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PROFESSORA Me. Silvia Moro Conque Spinelli Nutrição nos Ciclos da Vida ACESSE AQUI O SEU LIVRO NA VERSÃO DIGITAL! https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/17129 NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 PRODUÇÃO DE MATERIAIS Coordenador de Conteúdo Renato Castro da Silva Designer Educacional Ivana Martins Curadoria Luana Brutscher Revisão Textual Harry Wiese Editoração Juliana Duenha Ilustração Wellington Vainer Realidade Aumentada Maicon Douglas Curriel Fotos Shutterstock. Pró Reitoria de Ensino EAD Unicesumar Diretoria de Design Educacional FICHA CATALOGRÁFICA C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. SPINELLI, Silvia Moro Conque. Nutrição nos Ciclos da Vida. Silvia Moro Conque Spinelli. Maringá - PR: Unicesumar, 2022. Reimpresso em 2023. 200 P. ISBN: 978-85-459-2262-9 “Graduação - EaD”. 1. Nutrição 2. Vida 3. Ciclos. 4. EaD. I. Título. CDD - 22 ed. 613.2 Impresso por: Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 02511348 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/17299 Me. Silvia Moro Conque Spinelli Olá, aluno(a)! Sou a Silvia, nascida em Curitiba, de origem italiana (meus antepassados vieram da Itália, passando por dificuldades financeiras no ano de 1875. Lembro-me que quando criança eu só queria jogar bola! Com menos de 1,60 de altura e canhota, eu corria mais que meus amigos e por isso me dava bem em esportes de atletismo. Meu pai era taxista e se esforçou muito para eu poder estudar em uma ótima escola. Sou apaixonada pela nutrição e por idiomas. Muito antes do vestibular, já sabia que queria ser nutricionista e ensinar as pessoas a ter uma relação melhor com a comida e ser mais saudável. Com 18 anos, eu já falava inglês e espanhol. Com 22 anos, eu comecei a estudar francês. Estudar francês nos aproxima mais ainda da nutrição e da boa culinária. Sou casada desde 2008 com um professor de Educação Física, o que deixa nossa rotina familiar muito saudável. Tenho um filho muito companhei- ro, costumamos jogar badminton todos os finais de semana. Fazemos fogueira com galhos secos do chão e conversamos em volta da fogueira com os vizinhos. Adoramos cachorros, inclusive já tive vários ao longo da vida e curtimos passear com eles na rua e de carro. Gosto de me dedicar aos estudos relacionados à obesidade infantil e às políticas públicas de Alimentação e Nutrição, esse assunto me chama a atenção porque ob- servo uma legião de jovens com doenças que só deveriam aparecer lá na velhice, e isso me preocupa. Os hábitos alimentares realmente definem nossa qualidade de vida e de que maneira iremos envelhecer. Como nunca é demais, ainda quero aprender muita coisa, como por exemplo, tocar gaita de boca e ser radialista. Na nutrição, formei-me muito jovem, com 21 anos. Fiz mestrado na PUC-PR em Bioética e estudei obesidade infantil e a influência dos sistemas de abastecimento alimentar. No atendimento clínico aos pacientes percebia uma grande quantidade de pacientes jovens com importantes quadros de inflamação hepática e es- teatose. Assim, na época do doutorado, me interessei por aprofundar os estudos em esteatose hepática não alcoólica e a influência da educação nutricional na melhora do prognóstico da doença. Além dos estudos na nutrição, me formei em Gastronomia e em Ciências da Felicidade! Sim, felicidade é algo que todos deviam dedicar o seu tempo de estudos! Lattes: http://lattes.cnpq.br/3494945973244210 Aqui você pode conhecer um pouco mais sobre mim, além das informações do meu currículo. http://lattes.cnpq.br/3494945973244210 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11681 Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos on-line. O download do aplicativo está disponível nas plataformas: Google Play App Store Ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e transformar. Aproveite este momento. PENSANDO JUNTOS EU INDICO Enquanto estuda, você pode acessar conteúdos online que ampliaram a discussão sobre os assuntos de maneira interativa usando a tecnologia a seu favor. Sempre que encontrar esse ícone, esteja conectado à internet e inicie o aplicativo Unicesumar Experience. Aproxime seu dispositivo móvel da página indicada e veja os recursos em Realidade Aumentada. Explore as ferramentas do App para saber das possibilidades de interação de cada objeto. REALIDADE AUMENTADA Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Posicionando seu leitor de QRCode sobre o código, você terá acesso aos vídeos que complementam o assunto discutido PÍLULA DE APRENDIZAGEM Professores especialistas e convidados, ampliando as discussões sobre os temas. RODA DE CONVERSA EXPLORANDO IDEIAS Com este elemento, você terá a oportunidade de explorar termos e palavras-chave do assunto discutido, de forma mais objetiva. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3881 NUTRIÇÃO NOS CICLOS DA VIDA O Brasil vive desde a década de 70 o contexto da Transição Nutricional. Esse complexo processo foi antecedido pelos movimentos migratórios das famílias em busca de uma melhor oportunidade de vida. Esse fenômeno era chamado de transição demográfica. A partir disso e devido a um grande salto tecnológico nas áreas de saneamento básico e tecnologias em saúde, o perfil de doenças do Brasil também se modificou. Deixamos de ser um país com grande incidência de doenças carenciais e de desnutrição para nos tornarmos uma nação de grande contingente de obesos e portadores de doenças crônicas não transmissíveis. Esse problema não é exclusivamente do Brasil. Todas as grandes nações desenvolvidas e os países em desenvolvimento enfrentam essa grande carga de enfermidades, em que as doenças carenciais não foram de fato erradicadas, mas a grande maioria dos indivíduos sofre com doenças crônicas e suas múltiplas complicações. Somado a esse cenário, vivemos em tempos de incerteza de recursos como energia limpa, distribuição justa de riquezas, além da crise crescente de patologias relacionadas à saúde mental e ao comportamento. No que a nutrição pode contribuir na melhoria do perfil epidemiológico no mundo, e em especial dos brasileiros? Como a nutrição pode auxiliar na melhora da alimentação de crianças em que os pais trabalham fora o dia todo? Como pode ser o incentivo de uma alimentação saudável para adolescentes que passam o dia todo fora de casa? O ato de comer não é simplesmente a nutrição de células e tecidos biológicos. “Comer” é simbólico, histori- camente associado com família, relações sociais e agrupamentos humanos. Comemos porque ressignificamos experiências em torno dos alimentos e no processo da transição nutricional, o ato de comer ficou muito asso- ciado a premiações ou atos punitivos. Esse reforço positivo trouxe uma grande densidade calórica e de gordura saturada à mesa dos brasileiros, como se só fôssemos felizes se comermos pizza, hambúrguer ou sorvete. Assim, a sociedade contemporânea se desapegou de técnicas e receitas que antigamente passavam de geração para geração e hoje ficam no esquecimento e são facilmente substituídas pelos aplicativos de delivery e comida fácil. O tempo dedicado na cozinha rende novos conteúdos, novas histórias e novos momentos com a família e amigos. Você já parou para refletir sobre quando foi a última vez que fez uma receita “diferente”? Consegue se lembrar da sensação de esperar para ver se a receita daria certo no final? E talvez, da vez em que a receita deu errado, mas rendeu muitas risadas? Muitas vezes gastamos mais tempo vendo e fazendo coisas que não nos acrescentam em nada, do que vivendo momentos bons com os amigos e as famílias dentro da cozinha. Faço aqui um convite. Resgate uma receita de família (pode ser aquele cozido de panela da vó ou clássicos biscoitos natalinos de canela), ou ainda, uma receita que te lembre a infância.Por que não fazer para o final de semana? Registre fotos desse momento e aproveite para colecionar momentos e novas histórias com um amigo ou com a sua família. Nutricionistas são profissionais com formação humanista e voltados à melhoria da qualidade de vida de indivíduos em seus contextos sociais e familiares. Muito mais do que “ensinar a comer”, devemos envolver nos- sos clientes/pacientes em uma metodologia participativa de mudança de comportamento alimentar, ou seja, o profissional deve incentivar as pessoas a resgatarem o que antes era rotineiro, como por exemplo, cozinhar em casa, e auxiliar durante todo esse processo de mudança. As pessoas só mudam os hábitos quando acreditam no significado dessas mudanças e seu papel como futuro nutricionista é disseminar informações sobre o quanto pequenas mudanças diárias podem impactar beneficamente a vida de todos Neste livro vamos estudar os fenômenos de Transição Demográfica da população Brasileira, a transição Epi- demiológica e a consequente transição Nutricional. Também os princípios da Alimentação balanceada, também explorado em outras disciplinas da Nutrição. Discutiremos sobre nosso papel enquanto nutricionistas no Diag- nóstico Nutricional. Nas unidades seguintes estudaremos a Fisiologia da gestação e lactação e situações especiais na gestação. Avaliação do estado nutricional, necessidades nutricionais de gestantes e lactantes. Aleitamento materno. A saúde materno-infantil. Nutrição no primeiro e segundo ano de vida, nutrição nos primeiros 1000 dias e sua grande importância para o desenvolvimento global do indivíduo. Seguimos para os estudos da Introdução Alimentar e Alimentação Complementar associada ao leite materno. Trazemos aqui também o já consagrado Guia Alimentar para menores de 2 anos. Vamos discutir nos livros e no podcast temas atuais como as diferenças básicas alimentares entre os métodos tradicionais de alimenta- ção do bebê e o método BLW de Introdução Alimentar infantil. Ainda os distúrbios e doenças relacionados à alimentação infantil. Na nutrição de pré-escolares, abordaremos os conceitos básico e o fenômeno da Seletividade Alimentar. A Nutrição de Escolares e o papel da escola na formação dos hábitos alimentares. Estudaremos a Nutrição na Adolescência e as diferentes fases do Estadiamento Puberal e ainda a importância da Atividade física na infância e adolescência. Na população adulta, exploraremos as DRIS e os principais protocolos de recomendações nutricionais para população sadia e ainda a nutrição no climatério. Temas contemporâneos serão abordados como o Vegetarianis- mo e o Veganismo, ainda a Dieta Mediterrânea e o Ciclo Circadiano. Os estudos dos mitos alimentares típicos nas sociedades e a suplementação segura para indivíduos sadios. Apresentamos aqui o planejamento da ingestão de energia para indivíduos e grupos e o Guia Alimentar da População Brasileira, bem como outras sugestões de esquemas alimentares. Na nutrição de idosos, estudaremos o processo fisiológico normal do envelhecimento, teorias, características e a influência dos fatores econômicos, sociais e psicológicos. O estado nutricional dos idosos brasileiros do século XXI. Distúrbios metabólicos e patologias do idoso. A importância do acompanhamento multidisciplinar no atendi- mento ao idoso. Disfagia. Políticas públicas aplicadas à população idosa no Brasil. Na última unidade deste livro, entraremos nos estudos das Políticas Públicas e Programas Institucionais em Alimentação e Nutrição, veremos a nutrição funcional na prevenção das doenças degenerativas. Em todos os ciclos da vida, as pessoas estão cada vez mais conscientes da importância da alimentação para manter a saúde e a qualidade de vida. O nutricionista é o profissional de saúde capacitado para atuar na prevenção, promoção e recuperação da saúde humana, em todos os ciclos da vida, planejando, executando e avaliando ações baseadas nos conhecimentos da ciência da nutrição e alimentação. Você nutricionista irá desenvolver atividades em diversas áreas: analisar o histórico familiar e cultural do paciente; aplicar métodos de avaliação antropométri- ca; solicitar exames laboratoriais pertinentes à conduta nutricional, realizar o recordatório alimentar e outras ferramentas que avaliem a qualidade da alimentação. A partir daí irá prescrever, avaliar e supervisionar dietas para pacientes. Planejar programas de reeducação alimentar específicos para cada tratamento. Elaborar programas institucionais como a merenda escolar e de suplementação alimentar em escolas, creches e centros de saúde. Ainda você pode promover a educação ali- mentar, orientar o paciente sobre como combinar os alimentos, o que deve ser priorizado na alimentação e o que deve ser evitado. Esta educação alimentar permite ao paciente fazer suas próprias escolhas e montar seu cardápio conforme suas necessidades. Este livro contém capítulos sobre temas relacionados à Nutrição e à Alimentação, englobando os ciclos da vida como as escolhas alimentares adequadas aos diferentes ciclos humanos. Que tal montar um mapa mental com os principais elementos que você leu aqui nesta apresentação? NUTRIÇÃO NOS CICLOS DE VIDA 1 2 43 5 6 73 13 53 33 NUTRIÇÃO E SUAS VERTENTES CULTURAIS E DE- MOGRÁFICAS 107 ADULTOS SADIOS COMEM COMIDA DE VERDADE NUTRIÇÃO MA- TERNO-INFANTIL: RAZÕES PARA ACREDITAR NA COMIDA DOS 1000 DIAS GESTAÇÃO E LACTA- ÇÃO: OS PRIMEIROS 1000 DIAS DA NOVA VIDA NUTRIÇÃO DE PRÉ ESCOLARES E ESCOLARES E OS DESAFIOS DA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NA ADOLESCÊNCIA NUTRIÇÃO MODER- NA DE ADULTOS SAUDÁVEIS 91 7 8 9 123 159 141 O SISTEMA ALIMEN- TAR MODERNO: O COMER NA CON- TEMPORANEIDADE NUTRIÇÃO FUNCIO- NAL: PARA VOCÊ, PARA O PLANETA E PARA AS FUTURAS GERAÇÕES NUTRIÇÃO E O EN- VELHECIMENTO 1 Nesta unidade, nós iremos estudar importantes processos históricos que ocorrem no Brasil e em todo o Ocidente desde a década de 1950. A chamada Transição Demográfica da população brasileira transformou a rotina dos brasileiros e até hoje impacta no status nutricional das famílias. Outro processo que definiu o processo saúde-doença no Brasil foi a transição epidemiológica. Assim, ob- servamos uma importante diminuição dos agravos por doenças preveníveis por vacina e transmitidas pela água e um importante incremento das doenças crônicas não transmissíveis e relacionadas à obesidade. A transição nutricional é o fenômeno que mudou o cenário alimentar do Brasil. Nutrição e Suas Vertentes Culturais e Demográficas M. Sc Silvia Moro Conque Spinelli 14 Já se perguntou quanto comer fora influencia em sua saúde? E na economia de um país? Quando as mulheres conquistaram o mercado de trabalho, lá nos anos 1960, não imaginávamos a grande mu- dança no perfil de saúde das famílias brasileiras. Vida de correria diária. Menos tempo dedicado ao preparo da refeição. A transição nutricional é um fenômeno mundial, mas especialmente observado nos países do Ocidente. Estudar a transição nutricional significa entender a conjuntura histórica das transformações da sociedade. A mudança no perfil alimentar foi precedida pela mudança no perfil de doenças do brasi- leiro (morbidades) e ainda na grande transição geográfica que o país percebeu na migração de povos de regiões do semiárido brasileiro para grandes centros urbanos do Sudeste Sul. Assim, observamos a diminuição da desnutrição e carências nutricionais e o aumento inédito dos quadros de doenças crônicas e obesidade. Observe a diferença dos alimentos que você come em dias típicos (de segunda a sexta feira) e como você se alimenta nos finais de semana. É muito diferente? Faça um pequeno esboço do cardápio típico semanal da sua família. Almoço com a família no domingo? Pizza no sábado? O que há de tão diferente dos alimentos que seus pais comiam quando tinham a sua idade? Acha que lá na China ou nos EUA os universitários comem tão diferente de você? A partir dessa experimentação,registre no Diário de Bordo seu cardápio semanal típico. Coloque aqui escolhas de dias úteis e final de semana também. Acha que ele irá mudar até o final deste curso de Nutrição? Pode ser. Você irá amadurecer muito em seu comportamento alimentar. UNICESUMAR UNIDADE 1 15 Busque metodologias participativas para melhorar a alimentação dos seus pacientes e das pessoas à sua volta. Daí essas pessoas também mudarão suas rotinas alimentares e seus estilos de vida e os efeitos na sociedade podem ser realmente transformadores. O Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) ficou previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Artigo 25 – 1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação. (Assembleia Geral da ONU (1948). “Declaração Universal dos Direitos Humanos” (217 [III] A). Paris. Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) apresentam curso lento de evolução e são aquelas que, além de não serem causadas por micro-organismos (vírus, bactérias, parasitas). Na maioria das vezes, o indivíduo convive com essa condição por anos antes de sua morte. Fonte: Marco referencial de Educação Alimentar e Nutricional para Políticas Públicas, 2014. Descrição da Imagem:na fotografia colorida temos em primeiro plano vários alimentos à direita da imagem, na parte esquerda temos uma prancheta com uma mão feminina que segura uma caneta, a pessoa está com um jaleco branco, não aparece sua face, o destaque aqui é para os alimentos. Figura 1 – Atendimento nutricional 16 A transição nutricional está fortemente conec- tada em uma rede complexa de mudanças nos padrões demográfico, socioeconômico, ambien- tal, agrícola e de saúde. Elementos como a urba- nização, o crescimento econômico, a distribuição de renda, a incorporação de tecnologias e as mu- danças culturais foram os elementos marcantes desse processo. Há muitas publicações de elevado valor cien- tífico disponíveis sobre o assunto. Pesquise sobre essa importante temática na Biblioteca Virtual em Saúde, em https://bvsms.saude. gov.br/transicao-nutricional/. Hoje sabemos que todos participamos dos cha- mados “sistemas alimentares” que incluem os pro- cessos de produção, transformação, distribuição, marketing e consumo de alimentos. Esses concei- tos estão fortemente relacionados à transição nu- tricional e precisam ser reposicionados para não apenas ofertar alimentos, mas promover dietas mais saudáveis e sustentáveis para todos. Dietas saudáveis têm um ótimo consumo ca- lórico e consistem em grande parte duma diversi- dade de alimentos à base de plantas, baixas quan- tidades de alimentos de origem animal, contêm gorduras não saturadas ao invés de saturadas, e quantidades limitadas de grãos refinados, alimen- tos altamente processados e açúcares adicionados. A alimentação e a forma de produzir alimen- tos está diretamente ligada à saúde das pessoas e do meio ambiente. Nas últimas décadas houve um aumento na quantidade de alimentos disponíveis e na modernização das técnicas de produção e conservação de alimentos o que proporcionou redução nos índices de fome e de desnutrição no mundo. Hoje, há uma grande disponibilidade de carnes, alimentos ultraprocessados ricos em calo- rias, açúcares e gorduras, o que contribui para um aumento de doenças como obesidade, diabetes e doenças do coração. Nas décadas de 1960 e 1970, as políticas pú- blicas que norteavam a alimentação brasileira ti- nham ênfase na distribuição e abastecimento de alimentos ao mesmo tempo que o agronegócio se expandia e os incentivos fiscais priorizavam os grandes produtores. Já em 1990, com a globa- lização crescente e do neoliberalismo econômico ditando as regras em toda a América Latina, per- maneceram poucas estratégias governamentais para subsidiar o abastecimento de alimentos e houve redução das despesas com a agricultura. Paralelamente, organizou-se um modelo de polí- ticas compensatórias de proteção direta à popula- ção carente, mas sem vislumbrar o enfrentamento real da problemática da fome. Além da urbanização crescente, a oferta de ali- mentos industrializados alterou dramaticamente os hábitos alimentares, com a presença esmagado- ra de alimentos de alta densidade energética nas mesas dos lares brasileiros. Nesse contexto, o pe- queno e médio agricultor foi perdendo espaço na economia nacional e o alimento in natura passou por muito processamento industrial e passamos Descrição da Imagem: na imagem, que é uma fotografia colorida, podemos ver na parte central, um laboratorista com roupa especial na cor branca, touca verde, luvas azuis, ele manipula um alimento, e na bancada do laboratório, que é de vidro transparente, podemos notar vários alimentos como: carne, ovos, vegetais e grãos etc. Na lateral direita, há um microscópio e placas de Petri. Figura 2 – Nutrição molecular UNICESUMAR UNIDADE 1 17 a construir o circuito longo da cadeia produtiva, aumento do tempo de prateleira, empacotamento e, por fim, ganho de espaço nos supermercados. Ao refletir sobre o patrimônio das culturas ali- mentares, observamos que um forte processo de homogeneização decorrente da globalização tem conduzido à perda da diversidade nos planos econômico, ecológico e cultural. O surgimento de novos ambientes como o “supermercado”, por exemplo, com características muito semelhantes em todo o mundo, com as mesmas marcas, as mesmas franquias e as mesmas comidas, faz parte desse processo que conduz ao desaparecimento das características particulares de cada local, re- gião ou país e expansão generalizada de modos de vida globais. Se você tiver a oportunidade de viajar para fora do Brasil verá que boa parte do mundo come os mesmos alimentos como você diariamente: arroz, macarrão e frango. Isso é mui- to ruim do ponto de vista nutricional. Os fatores que determinam a alimentação e os hábitos alimentares são muitos e de diferentes naturezas (econômica, psicossocial, ética, política e cultural). Escolhemos o que comemos de acordo com nosso gosto individual; com a cultura em que estamos inseridos; com a qualidade e o preço dos alimentos; com quem compartilhamos nossas re- feições (em grupo, em família ou sozinhos); com o tempo que temos disponível; com convicções éticas e políticas (por exemplo, algumas pessoas vegetarianas defensoras dos animais e do meio ambiente), entre outros aspectos. Cada um desses fatores pode promover a segurança alimentar e nutricional, ou dificultar o seu alcance, para de- terminada população. As escolhas alimentares influenciam a saú- de, independentemente da motivação. Quando o assunto é alimentação, cada pessoa tem a sua preferência com relação a comidas e sabores. Em 2017, o Ministério da Saúde revelou que, em 10 anos, o índice de obesidade na população brasi- leira aumentou em 60%. Segundo o levantamento, uma em cada cinco pessoas no país está acima do peso. A prevalência da doença passou de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016 (ROSSI, 2019). Eis os dados da VIGITEL (pesquisa nacio- nal por inquérito telefônico) aplicada em todas as capitais: o resultado apresenta respostas de entrevistas com 53,2 mil pessoas maiores de 18 anos de idade realizadas entre fevereiro e de- zembro de 2016. O crescimento da obesidade também pode ter colaborado para o aumento da prevalência de diabetes (de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016) e hipertensão (de 22,5% em 2006 para 25,7% em 2016). Doenças crônicas não transmissíveis, como essas, pioram a con- dição de vida e podem levar a óbito. O levantamento da VIGITEL também apre- sentou as mudanças no consumo das famílias. As famílias consomem cada vez menos os insumos básicos de nossa cultura alimentar. O consumo regular de feijão diminuiu de 67,5%, em 2012, Descrição da Imagem: mulher de blusa vermelha e máscara e criança de camiseta listrada branca e vermelha também com máscara, fazendo compras em um supermercado e a criança de dentro do carrinho escolhe o queserá comprado. No carrinho, já há vários itens como frutas e congelados. As prateleiras do mercado estão cheias de hortaliças e frutas coloridas, algumas embaladas em plásticos ou caixinhas. Figura 3 - Consumo crescente 18 para 61,3%, em 2016. O consumo semanal de frutas e hortaliças é hábito de somente um a cada três adultos brasileiros. Quem come de tudo um pouco consegue enviar para o seu organismo todos os tipos de nutrientes encontrados nos alimentos, sejam eles de origem animal ou vegetal, pois nenhum alimento isolada- mente consegue reunir todos os nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo. Por outro lado, existem alimentos capazes de oferecer ao corpo nutrientes em excesso, contribuindo para o risco aumentado de desenvolvimento de várias doenças. O ideal é manter uma dieta equilibrada, composta por uma variedade de alimentos no dia em menor ou maior quantidade, dependendo dos nutrientes encontrados em cada um deles. A alimentação não se resume à ingestão de nutrientes. A ingestão apropriada de nutrientes promove o crescimento e o desenvolvimento adequados do indivíduo, incluindo o desenvolvimento neurológico; reduz o declínio cognitivo com a idade e o risco de desenvolvimento de doenças, chegando a silenciar a expressão de genes relacionados com o risco aumentado de doenças poligênicas (que envolvem múltiplos genes), principalmente as doenças crônicas. O conhecimento sobre a nutrição evoluiu bastante nos últimos 50 anos, e nos países desenvolvidos a alimentação já não é vista exclusivamente como uma necessidade primária de sobrevivência, sendo responsável, também, por promover aptidão física e mental. Desde a Antiguidade, os seres humanos sabem que o ambiente e a alimentação podem interferir no estado de saúde de um indivíduo e têm utilizado alimentos e plantas como medicamentos. Com o avanço da ciência, especialmente após a conclusão do Projeto Genoma Humano, em 2003, os cientistas começaram a questionar se as interações entre genes e alimentos, nutrientes e compostos bioativos poderiam influenciar positiva ou negativa- mente a saúde de um indivíduo. A descoberta dessas interações (gene-nutrientes) e de mecanismos epigenéticos que regulam a transcrição de muitos genes têm viabilizado a atenuação dos sintomas de doenças existentes e a prevenção de doenças futuras, especialmente as crônicas não transmissíveis, atualmente consideradas um importante problema de saúde pública mundial. Descrição da Imagem:fotografia em cores, com muitos alimentos. A imagem foi feita de cima para baixo, onde é possível ver as mãos das pessoas cortando a comida em pratos, tábuas de carne, ou segurando um sanduíche. Ali podemos notar a presença de seis pessoas sentadas à mesa cercadas de pratos coloridos e elaborados e uma grande variedade de alimentos como peixes, queijos etc. Figura 4 – Comer em companhia UNICESUMAR UNIDADE 1 19 Alimentos nos fornecem os nutrientes, a partir das possíveis combinações e preparos dos alimentos, das características do modo de comer e às dimen- sões culturais e sociais das práticas alimentares. Todo esse olhar influencia a saúde e o bem-estar do indivíduo. Mais do que os nutrientes isolados, estudos indicam que o efeito benéfico sobre a pre- venção de doenças advém do alimento em si e das combinações de nutrientes e outros compostos químicos que integram a matriz do alimento. Enzimas e algumas vitaminas e minerais, como vitamina E são mecanismos de defesa antioxidante, (protegendo lipídios da oxidação), ainda vitamina C (participa do sistema de regeneração da vitamina E, mantendo o potencial antioxidante plasmático), carotenoides (responsáveis, em parte, por seu papel protetor contra doenças cardiovasculares e cânce- res), zinco e selênio (participam na defesa antioxi- dante). De modo geral, há muita controvérsia sobre o papel desses micronutrientes isolados, sugerindo que se deve priorizar o consumo dessas substâncias antioxidantes provenientes de dietas ricas em fru- tas e hortaliças. Mais estudos são necessários antes de se recomendar o uso de antioxidantes isolados como suplementos para tal finalidade. Por outro lado, o aumento do consumo de peixes tem sido fortemente atrelado à redução do risco de doenças cardiovasculares, especialmente, os eventos ligados à aterosclerose e reincidências pós-infartos. No entanto, a maioria dos trabalhos trata do consumo de óleo de peixe e atribui ao peixe, na forma de alimento, os benefícios en- contrados. Vale frisar, entretanto, que é escasso e ainda divergente o conhecimento atual sobre o efeito do consumo de peixe em comparação à suplementação de cápsulas contendo óleo de pei- xe no risco de tromboembolismo venoso. Em um estudo de coorte, realizado com 23.621 pessoas, com idade entre 25 e 97 anos, os participantes que comeram peixe ≥ 3 vezes/semana tiveram risco 22% menor de eventos tromboembólicos do que aqueles que consumiram peixe 1 a 1,9 vez/semana. A adição de suplementos de óleo de peixe fortaleceu a associação inversa com o risco de tromboembolismo venoso. Esse fenômeno é considerado um dos maiores desafios para as políticas públicas e exige um mo- delo de atenção à saúde pautado na integralidade do indivíduo com uma abordagem centrada na promoção da saúde, requerendo um entendimen- to do processo de saúde/doença em escala popu- lacional (COUTINHO; GENTIL; TORAL, 2008). Há quatro décadas, as doenças cardiovascula- res correspondem à primeira causa de morte no Brasil, acompanhada pelo aumento expressivo da mortalidade por diabetes mellitus e algumas neoplasias malignas (LESSA, 2004). A obesidade, a hipertensão arterial e diabetes estão relaciona- das ao perfil alimentar das famílias brasileiras que podem ser analisados pelos dados de aquisição e ingestão alimentar do Estudo Nacional da Despe- sa Familiar (ENDEF) e da Pesquisa de Orçamen- to Familiar (POF). A última POF (2008- 2009) mostrou um aumento da aquisição alimentar per capita de pratos prontos para o consumo (37%), Descrição da Imagem: na imagem, uma fotografia colorida, onde notamos um prato de salmão grelhado, em primeiro plano e de forma mais nítida, este salmão está salpicado com salsa e na frente do lado esquerdo da imagem temos três fatias de limão siciliano, cortadas pela metade. Na lateral direita da imagem temos algumas fatias de batatas e mais ao fundo do prato algumas folhas de alface. Estes alimentos estão dispostos em um prato de inox. Figura 5 – Salmão grelhado 20 OLHAR CONCEITUAL bebidas como refrigerantes tipo cola (92%) e cerveja (88%); redução da aquisição de feijão (26,4%), arroz (40,5%) e farinha de trigo e mandioca (33,2 e 31,4%, respectivamente); e ingestão alimentar de açúcar simples de 14,1% do consumo calórico total (IBGE, 2004; 2010) quando a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 5% (WHO, 2015). Outra mudança impactante na transição nutricional é as despesas com alimentação fora do domicílio, que aumentaram de 24,1% para 31,1% de 2002-2003 para 2008-2009 (IBGE, 2004; 2010). PREVENINDO A OBESIDADE Evite o estresse Durma horas suficientes de sono Faça atividades físicas Pare de comer lanches rápidos Abandone maus hábitos Beba mais água Assista menos televisão Consuma mais vegetais e frutas A Vigilância de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL) confirmou o quadro cres- cente de obesidade no país: 52,5% da população estava acima do peso em 2014, sendo que o índice era de 43% em 2006. Em relação ao sexo, 56,5% dos homens e 49,1% das mulheres apresentavam excesso de peso e, respectivamente, 17,6% e 18,2%, obesidade. Em relação à faixa etária, jovens de 18 a 24 anos apresentavam menores índices de excesso de peso e obesidade quando comparados a população de 35 a 64 anos. Em relação ao consumo alimentar, a pesquisa encontrou hábitos positivos na população brasileira: frutas e hortaliças estão presentes na rotina alimentar de muitos brasileiros, sendo que 42,5% das mulherese 29,4% dos homens relataram consumir frutas e hortaliças com regularidade, e o número de pessoas que buscam uma alimentação saudável, com menos gordura, aumentou entre os dois levantamentos (BRASIL, 2014). Em contrapartida, o consumo médio de sódio encontrado na UNICESUMAR UNIDADE 1 21 população brasileira foi de 4.700 mg, excedendo mais de duas vezes o limite máximo recomen- dado pela OMS e pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, que recomendam consumo inferior a 2.000 mg de sódio ou 5 gramas de cloreto de sódio por dia (WHO, 2012), e as refeições têm sido substituídas por lanches que, geralmente, são altamente calóricos e ricos em gorduras e açúcares (BRASIL, 2014). Diante dos hábitos alimentares, da preva- lência de doenças crônicas não transmissíveis incluindo o excesso de peso/obesidade que vem acometendo um a cada dois adultos, o setor da saúde tem um importante papel na promoção da alimentação adequada e saudável, sendo este um compromisso expresso na Política Nacional de Alimentação e Nutrição e na Política Nacio- nal de Promoção da Saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) apoia a promoção da alimentação fundamentada nas dimensões de incentivo, apoio e proteção da saúde e deve combinar iniciativas focadas em políticas públicas saudáveis, na cria- ção de ambientes saudáveis, no desenvolvimento de habilidades pessoais e na orientação dos ser- viços de saúde na perspectiva da promoção de saúde (CAISAN, 2015). Na presença de doenças, a suplementação de nutrientes, como as vitaminas K e D, é importante e deve ser considerada. As concentrações séricas suficientes de vitamina K combinadas com o es- tado suficiente de vitamina D foram associadas à melhor função da extremidade inferior em duas coortes de pacientes com osteoartrite. Essas des- cobertas confirmam o mérito da cossuplementa- ção de vitaminas K e D (ROSSI, 2019). Observa-se que ao longo de várias décadas sugerem que a dieta mediterrânea pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares e câncer, além de melhorar a saúde cognitiva. No entanto, nos estudos publicados existem inconsistências entre os métodos empregados para avaliar e definir um padrão de dieta mediterrânea. Por meio de uma revisão da literatura, pesquisadores buscaram definir quantitativamente a dieta mediterrânea por grupos de alimentos e nutrientes. Essa dieta prevê o consumo de três a nove porções de vege- tais, meia a duas porções de frutas, uma a treze porções de cereais e até oito porções de azeite de oliva diariamente, perfazendo 37% de gordura total, 18% de gordura monoinsaturada, 9% de gor- dura saturada e 33 g de fibra por dia. Os efeitos positivos sobre a saúde de padrões tradicionais de alimentação, como a chamada dieta mediter- rânea, devem ser atribuídos menos a alimentos individuais e mais ao conjunto de alimentos que integram esses padrões e ao modo como são pre- parados e consumidos. A existência humana depende claramente da disponibilidade de água e nutrientes, bem como de outros componentes obtidos de alimentos e bebidas, como fibra, compostos bioativos e não bioativos. A água é considerada essencial, pois a sua falta pode levar a estados de desidratação irreversível, causando a morte em menos de uma semana na maioria das vezes. Diversos processos reguladores participam da homeostase do corpo. O líquido corporal é dividido, basicamente, em dois compartimentos principais, separados pelas membranas celulares: o intracelular e o extrace- lular. Embora ambos os compartimentos tenham a mesma osmolaridade total, sua composição é muito diferente. Tanto o volume quanto as pro- priedades físico-químicas de ambos os comparti- mentos devem ser mantidos em equilíbrio para se garantir o bom funcionamento das células do cor- po. Fatores como a ingestão de líquido (água) e/ou sua eliminação, ingestão e excreção de eletrólitos e a adição de produtos usados metabolicamente pelas células podem modificar a composição os- molar dos líquidos corporais. 22 Os processos reguladores da ingestão de ali- mentos tanto em quantidade quanto em qualidade dependem de sinais internos e fatores ambientais, incluindo hábitos, características sociais, organo- lépticas e segurança, além de circunstâncias re- lacionadas com o consumo de alimentos – por exemplo, comer sozinho, sentado no sofá e diante da televisão ou compartilhar uma refeição, sentado à mesa com familiares ou amigos. Esses fatores são importantes para determinar quais alimentos serão consumidos e, sobretudo, em que quantidade. A qualidade dos alimentos pode ser conside- ravelmente alterada se o método de preparo não for adequado, resultando na perda de nutrien- tes. Cocção demasiada, exposições prolongadas do alimento ao ar e ao calor, e armazenamento inapropriado podem causar perdas de vitaminas, oxidação e alterações irreversíveis nos constituintes dos alimentos. Alimentos específicos, preparações culinárias que resultem de combinação e preparo desses alimentos e modos de comer particulares constituem parte importante da cultura de uma so- ciedade e, como tal, estão fortemente relacionados com a identidade e o sentimento de pertencimento social das pessoas, com a sensação de autonomia, com o prazer propiciado pela alimentação e, con- sequentemente, com o seu estado de bem-estar. Dessa maneira, para uma alimentação saudá- vel devem-se considerar os objetivos propostos para cada indivíduo, os fatores genéticos, socioe- conômicos e culturais, tendo sempre como base diretrizes nutricionais cientificamente funda- mentadas, incluindo nutrientes, alimentos, com- binações de alimentos e preparações culinárias. Ninguém duvida. Existe uma relação direta entre nutrição, saúde e bem-estar físico e men- tal do indivíduo. As pesquisas comprovam que a boa alimentação tem um papel fundamental na prevenção e no tratamento de doenças. Há milhares de anos, Hipócrates já afirmava: “que teu alimento seja teu remédio e que teu remédio seja teu alimento”. É isso mesmo. O equilíbrio na dieta é um dos mo- tivos que permitiu ao homem ter vida mais longa neste século. Mas afinal, o que é um diagnóstico nutricional? Diagnóstico nutricional é a iden- tificação e determinação do estado nutricional do indivíduo, elaborado com base em dados clínicos, bioquímicos, antropométricos e dietéticos, obti- dos quando da avaliação nutricional e durante o acompanhamento individualizado (CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS, 2005). O diagnóstico que nos interessa no momento é o nutricional e refere-se ao conhecimento do efeito do(s) problema(s) “alimentação-nutrição” que acometem indivíduos ou populações. Ao realizarmos esse diagnóstico, estamos, na verdade, querendo identificar a situação de nu- trição de uma pessoa ou de um grupo. O que nos interessa realmente é saber se há, qual é, e como se comporta um problema que pode interferir nega- tivamente na saúde das pessoas. Respondidas es- sas questões, teremos subsídios para propor ações que busquem solucionar o problema encontrado, seja para o indivíduo seja para o coletivo. A desnutrição infantil é considerada a segun- da causa de morte mais frequente entre crianças menores de cinco anos em países em desenvol- vimento. Nessa fase da vida, desnutrição gera QUE TEU ALIMENTO SEJA TEU REMÉDIO E QUE TEU REMÉDIO SEJA TEU ALIMENTO. HIPÓCRATES UNICESUMAR UNIDADE 1 23 um prejuízo no crescimento físico, no desenvolvimento neuropsicomotor, além de ocasionar maior vulnerabilidade a diversas comorbidades e, consequentemente, maior risco de internação hospitalar. Apesar da inexistência do conteúdo da sustentabilidade no currículo nacional do Curso de Nu- trição, é indiscutível que o profissional nutricionista, com base em subsídios de necessidade e consciência, desenvolva a capacidade de gerenciar uma conduta coerente com a sustentabilidade, não apenas nas UANs, como também em orientações clínicas e em grupos de educação em nutrição (STRASBURG; JAHNO, 2015). Assim, fica claro quea formação do nutricionista deve contem- plar um processo de ensino e aprendizagem capaz de contemplar não somente as competências técnicas, como também a compreensão, análise e intervenção em problemas socioambientais dos locais onde atuam (JERONIMO, 2015). A demanda por atendimento nutricional, tanto na rede básica de Saúde quanto em clínicas e con- sultórios, tem crescido significativamente, em decorrência do aumento da prevalência de doenças crônicas e do reconhecimento de que a adoção de uma dieta saudável representa um dos principais determinantes dessas doenças. A intervenção dietoterápica é comprovadamente reconhecida como tratamento isolado ou coadjuvante de doenças como obesidade, cardiovasculares, hipertensão, diabetes melito, osteoporose e câncer. Porém, para que o tratamento nutricional seja eficaz, deve-se partir de um diagnóstico adequado, o que demanda conhecimentos aprofundados sobre os fatores que funda- mentam o consumo alimentar individual. Documento recente elaborado pelo Conselho Federal de Nutricionistas, que estabelece os proce- dimentos nutricionais para atuação profissional, enfatiza a necessi dade de realizar uma investigação detalhada dos hábitos alimentares, incluindo o padrão alimentar quanto ao número, ao tipo e compo- sição das refeições, às restrições, às preferências alimentares e ao apetite. Recomenda, ainda, a avaliação dos hábitos e das condições alimentares da família, com vistas ao apoio dietoterápico, em função da disponibilidade de alimentos, condições, procedimentos e comportamentos em relação ao preparo, conservação, armazenamento e cuidados higiênicos. Em resumo: quando nos propomos a realizar um diagnóstico nutricional, de crianças e adultos, quer individual quer coletivo, a intenção, na verdade, é conhecer um problema que nos interessa em particular, preferencialmente encontrando respostas para as seguintes questões: Que condições levam ao seu aparecimento? (determinantes) Como se identifica o problema individualmente? (diagnóstico individual) Qual a extensão do problema, ou seja, sua magnitude, quais as tendências no tempo, dis- tribuição geográfica, grupos populacionais de maior risco? (perfil ou diagnóstico coletivo) Como podemos solucioná-lo nas esferas coletiva e individual? (intervenção) Para que todos esses passos sejam dados de forma segura, é preciso, antes de tudo, conhecer bem as técnicas e os instrumentos adequados para realizar um diagnóstico nutricional (BARROS, 2007). 24 Sob uma perspectiva ampla, os hábitos alimenta- res estão intimamente relacionados aos aspectos culturais, antropológicos, socioeconômicos e psi- cológicos que envolvem o ambiente das pessoas. O estado nutricional de um indivíduo é re- sultado da relação entre o consumo de alimentos e as necessidades nutricionais. A avaliação do es- tado nutricional objetiva identificar os pacientes em risco, colaborar para a promoção ou recupe- ração da saúde e monitorar sua evolução. Deve-se enfatizar que um parâmetro isolado não pode ser usado como indicador confiável da condição nu- tricional geral de um indivíduo, sendo necessário empregar uma associação de vários indicadores do estado nutricional para aumentar a precisão diagnóstica. Na prática clínica, utilizam-se a análi- se da história clínica, dietética e psicossocial, e os dados antropométricos e bioquímicos, além da interação entre drogas e nutrientes para estabele- cer o diagnóstico nutricional e servir de base para o planejamento e orientação dietética. A avaliação do consumo alimentar é realizada para fornecer subsídios para o desenvolvimento e implantação de planos nutricionais e deve inte- grar um protocolo de atendimento para avaliação nutricional, cujo objetivo deve ser o de estimar se a ingestão de alimentos está adequada ou inade- quada e o de identificar hábitos inadequados e/ ou a ingestão excessiva de alimentos com pobre conteúdo nutricional. Devemos ter clara, inicialmente, a definição da finalidade a ser alcançada para orientar a seleção do método de inquérito. Fatores como estado geral do indivíduo/paciente, evolução da condição clíni- ca e os motivos pelos quais o indivíduo necessita de orientação nutricional direcionam a escolha do método de avaliação do consumo alimentar. Assim, no contexto da prática clínica, podem ser estabelecidos três diferentes objetivos para ava- liação do consumo alimentar: a avaliação quanti- tativa da ingestão de nutrientes; a avaliação do consumo de alimentos ou grupos alimentares; a avaliação do padrão alimentar individual. A definição, pelo profissional, de mais de um ob- jetivo pode levar à necessidade de aplicação de mais de um método, porém, deve-se ressaltar que isso pode tornar a consulta nutricional muito extensa e cansativa, principalmente no caso de consultórios. A transformação para dietas saudáveis até 2050 vai exigir mudanças substanciais na dieta. O con- sumo geral de frutas, vegetais, nozes e legumes terá que duplicar, e o consumo de alimentos como car- ne vermelha e açúcar terá que ser reduzido em mais de 50%. Uma dieta rica em alimentos à base de plantas e com menos alimentos de origem animal confere benefícios à saúde e ao meio ambiente. Nada é mais potente para ajudar no desen- volvimento humano do que a comida. Bem como nada pode ser mais definidor de uma so- ciedade sustentável do que a maneira que essa sociedade consome comida. Hoje a comida é responsável por uma carga poluidora muito alta no planeta. Um grande desafio da sociedade con- temporânea é fornecer a uma população mundial crescente alimentação saudável a partir de siste- mas alimentares sustentáveis. Embora a produção mundial de calorias em geral tenha acompanhado o crescimento populacional, mais de 820 milhões de pessoas ainda não têm comida suficiente, e muitas mais consomem dietas de baixa qualidade ou comidas demais. UNICESUMAR UNIDADE 1 25 Dietas insalubres (pobre em nutrientes, com alta concentração de gordura saturada e alto índice glicêmico) agora representam um risco maior para a morbidez e a mortalidade do que o uso inseguro de sexo, álcool, drogas e tabaco juntos. A produção global de alimentos ameaça a esta- bilidade climática e a resiliência dos ecossistemas e constitui o maior impulsionador individual da degradação ambiental e da transgressão dos li- mites planetários. Juntos, o resultado é terrível. É urgentemente necessária uma transformação radical do sistema alimentar global. Existem evidências científicas substanciais que vinculam dietas à saúde humana e à sustenta- bilidade ambiental. No entanto, a ausência de al- vos científicos globalmente acordados para dietas saudáveis e a produção de alimentos prejudicou os esforços em grande escala e coordenados para transformar o sistema alimentar global. Uma importante discussão sobre os impactos ambientais do modelo de nossas dietas modernas sobre o planeta está em curso. Uma dieta rica em alimentos vegetais e com menos alimentos de origem animal confere benefícios à saúde e ao meio ambiente. Dietas semivegetarianas são benéficas para os indivíduos, para a socieda- de e para o planeta. Entretanto, não se tem um consenso global sobre o que constitui uma dieta saudável e a produção sustentável de alimentos e se as dietas de saúde planetária* podem ser alcançadas para uma população global de 10 bilhões de pessoas até 2050. Sem ação, o mundo corre o risco de não cum- prir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e o Acordo de Paris, e as crianças de hoje herdarão um planeta gravemente degra- dado e onde grande parte da população sofrerá cada vez mais desnutrição e doenças evitáveis. É importante desenvolver metas científicas globais para dietas saudáveis e produção susten- tável de alimentos e integrar essas metas científi- cas universais numa estrutura comum o espaço operacional seguro para sistemas alimentares, para que as dietas de saúde planetárias (ambos saudáveis e ambientalmentesustentáveis) pudes- sem ser identificadas. Este espaço operacional se- guro é definido por alvos científicos para grupos de alimentos específicos (por exemplo, 100 a 300 g/dia de fruta) para optimizar a saúde humana e alvos científicos para a produção sustentável de alimentos para garantir um sistema Terra estável. A transformação para dietas saudáveis até 2050 exigirá mudanças substanciais. Isso inclui mais do que o dobro no consumo de alimentos saudáveis, como frutas, vegetais, legumes e nozes, e uma redução de mais de 50% no con- sumo global de alimentos menos saudáveis, como açúcares adicionados e carne vermelha (ou seja, primariamente reduzindo o consumo excessivo em países mais ricos). No entanto, algumas populações em todo o mundo dependem de meios de subsistência agro- pastoris e proteína animal do gado. Além disso, muitas populações continuam a enfrentar proble- Descrição da Imagem: Mulher vestindo saia vermelha e casa- co rosa segurando uma coberta nas mãos e criança com calça verde, camiseta listrada e casaco estampado. Eles estão em um depósito de lixo. Ainda outra mulher em segundo plano. Há muito lixo no entorno deles. A criança está se alimentando do que encontrou no lixo. Figura 6 – Insegurança Alimentar 26 mas significativos de desnutrição e a obtenção de quantidades adequadas de micronutrientes a par- tir de alimentos de origem vegetal pode ser difícil. Dadas estas considerações, o papel dos alimentos de origem animal nas dietas das pessoas deve ser cuidadosamente considerado em cada contexto e dentro das realidades locais e regionais. As mudanças dietéticas das atuais dietas em direção a dietas saudáveis provavelmente resul- tarão em benefícios significativos para a saúde. Atingir um sistema alimentar sustentável que possa oferecer dietas saudáveis para uma popu- lação crescente apresenta desafios formidáveis. Encontrar soluções para esses desafios requer uma compreensão dos impactos ambientais de várias ações. As ações prontamente implemen- táveis são: uma mudança global em direção a dietas saudáveis; melhores práticas de pro- dução de alimentos; e redução de perda de alimentos e desperdício. Dessa forma, ações e políticas de incentivo à produção de frutas e hortaliças regionais em áreas urbanas, periurbanas, ou em áreas rurais perto das cidades podem melhorar o preço e a qualidade desses alimentos, de modo a incentivar o maior consumo por parte da população local. Estraté- gias, nesse sentido, podem ainda reduzir o des- perdício de alimentos e a poluição causados pelo transporte em longas distâncias. Combinadas as políticas de compra pública de alimentos – em que o Estado os adquire direto dos produtores para utilização em escolas, hospitais, creches, abri- gos e asilos –, tais estratégias podem promover, também, condições dignas de trabalho e de vida no meio rural, além de aumentar o consumo de frutas e hortaliças pelo público atendido. Ainda como forma de incentivo ao consumo de frutas e hortaliças, podemos pensar em programas e campanhas com esse fim, além de ações de educa- ção alimentar e nutricional em diversas instituições públicas, bem como ações de regulamentação da publicidade excessiva de alimentos industrializados. O incentivo à produção até o consumo desses alimentos – poderia promover não apenas uma alimentação mais saudável, como processos de produção e comercialização de alimentos mais justos social e economicamente, mais sustentá- veis e com maior valorização da cultura e dos alimentos locais. As ações em Segurança Alimentar e Nutri- cional são amplas e devem contemplar diversos setores (agricultura, abastecimento, saúde, edu- cação, desenvolvimento e assistência social, entre outros) de forma articulada. A essa característica chamamos intersetorialidade (BURITY, FRAN- CESCHINI, VALENTE, 2013). A aplicação desta estrutura a projeções futuras do desenvolvimento mundial indica que os siste- mas alimentares podem fornecer dietas saudáveis (definidas aqui como uma dieta de referência) para uma população estimada em cerca de 10 bilhões de pessoas até 2050 e permanecer den- tro dum espaço operacional seguro. No entanto, mesmo pequenos aumentos no consumo de carne vermelha ou lacticínios tornariam esse objetivo difícil ou impossível de alcançar. A análise mostra que permanecer dentro do espaço operacional seguro para os sistemas alimentares requer uma combinação de mudanças substanciais em direção a padrões alimentares maioritaria- mente baseados em plantas, reduções drásti- cas nas perdas e desperdícios de alimentos e grandes melhorias nas práticas de produção de alimentos. Embora algumas ações individuais sejam suficientes para permanecer dentro de li- mites específicos, nenhuma intervenção única é suficiente para permanecer abaixo de todos os limites simultaneamente. As sociedades contemporâneas devem optar pelo aumento do consumo de alimentos à base UNICESUMAR UNIDADE 1 27 de plantas – incluindo frutas, legumes, no- zes, sementes e grãos integrais – enquanto em muitos cenários limitam substancialmente os alimentos de origem animal. Alimentos saudáveis devem, através de esfor- ços governamentais, se tornar mais disponíveis, acessíveis e mais baratos no lugar de alternativas não saudáveis, melhorando a informação e o mar- keting de alimentos, investindo em informações de saúde pública e educação sobre sustentabilida- de, implementando diretrizes dietéticas baseadas em alimentos e usando serviços de saúde para fornecer aconselhamento e intervenções dietéti- cas (WILLETT, 2019). Uma iniciativa importante para a vida alimen- tar nesse planeta é saber reorientar as prioridades agrícolas de produção. A agricultura e a pesca não devem apenas pro- duzir calorias suficientes para alimentar uma população global crescente, mas também de- vem produzir uma diversidade de alimentos que sustentam a saúde humana e apoiem a sustentabilidade ambiental. Juntamente com as mudanças em nossas es- colhas alimentares, as políticas agrícolas e mari- nhas devem ser reorientadas em direção a uma variedade de alimentos nutritivos que aumentam a biodiversidade, em vez de procurar aumentar o volume de algumas colheitas, muitas das quais agora são usadas para ração animal. A produção de gado precisa ser considerada em contextos específicos (WILLETT, 2019). A adoção global de dietas saudáveis a partir de sistemas alimentares sustentáveis salvaguardaria o nosso planeta e melhoraria a saúde de bilhões. Como os alimentos são produzidos, o que é consumido e quanto é perdido ou desperdiçado, tudo molda fortemente a saúde das pessoas e do planeta. Alimentar 10 bilhões de pessoas com uma dieta saudável dentro de limites planetários seguros para a produção de alimentos até 2050 é possível e necessário. A redução substancial das perdas de ali- mentos no lado da produção e o desperdício de alimentos no lado do consumo é essencial para que o sistema alimentar global permaneça dentro de um espaço operacional seguro. Políticas públicas de abastecimento alimentar são necessárias para alcançar uma redução geral de Relatórios Resumidos de 50% na perda e des- perdício global de alimentos, de acordo com as metas dos ODS. As ações incluem melhorias na infraestrutura pós-colheita, transporte de alimen- tos, processamento e embalagem, aumentando a colaboração ao longo da cadeia de suprimentos, treinando e equipando os produtores e educando os consumidores (WILLETT, 2019). A alimentação será uma questão definidora do século XXI. Desbloquear o seu potencial catalisa- rá a conquista tanto dos ODS como do Acordo de Paris. Existe uma oportunidade sem precedentes para desenvolver os sistemas alimentares como um fio condutor comum entre muitos quadros de políticas internacionais, nacionais e empresariais, visando melhorar a saúde humana e a sustenta- bilidade ambiental. Estabelecer alvos científicos claros para orientar a transformação do sistema alimentaré um passo importante para concretizar esta oportunidade. 28 No Pílula de hoje falaremos sobre a transição nutricional no Brasil. Ul- trapassamos 50% de pessoas com sobrepeso e ainda não vencemos a batalha contra a fome. O que podemos fazer para vencê-la? Clica no vídeo e vamos construir juntos essa resposta! Texto: Transição nutricional no Brasil: análise dos principais fatores Cadernos UniFOA, edição nº 13, agosto/2010. Autor: Elton Bicalho de Souza. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Título: Nutrição: da Gestação ao Envelhecimento Autor: MARCIA REGINA VITOLO Editora: RUBIO Sinopse: Em sua segunda edição, revisada e ampliada, Nutrição – da Ges- tação ao Envelhecimento apresenta a prática da abordagem nutricional em todos os estágios da vida, sem deixar de fornecer as bases teóricas e científicas e as políticas públicas que alicerçam o dia a dia do profissional dessa área. O conteúdo apresentado deixa evidente a enorme distinção entre as ações relacionadas à prevenção e ao tratamento dos problemas nutricionais. Tal per- cepção é essencial para maior efetividade da promoção à saúde. A fundamentação científica aliada à interpretação crítica e aplicada à realidade brasileira é o des- taque desta obra. Assim, os exemplos práticos e os estudos de casos clínicos possibilitam uma formação acadêmica diferenciada e a atualização dos profissionais de Nutrição. O livro está dividido em 10 partes: Recomendações para Ingestão de Energia e Nutrientes. Edu- cação e Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Gestação. Aleitamento Materno. Infância. Adolescência. Obesidade na Infância e na Adolescência. Adulto. Idoso. UNICESUMAR https://revistas.unifoa.edu.br/cadernos/article/view/1025/895 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13605 UNIDADE 1 29 Filme: Tomates Verdes Fritos Evelyn Couch (Kathy Bates) é uma dona de casa emocionalmente reprimida, que habitualmente afoga suas mágoas comendo doces. Ed (Gailard Sartain), o marido dela, quase não nota a existência de Evelyn. Toda semana eles vão visitar uma tia em um hospital, mas a parente nunca permite que Evelyn entre no quarto. Uma semana, enquanto ela espera que Ed termine sua visita, Evelyn conhece Ninny Threadgoode (Jessica Tandy), uma debilitada, mas gentil senhora de 83 anos, que ama contar histórias. Muito Além do Peso (Way Beyond Weight, 2012) Obesidade, a maior epidemia infantil da história. Hoje em dia, um terço das crianças brasileiras está acima do peso. Esta é a primeira geração a apresentar doenças antes restritas aos adultos, como depressão, diabetes e problemas cardiovasculares. Este documentário estuda o caso da obesidade infantil, principalmente no território nacional, mas também nos outros países no mundo, entrevistando pais, represen- tantes das escolas, membros do governo e responsáveis pela publicidade de alimentos. Ficha Técnica: Direção: Estela Renner Produção Executiva: Marcos Nisti Direção de Produção: Juliana Borges Fotografia: Renata Ursaia Montagem: Jordana Berg Trilha Sonora: Luiz Macedo 30 Você já deve ter percebido que a maioria dos agravos em nutrição tem várias causas e origens. Obe- sidade, fome, doenças carenciais sempre estarão relacionadas não somente a escolhas alimentares, mas a contextos sociais e de acesso e disponibilidade de alimentos saudáveis. A educação alimentar e nutricional (EAN) é um espaço amplo de discussão. Afinal, será que todas as suas escolhas alimentares são de fato autônomas? Será que escolhemos o que comemos ou somos influenciados diariamente por um batalhão de informações sedutoras e que mudam nossa decisão na hora de comer? Reflita a respeito dessa questão em sua rotina e escreva um diário alimentar! Escreva o que comeu em uma quinta-feira e em um sábado! O que percebeu em seus próprios hábitos? No que o ambiente de traba- lho ou seus amigos influenciaram nas suas escolhas? E se fossem seus pacientes? Como iria proceder a uma ação educativa? Você já se perguntou o que os universitários comem lá na China? Pois é, praticamente a mesma coisa que você aqui no Brasil ou em vários outros lugares do mundo. A homogeneização da alimentação é um fenômeno muito triste e tira a riqueza cultural dos povos. A transição demográfica e nutricional que vivemos nesses últimos 40 anos fez com que prati- camente o mundo inteiro escolhesse macarrão e frango no almoço! E ainda contamos com cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo inteiro que sequer fazem uma refeição ao dia. A alta concentração de renda nos países emergentes e a padronização dos latifúndios para produção quase que exclusiva de soja, milho e pasto transformou o planeta numa grande fábrica de ração animal. E você? Comeu o que hoje? Acesse o Podcast e descubra que não é tão diferente do que uma boa parte do planeta também comeu... UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11672 31 Vamos sair das linhas corridas e organizar nossas próprias idéias? Sugiro aqui o Mapa da Empatia, onde você irá produzir um Mapa Mental, por meio de palavras-chave, que podem levar aos resulta- dos da de sua experiência com o tema. Aqui valem ideias soltas, pensamentos relevantes sobre a transição nutricional e como a geladeira de sua casa mudou desde que você nasceu. Mapas men- tais deixam o aprendizado mais envolvente e guardamos por muito mais tempo o que aprendem- os. Uma sugestão de ferramenta gratuita é o https://www.goconqr.com/. NOVO CENÁRIO ALIMENTAR NO BRASIL https://www.goconqr.com/ 32 1. A cultura alimentar expressa a identidade de povos e grupos sociais ao longo do tempo. Cada sociedade estabelece um conjunto de códigos alimentares, que tem nas suas práticas a consolidação de suas tradições e inovações. Esse conjunto de práticas pode ser considerado patrimônio cultural de uma comunidade. Sobre a interferência da cultura alimentar nos hábitos de uma população, assinale a alternativa correta: a) A cultura alimentar diz respeito aos hábitos cotidianos, que são compostos pelo que é tradi- cional e pelo que se constrói como novos hábitos. b) A cultura alimentar brasileira traz diferentes tradições em sua formação, tais como a portu- guesa, a asiática e a indiana. c) A industrialização dos alimentos não interfere na cultura alimentar de uma população. d) As diferenças alimentares entre as diversas regiões brasileiras são relacionadas ao grau de acesso às mídias que cada região tem. e) A alimentação humana sofre maior influência das necessidades fisiológicas, sendo pouco influenciada pela cultura. 2. De acordo com Monteiro et al. (2000), a transição nutricional é um processo que inclui mu- danças cíclicas importantes no perfil nutricional da população, as quais são determinadas por uma série de variações econômicas, demográficas, ambientais e socioculturais que se relacionam entre si e que trazem como consequência modificações no padrão e no tipo de alimentação e atividade. Com base nessa informação, assinale a alternativa que apresenta uma das diversas causas da transição nutricional a) Diminuição da ingestão calórica aparente, que se reflete em todas as análises de disponibili- dade de alimentos no País. b) Inserção da mulher/mãe no mercado de trabalho, o que faz que ela não tenha tempo de cozinhar para a família. c) Diminuição da proporção de lipídios no total do consumo energético. d) Aumento generalizado das atividades físicas pelo uso de tecnologias que as favorecem. e) Reforma sanitária na década de 1940, que proporcionou mais saúde e melhor alimentação, o que levou, posteriormente, ao sobrepeso e à obesidade de grande parte da população. 3. Com suas palavras, descreva os processos (migratórios e na mudança no perfil de doenças) que antecederam a transição Nutricional no Brasil. 2 Nesta unidade, nós iremos estudar a fisiologia da gestação e lac- tação e situações especiais na gestação. Avaliação do estado nutri- cional, necessidades nutricionais de gestantes nos três trimestres gestacionais e as particularidades das lactantes. Daremosfoco es- pecial ao aleitamento materno e seus benefícios para o bebê, para a mãe e inclusive para toda a sociedade. Os chamados primeiros 1000 dias de um bebê são cruciais para seu desenvolvimento in- telectual e motor em toda a vida. Esses 1000 dias começam antes mesmo dele nascer! Gestação e Lactação: Os Primeiros 1000 Dias da Nova Vida M. Sc. Silvia Moro Conque Spinelli 34 Que a gestante não tem que comer por dois você já sabe. Mas e alguns tabus alimentares? Você co- nhece? Conhece alguma que já quis comer tijolos ou terra? Os “desejos” têm significados reais ou são puro charme? Nesta unidade, nós vamos discutir os fenômenos alimentares típicos e qual nosso papel enquanto educador no campo na nutrição. Planejar a alimentação de gestantes e mulheres que amamentam não é dificuldade alguma. E sabe por quê? Porque elas estão normalmente dispostas a fazerem o seu melhor. Mesmo que a saúde dessa mulher esteja comprometida, observa-se, na prática clínica, que gestantes se enchem de entusiasmo com a vida nova que se aproxima e se tornam dispostas a mudarem hábitos inadequados e a melhorar o estilo de vida em prol da saúde de seu bebê. Isso é mágico. Muitas vezes, é durante a gestação que toda uma família abraça um estilo de vida mais saudável e comprometido com o bem-estar de todos. O que você acha de planejar alimentos saudáveis e atrativos para crianças? Chame uma criança para fazer a atividade com você e você irá se imaginar nutricionista que trabalha Educação Alimentar e Nutricional com o público infantil. Podem criar uma panqueca colorida (com beterraba ou espinafre na massa), uma omelete com vegetais ou um bolo de fubá com cobertura de chocolate. Desafie essa criança a encontrar no armário todos os ingredientes da receita. Utilize uma mesa baixa para possibilitar a participação dela de forma ativa. Coloque um timer ou alarme no celular com tempo máximo para o desafio ficar ainda mais emocionante e, se desejar, inclua um prêmio para o desafio conquistado. Depois, você acha que ela vai querer provar? Possibilitar a participação das crianças no preparo das refeições pode trazer para a família benefícios incríveis. Uma criança que participa dos preparativos da comida valoriza o alimento, evita o desperdício e se torna mais autônoma na vida adulta. Assim serão adultos com uma melhor relação com a comida. A criança realmente aprende pelo exemplo e colocar a mão na massa possibilita que ela entenda a presença dos diferentes ingredientes, descobrindo um mundo mais natural e divertido. Observamos nas famílias que essa relação está quebrada e que a falta de tempo distancia os familiares inclusive no momento das refeições. Bebês, crianças e adolescentes são muito impactados pela propaganda dos ultraprocessados e nada saudáveis. A mídia não faz propaganda de brócolis ou goiaba. Ainda assim, quando as famílias optam por dietas mais saudáveis e por não oferecer açúcar aos filhos são taxados de radicais. E frases como: • Nossa, ele toma esse suco sem açúcar? Que maldade! • Se você não der o chocolate que ele viu, vai ficar com vontade! • Que dó! Não dá maracujá para a criança, é azedo! O fato é que estamos vivendo uma epidemia de obesidade infantil. Muitas famílias demoram para enten- der que a obesidade não se tornará um problema na fase adulta, quando os exames séricos (de sangue) se tornarem descontrolados. A obesidade é complexa e afeta a autoestima, ansiedade e nossa relação com o mundo que nos cerca. Para reverter esse quadro, as crianças devem valorizar a comida caseira. Fazer a criança se envolver com o preparo da comida deixará ela mais independente e autônoma. Que tal conhecer um pouco mais sobre os inúmeros benefícios de levar as crianças para a cozinha? Anote aqui no DIÁRIO DE BORDO , pesquise receitas de culinária para crianças, para desen- volver em família. UNICESUMAR UNIDADE 2 35 Descrição da Imagem: mãe morena com blusa branca, cabelos longos e presos. Filha, criança com camiseta e avental jeans. Elas estão cozinhando juntas. Preparam salada em uma cozinha com alguns pratos e vegetais em primeiro plano. Figura 1 – Cozinhando em família 36 A alimentação equilibrada é um hábito reco- mendado para toda a vida. Durante a gestação, a responsabilidade quanto à alimentação aumenta, uma vez que implica diretamente o perfeito de- senvolvimento do feto. O acompanhamento da situação nutricional das crianças de um país constitui um instrumento essencial para a aferição das condições de saúde da população infantil, sendo uma forma objetiva de avaliar a evolução das condições de vida da po- pulação em geral (MAHAN; ESCOTT-STUMP, 2013). A avaliação nutricional é fundamental de- vido à influência decisiva que o estado nutricio- nal exerce sobre os riscos de morbimortalidade e sobre o crescimento e o desenvolvimento infantil (VITOLO, 2014). Você já ouviu falar na Janela de oportuni- dades para a nutrição das futuras gerações? O período que representa a janela de oportunidades para que os profissionais da saúde realizem inter- venções nutricionais para a mulher, que podem beneficiar a saúde das futuras gerações, engloba: A nutrição adequada durante a gestação é deter- minante da saúde do bebê e inclusive da quali- dade de vida da mãe. A boa alimentação previne diversos eventos adversos, garantindo aporte nu- tricional antes e após o parto, garante nutrientes para o período da lactação e assegura um bom ganho de peso gestacional. A gestante que ganha muito mais peso que o recomendado para seu peso antes da gestação ou que não ganha peso suficiente é considerada gestante de risco pelos protocolos brasileiros de obstetrícia. As refeições devem ser ricas nos alimentos de todos os grupos alimentares, como em todos os ciclos humanos. A gestante deverá sempre co- mer vegetais (folhosos e legumes), frutas, carne bovina, frango, fígado (se desejar, uma vez por semana), ovos e peixes (sardinha, salmão, atum, pescada, cavalinha), leguminosas (feijão, grão de bico, lentilha, ervilha), cereais (arroz integral, ba- tata, milho, entre outros), azeites (de preferência extra virgem), leite e laticínios (fora do horário do almoço e jantar). Se a gestante optar pela ingestão de carnes, elas deverão ser assadas, grelhadas, ensopadas ou Os 90 dias antes da concepção: destinados a medidas que visam prevenir malformações fetais Os 280 dias de uma gestação a termo: visando minimizar os efeitos epigenéticos; Os 730 dias dos dois primeiros anos de vida do ser humano: como potencializadores do desenvolvimento neuropsicomotor Descrição da Imagem: criança de aproximadamente um ano dentro de uma caixa de madeira e um tecido de lã. Ela sorri. Ao lado, balança de alimentos vermelhos com várias hortaliças como cenouras e rabanetes. Figura 2: Criança pequena com vegetais UNICESUMAR UNIDADE 2 37 cozidas, evitando as frituras. Recomenda-se não ingerir gordura vegetal hidrogenada, que pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento fetal. Na prática devemos desencorajar o consumo de margarina e salgados de padaria que são feitos a partir de cremes vegetais hidrogenados (muitas vezes até com gordura do tipo trans). Não há obrigatoriedade de fracionamento das re- feições da gestante. O ideal é que a mulher leve sua rotina parecida com a que levava antes da gestação. Sem grandes mudanças abruptas em sua dieta, para evitar grandes picos glicêmicos, as refeições podem ser distribuídas seis vezes ao dia: desjejum, colação, almoço, lanche, jantar e ceia. Os intervalos em mé- dia são de três horas entre uma e outra refeição. Não há proibição alguma quanto ao consumo de café ou outras bebidas cafeinadas como chás escuros (feitos com erva mate, rica em cafeína), desde que seja uma gestação saudável e que o consumo não seja exagerado. Ainda mais se o organismo da mulher é perfeitamente habituado a essas substâncias. Logicamente que se a mulher não consome bebidas cafeinadas na vida, a ges- tação não é o período idealpara ela iniciar esse hábito. Refrigerantes com cafeína (tipo cola) são desaconselhados por serem grande fonte de açú- car branco, de alto índice glicêmico e sem qual- quer nutriente benéfico. De fato, em nenhuma fase da vida devemos aconselhar o consumo de refrigerantes açucarados. O ganho de peso na gestação deve ser sufi- ciente para promover o desenvolvimento fetal completo e também para armazenar nutrientes adequados no organismo materno para o aleita- mento. Nenhuma mulher deve perder peso du- rante a gravidez, independente do seu Índice de Massa Corporal (IMC) antes de engravidar. O Institute of Medicine (IOM) recomenda as faixas de ganho de peso ideal durante a gestação. De acordo com a situação nutricional inicial da gestante (baixo peso, adequado, sobrepeso ou obesidade) há uma faixa de ganho de peso re- comendada por trimestre. É importante que na primeira consulta a gestante seja informada so- bre o peso que deve ganhar. Pacientes com baixo peso devem ganhar cerca de 2,3 kg no primeiro trimestre e 0,5 kg/semana nos segundo e terceiro trimestre. Da mesma forma, gestantes com IMC adequado devem ganhar aproximadamente 1,6 kg no primeiro trimestre e 0,4 kg/semana nos segun- do e terceiro trimestres. Gestantes com sobrepeso devem ganhar até 0,9 kg no primeiro trimestre e gestantes obesas não necessitam ganhar peso no primeiro trimestre. Já no segundo e terceiro trimestre as gestantes com sobrepeso e obesas devem ganhar até 0,3 kg/semana e 0,2 kg/semana, respectivamente. Há inúmeros autores que trazem tabelas e esquemas para acompanhamento do ganho de peso durante a gestação. Descrição da Imagem:mulher branca oriental gestante co- mendo uma tigela de saladas. Ao lado dela um prato com frutas. No fundo um sofá branco e plantas verdes decoram o ambiente. Ainda uma cama com lençol e uma banqueta branca no fundo. Figura 3 – Gestante comendo salada 38 No Brasil, o Ministério da saúde utiliza o estudo realizado por Atalah (2007) para acompanhar o estado nutricional da gestante. Para a avaliação da gestante, será utilizado o gráfico de IMC / Semana de gestação. Este gráfico é composto de quatro categorias que permitem a classificação da gestante. Na vertical os valores do IMC e na horizontal as semanas gestacionais. O valor do IMC deve ser localizado no gráfico, considerando a semana gestacional na medição. A zona no gráfico em que as linhas se cruzam corresponde ao diagnóstico nutricional. Você, quando for um nutricionista, terá autonomia para escolher um autor para se ba- sear em seu protocolo de trabalho. PERÍODOS CRÍTICOS DO DESENVOLVIMENTO NEUROLÓGICO HUMANO PERÍODO EMBRIONÁRIO (3 A 9 SEMANAS) PERÍODO FETAL (DESDE 9 SEMANAS GESTACIONAIS ATÉ O NASCIMENTO) 1º TRIMESTRE 2º TRIMESTRE 3º TRIMESTRE SISTEMA NERVOSO CENTRAL CORAÇÃO OUVIDOS OLHOS DENTES PALATO GENITAIS EXTERNOS (é possível ver o sexo do bebê pela simples ecografia) MEMBROS 1 mês 2 meses 3 meses 4 meses 5 meses 6 meses 7 meses 8 meses 9 meses Período de maior vulnerabilidade Período de menor vulnerabilidade Descrição da Imagem: infográfico em rosa representando o desenvolvimento do bebê com ganho de peso e evolução neurológica do feto por semanas gestacionais desde a fase embrionária até após o nascimento. Em desenhos sequenciais, observa-se o feto de um mês, dois meses, três meses quando termina a fase embrionária e se inicia o período fetal até nove meses gestacionais com os respectivos ganhos de peso esperados. Na gravura também há a divisão em três trimestres e em semanas (1-38) gestacionais. Figura 4 – Períodos críticos do desenvolvimento neurológico humano / Fonte: o autor UNICESUMAR UNIDADE 2 39 Por exemplo, Fernanda tem um IMC de 24,5 e está na 28° semana de gestação. Classificação: Peso normal (A – Adequado) (ATALAH; CASTILLO; CASTRO; ALDEA, 1997). 40 39,5 39 38,5 38 37,5 37 36,5 36 35,5 35 34,5 34 33,5 33 32,5 32 31,5 31 30,5 30 29,5 29 28,5 28 27,5 27 26,5 26 25,5 25 24,5 24 23,5 23 22,5 22 21,5 21 20,5 20 19,5 19 18,5 18 17,5 17 40 39,5 39 38,5 38 37,5 37 36,5 36 35,5 35 34,5 34 33,5 33 32,5 32 31,5 31 30,5 30 29,5 29 28,5 28 27,5 27 26,5 26 25,5 25 24,5 24 23,5 23 22,5 22 21,5 21 20,5 20 19,5 19 18,5 18 17,5 17 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 SEMANA DE GESTAÇÃO IM C Baixo PesoBP AdequadoA SobrepesoS ObesidadeO O S A BP Descrição da Imagem: Quadro colorido com numeração lateral vertical representando o Índice de massa corporal e numeração no eixo das abscissas (linhas horizontais) representando as semanas gestacionais. Assim, nos cruzamentos das faixas de peso com evolução de semanas da gestante formam-se diagnósticos nutricionais, divididos por cores (verde escuro, verde claro, roxo e rosa) com siglas de baixo peso, adequado, sobrepeso e obesidade no centro das áreas separadas por linhas pretas. Figura 5 – Instrumento para avaliação do ganho de peso na gestação / Fonte: ATALAH, E. S.; CASTILLO, C. L.; CASTRO R. S.; ALDEA, A. P. Propuesta de un nuevo estándar de evaluación nutricional en embarazadas. Revista Médica de Chile, v. 125, n. 12, p. 1429-1436, 1997. 40 Gestantes que adquirem peso de forma segura, dentro do esperado para seu biotipo em geral geram bebês com peso dentro do esperado para cada fase do desenvolvimento infantil. Ainda, o retorno ao peso pré-gestacional é mais rápido. Apesar disso, aproximadamente 2/3 das mulheres ganham mais peso que o recomendado, o que leva a complicações durante a gestação além de contribuir para a retenção de peso pós-parto e, assim, para o desenvolvimento da obesidade e suas complicações ao longo da vida. No caso de gestação de feto único, o ganho de peso (em kg) recomendado é: • Gestantes com baixo peso pré-gestacional: 15,0 kg (média); • Gestantes com peso adequado pré-gesta- cional (eutróficas): 12,5kg (média); • Gestantes com sobrepeso pré-gestacional: 9,0 kg (média); • Gestantes com obesidade pré-gestacional: 7,0 kg (média). No caso de gestação múltipla (dois ou mais fetos), o ganho de peso também dependerá do estado nutricional pré-gestacional, podendo variar de 11,0 kg (obesidade pré-gestacional) a 27,9 Kg (baixo peso pré-gestacional). A gestante deverá ter acompanhamento nu- tricional no pré-natal, para avaliação do estado nutricional, detecção de possíveis inadequações dietéticas, desmistificação de mitos e realização da educação alimentar e nutricional. As consul- tas devem ser iniciadas, preferencialmente, no primeiro trimestre da gestação. Tanto em mulheres com gestação de feto único quanto nas gravidezes gemelares pode ocorrer diminuição de peso devido às adaptações hormo- nais. A ação do estrogênio pode causar náuseas, vômitos e anorexia, principalmente, no primeiro trimestre. A perda de peso após o parto ocorre, geralmente, em maior intensidade nos primei- ros três meses e naquelas que amamentam ex- clusivamente. Os suplementos nutricionais são recomendados nas situações em que a demanda nutricional não é atendida por meio da dieta. O aleitamento materno é a mais sábia estraté- gia natural de vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança e constitui a mais sensível, econô- mica e eficaz intervenção para redução da mor- bimortalidade infantil. Permite ainda um gran- dioso impacto na promoção da saúde integral da dupla mãe/bebê e regozijo de toda a sociedade. Se a manutenção do aleitamento materno é vi- tal, a introdução de alimentos seguros, acessíveis e culturalmente aceitos na dieta da criança, em época oportuna e de forma adequada, é de notória importância para o desenvolvimento sustentável e equitativo de uma nação, para a promoção da alimentação saudável em consonância com os di- reitos humanos fundamentais e para a prevenção de distúrbios nutricionais de grande impacto em Saúde Pública. Porém, a implementação das ações de proteção e promoção do aleitamento materno e da adequada alimentação complementar depen- de de esforços coletivos intersetoriais e constitui enorme desafiopara o sistema de saúde, numa perspectiva de abordagem integral e humanizada. A amamentação é um dos momentos mais im- portantes para aumentar o laço afetivo entre mãe e filho, com grandes vantagens para ambos. O leite materno dado ao bebê após o parto faz o útero voltar ao tamanho normal mais rápido e diminui o sangramento, prevenindo a anemia materna e reduzindo o risco de câncer de mama e ovários. Para a criança, também há ganhos. Protege con- tra doenças, previne a formação incorreta dos dentes e problemas na fala, proporciona melhor desenvol- vimento e crescimento, além de ser um alimento completo, dispensando água ou outras comidas até os seis primeiros meses de vida do bebê. UNICESUMAR UNIDADE 2 41 O leite materno é o alimento mais completo que um bebê pode receber desde o seu nascimento. Afinal, mesmo nos partos cirúrgicos (cesárea), ele deve sugar na primeira hora de vida para acelerar a descida do leite, receber as defesas da mãe e fortalecer o vínculo entre os dois. Há relação direta entre a amamentação exclusiva até os seis meses do bebê com o aumento da sua inteligência, situação financeira no futuro, e a prevenção de várias doenças, inclusive a leucemia. Outra vantagem é a diminuição do risco de morte de crianças amamentadas exclusivamente até os 6 meses é 41% menor do que de crianças em aleitamento materno predominante, que é quando, além do leite, o bebê é alimentado com água ou bebidas à base de água. Já em relação às crianças em aleitamento materno parcial, ou seja, que recebem outros tipos de leite além do da mãe, a ameaça é 78% menor, e 88% quando comparada aos bebês que não são amamentados. Demais benefícios do aleitamento materno Para o bebê: • Contato intenso com a mãe. • Diminui as cólicas, melhorando a digestão (alimento adequado para essa fase da vida). • Quanto maior o tempo de amamentação, melhor desenvolvimento cognitivo, devido ao alto teor de triglicerídeos de cadeia média (TCM). • Menor risco de doenças alérgicas. • Reduz riscos no desenvolvimento de doença de Crohn e linfoma. • Fortalecimento da arcada dentária. • Melhora o desenvolvimento orofacial, prevenindo dificuldades na fala inclusive na fase da alfabetização. • Por não haver manipulação de bicos e mamadeiras, previne contra doenças con- tagiosas, como a diarreia (típicas fontes de contaminação bacteriana). Benefícios para a mãe: • Rápida involução uterina ao seu “tamanho original. • Amamentar gasta muita energia, reduzindo bastante o peso. • Reduz a incidência de câncer de mama, ovário e endométrio. • Melhora atividade hormonal, preservando a massa óssea, evitando a osteoporose. • Protege contra doenças cardiovasculares, como o infarto e o AVC. 42 A sociedade também se beneficia muito com o aleitamento materno. A redução de lixo despejada no meio ambiente é bem menor pelo não uso de mamadeiras, fórmulas infantis de lata, bicos, xu- cas. Inclusive o desperdício de água é menor por não precisar higienizar tantos utensílios. O leite materno é um recurso renovável e natural, que não requer embalagem, transporte ou descarte. A pecuária leiteira necessita de vasta área de produção, perfazendo cerca de um hectare de terra por vaca. Isso sem contar a terra de plantio necessária para o cultivo do pasto e da soja e mi- lho para ração animal. Algumas fórmulas infantis são à base de soja, que requerem muitos pesticidas e produtos quí- micos para fertilização. A cultura da soja também contribui grandemente para o desmatamento da floresta amazônica. Além disso, o leite sai direto da mama na tem- peratura ideal, enquanto a fórmula necessita de energia e água para o aquecimento, preparação e esterilização adequados das mamadeiras. Mesmo que a mãe utilize uma bomba para extrair o leite, ainda assim é mais sustentável do que a alimentação com fórmulas infantis. Em pri- meiro lugar, porque a maioria desses produtos é reutilizável. E, quando você leva em conta o des- perdício gerado pela fabricação da fórmula e de sua embalagem, a alimentação com leite materno gera menos desperdício e utiliza menos recursos naturais – seja ele colocado em uma mamadeira ou oferecido direto no peito. As fórmulas infantis são soluções fabricadas a partir da modificação do leite de vaca ou do leite de soja. Como são hidrolisados, sequer entram na categoria de leites, mas de formulados. Esses produtos são indicados quando, por algum moti- vo, o bebê não pode ser alimentado com leite materno. Às vezes por doença prévia da mãe, condições infecciosas ou nos casos de adoção, por exemplo. São alimentos muito tecnológicos, com alto custo de comercialização e se aproximam bastante da formulação do leite materno, sendo indicado as opções de partida (0 a 6 meses) e se- guimento (7 a 12 meses). Agosto Dourado Destacar a importância do aleitamento materno é tão necessário que até uma lei federal foi san- cionada no último ano para definição do mês atual como “Agosto Dourado”. Trata-se de uma alusão ao Dia Mundial da Amamentação, come- morado em 1º de agosto, e à SMAM (Semana Mundial do Aleitamento Materno), que vai de 1 a 7 de agosto, além das ações realizadas na área da saúde, inclusive pela SGP, para promoção da amamentação. Portanto, cabe ao profissional de saúde identificar e compreender o processo do aleitamento materno no contexto sociocultural e familiar e, a partir dessa compreensão, cuidar tanto da dupla mãe/bebê como de sua família. É necessário que busque formas de interagir com Descrição da Imagem: mulher jovem de cabelos longos ves- tida de verde oliva amamentando um bebê envolto em uma coberta branca. É um ambiente doméstico com sofá. Figura 6 – Mãe amamentando UNICESUMAR https://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/plantio-soja-levar-perda-biodiversidade/ https://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/plantio-soja-levar-perda-biodiversidade/ UNIDADE 2 43 a população para informá-la sobre a importância de adotar uma prática saudável de aleitamento ma- terno. O profissional precisa estar preparado para prestar uma assistência eficaz, solidária, integral e contextualizada, que respeite o saber e a história de vida de cada mulher e que a ajude a superar medos, dificuldades e inseguranças (CASTRO; ARAÚJO, 2006). É sabido que a maioria dos profissionais de saúde apoiam o aleitamento materno. Ainda assim muitas mulheres se apresentam sozinhas nessa prática, sem apoio profissional. Assim, elas vão perdendo a autoconfiança e podem abandonar o hábito da amamentação. O Nomograma de Rosso desenvolvido por Pedro Rosso em 1985 é um importante e reconhecido gráfico de ganho de peso, sendo um método de baixo custo para avaliação do status nutricional de gestantes. Assim, podemos posicionar o estado nutricional da gestante e os cuidados com ganho de peso insatisfatório ou excessivo até o final das 40 semanas de gestação. O Ministério da Saúde sugeriu esse método durante muitos anos, porém, em 2000, propôs a utilização da curva percentilar de ganho de peso que atualmente faz parte do cartão da gestante. As críticas realizadas em decorrência do uso desse método devem-se ao fato de que não permite avaliar o ganho de peso, apenas classifica a adequação de peso da gestante, mas, é importante ressaltar que a sua utilização é válida para avaliar a população em que a prevalência de desnutrição é alta (ROSSO, 1997). É durante a gestação, é uma das ferramentas de avaliação nutricional em gestantes. Quando as mulheres vivenciam que há possibilidade de faltar o alimento, há um sentimento de angústia e preocupação quanto à garantia da alimentação de toda a família (CONTRERAS; GRACIA, 2011). Ainda se tem uma grande parcela da população sofrendo pelas dificuldades na obtenção do alimento, passando por privação alimentar, ao mesmo tempo que sofrem as influências do mundo moderno (SANTOS, 2014). 44 Mas além da alimentação adequada em fibras, vegetais e grãos integrais que qualquer adulto deve ingerir, há alguma suplementação necessária na estação?Sim. O ácido fólico, ou VITAMINA B9. De todas as vitaminas do Complexo B, o ácido fólico é de fato a mais importante no período ges- tacional. Seu aporte adequado garante a formação neurológica satisfatória do embrião. A estrutura química do ácido fólico consiste em três partes: um anel de pteridina, ácido p-ami- nobenzoico e uma molécula de ácido L-glutâmico. Em torno de 90% do folato ingerido pela dieta é em forma de poliglotamatos reduzidos, ligados a proteínas. O ácido fólico é necessário para a sín- tese de purinas e do timidilato, tornando-se essencial para a síntese dos ácidos desoxirribonucleico (DNA) e ribonucleico (RNA), sendo elemento fundamental na eritropoiese. O ácido fólico também é indispensável na regulação do desenvolvimento normal de células nervosas, na prevenção de defeitos congênitos no tubo neural e na promoção do crescimento e desenvolvimento normais do ser humano (LINHARES; CESAR, 2017). Altura (cm) Peso (kg) Percentagem do peso ideal/altura (%) Pe so m at er no (p er ce nt ag em p es o/ al tu ra id ea l) A - Peso B - Peso normal C - Sobrepeso Idade gestacional (semanas) Descrição da Imagem: três réguas para demarcar a altura, peso e porcentagem do peso ideal para altura de gestantes. Duas réguas verticais paralelas com marcações de altura e peso atual da gestante e, no lado extremo direito delas, uma régua vertical levemente inclinada. Nessa terceira régua, encontra-se a porcentagem da relação estatura/peso atual. Essa relação em porcentagem entra no gráfico da curva de Rosso visualizado do lado direito da gravura. Nela, um quadro quadriculado que representa o cruzamento de infor- mação da porcentagem de ganho de peso (Eixo das Ordenadas) obtido nas réguas citadas com a evolução das semanas gestacionais (Eixo das abscissas). Essa informação faz o diagnóstico nutricional da gestante. Nos quadrantes encontram-se as delimitações A, B e C, sendo A – baixo peso, B – peso normal e C – sobrepeso. Figura 7 – Nomograma de Rosso / Fonte: FRAGA, A. C. S. A. Fatores associados ao ganho de peso gestacional em uma amostra de gestantes no município do Rio de Janeiro. 2008. / Ana Claudia Santos Amaral Fraga. 2012. UNICESUMAR UNIDADE 2 45 Tem importante papel na produção e manutenção de novas células, maturação e formação de gló- bulos vermelhos e brancos na medula óssea. A deficiência de ácido fólico está associada ao aumento de defeitos do tubo neural (DTN) no feto e à anemia megaloblástica na mãe. Há evidências suficientes de que a suplementação de ácido fólico no início da gestação reduz em até 75% o risco de o bebê nascer com DTN (LINHARES; CESAR, 2017). A partir destas evidências, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil (MS) recomendam a dose de 400µg (0,4 mg), diariamente, por pelo menos 30 dias antes da concepção até o primeiro trimestre de gestação para prevenir os defeitos do tubo neural e durante toda a gestação para prevenção da anemia. E para as mulheres com antecedentes de malformações congênitas o MS recomenda a dose de 5 mg/dia a fim de reduzir o risco de recorrência de malformação (LINHARES; CESAR, 2017). De acordo com a literatura, as avaliações sobre prevalência e fatores associados ao uso deste su- plemento são ainda insuficientes, sobretudo com amostras nacionais representativas. Apesar de a recomendação de uso de ácido fólico ser mundial e para todas as mulheres, a cobertura encontra-se muito abaixo do esperado e, além disso, esta recomendação parece atingir em maior proporção as pertencentes a classes socioeconômicas mais favorecidas (LINHARES, 2017). A diabetes e a hipertensão são complicações relativamente comuns na gestação. Aproximadamente 10% das gestações apresentam alguma complicação relacionada ao diabetes gestacional, resultando assim em mais de 200 mil casos por ano, um percentual bastante relevante e que merece atenção principalmente em relação aos riscos ao qual a gestante e seu bebê ficam expostos. A prevalência dessa patologia sofre variação de 1 a 14%, dependendo do tipo de estudo realizado com a população e dos testes de diagnóstico empregados. O diagnóstico precoce dessas gestantes é determinante para o sucesso do acompanhamento e tratamento, por isso é imprescindível que os exames sejam realizados ainda no primeiro trimestre, quando se inicia o pré-natal, pois através da identificação de alterações na glicemia, é possível orientar a gestante acerca dos cuidados que deve adotar durante a gravidez. A orientação do médico e do nutricionista objetivam minimizar os efeitos adversos que causam alterações metabólicas sobre o binômio mãe-filho, assim como também de identificar quais são as mulheres que apresentam um maior risco de desenvolver diabetes futuramente. O Diabetes mellitus gestacional (DMG) é definido como o aumento dos níveis de glicose sanguínea, detectado pela primeira vez durante a gravidez, com valores glicêmicos que não atinjam os critérios Aleitamento Materno Exclusivo – O que é aleitamento materno exclusivo qual a recomendação da OMS? A amamentação exclusiva até os seis meses traz muitos benefícios para o bebê e a mãe. A principal delas é a proteção contra infecções gastrointestinais. O início precoce do aleitamento materno, dentro de uma hora após o nascimento, protege o recém-nascido de adquirir infecções e reduz a mortalidade neonatal (www.paho.org). http://www.paho.org 46 diagnósticos para Diabetes Mellitus (DM), e que podem ou não persistir após o parto. É uma das alterações endócrinas mais comuns durante a gestação, podendo ser encontrada em até 18% das gestantes com os novos critérios diagnósticos utilizados. A prevalência do DMG tem elevado mundialmente, principalmente devido ao aumen- to da idade materna e à alta prevalência de obe- sidade entre as mulheres em idade reprodutiva O DMG costuma acontecer porque durante a gravidez ocorrem adaptações na produção hor- monal materna para permitir o desenvolvimen- to do bebê. Há uma tendência à hiperglicemia para fornecimento adequado de glicose ao feto. Alguns hormônios produzidos pela placenta e outros aumentados pela gestação, tais como o hormônio lactogênio placentário, o cortisol e a prolactina, podem promover redução da atuação da insulina em seus receptores, uma resistência à ação da insulina, e com isso o pâncreas materno, consequentemente, deveria aumentar a produ- ção de insulina para compensar este quadro de resistência, porém, quando isso não ocorre, há o aparecimento do diabetes. Histórico familiar em primeiro grau de dia- betes é importante fator de risco para o diabetes gestacional, bem como obesidade. O ganho ex- cessivo de peso, mesmo com peso adequado pré gestacional dificulta o metabolismo como um todo. Idade materna avançada, gestação gemelar, síndrome dos ovários policísticos (SOP), histórico obstétrico anterior negativo e alterações na gesta- ção atual (hipertensão arterial, excesso de líquido amniótico e bebê grande para a idade gestacional) são fatores de risco. Os sintomas clássicos de diabetes são: poliú- ria, polidipsia, polifagia e perda involuntária de peso (os “4 ps”). Outros sintomas que levantam a suspeita clínica são: fadiga, fraqueza, letargia, prurido cutâneo e vulvar e infecções de repetição. Algumas vezes, o diagnóstico é feito a partir de complicações crônicas, como neuropatia, retino- patia ou doença cardiovascular aterosclerótica. Se a glicemia de jejum já estiver acima ou igual a 92 mg/dl no início da gestação, ela deve ser con- firmada com uma segunda análise, mas já indica o diagnóstico de diabetes gestacional. Se a glicemia for igual ou superior a 126mg/ dl, considera-se diagnosticado um quadro de dia- betes mellitus durante a gestação. Se a glicemia estiver inferior a 92mg/dl, a gestante será sub- metida ao teste de sobrecarga com 75g de glicose. Preferencialmente esse teste deve ser realizado entre 24-28 semanas de gestação. Os limites para diagnóstico são: glicemia de jejum acima de 92mg/dl, 1 hora e 2 horas após a ingestão do açúcar valores acima de 180 mg/dl e 153 mg/dl respec- tivamente. Um valor alterado já é suficiente para o diagnóstico. O acompanhamento dessas pacientes e ade- quado controle glicêmico é protocolar na rede pú- blica ou privada dos serviços de saúde brasileiros. A maioria das pacientes consegue bom controle das glicemias com dieta adequada e atividade física. A dieta deve ser rica em fibras, oferecer bom volume proteico e carboidratos complexos, atendendo às necessidades nutricionais e atingir metas glicêmicas, sem provocar perda de peso ou “ganho de peso excessivo”. Quando não se alcança o objetivo, (glicemias de jejum abaixo de 95 mg/dl, 1h após a refeição < 140mg/dl e 2h após refeição <120mg/dl), o uso de medicamentos (hipoglicemiantes orais) ou de insulina podem ser necessários. O DMG geralmente desaparece após o parto, ao contrário das demais formas de diabetes. Após 6 semanas do parto é indicado uma reavaliação com nova curva glicêmica para verificar a per- manência ou o desaparecimento do diabetes. As mulheres que desenvolvem diabetes gestacional UNICESUMAR UNIDADE 2 47 têm uma chance 30-60% maior de apresentarem Diabetes Mellitus Tipo 2 ao longo da vida. Os critérios diagnósticos utilizados serão os de diabetes mellitus e pré-diabetes fora da gestação. O desenvolvimento do DM2 é prevenido com bons hábitos alimentares, atividade física e retorno do peso para o intervalo da eutrofia no pós-parto, além do aleitamento materno. A amamentação está associada à melhora na glicemia após o parto, podendo reduzir o risco de diabetes futuro nas mulheres com história de diabetes gestacional Hipertensão arterial crônica (HAC) é considerada uma das complicações médicas mais frequentes durante a gravidez. Sua prevalência média em mulheres de 18 a 39 anos é de cerca de 7 % e, de acordo com a American College of Obstetricians and Gynecologists, a incidência na gravidez é variável porque depende das vicissitudes da população. Segundo dados do Ministério da Saúde, a hipertensão conjunta na gestação está entre as principais causas de morte materna no país, com aproximadamente 35% dos óbitos. A taxa de mortalidade perinatal é de 150/1000 partos, representando a maior causa de morte fetal ou de recém-nascido (RN). Existem lacunas do conhecimento sobre a programação fetal, principalmente nos países em desen- volvimento. Adicionalmente, o crescimento pós-natal e a situação socioeconômica perinatal devem ser analisados nos estudos do curso da vida. No nosso gostoso podcast da unidade, vamos conversar sobre os mitos da Alimentação de gestantes e mulheres que amamentam. Será que pode comer repolho? E ovo? Mas não vai dar cólicas no bebê? E o café? O que vale mesmo a pena investir nessa fase? Clica aí que o assunto é uma delícia. Título: Nutrição em Obstetrícia e Pediatria 2009 Autor: Accioly, Sanders, Lacerda. Editora: Guanabara Koogan; 2. ed. (1 janeiro 2009) Sinopse: pesquisa e assistência no cuidado nutricional do grupo materno- -infantil, junto ao setor de Nutrição Materno-Infantil do Instituto de Nutrição Josué de Castro de UFRJ. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11673 48 Depois de tudo isso que aprendemos, sobre a gestação sadia e seis agravos nutricionais mais comuns, fica a reflexão de nossa prática profissional. Por que tanto terrorismo nutricional na gestação? Será que não devemos orientar nossas gestantes a comer mais naturalmente independente do período gestacional? Como seria sua orientação? Filme: The Kids Menu Ano: 2015 O filme mostra como instituições, escolas, ONGs, pais, professores, pesqui- sadores e profissionais têm desenvolvido iniciativas de educação nutricional, e os resultados positivos destas ações. Este documentário mostra que há esperança no combate à obesidade infantil: quando bem informadas, as crianças geralmente escolhem hábitos alimentares mais saudáveis. Título: Fed Up Ano: 2014 Sinopse: Em “Fed Up”, Couric quis desmascarar diversos mitos da alimentação e deixar de culpabilizar somente a gula e o sedentarismo pelos altos índices de obesidade a partir da infância. Segundo as informações veiculadas pelo filme, o ganho de peso também é um resultado natural de políticas públicas frouxas e da indústria de alimentos, que se aproveita da alta palatabilidade de produtos cheios de açúcares, sal e gorduras. UNICESUMAR 49 Das áreas mais apaixonantes da Nutrição é a Materno-Infantil. Muitos alunos encontram nesse conteúdo da nutrição sua realização nos estudos e permanecem estudando o tema até o após o término da graduação. Falar em nutrição materno-infantil não é só falar de clínica e dietas indi- viduais personalizadas. Aqui também propomos trabalho para alimentação coletiva e produção. Assim, para reforço dessa proposta, sugerimos que você construa um Mapa de Empatia, para sua autoavaliação, como se fosse um checklist, mas em um formato mais divertido. Vamos produzir um mapa mental, por meio de palavras-chave, trazendo ideias importantes para nossa prática clínica diária, que levam aos resultados da sua experimentação, uma sugestão de ferramenta gratuita é o https://www.goconqr.com/. NUTRIÇÃO INFANTIL https://www.goconqr.com/ 50 1. A OMS publica orientações rotineiramente e o Ministério da Saúde pode valer-se delas para difundir conhecimento de saúde para a população. A partir disso, ANALISE as assertivas acerca de aleitamento materno e alimentação complementar: I) A alimentação complementar deve ser preparada especialmente para a criança, pois não se recomenda que sejam os mesmos alimentos das demais pessoas da família, por razões de segurança alimentar. II) Cardápios vegetarianos não fortificados ou não suplementados são recomendados para crianças menores de dois anos, pois reduzem o risco de alergias e intolerância alimentares. III) As crianças devem receber leite materno exclusivo até os seis meses de idade, ou seja, o bebê deve ingerir apenas leite materno, sem qualquer outro alimento ou bebida complementar. IV) A partir dos seis meses de idade, todas as crianças devem receber alimentos complementares (papas doces e/ou salgadas etc.) sendo recomendada a manutenção do aleitamento materno. V) Para o sucesso da amamentação, a mãe deve amamentar seu bebê em intervalos regulares de três horas, exceto no período noturno. DEFINA quais são corretas: a) Somente I, II e V. b) Somente III e IV. c) Todas estão corretas. d) Somente I e III. e) Somente IV e V. 2. Descreva o ganho de peso esperado para cada trimestre dependendo do peso pré-gestacional (há mais de uma resposta nas várias literaturas disponíveis, pode fazer pesquisa e colocar a média entre as informações que pesquisou. 3. O crescimento fetal ocorre de maneira diferente ao longo das 40 semanas gestacionais (3 trimestres). Logo, a influência da nutrição também será distinta ao longo das fases. Sobre o tema, POSICIONE-SE em 6 linhas. 51 4. Amamentar é um ato pessoal e uma decisão. Nenhuma mulher será obrigada a amamentar. Mas pelos benefícios observados, toda mulher deve ser encorajada a fazê-lo. Há muitas razões para a mãe ter dificuldades. A partir disso, an analise as proposições: I) O papel de liderança na promoção do aleitamento materno cabe ao profissional e todas as categorias devem estar envolvidas nas diversas atividades. II) É recomendada a inclusão do tópico “Aleitamento Materno” nos currículos escolares não só dos cursos da área de saúde, como também no ensino fundamental. III) A falta de experiência anterior com a prática da amamentação, desmame precoce do filho anterior, baixa escolaridade, mãe adolescente, trabalho fora do lar e residência em zona rural são situações consideradas de risco para não amamentar. IV) Cabe ao município criar um centro de referência para lactação e grupos de apoio na comu- nidade que sirvam de suporte para as mães durante o aleitamento. Estão corretas as afirmações a) I e IV, apenas. b) II e III,apenas. c) I, II e IV, apenas. d) II, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 52 3 Nesta unidade, nós iremos estudar a nutrição materno-infantil. A nutrição no primeiro e segundo ano de vida, os chamados primeiros 1000 dias, definem muito de nossa capacidade funcional e cognitiva. Estudaremos ainda a introdução alimentar e os tópicos importantes da alimentação complementar e discutiremos os benefícios do leite materno, devido à importância biológica e social. Abordaremos o Guia Alimentar para menores de dois anos. Abordaremos questões da nutrição contemporânea como as diferenças básicas entre os métodos tradicionais e BLW de Introdução Alimentar infantil. Mais ao final desta unidade ainda estudaremos os distúrbios e doenças relacionados à alimentação infantil. Nutrição Materno- Infantil: Razões Para Acreditar na Comida dos 1000 Dias M.Sc. Silvia Moro Conque Spinelli 54 Nem tudo pode ser perfeitamente planejado. Mas seria sensacional que toda gestação fosse planejada. Imagina? A mulher decide que terá filhos e junto com seu companheiro (ou de forma independente) planeja a concepção desde antes de acontecer. Vai ao obstetra. Escolhe o hospital que deseja o parto. O tipo de parto. Faz exames pré-concepcionais e garante que uma nutrição adequada irá para seu bebê. Isso traria mais planejamento não somente para a família dela, mas para todo o serviço de saúde e atendimento ao bebê. Como você acha que seria o Brasil estando nesse contexto? Como seria o tra- balho do nutricionista se os 1000 dias de desenvolvimento de uma criança fossem prioridade a todos os envolvidos? Você acha que algumas doenças poderiam ser evitadas nessas crianças? Imagine a seguinte situação. Um paciente chamado João, de 2 anos e 7 meses, do sexo masculino, nasceu com 38 semanas e 5 dias, seu peso ao nascer foi de 3.550g, e seu comprimento foi de 51,5 cm. A mãe chegou em consulta para orientação nutricional, pois o lactente apresentava alergia a proteína do leite ao nascer, mas agora não apresenta mais nenhum sintoma. Durante a consulta, a mãe relatou alguns detalhes sobre a família, entre eles: Avaliação fatores socioeconômicos e culturais: a mãe é do lar e o pai é associado em uma firma de pneus. Condições de saneamento da residência adequadas, há presença de dois animais de estimação em domicílio (cachorros). Antecedentes nutricionais: realização adequada do pré-natal, porém a mãe com diagnóstico de obesidade grau II. Bebê nascido a termo. Durante a gestação, a mãe refere que teve que realizar ali- mentação com 1 g/dia sódio (devido a pré-eclâmpsia e nascimento prematuro com risco na gestação anterior). Nega diabetes gestacional e alteração de pressão arterial. Sinais sobre amamentação: amamentação exclusiva desde o nascimento até os 6 meses e LM com complementação até 12 meses. Começou a desconfiar da alergia à proteína do leite aos 3 meses quando apresentou bronquiolite, refluxo e fezes com muco. Assim, por orientação nutricional e médica, a mãe começou a fazer o teste de ficar sem ingerir proteína do leite e houve melhora signifi- cativa em todos os sintomas. Assim, a mãe continuou sem proteína do leite até bebê chegar aos 1 ano e 4 meses, voltou à ingestão gradualmente. Introdução alimentar do bebê com 6 meses e alimentação sem proteína do leite até 1 ano e 4 meses. (Foi para escola com 1 ano e 2 meses). Antecedentes familiares: pai, mãe e avó paterna com obesidade e dislipidemias. Dados antropométricos: 2 anos e 7 meses. Sexo Masculino. Peso atual: 15,4 Kg. Comprimento: 96,5 cm. Perímetro encefálico: 48 cm. DCSE: 6,2 mm. PCT: 11,2 mm. CMB: 18,7 cm. Comece a refletir sobre o diagnóstico nutricional dessa criança. Você, provavelmente, neste momento, não saberia solucionar esse problema, mas eu trouxe o caso para que você compreenda a importância de estudar a nutrição nos primeiros 1000 dias. Esse é um caso que você, em sua vida profissional, pode se deparar e precisará saber o que fazer. “Para que a amamentação seja bem-sucedida a mãe deve amamentar seu bebê em intervalos regu- lares de três horas exceto no período noturno? De onde vem esse conceito?” Pense: será que as famílias têm experiências tão idênticas que conseguem concretizar isso? Converse com mulheres que são ou já foram mães para pensar como foi a rotina de introdução alimentar de seus bebês? UNICESUMAR UNIDADE 3 55 Vamos calcular as necessidades energéticas e hídricas de um bebê? Esse é o Miguel J. Barbosa, 5 meses e 25 dias, sexo masculino, nasceu com 38 semanas, peso ao nascer = 3100g, comprimento ao nascer = 45 cm. Peso atual: 7,420 Kg Comprimento: 69 cm. Cálculo energético baseado no peso atual: Segundo Holliday (1957), para indivíduos de 0 a 10 Kg, devemos ofertar 100 Kcal/Kg/dia. = 7,420 x 100 = 742 Kcal/dia Segundo Schofield (1985), devemos antes calcular o Gasto Energético Basal (GEB) = 0,167 (Peso) + 15,17 (Altura) – 617,6 (fórmula base) Assim… = 1,24 + 1.046,73 – 617,6 = 430,37 Ainda, segundo Schofield (1985), o GET – GASTO ENERGÉTICO TOTAL é = GEB x AF (fator atividade física realizada pelo indivíduo) = 430,37 x 1,3 = 559,48 Kcal/dia. (Multiplicou por 1,3 pois bebês de 5 meses já são ativos) Aqui sugerimos utilizar a média entre os dois autores (742 + 559,48 / 2): Necessidade energética = 650,74 Kcal/ dia. Por que tiramos a média entre os dois autores estudados? Para nos sentirmos seguros de estarmos no caminho certo. Você, nutricionista, terá autonomia profissional para escolher entre os autores e antro- pometristas que confiar para utilizar as fórmulas consagradas disponíveis na literatura científica. Aqui, nesta unidade, apresentamos ainda algumas sugestões adequadas para avaliação de crianças pequenas. Ainda veremos diversos autores que nos trarão clareza para fazer os cálculos de necessidades nutri- cionais (calóricas e de macro e micronutrientes) e agirmos com segurança ao avaliar nossos pacientes. Reflita sobre esse número de calorias obtido. Em um bebê de cinco meses, preconizamos o aleita- mento materno exclusivo. Mas e se isso não for possível? Utilize o diário de bordo para fracionar esse valor calórico em 5 ou 6 mamadas ao dia, caso essa criança seja amamentada com mamadeira e fórmula láctea. Você já leu os rótulos das fórmulas lácteas disponíveis no mercado? Sabe as medidas e diluições? Vamos lá! De um modo geral, as fórmulas infantis têm um padrão de diluição comum 1:30, que corresponde a uma medida do leite em pó (a medida acompanha o produto dentro da lata e equivale a 4,3 g) para cada 30 ml de água morna previamente fervida. Cada 100g de fórmula em pó tem 517 kcal. Como fica essa conta para medidas de 4,3g + 30 ml de água? Quantas medidas devemos colocar em cada mamada se isso se repetirá em várias mamadas ao dia? Como você fracionará esse volume para obter as calorias necessárias para a criança em questão? 56 Toda atividade cognitiva eficiente começa com um bom desenvolvimento neurológico no início da vida. Desde a embriogênese, o sistema nervoso central começa seu crescimento e continua por um pequeno tempo após o nascimento. Essa etapa dura entre os 2 e 4 anos geralmente. A vulnerabilidade cerebral é maior nesse período delicado. Inclusive às agressões ambientais e nutricionais, devido ao complexo e rápido processo do desenvolvimento cerebral. Nessa etapa, a hi- perplasia (aumento de volume) das células nervosas é marcante bem como a hipertrofia (aumento do seu tamanho), e a mielinização (formação, nas fibras nervosas, de um envoltório de material lipídico – a mielina, essencial para a transmissão eficiente dos impulsos elétricos neuronais) e a organização das sinapses (pontos de comunicação entre os neurônios). UNICESUMAR UNIDADE 3 57 Segundo o Sistema de Informações sobre Nas- cidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde (MS), nascem, a cada ano, cerca de 3 milhões de crianças e, de acordo com o Censo Demográfico de 2010, realizado pelo IBGE, 28 milhões de crian- ças de zero a 9 anos viviam noBrasil, sendo mais da metade crianças de 5 a 9 anos (MAGALHÃES, 2011). Apesar de esse contingente declinar desde 2003, projeções realizadas pelo IBGE indicam que, na próxima década, a população de zero a 5 anos permanecerá superior a 15 milhões (PAES DE BARROS et al., 2010). O aumento da esperança de vida ao nascer é considerado uma das maiores conquistas sociais das últimas décadas, acompanhada da queda acentuada na mortalidade de todos os grupos etários, assim como da taxa de fecundidade que passou de 6,1 filhos por mulher em 1960 para 1,9 em 2010 (IBGE, 2012). No Brasil, nestas duas décadas que antecede- ram a Constituição Federal de 1988, foram ado- tadas importantes iniciativas para a melhoria da saúde e redução da mortalidade infantil e na in- fância, entre as quais se destaca o Programa Na- cional de Imunizações (PNI), instituído em 1973, com a ampliação da cobertura vacinal média da população, em especial das crianças. Em 1981, o Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno (Pniam), para induzir um conjunto de ações relacionadas à promoção, à proteção e ao apoio ao aleitamento materno. As altas taxas de parto cesáreo e da prematuri- dade, ao mesmo tempo em que crescem a preva- lência da obesidade na infância e os óbitos evitá- veis por causas externas (acidentes e violências), além das doenças em razão das más condições sanitárias, apontam a complexidade sociocultural e de fenômenos da sociedade contemporânea que afetam a vida das crianças. A deficiência de um ou mais nutrientes na ali- mentação diária pode, sem dúvida, perturbar a organização estrutural (histológica) e bioquími- ca de um ou mais dos processos acima descritos, levando, geralmente, a repercussões sobre as suas funções. Dependendo da intensidade e da duração das alterações nutricionais, as consequências terão impacto maior ou menor sobre todo o organismo. Funções neurais básicas, como o processamento de informações sensoriais (por meio dos nossos cinco órgãos dos sentidos) e a percepção das sensações correspondentes, bem como a execução de tarefas motoras (produção de movimentos, resultantes da ativação dos músculos pelo sistema nervoso) po- dem ser afetadas em extensões variadas e de forma diretamente proporcional à intensidade e à duração das deficiências nutricionais. Isto também se aplica no caso de funções neurais mais elaboradas, como aquelas envolvendo cognição, consciência, emoção, aprendizado e memória, processos cuja perturbação na infância pode levar a condições patológicas im- portantes para a vida adulta, tanto no que se refere à qualidade da vida do indivíduo, como à da sua contribuição para a sociedade em que vive. 58 O desmame precoce e a introdução inadequa- da dos alimentos podem comprometer o cres- cimento e a qualidade de vida dos bebês, além de desencadear a obesidade que pode iniciar em qualquer idade (BUSSATO; OLIVEIRA; CAR- VALHO, 2006). A correta nutrição no início da vida é importante para o desenvolvimento cere- bral, crescimento e composição corporal, além de prevenir possíveis doenças crônicas relacionadas com a alimentação (VICARI, 2013). A mamadeira deve ser evitada por todo desen- volvimento do bebê, pois além de ser uma fonte de contaminação, pode confundir o bebê no es- tabelecimento da lactação (confusão de bicos), expondo-o a um risco maior de desmame precoce (BRASIL, 2013). A introdução inadequada de alimentos antes dos seis meses de vida acarreta em prejuízos à saúde do bebê, podendo desencadear a obesidade já no primeiro ano de vida (VICARI, 2013) e in- fecções causadas por alimentos mal higienizados e/ou mal acondicionados, além de gerar maior risco para as alergias em função da imaturidade fisiológica e redução significativa da absorção de ferro, presente no leite materno, o que pode levar à anemia (OLIVEIRA et al., 2015). Estímulo ao Aleitamento Materno em Situações Especiais (Recém- -Nascidos Pré-Termo e de Baixo Peso): o papel do método canguru e dos bancos de leite humano A promoção do aleitamento materno para os bebês de baixo peso e/ou pré-termos constitui um grande desafio e pode ter impacto significa- tivo sobre sua sobrevivência e qualidade de vida. Vários estudos têm demonstrado o impacto po- sitivo do Método Canguru sobre o estabeleci- mento da amamentação e sua continuidade de forma exclusiva após a alta hospitalar, o que tem grande potencial para a redução da mortalidade nesse grupo. Os Bancos de Leite Humano têm cumprido papel fundamental para a promoção, a proteção e o apoio à amamentação, especialmente desses recém-nascidos. Sua principal ação é apoiar as mulheres que desejam amamentar seus filhos e, nesse processo, além de conseguir prolongar a amamentação, muitas descobrem ou aprendem a identificar o excesso de leite e se tornam doadoras, garantindo leite humano para recém-nascidos de risco que, por algum motivo, não dispõem de leite suficiente de suas próprias mães. O leite humano pasteurizado no Brasil é segu- ro e atende, prioritariamente, aos recém-nascidos pré-termos internados em Unidades Neonatais. Essa rede deve ser divulgada na sociedade para ampliação da cultura da doação de leite humano pela população e contribuição para aumento dos índices de aleitamento e de sobrevivência de pre- maturos no País (MAIA et al., 2006). O leite materno também contém substâncias chamadas LCPUFAs, lipídios que proporcio- nam efeitos benéficos para o metabolismo e a formação do sistema nervoso do bebê. Vamos entender melhor? O QUE SÃO LCPUFAS – Os LCPUFAs presentes no leite materno são o DHA (ácido docosahexaenoico), um ácido graxo do tipo Ômega-3, e o ARA (ácido araquidônico), inte- grante da família do Ômega-6. Quando ingeri- dos pelo bebê, proporcionam efeitos benéficos para o metabolismo e a formação dos sistemas nervoso, visual, metabólico e imunológico. Eles são responsáveis, inclusive, pela formação dos neurônios e da mielina, uma estrutura que per- meia as fibras nervosas e ajuda a conduzir os impulsos nervosos mais rapidamente. UNICESUMAR UNIDADE 3 59 É importante ter sempre em mente que tudo o que a mãe come durante a gestação e a amamentação também tem influência na composição do leite. Portanto, adotar uma alimentação saudável é funda- mental para que o bebê receba a nutrição adequada. Sob orientação médica, é possível investir em uma dieta equilibrada e saudável desde o resultado do teste de gravidez. Alimentação Complementar Saudável – A nutrição adequada e o acesso a alimentos seguros e nutritivos são componentes cruciais e universalmente reconhecidos como direito da criança para atingir os mais altos padrões de saúde, conforme estabelecido na Convenção sobre os Direitos da Criança, de 1989 (BRASIL, 1990a), e a Portaria nº 1.920 de 5 de setembro de 2013 (BRASIL, 2013f). Práticas alimentares inadequadas nos primeiros anos de vida estão relacionadas à morbidade de crian- ças, caracterizada por doenças infecciosas, afecções respiratórias, cárie dental, desnutrição, excesso de peso e carências específicas de micronutrientes como as de ferro, zinco e vitamina A. A articulação das ações de promoção do aleitamento materno, com aquelas da promoção da alimentação complementar saudável, pode contribuir para reverter esse cenário, diminuindo, res- pectivamente, em até 13% e 6%, a ocorrência de mortes em crianças menores de 5 anos em todo o mundo (JONES et al., 2003). A OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o MS recomendam que a ama- mentação seja exclusiva nos primeiros 6 meses de vida e complementar até 2 anos de idade ou mais, com a introdução de alimentos sólidos/semissólidos de qualidade e em tempo oportuno (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2001). No Brasil, 50% das crianças menores de 2 anos apresentam anemia por deficiência de ferro, e 20% apresentam hipovitaminose A. O País ainda está muito aquém das recomendações da OMS no tocante às práticas alimentares em menores de 1 ano: alta prevalência douso de água, chás e outros leites nos primeiros meses de vida, consumo de comida salgada entre 3 e 6 meses; consumo de bolachas/salga- dinhos, refrigerantes e café entre crianças de 9 e 12 meses de vida (71,7%, 11,6% e 8,7%) demonstram que, além da introdução precoce de alimentos, observa-se consumo de alimentos não recomendados para crianças menores de 2 anos (BRASIL, 2009. Seção 1, p. 3). É importante o cuidado e a atenção dos profissionais de saúde, em especial da Atenção Básica, para o apoio à mãe e à família, atentos às suas necessidades, acolhendo dúvidas, preocupações, dificuldades, Portanto, os LCPUFAs são fundamentais para a formação dos principais tecidos do orga- nismo. No caso dos bebês, quando DHA e ARA são ingeridos, incorporam-se nas mem- branas celulares e podem alterar a função de cada célula e tecido de forma positiva. Tais componentes auxiliam: O sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal), melhorando a função cognitiva do pequeno e seu desenvolvimento global; O desenvolvimento visual, resultando em melhor acuidade visual, ou seja, a capacidade do olho em identificar o contorno e forma dos objetos; A saúde cardiovascular, melhorando a pressão arterial; O sistema imunológico protege a criança contra alergias na primeira infância. https://www.danonenutricia.com.br/infantil/primeiros-meses/desenvolvimento/composicao-do-leite-materno-reflete-dieta-mae https://www.danonenutricia.com.br/infantil/primeiros-meses/nutricao/imunidade-como-o-leite-materno-protege-o-bebe https://www.danonenutricia.com.br/infantil/primeiros-meses/nutricao/imunidade-como-o-leite-materno-protege-o-bebe https://www.danonenutricia.com.br/infantil/dificuldades-alimentares/sintomas-tratamento-aplv2 60 mas também valorizando conhecimentos pré- vios e também os êxitos. A EAAB é recomendada como estratégia para aprimorar as competências e habilidades dos profissionais de saúde para a promoção do aleitamento materno e da alimen- tação complementar saudável, como atividade de rotina das UBS. O Guia Alimentar para crianças menores de 2 anos apresenta os “Dez passos para a alimentação saudável”, para orientar os profis- sionais que assistem a criança (BRASIL, 2013k). No âmbito municipal, devem ser implementa- das as ações de Vigilância Alimentar e Nutricional, incluindo avaliação antropométrica, avaliação de consumo alimentar, além da identificação e da priorização do atendimento das famílias e crian- ças em programas de transferência de renda ou de distribuição de alimentos disponíveis. Também de- vem ser priorizados os programas de suplementa- ção preventiva com micronutrientes, organizados na Atenção Básica (BRASIL, 2005a, 2005d). A partir do sexto mês de idade, o leite ma- terno não atende mais a demanda energética necessária ao crescimento e desenvolvimento adequado da criança, necessitando de alimentos complementares com objetivo de complementar às suas propriedades nutritivas (SILVA et al., 2001). Recomenda-se que os alimentos comple- mentares (carnes, tubérculos, cereais, legumino- sas, frutas e legumes) sejam oferecidos somente após os seis meses de idade, quando as crianças já possuem maturidade fisiológica para mastigar, deglutir e digerir. Os alimentos complementares devem ser oferecidos à criança utilizando-se co- lher e copo (BRASIL, 2013). É através da alimentação complementar que a criança será apresentada gradativamente aos hábitos alimentares da família ou do seu cuidador, sendo que as práticas alimentares são fortemente influenciadas pelo ambiente em que a criança está inserida. É uma nova fase do ciclo de vida, na qual novos sabores e texturas serão experimentados (BRASIL, 2015), por isso, não se recomenda que os alimentos sejam muito misturados. Recomenda-se iniciar gradativamente os alimentos e concomitantemente modificar sua consistência, sendo oferecidos amassados, ras- pados, desfiados, triturados ou picados, nunca liquidificados. É importante lembrar que o mel é totalmente contraindicado no primeiro ano de vida pelo risco de contaminação com Clostridium botulinum, que causa botulismo. Assim como o leite de vaca integral fluido ou em pó, em função do excesso de proteína e eletrólitos que podem sobrecarregar os rins (BRASIL, 2013). Ao completar 6 meses, os alimentos comple- mentares devem ser oferecidos três vezes ao dia – papa de fruta, papa salgada e papa de fruta –, complementando o leite materno, não o substi- tuindo. A papa salgada deve conter um alimento do grupo dos cereais ou tubérculos, um dos le- gumes e verduras, um do grupo dos alimentos de origem animal (frango, carne de gado, peixe, miúdos, ovo) e um das leguminosas (feijão, soja, lentilha, grão-de-bico). Um ponto de atenção é sobre as papas, elas não devem ser liquidificadas, o ideal é que sejam somente amassadas e na situa- ção de ter mais de um tipo de alimento, é indicado que eles não sejam misturados para que a criança consiga identificar os sabores de cada alimento. É importante salientar que a partir do momen- to que a criança recebe qualquer outro alimento, a absorção do ferro do leite materno diminui sig- nificativamente, sendo necessária a introdução de carnes, vísceras e miúdos, mesmo que seja em pequenas quantidades. E para melhor absorção do ferro de alimentos de origem vegetal, é impor- tante o consumo de alimentos fontes de vitamina C junto ou logo após a refeição. UNICESUMAR UNIDADE 3 61 Aos 7 meses, acrescentar ao esquema de alimenta- ção complementar mais uma papa salgada e a par- tir dos 8 meses de idade, a criança já pode receber a alimentação da família, desde que sem temperos picantes, com pouco sal e sem alimentos indus- trializados, em intervalos regulares e respeitando o apetite da criança. Ao completar 12 meses é re- comendado que a criança tenha 3 refeições prin- cipais (café da manhã, almoço e janta) e 2 lanches (fruta ou cereais ou tubérculos) (BRASIL, 2013). A adoção de práticas alimentares adequadas nos primeiros anos de vida é de extrema impor- tância, pois esse é o período em que os hábitos alimentares são estabelecidos e continuarão na adolescência e na idade adulta (COELHO et al., 2015). Todos os dias devem ser oferecidos ali- mentos de todos os grupos e deve-se variar os alimentos dentro de cada grupo. Somente uma dieta variada irá garantir o suprimento de todos os nutrientes necessários ao crescimento e desen- volvimento normais, além de favorecer a formação de bons hábitos alimentares. As crianças tendem a preferir os alimentos da maneira como eles lhe foram apresentados inicialmente, desta forma, é recomendado que se ofereça inicialmente alimentos com baixo teor de açúcar e de sal. É muito comum a criança rejeitar novos alimentos, não devendo este fato ser interpretado como uma aversão permanen- te. Este alimento deve ser novamente oferecido em outras refeições, uma opção pode ser uti- lizar texturas e cortes variados. Em média, são necessárias oito a dez exposições a um novo ali- mento para que ele seja bem aceito pela criança (BRASIL, 2013). As práticas alimentares atuais estão fortemente condicionadas ao poder aquisitivo das famílias, à mídia por meio da veiculação de propagandas de fabricantes de alimentos, ao ritmo de vida acelera- do e ao trabalho da mulher fora do lar, sendo que nos últimos anos, ocorreram bruscas mudanças nos hábitos alimentares da população em geral, substituindo alimentos naturais e caseiros por industrializados, com elevada densidade ener- gética e baixa qualidade nutricional (TOLONI et al., 2011) (MODDIE et al., 2013). As crianças não devem comer alimentos in- dustrializados, enlatados, embutidos e frituras, pois estes alimentos contêm sal em excesso, adi- tivos e conservantes artificiais. Além disso, o óleo usado para as frituras sofre superaquecimento, liberando radicais livres que são prejudiciais à mucosa intestinal do bebê. O consumo de ali- mentos não nutritivos como: refrigerantes, salga- dinhos, doces, frituras, gelatinas industrializadas,refrescos em pó, temperos prontos, margarinas, achocolatados e outras guloseimas, está associado à anemia, ao excesso de peso e às alergias alimen- tares (BRASIL, 2013). Portanto, a prática correta do aleitamento ma- terno exclusivo até os 6 meses de idade e a intro- dução adequada de alimentos a partir dessa idade são fatores essenciais para a construção de bons hábitos alimentares e nutricionais que perpetuem ao longo da vida desse indivíduo (BRASIL, 2013). O MÉTODO BLW – Baby-Led Weaning – Desmame liderado pelo bebê. Toda criança tem muito a aprender sobre si e sobre o mundo. No entanto, algumas coisas os bebês já nascem sabendo: por exemplo, regular o próprio apetite. 62 “Do ponto de vista comportamental, desde o nascimento os recém-nascidos saudáveis pos- suem a capacidade de autorregular sua alimen- tação, determinando o início da mamada, qual a velocidade que sugam e quando querem parar de mamar” (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2017). Essa abordagem inclui oferecer ao bebê ali- mentos nutritivos durante as refeições da famí- lia, mas o bebê deve ser o único responsável por colocar os alimentos na própria boca. Para que o método seja efetivo, os pais/cuidadores devem confiar na capacidade inata de autorregulação alimentar; ou seja, devem acreditar que o bebê tem a capacidade de decidir o que deve comer, quando, quanto e em qual velocidade. O principal objetivo do método é incentivar a liberdade do bebê durante as refeições, estimulan- do seu desenvolvimento e sua autonomia. Como o consumo de alimentos sólidos deve ser compa- tível com as necessidades da criança, ela pode ter o total controle de sua alimentação. Acredita-se que bebês com crescimento e de- senvolvimento adequados para a idade, após o sexto mês de vida, adquirem a capacidade motora de guiarem os alimentos até a boca e, por isso, são aptos a consumirem alimentos em pedaços, entretanto é necessário um ponto de atenção: eles devem precisar tem cortes e texturas adequadas. Acesse o QR CODE! O método não é perfeito para todos, como de fato nenhum método é. A fa- mília deverá ponderar se consegue se adaptar a essa metodologia e não transformar o momento da refeição em uma sessão de tortura e angústias. Ao compararmos os métodos tradicionais de in- trodução alimentar com o BLW, lembremos que é a família que deve se adaptar para acolher as descobertas das crianças nesse processo. Há famílias mais adaptadas aos diversos méto- dos. Existem também as famílias que optam por mesclar o método BLW com o método tradicio- nal, oferecendo refeições principais (tipicamen- te salgadas) com “colher “e as pequenas refeições com o uso das mãos. O papel do profissional de nutrição é orientar sobre os tipos, os cuidados necessários e orientar que o melhor método será aquele que a família se adaptar melhor, uma vez que, o momento da introdução alimentar deve ser um momento harmonioso. Descrição da Imagem:Nesta imagem, temos o bebê se ali- mentando sozinho, com as mãos e temos os cortes dos ali- mentos bem aparentes. Figura 2 – Método BLW de alimentação infantil UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/14792 UNIDADE 3 63 Sobre o Acompanhamento e a Promoção do Crescimento – O crescimento é resultante da integração de fatores genéticos, biológicos, psíquicos e sociais, com as características intrínsecas (biológicas) e extrínsecas (ambientais) (MARCONDES, 2004). É considerado como um dos melhores indicadores de saúde da criança, e a evolução do crescimento expressa as condições de vida da criança no passado e no presente. Durante a gravidez, o período de crescimento intrauterino é vital para o ser humano, quando se observa maior velocidade no processo de crescimento. O controle pré-natal periódico, desde o 1º tri- mestre, inclusive com apoio da Caderneta da Gestante, pode apoiar o início de seu desenvolvimento saudável, assim como a promoção e respeito ao seu tempo de nascer, evitando o risco de interrupção prematura da gravidez, por meio de cesáreas sem indicação estrita, especialmente antes de 39 semanas e sem trabalho de parto. O acompanhamento sistemático do crescimento, com o devido registro do ganho de peso, altura e Índice de Massa Corporal (IMC), nas curvas de crescimento, faz parte da rotina das UBS, permitindo a identificação de crianças com ganho pondero-estatural alterado em relação aos padrões, risco nutri- cional (desnutrição ou obesidade) e, associado a uma avaliação integral permite o diagnóstico de outros agravos (anemia, infecções etc.) e vulnerabilidades, com as devidas intervenções médicas/nutricionais (exames complementares, tratamentos etc.) e/ou de suporte social necessárias, em tempo oportuno. Assim, em cada contato entre a criança e os profissionais dos serviços de saúde deve ser verificado seu crescimento e sua condição nutricional, como parte de uma avaliação integral. Condições inade- quadas de nutrição, ligadas ou não a outras situações de vulnerabilidade (baixa renda, maus-tratos/ violência intrafamiliares etc.) exigem acompanhamento especial. O acompanhamento do crescimento de crianças com baixo peso ou pré-termos para a idade gestacio- nal exige um cuidado maior e deve ser priorizado. Para este seguimento é necessário utilizar tabelas/ gráficos próprios ou utilizar as tabelas de peso e altura com correção da idade cronológica, até os 2 anos de idade (BRASIL, 2012). Caso estejam em Método Canguru na maternidade, após a alta deverão receber apoio da UBS para permanecerem no método, agora no domicílio, com cuidado compartilhado entre a maternidade e a UBS, até completarem 2.500 gramas (BRASIL, 2016). Problemas Nutricionais Prevalentes na Infância – A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan), atualizada pela Portaria nº 2.715, de 17 de novembro de 2011, tem como uma de suas diretrizes a prevenção e o controle dos distúrbios nutricionais e das doenças associadas à alimentação e nutrição e à promoção da alimentação e modos de vida saudáveis (BRASIL, 2012). Os principais agravos nutricionais das crianças brasileiras são a anemia, a obesidade e a desnutrição (BRASIL, 2009f). Para o enfrentamento desses quadros é necessária ação integrada em todas as instân- CRIANÇAS DE QUATRO ANOS COMPLETOS DEVEM TER ESTATURA MÍNIMA DE 100cm. INDEPENDENTE DA ESTATURA DOS PAIS. DEVEM TER SEU CRESCIMENTO MONITORADO PELA EQUIPE DE SAÚDE. 64 cias, federal, estadual e municipal, assim como a participação dos profissionais de saúde em ações que levem a uma melhor nutrição e saúde de toda a população e, principalmente, dos grupos mais vulneráveis (BRASIL, 2012e). A anemia por deficiência de ferro é, na atuali- dade, o principal problema nutricional em escala de saúde pública do mundo e suas repercussões nos primeiros anos de vida são o menor desenvol- vimento cognitivo, motor e/ou social/emocional (BRASIL, 2009f). 20,9% das crianças menores de 5 anos e 24,1% das crianças menores de 2 anos são acometidas com anemia por deficiência de ferro. As equipes de Atenção Básica devem estar atentas às recomendações para a suplementação profilática com sulfato ferroso a partir dos 6 me- ses de idade. Outras medidas, desde o nascimento como o clampeamento tardio do cordão umbi- lical (BRASIL, 2009f; VENANCIO et al., 2008) e o aleitamento na primeira hora de vida, podem prevenir esse agravo e devem ser consideradas no rol de atribuições de todos os profissionais que assistem a criança no nascimento. A amamentação exclusiva nos 6 primeiros me- ses de vida e a orientação para práticas adequadas de alimentação complementar saudável devem ser estimuladas na Atenção Básica para prevenção da anemia (BRASIL, 2009f). A deficiência de vitamina A é um agravo pre- valente no País, doença nutricional grave que é a causa mais frequente de cegueira prevenível entre crianças e adultos. Além das alterações oculares que podem levar à cegueira, a deficiência contri- bui para o aumento das mortes e doenças infec- ciosas na infância.O impacto da suplementação com vitamina A em crianças apontam redução do risco global de morte em 24%, de mortali- dade por diarreia em 28% e de mortalidade por todas as causas, em crianças HIV positivo, em 45% (BRASIL, 2013). O Programa Nacional de Suplementação de Vi- tamina A (BRASIL, 2005) busca reduzir e controlar a deficiência nutricional de vitamina A em todos os municípios das Regiões Nordeste e Norte e municí- pios prioritários nas Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul por meio de suplementação semestral com megadoses de vitamina A (BRASIL, 2013). Outro problema a ser enfrentado é a obesidade, que já supera a desnutrição na população infantil e pode gerar consequências no curto e longo prazos, sendo importante preditivo da obesidade na vida adulta (AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRI- CS, 2003). Sua prevenção inicia-se desde a gestação, com a promoção do crescimento fetal intraútero pleno, prevenção do crescimento intrauterino res- trito e da prematuridade, incluindo a ocorrência de nascimento de RN “a termo precoces”/prematuros tardios, que aumenta o risco de desenvolvimento de obesidade na vida adulta. Estudos têm demons- trado a associação entre cesariana e o sobrepeso/ obesidade, o que reforça ainda mais a necessida- de de controle da epidemia de cesariana no País (GOLDANI et al., 2013). A prevenção da obesidade é necessária des- de o nascimento, com o estímulo ao aleitamento materno (fator protetor) e a formação de hábitos alimentares saudáveis nos primeiros anos de vida (SKINNER et al., 2002). A desnutrição pode ocorrer precocemente na vida intrauterina (baixo peso ao nascer) por fa- tores relacionados à gestação, e frequentemente cedo na infância, em decorrência da interrup- ção precoce do aleitamento materno exclusivo e alimentação complementar inadequada nos pri- meiros 2 anos de vida, associada, muitas vezes, à ocorrência de repetidos episódios de doenças infecciosas diarreicas e respiratórias (BRASIL, 2009). As ações descritas de promoção do alei- tamento materno, especialmente a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB) são fun- UNICESUMAR UNIDADE 3 65 damentais para a prevenção da desnutrição e obesidade na infância, segundo a Portaria nº 1.920, de 5 de setembro de 2013 (BRASIL, 2013). As equipes de Atenção Básica têm um papel fundamental na prevenção e no manejo dos agra- vos nutricionais, devendo incentivar ações de promoção à saúde, como orientação alimentar para as fa- mílias, acompanhamento pré-natal, incentivo ao parto normal e ao aleitamento materno, orientação sobre introdução de alimentos complementares, acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, suplementação de vitamina A dos 6 aos 59 meses e a suplementação de ferro em doses preventivas para crianças de 6 a 24 meses. Nas situações em que os agravos nutricionais persistirem faz-se necessária a atenção especializada. É fundamental a definição de equipes e serviços de referência que possam garantir a continuidade do cuidado por meio da articulação da Rede de Atenção à Saúde (RAS). É ainda papel das equipes de saúde a identificação da necessidade e priorização do atendimento das famílias e crianças em ações intersetoriais, de assistência social e educação, entre outros (BRASIL, 2005a). É muito importante conhecer e utilizar as definições de aleitamento materno adotadas pela Organi- zação Mundial da Saúde (OMS) e reconhecidas no mundo inteiro (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2007). Assim, o aleitamento materno costuma ser classificado em: quando a criança recebe somente leite Aleitamento materno exclusivo, direto da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem outros líquidos ou sólidos, com exceção de gotas ou xaropes contendo vitaminas, sais de reidratação oral, suplementos minerais ou medicamentos. Quando a criança recebe, além do Aleitamento materno predominante leite materno, água ou bebidas à base de água (água ado- cicada, chás, infusões), sucos de frutas e fluidos. Quando a criança recebe leite materno (direto da mama, é o aleitamento materno ou ordenhado), independentemente de receber ou não outros alimentos. Quando a criança recebe, além do aleitamento materno complementado do leite materno, qualquer alimento sólido ou semissólido com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria a criança pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas este não é considerado alimento complementar e aleitamento materno misto ou parcial: quando a criança recebe outros tipos de leite além do materno. Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009. 112 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica, n. 23). 66 No Podcast da Unidade 3, vamos desvendar os mitos sobre as compara- ções da alimentação tradicional e o Método BLW. A introdução alimentar deve ocorrer de forma lenta e gradual, respeitando a individualidade do bebê e da família. A alimentação complementar deve atender as necessidades energéticas em complementação ao leite materno além de ser variada, garantindo aporte nutricional de vitaminas e minerais necessários para o crescimento do bebê. A introdução alimentar tradicional, que é recomendada pelas diretrizes da Organização Mundial da Saúde 4, determina que a oferta deve ser variada, porém sempre em formas de purês e papas. E que, ao longo do crescimento e desenvolvimento da criança, os alimentos devem ser apresentados em pedaços e, após um ano, deve ser oferecido os alimentos em sua consistência normal. Por outro lado, o método BLW vem ganhando cada vez mais seguidores. Esse método consiste no desmame guiado pelo bebê. Ou seja, prevê a oferta de alimentos com- plementares em pedaços ou bastões, sem a utilização das tradicionais papinhas. Porém o método vai muito além disso, tem como objetivo de contemplar a saciedade, a autonomia e também o reconhecimento de texturas alimentares diferentes. O essencial para os pais é saber que independentemente do método escolhido para iniciar a alimentação do bebê, o acompanhamento com pediatra e/ou nutricionista é importante para garantir as necessidades nutricionais desta fase. Não perde, clica aí! Lembra do caso que apresentamos na Significação? É assim que a realidade do nutricionista se apresenta para nós. Dentro de um contexto amplo e com complexidade de fatores. A saúde dos pais e avós impacta na saúde do bebê. O tipo de moradia, acesso às vacinas, consulta do pediatra/ médico de família, consumo de doces pelos membros da família. Nenhum diagnóstico nutricional vem sozinho. As soluções que propomos para melhorar a nutrição das crianças devem envolver a família toda. Não só porque é o adulto que prepara a comida, mas porque a criança adotará os hábitos que observar em sua casa. Se a família for do Sul do Brasil e consumir chimarrão, essa criança pro- vavelmente consumirá. Isso não é um problema, mas lembrem que todos somos impactados pelos hábitos alimentares domésticos. Reflita sobre isso. Como foi sua alimentação na primeira infância? UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11674 UNIDADE 3 67 Fome oculta – Diagnóstico, tratamento e prevenção Autor: Andrea Ramalho Editora: Editora Atheneu; 1ª edição (1 outubro 2008) Sinopse: “Fome oculta – Diagnóstico, Tratamento e Prevenção” é um livro que estuda os efeitos prejudiciais sobre o organismo, consequentes da ingestão deficiente de micronutrientes (vitaminas e sais minerais), e que se dá na ausência de manifestações clínicas evidentes; isto a menos que a deficiência se mostre avançada ou crônica. Assim, este silêncio clínico foi denominado “fome oculta”. Não obstante, esses mesmos “danos ocultos” podem alcançar tamanha gravidade, ao ponto de se tornarem problema de SaúdePública de alto custo para sua remissão, isto em face da morbidez, mortalidade, bem como incapacidade ou limitação laborativa do que dela padece. O planejamento e a execução dos programas de combate às carências de micronutrientes são bem conhecidos, em razão de sua aplicação em diversos países e regiões do mundo. Fome oculta Diagnóstico, Tratamento e Prevenção oferece ao leitor visão abrangente do estudo atual dos micronutrientes, ao tempo de advertir sobre os riscos de agravo das condições de saúde, movidas pelo adiamento e pela protelação de medidas absolutamente preventivas e terapêuticas. Compõe-se de lX Partes, 18 Capítulos. Colaboram 27 especialistas. Por suas tão especiais características destina-se a nutricionistas, nutrólogos, clínicos, metabologistas e endo- crinologistas e de forma geral, o pessoal de Saúde Pública. Título: What the Health – Que Raio de Saúde Ano: 2017 Sinopse: O elo entre alimentação, doenças e os bilhões de dólares em jogo do sistema de saúde, indústria farmacêutica e alimentar é examinado de perto neste filme. 68 E na prática? De um lado, aumenta a cada ano a parcela da população infantil que já apresenta excesso de peso (sobrepeso e obesidade) devido a intensas mudanças nas práticas alimentares e no modo de vida da sociedade, tais como: aumento do consumo de alimentos não saudáveis, como os ultraproces- sados; a existência de ambientes que favorecem seu consumo; falta de tempo da família para o preparo das refeições em decorrência, por exemplo, de extensas jornadas de trabalho e de deslocamento, par- ticularmente nas grandes cidades; falta de rede de apoio às mulheres trabalhadoras e a suas famílias para o cuidado com as crianças e perda ou diminuição da tradição de cozinhar e da transmissão das habilidades culinárias entre as gerações, dentre outras. De outro, casos de desnutrição, anemia e deficiência de vitamina A continuam a existir, seja em grupos populacionais marcados pela dificuldade de produzir ou adquirir seus alimentos; seja pela violação de direitos básicos em função das condições socioeconômicas, de conflitos pela posse de terras ou outros fatores. Em algumas realidades, ainda que o alimento esteja presente, essas deficiências nutricionais também podem ser resultado da inadequação da alimentação ou da presença de doenças. Na prática, devemos viver essa dicotomia com profissionalismo e empatia. Semear Nutrição Infantil é um projeto que foi idealizado com o ob- jetivo de levar para famílias, estudantes e profissionais de saúde o que há de mais atualizado em nutrição infantil. Informações de qualidade baseadas em estudos científicos e na vivência prática de profissionais referência na área. Com materiais de apoio para educação nutricional de crianças e vídeos com orientações sobre alimentação para bebês, crianças e adolescentes. Para acessar, use seu leitor de QR Code. UNICESUMAR https://www.semearnutricaoinfantil.com.br/blog/ 69 NUTRIÇÃO MATERNO INFANTIL 70 1. Anemia ferropriva é o tipo de anemia decorrente da privação, deficiência, de ferro dentro do organismo levando a uma diminuição da produção, tamanho e teor de hemoglobina dos gló- bulos vermelhos, hemácias. O ferro é essencial para a produção dos glóbulos vermelhos e seus níveis baixos no sangue comprometem toda cascata de produção das hemácias. EXPLIQUE porque a anemia é de fato tão grave para a saúde de adultos e crianças? 2. Já nas primeiras horas de vida, o mundo entra pela boca. Junto com o leite, o bebê recebe o calor, o toque e o cheiro de quem o alimenta. Sente, ainda que de forma sutil, a presença – ou a falta – do afeto. E, depois das primeiras mamadas, a fome jamais será apenas de alimento. Ao longo da existência, as relações continuam permeadas pelos significados simbólicos que a comida assume na vida de cada um, seja na recusa do anoréxico, seja na voracidade do bu- límico, seja na relação de amor e ódio dos obesos com os alimentos. LEAL, Gláucia. In: Mente e cérebro. Edição especial nº 11, p. 41 (com adaptações). Nos diferentes ciclos da vida, criamos relações com os alimentos. EXPLIQUE a razão da in- trodução alimentar na 1ª infância (0-2 anos) ser um passo tão importante nas relações que guardamos com os alimentos. 3. Um nutricionista lotado em uma unidade de saúde de média complexidade, ao atender a uma menina de 14 meses de idade, com peso de 11,4 kg (percentil 90) e 82 cm (percentil 97), identificou, por meio da história alimentar relatada pela mãe, hábitos alimentares sugestivos de uma inadequada ingestão de micronutrientes pela criança. Para essa situação hipotética, uma orientação dietética eficiente deverá contemplar: I) o consumo de leite e derivados, para garantir a ingestão de cálcio, de forma a promover a adequada formação dos ossos e dentes. II) o estímulo ao consumo de alimentos-fonte de vitamina A, uma vez que, na deficiência dessa vitamina, verifica-se menor mobilização dos estoques de cobre, o que compromete o sistema digestivo. III) a ingestão adequada de proteína animal, que, além de ser fonte de aminoácidos essenciais, au- menta a biodisponibilidade do zinco, micronutriente indispensável para o crescimento celular. IV) a inclusão de alimentos-fonte de ferro heme e de ferro não-heme, associando a este último o consumo de alimentos ricos em ácido ascórbico, em uma mesma refeição. Estão certos apenas os itens: a) I e IV. b) II e III. c) I, II e III. d) II, III e IV. 71 4. A alimentação complementar é a oferta do leite materno somado a outras fontes calóricas oferecidas durante o período em que a criança permanecerá sendo aleitada no peito, mas com outras opções de nutrição. Com relação à temática e de acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (2018), assinale a alternativa INCORRETA: a) Aos 4-6 meses o bebê apresenta maturidade fisiológica e neurológica, com diminuição do reflexo de protrusão da língua, que melhora a ingestão de alimentos semissólidos. As enzimas digestivas são produzidas em quantidades suficientes, razão que as habilitam a receber outros alimentos além do leite materno. b) As frutas cruas, raspadas, amassadas ou picadas devem ser oferecidas a partir de 6 meses de idade, lembrando que nenhuma fruta é contraindicada. c) Deve ser incentivado o consumo de sucos de frutas a partir dos 6 meses de idade como fonte importante de vitaminas e minerais, além de contribuir na ingestão hídrica diária. d) Evita-se adicionar sal no preparo da papa da alimentação complementar para lactentes até 12 meses e após esta idade usar sal com moderação. 72 4 Nesta unidade, nós iremos estudar a nutrição de pré-escolares. Vamos falar da famosa seletividade alimentar que deixa a mamãe preocupada. Ainda abordaremos assuntos da alimentação e nu- trição de escolares. A nutrição na adolescência trará conceitos im- portantes para avaliarmos e diagnosticarmos déficits nutricionais. Abordaremos a temática do estadiamento puberal. Finalizaremos esta unidade discutindo sobre a importância da atividade física na infância e adolescência e como isso tem sido decisivo para o com- bate à obesidade infantil. Nutrição de Pré Escolares e Escolares e os Desafios da Alimentação Saudável na Adolescência M. Sc. Silvia Moro Conque Spinelli 74 Você já ouviu falar em TARE – Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo? Mais do que um “comedor exigente”, o TARE é um transtorno restritivo importante, certo? Você já parou para pensar que muitas crianças e adultos podem ser portadoras de TARE e jamais tiveram o diagnóstico, além de terem sido tratadas por longo tempo como crianças chatas e mimadas? Qual deve ser nossa sensibilidade como nutricionistas diante desses casos? Estudar a alimentação infantil significa poder ajudar a construir famílias mais saudáveis. O nutri- cionista tem esse importante papel em ajudar mães, pais e cuidadores em promover uma alimentação mais variada. Crianças que comem bem garantem o aporte nutricional para o crescimentosatisfatório e ainda se tornam adultos mais preparados para os desafios que a sociedade nos exige hoje. Todos ganham. Crianças, família e a sociedade. Vamos mergulhar de cabeça nessa delícia que é estudar ali- mentação infantil? Vamos imaginar o seguinte caso: atendimento de uma adolescente. Ela compareceu acompanhada da madrasta, sua responsável na época. A madrasta relatou que a paciente nasceu com peso elevado para idade (não soube informar o peso) e, desde então, sempre apresentou excesso de peso. Informou também que ela não recebeu aleitamento materno, mas não soube informar o motivo. Ainda nessa anamnese, identificou-se que ela possui histórico familiar de obesidade (pai, mãe e irmãs), dislipidemias e doenças cardiovasculares. O primeiro relato da paciente versou sobre os incômodos e prejuízos físicos e emocionais que o excesso de peso causa à sua saúde e autoestima. Confessou tentativas anteriores de emagrecimento sem acompanhamento profissional, com adoção de dietas restritivas, sem sucesso a longo prazo e com consequente reganho e aumento de peso. Exames bioquímicos recentes não apresentaram alterações. Não houve relato de alergias ou intolerâncias ali- mentares, a paciente não mencionou aversões alimentares e se mostrou interessada em experimentar novas opções de alimentos. Como você procederia nesse caso? Utilize o Diário de Bordo e registre a conduta Nutricional que você traçaria para esse adolescente. A obesidade na adolescência tem conse- quências metabólicas, psicológicas e comporta- mentais relevantes, por isso o tratamento deve iniciar assim que for realizado o diagnóstico, pois, após a puberdade, a probabilidade deste estado nutricional permanecer até a idade adulta é de 50-70%. A adolescente do caso mencionado anteriormente apresenta excesso de peso desde o nascimento, não recebeu aleitamento materno e consumiu fórmulas infantis. O leite materno possivelmente possui um efeito protetor con- tra a obesidade. No caso em questão, somam-se outros fatores de risco como o excesso de peso dos pais, histórico familiar de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e o sedentarismo. UNICESUMAR UNIDADE 4 75 O estado nutricional de crianças e adolescentes é uma prioridade dos sistemas de saúde. Em relação aos indicadores nutricionais houve redução substancial na prevalência de déficit de altura para a idade, de 37,1% em 1974-75 para 7,1% em 2006-07 (FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 1977; BEM-ESTAR FAMILIAR NO BRASIL, 1997; com redução também nas desigualdades socioeconômicas. Outro indicador de desnutrição, o déficit de peso para a idade reduziu de 5,6% em 1989 para 2,2% em 2006-07. Por outro lado, houve aumento do sobrepeso de 11% para 35% entre os meninos e 7% para 32% entre as meninas de 5 a 9 anos de idade. Da mesma forma, a obesidade passou de 3% para 17% entre meninos e de 2% para 12% entre meninas na mesma faixa etária, apontando para importante mudança nos padrões de nu- trição infantil no país. Tais mudanças criaram novas demandas para o sistema de saúde, que precisa assistir as crianças que apresentam condições crônicas de saúde com uma gama variada de etiologias e prevalências dis- tintas, que vão desde doenças como problemas alérgicos, obesidade, diabetes, hipertensão, distúrbios neurológicos, câncer e problemas de saúde mental até doenças raras como síndromes genéticas e metabólicas, lembrando ainda, que as condições crônicas de saúde apresentam um largo espectro de gravidade (MOREIRA; GOMES; SÁ, 2014). Escolares e pré-escolares têm necessidades nutricionais parecidas tanto entre meninos quanto meninas. Essa quantidade só sofrerá alterações substanciais quando chegar a adolescência. 76 Um fenômeno bastante comum na idade entre 3 e 8 anos é a recusa alimentar. A criança natu- ralmente manipula os adultos, negocia as opções de alimentos, faz birra, levanta da mesa várias vezes e tenta vencer os pais pelo cansaço. Essa é a descrição da Seletividade Alimentar (SA), descrita predominantemente como uma grande limitação das opções de consumo e negação de experimentar novos sabores (Figura 1). O pro- cesso limita inclusive a relação social da família. A seletividade alimentar está descrita no Sis- tema de Classificação CID10 como transtorno infantil com uma dificuldade persistente em co- mer adequadamente e falha no ganho de peso ou ainda, importante perda ponderal durante o últi- mo mês. Não existem condições fisiopatológicas ou desordens mentais associadas, não há falta de acesso aos alimentos e o distúrbio deve ter início antes dos 6 anos. Figura 1 – Comportamento de uma criança com seletividade alimentar As informações sobre a patologia ainda são es- cassas, mas relatos de familiares descrevem uma prevalência mais frequente em crianças de 4 a 24 meses (19% a 50% dos casos). Não há evidências que relacionem o quadro de SA com comporta- mentos característicos de transtornos alimentares, como: fazer dieta, episódios de compulsões ali- mentares e controle obsessivo do peso corporal. Há ainda outro grande agravo da nutrição in- fantil que deve ser abordado neste livro. A Obesi- dade infantil. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a obesidade como condição crônica multifatorial caracterizada pelo acúmulo exces- sivo de gordura corporal, acarretando prejuízos à saúde (WHO, 1995). A prevalência de obesida- de tem aumentado de maneira epidêmica entre crianças e adolescentes nos últimos 30 anos e se apresenta hoje como o maior problema de saúde pública no mundo. No Brasil, o excesso de peso também tem au- mentado em todas as faixas etárias nas últimas décadas. Ao analisar a tendência temporal do ex- cesso de peso entre os anos de 1989, 1996 e 2006, foi observado que houve um aumento de 160% na prevalência de crianças menores de 5 anos com excesso de peso, com um aumento médio de 9,4% ao ano. Com base em dados de 2006, a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde/2006 mostrou uma prevalência de excesso de peso em menores de cinco anos igual a 7,3%. No grupo de crianças com idade entre 5 e 9 anos, a Pesquisa de Orçamentos Familiares/2008/2009 (IBGE, 2009) identificou que, aproximadamente, uma em cada três crianças apresentava excesso de peso. A resistência à insulina pode ser causada por deficiência no receptor específico, por diminuição na quantidade de receptores ou por erro durante a utilização por parte dos receptores. Como meca- nismo de compensação, as células beta-pancreáti- cas aumentam a produção de insulina, levando à hiperinsulinemia. A tolerância à glicose permane- ce normal durante algum tempo. Porém, quando se observa declínio na secreção insulínica, a to- lerância à glicose diminui (CAPANEMA, 2010). Por sua vez, a obesidade é o principal fator de risco para o desenvolvimento de resistência à insulina em crianças e adolescentes. Acredita-se que a resistência à insulina/hiperinsulinemia é Descrição da Imagem: A fotografia mostra uma criança do sexo feminino com os cotovelos em cima de uma bancada e suas mãos nas bochechas. A fisionomia é de emburrada. Em sua frente tem-se um pote com um talher dentro. UNICESUMAR UNIDADE 4 77 importante elo entre a obesidade, alterações me- tabólicas e risco cardiovascular. A dislipidemia representa importante proble- ma no paciente com diabetes mellitus, sendo que 87% deles apresentam alguma disfunção lipídica. As mais comuns são: hipertrigliceridemia, hi- percolesterolemia e/ou baixas concentrações de HDL. Adolescentes obesos apresentam impor- tante aumento de LDL e triglicérides e baixo nível de HDL. Em 52% de crianças obesas de oito a 12 anos foi encontrado aumento do colesterol total, comparado com crianças não obesas, que obti- veram prevalência de 16% (CAPANEMA, 2010). Também a elevação da pressão arterial sistê- mica pode ser causada pela hiperinsulinemia, devido à ativação do sistema nervoso simpático, do comprometimento da vasodilatação perifé- rica e do aumento daresposta da angiotensina, levando ao aumento da reabsorção renal de sódio e de água e, consequentemente, à sobrecarga de volume. Em diabéticos de ambos os sexos foram encontrados 84% de elevação dos níveis da pressão arterial sistêmica. Ainda observamos um contingente importante de portadores da Síndrome Metabólica (SM), em que apresentam excesso de peso, porém mesmo em indivíduos não obesos pode ocorrer aumento da adiposidade corporal, principalmente na re- gião abdominal. Excesso visceral de gordura pode levar ao aumento de concentração de citocinas inflamatórias e ácidos graxos que estimulam a gliconeogênese, bloqueia a depuração hepática de insulina e causa acúmulo de triglicérides no fíga- do e no músculo. Esse acúmulo leva à resistência insulínica, provocando a dislipidemia. Diversos hormônios possuem papel na regu- lação do peso corporal. A leptina, hormônio res- ponsável pela regulação da saciedade no hipotála- mo e também da manutenção da quantidade de gordura corporal, tem sido estudada em relação à sua participação na etiologia da síndrome. Espe- cula-se ser ela outro componente das alterações hormonais da SM, estando sua concentração ele- vada na maioria dos obesos. Adoção de hábitos de vida saudáveis, como menos ingestão de gorduras e a prática de exercícios físicos, demonstrou ser capaz de reduzir concentrações plasmáticas de leptina (CAPANEMA, 2010). Alguns estudos salientam relação direta entre baixo peso ao nascer (menos de 2,5 kg, segundo critério da OMS) e o desenvolvimento da SM, em es- pecial nos pequenos para a idade gestacional (PIG). A fisiopatologia dessa relação ainda não é totalmente conhecida. As crianças PIG apresentam alto risco de se tornarem adultos com SM, principalmente as que apresentam recuperação nutricional rápida após o nascimento. Por outro lado, as que não se recupe- ram têm baixa estatura e consequências psicológicas durante a adolescência e vida adulta. Encontrou-se prevalência de resistência à insulina 10 vezes mais alta em adultos aos 50 anos de idade que nasceram pesando menos de 2,5 kg. Outras condições clínicas também estão fre- quentemente associadas à SM, embora sem par- ticipação nos critérios diagnósticos. Entre elas estão a síndrome de ovário policístico, a acantose nigrans, a hepatopatia gordurosa não alcoólica, os estados pró-trombóticos, pró-inflamatórios e de disfunção endotelial, além da hiperuricemia. Alimentar-se é mais do que simplesmente inge- rir um alimento, possui o significado das relações pessoais, sociais e culturais que estão envolvidas naquele ato. A cultura alimentar do indivíduo está diretamente ligada com a manifestação desta pessoa na sociedade. O alimento é um dos requerimentos básicos para a existência de um povo, e a aquisição desta comida desempenha um papel importante na formação de qualquer cultura. Os métodos de pro- curar e processar esses alimentos estão intimamente ligados à expressão cultural e social de um grupo. 78 Entre os fatores ambientais, chamamos de am- biente obesogênico aquele promotor ou facilitador de escolhas alimentares não saudáveis e de compor- tamentos sedentários, os quais dificultam a adoção e a manutenção de hábitos alimentares saudáveis e a prática regular de atividade física (Figura 2). Sabe-se que o principal elemento para o aumen- to da prevalência da obesidade nas populações é o ambiente cada vez mais obesogênico, e não as mutações genéticas. Desse modo, o problema se associa às políticas sociais e econômicas nas áreas de agricultura, transporte, planejamento urbano, meio ambiente, processamento, distribuição e co- mercialização de alimentos e não apenas ao com- portamento das crianças, dos adolescentes e de seus pais e responsáveis. Leia mais sobre a Transição Nutricional e o processo de envelhe- cimento da População Brasileira, Acesse o QR CODE. Assim, para o cuidado da obesidade, além do apoio aos indivíduos por meio de abordagens educativas/comportamentais, é fundamental a adoção de políticas intersetoriais para reverter a natureza obesogênica dos locais onde as crianças, os adolescentes e suas famílias vivem. A nutrição na adolescência tem sido motivo de atenção, pois é frequentemente associada a um período do desenvolvimento humano mar- cado por transformações biológicas e psíquicas geradoras de inquietudes e sofrimento, sendo a emergência da sexualidade e a dificuldade em estabelecer a própria identidade alguns dos ele- mentos associados a essa fase. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS) esta fase é compreen- dida por tempo cronológico de 10 a 19 anos de idade, sendo dividida em duas fases: de 10 a 14 anos e de 15 a 19. A fase de 10 a 14 anos é carac- terizada por um período de elevada demanda nutricional já que é nesta fase que se iniciam as mudanças puberais. O processo de adolescer envolve questões complexas de mudanças psicológicas e sociais, onde a influência do meio em que se insere o adolescente se faz marcante na formação de seu caráter, pensamentos e hábitos. Na sociedade con- Descrição da Imagem:ambiente de consultório. Nele, há um garoto com camiseta listrada em azul e branco. Ele tem as mãos na barriga evidenciando seu sobrepeso. Há uma nutricionista, mas não podemos ver seu rosto. Ela usa jaleco branco e segura uma prancheta de atendimento nas mãos. Figura 2 – Ambiente obesogênico UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/17686 UNIDADE 4 79 temporânea, a adolescência é considerada uma etapa caracterizada pelas dimensões psicobiológica, sociocultural e cronológica implicadas no crescimento e no desenvolvimento, as quais resultam também de contextos políticos, históricos e econômicos (SILVA, 2014). Neste ínterim, a nutrição tem papel fundamental, pois delimita condições favoráveis ao crescimento e desenvolvimento, onde o consumo alimentar, os saberes e as representações sobre uma alimentação saudável na adolescência vêm recebendo grande atenção, considerando-se principalmente as relações de hábitos alimentares inadequados ao desenvolvimento de determinadas enfermidades na idade adulta. Voltemos a falar das necessidades nutricionais na adolescência. Como já deve ter percebido, na ado- lescência, o requerimento energético deve contemplar não somente a manutenção da boa saúde, mas também o crescimento que é bastante significativo nessa etapa da vida, e essa nutrição deve permitir a prática de atividade física. A elevação das necessidades de energia na adolescência é determinada pelo aumento da massa corporal magra, e não pelo acréscimo no peso corporal, com o seu conteúdo variável de gordura. Considerando esses pontos importantes aqui mencionados, Recomendações Nutricionais Na Adolescência são feitas e revisadas constantemente. A faixa recomendada de ingestão de energia reflete as necessidades diferentes dos adolescentes. A velocidade de crescimento e o nível de exercícios devem ser considerados na determinação dessas necessidades. Esses fatores são tão importantes que para uma dieta adequada leva-se em consideração o conceito de Ingestão diária de referência – DRI (do inglês, Dietary reference intake). As DRIs de energia (publicação internacional que traz as recomendações de energia e nutrientes para cada faixa etária) para adolescente baseiam-se no requerimento estimado de energia (EER/2002), que foi calculado pelo gasto energético e pelas necessidades para o crescimento. ALERGIA A PROTEINA DO LEITE DE VACA (APLV) Uma das razões para os nutricionistas estimularem o aleitamento materno é o risco de alergias nos bebês alimentados com leite de vaca. APLV decorre de um quadro de resposta imunológica de maneira anômala após a ingestão ou contato com determinado alimento e/ou substância, que contenha a proteína do Leite de Vaca (LV), podendo ser mediada ou não por Imunoglobulina E (IgE) ou mista. O próprio Ministério da Saúde recomenda que o leite de vaca (pasteurizado ou envasado no sistema UHT) só deva ser oferecido à criança maiorde um ano e sob orientação de médico ou nutricionista. As queixas típicas da APLV são cólicas, diarreias, coceira/prurido de pele, edema de face ou ainda outras complicações típicas de reações alérgicas severas. Seu diagnóstico é ba- seado em história clínica, exames físicos, dieta de eliminação e Teste de Provocação Oral (TPO). O diagnóstico preciso é fundamental, a fim de que se tenha o tratamento adequado (RODRIGUES et al., 2021). 80 Para calcular o EER foi desenvolvida uma equação pelo método de água duplamente marcada (DLW) para predizer o total de energia gasta (TEE), baseando-se em sexo, idade, altura, peso e categoria do nível de atividade física, adicionadas 25kcal/dia para energia de depósito (SCAGLIUSI, 2005). As necessidades de proteínas dos adolescentes podem ser estimadas em torno de 12% a 15% do total calórico. Durante a adolescência a utilização de proteínas está mais fortemente ligada ao padrão de crescimento do que à idade. A necessidade proteica é determinada pela quantidade que precisamos para manter o crescimento de novos tecidos que, durante a adolescência, podem representar porção substancial. De acordo com Krause (2018), o peso corporal para meninas de 14 a 18 anos é de 54kg e para meninos, 61kg; a recomendação dietética adequada - RDA (RDA/2002) para proteína deve ser de 46g/dia para meninas e 52g/dia para meninos. Para todos os adolescentes (e inclusive adultos) sadios a recomendação de ingestão de carboidrato é na faixa de 55% a 60% da energia total da dieta, dando-se preferência aos carboidratos complexos (sem açúcar refinado) que são as principais fontes de energia para os adolescentes. A American Dietetic Association (ADA) recomenda, para a faixa etária de 3 a 18 anos, uma ingestão diária de fibras igual à idade + 5g. As fibras são importantes no cuidado de diversas situações nutricionais como constipação intestinal, obesidade, dislipidemia e diabetes. Incentivar o consumo de fibras o mais cedo possível pode diminuir esses tipos de alteração nutricional, bem como prevenir alguns cânceres (DIETARY REFERENCES INTAKES, 2002). O Comitê de Nutrição da Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda que nas primeiras duas décadas de vida as gorduras devem fornecer 30% das calorias da dieta, a não ser que haja maior suscetibilidade à arteriosclerose, seja por história familiar positiva, tabagismo, hipertensão, diabetes ou outros fatores de risco (REGO; SILVA, 2000). EER para meninos de 9 a 18 anos EER = TEE + energia de depósito EER = 88,5 - 61,9 × idade [anos] + PA x (26,7 × peso [kg] + 903 × altura [m] + 25 [kcal/dia para energia de depósito]) Onde PA é o coeficiente de atividade física: PA = 1 se for sedentarismo; PA = 1,13 se o nível de atividade física for leve; PA = 1,26 se o nível de atividade física for moderado; PA = 1,42 se o nível de atividade física for intenso. EER para meninas de 9 a 18 anos EER = TEE + energia de depósito EER = 135,3 - 30,8 × idade [anos] + PA × (10 x peso [kg] + 934 × altura [m] + 25 [kcal/dia para energia de depósito]) Onde PA é o coeficiente de atividade física: PA = 1 se for sedentarismo; PA = 1,16 se o nível de atividade física for leve; PA = 1,31 se o nível de atividade física for moderado; PA = 1,56 se o nível de atividade física for intenso. UNICESUMAR UNIDADE 4 81 Para a população em geral de crianças e adolescentes, o National Cholesterol Education Program (GOODMAN, 1991), recomenda a adoção de padrões alimentares para atingir os seguintes critérios de gordura e colesterol: “ ácidos graxos saturados – menos de 10% das calorias totais; ácidos graxos poliinsaturados – até 7% das calorias totais; ácidos graxos monoinsaturados – de 10 % a 15% das calorias totais; gordura total – uma média de não mais de 30% das calorias totais; colesterol da dieta – menos de 300mg dia. Na adolescência, as necessidades de vitaminas e minerais são maiores que na fase adulta, mesmo porque as vitaminas participam ativamente do ciclo energético e da metabolização da glicose, em especial as do complexo B. O ácido fólico, em virtude do seu papel na síntese de DNA, é importante durante a repli- cação celular aumentada nesse período de crescimento. As melhores fontes são vísceras, feijão e vegetais de folhas verdes. A vitamina D está envolvida na manutenção da homeostase de cálcio e fósforo na minera- lização do osso, sendo essencialmente necessária para o rápido crescimento esquelético. Os alimentos considerados fontes de vitamina D são: gema de ovo, fígado, pescados gordos (arenque e cavala) e manteiga. A vitamina A, além de ser importante para o crescimento, é fundamental para a maturação sexual. São fontes de vitamina A: leite integral, fígado, gema de ovo e vegetais com folha verde-escuro (brócolis e espinafre) e legumes alaranjados (abóbora e cenoura). A vitamina C atua como agente redutor em várias reações de hidroxilação, é essencial para a síntese de colágeno, reflete-se na cicatrização, na formação dos dentes e na inte- gridade dos capilares, tornando-se indispensável em quantidade adequada para garantir o crescimento satisfatório. As melhores fontes de vitamina C são laranja, limão, acerola, morango, brócolis, repolho e espinafre. O zinco é um elemento essencial para o crescimento e a maturação do adolescente. Existem relatos de uma síndrome de deficiência de zinco caracterizada por retardo do crescimento, hipogonadismo, diminuição da acuidade gustativa e queda de cabelos. Como fonte de zinco temos carnes, camarão, ostras, fígado, grãos integrais, castanhas, cereais e tubérculos. 82 Os adolescentes incorporam o dobro da quantida- de de cálcio, ferro, zinco e magnésio em seus orga- nismos durante os anos de estirão de crescimento em relação a outras fases da vida. As necessidades de cálcio na adolescência são baseadas no cresci- mento esquelético, do qual 45% ocorrem durante esse período, bem como nos acelerados desenvol- vimentos muscular e endócrino. Como alimentos ricos em cálcio, citam-se: leite e seus derivados. Na adolescência, a necessidade de ferro é alta em ambos os sexos. Nos homens, devido à cons- trução da massa muscular, que é acompanhada por maior volume sanguíneo e das enzimas res- piratórias, e nas mulheres o ferro é perdido men- salmente com o início da menstruação. São fontes de ferro carne, grãos, ovos e vegetais de cor ver- de-escuros). A biodisponibilidade do ferro deve ser enfatizada. Os alimentos ricos em vitamina C aumentam a absorção de ferro, enquanto os ricos em oxalatos e fitatos dificultam a sua absorção, sendo fator de risco para anemia e comprometi- mento do crescimento. A anemia ferropriva, um problema nutricio- nal de grande magnitude na população infantil, apresenta prevalências variando de 30% a 70%, dependendo da região e estrato socioeconômico (SPINELLI et al., 2005). A adolescência classicamente é o ciclo huma- no que se alimenta mal. Mesmo com condições sociais de fazer boas refeições, costuma trocar comida por diversão e uso de gadgets eletrôni- cos. Os nutrientes que costumam faltar na dieta adolescente são vitamina A, complexo B e fibras. Pesquise casos onde a monotonia alimentar do adolescente pode trazer problemas nutricionais e inclusive de crescimento e desenvolvimento. Bom, até este momento em sua busca por conhecimento sobre a nutrição de crianças e adolescentes permitiu entender que delimitar as fases de desenvolvimento são importantes para se estabelecer uma dieta que supra as necessida- des nutricionais desse público, principalmente na puberdade, certo? Para isso o médico inglês J.M. Tanner padronizou o método de estadiamento da maturação sexual, que se difundiu a partir dos anos 60, e é o mais utilizado até hoje. Esse método leva o nome de Estadiamento de Tanner. O estadiamento da maturação sexual é feito pela avaliação das mamas e dos pelos pubianos no sexo feminino, e dos genitais e pelos púbi- cos no sexo masculino. As mamas e os genitais masculinos são avaliados quantoao tamanho, forma e características; os pelos pubianos por suas características, quantidade e distribuição. O Estágio 1 corresponde sempre à fase infantil, sem puberdade, e o Estágio 5 a fase pós-puberal, adulta (Figura 3 e 4). Portanto, são os Estágios 2 a 4 que caracterizam o período puberal (TANNER, 1962). UNICESUMAR UNIDADE 4 83 1 2 3 4 5 Descrição da Imagem: 15 gravuras (5 trios lado a lado) em fun- do rosa, demonstrando partes de corpo de pele branca quanto ao desenvolvimento da puberdade, das mamas e dos pelos pubianos, desde a infância, com mamas não desenvolvidas e ausência, com três estágios intermediários com crescimento de pelos e aumento no volume das mamas até a fase adulta com pelos em toda a púbis e parte interna de coxas e mamas completamente desenvolvidas. Figura 3 – Desenvolvimento puberal feminino de acordo com o Estadiamento de Tanner. Mamas e púbis (sexo feminino) 1- Mama infantil, com elevação somente da papila. Fase de pré-adolescência (não há pe- lugem). 2- (9 - 14 anos) Broto mamário: aumento inicial da glândula mamária, com elevação da aréola e papila, formando uma pequena saliência. Aumento do diâmetro da aréola. Presença de pelos longos, macios e ligeiramente pigmen- tados ao longo dos grandes lábios. 3- (10 - 14,5 anos) Maior aumento da mama e da aréola, mas sem separação de seus con- tornos. Pelos mais escuros e ásperos sobre o púbis. 4- (11 - 15 anos) Maior crescimento da mama e da aréola, sendo que esta agora forma uma se- gunda saliência acima do contorno da mama. Pelugem do tipo adulto, mas a área coberta é consideravelmente menor que a do adulto. 5- (12 - 16,5 anos) Mamas com aspecto adulto. O contorno areolar novamente incorporado ao contorno da mama. Pelugem do tipo adul- to, cobrindo todo o púbis e a virilha. 84 1 2 3 4 5 Genitais (sexo masculino) 1 - Pênis, testículos e escroto de tamanho e proporções infantis. Ausência de pelos pubia- nos. Pode haver uma leve penugem semelhan- te à observada na parede abdominal. 2 - Aumento inicial do volume testicular (>4ml). Pele escrotal muda de textura e torna-se aver- melhada. Aumento do pênis mínimo ou au- sente. Aparecimento de pelos longos e finos, levemente pigmentados, lisos ou pouco enca- racolados, principalmente em base do pênis. 3 - Crescimento peniano, principalmente em comprimento. Maior crescimento dos testículos e escroto. Maior quantidade de pelos, agora mais grossos, escuros e encara- colados, espalhando-se esparsamente pela sínfise púbica. 4 - Continua o crescimento peniano, agora principalmente em diâmetro, e com maior desenvolvimento da glande. Maior crescimen- to dos testículos e do escroto, cuja pele se torna mais pigmentada. Pelos do tipo adulto, cobrindo mais densamente a região púbica, mas ainda sem atingir a face interna das coxas. 5 - Desenvolvimento completo da genitália, que assume tamanho e forma adulta. Pilosida- de pubiana igual à do adulto, em quantidade e distribuição, invadindo a face interna da coxa. Descrição da Imagem: 5 gravuras coloridas e em fundo azul, demonstrando o desenvolvimento da puberdade em partes de corpo masculino (pelve) de pele branca, com 5 tamanhos dife- rentes de pênis e escroto (do menor para o maior) e também com diferentes fases de desenvolvimento de pelos pubianos, desde a infância com ausência de pelos no menino, ainda 3 diferentes estágios intermediários de aumento de pelos até a fase adulta do homem, com formação total de pelos sobre o escroto e até entre as coxas. Figura 4 – Desenvolvimento puberal masculino de acordo com o Estadiamento de Tanner. UNICESUMAR UNIDADE 4 85 Outro fator importante a ser comentado aqui é o advento da menarca. Menarca é o nome dado à primeira menstruação da mulher e é uma das últimas fases da puberdade. O primeiro ciclo tende a acontecer entre os 10 e 15 anos, podendo variar conforme o estilo de vida, histórico de menstruação das mulheres da família, hábitos alimentares, alterações hormonais, entre outros fatores. Enfim, em todas as fases da vida – e na adolescência não é diferente – a dieta deve ser a mais variada possível, devendo conter alimentos de todos os grupos, em especial das fibras. E valorizamos aqui as fibras por observarmos largamente o baixo consumo de fibras em praticamente toda a sociedade contemporânea. Com intuito de evitar as consequências graves da desnutrição e subnutrição infantojuvenil que você conheceu até aqui, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) oferece alimentação escolar e ações de educação alimentar e nutricional a estudantes de todas as etapas da educação bási- ca pública. O governo federal repassa, a estados, municípios e escolas federais, valores financeiros de caráter suplementar efetuados em 10 parcelas mensais (de fevereiro a novembro) para a cobertura de 200 dias letivos, conforme o número de matriculados em cada rede de ensino. Com base no que aprendemos até aqui, convido você a pesquisar o impacto do Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE) sobre a nutrição de pré-escolares e escolares. Como você planejaria o É muito importante seguir essa linha de raciocínio. RDA (requerimento dietético médio) para meninos de 14 a 18 anos = 0,85g/ kg/dia de proteína ou 52g/dia de proteínas. RDA para meninas de 14 a 18 anos = 0,85g/ kg/dia de proteína ou 46g/dia de proteínas. O médico inglês J. M. Tanner padronizou o método de estadiamento maturação sexual, e é feito pela avaliação das mamas e dos pelos pubianos no sexo feminino, e dos genitais e pelos púbicos no sexo masculino. Essa classificação nos ajuda a entender o grau de maturação dos adolescentes e inclusive o estado metabólico e energético deles. Fonte: Manual de avaliação nutricional e necessidade energética de crianças e adolescentes: uma aplicação prática / Adriana Lima Mello (org.). Salvador: EDUFBA, 2012. 88 p. No Podcast de hoje vamos falar de um fenômeno ainda pouco conhe- cido pela maioria de nós. Vamos falar de TARE. Queixas relacionadas à alimentação como seletividade ou evitação alimentar são muito co- muns na prática pediátrica. Tais situações vinham sendo descritas por termos como “evitação emocional de alimentos”, “anorexia nervosa sem fobia de engordar”, “alimentação restritiva” e “anorexia infantil”. Dentre os aspectos mais marcantes da doença destaca-se a interferência no funcionamento psicossocial. A alimentação é, culturalmente, uma das formas de socialização. Clica aí e vem comigo! https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11675 86 cardápio baseado nas necessidades nutricionais das crianças brasileiras? Pesquise qual a contribuição do Dr. Josué de Castro na construção histórica da alimentação de crianças no Brasil. Título: Nutrição clínica: manual de sobrevivência Autor: Width, Mary Editora: Guanabara Koogan Sinopse: Manual de Sobrevivência para Nutrição Clínica é uma referência concisa em formato de bolso, que os profissionais de saúde podem adaptar à sua própria prática. O público-alvo principal deste livro é composto por profissionais de saúde e estudantes de todas as disciplinas que se interes- sam por nutrição clínica ou trabalham ativamente nessa área em hospitais, instituições de longa permanência e clínicas de saúde. Entretanto, a obra também pode ser um recurso útil aos profissionais de diversas especialidades, inclusive em programas comunitários, educação em nutrição e programas de bem-estar social, que necessitem de uma referência rápida para triagem e avaliação nutricionais. Título: Cisne Negro Ano: 2010 Sinopse: Nina é uma bailarina cuja obsessão pela dança supera todas as facetas de sua vida. Quando o diretor artístico da companhia decide substituir sua primeira bailarina para a produção de estreia de “O Lago dos Cisnes”, Nina é sua primeira escolha. Sua concorrente é a novata Lily. Embora Nina seja perfeita para o papel do Cisne Branco, Lily personifica o Cisne Negro. A rivalidade entre as duas bailarinas se transforma em umaamizade distorcida e o lado obscuro de Nina começa a vir à tona. Comentário: O filme aborda aspectos de anorexia nervosa. Típico entre adolescentes que se dedicam a atividades esportivas e artísticas. UNICESUMAR UNIDADE 4 87 Você deve ter percebido até aqui, caro aluno, que os desafios nutricionais envolvendo pré-escolares e escolares e, o estabelecimento de uma alimentação saudável, principalmente na adolescência tem movido a sociedade como um todo, com estabelecimento de diretrizes que levam em consideração critérios e conceitos e, principalmente envolvendo valores de referência para padronização das ne- cessidades nutricionais nestas faixas etárias. Você como futuro profissional, uma vez de posse desse conhecimento, pode atuar tanto no acompanhamento de indivíduos dessa faixa etária a fim de criar uma conexão entre a saúde do indivíduo e a alimentação, quanto, atuar em instituições como toma- dores de decisões, seja no planejamento de cardápios, na preparação dos alimentos ou até mesmo no gerenciamento de itens alimentares. Já pensou nisso? ASBRAN Fundada em 31 de agosto de 1949, a Associação Brasileira de Nutrição é uma sociedade sem fins lucrativos que congrega profissionais da área de Nutrição. Sua missão é promover o fortalecimento da formação e da especialização do nutricionista, incentivando a pesquisa no Brasil. Para acessar, use seu leitor de QR Code. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15144 88 Já estamos no final da Unidade 4 e quase na metade de nossos estudos de Nutrição nos Ciclos da Vida. Chegou um momento importante para nos auto avaliarmos. Assim, trouxemos a proposta do Mapa da Empatia. Para você avaliar seu conhecimento até aqui e mais que isso: avaliar sua realização nesse processo. O que realmente conta, princípios, aspirações? Atitudes, aparência, comportamento com os outros? Medos, frustrações, obstáculos no processo? Desejos e necessidades, formas de medir o sucesso Ambiente, amigos, o que o mercado oferece? Sobre a profissão de nutricionista, a inserção no mercado? 89 1. A adequada avaliação do estado nutricional em pré-púberes e púberes é decisiva para a de- tecção precoce de agravos nutricionais. Nessa temática, assinale as sentenças como verdadeiras (V) ou falsas (F): ) ( Na avaliação antropométrica, os índices que associam as medidas de peso e idade têm sido os mais usuais em estudos populacionais de avaliação nutricional de adolescentes. ) ( Em decorrência do rápido desenvolvimento, os adolescentes têm suas necessidades de energia, proteínas e carboidratos aumentadas, entretanto as necessidades de minerais como cobre, ferro, cálcio e zinco encontram-se diminuídas. ) ( A idade da menarca é um marcador importante de desaceleração do crescimento para as me- ninas. A menarca ocorre, geralmente, de 12 a 18 meses após o início do estirão de crescimento. ) ( O incremento de casos de excesso de peso em adolescentes brasileiros tem acelerado o risco para doenças cardiovasculares, por alterações tais como a resistência à insulina, o diabetes mellitus tipo 2 e a síndrome metabólica. ) ( O IMC, na adolescência, está correlacionado com outras medidas de adiposidade mais espe- cíficas e é utilizado para fins de comparação de estudos internacionais sobre prevalência de sobrepeso e obesidade nessa fase da vida. A sequência CORRETA, de cima para baixo, encontra-se em: a) F – F – V – V – V. b) F – V – V – F – V. c) V – F – F – V – F. d) F – F – F – V – V. e) V – V – F – F – F. 2. A adolescência é uma categoria sociocultural, historicamente construída a partir de critérios múltiplos que abrangem tanto a dimensão biopsicológica, quanto à cronológica e a social. O fato é que estar na adolescência é viver uma fase em que múltiplas mudanças acontecem e se refletem no corpo físico, pois o crescimento somático e o desenvolvimento em termos de habilidades psicomotoras se intensificam e os hormônios atuam vigorosamente levando a mudanças radicais de forma e expressão. A assistência à saúde do adolescente deve pautar-se: a) pela vigilância e atuação frente às morbidades típicas, considerando-se que a adolescência é uma fase equivalente à da infância, que carece de tutela. b) por estratégias de prevenção, tratamento, recuperação e promoção à saúde que tenham caráter educativo e participativo. c) pelo serviço amplamente curativo, pautado em estratégias para a resolução de possíveis problemas. d) pelo autoritarismo e pela imposição de normas relativas à qualidade de vida. 90 3. A avaliação nutricional consiste no uso de indicadores que são capazes de fornecer, de acordo com o parâmetro utilizado, informações sobre a adequação nutricional de um indivíduo ou coletividade em relação a um padrão compatível com a saúde em longo prazo. A interpretação dessa adequação culmina na classificação do estado nutricional, que será definida de acordo com o parâmetro utilizado. Nessa temática, assinale as sentenças como verdadeiras (V) ou falsas (F): ) ( Classicamente, os adolescentes se caracterizam por um aspecto de excesso de peso no pe- ríodo anterior ao estirão pubertário. ) ( O estadiamento de Tanner não é um parâmetro atualmente preconizado para avaliação da maturação sexual. ) ( A velocidade máxima do estirão puberal é variável de indivíduo para indivíduo, observado anteriormente nos homens que nas mulheres. ) ( Baseados na massa corporal e na estatura, são definidos os índices antropométricos, por exemplo, o índice de massa corporal para idade (IMC/I) e estatura para idade (EI), que são os preconizados na adolescência. a) V – F – V – V. b) V – V – F – V. c) V – F – F – F. d) V – F – F – V. e) V – V – V – V. 5 Nesta unidade, discutiremos a nutrição da população adulta e como fazer dietas para adultos sadios. Ainda apresentaremos as principais literaturas e tabelas que embasam o trabalho do nutricionista para a formulação de cardápios para indivíduos e populações, como exem- plo, as DRIS – Ingestão diária de referência. Assim, terminaremos a unidade explorando o Mindfull Eating e trazendo as recomendações nutricionais para população adulta sadia. Nutrição Moderna de Adultos Saudáveis M. Sc. Silvia Moro Conque Spinelli 92 Por que o brócolis não se vende sozinho? Todo mundo sabe que brócolis faz bem à saúde e mesmo assim, as pessoas não necessariamente optam por comê-lo? Porque a simples informação de benefí- cios cientificamente comprovados não bastam para que a população (adultos e crianças) consumam comida saudável? É muito comum os nutricionistas ficarem inseguros na prescrição dietética. Após a anamnese inicial e ouvir a queixa do paciente, o nutricionista precisa dar um diagnóstico (ou propor uma alternativa de mudança de comportamento) e, muitas vezes, prescrever um cardápio. Isso exige uma organização de ideias e um “insight” sobre a melhor estratégia de intervenção para aquele determinado paciente individual ou para aquela comunidade. No atendimento nutricional o profissional une os conheci- mentos aprendidos nas disciplinas de clínica, bem como a técnica dietética e tecnologia de alimentos. Tudo isso em segundos! Vamos visualizar e refletir sobre um caso clássico de saúde do adulto: Paciente, 52 anos, gênero masculino, queixa de dor precordial (região do coração) aos esforços, há dois meses. Há cerca de duas horas, teve forte cefaleia, seguida por perda da consciência e queda ao solo. Foi imediatamente levado ao posto de saúde (PS). Paciente inconsciente, não responsivo a apelos verbais, cianótico (+/4+), afebril, respiração em agonia. Melhora após intubação. No paciente cianótico observa-se uma coloração mais azulada dos lábios e outras extremidades que é indicativa de uma redução da oxigenação de sangue ou de redução da perfusão sanguínea. História clínica: hipertensão arterial há 20 anos. Diabetes há 15 anos. Tabagista há 30 anos. Etilis- mo moderado. Obeso após maturidade. Estresse profissional intenso.Sedentário. Tem prescrição de medicação contínua para todas as morbidades citadas. Quando o quadro dele estabilizar, você nutricionista, terá chance de conversar com ele sobre o seguimento do tratamento após alta hospitalar. O que irá dizer a ele? Escreva em seu diário de bordo. Esse é um caso muito comum na prática do nutricionista. O paciente tem doenças crônicas múltiplas, não segue adequadamente o tratamento nem em relação à medicação nem cuida do estilo de vida. Na prescrição, orientamos aqui dieta hipocalórica, normoglicídica, hipogordurosa normoproteica. Rica em fibras. Seguimento adequado da medicação. Atividade física aeróbica leve diária. Essa seria sua principal conduta para tratar/acompanhar um indivíduo com doença crônica. Para um indivíduo saudável, como seria sua conduta? Vamos descobrir? UNICESUMAR UNIDADE 5 93 A promoção da alimentação saudável é uma diretriz da Política Nacional de Alimentação e Nutrição e uma das prioridades para a segurança alimentar e nutricional dos brasileiros. Estar livre da fome e ter uma alimentação saudável e adequada são direitos humanos fundamentais dos povos. A primeira pesquisa domiciliar brasileira, de abrangência nacional, que objetivava mensurar as con- dições nutricionais da população foi o Estudo Nacional da Despesa Familiar (ENDEF), realizado na década de 1970 pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contando com o apoio da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO). O ENDEF foi uma pesquisa de consumo alimentar e orçamentos familiares que coletou informações de cerca de 55.000 domicílios, entre agosto de 1974 e agosto de 1975, e que foi concebida com objetivos múltiplos, dentre os quais se Segurança Alimentar e Nutricional é a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econômica e ambien- talmente sustentáveis. (BRASIL, 2004a). 94 destaca a análise da situação nutricional, tendo por base um quadro de orçamentos familiares, e que teve como principal estimador do estado nutricional das famílias a taxa de adequação, ou seja, a razão entre a ingestão familiar e os reque- rimentos nutricionais (VASCONCELOS, 2001). Segundo a European Society for Clinical Nutrition and Metabolism, “avaliação nutricional é o exame detalhado das variáveis metabólicas, nutricionais e funcionais, realizado por nutricionista, e que a partir deste é possível estruturar um plano de cui- dado nutricional apropriado” (KONDRUP et al., 2003). “Essa avaliação engloba métodos subjetivos: história nutricional global, história alimentar e exa- me físico; e métodos objetivos: avaliação antropo- métrica e exames bioquímicos” (ASBRAN, 2014). As recomendações nutricionais baseiam-se nos quantitativos de energia e de nutrientes con- tidos nos alimentos consumidos para que cubram os requerimentos nutricionais da maioria dos in- divíduos de uma população sadia. Essas recomen- dações (recomendação dietética adequada, do inglês: recommended dietary allowance (RDA)), surgiram a partir de 1941, pelo Conselho de Pes- quisa Nacional do EUA, usadas como diretrizes para indivíduos, instituições, populações e sub- grupos de população. As RDAs foram desenvolvidas com base na quantidade mínima apontada como necessária para a prevenção de deficiências clínicas, o que não necessariamente é o adequado para a boa nutrição. Essa limitação tornou-se mais aguda e promoveu impulso para o estabelecimento de novas recomendações, as dietary reference inta- kes (DRIs), que estão baseadas na quantidade de nutrientes que precisamos não só para prevenir deficiências, mas também para minimizar o risco de doenças crônicas e melhorar a qualidade de vida (INSTITUTE OF MEDICINE, 2006). As referências são as seguintes: Recomendação média estimada (Estimated Average Requirement (EAR) – refere-se à ingestão de nutrientes que visa atender à recomendação de 50% dos indivíduos saudáveis num estágio par- ticular da vida e mesmo sexo. É empregada para estabelecer uma RDA. Pode ser utilizada para avaliar a adequação da ingestão de grupos e para planejar a ingesta adequada por eles. RDA – refere-se a uma média de ingestão diária suficiente de nutrientes para atender à re- comendação de praticamente todos (97% a 98%) os indivíduos saudáveis num estágio particular da vida e sexo. As RDAs se aplicam ao indivíduo, e não a grupos. E as EARs, por sua vez, servem como base para o estabelecimento das RDAs. Ingestão adequada (Adequate Intake [AI]) – refere-se à ingestão diária de um nutriente com base em estimativas de ingestões observadas ou determinadas experimentalmente em um grupo de indivíduos saudáveis que se considera adequado. É utilizada quando a RDA não pode ser determinada. Descrição da Imagem: pai e filha em uma cozinha, atrás de uma bancada, com vista da parte superior do corpo de cada um. Ambos de pele negra. Ele veste camisa azul e camiseta branca por baixo. Ela veste camiseta manga longa branca e calça jeans. Há uma panela de inox e muitos vegetais e hor- taliças em tigelas na bancada da mesa de cozinha à frente deles. Há uma tábua de madeira com pepino japonês fatiado. Uma salada numa tigela de vidro com colher de madeira. Ela serve tomate cereja na boca do pai. Ambos estão sorrindo no ambiente da cozinha. Figura 1 – Hábitos alimentares da família. UNICESUMAR UNIDADE 5 95 Nível tolerável de maior ingestão (Tolerable Upper Intake Level (UL) – valor médio mais alto de ingestão diária de um nutriente que se acredita não colocar o indivíduo em risco de efeitos adversos à saúde. O UL ainda não está estabelecido para todos os nutrientes (Institute of Medicine 2006). É importante lembrar que as DRIs foram estabelecidas para a população dos EUA e do Canadá, e para sua utilização na população brasileira devem-se considerar prováveis diferenças e, consequentemente, alguns erros associados. O ato de cozinhar é uma das atividades mais prazerosas e engajadoras para a boa alimentação do adulto. Cozinhar pode ser baseado em extenso planejamento ou em uma noção naturalizada sobre como fazer para preparar uma refeição, não sendo necessária muita reflexão. A organização das compras também varia muito e determina o sucesso das preparações, em especial no seu sabor e no aspecto nutricional. Po rc en ta ge m d e in di ví du os EAR +2 DP RDA AI UL Distribuição da necessidade média de nutriente EAR: Necessidade média estimada RDA: Ingestão dietética recomendada Al: Ingestão Adequada UL: Máximo tolerável de ingestão Descrição da Imagem: Gráfico de curva normal em preto e branco com linha pontilhada vertical ao centro, formando uma hipérbole que demonstra as diferentes tabelas a serem utilizadas para cálculo de necessidades nutricionais de indivíduos e populações. No eixo das abscissas, a distribuição de nutrientes. No eixo das ordenadas, a porcentagem da população. Na mediana do gráfico aparece EAR (Necessidade Média Estimada) em uma linha pontilhada. Após dois desvios padrão (DP), uma seta para baixo indica o uso da tabela RDA (ingestão dietética recomendada). Após outro desvio padrão, uma nova seta indica o uso da AI (Ingestão Recomendada) e, fora da curva numa seta para baixo, acima dos limites de ingestão aparece UL (Nível máximo tolerável de Ingestão). Figura 2 – Modelo para os valores de referência da Dieta com a distribuição da necessidade média do nutriente. Fonte: Marchioni, 2004. 96 A maioria das pessoas faz compras sem planejamento, com objetivo de ter ingredientes com os quais improvisar no momento de cozinhar ou baseadas em uma predefinição do tipo e quantidades de alimentos a serem consumidos diariamente. Saber cozinhar pode ser baseado em experiências obtidas desde a infância ou apenas mais tarde, por necessidade.Receitas podiam ser consideradas necessárias para a execução ou servir apenas de inspiração, sendo adaptadas de acordo com vontades ou ingredientes disponíveis. Descrição da Imagem: casal cozinhando juntos. Mulher branca com cabelo preso em um coque alto. Ela veste camisa azul clara e calça cinza. Ela serve uma colher de madeira na boca dele com salada. Homem branco com camiseta branca e camisa listrada branca e azul por cima. Na cozinha uma bancada diante deles com vegetais crus e uma garrafa de vinho aberta. Há uma taça com vinho até a metade. Na outra mão da mulher, uma tigela de vidro com vegetais fatiados crus. Ele fatia pepino japonês em uma tábua de madeira. Figura 3 – Casal cozinhando O Guia Alimentar da População Brasileira é uma ótima ferramenta para nós profissionais de saúde utilizarmos para orientar nossos pacientes e clientes com uma linguagem fácil e intuitiva. No guia, as orientações são apresentadas através dos 10 passos para alimentação saudável. Livro: Guia alimentar da população brasileira. 2. ed. Brasília. Ano: 2014 Fonte: Ministério da Saúde UNICESUMAR UNIDADE 5 97 OLHAR CONCEITUAL Vamos lá ver os passos! 1. Faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis por dia. Não pule as refeições. Fazendo todas as refeições, você evita chegar com tanta fome na refeição seguinte. Evite “beliscar” entre as refei- ções, isso vai ajudar você a controlar o peso. Aprecie a sua refeição, coma devagar, mastigando bem os alimen- tos. Saboreie refeições variadas dando preferência a ali- mentos saudáveis típicos da sua região e disponíveis na sua comunidade. O consumo frequente e em grande quantidade de sal, gordura, açúcar, doce, refrigerante, salgadinho e outros alimentos industrializados aumenta o risco de doenças como câncer, obesidade, hipertensão arterial, diabetes e doenças do coração. Escolha os alimentos mais sau- dáveis, lendo as informações e a composição nutricional nos rótulos dos alimentos. Siga as normas básicas de higiene na hora da compra, do preparo, da conservação e do consumo de alimen- tos. A higiene é essencial para redução dos riscos de doenças transmitidas pelos alimentos e pela água. 2. inclua diariamente seis porções do grupo de ce- reais (arroz, milho, trigo, pães e massas), tubérculos como as batatas e raízes como a mandioca/maca- xeira/aipim nas refeições. Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural. Distribua as seis porções desses alimentos nas princi- pais refeições diárias (café da manhã, almoço e jantar) e nos lanches entre elas. 3. Inclua no mínimo 3 tipos diferentes de vegetais nas grandes refeições e 3 frutas diferentes nos lan- ches. Frutas, legumes e verduras são as principais fontes de micronutrientes e devem fazer parte das refeições diárias. Devemos variar dentre as frutas e legumes sazonalmente (época de cultivo). 98 OLHAR CONCEITUAL 4. Coma feijão com arroz todos os dias ou, pelo menos, cinco vezes por semana. Esse prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas e bom para a saúde. Misture uma parte de feijão para duas partes de arroz cozido. Varie os tipos de feijão usados (preto, da colô- nia, manteiguinha, carioquinha, verde, de corda, branco e outros) e as formas de preparo. Use também outros tipos de leguminosas. A soja, o grão-de-bico, a ervilha seca, a lentilha podem ser cozi- dos e usados também em saladas frias. A fava também é uma leguminosa de ótima qualidade nutricional. As sementes (de girassol, gergelim, abóbora e outras) e as castanhas (do Brasil, de caju, nozes, nozes-pecan, amendoim, amêndoas e outras) são fontes de proteínas e de gorduras de boa qualidade. 5. Consuma diariamente três porções de leite e deri- vados e uma porção de carnes, aves, peixes ou ovos. Retirar a gordura aparente das carnes e a pele das aves antes da preparação torna esses alimentos mais saudáveis! Leite e derivados são as principais fontes de cálcio na alimentação. Carnes, aves, peixes e ovos favorecem o crescimento saudável. Todos são fontes de proteínas, vitaminas e minerais. Os adultos devem preferir leite e derivados com meno- res quantidades de gorduras (desnatados). Gestantes devem dar preferência a esses alimentos nas formas integrais, se não houver orientação contrária de seu nu- tricionista ou médico. Consuma mais peixe e frango e sempre prefira carnes magras. Procure comer peixe fresco pelo menos duas vezes por semana, tanto os de água doce como salgada são sau- dáveis. Coma pelo menos uma vez por semana vísceras e miú- dos, como o fígado bovino, moela, coração de galinha, entre outros. Esses alimentos são excelentes fontes de ferro, nutriente essencial para evitar anemia. Caso opte por uma alimentação sem carnes (com ou sem ovos, leite e derivados), procure um nutricionista para receber orientações necessárias para uma alimen- tação adequada. UNICESUMAR UNIDADE 5 99 OLHAR CONCEITUAL 6. Consuma, no máximo, uma porção por dia de óleos vegetais, azeite, manteiga ou margarina. Fique atento aos rótulos dos alimentos e escolha aqueles com menores quantidades de gorduras trans. Reduza o consumo de alimentos gordurosos, como carnes com gordura aparente, embutidos (salsicha, lin- guiça, salame, presunto, mortadela), queijos amarelos, frituras e salgadinhos, para, no máximo, uma vez por semana. Use pequenas quantidades de óleo vegetal quando co- zinhar (girassol, milho, algodão e soja), sem exagerar nas quantidades. Uma lata de óleo por mês é suficiente para uma família de quatro pessoas. Prefira assados, cozidos, ensopados e grelhados. Evite cozinhar com margarina, gordura vegetal ou manteiga. Use azeite de oliva para temperar saladas, sem exagerar na quantidade. Evite usá-lo para cozinhar, pois perde sua qualidade nutricional quando aquecido. Na hora da compra, dê preferência às margarinas sem gordura trans ou a marcas com menores quantidades desse ingrediente (procure no rótulo essa informação). 7. Evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos doces e recheados, sobremesas doces e ou- tras guloseimas como regra da alimentação. Consuma, no máximo, uma porção do grupo dos açú- cares e doces por dia. Valorize o sabor natural dos ali- mentos e das bebidas, evitando ou reduzindo o açúcar adicionado a eles. Diminua o consumo de refrigerantes e de sucos indus- trializados; a maioria dessas bebidas contém corantes, aromatizantes, açúcar ou edulcorantes (adoçantes arti- ficiais), que não são bons para a saúde. Prefira bolos, pães e biscoitos doces preparados em casa, com pouca quantidade de gordura e açúcar, sem cobertura ou recheio. 100 OLHAR CONCEITUAL 8. Diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa. Evite consumir alimentos industriali- zados com muito sal (sódio) como hambúrguer, char- que, salsicha, linguiça, presunto, salgadinhos, conser- vas de vegetais, sopas, molhos e temperos prontos. A quantidade de sal por dia deve ser, no máximo, uma colher de chá rasa, por pessoa, distribuída em todas as refeições. Utilize somente sal iodado. Não use sal destinado ao consumo de animais, que é prejudicial à saúde humana. Evite consumir alimentos industrializados com muito sal (sódio) como hambúrguer, charque e embutidos (salsi- cha, linguiça, salame, presunto, mortadela), salgadinhos e outros produtos industrializados como conservas de vegetais, sopas, molhos e temperos prontos. Leia o ró- tulo dos alimentos e prefira aqueles com menor quanti- dade de sódio. O consumo excessivo de sódio aumenta o risco de hipertensão arterial e doenças do coração e rins. Utilize temperos como cheiro verde, alho, cebola e ervas frescas e secas ou suco de frutas, como limão, para tem- perar e valorizar o sabor natural dos alimentos. 9. Beba pelo menos dois litros (seis a oito copos) de água por dia. Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições. A água é muito importante para o bom funcionamento doorganismo das pessoas em todas as idades. O intes- tino funciona melhor, a boca se mantém úmida e o cor- po hidratado. Use água tratada, fervida ou filtrada para beber e prepa- rar refeições e sucos. Ofereça água para crianças e idosos ao longo de todo o dia. Eles precisam ser estimulados ativamente a ingerir água. Bebidas açucaradas como refrigerantes e sucos indus- trializados e bebidas com cafeína como café, chá preto e chá mate não devem substituir a água. UNICESUMAR UNIDADE 5 101 OLHAR CONCEITUAL 10. Torne sua vida mais saudável. Pratique pelo me- nos trinta minutos de atividade física todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo. Mantenha o peso dentro de limites saudáveis. Além da alimentação saudável, a atividade física regular é importante para manter um peso saudável. Movimente-se! Descubra um tipo de atividade físi- ca agradável, o prazer é também fundamental para a saúde. Caminhe, dance, ande de bicicleta, jogue bola, brinque com crianças. Aproveite o espaço doméstico e espaços públicos próximos a sua casa para movimen- tar-se. Convide os vizinhos, amigos e familiares para acompanhá-lo. Incentive as crianças a realizarem brincadeiras mais ati- vas como aquelas que você fazia na sua infância e ao ar livre: pular corda, correr, pular amarelinha, esconde-es- conde, pega-pega, andar de bicicleta e outras. Evitar o fumo e o consumo frequente de bebida alcoóli- ca também ajuda a diminuir o risco de doenças graves, como câncer e cirrose, e pode contribuir para melhorar a qualidade de vida. Essas orientações gerais são simples e podem ser utili- zadas em trabalhos educativos com diferentes popula- ções sem oferecer risco à saúde do público alvo. O pão é um alimento saudável? O grande dilema do pão começa nas suas farinhas. Seria ótimo se fizéssemos pão em casa, sem tantos conservantes. Há diferentes tipos de pães. Se utilizarmos farinha integral de centeio, por exemplo, obteremos um pão muito mais saudável. No café da manhã, o produto auxilia o controle de fatores associados à resistência à insulina, ou seja, quando esse hormônio não é capaz de botar o açúcar circulante no sangue para dentro das células. “O pão é uma ótima fonte de carboidratos, basta saber escolher”. 102 As Dietary Reference Intakes (DRIs) ou Ingestão Dietética de Referência são um conjunto de valores de referência para nutrientes específicos. As DRIs incluem a EAR (Estimated Average Requi- rement) ou Média de Requerimento Estimado, RDA (Recommended Dietary Allowance) ou Provisão Dietética Recomendada, a AI (Adequate Intake) ou Ingestão Adequada e a UL (Tolerable Upper Intake Level) ou Níveis de Ingestão Máximos tolerados. Para os DRIs, um requisito é definido como: menor nível de ingestão contínua de um nutriente que, para um indicador específico de adequação, irá manter o indivíduo nutrido para um nutriente específico. No Podcast de hoje vamos falar da famosa dieta DASH. Que é um exem- plo de dieta mediterrânea. Quem não gosta de peixe grelhado e azeite de oliva? De fato, quem mora ao longo do Mar Mediterrâneo tem qualidade de vida superior e melhores exames que os demais ocidentais. O padrão dietético DASH (Dietary Approches to Stop Hypertension) está relacionado à redução da pressão arterial em hipertensos adultos, sendo preconizada sua adoção como preventiva e parte do tratamento não farmacológico da Hipertensão Arterial Sistêmica. Esse padrão se carac- teriza pela redução dos carboidratos simples, redução da gordura saturada e maior consumo de cereais integrais. Vamos adotar essas ideias? Clica aí! Ideias na Mesa é a primeira rede virtual de experiências em Educação Alimentar e Nutricional (EAN) do Brasil e tem a missão de apoiar, difundir e estimular a prática da Educação Alimentar e Nutricional no país. Na rede, qualquer pessoa interessada pode compartilhar essas experiências, publicar notícias e eventos, acessar artigos, vídeos e diversas publica- ções relacionadas ao tema. Atualmente, a rede conta com mais de 4 mil usuários, têm ao menos 118 experiências cadastradas e mais de 10 mil seguidores na página do Facebook. No site do Ideias na Mesa é possível acessar uma biblioteca virtual com grande acervo de do- cumentos e publicações destinados à reflexão e orientação de práticas em Educação Alimentar e Nutricional. A ideia é que pessoas que realizam ações de EAN possam compartilhar e trocar experiências. Para acessar, use seu leitor de QR Code. UNICESUMAR http://www.ideiasnamesa.unb.br/ https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11676 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/14075 UNIDADE 5 103 Título: Nutrição clínica no adulto. Autor: Lilian Cuppari Editora: Manole Sinopse: O interesse e os avanços na área de nutrição justificam o lança- mento da quarta edição do livro Nutrição clínica no adulto, que neste ano comemora 15 anos desde seu lançamento em 2003. O conteúdo desta edição foi cuidadosamente revisado, atualizado e ampliado. Lilian Cuppari é uma das mais respeitadas pesquisadoras da área de nu- trição clínica do Brasil e conhecida internacionalmente por sua grande contribuição científica, principalmente, voltada para os problemas renais. Dentre as novidades desta nova edição, destacam-se os capítulos “Alimentação saudável e ade- quada: modelos aplicáveis na prática clínica”, que foi reformulado de acordo com a publicação do novo Guia Alimentar para a população brasileira, “Intolerância e alergia alimentar”, que foi ampliado com temas que têm suscitado grande interesse na área de nutrição, e “Aconselhamento nutricional”, novo capítulo que traz os conceitos de nutrição comportamental. Considerando a evolução na área da genômica nutricional e o seu potencial de aplicação prática, um capítulo sobre as perspectivas da nutrigenômica e nutrigenética na área de nutrição clínica foi incorporado ao livro. Estudar a nutrição do adulto nos habilita a interpretar a fala do paciente, sua queixa e definir o melhor prognóstico para o caso. Adultos já passaram da fase de desenvolvimento cognitivo e motor e não crescerão mais em estatura, ainda assim trazem histórias muito diversas que exigem de nós uma interpretação mais profunda. Exames laboratoriais, dores, autoestima, doenças pregressas, bagagens genéticas e antecedentes familiares. Trazem anseios, frustrações com o corpo e nós nutricionistas somos os profissionais certos para quebrar paradigmas e ajudá-lo a se entender melhor com o alimento e o mundo que o rodeia. 104 NUTRIÇÃO DE ADULTO Determinantes: Principais Queixas: 105 1. As Recomendações de Ingestão Dietética (DRI – Dietary Reference Intake) estabelecem parâ- metros de recomendações que apresentam conceitos e aplicações distintas. A esse respeito, é correto afirmar que: a) A Estimativa do Requerimento Médio (EAR – Estimated Average Requirement) dos nutrientes deve ser entendida como meta para se planejar o consumo alimentar de um indivíduo. b) A Ingestão Dietética Recomendada (RDA – Recommended Dietary Allowance) é o parâmetro que deve ser utilizado para o planejamento de cardápios para grupos populacionais. c) A Ingestão Adequada (AI – Adequate Intake) é o limite de consumo de um nutriente a ser considerado para minimizar a proporção de pessoas com risco para consumo excessivo desse nutriente. d) Quando a Ingestão Dietética Recomendada (RDA – Recommended Dietary Allowance) não pode ser determinada, consequentemente, a Estimativa do Requerimento Médio (EAR – Estimated Average Requirement) e a Ingestão Máxima Tolerada (UL – Tolerable Upper Intake Level) não podem ser estabelecidos. e) A Estimativa do Requerimento Médio (EAR – Estimated Average Requirement) de um nutriente pode ser entendida como a quantia que supre os requerimentos de 50% (por cento) dos indivíduos saudáveis de determinada faixa etária, sexo e estado fisiológico. 2. Mais do que um instrumento de educação alimentar e nutricional, o Guia Alimentar para População Brasileira, publicado em 2014, se insere na PolíticaNacional de Alimentação e Nu- trição como estratégia de promoção da saúde e de enfrentamento do excesso de peso, que acomete um em cada dois adultos da população brasileira. Considerando esse contexto, faça o que se pede nos itens a seguir. a) Identifique e descreva as quatro recomendações gerais contidas no Guia Alimentar para a População Brasileira sobre a escolha de alimentos. b) Descreva duas orientações para ampliação da autonomia nas escolhas alimentares e supe- ração dos potenciais obstáculos para a adoção das recomendações na escolha de alimentos. 106 3. O novo Guia Alimentar para a População Brasileira tem como um de seus pressupostos o direito à alimentação saudável, saborosa e balanceada. Além de ser um instrumento de educação alimentar e nutricional, insere-se na estratégia global de promoção da saúde e do enfrentamento ao excesso de peso e comorbidades associadas. Considerando o proposto no novo Guia, avalie as afirmações a seguir: I) Apresenta uma lista de alimentos ultraprocessados proibidos, cujo consumo, mesmo que esporádico, contribui para o aumento da incidência de obesidade nas populações. II) Estrutura suas orientações em grupos de alimentos e na quantidade de porções a serem consumidas, recomendando que a alimentação se baseie em alimentos frescos, como frutas, carnes e legumes, e minimamente processados, como arroz, feijão e frutas secas. III) É voltado tanto aos profissionais envolvidos na promoção da saúde da população, quanto às famílias brasileiras, apresentando uma linguagem de fácil compreensão para leigos. IV) Orienta as pessoas a optarem por refeições caseiras e a evitarem produtos prontos que dis- pensam preparação culinária e em redes de fast food, uma vez que busca valorizar a culinária, principalmente a regional. V) Enfatiza as formas pelas quais os alimentos são produzidos e distribuídos, privilegiando aqueles cujas produção e distribuição sejam social e ambientalmente sustentáveis, como os alimentos orgânicos e os de base agroecológica. É correto apenas o que se afirma em: a) I, II e III. b) I, II e IV. c) I, III e V. d) II, IV e V. e) III, IV e V. 6 Na Unidade 6, vamos estudar temas muito interessantes da Nutrição do Adulto Contemporâneo. Vamos falar de Vegetarianismo e Vega- nismo, Dieta Mediterrânea e ainda o Ciclo Circadiano que regula a fisiologia de nosso corpo. Estudaremos, também, os principais mitos alimentares. Finalizaremos a unidade falando de suplementação segura para indivíduos sadios. Adultos Sadios Comem Comida de Verdade Me. Silvia Moro Conque Spinelli 108 “Deixe que a alimentação seja o seu remédio e o remédio a sua alimentação” (HIPÓCRATES, 400 anos a.C.). “O destino das nações depende daquilo e de como as pessoas se alimentam” (BRILLAT-SAVARIN, 1825). Afirmações como essas, que remontam há centenas de anos, já atestavam a relação vital entre a ali- mentação e a saúde. Por que mesmo tendo sido escrito há tempos, ainda precisamos convencer as pessoas que a alimentação saudável é vital para a sobrevivência da espécie e para nossa qualidade de vida? Estudar a nutrição do adulto talvez tenha sido o que trouxe você até este curso. Muitos estudantes de Nutrição querem ser educadores para boas dietas para adultos que procuram autoestima, ema- grecimento e performance esportiva. Se para você essa é a ideia, que bom! Vamos refletir sobre qual será nosso papel na vida desses adultos. Qual é o agente de mudança que seremos nas vidas deles? Aprofundar-se no estudo da Nutrição do adulto vai tirar você da superficialidade dos conceitos que encontramos nas redes sociais. Você é vegetariano? Já pensou em fazer um cardápio sem carne para você ou para seu futuro pa- ciente ou cliente? Então, vamos lá. Imagine um caso: Paciente A.H.S., sexo masculino, 26 anos. Altura: 1,77. Peso 81kg. Trabalha em TI em uma empresa multinacional. Está no sistema híbrido. Vai dois dias para empresa cumprir 8 horas diárias e fica três dias em home office. Não quer ingerir carne e nem leite. Tolera um pouco de ovo quando misturado a outras preparações, mas não puro. Bebe água normalmente. O intestino funciona bem. Costuma descer do prédio para levar o cachorro para passear às 20 horas. Sente-se um pouco fraco quando pedala bastante nos finais de semana. Tem condições de comprar marmita pronta, mas também de almoçar em buffet por kg ou trazer marmita de casa. Nos finais de semana, ele gosta de encontrar os amigos para jogar poker e beber gin tônica. Que cardápio você montaria para cinco refeições diárias? Para uma quinta-feira. Incluindo a hidratação. O que achou de fazer um cardápio sem carne e sem laticínios de nenhum tipo? Difícil para os padrões brasileiros? Cada vez mais essa conversa está perdendo o sentido e estamos amadurecendo ideias para uma dieta sem tanta carne e queijo. É vital que adultos dispostos em diversificar uma dieta vegetariana em médio e longo prazo busquem se consultar com profissionais nutricionistas. Devemos estar atua- lizados com os novos produtos industrializados que surgem diariamente, seguros de nossa prescrição dietética, mas também aconselhar e acompanhar na prática a transição alimentar e dar suporte para ultrapassar as barreiras naturais que possam surgir inicialmente. Utilize o diário de bordo para registrar a sua proposta de cardápio de um dia com cinco refeições e quantificar a hidratação desse paciente. UNICESUMAR UNIDADE 6 109 Nas últimas décadas, o Brasil apresentou um processo chamado de transição nutricional, um conceito que se refere a mudanças seculares nos padrões de nutrição e estado nutricional, modificações impor- tantes da ingestão alimentar e dos padrões de atividade física, como consequência de transformações econômicas, sociais, demográficas e sanitárias (OMS, 2005). No Brasil, a prevalência de sobrepeso e obesidade vem aumentando continuamente desde 1974 entre adultos de ambos os sexos. Porém, a partir de 2002-2003, a prevalência de sobrepeso, maior entre as mulheres, passou a ser maior entre os homens, aumentando de 18,5% para 50,1% em todas as regiões, com exceção apenas do Nordeste, enquanto entre as mulheres passou de 28,7% para 48%. Em um período de 34 anos, a prevalência de obesidade aumentou em mais de quatro vezes para os homens (de 2,8% para 12,4%) e em mais de duas vezes para as mulheres (de 8% para 16,9%). Atualmente, o Brasil ocupa o quarto lugar entre os países com maior prevalência de obesidade e, pela primeira vez, o número de adultos com sobrepeso ultrapassará o de baixo peso. Nas crianças e adolescentes, observa-se importante ascensão do sobrepeso e obesidade, independentemente do sexo e das classes sociais, e uma proporção significativa das crianças obesas irão se tornar adultos obesos (CABALLERO, 2007). De caráter multifatorial, a obesidade é um componente decisivo gerador do aumento da carga das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), estando associada à frequência de doenças metabólicas, que envolvem morbidades cardiovasculares como hipertensão arterial, dislipidemias, diabetes tipo 2, além de osteoartrites e algumas doenças tumorais, inclusive predispondo à mortalidade. Uma atenção 110 especial é dada às pessoas com doenças metabólicas (no plural), isto é, apresentam a síndrome meta- bólica, principalmente, por serem doenças relativamente “silenciosas”, e com riscos de desfechos graves. A Síndrome Metabólica (SM) é caracterizada por diversos distúrbios metabólicos como hiperten- são arterial, triglicerídeos elevados, obesidade visceral, resistência à insulina, dislipidemias aterogênicas com os valores aumentados para as lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL) e diminuídos para as lipoproteínas de alta densidade (HDL), que se traduz em um aumento do colesterol não HDL. Todos os parâmetros são considerados fatores de riscos elevados para desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2 (DM2) (GALETTI, 2019; BROWN, 2016). Essa Síndrome é com- preendida como umtranstorno clínico complexo, representada por um conjunto de fatores de risco para doenças cardiovasculares, atingindo cerca de um quarto da população mundial adulta e está associada ao aumento da mortalidade geral em cerca de 1,5 vezes e a cardiovascular, em cerca de 2,0 vezes (GOMEZ-MARCOS, 2019; NETO, 2018). E o mais importante, você, caro(a) aluno(a), já deve ter percebido que essas doenças estão relacio- nadas principalmente ao tipo de dieta do indivíduo, certo? Entre adultos, diversos estudos evidenciam o declínio do consumo de arroz e feijão, o aumento da ingestão de produtos industrializados (prin- cipalmente biscoitos e refrigerantes), o consumo excessivo de açúcar, o aumento sistemático no teor de gorduras e a ingestão insuficiente de frutas, legumes e verduras (FLV), configurando um quadro de tendências desfavoráveis a um padrão alimentar saudável e diretamente associado ao aumento das DCNTs, em que se destaca a obesidade, um quadro semelhante ao observado nos grupos etários anteriores (IBGE, 2020). No entanto, conhecendo os principais comportamentos alimentares que desencadeiam a obesidade, é possível realizar uma Prevenção Primária da Obesidade? A resposta é sim! É importante identificar em que momento biológico é possível prevenir o ganho de peso. No caso das mulheres, o momento de maior risco de ganho de peso parece ser a idade reprodutiva, especificamente a gestação e os dois primeiros anos pós-parto (BRASIL, 2010). Além disso, temos possíveis ações que estão incluídas na Estratégia Global para a Promoção da Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde, que valem a pena você conhecer. UNICESUMAR UNIDADE 6 111 Um conceito importante ao discutirmos estratégias globais para boa alimentação é o conceito de pro- cessamento. Quanto maior o processamento, menos características naturais dos alimentos estarão presentes. Alimentos ultraprocessados são formulações industriais, geralmente feitas de partes de ali- mentos. São feitos, por exemplo, com o açúcar extraído de um alimento, com amido extraído de outro alimento, com a proteína isolada de outro alimento. Praticamente não têm nenhum alimento inteiro na sua composição, nenhum alimento integral. A esses alimentos são adicionadas várias substâncias industrializadas e aditivos cosméticos que modificam ou potencializam as características sensoriais. São alimentos extremamente palatáveis e convenientes, ou seja, a maioria está pronta para comer ou para beber. São produzidos e desenhados para serem extremamente lucrativos. Isso quer dizer que a matéria-prima é muito barata e eles têm um apelo de marketing muito forte. Por exemplo, refrigerantes, sucos artificiais, bolachas, cereais matinais, embutidos e todos os pratos prontos para consumo que imitam as refeições, como as lasanhas congeladas e os nuggets (UMANE, 2021). Uma forma de pensarmos em como o consumo alimentar tem sido pauta para a sociedade como um todo, temos movimentos sociais, conhecido como ativismo alimentar, que discutem e elaboram ações que induzem a uma forma crítica de pensar a alimentação. O ativismo alimentar tem sido apontado como um dos movimentos contemporâneos mais dinâmicos e heterogêneos, que discute questões ambientais, sociais, econômicas e culturais. O vegetarianismo, por exemplo, se encaixa nessa perspectiva, incorpo- rando dimensões polêmicas analisadas com entusiasmo científico desde a década de 1990. Vegetarianismo é o regime alimentar que exclui os produtos de origem animal. Por vezes, somente as carnes (que exigem o abate do animal) ou também ovos, leite e demais subprodutos. Esse regime alimentar vem crescendo e ganhando mais adeptos. Não foram encontrados estudos científicos sobre o crescimento do vegetarianismo, mas uma pesquisa encomendada pela revista ele- A proposta de Estratégia Global para a Promoção da Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde, da Organização Mundial da Saúde, sugere a formulação e implementação de linhas de ação efetivas para reduzir substancialmente as mortes e doenças em todo o mundo. Seus quatro objetivos principais são: • reduzir os fatores de risco para DCNT por meio da ação em saúde pública e pro- moção da saúde e medidas preventivas; • aumentar a atenção e o conhecimento sobre alimentação e atividade física; • encorajar o desenvolvimento, o fortalecimento e a implementação de políticas e planos de ação em nível global, regional, nacional e comunitário que sejam susten- táveis, incluindo a sociedade civil, o setor privado e a mídia; • monitorar dados científicos e influências-chave na alimentação e atividade física e fortalecer os recursos humanos necessários para qualificar e manter a saúde nesse domínio (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2004). Para a concretização da Estratégia Global, a OMS recomenda a elaboração de planos e políticas nacionais e o apoio de legislações efetivas, infraestrutura administrativa e fundo orçamentário e financeiro adequado e investimentos em vigilância, pesquisa e avaliação. 112 trônica Vegetarian Times mostra que 3,2% da população de adultos dos EUA são vegetarianos, sendo que 0,5% deles é vegano. Além disso, a pesquisa aponta que 10% da população estadunidense segue uma dieta que tende ao vegetarianismo (vegetarian-inclined diet). Cinquenta e três por cento dos entrevistados, que se dizem vegetarianos, adotam a dieta vegetariana para promover sua saúde; 47% citam preocupações ambientais; 31% alegam questões de segurança sanitária dos alimentos; e 49% estão preocupados com controle de peso (AZEVEDO, 2013). Esse mesmo estudo mostra que uma pesquisa similar feita pelo Vegetarian Resource Group, em 2004, estimava que 2,8% da população adulta seguiam o vegetarianismo, dados que indicam o crescimento no número de adeptos nos EUA (AZEVEDO, 2013). Como você deve ter percebido, uma vertente do vegetarianismo é o veganismo, que, segundo definição da Vegan Society, é um modo de viver (ou poderíamos chamar apenas de “escolha”), que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade contra os animais – seja na alimentação, no vestuário ou em outras esferas do consumo (SOCIEDADE VEGETARIANA BRASILEIRA, 2022). O Conceito de plant based já é um pouquinho diferente. É um conceito alimentar que valoriza o consumo de alimentos de origem vegetal íntegros em abundância, ou seja, que não sejam refinados ou ultraprocessados, e também recomenda excluir o consumo de produtos de origem animal, como ovos, laticínios e carnes. O termo vegetarianismo, de acordo com o senso comum, é utilizado para se referir a uma dieta isenta de carnes. O vegetarianismo restrito (veganismo) exclui completamente os produtos animais (carnes, peixes, leite, ovos e, às vezes, mel) e é baseado no consumo de cereais, leguminosas, frutas, verduras e oleaginosas. Os ovolactovegetarianos complementam a dieta com ovos, leite e derivados. UNICESUMAR UNIDADE 6 113 SIMBOLOGIA DO “PLANT BASED”: DIETA BASEADA EM PLANTAS: Exemplos de Cardápio Plant Based Suco verde: 2 folhas de couve orgânica, 1 col. (chá) de spirulina em pó, 1 punhado de salsa, 1 fatia de abacaxi (ou 1 maçã pequena), 1 col. (chá) de linhaça dourada e 1 copo (200 ml) de água. 2 ovos mexidos com 1 col. (chá) de azeite. 1 fatia média de pão integral com 1 col. (sopa) de homus (pasta de grão-de-bico). Vitamina proteica: 3 morangos batidos com 1 copo (200 ml) de leite vegetal sem açúcar, 1 col. (sopa) de aveia e 1 fio de mel. Salada de repolho refogado no azeite com uva- -passa ao molho de mostarda diluído no limão: 2 col. (sopa) de arroz integral; 2 col. (sopa) de lentilha cozida; 1 filé de peixe (tilápia) grelhado. 4 hamburguinhos de lentilha. 1 prato (sobremesa) de couve-flor e brócolis cozidos. Salada de folhas (alface, rúcula, agrião) com 1 fio de azeite, sal e vinagre. 3 col. (de servir) de tabule. Panqueca doce: 1 ovo, 1 col. (chá) de mel, 1 col. (sopa) de aveia e 1 banana amassada. Suco vermelho: 1 punhado de hortelã, 1 maçã(ou 3 morangos), 1 col. (chá) de linhaça dourada, 1 pedaço de beterraba e 200ml de água de coco. Levando em consideração a forma de viver da humanidade, os grandes desenvolvimentos marcaram a vida das pessoas nas últimas décadas, destacando-se a mudança no hábito alimentar e o aumento incontrolável dos índices de doenças crônicas não transmissíveis como a obesidade, o câncer, doenças cardiovasculares e diabetes. Porém, algumas populações têm sido usadas como referência quanto ao estilo de vida, que envolve principalmente escolhas mais saudáveis de alimentos. A dieta do mediter- râneo tem se mostrado uma dessas opções. A Dieta Mediterrânea se destaca como uma importante ferramenta que traz benefícios para a saúde e prevenção das doenças mencionadas anteriormente, em função de suas características, tais como: consumo de grande quantidade de alimentos vegetais, pouco processados, alimentos frescos, peixes, carnes reduzidas e azeite como fonte principal de gordura, além do destaque do consumo do vinho. Essa 114 dieta é reconhecida como padrão de dieta saudável e tem demonstrado benefícios em pacientes com doenças cardiovasculares, na prevenção e tratamento de diabetes, hipertensão e síndrome metabólica. Exemplo de alimentos da dieta Mediterrânea: Vegetais e frutas: a recomendação é de sete a 10 porções por dia desse grupo de alimentos. Eles trazem mais fibras e vitaminas para o nosso organismo, o que pode evitar as doenças coronarianas. Exemplos: brócolis, couve, espinafre, cebola, couve-flor, cenoura, couve de bruxelas, pepino etc. Frutas: maçã, banana, laranja, pera, morango, uva, figo, melão, pêssego, entre outras. Castanhas e sementes: amêndoas, nozes, macadâmia, avelãs, castanha de caju, sementes de giras- sol, sementes de abóbora, e outros. Elas são ricas em calorias e gorduras boas e ajudam na saúde cardiovascular. Cereais integrais: o macarrão é um alimento muito comum nessa região, e ele está autorizado, mas desde que seja integral. Os cereais integrais devem substituir o carboidrato refinado, ou seja, a farinha branca. Preferir produtos integrais que são fonte em fibras, vitaminas do tipo E e do complexo B, minerais como magnésio, ferro, zinco, selênio, manganês, potássio, fósforo, ácidos graxos essenciais, fibras e antioxidantes como os flavonoides que contribuem com redução do risco para diabetes e doenças cardiovasculares. Gorduras saudáveis: azeite extra virgem, azeitona, abacate e óleo de abacate. O óleo de oliva é exce- lente fonte de ácido graxo monoinsaturado oleico e polifenóis. Aves (peru, frango e pato), peixes e frutos do mar: devem ser consumidos no mínimo duas vezes por semana. Os peixes são os principais componentes de uma dieta saudável, muitos estudos indicam a relação entre o consumo de peixes e a prevenção de doenças cardíacas. Exemplos: salmão, sardinha, truta, atum. Frutos do mar: camarão, ostras, caranguejos, mexilhões. Queijos, leites e iogurtes com baixo teor de gordura: queijos brancos como o de cabra e de ovelha comuns na região mediterrânea podem ser substituídos pelo queijo minas, uma opção mais barata para os brasileiros. Os iogurtes são os mais naturais (tipo grego), sem adição de açúcares ou sabores. Ervas e temperos: alho, manjericão, hortelã, alecrim, sálvia, noz-moscada, pimenta, canela podem ser usados para temperar os alimentos e assim usar menos sal. Vinho: devido ao seu potencial antioxidante, o vinho tinto é permitido com moderação para acompa- nhar as refeições, mas não é obrigatório. A dose segura é um cálice por dia para as mulheres e dois para os homens. Aos diabéticos do tipo 2, a dose segura é de 2 a 4 cálices por semana. Café e chá: ambos são permitidos, mas devem ser adoçados naturalmente. Evitar o açúcar refinado e os adoçantes artificiais. E, claro, as pessoas devem tomar bastante água. UNICESUMAR UNIDADE 6 115 É de amplo conhecimento que as escolhas alimentares que compõem a Dieta Mediterrânea bem como a prática regular de exercícios físicos diários são redutores de diversos males não transmissíveis da vida moderna. Os cientistas e médicos já se esforçam há várias décadas na tentativa de convencer as gerações de adultos a consumir alimentos que levem à longevidade com qualidade de vida. Mas convido você a pensar, é possível escolher e seguir uma dieta adequada, sem conhecer bem a biologia do corpo humano? Os sucessivos ciclos de nosso planeta (rotação e translação) estimulam os ciclos biológicos nos animais e plantas que aqui residem, permitindo a evolução dos seus relógios internos, que controlam não só os seus comportamentos como a sua fisiologia. Assim, todas as vidas, desde cogumelos a grandes mamíferos das savanas criaram mecanismos regulados pelos fenômenos da Terra que lhes permitiram ampla adaptação e até prever alguns eventos, o que maximizou a sobrevivência e perpetuou as espécies. Esse ciclo biológico tem o nome de ciclo circadiano ou ritmo circadiano. Esse mecanismo biológico é estudado pela Cronobiologia e sabemos que tem relação direta com a Nutrição. Para que entenda, caro(a) aluno(a), o ritmo circadiano é aquele fenômeno que já fez a gente acordar várias vezes mesmo antes do despertador tocar, sempre no mesmo horário. Ou quando temos fome exatamente às mesmas horas, sem termos visto comida. Percebe que se deve a um sistema interno de temporização? Em nós e em todos os mamíferos o Relógio Biológico (RB) é constituído por conjuntos de neurô- nios localizados no hipotálamo. O RB sincroniza os relógios periféricos localizados nos diversos órgãos como o fígado, o rim, o coração, o pulmão, o tecido adiposo, o pâncreas, o intestino e o músculo, que se baseiam em controladores da oscilação celular construídos a partir de um conjunto de “genes relógio”. O grande agente que sincroniza nosso relógio interno é a luz. A luminosidade atinge a retina e daí envia informação ao hipotálamo. A nossa temperatura corporal, o horário das refeições, a restrição alimentar e o horário da prática de atividade física são outros potentes sincronizadores de nossos ciclos internos. Isoladamente estes sincronizadores têm pouco impacto no hipotálamo, contudo quando conjugados, já são capazes de afetar o RB. Assim, os horários alimentares e a restrição energética podem ajudar a ajustar ritmos. Experiências de restrição alimentar e alteração dos horários das refeições habituais em roedores mostraram que ao fim de alguns dias há um aumento da sua atividade locomotora, da secreção de corticosterona, da temperatura corporal, entre outros, como forma de antecipação da refeição, ao que se chama, atividade antecipatória da alimentação (AAA) (COSTA, 2013). Ciclo circadiano: o ciclo/ ritmo circadiano são mudanças físicas, mentais e comportamentais que seguem um ciclo de aproximadamente 24 horas. Essas mudanças são majoritariamente afetadas pela luz e escuridão naturais e afetam a maioria das dos seres vivos, do homem aos micro-organis- mos, passando até mesmo pelas plantas. Fonte: Santos (2014). 116 HORÁRIOS DE PICO DE ATIVIDADE ENERGÉTICA DOS ÓRGÃOS, SEGUNDO A MEDICINA CHINESA 3 am – 5 am Pulmão 5 am – 7 am Intestino Grosso 7 am – 9 am Estômago 9 am – 11 am Baço 11 am – 1 pm Coração 1 pm – 3 pm Intestino Delgado 3 pm – 5 pm Bexiga 5 pm – 7 pm Rins 7 pm – 9 pm Fluxo sanguíneo e Secreções sexuais 9 pm – 11 pm Sistema aquecedor 11 pm – 1 am Vesícula 1 am – 3 am Fígado Descrição da Imagem: Relógio analógico em preto e branco com 12 estágios similares aos ponteiros contemplando os horários de maior atividade energética dos órgãos sendo as 5-7 da manhã a maior atividade do intestino grosso. 7h-9h a maior atividade do estômago, 9h às 11h maior atividade do baço. Ainda das 11h à 1h da tarde a maior atividade do coração. De 1 a 3 da tarde a maior atividade energé- tica do intestino delgado, das 3h às 5h da tarde a maior atividade da bexiga, das 5h às 7h da tarde a melhora atividade energética dos rins. Das 7h às 9h da noite a melhor atividade dos órgãos sexuais.das 21h às 23hs do sistema de circulação. das 23h à 1h da manhã a atividade maior da vesícula. Da 1h às 3h do fígado e das 3h às 5hs a atividade energética maior do pulmão. Figura 1 – Horários de Pico de Atividade energética dos órgãos, segundo a medicina chinesa / Fonte: Conelly (1994). No podcast de hoje, vamos falar no seu ritmo. É isso aí! Vamos falar do ciclo circadiano. Nosso ciclo circadiano regula diversos processos de saúde-doença, gerando muitos agravos a nossa saúde. Por exemplo: ansiedade, maior propensão a acidentes, mas também a obesidade e diabetes, depressão, sonolência diurna, falta de agilidade mental e menor desempenho no trabalho. Que horário é o melhor para você clicar nesse link e conversar comigo sobre seu melhor horário de rendimento? Vamos lá? No teu ritmo! UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11677 UNIDADE 6 117 Uma vez de posse do conhecimento sobre o ritmo biológico e as necessidades nutricionais diárias, agora podemos nos atentar para as possibilidades de suplementação. Mas antes preciso fazer uma pergunta: todo adulto precisa de suplementos alimentares? Salvo situações carenciais muito particulares, não há razão fisiológica para suplementar nada, já que uma alimentação correta contempla tranquilamente todas as necessidades nutricionais. Então vamos lá, se o propósito é hipertrofiar a musculatura, por exemplo, o ideal é treinar pesado. Apesar de muitos produtos prometerem o ganho de músculo, a única decisão efetiva é o treinamento. A alimentação adequada para o pré e pós-treino é o suficiente para atingir essa intenção. Consumir suplementos alimentares proteicos para ganhar massa muscular pode ser muito útil pela praticidade. Mas só quando existe uma deficiência de proteína no organismo, ou quando a pessoa não consegue adequar sua alimentação no dia a dia, por exemplo. Lembre a seus pacientes e clientes que só o nutricionista pode fazer esse diagnóstico. Agora que você sabe disso, vamos conhecer os suplementos mais populares: Whey Protein: é um suplemento proteico normalmente feito a base da proteína extraída do soro do leite. Mas também pode ser soja, carne bovina ou ervilha. Interessante destacar que além de con- sumir a proteína do soro do leite de forma isolada como um suplemento, ela pode ser utilizada em preparações de alimentos, pois associa o potencial nutricional aos aspectos físicos (como emulsão e capacidade de estabilização), melhorando características sensoriais (FARIAS, 2019). Para obter o produto final, as proteínas do soro do leite passam por filtração (ultrafiltração/micro- filtração ou diafiltração), evaporação a vácuo e secagem por pulverização, formando pó concentrado ou isolado do soro de leite. A principal diferença entre os tipos de whey protein (concentrado ou isolado) se dá pelo método de obtenção. O whey protein concentrado é obtido pela separação em membranas, contendo no produto final seco entre 35% e 80% de teor proteico. Em contrapartida, o whey protein isolado é obtido por diafiltração, processo que filtra os compostos não proteicos na membrana de separação, apresentando um teor superior de proteínas ao whey protein concentrado, entre 85% e 95%. No que cerceia o controle sanitário, no Brasil, as leis sanitárias não preveem a categoria suple- mento alimentar. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), em 2010, estabeleceu 118 exigências por meio da Resolução n° 18, visando à proteção à saúde do consumidor. Essa resolução classifica e designa os suplementos alimentares e define os requisitos de composição e características mínimas de qualidade e de rotulagem que devem ser cumpridas pelos fabricantes desses produtos (ANVISA, 2020). Pode ser consumido após o treino ou como complementação da proteína diária. BCAA: Aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA do inglês Branched Chain Amino Acids). O BCAA é formado por três aminoácidos essenciais que não são produzidos pelo organismo, são eles: L-Valina, L-Leucina e L-Isoleucina. Esses aminoácidos essenciais ajudam as células a produzirem pro- teínas. O fígado precisa deles diariamente para as vias metabólicas essenciais. Sabe-se que a ingestão desse tipo de aminoácidos pode retardar o surgimento da fadiga, uma vez que os BCAAs competem na barreira hematoencefálica com o triptofano, liberado durante o esforço físico. Com a diminuição da entrada desse aminoácido (triptofano) na fenda sináptica, há menor formação de serotonina, con- sequentemente, reduzindo a percepção de esforço e possivelmente, aumentando o desempenho físico (HARAGUSHI, 2012). Creatina: A creatina é um aminoácido produzido pelo fígado humano e dos demais animais. Suplementar esse aminoácido é interessante para praticantes de atividades físicas de alta intensidade, com objetivo de melhorar performance e reduzir fadiga em treinos mais longos. Suplemento vitamínico mineral (polivitamínicos, multivitamínicos) – Aliadas à boa saúde e ao bom funcionamento do sistema imunológico, as vitaminas não podem faltar na dieta. Porém, se- gundo o IBGE, 98% da população brasileira não ingere a quantidade ideal de vitaminas por dia e 92% não come frutas com frequência (IBGE, 2018). Outro dado alarmante, divulgado pela Organização Mundial da Saúde, é de que mais de 190 milhões de pessoas sofrem com carência de vitamina A, o que pode causar cegueira, baixa imunidade e falta de proteção contra radicais livres – responsáveis pelo envelhecimento das células (BRASIL, 2012). Você observou que muitas condutas dietéticas podem ser muito saudáveis. Na prática do nutricionis- ta, observa-se que os melhores resultados não se encontram, necessariamente, na composição da dieta, mas no tempo de adesão do paciente à dieta, o que pode significar uma alteração de conduta para nutricionistas no futuro. Sendo assim, a mudança de estilo de vida, incluindo uma alimentação saudável acompanhada de exercícios físicos, faz diferença na nutrição do adulto. UNICESUMAR UNIDADE 6 119 Título: Vegetarianismo: sustentando a vida. Autor: Maria Laura Packer. Editora: Joinville: Letra D ‘água, 2007. Sinopse: livro de conceitos clássicos da Culinária vegetariana. Com receitas para quem ama gastronomia e gosta de cuidar do Corpo e Mente. Título: Live and let Live – Viva e deixe Viver. Ano: 2013. Sinopse: documentário de 2013 do cineasta e diretor alemão Marc Piers- chel. O filme segue vários ativistas veganos e entrevista os defensores veganos. O documentário explora as razões para a adoção do veganismo e como as pessoas vivem de acordo com esse estilo de vida. PRESUNTO VEGETARIANO O Presunto Vegetariano é um canal em que você pode encontrar receitas vegetarianas e veganas, tanto salgadas quanto doces, rápidas, práticas, nutritivas e saudáveis! Dicas de receitas, sugestões, fotos de receitas são super bem-vindas também! (contato@presuntovegetariano.com.br) Para acessar, use seu leitor de QR Code. Como você pôde ver até aqui, a escolha alimentar é resultado da interação de múltiplos fatores, sejam biológicos, ambientais, sociais ou psicológicos. Para mudar o comportamento, é necessário compreender os determinantes que afetam a escolha dos alimentos. Mudar comportamento envolve muito mais do que conhecimento e informação. Assim, nós nutricionistas somos mediadores desse processo partici- pativo de mudança. Não basta somente você despejar informação. Vínculos são formados de diversas maneiras e você deverá ser nutricionista de diferentes formas aos seus clientes e pacientes para de fato ajudá-los a promover mudanças positivas. https://presuntovegetariano.com.br/ 120 SUPLEMENTAÇÃO BÁSICA 121 1. Diversos comportamentos e funções fisiológicas do nosso corpo são periódicos, sendo assim, são classificados como ritmo biológico. Quando o ritmo biológico responde a um período aproximado de 24 horas, ele é denominado ritmo circadiano. Esse ritmo diário é mantido pelas pistas ambientais de claro-escuro e determina comportamentos como o ciclo do sono-vigília e o da alimentação.Uma pessoa, em condições normais, acorda às 8 h e vai dormir às 21 h, mantendo seu ciclo de sono dentro do ritmo dia e noite. Imagine que essa mesma pessoa tenha sido mantida numa sala totalmente escura por mais de quinze dias. Ao sair de lá, ela dormia às 18 h e acordava às 3 h da manhã. Além disso, dormia mais vezes durante o dia, por curtos períodos de tempo, e havia perdido a noção da contagem dos dias, pois, quando saiu, achou que havia passado muito mais tempo no escuro. Em função das características observadas, conclui-se que a pessoa a) apresentou aumento do seu período de sono contínuo e passou a dormir durante o dia, pois seu ritmo biológico foi alterado apenas no período noturno. b) apresentou pouca alteração do seu ritmo circadiano, sendo que sua noção de tempo foi alterada somente pela sua falta de atenção à passagem do tempo. c) estava com seu ritmo já alterado antes de entrar na sala, o que significa que apenas progrediu para um estado mais avançado de perda do ritmo biológico no escuro. d) teve seu ritmo biológico alterado devido à ausência de luz e de contato com o mundo externo, no qual a noção de tempo de um dia é modulada pela presença ou ausência do sol. e) deveria não ter apresentado nenhuma mudança do seu período de sono porque, na realida- de, continua com seu ritmo normal, independentemente do ambiente em que seja colocada. 2. Recentemente, o padrão alimentar vegetariano está se tornando popular, por diversas razões. Sobre essa escolha alimentar, analise as proposições: I) Padrões alimentares vegetarianos têm muitas vantagens nutricionais quando comparados à dieta com carne e auxiliam na prevenção e no tratamento das dislipidemias. PORQUE II) Opções vegetarianas têm menor gordura saturada e apresentam mais fibras em sua compo- sição, além de carboidratos complexos e antioxidantes. Assinale a alternativa CORRETA: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 122 3. A Organização Mundial da Saúde sugere, como proposta de Estratégia Global para a Promoção da Alimentação Saudável, a formulação e implementação de ações efetivas para minimizar as mortes e doenças mundiais. Sobre os objetivos dessas ações, a alternativa correta é: a) Efetuar a aplicação de dieta específica por faixa etária, implementação de ações de atividades físicas e esportivas, e redução dos riscos para DCNT. b) Investir no acesso aos alimentos de forma regular e permanente, reduzir os riscos para DCNT, além de incentivar a proteção do aleitamento materno. c) Incentivar a proteção do aleitamento materno, monitorar os dados científicos na alimentação e encorajar o desenvolvimento e implementação de planos em nível global e nacional. d) Investigar a comercialização, processamento e distribuição de alimentos e bebidas, evitar as proibições e limitações, a não ser que façam parte de orientações individuais e não fomentar a autonomia decisória dos indivíduos e grupos. e) Reduzir os riscos para DCNT, aumentar o conhecimento sobre alimentação, monitorando os dados científicos na alimentação e encorajar o desenvolvimento e implementação de planos em nível global, regional, nacional e comunitário. 7 Nesta unidade, estudaremos o Sistema Alimentar Contemporâneo, a importância da Culinária Doméstica, Mindfull Eating, Fodmaps e Sindemia Global. O Sistema Alimentar Moderno: O Comer na Contemporaneidade M. Sc. Silvia Moro Conque Spinelli 124 Na vida moderna, comer de forma adequada do ponto de vista nutricional e ainda assim considerar o valor simbólico do alimento parece ser um obstáculo a ser vencido. Isso se dá, pois, na vida moderna, temos cada vez menos tempo para se dedicar a preparar comida para nós mesmos e para quem amamos. Assim, as famílias compram opções ultraprocessadas pela praticidade e geram um grande custo em saúde e qualidade de vida. Nesse contexto, como escolher o que comer usando o bom senso e a capacidade de relativizar nossas escolhas? Se estamos nos alimentando rápido demais, adquirindo produtos sem co- nhecer sua origem, pulando as etapas de processar a própria comida e, ao mes- mo tempo, delegando essa função, quase que totalmente, à indústria, estamos também nos distanciando mais e mais dos vínculos culturais e simbólicos que eram vivenciados por nossos ancestrais – dos mais distantes aos mais próximos. Certamente, a geração de nossos avós tinha uma relação mais íntima com os alimentos que ingeria, do que a geração atual. As verduras colhidas na horta ou compradas no pequeno comércio do bairro, eram produzidas sem agrotóxico, as frutas igualmente sem conservadores químicos, as carnes eram compradas nos pequenos açougues. Os doces eram feitos em casa, muitas vezes em tachos de cobre, os bolos exalavam cheiros pela casa e as refeições, não raro, eram feitas em grupo. Havia um espaço importante destinado à mesa – fosse na cozinha ou na sala de jantar, diferentemente da contemporaneidade, já que os espaços habitacionais urbanos são menores e os cômodos destinados à mesa de jantar são quase sempre conjugados com a sala de estar. As refeições, quando ocorridas no espaço doméstico, muitas vezes são feitas com o prato na mão na frente da TV ou na frente do computador. Quantos alimentos industrializados você consome? Já fez essa conta? Você desembala mais ou descasca mais em sua rotina diária? Anote aqui no Diário de Bordo o seu recordatório 24 horas. Anote tudo que comeu num intervalo de um dia inteiro. Inclusive os beliscos entre as refeições. Parecido com aquele que estudamos nas disciplinas de Semiologia ou Avaliação Nutricional. Com essa prática, você conseguirá refletir sobre suas escolhas e o quanto valoriza o tempo gasto com alimentação. Aqui importa refletir como a sociedade ocidental contemporânea encon- trará formas de se adaptar a essa realidade paradoxal. De um lado a indústria alimentícia oferecendo inúmeros produtos, apresentando novidades constantes e fazendo uso de uma publicidade atrativa e cheia de promessas positivas ao consumi-los. De outro lado, os apontamentos relativos ao impacto à saúde pelo uso de conservantes, excesso de sal e gorduras e ainda, as análises críticas sobre o rompimento ou distanciamento gerado na relação simbólica e cultural da comida com o ser humano que seria causado pela adoção corriqueira desse tipo de produto. UNICESUMAR UNIDADE 7 125 O ritmo contemporâneo impõe um estilo de vida cada vez mais acelerado, sobretudo, aos habitantes das áreas urbanas, atentos ao relógio e ao tempo curto para cumprir todas as atividades. Além disso, tudo muda o tempo todo e o apelo ao novo é constante. No mundo do efêmero, do descartável e da pressa, como nos lembra Bauman (2009), essa escassez de tempo interfere em várias atividades e de diversas maneiras no cotidiano das pessoas. Uma dessas atividades, que é primordial ao ser humano, refere-se às práticas alimentares. Alimen- tar-se é condição básica de sobrevivência. No entanto, essa atividade que já foi momento prazeroso em tempos de vida mais lenta, passou a ser quase que apenas uma tarefa a mais para se cumprir na lista de afazeres diários na vida agitada da “modernidade líquida” (BAUMAN, 2003). Assim, já que não se pode “perder tempo”, é preciso colocar em ação a praticidade que essa modernidade oferece, inclusive para se alimentar. Mergulhado no mundo do trabalho e da pro- dutividade, vamos nos afastando da cozinha de nossas casas e da alquimia que envolve o processo de cozinhar, como sinaliza Pollan (2014). Cozinhar sempre foi uma atividade importante ao longo da história e os grupos reservavam tempo cotidiano para isso, segundo apontam autores comoWrangham (2010), Lévi-Strauss (2004), Flandrin; Montanari (1998), Câmara Cascudo (2004) e Fernández-Armesto (2004). No entanto, nos tempos modernos, essa atividade, cada vez mais, tem sido transferida para fora do espaço doméstico – em restaurantes, lanchonetes etc., ou substituída pelos alimentos processados, 126 industrializados e congelados, que mesmo sendo consumidos em casa, não envolve muito tempo e dedicação em seu prepare. Vai diretamente do freezer ao forno e, em seguida, para o prato. Em nome da facilidade, os produtos industriali- zados têm ocupado lugar importante no carrinho de compras dos brasileiros. Pesquisa realizada por Bleil (1998), aponta que alimentos como o feijão, arroz, farinha de mandioca e farinha de milho, que histórica e culturalmente foram alimentos com presença frequente na mesa das famílias brasileiras, têm sofrido redução em seu consu- mo. Esses dados também apontados pelo IBGE – Pesquisa de Orçamentos Familiares (2011). A mesma pesquisa aponta que, em sentido contrá- rio, os produtos industrializados estão cada vez mais presentes nas dietas. As formas rápidas de comer, denominadas como fast food, foram de- terminadas, pela autora, como prioritárias nos centros urbanos brasileiros. A pesquisa mais recente realizada pela FIESP/ ITAL sobre o perfil de consumo no Brasil, o “Pro- jeto Brasil Food Trends 2020” publicada em 2010, aponta que “praticidade e conveniência” são os principais motivos eleitos pelos consumidores ao optarem por produtos industrializados. Do total de entrevistados pela pesquisa, 34% optaram por estes dois itens, deixando aspectos como “confia- bilidade e qualidade”, “sensorialidade e prazer” e “saudabilidade e bem-estar, ética e sustentabili- dade” em segundo, terceiro e quarto lugar, res- pectivamente (FIESP, 2010). Esse último quesito foi eleito como prioritário para apenas 21% dos entrevistados. Ainda mais atual, o “Guia Alimen- tar para a População Brasileira”, publicado em 2006 e atualizado em 2015, também corrobora as informações na mesma direção das pesquisas citadas anteriormente. O Guia Alimentar aponta que de uma alimenta- ção baseada em produtos primários, ou minima- mente processados, adquiridos prioritariamente nos pequenos e médios comércios varejistas, como arroz, feijão, mandioca, batata, legumes e verduras, o sistema de alimentação brasileira passou para uma forma industrializada, proces- sada, prontas para consumo. Citando uma pes- quisa feita na França, Poulain (2013) mostra que, entre 1969 e 1991, os produtos industrializados passaram de 10,4% para 62,2% nas compras de alimentos. Segundo este autor, um dos efeitos da industrialização de alimentos é o corte do vínculo existente entre o alimento e a natureza, desconec- UNICESUMAR UNIDADE 7 127 tando “parcialmente o comedor de seu universo biocultural” (POULAIN, 2013, p. 46). Pondera ainda que, na contemporaneidade, apesar de as indústrias alimentícias gerarem uma enormidade de produtos que facilitam a vida do comedor, não são capazes de substituir a cozinha doméstica enquanto um espaço socializador. Pro- pondo produtos cada vez mais perto do estado de consumo, a indústria ataca a função socializadora da cozinha, sem, no entanto, chegar a assumi-la. Assim, o alimento é visto pelo consumidor como “sem identidade”, “sem qualidade simbó- lica”, como “anônimo”, “sem alma”, saído de um local industrial não identificado, numa palavra, “dessocializado” (POULAIN, 2013). Para tentar contornar essa situação, as indústrias alimentícias têm buscado associar, nas publicidades dos pro- dutos, elementos simbólicos da comida caseira, que reporta o consumidor a refeições em famí- lia, ou em lembranças de temperos etc. De tão perfeitas, algumas publicidades desses produtos parecem exalar um cheiro de bolo feito pela avó, ou aquele cheiro do tempero da cozinha de nossa infância. Sensações semelhantes às apontadas por Poulain (2013, p. 47): “[…] flertam com a memó- ria de nossas férias, quando não de nossa infância campestre. Tudo tendo como pano de fundo a representação da transmissão intergeracional de valores ou habilidades”. Ainda que quiséssemos abrir mão completa- mente dos alimentos industrializados, isso seria praticamente impossível, até porque, não se pode deixar de considerar, o fator “facilitador” que essa indústria representou para muitas mulheres ao conquistarem espaço no mercado de trabalho externo aos seus lares e ainda, remunerado, con- forme apontado por Poulain (2014). Afinal, histórica e culturalmente, a responsa- bilidade de alimentação da família sempre recaiu às mulheres, com raríssimas exceções culturais na divisão sexual e social do trabalho. E ainda hoje, essa condição feminina não se alterou muito. Poulain (2014, p. 15) destaca também a pos- sibilidade de diversificação alimentar facilitado pela indústria de alimentos: “fazendo com que mesmo pessoas sem habilidades culinárias e com pouco dinheiro pudessem desfrutar um tipo completamente diferente de culinária a cada noite. Tudo o que precisam é de um micro-ondas”. Porém o próprio autor e outros, como Poulain (2013) e Fischler (1998), discutem sobre os efeitos negativos dos alimentos industrializados, tanto na saúde como nas alterações dos hábitos alimenta- res e das relações culturais com a alimentação do comedor ocidental. Como destaca Fischler (1998, p. 859): “En- quanto suprime as diferenças e particularida- des locais, a indústria agroalimentar envia aos cinco continentes determinadas especialidades regionais e exóticas, adaptadas ou padronizadas”. Hernandez e Arnaiz (2005), a partir do estudo sobre a alimentação dos espanhóis e baseado nas argumentações de outros autores, apresenta qua- tro tendências para o sistema alimentar moderno: Poulain (2013) chama a atenção para o caráter de simples mercadoria que passa a ser dada ao ali- mento, fazendo surgir o “comedor-consumidor”. As quatro tendências: o fenômeno da homoge- neização do consumo em uma sociedade massi- 128 ficada; a persistência de um consumo diferencial e socialmente desigual; o incremento da oferta personalizada (pós-fordista, nos termos dos au- tores), avaliada pela criação de novos estilos de vida comuns, e finalmente o incremento de uma individualização alimentar, causada pela crescen- te ansiedade do comensal contemporâneo. Enquanto simples consumidor, deixamos de pensar ou de dar importância à origem daquele alimento, à forma como é feito, aos ingredientes utilizados, à mão de obra envolvida. Importando apenas o produto em si e seu custo-benefício. No que se refere à saúde, o “Guia Alimentar Brasi- leiro” é também um material educativo. Nesse sentido, alerta sobre os perigos à saúde de uma dieta baseada em alimentos muito processados, ao mesmo tempo em que oferece sugestões mais saudáveis para melhorar a qualidade de vida ali- mentar da população, como a necessidade de evi- tar frituras e alimentos com grande quantidade de aditivos químicos. Para tanto, sugere a priorização dos alimentos in natura e uma maior aproximação com uma cultura alimentar voltada às práticas tradicionais. Propõe que o consumidor leve em consideração aspectos importantes da alimentação que vão des- de a origem e a forma de produção, relacionado à sua sustentabilidade social e ambiental e aqueles voltados à saúde humana, sugerindo priorizar a seleção de produtos oriundos da agricultura fa- miliar. Estimula ainda, a valorização dos modos tradicionais de alimentação que são passados de geração a geração, que envolvem saberes diver- sos, inclusive sobre as variedades de plantas, suas adaptações climáticas, respeito à sazonalidade etc., de modo a manter as características orga- nolépticas do alimento e seus nutrientes e suas relações culturais. O guia chama ainda a atenção para os riscos à saúde do excesso de consumo de alimentos pro- cessados e ultraprocessados, pois aponta serem quase sempre ricos em açúcar, gorduras e sódio. Um exemplointeressante aqui é o filme “Super Size Me: A dieta do Palhaço” de 2004, que con- ta a experiência do diretor do experimento que se alimenta por um mês apenas de lanches do McDonald’s, discute os efeitos que a alimenta- ção ocasionou à saúde dele e também como a propaganda influencia nas decisões alimentares das pessoas. Uma das formas de valorizar a produção menos processada é, por exemplo, os países em desen- volvimento renunciarem a boa parte do peso das importações de alimentos e estimularem a produção local de alimentos autóctones. Outro aspecto tratado por pesquisadores sobre os mo- dos contemporâneos de comer, diz respeito aos momentos destinados à alimentação, chama a UNICESUMAR UNIDADE 7 129 atenção para a tendência de um modelo alimentar contemporâneo: o caminho parece ser o de saber lidar com a realidade. Aprender a relativizar o consumo sem se sub- meter totalmente a uma lógica que é maléfica à saúde e que desconecta o homem da natureza da- quilo que está ingerindo, é sem dúvida, um desafio para o comedor contemporâneo. Tais questões são muito importantes e merecedoras de uma reflexão sobre os hábitos alimentares contempo- râneos, pois além de representar um problema de saúde, como mostra o “Guia Alimentar”, é também uma questão cultural já que compromete o tempo dedicado à escolha e ao preparo dos alimentos e ainda, ao prazer da sua degustação. Um dos sentidos da modernidade, está em ela poder ser criticada e ser passível de ponderação. Neste sentido, entra a reflexão crítica sobre a ló- gica da modernidade no campo da alimentação. O progresso, com suas inovações tecnológicas, deveria facilitar a vida humana para que as pes- soas consigam obter uma qualidade de vida que lhes permita, entre outras coisas, ter tempo para pensar a própria comida, ao invés de agir no “pi- loto automático”, em seu dia a dia. Apesar de as cozinhas e as casas urbanas estarem cada vez mais equipadas com objetos e signos do moderno, seus moradores estão com menos tempo para desfrutar os benefícios de uma alimentação saudável – do ponto de vista biológico e cultural – em companhia da família e dos amigos, nesses espaços. Diante de tal complexidade, o que levar em conta no processo de escolhas alimentares? Câmara Cascudo (2004 p. 348) defende que é “inútil pensar que o alimento contenha apenas elementos indispensáveis à nutrição. Contém substâncias imponderáveis e decisivas para o es- pírito, alegria, disposição criadora e bom humor”. Certamente, a geração de nossos avós tinha uma relação mais íntima com os alimentos que ingeria, no sentido usado por Mintz (2001), do que a geração atual. As verduras colhidas na horta ou compradas no pequeno comércio do bairro, eram produzidas sem agrotóxico, as frutas idem, as car- nes eram compradas nos pequenos açougues. Os doces eram feitos em casa, muitas vezes em tachos de cobre, os bolos exalavam cheiros pela casa e as refeições, não raro, eram feitas em grupo. Havia um espaço importante destinado à mesa – fosse na cozinha ou na sala de jantar, diferente- mente da contemporaneidade, já que os espaços habitacionais urbanos são menores e os cômodos destinados à mesa de jantar são quase sempre conjugados com a sala de estar. As refeições, quando ocorridas no espaço do- méstico, muitas vezes são feitas com o prato na mão na frente da TV ou na frente do computador. Nesse contexto, importa refletir como a socieda- de ocidental contemporânea encontrará formas de se adaptar a essa realidade paradoxal. De um lado, a indústria alimentícia oferecendo inúmeros produtos, apresentando novidades constantes e fazendo uso de uma publicidade atrativa e cheia de promessas positivas ao consumi-los. De outro lado, os apontamentos relativos ao impacto à saúde pelo uso de conservantes, excesso 130 de sal e gorduras, além das análises críticas sobre o rompimento ou distanciamento gerado na relação simbólica e cultural da comida com o ser humano que seria causado pela adoção corriqueira desse tipo de produto. Prática que coloca em risco a co- mensalidade enquanto poder de sociabilidade, de agregação, considerando que o mundo moderno tem facilitado a individualização, inclusive no que se refere à alimentação. Comer sozinho nos locais de trabalho ou nas proximidades, ou mesmo em casa, já que o rit- mo moderno cria horários diferenciados para os diversos membros de uma família. Cada pes- soa tem a possibilidade de preparar rapidamente em porções individuais sua própria alimentação ao chegar em casa. A individualização alimen- tar no dia a dia da vida urbana moderna parece ser uma tendência. Se não é possível, tampouco conveniente, abrir mão totalmente do consumo de produtos agroalimentares por diversas razões requeridas pelo estilo de vida moderno. Em relação à comensalidade nos espaços do- mésticos, uma das possibilidades é que ela con- tinue a ocorrer, ainda que de forma esporádica, nos encontros de finais de semana, na reunião de amigos e familiares para jantar nas casas uns dos outros ou, ainda, nos encontros para o churrasco aos domingos – programa comum em algumas regiões do país. Isso significa um rearranjo em que a comensalidade continua presente, porém vão desaparecendo os vínculos diários e rotineiros antes existentes, quando era possível almoçar em casa nos dias de semana, realidade quase nonsen- se nos grandes centros atualmente. No processo de adaptação e/ou readaptação necessária, é importante levar em conta que a cultura, que também é dinâmica, facilita esse processo. Nesse caso, faz mais sentido pensar na possibilidade de junção entre modos tradicio- nais e modernos. Mas não há como pensar em alimentação de qualidade, sem optar pelo bom senso e pela ponderação e moderação diante das escolhas cotidianas. Afinal, conforme tratado por Fischler (1998) e Pollan (2007), somos onívoros e podemos escolher. No entanto, até escolher en- tre muitas possibilidades implica uma angústia por parte do comedor, pondera Fischler (1998). Assim, o processo de escolha implica desafio à sociedade contemporânea, sobretudo às gerações mais novas que pouco conhecem sobre aquilo que comem no dia a dia, sua origem e composição nutricional. Portanto, é fácil imaginar a falta de conhecimento sobre os alimentos tradicionais e suas conexões com o processo produtivo. Quantas crianças, nas áreas urbanas, têm co- nhecimento sobre a origem do leite que está na cai- xinha? Quantas já viram uma vaca e um bezerro? Quantas têm ideia de como são cultivadas e como brotam as batatas que consomem fritas no fast food? Quantas dessas crianças e adolescentes no mundo contemporâneo tiveram a oportunidade de ver a avó, a bisavó e as tias reunidas na cozinha, preparando as comidas e os doces para as festas de Natal, Ano Novo e outros momentos festivos? UNICESUMAR UNIDADE 7 131 É possível que crianças reconheçam facilmente os símbolos de aparelhos tecnológicos, mas não consigam identificar, nominalmente, alimentos como cebola, berinjela ou folhosos como couve, salsa, espinafre, embora possivelmente saibam que o espinafre (enlatado) é o alimento preferido do personagem de desenho animado “Popeye”. No entanto, se muitas dessas experiências im- portantes não podem mais ser vivenciadas pelas gerações mais novas, elas podem aprender sobre isso, o que implica educação alimentar que se inicia em casa e que deve continuar nas escolas. Mais um desafio. Pensar a educação alimentar como categoria de interesse na educação formal, o que já vem sendo feito pontualmente, mas não institucionalizado curricularmente. Pensar a co- mida como cultura, implica romper com um viés puramente fisiológico em relação aos alimentos e as práticas alimentares. Envolve a tomada de consciência de que não devemos comer apenas por uma questão de sobrevivência, para matar a fome, mas também para estabelecer e manter uma íntima relação com aquilo que ingerimos todos os dias. Pensando no sentido de que“somos o que comemos”, mas também “comemos o que somos” ou por Da Matta (1987) de que, o que comemos e o jeito como comemos, também nos define. Outro tema interessante de abordar aqui são os Fodmaps. Pois a alimentação moderna está exigin- do muita sobrecarga de nosso sistema digestório (excesso de gordura, baixa quantidade de fibras etc.). Assim, os Fodmaps fazem parte de uma am- pla discussão sobre a alimentação contemporânea. FODMAPs – Definição e Implementação – Os FODMAPs são um conjunto de alimentos ri- cos em carboidratos de cadeia curta com absorção particularmente lenta ou inexistente no intestino delgado, sendo fermentados por bactérias intesti- nais, resultando na produção de gases. Incluem- -se os oligossacarídeos [galacto-oligossacarídeos (GOS), fruto-oligossacarídeos (FOS), isomalto- -oligossacarídeos (IMO) e xilo-oligossacarídeos (XOS), os dissacarídeos (lactose e lactulose), os monossacarídeos (frutose livre) e os polióis (com o sorbitol, manitol, maltitol, eritritol, xilitol e iso- malte) fermentáveis. Assim como em qualquer decisão sobre mu- dança de dieta alimentar, antes da implementação da dieta é recomendável a avaliação pelo médico de família ou gastroenterologista para análise do quadro clínico e exclusão adequada de outros dis- túrbios gastrointestinais, bem como, se aplicável, fazer o diagnóstico clínico de alguma patologia típica de cólon irritável. Posteriormente, deve ser feito um encaminhamento para um nutricionista que poderá implementar corretamente a terapêu- tica nutricional. A implementação do acompanhamento nutri- cional, nesses casos, divide-se em três etapas prin- cipais: restrição total, reintrodução controlada e manutenção da dieta adaptada à tolerância indivi- dual. Na primeira fase, há uma redução inicial de todos os alimentos ricos em FODMAPs. Porém, nenhum grupo alimentar deve ser excluído por completo, pelo que, em cada grupo de alimentos, deve-se trocar alimentos com alto teor de FOD- MAPs por alimentos com baixo teor. Essa fase 132 deve durar entre duas e seis semanas, devendo-se evitar períodos prolongados sob essa restrição, uma vez que poderá gerar carências nutricionais. Se houver alívio dos sintomas, deve-se passar à fase seguinte, caso contrário, deve-se prolon- gar até seis semanas e, no caso dos sintomas não melhorarem, será necessário procurar uma abor- dagem diferente. A segunda fase consiste na reintrodução contro- lada, ou seja, é feita uma introdução lenta dos alimentos ricos em FODMAPs. É improvável que todos os alimentos ricos em FODMAPs provo- quem sintomas em todos os indivíduos, portanto, a reintrodução progressiva é usada para identi- ficar níveis de tolerância para cada alimento e subgrupo de FODMAPs. Inicialmente, as quan- tidades a testar devem ser pequenas, mas se o indivíduo se sentir bem deverá aumentá-las até uma dose normal de consumo desse alimento. O indivíduo deve primeiramente testar um alimento inserido num dos subgrupos individuais dos FODMAPs, podendo ser realizado o teste com o mesmo alimento durante três dias segui- dos, aumentando a dose em 50% por dia. Pos- teriormente, deve testar os restantes subgrupos. Entre cada nova introdução de alimentos pode ser dado um intervalo de um a três dias, porém os sintomas devem ser monitorizados todos os dias e não apenas nos dias de reintrodução. Devem, igualmente, excluir-se os alimentos do grupo an- teriormente testado, a menos que haja uma total ausência de sintomas com esses mesmos alimen- tos, situação em que os doentes podem optar por passar diretamente para a reintrodução seguinte. Na Tabela 1, encontram-se alguns dos principais alimentos com alto teor de FODMAPs. Depois é interessante testar a combinação entre os vários subgrupos dos FODMAPs. A terceira fase consiste na manutenção da dieta adaptada. O objetivo dessa fase é reintroduzir o máximo de alimentos ricos em FODMAPs na dieta confor- me tolerado na fase anterior, mantendo um bom controle dos sintomas e evitando restrições des- necessárias. Assim, após identificados os alimen- tos que desencadeiam os sintomas, estabelece-se um plano alimentar individual, onde se excluem esses mesmos alimentos – dieta com baixo teor de FODMAPs modificada (FERNANDES, 2020). UNICESUMAR UNIDADE 7 133 Oligossacarídeos Alcachofras, espargos, beterrabas, couve-de-bruxelas, brócolos, couve, erva-doce, alho, alho francês, quiabo, cebola, ervilha, cebolinha, trigo, centeio, cevada, legu- minosas, lentilhas, grão-de-bico, maçã, pêssego, dióspiro, melancia e pistácio, e produtos processados. Dissacarídeos Leite, iogurte, gelado, creme inglês e queijos de pasta mole monossacáridos, maçãs, cerejas, mangas, peras, melancia, espargos, alcachofras, ervilhas, mel e xarope de milho com alto teor de frutose. Polióis Maçãs, damascos, cerejas, peras, nectarinas, pêssegos, ameixas, ameixas secas, melancia, abacate, couve-flor, cogumelos, ervilhas-tortas e os adoçantes artificiais sorbitol, manitol, maltitol, xilitol e isomalte. Tabela 1 - SUBGRUPO DE FODMAP E ALIMENTOS COM ELEVADO TEOR EM FODMAPs Outra abordagem interessante para nossa prática clínica é a proposta do Mindfull Eating. Nessa proposta, não basta somente ingerir o alimento, mas conectar-se com ele e com a experiência que o momento proporciona. Dessa forma, o comer exige um envolvimento em outras esferas de nosso comportamento, mas com um foco muito maior em nossas atitudes e sensações. A chamada Atenção Plena, sem julgamentos. Isso inclui as festas de fim de ano, que podem – e devem – ser prazerosas, mesmo para quem deseja manter o peso ou a dieta em dia. Para ser adepto ao Mindfull eating, o indivíduo deve realizar uma refeição com atenção total no momento e sem culpa, ou mediante crenças e cronogramas, introduzindo o indivíduo ao bom rela- cionamento com a comida. Confraternizar entre amigos, com um cardápio mais rico em gordura nas festas de fim de ano não irá trazer grandes prejuízos à saúde ou no objetivo do emagrecimento ou no intento de manutenção de massa muscular. Saber curtir esses momentos, sem torturas pode ser inclusive um aliado no auto- conhecimento maior do que as restrições eternas. Mindful eating antes de comer: procure encorajar seus pacientes a entender sua relação com sua fome, eliminações e distrações na conexão com a comida. Proponha o autoquestionamento: “Estou com fome?” – A fome é o mecanismo do organismo avisar que os níveis de energia estão baixos e que repor esses níveis é o mais seguro. A fome é desencadeada por: baixa quantidade de açúcar no sangue; esvaziamento gástrico; oscilações hormonais. Gatilhos de estresse, tédio ou ansiedade são muitas vezes canalizados para os momentos das refeições. Muitas pessoas compensam suas frustrações profissionais ou pessoais utilizando os alimentos como válvulas de escape. Ter a crítica de que essas situações ou sentimentos impactam as escolhas dos pa- cientes é o primeiro passo para ajudá-los a superar essas ansiedades. O objetivo não é comer menos, mas parar de comer quando a fome passar. Para isso, é interessante que eles se concentrem na nutrição que as escolhas proporcionam. Eliminar as distrações – enquanto comemos, devemos eliminar outros canais de atenção. Que todos possam deixar de trabalhar na hora da refeição. Embora possa parecer inofensivo, é comum 134 terminar de comer sem lembrar o que comeu, sem lembrar do sabor, se gostou ou não e a quantidade que ingeriu, o que leva a comportamentos abusivos. Conecte-se com a sua comida. É fácil se apressar nas refeições sem apreciar a comida no prato. Considerando a origem dos alimentos que nutrem seu corpo, você pode tomar melhores decisões para a sua saúde e para o planeta. Com essa técnica básica nossos pacientes se conectam com a comida. O ideal é sempre preparar a co- mida que se come, com vegetais cultivados nas proximidades, fechando um ciclo produtivo sustentável e digno. Saber a procedência de nossa comida aumenta a valorização quedamos a ela. Inclusive o visual do prato aumenta a satisfação gerada por aquela escolha, incentive seus pacientes a capricharem na apresentação, como se fossem receber visitas em casa. E os aromas? O cheiro e o paladar estão intimamente relacionados, e o cheiro da comida desem- penha um papel importante na satisfação e alegria que sentimos ao comer. Antes de começar a comer, encoraje seus clientes e pacientes a sentirem o aroma de sua refeição. Eis algumas perguntas interessantes para esse reconhecimento: Que cheiros estão vindo desse prato? Pelo cheiro, você consegue reconhecer os diferentes ingredientes? O cheiro da comida o deixa com mais fome? Um aroma predomina sobre os demais? O gasto de tempo na refeição é o cerne dessa discussão. Não que ela precise ser longa. Nem deve ultrapassar 30 minutos. Mas não pode ser de fato um procedimento automatizado. Hoje, antes de comer as refeições e lanches, pergunte a si: De onde veio essa comida? Se você não tiver certeza, tudo bem. Essa comida teve que percorrer uma longa distância para chegar ao seu prato? O que foi usado no cultivo da sua comida? Quanto tempo levou? Dicas que você pode dar aos seus pacientes para comer mais devagar Faça uma pausa e apoie o garfo na mesa entre cada mordida. Enquanto você come, continue atento à sua respiração e mastigue várias vezes até triturar bem todo o alimento. Depois de comer algumas garfadas, tente comer menos por garfada do que quando co- meçou. Se for muito difícil desacelerar durante a refeição, tente comer devagar nos primeiros cinco minutos da refeição. UNICESUMAR UNIDADE 7 135 Desperte para as texturas – Antes de começar a mastigar, considere essas questões: Como você sente a comida dentro da boca? Tem uma textura consistente ou mole? Quão quente ou fria é a comida? É fácil morder ou você precisa quebrá-la na mastigação? Como você se sente com a textura da sua co- mida? Não há respostas prontas para essa experiência. Não há julgamentos. A ideia é despertar a cons- ciência. Outro assunto que impacta diretamente na qualidade nutricional das refeições nos lares brasileiros é o fenômeno da Sindemia Global. Sindemia é a expressão criada para retratar as três grandes epidemias mundiais – Obesida- de, desnutrição e mudanças climáticas. Estamos enfrentando um dos principais desafios de nossa era. Mudanças climáticas estão na iminência de entrar em um caminho sem volta, e as pande- mias de obesidade e de desnutrição ameaçam a segurança alimentar da maior parte da população mundial. Combinadas, as complexas interações dessas crises geram uma Sindemia Global, o que nos impõe a necessidade urgente de reformulação de nossos sistemas de alimentação, agropecuária, transporte, desenho urbano e uso do solo. Tamanha mudança não é possível sem uma ação articulada de atores que lutam por um mun- do mais saudável, sustentável e justo. Há diversas vulnerabilidades, as quais só serão superadas com uma estratégia unificada de mitigação e adapta- ção. No Brasil, a expansão da agropecuária en- volve, em certos casos, práticas ilegais como o desmatamento e grilagem de terras, além do uso extensivo de agrotóxicos. A forma de atuação e de organização do agro- negócio e das grandes indústrias alimentícias os tornam atores significativos do problema da Sin- demia Global. Superar esse paradigma representa reequilibrar as forças que estimulam dietas mais saudáveis e desestimulam o consumo de alimen- tos ultraprocessados, priorizam o uso da terra para uma agricultura justa, limpa e sustentável, e reduzem substancialmente as emissões de gases de efeito estufa. Essa ação coordenada precisa apoiar os movi- mentos sociais nos níveis local, nacional e global, de forma a promover o pensamento sistêmico, compartilhar soluções inovadoras e promover esforços sinérgicos. São esses atores os grandes responsáveis por demandar a criação de políticas de enfrentamento da Sindemia Global, e moni- torar sua implementação, enquanto os governos precisam se encarregar de trabalhar em conjunto para reduzir a pobreza e as iniquidades, e garantir direitos humanos. É fundamental reduzir a influência dos gran- des interesses comerciais nos processos de desen- volvimento de políticas e tomada de decisão para permitir que os Estados implementem políticas de interesse à saúde pública, à equidade e à susten- tabilidade do planeta. Não temos a ilusão de que isso será fácil, mas temos a convicção de que essa transformação é indispensável para a manutenção da vida, dos direitos sociais e da saúde do planeta. Há mais de três décadas o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) luta em defesa do consumidor, conscientizando e demandando ética nas relações de consumo, de forma indepen- dente de empresas, partidos ou governo. Uma de nossas principais áreas de atuação é justamente a promoção de escolhas alimentares mais conscien- tes, saudáveis e sustentáveis, por isso podemos dizer com segurança que estamos prontos para mais esse desafio. 136 A produção agrícola subsidiada pelos governos em todo o mundo prioriza a produção massiva de alimentos que funcionam como base para a indústria como trigo, soja e milho, usados predominan- temente para alimentação animal, demandando muitos recursos naturais, empobrecendo o solo e prejudicando a qualidade nutricional dos demais alimentos produzidos, como frutas e vegetais. Esse é o cerne do fenômeno global da fome. Há comida para todos, mas não há distribuição justa dos recursos. Mindfull eating: busca trabalhar os mecanismos de fome e saciedade. Com o conceito da atenção plena. Fodmaps: grupo de alimentos fermentáveis de difícil digestão pelo trato gastrointestinal, causando desconforto intestinal. Eles são classificados como oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarí- deos e polióis. Sindemia Global: o conceito “Sindemia Global” aponta que as três pandemias – obesidade, des- nutrição e mudanças climáticas – de origem comum, compartilham determinantes e, portanto, exercem uma influência cumulativa no custo social da civilização contemporânea. No Podcast de hoje, vamos falar da Sindemia Global e por que esse tema se tornou urgente na Formação do Nutricionista. As três pandemias se tornaram o grande mal da humanidade contemporânea tornando-se prioridade absoluta no conjunto de esforços globais. O enfrentamento da fome, obesidade e mudanças climáticas pode co- meçar aí, em nosso bairro, em nossa comunidade. Clica aí. No pílulas da Unidade 7, vamos falar do Mindfull eating e da Nutrição Comportamental. Dois temas bastante interligados e que têm ganhado espaço nas mídias sociais. Você tem se preparado para ser um nutricionista verdadeiramente comportamental? Em respeitar os limites e os prazos do outro? Em não impor nossas verdades e fazer da nutrição uma ciência colaborativa? Cola neste vídeo. UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11678 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15356 UNIDADE 7 137 Título: Sociologia da Obesidade Autor: Jean-Pierre Poulain Editora: Senac SP Comentário: qualificada como “epidemia mundial” pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade tem mobilizado ininterruptamente o setor médico, questionando as diferentes instâncias científicas, interpelando o mundo político e periodicamente produzindo grandes manchetes na mídia. Suas consequências são múltiplas, seja no plano estritamente sanitário, seja no econômico ou no social. Mas as dimensões da Obesidade não se reduzem a seus determi- nantes sociais: alcançam níveis e modos de vida, discriminações e estigmatizações que vitimam as pessoas com sobrepeso, ou ainda estabelecem normas e modelos de estética corporal. Para ultrapassar a aparente e frequentemente ofuscante evidência problemática do corpo do obeso, convém considerar as controvérsias científicas que atravessam essa questão para introduzir as estratégias conflituosas entre agentes do sistema médico, agroalimentar, da indústria farmacêu- tica, da mídia e dosdiferentes ministérios envolvidos. Título: 10 bilhões – O que tem para comer? Ano: 2015 Sinopse: com o aumento da população mundial, que deve atingir dez bi- lhões até 2050, o filme apresenta um olhar analítico sobre o enorme espectro da produção e distribuição global de alimentos. Sophie Deram Sophie Deram foi pioneira no Brasil da abordagem da nutrição sem dieta restritiva. Conheça. Nutricionista franco-brasileira, doutora pela FMUSP. Para acessar, use seu leitor de QR Code. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/17690 138 Vamos fazer um exercício de Comer Consciente aos moldes do que nos ensina a filosofia do Mindfull eating? 1. Identifique a textura do alimento. 2. Sinta a temperatura. 3. Reforce as sensações nas pontas dos dedos. 4. Use sua mão não dominante. Coloque esses exercícios de Mindful eating em prática agora! Prepare seus fones de ouvido, escolha um alimento e desfrute dessa experiência. Acesse o QR Code. UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15731 139 Complete o mapa mental com os conceitos aprendidos sobre FODMAPS. Conceito básico: 6 alimentos fonte de carboidratos de cadeia curta. Prazo/duração indicada dessa modalidade de dieta. FODMAPS Conceito Prazo indicado da dieta Cite 6 alimentos com alto teor de carboidratos de cadeia curta 140 1. A dieta FODMAP é uma tendência mundial hoje, pois melhora o funcionamento do intestino em tempos em que as pessoas têm uma dieta muito pobre em fibras e micronutrientes. Na sigla em português significa oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis. CITE e EXPLIQUE as características dessa opção alimentar e em que situações prescrevemos a dieta FODMAPS, apontando seus benefícios. 2. - “O conceito ‘Sindemia Global’ aponta que as três pandemias – obesidade, desnutrição e mu- danças climáticas – interagem umas com as outras, compartilham determinantes e, portanto, exercem uma influência mútua em sua carga para a sociedade” (THE LANCET, 2019). Sobre o assunto, assinale a alternativa correta: a) O termo “sindemia” faz referência a problemas de saúde que de forma sinérgica afetam a saúde da população em seus contextos sociais e econômicos. b) O termo “sindemia” é a forma como o clima interfere na saúde da população. c) “Sindemia” é o termo que explica endemias e epidemias. d) A obesidade e a desnutrição são epidemias e, quando presentes na mesma família, são uma “sindemia”. e) As mudanças climáticas têm levado a população a um quadro de “pandemia da obesidade”. 3. Para o tratamento dos sintomas gastrointestinais do paciente com síndrome do intestino irritável tem sido preconizada uma dieta pobre em FODMAPs. Nesse contexto, assinale a alternativa CORRETA com relação a essa dieta: a) Frutas como manga, melancia ou maçã são incluídas por não serem fermentáveis. b) A dieta pobre em FODMAPs permite escolhas com lactose e frutose. c) Na dieta pobre em FODMAPs é preferível incrementar comidas ricas em galacto-oligossaca- rídeos e polióis ou álcoois de açúcares. d) Os agravos dietéticos de risco com a dieta pobre em FODMAPs incluem ácido fólico, tiamina, vitamina B6, cálcio e vitamina D. 8 Nesta unidade, você vai estudar sobre o envelhecimento, teorias, características e a influência dos fatores econômicos, sociais e psi- cológicos. O estado nutricional dos idosos. Distúrbios metabólicos e patologias do idoso. O acompanhamento multidisciplinar no aten- dimento ao idoso. Disfagia. Políticas públicas aplicadas à população idosa no Brasil. Saúde Oral. Osteoporose. Nutrição e o Envelhecimento Me. Silvia Moro Conque Spinelli 142 A alimentação representa um aspecto crucial na qualidade de vida e longevidade em pessoas acima de 60 anos, não só na prevenção e cura de doenças, mas para proteger a saúde nessa fase mais delicada dos ciclos humanos. As tarefas de rotina são importantes para a manutenção das funções cognitivas e a funcionalidade dos idosos. Está se preparando para envelhecer? Está se preparando para trabalhar com os 100 milhões de idosos que o país terá nas próximas décadas? A Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua – Características dos Moradores e Domicílios, realizada em 2017, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estimativas (IBGE), indicou que o número de idosos no país vem aumentando e, atualmente, o país se encontra com mais de 30,2 milhões de idosos. Portanto, trata-se de uma realidade brasileira que, apesar de bastante recente, fez nascer um novo desafio para a nação: a definição de novas prioridades e adaptações das políticas do país com relação à estrutura social que vem se desenvolvendo. Entre os idosos existem alguns fatores que influenciam a saúde e a alimentação. Dentre eles, funções cognitivas/motoras alteradas, condição dos dentes (dentição incompleta, adentia, presença ou não de prótese de qualidade e desconfortos); desequilíbrios funcionais e estruturais dos órgãos. Além desses aspectos biopsicossociais ligados dire- tamente à saúde, temos, ainda, a influência do ambiente socioeconômico no qual o idoso está inserido. Assim, o país passa por um rápido envelhecimento. Você irá trabalhar com idosos. É uma garantia que você pode ter desde já. Independentemente da área da nutrição que você se dedique, seja na clínica, cozinhas, hotéis, hospitais, na indústria alimentícia ou no comércio, você irá produzir para idosos, atender, tratar e orientar idosos. Entreviste os idosos que conhece. Sua avó, seu vizinho. Aquele aposentado do seu condomínio. Per- gunte a eles sobre suas limitações. Não somente alimentares, mas de qualidade de vida. Eles guardam suas dores, mas também uma experiência fantástica de vida. O que tem sido mais difícil administrar no envelhecimento? Anote no Diário de Bordo suas impressões. No Ocidente, todos temos uma grande discriminação com os idosos. São comumente vistos como fardos e inúteis ao mercado, com preconceitos e conceitos ultrapassados, na qual idosos estão diante de violências e muitas vezes acabam abandonados. Numa realidade em que o idoso é visto simplesmente como inútil ao sistema, há que se romper barreiras que atrapalham o entendimento da senescência. Assim, vislumbraremos a criação de políticas públicas para esse segmento populacional e um enve- lhecimento mais digno. UNICESUMAR UNIDADE 8 143 Segundo critérios da OMS, a velhice começa quando o indivíduo completa 60 anos de idade. No Brasil e na Europa, esse critério é obedecido em suas legislações de proteção de direitos. No Japão, só são idosos os maiores de 65 anos. O envelhecimento ativo foi o tema da OMS de 2012, tendo como slogan: “Good health adds life to years”. Observa-se uma maior permanência dos idosos no mercado de trabalho com a partilha da sua experiência, um contínuo papel ativo na sociedade e uma vivência mais saudável e gratificante. Esta preocupação global se deve a, atualmente, vivermos cada vez mais, com mais saúde e mais capa- cidade funcional e também ao crescimento exponencial da população idosa. Mundialmente, segundo Barros (2011), a proporção de pessoas com 65 anos ou mais, ou seja, idosos, pela definição da OMS, está a crescer mais rapidamente do que qualquer outro grupo etário: entre 1970 e 2025 é esperado um aumento na ordem dos 223% (WHO, 2002; PUSKA, 2002). Esse crescimento populacional desencadeia várias preocupações nomeadamente na área da nu- trição, por esta desempenhar um papel fundamental em doenças relacionadas com envelhecimento e debilidade (VELLAS, 2009). Na população idosa, é possível presenciar a existência de algumas per- turbações, como a desnutrição e a demência. É igualmente importante não esquecer o exercício físico na idade gerontológica. Dois grandes desafios no ciclo de vida dos idoso é a desnutrição e a demência. A desnutrição é uma das maiores e mais devastadoras condições na população idosa, retratando um desequilí- 144 brio entre a ingestão alimentar e as necessidades individuais, quer em macro, quer em micronu- trientes(MORLEY, 2008) A ingestão alimentar parece diminuir progressivamente com o enve- lhecimento decorrente das mudanças fisiológicas, incapacidade física, fatores socioeconômicos, far- macológicos e psicológicos (WAITZBERG, 2009; LOREFALT, 2012). Contudo, frequentemente a desnutrição não é diagnosticada, devido não só a modificações fisiológicas associadas ao enve- lhecimento, as quais mascaram deficiências nu- tricionais (WAITZBERG, 2009), como também ao fato de os profissionais de saúde não valoriza- rem os sinais de desnutrição (VELLAS, 2009). A consequência da não identificação e tratamento da desnutrição conduz a internamentos mais prolongados e frequentes (VELLAS, 2009). No entanto, a desnutrição pode ser revertida com uma intervenção nutricional adequada, a qual tem sido associada à melhoria clínica e benefícios funcionais, tanto em nível hospitalar como na comunidade (VELLAS, 2009). A desnutrição habitualmente referenciada como proteico-energética, acarreta, muitas vezes, deficiências mais específicas (FERRY, 2004). Esti- ma-se que 50% dos idosos ingere menos vitaminas e minerais do que as Dietary Reference Intakes (DRI) (THOMAS, 2006), devido nomeadamente a mudanças fisiológicas associadas com a idade, em especial os problemas orais que reduzem o aporte nutricional (BRENNAN, 2012). A carência de vitamina D prevalece no intervalo percentual de 40-90% (VERHOEVEN, 2012). Isto por ocor- rer uma menor eficiência na síntese de vitamina D pela pele, uma menor exposição ao Sol, devido a sua ação estar diminuída nessa faixa etária ou pelo uso de medicação (VERHOEVEN, 2012; WHO, 2002). Uma ingestão inadequada dessa vitamina pode levar à perda óssea e ao aumento do risco de osteoporose (WHO, 2002; MARIAN, 2009). Estima-se que 30-40% dos idosos com fratura óssea tenham deficiência em vitamina D. Em relação ao cálcio, apenas 4% das mulheres e 10% dos homens idosos atingem as recomenda- ções diárias desse mineral (WHO, 2002). Quanto à carência de vitamina B12, está descrito que afeta 30% dos idosos (THOMAS, 2006; WHO, 2002). Re- lativamente à deficiência de vitamina C, esta ocorre frequentemente nos idosos, em cerca de 25%, devido principalmente à perda de dentição, por dificultar o consumo de frutas, verduras e legumes (WAITZ- BERG, 2009; THOMAS, 2006; MORLEY, 2008). Sarcopenia – o envelhecimento está associa- do a uma redução importante da massa isenta de gordura e ao aumento da adiposidade (WAITZ- BERG, 2009). Considera-se que a sarcopenia tem base multifatorial, na qual se destaca: vida seden- tária, hábitos tabágicos, atrofia de desuso, saúde débil, genética, desnutrição, composição corporal (WAITZBERG, 2009) e diminuição da atividade física (MORLEY, 2008). A melhor dieta para retardar os sintomas da sarcopenia é aquela composta por proteína, uma vez que os músculos são compostos primaria- mente por proteínas. Ter proteínas disponíveis no corpo impede que o organismo precise mo- bilizar proteínas musculares para a manutenção das funções diárias. UNICESUMAR UNIDADE 8 145 A sarcopenia determina a debilidade física, com ocorrência de quedas frequentes, declínio funcional e mobilidade prejudicada nos idosos (WAITZBERG, 2009; WHO, 2002). Esse declínio progressivo funcional em idosos debilitados se associa ao aumento da dependência e comorbi- dades, levando à hospitalização e institucionaliza- ção (VELLAS, 2009). A prevalência da sarcopenia varia entre 8,8 a 17,5% dos idosos, aumentando com a idade (WAITZBERG, 2009). Demência – globalmente, devido ao crescimento da população idosa, prevê-se um aumento dra- mático do número de pessoas com demência, estimando-se que duplique a cada 20 anos. Apro- ximadamente 8-10% das pessoas com mais de 65 anos de idade, no mundo ocidental, sofrem de demência, e em cada 7 segundos é diagnosticado um novo caso (VELLAS, 2009). Enquanto doença neurológica, a demência, a maior causa de incapacidade e dependência em países desenvolvidos e a segunda em todo o mundo, é provavelmente a ameaça mais séria da população idosa (WHO, 2002). Essa patologia apresenta dificuldades não só para as pessoas que têm a doença como também para os fami- liares e cuidadores. Existem várias formas de demência. A doença de Alzheimer é a mais comum, contribuindo possivelmente para 60-80% dos casos (ASELA- GE, 2010; WHO, 2002). As doenças neurológicas são de natureza crônica e progressiva levando a perdas funcionais, resultando na incapacidade de gerir os mecanismos da alimentação como hipogeusia, disfunção do olfato, perda de inte- resse pela comida, dificuldade em reconhecer os alimentos, recusa alimentar, perda de apetite e dis- fagia e na perda de identificação da necessidade de comer, trazendo como possíveis consequên- cias: desnutrição e/ou perda involuntária de peso, desidratação, cicatrização de feridas e pneumonia (DORNER, 2011), com provável necessidade de institucionalização precoce (ASELAGE, 2010). Estima-se que cerca de 86% de pessoas com demência desenvolvem problemas de alimenta- ção e está associado com 39% de mortes em 6 meses (BARROS, 2012). Como principais fatores de risco para a de- mência, destacam-se a obesidade e o excesso de peso, na idade adulta, com um risco aumentado de 74% e 35%, respetivamente, em comparação com as pessoas com peso normal; o tabagismo, a hipertensão, o colesterol elevado, a Diabetes Mellitus e a ingestão elevada de álcool. Contra- riamente, a prática regular de exercício físico tem sido associada ao retardamento do surgimento da demência. 146 Particularidades na avaliação nutricional no idoso – No envelhecimento, existem quatro fatores que podem condicionar o estado nutricional do idoso: fisiológicos, psicológicos, socioeconômicos e ambientais (WAITZBERG, 2009; DORNER, 2011). Descrevem-se a seguir as particularidades a serem valorizadas neste grupo da população. A perda de peso é considerada o indicador mais importante de desnutrição. Uma perda de 10% em seis meses, 7,5% em três meses ou 5% em um mês é considerado um problema muito grave e está diretamente relacionado com morbilidade e mortalidade. A perda auditiva também dificulta a comunicação global dos idosos, impactando nas escolhas e na qualidade de vida. Dentre os vários fatores fisiológicos (LOREFALT, 2012; MARIAN, 2009) que condicionam a ingestão alimentar é importante destacar a saúde oral, dado ter um grande impacto nas escolhas alimentares e na ingestão de nutrientes essenciais. A existência de cáries dentárias, perda de dentição, diminuição das papilas gustativas, xerostomia ou cancro oral (PETERSEN, 2005; GERDIN, 2005; QUANDT, 2011), podem aumentar o risco da saúde em geral, devido à diminuição do paladar, olfato, dificuldade na mastigação e disfagia, o que leva os idosos a evitarem certos alimentos (WHO, 2002; BRENNAN, 2012), podendo ocorrer desnutrição e isolamento (DESOUTTER, 2012). A perda estatural não é uma realidade vivida em todos os indivíduos com o envelhecimento. Apesar do achatamento epifisário das vértebras (os discos vão ficando comprimidos pela diminui- ção das cartilagens interósseas) nem sempre esse fenômeno chega a trazer comprometimento na estatura ou casos de cifose. Em um estudo realizado por J.A. Gil-Montaya, em 2008, mais de 80% dos indivíduos classificados como desnutridos tinham problemas orais. Doenças sistêmicas e/ou efeitos colaterais dos seus trata- mentos e a polimedicação podem levar ao aumento do risco de problemas orais (PETERSEN, 2005). UNICESUMAR UNIDADE 8 147 Os inquéritos realizados devem considerar a diminuição da dentição, alteração do paladar, prescrição medicamentosa, restrições alimentares, alterações funcionais devido a doenças crônicas e intervenções hospitalares repetidas, entre outros (WAITZBERG, 2009). Deve-se também ser considerado o grau de literacia, a fim de decidir o melhor inquérito a utilizar – a história alimentar pode ser recolhida através de exemplos como o diário alimentar ou o inquérito nas 24 horasanteriores. Os dados analíticos, tanto a albumina como a pré-albumina, representam dois dos principais parâmetros habitualmente consi- derados na avaliação bioquímica. No entanto, na população idosa, esses valores podem estar alterados devido a outras condições que não a desnutrição como a hidratação ou a alteração da função hepática e/ou renal, o que exige uma análise atenta. Além disso, é importante não esquecer que também podem diminuir ligeiramente com o avançar da idade (WAITZBERG, 2009; MORLEY, 2008). Os sinais de desnutrição podem, frequentemente, ser confundidos com alterações físicas do enve- lhecimento. É importante proceder a um exame físico rigoroso, começando com uma observação do ENVELHEÇA DE FORMA SAUDÁVEL DICAS PARA IDOSOS Alimente-se de maneira saudável Reduza estresse e mantenha-se em equilíbrio Conecte-se ao mundo Exercite sua mente Faça exames médicos regularmente Exercite-se pelo menos 50 minutos 3 vezes por semana Tenha uma noite de sono renovadora 148 estado geral, avaliando seguidamente se existe depleção de massa muscular e/ou tecido adiposo, e/ou úlceras de pressão, procurando em seguida sinais de deficiência específica, inspecionando nomeadamente a face, cabelo, mucosas e pele (AFONSO; ALMEIDA, 2012) A utilidade das medidas antropométricas se prende com a informação que é possível obter sobre os depósitos de massa gorda e massa mus- cular, podendo ser utilizadas medidas como a estatura, o peso, os perímetros, as pregas cutâ- neas ou a impedância bioelétrica. Por exemplo, a redução da área muscular do braço (AMB) no idoso é considerado critério de diagnóstico de desnutrição com implicação prognóstica. No entanto, existem fatores que podem influenciar essas medidas, como a presença de edema e per- da de elasticidade da pele (WAITZBERG, 2009; MORLEY, 2008). Existem vários instrumentos de rastreio ca- pazes de averiguar o risco nutricional, sendo de destacar o Mini Nutritional Assessment (MNA), o Subjective Global Assessment (SGA), o Mal- nutrition Universal Screening Tool (MUST) e o Nutrition Screening Initiative (NSI) (AFONSO; ALMEIDA, 2012). Especificamente no caso do MNA, este é o instrumento mais utilizado pelos profissionais que trabalham com geriatria e é re- ferido como a ferramenta de maior especificida- de e sensibilidade (MORLEY, 2008; AFONSO E ALMEIDA, 2012). A redução do gasto energético basal é acom- panhada da redução das necessidades energéticas e das funções fisiológicas em função do declínio da atividade física e massa corporal metabolica- mente ativa (WAITZBERG, 2009). Para calcular o gasto energético basal, existem variadas formas, como exemplo, a fórmula de Harris-Benedict (DORNER, 2011), ajustando o valor final com a retirada de 10% do valor calculado em idades compreendidas entre 51-75 anos e 20-25% em idades superiores a 76 anos (WAITZBERG, 2009), a equação de Miffin-St.Jeor, ou ainda multiplican- do 30-35 kcal/kg de peso corporal para adultos com úlceras de pressão (DORNER, 2011). Relativamente aos micronutrientes, a reco- mendação nos idosos é a mesma do que para os adultos (WAITZBERG, 2009), no entanto, o envelhecimento é associado com o aumento do risco da redução da ingestão dessas. Intervenção nutricional na população ido- sa – apesar da sobrecarga ponderal ser também comum nos idosos, as principais preocupações que o nutricionista deve ter em atenção relacio- nam-se com a desnutrição e promoção de uma alimentação variada, equilibrada e completa, res- peitando hábitos adquiridos ao longo da vida e salvaguardando as restrições alimentares impos- tas por patologias orgânicas (BARROS, 2012). Em meio hospitalar podem ser utilizados su- plementos de nutrição entérica e na comunidade os idosos devem ser encorajados a consumirem alimentos energeticamente densos e com altos valores proteicos. No entanto, é necessário ter cui- dado relativamente ao risco de desenvolvimento da síndrome de realimentação, principalmente em doentes desnutridos com jejum prolongado, ou ingestão alimentar muito escassa (DORNER, 2011). O primeiro passo para o tratamento da desnutrição é encontrar a causa ou forma de per- da de peso. No caso de a perda de peso ser devida a uma combinação de causas pode ser necessário estabelecer prioridades (MORLEY, 2008). Os seguintes tópicos dizem respeito aos prin- cipais problemas que interferem com uma ali- mentação adequada. UNICESUMAR UNIDADE 8 149 Processo típico do envelhe- cimento Evitar Preferir Falta de dentição Alimentos que dificultam a mas- tigação. Não há necessidade de diminuir carne ou frutas. Alimentos fracionados ou mes- mo triturados (QUANDT, 2011; STANNER, 2009). Falta de apetite Alimentos de baixa caloria. Tex- turas duras ou crocantes. Alimentos de difícil preparo. Não oferecer grandes refeições. Fornecer alimentos nutricional e caloricamente densos, modi- ficar as texturas dos alimentos, ter em casa alimentos que não necessitem de ser confecciona- dos ou que sejam fáceis de con- sumir, disponibilizar refeições pequenas e frequentes. Utilizar suplementação e utilizar fárma- cos para aumentar o apetite (MORLEY, 2008). Disfagia – disfagia é a dificuldade de engolir ali- mentos e líquidos, a percepção de “arranhar”, ou ficar “presa” a comida ou bebida na passagem da garganta, muito comum o indivíduo relatar que machucou a região ao deglutir – é um sintoma e não uma doença. É mais típica em idosos, mas também associada a outras patologias em outros ciclos da vida. O idoso deve ser encorajado a se alimentar sozinho ou com ajuda sempre que necessário. No entanto, para ultrapassar problemas de de- glutição, a intervenção nutricional pode ter de considerar o uso de uma sonda de alimentação para prevenir/tratar a desnutrição ou a pneumonia de aspiração, sendo que a colocação de sonda só deve ocorrer após ponderação das vantagens e desvantagens do seu uso (DORNER, 2011). No entan- to, principalmente em doentes com demência em fase terminal, não existe evidência que as sondas forneçam algum benefício em termos de tempo de sobrevivência, qualidade de vida ou que reduzam o risco de úlceras de pressão (DORNER, 2011), existindo ainda o risco de remoção, pelos doentes, da sonda, devendo ser especialmente encorajada a alimentação oral, o que também proporciona a integração social (DORNER, 2011). É recomendável a dieta pastosa em disfagias leves, com legumes bem cozidos. Para espessamento, a indústria de alimentos dispõe de várias substâncias espessantes que podem até espessar a água de consumo, assim garantimos a adequada hidratação dos pacientes disfágicos sem riscos grandes de broncoaspiração. Deficiência em nutrientes específicos – para evitar carências nutricionais nos idosos, é neces- sário considerar recomendações totais de macro e micronutrientes, em particular: proteínas, cálcio, 150 vitamina C, vitamina D e vitamina B12. Nesta faixa etária, é igualmente importante realçar as necessidades hídricas diárias, uma vez que existe um grande risco de desidratação (WAITZBERG, 2009). Particularmente, para idosos sarcopênicos, a evidência científica defende que uma ingestão proteica superior à recomendada parece ser bené- fica, mas mais importante parece ser a ingestão de proteína de alto valor biológico em cada refeição, sendo a qualidade determinada pela constituição em aminoácidos essenciais e pela digestibilidade. A proteína vegetal mostra-se menos digerível que a proteína animal (BARROS, 2012). Nestes doentes, a abordagem nutricional deve centrar se em medidas para prevenir e/ou combater a perda de massa muscular (BARROS, 2012). No caso do cálcio, este pode estar presente em alimentos como os produtos lácteos, couve-galega, grelos, salsa, amêndoa, avelã, ou ainda em produtos enriquecidos em cálcio. Uma vez que um grande número de idosos não ingere a quantidade reco- mendada de cálcio, para prevenir o risco de fraturas pode ser necessário a suplementação em cálcio. Em relaçãoà vitamina D, existe naturalmente em alimentos de origem animal como os peixes gordos, ovos, ou ainda em alimentos fortifica- dos, podendo ser ainda sintetizada a partir da exposição solar (THOMAS, 2006; WHO, 2002; MORLEY, 2008). Por ser improvável adquirir os níveis adequados dessa vitamina através da alimentação (VERHOEVEN, 2012), pode ser necessário recorrer à suplementação. Garantir o adequado aporte de cálcio e vitamina D têm um efeito benéfico na densidade óssea e ainda reduz as incidências de fraturas (WAITZBERG, 2009; WHO, 2002; MARIAN, 2009). Relativamente, a vitamina B12 encontra-se apenas disponível em alimentos de origem animal principalmente no fígado de animais, e em pei- xes como a sardinha (MORLEY, 2008), podendo ser necessário recorrer a alimentos fortificados como cereais (WHO, 2002), ou à suplementação (WAITZBERG, 2009). É especialmente impor- tante nos indivíduos vegetarianos ou em idosos com aumento do pH gástrico (AFONSO E AL- MEIDA, 2012). Quanto à vitamina C, as principais fontes são as frutas como framboesas, laranjas, kiwis e vegetais como a couve. Particularmente no caso da vitamina C, é necessário ter em atenção a sua perda durante a confeção. A ingestão deficiente de vitamina C começa antes da idade, sendo que dos adultos com mais de 51 anos, 25% não consomem oralmente a dose recomendada de vitamina C, pelo que uso de suplementação multivitamínica pode ser necessária. Envelhecimento ativo – o envelhecimento ativo pode ser descrito como a possibilidade de enve- lhecer com saúde e autonomia, procurando par- ticipar na sociedade enquanto cidadão produtivo e ter uma boa qualidade de vida, aproveitando da melhor forma o potencial ainda existente no final da vida, procurando ser ativo no emprego, na sociedade e permanecer autónomo. Para isto é necessário oferecer melhores perspectivas de UNICESUMAR UNIDADE 8 151 emprego aos trabalhadores idosos, reconhecer o seu contributo para a sociedade, criar condições para lhes dar mais apoio e fazer pequenas mu- danças que promovam a autonomia dos idosos. A atividade física é um dos preditores mais fortes do envelhecimento saudável: nenhum outro grupo etário beneficia mais da atividade física regular do que os idosos. O exercício físico moderado regular promove o bem-estar físico, mental e social e ajuda a prevenir quedas, incapa- cidade, sarcopenia e doenças crônicas (VELLAS, 2009), como osteoporose, doenças cardiovascu- lares e obesidade (KALACHE, 2007), demência e depressão (WHO, 2002), ajudando as pessoas mais velhas a permanecerem tão independentes quanto possível durante mais tempo. É também necessário que as pessoas idosas tenham um acompanhamento cognitivo para que possam retardar o aparecimento de doenças neu- rodegenerativas (MONIZ-COOK, 2004). Comportamentos de risco adotados ao longo da vida, como o tabagismo, o alcoolismo, hábitos sedentários, alimentação desequilibrada e má saú- de oral, podem levar ao aparecimento de doenças. Contudo, a cessação destes comportamentos de risco, mesmo em idade geriátrica, pode levar à melhoria de patologias já existentes ou evitar o aparecimento de novas doenças. Assim, é importante incentivar, em qualquer idade, a adoção de um estilo de vida saudável atra- vés da implementação de políticas de controlo re- lacionadas com o uso do tabaco, consumo abusivo de álcool, desenvolver políticas nutricionais como medidas especiais para prevenir a desnutrição e garantir a segurança alimentar à medida que as pessoas envelhecem, disponibilizar informação ao público em geral e profissionais sobre a edu- cação nutricional e a importância de permanecer ativo, desenvolver zonas para a prática de exercí- cio físico e promover a saúde oral. A saúde oral e a boa nutrição – um adequado estado de saúde oral aliado a uma boa nutrição são fatores que podem interferir na saúde. À me- dida que vamos envelhecendo, os hábitos de mas- tigação podem mudar. Ficamos mais propensos a possuir deficiências na função mastigatória e percepção do sabor, em consequência de altera- ções estruturais, e/ou morfológicas do próprio envelhecimento. A presença de uma via oral pobre e/ou debilitada pode gerar impactos na saúde, comprometendo a alimentação, e a nutrição, po- dendo ser prejudicial à saúde geral do indivíduo. A osteoporose – a osteoporose é a doença osteometabólica mais comum em ambos os se- xos e possui um grande impacto na qualidade de vida e na sobrevida. A ocorrência de fraturas osteoporóticas aumenta sensivelmente a mor- bimortalidade e a perda funcional do indivíduo acometido, em qualquer período da vida, mas, principalmente na terceira idade, por isso, todo médico que assiste o paciente idoso deve lem- brar-se da importância dos fatores de risco para perdas ósseas e para quedas. A doença é mais frequente no sexo feminino, pois a deficiência estrogênica verificada a partir dos primeiros anos do período pós-menopausa aumenta muito o ritmo de aceleração de perdas 152 ósseas. A osteoporose em homens decorre, principalmente, de mecanismos ligados essencialmente ao envelhecimento, como a deficiência de vitamina D, a absorção diminuída de cálcio e o aumento dos níveis de paratormônio. O diagnóstico de osteoporose é clínico e deve ocorrer somente após a exclu- são de causas secundárias de perda óssea, como as neoplasias ósseas e outras doenças osteopênicas. O exame de densitometria mineral óssea quantifica as perdas ósseas e é um bom preditor de fratu- ras. O exame radiográfico deve detectar deformidades ósseas ou fraturas para que o tratamento seja prontamente instituído quando indicado. O aumento da cifose torácica e a perda de estatura talvez sejam os sinais mais suspeitos. Por sua natureza multifatorial, seu caráter sindrômico e suas baixas manifestações clínicas, a OP é difícil de diagnosticar. Na maior parte das vezes a OP é diagnosticada pelos ortopedistas pela sua consequência mais deletéria, a fratura osteoporótica. Devemos, então, estarmos atentos para o diagnóstico do risco de uma pessoa ter OP. A tentativa de diagnosticar e tratar precocemente a OP, antes da ocorrência da primeira fratura, levou ao estudo dos fatores de risco para OP (SOUZA, 2010). Os fatores de risco mais valorizados para osteoporose são: o gênero feminino, as etnias amarela e branca, a idade mais avançada, a precocidade do início da menopausa, a hereditariedade (presença de osteoporose ou de fratura osteoporótica entre os ancestrais e os colaterais), história pregressa de fraturas osteoporóticas, erros nutricionais (baixa ingestão de cálcio, baixa ingestão de vitamina D3 ou baixa insolação para produção da mesma, situações para má absorção de alimentos etc.), maus hábitos (ingestão exagerada de café, álcool, tabaco), sedentarismo, certas medicações (glicocorticoi- des, anticonvulsivantes) e doenças como a artrite reumatoide e quase todas as doenças inflamatórias sistêmicas (SOUZA, 2010). Apesar de os fatores de risco para osteoporose serem bastante conhecidos há muito tempo, ainda não há uma fórmula numérica científica para avaliá-los separadamente e no contexto geral. E talvez nem venha a existir. Dependendo da população estudada estes fatores de risco têm valores relativos diferentes. O desenvolvimento do densitômetro veio ajudar no diagnóstico, mas surgem então as per- guntas: Quando realizar uma densitometria? Quando repetir a avaliação? E novamente é necessário avaliar os fatores de risco para a osteoporose (SOUZA, 2010) UNICESUMAR UNIDADE 8 153 Por que a nutrição não é reconhecida como prioridade para o idoso pelos outros profissionais de saúde que não sejam da área da nutrição? A necessidade de avaliação e intervenção nutricional é particularmente crucial neste grupo etário, em quem a incidência de doenças crônicas é muito prevalente e uma infinidade de fatores sociais e econômicos aumentam a possibilidade de erro nutricional. Fonte: Who (2005). Disfagia: a dificuldade de engolir sólidos e líquidos,muito comum o indivíduo relatar dor ao engolir – é um sintoma e não uma doença. Demência: transtorno neurocognitivo com alteração progressiva das áreas do cérebro, com relatos de déficit da memória, comportamento, linguagem e personalidade, que podem interferir diretamente na qualidade de vida. Osteoporose: perda progressiva de massa óssea, tornando a matriz óssea enfraquecida, e predispostos a fraturas. A ingestão de cálcio é fundamental para o fortalecimento dos ossos. Fonte: Brennan (2012). No podcast de hoje, falaremos de osteoporose e osteopenia. Esse pro- cesso começa antes mesmo da gente ficar velho. Devemos cuidar de nossos ossos desde a adolescência. Vamos falar da importância da alimentação saudável desde cedo e o que podemos fazer para preser- var a massa óssea até a idade avançada. A influência da menopausa e da andropausa masculina nesse processo. Não espere ficar velho para dar o play! A sua cidade está preparada para envelhecer? O transporte, a acessibi- lidade a arquitetura urbana… tudo isso tem que ser pensado para que tenhamos dignidade em viver esse processo sem tantas limitações. No Pílula de hoje, vamos projetar a saúde do futuro e nos entender enquan- to parte dessa solução. O nutricionista será cada vez mais importante. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11679 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15359 154 Título: A nutrição e as doenças geriátricas Autor: Newton Luis Terra Editora: EDIPUC-RS Sinopse: as principais doenças que afetam os idosos, bem como alguns sintomas comuns deles e as respectivas dietas são abordadas nesta obra de uma maneira simples, com uma linguagem não técnica com o objetivo de ajudar o leitor a ter uma velhice com mais autonomia, mais indepen- dência, mais saudável e mais feliz. Newton Luiz Terra. Diretor do Instituto de geriatria e Gerontologia da PUCRS. Título: Antes de Partir (Bucket List) Ano: 2007 Sinopse: o bilionário Edward Cole e o mecânico Carter Chambers são dois pacientes terminais em um mesmo quarto de hospital. Quando se conhe- cem, resolvem escrever uma lista das coisas que desejam fazer antes de morrer e fogem do hospital para realizá-las. Portal do Envelhecimento e Longeviver Site produzido por profissionais de diversas áreas e oriundos de diversas regiões do Brasil e de outros países, todos estudiosos do processo de envelhecimento na perspectiva do ser que envelhece e não unicamente que adoece. Esta nossa filosofia e “atitude” frente ao envelhecimento é o pressuposto para o desenvolvimento da contínua construção de uma “Cultura da Longevidade”. Para acessar, use seu leitor de QR Code. UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15358 UNIDADE 8 155 É indiscutível o impacto que a alimentação tem na vida de indivíduos em qualquer fase, e de seu efeito cumulativo – uma alimentação equilibrada e saudável ao longo de toda a vida traz incontáveis benefícios na idade adulta e durante o envelhecimento. O envelhecimento resulta em uma significativa diminuição da necessidade de energia. O principal mecanismo é uma diminuição do gasto energético em repouso como consequência do declínio da massa muscular. O nutricionista voltado ao olhar gerontológico procura aprimorar os processos de ensino e apren- dizagem além das competências técnicas, bem como incorporar as necessidades de intervenções em políticas públicas de segurança alimentar específicas à população idosa. Como treino, crie aqui um cardápio saudável (5 refeições) preventivo das doenças típicas do envelhecimento para uma mulher de 74 anos, moradora de Vitória, Espírito Santo. Vamos tentar? 156 ENVELHECIMENTO Cite 3 principais preocupações do nutricionista Cite 4 mudanças fisiológicas típicas 157 1. A osteoporose é a doença osteometabólica mais comum em ambos os sexos e possui um grande impacto na qualidade de vida e na sobrevida. A ocorrência de fraturas osteoporóticas aumenta sensivelmente a morbimortalidade e a perda funcional do indivíduo acometido, em qualquer período da vida, mas, principalmente na terceira idade, por isso, todo médico que assiste o paciente idoso deve lembrar-se da importância dos fatores de risco para perdas ósseas e para quedas. Explique como a osteoporose pode ser manejada gerenciando os fatores de risco. 2. Osteoporose é um problema de saúde pública afetando 75 milhões de pessoas nos Estados Unidos, Europa e Japão, incluindo a maioria dos idosos em todo o mundo. É doença carac- terizada por diminuição da densidade mineral óssea (DMO), e deterioração de sua microar- quitetura, levando a um aumento da fragilidade óssea e consequente aumento do risco de fraturas, analise as proposições, e julgue os principais fatores de risco I) Gênero: As mulheres são mais propensas à patologia. II) Idade: Indivíduos acima de 60 anos têm maior incidência da patologia. III) Infecções, patologias endócrinas e doenças renais trazem maior risco da osteoporose. IV) Alimentação: A menor ingestão de cálcio também pode aumentar o risco da doença. Analisando as alternativas, assinale a alternativa CORRETA: a) Todas as sentenças são verdadeiras e são relacionadas com a osteoporose primária. b) As afirmações (I), (II) e (III) são verdadeiras e relacionadas com a osteoporose primária. c) Todas as afirmações são verdadeiras e apenas a afirmação (III) é relacionada com a osteopo- rose secundária. d) As afirmações (I), (II) e (IV) são verdadeiras e apenas a afirmação (IV) é relacionada com a osteoporose secundária. 3. A saúde oral está relacionada com a alimentação de várias formas, nomeadamente através do efeito direto dos alimentos sobre os dentes no desenvolvimento de cárie dentária e na erosão do esmalte dentário. Desta forma, uma alimentação saudável é fundamental não só para o bom funcionamento do organismo e prevenção de várias doenças como a obesidade, as doenças cardiovasculares, a hipertensão arterial, a diabetes tipo 2, mas também para a prevenção das três doenças orais. Dessa forma, explique nossa contribuição como nutricio- nistas na Saúde Oral de indivíduos. 158 9 Nesta unidade, vamos citar algumas políticas públicas importantes e programas Institucionais em nutrição, como a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN). O papel da Nutrição Funcional na prevenção das doenças degenerativas. Vamos estudar também as disbioses intestinais e diarreias, tão comuns nas queixas de nossos pacientes. Ainda, ao final da unidade, vamos estudar a osteopenia, que já começa na fase jovem e a osteoporose, prevalente na maioria das mulheres idosas no Brasil e no mundo. Nutrição Funcional: Para Você, Para o Planeta e Para as Futuras Gerações Me. Silvia Moro Conque Spinelli 160 Você sabia que alguns compostos bioativos de alimentos contribuem muito na diminuição do risco de incidência de doenças crônico-degenerativas não transmissíveis, como o câncer, diabetes, ateros- clerose, obesidade? A alimentação pode ser tão impactante em um tratamento crônico quanto os medicamentos e os exercícios físicos. É indiscutível o papel da dieta e dos alimentos na manutenção da saúde e na redução do risco de doenças crônicas. Estudos epidemiológicos mostram que o aumento do consumo de alimentos de ori- gem vegetal influencia positivamente a saúde, enquanto estudos in vitro e in vivo em modelo animal elucidam os mecanismos pelos quais compostos bioativos não nutrientes, presentes nos alimentos, atuam na manutenção da saúde e na redução do risco de doenças. A modulação da expressão de ge- nes que codificam proteínas envolvidas em vias de sinalização celular ativadas nas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) é um dos mecanismos de ação dos compostos bioativos, sugerindo que estes possam ser essenciais à manutenção da saúde. A biodisponibilidade dos compostos bioativos de alimentos, as suas rotas metabólicas e o modo de ação de seus metabólitos são importantes fatores no seu efeito nas DCNT. Os compostos bioativos presentes nos alimentos podem agir de diferentes formas,tanto no que se refere aos alvos fisiológicos como aos seus mecanismos de ação. A ação antioxidante, comum nesses com- postos, por exemplo, deve-se ao potencial de óxido-redução de determinadas moléculas. Que alimentos funcionais você conhece? Alguns alimentos são comprovadamente nutracêuticos e outros estão em vias de comprovação. Vamos pesquisar nos livros e na internet de que alimentos estamos falando? Faça uma breve lista de alimentos (hortaliças, grãos, cereais, sementes) com suas propriedades funcionais. Embora seja reconhecido que os compostos bioativos presentes na dieta atuem na manutenção da saúde, faz-se necessário reconhecer que o efeito protetor às doenças crônicas parece não se reproduzir pela sua ingestão isolada, na forma de suplementos. Estudos clínicos, em que a dieta foi suplementada com β-caroteno, vitamina C ou vitamina E, mostraram que essas substâncias, isoladas da matriz ali- mento, não foram eficazes na diminuição de risco à DCNT (LIU, 2004), indicando que fatores como a biodisponibilidade e a ação sinérgica, entre outros, atuam nesse processo. Que alimentos nutracêu- ticos ou com compostos bioativos você conhece? Alguns são muito famosos e outros completamente desconhecidos pela sociedade. Pesquise em sites científicos e anote aqui no diário de bordo. UNICESUMAR UNIDADE 9 161 Histórico das políticas públicas de alimen- tação e nutrição no Brasil – A alimentação e nutrição são fatores determinantes para as condi- ções de saúde da população e se constitui direito inerente a todas as pessoas. Nessa perspectiva, a promoção e garantia do Direito Humano à Ali- mentação Adequada (DHAA) vem sendo dis- cutida e implementada em diferentes setores da sociedade, dos quais se incluem os programas no âmbito do governo federal. A Lei Federal nº 8.080, de 1990, define que as ações de alimentação e nutrição devem ser desempenhadas de forma transversal às ações de saúde, em caráter comple- mentar e com formulação, execução e avaliação dentro das atividades e responsabilidades do sis- tema de saúde (BRASIL, 1998). A compreensão da trajetória das políticas de alimentação e nutrição no Brasil está intimamen- te ligada ao momento econômico, social e político do país, no período em que foram implementadas (ARRUDA; ARRUDA, 2007). Historicamente, a discussão desta temática iniciou-se na década de 1940, com a implementação da primeira políti- ca nacional de alimentação e nutrição no Brasil, o Serviços de Alimentação e Previdência Social (SAPS), com o objetivo de prestar assistência ali- mentar e nutricional aos trabalhadores (SILVA, 1995). A partir desse programa, muitos outros foram executados temporariamente ou de for- ma desarticulada, sem caracterizar uma política pública coerente e sistemática. Dentre os destaques no histórico de políticas públicas, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) se originou em 1954, e é o mais antigo em funcionamento nos dias de hoje e con- siderado um dos maiores programas mundiais na área de alimentação escolar (PIPTONE, 1997). O programa tem como objetivo a transferência, em caráter suplementar, de recursos financeiros aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios destinados a suprir, parcialmente, as necessida- des nutricionais dos estudantes. A alimentação fornecida na rede pública é um fator que auxilia a frequência escolar, uma escola que oferece conhe- cimento, interação social e alimentação escolar têm mais alunos matriculados. Através do PNAE, os estudantes podem contemplar até 15% de suas necessidades nutricionais dentro da escola. O pro- grama prevê a oferta de, no mínimo 350, kcal + 9 gramas de proteínas por refeição para escolares no regime de turno único. 162 Outro fato histórico marcante no desenvolvi- mento das políticas públicas na área de alimen- tação e nutrição foi o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), criado em 1977, o qual foi estruturado na forma de parceria entre o governo, empresários e trabalhadores, com o objetivo de atender às necessidades básicas de alimentação e saúde dos trabalhadores (MAGALHÃES, 2002). Segundo o PAT, o almoço e jantar devem possuir de 600-800 kcal; já as refeições menores, como desjejum e lanche da tarde, devem conter 300-400 kcal e o percentual proteico-calórico (NdPCal) deverá ser, no mínimo, de 6% (BRASIL, 2006). Os parâmetros nutricionais do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) estabelecidos na Portaria nº 66/2006, devem ser calculados com base nessas referências de macro e micronutrientes: Nutrientes: Valores Diários: VALOR ENERGÉTICO TOTAL 2000 calorias CARBOIDRATO 55-75% PROTEÍNA 10-15% GORDURA TOTAL 15-30% GORDURA SATURADA < 10% FIBRA < 25g SÓDIO < 2400mg Fonte: a autora No Brasil, as últimas décadas têm registrado o ressurgimento e crescimento do campo de co- nhecimento das políticas públicas. A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), aprovada no ano de 1999, integra os esforços do Estado Brasileiro que, por meio de um conjunto de políticas públicas, propõe respeitar, proteger, promover e prover os direitos humanos à saúde e à alimentação (BRASIL, 1999). Histórico dos guias alimentares para a po- pulação brasileira – a Alimentação Adequada e Saudável (AAS) é um direito humano básico, ga- rantido pela emenda Constitucional nº 64, artigo 6º da Constituição Federal de 1988, que envolve a garantia ao acesso permanente e regular, de forma socialmente justa a uma prática alimentar ade- quada, a qual deve atender aos aspectos biológi- cos e sociais do indivíduo e estar em acordo com as necessidades alimentares especiais (BRASIL, 2010). Esse direito é contemplado no Importante Documento, já citado anteriormente: a Declara- ção Universal dos Direitos Humanos, de 1948, em que o DHAA – Direito Humano à Alimentação Adequada está garantido no artigo 25. Além disso, deve ser referenciada pela cultura alimentar e pelas dimensões de gênero, raça e etnia ser acessível, do ponto de vista físico e financeiro, harmônica, em quantidade e qualidade, atendendo aos princípios da variedade, equilíbrio, moderação e prazer e baseada em práticas produtivas adequa- das e sustentáveis, livre de contaminantes físicos, químicos, biológicos e de organismos genetica- mente modificados (CONSEA, 2015). A prática da AAS está diretamente relacio- nada com o conceito de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), que consiste na realização do UNICESUMAR UNIDADE 9 163 direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econô- mica e socialmente sustentáveis (BRASIL, 2006). Portanto, são necessárias medidas que garantem a soberania alimentar da população através de ações comprometidas com a realização do direito humano à AAS e SAN (CONSEA, 2015). A Organização Mundial da Saúde (FAO/OMS) recomenda por meio da Estratégia Global para a Promoção da Alimentação Saudável, Ativida- de Física e Saúde, que os governos formulem mantenham atualizadas as diretrizes nacionais sobre alimentação e nutrição com objetivo de disponibilizar informações sobre alimentação saudável e adoção de bons hábitos alimentares com linguagem que seja compreensível a todos (CONSEA, 2015). Assim, os guias alimentares se tornam instrumentos que definem as diretri- zes utilizadas no auxílio de escolhas alimentares saudáveis pela população por meio de orienta- ções quanto às modificações necessárias nos pa- drões alimentares utilizando termos que sejam compreensíveis, simples e claros para a maioria dos consumidores (BRASIL, 2006). Esses instrumentos são direcionados para to- das as pessoas, individualmente, como membros de famílias e comunidades, assim como cidadãos, e considera os fatores do ambiente que favore- cem ou dificultam a realização na práticadessas recomendações, indicando formas e caminhos para aproveitar vantagens e vencer obstáculos. Somam também um conjunto de informações, análises, recomendações e orientações sobre esco- lha, combinação, preparo e consumo de alimentos que objetivam promover a saúde dos indivíduos e coletividades à realização de práticas alimentares apropriadas (PORTAL DA SAÚDE SUS, 2016). Nesse sentido, a elaboração de guias alimenta- res se insere no conjunto de diversas ações inter- setoriais, pois objetivam a melhora dos padrões de alimentação e nutrição da população e contri- buem para a promoção da saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2014). A primeira edição do guia alimentar foi pu- blicada pelo Ministério da Saúde (MS), no ano de 2006, intitulado “Guia Alimentar para a Po- pulação Brasileira – Promovendo a Alimenta- ção Saudável”, o qual apresentou as primeiras diretrizes oficiais para a população brasileira, agregando as ações do governo brasileiro para a promoção da saúde e da segurança alimentar e nutricional. O referido guia se constitui em um marco de referência para indivíduos e famílias, governos e profissionais de saúde sobre a pro- moção da AAS (CONSEA, 2015). A primeira parte desse guia se constitui no re- ferencial teórico que fundamentou a sua elabora- ção e o situa em relação aos propósitos da PNAN, bem como aos objetivos preconizados pela OMS. A segunda parte aborda as diretrizes formula- das, agregando orientações para a sua aplicação prática no contexto familiar, bem como sobre o 164 uso da rotulagem de alimento ferramenta para a seleção de alimentos mais saudáveis. Finalmente, a terceira parte sistematiza o panorama epide- miológico brasileiro e traz os dados de consumo alimentar disponíveis no Brasil e as evidências científicas que fundamentaram as orientações do guia (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016). Com base na necessidade de atualizar regular- mente as recomendações sobre a AAS e levando em consideração as transformações sociais viven- ciadas pela sociedade brasileira que impactaram sobre suas condições de saúde e nutrição, fez-se necessária a revisão das recomendações a partir de 2011. Dessa forma, a segunda edição do guia passou por um processo de consulta pública, per- mitindo seu amplo debate por diversos setores da sociedade. A versão final foi publicada em 2014, sendo incluída como uma das metas do Plano Plu- rianual e do I Plano Nacional de Segurança Ali- mentar e Nutricional, ambos relativos ao período de 2012 a 2015 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2014). Contudo, essa última versão do guia intitulou- -se “Guia alimentar para a população brasileira” e está estruturada em cinco capítulos, sendo que o primeiro descreve os princípios que nortearam a elaboração do instrumento. O segundo capítu- lo enuncia quatro recomendações gerais para a construção de uma alimentação saudável e que são consistentes com os princípios orientadores do guia. O capítulo 3 traz orientações sobre a maneira de combinar alimentos na forma de re- feições. O capítulo 4 apresenta orientações sobre o ato de comer e a comensalidade, abordando as circunstâncias que influenciam o aproveitamento dos alimentos e o prazer proporcionado pela ali- mentação. O quinto e último capítulo examina fa- tores que podem ser obstáculos para a adesão das pessoas quanto às recomendações do guia e pro- põe, para sua superação, a combinação de ações no plano pessoal e familiar e no plano do exer- cício da cidadania. O guia ainda apresenta uma síntese das recomendações dos cinco capítulos na forma de “Dez passos para uma alimentação ade- quada e saudável” e uma seção final, em que são relacionadas sugestões de leituras adicionais que, organizadas por capítulos, aprofundam os temas abordados e discutidos ao longo do instrumento (PORTAL DA SAÚDE SUS, 2016). Ainda, conforme o Conselho Nacional de Se- gurança Alimentar e Nutricional, cabe destaque também à publicação de dois marcos de referência para políticas públicas intersetoriais, sendo eles o Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional e o Marco de Referência da Educação Popular, os quais apontam elementos importantes para as práticas promotoras de saúde e da AAS (CONSEA, 2015). Os Guias alimentares são instrumentos muito importantes para harmonizar as políticas e pro- gramas de agricultura, saúde e nutrição de acordo com as necessidades de suas populações. Eles for- necem orientações oficiais sobre os alimentos, os grupos de alimentos e os padrões alimentares que promovem a saúde e protegem contra enfermida- des, e estão dirigidas para as pessoas saudáveis de todas as idades e origens (FAO, 2014). Assim, o Guia Alimentar para a População Brasileira se constitui como instrumento para apoiar e incentivar práticas alimentares saudáveis no âmbito individual e coletivo, bem como para subsidiar políticas, programas e ações que visem a incentivar, apoiar, proteger e promover a saúde e a segurança alimentar e nutricional da população (CONSEA, 2015). UNICESUMAR UNIDADE 9 165 O segundo cérebro: nosso sistema nervoso entérico A rede de células nervosas que compõem a pa- rede intestinal é composta por 100 milhões de neurônios e passou a ser chamada de “segundo cérebro”, embora, tecnicamente, seja conhecida como sistema nervoso entérico. Além da grande quantidade de terminações nervosas, o sistema entérico tem ainda mais se- melhança com o cérebro em nosso crânio. O teci- do neural em nosso intestino produz mais de 30 neurotransmissores diferentes, que são moléculas sinalizadoras tipicamente associadas ao cérebro. Isso inclui a produção e o armazenamento de serotonina, o neurotransmissor conhecido como o “produto químico da felicidade”, devido ao seu papel na regulação do humor e do bem-estar. Uma grande gama de dendritos e axônios neu- ronais comunica o cérebro e nosso intestino, for- mando o nervo vago, o nervo craniano mais longo do organismo. O nervo vago trabalha como uma via de informação bidirecional, com o cérebro e o intestino enviando impulsos um para o outro em milissegundos. O nervo vago não é a única maneira de o sis- tema nervoso central e o sistema entérico se co- municarem. Nossos intestinos abrigam trilhões de micro-organismos que formam a microbiota intestinal. Eles vivem na camada de muco que reveste os intestinos, colocando-os em contato direto com as células nervosas e imunológicas, que são os principais sistemas de coleta de infor- mações de nosso corpo. Esta localização também prepara os micróbios para “ouvir” enquanto o cé- rebro sinaliza estresse, ansiedade ou até felicidade ao longo do nervo vago. DISBIOSE INTESTINAL: ETIOLOGIA E FATORES RELACIONADOS – o acúmulo de maus-tratos com a função intestinal afeta o equilíbrio da microbiota intestinal, fazendo com que as bactérias nocivas aumentem, configuran- do uma situação de risco (FELIPPE JR, 2004). Algumas destas bactérias podem colonizar o in- testino delgado, com consequências bem sérias como nutrientes digeridos de forma errada e a combinação de toxinas com proteínas, formando peptídeos perigosos (MATHAI, 2002). Esse pro- cesso é chamado disbiose, um distúrbio cada vez mais considerado no diagnóstico de várias doen- ças e caracterizado por uma disfunção colônica devido à alteração da microbiota intestinal, na qual ocorre predomínio das bactérias patogênicas sobre as bactérias benéficas. Esse termo foi popularizado no final do sé- culo XIX, na Europa. Levantam-se alguns fato- res que possivelmente podem ser atribuídos às causas dessa alteração da microbiota intestinal, entre os quais estão: o uso indiscriminado de antibióticos, que matam tanto as bactérias úteis como as nocivas e de anti-inflamatórios hor- monais e não hormonais; o abuso de laxantes; o consumo excessivo de alimentos processados em detrimento de alimentos crus; a excessi- va exposição a toxinas ambientais; as doenças consumptivas, como câncer e síndrome da imu- nodeficiência adquirida (AIDS); as disfunções hepatopancreáticas;o estresse e a diverticulose (SILVA, 2001). Considera também outros fatores que levam ao estado de disbiose, como a idade, o tempo de trânsito e pH intestinal, a disponibilidade de ma- terial fermentável e o estado imunológico do hos- pedeiro (CARVALHO, 2009). Um dos fatores que concorrem muito para esse desequilíbrio da mi- crobiota intestinal é a má digestão. Nem sempre o estômago está ácido o suficiente para destruir as bactérias patogênicas ingeridas junto com os alimentos, e assim as bactérias nocivas ganham uma boa vantagem sobre as úteis. 166 A fraca acidez estomacal é comum acontecer com as pessoas mais idosas, e ainda com os diabé- ticos, que costumam ter deficiência de produção de ácido clorídrico. A integridade intestinal está ligada a um equilíbrio das bactérias intestinais e à nutrição saudável de enterócitos e colonócitos, que são células da mucosa intestinal. Uma das principais funções da mucosa intestinal é sua atividade de barreira, que impede as moléculas ou microrganismos antigênicos ou patógenos de entrarem na circulação sistêmica. A mucosa gas- trintestinal é composta de células epiteliais que estão bem adaptadas, são finas e semipermeáveis, com junções firmes entre as células. Quando a mucosa é rompida, a permeabilidade intestinal pode ocorrer e as bactérias do intestino, alimen- to não digerido ou toxinas podem se translocar através desta barreira (BLOCH, 2002). A disbiose se torna um problema quando possibilita uma desproteção de barreira. Quan- do a microbiota está doente ou suscetível, fica um ambiente propício para o desenvolvimento de colônias de bactérias patogênicas e é aí que começam nossos problemas. Tanto as bactérias quanto simplesmente as toxinas produzidas por elas são prejudiciais, podendo cair na circulação sanguínea e gerar infecção em qualquer outra parte do corpo e até sepse. A constipação intestinal leva à presença no cólon de fezes putrefativas, gerando placas duras e ade- rentes na mucosa intestinal, que liberam toxinas para todo o organismo. Estas toxinas podem ser absorvidas pela pele, resultando em um quadro de urticária e acne, ou para as articulações, gerando quadros de inflamação e até mesmo lesões arti- culares como a artrite reumatoide. Outras altera- ções que afetam a válvula ileocecal, que separa o intestino delgado do grosso, também podem fazer com que isso aconteça (SILVA, 2001). Os indiví- duos que estão sempre às voltas com dificuldades intestinais têm grande possibilidade de estarem sofrendo desse distúrbio. Um sinal muito claro disso é a síndrome do có- lon irritável, em que o desequilíbrio da microbiota intestinal chega a ponto de impedir as funções normais do cólon, provocando diarreias constan- tes (ALMEIDA 2006). Pessoas com a síndrome do cólon irritável são aquelas extremamente sensí- veis, sempre prontas a responder mal a qualquer tipo de alimento. Embora a etiologia das doenças inflamatórias intestinais permaneça desconhe- cida, evidências sugerem que o desequilíbrio da microbiota intestinal seria o possível fator respon- sável pelo início, cronificação e recidivas destas doenças (BEYER, 2002). A microbiota do intestino é capaz de produzir importantes vitaminas para o organismo, como o complexo B. O estresse facilita a instalação de bactérias oportunistas que mandam para o cére- bro toxinas que inibem sua síntese. Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Disbiose In- testinal O diagnóstico deste distúrbio é realizado investi- gando história de constipação crônica, flatulência UNICESUMAR UNIDADE 9 167 e distensão abdominal; ainda sintomas associados como fadiga, depressão ou mudanças de humor; culturas bacterianas fecais. O tratamento da disbiose consiste em duas abordagens, uma dietética, por meio da ingestão de alimentos que contenham probióticos e/ ou prebióticos, e outra usando medicamentos, resolvendo assim a maioria dos casos (BORGES, 2001). Nos casos mais graves, é interessante ava- liar a necessidade de lavagem intestinal. O estresse também deve ser avaliado e tratado, por isso o consumo de alimentos funcionais faz par- te de importante tratamento e prevenção da doença. Os alimentos funcionais que estão relacionados à melhora e à manutenção da microbiota são os probióticos, os prebióticos e os simbióticos (REIS, 2003). Estudos trazem que as opções alimentares probióticas e prebióticas modulam positivamente a composição e a atividade da microbiota intestinal, com excelentes efeitos sobre a saúde, com o estí- mulo do sistema imunológico e o restabelecimento do equilíbrio destes microrganismos. Os avanços científicos sobre a ação e os efeitos dos probióticos e prebióticos têm fortalecido a relevância da utilização destes na dieta (MELO, 2004). Os probióticos se constituem de produ- tos lácteos, fermentados ou não, que apresentam em sua composição microrganismos vivos que promovem o equilíbrio da microbiota intestinal de indivíduos que os consomem (MELO, 2004). Esses microrganismos geralmente são provenien- tes de mono ou múltiplas culturas, representadas principalmente por Lactobacillus, Bifidobacte- rium, Enterococcus e Streptococcus (REIS, 2003). Os probióticos atuam no organismo princi- palmente ao inibir a colonização intestinal por bactérias patogênicas, podendo reduzi-las por produção de substâncias bactericidas, compe- tição por nutrientes e por adesão à mucosa in- testinal (BORGES, 2001). A validade de tais produtos refrigerados é de três a seis meses (COLLI, 2005). O termo prebióti- co é utilizado, diferentemente de probiótico, para designar ingredientes alimentares não digeríveis que beneficiam o hospedeiro por estimular sele- tivamente o crescimento e/ou a atividade de um número limitado de espécies bacterianas no có- lon, sendo capaz de alterar a microbiota colônica para uma microbiota bacteriana saudável (ANJO, 2004). São carboidratos complexos (considerados fibras), resistentes às ações das enzimas salivares e intestinais, não sendo digeridos e absorvidos no trato gastrintestinal e são fermentados por certas bactérias do cólon (BORGES, 2001). Em consequência, estimulam o crescimento de bifi- dobactérias e lactobacilos, modificando favora- velmente a composição da microbiota intestinal e/ou estimulando a atividade metabólica destas bactérias (COPPOLA, 2004). Os prebióticos alteram o trânsito intestinal, reduzindo metabólitos tóxicos, e previnem a diarreia e a obstipação intestinal, por alterarem a microbiota colônica (MELO, 2004). As bifidobactérias, ao lado dos lactobacilos, produzem e secretam bacteriocinas, substâncias antibacterianas que exercem efeito sobre a mi- crobiota patogênica (MELO, 2004). Os principais prebióticos são os fruto-oligossacarídeos (FOS) e a inulina (BORGES, 2001). Os FOS estimulam seletivamente o crescimento de bactérias bené- ficas, inclusive as bifidobactérias e Lactobacillus, reduzindo as bactérias patogênicas, tais como Salmonella e clostrídios no trato gastrintestinal (JORGE, 2005). A inulina, ao alcançar o cólon, mostra um efeito estimulante preferencial nos números de bifidobactérias, enquanto as popu- lações de bactérias patogênicas têm seu potencial relativamente baixo. A eficácia clínica dos FOS vem sendo demons- trada em vários estudos. A administração de 8g/ 168 dia de FOS a idosos, com idade média de 85 anos, por três semanas, promoveu aumento na contagem de bifidobactérias, redução da atividade fagocitária de granulócitos e monócitos (MELO, 2004). A combinação dos prebióticos com os probióticos forma os simbióticos, constituindo assim um fator multiplicativo no qual a ação é realizada com maior eficiência. Essa junção geralmente contém um componente prebiótico que favorece o efeito do probiótico associado (BRINGEL, 2006). Entre os alimentos simbióticos, pode-se exemplificar os que são compostos por: bifidobactérias com galacto-oligossacarídeo e com fruto-oligossacarídeo e o Lactobacillus com lactitol. Os simbióticos podem melhorara implantação e a sobrevivência de microrganismos ofertados, além de promover o equilíbrio dos microrganismos que compõem a microbiota, levando a efeitos benéficos para o orga- nismo hospedeiro. Os probióticos fazem parte de nossa alimentação diária e podem ser consumidos junto às refeições ou até isoladamente. Conceito Definição Probióticos Microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro. Prebióticos Ingredientes seletivamente fermentados que permitem mudanças es- pecíficas na composição e/ou atividade da microbiota gastrointestinal, conferindo assim benefícios à saúde do hospedeiro. Simbióticos Produtos que contêm tanto probióticos como prebióticos, que con- ferem benefícios à saúde. Bactérias ácido lácticas (BAL) Classificação funcional de bactérias fermentativas Gram positivas, não patogênicas não toxigênicas, associadas à produção de ácido láctico partir de carboidratos, e podendo ser usadas na fermentação de alimentos. Nesse grupo estão incluídas as espécies de Lactobacillus, Lactococcus e Streptococcus thermophilus. Muitos probióticos tam- bém são BAL, mas alguns probióticos (tais como certas cepas de E. coli, formadoras de esporos e fermentos usados como probióticos) não são. Fermentação Processo pelo qual um microrganismo transforma alimentos em ou- tros produtos, habitualmente através da produção de ácido láctico, etanol e outros produtos do metabolismo. Fonte: Diretrizes Mundiais da Organização Mundial de Gastroenterologia (2017) Na medida em que os simbióticos melhoram o bolo fecal, há diminuição da absorção de glicose e au- mento da eliminação de colesterol, ajudando a evitar doenças coronarianas. Os simbióticos também regeneram a mucosa intestinal, o que pode evitar a formação do câncer, e diminuir a incidência de infecções sistêmicas, graças à diminuição da translocação bacteriana (REIS, 2003). O tratamento dietoterápico na disbiose necessita invariavelmente de um processo de reeducação alimen- tar. A diminuição ou exclusão da carne vermelha é uma ótima medida de controle da sintomatologia, bem como a exclusão de laticínios, alimentos ultraprocessados e açúcar branco. Carboidratos simples ou redutores produzem maior fermentação no cólon intestinal. Se a absorção imperfeita no intestino delgado permitir que grandes quantidades de carboidrato e proteína atinjam o intestino grosso, a ação bacteriana pode levar à formação de gases em excesso ou subprodutos tóxicos que comprometem a microbiota intestinal sadia. UNICESUMAR UNIDADE 9 169 O consumo de grandes quantidades de lactose, especialmente por indivíduos com intolerância, e de açúcares pode causar flatulência e diarreia, pre- judicando também a microbiota (SILVA, 2001). A alimentação deve consistir em grande quantidade de alimentos que possuem FOS, presentes em compo- nentes naturais de vegetais, particularmente cenoura crua, couve-flor, repolho, cebola, alho e alho-poró, além de frutas e cereais. Para qualquer doença in- flamatória do trato intestinal é de vital importância alimentar-se corretamente (SILVA, 2001). Diarreia e a boa nutrição – Segundo a Or- ganização Mundial de Gastroenterologia (WGO), diarreia aguda é a passagem de uma quantidade maior do que o normal de fezes amolecidas, além do aumento do número de evacuações, que du- rem menos de 14 dias. Pode ser interpretada como um aumento na quantidade de água e eletrólitos nas fezes, levando à produção frequente de fezes double. É esse comprometimento no equilíbrio entre reabsorção e secreção pela mucosa intestinal que leva à liquidificação das fezes. As causas da diarreia aguda podem ser bac- terianas, virais, parasitárias e não infecciosas. As mais comuns são provocadas por E. coli e o pela bactéria da cólera (Vibrio cholerae) e causam o quadro sem invadir o peritônio, somente através da produção de enterotoxinas, que induzem à secreção de fluidos. Apesar de menos comuns, alguns casos são por microrganismos invasivos. Estes penetram o epité- lio intestinal, resultando em distúrbio inflamatório. O melhor exemplo é o da infecção por Shigella. OSTEOPENIA E OSTEOPOROSE – A osteoporose é uma doença que causa a porosi- dade ou adelgaçamento (redução de quantidade de massa dos ossos), que pode atingir qualquer pessoa, dentre elas os mais atingidos são os idosos. A osteopenia é a fase precursora da osteoporose e pode iniciar na vida jovem, por fatores genéticos ou ainda ambientais. Seu risco é maior quando ocorre uma combinação de fatores, que inclui hereditariedade, etnia, sexo feminino, peso baixo, uso de acentuado de álcool e nas deficiências de cálcio e vitamina D. A osteoporose pode ser definida por apresen- tar fases primária e secundária. Na classificação primária, a osteoporose se subdivide em tipo I e é causada pela deficiência de estrogênio comum do climatério (menopausa), com isso ocorre um decréscimo da DMO (densi- dade mineral óssea) em torno de 3% a 5% ao ano. A primária ainda se subdivide em tipo II que é conhecida como senil e atinge tanto os ossos corti- cais como trabeculares tendo maior incidência sobre o colo do fêmur nesse tipo a perca de DMO ocorrem em torno de 1% ao ano (PINTO NETO, 2002). A fase secundária da osteoporose geralmente é causada pela ingestão de medicamentos, como os corticoides e diuréticos ou também podem ser causados pelas patologias como diabetes, cirro- se, úlcera gástrica, artrite reumatoide, hiperpa- ratireoidismo, ou até mesmo pelo o consumo de bebidas alcoólicas, cafeína, má nutrição e seden- tarismo (PINTO NETO, 2002). A doença ocorre pela má alimentação que causa a falta de cálcio no organismo, isso devido ao fato de que a fase em que mais absorvemos cálcio é de 10 a 16 anos, a partir disto a absorção diminui, e por volta dos 40 anos começa a perda óssea e continua pelo resto da vida. Aos 80 anos, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens terão fratura resultante de osteoporose. A prevenção através de uma dieta saudável é fundamental no combate à osteoporose, pois o reconhecimento de uma vida sadia depende da nutrição. A prevenção pode-se tornar eficaz com o consumo diário de cálcio e de vitamina D, bem como exposição segura ao sol, nas primeiras horas da manhã com uso de filtro solar adequado. 170 A melhor solução para minimizar a deficiência de cálcio, seria uma mudança nos hábitos alimen- tares, incluindo alimentos, tais como leite e seus derivados na alimentação e curtir o dia lá fora! Como o cálcio concorre com o ferro no sítio absortivo intestinal, recomenda-se o consumo fora do horário das grandes refeições, sendo um mineral de grande importância para cada uma das células do nosso corpo, inclusive para o coração, nervos e músculos. Outro mineral tão importante quanto o cálcio é o fósforo, pois quando os níveis de fósforo no soro estão baixos, acaba ocorrendo uma retirada de fosfato da matriz óssea, o que pode prejudicar a estru- tura óssea e sua função. Sem dúvida o ser humano depende de diversas funções da microbiota intestinal para ter saúde e equilíbrio no trato digestório. Diversos são os fatores que influenciam uma maior proliferação de bactérias maléficas ou benéficas ao longo do trato gastrointestinal, ocasionando o que chamamos de disbiose. A disbiose por sua vez ocasiona uma diversidade de doenças no organismo, como por exemplo: constipação, diarreia, flatulências, dentre outras. Quantos pacientes nossos têm essas queixas e nem sabem que podemos ajudá-los? Fonte: Carvalho (2009). UNICESUMAR UNIDADE 9 171 Nutrição funcional: abordagem que leva em conta fatores genéticos, ambientais e bioquímicos individuais antes de indicar os melhores alimentos ou estratégia de alimentação a um paciente. Osteopenia: perda de massa nos ossos que ocorre de forma gradual. Esse estado pode levar a situações mais graves, como a osteoporose. PNAN: A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), aprovada no ano de 1999, integraos esforços do Estado Brasileiro que, por meio de um conjunto de políticas públicas, propõe respeitar, proteger, promover e prover os direitos humanos à saúde e à alimentação. A medicina sabe menos da saúde de seu intestino do que do funcio- namento do seu cérebro. Sim. As patologias intestinais são muitas e diferem pouco fisiologicamente, dificultando seu diagnóstico certeiro. Assim foi criada a expressão disbiose. Você percebe um desequilíbrio em sua digestão? Sente seu abdome inchado e não sabe de onde veio isso? Clica aí no Podcast para sua vida intestinal e de seus pacientes melhorarem desde hoje! REALIDADE AUMENTADA Transcrição do RNA na Produção de Proteínas O mapeamento genético realizado no Projeto Genoma Humano foi crucial no fornecimento de ferramentas e informações acerca dos aspectos genéticos. O conheci- mento da comunicação entre os genes e os compostos dos alimentos, como os nutrientes e os compostos bioa- tivos possibilitou o surgimento de duas novas ciências, denominadas nutrigenômica e nutrigenética. A nutrigenômica se refere ao estudo de como tais compostos atuam na modulação da expressão gênica, enquanto a nutrigenética estuda o efeito da variação genética na interação entre dieta e doença, com a iden- tificação dos genes responsáveis por diferentes respostas para com a dieta. Através da alimentação, conseguimos modular que proteínas serão produzidas a partir de estímulos quími- cos. Isso abre um leque incrível de possibilidades. Pro- teína para crescimento muscular? Maior imunidade? Combate ao câncer? Preservação da juventude? Com a nutrigenômica algumas escolhas são possíveis. Clica aí! https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11621 172 Título: Nutrigenômica e nutrigenética. Na pílula de hoje vamos falar de nutrigenômica e nutrigenética. Concei- tos relativamente novos sobre assuntos muitas vezes só discutidos na Pós-graduação, mas aqui quando falamos de nutrição funcional é muito importante que você tenha conhecimento sobre esse terreno que só cresce na nutrição personalizada. Título: O Cérebro Desconhecido Autor: Helion Póvoa Editora: Objetiva Sinopse: o intestino produz nada menos que 90% da substância responsável pela nossa sensação de bem-estar, a serotonina. E como não há felicidade sem saúde, o intestino concentra também 80% do potencial de imunidade do corpo humano, além de ser grande produtor de hormônio de crescimen- to, um verdadeiro coringa no combate aos sintomas do envelhecimento. Desde o século XIX, o intestino é reconhecido como órgão autônomo, capaz de executar funções independentemente de estar conectado ao sistema nervoso central. Teorias científicas acreditam que o homem, durante o seu longo processo de evolução, desenvolveu dois cérebros: um na cabeça (que lhe permitia encontrar meios de sobrevivência e garantir a reprodução da espécie) e o intestino, que ficaria responsável pelos processos vitais de digerir e absorver alimentos. Em O cérebro desconhecido, o doutor Helion Póvoa revela as incríveis potencialidades terapêuticas desse órgão, cuja importância vem sendo resgatada pelos médicos nas últimas décadas. UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15430 UNIDADE 9 173 Título: ALIMENTOS funcionais e compostos bioativos. Editora: Manole. Sinopse: a obra Alimentos funcionais e compostos bioativos foi desen- volvida sob perspectiva interdisciplinar, contemplando diferentes áreas do conhecimento – Alimentação, Nutrição, Saúde, Tecnologia, Mercado, Tendências, Sustentabilidade e Gastronomia – e está dividida em quatro partes: • Princípios gerais, apresentando histórico, conceitos, classificação e importância dos compostos bioativos em alimentos funcionais; • Grupos de alimentos e seus compostos bioativos, com capítulos que contemplam os grupos alimentares e seus principais compostos bioativos, como fibras, antioxidantes, peptídeos bioativos, probióticos, isoflavonas, entre outros; • Benefícios à saúde dos compostos bioativos e alimentos funcionais, trazendo temas como cognição, saúde cardiovascular, saúde óssea, diabetes, imunidade etc.; e • Outros aspectos, abordando questões regulatórias, meio ambiente, tendências e gastronomia funcional. O livro apresenta os mais recentes conteúdos sobre o assunto e disponibiliza à socieda- de o conhecimento científico resultante de experiências, estudos e pesquisas desenvolvidos por seus principais especialistas. Trata-se de referência para acadêmicos e profissionais de Nutrição, Alimentação e das demais áreas da Saúde, que se preocupam com a melhoria da qualidade de vida e do cenário epidemiológico nutricional do país. Título: Para Sempre Alice Ano: 2014 Sinopse: a única prevenção possível para o Alzheimer, e para tantas ou- tras doenças e perdas na vida, é o cuidado e a dedicação às pessoas no presente. O filme mostra que o Mal de Alzheimer faz com que até nossos mais profundos sentimentos por alguém sejam esquecidos e deletados de nossa lembrança. As pessoas só comem aquilo que a nutri indica? Não. É inegável a importância de ações de edu- cação nutricional em todos os programas de saúde, pois esta está inserida na educação em saúde, que tem por finalidade a formação de atitudes e práticas conducentes à saúde. O nutricionista é o profissional perfeito para ir a campo, ajudar pessoas e famílias a buscarem alimentação mais saudável e ainda buscar significação nas escolhas alimentares que fazem. 174 4 Alimentos ou Compostos Bioativos Comprovadamente Funcionais 175 1. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é considerado um dos maiores progra- mas na área de alimentação escolar no mundo. Uma das principais diretrizes do Programa é o oferecimento de uma alimentação saudável e adequada no âmbito escolar, executada por meio de cardápios elaborados pelo nutricionista responsável, que, no seu planejamento, de- verá seguir orientações descritas na Lei n° 11.947/2009, que regulamenta o Programa. BRASIL. Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Resolução n° 26, de 17 de junho de 2013. Brasília, 2013 (adaptada). Com base na regulamentação instrutiva para elaboração do cardápio do PNAE, avalie as afirmações a seguir. I) A prescrição de alimentos básicos da cultura brasileira e pauta-se tanto na sustentabilidade e diversificação agrícola da região do Brasil, quanto na alimentação saudável e adequada. II) A compra de insumos alimentares para atender o PNAE deve ser feita, sempre que possível, no mesmo estado em que se localizam as escolas. III) Do total do repasse pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), no âmbito do PNAE, no mínimo, 30% deverão ser alocados na compra de alimentos provenientes do pequeno produtor rural e da agricultura familiar ou de suas organizações, independente da origem do agricultor. IV) A observância do percentual de compra de alimentos oriundos da agricultura familiar poderá ser dispensada quando não for impossível a emissão de nota fiscal; em caso de impossibili- dade de fornecimento regular e constante dos produtos e quando estes não estiverem em condições higiênico-sanitárias adequadas. É correto apenas o que se afirma em: a) I e II. b) II e III. c) III e IV. d) I, II e IV. e) I, III e IV. 176 2. Apesar de um equilíbrio no microbioma estar relacionado à saúde, um desequilíbrio no mi- crobioma ou disbiose está relacionado a vários problemas de saúde no trato gastrointestinal, como diarreia e doença inflamatória intestinal, e fora do trato gastrointestinal, como obesidade e alergia. Sobre probióticos podemos considerar incorreto: a) Apesar de a regulamentação estar aumentando, ainda são necessárias definições mais ri- gorosas. As evidências de benefícios clínicos estão aumentando, apesar de ainda estarem ausentes em várias áreas. O uso inadequado e a utilização de produtos não validados cons- tituem possíveis desvantagens. b) Mais ensaios clínicos controlados e randomizados publicados com o uso deprobióticos são condições necessárias para aumentar a credibilidade do uso desses produtos. c) Atualmente, os Lactobacillus rhamnosus GG e os Saccharomyces boulardii são bactérias muito estudadas para esse fim. d) O uso de probióticos não está indicado nas diarreias agudas, como também uso de soro de reidratação oral. e) Cada dia mais há publicações e estudos crescentes sobre relação entre microbiota intestinal, desequilíbrio da microbiota e doenças gastrointestinais. 3. Uma idosa de 73 anos apresenta diagnóstico de osteopenia e tem um receituário de suple- mentação de cálcio e vitamina D. A rotina alimentar dela é fracionada em cinco refeições, e as principais são ricas em alimentos-fontes de ferro. Qual é o melhor horário para a idosa fazer uso da suplementação? a) 30 minutos antes do almoço e (ou) jantar. b) Junto com as grandes refeições para evitar azia. c) Imediatamente antes do almoço e (ou) jantar. d) 120 minutos antes ou depois de almoço e jantar. e) 45 minutos antes ou depois de almoço e jantar. 177 UNIDADE 1 ASSEMBLEIA GERAL DA ONU. (1948). Declaração Universal dos Direitos Humanos (217 [III] A). Paris. Retirado de: http://www.un.org/en/universal-declaration-human-rights/. BARROS, D. C. Bases para o diagnóstico nutricional. In: BARROS, D. C.; SILVA, D. O.; GUGELMIN, S. Â. (orgs.). Vigilância alimentar e nutricional para a saúde Indígena [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2007, pp. 18-31. Vol. 2. Available from: doi: 10.7476/9788575415894.0003. Also available in ePUB from: http://books.scielo.org/id/c9fjf/epub/barros-9788575415894.epub. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. 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