Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Capítulo
Primeiras visões 
do Brasil9
OBJETIVOS
Ao final do estudo deste 
capítulo, você deverá ser 
capaz de:
1. Explicar o que foi o projeto 
colonial português.
2. Identificar e compreender 
como se articularam os 
agentes do discurso no 
período.
3. Reconhecer os elementos 
nativos da América 
que o olhar europeu 
transformou em símbolos 
de nacionalidade.
4. Identificar valores e visões 
de mundo expressos nos 
textos da literatura de 
viagens.
5. Explicar como a literatura 
de catequese atuava na 
conversão dos gentios.
6. Analisar de que modo 
textos literários 
produzidos em diferentes 
momentos resgatam 
símbolos de nacionalidade 
identificados pelos 
viajantes do século XVI.
 Terra Brasilis, mapa de Lopo Homem, da 
obra Atlas Miller. 1515-1519. Manuscrito 
iluminado sobre pergaminho, 41,5 3 59 cm. 
Elaborado no século XVI, este mapa retrata 
a maneira como Lopo Homem via a natureza 
brasileira e os indígenas que aqui viviam.
148
U
n
id
ad
e 
3
 • 
 li
er
a
ur
a 
no
 p
er
o
o 
co
lo
ni
al
R
ep
ro
du
çã
o 
pr
oi
bi
da
. A
rt
. 1
84
 d
o 
C
ód
ig
o 
P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
I_plus_literatura_cap09_D.indd 148 13/09/10 3:32:21 PM
 1. A imagem de abertura reproduz um mapa das terras brasileiras feito no 
século XVI, pouco tempo depois da chegada de Pedro Álvares Cabral. Que 
elementos nativos os autores do mapa acharam importante registrar? 
 2. Observe os indígenas. Que atividades eles realizam?
O fato de serem retratados realizando essas atividades revela o modo ff
como eram vistos pelos europeus. Explique como pode ser caracte-
rizado esse olhar europeu para os indígenas.
 3. Quais elementos do mapa dão ideia da exuberância da natureza 
brasileira?
Que ideia sobre o Novo Mundo esse mapa transmitia às cortes ff
europeias?
A chegada das caravelas portuguesas à costa da Bahia, em 1500, colocou 
frente a frente dois povos muito diferentes. Os viajantes que aqui estiveram 
no século XVI mostraram como se deu esse contato. Nos relatos que fizeram, 
encontramos o registro de imagens da terra e de sua gente que marcaram para 
sempre a identidade brasileira. Saiba, neste capítulo, como tudo isso começou.
Onde fica a terra da América 
ou Brasil, que vi em parte.
A América é uma terra vasta onde vivem muitas tribos de homens selvagens com 
diversas línguas diferentes. Também há muitos animais bizarros. Essa terra tem uma 
aparência amistosa, visto que as árvores ficam verdes por todo o ano, mas os tipos 
de madeira que lá existem não são comparáveis com os nossos. Todos os homens 
andam nus, pois naquela parte da terra situada entre os trópicos nunca faz tanto 
frio quanto, entre nós, no dia de São Miguel. [...] Na terra em questão nascem e 
crescem, tanto nas árvores quanto na terra, frutos de 
que os homens e os animais se alimentam. Por causa 
do sol forte, os habitantes da terra têm uma cor de pele 
marrom-avermelhada. Trata-se de um povo orgulhoso, 
muito astuto e sempre pronto a perseguir e devorar 
seus inimigos. A América estende-se por algumas 
centenas de milhas, tanto ao sul quanto ao norte. Já 
velejei 500 milhas ao longo da costa e estive em muitos 
lugares, numa parte daquela terra. 
STADEN, Hans. A verdadeira história dos selvagens, nus e 
ferozes devoradores de homens. 
Tradução de Pedro Süssekind. 
 Rio de Janeiro: Dantes, 1998. p. 132. (Fragmento).
 4. Leia um fragmento de um texto publicado em 1556, em que o alemão 
Hans Staden descreve aspectos do Brasil para os leitores europeus.
Que aspectos da América o alemão Hans Staden destaca em seu texto?ff
Lopo Homem e a 
“Terra Brasilis”
Nomeado mestre de cartas 
de marear, pelo rei D. Manuel I, 
o cartógrafo português Lopo 
Homem foi encarregado de 
preparar um atlas manuscrito 
que representasse as no-
vas terras descobertas pelos 
portugueses. Surgia, assim, 
o Atlas Miller (nome de seu 
último proprietário), conjunto 
de planisférios feitos por Lopo 
Homem com a ajuda de Pedro 
e Jorge Reinel. O mapa “Terra 
Brasilis” traz 146 nomes de 
pontos da costa brasileira, do 
Maranhão à embocadura do 
rio da Prata. Ao norte (atual 
Guiana) e ao sul (atual Argen-
tina) aparecem as bandeiras 
que assinalam os pontos ex-
tremos do avanço português 
em 1519.
STADEN, H. Tupinambás 
com pilão, arco e 
ornamento de penas. 
Xilogravura. Ele registrou 
na obra Viagem ao Brasil, 
publicada pela primeira 
vez em 1557, na Alemanha, 
suas impressões sobre a 
tribo e seus rituais.
Leitura da imagem
Da imagem para o texto
149
C
ap
ít
u
lo
 9
 • 
ri
m
ei
ra
s 
is
es
 
o 
ra
si
l
R
ep
ro
du
çã
o 
pr
oi
bi
da
. A
rt
. 1
84
 d
o 
C
ód
ig
o 
P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
I_plus_literatura_cap09_D.indd 149 13/09/10 3:32:22 PM
 5. Observe os adjetivos utilizados no trecho a seguir.
“A América é uma terra vasta onde vivem muitas tribos de homens selvagens com 
diversas línguas diferentes. Também há muitos animais bizarros.”
Considerando os adjetivos utilizados, compare a imagem que Hans ff
Staden faz da terra, dos nativos e dos animais com aquela identifi-
cada no mapa de Lopo Homem. Elas são semelhantes ou diferentes? 
Por quê?
 6. O uso de descrições tornou-se uma característica recorrente nos relatos 
de viagem do século XVI. Essa característica está presente no texto de 
Hans Staden? Justifique com uma passagem do fragmento.
 7. A experiência pessoal era muito valorizada no século XVI, pois atestava 
a existência de um conhecimento adquirido por meio da ação individual. 
Em qual passagem do texto essa característica pode ser observada?
Que função a valorização da experiência pessoal pode ter em um relato ff
sobre o Novo Mundo?
A revelação do Novo Mundo
No dia 22 de abril de 1500, as naus portuguesas comandadas por Pedro 
Álvares Cabral chegaram ao sul do atual estado da Bahia e, após navegarem 
cerca de 66 quilômetros ao longo da costa, aportaram em uma baía a que 
deram o nome de Porto Seguro. Estava “descoberto” o Brasil.
Pero Vaz de Caminha, escrivão da armada portuguesa, enviou uma longa 
carta para o rei D. Manuel dando notícias do achamento da “nova terra”, 
batizada de Vera Cruz.
[...] Neste mesmo dia, à hora de vésperas, avistamos terra! Primeiramente um 
grande monte, muito alto e redondo; depois, outras serras mais baixas, da parte sul 
em relação ao monte e, mais, terra chã. Com grandes arvoredos. Ao monte alto o 
Capitão deu o nome de Monte Pascoal; e à terra, Terra de Vera Cruz. [...]
CASTRO, Sílvio (Intr., atualiz. e notas). A carta de Pero Vaz de Caminha. 
Porto Alegre: L&PM, 1996. p. 77. (Fragmento).
Embora a Carta de Caminha contenha a primeira descrição das terras 
brasileiras, não foi ela que divulgou, para o público europeu, as características 
do território americano. Por ser um documento que continha informações 
importantes para a coroa portuguesa, a Carta ficou guardada nos arquivos 
da Torre do Tombo até o início do século XIX. 
Américo Vespúcio: o criador da América 
 O navegador italiano Américo Vespúcio explorou o Novo Mundo primeiro a 
serviço dos reis de Castela e Aragão (Isabel I e Fernando II) e, depois, do rei 
de Portugal. Foi ele quem concluiu que os territórios encontrados não faziam 
parte da Ásia.
Dois textos atribuídos a Américo Vespúcio, Mundus Novus e Quatro 
navegações, foram, na verdade, os responsáveis pelas primeiras imagens 
que os europeus fizeram da “quarta parte do mundo” (como era conhecida 
a região do quadrante oeste do Atlântico Sul), dos seus habitantes e da 
curiosa fauna e flora locais. 
 Retrato de Hans Staden, 1664.
Hans Staden (1520-1565) 
participou de duas expedi-
ções ao Brasil: uma em 1549 
e outra em 1550. Durante a 
segunda expedição, depois 
de sobreviver a um naufrágio, 
foi capturado pelos índios tu-
pinambás. Prisioneiro do che-
fe Cunhambebe, presenciou 
todo tipo de ritual realizado 
pela tribo, nos nove meses de 
seu cativeiro. As cerimônias 
de antropofagia foram as 
que maiso impressionaram e 
ganharam lugar de destaque 
no livro A verdadeira história 
dos selvagens, nus e ferozes 
devoradores de homens, em 
que relatou sua experiência 
com os nativos.
Vésperas: na liturgia católica, as 
vésperas são a parte do ofício 
divino que ocorre entre as 15 e as 
18 horas.
Conteúdo digital 
Moderna PLUS 
http://www.modernaplus.com.br
Filme: trecho de Elizabeth: a 
era de ouro, de Shekhar Kapur.
150
U
n
id
ad
e 
3
 • 
 li
er
a
ur
a 
no
 p
er
o
o 
co
lo
ni
al
R
ep
ro
du
çã
o 
pr
oi
bi
da
. A
rt
. 1
84
 d
o 
C
ód
ig
o 
P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
I_plus_literatura_cap09_D.indd 150 13/09/10 3:32:22 PM

Mais conteúdos dessa disciplina