Prévia do material em texto
Módulo Incidência e Crédito Tributário SEMINÁRIO II - CRÉDITO TRIBUTÁRIO, LANÇAMENTO E ESPÉCIES DE LANÇAMENTO Leitura básica • CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. São Paulo: Noeses Capítulo XII. • CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário: Fundamentos Jurídicos da Incidência. São Paulo: Noeses, Itens 1 e 2 do Capítulo IV. • CARVALHO, Paulo de Barros. Derivação e positivação no direito tributário. Vol. III. São Paulo: Noeses, Tema XXXII (O procedimento administrativo tributário e o ato jurídico do lançamento). Leitura complementar • CARRAZZA, Roque Antonio. Reflexões sobre a obrigação tributária. São Paulo: Noeses. Terceira parte do livro. • FIGUEIREDO, Marina Vieira de. Lançamento tributário: revisão e seus efeitos. São Paulo: Noeses. Itens 4.5.1.5.2 a 4.5.2. • DALLA PRIA, Rodrigo. A constituição e a cobrança das contribuições previdenciárias pela justiça do trabalho: aspectos processuais relevantes. In: CONRADO, Paulo César. Processo tributário analítico, volume II. São Paulo: Noeses. • MELLO, Henrique. Atribuição de deveres instrumentais tributários a terceiros e a figura do alterlançamento como forma de constituição do crédito tributário alheio. São Paulo: Noeses, Págs. 193 a 245. • SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Lançamento tributário. São Paulo: Saraiva, Capítulos VII e VIII. • TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses. Capítulo 8, itens 8.1 a 8.3. • ZOMER, Silvia Regina. O tempo jurídico e a homologação tácita. São Paulo: Noeses. Capítulo 4. Questões 1. Considerando os conceitos de norma, incidência e crédito tributário, responda: a) Defina o que é lançamento, considerando em sua resposta: (i) quem pode lançar; (ii) se o lançamento é um ato, um procedimento ou ato e procedimento; (iii) qual é a finalidade do lançamento e (iv) quais as espécies de lançamento tributário previstas no ordenamento jurídico brasileiro, deixando claro qual é o critério que justifica essa classificação. RESPOSTA: O lançamento é um ato e um procedimento, pois envolve tanto a verificação do fato gerador quanto a formalização da exigência do crédito tributário. A finalidade do lançamento é formalizar a exigência do crédito tributário, ou seja, tornar líquido e certo o valor devido pelo contribuinte. O lançamento pode ser realizado tanto pela autoridade administrativa competente (lançamento de ofício) quanto pelo próprio contribuinte (lançamento por declaração). O lançamento é composto por um ato e um procedimento. O ato é a decisão da autoridade administrativa já o procedimento refere-se às etapas administrativas que antecedem a decisão. As espécies de lançamento são: de ofício e por declaração.De ofício: Realizado pela autoridade administrativa competente sem a necessidade de iniciativa do contribuinte. Por declaração: realizado pelo próprio contribuinte, que apresenta uma declaração informando os dados necessários para a determinação do valor do tributo devido. b) O lançamento tem eficácia declaratória ou constitutiva? O que é declarado ou constituído por meio do lançamento? Explique confrontando as noções de tempo no fato e tempo do fato. RESPOSTA: Pode-se dizer que o lançamento tem eficácia constitutiva, ou seja, ele não só declara a existência de uma obrigação tributária como também constitui crédito tributário, além de acréscimos legais, com juros e multas. O lançamento determina qual o valor que o contribuinte deve pagar ao Estado. Já no que tange as noções de tempo no fato e tempo do fato, percebe-se que o lançamento retroage ao tempo do fato para determinar a obrigaçao tributária. Ou seja, o lançamento considera o momento e que ocorreu o fato gerador para calcular o valor do tributo devido, mesmo que seja realizado depois. c) O que é o arbitramento? É uma espécie “autônoma” de lançamento? Em quais hipóteses pode ser adotado? O contribuinte pode optar pelo arbitramento? Em caso positivo, em qual(is) hipótese(s)? (Vide anexo I) RESPOSTA: Entende-se por arbitramento como uma forma de base de cálculo do tributo quando o contribuinte não apresenta elementos para a sua quantificação, ou a autoridade fiscal não aceita os elementos apresentados. Não, a espécie não é autônoma de lançamento, uma vez que o método utilizado para determinar a base de cálculo do tributo não sã viáveis. O arbitramento poderá ser utilizado nas seguintes hipóteses: a) quando o contribuinte não apresenta os documentos necessários para apurar o tributo; b) quando os documentos são considerados insuficientes ou inverídicos; c) quando há omissão de receitas e rendimentos. O contribuinte poderá contestar o arbitramento realizado e apresentar os documents ou informações que possam esclarecer a situação. Caso seja aceita a contestação, a base de cálculo do tributo será ajustada de acordo com os novos informes trazidos pelo contribuinte. 2. Dado o auto de infração fictício, pergunta-se: (Vide anexo II) a) Identifique as normas individuais e concretas veiculadas no respectivo auto de infração; . RESPOSTA: NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA PARA O LANÇAMENTO: ANTECEDENTE Critério Material: Transferir ou fazer circular mercadorias entre estabelecimentos (saída de Mercadorias); Critério Espacial: Entre os Estados da Federação; Critério Temporal: Período entre 01/01/2023 a 31/12/2023; CONSEQUENTE Critério Pessoal: Suj. Ativo – Fazenda Estadual de São Paulo; Suj. Passivo – Bate o Pé Indústria e Calçados Ltda; Critério Quantitativo: Base de cálculo – R$ 37,440,48; Alíquota = R$ 11.615,04. NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA PARA A SANÇÃO: ANTECEDENTE Critério Material: Transferir ou fazer circular mercadorias entre estabelecimentos e não recolher o imposto; Critério Espacial: Entre Estados; Critério Temporal: 02/03/2023 CONSEQUENTE Critério Pessoal: Suj. Ativo – Fazenda Estadual de São Paulo; Suj. Passivo – Bate o Pé Indústria e Calçados Ltda; Critério Quantitativo: e juros mora : R$ 2.555,31 b) Confronte as noções de (i) auto de infração – documento, (ii) ato administrativo de imposição de multa, (iii) ato administrativo de lançamento e (iv) ato de notificação; RESPOSTA: O auto de infração consiste em um documento físico que descreve a penalidade praticada pelo sujeito passivo e/ou o instrumento de lançamento de determinado tributo devido. Veicula normas individuais e concretas referentes às penalidades e ao lançamento. Já o ato administrativo de imposição de multa, consiste no exercício do poder de polícia pela autoridade administrativa fiscal, momento este que a Administração Tributária verifica se há infringência de dispositivo da legislação tributária. No tocante ao ato administrativo de lançamento, trata-se da verificação da ocorrência do fato gerador pela Administração Tributária. A notificação e a ciência do sujeito infrator sobre a infringência. E por fim o ato administrativo colocará no mundo positivado a norma individual e concreta relacionada ao pagamento da multa com base na conduta ilícita praticada. c) Quando o crédito tributário está constituído de forma definitiva? Justifique sua resposta. RESPOSTA: Pode-se dizer que o crédito tributário é constituído de forma definitiva quando não há mais possibilidade de contestação ou recurso por parte do contribuinte. Existem algumas situações nas quais levam à constituição definitiva do crédito tributário: decadência, prescrição, esgotamento dos recursos administrativos, trânsito em julgado. Logo, o crédito tributário está constituído de forma definitiva quando todos os meios legais de contestação ou revisão foram esgotados, seja por prazos expirados, decisões administrativas ou judiciais finais. 3. A indústria Live Strong Ltda. declara e formaliza seus créditos e seus débitos do mês, aplicando o princípio da não-cumulatividade. Como os débitos de IPI são maiores que os créditos, compensa tais valores e faz o pagamento do saldo devedor, conforme ilustrado abaixo: Três anos depois, o Fisco Federal entende que essa indústria não tinha direito aos créditos que utilizou para compensarseus débitos e, por isso, faz a glosa desses créditos sem, contudo, efetuar o lançamento de qualquer crédito tributário, pois entende que não é necessário o lançamento de ofício. Em seguida, encaminha para inscrição em dívida ativa os valores não pagos em razão do aproveitamento indevido de créditos (R$ 200.000,00), mas acrescenta valores de penalidades e de juros de mora. Considerando esse caso concreto, pergunta-se: (a) o procedimento adotado pelo Fisco Federal está correto? RESPOSTA: O procedimento adotado pelo Fisco Federal pode ser questionado em relação à falta de lançamento de crédito tributário correspondente à glosa dos créditos e à inclusão de penalidades e juros de mora na dívida ativa. (b) o crédito tributário de R$ 200.000,00 foi lançado em algum momento? Por meio de que tipo de lançamento? RESPOSTA: O crédito tributário de R$ 200.000,00 não foi lançado em nenhum momento pelo Fisco Federal. O crédito tributário é lançado quando o Fisco verifica que um contribuinte possui débitos a serem pagos. Nesse caso, o Fisco entendeu que a indústria Live Strong Ltda. não tinha direito aos créditos utilizados para compensar seus débitos de IPI e realizou a cota desses créditos, mas não efetuou o lançamento de um crédito tributário correspondente ao valor interpretado (c) o aproveitamento de créditos na apuração do IPI em razão da aplicação do princípio da não-cumulatividade pode ser equiparado a pagamento antecipado do tributo? RESPOSTA: O aproveitamento de créditos na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em razão da aplicação do princípio da não-cumulatividade não pode ser diretamente equiparado a um pagamento antecipado do tributo. O princípio da não-cumulatividade é uma característica dos tributos que permite que o contribuinte deduza o valor dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia produtiva. No caso do IPI, por exemplo, os créditos são gerados a partir dos tributos pagos na aquisição de insumos, matérias-primas e produtos intermediários. Esses créditos são então utilizados para compensar o valor do IPI devido na saída dos produtos finais da empresa. O aproveitamento de créditos na apuração do IPI se baseia na compensação dos tributos pagos em etapas anteriores da cadeia produtiva, o pagamento antecipado do tributo se refere a uma situação em que o imposto é pago antes mesmo da ocorrência do fato gerador. Esses conceitos são distintos e não podem ser equiparados diretamente. (d) a glosa dos créditos pode ser convertida em tributo não pago e, com isso, afastar o dever de o Fisco Federal apurar o crédito tributário? Ao responder as perguntas, não deixe de justifica suas respostas. (Vide anexo III) RESPOSTA: A glosa dos créditos não pode ser diretamente convertida em tributo não pago. A glosa dos créditos é o ato de negar ao contribuinte o direito de utilizar determinados créditos para compensação de seus débitos tributários, como ocorreu no caso apresentado. O dever do Fisco Federal de apurar o crédito tributário não é afastado pela glosa dos créditos. Se os créditos foram glosados e não houve o recolhimento do tributo correspondente dentro do prazo estabelecido pela legislação, o Fisco Federal ainda tem a obrigação de apurar o crédito tributário e cobrar o valor devido do contribuinte, inclusive com a inclusão na dívida ativa com as devidas penalidades e juros de mora, conforme previsto na legislação tributária. 4. Com relação ao lançamento por homologação, pergunta-se: (a) Que é homologação? O chamado lançamento por homologação é efetivamente lançamento? O que se homologa: (i) o pagamento efetuado antecipadamente; (ii) a norma individual e concreta posta pelo contribuinte; ou (iii) ambos? Há, no ordenamento jurídico brasileiro, a possibilidade de o sujeito passivo pagar tributo sem que tenha havido o lançamento do crédito tributário? RESPOSTA: Homologação é o ato no qual a Administração Tributária atribui com as informações prestadas pelo contribuinte, extinguindo assim a obrigação existente entre sujeito ativo e passivo. Ou seja, é quando o fisco aceita o teor informativo das prestações dadas pelo sujeito passivo, tanto em relação ao pagamento quanto critérios jurídicos. A homologação ocorre tanto no pagamento quanto da norma posta pelo contribuinte, uma vez que o Fisco deve fazer a ligação entre a norma posta, os critérios da regra matriz de incidência e a importância recolhida a título de pagamento. (b) Quando se verifica a homologação expressa? Trata-se de ato administrativo? Ainda, é possível revisar-se o ato homologatório expresso? RESPOSTA: Verifica-se a homologação expressa quando o Fisco, no prazo a que trata o Art. 150, § 4º do CTN, manifesta-se inequivocamente e de forma expressa no sentido de aceitar as informações prestadas pelo contribuinte. Trata-se de ato administrativo, porquanto a legitimidade é conferida à Administração Tributária competente (Municipal, Estadual, Distrital, ou Federal). (c) Existe homologação tácita? Em caso afirmativo, quando ela se verifica? Qual é a linguagem competente para positivar a homologação tácita? RESPOSTA: Sim existe, a homologação tácita ocorre quando uma autoridade pública não se manifesta dentro do prazo estabelecido sobre determinado ato ou procedimento administrativo. Como exemplo podemos citar é a homologação tácita em processos de licenciamento ambiental, onde há um prazo para se manifestar dentro do prazo estabelecido. Dessa forma, a linguagem competente para positivar a homologação tácita pode variar de acordo com a legislação específica de cada país. 5. A Lei Federal 13.467/2017 alterou a redação do parágrafo único do artigo 876 da Consolidação das Leis do Trabalho estabelecendo competir à Justiça do trabalho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas nos inciso I e II do artigo 195 devidas sobre as verbas objeto de sentenças condenatórias ou homologatórias de acordo: Art. 876 - As decisões passadas em julgado ou das quais não tenha havido recurso com efeito suspensivo; os acordos, quando não cumpridos; os termos de ajuste de conduta firmados perante o Ministério Público do Trabalho e os termos de conciliação firmados perante as Comissões de Conciliação Prévia serão executada pela forma estabelecida neste Capítulo Parágrafo único. A Justiça do Trabalho executará, de ofício, as contribuições sociais previstas na alínea a do inciso I e no inciso II do caput do art. 195 da Constituição Federal, e seus acréscimos legais, relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e dos acordos que homologar. Pergunta-se: (a) a decisão judicial condenatória em verbas trabalhistas é veículo apto para constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária? Ou há necessidade de lançamento do crédito tributário da contribuição previdenciária devida pela autoridade fiscal federal? Como ficam os princípios do contraditório e da ampla defesa? (Vide anexo IV). RESPOSTA: A lei em apreço trouxe mudanças significativas ao estabelecer que a Justiça do Trabalho tem competência para executar, de ofício, as contribuições sociais devidas sobre as verbas objeto de sentenças condenatórias ou homologatórias de acordo. Ou seja, isso significa que a decisão judicial trabalhista pode ser veículo apto para constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária. No que tange ao contraditório e ampla defesa, pode-se dizer que tais princípios garantem que as partes tenham a oportunidade de participar do processo, apresentar argumentos e contestar as decisões que lhes são desfavoráveis. Salienta-se que quando a Justiça do Trabalho executa de ofício as contribuições previdenciárias, sem a participação direta da autoridade fiscal federal, pode haver questionamentos sobre a violação desses princípios. Por fim, a decisão judicial condenatória em verbas trabalhistas, por si só, não equivale a um lançamento do crédito tributário da contribuição previdenciária. A competência da Justiça do Trabalho para executar as contribuições sociais não exclui a possibilidade dea autoridade fiscal federal realizar seu próprio lançamento de ofício, se entender necessário. Embora a decisão judicial trabalhista possa constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária, isso não impede que a autoridade fiscal federal exerça sua competência de lançamento, se assim considerar adequado. 6. Sobre as hipóteses de alteração do lançamento, responda: (a) Há diferença entre erro de direito e mudança de critério jurídico para fins de revisão do lançamento tributário? Há possibilidade de revisão do lançamento fundado em erro de direito? E em erro de fato? Em caso afirmativo, qual tipo de erro é suficiente para fundamentar a alteração do lançamento? A sua resposta se aplica a qualquer tipo de lançamento tributário? Ou seja, se você entender que lançamento por homologação é modalidade de constituição da obrigação tributária, o próprio contribuinte pode alterar o lançamento realizado por ele com fundamento em erro de fato e erro de direito? (Vide anexos V e VI)? RESPOSTA: Sim, há diferença entre erro de direito e mudança de critério jurídico para fins de revisão do lançamento tributário. Erro de Direito: Refere-se a uma interpretação equivocada da norma jurídica aplicável ao caso concreto. Por exemplo, se a autoridade fiscal aplicar uma norma legal de forma incorreta, isso caracterizaria um erro de direito. Em relação à revisão do lançamento tributário, em geral, é possível revisar o lançamento fundado em erro de fato e em erro de direito, desde que devidamente comprovados. Um erro de fato ocorre quando há equívoco na identificação de fatos relevantes para o lançamento, enquanto o erro de direito ocorre quando há interpretação incorreta da norma jurídica. A possibilidade de revisão do lançamento tributário pode variar dependendo do tipo de lançamento realizado. Se considerarmos o lançamento por homologação, onde o contribuinte realiza o lançamento e o Fisco apenas homologa, o próprio contribuinte pode alterar o lançamento realizado por ele com fundamento em erro de fato ou erro de direito, desde que antes da homologação pelo Fisco. Após a homologação, a revisão do lançamento pode depender da iniciativa do próprio contribuinte em retificar as informações prestadas ou do exercício do poder de revisão do Fisco. Por fim, tanto o erro de fato quanto o erro de direito podem ser suficientes para fundamentar a alteração do lançamento tributário, e a possibilidade de revisão pode depender do tipo de lançamento e do procedimento adotado pelo Fisco e pelo contribuinte. (b) A alteração da base de cálculo, ou da sistemática de apuração do tributo pode ser feita mediante retificação do lançamento? A eleição errônea da base de cálculo ou da sistemática de apuração no momento da realização do lançamento configura-se como erro de fato, erro de direito ou mudança do critério jurídico? E a identificação errada do sujeito passivo? Tais problemas podem acarretar a anulação do lançamento? (Vide anexos VII, VIII, IX e X) RESPOSTA:A alteração da base de cálculo ou da sistemática de apuração do tributo geralmente pode ser feita mediante retificação do lançamento, desde que devidamente justificada e dentro dos prazos legais estabelecidos para isso. No entanto, a retificação do lançamento pode depender da natureza do erro cometido e do procedimento administrativo ou judicial aplicável. A identificação errada do sujeito passivo também pode acarretar problemas no lançamento tributário. Se o sujeito passivo for erroneamente identificado, isso pode levar à cobrança do tributo de uma pessoa que não é legalmente responsável por ele. Esses problemas, tanto a eleição errônea da base de cálculo ou da sistemática de apuração quanto a identificação errada do sujeito passivo, podem levar à anulação do lançamento, especialmente se for constatado que houve erro de fato ou erro de direito que afetou substancialmente a determinação do tributo devido. Em resumo, a retificação do lançamento tributário para corrigir a base de cálculo, a sistemática de apuração ou a identificação do sujeito passivo pode ser possível, dependendo da natureza do erro cometido e do procedimento administrativo ou judicial aplicável. Esses erros podem ser considerados erro de fato, erro de direito ou mudança do critério jurídico, e sua correção pode levar à anulação do lançamento, se for o caso. (c) Se, ao preencher a declaração de compensação de créditos tributários federais, o contribuinte erra ao preencher o período de apuração do tributo a ser compensado, isso configura erro na realização do ato de constituição da obrigação tributária? Em caso afirmativo, trata-se de fato ou erro de direito? Seria possível uma revisão desse ato pelo próprio contribuinte ou essa revisão cabe apenas à autoridade administrativa? RESPOSTA:Quando o contribuinte erra ao preencher o período de apuração do tributo na declaração de compensação de créditos tributários federais, isso pode ser considerado um erro na realização do ato de constituição da obrigação tributária. No entanto, é importante entender a natureza desse erro, se é erro de fato ou erro de direito. No caso de erro no preenchimento do período de apuração do tributo na declaração de compensação de créditos tributários federais, cabe ao próprio contribuinte realizar a revisão desse ato, desde que dentro dos prazos e procedimentos estabelecidos pela legislação tributária. O contribuinte pode retificar a declaração de compensação e corrigir o período de apuração do tributo, desde que ainda não tenha sido analisada pela autoridade administrativa responsável. Sugestão para pesquisa suplementar • Capítulo 4 do livro Lançamento tributário: revisão e seus efeitos, de Marina Vieira de Figueiredo. São Paulo: Noeses. • Artigo: "MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA", de Mauritânia Mendonça, in XIX Congresso Nacional de Estudos Tributários do IBET. • Artigo: “Vícios formais e materiais no lançamento tributário, de Regis Fernandes de Oliveira”, in VIII Congresso Nacional de Estudos Tributários do IBET. São Paulo: Noeses. • Livro Lançamento tributário e “autolançamento”, de Estevão Horvath. São Paulo: Quartier Latin. • Livro Lançamento tributário, de José Souto Maior Borges. São Paulo: Malheiros. • Livro Curso de decadência e de prescrição no direito tributário – regras do direito e segurança jurídica, de Renata Elaine Silva, Livro I, Cap. IV, item 4.4. São Paulo: Noeses. • Livro Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), de James Marins. São Paulo: Dialética, Cap. 6. • Capítulo XI, itens 4 e 7 do livro Curso de teoria geral do direito, de Aurora Tomazini de Carvalho. São Paulo: Noeses. • §§ 1º, 2º e 3º do Capítulo IV, Parte VII; §§ 1º, 2º, 3º e 6º do Capítulo II, Parte I, do livro Lançamento: teoria geral do ato administrativo, do procedimento e do processo tributário, de Alberto Pinheiro Xavier. São Paulo: Forense. • Livro II, Capítulo II, “Crédito tributário, lançamento e espécies de lançamento”, de Maria Rita Ferragut, in Curso de especialização em direito tributário – homenagem a Paulo de Barros Carvalho, coord. Eurico Marcos Diniz de Santi. Rio de Janeiro: Forense. • Capítulo IX do livro Presunções no direito tributário, de Maria Rita Ferragut. São Paulo: Quartier Latin. • Artigo: “O controle de legalidade dos lançamentos que requalificam fatos”, de Karem Jureidini Dias, in VIII Congresso Nacional de Estudos Tributários do IBET. • Artigo: “A incidência da norma jurídica – O cerco da linguagem”, de Gabriel Ivo, Revista de Direito Tributário n. 79. • Artigo: “Lançamento por homologação – decadência e pedido de repetição”, de Paulo de Barros Carvalho, Repertório IOB de Jurisprudência, 1ª quinzena de fevereiro de 1997, n. 3/97, Caderno 1. • Parte II do Livro Extinção do Crédito Tributário. Homenagem ao Professor José Souto Maior Borges. Belo Horizonte: Ed. Fórum. Anexo I Súmula n. 59 do CARF A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveispara a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Anexo II AIIM SECRETARIA DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA FAZENDA COORDENAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA DIRETORIA EXECUTIVA DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AUTO DE INFRAÇÃO E IMPOSIÇÃO DE MULTA 3ª Via Infrator NÚMERO 5050505 DC 5 DRT(C) II PF(C) 333 – MORUMBI TELEFONE (11)0000-0000 ENDEREÇO DO POSTO Rua da Paz, 159 MUNICÍPIO São Paulo LAVRATURA – LOGRADOURO Rua dos Guararapes, 330 DATA 02/03/2023 HORA 16h INFRATOR – NOME Bate o Pé Indústria e Calçados Ltda. I.E. 000.000.000.000 CGC/RG/CPF 99.999.999/0001-00 CNAE 88888-8/88 ATIVIDADE Fabricação de Calçados ENDEREÇO (RUA, AVENIDA, PRAÇA) Rua dos Sapateiros Nº 230 Complemento Cj. 03 BAIRRO OU DISTRITO Itambé MUNICÍPIO Itapopoca UF SP CEP 15015-015 RELATO DA INFRAÇÃO – CAPITULAÇÃO DA INFRAÇÃO E DA MULTA (APÓS O RELATO DE CADA ITEM) I – INFRAÇÃO RELATIVAS AO PAGAMENTO DO IMPOSTO 1. Deixou de pagar o imposto de R$ 23.230,08 (vinte e três mil, duzentos e trinta reais e oito centavos) no dia 26/04/2019, referentes à saída de mercadorias (operações tributadas à alíquota de 18%), mas consideradas como não tributadas, sendo que os documentos fiscais do período foram emitidos e escriturados regularmente, conforme abaixo demonstrado: DATA VALOR DA DIF. ICMS DEVIDO 16/04/2019 R$ 129.056,00 R$ 23.230,08 INFRINGÊNCIA: arts 112 e 52 do RICMS (Decreto 45.490/2000). Art. 52 - As alíquotas do imposto, salvo exceções previstas nos artigos 53, 54 e 55, são (Lei 6.374/89, art. 34, caput, com alterações da Lei 10.619/00, arts. 1°, XVIII, e 2°, IV, § 1°, 4, e § 4°, Lei 6.556/89, art. 1°, Lei 10.991/01, art. 1°, Resoluções do Senado Federal n° 22, de 19-05-89 e n° 95, de 13-12-96): I - nas operações ou prestações internas, ainda que iniciadas no exterior, 18% (dezoito por cento); (...) Artigo 112 - O imposto apurado na forma do artigo 87 e declarado nos termos dos artigos 253 a 258, observado o disposto no artigo 566, poderá ser recolhido sem os acréscimos legais, tais como a multa prevista no artigo 528 e os juros de mora, até o dia indicado no Anexo IV (Lei 6.374/89, art. 59). CAPITULAÇÃO DA MULTA: art. 85, I, alínea “c”, c/c §§ 1ºda Lei nº 6.374/89. Art. 85 - O descumprimento das obrigações principal e acessórias, instituídas pela legislação do Imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação, fica sujeita às seguintes penalidades: I - infrações relativas ao pagamento do imposto; c) falta de pagamento do imposto nas seguintes hipóteses: emissão e/ou escrituração de documento fiscal de operação ou prestação tributária como não tributada ou isenta, erro na aplicação da alíquota, na determinação da base de cálculo ou erro na apuração do valor do imposto, desde que, neste caso, o documento tenha sido emitido e escriturado regularmente - multa equivalente a 50% (cinquenta por cento) do valor do imposto; (...) Parágrafo 1° - A aplicação das penalidades previstas neste artigo deve ser feita sem prejuízo da exigência do imposto em auto de infração e das providências necessárias à instauração da ação penal cabível, inclusive por crime de desobediência. Continuação 2. O débito fiscal fica sujeito a juros de mora nos termos do art. 96 da Lei 6.374/89, na redação dada pela Lei 10.619/00, de 19/07/00. 3. A situação acima descrita poderá ser comunicada ao Ministério Público para providências penais (Portaria CAT – 05, de 17/01/2000). 4. O Auto de Infração e Imposição de Multa permanecerá no PFC – 333, sito na Rua da Paz, 159, São Paulo/SP, aguardando a fluência do prazo regulamentar para o pagamento ou apresentação de defesa. TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR ESTE AUTO CONFORME “DEMONSTRATIVO DO DÉBITO FISCAL” ANEXO IMPOSTO R$ 23.230,08 CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA R$ 2.555.31 MULTA R$ 11.615,04 TOTAL R$ 37.400,43 RECEBI A 3ª VIA E CÓPIAS DE DEMONSTRATIVOS E/OU DOCUMENTOS EM 20/03/2023 João da Silva Autuado ou representante AFR Josenias Alberto R.G. 99.999.999-9 SSP/SP Anexo III STJ - Súmula n. 436 A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. (Súmula n. 436, Primeira Seção, julgado em 14/4/2010, DJe de 13/5/2010.) Anexo IV REsp n. 1.764.790/SC TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SENTENÇA TRABALHISTA QUE É EM SI TÍTULO EXECUTIVO. ART. 114, INC. VIII, DA CF/1988. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. 1. Na origem, trata-se de Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária cumulada com Pedido de Repetição de Indébito ajuizada pela recorrente, que alega a incompetência da Justiça do Trabalho para constituir os créditos tributários relacionados às Contribuições Previdenciárias incidentes sobre as verbas reconhecidas em Reclamatórias Trabalhistas após 5 (cinco) anos do mês da efetiva prestação de serviços. 2. A parte recorrente alega violação dos arts. 489, § 1º, e 1.022, I, do CPC/2015; 22, I, e 43, § 2º, da Lei 8.212/1991; 113, 114, 116, 142, 150, § 4º, e 173, I, do CTN. Sustenta: "[...] o acórdão, ao defender que 'a autoridade responsável pelo lançamento e cobrança de contribuições previdenciárias relacionadas a verbas reconhecidas no âmbito da Justiça do Trabalho, advindas de reclamatórias trabalhistas, é a autoridade judicial', concluindo que 'quem constitui o crédito é o Magistrado do Trabalho', viola frontalmente o previsto no CTN sobre o que é a obrigação tributária (art. 113), o que é o fato gerador da obrigação principal (art. 114) e a quem compete constituir o crédito tributário (art. 142)". 3. Não se configura a alegada ofensa aos arts. 489, § 1º, IV e VI, e 1.022, II, parágrafo, II, do CPC/2015, uma vez que o Tribunal a quo julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. 4. O Superior Tribunal de Justiça entende que a sentença proferida pela Justiça do Trabalho, ao condenar o empregador a cumprir obrigação trabalhista e recolher as verbas a ela relacionadas, também reconhece uma obrigação tributária, consistindo a própria sentença no título que fundamenta o crédito. Precedentes: REsp 1.591.141/SP, Rel. Ministro Paulo De Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 5.12.2017, DJe de 18.12.2017; REsp 1.170.750/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 27.8.2013, DJe de 19.11.2013; REsp 967.626/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 9.10.2007, DJe de 27.11.2008. 5. O Tribunal Superior do Trabalho, analisando a possibilidade de aplicação das regras previstas no CTN, relativas ao lançamento tributário, entende que "(...) não pode ser contado o prazo decadencial a partir do fato gerador (data da prestação do serviço) em relação ao crédito trabalhista reconhecido em sentença ou acordo. Isso porque somente se verificou a constituição do crédito (lançamento) no momento da decisão, sendo o Magistrado do Trabalho a autoridade responsável por tal ato." (AIRR-1215-71.2011.5.04.0007, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 16.8.2019). 6. Também o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 569.056, sob a sistemática da repercussão geral, reconheceu que "o lançamento, a notificação e a apuração são todos englobados pela intimação do devedor para o seu pagamento. Afinal, a base de cálculo é o valor mesmo do salário" (RE 569.056, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Tribunal Pleno, julgado em 11/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-236 DIVULG 11-12-2008 PUBLIC 12-12-2008 EMENT VOL-02345-05 PP-00848 RTJ VOL-00208-02 PP-00859 RDECTRAB v. 16, n. 178, 2009, p. 132-148 RET v. 12, n. 72, 2010, p. 73-85) 5. Recurso Especial não provido. (REsp n. 1.764.790/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 19/5/2020, DJe de 25/6/2020.) Anexo V Solução de Consulta Interna Cosit/RFBn. 08/2013 Data: 08/03/2013 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ANULAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o exercício do contraditório não gera nulidade do ato de lançamento. A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. Apenas o erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra-matriz de incidência que configure erro de direito é vício material. Dispositivos Legais: arts. 10, 11 e 60 do Decreto n. 70.235, de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF); arts. 142 e 173, II, da Lei n. 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Anexo VI Parecer Normativo Cosit n. 8, de 03 de setembro de 2014 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. DOU 04/09/2014. Anexo VII AgRg no AI n. 1.261.087/RJ PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA. IPTU. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. ACÓRDÃO QUE DEFINE PELA EXISTÊNCIA DE ERRO DE FATO E NÃO DE REVISÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. EXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA 7 DO STJ. 1. Trata-se originariamente de mandado de segurança em que se busca a anulação de cobrança de IPTU. 2. Entendimento deste Tribunal de que a mudança do lançamento tributário motivado por erro de direito é vedado pelo CTN. (Súmula 227/TFR). 3. Definiu o acórdão de origem, consubstanciado no conjunto fático-probatório dos autos, pela legalidade da revisão dos lançamentos de IPTU ao argumento de que não ocorreu alteração do critério jurídico do lançamento tributário, mas sim erro de fato no desdobramento das inscrições do imóvel objeto da lide, conforme decisão administrativa acostada ao processado. 4. A revisão do entendimento firmado pelo aresto de origem encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ. No mesmo sentido: AgRg no REsp 685.772/MG, DJ de 17/10/2005, AgRg no AgRg no Ag. 1.136.182/SP, DJ de 10/12/2009. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag n. 1.261.087/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe de 2/2/2011.) Anexo VIII AgInt no REsp 1.690.397/SP TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. VÍCIOS DECORRENTES DO PRÓPRIO LANÇAMENTO DA DÍVIDA. IMPOSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO. I - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está consolidada no sentido de que a Fazenda Pública, até a prolação da sentença de embargos à execução, pode substituir a certidão de dívida ativa para corrigir erro formal ou material, entretanto, quando os vícios decorrem do próprio lançamento da dívida, como acontece quando existe erro na indicação do sujeito passivo em virtude de sucessão empresarial, está vedada a substituição do título executivo, em conformidade com a súmula 392/STJ. II - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1690397/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 14/02/2018) Anexo IX CARF – Acórdão 9101-005.982 Número do Processo 19515.720865/2013-47 Contribuinte METALLICA INDUSTRIAL S/A Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 11/02/2022 Relator(a) CAIO CESAR NADER QUINTELLA Nº Acórdão 9101-005.982 Ementa(s) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 NULIDADE. MATÉRIA QUE NÃO ESTÁ LIMITADA ÀS PREVISÕES DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/72. VIOLAÇÃO ÀS PRESCRIÇÕES DO ART. 142 DO CTN. LANÇAMENTO EFETUADO PELO LUCRO REAL QUANDO DEVERIA SE ADOTAR O LUCRO ARBITRADO. IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL E CÁLCULO DO MONTANTE DO TRIBUTO. CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE DE AJUSTE OU ALTERAÇÃO NOS TERMOS DO ART. 146 DO CTN. MANIFESTO VÍCIO INSUPERÁVEL. A constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício é primordialmente regulada pelo art. 142 do CTN, de modo que a violação das prescrições contidas em tal norma acaba por viciar o ato praticado pela Autoridade Tributária. Dessa forma, as causas de nulidade dos lançamentos de ofício não estão restritas apenas às previsões do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Uma vez constatado ao longo do processo administrativo fiscal que, nos termos da legislação aplicável aos fatos colhidos, a apuração dos tributos devidos deveria ter sido procedida pelo regime do Lucro Arbitrado - ao invés do Lucro Real, como feito pela Fiscalização - não cabem ajustes ou alterações visando suprir tal mácula, padecendo o lançamento de ofício de insuperável nulidade. Tendo, primeiro, valido-se a Administração Tributária de determinado critério legal na apuração do crédito tributário e, posteriormente, este mesmo componente jurídico é considerado improcedente ou indevido por meio de decisão administrativa, não se pode alterar tal elemento, ainda que defeituoso, da constituição dessa exigência fiscal no curso do contencioso administrativo, sob pena de violação direta do comando inserido no art. 146 do CTN. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Anexo X REsp 1.905.365 – RJ TRIBUTÁRIO. IPTU. LANÇAMENTO. REVISÃO QUANTO À TIPOLOGIA DO IMÓVEL. IMPOSSIBILIDADE. ERRO DE DIREITO. CARACTERIZAÇÃO. 1. A Primeira Seção, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo n. 1.130.545/RJ, firmou o entendimento de que a retificação de dados cadastrais do imóvel, quando lastreados em fatos desconhecidos ou de impossível comprovação pela Administração Tributária por ocasião da ocorrência do fato gerador, permitem a revisão do lançamento do IPTU e a cobrança complementar do imposto, sendo certo que, nesse mesmo julgado também ficou assentado que, "na hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revela-se imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no art. 146, do CTN". 2. Hipótese em que o fisco instaurou processo administrativo de revisão de lançamento tendente a modificar a classificação do imóvel em razão da inadequada tipologia normativa considerada quando do lançamento original de IPTU - de "não-residencial, galpão" para "não residencial, prédios próprios para indústrias -, o que, in casu, resulta na aplicação de uma alíquota maior e, por conseguinte, na cobrança dessa complementação de crédito do imposto. 3. Essa situação dos autos enquadra-se no denominado erro de direito, pois dentre as tipologias previstas na legislação local para imóveis não residenciais, o fisco, in concreto, "escolheu" a hipótese normativa que não é a mais adequada ao imóvel em questão, do modo que a revisão desse claro equivoco de critério jurídico somente pode surtir efeitospara fatos geradores futuros, consoante o que reza o art. 146 do CTN. 4. Recurso Especial provido. (STJ; REsp 1.905.365 RJ; Primeira Turma; Rel. Min. Gurgel de Faria; Julg. 23/02/2021; DJE 03/03/2021) image1.png image2.jpeg image3.jpeg image4.jpg image5.jpg