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Capítulo
Simbolismo22
OBJETIVOS
Ao final do estudo deste capítulo, 
você deverá ser capaz de:
1. Compreender por que, nas bases 
da estética simbolista, está uma 
oposição ao racionalismo e ao 
cientificismo.
2. Caracterizar o projeto literário 
do Simbolismo.
3. Analisar de que modo se 
articularam os agentes do 
discurso no período e como essa 
articulação influenciou o projeto 
literário do Simbolismo.
4. Reconhecer a importância 
da percepção sensorial e 
da sugestão para a estética 
simbolista. 
5. Identificar as características do 
Simbolismo em Portugal e no 
Brasil.
6. Compreender por que o 
simbolismo de Eugénio de Castro 
é essencialmente formal.
7. Reconhecer o papel das imagens 
de infância na poesia de António 
Nobre.
8. Explicar a importância das 
imagens de destruição e 
soçobramento na poesia de 
Camilo Pessanha. 
9. Analisar o modo como Cruz 
e Sousa explora imagens 
caleidoscópicas na composição 
de seus poemas.
10. Explicar a importância do 
misticismo e da morte para a 
poesia simbolista de Alphonsus 
de Guimaraens.
11. Reconhecer de que modo os 
autores simbolistas fazem uso da 
reiteração enfática e identificar 
o uso desse mesmo recurso na 
poesia de autores modernistas.
 MONET, C. O Bulevar dos 
Capuchinhos. 1873-1874. 
Óleo sobre tela, 79 ! 59 cm.
Como a literatura, a pintura 
também passa a retratar 
paisagens urbanas.
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C om a chegada do fim do século XIX, o otimismo da era das 
revoluções sai de cena, cedendo espaço a um olhar mais 
reflexivo e pessimista. Neste capítulo, você vai conhecer os caminhos 
encontrados pela arte para expressar essa nova perspectiva. 
 1. O quadro O Bulevar dos Capuchinhos, pintado do terceiro andar de um 
edifício, registra uma cena de rua em Paris, no fim do século XIX.
a) Que elementos podem ser identificados na pintura?
b) Que recursos o pintor utiliza para sugerir a estação do ano em que 
ocorre a cena e que estação seria essa?
 2. Leia este comentário sobre o quadro de Monet.
[...] A vida no boulevard, as pessoas a passear para cima e para baixo, o movi-
mento dos passantes e dos coches que, vistos de cima, se assemelham a manchas 
coloridas, parecem, pela reprodução vaga, uma fotografia que capta o movimento 
e em que os contornos não estão bem definidos. [...] A imagem parece fixar um 
momento passageiro. [...] 
SAGNER-DÜCHTING, Karin. Monet: uma festa para os olhos. 
Espanha: Taschen, 1998. p. 60. (Fragmento).
a) O modo como Monet representa pessoas, coches, árvores e prédios 
sugere movimento. Por quê?
b) Que impressão sobre a vida na cidade o quadro provoca? Justifique.
 3. A maneira como Monet pintou a cena chocou a sociedade parisiense 
do final do século XIX. Na época, os cidadãos representados por Monet 
foram comparados a “lambidas negras” na tela. 
a) Compare esse quadro, por exemplo, com as pinturas realistas que 
aparecem no Capítulo 19. Que diferença é possível identificar entre a 
maneira como os pintores realistas e os impressionistas, como Monet, 
entendem a realidade?
b) Por que podemos dizer que a “precisão científica” perseguida pelos 
realistas ao pintar não era apreciada por Monet? 
 4. Na época em que Monet pintou esse quadro, não era comum retratar 
paisagens urbanas. Contudo, Paris havia acabado de passar por uma 
remodelagem: edifícios antigos haviam sido demolidos para dar lugar 
a grandes avenidas, como o Bulevar dos Capuchinhos.
a) O que a escolha de Monet indica sobre a maneira como o processo de 
urbanização era visto na época?
b) Esse tipo de mudança na arquitetura de uma cidade permite que as pes-
soas se tornem mais próximas ou mais distantes umas das outras?
 5. A literatura do fim do século XIX também começa a registrar cenas 
da vida nos grandes centros urbanos. O poema a seguir, de Charles 
Baudelaire, fala de um encontro que poderia ter acontecido no Bulevar 
dos Capuchinhos.
 Claude Monet, c. 1921.
Claude Monet (1840- 
-1926) era um apaixonado 
por Paris, cidade onde nas-
ceu e onde expôs, em 1874, 
o quadro Impressão, Sol 
Nascente. A obra de Monet, 
marco do surgimento do Im-
pressionismo, surpreendeu 
o público parisiense, que, 
acostumado à precisão do 
Realismo, deparou-se com 
uma obra que mais sugeria 
que definia as formas. Logo, 
o estranhamento inicial foi 
substituído pela admiração 
que tornou o artista acla-
mado como o mestre dos 
impressionistas. 
Leitura da imagem
Da imagem para o texto
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a) Em que cenário se passa a ação apresentada no poema?
b) A expressão “frenético alarido” é empregada para indicar a relação 
entre o eu lírico e o cenário. Descreva essa relação.
 6. A primeira estrofe trata do momento em que uma mulher passa. Qual é 
a primeira impressão que essa mulher provoca no eu lírico? Explique.
a) A segunda estrofe revela a trajetória do olhar do eu lírico para a mulher 
que passa. Que trajetória é essa e o que determina a direção desse 
olhar?
b) Também na segunda estrofe, a descrição confunde-se com as impres-
sões provocadas pela visão da mulher. O que o eu lírico vê? Como ele 
interpreta essa visão? 
 7. “Que luz... e a noite após!”. Como podemos interpretar essas duas 
imagens que abrem a terceira estrofe?
a) Que expressão o eu lírico emprega nessa estrofe para se referir à mulher 
e o que ela significa?
b) O eu lírico faz à mulher uma pergunta relacionada à vida e à morte. 
Qual a pergunta e quais as referências à vida e à morte?
 8. Leia novamente a última estrofe.
a) As expressões apresentadas no primeiro verso indicam o lugar e o 
tempo em que algo aconteceria. Que acontecimento seria esse?
b) O que a última estrofe sugere sobre o encontro entre o eu lírico e a 
“fugitiva beldade”?
c) Com base em que o eu lírico pode imaginar que a mulher sabia que 
ele poderia tê-la amado? 
 9. Leia o que Baudelaire escreveu em um texto sobre as multidões.
[...] Multidão, solidão: termos iguais e conversíveis 
para o poeta diligente e fecundo. Quem não sabe po-
voar a sua solidão também não sabe estar só em meio 
a uma multidão atarefada. [...]
BAUDELAIRE, Charles. As multidões. Pequenos poemas em prosa. 
Tradução de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. 4. ed. 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. p. 39. (Fragmento).
a) Explique por que podemos interpretar o encontro casual apresentado 
no poema como um símbolo do anonimato e da solidão trazidos pelo 
crescimento das cidades.
b) O quadro de Monet, reproduzido na abertura, e o poema “A uma passan-
te” registram o instante fugaz da experiência momentânea. Por quê?
 
A uma passante
A rua em torno era um frenético alarido.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão suntuosa
Erguendo e sacudindo a barra do vestido.
Pernas de estátua, era-lhe a imagem nobre e fina.
Qual bizarro basbaque, afoito eu lhe bebia
No olhar, céu lívido onde aflora a ventania,
A doçura que envolve e o prazer que assassina.
Que luz... e a noite após! — Efêmera beldade
Cujos olhos me fazem nascer outra vez,
Não mais hei de te ver senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois de ti já me fui, de mim tu já fugiste,
Tu que eu teria amado, ó tu que bem o viste!
BAUDELAIRE, Charles. As flores do mal. Tradução de Ivan 
Junqueira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. p. 345.
 Foto de Charles Baudelaire. 
1864.
Charles Baudelaire (1821- 
-1867) é o grande precursor 
do Simbolismo. Quando, em 
1857, publica As flores do mal, 
a reação é imediata: o poeta 
é processado pelo Estado 
por “ultraje à moral pública”. 
Todos os exemplares da obra 
são recolhidos. Condenado, 
Baudelaire será obrigado 
a pagar uma multa de 300 
francos e eliminar de seu 
livro6 poemas considerados 
obscenos. Mesmo assim, As 
flores do mal causaram um 
profundo impacto no meio 
literário, levando o poeta Ver-
laine a afirmar que Baudelaire 
foi o “primeiro visionário, rei 
dos poetas, um verdadeiro 
deus”. 
Alarido: barulho muito grande, 
algazarra, gritaria.
Suntuosa: pomposa.
Basbaque: ingênuo, pessoa que 
fica admirada com coisas triviais.
Efêmera: pouco duradoura, 
passageira.
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