o executado realizar 
parcelamento ordinário perante o órgão exequente, o qual, uma 
vez cumpridos os requisitos previstos em lei, suspenderá a 
execução fiscal, que, em caso de desistência, poderá prosseguir, 
sendo afastada tese de novação de dívida.25 
 
2.7 Interrupção da prescrição: 
 
Consta no § 2º do artigo 8º que o despacho que ordena 
a citação interrompe o prazo prescricional da cobrança 
fazendária. 
A discussão acerca dessa norma cinge-se da análise do 
artigo 146, III, b, da Constituição Federal26, o qual estipula de 
forma expressa que normas gerais em matéria tributária relativas 
à prescrição e decadência dependem de Lei Complementar. 
 
24 PAULSEN, Leandro; AVILA, Rene Bergmann; SLIWKA, Ingrid 
Schroder. Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal 
e Execução Fiscal à Luz da doutrina e da Jurisprudência. 7. ed. Livraria do 
Advogado: Porto Alegre, 2012. p. 324. 
25 REsp 1526804/CE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, 
julgado em 21/05/2015, DJe 30/06/2015. Disponível em: 
http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?tipo_visualizacao=RES
UMO&livre=1526804&b=ACOR&thesaurus=JURIDICO. Acesso em: 
24.07.2016. 
26 “Art. 146. Cabe à lei complementar: [...] III – estabelecer normas gerais 
em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: [...] b) obrigação, 
lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários”. 
 183 
 
Nesse sentido, sendo a LEF lei ordinária, tal comando 
foi considerado inconstitucional por negar vigência ao artigo 
146, III, b,da CF, oportunidade em que o STF limitou sua 
aplicação às dívidas não tributárias.27 
No entanto, após a promulgação da LC 118/05, que 
alterou o artigo 174, I, do CTN para definir como marco 
interruptivo o despacho que ordena a citação, nosso sistema 
passou a repetir, agora por meio de Lei Complementar, a norma 
definida pelo §2º do art. 8º da LEF. 
O NCPC prevê em seu artigo 240, §1º, que a 
interrupção da prescrição dar-se-á com o despacho que ordena a 
citação, o qual, mesmo que proferido por juízo incompetente, 
retroagirá à data da propositura da ação. 
Tal comando ainda depende da análise de sua 
constitucionalidade em face do mesmo artigo 146, III, b,da CF, 
em razão de a contagem ser explicitada por norma de lei 
ordinária. 
Em âmbito infraconstitucional, entretanto, para o STJ é 
válida a norma prevista no CPC. Nesse sentido, na oportunidade 
do julgamento do REsp 1.120.295/SP, o qual foi realizado sob o 
rito do artigo 543-C do CPC de 1973 (art. 240 do NCPC), 
definiu-se o mesmo critério para fins de execuções fiscais, 
fixando que o despacho de cite-se retroage à data da propositura 
da execução fiscal. 
 
27 Informativo STJ 0465 de 28 de fevereiro a 4 de março de 2011. Disponível 
em: https://ww2.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/. Acesso em: 
20.07.2016. 
 184 
 
Embora se tenha consagrado esse entendimento sob o 
rito de recurso repetitivo, entendemos que ele conflita com o 
artigo 146, III, b,da Constituição Federal e com o artigo 174 do 
CTN. 
 
3. Jurisprudência relacionada 
 
Súmula 196 do STJ: 
 
“Ao executado que, citado por edital ou por hora certa, 
permanecer revel, será nomeado curador especial, com 
legitimidade para apresentação de embargos”. 
 
Citação. Recebimento por terceira pessoa 
 
PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE 
OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. CITAÇÃO. DOMICÍLIO 
DO CONTRIBUINTE. TERCEIRA PESSOA. VALIDADE. 
1. Constato que não se configurou a ofensa ao art. 535, I e II, do 
Código de Processo Civil, uma vezque o Tribunal de origem 
julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como 
lhe foi apresentada. A parte recorrente deixou de apontar, de 
forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão 
impugnado. Assim, é inviável o conhecimento do Recurso 
Especial nesse ponto, ante o óbice da Súmula 284/STF. 
2. No processo de Execução Fiscal é válida a citação postal 
entregue no domicílio correto do devedor, apesar de ser recebida 
por terceiros. Precedentes: AgRg no AREsp 189.958/SP, Rel. 
Ministra DIVA MALERBI (DESEMBARGADORA 
CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, DJe 
13/03/2013; AgRg no Ag 1318384/RS, Rel. Ministro MAURO 
CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 
10/11/2010 e AgRg no REsp 1178129/MG, Rel. Ministro 
BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe 
20/08/2010. 
3. Recurso Especial provido. 
 185 
 
(REsp 1494315/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 05/02/2015, DJe 20/03/2015). 
 
Interrupção da prescrição e inconstitucionalidade 
 
INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL. PRESCRIÇÃO 
TRIBUTÁRIA. RESERVA. LC. 
Trata-se de incidente de inconstitucionalidade dos arts. 2º, § 3º, 
e 8º, § 2º, da Lei n. 6.830/1980 (Lei de Execuções Fiscais – 
LEF) suscitado em decorrência de decisão do STF. A Fazenda 
Nacional, invocando a Súmula Vinculante n. 10-STF, interpôs 
recurso extraordinário (RE) contra acórdão deste Superior 
Tribunal, alegando, essencialmente, a negativa de aplicação do 
art. 8º, § 2º, da LEF sem declarar a sua inconstitucionalidade, o 
que constitui ofensa ao art. 97 da CF/1988. O STF deu 
provimento ao recurso da Fazenda para anular o acórdão e 
determinou, em consequência, que fosse apreciada a 
controvérsia constitucional suscitada na causa, fazendo-o, no 
entanto, com estrita observância do que dispõe o art. 97 da 
CF/1988. Portanto, coube definir, nesse julgamento, a questão 
da constitucionalidade formal do § 2º do art. 8º da LEF, bem 
como, dada a sua estreita relação com o tema, do § 3º do art. 2º 
da mesma lei, na parte que dispõe sobre matéria prescricional. 
Essa definição teve como pressuposto investigar se, na data em 
que foram editados os citados dispositivos (1980), a 
Constituição mantinha a matéria neles tratada (prescrição 
tributária) sob reserva de lei complementar (LC). Ressaltou, a 
priori, o Min. Relator que a recente alteração do art. 174 do 
CTN, promovida pela LC n. 118/2005, é inaplicável à hipótese 
dos autos, visto que o despacho que ordenou a citação do 
executado deu-se antes da entrada em vigor da modificação 
legislativa, incidindo ao fato o art. 174 do CTN na sua redação 
originária. Observou, também, ser jurisprudência pacífica deste 
Superior Tribunal que o art. 8º, § 2º, da LEF, por ser lei 
ordinária, não revogou o inciso I do parágrafo único do art. 174 
do CTN, por ostentar esse dispositivo, já à época, natureza de 
LC. Assim, o citado art. 8º, § 2º, da LEF tem aplicação restrita 
às execuções de dívidas não tributárias. Explicou que a mesma 
orientação é adotada em relação ao art. 2º, § 3º, da LEF, o qual, 
pela mesma linha de argumentação, ou seja, de que lei ordinária 
 186 
 
não era apta a dispor sobre matéria de prescrição tributária, é 
aplicável apenas a inscrições de dívida ativa não tributária. 
Também apontou ser jurisprudência pacificada no STJ que tem 
respaldo em recentes precedentes do STF em casos análogos, 
segundo a qual, já no regime constitucional de 1967 (EC n. 
1/1969), a prescrição e a decadência tributária eram matérias 
reservadas à lei complementar. Asseverou, ainda, que, 
justamente com base nesse entendimento, o STF julgou 
inconstitucional o parágrafo único do art. 5º do DL n. 
1.569/1977, editado na vigência da referida EC, tratando de 
suspensão de prazo prescricional de créditos tributários (Súmula 
Vinculante n. 8-STF). Dessa forma, concluiu que as mesmas 
razões adotadas pelo STF para declarar a inconstitucionalidade 
do citado parágrafo único determinam a inconstitucionalidade, 
em relação aos créditos tributários, do § 2º do art. 8º da LEF 
(que cria hipótese de interrupção da prescrição), bem como do § 
3º do art. 2º da mesma lei (no que se refere à hipótese de 
suspensão da prescrição). Ressaltou, por fim, que o 
reconhecimento da inconstitucionalidade deve ser parcial, sem 
redução de texto, visto que tais dispositivos preservam sua 
validade e eficácia em relação a créditos não tributários objeto 
de execução fiscal e, com isso, reafirmou a jurisprudência do 
STJ sobre a matéria. Ante o exposto, a Corte Especial, ao 
prosseguir o julgamento, acolheu, por maioria, o incidente para 
reconhecer a inconstitucionalidade parcial dos arts. 2º, § 3º, e 8º, 
§ 2º, da Lei n. 6.830/1980, sem redução de texto. Os votos 
vencidos acolhiam o incidente de inconstitucionalidade em 
maior extensão. Precedentes citados do STF: RE 106.217-SP, 
DJ 12/9/1986; RE 556.664-RS, DJe 14/11/2008; RE 559.882-
RS, DJe 14/11/2008; RE 560.626-RS, DJe 5/12/2008; do STJ: 
REsp 667.810-PR, DJ 5/10/2006; REsp 611.536-AL, DJ 
14/7/2007; REsp 673.162-RJ, DJ 16/5/2005; AgRg no REsp 
740.125-SP, DJ 29/8/2005; REsp 199.020-SP, DJ 16/5/2005; 
EREsp 36.855-SP, DJ 19/6/1995; REsp 721.467-SP, DJ 
23/5/2005; EDcl no AgRg no REsp 250.723-RJ, DJ 21/3/2005; 
REsp 112.126-RS, DJ 4/4/2005, e AgRg nos EDcl no REsp 
623.104-RJ, DJ 6/12/2004. (AI no Ag 1.037.765-SP, Rel. Min. 
Teori Albino Zavascki, julgada em 2/3/2011). 
 
 187 
 
Interrupção da prescrição e data da propositura da Execução 
Fiscal 
 
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL 
REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, 
DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. 
PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DE O FISCO COBRAR 
JUDICIALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO 
SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 
CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE 
FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (IN 
CASU, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS). 
PAGAMENTO DO TRIBUTO DECLARADO. 
INOCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DA 
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECLARADA. 
PECULIARIDADE: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS 
QUE NÃO PREVÊ DATA POSTERIOR DE VENCIMENTO 
DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, UMA VEZ JÁ DECORRIDO 
O PRAZO PARA PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO 
PRESCRICIONAL A PARTIR DA DATA DA ENTREGA DA 
DECLARAÇÃO. 
1. O prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a 
pretensão de cobrança judicial do crédito tributário conta-se da 
data estipulada como vencimento para o pagamento da 
obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA, entre 
outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por 
homologação, em que, não obstante cumprido o dever 
instrumental de declaração da exação devida, não restou 
adimplida a obrigação principal (pagamento antecipado), nem 
sobreveio quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do 
crédito ou interruptivas do prazo prescricional (Precedentes da 
Primeira Seção: EREsp 658.138/PR, Rel. Ministro José 
Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministra Eliana Calmon, julgado em 
14.10.2009, DJe 09.11.2009; REsp 850.423/SP, Rel. Ministro 
Castro Meira, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008; e AgRg 
nos EREsp 638.069/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, 
julgado em 25.05.2005, DJ 13.06.2005). 
2. A prescrição, causa extintiva do crédito tributário, resta assim 
regulada pelo artigo 174, do Código Tributário Nacional, verbis: 
 188 
 
"Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve 
em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. 
Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pela citação 
pessoal feita ao devedor; 
I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução 
fiscal; 
(Redação dada pela LCP nº 118, de 2005) 
II – pelo protesto judicial; 
III – por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; 
IV – por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que 
importe em reconhecimento do débito pelo devedor." 
3. A constituição definitiva do crédito tributário, sujeita à 
decadência, inaugura o decurso do prazo prescricional 
quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial 
do crédito tributário. 
4. A entrega deDeclaração de Débitos e Créditos Tributários 
Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS 
– GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei 
(dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento 
por homologação), é modo de constituição do crédito tributário, 
dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência 
conducente à formalização do valor declarado (Precedente da 
Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: 
REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado 
em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 
5. O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição 
da Súmula 436/STJ, verbis: "A entrega de declaração pelo 
contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito 
tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do 
Fisco." 
6. Consequentemente, o dies a quo do prazo prescricional para o 
Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito 
tributário declarado, mas não pago, é a data do vencimento da 
obrigação tributária expressamente reconhecida. 
7. In casu: (i) cuida-se de créditos tributários atinentes a IRPJ 
(tributo sujeito a lançamento por homologação) do ano-base de 
1996, calculado com base no lucro presumido da pessoa 
jurídica; (ii) o contribuinte apresentou declaração de 
rendimentos em 30.04.1997, sem proceder aos pagamentos 
 189 
 
mensais do tributo no ano anterior; e (iii) a ação executiva fiscal 
foi proposta em 05.03.2002. 
8. Deveras, o imposto sobre a renda das pessoas jurídicas, 
independentemente da forma de tributação (lucro real, 
presumido ou arbitrado), é devido mensalmente, à medida que 
os lucros forem auferidos (Lei 8.541/92 e Regulamento do 
Imposto de Renda vigente à época – Decreto 1.041/94). 
9. De acordo com a Lei 8.981/95, as pessoas jurídicas, para fins 
de imposto de renda, são obrigadas a apresentar, até o último dia 
útil do mês de março, declaração de rendimentos demonstrando 
os resultados auferidos no ano-calendário anterior (artigo 56). 
10. Assim sendo, não procede a argumentação da empresa, no 
sentido de que: (i) "a declaração de rendimentos ano-base de 
1996 é entregue no ano de 1996, em cada mês que se realiza o 
pagamento, e não em 1997"; e (ii) "o que é entregue no ano 
seguinte, no caso, 1997, é a Declaração de Ajuste Anual, que 
não tem efeitos jurídicos para fins de início da contagem do 
prazo seja decadencial, seja prescricional", sendo certo que "o 
Ajuste Anual somente tem a função de apurar crédito ou débito 
em relação ao Fisco." (fls. e-STJ 75/76). 
11. Vislumbra-se, portanto, peculiaridade no caso sub examine, 
uma vez que a declaração de rendimentos entregue no final de 
abril de 1997 versa sobre tributo que já deveria ter sido pago no 
ano-calendário anterior, inexistindo obrigação legal de 
declaração prévia a cada mês de recolhimento, consoante se 
depreende do seguinte excerto do acórdão regional: "Assim, 
conforme se extrai dos autos, a formalização dos créditos 
tributários em questão se deu com a entrega da Declaração de 
Rendimentos pelo contribuinte que, apesar de declarar os 
débitos, não procedeu ao devido recolhimento dos mesmos, com 
vencimentos ocorridos entre fevereiro/1996 a janeiro/1997 (fls. 
37/44)." 
12. Consequentemente, o prazo prescricional para o Fisco 
exercer a pretensão de cobrança judicial da exação declarada, in 
casu, iniciou-se na data da apresentação do aludido documento, 
vale dizer, em 30.04.1997, escoando-se em 30.04.2002, não se 
revelando prescritos os créditos tributários na época em que 
ajuizada a ação (05.03.2002). 
13. Outrossim, o exercício do direito de ação pelo Fisco, por 
intermédio de ajuizamento da execução fiscal, conjura a 
 190 
 
alegação de inação do credor, revelando-se incoerente a 
interpretação segundo a qual o fluxo do prazo prescricional 
continua a escoar-se, desde a constituição definitiva do crédito 
tributário, até a data em que se der o despacho ordenador da 
citação do devedor (ou até a data em que se der a citação válida 
do devedor, consoante a anterior redação do inciso I, do 
parágrafo único, do artigo 174, do CTN). 
14. O Codex Processual, no § 1º, do artigo 219, estabelece que a 
interrupção da prescrição, pela citação, retroage à data da 
propositura da ação, o que, na seara tributária, após as alterações 
promovidas pela Lei Complementar 118/2005, conduz ao 
entendimento de que o marco interruptivo atinente à prolação do 
despacho que ordena a citação do executado retroage à data do 
ajuizamento do feito executivo, a qual deve ser empreendida no 
prazo prescricional. 
15. A doutrina abalizada é no sentido de que: “Para CÂMARA 
LEAL, como a prescrição decorre do não exercício do direito de 
ação, o exercício da ação impõe a interrupção do prazo de 
prescrição e faz que a ação perca a 'possibilidade de reviver', 
pois não há sentido a priori em fazer reviver algo que já foi 
vivido (exercício da ação) e encontra-se em seu pleno exercício 
(processo)”. Ou seja, o exercício do direito de ação faz cessar a 
prescrição. Aliás, esse é também o diretivo do Código de 
Processo Civil: 'Art. 219. A citação válida torna prevento o 
juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda 
quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o 
devedor e interrompe a prescrição. § 1º A interrupção da 
prescrição retroagirá à data da propositura da ação.' Se a 
interrupção retroage à data da propositura da ação, isso significa 
que é a propositura, e não a citação, que interrompe a prescrição. 
Nada mais coerente, posto que a propositura da ação representa 
a efetivação do direito de ação, cujo prazo prescricional perde 
sentido em razão do seu exercício, que será expressamente 
reconhecido pelo juiz no ato da citação. Nesse caso, o que 
ocorre é que o fator conduta, que é a omissão do direito de ação, 
é desqualificado pelo exercício da ação, fixando-se, assim, seu 
termo consumativo. Quando isso ocorre, o fator tempo torna-se 
irrelevante, deixando de haver um termo temporal da 
prescrição." (Eurico Marcos Diniz de Santi, in "Decadência e 
 191 
 
Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Ed. Max Limonad, São 
Paulo, 2004, págs. 232/233) 
16. Destarte, a propositura da ação constitui o dies ad quem do 
prazo prescricional e, simultaneamente, o termo inicial para sua 
recontagem sujeita às causas interruptivas previstas no artigo 
174, parágrafo único, do CTN. 
17. Outrossim, é certo que "incumbe à parte promover a citação 
do réu nos 10 (dez) dias subsequentes ao despacho que a 
ordenar, não ficando prejudicada pela demora imputável 
exclusivamente ao serviço judiciário" (artigo 219, § 2º, do 
CPC). 
18. Consequentemente, tendo em vista que o exercício do direito 
de ação deu-se em 05.03.2002, antes de escoado o lapso 
quinquenal (30.04.2002), iniciado com a entrega da declaração 
de rendimentos (30.04.1997), não se revela prescrita a pretensão 
executiva fiscal, ainda que o despacho inicial e a citação do 
devedor tenham sobrevindo em junho de 2002. 
19. Recurso especial provido, determinando-se o 
prosseguimento da execução fiscal. Acórdão submetido ao 
regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. 
(REsp 1120295/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA 
SEÇÃO, julgado em 12/05/2010, DJe 21/05/2010) 
 
Citação por hora certa na Execução Fiscal 
 
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CITAÇÃO 
COM HORA CERTA EM PROCESSO DE EXECUÇÃO 
EXTRAJUDICIAL. POSSIBILIDADE. 
Conforme disposto no artigo 277 do Código de Processo Civil, 
ocorre a citação com hora certa quando há suspeita de ocultação 
por parte do réu, procurado três vezes em sua residência. Essa 
forma de citação é aplicável tanto ao processo de conhecimento, 
quanto aos demais processos, incluindo-se o de execução, por 
força da subsidiariedade prevista no artigo 598 do mesmo 
estatuto. 
Recurso especial provido. 
(REsp 673.945/SP, Rel. Ministro CASTRO FILHO, 
TERCEIRA TURMA, julgado em 25/09/2006, DJ 16/10/2006, 
p. 365) 
 
 192 
 
Parcelamento e novação 
 
TRIBUTÁRIO E PROCESSUALCIVIL. EXECUÇÃO 
FISCAL. PARCELAMENTO DA DÍVIDA. EXTINÇÃO DA 
EXECUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NOVAÇÃO. NÃO 
OCORRÊNCIA. 
1. Trata-se, na origem, de Execução Fiscal proposta pela 
Fazenda Nacional contra a recorrida, que, posteriormente à 
execução, aderiu a programa de parcelamento e refinanciamento 
de débitos tributários. 
O presente executivo fiscal foi extinto com amparo no artigo 
794, II, do Código de Processo Civil, assinalando o Tribunal de 
origem tratar-se de parcelamento de novação da dívida, o que 
desconstitui eventual penhora ou constrição judicial 
implementada nos autos. 
2. Em termos gerais, a Lei 10.684/2003 prevê a possibilidade de 
parcelamento em até 180 prestações mensais e sucessivas dos 
débitos inscritos na Receita Federal ou na Procuradoria-Geral da 
Fazenda Nacional, independente de apresentação de garantia ou 
de arrolamento de bens, mantidas aquelas decorrentes de outros 
parcelamentos ou de Execução Fiscal, sendo que a exclusão do 
sujeito passivo do parcelamento implica exigibilidade imediata 
da totalidade do crédito confessado e ainda não pago e 
automática execução da garantia prestada, quando existente, 
restabelecendo-se, em relação ao montante não pago, os 
acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da 
ocorrência dos respectivos fatos geradores. 
3. Para que ocorra a novação, é necessário que estejam previstos 
três requisitos, sendo dois objetivos e um subjetivo, quais sejam: 
a) obrigação anterior, b) nova obrigação substitutiva da anterior 
e c) animus novandi. Dessa forma, perfectibilizados os 
elementos caracterizadores da novação, substitui-se a dívida 
primitiva por nova, extinguindo-se os acessórios e garantias que 
porventura existam, salvo estipulação em contrário. Precedentes 
do STJ. 
4. No que tange ao elemento subjetivo da novação, é 
indispensável a comprovação expressa do animus novandi, 
porquanto esta não se presume. Precedente: REsp 166.328/MG, 
Rel. Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, Quarta Turma, 
julgado em 18.3.1999, DJ 24.5.1999, p. 172 
 193 
 
5. No caso concreto, além da não ocorrência do animus novandi, 
não há formação de nova obrigação substitutiva da anterior, já 
que a exclusão do sujeito passivo do parcelamento implica 
exigibilidade imediata da totalidade do crédito confessado e 
ainda não pago e automática execução da garantia prestada, se 
porventura existir, conforme inteligência dos artigos 11 e 12 da 
Lei 10.684/2003. 
6. Assim, por força da legislação pertinente, a adesão ao 
programa de parcelamento não implica novação, tampouco 
extinção do processo executivo, mas tão somente sua suspensão, 
pois, nos moldes do artigo 151, I, do Código Tributário 
Nacional, o parcelamento consiste apenas na faculdade dada ao 
credor optante para suspender a exigibilidade do crédito 
tributário, de modo a adimpli-lo de forma segmentada. Nesse 
sentido: AGRMC 1519/SP, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 
5.4.1999; Resp n.º 434.217/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 
4.9.2002. 
7. Como consectário lógico da não ocorrência da novação, 
quando do deferimento do pedido de parcelamento, tem-se a 
manutenção das garantias que o crédito tributário anteriormente 
possuía, permanecendo incólumes eventuais penhoras ou 
constrições judiciais implementadas nos autos da Execução 
Fiscal. É o que se infere do artigo 4º, V, da Lei 10.684/2003. 
8. Recurso Especial provido. 
(REsp 1526804/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 21/05/2015, DJe 30/06/2015) 
 
4. Temas relacionados 
 
Não há temas relacionados. 
 
 
5. Referências bibliográficas 
 
MOURA, Arthur. Lei de Execução Fiscal: comentada e 
anotada.Salvador: JusPodivm, 2015. 
 
NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução 
Fiscal à Luz da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo 
 194 
 
por artigo de acordo com o novo CPC. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2015. 
 
PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução 
Fiscal, Lei n. 6830.12. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 288. 
Disponível em: VitalSource Bookshelf Online. Acesso em: 
10/05/2016. 
 
PAULSEN, Leandro; AVILA, Rene Bergmann; SLIWKA, 
Ingrid Schroder. Direito Processual Tributário: Processo 
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à Luz da doutrina e da 
Jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 
2012. 
 
PORTO, Ederson Garin.Manual da Execução Fiscal. 2. ed. 
Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. 
 
 195 
 
Art. 9º – Em garantia da execução, pelo valor da dívida, 
juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de 
Dívida Ativa, o executado poderá: 
I – efetuar depósito em dinheiro, à ordem do Juízo em 
estabelecimento oficial de crédito, que assegure atualização 
monetária; 
II – oferecer fiança bancária ou seguro garantia; (Redação 
dada pela Lei nº 13.043, de 2014) 
III – nomear bens à penhora, observada a ordem do artigo 
11; ou 
IV – indicar à penhora bens oferecidos por terceiros e 
aceitos pela Fazenda Pública. 
§ 1º – O executado só poderá indicar e o terceiro oferecer 
bem imóvel à penhora com o consentimento expresso do 
respectivo cônjuge. 
§ 2oJuntar-se-á aos autos a prova do depósito, da fiança 
bancária, do seguro garantia ou da penhora dos bens do 
executado ou de terceiros. (Redação dada pela Lei nº 13.043, 
de 2014) 
§ 3oA garantia da execução, por meio de depósito em 
dinheiro, fiança bancária ou seguro garantia, produz os 
mesmos efeitos da penhora. (Redação dada pela Lei nº 
13.043, de 2014) 
§ 4º – Somente o depósito em dinheiro, na forma do artigo 
32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária 
e juros de mora. 
 196 
 
§ 5º – A fiança bancária prevista no inciso II obedecerá às 
condições pré-estabelecidas pelo Conselho Monetário 
Nacional. 
§ 6º – O executado poderá pagar parcela da dívida, que 
julgar incontroversa, e garantir a execução do saldo 
devedor. 
 
1. Evolução legislativa e Remissões Legais 
 
O artigo 9º da Lei de Execuções Fiscaisregulamenta a 
forma como deverá ser realizada a penhora, ou seja, superada a 
opção pelo pagamento, há a necessidade de que o executado 
garanta a execução por meio de penhora para que tenha direito 
de oferecer Embargos à Execução Fiscal. 
A norma legal guarda relação estreita com o artigo 835 
do Código de Processo Civil, sendo o mesmo aplicado sob 
forma sistemática. 
Há relação também com a Lei n°9.703/98, a qual 
disciplina os depósitos judiciais e extrajudiciais atinentes aos 
tributos de competência da União. A Lei n°11.429/06 dispõe 
sobre os depósitos judiciais referentes aos tributos Estaduais e 
distritais. Por fim, a Lei n°10.819/03 regulamenta depósitos 
judiciais de tributos de competências dos municípios.1 
 
 
1 NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à Luz 
da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo com o 
novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015, p. 185. 
 197 
 
2. Principais conceitos 
 
Realizada a citação do executado, a lei lhe concede 
cinco dias para garantir a dívida ou realizar o pagamento. De 
acordo com a norma legal, é necessário proceder em garantia 
integral da dívida, incluindo juros e multas, ou seja, mesmo nos 
casos em que o executado pretenda apenas discutir as 
incidências de juros e multa, deverá responsabilizar-se por esses 
mesmos valores para garantir a execução2. 
Nas próximas seções, passamos a analisar a forma 
como deverá ser realizada a garantia da dívida. 
 
2.1. Depósito bancário 
 
A primeira opção de garantia da dívida é o depósito 
bancário, que deverá ser realizado perante instituição vinculada 
ao juízo. 
Uma vez realizado o depósito, caberá à instituição 
bancária efetuar a correção monetária relativa aos valores 
recolhidos, nos termos da Súmula n°179 do Superior Tribunal 
de Justiça.3 
 
2 NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à Luz 
da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigopor artigo de acordo com o 
novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015. 
3 Súmula 179 do Superior Tribunal de Justiça: “O estabelecimento de crédito 
que recebe dinheiro, em deposito judicial, responde pelo pagamento da 
correção monetária relativa aos valores recolhidos”. Disponível em: 
http://www.stj.jus.br/SCON/SearchBRS?b=SUMU&livre=@docn=%27000
000179%27. Acesso em: 24.07.2016. 
 198 
 
O depósito integral do débito é causa de suspensão da 
exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, II, 
do Código Tributário Nacional4. Assim, uma vez realizado o 
depósito, haverá direito potestativo do executado em obter 
certidão positiva com efeitos de negativa (art. 206 do CTN).5 
A garantia da dívida por meio de depósito tem os 
mesmos efeitos da penhora, sendo possível ao executado 
oferecer Embargos à Execução Fiscal, os quais, se foram 
julgados procedentes, permitirão ao contribuinte o direito 
levantamento do depósito e, caso venham a ser julgados 
improcedentes, o valor será convertido em renda e extinguirá a 
obrigação nos termos do artigo 156, VI, do CTN.6 
 
2.2. Fiança bancária 
 
No mesmo prazo de cinco dias, poderá o executado 
oferecer fiança bancária com a finalidade de garantir a execução. 
A fiança bancária é regulamentada pela Resolução 
n°724/1982 do Conselho Monetário Nacional (CMN), sendo 
que, para o caso de cobrança de débitos federais, consta 
 
4 “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] II – o 
depósito do seu montante integral; [...]”. 
5 “Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de 
que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança 
executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade 
esteja suspensa”. 
6 “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] VI – a conversão de depósito 
em renda; [...].” 
 199 
 
regulamentação adicional por parte da PGFN em sua Portaria 
n°644/2009.7 
A legislação, tanto do CMN como da PGFN, estipula 
uma série de requisitos formais para que a fiança bancária seja 
aceita, e dentre eles se podem citar a exigência de cláusula de 
atualização do débito; a cláusula de solidariedade com renúncia 
ao benefício de ordem; o prazo de validade. 
Assim como o depósito, a fiança bancária permite a 
apresentação de embargos à execução, sendo que, caso o 
executado não o apresente ou tenha os embargos julgados 
improcedentes, caberá ao garantidor fidejussório o pagamento 
da dívida no prazo de 15 dias. 
 
2.3. Seguro-garantia: 
 
A possibilidade de oferecimento de seguro-garantia à 
penhora foi introduzida na LEF por meio da Lei n°13.043/14, 
sendo que antes dessa inserção legal havia entendimento do STJ 
de que a referida modalidade não poderia ser utilizada para 
garantir a Execução Fiscal.8 
 
7 BRASIL. Ministério da Fazenda. Portaria PGFN n°°°° 644 de 01 de abril de 
2009. Disponível em: http://www.pgfn.fazenda.gov.br/divida-ativa-da-
uniao/todos-os-servicos/portarias/Portaria_PGFN_644_2009.pdf. Acesso 
em: 01.06.2016. 
8 Nesse sentido, consta o entendimento dos precedentes AgRG no AREsp 
266.570/PA, 2ª Turma, Rel. Ministro Hermann Benhamin, DJe 18.03.2013; 
AREsp 317.817/PE, rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 26.06.2013. 
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO 
RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. SEGURO GARANTIA 
JUDICIAL. INVIABILIDADE NO REGIME DA LEI 6.830/1980. 
PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. 
 200 
 
Em efeito, a discussão acerca da possibilidade de 
utilização de seguro-garantia veio a pleno a partir da 
promulgação da Lei n°11.382/2006, que introduziu no então 
vigente Código de Processo Civil a sua possibilidade nos termos 
do artigo 656, §2º, do CPC/73.9 Diante dessa previsão, passou-
se a questionar a viabilidade de utilização do seguro-garantia no 
âmbito da Execução Fiscal, a qual, naquele momento, diante da 
omissão na LEF, dependia de aceitação do juízo e da própria 
Fazenda. 
A partir da expressa previsão de sua viabilidade no 
ordenamento jurídico, a discussão judicial perdeu seu objeto, 
sendo que a própria PGFN regulamentou, por meio da Portaria 
PGFN n°164/2014, os requisitos necessários para que se proceda 
no oferecimento dessa espécie de garantia. Sob a perspectiva 
lógica, refere-se que, uma vez cumpridos os requisitos previstos 
na portaria, é gerado, em favor do executado, direito subjetivo 
de a penhora recair sobre o seguro-garantia, ou seja, independe 
de aceitação do juízo ou da fazenda pública. 
Por fim, impende referir que o novo Código de 
Processo Civil prevê de forma expressa no §2º do artigo 835 
 
A orientação consolidada das Turmas que integram a Primeira Seção do 
STJ é no sentido que não é possível a utilização do "seguro garantia 
judicial" como caução à execução fiscal, por ausência de norma legal 
específica, não havendo previsão do instituto entre as modalidades previstas 
no art. 9º da Lei 6.830/1980. 2. Agravo regimental não provido. AgRg no 
REsp 1.423.411/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda 
Turma, julgado em 05/06/2014, DJe 11/06/2014 Disponível em: 
http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/doc.jsp?livre=266570&b=ACO
R&p=true&t=JURIDICO&l=10&i=2. Acesso em: 20.07.2016. 
9 Com correspondência nos artigos 835, §2º, e 848, parágrafo único, do Novo 
CPC. 
 201 
 
que, para fins de substituição da penhora, a fiança e o seguro 
equiparam-se a dinheiro10, desde que seja estipulada em valor 
não inferior ao do débito constante na inicial acrescidos de trinta 
por cento. 
 
2.4. Nomeação de bens à penhora na ordem do artigo 11 
 
O inciso III do artigo 9º regulamenta a ordem de 
preferência dos bens a serem oferecidos em penhora, e dispõe 
que não sendo exercido o direito de oferecimento, a penhora 
recaíra sobre qualquer bem integrante do patrimônio do 
executado, exceto sobre os que a lei declare absolutamente 
impenhoráveis, os quais serão abordados alhures. 
A ordem de preferência para penhora seguirá o disposto 
no artigo 11 da LEF, a qual tem a seguinte redação: 
Art. 11 – A penhora ou arresto de bens 
obedecerá à seguinte ordem: 
I – dinheiro; 
II – título da dívida pública, bem como título 
de crédito, que tenham cotação em bolsa; 
III – pedras e metais preciosos; 
IV – imóveis; 
V – navios e aeronaves; 
VI – veículos; 
VII – móveis ou semoventes; e 
VIII – direitos e ações. 
 
A mens legis da ordem de indicação de bens é, 
logicamente, buscar garantir a execução com bens de maior 
 
10 Acerca da equivalência entre seguro garantia e dinheiro, vide CONRADO, 
Paulo Cesar. Execução Fiscal. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2015. p. 204. De 
acordo com o Novo CPC. 
 202 
 
liquidez para, quando oportuno, saldar o débito cobrado. O 
artigo de referência tem relação com o artigo 835 do Código de 
Processo Civil que elenca formas adicionais de garantia, tais 
como a prevista no inciso XII, referida como direitos aquisitivos 
derivados de promessa de compra e venda e de alienação 
fiduciária em garantia. 
O entendimento jurisprudencial já havia se firmado em 
relação à ordem de preferência da penhora no sentido de 
permitir a aplicação do artigo 655 do CPC/1973,11 tendo 
tendência certa da manutenção desse entendimento em relação 
ao novel diploma legal antes referido. 
Uma vez oferecidos pelo executado os bens, caberá ao 
juízo determinar que seja firmado termo de penhora, sendo que 
se a garantia for firmada por meio de oficial de justiça será 
firmado auto de penhora a ser observado pelo juízo. 
Caso a Fazenda entenda que os bens oferecidos não se 
prestam para garantir a dívida objeto da execução, impõe-se 
ônus argumentativo ao exequente para justificar sua recusa.
 
2.5. Bensde terceiros 
 
A Lei de Execuções Fiscais permite a indicação de bens 
oferecidos por terceiros, nos termos do artigo 9º, IV. 
Em relação ao caso, o terceiro não se torna devedor 
solidário ou subsidiário, mas apenas o bem oferecido como 
 
11 ED 1.077.039/RJ, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, 
Relator para o acórdão Min. Herman Benjamin, DJe 12/04/2011. 
 203 
 
garantia responde, dentro dos seus limites, pela dívida 
executada.12 
Caso o bem oferecido pelo terceiro tratar-se de imóvel, 
estipula o §1º do artigo 9º a necessidade em se obter a anuência 
do cônjuge. 
 
2.6. Formas alternativas de penhora: precatórios e debêntures 
 
Além das formas prescritas na Lei, é possível observar 
uma crescente discussão acerca da utilização de meios 
alternativos de penhora, como por meio de oferecimento de 
precatórios ou debêntures. 
A discussão acerca da garantia por meio desses créditos 
ainda está longe de ser pacificada, mas há posicionamento de 
que o artigo 11 da LEF tem caráter relativo, devendo observar as 
circunstâncias e o interesse das partes no caso concreto.13 Nesse 
sentido, a recusa por parte do exequente, da nomeação à penhora 
de crédito previsto em precatório pode ser justificada em relação 
à conveniência,14 mas, jamais, por argumento de 
impenhorabilidade do precatório.15 
 
12 NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à Luz 
da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo com o 
novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 187. 
13 PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2. ed. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado, 2010. p. 116. 
14 Nesse sentido é a Súmula 406 do STJ: A Fazenda Pública pode recusar a 
substituição do bem penhorado por precatório. (Súmula 406, PRIMEIRA 
SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, REPDJe 25/11/2009, DJe 24/11/2009). 
15 Nesse sentido, EREsp 881.014/RS, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ 
17.03.08. 
 204 
 
Por outro lado, a jurisprudência é uníssona ao orientar 
que a ordem definida no artigo 11 da LEF deve ser seguida. Sem 
querer antecipar a discussão a ser realizada no artigo específico, 
consigna-se o entendimento de Ederson Porto de que a recusa da 
penhora sobre precatório é ilógica e fere o princípio da 
moralidade insculpido no artigo 37 da Constituição Federal, 
pois, a um só tempo, o credor do Estado que aguarda há anos o 
pagamento do seu precatório, ao ser executado pelo mesmo ente 
da federação, não poder utilizar o seu crédito para garantir o 
juízo16. 
Por fim, aponta-se a existência de jurisprudência 
permitindo que o oferecimento de penhora seja realizado sobre 
debêntures, no entanto, diante da inexistência de indicação legal, 
a posição jurisprudencial do STJ é no sentido de que cabe ao 
exequente avaliar a admissibilidade do bem em razão de sua 
liquidez.17 
 
2.7. Pagamento do saldo incontroverso e garantia parcial 
 
Restou permitido por meio do artigo 9ºdaLei de 
Execuções Fiscais que o executado realize o pagamento do saldo 
que entender incontroverso e ofereça garantia em relação à 
parcela que pretende discutir. 
 
16 PORTO, Ederson Garin, op. cit.,p. 118. 
17 STJ AgRg no AREsp 848279/SP. Primeira Turma. 26/04/2016. Refere-se 
ainda o Informativo 0344, de 11 a 15 de fevereiro de 2008, que registrou o 
direito da Fazenda de negar a indicação de debêntures da Eletrobras em 
razão de sua baixa liquidez. 
 205 
 
3. Jurisprudência Relacionada 
 
Súmula 179 do Superior Tribunal de Justiça: 
 
“O estabelecimento de credito que recebe dinheiro, em deposito 
judicial, responde pelo pagamento da correção monetária 
relativa aos valores recolhidos”. 
 
 
Ordem de penhora e preferência na Execução Fiscal 
 
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO 
CIVIL. PENHORA. ART.655-A DO CPC. SISTEMA BACEN-
JUD. ADVENTO DA LEI N.º 11.382/2006. 
INCIDENTE DE PROCESSO REPETITIVO. 
I – JULGAMENTO DAS QUESTÕES IDÊNTICAS QUE 
CARACTERIZAM A MULTIPLICIDADE. ORIENTAÇÃO – 
PENHORA ON LINE. 
a) A penhora on line, antes da entrada em vigor da Lei n.º 
11.382/2006, configura-se como medida excepcional, cuja 
efetivação está condicionada à comprovação de que o credor 
tenha tomado todas as diligências no sentido de localizar bens 
livres e desembaraçados de titularidade do devedor. 
b) Após o advento da Lei n.º 11.382/2006, o Juiz, ao decidir 
acerca da realização da penhora on line, não pode mais exigir a 
prova, por parte do credor, de exaurimento de vias extrajudiciais 
na busca de bens a serem penhorados. 
II – JULGAMENTO DO RECURSO REPRESENTATIVO – 
Trata-se de ação monitória, ajuizada pela recorrente, alegando, 
para tanto, titularizar determinado crédito documentado por 
contrato de adesão ao “Crédito Direto Caixa”, produto oferecido 
pela instituição bancária para concessão de empréstimos. A 
recorrida, citada por meio de edital, não apresentou embargos, 
nem ofereceu bens à penhora, de modo que o Juiz de Direito 
determinou a conversão do mandado inicial em título executivo, 
diante do que dispõe o art. 1.102-C do CPC. 
- O Juiz de Direito da 6ª Vara Federal de São Luiz indeferiu o 
pedido de penhora on line, decisão que foi mantida pelo TJ/MA 
ao julgar o agravo regimental em agravo de instrumento, sob o 
fundamento de que, para a efetivação da penhora eletrônica, 
 206 
 
deve o credor comprovar que esgotou as tentativas para 
localização de outros bens do devedor. 
- Na espécie, a decisão interlocutória de primeira instância que 
indeferiu a medida constritiva pelo sistema Bacen-Jud, deu-se 
em 29.05.2007 (fl. 57), ou seja, depois do advento da Lei n.º 
11.382/06, de 06 de dezembro de 2006, que alterou o CPC 
quando incluiu os depósitos e aplicações em instituições 
financeiras como bens preferenciais na ordem da penhora como 
se fossem dinheiro em espécie (art. 655, I) e admitiu que a 
constrição se realizasse preferencialmente por meio eletrônico 
(art. 655-A). 
RECURSO ESPECIAL PROVIDO (REsp 1112943/MA, Rel. 
Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado 
em 15/09/2010, DJe 23/11/2010) 
 
Penhora e oferecimento de precatório 
 
RECURSO FUNDADO NO CPC/73. TRIBUTÁRIO. 
EXECUÇÃO FISCAL. NOMEAÇÃO DE PRECATÓRIO À 
PENHORA. RECUSA DA FAZENDA PÚBLICA. 
POSSIBILIDADE. RESP 1.337.790/PR, JULGADO SOB O 
RITO DO ART. 543-C DO CPC. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO 
DA MENOR ONEROSIDADE . INEXISTÊNCIA. 
1. O Plenário do STJ, na sessão de 09.03.2016, definiu que o 
regime recursal será determinado pela data da publicação da 
decisão impugnada (Enunciado Administrativo n. 2/STJ). Logo, 
no caso, aplica-se o CPC/73. 
2. A Primeira Seção deste STJ, ao julgar o REsp 1.337.790/PR, 
submetido ao rito do art. 543-C do CPC, ratificou o 
entendimento no sentido de que é legítima a recusa por parte da 
Fazenda de precatório nomeado à penhora, ante a não-
observância da ordem legal do art. 11 da Lei nº 6.830/80. 
3. Outrossim, no mesmo julgado repetitivo, firmou-se a 
compreensão pela "inexistência de preponderância, em abstrato, 
do princípio da menor onerosidade para o devedor sobre o da 
efetividade da tutela executiva". 
4. Agravo regimental improvido. AgRg no REsp 1548083/SP, 
Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, 
julgado em 02/06/2016, DJe 08/06/2016. 
 
 207 
 
Penhora e oferecimento de debêntures 
 
STJ – Informativo nº 0344 
 
Período: 11 a 15 de fevereiro de 2008. 
PENHORA. TÍTULOS. DUVIDOSA LIQUIDAÇÃO. 
Em sede de execução fiscal movida pela Fazenda Nacional em 
desfavor da empresa recorrente, o juiz indeferiu o pedido de 
suspensão do executivo fiscal e reconheceu como ineficaz a 
indicação à penhora de títulos da Eletrobrás. O Min. Relator 
esclareceu que o crédito tributário, por ser privilegiado, ostenta a 
presunção de sua veracidade e legitimidade (art. 204, CTN). A 
decorrência lógica da referida presunção é que o crédito 
tributário só pode ter sua exigibilidade suspensana ocorrência 
de uma das hipóteses estabelecidas no art. 151 do mesmo 
diploma legal. O ajuizamento de ação anulatória de débito fiscal 
desacompanhada de depósito no montante integral não tem o 
condão de suspender o curso de execução fiscal já proposta. 
Entendeu o Min. Relator que os títulos que consubstanciam 
obrigações da Eletrobrás revelam-se impróprios à garantia do 
processo de execução, visto que de liquidação duvidosa. No 
caso, a empresa executada pretendeu substituir a penhora não 
por debêntures, mas por títulos que consubstanciam obrigações 
ao portador emitidas pela Eletrobrás, pelo que não está a 
exequente obrigada a aceitá-los, visto se revelarem impróprios à 
garantia do processo de execução em razão de sua liquidação 
duvidosa. Precedentes citados: REsp 216.318-SP, DJ 7/11/2005; 
REsp 747.389-RS, DJ 19/9/2005; REsp 764.612-SP, DJ 
12/9/2005; AgRg no Ag 606.886-SP, DJ 11/4/2005; REsp 
677.741-RS, DJ 7/3/2005; REsp 969.099-RS, DJ 5/12/2007; 
AgRg no REsp 669.458-RS, DJ 16/5/2005; REsp 885.062-RS, 
DJ 29/3/2007, e REsp 776.538-RS, DJ 19/12/2005. REsp 
842.903-RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/2/2008. 
 
PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO 
REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. 
APLICABILIDADE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES 
PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. 
 208 
 
EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA DE DEBÊNTURES DA 
COMPANHIA VALE DO RIO DOCE. RECUSA PELA 
FAZENDA PÚBLICA. POSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA 
SÚMULA N. 83/STJ. 
I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão 
realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado 
pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. 
Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 
1973. 
II – É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça 
segundo o qual é legítima a recusa da Fazenda Pública à oferta 
de debêntures da Companhia Vale do Rio Doce – CVRD como 
garantia da execução fiscal. 
III – O recurso especial, interposto pela alínea a e/ou pela alínea 
c, do inciso III, do art. 105, da Constituição da República, não 
merece prosperar quando o acórdão recorrido encontra-se em 
sintonia com a jurisprudência dessa Corte, a teor da Súmula n. 
83/STJ. 
IV – A Agravante não apresenta, no regimental, argumentos 
suficientes para desconstituir a decisão agravada. 
V – Agravo Regimental improvido. 
(AgRg no AREsp 848.279/SP, Rel. Ministra REGINA 
HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 
26/04/2016, DJe 13/05/2016) 
 
4. Temas relacionados 
 
Não há temas relacionados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 209 
 
5. Referências bibliográficas 
 
BRASIL. Ministério da Fazenda. Portaria PGFN n°°°° 644 de 01 
de abril de 2009. Disponível em: 
http://www.pgfn.fazenda.gov.br/divida-ativa-da-uniao/todos-os-
servicos/portarias/Portaria_PGFN_644_2009.pdf. Acesso em: 
01.06.2016 
 
CONRADO, Paulo Cesar. Execução Fiscal. 2. ed. São Paulo: 
Noeses, 2015. De acordo com o Novo CPC. 
 
MOURA, Arthur. Lei de Execução Fiscal: comentada e 
anotada.Salvador: JusPodivm, 2015. 
 
NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução 
Fiscal à Luz da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo 
por artigo de acordo com o novo CPC. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2015. 
 
PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução 
Fiscal, Lei n. 6830. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 288. 
Disponível em: VitalSource Bookshelf Online. Acesso em: 
10/05/2016. 
 
PAULSEN, Leandro; AVILA, Rene Bergmann; SLIWKA, 
Ingrid Schroder. Direito Processual Tributário: Processo 
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à Luz da doutrina e da 
Jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 
2012. 
 
PORTO, Ederson Garin.Manual da Execução Fiscal. 2. ed. 
Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. 
 210 
 
Art. 10 – Não ocorrendo o pagamento, nem a garantia da 
execução de que trata o artigo 9º, a penhora poderá recair 
em qualquer bem do executado, exceto os que a lei declare 
absolutamente impenhoráveis. 
 
1. Evolução Legislativa e Remissões Legais 
 
Dispõe o artigo 10 da LEF que, caso não se tenha 
realizado a garantia ou paga a dívida, a penhora recairá sobre 
qualquer bem do executado, exceto os absolutamente 
impenhoráveis. 
O artigo ora sob análise possui relação com o artigo 
184 do Código Tributário Nacional,1 com os artigos 833 e 8342 
do novo Código de Processo Civil e com a Lei n°8.009 de 1990. 
 
Art. 833. São impenhoráveis: 
I – os bens inalienáveis e os declarados, por 
ato voluntário, não sujeitos à execução; 
II – os móveis, os pertences e as utilidades 
domésticas que guarnecem a residência do 
executado, salvo os de elevado valor ou os 
que ultrapassem as necessidades comuns 
correspondentes a um médio padrão de 
vida; 
 
1 “Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, 
que sejam previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a 
totalidade dos bens e das rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito 
passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus 
real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a 
data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens 
e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis”. 
2 Os quais se referem aos artigos 649 e 650 do CPC de 1973. 
 211 
 
III – os vestuários, bem como os pertences 
de uso pessoal do executado, salvo se de 
elevado valor; 
IV – os vencimentos, os subsídios, os soldos, 
os salários, as remunerações, os proventos 
de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e 
os montepios, bem como as quantias 
recebidas por liberalidade de terceiro e 
destinadas ao sustento do devedor e de sua 
família, os ganhos de trabalhador autônomo 
e os honorários de profissional liberal, 
ressalvado o § 2o; 
V – os livros, as máquinas, as ferramentas, 
os utensílios, os instrumentos ou outros bens 
móveis necessários ou úteis ao exercício da 
profissão do executado; 
VI – o seguro de vida; 
VII – os materiais necessários para obras 
em andamento, salvo se essas forem 
penhoradas; 
VIII – a pequena propriedade rural, assim 
definida em lei, desde que trabalhada pela 
família; 
IX – os recursos públicos recebidos por 
instituições privadas para aplicação 
compulsória em educação, saúde ou 
assistência social; 
X – a quantia depositada em caderneta de 
poupança, até o limite de 40 (quarenta) 
salários-mínimos; 
XI – os recursos públicos do fundo 
partidário recebidos por partido político, 
nos termos da lei; 
XII – os créditos oriundos de alienação de 
unidades imobiliárias, sob regime de 
incorporação imobiliária, vinculados à 
execução da obra. 
§ 1o A impenhorabilidade não é oponível à 
execução de dívida relativa ao próprio bem, 
inclusive àquela contraída para sua 
aquisição. 
§ 2o O disposto nos incisos IV e X do caput 
não se aplica à hipótese de penhora para 
pagamento de prestação alimentícia, 
 212 
 
independentemente de sua origem, bem 
como às importâncias excedentes a 50 
(cinquenta) salários-mínimos mensais, 
devendo a constrição observar o disposto no 
art. 528, § 8o, e no art. 529, § 3o. 
§ 3o Incluem-se na impenhorabilidade 
prevista no inciso V do caput os 
equipamentos, os implementos e as 
máquinas agrícolas pertencentes à pessoa 
física ou a empresa individual produtora 
rural, exceto quando tais bens tenham sido 
objeto de financiamento e estejam 
vinculados em garantia a negócio jurídico 
ou quando respondam por dívida de 
natureza alimentar, trabalhista ou 
previdenciária. 
 
Art. 834. Podem ser penhorados, à falta de 
outros bens, os frutos e os rendimentos dos 
bens inalienáveis. 
 
Guarda relação também com o artigo 185-A do CTN3, 
segundo o qual, se não forem encontrados bens passíveis de 
penhora, poderá ser decretada a indisponibilidade dos bens e 
direitos do executado. 
 
2. Conceitos principais 
 
2.1 A penhora e os bens considerados absolutamente 
impenhoráveis3 “Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não 
pagar nem apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem 
encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de 
seus bens e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio 
eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência 
de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades 
supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que, 
no âmbito de suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial”. 
 213 
 
Segundo a literalidade do artigo 10 da LEF, uma vez 
realizada a citação do executado e não havendo o pagamento 
nem a garantia da execução no prazo de cinco dias, será 
realizada penhora sobre bens suficientes para garantia da 
execução, com exceção dos absolutamente impenhoráveis. 
Assim, consta previsão de forma expressa na LEF de 
que os bens considerados por lei como absolutamente 
impenhoráveis não poderão ser objeto de penhora. Tal 
disposição nos remete ao artigo 1º da Lei n° 8.009/90 que 
estabelece que o imóvel residencial próprio do casal, ou da 
entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer 
tipo de dívida, estendendo-se a impenhorabilidade aos móveis 
que guarnecem a casa. 
Discute-se em âmbito jurisprudencialse há necessidade 
de o bem constar em nome do executado, ou se, mesmo bens em 
nome de pessoa jurídica que sejam residência dos executados 
estão protegidos pela abrangência da lei.4 
O STJ tem se posicionado, nos casos em que se 
verifique que a empresa é familiar e que seus sócios residem em 
imóvel de sua propriedade, a favor de que a impenhorabilidade 
se estende ao imóvel,5 mesmo que registrado em nome da 
 
4 PAULSEN, Leandro; AVILA, Rene Bergmann; SLIWKA, Ingrid Schroder. 
Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal e 
Execução Fiscal à Luz da doutrina e da Jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado, 2012. p. 350. 
5 Nesse sentido, REsp 1024394/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, 
Segunda Turma, julgado em 03/04/2008. Disponível em: 
http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/doc.jsp?livre=1024394&b=AC
OR&p=true&t=JURIDICO&l=10&i=3. Acesso em: 20.07.2016. 
 214 
 
empresa. Reflete-se no entendimento a busca de se garantir o 
mínimo existencial como direito fundamental do executado. 
O ônus probatório para a demonstração de que se trata 
de bem de família é do executado.6 
Diante desse entendimento, se afasta a 
impenhorabilidade sobre bens que não sejam para a moradia 
familiar como é o caso de terreno inocupado7, a não ser que 
sobre o mesmo exista uma expectativa evidente do direito à 
moradia, como seria o caso da construção da casa própria.8 
 
2.1. Renúncia à impenhorabilidade 
 
Seguindo esse entendimento, extrai-se da 
jurisprudência que a impenhorabilidade do bem de família é 
matéria de ordem pública, cujo escopo é dar segurança à família, 
não tendo o devedor sequer direito disponível de oferecer o bem 
em penhora9. 
 
2.2. Único imóvel locado 
 
Uma vez evidenciado que o tema relativo ao bem de 
família trata-se de matéria de ordem pública, há amparo 
jurisprudencial para o fato de que, mesmo que o imóvel esteja 
 
6 AgRg no REsp 1436962/SE, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, 
julgado em 05/06/2014, DJe 24/06/2014 
7 Nesse sentido, REsp 619.722/RS, Rel. Min. José Delgado, abr./2004. 
8 REsp. 410.450/SP, Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, jun./2002. 
9 AgRg no REsp 813.546/DF, Rel. Ministro Francisco Falcão. Rel. Ministro 
Luiz Fux, Primeira Turma, 10/04/2007. 
 215 
 
locado, a impenhorabilidade é garantida caso demonstrado que a 
renda é revertida para a subsistência ou a moradia da família.10,11 
 
2.3. Vaga de garagem 
 
Atualmente tem-se o entendimento de que a penhora 
pode recair sobre vaga de garagem quando esta, mesmo que 
vinculada ao bem de família, possua matrícula própria. 
 
2.4. Bens que guarnecem a residência 
 
Os bens que guarnecem a residência também são 
impenhoráveis, salvo o automóvel, as obras de arte e os adornos 
suntuosos.12 
 
2.5. Bens essenciais ao desenvolvimento de atividade de 
microempresa, empresa de pequeno porte e firma individual 
 
Seguindo a mesma linha de entendimento de que os 
bens necessários à subsistência da entidade familiar são 
impenhoráveis, tem-se estendido a impenhorabilidade para os 
 
10 Nesse sentido é a Súmula 486 do STJ: “É impenhorável o único imóvel 
residencial do devedor que esteja locado a terceiros, desde que a renda 
obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua 
família”. (Súmula 486, CORTE ESPECIAL, julgado em 28/06/2012, DJe 
01/08/2012). 
11 O ônus de comprovar que a renda é subvertida em benefício da unidade 
familiar é do executado, sob pena da penhora ser possível. Nesse sentido foi 
o julgado AgRg nos EREsp 401.518/PR. 
12 Rcl. 4.374/MS, Rel. Ministro Sidnei Beneti, Segunda Seção, julgado em 
23/02/2011, DJe 20/05/2011. 
 216 
 
bens necessários à atividade de microempresa, empresa de 
pequeno porte e firma individual, quando reste demonstrada a 
subsistência familiar. 
Acertam os tribunais quando dão eficácia aos Direitos 
Fundamentais, tais como a dignidade da pessoa humana, à vida, 
ao trabalho e a proteção à família.13 
O artigo 833 do CPC define que “os livros, as 
máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou 
outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da 
profissão do executado”são impenhoráveis. 
Por outro lado, impõe-se referir que o imóvel em que se 
situa a empresa é, de forma excpecional, aceito para fins de 
penhora, quando inexistentes outros bens passíveis de penhora e 
desde que o bem não seja servil à residência dos sócios. Tal 
entendimento não é pacífico, impondo a análise dos diversos 
princípios postos em aplicação.14 
 
2.6. Depósitos até 40 salários mínimos em caderneta de 
poupança e fundos de investimento 
 
O artigo 833 também prevê a impenhorabilidade de 
depósitos com limite de até 40 salários mínimos. O STJ já teve 
oportunidade de enfrentar a matéria e desde então afirma que 
esses valores não precisam estar necessariamente em caderneta 
 
13 AgRg no REsp n 1.381.709/PR. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. 
Segunda Turma. Julgado em 05/09/2013. 
14 REsp 857.327/PR, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma. 
Julgado em 21/08/2008. 
 217 
 
de poupança, estendendo-se a impenhorabilidade para as contas 
de investimentos e contracorrentes.15 
 
3. Jurisprudência relacionada 
 
Bem imóvel vinculado à empresa familiar 
 
PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE TERCEIRO. 
EXECUÇÃO FISCAL MOVIDA EM FACE DE BEM SERVIL 
À RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA. PRETENSÃO DA 
ENTIDADE FAMILIAR DE EXCLUSÃO DO BEM DA 
EXECUÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE JURÍDICA E 
LEGITIMIDADE PARA O OFERECIMENTO DE 
EMBARGOS DE TERCEIRO. É BEM DE FAMÍLIA O 
IMÓVEL PERTENCENTE À SOCIEDADE, DÊS QUE O 
ÚNICO SERVIL À RESIDÊNCIA DA MESMA. RATIO 
ESSENDI DA LEI Nº 8.009/90. 
1. A lei deve ser aplicada tendo em vista os fins sociais a que ela 
se destina. Sob esse enfoque a impenhorabilidade do bem de 
família visa a preservar o devedor do constrangimento do 
despejo que o relegue ao desabrigo. 
2. Empresas que revelam diminutos empreendimentos 
familiares, onde seus integrantes são os próprios partícipes da 
atividade negocial, mitigam o princípio societas distat singulis, 
peculiaridade a ser aferida cum granu salis pelas instâncias 
locais. 
3. Aferida à saciedade que a família reside no imóvel sede de 
pequena empresa familiar, impõe-se exegese humanizada, à luz 
do fundamento da república voltado à proteção da dignidade da 
pessoa humana, por isso que, expropriar em execução por 
quantia certa esse imóvel, significa o mesmoque alienar bem de 
família, posto que, muitas vezes, lex dixit minus quam voluit. 
4. In casu, a família foi residir no único imóvel pertencente à 
família e à empresa, a qual, aliás, com a mesma se confunde, 
quer pela sua estrutura quer pela conotação familiar que 
 
15 REsp 1582264/PR, Rel. Min. REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA 
TURMA, julgado em 21/06/2016, DJe 28/06/2016 
 218 
 
assumem determinadas pessoas jurídicas com patrimônio 
mínimo. 
5. É assente em vertical sede doutrinária que "A 
impenhorabilidade da Lei nº 8.009/90, ainda que tenha como 
destinatários as pessoas físicas, merece ser aplicada a certas 
pessoas jurídicas, às firmas individuais, às pequenas empresas 
com conotação familiar, por exemplo, por haver identidade de 
patrimônios." (FACHIN, Luiz Edson. "Estatuto Jurídico do 
Patrimônio Mínimo", Rio de Janeiro, Renovar, 2001, p. 154). 
6. Em consequência "(...) Pequenos empreendimentos 
nitidamente familiares, onde os sócios são integrantes da família 
e, muitas vezes, o local de funcionamento confunde-se com a 
própria moradia, DEVEM BENEFICIAR-SE DA 
IMPENHORABILIDADE LEGAL." [grifo nosso] 7. Aplicação 
principiológica do direito infraconstitucional à luz dos valores 
eleitos como superiores pela constituição federal que autoriza 
excluir da execução da sociedade bem a ela pertencente, mas 
que é servil à residência como único da família, sendo a empresa 
multifamiliar. 
8. Nessas hipóteses, pela causa petendi eleita, os familiares são 
terceiros aptos a manusear os embargos de terceiro pelo título 
que pretendem desvincular, o bem da execução movida pela 
pessoa jurídica. 
9. Recurso especial provido. 
(REsp 621.399/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA 
TURMA, julgado em 19/04/2005, DJ 20/02/2006, p. 207) 
 
RECURSO ESPECIAL. IMPENHORABILIDADE DE BEM 
DE FAMÍLIA. EMBARGOS A EXECUÇÃO DECORRENTE 
DE AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO, 
EM QUE PENHORADOS BENS DE SÓCIOS DA 
LOCATÁRIA, POR DESCONSIDERAÇÃO DA 
PERSONALIDADE JURÍDICA. IMÓVEL PENHORADO EM 
QUE RESIDEM OS SÓCIOS, CUJO ENDEREÇO NA JUNTA 
COMERCIAL É O MESMO DA SOCIEDADE 
DESCONSIDERADA. INSUFICIÊNCIA DESSE ELEMENTO 
PARA A DESCARACTERIZAÇÃO DE BEM DE 
RESIDÊNCIA. PENHORA, ADEMAIS, SUBSISTENTE, DE 
OUTRO IMÓVEL, SITUADO EM OUTRA CIDADE. 
IMPENHORABILIDADE RECONHECIDA. 
 219 
 
1. Não prejudica a impenhorabilidade referente a bem de família 
(Lei 8.009/90) o fato de o imóvel, que se caracteriza 
evidentemente como residência dos devedores, não fiadores, 
mas atingidos diante de desconsideração da pessoa jurídica, 
constar como endereço na Junta Comercial, da pessoa jurídica 
desconsiderada, que resta devedora de verbas locatícias após 
despejo por falta de pagamento. 
2. Imóvel que evidentemente não se coaduna com utilização 
comercial (hotel) e residencial ao mesmo tempo, dadas as 
reduzidas dimensões (100m2), e que, ainda, manteria a condição 
de impenhorável ainda que se tratasse de utilização mista, 
segundo jurisprudência assente nesta Corte. 
3. Recurso Especial provido e embargos à execução, interpostos 
pelos sócios, julgados procedentes. 
(REsp 1326415/SP, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, 
TERCEIRA TURMA, julgado em 23/10/2012, DJe 14/11/2012) 
 
 
Bem de família e ônus da prova 
 
PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. 
IMPENHORABILIDADE DE BEM DE FAMÍLIA. 
AUSÊNCIA DE PROVAS. SÚMULA 283/STF. SÚMULA 
7/STJ. 
1. A falta de combate a fundamento específico do aresto 
recorrido justifica a aplicação da Súmula 283/STF. 
2. A análise tendente à investigação das condições da 
impenhorabilidade do bem demandaria a análise das provas dos 
autos, providência obstada pela Súmula 7/STJ. 
3. Agravo regimental a que se nega provimento. 
(AgRg no REsp 1436962/SE, Rel. Ministro OG FERNANDES, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 05/06/2014, DJe 24/06/2014) 
3.1 Presunção de fraude à execução após a inscrição de débito 
em dívida ativa, após o advento da LC 118/05: “PROCESSUAL 
CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE 
CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. DIREITO 
TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE TERCEIRO. 
FRAUDE À EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE BEM 
POSTERIOR À CITAÇÃO DO DEVEDOR. INEXISTÊNCIA 
DE REGISTRO NO DEPARTAMENTO DE TRÂNSITO – 
 220 
 
DETRAN. INEFICÁCIA DO NEGÓCIO JURÍDICO. 
INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. ARTIGO 185 DO CTN, 
COM A REDAÇÃO DADA PELA LC N.º 118/2005. 
SÚMULA 375/STJ. INAPLICABILIDADE. 
1. A lei especial prevalece sobre a lei geral (lex specialis 
derrogat lex generalis), por isso que a Súmula n.º 375 do 
Egrégio STJ não se aplica às execuções fiscais. 
2. O artigo 185, do Código Tributário Nacional – CTN, 
assentando a presunção de fraude à execução, na sua redação 
primitiva, dispunha que: "Art. 185. Presume-se fraudulenta a 
alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por 
sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública por 
crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa em 
fase de execução. 
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na 
hipótese de terem sido reservados pelo devedor bens ou rendas 
suficientes ao total pagamento da dívida em fase de execução." 
3. A Lei Complementar n.º 118, de 9 de fevereiro de 2005, 
alterou o artigo 185, do CTN, que passou a ostentar o seguinte 
teor: "Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração 
de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito 
para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente 
inscrito como dívida ativa. Parágrafo único. O disposto neste 
artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados, pelo 
devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da 
dívida inscrita." 
4. Consectariamente, a alienação efetivada antes da entrada em 
vigor da LC n.º 118/2005 (09.06.2005) presumia-se em fraude à 
execução se o negócio jurídico sucedesse a citação válida do 
devedor; posteriormente a 09.06.2005, consideram-se 
fraudulentas as alienações efetuadas pelo devedor fiscal após a 
inscrição do crédito tributário na dívida ativa. 
5. A diferença de tratamento entre a fraude civil e a fraude fiscal 
justifica-se pelo fato de que, na primeira hipótese, afronta-se 
interesse privado, ao passo que, na segunda, interesse público, 
porquanto o recolhimento dos tributos serve à satisfação das 
necessidades coletivas. 
6. É que, consoante a doutrina do tema, a fraude de execução, 
diversamente da fraude contra credores, opera-se in re ipsa, vale 
dizer, tem caráter absoluto, objetivo, dispensando o concilium 
 221 
 
fraudis. (FUX, Luiz. O novo processo de execução: o 
cumprimento da sentença e a execução extrajudicial. 1. ed. Rio 
de Janeiro: Forense, 2008, p. 95-96 / DINAMARCO, Cândido 
Rangel. Execução civil. 7. ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 
278-282 / MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito 
tributário. 22. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 210-211 / 
AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 11. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2005. p. 472-473 / BALEEIRO, Aliomar. 
Direito Tributário Brasileiro. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense, 
1996, p. 604). 
7. A jurisprudência hodierna da Corte preconiza referido 
entendimento consoante se colhe abaixo: “O acórdão 
embargado, considerando que não é possível aplicar a nova 
redação do art. 185 do CTN (LC 118/05) à hipótese em apreço 
(tempus regit actum), respaldou-se na interpretação da redação 
original desse dispositivo legal adotada pela jurisprudência do 
STJ”. (EDcl no AgRg no Ag 1.019.882/PR, Rel. Ministro 
Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 06/10/2009, 
DJe 14/10/2009) "Ressalva do ponto de vista do relator que tem 
a seguinte compreensão sobre o tema: [...] b) Na redação atual 
do art. 185 do CTN, exige-se apenas a inscrição em dívida ativa 
prévia à alienação para caracterizar a presunção relativa de 
fraude à execução em que incorrem o alienante e o adquirente 
(regra aplicável às alienações ocorridas após 9.6.2005);”. (REsp 
726.323/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda 
Turma, julgado em 04/08/2009, DJe 17/08/2009) "Ocorrida a 
alienaçãodo bem antes da citação do devedor, incabível falar 
em fraude à execução no regime anterior à nova redação do art. 
185 do CTN pela LC 118/2005". (AgRg no Ag 1.048.510/SP, 
Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 
19/08/2008, DJe 06/10/2008) “A jurisprudência do STJ, 
interpretando o art. 185 do CTN, até o advento da LC 118/2005, 
pacificou-se, por entendimento da Primeira Seção (EREsp 
40.224/SP), no sentido de só ser possível presumir-se em fraude 
à execução a alienação de bem de devedor já citado em 
execução fiscal”. (REsp 810.489/RS, Rel. Ministra Eliana 
Calmon, Segunda Turma, julgado em 23/06/2009, DJe 
06/08/2009) 
8. A inaplicação do art. 185 do CTN implica violação da 
Cláusula de Reserva de Plenário e enseja reclamação por 
 222 
 
infringência da Súmula Vinculante n.º 10 verbis: "Viola a 
cláusula de reserva de plenário (cfe. artigo 97) a decisão de 
órgão fracionário de tribunal que, embora não declare 
expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo 
do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 
9. Conclusivamente: (a) a natureza jurídica tributária do crédito 
conduz a que a simples alienação ou oneração de bens ou 
rendas, ou seu começo, pelo sujeito passivo por quantia inscrita 
em dívida ativa, sem a reserva de meios para quitação do débito, 
gera presunção absoluta (jure et de jure) de fraude à execução 
(lei especial que se sobrepõe ao regime do direito processual 
civil); (b) a alienação engendrada até 08.06.2005 exige que 
tenha havido prévia citação no processo judicial para 
caracterizar a fraude de execução; se o ato translativo foi 
praticado a partir de 09.06.2005, data de início da vigência da 
Lei Complementar n.º 118/2005, basta a efetivação da inscrição 
em dívida ativa para a configuração da figura da fraude; (c) a 
fraude de execução prevista no artigo 185 do CTN encerra 
presunção jure et de jure, conquanto componente do elenco das 
"garantias do crédito tributário"; (d) a inaplicação do artigo 185 
do CTN, dispositivo que não condiciona a ocorrência de fraude 
a qualquer registro público, importa violação da Cláusula 
Reserva de Plenário e afronta à Súmula Vinculante n.º 10, do 
STF. 
10. In casu, o negócio jurídico em tela aperfeiçoou-se em 
27.10.2005, data posterior à entrada em vigor da LC 118/2005, 
sendo certo que a inscrição em dívida ativa deu-se anteriormente 
à revenda do veículo ao recorrido, porquanto, consoante 
dessume-se dos autos, a citação foi efetuada em data anterior à 
alienação, restando inequívoca a prova dos autos quanto à 
ocorrência de fraude à execução fiscal. 
11. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão submetido 
ao regime do artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ n.º 
08/2008.” (REsp 1141990/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, 
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe 19/11/2010) 
 
(Im)possibilidade de renúncia sobre o bem de família 
 
TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO 
ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL.IMPENHORABILIDADE 
 223 
 
DE BEM ÚTIL E NECESSÁRIO PARA A CONTINUIDADE 
DE MICROEMPRESAS, EMPRESAS DE PEQUENO PORTE 
E FIRMAS INDIVIDUAIS. POSSIBILIDADE 
EXCEPCIONAL. INDICAÇÃO DO BEM À PENHORA PELO 
EXECUTADO. RENÚNCIA AO BENEFÍCIO LEGAL. NÃO 
OCORRÊNCIA. 
1. Pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de que os 
bens úteis ou necessários às atividades desenvolvidas por 
pequenas empresas, onde os sócios atuam pessoalmente, são 
impenhoráveis, na forma do disposto no art. 649, V, do CPC 2. 
"Inobstante a indicação do bem pelo próprio devedor, não há 
que se falar em renúncia ao benefício de impenhorabilidade 
absoluta, constante do artigo 649 do CPC. A ratio essendi do 
artigo 649 do CPC decorre da necessidade de proteção a certos 
valores universais considerados de maior importância, quais 
sejam o Direito à vida, ao trabalho, à sobrevivência, à proteção à 
família. Trata-se de defesa de direito fundamental da pessoa 
humana, insculpida em norma infraconstitucional" (REsp 
864.962/RS, DJe de 18.2.2010, Rel. Min. Mauro Campbell 
Marques). 
3. Agravo regimental não provido. 
(AgRg no REsp 1381709/PR, Rel. Ministro MAURO 
CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 
05/09/2013, DJe 11/09/2013) 
 
Imóvel da sociedade empresária – penhorabilidade 
 
PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL 
REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, 
DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. IMÓVEL PROFISSIONAL. 
BEM ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEL. NÃO 
CARACTERIZAÇÃO. ARTIGO 649, IV, DO CPC. 
INAPLICABILIDADE. EXCEPCIONALIDADE DA 
CONSTRIÇÃO JUDICIAL. 
1. A penhora de imóvel no qual se localiza o estabelecimento da 
empresa é, excepcionalmente, permitida, quando inexistentes 
outros bens passíveis de penhora e desde que não seja servil à 
residência da família. 
2. O artigo 649, V, do CPC, com a redação dada pela Lei 
11.382/2006, dispõe que são absolutamente impenhoráveis os 
 224 
 
livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os 
instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao 
exercício de qualquer profissão. 
3. A interpretação teleológica do artigo 649, V, do CPC, em 
observância aos princípios fundamentais constitucionais da 
dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho e 
da livre iniciativa (artigo 1º, incisos III e IV, da CRFB/88) e do 
direito fundamental de propriedade limitado à sua função social 
(artigo 5º, incisos XXII e XXIII, da CRFB/88), legitima a 
inferência de que o imóvel profissional constitui instrumento 
necessário ou útil ao desenvolvimento da atividade objeto do 
contrato social, máxime quando se tratar de pequenas empresas, 
empresas de pequeno porte ou firma individual. 
4. Ademais, o Código Civil de 2002 preceitua que: "Art. 1.142. 
Considera-se estabelecimento todo complexo de bens 
organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por 
sociedade empresária." 
5. Consequentemente, o "estabelecimento" compreende o 
conjunto de bens, materiais e imateriais, necessários ao 
atendimento do objetivo econômico pretendido, entre os quais se 
insere o imóvel onde se realiza a atividade empresarial. 
6. A Lei 6.830/80, em seu artigo 11, § 1º, determina que, 
excepcionalmente, a penhora poderá recair sobre o 
estabelecimento comercial, industrial ou agrícola, regra especial 
aplicável à execução fiscal, cuja presunção de 
constitucionalidade, até o momento, não restou ilidida. 
7. Destarte, revela-se admissível a penhora de imóvel que 
constitui parcela do estabelecimento industrial, desde que 
inexistentes outros bens passíveis de serem penhorados 
[Precedentes do STJ: AgRg nos EDcl no Ag 746.461/RS, Rel. 
Ministro Paulo Furtado (Desembargador Convocado do TJ/BA), 
Terceira Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 04.06.2009; REsp 
857.327/PR, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, 
julgado em 21.08.2008, DJe 05.09.2008; REsp 994.218/PR, Rel. 
Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 
04.12.2007, DJe 05.03.2008; AgRg no Ag 723.984/PR, Rel. 
Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 04.05.2006, 
DJ 29.05.2006; e REsp 354.622/SP, Rel. Ministro Garcia Vieira, 
Primeira Turma, julgado em 05.02.2002, DJ 18.03.2002]. 
 225 
 
8. In casu, o executado consignou que: "Trata-se de execução 
fiscal na qual foi penhorado o imóvel localizado na rua Marcelo 
Gama, nº 2.093 e respectivo prédio de alvenaria, inscrito no 
Registro de Imóveis sob o nº 18.082, único bem de propriedade 
do agravante e local onde funciona a sede da empresa individual 
executada, que atua no ramo de fabricação de máquinas e 
equipamentos industriais. (...) Ora, se o objeto social da firma 
individual é a fabricação de máquinas e equipamentos 
industriais, o que não pode ser feito em qualquer local, 
necessitando de um bom espaço para tanto, e o agravante não 
possui mais qualquer imóvel – sua residência é alugada – como 
poderá prosseguir com suas atividades sem o local de sua sede? 
Excelências, como plenamente demonstrado, o imóvel 
penhorado constitui o próprio instrumento de trabalho do 
agravante, uma vez que é o local onde exerce, juntamente com 
seusfamiliares, sua atividade profissional e de onde retira o seu 
sustento e de sua família. Se mantida a penhora restará cerceada 
sua atividade laboral e ferido o princípio fundamental dos 
direitos sociais do trabalho, resguardados pela Constituição 
Federal (art. 1º, IV, da CF). Dessa forma, conclusão outra não há 
senão a de que a penhora não pode subsistir uma vez que recaiu 
sobre bem absolutamente impenhorável." 
9. O Tribunal de origem, por seu turno, assentou que: "O inc. V 
do art. 649 do CPC não faz menção a imóveis como bens 
impenhoráveis. Tanto assim que o § 1º do art. 11 da L 
6.830/1980 autoriza, excepcionalmente, que a penhora recaia 
sobre a sede da empresa. E, no caso, o próprio agravante admite 
não ter outros bens penhoráveis. Ademais, consta na matrícula 
do imóvel a averbação de outras seis penhoras, restando, 
portanto, afastada a alegação de impenhorabilidade. Por fim, 
como bem salientou o magistrado de origem, o agravante não 
comprovou a indispensabilidade do bem para o desenvolvimento 
das atividades, limitando-se a alegar, genericamente, que a 
alienação do bem inviabilizaria o empreendimento." 
10. Consequentemente, revela-se legítima a penhora, em sede de 
execução fiscal, do bem de propriedade do executado onde 
funciona a sede da empresa individual, o qual não se encontra 
albergado pela regra de impenhorabilidade absoluta, ante o 
princípio da especialidade (lex specialis derrogat lex generalis). 
 226 
 
11. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime 
do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. 
(REsp 1114767/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Corte Especial, 
julgado em 02/12/2009, DJe 04/02/2010) 
 
Impenhorabilidade de investimentos até 40 Salários Mínimos 
 
PROCESSUAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CPC 
DE 1973. APLICABILIDADE. REGRA DE 
IMPENHORABILIDADE. ARTIGO 649, X, DO CPC. LIMITE 
DE QUARENTA SALÁRIOS MÍNIMOS. INTERPRETAÇÃO 
EXTENSIVA. CABIMENTO. 
I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão 
realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado 
pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. 
Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 
1973. 
II – A impenhorabilidade da quantia de até quarenta salários 
mínimos poupada alcança não somente as aplicações em 
caderneta de poupança, mas também as mantidas em fundo de 
investimentos, em conta-corrente ou guardadas em papel-
moeda, ressalvado eventual abuso, má-fé, ou fraude, a ser 
verificado de acordo com as circunstâncias do caso concreto. 
Precedentes. 
III – Recurso Especial improvido. 
(REsp 1582264/PR, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/06/2016, DJe 28/06/2016) 
 
4. Temas relacionados 
 
Não há temas relacionados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 227 
 
5. Referências bibliográficas 
 
CONRADO, Paulo Cesar. Execução Fiscal. 2. ed. São Paulo: 
Noeses, 2015. De acordo com o Novo CPC. 
 
MOURA, Arthur. Lei de Execução Fiscal: comentada e 
anotada.Salvador: JusPodivm, 2015. 
 
NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução 
Fiscal à Luz da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo 
por artigo de acordo com o novo CPC. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2015. 
 
PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução 
Fiscal, Lei n. 6830. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 288. 
Disponível em: VitalSource Bookshelf Online. Acesso em: 
10/05/2016. 
 
PAULSEN, Leandro; AVILA, Rene Bergmann; SLIWKA, 
Ingrid Schroder. Direito Processual Tributário: Processo 
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à Luz da doutrina e da 
Jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 
2012. 
 
PORTO, Ederson Garin.Manual da Execução Fiscal. 2. ed. 
Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. 
 
SANDRI, Marcos Paulo. Penhora de Bens no Processo de 
Execução Fiscal. In: FILHO, João Aurino de Melo 
(coord.).Execução Fiscal Aplicada: Análise pragmática do 
processo de execução fiscal. 4. ed. Ed. JusPodivm, 2015. 
 
 228 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMENTÁRIOS AOS ARTS. 11 A 13 
 Fábio Tomkowski*
 
 
Art. 11 - A penhora ou arresto de bens obedecerá à seguinte 
ordem: 
I - dinheiro; 
II - título da dívida pública, bem como título de crédito, que 
tenham cotação em bolsa; 
III - pedras e metais preciosos; 
IV - imóveis; 
V - navios e aeronaves; 
VI - veículos; 
VII - móveis ou semoventes; e 
VIII - direitos e ações. 
 
* Doutorando em Direito Econômico, Financeiro e Tributário pela USP. 
Mestre em Fundamentos Constitucionais do Direito Público e Privado pela 
PUCRS. Pesquisador visitante na Faculdade de Direito de Harvard, e no 
Instituto Max Planck de Direito Tributário e Finanças Públicas, em 
Munique. Especialista em Direito Tributário pela PUCRS e em Processo 
Civil pela UFRGS. Curso de Direito Constitucional Comparado na 
Sapienza Università di Roma. 
 229 
 
§ 1º - Excepcionalmente, a penhora poderá recair sobre 
estabelecimento comercial, industrial ou agrícola, bem como 
em plantações ou edifícios em construção. 
§ 2º - A penhora efetuada em dinheiro será convertida no 
depósito de que trata o inciso I do artigo 9º. 
§ 3º - O Juiz ordenará a remoção do bem penhorado para 
depósito judicial, particular ou da Fazenda Pública 
exequente, sempre que esta o requerer, em qualquer fase do 
processo. 
1. Evolução Legislativa e Remissões Legais 
 
O processo de execução fiscal passou por diversas 
fases. A primeira delas, com o Decreto Lei nº 960/38, que 
regulou de maneira mais específica a matéria de cobrança de 
débito tributário. Foi tratado, também, no Código de Processo 
Civil de 1973, que buscou unificar toda a legislação referente a 
processo civil, bem como seus ritos, em um único código. Após, 
com o surgimento da Lei nº 6.830/80, a execução fiscal passou a 
ter nova lei específica para tutelá-la. 
Especificamente no que se refere à penhora, no Decreto 
Lei nº 960/38, que é o que mais se assemelha com a atual Lei nº 
6.830/80, e que, na parte que não contradiz esta lei mais recente, 
ainda está em vigor, o assunto é tratado de forma menos 
detalhada, sendo estabelecido, por exemplo, que a penhora 
deverá recair em bens que bastem para o pagamento do 
principal, dos juros e da multa (art. 13). Estabelece, também, 
quais os elementos que deveriam constar no auto de penhora, 
 230 
 
sob pena de responsabilização de quem o lavrasse (art. 14). A 
coisa penhorada sempre deveria ser depositada nas mãos do 
executado, quando se tratar de um imóvel (art. 15), ou, quando 
se tratar de bem móvel, títulos ou dinheiro, o depósito poderia 
ser feito em mãos do devedor, desde que a Fazenda Pública não 
se opusesse a isso. Caso a Fazenda não concordasse, o depósito 
deveria ser feito em mãos do depositório oficial ou de 
depositário nomeado pelo juiz, nos locais onde não houvesse o 
primeiro. 
Já na lei posterior, qual seja, a Lei nº 6830/80, a 
penhora, no processo de execução fiscal, é tratada de maneira 
bem mais detalhada, contando com dispositivo listando a ordem 
de preferência dos bens a serem penhorados (art. 11), como se 
dará a intimação (art. 12) e como se dará a avaliação dos bens 
(art. 13). Além disso, o novo Código de Processo Civil (Lei nº 
13.105/15), assim como ocorria no Código de Processo Civil 
antigo (Lei nº 5.869/73), complementa o procedimento de 
cobranças de créditos tributários pela Fazenda Pública. 
 
Remissões Legais: arts. 13, 14 e 15, do Decreto Lei nº 960/38; 
arts. 11, 12 e 13, da Lei nº 6.830/80; Lei nº 13.105/15 e Lei nº 
5869/73. 
 
2. Conceitos Principais 
 
A Lei de Execuções Fiscais, por se tratar de lei 
especial, possui prevalência frente ao CPC, não se aplicando a 
 231 
 
ela o que dispõe o referido código, quando se tratar de matéria 
conflitante entre ambas. 
Desse modo, pode o executado nomear bens à penhora, 
observando a ordem de preferência estabelecida pelo artigo 11, 
da LEF. Todavia, deve-se lembrar que o artigo 53,da Lei nº 
8.212/911, prevê uma exceção, qual seja, a de que, para 
execuções fiscais ajuizadas por entes federais, o exequente terá o 
direito de indicar bens à penhora. 
Em decorrência de no artigo 11, VIII, da LEF, ser 
tratado expressamente de “direitos e ações”, pode-se afirmar ser 
possível a utilização de precatórios emitidos contra a exequente2 
ou outra pessoa de direito público, havendo, no entanto, a 
possibilidade de recusa, por parte da Fazenda Pública, de 
substituição do bem penhorado por precatório. Nesse sentido a 
Súmula 406, do Superior Tribunal de Justiça: “A Fazenda 
Pública pode recusar a substituição do bem penhorado por 
 
1 “Art. 53. Na execução judicial da dívida ativa da União, suas autarquias e 
fundações públicas, será facultado ao exeqüente indicar bens à penhora, a 
qual será efetivada concomitantemente com a citação inicial do devedor. 
§ 1º Os bens penhorados nos termos deste artigo ficam desde logo 
indisponíveis. 
§ 2º Efetuado o pagamento integral da dívida executada, com seus 
acréscimos legais, no prazo de 2 (dois) dias úteis contados da citação, 
independentemente da juntada aos autos do respectivo mandado, poderá ser 
liberada a penhora, desde que não haja outra execução pendente. 
§ 3º O disposto neste artigo aplica-se também às execuções já processadas. 
§ 4º Não sendo opostos embargos, no caso legal, ou sendo eles julgados 
improcedentes, os autos serão conclusos ao juiz do feito, para determinar o 
prosseguimento da execução.” 
2 CARNEIRO DA CUNHA, Leonardo José. Diversas execuções fiscais. 
Penhora de precatório a ser pago pelo próprio exequente. Parcelamento. 
Liberação da primeira parcela. Desconstituição da penhora sobre o valor da 
primeira parcela. Poder liberatório das parcelas vincendas. Princípio da 
menor gravosidade. RDDP nº 76, jul/09, p. 135. 
 232 
 
precatório”. Além do mais, conforme entendimento do mesmo 
tribunal, a Fazenda Pública não está obrigada nem mesmo a 
aceitar a indicação de precatório como garantia, por ser 
considerado como sendo mera expectativa de recebimento de 
bem no futuro, ou seja, equipara-se o precatório não a dinheiro 
ou fiança bancária, mas a mero direito de crédito. Nessa 
perspectiva, a Fazenda Pública poderá recusar a substituição da 
penhora com fundamento nas hipóteses previstas nos artigos 11 
e 15, da LEF, ou no artigo 848, do novo Código de Processo 
Civil, quais sejam: i) ela não obedecer à ordem legal; ii) ela não 
incidir sobre os bens designados em lei, contrato ou ato judicial 
para o pagamento; iii) havendo bens no foro da execução, outros 
tiverem sido penhorados; iv) havendo bens livres, ela tiver 
recaído sobre bens já penhorados ou objeto de gravame; v) ela 
incidir sobre bens de baixa liquidez; vi) fracassar a tentativa de 
alienação judicial do bem; ou vii) o executado não indicar o 
valor dos bens ou omitir qualquer das indicações previstas em 
lei. 
Da leitura do artigo 186 do CTN e do artigo 30, da 
LEF, pode-se extrair a conclusão de que são passíveis de 
responder pelo pagamento do crédito tributário os bens gravados 
por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou 
impenhorabilidade, salvo aqueles que a “lei declare como sendo 
absolutamente impenhoráveis”, ou seja, para que um bem seja 
impenhorável, tal impenhorabilidade deve constar 
expressamente em lei, independendo de ato de vontade. 
 233 
 
Todavia, pode haver dúvida quando da leitura do 
dispositivo do artigo 833, I, do novo Código de Processo Civil, 
que prevê que “os bens inalienáveis e os declarados, por ato 
voluntário, não sujeitos à execução” são impenhoráveis. No 
entanto, a interpretação a ser dada ao artigo 186, do CTN, por se 
tratar de lei especial, é de que deve haver previsão expressa de 
impenhorabilidade do bem para que ele seja impenhorável, em 
outras palavras, o dispositivo do artigo 833, I, do novo CPC, não 
será oponível na execução fiscal. Os demais bens previstos no 
artigo 8333, do novo CPC, todavia, serão impenhoráveis. Nesse 
 
3 “Art. 833. São impenhoráveis: 
I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à 
execução; 
II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a 
residência do executado, salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as 
necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida; 
III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo 
se de elevado valor; 
IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os 
proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios, bem 
como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao 
sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e 
os honorários de profissional liberal, ressalvado o § 2o; 
V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou 
outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do 
executado; 
VI - o seguro de vida; 
VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem 
penhoradas; 
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que 
trabalhada pela família; 
IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação 
compulsória em educação, saúde ou assistência social; 
X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40 
(quarenta) salários-mínimos; 
XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido político, 
nos termos da lei; 
XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime 
de incorporação imobiliária, vinculados à execução da obra. 
 234 
 
sentido, conforme bem exposto por Ederson Porto, muito 
embora da leitura dos dispositivos da LEF se perceba que o 
legislador buscou ampliar a responsabilidade do executado, 
estendendo-a para além dos limites de que dispõe o CPC, deve-
se adequá-lo à Constituição Federal, bem como aos princípios 
gerais do Direito.4 
Caso o valor dos bens penhorados não seja suficiente 
para cobrir o valor do débito, a Fazenda Pública poderá requerer 
que seja realizado reforço de penhora. Cabe ressaltar que esse 
pedido deverá ser feito expressamente, não podendo o juiz, de 
ofício, determinar a substituição do bem ou o reforço da 
penhora, nos moldes do artigo 15, II, da LEF e 8745 c/c 8506, do 
novo CPC. 
 
§ 1o A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao 
próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição. 
§ 2o O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de 
penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de 
sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) 
salários-mínimos mensais, devendo a constrição observar o disposto no art. 
528, § 8o, e no art. 529, § 3o. 
§ 3o Incluem-se na impenhorabilidade prevista no inciso V do caput os 
equipamentos, os implementos e as máquinas agrícolas pertencentes a 
pessoa física ou a empresa individual produtora rural, exceto quando tais 
bens tenham sido objeto de financiamento e estejam vinculados em garantia 
a negócio jurídico ou quando respondam por dívida de natureza alimentar, 
trabalhista ou previdenciária”. 
4 PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2ª Edição. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado. 2010, p. 120. 
5 “Art. 874. Após a avaliação, o juiz poderá, a requerimento do interessado e 
ouvida a parte contrária, mandar: 
I - reduzir a penhora aos bens suficientes ou transferi-la para outros, se o 
valor dos bens penhorados for consideravelmente superior ao crédito do 
exequente e dos acessórios; 
II - ampliar a penhora ou transferi-la para outros bens mais valiosos, se o 
valor dos bens penhorados for inferior ao crédito do exequente”.235 
 
Nos termos do artigo 8547, do novo Código de 
Processo Civil, é possibilitado ao juiz, para tornar possível a 
 
6 “Art. 850. Será admitida a redução ou a ampliação da penhora, bem como 
sua transferência para outros bens, se, no curso do processo, o valor de 
mercado dos bens penhorados sofrer alteração significativa”. 
7 “Art. 854. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou em 
aplicação financeira, o juiz, a requerimento do exequente, sem dar ciência 
prévia do ato ao executado, determinará às instituições financeiras, por 
meio de sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema 
financeiro nacional, que torne indisponíveis ativos financeiros existentes 
em nome do executado, limitando-se a indisponibilidade ao valor indicado 
na execução. 
§ 1o No prazo de 24 (vinte e quatro) horas a contar da resposta, de ofício, o 
juiz determinará o cancelamento de eventual indisponibilidade excessiva, o 
que deverá ser cumprido pela instituição financeira em igual prazo. 
§ 2o Tornados indisponíveis os ativos financeiros do executado, este será 
intimado na pessoa de seu advogado ou, não o tendo, pessoalmente. 
§ 3o Incumbe ao executado, no prazo de 5 (cinco) dias, comprovar que: 
I - as quantias tornadas indisponíveis são impenhoráveis; 
II - ainda remanesce indisponibilidade excessiva de ativos financeiros. 
§ 4o Acolhida qualquer das arguições dos incisos I e II do § 3o, o juiz 
determinará o cancelamento de eventual indisponibilidade irregular ou 
excessiva, a ser cumprido pela instituição financeira em 24 (vinte e quatro) 
horas. 
§ 5o Rejeitada ou não apresentada a manifestação do executado, converter-se-
á a indisponibilidade em penhora, sem necessidade de lavratura de termo, 
devendo o juiz da execução determinar à instituição financeira depositária 
que, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, transfira o montante indisponível 
para conta vinculada ao juízo da execução. 
§ 6o Realizado o pagamento da dívida por outro meio, o juiz determinará, 
imediatamente, por sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora 
do sistema financeiro nacional, a notificação da instituição financeira para 
que, em até 24 (vinte e quatro) horas, cancele a indisponibilidade. 
§ 7o As transmissões das ordens de indisponibilidade, de seu cancelamento e 
de determinação de penhora previstas neste artigo far-se-ão por meio de 
sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema financeiro 
nacional. 
§ 8o A instituição financeira será responsável pelos prejuízos causados ao 
executado em decorrência da indisponibilidade de ativos financeiros em 
valor superior ao indicado na execução ou pelo juiz, bem como na hipótese 
de não cancelamento da indisponibilidade no prazo de 24 (vinte e quatro) 
horas, quando assim determinar o juiz. 
§ 9o Quando se tratar de execução contra partido político, o juiz, a 
requerimento do exequente, determinará às instituições financeiras, por 
meio de sistema eletrônico gerido por autoridade supervisora do sistema 
 236 
 
penhora de dinheiro em depósito ou em aplicação financeira, 
desde que requerido pelo exequente, sem cientificar previamente 
o executado, determinar às instituições financeiras para que 
tornem indisponíveis ativos financeiros existentes em nome do 
executado, limitando-se a indisponibilidade ao valor da 
execução e devendo o executado ser intimado na pessoa de seu 
advogado, ou no caso de não possuir, pessoalmente. Não há 
óbice, no entanto, para que, no prazo de 24 horas a contar da 
resposta, verificando que a indisponibilidade é excessiva, seja 
determinado pelo juiz o cancelamento da mesma, devendo a 
instituição cumprir a determinação no prazo de 24 horas. 
Após a indisponibilidade, caberá ao executado, no 
prazo de 5 dias, comprovar que: i) as quantias tornadas 
indisponíveis são impenhoráveis; ii) ainda remanesce 
indisponibilidade excessiva de ativos financeiros, nos termos do 
§3º, do mesmo dispositivo, caso em que, sendo comprovada 
alguma dessas hipóteses, o juiz determinará o cancelamento de 
eventual indisponibilidade irregular ou excessiva, devendo ser 
cumprido o cancelamento, pela instituição financeira, no prazo 
de 24 horas. 
Caso rejeitada ou não apresentada a manifestação do 
executado, a indisponibilidade será convertida em penhora, sem 
necessidade de lavratura de termo, cabendo ao juiz da execução 
determinar à instituição financeira depositária que, no prazo de 
 
bancário, que tornem indisponíveis ativos financeiros somente em nome do 
órgão partidário que tenha contraído a dívida executada ou que tenha dado 
causa à violação de direito ou ao dano, ao qual cabe exclusivamente a 
responsabilidade pelos atos praticados, na forma da lei”. 
 237 
 
24 horas, transfira o montante indisponível para conta vinculada 
ao juízo da execução (§5º). 
Já se o pagamento da dívida se der por outro meio, 
deverá o juiz determinar, imediatamente, a notificação da 
instituição financeira para que, também no prazo de 24 horas, 
cancele a indisponibilidade (§6º), sendo responsável, a 
instituição financeira, pelos prejuízos causados ao executado 
que decorram da indisponibilidade de ativos financeiros em 
valor superior ao indicado na execução ou pelo juiz, bem como 
na hipótese de não cancelamento da indisponibilidade no prazo 
de 24 horas, quando assim determinar o juiz (§7º). 
Quando a execução for contra partidos políticos, o juiz, 
a requerimento do exequente, irá determinar às instituições 
financeiras, por meio de sistema eletrônico gerido por 
autoridade supervisora do sistema bancário, que tornem 
indisponíveis ativos financeiros somente em nome do órgão 
partidário que tenha contraído a dívida executada ou que tenha 
dado causa à violação de direito ou ao dano, ao qual cabe 
exclusivamente a responsabilidade pelos atos praticados, na 
forma da lei (§9º). 
Para James Marins, deve-se, portanto, para que se possa 
determinar de bloqueio de valores via BACENJUD, observar os 
seguintes critérios concomitantes: “i) citação regular; ii) 
transcurso in albis do prazo para nomeação de bens à penhora; 
iii) insucesso da Fazenda Pública em encontrar bens 
penhoráveis.” Ou seja, com relação a este último item, deverá a 
Fazenda Pública, após a citação regular e após o transcurso do 
 238 
 
prazo para nomeação de bens à penhora, demonstrar que as 
diligências realizadas pelo procurador fazendário com intuito de 
localizar bens penhoráveis foram sem sucesso. De tal modo, o 
previsto no artigo 185-A, do CTN8, não visa fazer com que o 
juiz realize o papel da exequente de apontar os bens do 
executado que possam ser objeto de constrição judicial.9 
Já para Furlan, segundo o próprio Superior Tribunal de 
Justiça, não existe perante o ordenamento jurídico qualquer 
obrigatoriedade de esgotamento na procura de outros bens para 
que se possa efetuar o bloqueio de dinheiro da parte executada, 
pois há a primazia do dinheiro como bem penhorável por 
excelência.10 
Cabe lembrar que, conforme Paulsen, os títulos da 
dívida pública federal, estadual e municipal, reconhecidos pelo 
próprio emitente, que tenham vencimento futuro e certo e sejam 
negociados através do Sistema Especial de Liquidação e 
 
8 “Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não 
pagar nem apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem 
encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de 
seus bens e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio 
eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência 
de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades 
supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais,a fim de que, 
no âmbito de suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial. 
§ 1o A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo limitar-se-á ao valor 
total exigível, devendo o juiz determinar o imediato levantamento da 
indisponibilidade dos bens ou valores que excederem esse limite. 
 § 2o Os órgãos e entidades aos quais se fizer a comunicação de que trata 
o caput deste artigo enviarão imediatamente ao juízo a relação discriminada 
dos bens e direitos cuja indisponibilidade houverem promovido”. 
9 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro 
(Administrativo e Judicial). 5a ed. Dialética, 2010, p. 702. 
10 FURLAN, Anderson. Revista Dialética de Direito Tributário nº 152, 
maio-2008, p. 28. 
 239 
 
Custódia (SELIC) ou da Central de Custódia e Liquidação 
Financeira de Títulos (CETIP), que integrem o Sistema 
Financeiro Nacional, podem ser idôneos à garantia do juízo, e de 
nomeação válida , como, por exemplo, LFT’s (Letras 
Financeiras do Tesouro), NFTs (Notas Financeiras do Tesouro) 
e LTNs (Letras do Tesouro Nacional).11 
Já os títulos da dívida pública não reconhecidos pelos 
emitentes e sem cotação em bolsa não têm sido aceitos, visto 
serem de difícil liquidez. 
Nos moldes do artigo 84512, do novo Código de 
Processo Civil, a penhora será efetuada onde se encontrem os 
bens, mesmo que estes estejam sob a posse, a detenção ou a 
guarda de terceiros. 
Os precatórios, por sua vez, conforme exposto, podem 
ser indicados à penhora enquanto direitos, especialmente os 
precatórios federais, em razão de sua absoluta liquidez e certeza 
de pagamento, equiparando-se ao dinheiro para fins de 
preferencia de penhora.13 
 
11 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: Processo 
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e Jurisprudência. 
7a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 360. 
12 “Art. 845. Efetuar-se-á a penhora onde se encontrem os bens, ainda que 
sob a posse, a detenção ou a guarda de terceiros. 
§ 1o A penhora de imóveis, independentemente de onde se localizem, quando 
apresentada certidão da respectiva matrícula, e a penhora de veículos 
automotores, quando apresentada certidão que ateste a sua existência, serão 
realizadas por termo nos autos. 
§ 2o Se o executado não tiver bens no foro do processo, não sendo possível a 
realização da penhora nos termos do § 1o, a execução será feita por carta, 
penhorando-se, avaliando-se e alienando-se os bens no foro da situação”. 
13 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: Processo 
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e Jurisprudência. 
7a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 367. 
 240 
 
A penhora dos bens imóveis, independente do local em 
que se encontrem, quando apresentada a respectiva matrícula, 
bem como a penhora de veículos automotores, quando 
apresentada certidão que ateste a sua existência, serão realizadas 
por termo nos autos (§1º). No caso em que o executado não tiver 
bens no foro do processo, não sendo possível que se realize a 
penhora nos termos do §1º, a execução será feita por carta, 
sendo penhorados, avaliados e alienados os bens no foro da 
situação (§2º). 
Caso haja intenção do executado de obstruir a 
realização da penhora dos bens, tal fato será comunicado pelo 
oficial de justiça ao juiz, solicitando-lhe ordem de 
arrombamento (artigo 846, do NCPC). Caso seja deferido o 
pedido de arrombamento pelo juiz, dois oficiais de justiça 
cumprirão o mandado, arrombando cômodos e móveis em que 
se presuma estarem os bens, lavrando auto circunstanciado de 
tudo isso, auto esse que será assinado por duas testemunhas 
presentes à diligência (§1º), lembrando que, nos casos em que o 
magistrado julgar ser necessário, requisitará força policial a fim 
de auxiliar os oficiais no cumprimento da diligência (§2º). Os 
oficiais de justiça lavrarão em duplicata o auto da ocorrência, 
entregando uma via ao escrivão ou ao chefe de secretaria para 
ser juntada aos autos e a outra à autoridade policial a quem 
couber a apuração criminal de eventuais delitos de 
desobediência ou resistência (§3º), devendo constar do auto da 
ocorrência o rol de testemunhas, com a respectiva qualificação 
(§4). 
 241 
 
Como medida excepcional, após exaurido os demais 
meios para garantir o crédito executado, é possível a penhora do 
faturamento, conforme artigo 866, do novo CPC14. No caso de 
adoção de tal medida, deve-se nomear depositário, o qual além 
de submeter à aprovação o modo pelo qual se dará a efetivação 
da constrição, deverá, ainda, prestar contas mensalmente, 
entregando ao exequente as quantias recebidas para o 
pagamento da dívida. Tal percentual de penhora do faturamento, 
todavia, não poderá inviabilizar o prosseguimento das atividades 
da empresa, visto que isso não é bom nem para o executado, 
nem para o Fisco, pois é do exercício da atividade do executado 
que sairão os recursos para pagar o débito. 
Conforme Paulsen, o juiz irá determinar o depósito à 
disposição do Juízo, na maioria das vezes, mediante ofício à 
instituição financeira do executado que lá possua conta corrente, 
 
14 “Art. 866. Se o executado não tiver outros bens penhoráveis ou se, tendo-
os, esses forem de difícil alienação ou insuficientes para saldar o crédito 
executado, o juiz poderá ordenar a penhora de percentual de faturamento de 
empresa. 
§ 1o O juiz fixará percentual que propicie a satisfação do crédito exequendo 
em tempo razoável, mas que não torne inviável o exercício da atividade 
empresarial. 
§ 2o O juiz nomeará administrador-depositário, o qual submeterá à aprovação 
judicial a forma de sua atuação e prestará contas mensalmente, entregando 
em juízo as quantias recebidas, com os respectivos balancetes mensais, a 
fim de serem imputadas no pagamento da dívida. 
§ 3o Na penhora de percentual de faturamento de empresa, observar-se-á, no 
que couber, o disposto quanto ao regime de penhora de frutos e 
rendimentos de coisa móvel e imóvel”. 
 242 
 
a fim de que transfira o montante para a conta vinculada à 
execução.15 
3. Jurisprudência relacionada 
 
Prevalência da Lei de Execuções Fiscais frente ao Código de 
Processo Civil. Desnecessidade de indicação do CNPJ do 
executado na petição inicial. 
 
PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL 
SUBMETIDO AO RITO DOS REPETITIVOS (ART. 543-C 
DO CPC). DISSÍDIO PRETORIANO NÃO 
CARACTERIZADO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO 
JURISDICIONAL DECLARATÓRIA NÃO EVIDENCIADA. 
INCOMPETÊNCIA DO STJ PARA REVISÃO DE 
MATÉRIA CONSTITUCIONAL NA VIA RECURSAL 
ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EXIGÊNCIA DE 
INDICAÇÃO DO CNPJ DO EXECUTADO NA PETIÇÃO 
INICIAL. DESNECESSIDADE. REQUISITO NÃO 
PREVISTO NA LEI Nº 6.830/80 (LEI DE EXECUÇÃO 
FISCAL). PREVISÃO EXISTENTE NA LEI Nº 11.419/06 
(LEI DE INFORMATIZAÇÃO DO PROCESSO JUDICIAL). 
PREVALÊNCIA DA LEI ESPECIAL (LEI Nº 6.830/80). 
NOME E ENDEREÇO DO EXECUTADO SUFICIENTES À 
REALIZAÇÃO DO ATO CITATÓRIO. FIXAÇÃO DA 
TESE, EM REPETITIVO, DA DISPENSABILIDADE DA 
INDICAÇÃO DO CNPJ DO DEVEDOR (PESSOA 
JURÍDICA) NAS AÇÕES DE EXECUÇÃO FISCAL. 
RECURSO DO FISCO PROVIDO. 1. Conhece-se do especial 
apenas pelo autorizativo da letra "a", vez que a invocada 
divergência jurisprudencial não restou evidenciada. Não se 
presta o especial, ademais, para revisar alegado maltrato a 
regramento constitucional. 2. O tribunal de origem prestou a 
jurisdição de forma completa, não se descortinando, por isso, a 
aventada ofensa ao art. 535 do CPC. 3. Nas instâncias 
ordinárias, decidiu-se pelo indeferimento da petição inicial de 
 
15 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: Processo 
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e Jurisprudência. 
7a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 374.