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1 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL COLINÉRGICOS • Fármacos que agem na sinapse colinérgica. • SINAPSE COLINÉRGICA: sinapse na qual o neurotransmissor principal é a Acetilcolina (Ach). Na divisão simpática, a acetilcolina transmite o impulso nervoso do neurônio pré-ganglionar para o pós-ganglionar. Na divisão parassimpática, a acetilcolina além de transmitir do neurônio pré para o pós-ganglionar, também transmite o impulso nervoso do neurônio pós- ganglionar para a célula efetora. • NEURÔNIO COLINÉRGICO: capaz de produzir acetilcolina. A acetilcolina é produzida a partir da junção da Colina (que vem do transportador de membrana) com a Acetil CoA (produzida no metabolismo da glicose). A acetilcolina é então armazenada em vesícula até que o neurônio colinérgico receba um impulso nervoso – uma despolarização de membrana –, que seja capaz de fundir essa vesícula com a membrana sináptica e assim liberar a ACh – exocitose. • A acetilcolina tem diversos destinos, pode se ligar no seu receptor pós sináptico que pode ser pós ganglionar ou na célula efetora. • Um outro destino da Ach é ser degradada pela acetilcolinesterase, produzindo colina e acetato (isso acontece na fenda sináptica ou se a acetilcolina ficar solta no neurônio e não entrar nas vesículas). A colina pode então retornar para ser substrato de uma nova acetilcolina. • Os receptores pós sinápticos podem ser muscarínicos ou nicotínico. MUSCARÍNICOS: são metabotrópicos, induzem o metabolismo, ativam uma via intracelular que culmina na ativação de diversos componentes, acoplados à proteína G. M1: tecido gástrico e gânglios autonômico M2: músculo cardíaco. M3: bexiga, olhos, glândulas. M4: SNC. M5: SNC. Farmacologia Colinérgica 2 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL NICOTÍNICO: canais iônicos. Nm: neurônio-músculo, placa motora Nn: neurônio-neurônio, ganglionar. ÓRGÃO SIMPÁTICO RECEPTOR PARASSIMPÁTICO RECEPTOR Coração Nó AS Músculo atrial Nó AV Músculo ventricular Frequência ↑ Força ↑ Automaticidade ↑ Automaticidade ↑ Força ↑ 𝛽1 𝛽1 𝛽1 𝛽1 𝛽1 Frequência ↓ Força ↓ Velocidade de condução ↓ Bloqueio AV M2 M2 M2 Vasos sanguíneos Arteríolas Coronária Músculo esquelético Vísceras Pele Cérebro Tecido erétil Glândula salivar Veias Contração Relaxamento Contração Contração Contração Contração Contração Contração Relaxamento 𝛼1 𝛽2 𝛼1 𝛼1 𝛼1 𝛼1 𝛼1 𝛼1 𝛽2 Relaxamento Relaxamento M3 M3 M3 Vísceras Células musculares lisas bronquiolares Glândulas TGI Músculo liso Esfíncteres Glândulas Útero Relaxamento Motilidade ↓ Contração Contração Relaxamento 𝛽2 𝛽2, 𝛼2 𝛼1 𝛼1 𝛽2 Contração Secreção Motilidade ↑ Relaxamento Secreção Secreção de ácido gástrico Variável M3 M3 M3 M3 M3 M1 Pele Pilomotor Contração (piloereção) 𝛼1 Glândulas salivares Secreção 𝛼1, 𝛽1 Secreção M3 Glândulas lacrimais Secreção M3 Rim Lançamento de renina 𝛽1 Fígado Glicogenólise Gliconeogênese 𝛽2, 𝛼1 𝛽2, 𝛼1 Gordura Lipólise 𝛽3 EFEITOS FARMACOLÓGICOS DOS AGONISTAS COLINÉRGICOS SISTEMA CARDIOVASCULAR • Efeito inotrópico negativo (↓ força de contração cardíaca – M2); • Efeito cronotrópico negativo (↓ frequência cardíaca – M2); • Efeito dromotrópico negativo (↓ taxa condução-nódulos sinoatrial, atrioventricular) – M2; • Vasodilatação (todos os leitos vasculares – M3). SISTEMA GASTROINTESTINAL • Contração do músculo liso do TGI (M2 e M3); • Estimulação da secreção ácida (M1). SISTEMA GENITOURINÁRIO • Contração do músculo detrusor da bexiga urinária (facilita o esvaziamento); • Relaxamento dos músculos trígono e esfíncteres; • Contração do músculo liso do epidídimo, ducto deferente, vesícula seminal e próstata; • Contração do miométrio; 3 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL • Envolvimento na proliferação celular da próstata e céls. De Sertoli e secreção da próstata e epidídimo. SISTEMA NERVOSO CENTRAL • Regulação de funções cognitivas (memória e aprendizagem), comportamental, sensorial e motora. • Transmissão colinérgica tem importância em várias patologias como Alzheimer, Parkinson, esquizofrenia, depressão, entre outras. Alzheimer: agonistas M1 estão em estudo – cevimelina, milamelina, talsclidina, sabcomelina, xanomelina. OUTROS EFEITOS • Pulmão → Broncoconstrição e ↑ da secreção traqueobrônquica. • Glândulas → ↑ da secreção salivar, sudorípara e lacrimal. • Olho → contração dos músculos circular e ciliar da íris (acomodação visual). DIVISÃO DA FARMACOLOGIA COLINÉRGICA • Atuam em receptores muscarínicos → agonistas muscarínicos e antagonistas muscarínicos. • Atuam nos gânglios → estimulantes ganglionares e bloqueadores ganglionares. • Bloqueiam a transmissão neuromuscular → fármacos não despolarizantes, fármacos despolarizantes ou inibidores da síntese ou da liberação de acetilcolina. • Intensificam a transmissão colinérgica → inibidores da colinesterase e estimuladores da liberação de acetilcolina. AGONISTAS MUSCARÍNICOS • Fármacos que se ligam em receptores muscarínicos e produzem efeito semelhante à Acetilcolina. • Classificados em: DROGAS DE AÇÃO DIRETA: ocupam e ativam receptores muscarínicos. DROGAS DE AÇÃO INDIRETA: inibem a ação da acetilcolinesterase e aumentam os níveis de ACh e potencializa seus efeitos. EFEITOS DOS AGONISTAS MUSCARÍNICOS Cardiovasculares Sobre o Músculo Liso Sobre Secreções Sudoríparas, lacrimal, salivar e brônquica Sobre os Olhos • ↓ frequência e do débito cardíaco • Vasodilatação generalizada, produzindo queda de pressão. • Ionotropismo • Cronotropismo • Dromiotropismo • Contração e ↑ do peristaltismo gastrointestinal. • Contração da bexiga. • Contração dos brônquios (e como também aumenta a secreção traqueobrônquica, não pode de forma alguma ser utilizada em asmáticos). • Provocam estimulação de glândulas exócrinas. • Contração do músculo ciliar. • Constritor da pupila – ajusta a pupila em resposta às alterações de luminosidade. • Aumento da secreção lacrimal. Os antagonistas muscarínicos, por bloquearem a ação do parassimpático, terão ações semelhantes aos agonistas adrenérgicos. 4 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL Hoje, utiliza-se apenas o carbacol e o betanecol!A metacolina foi extinta pela terapêutica justamente por apresentar muita atividade cardíaca e a acetilcolina não é usada diretamente porque é muito suscetível a ser degradada pela acetilcolinesterase. INTERPRETANDO A TABELA ACIMA • Como provoca um aumento no peristaltismo do TGI ao ativar receptores M3, é importante porque algumas pessoas apresentam uma redução no peristaltismo relacionado a problemas neurológicos ou problemas pós cirúrgicos, então esses fármacos podem ajudar a voltar a atividade normal do TGI. • A atividade urinária, também é relacionada aos receptores M3, localizados no músculo detrusor da bexiga e no esfíncter, aumentando a contração do detrusor e o relaxamento do esfíncter, facilitando assim o esvaziamento da bexiga. Isso é importante em pessoas que tem retenção urinária ou hiperplasia prostática benigna. • A atividade ocular é a miose. • A atropina é um antagonista muscarínico, então ele pode reverter os efeitos dos agonistas muscarínicos. Quando se fala de antagonismo da atropina, se fala de reverter um efeito que talvez seja efeito tóxico. No caso do quadro, a atropina consegue reverter muito pouco os efeitos do carbacol porémconsegue reverter bem os efeitos do betanecol. • O que se espera é que um agonista muscarínico não tenha atividade nicotínica, portanto sendo o betanecol o melhor nesse caso. USOS TERAPÊUTICOS DOS AGONISTAS COLINÉRGICOS • BETANECOL (URECOLINA) → estimular músculo liso do TGI e bexiga em certos quadros neurológicos ou pós-cirúrgicos de atonia (v.o. 10-20 mg/3xdia, ou s.c.). • PILOCARPINA → graucoma (sol. Oftálmica 0,5-4%); xerostomia (v.o. 5-10 mg/3xdia). • CEVIMELINA → xerostomia (v.o. ap, - ef. Colaterais). • AGONISTAS M1-SELETIVOS (em estudo) → doença de Alzheimer (agonista M1 reduz síntese de b-amilóide s/ M2 pré-sináptico q/ diminui a liberação de ACh). USOS CLÍNICOS DOS AGONISTAS MUSCARÍNICOS HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA FÁRMACO EFEITOS/RECEPTOR USOS Betanecol • Contração do músculo detrusor da bexiga/M3 • Relaxamento do músculo do trígono e esfíncter externo • Retenção urinária pós-cirúrgica ou parto; • Bexiga hipotônica, neurogênica hipoativa. GLAUCOMA FÁRMACO EFEITOS/RECEPTOR USOS Pilocarpina Carbacol • Contração do músculo esfíncter da pupila (miose)/M3 • Contração do músculo ciliar da íris (drenagem do humor aquoso/M3 • Cirurgias oftálmicas (catarata). • Glaucoma de ângulo aberto. TESTE DIAGNÓSTICO – CONTRAÇÃO DO BRÔNQUIO FÁRMACO EFEITOS/RECEPTOR USOS Metacolina • Contração muscular dos brônquios/M3 • Teste diagnóstico de hiper-reatividade brônquica SIALOGOGO - AUMENTAR A PRODUÇÃO DE SALIVA (IMPORTANTE EM IDOSOS) FÁRMACO EFEITOS/RECEPTOR Cevimeline • Usa uma droga colinérgica para aumentar a saliva, mas ele vai ter todos os efeitos, por isso é bom usar a droga mais específica com intensidade maior na glândula, a exemplo do Cevimeline porque é mais seletiva, já que pega melhor o receptor M3. 5 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL ESTIMULAÇÃO DA MOTILIDADE GASTROINTESTINAL OU ÍLEO PARALÍTICO PÓS OPERATÓRIO FÁRMACO EFEITOS/RECEPTOR Carbacol Betanecol • É melhor usar o betanecol pois tem boa atividade do trato gastrointestinal. REAÇÕES ADVERSAS DOS AGONISTAS COLINÉRGICOS EFEITO PRINCIPAL RECEPTOR ENVOLVIDO Rubor, sudorese, salivação M3 Broncoconstrição, secreção M3 Hipotensão M2 Cólicas abdominais M3 Secreção ácida gástrica M1/M3 Sensação de aberto na bexiga M3 Dificuldade de acomodação visual M3 Cefaleia M no SNC CONTRA INDICAÇÕES DOS AGONISTAS COLINÉRGICOS • Asma brônquica – porque causaria mais broncoespasmo e aumento de secreções e pioraria o quadro. • Úlcera péptica – aumentando secreção ácida, causando maior agressividade. • Hipotensão – reduz o fluxo sanguíneo e causa vasodilatação. • Hipertireoidismo • Insuficiência coronariana – causaria maior quadro de insuficiência cardíaca por conta da ação inibidora sobre o coração. • Obstrução mecânica vesical – ao contrair a bexiga, vai empurrar o líquido. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS • Procainamida + quinidina antagonizam o efeito do Betanecol. • Bloqueador ganglionar + Betanecol = queda de PA e alterações abdominais graves. • Betanecol + Depletores de 5-HT = hipotermia grave AGONISTAS INDIRETOS (ANTICOLINESTERÁSICOS) • Fármacos que não agem diretamente no receptor, mas de alguma forma aumentam as concentrações de Acetilcolina, por meio da inibição da enzima Acetilcolinesterase (que é a que quebra a ACh). LOCALIZAÇÃO DAS COLINESTERASES Acetilcolinesterase (AChE) Butirilcolinesterase (BChE) Distribuição Liquido cefalorraquidiano, junção neuromuscular e sinapses colinérgicas. Plasma e tecidos (fígado, pele, cérebro, musculatura lisa intestinal). Função principal Regulação da [ACh] livre nas terminações colinérgicas. Inativação de substâncias no plasma. Substratos ACh, succinilcolina (BNM), procaína (anestésico) Não são substratos Metacolina, Betanecol, Carbacol EFEITOS DOS ANTICOLINESTERÁSICOS • A localização da enzima acetilcolinesterase é muito próxima do receptor da Acetilcolina, então quando a ACh age no seu receptor por algum momento ela entra em contato com a enzima que irá degradá-la. • Os antagonistas colinérgicos (da acetilcolinesterase) vão bloquear a enzima, então esta não irá degradar a ACh, sobrando mais. • Potencializam a transmissão colinérgica nas sinapses autônomas colinérgicas e na junção neuromuscular. 6 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL • Efeitos no SNC – fisostigmina e organofosforados (atravessam a BHE). CLASSIFICAÇÃO DOS ANTICOLINESTERÁSICOS USOS DURAÇÃO DE AÇÃO APROXIMADA Álcoois Edrofônio (Tensilon) Miastenia grave, íleo, arritmias 5-15 minutos Carbamatos e correlatos Neostigmina (Prostigmine) Miastenia grave, íleo ½-2 horas Piridostigmina (Mestinon) Miastenia grave 3-6 horas Fisostigmina (Eserine) Glaucoma ½-2 horas Ambenônio (Mytelase) Miastenia grave 4-8 horas Demecário (Humorsol) Glaucoma 4-6 horas Organofosforados Ecotiofato, DFP (Fosfolina), etc. Glaucoma 100 horas CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO SUA AÇÃO • ANTICOLINESTERÁSICOS DE AÇÃO CURTA: possuem força de ligação muito fraca. Edrofônio. Liga-se ao sítio aniônico da enzima. Utilizada com finalidade diagnóstica: melhora a força muscular na Miastenia gravis. • ANTICOLINESTERÁSICOS DE AÇÃO MÉDIA: conseguem se ligar com força de ligação razoável. Neostigmina, piridostigmina e fisiostigmina. • ANTICOLINESTERÁSICOS IRREVERSÍVEIS: ligação estável, portanto mais difícil de desfazer. Compostos de fósforo Pentavalente. REATIVAÇÃO DA COLINESTERASE • O organofosforado vai inativar completamente a acetilcolinesterase, então tem que ter a necessidade de degradar a Acetilcolina, porque seu excesso pode causar danos, como por exemplo a contração muscular que pode causar uma paralisia espástica do diafragma, em que ele se contrai e não consegue relaxar. • PRALIDOXIMA: utilizada para reverter. Há um aumento da atividade da acetilcolinesterase. Não volta exatamente ao que estava antes, mas aumenta bastante. • Isso só acontece quando a ligação entre o organofosforado e a enzima ainda não se estabilizou. Então se essa ligação se estabilizar não há mais a possibilidade de reativar a colinesterase. Ou seja: precisa utilizar a pralidoxima em tempo hábil, antes que estabilize (até 1 hora depois da exposição). USO CLÍNICO DOS INIBIDORES DA ACETILCOLINESTERASE OLHO • Miose (contração do esfíncter), bloqueia a acomodação (contração do músculo ciliar). • Principal indicação: Glaucoma (ângulo aberto ou glaucoma secundário) • Fisostigmina ou ecotiofato (ação prolongada), uso tópico. TRATO GI • ↑ motilidade no íleo paralítico (pós-op) ou atonia da bexiga. • Neostigmina (betanecol melhor ainda já que age apenas em M3) PLACA MOTORA • Neostigmina no tratamento da miastenia gravis. 7 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL • Edrofônio no diagnóstico da miastenia gravis (já que o efeito é rápido). • Reversão do bloqueio neuromuscular no pós-operatório, Neostigmina. REVERSÃO DA TOXICIDADE POR AGENTES ANTICOLINESTERÁSICOS • ie. Atropina, antidepressivos tricíclicos (doses elevadas). • Fisostigmina é preferida (age no SNC). GLAUCOMA FÁRMACO EFEITOS USOS Fisostigmina Demecário Ecotiofato • Contração do músculo ciliar da íris (drenagem do humor aquoso/M3 • Glaucoma EFEITOS AUTÔNOMOS • Bradicardia • Hipotensão • Secreções excessivas • Broncoconstrição • Hipermotilidade gastrointestinal • Redução da pressão intraocular. AÇÃO NEUROMUSCULAR • Fasciculação muscular • Aumento na tensão da contração espasmódica • Bloqueio de despolarização. MODERNOS INIBIDORES DA ACETILCOLINESTERASE USADOS NO TRATAMENTO DE DEMÊNCIA (PRINCIPALMENTE ALZHEIMER) • Tacrina (não está mais em uso devido a toxicidade hepática). • Donepezila • Rivastigmina • Galantamina REAÇÕES ADVERSAS DOS INIBIDORES DA ACETILCOLINESTERASE (SLUDE) • Salivação (muscarínico)• Lacrimejamento (muscarínico) • Urina (muscarínico) • Diarreia (muscarínico) • Emese – vômito (muscarínico) • Bradicardia (muscarínico) • Hipertensão/hipotensão (nicotínico) • Cólicas (muscarínico) • Broncoconstrição (muscarínico). • Tremor, náuseas, indução de convulsões do SNC. TRATAMENTO • Bloquear os receptores da acetilcolina através de antagonistas muscarínicos. Ie. Atropina reativador da AChE (Pralidoxima, 2-PAM), ventilação mecânica. 8 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL ANTAGONISTAS MUSCARÍNICOS • Fármacos que têm afinidade e conseguem se ligar no receptor muscarínico mas não proporciona nenhum efeito, ou seja, bloqueiam a ação do receptor muscarínico. EFEITOS DOS ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS MUSCARÍNICOS Inibição de secreções Sobre a frequência cardíaca Sobre os olhos • Inibição baixa das glândulas lacrimais, salivares, brônquicas e sudoríparas, deixando a pele e boca seca. • Taquicardia moderada e em doses baixas. • Pode causar bradicardia paradoxal (Atropina). • Dilatação da pupila (midríase) e não responde a luz. • Cicloplegia que torna a visão comprometida de perto. Sobre outros músculos lisos Sobre o SNC Sobre o TGI • Provoca o relaxamento da musculatura lisa da árvore brônquica e dos tratos biliar e urinário. • A atropina produz principalmente efeitos excitatórios no SNC. • Em doses baixas, causa leve inquietação. • Em doses altas, provocam agitação e desorientação. • Inibição da motilidade gastrointestinal. GRUPOS DE ANTAGONISTAS MUSCARÍNICOS Planta/Extração Atropa belladonna Scopolia carniolica Alcalóides naturais Atropina Escopolamina (hioscina) Semi-sintéticos Homatropina Br N-butilescopolamina Sintéricos Ipratrópio Tiotrópio, Oxitrópio USOS CLÍNICOS DOS AGENTES ANTIMUSCARÍNICOS • Respiratório (reduz a secreção brônquica) → Atropina. • Asma → Ipratrópio. • Oftalmológico (midríase, cicloplegia), irite (inflamação na íris) → Atropina. • Doença de Parkinson → Benztropina. • Cardiovascular (quando precisa aumentar a FC) → Atropina. • Cinetose → Escopolamina. • Distúrbios GI (úlceras pépticas → pinzerpina, diarreia). • Envenenamento por pesticidas (malation) → Atropina. • Envenenamento por cogumelos (muscarina) → Atropina. • Gases dos nervos (sarin) → Atropina. • DPOC > asma → Ipratrópio (Asmaliv®, Atrovent®, Bromovent®, Ipraneo®), tiotrópio (Spiriva Respimat®). • Hiperatividade da bexiga → Tolterodina (Detrusitol®), cloreto de tróspio (Spasmoplex®), oxibutinina (Frenurin®), solifenacina (Vesicare®), propantelina. • Bradicardia sinusal/nodal → Atropina que bloqueia os receptores M2 do coração impedindo que a ACh promova uma bradicardia. EFEITOS ADVERSOS DE ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS • Boca seca. • Taquicardia. • Visão borrada. • Dificuldade de micção. • Diminuição da motilidade do TGI. 9 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL QUADRO DE RESUMO • DROGA AGONISTA COLINÉRGICA: droga que irá mimetizar ação do sistema nervoso parassimpático. MACETE: o parassimpático está ligado ao relaxamento, à calma e ao aumento de todas as secreções. AGONISTAS COLINÉRGICOS Diretas Indiretas • Drogas que agem sobre o receptor. • Podem ser por receptor muscarínico ou nicotínico. • Menos efeito colateral e menos efeito adverso. • Pode agir inibindo enzimas como a acetilcolinesterase, ou estimulando a secreção ou inibindo a recaptação. • Podem ser reversível e irreversível. MUSCARÍNICOS • Ésteres de Colina ACETILCOLINA Betanecol Carbacol Metacolina Esses 3 são a imagem e semelhança da acetilcolina (porque não dá para usar a acetilcolina como medicamento porque ela tem sensibilidade a enzima colinesterase, já as drogas não). Cevimeline: usado para xerostomia para fins odontológicos. Agonista seletivo de M3. • Alcalóides Muscarina Pilocarpina NICOTÍNICOS Na prática médica, como medicamento, não é utilizado. REVERSÍVEIS • Edrofônio: • Neostigmina • Fisostigmina • Piridostigmina IRREVERSÍVEIS • Malation • Paration • Ecotiofato • Isoflurofato Tendem a ser veneno, justamente por serem irreversíveis. RESUMO DAS DROGAS QUE AGEM NO PARASSIMPÁTICO Tipo Membros Efeitos Agonistas 1. ACh 2. Betanecol 3. Pilocarpina 4. Metacolina 1. Coração → bradicardia, ↓ contractilidade, ↓ velocidade de condução no nó AV. 2. Vasculatura → media a vasodilatação via síntese do NO pelas células endoteliais. 3. Músculos lisos → ↑ tônus no intestino e bexiga; ↓ tônus nos esfíncteres. 4. Olho → contração dos esfíncteres (miose) e músculo ciliar para visão de perto. 5. Glândulas exócrinas → ↑ sudorese (SNS), salivação e secreção de ácido gástrico. Antagonistas 1. Atropina – não seletivo, prolongado. 2. Escopolamina (buscopan®) – ação central. 3. Homatropina – ação mais curta. 4. Pirenzepina – seletiva para o receptor M1 (anti-úlcera). 1. Coração → taquicardia, ↑ condição no nó AV. 2. Músculos lisos → relaxamento no trato GI e urinário. 3. Olho → midríase e cicloplegia. 4. Glândulas exócrinas → boca seca, pele seca e ↓ da secreção ácida gástrica. 10 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL CASO PROBLEMA 1 Paciente A.C.M, 62 anos de idade, sexo masculino, leucoderma, casado residente em União dos Palmares. História Clínica: O último mês foi especialmente complicado para o senhor A. Com a somação dos seus problemas financeiros e familiares. Sempre fora nervoso e para tal, fazia uso esporádico de associação medicamentosa que continha propantelina, além de sedativos e outros fármacos. No mês referido, aumentou acentuadamente o consumo desses preparados comerciais. Numa madrugada, acordou-se com dor no olho D, a qual se acompanhou de vermelhidão na conjuntiva ocular e borramento da visão. Procurou rapidamente atendimento médico, constando-se além de achados prévios, midríase à D., não responsiva à luz. Foi estabelecida a hipótese diagnóstica de glaucoma agudo congestivo (primário, de ângulo estreito), que foi imediatamente confirmada pela medição da pressão ocular. Conduta médica: • Iniciou-se imediatamente a instilação, no saco conjuntival, de um colírio de salicilato de fisostigmina a 1% + nitratato de pilocarpina a 4%, repetida de 10 em 10 minutos. • Administrou-se acetazolamida. • Encaminhou-se o paciente para correção cirúrgica definitiva da afecção. Situações problema do caso: 01- Como podemos correlacionar o uso da medicação relatada pelo paciente na história e seu quadro clinico? A propantelina reduz o efeito da acetilcolina, pois é uma droga anticolinérgica. 02- Como justificar o uso da fisostigmina e pilocarpina no paciente? A Fisostigmina e a pilocarpina são utilizadas porque fazem contração do músculo ciliar da íris que ajuda a drenar o humor aquoso e também a contração do músculo esfíncter da pupila. 03- Em um paciente com esta idade quais as principais complicações podemos ter? Queda de pressão, diminuição da frequência e do débito cardíaco (?). CASO PROBLEMA 2 Paciente A.C.R trabalhador rural, chega ao posto de saúde do ESF, com relato que durante seu trabalho sofreu um acidente com o herbicida da lavoura de cana (organofosforado) apenas se molhando, ao exame físico não foi observado nenhum achado digno de nota, e o mesmo ainda não tem nenhuma queixa, apenas foi ao posto de saúde, pois seu chefe exigiu. 10 minutos após chegar a unidade, começou a lagrimejar, apresentando sialorréia, e micção e evacuação espontânea. Na inspeção não foi observado também nenhum achado. Situações problema do caso: 1-Como o herbicida, inicialmente não tem efeito e após 10 minutos começou a agir? Porque ainda não é tempo o suficiente para fazer algum efeito/dano irreversível. 2- Como é possível reverter a intoxicação no paciente? Utilizando atropina o mais rápidopossível para tentar reverter antes que a ligação envelheça e se torne irreversível. 3- Considerando o agente intoxicante qual a clínica que o paciente irá apresentar em sua evolução, se não houver intervenção médica? 11 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL Apresenta manifestações nicotínicas como tremores, fraqueza, cansaço respiratório, taquicardia e hipertensão, mas também muscarínicas como sudorese, miose, lacrimejamento, sialorreia, broncorreia, hipotensão, arritmias e manifestações do SNC como alteração de nível de consciência e ataques apopléticos. Tardiamente, pode ocorrer uma síndrome chamada neuropatia tardia, devido a inativação da enzima neurotoxicoesterase, causando fraqueza muscular distal, câimbras musculares dolorosas, formigamentos, reflexos diminuídos e um quadro caracterizado por incoordenação motora, hipertonia ou espasticidade e parkinsonismo. CASO PROBLEMA 3 Um jovem agricultor de 23 anos de idade foi atendido na emergência, no final da manhã, de um hospital e apresentava os seguintes sintomas clínicos: cefaléia frontal, ardência nos olhos e rigidez de tórax. Após relatar que durante o período da manhã daquele dia esteve dispersando inseticida na lavoura o médico suspeitou de intoxicação por organofosforados, já que os sintomas clínicos eram típicos. O paciente foi tratado com sulfato de atropina, sendo observada a recuperação do mesmo. Curiosamente, logo após outro jovem chegou com os mesmos sintomas mas não respondia ao tratamento com Atropina, depois foi colhida a informação que o mesmo tentara suicídio, com o mesmo composto, naquela madrugada. Por que a diferença? Porque a atropina só funciona revertendo os efeitos dos organofosforados pouco tempo depois da intoxicação, que é quando as ligações ainda não estão estáveis e envelhecidas. No caso do jovem que tentou suicídio na madrugada, demorou muito para ele usar o antídoto, sendo tarde demais já que a ligação já estava envelhecida e, portanto, irreversível. SOCRATIVE 12 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL 13 Mayra Alencar @maydicina | HAB. TERAPÊUTICAS I | P4 - MEDICINA UNIT AL