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Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Unidade 1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Aula 1 História da Educação Ambiental Videoaula: Histórico da Educação Ambiental Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Você verá, neste vídeo, aspectos introdutórios da educação ambiental. Serão abordados os conceitos de meio ambiente, de ecologia, ecologia rasa e ecologia profunda. Você verá que o homem está inserido na natureza, e tem um papel fundamental na preservação dos recursos naturais. Você também vai ver que existem muitas formas de sensibilização ambiental, e a educação ambiental tem esse papel de extrema importância. Ponto de Partida Estudante, nesta aula você vai estudar os conceitos de meio ambiente, educação ambiental e ecologia. Neste conteúdo temos as formas de educação ambiental, a teoria de ecologia rasa e ecologia profunda, os problemas ambientais e a importância de se estudar educação ambiental e como aplicá-la. Veremos que o papel da educação ambiental é fundamental para o exercício da cidadania, e que sua interação é possível com outros componentes curriculares. E você poderá pensar em práticas com seus acadêmicos, colocar a mão na massa e interagir, trabalhando a educação ambiental de maneira interdisciplinar, com papel social e engajamento das pessoas. Vamos Começar! Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Você sabe o que é meio ambiente? Já parou para pensar do que se trata? O conceito de meio ambiente aparece no art. 3º da Lei nº 6.938/81 (BRASIL, 1981), que trata da Política Nacional de Meio Ambiente, e o de�ne como “o conjunto de condições, leis, in�uências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas […]” (BRASIL, 1981, [s. p.]). Para Carvalho (2008), o meio ambiente é a interação entre a sociedade, cultura, base física e biológica de processos vitais, tratando-se de um espaço relacional que constrói uma teia de relações entre a vida natural, cultural e social, e sua interação. A relação entre homem e o ambiente envolve uma troca que interfere diretamente na qualidade de vida das pessoas. Essa relação existe desde os primórdios, quando as pessoas precisam do ambiente para se alimentar, para beber água; en�m, para suas necessidades básicas. Essa interação foi mudando no decorrer dos séculos, e depois da Revolução Industrial começaram a surgir os problemas ambientais que temos até os dias atuais, como a poluição da água, do solo, do ar e sonora, a escassez de recursos, a perda de habitat, e isso traz muitas consequências para as pessoas, como doenças de veiculação hídrica e problemas respiratórios. A Figura 1 mostra um exemplo de poluição pela interação do homem com o meio ambiente. Figura 1 | Poluição de águas por meio de resíduos. Fonte: Pixabay. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Por isso se fazem importantes práticas de sustentabilidade e educação ambiental, a �m de trazer informações acerca da questão ambiental e da sensibilização da sociedade. A Lei nº 9.795/99 trata da Política Nacional de Educação Ambiental, que tem como objetivo trazer uma �loso�a ética, moral e de respeito à natureza (BRASIL, 1999). É um marco importante, pois aborda a inserção da educação ambiental nas escolas e como componente curricular na formação dos alunos, e que pode ocorrer na educação básica, no ensino pro�ssionalizante e no ensino superior, além de poder ser de maneira formal (nas escolas) ou informal, fora das escolas. É importante também a compreensão do conceito de ecologia nas relações entre homem e natureza. Assim, a ecologia proporciona entender o ambiente ao mesmo tempo que se estuda o meio ambiente e suas diferentes dimensões hierárquicas (DAJOZ, 2005). Para Pelicioni (2005), a educação ambiental não é a ecologia, mas precisa dos conceitos que estudamos em ecologia. Assim, é preciso compreender toda relação entre homem e equilíbrio ecológico, bem como todo histórico da humanidade e sua concepção com o ambiente. A educação ambiental visa assentar a relação entre as causas e efeitos dos processos de degradação com a dinâmica das relações sociais, e trazer formas para que essa relação seja mais harmônica. Essa concepção de meio ambiente pôde ser observada na I Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada no ano de 1972 em Estocolmo (LOUREIRO, 2009), em que foi abordado o conceito de meio ambiente e quando se iniciou uma preocupação com as questões ambientais. Logo, até hoje é importante o papel da educação ambiental que busca a transformação e a sensibilização de ações promovidas com participação da população por meio do exercício da cidadania, em que as pessoas podem se mobilizar, reivindicar e ajudar a transformar o meio ambiente, equilibrando-o, o que traz mudanças no comportamento do homem com a natureza. Siga em Frente... Para interpretar questões que envolvam meio ambiente e educação ambiental, é necessário conhecer os atores envolvidos no processo: podem ser professores, no que diz respeito à educação ambiental formal, e presidentes de associações de bairro e a comunidade em geral, quando tratamos da educação ambiental informal. Para interpretar tais questões, é preciso ter o objetivo de estimar a relação das pessoas com o meio ambiente, incentivando a curiosidade, o conhecimento e a re�exão por meio de estímulos. ______ Re�ita A educação ambiental deve ser voltada para a comunidade visando despertar nela o interesse em participar e interagir, na busca para solucionar os problemas dentro de sua realidade Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE especí�ca. Para ter uma educação ambiental e�caz, é preciso abordar questões relacionadas ao meio ambiente e à ecologia. ______ Dessa maneira, para Suvé (2005), a educação ambiental é essencial para desempenhar a função de introduzir as dinâmicas sociais, iniciando em uma comunidade local, depois em um bairro maior, em seguida em uma cidade, e, assim, há a promoção de abordagem colaborativa e crítica de realidades socioambientais das pessoas. Para Barbieri (2016), a educação ambiental deve considerar os problemas referentes a todas as formas de vida, com o intuito de compreender a relação entre a parte ambiental e a ação educativa. Portanto, a educação ambiental é uma modalidade de ensino vinculada a uma dupla função: de educação moral e socialização humana, e função ideológica de reprodução das condições sociais. Ainda hoje, quando tratamos dos problemas ambientais da atualidade, podemos olhá-los sob o ponto de vista da ecologia profunda (CAPRA, 2006), pela qual sua ocorrência não acontece sozinha, tem caráter sistêmico e uma relação de causa e efeito interligada e interdependente entre si e por outros fatores. E há solução para os principais problemas ambientais? Para que exista, é preciso uma mudança em nosso pensamento e percepção, uma mudança na visão de mundo, na ciência e na sociedade, e para Capra (2006), é um paradigma. Assim, é preciso que o homem entenda seu papel na ecologia profunda, na qual ele está em uma rede com todos os seres vivos e o ambiente, cada um tendo sua interdependência. Nessa busca integrada de ver o mundo, o homem precisa estar em harmonia com a natureza, pensar na igualdade entre as espécies, entender que o planeta tem recursos limitados e que precisamos cuidar dele para as gerações vindouras. Assim, temos uma educação ambiental voltada para sustentabilidade, e um ponto fundamental é a interação entre os agrupamentos humanos, sua relação com a natureza e a gestão dos recursos naturais. Dessa maneira, uma das metas da educação ambiental é que as pessoas entendam seu papel em relação a questões voltadas à ecologia e ao meio ambiente, e que as pessoas possam ser inovadoras e criativas – ou seja, é formar mentes que sejam capazes de criticar, veri�car e não aceitar tudo a quea elas se propõe. Vamos Exercitar? Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE A Política Nacional de Educação Ambiental, descrita na Lei nº 9.795/99, salienta que a implementação da educação ambiental não deve ser uma disciplina isolada, e é importante que passe por outras disciplinas e projetos escolares (BRASIL, 1999). No entanto, em um mundo no qual temos tecnologias, redes sociais e informações aceleradas, para tratar de assuntos voltados para ecologia, meio ambiente e sustentabilidade é preciso que o tema seja abordado de maneira criativa, principalmente com as crianças. Como sabemos, ecologia é de�nida como “ciência que estuda a relação dos seres vivos entre si e deles com o meio ambiente” (PELICIONI; 2005, p. 3). Uma maneira de trabalhar em sala de aula conceitos voltados à educação ambiental seria com uma horta em escolas, como podemos observar na Figura 2. Figura 2 | Horta em escolas. Fonte: Pixabay. O professor, ao trabalhar com seus estudantes o cultivo da terra, pode sensibilizá-los aplicando o conceito de ecologia, explicando a interação entre homem e natureza por meio do cultivo de uma horta, reconhecendo que a humanidade é uma parte da teia da vida. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Com a criação de uma horta em escolas, teremos uma relação social entre os alunos, o cuidado, o carinho e o respeito, tudo isso pela educação ambiental. Para essa prática, será necessário um espaço onde será implantada a horta. O importante é que a atividade seja em grupo, que tenha a interação dos alunos, e que todos construam e cuidem juntos da horta. Nessa atividade o estudante será protagonista, participando de todas as etapas desde o plantio e a germinação, também regando as plantas. E depois, os produtos poderão ser consumidos na própria escola. O professor ainda pode aprofundar sua prática: depois de consumidos os alimentos, pode ser feita uma compostagem com as sobras das merendas. O processo de compostagem (Figura 3) é bem simples: podem ser utilizados sobras de alimentos, como hortaliças e cascas de frutas, e as folhagens retiradas de jardins. Esses materiais podem ser colocados em leiras de compostagem, e precisará ser revolvido e regado. Ao término do processo de compostagem, teremos adubo que poderá ser utilizado na horta feita na escola. Figura 3 | Compostagem com resíduos orgânicos e de jardinagem. Fonte: Pixabay. O professor aplicará na prática os conceitos de ecologia, meio ambiente e educação ambiental, além de integrar esses temas com outras disciplinas curriculares, como biologia, apresentando na prática: conceitos de ecologia, ecologia rasa e ecologia profunda, pelas quais o homem faz Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE parte do meio em que vive; conceito de meio ambiente com a relação do plantio e compostagem, na qual se dá uma destinação adequada ao resíduo que iria para lixo; matemática, pela qual os alunos podem analisar o tempo de cultivo e construir grá�cos; e geogra�a, identi�cando o tipo de solo e espécies, entre outros exemplos da interação da educação ambiental com diversos componentes curriculares. Cultivar uma horta em escolas pode se tornar um hábito que traz benefícios sociais, ambientais e culturais a longo prazo. Saiba mais A leitura do artigo “Aprendizagem, Educação Ambiental e Escola: modos de en-agir na experiência de estudantes e professores”. de autoria de Karla R. do Amaral Demoly e Joceilma S. B. dos Santos, publicado na revista Ambiente & Sociedade, nos traz como docentes e estudantes concebem a percepção da educação ambiental em o�cinas realizadas em escolas. É de suma importância essa leitura, pois traz como aprender educação ambiental em escolas. Referências BARBIERI, J. C. Gestão Ambiental Empresarial. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus �ns e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1981. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938compilada.htm. Acesso em: 30 ago. 2022. BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1999. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9795.htm. Acesso em: 30 ago. 2022. CAPRA, F. Teia da Vida: uma nova compreensão cientí�ca dos sistemas vivos. São Paulo: Cultrix, 2006. CARVALHO, I. C. de M. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. São Paulo: Cortez, 2008. DAJOZ, R. Princípios de Ecologia. Trad.: Fátima Murad. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. LOUREIRO, C. F. B. Trajetória e Fundamentos da Educação Ambiental. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2009. https://www.scielo.br/j/asoc/a/PDtkjHrq9jwWzYjnQW8YxVf/?lang=pt https://www.scielo.br/j/asoc/a/PDtkjHrq9jwWzYjnQW8YxVf/?lang=pt http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938compilada.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9795.htm Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE PELICIONI, A. F. Movimento ambientalista e Educação Ambiental. In: PHILIPPI JR., A.; PELICIONI, M. C. F. (ed.). Educação Ambiental e Sustentabilidade. Barueri, SP: Manole, 2005. SUVÉ, L. Educação Ambiental: possibilidades e limitações. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, maio/ago. 2005, p. 317-322. Aula 2 Introdução à Educação Ambiental Videoaula: Problemas Ambientais e Percepção Ambiental Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Você verá, neste vídeo, como a poluição ambiental está presente no nosso cotidiano, e que precisamos ter formas de controlar essa poluição, principalmente a das águas. Você verá também que existe poluição ambiental natural e antrópica, dependendo de sua origem, e a depender da �nalidade e uso, a água precisará ser tratada. O vídeo mostra algumas maneiras de tratar da qualidade da água, e a importância de preservar e conservar os recursos naturais. Ponto de Partida Estudante, nesta aula você vai estudar os conceitos que o levarão a uma concepção dos problemas ambientais do Brasil e suas preocupações atuais. Entre os conteúdos propostos, teremos o conceito de poluição natural e antrópica, bem como suas principais origens. Você verá o conceito de poluição hídrica, e que sua principal fonte é o lançamento de esgoto doméstico e industrial, e que se não houver formas de controle, teremos consequências ao ecossistema, ao corpo hídrico, aos animais e à qualidade de vida da população. Veremos que as formas de controle de poluição das águas estão relacionadas a saber a atual qualidade da água e o seu uso, e que também, dependendo do uso, será necessário fazer um tratamento prévio. Você verá que a proteção e a conservação do patrimônio ambiental dependem de todos. Bom estudo! Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Vamos Começar! A preocupação ambiental teve início na década de 1970, quando houve uma sensibilização maior para interação do homem com a natureza. Desde então, o ser humano percebe que ele também faz parte do meio ambiente, e que poderia sofrer as consequências de sua degradação. De acordo com o inciso III do art. 3º da Lei nº 6.938, de agosto de 1981 (BRASIL, 1981), entendemos como poluição: […] a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. Com esse conceito apresentado na Política Nacional de Meio Ambiente, sabemos que o principal agente responsável pela poluição é o próprio homem, com açõesque, de maneira direta ou indireta, podem ocasionar um efeito negativo no equilíbrio do meio ambiente, causando consequências inúmeras, como problemas à saúde das pessoas e degradação aos ecossistemas. Os poluentes geralmente são chamados de agentes de poluição, e segundo Derisio (2012, p. 28), “podem ser de natureza química, genética, ou sob forma de energia, como a luz, calor ou radiação”. As fontes de poluição podem ser classi�cadas de acordo com a sua origem: naturais ou antrópicas (Figura 1). As fontes naturais são decorrentes de atividades vulcânicas, gás metano e fuligem de incêndios �orestais, entre outras. Já a poluição antrópica tem origem em atividades humanas, oriundas de indústrias, atividades domésticas, agricultura e produção de energia, por exemplo (BRAGA et al., 2005). Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Figura 1 | Poluição da água por meio de dejetos lançados sem tratamento. Fonte: Pixabay. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Quando tratamos de poluição hídrica, sabemos que os rios têm uma capacidade natural de diluir os e�uentes, denominada autodepuração (VON SPERLING, 2005). Quando a autodepuração não é possível, a consequência é a poluição das águas, cujas características são alterações que possam afetam o ecossistema aquático e o abastecimento de água. Os principais agentes poluidores das águas são classi�cados como e�uentes domésticos e industriais. Os e�uentes domésticos são formados por agentes biodegradáveis, partículas sólidas, matéria orgânica, gordura e organismos patogênicos como bactérias, vírus, parasitas e protozoários, além de nutrientes como o nitrogênio e o fósforo. Já os e�uentes industriais podem ter compostos de difícil degradação, como detergentes sintéticos, agrotóxicos e compostos orgânicos, entre outros componentes. Uma das formas de controlar a poluição das águas é o atendimento à legislação ambiental vigente. E como fazer isso? É importante tratar o esgoto antes de lançar nos rios. O tratamento é fundamental, uma vez que sua disposição de maneira inadequada pode trazer danos à saúde pública e impactos ambientais. A técnica a ser utilizada dependerá das características do e�uente e dos poluentes que se deseja remover. De acordo com Von Sperling (2005), geralmente o tratamento é feito nos seguintes níveis: Preliminar: visa remover os sólidos grosseiros. Primário: objetiva remover sólidos sedimentáveis e parte da matéria orgânica. Secundário: visa remover a matéria orgânica. Terciário: visa à remoção de poluentes especí�cos. Para garantir o uso racional de recursos naturais e um controle maior da poluição ambiental, incluindo as águas, entra a educação ambiental, com programas que tratam dessas temáticas, sendo fundamental para aplicação em medidas e�cazes que ajudam a minimizar os impactos ambientais e preservar a biodiversidade. Siga em Frente... Estamos em um ponto da história no qual precisamos moldar nossas ações no mundo, e precisamos ter mais atenção para as consequências ambientais. Com ignorância ou indiferença, podemos trazer danos irreversíveis ao meio ambiente, ao qual nossa qualidade vida e nosso bem-estar estão atrelados. No Brasil, deve haver a preocupação com as diferentes formas de poluição, como queimadas, uso desenfreado de agrotóxicos, poluição da água, do ar, do solo e sonora. Para isso, temos uma legislação ambiental completa – uma das mais avançadas do mundo –, elaborada com o intuito de proteger o meio ambiente e minimizar os impactos ambientais. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE E por que controlar a poluição da água é importante? Primeiramente, é importante entender e interpretar o seu uso e a sua importância para todos os seres vivos. Segundo Derisio (2012, p. 20), “a água é um patrimônio comum, cujo valor deve ser reconhecido por todos, cada um tem o dever de economizá-la e utilizá-la com atenção. Cada indivíduo é um consumidor e utilizador de água”. Assim, o uso da água deve ser prudente, porque, seja em nossa vida social, no nosso trabalho ou em indústrias, os recursos hídricos são utilizados para inúmeros �ns, como: Abastecimento domiciliar. Dessedentação de animais. Indústria (como matéria-prima e uso em atividades). Irrigação. Preservação da fauna e �ora. Recreação. Energia elétrica. Diluição de despejos. Quando tratamos do uso da água, precisamos destacar que o uso mais nobre se refere ao abastecimento humano, à dessedentação de animais, ao uso industrial e à irrigação. Por isso, precisamos ter formas de controlar o uso da água. Antes que o controle da água seja jeito, é preciso entender sua qualidade ambiental. Deve-se de�nir os métodos a serem desenvolvidos, bem como os parâmetros escolhidos. Não podemos dizer que o controle será e�ciente sem saber a qualidade atual da água e a �nalidade do seu uso. Segundo Derisio (2012), entre as maneiras de controle, é preciso entender a forma como os sistemas podem ser ajustados para atingir os resultados almejados, por exemplo, se desejamos a qualidade de água para consumo humano, seu tratamento deve atender à legislação vigente, que são a Portaria nº 2914/2011 (BRASIL) e a Portaria nº 888/2021 (BRASIL) do Ministério da Saúde. Para o controle de poluição de águas é preciso que o local para mensurar a qualidade de água seja conhecido. A Figura 2, como exemplo, os pontos ambientais de controle. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Figura 2 | Pontos ambientais de controle. Fonte: elaborada pela autora. A Figura 2 nos apresenta quatro componentes conectados em um sistema como entrada e saída, sendo as saídas representadas nos retângulos com cor de fundo azul. Para se ter um controle efetivo, é preciso conhecer por completo cada componente. Para isso, é necessária a compreensão de todo o processo que vai originar o uso da água. Nas formas de controle deve-se pensar nas estratégias e nos parâmetros a serem utilizados para analisar a e�ciência do controle ambiental. Assim, a água e outros recursos naturais serão conservados e o patrimônio ambiental será preservado, pensando no seu uso racional para as gerações presentes e as futuras. Vamos Exercitar? Ao atuar em um ambiente escolar, como professor, você poderá utilizar a educação ambiental de maneira interdisciplinar, vinculada a várias disciplinas, quando falamos das preocupações do Brasil, das formas de controlar a poluição das águas e em como preservar o patrimônio ambiental. Você pode fazer primeiramente uma provocação aos seus alunos, levando-os a pensar, opinar e discutir a respeito das preocupações atuais do Brasil quando falamos em meio ambiente. Você pode lançar esse tema, e certamente terá respostas como queimadas, desmatamento e poluição das águas. Você pode propor, com a diretoria, uma visita técnica em um fundo de vale. Mas por que em algum fundo de vale? Infelizmente, quando falamos em poluição da água, a grande maioria dos fundos de vale sofre com descarte inadequado de resíduos e despejos clandestinos de esgoto. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Então você pode planejar sua prática da seguinte forma: 1. Provocação inicial: lançar a pergunta acerca das preocupações ambientais atuais do Brasil, e ir anotando o que aparece. Quando um aluno falar de poluição de água, você explica a orientação da prática: organizar o número de alunos, meio de transporte, fundo de vale a ser escolhido, orientação quanto à segurança (calça comprida, repelente, calçado fechado, autorização e outros). 2. Visita no fundo de vale: explique que os alunos vão visitar o fundo de vale e que devem veri�car se nele existe algum problema de poluição das águas. Depois, eles devem propor medidas para minimizar os impactos ambientais. Divida a turma em pequenos grupos. No local da prática, faça a explicação do que é poluição de água, de formas de controle e de como preservar o ambiente. Depois que retornar da visita técnica, proponha uma atividade de cartaz. Você pode usar papel kraft e pedir que os grupos desenhem ou escrevam o que viramno fundo de vale. Certamente alguns vão descrever o possível odor (se tiver), vão falar que viram muito lixo. Peça para os alunos, diante dos problemas encontrados, abordem as formas de proteger e conservar os rios, que são um recurso ambiental imprescindível para qualidade de vida das pessoas. Como resultado dessa prática, alguns estudantes vão abordar as formas de educação ambiental para sensibilizar a população em relação à proteção dos rios. Há outra prática que você pode propor para seus alunos: um dia de mutirão de limpeza dos rios. Com isso, você poderá ganhar força com a participação dos alunos de outras turmas, de toda a escola, da comunidade e de empresas. Podemos perceber a educação ambiental permeando outras disciplinas e ganhando espaço com práticas voltadas a situações do cotidiano das pessoas, as quais se sentirão inseridas na sociedade e poderão também ser guardiãs dos rios, se estiverem engajadas com a causa de proteção ambiental. Saiba mais As visitas técnicas são experiências práticas que colocam os alunos em situações práticas e do seu cotidiano. Trata-se de momentos em que os eles reconhecem o ambiente além da sala de aula, para formação de sua opinião crítica. O artigo “A educação ambiental através das visitas técnicas no ensino superior: estudo de caso” escrito por Isabela B. Frederico, Zysman Neiman e Júlio César Pereira, na revista Educação Ambiental em junho/agosto de 2022, traz essa abordagem. Neste texto, os autores fazem uma pesquisa qualitativa e quantitativa com alunos no que diz respeito às visitas técnicas. https://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=1123 Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Referências BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. Brasília, DF: Presidência da República, 1981. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938compilada.htm. Acesso em: 5 set. 2022. BRASIL. Portaria Nº 2.1914 de 12 de Dezembro de 2011. Disponível em:< https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2914_12_12_2011.html> Acesso em: 04/10/2022. BRASIL. Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021. Disponível em:< https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-888-de-4-de-maio-de-2021-318461562> Acesso em: 04/10/2022. BRAGA, B. et al. Introdução à engenharia ambiental. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. 313. DERISIO, J. C. Introdução ao controle da poluição ambiental. 4. ed. São Paulo: O�cina de Textos, 2012. FREDERICO, I.; NEIMAN, Z.; PEREIRA, J. C. A Educação Ambiental através das visitas técnicas no ensino superior: estudo de caso. Revista Educação Ambiental, v. XXI, n. 89, jun.-ago. 2022. VON SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. Vol. 1. 3. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2005. Aula 3 Desenvolvimento Sustentável Videoaula: Educação Ambiental, Cidadania e Desenvolvimento Sustentável Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938compilada.htm https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2914_12_12_2011.html https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-888-de-4-de-maio-de-2021-318461562 Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Você verá neste vídeo como o desenvolvimento sustentável é um conceito importante difundido até hoje, e que as práticas sustentáveis e as mudanças de posturas da sociedade são essenciais para um mundo mais sustentável. Você verá também que temos os 17 ODS, que são metas estabelecidas até o ano de 2030 em prol de um mundo melhor. Ponto de Partida Estudante, nesta aula, você vai estudar o desenvolvimento sustentável e saberá da importância de preservar os recursos que temos, pensando nas próximas gerações. O desenvolvimento sustentável visa garantir a qualidade de vida das pessoas e sua relação com o meio ambiente. Entre os conteúdos propostos, teremos o conceito de cidadania participativa e de desenvolvimento sustentável, os objetivos de desenvolvimento sustentável, e como uma sociedade pode ser sustentável, com mudanças de hábitos e questões práticas. Veremos que as práticas sustentáveis estão relacionadas com nosso cotidiano, e que a educação ambiental formal, realizada em escolas, pode de maneira interdisciplinar trabalhar com desenvolvimento sustentável e ser disseminadora de informações, visando ao engajamento das pessoas. Vamos Começar! Quando falamos em educação, estamos tratando de um processo de formação dos indivíduos para vida em sociedade, em formar cidadãos. Levando em consideração a formação de pessoas para a cidadania, Santos, Costa e Souza (2020) argumentam que a educação ambiental não se constitui como uma modalidade especial de educação, uma vez que seus princípios estão pautados na formação de cidadãos para promoção de uma sociedade cada vez mais sustentável. Para Jacobi (2003), cidadania tem a ver com a ideia de identidade e pertencimento, sendo a educação ambiental formadora do exercício da cidadania, fundada em questões éticas. A responsabilidade e o cuidado com a vida podem ser agregados com a capacidade de analisar as relações presentes na sociedade de forma crítica. Segundo Nepomuceno e Guimarães (2016), é preciso pensar a cidadania além de um conjunto de direitos e deveres, pois ela é importante no processo de desenvolvimento sustentável. Temos que a proteção ambiental na sociedade contemporânea visa perceber o desenvolvimento sustentável como uma das formas de viabilizar a concretização do princípio da dignidade humana nas democracias atualmente existentes, e as discussões acerca do desenvolvimento sustentável estão presentes em vários segmentos da sociedade (COSTA; TEODÓSIO, 2011). Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Desenvolvimento sustentável é de�nido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento como “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades” (WCED, 1987, p. 16). Esse conceito traz a premissa que devemos ter uma boa qualidade de vida, respeitando as particularidades e a capacidade de suporte da natureza (MANCE, 2002). Para alcançar o desenvolvimento sustentável, Sachs (2003) traz o conceito do tripé da sustentabilidade. Esta deve ser, então, ambientalmente adequada, economicamente viável e social, tendo a participação das pessoas. A Figura 1 nos apresenta o tripé da sustentabilidade. Figura 1 | Tripé da sustentabilidade. Fonte: elaborada pela autora. A sustentabilidade leva em consideração as necessidades humanas, sendo um desa�o para a sociedade suprir suas necessidades de maneira sustentável. Sachs (2003) aponta cinco dimensões de sustentabilidade que devem ser observadas para planejar o desenvolvimento, considerando o ecodesenvolvimento como forma de combinar sistemas econômicos com a proteção ambiental, visando garantir uma melhor qualidade de vida para a população. São cinco pilares da sustentabilidade: social, econômico, ecológico, espacial e cultural. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE O autor supracitado enfatiza que é preciso afastar a dependência técnica e cultural, e valorizar a cultura local e seus recursos, além de pressupor uma alternativa que contempla a democracia participativa, com desenvolvimento endógeno e equidade social, em prol de melhores condições da sociedade. As alterações ocasionadas pela globalização sobre as estruturas do Estado-nação formam o contraponto necessário para a avaliação da possibilidade de conciliar os objetivos, as diretrizes e os conteúdos que a expressão “desenvolvimento sustentável” engloba (SACHS, 2007). Uma sociedade sustentável é aquela em que desenvolvimento econômico, social, cultural e em todas as formas interage com meio ambiente (SACHS, 2007), respeitando a diversidade biológica e sociocultural, o exercício responsávelda cidadania, a distribuição equitativa das riquezas e das condições dignas de desenvolvimento. Siga em Frente... Para entendermos e interpretamos o desenvolvimento sustentável e suas ações, precisamos fazer um questionamento: qual o papel da sociedade diante do desenvolvimento sustentável? Qual a relação da cidadania participativa com esse processo? Para responder a esses dois questionamentos, precisamos entender que é um desa�o da sociedade atual viver em harmonia com o meio natural, e que é só por meio de cidadania participativa, com ações voltadas à educação e com participação social e engajamento, que teremos uma sociedade que efetivamente tenha ações sustentáveis. O conceito de desenvolvimento sustentável vem de um processo longo no decorrer da história, na avaliação crítica entre a relação do homem e natureza. No ano de 1987, a Comissão Brundtland, como �cou conhecida na época, publicou um relatório contemporâneo denominado “Nosso Futuro Comum”, que trouxe o conceito de desenvolvimento sustentável, considerado inovador para época. Uma das questões que esse estudo abordou foi a necessidade de gerenciar o crescimento populacional e controlar os recursos naturais para que não se esgotassem (OLIVEIRA, 2005). De acordo com o Relatório Brundtland (1987), em um mundo onde a desigualdade e a pobreza não são mais inevitáveis, o desenvolvimento sustentável precisa atender a todas as necessidades, e oferecer uma nova oportunidade na qualidade de vida das gerações presentes e vindouras. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são um chamado universal que objetiva ações contra a pobreza, além da proteção do planeta, e visa garantir que as pessoas tenham paz e prosperidade. O Brasil teve papel importante e participou de todas as sessões da negociação intergovernamental, em que os países entraram em um acordo que contempla 17 objetivos e 169 metas, as quais envolvem temáticas diferentes. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Assim, como resultado os ODS que entraram em vigor no dia 1º de janeiro de 2016, tendo como principal foco a erradicação da pobreza extrema até 2030. Os 17 indicadores brasileiros para os ODS são (BRASIL, c2022): 1. Erradicação da pobreza. 2. Fome zero e agricultura sustentável. 3. Saúde e bem-estar. 4. Educação de qualidade. 5. Igualdade de gênero. �. Água potável e saneamento. 7. Energia limpa e acessível. �. Trabalho decente e crescimento econômico. 9. Indústria, inovação e infraestrutura. 10. Redução das desigualdades. 11. Cidades sustentáveis. 12. Consumo e produção responsáveis. 13. Ação contra a mudança global do clima. 14. Vida na água. 15. Vida terrestre. 1�. Paz, justiça e instituições e�cazes. 17. Parcerias e meios de implementação. Sob essa perspectiva e contemplando os ODS, podemos dizer que o desenvolvimento sustentável, para ser pleno, relaciona-se com a qualidade de vida e bem-estar das pessoas, sendo possível a participação por meio de ações na sociedade, por meio de políticas públicas, de participação comunidade local, de engajamento e de ações efetivas de educação ambiental. Vamos Exercitar? Quando falamos em práticas e aplicações referentes ao desenvolvimento sustentável, precisamos entender que uma sociedade só será sustentável se tiver cidadania participativa, que é uma forma de relacionamento. A cidadania não é só um direito, é mais do que isso: é preciso que a sociedade faça sua parte, que inter�ra, que tenha sua posição no espaço e que participe para que essas relações sejam fortalecidas. E para você, que será professor: como pensar uma situação prática de desenvolvimento sustentável, sabendo que a sustentabilidade prega o uso racional de recursos naturais considerando as gerações vindouras? Você pode pensar em uma prática que trabalhe educação ambiental e ODS, com uma exposição de maquetes. Primeiro, de�na qual (is) ODS você vai trabalhar. Neste momento vamos escolher Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE água potável e saneamento; cidades e comunidades sustentáveis e consumo e produção responsáveis. Primeiro faça uma aula expositiva, explicando que esses ODS são apelos globais com ações visando acabar com desigualdade e pobreza, fomentar a proteção ambiental e garantir qualidade de vida para as pessoas, e que temos metas até o ano de 2030. Depois delimite os ODS citados anteriormente. Proponha grupos de até cinco pessoas, e explique como se dará a dinâmica. Você pode perceber neste ponto a interdisciplinaridade de educação ambiental, que poderá abranger as seguintes áreas do conhecimento: geogra�a, artes e ciências. Essa atividade tem como objetivo estabelecer nos ODS selecionados atitudes de cuidado com o meio ambiente, identi�cando-se como parte integrante dele, além de desenvolver uma atuação de cidadania e de criatividade, responsável e respeitosa com a natureza. Para a maquete, os materiais necessários são sucata (recicláveis, latas, garrafas, caixas de papelão e outros), material de arte como canetas, canetinhas, lápis de cor, giz de cera, régua, papéis coloridos, tinta à base de água, pincel, tesoura, cola e outros. Faça uma roda de conversa, perguntando se alguém já foi a alguma exposição de arte. Se sim, que tipos de obra viram? Você pode também passar vídeos para seus alunos com obras de arte feitas com materiais considerados lixo, para inspiração dos alunos. Diga que a maquete deve ser elaborada com um dos temas do ODS, e que pode ter duas vertentes: uma mostrando os problemas ambientais (como maquete com um rio poluído, com árvores caídas), ou já trazendo as condições ideais (por exemplo, uma maquete com um rio limpo, com crianças brincando, com a vida aquática em harmonia). Organize os prazos que os grupos terão para trabalhar na atividade. Incentive os alunos a convidar as famílias, a comunidade e as outras salas, para que prestigiem os trabalhos. No dia da exposição, coloque os nomes das equipes e proponha um fórum de discussão, além de ações possíveis para preservação ambiental, com uma atividade. A prática com maquetes e interação é uma atividade lúdica com o intuito dos alunos entenderem que a sustentabilidade está presente no dia a dia, e que eles, ao compreenderem melhor esses conceitos, também podem ser disseminadores de informações. Saiba mais O uso de maquetes é uma prática interessante quando trabalhamos com a questão ambiental, pois permite a visualização rápida quando queremos apresentar algo. O artigo “Uso de maquete http://revista.urcamp.tche.br/index.php/rcmpce/article/view/2578 Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE para o desenvolvimento da consciência ambiental em estudantes do ensino fundamental em São Gabriel – RS” escrito por Letieri et al., na revista Congrega no ano de 2016, traz essa abordagem. Neste artigo os autores apresentaram a sensibilização ambiental por meio maquete, uma atividade diferente com participação e engajamento dos estudantes. Referências BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Regional. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Indicadores Brasileiros para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Brasília, DF: Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística, Secretaria Especial de Articulação Social, c2022. Disponível em: https://odsbrasil.gov.br/. Acesso em: 17 set. 2022. COSTA, D. V. da; TEODÓSIO, A. dos S. de S. Desenvolvimento sustentável, consumo e cidadania: um estudo sobre a (des)articulação da comunicação de organizações da sociedade civil, do estado e das empresas. RAM – Rev. Adm. Mackenzie, v. 12, n. 3, jun. 2011. FREITAS, L. da R. et al. Uso de maquete para o desenvolvimento da consciência ambiental em estudantes do ensino fundamental em São Gabriel-RS. Revista Congrega, 2016. Disponível em: http://revista.urcamp.tche.br/index.php/rcmpce/article/view/2578. Acesso em: 17 set. 2022 JACOBI, P. Educação Ambiental, Cidadania e Sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 118, p. 189-205, mar. 2003. NEPOMUCENO, A. L. de O.; GUIMARÃES, M. Caminhos da práxis participativa à construção da cidadaniasocioambiental. Ambiente & Educação, Rio Grande/RS, v. 21, n. 1, p. 59-74, 2016. MANCE, E. A. Consumo solidário. In: CATTANI, A. D. La outra economia. Buenos Aires: Altamira, 2002. p. 79-85. OLIVEIRA, L. D. A. Ideologia do Desenvolvimento Sustentável: notas para re�exão. Revista Tamoios, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, jul./dez. 2005. SACHS, I. O tripé do desenvolvimento includente. Palestra Magna. Seminário de Inclusão Social. Brasília: BNDES, 2003. SACHS, I. Primeiras Intervenções. In: NASCIMENTO, E. P. et al. Dilemas e desa�os do desenvolvimento sustentável no Brasil. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. SANTOS, L. R. O.; COSTA, J. de J.; SOUZA, R. M. e. Educação (Ambiental) para a cidadania: ações e representações de estudantes da Educação Básica. Rev. Eletrônica Mestr. Educ. Ambient., Rio Grande, v. 37, n. 1, p. 188-207, jan./abr. 2020. http://revista.urcamp.tche.br/index.php/rcmpce/article/view/2578 http://revista.urcamp.tche.br/index.php/rcmpce/article/view/2578 https://odsbrasil.gov.br/ Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE WORLD COMISSION ON ENVIRONMENT AND DEVELOPMENT – WCED. Our common future. Oxford: Oxford University Press, 1987. Aula 4 Projetos Ambientais Videoaula: Educação Ambiental, Cidadania e Desenvolvimento Sustentável Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Neste vídeo você verá como a educação ambiental está presente em nossa vida coletiva e que pode ser importante como disseminadora de informações. Você verá os tipos de consumo, e que o consumo consciente já é uma realidade. O vídeo também traz a educação ambiental como promotora de qualidade de vida e saúde. Ponto de Partida Estudante, nesta aula você vai estudar a relação da educação ambiental com nosso cotidiano, e perceber a importância das ações de educação ambiental como promotoras de informações. Entre os conteúdos propostos, teremos o conceito de consumo e consumo consciente. Veremos que as pessoas estão mudando sua postura em reação ao consumo, exigindo padrões mais sustentáveis. Estudaremos que o consumo consciente é uma das formas de minimizar a quantidade de resíduos, e que práticas como os 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) podem ser importantes. Porém, essas práticas só são disseminadas por meio da educação ambiental, e em sala de aula é possível trabalhar essa temática, engajando os alunos. Vamos Começar! Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Você já parou para pensar que a educação ambiental faz parte da vida coletiva? E que a educação ambiental pode ajudar as pessoas na qualidade de vida, saúde e prevenção de doenças? Isso quer dizer que quanto mais pessoas, maior é a demanda por energia, e maior é o consumo de recursos não renováveis como petróleo e minerais. O uso irracional desses recursos nos leva a impactos difíceis de absorver (BURSZTYN; BURSZTYN, 2012). Uma das formas de pensar em mudanças por parte das pessoas é a educação ambiental, Segundo Janke e Tozoni-Reis (2008, p. 148), a educação ambiental tem um caráter formador que busca contribuir na formação de pensadores críticos. […] favorece a compreensão e desvela as determinações da realidade humana, de forma a reconstruir em si valores de civilidade e humanidade construídos historicamente. Ou seja, deve instrumentalizar o indivíduo para compreender e agir de forma autônoma sobre sua própria realidade histórica, construída pelas relações sociais. Portanto, a educação ambiental tem como objetivo contribuir para a formação de indivíduos críticos e re�exivos capazes de (re)pensar sua própria prática social. A educação ambiental procura estimular o indivíduo a problematizar suas necessidades reais, buscando mais que riqueza material, mas também novas relações com os outros e novas formas de tratar a diversidade, empreendendo uma crítica radical à modernidade e valorizando a prática social em uma perspectiva ética e ecológica, para que o outro e o ambiente sejam parte do sonho de felicidade de todos. Dessa maneira, a educação ambiental articula teoria e prática, sendo transformadora na realidade histórica e concreta na vida das pessoas no ambiente (TOZONI-REIS, 2004). Em uma sociedade capitalista temos a supervalorização do consumo, isto é, a inclusão do estilo consumista da sociedade, muitas vezes compreendido com a qualidade de vida que converte-se em deterioração do ambiente, subvalorizando, ainda, e em consequência, a qualidade ambiental como forma de bem-estar (LEFF, 2001). Outra consequência importante da valorização do consumo como qualidade de vida, segundo Leff (2001), é a discriminação daqueles que não podem manter os padrões de consumo. Além de tratar disso, segundo Barbieri (2016) a educação ambiental também pode promover práticas para minimizar o consumismo, visto que temos novos per�s de consumidor. Enquanto pensamos na promoção de saúde, podemos entender que a educação ambiental é já é debatida dentro de um contexto histórico com discussões internacionais, acerca dessa temática (PELICIONI, 2014). Ao entendermos a educação ambiental como promotora de saúde, entendemos que ela trata da conexão do homem com a natureza, pensando nos níveis de importância para manutenção vida, e o homem sendo integrado ao sistema vivo. Logo, se houver alterações signi�cativas no ambiente, como poluição da água, do ar e do solo, as consequências podem ser a sua própria saúde, pois muitas doenças provêm da água, por exemplo, cólera, leptospirose, amebíase e Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE esquistossomose. A Figura 1 mostra um pneu jogado em local inadequado como reservatório para o mosquito da dengue. Figura 1 | Pneu com água parada como reservatório para mosquito da dengue. Fonte: Pexels. Assim, promover a saúde é promover a qualidade de vida, e uma das formas possíveis é por meio da educação ambiental como disseminadora de informações e engajamento das pessoas. Siga em Frente... Quando pensamos como a educação ambiental pode ser promotora de ações voltadas à qualidade de vida e com questões voltadas ao nosso cotidiano, tais como reciclagem, coleta seletiva, poluição da água e outros. Segundo Pelicioni (2014), a educação ambiental procura estimular as pessoas a pensar em suas necessidades reais, buscando mais do que uma riqueza material, mas uma nova relação entre as pessoas e uma nova forma de interagir com a natureza, dentro de uma perspectiva ética e voltada à qualidade de vida das pessoas. E como trabalhar educação ambiental se temos parte da população cuja essência está no consumismo? Devemos pensar que também temos uma sociedade mais exigente no que tange à Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE questão ambiental, que tem buscado a sustentabilidade? Existe um novo per�l de consumidores que, ao adquirir um produto, busca saber se ele é sustentável. Na Figura 2 temos uma imagem que se refere ao consumismo. Figura 2 | Compras e consumismo. Fonte: Pixabay. De acordo com Dias (2014), no processo para decisão de uma compra há um per�l de consumidor que busca saber se as empresas trazem ações ligadas ao meio ambiente, à cultura, ao esporte, à sociedade e à comunidade, por exemplo. Aqui entra a educação ambiental como disseminadora de informações. Segundo Barbieri (2016), um consumidor pode apenas levar em conta aspectos considerados tradicionais, como marca, preço, praça e promoção, mas quando um consumidor é consciente, prefere pagar mais para ter um produto sustentável. Assim, um consumidor é responsável quando opta por comprar de empresas que oferecem produtos sustentáveis, por exemplo, frutas sem agrotóxicos e detergentes biodegradáveis. Esses consumidores demonstram cada vez mais ter um poder que antes não era imaginado pelas empresas: o de trocar de marca ou substituir um produto por outro. Essa é a pressão mais forte que a sociedade pode trazer para que as empresas tenham atitudes éticas e cumpramas obrigações (DIAS, 2014). Como podemos de�nir esse novo consumidor? Segundo Zenone e Dias (2015), a partir da década de 1990, observamos o crescente aumento de um grupo de consumidores que está adquirindo uma importância econômica também crescente, e que apresenta comportamento de Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE compra diferente, representando uma força mercadológica importante para os interesses das empresas. O consumidor que adota o consumo consciente é aquele que prioriza o interesse coletivo em relação ao individual, favorecendo um modelo comercial social e ecologicamente correto. Esse tipo de consumidor se posiciona e participa ativamente de questões que lhe afetam, luta pelos direitos dele e exige das empresas e das organizações o cumprimento do papel delas na sociedade. Não se limita a exigir qualidade e preço justo dos produtos e serviços que consome, também demanda interações mais éticas nas relações de consumo e nos relacionamentos de que faz parte, além de reclamar o cumprimento do papel de cada organização na sociedade (DIAS, 2014). Dessa forma, você pode perceber que a educação ambiental faz parte do nosso cotidiano e é essencial para o engajamento das pessoas. A educação ambiental também se faz promotora de saúde, e visa à redução de doenças quando trabalha em campanhas voltadas à preservação ambiental, sendo indispensável a responsabilidade e a consciência coletiva. Vamos Exercitar? Um dos problemas da sociedade atualmente é o consumismo e a consequente geração de resíduos. O consumidor de�ne seus valores e necessidades pelo que é oferecido, e não por suas necessidades; assim, o consumo consciente tem como objetivo que as pessoas realmente entendam suas necessidades, e tenham consciência dos seus direitos e responsabilidades. Como relacionar a educação ambiental com o consumismo? Sabe-se que a educação ambiental formal é trabalhada em escolas, por meio da multidisciplinaridade, com a colaboração de várias disciplinas e da comunidade em geral. Por meio de práticas voltadas à educação ambiental, consegue-se uma correlação entre o nosso cotidiano e a maneira de melhorar a qualidade de vida das pessoas. Mas como abordar essa questão de consumismo e educação ambiental em sala de aula? Faça uma sensibilização utilizando a educação ambiental como promotora de informações. Planeje com seus alunos uma exposição chamada “Lixo: o que tenho a ver com isso?”. Você pode trabalhar com itens obsoletos, mostrando a eles itens cujo consumo foi incentivado, e que hoje não existem mais por não terem mais utilidade, os quais acabam em um aterro, muitas vezes em lixões. Esses resíduos, quando dispostos em locais inadequados, podem ser receptáculos para proliferação de vetores transmissores de doenças, como o mosquito da dengue. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Leve para a exposição: �tas de videocassete, �tas de música, discos, televisores antigos de tubo e aparelhos de rádio, por exemplo, e escreva em cima do cartaz: “O que tenho a ver com isso?”. Apresente alguns itens que os estudantes podem sequer conhecer, desperte a curiosidade e a crítica: esses itens não utilizados foram descartados. Com isso, você pode trabalhar o tema consumo consciente. Explique aos seus estudantes que não vamos deixar de gerar resíduos, mas podemos minimizar essa geração colocando a prática e política dos 3Rs: reduzir, reutilizar e reciclar, que objetiva diminuir a gestão de resíduos: a redução diminui o uso de matéria-prima e energia; a reutilização pode ser o uso direto do produto; e a reciclagem ocorre por meio da segregação de materiais aparentemente sem uso na transformação em matéria-prima para novos produtos. Outra maneira de trabalhar com a redução do consumo e a sensibilização dos alunos seria o uso de vídeos de documentários em sala de aula. Acerca desse assunto, é importante que o professor faça a triagem do material, para que ele use vídeos que tenha uma linguagem que os alunos entendam, e que tragam uma mensagem incentivadora. Você pode �nalizar sua atividade orientando os alunos a fazerem um cartaz relacionando como consumir menos e como minimizar os resíduos. Neste ponto você pode trabalhar com ações que visam à redução do consumo como campanhas de conscientização, diminuição do uso de água, diminuição de embalagens, diminuição do desperdício, compra de produtos realmente necessários, práticas mais sustentáveis. Saiba mais A educação ambiental pode ser utilizada como exercício da cidadania, e uma das formas pode ser a sua relação com bens de consumo e a geração de recursos naturais. O artigo “Educação Ambiental e consumismo: considerações sobre ações desenvolvidas pelo Programa Terra Limpa”, de Rockett, Luna e Antônio Guerra, publicada na Revista Educação da UFSM em outubro de 2019, traz essa abordagem. Referências BARBIERI, J. C. Gestão Ambiental Empresarial. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. BURSZTYN, M. A.; BURSZTYN, M. Fundamentos de política e gestão ambiental: caminhos para a sustentabilidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2012. DIAS, R. Marketing ambiental: ética, responsabilidade social e competitividade nos negócios. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2014. https://www.redalyc.org/journal/1171/117158942081/html/ https://www.redalyc.org/journal/1171/117158942081/html/ Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE JANKE, N.; REIS-TOZONI, M. F. de C. Produção coletiva de conhecimentos sobre qualidade de vida: por uma educação ambiental participativa e emancipatória. Ciênc. educ., Bauru, v. 14, n. 1, 2008. LEFF, E. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. PELICIONI, M. C. F. Promoção da Saúde e do Meio Ambiente: uma trajetória técnico-política. In: PHILIPPI JR, A.; PELICIONI, M. C. F. Educação Ambiental e Sustentabilidade. Barueri: Manole, 2014. Cap. 17, p. 477-490. TOZONI-REIS, M. F. de C. Educação ambiental: natureza, razão e história. Campinas: Autores Associados, 2004. ROCKETT, A. N.; LUNA, J. M. F.; GUERRA, A. F. S. Educação Ambiental e consumismo: considerações sobre ações desenvolvidas pelo Programa Terra Limpa. Revista Educação da UFMS, n. 44, p. 1-26, 2019. ZENONE, L. C.; DIAS, R. Marketing sustentável: valor social, econômico e mercadológico. São Paulo: Atlas, 2015. Aula 5 Encerramento da Unidade Vídeo Aula Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Abordaremos, neste vídeo, como as questões de educação ambiental e de sustentabilidade podem ser trabalhadas de maneira transversal, e que as práticas de educação ambiental podem ser sustentáveis. Você verá que a educação ambiental é uma forma de as pessoas desenvolverem sua cidadania e serem disseminadoras e formadoras de opinião. Você verá também que dentro das escolas conseguimos trabalhar essa temática de maneira interdisciplinar, envolvendo professores e estudantes Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Ponto de Chegada A educação ambiental é um processo em que as pessoas e a coletividade constroem valores sociais, competências, habilidades e hábitos voltados a questões de preservação ambiental. Logo, pode ser uma ferramenta importante para engajamento das pessoas e disseminação de informações. Entende-se como poluição ambiental qualquer alteração que possa interferir nas características naturais em desacordo com padrões máximos toleráveis (DERISIO, 2012). Essa poluição pode ser na água, no ar e no solo, e o controle da poluição deve ser feito em conjunto. Assim, a educação ambiental é fundamental, pois se trata de um processo pelo qual o educando começa a ter conhecimento das questões ambientais, passando a ter uma nova visão a respeito do meio ambiente, sendo um agente transformador em relação à preservação ambiental. Segundo a UNESCO (2005, p. 44), “Educação ambiental é uma disciplina bem estabelecida que enfatiza a relaçãodos homens com o ambiente natural, as formas de conservá-lo, preservá-lo e de administrar seus recursos adequadamente”. A questão ambiental está cada vez mais presente em nosso cotidiano, e a educação ambiental é fundamental em todos os processos educativos, podendo ser formal (dentro de escolas) e informal (fora de escolas). Dentro de escolas é muito importante, pois trabalhos com crianças em anos iniciais sensibilizam mais facilmente (SEGURA, 2001). A educação ambiental pode ser trabalhada junto com questões voltadas ao desenvolvimento sustentável, como: redução no consumo de água, redução no consumo de energia, campanhas de reciclagem em escolas, hortas comunitárias, visitas em parques e fundos de vale, limpeza de córregos, compostagem e vídeos de sensibilização. Também se dá ao explicar temas como o consumo consciente, a coleta seletiva e como evitar o desperdício, entre outras práticas. A educação ambiental no ambiente escolar contribui para formação de cidadãos mais comprometidos, mais conscientes e aptos para aturem na sociedade, que também se comprometem com o bem-estar, a qualidade de vida e a saúde das pessoas. Assim, a educação ambiental pode ser trabalhada em escolas de maneira interdisciplinar, proporcionando intercâmbio entre as disciplinas, e isso depende dos professores participarem do processo. Para isso são necessárias orientações, estudos e preparo, para que eles realizem com excelência esse trabalho. É Hora de Praticar! Você está trabalhando em uma escola com a disciplina Educação Ambiental, e neste ano é um dos docentes responsáveis pela feira de ciências da escola. Para realizar essa feira, você Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE precisará pensar na educação ambiental de maneira transversal e interdisciplinar, contemplando outras disciplinas e o trabalho com outros colegas. Em uma reunião em conjunto, a temática central será “Reciclagem e Coleta Seletiva”. As turmas serão divididas, e deverão trabalhar os seguintes assuntos: os tipos de resíduos, as lixeiras e suas cores, a quantidade de resíduo gerada na escola, resíduos que são gerados na escola e que não podem ser descartados em coletas tradicionais, o papel de cooperativas e a cidadania participativa, resíduos descartados incorretamente versus doenças. Será preciso analisar essas questões pensando na interdisciplinaridade com as disciplinas Matemática, Português, Ciências, Artes, História e Geogra�a, para que a feira de ciências trabalhe a temática central e que os alunos percebam na prática essa correlação. Você precisa providenciar os itens essenciais para que a feira de ciências tenha como temática a reciclagem e a coleta seletiva, e que seja interdisciplinar. Re�ita acerca das questões: Como a disciplina de matemática pode aparecer na feira de ciências? Trata-se de uma temática sustentável? Qual a relação entre a temática e a cidadania? Como relacionar resíduos e saúde pública? Olá estudante, chegamos ao encerramento da unidade! Vamos realizar a experiência presencial que irá consolidar os conhecimentos adquiridos? É a oportunidade perfeita para aplicar, na prática, o que foi aprendido em sua disciplina. Vamos transformar teoria em vivência e tornar esta etapa ainda mais signi�cativa. Não perca essa chance única de colocar em prática o conhecimento adquirido. BRASIL. Resolução CONAMA nº 275/2001. Disponível em:< https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=97507> Acesso em: 04/10/2022. DERISIO, J. C. Introdução ao controle da poluição ambiental. 4. ed. São Paulo: O�cina de Textos, 2012. SEGURA, D. de S. B. Educação Ambiental na escola pública: da curiosidade ingênua à consciência crítica. São Paulo: Annablume, Fapesp, 2001. 214 p. UNESCO. Década da Educação das Nações Unidas para um Desenvolvimento Sustentável, 2005- 2014: documento �nal do esquema internacional de implementação. Brasília, DF, 2005. , https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=97507 Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Unidade 2 ECOLOGIA Aula 1 Ecologia Videoaula: Ecologia Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Começamos esta unidade com os fundamentos de Ecologia. Agora que você já estudou esta aula, venha desenvolver os seus conhecimentos sobre os objetivos e os conceitos gerais desta ciência e sobre o manejo dos recursos naturais assistindo a este vídeo! Ponto de Partida Olá, estudante! A Ecologia é a ciência que estuda a relação entre os organismos e o ambiente que os cerca. Ela tem como objetivo fornecer informações biológicas, químicas e físicas da natureza através da compreensão de como o sistema natural funciona e se equilibra. Com ela, podemos criar formas de reduzir o nosso impacto no planeta e melhorar a qualidade de vida para todos os organismos que o dividem conosco. A educação ambiental (EA) tem como foco melhorar a relação humano-natureza, e isso �ca mais fácil quando entendemos qual é o nosso papel e como devemos nos relacionar com os demais seres que também habitam a Terra. Entender e valorizar os nossos recursos naturais são outros pontos importantes para mudarmos essa relação predatória que exercemos no mundo. Assim, a Ecologia tem uma importante missão, que é a de gerar informações para a educação ambiental. Aproveite o conteúdo! Bons estudos! Vamos Começar! Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE A palavra Ecologia deriva dos termos gregos oikos, que signi�ca “casa, ambiente”, e logos, “estudo”. Sendo assim, a Ecologia é a ciência que estuda as relações entre o meio ambiente e os organismos vivos (RELYEA; RICKLEFS, 2021). Ela nos ensina que tudo está interligado, que os organismos se relacionam com os fatores físicos, químicos e biológicos em diversos patamares (ALVES; BRANDT; ALVES, 2013). De acordo com os fundamentos de Relyea e Ricklefs (2021), Primack e Rodrigues (2001), Brasil (2000) e MMA (1992), vamos entender melhor alguns dos conceitos básicos da Ecologia. Um indivíduo é um ser vivo, ou seja, é a unidade mais fundamental da Ecologia. O termo espécie se refere ao conjunto de indivíduos que possuem as mesmas características morfológicas e que tem potencial para cruzar entre si. Ainda temos a espécie-chave, que é uma espécie que afeta signi�cativamente a estrutura das comunidades, a despeito de seus indivíduos não serem particularmente numerosos. Uma população é formada por um grupo de indivíduos que pertencem a uma mesma espécie, que vivem em uma mesma região, em um mesmo intervalo de tempo e interagem entre si. A comunidade é composta por todas as populações das espécies que vivem juntas em determinada área e interagem entre si de várias formas, seja predando uma a outra ou cooperando. Ecossistema é o conjunto de sistemas ecológicos complexos que incluem milhares de espécies diferentes vivendo sob uma grande variedade de condições. Biosfera é o nível mais alto da hierarquia ecológica e inclui todos os ecossistemas da Terra, ou seja, todo estrato terrestre que abriga vida. Outros termos, também encontrados com frequência quando estudamos Ecologia, são: Habitat: refere-se ao local ou ao ambiente físico em que um organismo vive. Nicho ecológico: é o papel que um indivíduo desempenha no ecossistema. Cada espécie tem um nicho próprio, que inclui a gama de condições bióticas e abióticas que pode tolerar Recurso: refere-se a matéria ou elemento do meio ambiente que atende à necessidade de determinado indivíduo ou de determinada espécie. Chamamos de recurso-chave aquele que atende a várias espécies. Recurso ambiental: refere-se à atmosfera, às águas super�ciais e subterrâneas, aos estuários, ao mar, ao solo, ao subsolo, aos elementos da biosfera, à fauna e à �ora. Ecótipo: refere-se às diferenças entre determinadas populações de uma mesma espécie, que estão �sicamente separadas e acabam com variações genéticas em relação à população original. Manejo: é todoe qualquer procedimento que vise assegurar a conservação da diversidade biológica e dos ecossistemas. Manejo sustentável: é aquele que permite atuar em uma área de forma sustentável, sem afetar a manutenção dos recursos naturais, sempre em prol de sua preservação, como explorar frutos em determinada �oresta de forma que não haja desequilíbrio no ecossistema local, ou seja, que a �oresta se perpetue sem impactos. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Diversidade biológica ou biodiversidade: é a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas e a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte. Plano de manejo: é um documento técnico, fundamentado nos objetivos gerais de uma unidade de conservação, que estabelece seu próprio zoneamento, as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais. Para entendermos melhor como os termos acima se relacionam, analisemos o bioma Mata Atlântica. Nesse ambiente, vários organismos ocupam diferentes habitats, ou seja, algumas espécies vivem em árvores, outras no solo, no folhiço, na água e desempenham seus papéis (seus nichos ecológicos). Essas espécies vivem em populações e coexistem nas comunidades que vivem nos diferentes ecossistemas dessa �oresta tropical. Todos os organismos existentes, as suas relações entre si e entre os demais seres vivos que vivem na Mata Atlântica compõem a biodiversidade desse bioma. Entendeu as ligações? Siga em Frente... Os humanos não conseguem sobreviver sem o meio ambiente conservado, pois é dele que tiramos todos os recursos, como água, alimentos e demais materiais necessários. O ambiente natural fornece os processos fundamentais para se manter a vida no planeta Terra (ALVES; BRANDT; ALVES, 2013). Com a crise ambiental proveniente das ações antrópicas, o estudo da Ecologia se tornou extremamente necessário, uma vez que pode funcionar como uma ferramenta para alcançar a sustentabilidade. A�nal, compreender mais essa ciência nos ajudará a encontrar soluções em prol da preservação e do manejo dos recursos naturais (RELYEA; RICKLEFS, 2021). Esse manejo, feito de forma responsável e sustentável, colabora positivamente com a conservação do meio ambiente (ALVES; BRANDT; ALVES, 2013). Esse trabalho de conservação começa em cada casa e deve ser internalizado em todos os setores políticos e econômicos. A gestão ambiental, muito discutida na Rio 92, tem como objetivo a utilização de práticas e métodos administrativos que levem ao máximo a redução dos impactos ambientais gerados pelas atividades econômicas sobre os recursos da natureza (ONU, 2020). Todo manejo de recursos naturais exige muito estudo prévio e planejamento. O manejo sustentável pode ser feito nos mais diversos sistemas naturais e aplicado em recursos especí�cos, como o solo ou a água (ALVES; BRANDT; ALVES, 2013). A realidade social da região onde a atividade de manejo será aplicada é um fator importante, a�nal não se pode considerar uma atividade de desenvolvimento sustentável se a comunidade local não for favorecida e não for ativamente participativa (MENTEN, 2019). Alguns exemplos de projetos de atividade extrativista baseados em manejo sustentável são os apoiados pela WWF Brasil, como o Solado de Borracha (utilizando a borracha natural Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE amazônica), produtos aromáticos com essências naturais, com base de castanha e de copaíba, o palmito de açaí e o ecoturismo de base comunitária. Todos esses recursos utilizados para a fabricação dos produtos são plantados pela comunidade local, o que contribui para a sustentabilidade �nanceira dos moradores da região. Tal ação evita a retirada dos recursos diretamente da �oresta. Em relação ao ecoturismo, a comunidade local é treinada para guiar os turistas (WWF, 2022). Outro projeto de sucesso muito interessante é o Programa de Conservação Marinha, da Fundação Projeto Tamar, que envolve a comunidade local na conservação das tartarugas. Através de muita pesquisa e trabalho, eles conseguiram fazer com que a população que, antes coletava os ovos desses animais para consumo e venda, agora seja protetora dessas espécies. Além disso, a comunidade ajuda na �scalização, na conservação das praias e na educação ambiental de visitantes e frequentadores da região (TAMAR, c2011). Iniciativas que trabalham em conformidade com os pilares do Desenvolvimento Sustentável e seus 17 Objetivos (ODS) são fundamentais para a conservação dos recursos naturais. A população, quando é envolvida e se torna aliada, faz toda a diferença. Vamos Exercitar? Com o entendimento dos sistemas naturais que a Ecologia proporciona, é possível realizar, com outras áreas e diferentes pro�ssionais, atividades como as práticas de manejo. A�nal, para que seja possível fazer um manejo bem-sucedido, é necessário um planejamento repleto de inter- relações (ALVES; BRANDT; ALVES, 2013). As Unidades de Conservação (UC) no Brasil possuem um plano de manejo para nortear todas as atividades que são desenvolvidas dentro delas. Uma UC, segundo a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, é: [...] espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites de�nidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção. (BRASIL, 2000, [s. p.]) O plano de manejo de uma UC é um documento que tem como objetivo nortear a administração de determinada área, delimitando ações de coleta, zoneamento (organização das divisões territoriais desse espaço), transporte, descarte, povoamento e produção (ICMBIO, 2022). Todas as UC do Brasil devem ter um plano de manejo que norteia o zoneamento da Unidade e o uso que pode ou não ser feito em cada uma delas. Esse plano apresenta também a descrição da área e da biodiversidade que ela protege. As UC de uso sustentável conciliam a conservação da natureza com o uso sustentável de parte dos recursos naturais. O uso sustentável dos recursos muitas vezes envolve populações tradicionais, que ocupam parte dela ou de seu entorno (BRASIL, 2000). Dessa forma, mesmo http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9985.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9985.htm Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE sendo uma área protegida, voltada para a conservação da biodiversidade, ela equilibra e promove a manutenção das culturas de populações tradicionais. Povos e comunidades tradicionais, segundo inciso I do art. 3º do Decreto nº 6.040/2007, são: [...] grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição. (ICMBIO, [s. d., s. p.]) No Brasil, temos 87 UC com a presença de populações tradicionais, como povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pescadores artesanais (ICMBIO, [s. d.]). Com relação aos proprietários de terras privadas, o roteiro básico para a elaboração de um Plano de Manejo Florestal deve seguir, de forma resumida, os seguintes passos: informações gerais sobre a área, responsáveis técnicos, objetivos do plano de manejo, justi�cativa técnica e econômica, informações sobre a propriedade, descrição do ambiente (inventário �orestal), informações sobre o manejo �orestal, investimentos e custos, identi�cação e elaboração dos impactos socioambientais e medidas de proteção (CASES, 2012). Uma forma de manejar áreas privadas para produção de alimentos é o sistema agro�orestal (SAF). Esse tipo de ação usa a natureza como modelo, combinando espécies arbóreas com cultivos agrícolas e/ou animais (EMBRAPA, [s. d.]). A vantagem dessa forma demanejar o solo é que podemos gerar alimentos sem uso de fertilizantes e agrotóxicos. A SAF traz benefícios econômicos e ecológicos, buscando o equilíbrio na própria natureza (MICCOLIS et al., 2016). Para conhecer mais sobre o Plano de Manejo e as UCs, leia o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) apresentado pela Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Saiba mais No site do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade você pode realizar a leitura sobre as Unidades de Conservação. Veja também o mapa com a distribuição de todas elas dentro do Brasil. Para se aprofundar mais, leia sobre Sistemas Agro�orestais: a agropecuária sustentável. Referências ALVES, I.; BRANDT, C. S.; ALVES, E. M. Ecologia. Indaial: Uniassel, 2013. https://www.gov.br/icmbio/pt-br https://www.gov.br/icmbio/pt-br Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE ALVES, F. V.; LAURA, V. A.; ALMEIDA, R. G. de. (ed.). Sistemas Agro�orestais: a agropecuária sustentável. Brasília: Embrapa, 2015. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/120048/1/Sistemas-Agro�orestais-livro- em-baixa.pdf. Acesso em: 1 mar. 2023. BRASIL. Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2000. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9985.htm. Acesso em: 1 mar. 2023. CASES, M. O. Noções básicas para a elaboração de planos de manejo. In: CASES, M. O. (org.). Gestão de Unidades de Conservação: compartilhando uma experiência de capacitação. Brasília: WWF-Brasil: IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, 2012. p. 77-117. EMBRAPA. Sistema Agro�orestal. Embrapa, Sinop, [s. d.]. Disponível em: https://www.embrapa.br/agrossilvipastoril/sitio-tecnologico/trilha- tecnologica/tecnologias/sistema-de-producao/sistema-agro�orestal. Acesso em: jan.2023. ICMBIO. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Gov.br, Brasília, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/icmbio/pt-br. Acesso em: 1 mar. 2023. ICMBIO. Plano de manejo de RPPN. Gov.br, Brasília, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/icmbio/pt-br/servicos/servicos-do-icmbio-no-gov.br/crie-sua-rppn/plano-de- manejo-de- rppn#:~:text=O%20plano%20de%20manejo%20(PM,f%C3%ADsicas%20necess%C3%A1rias%20% C3%A0%20gest%C3%A3o%2C%20conforme. Acesso em: 1 mar. 2023. ICMBIO. Populações tradicionais. Gov.br, Brasília, [s. d.]. Disponível em: https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/populacoes-tradicionais. Acesso em: 17 mar. 2023. MENTEN, J. O. Benefícios e a realidade do manejo sustentável. CCAS – Conselho Cientí�co Agro Sustentável, [S. l.], 18 abr. 2019. Disponível em: https://agriculturasustentavel.org.br/bene�cios-e- a-realidade-do-manejo- sustentavel#:~:text=Um%20manejo%20sustent%C3%A1vel%20%C3%A9%20aquele,o%20c%C3%A Drculo%20social%20em%20volta. Acesso em: 1 mar. 2023. MICCOLIS, A. et al. Restauração ecológica com sistemas agro�orestais: como conciliar conservação com produção: opções para Cerrado e Caatinga. Brasília: Centro Internacional de Pesquisa Agro�orestal, 2016. ONU. A ONU e o meio ambiente. Nações Unidas Brasil, Brasília, 16 set. 2020. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/91223-onu-e-o-meio-ambiente. Acesso em: 1 mar. 2023. https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/120048/1/Sistemas-Agroflorestais-livro-em-baixa.pdf https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/120048/1/Sistemas-Agroflorestais-livro-em-baixa.pdf https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9985.htm https://www.embrapa.br/agrossilvipastoril/sitio-tecnologico/trilha-tecnologica/tecnologias/sistema-de-producao/sistema-agroflorestal https://www.embrapa.br/agrossilvipastoril/sitio-tecnologico/trilha-tecnologica/tecnologias/sistema-de-producao/sistema-agroflorestal https://www.gov.br/icmbio/pt-br https://www.gov.br/icmbio/pt-br/servicos/servicos-do-icmbio-no-gov.br/crie-sua-rppn/plano-de-manejo-de-rppn#:~:text=O%20plano%20de%20manejo%20(PM,f%C3%ADsicas%20necess%C3%A1rias%20%C3%A0%20gest%C3%A3o%2C%20conforme https://www.gov.br/icmbio/pt-br/servicos/servicos-do-icmbio-no-gov.br/crie-sua-rppn/plano-de-manejo-de-rppn#:~:text=O%20plano%20de%20manejo%20(PM,f%C3%ADsicas%20necess%C3%A1rias%20%C3%A0%20gest%C3%A3o%2C%20conforme https://www.gov.br/icmbio/pt-br/servicos/servicos-do-icmbio-no-gov.br/crie-sua-rppn/plano-de-manejo-de-rppn#:~:text=O%20plano%20de%20manejo%20(PM,f%C3%ADsicas%20necess%C3%A1rias%20%C3%A0%20gest%C3%A3o%2C%20conforme https://www.gov.br/icmbio/pt-br/servicos/servicos-do-icmbio-no-gov.br/crie-sua-rppn/plano-de-manejo-de-rppn#:~:text=O%20plano%20de%20manejo%20(PM,f%C3%ADsicas%20necess%C3%A1rias%20%C3%A0%20gest%C3%A3o%2C%20conforme https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/populacoes-tradicionais https://agriculturasustentavel.org.br/beneficios-e-a-realidade-do-manejo-sustentavel#:~:text=Um%20manejo%20sustent%C3%A1vel%20%C3%A9%20aquele,o%20c%C3%ADrculo%20social%20em%20volta https://agriculturasustentavel.org.br/beneficios-e-a-realidade-do-manejo-sustentavel#:~:text=Um%20manejo%20sustent%C3%A1vel%20%C3%A9%20aquele,o%20c%C3%ADrculo%20social%20em%20volta https://agriculturasustentavel.org.br/beneficios-e-a-realidade-do-manejo-sustentavel#:~:text=Um%20manejo%20sustent%C3%A1vel%20%C3%A9%20aquele,o%20c%C3%ADrculo%20social%20em%20volta https://agriculturasustentavel.org.br/beneficios-e-a-realidade-do-manejo-sustentavel#:~:text=Um%20manejo%20sustent%C3%A1vel%20%C3%A9%20aquele,o%20c%C3%ADrculo%20social%20em%20volta https://brasil.un.org/pt-br/91223-onu-e-o-meio-ambiente Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE PRIMACK, R. B; RODRIGUES, E. Biologia da Conservação. [S. l.]: Editora Planta, 2001. RELYEA, R.; RICKLEFS, R. Economia da Natureza. São Paulo: Grupo GEN, 2021. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737623/. Acesso em: 17 mar 2023. SILVA, E. Projeto no Pará ensina agricultores familiares a produzir bioinsumos. Globo Rural, [S. l.], 29 jan. 2023. Disponível em: https://globorural.globo.com/agricultura/noticia/2023/01/projeto- no-para-ensina-agricultores-familiares-a-produzir-bioinsumos.ghtml. Acesso em: 1 mar. 2023. TAMAR. Sensibilização e Educação Ambiental. Fundação Projeto Tamar, [S. l.], c2011. Disponível em: https://www.tamar.org.br/interna.php?cod=372. Acesso em: 1 mar. 2023. WWF. Uso Sustentável dos Recursos Naturais. WWF, Brasília, 2022. Disponível em: https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/amazonia/amazonia_acoes/ uso_sustentavel/. Acesso em: 17 mar. 2023. Aula 2 Análise de dados Videoaula: Análise de dados Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Após aprender sobre ecologia e manejo dos recursos naturais, daremos continuidade falando sobre a importância da coleta de dados para as pesquisas. Para isso, abordaremos desde os métodos de coleta de dados até como os resultados podem ser implementados. Aprofunde mais o seu conhecimento sobre o conteúdo desta aula assistindo ao vídeo! Ponto de Partida https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737623/ https://globorural.globo.com/agricultura/noticia/2023/01/projeto-no-para-ensina-agricultores-familiares-a-produzir-bioinsumos.ghtml https://globorural.globo.com/agricultura/noticia/2023/01/projeto-no-para-ensina-agricultores-familiares-a-produzir-bioinsumos.ghtml https://www.tamar.org.br/interna.php?cod=372 https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/amazonia/amazonia_acoes/uso_sustentavel/ https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/amazonia/amazonia_acoes/uso_sustentavel/ Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Olá, estudante! A análise de dados de uma pesquisa é fundamental para entender e discutir os resultados de umprojeto. É com ela que transformamos dados numéricos ou qualitativos em resultados que podem ser utilizados para responder às questões pensadas para a pesquisa. A �m de que a análise possa alcançar os objetivos, é necessário que os dados que farão parte das análises sejam bem de�nidos e de qualidade. Além disso, as análises devem estar fundamentadas no referencial teórico e alinhadas à metodologia. Deve-se lembrar, também, que a análise de dados vai gerar o resultado para responder a perguntas ou gerar informações necessárias para a avaliação de uma pesquisa ou projeto, isto é, esse processo será o norteador do produto. Vamos Começar! Em uma pesquisa cientí�ca, a coleta de dados é essencial. Os dados podem ser qualitativos e/ou quantitativos; eles podem conter desde fatores ambientais (como temperatura, pH e umidade), medição de área, tamanho e forma, fatores geográ�cos (como posição e distância) até variáveis ambientais, número de indivíduos, população, comunidade, entre outros. É a partir da interpretação dos dados coletados que podemos inferir os resultados e chegar à conclusão da pesquisa. Deve-se lembrar sempre de seguir o rigor cientí�co para que os dados gerados sejam con�áveis e aceitos (VASCONCELOS et al., 2021). Para que haja uma interpretação de qualidade, é preciso obter dados con�áveis. Isso requer bom planejamento, embasamento teórico, métodos de coleta adequados ao objetivo do trabalho e coleta dos dados, preferencialmente, por longo período, em uma ampla escala, levando em consideração fatores externos que possam in�uenciar os resultados. O domínio do tópico permite identi�car o problema, formular e testar a hipótese. Importante também que a análise das informações seja bem estruturada e baseada na fundamentação teórica da pesquisa ou projeto. O recolhimento de dados sociais, por exemplo, pode ser feito através de questionários, entrevistas, registros de histórias orais, observação e depoimentos (LIMA, 2016). A coleta dos dados biológicos pode ser feita através de armadilhas de captura, como as fotográ�cas, as redes de neblina, a Tomahawk, a Shermann e o Pitfall; de dados secundários, como o levantamento bibliográ�co regional e local, a coleta de campo in locu, a observação indireta de indícios, como as pegadas, os abrigos, as fezes, as carcaças, os ninhos, os pelos, as marcas, os sinais, os sons e as vocalizações, e as observações diretas também (ANDERSEN et al., 2020). Já os dados ambientais podem ser coletados através de estações equipadas com diferentes sensores, capazes de captar os dados em campo e transmiti-los a estações centrais de processamento por meio de telemetria – plataformas de coleta de dados (PCD) – que usam satélites de coleta de dados ou outras tecnologias como o General Packet Radio Service (GPRS). Geralmente são utilizados em pesquisas quantitativas, nas quais os dados podem vir de questionários construídos com perguntas fechadas, pesquisa experimental, registro de informações de serviço de saúde, dados retirados de sistemas de informação e/ou computacionais, entre outros (MCTIC, 2020). Os dados qualitativos também são passíveis de análises, porém são mais subjetivos, Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE porque são normalmente coletados e registrados através de narrativas, contextos históricos, estudos de caso, observação, percepção, entre outros. Em resumo, existem dois tipos de coletas de dados, como vimos, a coleta de dados quantitativos, que são obtidos através de números, e a coleta de dados qualitativa, baseados em observações, compreensões, percepções das informações obtidas. Todas as pesquisas são válidas e geram resultados. Siga em Frente... Para chegarmos aos resultados de uma pesquisa cientí�ca, primeiro é necessário que ocorra a coleta de dados especí�cos para o foco da pesquisa, a �m de que possam ser analisados e interpretados e de que possam gerar resultados con�áveis (ANDERSEN et al., 2020). Os dados ecológicos fornecem conhecimento para que possamos responder às questões levantadas e para compreender melhor o meio ambiente, os seres vivos e as suas relações ecológicas (ALVES; BRANDT; ALVES, 2013). A partir das análises dos dados coletados, geramos os resultados, que fomentarão o conhecimento que colocamos como objetivo da pesquisa, pois a análise nada mais é que o procedimento que visa transformar os números e as informações coletadas durante a pesquisa em conclusões ou tomada de decisão da pesquisa ou projeto em questão (ANDERSEN et al., 2020). Os resultados de uma pesquisa de campo de fauna em uma Unidade de Conservação (UC) vão subsidiar o seu plano de manejo (ICMBIO, 2018). Outro exemplo é o monitoramento por satélite do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal, realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que gera dados para a taxa de desmatamento da região (MAURANO; ESCADA; RENNO, 2019). Para uma boa interpretação dos dados, é preciso que haja um planejamento e�ciente e uma apropriada e extensa coleta de dados. Quanto maior o número amostral, mais fácil e mais preciso será chegar a uma conclusão. A coleta dos dados pode variar de acordo com o objetivo da pesquisa, e as estratégias implementadas para a coleta precisam se adequar às condições locais e às informações que buscam para obter uma resposta ao problema formulado na pesquisa. Tendo coletados todos os dados necessários, agora é a hora de inferir uma conclusão a partir deles (ANDERSEN et al., 2020). A metodologia escolhida para a análise dos dados vai depender do tipo de pesquisa cientí�ca que se está desenvolvendo: se ela é quantitativa ou qualitativa, qual o tamanho amostral obtido e a con�abilidade dos dados. As análises quantitativas utilizam como ferramenta a estatística, que leva em conta a diversidade, a prevalência, a abundância, a riqueza, a curva de espécies, os índices ecológicos, as distribuições de frequência, as correlações, as representações grá�cas, as medidas de dispersão, entre outros fatores. Já as qualitativas analisam textos, entrevistas, observações, depoimentos, questionários abertos, sendo assim mais complexas e subjetivas (MINAYO; COSTA, 2018). Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Todas as análises sempre buscam compreender o signi�cado dos dados coletados e entender o que eles signi�cam. Podemos realizar análises preditivas, ou seja, prever através dos dados obtidos, o que pode acontecer. Para isso, normalmente são utilizadas análises de dados históricos, estatísticos e, mais recentemente, a mineração de dados e a inteligência arti�cial (BUCENE; RODRIGUES; MEIRA, 2022). Outra análise que pode ser feita é a prescritiva, que tem como objetivo veri�car as consequências das ações, ou seja, permite saber o que pode acontecer ao escolher uma ação especí�ca. A escolha do melhor caminho para alcançar a meta ou os objetivos será do autor da pesquisa ou do tomador de decisão. Já a análise descritiva possui o simples objetivo de descrever e compreender eventos em tempo real. Não faz comparação nem relaciona com dados passados. Por �m, temos a análise diagnóstica, que busca compreender as causas de um evento. Nesse caso, essa análise faz, normalmente, as seguintes perguntas: Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? Assim, ela pode ser realizada por observação, monitoramento, acompanhamento, autoavaliação, entre outras formas (MINAYO; COSTA, 2018). Vamos Exercitar? Devido às explorações humanas, o mundo tem enfrentado múltiplos problemas ambientais, tais como a perda da biodiversidade, o desmatamento, a poluição do ar, do solo e do mar, as mudanças climáticas, as queimadas, as erosões, as deserti�cações, as contaminações, entre tantos outros. Quando a percepção do impacto aos recursos naturais alcançou uma parcela da população, isso acabou despertando a necessidade da conservação do meio ambiente. Por conseguinte, as políticas públicas começaram a surgir. No Brasil, a Política Nacional de Meio Ambiente só foi publicada em 1981, enquanto que, em muitos outros países, ela já havia sido colocada emprática antes (MOURA, 2016). Os dados ecológicos obtidos em pesquisas podem ser utilizados para a conservação e para a preservação do meio ambiente (ICMBIO, 2018), auxiliando no desenvolvimento de projetos ambientais, como os planos de manejo, a implementação de corredores ecológicos, a criação de parques nacionais e de unidades de conservação, a reintrodução de uma espécie nativa, seja de planta ou animal, a remoção de espécies invasoras ou a geração de maior conhecimento, melhorando as técnicas de conservação e fornecendo novos paradigmas para outros estudos e informações para o público e os poderes decisivos. Em um levantamento de fauna e �ora de uma unidade de conservação, os dados primários, aqueles coletados em campo, são ferramentas importantes na tomada de decisão sobre o manejo da unidade e comporão, assim, o Plano de Manejo. Em um Estudo de Impacto Ambiental (EIA), parte do Licenciamento Ambiental (LA) auxiliará até mesmo o projeto �nal do empreendimento, que poderá ser alterado de forma a não aumentar o impacto sobre o ambiente (RINCÃO; TRIGUEIRO, 2018). Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE O levantamento da fauna e da �ora possibilita a compreensão das particularidades dos ecossistemas e de suas associações a outras atividades, como o trabalho de levantamento de �ora apícola, por exemplo (MARQUES et al., 2011). O conhecimento dos vegetais de determinada região e suas características auxilia a identi�cação e determinação das plantas que contribuem para a produção do mel e revela também o seu potencial ambiental e socioeconômico, auxiliando, assim, possíveis futuros projetos de manejo e de apicultura sustentável. Levantamentos também possibilitam apurar a conservação dos ecossistemas e os valores biológicos e informar a comunidade através dos resultados obtidos. A�nal, a composição da fauna de uma região depende dos processos a que o ambiente esteve sujeito ao longo dos anos. Os dados físicos, químicos e biológicos estão fortemente interligados. Um exemplo de projeto em que o uso do levantamento foi importante foi o de levantamento da fauna para o estudo da condição ambiental nos riachos da região do Parque Estadual Mata dos Godoy, em Londrina, no Paraná. Nesse projeto foram utilizados como indicadores de poluição os invertebrados, organismos com grande diversidade, ampla distribuição e que são sensíveis às alterações ambientais (GALVES; JEREP; SHIBATTA, 2007). As metodologias são diversas, por isso se faz necessário o conhecimento técnico e uma equipe de pro�ssionais quali�cados. A educação ambiental deve caminhar junto com tais conhecimentos. Saiba mais Para se aprofundar mais no tema conheça o projeto PRODES – Amazônia, Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite. Referências ALVES, I.; BRANDT, C. S.; ALVES, E. M. Ecologia. Indaial: Uniassel, 2013. ANDERSEN, A. C. et al. Coleta de dados no campo (biológico e social). In: RIBEIRO, S. et al. (ed). A Ecologia da Paisagem no Contexto Luso-Brasileiro. Curitiba: Editora Appris, 2020. BUCENE, L. C.; RODRIGUES, L. H.; MEIRA, C. A. A. Mineração de dados climáticos para previsão de geada e de�ciência hídrica para as culturas do café e da cana-de-açúcar para o Estado de São Paulo. Campinas: Embrapa, 2002. GALVES, W.; JEREP, F. C.; SHIBATTA, O. A. Estudo da condição ambiental pelo levantamento da fauna de três riachos na região do Parque Estadual Mata dos Godoy (PEMG), Londrina, PR, Brasil. Pan-American Journal of Aquatic Sciences, [S. l.], v. 2, n. 1, p. 55-65, 2007. ICMBIO. Boas práticas – Conheça as iniciativas que buscam soluções para gestão de unidades de conservação no Brasil. Brasília: ICMBio, 2018. Disponível em: http://www.obt.inpe.br/OBT/assuntos/programas/amazonia/prodes http://www.obt.inpe.br/OBT/assuntos/programas/amazonia/prodes Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE https://www.icmbio.gov.br/parnaabrolhos/images/stories/destaques/boas_praticas_na_gestao_ de_ucs_edicao_3_2018.pdf. Acesso em: 1 mar. 2023. KELLING, S. et al. Data-intensive Science: A New Paradigm for Biodiversity Studies. BioScience, [S. l.], v. 59, p. 613-620, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1525/bio.2009.59.7.12. Acesso em: 1 mar. 2023. LIMA, M. O uso da entrevista na pesquisa empírica. In: MÉTODOS de pesquisa em ciências sociais: bloco qualitativo. São Paulo: Sesc São Paulo/CEBRAP, 2016. p. 24-41. MARQUES, L. J. P. et al. Levantamento da �ora apícola em Santa Luzia do Paruá, Sudoeste da Amazônia, Maranhão. Acta Botanica Brasilica, [S. l.], v. 25, p. 141-149, 2011. MAURANO, L. E. P.; ESCADA, M. I. S.; RENNO, C. D. 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Aula 3 Mapeamento Videoaula: Mapeamento https://www.icmbio.gov.br/parnaabrolhos/images/stories/destaques/boas_praticas_na_gestao_de_ucs_edicao_3_2018.pdf https://www.icmbio.gov.br/parnaabrolhos/images/stories/destaques/boas_praticas_na_gestao_de_ucs_edicao_3_2018.pdf https://doi.org/10.1525/bio.2009.59.7.12 https://www.gov.br/aeb/pt-br/programa-espacial-brasileiro/aplicacoes-espaciais/dados-ambientais https://www.gov.br/aeb/pt-br/programa-espacial-brasileiro/aplicacoes-espaciais/dados-ambientais https://blog.scielo.org/blog/2021/02/05/rigor-cientifico-e-ciencia-aberta-desafios-eticos-e-metodologicos-na-pesquisa-qualitativa/ https://blog.scielo.org/blog/2021/02/05/rigor-cientifico-e-ciencia-aberta-desafios-eticos-e-metodologicos-na-pesquisa-qualitativa/ Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta aula, continuamos a falar sobre a importância dos dados para os projetos ambientais, abordando um pouco mais os temas: levantamento de dados, mapeamento das áreas amostrais e sua relação com os grupos �orísticos e faunísticos. Agora que você já estudou o conteúdo, vamos assistir a este vídeo para desenvolver um pouco mais esses tópicos. Ponto de Partida Olá, estudante! Nesta aula estudaremos a importância do mapeamento nas pesquisas e nos projetos ecológicos. Os estudos ecológicos envolvem mapeamento do território, pois é necessário entender a paisagem na qual se inserem as espécies que estamos estudando. É necessário entender também o que está inserido no habitat de determinadas espécies e compreender quais são as suas exigências. O mapeamento de impactos pode ser utilizado em qualquer tipo de estudo que envolva o ambiente e que ajude a entender quais são suas origens no espaço e no tempo. Ele é utilizado, inclusive, para estudos na área da saúde. Por exemplo, para entender como uma doença se espalha, mapeamos os indivíduos infectados. Dessa forma, temos um panorama e a amplitude do problema. Bons estudos! Vamos Começar! Brasil é um país consideradomegadiverso, pois possui mais de 120 mil espécies de invertebrados e, aproximadamente, 8.930 espécies de vertebrados, sendo 734 mamíferos, 1.982 aves, 732 répteis, 973 anfíbios, 3.150 peixes continentais e 1.358 peixes marinhos (MMA, 2022). Para se obter dados e informações a respeito de determinado grupo ou indivíduo, como um animal ou uma planta, é imprescindível a realização de um levantamento de dados, que é o primeiro passo para se desenvolver um projeto, pois é necessário veri�car quais são as espécies de animais e plantas presentes no local focal do estudo, seus status de conservação e se existe algum tipo de ameaça à sobrevivência de tais organismos em determinada área. É a partir de um levantamento detalhado que é possível de�nir uma metodologia adequada ao projeto proposto. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Sabe-se também que o levantamento da �ora (plantas) e da fauna (animais) é um processo fundamental para um licenciamento ambiental (CONAMA, 1997). Levantamento de fauna é um estudo voltado à área da zoologia, que visa identi�car a diversidade de animais situados em determinada área e em determinado período, o seu estado de conservação e as relações existentes entre eles. Esse procedimento pode ocorrer, por exemplo, em relação aos vertebrados, a partir do levantamento de Ictiofauna (peixes), Herpetofauna (anfíbios e répteis), Avifauna (aves) e Mastofauna (mamíferos). O levantamento de �ora é um estudo que visa identi�car a diversidade de vegetais em determinada área e período, a sua situação e o seu impacto sobre ela. Ao inventariar a fauna e a �ora em dada região, podemos identi�car o grau de antropização dessa área, veri�car se existem espécies endêmicas (que só existem nesse local) e espécies ameaçadas de extinção nos fragmentos �orestais da área de in�uência de um empreendimento. O mapeamento também colabora na identi�cação de possíveis espécies da fauna transmissoras de zoonoses, identi�cando-a pelo grau de degradação do ambiente e detectando a possibilidade de transmissão de doenças aos humanos. Assim como o levantamento de dados, o mapeamento das áreas amostrais é um instrumento fundamental para o planejamento adequado de qualquer projeto (OLIVEIRA et al., 2019). Os levantamentos de dados secundários de fauna e �ora devem ser realizados através da literatura (livros e artigos cientí�cos). Já os levantamentos de dados primários são realizados em campo, com o objetivo de somar as informações e veri�car as lacunas do conhecimento. As técnicas utilizadas em campo dependem do grupo que está sendo estudado e envolvem metodologias diurnas e noturnas, pois acompanham os hábitos das espécies estudadas. Durante os inventários, os vegetais e os animais são identi�cados e contados. Todas essas informações são essenciais para o projeto ou pesquisa, pois realizam um diagnóstico quantitativo e qualitativo da região, direcionando, assim, as ações necessárias, seja para um plano de manejo, para uma pesquisa acadêmica ou para um licenciamento ambiental (LAZARETTI, 2013). Tais trabalhos são fundamentais para as tomadas de decisão. Siga em Frente... Os serviços ecossistêmicos são fundamentais para dar suporte à vida no planeta Terra. Certas atividades, como os processos de urbanização, afetam o equilíbrio de biomas e ecossistemas, provocando consequências drásticas, como a extinção de espécies e a presença de animais silvestres em ambientes urbanos, fazendo-se necessário o estudo da Ecologia e a elaboração de projetos ambientais. Durante a execução desses projetos, o levantamento de dados e o mapeamento da área amostral são estudos essenciais. Antes da realização do mapeamento da área amostral, é necessário que se faça um levantamento de dados, através do uso de programas como o DataGEO, que se trata de um Sistema de Informações Geográ�cas de trocas de informações entre diferentes instituições e órgãos e ferramentas de geoprocessamento. Para Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE se fazer um mapeamento correto, as variáveis ambientais e socioeconômicas precisam ser consideradas (DATAGEO, 2023). Segundo o DataGeo (2023), o levantamento e o mapeamento constituem uma ferramenta para avaliar os impactos e obter informações dos meios biótico e abiótico. Os dados obtidos devem ser exatos, pois os resultados podem ser utilizados em vários tipos de trabalhos, como: manejo, conservação, monitoramento do meio ambiente e levantamento ambiental. Vale ressaltar que uma informação errada pode se tornar catastró�ca. Para a construção das listas de espécies ameaçadas de extinção, o primeiro passo é reunir todos os estudos e levantamentos realizados e mapeá-los, de forma que se possa ter a distribuição das espécies na paisagem. O trabalho de Peres, Magris e Ribeiro (2011) apresenta e retrata sobre a importância de se realizar a avaliação de risco das espécies. Outro exemplo pode ser visto no artigo de Costa e Almeida Júnior (2020), em que foi realizado um levantamento, um mapeamento e uma descrição da �ora dos fragmentos �orestais da Universidade Federal do Maranhão. Essa pesquisa gerou informações úteis e importantes para o manejo e a conservação da área. Rosa (2017, p. 25), realizou uma pesquisa comparando e analisando diferentes metodologias de mapeamento da o monitoramento da cobertura vegetal cobertura �orestal da Mata Atlântica, na qual a�rma que “o monitoramento da cobertura vegetal em escala regional é essencial para subsidiar estimativas de gases do efeito estufa, estudos de biodiversidade e planejamento”. Um dos produtos gerados com o levantamento e o mapeamento de �ora foi o Atlas produzido pela SOS Mata Atlântica/INPE (2019). Esse material foi produzido por interpretação visual de imagens Landsat na escala 1:50.000. O Plano de Monitoramento do Mosaico de Áreas Protegidas do Baixo Rio Negro, no estado do Amazonas, cujos editores foram Didier e Estupiñán (2017), inclui vários capítulos que apresentam monitoramentos de fauna com mapeamento, entre eles está o Plano de Monitoramento da onça-pintada e espécies cinegéticas no Mosaico do Baixo Rio Negro (MBRN). Este último teve como objetivo diagnosticar e compreender os processos que impactam as onças e outras espécies vítimas da caça. Vamos Exercitar? Em 1981, o Brasil criou, com a Lei nº 6.938/1981, a Política Nacional de Meio Ambiente, que tem como objetivo: [...] a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios: I - ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo; Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar; Ill - planejamento e �scalização do uso dos recursos ambientais; IV - proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas; V - controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras; VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais; VII - acompanhamento do estado da qualidade ambiental; VIII - recuperação de áreas degradadas; IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação; X - educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente. (BRASIL, 1981, [s. p.]) Com a criação dessa lei, o Brasil deu o primeiro passo para estabelecer normas e regras para o licenciamento ambiental (LA) e para criar o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), cujo objetivo é estabelecer normas e padrões ambientais para empreendimentos. Duas CONAMAS se destacam no LA: a CONAMA nº 1/1986 e a CONAMA nº 237/1997. A primeira estabelece “as de�nições, as responsabilidades, oscritérios básicos e as diretrizes gerais para uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente” (CONAMA, 1986, [s. p.]) e a segunda, “dispõe sobre conceitos, sujeição, e procedimento para obtenção de Licenciamento Ambiental, e dá outras providências” (CONAMA, 1997, p. 644). Com o apoio da legislação e dessas resoluções, o LA garante a utilização dos recursos de forma sustentável, assegura a �scalização da construção, da instalação, da ampliação e da operação de um empreendimento. Dessa forma, essa instalação é concedida mediante exigências, condições, restrições e regras a serem seguidas (CONAMA, 1997). O LA é realizado por pro�ssionais habilitados que visam promover o desenvolvimento socioeconômico sustentável. Dependendo da localização do empreendimento, ele pode ser conduzido pelo Município, pelo estado ou pela União e licenciado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou órgão responsável. Se o empreendimento ou a atividade envolver uma Unidade de Conservação (UC), terras indígenas ou quilombola, áreas de bens culturais e impactar espécies ameaçadas, durante o processo de LA, outros órgãos, como a FUNAI, o INCRA e o ICMBIO, poderão se envolver (IBAMA, 2020). Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE O processo de LA é composto pelas etapas de Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e Licença de Operação (LO). A LP atesta se o projeto é viável de ser realizado na localização e estabelece exigências a serem desenvolvidas. A LI autoriza o início das obras de acordo com as exigências estabelecidas. E a LO autoriza o funcionamento da atividade; ela é emitida após a apuração das medidas preventivas (CONAMA, 1997). Algumas atividades não requerem um LA, para serem efetuadas; nesses casos, somente uma autorização do órgão ambiental e uma emissão de licenças, como transporte de recursos naturais (como as espécies nativas) e o manejo, por exemplo, são su�cientes (IBAMA, 2020). Saiba mais Para se aprofundar ainda mais acesse e leia: FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA. Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica (2017-2018). LUGARINI, C.; VERCILLO, U. Como Realizar a Gestão de um Projeto de Alto Risco? O Relato da Repatriação das Ararinhas-azuis ao Brasil. BioBrasil, Brasília, v. 11, n. 1, p. 1-10, 2021. PERES, M. B.; MAGRIS, R. de A.; RIBEIRO, K. T. Biodiversidade Brasileira Número Temático. 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Acesso em: 2 mar. 2023. https://cms.sosma.org.br/wp-content/uploads/2019/10/Atlas-mata-atlanticaDIGITAL.pdf https://cms.sosma.org.br/wp-content/uploads/2019/10/Atlas-mata-atlanticaDIGITAL.pdf https://revistaeletronica.icmbio.gov.br/BioBR/article/download/1880/1255/9714 https://revistaeletronica.icmbio.gov.br/BioBR/article/download/1880/1255/9714 https://ava.icmbio.gov.br/pluginfile.php/4592/mod_data/content/19305/Biobrasil%20A1%20N1%20tartarugas%202011.pdf https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm http://www.ibama.gov.br/sophia/cnia/legislacao/MMA/RE0001-230186.PDF http://conama.mma.gov.br/?option=com_sisconama&task=arquivo.download&id=237 http://conama.mma.gov.br/?option=com_sisconama&task=arquivo.download&id=237 Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE COSTA, L. B. S.; ALMEIDA JÚNIOR, E. B. Checklist da �ora fanerogâmica e mapeamento das áreas de fragmentos �orestais urbanos em São Luís do Maranhão. Revista Equador, [S. l.], v. 9, n. 3, p. 26-39, 2020. DATAGEO. 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Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Nesta aula você aprendeu um pouco sobre os seis biomas brasileiros, suas características básicas, a importância da sua conservação através de estratégias, projetos, planos e políticas. Agora que você já estudou sobre os biomas e a sua conservação, assista ao vídeo a seguir para aprofundar seu conhecimento! Ponto de Partida Olá, estudante! O Brasil é um país de extensão continental, composta por diversos biomas que serão apresentados no decorrer desta aula. Essas grandes divisões formadas por �sionomiasvegetacionais e edá�cas (solo) possuem vários ecossistemas, que são sistemas abertos em que ocorre a interação entre fatores bióticos (plantas, animais, fungos e microrganismos) e fatores abióticos (não vivos). Consideramos como fatores abióticos toda a física e a química formadoras de um lugar e que interagem com ele – temperatura, clima, pressão, umidade, entre outros. É dentro desses ecossistemas que a energia �ui unidirecionalmente e a matéria circula. Tendo isso em vista, vamos dar início à aula. Bons estudos! Vamos Começar! A palavra biodiversidade se refere à variedade de formas de vida existentes em nosso planeta. “Bio” signi�ca vida e diversidade se refere à “variedade”, isto é, a existência de in�nitas maneiras através das quais a vida se manifesta neste mundo. Thomas Lovejoy (1941-2023), foi um cientista norte-americano e uma importante liderança ambientalista que cunhou o termo diversidade biológica. Lovejoy foi um pioneiro na biologia da conservação (GUIMARÃES; FIORAVANTI, 2015). Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Segundo a Convenção sobre Diversidade Biológica, o termo Biodiversidade é de�nido como: a variabilidade entre os organismos vivos de todas as origens, incluindo, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte; compreende a diversidade dentro de cada espécie, entre as espécies e dos ecossistemas (BRASIL, 2000). Tal biodiversidade se espalha pelos seis biomas que fazem parte do nosso país. O Brasil, por estar inserido em um território continental, possui uma extensa costa marinha, que apresenta variadas zonas climáticas e, por consequência, uma amplitude de ecossistemas (BIODIVERSIDADE, [s. d.]). Apesar de ser um país rico em recursos naturais, vale lembrar que eles não são ilimitados. O aumento demográ�co e o aumento da utilização desses recursos para atender às demandas humanas acarretam uma considerável escassez das nossas reservas, impactando o meio ambiente e a sociedade. Por tais razões, a conservação dos ecossistemas é de suma importância, sendo protegida e de�nida pela Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, como: o manejo do uso humano da natureza, compreendendo a preservação, a manutenção, a utilização sustentável, a restauração e a recuperação do ambiente natural, para que possa produzir o maior benefício, em bases sustentáveis, às atuais gerações, mantendo seu potencial de satisfazer as necessidades e aspirações das gerações futuras, e garantindo a sobrevivência dos seres vivos em geral (BRASIL, 2000). Com o intuito de conservar a biodiversidade, várias estratégias foram implementadas, como as Leis de Crimes Ambientais, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), o Código Florestal (CF), a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), entre outros (BRASIL, 1981; BRASIL, 1998; BRASIL, 1999; BRASIL, 2000; BRASIL, 2012). A conservação conta com ações que visam proteger a integridade do meio ambiente e abrange também ações de restauração dos recursos naturais, da paisagem, da fauna e da �ora; visam promover ações em prol da sustentabilidade e da redução dos diversos impactos antrópicos. Essas ações são realizadas por meio de práticas, políticas, normas, diretrizes, técnicas, pesquisas e projetos de conservação (BRASIL, 1981; BRASIL, 2000). A conservação da biodiversidade pode ser in situ, que é a conservação dos ecossistemas e a manutenção e a recuperação do habitat natural e da população das espécies em seus ambientes naturais, ou ex situ, fora de seu meio natural, como em jardins botânicos e zoológicos. Contudo, este tipo de conservação é limitado, porque não permite que todas as relações ecológicas e biológicas dos organismos sejam preservadas. Normalmente são utilizadas para �ns reprodutivos, de pesquisa e de educação ambiental (BRASIL, 2000; BRASIL, 2015). Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Siga em Frente... Os biomas são áreas de grande extensão constituídas por agrupamento de ecossistemas, com características climáticas, de fauna e geológicas semelhantes. No Brasil, o maior bioma é o da Amazônia, que ocupa cerca de 49% do território brasileiro e engloba os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia e partes do Tocantins, do Maranhão e do Mato Grosso. Esse bioma é reconhecido por abrigar a maior biodiversidade do mundo, e sua grande �oresta cobre e protege a bacia hidrográ�ca da Amazônia. O rio Amazonas é o mais volumoso do planeta e contribui com 20% de toda a água doce que chega ao oceano Atlântico. Seu solo é arenoso e seu clima é predominantemente equatorial, quente e úmido. A Amazônia apresenta cerca de seis ecossistemas, são eles: refúgios de montanhas, manguezais, savanas, �orestas de terra �rme, de igapó e de várzea. No entanto, essa imensa e rica área �orestal hoje se encontra fortemente impactada em decorrência do avanço da agricultura, da pecuária e de obras de infraestrutura, como hidrelétricas, da exploração madeireira, da grilagem de terras, do garimpo, da expansão dos assentamentos humanos, da caça e da exploração dos recursos �orestais (AMAZÔNIA, 2022). O segundo maior bioma do Brasil é o Cerrado, que ocupa cerca de 24% do território brasileiro. Esse bioma abrange o Maranhão, o Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Bahia, Piauí, Mato Grosso, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Apresenta solo poroso e permeável. Seu clima é tropical semiúmido, ou seja, quente e marcado por um verão úmido e um inverno seco. Esse bioma está ameaçado pela expansão urbana, pela agricultura e pela pecuária intensa. Em relação às formações vegetacionais, o Cerrado apresenta uma formação �orestal chamada de cerradão, savana dominada por herbáceas, árvores pequenas, arbustos, palmeiras sem tronco e campos sujo e limpo (CERRADO, 2022). A Mata Atlântica ocupa aproximadamente 13% do território brasileiro e é o segundo bioma nacional mais diverso em ecossistemas associados, como restingas, campos de altitude e manguezais. A Mata Atlântica é rica em endemismo e sofre fortemente com a expansão urbana e de empreendimentos, além da exploração dos seus recursos naturais. Essa �oresta e o Cerrado são os biomas considerados hotspots (pontos quentes ou áreas críticas) para a conservação. A Conservação Internacional (CI) adotou esse conceito em 1989 e, em 1999, listou os 25 hotspots da Terra. O Cerrado está em quarto lugar e a Mata Atlântica em quinto (MATA ATLÂNTICA, 2022). A Caatinga ocupa os estados do Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Sergipe, Pernambuco, Bahia, o norte de Minas Gerais e Alagoas. Possui um solo predominantemente raso e pedregoso, rico em minerais e pobre em matéria orgânica. Seu clima é semiárido (CAATINGA, 2022). O bioma Pampa é encontrado somente no estado do Rio Grande do Sul, e seu clima é tropical. Apresenta vegetação rasteira, herbáceas, gramíneas e pequenos arbustos espalhados na paisagem. Ocupa cerca de 2% do território nacional (PAMPA, 2022). Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Por �m, o Pantanal, que abrange dois estados, o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul, é considerado a maior planície alagada contínua do mundo, possui solo arenoso de baixa fertilidade e um clima subtropical frio. Em relação à fauna, é rico em peixes, aves e mamíferos. Possui épocas de seca e de inundação (PANTANAL, 2022). Vamos Exercitar? O meio ambiente é fundamental para a manutenção da vida no planeta Terra. Reconhecendo a importância dos recursos naturais, a conservação se tornou prioridade. Com esse propósito, são fundamentais a implementação de estratégias como pesquisas, monitoramento, instituição de leis, ações de �scalização, recuperação de áreas degradadas, criação de áreas protegidas ou de unidades de conservação, corredores ecológicos, além de incentivar práticas educativas e sustentáveis. Além disso, é também fundamental fomentar o conhecimento cientí�co e a educação ambiental (BRASIL, 1999; BRASIL, 2000; BRASIL, 2015; HASSLER,2005; ALMEIDA; GOMES; QUEIROZ, 2011). As devastações dos biomas geram a fragmentação, que é o processo no qual uma área natural se transforma em pequenas manchas com área total menor, ou seja, vão se formando pequenas ilhas verdes isoladas. A fragmentação vem causando muitos impactos negativos para a biodiversidade, como perda da variabilidade genética e prejuízos aos animais predadores de topo de cadeia, já que, em geral, precisam de grandes áreas para sobreviver. Aves e mamíferos que se deslocam entre esses fragmentos em busca de alimento, abrigo e parceiros para a reprodução encontram obstáculos como estradas e áreas agrícolas. No ambiente aquático, esse isolamento também pode ocorrer quando barragens são construídas (VALENTI & LARED, 2016). A conservação ex situ favorece a reprodução da fauna e conserva a �ora através do banco de sementes e germoplasma, fora do seu ambiente natural. Tais feitos ocorrem em jardins botânicos e zoológicos, por exemplo. Segundo Silveira et al. (2018), hoje, cerca de apenas 21% das espécies ameaçadas conhecidas estão conservadas ex situ, o que vai de acordo com o que foi estabelecido na Meta 8 da Estratégia Global de Conservação de Plantas. Essa estratégia prevê a incorporação de 75% de espécies ameaçadas em coleções e 20% em programas de restauração ecológica. Já a conservação in situ refere-se à conservação da biodiversidade no próprio ambiente natural de origem. São estratégias viáveis o manejo da paisagem a partir de zoneamentos e sistemas agro�orestais, a reabilitação ou restauração da paisagem, as áreas protegidas e as unidades de conservação (EMBRAPA, [s. d.]). Além dessas estratégias, outras ações são necessárias, como políticas públicas e ações institucionais que regulam e �scalizam o uso dos recursos naturais. O combate rigoroso à caça e ao comércio de animais silvestres, além de leis que regulam a entrada de espécies exóticas invasoras no território nacional são ações que apoiam a conservação de biodiversidade (BRASIL, 1998). Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE A atenção ao zoneamento do uso do solo, respeitando a legislação e impedindo a ocupação das áreas de proteção, incluindo nascentes, rios e demais corpos d’água, também favorecem a preservação ambiental (BRASIL, 1981; BRASIL, 2000). Visando à conservação dos biomas brasileiros, foram implementados diversos projetos técnicos e educativos ao longo dos anos, os quais têm como objetivo recuperar áreas que foram degradadas e fortalecer práticas de manejo sustentável e políticas de recuperação e conservação na área. A construção de um novo posicionamento ético para a conservação da biodiversidade passa por situações polêmicas e con�ituosas. Sendo assim, os impactos e con�itos fazem parte da realidade e precisam ser trabalhados nas ações de educação ambiental (CARVALHO, 2001). Saiba mais Para se aprofundar mais nos biomas brasileiros, acesse: Ecossistemas - Biomas. Caatinga – Estratégias para conservação. E para conhecer mais sobre os hotspots, visite: Hotspots revisitados – as regiões biologicamente mais ricas e ameaçadas do planeta. Referências ALMEIDA, F. S.; GOMES, D. S.; QUEIROZ, J. M. de. Estratégias para a conservação da diversidade biológica em �orestas fragmentadas. Ambiência, [S. l.], v. 7, n. 2, p. 367-382, 2011. AMAZÔNIA. In: MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA. Gov.br, Brasília, 10 mar. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas- 1/biomas/amazonia. Acesso em: 28 nov. 2022. BIODIVERSIDADE. In: MMA. Gov.br, Brasília, [s. d.]. 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Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus �ns e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Diário O�cial da União: Brasília, DF, 1981. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm . Acesso em: 20 mar. 2023. BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Diário O�cial da União: Brasília, DF, 1998. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm . Acesso em: 20 mar. 2023. BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a Educação Ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário O�cial da União: Brasília, DF, 1999. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm . Acesso em: 20 mar. 2023. BRASIL. Convenção sobre diversidade biológica. Cópia do Decreto Legislativo nº 2, de 5 de junho de 1992. 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Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis nºs 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nºs 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória nº 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Diário O�cial da União: Brasília, DF, 2012. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm . Acesso em: 20 mar. 2023. BRASIL. Lei nº 13.123, de 20 de maio de 2015. Regulamenta o inciso II do § 1º e o § 4º do art. 225 da Constituição Federal, o Artigo 1, a alínea j do Artigo 8, a alínea c do Artigo 10, o Artigo 15 e os §§ 3º e 4º do Artigo 16 da Convenção sobre Diversidade Biológica, promulgada pelo Decreto nº 2.519, de 16 de março de 1998; dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, sobre a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado e sobre a repartição de benefícios para conservação e uso sustentável da biodiversidade; revoga a Medida Provisória nº 2.186-16, de 23 de agosto de 2001; e dá outras providências. Diário O�cial da União, Brasília, DF, 2015. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm https://www.gov.br/mma/pt-br/textoconvenoportugus.pdf https://www.gov.br/mma/pt-br/textoconvenoportugus.pdf https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9985.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11428.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11428.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htmDisciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13123.htm . Acesso em: 20 mar. 2023. CAATINGA. In: MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA. Gov.br, Brasília, 8 abr. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas- 1/biomas/caatinga. Acesso em: 30 jan. 2023. CARVALHO, I. C. M. 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In: MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA. Gov.br, Brasília, 3 maio 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas- 1/biomas/mata-atlantica. Acesso em: 28 nov. 2022. MMA. GEF Terrestre – Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal. Gov.br, Brasília, 11 mar. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas-1/projetos/gef-terrestre-projeto- estrategias-de-conservacao-restauracao-e-manejo-para-a-biodiversidade-da-caatinga-pampa-e- pantanal. Acesso em: 30 jan. 2023. PAMPA. In: MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA. Gov.br, Brasília, 31 mar. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas-1/biomas/pampa. Acesso em: 30 jan. 2023. PANTANAL. In: MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA. Gov.br, Brasília, 8 abr. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas- 1/biomas/pantanal. Acesso em: 30 jan. 2023. SILVEIRA F. A. O. et al. Ex situ conservation of threatened plants in Brazil: a strategic plan to achieve Target 8 of the Global Strategy for Plant Conservation. Rodriguésia, [S. l.], v. 69, n. 4, p. 1547-1555, 2018. VALENTI, M. W.; LARED, V. G. Impactos e con�itos na conservação da biodiversidade. In: OLIVEIRA, H. T. et al. Educação Ambiental para a conservação da biodiversidade: animais de topo de cadeia. São Carlos: Diagrama Editorial, 2016. 200p. il. Aula 5 Encerramento da Unidade Vídeo Aula Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas-1/biomas/mata-atlantica https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas-1/biomas/mata-atlantica https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas-1/projetos/gef-terrestre-projeto-estrategias-de-conservacao-restauracao-e-manejo-para-a-biodiversidade-da-caatinga-pampa-e-pantanal https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas-1/projetos/gef-terrestre-projeto-estrategias-de-conservacao-restauracao-e-manejo-para-a-biodiversidade-da-caatinga-pampa-e-pantanal https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas-1/projetos/gef-terrestre-projeto-estrategias-de-conservacao-restauracao-e-manejo-para-a-biodiversidade-da-caatinga-pampa-e-pantanal https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas-1/biomas/pampa https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas-1/biomas/pantanal https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/ecossistemas-1/biomas/pantanal Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Olá, estudante! Nesta unidade você teve a oportunidade de conhecer a importância e os conceitos da ciência da Ecologia. Foi possível aprender sobre suas ferramentas e aplicações através do levantamento de dados, do mapeamento e das análises e ampliar a compreensão sobre a importância de tais temáticas para a conservação ambiental. Além disso, estudamos o desenvolvimento de projetos ambientais e como eles são fundamentais. Para entender melhor a relação dos conteúdos dessa unidade, veja este vídeo! Ponto de Chegada A preocupação com o uso adequado e a conservação dos recursos naturais vem aumentando em todo o mundo desde o século XX. Discussões sobre o conhecimento, a conservação e o uso sustentável da fauna, da �ora, dos fungos e do ambiente onde vivem esses organismos atualmente perpassam diferentes meios de comunicação e segmentos da sociedade (PEIXOTO; LUZ; BRITO, 2016). Nesse cenário, a Ecologia é uma das ciências fundamentais que deve estar inserida tanto na educação ambiental (EA) como em projetos de manejo e conservação ambiental. Apesar de parecer simples, a Ecologia é uma ciência bastante complexa e abrangente, uma vez que cada pequeno fator, físico, químico ou biológico, é essencial para garantir a sobrevivência de determinado organismo. Com dela, passamos a saber também que nenhum organismo consegue viver sem interagir com outros seres e com o meio (LEITE, 2020). A defesa da preservação da biodiversidade assume, na contemporaneidade, entre outros, o discurso do desenvolvimento sustentável, no qual a manutenção da biodiversidade é valorizada porque se torna garantia para a existência da vida humana na Terra (CORNILS; FRANCO, 2013). Nesta unidade você conheceu alguns conceitos básicos da Ecologia e aprendeu sobre sua contribuição para atividades como manejo dos recursos naturais, levantamento, coleta e análise de dados, mapeamentode área amostral, biomas brasileiros e estratégias de conservação. Os serviços ecossistêmicos que a natureza nos proporciona mantêm a vida no planeta; sem eles a vida humana seria inviável. Por isso, faz-se necessário desenvolver e aplicar medidas em prol da conservação ambiental e da sustentabilidade. Pesquisas, projetos e ações são fundamentais, de forma que saber usar as ferramentas e a literatura disponível contribui muito para o sucesso de cada um deles. Metodologias adequadas ajudam a alcançar os objetivos e a gerar bons resultados. Dados de qualidade servem de embasamento con�ável para futuros projetos a �m de fomentar outros estudos e novas descobertas e soluções (PHILIPPI JÚNIOR; PELICIONI, 2005). A importância da restauração ecológica é reconhecida e apoiada por diversas iniciativas. A restauração ecológica tem respaldo na legislação ambiental brasileira, por exemplo, por meio da Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Lei nº 12.651/2012), mais conhecida como Código Florestal. A partir dessa lei, foi criado, em janeiro de 2015, o Plano Nacional de Recuperação da Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Vegetação Nativa (Planaveg), que, entre outras medidas, prevê a restauração de, no mínimo, 12,5 milhões de hectares até o ano de 2035, incluindo a recuperação de áreas degradadas dentro de unidades de conservação, áreas de preservação permanente, áreas de reserva legal e terras indígenas (OVERBECK et al., 2016). É Hora de Praticar! O impacto ambiental apresenta diversas de�nições. Uma delas o caracteriza como qualquer alteração no meio ambiente que foi induzida por ações antrópicas ou modi�cada por condições adversas do meio ambiente, sejam bené�cas, sejam malé�cas, total ou parcialmente. Partindo do princípio de que qualquer mudança gera impactos, a construção de uma rodovia, por exemplo, revelará os seus prós e contras. Com relação aos impactos positivos, é possível citar o crescimento na geração de empregos durante a construção da rodovia, a ligação entre as regiões, facilitando o escoamento da produção, a facilidade no deslocamento de pessoas, a redução dos custos de transporte, a segurança de uso e o �uxo mais contínuo. Em contrapartida, os impactos ambientais negativos são o desmatamento da área onde vai ser construída a rodovia, que provocará a interrupção indeterminada de corredores bióticos enquanto existir essa rodovia; a compactação de solo; o desvio de águas pluviais; a geração de resíduos sólidos; a poluição sonora e atmosférica devido ao aumento do �uxo de veículos; a perturbação da fauna local, entre outros. De acordo com o que você aprendeu nesta unidade sobre os conceitos básicos e a importância da Ecologia, o desenvolvimento de projetos ambientais, as análises de dados e o licenciamento ambiental, vamos resolver uma situação-problema. Nesse contexto, imagine que você foi contratado por uma empresa para coordenar o licenciamento ambiental para a abertura de uma rodovia que atravessará uma área vegetada de Mata Atlântica. Tal rodovia passará por dois estados do país. O que você precisa fazer para realizar o processo de licenciamento dessa obra? Explique as etapas e suas propostas para a redução de impactos. Releia o material das aulas anteriores e re�ita: o projeto possui alternativas? Se sim, quais são? Não esqueça que a construção de rodovias deve ser objeto de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e sempre que possuir duas ou mais faixas de rolamento, aspecto em que se enquadram todas as rodovias federais, a maioria das estaduais e algumas municipais, o que vai de acordo com o art. 225, § 1º, inciso IV. Portanto, veri�que todas as possibilidades e bons estudos. Lembre-se, de que o licenciamento ambiental é um instrumento cuja �nalidade é promover o desenvolvimento socioeconômico de forma sustentável, preservando o máximo possível do ambiente natural. O licenciamento ambiental foi estabelecido pela Lei nº 6.938/1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente e traz um conjunto de normas para a preservação ambiental. É um importante instrumento de gestão por meio do qual a administração pública controla empreendimentos e atividades efetivas ou potencialmente poluidoras e que possam causar a degradação do meio ambiente. As resoluções CONAMA nº 1/1986 e CONAMA nº 237/1997 estabelecem as de�nições, as responsabilidades, os critérios básicos e as diretrizes gerais para uso e implementação da http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938compilada.htm Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e dispõe sobre conceitos, sujeição e procedimento para obtenção de Licenciamento Ambiental. O desa�o é adequar o licenciamento ambiental às melhores práticas, de modo a eliminar as disfunções que comprometem a qualidade do meio ambiente e que geram obstáculos desnecessários ao funcionamento pleno da economia Olá estudante, chegamos ao encerramento da unidade! Vamos realizar a experiência presencial que irá consolidar os conhecimentos adquiridos? É a oportunidade perfeita para aplicar, na prática, o que foi aprendido em sua disciplina. Vamos transformar teoria em vivência e tornar esta etapa ainda mais signi�cativa. Não perca essa chance única de colocar em prática o conhecimento adquirido. BRASIL. Lei Nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a Educação Ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário O�cial da União: Brasília, DF, 1999. _____ . Lei Nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. Brasília, DF: Diário O�cial da União, 2000. CORNILS, F.; FRANCO, J. L. Biodiversidade, sustentabilidade e projetos de conservação de espécies no Brasil. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 27., 2013, Natal. Anais [...]. Natal: ANPUH Brasil, 2013. Disponível em: http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364685620_ARQUIVO_anpuh�nal.pdf. Acesso em: 2 mar. 2023. LEITE, M. J. de H. Ecologia e conservação do meio ambiente. Campina Grande: Editora Amplla, 2022. 51 p. Disponível em: https://ampllaeditora.com.br/books/2022/10/EcologiaConservacaoMeioAmbiente.pdf. Acesso em: 2 mar. 2023. http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364685620_ARQUIVO_anpuhfinal.pdf https://ampllaeditora.com.br/books/2022/10/EcologiaConservacaoMeioAmbiente.pdf Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE OVERBECK, G. E. et al. Princípios e desa�os da restauração ecológica em ecossistemas brasileiros. In: PEIXOTO, A. L.; LUZ, J. R. P.; BRITO, M. A. Conhecendo a Biodiversidade. Brasília: MCTIC/CNPq/PPBio, 2016. PEIXOTO, A. L.; LUZ, J. R. P.; BRITO, M. A. Conhecendo a Biodiversidade. Brasília: MCTIC/CNPq/PPBio, 2016. PHILIPPI JUNIOR. A.; PELICIONI, M. C. F. Educação ambiental e sustentabilidade. Barueri: Manole, 2005. SOUZA, A. C. O. Ecologia e sustentabilidade. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. , Unidade 3 SAÚDE E MEIO AMBIENTE Aula 1 História da saúde e meio ambiente Videoaula: História da saúde e meio ambiente Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Na aula teórica, estudamos o histórico da relação entre o homem e o meio ambiente e as causas dessa interação. Esses assuntos são fundamentais para se compreender a interação entre as ações antrópicas e as ambientais, que englobam os meios ecológicos, sociais e culturais. No vídeo desta aula, você será apresentado a outros exemplos e poderá rever os principais conceitos e informações acerca desses conteúdos. Vamos ao vídeo. Ponto de Partida Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Olá, estudante! Nesta aula estudaremos as interações entre o ser humano e o meio ambiente natural. A partir dessa relação, entenderemos quais são as alterações e os efeitos causados pela ação antrópica na natureza e suas consequênciaspara a sociedade e os recursos naturais. Estudaremos também os impactos negativos que podem ocorrer à saúde e ao meio ecológico. A compreensão dessa relação é imprescindível para que se assimile o elo causa/efeito de qualquer intervenção humana ao meio ambiente e para que se desenvolvam ações que possam evitar ou minimizar os impactos negativos ao meio ecológico e social. Vamos à aula! Bons estudos! Vamos Começar! Desde o surgimento do planeta, ocorrem modi�cações no ambiente em decorrência das ações naturais, ou seja, de diversas mudanças que acontecem independentemente da intervenção humana. Desde a sua origem, há cerca de 4,5 bilhões de anos, a Terra seguiu uma evolução determinada pelos fatores geológicos. Ao longo desse período, passou por transformações signi�cativas na crosta e na atmosfera. A população mundial era de aproximadamente 5 milhões de habitantes no início do período Holoceno, há cerca de 12 mil anos. Desde então, a relação do homem com a natureza passou a ser uma construção histórica e social que se foi moldando ao longo do tempo. A estabilidade climática do Holoceno propiciou o desenvolvimento econômico-social e o ser humano expandiu suas atividades agrícolas e a domesticação de animais, construiu cidades e montou uma máquina de produção e consumo de bens e serviços jamais vista até esse período (ALVES, 2020; ARTAXO, 2014). Em 2002, Paul Crutzen, ganhador do Prêmio Nobel de Química de 1995, publicou o artigo Geology of mankind, na revista Nature, no qual sugeriu que o começo da Revolução Industrial, nas últimas décadas do século XVIII, fosse considerado o início do Antropoceno (BELESSA, 2018). O antropocentrismo pode ser de�nido como uma visão de mundo na qual o ser humano se apresenta como principal referencial, ou seja, o homem é considerado como o centro do universo e tudo ao seu redor existe de forma única e exclusivamente em função dele (DAITX, 2010). Esse período representa um novo tempo da história do planeta, na qual o ser humano se tornou a força impulsionadora da degradação ambiental e o vetor de ações que são catalisadoras de uma signi�cativa alteração ambiental. O desenvolvimento da agricultura e o início da Revolução Industrial levaram a um explosivo crescimento populacional, que contribuiu para acelerar essas alterações sobre os recursos naturais do planeta (ALVES, 2020; ARTAXO, 2014). A espécie humana atua sobre a natureza muito mais intensamente quando se comparada a outros animais, e um fator determinante para que isso ocorra é o fato de o homem atuar na natureza não somente para retirar o necessário para a sua sobrevivência, mas também com objetivo em produção ininterrupta, lucro e consumo em massa. Na maioria das vezes, as Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE extrações são, de fato, pouco necessárias, e feitas em período insu�ciente para que a natureza possa se restabelecer (ALBUQUERQUE, 2007). Segundo Morais et al. (2020), qualquer atividade que atinja o meio ambiente direta ou indiretamente, como o crescimento e o assentamento populacional, as “alterações climáticas” e o uso indiscriminado de antibióticos, pode favorecer a disseminação de novas doenças, bem como o reaparecimento de enfermidades outrora consideradas erradicadas. Essas incidências são conhecidas como doenças emergentes e reemergentes, respectivamente, e vêm sendo constantemente citadas nos meios de comunicação, despertando a população para os riscos que tais distúrbios podem acarretar (MORAIS et al., 2020). De acordo com estudos cientí�cos, 70% das doenças infecciosas emergentes surgem da interação entre o ser humano e o meio ambiente. Diante disso, a necessidade de se compreender as variáveis envolvidas entre as condições ambientais, a saúde e a qualidade de vida é essencial para se promover estratégias de proteção à saúde humana e planetária (VIANNA, 2020). Você conheceu as principais interações entre o ser humano e o meio ambiente; a seguir, estudaremos as consequências delas. Siga em Frente... A humanidade sempre buscou na natureza maneiras de sobrevivência, como proteção na forma de abrigo, alimentação, defesa de território e cura para doenças. Nesse contexto, as alterações causadas pelos humanos sempre afetaram o ambiente, mas os impactos nesse período, principalmente antes da Revolução Industrial, eram apenas locais ou regionais. O ser humano fazia usava os recursos apenas para satisfazer suas necessidades básicas. Contudo, essa relação foi afetada, causando desequilíbrio, quando a retirada ou a apropriação dos bens da natureza passou a ocorrer para a produção de excedentes e não mais para a subsistência (CORTEZ, 2011). Com isso, a humanidade emerge como uma força signi�cante em toda a Terra, sendo capaz de interferir em processos críticos de nosso planeta, afetando a composição da atmosfera e alterando o solo e os cursos de rios (ARTAXO, 2014). As atividades socioeconômicas cresceram de modo signi�cativo ao longo dos últimos 200 anos e, nos dias atuais, está sendo comparada às forças geofísicas que dão forma ao nosso planeta (ARTAXO, 2014). Assim, o grau de apropriação e alteração ambiental antrópica pode ser de�nido pelas formas de produção e comercialização dos bens extraídos da Terra e que estão diretamente vinculados com a tecnologia (CORTEZ, 2011). Durante a Idade Média, a falta de hábitos higiênicos se agravou, de forma mais intensa, com o crescimento industrial, no �nal do século XVIII. O crescimento econômico, proporcionado pelo avanço da Revolução Industrial, levou os camponeses em massa para as cidades, onde passaram a viver sem infraestrutura, o que desencadeou vários problemas de saúde pública e ambiental como epidemias de cólera, febre tifoide e peste negra. No início do século XIX, as cidades cresciam de forma desordenada, e a qualidade de vida se deteriorava (PIGNATTI, 2004; Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE RIBEIRO; ROOKE, 2010). O despejo inadequado de esgoto tornou-se um agravante de contaminação para os rios, lagos e pontos de coleta de água. Nesse contexto, o desenvolvimento de estudos e técnicas para o tratamento do esgoto nas cidades passou a ser fundamental (DÍAZ; NUNES, 2020). Pesquisadores como Edwin Chadwick e John Snow estudaram a relação entre os processos saúde-doença e concluíram que medidas sanitárias são, de fato, fundamentais. As pesquisas realizadas por John Snow trouxeram as evidências necessárias para se estabelecer a associação entre a água, os dejetos e a transmissão da cólera, reconhecendo-se as medidas de saneamento como essenciais para a saúde pública. Esse estudo foi a etapa inicial das pesquisas em direção à teoria microbiana, que ampliou o conhecimento sobre as questões biológicas in�uenciadoras do processo saúde-doença, estimulando o progresso cientí�co e tecnológico (SILVA et al., 2018). Nesse contexto, o desenvolvimento da bacteriologia contribuiu para a sociedade valorizar a saúde sanitária, bem como desenvolver meios para se obter água potável, protegê-la de possíveis contaminações e ampliar as ações preventivas (DÍAZ; NUNES, 2020). Diante dos agravantes ambientais e de saúde pública, algumas medidas foram tomadas para a redução desses impactos no meio urbano, com destaque para as cidades inglesas. A reforma sanitária de 1847 foi um marco importante para o surgimento de técnicas devido à falta de saneamento na Inglaterra, no auge da Revolução Industrial. Entretanto, ela estipulava que os esgotos domésticos e industriais deveriam ser interligados por um sistema e despejados nos rios, cabendo a estes fazer o papel de depuração dos e�uentes. Ao passo que essa medida diminuiu os rejeitos na área urbana, acabou contribuindo para a contaminação dos rios (ATHAYDES; PAROLIN; CRISPIM, 2020). Vamos Exercitar? A compreensão da maneira pela qual a humanidade se relaciona com a natureza está intimamente ligada com a estruturação do modo de vida de determinada cultura. Por isso, a compreensão dos processos históricos dessa relação é fundamental para o entendimento das intervençõesantrópicas. O fato de se atribuir ao ser humano uma parcela signi�cativa de culpa pelas alterações drásticas feitas na natureza advém da ideia de que é a partir do desenvolvimento das tecnologias e dos seus desdobramentos socioespaciais que as catástrofes vêm ocorrendo de forma exponencial. Sendo assim, as questões ambientais são, hoje, associadas ao desenvolvimento da civilização, às crises sociais, econômicas e políticas que as acompanham, de tal modo que a degradação do meio ambiente passa a ganhar a dimensão de um problema socioambiental (LIMA, 2020; NAVES; BERNARDES, 2014). As mudanças ambientais antropogênicas ameaçam a saúde humana por causar consequências como a escassez de água e alimentos, aumentar os riscos de desastres naturais e provocar o deslocamento de pessoas (ALBUQUERQUE, 2007; CORTEZ, 2011). Muitas dessas doenças são emergentes ou reemergentes e seu ressurgimento é interpretado como a falta do desempenho Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE dos setores de saúde ou mesmo as más condições sanitárias de um país (LIMA, 2020). Segundo Morais et al. (2020), as alterações climáticas, o uso indiscriminado de antibióticos e qualquer outra atividade que atinja o meio ambiente direta ou indiretamente, como o crescimento e o assentamento populacional, também propiciam a disseminação dessas doenças. Vários são os impactos negativos das mudanças ambientais, dentre os quais pode-se destacar a possibilidade de que se torne mais frequente a ocorrência de epidemias, bem como sua intensidade. Entre as mudanças ambientais, as alterações climáticas são consideradas, pelos cientistas, como in�uenciadoras na ocorrência de surtos de doenças infecciosas, seja em nível local e regional, seja em nível global. Outra situação possível é que as mudanças do clima possam in�uenciar mutações de agentes patogênicos já conhecidos, para as quais o ser humano não está imunologicamente adaptado, levando a elevados índices de infecções e letalidades (LIMA, 2020; MORAIS et al., 2020). De acordo com Soares e Navarro (2014), ao analisarmos os contextos históricos relacionados às ocorrências mais frequentes das doenças – embora o fator climático não seja determinante – tal fato exerce impacto direto sobre a saúde humana, pois in�uencia padrões de distribuição de doenças em diferentes grupos populacionais, dependendo das condições de higiene e de recursos hídricos ou mesmo ambientais (biomas) desses grupos. Por exemplo, cidades com populações grandes vivendo em pequenos espaços, saneamento básico inadequado, tanto em relação ao abastecimento da água quanto aos sistemas de esgotamento sanitário, habitação precária, ausência de infraestrutura urbana e agressão ao meio ambiente são fatores que favorecem a proliferação e a disseminação de determinados agentes infecciosos, seus vetores e reservatórios (MORAIS et al., 2020). O processo de degradação ambiental não altera apenas o panorama dos ecossistemas, mas também os diferentes modos de vida, in�uenciando os modelos de saúde vegetal, animal e humano. Diversas patologias podem estar associadas às mudanças nas relações entre os seres vivos e o meio (JESUS, 2019). Diante do exposto, faz-se necessário procurar alternativas para que as ações antrópicas mantenham uma relação de equilíbrio com o ambiente. Saiba mais Olá, estudante! Você estudou nesta aula algumas relações entre o homem e a natureza, bem como a relação entre o meio ambiente e as questões de saúde. Essas áreas estão diretamente relacionadas e o equilíbrio entre elas é importante para que se obtenha um meio ambiente ecologicamente equilibrado e capaz de promover uma sadia qualidade de vida à população. A seguir, acesse os sites de algumas instituições que atuam na promoção de saúde no Brasil. Fundação Oswaldo Cruz. https://portal.fiocruz.br/ Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Instituto Adolfo Lutz. Instituto Butantan. Referências ALBUQUERQUE, B. P. As relações entre o homem e a natureza e a crise sócio-ambiental. 2007. Monogra�a (Técnico em Laboratório de Biodiagnóstico em Saúde) – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro: 2007. ALVES, J. E. D. Antropoceno: a Era do colapso ambiental. CEE Fiocruz, Rio de Janeiro, 16 jan. 2020. Disponível em: https://cee.�ocruz.br/?q=node/1106. 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Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/52769086/artigo---as-mudancas- ambientais-e-a-saude-humana-impactos-da-degradacao-ambiental-sobre-surtos-de-doencas- infecciosas. Acesso em: 19 fev. 2023. MORAIS, K. V. R. et al. As doenças emergentes e reemergentes e seus determinantes. Braz. J. Hea. Rev., Curitiba, v. 3, n. 4, p. 11227-11241, 2020. NAVES, J. G. P.; BERNARDES, M. B. J. A relação histórica homem/natureza e sua importância no enfrentamento da questão ambiental. Geosul, Florianópolis, v. 29, n. 57, p 7-26, 2014. PIGNATTI, M. G. Saúde e ambiente: as doenças emergentes no Brasil. Ambient. soc., [S. l.], v. 7, n. 1, 2004. RIBEIRO, J. W.; ROOKE, J. M. S. Saneamento básico e sua relação com o meio ambiente e a saúde pública. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Análise Ambiental) – Faculdade de Engenharia, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2010. SILVA, P. N. et al. Saneamento: entre os direitos humanos, a justiça ambiental e a promoção da saúde. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2018. (Coleção Saúde, Ambiente e Sustentabilidade). SOARES, B. L. C.; NAVARRO, M. B. A. A relação homem-natureza e a perspectiva histórica e cultural da relevância do fator climático no contexto das doenças. Ensino, Saúde e Ambiente,[S. l.], v. 7, n. 2, p. 1-11, 2014. VIANNA, N. Pesquisadora da Fiocruz explica a relação entre pandemia e meio ambiente. Instituto Gonçalo Muniz – Fiocruz Bahia, Salvador, 3 jul. 2020. Disponível em: https://www.bahia.�ocruz.br/pesquisadora-da-�ocruz-bahia-explica-relacao-entre-pandemia-e- meio- ambiente/#:~:text=%E2%80%9COs%20cientistas%20estimam%20que%20cerca,pelo%20impacto %20nos%20habitats%20naturais. Acesso em: 19 fev. 2023. Aula 2 População e saúde https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/52769086/artigo---as-mudancas-ambientais-e-a-saude-humana-impactos-da-degradacao-ambiental-sobre-surtos-de-doencas-infecciosas https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/52769086/artigo---as-mudancas-ambientais-e-a-saude-humana-impactos-da-degradacao-ambiental-sobre-surtos-de-doencas-infecciosas https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/52769086/artigo---as-mudancas-ambientais-e-a-saude-humana-impactos-da-degradacao-ambiental-sobre-surtos-de-doencas-infecciosas https://www.bahia.fiocruz.br/pesquisadora-da-fiocruz-bahia-explica-relacao-entre-pandemia-e-meio-ambiente/#:~:text=%E2%80%9COs%20cientistas%20estimam%20que%20cerca,pelo%20impacto%20nos%20habitats%20naturais https://www.bahia.fiocruz.br/pesquisadora-da-fiocruz-bahia-explica-relacao-entre-pandemia-e-meio-ambiente/#:~:text=%E2%80%9COs%20cientistas%20estimam%20que%20cerca,pelo%20impacto%20nos%20habitats%20naturais https://www.bahia.fiocruz.br/pesquisadora-da-fiocruz-bahia-explica-relacao-entre-pandemia-e-meio-ambiente/#:~:text=%E2%80%9COs%20cientistas%20estimam%20que%20cerca,pelo%20impacto%20nos%20habitats%20naturais https://www.bahia.fiocruz.br/pesquisadora-da-fiocruz-bahia-explica-relacao-entre-pandemia-e-meio-ambiente/#:~:text=%E2%80%9COs%20cientistas%20estimam%20que%20cerca,pelo%20impacto%20nos%20habitats%20naturais Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Videoaula: População e saúde Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Nesta aula estudamos sobre saúde, meio ambiente, impactos ambientais negativos e educação ambiental, fatores que estão relacionados quando se estuda sobre meio ambiente e saúde. No vídeo, você verá uma síntese do que foi apresentado na aula e alguns exemplos que facilitarão sua compreensão do que foi abordado nesta aula. Assista ao vídeo com atenção e bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante! As ações antrópicas causam diversas mudanças no meio ecológico e muitas delas afetam diretamente a saúde dos seres vivos que habitam este planeta. Por isso, nesta aula, estudaremos as ações humanas sobre o meio ambiente, a saúde e a educação ambiental. Antes disso, vale lembrar que a educação ambiental é parte fundamental do processo de compreensão da interação entre a humanidade e o meio ecológico. Ela é capaz de contemplar também pontos importantes, como fatores e variáveis sociais e de gestão que interferem na relação sociedade-natureza. Compreender os resultados das ações antrópicas é um conhecimento importante e que tem como proposta minimizar diversas ações negativas. Bons estudos! Vamos Começar! Os impactos ao meio ambiente, causados pelos seres humanos, podem afetar a saúde visto que o processo de degradação não altera apenas o panorama dos ecossistemas, mas também as diferentes formas de vida, in�uenciando os modelos de saúde vegetal, animal e humano. O conceito de saúde assumiu diferentes con�gurações ao longo da história da humanidade. Isso ocorre devido à in�uência de aspectos culturais, religiosos, políticos e econômicos que assumem papéis preponderantes no que se refere à forma como se percebe a saúde e os desdobramentos para a manutenção dela. É conhecido que diversas patologias podem estar Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE associadas as alterações ambientais o que in�uencia nas mudanças entre as relações dos seres vivos e o meio ambiente e altera a qualidade de vida dos mesmos (JESUS, 2019). Nesse contexto, torna-se importante avaliar os aspectos in�uenciadores para que se possa identi�car suas mudanças e in�uências ao longo do tempo (OLIVEIRA, 2013; LIMA; OLIVEIRA; PAGOTTO, 2020). Antigamente, acreditava-se na ideia limitada de que saúde era simplesmente a ausência de doença. Em 1976, o conceito proposto pelo Modelo Natural de Doenças (MND) visava ao acompanhamento do processo saúde-doença em sua regularidade, compreendendo as inter- relações do agente causador, do hospedeiro da doença, do meio ambiente e do seu processo de autodesenvolvimento. Nesse modelo, destacam-se possibilidades de prevenção e promoção da saúde, como interromper a transmissão de uma doença, evitar sua ocorrência e promover qualidade de vida (LIMA; OLIVEIRA; PAGOTTO, 2020). Assim, a saúde passa, em 1946, a ser de�nida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não mais apenas como a ausência de doença ou enfermidade” (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2021). Para se obter essa condição de “viver bem”, o ser humano precisa de todos os elementos da natureza em plena condição de consumo. Ao se associar a saúde à qualidade de vida, a relação entre saúde e preservação do meio ambiente vai se tornando mais evidente. A poluição do ar nos centros urbanos, a falta de tratamento de esgotos e áreas contaminadas por produtos químicos interferem diretamente na saúde humana (AZZARI, 2021). Nesse cenário, a educação ambiental (EA) tem como proposta transformar a sociedade e o modelo de desenvolvimento vigente, buscando promover impactos positivos à saúde do ambiente, dos animais e dos humanos. Essa transformação se dará por meio de processos formativos e de promoção de re�exões críticas a partir de um olhar abrangente e complexo sob a ótica ecológica e social que estamos construindo (AZZARI, 2021). De acordo com Pereira et al. (2012), a EA é a modalidade da educação voltada às questões ambientais. Destaca-se que essas questões estão enraizadas em causas socioeconômicas, políticas e culturais. Sendo assim, entende-se que o trabalho em atenção primária à EA se torna ferramenta estratégica para a discussão socioambiental na busca de alternativas para a resolução dos problemas, tanto orgânicos quanto sociais e ambientais, vivenciados pela comunidade em questão podendo se desenvolver não só no ambiente escolar, mas também em comunidades, aproveitando-se de conhecimentos locais (PEREIRA et al., 2012). Siga em Frente... Como vimos, a relação entre saúde e meio ambiente teve diversas interpretações ao longo da história, que levam em consideração desde a distinção entre culturas de povos até o entendimento dos fenômenos que interferem na qualidade de vida. A Teoria dos Miasmas, até o século XIX, abordava a transmissão de doenças através dos odores provenientes de matéria orgânica em decomposição. Tal teoria foi divulgada e aceita, inclusive Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE para explicar a origem de doenças como a varíola e a tuberculose, tendo sido o fato mais próximo de uma dimensão ambiental que se havia conseguido alcançar. De acordo com Oliveira (2013), nos dias atuais, o nível de conhecimento cientí�co e tecnológico possibilita a compreensão da relação saúde-meio ambiente, bem como a ocorrência direta e indireta de proliferação de pragas, transmissão de moléstias e doenças crônicas, em um processo crescente de desequilíbrio ecológico. Inúmeros são os prejuízos, ocorridos na saúde humana, decorrentes das atividades predatórias dirigidas ao meio ambiente. Desde o século XX, quando se consolidou a ideia de História Natural da Doença, as análises epidemiológicas do processo saúde-doença passaram a evidenciar a relação entre homem e ambiente como uma de suas determinantes (LIMA, 2018). De acordo com Lima (2018), no conceito introduzido por Leavell e Clarck, fatores ambientais pré- patogênicos (antes da patologia) seriamsituações geográ�cas, como, solo, clima, relevo, agentes de natureza química ou física que interferem na saúde de uma população. Esses fatores, quando estão em situações de desequilíbrio, causam uma perturbação que pode produzir quebra da homeostasia dentro de organismos vivos, podendo funcionar como fenômenos patogênicos. Além disso, o processo saúde-doença é in�uenciado também por fatores sociais (socioeconômicos, sociopolíticos, socioculturais e psicossociais). Sabe-se que as ações dos seres humanos causam impactos ao ambiente que os envolve e os efeitos podem ser de curto ou longo prazo. Foladori (2001 apud LAZARETTI; SOUZA, 2019, p. 107 e 110) alerta que “a essência mesma do ser humano é a transformação da natureza [...]” e o “crescente domínio sobre a natureza mostrou [...] a dependência do ser humano em relação aos ecossistemas que destruía”. Ao se atingirem os limites de regeneração dos recursos naturais, a própria qualidade de vida da população será impactada, pois ela depende do meio em que vive (LAZARETTI; SOUZA, 2019). Quando há o somatório desses fatores, como a falta de saneamento básico, o excesso de agrotóxicos, a degradação do solo, do ar, das águas e das nascentes, a poluição por resíduos químicos, entre outras condições de nosso tempo, há graves ameaças à saúde humana (LIMA, 2018). Sendo assim, faz parte do papel da EA estudar e discutir não somente o meio ambiente físico, mas também abordar a realidade local e toda a complexidade das relações entre a ecologia e a sociedade. Dessa forma, deve-se contextualizar a saúde local, destacando os cuidados com a prevenção de doenças e a gestão dos fatores ambientais deletérios à saúde (PEREIRA et al., 2012). Você estudou até aqui as relações entre os seres humanos, a natureza e as suas consequências. A seguir, conheceremos alguns exemplos das ações humanas sobre o meio ambiente e os efeitos na qualidade de vida de uma população. Vamos Exercitar? Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE As variáveis sociais e econômicas são as que mais in�uenciam e favorecem a disseminação das doenças. Para melhor compreensão do processo saúde-doença, faz-se necessário entender o homem nos meios ecológico, social e econômico (SANTOS, 2010) e, a �m de que essa compreensão seja alcançada, é necessário identi�car indivíduos, grupos e eventos em relação ao tempo e ao território. Nessa perspectiva, é possível a�rmar que diferentes civilizações ao longo da história incorporaram conhecimentos que contribuíram, gradualmente, para explicar as diferentes formas de viver, de adoecer e de morrer de populações. Foi nesse processo que se incorporou, no campo da saúde, como fator de estudo, o aspecto geográ�co, cuja �nalidade é informar a localização e a in�uência de elementos do terreno e da população que contribuem, positiva ou negativamente, para a ocorrência de eventos de saúde (GONDIM; MONKEN, 2017). Vimos que fatores ambientais interferem diretamente na saúde da população; vejamos, agora, alguns cenários em que as variáveis ambientais alteram a qualidade de vida. De acordo com Colussi e Pereira (2016), deve-se considerar como áreas de risco aquelas em que os moradores, de maneira geral, têm seus níveis de saúde inferiores aos do restante da população do território, pois apresentam maiores chances de adoecer ou, ainda, quando têm a mesma doença que pessoas de outro local, desenvolvem-na com maior gravidade ou com maiores complicações. A transmissão de muitas doenças é promovida por uma combinação de fatores, como a pobreza, a falta de saneamento e o difícil acesso a serviços de saúde. Por exemplo, o lançamento de esgotos in natura em rios e mares afeta diretamente a população que vive às margens deles e, indiretamente, aquelas que estão distantes por meio da contaminação das águas subterrâneas e do solo. O nível de escolaridade também in�uencia diretamente as condições de saúde, podendo prejudicar a concepção de autocuidado em saúde, a consciência de conservação ambiental e a percepção da necessidade de desempenho do indivíduo como cidadão (GONDIM; MONKEN, 2017). Segundo o relatório apresentado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quase toda a população do mundo (99%) respira um ar de qualidade inferior ao recomendado acarretando severos males à saúde. Um número recorde de mais de 6 mil cidades, em 117 países, já possui monitoramento da qualidade do ar. Contudo, os habitantes desses locais ainda respiram níveis insalubres de material particulado �no e dióxido de nitrogênio (NO2). Ainda é possível destacar pessoas em países de baixa e média renda sofrendo as maiores exposições devido à falta de investimento em tecnologias mais limpas de produção de energia e controle de poluição (OPAS, 2022). Em um estudo realizado na região Amazônica, constatou-se que, embora haja grande oferta de água, os indicadores de saneamento da região norte do Brasil con�guram-se como os piores do país, 55,7% dos domicílios dessa região não são abastecidos de água por rede geral; do volume total de água distribuída em sistemas públicos, 32,4% não recebem tratamento e 92,9% dos municípios não possuem redes de esgotamento sanitário. Um ponto importante a se destacar é Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE que, na região Norte do país, constatam-se as maiores proporções para gastos com internações por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado (GIATTI, 2007). Até aqui vimos alguns exemplos de como as variáveis ambientais (geográ�cas, estruturais, climáticas), sociais e econômicas in�uenciam na saúde de uma população, e a importância de se preservar a meio ambiente para se obter uma boa qualidade de vida. Vimos que para isso os fatores ambientais, sociais e econômicos precisam estar articulados de forma que um não possa in�uenciar negativamente o outro. Saiba mais Olá, estudante! Você viu que muitas são as variáveis e os fatores relacionados ao meio ambiente e à saúde. No site da Organização Mundial da Saúde (OMS), você poderá consultar diversas informações sobre os assuntos abordados na aula. World Health Organization (WHO). Referências AZZARI, R. Educação ambiental e saúde única. Portal de Educação Ambiental, São Paulo, 23 fev. 2021. Disponível em: https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/educacaoambiental/educacao-ambiental-e- saude-unica/. Acesso em: 20 fev. 2023. COLUSSI, C. F.; PEREIRA, K. G. 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Acesso em: 20 fev. 2023 Aula 3 Ações de meio ambiente Videoaula: Ações de meio ambiente Este conteúdo é um vídeo! https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-exercitar/noticias/2021/o-que-significa-ter-saude https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-exercitar/noticias/2021/o-que-significa-ter-saude https://www.paho.org/pt/noticias/4-4-2022-novos-dados-da-oms-revelam-que-bilhoes-pessoas-ainda-respiram-ar-insalubre https://www.paho.org/pt/noticias/4-4-2022-novos-dados-da-oms-revelam-que-bilhoes-pessoas-ainda-respiram-ar-insalubre https://www.who.int/pt Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Nesta aula estudamos a transição demográ�ca e epidemiológica, bem como os programas e as ações na área de saúde. Tais conteúdos são importantes para a compreensão das relações entre meio ambiente e saúde. Neste vídeo você reverá os conteúdos abordados e alguns exemplos para que sua compreensão sobre o tema abordado seja facilitada. Agora, vamos assistir ao vídeo! Ponto de Partida Olá, estudante! Vimos que o meio ambiente in�uencia diretamente a saúde de um indivíduo e/ou um grupo. Tendo isso em vista, nesta aula estudaremos as relações entre o espaço físico e a qualidade de vida de uma população. Para isso, vamos compreender como as variáveis existentes em um território se relacionam com a saúde de um indivíduo ou grupo, vamos conhecer as medidas e as ações necessárias para melhorar a interação entre a sociedade e o meio ambiente e, consequentemente, vamos dialogar sobre iniciativas da área ambiental e da saúde que tenham como foco promover melhor qualidade de vida a uma população e preservar o meio ecológico. Vamos à aula! Bons estudos! Vamos Começar! A demogra�a é uma parte importante da ciência para a saúde pública, pois ela é capaz de fornecer conceitos e medidas fundamentais sobre a saúde quanto à dimensão populacional. Alguns indicadores demográ�cos são comumente utilizados para a avaliação direta das condições de saúde, como dados de mortalidade, esperança de vida ao nascer, fecundidade, urbanização, entre outros. A estrutura etária da população também é um fator importante e é reconhecido como uma variável ligada à demanda por serviços de qualidade de vida que determina as necessidades organizacionais e tecnológicas do sistema de saúde como um todo (OPAS, 2009). Nos últimos 100 anos, a população mundial vem passando por uma profunda mudança demográ�ca, que é resultado da dinâmica em relação a nascimentos, mortes e migração. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), a população de pessoas com idade igual e/ou superior a 60 anos praticamente dobrará entre os anos de 2015 e 2050. Quando combinados com quedas acentuadas nas taxas de fertilidade, esses aumentos na expectativa de vida levam ao rápido envelhecimento das populações em todo o mundo. Mudanças na composição etária da população são facilmente percebidas e se acentuarão nas próximas décadas. Esse processo de transição demográ�ca acelerado é intenso em países altamente Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE industrializados. Nesse contexto, observa-se um novo per�l de demanda que requer rearranjos consideráveis nas formas de organização e de prestação de serviços de saúde (CORTEZ et al., 2019; OPAS, 2009; OMS, 2015). Segundo Cortez et al. (2019), a transição demográ�ca em países desenvolvidos ocorreu bem antes do envelhecimento signi�cativo de suas populações, uma vez que eles adquiriram uma base sólida em relação aos aspectos socioeconômicos e de saúde, além de estratégias institucionais visando atender a população mais idosa e equilibrar os efeitos das desigualdades residuais. Essa situação pode ser exempli�cada com países da América do Norte e da Europa que já possuíam um grau de desenvolvimento social e econômico alto à medida que sua população envelhecia, ou seja, os países desenvolvidos �caram “ricos” antes de envelhecer; já o Brasil se encontra no sentido oposto. Concomitantemente a essas mudanças demográ�cas ocorrem outras no comportamento da mortalidade e da morbidade. Essas mudanças nos padrões de morte, morbidade e invalidez de uma população especí�ca, em geral, ocorre em conjunto com outras transformações, como as sociais, econômicas e de saúde (CORTEZ et al., 2019; OPAS, 2009). Tais mudanças originaram o conceito de transição epidemiológica, proposto por Omran, em 1971, que é focalizado na complexa mudança dos padrões de saúde-doença e nas interações entre esses padrões e seus determinantes e as consequências. A transição epidemiológica consiste na mudança do per�l de mortalidade, que passa de um cenário no qual as principais causas de morte são as doenças infecciosas e parasitárias – características de locais com baixos níveis de desenvolvimento econômico e social – para outro, no qual as doenças típicas da velhice começam a ocupar uma posição cada vez mais intensa entre as enfermidades mais comuns. Sendo assim, o conceito de transição epidemiológica foi utilizado para descrever e explicar as transformações nos padrões de ocorrência de doenças e causas de morte que se modi�caram ao longo do tempo, passando de um padrão marcado por enfermidades predominantemente infecciosas para um padrão de maior prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (LEBRÃO, 2007; MARTINS et al., 2021; OLIVEIRA, 2019. Siga em Frente... Poder desfrutar de uma vida longa é um recurso incrivelmente valioso, contudo as condições de saúde são um fator de extrema importância e que deve ser considerado. A forma como se envelhece e se vive in�uencia na vida do indivíduo e da sociedade. Se esses anos são dominados por declínios na capacidade física e mental, as implicações para as pessoas mais velhas e para a sociedade serão negativas (OPAS, 2009). Em consideração aos per�s de envelhecimento das populações, a teoria de transição epidemiológica tem sido revisitada com propostas de extensões que abordam aspectos como o aumento da expectativa de vida saudável (MARTINS et al., 2021). A transição epidemiológica é considerada componente de um conceito mais amplo apresentado por Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Lerner(1973 apud SCHRAMM et al., 2004, p. 2), que é o de transição da saúde. Esse conceito pode ser dividido em: Transição das condições de saúde: refere-se às mudanças na frequência, na magnitude e na distribuição das condições de bem-estar e qualidade de vida, expressas através das mortes, das doenças e das incapacidades. Transição da atenção sanitária: resposta social organizada a essas condições; instrumenta-se por meio dos sistemas de atenção à saúde e é determinada, em grande medida, pelo desenvolvimento social, econômico e tecnológico mais amplo (As mudanças ocorridas no per�l da população necessitam de mudanças no padrão de utilização dos serviços de saúde e no aumento de gastos, considerando a necessidade de incorporação, ao sistema de saúde, de tecnologia para o tratamento de doenças. Esses aspectos ocasionam importantes desa�os e a necessidade de uma agenda para as políticas de saúde que possam dar conta das várias transições em curso (SCHARAMM et al., 2004). No Brasil, em 2006, foi implementada a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), como um compromisso da gestão do Ministério da Saúde para a ampliação e a quali�cação das ações de promoção da saúde nos serviços e na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), na qual observam-se mudanças na organização, no planejamento, na realização, na análise e na avaliação do trabalho. Essas ações de promoção à saúde têm como objetivo possibilitar o acesso e promover qualidade de vida, melhores condições de trabalho, moradia, lazer, cultura, educação e também minimizar os riscos à saúde e a vulnerabilidade (BRIXNER et al., 2017; GONÇALVES et al., 2020). Além disso, essas ações objetivam “orientar sobre a prevenção de doenças, solucionar os possíveis casos de agravos e direcionar os mais graves para níveis de atendimento superiores em complexidade” (FIOCRUZ, [s. d.]). Até meados da primeira década dos anos 2000, a dimensão de ambiente era compreendida pelos pro�ssionais do setor da saúde como externa a eles. Muitas vezes o ambiente era compreendido apenas como o espaço geográ�co natural. Entretanto, a partir de 2005, o tema foi ganhando relevância no SUS, principalmente a partir da incorporação da Vigilância Ambiental ao Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde (SNVA). Desde então, no âmbito do SUS, ampliou-se a compreensão de que há um ambiente maior e relacional, em que as ações de promoção da saúde devem ser implementadas levando-se em consideração o ambiente onde as pessoas residem e trabalham (ALVES; XIMENES; ARAÚJO, 2015). Vimos que a prevenção e a promoção à saúde são fundamentais para a qualidade de vida. Vários são os projetos e as ações de iniciativa pública ou privada na área. Estudaremos alguns deles a seguir. Vamos Exercitar? A transição epidemiológica no Brasil tem ocorrido de forma diferente do modelo experimentado pela maioria dos países desenvolvidos e por nossos vizinhos latino-americanos como Chile, Cuba e Costa Rica (SCHRAMM et al., 2004). Embora o país experimente a transição de um Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE padrão de mortalidade e morbidade por enfermidades infecciosas para um per�l com maior relevância de doenças crônicas e não transmissíveis, no geral, esse mesmo país convive com distintos padrões de transição que são o resultado de diferenças de nível de desenvolvimento regional e social (MARTINS et al., 2021). O envelhecimento rápido da população brasileira, a partir da década de 1960, faz com que a sociedade se depare com um tipo de demanda por serviços médicos e sociais, outrora restrita aos países desenvolvidos. O Estado brasileiro, ainda às voltas com o estabelecimento de controle das doenças transmissíveis e a redução da mortalidade infantil, não foi capaz de desenvolver e aplicar estratégias para a efetiva prevenção e para o tratamento das doenças crônico-degenerativas e suas complicações, levando a uma perda de autonomia e de qualidade de vida (SCHRAMM et al., 2004). Contudo, mesmo assim vários projetos e ações de assistência à saúde são desenvolvidos no Brasil. Vejamos alguns exemplos a seguir, como os programas de atenção à saúde realizados pelo governo federal, que se dividem entre: atenção primária à saúde e atenção especializada à saúde. A atenção primária à saúde se refere a um conjunto de ações que abrange a promoção, a prevenção, os diagnósticos, os tratamentos, entre outros serviços. É considerada a principal porta de entrada do SUS e do centro de comunicação com toda a Rede de Atenção dos SUS. Alguns dos programas são: Banco de Leite Humano, Estratégia saúde da Família, Programa Saúde Bucal. A atenção especializada à saúde atua no controle da qualidade e na avaliação dos serviços especializados disponibilizados pelo SUS à população que conta também com vários programas como: atenção domiciliar, doação de sangue e UPA 24 h (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2022). Ações, programas e iniciativas na área de meio ambiente também possuem como foco a melhoria da qualidade de vida da população. Um exemplo é a vigilância em saúde ambiental feita pelos estados brasileiros, que consiste em ações que proporcionam a identi�cação de qualquer mudança nos fatores signi�cativos relacionados ao meio ambiente capazes de interferir na saúde humana e tem como �nalidade promover medidas de prevenção e controle dos fatores de riscos ambientais, relacionados às doenças ou outros agravos à saúde. Destacam-se entre as áreas de atuação: a vigilância da qualidade da água para o consumo humano, a vigilância em saúde ambiental relacionada aos riscos decorrentes de desastres e a vigilância em saúde de populações expostas a contaminantes químicos (SECRETARIA DE SAÚDE DA BAHIA, [s. d.]; SECRETARIA DE SAÚDE DE GOIÁS, [s. d.]). Vimos aqui alguns exemplos de ações e programas de órgãos públicos. Contudo, as organizações privadas e a sociedade civil também realizam ações de promoção à saúde e/ou controle de doenças. São ações pontuais ou periódicas realizadas por instituições educacionais, organizações não governamentais (ONGs), institutos de pesquisa e empresas, como campanhas de vacinação, testes clínicos, caminhadas, entre outros. Sendo assim, as ações de promoção à saúde e controle epidemiológicos envolve vários atores sociais: gestão pública, privada e sociedade civil, cada um atuando de acordo com suas prerrogativas dentro da sociedade. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Nessa aula, vimos que as mudanças demográ�cas afetam diretamente as condições de saúde e que a gestão dessa área, como medidas de controle, ações, metodologias etc. precisam se adaptar a essas mudanças e acompanhar o desenvolvimento das populações. Saiba mais Nesta aula foram citados alguns programas na área da saúde realizados pelo Ministério da Saúde. Para conhecer todos os programas, ações e iniciativas do governo federal, consulte os sites o�ciais, a seguir: Ministério da Saúde - Vacinas. Ministério da Saúde – Ações e Programas. Referências ALVES, M. L., XIMENES, M. F. F.M., ARAÚJO, M. F. F. A educação em saúde ambiental nos serviços do SUS. HOLOS, [S. l.], v. 5, ano 31, 2015. BRIXNER, B. et al. Ações de promoção da saúde nas estratégias de saúde da família. Cinergis, Santa Cruz do Sul, v. 18, n. 1, p. 386-390, 2017. CORTEZ, A. C. L. et al. Aspectos gerais sobre a transição demográ�ca e epidemiológica da população brasileira. 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Acesso em: 21 fev. 2023 Aula 4 Gestão ambiental Videoaula: Gestão ambiental Este conteúdo é um vídeo! https://www.gov.br/saude/pt-br https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2015/10/OMS-ENVELHECIMENTO-2015-port.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/demografia_saude_contribuicao_tendencias.pdf http://www.saude.ba.gov.br/suvisa/vigilancia-em-saude-ambiental/ http://www.saude.ba.gov.br/suvisa/vigilancia-em-saude-ambiental/ https://www.saude.go.gov.br/vigilancia-em-saude/saude-ambiental#:~:text=%C3%89%20A%20Vigil%C3%A2ncia%20em%20Sa%C3%BAde,dos%20fatores%20de%20risco%20ambientais https://www.saude.go.gov.br/vigilancia-em-saude/saude-ambiental#:~:text=%C3%89%20A%20Vigil%C3%A2ncia%20em%20Sa%C3%BAde,dos%20fatores%20de%20risco%20ambientais https://www.saude.go.gov.br/vigilancia-em-saude/saude-ambiental#:~:text=%C3%89%20A%20Vigil%C3%A2ncia%20em%20Sa%C3%BAde,dos%20fatores%20de%20risco%20ambientais https://www.saude.go.gov.br/vigilancia-em-saude/saude-ambiental#:~:text=%C3%89%20A%20Vigil%C3%A2ncia%20em%20Sa%C3%BAde,dos%20fatores%20de%20risco%20ambientais Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Você aprendeu, nesta aula, vários conceitos, de�nições e estratégias acerca da sustentabilidade. Foram abordados os princípios envolvidos para se integrar de forma equilibrada o desenvolvimento econômico, social e ambiental e os fatores envolvidos nesse processo. No vídeo, você poderá rever esses conceitos com maior facilidade e poderá visualizar recursos que facilitarão a sua compreensão sobre a aula. Assista ao vídeo e boa aula! Ponto de Partida Olá, estudante! Nesta aula estudaremos a importância do meio ecológico e da conservação e da gestão ambiental. As áreas de saúde e educação estão diretamente relacionadas ao meio ambiente, seja ele social e cultural, seja ecológico. Entender esses contextos e essas relações se faz importante para desenvolver políticas econômicas e sociais que tenham como objetivo garantir a qualidade de vida, a saúde e a conservação do meio ambiente. Nesta aula, veremos também a sustentabilidade, um conceito de fundamental importância para que se compreendam todas as relações em que se envolve o meio ambiente. Vamos à aula! Bons estudos! Vamos Começar! A crise ambiental pode ser descrita a partir de três aspectos básicos: crescimento populacional, demanda por energia e de materiais e geração de resíduos. O desenvolvimento tecnológico, ocorrido de maneira mais acentuada no mundo desde a Revolução Industrial, demonstra que a humanidade tem conseguido, de forma e�ciente, dominar a força da natureza e dela extrair os seus recursos. Entretanto, esse desenvolvimento vem com uma demanda cada vez maior de materiais e energia provindos da natureza e, por sua vez, resulta em signi�cativos impactos ambientais negativos (BRAGA et al., 2005; CALIJURI et al., 2013). Nesse cenário, ao �nal da década de 1960, as discussões a respeito da relação entre desenvolvimento econômico e meio ambiente ganharam destaque pelo fato de esse modelo atender apenas parcialmente as necessidades humanas e ainda causar prejuízos ambientais. No decorrer das décadas, os debates acerca do modelo de desenvolvimento se intensi�caram e, no ano de 1972, a Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente apresentou um marco sobre a concepção de desenvolvimento. A partir daí, preconiza-se, portanto, a necessidade de Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE alternativas que privilegiem a qualidade do crescimento e reconheçam o ambiente como fundamental (CAMARGO, 2020). No ano de 1983, foi criada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ou Comissão Brundtland), com o propósito de analisar os problemas críticos do planeta e formular propostas para solucioná-los. No �nal, como conclusão do estudo, foi publicado o relatório, conhecido como Nosso Futuro Comum, que apresentou sucessos (como menor mortalidade infantil, maior grau de alfabetização, aumento de produção de alimento, etc.) e falhas (como degradação do solo, das �orestas e aumento da poluição atmosférica) do atual sistema de desenvolvimento. Desse modo, foi observado que, no início do século XX, a quantidade de habitantes no planeta e a tecnologia vigente não prejudicavam de forma signi�cativa os recursos naturais do planeta, mas, ao �nal desse século, a situação havia mudado. Entretanto, a conclusão foi a da possibilidade de um crescimento econômico desenvolvido com práticas que conservem os recursos naturais (CAMARGO, 2020). É nesse relatório que é apresentado o conceito de desenvolvimento sustentável como aquele que atende às necessidades das gerações presentes sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades (CALIJURI et al., 2013). É nesse cenário que se preconiza a necessidade da adoção de estratégias de crescimento econômico que permitam o desenvolvimento social e que valorize os recursos ambientais como base fundamental para a sua sustentação. Forma-se aqui um consenso acerca da harmonia entre as dimensões sociais, econômicas e ecológicas. Sendo assim, os processos de intervenção ou uso dos recursos naturais para o atendimento das demandas das atuais e futuras gerações devem ser priorizados e regidos pelo enfoque da sustentabilidade (CALIJURI et al., 2013; CAMARGO, 2020). De acordo com Barbieri (2020), o indivíduo é o sujeito central do desenvolvimento, por isso deve ser o participante ativo dos processos de ação e benefícios. Governantes têm o direito e o dever de formular políticas e estratégias de desenvolvimento, porém deve-se ter participação ativa, livre e signi�cativa da população tanto na formulação quanto no desfrute dos benefícios. Assim, a crescente preocupação com as questões ambientais tem propiciado avanços importantes no tocante às políticas públicaspara o enfrentamento dos problemas ambientais. Tornou-se indispensável, portanto, a condução sistematizada de um conjunto de ações com o objetivo de promover a gestão ambiental (CALIJURI et al., 2013). Macêdo e Oliveira (2005, p. 141) conceituam gestão ambiental como um “processo contínuo e adaptativo, por meio do qual uma organização de�ne seus objetivos/metas relativas à proteção do ambiente e à saúde e segurança de seus empregados, clientes e comunidade”. Vimos sobre a integração entre os sistemas econômicos e ambientais e princípios para se atingir a sustentabilidade entre esses sistemas. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Siga em Frente... Para atender às necessidades básicas, os seres humanos interferem no ambiente e provocam alterações nas suas condições, na sua disponibilidade e na sua qualidade. As atividades antrópicas re�etem as demandas sociais que impõem determinados usos de recursos e intervenções nos sistemas ambientais (CALIJURI et al., 2013). Para se reduzir ou evitar esses efeitos, a proteção ambiental deverá ocorrer de forma ativa, por meio da adoção de práticas que visem minimizar ou evitar os efeitos negativos da ação humana para a vida planetária (MACHADO; GARRAFA, 2020). Ainda de acordo com Machado e Garrafa (2020), o princípio da proteção ambiental pode ser atrelado ao princípio da precaução como forma de nortear o gerenciamento dos riscos advindos das atividades humanas no planeta. A precaução é uma importante ferramenta, principalmente quando se sabe da existência dos riscos de determinada ação, porém esses riscos nem sempre são totalmente conhecidos ou previsíveis. Os princípios da precaução e da prevenção, embora pareçam sinônimos, possuem diferentes contextos. No primeiro, embora haja ausência de certeza cientí�ca, as medidas de proteção ambiental não devem ser negligenciadas (HAMMERSCHMIDT, 2002). A prevenção é uma conduta racional frente a um mal que a ciência pode objetivar e mensurar, ou seja, de acordo com Hammerschmidt (2002, p. 111), “o princípio da prevenção refere-se ao perigo concreto e o princípio da precaução refere-se ao perigo abstrato”. Portanto, prevenção pode ser entendida como a utilização de estratégias, processos, técnicas, ferramentas, materiais, produtos, serviços ou energia capazes de evitar, minimizar ou controlar a geração, emissão ou descarga de qualquer tipo de poluente ou rejeito com a �nalidade de reduzir impactos negativos causados por uma atividade (SGS ACADEMY, 2015). Ao se trabalhar com planejamento de atividades e tomadas de decisões, a gestão ambiental é uma importante ferramenta para se atingir três pilares: o desenvolvimento social, o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental. Ela pode ser empregada no âmbito municipal, estadual e federal e envolve uma equipe multidisciplinar. Para que haja um planejamento efetivo e boa gestão ambiental, deve-se estudar os recursos naturais, a existência de recursos construídos (edi�cações e instalações) e a demanda da sociedade (YABE, 2020). A gestão ambiental é o principal instrumento para que o setor empresarial atinja os “três pilares”. Nesse contexto, os Sistemas de Gestão Ambiental (SGAs) e as normas legais surgiram devido às pressões da sociedade sobre as empresas, em virtude dos impactos ambientais negativos causados por suas atividades. De acordo com Moreira (2002) apud Martins e Silva (2014), os benefícios de um SGA seriam: melhoria na organização interna; melhoria da imagem; aumento da satisfação e con�ança dos clientes; aumento da motivação e envolvimento no sistema por parte dos colaboradores internos; con�ança no sistema e re�exão sobre ele; melhoria da posição competitiva em face dos concorrentes não certi�cados; redução de custos; acesso a determinados mercados e concursos em face de um sistema baseado em critérios internacionalmente aceitos; minimização do impacto ambiental das atividades. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Os SGAs foram desenvolvidos para orientar e auxiliar as organizações a alcançar as suas metas, reduzir a emissão de poluentes e o consumo dos recursos naturais (BUENO et al., 2020). No contexto do SGA, a série ISO 14000, elaborada em 1996 e atualizada ao longo de todos esses anos, ganha destaque, pois é considerada como um SGA editado pela International Organization Standardization (ISO), que busca estabelecer ferramentas e sistemas para a administração ambiental de uma organização. Ela abrange seis áreas: sistemas de gestão ambiental (ISO 14001 e 14004), auditorias ambientais (14010,14011, 14012 e 14015), rotulagem ambiental (14020, 14021 e 14025), avaliação de desempenho ambiental (14031 e 14032) e avaliação do ciclo de vida dos produtos (14040, 14041, 14042 e 14043) (BUENO et al., 2020). Vamos Exercitar? No século XXI, a humanidade está diante de problemas ambientais extremamente complicados. A percepção dos problemas ambientais está mais associada a uma atuação reativa, e a solução deles está mais atrelada a ações mais pragmáticas. Contudo, deve ser considerado que um equacionamento satisfatório da problemática ambiental exige medidas preventivas, ou seja, cuja solução se encontre mais na aplicação de uma estratégia ambiental preventiva do que corretiva. Assim, as ações devem ser direcionadas para os fatores determinantes causadores do problema (CALIJURI et al., 2013; LORA, 2002). O anseio da sociedade de consumir produtos livres de desperdícios e/ou efeitos danosos ao meio ambiente incentivou a busca por novas tecnologias de produção, com foco na melhoria da qualidade ambiental, na redução de custos e no atendimento às novas expectativas do consumidor. Assim, surge o conceito de produção mais limpa, cuja metodologia propõe a aplicação contínua de uma estratégia ambiental preventiva e integrada aos processos e produtos, a �m de aumentar a e�ciência e reduzir os riscos à sociedade e ao meio ambiente. Dessa maneira, buscou-se a integração de práticas socialmente responsáveis e ambientalmente corretas associadas às técnicas tradicionais de produção e de gestão do setor industrial (BACARJI; HALL; WERNER, 2009). Algumas estratégias para controle de poluição na área industrial são apresentadas por Lora (2002): remoção de resíduos, tratamento (modi�cação do volume e toxicidade) e disposição �nal dos resíduos. Entretanto, destaca-se a preferência pelo controle da poluição na fonte, pois essa estratégia pode diminuir os custos de disposição �nal, melhorar a imagem pública da empresa diante dos consumidores, das comunidades vizinhas, do público e das agências ambientais, além de melhorar também a competitividade da empresa (LORA, 2002). Entre os métodos de controle na fonte, Lora (2002) cita dois: Mudança de produto: projetado para causar menor impacto ambiental, incremento da vida útil e produtos multifuncionais; altera a matéria-prima, substitui materiais, etc. Mudança no processo: incremento do nível de automação, melhorias de equipamentos, tecnologias mais limpas, manutenção preventiva das operações, treinamento de pessoal, Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE segregação de resíduos, etc. Além das estratégias industriais, as técnicas de controle e prevenção de poluição podem ser aplicadas em diversos aspectos ambientais: água para o consumo humano; tratamento de esgoto e de e�uentes gasosos; resíduos sólidos; recuperação de áreas degradadas e de sistemas aquáticos; e remediação/recuperação do solo (CALIJURI et al., 2013). De acordo com Fernandes et al. (2015), a prevenção da poluição é aplicada nos modelos de gestão ambiental, os quais avaliam os problemas ambientais a partir de uma visão mais ampla, que pode ser alinhada à estratégia de uma empresa. Embora cada modelo tenha suas particularidades, eles podem ser combinados para se adequarem às características da empresa. Os principais modelos de gestão ambiental são: a Gestão da Qualidade Ambiental Total, a Produção Mais Limpa (P+L), a Ecoe�ciência e o Projeto para o Meio Ambiente. Um estudo publicado por GARCIA et al. (2019)concluiu que as empresas, ao informarem sobre o seu compromisso com a conservação do meio ambiente, podem estimular outras a fazerem o mesmo e, com isso, minimizar possíveis impactos negativos. Vimos que muitas são as estratégias aplicadas para se evitar os impactos negativos ao meio ambiente, bem como minimizar a geração de poluentes. Vimos também que essas estratégias podem ser aplicadas em toda cadeia produtiva ou prestação de serviços. Nessa aula, os princípios da gestão ambiental foram apresentados e você estudou que esse sistema precisa de equilíbrio entre as atividades econômicas e o meio ambiente, sem que um limite o desenvolvimento do outro. Saiba mais Olá, estudante! Para compreender melhor sobre a gestão ambiental e os sistemas de gestão ambiental, consulte o site a seguir: CONAMA – Atos Normativos. E leia os artigos: SILVA, A. R.; OHARA, L. F.; GHIZZI, M. L. P. Normas ISO 14000 – Sistema de Gestão Ambiental. Qualidade Total – ESALQ – USP, São Paulo, 2020. ERBE, M. C. L. Sistemas de Gestão Ambiental. Curitiba: IFPR, 2012 Referências http://conama.mma.gov.br/atos-normativos-sistema http://www.qualidade.esalq.usp.br/fase2/iso14000.htm http://www.qualidade.esalq.usp.br/fase2/iso14000.htm http://www.qualidade.esalq.usp.br/fase2/iso14000.htm http://www.qualidade.esalq.usp.br/fase2/iso14000.htm http://proedu.rnp.br/bitstream/handle/123456789/1388/Sistemas%20de%20Gestao%20Ambiental.pdf Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE BACARJI, A. G.; HALL, R. J.; WERNER, E. M. Produção Mais Limpa: Conceitos e De�nições Metodológicas. SEGET, 6., 2009, Resende. Anais [...]. Resende: AEDB, 2009. BÁNKUTI, S. M. S.; BÁNKUTI, F. I. Gestão ambiental e estratégia empresarial: um estudo em uma empresa de cosméticos no Brasil. Gest. Prod., [S. l.], v. 21, n. 1, 2014. BARBIERI, J. C. Desenvolvimento Sustentável: das origens à Agenda 2030. Petrópolis: Vozes, 2020. BRAGA, J. et al. Introdução à engenharia ambiental. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. 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O sistema de gestão ambiental baseado na ISO 14000: Importância do instrumento no caminho da sustentabilidade ambiental. REGET, [S. l.], v. 18, n. 4, p. 1460-1466, 2014. SILVA, A. R.; OHARA, L. F.; GHIZZI, M. L. P. Normas ISO 14000 – Sistema de Gestão Ambiental. Qualidade Total – ESALQ – USP, São Paulo, 2020. Disponível em: http://www.qualidade.esalq.usp.br/fase2/iso14000.htm. Acesso em: jan. 2023. SGS ACADEMY. Gerenciamento dos aspectos e impactos ambientais. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. WWF. O que é preciso fazer para alcançar o desenvolvimento sustentável? WWF Brasil, [S. l., s. d.]. Disponível em: https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/ #:~:text=A%20de�ni%C3%A7%C3%A3o%20mais%20aceita%20para,os%20recursos%20para%20o %20futuro. Acesso em: 21 fev. 2023. YABE, I. Planejamento e gestão ambiental. Curitiba: Contentus, 2020. Aula 5 Encerramento da Unidade Vídeo Aula Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Nesta unidade, você estudou como as alterações no meio ambiente causam efeitos adversos à saúde. Essas alterações possuem resultados a curto, médio e longo prazo. Portanto, a necessidade de propor técnicas de proteção ambiental é inerente à promoção da saúde e da qualidade de vida. No vídeo resumo, você poderá rever os pontos principais dos conteúdos e revisar os conceitos e as aplicações. Bons estudos! http://www.qualidade.esalq.usp.br/fase2/iso14000.htm https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/#:~:text=A%20defini%C3%A7%C3%A3o%20mais%20aceita%20para,os%20recursos%20para%20o%20futuro https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/#:~:text=A%20defini%C3%A7%C3%A3o%20mais%20aceita%20para,os%20recursos%20para%20o%20futuro https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/#:~:text=A%20defini%C3%A7%C3%A3o%20mais%20aceita%20para,os%20recursos%20para%20o%20futuro Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Ponto de Chegada O planeta sempre passou por constantes mudanças naturais e antrópicas, porém estas últimas foram estimuladas, principalmente, após a Revolução Industrial. O aumento populacional, a urbanização sem planejamento, a alteração da qualidade das águas, do ar, do solo e a extinção de espécies são algumas das modi�cações in�uenciadas pelas atividades do ser humano (ALVES, 2020; ARTAXO, 2014; BELESSA, 2018). Sabe-se que diversas patologias podem ser associadas às alterações desencadeadas pelas relações entre os seres vivos e o ambiente. As mudanças ocasionadas pelo ser humano intensi�caram a disseminação de doenças e o reaparecimento de enfermidades outrora consideradas erradicadas (JESUS, 2019; MORAIS et al., 2020). Essas modi�cações ocorrem não apenas no meio ambiente, mas também no per�l populacional. Observa-se, ao longo dos anos, que o processo de transição demográ�ca acontece devido às alterações na dinâmica de nascimentos, mortes e migração da população. Associado a esse cenário, ocorrem também mudanças no comportamento da mortalidade e da morbidade da população, condições que resultam em alterações nos padrões de morte, morbidade e invalidez de uma população especí�ca; em geral, isso ocorre em conjunto com outras transformações, como as sociais, as econômicas e as de saúde, o que dá origem ao processo de transição epidemiológica (CORTEZ et al., 2019; OPAS, 2009). Contudo, com o passar dos anos, o avanço das ciências médicas, a criação de políticas na área da saúde e a melhoria das condições sanitárias �zeram com que a expectativa de vida do ser humano aumentasse. Além disso, as melhores condições socioeconômicas das populações reduziram a taxa de natalidade. Esses fatores resultaram no envelhecimento da população (OPAS, 2009; SCHARAMM et al., 2004). Embora a expectativa e a qualidadede vida tenham melhorado com o passar dos anos, as alterações antrópicas, causadas no ambiente, continuaram a se intensi�car. Para evitar ou minimizar as interferências do ser humano no ambiente, discussões internacionais ganharam destaque (AZZARI, 2021). Nesse cenário, a necessidade da adoção de estratégias de crescimento econômico que permitam o desenvolvimento social e valorizem os recursos ambientais como base fundamental para sua sustentação ganhou destaque; então, políticas ambientais foram desenvolvidas como proposta. A educação ambiental (EA) e a gestão ambiental estão entre essas propostas. A EA surge com o objetivo de transformar a sociedade e o modelo de desenvolvimento vigente com todos os seus impactos à saúde do ambiente e de toda a vida (AZZARI, 2021; CALIJURI et al., 2013; CAMARGO, 2020). Já a gestão ambiental é um processo contínuo e adaptativo, por meio do qual uma organização de�ne os objetivos e as metas relativas à proteção do ambiente, à saúde e à segurança de seus empregados, seus clientes e sua comunidade (MACÊDO; OLIVEIRA, 2005). Ao analisar a problemática ambiental e seus efeitos, percebeu-se que estratégias preventivas, em vez de corretivas, devem ser priorizadas. A sociedade, nesse contexto, busca tecnologias cada vez mais limpas, desenvolvimento de produtos e serviços com efeitos menos nocivos ao ambiente, maior incentivo a preservação de biomas, etc. Esses fatores permitem uma melhor Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE qualidade ambiental e, consequente, melhor qualidade de vida para a população (BACARJI; HALL; WERNER, 2009). Nesta unidade você estudou as interações entre ser humano, meio ambiente e os seus efeitos. Além disso, pôde compreender como o ambiente interfere na saúde das pessoas e foi apresentado a algumas estratégias de mitigação das ações antrópicas sobre o meio ambiente. É Hora de Praticar! Um ambiente limpo e equilibrado é essencial para a saúde e a qualidade de vida. Entretanto, o ambiente também pode ser uma fonte de estressores decorrentes da poluição do ar, de ruídos, de produtos químicos perigosos, entre outros que a�igem negativamente a saúde. A saúde da população mundial também pode ser afetada negativamente pelas mudanças climáticas, por meio de ondas de calor, inundações e mudanças na distribuição de doenças transmitidas por vetores. Em um nível mais amplo, a mudança climática, a perda de biodiversidade e a degradação dos solos também podem impactar o bem-estar humano ao ameaçar a prestação de serviços ecossistêmicos, como o acesso à água potável e à produção de alimentos. Sabe-se, portanto, que a saúde e o bem-estar humanos estão intimamente ligados ao estado do ambiente. Os ambientes naturais de boa qualidade satisfazem nossas necessidades básicas, em termos de oferecimento de ar e água limpos, terra fértil para a produção de alimentos e insumos de energia e materiais para a sobrevivência humana, em geral. No meio ambiente natural, a preservação da vegetação nativa serve para regular o clima e prevenir inundações principalmente às margens dos rios e lagos. O acesso a espaços verdes também oferece importantes oportunidades de lazer e promove o bem-estar humano. Contudo, o ambiente antrópico, ou não natural, pode representar um caminho importante para a exposição humana ao ar poluído e a ruídos, por exemplos em grandes cidades e a produtos químicos perigosos e a outras fontes de estressores quando estamos em ambientes de trabalho, por exemplo. Nesse contexto, imagine que você trabalha como gestor ambiental e de sustentabilidade em um centro hospitalar. Os gestores ambientais planejam e dirigem o desenvolvimento de sistemas de gestão projetados para minimizar o impacto de uma organização no meio ambiente. Entre as atividades por eles desenvolvidas, estão a gestão do consumo de eletricidade, água, consumo geral de resíduos e controle da poluição gerada pela empresa. Assim, no ambiente hospitalar, existe uma série de fatores de risco para o ambiente, os quais precisam ser gerenciados adequadamente para que problemas relacionados à saúde humana sejam minimizados. Como pro�ssional da área ambiental e da saúde, quais aspectos você levaria em consideração ao realizar um relatório de qualidade ambiental que re�etisse os impactos causados pelas atividades do hospital para a saúde da população residente em seu entorno? Com essa atividade, você realizará um levantamento dos principais fatores ambientais e de saúde pública que re�etem os impactos das atividades hospitalares para o ambiente e a saúde humana. Lembre-se dos assuntos discutidos ao longo da unidade, tais como impactos ambientais, relação homem-natureza e gestão e controle ambientais Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Olá estudante, chegamos ao encerramento da unidade! Vamos realizar a experiência presencial que irá consolidar os conhecimentos adquiridos? É a oportunidade perfeita para aplicar, na prática, o que foi aprendido em sua disciplina. Vamos transformar teoria em vivência e tornar esta etapa ainda mais signi�cativa. Não perca essa chance única de colocar em prática o conhecimento adquirido. Saúde e meio ambiente. Fonte: elaborada pelas autoras. ALVES, J. E. D. Antropoceno: a Era do colapso ambiental. CEE Fiocruz, Rio de Janeiro, 16 jan. 2020. Disponível em: https://cee.�ocruz.br/?q=node/1106. Acesso em: 19 fev. 2023. ARTAXO, P. Uma nova era geológica em nosso planeta: o Antropoceno? Revista USP, São Paulo, n. 103, p. 13-24, 2014. AZZARI, R. Educação ambiental e saúde única. Portal de Educação Ambiental, São Paulo, 23 fev. 2021. Disponível em: https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/educacaoambiental/educacao-ambiental-e- saude-unica/. Acesso em: 20 fev. 2023. BACARJI, A. G.; HALL, R. J.; WERNER, E. M. Produção Mais Limpa: Conceitos e De�nições Metodológicas. SEGET, 6., 2009, Resende. Anais [...]. Resende: AEDB, 2009. BELESSA, M. Os critérios para a de�nição da nova época geológica, o Antropoceno. Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2 maio 2018. Disponível em: http://www.iea.usp.br/noticias/conversa-sobre-o-antropoceno. Acesso em: 19 fev. 2023. CALIJURI, C. et al. Engenharia Ambiental: conceitos, tecnologias e gestão. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. CAMARGO, A. L. B. Desenvolvimento Sustentável: dimensões e desa�os. Campinas: Papirus, 2020. CORTEZ, A. C. L. et al. Aspectos gerais sobre a transição demográ�ca e epidemiológica da população brasileira. Enfermagem Brasil, [S. l.], v. 18, n. 5, p. 700-709, 2019. https://cee.fiocruz.br/?q=node/1106 https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/educacaoambiental/educacao-ambiental-e-saude-unica/ https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/educacaoambiental/educacao-ambiental-e-saude-unica/ http://www.iea.usp.br/noticias/conversa-sobre-o-antropoceno Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE FIOCRUZ. Atenção Básica. Pense SUS, São Paulo, [s. d.]. Disponível em: https://pensesus.�ocruz.br/atencao-basica. Acesso em: 21 fev. 2023. JESUS, A. J. A saúde humana e o meio ambiente frente aos processos de degradação: uma revisão de literatura. Revista Interfaces, [S. l.], v. 7, n. 2, 2019. MACÊDO, K. B.; OLIVEIRA, A. A gestão ambiental nas organizações como nova variável estratégica. Rev. Psicol. Organ. Trab., [S. l.], v. 5, n. 1, 2005. MORAIS, K. V. R. et al. As doenças emergentes e reemergentes e seus determinantes. Braz. J. Hea. Rev., Curitiba, v. 3, n. 4, p. 11227-11241, 2020. OMS. Relatório Mundial de Envelhecimento e Saúde: Resumo. Genebra: OMS, 2015. Disponível em: https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2015/10/OMS-ENVELHECIMENTO-2015-port.pdf. Acesso em: 21 fev. 2023. OPAS. Rede Interagencial de Informações para Saúde. Demogra�a e saúde: contribuição para análise de situação e tendências. Brasília: OPAS, 2009. 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É essencial que você analise a relação entre esses temas e compreenda como os impactos ambientais negativos interferem nas variáveis ambientais e como elas afetam https://pensesus.fiocruz.br/atencao-basica https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2015/10/OMS-ENVELHECIMENTO-2015-port.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/demografia_saude_contribuicao_tendencias.pdf Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE a saúde coletiva. Para facilitar o seu entendimento, assista ao vídeo que apresenta de maneira sucinta essas relações. Ponto de Partida Olá, estudante! Ao longo de sua vida, você deve ter notado que a qualidade do meio ambiente pode interferir de forma signi�cativa na qualidade de vida das pessoas. Diante disso, nesta aula, estudaremos as variáveis ambientais que in�uenciam no aparecimento de doenças, os fatores que agravam as enfermidades e os impactos ambientais e seus efeitos no meio ecológico e na saúde. Veremos também sobre as questões ambientais relacionadas à saúde e à qualidade de vida. Por �m, estudaremos como tais questões podem determinar o aparecimento de algumas doenças e o reaparecimento de outras, outrora consideradas erradicadas. Esses conteúdos são importantes para a compreensão dos fatores que interferem na saúde individual e coletiva, além de estabelecer estratégias para a prevenção de doenças e programas de atenção à saúde. Então vamos à aula. Bons estudos! Vamos Começar! O cenário de degradação ambiental tem como consequência problemas que interferem na qualidade de vida das populações. Como parte integrante do meio ambiente, o ser humano sofre as consequências de suas ações, e as repercussões por suas escolhas equivocadas têm incidido de forma signi�cativa em sua saúde (BERTÉ et al., 2021). Hipócrates, em 460-377 a.C., em seu famoso livro Ares, Águas e Lugares, foi quem, pela primeira vez, abordou e registrou a relação entre o meio ambiente e o processo saúde-doença. Seus estudos relacionavam o desequilíbrio do ambiente natural com a ocorrência de doenças, ou seja, nessa época, já se apontava a relação dos fatores ambientais com o surgimento de enfermidades. A partir de então, compreendeu-se que, para melhor entender o processo saúde- doença, em qualquer comunidade, é necessário entender que o ser humano, em seu meio físico, biológico, social e econômico, faz parte do meio ambiente, que é considerado fator determinante e condicionante para a ocorrência e a prevalência das doenças infecciosas e parasitárias (BUSATO, 2020; LIMA, 2014). Nesse contexto, podemos questionar: de onde vêm as doenças? Alguns cientistas preconizam o investimento no conhecimento cientí�co, pois o estudo da genética e da biologia molecular são importantes para a prevenção, o controle, o diagnóstico, o tratamento e a cura da maioria das doenças. Contudo, outros pesquisadores defendem que a proporção de doenças relacionadas Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE somente às causas genéticas são relativamente pequenas, sendo, então, importante destacar que diferenças na estrutura social, no estilo de vida e os fatores ambientais continuam a ser responsáveis por uma proporção de doenças bem maior (MEIRA, CARVALHO, 2010; CARVALHEIRO et al., 2002). Foi diante das evidentes relações entre a degradação ambiental e a qualidade de vida que estudos, ações e iniciativas foram e são desenvolvidos para eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e intervir nos problemas sanitários do meio ambiente, surgindo, assim, o conceito de vigilância ambiental (BUSATO, 2020; LIMA, 2014; ZUCCOLOTTO, 2020). O estudo dessa área multidisciplinar é um desa�o, visto que é formada por vários aspectos da saúde humana, dentre os quais se inclui a qualidade de vida. Além disso, seu foco está em uma análise do presente e do futuro, na qual se avaliam as situações atuais para mensurar os riscos para as futuras gerações (BERTÉ et al., 2021). De acordo com Busato (2020), a atuação da vigilância ambiental na saúde pública prioriza as áreas de controle da qualidade da água para o consumo humano, a saúde das populações expostas a poluentes atmosféricos, a contaminantes químicos e a saúde ambiental relacionada aos fatores físicos. A disponibilidade de informação apoiada em dados válidos e con�áveis é condição essencial para a análise da situação de saúde de uma população. Nesse contexto, os indicadores ambientais foram desenvolvidos para facilitar a quanti�cação e a avaliação das informações produzidas para essa �nalidade, cujas fontes são inúmeras e variáveis (BERTÉ et al., 2021). Esses indicadores trazem informações relevantes e são construídos por dados variáveis conforme sua complexidade e devem ser analisados e interpretados com facilidade pelos usuários que os utilizam (BUSATO, 2020). Siga em Frente... Vimos anteriormente que o uso de indicadores para a avaliação das condições ambientais é muito importante e quais são os seus efeitos na saúde. No entanto, o que seriam esses indicadores? De acordo com Berté et al. (2021), eles são informações e/ou dados transformados em estatísticas, que permitem compreender as condições de um ambiente, veri�car atividades antrópicas e interpretar os problemas identi�cados. É com a análise desses indicadores que as respostas acerca dos possíveis riscos ambientais existentes à saúde dos indivíduos e das populações virão. Além dos indicadores ambientais, indicadores de saúde são ferramentas importantes para se avaliar e monitorar o progresso dos países e orientar a alocação de recursos na perspectiva da saúde pública (SILVA et al., 2018). Nesse contexto, ao se considerar que saúde tem como determinante não apenas as condições biológicas/genéticas/hereditárias, mas também as ambientais e as relativas ao estilo de vida, fatores como qualidade do ar, do solo e da água passam a ter uma importância relevante, pois, Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE ao se alterar as condições naturais desses fatores, pode-se causar um processo de desequilíbrio na saúde de grupos ou indivíduos expostos a essa nova situação, da mesma forma como ocorre com os fatores socioeconômicos, culturais e políticos (SOUTO-MARCHAND, 2017; ROSEIRO; TAKAYANAGUI, 2007). O conceito de ambientes saudáveis favoráveis à promoção da saúde é uma das cinco linhas principais propostas na Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (evento que aconteceu entre os anos de 1986 e 2002, em diferentes países) e tem quatro aspectos principais: dimensão social, política, econômica e empoderamento da mulher (BUSATO, 2020). Foi durante a IV Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, ocorrida em Jacarta, Indonésia, no ano de 1997, que a pobreza foi considerada a maior ameaça à saúde, além de outros fatores, como a in�uência exercida pela intensa urbanização e pela transição demográ�ca, a qual, com aumento signi�cativo da população de idosos, consequentemente, resultou no aumento de doenças crônicas (ROSEIRO; TAKAYANAGUI, 2007). Nas últimas décadas do século XX, o conceito de saúde-doenças passou a ter uma percepção mais holística. Com esse novo enfoque, obteve-se uma nova compreensão de seus fatores determinantes. Assim, o entendimento desse processo passou a se embasar no desequilíbrio entre os fatores: agente, hospedeiro e meio ambiente, encontrando suporte na multicausalidade, e evoluindo, posteriormente, para o modelo de determinação social, que leva em consideração o contexto social, cultural, econômico e político em que se insere um indivíduo ou grupos. Sendo assim, �ca fácil observarque determinados grupos sociais podem �car mais vulneráveis a algumas doenças de acordo com as condições que lhes são impostas (SOUTO-MARCHAND, 2017; ROSEIRO; TAKAYANAGUI, 2007). Diversos são os métodos e as estratégias utilizadas para descrever e analisar a distribuição dos problemas de saúde com foco em desigualdades (SILVA et al., 2018). Ainda de acordo com Silva et al. (2018), o principal objetivo é identi�car quais são os grupos mais vulneráveis (ou os menos favorecidos), que devem ser priorizados em intervenções de saúde pública. As desigualdades de sexo e/ou gênero, raça/etnia/cor da pele, nível econômico, escolaridade, área de residência (urbana e rural) e região geográ�ca estão entre as mais usualmente analisadas. Vamos Exercitar? A exposição humana a diversos fatores de risco, como água, ar, solo e alimentos contaminados ou como vetores, pode afetar a população de forma ocupacional ou não ocupacional, aguda ou crônica. O elevado número de fatores ambientais que podem afetar a saúde humana leva a uma complexidade de ações necessárias para melhorar esses fatores determinantes de saúde. Para isso, sabe-se que o estudo de indicadores da relação entre ambiente e saúde é cada vez mais importante para monitorar e evitar impactos negativos na saúde da população devido a um ambiente insalubre (SCHÄFFER et al., 2015). Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Berté et al. (2020) citam alguns desses indicadores ambientais que se relacionam com a saúde humana. São eles: O consumo de substâncias que destroem a camada de ozônio: esse indicador auxilia no desenvolvimento de ações que minimizem os impactos na camada de ozônio. A quantidade de agrotóxicos comercializada: descreve a quantidade comercializada de agrotóxico por classe de periculosidade ambiental. A reserva de água doce: busca avaliar a quantidade de água doce existente no território brasileiro. Além disso, os autores citam fenômenos naturais como terremotos, vulcões, tempestades, ciclones, deslizamentos de terra, entre outros, pois causam alterações na qualidade ambiental e efeitos na saúde humana. Inúmeros são os problemas causados pela degradação do meio ambiente na saúde. Um dos mais graves episódios de poluição ambiental ocorreu em 1952, na cidade de Londres, Inglaterra. Uma quantidade excessiva de poluentes atmosféricos permaneceu sobre a cidade durante três dias (fenômeno conhecido como smog), ocasionando um aumento de quatro mil mortes em relação à média do mesmo período (BRAGA et al., 2001). Outras doenças características da degradação do ambiente são as zoonoses (doenças transmitidas de animais para humanos), que fazem parte da natureza. Contudo, o que torna essas zoonoses uma pandemia é a interferência humana, como a destruição dos habitats naturais, o trá�co de animais silvestres e o hábito de consumi-los para os mais diferentes �ns. Os agentes biológicos causadores dessas doenças são os vírus patógenos aos seres humanos (p. ex. ebola, gripe suína), que ocorrem naturalmente no planeta e vivem dentro de um ciclo natural, dentro do qual alguns animais silvestres são hospedeiros. Entretanto, quando as ações humanas quebram esse ciclo, os vírus, que apresentam capacidade de mutação e recombinação genética, �cam expostos a organismos que não tiveram uma evolução conjunta com ele e, consequentemente, não apresentam adaptação e resistência a ele (ADHIKARI et al., 2020; JONES et al., 2008). Vejamos um estudo que ocorreu na cidade de Quixadá, no Ceará, para avaliação dos casos de dengue e chikungunya. Veri�cou-se que as condições climáticas (pluviosidade, temperatura e umidade relativa do ar), durante um período estipulado, foram favoráveis à proliferação do A. aegypti, e que as condições sanitárias, referentes ao acúmulo de lixo, funcionou como potencial depósito de água, contribuindo para a proliferação do vetor. Nesse estudo, concluiu-se que a condição sanitária da cidade provou ser o principal fator de noti�cação dessas doenças durante o período da pesquisa (SILVA et al., 2020). Você aprendeu sobre a importância da proteção ecológica e a qualidade ambiental para a manutenção da saúde, uma vez que a degradação do ambiente pode favorecer o desenvolvimento de doenças. Nesse contexto, avaliar os indicadores ambientais e as condições Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE às quais a população está submetida é de extrema importância para propor medidas ambientais e de saúde para a resolução do problema. Saiba mais Olá, estudante! Nesta aula você estudou a ecologia das doenças e as questões ambientais com efeitos na saúde. Consulte o site da Fundação Oswaldo Cruz, onde há mais informações sobre pesquisa, ensino e publicações em diversos segmentos na área de saúde e meio ambiente. Referências ADHIKARI. S. P. et al. Epidemiology, causes, clinical manifestation and diagnosis, prevention and control of coronavirus disease (COVID-19) during the early outbreak period: a scoping review. Infectious Diseases of Poverty, [S. l.], v. 29, p. 1-12, 2020. BERTÉ, R. et al. Vigilância Ambiental. Curitiba: Intersaberes, 2021. BRAGA, A. et al. Poluição atmosférica e saúde humana. Revista USP, São Paulo, n. 5, p. 58-71, 2001. BRASIL. Fundação Nacional de Sáude. Vigilância ambiental em saúde. Brasília: FUNASA, 2002. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_sinvas.pdf. Acesso em: 22 fev. 2023. BUSATO, I. M. S. Meio Ambiente, saúde pública e qualidade de vida. Curitiba: Contentus, 2020. CARVALHEIRO, J. R. et al. O crucial debate da ciência no limiar do século 21. Ciência & Saúde Coletiva, [S. l.], v. 7, n.1, p.17-41, 2002. EMBRAPA. As mudanças ambientais e a saúde humana: impactos da degradação ambiental sobre surtos de doenças infecciosas. Embrapa, Brasília, 28 maio 2020. 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Nesta aula você foi apresentado a temas importantes relacionados à área da saúde e do meio ambiente. Você estudou como as condições ambientais in�uenciam o surgimento e o ressurgimento de doenças já consideradas erradicadas. No vídeo a seguir você poderá recordar as principais considerações sobre os conteúdos vistos na aula. Vamos ao vídeo! Ponto de Partida Olá, estudante! Vimos, anteriormente, que o conceito de saúde é bastante abrangente e vários são os fatores que podem interferir na saúde de um indivíduo e/ou população e causar algum tipo de enfermidade. Nesta aula, estudaremos as doenças que podem acometer o indivíduo ou um grupo de pessoas e os casos de infecção local, regional, nacional e mundial. Algumas doenças são características de determinadas condições ambientais e acometem determinados locais e, nesse contexto, podemos observar a forte relação entre saúde e meio ambiente. Estudaremos também as principais doenças diagnosticadas no Brasil e as condições socioambientais das regiões afetadas. Bons estudos! Vamos Começar! Ao longo dos séculos, as sociedades tiveram que enfrentar eventos epidêmicos devastadores e que impuseram aos homens o medo da morte e da desagregação social. Nessa época, a epidemiologia era conhecida como o estudo das doenças transmissíveis. Foi em função de eventuais noções de contágio que foram planejadas ações diversas, como o isolamento, o cordão sanitário, as desinfecções e as quarentenas. No decorrer dos séculos, a epidemiologia recebeu novos signi�cados e, nos dias atuais, desde o início do século XXI, ela é muito mais abrangente e trata de qualquer evento relacionado à saúde das populações (NASCIMENTO, 2020; TIETZMANN, 2014). A epidemiologia e os estudos dos processos saúde-doença são um importante meio para identi�car fatores de risco e caracterizar per�s de doenças; a partir deles é possível analisar as condições de saúde e conhecer o histórico e os espectros clínicos da enfermidade (SILVA, 2022). A palavra epidemiologia deriva do grego e é formada pela junção do pre�xo epi (sobre) com os radicais demo (população) e logos (estudo), ou seja, estudo da população. Esse termo possui várias de�nições e conceitos, porém todos apresentam semelhanças entre si (SILVA, 2022; Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE TIETZMANN, 2014). O objetivo da epidemiologia é investigar e compreender a distribuição das enfermidades e suas causas em populações humanas e identi�car os fatores determinantes no processo saúde-doença (TIETZMANN, 2014). Os eventos relacionados à saúde, por exemplo: doenças, seus determinantes e o uso de serviços de saúde não se distribuem ao acaso entre as pessoas. Há o entendimento que alguns grupos populacionais apresentam mais casos de certo agravo e há outros que morrem mais por determinada doença. Tais diferenças ocorrem porque os fatores que in�uenciam o estado de saúde das pessoas não se distribuem igualmente na população (GOMES, 2015). De acordo com Gomes (2015) os estudos na epidemiologia demonstram a forma de distribuição das doenças ocorrem de acordo com os fatores: As características do indivíduo/população: por exemplo idade, sexo, ocupação, etc. As variações em relação ao período: Cíclicas: determinadas pelas �utuações na incidência de uma doença ocorrida em um período maior que um ano. Por exemplo: doenças virais. Sazonais: variação da incidência de uma doença que ocorre em sintonia com as estações do ano. Por exemplo: gripe, dengue, malária. Para que a doença ocorra, é necessário que haja uma interação entre as características do hospedeiro, possível agente causador da doença e do meio no qual o indivíduo se encontra. Assim, dependendo da frequência com que ocorre a doença na população, esta recebe uma classi�cação, que pode ser: Endemia: presença de uma doença dentro de limites esperados, em uma determinada área geográ�ca, sem que se espalhe para outros lugares e por um período de tempo ilimitado, por exemplo: malária, doença de Chagas. Epidemia: ocorre em uma região, mas se espalha para outras de forma descontrolada; há elevação brusca, temporária e acima do esperado da incidência de uma determinada doença, por exemplo: poliomielite (mesmo que aconteça um único caso, não é o esperado). Pandemia: propagação do agente infeccioso no ambiente com ampla distribuição espacial da doença, atingindo diferentes nações e continentes, por exemplo: Covid-19 (LUNA; SILVA, 2009; TIETZMANN, 2014). Quando se tem a ocorrência epidêmica, em que todos os casos possuem relação entre si, atingindo uma área geográ�ca limitada e pequena, dizemos que há um surto. Exemplo disso são os casos de intoxicação alimentar em uma empresa (MEDRONHO, 2009). Foi apresentado aos principais conceitos relacionados à ocorrência de doenças; a seguir, estudaremos com mais detalhes essas situações. Siga em Frente... Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Para mensurar a ocorrência de enfermidades na população, são utilizadas as seguintes medidas de frequência de doenças: Incidência: é a frequência de novos casos de uma determinada doença ou problema de saúde em determinado período de tempo, oriundo de uma população sob risco de adoecer no início da observação. Prevalência: medida que representa a aferição do número de casos existentes em uma população em um período determinado (GOMES, 2015). Gomes (2015) destaca que a prevalência só considera um evento de determinada doença por indivíduo. Por exemplo: se o indivíduo tiver gripe três vezes durante o ano, o evento só será contado uma vez. Logo se tem: É importante salientar que uma epidemia não representa a ocorrência de um grande número de casos em uma população, mas um excesso de casos quando comparado ao número esperado. Assim, o número de casos de uma epidemia vai variar de acordo com o agente causador, o tipo e o tamanho da população exposta, o período e o local de ocorrência. Para isso, existem dois cenários: caso autóctone, oriundo do mesmo local onde ocorreu, e o caso alóctone, importado de outra localidade (LUNA; SILVA, 2009). Duas variáveis são importantes ao se estudar a ocorrência de doenças: o tempo e o espaço. Em relação ao tempo, faz-se necessário registrar e acompanhar a evolução das doenças para que seja possível reconhecer os padrões e as tendências que ela apresenta ao longo de um período (dias, semanas, meses e anos). Esse dado é utilizado para que se possa determinar limites para as variações periódicas de ocorrências, fazendo com que seja possívelidenti�car se há aumento da incidência ou prevalência de uma doença além do que é esperado para determinado período (por exemplo: o aumento dos casos de rubéola no �nal do inverno e início da primavera). No caso da variável espaço, é importante estabelecer o limite geográ�co (país, estado, bairro) em que ocorre a doença (GOMES, 2015; LUNA; SILVA, 2009). Algumas condições geográ�cas in�uenciam as condições climáticas, as quais contribuem para o surgimento de determinadas doenças. As doenças tropicais são um exemplo: especula-se que, durante o período de exploração marítima, muitos desbravadores eram infectados por enfermidades desconhecidas. Como elas se manifestavam em regiões próximas aos trópicos do planeta, foram chamadas de doenças tropicais. Essas doenças eram infecciosas e eram transmitidas por vetores intermediários, que se proliferavam em condições de clima quente e úmido (JAVIER-SALVADOR, 2020; LUNA; SILVA, 2013; ZUCCOLOTTO, 2020). Incidência = e Pr evalência = número de casos novos em determinado período número de pessoas expostas ao risco no mesmo período número de casos existentes em determinado período número de pessoas na população no mesmo período Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Foi a partir dessa evidência que surgiu o conceito das doenças infecciosas emergentes e reemergentes, que são aquelas cuja incidência em humanos tem aumentado nas últimas duas décadas ou ameaça aumentar em um futuro próximo. No atual cenário de crise ambiental, observa-se a ressurgência de enfermidades outrora consideradas controladas e também o surgimento de doenças desconhecidas ou raramente detectadas. Nesse contexto, uma nova percepção sobre elas surge, dando início ao termo doenças tropicais negligenciadas (DTN) (JAVIER-SALVADOR, 2020; ZUCCOLOTTO, 2020). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2012), as DTNs estão presentes em 149 países, afetam a vida de 1 bilhão de pessoas e são caracterizadas pela elevada endemicidade em áreas rurais e em áreas urbanas menos favorecidas de países em desenvolvimento. São características de locais precários sem saneamento básico e sem acesso à água potável e a serviços de saúde. Vamos Exercitar? As enfermidades negligenciadas são um grupo de doenças tropicais transmissíveis que incidem e prevalecem em países tropicais e subtropicais, especialmente entre as populações pobres da África, da Ásia e da América Latina (SARTOR et al., 2022). De acordo com a classi�cação da OMS, as DTNs são: dengue, dracunculose, doença de Chagas, esquistossomose, �lariose linfática, helmintíases transmitidas via solo, leishmaniose cutânea e visceral, hanseníase, oncocercose, raiva, teníase/cisticercose, equinococose/hidatidose, tracoma, trematodiose (alimentar), treponematoses endêmicas, tripanossomíase africana humana e úlcera de Buruli (JAVIER-SALVADOR, 2020). O processo de globalização, o aumento do trânsito internacional de pessoas e mercadorias e a mudança contínua da situação epidemiológica mundial favoreceram a fragilidade das fronteiras dos países em questão e a entrada de doenças infecciosas. Além disso, o rápido crescimento populacional em áreas com sistemas de saúde de�cientes, a ampliação do meio urbano, alterações climáticas, con�itos civis e a natureza mutável da transmissão de agentes patogênicos entre populações humanas e animais são fatores que agravam a fragilizada saúde global (SARTOR et al., 2022). O Brasil, de acordo com o sistema de saúde, concentra o maior número de casos de DNTs entre os países da América do Sul (ZUCCOLOTTO, 2020). Na Figura 1 é possível observar as principais DNTs que acometeram a população brasileira desde 1826 até a última pandemia, em 2020. A linha do tempo representa a indicação do primeiro ano em que cada doença foi relatada ao Senado. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Figura 1 | Doenças epidemiológicas no Brasil: da varíola à Covid-19 (1826-2020). Fonte: Brasil (2020, [s. p.]). Devido a sua grande extensão territorial, o Brasil faz fronteira com dez países de diferentes status sanitários, além de diversos portos e aeroportos com intensa movimentação, expondo claramente a vulnerabilidade sanitária do país (SARTOR et al., 2022). As DNTs mais relevantes no Brasil são: dengue, chikungunya/zika, leishmaniose tegumentar americana, febre amarela e tuberculose (ZUCCOLOTTO, 2020). Outra doença de considerável relevância é a malária, de comum ocorrência na região da Amazônia Legal Brasileira. A malária é in�uenciada por várias condições de cunho climático, social, econômico ou de mudança da cobertura do solo. Além disso, existem condições de vulnerabilidade para a ocorrência da doença, como crescimento populacional, �uxo migratório e degradação ambiental, resultantes de intervenções humanas, bem como a proliferação do mosquito vetor Anopheles, cujo ciclo de vida é favorecido pela umidade e pela temperatura da região (SARTOR et al., 2022). As condições sanitárias brasileiras in�uenciam intensamente os casos de doenças devido à poluição e à contaminação das águas, à disposição irregular de resíduos e à falta de saneamento básico. Isso favorece o aparecimento de doenças conhecidas, como as de veiculação hídrica, que são aquelas causadas pela presença de microrganismos patogênicos na água (CETESB, 2023; PAIVA; SOUZA, 2018). Estratégias de combate, erradicação, prevenção e tratamento das DNTs são frequentemente discutidas por organismos internacionais com o desenvolvimento de medicamentos, vacinas e investimento em centros de pesquisa e inovação para controle e/ou erradicação de DNTs. Além dessas medidas, os cuidados e a atenção com a qualidade ambiental são fatores determinantes para o controle dessas doenças, visto que o problema de saneamento precário é causador de diversas doenças (PAIXÃO et al., 2013; ZUCCOLOTTO, 2020). Você aprendeu sobre algumas doenças tropicais que acometem a população brasileira, além de ocorrências de epidemias no último século. Siga empenhado nos estudos! Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Saiba mais Olá, estudante! Nesta aula você estudou como os fatores ambientais in�uenciam a aparição de algumas epidemias. Para mais informações sobre os conteúdos abordados nesta aula, consulte o site do Instituto Butantan e o do Instituto Biológico de São Paulo. Entenda o que é uma pandemia e as diferenças entre surto, epidemia e endemia - apresenta informações sobre os termos técnicos utilizados em epidemiologia. Boletins Epidemiológicos - disponibiliza sobre os boletins epidemiológicos em todo território nacional. Referências BRASIL. Senado Federal. Doenças Epidemiológicas no Brasil: da Varíola à Covid-19. Senado Federal, Brasília, 2020. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/arquivo/documentos-sobre-epidemias-no-brasil. Acesso em: 22 fev. 2023. BUTANTAN. Entenda o que é uma pandemia e as diferenças entre surto, epidemia e endemia. Portal do Butantan, São Paulo, [s. d.]. Disponível em: https://butantan.gov.br/covid/butantan-tira- duvida/tira-duvida-noticias/entenda-o-que-e-uma-pandemia-e-as-diferencas-entre-surto- epidemia-e-endemia. Acesso em: 22 fev. 2023. CETESB. Surtos de doenças de veiculação hídrica. CETESB, São Paulo, 2023. Disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/laboratorios/atendimento-a-emergencia/surtos-de-doencas-de- veiculacao-hidrica/. Acesso em: 22 fev. 2023. ESPINAL, M. Doenças tropicais negligenciadas: OPAS pede �m dos atrasos no tratamento nas Américas. OPAS, [S. l.], 28 jan. 2022. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/28-1-2022- doencas-tropicais-negligenciadas-opas-pede-�m-dos-atrasos-no-tratamento- nas#:~:text=Hansen%C3%ADase%2C%20dengue%2C%20leishmaniose%2C%20esquistossomose ,em%20risco%20mais%20de%20200. Acesso em: 22 fev. 2023. FIOCRUZ. A saúde no Brasil em 2030 – Prospecção estratégica do sistema de saúde brasileiro: população e per�l sanitário. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2013. v. 2. GOMES, E. C. S. Conceitos e Ferramentas da Epidemiologia. Recife: Ed. Universidadeda UFPE, 2015. INSTITUTO BIOLÓGICO. Instituto Biológico – Inovando o presente, São Paulo, 2023. Disponível em: http://www.biologico.sp.gov.br/. Acesso em: 22 fev. 2023. https://butantan.gov.br/covid/butantan-tira-duvida/tira-duvida-noticias/entenda-o-que-e-uma-pandemia-e-as-diferencas-entre-surto-epidemia-e-endemia https://butantan.gov.br/covid/butantan-tira-duvida/tira-duvida-noticias/entenda-o-que-e-uma- https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos https://www12.senado.leg.br/institucional/arquivo/documentos-sobre-epidemias-no-brasil https://butantan.gov.br/covid/butantan-tira-duvida/tira-duvida-noticias/entenda-o-que-e-uma-pandemia-e-as-diferencas-entre-surto-epidemia-e-endemia https://butantan.gov.br/covid/butantan-tira-duvida/tira-duvida-noticias/entenda-o-que-e-uma-pandemia-e-as-diferencas-entre-surto-epidemia-e-endemia https://butantan.gov.br/covid/butantan-tira-duvida/tira-duvida-noticias/entenda-o-que-e-uma-pandemia-e-as-diferencas-entre-surto-epidemia-e-endemia https://cetesb.sp.gov.br/laboratorios/atendimento-a-emergencia/surtos-de-doencas-de-veiculacao-hidrica/ https://cetesb.sp.gov.br/laboratorios/atendimento-a-emergencia/surtos-de-doencas-de-veiculacao-hidrica/ https://www.paho.org/pt/noticias/28-1-2022-doencas-tropicais-negligenciadas-opas-pede-fim-dos-atrasos-no-tratamento-nas#:~:text=Hansen%C3%ADase%2C%20dengue%2C%20leishmaniose%2C%20esquistossomose,em%20risco%20mais%20de%20200 https://www.paho.org/pt/noticias/28-1-2022-doencas-tropicais-negligenciadas-opas-pede-fim-dos-atrasos-no-tratamento-nas#:~:text=Hansen%C3%ADase%2C%20dengue%2C%20leishmaniose%2C%20esquistossomose,em%20risco%20mais%20de%20200 https://www.paho.org/pt/noticias/28-1-2022-doencas-tropicais-negligenciadas-opas-pede-fim-dos-atrasos-no-tratamento-nas#:~:text=Hansen%C3%ADase%2C%20dengue%2C%20leishmaniose%2C%20esquistossomose,em%20risco%20mais%20de%20200 https://www.paho.org/pt/noticias/28-1-2022-doencas-tropicais-negligenciadas-opas-pede-fim-dos-atrasos-no-tratamento-nas#:~:text=Hansen%C3%ADase%2C%20dengue%2C%20leishmaniose%2C%20esquistossomose,em%20risco%20mais%20de%20200 http://www.biologico.sp.gov.br/ Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE JAVIER-SALVADOR, G.J. Programa de prevenção às doenças tropicais. Curitiba: Contentus, 2020. LUNA, E. J. A, SILVA. J. R., Doenças transmissíveis, endemias, epidemias e pandemias. In: MEDRONHO, R. A. Epidemiologia. São Paulo: Editora Atheneu, 2009. MEDRONHO, R. A. Epidemiologia. São Paulo: Editora Atheneu, 2009. NASCIMENTO, D. R. do. Entre o medo e o enfrentamento das epidemias: uma re�exão motivada pela Covid-19. Casa de Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 8 maio 2020. Disponível em: https://coc.�ocruz.br/index.php/pt/todas-as-noticias/1788-entre-o-medo-e-o-enfrentamento-das- epidemias-uma-re�exao-motivada-pela-covid-19.html. Acessado em: 22 fev. 2023. OPAS. Módulos de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades. Brasília: OPAS: Ministério da Saúde, 2010. OPAS. OMS lança plano de 10 anos para acabar com sofrimento causado por doenças tropicais negligenciadas. OPAS, Genebra, 29 jan. 2021. 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Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante! Nesta aula você foi apresentado a temas importantes relacionados aos fatores, às características e aos condicionantes das principais doenças epidemiológicas do país. Esses temas fazem parte da rotina de pro�ssionais da área de saúde pública. No vídeo a seguir, você poderá rever os pontos-chave da aula, o que facilitará sua compreensão sobre os temas. Vamos ao vídeo! Ponto de Partida Olá, estudante! Os conteúdos que conheceremos nesta aula se referem ao processo de saúde e doença, aos fatores de risco envolvidos nesse processo e à epidemiologia das principais doenças do país. Esses temas são importantes para que haja a compreensão sobre os fatores clínico-epidemiológicos e ambientais relacionados às principais enfermidades que afetam o país e como ocorre a sua distribuição no espaço. Esses conhecimentos são essenciais como subsídios para a elaboração e a implementação de ações de saúde mais e�cazes às populações vulneráveis. Além disso, para que se possa analisar condicionantes e cenários que representam risco ou danos à saúde da população e ao meio ambiente, identi�cando os fatores determinantes e o processo saúde-doença, é preciso que se tenha a compreensão desses temas. Vamos à aula. Bons estudos! Vamos Começar! Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE A complexidade da vida contemporânea alterou as condições e a qualidade de vida da população com mudanças globalizadas somadas à transição demográ�ca e difusão de novos hábitos e padrões de comportamento, o que causou mudanças no per�l das doenças e agravos à saúde. Nesse contexto, o conceito de viver de maneira saudável emerge como fenômeno social entendido como um processo cíclico, interativo e associativo, no qual estão presentes elementos sociais e culturais, ao contrário da concepção de linearidade do fenômeno saúde-doença, que foi tradicionalmente concebido pela relação de causa e efeito por não considerar as dimensõessociais, emocionais, econômicas e espirituais do ser humano (CÂMARA et al., 2012; DALCIN et al., 2016). Vianna (2012) conclui que, em termos de sua determinação causal, o processo saúde-doença representa o conjunto de relações e variáveis que produzem e condicionam o estado de saúde e doença de uma população, que pode variar em diversos momentos históricos e cuja concepção passa por mudanças de acordo com os contextos históricos e fatores externos ao indivíduo (CARRAPATO et al., 2017; DALCIN et al., 2016). Ao longo dos anos, observou-se que o equilíbrio saúde-doença é determinado por uma multiplicidade de aspectos de origem social, econômica, cultural, ambiental e biológica/genética conhecida internacionalmente. A importância dos Determinantes Sociais da Saúde (DSS) dentro desse conceito está em constante adaptação, pois esses determinantes possuem um enorme impacto dentro do processo e são de�nidos como os fatores que in�uenciam, afetam e/ou determinam a saúde dos povos e cidadãos (CARRAPATO et al., 2017; DALCIN et al., 2016). Os DSS, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são os fatores “não médicos” que mais in�uenciam a saúde humana. Esses fatores são as condições nas quais o indivíduo ou grupo nascem, crescem, trabalham, vivem e envelhecem, ou seja, é o modelo de vida que o indivíduo tem. A OMS de�ne, ainda, que essas forças e sistemas incluem políticas e sistemas econômicos, agendas de desenvolvimento, normas sociais e sistemas políticos (WHO, 2023). Segundo Malta et al. (2017), considera-se fator de risco qualquer exposição que aumente a probabilidade de ocorrência de uma doença ou um agravo à saúde. Os fatores de risco podem ser monitorados por meio dos comportamentos adotados, do estilo de vida. Determinantes sociais, como condições socioeconômicas, culturais e níveis de escolaridade, in�uenciam os fatores de risco. Os DSS têm uma in�uência importante nas iniquidades da área da saúde. Em países de todos os níveis de renda, a saúde e a doença seguem um gradiente social, ou seja, quanto mais baixa a posição socioeconômica, pior é a situação da saúde. É nesse cenário que os DSS são avaliados como indicadores. De acordo com a OMS, os fatores ambientais são os mais valorizados e determinam 25% da condição de saúde da população. Outro fator de extrema importância é o estilo de vida do indivíduo. Um estilo de vida saudável deve ter lugar relevante para maiores ganhos em saúde, e os determinantes de estrati�cação social devem receber maior destaque em relação a essa in�uência (CARRAPATO et al., 2017; CARVALHO, 2013; WHO, 2023). Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Até aqui, você estudou os principais fatores que podem causar agravos na saúde. A seguir, estudaremos a relação entre os determinantes sociais e os fatores de risco e entenderemos como eles in�uenciam as ocorrências das principais doenças presentes no Brasil. Siga em Frente... O conceito e o panorama da saúde estão em constante mudança. As de�nições das condições e necessidades de saúde das populações variam de acordo com as mudanças socioeconômicas e ambientais e com os avanços do conhecimento, os quais têm sido utilizados para explicar a transformação dos per�s epidemiológicos dos países. A genética, os estilos de vida e o ambiente são os pilares que sustentam os riscos para a saúde pública. Os dois primeiros são estudados e discutidos há tempos, mas, no decorrer do �nal do século XX, o ambiente ganhou destaque (BUGALHO, 2017; OPAS, 2010). Entretanto, a quanti�cação da carga de doenças causadas pelo meio ambiente é de difícil con�rmação, dada a relativa falta de evidências sobre os vínculos causais entre exposições ambientais e resultados de saúde, bem como a falta de dados de exposição que sejam con�áveis a nível populacional (GUIMARÃES, 2021). Na perspectiva ampla relacionada ao modelo de determinantes da saúde, a multicausalidade tem relevância. Ao fazer referência ao nível individual, considera-se que as doenças transmissíveis têm um agente etiológico infeccioso ou biológico, e as não transmissíveis possuem um agente não biológico, como neoplasias ou problemas cardíacos (OPAS, 2010). As doenças transmissíveis marcaram a evolução da sociedade global, pois permitiram avanços importantes na saúde e continuam a ser uma preocupação ativa para o bem-estar das populações. Entretanto, as doenças não transmissíveis – resultado da combinação de fatores genéticos, �siológicos, ambientais e de comportamento – têm ganhado destaque nas últimas décadas. Na América Latina, as doenças transmissíveis mantêm sua importância, enquanto as não transmissíveis – lesões e toxicomanias (consumo de substâncias tóxicas) – tiveram uma maior relevância em relação às causas de morbidade e mortalidade (BUGALHO, 2017; OPAS, 2010). A má alimentação tem sido um causador do aumento de doenças não transmissíveis, enquanto que a deterioração dos recursos naturais e a produção de poluentes têm impacto na saúde, desencadeando efeitos em nível macro, como o aquecimento global, que está produzindo uma redistribuição das doenças transmitidas por vetores a latitudes que antes tinham uma temperatura menor (OPAS, 2010). Entre os anos de 1990 e 2015, em um estudo colaborativo realizado por institutos de diferentes áreas de pesquisas de diversos países sobre carga de doenças, lesões e fatores de risco a saúde; o saneamento inadequado, a poluição do ar, o nanismo e a desnutrição foram apontados como os principais fatores que causaram mais de 10 milhões de casos de morte prematura de pessoas. Para esse mesmo período, embora a exposição a esses fatores tenha sido reduzida em 30%, fatores como a diabetes e a obesidade Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE causaram agravos na saúde de aproximadamente 100 milhões de pessoas, um aumento de 20% (BILL & MELINDA GATES FOUNDATION, 2016). A busca pela causalidade da doença procura explicações de quem, onde, quando e por que ela acontece e tem como �nalidade orientar as medidas de intervenção adequadas e a posterior avaliação de sua efetividade. O enfoque epidemiológico considera que a doença na população é um fenômeno dinâmico e sua propagação depende da interação entre a exposição e a suscetibilidade dos indivíduos e dos grupos constituintes da dita população aos fatores determinantes da presença da doença (OPAS, 2010). Dentro dessa perspectiva, a concepção de História Natural da doença torna-se fundamental, pois apresenta um dos conceitos clássicos de conjunto de processos interativos, que compreendem as inter-relações do agente etiológico, do suscetível e do meio ambiente, passando desde as variações ambientais/biológicas, que criam o estímulo patógeno, até a resposta do suscetível a esse agente, podendo levar o indivíduo à doença, à invalidez, à recuperação ou à morte (GOMES, 2015). Vamos Exercitar? As de�nições do estado e das necessidades de saúde das populações variam de acordo com os fatores socioeconômicos e ambientais e com os avanços do conhecimento, os quais têm sido utilizados para explicar a transformação dos per�s epidemiológicos dos países (OPAS, 2010). Vimos, anteriormente, que a história natural da doença é de alta relevância para a compreensão do processo saúde-doença, que se desenvolve em dois períodos sequenciais: Período epidemiológico: relação entre o suscetível à doença e o ambiente. Período patológico: relação entre o organismo vivo (agente causador) e o suscetível à doença. Os estímulos causados pelos fatores socioeconômicos e ambientais sobre o indivíduo possuem característica multifatorial, que, a depender da vulnerabilidade do organismo, desencadeará ou não a doença, ou seja, um mesmo indivíduo ou uma mesma população pode responder de forma diferente aos agentes agressores ao longo do tempo (GOMES, 2015). Outro aspecto importante para o entendimento do processo saúde-doença são as medidas de mortalidade, que permitem avaliar as condições de saúde de uma população, e a letalidade, que é a medida da gravidade da doença e que expressa opoder que uma doença ou agravo à saúde tem de provocar a morte das pessoas acometidas (BONITA; BEAGLEHOLE; KJELLSTRÖM, 2010; GOMES, 2015). mortalidade geral = Nº total deóbitos em um determinado perído População total, na metade do período . 100 Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Essas são duas medidas comumente utilizadas na caracterização epidemiológica, pois permitem conhecer a natureza e o comportamento das doenças, o que ajuda na tomada de decisão quanto ao tipo de resposta necessária para o controle delas. As doenças transmissíveis costumam ser agudas e as não transmissíveis costumam ser crônicas. Estas últimas, em alguns casos em que o papel de um agente infeccioso está mais claramente de�nido, como no câncer de colo uterino e no de fígado, por exemplo, a infecção não leva invariavelmente à doença (OPAS, 2010). No Brasil, as doenças não transmissíveis constituem um grande problema de saúde e corresponderam a 72,6% das causas de morte até 2015. Desde o início do século XXI, as doenças cardiovasculares ocupam o primeiro lugar entre as causas de morte, seguidas de neoplasias, doenças crônicas, respiratórias e diabetes. O aumento da carga das doenças crônicas não transmissíveis está diretamente ligado a alguns efeitos negativos do processo de globalização, da urbanização acelerada, da vida sedentária e de dietas com alto teor calórico, além do consumo de tabaco e álcool. Esses fatores de risco comportamentais têm impacto nos principais fatores de risco para o organismo, como sobrepeso/obesidade, hipertensão, hiperglicemia e dislipidemia, podendo resultar em diabetes, doenças cardiovasculares, câncer, entre outras doenças (GUIMARÃES, 2021). Tanto nas doenças não transmissíveis como nas clássicas doenças agudas infecciosas, as características do hospedeiro humano e seu entorno social e ambiental são determinantes para a produção ou não do dano à saúde. De acordo com estudos realizados do cenário epidemiológico no século XXI, foi possível observar que, em um futuro previsível, não parece possível erradicar as doenças infecciosas, pois, com os avanços do conhecimento e do controle das doenças transmissíveis, houve uma redução notória de sua morbidade e mortalidade em todo o mundo, especialmente nos países desenvolvidos e principalmente nos grupos de população em risco, bene�ciados com os programas de saúde pública. No entanto, o espectro das doenças transmissíveis também está evoluindo rapidamente em relação ao conjunto de fortes mudanças sociais e ambientais contemporâneas. O crescimento populacional, a expansão da pobreza, a migração urbana e a globalização da tecnologia são, entre outras, mudanças que afetam a suscetibilidade ao risco de exposição a agentes infecciosos (OPAS, 2010). Saiba mais Olá, estudante! Nesta aula você estudou os aspectos das principais doenças epidemiológicas no Brasil. Para mais informações, vale a pena consultar os seguintes sites: Instituto Evandro Chagas (IEC) – pesquisa cientí�ca, apoio à vigilância e ao ensino voltados para produção, disseminação e divulgação de conhecimento e inovações tecnológicas que subsidiem as políticas de saúde. letalidade = Nº de mortes causado pela doença em determinado período de doentes por determinada doença no mesmo período . 100 https://www.gov.br/iec/pt-br Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) - trabalha com os países das Américas para melhorar a saúde e a qualidade de vida de suas populações. Atua como escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas e é a agência especializada em saúde do sistema interamericano. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) – realiza estudos cientí�cos do meio físico e das condições de vida da região amazônica. O INPA é referência mundial em Biologia Tropical. Referências BARATA, R. B. Iniquidade e saúde: a determinação social do processo saúde-doença. Revista USP, São Paulo, n. 51, p. 138-145, 2001. BILL & MELINDA GATES FOUNDATION. Global, regional, and national comparative risk assessment of 79 behavioral, environmental and occupational, and metabolic risks or clusters of risks, 1990–2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet, [S. l.], v. 388, p. 1659-1724, 2016. BONITA, R.; BEAGLEHOLE, R.; KJELLSTRÖM, T. Epidemiologia básica. 2. ed. São Paulo: Santos: GEN, 2010. BUGALHO, A. R. F. Doenças transmissíveis, doenças não transmissíveis e os desa�os do século XXI. 2017. Dissertação (Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas) – Universidade de Lisboa, Lisboa, 2017. CÂMARA, A. M. C. S. et al. Percepção do processo saúde-doença: signi�cados e valores da educação em saúde. Rev. bras. educ. med., [S. l.], v. 36, 2012. CARRAPATO, P. et al. Determinante da saúde no Brasil: a procura da equidade na saúde. Saúde soc. v. 26, n. 3, 2017. CARVALHO, A. I. de. Determinantes sociais, econômicos e ambientais da saúde. In: FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. A saúde no Brasil em 2030 – prospecção estratégica do sistema de saúde brasileiro: população e per�l sanitário. Rio de Janeiro: Fiocruz/Ipea/Ministério da Saúde/Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, 2013. v. 2. p. 19-38. DALCIN, C. B. et al. Determinantes Sociais em Saúde que in�uenciam o processo de viver saudável em uma comunidade vulnerável. Revista de enfermagem, Recife, v. 10, n. 6, p.1963- 1970, 2016. GOMES, E. C. S. Conceitos e ferramentas da epidemiologia. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2015. https://www.paho.org/pt/brasil https://www.gov.br/inpa/pt-br https://www.gov.br/inpa/pt-br Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE GUIMARÃES, R. M. Fatores Ambientais e epidemiologia das doenças crônicas. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2021. IEC. Instituto Evandro Chagas – IEC, [S. l.], 2023. Disponível em: https://www.gov.br/iec/pt-br. Acesso em: 22 fev. 2023. INPA. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, [S. l.], 2023. Disponível em: https://www.gov.br/inpa/pt-br. Acesso em: 22 fev. 2023. MALTA, D. C. et al. Fatores de risco relacionados à carga global de doença do Brasil e Unidades Federadas, 2015. Rev. bras. epidemiol., [S. l.], v. 20, 2017. OPAS. Módulos de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades. Brasília: OPAS: Ministério da Saúde, 2010. OPAS. OPAS Brasil, [S. l.], 2023. Disponível em: https://www.paho.org/pt/brasil. Acesso em: 22 fev. 2023. SILVA, E.S. et al. Historicidade e olhares sobre o processo saúde-doença: uma nova percepção Revista SUSTINERE, Rio de Janeiro, v. 4, n. 2, p. 171-186, 2016. VIANNA, L. A. C. Processo saúde-doença. UNA-SUS, [S. l.], 2012. Disponível em: http://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/166. Acesso em: 22 fev. 2023. WHO. Social determinants of health. WHO, [S. l.], 2023. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/social-determinants-of-health#tab=tab_1. Acesso em: 22 fev. 2023. Aula 4 Saúde coletiva Videoaula: Saúde coletiva Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. https://www.gov.br/iec/pt-br https://www.gov.br/inpa/pt-br https://www.paho.org/pt/brasil http://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/166 https://www.who.int/health-topics/social-determinants-of-health#tab=tab_1 Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Olá, estudante! Nesta aula você foi apresentado a temas importantes relacionados à saúde coletiva, às políticas e ao sistema de saúde. Com isso, estudamos o atual cenário da saúde coletiva no Brasil e suas principais diretrizes. Para melhorar a compreensão deste conteúdo, assista ao vídeo a seguir. Ponto de Partida Olá, estudante! Nesta aula conheceremos um pouco mais a saúde coletiva, suas políticas públicas e o Sistema Único de Saúde do Brasil, o SUS. Esse importante tema envolve conhecimentos multidisciplinares em várias áreas, como gestão pública, ciênciamédica, social e econômica. Entender esses temas é essencial para o pro�ssional que pretende atuar nas unidades de serviços de saúde, desenvolver propostas de políticas e ações que visem à promoção da saúde pública, ou mesmo atuar na docência e na pesquisa acadêmica. Diante disso, nesta aula, focaremos na saúde no Brasil, em suas principais diretrizes e no seu atual cenário coletivo no país. Vamos à aula. Bons estudos! Vamos Começar! Todo indivíduo tem o direito de usufruir da seguridade da saúde pública e de todas as ações prestadas por ela. Comumente, os termos saúde pública e saúde coletiva são confundidos, porém possuem de�nições e objetivos distintos. A saúde pública tem como foco as questões relacionadas a doenças, que podem ser de�nidas em termos de mortes, tipo de enfermidades, agravos e riscos à saúde da população. As ações necessárias devem respeitar as possibilidades e os programas fornecidos pelo Estado (FIOCRUZ, 2014; SOUSA, 2015; SLIVINSKI, 2019). A saúde coletiva considera a saúde um fenômeno social e diz respeito aos serviços disponíveis e aos estudos de diversos campos de conhecimento sobre a saúde; seu objetivo é promover a saúde, proporcionando às pessoas todas as condições necessárias para melhorar a qualidade de vida e não apenas para reduzir ou evitar a doença como faz a saúde pública (BASSINELLO, 2014). Em relação à avaliação do cenário da saúde do ponto de vista da saúde coletiva, é necessário que se ultrapassem as barreiras da observação, do diagnóstico e da prescrição de tratamento ao paciente como um indivíduo isolado e se considere a comunidade e/ou a coletividade. O processo saúde-doença deve ser analisado dentro de um contexto social, no qual o indivíduo se encontra inserido a �m de que haja subsídios su�cientes para interferir na realidade e promover as mudanças necessárias (SLIVINSKI, 2019). A saúde coletiva se coloca como potencial instrumento para a transformação das práticas de saúde, cuja essência é o cuidado com o indivíduo-coletivo. As necessidades de saúde da população são atendidas pelo Estado, que, por meio de políticas públicas, visa criar ações de Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE promoção, proteção e recuperação da saúde em nível individual e coletivo (FERRAZ; KRAICZYK, 2010; SANCHES; BERTOLOZZI, 2007). De acordo com Ferraz e Kraiczyk (2010), o processo de construção e consolidação dessas políticas deve ser compreendido de forma dinâmica, não somente pelas transformações sociais que resultam na geração de novas necessidades de saúde, mas também pelo fato de que a implementação dessas políticas somente acontece por meio da ação concreta de diversos atores sociais e de atividades institucionais. No início dos anos 1980, quando o Brasil foi afetado pela crise econômica mundial, o governo federal reduziu o investimento na saúde pública, deixando a população em condições de extrema vulnerabilidade. Nesse contexto, o movimento sanitarista, alinhado a forças populares e políticas, conseguiu aprovar, na Assembleia Constituinte, a adoção de um sistema de saúde inovador, democrático e descentralizado, que previa, de forma universal e gratuita, o acesso a ações e serviços de saúde, o reconhecido Sistema Único de Saúde (SUS) (NASCIMENTO, 2018). Agora que você já conhece os principais conceitos sobre políticas públicas de saúde, saúde coletiva e o SUS, vamos estudar com mais detalhes as ações integradas entre esses temas. Siga em Frente... A partir do século XIX, à medida que as cidades cresciam sem planejamento, as pessoas eram acometidas por doenças infectocontagiosas dentre outros acontecimentos sanitários, assim a prevenção de doenças se tornou essencial para administradores públicos. Com o passar dos anos, observou-se que a prevenção de doenças e as ações integradas à promoção da saúde garantem melhores condições de vida para a população. No contexto brasileiro, essa articulação consolidou o Movimento da Reforma Sanitária Brasileira (MRSB), cuja temática central era o reconhecimento do direito à saúde como algo inerente à conquista da cidadania. Na década de 1990, portanto, em decorrência do MRSB e da noção de saúde coletiva, foi criado o Sistema Único de Saúde (SUS) (KIRST; DARSIE, 2022). No período que antecedeu a existência do SUS, o Ministério da Saúde, com apoio dos estados, dos municípios e de fundações �nanciadas com recursos internacionais, desenvolvia quase que exclusivamente ações de promoção e proteção da saúde por meio de atividades educativas e preventivas, como campanhas sanitárias para o controle e a pro�laxia de doenças. Em relação às ações de tratamento e recuperação da saúde, o Ministério da Saúde realizava algumas atividades de assistência médica em poucos hospitais especializados nas áreas de psiquiatria e tuberculose. Essas ações eram dirigidas àquela parcela da população de�nida como vulnerável. No campo da assistência médica, a atuação do poder público ocorria no âmbito das instituições relacionadas à Previdência Social. A ação governamental no campo da assistência médica, portanto, foi organizada como direito restrito à parcela da população que contribui, com parte do seu salário, para o sistema de previdência social (LUCCHESI, 2004). Essas condições resultaram no desenvolvimento de um sistema de intervenção estatal centralizado, fragmentado institucionalmente e que, segmentando clientelas, produziu grandes Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE disparidades no acesso da população brasileira a ações e serviços públicos de saúde. A insatisfação com esse sistema uniu diversos setores da sociedade que formaram um movimento político. Esse movimento visava assegurar o acesso universal e igualitário da população a um cuidado integral a sua saúde, criando assim o SUS (LUCCHESI, 2004; ROCHA et al., 2012). O SUS foi de�nido, na Lei nº 8.088 de 1990, como “o conjunto de ações e serviços públicos de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público” (BRASIL, 1990, [s. p.]). A lei evidencia que, quando suas disponibilidades forem insu�cientes para garantir a cobertura para a população, o SUS poderá recorrer à iniciativa privada para garantir a assistência mediante contratos e convênios, observando normas de direito público, princípios éticos e regulamentações sobre as condições de funcionamento, controle e �scalização (ROCHA et al., 2012). A implantação e a expansão do SUS permitiram ao Brasil sair de uma lógica em que poucos tinham acesso a esses serviços para uma lógica de acesso pleno e universal (MERHY et al., 2022). Vimos o movimento que iniciou a criação do SUS, a seguir, vejamos as ações e princípios relacionados a esse sistema de saúde no Brasil. Vamos Exercitar? A saúde coletiva é um modelo de atuação em saúde tipicamente brasileiro, visto que apenas no Brasil é reconhecida como tal, pois, em outros países, aquilo que se entende por saúde coletiva se encaixa no escopo da saúde pública. Contudo, é a sua relevância histórica e cultural, enquanto movimento político-democrático, e o seu per�l de inovação e enfrentamento frente aos modelos de saúde, outrora direcionados para o controle da doença, que a fortalecem e garantem sua relevância atualmente (KIRST; DARSIE, 2022). Nesse contexto, os pro�ssionais da saúde realizam diversas atividades: consultam, operam, fazem exames, procedimentos, etc. Eles atuam na iniciativa pública ou privada e, no Brasil, os serviços públicos são exclusivamente oferecidos pelo SUS ou por prestadores por ele contratados (ROCHA et al., 2012). O SUS é um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo. Ele abrange vários serviços, desde o simples atendimento para avaliação da pressão arterial, por meio da Atenção Primária, até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país. Com a sua criação, o SUS proporcionou o acesso universal ao sistema público de saúde sem descriminaçãoentre seus usuários. A gestão das ações e dos serviços de saúde deve ser solidária e participativa entre os três entes da federação: a União, os estados e os municípios. A rede que compõe o SUS é ampla e abrange tanto ações quanto os Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE serviços de saúde. Engloba a atenção primária, média e de alta complexidade, os serviços de urgência e emergência, a atenção hospitalar, as ações e os serviços das vigilâncias epidemiológicas, sanitária, ambiental e assistência farmacêutica (MINISTÉRIO DA SAÚDE, [s. d.]). O SUS assegura direitos que são garantidos por seus princípios, que são: Princípios doutrinários Universalidade: compreende o que é destinado a todos, sem restrição. Integralidade: conjunto articulado e contínuo de ações e serviços preventivos, curativos, individuais e coletivos nos diferentes níveis de complexidade do sistema. Igualdade: todos devem receber igual atendimento independentemente de suas características pessoais. Equidade: esse princípio tem como foco minimizar as diferenças sociais entre os indivíduos e considera fatores externos como causas para enfermidades. Princípios organizativos Descentralização: dispersa a responsabilidade da gestão do sistema entre as três esferas do governo. Regionalização e hierarquização: ressalta a importância da regionalização para a atenção à saúde e evidencia a necessidade da descentralização para se atingir os princípios doutrinários. Participação popular: a Lei nº 8.142/1990 regulamenta a participação popular nas decisões e nos direcionamentos da saúde por meio dos conselhos e das conferências nas três esferas do poder. Destaca-se que, entre os princípios do SUS e a realidade, existem disparidades, pois existem desigualdades sociais, regionais e culturais no Brasil que di�cultam que toda a população tenha acesso as mesmas condições desse atendimento. (BUSATO et al., 2019). Você estudou sobre a saúde coletiva e pública no âmbito do SUS. Agora, você conhece o principal sistema de saúde que atende os brasileiros, bem como seus princípios e suas diretrizes. Saiba mais Olá, estudante! Para mais informações sobre a saúde coletiva e os sistemas de saúde, leia o artigo: O campo da Saúde Coletiva no Brasil: de�nições e debates em sua constituição. https://doi.org/10.1590/S0104-12902015S01018 https://doi.org/10.1590/S0104-12902015S01018 Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Saiba mais sobre o Sistema Único de Saúde, que é o sistema público integrado que atende todo o território nacional. Referências BASSINELLO, G. Saúde Coletiva. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. BRASIL. Lei nº 8.088, de 31 de outubro de 1990. Dispõe sobre a atualização do Bônus do Tesouro Nacional e dos depósitos de poupança e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8088consol.htm#:~:text=LEI%20No%208.088%2C%20D E%2031%20DE%20OUTUBRO%20DE%201990.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20atualiza%C 3%A7%C3%A3o%20do,poupan%C3%A7a%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias. Acesso em: 22 fev. 2023. BUSATO, I. M. S.; GARCIA, I. F.; RODRIGUES, I. C .G. SUS: estrutura organizacional, controle, avaliação e regulação. Curitiba: Intersaberes, 2019. DGR BRASIL. Gestão Pública: o que podemos ensinar e aprender com outros países? DGR Brasil, [S. l.], 16 dez. 2021. Disponível em: https://www.drgbrasil.com.br/valoremsaude/gestao-de- saude-publica/. Acesso em: 22 fev. 2023. FERRAZ, D.; KRAICZYK, J. Gênero e Políticas Públicas de Saúde – Construindo respostas para o enfrentamento das desigualdades no âmbito do SUS. Revista de Psicologia da UNESP, [S. l.], v. 9, n. 1, 2010. FIOCRUZ. Saúde coletiva e saúde pública: diferenças e semelhanças. Fiocruz, Rio de janeiro, 28 mar. 2014. 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E. et al. Pandemia, Sistema Único de Saúde (SUS) e Saúde Coletiva: composições e aberturas para mundos outros. Interface, [S. l.], v. 26, 2022. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema Único de Saúde. Gov.br, Brasília, [s. d.]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sus. Acesso em: 22 fev. 2023. NASCIMENTO, A. B. Política de Saúde. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. OSMO, A.; SCHRAIBER, L. B. O campo da Saúde Coletiva no Brasil: de�nições e debates em sua constituição. Saúde Soc., São Paulo, v. 24, supl. 1, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/QKtFb9PkdpcTnz7YNJyMzjN/?lang=pt. Acesso em: 22 fev. 2023. ROCHA, J. S. Y. et al. Manual de saúde pública & saúde coletiva do Brasil. São Paulo: Atheneu, 2012. SANCHES, A. I. M.; BERTOLOZZI, M. R. Pode o conceito de vulnerabilidade apoiar a construção do conhecimento em Saúde Coletiva? Ciênc. saúde coletiva, [S. l.], v. 12, n. 2, 2007. SLIVINSKI, C. T. Saúde Pública e Saúde Coletiva. 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Nesta unidade você conheceu a relação entre os fatores sociais, ambientais, econômicos, culturais e a maneira como eles interferem na qualidade de vida e na saúde. Os conceitos abordados são de fundamental importância para que você compreenda essa relação e a consequência dela. No vídeo, você reverá os conceitos, os fundamentos e alguns exemplos que facilitarão o seu entendimento sobre o que foi abordado ao longo das aulas. Ponto de Chegada Olá, estudante! Vimos, nesta unidade, que o conceito de saúde foi se modi�cando ao longo da história. Antes,a saúde era considerada apenas a ausência de doença; hoje, um conceito muito mais complexo se formou. Para se avaliar alguém como “saudável”, vários indicadores podem ser utilizados, como os ambientais, que foram desenvolvidos para facilitar a quanti�cação e a avaliação das informações produzidas para essa �nalidade, cujas fontes são inúmeras e variáveis (BERTÉ, 2021; CARVALHEIRO et al., 2002; LIMA, 2014; ROSEIRO; TAKAYANAGUI, 2007). Nesse contexto, ao se considerar a saúde, é necessário que se avaliem não apenas as condições biológicas/genéticas/hereditárias, mas também as ambientais, sociais, culturais e econômicas de um indivíduo ou grupo (SOUTO-MARCHAND, 2017; ROSEIRO; TAKAYANAGUI, 2007). A epidemiologia ganhou destaque com a compreensão do processo saúde-doença, o que ocorreu ao longo da história e culminou em ações e estratégias propostas para a melhoria da saúde, que levam em consideração a promoção de uma melhor qualidade de vida, a proposição de medidas de controle de doenças a partir de estudos e a compreensão das causas e das consequências de enfermidades na população, resultando em sua diminuição. Foi por meio dos estudos de epidemiologia que medidas de controle sanitário, isolamento de doentes e desinfecções foram utilizadas. A partir daí, observou-se a diminuição de infecções que outrora acometiam a população (GOMES, 2015; NASCIMENTO, 2020; TIETZMANN, 2014). Um ponto importante no estudo da ocorrência da doença é a quantidade e a frequência com que ela ocorre na população, assim, dependendo dessas variáveis, existem as seguintes classi�cações: Endemia: presença de uma doença dentro de limites esperados, em uma determinada área geográ�ca, sem que se espalhe para outros lugares e por um período de tempo ilimitado. Por exemplo: malária e doenças de Chagas. Epidemia: ocorrência, em uma região, de uma enfermidade que se espalha para outras de forma descontrolada; há elevação brusca, temporária e acima do esperado da incidência de uma determinada doença. Por exemplo: poliomielite (mesmo que aconteça um único caso, não é o esperado). Pandemia: propagação do agente infeccioso no ambiente, com ampla distribuição espacial da doença, atingindo diferentes nações ou continentes. Por exemplo: COVID-19 (MEDRONHO, 2009; TIETZMANN, 2014). Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE Quando se tem a ocorrência epidêmica, situação na qual todos os casos possuem relação entre si, atingindo uma área geográ�ca limitada e pequena, dizemos que temos um surto. Por exemplo: casos de intoxicação alimentar em uma empresa (MEDRONHO, 2009). No decorrer dos anos, mais precisamente após o século XX, observou-se que não apenas as medidas de controle de doenças eram importantes, mas também as estratégias de promoção e manutenção da saúde, ou seja, não apenas evitar e/ou controlar doenças, mas propor melhoria na qualidade de vida da população. Dessa maneira, o conceito de saúde pública e saúde coletiva se desenvolveu (KIRST; DARSIE, 2022). A saúde pública tem como foco os problemas de saúde relacionados à quantidade, aos tipos de doenças, mortes etc. Na saúde coletiva, o objetivo é a promoção da saúde, ou seja, ela se refere a todas as condições necessárias para melhorar a qualidade de vida e não apenas para reduzir ou evitar a doença (FIOCRUZ, 2014; SOUZA, 2015; SLIVINSKI, 2019). No Brasil todos os serviços de saúde, tanto aqueles relacionados à saúde pública quanto aos relacionados à coletiva, são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que é um dos maiores sistemas de saúde pública gratuitos do mundo, que é oferecido a qualquer pessoa brasileira ou estrangeira que esteja em solo brasileiro (BUSATO; GARCIA; RODRIGUES, 2019). É Hora de Praticar! Em 2019, a Organização Mundial de Saúde (OMS) foi alertada sobre casos de pneumonia em cidades da China. Tratava-se de um novo tipo de coronavírus (COVID-19), que até então não havia sido identi�cado em seres humanos. A doença é infecciosa, causada pelo vírus SARS-CoV-2, e foi reconhecida pela OMS, em 2020, como uma pandemia. A maioria das pessoas infectadas com esse vírus apresenta doença respiratória de leve a moderada e se recupera sem a necessidade de tratamento especial. Outras �cam gravemente doentes e exigem atenção médica, como idosos e pessoas com condições de vulnerabilidade subjacentes. No entanto, qualquer pessoa pode adoecer com COVID-19 e �car gravemente doente ou morrer. No contexto de gestão em saúde pública, o uso de indicadores pode auxiliar os gestores e responsáveis na elaboração de medidas de contenção e estratégicas para o combate ao vírus SARS-CoV-2. A interpretação de indicadores de saúde pode variar consideravelmente, dependendo da situação epidemiológica e do tipo de evento a ser investigado. Frequentemente, indicadores baseados na proporção de eventos incidentes e na proporção de eventos prevalentes são os mais utilizados para descrever doenças em saúde pública. Considera-se a incidência como o número de novos casos da doença em uma população, em determinado tempo. Já a prevalência refere-se ao número total de casos em um grupo, em um momento estabelecido. A mortalidade é a fonte mais antiga e comum de dados sobre o estado de saúde de uma população. O termo taxa de mortalidade é usado para analisar o impacto de uma doença em uma população. Pode ser de�nido como: Taxa de mortalidade = número de pessoas que morrem por uma causa especí�ca número total de pessoas na população Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE A partir do conhecimento desse conceito, podemos concluir que a taxa de mortalidade por COVID-19 informa quantas pessoas estão morrendo por essa doença em determinada população. Outra medida valiosa é a taxa de letalidade, a qual estima o número de mortes em relação às pessoas que apresentam a doença ativa. Por não considerar toda a população, essa medida indica a porcentagem de pessoas infectadas que evoluem para óbito. Suponha que você tenha o seguinte boletim epidemiológico para a COVID-19: Descrição Número de indivíduos Casos con�rmados da doença 37.000.000 Casos recuperados 36.000.000 Casos em observação 200.000 Novos casos da doença 10.000 Óbitos acumulados 698.000 Novos casos de óbitos 10 Incidência (para cada 1000 habitantes) ? Prevalência (para cada 1000 habitantes) ? Letalidade ? Mortalidade (para cada 1000 habitantes) ? População total do Brasil 208.000.000 Nesta unidade você estudou alguns conceitos valiosos para a saúde pública, tais como indicadores ambientais, indicadores de saúde, letalidade, morbidade, e outros parâmetros cuja interpretação é necessária para aqueles que atuarão diretamente na linha de frente do enfrentamento de doenças infecciosas. Esta atividade servirá para você estar mais familiarizado com esses conceitos e cálculos. Bons estudos! Olá estudante, chegamos ao encerramento da unidade! Vamos realizar a experiência presencial que irá consolidar os conhecimentos adquiridos? É a oportunidade perfeita para aplicar, na prática, o que foi aprendido em sua disciplina. Vamos transformar teoria em vivência e tornar esta etapa ainda mais signi�cativa. Não perca essa chance única de colocar em prática o conhecimento adquirido. Disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E SAÚDE BERTÉ, R. et al. Vigilância Ambiental. Curitiba: Intersaberes, 2021. BUSATO, I. M. S; GARCIA, I. F.; RODRIGUES, I. C. G. SUS: estrutura organizacional, controle, avaliação e regulação. Curitiba: Intersaberes, 2019. CARVALHEIRO, J. R. et al. O crucial debate da ciência no limiar do século 21. Ciência & Saúde Coletiva, [S. l.], v. 7, n.1, p.17-41, 2002. FIOCRUZ. Saúde coletiva e saúde pública: diferenças e semelhanças. FIOCRUZ, Rio de Janeiro, 28 mar. 2014. Disponível em: https://informe.ensp.�ocruz.br/noticias/34964. Acesso em: 31 jan. 2023. GOMES, E. C. S. Recife: Ed. Universidade da UFPE, 2015. 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UFG, Goiânia, 21 jul. 2015. Disponível em: https://www.ufg.br/n/82100-saiba-a-diferenca- entre-saude-coletiva-e-saude-publica. Acesso em: 31 jan. 2023. TIETZMANN, D. Epidemiologia. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014 https://www.ufg.br/n/82100-saiba-a-diferenca-entre-saude-coletiva-e-saude-publica https://www.ufg.br/n/82100-saiba-a-diferenca-entre-saude-coletiva-e-saude-publica