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Mecânica dos Solos II
Lista de exemplos
Prof. Thiago Damasceno Silva
1. Determinar as tensões vertical, neutra e efetiva para o caso indicado a seguir, a 15 m de
profundidade, e em seguida marque a resposta correta. Considerar que o nível d’água atua
na superfície do terreno.
Resolução:
A tensão vertical na cota de 15 m, ocasionada pelo peso próprio das camadas de solo, é:
𝜎 = ℎ1 ∙ 𝛾1 + ℎ2 ∙ 𝛾2 + ℎ3 ∙ 𝛾3
𝜎 = 2 ∙ 12 + 6 ∙ 22 + 7 ∙ 28
𝜎 = 352 kN/m² = 352 kPa
Considerando o peso específico da água (𝛾𝑤) como 10 kN/m³, obtém-se a tensão neutra na
cota de 15 m:
𝑢 = ℎ𝑤 ∙ 𝛾𝑤 = 15 ∙ 10
𝑢 = 150 kPa
Por fim, conforme a diferença entre a tensão vertical e a tensão neutra, calcula-se a tensão
efetiva na cota de 15 m:
𝜎′ = 𝜎 − 𝑢
𝜎′ = 352 − 150
𝜎′ = 202 kPa
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2. Para o terreno indicado na figura abaixo, calcule as tensões neutras, efetivas e totais
referentes à profundidade com cota -12 m.
Dados:
Argila orgânica mole preta: peso específico das partículas sólidas = 21 kN/m³; porosidade
= 40%.
Areia fina argilosa mediamente compactada: peso específico das partículas sólidas = 29
kN/m³; índice de vazios = 1,5.
Areia siltosa mole cinza escura: peso específico das partículas sólidas = 25 kN/m³; peso
específico aparente seco = 18 kN/m³.
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Resolução:
Devemos inicialmente relembrar algumas relações de propriedades da Mecânica dos Solos
(normalmente estudadas no curso inicial de Mecânica dos Solos I):
Peso específico natural do solo: 𝛾𝑛 = 𝛾𝑠 ∙
(1 + 𝑤)
(1 + 𝑒)
Índice de vazios: 𝑒 =
𝑛
(1 − 𝑛)
Teor de umidade: 𝑤 = 𝑒 ∙
𝛾𝑤
𝛾𝑠
Peso específico aparente seco: 𝛾𝑑 =
𝛾𝑠
(1 + 𝑒)
Nas relações acima, é importante notar que 𝛾𝑠 é o peso específico das partículas sólidas
(fornecido para todas as camadas), 𝛾𝑤 é o peso específico da água (aproximadamente 10
kN/m³) e 𝑛 é a porosidade do solo. Com base nessas relações, é possível determinar o peso
específico natural do solo (𝛾𝑛), que é a relação entre o peso total e o volume total do solo,
sendo utilizado no cálculo das tensões verticais provenientes do peso próprio.
Camada 1 - Argila orgânica mole preta
Para a primeira camada, foram fornecidos os valores para o peso específico das partículas
sólidas e a porosidade do solo:
𝛾𝑠 = 21 kN/m³
𝑛 = 40% = 0,4
Aplicando a equação do índice de vazios:
𝑒 =
𝑛
(1 − 𝑛)
=
0,4
(1 − 0,4)
𝑒 = 0,67
Determina-se o teor de umidade do solo posteriormente:
𝑤 = 𝑒 ∙
𝛾𝑤
𝛾𝑠
= 0,67 ∙
10
21
𝑤 = 0,32
Calcula-se em seguida o peso específico natural do solo:
𝛾𝑛 = 𝛾𝑠 ∙
(1 + 𝑤)
(1 + 𝑒)
= 21 ∙
(1 + 0,32)
(1 + 0,67)
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𝛾𝑛 = 16,6 kN/m³
Determina-se a tensão vertical na base da camada, cota -2:
𝜎′ = ℎ ∙ 𝛾𝑛 = 5 ∙ 16,6
𝜎′ = 83 kN/m² = 83 kPa
Camada 2 - Areia fina argilosa mediamente compactada
Para a segunda camada, foram fornecidos os valores para o peso específico das partículas
sólidas e o índice de vazios do solo:
𝛾𝑠 = 29 kN/m³
𝑒 = 1,5
Aplicando a equação do teor de umidade:
𝑤 = 𝑒 ∙
𝛾𝑤
𝛾𝑠
= 1,5 ∙
10
21
𝑤 = 0,52
Determina-se em seguida o peso específico natural do solo:
𝛾𝑛 = 𝛾𝑠 ∙
(1 + 𝑤)
(1 + 𝑒)
= 29 ∙
(1 + 0,52)
(1 + 1,5)
𝛾𝑛 = 17,6 kN/m³
Calcula-se a tensão vertical na base da camada, cota -6:
𝜎′ = ℎ ∙ 𝛾𝑛 = 4 ∙ 17,6
𝜎′ = 70,4 kN/m² = 70,4 kPa
Camada 3 - Areia fina argilosa mediamente compactada
Para a segunda camada, foram fornecidos os valores para o peso específico das partículas
sólidas e o peso específico aparente seco do solo:
𝛾𝑠 = 25 kN/m³
𝛾𝑑 = 18 kN/m³
É necessário determinar o índice de vazios conforme a equação:
𝛾𝑑 =
𝛾𝑠
(1 + 𝑒)
→ 𝑒 =
𝛾𝑠
𝛾𝑑
− 1
5
𝑒 =
25
18
− 1 = 0,39
Aplicando a equação do teor de umidade:
𝑤 = 𝑒 ∙
𝛾𝑤
𝛾𝑠
= 0,39 ∙
10
25
𝑤 = 0,156
Determina-se em seguida o peso específico natural do solo:
𝛾𝑛 = 𝛾𝑠 ∙
(1 + 𝑤)
(1 + 𝑒)
= 25 ∙
(1 + 0,156)
(1 + 0,39)
𝛾𝑛 = 20,8 kN/m³
Calcula-se a tensão vertical na cota especificada, cota -12:
𝜎 = ℎ ∙ 𝛾𝑛 = 6 ∙ 20,8
𝜎 = 124,8 kN/m² = 124,8 kPa
Cálculo das tensões na cota -12 m
Conforme as tensões previamente calculadas, é possível determinar a tensão vertical total na
cota -12:
𝜎𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 83 + 70,4 + 124,8
𝜎𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 278,2 kPa
A tensão neutra na cota -12 também é calculada, de acordo com a cota em que o nível d’água
situa-se (cota +3 nesse caso, sendo 15 m de diferença até a cota -12):
𝑢 = ℎ ∙ 𝛾𝑤 = 15 ∙ 10
𝑢 = 150 kPa
Por fim, calcula-se a tensão efetiva na cota -12 segundo a diferença entre a tensão vertical e
a tensão neutra:
𝜎′ = 𝜎𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 − 𝑢
𝜎′ = 278,2 − 150
𝜎′ = 128,2 kPa
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3. Pelo método de Boussinesq, calcule o valor da tensão vertical no ponto A de uma camada de
solo sujeita a uma força concentrada de 800 kN, e do ângulo θ indicado na figura. A distância
horizontal (r) entre o ponto A e o ponto de aplicação da força é de 1,2 m, enquanto a
profundidade (z) é de 2,7 m.
Resolução:
O ângulo θ é calculado considerando a relação trigonométrica de tangente (cateto oposto por
cateto adjacente):
tan 𝜃 =
𝑟
𝑧
=
1,2
2,7
= 0,4444
𝜃 = tan−1(0,4444) = 23,96° ≅ 24°
Em seguida, aplica-se a fórmula de Boussinesq para determinar a tensão vertical 𝜎𝑣 no ponto
analisado (A):
𝜎𝑣 =
3 ∙ 𝑝
2 ∙ 𝜋 ∙ 𝑧2
∙ cos5 𝜃
𝜎𝑣 =
3 ∙ 800
2 ∙ 𝜋 ∙ 2,72
∙ cos5(23,96°)
𝜎𝑣 = 33,39 kN/m
2 = 33,39 kPa
Portanto, a tensão vertical ocasionada pela força concentrada no ponto A será de 33,39 kPa.
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4. A partir da teoria de Love, determinar a tensão vertical gerada por uma placa circular
carregada a 150 kN/m² na profundidade de 2r. A placa possui raio (r) de 2,15 m.
Resolução:
A profundidade em que a tensão vertical será calculada é de duas vezes o raio (2r). Assim:
𝑧 = 2 ∙ 𝑟 = 2 ∙ 2,15
𝑧 = 4,30 m
Em seguida, aplica-se a fórmula de Love para determinar a tensão vertical 𝜎𝑣 na profundidade
z de 4,3 m:
𝜎𝑣 = 𝑝 ∙
{
1 −
1
[1 + (
𝑟
𝑧)
2
]
3
2
}
𝜎𝑣 = 150 ∙
{
1 −
1
[1 + (
2,15
4,30)
2
]
3
2
}
𝜎𝑣 = 42,67 kN/m
2 = 42,67 kPa
Portanto, a tensão vertical ocasionada na profundidade de 4,3 m será de 42,67 kPa.
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5. O recalque primário é o que ocorre por adensamento devido à expulsão da água dos vazios
do solo. Dessa forma, determinar o recalque primário de uma camada de solo com espessura
de 2,3 m, sabendo que o valor obtido para o índice de vazios inicial do solo é 1,38, enquanto
o valor do índice de vazios final é 0,57.
Resolução:
Considerando os dados:
𝐻0 = 2,3 m
𝑒0 = 1,38
𝑒 = 0,57
É possível aplicar diretamente a fórmula do recalque primário (𝜌𝑐):
𝜌𝑐 = (
∆𝑒
1 + 𝑒0
) ∙ 𝐻0 = (
|0,57 − 1,38|
1 + 1,38
) ∙ 2,3
𝜌𝑐 = 0,7828 m = 78,28 cm
Portanto, o recalque primário será de 78,28 cm. Notar que o sinal não é particularmente
importante, pois o recalque é considerado na forma de movimento vertical descendente.
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6. Na figura abaixo é apresentada uma rede de fluxo permanente 2D, ao redor de uma cortina
impermeável em uma camada de solo isotrópico e homogêneo. A rede é constituída por 5
linhas de fluxo e 10 linhas equipotenciais, sendo o nível de referência (NR) coincidente com
a posição da linha equipotencial mínima (nível d’água 2). Determine o valor da carga hidráulica
h no ponto A, situado na profundidade 1,4 m abaixo do NR. Em seguida, marque a opção que
contém o valor correto.
(Questão adaptada do ENADE 2011).
Resolução:
Nessa questão é indicado um problema de percolação de água em solos. No enunciado foi
informado que há 5 linhas de fluxo e 10 linhas equipotenciais:
𝑁𝑓 = 5 (linhas de fluxo); 𝑁𝑑 = 10 (linhas equipotenciais)
As linhas de fluxo são linhasimaginárias, traçadas com o intuito de simular a trajetória das
partículas de água pelo solo. As linhas equipotenciais são desenhadas de forma a interceptar
ortogonalmente as linhas de fluxo, gerando assim pontos de interseção, como o ponto A
indicado na figura. Nesses pontos, os parâmetros de análise serão estimados (no caso dessa
questão pede-se apenas a carga hidráulica). Outros parâmetros que poderiam ser estimados
nesses pontos: pressão neutra, pressão efetiva, etc. O traçado das linhas de fluxo e
equipotenciais ocorre a partir de métodos analíticos, numéricos ou gráficos. O método gráfico
é considerado o mais prático, consistindo no traçado a mão livre de diversas linhas de
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escoamento e equipotenciais, desde que elas se interceptem ortogonalmente e que formem
figuras aproximadamente “quadradas”.
Considera-se que a carga total é dissipada entre as linhas equipotenciais. Assim, a perda de
carga é constante entre linhas equipotenciais sucessivas. Para o cálculo da perda de carga,
a diferença de altura entre o nível de referência (NR) e o primeiro nível de água (NA1) é de Z
= 3,6 m, conforme visualizado na Figura. Portanto, considera-se que ocorre perda de carga
do NA1 até o ponto A para cada linha equipotencial de forma cumulativa, sendo:
𝛥ℎ =
𝑍
𝑁𝑑
=
3,6
10
= 0,36 m
Consequentemente, a perda de carga em cada linha equipotencial é de 0,36 m, até o NR (em
que a carga hidráulica é nula). Portanto, no ponto “A” a carga hidráulica é ℎ = 0,36 m, referente
à penúltima linha equipotencial.
–– Linhas de fluxo
–– Linhas equipotenciais