Logo Passei Direto
Buscar

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
 
 
REGULAÇÃO JURÍDICA DO PODER PÚBLICO 
 
O PODER 
Para entendermos o que significa poder, necessário tecer alguns comentários 
preliminares. 
Desde o início das civilizações, os seres humanos se organizam em 
pequenos grupos para aumentar a sua capacidade de sobreviver. 
Sem dúvida, os seres humanos não vivem sós. A própria vida em sociedade 
impõe a formação de grupos sociais. 
 A Vida humana é uma experiência compartilhada, em que cada ser humano 
interage com o grupo ao qual ela faz parte. Esses grupos sociais são 
formados naturalmente, em todas as ordens, desde sociais até familiares. 
Todavia, a convivência dos indivíduos em grupo depende de um fator 
essencial: EXISTÊNCIA DE REGRAS ESTABELECENDO COMO DEVEM 
SER AS RELAÇÕES ENTRE TODOS QUE ALI CONVIVEM. 
� CONCLUSÃO: A CONVIVÊNCIA DEPENDE DE ORGANIZAÇÃO. 
� Grupo social: reunião de pessoas que se submetem a determinadas 
regras. 
 
IMPORTANTE: como essas regras existem e porque as pessoas as 
respeitam? 
� Pela força, que produz e faz permanecer AS REGRAS. Essa força é 
chamada de PODER. 
 
Assim, vamos analisar o que entendemos por poder: 
Conceito de poder - Poder é a possibilidade de contar com a obediência a 
ordens específicas por parte de um determinado grupo de pessoas. Todo poder 
carece do aparelho administrativo para a execução das suas determinações. O 
que legitima o poder não é tanto, ou não é só, uma motivação afetiva ou 
racional relativa ao valor: a esta se junta a crença na sua legitimidade. O poder 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
do Estado de direito é racional quando, escreve Weber, "se apóia na crença da 
legalidade dos ordenamentos estatuídos e do direito daqueles que foram 
chamados a exercer o poder" (Bobbio, 2000, p. 402). 
 
Em outras palavras, poder é a submissão de alguns em detrimento de 
outro; através dele se obtêm um comportamento humano, pois as pessoas 
acham que é aquele modo de proceder é certo, ou mesmo legítimo. Se o poder 
não existisse, cada uma agiria de acordo com o que julga certo, ou mesmo com 
base em convicções e crenças puramente individuais. 
 
O PODER POLÍTICO 
É certo que a formação de todo grupo pressupõe o exercício de um poder. 
Portanto cada grupo exerce diferentes formas de manifestação do poder, como 
por exemplo, a família, o trabalho, o clube, a academia etc. 
 
IMPORTANTE: 
O Brasil, por se caracterizar como um grupo, indiscutivelmente sujeita seus 
habitantes a um poder, que nós chamamos de PODER POLÍTICO. 
Mas, quais são as características de poder, vamos a elas: 
 
CARACTERÍSTICAS DO PODER POLÍTICO: 
1ª) USO DA FORÇA FÍSICA (para aqueles que não seguem as regras) 
Obs. importante: o Estado reserva para si o uso exclusivo dessa força, portanto 
a segunda característica é: 
2ª) NÃO RECONHECIMENTO A NINGUÉM DE PODER SEMELHANTE AO 
SEU – ESTADO. O ESTADO USA EXCLUSIVAMENTE A FORÇA FÍSICA. 
Uma vez reduzido o conceito de Estado ao de política e o conceito de política 
ao de poder, o problema a ser resolvido torna-se o de diferenciar o poder 
político de todas as outras formas que pode assumir a relação de poder. 
“O poder político vai-se assim identificando com o exercício da força e passa a 
ser definido como aquele poder que, para obter os efeitos desejados 
(retomando a definição hobbesiana) tem o direito de se servir da força, embora 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
em última instância, como extrema ratio. (...). Se o uso da força é a condição 
necessária do poder político, apenas o uso exclusivo deste poder lhe é também 
a condição suficiente." (Noberto Bobbio, Estado, poder e sociedade, p. 78-80 e 
81) 
3ª) SOBERANIA: não reconhece nenhum poder interno ou externo superior 
ao seu (se impõe perante eles). 
 
Portanto, o poder político é o poder ou expressão da manifestação do 
Estado, tendo como característica primordial manter-se com o uso da 
força de forma exclusiva e soberana. 
 
ESTADO-PODER E ESTADO-SOCIEDADE 
No Estado quem é o detentor do poder e quem é o seu destinatário? 
• Detentor do poder político é chamado de Estado-poder 
• Destinatário é chamado de Estado-sociedade 
Vamos analisá-los: 
Estado-Poder - integrado por aqueles que definem as regras de 
convivência e aplicam o uso da força se necessário (ex: Presidente da 
República, Ministros, Deputados, Senadores, Governadores, Prefeitos, 
Vereadores, Juízes, servidores públicos). É uma pessoa jurídica comumente 
chamada de Estado – nação política e juridicamente organizada. O Estado é 
um ente criado – não tem existência física. As pessoas que ali estão 
(chamadas de agentes públicos), não agem em nome próprio, mas em nome 
do Estado, a pessoa jurídica que eles representam! 
Estado-sociedade - é formado por todos os habitantes do país. 
 
O ESTADO-PODER E A NORMA JURÍDICA 
Estado poder é aquele que cria ou faz cumprir as regras e rege as relações 
entre as pessoas; caso as regras não sejam cumpridas espontaneamente, o 
Estado socorre-se do uso da força para obter a obediência. 
Portanto, essas regras criadas e impostas são chamadas de NORMAS 
JURÍDICAS. 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
Normas jurídicas são regras de conduta, impostas à sociedade. 
Mas o que diferencia uma norma de uma norma jurídica (ex.: não cortar 
fila)? 
A jurídica, caso descumprida, permite a sua imposição através do uso da 
força. 
Mas como é a convivência entre o Estado e a sociedade? Existem regras 
disciplinando essa convivência? 
SIM. As chamadas normas jurídicas existem para reger as relações entre as 
pessoas e entre as pessoas e o Estado. 
 
DISTINÇÃO ENTRE PODER PÚBLICO E PRIVADO. 
O Direito privado é o ramo do direito que disciplina as relações entre os 
particulares – indivíduos, dentro do Estado-sociedade. 
Já o direito público é o ramo do direito que disciplina as relações entre o 
Estado e os indivíduos, organiza a distribuição do poder político dentro da 
pessoa jurídica - Estado (agentes e órgãos) e regula as relações entre os 
vários Estados (entre detentores de poder político). 
O estudo da matéria tangencia a análise das normas jurídicas do poder político. 
Mas, porque existe um sistema em que são fabricadas as normas jurídicas 
para que todos se submetam a elas? 
Para que haja convivência harmônica e buscar o bem comum dos 
indivíduos coletivamente considerados. 
 
QUESTÕES 
1) O que é poder? 
2) Como se define o poder político? 
3) Quais são as características do poder político? 
4) Diferencie estado-poder e estado-sociedade. 
5) O que distingue o direito público do direito privado? 
 
 
 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA REGULAÇÃO DO PODER POLÍTICO 
 
CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Importância: contextualização do direito no aspecto histórico, político e 
ideológico. 
O estudo do direito público deve ser feito a partir das normas vigentes no 
país, mas para entendê-las melhor, é preciso situá-las na história, já que o 
direito é fruto de produção cultural. 
É preciso entender que a partir das Revoluções americanas e francesas asrelações entre os indivíduos e o Estado ganharam uma nova concepção. 
Por isso faz-se necessário o estudo dessa evolução histórica. 
 
FASES EVOLUTIVAS 
 
1ª) PRÉ-HISTÓRIA 
O uso da força manifestava o poder. Aqui não se fala em poder político, já que 
não havia reserva do uso da força a uma pessoa em especial. O que ocorreria 
era que qualquer um disputava suas posições nos grupos por meio da força. 
Só há um início de poder político quando as pessoas começam a se fixar nas 
terras, com fixação de regras e um líder no comando. 
Aqui não há Estado ou sociedade como conhecemos hoje. As regras existentes 
são estabelecidas por eles próprios; mas existem regras relacionadas com o 
exercício do poder, como a sucessão de um chefe por outro e divisão de 
atribuições. 
 
2ª) ANTIGUIDADE 
Gregos e Grécia – a lei que regulava a vida nas cidades – explicitado através 
do poder divino dos soberanos. 
Lei para eles era SAGRADA E IMUTÁVEL, ADVINDA DE UM PODER DIVINO, 
QUE INTEGRAVA O CONCEITO À RELIGIÃO. 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
O julgamento é realizado por autoridades públicas – mas as normas que 
disciplinavam esse julgamento (hj chamado de processo civil) não tinham 
nenhuma autonomia. 
Só havia julgamento de casos envolvendo indivíduos, e não entre esses e o 
Estado – Poder Público. 
IMPORTANTE: não há como questionar, perante um órgão julgador, o 
desrespeito pelos detentores do poder político das normas que regulavam seu 
exercício. 
Portanto só tenho proteção e as regras entre os cidadãos – entre si! O Estado 
encontra-se ACIMA DOS TRIBUNAIS. 
Até havia o julgamento de autoridades e questões relativas ao próprio Estado, 
mas esse não era feito por um órgão judicial, mas sim por funcionários que 
tinham um grande poder coercitivo, que não se submetem à fiscalização 
judicial ou intervenção de juízes. 
Nesse momento desconhecia a noção de divisão de tarefas – PL e PE, não 
existindo um direito administrativo, que regula essas atividades. 
Não existem direitos individuais; em especial no que tange ao direito à 
liberdade individual em face da autoridade. O homem nesse contexto histórico 
não se acha titular de direitos em face da cidade e dos deuses – caráter 
sagrado e religioso. 
Conclusão: não houve nesse período a distinção entre direito público e direito 
privado, já que não era possível estudar-se a fundo a regulação jurídica do 
poder político. 
 
3ª) IDADE MÉDIA 
Marcada pela dispersão da autoridade entre inúmeros centros de poder – 
igreja, senhores feudais, corporações de oficio etc. 
Com a autoridade central enfraquecida, todos (principalmente os religiosos e 
senhores feudais) disputam o poder e o estabelecimento das regras de 
natureza judicial, legislativa e executiva. 
Como não há uma definição de autoridade central única, havendo 
estabelecimento de regras por várias autoridades menores (igreja, senhores 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
feudais, corporações de oficio, imperador) faz com que se aumente a 
importância para o surgimento de ordem e autoridade, que seria o embrião do 
Estado moderno. 
 
4ª) ABSOLUTISMO 
Idade Moderna. Tem como característica a centralização do poder no soberano 
– clara relação de submissão. Aqui tem-se a origem do Estado moderno: poder 
soberano dentro de um território, que sujeita os demais – normas ligadas ao 
poder político. Todavia, o poder soberano não encontra limitações nem interna 
nem externamente. 
Princípio que rege o período: ninguém poderia ser obrigado a obedecer a si 
próprio. 
Normas que explicitam o poder político: 
1) O Estado é criador da norma jurídica, mas não se submete à ela. 
2) O Estado, e portanto o soberano, não pode ser questionado via 
julgamento. Parecia ilógico o estado julgar a si próprio. 
3) O Estado era irresponsável juridicamente. 
4) Estado polícia (poder de polícia): impunha restrições e limitações às 
atividades particulares. Não existiam limitações do indivíduo frente ao Estado, 
somente entre os indivíduos. 
5) Todos os poderes são centrados na mão do soberano. 
Portanto, esse período é marcado pelas idéias: poder deve ser acatado e 
ilimitado. Não podemos falar ainda em desenvolvimento do estudo do direito 
público. 
 
5ª) IDADE CONTEMPORÂNEA 
Fase de regulação do poder político. Aqui surge a ciência do direito público. 
Tem como marcos as Revoluções francesas e americanas. 
Os sujeitos que exercem o poder político deixarão de simplesmente impor 
regras, mas também se submetendo a ela – dever de obediência – há 
possibilidade do controle do poder pelos destinatários. 
1º marco: Magna Carta de 1215, do Rei João sem terra. 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
Surge aqui o conceito de Estado de Direito, ou seja, estado que realiza suas 
atividades sob o manto da ordem jurídica (contraposição ao Estado-polícia). 
 
QUESTÕES 
1) Identifique quais são as fases históricas da evolução do poder político. 
2) Qual das fases estudadas corresponde a atual situação do ordenamento 
jurídico brasileiro? 
3) Os poderes do Estado conhecem algum limite no absolutismo? 
4) Qual a diferença entre o poder na antiguidade e o poder na idade 
contemporânea? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
 
O ESTADO DE DIREITO 
 
Para começarmos a aula de hoje, é necessário entender que o conceito de 
Estado de Direito está incluído em todas as demais classificações de 
Estado (liberal, social e democrático), uma vez que o Estado de Direito nada 
mais é do que a submissão do titular do poder político às regras que são 
impostas à sociedade. Essa é a diferença entre Estado de Direito e Estado de 
Polícia, que como visto na aula anterior, nada mais é do que o Estado que 
estabelece regras, mas que não se submete a elas (chamada de fase de 
irresponsabilidade do Estado). 
Assim, a partir do momento que o Estado tem responsabilidade frente à sua 
sociedade, tem-se o chamado Estado de Direito, repisa-se característica 
presente no Estado liberal, Estado social e Estado democrático de Direito. 
O Estado de Direito é aquele que se caracteriza por ter Separação dos 
Poderes em diversas autoridades e uma norma máxima a ser respeita por 
todos, que chamamos de Constituição. 
A partir dessa informação, extraímos o conceito de Estado de Direito, como 
sendo aquele “criado e regulado por uma Constituição, onde o exercício do 
Poder Político seja dividido em órgãos autônomos e harmônicos, que controlem 
uns aos outros, de modo que a lei produzida por um deles tenha de ser 
necessariamente observada pelos demais e que os cidadãos, sendo titulares 
de direitos, possam opô-los ao próprio Estado” (Carlos Ari Sundfeld, 
Fundamentos de Direito Público, p. 38-39) 
Com base nessas breves considerações, as relações entre os indivíduos e o 
Estado tem como pontos de toque os seguintes temas: 
1) Supremacia da Constituição 
2) Separação dos Poderes 
3) Superioridade da lei 
4) Garantia dos Direitos Individuais. 
Vamos analisá-los, com base no funcionamento e relacionamento entre eles: 
 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICOPROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
1º) Supremacia da Constituição 
A norma jurídica mais importante de um Estado é a Constituição Federal. 
Nela estão consagrados os mais fundamentais e estruturais direitos, 
organizando o Estado e o Poder, bem como garantindo direitos fundamentais a 
todas as pessoas. 
Classicamente, o ordenamento jurídico é visto como uma pirâmide, estando no 
topo dela a Constituição Federal. Por estar acima de todas as demais normas, 
é ela que estabelece a forma de funcionamento do Estado, julgamento dos 
conflitos, bem como a forma de confecção das leis. 
É por esta razão que as leis tiram seu fundamento de validade da própria 
Constituição. Se a lei foi confeccionada, seguindo todos os trâmites 
constitucionais, será obrigatória a todos os Poderes. Da mesma forma as 
sentenças judiciais e os atos administrativos. 
Assim, a Constituição é suprema em relação a todas as demais normas 
jurídicas, só podendo ser alterada por processo mais dificultoso, chamado de 
emendas constitucionais, como manifestação do poder constituinte derivado. 
 
2º) Separação dos poderes 
O objetivo de Montesquieu ao idealizar os poderes Executivo, Legislativo e 
Judiciário, era preservar os privilégios da sua própria classe, a nobreza, 
ameaçada tanto pelo rei, que almejava recuperar sua influência nacional, 
quanto pela burguesia, que dominando o poder econômico, intentava o poder 
político. Elaborou, então, sua teoria que repartia o poder entre a burguesia, 
nobreza e realeza, afastando, deste modo, a possibilidade da burguesia em 
crescimento ser a sua única detentora. 
Mesmo tendo essa origem histórica, a separação dos poderes se mostra de 
extrema importância ao Estado de Direito, já que há divisão do poder, que 
originalmente emana do povo, bem como o controle mútuo entre os exercentes 
desse poder. 
A separação dos poderes está prevista no artigo 2º da Constituição Federal, 
com divisão do poder entre o Executivo, Legislativo e Judiciário. 
Cada poder tem sua função típica ou precípua. Vamos analisá-los: 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
Legislativo: elabora as leis (desde a Emenda Constitucional até as leis 
ordinárias), bem como exerce o controle político do Poder Executivo e realizar 
a fiscalização orçamentária de todos os que lidam com verbas públicas. 
O Poder Legislativo Federal é exercido pelo Congresso Nacional, que se 
compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (sistema bicameral). 
Executivo: exercido pelo Presidente da República em âmbito federal, tem a 
função de administrar e executar as leis feitas pelo legislativo, coordenando 
toda a função administrativa do Estado brasileiro. 
Judiciário: sua atribuição é solucionar conflitos que surgidos na sociedade, 
julgando com base na Constituição Federal e nas demais normas vigentes no 
país. É exercido pelos juízes em primeira instância, e pelos desembargadores 
e ministros na segunda instância. 
 
3ª) Superioridade da lei 
A lei, instrumento que representa a vontade geral das pessoas, é imposta a 
todos e também ao próprio Estado, que a cria. A lei, portanto, condiciona todos 
os Poderes, devendo ser observada e respeitada. Essa submissão do Estado 
às leis é a principal característica do Estado de Direito. 
 
4ª) Garantia de direitos individuais fundamentais: o Estado Liberal cria os 
chamados "direitos de primeira geração", que decorrem da própria condição 
de indivíduo, de ser humano, situando-se, desta feita, no plano do ser, de 
conteúdo civil e político, que exigem do Estado uma postura negativa em face 
dos oprimidos, compreendendo, dentre outros, as liberdades clássicas, tais 
como, liberdade, propriedade, vida e segurança, denominados, também, de 
direitos subjetivos materiais ou substantivos. 
É preciso ressaltar que tais direitos exigiam do Estado uma conduta negativa, 
isto é, uma omissão estatal em não invadir a esfera individual do nacional, que 
deixou de ser considerado mero súdito, elevando-se à condição de cidadão, 
detentor de direitos tutelados pelo Estado, inclusive contra os próprios agentes 
estatais. 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
Ao lado dos direitos subjetivos materiais, criaram-se as garantias 
fundamentais, também chamadas de direitos subjetivos processuais (ou 
adjetivos ou formais ou instrumentais), visando, efetivamente, assegurar os 
direitos substantivos, como, p.ex., o habeas corpus, que tem o escopo de 
assegurar o direito à liberdade. 
 
QUESTÕES 
1) Conceitue Estado de Direito. 
2) Identifique cada uma das principais características do Estado de Direito, 
apontando a sua importância. 
3) Qual a importância da Constituição no Estado Democrático de Direito? 
4) O que são “direitos individuais de primeira geração”? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
 
ATIVIDADES DO ESTADO 
 
O ESTADO COMO PESSOA JURÍDICA 
O Estado por ser titular de deveres e de direitos perante o ordenamento jurídico 
é considerado uma pessoa jurídica. 
Temos por pessoa jurídica o centro, ou unidade, ou conjunto de direitos e 
deveres. 
Ao se reconhecer a certo ente a qualidade de centro de direitos e deveres, o 
ordenamento jurídico lhe outorga personalidade jurídica. 
Assim, o artigo 1º do Código Civil estabelece que toda a pessoa é titular de 
direitos e deveres na ordem civil. Por ser o Estado titular de tais direitos e 
deveres é que possui o status de pessoa. 
O que distingue a pessoa física da pessoa jurídica é que a primeira é 
aquela que diante de uma norma jurídica é possível identificar qual é o ser 
humano cujo comportamento está sendo regulado; já a segunda é aquela 
que diante de norma jurídica que confere direitos e deveres apenas 
sabemos qual comportamento a ser realizado, mas não identificamos 
diretamente a pessoa obrigada a realizá-lo. 
A pessoa jurídica, portanto, não passa de um conjunto de normas jurídicas: as 
normas que definem os seres humanos que realizarão os comportamentos 
impostos pelo Direito à pessoa jurídica. 
Reconhecer ao Estado a condição de pessoa jurídica significa concluir o 
seguinte: 
É pessoa, portanto, centro de direitos e deveres. 
O Estado ao se envolver nas relações jurídicas só é possível identificar o ser 
humano cujo comportamento está sendo vinculado se consultarmos outras 
normas: as de organização e deveres. 
 
PERSONALIDADE JURÍDICO-CONSTITUCIONAL DO ESTADO 
A Constituição Federal através do Poder Constituinte cria o Estado e lhe dá a 
incumbência de produzir normas jurídicas. Decorre disso que a personalidade 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
jurídica do Estado lhe é atribuída pela Constituição, logo é uma personalidade 
jurídico-constitucional. 
O Direito divide-se em dois grandes ramos: o Direito Público e o Direito 
Privado. No Direito Privado vigora o Princípio da Autonomia da Vontade, pelo 
qual as partes da relação jurídica podem eleger livremente os fins que 
pretendem alcançar e os meios pelos quais atingirão tais fins, desde que, nem 
fins nem meios sejam proibidos pelo Direito (o que não é proibido é permitido – 
princípio da legalidade em sentido amplo). No Direito Público não vigora tal 
princípio.Vige a ideia de função, ou seja, de dever do atendimento do interesse 
público (O Estado só pode fazer aquilo que a lei determinar - princípio da 
legalidade em sentido estrito) 
A Constituição Federal e as Leis Infraconstitucionais que determinam qual será 
o regime jurídico aplicado em determinada situação. Assim, por exemplo, a 
Exploração Direta de Atividade Econômica pelo Estado, nos termos do art. 173 
da Constituição Federal, será submetida a Regime de Direito Privado, não 
obstante a submissão ao Direito Privado não ser integra, como no caso da 
regra de concursos públicos para a contratação de pessoal, que é regida pelo 
Direito Público. 
Uma primeira conclusão que podemos extrair do exposto, é que se há dinheiro 
público, as regras que regerão a relação serão de Direito Público. Outra é que 
as “pessoas de Direito Público cuidam dos interesses públicos estabelecendo – 
através de atos unilaterais praticados no uso do poder extroverso - relações 
jurídicas verticais, em que comparece como autoridade, de modo a criar 
deveres para os particulares.” (Carlos Ari Sundfeld, Fundamentos de Direito 
Público, p. 70) 
O Estado pode desenvolver por si próprio a função administrativa ou prestá-la 
por meio de outros sujeitos. No primeiro caso, fala-se em Administração 
Direta ou Centralizada (União, Estados-membros, Distrito Federal e 
Municípios). Assim, se a União, os Estados Membros, o Distrito Federal e os 
Municípios prestam a Função Administrativa por seus diversos órgãos, fala-se 
em Administração Direta, que é sinônimo de Administração Centralizada. A 
propósito, os entes da Federação ou entes Federativos (U, E, M, DF) são 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
chamados de Pessoas Políticas porque possuem Capacidade Política ou 
Autonomia, que é a capacidade de editar as próprias leis conforme a 
competência definida diretamente na CF. Exemplo: a União e a Lei 8.112/90 – 
Estatuto dos Servidores Públicos da União. Evidentemente, os Entes da 
Federação têm Personalidade Jurídica de Direito Público. No segundo 
caso, isto é, se a Função Administrativa for prestada por pessoas alheias ao 
Estado, fala-se em Administração Descentralizada. A Descentralização pode 
ocorrer pela Criação de uma Pessoa Jurídica por parte do Estado a quem 
serão transferidas a titularidade e a execução da Função Administrativa, 
exigindo-se Lei Específica para tanto (Também ocorre a Descentralização da 
Função Administrativa na hipótese de o Estado transferir apenas a execução 
dela a pessoa já existente, mediante, basicamente, os Contratos de Concessão 
e de Permissão de Serviços Públicos. Enquanto Administração Direta é 
sinônimo de Administração Centralizada, a legislação não estabelece 
equivalência entre as expressões Administração Descentralizada e 
Administração Indireta. Na legislação, Administração Indireta diz respeito 
apenas às pessoas criadas pelo Estado para o exercício de uma Função 
Administrativa. São entidades da Administração Indireta as Autarquias, as 
Fundações Instituídas e Mantidas pelo Poder Público, as Empresas Públicas e 
as Sociedades de Economia Mista. 
As Autarquias são Pessoas Jurídicas de Direito Público e, por isso, 
submetem-se a Regime Jurídico de Direito Público. Assim, seus atos são 
administrativos, seus contratos são administrativos, seus bens são públicos, 
sua responsabilidade é, de regra, objetiva etc. 
As Fundações Instituídas e Mantidas pelo Poder Público, segundo a 
corrente majoritária, podem ser criadas como Pessoas Jurídicas de Direito 
Privado ou de Direito Público. Caso sejam Pessoas Jurídicas de Direito 
Público, serão submetidas ao Regime da Autarquia e, portanto, chamadas de 
Fundações Autárquicas ou Autarquias Fundacionais. Exemplo: a maioria das 
universidades públicas. A Fundação, de toda sorte, é um patrimônio vinculado 
ao cumprimento de um fim de interesse social. 
As Empresas Públicas e as Sociedades de Economia Mista são Pessoas 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
Jurídicas de Direito Privado da Administração Pública Indireta, sendo que a 
Empresa Pública é formada com capital integralmente público e a Sociedade 
de Economia Mista é formada com capital público e privado. A Sociedade de 
Economia Mista é sempre S.A. (Sociedade Anônima), enquanto que a Empresa 
Pública pode assumir Qualquer Forma Societária admitida pelo direito (Ex: 
Caixa Econômica Federal). 
As Pessoas Jurídicas de Direito Privado da Administração Pública Indireta 
submetem-se a Regime Jurídico de Direito Privado, com derrogação por 
normas de Direito Público (exemplo: seus empregados submetem-se a 
concurso público, mas são regidos pela CLT). 
 
Atividades dos particulares e do Poder Público 
As pessoas podem realizar todas as ações cuja exclusividade não tenha sido 
conferida ao Estado, com a consequente interdição da atuação privada. Assim, 
qualquer atividade que não seja atribuída ao Estado pelo ordenamento jurídico, 
pode ser exercida pelos particulares, com fundamento nos vários direitos 
previstos no artigo 5º da Constituição Federal. 
O Estado, nos termos da Constituição Federal, pode exercer atividade 
econômica residualmente. Isso implica dizer, que ao Estado é reservada toda 
atividade que não seja propriamente econômica. 
Os particulares, nas suas atividades, são regidos pelo regime jurídico de direito 
privado. 
A administração pública pode submeter-se a regime jurídico de direito privado 
ou a regime jurídico de direito público. A opção é feita de acordo com os 
critérios estabelecidos na Constituição, a exemplo do art. 173, e nas leis 
infraconstitucionais. Por exemplo, o art. 173, diz que as empresas estatais 
exploradoras de atividade econômica se submetem ao regime jurídico das 
empresas privadas. 
Já o art. 175, permite que o Poder Público preste seus serviços diretamente ou 
sob o regime de concessão ou permissão. O que não pode é a Administração, 
sem autorização constitucional ou legal, optar, via ato administrativo, pelo 
regime que lhe parecer mais adequado. 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
É importante mencionar, entretanto, que independentemente do regime 
adotado, nunca o serviço público será prestado em regime estritamente 
privado. 
Nunca é demais lembrar a seguinte divisão, feita por Hely Lopes. Serviços 
Públicos próprios do Estado, que “são aqueles que se relacionam intimamente 
com as atribuições do Poder Público (segurança, polícia, higiene e saúde 
públicas etc) e para a execução dos quais a Administração usa sua supremacia 
sobre os administrados. Por esta razão, só devem ser prestados por órgãos ou 
entidades públicas, sem delegação a particulares” (Hely Lopes Meirelles - 
Direito Administrativo Brasileiro, Malheiros, p. 318). Serviços impróprios do 
Estado, que não afetam substancialmente as necessidades da comunidade, 
mas satisfazem interesses comuns de seus membros, e, por isso, a 
Administração os presta remuneradamente, por seus órgãos ou entidades 
descentralizadas, ou delega sua prestação. 
 
CONCEITO DE SERVIÇO PÚBLICO 
“Toda atividade prestada pelo Estado ou por seus delegados, basicamente sob 
regime de direito público, com vistas à satisfação de necessidades essenciais e 
secundárias da coletividade” (Carvalho Filho). Esse conceito aponta as 
características do serviço público: 
 - Sujeito Estatal (art. 175 da CF). Incumbe ao Poder Público, na forma da 
lei, diretamente ou sob regimede concessão ou permissão, sempre através de 
licitação, a prestação de serviços públicos); 
 - Interesse coletivo, pode ser essencial ou secundário; 
 - Regime de Direito Público (nunca será regido integralmente pelas 
normas de direito privado) 
OBS: Para Celso Antônio é serviço público apenas se a atividade de 
oferecimento de utilidade ou comodidade material for fruível diretamente pelos 
administrados. 
 - Acepções: 
 � Material: Considera que determinadas atividades, por sua 
natureza, devem ser consideradas serviço público. Seria serviço público toda 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
atividade que tem por objeto a satisfação de necessidades coletivas. Adotada 
pela escola essencialista. 
 � Subjetiva: Considera público qualquer serviço prestado 
diretamente pelo Estado. Essa concepção entrou em declínio a partir do 
surgimento das formas de prestação indireta de serviços públicos mediante 
delegação a pessoas privadas. 
 � Formal: Considera serviço público qualquer atividade de 
oferecimento de utilidade material à coletividade, desde que, por opção do 
ordenamento jurídico, essa atividade deva ser desenvolvida sob regime de 
direito público. Corresponde à corrente formalista, adotada pelo Brasil 
 - No Brasil, a Constituição enumera, de forma não exaustiva, uma série 
de serviços que devem ser prestados como serviços públicos. 
 - Quadro dos serviços públicos em nosso ordenamento jurídico: 
 a) São públicos os serviços enumerados na Constituição; 
 b) Não é serviço público nenhuma prestação material que se enquadre 
como “exploração de atividade econômica”, mesmo que feita diretamente pelo 
Estado, pois submete-se a regime de direito privado (CF, art. 173); 
 c) Poderão ser serviços públicos, à opção do legislador, as demais 
atividades que, embora não expressamente arroladas na Constituição, não 
sejam enquadradas como “atividade econômica”. Nesse caso, a lei deve 
determinar que a atividade seja prestada sob regime de direito público. 
 
CLASSIFICAÇÃO 
1) Em sentido amplo e em sentido estrito 
 - Em sentido amplíssimo, serviço público é “toda atividade que o Estado 
exerce para cumprir seus fins”. Abrange a atividade judiciária, legislativa e 
administrativa. 
 - Em sentido amplo, serviço público é toda atividade da Administração 
voltada à satisfação de interesses essenciais ou secundários da coletividade. 
Abrange a prestação de serviços públicos em sentido estrito, a realização de 
obras públicas, o exercício do poder de polícia e os serviços comerciais ou 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
industriais (atividades econômicas) prestados pelas Sociedades de Economia 
Mista e Empresas Públicas. 
 - Em sentido estrito, serviços públicos são atividades não econômicas 
desenvolvidas pela Administração ou seus delegados para a satisfação direta 
de interesse público essencial ou secundário, excluídas as atividades judiciais, 
legislativas, as obras públicas e a atividade de polícia. 
 
2) Serviço próprios e impróprios (Hely) ou indelegáveis e delegáveis 
(Carvalho Filho) 
 - Serviço indelegável é aquele que só pode ser prestado pelo Estado 
diretamente, ou seja, por seus órgãos e agentes. Ex: defesa nacional, 
fiscalização de atividades, segurança interna. Corresponde ao serviço próprio 
do Estado. Essenciais e necessários para a sobrevivência do próprio Estado. 
 - Serviço delegável e aquele que pela sua natureza ou pelo fato de assim 
dispor o ordenamento jurídico, comportam ser executados pelo Estado ou por 
particulares colaboradores. Corresponde ao conceito de serviço público 
impróprio. Também chamado de serviço de utilidade pública, pois oferecem 
uma comodidade, convenientes. 
Observação: Para Celso Antônio, Saúde e Educação não são serviços públicos 
quando prestados por particulares, uma vez que a Constituição não limitou sua 
prestação ao Estado ou quem lhe faça as vezes. 
 
3) Serviço individual e serviço geral 
 - Classificação sob a ótica da prestação. Interesse para o estabelecimento 
da forma de remuneração. 
 - Serviço geral (indivisível oi uti universi): prestado a um número 
indeterminado e indeterminável de indivíduos; não permite cobrança de taxa 
nem de preço público. Não é suscetível de ser exigido pela via cominatória, 
uma vez que é prestado de acordo com as opções e prioridades da 
Administração de conformidade com os recursos de que disponha. 
 - Serviço individual (divisível ou uti singuli): prestado a um número 
determinado ou determinável de indivíduos e passível de utilização separada e 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
mensurável (ou estimável); podem ser remunerados por taxa ou por tarifa. 
Geram direito subjetivo à sua prestação se o indivíduo se mostra em condições 
técnicas de recebê-los. Pode ser exigido diretamente do particular delegado. 
Subdivide-se em: 
Serviço facultativo: o Poder Público pode suspender-lhe a prestação em caso 
de não pagamento. De regra é remunerado por tarifa. 
Serviço compulsório: não é permitida a suspensão, porque o Estado o impôs 
coercitivamente, como também porque, sendo remunerado por taxa, tem a 
Fazenda mecanismos privilegiados para a cobrança da dívida. ATENÇÃO: O 
STJ já decidiu que a utilização obrigatória dos serviços de água e esgoto não 
implica que a respectiva remuneração tenha a natureza de taxa. 
 
USUÁRIO DE SERVIÇO PÚBLICO 
Direitos do usuário: 
 � a prestação adequada do serviço e a indenização no caso de ser mal 
prestado ou interrompida sua prestação, causando-lhe prejuízo, aplicando-se a 
disciplina do Código de Defesa do Consumidor (art. 6º do CDC); 
 � o art. 37, §3º da CR88 prevê que a lei disciplinará as formas de 
participação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando 
especialmente: 
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, 
asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a 
avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços; 
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre 
atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; 
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de 
cargo, emprego ou função na administração pública 
 � o art. 175 parágrafo único II e IV prevê que a lei disporá sobre os direitos 
do usuário de serviço público e sobre a obrigação de manter serviço adequado. 
OBS: Segundo a Lei nº 8.987/95, art. 6º, § 1º: “Serviço adequado é o que 
satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das 
tarifas” 
 
Deveres do usuário são de três ordens: 
 � Administrativa: referentes aos dados a serem apresentados junto à 
Administração; 
 � Técnica: relativas às condições técnicas para a prestação do serviço; 
 � Pecuniária: pagamento dos serviços remunerados. 
 
QUESTÕES 
1) Qual o conceito de pessoa jurídica? 
2) Qual a diferença entre Administração Pública Direta e Administração Pública 
Indireta? 
3) A que regime jurídico se submetem as Pessoas Jurídicas de Direito Privado 
da Administração Pública Indireta? 
4) Diferencie “serviço público próprio deEstado” de “serviço impróprio do 
Estado”. 
5) A exploração de atividade econômica pode ser considerada serviço público? 
6) Sob a ótica da prestação como se classifica o serviço público? 
7) Quais são os direitos do usuário de serviço público? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EQUILÍBRIO ENTRE AUTORIDADE E LIBERDADE 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
 
A SOCIEDADE COMO TITULAR E DESTINATÁRIA DO PODER 
O Estado, através de seus agentes, exerce o poder político que lhe é conferido 
pela Constituição. O exercício do poder faz nascerem relações jurídicas entre o 
Estado e os governados. Em tais relações, o Estado e os indivíduos assumem 
reciprocamente direitos, poderes, deveres e faculdades. 
Em um Estado Democrático de Direito, como o que vivemos, os particulares, 
tomados em conjunto, não são meros destinatários, isto é, sujeitos passivos em 
face do poder. Na verdade, são os titulares do poder político. Assim, o Estado 
só desfruta do poder como representante de seu legítimo titular, que é o povo. 
As relações jurídicas mencionadas acima, que surgem no relacionamento entre 
Estado e indivíduos, são vínculos entre um sujeito que exerce o poder político, 
mas não é seu titular (agente público) e um sujeito que é o titular do poder, 
considerado em conjunto com os demais indivíduos, mas não o exerce. 
Cabe ao Direito Publico a difícil tarefa de regular, de um modo equilibrado, as 
relações entre o Estado (detentor do poder) e os particulares, que se sujeitam 
ao poder até o limite dos direitos que são titulares em face do ordenamento 
jurídico. 
Não se pode esquecer que nas relações de direito público o Estado exerce 
poder de autoridade, com prerrogativas que não encontram equivalente no 
direito privado. Assim, o ente publico pode, por exemplo, impor deveres 
unilateralmente aos indivíduos e alterar as relações jurídicas já constituídas. 
Contudo, o poder de autoridade conhece limites. São dois, intimamente 
ligados, a saber: 
1) a competência; 
2) os direitos dos particulares. 
 
COMPETÊNCIA 
Para o Direito, a competência representa o poder conferido pelo ordenamento 
jurídico, cujo exercício só é lícito se realizado: a) pelo sujeito apontado na lei; b) 
sobre o território de sua jurisdição; c) quanto às matérias indicadas na norma; 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
d) no momento adequado; e) diante dos pressupostos fáticos previstos na 
norma; e f) para atingir o fim que levou a outorga do poder. 
Difere do termo direito subjetivo, que representa a possibilidade de agir, 
conferida aos sujeitos de direito, para que eles realizem seus próprios 
interesses. Por isso, o direito subjetivo é um fim em si mesmo. 
A competência é sempre conferida pela norma para que seja atendida 
finalidade determinada. É um meio para um fim, ou, melhor dizendo, um poder 
vinculado a certa finalidade. 
Como as competências são conferidas aos agentes públicos para a o alcance 
de determinados objetivos, o não uso delas implicaria renúncia à sua 
realização. Assim, a competência, para o agente público, é de exercício 
obrigatório, não ficando ao livre arbítrio de seu titular. 
 
DIREITOS DOS PARTICULARES 
O outro limite imposto aos poderes do Estado em suas relações com os 
particulares é os direitos que a ordem jurídica assegura aos próprios 
particulares. Tais direitos traduzem-se em liberdade, que para os cidadãos 
representa: 
a) a possibilidade de participar do exercício do poder nas formas previstas na 
Constituição (tais como as eleições, os plebiscitos e referendos); 
b) a garantia (pelo próprio Estado) de segurança nas fruições privadas 
(espaços de ação dos indivíduos, protegidos da ingerência do Estado – 
exemplos: direito de propriedade, de manifestação e expressão). 
 
CONCLUSÃO 
Diante de tudo o que foi exposto, resta claro, em síntese, que a relação jurídica 
de direito público, entre Estado e particulares, é equilibrada por dois fatores: 
a) o fator autoridade, que confere prerrogativas especiais ao Estado; 
b) os limites da autoridade, correspondentes a competência e o respeito aos 
direitos dos particulares. 
 
QUESTÕES 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
1) Em um Estado Democrático de Direito o poder de autoridade do Estado 
conhece limites? Quais? 
2) O agente público pode deixar de exercer sua competência? Por que? 
3) O Estado é o titular do poder político? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
Dicotomia entre direito público e privado e Princípios de Direito 
 
O principal critério distintivo entre os dois institutos é quanto ao sujeito: o direito 
público trata das relações do Estado e o direito privado das relações entre os 
particulares (esse é o campo de incidência) 
O segundo quando ao interesse: público - interesse público e privado - 
interesses particulares. 
O melhor critério distintivo é saber qual o regime jurídico que incide sobre 
àquela questão. Para melhor entendermos o regime jurídico, necessário se faz 
o estudo dos princípios no direito. 
 
Considerações iniciais 
A corrente jusfilosófica que predominou inicialmente no direito foi o 
jusnaturalismo, que tinha como características a universalidade, a eternidade, 
dentre outros. Além disso, o jusnaturalismo era tido como direito acima do 
direito positivo, servindo o seu propósito principalmente na época em que leis 
eram extremamente rígidos. Num segundo momento, o positivismo jurídico 
enfraqueceu o jusnaturalismo e até hoje o positivismo prevalece. O positivismo 
se preocupa mais com segurança jurídica, tendo como um dos principais 
expoentes HANS KELSEN na obra Teoria Pura do Direito, onde Kelsen 
procurou tratar o direito como ciência, que é conhecimento sistematizado de 
um objeto, mas o obstáculo de KELSEN é que direito era tido como algo sem 
objeto, aí KELSEN disse que o objeto do direito é o mesmo em qualquer 
sociedade, qual seja, A NORMA (Axioaspiração do Direito). O conteúdo do 
direito não é objeto do direito, só a norma. 
Tanto o jusnaturalismo como o positivismo procuram diferenciar Princípio e 
Norma. 
Norma. É um comando obrigatório. É algo que necessariamente deve ser 
seguido. 
Princípio. É apenas uma diretriz, um conselho ao legislador, segundo o 
Positivismo e Jusnaturalismo. 
 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
Pós-positivismo ou Neopositivismo 
Esse novo alinhamento doutrinário tem como características principais: 
1) Importância dada aos valores. Ao contrário de KELSEN, o pós-positivismo 
defende o fato de que o objeto do direito deve incluir o conteúdo valorativo da 
norma. 
2) Elevação dos princípios à categoria de normas jurídicas. Princípios não 
são apenas diretrizes, são considerados normas jurídicas obrigatórias, de 
caráter vinculante. A Norma vai ser o gênero que tem duas espécies: os 
Princípios e as Regras. 
 
Distinções entre Princípios e Regras. 
Existem alguns critérios doutrinários distintivosde princípios e regras. Vamos 
analisá-los. 
1º) Abstratividade ou Generalidade. As cinco características de uma norma 
jurídica são: abstratividade (norma se refere à situação abstrata), generalidade 
(norma se dirige não a um individuo, mas a todos os indivíduos em situação 
semelhante, imperatividade (não é conselho, é imposta), bilateralidade (impõe 
deveres para uns e outros), coercibilidade (não precisa, a norma, 
necessariamente ter uma sanção, mas toda norma precisa ter conseqüência 
jurídica). 
Assim, os princípios são normas generalíssimas que é um termo utilizado no 
sentido de abstrativíssima, princípios prevêem situações mais abstratas que as 
regras. Assim, enquanto as Regras possuem pressuposto fático homogêneo, 
os Princípios prevêem hipóteses heterogêneas. Se princípios e regras são 
normas jurídicas, ambos são abstratos, só que princípios são ainda mais 
abstratos. Ex. Quando CF fala de aposentadoria compulsória é um regra, 
porque você consegue visualizar a situação, o homicídio do CP também é 
regra. Quando Constituição Federal fala que um dos fundamentos da república 
federativa do Brasil é a preservação da dignidade humana, é um princípio, 
porque você não consegue visualizar a priori todas as hipóteses em que a 
dignidade humana será avaliada. O princípio da moralidade, eficiência, 
razoabilidade, também são princípios, porque preciso de uma norma mais 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
concreta para poder visualizar quais as hipóteses de violação desses 
princípios. 
 
2º) Dimensão. ROBERT ALEXY foi quem criou o segundo critério distintivo. No 
Brasil citamos EROS ROBERTO GRAU, GILMAR FERRERIA MENDES e 
PAULO BONAVIDES como adeptos. 
ROBERT ALEXY diz que enquanto Princípios e Regras possuem a dimensão 
da validade, apenas os Princípios possuem a dimensão da importância, peso 
ou valor. Segundo o autor no campo da validade podemos ter conflito de 
qualquer tipo de norma. Conflito de validade se dá quando duas normas entram 
em conflito e uma delas deve ser excluída do ordenamento. No campo da 
importância, não há conflito, há colisão porque as duas são válidas 
abstratamento, mas no caso concreto tenho que adotar apenas uma, em 
detrimento da outra (ponderação de interesse). Somente pode ponderar 
quando se trata de princípios. 
 
Atuação prática ou aplicação 
Como, quando aplico princípios e quando aplico regras. 
As Regras impõem resultados, possuem aplicação automática devendo ser 
aplicadas na medida exata de suas prescrições. 
RONALD DWORKIN. Segundo este autor as regras obedecem à lógica do 
tudo ou nada. Ocorreu a hipótese prevista na regra ou aplica ou não aplica. Se 
não aplicar é porque a regra foi abandonada. 
Já o Princípio, toda vez em que estiver envolvido, não há necessidade de sua 
aplicação automática, em havendo uma situação em que o princípio é aplicado, 
pode não ser aplicado em razão de outros princípios. Principio tem que ser 
levado em consideração sempre, mas nem sempre aplicado. 
Segundo ROBERT ALEXY princípios são mandamento de otimização, ou 
seja, normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível, 
de acordo com as possibilidades reais e jurídicas existentes. 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
O que determina o âmbito de atuação do princípio será o caso concreto e a 
possibilidades jurídicas (conforme os outros princípios envolvidos e outras 
normas), porque princípio nunca está sozinho na ordem jurídica. 
 
QUESTÕES 
 1) Com base no Positivismo, diferencie princípio e norma. 
2) Para o Neopositivismo o que são princípios? 
3) O que é colisão de normas? 
 
Princípios de Direito 
Importância dos princípios no direito público 
A norma fundamental funda, ou legitima, um Poder Constituinte Originário, que 
inaugura a ordem jurídica calcada numa Constituição. Se é uma ordem, não 
pode haver contradição, então, o ordenamento jurídico deve ser uníssono. 
Entretanto, verificamos no cotidiano que pode haver conflitos de Leis. É um 
paradoxo? Em termos. Aí, que entram em cena os princípios que compõem 
uma ordem jurídica. Tratam-se de normas superiores, e como tais, dispõem-se 
de forma harmoniosa. Com relação às Leis conflituosas, podemos dizer que 
esta é uma situação de problemas de linguagem, de expressão equivocada do 
legislador. 
Os princípios fazem parte do ordenamento jurídico. São por causa deles que a 
ordem jurídica é um sistema que possui um encadeamento lógico, harmonioso 
e racional. Não se tratam os princípios de meros enunciados científicos, mas 
de verdadeiras normas jurídicas, sendo, pois, aplicáveis na solução de 
problemas jurídicos da vida real, explica Carlos Ari Sundfeld: 
"O princípio jurídico é a norma de hierarquia superior à das regras, pois 
determina o sentido e o alcance destas, que não podem contrariá-lo, sob pena 
de pôr em risco a globalidade do ordenamento jurídico. Deve haver coerência 
entre os princípios e as regras, no sentido que vai daqueles para estas. (...) Por 
isso, conhecer os princípios do Direito é condição essencial para aplicá-lo 
corretamente. Aquele que só conhece as regras ignora a parcela mais 
importante do Direito – justamente a que faz delas um todo coerente lógico e 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
ordenado. Logo, aplica o Direito pela metade. Em outras palavras: aplicar as 
regras desconsiderando os princípios é como não crer em Deus, mas preservar 
a fé em Nossa Senhora!" (Sunfdeld, 2000, p. 146-147) 
 Para Sundfeld, no ordenamento jurídico do Direito Público brasileiro, os 
princípios são: "a-) autoridade pública; b-) submissão do Estado à ordem 
jurídica; c-) função; d-) igualdade dos particulares perante o Estado; e-) devido 
processo; f-) publicidade; g-) responsabilidade objetiva; igualdade de pessoas 
políticas" – como estudaremos nas próximas aulas. 
 
Os princípios de direito público e a supremacia do interesse público 
O Estado não é um fim em si mesmo, é um meio para a concretização dos 
interesses públicos. Porém, este mesmo Estado, titular dos interesses públicos, 
tem sua autoridade limitada, visando o controle do exercício do poder, 
protegendo as pessoas sob seu imperium. Pois de nada adianta a autoridade 
suprema se não há liberdade. Há de se conjugar, portanto, autoridade com 
liberdade. Notemos, entretanto, que os interesses públicos – aqueles que os 
indivíduos isolados não podem alcançar – possuem preferência sobre os 
interesses privados, quando se confrontam. Esse poder de autoridade do 
Estado, segundo Carlos Ari Sundfeld, pode manifestar-se de duas maneiras: 
"a-) impondo unilateralmente comportamentos aos particulares; b-) atribuindo 
direitos aos particulares, através do vínculo não-obrigacional." 
Carlos Ari Sundfeld entende que não há supremacia dos interesses públicos 
sobre os interesses privados, há somente prioridade do primeiro quanto ao 
segundo: "Supremacia é a qualidade do que está acima de tudo. O interesse 
público não está acima da ordem jurídica; ao contrário, é esta que o define e 
protege como tal. Ademais o interesse público não arras nem desconhece o 
privado, tanto que o Estado, necessitando de um imóvel particular para realizar 
o interesse público, não o confisca simplesmente, mas o desapropria, pagando 
indenização (o que significa haver proteção jurídica do interesse do 
proprietário, mesmo quando conflitante com o do Estado)." 
Celso Antônio Bandeira de Mello, porsua vez, entende que a superioridade do 
interesse público sobre o privado é "pressuposto de uma ordem social estável", 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
tendo como conseqüências: "a-) posição privilegiada do órgão encarregado de 
zelar pelo interesse público e de exprimi-lo, nas relações com os particulares; 
b-) posição de supremacia do órgão nas mesmas condições." 
Verificamos, porém, que desta relação privilegiada podem ocorrer algumas 
distorções que podem prejudicar umas pessoas em detrimento de outras. Na 
teoria do Direito, tudo é perfeito, pois se trata de uma realidade formal, com um 
comprometimento formal com a realidade. É certo que, conforme exposto, o 
Estado é regido por normas de Direito Público que lhe limitam a atuação 
para que não cometa arbitrariedades contra os particulares e que os 
submetam, todos, a uma posição de igualdade perante sua autoridade. 
Sabemos, porém, que há possibilidade de se tomar o Estado e impor 
interesses outros, que não são públicos, mas impostos como se o fossem, de 
modo a controlar a sociedade, ou mesmo fustigar vozes discordantes, o que é 
uma verdadeira supressão das liberdades e direitos fundamentais do ser 
humano. 
Destarte, tendo em vista que o Estado é regido pelo interesse público, se faz 
de extrema importância o estudo dos princípios, em especial, de direito público, 
para o ordenamento jurídico e de toda a sociedade. 
 
Função dos princípios na interpretação das regras 
De acordo com Carlos Ari Sundfeld (p. 148), são as seguintes: 
1) É incorreta a interpretação da regra, quando dela derivar contradição, 
explícita ou velada, com os princípios. 
2) Quando a regra admitir logicamente mais de uma interpretação, prevalece a 
que melhor se afina com os princípios. 
3) Quando a regra tiver sido regida de modo tal que resulte mais extensa ou 
mais restrita, respectivamente, para calibrar o alcance da regra como o do 
princípio. 
 
Por fim, os princípios gerais de direito são utilizado como de integração em 
caso de lacuna da lei, como preceitua o artigo 4º da Lei de Introdução às 
Normas (LICC). 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
 
QUESTÕES 
 1) No sistema jurídico os princípios ocupam posição inferior ou superior as 
regras? Por quê? 
2) O que se entende por supremacia do interesse público? 
3) Quais as funções dos princípios na interpretação das regras jurídicas? 
 
PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO PÚBLICO 
Vamos analisar quais os princípios gerais de direito público definem e 
delimitam o regime jurídico: 
 
1) AUTORIDADE PÚBLICA 
O exercício do poder político – há outorga ao Estado de poderes especiais 
frente aos particulares. Assim os demais princípios limitam a autoridade, 
controlam o exercício do poder político. Visam o equilíbrio entre autoridade e 
liberdade. 
O Estado existe para atender aos interesses públicos ou coletivos, esses mais 
relevante que os interesses particulares. Há prevalência do interesse público 
sobre o privado. Contudo, o interesse público não é supremo, pois previsto no 
próprio ordenamento. 
A autoridade pública conferida ao Estado pelas normas jurídicas é a 
conseqüência da previsão constitucional de ter certos interesses mais 
relevantes. 
O interesse público surge quando as normas atribuem ao ente que dele cura 
poderes de autoridade. 
"Supremacia é a qualidade do que está acima de tudo. O interesse público não 
está acima da ordem jurídica; ao contrário, é esta que o define e protege como 
tal. Ademais o interesse público não arras nem desconhece o privado, tanto 
que o Estado, necessitando de um imóvel particular para realizar o interesse 
público, não o confisca simplesmente, mas o desapropria, pagando 
indenização (o que significa haver proteção jurídica do interesse do 
proprietário, mesmo quando conflitante com o do Estado)." Celso Antônio 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
Bandeira de Mello, por sua vez, entende que a superioridade do interesse 
público sobre o privado é "pressuposto de uma ordem social estável", tendo 
como conseqüências: "a-) posição privilegiada do órgão encarregado de zelar 
pelo interesse público e de exprimi-lo, nas relações com os particulares; b-) 
posição de supremacia do órgão nas mesmas condições." 
 
2) SUBMISSÃO À ORDEM JURÍDICA 
O Estado é proibido de agir contra a ordem jurídica e todo poder por ele 
exercido tem sua fonte e fundamento na ordem jurídica. 
O Estado está sob a ordem jurídica. 
A atividade legislativa se desenvolve com base na Constituição Federal, e a lei 
editada baseia-se no princípio da necessária constitucionalidade das leis. 
No âmbito da administração se submete à legalidade. A atividade desenvolvida 
deve se dar nos termos da lei. 
O exercício da força pelo Estado é regido e aplicado segundo o Direito, mais 
especificamente sob permissão do princípio da legalidade, que "além de 
assentar-se na própria estrutura do Estado de Direito e, pois, do sistema 
constitucional como um todo, está radicado especificamente nos arts. 5.º, II, 37 
e 84, IV da Constituição Federal". Porém, os particulares podem agir, de acordo 
com o previsto no artigo 5.º, II da Constituição Federal: "II – ninguém será 
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de Lei." 
A partir do exposto, podemos dizer que o Estado só pode fazer o que estiver 
autorizado por Lei, enquanto os particulares podem fazer o que a Lei não lhes 
proibir. Qual o significado disso? Há uma restrição à conduta dos particulares 
que, contudo, tece, por meio das Leis, o próprio Direito. O Estado regulado e 
estruturado por Leis é uma proteção contra a arbitrariedade e a violação dos 
direitos dos particulares. 
Daí, podemos conferir que surge também uma nítida noção de que o poder 
deve ser exercido segundo limites e que o titular de todo o poder é o povo e 
não o soberano, ou qualquer déspota que o faça parte. Nada mais é o que foi 
consagrado na Constituição Federal de 1988, artigo 1.º, parágrafo único: "Todo 
poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
diretamente, nos termos desta Constituição". Os ingleses singelamente diriam 
que há o império da Lei e não dos homens, ou seja: 
"O princípio da legalidade contrapõe-se, portanto, e visceralmente, a quaisquer 
tendências de exacerbação personalista dos governantes. Opõe-se a todas as 
formas de poder autoritário, desde o absolutista, contra o qual irrompeu, até as 
manifestações caudilhescas ou messiânicas típicas dos países 
subdesenvolvidos. O princípio da legalidade é o antídoto natural do poder 
monocrático ou oligárquico, pois tem como raiz a idéia de soberania popular, 
de exaltação da cidadania. Nesta última se consagra a radical subversão do 
anterior esquema de poder assentado na relação soberano-súdito. 
Instaura-se o princípio de que todo poder emana do povo, de tal sorte que os 
cidadãos é que são proclamados como os detentores do poder. Os 
governantes nada mais são, pois, que representantes da sociedade. (...) Além 
disto, é a representação popular, o Legislativo, que deve, impessoalmente, 
definir na Lei e na conformidade da Constituição os interesses públicos e os 
meios e modos de persegui-los, cabendo aoExecutivo, cumprindo ditas leis, 
dar-lhes a concreção necessária." (Celso Antonio Bandeira de Mello, p. 83-84) 
 
3) FUNÇÃO 
A função administrativa é uma das três funções do Estado, já que convive com 
as funções Legislativa e Jurisdicional. A função administrativa é exercida 
predominantemente, isto é, como função típica, pelo Poder Executivo. A 
propósito, a função administrativa também é chamada de função executiva. 
Não obstante, os Poderes Legislativo e Judiciário também exercem a função 
administrativa, mas, o fazem de modo secundário, e isso ocorre quando eles 
dispõem sobre seus serviços, seus bens e a vida funcional de seus servidores. 
Assim, a concessão de férias a servidor de qualquer um dos Três Poderes é 
ato administrativo. 
 
Características da Função Administrativa – São elas: 
1) É Concreta: porque se aplica a lei ao caso concreto, já que a função 
administrativa destina-se a traduzir a vontade da lei concretamente. 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
Excepcionalmente, aplica-se a CF diretamente na prática do ato administrativo. 
Exemplo: artigo 84, inciso VI, alínea “b” da CF – “Artigo 84. Compete 
privativamente ao Presidente da República: VI – dispor, mediante decreto, 
sobre: b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos”. 
 
2) Não inova inicialmente a Ordem Jurídica porque é a lei quem cria direitos e 
obrigações, em face do Princípio da Legalidade contido no art. 5º, II da CF. 
3) É Direta ou Parcial porque o Estado-Administração exerce a Função 
Administrativa como parte interessada. A Função Jurisdicional, diferentemente 
da Função Administrativa, é indireta e imparcial. 
4) É Subordinada porque se sujeita a Controle Jurisdicional, uma vez que, 
conforme o art. 5º, XXXV da CF “a lei não excluirá da apreciação do Poder 
Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Vige no Brasil o Sistema da Jurisdição 
Única ou Inglês em que os conflitos são decididos definitivamente no Poder 
Judiciário, ainda que a Administração Pública esteja envolvida. Não vigora o 
Sistema do Contencioso Administrativo ou Francês em que são Tribunais 
Administrativos, alheios ao Poder Judiciário, que decidem os conflitos 
envolvendo a Administração Pública. 
5) É sujeita a um Regime Jurídico de Direito Público. O Regime Jurídico 
Administrativo é formado pelo binômio (Binômio = Polaridade) das 
Prerrogativas e Sujeições, pelo qual, de um lado, está a Administração Pública, 
que é dotada de certas Prerrogativas que lhe possibilitam agir com autoridade 
para o bom atendimento do Interesse Público, e, de outro lado, estão os 
Indivíduos, de modo que a Administração se submete a Restrições ou 
Sujeições para que eles não sejam indevidamente atingidos em sua liberdade. 
6) A Função Administrativa é exercida de ofício, quer dizer, não depende de 
provocação do interessado. Diferentemente da Administração Pública, a 
Jurisdição é Inerte, só podendo ser exercida por provocação. 
 
QUESTÕES 
 1) Em se tratando da liberdade de agir, qual a diferença entre o Estado e os 
particulares? 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
2) Os Poderes Legislativo e Judiciário exercem função 
administrativa/executiva? De que modo? 
3) A função administrativa se subordina ao controle judicial? 
 
Princípios gerais de direito público – parte 2 
 
4) IGUALDADE DOS PARTICULARES PERANTE O ESTADO 
Prescreve o caput do art. 5º da nossa Constituição Federal de 1988: "Todos 
são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à igualdade, a segurança e a propriedade, (...)". 
Veja-se, portanto que o princípio da igualdade tem sede explícita no texto 
constitucional, sendo também mencionada inclusive no Preâmbulo da 
Constituição. Destarte, é norma supraconstitucional; estamos diante de um 
princípio, direito e garantia, para o qual todas as demais normas devem 
obediência. 
A igualdade de todos os seres humanos, proclamada na Constituição Federal, 
deve ser encarada e compreendida, basicamente sob dois pontos de vista 
distintos, quais sejam: o da igualdade material e o da igualdade formal. 
Entendimento da igualdade material, deve ser o de tratamento equânime e 
uniformizado de todos os seres humanos, bem como a sua equiparação no que 
diz respeito à possibilidades de concessão de oportunidades. Portanto, de 
acordo com o que se entende por igualdade material, as oportunidades, as 
chances devem ser oferecidas de forma igualitária para todos os cidadãos, na 
busca pela apropriação dos bens da cultura. 
A igualdade material teria por finalidade a busca pela equiparação dos 
cidadãos sob todos os aspectos, inclusive o jurídico 
A igualdade formal interessa imediatamente ao jurista. Essa igualdade seria a 
pura identidade de direitos e deveres concedidos aos membros da coletividade 
através dos textos legais. 
 
5) DEVIDO PROCESSO 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
O Princípio do Devido Processo Legal, só foi surgir expressamente no Brasil, 
na Constituição Federal de 1988, apesar de estar implícito nas Constituições 
anteriores. Ele está assim disposto no art. 5º, inciso LIV da nossa Carta 
Magna: 
Art.5º “ Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes : 
LIV _ ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido 
processo legal.” 
O Princípio do devido processo legal é uma das garantias constitucionais mais 
festejadas, pois dele decorrem todos os outros princípios e garantias 
constitucionais. Ele é a base legal para aplicação de todos os demais 
princípios, independente do ramo do direito processual, inclusive no âmbito do 
direito material ou administrativo. 
Assim, o devido processo legal garante inúmeros outros postulados como os 
princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação (apesar de 
autônomos e independentes entre si), integrando-se totalmente os incisos LIV e 
LV, ambos do artigo 5º da Carta Magna de 1988. Tais princípios ajudam a 
garantir a tutela dos direitos e interesses individuais, coletivos e difusos. 
O contraditório é o direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos, ou 
seja, é o exercício da dialética processual, marcado pela bilateralidade da 
manifestação dos litigantes. 
Já a ampla defesa possui fundamento legal no direito ao contraditório, segundo 
o qual ninguém pode ser condenado sem ser ouvido. 
Do que se conclui que os Princípios do contraditório e da ampla defesa (apesar 
de serem autônomos) são necessários para assegurar o devido processo legal, 
pois é inegável que o direito a defender-se amplamente implica 
conseqüentemente na observância de providência que assegure legalmente 
essa garantia. 
 
6) PUBLICIDADE 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
É o princípio que estabelece a necessidade de CONHECIMENTO ou CIÊNCIA, 
que são conseqüências do princípio. O titular do poder administrativo é o 
POVO, o cidadão, assim, deve tomar conhecimento do que está sendo feito 
com o direito do qual é titular. Publicidadesignifica também o início de 
produção de efeitos, ou seja, condição para ser eficaz. 
Uadi Lamêgo Bulos (Constituição Federal Anotada. São Paulo: Saraiva, p. 563) 
ressalta que a atenção ao princípio da publicidade tem como escopo "manter a 
total transparência na prática dos atos da Administração Pública", associando-o 
assim à garantia de acesso do cidadão aos registros públicos. 
A Constituição dá a estrutura da Administração pública, de forma bastante 
minudenciada, no artigo 37 da Constituição Federal. E aqui se sente em casa o 
princípio da publicidade, como pilar indispensável para o controle dos atos 
públicos por parte dos administrados e cidadãos em geral. Os atos materiais de 
gerenciamento da coisa pública são possíveis devido ao aporte dos recursos 
que a nação disponibiliza, por meio de tributos e outras receitas. Sendo 
contribuinte, direto ou indireto, tem qualquer cidadão legitimidade para requerer 
do administrador a prestação de contas. 
Esta prestação é obrigação de todas as funções da República – Judiciário, 
Legislativo e Executivo. Deste último, explicitamente o caput do art. 37 da 
Constituição Federal trata, alinhando outros princípios a que deve obediência o 
administrador. Do legislativo, espera-se prestação de contas tanto do dinheiro 
público gasto no seu sustento como do mandato popular, legitimada pelo voto. 
 
QUESTÕES 
1) Conceitue igualdade formal. 
2) Somente o Poder Executivo deve respeitar o princípio da publicidade? 
3) Qual a importância do princípio do devido processo legal? 
 
7) RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO 
O Estado pode causar prejuízo aos particulares no desenvolvimento de suas 
atividades, seja por meio de atos comissivos, seja por atos omissivos. Assim, 
cabe ao Estado responder por tais prejuízos. Maria Sylvia Zanella Di Pietro 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
assim leciona: “a responsabilidade extracontratual do Estado corresponde à 
obrigação de reparar danos causados a terceiros em decorrência de 
comportamentos comissivos ou omissivos, materiais ou jurídicos, lícitos ou 
ilícitos, imputáveis aos agentes públicos”. (Direito Administrativo. São Paulo: 
Atlas, p. 512.) 
É a própria Di Pietro que nos traz uma breve exposição acerca da evolução 
histórica do trato da questão, a saber: 
“O tema da responsabilidade civil do Estado tem recebido tratamento diverso 
no tempo e no espaço; inúmeras teorias têm sido elaboradas, inexistindo 
dentro de um mesmo direito uniformidade de regime jurídico que abranja todas 
as hipóteses. Em alguns sistemas, como o anglo-saxão, prevalecem os 
princípios de direito privado; em outros, como o europeu-continental, adota-se 
o regime publicístico. A regra adotada, por muito tempo, foi a da 
irreponsabilidade; caminhou-se, depois, para a responsabilidade subjetiva, 
vinculada à culpa, ainda hoje aceita em várias hipóteses; evoluiu-se, 
posteriormente, para a teoria da responsabilidade objetiva, aplicável, no 
entanto, diante de requisitos variáveis de um sistema para outro, de acordo 
com normas impostas pelo direito positivo.”(Obra citada, 512.) 
Em linhas gerais, pode-se dizer que a teoria da irresponsabilidade era adotada 
na época dos governos absolutistas. No século XIX, tal tese da 
irresponsabilidade restou superada, quando então, passou-se à acolhida das 
teses civilistas, ou seja, admite-se a responsabilidade desde que demonstrada 
a culpa. Somente em meados do século XX é que se passou às teses 
publicistas, da responsabilidade objetiva. 
Constata-se que a teoria da irresponsabilidade do Estado não foi acolhida pelo 
direito pátrio. As Constituições de 1824 e 1891 não continham disposições 
tratando do tema, havia disposições infraconstitucionais tratando do assunto e 
prevendo a responsabilidade do Estado, a exemplo do que ocorria com o art. 
15, do antigo Código de 1916. A Constituição de 1937 acolheu a tese da 
responsabilidade estatal com culpa. Foi na Constituição de 1946 que se 
introduziu a teoria da responsabilidade objetiva, que atualmente prevalece. 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
A responsabilidade civil do Estado, por atos comissivos ou omissivos de seus 
agentes, é de natureza objetiva, isto é, prescinde da comprovação de culpa. 
Neste particular, houve uma evolução da responsabilidade civilística, que não 
prescinde da culpa subjetiva do agente, para a responsabilidade pública, isto 
é, responsabilidade objetiva. Esta teoria é a única compatível com a posição 
do Poder Público ante os seus súditos, pois, o Estado dispõe de uma força 
infinitamente maior que o particular. Aquele, além de privilégios e prerrogativas 
que o cidadão não possui, dispõe de toda uma infra-estrutura material e 
pessoal para a movimentação da máquina judiciária e de órgãos que devam 
atuar na apuração da verdade processual. Se colocasse o cidadão em posição 
de igualdade com o Estado, em uma relação jurídica processual, 
evidentemente, haveria um desequilíbrio de tal ordem que comprometeria a 
correta distribuição da justiça. 
O Estado responde objetivamente por dano causado por seu agente, em 
substituição à responsabilidade deste, sem indagação de culpa. E o ônus 
financeiro da assunção dessa responsabilidade objetiva é suportado por toda 
sociedade, que provê os cofres públicos através de tributos. Os tributos são 
pagos pelos cidadãos para propiciar ao Estado recursos financeiros 
necessários ao cumprimento de suas atribuições, inclusive para indenizar os 
danos por ele causados, a terceiros, no desempenho dessas atribuições. Daí a 
teoria do risco administrativo, que fundamenta toda a doutrina da 
responsabilidade objetiva do Estado. 
O prejudicado pela ação estatal sempre terá o direito à indenização a ser 
pleiteada contra a Fazenda Pública ou contra a pessoa jurídica privada 
prestadora de serviço público a que pertencer o agente causador do dano. A 
ação nunca é dirigida contra o agente público ou de quem faz as suas vezes. 
Estes limitam-se a responder regressivamente em casos de dolo ou culpa. 
 
8) IGUALDADE DAS PESSOAS POLÍTICAS 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
A Constituição adotou como forma de Estado o federalismo, que se caracteriza 
como uma “aliança ou união de Estados”, baseada em uma Constituição, onde 
o Poder central é repartido entre os entes federativos que passam a possuir 
autonomia e participação política na formação da vontade federativa, sendo 
necessárias rígidas regras constitucionais tendentes a manter a unidade 
federativa, se possível, até com previsão da via excepcionalíssima da 
intervenção de um ente federativo em outro. 
O art. 19 da Constituição Federal de 1988 cuida de manter a igualdade entre os 
entes federados e seus cidadãos. 
A autonomia das entidades federativas pressupõe a repartição de 
competências (legislativas, administrativas e tributárias) contidas no texto 
constitucional, como forma de preservação da própria Federação. Esta 
distribuição de poderes é ponto nuclear da noção de Estado Federal. A 
Constituição estruturou um sistema que combina competências exclusivas, 
privativas e principiológicas, com competências comuns e concorrentes, 
buscando reconstruir o sistema federativo segundo critérios de equilíbrio 
ditados pela experiência histórica. 
 
QUESTÕES 
 1) Conceitue “responsabilidade civil objetiva”. 
2) No Federalismo, o poder é concentrado em um único ente público? 
3) O prejudicadopela ação estatal necessita acionar o agente público que 
diretamente causou o dano? 
 
 
 
 
Regime Jurídico Administrativo e os 
Princípios Constitucionais da Administração Pública 
 
O Regime Jurídico Administrativo é o regime que se aplica ao Direito 
Público; existe a expressão Regime Jurídico da Administração Pública que 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
engloba todo e qualquer regime a que a Administração está submetida, seja de 
direito público ou privada. 
A Constituição Federal e as leis infraconstitucionais determinam qual será 
o regime jurídico aplicado em determinada situação. 
 
O Regime Jurídico Administrativo é caracterizado pelo binômio: Prerrogativas 
e Sujeições. Vamos estudá-los: 
 
1º) As prerrogativas conferem autoridade à Administração Pública, colocando-
a em posição de Supremacia (superioridade) diante do Administrado. Tal 
afirmação decorre da supremacia do interesse público sobre o interesse do 
particular, de tal sorte que a prática de atos que são vedados aos particulares, 
são permitidos à entidade pública. 
 
2º) As restrições a que se submete a Administração Pública não são comuns 
aos particulares, já que deve atender ao interesse público sem indevida 
ofensa à liberdade das pessoas. Assim, a Administração deve obediência a 
vários princípios, concentrados, principalmente, na Constituição Federal. 
 
PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO 
Os princípios são os alicerces sobre os quais as estruturas de determinada 
ciência são elaboradas. O Direito, como ciência que é, tem seus princípios 
próprios. O Direito Administrativo, como ramo do Direito Público, também tem 
seus princípios. Vamos analisá-los: 
 
Princípios do Direito Administrativo 
 
1º) Princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse 
particular: Também pode ser denominado de Princípio da Finalidade Pública. 
Trata-se de princípio constitucional implícito, porque não está 
expressamente mencionado no artigo 37, “caput” da Constituição Federal, mas 
pode ser colhido de vários dispositivos constitucionais, como artigo. 5º, incisos 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
XXIII e XX. Na Constituição Paulista (CE/SP) é princípio expresso no artigo. 
111. 
O Princípio em pauta pode ser encarado sob dois aspectos: 
a) Impõe ao Legislador e ao Administrador que, na elaboração e na aplicação 
da Lei, respectivamente, levem em consideração o interesse público, isto é, o 
interesse da sociedade como um todo. 
b) Impõe a prevalência do interesse público sobre o interesse meramente 
privado, quando houver conflito entre eles. 
 
2º) Princípio da indisponibilidade do interesse público: a Doutrina costuma 
citar o Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público como sendo derivado 
do princípio da supremacia. De fato, o interesse público é indisponível, porque, 
os agentes públicos não são os “senhores/donos” de tal Interesse. Eles têm 
apenas a função de gerir o interesse público. 
Não vigora, no Direito Administrativo, o princípio da autonomia da vontade, 
mas, sim, a idéia de função, de dever de agir no atendimento do interesse 
público. Assim, por exemplo, o superior hierárquico não pode deixar de exercer 
sua competência, quando toma conhecimento de infração cometida por 
subordinado. Ele deve apurar o fato. 
 
3º) Princípio da legalidade – Trata-se de princípio constitucional expresso, 
porque consta do art. 37, “caput”, da CF. 
Para Hely Lopes Meireles, “enquanto ao particular é lícito fazer tudo o que a lei 
não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei 
autoriza”. 
A Legalidade, no Direito Administrativo, significa, então, que o Administrador, 
para agir, deve estar previamente autorizado a fazer; diferentemente do 
que se passa no direito privado, que as partes podem fazer tudo o que a 
lei não proíbe. 
Aliás, o artigo 5º, inciso II da Constituição Federal, também dispõe sobre o 
princípio da legalidade, estabelecendo que ninguém será obrigado a fazer ou 
deixar de fazer alguma coisa, senão, em virtude de lei. 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
O disposto no artigo 5º, inciso XXXV da Constituição Federal, no sentido de 
que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário, lesão ou ameaça a 
direito, acaba por garantir a observância do princípio da legalidade, haja 
vista que submete a Administração Pública e seus atos, ao Controle do 
Poder Judiciário. 
Além disso, a Constituição Federal prevê remédios constitucionais específicos 
contra ilegalidades administrativas, como Habeas Corpus, Habeas Data, 
Mandato de Segurança, Mandado de Injunção e a Ação Popular. 
 
4º) Princípio da impessoalidade – Trata-se de Princípio Constitucional 
Expresso, porque, está escrito no Rol do art. 37 “caput”, CF. 
Este Princípio pode ser encarado sob dois aspectos: 
1º) se relaciona com os Administrados; 
2º) se relaciona com a Administração. 
Sob o 1º aspecto, o princípio da impessoalidade impõe que a Administração 
Pública exerça a sua função, tendo como norte o interesse público, sem 
distinções discriminatórias, benéficas ou prejudiciais em relação aos 
Administrados. 
Caso o administrado seja favorecido ou prejudicado com a prática de 
certo ato administrativo, isso deve decorrer unicamente da vontade da lei, 
em relação ao caso concretamente apresentado. 
Sob o 2º aspecto, a Impessoalidade significa que o agente que pratica o ato 
administrativo, o faz em nome da própria Administração Pública. Trata-se 
da aplicação da Teoria do Órgão. 
A Constituição Federal dá um exemplo prático da aplicação deste princípio, ao 
dispor em seu artigo 37, § 1º, sobre a vedação de que constem nomes, 
símbolos ou imagens que caracterizem a promoção pessoal de autoridade ou 
servidores públicos em atos de publicidade, programas, obras, serviços e 
campanhas de órgãos públicos. 
 
5º) Princípio da moralidade 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
Distinguir “Moral” de “Direito” não é assunto novo e nem é fácil. Costuma-se 
dizer que, nem tudo que é legal será considerado moral e que a moral exige 
atuação honesta, ética e de boa-fé. 
A Moral ganho importância no campo jurídico, primeiramente, por meio do 
Direito Civil, na Teoria do Abuso dos Direitos, da Vedação do Locupletamento a 
Custa Alheia e da Obrigação Natural (Ex: Dívida Prescrita). 
No Direito Administrativo, a moral ingressou por meio das hipóteses que 
configuravam desvio de poder. 
Para Celso Bandeira de Melo, a partir do momento em que o princípio da 
moralidade foi incluído na Constituição Federal, que é a Lei Maior, assumiu 
“Foros de Pauta Jurídica”. 
Para Maria Silvia Zanela de Pietro, a partir da constatação de que o Desvio 
de Finalidade é Ato Ilegal, a moralidade Administrativa teve seu campo 
reduzido, mas, mesmo assim, é possível falar em moralidade administrativa 
como princípio autônomo. 
Sirva de exemplo a Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal, 
que trata da proibição do Nepotismo na Administração Pública. 
A Constituição Federal, no artigo 37, §4º, também dispõe sobre a probidade 
administrativa ao estabelecer que: “os atos de Improbidade Administrativa 
importarão a suspensão dos direitos políticos, a perdada função pública, a 
indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação 
previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível”. 
A propósito, como princípio, é possível falar em princípio da moralidade 
administrativa como sinônimo de princípio da probidade administrativa, 
mas, em se tratando de ato ilícito, a ofensa ao princípio da moralidade é 
apenas uma das espécies de ato de improbidade, já que convive com outras 
situações de improbidade, conforme artigos 9º, 10 e 11, Lei 8.429/92. Também, 
o artigo 5º, inciso LXXIII da Constituição Federal, prevê a Ação Popular para 
anular ato lesivo à moralidade administrativa. 
 
6º) Princípio da publicidade 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
Pelo princípio da publicidade a administração, como regra, deve levar a 
conhecimento público os atos que pratica, ressalvados os casos de sigilo 
previstos em lei. 
É por meio da publicidade dos atos que é possível exercer o controle de 
legalidade quanto à sua prática. 
A publicidade não impõe, necessariamente, divulgação do ato em Diário Oficial. 
A lei aplicável à espécie dirá de que forma se fará o atendimento do 
princípio da publicidade. 
Assim, por exemplo, na Lei de Licitação, a divulgação da carta convite, que é o 
Ato convocatório da modalidade de licitação denominada convite, não 
precisa ser publicada em Diário Oficial, bastando a sua afixação em local 
apropriado na repartição, a fim de que possíveis interessados tomem 
conhecimento. 
 
7º) Princípio da eficiência 
O princípio da eficiência foi acrescentado ao rol do artigo 37, “caput” da 
Constituição Federal, pela EC 19/98. Portanto, hoje é princípio explícito. 
Ao estruturar os órgãos públicos e ao dispor sobre a atuação dos agentes 
públicos, a Administração Pública deve fazê-lo de modo a atender ao 
princípio da eficiência. 
Por eficiência, entendemos o poder, capacidade de ser efetivo; efetividade, 
eficácia, virtude ou característica de (alguém ou algo) ser competente, 
produtivo, de conseguir o melhor rendimento com o mínimo de erros e/ou 
dispêndios. 
É objetivando ao princípio da eficiência, que ocorre a Descentralização das 
funções administrativas, mediante a criação de entidades da administração 
indireta ou contratação de pessoas para prestação de serviços públicos e, 
também, que se impõe à União, aos Estados e ao Distrito Federal que 
mantenham escolas de governo para formação e aperfeiçoamento de seus 
servidores (artigo 39, §2º da Constituição Federal). Por fim, ressalte-se que a 
eficiência deve ser buscada dentro dos limites da legalidade. 
 
 FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO 
 
 PROFESSORA AMANDA ALMOZARA 
Forma mnemônica dos princípios constitucionais expressos no “caput” 
do artigo 37 da Constituição Federal. 
L ���� Legalidade 
I ���� Impessoalidade 
M ���� Moralidade 
P ���� Publicidade 
E ����Eficiência 
 
QUESTÕES 
1) Qual o regime jurídico utilizado pela Administração Pública? 
2) O que distingue o princípio da Supremacia do Interesse Público da 
Indisponibilidade do Interesse Público? 
3) Quais são as principais características do princípio da legalidade? 
4) Qual a distinção entre impessoalidade e moralidade? 
5) O que significa publicidade dentro do âmbito do Poder Público? 
6) A eficiência deve ser analisada com base em que outro princípio? 
Justifique. 
 
BIBLIOGRAFIA BÁSICA 
• SUNDFELD, Carlos Ari. Fundamentos de Direito Público. São Paulo, 
Malheiros, 5ª ed., 2010. 
• MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 21ª Ed. São Paulo: Atlas, 
2007. 
• SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 29ª Ed. 
São Paulo: Malheiros, 2007. 
• Sítio do Supremo Tribunal Federal www.stf.jus.br

Mais conteúdos dessa disciplina