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A pediatria é o ramo da medicina que se especializa na saúde e nas doenças das crianças. Trata-se de uma especialidade médica que se centra nos pacientes desde o momento do nascimento até à adolescência, sem que exista um limite preciso que determine o final da sua validez. A medicina do adolescente também conhecida como medicina do adolescente e do adulto jovem é uma subespecialidade médica que se concentra no cuidado de pacientes que estão no período de desenvolvimento da adolescência. Este período começa na puberdade e dura até o crescimento parar, quando começa a idade adulta. Qual a diferença entre pediatra e hebiatra? O médico PEDIATRA é o especialista que se dedica à assistência da criança e do adolescente, nos seus diversos aspectos, preventivos ou curativos! O médico HEBIATRA é o pediatra que tem uma segunda especialização, destinada especificamente aos cuidados dos adolescentes. Todas crianças devem ser amparadas por direitos fundamentais destinados a garantir sua proteção e pleno desenvolvimento como indivíduos. Para isso, a criança deve ser considerada como prioridade e deve ter acesso a direitos como: saúde, alimentação, educação, dignidade, segurança, bem- estar e convívio familiar e social. Os princípios que são a base dos direitos das crianças foram definidos na Declaração Universal dos Direitos das Crianças, aprovada pelas Nações Unidas no ano de 1959. Reforçam a ideia de que as medidas de proteção devem priorizar os interesses e necessidades das crianças. Conheça um pouco mais sobre cada um deles: 1. Todas as crianças devem ter seus direitos garantidos. Este primeiro princípio assegura que todas crianças devem receber assistência e garantia dos direitos determinados pelas Nações Unidas, com base na Declaração Universal dos Direitos da Criança. Determina que isso deve acontecer independentemente de qualquer tipo de discriminação (como cor, sexo, etnia, nacionalidade, opinião política, condição financeira ou religião). Isto é, as crianças devem ter seus direitos garantidos, livres das consequências de qualquer ato de exclusão. 2. A criança será protegida e terá direito ao pleno desenvolvimento. Este princípio menciona o direito de proteção especial da criança para garantir seu "desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social". Ela deve ser mantida segura e ter acesso a oportunidades e serviços que possam ajudá-la em seu processo de desenvolvimento como ser humano. Além disso, o princípio estabelece que estes serviços devem ser determinados por leis e oferecidos em condições que possibilitem liberdade e ambiente digno para as crianças. 3. Crianças têm direito a nome e nacionalidade. Este princípio garante que toda as crianças, desde o momento de seu nascimento, têm direito a receber um nome e a atribuição de uma nacionalidade. Tanto o registro do nome, como a alegação da nacionalidade, são responsabilidade dos pais ou dos responsáveis legais pela criança. 4. Toda criança tem direito à alimentação, lazer e assistência médica. Este princípio assegura que a toda criança tem direito à assistência da Previdência Social, além de boa alimentação, moradia, lazer e cuidados médicos adequados, pois são indispensáveis ao desenvolvimento saudável e digno. Estes direitos de assistência valem tanto para criança, quanto para mãe, inclusive durante e após a gestação, como nos casos de realização de exames pré-natal e prestação de acompanhamento após o parto. 5. Toda criança portadora de necessidades especiais terá direito a atendimento adequado. Este princípio é voltado para que as necessidades de crianças que tenham alguma necessidade especial ou dificuldade sejam atendidas. Elas têm direito a cuidados e acesso a tratamentos adequados, além de ter direito à educação. As crianças que sofrem algum tipo de dificuldade social por suas necessidades especiais devem ter acesso a oportunidades para que possam ser incluídas na sociedade, levando-se em conta as particularidades da situação de cada uma. 6. Toda criança precisa de amor e compreensão. O princípio menciona que toda criança precisa e deve receber amor e compreensão tanto por parte dos pais, dos seus responsáveis e da sociedade. Por estar em fase de desenvolvimento, a criança necessita dessa atenção especial para que ela cresça de maneira plena e harmoniosa, sentindo-se segura e com o amparo necessário dos pais e responsáveis. Esse princípio também determina que, em regra, crianças não devem ser separadas de suas mães, o que deve acontecer apenas em situações de exceção. 7. Toda criança tem direito a receber educação. Este princípio aborda a garantia do direito à educação e ao lazer infantil. Determina que a educação oferecida deve ser gratuita, no mínimo nos graus iniciais. O principal objetivo é garantir a igualdade de acesso e de oportunidades educativas para todas as crianças. A educação oferecida deve cumprir requisitos que permitam o desenvolvimento de suas aptidões e de sua cultura, além de estimular o senso crítico e as responsabilidades. A criança deve ser exposta a ensinamentos e aprendizados através de dinâmicas lúdicas, voltadas à sua idade e nível de aprendizado. 8. A criança deve ser a primeira a receber proteção. Este princípio estabelece o direito da criança de receber proteção e socorro em primeiro lugar (em acidentes, desastres ou calamidades, por exemplo). Isso significa que, em quaisquer situações que representem risco, as crianças devem ser as primeiras pessoas protegidas. 9. As crianças devem ser protegidas de crueldade e exploração. Neste princípio existe a garantia de que crianças devem ser protegidas contra qualquer tipo de abandono ou de exploração, como acontece em casos de exploração do trabalho infantil. Crianças não podem ser forçadas a fazer qualquer trabalho ou atividade que traga prejuízos à sua saúde ou dificulte sua educação. Da mesma maneira, não podem ser envolvidas em atividades que as coloquem em risco e causem danos ao desenvolvimento físico, mental ou moral. 10. Toda criança tem direito à proteção contra atos de discriminação. O último princípio determina que as crianças devem ser protegidas da exposição a qualquer tipo de discriminação ou de exclusão, pois elas têm direito a viver em uma sociedade pautada em valores de solidariedade, paz, compreensão e tolerância. Ela deve ser protegida de todos os atos que incentivem preconceitos e discriminações, sejam raciais, religiosas ou de qualquer outra espécie. Direitos da criança no Brasil No Brasil, os direitos das crianças estão amparados pela lei n.º 8.069/1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A lei prevê medidas para garantir condições de vida saudáveis e dignas para crianças (até 12 anos) e para adolescentes (até 18 anos). Também contém determinações a respeito de atos infracionais cometidos por crianças e adolescentes, além de medidas protetivas e socioeducativas que podem ser aplicadas nessas situações. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE O Estatuto da Criança e do Adolescente foi legalizado em 1990, pela Lei Federal n. 8069. Ao prestar sua assistência, os técnicos e os auxiliares de enfermagem, assim como os demais profissionais de saúde, deverão considerar os direitos prescritos pelo Estatuto, sob pena de serem acionados judicialmente. No Brasil, com relação à saúde, as crianças e adolescentes têm os seguintes direitos: Art. 7° A criança e o adolescente têm direito à proteção, à vida e à saúde; mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. Art. 8° É assegurado à gestante, através do Sistema Único de Saúde, o atendimento pré e perinatal. Art. 9° O Poder Público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a medida privativa deliberdade. Art. 10° Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares, são obrigatórios a: I – manter registro das atividades desenvolvidas pelo prazo de 18 anos; II – identificar o recém-nascido; III – proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica de anormalidades no metabolismo do recém-nascido, bem como, a orientação dos pais; IV – fornecer declaração de nascimento onde constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato. Art. 11° É assegurado atendimento médico à criança e ao adolescente, através do Sistema Único de Saúde, garantindo o acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação da saúde. Art. 12° Os estabelecimentos de atendimentos à saúde deverão proporcionar condições para a permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável nos casos de internação de crianças ou adolescentes. Art. 13° Os casos de suspeita ou maus tratos contra a criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da Respectiva localidade. Art. 14° O Sistema Único de Saúde promoverá programas de assistência médica e odontológica para a prevenção das enfermidades que ordinariamente afetam a população infantil, e campanhas de educação sanitária para pais, educadores e alunos. Parágrafo Único. É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias. ASSISTÊNCIA INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA – AISC Ao nível da assistência, o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde adotam a estratégia de Assistência Integral à Saúde da Criança – AISC, que propõe: - assegurar integralidade na assistência; - substituir a tradicional assistência baseada em patologias pelo acompanhamento do processo de crescimento e desenvolvimento; - aumento da extensão de cobertura da rede básica de saúde; - aumento da resolutividade. Isto com baixos custos e complexidade tecnológica adequada nos diversos níveis de serviços. Quais são os objetivos do ECA? Sendo um instrumento legal substituto do então Código de Menores, o estatuto foi criado com o objetivo de garantir direitos e proteger a criança e adolescente brasileiro. A lei possui 267 artigos, mas podemos resumir seu objetivo em três pontos: Atender crianças e adolescentes e aplicar medidas de proteção. ASSISTÊNCIA INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA – AISC Ao nível da assistência, o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde adotam a estratégia de Assistência Integral à Saúde da Criança – AISC, que propõe - assegurar integralidade na assistência; - substituir a tradicional assistência baseada em patologias pelo acompanhamento do processo de crescimento e desenvolvimento; - aumento da extensão de cobertura da rede básica de saúde; - aumento da resolutividade. Isto com baixos custos e complexidade tecnológica adequada nos diversos níveis de serviços. OBJETIVOS Objetivo geral da AISC: reduzir mortalidade na faixa etária de zero a cinco anos. Objetivos específicos da AISC: - utilizar o crescimento e desenvolvimento (CD) como metodologia para a organização da assistência à criança; - promover o aleitamento materno; - orientar a alimentação no primeiro ano de vida; - aumentar níveis de cobertura vacinal; - identificar precocemente processos patológicos para diagnóstico e tratamento oportunos; -promover educação para a saúde. ATIVIDADES PRIORITÁRIAS DA AISC - acompanhar o crescimento e desenvolvimento da criança; - incentivar o aleitamento materno e fornecer orientação para o desmame; - controlar as doenças diarréicas; - controlar as infecções respiratórias agudas; - controlar as doenças preveníveis por imunização. II – ACOMPANHAMENTO DO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO NORMAL DA CRIANÇA – CD AUXOLOGIA É a ciência que estuda o crescimento. Crescimento: constitui as alterações biológicas que implicam em aumento corporal da criança, considerando-se especialmente, a evolução do peso, da estatura e do perímetro cefálico. DESENVOLVIMENTO É o aumento da capacidade do indivíduo na realização de funções cada vez mais complexas. A criança desenvolve controle: neuro-muscular, destreza e traços de caráter, funções que só podem ser medidas por meio de provas funcionais. O crescimento e o desenvolvimento são o que caracteriza a criança. Assim, a Pediatria existe para: - promover o C e o D normais da criança desde o nascimento até o fim da adolescência; - prevenir as doenças evitáveis durante o período de C e D; -curar as crianças doentes com o objetivo de reintegrá-las o mais rapidamente possível ao ritmo normal de C e D. - Sabe-se que o C e o D são indicadores da saúde das crianças; por esta razão o acompanhamento destes processos se constitui na ação-eixo da assistência à saúde da criança. Estar alerta para intervir, quando necessário da maneira mias precoce possível no processo de C e D: esta é a proposta do PAISC. FATORES QUE INTERFEREM NO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO O C e D são decorrência da associação de vários fatores, dependendo do organismo da criança e do ambiente onde vive. No estudo dos fatores do C, deve-se considerar os seguintes aspectos: a) Fatores extrínsecos: -fatores ambientais e nutricionais: morbígenos, socioeconômicos, psicológicos, familiares e climáticos; b) Fatores intrínsecos: genéticos e congênitos, neurológicos, órgãos terminais e endócrinos. Para o D os fatores são: maturação neurológica, modificações anatômicas, estruturais, bioquímicas e funcionais, processos emocionais, processos cognitivos, experiência e aprendizagem. Sabe-se que, em condições normais, em cada célula, tecido ou órgão, o crescimento acontece segundo padrão, grau e velocidade próprios. Por exemplo: o tecido neuronal tem maior crescimento na vida uterina e nos primeiros anos de vida; o tecido linfóide cresce em alta velocidade até os dez anos; já o aparelho genital acelera seu crescimento a partir do início da puberdade. O desenvolvimento da criança, em cada faixa etária, tem sido avaliado com a utilização de guias que contenham esses parâmetros. A avaliação do crescimento pode ser feita com o auxílio de parâmetros de normalidade definidos, com o auxílio de fórmulas e das curvas de peso. As curvas de peso se utilizam dos percentis para definir os parâmetros de normalidade, sendo consideradas o parâmetro mais eficiente e prático, pois permite a avaliação contínua da evolução do peso, da estatura e dos perímetros. A criança dobra de peso aos cinco meses e triplica aos 12 meses. No primeiro ano, a criança cresce, em estatura, cerca de 50% da estatura do nascimento. O perímetro cefálico, ao nascer a criança é de 34/35 cm, após seis meses será de 42/43 cm e, no fim do primeiro ano, de 47 cm. No segundo ano aumenta só 2 cm. Os Perímetros torácico e abdominal, aos dois anos, são de 49 e 50 cm, respectivamente. A altura dos meninos de dois anos, multiplicada por dois, deverá ser sua estatura quando adultos. Para as meninas subtrai-se 10 a 12 cm no cálculo anterior. Fazer medições é um processo de rotina, freqüentemente subestimado, porém, de grande importância. As medidas físicas refletem a taxa de C da criança e qualquer alteração no padrão delas pode indicar problemas sérios. A técnica deve ser rigorosa, os dados corretos com registro e interpretação exatos. Mais importante que os valores deve ser a observação das tendências, das diferenças súbitas e dos graves desvios do padrão normal. A criança e a mãe devem ser informados do procedimento a ser executado. É necessária a padronização destas técnicas no serviço: a) Peso: É a medida mais importante para a avaliação do crescimento da criança e do seu estado nutricional. A verificação do peso na criança sadia deve ser realizada antes de cada consulta médica ou de enfermagem. A criança hospitalizada deve ser pesada diariamente. A balança tipo “bebê”, com capacidade para 16 kg e escala com intervalos de até 10 g deve ser usada paracrianças de até dois anos. A balança tipo “plataforma”ou adulta com intervalos de até 100 g, deve ser usada para crianças maiores de dois anos. O procedimento para pesagem: A balança deve estar em local plano, afastada da parede e deve permitir boa visualização da escala. - destravar e tarar a balança, antes de toda e qualquer pesagem; - criança menor de dois anos deve estar completamente despida e descalça; - criança maior de dois anos permanecer com calcinha ou short; - colocar a criança pequena deitada ou sentada no meio do prato da balança; - a criança maior deve ser colocada de pé, no centro da plataforma, com os braços estendidos ao longo do corpo; mover o marcador maior de zero da escala até um determinado ponto que evidencie mais peso que o peso real da criança (o braço da balança se inclina para baixo); - mover o marcador maior em sentido contrário e, se necessário, o marcador menor, até haver equilíbrio entre o peso evidenciado na escala e o peso da criança (braço da balança em linha reta); - ler o peso da criança em quilos (kg) na escala maior e em gramas (g) na escala menor; - anotar o peso na folha do prontuário e registrá-lo nos gráficos de crescimento (do prontuário e do cartão da criança), ligando este ponto ao anterior e completando assim o traçado de crescimento da criança. Colocar novamente o marcado no ponto zero da escala e travar a balança após cada pesagem. Cuidados de enfermagem: - proteger a balança com fralda ou papel toalha; - pesar a criança pela manhã ainda em jejum, para obter o peso real (criança hospitalizada); - prevenir acidentes; - a criança deve ser pesada sempre na mesma balança, sempre pela mesma pessoa e no mesmo horário; - assegurar um ambiente arejado, mas livre de correntes de ar, e aquecido, quando necessário; - evitar propagação de infecção, desinfetar a balança quando fizer necessário; - cuidar para que a criança inteira esteja dentro da cesta da balança. b) Estatura: É uma medida do crescimento muscular e esquelético da criança. Deve ser avaliada do nascimento até a idade adulta. É uma medida importante, influenciada pela hereditariedade, pela nutrição, por problemas mentais, pelos hormônios do crescimento, por infecções crônicas, por alergias ou problemas renais e cardíacos, entre outros fatores. Valores normais: Nascimento ± 50 cm; 1° trimestre: 9 cm; 2° trimestre: 7 cm; 3° trimestre: 5 cm; 4° trimestre: 3 cm; aos 23 meses: ± 74 cm. Para crianças acima de dois anos teremos a seguinte fórmula: ESTATURA = IDADE X 5 + 80 Ex.: uma criança com quatro anos Estatura = 4 x 5 + 80 Estatura = 100 cm No ambulatório, deve-se medir a criança de acordo com o calendário, preconizado pelo acompanhamento do CD, ou antes de cada consulta médica ou de enfermagem. No hospital uma vez ao mês é suficiente. São necessárias duas pessoas, sendo uma a própria mãe para medir a criança pequena. A criança deve estar deitada em decúbito dorsal. c) Perímetro cefálico: É a circunferência do crânio. A circunferência da cabeça aumenta rapidamente no primeiro ano de vida, a fim de adaptar-se ao crescimento do cérebro. Esta medida permite identificar “alterações”. Quando a equipe de enfermagem identificar alguma medida que possa indicar alguma alteração, este fato deve ser registrado, e o paciente deve ser encaminhado, já que estas alterações podem indicar problemas graves. Por exemplo, quando o perímetro cefálico cresce mais rápido que o esperado, deve ser investigada a presença de hidrocefalia. Ou no caso de um perímetro cefálico que está além do esperado para a idade, ou de uma criança que registra pouco ou nenhum crescimento, nos primeiros meses de vida, deve ser investigada a presença de microcefalia. O perímetro cefálico, especialmente no primeiro ano de vida, deve ser verificado a cada consulta ambulatorial. Se há indicação de anormalidades, deve ser medido diariamente. Idade PC/ (cm) Nascimento 35,0 3 meses 40,4 6 meses 43,4 9 meses 45,5 1 ano 46,6 1 ano e 6 meses 47,9 2 anos 48,9 3 anos 49,2 4 anos 50,4 5 anos 50,8 d) Perímetro torácico: Colocar a fita métrica em volta do tórax, passando sobre os mamilos. Anotar o resultado em cm. e) Perímetro abdominal: Colocar a fita métrica em volta do abdome, sobre a cicatriz umbilical. Anotar o resultado em cm. ; PROGRAMA DE ACOMPANHAMENTO DO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO – CD ( CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO) O Ministério da Saúde propõem o acompanhamento do CD por meio de ações de saúde que, dentro de um calendário mínimo de observações periódicas, avaliem e assistam o processo através de: - obtenção periódica e padronizada de informações; - registro e interpretação das informações; - busca de explicações sobre deficiências encontradas; - assistência contínua. Clientela: crianças menores de cinco anos. Estas ações devem ser observadas todas as vezes que a criança comparecer à unidade: - acompanhamento do CD; - promoção do aleitamento materno e orientação alimentar; - verificação do esquema de vacinação; - atividade de educação para a saúde. A inscrição no programa deverá constar de: - registro da criança na Unidade; - abertura de prontuário para anotação de todos os atendimentos feitos à criança; - preenchimento de cartão, que deverá ficar com a mãe. O calendário mínimo de atendimento registrará dados relativos a: 1, 2, 4, 6, 9, 12, 18 e 24 meses e 3, 4 e 5 anos. Este calendário será modificado de acordo com a rotina da unidade e as possibilidades de retorno das famílias, nas seguintes condições: - peso de nascimento inferior a 2,500 g; - desmame precoce; - déficit de C ou problemas de D; - patologia crônica ou aguda. ATIVIDADES REALIZADAS NO ATENDIMENTO À CRIANÇA - pesar a criança; - anotar no prontuário; - registrar nos gráficos (do prontuário e da mãe); - consulta clínica intercorrências patológicas e dos eventos importantes ocorridos com a criança; - orientação à mãe sobre a saúde da criança e os cuidados relativos aquele momento. Estas atividades são realizadas por equipe multidisciplinar capacitada, inclusive por auxiliares e técnicos de enfermagem. a) Avaliação do crescimento. b) Acompanhamento do desenvolvimento Observação Recomendação - Respostas esperadas pela idade; - D satisfatório; - Falha em alcançar o D para a idade - Reavaliar na consulta seguinte; conversar com a criança durante os cuidados diários - Persistência do atraso do D por mais de 2 consultas. - Diagnosticar patologias; - no caso de desnutrição e/ou de privação social, ensinar à mãe técnicas simplificadas de estimulação essencial. FATORES DE DESENVOLVIMENTO 1° Motricidade: - Reflexos (preensão e sucção) - Locomoção - Coordenação de movimentos 2° Linguagem: - Comunicação visual, auditiva, tátil - Imitações - Interpretação da linguagem 3° Adaptação: Frente a objetos e situações que lhe são propostas ex. cubos coloridos, lápis, pincéis e papel branco. 4° Pessoal – Social: Análise das reações individuais da criança frente à outras 8° à 24° mês: Idade dos porquês? Começa a comer sozinho pronuncia palavras corretamente. Canta e reconhece canções. Obedece rotinas. Retira fraldas. Gosta de brinquedos de encaixe, bonecas e botões de apertar. A partir do 18° mês adquire controle esfincteriana. Usa freqüentemente a mão e é teimosa, mantém distância de estranho. Diz seu nome, constrói frases simples 3 anos: Necessita de espaço para andar e correr, coloca calçados, se veste e se despe sozinha. Tem grande imaginação e medos. Gosta de histórias repetitivas e curiosas. Gosta de brincadeiras dirigidas, trabalhos manuais, faz-de-conta, colagens, pintura, recortes e brinquedos em geral. Sabe seu nome, sua idade fica sobre apenas 1 dos pés momentaneamente. 4 anos: Pula sobre um dos pés, reconhece cores, dá recados, lava-se sozinha sob supervisão. Constrói uma ponte de 5 cubos. Desenha um homem. 5 anos: Escreve seu primeiro nome, pula alternadamente de um pé para outro, começa a diferenciar direita e esquerda, gosta de contar histórias e usar fantasias, escova osdentes, se veste e se penteia sozinha. 6 anos: Gosta de banhar e trocar-se sem auxílio, é capaz de dar laços nos sapatos, tem curiosidade sexual, atende bem o telefone, sabe seu endereço e o nome dos familiares mais próximos. 7 anos: É a fase da guerra inconsciente entre meninos e meninas, é o “clube do bolinha”e o da “luluzinha”, desenha bem , tem ritmos para música e dança, recorta e cola; escuta histórias de quando era bebê. Curiosidade sobre sexo. Gosta de brincadeiras livres, trabalhos manuais colagem e pintura. 8 anos: Gosta de brincadeiras e jogos mais violentos, Admira coleção; se opõe as ordens dadas, gosta de se exibir e admira os pais. 9 anos: Prefere jogos coletivos, discute vocação profissional, gosta de liberdade, é responsável nas tarefas, evita a exposição do corpo desnudo. 10 anos: O menino identifica-se com o pai, adquire maior capacidade de concentração, tem excelente memória. É responsável. 11 anos: Anseia pela maturidade sexual, é observador, não gosta de mentiras, identifica-se com seus heróis. 12 anos: Gosta de ouvir música, torna-se mais sociável, imita comportamento dos adultos, iniciam-se as sensações corporais devido aos hormônios. 13 anos: Busca liberdade de expressão, demonstra diferenças comportamentais (rebeldia/ isolamento) prefere sua turma aos pais. Curte o modismo e utiliza sua turma aos pais. Curte o modismo e utiliza-se das gírias. 14 anos: É mais expansivo, possui imaginação fértil, curte namoros. NTOXICAÇÃO EXÔGENA – ABORDAGEM ESPECIAL - Cuidados com substâncias químicas, as mais inocentes podem intoxicar; - Proteja as crianças das plantas, pois existem grandes variedades de plantas venenosas; - Mantenha todo medicamento fora do alcance das crianças; - Não dar sem prescrição médica, nenhum tipo de droga farmacêutica; - Evitar fumar próximo às crianças e não deixar cinzeiros com cinza ou tocos de cigarros ao alcance das mesmas. - Nunca deixar produtos de limpeza ao alcance as crianças; - Não usar inseticidas na presença das crianças; - Arejar bem os ambientes ao utilizar tintas, solventes ou cola. SOBRE A CRIANÇA Noções Gerais Para compreender as reações da criança frente à doença e à hospitalização, deve-se ter uma noção de suas características psicológicas e sociais em cada uma das faixas etárias. Estes aspectos são bastante amplos e profundos, e o que se apresenta neste capítulo consiste apenas em um breve resumo, que enfoca os pontos considerados de maior interesse para prevenir a ocorrência de agravos durante a hospitalização da criança e/ou atenuá-los caso já estejam instalados. Características e necessidades psicossociais da criança 1 – Recém – nascido e lactante O recém – nascido interage com o meio apenas em função de suas necessidades fisiológicas como fome, sede, frio etc. O id (inconsciente) refere-se às reações instintivas que podem ser percebidas por atos reflexos diante das sensações de prazer ou desprazer. As emoções da criança são expressas através do choro, grito (desprazer) ou sono tranqüilo e faces de bem – estar (prazer). No recém – nascido, o reflexo de sucção é acentuado. Sua sensibilidade para os movimentos, para o som e o tato é bem desenvolvida. A sucção é a principal forma pela qual ele relaciona-se com o meio. Até os seis meses de idade, a sucção é a atividade mais gratificante para a criança. Enquanto suga, a criança sente prazer de maneira tão intensa que se reduz sua tensão muscular e ela sente-se segura e protegida. Além disso a sucção proporciona o contato físico e o calor. o corpo materno, completando as necessidades de afeto do bebê. A criança que não tem atendidas essas necessidades pode desenvolver o que Spitz chamou de “carência afetiva”. Segundo este autor, a criança com carência afetiva apresenta o seguinte comportamento: - inicialmente torna-se chorona, exigente e agarra-se a quem cuida dela; - os choros vão se transformando em gritos, ela perde peso e seu desenvolvimento motor estaciona; o corpo materno, completando as necessidades de afeto do bebê. A criança que não tem atendidas essas necessidades pode desenvolver o que Spitz chamou de “carência afetiva”. Segundo este autor, a criança com carência afetiva apresenta o seguinte comportamento: -inicialmente torna-se chorona, exigente e agarra-se a quem cuida dela; -- os choros vão se transformando em gritos, ela perde peso e seu desenvolvimento motor estaciona;passa a maior parte do tempo deitada de bruços, tem insônia e facilidade para adoecer e sofre atraso generalizado do desenvolvimento motor; - se não for tratada, o choro transforma-se em gemidos, o retardo aumenta e se converte em letargia. Se a presença da mãe (ou da pessoa mais importante para a criança) for restituída, o quadro cessa e ela volta a se desenvolver. A idade em que a criança é mais sensível à separação da mãe é entre seis meses e dois anos de vida. E a idade em que a hospitalização (com ou sem presença da mãe) provoca maior sofrimento para a criança é entre dezoito meses e cinco anos. 2 – Pré-escolar A criança desenvolve a linguagem, é observadora e faz perguntas. Fica insegura quando seus hábitos e rotinas sofrem alguma modificação. Movimenta-se muito, anda, corre, sobe, desce e pula. Seu pensamento orienta-se principalmente pela imaginação e fantasia. Aprende principalmente por imitação e tem medo das pessoas que não conhece. Sua relação com a mãe é muito intensa, caracterizada especialmente porque depende dela para realizar várias atividades, e com ela estabelece uma intensa comunicação. Para ela, a mãe é a fonte de segurança, proteção e ajuda nas situações de angústia e sofrimento. O pré-escolar não tem noção de perigo e por isso é muito vulnerável a acidentes. Sua noção de tempo, espaço e distância é limitada, mesmo que seja por curto espaço de tempo, temendo que esta ausência seja definitiva. 3 – Escolar Nesta fase, a criança adquire grande independência física, social e psicológica. Criatividade e aprendizagem são características marcantes. Desenvolve o raciocínio e a compreensão, mas resguarda ainda um pouco da imaginação e da fantasia. Seu vocabulário torna-se cada vez mais rico. Tem mais medo do abstrato do que do real. Possui boa noção de tempo e de espaço. Gosta de correr, pular, perseguir, fugir e participar das tarefas dos adultos. Interessa-se por atividades em grupo e é capaz de obedecer às regras nos jogos. Prefere demonstrar coragem mesmo quando está temerosa ou com angústia. Teme a rejeição pelos familiares e amigos. Embora apresente um grau avançado de independência em todos os aspectos, ainda necessita de carícias físicas e do afeto. Sua individualidade e sua privacidade devem ser respeitadas. 4 – Adolescente Ele passa por um momento de auto-definição e identificação de seu papel. Imita as pessoas ou “ídolos” que admira. Embora esteja em fase de amadurecimento emocional, às vezes apresenta grande instabilidade. É ansioso, inseguro e deprime-se com facilidade. Gosta de quebrar regras sociais e de contrariar opiniões. Valoriza, de modo acentuado, a imagem corporal, a sensualidade, a privacidade e a autonomia. Prefere determinados amigos com os quais forma grupos. Para o adolescente, estar em grupo é muito importante. - dar carinho e atenção a todas as crianças, particularmente às que correm risco de carência afetiva: as desacompanhadas, as com doença grave, as inconscientes, as em isolamento, etc,; - quando a separação da mãe ou pessoa importante for inevitável, procurar fazê-la de modo gradual para minimizar as conseqüências; - quando a criança estiver sem acompanhante, convidar e estimular as outras mães a dar carinho e atenção a esta criança; - quando se observar que a mãe ou pessoa significativa rejeita a criança, tentar ajudá-la através de sugestões ou encaminhá-la ao atendimento psicológico. Nunca se deve hostilizar a mãe, pois na maioria das vezes ela está emocionalmente sobrecarregada e as críticas e acusações só agravam ainda mais a situação;- colaborar com as mães que estejam fisicamente cansadas, pois o desgaste e o cansaço físico interferem negativamente na relação com a criança; - procurar conhecer e compreender reações esperadas, tanto as da criança como as da família, que geralmente ocorrem na hospitalização (medo, depressão, agressividade), preparando-se para lidar adequadamente com elas; - prestar assistência individualizada, ou às demais; - facilitar a adaptação da criança ao ambiente hospitalar, permitindo, sempre que possível, que traga de casa um brinquedo ou objeto importante para ela. Estimular sua interação com outras crianças. Propiciar um “ambiente infantil” e acolhedor; - evitar que a criança ouça diálogos ou tempos de que, por sua imaturidade, não seja colaborar com as mães que estejam fisicamente cansadas, pois o desgaste e o cansaço físico interferem negativamente na relação com a criança; - procurar conhecer e compreender reações esperadas, tanto as da criança como as da família, que geralmente ocorrem na hospitalização (medo, depressão, agressividade), preparando-se para lidar adequadamente com elas; - prestar assistência individualizada, ou seja, atender a cada criança respeitando sua maneira de ser e suas diferenças em relação às demais; - facilitar a adaptação da criança ao ambiente hospitalar, permitindo, sempre que possível, que traga de casa um brinquedo ou objeto importante para ela. Estimular sua interação com outras crianças. Propiciar um “ambiente infantil” e acolhedor; - evitar que a criança ouça diálogos ou tempos de que, por sua imaturidade, não sejaapaz de compreender o significado, podendo ficar temerosa e angustiada; - evitar as restrições, as proibições, e a padronização de cuidados, a não ser a estritamente necessária, procurando modificá-las tão logo as circunstâncias permitam; - ensinar e estimular as crianças e os pais ao autocuidado; - jamais mentir para a criança, inclusive sobre dor, e nunca pedir que aceite passivamente aquilo que teme ou que lhe causa sofrimento; - procurar detectar qualquer problema emocional da criança ou da mãe, tentando solucioná-lo o mais rápido possível. Comportamentos comuns após a alta: - Maior apego aos pais (quer dormir no quarto dos pais) - Temores, insegurança; - Tiques nervosos; - insônia, pesadelos; -Regressão comportamental Sentimentos mais comuns com a criança hospitalizada: - Ansiedade devido a falta de informação quanto ao diagnóstico e tratamento; - Receio de gastos extras; - Medo em relação a própria doença, prognóstico, fatalidades, etc; - Culpa; -Angústia diante da própria incapacidade (sentem-se impotentes); - Atitudes ambíguas (super proteção rejeição total) PREVENÇÃO DE ACIDENTES NA INFÂNCIA Os acidentes na infância são responsáveis em grandes proporções por lesões e seqüelas muitas vezes irreversíveis ou até mesmo morte na infância. Cabe aos pais e responsáveis (incluindo os profissionais da saúde) a responsabilidade na proteção, segurança e prevenção de acidentes infantis. Acidentes mais comuns: -Queimaduras -Choques elétricos -Intoxicação exógena por plantas e substâncias químicas, plantas, etc.. -Afogamentos -Acidentes de trânsito -Asfixia -Quedas -Armas de fogo ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS EM PEDIATRIA Noções Gerais A administração de medicamentos à criança, quanto aos princípios básicos de enfermagem, não é diferente da que se refere ao adulto. Neste capítulo serão descritas apenas particularidades no que se refere à criança, procurando-se abordar os pontos principais para que este aspecto da assistência à criança seja implementado com eficiência. Entretanto, há que se resultar que a atenção e a responsabilidade devem ser redobradas, especialmente no que se refere às dosagens, uma vez que, para a criança, pequenas diferenças para mais ou para menos podem causar grandes prejuízos. Via Oral Nos recém – nascidos e lactantes, deve-se ter o cuidado especial de impedir quea criança se “sufoque” ao deglutir o medicamento. O pré-escolar e o escolar devem ser encorajados a aceitar o medicamento e, sempre que possível, deixar que o tome sozinho, porém na presença da enfermagem, para se ter a certeza de que realmente ingeriu o medicamento. Quando a criança ou a mãe recusarem o medicamento, (e isto é valido para qualquer via), não se deve forçar a aceitação, mas comunicar a equipe, inclusive ao médico responsável pelo tratamento, tomando iniciativas no sentido de se retornar ao uso do medicamento o mais rápido possível. Nos casos de vômitos leves ou de a criança cuspir o medicamento, a dose deve ser repetida. Para a administração pela via oral em crianças menores pode-se utilizar, além dos recipientes já recomendados, seringas são práticas e precisas na medicação da dose. Quando for a mãe quem oferece o medicamento à criança, certificar-se de que ela realmente o fez, auxiliando-a e orientando no que for necessário. Administração tópica É a aplicação direta de medicamentos na pele ou nas mucosas. Pode ser por via ocular, nasal, otológica, cutânea ou retal. Administração por via ocular É a aplicação de medicamentos (soluções ou pomadas) no saco conjuntival. Os objetivos da administração por via ocular são: - lubrificar a conjuntiva (pacientes comatosos); - dilatar a pupila; - tratar infecções; - anestesiar. O olho é um órgão delicado, altamente suscetível a infecção e a lesão. Embora nunca esteja isento de microorganismos, as secreções da conjuntiva têm uma ação protetora contra muitos patógenos. Para a máxima segurança do paciente, o equipamento e as soluções ou pomadas introduzidas no saco conjuntival devem serestéreis. Se isso não for possível, todos os cuidados de assepsia devem ser seguidos. Para aplicação usa-se o conta-gotas. Não se deve encher o conta-gotas mais do que o necessário, pois recolocar a solução usada de volta no vidro de origem é uma prática pouco segura. Aplicação de pomada ocular: - proceder como na instilação ocular até o afastamento da pálpebra inferior; - colocar o medicamento com auxílio de gaze ou espátula descartável. - continuar os demais procedimentos citados na instilação ocular. Administração por via nasal Consiste em aplicar um medicamento diretamente na mucosa nasal. Os objetivos são: desobstruir as vias aéreas superiores, facilitar a drenagem de secreções e manter adequada a umidade das vias aéreas superiores. Administração por via otológica Consiste na aplicação de medicamentos no canal auditivo. No adulto, o canal auditivo está orientado para dentro, anteriormente e para baixo. Na criança, nos primeiros anos de vida, o canal auditivo é quase reto. É importante considerar-se a direção do canal quando se administra medicamento e qualquer outro tratamento no ouvido. Na criança, para que a solução alcance todas as partes do canal auditivo, deve-se puxar o pavilhão externo para baixo e para trás. A membrana timpânica separa o ouvido externo do ouvido médio. Normalmente é intacta e fecha completamente a entrada para o ouvido médio. Normalmente é intacta e fecha completamente a entrada para o ouvido médio. Quando rompida, espontaneamente ou por ato cirúrgico, permite a comunicação direta entre o ouvido médio e o ouvido externo. Nestes casos, as instilações e irrigações devem obedecer à rigorosa assepsia para se evitar contaminação do meio externo para o ouvido médio. Os objetivos da administração por via otológica são: dor, retirar excesso de secreção, prevenir e tratar infecções. Administração por via retal Após a via endovenosa, a via retal é a que apresenta maior absorção. Pode ser usada para administrar medicamentos analgésico/ antitérmicos, anticonvulsivantes, antiespasmódicos, estimulantes do peristaltismo, laxativos ou outros. Os medicamentos para administração por via retal geralmente são em forma de supositório ou de solução. Administração por via cutânea É a administração de medicamentos diretamente na pele. Os objetivos são: lubrificar a pele, promover a higienização, tratar as alergias e afecções da pele,etc... Administração parenteral de medicamentos O termo parenteral é usado para indicar vias de injeção e é neste contexto que será utilizado nesta unidade. Os laboratórios fabricantes de medicamentos, geralmente, especificam a via parenteral a ser utilizada e um medicamento não deve ser administrado por outra via que não seja a especificada. Por exemplo: um medicamento indicado para via intramuscular não deve ser administrado pela via endovenosa. ; Administração pela via intradérmica – ID É a injeção em uma área (derme) localiza entre a pele e o tecido subcutâneo. É indicada para injeção de pequenas doses (até 0,5ml). Os objetivos são: imunização, como a BCG, e testes diagnósticos, como PPD. Administração pela via subcutânea – SC É a injeção no tecido subcutâneo. Pode ser usada para aplicação de medicamento, como o anti-sarampo. Administração pela via intramuscular – IM Usa-se freqüentemente esta via para administrar de medicamentos em crianças. Porém, é uma via sujeita à ocorrência de complicações. As complicações mais comuns são: abscessos, necrose tecidual, lesão de nervos, lesão de vasos sanguíneos, etc. Um ponto importantíssimo na administração IM é a seleção do local da injeção Administração via endovenosa- Ev Infusão endovenosa- Venóclise INTERCORRÊNCIA PATOLÓGICAS MAIS FREQUENTES NA CRIANÇA DERMATOLÓGICAS Dermatite das fraldas (ou amoniacal) É também chamada popularmente de “assadura”. A alta temperatura ambiente, a gordura subcutânea espessa, o excesso de roupas, o uso freqüente de calça plástica ou de fralda impermeável e a higiene inadequada são fatores que predispõem a dermatite das fraldas. As alterações da pele mais freqüentes são: hiperemia, vesículas, bolhas, crostas, erosão da pele, fissuras, prurido e dor. A criança chora com freqüência e fica irritada. Cuidados com a criança: - suspender o uso da calça plástica ou de fralda impermeável; - identificar a presença de fatores predisponentes (citados acima) e afastá-los; - não permitir que se acumule suor na pele da criança; - realizar higiene com água e sabão neutro (glicerina) após cada evacuação ou micção; - manter a criança seca e limpa; - promover ventilação da pele lesada várias vezes ao dia, deixando a área descoberta; - expor as áreas lesadas, sem roupas, ao sol, por poucos minutos pela manhã, das 7 às 9 horas. Monilíase oral (candidíase oral) É a infecção causada pelo fungo Cândida albicans. Caracteriza-se pela presença de placas esbranquiçadas na mucosa oral, semelhantes a restos de leite. Geralmente é benigna e desaparece com duas semanas de tratamento, mas pode evoluir para o quadro severo como esofagite, enterite e até septicemia (infecção generalizada). Os sinais e sintomas são: perda de apetite, irritabilidade, insônia, recusa de alimentos, dificuldade de deglutir, vômitos. A língua, as bochechas e gengivas ficam cobertas por placas esbranquiçadas que não se consegue remover com espátula ou cotonete. URINÁRIAS Infecção do trato urinário É o conjunto de alterações patológicas e fisiológicas decorrentes da multiplicação de microorganismos patogênicos no rim e nas vias excretoras da urina. Pode persistir meses ou anos sem sintomas e levar a dano renal grave. O quadro clínico pode ser de duas formas: a) Clássica: febre, dor espontânea ou à palpação, alterações da micção, prostração e alterações gastrointestinais; b) Atípica (mais comum em lactantes): perda de apetite, vômitos, peso estacionário, atraso no desenvolvimento, febre inexplicada. Pode ser também completamente assintomática. O modo de contaminação mais comum é através da via ascendente, por higiene deficiente da genitália externa, de região perineal e das nádegas. Ocorrendo principalmente na fase do uso de fraldas. Pode ser, ainda, por defeitos anatômicos que permitem o refluxo vesico-ureteral. Além disso existem certas condições que contribuem para a instalação das infecções do trato urinário. São elas: - obstrução ao fluxo urinário (congênita ou por cálculo) ou estase urinária; - infecções em outros locais; - higiene deficiente; - uretra feminina muito curta e reta (na lactente pequena corresponde a mais ou menos 1cm de comprimento); - cateterismo, instrumentação ou corpo estranho; - penetração de irritações pela uretra; - incapacidade de defesa da mucosa vesical contra invasão bacteriana; - qualquer condição que provoque refluxo urinário; - doenças dos vasos sanguíneos (asterosclerose); - certas condições subjacentes: traço falcêmico, diabetes mellius, etc. Os tipos de infecções podem ser: a) Cistite: a proliferação bacteriana está limitada à bexiga. Geralmente não há febre e os sintomas variam de simples dor no hipogástrico até alterações de micção; b) Pielonefrite: a infecção localiza-se na pelve renal, nos túbulos e no tecido intersticial, em um ou em ambos os rins. Pode ser aguda ou crônica; c) Cálculos renais: localizam-se nos cálices e bacinetes, provocam dor lombar e infecções repetidas. O sinal sugestivo é a hematória; - cálculos ureterais, provocam retenção urinária aguda e cólicas nefréticas ou sintomas dolorosos mal definidos que podem ser confundidos com apendicite; -cálculos vesicais: provocam dor intensa durante a micção, irradiada para os genitais, e alteração da micção (interrupção do jato urinário). TÉCNICA: VERIFICAÇÃO DOS SINAIS VITAIS Temperatura: Pode ser verificada por via oral, retal ou axilar (mais indicada). Ao verificar a temperatura axilar da criança, deixa-se o termômetro em sua axila por cerca de 4 minutos, mantendo seu braço próximo ao tórax. É comum colocar o termômetro pela frente, o que causa apreensão da criança. Nossa experiência sugere que o termômetro seja colocado com a criança no colo da mãe e por trás, para que o termômetro fique longe dos olhos da criança, diminuindo o estresse. Se a criança estiver chorando, a equipe de enfermagem deve colocá-la no colo da mãe para que se acalme; a mãe pode ajudar segurando seu bracinho um abraço. Excepcionalmente nas crianças menores verifica-se a temperatura retal. Para isso, mantém-se a criança em decúbito lateral com as pernas fletidas, ou em decúbito ventral. Introduz-se o termômetro numa profundidade de 4cm, retirando-o após dois ou três minutos. Quando registrar, fazer avaliação e indicar via utilizada. Variações Térmicas do Organismo (temperatura axilar em °C) Normotermia 36 a 37°C Hipotermia Abaixo de 36°C Temp. Subfebris 37 a 37,5°C Febre Baixa 37,5 a 38,5 °C Febre Moderada 38,5 a 39,5 °C Febre Alta (pirexia) 39,5 a 40,5 °C Febre muito Alta (hiperpirexia) Acima de 40,5 °C . Frequência Cardíaca (FC): Em crianças menores de três anos, a ausculta deve ser do pulso apical (no ápice de coração, no quinto espaço intercostal esquerdo). Em crianças maiores de três anos, o pulso a ser verificado pode ser radial, femoral, carotídeo ou temporal. -Taquicardia -Bradicardia Valores Normais da Freqüência Cardíaca Recém – nascido 140 bpm +/- 10 1 ano 120 bpm +/- 10 2 anos 110 bpm +/- 10 3 a 5 anos 90 bpm +/- 10 6 a 11 anos 80 bpm +/- 10 Frequência Respiratória (FR): Nas crianças menos de três anos, a ampliação dos pulmões ocorre graças ao diafragma, que se contrai e aumenta a altura do tórax. A parede anterior do abdome eleva-se na inspiração e deprime-se na expiração, e é por seus movimentos que se aprecia a freqüência, amplitude e ritmo respiratório. No início do terceiro ano de vida inicia-se a respiração torácica. Mas só aos sete anos é que se observa a passagem franca para este tipo respiratório. A predominância da respiração torácica opera-se mais cedo no sexo masculino. No recém-nascido, a respiração é rápida. Além disso, freqüência, amplitude e ritmo variam consideravelmente aos menores estímulos. A freqüência respiratória deve ser contada durante um minuto completo com a criança em repouso físico e emocional, de preferência dormindo. - eupnéia: movimentos respiratórios normais; - bradipnéia: diminuição da freqüência respiratória; - taquipnéia:aumento considerável da freqüência respiratória; - dispnéia: movimentos respiratórios realizados com dificuldade. Após a verificação registrar a FR e suas características – eupnéica, taquipnéica, apnéica, bradipnéica, BAN (Batimento de Asas do Nariz), ruidosa, suspirosa, estertorosa, gemida, rítmica; ofegante. Freqüência Respiratória Normal (em IRPM) Recém Nascido 40-45 irpm Lactante 25-35 irpm Pré-escolar 20-25 irpm Escolar 18-20 irpm Classificação da Taquicardia de Acordo com a Faixa Etária nas Infecções Respiratórias Agudas (IRA) Idade Taquipnéia Menor de 2 meses Maior ou igual a 60 irpm 2 a 11 meses Maior ou igual a 50 irpm 1 a 4 anos Maior ou igual a 40 irpm