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OAB
EXAME DE ORDEM
DIREITO
EMPRESARIAL
Capítulo 06
 
1 
CAPÍTULOS 
Capítulo 1 - Teoria Geral Do Direito Empresarial  
Capítulo 2 – Regime Jurídico da Atividade Empresarial    
Capítulo 3 – Direito Societário   
Capítulo 4 – Crise da Atividade Empresarial       
Capítulo 5 – Títulos de Crédito    
Capítulo 6 (você está aqui!) – Contratos Empresariais   
Capítulo 7 – Propriedade Industrial  
 
 
2 
SOBRE ESTE CAPÍTULO 
 
A apostila de número 06 do nosso curso de Direito Empresarial tratará sobre Contratos 
Empresariais, matéria que já foi objeto de perguntas no Exame de Ordem ao decorrer desses 
anos! De acordo com a nossa equipe de inteligência, esse assunto esteve presente 9 VEZES 
nos últimos 3 anos, sendo considerado um assunto de altíssima relevância. 
Procuramos abarcar em nossa apostila os principais e mais cobrados contratos empresariais 
tanto no exame de ordem, quanto nos demais concursos públicos! 
Dê uma atenção especial aos contratos de leasing e alienação fiduciária, ok? 😉 
Aqui, a banca costuma seguir o seu padrão: Apresentar um caso hipotético, pelo qual a resposta 
é respaldada na legislação vigente. Por isso, recomendamos a leitura atenta da letra seca da lei 
e entendimentos jurisprudenciais, e sempre em companhia de alguma doutrina à sua escolha. 
Adicionamos questões de outras carreiras jurídicas para que você possa assimilar ainda mais o 
conteúdo visto e praticar, ok? 
Lembre-se: A resolução de questões é a chave para a aprovação! 
Vamos juntos! 
 
 
3 
SUMÁRIO 
DIREITO EMPRESARIAL ........................................................................................................................... 5 
Capítulo 6 .................................................................................................................................................. 5 
6. Contratos Empresariais .................................................................................................................... 5 
6.1 Noções Gerais ......................................................................................................................................................... 5 
6.2 Particularidades Principiológicas .................................................................................................................... 7 
6.3 Factoring ................................................................................................................................................................ 12 
6.4 Compra e venda mercantil ............................................................................................................................ 14 
6.4.1 Classificação do contrato de compra e venda ...................................................................................... 15 
6.4.2 Elementos Essenciais ........................................................................................................................................ 15 
6.4.3 Efeitos da Compra e venda ........................................................................................................................... 17 
6.4.4 Situações Específicas da Compra e Venda ............................................................................................. 19 
6.4.5 Cláusulas acessórias/especiais ...................................................................................................................... 19 
6.5 Franchising ............................................................................................................................................................ 21 
6.6 Leasing .................................................................................................................................................................... 24 
6.7 Alienação Fiduciária .......................................................................................................................................... 27 
6.8 Contratos de Colaboração ............................................................................................................................. 28 
6.8.1 Agência ou Representação Comercial ...................................................................................................... 29 
6.8.2 Distribuição ........................................................................................................................................................... 32 
6.8.3 Corretagem ........................................................................................................................................................... 33 
6.8.4 Concessão Mercantil ......................................................................................................................................... 35 
6.8.5 Comissão Mercantil ........................................................................................................................................... 35 
6.8.6 Mandato Mercantil ............................................................................................................................................ 40 
6.9 Contratos bancários .......................................................................................................................................... 41 
 
4 
QUADRO SINÓTICO .............................................................................................................................. 44 
QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................................................... 46 
GABARITO ............................................................................................................................................... 59 
QUESTÃO DESAFIO ................................................................................................................................ 60 
GABARITO QUESTÃO DESAFIO ........................................................................................................... 61 
LEGISLAÇÃO COMPILADA .................................................................................................................... 62 
JURISPRUDÊNCIA ................................................................................................................................... 64 
MAPA MENTAL ...................................................................................................................................... 68 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................................... 69 
 
 
 
5 
DIREITO EMPRESARIAL 
Capítulo 6 
6. Contratos Empresariais 
6.1 Noções Gerais 
O contrato corresponde ao vínculo obrigacional existente entre duas partes, em que uma 
deve prestação à outra, e esta, em contrapartida, deve à primeira uma contraprestação, ou seja, 
o contrato é um acordo de vontades que tem por fim criar, modificar ou extinguir direitos. 
Na exploração da atividade empresarial a que se dedica, o empresário individual ou a 
sociedade empresária celebram vários contratos diferentes. Pode-se dizer que combinar os 
fatores de produção é contrair e executar obrigações nascidas principalmente de contratos. 
Lembrem-se os fatores: capital, insumos, mão de obra e tecnologia. 
Pois bem, investir capital pressupõe a celebração de contrato bancário, pelo menos o de 
depósito. Para obter insumos, é necessário contratar a aquisição de matéria-prima, eletricidade 
ou mercadorias para revender. Articular na empresa o trabalho significa contratar empregados 
(CLT), prestadores de serviços autônomos ou empresa de fornecimento de mão de obra 
(terceirizada). A aquisição ou criação de tecnologia faz-se por contratos industriais (licença ou 
cessão de patente, transferência de know-how). Além desses, para organizar o estabelecimento, 
por vezes o empresário loca o imóvel, faz leasing de veículos e equipamentos,acautela-se com 
seguro. Ao oferecer os bens ou serviços que produz ou circula, ele igualmente celebra contratos 
com consumidores ou outros empresários. Ao conceder crédito, normalmente negocia-o com 
bancos, mediante descontos ou factoring. 
 
6 
São, enfim, diversos os contratos que os empresários individuais e as sociedades 
empresárias celebram no exercício diário de suas atividades econômicas. Estes contratos, 
perceba-se, podem ser estritamente empresariais, quando firmados entre empresários – é o caso 
do leasing feito entre a indústria e o banco para a aquisição de novas máquinas –, ou não, caso 
em que se sujeitarão a disciplina especial – são os casos dos contratos de trabalho com 
empregados, dos contratos com consumidores e dos contratos com a Administração Pública. O 
Direito Empresarial cuida e trata dos contratos estritamente empresarias. 
Um contrato, portanto, será mercantil quando os dois contratantes forem empresários, 
ou seja, quando ambos exercerem, profissionalmente, atividade econômica organizada para a 
produção ou circulação de bens e serviços (art. 966, CC/02). 
Os contratos empresariais podem estar sujeitos ao Código Civil ou ao Código de Defesa 
do Consumidor (CDC), dependendo das condições dos contratantes para isso. Se os empresários 
são iguais, sob o ponto de vista da condição econômica (quer dizer, ambos podem contratar 
advogados e outros profissionais antes de assinarem o instrumento contratual, de forma que, 
ao fazê-lo, estão plenamente informados sobre a extensão dos direitos e obrigações 
contratados), o contrato empresarial está sujeito ao CC; se desiguais os contratantes (ou seja, 
um deles está em situação de vulnerabilidade técnica, econômica ou jurídica frente ao outro), o 
contrato empresarial será regido pelo CDC. 
Além dessas situações de vulnerabilidade, o STJ tem entendido que um empresário ou 
uma sociedade empresária não são considerados consumidores quando adquirem produtos ou 
serviços que são utilizados, direta ou indiretamente, na atividade econômica que exercem. Para 
o STJ nesses casos há uma relação empresarial, e não uma relação de consumo (AgInt no REsp 
1.216.570/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, j. 13/09/2016, DJe 19/09/2016). 
Nesse sentido, é o Enunciado 20 da I Jornada de Direito Comercial do CJF: 
Enunciado 20, CJF: Não se aplica o Código de Defesa do Consumidor aos contratos 
celebrados entre empresários em que um dos contratantes tenha por objetivo suprir-se 
de insumos para sua atividade de produção, comércio ou prestação de serviços. 
 
7 
No entanto, quando o empresário individual ou a sociedade empresária adquirem 
produtos ou serviços na qualidade de destinatários finais econômicos deles, o STJ entende 
configurada a relação de consumo, aplicando-se o CDC (REsp 1.025.472/SP, Rel. Min. Francisco 
Falcão, 1ª Turma, j. 03/04/2008, DJe 30/04/2008 e CC 41.056/SP, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, 
Rel. p/ Acórdão Min. Nancy Andrighi, 2ª Seção, j. 23/06/2004, DJ 20/09/2004, p. 181). 
O STJ também tem admitido a aplicação do CDC a relações entre empresários quando 
fica caracterizada a vulnerabilidade técnica, jurídica ou econômica de uma das partes (AgRg no 
AREsp 626.223/RN, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, j. 08/09/2015, DJe 
15/09/2015). 
Portanto, pode-se concluir que, nas relações entre empresários: 
(i) em regra: não se aplica o CDC, porque, geralmente, nenhuma das partes assume a 
condição de destinatário final, já que os produtos ou serviços que são utilizados, direta ou 
indiretamente, na atividade econômica que exercem; 
(ii) em regra: aplica-se o CDC quando uma das partes, ainda que seja um empresário 
individual, EIRELI ou sociedade empresária, assuma a condição de destinatário final econômico 
do produto ou serviço; e 
(iii) excepcionalmente: aplica-se o CDC, ainda que nenhuma das partes seja destinatária 
final do bem, mas ostente vulnerabilidade técnica, econômica ou jurídica em relação à outra. 
6.2 Particularidades Principiológicas 
Desde a sua formação, passando pela sua execução e até a sua definitiva resolução, o 
contrato se submete a uma série de características básicas e princípios norteadores, atualmente 
disciplinados pelo Código Civil, dentre os quais se destacam, por exemplo, a boa-fé objetiva, a 
força obrigatória e a autonomia da vontade. 
No entanto, é necessário atentar para determinadas particularidades relacionadas à 
aplicação dos princípios no âmbito dos contratos empresariais. 
O princípio fundamental da teoria geral do direito contratual é o da autonomia da 
 
8 
vontade das partes contratantes, que assegura às pessoas a liberdade de contratar, desde que 
respeitada a chamada função social dos contratos, conforme determina o art. 421 do Código 
Civil: “a liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato
”. Assim, as partes são livres, em princípio, para (i) escolher com quem vão manter relações 
contratuais, (ii) delimitar o que vai ser objeto da relação contratual e (iii) fixar o conteúdo dessa 
mesma relação. 
Contudo, é importante observar que o ordenamento jurídico, hoje, tem procurado cada 
vez mais assegurar o equilíbrio contratual entre as partes contratantes apesar da autonomia que 
elas possuem, razão pela qual a própria legislação estipula limites, não raro, à autonomia da 
vontade, o que se convencionou chamar de dirigismo contratual. 
No entanto, percebe-se clara mitigação de tal dirigismo a partir da edição da Declaração 
dos Direitos de Liberdade Econômica que alterou o artigo 421 do Código Civil e inseriu o art. 
421-A no mesmo diploma legal: 
Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato. 
(Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019) 
Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da 
intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual. (Incluído pela Lei nº 13.874, 
de 2019) 
Art. 421-A. Os contratos civis e empresariais presumem-se paritários e simétricos até a 
presença de elementos concretos que justifiquem o afastamento dessa presunção, 
ressalvados os regimes jurídicos previstos em leis especiais, garantido também que: 
(Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
I - as partes negociantes poderão estabelecer parâmetros objetivos para a interpretação 
das cláusulas negociais e de seus pressupostos de revisão ou de resolução; (Incluído pela 
Lei nº 13.874, de 2019) 
II - a alocação de riscos definida pelas partes deve ser respeitada e observada; e (Incluído 
pela Lei nº 13.874, de 2019) 
III - a revisão contratual somente ocorrerá de maneira excepcional e limitada. (Incluído 
pela Lei nº 13.874, de 2019) 
Ocorre que no âmbito do direito empresarial, o norte interpretativo deve ser sempre a 
autonomia da vontade das partes. Caso contrário, o que se instaura é a insegurança jurídica, 
que se manifesta especificamente nas atividades econômicas como um obstáculo ao 
desenvolvimento. Portanto, nos contratos empresariais, o dirigismo contratual deve ser 
mitigado, tendo em vista a simetria natural das relações interempresariais. 
 
9 
Atente-se para os seguintes enunciados: 
Enunciado 21, CJF: Nos contratos empresariais, o dirigismo contratual deve ser mitigado, 
tendo em vista a simetria natural das relações interempresariais.1 
Enunciado 28, CJF: Em razão do profissionalismo com que os empresários devem exercer 
sua atividade, os contratos empresariais não podem ser anulados pelo vício da lesão 
fundada na inexperiência. 
 
No que tange ao princípio da atipicidade dos contratos empresarias, pode-se também analisar 
o princípio da autonomia da vontade sob outra perspectiva, relativa à possibilidade conferida 
às partes para a criação de contratos atípicos, isto é, não compreendidos nas modalidades típicas 
expressamente reguladas pelo ordenamento jurídico. Essa possibilidade, frise-se, está 
expressamenteconsagrada no atual Código Civil, em seu art. 425, segundo o qual “é lícito às 
partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código”. 
De acordo com o princípio do consensualismo ou do consentimento, basta para a 
constituição do vínculo contratual o acordo de vontade entre as partes, sendo, pois, 
desnecessária qualquer outra condição para que se aperfeiçoe o contrato. 
Fogem a essa regra os contratos reais, para os quais, além do consentimento, é 
imprescindível, para o aperfeiçoamento da relação contratual, a entrega de uma determinada 
coisa. É o que ocorre, por exemplo, no mútuo, no depósito, no comodato etc. 
Da mesma forma, fogem à regra da necessidade do mero consentimento das partes os 
contratos solenes, que se submetem a formalidades específicas, sem as quais a relação 
contratual não se aperfeiçoa. 
 
1 Vide questão 14 
 
10 
Segundo o princípio da relatividade dos contratos, entende-se que a relação contratual 
produz efeitos somente entre as partes contratantes – bem como aos seus herdeiros, salvo se 
o contrato é personalíssimo – e não se estende além do objeto da avença. 
Tal princípio, entretanto, não é absoluto, existindo algumas exceções quanto à sua 
aplicação, ou seja, há contratos que, excepcionalmente, produzem efeitos em relação a terceiros 
não vinculados à relação contratual. É o que ocorre, por exemplo, no contrato de seguro em 
favor de terceiro. 
 
Teoria da aparência: discussão bastante interessante diz respeito àquelas situações aparentes, 
que iludem contratantes de boa-fé. Imagine-se um comerciante que, no decorrer de alguns 
anos, tivesse mantido reiteradas negociações com certo atacadista por meio de determinado 
representante deste. Rompido o vínculo de representação, sem o conhecimento do comerciante, 
os negócios posteriormente realizados por meio do antigo representante vincularão o atacadista. 
É o que propõe a teoria da aparência, segundo a qual uma situação aparente pode gerar 
obrigações para terceiros quando o contratante, de boa-fé, tinha razões efetivas para tomá-la 
por real. Esta teoria é mais comumente aplicada nas hipóteses de excesso de mandato, 
continuação de fato de mandato findo, inobservância de diretrizes do representado pelo 
representante etc. 
Considerando que os contratos só geram direitos e deveres entre as partes contratantes, 
salvo em situações excepcionais, cumpre destacar que esses direitos e deveres assumidos valem 
como lei entre essas partes. Trata-se da aplicação do princípio da força obrigatória dos contratos, 
representado pela conhecida cláusula pacta sunt servanda, implícita em qualquer relação 
contratual. 
 
11 
Em outros termos, pode-se dizer ainda que o princípio da força obrigatória tem uma 
manifestação especial, relativa à impossibilidade de uma das partes contratantes se retratar ou 
alterar, unilateralmente, as condições acordadas. Assim, em consequência da força obrigatória, 
há nos contratos, implicitamente, uma cláusula geral de irretratabilidade e de intangibilidade, 
fundamental para a garantia da segurança jurídica das relações contratuais. 
 
Teoria da imprevisão: A teoria da imprevisão, representada pela cláusula rebus sic stantibus, 
determina que os direitos e deveres assumidos em um determinado contrato podem ser 
revisados se houver uma alteração significativa e imprevisível nas condições econômicas que 
originaram a constituição do vínculo contratual. Ocorrendo tal alteração, pode acontecer de o 
cumprimento das obrigações contratuais assumidas se tornar demasiadamente oneroso para 
uma das partes, o que rompe o equilíbrio contratual e autoriza a revisão do contrato. Em síntese, 
a cláusula rebus sic stantibus determina que a obrigatoriedade do contrato só deverá ser 
observada se as condições existentes no momento da celebração da avença se mantiverem 
inalteradas ou, pelo menos, sofrerem alterações que não afetem o equilíbrio contratual. 
O princípio da boa-fé, no âmbito dos contratos empresariais, está relacionado, em um 
primeiro aspecto, a uma questão de interpretação dos negócios jurídicos. Nesse sentido, 
entende-se que não se deve fazer prevalecer, sobre a real intenção das partes, apenas o que 
está eventualmente escrito no acordo firmado. Assim, em todos os contratos há certas regras 
implícitas, decorrentes da própria natureza da relação contratual firmada. 
Mas esse princípio pode ser ainda visualizado sob outro aspecto, o da necessidade de as 
partes contratantes atuarem com boa-fé na celebração do contrato, bem como na sua execução, 
algo que é defendido há bastante tempo pela doutrina contratualista e que o Código Civil 
expressamente consagrou em seu art. 422: “Os contratantes são obrigados a guardar, assim na 
conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé”. Este 
 
12 
dispositivo incorporou ao ordenamento jurídico-contratual brasileiro, conforme aponta a 
doutrina, o chamado princípio da boa-fé objetiva. 
Para finalizar este tópico sobre a teoria geral do direito contratual, importante destacar a 
importância da consagração da chamada exceção do contrato não cumprido (exceptio non 
adimpleti contractus – arts. 476 e 477 do CC), segundo a qual uma parte contratante não pode 
exigir o cumprimento da obrigação da outra parte se não cumpriu também a sua obrigação 
respectiva. 
 
Por meio da teoria do adimplemento substancial, defende-se que, se o adimplemento da 
obrigação foi muito próximo ao resultado final, a parte credora não terá direito de pedir a 
resolução do contrato porque isso violaria a boa-fé objetiva, já que seria exagerado, 
desproporcional, iníquo (reconhece-se o adimplemento substancial, por exemplo, quando, num 
financiamento de 36 meses, o devedor pagou 30 parcelas ou mais, aproximadamente). 
Enunciado 361, CJF: O adimplemento substancial decorre dos princípios gerais contratuais, de modo a fazer 
preponderar a função social do contrato e o princípio da boa-fé objetiva, balizando a aplicação do art. 475. 
6.3 Factoring 
Também conhecido como contrato de faturização ou de fomento mercantil, é espécie de 
contrato oneroso e bilateral, através do qual o faturizado (cedente) cede ao faturizador ou 
factuador (cessionário) os seus créditos provenientes de vendas a prazo, recebendo deste os 
respectivos valores, descontada remuneração (fator de compra). 
Dentro do factoring está contido uma cessão de crédito, razão pela qual lhe são aplicáveis 
os dispositivos correlatos do Código Civil (artigos 286 a 298). 
 
13 
O faturizado não garante o pagamento dos créditos transferidos, correndo por conta do 
faturizador os riscos decorrentes da insolvência do devedor dos títulos antecipados. 
Para o faturizado, o contrato é vantajoso, uma vez que maximiza as vendas ao oferecer a 
modalidade de venda a prazo, garantindo assim a clientela e propiciando condições para 
enfrentamento da concorrência. Também garante o capital de giro, ao possibilitar o recebimento 
à vista das vendas a prazo, evita despesas com a cobrança do comprador, permitindo 
concentração de forças na atividade objeto do negócio, e repassa à faturizadora os riscos da 
inadimplência Inadimplido o título, não é dado a faturizadora o direito de regresso contra a 
faturizada, mas tão somente o direito de cobrar do devedor/sacado. Por outro lado, a faturizada 
garante a faturizadora contra os riscos de nulidade ou vício do crédito, como nas hipóteses de 
evicção ou vícios redibitórios dos bens que vendeu. 
A cessão só terá eficácia frente ao devedor/sacado se este for notificado (art. 290, CC). 
Se o devedor/sacado, antes de tomar conhecimento da cessão, insciente da operação, portanto, 
pagar ao credor primitivo (faturizado), ficará desobrigado frente ao faturizador, o qual deverá 
buscar a satisfação do seu crédito junto ao faturizado. São três as principais modalidades defactoring. 
 ”Conventional factoring” (há antecipação de valores): modalidade em que o 
faturizador antecipa os valores referentes aos créditos recebidos do faturizado, 
assumindo o risco do negócio. É bastante assemelhada ao contrato de desconto 
bancário, visto que, em ambos, há transferência de um título em troca do recebimento 
antecipado do seu respectivo valor. A diferença entre tais modalidades contratuais 
reside no fato de que, no contrato de desconto bancário, o cedente pode ser acionado 
pelo banco, em regresso, em caso de inadimplemento por parte do terceiro devedor. 
 “Maturity factoring” (não há antecipação de valores): Nessa modalidade o faturizador 
paga os valores ao faturizado em dia determinado, nunca antes do vencimento dos 
créditos cedidos. Assim, a remuneração da faturizadora será uma comissão, 
considerando que não há juros pelo adiantamento dos pagamentos. 
 
14 
 “Trustee” (acompanhamento dos negócios): Ao lado do contrato de faturização, as 
empresas de fomento mercantil prestam o “trustee”, que consiste no 
acompanhamento dos negócios dos clientes através da administração de suas contas 
a receber e a pagar, e pela cobrança de títulos resultantes de suas vendas mercantis 
ou prestações de serviço. 
O Banco Central do Brasil (BACEN) não proíbe a celebração de contratos de faturização 
por parte de quem não seja instituição financeira, estando à atividade liberada a qualquer 
sociedade empresária, independentemente de autorização. As empresas que operam com “
factoring” não se incluem no âmbito do sistema financeiro nacional, afinal, a faturização não é 
operação de crédito. 
As empresas que operam com “factoring” não se incluem no âmbito do sistema financeiro 
nacional, afinal, a faturização não é operação de crédito. 
6.4 Compra e venda mercantil 
De acordo com o art. 481 do CC, “pelo contrato de compra e venda um dos contratantes 
se obriga a transferir o domínio de coisa certa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro
”. 
O contrato de compra e venda, por si só, não implica em aquisição de propriedade, 
gerando apenas obrigações recíprocas (obrigação de pagar o preço e obrigação de transferir o 
domínio) – natureza meramente obrigacional. Como a compra e venda caracteriza uma relação 
puramente obrigacional, o adquirente apenas adquire a propriedade pela tradição ou pelo 
registro em cartório (caso o bem seja móvel ou imóvel, respectivamente). Isso é importante por 
dois motivos: 
 Teoria dos riscos: a coisa perece para o dono (res peret domino): na medida em que 
o contrato, por si só, não transfere a propriedade, o risco corre por conta do vendedor 
até que o transfira por meio da tradição. 
 Tutela processual da compra e venda por instrumentos obrigacionais: se o 
comprador pagou e o vendedor não quer entregar a coisa, não é cabível o manejo 
 
15 
de ações reais, mas apenas pessoais, pois o direito em questão é meramente 
obrigacional. 
6.4.1 Classificação do contrato de compra e venda 
 Contrato bilateral, já que ambas as partes assumem obrigações; 
 Consensual: se aperfeiçoa com a simples manifestação de vontade das partes; não é, 
portanto, um contrato solene (a forma não integra a substância desse contrato), 
exceto nos casos previstos em lei. 
 Oneroso, pois gera vantagens econômicas para ambas as partes. 
 Comutativo, o que significa que suas prestações são sabidas. 
 
Se liga, OABeiro! Em alguns casos, contudo, a compra e venda será aleatória: 
a. Compra e venda de coisa incerta 
b. Compra e venda a contento ou sujeita à prova 
c. Compra e venda de coisa futura. O contrato poderá ser: 
Emptio spei: é a compra e venda da esperança propriamente dita (esperança quanto à existência 
da coisa). 
Emptio rei speratae: diz respeito a uma esperança não da existência da coisa, mas sim da 
quantidade da coisa adquirida. 
6.4.2 Elementos Essenciais 
I. Consentimento 
 
16 
 As partes precisam ser capazes e a manifestação de vontade livre e desembaraçada. 
Havendo vício na manifestação de vontade, o contrato se torna anulável. Em determinadas 
hipóteses, o ordenamento exige um requisito específico, a legitimação. ORLANDO GOMES dizia: 
a legitimação é um plus na capacidade (é algo a mais, exigido às pessoas capazes), um requisito 
específico para a prática de um ato específico. Exemplos: necessidade de outorga uxória das 
pessoas casadas, exceto no regime da separação obrigatória de bens. 
 
II. Preço 
Deve ser sério, idôneo e, principalmente, determinado ou determinável. Tem de ser 
expresso em moeda, sob pena de configurar troca ou permuta. A indeterminabilidade absoluta 
do preço ou o arbítrio exclusivo de uma das partes, na sua fixação, torna nulo o contrato. 
Permite o CC que o preço esteja submetido a taxa de mercado, bolsa de valores ou índices 
econômicos (arts. 486 e 487). O preço também pode ser indicado por terceiro (as partes podem 
convencionar neste sentido). O preço atrai o direito à informação. 
O preço deve ser indicado em moeda brasileira. Só existem dois casos em que o preço 
pode estar submetido a moeda estrangeira: 
a) Produtos ou serviços originados de importação 
b) Compra e venda feita no exterior 
Na forma do art. 315 do CC-02, todo preço, toda e qualquer venda em dinheiro está 
submetido ao princípio do nominalismo, pelo qual toda dívida em dinheiro deve ser paga pelo 
seu valor nominal (o STJ pacificou que ele contempla a correção monetária). 
A depender do momento em que o preço se torne injusto, estará afetada a validade ou 
a eficácia do contrato: 
i) Se o preço era injusto no momento da celebração do contrato, estará afetada a validade, 
havendo anulabilidade (relação comum) ou nulidade (se a relação for de consumo). 
ii) Se o preço se tornar injusto depois da formação do contrato, afeta a eficácia do 
contrato. Neste caso, a hipótese será de revisão ou resolução contratual. 
 
III. Coisa (qualquer bem alienável - móvel, imóvel, corpóreo ou incorpóreo, etc). 
 
17 
Exige-se que a coisa seja economicamente apreciável. Só não podem ser objeto da 
compra e venda bens personalíssimos, herança de pessoa viva e coisas fora do comércio 
(chamados de bens clausulados – inalienabilidade, incomunicabilidade e impenhorabilidade). O 
art. 1911, CC dispõe que a cláusula de inalienabilidade gera a presunção da existência das 
demais; a recíproca, contudo, não é verdadeira. O art. 1848, CC permite que o juiz da vara de 
registros públicos promova o levantamento da cláusula. 
 
Na venda de bem litigioso, não incide a garantia da evicção! 
A venda a non domino é a venda de um bem que não pertence ao devedor. Nesse caso, a 
eficácia do negócio fica condicionada a aquisição superveniente da coisa. 
Quando a compra e venda tiver por objeto um bem incorpóreo, é dada a ela o nome de cessão 
onerosa. 
6.4.3 Efeitos da Compra e venda 
O efeito da compra e venda é a responsabilidade civil do vendedor: 
i. Vícios redibitórios, sob pena de ação edilícia trata-se de ação de natureza 
constitutiva-negativa. São espécies de ações edilícias: 
a) Ação redibitória: objetiva enjeitar a coisa, ou seja, devolvê-la. 
b) Ação estimatória ou (quanti minoris): o comprador objetiva ficar com o bem e obter 
o abatimento do preço. 
c) Ação ex empto: é ação para retificação de área. 
ii. Evicção: é a responsabilidade que se impõe ao alienante pela perda da coisa 
adquirida pela adquirente em decorrência de uma decisão judicial ou administrativa em favor 
de um terceiro. 
 
18 
 
Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das partes: 
I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao 
denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da evicção lhe resultam; 
II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, 
o prejuízo de quem for vencido no processo. 
§ 1º O direito regressivo será exercido por ação autônomaquando a denunciação da lide 
for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida. 
§ 2º Admite-se uma única denunciação sucessiva, promovida pelo denunciado, contra seu 
antecessor imediato na cadeia dominial ou quem seja responsável por indenizá-lo, não 
podendo o denunciado sucessivo promover nova denunciação, hipótese em que eventual 
direito de regresso será exercido por ação autônoma. 
 
 
Depreende-se desse artigo que, após o CPC/2015, a denunciação à lide não é mais 
obrigatória, podendo o evicto demandar, posteriormente, ação regressiva contra o alienante. 
Ademais, não são mais permitidas denunciações sucessivas, permitindo-se apenas que ocorra 
uma vez. 
Deve-se observar, ainda, que não há mais previsão da denunciação per saltum, percebam 
que o inciso I apenas prevê denunciação ao alienante imediato, não mais a qualquer dos 
anteriores. 
iii. Riscos do perecimento da coisa (res perit domino). O vendedor se responsabiliza 
pela perda não culposa da coisa antes da tradição. 
iv. Responsabilidade pelas despesas da compra e venda. Correm por conta do 
vendedor as despesas da tradição, e por conta do comprador as despesas do registro, salvo 
disposição em contrário. 
 
19 
6.4.4 Situações Específicas da Compra e Venda 
Compra e venda por amostra (art. 484 do CC) 
a) O vendedor se responsabiliza pela qualidade do objeto, que deve ser correspondente 
à amostra/protótipo/modelo. 
b) Havendo divergência entre a amostra e a coisa, prevalece a amostra. 
Compra e venda ad corpus e ad mensuram 
Ad corpus é a venda de uma coisa tomada pelo todo, ou seja, considerada sua inteireza. 
Já a compra e venda ad mensuram é a venda da coisa por medida. Se a venda é ad mensuram, 
o vendedor se responsabiliza pela extensão da coisa, sendo cabível a chamada ação ex emptio 
(ação de complementação de área). Não cabe ação edilícia para reclamar medida (venda ad 
mensuram) quando a diferença encontrada não for superior a 1/20 da área total enunciada (5%). 
6.4.5 Cláusulas acessórias/especiais 
Devem ser expressas e são meramente exemplificativas. 
I. Retrovenda (art. 505 do CC) 
Retrovenda é a cláusula acessória expressa pela qual o vendedor reserva a si e a seus 
sucessores o direito de recomprar o IMÓVEL de volta, no prazo máximo de 3 anos (prazo 
decadencial), pagando o preço tanto por tanto. 
O valor tanto por tanto inclui: i) o valor do negócio; ii) as despesas do registro; iii) a 
indenização pelas benfeitorias úteis e necessárias (pois realizadas por possuidor de boa-fé); iv) 
indenização pelas acessões. 
A retrovenda estabelece um caso típico de propriedade resolúvel, pois durante o prazo 
máximo de 3 anos, a qualquer momento, a propriedade do comprador pode se extinguir, 
quando o vendedor exercer o seu direito de retrovenda. 
Registre-se que a retrovenda é direito potestativo do vendedor. Trata-se de uma condição 
resolutiva de propriedade, pois se o vendedor quiser recomprar, extingue-se automaticamente 
a propriedade do vendedor. 
 
20 
Apesar de a retrovenda possuir natureza obrigacional, ela produz efeitos em relação a 
terceiros (oponibilidade erga omnes). Essa cláusula, portanto, tem eficácia real, na medida em 
que vincula a terceiros e permite ao vendedor exercer seu direito potestativo contra quem 
eventualmente adquiriu a coisa do comprador. Exatamente por isso, toda cláusula de retrovenda 
precisa ser expressa e registrada. 
 
II. Cláusula de preferência (preempção ou prelação) 
Cuida-se da cláusula acessória que obriga o comprador a ofertar o bem primeiramente a 
quem lhe vendeu, quando resolver vendê-lo. A natureza desse direito de preferência é 
meramente obrigacional. 
O prazo máximo de vigência do direito de preferência é de: 
a) 180 dias: Se o bem é móvel. 
b) 2 anos: Se imóvel. 
c) Já o prazo que se confere a quem vendeu para que diga se vai querer ou não 
exercer o dinheiro de preferência – 3 dias se móvel e 60 dias se imóvel. 
III. Cláusula de reserva de domínio 
Cláusula de reserva de domínio é aquela pela qual o vendedor reserva para si a 
propriedade do bem, enquanto o preço não for integralmente pago. 
Nos termos do art. 521 do CC, a cláusula de reserva de domínio é exclusiva para coisa 
móvel. Ocorre que a Lei 9.514/97 expressamente prevê a alienação fiduciária sobre bem imóvel, 
razão pela qual, fazendo-se uma interpretação sistêmica, é perfeitamente possível a cláusula de 
reserva de domínio sobre bem imóvel. 
IV. Venda a contento (ad gustum) e venda sujeita a prova (arts. 509 e 510) 
A venda a contento e a venda sujeita à prova são vendas que submetem os efeitos do 
negócio a uma condição suspensiva, qual seja, o agrado/gosto do comprador. 
V. Pacto de melhor comprador (não tem previsão no CC) 
 
21 
O pacto de melhor comprador é uma cláusula acessória que torna o negócio resolúvel, 
porque permite ao vendedor desfazer o negócio no prazo máximo de um ano, se encontrar 
proposta mais vantajosa. 
VI. Pacto comissório (não tem previsão no CC) 
A doutrina também alude ao pacto/cláusula comissório. Cuida-se da cláusula que permite 
o desfazimento do contrato, pelo descumprimento do dever de pagar o preço pelo comprador. 
6.5 Franchising 
Também conhecido como contrato de franqueamento ou franquia, é espécie de contrato 
oneroso e bilateral em que uma das partes (franqueador) cede à outra (franqueado) o direito 
de comercializar produtos ou marcas de sua propriedade (geralmente já consagradas no 
mercado), mediante remuneração previamente ajustada, sem que estejam ligadas por um vínculo 
de subordinação. O contrato era regido pela Lei 8.955/94, revogada pela Lei nº 13.966, de 
26.12.2019. 
Nessa modalidade contratual, há cessão do aviamento empresarial, permitindo que o 
empresário, em lugar de desenvolver um aviamento próprio, contrate a sua cessão jurídica. O 
franqueador é o titular do aviamento, tendo, como obrigação inerente a sua posição contratual, 
o dever de zelar pelo aperfeiçoamento e evolução positiva do franqueado. 
Conforme art. 1º da Lei nº 13.966/2019, franquia empresarial2 é o sistema de franquia 
empresarial, pelo qual um franqueador autoriza por meio de contrato um franqueado a usar 
marcas e outros objetos de propriedade intelectual, sempre associados ao direito de produção 
ou distribuição exclusiva ou não exclusiva de produtos ou serviços e também ao direito de uso 
de métodos e sistemas de implantação e administração de negócio ou sistema operacional 
desenvolvido ou detido pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem 
caracterizar relação de consumo ou vínculo empregatício em relação ao franqueado ou a seus 
empregados, ainda que durante o período de treinamento. 
 
2 Vide questão 01 
 
22 
O franqueador fica obrigado, por exemplo, a disponibilizar os produtos, garantir a 
exclusividade de exploração sobre determinada área quando prevista em contrato (um shopping 
center, um bairro, uma cidade), entregar ao franqueado a Circular de Oferta de Franquia (COF), 
oferecer assistência técnica e, muitas vezes, publicidade, etc., tudo nos termos do 
convencionado. 
A respeito da Circular de Oferta de Franquia, a Lei 13.966/2019 trouxe as seguintes disposições: 
 Relação dos franqueados: o COF deve conter o contato de todos os franqueados da 
rede, incluindo os que a deixaram dos últimos 24 meses; 
 Regras de concorrência: o franqueador deve especificar as principais regras de 
concorrência da rede. Com isso, deve estipular a área de atuação, se há exclusividade 
e etc. para unidades próprias e franqueadas; 
 Valores de investimento: o documento deve conter a estimativa de todos os valores 
de investimento com os quais o franqueado terá que arcar. Isso inclui valor da taxa 
de franquia, entre outras. 
 Questões de sucessão: obrigação de esclarecimento de regras para transferência do 
contrato, caso seja possível e quais as políticas aserem seguidas para este caso; 
 Atribuições ao contrato: ou seja, informações sobre validade de contrato. Isso inclui 
quais os procedimentos a serem realizados em caso de prazo determinado e as 
punições se houver descumprimento das regras; 
 Estabelecimento de cotas: o franqueador deve informar ao franqueado se há cotas 
mínimas de compras e em quais situações o investidor poderá recusar a cota; 
 
23 
 Conselhos ou associações: o contrato deve estipular se a rede detém um conselho 
ou associação de franqueados; 
 Treinamento: as especificações de treinamentos passam a ser obrigatórias, 
necessitando informar duração, conteúdo e custos. 
O franqueado, por sua vez, deverá pagar ao franqueador a remuneração ajustada, adquirir 
os seus produtos ou serviços, atuar com exclusividade e seguir as instruções daquele quanto à 
comercialização dos bens, etc., conforme o conteúdo do contrato. 
Em regra, o franqueador recebe uma remuneração inicial a título de filiação do franqueado 
(conhecida como entrada ou taxa de franquia) e um valor periódico (chamado de taxa periódica 
de franquia ou royalties), que pode ser uma quantia determinada ou mesmo um percentual 
sobre os lucros obtidos. Pode ser prevista ainda uma taxa de publicidade, que permite a 
formação de um fundo comum para desenvolvimento de estratégias publicitárias comuns. 
A independência do franqueado constitui uma das principais características do contrato 
de franquia, uma vez que o franqueado não guarda qualquer relação de subordinação frente 
ao franqueador, inexistindo vínculo empregatício. Desse modo, a franqueada possui autonomia 
jurídica, administrativa e financeira. Franqueador e franqueado têm personalidades jurídicas 
distintas, com existência própria e patrimônio jurídico próprio, embora contratualmente 
vinculados em relação ao objeto do contrato de franquia. 
A locação do ponto pode ser feita pelo franqueador, colocando o franqueado como 
sublocador. Desse modo, caso o franqueado se retire, o ponto continuará em posse do locador 
original. Nesse estado, o aluguel pode ser pago tanto por locador quanto pelo sublocador. 
Não obstante o exposto, embora os membros dessa rede (franqueador e franqueado) 
sejam independentes entre si, atuam como unidade, já que, para o mercado consumidor, 
exibem-se pela identidade comum da rede. Nesse sentido, pode-se sustentar que dita 
autonomia é relativa, haja vista depender o franqueado da estrutura fornecida pelo franqueador 
para a manutenção de sua padronização. 
 
24 
Sempre que o empresário estiver interessado em conceder franquia, deverá fornecer ao 
interessado em tornar-se franqueado a chamada Circular de Oferta de Franquia (COF), 
documento que deverá conter os dados previstos no art. 2º da Nova Lei de Franquias. 
A Circular de Oferta de Franquia deverá ser entregue ao candidato a franqueado no 
mínimo 10 dias antes da assinatura do contrato ou pré-contrato de franquia ou ainda do 
pagamento de qualquer tipo de taxa pelo franqueado ao franqueador. 
Na hipótese de não cumprimento do disposto no § 1º, o franqueado poderá arguir 
anulabilidade ou nulidade, conforme o caso, e exigir a devolução de todas e quaisquer quantias 
já pagas ao franqueador, ou a terceiros por este indicados, a título de filiação ou de royalties, 
corrigidas monetariamente. 
A extinção do contrato de franquia pode se dar pelo término do prazo avençado, por 
livre acordo entre as partes ou pelo descumprimento de cláusula contratual. 
Em caso de estabelecimento de um contrato internacional, o franqueador tem a obrigação 
de o prover traduzido na língua portuguesa. A lei prevê que nos contratos internacionais a rede 
obtém deveres jurídicos em ambos os países. Portanto, a parte domiciliada no exterior deve 
deter representante legal com pleno poder para a representar administrativamente e 
judicialmente. 
6.6 Leasing 
Regulado pela Lei nº 6.099/74, o arrendamento mercantil3 ou “leasing” é contrato oneroso 
e bilateral, segundo o qual uma pessoa jurídica (arrendador) arrenda a uma pessoa física ou 
jurídica (arrendatário), por tempo determinado e mediante o pagamento de prestações 
periódicas, um bem comprado pela primeira de acordo com as indicações da segunda, cabendo 
ao arrendatário a opção de adquirir o bem arrendado ao final do contrato, mediante o 
pagamento de um preço residual previamente acertado. 
Portanto, trata-se de contrato cuja finalidade é permitir ao arrendatário o uso de certo 
bem, sem que tenha que arcar com seu preço total. Assim, incumbirá ao arrendador à aquisição 
da propriedade daquele bem móvel ou imóvel que interessa ao arrendatário, ao qual será 
 
3 Vide questão 03 e 04 e 11 
 
25 
transferida a sua posse direta, garantindo-lhe o livre uso, mediante pagamento periódico de 
certo valor, e com a opção ao final de: 1) compra do bem; 2) devolução do bem; ou 3) renovação 
do contrato (é a chamada tríplice opção, característica mais marcante do contrato de 
arrendamento mercantil). 
Durante a vigência do contrato, a propriedade do bem arrendado permanece em nome 
do arrendador. 
O leasing financeiro é a modalidade pura de arrendamento mercantil, que envolve três 
partes. O arrendatário indica o bem a ser comprado e fará uso do objeto mediante o pagamento 
de prestações periódicas, com opção final de compra, renovação ou devolução, podendo ser 
pessoa física ou pessoa jurídica. O arrendador compra o bem e o cede em arrendamento ao 
arrendatário. O fornecedor é aquele de quem o arrendador adquire o bem. 
O leasing operacional é a espécie de arrendamento em que o bem objeto do contrato já 
pertence à arrendadora, que o cede em arrendamento ao arrendatário. O lease back ou leasing 
de retorno, a seu turno, é aquele no qual o proprietário de um bem o vende ao arrendador, 
que por sua vez, o arrenda ao antigo proprietário. Esse tipo de contrato é realizado quando o 
arrendatário está precisando de capital de giro. De acordo com as normas do BACEN, o 
arrendamento mercantil somente pode ser contratado por companhias ou por instituições 
financeiras que tenham sido previamente autorizadas. 
O Superior Tribunal de Justiça, no mês de maio de 2003, cancelou a Súmula 263, segundo 
a qual os contratos de leasing que preveem cobrança antecipada do Valor Residual Garantido 
– VRG ficam descaracterizados. De acordo com dita súmula, esse tipo de contrato deveria ser 
entendido como uma compra e venda, já que a cobrança antecipada do resíduo tornava a 
compra obrigatória. Para aos Ministros do STJ, a opção de compra só estaria garantida se o 
valor residual fosse cobrado ao final do contrato e não acrescido das prestações pagas 
mensalmente. Ao cancelar a súmula, portanto, entenderam que deve vigorar o princípio da livre 
convenção entre as partes. 
Assim, hoje, o valor residual garantido pode ser cobrado a qualquer momento sem 
descaracterizar o leasing, ou, nos termos da Súmula 293 do STJ, que diz que a cobrança 
antecipada do valor residual garantido não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. 
 
 
26 
LEASING FINANCEIRO 
Previsto no art. 5º da 
Resolução 2.309/96 – 
BACEN 
LEASING OPERACIONAL 
Previsto no art. 6º da 
Resolução 2.309/96 – BACEN 
LEASING DE RETORNO 
(LEASE BACK) 
Sem previsão na Resolução 
2.309/96 – BACEN 
É a forma típica e clássica do 
leasing. 
Ocorre quando uma pessoa 
jurídica (arrendadora) compra 
o bem solicitado por uma 
pessoa física ou jurídica 
(arrendatária) para, então, 
alugá-lo à arrendatária. 
Aqui, prepondera o SERVIÇO 
de intermediação de crédito. 
Ocorre quando a arrendadora 
já é proprietária do bem e o 
aluga ao arrendatário, 
comprometendo-se também a 
prestar assistência técnica em 
relação ao maquinário. 
Aqui, a LOCAÇÃO desponta 
como negócio jurídico 
principal. 
Ocorre quando determinada 
pessoa, precisando se 
capitalizar, aliena seu bem à 
empresade leasing, que 
arrenda de volta o bem ao 
antigo proprietário a fim de 
que ele continue utilizando a 
coisa. 
Em outras palavras, a pessoa 
vende seu bem e celebra um 
contrato de arrendamento 
com o comprador, 
continuando na posse direta. 
Ex.: determinada empresa 
(arrendatária) quer utilizar 
uma nova máquina em sua 
linha de produção, mas não 
tem recursos suficientes para 
realizar a aquisição. Por esse 
motivo, celebra contrato de 
leasing financeiro com um 
Banco (arrendador), que 
compra o bem e o arrenda 
para que a empresa utilize o 
maquinário. 
Ex.: a Boeing Capital 
Corporation (arrendadora) 
celebra contrato de 
arrendamento para alugar 5 
aeronaves à GOL (arrendatária) 
a fim de que esta utilize os 
aviões em seus voos. A 
arrendadora também ficará 
responsável pela manutenção 
dos aviões. 
Ex.: em 2001, a Varig, a fim de 
se recapitalizar, vendeu 
algumas aeronaves à Boeing e 
os alugou de volta por meio 
de um contrato de lease back. 
O nome completo desse 
negócio jurídico, em inglês, é 
sale and lease back (venda e 
arrendamento de volta). 
 
27 
Normalmente, a intenção da 
arrendatária é, ao final do 
contrato, exercer seu direito 
de compra do bem. 
Normalmente, a intenção da 
arrendatária é, ao final do 
contrato, NÃO exercer seu 
direito de compra do bem. 
Em geral, é utilizado como 
uma forma de obtenção de 
capital de giro. 
 
6.7 Alienação Fiduciária 
Habitualmente vinculado ao contrato de mútuo, trata-se de espécie contratual que 
possibilita aquisição de um bem móvel4 ou imóvel5 por uma pessoa que, querendo adquiri-lo, 
não quer ou não conta com as condições necessárias para sua compra à vista. 
O adquirente recebe o bem do comprador, ficando com sua posse para que dele se 
utilize, comprometendo-se a pagar parceladamente o valor acordado ao credor, que deterá a 
propriedade resolúvel do bem. Caso o devedor pague a dívida, tomará o domínio pleno do 
bem. Caso se torne inadimplente, o bem será vendido pelo credor para que possa ser ressarcido. 
Nada impede que o fiduciante já seja proprietário do bem. Nesse caso, precisando de 
recursos, contrata com o fiduciário no sentido de passar a este a propriedade fiduciária do bem, 
para, em contrapartida, receber determinado valor, devendo este ser devolvido em parcelas. 
Nesse sentido a Súmula 28 do STJ: “O contrato de alienação fiduciária em garantia pode ter por 
objeto bem que já integrava o patrimônio do devedor”. 
A natureza bancária do contrato de alienação fiduciária é discutível. Apesar de sua 
considerável utilização, sobretudo, por empresários que exploram a atividade bancária, os 
demais empresários também podem celebrá-lo. Exemplo: consórcios de automóveis. 
 
4 Vide questão 13 
5 Vide questão 12 
 
28 
6.8 Contratos de Colaboração 
O contrato de colaboração define-se por uma obrigação particular, em que um dos 
contratantes (colaborador), assume, em relação aos produtos e serviços do outro (fornecedor), 
a obrigação de criação ou ampliação do mercado. 
Fábio Ulhoa Coelho explica que são duas as formas de colaboração empresarial no 
escoamento de mercadorias. Na primeira, um dos empresários contratantes (o colaborador) 
compra, em circunstâncias especiais, a mercadoria fabricada ou comercializada pelo outro (o 
fornecedor) para revendê-la. 
Nesse grupo, inserem-se os contratos de distribuição-intermediação e de concessão 
mercantil. O distribuído ou concedente vende seus produtos, respectivamente, ao distribuidor 
ou ao concessionário, e estes, por sua vez, os revendem aos consumidores. Tal primeira 
modalidade de articulação de esforços empresariais realiza-se por intermediação, isto é, as 
partes do contrato de colaboração ocupam elos distintos da cadeia de circulação de 
mercadorias. 
Já na segunda forma de colaboração, os contratantes não realizam contratos de compra 
e venda mercantil; o colaborador busca empresários interessados em adquirir as mercadorias 
fabricadas ou comercializadas pelo fornecedor. É o caso dos contratos de mandato, comissão 
mercantil, agência, distribuição-aproximação e representação comercial autônoma. Tomando-se 
este último como exemplo: a compra e venda mercantil é realizada entre o representado e o 
terceiro, cujo interesse no negócio foi motivado ou identificado pela modalidade de colaboração 
empresarial, esta não se manifesta pela intermediação econômica, mas por aproximação, ou 
seja, só uma das partes (o mandante, comitente ou representado) é elo da cadeia de circulação 
de mercadorias.6 
 
CONTRATOS DE COLABORAÇÃO EMPRESARIAL 
 
6 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial: direito de empresa. V. 3, 8. ed., São Paulo, Saraiva, 2008, p. 93 e 94 
 
29 
Colaboração por Intermediação Colaboração por Aproximação 
Colaborador ocupa um dos elos da 
cadeia produtiva, adquirindo o produto e 
revendendo: 
O fornecedor não realiza contrato de 
compra e venda diretamente com o varejista 
ou o consumidor final. 
Fornecedor e consumidor ocupam 
elos distintos da cadeia produtiva. (venda 
indireta). 
Não há comissão, pois a 
remuneração advém do lucro obtido com a 
revenda do produto por preço superior ao 
adquirido. 
Colaborador e fornecedor não 
realizam contrato de compra e venda, pois 
aquele apenas procura empresários 
interessados em adquirir produtos ou serviços 
oferecidos por esse. 
Quem contrata a compra e venda com 
o fornecedor é o interessado localizado pelo 
colaborador 
Somente uma das partes (mandante, 
comitente ou representado) é o elo da cadeia 
de circulação de mercadorias. O colaborador 
recebe comissão. 
 
 
 
6.8.1 Agência ou Representação Comercial 
Trata-se de uma espécie de contrato oneroso e bilateral, em que uma das partes (o 
representante comercial), que deve ser um empresário (pessoa física ou jurídica), se obriga, 
mediante remuneração, a angariar, com habitualidade, negócios mercantis, como a compra e 
 
30 
venda de produtos fabricados ou comercializados pelo representado em uma zona geográfica 
delimitada, inexistindo entre eles vínculo de subordinação. 
Nos termos do art. 710 do Código Civil, pelo contrato de agência, uma pessoa assume, 
em caráter não eventual e sem vínculo de dependência, a obrigação de promover, à conta da 
outra, mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada. 
Para Rubens Requião, o representante comercial é a pessoa que, “em caráter profissional, 
realiza, numa determinada zona, os atos de comércio peculiares à promoção e conclusão de 
negócios por conta e em nome de uma ou mais empresas. Na concepção do autor, “o 
reconhecimento da legitimidade da representação nos atos jurídicos, fundamenta o instituto da 
representação comercial, pois constitui um imperativo de ordem prática imprescindível nas 
normais relações jurídicas na sociedade moderna.”7. 
Humberto Theodoro Júnior adverte que não é correto o entendimento no sentido de que 
o artigo 710 do Código Civil disciplinou 
tanto a representação comercial como a concessão comercial. O dispositivo cuidou 
exclusivamente do contrato de agência, como negócio que anteriormente se denominava 
contrato de representação comercial. A distribuição de que cogita o art. 710 é aquela que, 
eventualmente, pode ser autorizada ao agente, mas nunca como revenda, e sempre como 
simples ato complementar do agenciamento. Dentro da sistemática da preposição que é 
inerente ao contrato de agência, as mercadorias de propriedade do comitente são postas 
à disposição do agente-distribuidor para entrega aos compradores, mas tudo se faz em 
nome e por conta do representado.8 
Segundo o art. 31 da Lei 4.886/1965, a exclusividade de representação não se presume, 
podendo o representado, portanto, contratar uma ou mais representantes. O art. 711 do CC, 
contudo, derrogando disposiçãodaquele artigo, oferece uma solução distinta, fazendo presumir 
a exclusividade. 
Segundo ele, a ausência de exclusividade está circunscrita aos negócios de natureza 
diversa, pois, a menos que haja disposição em contrário, não pode o representado constituir 
 
7 REQUIÃO, Rubens. Aspectos jurídicos da representação comercial. Dissertação (Livre Docência). Curitiba, 1950. 64 f. 
Faculdade de Direito, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1950, p. 57. 
8 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Do Contrato de agência e distribuição no novo Código Civil. Re-vista dos tribunais. São Paulo: 
RT, v. 92, n. 812, p. 22 a 40, jun., 2003, p. 34 
 
31 
mais de um agente (1), ao mesmo tempo (2) para atuar na mesma zona (3) e com idêntica 
incumbência (4), assim como o agente não pode assumir o encargo de tratar de negócios do 
mesmo gênero (considerado mesmo gênero quando houver conflito de interesses), de diferentes 
proponentes, na mesma zona. Neste sentido, importante ainda salientar que não há vedação a 
intermediação pelo representante de negócios de outras empresas, se diferentes os ramos de 
negócio. 
Não há vínculo de subordinação do representante em relação ao representado. Portanto, 
faculta-se a contratação de representantes comerciais sem vínculo empregatício, ou seja, pessoas 
naturais ou jurídicas cuja função é mediar à realização de negócios, agenciando propostas ou 
pedidos e transmitindo-os ao representado. 
O representante comercial autônomo deve ser registrado no órgão profissional 
correspondente, ou seja, o Conselho Regional dos Representantes Comerciais, ficando sujeito a 
regras éticas e técnicas elaboradas por esse Conselho. Se for pessoa jurídica, deve ser também 
registrado na JC. 
Segundo previsão do art. 31 da Lei 4.886/65, a remuneração devida ao representante é 
uma comissão, em percentual ajustado entre as partes, sobre o valor total dos produtos que 
tenham sido negociados com a sua intermediação. É a chamada cláusula de sucesso, segundo 
a qual a participação do representante acompanha o sucesso da representada na área de 
representação (ainda que não tenha efetivamente interferido na sua realização, salvo ajuste em 
contrário, conforme ensina o art. 714 do CC). 
Se o representado, sem justa causa, cessar o atendimento das propostas ou reduzi-las 
tanto que se torne antieconômica a continuação do contrato, terá o agente direito a uma 
indenização (art. 715, CC), cujo patamar mínimo é de 1/12 (um doze avos) do total da retribuição 
auferida durante o tempo em que exerceu a representação. Também fará o representante jus à 
remuneração, se o negócio deixar de ser realizado por fato imputável ao representado, ou em 
virtude de força maior (arts. 716 e 719, CC). 
Se dispensado sem justa causa, terá o representante direito a ser remunerado pelos 
serviços úteis prestados, debitados os valores dos eventuais prejuízos que tenha causado (art. 
717, CC). 
 
32 
Salvo estipulação em contrário, o representante comercial custeia as próprias despesas. 
Sendo assim, nos termos do art. 713 do CC, todas as despesas com a agência correm a cargo 
do agente, salvo estipulação em contrário. O trabalho em si que é remunerado, mas sim o seu 
resultado. 
6.8.2 Distribuição 
O contrato de distribuição é aquele em que uma pessoa assume, em caráter não eventual 
e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de outra, mediante 
retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada, dispondo, neste caso, o 
próprio agente da coisa a ser negociada (essa disposição da coisa diferencia esse contrato do 
contrato de agência). 
O parágrafo único do artigo 710 estabelece que o proponente pode conferir poderes ao 
agente para que este o represente na conclusão dos contratos. Neste caso, fica caracterizado o 
contrato de representação comercial que é regulado pela Lei 4.886/65. 
O agente atua como promotor de negócios em favor de uma ou várias empresas em 
determinada praça. Não se trata de corretor pois não conclui o negócio. Não é mandatário, nem 
procurador. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na 
conclusão dos contratos. 
Salvo ajuste, o proponente não pode constituir, ao mesmo tempo, mais de um agente, 
na mesma zona, com idêntica incumbência; nem pode o agente assumir o encargo de nela 
tratar de negócios do mesmo gênero, à conta de outros proponentes. 
O agente, no desempenho que lhe foi cometido, deve agir com toda diligência, atendo-
se às instruções recebidas do proponente. 
Salvo estipulação diversa, todas as despesas com a agência ou distribuição correm a cargo 
do agente ou distribuidor. 
Salvo ajuste, o agente ou distribuidor terá direito à remuneração correspondente aos 
negócios concluídos dentro de sua zona, AINDA QUE SEM A SUA INTERFERÊNCIA. A 
remuneração será devida ao agente também quando o negócio deixar de ser realizado por fato 
imputável ao proponente. Se o agente não puder continuar o trabalho por motivo de força 
 
33 
maior, terá direito à remuneração correspondente aos serviços realizados, cabendo esse direito 
aos herdeiros no caso de morte. 
O agente ou distribuidor tem direito à indenização se o proponente, sem justa causa, 
cessar o atendimento das propostas ou reduzi-lo tanto que se torna antieconômica a 
continuação do contrato. Ainda que dispensado por justa causa, terá o agente direito a ser 
remunerado pelos serviços úteis prestados ao proponente, sem embargo de haver este perdas 
e danos pelos prejuízos sofridos. 
Se a dispensa se der sem culpa do agente, terá ele direito à remuneração até então 
devida, inclusive sobre os negócios pendentes, além das indenizações previstas em lei especial. 
Se o contrato for por tempo indeterminado qualquer das partes poderá resolvê-lo, 
mediante aviso prévio de 90 (noventa) dias, desde que transcorrido prazo compatível com a 
natureza e o vulto do investimento exigido do agente. No caso de divergência entre as partes, 
o juiz decidirá da razoabilidade do prazo e do valor devido. 
Não se aplicam analogicamente as leis 4.886/65 e 6.729/76, que disciplinam, 
respectivamente, os contratos de representação comercial e as relações entre os produtores e 
distribuidores de veículos aos contratos de concessão comercial; deve-se aplicar as normas de 
direito civil (REsp 513.048, j. 16.03.2010, 4ª T.) Aplicam-se ao contrato de agência e distribuição, 
no que couber, as regras concernentes ao mandato (CC, artigos 653 a 692) e à comissão (CC, 
artigos 693 a 709) e as constantes de lei especial. 
6.8.3 Corretagem9 
César Augusto de Castro Fiúza explica que: 
corretagem é o contrato pelo qual uma pessoa encarrega outra de angariar-lhe negócios, 
mediante remuneração. Em simples palavras, essa seria a definição. Na verdade, o corretor 
servirá como intermediário, agenciando negócios para o comitente e recebendo, por isso, 
certo percentual. É o caso dos corretores de imóveis e dos corretores de títulos e valores 
mobiliários, tais como ações.” 
 
9 Questão 08 
 
34 
Regulado pelo art. 722 do Código Civil, o contrato de corretagem é aquele em que um 
agente comete a outrem a obtenção de um resultado útil de certo negócio, esperando-se que 
o corretor faça aproximação entre um terceiro e o comitente; 
A natureza jurídica do contrato de corretagem é de contrato bilateral, acessório, 
consensual, oneroso e aleatório: 
 bilateral, porque dele emergem obrigações para ambas as partes, embora possa 
também onerar apenas uma delas; 
 acessório, porque serve de instrumento para conclusão de outro negócio, tratando-
se de contrato preparatório com universo negocial amplo; 
 consensual, porque depende unicamente do consentimento, sem outro 
procedimento; 
 de forma livre, a regra geral é não depender o contrato de corretagem de forma, 
podendo ser verbal ouescrito; 
 oneroso, porque pressupõe eventual remuneração do corretor; 
 aleatório, porque depende de acontecimento falível para que essa remuneração seja 
exigível, qual seja, a concretização do negócio principal, subordinando-se ao 
implemento de condição suspensiva. 
Na corretagem, existe uma obrigação de resultado que condiciona o direito à 
remuneração (art. 725). Os corretores oficiais são aqueles investidos de ofício público, 
disciplinado por lei, assim se colocam os corretores de mercadorias, de navios, de operação de 
câmbio, de seguros, de valores em Bolsa etc., todos com regulamentação particular; – corretores 
livres são os que exercem a intermediação sem designação oficial, podendo, nesse caso, atuar 
todos os que estejam na plenitude de sua capacidade civil. 
A profissão de corretor de imóveis, por exemplo, é disciplinada pela Lei n o 6.530/78, 
regulamentada pelo Decreto n o 81.871/78; – o exercício da profissão de corretor de imóveis é 
deferido ao possuidor de título técnico em transações imobiliárias, inscrito no Conselho Regional 
de Corretores de Imóveis (Creci) da jurisdição. 
 
35 
6.8.4 Concessão Mercantil 
É contrato no qual um empresário (concessionário) se obriga a comercializar, com ou sem 
exclusividade, com ou sem cláusula de territorialidade, os produtos fabricados por outro 
empresário (concedente). Disciplina apenas a concessão comercial referente ao comércio de 
veículos automotores terrestres, como os automóveis, caminhões, ônibus, tratores, motocicletas 
e similares, sendo regulada pela Lei Ferrari Lei 6.729/70. 
Quando tem por objeto o comércio de qualquer outra mercadoria, a concessão comercial 
é um contrato atípico, ou seja, não sujeito a uma determinada disciplina legal, sendo também 
chamado de “contrato de distribuição”. 
O concedente se obriga a permitir, gratuitamente, o uso de suas marcas pelo 
concessionário; vender ao concessionário os veículos de sua fabricação na quantidade prevista 
no contrato; não vender, diretamente, os veículos de sua fabricação na área operacional de uma 
concessionária, salvo, a título de exemplo, à Administração Pública e ao Corpo Diplomático. 
O concessionário se obriga a respeitar a cláusula de exclusividade, se houver, não 
comercializando com nenhum outro veículo senão os fabricados pelo concedente; comprar do 
concedente os veículos na quantidade prevista no contrato, entre outras obrigações estipuladas. 
Em matéria de acessórios, pode o concessionário comercializar livremente os produtos que 
considerar comercialmente interessantes. 
Os preços dos veículos ao consumidor são fixados pelo concessionário, e não pelo 
concedente. 
6.8.5 Comissão Mercantil 
Regido pelo Código Civil entre os arts. 693 e 709, é espécie contratual em que um dos 
contratantes (comissário) adquire ou vende bens em nome próprio e sob sua responsabilidade, 
mas por ordem e conta (em proveito) de um terceiro (comitente). Segundo o mencionado art. 
 
36 
693, “o contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a venda de bens pelo comissário, 
em seu próprio nome, por conta do comitente”10. 
Nota-se, portanto, que quem se obriga para com terceiros com quem contrata (CC, art. 
693) é o comissário, assumindo a responsabilidade em caso de insolvência do comitente. 
.11 Observe-se, ainda, que neste tipo de contrato as partes podem ser pessoas naturais 
ou jurídicas. 
Humberto Theodoro Júnior após expor, sucintamente, as razões histórico-evolutivas do 
contrato de comissão, observa que tais contratos possibilitavam aos mercadores contratar em 
praças distantes e superar as “dificuldades relativas às precisas informações sobre pessoas e 
hábitos locais e os riscos de cometer funções e encargos a desconhecidos”12. Além disso, em 
sua origem, a comissão admitia a concessão de crédito ao comitente pelo comerciante local 
(comissário), assim como ocorre com a conta margem oferecida pela sociedade corretora em 
favor do investidor. 
Para Orlando Gomes a comissão é “uma modalidade de mandato sem representação, que 
produz efeitos análogos aos deste contrato, mas se distingue pelo modo de agir do 
representante. No mandato, o representante age em nome do representado; na comissão, em 
nome próprio. Distinguem-se pelo modo de agir e não pelo modo de produção dos efeitos, 
embora a expressão ‘representação indireta’ tenha significação mais próxima do último critério 
distintivo. Num e noutro necessidade não há de novo ato para transmissão dos efeitos ao 
representado.13 
No sistema do antigo Código Comercial do Império (arts. 165 a 190), o comissário deveria 
ser obrigatoriamente um comerciante e o objeto da avença teria que se voltar, exclusivamente, 
à realização de negócios mercantis. Com a nova disciplina legal determinada pelo Código Civil 
de 2002, essa particularidade perdeu o interesse, vez que o contrato de comissão pode ser ou 
não de natureza empresarial. 
 
10 BRASIL. Lei 10.406 de 10 de janeiro de 2002. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406 compilada.htm>. Acesso em: 14 jan. 2020. 
11 Diniz (2003:383) 
12 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Do contrato de comissão no novo Código Civil. Revista dos tribunais. São 
Paulo: RT, v. 92, n. 814, p. 26 a 43, ago., 2003, p. 26. 
13 GOMES, Orlando. THEODORO JÚNIOR, Humberto (atual.). Contratos. 18. ed., Rio de Janeiro: Fo-rense, 1998, p. 358 
 
37 
O traço distintivo deste tipo contratual reside na circunstância de que o comissário age 
em seu próprio nome. E é justamente por isso que ele fica diretamente obrigado com as pessoas 
com quem contrata. Por consequência, essas não têm ação contra o comitente e nem este 
contra elas, salvo ocorrência de cessão de direitos entre qualquer das partes (art. 694, CC). 
Assim, com base nesse modelo contratual, permitiu-se que um comerciante encarregasse 
terceiro da importante missão de praticar atos de comércio e celebrar negócios em seu benefício 
ou por sua conta. Ao mesmo tempo, também se admitiu que essas contratações fossem 
realizadas em nome do próprio comissário, sem que o comitente se obrigasse perante terceiros, 
tal como ocorreria se tivesse de lançar mão do mandato. Em última análise, toda essa dinâmica 
representou significativa redução de custos e despesas para o comitente, pois serviu, em muitos 
casos, para contornar as regras proibitivas de mercancia por estrangeiros. 
Com fundamento em tais constatações, o professor da Faculdade de Direito da 
Universidade Federal de Minas Gerais conclui que 
A despeito do declínio do uso do instituto nos tempos atuais, a manutenção de sua 
regulamentação legal nos códigos do presente século é prova de que ele continua a 
prestar serviços ao comércio, seja tal como previsto no texto legal, seja amoldado às 
necessidades e peculiaridades de cada ramo ou atividade mercantil, seja, ainda, como 
negócio integrante de contratos atípicos coligados ou complexos, fruto da criação ágil da 
mente inventiva dos homens do comércio. 
[...] 
Por fim, observa-se que a comissão ganhou especificidades em determinadas atividades, 
dando origem a tipos contratuais amplamente difundidos, tais como a comissão bursátil 
e a comissão bancária na compra e venda de títulos e ações14. 
Sob o mesmo viés, tanto Waldírio Bulgarelli15 como Gustavo Tepedino16 observam que, 
hoje em dia, o contrato de comissão não possui a mesma importância de outrora, pois sua 
 
14 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Do contrato de comissão no novo Código Civil. Revista dos tribunais. São Paulo: RT, v. 92, n. 
814, p. 26 a 43, ago., 2003, p. 27 e 28, grifos nossos. 
15 BULGARELLI, Waldirio. Contratos Mercantis. 13 ed. São Paulo: Atlas, 2000, p. 492. 
16 O autor atribui o declínio dessa modalidade contratual “às características da vida contemporânea, marcada pela 
facilidade dos meios de comunicação e de transporte, e pelocrescente interesse das empresas em abrir filiais e 
agências.” TEPEDINO, Gustavo. TEIXEIRA, Sálvio de Figueiredo de (Coord.). Comentários ao novo Código Civil: das 
várias espécies de contrato, do mandato, da comissão, da agência e distribuição, da corretagem, do transporte. V. X, 
Rio de Janeiro: Forense, 2008, p. 215. 
 
38 
celebração se deslocou para certas atividades específicas. É o caso das operações efetuadas nas 
Bolsas de Valores (comissão bursátil) ou no mercado bancário (comissão bancária). 
Comissão é a remuneração calculada por meio de um percentual aplicado sobre as 
vendas. Não estipulada a remuneração devida ao comissário, será ela arbitrada segundo os usos 
correntes no lugar (CC, art.701). 
Comissário ou comissionado é a pessoa que, em um negócio, age por ordem de outrem 
e recebe comissão em decorrência da prática do ato. Quanto a estas determinações e ordens a 
serem cumpridas, salvo disposição em contrário, pode o comitente, a qualquer tempo, alterar 
as instruções dadas ao comissário, entendendo-se por elas regidos também os negócios 
pendentes. 
Comitente é a pessoa que encarrega outra (comissário) de fazer qualquer ato, mediante 
o pagamento de uma comissão. 
O comissário obriga-se, portanto, perante terceiros em seu próprio nome, figurando no 
contrato como parte. Neste, em geral não consta o nome do comitente, porque o comissário 
age em nome próprio17. 
Embora o comissário desempenhe sua atividade em seu próprio nome, não tem liberdade 
absoluta. Está ele obrigado a agir de conformidade com as ordens e instruções do comitente. 
Na hipótese de não dispor das orientações e determinações do comitente, ainda assim, não 
poderá agir arbitrariamente, devendo nestes casos, proceder segundo os usos em casos 
semelhantes. 
Ainda quanto à conduta do comissário, além da obrigação evidente de não praticar atos 
ilícitos na exercício de sua atividade, deverá, no desempenho das suas incumbências, agir com 
cuidado e diligência, não só para evitar qualquer prejuízo ao comitente, mas ainda para lhe 
proporcionar o lucro que razoavelmente se podia esperar do negócio. Assim, responderá o 
comissário, salvo motivo de força maior, por qualquer prejuízo que, por ação ou omissão, 
ocasionar ao comitente. Por outro lado como regra, o comissário não responde pela insolvência 
das pessoas com quem tratar, exceto em caso de culpa ou se do contrato de comissão constar 
a cláusula del credere (responderá o comissário solidariamente com as pessoas com que houver 
 
17 Entretanto, segundo Venosa, pode haver interesse mercadológico na divulgação do comitente, como fator de dinamização das 
vendas ou negócios em geral. 
 
39 
tratado em nome do comitente, caso em que, salvo estipulação em contrário, o comissário tem 
direito a remuneração mais elevada, para compensar o ônus assumido). 
Parte da doutrina entende que a comissão é um mandato sem representação, 
considerando que o comissário negocia em seu próprio nome, embora à conta do comitente. 
O contrato de comissão é bilateral, consensual, oneroso e não solene. 
A remuneração poderá ser parcial obedecendo critérios proporcionais. No caso de morte do 
comissário, ou, quando, por motivo de força maior, não puder concluir o negócio, será devida 
pelo comitente uma remuneração proporcional aos trabalhos realizados (CC, art.702). Havendo 
rescisão do contrato, ainda que tenha dado motivo à dispensa, terá o comissário direito a ser 
remunerado pelos serviços úteis prestados ao comitente, ressalvado a este o direito de exigir 
do comissário eventuais prejuízos provocados por ele. 
Se houver a RESCISÃO DO CONTRATO (dispensa do comissário) sem justa causa, o 
comitente terá direito a ser remunerado pelos trabalhos prestados, bem como a ser ressarcido 
pelas perdas e danos resultantes de sua dispensa. 
No que se refere à movimentação financeira entre os dois quanto à exigência de juros, 
assemelha-se ao contrato de mútuo com finalidade econômica. Assim, de acordo com o artigo 
706, o comitente e o comissário são obrigados a pagar juros um ao outro; o primeiro pelo que 
o comissário houver adiantado para cumprimento de suas ordens; e o segundo pela mora na 
entrega dos fundos que pertencerem ao comitente. Destaque-se ainda que, para reembolso das 
despesas feitas, bem como para recebimento das comissões devidas, tem o comissário direito 
de retenção sobre os bens e valores em seu poder em virtude da comissão. Por fim, são 
aplicáveis à comissão, no que couber, as regras sobre mandato (CC, artigos 798 e 709). 
 
Entretanto, não se pode ignorar a possibilidade de estar presente no contrato cláusula del 
credere, que determinará que o risco relativo a insolvência de terceiro será dividido entre o 
comissário e o contratado, trazendo para ambos a solidariedade na solvência do contratado. 
 
40 
Com base no Código Comercial de 1850, Carlos Alberto Bittar explica o conteúdo da comissão 
del credere nos seguintes termos: 
Na comissão normal, prospera o regime descrito na codificação, com as normas 
compatíveis que as partes estipulem em concreto. Na comissão del credere 
(principalmente, bancária), configura-se assunção da condição de garante pelo comissário, 
que assim responde solidariamente, perante o comitente, pela pontualidade e 
solvabilidade do contratante, caso em que descabe reclamação; mas, se não ajustada por 
escrito e existia a aquiescência do comitente, com impugnação do quantitativo, regula-se 
o valor pelos usos da praça, ou se fixa por meio de arbitradores (art. 179). Na comissão 
com cláusula de negociação consigo mesmo, pode o comissário adquirir para si os bens, 
considerando-se ínsita nos contratos sobre títulos versados em Bolsa (comissão de bolsa). 
Nessa hipótese, celebra o comissário contrato consigo mesmo, agindo na conjugação dos 
dois interesses. Mas pode também ser vedada a prática, por cláusula expressa nesse 
sentido18 
Desse modo, a cláusula del credere consiste em cláusula acessória ao contrato de 
comissão, no qual o comissário assume o gravame de responder solidariamente pela insolvência 
das pessoas com quem contratar em nome do comitente (art. 698, CC). 
6.8.6 Mandato Mercantil 
Regulado pelo Código Civil entre os arts. 653 e 691, trata-se de espécie contratual na 
qual alguém (mandatário) recebe de outrem (mandante) poderes para, em seu nome, praticar 
atos ou administrar interesses. 
O mandato mercantil pode revestir-se de forma onerosa ou gratuita, podendo ser 
aperfeiçoado por instrumento particular ou público. 
O contrato de mandato poderá contemplar todos os negócios do mandante, ou apenas 
parte deles. Mas, ainda que dotado de caráter geral, o mandatário não poderá realizar negócios 
que exijam a outorga de poderes especiais (art. 660, CC). 
A responsabilidade pelos negócios formalizados entre o mandatário e terceiros será do 
mandante, vez que aquele age em nome deste. Mesmo que o mandatário tenha agido com 
 
18 BITTAR, Carlos Alberto. BITTAR FILHO, Carlos Alberto (atual.). Contratos comerciais. 5. ed., Rio de Janeiro: Forense 
Universitária, 2008, p. 69. 
 
41 
excesso de poderes, responderá o mandante junto aos terceiros de boa-fé. Contudo, nesse caso, 
o mandante terá direito de regresso contra o mandatário. 
Ainda que o mandatário celebre negócio jurídico após a revogação do instrumento de 
mandato, responderá o mandante junto aos terceiros de boa-fé. Nesse caso, igualmente, poderá 
o mandante reaver junto a mandatário o ônus decorrente das perdas e danos que haja 
experimentado (art. 686, CC). 
Comunicado o mandatário da outorga de poderes a novo mandatário, para o mesmo 
negócio, considerar-se-á automaticamente revogado o anterior. 
6.9 Contratos bancários 
São aqueles nos quais um banco ou instituição financeira figura em um dos polos da 
relação contratual. 
Entre as inúmerasoperações bancárias, merecem destaque os seguintes: 
 Contrato de conta corrente: nele o banco se compromete a fazer operações de 
crédito e débito na conta bancária do cliente, a partir de suas determinações, 
manifestadas a partir da emissão de cheques, depósitos, saques, etc. 
 Contrato de Mútuo: contrato através do qual a instituição financeira empresta 
quantia determinada em dinheiro ao mutuário, o qual se obriga a restituir o valor 
emprestado com os juros e demais encargos contratados; 
 Contrato de Abertura de Crédito: acordo pelo qual o banco coloca à disposição do 
cliente certo valor, por prazo determinado ou indeterminado, que poderá utilizá-lo 
total ou parcialmente, mediante o pagamento de juros pelo período usado. Segundo 
a Súmula 233 do STJ, o contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de 
extrato de contracorrente, não é título executivo. Importante ainda destacar a Súmula 
247 do STJ, segundo a qual o contrato de abertura de crédito em conta corrente, 
acompanhado do demonstrativo de débito, constitui documento hábil para o 
ajuizamento da ação monitória. A súmula 322 do STJ, por sua vez, determina que, “
 
42 
para a repetição de indébito, nos contratos de abertura de crédito em conta corrente, 
não se exige a prova do erro”. 
 Contrato de desconto bancário: Contrato através do qual a instituição financeira 
antecipa o valor de um crédito contra terceiro e a favor de seu cliente, descontando 
a sua remuneração. 
 Contrato de depósito bancário:19 Trata-se de contrato bancário próprio que se enquadra 
na categoria de operações passivas, ou seja, naquelas em que o banco assume o polo 
passivo da relação contratual. Noutros termos, o banco é o devedor. No depósito 
bancário, uma pessoa (depositante) entrega ao banco (depositário) uma determinada 
quantia em dinheiro, cabendo ao banco restituí-la, na mesma espécie, em data 
predeterminada ou quando o depositante solicitar. No linguajar comum, chamamos esse 
contrato de conta. Assim, vê-se claramente que o depósito bancário é o mais importante 
dos contratos bancários, uma vez que quase todos, atualmente, possuem conta em banco, 
ou seja, firmam um contrato de depósito com um banco no intuito de manter nele 
recursos monetários e sacá-los quando for preciso. Esse saque é feito, por exemplo, por 
meio da emissão de cheque, da realização de DOC/TED ou do uso dos conhecidos cartões 
de débito, muito comuns na atualidade. O depósito bancário é contrato real, isto é, 
somente se aperfeiçoa com a entrega do dinheiro à instituição financeira depositária. 
Existem três espécies de depósito bancário: 
 Depósito à vista, no qual o banco deve restituir imediatamente a quantia solicitada 
pelo depositante; 
 Depósito a pré-aviso, no qual a restituição, quando solicitada, deve ser feita pelo 
banco em um prazo contratualmente estipulado; 
 Depósito a prazo fixo, no qual a restituição só pode ser solicitada após uma 
determinada data fixada no contrato (trata-se da conhecida poupança)., ou seja, 
 
19 Questão 10 
 
43 
naquelas em que o banco assume o polo passivo da relação contratual. Noutros 
termos, o banco é o devedor. 
 
 
44 
QUADRO SINÓTICO 
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS 
Autonomia da 
vontade 
Confere liberdade de contratar e a liberdade contratual, mas é mitigada pelo 
dirigismo contratual (o contrato deve atender a sua função social e nao pode 
contrariar preceitos de ordem pública) 
Consensualismo 
O mero acordo de vontades é suficiente para a formação dos contratos. É 
excepcionado nos contratos solenes e reais. 
Relatividade 
O contrato só vale entre as partes (aspecto subjetivo) e não se estende além de 
seu objeto (aspecto objetivo) – é relativizado pela boa-fé objetiva. 
Força obrigatória 
As partes podem exigir, uma da outra, que cumpram a prestação prometida. Mas 
esta é limitada pela cláusula “rebus sic standibus”, que sintetiza a teoria da 
imprevisão, nos contratos comutativos. Os contratos bilaterais contêm, implícita, a 
cláusula da “exceptio non adimpleti contractus”, pela qual uma parte não pode 
exigir o cumprimento do contrato pela outra, se estiver em mora em relação à sua 
própria prestação. 
Boa –fé 
As partes devem agir com probidade e todo contrato gera deveres implícitos, 
decorrentes da sua própria natureza. A boa-fé objetiva foi expressamente prevista 
no CC. 
CONTRATOS DE COLABORAÇÃO EMPRESARIAL 
Colaboração por Intermediação Colaboração por Aproximação 
Distribuição-Intermediação 
Concessão Mercantil 
Agência e Distribuição 
Contrato de Corretagem 
Contrato de Comissão 
 
45 
Distribuição-Aproximação 
Representação comercial autônoma 
 
 
 
46 
QUESTÕES COMENTADAS 
Questão 1 
((XXVII EOU – FGV - 2018): Móveis Combinados Ltda. (franqueador) pretende licenciar a Ananás 
Móveis e Decorações Ltda. ME (franqueado) o direito de uso de marca, associado ao direito de 
distribuição semiexclusiva de produtos moveleiros. 
De acordo com os termos da Circular de Oferta de Franquia elaborada pelo franqueador, 
eventualmente poderá o franqueado ter acesso ao uso de tecnologia de implantação e 
administração de negócios desenvolvidos pelo primeiro, mediante remuneração direta, sem ficar 
caracterizado vínculo empregatício entre as partes. 
Tendo em vista as disposições legais sobre o contrato celebrado, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Se o contrato de franquia empresarial vier a ser celebrado, o franqueador deverá licenciar ao 
franqueado o direito de uso de marca e, eventualmente, também o direito de uso de tecnologia 
de implantação e administração de negócio ou de sistema operacional desenvolvido. 
B) O contrato de franquia empresarial pode ser ajustado verbalmente ou por escrito; neste caso, 
deverá ser assinado na presença de duas testemunhas e terá eficácia em relação a terceiros com 
o arquivamento na Junta Comercial. 
C) A circular oferta de franquia deverá ser entregue a Ananás Móveis e Decorações Ltda. ME, 
no mínimo, 30 dias antes da assinatura do contrato ou pré-contrato, ou ainda do pagamento 
de taxa de adesão ao sistema pelo franqueado. 
D) Se Móveis Combinados Ltda. veicular informações falsas na circular de oferta de franquia, 
sem prejuízo das sanções penais cabíveis, Ananás Móveis e Decorações Ltda. ME poderá arguir 
a nulidade de pleno direito do contrato e exigir devolução de até metade do valor que já houver 
pago. 
 
 
Comentário: 
 
47 
Conforme art 2°, da Lei 8955/1994: Art. 2º Franquia empresarial é o sistema pelo qual um 
franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito de 
distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao 
direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional 
desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, 
no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício. 
 
 
Questão 2 
(XXVI EXAME DE ORDEM – FGV - 2018) Iguatu Têxtil S/A contratou o transporte de seus 
produtos do local de sua fábrica, em Iguatu/CE, até um dos polos de distribuição, em Fernão 
Dias/SP. Durante o trajeto, a carga será transportada, sucessivamente, pelas vias rodoviária, aérea 
e ferroviária. Será celebrado um único contrato, desde a origem até o destino, sob a execução 
e a responsabilidade únicas de um Operador de Transportes. 
A situação descrita revela que as partes celebraram um contrato de transporte 
A) multimodal. 
B) combinado. 
C) cumulativo. 
D) de fato. 
 
 
Comentário: 
Lei nº 9611/98, art. 2º: transporte multimodal de cargas é aquele que, regido por um único 
contrato, utiliza duas ou mais modalidades de transporte, desde a origem até o destino, e é 
executado sob a responsabilidade única de um operador de transporte multimodal. 
 
 
 
48 
Questão 3 
(XXV EXAME DE ORDEM – FGV - 2018)Paulo precisa de um veículo automotor para entregar 
os produtos de seu estabelecimento aos clientes, mas não tem numerário para adquiri-lo. Ele 
foi aconselhado por sua advogada a celebrar um contrato de arrendamento mercantil. 
Assinale a opção que indica as faculdades do arrendatário ao final desse contrato. 
 
A) Devolver o bem ao arrendador, renovar o contrato ou exercer opção de compra. 
B) Subarrendar o bem a terceiro ou exercer opção de compra. 
C) Subarrendar o bem a terceiro, renovar o contrato ou exercer opção de compra. 
D) Devolver o bem ao arrendador ou renovar o contrato. 
 
 
Comentário: 
Art 5º Os contratos de arrendamento mercantil conterão as seguintes disposições: 
a) prazo do contrato; 
b) valor de cada contraprestação por períodos determinados, não superiores a um semestre; 
c) opção de compra ou renovação de contrato, como faculdade do arrendatário; 
d) preço para opção de compra ou critério para sua fixação, quando for estipulada esta cláusula. 
Parágrafo único - Poderá o Conselho Monetário Nacional, nas operações que venha a definir, 
estabelecer que as contraprestações sejam estipuladas por períodos superiores aos previstos na 
alínea b deste artigo. 
 
 
Questão 4 
(XXIV EXAME DE ORDEM – FGV - 2017) O administrador da sociedade empresária Dutra & 
Filhos Comércio de Alimentos Ltda. consulta seu advogado para orientá-lo sobre o contrato 
apropriado para o aumento de sua capacidade de distribuição. 
 
49 
A intenção da pessoa jurídica é celebrar um contrato pelo qual possa receber a posse direta de 
veículos, que serão indicados por ela ao proprietário, para utilizá-los por prazo determinado, 
mediante o pagamento de prestações mensais durante a vigência do contrato. 
Ao termo final, a cliente deseja ter a possibilidade de adquirir os veículos ao invés de ser 
obrigada a devolvê-los ao proprietário ou renovar o contrato. Assinale a opção que indica o 
contrato apropriado para a sociedade empresária. 
 
A) Locação a prazo determinado. 
B) Cessão de uso a título oneroso. 
C) Compra e venda a prazo. 
D) Arrendamento mercantil. 
 
 
Comentário: 
O contrato de leasing ou arrendamento mercantil, assim denominado no Direito brasileiro, é o 
contrato no qual duas ou mais pessoas resolvem alugar (locar) ou arrendar determinado objeto 
um ao outro, com opção de ao seu término, optar pela compra do bem locado. 
 
 
Questão 5 
(XXII EXAME DE ORDEM – FGV - 2017): Mauriti & Cia Ltda. celebrou contrato de alienação 
fiduciária em garantia com a sociedade empresária Gama. Com a decretação de falência da 
fiduciante, o advogado da fiduciária pleiteou a restituição do bem alienado, sendo informado 
pelo administrador judicial que o bem se encontrava na posse do falido na época da decretação 
da falência, porém não foi encontrado para ser arrecadado. Considerando os fatos narrados, o 
credor fiduciário terá direito à restituição em dinheiro do valor da avaliação do bem atualizado? 
A) Não, em razão de este não ter sido encontrado para arrecadação. 
B) Sim, devendo, para tanto, habilitar seu crédito na falência como quirografário. 
 
50 
C) Sim, mesmo que o bem alienado não mais exista ao tempo do pedido de restituição ou que 
não tenha sido arrecadado. 
D) Não, por não ter a propriedade plena do bem alienado fiduciariamente, e sim resolúvel. 
 
 
Comentário: 
Art. 85. O proprietário de bem arrecadado no processo de falência ou que se encontre em poder 
do devedor na data da decretação da falência poderá pedir sua restituição. 
Parágrafo único. Também pode ser pedida a restituição de coisa vendida a crédito e entregue 
ao devedor nos 15 (quinze) dias anteriores ao requerimento de sua falência, se ainda não 
alienada. 
Art. 86. Proceder-se-á à restituição em dinheiro: 
I - se a coisa não mais existir ao tempo do pedido de restituição, hipótese em que o 
requerente receberá o valor da avaliação do bem, ou, no caso de ter ocorrido sua venda, 
o respectivo preço, em ambos os casos no valor atualizado; 
 
 
Questão 6 
(XXII EXAME DE ORDEM – FGV - 2017): Matheus, empresário individual, pretende alugar um 
imóvel para instalar seu estabelecimento e nele localizar seu ponto empresarial. Antes de 
celebrar o contrato, ele procura você para, como advogado(a), informar-lhe sobre aspectos 
concernentes à locação não residencial. Sobre a locação não residencial, assinale a afirmativa 
correta. 
A) Na ação de despejo que tiver por fundamento exclusivo o término do prazo contratual, tendo 
sido proposta a ação em até 30 dias do cumprimento de notificação ao locatário comunicando 
o intento de retomada, será concedida liminar para desocupação em quinze dias, ouvida a parte 
contrária e se prestada caução pelo autor no valor equivalente a dois meses de aluguel. 
 
51 
B) Na locação não residencial de imóvel urbano, na qual o locador procede à prévia aquisição 
do imóvel especificado pelo pretendente à locação, a fim de que seja a este locado por prazo 
determinado, poderá ser convencionado no contrato a renúncia ao direito de revisão do valor 
dos aluguéis durante o prazo de vigência do contrato. 
C) Nas locações de espaço em shopping centers, o locador poderá recusar a renovação do 
contrato pleiteada pelo locatário se o imóvel vier a ser utilizado pelo locador, que não poderá 
ser destinado ao uso no mesmo ramo da atividade do locatário. 
D) Nas locações por prazo determinado de imóveis utilizados por estabelecimentos de ensino 
autorizados e fiscalizados pelo Poder Público, o contrato poderá ser rescindido por denúncia do 
locador, a qualquer tempo, independentemente de notificação ou aviso. 
 
 
Comentário: 
Art. 54-A. Na locação não residencial de imóvel urbano na qual o locador procede à prévia 
aquisição, construção ou substancial reforma, por si mesmo ou por terceiros, do imóvel então 
especificado pelo pretendente à locação, a fim de que seja a este locado por prazo determinado, 
prevalecerão as condições livremente pactuadas no contrato respectivo e as disposições 
procedimentais previstas nesta Lei. 
§ 1° Poderá ser convencionada a renúncia ao direito de revisão do valor dos aluguéis durante 
o prazo de vigência do contrato de locação. 
 
 
Questão 7 
XXXI EXAME DE ORDEM – FGV - 2020: Duas sociedades empresárias celebraram contrato de 
agência com uma terceira sociedade empresária, que assumiu a obrigação de, em caráter não 
eventual e sem vínculos de dependência com as proponentes, promover, à conta das primeiras, 
mediante retribuição, a realização de certos negócios com exclusividade, nos municípios 
integrantes da região metropolitana de Curitiba/PR. 
 
52 
Ficou pactuado que as proponentes conferirão poderes à agente para que esta as represente, 
como mandatária, na conclusão dos contratos. Antônio Prado, sócio de uma das sociedades 
empresárias contratantes, consulta seu advogado quanto à legalidade do contrato, notadamente 
da delimitação de zona geográfica e da concessão de mandato ao agente. 
Sobre a hipótese apresentada, considerando as disposições legais relativas ao contrato de 
agência, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Não há ilegalidade quanto à delimitação de zona geográfica para atuação exclusiva do 
agente, bem como em relação à possibilidade de ser o agente mandatário das proponentes, 
por serem características do contrato de agência. 
B) Há ilegalidade na fixação de zona determinada para atuação exclusiva do agente, por ferir a 
livre concorrência entre agentes, mas não há ilegalidade na outorga de mandato ao agente para 
representação das proponentes. 
C) Há ilegalidade tanto na outorga de mandato ao agente para representação dos proponentes, 
por ser vedada qualquer relação de dependência entre agente e proponente, e também quanto 
à fixação de zona determinada para atuação exclusiva do agente. 
D) Não há ilegalidade quanto à fixação de zona determinada para atuação exclusiva do agente, 
mas há ilegalidade quanto à concessãode mandato do agente, porque é obrigatório por lei 
que o agente apenas faça a mediação dos negócios no interesse do proponente. 
 
 
Comentário: 
C, art. 710. Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem 
vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de outra, mediante retribuição, a 
realização de certos negócios, em zona determinada [municípios integrantes da região 
metropolitana de Curitiba/PR], caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua 
disposição a coisa a ser negociada. 
Parágrafo único. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na 
conclusão dos contratos. 
 
53 
Art. 711. Salvo ajuste, o proponente não pode constituir, ao mesmo tempo, mais de um agente, 
na mesma zona, com idêntica incumbência; nem pode o agente assumir o encargo de nela 
tratar de negócios do mesmo gênero, à conta de outros proponentes. 
Questão 8 
(XXX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019): Nos contratos de comissão, corretagem e agência, é 
dever do corretor, do comissário e do agente atuar com toda diligência, atendo-se às instruções 
recebidas da parte interessada. Apesar dessa característica comum, cada contrato conserva sua 
tipicidade em razão de seu modus operandi. 
A esse respeito, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O agente pratica, em nome próprio, os atos a ele incumbidos à conta do proponente; o 
comissário não pode tomar parte – sequer como mandatário – nos negócios que vierem a ser 
celebrados em razão de sua intermediação; o corretor pode receber poderes do cliente para 
representá-lo na conclusão dos contratos. 
B) O comissário pratica, em nome próprio, os atos a ele incumbidos à conta do comitente; o 
corretor não pode tomar parte – sequer como mandatário – nos negócios que vierem a ser 
celebrados em razão de sua mediação; o agente pode receber poderes do proponente para 
representá-lo na conclusão dos contratos. 
C) O corretor pratica, em nome próprio, os atos a ele incumbidos à conta do cliente; o agente 
não pode tomar parte – sequer como mandatário – nos negócios que vierem a ser celebrados 
no interesse do proponente; o comissário pode receber poderes do comitente para representá-
lo na conclusão dos contratos. 
D) Tanto o comissário quanto o corretor praticam, em nome próprio, os atos a eles incumbidos 
pelo comitente ou cliente, mas o primeiro tem sua atuação restrita à zona geográfica fixada no 
contrato; o agente deve atuar com exclusividade tão somente na mediação para realização de 
negócios em favor do proponente. 
 
 
 
54 
Comentário: 
Comissário - Art. 693. O contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a venda de bens 
pelo comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente. 
Corretor - bastava saber que a corretagem é um contrato de mediação com o fim de se obter 
negócios. 
Agente - bastava saber também que a agência é um contrato justamente para promover a 
realização de certos negócios jurídicos. 
 
 
Questão 9 
(XXX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019): Rolim Crespo, administrador da sociedade Indústrias 
Reunidas Novo Horizonte do Oeste Ltda., consultou sua advogada para lhe prestar orientação 
quanto à inserção de cláusula compromissória em um contrato que a pessoa jurídica pretende 
celebrar com uma operadora de planos de saúde empresariais. Pela leitura da proposta, verifica-
se que não há margem para a negociação das cláusulas, por tratar-se de contrato padronizado, 
aplicado a todos os aderentes. 
Quanto à cláusula compromissória inserida nesse contrato, assinale a opção que apresenta a 
orientação dada pela advogada. 
A) É necessária a concordância expressa e por escrito do aderente com a sua instituição, em 
documento anexo ou em negrito, com a assinatura ou o visto para essa cláusula. 
B) É nula de pleno direito, por subtrair do aderente o direito fundamental de acesso à justiça, e 
o contrato não deve ser assinado. 
C) Somente será eficaz se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem, e, como a 
iniciativa foi do proponente e unilateral, ela é nula. 
D) Somente será eficaz se houver a assinatura do aderente no contrato, vedada qualquer forma 
de manifestação da vontade em documento anexo ou, simplesmente, com o visto para essa 
cláusula. 
 
 
55 
 
Comentário: 
Quando a questão fala que "não há margem para a negociação das cláusulas" se refere a ideia 
do contrato de adesão, uma vez que não há possibilidade do aderente discutir ou modificar o 
conteúdo das cláusulas. 
Art. 4º,§2º (lei 9.307) Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá eficácia se o 
aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar, expressamente, com a sua 
instituição, desde que por escrito em documento anexo ou em negrito, com a assinatura ou 
visto especialmente para essa cláusula. 
 
 
Questão 10 
(CESPE – Câmara dos Deputados – Analista/2014): A instituição financeira é considerada 
devedora em operações bancárias passivas caracterizadas como contratos de captação de 
recursos, como, por exemplo, depósito bancário e conta corrente bancária 
 
 
Comentário: 
Depósito bancário e conta corrente bancárias entram na categoria de operações passivas, 
ou seja, naquelas em que o banco assume o polo passivo da relação contratual. Noutros termos, 
o banco é o devedor. 
 
Questão 11 
(CESPE – Câmara dos Deputados – Analista Legislativo/2014): Comumente, a doutrina 
apresenta três modalidades de contrato de arrendamento mercantil, o leasing financeiro, o 
 
56 
leasing back e o leasing operacional; no caso do leasing operacional, o próprio fabricante ou 
importador do bem é o arrendante. 
 
 
Comentário: 
Item: Certo 
O item descreve as três formas de leasing existentes no direito brasileiro. 
 
Questão 12 
(CESPE – DPE-PE/2015 – DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL): Determinada sociedade empresária 
resolveu recorrer ao instituto da alienação fiduciária em garantia, para aquisição de alguns bens 
móveis e imóveis. À vista do inadimplemento, quando se tratar de contrato de alienação 
fiduciária de bem imóvel, a reversão do bem deverá ser processada pelo oficial do cartório de 
registro de imóveis, independendo, portanto, de ação judicial para a satisfação desse direito do 
credor. 
 
 
Comentário: 
Na alienação fiduciária de imóvel, a reversão do bem deverá ser processada 
independentemente de ação judicial, ocorrendo de forma administrativa perante o Registro 
de Imóveis. O procedimento está previsto nos art.26 e 27 da Lei 9.514/97. 
 
Questão 13 
 
57 
(CESPE – DPE-PE/2015): No contrato de alienação fiduciária de bem móvel, a mora de qualquer 
das obrigações contratuais por parte do fiduciante facultará ao fiduciário o vencimento 
antecipado da dívida, independentemente de aviso ou notificação. 
 
 
Comentário: 
Decreto Lei 911/69 com alteração realizada pela lei 13.043/14: 
Art. 2º No caso de inadimplemento ou mora nas obrigações contratuais garantidas 
mediante alienação fiduciária, o proprietário fiduciário ou credor poderá vender a coisa 
a terceiros, independentemente de leilão, hasta pública, avaliação prévia ou qualquer 
outra medida judicial ou extrajudicial, salvo disposição expressa em contrário prevista 
no contrato, devendo aplicar o preço da venda no pagamento de seu crédito e das 
despesas decorrentes e entregar ao devedor o saldo apurado, se houver, com a devida 
prestação de contas. 
§ 3º A mora e o inadimplemento de obrigações contratuais garantidas por alienação 
fiduciária, ou a ocorrência legal ou convencional de algum dos casos de antecipação de 
vencimento da dívida facultarão ao credor considerar, de pleno direito, vencidas tôdas 
as obrigações contratuais, independentemente de aviso ou notificação judicial ou 
extrajudicial. 
 
Questão 14 
(CESPE – SERPRO – Analista/2013): Em razão da simetria natural das relações interempresariais, 
não é possível se falar em mitigação do dirigismo contratual nos contratosempresariais. 
 
 
Comentário: 
O princípio fundamental da teoria geral do direito contratual é o da autonomia da vontade 
das partes contratantes, que assegura às pessoas a liberdade de contratar, desde que 
respeitada a chamada função social dos contratos, conforme determina o art. 421 do 
Código Civil: “a liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social 
do contrato”. Assim, as partes são livres, em princípio, para (i) escolher com quem vão 
 
58 
manter relações contratuais, (ii) delimitar o que vai ser objeto da relação contratual e (iii) 
fixar o conteúdo dessa mesma relação. 
Contudo, é importante observar que o ordenamento jurídico, hoje, tem procurado cada 
vez mais assegurar o equilíbrio contratual entre as partes contratantes apesar da autonomia 
que elas possuem, razão pela qual a própria legislação estipula limites, não raro, à 
autonomia da vontade, o que se convencionou chamar de dirigismo contratual. 
Ocorre que no âmbito do direito empresarial, o norte interpretativo deve ser sempre a 
autonomia da vontade das partes. Caso contrário, o que se instaura é a insegurança jurídica, 
que se manifesta especificamente nas atividades econômicas como um obstáculo ao 
desenvolvimento. Portanto, nos contratos empresariais, o dirigismo contratual deve ser 
mitigado, tendo em vista a simetria natural das relações interempresariais. 
Enunciado 21, CJF: Nos contratos empresariais, o dirigismo contratual deve ser mitigado, 
tendo em vista a simetria natural das relações interempresariais. 
 
 
 
 
59 
GABARITO 
 
Questão 1 - A 
Questão 2 - A 
Questão 3 - A 
Questão 4 - D 
Questão 5 - C 
Questão 6 - B 
Questão 7 - A 
Questão 8 - B 
Questão 9 - A 
Questão 10 - Certo 
Questão 11 - Certo 
Questão 12 - Certo 
Questão 13 - Certo 
Questão 14 - Errado 
 
 
 
60 
QUESTÃO DESAFIO 
Sobre o contrato de franquia responda: 
Existe vínculo empregatício entre franqueador e franqueado? O 
contrato de franquia precisar ser registrado no INPI (Instituto 
Nacional da Propriedade Industrial)? 
Responda em até 5 linhas 
 
61 
GABARITO QUESTÃO DESAFIO 
Não, existe apenas a subordinação empresarial. Sim, de acordo com o art. 211 da LPI. 
Você deve ter abordado necessariamente os seguintes itens em sua resposta: 
 Não, existe apenas a subordinação empresarial. 
Para André Luiz Santa Cruz Ramos (Direito Empresarial, Coleção OAB, 2017, 3ª edição, p. 214): “
Assim como ocorre em todos os contratos de colaboração, conforme temos destacado, há na 
franquia uma clara subordinação empresarial do franqueado em relação ao franqueador, sem 
que exista, todavia, vínculo empregatício. Essa subordinação, pois, diz respeito apenas à 
organização da atividade do franqueado, que deve seguir as orientações traçadas pelo 
franqueador, já que este tem total interesse de que os seus produtos mantenham a sua 
qualidade e sua marca conserve o ‘respeito’ adquirido junto ao mercado consumidor”. Portanto, 
não há que falar em relação empregatícia, ocorrendo apenas uma subordinação empresarial. 
 Sim, de acordo com o art. 211 da LPI 
Nos termos do art. 211 da LPI: “O INPI fará o registro dos contratos que impliquem transferência 
de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros.
” Assim, por expressa previsão legal os contratos de franquia devem ser registrados no INPI. 
 
 
62 
LEGISLAÇÃO COMPILADA 
Contratos Empresariais 
 CC/02: arts. 421-742; 
 Lei n. 13.874/201920 
 Lei n. 13.966/201921 
 Lei Complementar n° 123/06: art. 16 
 Lei 9.514/9722 
 Decreto-Lei n. 911/69: arts. 1º ao 8º 
 
 Súmula Vinculante 25: 
É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito. 
 Súmula 489, STF: 
A compra e venda de automóvel não prevalece contra terceiros, de boa-fé, se o contrato não foi transcrito no 
registro de títulos e documentos. 
 Súmula 28, STJ: 
O contrato de alienação fiduciária em garantia pode ter por objeto bem que já integrava o patrimônio do devedor. 
 Súmula 72, STJ: 
A comprovação da mora é imprescindível à busca e apreensão do bem alienado fiduciariamente. 
 Súmula 92, STJ: 
A terceiro de boa-fé não é oponível a alienação fiduciária não anotada no Certificado de Registro do veículo 
automotor. 
 Súmula 233, STJ 
 
20 Tal norma foi designada como “Declaração dos Direitos da Liberdade Econômica”, razão pela qual é importante a leitura e 
todos os seus dispositivos. 
21 Referida norma consiste na Nova Lei de Franquia e possui poucos dispositivos, daí a relevância de sua leitura na totalidade. 
22 Essa lei disciplina a alienação fiduciária de coisa imóvel, recomendando-se que se faça uma leitura focada nos dispositivos 
alterados pela Lei 13.465/17. 
 
63 
O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato de conta corrente não é título executivo. 
 Súmula 245, STJ: 
A notificação destinada a comprovar a mora nas dívidas garantidas por alienação fiduciária dispensa a indicação 
do valor do débito. 
 Súmula 247, STJ 
O contrato de abertura de crédito em conta corrente, acompanhado do demonstrativo de débito, constitui 
documento hábil ao ajuizamento da ação monitória. 
 Súmula 284, STJ: 
A purga da mora, nos contratos de alienação fiduciária, só é permitida quando já pagos pelo menos 40% do valor 
financiado. 
 Súmula 293, STJ 
A cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. 
 Súmula 322, STJ 
Para a repetição de indébito, nos contratos de abertura de crédito em conta corrente, não se exige a prova do 
erro. 
 Súmula 380, STJ: 
A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor. 
 Súmula 384, STJ: 
Cabe ação monitória para haver saldo remanescente oriundo de venda extrajudicial de bem alienado 
fiduciariamente em garantia. 
 Súmula 564, STJ 
No caso de reintegração de posse em arrendamento mercantil financeiro, quando a soma da importância 
antecipada a título de valor residual garantido (VRG) com o valor da venda do bem ultrapassar o total do VRG 
previsto contratualmente, o arrendatário terá direito de receber a respectiva diferença, cabendo, porém, se 
estipulado no contrato, o prévio desconto de outras despesas ou encargos pactuados. 
 
 
64 
JURISPRUDÊNCIA 
Contrato de Abertura de Crédito 
 STJ, 3ª Turma. REsp 1781959/SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva. julgado em 11/02/2020 
De acordo com as normas aplicáveis às operações ativas e passivas de que trata a Resolução nº 1.143/1986, do 
Conselho Monetário Nacional, não há óbice em se adotar as taxas de juros praticadas nas operações de depósitos 
interfinanceiros como base para o reajuste periódico das taxas flutuantes, desde que calculadas com regularidade 
e amplamente divulgadas ao público. O depósito interfinanceiro (DI) é o instrumento por meio do qual ocorre a 
troca de recursos exclusivamente entre instituições financeiras, de forma a conferir maior liquidez ao mercado 
bancário e permitir que as instituições que têm recursos sobrando possam emprestar àquelas que estão em posição 
deficitária. Nos depósitos interbancários, como em qualquer outro tipo de empréstimo, a instituição tomadora paga 
juros à instituição emitente. A denominada Taxa CDI, ou simplesmente DI, é calculada com base nas taxas aplicadas 
em tais operações, refletindo, portanto, o custo de captação de moeda suportado pelos bancos. 
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que é potestativa a cláusula que deixa ao 
arbítrio das instituições financeiras, ou associação de classe que as representa, o cálculo dos encargos cobrados 
nos contratos bancários. Não é potestativa a cláusula que estipula os encargos financeiros de contrato de abertura 
de crédito em percentual sobre a taxa média aplicável aosCertificados de Depósitos Interbancários (CDIs), visto 
que tal indexador é definido pelo mercado, a partir das oscilações econômico-financeiras, não se sujeitando a 
manipulações que possam atender aos interesses das instituições financeiras. Eventual abusividade deve ser 
verificada no julgamento do caso concreto em função do percentual fixado pela instituição financeira, comparado 
às taxas médias de mercado regularmente divulgadas pelo Banco Central do Brasil para as operações de mesma 
espécie, conforme decidido em precedentes desta Corte julgados sob o rito dos recursos repetitivos, o que não se 
verifica na espécie. 
Contrato de Representação Comercial 
 STJ, 3ª Turma. REsp 1831947/PR. Rel. Min. Nancy Andrighi. julgado em 10/12/2019 
A Lei 4.886/65, em seu art. 27, "j", estabelece que o representante deve ser indenizado caso o contrato de 
representação comercial seja rescindido sem justo motivo por iniciativa do representado. O pagamento antecipado, 
em conjunto com a remuneração mensal devida ao representante comercial, desvirtua a finalidade da indenização 
prevista no art. 27, "j", da Lei 4.886/65, pois o evento, futuro e incerto, que autoriza sua incidência é a rescisão 
unilateral imotivada do contrato. Essa forma de pagamento subverte o próprio conceito de indenização. Como é 
sabido, o dever de reparar somente se configura a partir da prática de um ato danoso. No particular, todavia, o 
 
65 
evento que desencadeou tal dever não havia ocorrido - nem era possível saber se, de fato, viria a ocorrer - ao 
tempo em que efetuadas as antecipações mensais. O princípio da boa-fé impede que as partes de uma relação 
contratual exercitem direitos, ainda que previstos na própria avença de maneira formalmente lícita, quando, em sua 
essência, esse exercício representar deslealdade ou gerar consequências danosas para a contraparte. 
A cláusula que extrapola o que o ordenamento jurídico estabelece como padrão mínimo para garantia do equilíbrio 
entre as partes da relação contratual deve ser declarada inválida. 
Contrato de Conta Corrente 
 STJ, 3ª Turma. REsp 1696214/SP. Rel. Min. Marco Aurélio Belizze. julgado em 16/10/2018 
O serviço bancário de conta-corrente afigura-se importante no desenvolvimento da atividade empresarial de 
intermediação de compra e venda de bitcoins, desempenhada pela recorrente, conforme ela própria consigna, mas 
sem repercussão alguma na circulação e na utilização dessas moedas virtuais, as quais não dependem de 
intermediários, sendo possível a operação comercial e/ou financeira direta entre o transmissor e o receptor da 
moeda digital. Nesse contexto, tem-se, a toda evidência, que a utilização de serviços bancários, especificamente o 
de abertura de conta-corrente, pela insurgente, dá-se com o claro propósito de incrementar sua atividade produtiva 
de intermediação, não se caracterizando, pois, como relação jurídica de consumo mas sim de insumo , a obstar a 
aplicação, na hipótese, das normas protetivas do Código de Defesa do Consumidor. O encerramento do contrato 
de conta-corrente, como corolário da autonomia privada, consiste em um direito subjetivo exercitável por qualquer 
das partes contratantes, desde que observada a prévia e regular notificação. 3.1 A esse propósito, destaca-se que 
a Lei n. 4.595/1964, recepcionada pela Constituição Federal de 1988 com status de lei complementar e regente do 
Sistema Financeiro Nacional, atribui ao Conselho Monetário Nacional competência exclusiva para regular o 
funcionamento das instituições financeiras (art. 4º, VIII). E, no exercício dessa competência, o Conselho Monetário 
Nacional, por meio da edição de Resoluções do Banco Central do Brasil que se seguiram, destinadas a regulamentar 
a atividade bancária, expressamente possibilitou o encerramento do contrato de conta de depósitos, por iniciativa 
de qualquer das partes contratantes, desde que observada a comunicação prévia. A dicção do art. 12 da Resolução 
BACEN/CMN n. 2.025/1993, com a redação conferida pela Resolução BACEN/CMN n. 2.747/2000, é clara nesse 
sentido. Atendo-se à natureza do contrato bancário, notadamente o de conta-corrente, o qual se afigura intuitu 
personae, bilateral, oneroso, de execução continuada, prorrogando-se no tempo por prazo indeterminado, não se 
impõe às instituições financeiras a obrigação de contratar ou de manter em vigor específica contratação, a elas não 
se aplicando o art. 39, II e IX, do Código de Defesa do Consumidor. Revela-se, pois, de todo incompatível com a 
natureza do serviço bancário fornecido, que conta com regulamentação específica, impor-se às instituições 
financeiras o dever legal de contratar, quando delas se exige, para atuação em determinado seguimento do 
mercado financeiro, profunda análise de aspectos mercadológico e institucional, além da adoção de inúmeras 
medidas de segurança que lhes demandam o conhecimento do cliente bancário e de reiterada atualização do seu 
cadastro de clientes, a fim de minorar os riscos próprios da atividade bancária. 
 
66 
4.1 Longe de encerrar abusividade, tem-se por legítima, sob o aspecto institucional, a recusa da instituição financeira 
recorrida em manter o contrato de conta-corrente, utilizado como insumo, no desenvolvimento da atividade 
empresarial, desenvolvida pela recorrente, de intermediação de compra e venda de moeda virtual, a qual não conta 
com nenhuma regulação do Conselho Monetário Nacional (em tese, porque não possuiriam vinculação com os 
valores mobiliários, cuja disciplina é dada pela Lei n. 6.385/1976). De igual modo, sob o aspecto mercadológico, 
também se afigura lídima a recusa em manter a contratação, se, conforme sustenta a própria insurgente, sua 
atividade empresarial se apresenta, no mercado financeiro, como concorrente direta e produz impacto no 
faturamento da instituição financeira recorrida. Desse modo, o proceder levado a efeito pela instituição financeira 
não configura exercício abusivo do direito. Não se exclui, naturalmente, do crivo do Poder Judiciário a análise, 
casuística, de eventual desvirtuamento no encerramento do ajuste, como o inadimplemento dos deveres de 
informação e de transparência, ou a extinção de uma relação contratual longeva, do que, a toda evidência, não se 
cuida na hipótese ora vertente. 
Contrato de Leasing 
 STJ. 2ª Turma. REsp 1569840/MT. Rel Min. Francisco Falcão. Julgado em 16/08/2018 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL. REDIRECIONAMENTO. 1. 
A controvérsia cinge-se à responsabilidade patrimonial do empresário individual e as formalidades legais para sua 
inclusão no polo passivo de execução de débito da firma da qual era titular. 2. O acórdão recorrido entendeu que 
o empresário individual atua em nome próprio, respondendo com seu patrimônio pessoal pelas obrigações 
assumidas no exercício de suas atividades profissionais, sem as limitações de responsabilidade aplicáveis às 
sociedades empresárias e demais pessoas jurídicas. 3. A jurisprudência do STJ já fixou o entendimento de que "a 
empresa individual é mera ficção jurídica que permite à pessoa natural atuar no mercado com vantagens próprias 
da pessoa jurídica, sem que a titularidade implique distinção patrimonial entre o empresário individual e a pessoa 
natural titular da firma individual" (REsp 1.355.000/SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 
20/10/2016, DJe 10/11/2016) e de que "o empresário individual responde pelas obrigações adquiridas pela pessoa 
jurídica, de modo que não há distinção entre pessoa física e jurídica, para os fins de direito, inclusive no tange ao 
patrimônio de ambos" (AREsp 508.190, Rel. Min. Marco Buzzi, Publicação em 4/5/2017). 4. Sendo assim, o 
empresário individual responde pela dívida da firma, sem necessidade de instauração do procedimento de 
desconsideração da personalidade jurídica (art. 50 do CC/2002 e arts. 133 e 137 do CPC/2015), por ausência de 
separação patrimonial que justifiqueesse rito. 5. O entendimento adotado pelo Tribunal de origem guarda 
consonância com a jurisprudência do STJ, o que já seria suficiente para se rejeitar a pretensão recursal com base 
na Súmula 83/STJ. O referido verbete sumular aplica-se aos recursos interpostos tanto pela alínea "a" quanto pela 
alínea "c" do permissivo constitucional. Nesse sentido: REsp 1.186.889/DF, Segunda Turma, Relator Ministro Castro 
Meira, DJe de 2.6.2010. 6. Não obstante isso, não se constata o preenchimento dos requisitos legais e regimentais 
para a propositura do Recurso Especial pela alínea "c" do art. 105 da CF. 7. A apontada divergência deve ser 
 
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comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos 
confrontados, com a indicação da similitude fática e jurídica entre eles. 8. In casu, o recorrente não se desincumbiu 
do ônus de demonstrar que os casos comparados tratam da mesma situação fática: empresário individual. Ao revés, 
limitou-se a transcrever ementas e trechos que versam sobre sociedade empresarial cuja diferença em relação ao 
caso dos autos foi suficientemente explanada neste julgado. 9. Recurso Especial não conhecido.) 
 
 
68 
MAPA MENTAL 
 
 
 
69 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial, volume 1: direito de empresa. São Paulo: Editora Revista dos 
Tribunais, 2020. 
CRUZ, André Santa. Direito Empresarial - 8ª Ed. - Saraiva, 2020. 
FAZZIO JUNIOR, WALDO. Manual de direito comercial. São Paulo: Atlas, 2020. 
MAMEDE, Gladston. Manual de direito empresarial. 13ª Ed. São Paulo: Atlas, 2020. 
PENANTE JR, Francisco. Resumos para concursos, vol. 37, Direito Empresarial, 2ª edição. São Paulo: Editora jus 
podivm, 2017. 
PENANTE JR, Francisco. LAURINDO, Felipe. Prática empresarial. Recife: Armador, 2020. 
 
	DIREITO EMPRESARIAL
	Capítulo 6
	2.
	3.
	4.
	5.
	6. Contratos Empresariais
	6.1 Noções Gerais
	6.2 Particularidades Principiológicas
	6.3 Factoring
	6.4 Compra e venda mercantil
	6.4.1 Classificação do contrato de compra e venda
	6.4.2 Elementos Essenciais
	6.4.3 Efeitos da Compra e venda
	6.4.4 Situações Específicas da Compra e Venda
	6.4.5 Cláusulas acessórias/especiais
	6.5 Franchising
	6.6 Leasing
	6.7 Alienação Fiduciária
	6.8 Contratos de Colaboração
	6.8.1 Agência ou Representação Comercial
	6.8.2 Distribuição
	6.8.3 Corretagem
	6.8.4 Concessão Mercantil
	6.8.5 Comissão Mercantil
	6.8.6 Mandato Mercantil
	6.9 Contratos bancários
	QUADRO SINÓTICO
	QUESTÕES COMENTADAS
	GABARITO
	QUESTÃO DESAFIO
	GABARITO QUESTÃO DESAFIO
	LEGISLAÇÃO COMPILADA
	JURISPRUDÊNCIA
	MAPA MENTAL
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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