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Feminismo Decolonial 
Alunas: 
Ana Glória Douetts Diniz 
Sylvia Marina Rosa e Paes de Barros 
Viviane Nogueira de Moraes Danieleski 
DES 5875 - Gênero e etnia - 2° semestre de 2023 
Termos:
 decolonial e descolonial
● DESCOLONIAL: refere-se a processos 
histórico-administrativos de desligamento das 
metrópoles das ex-colônias
● DECOLONIAL: movimento de tornar 
pensamentos e práticas cada vez mais livres da 
colonialidade, do pensamento eurocêntrico
Feminismo decolonial 
● Reconhece as desigualdades existentes entre 
as mulheres, considera a interseccionalidade 
(gênero, raça, classe) e acrescenta uma crítica 
substantiva ao capitalismo
● Mulheres racializadas: negras; não brancas; não 
ocidentais - imigrantes; que trazem marcas 
sociais, referentes a cor, religião, língua ou outro 
distintivo
● Reposiciona o problema da reprodução social: 
biológica (maternidade); trabalho doméstico 
(não remunerado no cuidado da casa, parentes, 
idosos, pessoas com necessidades especiais); 
trabalho precarizado (rebaixamento do status 
social; precariedade de direitos; terceirização; 
serviços de limpeza; invisibilidade) 
Conceito de “um” 
feminismo decolonial 
● “[...] defendo um feminismo decolonial que 
tenha por objetivo a destruição do racismo, do 
capitalismo e do imperialismo”. (Françoise 
Vergès)
● O feminismo envolve muito mais do que a 
igualdade de gênero. E envolve muito mais que 
gênero (Angela Davis). Ele também ultrapassa a 
categoria “mulheres”, fundada sobre um 
determinismo biológico
Surgimento do 
termo “feminismo 
decolonial”
● O termo feminismo decolonial surge pela primeira 
vez em 2008 a partir do texto “Colonialidad y 
género” da filósofa argentina María Lugones. 
● No texto, María investiga a intersecção entre raça, 
gênero, sexualidade e classe na tentativa de entender 
a indiferença dos homens colonizados diante das 
diversas violências que as mulheres de suas 
comunidades sofrem, mais especificamente as 
mulher negras e não-brancas vítimas da colonização. 
● A autora também amplia a teoria da “colonialidade 
do poder” do sociólogo peruano Aníbal Quijano, 
introduzindo a noção de “sistema moderno-colonial 
de gênero” . 
Sistema 
moderno-colonial de 
gênero
O sistema moderno-colonial utiliza de estratégias e práticas 
discursivas para colonizar os nativos (homens e mulheres) 
recorrendo a uma dimensão de gênero. Aplica neste sentido, 
o conceito moderno de colonialidade, pois, termina por 
controlar condutas, determinar normas para que se tenha 
bem claro como poder ser homens e mulheres pertencentes 
a América Larina. Também, perpassa pelo eurocentrismo, 
pois o sistema colonial determina um padrão, isto é, o 
homem do ocidente é superior ao homem não ocidental. 
Tem dimensão racial, pois mulheres não brancas, as nativas, 
são inviabilizadas neste sistema. 
Segundo Lugones antes da chegada dos colonizadores nas 
américas haviam outras posições de gênero não estas 
hierarquizadas e dicotômicas inventadas pelos 
colonizadores, que impuseram gêneros binários na qual os 
homens assumem o modelo patriarcal, destruindo estruturas 
tribais que vivenciavam outros modelos, como os 
matriarcais. 
(GONÇALVES, Josimere Serrão; RIBEIRO, Joyce Otânia 
Seixas. Colonialidade de gênero: o feminismo decolonial de 
María Lugones). 
Primeiras feministas 
decoloniais: 
De acordo com a professora Susana Castro 
Amaral Vieira, professora titular do Departamento 
de Filosofia na Universidade Federal do Rio de 
Janeiro, as primeiras feministas decoloniais 
seriam: 
- Maria Lugones
- Gloria Anzaldúa
- Yuderkys Espinoza
- Lélia González 
https://www.brasildefato.com.br/2023/04/26/o-qu
e-e-teoria-decolonial-curso-online-apresenta-pers
pectiva-ligada-ao-feminismo
https://www.google.com/url?q=https://www.brasildefato.com.br/2023/04/26/o-que-e-teoria-decolonial-curso-online-apresenta-perspectiva-ligada-ao-feminismo&sa=D&source=editors&ust=1699548279916155&usg=AOvVaw2UfmgJHAc5fpiO6iBjz6Zf
https://www.google.com/url?q=https://www.brasildefato.com.br/2023/04/26/o-que-e-teoria-decolonial-curso-online-apresenta-perspectiva-ligada-ao-feminismo&sa=D&source=editors&ust=1699548279916355&usg=AOvVaw1al4VzOieZ1fy4qcE77rAf
https://www.google.com/url?q=https://www.brasildefato.com.br/2023/04/26/o-que-e-teoria-decolonial-curso-online-apresenta-perspectiva-ligada-ao-feminismo&sa=D&source=editors&ust=1699548279916496&usg=AOvVaw3XXTYXWdtLHrAeLNRmGNjy
Gloria Anzaldúa 
● Gloria Anzaldúa foi uma estudiosa da teoria cultural 
chicana, teoria feminista e teoria queer, entre os seus 
princiais trabalhos, figuram o livro autobiográfico 
Borderlands/La Frontera: The New Mestiza, uma 
obra que mistura prosa e poesia, na qual conta sua 
trajetória como acadêmica e mulher chicana.
● Anzaldúa denuncia e questiona as violências às quais 
estão submetidas as pessoas que nasceram e habitam 
territórios e culturas de fronteira, sobretudo mulheres 
“de cor” do terceiro mundo. A fronteira de que 
Anzaldúa trata é aquela que divide os Estados 
Unidos e o México, contudo, vale ressaltar que para 
autora a fronteira é mais do que o simples limite 
geográfico entre nações. 
Feminismo chicano
● Chicana: faz referência a mulher 
mexicana-norte-americana/indígena da fronteira, 
dos entre-fronteiras, dos entre-lugares, dos 
entre-línguas-culturas. 
● Tradicionalmente, a cultura chicana é patriarcal e 
baseia-se em definições de moralidade e de ordem 
social firmado sobre os elementos do sexo 
feminino, bem como a dicotomia 
virgem/prostituta. 
● O feminismo chicano se instala num lugar de fala 
que coloca as mulheres entre o poder patriarcal 
mexicano e a voz do feminismo norte-americano 
que não dá conta das questões raciais e de classe. 
EUA (1970)
https://distintaslatitudes.net/archivo/de-malinches-a-
hijas-de-cuauhtemoc-chicanas-y-feministas
Yuderkys Espinoza ● Yuderkys Espinosa Miñoso nasceu na República 
Dominicana, é ativista e acadêmica e uma das fortes 
vozes do chamado Feminismo Decolonial. Suas 
análises articulam a perspectiva antirracista e de 
classe dentro dos movimentos. É autora de várias 
obras, sobressaindo-se o livro Escritos de una 
lesbiana oscura: reflexiones criticas sobre feminismo 
y política de identidade en América Latina.
● Yuderkys Espinosa contribuiu para superação de uma 
lacuna na difusão de vozes que configuram parcela 
de uma corrente que faz a ponte entre feminismo e 
descolonialidade, posicionando correntes autônomas 
e marginais do movimento feminista e lesbofeminista 
regional. 
Lélia González ● Lélia Gonzalez foi uma intelectual, autora, ativista, 
professora, filósofa e antropóloga brasileira. É uma 
referência nos estudos e debates de gênero, raça e 
classe no Brasil, América Latina e pelo mundo, 
sendo considerada uma das principais autoras do 
feminismo negro no país.
● Lélia não chegou a utilizar diretamente o termo 
“feminismo decolonial”, mas suas reflexões e 
questionamentos acerca do feminismo negro fizeram 
parte de um projeto decolonial, ao romper com a 
explicação eurocêntrica sobre a colonização e 
desmistificação da categoria universal de mulher, ao 
apresentar a proposta de intersecção entre categorias 
que estruturam o poder. 
Feminismo liberal
● liberação sexual
● igualdade no mercado de trabalho
● desconsidera distinções entre as mulheres: visão 
universal - utilizada por organismos internacionais
● políticas imperialistas sobre países periféricos
● opressão de povos, opressão de mulheres racializadas
● política de controle de natalidade
● esterilização de mulheres racializadas
● controle dos corpos das mulheres racializadas
Crítica ao feminismo 
civilizatório 
● torna visível a dimensão colonial e racial de um 
feminismo europeu convencido de ter escapado das 
ideologias racistas, da escravatura e do colonialismo
● este feminismo: adotou e adaptou os objetivos da 
missão civilizatória colonial, oferecendo ao 
neoliberalismo e ao imperialismo uma política dos 
direitos das mulheres que serve a seus interesses
Crítica ao 
feminismocivilizatório 
●
https://www.google.com/url?q=https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2023-08/prefeita-italiana-reabre-polemica-sobre-burkini-em-praia-europeia&sa=D&source=editors&ust=1699548281590432&usg=AOvVaw1gWDiwhCsZRR2uAciOK_L-
FEMINISTAS
NEGRAS 
BRASILEIRAS
Como se constitui o 
pensamento das 
mulheres negras
Mantra: “Olhar para o passado para projetar o futuro”. 
Pensar na constituição de diversidade.
Nova realidade a partir de políticas afirmativas. Sistema de 
cotas: Lei nº 12.711/2012.
Mulheres não se perceberam negras apenas na universidade. 
Exemplo: Profa. Silvana Santos Bispo, UFBA.
- Como se constitui esse pensamento dentro das famílias 
brasileiras? Buscar informações, dizer a verdade às 
crianças, estimular o entretenimento com 
representatividade, ampliar o leque de referências. 
Como se constitui o 
pensamento das 
mulheres negras
Na sociedade: acesso às organizações de bairro, discussões 
raciais, descobrir a história através da arte, perspectiva 
feminista dentro das universidades.
- Outras possibilidades de pensamento das feministas 
negras: não deslocar a própria experiência, aprender com as 
histórias do passado e ancestralidade.
No Brasil, Movimento de Mulheres Negras (MMN), na 
década de 1970, com uma abordagem conjunta das pautas 
de gênero e raça pelos movimentos sociais da época.
Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e 
Caribenha: 25 de julho de 1992 na República Dominicana, 
durante o 1º encontro de mulheres negras da América Latina 
e do Caribe, ONU reconheceu a data no mesmo ano.
No Brasil, a Lei nº 12.987/2014, definiu o dia 25 de julho o 
Dia Nacional de Tereza de Benguela e o Dia da Mulher 
Negra. 
Quais são os 
caminhos a serem 
seguidos pelo 
pensamento das 
feministas negras
Luta contra o racismo, sexismo, violência e violações.
Irmandades Religiosas:
Exemplo: Irmandade do Recôncavo da Bahia, Irmandade da 
Nossa Senhora da Boa Morte é uma confraria religiosa 
afro-católica, responsável pela alforria de inúmeros 
escravos.
Comunidade de terreiros:
Candomblé, processo de organização. O candomblé é um 
culto africano que era encarado como bruxaria. No início, 
era proibido e sua prática reprimida pelas autoridades 
policiais.
Processo chamado de sincretismo religioso: imposição do 
catolicismo por parte dos portugueses à população 
escravizada e aos povos originários. Práticas e cultos que 
incorporaram elementos de diferentes tradições. 
Quais são os 
caminhos a serem 
seguidos pelo 
pensamento das 
feministas negras
Escolas de samba:
Nascidas dentro das comunidades, as primeiras escolas de 
samba (fundadas no início da década de trinta) estão 
totalmente relacionadas com as religiões de matrizes 
africanas e a permanências negra urbana do período logo 
após a escravidão. Exemplos: batidas das baterias dos 
terreiros e Ala das Baianas.
Quais são os 
caminhos a serem 
seguidos pelo 
pensamento das 
feministas negras
Comunidades quilombolas:
As narrativas quilombolas de luta por direitos oferecem 
outros conteúdos, como a autonomia, a territorialidade e a 
oralidade, que podem ser instrumentalizadas para 
reconstruir as histórias de liberdade da população negra.
Valores fundamentais para a democracia: igualdade, 
propriedade e cidadania, práticas radicais e cotidianas. Com 
as comunidades quilombolas, aprende-se que o 
enfrentamento ao racismo atravessa as estratégias para 
recriar a vida negra.
Exemplo: Bernadete Pacífico, 72 anos, liderança 
quilombola baiana que foi assassinada a tiros dentro da 
Associação do Quilombo Pitanga dos Palmares em 17 de 
agosto de 2023. Racismo religioso é mais uma faceta de 
conformação racista que estrutura o país e precisa ser 
combatido. 
Quais são os 
caminhos a serem 
seguidos pelo 
pensamento das 
feministas negras
Mulheres negras: dimensão de articular o pensamento das 
mulheres negras.
As mulheres negras militantes sempre discutiram seu 
cotidiano marcado pela discriminação racial e pelo sexismo 
dos homens brancos e negros e, principalmente, 
reconheciam o sexismo dos homens negros devido ao 
“caráter mais acentuado do machismo negro, uma vez que 
este se articula com mecanismo compensatórios que são 
efeito direto da opressão racial” (Lélia Gonzalez). 
Epistemicídio Racial
Sueli Carneiro 
Sueli Carneiro usa o conceito de "epistemicídio" para 
abordar a tentativa de apagar os saberes das populações 
colonizadas, especialmente das mulheres negras, que são 
parte do segmento mais oprimido.
Epistemicídio racial: discorre sobre a tentativa de silenciar, 
apagar as memórias negras, os saberes e culturas da 
população afro-brasileira, sobretudo as mulheres negras, 
grupos quilombolas e indígenas, grupos étnicos mais 
oprimidos na sociedade brasileira.
Noção de dispositivo racial: funciona como um operador 
das relações biopolíticas que se impõem na nossa sociedade. 
O domínio sobre as vidas negras, a partir de regimes de 
governança, que define que os corpos negros podem ser 
deixados para morrer (física ou simbolicamente), é 
revelador do racismo estrutural e de uma política de morte 
que encontra nas vidas negras seu alvo central. 
Epistemicídio Racial
Sueli Carneiro 
Constitui-se numa base mais eficaz da legitimidade da 
violência simbólica, de neutralizar, desumanizar, controlar, 
subalternizar e exterminar as memórias afrodiaspóricas da 
população negra, com isso, Sueli aponta que o 
conhecimento eurocêntrico produzido pelos grupos 
dominantes nas universidades, escolas, tem sido fortificado 
na luta de grupos conservadores em busca de manter uma 
estrutura de racismo velado nas instituições científicas.
Exemplos: currículos educacionais.
Isso faz parte de uma necromemória: quando um projeto de 
deixar morrer nossas histórias e culturas afro-brasileiras, 
enfatizam uma cultura de embranquecimento da população 
brasileira operada pelo Estado branco, a partir de suas 
representações políticas, administrativas e educacionais.
Intelectuais 
importantes Emergência de um pensamento de intelectuais negras no 
Brasil:
Quantos e quantas conhecem e podem citar intelectuais de 
nossas histórias?
- Bell Hooks: “Sempre chegam os homens. E as mulheres?”
A internet facilitou. Relações de poder, hegemonia, branca, 
cisgênero.
Pensar outras possibilidades do feminismo negro, os eixos 
de opressão: racismo, dominação de classe, gênero, 
capacitismo, orientação sexual. 
Intelectuais 
importantes
Nascida em Porto Alegre, filha de militar e dona de casa. Na 
universidade, um amigo do diretório acadêmico apresentou 
informações sobre movimentos sociais americanos e os 
Panteras Negras. Em 1979, mudou-se para Salvador.
“O nosso grande desafio é básico: assegurar o direito do 
negro à vida. E este é o aspecto mais profundo do racismo: 
a desumanização da pessoa negra”. 
Quantas dessas mulheres negras se constroem como 
intelectuais e são invisibilizadas? O acesso ao material 
ainda é difícil, mesmo com o advento da internet. Esse 
empoderamento que se fala das mulheres, ainda não 
representa as mulheres negras. 
Luiza Bairros
Intelectuais 
importantes
Foi historiadora, militante política e feminista negra nascida 
em Aracaju, Sergipe, em 1942. Ela migrou para o Rio de 
Janeiro com sua família em 1949. Entrou para a 
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1969, 
onde se formou em História em 1971. 
Dedicou duas décadas à pesquisa sobre os quilombos no 
Brasil, defendendo o reconhecimento e titulação das terras 
quilombolas. 
Abordou a questão do racismo na educação. Apesar de seu 
significativo legado, Beatriz ainda é relativamente 
desconhecida em muitos círculos acadêmicos e de ensino.
Buscou a dinâmica de coletividade: empoderamento das 
mulheres negras, algo coletivo. Empoderamento é dado e 
construído através de uma coletividade transatlântica. 
Beatriz afirmou que a história do Brasil foi construída por 
mãos brancas. 
“Não deixe que nada e nem ninguém viole os direitos 
fundamentais para que você viva uma vida com dignidade”.Beatriz Nascimento
Intelectuais 
importantes
Nascida em 1935 em Belo Horizonte, Minas Gerais, é 
reconhecida como uma intelectual, ativista e feminista 
negra. Ela cresceu em Belo Horizonte, mas mudou-se para o 
Rio de Janeiro aos oito anos. Lélia trabalhou como 
empregada doméstica e babá na infância.
Lélia Gonzalez é autora de obras como "Lugar de negro" 
(1982, coautora com Carlos Hasenbalg) e "Festas Populares 
no Brasil" (1987).
Questionou o feminismo hegemônico, experiências das 
mulheres negras eram negligenciadas e que o feminismo 
eurocêntrico não abordava adequadamente as questões 
raciais.
Lélia também defendeu a descolonização do feminismo e a 
criação de um "Feminismo Afrolatinoamericano" liderado 
por mulheres negras e indígenas. Ela enfatizou a 
importância de reconhecer a especificidade da experiência 
das mulheres afro-brasileiras em face do racismo e do 
colonialismo.
Lélia Gonzalez
Intelectuais 
importantes
Seus esforços levaram a uma nova visão crítica do 
feminismo e à valorização das contribuições culturais das 
populações afrodescendentes na América Latina e no 
Caribe, levando à criação do conceito de "Amefricanidade": 
diáspora negra pelo extermínio da população indígena das 
Américas e recupera as histórias de resistência e luta dos 
povos colonizados contra as violências geradas pela 
colonialidade do poder.
Objetivo pensar 'desde dentro' as culturas indígenas e 
africanas e, assim, afastar-se cada vez mais de 
interpretações centradas na visão de mundo do pensamento 
moderno europeu.
A proposta de Lélia Gonzalez é epistemológica, pois, do 
ponto de vista da amefricanidade, propõe a abordagem 
interligada do "racismo, colonialismo, imperialismo e seus 
efeitos”.
Lélia Gonzalez
Intelectuais 
importantes Angela Davis se referiu a Lélia Gonzalez como uma das 
"fundadoras" do feminismo negro no Brasil e destacou a 
importância das tradições religiosas afro-brasileiras na 
formação do movimento feminista negro no país.
“Estamos cansados de saber que nem na escola, nem nos 
livros onde mandam a gente estudar, não se fala da efetiva 
contribuição das classes populares, da mulher, do negro, do 
índio na nossa formação história e cultural. Na verdade, o 
que se faz é folclorizar todos eles. E o que é que fica? A 
impressão de que só homens, os homens brancos, social e 
economicamente privilegiados foram os únicos a construir 
este país. A essa mentira tripla dá-se o nome de sexismo, 
racismo e elitismo”.
Lélia Gonzalez
Intelectuais 
importantes
Nascida em São Paulo em 1950, é uma filósofa, escritora e 
ativista antirracismo do movimento social negro brasileiro. 
Ela também fundou o GELEDÉS - Instituto da Mulher 
Negra, a primeira organização negra e feminista 
independente de São Paulo, em 1988. É responsável pela 
criação do único programa brasileiro de orientação em 
saúde específico para mulheres negras, oferecendo 
atendimento psicológico e social, bem como palestras sobre 
temas relacionados à saúde e sexualidade.
Em 2009, Sueli Carneiro publicou o estudo "Mulheres 
negras e poder: um ensaio sobre a ausência", no qual 
denunciou a hegemonia masculina e branca nas esferas de 
poder, destacando as mulheres negras que, mesmo estando 
presentes nas instituições, sofriam discriminação racial e de 
gênero.
“Ser mulher negra é experimentar uma condição de asfixia 
social”. 
Sueli Carneiro
Intelectuais 
importantes
Dissertação “Preconceito Racial e Igualdade Jurídica no Brasil” 
(defendida em 10/out/1980) - trabalho interdisciplinar, 
utilizando-se de análise histórica e socioeconômica para entender 
a situação jurídica do negro no Brasil e a influência das teorias 
racistas no Direito. Questiona o senso comum sobre a passividade 
do homem e das mulheres negras escravizadas, e da inexistência 
de maus-tratos durante a escravidão.
A professora apresenta as situações de desigualdade que marcaram 
a vida do negro nas zonas urbanas, falando sobre o papel da 
mulher negra como empregada doméstica, o assédio sexual 
sofrido por estas, sobre a marginalização dos homens negros como 
trabalhadores livres; demarca a resistência dos homens e mulheres 
negras a essas situações de desigualdade e a criação de 
associações negras.
(Mullheres negras (re)fazendo o Direito: as contribuições das 
juristas Dora Lima Lúcia Bertulio e Eunice Prudente para uma 
teoria crítica do Direito e das relações raciais brasileiras - Allyne 
Andrade e Silva) - in. Raça e Gênero: discriminações, 
interseccionalidades e resistências
Eunice Prudente
https://www.google.com/url?q=https://primeirosnegros.com/eunice-prudente/&sa=D&source=editors&ust=1699548283060486&usg=AOvVaw09WZMe4PlH5ggFBSqVP5CI
Intelectuais 
importantes
- E como todos esses materiais das intelectuais negras 
podem ser acessados? É a partir desse lugar que Beatriz 
Nascimento tenta mobilizar a produção de professores.
Exemplo: motorista e professora. Precisa ser constrangido, 
pois muitas vezes se leva para o geracional, mas a juventude 
é passageira.
Transatlanticidade vx transmídia: gestos, falar, registros, 
escritos, pensamentos, danças x diálogo com cinema, 
contos, poesia, teatro, textos acadêmicos, performances.
 
Prefere usar categoria multidimensional em lugar da 
interseccionalidade. Patriarcado, Estado e capital, justiça 
reprodutiva, justiça ambiental e crítica da indústria 
farmacêutica, direito das imigrantes, dos refugiados e fim 
do feminicídio, luta contra o capitalismo racial e luta contra 
a criminalização da solidariedade.
Legado ancestral: rompe com a noção hegemônica e de 
tempo. Aquilo que permanece e é constante. Os feminismos 
decoloniais, os sujeitos, fora ou dentro dos processos de 
educação formal, são criminalizados em função de uma 
bandeira capitalista.
Poder de um homem que dita o que é certo o que é errado, o 
que é legítimo ou não. Por que existe essa permanência de 
homens brancos como conhecedores por excelência do 
mundo? Não é aleatório, pois o racismo é um sistema 
intrinsicamente violento. 
Françoise Vergés
Françoise Vergés
Os atravessamentos sociais da mulher negra: são uma 
montanha-russa diária, independentemente de estarem no 
ambiente de trabalho, nos relacionamentos amorosos ou na 
construção de amizades. Elas enfrentam a cruel solidão de 
ser frequentemente a única representante em espaços de 
poder; encaram a morte de perto quando sofrem a perda 
precoce de seus filhos para a violência policial. Trabalham, 
em média, pelo menos 10 horas a mais por semana que as 
mulheres brancas e ainda ganham menos. São 
frequentemente rejeitadas quando não são escolhidas na 
prateleira do amor ou tornam-se objeto de 
hipersexualização; e são completamente invisibilizadas aos 
olhos de uma sociedade predominantemente branca.
 
Feministas 
indígenas 
brasileiras 
Existe feminismo 
indígena? 
Obviamente, existem indígenas mulheres que se consideram 
feministas, contudo, a autoafirmação costuma vir 
acompanhada de ressalvas. É o caso, entre tantos, de Ana 
Pankará (2022): “O feminismo ainda tem que melhorar 
muito sua visão no que diz respeito às mulheres de classe 
mais baixa e das mais diversas etnias, visto que hoje em dia 
a sororidade ainda não alcança o lar dessas mulheres que, 
inclusive, são as que mais sofrem com o patriarcado e 
machismo”. Isso se deve ao fato de que as opressões 
enfrentadas pelas indígenas mulheres possuem aspectos 
distintos daquelas enfrentadas pelas mulheres não 
indígenas. 
(MENDES, Verônica Araújo. Indígenas mulheres: 
Interfaces entre feminismos e decolonialidades)
https://www.google.com/url?q=http://www.youtube.com/watch?v%3DuZvNpKn0lfg%26t%3D90&sa=D&source=editors&ust=1699548284027112&usg=AOvVaw1lCQtMAyOyjb3mlGaUkR_k
Termo: 
“Indígena mulher” Utilizo o termo “indígena mulher” ao invés de “mulher 
indígena”, pois, em diálogos e convivências com parentas 
que também são discentes na Universidade Federal do Pará 
(UFPA), percebi em seus discursos o consenso de que a 
palavra indígena deveria vir antes da palavra mulher. Issoporque, antes de sermos mulheres, somos indígenas, somos 
Karipuna, Guajajara, Baré, Tembé. 
(KARIPUNA, Ana Manoela Primo dos Santos Soares. 
Mulheres Originárias: Reflexões com movimentos de 
indígenas mulheres sobre as existências e inexistências de 
feminismo indígenas. São Paulo: Cadernos de campo, vol. 
30, n. 2, p. 1-12, 2021) 
 
O papel da mulher 
indígena no Brasil 
antes de 1500 
- Inicialmente, deve se ter em mente que cada etnia indígena 
possuía e ainda possui organização social, religião, rituais que 
lhe são próprios. 
- Habilidades técnicas eram exigidas aos homens nos domínios 
básicos da arte de caçar, pescar, fazer roça, construir casa e 
fabricar utensílios utilitários, enquanto para as mulheres eram 
exigidos os domínios na prática de produção de alimentos, 
cuidar de crianças, fabricar artesanatos e ter hábitos de 
generosidade em serviços familiares e comunitários. 
- O papel da mulher indígena na produtividade foi de suma 
importância para consolidação da monocultura, que mais tarde 
seria a base da economia colonial. 
- No entanto, no universo indígena, a mulher ocupava um espaço 
definido e muito valioso nas decisões familiares. As vozes 
indígenas feminina e masculina decidiam juntas, inexistia a 
representação do domínio e do poder do gênero masculino, 
porém esse cenário passou por mudanças com a chegada dos 
portugueses. 
Disponível em: 
<http://fabiopestanaramos.blogspot.com.br/2011/08/brasil-colonial-diverge
ncia -entre-o.html>. Acesso em: 23 out. 2014.
Mudanças na vida 
das indígenas com a 
colonização 
- O processo de adestramento pelo qual as mulheres 
passaram no período colonial foi marcado por 
repressão a sexualidade e suas vontades próprias. 
- A manipulação da mulher era exercida em diversos 
momentos e nas mais variadas formas de discursos 
normativos. Entretanto, nem sempre eram eficazes, 
pois as mulheres encontravam momentos em que 
poderiam exercer sua liberdade, mesmo que fosse de 
maneira arriscada. 
- No Brasil, temos, entre outras, duas figuras 
femininas que se destacam na literatura por divulgar 
as condições de vidas das mulher indígenas: Graça 
Graúna e Eliane Potiguara. 
Célia Xakriabá é a primeira indígena 
deputada federal em Minas Gerais
Em 2018, Joenia Wapichana foi eleita 
deputada federal e a primeira mulher 
indígena a ocupar o cargo 
Sônia Guajajara, primeira 
deputada federal indígena 
eleita pelo estado de São 
Paulo e a primeira a 
ocupar um ministério. 
Como o feminismo 
decolonial 
influencia na 
construção do 
pensamento e no 
combate às diversas 
desigualdades?
Diversas vozes
Contestar universalidade
Perspectiva emancipatória: valores opostos ao capitalismo e 
ao racismo
Possibilidade de repensar a implementação da igualdade de 
forma inclusiva
 
Obrigada!
 
https://www.google.com/url?q=http://www.youtube.com/watch?v%3DKbsyBASkIEA&sa=D&source=editors&ust=1699548286063755&usg=AOvVaw0UK79wxG7Axw7aJcTYaGik

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