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PHA 3418 – TECNOLOGIA DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Aulas 12 – Sistemas de Tratamento de Esgotos com Membranas Submersas (MBR) Professor Mierzwa Professora Rachel Costa Revisão ■ O tratamento de esgotos combina diferentes operações unitárias para remoção e/ou conversão dos compostos que podem ser considerados “contaminantes” ■ Convencionalmente, os compostos orgânicos, que demandam oxigênio para sua oxidação, são os principais “contaminantes” dos esgotos Revisão ■ Os sólidos suspensos são removidos por processos de separação físico-químicos (ex. gradeamento, desarenador, sedimentação) ■ Já a fração solúvel é convertida em processos biológicos, em que os compostos orgânicos são convertidos a metabólitos gasosos (CO2) e massa celular CO2 Conceituação Isso significa que agora nossos balanços de massa terão reação! CO2 Balanço de massa para reator de mistura completa Outras nomenclaturas: - mistura perfeita - CSTR acúmulo entrada saída reação Condições de contorno: Regime permanente – não há acúmulo 0 Mistura completa – Vol controle = Vol reator Temperatura constante entrada saída reação Balanço de massa para reator de mistura completa 0 = 𝑄. 𝐶0 − 𝑄. 𝐶 ± 𝑟𝐶 . 𝑉 Conceituação/Revisão ■ Em reatores biológicos, temos dois tipos principais de reação acontecendo – Crescimento da biomassa – Degradação do substrato Equacionamento do crescimento celular ■ O crescimento da biomassa pode ser descrito pelo modelo cinético de Monod, que por sua vez, pode ser resumido a três equações básicas: – A velocidade bruta de crescimento dos microrganismos é proporcional à velocidade de utilização dos substratos u S X/S c X dt dC Y dt dC = Cx é a concentração de microrganismos [mg SSV L-1] Cs é a concentração de substrato [mg L-1] t é tempo YX/S é o fator de crescimento ou a produção bruta de bactérias por unidade de massa de substrato [g SSV. g-1 DQO] – A velocidade de crescimento dos microrganismos é proporcional à concentração dos mesmos e depende da concentração de substrato SS XS maxX c X X CK .CC μμ.C dt dC r + == = rx é a velocidade de crescimento celular μ é a velocidade específica de crescimento celular μmax e Ks são constantes cinéticas Equacionamento do crescimento celular – Paralelamente ao crescimento celular, há decaimento devido à morte das células vivas, que pode ser formulada: Kd é a velocidade decaimento celular dX d X .KC dt dC −= Equacionamento do crescimento celular ■ A velocidade de crescimento dos microrganismos e a velocidade de consumo de matéria orgânica podem ser relacionados através do coeficiente de rendimento celular Equacionamento do consumo de substrato SSXX rYr = XX C.μr = YX/S é o fator de crescimento ou a produção bruta de microrganismos por unidade de massa de substrato SS S max SS S max SX X S CK C r CK C μ Y C r + = + = rmax é a velocidade máxima de consumo de substrato ■ Os dois parâmetros mais importantes para análise de reatores contendo microrganismos são o tempo de detenção hidráulica (θh) e o tempo de retenção celular (θc) Voltando para o reator.... Q V ca volumétriVazão reator do Volume ==h == t C m smosmicrorgani dos retirada de Taxa reator no smosmicrorgani de massa X X C Balanço de massa para o crescimento de substrato em um reator CSTR Q.Cxo – Q.Cx + ( - Kd).Cx.V = 0 Considerando que a massa na corrente de alimentação é desprezível x x d CV CQ K . . =− Balanço de massa para o crescimento de substrato em um reator CSTR Por definição, o tempo de retenção é x x d CV CQ K . . =− Q V C.Q C.V θ x x C == Do balanço de massa eu obtive: d c Kμ θ 1 −= Logo: Balanço de massa para o crescimento de substrato em um reator CSTR Q V C.Q C.V θ x x C == d c Kμ θ 1 −= Essas duas equações tem implicações MUITO importantes 1) Os parâmetros cinéticos podem ser relacionados aos parâmetros de operação 2) θc = θh Ou seja, eu preciso garantir que o tempo de detenção hidráulica seja pelo menos o suficiente para a biomassa crescer e se manter constante Isso implica reatores com volumes muito grandes, o que pode inviabilizar o projeto Esse é exatamente o caso de lagoas de tratamento! População microbiana típica em lagoas: 100 – 300 mg SSV L-1 SSV: Sólidos suspensos voláteis Jordão& Pêssoa, 2005 Balanço de massa para o crescimento de substrato em um reator CSTR com reciclo Balanço de massa para o crescimento de substrato em um reator CSTR com reciclo xewxxw x C C).QQ(C.Q C.V θ −+ = ■ Nesse caso, o tempo de retenção celular resulta: Ou seja, θc ≠θh Esse é o caso dos sistemas de lodos ativados População microbiana típica em lagoas: 2.000 – 3.500 mg SSV L-1 SSV: Sólidos suspensos voláteis Jordão& Pêssoa, 2005 Tá, mas essa não é uma aula de membranas? Sistemas MBR ■ São sistemas que combinam o processo biológico de tratamento de efluentes com o processo de separação por membranas; ■ MBR é um acrônimo em inglês que significa Membrane Bioreactor ■ Basicamente, o módulo de membranas servirá para separar a biomassa, mas de uma forma muito mais eficiente que o decantador Diferença entre um sistema de lodo ativado convencional e um MBR Sistemas MBR População microbiana típica em sistemas MBR: > 8.000 mg SSV L-1 SSV: Sólidos suspensos voláteis Jordão& Pêssoa, 2005 Vantagem de sistemas MBR ■ Elimina a necessidade de utilização de clarificadores secundários; ■ Resulta em sistemas menores; ■ Permite a operação com uma maior concentração de sólidos no licor misto; ■ Possibilita a obtenção de um efluente tratado com qualidade superior. – Efluente MBR pode ser encaminhado diretamente para OR Lagoas aeradas Lodos ativados MBR Concentração sólidos* 300 2.500-3.500 > 8.000 Tempo de retenção celular < 5 dias 5-15 dias 30-45 dias Tempo de detenção hidráulica < 5 dias 5-8 horas 2 horas Relação A/M 0,2-0,6 <0,12 * Concentração de sólidos no liquor misto Relação A/M : é o quanto de substrato está disponível por “unidade de biomassa” Qual o melhor sistema na opinião de vocês? Configurações de sistema MBR Membrana externa Membrana submersa mais comum Representação de um sistema com membranas submersas Reator de membranas planas submersas (KUBOTA) Sistema MBR Puron - Koch Configurações de sistema MBR ■ Sistemas de membranas submersas raramente passam por limpeza química ■ Em sistemas aeróbios, a agitação provocada pela aeração ajuda a prevenir ocorrência de fouling ■ Até agora nós demos exemplos e discutimos sistemas aeróbios, i.e., os microrganismos precisam de oxigênio para viver ■ Sistemas anaeróbios não tem aeração. Para MBR de sistemas anaeróbios, a configuração de membrana externa é a mais indicada O restante da aula será dado considerando sistemas aeróbios, que são os mais comuns. ■ Quem é S? ■ A oxidação de matéria orgânica não é o único processo ocorrendo no tanque! Até agora, nós trabalhamos os balanços de massa tratando de “substrato” (S) e biomassa (X) Sistemas MBR são frequentemente projetados para contemplar remoção de nitrogênio Processo convencional para remoção de nitrogênio de águas residuárias • Em águas residuárias, o nitrogênio está principalmente na forma de nitrogênio amoniacal (NH4 +) • A remoção de nitrogênio se dá em duas etapas: inicialmente o amônio é convertido a nitrato (nitrificação) • Em seguida, a o nitrato é convertido a N2 (etapa de desnitrificação) Sistemas MBR são frequentemente projetados para contemplar remoção de nitrogênio Processo convencional para remoção de nitrogênio de águas residuárias • Em águas residuárias, o nitrogênio está principalmente na forma de nitrogênio amoniacal (NH4 +) • A remoção de nitrogênio se dá em duas etapas: inicialmenteo amônio é convertido a nitrato (nitrificação) • Em seguida, a o nitrato é convertido a N2 (etapa de desnitrificação) Processo convencional para remoção de nitrogênio de águas residuárias • A remoção de nitrogênio se dá em duas etapas: inicialmente o amônio é convertido a nitrato (nitrificação) • Em seguida, a o nitrato é convertido a N2 (etapa de desnitrificação) Microrganismos autotróficos e aeróbios Microrganismos heterotróficos e anóxicos (i.e, não usam O2) Processos biológicos que podem ocorrem em sistemas MBR Processo Microrganismos Fonte de carbono Fonte de energia Oxidação matéria orgânica Bactérias heterotróficas compostos orgânicos compostos orgânicos e oxigênio Nitrificação Bactérias nitrificantes CO2 NH4 + e O2 Desnitrificação Bactérias desnitrificantes compostos orgânicos compostos orgânicos e NO3 - Tipos de sistemas MBR ■ Apenas remoção de matéria orgânica; ■ Remoção de matéria orgânica e nitrificação; ■ Remoção de matéria orgânica e nitrogênio. Como projetar um sistema para mais de um processo ocorrer de forma concomitante se as demandas das populações de microrganismos responsáveis são tão distintas? Representação esquemática de um sistema MBR com remoção de nitrogênio “B ri n c a n d o ” c o m a c o n fi g u ra ç ã o d o ta n q u e Valores típicos do TRS para processos de conversão bioquímica aeróbio/anóxico a 20ºC “B ri n c a n d o ” c o m p a râ m e tr o s d e o p e ra ç ã o Dimensionamento de Sistemas MBR ■ É similar ao procedimento utilizado para o dimensionamento de sistemas biológicos; ■ Principais diferenças: – Concentração de sólidos no licor misto: ■ Geralmente, a concentração de SSLM deve ser maior que 8.000 mg/L (10.000 a 12.000 mg de SSLM/L é o usual); ■ A aeração para as membranas, geralmente, supera a demanda de oxigênio para o processo biológico; ■ Processos com nitrificação e desnitrificação requerem taxas de reciclo interno mais elevadas. Efeito da taxa interna de reciclo na concentração de nitrato no efluente de um processo anóxico/aeróbio (Metcalf & Eddy, 2014) Dimensionamento de Sistemas MBR ■ O dimensionamento é similar àquele utilizado para sistemas biológicos de tratamento de efluentes; ■ A principal diferença é que nos sistemas MBR não é necessário incluir o decantador secundário, nem a unidade de adensamento de lodo; ■ A partir dos arranjos típicos promove-se o dimensionamento do sistema biológico e do sistema de separação por membranas. ■ Dependendo da capacidade do sistema de tratamento as membranas são instaladas em um tanque separado: – O tanque de membranas também faz parte do reator biológico; – A separação é feita para otimizar o processo, reduzindo o consumo de ar. ■ O pré-tratamento também pode ser simplificado. Sistema para remoção de matéria orgânica e nitrificação Sistema para remoção de matéria orgânica e de nitrogênio Dimensionamento de sistemas para remoção de matéria orgânica ■ Com base nos dados de qualidade do efluente a ser tratado: – Adotar o tempo de retenção de sólidos no reator; – Adotar a concentração de sólidos suspensos no licor misto; – Elaborar o diagrama do processo indicando as principais correntes de processo; – Desenvolver as equações de balanço de massa necessárias. – Calcular a concentração de substrato no efluente final; – Calcular o volume do reator; – Calcular a vazão de descarte de lodo; – Calcular a área de membrana a ser utilizada; – Calcular o consumo de OD e a potência do aerador. Modelo de Monod para produção de biomassa ■ Este modelo nada mais é do que o ajuste da curva de variação de produção de biomassa, ou da taxa de crescimento específico, em função do consumo de substrato. 𝜇𝐵𝐻 = 𝜇𝐵𝐻𝑚𝑎𝑥 𝑆𝑆 𝐾𝑆 + 𝑆𝑆 𝜇𝐵𝐻𝐿 = 𝜇𝐵𝐻𝑚𝑎𝑥 𝑆𝑆 𝐾𝑆 + 𝑆𝑆 𝑆𝑂 𝐾𝑂𝐻 + 𝑆𝑂 Sem limitação de oxigênio Com limitação de oxigênio (2,0 mg O2/L) Coeficientes cinéticos e estequiométricos para múltiplas reações no processo biológico com crescimento em suspensão Símbolo Definição Símbolo Definição XS DQO lentamente biodegradável (mg O2/L) SO Concentração de oxigênio (mg O2/L) XB,H Biomassa heterotrófica ativa (mg DQO/L) SNO Nitrogênio na forma de nitrato (mg N/L) XB,A Biomassa autotrófica ativa (mg DQO/L) SNH Nitrogênio amoniacal (mg N/L) XD Detrito de biomassa (mg DQO/L) SALC Alcalinidade (moles/L) SS Substrato rapidamente biodegradável (mg DQO/L) Símbolo Unidades Valores Coeficientes estequiométricos YH Produção de biomassa em função da DQO consumida (mg DQOformada/mg DQOremov) 0,60 f’D Produção de detritos (mg DQOdetritos/mg DQObiomassa) 0,08 iN/XB Quantidade de nitrogênio na biomassa (mg N / mg DQObiomassa) 0,086 YA Produção de biomassa em função do N oxidado (mg DQOformada / mg Noxidado) 0,24 Parâmetros cinéticos Hmax Constante de produção máxima de biomassa heterotrófica (h-1) 0,25 KS Constante de saturação para meia velocidade de oxidação de substrato (mg DQO/L) 20 KO,H Constante de limitação de oxigênio para bactérias heterotróficas (mg O2/L) 0,10 KNO Constante de saturação para a meia velocidade de nitrificação (mg N/L) 0,20 bL,H Constante de decaimento endógeno para bactérias heterotróficas (h-1) 0,017 hg Fator adimensional 0,80 Amax Constante de produção de biomassa autotrófica (h-1) 0,032 KNH Constante de saturação para meia velocidade de oxidação de amônia (mg N/L) 1,0 KO,A Constante de limitação de oxigênio para bactérias autotróficas (mg O2/L) 0,75 bL,A Constante de decaimento endógeno para bactérias autotróficas (h-1) 0,004 Coeficiente estequiométricos e parâmetros cinéticos (20 °C) Diagrama para a realização do balanço de massa Equação geral para o balanço de massa 𝑉 𝑑𝐶 𝑑𝑡 = 𝑄. 𝐶0 − 𝑄 − 𝑄𝑊 . 𝐶𝑒 − 𝑄𝑊. 𝐶𝑊 + 𝑟𝐶 . V • C0, Ce e CW referem-se às concentrações dos constituintes para os quais será feito o balanço de massa; • Em regime permanente, não há acúmulo no reator. Balanço para microrganismos heterotróficos ■ Neste caso a variável C é substituída por XBH; ■ A membrana é uma barreira efetiva para microrganismos; ■ A concentração de microrganismos no afluente é desprezível; 𝑉 𝑑𝑋𝐵𝐻 𝑑𝑡 = 𝑄. 𝑋𝐵𝐻0 − 𝑄 − 𝑄𝑊 . 𝑋𝐵𝐻𝑒 − 𝑄𝑊. 𝑋𝐵𝐻𝑊 + 𝑟𝑋𝐵𝐻 . V 0 0 0 𝑟𝑋𝐵𝐻 . V = 𝑄𝑊. 𝑋𝐵𝐻𝑊 (1) Considerando-se que o reator é de mistura completa, XBHW = XBH ■ Tempo de retenção de sólidos (TRS) ou idade do lodo () 𝜃 = 𝑉. 𝑋𝐵𝐻 𝑄𝑊. 𝑋𝐵𝐻 ⟹ 𝜃 = 𝑉 𝑄𝑊 (2) • Cinética de produção de lodo (ver tabela do slide 47) 𝑟𝑋𝐵𝐻 = 𝜇𝐻𝑚𝑎𝑥 𝑆𝑆 𝐾𝑆 + 𝑆𝑆 𝑆𝑂 𝐾𝑂,𝐻 + 𝑆𝑂 𝑋𝐵𝐻 − 𝑏𝐿,𝐻𝑋𝐵𝐻 𝑟𝑋𝐵𝐻 = 𝑋𝐵𝐻 𝜇𝐻𝑚𝑎𝑥 𝑆𝑆 𝐾𝑆 + 𝑆𝑆 𝑆𝑂 𝐾𝑂,𝐻 + 𝑆𝑂 − 𝑏𝐿,𝐻 (3) 𝑆𝑂 𝐾𝑂,𝐻 + 𝑆𝑂 = 𝑓𝑂𝑋𝐻 4 ; 𝑒𝑚 3 ⟹ 𝑟𝑋𝐵𝐻 = 𝑋𝐵𝐻 𝜇𝐻𝑚𝑎𝑥 . 𝑓𝑂𝑋𝐻 𝑆𝑆 𝐾𝑆 + 𝑆𝑆 − 𝑏𝐿,𝐻 (5) (5) em (1): 𝑉. 𝑋𝐵𝐻 𝜇𝐻𝑚𝑎𝑥. 𝑓𝑂𝑋𝐻 𝑆𝑆 𝐾𝑆 + 𝑆𝑆 − 𝑏𝐿,𝐻 = 𝑄𝑊. 𝑋𝐵𝐻 ⟹ 𝑄𝑊 𝑉 = 1 𝜃 = 𝜇𝐻𝑚𝑎𝑥. 𝑓𝑂𝑋𝐻 𝑆𝑆 𝐾𝑆 + 𝑆𝑆 − 𝑏𝐿,𝐻 𝜇𝐻𝑚𝑎𝑥 . 𝑓𝑓𝑂𝑋𝐻 𝑆𝑆 𝐾𝑆 + 𝑆𝑆 = 1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻 𝜃 (6) 𝑆𝑆 𝐾𝑆 + 𝑆𝑆 = 1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻 𝜇𝐻𝑚𝑎𝑥. 𝜃. 𝑓𝑂𝑋𝐻 ⟹ 𝐾𝑆 𝑆𝑆 + 1 = 𝜇𝐻𝑚𝑎𝑥. 𝜃. 𝑓𝑂𝑋𝐻 1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻 𝐾𝑆 𝑆𝑆 = 𝜇𝐻𝑚𝑎𝑥. 𝜃. 𝑓𝑂𝑋𝐻 1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻 − 1 ⟹ 𝐾𝑆 𝑆𝑆 = 𝜇𝐻𝑚𝑎𝑥. 𝜃. 𝑓𝑂𝑋𝐻 − 1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻 1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻 ⟹ 𝑆𝑆 = 𝐾𝑆(1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻) 𝜇𝐻𝑚𝑎𝑥. 𝜃. 𝑓𝑂𝑋𝐻 − 1 − 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻 𝑆𝑆 = 𝐾𝑆(1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻) 𝜃 𝜇𝐻𝑚𝑎𝑥. 𝑓𝑂𝑋𝐻 − 𝑏𝐿,𝐻 − 1 (7) Repetir o balanço de massa para os demais componentes • Para matéria orgânica: • Para detritos: 𝑉 = 𝑌𝐻 . 𝜃. 𝑄(𝑆𝑆0 − 𝑆𝑆) 𝑋𝐵𝐻 1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻 (8) 𝑋𝐷𝐻 = 𝜃. 𝑓𝐷 ′ . 𝑏𝐿,𝐻 . 𝑋𝐵𝐻 (9) • Para oxigênio: • O consumo de oxigênio é resultado do consumo para matéria orgânica alimentada ao sistema (S0), mais aquela resultante da morte de organismos heterotróficos (XS). • Pela tabela do slide 47: 𝐶𝑂 = (𝑟𝑆0+𝑟𝑋𝑆). 𝑉 𝐶𝑂 = 𝑄 𝑆𝑆0 − 𝑆𝑆 1 − 𝑌𝐻 1 + 𝑓𝑑 ′. 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻 1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻 (10)Para nitrificação Equacionamento ■ O equacionamento para a remoção de matéria orgânica já apresentado; ■ Cinética de produção de lodo para bactérias oxidantes de amônia (Tabela do Slide 47): 𝑟𝑋𝐵𝐴 = 𝜇𝐴𝑚𝑎𝑥 𝑆𝑁𝐻 𝐾𝑁𝐻 + 𝑆𝑁𝐻 𝑆𝑂 𝐾𝑂,𝐴 + 𝑆𝑂 𝑋𝐵𝐴 − 𝑏𝐿,𝐴𝑋𝐵𝐴; 𝑟𝑋𝐵𝐴 = 𝑋𝐵𝐴 𝜇𝐴𝑚𝑎𝑥 𝑆𝑁𝐻 𝐾𝑁𝐻 + 𝑆𝑁𝐻 𝑓𝑂𝑋𝐴 − 𝑏𝐿,𝐴 (12) 𝑆𝑂 𝐾𝑂,𝐴 + 𝑆𝑂 = 𝑓𝑂𝑋𝐴 (11) • Balanço de massa: 𝑉 𝑑𝑋𝐵𝐴 𝑑𝑡 = 𝑄. 𝑋𝐵𝐴0 − 𝑄 − 𝑄𝑊 . 𝑋𝐵𝐴𝑒 − 𝑄𝑊. 𝑋𝐵𝐴𝑊 + 𝑟𝑋𝐵𝐴 . V; 0 0 0 𝑟𝑋𝐵𝐴 . V = 𝑄𝑊. 𝑋𝐵𝐴𝑊 (13) 𝜇𝐴𝑚𝑎𝑥. 𝑓𝑂𝑋𝐴 𝑆𝑁𝐻 𝐾𝑁𝐻 + 𝑆𝑁𝐻 = 1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐴 𝜃 (14) • 12 em 13: • Isolando SNH: 𝑆𝑁𝐻 = 𝐾𝑁𝐻(1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐴) 𝜃 𝜇𝐴𝑚𝑎𝑥. 𝑓𝑂𝑋𝐴 − 𝑏𝐿,𝐴 − 1 (15) • Balanço para nitrogênio oxidável, obtém-se a concentração de bactérias autotróficas: 𝑋𝐵𝐴 = 𝑌𝐴 𝜃. 𝑄 𝑆𝑁𝐻0 − 𝑆𝑁𝐻 − 𝑉. 𝑖𝑁/𝑋𝐵. 𝑋𝐵𝐻(1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻) 𝑉 𝑌𝐴. 𝑖𝑁/𝑋𝐵 + 1 . (1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐴) (16) • Balanço para alcalinidade (concentração molar): 𝑆𝐴𝐿𝐶 = 𝑆𝐴𝐿𝐶0 − 𝑉 𝑄 𝑖𝑁/𝑋𝐵. 𝑋𝐵𝐻 . 𝑌𝐴 1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻 + 𝑋𝐵𝐴(𝑖𝑁/𝑋𝐵. 𝑌𝐴 + 2)(1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐴) 14. 𝑌𝐴. 𝜃 (19) • Balanço para nitrato: 𝑆𝑁𝑂 = 𝑉. 𝑋𝐵𝐴(1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐴) 𝑄. 𝜃. 𝑌𝐴 (17) • Balanço para detritos: 𝑋𝐷𝐴 = 𝜃. 𝑓𝑑 ′ . 𝑏𝐿,𝐴. 𝑋𝐵𝐴(18) • Consumo de oxigênio para nitrificação: 𝐶𝑂𝑁𝑖𝑡𝑟𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎çã𝑜 = (4,57 − 𝑌𝐴) 𝜃. 𝑄 𝑆𝑁𝐻0 − 𝑆𝑁𝐻 − 𝑉. 𝑖𝑁/𝑋𝐵. 𝑋𝐵𝐻(1 + 𝜃. 𝑏𝐿,𝐻) 𝜃 𝑌𝐴. 𝑖𝑁/𝑋𝐵 + 1 (18) Processo com nitrificação e desnitrificação Considerações para o dimensionamento ■ Os cálculos para a remoção de matéria orgânica e nitrificação são os mesmos que os apresentados; ■ Contudo, o dimensionamento da câmara anóxica segue um procedimento diferente; ■ Elabora-se um balanço de massa para obtenção da quantidade de nitrogênio oxidável; ■ A partir da quantidade de nitrogênio oxidável elabora-se outro balanço de massa para obtenção da taxa de recirculação interna; ■ Adota-se o volume do reator anóxico, de desnitrificação, como uma porcentagem do volume do reator aeróbio (20 a 30%); ■ Admite-se que a produção e decaimento de biomassa na câmara anóxica é desprezível, e que todo o nitrato alimentado é reduzido; ■ Utiliza-se o conceito de Taxa Específica de Desnitrificação proposto em Metcalf & Eddy 2014, para obter a capacidade de desnitrificação da câmara anóxica; ■ Compara-se o valor com a quantidade de nitrogênio oxidável alimentado na câmara anóxica. ■ Balanço para nitrogênio oxidável: – Noxidável = N-kjeldahlafluente – Nkjeldahlefluente – Nbiomassadescartada 𝑄. 𝑁𝑂𝑥 = 𝑄. 𝑁𝐾𝑇0 − 𝑄 𝑁𝐾𝑇𝑒 − 0,12. 𝑋𝑏𝑖𝑜. 𝑉𝑟𝑒𝑎𝑡𝑜𝑟 𝜃 (20) 𝑋𝑏𝑖𝑜 = 𝑋𝐵𝐻 + 𝑋𝐵𝐴 + 𝑋𝐷𝐻𝐴 (22) • Balanço para nitrato: • N-produzido = N-NO3efluente + N-NO3reciclo – N-NO3lodo descartado 𝑁𝑂𝑥 = 𝑁𝐾𝑇0 − 𝑁𝐾𝑇𝑒 − 0,12 𝑋𝑏𝑖𝑜. 𝑉𝑟𝑒𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑄. 𝜃 (21) 𝑄. 𝑁𝑂𝑥 = 𝑆𝑁𝑂 𝑄 − 𝑄𝑊 + 𝑄𝑊 + 𝑅. 𝑄 ; 𝑄. 𝑁𝑂𝑥 = 𝑄. 𝑆𝑁𝑂(1 + 𝑅) 𝑅 = 𝑁𝑂𝑥 𝑆𝑁𝑂 − 1 23 ; 𝑆𝑁𝑂 é 𝑜𝑏𝑡𝑖𝑑𝑜 𝑐𝑜𝑚 𝑎 𝑒𝑞𝑢𝑎çã𝑜 (17) • NKTe é obtido com a equação (15). • Cálculo da quantidade de nitrato alimentada ao reator anóxico: • Admite-se que a concentração de nitrato no afluente é zero; • A concentração de nitrato no reciclo interno é obtida pela equação (17). 𝑁𝑂𝑥𝑟𝑒𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑎𝑛ó𝑥𝑖𝑐𝑜 = 𝑄. 𝑅. 𝑆𝑁𝑂 (24) • Obtenção da Taxa Específica de Desnitrificação: • Adotar o volume da câmara anóxica; • Obter a concentração de bactérias heterotróficas no reator anóxico (XBHan); • Obter a relação A/MBH, na câmara anóxica; • Obter a TEdN, com base nas equações das curvas do gráfico TEdN x A/MBH; • Calcular a quantidade de nitrato reduzido; • Comparar com a quantidade alimentada no reator anóxico. Fonte: Metcalf & Eddy, 2014 – Capítulo 8 𝐴 𝑀𝐵𝐻 = 𝑄. 𝑆0 𝑉𝑎𝑛𝑜𝑥. 𝑋𝐵𝐻𝑎𝑛𝑜𝑥 25 ; 𝑆0 é 𝑎 𝐷𝐵𝑂 𝑎𝑓𝑙𝑢𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎𝑜 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎. 𝑋𝐵𝐻𝑎𝑛𝑜𝑥 = 𝑅. 𝑋𝐵𝐻𝑎𝑒𝑟ó𝑏𝑖𝑜 (1 + 𝑅) (26) 𝑇𝐸𝑑𝑁20°𝐶 = 𝑏0 + 𝑏1 𝑙𝑛 𝐴 𝑀𝐵𝐻 , 𝑠𝑒 𝐴 𝑀𝐵𝐻 > 0,50 (27) 𝑇𝐸𝑑𝑁20°𝐶 = 0,24 𝐴 𝑀𝐵𝐻 , 𝑠𝑒 𝐴 𝑀𝐵𝐻 ≤ 0,50 (28) • Os valores de b0 e b1 dependem da DQO rapidamente biodegradável. • Se A/MBH for maior ou igual a 1,0 g/g.d, a TEdN deverá ser ajustada: 𝑁𝑂𝑥𝑟𝑒𝑚𝑜𝑣𝑖𝑑𝑜 = 𝑇𝐸𝑑𝑁. 𝑉𝑎𝑛𝑜𝑥. 𝑋𝐵𝐻𝑎𝑛𝑜𝑥 (29) • Cálculo da quantidade de NOx reduzida: • Para TIR = 2: • Para TIR = 3-4: 𝑇𝐸𝑑𝑁𝑎𝑗𝑢𝑠 = 𝑇𝐸𝑑𝑁20°𝐶 − 0,0166 ln ൗ𝐴 𝑀𝐵𝐻 − 0,078 𝑇𝐸𝑑𝑁𝑎𝑗𝑢𝑠 = 𝑇𝐸𝑑𝑁20°𝐶 − 0,029 ln ൗ𝐴 𝑀𝐵𝐻 − 0,012 Valores de b0 e b1 em função da porcentagem da DQO rapidamente biodegradável Efeito da temperatura nos processos biológicos ■ Como os processos biológicos nada mais são do que reações químicas que ocorrem no reator a temperatura afeta os parâmetros cinéticos; ■ Como em processos químicos, a constantes cinéticas podem ser representadas pela equação de Arrhenius; ■ A partir da manipulação da equação de Arrhenius foi obtida uma equação simplificada para a correção das constantes cinéticas: 𝑘1 = 𝑘2. 𝜃 𝑇1−𝑇2 (30) k1 = constante na temperatura para cálculo; T1 = temperatura de cálculo; k2 = constante na temperatura de 20ºC; T2 = temperatura de referência para k2; = fator de correção de temperatura. Fatores de correção de temperatura para as constantes cinéticas Constante cinética Valor de Hmax 1,08 bL,H 1,04 KS e YH 1,00 Amax 1,11 bL,A 1,04 KNH 1,14 YA 1,00 TEdN 1,03 Fator de transferência de oxigênio em processos de lodo ativado em função da concentração de SSLM (Fonte: Simon Judd, 2006) Exemplo do desempenho dos bioreatores com membranas submersas Afluente (mg/L) Efluente (mg/L) Membrana SS DQO* DBO SS DQO DBO 80 - 460 100 - 365 200 - 1000 < 5 < 40 < 10 UF 96 89 349 < 5 12 3,7 UF 280 620 230 < 5 11 < 5 MF 153 79 176 < 5 6 1,5 MF 110 – 164 292 – 411 --x-- < 5 15 – 19 --x-- UF 1315 --x-- 1130 5 --x-- 5 UF * DQO baseada no método com permanganato. Fonte: Water Treatment Membrane Processes - AWWA Informações para projeto (Apenas do sistema de membranas) ■ Capacidade do sistema; ■ Taxa de fluxo (LMH – Litros por hora por metro quadrado); ■ Limites de pressão ■ Taxa específica de aeração; ■ Frequência de contralavagem; ■ Frequência de limpezas químicas: – Manutenção; – Preventiva; – Recuperação. Dados sobre condições de operação de membranas comerciais Dados sobre desempenho de sistemas de tratamento de esgotos, comparação com o sistema de lodo ativado convencional - http://www.iwawaterwiki.org/xwiki/bin/view/Articles/MembraneBioreactor http://www.iwawaterwiki.org/xwiki/bin/view/Articles/MembraneBioreactor Slide 1: PHA 3418 – Tecnologia de Separação por Membranas para Tratamento de Água e Efluentes Slide 2: Revisão Slide 3: Revisão Slide 4: Conceituação Slide 5: Balanço de massa para reator de mistura completa Slide 6: 0 Slide 7: Conceituação/Revisão Slide 8: Equacionamento do crescimento celular Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16: Esse é exatamente o caso de lagoas de tratamento! Slide 17 Slide 18 Slide 19: Esse é o caso dos sistemas de lodos ativados Slide 20: Tá, mas essa não é uma aula de membranas? Slide 21: Sistemas MBR Slide 22 Slide 23: Sistemas MBR Slide 24: Vantagem de sistemas MBR Slide 25 Slide 26 Slide 27: Configurações de sistema MBR Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31: Configurações de sistema MBR Slide 32: O restante da aula será dado considerando sistemas aeróbios, que são os mais comuns. Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37: Tipos de sistemas MBR Slide 38 Slide 39 Slide 40: Dimensionamento de Sistemas MBR Slide 41 Slide 42: Dimensionamento de Sistemas MBR Slide 43: Sistema para remoção de matéria orgânica e nitrificação Slide 44 Slide 45: Dimensionamento de sistemas para remoção de matéria orgânica Slide 46: Modelo de Monod para produção de biomassa Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50: Equação geral para o balanço de massa Slide 51: Balanço para microrganismos heterotróficos Slide 52 Slide53 Slide 54: Repetir o balanço de massa para os demais componentes Slide 55 Slide 56: Para nitrificação Slide 57: Equacionamento Slide 58 Slide 59 Slide 60: Processo com nitrificação e desnitrificação Slide 61: Considerações para o dimensionamento Slide 62 Slide 63 Slide 64 Slide 65 Slide 66 Slide 67: Efeito da temperatura nos processos biológicos Slide 68: Fatores de correção de temperatura para as constantes cinéticas Slide 69 Slide 70 Slide 71: Informações para projeto (Apenas do sistema de membranas) Slide 72 Slide 73