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Sumário Ficha Técnica Palavra do Editor Introdução Capítulo 1 - A Batalha pela Fé Capítulo 2 - Estabelecidos em Justiça Capítulo 3 - A Encarnação Capítulo 4 - O Que Aconteceu Durante a Caminhada Terrena de Jesus? Capítulo 5 - O Que Aconteceu no Jardim? Capítulo 6 - O Que Aconteceu no Julgamento? Capítulo 7 - O Que Aconteceu na Cruz? Capítulo 8 - O Que Aconteceu Quando o Véu foi Rasgado? Capítulo 9 - O Que Aconteceu Durante os Três Dias e as Três Noites? Capítulo 10 - O Que Aconteceu na Ressurreição? Capítulo 11 - O Que Aconteceu Durante os Quarenta Dias? Capítulo 12 - O Que Aconteceu Quando Ele Entrou Com Seu Sangue? Capítulo 13 - O Que Aconteceu no Cenáculo? Capítulo 14 - O Que Satanás Viu no Dia de Pentecostes? Capítulo 15 - O Que a Nova Criação Significou no Céu? Capítulo 16 - O Que Estava Disponível ao Homem? Capítulo 17 - Por que os Tempos nos Castigam? Capítulo 18 - O Jesus dos Quatro Evangelhos Capítulo 19 - Os Três Homens de Paulo Capítulo 20 - A Igreja Está Debaixo da Lei Mosaica? Capítulo 21 - Alguns Fatos Sobre o Livro de Atos Capítulo 22 - Nossa Confissão Capítulo 23 - Resposta à Capacidade de Deus Capítulo 24 - Alguns Fatos Sobre Estar “em Cristo” Capítulo 25 - O Ministério de Jesus nos Nossos Dias Capítulo 26 - O Cuidado do Pai E Agora? Rhema Brasil Publicações Rua Izabel Silveira Guimarães, 172 58.410-841 - Campina Grande - PB Fone: 83.3065 4506 www.rhemabrasilpublicacoes.org.br editora@rhemabrasilpublicacoes.org.br Publicado no Brasil por Rhema Brasil Publicações com a devida autorização de Kenyon’s Gospel Publishing Society. Direção: Samir Ferreira de Souza Supervisão: Ministério Verbo da Vida Tradução: Maria Lucia Godde Cortez Revisão e Copidesque: Idiomas & Cia Capa: Bárbara Giselle Diagramação versão digital: DIAG Editorial Copyright © 2010 por Kenyon’s Gospel Publishing Society. Todos os direitos reservados. Copyright © 2020 Rhema Brasil Publicações. Esta é uma tradução da 1a edição do título original e a 1a edição em língua portuguesa. Título original: What Happened From The Cross To The Throne As citações bíblicas, exceto quando indicado em contrário, foram extraídas da Bíblia Sagrada, Almeida Edição Revista e Atualizada, © 1993, Sociedade Bíblica do Brasil. Outras versões utilizadas: Almeida Corrigida Fiel (ACF), Nova Versão Internacional (NVI), Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) e King James Atualizada (KJA). As versões English Revised Version (ERV) e Amplified Version (AMP) foram traduzidas livremente por falta de correspondência em língua portuguesa. Proibida a reprodução, de quaisquer formas ou meios, eletrônicos ou mecânicos, sem a permissão da editora, salvo em breve citações, com indicação da fonte. 1a Edição PALAVRA DO EDITOR Essek William Kenyon nasceu em 24 de abril de 1867. Foi um evangelista, pastor, autor, compositor e poeta. Embora tenha falecido em 19 de março de 1948 e seus escritos tenham quase um século, seus ensinamentos continuam a edificar, estimular e iluminar aqueles que os leem, desafiando-os a possuir tudo o que Cristo conquistou para eles na cruz. A Rhema Brasil Publicações tem a honra de compartilhar com seus leitores uma das obras mais reveladoras e profundas de Kenyon. Publicada originalmente pela primeira vez em 1946, esta obra tem sido reeditada ao longo de décadas, para a edificação do Corpo de Cristo. Com uma mensagem densa e, no entanto, muito compreensível, este clássico cristão deveria ser lido por todo aquele que deseja viver o Evangelho em sua plenitude. Com esse objetivo, buscamos modernizar sua linguagem e estilo, traduzindo o que parece ser uma transcrição de uma de suas mensagens para um estilo literário mais claro, porém preservando a revelação do autor. Kenyon teve um relacionamento com Deus que transcende o tempo. Ele foi um autor em sintonia com o Espírito de Deus que pouco falava de si mesmo, pois extraía todas as suas afirmações da Palavra de Deus. Este livro lhe revelará a cruz em toda a sua glória e abrirá o véu do Santo dos Santos para você. Recomendamos que você o leia com sua Bíblia ao lado, absorva essa revelação que tem passado no teste do tempo e seja edificado em seu espírito. Samir Souza, Editor Rhema Brasil Publicações INTRODUÇÃO Este livro abrirá um novo caminho para a interpretação construtiva da revelação paulina, desvendando novos ramos de verdades primordiais há muito encobertas pela interpretação da Palavra através do conhecimento que vem dos sentidos. Os doze primeiros capítulos falam do aspecto legal do plano da redenção. Isso representa o que Deus fez em Cristo desde a encarnação até sentar-se à destra da Majestade nas alturas. Trata-se de um resumo do que a encarnação encerrava em si mesma. A caminhada terrena do homem revela o fato de que Israel tinha Jeová em suas mãos. O Autor da Aliança, da Lei e dos sacrifícios; Aquele que havia estabelecido o sacerdócio e o grande dia da expiação estava no meio deles e eles não o reconheceram. Vemos a tragédia da cena do jardim, o engano e a desonestidade, onde o Deus da Velha Aliança foi cuspido, insultado e banido pelas mesmas pessoas que Ele trouxera à existência. A cruz com suas agonias, onde o Homem Deus herói se tornou pecado; talvez o mais estranho de tudo tenha sido o fato de que ninguém soubesse que Ele estava morrendo pelos pecados humanos, que Ele estava levando o castigo pelas nossas transgressões. Três dias de escuridão e tristeza caíram sobre os corações dos discípulos, os sonhos com o Reino haviam terminado. Eles não entenderam para onde o Mestre havia ido ou o que Ele estava sofrendo, ficaram perplexos com Sua ressurreição e confusos com os quarenta dias antes da Sua ascensão. Eles não sabiam que Jesus havia levado Seu sangue até o Santo dos Santos Celestial, nem que Ele havia libertado os santos do Antigo Testamento do Paraíso quando subiu do monte das Oliveiras. Eles mal reconheceram o fato de que a nuvem que havia recebido Jesus, fora da vista deles, era na verdade os santos do Antigo Testamento sendo levados à casa do Pai. Eles não sabiam que Jesus deveria sentar-se à destra da Majestade nas alturas. A parte legal da obra da redenção havia sido concluída e agora a parte vital poderia ter início no Cenáculo. Grande parte dessa história será nova para você, mas quero que a leia com a mente aberta. Há um poder transformador nesta revelação. Muitos acreditam que esta mensagem irá preceder um grande derramamento do Espírito Santo, com um avivamento como jamais se conheceu. Seria maravilhoso se essa fosse a introdução dos últimos dias. Se você não leu nenhum dos meus livros anteriores, e se seu coração tem fome de um conhecimento mais claro sobre seus direitos e privilégios em Cristo, nós o incentivamos a tirar o máximo proveito deles. Este livro pode parecer repetitivo, no entanto fazer isso é inevitável, já que os assuntos ficariam incompletos sem essa repetição. CAPÍTULO 1 A BATALHA PELA FÉ O problema da fé está se tornando cada vez mais grave. Ondas de incredulidade estão varrendo a Igreja. Muitos dos nossos líderes foram levados pelo redemoinho da modernidade. Pensadores honestos estão em busca de uma solução. Grande parte dos escritos devocionais do século passado vem dos místicos. Hoje há uma demanda por um caminho definitivo e bem definido, a fim de que as mentes confusas desta era perturbada possam encontrar seu caminho para a dimensão da fé. Portanto, faz-se necessária uma nova investigação da revelação do apóstolo Paulo. Há uma pergunta que paira no ar: Será que já temos toda a verdade? Nós reverenciamos esses estudiosos pelos conhecimentos que eles nos deram, mas houve muito pouco progresso no conhecimento da revelação paulina desde aqueles dias. Eis uma nova abordagem para o coração da Redenção e uma resposta à pergunta: O que aconteceu no intervalo entre a cruz e o momento em que o Mestre sentou- se à destra da Majestade nas alturas? Acreditamos que a era das doutrinas geradas pelo conhecimento que vemdos sentidos se encerrou. O cristianismo não está velho, ele está mais forte do que qualquer um dos pensadores já reconheceu. Nele encontramos a solução para o problema humano; ele tem a vitalidade e a capacidade de Deus. E também a revelação paulina, que tem a solução para o problema da fé. Quando descobri que os apóstolos que andavam em íntima comunhão com o Mestre não sabiam nada sobre a verdadeira missão do homem, fiquei perplexo. Eles não tinham conhecimento do que aconteceu na Encarnação; de fato, nem sequer sabiam que aquilo era uma Encarnação. Se Maria realmente contou o que havia acontecido, eles receberam o ocorrido como delírios de uma mãe orgulhosa. Quando ficaram diante da cruz e viram as contrações de morte do Homem que estava pendurado ali, eles não sabiam que se tratava de Jeová, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Israel estava crucificando o Parceiro da aliança de sangue com Abraão e eles ignoravam isso. Quando Jesus ordenou que esperassem até o Espírito vir, os apóstolos não entenderam o que iria acontecer. Eles haviam seguido o Homem das maravilhas, mas quem Ele era, por que veio, o que devia sofrer e o que eles iriam ganhar através do sofrimento dele? Tudo isso era desconhecido. Eles não sabiam o que tinha acontecido na cruz ou durante os três dias e noites antes da Sua ressurreição, mas nós precisamos saber sobre isso porque é o que vai edificar a nossa fé. O mistério está oculto nesses três dias. Eu me pergunto se nós ousaríamos encarar os fatos como eles realmente são. Se você pudesse apagar tudo o que sabe sobre Jesus a partir das epístolas de Paulo e voltar comigo agora, ficando de pé diante da cruz como os apóstolos estavam, creio que daríamos um grande valor à revelação que o Pai deu a Paulo. Os discípulos não conheceram Jesus como um Substituto. Eles não conseguiam compreender o que ia acontecer no Cenáculo. CAPÍTULO 2 ESTABELECIDOS EM JUSTIÇA J ustiça é a palavra-chave nas epístolas de Paulo. Significa a capacidade de permanecer na presença do Pai sem sentimento de medo, condenação ou inferioridade. Eis uma promessa disso: “Todos os teus filhos serão ensinados do Senhor; e será grande a paz de teus filhos. Serás estabelecida em justiça, longe da opressão, porque já não temerás, e também do espanto, porque não chegará a ti” (Isaías 54:13-14). A maior bênção da nova criação é ser estabelecida em justiça, adquirir uma consciência de justiça. Mas nós também temos uma consciência de pecado e fraqueza que nos tem mantido escravos do medo. Como adultos responsáveis, temos consciência das nossas obrigações, mas que senso de vitória e de liberdade teríamos se soubéssemos que somos a justiça de Deus e que estamos firmados nesse fato! A consciência do pecado nos fez escravos da raça humana. Ela destrói a iniciativa das pessoas e é a mais antiga e persistente inimiga da fé. Não se pode ter fé na Palavra quando se está debaixo de condenação. Justiça significa a capacidade de estar na presença de Deus. De que valeria a filiação se não tivéssemos justificação? O Pai não teria prazer nos Seus filhos porque eles seriam medrosos e covardes, se encolhendo de medo. Os filhos nunca desfrutariam a presença do Pai. Nenhuma redenção que não incluísse a justificação mereceria ter esse nome. Nenhuma nova criação e filiação seriam dignas desse título se a justiça não tivesse se tornado parte delas. Então, o objetivo da redenção que Deus forjou em Seu Filho foi tornar o homem justo. Esse foi o objetivo supremo do Pai. Ele ousou fazer do Seu Filho um Substituto para a raça humana, pois nós estávamos falidos, entregues ao adversário e impotentes. Efésios 2:12 descreve: “Naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo”. Sem esperança, sem Deus, perdidos aqui. Então, Deus coloca sobre Seu precioso Filho as iniquidades de todos nós. Jesus não apenas paga o castigo pela nossa transgressão, como vence nosso inimigo e senhor Satanás, e o despoja da sua autoridade. Em seguida, Ele torna a nova criação uma possibilidade em termos legais. Agora Deus pode dar ao homem a vida eterna, a Sua natureza. Ele retira do homem a velha natureza, o velho eu e lhe dá um novo ser, uma nova natureza. O homem se torna uma nova criatura (ver 2 Coríntios 5:17). O velho homem que é recriado é o espírito humano. Então, Deus renova a mente dele, trazendo-a à sujeição ao seu espírito recriado. O novo homem ganha ascendência sobre os sentidos, ou o corpo físico, e se torna senhor de si mesmo em Cristo. Esse novo homem agora é a justiça de Deus em Cristo: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21). Nós nos tornamos justos ao recebermos uma nova natureza. Israel tinha a justiça contabilizada a seu favor, colocada na conta deles, mas a nova criatura tem o próprio Deus como sua justiça. Romanos 3:26 diz: “...para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus”. Não apenas o próprio Pai se tornou nosso defensor e nossa justiça, como em 1 Coríntios 1:30, “vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção”. Agora temos certeza de que Ele é a nossa justiça, porque Deus o fez ser. Se palavras significam alguma coisa, temos o direito legal agora de comparecer na presença do Pai como se o pecado jamais tivesse existido. Está claro em 2 Coríntios 9:10: “Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça”. Jesus disse: “Eu sou a videira, vós, os ramos” (João 15:5). A videira é justa, e o ramo é a justiça da videira. Assim, os frutos que a videira daria naturalmente através dos ramos serão chamados frutos de justiça, os quais serão o mesmo tipo de fruto que Jesus deu na Sua caminhada terrena. Temos a alegria de dar um tipo de fruto que Jesus não podia dar na Sua caminhada terrena. Ele podia curar os enfermos, alimentar os famintos e ressuscitar os mortos. Mas nós damos outro tipo de fruto: nós levamos homens a Cristo, o qual lhes dá vida eterna. Podemos levar os homens às profundezas do conhecimento da justiça de Deus forjada em Cristo para nós. Podemos fazer coisas pelos espíritos dos homens que Cristo não podia fazer. Ele ainda não havia morrido e cumprido o castigo pelos nossos pecados, tornando possível a nova criação. Nós podemos ter essa frutificação espiritual em Cristo; estando firmados em justiça, temos uma base sobre a qual podemos estar firmes e uma confiança em nossa perspectiva para a vida. O homem sempre foi servo do diabo, um escravo bajulador. Mas a nova criação, com essa justiça, faz do homem um senhor. Ele não é mais um súdito do adversário. Ele agora reina sobre o inimigo. O homem não fala das suas fraquezas e falhas, mas da alegria na habilidade recém-descoberta de agradar ao coração do Pai. Agora ele deve agir como se soubesse que é justo. Deve se beneficiar do fato de que é a justiça de Deus. Seu convite está de pé para entrar na Sala do Trono e visitar o Pai a qualquer momento. Hebreus 4:16 diz: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça...”. A nova criação sabe que é a justiça de Deus tão claramente quanto uma mulher sabe que está casada com seu marido quando a cerimônia de casamento termina. Ela agora ocupa o lugar de esposa no lar do casal. Os dois se tornaram um. A nova criação sabe que é a justiça de Deus, e que tem o direito legal de usar o Nome de Jesus. Sabe que o Nome tem toda autoridade nos três mundos. Pela sua união com Cristo, a nova criação se tornou não apenas herdeira da autoridade contida nesse Nome, como portadora dessa autoridade. Ela agora pode usá-la. Quando Jesus disse: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mateus 28:18), essa autoridade era para a nova criação, e não para Ele próprio. A justiça de Deus torna o homem realmente um com Cristo. Ela deu ao homemuma capacidade criativa, um espírito dominante. Agora ele é vencedor, ele é senhor, e a nova vida de amor do Mestre tomou posse dele. Ele se tornou um verdadeiro Jesus-homem. O homem da nova criação toma o lugar de Jesus na terra. Ele não é como aqueles que estavam debaixo da Velha Aliança, os quais tinham uma justiça limitada, ao contrário, a nova criação tem justiça ilimitada. Essa justiça é transferida a ela e é a própria natureza do Pai. Israel tornou-se justa por decreto. Nós nos tornamos justos pela nova criação. Essa nova e maravilhosa justiça nos habilita como companheiros de Jesus, e nos capacitará para a eterna comunhão com o Pai ao longo das eras. Portanto, esta é realmente a genialidade da Redenção: o milagre da nova criação. Agora ouse pensar em si mesmo como sendo exatamente o que o Pai diz que você é. Ouse entrar na presença do Pai com uma alegria destemida, dando a conhecer a Ele o seu pedido. Ele é seu Pai, você é Seu filho. Em nome do Redentor, você tem acesso à presença do Pai a qualquer momento, pois “tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (João 15:16). Não estamos honrando nosso lugar como filhos ou nossa posição em justiça se não tomarmos nosso lugar. Façamos o Pai, o Senhor Jesus e o Espírito Santo serem orgulhosos de nós. Uma Mensagem Sincera Quando Jesus se aproximou do túmulo de Lázaro e disse “Tirai a pedra” (João 11:39), Marta deve ter agarrado o braço dele e sussurrado: “É tarde demais, Mestre, o corpo dele já se decompôs”. Jesus a olhou nos olhos, dizendo: “Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus?” (v. 40). Então, a pedra foi retirada. Jesus andou até a entrada do túmulo com convicção divina. Jesus não tinha uma “sensação de fé” nem falta de fé — Ele simplesmente era a ilustração de uma justiça inconsciente. Ele revelou o que a justiça realmente é. Em minha imaginação me coloquei ao lado do Mestre quando Ele gritou: “Lázaro, vem para fora!” (v. 43). Eu temi pela reputação do Mestre. O que as pessoas iriam pensar se Lázaro não saísse? Aqueles pensamentos de medo, nascidos do conhecimento gerado pelos sentidos, foram interrompidos porque a justiça havia falado e Lázaro saiu. RESUMO A Encarnação foi a união da Divindade com a humanidade por intermédio do Bebê de Belém — foi a invasão do amor na dimensão do individualismo. O que há muito era esperado finalmente havia chegado. Deus havia se unido à humanidade. E a invasão não foi com um exército, mas na forma de um delicado bebê. Era como o amor, algo inevitável. E lhe deram o nome de Jesus, um Nome que encheu as eras de canções e melodias. Jesus trouxe coragem aos derrotados, liberdade aos cativos, força aos fracos, cura aos enfermos e vida eterna ao mundo. Aquele Bebê deu a Maria sua primeira grande alegria em uma pequena aldeia de Belém e devolveu à mulher a coroa que ela havia perdido no jardim do Éden. A mulher era a auxiliadora do homem e tornou-se sua escrava após a queda. Jesus lhe deu esperança, igualdade e fez dela a rainha do coração da nova criação. CAPÍTULO 3 A ENCARNAÇÃO O nascimento sobrenatural de Jesus foi parte da promessa da Aliança de Deus com Abraão. Como uma criança poderia nascer sem pecado, de modo que pudesse estar na presença de Deus sem culpa ou sentimento de inferioridade? Este é o milagre da encarnação. Fisiologistas provaram que a mãe não transfere seu sangue para o bebê em formação: Agora se sabe definitivamente que o sangue que flui nas artérias e nas veias de um bebê não nascido não deriva da mãe, mas é produzido dentro do corpo do feto somente após a introdução do esperma do homem. Um óvulo não fertilizado nunca desenvolverá sangue, uma vez que o óvulo da mulher não contém os elementos essenciais para a produção do sangue. Somente depois que o elemento masculino entra no óvulo é que isso acontece... O elemento masculino acrescentou vida ao óvulo... Como não há vida no óvulo até que o esperma masculino se una a ele, e a vida está no sangue, depreende-se que o esperma masculino é a fonte do sangue.¹ Se o ovo fertilizado de uma galinha for colocado em uma incubadora por vários dias, pequenas veias de sangue se formarão no interior; isso não acontece com um ovo que não é fertilizado. Isso prova que o sangue vem do esperma do macho. Sabemos que se Jesus tivesse nascido naturalmente, tendo por pai José, Ele teria tido o sangue do homem caído. Mas Ele foi concebido do Espírito Santo, a vida que foi transferida para Ele vinha de Deus. O sangue daquele Bebê não era o sangue de um homem comum. Ele não tinha a mancha do pecado. Sabemos que o pecado está no sangue, e que o sangue humano e o espírito humano estão unidos de alguma maneira. Jesus tinha nele o sangue de Deus, Seu Pai, assim como toda criança tem o sangue do pai. A vida está no sangue: “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida” (Levítico 17:11). Observe: “Porque a vida da carne está no sangue” e “em virtude da vida”, o que significa “em virtude da vida no sangue”. Trata-se de uma afirmação clara: a vida da carne está no sangue. Quando o sangue é retirado do corpo acontece a morte. A vida de Deus foi transmitida no sangue de Jesus; assim Jesus nasceu sem a natureza adâmica, ou sem o pecado que veio através do sangue de Adão na Sua concepção. Jesus era sem pecado. É evidente que a vida que é transmitida a um homem no novo nascimento entra na sua corrente sanguínea. Quando nos tornamos participantes da natureza divina, nosso espírito é recriado. Há um tipo de união entre o espírito e o sangue — como isso acontece, nós não sabemos. Assim, nossa corrente sanguínea é purificada do pecado que foi transmitido através do sangue da raça humana. Jesus foi concebido sem pecado. Seu corpo não era mortal e não se tornou mortal até o Pai colocar nossa natureza de pecado sobre Ele quando Ele foi pendurado na cruz. No instante em que se tornou pecado, Seu corpo tornou-se mortal, só então Ele pôde morrer. Quando isso aconteceu, a morte espiritual, a natureza de Satanás, tomou posse do Seu Espírito. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21). Essa fase da encarnação é vital para nós. Podemos entender agora por que Jesus tinha domínio sobre as leis da natureza, sobre os peixes do mar, sobre a vida e a morte. Ele curava os enfermos, ressuscitava os mortos e dominava as forças das trevas. Era o Deus da Aliança manifesto em carne, de modo que era necessário que Ele fosse circuncidado nessa Aliança. Um dia Ele dera essa Lei da Aliança, e tudo que dizia respeito a ela, a Moisés por meio de um anjo. Então, Ele veio para cumprir Sua Aliança com Abraão. O sumo sacerdócio e o Senado tinham Jeová em suas mãos, mas não sabiam disso. Sempre me perguntei por que eles o odiavam tanto. Dá para entender a amargura deles: eles tinham a natureza de Satanás, que odiava Jesus porque Ele era Deus. Por isso, ele tentou destruí-lo desde o momento do Seu nascimento. Satanás fez muitas tentativas contra a vida de Jesus. Isso nos diz algo sobre o ódio que os judeus têm por Jesus hoje. Ele era o Deus da Aliança de Sangue deles. Com a fúria nascida do poder satânico que estava sobre eles, eles tramaram a Sua morte. Havia sido gerado neles um ódio que percorreu eras. Eles desprezam o próprio Nome de Jesus, mesmo sendo Ele o Deus da Aliança de Sangue deles, manifesto em carne. O Aspecto Legal Uma substituição legal e legítima seria impossível sem encarnação. A Divindade precisava assumir a responsabilidade pela queda da humanidade. Deus provavelmente sabia que o homem cairia quando o criou, e o homem foi criado mesmo assim. A humanidade exigia que a Divindade assumisse a responsabilidade por essa queda. Mas era preciso um substituto que realmente tomasse o lugar do homem, sofrendo o que a humanidade deveria sofrer, atendendo a cada exigência da Justiça em favor do homem caído; só então Deuspoderia ser vingado. Um anjo não poderia cumprir essas exigências. Nenhum homem poderia ser o substituto, somente o próprio Deus poderia atender a esses requisitos. Então, era necessária uma encarnação da Divindade e da humanidade. O relato da encarnação está no evangelho de Lucas. Ele conta sobre o Altíssimo cobrindo Maria com Sua sombra, e ela concebendo no seu ventre aquele Ser Santo. Jesus não participou da natureza de Sua mãe, ela simplesmente o revestiu de carne sem pecado. Se Ele tivesse sido concebido da semente de José, Seu corpo teria sido mortal. Por ter sido concebido do Espírito Santo, Jesus tinha um corpo como o de Adão no jardim antes da queda. A encarnação de Jesus prova a preexistência do Homem-Jesus. Não poderia haver uma encarnação se Jesus não tivesse tido uma preexistência como Divindade. Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. — Filipenses 2:6-8 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. — João 1:1-3 A palavra “Verbo” vem do original grego logos; então podemos dizer, em outras palavras: “No princípio era o Logos, e o Logos estava com Deus, e o Logos era Deus”. Assim, vemos que não poderia haver encarnação a não ser que houvesse uma unidade perfeita entre a Divindade e a humanidade. Isso ocorreu com o Homem-Jesus. Aos olhos do conhecimento que vem dos sentidos, isso é um milagre; mas aos olhos do conhecimento de Deus, isso é normal porque conhecimento de Deus é espiritual e o conhecimento do homem vem dos sentidos. “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14). Já mencionei que a encarnação era o desejo do homem natural. Os povos primitivos acreditavam em encarnação. Mas para mim, a encarnação foi Deus irrompendo na dimensão dos sentidos, manifestando-se em carne. Ele fez uma aliança com Abraão, agora Ele está cumprindo essa aliança. De fato, Deus lançou-se sobre a nação judaica, especialmente sobre o Sumo Sacerdócio. Eles não entenderam que o Deus a quem vinham oferecendo sacrifícios finalmente estava entre eles e havia entrado no meio deles incógnito. Jesus só se revelou a eles através dos Seus milagres e do Seu intenso amor pela humanidade. E mesmo assim não conseguiram reconhecê-lo. Satanás havia cegado os olhos de Israel, o Jeová deles estava ali, mas eles não o conheceram. No meu livro The Father and His Family (O Pai e Sua Família) detalhei mais este assunto. RESUMO Somente um ser celestial poderia lhe dizer o que a caminhada terrena do Homem da Galileia significava para a humanidade. Jeová, da Velha Aliança feita com Abraão, de repente havia aparecido na forma de um Homem. Todos pensavam que Ele era apenas o filho de José e Maria. Jesus era um completo desconhecido. Ele veio para aqueles que eram Seus, mas eles não foram capazes de ver além do disfarce do Amor. Ele andou por toda parte fazendo atos de amor. Seu arauto, João Batista, apontava para Ele e dizia: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo!” (João 1:29). Ninguém sabia que João estava falando do Rei dos judeus, o Jeová deles que havia vindo para o Seu povo de Israel. Quando uma pessoa lê os quatro evangelhos, ela é convencida de uma restrição sobre cada escritor. Todos eles sabiam quem Jesus era. Lucas havia encontrado Cristo através do ministério de Paulo. Ele conhecia a revelação paulina, mas não existe uma frase nos escritos de Lucas que dê a entender esse fato. Marcos havia sido companheiro de Paulo e a mesma coisa acontece nos seus escritos, pois eles só escreviam o que o Espírito lhes mostrava. No evangelho de João há apenas duas sugestões sobre a revelação paulina, no entanto, João deve ter conhecido essa revelação. É emocionante pensar na restrição Divina que era colocada sobre cada um dos homens que deviam contar a história de Jesus. ¹ M.R. De Haan, M.D., The Chemistry of the Blood, pp. 31-32. CAPÍTULO 4 O QUE ACONTECEU DURANTE A CAMINHADA TERRENA DE JESUS? A visitação de Jeová ao Seu povo da Aliança não pode ser comparada a qualquer acontecimento anterior na história de Israel como nação, pois foi diferente de tudo que eles haviam conhecido antes. Ele era o Deus da Aliança deles, uma Aliança solene feita com Abraão. No meu entendimento, não há dúvida que o Mestre sempre esteve consciente desta Aliança. Jeová havia assumido a forma humana, mas nem por uma vez revelou que foi Ele quem havia libertado seus antecessores do Egito. Eles honravam mais a Moisés do que a Jeová e adoravam mais a Lei do que ao Senhor. Quando Jesus disse: “...antes que Abraão existisse, Eu Sou” (João 8:58), o povo pegou em pedras para atirar nele. Jesus os deixou perplexos, pois havia chegado perto de declarar quem realmente era, mas os homens cheios do conhecimento que vem dos sentidos não conseguiram captar isso. E, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. — Mateus 22:31-32 Esse foi o limite até onde o Mestre podia se revelar. Nós, como cristãos, podemos voltar àquela cena e reconhecê-lo como o Deus da Velha Aliança, mas temos o conhecimento que nos foi dado através da revelação paulina. Filipenses 2:5-9 nos dá uma ilustração de Jesus na Sua caminhada terrena: Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. Esta é a caminhada terrena de Jeová, “Aquele que foi manifestado na carne” (1 Timóteo 3:16). 2 Coríntios 4:4 mostra o estado de Israel: “nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”. Eles estavam em trevas espirituais, o que significa: cativeiro satânico na mente e no espírito. Gálatas 4:4-5 acrescenta ainda mais a essa imagem: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Muitas vezes me perguntei o que teria acontecido se os olhos de Israel de repente tivessem sido abertos. Rejeitado Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. — Isaías 53:3 Jeová havia vindo para os Seus, mas eles o desprezaram. Ele veio a um lugar de sofrimento e rejeição. Tomando consigo os doze, disse-lhes Jesus: “Eis que subimos para Jerusalém, e vai cumprir-se ali tudo quanto está escrito por intermédio dos profetas, no tocante ao Filho do Homem; pois será ele entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido; e, depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida; mas, ao terceiro dia, ressuscitará”. Eles, porém, nada compreenderam acerca destas coisas; e o sentido destas palavras era-lhes encoberto, de sorte que não percebiam o que ele dizia. — Lucas 18:31-34 A caminhada terrena de Jeová foi a caminhada mais triste que já foi empreendida. Podemos lembrar, em Mateus 27:22-26, quando os sacerdotes estavam forçando Pilatos a crucificar Jesus, Pilatos se recusou a se responsabilizar pelo sangue derramado e lavou as mãos de tudo aquilo. A multidão gritava: “Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!” (v. 25). “Crucifica-o!Crucifica-o!” (Lucas 23:21), era a exigência louca deles. Eles estavam clamando pelo sangue do Deus de Abraão e não sabiam disso. Este era o Deus Eterno dos três tempos sendo julgado pelo povo da Sua Aliança de sangue porque “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hebreus 13:8). 1 Coríntios 2:8 traz lágrimas aos olhos: “sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória”. Eles crucificaram o Senhor da glória e não tiveram consciência da monstruosidade do que haviam feito. Paulo foi o primeiro a receber uma revelação disso. Ele reconheceu Jesus como o Messias, o Deus da Velha Aliança. O Deus da Velha Aliança era esse Deus de Amor. Quando Ele foi manifestado na carne como Jesus, era realmente o Amor em forma humana. Jesus tinha a habilidade do amor para abençoar e ajudar os homens. Ele sabia quem era, porque veio e o que isso lhe custaria. Jesus era o amor encarnado: “veio buscar e salvar o perdido” (Lucas 19:10). Ele era o Filho que Deus deu porque tanto amou aqueles homens iludidos e amaldiçoados pelo pecado (ver João 3:16). Em Lucas 20:9-19 Jesus conta a história do homem que plantou uma vinha, deixou-a com lavradores e foi para outro país por muito tempo. Então, ele enviou um servo para visitar a vinha e receber os frutos dela. Mas ele foi espancado e mandado embora de mãos vazias. Isso ocorreu por três vezes e então o homem decidiu enviar o próprio filho na esperança de que eles o reverenciassem. Mas os lavradores armaram uma trama para matá-lo, para que a herança pudesse ser deles. Deus enviou Seu Filho à vinha e Ele foi maltratado e crucificado. Ele foi pouco apreciado pelos Seus, a quem Deus tanto amava. Por isso entendemos que foi o amor que levou Jesus a encarnar. O amor o moveu durante Seus três anos e meio de ministério público. Não foram os pregos cruéis que traspassaram Suas mãos e Seus pés pelas mãos dos soldados romanos que o mantiveram preso à maldita cruz; foi o amor. João 6:37-38 poderia nos ajudar a entender isso mais claramente: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou”. A vida estava nele a vida era a luz dos homens. (João 1:4) ...Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. (João 10:10) O amor o enviou. O amor o sustentou. O amor era Sua habilidade. Ele veio com um único propósito de redimir o homem da dimensão do egoísmo, onde Satanás governava como rei. Jesus viveu nesta dimensão por trinta e três anos e meio. Ele andou na dimensão do egoísmo e do pecado, no entanto andou em amor. O pecado não o maculou. Ele era um estranho entre Seu povo. Não foi compreendido pela mãe, pelos meios-irmãos ou pelos amigos. O amor havia entrado na dimensão de Satanás. Ele era amor; Ele revelou o amor; Ele agiu em amor. Ele é o maravilhoso e amado Jesus, o primeiro Senhor de Satanás. Como isso nos maravilha, que o amor possa dominar o egoísmo! Jesus foi o primeiro homem livre do mundo. Nenhum homem havia sido livre antes dele. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Somente um homem livre pode libertar outros. Somente alguém que ama pode inspirar outros a amar. Jesus foi o primeiro homem livre do egoísmo que o mundo conheceu. Não é de admirar que eles quisessem se livrar dele. Ele não buscou o que era Seu. Ele não reivindicou nada. Ele deu tudo. Ele revelou um novo tipo de amor. Ele foi a primeira experiência do amor em forma humana. Ele foi a Palavra de Deus que se fez carne. Depois disso, podemos entender os versículos: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1:1-3). Ele era o verdadeiro conhecimento, o Verbo Vivo. A razão não pode entender isso, mas o Espírito se alimenta disso com alegria: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1:14). Na Bíblia na versão de Moffat, Hebreus 4:12 fica assim: “O Logos de Deus é algo vivo, ativo e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, penetrando até a divisão entre alma, espírito, juntas e medulas. Examinando os próprios pensamentos e conceitos do coração. E nenhuma coisa criada está oculta a Ele, todas as coisas estão abertas e expostas diante dos olhos Daquele a quem havemos de prestar contas”. Ele está se referindo à Bíblia como a conhecemos, e é este Logos Vivo de Deus a quem teremos de prestar contas. A Palavra assume personalidade, examina meus pensamentos e conhece as ideias e os objetivos mais íntimos do meu coração. A Palavra se torna viva em lábios de fé e coração de amor. Os atos de Jesus foram motivados pelo amor. Ele não tentou provar Sua Divindade realizando milagres, era o amor que o movia, pois Ele queria aliviar o sofrimento, a agonia, a dor e o luto nas pessoas. Mateus 23:37 traz uma das imagens mais vívidas do amor na vida do Mestre: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!”. Há um soluço entre essas palavras, lágrimas misturadas com agonia. Mal se pode ler o próximo versículo: “Eis que a vossa casa vos ficará deserta” (v. 38). Agora você pode entender as palavras trágicas ditas na cruz: “Está consumado!” (João 19:30). Foi então que o véu do templo se rasgou de alto a baixo, o Templo e o Santo dos Santos ficaram desertos. Deus os havia abandonado. O povo da Aliança de sangue havia rejeitado seu Jeová e Ele estava chorando por isso. Ele voltou Seus passos em direção à cruz, o ápice da Sua caminhada terrena. Jeová, o Homem da Galileia, nasceu em uma manjedoura e foi criado entre os pobres e os desprivilegiados. “As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mateus 8:20). Portanto, é difícil conceber a solidão experimentada pelo Criador. Lares se fecharam para Ele, em vez de suportar a perseguição e a zombaria por parte dos líderes religiosos da época, eles excluíram o Jeová deles dos seus círculos. Ele era um proscrito: “Sobre ti fui lançado desde a madre” (Salmos 22:10, ARC). Satanás buscava tirar Sua vida desde o nascimento. Se soubéssemos mais sobre a caminhada terrena do Mestre, talvez veríamos uma vida cheia de solidão e sofrimento. “Homem de dores e que sabe o que é padecer” (Isaías 53:3). Ele é o desprezado e o rejeitado, no entanto Ele é amor. RESUMO Eis um retrato do Deus homem. Aquele que havia sido movido pelo amor a enfrentar o sacrifício de Si mesmo. Eis uma demonstração do amor supremo: Deus amou de tal maneira que Ele deu (ver João 3:16). E o Filho amou de tal maneira que Ele sofreu. Creio que Ele sofreu mais no jardim do que na cruz, porque estava enfrentando o Hades. Na Cruz Ele sentiu a agonia do Hades, no jardim Ele sabia que precisava ser feito pecado, e todo o Seu ser se esquivava disso, mas Seu amor o impulsionou a seguir em frente. Se você o tivesse seguido no jardim e o ouvisse orar, talvez fosse tomado por uma nova força um tanto estranha. Era a Divindade em agonia, revelando o poder do Amor, algo que o mundo nunca havia experimentado antes. A capacidade do Amor de sofrer, de se sacrificar e de resistir se comprovou no consentimento do Amor em se fazer pecado indo para o Hades a fim de sofrer os tormentos dos condenados pelo homem indigno, quando Ele clamou: “...não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lucas 22:42). CAPÍTULO 5 O QUE ACONTECEU NO JARDIM? A Divindade estava enfrentando a Substituição no jardim. O momento crítico havia chegado. Jesus e três dos Seus discípulos haviam ido ao lugar ao qual Ele costumava recorrer para orar, sob oliveiras antigas e retorcidas. Eles o haviam visto orando muitas vezes,mas desta vez era diferente. Dizendo a eles para esperar e vigiar, Ele foi sozinho alguns passos adiante e prostrou-se sobre Seu rosto. Eles ouviam Sua voz, mas não conseguiam distinguir Suas palavras. Ele estava enfrentando o fato de estar sendo feito pecado, mas os discípulos não sabiam disso. Não foi uma substituição teológica ou metafísica, mas Ele realmente deveria se tornar um Substituto para o homem caído. Ele deveria se tornar um participante do corpo físico do homem, mas ainda não havia participado do pecado ou da mortalidade do homem. Jesus foi concebido do Espírito Santo, nascido da virgem, mas não por geração natural. Seu corpo era como o corpo de Adão no jardim antes de pecar; não era nem mortal, nem imortal. Era um corpo humano perfeito. O corpo de Adão tornou-se mortal no instante em que ele pecou no jardim. Como mortal, seu corpo passou a estar sujeito à doença e à morte. O corpo que Jesus possuía era um corpo humano perfeito. Lembre-se que João 10:17-18 diz: “Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai”. Entende-se, então, que ninguém podia matar Jesus, pois o corpo dele não era mortal, ou melhor, Ele não se tornou mortal até estar pendurado na cruz: “Aquele que não conheceu pecado, ele [Deus] o fez pecado” (2 Coríntios 5:21, grifo nosso), portanto Jesus se tornou pecado. Seu espírito foi terrivelmente separado de Deus, como o de Adão no jardim. Não parece possível que Jesus pudesse se tornar pecado. Ele era tão Santo quanto Deus é Santo. O pecado nunca o havia tocado. É verdade que por muitos anos Ele havia vivido em meio ao pecado, “tentado em tudo assim como nós” (Hebreus 4:15), mas o pecado nunca havia se tornado parte dele. Mas Ele precisou se tornar pecado e ser separado de Seu Pai. Como Substituto para o pecado do homem, Ele precisa ir ao lugar onde o homem que o rejeita deve ir. Ele precisa sofrer ali até que toda a dívida que a humanidade tinha para com a Justiça fosse paga. Jesus sabia por que havia saído do Pai. Ele sabia por que veio ao mundo, dessa maneira Ele sabia antes de vir o que teria de enfrentar. Ele sabia o que precisava sofrer. Agora podemos entender aquele grito de agonia em Mateus 26:36-46: Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: “Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar”; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Então, lhes disse: “A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo”. Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres”. E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: “Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: “Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça- se a tua vontade”. É difícil compreender o que isso significava para o Mestre. Era mais que uma separação do Pai, por três dias e três noites. Ele devia participar da morte espiritual, a natureza do adversário. No entanto, disseram que Deus não podia fazer algo assim, o que é um raciocínio fruto do Conhecimento que vem dos sentidos. É difícil entender como Ele poderia se tornar pecado, mas sei que isso aconteceu. O conhecimento que vem dos sentidos é limitado, ele não pode entender as coisas espirituais de Deus. 1 Coríntios 2:14 diz: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura...”. Quando uma pessoa me diz: “Sabe, não posso aceitar isso, não posso crer naquilo”, eu entendo o motivo. Vivemos na dimensão dos sentidos exatamente onde Pedro, Tiago e João viviam quando andavam com o Mestre. A mente deles estava obscurecida no que dizia respeito às coisas espirituais. Eles não conseguiam entender. Nós recebemos a natureza e a vida de Deus. Temos o mesmo Espírito Santo em nós que habitava em Jesus, e que o ressuscitou dos mortos. Essa é a razão pela qual nós compreendemos as coisas do Espírito. Jesus sabia que o momento havia chegado, e Ele devia se tornar pecado. Ele devia participar daquela natureza terrível do adversário. Seu corpo se tornaria mortal. Satanás se tornaria Seu senhor. Essa foi a tragédia do jardim. Jesus devia sofrer a agonia dos perdidos. Ele devia ser contado entre os transgressores, levar as enfermidades e os pecados da raça humana. Ele devia ser abandonado pelo Pai. Não é de admirar que “seu suor se tornou como gotas de sangue” (Lucas 22:44), ou que Ele tenha clamado algo como: “Pai, se existe algum outro jeito...”. Mas não havia nenhum outro jeito. Ele, e somente Ele, devia pagar o preço, ou a humanidade estaria eternamente perdida, e Deus ficaria sem filhos por toda a eternidade. Anjos vieram e ministraram a Ele, mas não ministraram a Ele na cruz. A versão Almeida Revista e Atualizada diz: “se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua” (v. 42). Não foi uma submissão fraca ao inevitável. Foi o Filho de Deus enfrentando a grande necessidade da humanidade e clamando ao Pai: “Leve isto a cabo até o fim e salve a raça humana”. Foi por isso que Paulo afirmou: “Ele me amou, e se entregou por mim” (ver Gálatas 2:20). Cheguei à conclusão de que houve maior agonia espiritual no jardim do que na cruz. A expectativa da união com a morte espiritual era tão horrenda, tão impensável, que se os anjos não tivessem ministrado a Ele, não sabemos o que teria acontecido. Entretanto, quando Jesus saiu do jardim e encarou os discípulos que dormiam, Ele o fez como um Senhor. Ele venceu a batalha, mas não foi chorando ou se lamentando. Ele foi o vencedor! Há dois momentos na carreira de Cristo que desafiam o coração. O primeiro é quando Ele encontrou Judas e os soldados no jardim. Ele se conduz como o perfeito herói, o vencedor inigualável. Jesus havia vencido a primeira batalha e estava pronto para o julgamento, pronto para o flagelo, pronto para a cruz. O segundo momento foi quando Ele deixou o túmulo e encontrou-se com os discípulos e exclamou: “Paz seja com vocês!”. Ele havia vencido. Ele havia exterminado o pecado. Então, Jesus se ergueu como o Senhor dos senhores. A vergonha e a agonia do inferno terminaram. Ele é o Deus Herói, o meu Senhor, o meu Mestre, o Vencedor. A batalha no jardim foi espiritual. O conhecimento que vem dos sentidos não pode entender isso. Ele havia irrompido pela dimensão do conhecimento que vem dos sentidos e proposto redimir o homem da mão do inimigo. Para fazer isso Ele precisa se render a esse inimigo. Há duas grandes forças aqui, uma visível, a outra invisível, e ambas são dominadas por Satanás. Satanás governava o Sinédrio, o Senado e o governador romano. Ele estava procurando dominar o Espírito do Filho de Deus e sujeitá-lo a ele. Jesus sabia que estava chegando a hora em que Satanás o teria sob seu controle. Mas agora, enfrentando os soldados e o julgamento do Sinédrio, e o pavilhão de julgamento de Pilatos, Ele andava como um Rei! RESUMO Esta é a tragédia das eras. Aquele que havia feito a Aliança com Abraão, que cuidava dos filhos de Israel como uma mãe que amamenta cuida do seu filho, estava sendo julgado pelo mesmo sumo sacerdócio que Ele havia estabelecido. Ele não era apenas o Filho de Maria, mas Deus, o próprio Jeová. O quão brilhantemente este versículo se destaca: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1:11). Eles só o receberam para pregá-lo à cruz. Naquele julgamento Ele compareceu diante de Pilatos, do Senado e do sumo sacerdócio com a dignidade de Deus. Nem uma só vez Jesus chamou a atenção deles para quem Ele era. Ele não discutiu com eles. Ele não suplicou pormisericórdia: “Sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus” (Atos 2:23). O sumo sacerdócio era representado por aqueles que deviam executar essa vontade determinada do Amor. A Divindade nunca foi demonstrada tão claramente quanto no julgamento. Cristo era, em cada centímetro do Seu corpo, Deus. Ele não estava resignado; Ele não era submisso; Ele não era um mártir; Ele era Amor. Você se lembra de com um único olhar Jesus partiu o coração de Pedro? Não é de admirar que Pôncio Pilatos procurasse salvá-lo da cruz. O amor estava sendo julgado, mas Ele era um Senhor absoluto. Ele era Deus manifestado na carne. CAPÍTULO 6 O QUE ACONTECEU NO JULGAMENTO? A prisão e o julgamento de Jesus foram uma das maiores tragédias da raça humana, e especialmente do povo escolhido de Deus. Esse povo da Aliança estava familiarizado com a Aliança Abraâmica que os havia levado a ser uma nação, então eles conheciam o significado da Aliança de sangue. A tragédia é que Jeová, o amigo que fez uma Aliança de sangue com Abraão, veio à terra, foi concebido no ventre da virgem Maria, nasceu em uma manjedoura, foi recebido por um coro de anjos, cresceu entre Seu povo, mas continuou sendo um estranho para eles. Eles não o conheciam realmente. Eles testemunharam Seus milagres. Sua compaixão e Seu amor por eles eram reconhecidos por todos. Ele transformou água em vinho, fez com que uma árvore morresse através de uma única frase, dominou as leis da natureza, curou os enfermos e ressuscitou os mortos com palavras. Seu povo testemunhou tudo isso. Ele andou sobre as ondas e acalmou a tempestade. Com certeza eles devem ter sabido que Ele era o Filho de Deus. Ainda assim, o ciúme dominou o coração dos líderes a tal ponto que eles procuraram matá-lo. Ele e Seu povo não puderam viver juntos. Você e eu podemos ver que Ele é Jeová. Como nação, eles tinham Jeová em suas mãos, e o que fizeram com Ele? Jesus havia sido circuncidado na Aliança e fazia parte dela. Ele havia vindo para os Seus, mas aqueles que eram dele não queriam ter nada a ver com Ele. Jesus veio para redimi-los, e eles o repeliram. Ele era o Jeová do mar Vermelho e de Jericó. Ele havia feito o sol e a lua pararem nos dias de Josué. Ele os havia abençoado e protegido, até que eles o repudiaram e foram levados cativos. Ele era Jeová, manifestado aos sentidos como Jesus, o qual trilhou o chão que dera a Abraão como o lar do povo da Sua Aliança. Ele era o Jeová do povo da Sua Aliança de sangue. Ele os amava e eles o desprezaram, exigindo Sua prisão. Eles levaram Seu Jeová a julgamento. Você, que entende o significado da Aliança de sangue, treme diante da ideia do que o povo realmente fez. A Pessoa que eles levaram a julgamento havia feito a Aliança com Abraão. Todos os homens que gritaram: “Crucifica-o! Crucifica-o!” (Lucas 23:21), “Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!” (Mateus 27:25), tinham a marca da circuncisão sobre a carne, e de fato estavam gritando: “Crucifica o Deus que fez a aliança de sangue com Abraão”. Você consegue perceber a magnitude da tragédia que eles protagonizaram? Que sofrimento eles trouxeram sobre si mesmos! “Caia sobre nós o seu sangue”, Aquele era o Jeová da Aliança de sangue deles! Eles negaram Seu Deus da Aliança de sangue. Eles o entregaram a um governador pagão para ser ultrajado, coroado com espinhos e crucificado. Os homens da Sua Aliança o seguiram até o Calvário enquanto Ele carregava Sua cruz, lançando palavras de zombaria e ódio. Paulo disse que a cegueira havia caído sobre eles. O Deus da Aliança estava no meio deles e nem uma pessoa sequer o reconheceu. Ele não foi nem amado nem adorado pelo Seu povo. Zacarias 13:6 descreve isso claramente: “Se alguém lhe disser: ‘Que feridas são essas nas tuas mãos?’, responderá ele: ‘São as feridas com que fui ferido na casa dos meus amigos’”. Ele os chamou de os Amados da Sua Aliança de sangue. Esses mesmos homens insistiram que seu Jeová fosse pregado à cruz, a tragédia das Eras. Muitas vezes me perguntei por que o povo judeu tem sofrido tão intensamente. Parece ter nascido neles um ódio amargo pelo Homem que eles haviam crucificado. Em outras palavras, o homem odeia aquele a quem ele traiu. Eles apresentam a mesma atitude hoje ante a menção do Seu Nome, e Ele era o amigo e o Senhor da Aliança de sangue deles. Ele foi traído na casa de Israel, entre os amigos da Sua Aliança de sangue. Seu povo tratou-o como um inimigo. Eles o crucificaram e gritaram: “Caia sobre nós o seu sangue”. Era o sangue do juízo que deveria ter sido o sangue que os ligaria eternamente ao Deus da Aliança deles, na Nova Aliança. Eles fizeram dele o sangue do juízo, separando-os do seu Salvador e do Deus Pai. Jesus veio para confirmar as promessas da Aliança e fazer deles filhos e filhas. Ele veio para estabelecer uma Nova Aliança, com o próprio sangue. E eles o crucificaram. RESUMO A cruz foi o clímax do Amor manifestado. Não existe amor sem ação. Até que aja, não é amor. O amor foi desvendado na cruz. Aquele Deus Homem que estava pendurado ali viera por vontade própria. Ele não era um mártir; Ele era o Amor supremo. “Deus amou de tal maneira...” (ver João 3:16), esse Deus era Cristo. Todos os atributos de Deus se manifestaram na cruz. Havia uma dignidade santa, uma estranha serenidade; uma sensação maravilhosa de segurança em toda a cena. Jesus era apenas um Confidente, um Senhor na cruz, assim como era quando disse: “Tirai a pedra” (João 11:39). Pilatos, o Sacerdócio e o Senado não condenaram Jesus à morte, nem os soldados romanos o pregaram ao madeiro, foram as forças invisíveis de Satanás que os guiaram. Eles foram meramente instrumentos. Aquela potestade acreditava que havia adquirido domínio e que era o senhor. Ele não sabia que estava destruindo a si mesmo ao tentar destruir o homem. Aquela hierarquia judaica não sabia que na mente da Justiça eles estavam crucificando a nação judaica, e que o Sumo Sacerdócio morreria com Cristo na cruz. Eles não sabiam que o sacrifício de touros e bodes havia terminado. Quando Jesus disse: “Está consumado!” (João 19:30), o sacerdócio deles estava terminado. CAPÍTULO 7 O QUE ACONTECEU NA CRUZ? O conhecimento que vem dos sentidos emudece diante da tragédia das eternidades. A Divindade deve sofrer pela humanidade. A Justiça havia decretado que o homem deve pagar o castigo pela sua transgressão. O homem está falido. O homem está impotente. O homem é um escravo. Ele não pode se aproximar de Deus e não pode atender às exigências da justiça. E assim, do coração de Deus, vem a solução para o problema do homem. Seu filho diz: “Eis-me aqui, envia-me” (Isaías 6:8). E Ele segue em direção à cruz. Uma das características mais difíceis deste estudo é a ignorância dos discípulos acerca do que estava acontecendo. Eles não reconheceram Jesus na Sua caminhada terrena. Eles não passavam de homens guiados pelo conhecimento que vem dos sentidos. Com isso, quero dizer que todo o conhecimento que eles tinham veio através do que eles podiam ver, do que podiam ouvir, do que podiam sentir, do que podiam provar, ou do que podiam cheirar. Esses cinco sentidos eram seus únicos mestres. O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. — 1 João 1:1-3 Entenda que nosso mundo acadêmico não tem outro conhecimento além daquele que vem através desses cinco sentidos. Há outro tipo de conhecimento que as pessoas do mundo repudiam. É o conhecimento revelado, o conhecimento de Deus. Os discípulos não sabiam que Jesus iria se fazer pecado na cruz, que Ele iria morrerespiritualmente, que Ele era o Substituto deles e que Ele iria eliminar o pecado e tornar possível que eles recebessem legalmente a vida eterna, a própria natureza de Deus. Eles não sabiam que o Homem na cruz iria ressuscitar dos mortos e ser o Cabeça de uma nova criação, um novo tipo de homem. Ninguém nunca havia lhes falado sobre receber a vida eterna. Ninguém nunca havia recebido vida eterna antes, portanto era uma nova experiência, uma experiência revolucionária. Eles ouviram Jesus dizer: “eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10) e “Aquele que crê em mim, passará da morte para a vida” (ver João 5:24). Eles sabiam que Jesus usava uma palavra estranha, “zoe”, mas não sabiam que havia dois tipos de vida, “zoe” e “psuche”. Eles também não sabiam que há dois tipos de morte, a morte física e a morte espiritual. Ninguém nunca disse a eles que havia um novo tipo de vida vindo ao mundo, e todos os que se tornassem participantes desta vida seriam uma nova criação. Eles não sabiam para onde Jesus tinha ido quando Seu corpo foi declarado morto na cruz. Eles não viram a terrível tragédia que estava ocorrendo enquanto Ele estava pendurado ali. Eles testemunharam o estranho fenômeno mencionado em Lucas 23:44: “Já era quase a hora sexta, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona”. A criação ficou de luto quando o Criador se tornou o Substituto do homem. Mateus 27:51-54 diz que houve um terremoto. A criação foi abalada até o âmago pela tragédia da Divindade que se tornava o Substituto da humanidade. “Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo” (v. 51). Ninguém sabia o que isso significava. O Santo dos Santos não era mais a habitação de Jeová. Ele havia se mudado para fora do templo. Jesus havia cumprido a Aliança Abraâmica e a Lei da Aliança. Não havia mais necessidade de um sacerdócio. O sumo sacerdote encerrou seu ministério quando fez o grande sacrifício do Cordeiro de Deus, que devia tirar o pecado do mundo. Não haverá mais um Santo dos Santos, um lugar para o sangue da expiação ser aspergido. Quando Jesus disse: “Destruirei este templo e vou restaurá-lo em três dias” (ver Marcos 14:58), eles também não o entenderam. “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Coríntios 3:16). A nova criação é o templo de Deus hoje. A morte e a substituição de Jesus tornaram o antigo templo desnecessário. Ele era o novo Sumo Sacerdote. Ele havia feito um único sacrifício pelos pecados para sempre, e deve sentar-se à destra da Majestade nas Alturas. Os sacerdotes não sabiam que seus deveres sacerdotais haviam se encerrado. Os judeus que estavam próximos à cruz não sabiam o que Deus iria dar a Paulo vinte anos depois. Leia os oito primeiros capítulos de Hebreus e você terá uma prova disso. “Fui crucificado com Cristo” (ver Gálatas 2:19), mas toda a nação judaica havia sido crucificada com Ele. Toda a raça humana havia sido crucificada com Ele. Eles não o conheciam. A história nos diz que cinquenta anos após a crucificação de Jesus, não havia um único membro da família sacerdotal vivo; e também não conseguiram encontrar um membro da família davídica. O sacerdócio deveria durar “até Siló vir”. Siló veio e eles não o reconheceram. “O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos” (Gênesis 49:10). Eles não sabiam que o Homem pendurado na cruz era a Siló deles. Eles não sabiam que o sacerdócio deixaria de funcionar diante de Deus, quando eles o mataram. Eles não sabiam que a Lei Mosaica que eles adoravam, mas não guardavam, deixaria de funcionar quando eles o pregassem à cruz. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. — Isaías 53:4-6 Eis uma imagem do Sacrifício Substitutivo de Cristo. No versículo 9, Isaías diz: “Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte...”. A palavra “morte” em hebraico é plural, indicando que Jesus morreu duas vezes na cruz. Ele morreu espiritualmente no momento em que Deus colocou nosso pecado sobre Ele. No momento em que aquele que não conheceu pecado se tornou pecado, aquele precioso corpo se tornou mortal, e Ele pôde morrer fisicamente. Se você observar, no instante em que Jesus se tornou pecado, as trevas desceram sobre o Gólgota, e Ele soltou um grito amargo: “...Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46). Esta foi a hora mais escura da eternidade no céu. Como os anjos devem ter coberto seus rostos! O universo ficou de luto quando Deus tornou Jesus em pecado. Agora podemos entender Isaías 53:10-12: Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu. Salmos 22 nos dá uma imagem gráfica da crucificação de Jesus mais clara que a de João, Mateus ou Marcos, que a testemunharam. Essa cena da crucificação foi escrita mil anos antes do solitário galileu ser pendurado na cruz. Ela abre com o Seu grito na cruz: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido? Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego. Contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel. Nossos pais confiaram em ti; confiaram, e os livraste. A ti clamaram e se livraram; confiaram em ti e não foram confundidos. Mas eu sou verme e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo. — vv. 1-6 Você consegue vê-lo pendurado ali na cruz. Ele não está prestando atenção à multidão ao redor. A profunda agonia física, a terrível vergonha de estar pendurado nu na presença dos Seus inimigos, o conhecimento de que Seu Pai o havia abandonado está partindo Seu coração. Então, Jesus se lembra da história de Israel: Jeová havia ouvido o clamor deles e os havia liberto. Mas Ele diz as palavras mais estranhas: “Contudo, tu és santo” (v. 3). O que isso significa? Ele está se tornando pecado. É possível ouvir aqueles lábios ressecados gritarem: “Sou verme e não homem”. Ele está espiritualmente morto, o verme. Ele se tornou o que o evangelho de João 3:14 afirmou: “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado”. Ele havia sido levantado como uma serpente. A serpente é Satanás. Jesus sabia que seria levantado, unido com o adversário, o homem santo de Deus. O salmista o vê como o verme, o opróbrio do povo. “Todos os que me veem zombam de mim; afrouxam os lábios e meneiam a cabeça: Confiou no Senhor! Livre-o ele; salve-o, pois nele tem prazer” (Salmos 22:7-8). Que Ele desça da cruz, então creremos nele. Jesus está pendurado ali, cercado pela multidão liderada pelo sumo sacerdote. Ele clama: “Contudo, tu és quem me fez nascer; e me preservaste, estando eu ainda ao seio de minha mãe. A ti me entreguei desde o meu nascimento; desde o ventre de minha mãe, tu és meu Deus” (vv. 9-10). Lembre-se de que assim que Jesus nasceu, um anjo disse a José para levá-lo ao Egito. Ele era o Bebê de Belém de quem Deus cuidava, mas depois Ele era o Filho que Deus haviaabandonado pendurado na cruz. Abandonado, Ele clama: “Não te distancies de mim, porque a tribulação está próxima, e não há quem me acuda” (v. 11). Os discípulos nada podiam fazer. Seu povo, liderado pelo sumo sacerdote, viu que Ele foi pregado à cruz. “Não há quem me acuda”. E Ele continua dizendo palavras estranhas: “Muitos touros me cercam, fortes touros de Basã me rodeiam. Contra mim abrem a boca, como faz o leão que despedaça e ruge” (vv. 12-13). O que Ele quer dizer com “os touros de Basã”? É o Sinédrio e o Senado, os líderes do rebanho, eles abrem a boca contra Ele e o crucificam. Em seguida, outra frase estranha: “Derramei-me como água, e todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se dentro de mim” (v. 14). O que isso significa? João 19:31-34 nos diz o que aconteceu: Então, os judeus, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação, pois era grande o dia daquele sábado, rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. Os soldados foram e quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele tinham sido crucificados; chegando-se, porém, a Jesus, como vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Jesus havia morrido com o coração rompido. O sangue de todas as partes do Seu corpo jorrou para dentro daquela ruptura, para dentro da bolsa que contém o coração. À medida que o corpo esfriou, os glóbulos vermelhos coagularam e ficaram por cima. O sérum transparente se instalou na parte de baixo. Quando a lança daquele soldado romano perfurou a bolsa que continha o sangue, a água jorrou primeiro. Depois o sangue coagulado escorreu para fora, descendo pelo Seu lado até o chão, e João deu testemunho disso. O salmista, mil anos antes da terrível cena no Gólgota, descreveu-a com mais precisão que qualquer uma das testemunhas oculares: “Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca; assim, me deitas no pó da morte” (Salmos 22:15). Por isso sempre davam ao crucificado vinagre para beber. Então, vem a próxima frase terrível: “Cães me cercam; uma súcia de malfeitores me rodeia; traspassaram-me as mãos e os pés” (v. 16). Quem eram esses cães? Os soldados romanos. Eles o haviam pregado à cruz. E observe que Jesus os chamou de cães. Os judeus sempre chamavam as pessoas que estavam fora da aliança de “cães”, ou “não povo”. “Posso contar todos os meus ossos”. Cada osso do Seu corpo estava clamando contra aquela agonia desumana e demoníaca. Para mim, uma das afirmações mais tristes que saiu daqueles lábios ressecados foi: “Eles me estão olhando e encarando em mim” (v. 17). Aquele Homem Santo estava nu diante dos Seus inimigos. “...Repartem entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica deitam sortes” (v. 18). À sombra da cruz, sentados no chão, apostando pelas Suas vestes íntimas, os soldados pressionavam. Eles não deram ouvidos à Sua agonia, ao suor da morte ou à dor. Eles eram como as pessoas de hoje. Seus corações estavam voltados para a ganância. Trata-se de uma imagem de algo escrito duzentos e cinquenta anos antes da crucificação, mil anos antes da tragédia do Gólgota ser encenada. Não permita que os sofrimentos físicos ou a cena do Gólgota roubem de você a realidade do Filho de Deus sendo feito pecado por nós. Vimos que a morte de Jesus na cruz foi mais que uma morte física. Ele estava ali pela escolha e pelo plano divinos. Ele realmente se fez pecado com o nosso pecado. Ele foi o Substituto de Deus para a raça humana. Quando se fez pecado, Ele foi entregue por Deus ao adversário. Quando aquela frase de partir o coração saiu de Seus lábios: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”, Satanás tornou-se Seu senhor. Lembre-se de que foi Jesus quem pronunciou a frase: “Está consumado!”, mas Ele não quis dizer que havia concluído Sua obra substitutiva, mas que havia concluído a obra que o Pai lhe dera para fazer primeiro. Como Filho, Ele havia feito a vontade do Pai, falado a Palavra do Pai e feito as obras do Pai. Em segundo lugar, Ele havia concluído Sua obra como filho de Abraão, cumprindo a Aliança Abraâmica, bem como guardado a Lei Mosaica. Em seguida, Jesus deveria se tornar um Substituto e lidar com o problema do pecado, eliminando-o. Ele deveria satisfazer as reivindicações da Justiça contra a raça humana, mas não podia fazer isso em Sua vida física, pois o pecado é basicamente algo espiritual, de modo que precisa ser tratado na dimensão espiritual. Se Jesus pagou o castigo do pecado na cruz, então o pecado não passa de um ato físico. Se Sua morte pagou por ele, então todo homem podia morrer para si mesmo. Mas o pecado está na dimensão do espírito e Sua morte física não passou de um meio para alcançar um fim. Paulo diz isto em Hebreus 10:12: “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus”. Quando Jesus morreu, Seu espírito foi levado pelo adversário e transportado para o lugar onde o espírito do pecador vai quando morre. RESUMO O rasgar do véu foi o rasgar da Aliança Abraâmica. As pessoas sabiam muito pouco quando clamaram: “Que o Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos”; elas estavam pedindo que o sangue do amor se tornasse um sangue de juízo. Elas não sabiam que mataram a si mesmas naquela cruz. Anás e Caifás estavam matando o Cordeiro de Deus, o último sacrifício deles diante de Jeová. Homens matarão animais diante de homens, mas isso não será aceito por Deus. Não haverá expiação para Israel, nem cobertura para seus pecados. Há uma redenção aguardando por eles, mas seus olhos estão cegos, pois crucificaram o Jeová que fez a Aliança com Abraão, mas ignoram isso. Ele era Jeová manifesto na carne e não houve um único olho que penetrasse além do disfarce. Quando Ele clamou: “Está consumado!”, esse foi o fim da Aliança Abraâmica. Quanto à caminhada terrena daquele povo, foi o descer da cortina sobre a nação judaica. CAPÍTULO 8 O QUE ACONTECEU QUANDO O VÉU FOI RASGADO? Muitas tragédias aconteceram enquanto Jesus estava pendurado na cruz, mas quero que você pense em dois eventos de importância eterna. Lembre-se que Jesus disse em Mateus 23:38: “Eis que a vossa casa vos ficará deserta”. Jesus estava pronunciando uma predição do evento mais maravilhoso que já aconteceu ao povo israelita. Mais uma vez, Mateus 26:60-61 diz: “...Mas, afinal, compareceram duas, afirmando: ‘Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias’”. Jesus estava diante do Sinédrio. O sumo sacerdócio e os anciãos finalmente o tinham em suas mãos, e eles estavam levando testemunhas contra Ele. Duas delas o acusaram de dizer: “Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias” (v. 61). Mal sabiam a que Jesus estava se referindo, ou que isso realmente aconteceria. O Templo foi destruído como o lugar onde Jeová habitava, quando o véu foi rasgado de cima a baixo. Em Mateus 27:50-51 lemos: “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo...”. Imediatamente antes de isso acontecer, Ele pronunciou: “Está consumado!”. O que Ele quis dizer? Observe a afirmação: “Está consumado”. Jesus veio como o Encarnado, o Homem Deus, Jeová! Ele andou diante de Seu Pai por trinta e três anos e meio. Por duas vezes, ouviu Seu Pai dizer: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3:17; 17:5). Nunca havia existido um homem antes que houvesse agradado ao Pai. Eu o chamo “Aquele que agrada ao Pai”. Todos os outros viveram para agradar a si mesmos. Finalmente Deus tinha um homem na terra vivendo para fazer Sua vontade. Mas Ele lhes disse: “Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis”. Diziam, então, os discípulos uns aos outros: “Ter-lhe-ia, porventura, alguém trazido o que comer?”. Disse-lhes Jesus: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a suaobra”. — João 4:32-34 Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou. — João 5:30 Observe o seguinte: “Não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou”. Novamente Jesus disse em João 6:38: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou”. A razão pela qual Ele veio foi para fazer a vontade do Seu Pai. Ele morreu pelos nossos pecados porque essa era a vontade do Pai. Mas João 8:29 é, para mim, de certa forma, a passagem mais encantadora: “E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada”. Como Jesus devia ser precioso para o Pai. Como é precioso alguém que vive a vida de Jesus para Aquele que deu Jesus por nós. Jesus viveu para agradar o coração daquele que criou o primeiro homem no jardim, o qual se tornou o fracasso da humanidade. Em seguida, Jesus não apenas satisfez o coração do Pai, como foi circuncidado na Aliança de Abraão. Ele havia se tornado parte de Israel, era o amigo que tinha uma Aliança de sangue com Abraão, Jeová! Ele precisava cumprir essa Aliança Abraâmica. O que isso significaria para Israel? Essa Aliança lhes dera a vida nacional, a lei deles, seu sacrifício, seu sacerdócio, seu lar nacional, o sangue da expiação, bem como seu Templo, onde Deus habitava no Santo dos Santos, e seu Messias, o qual eles pregaram a uma cruz, Jeová manifestado na carne! E quando Jesus disse: “Está consumado”, a Aliança Abraâmica havia chegado ao fim, no que dizia respeito a Israel. Não apenas a Aliança havia terminado, como tudo o que dizia respeito a ela. Era o fim da Lei da Aliança, dos Dez Mandamentos. O povo havia adorado essa Lei, uma lei de morte que gerava medo no coração dos homens. Não era uma lei de amor, nem uma lei de vida. Paulo chamou-a de “lei do pecado e da morte” (Romanos 8:2), mas eles a amavam. Era uma lei para o homem natural, assim como a Aliança Abraâmica era para o homem natural. Nunca haverá outro bode expiatório para tipificar os pecados de Israel sendo levados para longe. Era o fim do Santo dos Santos no Templo de Israel. Esse foi o significado do que Jesus disse: “Está consumado”, então entregou Seu espírito, “o véu foi rasgado de cima a baixo”, e o Templo deles ficou deserto. Não é de admirar que tenha havido um terremoto. Não é de admirar que as trevas tenham descido e se instalado sobre Jerusalém e o Gólgota. O coração do Filho do Homem foi partido naquela cruz. Ele foi feito pecado. Ele disse “Está consumado”, e todo o céu o ouviu. Os ouvidos do homem não assimilaram isso. Você consegue perceber que este não foi apenas o fim de Israel, de Judá e de tudo que dizia respeito a eles como nação, mas foi o começo de uma nova Aliança? Lembre-se de que Jesus disse, logo antes de morrer: “...Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento. Pois vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no reino de Deus” (Lucas 22:15). Trata-se da história da instituição da Ceia do Senhor. Observe os versículos: “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: ‘Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim’” (v. 19). Sobre o cálice, Ele disse: “...Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós” (v. 20). Mateus 26:28 diz: “Porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados”. A Velha Aliança morreu. A Nova Aliança nasceu. A Nova Aliança começou a funcionar no Dia de Pentecostes. Ela não foi estabelecida no céu até Jesus levar Seu sangue para dentro do Santo dos Santos e derramá-lo ali como o selo vermelho sobre o documento da nossa redenção. Não temos valorizado o suficiente a Nova Aliança no Seu sangue! Os homens da Velha Aliança tinham uma justiça limitada, e com base nela eles realizavam os milagres e prodígios que o povo de Israel via. Podemos ler a maravilhosa oração de Abraão em Gênesis 18. Os milagres que aconteceram sob o ministério de Moisés conduzindo Israel para fora do Egito. Os milagres de Josué, Elias, Eliseu, Davi e Daniel foram realizados com justiça limitada. Ela se baseava em uma Aliança selada com o sangue de Abraão, junto com o sangue da oferta de Deus, um touro. Agora temos uma Nova Aliança, e ela está selada não com o sangue de touros e bodes, mas com o sangue da Divindade unida com a humanidade. A estranha característica sobre essa oferta era que os representantes da Aliança Abraâmica ofereceram Jesus, o Jeová deles, no altar da cruz e não sabiam disso. Ele foi entregue à força nas mãos do governo romano para ser crucificado. Assim, as mãos do sacerdócio e as mãos dos gentios romanos se encontraram no sacrifício que eles ofereceram sobre o altar da cruz. Israel e os gentios identificaram-se com aquela oferta, e assim como nenhuma oferta era aceitável a não ser que fossem impostas mãos sobre sua cabeça sob a Aliança Abraâmica, a oferta do corpo de Cristo tornou-se aceitável porque o sacerdócio e o governo romano colocaram as mãos sobre o nosso amado Senhor, “o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo” (João 1:29). Essa nova Aliança nos deu o início da nova criação, cuja circuncisão estaria no coração. Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. — Colossenses 2:11-12 Uma pessoa entrava na Aliança Abraâmica pela circuncisão. Nós entramos na Nova Aliança pela circuncisão do coração, ou o novo nascimento. A primeira Aliança foi feita para o homem natural. Tudo ligado a ela era para o homem natural. A Nova Aliança é para o homem recriado, o novo homem em Cristo. Não se trata apenas do início de uma nova criação, mas do começo de um novo sacerdócio. Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem. — Hebreus 8:1-2 Leia com muita atenção a passagem de Hebreus. A Bíblia fala sobre a Nova Aliança que será dada à nova criação e encerra com este significativo versículo: “Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer” (v. 13). Houve uma anulação do mandamento e da Aliança precedente, e do sacerdócio e dos sacrifícios precedentes. Inaugurou-se a Nova Aliança, o novo sacerdócio com as pessoas da nova criação que são chamadas “o povo da Nova Aliança”. A Nova Aliança tinha uma nova lei: Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. — João 13:34-35 A Velha Aliança tinha uma lei baseada no medo, a Nova Aliança tem uma lei de vida e de amor: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Romanos 8:1-2). Observe o contraste entre as duas Alianças, a Velha Aliança com o homem natural e a Nova Aliança com o homem recriado. Nosso coração não pode entender claramente o significado do fato de que a Lei do Amor da Nova Aliança deve governar a Igreja de maneira absoluta. Os livros de Levítico e Deuteronômio são uma exposição da Lei da Velha Aliança, conhecida como os Dez Mandamentos. A revelação paulina é uma exposição da Lei da Nova Aliança. 1 Coríntios 13 nos dá, em forma condensada, as características notáveis da lei da Nova Aliança. Hebreus 9:11-12 nos dá uma descrição da entrada de Cristo no Santo dos Santos Celestial, com Seu sangue. Observe atentamente: “Não por meio de sangue de bodes e debezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção” (v. 12). O sumo sacerdote entrava com o sangue uma vez por ano para cobrir a lei quebrada para o Israel espiritualmente morto. Mas Cristo entra com Seu sangue no Santo dos Santos Celestial de uma vez por todas, obtendo para nós a eterna redenção. Como nosso coração estremece diante do fato de que a nossa redenção é eterna! O versículo 14 é bem sugestivo: “muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!”. Por isso mesmo Ele é o Mediador da Nova Aliança. Ele morreu pelos pecados sob a Primeira Aliança. Não devemos omitir Hebreus 9:24: “Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus”. 1 Pedro 2:3-10 nos dá uma imagem dos novos sacrifícios que oferecemos ao Pai. Eis uma visão do duplo sacerdócio da Igreja: dos versículos 3 a 5, vemos o santo sacerdócio oferecendo “sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo”. É o Santo dos Santos particular de cada cristão. Hebreus 13:15 nos dá uma bela imagem disso: “Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome”. No santo sacerdócio oferecemos nossos louvores, nossa adoração e nosso amor através de Jesus Cristo, nosso Senhor. Isso se conecta perfeitamente com Efésios 5:20: “dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”. Nunca oferecemos ações de graças ao Pai, a não ser através do Nome de Jesus. Por quê? Porque isso glorifica o Filho, enfatiza constantemente em nosso coração Seu lugar de Mediador e Seu grande ministério como Sumo Sacerdote. Em 1 Pedro 2:9-10, temos um vislumbre do sacerdócio real: Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia. Observe que aqui está um ministério maravilhoso. Ele é para o mundo, e também para a Igreja. Diante do mundo está a revelação de Cristo como o Redentor deles. Eu me coloco diante da congregação e ministro a eles no sacerdócio real. O coração deve sempre se lembrar disso. Meu sacerdócio real não funciona de fato a não ser que tenha havido um tempo gasto no sacerdócio santo. A não ser que meus lábios tenham dado frutos de amor e adoração e comunhão com o Pai no sacerdócio santo, eles serão lábios mortos quando eu tentar desvendar a Palavra para o Corpo de Cristo no sacerdócio real. A Palavra se torna algo vivo nos lábios do amor. Os lábios do amor são sempre lábios que geram fé. As palavras que você diz serão saciadas com amor e graça e temperadas com sabedoria. Porque pegamos a Bíblia, entramos no santo lugar e tivemos comunhão com nosso Pai e o visitamos até que todo o nosso ser parece estar saturado de amor. Hebreus 10:19-22 nos dá um vislumbre do novo Santo dos Santos: Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Nossa caminhada terrena é purificada pela Palavra. Em Hebreus 4:16, Ele nos convidou para entrarmos com ousadia junto ao trono da graça. Esse é o novo Santo dos Santos, a nova Sala do Trono onde nós, como filhos e filhas, temos um convite para ir. Nós não apenas vamos ao Senhor quando nosso coração está carregado de tristeza e necessidade, como vamos a Ele quando nosso coração está cheio de alegria e riso. Nós entramos e damos a conhecer nossos pedidos. Abrimos o coração para o Senhor com a máxima confiança. Temos a garantia de Jesus: “tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar”. Nós somos os filhos do Seu amor. Com isso, chegamos a uma das palavras mais notáveis dos lábios de Jesus. Elas já foram citadas, mas quero que você as observe novamente em Mateus 26:61 e 1 Coríntios 3:16. Vocês lembram que eu disse que era possível destruir aquele Templo e reconstruí-lo em três dias. Eles não entenderam, mas Deus realmente destruiu o Templo, não foi? Quando Ele disse “Está consumado!”, o Templo tornou-se um prédio vazio e Deus estava pronto para se mudar para o novo prédio. O véu que guardava o Santo dos Santos foi rasgado em dois de alto a baixo; não havia mais Santo dos Santos na terra agora. “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” (1 Coríntios 3:16-17). Esse é o templo que Jesus levantou ou construiu em três dias. Essa é a nova casa de Deus. Não apenas a Igreja é o corpo coletivo onde Ele habita, como 1 Coríntios 6:19-20 nos mostra um contato e um relacionamento mais próximo: Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo. Observe que seu corpo, como o Templo dele, é santo. Romanos 12:1 diz: “Rogo- vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. Esse corpo se torna o Santo dos Santos de Deus. Ele é a coisa mais sagrada na terra hoje. Posso entender como Satanás o odeia e quer enchê-lo de doenças e enfermidades. Posso entender como Jesus passou a maior parte dos Seus três anos de ministério público curando corpos enfermos. Ele sabia o que eles deviam ser. Ele sabia o que eles seriam quando o espírito do homem que estava naquele corpo fosse recriado e recebesse a natureza e a vida do Pai. Ele sabia que aquele corpo então se tornaria o Santo dos Santos terreno no qual Deus habitaria. Que coisa maravilhosa podermos ter Deus dentro de nós! “Maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1 João 4:4). Eu me pergunto se Efésios 2:19-22 alguma vez desafiou o seu coração? Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem- ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. Observe que nós estamos bem ajustados e crescemos para sermos um santo templo no Senhor e passamos a estar edificados para habitação de Deus no Espírito. Agora você pode entender esse estranho fenômeno que ocorre quando um corpo de cristãos começa a andar em amor. O lugar onde eles se reúnem, seja o templo ou outro espaço, parece carregado de alguma coisa que os homens podem sentir. Já ouvi dizer que o poder de Deus era tão grande em uma congregação que homens e mulheres podiam sentir isso quando passavam pela porta de entrada. Ouvi a confissão de alguns deles: “Havia um poder que me levou para dentro da igreja naquele dia”. Isso acontece quando o Corpo de Cristo passa a ser a habitação do Espírito, quando o amor é liberado em nós. A própria atmosfera de Deus nos domina. Em Colossenses 1:18, Jesus é chamado o Cabeça da Igreja, e como o Cabeça do Corpo, a Igreja, Ele é o princípio ou o primogênito dos mortos. Lembre-se de que Ele provou a morte (a morte espiritual) na cruz. No instante em que o pecado foi colocado sobre Seu espírito, Ele morreu no espírito. Anteriormente expliquei que Ele morreu no espírito primeiro e depoisno corpo, isto é, Ele voltou à vida duas vezes. Ele foi “vivificado no espírito” (1 Pedro 3:18). Depois, Seu corpo foi ressuscitado dos mortos. Ele foi a primeira pessoa que nasceu de novo. Aqueles que estavam presentes no Dia de Pentecostes foram o primeiro grupo de pessoas que nasceu de novo. Que maravilhoso é tornar-se participante da natureza divina! Tornar-se filhos e filhas de Deus! Recapitulando, a Velha Aliança não foi para os gentios, mas somente para Israel. Nenhum gentio podia entrar naquela Aliança a não ser através de um longo processo. Ela era apenas para o homem natural, e não para os cristãos. Aquela Velha Aliança se cumpriu e foi deixada de lado. Que infortúnio o fato de que homens e mulheres estejam tentando entrar nessa Aliança agora. Há um grande número de homens e mulheres hoje que estão tentando guardar a Lei Mosaica, como eles a chamam, mas ela foi cumprida e deixada de lado. Veja bem, ninguém podia cumprir essa Aliança fora da Palestina. Eles não podiam cumpri-la sem um sumo sacerdote, sem os sacrifícios e sem a expiação pelo sangue. O israelita que havia deixado sua terra natal por razões comerciais era obrigado a voltar uma vez por ano a fim de manter-se debaixo do sacrifício de sangue da Aliança Abraâmica. Que tragédia o fato de homens tentarem se colocar debaixo dessa Aliança hoje e guardarem a Lei, quando Deus a deixou de lado, assim como tudo que diz respeito a ela. A Nova Aliança tem seu sacerdócio, seus sacrifícios e o seu Santo dos Santos. Mas ela tem a redenção em lugar da expiação; remissão em lugar de um bode expiatório; novo nascimento em lugar da circuncisão. Ela tem comunhão com o Pai em lugar da oferta queimada, da oferta de paz e da oferta de manjares. Tem o nome de Jesus em lugar do Urim e do Tumim. A Nova Aliança tem a mesa do Senhor em lugar da Páscoa. Somos filhos em lugar de servos. Temos a lei do amor em lugar da lei do pecado e da morte. Temos vida em lugar da morte. Temos justificação em lugar de condenação. Quando quebramos a lei do amor, temos um Advogado. Eles tinham juízo, apedrejamento e morte. Nós temos um Pai vivo que cuida de nós. RESUMO Este capítulo é uma revelação do amor eterno, Jesus, o Senhor de Satanás, entregue ao seu controle. É Deus manifestado na carne se fazendo pecado, Aquele que pronunciou o grito dilacerante: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. Jesus é o substituto da humanidade, pagando o castigo pelas suas transgressões. Ele está carregando o fruto do pecado de Adão na substituição. Ele está sofrendo os tormentos dos condenados, pelos homens que o crucificaram. Ele era Deus manifestado na carne enquanto andou sobre a terra; Ele é Deus feito pecado agora, sofrendo em nosso lugar. Se alguém pudesse escrever uma palavra sobre este capítulo em letras de luz viva, essa palavra seria “amor”, pois “Deus amou de tal maneira”. Nossa linguagem é inadequada para expressar esse amor de Alguém que se tornou pecado por nós. A Divindade está pagando o castigo por ter amado tanto a humanidade, e por ansiar ter uma família. Deus está sofrendo porque criou a humanidade; porque trouxe o homem à existência. “Aquele que não conheceu pecado se fez pecado” (ver 2 Coríntios 5:21). “Ele está eliminando o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (ver Hebreus 9:26). As agonias da Divindade ao redimir a raça humana nunca poderão ser conhecidas pela mente finita. CAPÍTULO 9 O QUE ACONTECEU DURANTE OS TRÊS DIAS E AS TRÊS NOITES? A natureza do sofrimento do Substituto tem sido um desafio ao longo dos séculos. Trata-se do sofrimento mental, físico, ou de algum modo inexplicável, espiritual? Não poderia ter sido mental porque Ele e o Pai planejaram isso. Não poderia ser físico, porque o pecado não é físico. Um homem pode pensar em assassinato, mas ele precisa falar ou agir antes de se tornar responsável perante a lei. O homem só opera na dimensão do conhecimento que vem dos sentidos. Deus opera na dimensão espiritual. No primeiro sermão pregado após a ressurreição do Senhor, Pedro disse estas palavras notáveis: “sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela” (Atos 2:23-24). Uma tradução mais correta para “grilhões da morte” é “as contrações de parto da morte”, sugerindo que a igreja nasceu das contrações ou dos espasmos do espírito de Jesus. “Porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção [no túmulo de José]” (v. 27, grifo nosso). Vejamos os versículos 29-31: Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje. Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção. Pedro entregou uma mensagem admirável, a qual falou por revelação. Ele disse que Jesus estava sentado à destra de Deus, mas nenhuma intimação havia sido dada com relação a isso. Observe que a alma dele não foi deixada no Hades, nem Seu corpo viu a corrupção no túmulo de José. Salmos 88 nos dá uma prévia do sacrifício substitutivo de Jesus no Hades. Detalho isso no capítulo “Como Deus Pode Ser Justo”, em meu livro “The Father and His Family” (O Pai e Sua Família). É importante que você entenda que Jesus foi realmente entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitado quando havia satisfeito as reivindicações da justiça. Com relação a isso, há duas ou três objeções que poderíamos considerar. Lembre-se de que Jesus disse ao ladrão na cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43). No grego não existe pontuação, a qual é determinada pela ênfase. Rotherham, em suas notas sobre isso, traduz: “Eu lhe digo Hoje” (a palavra hoje é enfática, e na American Revision ela é escrita com letra maiúscula). A tradução mais adequada seria: “Eu lhe digo Hoje, tu estarás comigo no Paraíso”, como se dissesse: “Eu lhe digo hoje, eu o encontrarei em São Paulo”. Isso não significa que Jesus foi ao Paraíso quando o espírito deixou Seu corpo. O Paraíso era um lugar para os santos do Antigo Testamento aguardarem a conclusão da obra redentora de Cristo. Eles estavam esperando o cumprimento da Velha Aliança. Em outras palavras, em termos atuais, eles estavam aguardando que Ele sacasse as notas promissórias do sangue da expiação pelos mil e quinhentos anos. Mas a obra não foi consumada na cruz. Ela não foi consumada até que Jesus ressuscitasse dos mortos e levasse Seu sangue para dentro do Santo dos Santos, e a suprema corte do universo tivesse aceitado aquele sangue e tivesse justificado os santos do Velho Testamento. É o que diz Romanos 4:25: “[Ele] foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa [judeus e gentios] justificação” (grifo nosso). Nesse caso, não poderia haver substituição a não ser que Cristo realmente pagasse o castigo espiritual pela transgressão do homem. O pecado de Adão deu a Satanás domínio sobre ele. Satanás soprou em Adão a sua natureza. Adão realmente nasceu de novo no jardim. Ele não tinha a natureza de Deus. Ele tinha a natureza humana perfeita. Ele tinha a vida humana perfeita. Dentro do seu espírito, Satanás derramou a própria natureza. O homem tornou-se instantaneamente um mentiroso, um ser covarde e medroso. Essa natureza foi reproduzida na raça humana ao longo das eras. João 8:44-45 nos dá uma imagem perfeita do que aconteceu com a raça humana através da transgressão de Adão. Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas, porque eu digo a verdade, não me credes. A palavraverdade significa realidade. Satanás é a ausência de realidade, o que explica Romanos 1:25. Falando do homem universal, o versículo diz: “...pois eles mudaram a realidade de Deus pelo que não é real”, em uma tradução incrível e fiel ao original. Agora você pode ver o estado em que o homem estava. Ele perdeu a proximidade com Deus, não tinha uma posição junto a Deus, não tinha nenhum direito de aliança com Deus. Ele se tornou, como Paulo nos diz em Romanos 8:7, “a inclinação da carne [que] é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” (ACF, grifo nosso). Sua natureza é antagônica a Deus. Isso explica por que, naquela grande Substituição que Deus operou em Seu Filho, Ele teve de fazer provisão em termos legais para o homem se tornar participante da Sua natureza, a vida eterna. Isaías 53 é um retrato do sofrimento substitutivo em nosso lugar, o qual, como já mencionado, não é um sofrimento mental nem físico, mas no espírito. O Salmo 22 nos dá uma imagem do Seu sofrimento físico, mas Isaías oferece uma imagem do Seu espírito, enquanto o corpo do Filho de Deus estava pendurado na cruz. Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido [pelas nossas doenças]. — vv. 3-4, grifo nosso É lamentável o fato de sermos tão lentos para valorizar o que o Senhor realmente fez em nosso favor. Deus vê a doença como algo espiritual, Ele não colocou nossa doença física sobre o espírito de Cristo, mas a doença espiritual. Então, a doença é um fato espiritual, assim como o pecado é um fato espiritual. Foi Deus quem colocou nossas doenças sobre Ele. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. (vv. 5-6) O estudioso atento perceberá que Ele tratou com o problema da doença antes de tratar com o problema do pecado. Não cabe a nós perguntarmos por que Ele fez isso, mas o fato é que Ele o fez. Pode ser que sejamos tão conscientes dos nossos sentidos que tenha sido necessário Deus lidar com o homem sensorial antes de tratar com o homem espiritual. Deveríamos observar que o homem está na mesma classe com Deus. Ele é um ser eterno, um ser espiritual que foi criado de maneira a poder tornar-se participante da natureza de Deus. Ele foi ferido no Seu espírito com nossas iniquidades. O castigo que poderia nos trazer paz estava sobre Ele, e “por suas pisaduras fomos sarados”. Não são pisaduras físicas. É a justiça tratando com nosso substituto na dimensão do espírito. Na versão American Revision lemos: Mas agradou a Jeová feri-lo; Ele o fez sofrer; quando der Ele a Sua alma como oferta pelo pecado, Ele verá Sua semente, Ele prolongará Seus dias, e o prazer de Jeová prosperará na Sua mão. Ele verá o esforço da Sua alma, e ficará satisfeito; pelo conhecimento dele meu servo justo justificará a muitos; e Ele levará as iniquidades deles. Por isso Eu dividirei com ele uma parte com os grandes, e ele dividirá o despojo com os fortes; porque derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores. — vv. 10-12 Algumas traduções para o versículo 10 dizem: 1.“Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (ARA). 2.“Contudo, foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer” (NVI). 3.“...o plano perfeito do Senhor exigia sua morte e seu sofrimento” (NBV). 4.“Todavia foi do agrado de Jeová esmagá-lo; deu-lhe enfermidades” (TB). Não há como fugir do fato de que doença e pecado são uma coisa só. Eles têm uma origem em comum, mas duas maneiras diferentes de se manifestar, uma no corpo físico e outra no corpo espiritual. Romanos 8:3 declara: “...condenou Deus, na carne, o pecado”. Sem dúvida, com isso ele quer dizer o pecado e as doenças, pois eles têm uma origem comum em Satanás e estão debaixo de condenação por parte de Deus. Mas creio que a declaração mais terrível de Isaías 53 é: “...quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado” (v. 10) ou “quando a sua alma se puser por expiação do pecado” (ARC). Observe também esta tradução: “fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado” (ACF). O versículo 11 apresenta algumas traduções impressionantes. Depois que Ele foi justificado no espírito, “então Ele foi concebido por Deus”. De acordo com 1 Timóteo 3:16, Ele foi justificado no espírito. Ele é o primogênito da morte espiritual, a primeira pessoa a nascer de novo. Agora nossos corações podem assimilar esta verdade: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si” (Isaías 53:11). Essa versão é realmente impressionante. A versão King James Atualizada diz: “ele contemplará o resultado da sua obra, o empenho de sua alma, e ficará satisfeito”. A partir dessas versões, você pode ter um vislumbre do sacrifício substitutivo do nosso grande Mestre. Seu espírito ficou absolutamente impregnado com a natureza pecaminosa do mundo e Ele desceu até as profundezas mais baixas do Hades (ver Salmos 88). A mente humana não pode captar isso, não há linguagem que o descreva. Não temos nada com o que possamos comparar, pois aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado. A oferta pelo pecado segundo a lei lhes havia sido imputada. Cristo não tinha nenhum pecado imputado a Ele, mas se fez pecado. Os israelitas tiveram a justiça imputada a eles; nós temos a justiça transferida a nós. Essa justiça nos permite comparecer na presença do Pai como se o pecado nunca tivesse existido. Acerca disso, vejamos algumas versões de Salmos 88. •“minha alma está farta de males” (v. 3, ARA). •“a minha alma está cheia de angústias” (v. 3, ARC). •“Puseste-me na cova mais profunda” (v. 6, NVI). •“Sobre mim pesa a tua ira; tu me abates com todas as tuas ondas” (v. 7, ARA). •“Sobre mim pesa a tua cólera; tu me abateste com todas as tuas ondas. (Selá)” (v. 7, ARC). •“Tua ira pesa sobre mim; com todas as tuas ondas me afligiste” (v. 7, NVI). •“Estou fechado” (v. 9, ARC). •“Ando aflito e prestes a expirar desde moço; sob o peso dos teus terrores, estou desorientado. Por sobre mim passaram as tuas iras, os teus terrores deram cabo de mim” (vv. 15-16, ARA). Temos aí um quadro de algo que vai além da razão humana, que retrata nosso Príncipe e Salvador sofrendo no nosso lugar para poder nos tornar justos. Justiça significa a capacidade de estar na presença do Pai sem sentimento de culpa, condenação ou inferioridade. Nós comparecemos diante dele como filhos na presença do Pai de amor. Fomos recriados a partir do Seu coração. Somos feitos da Sua substância. Que grande dia será aquele em que os cristãos passarão a entender quem eles realmente são em Cristo, “se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2 Coríntios 5:17). Esse homem é uma nova espécie; algo que o mundo nunca conheceu até o Dia de Pentecostes. Ele é tão semelhante a Cristo, tão completamente um com Ele, que Cristo pode dizer: “Eu sou a videira, vós, os ramos” (João 15:5). Nós nos tornamos participantes da Sua natureza. Não apenas isso, mas Ele ousou vir e fazer do nosso corpo a Sua habitação. Não posso entender isso com o conhecimento que vem dos sentidos, apenas sei que isso é um fato, e meu espírito testifica com a Palavra que é verdade. Ele está em mim agora. Aquele grande e poderoso Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos está em mim enquanto eu dito estas palavras. Ele está iluminando a Palavra, fazendo meu coração entender as maravilhas da graça do Pai reveladas em Jesus. Você consegue ver a necessidade de estudarmos para descobrirquem realmente somos em Cristo? O que o espírito, através da Palavra, realmente operou em nós que nos tornou aceitáveis até Ele poder sussurrar: Vocês estão no Amado (ver Efésios 1:6). Isso significa que você está tão próximo do coração do Pai quanto Jesus. A grande oração de Jesus em João 17:23 chega a ser um grito: “...para que o mundo conheça que tu... os amaste, como também amaste a mim”. Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito. — 1 Timóteo 3:16 Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito. — 1 Pedro 3:18 O fato de Jesus ter nascido de novo antes de ressuscitar dos mortos é algo realmente impressionante. Depois de cumprirem tudo o que a respeito dele estava escrito, tirando-o do madeiro, puseram-no em um túmulo. Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos; e foi visto muitos dias pelos que, com ele, subiram da Galileia para Jerusalém, os quais são agora as suas testemunhas perante o povo. Nós vos anunciamos o evangelho da promessa feita a nossos pais, como Deus a cumpriu plenamente a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus, como também está escrito no Salmo segundo: “Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei”. E, que Deus o ressuscitou dentre os mortos para que jamais voltasse à corrupção, desta maneira o disse: “E cumprirei a vosso favor as santas e fiéis promessas feitas a Davi”. — Atos 13:29-34 Um dos incidentes mais dramáticos e notáveis ocorre com relação à obra substitutiva de Cristo. Colossenses 2 faz a descrição de uma batalha que ocorreu no Hades antes de Jesus ressuscitar dos mortos. Em Lucas, a Palavra nos diz que Ele entrou na casa do valente e o amarrou. Jesus, depois de ter sido justificado e vivificado no espírito, tornou-se o Senhor de Satanás, e “despojando os principados e potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (v. 15). Isso fica mais claro ainda em outra versão: “Tendo despojado de si mesmo os principados e as potestades...” (English Revised Version, tradução livre). Seria como se todas as hostes do inferno estivessem sobre Ele. Jesus estava passando por agonias indescritíveis e, de repente é justificado e vivificado. Ele reduziu a nada as hostes das trevas (ver Hebreus 2:14), ou permitiu que elas fossem derrotadas; Ele paralisou o poder delas de lidar com a morte. E quando se encontrou com João, Jesus disse: “[Eu sou] aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1:18). Ele havia vencido Satanás e o havia despojado da sua autoridade (chaves representam autoridade). Jesus era o Senhor de todo o inferno. Ele não venceu Satanás para Si mesmo, mas por nós, por você e por mim. Foi como se você tivesse encontrado Satanás pessoalmente e o vencido e o despojado da sua autoridade e se tornado senhor dele. Por isso Jesus nos deu a procuração para usarmos Seu Nome. Ele disse: “Em Meu nome expulsarão demônios. Imporão as mãos sobre os enfermos e eles serão curados” (ver Marcos 16:17-18). Lembre-se de Mateus 28:18-19: “...Toda autoridade me foi dada nos céus e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos [alunos] de todas as nações...” (grifo nosso). E esses discípulos têm a autoridade que Jesus manifestou no inferno hoje nesse poderoso Nome. Você precisa entender que realmente tem o direito legal à autoridade e ao poder que estão investidos no Nome de Jesus e que você pode usá-lo. Você tem a procuração para usar o Nome de Jesus; você é um senhor absoluto das forças satânicas. Agora estamos preparados para entender Romanos 4:25: “O qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação”. Se você tivesse ficado ao lado da cruz com Pedro, João e os outros, não veria nada além do que eles viram. Nenhum deles sabia que Deus estava tratando com o espírito de Cristo, que Ele foi “aflito, ferido de Deus e oprimido” (Isaías 53:4) com todas as doenças e todos os pecados do ser humano. As leituras dos comentários da Bíblia de referências cruzadas sobre Isaías 52:13-15 oferecem muita luz sobre esse problema. O versículo 14 diz: “Como pasmaram muitos à vista dele (pois o seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens)”. Vejamos outras versões: “Mas muitos ficarão espantados quando o virem. Eles verão o meu servo coberto de sangue, com suas feições completamente deformadas” (NBV). “Muitos ficaram horrorizados quando o viram, pois ele estava tão desfigurado que nem parecia um ser humano” (NTLH). “Assim como houve muitos que ficaram pasmados diante dele; sua aparência estava tão desfigurada, que ele se tornou irreconhecível como homem” (NVI). É difícil entender como o espírito de Jesus havia ficado tão deformado pelos pecados e doenças do ser humano, a ponto de não se parecer mais com um homem. Isaías 53:5 traz algumas explicações: “Homem de dores, e de sofrimento, de tristeza, acostumado com a dor, familiarizado com os males [literalmente, doenças]” (grifo nosso). O versículo 4 também é impactante: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido”. Outra versão diz: “No entanto, era o nosso sofrimento que ele estava carregando, era a nossa dor que ele estava suportando. E nós pensávamos que era por causa das suas próprias culpas que Deus o estava castigando, que Deus o estava maltratando e ferindo” (NTLH). A Nova Versão Transformadora diz: “Quando ele vir tudo que resultar de sua angústia, ficará satisfeito. E, por causa de tudo que meu servo justo passou, ele fará que muitos sejam considerados justos, pois levará sobre si os pecados deles” (v. 11). Agora, veja o que diz a Nova Bíblia Viva: “E quando ele puder ver o resultado do seu terrível sofrimento, verá a luz e ficará satisfeito. Através de tudo o que passou, o meu servo, o justo, fará que muitos se tornem justos diante de mim, porque ele mesmo levará sobre si os pecados deles”. A passagem de Romanos 4:25 é mais clara: “...o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação”. Há duas fases da justiça. Quando Cristo ressuscitou do túmulo, todos receberam justificação, o que lhes daria o direito legal à vida eterna. Mas essa justiça não se tornou deles até aceitarem Jesus Cristo pessoalmente como seu Salvador e o confessarem como seu Senhor. Aqueles que ensinam uma salvação universal só captaram o lado legal da justiça. Todos os filhos em Israel tinham o direito legal a todos os benefícios da Aliança, mas isso não lhes pertencia pessoalmente até eles serem circuncidados. A vida eterna se torna nossa no instante em que nós recebemos Jesus Cristo pessoalmente como Salvador e o confessamos como o Senhor da nossa vida. RESUMO Vejamos os ápices da breve vida do Homem. Houve um no jardim, um no julgamento e outro na cruz, mas somente um anjo podia retratar o clímax da Sua ressurreição. O Homem pagou o castigo pela transgressão da humanidade. Ele se tornou pecado e foi justificado. O Pai lhe disse: “Eu hoje te gerei”, e Ele foi vivificado no espírito, “o Primogênito dos mortos” (Apocalipse 1:5). Ele expulsou as forças das trevas que o detinham em cativeiro e as despojou da sua autoridade e do seu domínio sobre o homem. Era o senhor da morte e o conquistador do túmulo. Revestiu-se de imortalidade como de uma veste, aparecendo entre os discípulos da mesma maneira simples e divina com a qual havia se misturado com eles por três anos e meio. Seus lábios pronunciaram apenas uma palavra: “Salve!”. A manhã da redenção havia chegado. A nova criação agora podia se tornar uma realidade. O Filho de Deus, que morreu como um cordeiro, havia ressuscitado como o Senhor e Sumo Sacerdote da Nova Aliança. O amor paira sobre esse novo título. O título mais sagrado, o mais belo que os lábios já pronunciaram, mas até agora desconhecidoao homem. Maria caiu aos Seus pés e Ele disse: “Não me toques, porque ainda não subi para o Pai” (ver João 20:17). Ele entrou no céu como o Sumo Sacerdote e levou o próprio sangue para dentro do novo Santo dos Santos. CAPÍTULO 10 O QUE ACONTECEU NA RESSURREIÇÃO? A ressurreição de Jesus foi o maior evento que já aconteceu, seja na dimensão dos sentidos, seja na dimensão do espírito. Satanás foi derrotado. O cabeça da Nova Criação é o vencedor e o exemplo para todos os membros da nova criação. Eles devem ser vencedores, senhores das circunstâncias e de todas as forças demoníacas. Cristo ergueu-se à plena estatura da Sua Divindade na presença do adversário. Ele despojou de si mesmo os principados e as potestades, os exibiu publicamente na presença de todo o inferno. Depois, tirando o troféu da mão do vencido, ressuscitou dos mortos. Podemos ouvi-lo dizer: “Estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1:18). Isso traz à memória a cena de Mateus 28:5-6. As mulheres haviam ido até a sepultura, que estava vazia, mas um anjo estava lá. E o anjo respondeu às mulheres: “Não temais; porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia”. O Senhor do pecado, da doença, da morte e de Satanás, morreu como Jesus, o Cordeiro. Ele ressuscitou como Senhor e Sumo Sacerdote, venceu a morte e o túmulo. Quando Maria o encontrou, ela caiu aos Seus pés, chamando-o de seu Senhor. Ele lhe disse: “Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai” (João 20:17). O último grito de Jesus na cruz havia sido: “Deus meu, Deus meu, por que me desemparaste?”. Ele pagou o castigo pela transgressão do homem e atendeu às exigências da justiça, para então levar o próprio sangue, como o Sumo Sacerdote, ao Santo dos Santos Celestial, a fim de fazer a redenção eterna. A ressurreição do Senhor Jesus liberou o amor, permitiu que Deus desse vida eterna, uma redenção perfeita, uma libertação perfeita ao homem escravizado por Satanás. Ela fez de Jesus o Cabeça de uma nova criação. Fez do homem da nova criação um ser criativo, que está na mesma classe de Deus. Daquele túmulo escuro veio a luz das eras. Agora podemos entender João 8:12: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”. São homens de uma nova criação; um novo tipo, uma nova espécie de homens, deve andar pela terra. Houve um tempo em que havia gigantes físicos sobre a terra. Agora existem gigantes espirituais. Existem os gigantes do conhecimento que vem dos sentidos. Agora, com a revelação paulina desvendada, temos gigantes espirituais. João 1:4 agora brilha radiante: “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens”. Jesus tinha a vida e a luz nele, mas ela não podia brilhar durante Sua caminhada terrena. Então, Ele deu essa vida aos pequenos portadores da luz: a nova criação. Em meio à escuridão do conhecimento que vem dos sentidos, devemos resplandecer como luzes. A vida da qual Jesus falou com tanta frequência ia produzir a luz, a sabedoria, a habilidade criativa que o mundo nunca teve. Não havia existido uma mente criativa desde a queda do homem. Era a vida e a luz vindas do túmulo. Veio fluindo um brilho que iluminou o mundo. Alguém com inclinação poética teria um pensamento lírico ao ver Jesus vindo daquele sepulcro vazio, como se dando à luz vida, liberdade, amor e uma nova criação. Eles pensaram que haviam se livrado de Jesus, mas aquele sepulcro vazio deu à luz milhões de homens-Jesus. Quando percebemos o que a ressurreição de Jesus significou para a raça humana, ficamos impressionados. O sepulcro aberto deu liberdade às mulheres. As mulheres eram vistas como escravas, mas hoje estão em todos os lugares nos quais a ressurreição de Jesus influenciou as mentes dos homens. A ressurreição deu ao homem um novo tipo de amor. O amor que o homem conhecia derivava do egoísmo. O homem natural não tem amor real, pois não passa de egoísmo refinado. Se o objeto do seu amor, para quem ele escreveu poesias e músicas, rejeita esse amor e ousa amar outro, seu amor se transforma em ódio e assassinato. Não há solução para o problema humano fora da ressurreição de Cristo, “o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Romanos 4:25). As guerras fratricidas que varreram as eras poderiam nunca ter ocorrido se esse novo tipo de amor que Jesus trouxe ao mundo tivesse dominado todas as esferas. Falamos sobre patriotismo, que muitas vezes foi o pai do extermínio. Porque quando o Mestre ressuscitou do túmulo em Jerusalém, Ele deu ao mundo um novo tipo de amor, um novo tipo de vida, do qual nasceu um novo tipo de ética e um novo padrão de vida que destruiria a guerra, o ódio, o ciúme, a amargura e o egoísmo em todas as formas. Jesus viveu esse amor. De acordo com Paulo, esse amor “...é paciente... Não maltrata, não procura seus interesses” (1 Coríntios 13:4-5). Esse algo novo que saiu do sepulcro vazio é a coisa mais revolucionária que já tocou um ser humano. Ele nunca tira vantagem. Ele nunca faz algo que não seja gentil. Ele não é conivente com a tirania ou com o derramamento de sangue. Ele dá à luz os homens da nova criação com a vida de Deus. Não apenas transferindo Sua natureza aos homens, mas realmente entrando neles e fazendo do corpo deles o Seu templo. Esse novo tipo de vida dá ao homem a capacidade para estar na presença de Deus sem sentimento de culpa, condenação ou inferioridade. Ele tirou do homem o medo das circunstâncias, o pavor da velhice, o acovardamento dos fracos diante dos fortes. Ele tornou todos os homens iguais. Ele fez os fortes levarem os fardos dos fracos. Fez do mundo um lugar seguro para os bebês nascerem e serem criados. Um dia incomparável amanheceu com a nova criação. Foi um dia maravilhoso quando Jesus nasceu na manjedoura, mas foi um dia incrível quando Deus fez provisão para a nova criação. Da manhã da ressurreição ao Pentecostes, aqueles quarenta ou cinquenta dias estavam cheios dos planos de Deus para o nascimento da Igreja. A manhã da ressurreição foi a manhã de todas as manhãs! Era o começo de um novo dia, quando um novo tipo de amor deveria dominar onde antes o ódio havia corrido desenfreado. A ressurreição de Jesus significou que Satanás foi derrotado; seus escravos se tornariam seus senhores. Toda nova criatura seria vencedora. Um novo senso de justiça dominou onde o medo havia governado. O domínio destemido do antigo dominador de escravos havia sido desterrado. A nova criação é senhora. “Quem é aquele que vence o mundo? Aquele que nasce de Deus” (ver 1 João 5:4-5). RESUMO Se o mistério tem a capacidade de nos fascinar, então aqueles quarenta dias foram fascinantes. Que eu saiba, só houve um livro escrito sobre esse tema, no entanto as coisas mais marcantes ocorrem durante esse período. Após a ressurreição, Jesus levou Seu sangue para dentro do Santo dos Santos; Ele morreu como um Cordeiro e ressuscitou como o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, a qual tinha acabado de existir quando Ele levou Seu sangue à presença da suprema corte do universo. O sangue foi aceito. Esse sangue purificou os santos do Antigo Testamento que confiaram no sangue de touros e bodes, e eliminou o pecado deles. Esse sangue selou a Nova Aliança. Só uma oferta era necessária. Jesus então pôde ir ao paraíso e proclamar aos santos da Velha Aliança que aguardavam, que Ele fez uma redenção perfeita, sacou cada uma das notas promissórias da expiação. Agora os santos do Antigo Testamento estão prontos para ir para o céu. “Na casa de meu Pai há muitas moradas...” (João 14:2). Eles devem ir e ocupar seu novo lar. Entre eles estarão todos os que confiaram na promessa, de Adão ao ladrão na cruz. CAPÍTULO 11 O QUE ACONTECEU durante os QUARENTA dias? P ara a maioria das pessoas, foram dias surpreendentes de obscuridade, mas percorrendo com atenção os quatro evangelhos e depois voltandoàs epístolas de Paulo, temos vislumbres do que aconteceu em alguns momentos durante esses quarenta dias. Um versículo com o qual estamos familiarizados é Hebreus 9:12: “Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção”. O Espírito está falando, através de Paulo, de Jesus como o Novo Sumo Sacerdote, levando Seu sangue para o Santo dos Santos e obtendo redenção eterna, mas antes de entrar com Seu sangue há um pequeno toque humano nesse drama que não devemos ignorar, que está em João 20:11-18. O Mestre apareceu a Maria, a irmã de Marta. Ela não soube quem era Ele, o qual disse carinhosamente: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” (v. 15). Ela pensou que Jesus fosse o jardineiro. Mal podemos conter as lágrimas quando lemos a resposta dela: “Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei” (v. 15). Jesus chorou sobre o túmulo de Lázaro. Talvez Ele tenha chorado novamente nesse momento, pois Seu coração deve ter sido tocado com a lealdade daquela mulher. Em resposta, Ele virou-se para ela e disse apenas uma palavra: “Maria” (v. 16). Era a velha voz, a voz que eles haviam passado a amar. Quantas vezes Ele havia dito “Maria” na casa dela, em Betânia. Quantas vezes ela ouviu: “Marta” e “Lázaro”. Isso irrompeu sobre ela como uma inundação. Ela virou-se, olhou para Ele, caiu aos Seus pés e sussurrou: “Raboni” (v. 16). Ela queria segurar Seus pés, e eu não me admiro. Quantas vezes eu sonhei: “Ah, se eu pudesse beijar aqueles pés e as feridas naquelas lindas mãos”. Mas Ele disse a ela carinhosamente, quase em um sussurro: “Não me toque... porque eu ainda não subi ao Pai” (João 20:17, NBV). Você sabe o que Ele quis dizer. Ele morreu como um cordeiro, como um substituto, e ressuscitou como o Senhor e Sumo Sacerdote. Lembre-se de que o véu foi rasgado no Santo dos Santos de alto a baixo. Isso significa que não havia mais um sumo sacerdote sob a Velha Aliança. O sacerdócio foi abolido. Não havia Lei, pois já havia sido cumprida. Não havia mais sacrifícios; o sumo sacerdote não sabia disso, mas ele havia oferecido o Cordeiro de Deus como o grande sacrifício por toda a eternidade. E o Cordeiro do sacrifício havia ressuscitado dos mortos como o Sumo Sacerdote da Nova Aliança. A Aliança Abraâmica havia sido concluída. Chegou um novo Sumo Sacerdote que não pertenceu à família de Levi, mas que havia sido feito Sumo Sacerdote com toda autoridade. Ele era segundo a ordem de Melquisedeque, e não pertencia à família sacerdotal. Então, Ele diz carinhosamente a Maria: “Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai” (v. 17). Embora a Bíblia não relate, podemos imaginar a continuação do diálogo: Vou levar o Meu sangue ao Novo Santo dos Santos, espargi-lo sobre o propiciatório assim como os nossos Sumo Sacerdotes têm feito uma vez por ano, mas o meu será um sacrifício eterno. Vou consumar a sua redenção, Maria. Você não sabe disso, filha, mas Eu morri pelos seus pecados, eu os aboli. Agora estou levando o selo do seu sacrifício para Meu Pai. Quando Eu voltar, você poderá colocar as mãos em Mim, você poderá Me tocar, você poderá saber que Eu sou carne e sangue, mas agora, adeus. Vou para Meu Pai. E Ele se foi. Permitimos que nosso coração romantize um pouco aqui, mas tudo fazia parte do sonho, do plano. Podemos ver isso no livro de Hebreus. Depois que Jesus levou Seu sangue para o Santo dos Santos Celestial, e a suprema corte do universo o aceitou, Ele tinha outras coisas para fazer. Ele morreu pelos pecados sob a primeira Aliança. Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados. — Hebreus 9:15 Observe que a Nova Aliança passou a operar no instante em que Ele levou Seu sangue para o Santo dos Santos Celestial e que Ele se tornou instantaneamente o Mediador entre o homem caído e o Pai. Ele havia morrido pela redenção das transgressões sob a primeira Aliança. E então os homens da Velha Aliança deveriam receber sua herança eterna. Eles recebiam essa promessa toda vez que o Sumo Sacerdote levava o sangue para o Santo dos Santos, e isso continuou por mil e quinhentos anos. Os pais do Antigo Testamento foram redimidos. Eles estavam no paraíso esperando por Ele. O ladrão que morreu na cruz estava entre eles no paraíso. Jesus ia cumprir Sua promessa agora. Ele disse: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43). Jesus não disse para o homem que iria para o paraíso com ele, mas disse que naquele dia estaria com ele no paraíso. E então, cumpriu Sua promessa. Pedro lançou luz sobre isso em 1 Pedro 3:18-19: Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão. Jesus não tinha nada para pregar até que Seu sangue tivesse sido levado ao Santo dos Santos. “...Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens. Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra?” (Efésios 4:8-9). O que ele quis dizer com isso? Ele entrou no lugar onde os santos do Antigo Testamento estavam sendo mantidos no paraíso, proclamou a eles a alegre notícia da sua redenção e levou cativos e lhes concedeu dons. Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos. E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir”. — Atos 1:9-11 Não sei se você percebeu, mas em muitos lugares uma nuvem exerceu um papel importante. Por exemplo, na transfiguração, enquanto Jesus estava falando, uma nuvem brilhante o cobriu, e uma voz saindo da nuvem falou com todos os que estavam ali. No retorno do Mestre, o Filho do Homem virá nas nuvens do céu. E no fim uma nuvem o recebeu. A maior parte dos comentaristas espirituais acredita que a nuvem eram os santos do Antigo Testamento levados do paraíso para o céu. Eu concordo com eles. É uma linda concepção que eles nos deram, do Mestre levando esses santos do Antigo Testamento, como Abraão, Davi e outros, como as primícias do Seu grande sacrifício. Ninguém na terra ainda havia recebido o benefício do Seu sacrifício substitutivo. Ninguém ainda havia nascido de novo. Ninguém sabia nada sobre isso. Duvida-se que até mesmo os mais íntimos soubessem o que aqueles quarenta dias significavam, e que os entes queridos deles haviam ido se encontrar com Deus. Durante os quarenta dias aconteceu uma viagem até Emaús (ver Lucas 24:13- 35). Dois dos discípulos estavam a caminho dessa pequena aldeia. Eles estavam conversando sobre o que havia acontecido e sobre os relatos em toda a Jerusalém sobre a ressurreição de Jesus. Um estranho juntou-se a eles e perguntou-lhes sobre o que eles estavam conversando. Cleopas respondeu: “És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias?” (Lucas 24:18). Então, Ele lhes perguntou a que coisas eles estavam se referindo. Eles disseram: “...O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo, e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram” (vv. 19-20). E continuaram: “De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram” (v. 24). Então, Jesus disse: “Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!” (v. 25). Como você pode ver, eles ainda eram homens naturais e Jesus não passava de um profeta para eles.Eles não podiam entender as Escrituras, e imagino que depois que receberam o Espírito Santo, aquela caminhada até Emaús tornou-se um dos testemunhos mais impactantes daquele pequeno grupo em Jerusalém. “Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras” (v. 45). Jesus nunca teve de abrir a mente deles novamente depois do Dia de Pentecostes, porque eles tinham finalmente recebido vida eterna, e podiam entender as coisas espirituais. João 20:22-23 retrata claramente o mesmo encontro que está registrado em Lucas 24:44-46. Aqui Jesus sopra sobre eles e diz: “Recebei o Espírito Santo” (João 20:22). Isso não é receber o Espírito Santo como no Dia de Pentecostes. Não é receber a vida eterna. Foi simplesmente dar a eles inspiração para entenderem o que Ele estava ensinando. Nenhum dos discípulos tinha recebido a vida eterna. O Espírito ainda não tinha vindo para assumir Seu ministério na Nova Aliança. A Velha Aliança havia passado com o rasgar do véu. A Nova Aliança passou a existir com o sangue de Jesus sendo levado ao Santo dos Santos, mas o ministério do Espírito Santo foi contido por dez dias depois que Jesus os deixou. O Mestre teve de sentar-se à destra da Majestade nas alturas e entrar no Seu descanso. Então, o Espírito Santo assumiu Seu Ministério. Ele veio no Dia de Pentecostes, cinquenta dias após a crucificação. Os discípulos estavam esperando no Cenáculo. Eles não estavam agindo com muita sabedoria, pois tentavam colocar alguém no lugar de Judas, e estavam fazendo isso pelo método natural. Eles estavam lançando sortes como os homens fazem hoje, jogando uma moeda para o alto e dizendo: “Cara ou coroa”. O Pai ignorou-os completamente. Quando chegou a hora em que Ele estava pronto, nomeou Saulo de Tarso em lugar de Judas. Observe que em Atos 1:14 é dito: “Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”. Não devemos levar nada das epístolas de Paulo para essa cena. Quero que você entenda que até esse momento ninguém ainda havia nascido de novo. Eles se associaram com Jesus, viram Seus milagres, mas não entendiam as coisas espirituais até receberem o Espírito Santo. Eles não estavam orando pelo derramamento do Espírito Santo, pois nem sabiam o que isso significava. Eles não estavam orando por poder, isso é dito várias vezes na Bíblia. Lembro-me de ler “The Tongue of Fire” (A língua de fogo), de William Arthur. É um livro maravilhoso! Arthur descreve a cena dos cento e vinte orando reunidos, esperando que o poder de Deus caísse sobre eles. Jesus não disse nada aos discípulos, até onde sabemos, sobre o que ia acontecer no Cenáculo. Ele também não lhes disse como se preparar para aquilo. O Espírito Santo não podia vir antes da hora exata. Ele veio quando Deus planejou. A oração deles não podia nem trazer o Espírito Santo, nem o impedir de vir. Deus não pediu que eles se arrependessem dos seus pecados, nem que tivessem alguma fé especial. Ele não exigiu nada, apenas que aguardassem no Cenáculo até a promessa do Pai chegar. RESUMO Esse foi o clímax do sonho. A redenção finalmente estava consumada. O aspecto legal dessa grande carta redentora passou a existir. Jesus, saído a pouco da terrível agonia e tortura da Substituição, estava entrando no novo Santo dos Santos com Seu sangue. Jesus esteve ausente por trinta anos, dedicado a essa missão. Então, Ele voltou para casa! E que recepção! Ele estava levando o próprio sangue como o Sumo Sacerdote da Nova Aliança. Ele foi Homem. Antes, era um espírito. Ele nunca deixará de lado Sua humanidade: por toda a Eternidade será o Deus Homem, o Cabeça da Igreja, o Primogênito do povo da Nova Aliança. Ele estava levando Seu sangue para o novo Santo dos Santos, pois o Santo dos Santos da primeira Aliança deixou de existir. Seu sangue é o selo vermelho sobre o documento de uma redenção perfeita. Ele fez provisão para a recriação da raça humana. Deus está vingado! O homem acusou Deus de criá-lo diante do fato de que Ele deveria saber que o homem cairia. Agora Ele pagou o castigo pela transgressão do homem, e o homem pôde receber vida eterna e se tornar a Justiça de Deus em Cristo. Que batalha tremenda foi essa, mas o Amor venceu. CAPÍTULO 12 O QUE ACONTECEU QUANDO ELE ENTROU COM O SEU SANGUE? O Espírito se calou na presença daquele evento histórico. Nunca antes havia existido um momento como aquele. O Pai viu o Filho pregado à cruz, mas quando o pecado o tocou, virou as costas para Ele. O Filho não estivera na presença do Pai, até onde sabemos, desde aquele momento pavoroso na cruz. O Pai viu Seu sofrimento e gritou “Basta!”, quando o castigo foi pago. O Pai viu o Filho ser recriado, ser trazido de volta à comunhão com Ele, e testemunhou aquele combate terrível com as forças do inferno, quando o Filho as despojou da sua autoridade, despojou de sobre Si principados e potestades e fez exibição deles publicamente, triunfando sobre eles. Mas agora o Filho havia chegado à consumação de todo o drama. Morreu como um Cordeiro, sofreu como um Substituto e foi justificado naquela região tenebrosa, vencendo o adversário. E como o Senhor e Herói, Ele ressuscitou dentre os mortos. Agora Jesus é o Sumo Sacerdote. Levar Seu sangue para o Santo dos Santos foi a primeira obra que Jesus realizou no Seu ofício de Sumo Sacerdote. Ele não terá de levá-lo para lá periodicamente. Foi um sacrifício feito de uma vez por todas. Satanás foi vencido. As reivindicações da justiça foram atendidas e a humanidade foi redimida. Deus agora pode, com base legal, dar vida eterna ao homem. Jesus se tornou o Salvador. Ele tratou com o problema do pecado do homem, o qual foi finalmente resgatado e a dívida foi paga. Quando Jesus sentou-se, Ele entrou no Seu descanso e tornou-se automaticamente o Ministro do novo santuário, que não foi feito por mãos humanas. Ele se tornou o Mediador da Nova Aliança. Que maravilha o fato de uma Nova Aliança, selada com o sangue do próprio Filho de Deus, ter começado a operar naquele dia! O primeiro ministério foi o Filho levar o próprio sangue como o Sumo Sacerdote da Nova Aliança para o Santo dos Santos. Assim que isso foi feito, e Ele foi reconhecido como o único Salvador do homem, Ele tornou-se o Intercessor do homem salvo. Nessa função, Ele se coloca entre os homens perdidos e Deus, e vive para sempre para interceder pelos homens salvos. Ele ora por eles. Ele cuida deles. De fato, Jesus morreu por eles, tornando a redenção e a vida eterna possibilidades para eles. Agora Ele vive para sempre para ministrar a essa nova criação e cuidar dela. Ele não é apenas o Sumo Sacerdote, o Mediador, o Salvador, o Intercessor, como Ele é também o Advogado Celestial deles, o Senhor Procurador-Geral. “Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2:1). Que função maravilhosa! Quando o cristão peca, ele perde o senso de justiça, perde o direito de aproximar-se do Pai, mas ele tem um Advogado muito justo. Porque quando esse cristão é preso nas armadilhas do adversário, e clama por ajuda e perdão, Jesus assume a causa, tornando-se seu Advogado, e a comunhão é restaurada. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça. — 1 João 1:9 Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo coisas para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. — 1 João 2:1-2 Esse é o mais maravilhoso de todos os ministérios do Homem à destra de Deus, mas não é tudo. Hebreus 7:22 diz: “...Jesus se tem tornado fiador de superior aliança”. Ele é quem garante todo o Novo Testamento de Mateus 1 a Apocalipse 22. Apoiando essa Nova Aliança está a integridade do Pai, de Jesus e do Espírito Santo. O trono dele está respaldando cada palavra. Você se lembra do que Deus disse a Abraão quando a Velha Aliança começou a operar, e Ele se tornou Seu fiador? “Jurei, por mim mesmo...” (Gênesis 22:16). Agora Jesus se torna o fiador da Nova Aliança. E nãoé apenas isso, mas é também nosso Senhor, Sumo Sacerdote e Provedor. Ele é como um marido para uma esposa. Ele é verdadeiramente nosso Noivo, e como Senhor e Noivo, Ele supre nossas necessidades, cuida de nós, nos defende do inimigo e é o nosso protetor. Salmos 23 é um retrato perfeito da caminhada terrena do cristão. “O Senhor é o meu pastor” (v. 1), o meu Provedor. O que mais posso querer? Ele me faz “repousar em pastos verdejantes” (v. 2). Vivo em abundância divina. Ele conhece cada necessidade da minha vida, então deito-me, debaixo da Sua proteção, em verdes pastos de fartura. Doces águas fluem ao meu lado, claras e brilhantes como o cristal, sou cuidado por Jesus. “Refrigera-me a alma” (v. 3), ou seja, se existe alguma coisa que me amedrontou, que me trouxe preocupação, que me encheu de medo, Ele refrigera minha alma, tira o meu medo e me leva ao descanso e à tranquilidade; e ainda “guia-me pelas veredas” (v. 3) desse novo tipo de justiça no qual eu não temo os inimigos. As “veredas da justiça” (v. 3) são os caminhos da nova criação. Embora eu ande na dimensão da morte espiritual onde todos são governados pelo inimigo, “não temerei mal nenhum” (v. 4), porque eu ouço quando Ele sussurra: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação do século” (Mateus 28:20). “Tua vara” de proteção e “teu cajado” de abundância “me consolam” (v. 4). Sou protegido, sou cuidado, estou sempre escondido nele. Ele é a minha proteção. Porém, “Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários” (v. 5). Ninguém pode comer na presença dos inimigos, pois o apetite desaparece. Mas esses são inimigos vencidos e aprisionados. Onde eu fui derrotado, vencido e conquistado, talvez colocado em desgraça, agora reino na dimensão da vida através de Jesus Cristo, meu Senhor. Com “unges-me a cabeça com óleo” eu descubro que estou no sacerdócio e pertenço à família real, pois só eles são ungidos. “O meu cálice transborda” (v. 5), isto é, tenho alegrias indizíveis. Particularmente, vivo uma vida maravilhosa com meu Senhor, e agora, “bondade e misericórdia” (v. 6), as gêmeas da graça, andam de braços dados comigo ao longo do caminho maravilhoso da vida. Estou habitando na presença do meu Senhor para sempre. Aleluia! Essa é apenas uma pequena imagem das realidades da Nova Criação. Descobrimos aquilo pelo qual o coração humano tem ansiado por todas as eras. Quando Jesus sentou-se, Sua obra estava consumada, e Ele me fez sentar ao Seu lado, me ressuscitou com Ele. Eu sou um com Ele: se Ele é o Cabeça, eu sou parte do Corpo. Ele é a Videira, eu sou o ramo. Minha vida está escondida com Cristo em Deus, meu Salvador, meu Senhor. Meu gracioso e maravilhoso Salvador, Sumo Sacerdote, voltará depois para me receber para Si. RESUMO O coração do Pai está cheio de alegria, pois naquele Cenáculo o Espírito Santo deu à luz o começo de uma nova e poderosa família. Homens que eram governados por Satanás de repente nasceram de novo. Os anjos observam essa estranha cena, pois eles podem ver a vida do coração do homem, uma vez que testemunharam o novo nascimento de Pedro, de João, da mãe de Jesus e de todos os outros. Jesus nasceu na manjedoura trinta anos antes; e então o Espírito Santo deu à luz naquele Cenáculo a cento e vinte homens e mulheres. Os demônios assistiram a tudo consternados. Eles tiveram uma visão estranha: o nascimento de cento e vinte homens e mulheres semelhantes a Jesus. Essas pessoas receberam a natureza de Deus. Dentro delas agora está a habilidade de Deus e cada um se torna senhor do adversário, e ele sabe disso. O homem outrora governado por Satanás passou a ser um filho de Deus, tendo a vida de Deus e a natureza de Deus; agora Deus pode habitar nesse homem. O corpo de todo homem que nasceu de novo se transforma em um tabernáculo para o Espírito Santo. O corpo coletivo de cristãos será chamado o Templo de Deus. Aconteceu algo novo e estranho. O problema do pecado está resolvido para eles, eles se tornaram novas criaturas, criadas em Cristo Jesus. Eles são os frutos dos três dias e três noites do penoso trabalho e das agonias espirituais de Cristo. CAPÍTULO 13 O QUE ACONTECEU No cenáculo? V amos nos transportar de volta até o Dia de Pentecostes quando, no Cenáculo, cento e vinte homens e mulheres nasceram na família de Deus. Tudo havia sido preparado com precisão divina, a obra Substitutiva de Cristo tinha sido consumada. Os Santos do Antigo Testamento haviam sido levados do paraíso para o céu. O sangue do Cordeiro de Deus havia sido aceito. Jesus sentou-se à destra da Majestade nas alturas e Espírito Santo deixou o céu e veio à terra para recriar homens e mulheres. Que grande dia deve ter sido aquele! Com relação ao nascimento do Corpo de Cristo, certos fatos devem ser observados. Primeiro, não foi necessária nenhuma fé. Não foi dito que precisavam se arrepender. Eles não estavam conscientes do que ia ocorrer. Ninguém nunca havia nascido de novo. Eles também não sabiam que a primeira Aliança havia se cumprido e sido deixada de lado, e que uma Nova Aliança tomaria seu lugar. O fato de a circuncisão ter se desenvolvido e passado a representar o Novo Nascimento era desconhecido para eles. Ninguém sabia que o sacerdócio havia deixado de funcionar. Eles ignoravam o fato de que sacrifícios, expiações e ofertas não seriam mais aceitos por Jeová. Não havia mais um santo dos santos terreno. A Lei de Moisés agora era obsoleta. Uma Nova Aliança, um Novo Sacerdócio e uma Nova Lei haviam passado a existir. “...aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer” (Hebreus 8:13), pois o véu do Templo havia se rasgado de cima a baixo. Jeová tinha deixado o santo dos santos terreno e passado para um novo tempo: o Santo dos Santos no céu. Eles não sabiam que tinham herdado uma Nova Aliança e que deviam ser iniciados nela sendo recriados, nascidos do Alto. Eles não haviam despertado para o fato de que agora seria uma circuncisão espiritual em vez de física. O véu rasgado não foi entendido. Eles não puderam compreender seu significado. O que aconteceu na cruz e durante os três dias e três noites era um livro fechado para eles, e eles não faziam ideia dos eventos durante os quarenta dias. Eles não sabiam que Jesus havia levado Seu sangue para o Santo dos Santos Celestial, também ignoravam que Ele agora era o Sumo Sacerdote. Eles não tinham a menor ideia de que o Senhor a quem eles amavam, agora estava sentado à destra da Majestade nas alturas. Ninguém considerava ainda o fato de que Deus tinha uma família, em vez de uma nação. Eles não julgaram o fato de que tinham um Pai de amor em vez de Jeová. A comunhão das ervas amargas da Páscoa judaica foi substituída pela doce comunhão a ser desfrutada com o Pai, por meio de Jesus Cristo. É difícil olharmos para trás, para aquele pequeno grupo de homens e mulheres no Cenáculo, e pensar neles como israelitas que não faziam ideia do que ia acontecer. Precisamos entender que tudo o que aconteceu no Cenáculo, além da recriação, foi na dimensão dos sentidos. Deus teve de trabalhar em ambas as dimensões. Isso era completamente novo, tudo ligado à primeira Aliança havia sido na dimensão dos sentidos. Quando o Espírito veio, eles ouviram um som como de um vento impetuoso. Eles viram as línguas de fogo e ouviram uns aos outros falando em outras línguas. Aquelas pessoas não estavam a par do fato de que tinham nascido repentinamente na família de Deus. Ninguém sabia que eles eram novas criaturas, bem como sobre a justiça. Eles não sabiam nada sobre a redenção. Eles haviam vencido, mas ignoravam esse fato. Receberam vida eterna e tinham o Espírito Santo habitando neles, mas nenhum deles sabia do que se tratava. Eles foram cheios de alegria indizível e cheia de glória. A paz celestial encheu o coração deles. Eles tinham vida eterna. Eles eram a justiça de Deus. Eles tinham uma nova alegria que nenhum outro ser humano jamais havia tido. Cada um deles podia entrar no Santo dos Santos. Ninguém estava debaixo de condenação, ao contrário, todos tinhamo mesmo Espírito Santo que havia ressuscitado Cristo Jesus dos mortos. No entanto, eles ignoravam todas essas maravilhas, mas desfrutavam delas. Vamos olhar para isso de maneira crítica por um instante. De acordo com Jesus e com João Batista, eles deveriam ser imersos no Espírito Santo. 1 Coríntios 12:13 explica o que aconteceu: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. No instante em que eles foram imersos no Espírito, nasceram do Espírito. Você não pode nascer a não ser que saia de um ventre. Eles saíram do ventre do Espírito, que deu à luz a eles naquele Cenáculo e eles receberam vida eterna. Hoje, quando homens e mulheres recebem vida eterna, o Espírito Santo cobre-os com Sua sombra, assim como Ele fez naquele Cenáculo, transferindo ao espírito deles a vida eterna, a natureza de Deus. Aquela foi a primeira vez na história humana que um homem recebeu a natureza de Deus. É verdade que Jesus recebeu a vida eterna antes da Sua ressurreição, mas Ele não está classificado com os outros. Ele era o “primogênito de entre os mortos”. Isso é contemplado em Colossenses 1:18: “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia” (ver também Romanos 8:29). Naquele momento, um estranho fenômeno ocorreu. Línguas tremulantes de fogo pousaram sobre a cabeça de cada um deles; significava que a mensagem que eles iriam levar ao mundo seria dada com uma força irredutível. A vida de Estêvão foi uma prova disso: os homens só conseguiram calá-lo apedrejando-o até a morte (ver Atos 7:54 a 8:8). Deus deu àqueles homens da nova criação uma natureza de amor, a Sua natureza, que podia resistir diante da morte e do ódio, a natureza de um vencedor. Essa é uma mensagem que não pode ser extinta pelo adversário. Por quê? Porque o homem natural tem fome de Deus. Ele tem fome de vida eterna. Ele pode não saber ou não entender, mas quando ouve essa mensagem, ela sacode até as profundezas do seu ser. A mensagem da nova criação é uma resposta ao grito do coração do homem universal. Quatro eventos poderosos ocorreram naquele Cenáculo. Primeiro, eles foram recriados. Segundo, línguas de fogo pousaram sobre cada um deles. Terceiro, o Espírito Santo entrou no corpo deles. E quarto, eles falaram em outras línguas. Eles foram os primeiros a receber o Espírito Santo desse jeito. Sob a primeira Aliança, o Espírito Santo vinha sobre os homens para a realização de uma ministração especial, mas Ele sempre os deixava depois. Eles não podiam receber o Espírito Santo, como os discípulos receberam no Cenáculo, porque não haviam nascido de novo. Os discípulos nasceram de novo, assim o Espírito Santo pôde entrar em seus corpos e fazer deles a Sua casa permanente. Não percebemos isso, mas no Cenáculo o que Jesus profetizou aconteceu. Deus havia saído do Santo dos Santos no Templo. O véu rasgado é um testemunho desse fato. O Espírito entrou em um novo Templo naquele Cenáculo, um Templo que não foi feito por mãos humanas: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” (1 Coríntios 3:16). Não é incrível como um corpo coletivo é chamado de santuário, e que nós somos chamados individualmente de tabernáculos? No instante em que o Espírito Santo entrou no corpo deles e tomou posse deles, começaram a falar em línguas. Que momento impactante deve ter sido esse! Se todos eles falaram ou não em línguas, não sabemos, mas sabemos que todos eles receberam o Espírito Santo. As multidões que estavam reunidas ali eram de muitas nações, mas cada um entendia a mensagem na própria língua. Não temos certeza se o Espírito Santo interpretou a mensagem para cada um, ou se deu a alguns membros daquelas cento e vinte pessoas um dom especial de falar em outras línguas, mas sabemos que os discípulos nasceram de novo e foram habitados por Deus. O sonho de amor do Pai havia se realizado. O aspecto legal do plano da redenção estava consumado; agora viria o aspecto vital. O Pai viu homens e mulheres receberem vida eterna e se tornarem filhos e filhas. A obra de Jesus como Substituto foi um sucesso. Ele viu o Espírito Santo dar à luz espiritualmente homens e mulheres; os viu passar da morte para a vida, da derrota para a vitória. Homens comuns se tornaram vencedores. Ele viu o reino de justiça, onde a condenação antes detivera o controle total. Foi o início da nova criação, uma nova era, uma nova classe de homens, uma nova espécie do próprio Deus. Era o fim do governo do conhecimento que vinha dos sentidos. A Aliança Abraâmica e tudo o que dizia respeito a ela foi abolida. Era o início de uma Nova Aliança no Espírito. Essa Nova Aliança deveria unir o espírito do homem com o Espírito de Deus. Uma nova família passou a existir, que consistia de filhos e filhas habitados e ensinados por Deus. Era uma demonstração do que a vida eterna podia fazer em um ser humano. Era o derramamento de um novo tipo de amor no coração dos homens. O drama do Cenáculo foi iniciado pelo Pai da maior realidade que já veio à consciência humana. Os homens receberam vida eterna e foram habitados pelo próprio Deus. RESUMO Satanás era o senhor da raça humana desde a queda até a cruz. Naquela cruz ele pensou que havia vencido o Homem que disse: “Para trás de mim, Satanás” (Mateus 16:23, ARC). Aquele mesmo Homem havia ordenado aos demônios “Saiam dela”. Na cruz, Satanás acreditou que tinha o Homem à sua mercê. Por três dias e três noites ele fez com que o Homem sofresse além de tudo o que a mente pode imaginar. Então, ele viu esse mesmo Homem se libertar das forças das trevas, despojá-lo do seu domínio, paralisar os espasmos da morte e ressuscitar dentre os mortos. Mas então, um estranho fenômeno ocorria no Cenáculo. Ele viu a recriação de homens e mulheres, viu o pecado deixar de existir na vida deles e ser apagado como se nunca tivesse existido. Ele viu a própria natureza de Deus entrar no espírito deles e recriá-los. A imagem que Adão perdeu é vista nessas pessoas recriadas: homens e mulheres semelhantes a Jesus. O Cenáculo significa a eterna derrota de Satanás. Satanás deve ter ficado chocado; talvez ele soubesse que, daquele momento em diante, travaria uma batalha com os humanos que detinham a autoridade que Jesus havia revelado. O medo deve ter tomado conta do coração dele. CAPÍTULO 14 O QUE Satanás viu no dia de pentecostes? S atanás venceu Jesus na cruz ao ativar o coração egoísta do sumo sacerdócio até que, em um frenesi de ciúmes, eles o crucificaram. O Pai havia colocado sobre Ele os pecados do mundo. Jesus estava só. Deus virou as costas para Ele. Satanás levou triunfantemente o Seu Espírito para as regiões tenebrosas do Hades. Todos os sofrimentos e tormentos que o inferno podia produzir foram colocados sobre Jesus, que passou pelas agonias do inferno por três dias e três noites. Mas então, a suprema corte do universo gritou: “Basta!”. Jesus pagou o castigo e atendeu às reivindicações da justiça. Satanás o viu ser justificado. Deus o vivificou no Espírito bem ali na presença das coortes do Hades. Jesus foi feito uma nova criação. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. — Romanos 8:29 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia. — Colossenses 1:18 Jesus nasceu para a Nova Aliança no Hades. Colossenses 2:15 descreve isso em parte: “e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”. Satanás foi derrotado. “E livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida” (Hebreus 2:15). Jesus paralisou a autoridade de Satanás para lidarcom a morte. Ele levou cativo o cativeiro. Jesus derrotou as hostes do inferno como nosso Substituto. No Cenáculo, Satanás testemunhou os resultados: viu homens e mulheres recriados, os viu receberem a vida eterna. Ele assistiu quando os pecados deles foram cancelados e apagados como se nunca tivessem existido. Viu o poder e a energia do Espírito Santo nos homens, e tomou consciência de que o povo da nova criação passou a ser seu senhor. Ele entendeu que aquelas pessoas tinham autoridade para usar o Nome de Jesus e seriam capazes de realizar o mesmo tipo de milagre que Jesus realizou na Sua caminhada terrena. Ele deve ter se lembrado de quando Jesus disse: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mateus 28:18). Jesus era o Senhor do inferno, e esse povo da nova criação havia recebido essa autoridade. Ele viu corações cheios de alegria, onde antes as lágrimas eram a única bebida. Viu os derrotados se tornarem senhores e seus escravos se livrarem das algemas. Observou os lares que estavam cheios de miséria se transformarem em miniaturas do céu com seus habitantes se tornando novas criaturas semelhantes a Jesus. Eles consideraram as coisas que não existiam como se existissem, e elas passaram a existir, por outro lado, consideraram as coisas que existiam como se não existissem, e elas deixaram de existir. Satanás viu a fé crescer onde a dúvida e o medo havia se sentado no trono por anos. Viu uma nova raça de homens, uma nova espécie passar a existir, isto é, o novo nascimento. Ele viu Deus tirar homens das suas garras e encher o coração deles de amor, onde antes o ódio havia reinado supremo. Ele viu o egoísmo ser abreviado e a justiça se tornar realidade. O mais estranho para ele foi contemplar homens e mulheres na presença de Deus sem se sentirem culpados, inferiores ou condenados. Isso abalou os fundamentos do inferno. Um novo idioma passou a ser falado na família da nova criação, uma linguagem permeada de palavras de amor. Os homens governavam como reis nessa nova dimensão de vida em que um novo tipo de amor adquiriu domínio sobre as pessoas. Satanás matou Jesus para aniquilá-lo, no entanto, em vez disso, Sua morte e Sua ressurreição deu à luz a família da nova criação. Eles se multiplicaram tão rapidamente que ele percebeu que precisava destruí-los antes que o destruíssem. Certa vez me perguntaram: “Você acha que Satanás sabia de tudo isso antes? Ele não sabia o que Cristo estava fazendo na cruz? Ele não sabia que se Cristo fosse ao inferno Ele iria subjugá-lo?”. Respondo com Efésios 3:9-10: E para fazer todos os homens verem o que é a dispensação do mistério que por séculos esteve oculto em Deus, que criou todas as coisas; com a intenção de que agora, se faça conhecida dos principados e potestades nos lugares celestiais, através da igreja, a multiforme sabedoria de Deus, de acordo com o propósito eterno que Ele propôs em Cristo Jesus nosso Senhor. (AMP, tradução livre) Agora observe este fato maravilhoso: o plano poderoso da redenção foi selado entre o Pai e Jesus para ser revelado em um tempo determinado. Satanás não sabia nada sobre isso. Satanás agora vê que está derrotado. Toda vez que ele destruía um cristão, isso fazia outro nascer. Ele temia a Palavra de Deus nos lábios dessas novas criaturas mais do que qualquer coisa que já enfrentou. Ele precisa destruir a Palavra, mas Lutero, por exemplo, deu à luz a Palavra outra vez. Em muitos países hoje, a Palavra aparentemente foi erradicada; no entanto, ela ainda permanece no coração de algumas pessoas. Satanás viu que essas pessoas semelhantes a Jesus se alimentavam da Palavra e, ao fazer isso, se tornavam cada vez mais como o Mestre. Então, destruir a Palavra deteria a multiplicação dessas pessoas. Agora, ele sabe o que precisa fazer. Agora você pode entender qual é o nosso ministério: precisamos pregar a Palavra viva, pois nada pode tomar seu lugar. RESUMO Se o céu algum dia teve um feriado, foi quando o milagre aconteceu no Cenáculo, no dia em que o Pai, Jesus e o Espírito Santo viram o primeiro filho nascido do grande sacrifício substitutivo de Cristo. Os anjos devem ter olhado completamente maravilhados. Você e eu só podemos ver o externo, mas eles podiam ver o homem interno recriado em Cristo Jesus. Eles podiam ver aquilo que o Pai sonhou que aconteceria ao longo das eras. Não temos ideia de quanto Deus nos amou, mas foi de tal maneira que, quando ainda éramos governados pelo diabo, Ele sacrificou Seu Filho para tornar possível que recebêssemos a vida eterna. Se a Igreja algum dia tivesse um vislumbre do quanto é bela e querida aos olhos do Pai, isso poderia tê-la transformado. Os próprios anjos se tornaram seus guardiões, pois andaram com ela, cuidaram dela, a protegeram e a guardaram do perigo. Eu me perguntava como Jesus via as novas criaturas e como Ele se sentia com relação a elas. Ele amou a todos em Sua caminhada terrena, agora todos são novas criaturas redimidas com Seu sangue. Que valor inestimável elas devem ter para Ele! Lembre-se de como Paulo revelou isso: Jesus “me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gálatas 2:20). Creio que se soubéssemos o quanto o Mestre nos amou, faríamos a mesma confissão. CAPÍTULO 15 O QUE A NOVA CRIAÇÃO SIGNIFICOU NO CÉU? S e você pudesse visualizar o que aconteceu no Dia de Pentecostes nos três mundos, isso desvendaria ao seu coração um dos maiores milagres da história da humanidade. Eu me pergunto, que efeito isso teve sobre o Pai e Jesus? O Pai havia sofrido mil infernos ao ver o sofrimento de Seu Filho para tornar esse dia possível. Você pode perguntar: “O que aconteceu?”. Ora, a família de Deus foi instituída; ela passou a existir. Os primeiros filhos nascidos da nova raça de homens passaram a existir naquele Cenáculo. Deus havia perdido Seu homem no jardim, agora Ele o havia encontrado novamente no Cenáculo. Deus finalmente era um Pai e Jesus era um Salvador real. Ele nunca havia sido um Salvador antes. Ele tinha sido o Criador, Deus manifestado em carne. Ele foi o grande cumpridor da Velha Aliança e de tudo o que dizia respeito a ela, bem como o substituto. Durante três dias e três noites Ele passou pelas agonias da eternidade para redimir o homem e justificar Deus. Ele satisfez as reivindicações da justiça; assim Deus Pai teve o direito, naquele dia maravilhoso, de dar ao homem a Sua natureza. Então, aqueles cem homens e mulheres nasceram na família de Deus. Jesus não apenas se tornou um Salvador, como Ele é o nosso Senhor assentado à destra do Pai, um Mediador entre Deus e a humanidade. Não apenas isso, mas quando o homem nasceu de novo na família de Deus, Ele se tornou seu Intercessor, que vive para sempre para orar pela humanidade. Que ministério a encarnação iniciou! Nosso coração mal consegue captar isso. Ele não apenas é o Grande Intercessor, o chefe da Liga de Oração de todas as eras e o exemplo para todos os homens que oram, mas também é o seu Advogado. Quando surgem os problemas e nós cedemos por um instante ao inimigo, temos um Advogado, à destra da Majestade nas Alturas. Ele é o nosso Procurador-Geral. É o Grande Mestre, Cristo, o meu Senhor. Mas isso não é tudo. Naquele Dia maravilhoso de Pentecostes, Ele se tornou o cabeça do Corpo, esse novo Templo que seria construído com pedras vivas; esse algo novo e estranho, a nova espécie de homens, o novo tipo de homens semelhantes a Jesus. Ele é o Cabeça. Ele é o Senhor da Igreja. Ele é o Cuidador, o Provedor, o Escudo e o Protetor. Como o termo “Cuidador” estremeceu meu coração! Ele cuida de mim. Ele vela sobre mim. Ele conhece todos os meus desejos e necessidades. O meu Senhor. Mas o quadro não estaria completo se eu não chamasse sua atenção para o fato de que Ele é a garantia, o fiador da Nova Aliança. Seu Trono é a espinha dorsal dessa Aliança. Esse Trono é a garantia da Nova Aliança no Seu sangue. Que selo tremendo é este sobre o Trono, o sangue do Filho de Deus! Agora podemos falar de Deus como o nosso Pai. No entanto, Deus sempre foi um Pai. Por toda a eternidade,houve um coração de Pai ansiando por filhos. Ele levou eras para criar nosso mundo como um lar para Seu homem. A terra era o ninho de amor do coração de Deus para Sua família. Ele levou muitas gerações para guarnecê-la com minerais, metais, gases e óleo para Seu homem desfrutar. Que Deus é este, que tem um coração de Pai? Temos vislumbres desse grande coração nos quatro evangelhos, mas o desabrochar completo é visto nas epístolas. As palavras não podem descrevê-lo, porque vivemos em um mundo dominado pelo conhecimento que vem dos sentidos, cercado de imagens derivadas do conhecimento que vem dos sentidos. Todas as nossas reações passaram pelas concepções resultantes do conhecimento que vem dos sentidos. Que dia celestial deve ter sido aquele no qual a família de Deus passou a existir. Que hinos os anjos devem ter cantado! Que coros devem ter ecoado pelos espaços celestiais naquele dia do nascimento da gloriosa nova criação; o dia em que a Nova Aliança começou a operar na terra! A Aliança foi entre Jesus e o Pai. A Igreja é a beneficiária desse maravilhoso documento. Ela provou que o Sangue de Cristo havia sido aceito e que o sacrifício foi suficiente. A Lei da Nova Aliança passou a existir e os homens receberam a natureza de Deus. O amor se tornou uma coisa natural. O amor na verdade passou a existir de um salto. Não é de admirar que os homens não mais reivindicassem o que era seu, mas tivessem tudo em comum. A velha ordem das coisas morreu quando o véu do Templo se rasgou, e Deus abandonou o santo dos santos terreno e entrou no Santo dos Santos Celestial. O Espírito Santo havia recriado cento e vinte homens e mulheres. Naquele Cenáculo, a Igreja — Corpo de Cristo — foi formada. Esse Corpo é o Templo do Espírito Santo. Jerusalém tinha seu Templo, no qual os grandes sacrifícios foram feitos. Naquele tempo havia também tabernáculos onde as pessoas se reuniam em busca de inspiração e comunhão. Nossos corpos são os tabernáculos onde o Espírito nos dá inspiração e comunhão através da Palavra. Os anjos tinham um novo ministério. Eles haviam ministrado aos servos de Jeová, agora eles deviam ministrar aos filhos e filhas de Deus. O estado anterior deles como mediadores entre Jeová e o homem havia terminado. Jesus agora era o Grande Mediador. Todo filho e toda filha de Deus tem o direito legal de entrar no Santo dos Santos. Na época da primeira Aliança, somente o sumo sacerdote podia entrar, e somente uma vez por ano. Agora nós, como filhos e filhas, podemos entrar à vontade. Podemos entrar para adorar, para fazer nossas petições, para ter comunhão ou simplesmente para nos reunirmos em amor. O ministério do Espírito Santo foi o primeiro a recriar. Ele dá à luz filhos e filhas de Deus; traz convicção ao nosso coração, nos mostra o que a vida eterna pode fazer por nós e revela o quanto o Pai Celestial é melhor do que o Jeová da Velha Aliança. Mostra não somente a enorme diferença entre a vida antiga e a vida em Cristo, como revela as grandes possibilidades que vieram ao homem depois que recebeu a vida eterna. O grande efeito que isso teve sobre os cristãos, foi revelado por Ele, pois desvendou para o novo homem o que significa andar em amor, viver como o Mestre viveu. Ele fez com que aqueles homens soubessem que haviam se tornado participantes da Divina Natureza. Talvez a maior recompensa que aqueles homens da Nova Criação poderiam receber fosse o entendimento de que trariam alegria para o grande coração de Pai de Deus. O Pai podia sentir o mesmo entusiasmo com Seus filhos que um pai terreno sente com sua prole. Que ministério incrível Ele teve, de nos trazer a consciência do nosso relacionamento e dos nossos privilégios e direitos na família de Deus! Ele agora tem o programa de Deus a ser executado no mundo e deve operar através de uma nova raça de homens. Se Deus disse a Adão para dominar e sujeitar a terra, não para enchê-la, como diz uma antiga versão, que ministério o homem da nova criação tem de sujeitar o egoísmo, a crueldade e a amargura com amor, paz e alegria! Uma nova espécie de homem e uma nova espécie de amor. Segundo Jesus disse, em João 13:34-35: “Novo mandamento vos dou: que ameis uns aos outros; assim como eu vos amei... Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”. Uma raça de amor. Uma Aliança de amor. Um Comandante de amor. Uma família de amor. O tempo da dureza e do egoísmo termina em amor. Estes últimos vinte e cinco anos de guerras terríveis cegaram nossa consciência de tal maneira para o certo e o errado, para o amor e a alegria, que mal podemos assimilar essa verdade, mas o sonho do Pai foi que o amor dominasse e governasse cada um de nós. Há duas forças principais no mundo: o egoísmo e o amor. O egoísmo deu à luz todas as nossas tristezas, sofrimentos e lágrimas. Causou guerras e outras atrocidades das quais os homens participaram. O mundo ainda não conhece o novo tipo de amor, o amor ágape. Poucos o viram em prática, e menos ainda desfrutam sua plenitude. Ele elimina completamente o egoísmo. Durante anos, eu me perguntei o que era a morte espiritual. Eu sabia que a vida espiritual era a natureza do Pai, então a morte espiritual devia ser a natureza de Satanás. Assim, vi que a natureza do Pai é revelada através da nossa conduta, dos nossos atos de amor. Como um flash, pude ver que a natureza de Satanás é o egoísmo. Deus amou de tal maneira que deu. Satanás era tão egoísta que tentou roubar de Deus e da raça humana tudo de valor. O egoísmo era um ladrão que reinou sem rival ao longo das eras. Mas então, uma nova força poderosa havia irrompido na dimensão dos sentidos. Essa força poderosa é o amor (para mais detalhes, leia meu livro “The New Kind of Love” [Uma Nova Espécie de Amor]). O amor começa em Deus, foi revelado em Cristo e está se tornando operante em nós. O amor sem a habilidade para usá-lo não seria tão bom. Foi por isso que Jesus foi feito Sabedoria para nós. Sabedoria é a habilidade de usar o conhecimento de maneira benéfica. A sabedoria é vista em cada detalhe da criação. Todos os gases, minerais e óleos maravilhosos que estão escondidos na terra e no mar nunca teriam sido descobertos se Deus não tivesse dado à nova criação a Sabedoria para descobri-los. O que temos de reconhecer é que é o espírito do homem que é recriado. Esse espírito é o verdadeiro homem e dá à luz toda capacidade criativa. Quer seja no âmbito das invenções, no âmbito literário, artístico ou musical, a capacidade vem da mesma fonte. Diríamos que nasce de um útero, o espírito recriado. Isto não é tudo o que nasce da maravilhosa mãe da ciência e das artes, mas o amor e a alegria também são suas criações e o cerne do espírito humano. O espírito do homem natural não pode dar à luz essas coisas. Essa é a razão pela qual as nações que nunca receberam vida eterna são atrasadas, sem capacidade criativa. Elas não têm o novo tipo de amor, que nasce do novo tipo de vida que Jesus trouxe ao mundo. RESUMO Agora estamos do outro lado da Sua grande obra substitutiva pela nova criação. Estamos olhando para os homens e as mulheres que nasceram do Alto. Essas pessoas receberam a vida e a natureza de Deus. E o que está disponível a elas agora? Existem segredos e verdades ocultas que tenham sido escondidos de nós? Que efeito teriam em nossa vida se tivéssemos consciência deles? Tudo o que o Pai fez em Cristo nos pertence, pois “nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Efésios 1:3). Temos direito à sabedoria que Jesus usou na Sua caminhada terrena. Ele foi feito para nós Sabedoria, para nos ensinar a usar a habilidade que nos foi dada “Porque todos nós temos recebido da sua plenitude” (João 1:16). Agora temos a capacidade de usar essa plenitude para ingressar em todas as riquezas da Sua obra consumada, mas uma das bênçãos mais raras que recebemos foi a de podermos deixar o coração do Pai alegre na nossa caminhada diária. CAPÍTULO 16 O QUE ESTAVA DISPONÍVEL AO HOMEM? E ntão, Jesus sentou-seà destra do Pai, o problema do pecado estava resolvido, mas o problema do pecador ainda tinha de ser resolvido individualmente. O grande dilema da redenção do homem foi concluído. Jesus satisfez as reivindicações da justiça subjugando Satanás e despojando sua autoridade. Ele tornou possível que os homens, que estavam sob o cativeiro de Satanás fossem independentes do inimigo. As acusações amargas lançadas contra Deus, por criar o homem diante do fato de que era certo que ele falharia, não podiam mais continuar. Deus atendeu ao clamor do homem universal, fazendo do próprio Filho o Substituto, pagando o castigo por todas as transgressões do homem. Em outras palavras, um novo tipo de comunhão. Comunhão com o próprio Deus. Quando tudo terminou, Deus tinha o direito legal de dar ao homem a Sua natureza. Essa foi a única solução para o problema do pecado. Se Deus podia, com base legal, dar vida eterna ao homem, então o homem podia sair da servidão de Satanás e se tornar um homem-senhor. Deus tinha o direito legal de fazer do homem uma nova criação. Perdoar o pecado do homem e depois deixá-lo de nada adiantaria, pois ele voltaria a pecar. Deus precisava fazer do homem uma nova criatura. Ele precisava eliminar o que, na natureza humana, havia feito dele um súdito de Satanás e transferir Sua natureza divina, que o tornará justo. Tudo isso teve de ser feito com base legal. O homem era legalmente um filho do adversário; ele precisava se tornar legalmente um filho de Deus. De alguma maneira, Deus tinha de tornar esse homem justo. O homem precisava ser capaz de comparecer diante da presença de Deus sem sentimento de culpa, inferioridade ou condenação. Ao mesmo tempo, todo medo tinha de ser expulso, permitindo que o homem estivesse diante de Satanás sem sentimento de inferioridade. Isso só poderia ser feito pela transferência da natureza de Deus a ele. Então, foi necessária uma recriação do seu espírito. Ele não podia ter duas naturezas, pois isso iria mantê- lo cativo. Era preciso se tornar um novo homem, completo e perfeito. Era preciso ser uma nova criatura. E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo... — 2 Coríntios 5:17-18 Deus fez provisão, através do sacrifício substitutivo do próprio Filho, para criar um novo homem sobre quem Satanás não teria domínio. Na verdade, esse novo homem se tornou senhor sobre as forças da escuridão do príncipe das trevas. Talvez o fato mais maravilhoso de todos seja que Deus tornou possível que o Espírito Santo entrasse no corpo do homem recriado e fizesse dele Sua habitação. É algo incrível Deus estar com o homem, ajudando-o em todas as dificuldades, mas Jesus disse: “...ele [o Espírito Santo] habita convosco e estará em vós” (João 14:17, grifo nosso). Não apenas Deus iria habitar no homem, como há outra verdade maravilhosa: Jesus, o Substituto, veio para tornar possível que os homens vivessem juntos, e fossem leais uns aos outros, sem medo, em comunhão uns com os outros, comunhão com Sua Palavra viva. Comunhão significa compartilhar de maneira igualitária. Nesta nova irmandade não há ditadores. Todos nós servimos uns aos outros. O escravo e o senhor estão em termos iguais. Esse era o sonho do Pai para Sua Família e deu um fim ao governo dos sentidos. O espírito humano recriado deve dominar o homem da nova criação. Todos os grandes líderes do mundo foram homens guiados pelo conhecimento que vem dos sentidos. Agora devemos ser líderes espirituais. Cristo é o Cabeça da Igreja, e o Cabeça do Corpo. Ele deve governar o homem da nova criação através do espírito. Sabedoria Uma das características que mais distinguem esse novo homem é a sabedoria, seu novo tipo de sabedoria. A sabedoria terrena é sensual, egoísta e demoníaca (ver Tiago 3:15). É a sabedoria do próprio Satanás. Podemos comprovar isso nas atuais guerras. Porém, o novo tipo de sabedoria é gentil, dominada pelo amor e permeada de mansidão e alegria. Aprendemos neste livro que a capacidade criativa está no Espírito humano recriado. Deus assumiu o domínio do homem nesta nova criação. Ele nos transferiu a própria natureza. Sua capacidade criativa pode ser vista em áreas como tecnologia, medicina e química. Que era maravilhosa é esta! Não posso deixar de chamar sua atenção para outro dom divino do novo homem, que é a paz. O mundo não conhece nada sobre essa paz, esse descanso tranquilo. Uma sensação de estar trancado com Ele, sob Sua proteção e Seu cuidado. Não apenas este novo homem tem uma paz que excede todo entendimento, como carrega uma alegria indizível e cheia de glória. A felicidade vem do nosso ambiente, do que está à nossa volta, dos nossos prazeres físicos. A alegria é algo interior, pertence somente ao espírito recriado. Ela é o elemento dominante da nova vida. A alegria leva o homem ao descanso. Você tem a sensação de segurança completa, pois seu Pai está cuidando de você. Ele culmina tudo isso transferindo ao homem um novo tipo de amor; Sua Natureza, que opera através deste homem da nova criação. RESUMO O próximo capítulo pode surpreender você. A forma como você se expressa pode trazer benefícios ou malefícios. Se você colocar o desejo do seu coração no futuro, ele nunca irá se materializar. Se você diz: “Vou receber a minha cura. Sei que Cristo levará minha doença, por isso terei direito à cura”, isso não altera sua doença. Os “tempos verbais” o aprisionaram. Mas se você disser: “Sei que Ele levou minha doença e agradeço por isso, sei que pelas Suas pisaduras eu estou sarado”, os “tempos verbais” estão trabalhando a seu favor agora. Quando souber claramente a diferença entre os aspectos legais e vitais da redenção, você terá resolvido um dos seus problemas mais difíceis. O aspecto legal foi o que Deus fez por você em Cristo. O aspecto vital é o que o Espírito Santo faz em você através da Palavra. Você não encontrará essa confissão se rendendo ou se consagrando, ou mesmo jejuando, mas somente quando você começar a agir com base na Palavra, que é sua. Comece a agir como se você já a possuísse, confesse que você a possui, e ela é sua. Se você praticar isso, este capítulo lhe dará sua “Terra Prometida”. CAPÍTULO 17 POR QUE OS TEMPOS NOS CASTIGAM? N ão percebemos como os “tempos verbais” muitas vezes são governados pelos sentidos. Boa parte dos nossos hinos mais populares está no futuro ou no passado. Nossos líderes nos dizem o que deveríamos ser e o que deveríamos fazer. Eles nos dizem o que deveríamos nos esforçar para conseguir, mas raramente nos dizem como conseguir essas coisas. Não sei se você já pensou nisso, mas tudo na dimensão espiritual de que o cristão precisa para ter êxito, já pertence a ele. Cantamos “Tudo Entregarei” e “Está Tudo no Altar” sem perceber que quando recebemos Cristo como nosso Salvador, nós o confessamos como nosso Senhor. Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. — Romanos 10:9-10 Observe atentamente que a pessoa confessa o Senhorio de Jesus. Se ela faz isso, não tem nada a entregar, uma vez que ela passa a reconhecer o fato de que não pertence mais a si mesma, mas foi comprada por um preço (1 Coríntios 6:20), e não pode entregar uma coisa que não lhe pertence, nem colocar no altar de Deus aquilo que não é seu. Você pertence a Ele, e não apenas pelo seu consentimento, mas como uma esposa que diz sim na cerimônia de casamento, que se entrega àquele homem. A esposa não precisa que a cerimônia seja repetida dia após dia. A esposa pertence ao marido. Da mesma maneira, o cristão pertence a Cristo. Trata-se de uma união que foi feita uma vez por todas. Está no tempo passado. Já foi feito. Foi consumada quando você recebeu vida eterna e se tornou uma nova criatura em Cristo Jesus. Quando reconhece isso, você passaa conhecer a realidade desse fato, de modo que você vive diariamente com a consciência da sua união com Ele, da sua unidade com Ele. Ele é seu; você é dele. Tudo o que Ele consumou para você no Seu sacrifício substitutivo é seu. Você não precisa se esforçar para conseguir isso, não precisa se render para isso, não precisa orar por isso. Essas coisas são suas, tanto quanto suas mãos são suas, tanto quanto seus pés são seus. Todo o nosso esforço, orações e jejuns para conseguir poder, são inúteis e construíram dentro de nós um tipo de incredulidade que é muito difícil de vencer. “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Efésios 3:20). A palavra “poder” aqui significa “capacidade”. Podemos parafrasear isso assim: “De acordo com a capacidade de Deus que está operando dentro de nós”. Filipenses 2:13 também diz: “Pois Deus está sempre agindo em vocês” (NTLH). Se você tem Deus no seu interior, tem a usina geradora no seu interior. E se você se rende à capacidade dele, então você deixa que Ele o controle, e tudo que você precisa está ali em estoque, pronto para ser usado. Eu costumava me consagrar e me entregar ao Senhor diariamente. Depois de algum tempo descobri que estava andando em círculos. Eu estava fazendo a mesma coisa dia após dia. Não havia nenhum progresso nisso. Dessa maneira, muitos dos nossos líderes espirituais têm operado com base em uma filosofia de fracasso que se baseia na incredulidade. Eles nos ensinam inconscientemente a duvidar, não reconheceram que existem duas fases na redenção, a legal e a vital. A fase legal está sempre no passado. É o que Deus fez por nós na Grande Substituição. Ele nos redimiu. Nossa redenção está no tempo passado, Ele não precisa nos redimir novamente. No instante em que confessou Cristo e reconheceu o senhorio dele, você se tornou uma nova criatura. Ali, o Pai transferiu a Sua natureza para você, de modo que agora você é, por natureza, um filho de Deus. Isso está no passado e não pode ser feito novamente. Agora estamos em Cristo, somos um com Ele, ramos da Videira. Então, você pede ao Espírito Santo para entrar e ocupar a Sua nova criação. Tudo o que Deus está fazendo em você na nova criação é vital. Quando entender a diferença entre o lado legal e o lado vital da redenção, você poderá tirar proveito do que foi feito por você e do que Ele está fazendo em você através do Espírito Santo, através da Palavra; e do que Jesus está fazendo agora por você à destra do Pai. O fracasso do cristão em geral pode ser devido à falta de compreensão clara sobre quem ele realmente é em Cristo, quando ele pode dizer silenciosamente: “Sou uma nova criatura. Tenho em mim agora a vida, a natureza do meu Deus e Pai, e sou um participante da Sua natureza de amor. Tudo o que preciso para permitir que eu ande em amor é deixar que a Sua natureza me domine”. Alguém pode perguntar: “Bem, como posso fazer isso?”. É fácil, simplesmente comece a praticar ou a agir com base na Palavra. Crer é agir com base no que Ele lhe pediu para fazer. Não existe crer sem ação. A fé é um substantivo. Você agiu, chegou lá e, com base nisso, começa a tomar seu lugar como filho ou filha na família de Deus. Você tem atrás de si, como apoio, a Sua Palavra viva, e respaldando a Palavra está o Seu Trono, e respaldando o Trono está o próprio Deus. Você está totalmente seguro. Abrace essa ideia e terá uma confissão destemida. Você ousará dizer ao mundo o que você é e o que você pode fazer. Você poderá dizer sem medo: “Quando oro, o Pai me ouve”. Você não terá medo de dizer: “Maior é Aquele que está em mim do que qualquer circunstância que possa me confrontar. Em Cristo eu me torno o senhor das circunstâncias. Passei a reconhecer a realidade da habitação dele no meu interior e tornei-me consciente da presença de Deus dentro de mim”. Você entende o que quero dizer? Nós pensamos como alguém que acabou de comprar um carro. Não pensamos mais em andar ou em contratar um motorista. Nós entramos no carro e vamos para o nosso destino. Agora pensamos com base na Palavra. A Palavra quer dizer exatamente o que ela diz. Quando eu a leio, ela é a mensagem dele no tempo presente para o meu coração, pois a Palavra é sempre Agora. O Pai é sempre Agora. Jesus é o meu Senhor Já, e assim estou construindo dentro de mim mesmo, através da ajuda do Espírito Santo, a realidade da Palavra. Essa é a parte vital do que Ele está fazendo em mim. Ele edifica a Si mesmo dentro de mim, edifica Sua fé dentro de mim, edifica Sua sabedoria dentro de mim. Jesus foi feito para mim sabedoria de Deus (ver 1 Coríntios 30). À medida que o coração absorve essa realidade, a mente é renovada e entra em comunhão com o espírito recriado. Isso significa que você está em comunhão com a Palavra e com o Pai. Não haverá limites para você agora, pois você está ligado com Ele. A capacidade dele se tornou a sua capacidade. Sim, Ele é seu. Tudo o que Ele é, Ele é em você, e você começa a tirar proveito disso. Vamos supor que você descobriu que tem uma doença que o torna incapacitado para trabalhar. Você diz: “Não posso fazer este trabalho porque não tenho forças para isso”. Ou: “Não posso ir até lá porque não tenho capacidade para ir”. “Não posso fazer isso; não posso fazer aquilo”. Desse modo, você constrói dentro de si elementos dos quais sua doença se alimenta, e suas dúvidas e medos se alimentam, até que, depois de algum tempo, eles adquirem supremacia absoluta sobre você. Por fim, você está impotente. Sua confissão acrescenta combustível com o qual eles passam a agir, queimando sua resistência. Você precisa reconhecer que é uma nova criação. Você tem a vida de Deus e o grande e poderoso Espírito Santo, que ressuscitou Jesus dentre os mortos, dentro de você, e se o Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita no seu interior, Ele trará a vida do Pai em plenitude para dentro de você, até que ela expulse a doença, as dúvidas e os medos. Ele levará você para dentro da própria força de Deus. Lembre-se de 2 Coríntios 5:4, na última parte: “...para que o mortal seja absorvido pela vida”. Essa vida é a vida de Deus; a palavra grega é zoe. A vida de Deus se derrama para dentro do seu corpo físico e destrói as doenças que há nele. Se Jesus tardar, todos nós morreremos fisicamente, mas enquanto estamos vivos, Ele pretende que esses corpos sejam saudáveis e fortes. Houve vezes em que orei por pessoas que passaram por cirurgias e partes de algum membro do corpo foram retiradas; então elas puderam sentir a vida de Deus se derramando para dentro delas, recriando a parte perdida. Orei por um homem cuja coluna havia sido esmagada. As vértebras foram destruídas, de modo que não havia forma nelas. Quando oramos, uma nova coluna foi criada, uma coluna perfeita, de modo que apenas em alguns instantes, ele retirou o equipamento que o prendia e conseguiu dobrar seu corpo para todos os lados. Em outro caso, certo homem tinha uma hérnia há dezesseis anos. Ele usava um cinto de aço e sofria dores contínuas enquanto trabalhava. No instante em que ele agiu com base na Palavra, aquela hérnia se fechou e seu corpo ficou perfeitamente normal. Ele retirou o cinto de aço e ficou bem. Isso é agir com base na Palavra. É consciência no tempo presente. Não há nada de religião nisso. É a Palavra viva se tornando realidade na nossa consciência. Agora você entende o que significa quando colocamos essas coisas no futuro e a esperança no lugar da fé. Porque se eu digo: “Eu espero receber minha cura. Estou certo de que em algum momento irei recebê-la”, não há valor nessa confissão, é apenas uma ilusão. Isso não é fé, e sim apenas esperança baseada no conhecimento que vem dos sentidos. Agora eu conheço a Palavra, e se eu orar, eu recebo, pois sei que Jesus levou a doença, sei que Isaías 53:4-5 é um fato absoluto: Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foitraspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Coloque isso na primeira pessoa do singular para simplificar as coisas: Ele tomou sobre si minhas enfermidades e minhas dores, e eu sou grato por isso. Sei que está feito. No instante em que o homem aceita Cristo, ele entra em tudo isso. Jesus levou as doenças assim como levou os pecados. Ele não se perturba com os antigos pecados. No instante em que aceitamos Cristo, fomos redimidos. O mesmo acontece com as doenças. Vamos supor que depois que uma pessoa foi recriada e seus antigos pecados foram todos remidos, apagados como se nunca tivessem existido, ela permita que o inimigo camufle tudo isso e traga de volta a memória da sua velha vida e a mantenha diante dos seus olhos continuamente. Dessa maneira, ela perde a paz, a sensação de comunhão com o Pai e a consciência da justificação. Ela volta para suas dúvidas e seus medos mais tenebrosos porque nunca deveria permitir que o inimigo fizesse isso. O inimigo não pode trazer antigas doenças de volta, não pode trazer a velha natureza de volta — tudo isso foi consumado quando o ser humano foi recriado. Do mesmo modo, o adversário camufla nossas doenças e nos mantém cativos. Ele pode nos enganar com doenças a tal ponto que elas se tornam uma realidade para nós e perdemos a consciência da nossa cura. Assim, Satanás se torna nosso mestre. Precisamos aprender o segredo do poder das palavras, que é tão forte quanto o das ações. Hebreus 4:14 diz: “Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão”. Uma versão antiga usa a palavra profissão. Confissão é bem melhor. O cristianismo é uma confissão. Por quê? Porque é sobre a fé, e a fé depende da nossa confissão. Como vimos, nossa cura foi consumada em Cristo, em Sua grande Substituição. O Pai colocou suas enfermidades sob o espírito de Jesus. O câncer, o tumor, a tuberculose foram colocados sob o espírito do Mestre, e Ele se tornou doente por causa delas na cruz. Ele foi o ser mais doente que o universo já conheceu. Ele não somente carregou sobre si os nossos pecados, sendo feito pecado com os nossos pecados, mas foi feito doente com as nossas doenças. Então, na mente do Pai, a passagem de 1 Pedro 2:24 é verdadeira: “...carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados”. É assim que o Pai cuida de nós. Seus pecados e doenças foram lançados fora. Você se tornou a justiça de Deus em Cristo. Você se tornou perfeitamente curado por intermédio do Trabalho Substitutivo de Jesus. E quando descobre isso, apesar do fato de que o câncer ainda está lá, você pode começar a louvar o Pai por sua perfeita cura. Seus amigos que são governados pelos sentidos não vão conseguir entender você. Eles pensarão que você está fora de si. Você não está, mas pela fé você está agora assumindo sua posição e está confessando o que realmente é em Cristo, e em meio à dor você se agarra na sua confissão. Em meio a tudo, você se agarra ao fato de que Ele disse que você é curado, e, se Ele disse que é curado, você é. Ouse dizer em voz alta: “Eu sou quem Ele diz que sou. Posso fazer o que Ele diz que posso fazer. Ele diz que posso ir com coragem ao Trono da Graça e ter minhas orações respondidas. Ele diz que tenho autoridade sobre todo o poder do inimigo, que sou mestre dos demônios e mestre da doença em nome de Jesus Cristo, Seu Filho, e sei que Ele não pode mentir. Sei que o que Ele diz é verdade. Com ousadia assumo a minha posição, e em meio a tudo que possa vir, mantenho firme a minha confissão”. Agora vivemos no tempo presente. Somos quem Deus diz que somos. Sua Palavra não pode mentir, e você pode se agarrar a ela na sua confissão. Se você tem medo de fazer sua confissão, o inimigo vai se aproveitar disso. Se hesitar na sua confissão, em um momento dizendo que é verdade e no momento seguinte dando ouvidos aos sentidos, o inimigo vai se aproveitar disso. Mas você pode dizer: “Não seria mentir eu dizer que estou curado, quando não estou?”. Não, pois existem dois tipos de verdade. Há a verdade revelada, a Bíblia, especialmente nas epístolas paulinas, com as quais estamos lidando, e há a verdade do conhecimento que vem dos sentidos. A verdade revelada me ensina que meu tornozelo inchado está curado. Descubro isso como um homem descobre ouro, fico cheio de exaltação e alegria, e digo alegremente aos meus amigos: “Vejam, ‘pelas Suas pisaduras eu fui sarado’”. Mas meus amigos respondem: “Isso é tolice! Veja, o tornozelo ainda está inchado”. “Sim, eu sei disso, mas a Palavra declara que Ele colocou essa doença sobre Jesus, e o que Deus diz é a verdade”, afirmo. Eu me agarro à minha confissão, e o inimigo perde o domínio sobre meu corpo, então fico perfeitamente normal e bem. Agora sei a diferença entre fé e esperança. Agora sei que a esperança é boa em esperar, mas não é boa em receber. RESUMO Jesus ilustrou na Sua caminhada diária as coisas que os profetas tentaram expressar. Ele era como Seu Pai, criava as coisas por meio de palavras. Ele nos ensinou como usar as palavras, como enchê-las de autoridade e poder. Para mim, a coisa mais notável na vida do Mestre era a autoridade que Ele exercia através das palavras. Ele nos deu uma nova concepção do valor das palavras. Ele nos ensinou outra lição, o valor da justiça. Jesus não tinha noção de falta ou necessidade. Creio que era o desejo do Pai que fôssemos como Jesus; que usássemos a nossa Justiça para podermos entrar na Sua presença sem qualquer consciência de pecado; e estar diante de Satanás ou das suas obras sem sentimento de inferioridade. A confissão de Jesus é outro exemplo assombroso da Sua fé em Si mesmo: “Eu sou o pão da vida” (João 6:48). “Eu sou a luz da vida, aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12). “Eu vim do Pai. Eu vim ao mundo, e novamente deixo o mundo e vou para o Pai” (João 16:28). Ele sabia quem era. Ele sabia o que era. Ele sabia por que veio. CAPÍTULO 18 O JESUS DOS QUATRO EVANGELHOS E is uma afirmação que o Mestre fez em João 14:12: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”. Essa declaração me incomodava muito; eu me perguntava o que Ele queria dizer. Nos primeiros dias do meu ministério, parecia-me que Ele estava nos intimando a realizar milagres maiores que os dele. Na época, eu era governado em grande parte por ensinamentos que diziam respeito ao conhecimento que vinha dos sentidos. No entanto, nunca me satisfiz com essa interpretação. Mas um dia a ficha caiu e eu entendi a verdade: deveríamos fazer outro tipo de milagre. Esses milagres deviam acontecer na dimensão do espírito, e eram maiores que os realizados na dimensão física. Deveríamos conduzir homens e mulheres a Cristo, e eles receberiam a vida eterna. Nossos milagres estariam ligados à recriação de homens e mulheres. Os milagres de Jesus foram todos realizados na dimensão dos sentidos. Os discípulos e seguidores de Jesus acreditavam somente nas coisas que eles viam, ouviam, sentiam ou experimentavam na dimensão física. O conhecimento deles estava preso aos sentidos. Deus enviou Seu Filho para a dimensão dos sentidos para que os homens pudessem testemunhar Seus milagres e vê-lo como um homem: “Aquele que foi manifestado na carne” (1 Timóteo 3:16). “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1:14). A Palavra veio para a dimensão dos sentidos. Os discípulos seguiram Jesus durante os três anos do Seu ministério público, testemunhando Seus milagres. Jesus controlou os ventos e as ondas; andou sobre o mar da Galileia tão facilmente quanto nós andamos sobre a terra. Eles testemunharam Sua compaixãopela multidão; Ele era de fato o Amor manifesto aos sentidos. Tinha sabedoria muito além da do homem natural. Conhecia os homens, como diríamos, de cima a baixo. Eles ouviram Seus ensinamentos, ficaram impactados com Suas palavras e viram milagres acontecerem dia após dia. Jesus curou as pessoas com palavras, ressuscitou os mortos com palavras, fez o pão se multiplicar com palavras, transformou água em vinho com palavras. Sobre Ele, diziam: “Jamais alguém falou como este homem” (João 7:46). Uma das maiores revelações que Jesus trouxe para a dimensão dos sentidos foi a autoridade e o poder que podiam estar investidos nas palavras. Os discípulos testemunharam um novo modo de vida: o caminho do amor, mas ninguém entendia. Dificilmente alguém poderia imitá-lo. Quando Jesus afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade, e a vida” (João 14:6), ninguém entendeu o que Ele quis dizer. Ele tinha uma vantagem, se é que podemos dizer assim: Sua capacidade de entrar na presença do Pai sem sentimento de culpa ou de indignidade. As multidões que o apertavam temiam a Deus. Elas foram ensinadas a temê-lo. Elas conheciam o pavor que o sumo sacerdote sentia quando entrava no Santo dos Santos uma vez por ano, em prol dos pecados de Israel. Elas ficaram perplexas quando Jesus chamou o Deus dos judeus de Pai. Ele falava de Jeová em termos íntimos. Junto ao túmulo de Lázaro, elas o ouviram dizer: “Pai, graças te dou porque me ouviste” (v. 41). Elas podiam sentir uma intimidade divina entre Jesus e o Pai que as deixava atônitas. Nós, como novas criaturas, podemos olhar para trás, para a caminhada terrena do Mestre, e observar certos limites na Sua vida milagrosa. É difícil conceber que haja limitações na caminhada daquele que é ilimitado. Ele controlava as leis da natureza como um general controlaria um exército. Toda lei, até onde sabemos, estava sujeita à Sua vontade. Apesar do fato de Jesus poder curar os corpos enfermos dos homens, Ele não podia curar o espírito deles. Ele podia perdoar pecados, uma vez que eles eram perdoados sob a Lei, mas não podia remir os pecados, uma vez que foram redimidos somente após Sua morte e Sua ressurreição. Ele podia transferir vida natural (psuche), mas não podia dar a eles vida eterna (zoe). Ele disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10) e “Aquele que crê em mim passará da morte para a vida” (ver João 5:24). Isso significa que eles deveriam passar da dimensão da morte espiritual para a dimensão da vida espiritual, e isso não poderia ocorrer enquanto Jesus vivesse, pois Ele não podia recriá-los. Ele não podia dizer: “Se vocês crerem em Mim Eu lhes darei vida eterna” ou “Eu vou recriar vocês, Eu vou fazer de vocês novas criaturas”. Alguém pode perguntar: “Os discípulos não acreditavam nele?” “Maria e Marta não acreditavam nele?”. Sim, de certa forma eles acreditavam nele, mas no que eles acreditavam? Eles acreditavam que Jesus havia morrido pelos pecados deles de acordo com as Escrituras? Que eles tinham vida através do Seu Nome? Eles acreditavam que Ele era o Mediador entre Deus e o homem? Claro que não. Os discípulos acreditavam que Ele era o Filho de Deus, o Messias. Eles não sabiam nada sobre Seu sacrifício substitutivo; não sabiam que Ele ia morrer na cruz como o Substituto para o pecado deles; não sabiam que Ele ia ressuscitar dos mortos e levar Seu sangue para o Santo dos Santos Celestial. Eles ignoravam todas essas verdades. É extremamente importante que o cristão entenda a diferença entre a fé que os homens tinham em Jesus na Sua caminhada terrena, e a fé que temos nele agora como nosso Senhor, Salvador e Substituto. Jesus não podia torná-los justos. Amando-os como Ele os amava, ainda assim Ele não tinha a autoridade para torná-los justos, o que lhes permitiria permanecer na presença de Deus sem sentimento de culpa, condenação ou inferioridade. Ele podia curar as doenças deles, mas não podia mudar a natureza deles. Ele podia expulsar demônios de seus corpos, quebrando o poder deles sobre seus corpos físicos, mas não podia redimi-los da autoridade de Satanás, da condenação e do juízo. Ele não podia dar a eles a capacidade de terem comunhão com o Pai. Apesar do Seu amor intenso, eles não podiam ter comunhão com o Senhor. Eles estavam espiritualmente mortos, isto é, ainda não haviam passado da morte para a vida. “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Coríntios 1:9). Eles foram chamados para serem discípulos, alunos e apóstolos, mas só depois da morte e da ressurreição dele é que eles foram chamados para ter comunhão com o Senhor. Se você observar, em João 15:14-15, no último discurso do Mestre, Ele disse: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho- vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer”. Ele podia chamá-los de amigos, mas não de irmãos. É importante fazer essa distinção na sua mente. Jesus não é nosso amigo hoje, Ele é nosso Senhor e Salvador. Um amigo é alguém de fora da família. A maioria dos ensinamentos alegava que os discípulos eram cristãos quando andavam com Jesus antes da Sua morte, só porque Ele os chamava de amigos, mas eles tinham tudo, menos a experiência de receber o Espírito Santo. Se isso fosse verdade, então não era necessário Cristo morrer; pois o homem natural teria tudo o que nós, como homens e mulheres da nova criação, possuímos. Mas vemos que isso não era verdade, pois “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3) e “se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado” (Hebreus 9:26). Não havia base para Cristo remir as transgressões e os pecados do homem natural até que Ele tivesse sofrido como o Substituto dele: “Declarou-lhes, pois, Jesus: ‘Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede’” (João 6:35). Isso não podia ser verdade até Cristo ter lidado com o problema do pecado, ter levado Seu sangue para o Santo dos Santos, até que Seu sacrifício tivesse sido aceito e Ele se sentasse à destra do Pai. Quando Jesus declarou que deveríamos comer Seu corpo e beber Seu sangue, Ele estava se referindo à Nova Aliança de sangue. Quando participamos da Mesa do Senhor, estamos ratificando essa Nova Aliança entre Cristo e o Pai, da qual nós somos os beneficiários. Jesus é a garantia dessa Nova Aliança. Ele não podia dar a eles a luz da vida mencionada em João 8:12: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”, e em João 1:4: “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens”. Foi somente depois do Seu sacrifício substitutivo que essa passagem da Bíblia pôde se tornar realidade. A luz da vida na verdade é a sabedoria de Deus: “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1 Coríntios 1:30). Jesus se tornou para nós Sabedoria. Essa Sabedoria é Luz, é a transferência da habilidade de Deus para nós. Respondeu-lhes Jesus: “Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz”. — João 12:35-36 Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma. Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como Ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. — 1 João 1:5-7 Aqui você vê a razão para a vida eterna no espírito humano. Quando entramos no relacionamento de filhos de Deus, é porque recebemos vida eterna, a natureza do Pai. Isso não poderia ocorrer até a grande substituição. Veja o que Jesus disse à mulher de Samaria:“Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (João 4:14). Isso significa que Jesus não podia dar aquela água a ninguém até ter pagado pelos pecados deles. Quando os homens foram recriados, eles puderam receber a água da Vida. Mas veja bem, Ele curou seus corpos, mas eles adoeceram novamente. Ele os alimentou, mas eles sentiram fome novamente. Ele os vestiu, mas eles ficaram nus novamente. Ele os ressuscitou dos mortos, para que eles morressem outra vez. Jesus podia suprir todas as necessidades físicas dos homens, mas Ele não podia mudar o estado espiritual deles até ter morrido por eles. Podia expulsar Satanás do corpo físico deles, mas Ele ainda teria de despojar Satanás da sua autoridade sobre o espírito deles: “e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Colossenses 2:15) Talvez você pergunte: “Mas o que Jesus quis dizer em João 15:5 com ‘Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer’?”. João 14-17 é uma profecia e uma promessa. Esses capítulos revelam o que os discípulos deveriam ser depois que nascessem de novo. Isso foi escrito setenta anos depois do Dia de Pentecostes, e se referia somente àqueles que nasceram de novo. O Cristo que Paulo Conhecia Paulo não conheceu o Jesus dos quatro evangelhos com quem Pedro e João tiveram comunhão por três anos e meio. Em 2 Coríntios 5:16 o apóstolo nos diz: “Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo”. Essa passagem bíblica me incomodou por muito tempo, mas meu entendimento se abriu e vi que Paulo tinha o mesmo Cristo que João tinha, mas João o havia visto somente com os olhos do conhecimento que vem dos sentidos. João tinha um conceito de Jesus com base no conhecimento que vem dos sentidos. Deus dera a Paulo uma revelação de Jesus. Ele não viu o homem físico, mas o homem espiritual. Ele o viu como o Substituto. Paulo o viu se tornar pecado na cruz. Ele não viu o Homem que os outros viram pregado à cruz, mas Seu Espírito levando os pecados e as doenças da raça humana. Ele viu esse Espírito se tornar pecado. Era a Divindade que havia sido escondida na humanidade daquele corpo físico. Para Paulo sempre foi a Divindade. Ele o viu tomar o lugar do homem, ir para onde o homem deveria ir, sofrer o que o homem deveria sofrer por causa da tragédia adâmica. Paulo o viu quando a suprema corte do universo declarou que Ele tinha pagado o preço pela transgressão do homem e satisfeito as exigências da justiça. Paulo o viu ser justificado como o primogênito dentre os mortos. Ele o viu quando Deus disse: “Hoje eu te gerei”. Em outras palavras, Paulo viu Jesus nascer de novo nas regiões tenebrosas onde Ele havia sofrido os tormentos dos condenados no lugar da humanidade. Agora Ele não apenas é declarado Justo, mas é feito Justo. Paulo viu Jesus se tornar o Dominador das forças das trevas: “E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”, ou seja, Jesus os dominou. Então, Ele pode dizer: “...estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1:18). Na versão da Bíblia de Roth para Hebreus 2:14, lemos que “Ele paralisou o poder de Satanás de lidar com a morte” (tradução livre). Jesus quebrou os vínculos da morte e deixou o Hades. Ele entrou no Seu corpo imortal. Quando estava na cruz e o pecado tocou Seu corpo, Jesus imediatamente se tornou mortal, ou seja, sujeito à morte. Agora aquele corpo mortal recebeu imortalidade. Mas quando Jesus apareceu diante dos discípulos, eles não sabiam sobre Sua imortalidade. Seus olhos estavam cegos; eles só tinham o conhecimento que vinha dos sentidos. Ele havia morrido como homem, até onde eles sabiam. Ele havia ressuscitado dos mortos como homem. Eles ficaram perplexos, mas extremamente felizes com a ressurreição. Alguns tinham grandes sonhos com uma nação judaica com Jesus como o Rei. Lembre-se de que em Atos 1, antes da ascensão, os discípulos perguntaram a Jesus se Ele estava prestes a restaurar o Reino. Havia, então, aspirações políticas, pois eles eram homens naturais. Ninguém o conhecia. Paulo foi a primeira pessoa que realmente conheceu Jesus. Ele o viu ascender com o próprio sangue e entrar no Santo dos Santos celestial. Ele viu o Pai aceitar o sangue de Jesus como o selo da redenção eterna do homem. Paulo o viu ir para o paraíso com as boas novas da Sua redenção consumada; sacar as notas promissórias da expiação que havia sido dada de ano em ano pelo sumo sacerdote no santo dos Santos terreno. Os santos do Antigo Testamento foram redimidos e Ele os levou para o céu. Paulo viu tudo isso. Então, como o clímax do maravilhoso drama da redenção, Paulo viu Jesus sentar-se à destra da Majestade nas alturas como o grande Sumo Sacerdote da Nova Aliança. Ele lhes deu a nova lei da Nova Aliança. A Igreja foi a beneficiária da Nova Aliança e dois sacerdócios surgiram: um Sacerdócio Santo e um Sacerdócio Real. O Sacerdócio Santo será a nossa comunhão e caminhada com o Pai; sempre será com relação a Ele. O Sacerdócio Real será para “anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9, NVI). Será um sacerdócio duplo; uma parte será dirigida ao mundo e a outra parte será dirigida ao corpo de Cristo. A revelação paulina se destacou para sempre como o documento mais maravilhoso que já foi impresso. Há mais de cem ensinamentos distintos que ninguém nunca antes sonhou redigir. Se Paulo é simplesmente um gênio literário, então ele ultrapassa qualquer coisa que o mundo já conheceu. Tudo que o homem natural já foi capaz de fazer ou de conseguir foi produto dos seus cinco sentidos. Por isso, o ministério de Paulo foi uma revelação. RESUMO O capítulo seguinte contém uma verdade muito simples, mas valiosa. O pregador comum não prega a Palavra de acordo com sua congregação; consequentemente, muitas vezes, ele entrega uma mensagem para o cristão que deveria ser pregada ao incrédulo; ou uma mensagem que pertence aos adultos é pregada aos bebês em Cristo. A mensagem que deveria ser entregue aos bebês às vezes é totalmente ignorada. Quero neste capítulo mostrar os três homens de Paulo: o homem natural sem vida eterna; a nova criatura que nunca cresceu ou se desenvolveu em vida divina; e o cristão que se apropriou dos seus direitos em Cristo e cresceu até o ponto de poder dar fruto para a glória do Pai. Esse cristão passou a valorizar sua justiça. Ele sabe que o conhecimento traz responsabilidade e também sabe que tem a capacidade de Deus para atender a essa demanda. CAPÍTULO 19 OS TRÊS HOMENS DE PAULO A revelação que Deus deu a Paulo tem muitas surpresas chocantes. Uma delas encontra-se em 1 Coríntios 10:32: “Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus”. Aqui temos as divisões étnicas de Deus para a raça humana. O judeu é sempre um judeu. Ele pode se tornar um cristão, mas ele será um judeu cristão. O gentio representa o mundo pagão. Todos fora de Cristo que não são judeus são pagãos ou gentios. A Igreja, o Corpo de Cristo, a nova criação, está inteiramente só. Não se trata dos que professam ser Igreja, mas da nova criação. Em seguida, Paulo fala da outra divisão: o homem natural, o homem carnal e o homem espiritual. O homem natural é aquele que nunca passou da morte para a vida, que nunca foi recriado. Ele está espiritualmente morto, sem Deus e sem esperança. O homem carnal é a nova criatura em Cristo que nunca se desenvolveu ou cresceu. Ele pode ficar nesse estado ao longo de uma vida longa, sem nunca se desenvolver ou passar do estado de um bebê da nova criação. Ele é governado pelos sentidos, e não pelo espírito. Já o homem espiritualé aquele que se desenvolveu nas coisas divinas. Seu espírito adquiriu ascendência sobre seus processos intelectuais e seus sentidos. Deus o governa através da Sua Palavra. Vamos olhar atentamente para estes três homens. O Homem Natural “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14). Entenda, o homem natural é o homem não espiritual, o homem físico. Em algumas passagens, como em Tiago 3:15, ele é chamado de homem demoníaco, aquele que é governado por Satanás. Porquanto a inclinação da carne (dos sentidos) é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. — Romanos 8:7-8, ACF, grifo nosso Esse é o homem que vive com base nos sentidos. No capítulo 8 de Romanos, onde quer que a palavra “carne” apareça, devemos ter a ideia espiritual real e traduzi-la por “sentidos”. Por exemplo, vejamos Romanos 8:3: “Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne [pelos sentidos], isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado” (grifo nosso). Entendemos que todo o conhecimento natural que o homem tem é recebido por ele através dos cinco sentidos, e que sua mente é governada por esses sentidos. O conhecimento que vem dos sentidos é todo o conhecimento que o mundo possui. Temos o conhecimento revelado além do conhecimento deste mundo. É extremamente importante que todo cristão observe o contraste entre o conhecimento dos sentidos e o conhecimento revelado. Muitos dos nossos teólogos modernos são homens guiados pelo conhecimento que vem dos sentidos. A maioria dos nossos líderes da igreja hoje são homens guiados pelo conhecimento que vem dos sentidos. Eles não são espiritualmente desenvolvidos, mas são governados pelos sentidos. Muitos repudiam o conhecimento revelado dando a ele um lugar secundário. O homem natural não pode entender as coisas do Espírito de Deus, pois são loucura para ele. Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência. — Efésios 2:1-2 Eis aqui o homem natural, andando de acordo com o curso desta era. Ele está andando de acordo com o príncipe da autoridade do ar e está sendo governado pelo espírito que está operando nos filhos da desobediência. O próximo versículo diz que ele está fazendo a vontade dos sentidos e é por natureza filho da ira: “entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” (v. 3). Trata-se de uma imagem muito forte, mas ela descreve o homem fora de Cristo. Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. — vv. 11-12 Os gentios não têm direitos ou influência diante de Deus hoje. Eles não têm uma posição legal ou direitos legais. “E Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são...” (1 Coríntios 1:28). A versão Centenary da Bíblia revela que as coisas “que não são” representavam os escravos do império romano. Eles não tinham posição, nem voz, eles eram apenas coisas que não existiam. Quando se tornavam cristãos, eles tinham uma posição diante de Deus. “Vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia” (1 Pedro 2:10). Os gentios não tinham posição. Eles não estavam incluídos como “povo”. Com toda a cultura da qual eles se vangloriavam, com toda a sua capacidade e seu dinheiro, eles não tinham voz, não tinham representatividade diante de Deus. Essa é a imagem de um cativeiro espiritual completo. É como uma floresta em chamas, totalmente sem esperança. Quando ele diz que está “sem Deus no mundo” (v. 12), isso significa ímpio. “Sem esperança” significa desesperado. Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza. — Efésios 4:17-19 Eles estavam andando na vaidade do conhecimento que vem dos sentidos. Se o mundo acadêmico não consegue ver seu reflexo aqui, eles nunca verão. Eles estavam obscurecidos no seu entendimento, alienados da vida de Deus, cheios do próprio conhecimento; isto é, a ignorância das coisas espirituais: “Porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se- lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos... eles mudaram a verdade de Deus em mentira” (Romanos 1:21-22, 25). Nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. — 2 Coríntios 4:4 A esperança desse homem é descrita pelo Mestre em João 14:6: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai a não ser por mim”. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12). Há um modo de Acesso e um Nome. Sendo esse Acesso e esse Nome negligenciados, desprezados ou rejeitados, isso deixa o homem absolutamente sem esperança. Mas a redenção pertence a ele. A vida eterna é dele. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). A vida eterna é oferecida a ele. Ela na verdade pertence a ele se tomar posse dela. Romanos 3:21-26 declara até onde Deus foi para dar o homem a vida eterna e a justiça. Essas duas grandes bênçãos pertencem ao homem. Ele não precisa chorar ou orar por elas. Tudo que ele tem a fazer é recebê-las. Elas pertencem a ele como um presente. Tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus. — Romanos 3:26 O qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação. — Romanos 4:25 Cristo tomou o nosso lugar como nosso Substituto e pagou o preço pela nossa transgressão. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5:1). Ela pertence a nós, ela é nossa. “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (v. 9-10). Portanto, todo homem não salvo tem o direito legal à vida eterna se ele a aceitar. Deus não pode impor isso a ele, mas se ele a aceitar, ele pode tê-la. O Homem Carnal ou o Bebê em Cristo A palavra grega que é traduzida por “carnal” gerou muitos comentários e um pouco de confusão entre os mestres da Bíblia. Somente nos últimos anos o Espírito tornou essa palavra clara para nossas mentes. A palavra “carnal” na verdade significa que o homem é governado pelos sentidos. Ele anda segundo a ordem do homem. “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo” (1 Coríntios 3:1). Paulo nosdá sua definição da palavra grega sarx. Ela se refere a um bebê que ainda vai se desenvolver. Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais. Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem? — 1 Coríntios 3:2-3 Eles estavam andando exatamente como os homens do mundo andavam, porque não haviam aprendido ainda a lei do amor nem a caminhada do amor. Pois quando começamos a andar em amor, deixamos de ser invejosos; deixamos as contendas, a amargura e a maledicência. Todos esses são sinais de subdesenvolvimento por parte do cristão. Enquanto você for egoísta, sensível e rancoroso, você ainda é um bebê em Cristo. Precisamos estudar com muita atenção 1 Coríntios 13 com a primeira epístola de João, revendo todos aqueles grandes ensinamentos sobre o amor. “[O amor] não procura os seus interesses” (1 Coríntios 13:5, grifo nosso). Crianças se queixam mais ou menos assim: “Mamãe, o fulaninho pegou meu brinquedo”. Eles estão brigando pelos seus interesses, pelo que alguém roubou deles. As brigas nos lares modernos, os divórcios, nos dão um quadro do estado de infantilidade da igreja atual, o qual pode ser remediado pelo estudo da Palavra. Todo cristão deveria aprender em seu curso de estudo bíblico sobre o plano da redenção, pois isso o levaria a sair do seu estado infantil para a plena maturidade em Cristo. Efésios 4:7 é o comentário de Deus sobre isso: “E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo”. Aqui vemos que cada cristão tem um depósito de graça que atenderá a cada emergência na sua vida. Todo cristão tem o mesmo Espírito Santo, a mesma vida eterna, o mesmo amor, a mesma graça e a mesma capacidade de Deus. Temos o mesmo Deus e Pai incomparável, o mesmo Intercessor eterno, Cristo. Não há razão para nenhum de nós ser fraco. Não há razão para continuarmos sendo bebês quando, devido ao tempo, deveríamos estar desenvolvidos. E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo. — Efésios 4:11-13 Que imagem tremenda esta, de um cristão totalmente maduro, de um homem que divide a Palavra corretamente, um homem descansando tranquilamente na força de Deus. A partir daí, Salmos 27:1 se torna realidade: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?”. Ele é a sua luz. Ele é a sua salvação. Ele é a sua força física e mental. Você é um vencedor, um vitorioso, um conquistador nele. Deus nunca pretendeu que você permanecesse um bebê espiritualmente, assim como não pretendeu que você permanecesse um bebê física e mentalmente: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Efésios 3:20). Isso porque temos a capacidade de Deus em nós: Tudo posso naquele que é a minha capacidade, a minha força (ver Filipenses 4:13), e não há lugar para o subdesenvolvimento. “A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir” (Hebreus 5:11), isso significa que se o cristão não tomar cuidado, ele se tornará tardio em ouvir, de modo que a Palavra não poderá alcançá-lo. Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. — v. 12 Todo cristão deveria aspirar ser um mestre, pelo menos de alguém: “Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança” (v. 13). “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” (v. 14). O alimento sólido é para os adultos “que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade” (2 Timóteo 3:7). Vemos as pessoas indo à igreja domingo após domingo, sempre ouvindo, sempre aprendendo, mas nunca chegando ao conhecimento da verdade. Se a calamidade, a doença, a perda de propriedades ou a morte de entes queridos chegam, elas ficam paralisadas e impotentes na presença do inimigo. Elas têm os recursos de Deus, a capacidade de Deus, a Palavra amorosa de Deus, mas nunca se apropriaram dela. Elas nunca se beneficiaram das riquezas que lhes pertencem. Quando a crise vem, elas são incapazes de tirar proveito da capacidade de Deus. Essas pessoas são os filhos de Deus que nunca se desenvolveram, que permaneceram na infância. Efésios 5:1-2 mostra o que elas poderiam ser: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou...”. Isso é privilégio delas, é assim que poderiam viver, mas elas não conhecem a lei da Nova Aliança que deve governá-las. Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. — João 13:34-35 Esse amor deve governar a vida da Igreja de maneira absoluta. “Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem” (1 Coríntios 10:24). Quando o amor não governa, nossa razão de viver fica distorcida, a conduta se torna anormal e os sentidos governam o espírito, fazendo com que a mente fique cativa das coisas terrenas. Romanos 12:2 mostra que a principal necessidade desse homem é ter a sua mente renovada: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. A mente não renovada é o estado de infância. “E vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Colossenses 3:10). É extremamente importante que a mente do cristão seja renovada para o conhecimento segundo a imagem de Jesus. Isso só pode acontecer quando o Espírito nos leva à realidade da nossa Redenção em Cristo. Em João 16:13-14, Jesus disse: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”. Esse é o privilégio de todo cristão. Efésios 4:23-24 é outra exortação do Espírito: “e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”. Precisamos simplesmente aprender a conhecer o Pai e a crescer na Palavra até andarmos em amor. O Homem Espiritual Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo. — Efésios 1:3 O homem espiritual é alguém que bebeu profundamente da fonte, alimentou-se regularmente à mesa do Senhor e depois se embriagou de amor. Esse homem passou a conhecer o Pai em verdade, a conhecer o Senhor Jesus no Seu grande ministério à destra do Pai, e passou a conhecer a bendita intimidade do Espírito como Ele é revelado na Palavra. 1 Coríntios 2:12 é outro convite precioso do Espírito para entrarmos nas coisas profundas de Deus: “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente”. O homem espiritual é alguém em quem a Palavra adquiriu ascendência sobre a mente e o corpo. Ela o harmonizou com a vontade do Pai para esta era. As coisas que nos foram dadas gratuitamentepor Deus são as coisas das quais falamos, não com as palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espírito ensina. É um desvendar de coisas espirituais com a ajuda e a energia do próprio Deus. “...dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz” (Colossenses 1:12). Deus é a nossa capacidade que se revela ao desvendarmos os tesouros da graça que nos pertencem agora. Jesus disse em Atos 1:8: “...recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo...”. A palavra “poder” é “capacidade”. Você tem capacidade para testemunhar, para conhecer e fazer a vontade do Pai, e para saber como usar o Nome de Jesus e como entrar em toda a plenitude da nossa herança em Cristo. O Espírito Santo é sua capacitação. Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. — Colossenses 1:13-14 Fomos libertos da autoridade de Satanás. Fomos transladados para o Reino do Filho do Seu amor. Estamos em um lugar protegido e cuidado por Deus. Estamos no lugar onde somos alimentados com o pão do Todo-Poderoso. O maná do céu está na Sua Palavra viva. Ao alimentar-se com ele, você crescerá espiritualmente até a imagem e a estatura do Filho de Deus. A oração não será mais gemer e se debater, nem será sempre uma súplica pedindo fé e perdão. Ela será uma doce e santa intimidade. Você entrará na presença do Pai com base nos seus direitos. O homem espiritual sabe que ele é a justiça de Deus e sabe que justiça significa a capacidade de estar na presença do Pai como se o pecado nunca tivesse existido. A justiça lhe dá o senso de igualdade e de relacionamento com o Pai. Ele é um filho e tem o lugar de filho. Ele toma posse dos privilégios de um filho e desfruta deles. Ele assume as responsabilidades de um filho e se eleva ao nível das suas oportunidades. Ele não é um mendigo. Ele não é apenas um pecador que foi perdoado. Ele agora é uma nova criatura criada em Cristo Jesus. 2 Coríntios 5:17-18 é o pano de fundo da sua vida: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo...”. Estamos na família. Somos filhos e filhas. As coisas antigas de fraqueza e fracasso, de dúvida e medo, foram relegadas ao esquecimento. Tomamos nosso lugar e desfrutamos nossos direitos. Sabemos o que significa o senhorio do amor. Podemos sussurrar para o Pai: “O Senhor é o meu Pastor. Nada me faltará. Hoje, Ele me guia para pastos verdejantes e para águas de mansidão pacífica. Restaura minha alma e me torna perfeitamente normal. Retira a sensação de fraqueza e de fracasso. Ele me guia pelas veredas da justiça onde eu uso Seu Nome e ando com Ele. Não tenho sentimento de culpa ou de pecado. Estou no Amado. O grande Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos faz do meu corpo o Seu lar”. Ele é a Justiça de Deus De todas as riquezas da graça que foram reveladas em Cristo, nada se iguala ao fato de termos nos tornado, através do novo nascimento, a justiça de Deus. Isso nos abre as portas do céu e permite acesso ao Santo dos Santos. É a nossa entrada na presença do próprio Pai com alegria indizível e cheia de glória. Agora somos não apenas filhos e filhas, mas somos a justiça de Deus nele: “Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21). Entramos na dimensão dessa justiça. Agora somos capazes de ter a mais doce e plena comunhão com o Pai, pois 1 Coríntios 1:9 nos diz que Ele nos chamou à comunhão com Seu Filho. E essa é a mais alta honra que o Pai pode nos conceder. Não há lembrança do que fomos um dia, só existe o fato do que somos agora. Somos filhos de Deus com uma posição que o próprio Deus nos deu, com um relacionamento que Sua natureza nos deu, com privilégios que somente o amor poderia conceder. Passamos do estado de bebês para os plenos direitos e privilégios da maturidade. A doença e a fraqueza não podem mais se alimentar da nossa vitalidade e extrair de nós a nossa virilidade espiritual. Sabemos que Isaías 53:4-5 é verdade: Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Isso pertence àquele que passou a saborear os frutos da justiça. Agora, em lugar de orar por cura, você simplesmente olha para o alto e diz: “Pai, eu Te agradeço porque pelas Tuas pisaduras agora estou curado. Meu espírito está livre do pecado e da doença. Portanto não existe condenação para mim, porque estou em Cristo Jesus, onde nenhuma doença tem direito de reinar”. Não faz diferença qual seja a doença, pelas pisaduras dele você está curado. Não existe “talvez”. Não existe qualquer problema de fé nesse aspecto. Você está na família. Foi preciso fé para entrar na família, mas agora você está nela e tudo de que a família dispõe é seu. Você pode dizer: “Eu Te agradeço porque através de Jesus Cristo, sou completamente livre; pelas Tuas pisaduras eu estou curado. Sei que o meu Deus supre cada necessidade minha — física, mental e espiritual. O domínio de Satanás sobre mim terminou. Graças a Deus, finalmente estou livre”. RESUMO Suponho que sempre houve um grupo de judaizantes, como Paulo os chamava, que procurava se colocar debaixo da primeira Aliança e guardar a sua Lei. Eles ignoram o que a Nova Aliança lhes concedeu, não sabem que nela há uma Lei que cobre tudo que a Lei Mosaica cobria. Eles também não entendem que os que são novas criaturas não podem viver sob a Lei Mosaica, nem a velha criatura pode viver sob a lei da Nova Aliança. A Nova Aliança pertence às novas criaturas, aos filhos e às filhas de Deus. A Aliança Abraâmica pertence às pessoas da Velha Aliança, aos servos de Jeová; ela foi dada somente aos filhos de Abraão, e pertencia somente a Israel. A Nova Aliança não é dada ao mundo, e sim às novas criaturas somente. A Velha Aliança, com a sua Lei, só pode ser cumprida na Palestina. Ela requer um sacerdócio para fazer uma expiação anual porque é a Lei do pecado e da morte. A Nova Aliança é a Lei da justiça e da vida. CAPÍTULO 20 A IGREJA ESTÁ DEBAIXO DA LEI MOSAICA? N unca houve uma distinção definida na Igreja entre a Aliança Abraâmica e a Nova Aliança no sangue de Cristo. Quando Deus fez a Aliança com Abraão, foi com a finalidade de que pudesse passar a existir uma nova nação, um povo em um relacionamento de Aliança com Deus; e desse povo da Aliança viria o Redentor da raça humana. Os descendentes de Abraão, durante um período de fome, migraram para o Egito e se tornaram uma nação de cerca de quatro milhões de pessoas. Eles foram tirados do cativeiro, atravessaram o mar Vermelho e iniciaram sua jornada em direção à Terra Prometida. Tudo o que eles tinham era a memória de uma Aliança e o selo da circuncisão. Eles não tinham lei nem sacerdócio. Aquele grupo de pessoas não tinha ensinamento religioso. Quando saíram do Egito, uma nação de escravos, Deus lhes deu a Lei da Aliança. Com essa Lei, Ele lhes deu o sacerdócio, os sacrifícios e as ofertas. Então, Ele deu uma interpretação da Lei que está relatada em Números e Deuteronômio. O Livro de Levítico tem a ver em grande parte com as ofertas e o sacerdócio, os sacrifícios e os dias santos. A Lei, a cerimônia e o sacerdócio foram dados aos israelitas e aos israelitas somente. Nenhum gentio estava sob essas leis nem tinha qualquer parte nas bênçãos da aliança. Enquanto Israel guardava a Aliança e andava na Lei, não havia doenças entre eles, nem as nações podiam vencê-los. Os guerreiros que tinham uma aliança de sangue com Davi nos oferecem uma impactante história de super-heróis. O Livro de Daniel nos dá uma imagem do povo da Aliança de Deus no cativeiro,ameaçado pelo paganismo e pelas religiões pagãs, o que os teria destruído completamente se Deus não tivesse poupado Israel, através de Daniel e de seus três amigos, da adoração aos ídolos. Os milagres do sonho e da interpretação de Daniel, dos três filhos hebreus sendo lançados na fornalha ardente, do livramento na cova dos leões e da tradução do escrito na parede, abalaram não apenas a nação pagã até as bases, como emanciparam Israel dos deuses pagãos. Eles nunca mais voltaram a servir a esses deuses novamente, embora estivessem desesperadamente envolvidos em um cativeiro estrangeiro. Quando Israel andava na Aliança, nem doença nem pobreza havia entre eles. Essa Lei não foi dada aos pagãos, mas somente ao povo da Aliança, aos filhos de Abraão. Durante o ministério de Jesus, Ele explicou a Lei e chamou Israel de volta à Aliança; Jesus não colocou as nações pagãs sob a Lei. Ninguém estava debaixo da Lei nos dias de Cristo, a não ser os judeus. A vinda de Jesus foi para o cumprimento da Aliança Abraâmica, ou seja, quando Ele cumpriu essa Aliança, a Lei automaticamente parou de funcionar. O sacerdócio deixou de ministrar diante de Jeová e os sacrifícios não tinham mais qualquer sentido. Jesus havia cumprido a Aliança Abraâmica. Ela foi dobrada como uma roupa usada e deixada de lado. Jesus introduziu uma Nova Aliança, uma nova Lei, com um novo sacerdócio, um novo sacrifício e um novo povo. O primeiro povo nasceu do parentesco da circuncisão. O segundo povo nasceu do Espírito, e em vez da circuncisão do corpo, houve a circuncisão do coração, o novo nascimento. Com o povo da nova criação veio a nova Lei que Jesus proclamou em João 13:34-35: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”. Essa é a Lei que deve governar a nova criação, o povo da nova criação. Hebreus 8:1-2 nos diz que Jesus é o Sumo Sacerdote da Nova Aliança. Quando o véu do Templo foi rasgado em dois de alto a baixo conforme registrado em Mateus 27:50-51, foi o fim do Santo dos Santos terreno. Ele não funciona mais, pois o novo Santo dos Santos está no céu. Jesus é o nosso Sumo Sacerdote. 1 Pedro 2:1-9 nos fala sobre os dois sacerdócios na terra agora: o Sacerdócio Santo, que oferece sacrifícios de adoração e amor; e o Sacerdócio Real, que proclama as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a luz. Um é o nosso ministério santo e particular de amor; o outro é o ministério público da Palavra. O problema que confronta a igreja agora é a sua relação com a Velha Aliança. Não há nenhum relacionamento com ela, nenhum gentio jamais esteve sob a Velha Aliança ou pôde ficar debaixo dela, a não ser pela circuncisão e pela obediência a um ritual especial. Nenhum judeu ou israelita pode entrar na Velha Aliança agora porque ela foi deixada de lado e foi substituída pela Nova Aliança. A Igreja agora deve cumprir os Dez Mandamentos? Não, os Dez Mandamentos foram dados ao homem não recriado. Eles não se encaixam na vida do cristão. Se somos novas criaturas, podemos obedecer à nova lei da Nova Aliança, que abrange tudo o que estava na lei da primeira Aliança. 1 Coríntios 10:32 nos dá a divisão de Deus para a raça humana: os judeus, os gentios e a Igreja de Deus. Os gentios representam todas as pessoas que não nasceram de novo. A Igreja representa somente aqueles que se tornaram novas criaturas, e não o grande corpo do denominacionalismo, os que professam ser cristãos, mas que não nasceram de novo. Em outras palavras, há três categorias: judeus, mundo não salvo e nova criação. O mundo não está nem debaixo da Lei Judaica nem da Lei da Nova Aliança. Eles estão de fora. 1 Pedro 2:10 declara que eles “não eram povo”. Eles não têm representatividade diante de Deus, que não os reconhece. Só existe um pecado pelo qual eles serão julgados: pela rejeição ao Senhor Jesus. Eles não estão debaixo do ensinamento de Jesus nos quatro evangelhos. Nós tentamos elaborar leis para eles ali. A Igreja tentou fazer leis que governassem o mundo não salvo e colocá-lo sob o cativeiro da Bíblia, mas essas pessoas não têm qualquer relação com ela. Somente os filhos e as filhas de Deus estão debaixo das obrigações para com a Nova Aliança. Veja como ilustração o tema do casamento. Moisés estabeleceu a Lei com relação ao casamento. A interpretação de Jesus dessa lei a eleva ao seu lugar real na mente de Jeová. Mas essa lei não governa o mundo não salvo nem a igreja. As leis do casamento e do divórcio são dadas na revelação de Deus à Igreja nas epístolas de Paulo. 1 Coríntios 7 nos mostra claramente que dois cristãos não têm direito ao divórcio e a um novo casamento. Durante a separação, eles devem voltar a se unir em vez de se divorciarem e se casarem novamente, mas quanto ao casamento misto (entre cristãos e incrédulos), Paulo disse: “...e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido”. Mas se ele a deixar, a mulher não fica presa aos votos conjugais. Isso deixa o cristão livre para casar-se novamente. Ele proíbe o casamento de cristãos com incrédulos. Eles não devem se colocar debaixo de jugo desigual, mas se estiverem nesse estado, o cristão deve permanecer e procurar levar o outro a Cristo. A Igreja não podia estar debaixo da Lei. A Igreja Primitiva nos deu o ensinamento distinto com relação ao relacionamento da igreja com a Lei: “Não colocar jugo sobre o pescoço dos cristãos gentios que nós, judeus, não podemos suportar” (ver Atos 15:10). Houve muita discussão entre os cristãos gentios e os cristãos judeus quanto a se eles estavam ou não debaixo da Lei Mosaica. Eles enviaram Paulo e Barnabé a Jerusalém e, depois de muita discussão, eles disseram: “Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram” (Atos 15:11). Então, Tiago, o meio-irmão de Jesus, que estava à frente da igreja de Jerusalém, assim disse: Pelo que, julgo eu, não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue. Porque Moisés tem, em cada cidade, desde tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados... Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais. — Atos 15:19-21, 28 Não há uma única palavra sobre guardar o Shabat (sábado) ou guardar a Lei. A Lei, com seus Shabats e todos os seus sacrifícios, pertencia à velha ordem, à Velha Aliança. Não se pode separar os Dez Mandamentos mosaicos do sacrifício e das ofertas mosaicas. Eles ilustram para nós a atitude e o ensinamento de Deus ao homem natural, debaixo da Lei. Eles não eram novas criaturas, ninguém havia nascido de novo até o Dia de Pentecostes. “Mas”, você diz, “a fé em Jesus não é o meio para a salvação?”. Sim, mas é a fé na Sua ressurreição: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Romanos 10:9-10). A fé dos discípulos até o Dia de Pentecostes, e a fé dos judeus ao redor de Jesus não era fé no Seu sacrifício substitutivo e na Sua ressurreição. Era fé na Sua capacidade de ressuscitar os mortos e de curar os enfermos. A fé deles se baseava na evidência dos sentidos. Nossa fé se baseia na Palavra de Deus. Cremos que Ele morreu pelos nossos pecados de acordo com a Bíblia e que ressuscitou para nossa justificação. Os discípulos criam que Ele era o profeta. Alguns acreditavam que era o Filho de Deus, mas não acreditavam que Ele havia morrido por eles e que ia ressuscitar para justificá-los. Não havia uma única alma que aceitasse a ressurreição até a evidência dos sentidos tê-los satisfeito completamente. Se uma pessoa pudesse ter nascido de novo antes de Cristo ter morrido e ressuscitado e antes de o Espírito Santo vir, então, todas as pessoas poderiam ter nascido de novoporque todos estão debaixo do pecado. Todos estavam condenados por uma coisa: eles estão espiritualmente mortos. O mundo precisa não apenas do perdão dos pecados, mas de vida eterna e de uma nova criação. Que fique totalmente entendido que o perdão dos pecados não salvará o pecador hoje. Ele precisa ter algo mais que perdão, pois se tudo o que Deus fizesse fosse perdoá-lo pelos seus pecados, ele continuaria vivendo em pecado; pois não poderia evitá-lo. O pecado está no espírito do homem, é o espírito do homem que é recriado. O homem precisava nascer de novo, nascer do alto, e receber a vida eterna. A maioria das pessoas que tentam se colocar debaixo da Lei hoje não acredita na nova criação. Elas acreditam que o novo nascimento vem na segunda vinda de Jesus, que os cristãos que morreram estão dormindo no túmulo e que quando ressuscitarem, eles serão recriados. Se eles não foram recriados agora, então simplesmente não são salvos, e não sendo salvos, não podem entender ou conhecer a Palavra. “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14). As pessoas que negam o novo nascimento não podem entender a Palavra de Deus. Consequentemente, elas tentam se colocar debaixo da Velha Aliança. Tiago nos fala que até mesmo os judeus não conseguiam cumprir essa Lei e ser justificados. Essas pessoas estão tentando se justificar cumprindo a Lei. Agora, Paulo não está falando de uma lei cerimonial, mas da lei da Velha Aliança: Porventura, ignorais, irmãos (pois falo aos que conhecem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem toda a sua vida? Ora, a mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal. — Romanos 7:1-2 Ele está falando aqui a judeus, e está mostrando a eles que quando Jesus morreu na cruz, todos os judeus morreram em Cristo para a Lei. Quando Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, a Lei se cumpriu e foi deixada de lado. Agora os judeus podem se casar com Jesus e não serem adúlteros. Mas se um homem está guardando a Lei e tentando se casar com Jesus, então ele tem dois maridos, e isso é adultério. Em outras palavras, a Lei foi cumprida e deixada de lado; de modo que agora o judeu está livre para aceitar Cristo como Salvador. O mesmo é verdade em Gálatas 4:24-25, pois a Velha Aliança era o Sinai: “...estas mulheres são duas alianças; uma, na verdade, se refere ao monte Sinai, que gera para escravidão; esta é Agar. Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, que está em escravidão com seus filhos”. Vós, porém, irmãos, sois filhos da promessa, como Isaque. Como, porém, outrora, o que nascera segundo a carne perseguia ao que nasceu segundo o Espírito, assim também agora. Contudo, que diz a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava será herdeiro com o filho da livre. E, assim, irmãos, somos filhos não da escrava, e sim da livre. — Gálatas 4:28-31 Ele quer dizer que a Lei e a primeira Aliança foram expulsas, assim como Hagar foi expulsa com Ismael e não teve direito à herança com Isaque. Nós somos Isaque, a nova criação. Não estamos debaixo da Lei. Não estamos sujeitos à Lei. Somos livres. Vemos em Gálatas que a promessa de Deus era para a nova criação. “É, porventura, a lei contrária às promessas de Deus? De modo nenhum! Porque, se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade, seria procedente de lei” (Gálatas 3:21). E continua: “Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que creem” (v. 22). A lei não podia dar justiça, nem vida eterna. A obra consumada de Cristo nos dá justiça e vida eterna. Mas, antes que viesse a fé, estávamos [os judeus] sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio. — vv. 23-25, grifo nosso A razão pela qual os atuais cumpridores do Shabat são tão zelosos é porque eles estão tentando salvar-se obedecendo à Lei do Shabat. Eles ignoram a obra consumada de Cristo. Todo homem ou mulher que está tentando guardar a Lei, a não ser que tenha nascido de novo anteriormente, não nasceu de novo. As reuniões evangelísticas dos cumpridores do Shabat não são com o propósito de salvar almas, mas a fim de fazer dos cristãos professos prosélitos, e de levar homens e mulheres não salvos a guardarem a Lei Mosaica. “E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé” (Gálatas 3:11). A Lei não era de fé, mas de obras. A Lei é condenação. A fé em Jesus Cristo significa fé na obra que Ele consumou a nosso favor. Não temos de fazer nada a não ser aceitá-lo como nosso Salvador. Sobre os gentios veio a bênção de Abraão em Cristo Jesus. Recebemos a promessa do Espírito com base na fé. Nossa Igreja moderna está lentamente deixando a dimensão da fé para a dimensão das obras. A maioria das nossas pregações evangelísticas é sobre obras. Dizemos o que as pessoas precisam fazer para serem salvas, mas só há uma coisa que elas precisam fazer: crer no Senhor Jesus Cristo. Nossa redenção foi concluída; a obra foi consumada. Tudo que eles precisam fazer é aceitá-la. Em Gálatas 5:1, Paulo fez a grande advertência: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”. Cristo libertou você da Aliança Abraâmica e da Lei Mosaica e dos seus rituais (ele está falando aos judeus). Ele não está falando aos gentios, pois eles nunca estiveram debaixo da Lei Mosaica ou da Aliança Abraâmica. Assim, também nós [judeus], quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo; vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! — Gálatas 4:3-6, grifo nosso Observe o próximo versículo: “De sorte que já não és escravo, porém filho...” (v. 7). Os filhos de Abraão eram os servos de Deus. Eles nunca foram nada acima disso. A Igreja é chamada de filha de Deus. Os gentios são pagãos, estão fora de Deus. A Aliança Abraâmica deu aos judeus os direitos da Aliança. A nova criação dá ao cristão o lugar de filho. Os judeus nunca foram nada além de servos. Agora, para os judeus que aceitaram Cristo, Paulo diz: “De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus”. Os gentios não têm direitos em Deus. Eles estão fora. Os judeus tinham uma posição, eram homens de Aliança. Jesus veio e cumpriu a Aliança, possibilitou que o judeu se tornasse filho. No instante em que Ele se torna um filho, ele chama Deus de Pai. Ele não está mais sob a primeira Aliança, ele está na Nova Aliança em Cristo Jesus. Os gentios de hoje que tentam se colocar debaixo da Lei estão tentando algo infrutífero. A Lei se cumpriu e foi deixada de lado com a Aliança à qual ela pertencia. O gentio de hoje está ignorando a obra consumada de Cristo e está tentando salvar a si mesmo cumprindo o Shabat judaico, que foi satisfeito e deixado de lado. RESUMO Esta é a gênese da Nova Aliança: é o que Jesus começou a fazer e a ensinar nos primeiros trinta e cinco anos da Igreja. Não havia a Palavra escrita como nós a conhecemos hoje; nenhum dos quatro evangelhos havia sido escrito; mas tudo que o Pai havia feito por nós em Cristo foi desfrutado. Certa vez contei quarenta e dois fatos diferentes da nova criação que começaram a existir durante esse período. Desde então, passei a perceber que há mais de cem coisas incrivelmente novas desde o momento que Deus disse: “Haja vegetação na terra”.Esses novos fatos não foram mencionados no livro de Atos, e sim nas epístolas, mas eles são praticados no livro de Atos. A omissão dessas coisas em Atos é mais impactante que o que foi mencionado. Por exemplo, Lucas, que escreveu o livro de Atos, foi levado a Cristo por Paulo. Eles viajaram juntos durante quinze a dezoito anos. Lucas conhecia a revelação Paulina, mas não mencionou uma única verdade que nos é dada nas epístolas de Paulo. Isso prova que Deus governou a escrita da Bíblia. A mesma coisa aconteceu com o evangelho de Lucas. Leia este capítulo em espírito de oração e estude o livro de Atos a partir desse novo ângulo. CAPÍTULO 21 ALGUNS FATOS SOBRE O LIVRO DE ATOS O livro de Atos foi escrito por Lucas em 65 d.C. Ele foi o companheiro de Paulo por cerca de dezoito anos e evidentemente foi levado a Cristo por ele. Lucas conhecia a revelação paulina, sem dúvida, no entanto, quando escreveu seu evangelho não deixou marcas da revelação paulina nele. O mesmo aconteceu no Livro de Atos. Isso nos leva à conclusão de que os homens que escreveram o Novo Testamento não escreveram suas filosofias, suas opiniões ou opiniões de outros. Nem escreveram sobre as próprias convicções, mas registraram os fatos à medida que o Espírito Santo lhes dava a Palavra. O Livro de Atos é realmente a gênese da Nova Aliança. Ele é o livro do início de tudo que estava ligado a ela, é o início da nova redenção, uma redenção espiritual. É também a redenção de Satanás. Efésios 1:7 nos dá os fatos relativos a isso: “No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça”. E também Colossenses 1:13-14: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados”. Israel conquistou a redenção do Egito na dimensão dos sentidos. Mas essa Redenção estava fora da mão de Satanás que havia mantido o homem sob seu poder ao longo das eras. Ela ocorreu na dimensão do espírito. O Começo da Nova Aliança no Sangue de Jesus Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: “Tomai, comei; isto é o meu corpo”. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: “Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados. E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai”. — Mateus 26:26-29 Observe o versículo 27: “Porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados”. A Aliança Abraâmica foi selada entre Abraão e Jeová com o sangue de Jeová e de Abraão. Mas a Nova Aliança é selada pelo sangue (ou a vida) da Divindade e da humanidade unidas no Homem Jesus: entre o Pai e Jesus. A Aliança Abraâmica deu a Israel o seu lar, a Palestina. Ela lhes deu o que era conhecido como a Lei Mosaica, o sacerdócio, a expiação, os sacrifícios. Tudo isso foi anulado quando Jesus disse: “Está consumado”, na cruz, e o véu do templo foi rasgado de alto a baixo. Deus mostra, por meio desse ato, que a Aliança havia terminado e que a Nova Aliança de que Jesus havia falado passaria a existir de uma só vez. A Velha Aliança havia sido feita com o homem natural. A Nova Aliança é para o homem da nova criação. A outra Aliança tinha escravos, esta tem filhos. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. — Efésios 2:10 E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus... — 2 Coríntios 5:17-18 Temos um novo tipo de humanidade. Deus lhes deu a própria natureza, a vida eterna, logo este foi o começo do homem com vida eterna, a natureza de Deus. Não há dúvida de que o homem poderia ter recebido essa natureza no Éden, se tivesse comido da árvore da vida em lugar da árvore do conhecimento do bem e do mal. Mas agora temos o começo da família de Deus. Deve ter sido um momento empolgante no céu quando os primeiros filhos nasceram (ver Atos 2:1-4). Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: “Aba, Pai”. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. — Romanos 8:14-17 Foi o começo de Deus como Pai. Jesus apresentou-o como Deus Pai no Seu ministério público, mas até onde sabemos, Ele nunca havia tido um filho nascido dessa maneira nova até Jesus nascer do espírito, antes de ressuscitar dos mortos. “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia” (Colossenses 1:18). Foi o início da remissão dos pecados. Sob a primeira Aliança, as pessoas tinham um bode expiatório que tipificava os pecados sendo levados. Jesus eliminou o pecado pelo sacrifício de Si mesmo, tanto que João Batista disse: “Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo” (João 1:29). Com base nisso, quando um homem nasce de novo, ele recebe a remissão de todas as coisas que já fez enquanto estava na vida de pecado. Agora ele entra para a família de Deus. Esse foi realmente o começo do maravilhoso ministério de Cristo à destra do Pai. Ele é o novo Sumo Sacerdote que entrou no Santo dos Santos Celestial com o próprio sangue fazendo uma redenção eterna por nós. Então Ele se senta à destra do Pai. Ele agora é o Mediador da Nova Aliança. Nenhum homem pode chegar ao Pai a não ser por Ele: “Respondeu-lhe Jesus: ‘Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim’” (João 14:6). Assim que eles chegaram ao Pai, então Jesus se tornou o Intercessor deles: “Por isso, também pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25). Ele está ali, diante do Trono, sempre, para interceder pelos filhos e filhas da maravilhosa família de Deus. Ele não apenas é o Mediador e o Intercessor, mas também é o Advogado deles, o Advogado da família: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2:1). E não apenas isso, como Hebreus 7:22 declara que Ele é o Fiador da Nova Aliança. Assim como Jeová era o Fiador da Velha Aliança, Jesus assumiu o ofício na Nova Aliança. Ele está respaldando cada promessa desde Mateus 1 a Apocalipse 22. Jesus apenas as respalda, como o Trono as respalda e o Pai as respalda. Nenhuma palavra de Deus pode deixar de se cumprir. Jesus detém outro ofício que para mim é o mais inestimável. Ele é o Senhor da Nova Aliança. Senhor significa provedor, cuidador e protetor. Ele é tudo que o coração poderia ansiar. Esse foi o início da comunhão com o Pai, a qual é uma das coisas mais belas do cristianismo. Ao longo das eras, o homem tem ansiado pela comunhão com o céu, mas não havia base para isso. A natureza do homem era de inimizade contra Deus: “...pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Romanos 8:7). A esperança do casamento é a comunhão. A esperança das organizações humanas é basicamente a comunhão. Ela é a melhor parte do relacionamento. Quando pecamos, quebramos a comunhão. Nós erramos, mas não quebramos o nosso relacionamento. Só Deus pode quebrá-lo. O segredo de conhecer a Bíblia, de entendê-la, é viver em comunhão com seu Autor. Quando quebramos a comunhão, entramos em trevas. A Palavra não se abre mais para nós: “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 João1:7). Outro começo maravilhoso foi o do uso do Nome de Jesus, o qual deu o direito legal, realmente uma procuração para as pessoas usarem Seu Nome. Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em Meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas. — Marcos 16:17 E tudo quanto pedirdes em Meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei. — João 14:13-14 ...em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas... imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados. — Marcos 16:17-18 Coisas poderosas seriam feitas em Nome de Jesus. Trata-se de uma verdade perdida para a Igreja (para mais detalhes, leia meu livro “O Maravilhoso Nome de Jesus”). O início da habitação do Espírito em nós foi a promessa mais notável feita por Jesus: “o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós” (João 14:17). O versículo fala do Espírito Santo e diz que Ele está com você agora. “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir” (João 16:13). Ele estará em você, fará Sua habitação em você. No Dia de Pentecostes o Espírito Santo veio e encheu o Cenáculo onde os discípulos estavam sentados. Quando foi imerso neles, o Espírito Santo os recriou. Uma língua de fogo pousou sobre a fronte de cada um deles, indicando que a mensagem seria a Palavra falada habitada pelo próprio Deus, uma mensagem irresistível. E, então, o Espírito Santo entrou no corpo daqueles homens e mulheres da nova criação. Eles foram feitos novas criaturas. Deus se mudou para o Seu templo. Ele havia saído do antigo templo quando o véu se rasgou. Então, se mudou para dentro daqueles homens e mulheres recriados para habitar neles. Ele ia tornar real neles tudo o que havia feito por eles em Cristo. Assim, Deus começou a lhes falar em línguas desconhecidas, como o Espírito os levava a pronunciar. Esse foi o nascimento e o começo do povo da Nova Aliança. Quero que você observe com atenção o fato de essas pessoas da Nova Aliança terem sido habitadas por Deus. Você perceberá que elas nasceram de novo antes de serem habitadas. O Espírito Santo lhes deu vida eterna primeiro, tornando-as novas criaturas. Então, Ele entrou nelas para que pudesse gerar em seu interior as mesmas características de Jesus, o Filho de Deus. Sob a primeira Aliança, o Espírito Santo vinha sobre os homens e Ele falava através deles, ou os inspirava a escrever o Antigo Testamento e a realizar milagres, mas assim que a obra estava concluída, Ele os deixava. Ele não mudou a natureza deles. Eles eram os mesmos homens de antes depois de operar esses milagres. Isso pode ter deixado alguma influência sobre eles, mas eles eram homens naturais. Mas Deus fez deles homens espirituais, homens recriados, e Ele habitava dentro deles. Esse foi o começo da graça de Deus para todos os homens. Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-lhes a guardar todas as coisas que vos tenho mandado; e eis que estou convosco até a consumação dos séculos. — Mateus 28:19-20 Os discípulos deveriam fazer de todas as pessoas seus alunos. Isso significa mais do que convertidos. Eles deviam não apenas levar o homem a aceitar Cristo, mas também ensinar-lhes as coisas de Cristo. Esse foi o começo da era de milagres entre todos os povos. Até o novo nascimento foi um milagre. Cada oração respondida foi um milagre. Cada nova criatura era um milagre vivendo em um mundo governado pelos sentidos. Esse foi o começo do homem recebendo vida eterna. Mencionamos isso antes, mas queremos ampliar o assunto neste momento. “Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna” (João 6:47). Há duas palavras gregas que são traduzidas por “vida” nesse versículo. Sob a primeira Aliança, Deus deu ao homem natural uma Lei e disse a ele para cumpri-la. Agora Ele oferece ao homem uma Nova Lei e dá a ele a natureza para obedecer a ela. A vida eterna deu ao homem tudo o que há de melhor na nossa civilização. As nações atrasadas do mundo são atrasadas porque não têm vida eterna. Sempre que uma nação tem pessoas suficientes para ter vida eterna, ela se torna um país civilizado. É bom observarmos esse fato, uma vez que o renascimento da Alemanha, da Inglaterra e dos países escandinavos só começou depois do avivamento luterano. Isso deveria fazer com que todo homem pensante fizesse uma pergunta: “O que havia no avivamento luterano que nos deu a máquina de impressão e todas as outras invenções que chegaram até nós nos últimos quatrocentos anos?”. Foi a capacidade criativa de Deus que entrou no espírito do homem. Entenda que as faculdades de raciocínio não são criativas. Os grandes filósofos não foram criativos. Eles podem ter descoberto algumas leis da natureza que haviam sido ignoradas por outros. Aconteceu simplesmente que eles descobriram alguns fatos que foram negligenciados por outros. Porém, quando um homem cria uma máquina de impressão, bem como as outras máquinas que foram criadas, isso é algo que o raciocínio humano natural não pode produzir. Os maometanos nunca inventaram nem criaram nada. Somente as pessoas que receberam vida eterna no novo nascimento foram pessoas criativas. Se você estudar com atenção, descobrirá que há mais de quarenta começos relacionados à Nova Aliança que ocorreram no Dia de Pentecostes no Cenáculo, entre eles a filiação. Os israelitas eram escravos de Deus. Ninguém jamais havia chamado Deus de Pai. Ninguém nunca havia reconhecido Deus como Pai. Os israelitas o temiam, não o amavam e obedeciam a Ele como escravos, como servos. Se eles não obedecessem, eram punidos. Havia uma Lei com um castigo, caso ela fosse quebrada. Agora eles nasceram na Sua família. Cada um deles naquele Cenáculo era um membro da nova família da qual Jesus era o Senhor e o Cabeça: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1 João 3:2). Observe que, no instante em que os homens reconheceram seus direitos de filiação e seu lugar de filhos na família, a vida passou a ser diferente. Surgiu uma nova terminologia acerca de Deus. Você podia ouvir os homens chamando-o de “Meu Pai”. Ele era o Deus dos pecadores, mas agora é o nosso Pai. Amo chamá-lo de “Meu Deus e Pai”. Ele sempre teve um coração de Pai. Os homens passaram a existir em resposta e esse grito primordial do coração do Criador. Você consegue ver como o fato de Ele ser seu Pai resolve todos os problemas da sua vida? Você não pensaria em pedir a Ele, como Pai, para lhe dar fé. Mas você poderia fazer isso se Ele é somente Deus. Se Ele é seu Pai, tudo que você precisa fazer é passar a conhecê-lo e cultivar a consciência de filho. Lembro-me de quando comecei a pensar nele como meu Pai. Eu estava no ministério havia alguns anos, mas nunca havia lido um livro que fosse especializado na questão do Pai. No instante em que alguém começa a entender que o grande Deus do universo é seu Pai, e que ele é o filho desse Pai, e que ele tem um lugar de filho no coração do Pai, que tem os direitos de um filho e as responsabilidades de um filho, a vida passa a ser diferente. Quando essa verdade entrou no meu coração pela primeira vez, fiquei totalmente chocado. Ele não era mais Deus, e sim meu Pai. E, então, comecei a me lembrar dos versículos. O Espírito me trazia um após o outro: “Respondeu Jesus: ‘Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada’” (João 14:23). Eu nunca percebi que isso significava que Ele realmente viveria comigo. Até então, as palavras “E eis que estou convosco todos os dias” (Mateus 28:20) eram apenas uma figura de linguagem, mas nesse momento se tornaram realidade.Jesus disse: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade” (João 16:13), e Ele começou a me guiar para a verdade da filiação. Ele nunca havia sido muito real em minha vida, pois eu ainda não tinha entendido João 16:15: “Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”. Ao entender pela primeira vez a unidade de Jesus e do Pai quando Ele disse: “Tudo quanto o Pai tem é meu”, eu soube que tudo o que era do Pai também era meu, assim como o filho diz: “Esta é a nossa fazenda”, ao falar da fazenda de seu pai. O Pai e o Filho são um. É aquela unidade familiar, aquela unidade vital entre o Pai e Seu Filho. E o Espírito então começava a me guiar para a realidade da minha unidade com Jesus e com o Pai. A oração de Jesus no capítulo 17 de João começou a ser uma realidade para mim: “A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e Eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste” (v. 21). Devemos nos tornar um com o Pai e com Jesus. Os interesses do Pai, a obra do Pai, a palavra do Pai precisam ser um comigo. Quando Jesus disse: “Eu conheço o Meu Pai” (ver Mateus 11:27), então eu soube que eu poderia passar a conhecê- lo também, pois o Espírito da Verdade iria me guiar para a realidade dessa filiação. Você consegue ver que isso pertence a cada um de nós? Que este é o fim da antiga batalha pela fé? Ora, a fé passa a ser tão normal e natural quanto o é em uma bela família. Os filhos não têm consciência da fé, mas têm consciência do amor. Eles têm consciência do Pai, têm consciência de filhos. Você pode entender agora a necessidade do coração do homem de ter consciência desse relacionamento santo? Isso aconteceu quando as pessoas começaram a ir para o céu. Até aquele momento os homens iam para o paraíso quando morriam. Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. E vós sabeis o caminho para onde Eu vou. Disse-lhe Tomé: “Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho?”. Respondeu-lhe Jesus: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. — João 14:1-6 Observe a frase: “Na casa de meu Pai” (v. 2). Na casa de meu Pai há muitas moradas, há espaço suficiente para mim. Jesus disse: “Vou preparar-vos lugar” (v. 2). Esse lugar será presidido pelo Pai. Ele será um lar de amor para os filhos do amor. Estou certo de que vamos conhecer uns aos outros. Vamos encontrar aqueles que morreram antes de nós. Que reunião familiar! Se o coração apenas absorver essa verdade, ela tirará da vida todo seu terror. Porque o verdadeiro terror da vida é um novo organismo forte e espiritual. O seu Cabeça está assentado à destra da Majestade nas Alturas. Passamos a estar unidos com Ele espiritualmente. Ele assemelha isso à videira e aos ramos. Paulo, em 1 Coríntios 12, faz um paralelo com o corpo físico. No entanto, uma verdade se destaca sobre tudo o mais nessa união mística: nossa completa unidade com Ele e uns com os outros. Somos realmente um com Ele. Morremos com Ele, fomos sepultados com Ele, sofremos com Ele, fomos justificados com Ele, fomos vivificados com Ele, vencemos Satanás com Ele, fomos ressuscitados dentre os mortos com Ele, e agora estamos sentados com Ele. Reinamos em vida com Ele. Realmente pertencemos à realeza. Somos tanto parte de Jesus quanto Ele e o Pai são parte um do outro. Sua substância e existência estão em nós. Eu me pergunto o que aconteceria conosco se meditássemos na nossa unidade com Cristo, na nossa união com o Corpo de Cristo. 1 Coríntios 12:12-30 deveria ser lido com mais frequência. Foi o começo dos homens passarem a ter esperança de imortalidade para seus corpos. O corpo físico era mortal por causa da queda. Agora, toda pessoa que recebe vida eterna tem a promessa da imortalidade para seu corpo quando Jesus voltar. Então nossos corpos nunca mais morrerão. Viveremos neles por toda a eternidade. Eles serão corpos glorificados. Nenhuma doença ou enfermidade jamais poderá tocá-los. Suponho que essa tenha sido a razão pela qual Deus proibiu os judeus de fazerem marcas ou cortarem seus corpos. Essa é a razão pela qual Ele nos diz em 1 Coríntios 6:19 que nossos corpos são santos, sagrados para Deus e que devemos glorificar a Deus neles. Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. — Romanos 12:1-2 Devemos oferecer nossos corpos como sacrifícios vivos, pois nossos corpos são para o Senhor: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6:19). Eles foram comprados por um alto preço. Que estudo tremendo seria percorrer toda a Palavra e descobrir o quanto o corpo humano é sagrado para o Pai e o quanto ele deveria ser sagrado para nós. Esse foi o começo da vitória do cristão sobre Satanás. Satanás havia sido o senhor do homem ao longo das eras desde a queda. Ele agora deveria provar a amargura de ser subordinado ao homem que ele havia subjugado ao pecado. Jesus dera ao homem o direito legal de usar Seu Nome que tem toda autoridade sobre Satanás. Quão temível se torna alguém que conhece o poder e a autoridade do Nome de Jesus! “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei” (João 14:13). Satanás é o único poder que impede a oração. Podemos escorraçá-lo e tomar posse dos nossos direitos nesse Nome incomparável. Quando uma mãe sabe que foi um espírito maligno que entrou na criança que a tornou desobediente, ela pode expulsá-lo com esse Nome precioso. Quando um mau hábito nos domina, esse Nome traz libertação. O homem, esse novo homem, é o homem-senhor de Deus. O Início do Caminho do Amor Jesus introduziu um novo modo de vida, Ele nos deu a capacidade de vivermos dessa nova maneira. Deveríamos estar subordinados à vida de amor que pertence à nova criação. Devemos andar em amor, pensar em amor e exercer o amor. Isso vai resolver o problema no lar. Não haverá mais discussões e quebra de comunhão. Não haverá mais rupturas nos lares e nas vidas, nem crianças sendo criadas por outras pessoas que não seus pais. Será uma nova espécie de vida. O egoísmo busca a própria felicidade. Essa é a razão pela qual uma mãe se torna viciada em cigarro e satura o sistema neurológico do bebê antes do nascimento. Ela pode andar pelos bares bebendo e ouvindo histórias terríveis e negligenciar seus filhos e sua casa. Essa mãe não possui esse novo tipo de vida. A novidade que Jesus trouxe glorificou a maternidade, tornou os bebês e a posição da esposa sagrados, pois “não procura os seus interesses” (1 Coríntios 13:5). Com essa novidade, não há divórcio, não há briga por propriedades, apenas o bem do outro em lugar do seu próprio. Essa também é a vida de Jesus, é o modo de Jesus na nossa caminhada diária, que o coloca em contato com o mundo em todas as fases da nossa jornada. É a nova Lei que deve governar o casamento e os lares. A antiga Lei judaica do casamento estava fundamentada no fato de que o homem estava espiritualmente morto. A nova Lei se baseia no fato de que o homem foi feito nova criatura, criada em Cristo. O Início da Justificação Entre as muitas coisas maravilhosas que a nova criação nos dá, está a justificação. Entenda que a justificação é algo novo que Jesus trouxe e deu à nova criação. Se a comunhão é o clímax da redenção, a justificação é o meio pelo qual a comunhão pode se tornar uma realidade. Ela significa a capacidade de estar na presença do Pai sem sentimento de culpa, condenação ouinferioridade. Você pode comparecer na Sua presença como um filho ou uma filha está na presença de um Pai amoroso. Você foi justificado com a Sua natureza, isto é, você se tornou participante da natureza divina, se tornou justo com base legal. Não se trata de tolerância ou piedade. É uma justificação legal, definida. Você é o que Ele o criou para ser. Você se tornou a justiça de Deus em Cristo. Isso não é resultado de nenhuma obra que você tenha feito. Você simplesmente aceitou Cristo como seu Salvador, confessou-o como seu Senhor, e Deus tornou você justiça em Seu Filho. O que isso tem a ver com você? Primeiro, isso lhe dá representatividade diante do Pai. Você pode entrar com ousadia na Sala do Trono a qualquer momento. Isso faz de você senhor dos demônios e de todas as obras deles, um vencedor sobre as circunstâncias e um senhor das leis da natureza quando necessário. Isso faz Satanás ter medo de você porque ele reconhece que você é a justiça de Deus em Cristo, e que você sabe que é quem Deus diz que você é, e que você ousa assumir seu lugar e fazer sua parte. Trata-se de uma atitude de domínio. Cada um de vocês que ler isto deveria ir fundo. Desfrute o que pertence a você. Você honrará o Pai ousando agir como um filho deve agir, na presença do Pai ou em qualquer crise que possa surgir. A justiça remove a consciência de pecado, a sensação de indignidade, aquele velho sentimento de fraqueza e de falta de capacidade. Você é um senhor sob o senhorio de Deus. Se eu pudesse ousar, diria que você se tornou o super-homem de Deus. Não há limite para o que você pode fazer em Cristo. Você se tornou a parte de Cristo que dá frutos. Isso significa que a obra que Cristo começou a fazer, você pode terminar. Você não é mais escravo dos homens, das circunstâncias, da doença ou de qualquer espécie de tirania satânica. A Revelação de um Escravo do Amor Durante muito tempo, eu me perguntei o que a palavra grega doulos realmente significava. Romanos 1:1 é uma boa ilustração: “Paulo, servo de Jesus Cristo”. Observe que em nenhum lugar na revelação paulina o homem é chamado de servo de Deus, a não ser uma vez. Trata-se de um ajuste, pois deveria ser “servo de Jesus Cristo”. Vou fazer aqui uma paráfrase que se encaixa perfeitamente nisso: “Paulo (ou o pequeno), escravo do amor de Jesus Cristo”. Jesus foi o primeiro escravo do amor. Seu amor o impulsionou a realizar todos os milagres que abençoaram a humanidade: o amor o levou para a cruz; o amor fez dele um Substituto para o pecado; o amor o mantém agora como Mediador, Intercessor e Salvador à destra do Pai. Ele não tirou férias de dois mil anos, Ele é um escravo do amor. Quando vi que eu poderia me tornar um escravo do amor, me pareceu que os sonhos do meu coração iam se realizar. Um escravo do amor de Jesus! Isso significa viver e andar sob os impulsos do amor, não buscando os próprios interesses, mas os dele; não querendo as coisas do meu jeito. Você pode imaginar o que significa alguém dizer: “Amo o meu Senhor, amo o meu grande Deus e Pai”. Eu escolho essa vida de escravo do amor. Eu me torno um escravo do Corpo de Cristo. Eu vivo para aperfeiçoar cada cristão. Eu vivo para despertá-los para seus direitos e privilégios, para desvendar suas riquezas em Cristo, as riquezas escondidas da graça e do amor. Não estou buscando meus interesses; eu os encontrei em Cristo. O dinheiro perdeu seu valor, a não ser para ajudar outros e glorificarem o Mestre. O conhecimento que vem dos sentidos é lixo diante da excelência do conhecimento que fará de mim um melhor escravo do amor. Agora posso entender a passagem: “não procura os seus interesses”. Não tenho sonhos a não ser a felicidade dos outros e o crescimento deles na graça. Eu costumava me questionar sobre Colossenses 1:28-29: “...a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim”. Eu estava conversando com uma “escrava do amor” certa vez, quando ela me disse: “Eu não conseguia entender por que eu estava de joelhos, soluçando”. Era a intercessão do Espírito nela, que clamava através dela por alguém. Mas ela continuou dizendo: “Eu não entendia aquilo”. Finalmente eu respondi: “Não era necessário. Ele sabia o que estava buscando e você era o instrumento rendido a Ele”. Algumas vezes me senti completamente tomado por Ele porque o Espírito estava intercedendo através do meu espírito. Eu era um escravo do amor e estava tomando o lugar de Jesus, chorando pelos não salvos. Eu estava palestrando em Chicago sobre ser escravo do amor quando um jovem brilhante veio a mim no final do culto e disse: “Senhor Kenyon, você acha que Ele me aceitaria como um escravo do amor?”. Eu disse: “Suponhamos que você solicite. Pergunte a Ele”. Por fim, ele se tornou um dos escolhidos de Deus, um dos que Ele usa. Você, que está lendo isto, talvez tenha sido poderosamente tocado por algumas dessas mensagens nos meus livros. Mas eu me pergunto se você tem sido como um iceberg, que derretia enquanto o sol estava batendo em você e depois congelava quando o sol se punha. Você foi ativado enquanto estava lendo ou ouvindo, mas assim que tocou o mundo outra vez, outras emoções foram despertadas e você se esqueceu? O Escravo do Amor Quando eu vacilo e paro no caminho Meu coração perde a coragem e de orar desanimo Lembra-me, querido Senhor, daquela cruz ali E do Homem nela pregado, para a missão do amor cumprir. Quando eu for tentado a esquecer meu chamado A abandonar minha missão, a tudo deixar de lado Lembra-me, querido Senhor, daquela cruz ali E do Homem nela pregado, para a missão do amor cumprir. Vem em meu ser, querido Senhor, uma paixão ativar Por cumprir a Tua missão, a Tua Palavra proclamar Até que todas as nações ouçam o alegre cantar Da Tua redenção, que por tanto tempo estavam a aguardar. RESUMO Jesus evidentemente andou com base em Sua confissão. Ele era o que confessava. É estranho que até recentemente não soubéssemos que a fé segue a nossa confissão, que é a confissão quem constrói a estrada sobre a qual a fé transporta sua poderosa carga. Com o tempo, você vai aprender que nunca será possível ser superior à sua a confissão. Você nunca desfrutará das riquezas da graça até confessá-las. Você vai descobrir que sua própria confissão sobre quem Deus é, o que Ele fez por você e o que você é nele, sempre precede Sua revelação de Si mesmo. A salvação segue a confissão: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor” (Romanos 10:9). E o mesmo acontece com receber o Espírito Santo. Nossa cura também segue a nossa confissão. Algumas pessoas precisam “guardar firme a sua confissão” (ver Hebreus 10:23) diante da aparente derrota e se recusar a ceder às evidências dos sentidos. Temos de aprender sobre o perigo da confissão dupla: em um instante confessar a absoluta integridade da Palavra, mas no momento seguinte confessar que Deus não a fez atuar bem no seu caso. A confissão é aquilo que desafia o mundo. É aquilo que faz com que as pessoas se aventurem na vida de fé. O cristianismo é a grande confissão. Ele culmina em Jesus na Sua confissão; e em seguida em nós, na nossa ousada declaração da total autenticidade da Palavra viva. CAPÍTULO 22 NOSSA CONFISSÃO A compreensão só pode se vir após a confissão. Andamos na luz do nosso testemunho. A Palavra de Deus se torna real à medida que confessamos sua realidade. Satanás teme nosso testemunho. Se você confessa alguma coisa com a boca, ela reage sobre o coração ou o espírito. Nós confessamos o que somos em Cristo, depois agimos com base em nossa confissão. Se confessarmos medos, eles nos dominarão. Se confessarmos o domínio da doença, ela garante seu senhorio sobre nosso corpo de maneira completa. Se confessarmos liberdade, que o Filho nos fez livres, Deus torna essa confissão uma realidade. Quando entendemos que Jesus encontrou a derrota e a venceu, e ousamos fazer essa confissão, a derrota e o fracasso perdemo domínio sobre nós. O cristianismo é chamado de “A Grande Confissão”: “...considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus... Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão” (Hebreus 3:1; 4:14). Qual é a confissão que devemos conservar firme? A de que nele temos uma perfeita redenção: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Colossenses 1:13-14). Essa redenção nunca se torna realidade até que a confessemos; poucos parecem compreender esse fato. Diante da derrota aparente, confessamos nossa redenção e libertação, e elas se tornam realidade. Nós não pedimos redenção, e sim agradecemos a Ele por ela. Essa redenção foi forjada de acordo com 1 Pedro 1:18-19: Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo. Isso não é uma promessa, mas um fato. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. — Efésios 2:10 E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo. — 2 Coríntios 5:17-18 Sabemos que não apenas fomos redimidos e feitos novas criaturas, como também fomos reconciliados. Ousamos confessar isso diante do mundo. Confessamos nossa redenção da mão de Satanás, que ele é incapaz de colocar doenças sobre nós e nos manter cativos: “Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho” (Apocalipse 12:11). A palavra aqui é “logos”. Eles venceram o inimigo por causa do sangue do Cordeiro, e do logos (palavra) que estava no testemunho deles. Eles descansaram na integridade da Palavra. Eles ousaram confessar que o que Deus disse era verdade. O qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação. — Romanos 4:25 Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. — Romanos 5:1 Então, ouse confessar que isso é verdade agora. Confesse sua justificação em Cristo. Agora somos a justiça de Deus em Cristo. Ousamos declarar isso diante do mundo. Ousamos confessar que o próprio Deus se tornou a nossa justiça (ver Romanos 3:26). Pelo novo nascimento e pelo Espírito, fomos feitos a própria justiça de Deus nele. “Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21). Essa é a declaração do próprio Deus do que somos agora; não do que queremos ser, mas do que Deus fez com que fôssemos. 1 Pedro 2:24 declara que fomos curados: “carregando Ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados”. A obra está feita. Não se trata de recebermos a cura, nem é uma questão de fé. Trata-se da integridade da Palavra de Deus. Podemos depender dessa Palavra? “...eu velo sobre a minha palavra para a cumprir” (Jeremias 1:12). Nossa confissão precisa ser uma confissão da fidelidade absoluta da Palavra, da Sua obra consumada e da realidade do nosso relacionamento como filhos e filhas. Nossas palavras determinam a nossa fé e são a nossa confissão. Se eu confessar falta continuamente, eu creio na falta; minha confissão com certeza se torna realidade. Eu confesso as coisas nas quais acredito. Se eu acredito no fracasso e na fraqueza, confessarei essas coisas. Viverei segundo o padrão da minha confissão. Se eu ousar dizer que o Salmo 34:10 é verdadeiro, “porém aos que buscam o Senhor bem nenhum lhes faltará”, e se eu mantiver minha confissão, Deus confirmará tudo o que eu confessei “Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente. Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia” (Salmos 84:11-12). Ouso confessar Provérbios 3:5-6: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas”. Isso é direção. Não apenas a libertação das circunstâncias, como também uma orientação para a vontade dele, para os caminhos de abundância. Nesse sentido, Filipenses 4:19 se torna a canção do meu coração: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir em Cristo Jesus cada uma das vossas necessidades”. Que confissão! O coração bate forte. “‘Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor e o seu direito que de mim procede’, diz o Senhor” (Isaías 54:17). Deus assumiu a obrigação de ficar de prontidão e de cuidar dos Seus. Ele não pode falhar conosco. O Senhor está comigo; não temerei. Que me poderá fazer o homem? — Salmos 118:6 Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel. — Isaías 41:10 Esse é o desafio de Deus, e ouso confessá-lo diante do mundo. Que confissão! Deus diz a mim pessoalmente: “Não tenha medo, filho, eu estou com você. Não fique assombrado: Eu sou o seu Deus”. Ele era o Deus de Israel. Você se lembra do que aconteceu com o Faraó, o Egito e os filisteus? (ver Êxodo 14:21-31; 1 Samuel 14). Você se lembra do que aconteceu com todas as nações que colocaram as mãos sobre Israel, enquanto eles estavam guardando a Aliança? “Não toqueis nos meus ungidos” (1 Crônicas 16:22). Então, Ele cuidará de nós como cuidou deles. Ele será nosso Protetor e Cuidador. Jesus disse que a fé venceria. A fé venceu. Somos testemunhas dessa tremenda realidade. A Bíblia é a confissão de Deus. Quanto mais eu a leio, mais essa grande verdade supera tudo, de Gênesis a Apocalipse. Ela é uma confissão contínua da Sua grandeza, da Sua capacidade, do Seu amor e do Seu grande coração de Pai. Quando você vê Jesus nos quatro evangelhos, Ele está fazendo confissões o tempo todo. Ele é o Grande Pastor; Ele é a Luz do Mundo. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. — João 10:11 Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida. — João 8:12 Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. — João 14:6 Eu sou a ressurreição e a vida. — João 11:25 Eu sou o pão da vida. — João 6:35 Essas são confissões tremendas. “Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar” (João 10:29). A confissão de Jesus levou-o direto para o Calvário: “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (João 5:18). As confissões destemidas dos homens ao longo das eras nos deram nossos mártires. A fé dá coragem para confessar e as confissões dão ousadia à fé. Sua confissão alinha você, lhe dá seu lugar, define sua posição. Sabemos o que você é. Se você ficar em silêncio, não podemos colocá-lo no seu lugar. A confissão cura ou o mantém doente. Pela sua confissão, você é salvo ou perdido. Pela sua confissão, você tem abundância, ou tem falta. Pela sua confissão, você é fraco ou forte. Você é o que confessa com seus lábios e o que crê no seu coração. Uma confissão de fracasso o mantém na dimensão do fracasso. Uma confissão da capacidade de Deus para livrá-lo da situação o coloca acima dela: “Estás enredado com o que dizem os teus lábios, estás preso com as palavras da tua boca” (Provérbios 6:2). Somos enredados pela nossa confissão, ou somos libertos pelas palavras da nossa confissão. Faça com que sua confissão esteja em harmonia com a Palavra de Deus. Ela não se harmonizará com o conhecimentoque vem dos sentidos. Não tente fazer isso. O conhecimento que vem dos sentidos chama isso de presunção ou fanatismo, mas Deus chama isso de fé e honra essa atitude: “Ora a fé é a certeza das coisas que se espera, a convicção de fatos que não se veem” (Hebreus 11:1). Deus fez tudo o que podia ser feito por nós. Ele disse que Sua redenção está completa. Você confessa que está feito, assumindo seu lugar, chamando a si mesmo pelo nome que Ele o chamou, reconhecendo tudo o que a Palavra diz que é Seu. Você agora declara que tudo o que Deus disse, no seu caso, é verdade: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará... Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:32, 36). A verdade o liberta. Você declara que aquele a quem o Filho libertou é verdadeiramente livre, que o pecado não pode mais se impor sobre você, que a doença e a enfermidade não podem se impor sobre você. “Porque o pecado não terá domínio sobre vós...” (Romanos 6:14). A preocupação e a ansiedade não podem dominar você. O domínio de Satanás terminou. Você está completo nele. Poucos de nós entendemos o poder da Sua Palavra nos nossos lábios. Ele disse em Marcos 16:18 que se os que creem “impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados”, bem como em João 14:13: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei...”. Atos 3:4, 6 trata do Nome de Jesus nos lábios de Pedro. Ele disse: “Olha para nós... Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!”. Se você não usar o Nome, o Nome não poderá fazer nada. Mas se você usar o Nome, ele será como se o Nome do Pai estivesse nos lábios de Jesus. Em Atos 4:18-37 somos lembrados de como um lugar foi abalado pelo nome de Jesus: “Chamando-os, ordenaram- lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem em o nome de Jesus” (v. 18). O Nome nos lábios deles havia sacudido Jerusalém até as bases. Atos 16:16-18 mostra o poder do Nome nos lábios de Paulo: “Em nome de Jesus Cristo, eu te mando: retira-te dela” (v. 18), e houve cura e libertação, pois, de acordo com João 15:7: “Se permanecerdes em Mim, e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito”. A Palavra nos seus lábios não apenas liberta você, como liberta outros. A Palavra nos seus lábios cura os enfermos. A Palavra nos seus lábios gera fé no coração daqueles que o ouvem. A Palavra nos seus lábios transformará vidas quando elas ouvirem. É a própria vida de Deus nessas palavras. A Bíblia é a Palavra de Deus. Nos lábios do amor e da fé cada Palavra é cheia de Deus. Nossa conversa diária é a Grande Confissão, pois confessamos Cristo diante do mundo, confessamos a plenitude da Sua graça, confessamos a integridade da Revelação. Nossa primeira confissão é Romanos 10:9-10: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação”. Encontramos uma redenção perfeita e nós a confessamos ao mundo. Em Atos 10:36, Pedro diz: “Este é o Senhor de todos”. Como isso impacta o coração! Ele é o Senhor dos três mundos: céu, terra e inferno. Todo joelho se dobra a esse Nome. Com alegria confessamos: O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. — Salmos 23:1 Ó Senhor , força minha, e fortaleza minha, e refúgio meu no dia da angústia. — Jeremias 16:19 Tudo posso naquele que me fortalece. — Filipenses 4:13 Digo ao mundo: “O Senhor Jesus é a minha provisão. Ele é o meu Pastor; nada me falta”. No entanto, há o risco de fazermos uma confissão errada, uma afirmação errada: confessarmos medos e dúvidas. Isso dá domínio a Satanás. Confessamos nossa doença e essa confissão torna nossa vontade cativa e nos mantém em cativeiro absoluto. Confessamos falta de capacidade diante do fato de que Deus disse que Ele era a fortaleza da nossa vida. Essas confissões de fracasso mantêm o Pai de fora, e permitem que Satanás entre; elas dão a ele direito de passagem. Essas confissões negam a validade da Palavra de Deus e honram Satanás. O que devemos confessar? 1.Você não tem mais medo e confessa isso: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará” (Salmos 23:1). 2.Nossas palavras nos aprisionam ou nos libertam. Podem nos colocar em cativeiro e impedir nossa liberdade em Cristo: “Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo” (João 10:29). 3.Isto acontece quando nossas palavras guerreiam contra a Palavra de Deus: “‘As vossas palavras foram duras para mim’, diz o Senhor” (Malaquias 3:13). Uma mulher me procurou certa vez e disse: “Senhor Kenyon, tenho recebido oração, mas não consigo ser liberta”, ora, a palavra dela contradizia a Palavra de Deus. A Palavra dele diz: “Se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome” (João 16:23). [Aqueles que creem] se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados. — Marcos 16:18, grifo nosso Aquela mulher negou a validade da Palavra; ela negou que a Palavra era verdadeira. Suas palavras estavam guerreando contra a Palavra de Deus. Ela havia adotado de maneira inconsciente uma atitude mental que era contra a Palavra; mesmo não tendo essa intenção, ela havia feito isso; e essa atitude a fazia permanecer cativa. Enquanto conversávamos, ela foi liberta da dor, mas sua voz não abandonou aquela atitude de choramingar. Não houve confissão de vitória em seus lábios. Há sempre o risco de uma confissão ser fundamentada apenas na concordância mental. A concordância mental reconhece a veracidade da Palavra, mas nunca age com base nela. Sua confissão é: “Oh, sim, há cura na Palavra. Há salvação e libertação na Palavra, mas...”. Por outro lado, a fé confessa alegremente sua vitória. Sua alegria é uma celebração; é um triunfo sobre o testemunho dos sentidos. A fé dá uma noção de segurança, de certeza absoluta, de tranquilidade e quando isso explode em confissão, ela se torna realidade. O coração precisa estar arraigado e firmado na Palavra e no amor. “Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (Atos 19:20), ou seja, a fé é simplesmente a Palavra prevalecendo sobre a evidência dos sentidos. Atos 20:32 nos dá uma ilustração chocante: “Agora, pois, encomendo- vos ao Senhor e à palavra da sua graça, que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados”. Portanto, é a Palavra que estabelece; é a Palavra que edifica; é a Palavra da Sua graça que edifica a fé no coração do cristão. A confissão de Jesus requer uma atenção mais cuidadosa. Eis dez afirmações de Jesus (ver João 5-11), cada uma delas o coloca na classe de Divindade. Leia-as com atenção e sublinhe-as na Sua Bíblia. •“Eu vim em nome de meu Pai” (João 5:43). •“Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim” (João 5:46). •“Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (João 6:35). •“Quem crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida” (João 6:47-48). •“Eu o conheço, porque venho da parte dele e fui por ele enviado” (João 7:29). •“Eu faço sempre o que lhe agrada” (João 8:29). •“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10). •“Eu e o Pai somos um” (João 10:30). •“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11:25). Essas são algumas das confissões de Jesus. Será que ousamos confessar o que somos em Cristo e o que temos em Cristo? Será que ousamos confessar João 1:16: “...todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça”? Recebemos da Sua plenitude, mas isso de nada nos adiantou, porque falhamos em transformar em uma confissão. Todo cristão sabe que Deus colocou suas doenças em Jesus; mas ele teme fazer a confissão e agir com base na Palavra. Esse medo vem do inimigo. Isso indica que temos mais confiança no inimigo do que na Palavra de Deus. Confessamos que o que Ele diz é verdade. Então, demonstramos isso na nossa vida diária. Não existe confissão na vida de muitas pessoas. Há muita oração, mas não há confissão de que a Palavra é verdadeira.Não é de oração que muitos precisam, mas de confissão da Palavra (não estou me referindo à confissão de pecados). Uma mulher me disse recentemente, depois que orei por ela e abri a Palavra para ela: “Você vai continuar orando pela minha doença, não vai?”. A confissão dela era a de que a Palavra era uma mentira. Você deve confessar que pode fazer o que Ele diz que você pode fazer, que você é o que a Palavra diz que você é. Ele diz que você é uma nova criatura criada em Cristo Jesus. Ele diz que você é mais que vencedor, que você é um conquistador. Ele criou você para ser um filho ou uma filha do Deus Todo-Poderoso, um herdeiro de Deus e coerdeiro com Jesus Cristo. Você pode todas as coisas naquele que é a sua força (Filipenses 4:13). O que Ele diz que eu posso fazer, eu declaro que posso fazer. O que Ele diz que eu sou, eu declaro que sou. Faço minha confissão com ousadia. Você faz a sua confissão: “Deus é meu Pai; eu sou filho dele. Como um filho na Sua família, estou assumindo meu lugar. Estou fazendo minha parte. Eu estou em Cristo. Cristo está em mim”. Lembre-se de que o Pai será para você o que você confessa que Ele é. Se a oração não for atendida, mantenha sua confissão. Se o Nome de Jesus não trouxer libertação instantânea, mantenha sua confissão. Se o dinheiro não chegar, mantenha sua confissão. Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas. — Lucas 1:37 Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei. — Isaías 55:11 Há o risco de orar e depois voltar atrás na sua oração. Quando você ora por alguma necessidade e declara que a necessidade não foi atendida, você negou a validade da oração. Mas a oração é respondida, a Palavra é verdadeira. Não anule a Palavra por meio de uma confissão negativa: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e eu te ajudo, eu te sustento com a destra da minha justiça” (Isaías 41:10). Reivindicando o Que é Seu Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem. — Hebreus 11:1 Fé é considerar a oração respondida antes do Pai agir. Jesus disse: “Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Marcos 11:24). Isso não é uma promessa, é uma afirmação. Essa é a escritura de posse das coisas pedidas em oração. A fé é a nossa carta de direitos. Quando você nasce de novo, você entra na Nova Aliança; você passa a fazer parte dessa Nova Aliança tornando-se um membro dela, e tudo o que foi comprado nessa redenção é seu, e você está livre de tudo aquilo de que foi redimido. Sua redenção o liberta do domínio do pecado, da autoridade do pecado, da culpa do pecado e da impureza do pecado. Você está livre disso. Você está livre de tudo. Essa redenção libertou você. Você não apenas está livre, como possui toda a Sua redenção comprada para você. Você tem direito a tudo que a redenção levou, mas quando você vai entender isso? Somos livres, redimidos, no entanto ficamos sentados no meio-fio diante da mansão que herdamos, e clamamos por fé e sabedoria para entrarmos pela porta que está aberta. Sem que nos déssemos conta, nosso ministério nos paralisou, de modo que somos incapazes de nos levantar e de tomar o que nos pertence. Entretanto, em Colossenses 1:12, a versão de Rotherham traduz deste modo: “Graças sejam dadas a Deus que nos tornou aceitáveis para a nossa parte da herança dos santos em vida” (tradução livre). Ele nos tornou aceitáveis para desfrutarmos todas as nossas riquezas, para desfrutarmos nossa libertação perfeita, e nos tornou aceitáveis para andarmos na plenitude da nossa redenção em Cristo. Não há espaço para fraqueza; não há razão para fracasso. Não temos o direito de ser vencidos e desonrados. Todo o plano e o esquema do coração de Pai de Deus é que andássemos na plenitude da vida divina. Quando Ele diz: “Somos completos nele” (ver Colossenses 2:10), Ele está falando sério. Isto é, na plenitude desta vida, nos nossos direitos estabelecidos. Satanás não tem absolutamente nenhum domínio sobre nós. Fomos trasladados da autoridade das trevas e transportados para o Reino do Filho do Seu amor, em quem temos nossa redenção completa agora. Como o desonramos quando somos fracos, vacilantes e hesitantes! Não devemos ter dúvidas, assim como não devemos nos envolver com o crime. Não temos mais o direito de ter dúvidas tanto quanto não temos o direito de nos envolver com narcóticos. As dúvidas são do diabo, e honrar as dúvidas é honrar Satanás; honrar a incredulidade é desonrar a Deus. Devemos pensar em termos de fé, usar a linguagem da fé, andar na dimensão da fé, e nos recusarmos a andar de qualquer outra maneira. Somos filhos de Deus e devemos andar como o Filho primogênito andou quando caminhou sobre a terra. Levamos no nosso corpo o poder de ressurreição de Jesus; a vida de Jesus. Temos em nossos corpos o grande e poderoso Espírito Santo. Ele faz do nosso corpo o Seu templo. Nós temos todo o poder que existe. E nós o temos agora. Você tem Jesus? Você diz: “Sim”. Bem, se você tem Jesus, você tem tudo. Use seus direitos e seus privilégios. Deixe Jesus Cristo ser grande em você. Conte com Ele em vez de contar com a fraqueza. Conte com Ele em vez de contar com as circunstâncias. Descanse e assuma seu lugar nele. Dê a Ele lugar na sua vida. Faça isso agora, e diga ao seu coração: “Sou mais que vencedor. Sou mais que vitorioso; sou identificado com o próprio Filho de Deus; Ele é identificado comigo”. Agora, viva e deixe que Ele viva em você. RESUMO Veremos agora um dos maiores dramas da graça divina. Devemos aceitar o desafio do amor e usar a habilidade do Pai na nossa caminhada diária. Este tema é um desafio para o leitor. É aqui que você deve contar suas riquezas em Cristo. Você vai adicioná-las ao método divino de somar de Deus, então seu coração sussurrará: “Era isso que eu estava buscando. Isso é o que tenho desejado, mas não sei como recebê-lo”. Você pode viver de agora em diante na terra de maravilhas do sobrenatural com Deus e conhecerá a realidade da vida do ramo e da videira, experimentará o relacionamento de um filho com o Deus Pai e entenderá que sabedoria e capacidade pertencem a você em Cristo. Você está na dimensão da vida na sua plenitude. CAPÍTULO 23 NOSSA RESPOSTA À CAPACIDADE DE DEUS S erá que a Igreja moderna está na sua melhor forma, como uma verdadeira representante da Igreja de que Paulo falou nas suas epístolas? Estamos andando na plenitude do nosso privilégio? O mundo está recebendo de nós os benefícios da vida divina que deveriam pertencer a ele? Este é um estudo sobre “o que possuímos em Cristo”, o que realmente nos pertence nesta vida divina. Deus planejou que a Igreja fosse composta de super- homens e super-mulheres que vencessem a doença e a enfermidade, que governassem as circunstâncias, que transformassem fraqueza em força, fracasso em sucesso, e pegassem as coisas fracas deste mundo e confundissem as poderosas. Vamos dar uma olhada na nossa herança em Cristo: “Da sua plenitude temos recebido, e graça sobre graça” (João 1:16). O que é a Sua plenitude? É completude. Nele está tudo o que a humanidade necessita. Ele representa todos os desejos do coração do Pai para a humanidade. Ele é o banco de onde o coração do homem pode sacar para estar completo, pois “Da sua plenitude temos recebido”. E nós não recebemos parte. Mas cada um de nós recebeu a Sua plenitude. Há plenitude de amor para nos erguermos acima do egoísmo e “não buscarmos os próprios interesses”. Há tamanha plenitude de amor que não podemos falhar, porque o amor nunca falha. Há o amor que levou Jesus a nos salvar, é o amor que adquire o domínio até que clamamos com Paulo em 2 Coríntios 5:14-15: “Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que poreles morreu e ressuscitou”. Há não apenas a Sua plenitude de amor, como há uma plenitude de liberdade na obra redentora de Cristo, para que nenhum cristão necessite viver com limitação ou cativo dos sentidos, uma vez que vive na plenitude da liberdade de Cristo, a plenitude da Sua redenção completa e perfeita: “No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Efésios 1:7). Essa redenção é ilimitada e é nossa, não como uma teoria, ou como uma excelente doutrina sobre a qual podemos discutir, mas como uma realidade viva, doce e bela para a vida diária. “Da sua plenitude” de descanso, tranquilidade e segurança temos recebido. Conheça a mãe da fé. É aqui que a vida divina conduz ao próprio coração do Filho de Deus e descansa na Sua quietude. Acompanhe o Mestre desde o momento da prisão até a morte na cruz. Não há excitação, não há inquietação, não há impaciência. Ele é o senhor absoluto das circunstâncias que cercam a crucificação. Da Sua quietude todos nós temos recebido: “O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre” (Isaías 32:17). Há uma abundância, uma plenitude total nessa tranquilidade que deriva da justiça. O Senhor se tornou a nossa justiça, e Ele, da Sua Justiça, da Sua tranquilidade, da Sua supremacia, sobre tudo que é antagônico ao nosso coração, nos trouxe tranquilidade. Descansamos no Seu descanso. O Salmo 37:3-7 nos dá uma imagem da quietude e da tranquilidade. “Confia no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade”. O coração não está mais se alimentando do fracasso e da fraqueza, mas está se deleitando em Jeová e encontrando seu desejo. Tudo foi entregue a Ele; tudo é confiado às Suas mãos. Agora, dessa confiança flui o descanso tranquilo. Não há mais aflição ou irritação. Estamos descansando, pois Sua plenitude é a nossa plenitude. A completude de Jesus é a nossa completude: “E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Efésios 1:22- 23). Todo o poder foi colocado debaixo dos Seus pés. Nós somos Seu corpo. Nós somos Seus pés. O domínio de Satanás foi quebrado. Fomos colocados no lugar de domínio. Isso não foi resultado de termos lutado e orado. Nós herdamos isso. Sua completude é a plenitude da vitória. Todas as coisas estão debaixo dos Seus pés. Ele deu Cristo para ser o Cabeça sobre todas as coisas. Estamos sentados com Ele nas regiões celestiais: “e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Efésios 2:6). Estamos sentados ali na mente do Pai. Toda autoridade, domínio, doença, enfermidade e fracasso está debaixo dos nossos pés. Para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento. — Efésios 3:16-20 Isso está de acordo com a Sua plenitude. Você não é abençoado de acordo com a sua concepção, mas de acordo com as riquezas em glória de Deus. Você deve ser fortalecido com Sua força no homem interior, para que Cristo possa realmente adquirir o domínio, para que você possa estar arraigado e fundamentado em amor. Estar arraigado e fundamentado em amor é a consumação da vida. O que mais você poderia pedir? Você estará dando frutos de amor. Você terá a essência, a habilidade e o poder do amor. Você pode ver que Deus, sendo amor, quer dizer que você está arraigado e fundamentado nele, quando está arraigado e fundamentado no amor. Do Seu coração vem se derramando para dentro de você e através de você a graciosidade, a beleza e as riquezas do coração do Pai. A fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento... — vv. 18-19 A mente não pode ir além disso. A graça se inclina, nos toma pela mão e nos eleva à dimensão espiritual da Sua plenitude. Não temos consciência de nós mesmos, somos cheios de toda a plenitude de Deus. Sua natureza é amor e nós participamos dessa natureza. “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (v. 20). Como falar em ser fraco, em ser impotente, diante desse versículo? Compare qualquer testemunho atual sobre inutilidade com essa revelação da Sua plenitude. “Da Sua plenitude temos recebido”. Os próprios portões do céu estão abertos. Deus está derramando tamanha bênção que nossos corações não conseguem recebê-la, de modo que Ele precisa alargar nosso coração, assim como o homem mencionado em Lucas 12:16-21 ampliou seus celeiros a fim de ter lugar para armazenar seus grãos. Deus precisa alargar nosso coração para que possamos receber Sua plenitude e não nos rompermos. Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo. — Efésios 4:12-13 Ele tem como alvo nos aperfeiçoar. É tudo obra dele. É a operação do Espírito através da Sua Palavra. E o que devemos fazer? Nós nos rendemos a essa perfeição, a essa plenitude. Nós nos rendemos ao rio de saúde que flui das pisaduras, com cura, graça e força, até atingirmos a plenitude da fé e a plenitude do conhecimento, até que a própria plenitude de Jesus nos controle. Não há lugar para fraqueza nem para o fracasso, pois, de acordo com Filipenses 4:13: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Não somos mais cristãos limitados. Não estamos mais vivendo com a noção de cativeiro e fraqueza. Estamos inalando o ar da Sua plenitude. Não, não é isso. Estamos exalando o ar da Sua plenitude, pois a Sua plenitude está em nós. Em Gálatas 2:20, Paulo disse: “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim...”. O Cristo sem restrições, sem impedimentos, está vivendo Sua vida incrível em nós. “Porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Colossenses 1:19). Ele não é apenas um feixe de luz do Trono, Ele é a Luz. Aprouve ao Pai que cada um de nós participasse dessa plenitude. Colossenses 1:29 diz que Ele quer apresentar todo homem perfeito em Cristo: “Para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim”. Paulo reconheceu que era Deus quem estava operando dentro dele: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13). Não é uma realidade bela e chocante? Seu coração consegue capturá-la em toda a sua doce simplicidade. Colossenses 2:9-10 é o desafio final da palavra “plenitude”: “porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade”. Ele não tenta fazer com que você seja aperfeiçoado, Ele simplesmente o aperfeiçoou. E você descansa nisso; é verdade. Você é o que Ele diz que você é. O problema é: Vamos usar essa nossa habilidade? Aqui está a plenitude de Deus à nossa disposição. Ela é o fato mais extraordinário deste lado do céu. Estamos unidos com Deus em Cristo, uma união da vida na vida. Ele derramou Sua vida dentro de nós, e essa vida nos recriou, de modo que agora somos o que Ele diz que somos em Efésios 2:10: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus...”. Fomos criados para as boas obras, “...as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (v. 10). Quais são as Suas boas obras? Abrir a Palavra, conduzir os fracos e temerosos à sua herança? Ele preparou essa boa obra para nós. Descobrimosque por onde quer que os cristãos fossem, Deus ia com eles confirmando a Palavra com os sinais que se seguiam (ver Marcos 16:17). “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mateus 28:18), ou seja: A vocês Eu dou o direito de usarem o Meu Nome e o Meu poder nesta luta longa e amarga até que Eu venha. Ele disse: “E eis que estou convosco todos os dias” (v. 20), isto é, Ele está aqui para abençoar, fortalecer, dar poder e sabedoria, até que todo o nosso ser entre em ritmo com a Sua vontade. Ele não nos deixou sem autoridade. “Permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lucas 24:49). A palavra “poder” aqui significa habilidade. Os discípulos obedeceram e permaneceram, e essa habilidade veio. Então, eles saíram e a usaram para a glória de Deus e para a alegria dos homens. Ele não está mais nos pedindo para esperar. O tempo da espera terminou. Os dias de trabalhar estão sobre nós. Nosso chamado é para sermos cheios com o Seu poder, cheios da pessoa dele, tendo sobre nossos lábios as palavras dele. Assim como Jesus tinha as palavras do Pai nos Seus lábios e eles curavam os enfermos e ressuscitavam os mortos, do mesmo modo Ele nos diz para sairmos com Suas palavras em nossos lábios agora, pois Ele trabalhará conosco e confirmará a Palavra com os sinais que se seguirão. João 5:24 diz: “...quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna...”. Temos a vida eterna. João 6:47 diz: “...quem crê em mim tem a vida eterna”. A vida eterna é a natureza de Deus, essa natureza é nossa. Essa natureza não deve ser impedida de chegar a nós, para que ela produza em nós os mesmos resultados que produziu em Cristo na Sua caminhada terrena. “Amados, agora, somos filhos de Deus” (1 João 3:2). O mesmo Espírito poderoso que operava em Cristo está em nós. Somos um filho agora. Romanos 8:14-16 é absolutamente verdade e é real na nossa vida. Nós somos filhos e filhas de Deus por meio de um nascimento real do qual Jesus falou em João 3:3- 8. “Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo” (v. 7). Você nasceu do mesmo Espírito que concebeu Jesus. Você foi cheio com o mesmo Espírito que operou em Cristo e finalmente o ressuscitou dentre os mortos. Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita. — Romanos 8:11 Esse mesmo Espírito poderoso habita em você agora e talvez você nunca tenha dado crédito à Palavra. Você nunca a leu, a não ser através dos olhos da doutrina. O que seu credo e suas doutrinas ensinavam era o que governava você, em lugar da Palavra de Deus. Está se aproximando o desafio de você ser maior que suas doutrinas. Use a habilidade de Deus agora e permita que a habilidade de Deus o use. A vida dele e a sua vida estão mescladas em uma única vida. Você recebeu a natureza dele. Deixe que essa natureza domine você agora. Lembre-se de que “segundo ele é, também nós somos neste mundo” (1 João 4:17), isso nos diz que Ele é o amado; você é um amado. Ele é o forte. Você é forte com a força dele. Ele é o vencedor; você também é. E quem é aquele que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? — 1 João 5:5 Você nasceu de Deus, portanto é um vencedor e vitorioso. Você vai usar a habilidade de Deus para abençoar a humanidade e não vai mais falar sobre doença. “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?” (Salmos 27:1). Ele é a sua luz. Ele lança luz sobre seu caminho. “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos” (Salmos 119:105). Ele é a sua salvação; isso é libertação e redenção. Você foi redimido. Essa redenção não é uma teoria nem uma doutrina, nem um artigo do seu credo. Ela é um dos fatos da Palavra de Deus. Você foi redimido. Deus é a fortaleza da sua vida. Você não precisa de força física, não precisa da força do homem. Você tem a força de Deus. Você não precisa da plenitude, da sabedoria ou do conhecimento do homem porque você tem o conhecimento de Deus. Do mesmo modo, você não precisa da habilidade do homem; você tem a habilidade de Deus. Isso nos eleva à dimensão do sobrenatural, nos coloca ao lado do Homem da Galileia, que é o lugar ao qual pertencemos. “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mateus 28:18). Ele nos envia com autoridade e habilidade para cancelar e realizar coisas para o nosso bem e para o bem da humanidade. Vamos olhar para este super-homem que está em Cristo, o homem que assumiu o lugar de Jesus e está agindo no lugar dele. Este super-homem tem a vida de Deus e tem o Nome de Jesus. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. — Filipenses 2:9-11 Esse Nome restaura ao homem a autoridade de Adão que foi perdida. Todo filho de Deus tem o direito legal de usá-lo. Essa é a habilidade de Deus. Todo filho de Deus pode ter Deus dentro dele se desejar. Tudo que você tem a fazer é seguir Lucas 11:13: “...quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”. Você pede a Ele o Espírito Santo. Ele não pode fazer muito em nós até que Ele habite em nós. Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. — Filipenses 2:13 Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. — 1 João 4:4 Isso coloca você no topo de todas as coisas. Isso faz de você um senhor, um vencedor na velha batalha da vida. Você não apenas tem Deus no seu interior, como Romanos 8:31 declara que Deus está a seu favor: “...Se Deus é por nós, quem pode ser contra nós?”. Você tem Deus por você. Ele está do seu lado. Você não está só. O que Ele disse a Josafá em 2 Crônicas 20:17, Ele diz a você: “Neste encontro, não tereis de pelejar; tomai posição, ficai parados e vede o salvamento que o Senhor vos dará”. Você não apenas tem Deus com você e por você, como você está entre os próprios filhos de Deus. Você tem o direito de entrar e sair da presença do seu Deus e Pai. Você é por natureza herdeiro de Deus e coerdeiro com Cristo. Você não é um escravo. Você não é um homem contratado. Você tem o direito legal na vida de oração. Para você a oração não se baseia mais em sofrimento nem em piedade, mas na Palavra de Deus. Você é legalmente um filho, um embaixador. Você recebeu o direito legal de usar o Nome de Jesus na sua vida de oração. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e vos será feito. — João 15:7 Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa. — João 16:24 Ele lhe deu a procuração para usar Seu Nome. Esse Nome está acima de todo nome. Você tem liberdade e assume seus direitos em Cristo e faz o diabo ter medo das palavras de Deus nos seus lábios. A doença não pode resistir à presença desse Nome nos seus lábios. O céu honra esse Nome nos seus lábios. O céu o respalda. A doença e a enfermidade cedem seus direitos ao Nome. As leis da natureza se rendem a esse Nome nos seus lábios. As circunstâncias se tornam servas dele, os demônios obedecem a ele. Vá e use esse Nome poderoso. Lembre-se de 1 João 4:4: “vós sois de Deus”. Assim como Lord Nelson² dizia ao seu exército: “Vocês são da Inglaterra”, do mesmo modo a Palavra está lhe dizendo hoje: “Você é de Deus”. RESUMO O fator “em Cristo” é o aspecto vital do plano da redenção; ele está sempre no tempo presente. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2 Coríntios 5:17). O novo nascimento é um fato “em Cristo”. A justiça vem até nós “em Cristo”: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em CristoJesus” (Romanos 8:1). Quando nascemos de novo, nós entramos em Cristo. Essa é a vida da videira e dos ramos. Você é enxertado em Cristo. Você se torna parte de Cristo. Então a natureza dele flui através de você, a habilidade dele lhe pertence. Assim como o sangue flui pelo seu corpo, do mesmo modo a vida eterna flui através de você. Não podemos entender isso, assim como não entendemos a circulação do sangue no corpo. É “Em quem temos a nossa redenção”. O domínio, o poder e a autoridade de Satanás sobre você estão quebrados “em Cristo”. Fomos abençoados com todas as bênçãos espirituais nele (ver Efésios 1:3). Entramos para a nova vida de unidade “nele”. “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens” (João 1:4). Eu estou “nele”. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da vida, e eu estou “nele”. ² Lord Horatio Nelson foi um oficial britânico da Marinha Real Britânica, famoso por suas intervenções nas Guerras Napoleônicas. Ganhou várias batalhas da qual se destaca a Batalha de Trafalgar, em 1805, durante a qual foi morto. (N. do T.) CAPÍTULO 24 ALGUNS FATOS SOBRE ESTAR “EM CRISTO” É muito importante que o cristão saiba a diferença entre o aspecto legal da redenção e o aspecto vital. O legal está sempre no tempo passado, é o que Deus fez por nós em Cristo. O legal começa na cruz e termina quando Cristo sentou-se à destra do Pai. O vital começa com o novo nascimento e termina quando deixarmos nossa habitação pessoal, o corpo, e encontrarmos com o Senhor. O vital é o que Ele está fazendo em mim hoje: pegando as coisas de Cristo e construindo-as dentro de mim. Começou quando eu aceitei Cristo como meu Salvador e o confessei como meu Senhor. O Espírito Santo me cobriu com Sua sombra e derramou no meu espírito a vida eterna, a natureza do Pai, e eu me tornei filho dele. Tudo o que Ele fez por mim pode ser feito em mim; Sua palavra se torna parte de mim. O Senhor abre Sua Palavra para mim e se revela nela. Ele começa a edificar a Palavra dentro do meu espírito à medida que eu a pratico, uma vez que passo a entender seu significado espiritual e me torno semelhante a Jesus. João 15:7-8 é uma boa ilustração: “Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos”. Agora observe o que isso significa. “Se permanecerdes em mim”: quando nasci de novo, eu entrei em Cristo. Esse é o aspecto vital da vida divina. Isso é ilustrado desta maneira: “Eu sou a videira, vós, os ramos” (João 15:5). O ramo está na videira, ele é parte da videira; então somos parte da videira. Agora, “as minhas palavras permanecerem em vós”. A Palavra vive em mim na medida em que eu a pratico. Meu espírito se alimenta da Palavra assim como meu corpo se alimenta de comida. Assim, à medida que eu medito na Palavra, eu permito que ela tenha livre curso em mim, me ensinando e me governando. Então, reconheço seu senhorio sobre mim, assim como eu reconheceria o senhorio do Mestre se Ele estivesse aqui na sala. Essa Palavra é parte do próprio Pai, e o Pai é amor. Então, permito que a Palavra viva através de mim enquanto o Espírito constrói a natureza de amor do Pai dentro de mim. Ele diz: “pedireis o que quiserdes” (João 15:7). Uma tradução diz: “Exigireis os vossos direitos”. Isso significa assumir meu lugar como filho. Eu sou um membro da família. Passei a reconhecer minha posição em Cristo, e estou trabalhando junto com Ele. Estou assumindo o lugar de Jesus na Sua ausência. Estou fazendo a vontade do Pai, assim como Jesus fez na Sua caminhada terrena. Não sou um escravo; sou um filho. Sou um filho de amor, e estou executando a vontade do meu Pai. Portanto, agora, tendo a Palavra estabelecida como parte de mim, passei a conhecer Sua vontade. Não estou preocupado em saber qual a vontade dele, eu a conheço. O fim desse versículo é incrível: “E vos será feito” (v. 7). Ou, como um tradutor afirma, “E vos será gerado”. A ideia é de dar à luz. Isso nascerá para você. Segundo a tradução de Miss Rabe: “Se vocês permanecerem em Mim e as Minhas palavras tiverem o seu lugar em vocês, vocês orarão ao Pai, e Ele criará, ou dará à luz aquilo, e o fará acontecer”. Porque você é um ramo da videira e você está dando os frutos de Deus. Você está dando à luz os atos que são inspirados por Deus Pai, os atos de amor, enquanto Ele está estabelecendo a Si mesmo dentro de você. No próximo versículo Ele diz: “Nisto é Meu Pai glorificado, em que deis muito fruto”. É algo maravilhoso dar o fruto dele. “As palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (João 6:63), ou seja, elas nasceram do espírito e possuem a vida de Deus. Nos lábios dos homens, recriam os homens. Essas palavras dão coragem ao cansado, dão fé ao que duvida, transformam o fraco em forte e têm em si o elemento que dá vitória aos homens depois de uma longa derrota. Vamos analisar uma passagem muito familiar, Colossenses 1:12-14, e observar esta versão: “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz” (v. 12, ACF). Veja bem, Ele colocou dentro de mim a própria capacidade, e agora Sua capacidade em mim me permite participar da minha porção daquilo que Cristo realizou na Sua substituição. Essa é a minha herança. Pode ser sabedoria, para que eu saiba como usar o conhecimento que adquiri através da Palavra. Pode ser paciência, para que eu possa ter alegria em uma situação difícil onde tudo é desagradável, e onde a amargura e o egoísmo correm desenfreados ao meu redor. Ou pode ser tolerância, para que eu seja como o Mestre com aqueles que são fracos e egoístas. Ou pode ser que eu precise de força no meu homem interior, para me manter firme no meu lugar na vida, para que eu possa viver como o Mestre viveria em meu lugar. Terei minha porção da herança dos santos na vida. Independentemente do quanto essa porção possa significar, ela me pertence. E talvez eu precise dela se eu entendo o próximo versículo: “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (v. 13). Poucos sabem que foram libertos da autoridade de Satanás. Não sabem que Satanás foi derrotado e que eles foram redimidos. Satanás não tem autoridade legal sobre eles, e eles têm direito legal à sua liberdade em Cristo. Eles não sabem que Satanás não tem domínio sobre eles agora, sem que consintam isso pessoalmente. Eles foram transportados para o Reino do Filho do Seu amor. Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (João 8:12). “Luz da vida” parece uma expressão estranha, mas a palavra “vida” é “zoe”, que significa a vida de Deus, “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 João 1:5). Fomos transportados para a dimensão da vida, isto é, estamos na dimensão de Deus. Você está no Amado. Você está nele. Você está na família de Deus. Como membro dessa família, você tem autoridade sobre as circunstâncias que o cercam. Paulo diz em Filipenses 4:11: Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Passei a reconhecer que meu Pai é maior que tudo e que cada necessidade minha é suprida. Ele é o Deus de toda capacidade, e Ele é o meu Pai. Agora Filipenses 4:13 se tornou parte da minha vida diária: “Tudo posso naquele que me fortalece”. É bem simples. Estou saindo da dimensão da fraqueza humana para a grande, enorme e imensa dimensão da vida. Agora, Colossenses 1:14 é sugestivo: “No qual temos a redenção, a remissão dos pecados”. Eu tenho a minha redenção. Satanás não tem domínio sobre mim. Eu a tenho; estou livre. Sou tão livre quanto Israel foi liberto do cativeiro do Egito quando o mar Vermelho desabou sobre seus antigos senhores. A ressurreição de Jesus Cristome libertou do meu antigo senhor e me tornou livre. Estou unido, ligado, e sou um com o meu Senhor que está assentado. Já não tenho mais uma vida de esforço e tentativas. Eu estou nisso porque Ele me colocou nisso: me tirou do cativeiro e me colocou na dimensão da liberdade. Reino como um rei por meio de Jesus Cristo, meu Senhor. Não presto atenção às coisas que anteriormente me enchiam de medo. Estou ocupado com meu Senhor. O Senhor é quem cuida de mim e quem provê meu pão, Ele é a fortaleza da minha vida. De quem, ou de quê, terei medo? Não tenho medo da doença, da enfermidade ou da velhice. O espírito humano que recebeu a natureza e a vida de Deus não tem idade. Não existem dias e anos para o espírito humano. Dias e anos pertencem à mortalidade, ao corpo. Recebemos vida eterna em nossos espíritos, e agora estamos andando na plenitude dessa vida. “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros” (1 João 1:7) e com Aquele que dá luz. Não estamos andando em trevas. Sabemos para onde estamos indo porque Ele se tornou a luz da nossa vida. Há uma tremenda realidade nessa união com Cristo que muda todo o nosso panorama. Nós passamos a estar conscientes da justiça. Nós nos tornamos a justiça de Deus em Cristo. É o fim da condenação e o começo da verdadeira comunhão. Começamos a descobrir nossos direitos e privilégios como Filhos de Deus e a dar frutos de justiça. Que vida maravilhosa é esta! Jesus foi o primeiro a dar os frutos de justiça. Então, quando fomos enxertados na videira, os ramos se tornaram aqueles que dão frutos de justiça. Somos os senhores do nosso antigo senhor de escravos, Satanás. Não temos medo de nada que ele possa fazer porque nosso Pai é maior do que tudo. E Jesus disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (João 14:23). Não tenho medo da pobreza ou da falta de qualquer espécie, porque Ele vive aqui comigo. Ele sabe o que tenho na carteira, sabe quais são minhas necessidades. Ele conhece as minhas contas. O próprio Pai me ama. Isso é lindo. Agora reconheço o que significa ter sido feito Justo com Sua Justiça. Então, sem condenação, entro na Sua presença a qualquer momento. Nunca penso sobre a fé. Sou como uma criança que está andando alegremente com seus pais e sabe que tudo que o pai tem pertence ao filho. Tudo que Jesus fez e é, pertence a você e a mim. A justiça nos dá posição diante do Pai. É o que realmente somos em Cristo, e não o que Ele está tentando nos fazer ou o que estamos tentando fazer de nós mesmos, mas o que somos pela nova criação. Alguns estão começando a ter consciência do Deus que habita dentro de cada um de nós. De fato, um dos dias mais incríveis da minha vida foi aquele em que passei a ter consciência Daquele que habita dentro de mim. Eu havia pedido a Ele para vir anos antes, e eu sabia que Ele estava ali. Mas eu não sabia como fazer uso dele. Então, lembrei-me de que o Mestre foi feito para mim justiça, sabedoria, santificação e redenção. Mas essas coisas não significavam nada para mim. Eu não podia usar a sabedoria, não podia me beneficiar da minha justiça, nem desfrutar da minha redenção. Porém, o véu foi removido. Eu vi as coisas como elas eram. A luz entrou e brilhou. Eu estava em Cristo. Tudo o que Ele é passou a pertencer a mim. O grande e poderoso Espírito, que ressuscitou Jesus dentre os mortos, estava em mim, para fazer da Palavra que tenho lido uma realidade viva. Chorei de alegria. Fiquei impactado. Ah, fiquei impactado e com uma alegria indizível. Ele estava em mim! E o Espírito Santo começou a pegar as coisas de Jesus e a torná-las reais para a consciência do meu espírito. Foi como abrir uma arca de tesouros atrás da outra. Vi as riquezas da Sua glória, da Sua graça. E tudo aquilo era meu. Eu não tinha de me esforçar para ter Sabedoria porque ela estava ali estocada. Agora eu tinha capacidade para lidar com cada emergência. Eu tinha força suficiente para qualquer coisa. Eu estava cheio das riquezas dele. Fui redimido, e sei como desfrutar minha liberdade. Eu era justo com a justiça dele, e comecei a entender o que essa justiça podia fazer por mim e me permitia fazer pelos outros. Ah, foram horas felizes, horas incríveis, horas tremendas em que a comunhão assumiu uma coloração tão rósea que a vida se tornou muito diferente. Minha vida estava escondida nele; a vida dele estava revelada em mim. Comecei a conhecer o segredo do Nome de Jesus. Jamais me esquecerei da primeira vez em que disse: “Em Nome de Jesus Cristo, você está curado”, e vi um homem que estivera cativo por anos se tornar perfeitamente livre, saltar e começar a dançar e a gritar de alegria. Eu finalmente descobri! Ninguém nunca ficou mais impactado quando descobriu ouro, do que eu quando descobri a capacidade do Nome de Jesus. Também não me esqueço da primeira vez em que usei Seu Nome com uma pessoa não salva, que me disse: “Senhor Kenyon, quero ser salvo, mas parece que simplesmente não consigo. Parece que estou preso”. Eu respondi: “Em Nome de Jesus, eu o liberto”. Esse homem está pregando o Evangelho agora porque eu o libertei com o Nome de Jesus. A autoridade estava no Nome. Quando eu me aproximo do Pai em Seu Nome, posso me aproximar do Trono a qualquer momento: “...tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (João 15:16). A Igreja Primitiva pregava o Nome e a Palavra. Nós nunca fizemos isso. Nós pregamos sobre o Nome e pregamos sobre a Palavra, e os homens escrevem livros sobre o Senhor. Essas coisas não significam muito para nós. É o Nome, nos lábios do amor, que quebra o poder do diabo sobre o ser humano derrotado. Então, agora, estamos passando para a dimensão da Vida, como filhos da liberdade. Na liberdade que Ele nos deu, estamos desfrutando nossos direitos e privilégios, e bradamos nossos louvores nesse Nome maravilhoso. RESUMO Esta é a verdade mais impactante de todas as verdades da redenção. Jesus atendeu às exigências da justiça; Ele atendeu às necessidades do homem na redenção, agora Ele deve atender às necessidades da nova criação. Entenda que Ele entrou no Santo dos Santos como o Sumo Sacerdote da nova criação. Quando Ele sentou-se, Seu primeiro ofício foi o de Mediador. Ele é o Sumo Sacerdote Mediador entre Deus e o homem, pois o homem natural não pode se aproximar de Deus. Jesus está entre o homem natural e Aquele que é Santo e está assentado sobre o Trono. Sua obra como Mediador é a obra de valor mais inestimável. É o que Ele está fazendo por nós agora, pois Ele vive para sempre para interceder pela nova criação. Tenho a consciência contínua de que existe Alguém que me amou o suficiente para morrer por mim e agora vive para orar por mim. Se por alguma razão minha oração não for eficaz, a oração dele supre a minha necessidade. Ele não apenas é o meu Intercessor, mas também, se eu tiver problemas e o inimigo tiver ascendência sobre mim, tenho um Advogado junto ao Pai. Ele é o Senhor Advogado a favor da nova criação. CAPÍTULO 25 O MINISTÉRIO DE JESUS NOS NOSSOS DIAS Q uando terminou Sua obra na redenção, Ele sentou-se à destra da Majestade nas alturas. Sua obra como Messias, Aquele que foi encarnado e que foi Membro da Aliança Abraâmica, estava concluída. Ele havia cumprido aquela Aliança. Suas leis, seus sacrifícios e seu sacerdócio terminaram aos olhos de Deus. Que período crucial na história de Israel foi aquele! Era o início de uma Nova Aliança no Seu sangue. Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda... Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer. — Hebreus 8:6-7, 13 A Nova Aliança tem um Sumo Sacerdote: Jesus Cristo. Ela tem sacrifícios: Jesus foi o maior deles, o SacrifícioEterno. Agora temos um sacrifício de louvor: “Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hebreus 13:15). O sacrifício da primeira Aliança era o sangue de animais. Ele era derramado ao redor da base do altar de bronze. Nossos sacrifícios são palavras nascidas do amor. A Velha Aliança era para escravos, a Nova Aliança é composta de filhos. A Velha Aliança deu a Jeová uma nação; a Nova Aliança dá ao Pai uma família. A Velha Aliança era encabeçada por Jeová. A Nova Aliança é encabeçada por Jesus, o Senhor desta Aliança. João 20:17 nos diz que Jesus apareceu de repente a Maria após a ressurreição. Quando Ele se revelou, ela clamou: “Raboni (que quer dizer Mestre)” (João 20:16), e caiu aos Seus pés. Jesus disse: “Não me toques, porque ainda não subi para o Pai”. Ele havia morrido como um Cordeiro e ressuscitou como o Sumo Sacerdote da Nova Aliança: “Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção” (Hebreus 9:12). Ele entrou no novo Santo dos Santos levando Seu sangue como o novo Sumo Sacerdote. Quando Seu sangue foi aceito, foi possível para Deus, com base legal, remir os pecados de todas as pessoas que aceitassem Cristo como Salvador e o confessassem como seu Senhor. Quando elas fizessem isso, receberiam vida eterna, o que faria delas novas criaturas. Hebreus 1:3 é um tributo a Jesus e se revela como um fato de grande importância: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”. Essa declaração é o clímax da obra consumada de Cristo. A obra havia sido concluída. Ele sentou-se, entrou no Seu descanso. Ele atendeu às exigências da justiça, supriu as necessidades da humanidade. Deus agora podia reivindicar todos os que viessem a Ele através de Cristo, como filhos e filhas, com base absolutamente legal: “...agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado” (Hebreus 9:26). O pecado não podia ser aniquilado pelo homem. Isso tinha de ser feito pelo próprio Deus: “Por isso mesmo, ele é o mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados” (Hebreus 9:15). Ele não apenas morreu pelos nossos pecados nos dando uma posição diante de Deus, como também estava lidando com o problema do pecado daqueles que estavam debaixo da primeira Aliança, para que eles pudessem receber a herança prometida. Jesus é o Mediador É importante agora que entendamos que Jesus é o Mediador da Nova Aliança. Jesus disse aos discípulos em João 14:6: “Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Pedro, pregando aos judeus em Atos 4:12, diz a eles: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. Esse Nome é Jesus: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos” (1 Timóteo 2:5-6). Como dói ouvir homens ignorantes dizendo que são bons o bastante para comparecerem diante de Deus independente deste Mediador. Não faz diferença o quanto você é religioso, ou quanto dinheiro você dá, ou o quão alto você prega, se você negar Jesus Cristo como o Mediador entre Deus e o homem, você está perdido. Cristo é a única maneira do homem se aproximar de Deus. O homem precisa ter vida eterna e não há como receber vida eterna a não ser através de Jesus Cristo, é o único Salvador do homem: “Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis” (1 Timóteo 4:10). O homem está espiritualmente morto, sem Deus e sem esperança. Ele só pode encontrar vida eterna através do Homem Jesus Cristo. Jesus é o Salvador Ninguém pode salvar a si mesmo: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2:8). E esse Salvador é o dom de Deus, com Ele vem a vida eterna. É muito importante que o coração entenda isto: Jesus é o Mediador entre o homem caído e Deus, quando o homem O aceita como tal, Ele se torna seu Salvador, transferindo a Ele a vida eterna, que o traz para a família de Deus. Jesus é o Intercessor Ele agora é o Intercessor do homem: “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25). Não faz diferença o quanto um problema possa parecer difícil, temos Alguém sentado à destra do Pai que vive para sempre para interceder por nós. Até onde sabemos, Ele nunca tirou férias. O amor fez dele nosso escravo. Ele é o Chefe dos escravos do amor. Jesus é a Nossa Justiça Outra verdade maravilhosa é que Jesus é a nossa justiça (ver 1 Coríntios 1:30). Quando nos sentimos indignos e inadequados para nos aproximarmos do Trono, temos um Intercessor Justo que vive para sempre para orar por nós. Essa certeza me impediu de me sentir desanimado muitas vezes durante meus anos de ministério. Passei a estar muito consciente do poder sustentador dos braços da Sua graça e da Sua Intercessão. Paulo disse: “[Jesus] me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gálatas 2:20). Ele teve um vislumbre da intercessão do amor à destra do Pai. Isso deve ter derretido seu coração. Não é de admirar que ele tenha se rendido tão completamente ao domínio do Mestre. O ministério do meu Senhor à destra da Majestade nas Alturas é a verdade de valor inestimável que o meu coração passou a conhecer. Jesus é o Nosso Advogado Ele não apenas é nosso Intercessor, como Ele é nosso Advogado. O Advogado da Nova Aliança é um belo título. Ele é o Procurador-Geral da família de Deus: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2:1). Há lágrimas nessa passagem bíblica, lágrimas misturadas com alegria. Ela é uma das coisas mais impactantes que foram escritas na Nova Aliança. Em um capítulo anterior você viu que quando uma pessoa sai da dimensão do amor para a dimensão do egoísmo, ela peca. Quando ela peca, ela quebra a comunhão. Mas isso não quer dizer que ela quebra o relacionamento. Os homens não podem fazer isso, somente Aquele que fez deles filhos pode quebrar esse relacionamento. Não precisamos nos preocupar em cometer o pecado imperdoável, acontece simplesmente que nos desviamos e satisfizemos as exigências de algum impulso egoísta, quebrando assim a nossa comunhão: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9). É muito importante entendermos que no instante em que saímos do amor entramos nas trevas, e nessas trevas não sabemos para onde ir, pois as trevas cegam os nossos olhos (ver 1 João 2:11). As trevas são a dimensão de Satanás. Somos filhos de Deus, mas o egoísmo nos seduz a deixar a dimensão do amor e a passar para a dimensão das trevas ou do egoísmo. Quando fazemos isso, perdemos o contato com o Pai. Perdemos a noção de justiça e precisamos de um Advogado Justo, alguém que possa entrar na presença do Pai, assumir nossa causa e restaurar a comunhão perdida. Não é maravilhoso que Ele seja chamado o Advogado Justo, que pode estar sempre na presença do Pai por aquele que erra? Não é que nunca erremos, mas é somente quando saímos do amor que erramos. Só existe um pecado real para o cristão: quebrar a lei do amor. “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor unsaos outros” (João 13:34-35). Esse não é apenas o crachá da nova criatura, como a lei da nova criação. O Pai espera que cumpramos essa lei tão fielmente quanto Israel guardava os Dez Mandamentos. Lembre-se de que eles adoravam os Dez Mandamentos. Eles podem nem sempre tê-los guardado, mas sempre tiveram consciência deles. Não seria lindo se nós, filhos e filhas de Deus, que cremos, estivéssemos sempre conscientes desse novo mandamento? Não faz diferença que pecado você cometa, esse pecado é afastar- se do amor. Se andarmos em amor, nunca pecaremos. Jesus é o Nosso Senhor Ele não apenas é o nosso grande Advogado, como também é nosso Senhor. Entramos para a família confessando Seu senhorio: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Romanos 10:9-10). Observe que entramos para a família confessando com nossos lábios o Senhorio deste Homem da nova criação. Ele é o Cabeça da nova criação. Ele é o primogênito dentre os mortos. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. — Filipenses 2:9-11 Quando você confessa Seu Senhorio, seu coração aceita o fato de que Ele se torna automaticamente a sua justiça. Ele não apenas se torna a sua justiça, como você se torna a justiça de Deus nele. Isso o coloca dentro da comunhão mais próxima possível com o Pai. Através do Filho, o Espírito Santo transferiu a você a vida eterna, a natureza do Pai. Agora você é um filho por natureza; você é um herdeiro de Deus, um coerdeiro com Jesus Cristo. Você pergunta: “O que significa esse Senhorio?”. Significa que Ele é seu Protetor, seu Pastor, Senhor da nova criação, Cuidador da nova criação. Salmos 23:1 o descreve: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará”. Você sabe que o Jeová da Velha Aliança é o Jesus da Nova Aliança. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Ele é o Senhor dos três tempos: passado, presente e futuro. O que Ele era ontem, Ele é hoje e o que Ele é hoje, Ele será amanhã. Como seu Mediador, Ele o colocou em uma união vital com o Pai. Como Intercessor, Ele vive para sempre para orar por você. Como seu Advogado, Ele o protege contra o inimigo. Como seu Senhor, Ele é a sua provisão para suprir cada uma das suas necessidades. Você pode dizer com Paulo: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação... tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:11, 13). “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir em Cristo Jesus, cada uma das vossas necessidades” (v. 19). A riqueza do céu é nossa. A riqueza do amor está à nossa disposição. Jesus nos deu instruções sobre isso no Sermão da Montanha: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33). O Reino ainda não tinha chegado. A justiça ainda não estava disponível. Eles ainda não haviam nascido de novo. Observe Romanos 10:11: “...Todo aquele que nele crê não será confundido”. Em outras palavras, todo aquele que nele crê não ficará perambulando distraidamente, procurando outro protetor, salvador ou senhor. De todas as promessas dadas na revelação paulina, para mim essa é a mais inestimável, a de que não seremos confundidos (ou envergonhados). Não existe poder suficiente em todo este mundo egoísta para cortar, lesionar ou impedir que um ramo dessa videira dê fruto. Podemos dizer que há grande paz naqueles que amam o Mestre. Nada pode escandalizá-los. Você pode descansar na segurança absoluta do Seu cuidado protetor. O Senhor não pode ignorar ou esquecer que você está ligado a Ele, assim como um ramo está ligado à videira. Jesus é o Fiador da Nova Aliança Mas este, com juramento, por aquele que lhe disse: O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre; por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de superior aliança. — Hebreus 7:21-22 Não conheço nenhum outro versículo que impacte mais o meu coração. Ele sentou-se à destra da Majestade nas Alturas, depois de concluir Sua obra, para se tornar o Mediador. Assim que encontramos Cristo como Salvador e recebemos vida eterna, Ele se torna o nosso Intercessor, e depois nosso Advogado. Ele é o nosso Senhor, e agora olhamos para Ele como o Fiador, o Avalista da Nova Aliança. O Trono está respaldando cada Palavra de Mateus a Apocalipse. Jesus, o Pai e o Espírito Santo respaldam o Trono. Agora nosso coração pode descansar no Seu amor. Quantas vezes sussurrei as palavras de Lucas 1:37: “Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas”. E também Isaías 55:11: “...assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei”. Sua palavra não pode ser quebrada, então descanso com uma certeza tranquila. “Que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos” (Gênesis 22:17). Assim como Jeová respaldava aquela primeira Aliança, Jesus está respaldando a Nova Aliança. Isaías 42:6 é uma declaração notável: “Eu, o Senhor, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios”. Setecentos e cinquenta anos antes de Jesus vir, Ele foi prometido para ser a Aliança. Ele se tornou o Cordeiro da Aliança, o Sacrifício da Aliança que Israel ofereceu sobre a cruz. Meu coração pode ver como Ele me ama, Ele morreu por mim e Ele vive para sempre para mim. Jesus é o Sumo Sacerdote O ministério de Sumo Sacerdote do Mestre à destra do Pai tem um valor inestimável. Jesus ofereceu o próprio sangue como a base da Nova Aliança. Ele é o grande Sumo Sacerdote que torna nossa adoração e nosso amor aceitáveis ao Pai. Nenhuma verdade na vida é mais impactante e inestimável que essa. Você pode ver agora que a obra de Cristo foi primeiramente por nós, como o Substituto do pecado; depois em nós, através da Palavra pelo Espírito Santo, inserindo a própria natureza da vida de Cristo no nosso interior, fazendo do homem interior um companheiro apto para o Mestre. Mas isso estaria incompleto se Ele não tivesse um ministério para os filhos de Deus agora. Assim, o mais vital de todos os ensinamentos é o ministério dado neste capítulo. Leia-o vez após vez até que seu coração o assimile e você saiba que Ele vive para sempre por você, que Ele o ama e o leva sobre Seus ombros diante do Pai: “E, juntamente com Ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Efésios 2:6). Seu Senhor está ali; seu Pai está ali; seu nome está inscrito ali e você está ali como membro desse novo Corpo do qual Cristo é o Cabeça. RESUMO Meu coração fica impactado enquanto vou de uma cena à outra com o Homem da cruz, da ressurreição e do Trono. Nós o vimos sentado à destra da Majestade nas Alturas após a conclusão da redenção eterna. Agora chegamos ao encerramento e lhe damos este capítulo final. De alguma maneira, nosso coração volta àqueles dias cruciais da grande Substituição e vemos estas palavras escritas com letras de luz: “Deus amou o mundo de tal maneira” (ver João 3:16). Se Ele amou o mundo que estava sendo mantido cativo pela natureza satânica, imagine como Ele deve amar aqueles a quem Ele redimiu e recriou; aqueles que receberam a Sua natureza, a Sua substância e o Seu ser. Ele agora os recriou e fez deles Seus filhos e Suas filhas. Se Ele os amou o suficiente para dar o Seu Filho como um Substituto enquanto eles ainda eram Seus inimigos, então, quem pode medir Seu amor por eles agora como filhos e filhas? Eles estão no Amado. Eles são parte dele. É a Sua alegria cuidar deles e consolá- los. O Senhoré amor e eles pertencem a Ele. Jesus disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (João 14:23). Posso ouvi-lo sussurrar: “Lance sobre Mim toda a sua ansiedade, porque Eu estou cuidando de você” (ver 1 Pedro 5:7). CAPÍTULO 26 O CUIDADO DO PAI N enhuma verdade é tão abrangente quanto este fato bendito: nosso Pai cuida de nós. Para Israel, Ele foi somente Elohim, El Shaddai e Jeová, e estava no Santo dos Santos. Ele exerceu um terrível juízo sobre os que quebraram a lei e desobedeceram. Eles não o conheciam como Pai, não o conheciam como o Amado. Eles tinham ordens de amar e obedecer a Ele ou sofrer as consequências. Então, nessa atmosfera dura e severa de justiça, Jesus veio, mas eles não conseguiram entendê-lo. Jesus falava sobre o Deus deles como Seu Pai. E falou sobre o amor do Pai, sobre o cuidado do Pai pelos Seus. Ele os deixou perplexos. Se tivesse vindo com uma mensagem como a de João Batista, ordenando que eles se arrependessem, chamando-os de nomes duros que eles tinham de reconhecer que eram verdade, talvez teriam entendido. Quando Ele apresentou um Deus Pai, de amor, palavras caíram sobre ouvidos indiferentes. Observe os versículos a seguir e você admitirá que nós, como filhos e filhas de Deus Pai, nunca vimos esse lado cheio de amor. Naquele dia, nada me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. — João 16:23 Porque o próprio Pai vos ama. — João 16:27 Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais. Portanto, vós orareis assim: Pai nosso... — Mateus 6:8-9 Observe a imensa ternura dessas palavras e mais estas: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?” (v. 26). As pessoas da Velha Aliança nunca entenderam isso, pois era completamente novo. E ainda é novo para a maioria dos membros das nossas igrejas hoje, uma vez que fomos ensinados a temer e a se acovardar diante de um Deus de justiça. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: ‘Que comeremos? Que beberemos?’. Ou: ‘Com que nos vestiremos?’. Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã. — vv. 30-34 Não tenha preocupações, nem se aflija ou fique ansioso. O seu Pai celestial sabe que você precisa de várias coisas. Se Ele é o seu Pai, você pode ter certeza de que Ele tomará o lugar de um Pai e fará o papel de um Pai. Você pode ter certeza de que se Ele é o seu Pai, Ele ama você e cuidará de você. “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (João 14:23). Essa é uma revelação da atitude do Pai para com Seus filhos. “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (v. 21). Duas coisas são sugeridas aqui: “Aquele que tem os meus mandamentos”. Os mandamentos dele são que amemos uns aos outros, assim como Ele nos amou (ver João 15:12). O segundo fato é este: “será amado por meu Pai”. Se você anda em amor, você anda na dimensão de Deus. O grande Deus Pai é um Pai de amor. Sua natureza o move a cuidar de nós e a nos proteger e a nos guardar. Nossa relação como filhos e filhas é um desafio ao Seu amor. Nós temos a mesma relação com Ele que Jesus tinha quando andou pela terra. “Eu sou a videira, e meu Pai é o agricultor” (v. 1). O Pai é o agricultor, o cuidador, o protetor, o escudo, o provedor, o treinador e o educador. Assim como se direcionam os ramos de uma videira, do mesmo modo Ele direciona os ramos do Corpo de Cristo. Ele é amor, e quando Ele nos diz para andarmos em amor, isso significa andar nele: “eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim” (João 17:23). Deus estava com o Mestre: “...não estou só, porque o Pai está comigo” (João 16:32). O que Jesus disse sobre a relação do Pai com Ele é verdade com relação à atitude e à relação dele com você e comigo: “Porque o próprio Pai vos ama, visto que me tendes amado e tendes crido que eu vim da parte de Deus” (v. 27). Nada poderia ser mais forte, ou mais consolador, que o próprio Pai conheça você, ame você e anseie por abençoá-lo. Esses versículos nos pertencem. “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5:7). Essa é a mensagem do Pai para o seu coração. Ele quer que você pare com a preocupação, o medo e a dúvida e se entregue aos Seus cuidados e ao Seu amor. “Não andeis ansiosos de coisa alguma” (Filipenses 4:6). Seu Pai celestial quer andar com você como Ele andava com Jesus quando estava aqui na terra. “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13). Você não pode fazer nada. Você pode chegar a um ponto em que não tem medo das circunstâncias mais desagradáveis, porque o Pai está ao seu lado. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8:31). O amor do Pai o move a cuidar de nós. Quando você passar a conhecer o Seu amor e a andar livre nesse amor, todas as dúvidas e medos serão destruídos. O amor do Pai por você não tem valor algum se não for conhecido. Se for conhecido e você não agir com base nele, ele não terá nenhum valor. É quando agimos com base na verdade que nosso coração recebe dividendos. Você precisa aprender a confiar nele com todo o seu coração e parar de se apoiar no próprio entendimento. Você precisa sair da dimensão do conhecimento que vem dos sentidos e entrar na dimensão do espírito. Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece- o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. — Provérbios 3:5-6 O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei? — Salmos 27:1 Ele é a sua luz. Ele é a sua libertação. Ele é a fortaleza da sua vida. Não há nada a temer. O que o homem pode fazer ao homem a quem Deus ama e protege? Satanás soube disso quando disse: “Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem [de modo que não posso alcançá-lo]?” (Jó 1:10, grifo nosso). O Pai constrói uma sebe, isto é, uma cerca ao redor daqueles que o amam e que andam com Ele. “Pois em ti está o manancial da vida; na tua luz, vemos a luz” (Salmos 36:9). Deus é a fonte de vida, de força. Ele é a sua fonte, é a sua luz. Nessa luz você vê a Sua vontade e passa a conhecê-la. Estas são as mensagens do Pai para você: O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra... Temei o Senhor , vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem. Os leõezinhos sofrem necessidade e passam fome, porém aos que buscam o Senhor bem nenhum lhes faltará. — Salmos 34:7, 9-10 Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se abala, firme para sempre. Como em redor de Jerusalém estão os montes, assim o Senhor , em derredor do seu povo, desde agora e para sempre. — Salmos 125:1-2 “Mas agora”, assim diz o Senhor , que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: “Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti”. — Isaías 43:1-2 Este é o seu Pai falando. Ouça-o sussurrar novamente (e não existe mensagem mais doce): “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço,e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Isaías 41:10). Observe que Ele lhe diz: “Não temas, porque eu sou contigo”. No versículo anterior, Ele disse: “eu te escolhi e não te rejeitei” (v. 9). Como o coração dele procura por nós! Ele não quer que temamos mais, pois o Criador está conosco. “Não te assombres”, ou seja, não tenha medo de nada. Não há quem possa vencer você. Ele está cuidando de você e suprirá suas necessidades. “O meu Deus, segundo sua riqueza em glória, há de suprir em Cristo Jesus, cada uma das vossas necessidades” (Filipenses 4:19). Isso não é religião ou pregação, e sim uma verdade viva do coração do Pai para você. “Não te assombres porque eu sou o teu Deus”. Ele sabe quem Ele é. Sabe que Ele criou o universo pela palavra do Seu poder. Ele conhece a Sua capacidade. Ele sabe que pode vencer seus inimigos e vencer as circunstâncias que cercam sua vida. “Eu te fortaleço”. Essa é a força e a habilidade de Deus para você. Não é de admirar que Paulo, falando desse mesmo assunto em 2 Coríntios 3:5-6, tenha dito: “...a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança...”. A habilidade de Deus se torna a sua habilidade. “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13). É o nosso Pai energizando a sua mente, suplementando a sua fraqueza com a força dele. “Para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior” (Efésios 3:16). A capacidade de Deus está em você. “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (v. 20). O cuidado do Pai é o dom mais precioso que o céu já nos deu desde que adquirimos a filiação. O Pai está cuidando de nós. Ele está tomando conta, ouvindo nosso clamor. Ele é o Ajudador. O que mais podemos pedir se Ele está nos sustentando com a destra da Sua justiça? Essa destra é Jesus. Ele está nos sustentando com Jesus, com a Sua vida e a Sua força. “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6:19). Deus entra no nosso corpo, faz dele a Sua casa, habita nele para que Ele possa falar através da nossa voz, pensar através da nossa mente, amar através do nosso coração, tornar-se absolutamente um conosco, envolvendo a nossa fraqueza com Sua força. Ele absorve nossa ineficácia com Sua suficiência. Nossos privilégios não podem ser avaliados. A habitação do Espírito em nós é o fato mais incrível da experiência humana. Não existe uma passagem que descreva a atitude de amor do Pai e de Jesus para conosco mais lindamente do que Salmos 23:1: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará”. Isso é a satisfação perfeita, é encontrar o máximo da vida: “Nada me faltará”. Está além da nossa compreensão. Está na dimensão do espírito. “Ele me faz repousar em pastos verdejantes” (v. 2). É onde a vegetação atraente e a grama tenra cobrem o chão. Não é necessário esforço aqui para ter o suficiente. Ele não apenas me leva a pastos verdejantes, como me leva para junto das águas de tranquilidade suave. Água e alimento são os pilares que sustentam a vida. Ele me faz deitar e descansar em segurança e tranquilidade nos pastos da abundância. Perto de mim há um córrego borbulhante. Suas águas vivas atendem ao clamor do meu coração. Tenho água. Tenho alimento. Tenho proteção. Tenho abrigo. Tenho Seu cuidado. Este é o Pai. Quando estou assustado e cheio de medo, todo o meu ser é convulsionado em agonia, então Ele “refrigera a minha alma”. O Senhor me mantém tranquilo e me faz ficar bem outra vez. Ele espanta meus medos e minhas ansiedades. Ele me abraça contra Seu peito e sopra dentro de mim a Sua coragem e a Sua fé. Meu coração ri dos meus inimigos. Porque Ele me guia pelas veredas da graça, para a dimensão da justiça, onde fico na Sua presença como se o pecado nunca tivesse existido, onde salto e brinco na sala do Trono da graça sem nenhum único pensamento de medo ou pavor. Meu Pai é Aquele que está no Trono. Ele pode ser o juiz do mundo. Ele pode ser o Deus para o pecador, mas Ele é o meu Pai. Ele me ama e cuida de mim. “Pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas” (Mateus 6:32). Essa palavra ecoa na minha alma. Eu a emoldurei e a pendurei no fundo da memória para me lembrar a cada manhã que meu Pai está cuidando de mim. Mas não será tão perfeito a não ser que leiamos João 10:29: “Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo”. Nós nunca consideramos esse fato do Pai. Ele está vindo à frente para suprir as necessidades do coração nesse período obscuro de sofrimento humano. O Deus que está sobre o Trono é o seu Pai. Aquele a quem você temia e adorava de longe é o seu Pai. Ele está pedindo que você se aproxime do Seu trono de presentes de amor para que possa derramar sobre você as riquezas do Seu amor e da Sua graça para suprir cada uma das suas necessidades. “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4:16). E AGORA? O que este livro fez por você? Um dos leitores do original disse: “Este livro deveria ser lido pelos líderes da nossa nação”. O que você me diz? O que você vai fazer daqui para frente com essas informações? Providencie para que seus amigos tenham um exemplar. Seja um ramo que dá fruto! Cover Page O que Aconteceu da Cruz ao Trono Ficha Técnica Palavra do Editor Introdução Capítulo 1 - A Batalha pela Fé Capítulo 2 - Estabelecidos em Justiça Capítulo 3 - A Encarnação Capítulo 4 - O Que Aconteceu Durante a Caminhada Terrena de Jesus? Capítulo 5 - O Que Aconteceu no Jardim? Capítulo 6 - O Que Aconteceu no Julgamento? Capítulo 7 - O Que Aconteceu na Cruz? Capítulo 8 - O Que Aconteceu Quando o Véu foi Rasgado? Capítulo 9 - O Que Aconteceu Durante os Três Dias e as Três Noites? Capítulo 10 - O Que Aconteceu na Ressurreição? Capítulo 11 - O Que Aconteceu Durante os Quarenta Dias? Capítulo 12 - O Que Aconteceu Quando Ele Entrou Com Seu Sangue? Capítulo 13 - O Que Aconteceu no Cenáculo? Capítulo 14 - O Que Satanás Viu no Dia de Pentecostes? Capítulo 15 - O Que a Nova Criação Significou no Céu? Capítulo 16 - O Que Estava Disponível ao Homem? Capítulo 17 - Por que os Tempos nos Castigam? Capítulo 18 - O Jesus dos Quatro Evangelhos Capítulo 19 - Os Três Homens de Paulo Capítulo 20 - A Igreja Está Debaixo da Lei Mosaica? Capítulo 21 - Alguns Fatos Sobre o Livro de Atos Capítulo 22 - Nossa Confissão Capítulo 23 - Resposta à Capacidade de Deus Capítulo 24 - Alguns Fatos Sobre Estar “em Cristo” Capítulo 25 - O Ministério de Jesus nos Nossos Dias Capítulo 26 - O Cuidado do Pai E Agora?