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Câncer de pâncreas Amanda Vitória Tourinho Cristiano Nunes Daianny Brandão Suammy Oliveira Maciel Thiago Ponce Monteiro Viktoria Miranda Castro José Victor Casas Julia Marjorie Pires Renato Melo da Silva 01 1. Introdução 2. Epidemiologia 3. Tipos de neoplasias pancreáticas 4. Fisiopatologia 5. Fatores de risco 6. Manifestações clínicas 7. Diagnóstico 8. Rastreamento e estadiamento 9. Tratamentos 10. Caso clínico 11. Referências Sumário 02 Funções tanto endócrinas como exócrinas; Exócrina: secreta diversas enzimas envolvidas na digestão. Endócrina: homeostase da glicose. Ilhotas pancreáticas (de Langerhans) Introdução1 03 Introdução1 04 Órgão retroperitoneal. É dividido em quatro partes principais: cabeça, colo, corpo e cauda. Divisão baseada nas relações anatômicas. Introdução1 05 Irrigação do Pâncreas: Introdução1 06 Drenagem Venosa: Introdução1 07 Drenagem Linfática: Fonte: Moore, 8° edição Introdução1 08 Histologia: Componente exócrino: várias células arranjadas em ácinos serosos. Componente endócrino: as ilhotas pancreáticas (ou de Langerhans); Células Alfa (glucagon) e Beta (insulina). Fonte: Fisiologia das Ilhotas de Langerhans. Guyton et al.Fisiologia Médica, 2012. Epidemiologia2 Mundial Câncer de Pâncreas é a 14ª neoplasia mais comum 7ª causa de mortalidade relacionada ao câncer no mundo Tipo mais comum: Adenocarcinoma do pâncreas (90%) Localização mais comum: Cabeça do pâncreas (80%) Perfil epidemiológico mais comum: Homens, com pico de casos aos 55 anos Fonte: World Cancer Research Fund Internacional 09 Epidemiologia2 Brasil Responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer (INCA) 4% do total de mortes por câncer no Brasil (INCA) 95% são do tipo histológico adenocarcinoma 80% dos casos diagnosticados não podem ser submetidos à procedimentos cirúrgicos Fonte: DATASUS 2020 2021 2022 2023 10 Epidemiologia2 Região Norte Tabela criada com os dados da “Estimativa 2023 – Incidência de Câncer no Brasil” INCA 11 Tipos de neoplasias3 ADP ADP 12 Tipos de neoplasias3 Crianças de 1-15 anos; Estimativas de sobrevida melhor do as do adenocarcinoma ductal pancreático (ADP). Pancreatoblastomas: Carcinoma de células acinares (CCA): Suemitsu et al. (2021) González et al. (2009) Tumor extremamente raro e agressivo; Neoplasia epitelial maligna; Hipersecretam enzimas exócrinas. 13 Tipos de neoplasias Inteiramente benignas; 60-70 anos e em mulheres; Diversos cistos pequenos (1-3mm), ricos em glicogênio. 3 Neoplasias císticas do pâncreas: Neoplasia Cística Serosa (NCS) Neoplasia Cística Mucinosa (NCM) Mulheres jovens e de meia-idade; Acomete mais o corpo e cauda; Sintomas inespecíficos; Macrocisto solitário contendo mucina. Kummar, Abbas, Aster (2016)Kummar, Abbas, Aster (2016) Dr. Eduardo Ramos (2018) Dr. Eduardo Ramos (2018) 14 Tipos de neoplasias Neoplasia Mucinosa Papilar Intraductal (NMPI) 3 Neoplasias produtoras de mucina que comprometem grandes ductos; 60-70 anos e sexo masculino; Amplo espectro de alterações epiteliais. Neoplasias císticas do pâncreas: NMPI de Ramo Lateral Sahani et al. (2009) 16 Tipos de neoplasias Neoplasia Mucinosa Papilar Intraductal (NMPI) 3 Neoplasias císticas do pâncreas: NMPI de Ducto Principal Neoplasias produtoras de mucina que comprometem grandes ductos; 60-70 anos e sexo masculino; Amplo espectro de alterações epiteliais. Sahani et al. (2009) 17 Tipos de neoplasias Neoplasia Mucinosa Papilar Intraductal (NMPI) 3 Neoplasias císticas do pâncreas: NMPI mista Neoplasias produtoras de mucina que comprometem grandes ductos; 60-70 anos e sexo masculino; Amplo espectro de alterações epiteliais. Sahani et al. (2009) 18 Tipos de neoplasias3 Instituto Gastrovale (2018) Em resumo: 19 Tipos de neoplasias3 Adenocarcinoma ductal infiltrante do pâncreas; 90% das maliginidades são decorrentes das células ductais; Sobrevida de 5 anos em <5% dos pacientes. Adenocarcinoma de pâncreas: Anatpat-UNICAMP Felipegastro (2019) 20 Fisiopatologia4 PanIN: neoplasia intraepitelial pancreática IPMN: neoplasias papilares intraductais mucinosas MCN: neoplasia cística mucinosa 21 Lesões pré-neoplásicas Os principais genes: Proto-oncogene: KRAS Genes supressores tumorais: CDKN2A, TP53 e SMAD4. Fisiopatologia4 Fonte: Robbins, 8ed. Fonte: STOCK, MIREILLE . 22 Fisiopatologia4 Fonte: Anatpat-UNICAMP 23 Aspectos histopatológicos Tumores são altamente invasivos (tecidos peripancreáticos) e provocam uma reação desmoplásica (reação de fibrose intensa); Pode acometer os nervos e invadir o retroperitônio, além de outros órgãos. Invasão de linfonodos regionais. Fisiopatologia4 Aspectos histopatológicos Macroscopia Microscopia Os carcinomas do pâncreas são geralmente rígidos, branco acinzentados, estrelados e com massa mal definida. Estruturas tubulares abortivas ou um aglomerado de células. As glândulas malignas são irregulares e revestidas por células epiteliais cubóides e/ou colunares. Fonte: Robbins, 8ed. 24 Tabaco/ tabagismo ( 25%) Obesidade - IMC > 30 (20%) Diabetes Tipo 2 Pancreatite crônica Irradiação prévia Exposição a solventes e pesticidas. Fatores de risco5 Fonte: InfoMoney Fonte: Jornal Brasília Fonte: Planos de Saúde Fatores de risco modificáveis: Diabetes Tipo 1 Sendentarismo Álcool Infecções (Hepatite B e C) Indiretos/ incertos:: 25 Idade - 60-80 anos Homens 2:1 Negros 2:1 Hereditariedade e genética: 10% Pancreatite hereditária (Alteração genética) Fatores de risco5 Fatores de risco não modificáveis: 26Fonte: MDPI Manifestações clínicas Adenocarcinoma Ductal da Cabeça do Pâncreas: Tríade clássica: perda de peso, dor abdominal e icterícia com padrão colestático Síndrome colestática 6 Fonte: Dr.Eduardo Ramos 27 Manifestações clínicas Adenocarcinoma Ductal da Cabeça do Pâncreas: Exame físico: Sinal de Courvoisier-Terrier1. Síndrome de Trousseau2. Nódulo de Virchow3. Prateleira de Blummer4. Nódulo de irmã Maria José5. Ascite6. Massa palpável no abdome 7. 6 Fonte: Revista Chilena de Cirurgia Nódulo de Virchow Fonte: Stanford Medicine Nódulo de Irmã Maria José Ascite Fonte: CUREMESSES SINAIS INDICAM DOENÇA AVANÇADA - METÁSTASE À DISTÂNCIA 28 Manifestações clínicas Neoplasia Cística Mucinosa: Dor abdominal vaga História de pancreatite Neoplasia Mucinosa Papilar Intraductal (NMPI): Neoplasia Mucinosa Papilar Intraductal de Ramo Lateral: Sinais clínicos de pancreatite Sinais clínicos de icterícia Neoplasia Mucinosa Papilar Intraductal do Ducto Principal: Dor abdominal Pancreatite aguda 6 29 Diagnóstico7 Função Hepática: BD, TGO, TGP, FA, GGT Amilase e lipase séricas CEA(Antígeno Carcinoembrionário) CA 19-9 Exames Laboratoriais Fonte: Aphysio 30 Diagnóstico7 Ultrassom de ABD Avaliar vias biliares Fonte: USP Identificar massas >3 cm na cabeça do Pâncreas 31 Diagnóstico7 TC ABD C/ CONTRASTE 1ª Escolha, caso ICTERÍCIA com suspeita de CA de pâncreas Avaliar localização do tumor Estadiamento Orientação da conduta cirúrgica. Fonte: USP 32 Diagnóstico7 Fonte: USP TC ABD C/ CONTRASTE 33 Diagnóstico Ressonância Magnética Vantagens semelhantes a TC Angioressonância 7 Avaliar a ressecabilidade do tumor 34 Diagnóstico7 PET SCAN Tumores pancreáticos menores, não detectados por TC e RM. Sensibilidade e especificidade (Em estudos) Fonte: Nuclear Oncology 35 Diagnóstico7 TC inconclusiva LAPAROSCOPIA DIAGNÓSTICA Suspeita de Tumor irresecável 36 Diagnóstico7 CPRE Sinal do duplo ducto (Achado sugetivo de neoplasia) Tratamento paliativo de coledocolitíase associada (stent). USG Endoscópica Histopatologia 37 Fonte: Sanar 8 Rastreamento: Segunda a OMS não é feito rastreamento para o público geral. Em alguns casos com forte recorrência na família. Estadiamento TNM: Rastreamento e estadiamento 38 8 Grau do Tumor Grau 1 (G1) Muito diferenciado (Apresenta semelhança com a célula do pâncreas). Grau 2 (G2) está entre o grau 1 e 3. Grau3 (G3) significa o tecido é pouco diferenciado (Diferente das células pancreática). Rastreamento e estadiamento 39 Tratamento9 Dividido em: tratamento para tumores ressecáveis e tumores irressecáveis. Tumores ressecáveis: Contraindicações: 》Metástases extra-abdominais; 》Oclusão da Artéria Mesentérica Superior pelo tumor; 》Afecção de outras estruturas; 》Impossibilidade de reconstrução da VMS ou VP acometida. Pancreatoduodenectomia (Cirurgia de Whipple);1. Pancreatectomia subtotal distal.2. Fonte: Canva 15% a 20% dos casos diagnosticados Duas abordagens cirúrgicas: 40 Tratamento9 Tumores ressecáveis: Pancreatoduodenectomia (Cirurgia de Whipple) Fonte: Sanar Procedimento realizado para tumores de cabeça de Pâncreas. Agressiva e com diversas consequências. (Dumping, gastrite e úlcera) 41 Tratamento9 Tumores ressecáveis: Fonte: Sanar Pancreatoduodenectomia (Cirurgia de Whipple) Linfadenectomia Regional; Linfonodos dos sítios: 5, 6, 8a, 12b1, 12b2, 12c, 13a, 13b, 14a, 14b, 17a e 17b. 42 Tratamento9 Tumores ressecáveis: Pancreatectomia subtotal distal Fonte: Gastrointestinal, Bariatric & Metabolic center Procedimento realizado para tumores de corpo e cauda de Pâncreas 43 Tratamento9 Tumores ressecáveis: Pancreatectomia subtotal distal Fonte: Sanar Linfadenectomia Regional Linfonodos dos sítios: 10, 11 e 18. 44 Tratamento9 Tumores ressecáveis: Tratamento adjuvante: após a ressecção. 》Efetividade na sobrevida dos pacientes; 》Gencitabina com sobrevida de 23 meses. Tratamento neoadjuvante: antes da ressecção. 》Resposta promissora. (Tratamento precoce de micrometástases, diminuição de linfonodos acometidos...) Fonte: Canva 45 Tratamento9 Tumores irressecáveis: 80-85% dos casos; Tratamentos paliativos: - Impossibilidade de tratamento cirúrgico Tratamento sintomático. DOR Obstrução Biliar Obstrução Gástrica Suplementação de enzimas Quimioterapia paliativa Opioides Drenagem da via biliar Colocação de Stent endoscópico Colocação de Stent endoscópico na região distal do estômago Uso de cápsulas de enzimas pancreática porcinas Melhora dos sintomas sistêmicos (FOLFIRINOX) 46 Caso clínico10 E.B.C., homem, 52 anos. Em novembro de 2018, apresentou quadro de dor abdominal difusa, porém mais proeminente em epigástrio do tipo rasgadura, intensidade 7/10, intermitente, com piora após refeições, associada a náuseas. Procurou atendimento médico no PS, onde foi encontrada cardiomegalia e arritmia, com persistência do quadro abdominal, manejada ao uso de Tramadol. Foi encaminhado ao Francisca Mendes para tratar as questões cardíacas, com persistência do quadro abdominal. Em março de 2020, procurou gastroenterologista para investigação, sem diagnóstico. Procurou o Delphina devido crise de dor abdominal, realizou exames, onde foi diagnosticado com câncer de pâncreas e hiperplasia prostática. Relata perda ponderal de 33 Kg desde o início dos sintomas. Nega disfagia, febre, fadiga, cefaleia, icterícia, astenia. No dia da visita, referia dificuldade para defecar, porém a coloração das fezes apresentava-se normal. Data da visita: 30 de maio de 2023 47 Caso clínico10 Exame físico: abdome globoso, doloroso à palpação superficial, nódulos palpáveis em flanco esquerdo, equimoses próximas à região umbilical (devido à administração de Enoxaparina), sinal de Piparote negativo. Hábitos: Fumante Ex-etilista (parou quando começou os sintomas) Alimentação copiosa 48 Caso clínico10 Exames laboratorais: 49 Função Hepática: normal. Sem sinal de colestase. Amilase e lipase pancreática: normal. CA 19-9: >1000 U/mL (valor de referência: inferior a 37 U/mL) CEA: 34,5 ng/mL (5x o valor de referência) Exame de Imagem: Tumor de pâncreas corpo caudal, sem alterações nas estruturas adjacentes. Caso clínico10 O paciente teve difícil indução anestésica, porque era etilista. Durante a cirurgia foi acompanhado de perto pelo anestesista devido as arritmias. Foi decidido fazer laparotomia convencional devido a falta de material para videolaparoscopia. Foi encontrado metástase no fígado (2 massas) e colelitíase. O tumor da cabeça do pâncreas tinha comprometido o tronco celíaco, que o classificou como irressecável, foi feita PAAF da massa tumoral e encaminhado para cuidados paliativos. Foi feita colecistectomia e excisão das massas no fígado. A anestesista pediu para acelerar o procedimento porque o paciente era difícil de manter sedado. Procedimento cirúrgico: 50 Caso clínico10 Colecistectomia Vesícula biliar com cálculos Massas tumorais (fígado) 51 Referências bibliográficas 52 SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica moderna. 18.ed. Saunders. Elsevier. KUMMAR, Vinay; ABBAS, Abul; ASTER, Jon. Robbins & Contran Patologia: Bases patológicas das doenças. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. WALCHER, Ana Laura Gehlen. Carcinoma de Células Acinares de Pâncreas em Paciente de 9 anos: Relato de Caso. Revista da AMRIGS, v. 66, n. 3, p. 872-875, jul/set. 2022. Acesso em 05 de agosto de 2023. Disponível em: <https://pesquisa.bvsalud.org/portal/ resource /pt/biblio-1425058>. INCA, Estimativa 2023 - Incidência de Câncer, disponível em: https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/estimativa-2023-incidencia-de-cancer-no-brasil McGuigan A et al. Pancreatic cancer: A review of clinical diagnosis, epidemiology, treatment and outcomes. World J Gastroenterol 2018 November 21; 24(43): 4846- 4861. Referências bibliográficas 53 Castillo, C.F., Jimenez R.E. Overview of surgery in the treatment of exocrine pancreatic cancer. Mar 2019 Bavaresco AP, Pacheco EO, Torres US, D'Ippolito G. ADENOCARCINOMA DUCTAL PANCREÁTICO ISOVASCULAR: COMO ENXERGAR O QUE NÃO CONSEGUIMOS VER. CBR Bradcases, v. 2, n. 1, 2023. Disponível em: http://brad.org.br/article/4327/pt-BR/adenocarcinoma-ductal-pancreatico- isovascular--como-enxergar-o-que-nao-conseguimos-ver. Acesso em: 11/08/2023 Porta M, Fabregat X, Malats N, et al. Exocrine pancreatic cancer: symptoms at presentation and their relation to tumour site and stage. Clin Transl Oncol 2005; 7:189. Holly EA, Chaliha I, Bracci PM, Gautam M. Signs and symptoms of pancreatic cancer: a population- based case-control study in the San Francisco Bay area. Clin Gastroenterol Hepatol 2004; 2:510. Brand R. The diagnosis of pancreatic cancer. Cancer J 2001; 7:287.