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Ambrósio — Dá-me esse papel! [...]
Carlos — Ah, o senhor meu tio encrespa-se. [...]
Ambrósio — Aonde está ela?
Carlos — Em lugar que aparecerá quando eu ordenar. [...]
 PENA, Martins. O noviço. Apresentação, comentários e notas José Paula Ramos Jr. 
São Paulo: Ateliê Editorial, 1996. p. 89-91. (Fragmento). 
Jogo de ideias
Você viu, neste capítulo, que Martins Pena foi o criador da comédia 
brasileira. Em suas peças, deu vida a personagens hilários e criticou 
diferentes aspectos reprováveis de membros ou de setores da socie-
dade brasileira. Viu, também, que, ainda hoje, os tipos (o caipira ou o 
roceiro, os poderosos corruptos e inescrupulosos, etc.) apresentados 
de forma satírica na obra desse autor teatral permanecem atuais e 
podem ser vistos, reinventados, em programas humorísticos. 
Para compreender a estrutura e a função crítica do teatro de Mar-
tins Pena, propomos que você e seus colegas escolham uma cena de 
uma das peças do autor para ser apresentada à sala. Para cumprir 
essa tarefa, vocês deverão adotar os seguintes procedimentos: 
selecionar uma das cenas de ff O noviço ou O juiz de paz na roça em 
que a crítica a um determinado tipo social, comportamento ou 
situação reprovável seja evidente; 
representar a cena para a sala, explicando, brevemente, depois da ff
representação, de que forma a crítica de Martins Pena é apresen-
tada no trecho escolhido e que aspectos da sociedade brasileira 
são satirizados. 
 1. Nesse trecho, Carlos tem uma informação que pode desmascarar 
Ambrósio. Por que essa informação poderia estragar os planos do 
seu tio?
Considerando que Carlos foi enviado ao convento contra a sua ff
vontade, por que essa descoberta representa a solução para seus 
problemas?
 2. Martins Pena criava situações cômicas ao mesmo tempo que criticava 
costumes de sua época. O que há de cômico na cena transcrita? 
Que elementos, apresentados na cena, fazem com que Ambrósio ff
não perceba que está falando com Carlos?
 3. Quando Ambrósio descobre que se dirigia a Carlos, tenta negar 
seu casamento anterior. Como Carlos comprova que o tio está 
mentindo? 
Explique de que maneira as atitudes de Carlos, na cena, ridicula-ff
rizam a figura de Ambrósio e sua tentativa de negar seu primeiro 
casamento.
 4. Na cena, o que caracteriza Ambrósio como vilão?
a) Explique como a construção dessa personagem e o seu destino re-
velam a crítica de Martins Pena a comportamentos “condenáveis” 
na sociedade de sua época.
b) No final da peça, Ambrósio é desmascarado e preso pelo crime de 
bigamia. Analise de que forma esse desfecho evoca a função mora-
lizadora que caracterizou o teatro de Gil Vicente, no Humanismo.
Material complementar 
Moderna PLUS 
http://www.modernaplus.com.br
Palavra de Mestre: 
Irene A. Machado.
Conteúdo digital 
Moderna PLUS 
http://www.modernaplus.com.br
Temas animados: 
Romantismo no Brasil: 
O romance regionalista 
e Romantismo no Brasil: 
O teatro romântico.
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A tradição do romance regionalista: 
uma terra a retratar
O sertão idealizado do Romantismo
Como você viu neste capítulo, o Romantismo introduz na literatura os tipos 
e as cenas do interior do país. Nos romances regionalistas do século XIX, o 
rústico mundo interiorano é idealizado para representar o que os escritores 
românticos percebem como mais puro no cenário e na sua brava gente. 
Início do século XX: 
um novo olhar para o Brasil
No Pré-modernismo, a questão regional retorna com facetas diferentes. Nos 
contos reunidos em Cidades mortas, Monteiro Lobato apresenta a realidade em 
ruínas das cidades paulistas do Vale do Paraíba. No texto que abre o livro, o autor 
descreve as “cidades moribundas” em que “aquilo que tudo foi”, hoje “nada é”, 
pois o tempo do progresso acabou e deixou um rastro de miséria e abandono. 
As regiões afastadas do Nordeste ganham voz no registro de Euclides da 
Cunha, que apresenta o sertão às elites brasileiras ao relatar os episódios 
de Canudos. O autor retrata uma terra sem dono, um povo forte e sofrido, 
abandonado, vivendo sob o jugo de latifundiários e enfrentando o flagelo 
da seca. Observe:
Mudança
[...] [Fabiano] Tocou o braço da mulher, apontou o céu, ficaram os dois algum tempo 
aguentando a claridade do sol. Enxugaram as lágrimas, foram agachar-se perto dos 
filhos, suspirando, conservaram-se encolhidos, temendo que a nuvem se tivesse des-
feito, vencida pelo azul terrível, aquele azul que deslumbrava e endoidecia a gente.
O Nordeste em Graciliano Ramos
O retrato do Brasil da seca e da vida sofrida de seu povo ganha 
destaque na prosa de vários autores modernistas. Entre eles, Gra-
ciliano Ramos, que tratará da realidade trágica dos retirantes que 
fogem do cenário desolador da fome e da privação, em Vidas secas. 
A trajetória da família de Fabiano, nesse romance, simboliza a 
busca de todo nordestino por alguma esperança de sobrevivência 
longe da paisagem árida e estéril da sua região. Observe. 
A seca 
[...] De repente, uma variante trágica.
Aproxima-se a seca.
O sertanejo adivinha-a e graças ao ritmo singular com que se desencadeia o flagelo.
Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo 
limbo candente que irradia do Ceará. 
[...]
[...] A seca não o apavora. É um complemento à sua vida tormentosa, emoldu-
rando-a em cenários tremendos. Enfrenta-a, estoico. [...]
CUNHA, Euclides da. Os sertões. In: Obras completas. 
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995. v. 2, p. 192. (Fragmento). 
 ALMEIDA!JÚNIOR,!J. A estrada. 1899. 
Óleo sobre tela, 120 3 80 cm. 
Nessa tela, Almeida Jr. retrata uma 
típica paisagem do interior do Brasil.
 Cena do filme Vidas secas, 
de Nelson Pereira dos Santos. 
Brasil, 1963. 
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Travessias: o regionalismo 
universal do sertão rosiano
O cotidiano rural das distantes regiões de Minas Gerais 
será o cenário das personagens de Guimarães Rosa. Agora, 
o regionalismo retorna revestido da ideia de que o universo 
está no sertão: o seu retrato é o retrato do mundo. É o ce-
nário onde se desenrolam os dramas de cada um e todos 
são humanos, nos recantos de Minas ou em qualquer outro 
lugar. E o sertão é bonito, como o Mutúm visto por Miguilim 
em Campo Geral, e partirá com ele, gravado na memória dos 
olhos, na viagem de autoconhecimento que o menino fará. 
Campo Geral
[...] E Miguilim olhou para todos, com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos 
escuros de cima do morro, aqui a casa, a cerca de feijão-bravo e são-caetano; o céu, 
o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da manhã. Olhou, mais longe, 
o gado pastando perto do brejo, florido de são-josés, como um algodão. O verde dos 
buritis, na primeira vereda. O Mutúm era bonito! Agora ele sabia. [...]
ROSA, João Guimarães. Campo Geral. Manuelzão e Miguilim: (Corpo de baile). 
11. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p. 151-152. (Fragmento).
O regionalismo na música 
Também na música os temas regionais têm seu lugar. Em geral, retra-
tam um Brasil distante da urbanização, ainda marcado pela pureza e pela 
simplicidade. Compositores contemporâneos, como Renato Teixeira e Almir 
Sater, entre outros, cantam os vaqueiros e suas romarias e as chalanas que 
navegam pelos rios desse país. 
Romaria
É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu
Perdido em pensamentos
Sobre o meu cavalo
É de laço e de nó
De gibeira o jiló, dessa vida
Entrava dia e saía dia. As noites cobriam a terra de chofre. A tampa anilada bai-
xava, escurecia, quebrada apenaspelas vermelhidões do poente. 
Miudinhos, perdidos no deserto queimado, os fugitivos agarraram-se, somaram 
as suas desgraças e os seus pavores. [...]
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 64. ed. 
São Paulo: Record, 1993. p. 13. (Fragmento).
Cumprida a sol [...]
O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
A custa de aventuras [...]
TEIXEIRA, Renato. Romaria. Disponível em: 
<http://www.renato-teixeira.romaria.buscaletras.com.br>. 
Acesso em: 31 maio 2005. (Fragmento).
ROMARIA/RENATO!TEIXEIRA/WARNER! 
CHAPPELL!EDIÇÕES!MUSICAIS!LTDA – Todos os direitos reservados. 
 Vereda do Mumbuca, perto de 
Cordisburgo, MG, 2008.
De chofre: de repente.
Anilada: azulada.
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