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Implicaturas Conversacionais

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Professora Ana Paula Quadros Gomes _ 2020-1 _ anpola@gmail.com 
 
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falante teve de infringir uma máxima para evitar a infração de outra, já que seria impossível observar as duas. O ouvinte 
infere que o falante optou por (3’) porque, caso o falante dissesse que João comeu 20 biscoitos (3), estaria violando a 
máxima da qualidade. Isto é, ele não tem evidências que sustentem a informação mais forte. Nesse caso, fica entendido 
que, dado o que ele sabe, ele só pode se comprometer com a informação mais fraca: com João ter comido alguns, mas 
não todos os biscoitos. 
 
De acordo a teoria pragmática das implicaturas conversacionais, expressões de quantidade presentes nos enunciados 
são entendidas como informando a máxima quantidade apenas em alguns contextos. Esse entendimento é cancelável: 
 
(5) A – João comeu algum biscoito hoje? 
 B – João comeu alguns biscoitos hoje sim. Na verdade, ele comeu todos, o pacote inteiro, alguns no café 
da manhã e o restante depois do almoço. 
 
Implicaturas generalizadas: 
 
Há entendimentos que são culturais, compartilhados por toda a sociedade, independentemente do contexto específico 
de uso, mas que dependem do uso de uma expressão mais fraca. 
Encontre as implicaturas nos exemplos abaixo. Explique como elas são criadas, usando as máximas de Grice. Que 
continuação de conversa cancelaria as implicaturas encontradas? 
 
(6) Ontem à noite eu vi o José na festa com certa pessoa... 
(7) Chega! Eu vou pra casa! 
(8) Você soube? Maria caiu, bateu a cabeça e precisou levar pontos! 
(9) A – Você vai terminar o artigo no prazo? 
 B – Eu vou tentar... 
 
Em (6), não dar o nome da pessoa específica que estava com José cria a sensação de que é um segredo, uma relação 
escusa. Em (7), entenderemos que o falante vai para a própria residência, e não para a casa de outra pessoa, apesar 
de não haver possessivo algum na sentença. Em (8), entendemos que Maria bateu a própria cabeça. Em (9), o uso de 
‘tentar’ implica que B não tem certeza de conseguir. 
 
Exercícios: uma máxima é violada para que a outra não o seja. 
Diga qual foi a máxima preservada, priorizada, e qual a máxima sacrificada para isso. 
(10) A – Que significa “implicatura conversacional”? 
 B – Consulte uma obra de pragmática. 
(11) A – Que horas são? 
 B – Ainda é cedo! 
(12) Julieta diz para Romeu: – Você já vai partir? Não vá ainda... O dia ainda demora. Não foi a cotovia, foi 
o rouxinol ... foi ele que cantou, foi sim, amor. 
(13) A – Você me ama? 
 B – Eu gosto muito de você. 
(14) (uma professora pergunta à colega:) 
 A– O que achou da prova do meu sobrinho? 
 B – Bom, ele tem uma letra linda! 
(15) (a namorada pergunta ao namorado, querendo planejar filhos:) 
 A – Você gosta de crianças? 
 B – Ô, se gosto! Ensopado, com batatas, então, é uma de-lí-ci-a! 
 
 
 
Professora Ana Paula Quadros Gomes _ 2020-1 _ anpola@gmail.com 
 
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F- Steven Pinker sobre atos de falas indiretos (relacionamentos governam a interação linguística) 
 
Para assistir (desenhado): https://www.youtube.com/watch?v=3-son3EJTrU 
 
Para a Teoria da Polidez, a língua serve a dois propósitos: veicular uma proposição (de suborno, comando, 
oferecimento) e negociar ou manter um relacionamento. A forma literal da sentença é consistente com uma relação 
assegurada entre falante e ouvinte. Por outro lado, contando com o entendimento de implícitos por parte do ouvinte, o 
falante pode iniciar uma relação diferente. Por exemplo, “Se você pudesse me buscar em casa seria maravilhoso” viola 
as máximas conversacionais de Grice por ser irrelevante e por não ser verídico (é exagerado). O ouvinte calcula que, se 
o falante declara que o resultado de uma ação futura do ouvinte seria positivo para o falante, o falante deve estar lhe 
fazendo um pedido. Com efeito, o conteúdo da intenção (um imperativo) é transmitido, mas sem a presunção de 
dominância que costuma vir junto. 
Vou tratar de como os tipos de relacionamento que governam a interação social humana, novamente, como refletida na 
linguagem. E vou começar com um problema: o problema dos atos de fala indireta. Estou certo que a maioria de vocês 
viu o filme “Fargo”. E vocês podem se lembrar da cena na qual o sequestrador é parado por um policial, que pede a ele 
que mostre sua carteira de motorista; o sequestrador segura a carteira para fora do carro com uma nota de 50 dólares 
escapando um pouquinho para fora da carteira. E ele diz: “Eu estava pensando que talvez nós pudéssemos resolver isso 
aqui em Fargo”, o que todo mundo, inclusive a plateia, interpreta como um suborno velado. Este tipo de fala indireta é 
abundante na linguagem. 
O exemplo mais simples disso está no pedido educado. Se você expressa seu pedido de forma condicional: “Se você 
pudesse abrir a janela, seria ótimo”, mesmo embora o conteúdo seja um imperativo, o fato de que você não está usando 
a voz imperativa significa que você não está atuando como se estivesse num relacionamento de dominância, onde você 
poderia pressupor a obediência da outra pessoa. Por outro lado, você quer que a janela seja aberta. Expressando-o 
como “se-então”, você transmite a mensagem sem parecer que quer mandar na outra pessoa. 
E de uma maneira mais sutil, eu acho, isto funciona para todos os atos velados da fala envolvendo negação plausível: 
os subornos, ameaças, proposições, solicitações e assim por diante. Uma maneira de pensar sobre isso é imaginar como 
seria se a linguagem só pudesse ser usada literalmente. E você pode pensar nisso em termos de uma matriz de ganhos 
da teoria dos jogos. Ponha-se na posição do sequestrador querendo subornar o policial. Há muito em jogo nas duas 
possibilidades de se ter um policial desonesto ou um policial honesto. Se você não subornar o policial, então você vai 
levar uma multa ou, no caso de “Fargo”, pior seja o policial honesto ou desonesto: quem não arrisca, não petisca. 
Naquele caso, as consequências são bastante severas. Por outro lado, se você oferece o suborno, e o policial for 
desonesto, você obtém um enorme ganho de ficar livre. Se o policial for honesto, você toma uma grande penalidade de 
ser preso por suborno. Então esta é uma situação bastante preocupante. 
Por outro lado, com linguagem indireta, se você oferece um suborno velado, então o policial desonesto poderia interpretá-
lo como um suborno, o que no caso você obteria o ganho de ficar livre, o policial honesto não pode te prender por ser 
tentativa de suborno, e, portanto, você fica com o incômodo da multa. Então você tem o melhor dos dois mundos. E uma 
análise similar, penso eu, pode ser aplicada ao desconforto potencial de uma solicitação sexual, e em outros casos onde 
a negação plausível é uma possibilidade. Acho que isso afirma algo que é conhecido há bastante tempo por diplomatas, 
a saber: a vagueza, a indeterminação da linguagem, longe de ser um erro ou imperfeição, pode realmente ser uma 
característica da linguagem que exploramos para tirar vantagem em interações sociais. (Palavras de Pinker) 
 
Escolha racional: a atitude mais barata é a linguagem indireta 
 chance de 50% chance de 50% cálculo 
 guarda honesto guarda desonesto risco médio 
suborno aberto detenção por suborno: $1000 suborno aceito: $50 $525 
suborno velado multa (excesso de velocidade): $100 suborno aceito: $50 $75 
não tentar subornar multa (excesso de velocidade): $100 multa: $100 $100 
 
Nessa visão, a linguagem é uma criação coletiva humana, que reflete a natureza humana – espelha como nós 
conceitualizamos a realidade, como nós nos relacionamos uns com os outros. 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=3-son3EJTrU
 
 
Professora Ana Paula Quadros Gomes _ 2020-1 _ anpola@gmail.com 
 
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F.1- Tipos de relação social 
 
(i) Relação de dominação ou autoridade: governada pelo ethos “Não mexa comigo”. No reino animal já há hierarquias 
de poder; entre humanos, elas são muito mais complexas. 
(ii) O compartilhamento ou comunitarismo segue o ethos “O que e meué seu; e o que é seu é meu”. É o 
relacionamento de afinidades, de associações por interesses em comum, de casais monogâmicos, de grupos de amigos, 
de famílias. 
(iii) o relacionamento de reciprocidade ou paridade obedece ao ethos “Uma mão lava a outra”, baseado em altruísmo 
e reciprocidade, negociado explicitamente por contratos. 
 
F.2- Conhecimento mútuo ou compartilhado? 
 
 
A sabe x e B sabe x, e ainda A sabe que B sabe x, e B sabe tanto que A 
sabe x quanto que A sabe que B sabe que A sabe x... ao infinito. 
A língua é um instrumento eficiente de gerar conhecimento compartilhado. 
Atos de fala indiretos permitem a transmissão de um conhecimento 
individual para outra pessoa, enquanto que atos de fala diretos produzem 
o compartilhamento do conhecimento (por muita gente); ora, 
relacionamentos podem ser mantidos ou aniquilados pelo fato de o seu 
pensamento íntimo se tornar de conhecimento compartilhado. 
 
 – O rei está nu! 
http://web.stanford.edu/~cgpotts/entries/potts-routledge08-formal-pragmatics.pdfPragmatics 
Processos de elaboração da face (Goffman): preservação da face X ameaça à face 
 
Mais uma máxima conversacional: a Máxima da Polidez (BROWN, LEVISON, 1987) 
Lakoff (1973): não imponha, dê opções, seja amigável 
 
Efeitos linguísticos: pesquisas sobre diminutivos mostram que os chamados redutores/ minimizadores (os que 
expressam um grau baixo da propriedade), como a little, a bit, slightly, são usados mais frequentemente antes de 
adjetivos de avaliação negativa (um pouquinho gordo, um tantinho chato), para atenuar a crítica negativa (ameaça à 
face alheia). No Brasil também usamos em pedidos: 
 
(16) A – Quer mais cerveja? 
 B – Só mais um pouquinho, por favor... 
 
(17) A – Pode falar um pouquinho mais baixo, por favor? O bebê está dormindo... 
 
(18) A – Fazia tempo que eu não via a Maria! Ela está um bocadinho menos magra, não acha? 
 
(19) A – Gostou do meu feijão? 
 B – Gostei. Só está um tantinho salgado pro meu paladar... 
 
Exercícios 
 
Dê a implicatura conversacional e quais as máximas conversacionais envolvidas; explique se cada máxima é preservada 
ou violada. 
 
http://web.stanford.edu/~cgpotts/entries/potts-routledge08-formal-pragmatics.pdfPragmatics
 
 
Professora Ana Paula Quadros Gomes _ 2020-1 _ anpola@gmail.com 
 
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