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11 C om en tá ri os e r es po st as d as a ti vi da de s R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Capítulo 3 A dimensão discursiva da linguagem 42 O trabalho realizado ao longo deste capítulo favorece o desenvolvimento das competências de área 1 e 6 e das habilidades H1, H2, H3, H4, H16 e H19. Para identificá-las, consultar a matriz do Enem 2009, que se encontra no Portal Moderna Plus. b) O humor da tira reside justamente na criação de uma palavra homônima homófona à que foi utili- zada pela galinha: “ansiões”. O galo usa essa pala- vra porque associa o termo utilizado pela galinha (ancião) ao verbo “ansiar”. Por isso, ele afirma que o dia marcado na folhinha é dedicado a todos os indivíduos, já que todos ansiamos por dias melhores. É por meio da criação do homônimo ansiões que o efeito de humor da tira é obtido. 6 orta horta; d de; cove couve; sera será; atemdi a atendida; pe pés; aufase alface; reau real. 7 O segundo d da palavra “atemdi a” (atendida) está grafado de maneira equivocada, isto é, como se es- tivesse sendo refletido em espelho. Presume-se que o autor da escrita, vendo o erro, efetuou a correção, reescrevendo a sílaba sobre a que apresentava a letra espelhada. 8 O autor do texto provavelmente se guiou pela pro- núncia dessas palavras quando foi escrevê-las. No caso de couve, ele (e a maioria dos brasileiros) não pronuncia o ditongo. No caso de alface e real, o fone- ma /l/ é realizado como [u]. A substituição de c por s em alface deve-se, provavelmente, ao fato de o autor não saber que a letra s entre duas vogais, neste caso, teria som de [z]. 9 A alteração presente na nova regra diz respeito à eli- minação do acento agudo nos ditongos abertos ei e oi das palavras paroxítonas. > Possibilidades: estreia, apoio (verbo), ideia, etc. 10 O último quadrinho contradiz a afirmação de Grump de que a regra é muito simples porque, para poder fazer um uso adequado da regra apresentada na tira, ele — e todos os falantes de língua portuguesa — precisa(m) compreender o que significam os con- ceitos gramaticais referidos pela nova regra, ou seja, precisa(m) saber o que significam ditongos abertos e palavras paroxítonas. Usos da ortografia Pratique 40 No caso do trabalho com aspectos convencionais da escrita (ortografia e acentuação), o “uso” a ser observado pelos alunos é o habitual. Trata-se de demonstrar, ao escrever, o conhecimento das convenções que regulamen- tam o uso da escrita. Por esse motivo, não faria sentido propor uma atividade em que os alunos fossem levados a “subverter” a ortografia, como ocorre no caso da escrita da internet. No momento de avaliar a adaptação do texto de Antonio Prata às regras da ortografia, é importante observar se os alunos foram capazes de identificar os momentos em que deveriam manter o texto inalterado, para não prejudicar a compreensão daquilo que o autor desejava exemplificar por meio de um uso particular das letras e dos sinais da escrita. A seguir, está a adaptação do texto às regras da ortografia do português. Diferenças de comunicação A 1a vz q abri o e-mail e dei de kra c/ uma msgm assim, naum entendi nd. Pensei que era pau do Outlook, problema do com- putador. Não, nada disso: era só mais uma leitora da Capricho que falava essa estranha língua da internet. Como, a cada dia que passa, recebo mais mensagens nesse dialeto esquisito, percebi que, ou aprendia eu também a teclar assim, ou ficava para trás. Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma: tinha chegado a hora de eu também me transformar. Minha primeira atitude foi teclar para Érica, uma garota que escreve nessa língua, e perguntar como eu fazia para aprender. Ela falou o seguinte: “tipo... é só trocar CH por X, Ç por SS, H em vez de acento (é — eh; só — soh) e comer o máximo de letras possível. Entendeu?” Acho que sim, Érika. O que não entendo é por que tanta complicação. Era tão fácil escrever o bom e velho português... Perguntei para o João, um primo meu que escreve até poemas desse jeito: pq as pssoas estaum screvndo assim? Ele me garantiu que era porque era mais fácil. Será? Olha só, João, Érica e todo mundo: para teclar naum uso quatro teclas. Para teclar não, também uso só quatro. É igual, ué?! Cadê a facilidade? Aliás, eu não tô achando isso nada fácil. Já faz mais de meia hora que estou tentando escrever essa crônica e não saí nem do terceiro parágrafo... Outra explicação que me deram foi que, para quem tá nos Estados Unidos, eh + smples tklar assim, pq lah o tklado naum tem acents nem ç. Só que, em dois anos de Capricho, minha cara, já recebi mais de mil mensagens escritas assim, e eram lá do Pará, do Guarujá, de Jaú, mas nunca dos Estados Unidos. Pelo que eu sei, no Guarujá, Pará e Jaú, os teclados têm todos os acentos, não? Então por que escrevem desse jeito muito louco? [...] Claro, melhor escrever e ler assim do que não escrever nem ler nada. O importante é a gente se comunicar e se nos entendemos com linguagem de surdo/mudo, sinais de fumaça ou falando chinês, não tem tanta importância. Será? Sei não... Talvez eu seja antiquado, meio pessimista, mas gosto da nossa língua e de todos os pequenos detalhes. Escrevam como quiserem, se comuniquem na língua da in- ternet, em código Morse ou com hieróglifos egípcios, desde que, de vez em quando, abram um livro desses antigos, que usam acentos e tudo mais, e deem uma lida. Talvez dê mais trabalho do que teclar no messenger, no ICQ ou num chat, mas garanto que é do cacete. Beijos, abraços e até a próxima edição. Assinado: Antonio Prata! Os elementos da comunicação 42 1 Pela fala das personagens, parece tratar-se de uma conversa entre um autor (Adão Iturrusgarai) e sua personagem (Aline). Sup_P1_GRA_(001-033).indd 11 12/14/10 6:10 PM R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . teria A alteração minação das > Possibilidades: som alteração minação do palavras Possibilidades: de [z]. presente acento paroxítonas. Possibilidades: nova regra diz respeito nos ditongos abertos ei apoio (verbo), ideia, etc. eli- e oi nem ler nada. O importante é a gente se comunicar e se nos entendemos com linguagem de surdo/mudo, sinais de fumaça do Guarujá, de Jaú, mas nunca dos Estados Unidos. Pelo que eu sei, no Guarujá, Pará e Jaú, os teclados têm todos os acentos, não? Então por que escrevem desse jeito muito louco? [...] Claro, melhor escrever e ler assim do que não escrever nem ler nada. O importante é a gente se comunicar e se nos entendemos com linguagem de surdo/mudo, sinais de fumaça ou falando chinês, não tem tanta importância. Então por que escrevem desse jeito muito louco? [...] Claro, melhor escrever e ler assim do que não escrever nem ler nada. O importante é a gente se comunicar e se nos entendemos com linguagem de surdo/mudo, sinais de fumaça ou falando chinês, não tem tanta importância. Então por que escrevem desse jeito muito louco? [...] Claro, melhor escrever e ler assim do que não escrever nem ler nada. O importante é a gente se comunicar e se nos entendemos com linguagem de surdo/mudo, sinais de fumaça ou falando chinês, não tem tanta importância. Então por que escrevem desse jeito muito louco? [...] Claro, melhor escrever e ler assim do que não escrever nem ler nada. O importante é a gente se comunicar e se nos entendemos com linguagem de surdo/mudo, sinais de fumaça 12 C om en tá ri os e r es po st asd as a ti vi da de s R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 2 Primeiro, no segundo quadrinho, ao afirmar que é “o cara que desenha” Aline. Geralmente, as personagens de ficção (dos contos, romances, novelas, quadrinhos, filmes) transitam no espaço e no tempo de suas his- tórias e não conversam com seus criadores. Depois, no terceiro quadrinho, ao comentar que não passa de uma personagem e que o verdadeiro Adão é aquele que também o está desenhando. Uma personagem que tenha consciência de ser personagem e que ainda mencione seu criador é bastante incomum. 3 Não, pois fora da ficção não é possível uma personagem ficcional dialogar com seu autor. Explicar aos alunos que o canal de comunicação equiva- leria a um hardware que permite a execução de diferentes programas (software). Nesse sentido, diferentes “suportes” de texto atuam como canal, porque é por meio deles que a comunicação acontece. Função conotativa ou apelativa 44 O registro do texto da oração é informal e tenta reproduzir a fala de um fiel que ora e pede ajuda aos santos para sua causa. Por isso, mistura pessoas e vozes do discurso, não se- guindo a conjugação verbal esperada de um registro formal da variação urbana de prestígio: a maior parte dos verbos está na 3a pessoa do singular do imperativo, mas um deles, “ajuda-me”, está na 2a pessoa do singular; ora o fiel apela à Senhora da Aprovação na 3a pessoa do singular (“interceda”), ora na 2a pessoa do plural (“vós que sois”), passando para a 3a no mesmo período (“proteja-me”). Função fática 46 Explicar aos alunos que a função fática tem ênfase no canal, justamente porque testa a presença da conexão psicológica e física entre o emissor e o receptor. Quando, em um diálogo, utilizamos as “fórmulas” (Olá, oi, tudo bem?, etc.), estamos “conferindo” se o canal funciona para que possamos nos comunicar. Atividades 47 1 O anúncio traz a cena de um pássaro, pousado em uma poltrona de um ônibus, observando a paisagem que passa diante da janela do veículo em movimento. É justamente o fato de um pássaro estar viajando em um ônibus que torna a cena inusitada. a) O objetivo do anúncio é levar os leitores a escolhe- rem os voos da companhia aérea anunciada em lugar de optarem por viajar de ônibus, por exemplo. b) O anúncio relaciona a imagem do pássaro viajando de ônibus ao enunciado “Por que viajar de outro jeito se você pode voar?” para sugerir ao leitor que qualquer pessoa pode voar com a companhia aérea anunciada. A imagem procura mostrar exatamente isso: como o pássaro pode voar, fica difícil entender por que ele escolhe outra forma de viajar. O mesmo princípio seria válido, por analogia, para aqueles que desejam viajar: basta escolher um dos voos da companhia aérea em questão. 2 O texto é dirigido a pessoas que não costumam via- jar de avião, provavelmente por motivo de ordem financeira: em geral, uma passagem aérea para um determinado destino custa mais caro que uma passagem de ônibus, por exemplo. Essa imagem de público-alvo pode ser confirmada pela afirmação, feita no texto do canto inferior esquerdo do anún- cio, de que, na companhia aérea em questão, todos podem voar e pela referência ao fato de que muitos dos passageiros que já viajaram por essa companhia nunca tinham voado antes. A ressalva apresentada no final do texto — “Agora voar não é mais privilégio de poucos” — reforça essa imagem de interlocutor como público-alvo do anúncio. > “Gol. Aqui todo mundo pode voar”; “Dos 30 milhões de passageiros que já viajaram pela Gol, muitos nunca tinham voado antes.”; “Agora voar não é mais privilégio de poucos.” 3 Trata-se da função apelativa. a) A função apelativa é revelada pelo investimento do texto em convencer pessoas que não costumam voar de que uma determinada companhia aérea tornou possível para elas essa opção na hora de viajar. Isso fica evidente quando o leitor é inter- pelado por meio de enunciados como: “Por que viajar de outro jeito se você pode voar?”, ou são apresentadas informações como: “Aqui todo mun- do pode voar” e “Agora voar não é mais privilégio de poucos”. b) A função apelativa é típica dos anúncios porque eles têm por finalidade persuadir, e, na teoria da comunicação, essa é uma característica associada a essa função. 4 Há duas funções: metalinguística e poética. A primeira é identificada pelo fato de se tratar de uma explicação para os vocábulos em questão (solidão e vontade); a segunda, pela forma como essas explicações são apre- sentadas, isto é, por meio de metáforas que procuram traduzir cada um dos sentimentos referidos. 5 A função da linguagem predominante é a metalin- guística. O objetivo de um dicionário tradicional é falar sobre a própria linguagem, com ênfase no código linguístico. > No texto de Adriana Falcão, há o predomínio da fun- ção poética. Pode-se observar o trabalho cuidadoso da autora em relação à linguagem, com o objetivo de elaborar uma outra definição para as palavras esco- lhidas, a partir, principalmente, de uma observação sensível do cotidiano (marcada pela experiência do próprio sujeito, isto é, a definição é subjetiva), e na constituição de um texto que busca provocar efeitos de sentido em seu leitor. No texto do dicionário, há uma definição mais genérica e objetiva. 6 Sim. Nota-se o uso da função metalinguística na expli- cação/definição que a personagem dá ao amigo para caracterizar o “papo muito chato” do seu tio Bernie. a) Em geral, a pergunta “Como vai?” é utilizada com função fática, isto é, apenas para “testar” se o canal de comunicação entre dois interlocutores está aberto. Sup_P1_GRA_(001-033).indd 12 12/14/10 6:10 PM “ajuda-me”, Senhora 3a no Função “ajuda-me”, nhora da 2a pessoa mesmo Função está na Aprovação pessoa do período fática 2a pessoa rovação na plural período (“proteja-me”). singular; ora fiel apela do singular interceda”), sois”), passando para (“proteja-me”). 46 b) A eles comunicação ar” e ucos”. função apelativa eles têm por finalidade comunicação, essa essa função. elativa é típica do finalidade persuadir, essa é uma característica dos anúncios persuadir, característica úncios porque teoria da associada R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 13 C om en tá ri os e r es po st as d as a ti vi da de s R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . b) Os falantes costumam reconhecer a função fática associada ao “Como vai?” e responder também utilizando uma expressão com a mesma função (como, por exemplo, “Tudo bem, e você?”). Não é o que faz o tio da personagem, que de fato respondia à pergunta feita, transformando a resposta em uma “biografia”. O trabalho dos interlocutores com a linguagem 49 Retomar, com os alunos, a definição de gêneros discursi- vos apresentada no Capítulo 1. 1 O aluno deve reconhecer, ao fundo, marcos arquitetô- nicos de Brasília (à esquerda, o Congresso Nacional; ao centro, a catedral e a fachada de alguns minis- térios; à direita, o Palácio do Planalto). Em primeiro plano, vemos uma árvore cujo tronco é formado por uma série de homens, vestindo ternos pretos; alguns fumam charutos, outros carregam pastas de executivos. A copa da árvore parece ser formada por cédulas de dinheiro. 2 O gênero discursivo é o verbete (de dicionário ou enciclopédia). > É provável que os alunos identifiquem apenas algumas das características apontadas a seguir: o texto apresenta, ao lado do nome pelo qual a árvore é popularmente conhecida (fraudulência), seu equivalente em latim (o que sugere o rigor científico próprio desse gênero). Depois, é feita a descrição das característicasda árvore (nomeação da família a que pertence, como ocorreria com uma espécie vegetal real). Por fim, o texto informa sobre sua localização e sobre a “história” da introdução dessa “espécie” no Brasil. 3 Fraudulência significa fraude. Como essa árvore é uma representante da flora brasiliense, o nome escolhido para identificá-la é a primeira pista fornecida ao leitor sobre a função crítica do texto. 4 Além de reconhecer a arquitetura de Brasília, com destaque para o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, o leitor vê que essa árvore é constituída por homens de terno e tem uma copa formada por folhas de “dinheiro”. Relacionando as imagens ao nome da árvore, provavelmente concluirá que se trata de uma crítica às fraudes cometidas por alguns políticos ligados aos poderes executivo e legislativo, a julgar pelos edifícios representados na imagem. O sentido mais geral sugerido é que esse comporta- mento esteja associado ao Governo Federal, já que a árvore está “fincada no Planalto Central, bem no coração do Brasil”. 5 Nos dois casos, o cartunista pretende enfatizar a origem da fraudulência: a corrupção (Vegetale corruptus) e a maracutaia (termo coloquial para indicar a realização de um negócio ilícito, ou seja, uma fraude). Com esses nomes, parece sugerir que a vocação desse vegetal é a corrupção. Atividades 52 1 No primeiro quadrinho, a mulher estabelece dois papéis a serem desempenhados no diálogo: o homem deve fazer perguntas; ela se encarregará das respostas. No segundo quadrinho, o balão de diálogo sobre a cabeça do homem apresenta uma sequência de pontos, como se ele não soubesse o que perguntar, nesse contexto. A reação da mulher, no terceiro quadrinho, é ainda mais surpreendente, porque sua “fala” equivale a uma sequência de teclas de computador que têm a função de desligar a máquina. Seu interlocutor estranha essa “fala” e comenta: “Eu não perguntei nada”. No último quadrinho, mais uma vez a mulher diz algo que parece totalmente inesperado no contexto de uma conversa: “Preste atenção na resposta e esqueça a pergunta”. Como a reação do homem deixa claro que ele continua sem entender o que está se passando, ela conclui: “Vou ter problemas com você”. 2 Espera-se, em uma situação de interlocução, que os participantes do diálogo ajam de determinada manei- ra: por exemplo, que um dos interlocutores faça uma pergunta ou comente algo e outro dê uma resposta ou faça uma observação coerente em relação ao que foi dito. Na tira, o estranhamento é provocado pelo fato de as duas personagens não se comportarem da forma esperada: suas falas não constituem um diálo- go. O homem claramente não compreende o que sua interlocutora espera que ele faça, e, a cada fala dessa mulher, a interlocução fica mais comprometida. 3 Em qualquer situação de diálogo, espera-se que os inter- locutores tenham uma atitude colaborativa ao desem- penharem seus papéis. Assim, em lugar de imaginar, como faz a mulher, que a função de alguém é sempre perguntar e a de seu interlocutor sempre responder, as falas dos interlocutores, em um diálogo, acontecem uma em função da outra: alguém introduz um tópico e a outra pessoa diz algo que leva em conta o que foi dito, acrescentando informações, expressando opiniões, manifestando dúvidas, etc. Nesse sentido, o compor- tamento de cada interlocutor se define em função da relação estabelecida entre os lugares discursivos que, alternadamente, ocupam no diálogo, ora como falan- tes, ora como ouvintes. Na tira, o comportamento da personagem feminina viola essa condição necessária para o funcionamento de um diálogo. 4 O texto transcrito é o modelo de uma procuração, em que uma pessoa concede a outra plenos poderes para agir em seu nome. 5 A semelhança entre os dois textos está no fato de que ambos apresentam características de um mesmo gênero, a procuração. A diferença está na finalidade atribuída a cada um dos textos. No texto 1, a finalidade é a concessão de poderes jurídicos e, no 2, a concessão de poderes sobre a vida sentimental de outra pessoa. 6 O texto 2 mantém uma série de elementos estrutu- rais característicos de uma procuração, mas rede- fine o que costuma ser o objeto desse instrumento legal. Normalmente, procurações são feitas para que uma pessoa (advogado ou não) represente ou- tra em uma questão de ordem jurídica. O segundo texto adota a estrutura da procuração para dar a Sup_P1_GRA_(001-033).indd 13 12/14/10 6:10 PM R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . > É al o ár se ci de da provável gumas texto vore é u equivalente entífico scrição família provável qu das ca apresenta, popularmente uivalente próprio das ca unos identifiquem ap racterísticas apontadas a se do do nome pelo qu conhecida (fraudulência),(fraudulência),(f tim (o que sugere o gênero). Depois, é fe racterísticas árvore (nomeação orreria a raudulência), gor ita a omeação 3 Em locutores penharem interlocutora espera interlocução Em qualquer situação locutores tenham penharem seus como faz a mulher perguntar de tuação de diálogo, nham uma atitude papéis. Assim, mulher, que a função interlocutor álogo,espera-se colaborativa em função de interlocutor que os inter- laborativa ao sem- de imaginar, alguém é sempre responder